Blogs e Colunistas

Sucessão 2010

30/10/2010

às 20:34

Datafolha e Ibope sem surpresas

Segundo o Datafolha, a diferença entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra, um dia depois do debate da Globo e um dia antes da eleição, segue em 10 pontos percentuais, a mesma do levantamento feito no dia 28. Nos votos válidos, Dilma aparece com 55%, e Serra, com 45%. No Ibope,  é de 12: 56% a 44%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. No Datafolha, houve uma pequena variação nos votos totais, o que fez a diferença passar de 12 para 10 pontos. Ninguém deveria esperar nada além disso. Nem teria havido tempo para consolidar mudanças significativas. Se algo vai acontecer fora do que prevêem os institutos, não seriam eles a apontar. A eleição é amanhã. Os trackings dos dois partidos apontam uma diferença bem menor. As urnas dirão. Depois escrevo mais a respeito, é claro.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 7:17

Por um dia!

Estamos a um dia da eleição. Vocês podem imaginar a pressão, especialmente da petralhada. Como é mesmo? “Se entrega, Corisco!” E eu: “Só me entrego na morte, de parabelo na mão!” Se acredito nas pesquisas? Não! Entre os problemas de metodologia de todos e a má fé de alguns, prefiro resistir. Gostaria que José Serra vencesse a eleição. Vou votar nele, como todo mundo sabe. Vencer a disputa, no entanto, nunca foi uma tarefa fácil. Dilma Rousseff tinha 3% dos votos, e eu a chamava de favorita aqui. Nem tanto pelo “poder que Lula tem de transferir voto” — menor do que parece, basta que se examinem os números —, mas porque uma doxa vinha se firmando: “Governo popular não perde eleição jamais!”. Isso pauta a cobertura da eleição de 2010 há pelo menos dois anos, quando o processo mal havia sido deflagrado. Essa máxima contaminou, digamos assim, toda a inteligência do processo eleitoral. E teve efeitos bastante negativos até na propaganda eleitoral do PSDB, coisa de que tratarei em outros textos.

Curiosamente, embora todos os institutos apontem uma vantagem relativamente folgada para Dilma Rousseff, parece que nem os petistas acreditam muito nisso. Não sei se as urnas reservam uma daquelas surpresas que desmoralizariam as pesquisas de modo acachapante — e noto que isso pode acontecer ainda que Dilma vença. O que sei, isto sim, é que o clima não é de confiança, de euforia. Não se repetem as certezas do segundo turno disputado por Lula em 2002 e 2006, contra dois bons candidatos: o próprio Serra e Geraldo Alckmin. E por que não?

Por que a desconfiança?
Porque muitos dos defeitos que os não-petistas vemos em Dilma são vistos também pelos petistas — incluindo aí boa parte da sua base eleitoral. O debate de ontem da Globo (ler post abaixo) o evidenciou mais do que qualquer outro. Sem poder fazer aquele jogo acelerado das acusações aos borbotões, sem muito espaço para satanizar o governo FHC e endeusar Lula, obrigada a dar algumas respostas minimamente objetivas, evidenciou-se o seu real tamanho. Foi uma candidata inventada por Lula e adotada pelo PT — e isso lhe garantia de saída um terço dos votos no Brasil. Mas não é do ramo. Fica tão à vontade no papel de política como, digamos, à vontade estava naquele seu terninho cinza com gorgorão na gola (é “gorgorão” aquilo? Não vou acordar Dona Reinalda para perguntar; ela não me perdoaria…).

Exerce com tal artificialismo seu papel que uma estranha avaliação passou a ser feita por alguns “analistas” depois de suas performances em debates: “Ah, não foi um desastre; então ela ganhou”. Notem o escândalo intelectual de tal formulação: aquela que pode ser a presidente da República é saudada como vitoriosa por não ser desastrada. Já sobre Serra se operava com um raciocínio mais ou menos contrário, mas não menos bucéfalo: “Ah, ele é muito melhor; então é preciso esmagá-la. Se não esmaga, então perde”. A isso chegou certa “inteligência” analítica brasileira: o que se sai melhor perde porque não massacra; a que se sai pior ganha porque não é massacrada.

A falta de raciocínio lógico é um dos desastres do nosso tempo. Eu atribuo isso a dois fatores: crise no ensino de matemática e falta de leitura. A pouca intimidade com os textos e a incapacidade de estabelecer relações entre fatores, distinguindo correlação de relação de causa e efeito, por exemplo, transformam qualquer cérebro num mingau. E  tolices pavorosas vão se multiplicando. Uma das mais freqüentes ao longo da disputa eleitoral foi esta: “Se Dilma sair inteira, vence; se Serra não sair puxando os despojos, perde”. E poucos se dão conta de que o excesso de agressividade nem sempre é bem-recebido pelo telespectador. LIQUIDAR OS ARGUMENTOS DO OPONENTE NÃO É SINÔNIMO DE VENCER O DEBATE. Ontem, por exemplo, Serra vence e — e sem sangue. Mas volto ao leito.

Agora é diferente
As certezas das duas eleições anteriores vinham da aposta na figura de Lula, um debatedor competente, pouco importava as sandices que dissesse. Ontem, revi muitos trechos do debate de 2002, contra o próprio Serra. E duas coisas surpreendem: uma é a abismal quantidade de bobagens que disse o petista; a outra é a convicção com que as pronunciou. Dilma talvez seja até um pouco mais técnica do que seu mestre (desde que a gente se esforce um tantinho para entender o que ela fala), mas lhe falta o espírito que anima as palavras, o dito jogo de cintura. Num probleminha lá com o cronômetro, resolvido com grande habilidade por William Bonner, a gente viu um prenúncio de fúria. Quando o jornalista percebeu que a explicação técnica não contentaria a candidata, assumiu a culpa, comportou-se como um anfitrião humilde e decoroso e desculpou-se. Ela recobrou a frieza estudada e tentou um gracejo amistoso. Mas os petistas gelaram na cadeira.

Por que relato esse pequeno incidente? Porque ele é indicador de que ela parece sempre estar à beira de um descontrole: de um ataque dos nervos, de um ataque de fúria e, às vezes, de uma espécie de apagão. A fala é interrompida no meio, mais ou menos como se tivéssemos de aguardar o download de um arquivo muito pesado para a máquina.

Memória do primeiro turno
As desconfianças que Dilma desperta e a memória do papelão exercido pelos  institutos de pesquisa no primeiro turno — só o Datafolha quase acertou o resultado; os outros  ficaram vergonhosamente longe — impõem esse comportamento cauteloso aos petistas. Os petralhas bem que vêm aqui encher o meu saco com suas antevisões gozosas, achando que vou atear fogo às vestes se Dilma ganhar. Mas sabem que o fazem mais por nervosismo do que por confiança.

A propósito e já encerrando: caso Dilma vença a disputa, trabalharei normalmente na segunda-feira. Caso o vitorioso seja Serra, trabalharei normalmente na segunda-feira. O meu blog não existe porque este e aquele disputam eleição. Ou meu blog não existe porque este ou aquele ganha a eleição. O meu blog existe porque existem os leitores, e são muitos milhares, que querem ler o que escrevo. Entenderam, petralhas? Aliás,  petralhas, vocês são a prova disso porque não saem daqui! Talvez o seu ódio seja quase tão fiel quanto o afeto dos que gostam desta página.  E podem ficar tranqüilos: não lhes darei folga, pouco importa quem seja o vencedor. Porque, seja lá quem for o futuro presidente, estou certo de que vocês continuarão a assombrar o bom senso, o bom gosto e a  boa educação!

Corisco não se entrega! Só na morte, de parabelo na mão! Se e quando Dilma ganhar a eleição, escreverei: “Dilma ganhou a eleição”. Antes? Nem pensar! Isso quem faz é o Marcos Coimbra.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 7:15

Na Globo, Dilma se mostrou ao público quase como é: uma invenção de Lula que quase tem idéias mais ou menos claras sobre quase tudo

Acompanhei o debate entre José Serra e Dilma Rousseff no Twitter. Muita gente reclamou que estava frio demais. Eu mesmo cheguei a brincar que a melhor coisa até o momento em que escrevia era o sorvete de crocante com café que Dona Reinalda havia trazido pra mim. Brincadeira à parte, o fato é que um debate como o da Globo pode até ser mais chato para quem é entusiasmadamente Serra ou Dilma — e, pois, vibra quando um desfere uma porrada no outro —, mas é muito mais útil para deixar claro o que pensam os candidatos sobre determinados temas.

O tal confronto direto, escolha feita por Band, Record  e Rede TV, não funcionou. A razão é simples: os dois candidatos, que não são burros, resolveram usar o tempo da tréplica para dar estocadas no adversário, quando o outro não tinha tempo para reagir. O formato escolhido pela Globo inibiu esse expediente. Afinal, Dilma não tinha de responder para Serra; Serra não tinha de responder para Dilma. Ambos se deparavam com eleitores de verdade, com quem eram obrigados a dialogar. Fugir da questão para falar o que lhes desse na telha, a exemplo do que se viu nos outros encontros, seria desastroso. E foi aí que Dilma se deu mal.

A frieza do encontro, onde a troca de acusações acabaria soando como indesculpável indelicadeza, foi pior para Dilma. Recorrer à tática de elencar as conquistas do governo Lula, como ela até ensaiou fazer, mais exporia a sua fragilidade do que evidenciaria competência. Dilma gaguejou muito, demonstrou insegurança e não conseguiu passar aquilo que seu programa tanto vende: a imagem da pessoa segura e competente. A petista fez um intenso trabalho de “media training”. Mas foi treinada para brigar, não para responder com serenidade. De fato, há uma coisa curiosa, que se revelou neste debate também: Serra sempre foi muito melhor do que o seu pouco mais que sofrível programa no horário eleitoral; e Dilma sempre foi muito pior. Isso nos diz duas coisas: o melhor candidato teve a pior propaganda. E vice-versa.

Ninguém deu qualquer resposta espantosa ou inusitada. A diferença fundamental entre ambos foi de postura, de clareza, de segurança. Ele esteve mais “presidencial”, com fala mais segura e fluente, idéias mais claras, raciocínio mais inteiro. Vai mudar alguma coisa? Não tenho a menor idéia. Será o suficiente para lhe garantir a vitória? Também não sei. Se a diferença for mesmo aquela que apontam os institutos de pesquisa, é difícil que o tucano consiga vencer a distância; se for a do tracking do PSDB, as chances são grandes; se for a do tracking do PT, elas são boas — no partido, há gente com muita raiva do próprio levantamento; prefere o que dizem os institutos, coisa inédita na história das eleições.

Ontem, sem poder esbravejar, sem poder lançar acusações ao vento, sem poder satanizar o governo FHC, Dilma se mostrou ao público quase como é: uma invenção de Lula que quase tem idéias mais ou menos claras sobre quase tudo. Se existem indecisos de verdade e na hipótese de que o sentido das palavras tenha alguma relevância, o contraste foi favorável ao tucano.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 7:09

O feriadão e as eleições

Leitores têm me perguntado se considero que o feriadão pode  ter algum efeito nas urnas. “Algum” certamente terá. Se será decisivo, aí não posso dizer. Em 2008, o governador do Rio, Sérgio Cabral, deu um jeitinho de mexer nas datas, estimulando a população a deixar a capital. Seu candidato à Prefeitura, Eduardo Paes (PMDB), obteve, no segundo turno, 50,83% dos votos válidos; Fernando Gabeira (PV) ficou com 49,17%: 1,66 ponto de diferença. Num total de 3.337.165 votos válidos, a diferença em favor de Paes foi de apenas 55.225, com uma abstenção superior a 20%. Muitos potenciais eleitores de Gabeira — e mesmo gente que havia votado nele no primeiro turno — confessaram depois que preferiram trocar o voto pelo feriadão.

A abstenção na eleição presidencial do primeiro turno foi de 18,12%. Nada menos de 24.610.296 de pessoas deixaram de votar. É gente pra chuchu. O que rezava a lógica elementar? Se esses milhões de pessoas conseguiram resistir  à maciça propaganda oficial e aos mitos e mistificações do lulo-petismo, eis um bom público-alvo. Dado que se tinha pela frente aquele encadeamento de feriados, é evidente que o horário eleitoral do PSDB deveria ter dado início, já a partir do dia 8, quando recomeçou a propaganda, a uma espécie de campanha cívica em favor do voto. A frase dita por Serra numa das entrevistas — “Troque seu meio feriado por um feliz ano novo” (ou algo assim) — deveria ter norteado uma verdadeira “campanha da virada”.

Não se fez também isso. E era o caso. Pessoas que não têm casa na praia ou no campo costumam comprar pacotes de viagens em pousadas e hotéis, pagando parte da viagem no ato da reserva, feita com três ou quatro semanas de antecedência. “Ah, mas isso prejudica só o Serra?” Não necessariamente. Pode prejudicar a Dilma também, mas menos. “Seria porque os eleitores dele são mais ricos?” Não! Há muitos ricos que  votam no PT, e pobre também gosta de emendar feriado. A questão desde sempre era outra: tentar atrair uma parcela daqueles 25 milhões — e, obviamente, tentar diminuir a evasão dos viajantes pró-Serra.

Há quem diga que isso tudo é irrelevante. Vamos ver. Os números dirão a relevância.  Mas que se note: ainda que as emendas de feriado se revelem um fator marginal no resultado final, isso não anula o fato de que não se fez a coisa certa na hora certa. A campanha contra a abstenção sempre foi estruturalmente favorável ao PSDB. E parece quem deu as cartas na propaganda não se deu conta disso.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 7:07

Para construir o futuro

Leia editorial do Estadão:
Quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva só poderá construir o futuro e consolidar o Brasil como grande economia se for capaz, em primeiro lugar, de proteger a estabilidade conquistada a partir dos anos 90. Precisará cumprir uma longa agenda para modernizar o País, torná-lo tão competitivo quanto as economias mais dinâmicas e garantir seu lugar entre as potências. Mas, para isso, o governo terá de abandonar o voluntarismo, renunciar à farra com dinheiro público e retomar o caminho da responsabilidade. Esse caminho foi claramente abandonado e a mais nova comprovação desse fato é a escandalosa manipulação das contas públicas.

Nenhum avanço teria sido possível, nos últimos oito anos, sem a base construída até 2002. O combate à pobreza teria sido muito menos eficiente se a inflação desenfreada continuasse corroendo cada aumento salarial e cada centavo das políticas sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu esse fato e por isso respeitou a ação do Banco Central, mesmo contra as pressões dos companheiros e aliados. Mas seu compromisso com a política responsável tem sido cada vez mais frouxo - tanto mais frouxo quanto maior a sua dedicação ao jogo eleitoral e ao seu projeto de poder.

O próximo governante deverá, portanto, enfrentar uma dupla tarefa, se não quiser condenar-se ao fracasso. Terá de afastar o risco de um retrocesso, preservando o tripé da estabilidade: uma política realista de metas de inflação, respeito à responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.

Para manter esse rumo, terá de corrigir uma série de desvios. Precisará conter a expansão do gasto corrente, abandonar a demagogia com os salários do setor público, renunciar ao empreguismo e ao aparelhamento do governo. Deverá buscar a eficiência do setor público - inaceitável para a ideologia petista - e buscar o máximo retorno para cada centavo do orçamento.

Uma efetiva poupança pública será indispensável tanto para o crescimento seguro da economia quanto para a adoção de uma política anticíclica digna desse nome, como a adotada, por exemplo, no Chile: economizar em tempos de prosperidade para gastar nas fases difíceis.

Com o manejo responsável e eficiente do dinheiro público, realizar a decantada reforma tributária será muito mais fácil. Será necessária, naturalmente, uma complicada negociação com Estados e municípios, uma tarefa evitada, durante oito anos, pelo presidente Lula.

Se o próximo governo fracassar nesse item, por incompetência ou indisposição para missões difíceis, o empresário brasileiro continuará em séria desvantagem no jogo internacional. Mais que isso, poderá encontrar dificuldade crescente para competir e, portanto, para produzir e criar empregos. Todos os candidatos prometeram trabalhar por essa reforma. Nenhum, no entanto, detalhou a promessa nem disse como enfrentará a tarefa.

Se quiser garantir uma nova e prolongada prosperidade, quem suceder ao presidente Lula deverá resistir à tentação de controle pessoal ou partidário da economia. Terá de renunciar à ideia de reestatizar empresas bem-sucedidas no setor privado e também ao uso de instrumentos de governo, como os bancos públicos, para operações promíscuas.

Não faltarão empresários dispostos a construir com o grupo governante esquemas de dominação econômica disfarçados de projetos nacionalistas. O germe de um capitalismo de compadrio e de favores já se instalou e prosperou nos centros de poder nos últimos anos. É tempo de combater esse germe, não só em benefício da economia, mas também do regime democrático.

A construção do futuro dependerá igualmente de um retorno à diplomacia realista e eficiente, guiada pelo interesse nacional bem compreendido e não por ilusões ideológicas dos anos 60.

Seja quem for o novo ocupante do Palácio do Planalto, precisará de ideias claras e de muita determinação para cuidar dessas tarefas. Enfrentará pressões de grupos instalados no aparelho estatal e de grupos nutridos pelo setor público e acomodados à sua sombra, como os agentes do peleguismo sindical e estudantil. A construção, em algumas áreas, dependerá de um trabalho prévio de demolição.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 7:05

TSE concede, pela primeira vez, direito de resposta no Twitter

Por Felipe Seligman, na Folha:
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu pela primeira vez um direito de resposta no microblog Twitter. Ao discutir o tema, ministros se mostraram preocupados com o efeito da decisão. O tribunal aceitou pedido da coligação “O Brasil Pode Mais”, do tucano José Serra, contra o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), que teve de postar dois “tweets” -mensagens de no máximo 140 caracteres- escritos pela campanha de Serra, em resposta a outros dois comentários feitos por ele no dia 19.

Na ocasião, ele afirmou, num primeiro “tweet”: “Cuidado com os telefonemas da turma do Serra. No meio das ligações, pode ter gente capturando seu nome para usar criminosamente…”. No segundo, disse: “…podem clonar seu número, pode ser ligação de dentro de presídios, trote, ameaça de sequestro e assim por diante. Identifique quem liga!”.

O relator do caso, ministro Henrique Neves, entendeu que as mensagens foram ofensivas e que mereceriam resposta. Ele fez duas sugestões. A primeira seria responder em dois “tweets” o que foi escrito por Falcão. A segunda seria publicar a resposta, por tempo determinado, no espaço destinado à biografia do petista. Por unanimidade, os ministros determinaram a publicação imediata em dois comentários na página de Falcão, a partir da intimação da decisão, das respostas enviadas por Serra.

O TSE aprovou o conteúdo das respostas, que terão a seguinte redação: 1) “Justiça Eleitoral puniu Rui Falcão com esse direito de resposta por ofensa à campanha de José Serra veiculada em seu Twitter…”, e 2) “…cabe esclarecer que a comunicação feita pela campanha de Serra sempre agiu com lisura, de forma íntegra, respeitando todos os eleitores!”.

NOVIDADE
Como era a primeira vez que os ministros discutiam o tema, alguns não entendiam como a resposta poderia se tornar efetiva. Alguns afirmaram que a campanha terminaria e que os “tweets” continuariam na rede por tempo indeterminado. Já Cármen Lúcia, que demonstrou conhecer a plataforma, afirmou que a decisão poderia “banalizar e desmoralizar” decisões do TSE. “Basta acumularem-se “tweets” que, em alguns segundos, vai-se cumprir e sumir a decisão do TSE. É uma decisão gravíssima”, disse, apesar de seguir o relator.

O ministro Neves foi questionado pelos colegas sobre como as mensagens repercutiriam no Twitter. Ele explicou que elas ficariam definitivamente na página de Falcão e que poderiam ser “retweetadas” por seus seguidores de forma indeterminada. Mas ressalvou que as mensagens do petista estavam até hoje publicadas.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2010

às 0:45

Quem venceu o debate da Globo? Serra ou Dilma?

Vote na enquete da VEJA: aqui

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 22:00

Debate no Twitter

Acompanho o debate da Globo entre Serra e Dilma no Twitter.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 21:25

CNBB agora defende declarações do papa Bento 16 sobre o aborto. É mesmo, é?

Por Márcio Falcão, na Folha Online. Volto em seguida:

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) saiu em defensa nesta sexta-feira da declaração do papa Bento 16 que recomendou que bispos brasileiros preguem voto contra políticos que defendam aberta ou veladamente o aborto. Em nota, a entidade afirma que “acolheu com gratidão” as palavras do papa que reforçam seu posicionamento de que padres orientem politicamente os fiéis brasileiros. Para a CNBB, cada bispo tem direito de pregar, além de valores religiosos, voto em determinado projeto político.

“Em seu pronunciamento, o Santo Padre confirmou a preocupação constante da Igreja no Brasil em defesa da vida, da família e da liberdade religiosa. O Santo Padre enfatizou o direito e o dever de cada Bispo, em sua Diocese, de orientar seus fiéis em questões de fé e moral, inclusive em matéria política, confirmando o que a CNBB havia recordado em documentos, notas e entrevistas anteriores”, diz a nota. A declaração do papa gerou críticas entre aliados da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que acusaram a igreja de extrapolar suas funções.

A CNBB explicou que o encontro de ontem com o papa ocorre anualmente para “apresentar o balanço das principais atividades”, “bem como acolher sugestões e orientações, refletir sobre opções e alternativas pastorais” e que a reunião coincidiu com a passagem dos bispos maranhenses.

Em encontro com bispos do Maranhão, em Roma, o papa reiterou a posição católica a respeito do aborto, condenando o uso de projetos políticos que defendam a descriminalização da prática. “Os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas.” Segundo o papa, a democracia só existe quando “reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana”.

Bento 16 fez um “vivo apelo a favor da educação religiosa” nas escolas públicas e pediu ainda pela presença de símbolos religiosos em locais públicos. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, é citado como um exemplo de monumento que contribuiu para o “enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade”.

Comento
É mesmo, é? E por que a entidade deixou, então, a Diocese de Guarulhos entregue aos cães, não se manifestando contra a descarada censura de que foi vítima? Agora se tornaram todos papistas? E a condenação velada ao “Apelo” redigido pela Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I? Bento 16 estava pedindo justamente que os bispos aclarassem a sua posição.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 15:58

O TSE nos propõe uma questão legal, ética e matemática. Ou melhor: uma questão onde nada disso existe

Eu peço que vocês leiam este pequeno mimo que está na Folha Online. Tem de ser no detalhe. Vamos ver se vocês percebem algo de estranho. Na aparente irrelevância, trata-se de uma questão legal, ética e, ouso dizer, matemática. Nesta manhã, escrevi sobre a lenta, mas continuada e determinada, corrosão da democracia. Vamos lá,

TSE nega pedido contra suposta propaganda para Dilma em jornal de sindicato gaúcho

O pedido feito pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) contra o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul por suposta divulgação de propaganda eleitoral em favor da candidata Dilma Rousseff (PT) foi negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

De acordo com o pedido, o conteúdo veiculado na publicação caracterizaria propaganda eleitoral. Dois trechos são apontados para identificar o alegado desvirtuamento. O primeiro deles diz respeito a depoimentos de filiados do sindicato, expondo as razões pelas quais votariam em Dilma, citando que nenhum servidor foi encontrado para declarar as razões pelas quais votaria no candidato José Serra (PSDB). No segundo trecho o sindicato afirma que as comparações entre as gestões beneficiam nitidamente a gestão do presidente Lula, “ligado à candidata Dilma Rousseff na matéria, buscando convencer o eleitor de que ela é a melhor opção”.

Para o TSE, os trechos destacados não atendem aos “requisitos necessários para configuração de propaganda eleitoral”, mas há dúvida “sobre o caráter jornalístico e informativo da peça impugnada”. A liminar foi indeferida já que, segundo o TSE, além de depoimentos daqueles que declaram as razões pelas quais votariam em Dilma, há declarações contrárias a ambos os candidatos, como a de um servidor que declarou votar nulo e expôs suas razões.

Voltei
Nem sei quem foi o ministro que teve dúvida “sobre o caráter jornalístico e informativo da peça impugnada”, mas sem ver os “requisitos necessários para configuração de propaganda eleitoral”. O que sei é que lhe pareceu razoável que não tenha sido encontrado um só trabalhador daquela base sindical que não fosse votar em Dilma Rousseff. Na base da decisão do preclaro, ou da preclara, dá-se como verdade provável — e, se fosse o caso, comprovável — que TODOS os trabalhadores da dita categoria escolheriam a candidata do PT, com exceção daqueles que não escolheriam ninguém. Alguém poderia tentar: “Ah, mas o levantamento deveria ser feito apenas entre os sindicalizados”. Errado! Como todos pagam o Imposto Sindical, que é obrigatório, o universo pertinente ao caso é toda a categoria.

Atenção, no entanto, para esta questão: ao ministro do TSE que decidiu, está descaracterizada a campanha eleitoral porque alguns dos ouvidos disseram votar em Dilma, mas houve também que afirmasse não votar em ninguém. Ah, bom! Então o equilíbrio estaria dado, entenderam? O “ponto zero” da balança moral e política do país se dá na anulação de forças entre “petistas” e “não-petistas” — ainda que, entre os não-petistas, haja muitas divergências, como se supõe.

Na nova mentalidade que se vai plasmando, típica de culturas e estados totalitários, o indivíduo escolhe: pode dizer “sim” ou “não” ao PT. No terreno, então, da ética, os petistas concentram, sozinhos, de saída, 50% das possibilidades. E lhes cumpriria tentar encontrar ao menos aquele “1 a mais” que fará a balança pender para o seu lado.

Não me espanta que tenha sido no Tribunal Superior Eleitoral, cada vez mais parecido com um tribunal de exceção — que, numa penada, cumpre lembrar, pôs fim à liberdade religiosa no Brasil, mandando, na prática, um recado ao Vaticano: “Aqui, as orientações do papa se chocam com as nossas leis”. Alguém poderia indagar: “Qual lei? O TSE apresentou?”. Respondo: “Não!”

Tribunais de exceção não precisam se explicar. Ou não seriam de exceção. Voltarei ao TSE.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 7:19

Vai, Lula, continue a sujar as mãos! Ou: a Petrobras como cabo eleitoral e pretexto para o discurso vigarista

Atenção! O primeiro turno das eleições aconteceu no dia 3 de outubro. Hoje é dia 29. Em 26 dias, Lula participou de nada menos do que cinco eventos na Petrobras, um a cada cinco dias. Ontem, lançou a nova Plataforma de Tupi. E voltou a sujar as mãos de petróleo. Num dado momento, quase  lambeu o óleo.

Hoje, a Agência Nacional de Petróleo faz mais um de seus anúncios estrepitosos, pré-anunciado ontem. O campo de libra, no pré-sal da bacia de Santos, teria entre 7,9 bilhões e 16 bilhões de barris. É isso mesmo: dois dias antes da eleição se anuncia uma, atenção!, POSSÍVEL nova “megahipersupermegalo-reserva”, que pode ter “x” ou “2x”, um tanto de petróleo ou o dobro. As condições do anúncio mal escondem o seu caráter obviamente eleitoreiro. Até o presidente da empresa, o petista José Sérgio Gabrielli, usa a Petrobras para fazer campanha eleitoral aberta, acusando, o que é mentira, o governo FHC de ter sucateado a Petrobras.

No governo tucano, a produção de petróleo no Brasil cresceu 100%: de 700 mil barris/dia para 1,4 milhão de barris/dia. Hoje, está em torno de 2,1 milhões/dia: crescimento de 50% no governo do PT. Vamos ver se Gabrielli desmente. A quase autonomia a que se chegou — a anunciada por Lula é falsa — se deveu à abertura do setor  ao regime de concessão então implementado, que contribuiu para que a empresa avançasse na pesquisa do pré-sal — que não começou a ser pesquisado a partir de 2003, como dá a entender a máquina de propaganda.

No entanto, a falsa questão da Petrobras e do pré-sal virou o cavalo-de-batalha do horário eleitoral de Dilma Rousseff, naquela que é a mais mentirosa das campanhas eleitorais de que tenho notícia. Ontem, eles atingiram o estado da arte da empulhação. Vamos ver.

O PT acusa Serra de querer “privatizar o pré-sal” porque, diz, quem implementou o regime de concessões foi o PSDB — e, para o PT, concessão é privatização. Trata-se de uma afirmação escandalosamente falsa. O PSDB contra-atacou: se concessão é privatização, então quem mais privatizou foi Dilma, cujo governo, e ela própria como responsável pela área de energia, fez 108 concessões — o que é fato —, mais do que no governo FHC. Nota à margem: não gosto dessa resposta porque acho que ela endossa a mentira da equação “concessão = privatização”. Bem, mas os petistas também não gostaram.

A pilantragem
Em seu horário eleitoral de ontem, fizeram o quê? Em primeiro lugar, mentiram ao afirmar que, depois da “descoberta” do pré-sal, não fizeram mais concessões. Fizeram, sim! Mas o maravilhoso da história não está aí, não. Afirmou-se que as concessões foram vantajosas para o Brasil porque o risco é das empresas que venceram os leilões, e o benefício é do Brasil!

Bingo!!! É por isso que a concessão é uma boa, entenderam? Notem que, para se defender, o PT quase consegue falar uma verdade. O que a muitos escapa até agora é que a cascata nacionalista do “regime de partilha” é o sonho das empresas que forem contratadas para operar no pré-sal. Arranque-se ou não óleo lá das profundezas, elas terão o seu dinheiro certo. E fim de papo.  Os riscos são todos do Brasil. O que o horário eleitoral de Dilma não explicou e o que ela não saberia explicar é por que, então, a concessão não funcionaria no pré-sal. Aí a boneca de ventríloquo se sai com aquele papo de “bilhete premiado”. “Bilhete premiado uma ova!” O petróleo do pré-sal, como se nota, pode ser “x” ou “2x”, mas também pode ser “x/2″, “x/3″, ninguém sabe direito.

Empresa pra ir fazendo buraco, com certeza, o regime de partilha vai atrair. A questão é se atrairá investimentos. Há um monte de gente que prefere a incerteza sobre o petróleo à certeza de que vai ter de enfrentar um governo de burocratas que, cedo ou tarde, se torna uma máquina de corrupção e instabilidade nas regras. Mas volto ao ponto.

A “concessão”, que seria defendida por Serra — e ele nem atacou o regime de partilha, note-se — seria “privatização”. Já a mesma concessão, operada pelo PT,  seria uma forma de, havendo petróleo, todo mundo ganhar; não havendo, o Brasil não ter prejuízo. Covenham: é preciso muita vigarice para levar um troço desses ao ar. E eles levam. Ninguém lhes cobrará nada a respeito.

Vai, Lula, continue a sujar as mãos!

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 7:11

Também no Datafolha, quase tudo igual

Na terça-feira, o Datafolha havia feito uma pesquisa. Ontem, fez outra: a diferença nos votos totais passou de 11 para 10 pontos: Dilma oscilou de 49% para 50%, e Serra, de 38% para 40%. Tudo na margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para  menos. Em dois dias, os indecisos teriam passado de 8% para 4%, e os brancos e nulos continuaram em 5%. A soma dá 99% — 1% do eleitorado deve ter evaporado. Nos votos válidos, segue como há dois dias: 56% a 44%. Vamos ver. Por enquanto, os institutos estão acertando as previsões dos outros institutos — na margem de erro, é claro.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 21:45

Serra diz que, se eleito, vai “desprivatizar” o Estado

Por Paulo Peixoto, na Folha Online:
O presidenciável do PSDB, José Serra, afirmou hoje em discurso durante ato eleitoral com lideranças políticas do Triângulo Mineiro e apoiadores, em Uberlândia, que, se eleito, vai “desprivatizar” o Estado brasileiro, fazendo com que os órgãos estatais fiquem a serviço da sociedade e não a serviço de grupos com “interesses privados” junto ao governo.

A declaração de Serra foi motivada pelo apoio que recebera de Alfredo Brandão, presidente da Federação dos Bancários dos Estados de MG, GO, TO e DF. Brandão discursara pela “desprivatização” dos bancos estatais: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“O sr. não vai privatizar nada, porque tudo já foi privatizado. Precisamos desprivatizar”, disse o bancário no seu discurso, para quem os órgãos públicos estão repletos de “vários membros de facções”.

Ao discursar citando o bancário, Serra disse: “É preciso hoje desprivatizar o Estado brasileiro, fazer com que os nossos órgãos governamentais sirvam ao nosso povo e não a grupos, a negociações, a interesses, como todos os dias a gente pode constatar. Cada fim de semana um rol de escândalos que significa usar o governo, os seus órgãos, as suas empresas para finalidades privadas”.

BOATOS E MENTIRAS
Após o evento, em entrevista, ao ser questionado sobre críticos afirmarem que boatos e mentiras durante a campanha atrapalharam e prejudicaram o debate eleitoral, o candidato tucano atribuiu essas coisas ao campo da sua adversária Dilma Rousseff (PT).

“Tudo vem do outro lado. Eu sou um político ligado à verdade. O outro lado é de profissionais da mentira, mentem o tempo inteiro”, afirmou Serra.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 21:37

Dilma chama a religião de mais de um bilhão de pessoas de “a crença do papa”. Achei que também fosse a dela…

“Eu acho que é a posição do papa e tem que ser respeitada. Encaro que ele tem o direito de manifestar o que ele pensa. É a crença dele e ele está recomendando uma orientação”.

É a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, referindo-se ao pronunciamento inequívoco do papa Bento 16, que condenou o aborto e recomendou aos bispos brasileiros que orientem seus fiéis a não votar em candidatos que defendam a legalização. Já escrevi a respeito.

“É a crença dele…” Errado! É a crença de mais de um bilhão de católicos no mundo inteiro, para os quais o papa é a máxima autoridade religiosa. O PT pediu  — e ministro Henrique Neves, do TSE, autorizou — que impressos dando EXATAMENTE ESSA ORIENTAÇÃO fossem recolhidos. Era uma encomenda da Diocese de Guarulhos.

“Crença dele?” Achei que fosse a dela também. Nos últimos dois meses, eu a vi na Igreja algumas vezes. Na Basílica de Aparecida, ela até chegou a fazer o “Pelo Sinal”. Como Gilberto Carvalho, o réu, não conseguiu dar um curso intensivo, ela errou um tantinho a seqüência “esquerda-direita” na hora de representar o Lenho Sagrado. Acrescentou ainda um toque a mais no nariz etc. Ela queria nos passar a idéia de uma conversão sincera. “Crença dele”???

Instada a comentar a reação do PT à recomendação de igrejas cristãs em favor do voto antiaborto, ela comentou:
“Vamos separar as questões. Eu não acho que o papa tem nada a ver com isso. No Brasil, ocorreu outra coisa: uma campanha que não veio à luz do dia; quem fez a campanha não se identificou, não mostrou sua cara. Foi uma campanha de difamações,calúnias e algumas feitas ao arrepio da lei porque a lei proíbe que isso ocorra. Ele veio a público e falou a posição dele”.

Epa! Há uma salada russa aí. O impresso que o PT pediu para recolher não poderia estar mais à luz do dia; não poderia ser mais iluminado: trazia a assinatura de três bispos; foi redigido pela Comissão de Defesa da Vida da Regional Sul I, da CNBB.

Quais calúnias? Quais difamações?
Pergunta -  Dilma é ou não favorável à descriminação do aborto|?
Resposta -
É. Entrevista à Folha em 2007 e à Marie Claire em abril de 2009 provam que sim.
Pergunta - Dilma integra ou não um governo que agiu em favor da descriminação do aborto?
Resposta -
Sim!
Pergunta - O Programa Nacional de Direitos Humanos que ganhou forma final na Casa Civil, quando Dilma era ministra, trazia ou não a descriminação do aborto como diretriz?
Resposta -
Sim!

E, bem, diante da história reescrita, esporte predileto dos petistas, nada como a verdade ela mesma, que tem de ser relembrada mais uma vez.  Publicarei comentários de petralhas se conseguirem apontar uma única  coisa aqui que não seja FATO. Há alguma?

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 20:41

Cachorro do Zé Dirceu aparece no último programa de Dilma

Estou assistindo ao último programa de Dilma no horário eleitoral. O cachorro de Zé Dirceu, que ele deixou de presente para Dilma quando ela assumiu a Casa Civil, teve direito a alguns segundos.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 16:09

Falando a bispos brasileiros, papa condena o aborto e pede que eles orientem os fiéis. E como fica a censura do ministro Henrique Neves à Diocese de Guarulhos?

Vamos ver, agora, se a ala vermelha da CNBB vai ter a coragem, ou a cara-de-pau, de sustentar o contrário. Em pronunciamento dirigido hoje aos bispos brasileiros (íntegra no post abaixo), o papa Bento 16 deixou claro que eles têm a missão pastoral de condenar o aborto e de orientar politicamente os fiéis quando estão em pauta valores fundamentais da Igreja. E devem fazê-lo sem temer reações negativas.

Assim, o Apelo a Todos os Brasileiros, carta contra o aborto elaborada pela Comissão de Defesa da Vida da Regional Sul I da CNBB,  pode não expressar a posição de todos os bispos brasileiros, mas expressa a posição oficial da Igreja e do papa Bento 16.  A fala do Sumo Pontífice evidencia, ainda, que a decisão do ministro do TSE Henrique Neves, que mandou recolher impressos com aquele apelo, pode ser caracterizada como perseguição religiosa.

Afinal, o documento não era apócrifo: reproduz o pensamento da comissão, dos bispos que o assinam, de milhares de outros religiosos, de milhões de católicos e, como se nota, do chefe inquestionável da Igreja Católica. Quem não gosta do texto é Frei Betto, aquele “católico” (!) que já criou a sua própria “Ave, Maria” e que já fez orações em que Santa Tereza D’Avila dá uma transadinha com Che Guevara, de onde nasceria o cristão exemplar da América Latina!!!

Há dois catolicismos, sem dúvida: há o de Bento 16 e há o de Frei Betto. Como só pode haver um, o outro é aquele que tem rabo, o anhangá, o belzebu, o chavelhudo, o farrapeiro, o feio, o fioto, o maligno, o pé-de-cabra, o sarnento, o tinhoso, o zarapelho…

Na defesa que a Diocese de Guarulhos enviou ao TSE, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulho, afirma que foi ele, sim, quem encomendou os impressos. E que o fez de acordo com os valores da Igreja Católica. É o que confirma Bento 16. Não! O papa não tem poder sobre as leis no Brasil. Então pergunto a Henrique Neves por que aquele apelo desrespeitaria a lei. Ou será que a religião católica será colocada na ilegalidade no Brasil porque seus princípios ofendem o PT? E os bispos da CNBB que andaram tendo chilique, protestando contra aquele apelo devem dizer a quem obedecem: ao papa de Roma ou ao “papa” do Palácio do Planalto. Lembro de novo: só há uma Igreja Católica, e só há um papa. E “Uma” é conduzida por “Um”. Os outros “catolicismos” são artes do labrego, do mafarrico, do excomungado.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 16:05

Bento 16: “seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural”

Leia a íntegra do pronunciamento de Bento 16 (ler primeiro post acima):

Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático –que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana– é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sóciopolítico de um modo unitário e coerente, é necessária –como vos disse em Aparecida– uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 7:23

Marco Aurélio Top Top: “Se vocês, jornalistas, quiserem outra coisa, criem um partido”

Leiam outro editorial do Estadão, este sobre o programa de governo do PT:

À moda do PT

Seria inacreditável, não fosse notória, a falta de cerimônia com que os petistas criam verdades ao sabor de seus interesses de momento e imaginam que tudo possa ser aceito acriticamente pela opinião pública. Das duas, uma: ou subestimam o discernimento das pessoas ou estão se lixando para ele. Na verdade, valem as duas hipóteses: na primeira, confiam no nível de instrução da massa de seus eleitores, conforme demonstram os mapas eleitorais; na segunda, estão se lixando mesmo. A divulgação, numa reunião improvisada a cinco dias das eleições presidenciais, de Os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff foi o de sempre: puro jogo de cena. A propósito, o candidato José Serra nem se deu ao trabalho de elaborar um programa para fins de campanha. Limitou-se a reunir seus próprios discursos a respeito de temas variados e apresentá-los ao TSE no cumprimento de uma exigência legal. Lamentável.

Mas voltemos aos “compromissos programáticos” da candidata de Lula.

Para começar, o documento, na verdade uma simples carta de intenções que dribla cuidadosamente qualquer tema polêmico, é um amontoado de obviedades (13 itens, que tanto poderiam ser 10 ou 20, se a intenção não fosse associar a coisa ao número eleitoral do PT), aos quais ninguém sensato pode se opor. Belos propósitos como “crescer mais, com expansão do emprego e da renda”, “erradicar a pobreza absoluta” ou “governar para todos os brasileiros”. Tantas generalidades que o presidente nacional do partido se viu constrangido a explicar que “ações mais concretas” constarão de “cadernos setoriais” que - detalhe - não serão divulgados antes de 31 de outubro. Ou seja, são perfeitamente inúteis para lançar alguma luz sobre o debate eleitoral. Mas certamente de grande utilidade na geração de imagens para os últimos dias do horário gratuito na televisão.

Mas se nada esclarece quanto a questões polêmicas - embora não necessariamente as mais relevantes - que andaram aquecendo o bate-boca das últimas semanas da campanha eleitoral, tanto o “documento” divulgado como as atitudes e declarações da candidata e de dirigentes petistas por ocasião do evento confirmam a competência da companheirada de Lula na arte da engabelação que aprenderam com o chefe. Não têm o menor pudor de dar o dito por não dito ou de contrariar evidências. E perseveram na megalomania, escancarada logo na abertura do texto: “Há quase oito anos, o Governo Lula deu início a profundas transformações econômicas, sociais e políticas em nosso país. (…) O governo do Presidente Lula conseguiu, pela primeira vez em nossa história, articular crescimento da economia com forte distribuição de renda, inclusão e ascensão social.” Ou seja, os petistas não admitem compartilhar com toda a Nação - muito menos com governos anteriores - o crédito pelos inegáveis avanços econômicos e sociais obtidos nos últimos anos, porque isso está acontecendo, graças a eles, “pela primeira vez em nossa história”. Antes de Lula foram cinco séculos perdidos. Já quanto às transformações políticas, não há referências mais específicas, o que certamente não faz justiça ao importante papel desempenhado na base de sustentação de Lula por José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Fernando Collor e outros que tais.

A própria candidata sustentou, na ocasião, que é sua intenção, se eleita, zelar pela “qualidade dos serviços públicos prestados por um Estado cada vez mais meritocrático e profissional”. Deve ter deixado a companheirada de cabelo em pé.

Mas a nota mais pitoresca do evento foi a participação de Marco Aurélio Garcia - cuja admiração incontida por Hugo Chávez, Evo Morales, Mahmoud Ahmadinejad e companhia diz o suficiente - ao desafiar os repórteres: “Fizemos uma opção muito clara por um documento sintético. Se você faz um documento muito longo os únicos que vão ler são vocês (sic), jornalistas, para tentar descobrir um probleminha aqui, outro ali. Se vocês quiserem outra coisa, criem um partido e façam diferente.” Gente fina.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2010

às 23:01

Ruth Rocha teve seu nome incluído em manifesto do PT sem autorização. E ela solta os tucanos na petezada!

O nome da escritora Ruth Rocha foi parar naquele manifesto de intelectuais em favor do PT sem a sua autorização. Ela não foi a única personalidade que teve a identidade expropriada pelos companheiros. Abaixo, ela dá seu depoimento:

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2010

às 19:19

Serra contesta pesquisas e fala em “empate técnico”

Por Angela Lacerda, da Agência Estado:
O candidato tucano à Presidência da República, José Serra, desconsiderou hoje, na sua quinta visita a Pernambuco nesta campanha, as pesquisas eleitorais que indicam a sua adversária, Dilma Rousseff (PT), com mais de 10 pontos porcentuais à frente na preferência do eleitorado brasileiro. “Acho que de fato há um empate técnico”, afirmou o tucano, em entrevista ao radialista Geraldo Freire, da Rádio Jornal, declaração que repetiu depois em entrevista na Radio Folha e a jornalistas.

Ele citou os institutos Vox Populi e Sensus como “alugados” e, mesmo não destratando o Ibope e o Datafolha - este considerado por ele “talvez o mais independente” -, disse que “mesmo no caso dos outros, há problemas metodológicos”. “Não tem nada mais errado no Brasil do que pesquisa”, reforçou o candidato, ao lembrar de eleições cujos resultados foram diferentes do que indicavam as sondagens. “Pesquisa é furada e isso no futuro vai ter de ser examinado.”

Serra criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição e disse que neste segundo turno ele “passou dos limites”. Reiterou que Lula deixou de governar e “ficou todo jogado para eleger Dilma”, como se fosse uma questão de poder pessoal. Destacou que ninguém consegue governar de fora e que se a petista for eleita, “vai ficar tudo na mão dela”. “Não há no mundo nem na história do Brasil um exemplo desse tipo que tenha funcionado, um presidente largar o governo para eleger o sucessor e ficar governando na sombra.”

O tucano voltou a acusar o PT de fazer uma campanha baseada em mentiras contra ele e afirmou que Lula não diz a verdade ao afirmar que Serra não dará continuidade ao que o presidente fez no governo federal. Para Serra, a fala do presidente tem “motivos puramente eleitorais”, dentro “dessa cisma que tem que ganhar de qualquer maneira”. “Ele sabe que vou continuar”, disse.

Metrô
Sobre o caso do Metrô de São Paulo, que teve licitação suspensa por denúncia de cartas marcadas, Serra não considerou necessária uma investigação na gestão. Indagado o motivo, respondeu a pergunta com ataques ao governo federal do PT que, segundo ele, faz “publicamente, abertamente” proposta de concorrência acertada. Ele citou as hidrelétricas de Belo Monte e Jirau.

O candidato lembrou escândalos que rondam o governo federal - desde o mensalão à acusação de um banco alemão estatal que, segundo ele, acusa Dilma Rousseff e o diretor da Eletrobras, Valter Cardeal, de ter dado um golpe de mais de 100 milhões de euros. Serra ainda afirmou que “está acontecendo um escândalo” no Brasil, que é o da inflação nos alimentos. Observou que o preço do feijão aumentou 60% desde julho, o arroz 23% e o leite, 22%.

Nordeste
Diante da ausência de Dilma no debate do primeiro turno para discutir o Nordeste e no que estava programado para hoje à noite, na Bahia - e que foi cancelado diante da negativa da candidata em participar -, o presidenciável tucano disse que a adversária não dá a devida importância à região.

Sobre a campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliado de Lula que pede o voto do eleitor em Dilma para garantir os compromissos com o Estado, Serra disse que o Campos sabe, “na sua intimidade, que isso não é verdade”. “Ele vai estar melhor comigo na presidência do que com Dilma.”

O tucano afirmou não serem promessas de campanha, mas “anúncio”, o aumento do salário mínimo para R$ 600 e o 13.º salário do Bolsa Família. Sobre o futuro da economia, disse que o governo tem de estar de olho no futuro, “porque o Brasil está com um déficit no exterior que é o maior da história”. “Estamos pegando emprestado furiosamente do exterior ao contrario do que se diz”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

 

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