17/06/2009
às 5:39Eleição desencadeia batalha de aiatolás
Ex-presidente Rafsanjani, aliado de Mousavi, busca votos em Assembleia dos Especialistas para derrubar líder supremo
Disputa de bastidores pode definir se o regime iraniano se fechará ainda mais ou se poderá passar por alguma abertura, interna e externa.
Na Folha:
A batalha entre o aiatolá ultraconservador e líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o reformista aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani é que deve decidir o futuro da República Islâmica, segundo vários analistas ouvidos pela Folha.
Rafsanjani se encontra em Qom, o chamado “Vaticano dos xiitas”, tentando medir se tem votos suficientes entre 86 clérigos da Assembleia dos Especialistas para literalmente derrubar Khamenei, algo que esse conselho tem direito a fazer.
Nas últimas três décadas, aiatolás conservadores e reformistas disputaram o poder, mas com limites: respeitar o líder supremo e manter a República Islâmica.
Com a vitória de Mahmoud Ahmadinejad, apoiada e, para muitos, arranjada por Khamenei, os reformistas sentiram a rasteira e já orquestram um contragolpe. Essa disputa de bastidores pode definir se o regime se fechará ainda mais ou se poderá fazer alguma abertura, interna e externa.
A recontagem dos votos anunciada ontem não deve mudar muita coisa - seria uma estratégia para se ganhar tempo até cansar a oposição; e os opositores ainda não têm como enfrentar militares, paramilitares e milícias altamente organizadas e com bons negócios no governo.
A crescente militarização do Irã tem a ver com a geração representada por Ahmadinejad, posterior a dos aiatolás, e que viveu a guerra contra o Iraque.
Ele é o primeiro presidente do país que não pertence ao clero em mais de 20 anos. Em sua biografia, ele foi militante dos Vigilantes da Revolução e da Guarda Revolucionária.
Ao contrário dos antecessores Rafsanjani e Mohammad Khatami, Ahmadinejad oferece lealdade total a Khamenei.
Para observadores, se a dupla Khamenei-Ahmadinejad vencer a disputa, o país pode caminhar para uma ditadura mais tradicional, com mais retórica e atos contra o Ocidente, fortalecimento do programa nuclear e repressão nos costumes domésticos, como já demonstrado no primeiro mandato de Ahmadinejad. Aqui
Tags: protestos no Irã









Ministros da saúde de 194 países aprovam plano para melhorar vacinação no mundo
Conferência sobre Mudança Climática em Bonn termina sem avanços
Cientistas batizam nova espécie de aranha em homenagem a Lou Reed
Rebeldes criticam a ONU após novo massacre na Síria
Barcelona vence título na despedida de Pep Guardiola








