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política externa

24/09/2014

às 4:03

EU QUERO QUE A DILMA DESEMBARQUE NO CALIFADO DO ESTADO ISLÂMICO PARA NEGOCIAR COM TERRORISTAS. SEI QUE ELA ESTÁ PREPARADA PARA ISSO!

A estupidez da política externa brasileira não reconhece limites.
Não recua diante de nada.
Não recua diante de cabeças cortadas.
Não recua diante de fuzilamentos em massa.
Não recua diante da transformação de mulheres em escravas sexuais.
Não recua diante do êxodo de milhares de pessoas para fugir dos massacres.
Não recua diante da conversão de crianças em assassinos contumazes.
A delinquência intelectual e moral da política externa brasileira, sob o regime petista, não conhece paralelo na nossa história.

A delinquência intelectual e moral da política externa brasileira tem poucos paralelos no mundo — situa-se abaixo, hoje, de estados quase-párias, como o Irã e talvez encontre rivais à baixura na Venezuela, em Cuba e na Coreia do Norte.

Nesta terça, na véspera de fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, a ainda presidente do Brasil fez o impensável, falou o nefando, ultrapassou o limite da dignidade. Ao comentar os ataques dos Estados Unidos e aliados às bases do grupo terrorista Estado Islâmico, na Síria, disse a petista:

“Lamento enormemente isso (ataques aéreos na Síria contra o EI). O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU. Eu não acho que nós podemos deixar de considerar uma questão. Nos últimos tempos, todos os últimos conflitos que se armaram tiveram uma consequência: perda de vidas humanas dos dois lados. Agressões sem sustentação aparentemente podem dar ganhos imediatos, mas, depois, causam prejuízos e turbulências. É o caso do Iraque, está lá provadinho. Na Líbia, a consequência no Sahel. A mesma coisa na Faixa de Gaza. Nós repudiamos sempre o morticínio e a agressão dos dois lados. E, além disso, não acreditamos que seja eficaz. O Brasil é contra todas as agressões. E, inclusive, acha que o Conselho de Segurança da ONU tem de ter maior representatividade, para impedir esta paralisia do Conselho diante do aumento dos conflitos em todas as regiões do mundo”.

Nunca a política externa brasileira foi tão baixo. Trata-se da maior coleção de asnices que um chefe de estado brasileiro já disse sobre assuntos internacionais.

A fala de Dilma é moralmente indigna porque se refere a “dois lados do conflito”, como se o Estado Islâmico, um grupo terrorista fanaticamente homicida, pudesse ser considerado “um lado” e como se os EUA, então, fossem “o outro lado”.

A fala de Dilma é estupidamente desinformada porque não há como a ONU mediar um conflito quando é impossível levar um dos lados para a mesa de negociação. Com quem as Nações Unidas deveriam dialogar? Com facínoras que praticam fuzilamentos em massa?

A fala de Dilma é historicamente ignorante porque não reconhece que, sob certas circunstâncias, só a guerra pode significar uma possibilidade de paz. Como esquecer — mas ela certamente ignora — a frase atribuída a Churchill quando Chamberlain e Daladier, respectivamente primeiros-ministros britânico e francês, celebraram com Hitler o “Pacto de Munique”, em 1938? Disse ele: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.

A fala de Dilma é diplomaticamente desastrada e desastrosa porque os EUA lideram hoje uma coalizão de 40 países, alguns deles árabes, e conta com o apoio do próprio secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon.

A fala de Dilma é um sarapatel de ignorâncias porque nada une — ao contrário: tudo desune — os casos do Iraque, da Líbia, da Faixa de Gaza e do Estado Islâmico. Meter tudo isso no mesmo saco de gatos é coisa de uma mente perturbada quando se trata de debater política externa. Eu, por exemplo, critiquei aqui — veja arquivo — a ajuda que o Ocidente deu à queda de Muamar Kadafi, na Líbia, e o flerte com os grupos que se organizaram contra Bashar Al Assad, na Síria, porque avaliava que, de fato, isso levaria a uma desordem que seria conveniente ao terrorismo. Meus posts estão em arquivo. Ocorre que, hoje, os terroristas dominam um território imenso, provocando uma evidente tragédia humanitária.

A fala de Dilma é coisa, de fato, de um anão diplomático, que se aproveita de uma tragédia para, uma vez mais, implorar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança de ONU. O discurso da presidente do Brasil só prova por que o país, infelizmente, não pode e não deve ocupar aquele lugar. Não enquanto se orientar por critérios tão estúpidos.

Ao longo dos 12 anos de governos do PT, muita bobagem se fez em política externa. Os petistas, por exemplo, condenaram sistematicamente Israel em todos os fóruns e se calaram sobre o terrorismo dos palestinos e dos iranianos. Lula saiu se abraçando com todos os ditadores muçulmanos que encontrou pela frente — incluindo, sim, o já defunto Kadafi e o antissemita fanático Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã. Negou-se a censurar na ONU o ditador do Sudão, Omar al-Bashir, que responde pelo assassinato de 400 mil cristãos. O Brasil tentou patrocinar dois golpes de estado — em Honduras e no Paraguai, que depuseram legitimamente seus respectivos presidentes. Endossou eleições fraudadas na Venezuela, deu suporte ao tirano Hugo Chávez e ignorou o assassinato de opositores nas ruas, sob o comando de um louco como Nicolás Maduro.

E, como se vê, ainda não era seu ponto mais baixo. Dilma, nesta terça, deu o seu melhor. E isso quer dizer, obviamente, o seu pior. A vergonha da política externa brasileira, a partir de agora, não conhece mais fronteiras.

Pois eu faço um convite: vá lá, presidente, negociar com o Estado Islâmico. Não será por falta de preparo que Vossa Excelência não chegará a um bom lugar.

Por Reinaldo Azevedo

24/09/2013

às 17:15

A entrevista de Francisco Rezek no Roda Viva desta segunda: mensalão e política externa brasileira

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2013

às 22:26

Dilma vai visitar uma ditadura africana. E a fala de uma tal Edileuza…

Essa é a Edileuza de “Sai de Baixo”, a engraçada; já a outra…

Nos dez anos de governo petista, o Itamaraty, em nome do suposto pragmatismo, fez uma aliança preferencial com todas as ditaduras do planeta — desde, é claro, que os países em questão alimentassem ou as fantasias antiamericanistas de setores do petismo ou a conversa mole de uma política externa autônoma. Mais vagabundo moralmente do que essa proximidade é o discurso que a justifica. Leiam isto:

“Dilma mesma disse que, quando se trata de direitos humanos, todos podem melhorar, inclusive nós.” A frase, que leio em reportagem da Folha, é da subsecretária-geral política do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis. Já houve uma Edileuza mais interessante: a empregada folgada e desbocada do humorístico “Sai de Baixo”, interpretada, então, pela atriz Cláudia Jimenez.

A que se referia esta senhora? Na próxima quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff visita a Guiné Equatorial, governada, desde 1979, por um carniceiro chamado Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Escreve a Folha: “Na próxima quinta, Dilma participa da 3ª Cúpula ASA, que vai reunir representantes de 66 países da América do Sul e da África. Segundo a embaixadora Maria Edileuza, o encontro não é um foro de negociação de direitos humanos, mas de consolidação de laços econômicos, em especial na área de infraestrutura, energia e transportes.”

Edileuza, como a sua xará, não se contenta com uma besteira. Prefere logo dizer uma penca. A propósito: em 2010, Lula também visitou o país. Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, classificou os questionamentos sobre direitos humanos de “críticas moralistas” e despejou, para nossa estomagação: “Negócios são negócios”.

Então vamos ver, pela ordem:
1: quando Dilma pronunciou aquela bobagem, estava sabem onde? Em Cuba! Chegara ao país pouco depois de um dissidente morrer na cadeia. Ao afirmar que todos tinham explicações a dar sobre direitos humanos, inclusive o Brasil, omitia o fato de que a ilha dos irmãos assassinos mantém presos de consciência e usa o aparelho repressivo do estado para esmagar adversários, a exemplo do que faz o tal Mbasogo. Comparações dessa natureza tornam democracias imperfeitas, como a nossa, piores do que são, e ditaduras asquerosas, como Cuba e Guiné Equatorial, melhores do que são;

2: não me oponho ao fato de que, nas relações externas, “negócios são negócios”. A China, em muitos aspectos, é uma Guiné Equatorial com séculos de tradição… Não faremos negócios com os chineses por isso? Bobagem! A questão é outra. Há modos de tratar do assunto. É perfeitamente possível deixar claro o repúdio a ditaduras, lembrando, no entanto, que um país não impõe a outro condicionantes dessa natureza no comércio internacional;

3: reduzir a preocupação com direitos humanos a mera “pregação moralista” é um ato de pura delinquência intelectual. De resto, é mentira até mesmo que o Brasil seja sempre pragmático. Infelizmente, é também ideológico;

4: tomem-se dois casos exemplares: Honduras e Paraguai. No primeiro, um movimento contragolpista depôs um bolivariano maluco, Manuel Zelaya; no segundo, um processo legítimo de impeachment derrubou Fernando Lugo.  O Brasil reagiu de maneira estúpida: tentou levar a guerra civil a Honduras, em apoio a Zelaya, e suspendeu o Paraguai do Mercosul, abrindo as portas para um ditador como Hugo Chávez.

O Brasil não precisa, de fato, impor uma pauta de direitos humanos aos países com os quais faz negócio. Mas poderia se dispensar do vexame de tentar minimizar as violências cometidas por “ditadores amigos”. 

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2012

às 6:05

INDIGÊNCIA INTELECTUAL, POLÍTICA E MORAL – Senado cobra fim da prisão de Guantánamo e do embargo a Cuba. Atenção! Foi o Senado Brasileiro! Mas isso é pouco!

Este texto foi publicado originalmente às 22h25 de ontem. Eu o mantive no alto porque, de certo modo, ele marca um momento histórico do Senado — da sua história mais deprimente. Abaixo, há posts da madrugada.

Ah, meu Jesus Cristinho! Eis um daqueles momentos em que o ato de dar a notícia já provoca na gente um profundo sentimento de vergonha. Leiam o que informa a Agência Senado. Volto em seguida:
*
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) decidiu, nesta quinta-feira (22), fazer um apelo aos Estados Unidos para que “suspendam o bloqueio econômico e comercial a Cuba”. Logo em seguida, no entanto, a comissão rejeitou a proposta de solicitar ao governo de Cuba a concessão de um indulto aos presos políticos que ainda estão nas cadeias daquele país e a autorização para que a blogueira Yaoni Sánchez possa viajar a outras nações, como o Brasil.

As duas medidas foram sugeridas em requerimentos do mesmo senador, Eduardo Suplicy (PT-SP), e receberam o apoio do senador Pedro Simon (PMDB-RS), relator em ambos os casos, Durante a votação, porém, apenas o primeiro requerimento foi aprovado. Na votação do segundo requerimento, dos 10 senadores presentes, apenas três – Suplicy, Simon e Ana Amélia (PP-RS) – manifestaram-se pela aprovação.

Ao defender os dois requerimentos, Simon fez uma dura crítica à manutenção do embargo econômico a Cuba, que se mantém por mais de 50 anos. Ao mesmo tempo, o relator considerou justo pedir a Cuba que “avance no sentido das liberdades”, permitindo a entrada e a saída de cidadãos cubanos do país e a libertação de prisioneiros políticos. Ele considerou interessante que os dois requerimentos fossem votados ao mesmo tempo.

Logo em seguida, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) anunciou sua posição favorável apenas ao primeiro requerimento. Em sua opinião, o bloqueio econômico a Cuba pode ser considerado um “atentado aos direitos humanos”, por prejudicar a população do país. Por outro lado, perguntou quem estaria financiando o trabalho da blogueira Yaoni Sánchez e criticou a proposta de Suplicy para que o governo cubano libertasse os prisioneiros políticos da ilha.

“Respeito Cuba e não gostaria que entrássemos em questões internas daquele país”, afirmou Vanessa. O mesmo argumento foi utilizado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), para quem os dois requerimentos tinham naturezas diferentes. Segundo ele, o Senado brasileiro estaria “invadindo a soberania cubana” ao dizer àquele país quem deve ou não permanecer preso. Simon argumentou, por sua vez, que a aprovação simultânea dos dois requerimentos estaria no contexto de uma proposta de “pacificação geral” nas relações entre Estados Unidos e Cuba. Suplicy também pediu a aprovação das duas propostas. “Nos Estados Unidos dizem que, se Cuba der sinais de maior liberdade, vão acabar o embargo mais rapidamente. O embaixador de Cuba não responde mais a meus telefonemas, mas faço isso como amigo do povo cubano”, disse Suplicy.

O presidente da comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL), previu que a aprovação do segundo requerimento poderia se tornar uma “mensagem mal entendida pelo governo cubano”. O pedido, em sua opinião, poderia distanciar o Brasil de Cuba e “dificultar um diálogo mais fluido com aquele país”. Da mesma forma, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) disse que o texto proposto por Suplicy poderia ser considerado “uma intromissão em assuntos internos de um país com o qual o Brasil tem boas relações”. O requerimento aprovado pela comissão pede ainda ao governo dos Estados Unidos que liberte cinco cubanos presos em seu território, acusados de espionagem, além do fechamento da base militar de Guantánamo, mantida pelo governo americano em território cubano.

Voltei
Pois é… Achei que o mal de Suplicy fosse uma “idiopatia”, se me permitem o neologismo (para entender o significado, buscar no dicionário o sentido de “id” e “pata”). Mas não! Noto que o mal é contagioso. Se bem que, com uma exceção ou outra, o grupo ali não inspirava mesmo grande confiança, especialmente quando o assunto é política externa…

Então vamos ver. O Senado brasileiro acha que está a seu alcance cobrar dos EUA — essa ditadura asquerosa, certo? — que suspenda o embargo contra aquele exemplo de democracia que é Cuba. Também quer o fim de Guantánamo, onde — falamos sobre isso ontem — estão presos terroristas. Encanta-me, adicionalmente, o senso de oportunidade: no dia em que Mohammed Merah foi morto pelas forças de segurança francesas. Nota: ele foi preso pelos americanos no Afeganistão e entregue à França, que o deixou solto… Uma pena que não tenha sido mandado para Guantánamo. Mas vamos seguir.

A maioria da tal comissão achou que lhe cabia fazer essas cobranças aos EUA, mas se negou a pedir a libertação dos presos políticos. Atenção! Cuba é um dos poucos países do Ocidente em que há prisioneiros de consciência. Também não quis votar uma moção em favor da viagem de Yoani Sánchez. Como a “idiopatia” de Suplicy é ideologicamente orientada, é claro que essa proposta era o emprego da virtude em favor do vício. Para todos os efeitos, ele propôs coisas dos dois lados; os outros é que não aceitaram, entenderam?

Vejam que lindo! A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) não quis pedir a libertação dos presos de consciência porque alegou que “tem muito respeito por aquele país”. Ora, por que não teria? Pensa o mesmo o tal Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) — que, se cubano, certamente estaria trabalhando, debaixo de chicote, em um canavial.

Cuba está entre os países que têm os presídios mais insalubres e precários do mundo; pessoas que cometeram o crime de pedir democracia são confinadas junto com bandidos comuns. Em comparação com as instalações prisionais do país, Guantánamo é um paraíso. Aliás, os terroristas que estão presos ali vivem melhor do que os prisioneiros do outro pedaço a ilha — refiro-me à população como um todo.

Os senadores foram fundo na impostura. Não pediram que Cuba liberte seus presos de consciência porque consideraram que isso seria intromissão em assuntos internos, certo? Não obstante, cobraram que os EUA soltem cinco cubanos presos no país, a saber: Ramón Labañino, René González. Tony Guerrero, Fernando González e Gerado Hernández Nordelo.

São, comprovadamente, agentes da ditadura cubana detidos nos EUA.

Entenderam a moral dos nossos valentes? Não se deve exigir que Cuba liberte inocentes porque isso seria uma intromissão inaceitável em seus assuntos internos. Mas lhes parece razoável que se exija que os EUA libertem culpados.

A indigência intelectual e moral em que chafurda a política brasileira assume dimensões absolutamente inéditas.

Nunca antes na história da própria indigência!

Por Reinaldo Azevedo

22/09/2011

às 16:02

Dilma: Depois do discurso contra Israel, o lado John Lennon… Tenham paciência!

Não existe discurso mais fácil e mais simples do que o da paz. E, às vezes, não existe também nada mais sangrento. Quando Chamberlain e Daladier celebram o acordo com Hitler para “evitar” a guerra, enquanto o primeiro-ministro britânico era recebido com vivas em Londres, Churchill disse uma de suas frases que entraram para a história: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra. E terão a guerra”. Ele teve de resolver a “paz” cruel de Chamberlain depois…

O que é que eu vou fazer? Às vezes, a paz duradoura e a liberdade precisam da guerra. A alternativa é um mundo em que todo mundo decidisse ser bom. Tá… Nesta quinta, a presidente Dilma Rousseff participou, em Nova York, da Reunião de Alto Nível sobre Segurança Nuclear, que faz parte dos compromissos da 66ª Assembléia Geral das Nações Unidas. Fez um discurso de sete minutos. Como o Brasil é um país bom, Dilma propôs ontem que o conflito israelo-palestino termine em kafta… Mais um pouco, daria um cutucão no braço dos envolvidos na questão e diria: “Pô, pessoal, vamos deixar essa bobagem de Jerusalém pra lá… No Brasil, árabes e judeus têm lojas na mesma rua…” Hoje, ela teve outras idéias luminosas, cuidadosamente pensadas pelo Itamaraty.

“É imperativo ter num horizonte previsível a eliminação completa e irreversível das armas nucleares. A ONU deve se preocupar com isso. (…) A posse desses arsenais por apenas algumas nações cria para elas direitos exclusivos. É resquício de um conceito assimétrico do mundo, formada no pós-guerra, que já deveríamos ter relegado ao passado”.

É… Ninguém entende por que se fabricam canhões, não é mesmo? Só pode ser pra matar. E aviões de guerra? Xiii… Por que estaria o Brasil tentando comprar seus caças? É, queridos, o discurso da paz, definitivamente, é o mais fácil. Pensemos um pouquinho: por incrível que possa parecer às almas puras, não dá para calcular quantos milhões de vidas as armas nucleares já salvaram. Sem elas, o mundo teria ido à breca há muito tempo.

Dilma não inova. O populista Barack Obama já andou sonhando, ao menos para consumo público, com a destruição total dos arsenais atômicos. O mundo não vive um período muito feliz no que respeita aos “líderes”. Há uma grande desordem de idéias e uma confusão formidável na hierarquia de valores. Não é raro que alguém indague: “Se os EUA podem ter armas nucleares, por que o Irã não pode?” Quem faz essa pergunta não merece resposta. Se é incapaz de distinguir os valores que organizam o poder do Estado nos EUA dos valores que organizam o poder do Estado no Irã, então já escolheu um lado: o do Irã…

Fazer de conta que o arsenal nuclear não tem servido também à dissuasão corresponde a ignorar o óbvio. Essas falas, claro!, pegam bem e enchem de orgulho os bobalhões. Há quem realmente ache que John Lennon colaborou com a paz mais do que Churchill: “Imagine there’s no countries/ (…) Nothing to kill or die for/ And no religion too/ Imagine all the people/ Living life in peace…”

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2010

às 4:43

“A preocupação maior do Itamaraty tem sido armar palanques para o presidente”

Este escriba tem alguns orgulhos profissionais. Um deles é jamais ter-se deixado enganar por Celso Amorim, o Megalonanico das Relações Exteriores. “Nunca” quer dizer “nunca”. Já em 2003 a revista Primeira Leitura apontou a parolagem terceiro-mundista ou pobrista desse gigante e o desejo de transformar a política externa em palanque para o guia de Elio Gaspari. Desde 2003 a esta data, fui colecionando as sucessivas derrotas de Amorim e todas as besteiras que fez. Imaginem: uma votação de coleguinhas, em 2004 acho, o considerou “o melhor ministro de Lula”. Uau!

Vale a pena ler a entrevista de Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil em Washington no primeiro mandato de Lula, nas Páginas Amarelas da VEJA desta semana. Não estou dizendo que pensemos rigorosamente a mesma coisa, mas parece que as críticas que sempre fiz neste blog à política externa tinham fundamento. Leiam trechos:

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Por Diogo Schelp:
“Aceita um copo d’água. um café ou, quem sabe, um pouco do caviar que me envia sempre um certo amigo iraniano?”, oferece Roberto Abdenur, de 68 anos, ao receber a reportagem de VEJA em seu agradável apartamento no Rio de Janeiro, No humor característico dos diplomatas, a referência ao caviar é apenas uma ironia sobre um dos temas que deixam estupefatos especialistas em política externa, a estreita relação do governo brasileiro com o regime do iraniano Mahmoud Ahmadinejad. As ambições nucleares e a violação assumida de direitos humanos, como o apedrejamento de mulheres por adultério, fizeram do Irã um pária internacional. Com seus 44 anos de carreira diplomática, três deles como embaixador em Washington durante o primeiro mandato do presidente Lula, Abdenur é uma das pessoas mais habilitadas para avaliar o Brasil no quadro diplomático mundial. Na entrevista a seguir, ele demonstra o seu assombro diante da maneira como os preconceitos ideológicos e o gosto de Lula por um palanque prejudicaram a imagem do Brasil no exterior.

Que balanço o senhor faz da política externa do governo Lula?
(…) A política externa brasileira, nos últimos oito anos atuou com base na visão de que no mundo ainda há claramente uma contraposição entre ricos e pobres, norte e sul. Isso não faz mais sentido em um mundo globalizado (…) Apesar dessa nova realidade, a política externa de Lula tem procurado apresentar o Brasil como líder dos países pobres. É preciso abandonar essa visão.

O senhor escreveu que a diplomacia brasileira precisa recuperar o seu “lado ocidental”. Por quê?
O Brasil, nos últimos anos, relegou a um plano de quase irrelevância o compromisso com dois valores fundamentais para a política externa: a democracia e os direitos humanos. Estes são valores ocidentais e, também, brasileiros. (…)

O chanceler Celso Amorim disse que “negócios são negócios” ao justificar a visita de Lula a uma ditadura africana. Esse é o pragmatismo de que o senhor fala?
Não. Há limites para a diplomacia presidencial. Quando o presidente entra em cena, atribui-se à relação com determinado país um peso político muito maior. O presidente é a instância mais elevada da diplomacia, e é preciso dosar a sua exposição, pois ela traz consigo o endosso e a imagem de todo o país. O problema é que o Itamaraty não sabe dizer “não” a Lula, e isso cria situações como as que envolveram recentemente o Brasil e o Irã. (…) Não há benefício algum, no entanto, em aproximar-se do Irã, muito menos em nível presidencial. Ahmadinejad é o líder de um regime teocrático, violento e isolado internacionalmente. Apesar disso. Lula diz que tem uma relação de carinho com o iraniano.
(…)
O que explica essa atitude?
Há um palanquismo na política externa, algo que reflete muito a natureza pessoal de Lula. A preocupação maior do Itamaraty tem sido armar palanques para o presidente. Essa diplomacia cenográfica tinha até pouco tempo atrás um bom público lá fora. Até a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, em 2008, Lula era o governante mais respeitado e estimado no exterior. Ele acumulou um bom capital político, principalmente pela conjuntura econômica favorável. (…)

Como Lula usou esse prestígio?
Lula. por sua sofreguidão em ser popular com todo o mundo e por ignorar as circunstâncias das situações em que se meteu, pôs a perder uma parte considerável do capital político adquirido para si e para o Brasil. Quando Ahmadinejad veio a Brasília e disse apoiar a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança, nós perdemos muito voto. (…) Dói imensamente ver as credenciais do Brasil para ocupar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU serem seriamente prejudicadas por todos esses erros de política externa.(…)

Como o senhor avalia as relações do governo brasileiro com o presidente venezuelano Hugo Chávez? É uma aberração diplomática. O Brasil é condescendente com Chávez. com Evo Morales, da Bolívia, e com Rafael Corrêa, do Equador, apenas por representarem regimes identificados como de esquerda. Isso é um erro. Porque não existe política externa de esquerda. A diplomacia tem de refletir os interesses do estado, não de um partido. O governo brasileiro é ativamente solidário e conivente com Chávez, um líder que está em etapa adiantada na consolidação de uma ditadura (…)
*
Leiam a íntegra na edição desta semana

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2010

às 13:24

Achando que ainda não chegaram ao fundo do poço, Lula e Amorim propõem a ONU que pegue mais leve com os tiranos de todo o mundo

O lixo moral que a política externa brasileira vai acumulando é uma coisa espantosa — e sem limites. Quando a gente supõe que o megalonanico e o megalobarbudo já atravessaram os umbrais do opróbrio, eles aprontam mais uma. Leiam trecho de uma reportagem de Jamil Chade, publicado no Estadão de hoje. Volto em seguida:

*
O governo brasileiro quer mudar a maneira como as Nações Unidas tratam as violações de direitos humanos no mundo. Em uma carta enviada a todos os Estados-membros da ONU, o Itamaraty propôs que a organização evite censurar publicamente regimes autoritários. A denúncia pública é considerada a principal forma de pressiona um país acusado de atentar contra os direitos humanos a mudar sua conduta.

O Brasil defenderá o diálogo com regimes violadores na revisão do funcionamento do Conselho de Direitos Humanos, que começa no fim do mês e termina em 2011. O argumento é que as reuniões de emergência da ONU detonariam crises internas.

As mudanças sugeridas na carta brasileira, datada de 19 de julho, à qual o Estado teve acesso com exclusividade, deve provocar controvérsia. Nos últimos anos, o Itamaraty evitou condenar países violadores nos órgãos da ONU. A estratégia é abster-se em votações sobre alguns casos e manter o diálogo, mesmo com governos que reconhecidamente cometeram atrocidades.

Em diversas ocasiões, o Brasil manteve-se distante dos países que criticaram abertamente Coreia do Norte, Irã, Sri Lanka, Sudão, entre outros governos, por desrespeitar direitos fundamentais. Para o Itamaraty, durante anos, a ONU virou palco de condenações e ataques que nunca resolveram as violações de direitos humanos. Nessas ocasiões, entidades como Anistia Internacional e Human Rights Watch criticaram a opção brasileira pelo silêncio. Brasília rejeita a avaliação e insiste que o atual sistema também não funciona.

Ineficácia
“Hoje, o Conselho de Direitos Humanos da ONU vai diretamente para um contencioso”, diz a carta brasileira. Quando há uma crise ou violação generalizada de direitos humanos, os países podem propor uma reunião de emergência e a aprovação de uma resolução pedindo o fim da violência e condenando um governo pelas violações. O Brasil acredita que essa prática não é eficaz. “Elas servem aos interesses daqueles que estão fechados ao diálogo, já que lhes dá uma espécie de argumento de que há seletividade e politização”, afirma o Brasil.

“Não se trata de aliviar as resoluções”, diz uma fonte do governo brasileiro, mas de aperfeiçoar o caminho até que se chegue a elas, tornando-as mais efetivas. Para o Itamaraty, as críticas feitas até agora são pontuais e isoladas, o que não impede que a proposta brasileira seja colocada efetivamente em prática.

Uma alternativa apresentada pela diplomacia brasileira é a realização de reuniões técnicas, sem a aprovação ou a proposição de resoluções. O encontro ocorreria na ONU, entre as agências internacionais e o governo em questão. Outra proposta é promover viagens de delegações de governos ao local da crise, algo que já ocorre em outros órgãos da ONU. No entanto, governos europeus querem saber se essas viagens substituiriam a presença de relatores independentes. O temor é que uma delegação formada apenas por governos acabe, mais uma vez, poupando o país envolvido na crise de críticas mais duras. A delegação, segundo a proposta brasileira, teria de ser formada por representantes de várias regiões.
Íntegra aqui

Comento
O que o Brasil propõe, em suma, é aliviar a pressão sobre ditadores e facínoras. Não por acaso, países africanos e árabes receberam muito bem a proposta — afinal, concentram boa parte das tiranias do mundo. Lula quer que a ONU, em suma, mantenha com os gorilas as relações que ele próprio mantém. Como sabemos, ele consegue ser de uma eficácia fabulosa, não é mesmo?

É uma humilhação para a política externa brasileira, que chega ao fundo do poço entre os países que têm alguma relevância no mundo. O pretexto, como sempre, é o da “maior eficiência”. Lula se abraçou com todos os déspotas do mundo. Eles se tornaram melhores por isso? Não! Mas o Brasil viu minguar a sua reputação.

Insisto na tese levantada aqui há alguns meses: a política externa brasileira é, dado o que sabemos, incompreensível e injustificável. Talvez só possa ser explicada e justificada com o concurso do que a gente ainda não sabe.

Pergunto-me sempre: que laços terão atado, de modo tão firme, o governo do PT ao governo do Irã? Sim, meus caros, nessa equação, uma vez mais, o objeto dos carinhos de Lula é o regime iraniano.

Por Reinaldo Azevedo

04/08/2010

às 13:00

Articulista do Washington Post chama Lula de “o maior amigo dos tiranos” e diz que Dilma divide com ele a “afeição” por ditadores

É, coleguinhas… Escrevi ontem aqui um post chamado “Da grande promessa ao grande canastrão” sobre a imagem de Lula no mundo. Disse:
“Na prática, o presidente brasileiro está sempre alinhado com o que há de pior do mundo, como revela, uma vez mais, a sua fala sobre o Irã. Vejam como ele, de novo, estende seus olhares lânguidos para o terrorista anti-semita, apedrejador de mulheres. (…) Chegou a enganar por algum tempo. Hoje, é só motivo de riso e escárnio mundo afora.”

Pois é… Nesta quarta, Jackson Diehl, colunista do Washington Post, esculhamba o companheiro. Huuummm. O artigo até parece ter sido escrito aqui, hehe. O autor chama Lula de “o maior amigo dos tiranos no mundo democrático” e, referindo-se à resposta do governo do Irã à proposta de Lula de receber Sakineh Ashtiani, afirma que Lula foi, mais uma vez, “humilhado por um de seus fregueses”. Lembra que o presidente iraniano é um financiador do terrorismo e um negador do Holocausto, mas que Lula já o abraçou em público — “literalmente”.

Diehl dá destaque à frase asquerosa do presidente brasileiro: “Se vale a minha amizade e o carinho que eu tenho pelo presidente do Irã, e se essa mulher está causando problemas lá, nós a receberíamos no Brasil de bom grado”.

Não é a primeira vez, nota Diehl, que Lula é constrangido por seu “amigo iraniano”. Referindo-se àquela patacoada do falso acordo nuclear de maio, diz que Ahmadinjad engambelou Lula e o fez desempenhar o papel de “idiota útil”.  O presidente do Irã, escreve, não é o único ditador que conta com o apoio incondicional do brasileiro. Ele rememora o triste papel desempenhado pelo Babalorixá na Cuba de Fidel e Raúl Castro, em fevereiro, quando o dissidente Orlando Zapata Tamayo morreu.

Diehl observa que o mandato de Lula está chegando ao fim e que ele está se esforçando bastante para eleger Dilma Rousseff, uma “ex-guerrilheira marxista que divide com ele [Lula] a afeição por ditadores antiamericanos”. Referindo-se à nunca admitida publicamente — mas sonhada certamente; sonho malogrado — possibilidade de Lula se candidatar ao posto de secretário-geral da ONU, considera que tal pretensão estaria assentada na suposição de que Lula poderia fazer com que os ditadores ouvissem a voz da razão. Mas, pelo visto, ele não pode.

Como se vê, o Grande Lula, no mundo, já virou pó. Caso se eleja, Dilma já tem seu lugar garantido no fim da fila como aquela que tem “afeição por ditadores antiamericanos”.

Por Reinaldo Azevedo

02/08/2010

às 18:42

Isto é Cuba, o regime que conta com o endosso de Lula

Vejam estas duas fotos.

cuba-ariel-sigler-amaya

cuba-ariel-ao-sair-da-cadeiaAmbas são do ex-boxeador cubano Ariel Sigler Amaya, agora com 46 anos. A primeira é de quando ele foi preso pelo regime castrista, em 2003, na chamada Primavera Negra. A outra é de meados do mês passado, ao deixar o cárcere e se exilar na Espanha. Quando Fidel o mandou para as masmorras, ele pesava 93 quilos. Ao deixar a cadeia, estava reduzido a 48 de pele e ossos, distribuídos em 1m82.

Qual foi a doença que acometeu Amaya, que o deixou, inclusive, numa cadeira de rodas? Ditadura. Professor de Educação Física, ele foi condenado a 20 anos de cadeia. Seu crime foi guardar em casa livros sobre… democracia!

Amaya desenvolveu, sim, uma doença catalogada pela medicina, mas cuja tradução é política: polineuropatia. Como informa reportagem da VEJA desta semana, o mal decorre da falta de vitaminas — ou seja, da desnutrição. Sem contar, evidentemente, tortura, espancamentos, falta de assistência médica…

Lula, como sabemos, não gosta de se meter nesses assuntos, a menos que seja para livrar seus amigos ditadores de “incômodos”. No ano em que Amaya foi preso, o petista foi eleito presidente. Algum tempo depois, fez um discurso saudando o fato de que os partidos que compunham o Foro de São Paulo estavam chegando ao poder na América Latina.

O Foro de São Paulo é aquela entidade, da qual as Farc fizeram parte, que Lula fundou com Fidel Castro, o homem que reduziu Amaya ao farrapo humano que se vê acima. É com países como Cuba e o Irã que o Babalorixá pretende fundar uma nova ordem mundial. Dos Estados Unidos, ele não gosta muito, não. Acha o país, sei lá…, um pouco “imperialista” demais! Sem contar que Obama vive tentando empanar seu brilho…

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2010

às 13:35

Entrevista coletiva de Lula ao lado do ditador da Guiné Equatorial é cancelada

Leiam o que vai abaixo e prestem especial atenção à fala de Celso Amorim, o Megalonanico. Volto no próximo post. Por Ana Flor, na Folha:

A coletiva prevista na agenda da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiné Equatorial ficou só no papel.  Depois do encontro oficial de Lula com o ditador Obiang Nguema Mbasogo, há 31 anos no poder, os jornalistas foram levados para uma sala onde ocorreria uma assinatura de de atos e a entrevista coletiva. O local estava lotado de oficiais e empresários, além dos jornalistas que tiveram que ficar em pé por falta de espaço.

Mas logo que as assinaturas se encerraram, os jornalistas não tiveram nem ao menos tempo de fazer perguntas. Mbasogo se levantou para deixar a sala, acabando com qualquer possibilidade de ser questionado sobre as acusações de organizações internacionais por violações contra direitos humanos.

Lula chegou na tarde deste domingo (4) ao país do centro-oeste africano e foi recebido pelo ditador na porta do avião. Na manhã desta segunda-feira, ele se reuniu com Mbasogo no suntuoso palácio presidencial, onde o chão e paredes de mármore e madeira maciça e lustres de cristal contrastam com a pobreza do resto do país.

Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores Celso Amorim justificou a visita do presidente Lula, afirmando que “negócios são negócios” e o Brasil não pode desprezar as possibilidades de trocas comerciais com o país.

“Tem empresa com mais de US$ 1 bilhão investidos [na Guiné Equatorial], não é pouca coisa. Nós não podemos jogar isso fora, nenhum país do mundo joga isso fora, nem Estados Unidos, nem Alemanha, nem França”, afirmou.”O exemplo tem muito mais força do que a  pregação moralista”, continuou.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2010

às 22:11

LULA DISCUTE A PAZ NO ORIENTE MÉDIO COM O 12º PIOR DITADOR DO MUNDO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve um encantador encontro com o presidente da Síria, Bashar al-Assad. Eu entendo. Na lista nos 53 piores ditadores do mundo divulgada pela revista Foreign Policy, Assad está apenas em 12º lugar, entendem? A  ordem é decrescente. Antes dele, há um outro grande amigo de Lula: Mahmoud Ahmadinejad, que está em 8º. No topo, o inigualável King Jung-Il, da Coréia do Norte. Em 4º, outro que já foi protegido pelo Brasil no Conselho de Direitos Humanos na ONU: o homicida compulsivo Omar Hassan Al Bashir, do Sudão. Assad é definido pela revista como um “déspota pretensioso”, que tenta seguir os caminhos do pai, tarefa grande demais para ele. Também é acusado de gastar bilhões no Líbano e no Iraque, enquanto ignora as necessidades do povo sírio. Na mosca!

Leiam texto no Estadão Online. Volto no post seguinte.
Por Tânia Monteiro, da Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 30, que recusa a tese de que “o Oriente Médio esteja fadado ao conflito” e de que seus filhos estejam “condenados a reviver a irracionalidade da guerra”. As declarações do presidente foram feitas antes do almoço oferecido ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, que visita o Brasil como parte de sua viagem pela América Latina.

Na avaliação do presidente, “não haverá reconciliação verdadeira se houver vencedores e vencidos”. Lula disse que a busca pela paz é responsabilidade de todos e que tem urgência em ver a região pacificada, “com todos os povos vivendo em harmonia”. Ele lembrou que foi esta a mensagem que transmitiu aos presidentes de Israel, Shimon Peres; da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas; do Irã, Mahmoud Ahmadinejad; e do Líbano, Michel Sleiman, quando estiveram no Brasil.

“Levei esta exortação à moderação e ao compromisso negociador em minhas recentes visitas a Tel Aviv, Ramallah, Amã, Doha e Teerã”, prosseguiu Lula, acrescentando que “a paz no Oriente Médio é um dos pilares” do projeto no qual o Brasil quer ser parceiro. Depois de salientar que “a Síria é um sócio indispensável na busca da pacificação” Lula afirmou que “esse conflito transcende as dimensões regionais e afeta o mundo inteiro”, e ressaltou que “não se retomarão as negociações, sem o engajamento de todos”. Lula defendeu que a Síria seja “ouvida e envolvida” nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio. “Apoiamos o princípio da “terra por paz” para assegurar a devolução das Colinas de Golan à Síria”, declarou Lula, em discurso redigido.

O presidente voltou a pregar a importância da existência de um Estado palestino independente, soberano, coeso e economicamente viável, que possa conviver em segurança e dignidade com Israel. “Isso só será possível com unidade e contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre palestinos”, declarou Lula, ao ressaltar que condenou a intervenção em Gaza, “da mesma forma que condena atos terroristas de qualquer espécie”. Ele condenou também o incidente com a flotilha humanitária , atacada por israelenses em águas internacionais e disse que isso “mostra que é mais do que hora de suspender o bloqueio a Gaza”.

Elogios
Já o presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse ser “muito grato” a posição do Brasil em relação ao Oriente Médio, e elogiou a posição do presidente Lula, em favor da paz na região nos últimos oito anos, principalmente em relação à questão Palestina, “que é a questão mais importante para os árabes”.

Al-Assad aproveitou para comparar a posição do Brasil na Guerra do Iraque em 2003 com a de agora, de tentar intermediar uma solução negociada para evitar sanções ao Irã, e elogiou a “boa intenção do Irã” de abrir a possibilidade de negociação em relação a troca de combustíveis nucleares. O presidente sírio também acusou Israel de ser uma “ameaça à região”. Segundo ele, “Israel sempre põe empecilhos para se chegar à paz” e reclamou do cerco que continua sobre Gaza. Por fim, al-Assad defendeu a presença do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para que o órgão seja mais equilibrado e possa corrigir grandes erros.

Por Reinaldo Azevedo

 

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