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Piauí

30/01/2012

às 21:32

Do capítulo “aulas de bom e de mau jornalismos” – Polícia Militar do PT deixa mais uma pessoa cega de um olho, agora uma cozinheira da Bahia

Vejam esta foto.

cozinheira-cega

Essa mulher estava num show do Olodum, no Pelourinho, em Salvador, no dia 22. Houve lá uma confusão, a Polícia Militar interveio, ela foi agredida por policiais e ficou cega do olho esquerdo. A Bahia é governada pelo figurão petista Jaques Wagner.

Agora vejam lá o meu título. É claro que estou forçando a barra. Estou imitando o mau jornalismo que os petistas fariam se isso tivesse acontecido em São Paulo.

Até agora, Maria do Rosário não falou nada!
Até agora, Gilberto Carvalho não falou nada!
Até agora, Dilma Rousseff não falou nada.

O tal Paulo Maldos e seu anel de tucum também vão ficar fora dessa história.

Em menos de um mês, é a segunda vez que a Polícia Militar sob o comando de progressistas deixa uma pessoa cega. A outra vítima é o estudante Hudson Silva, da Universidade Federal do Piauí, num protesto contra a elevação da tarifa dos ônibus em Teresina. O estado é governado pelo PSB e pelo PT.

estudante-cego1

Também no caso de Hudson, Maria do Rosário havia se calado.
Também no caso de Hudson, Gilberto Carvalho havia se calado.
Também no caso de Hudson, Dilma Rousseff havia se calado.

Não conheço as circunstâncias de uma ocorrência e de outra. Lamento as conseqüências. Mas é preciso responsabilidade.

O que eu sei?
Fosse em São Paulo, as duas ocorrências seriam destaque em todos os telejornais. Como se deram em estados governados por companheiros, não se diz uma vírgula.

Fosse em São Paulo, Fábio Konder Comparato, Márcio Sotello Felippe e Sérgio Salomão Shecaira já teriam redigido uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Não é a defesa dos direitos humanos que torna toda essa gente asquerosa, mas a defesa seletiva. Vai ver que os cegados pelas polícias dos “companheiros” o foram por bons motivos.

Imaginem uma ocorrência como essa no Pinheirinho… Graças a Deus, não aconteceu!

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2012

às 20:28

Maria do Rosário vai ou não reclamar da “violência policial” dos “companheiros” do Piauí?

Alô, ministra petista Maria do Rosário, dos Direitos Humanos! Peça para o seu secretário-executivo, Ramais de Castro Silveira, telefonar para o governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), que governa em aliança com o PT, para acusar “os exageros” da Polícia Militar do estado na repressão aos ditos “estudantes” que protestam contra o aumento das passagens de ônibus em Teresina, que passaram de R$ 1,90 para R$ 2,10!!! Já houve vários confrontos de rua, e a PM, sob a gestão dos socialistas e petistas, recorreu a balas de borracha, cassetete, bombas de efeito moral e spray de pimenta! Que coisa feia, Dona Maria do Rosário!

É claro que estou a fazer uma ironia. Quem comanda a baderna em Teresina são alguns estudantes da Universidade Federal do Piauí. Um diretor do DCE deu uma declaração estupenda, publicada pelo G1: “Se é vandalismo o que fazemos, foi vandalismo o aumento da passagem. Estamos só devolvendo na mesma moeda”. É o marxismo estudantil regredindo à fase do “luddismo”. Entenderam? Um ônibus já foi incendiado. Para Oliveira, a sua ação é apenas uma reação legítima ao aumento das passagens. É o fim da picada! É claro que ações dessa natureza não podem ser toleradas e é claro que cabe à Polícia Militar, em casos assim, manter a ordem em Teresina ou, digamos, em São Paulo…

Mas eu não seria eu se não fizesse a pergunta: o tal Ramais telefonou ou não para os “companheiros” que dividem o governo do Piauí com os PSB para censurar a “violência policial”? Ou será que a Secretaria de Direitos Humanos só se interessa pela suposta “violência policial” de estados governados pela oposição — em especial, São Paulo?

Não! Eu não endosso manifestações violentas e acho que elas têm de ser mesmo coibidas. O ideal é que não se empreguem balas de borracha e spray de pimenta — a menos que seja necessário. Quem bota fogo em ônibus não quer conversar. Está disposto a bater e a apanhar. A Constituição confere às forças policiais e às Forças Armadas o uso legítimo da força. E o Brasil, até onde se sabe, é uma democracia, certo?, que tem a sua extensão fardada. Vale para o Piauí, governado por PSB e PT; vale para São Paulo, governado pelo PSDB.

É ou não é, Dona Maria? A menos que se considere que todo vandalismo reprimido por petistas é reacionário e todo vandalismo reprimido por tucanos é progressista…

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2011

às 4:41

Candidato a Saddam Hussein do Piauí quer aparecer. Tudo bem! Eu continuo a lhe dar aula de gramática e de tolerância!

O deputado estadual Fábio Novo (PT), presidente da Assembléia do Piauí, é mais antigo do que parece. Não pensem que ignoro que ele está jogando para a torcida, tentando aparecer às minhas custas, fazendo o jogo clássico do populismo, que consiste em apelar às massas para aviltar as leis e as instituições. Também gosta de um factóide. Os que tiverem alguma curiosidade procurem no Google seu nome associado a um acidente aéreo. Vocês verão como um pouso forçado de avião virou uma queda, da qual sobreviveu. Seus adversários andaram dizendo coisas estranhas à época sobre a aeronave. Há um monte de gente querendo me oferecer pencas de informação sobre seu jeito de fazer política. Seu modo muito particular de ser afoito parece não ser uma unanimidade no Piauí nem entre seus pares. Mas eu não me importo muito com essas coisas, não, gente! Deixo para os repórteres investigativos que se interessarem. Eu me aplico ao debate sobre democracia.

Prestei atenção, claro!, a sua salvação quase milagrosa! Um predestinado este rapaz ,que se diz também “jornalista” e “ator”, embora sua alfabetização não seja menos precária do que seu amor pela liberdade de expressão, inclusive a dos palcos! Já respondi a uma carta sua. Ele fez outra. Está encantado com o destaque que a mídia local tem lhe dado. Imaginem: o Santo Guerreiro (ele) contra o Dragão da Maldade (eu)!!! Que aproveite bem a onda! Volto a ele porque há uma questão gramatical em pauta. Aí vem o oblívio, salvo uma nova queda de avião, com a segunda ressurreição… Cristo se contentou com uma. Novo tem pinta de que pode optar por duas. Depois, se for o caso, volto a Caetano Veloso, que é Caetano porque é velho… Transcrevo a sua carta em vermelho e respondo em azul. Isso dispensa uma tal “Elzita” de ficar me mandando obsessivamente o texto. Espero que seja ao menos trabalho remunerado—- se é que “Elzita” não é um heterônimo…

CARTA ABERTA AO POVO DO PIAUÍ
Assisto perplexo a inversão dos valores, que se tenta a todo custo, imprimir nos últimos dias em relação ao episódio Marauê. Nosso Estado e nossa gente foram discriminados por um ator, aqui bem recepcionado, como ele mesmo disse ao pedir desculpas, após a besteira que fez. Se não bastasse um jornalista do sul do Brasil, a todo custo, defende e dissemina o preconceito e a discriminação. Quando nos levantamos contra esse sentimento medieval, a luz do direito e com elegância, sem argumentos o nobre jornalista parte para o ataque. Nos chama de analfabetos, coronel e se não bastasse, o mesmo jornalista, faz questão de tentar reduzir o Piauí a uma terra nada abonadora, segundo os indicadores do IBGE.
As palavras de Novo são mentirosas! Não chamei os piauienses de “analfabetos”. Novo, ele sim, é, sem dúvida, precariamente alfabetizado, o que a sua segunda carta revela ainda com mais clareza porque, desta vez, nota-se um esforço para escrever direito. Caramba!!! Embora o Piauí tenha a pior renda per capita do Brasil, um deputado estadual de lá ganha o mesmo que seu homólogo em São Paulo: R$ 20.250! Tem ainda direito a R$ 45 mil por mês para contratar assessores e uma verba não-declarada para custos de transportes. Quero dizer com isso que Novo tem grana para contratar alguém plenamente alfabetizado para escrever suas cartas. Que importância isso tem??? Ele se diz jornalista. Tentou, inclusive, me ensinar a profissão, e isso implica algumas obrigações com a língua — dele, só aceito dicas de como sobreviver à queda de um monomotor e influenciar pessoas.

Novo não é “o povo do Piauí”. Não há nada mais ridículo do que querer mobilizar “nosso estado” e “nossa gente”, como ele escreve, contra um ator e contra um “jornalista do Sul do Brasil”, incentivando, ele sim, o preconceito regional. Trata-se de uma manipulação típica do antigo coronelismo, que é o que o PT e as esquerdas estão recriando no Nordeste. Estabelece-se uma espécie e cinturão mental na região, de sorte que “ninguém de fora” pode fazer indagações sobre os métodos que as elites políticas, de que ele faz parte, empregam para exercer o mando.

Também é mentira que tenha decidido cassar a licença da peça “à luz do direito” — com crase, jornalista! À luz do direito, ele violou os artigos 5º e 220 da Constituição. E ainda teve o péssimo gosto de evocar a Constituição Estadual. Constituições estaduais, municipais ou estatutos de clube e de condomínio não podem se sobrepor à Constituição Federal, rapaz! Se repetem o que vai na Carta maior, são redundantes; se negam, são inconstitucionais. Não têm valor normativo. Entendeu, ou preciso desenhar, já que sua relação com as palavras parece um tanto hostil?

O nobre jornalista avoca a Constituição Americana, que não se aplica no Brasil, pois somos uma nação com particularidades e leis diferentes, para decantar a liberdade de expressão.
Nobre” é a vovozinha! Eu sou plebeu! Você tentou ser demagogo ou é mesmo ignorante? Recorri à famosa Primeira Emenda da Constituição Americana como exemplo de texto que consagra a liberdade de expressão. Mas eu entendo: Novo é do tipo que acha que a gente ainda não está preparado para tanta liberdade! Citei aquele caso para demonstrar que, nos EUA, até mesmo legislar sobre liberdade de expressão, liberdade religiosa, direito de associação e direito de… reclamar direitos é proibido!

Que diabos  quer dizer “Decantar a liberdade de expressão”? Como diria Paulo Francis, é coisa que merece chicote — metafórico, Excelência, metafórico!!! De toda sorte, saiba o deputado, a combinação dos Artigos 5º e 220 da Constituição Federal tem o efeito prático da Primeira Emenda. Isso quer dizer que o senhor e seus pares violaram a Constituição quando cassaram a licença de uma peça. Só isso! Os senhores disseram que, no Piauí, a Constituição Federal só tem validade se vocês decidirem. O senhor se comportou como o Saddam Hussein do Piauí! ISSO NÃO TORNA MENOS IDIOTA O QUE DISSE O TAL ATOR. Essa á uma falsa questão a que recorrem demagogos para transformar a política numa chanchada de indignados.

Aqui no Piauí defendemos liberdade de expressão, direitos individuais e como no restante do Brasil, condenamos quem ao arrepio da lei, pratica e destila preconceito e discriminação contra qualquer cidadão. Toda e qualquer pessoa tem o direito de se expressar, mas quando atinge a honra de um povo de forma depreciativa, também dentro da lei, responde pelos atos praticados.
Palavras também mentirosas! O senhor não tomou uma providência legal. Se decidisse processar o ator, certamente a ação não prosperaria porque nem mesmo se pode dizer que ele atacou pessoas: fez uma piada infeliz com uma cidade. O seu tipo é muito conhecido, sr. Novo! A literatura está cheia! Quantos foram, ao longo da história, os que, mobilizando sentimentos nativistas e afins, conduziram populações para o desastre? A demagogia é um dos degraus mais baixos da política, ali, bem pertinho da corrupção. Ninguém, no seu estado ou fora dali, recorreria contra a decisão, especialmente depois que, também ao arrepio da lei, o tal rapaz foi até ameaçado de prisão.

Ao declamar que “Teresina é o c. do mundo” o ator foi depreciativo com todos os teresinenses.
Isso é juízo de valor de político interessado em faturar com a causa. Os paulistanos maldizem sua cidade vinte vezes por dia. Falo porque vivo aqui. Seria lícito vedar a um não-paulistano uma fala facultada aos nativos da cidade? Tenha senso de ridículo, por favor!

Incorreu em preconceito e discriminação, segundo nossa lei vigente.
Qual lei vigente? Prove! Essas palavras são pura mistificação! Mais: se ele incorreu, a punição, então, não poderia ter sido aquela. O senhor deveria tê-lo processado! Cassar o teatro, por mais imbecil que ele seja, nunca! O senhor não é dono da lei! Não é dono da Constituição da República Federativa do Brasil. Ainda que consiga mobilizar milhões de piauienses com a sua cantilena, agiu ao arrepio da lei, como um tiranete.

Ao pedir desculpas a emenda saiu pior que o soneto, pois o ator se justificou achando que aquela expressão fazia parte da “cultura do Piauí.”
O fato de ele eventualmente ser bobo não lhe dá, Novo, o direito de usar a Constituição como achar melhor. A Carta vale também para os bobos.

Lamento que o nobre jornalista da VEJA defenda que o ator poderia vomitar o quem bem quisesse, em outras palavras, agredir sem nenhuma reação em troca. Existe uma lei física. A cada ação corresponde uma reação.
Nobre uma ova! Sou plebeu! De novo!  Sim, ele poderia “vomitar” o que bem quisesse, ARCANDO COM AS CONSEQÜÊNCIAS LEGAIS, NÃO COM AS ILEGAIS! Entendeu, Novo? Você entendeu! Pode se fingir de bobo, mas a gente nota que é bem esperto.  Isso está mais para Lei de Talião do que para Newton. Um e outro são maus operadores do Direito. Você é uma autoridade, rapaz! SÓ PODE FAZER O QUE A LEI PERMITE! O outro é um comum. Pode fazer tudo o que a lei não proíbe. A lei não o proíbe, ao ator, de dizer besteira. E a lei NÃO lhe permite, a você, Novo, cassar a licença para o espetáculo, motivado por um delito de opinião.
Novo, você é fraco nisso! Os piauienses fiquem tranqüilos. Não tomarei o deputado como média da forma como se opera o direito ou se debate  no Piauí.

O Piauí reagiu!
Seria mais correto dizer que há pessoas manipulando a reação.

Reagimos firme e com serenidade.
Reagiu violando a Constituição Federal.

Não tentamos desqualificar ninguém, pois mesmo “analfabetos” e sem o nível intelectual elevado – assim nos acusa o jornalista – não faltamos com a educação.
Não seja ridículo! Você é precariamente alfabetizado e, vê-se, tem nível intelectual sofrível. O Piauí já deu grandes inteligências ao Brasil e dá ainda, em vários setores e de vários matizes. Comece lendo a minha grande paixão literária desde os 18 anos, o Mário Faustino, presente em epígrafe neste blog, desde sempre. O artífice jurídico da abertura política foi Petrônio Portella, do Piauí.

Não chamamos ninguém de coronel, bobocas, deputadozinho ou de canalhas caipiras. Nem mandamos ninguém se danar. Exigimos apenas respeito!
Você se comportou como um coronel, disse e diz coisas bobocas, atua como um deputadozinho quando tenta mobilizar o rancor contra da população. De canalha, não o chamei. Há canalhas enchendo o meu saco nos comentários, inclusive prometendo me cobrir de porrada para lavar a honra aviltada do Piauí. Você sabe muito bem que tipo de sentimento mobiliza com a sua pantomima regionalista, contra o “sul do Brasil”…

O nobre jornalista da VEJA em verdade perdeu o equilibrou, pois viu sua caixa de mensagens entupida de manifestações contrárias ao seu infeliz comentário.
Você não conhece este plebeu! Até parece que é a primeira vez…

Sem argumentos, desceu o salto da boa educação e partiu para o ataque. Foi tão deselegante, quanto o ator. Ficou tão nervoso que escorregou na língua portuguesa, pois não se apercebeu que o “taxar” que me refiro é ao ato de julgar. Neste caso cabe a grafia com “x” e não “ch”.
Olhem quem fala em escorregão na língua portuguesa. Seu texto é um gramaticocídio permanente. O “taxar” usado por você está errado, sim!, em que pese o debate se, por sentido associado, poderia se fazer também essa escolha. Claramente você empregou a palavra no sentido de “pôr tacha”, de apontar um defeito: quis dizer “tachado”. Até 2004,  o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa admitia, por exemplo, “xícara” e “chícara”. Quem escrevesse a palavra com “ch”, a rigor, não estava cometendo um erro. E como é que se distinguiria o eventual erudito, conhecedor das duas grafias, do ignorante rematado? Aí seria preciso ver o conjunto do texto. Uma “chícara” cercada de um gramaticocídio seria certamente uma evidência a mais de ignorância; ornada com a língua mais escorreita, provável prova de erudição. No seu caso, Novo, o que você acha que aconteceu: o seu “taxar” estaria no melhor jardim da “Última Flor do Lácio” ou  cercado de ervas daninhas por todos os lados? Eu chamei o seu “taxar” de cereja da ignorância, não de manifestação única de incultura.

Com relação a minha vida profissional não necessito de nenhum minuto de fama, afinal sou feliz com o que conquistei, tanto como profissional da comunicação ou na minha carreira política. Graças a Deus isso é bem resolvido em mim.
Como “profissional de comunicação”, é? Desculpe a curiosidade: fazia o quê? Não vá me dizer que vivia de escrever!

Por fim, lamento que o Nobre jornalista não acompanhe de perto a evolução do Piauí.
“Acompanhar de perto”, creio, é obrigação dos piauienses. Mas os dados sobre o passado recent não são secretos.

De fato ainda há muito que se fazer, mas avançamos a passos largos. Nosso PIB é o que mais cresce do Brasil, segundo o IBGE, em 2008 avançamos 8,8%. O número de geração de empregos é recorde. Muitas empresas se instalam por aqui. Nossa produtividade de soja é a maior do Brasil. O IPEA também divulgou recente estudo que aponta o Piauí deixando a condição de estado mais pobre e a renda crescendo. Em outros estados os piauienses que disputam concursos se tornaram notáveis. Temos até a melhor escola do Brasil. Este é o Piauí que defendo e que não aceito, enquanto estiver na vida pública ou fora dela, como cidadão, o deboche, por quem quer que seja.
Fábio Novo
Deixe de demagogia! O “avanço a passos largos” deve estar ligado ao… partido que governa o Piauí! Acertei? Eu sou bidu mesmo! Por isso, fazer críticas ao estado, agora, passou a ser pecado. A cada dado positivo, como em qualquer lugar, poder-se-ia opor uma mazela. Isso nunca esteve em debate! Ainda que o Piauí fosse hoje uma potência superior à China, nada lhe dá o direito, rapaz, de atuar como o chefe do Partido Comunista Chinês, especialmente nessa linguagem que apela, você sim, ao confronto entre regiões, ao preconceito contra as pessoas do Sul, tudo isso que o seu partido tão bem manipula no Nordeste.

Novo quer me tratar como um “jornalista do Sul”, tentando me demonizar no seu estado. Não cola, não! Eu moro na segunda maior cidade nordestina do Brasil, que é São Paulo — só perde para Salvador. Por aqui, meu senhor, o preconceito se perdeu faz tempo! Aliás, a marca tem sido a diversidade. Esta capital “do Sul” (sic) que você abomina já elegeu para a Prefeitura um mato-grossense (Jánio), uma nordestina (Erundina), um santista (Mário Covas), um negro (Celso Pitta), um filho de imigrantes libaneses (Maluf). Até paulistano já se fez prefeito por aqui!!! Não entro no mérito das respectivas administrações! Estou falando sobre tolerância.

E o estado? Já foi governado, na República Velha, por um fluminense (Washington Luiz) e por um alagoano (Albuquerque Lins), ambos premiados com nomes de estradas, ruas, praças etc. Jânio, o mato-grossense, também ocupou o cargo. Na ditadura getulista, teve até um interventor pernambucano: José Alberto Lins de Barros, aí eleito por ninguém — como, diga-se, o piauiense Francelino Pereira em Minas, durante a ditadura militar. Getúlio Vargas, o gaúcho, tornou-se senador por São Paulo, onde também fez carreira o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva.

Venha ter aula de tolerância em São Paulo, Novo! Há muitos idiotas discriminadores por aqui, sim! Mas eles costumam apanhar da imprensa e não chegam ao poder! Sabe por quê? Daqui não se vê “quem sobe ou desce a rampa”, como bem sintetizou Caetano Veloso, antes de se deixar contaminar pela intolerância, caminho certo para a burrice e para a vigarice intelectual! Preconceituoso é você! Intolerante é você! Arrogante é você! Pior: numa atiude covarde, vai para o debate tentando “arrastar o povo”. Tenha a hombridade de debater com seus próprios instrumentos.

Você não é o primeiro a violar a Constituição alegando bons motivos. É só aquele que tem os argumentos mais pueris.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2011

às 22:14

As luzes podem melhorar o Piauí e o Brasil. Não as trevas.

Ainda sobre o Piauí, há algumas coisinhas a dizer: eu não generalizei absolutamente nada! Sou um “antigeneralizador” por excelência! Particularidades me interessam. Vêm luzes do Piauí? claro que sim! E não são apenas as de Mário Faustino. Escreve o leitor Silva Júnior, entre tantos outros do estado:
“O Piauí já produziu Mário Faustino e Novo! Se a língua portuguesa fosse um corpo, a de Faustino seria o cérebro. Já a de Novo…” Brilhante, Reinaldo! Meu amigo, sou piauiense e creio ser o bairrismo uma bobagem sem limites. Por força do cargo público que ocupo, já servi ao Brasil em diversas partes do país. Hoje estou no Maranhão e já de malas prontas para ir morar em Brasília. Em todos os estados por que passei, vi coisas boas e coisas não tão boas, de sorte que ninguém é melhor, nem pior, do que ninguém por ser piauiense, paulista, mineiro, enfim. Exorto aos meus conterrâneos a deixarem o orgulho de lado e lutarem para melhorar os péssimos índices aqui demonstrados. Isso é que vale a pena. Quanto ao Deputado, este dá pena.

Mas há o Fillipe Gayo de Almeida:
Podem falar o que quiserem de nós piauienses, mas temos “SOMENTE” a melhor medicina do país, escolas eleitas entre as melhores e até a melhor. Burros são vocês aí do Sul que nem sabem onde Teresina fica! RSRSRS. Enchem a boca pra falar que são de São Paulo, mas vá ver onde moram… Morros, barracos e afins. A gente vive tranquilamente e não precisamos ser roubados e mortos todos os dias e nem também viver nadando nos esgotos da cidade. Se ligue, o C* do Brasil é ai em São Paulo. Do ruim ao pior, tudo está ai!

Entenderam?
Eu tenho a certeza de que o tal Fillipe é do tipo que acredita estar apenas reagindo a uma agressão: a suposta crítica a “todos” os piauienses, o que ninguém fez. E como ele demonstra o seu desagrado? Ora, atacando todos os paulistas! Ou seja: reconhece como válido o método contra o qual ele diz insurgir-se.

Uma leitora que se identifica como médica escreve um comentário em que busca participar honestamente do debate. Pergunta-me por que decidi publicar os péssimos índices sociais do estado. Porque o os “Fillipes” da vida transformam a crítica num anátema. Há muito a se fazer no Brasil inteiro, mas o Piauí está entre os estados em que mais há o que fazer, a despeito de suas conquistas. Os petistas, enquanto oposição, jamais reconheceram  um miserável mérito em governos adversários. Agora que são poder no estado, transformaram o exercício da crítica num crime, num ato de sabotagem, num exercício de reacionarismo.

O Piauí, de fato, tem a escola — privada, é bom lembrar — que ficou em segundo lugar no Enem. “Isso prova que piauiense também pode ser inteligente!” Jesus Cristo! Como já lembrei aqui, Faustino provou isso bem antes! Quem questionou tal competência? O fato é que o estado está entre aqueles que não cumpriram as metas do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Dos 11 municípios com as piores notas nas séries iniciais do ensino fundamental, seis estão na Bahia, dois no Piauí, dois na Paraíba e um no Pará. Dos 13 municípios com as notas mais altas, sete estão em São Paulo, cinco em Minas Gerais e um no Rio Grande do Sul.

Assim, senhor Fillipe, o Estado está nos dois extremos, e a média dos indicadores sociais é muito ruim. E quem tem de corrigir essas distorções? Os piauienses! E tudo começa com menos “patriotismo” — ou sei lá como se chame às tolices de exultação — e mais realismo. A natureza dotou os piauienses com a mesma competência de quaisquer outros indivíduos Brasil e mundo afora. O que se construiu no estado não é obra da natureza, mas dos indivíduos.

As luzes podem melhorar o Piauí e o Brasil. As trevas só podem piorá-los!

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2011

às 21:38

O que “eles” vêm fazer aqui, Santo Deus?

Acho que não consigo ser mais claro do que sou habitualmente. “O que fazem algumas pessoas neste blog?”, eu me pergunto. Por que tantos tentam me provar que o Piauí é um lugar de valor? Eu lá me importo com isso? Não são as belezas e maravilhas do estado que estão em debate, mas a liberdade de expressão. É claro que ela não é um “direito absoluto”, como dizem alguns. Nenhum direito é. Mas será ela direito tão relativo a ponto de não se poder fazer uma piada sobre uma cidade, ainda que depreciativa? As coisas que chegam são espantosas. Fala-se abertamente que o tal ator deveria ter sido espancado! Teresina deve ter maravilhas e mazelas, como qualquer lugar. A cidade há de suportar também aqueles que eventualmente a detestem.

Poucas coisas me tiram do prumo; esse tipo de pressão e patrulha contribui para eu ficar ainda mais convictamente centrado.  Sei bem o que escrevi. Está disponível. Ocorre que há vagabundo entrando na página para comentar a acusação alheia. O exemplo mais freqüente é a mentira de que chamei os piauienses de “caipiras ressentidos”. Não! Assim classifiquei os que decidiram babar de ódio, na certeza de que foram alvos de uma ofensa gravíssima. Caramba! Se nordestinos, nortistas, sulistas, centro-oestinos, cariocas, mineiros ou capixabas postarem uma mensagem em alguma rede social atacando São Paulo, devo sentir-me pessoalmente ofendido por isso? Ah, eu não me sinto! Se essa pessoa hipotética escrever — e não foi o que fez o rapaz — que “todo paulista é (escolham aí o xingamento)”, posso até me zangar, responder, dizer que não sou etc. MAS ACEITAR QUE SE PUNA ALGUÉM POR ISSO? A propósito: paulistas estão de tal sorte acostumados a ser malhados que não dão bola para essas coisas.

É espantoso! Muitos não conseguem ler o que escrevi — na madrugada, farei uma reflexão sobre os limites da linguagem em ambientes “fascistizados” ou fanatizados — nem o que escreveram os próprios comentaristas. Acusam-me de não publicar opiniões diferentes das minhas. É uma mentira estúpida! Nos dois posts a respeito do Piauí, a maioria dos comentários, com folga, me contesta. Excluí os que entraram unicamente com o propósito de me ofender, de me atribuir coisas que não escrevi ou de, acreditem, incitar a violência. E ainda tentam: “Vamos ver se você realmente preza a liberdade de expressão…” Pfui! Liberdade não é sinônimo de delinqüência. E que se note: eu simplesmente deixo de publicar o comentário, que ele pode emplacar em qualquer outro blog por aí. Pode até fazer o seu próprio. Não casso o teatro de ninguém; não uso o estado para constranger a pessoa em questão.

Vocês me conhecem. Sabem que o indivíduo, pra mim, é o templo da democracia — aliás, também o é da minha religião. Eu me importo com pessoas, não com categorias, grupos, claques, classes, seja lá como queiram chamar. Por isso me provoca o fato de que alguém, por ter dito algo infeliz, por mais estúpido que seja, possa sofrer conseqüências de uma autoridade do estado. O motivo é simples: esse estado detém o monopólio da força para fazer valer a lei; ela só pode ser exercida se não agredir um direito individual. As leis existem para proteger do estado o indivíduo. Só nas sociedades totalitárias é que se faz o contrário. Os piauienses insatisfeitos com o que disse o tal ator poderiam ter, por exemplo, iniciado um movimento de boicote à peça. Posso até achar uma tolice, mas seria legítimo. Cassar a licença? Jamais! É coisa de ditadores!

Digam-me cá: isso é muito diferente dos censores que obrigavam Chico Buarque — para citar um símbolo de certas correntes de pensamento — a substituir palavras em suas músicas? Ou que proibiam letras inteiras? Por que é diferente? Será a liberdade de expressão aceitável apenas quando as pessoas dizem coisas com as quais concordamos?

Não! Eu não conseguirei ser mais claro do que já fui. Não está em julgamento se Teresina é ou não o cu do mundo. Como metáfora de coisa ruim, não deve ser. Consigo pensar em uns 10 lugares piores em dois segundos. Esse é um debate cretino. Igualmente estúpido é fazer digressões sobre o direito que as pessoas têm de se sentir ofendidas. Ele é sagrado. A questão é saber se o estado pode ser mobilizado para punir a simples manifestação de uma opinião.

Eu não consigo ser mais claro do que isso. E se, para alguns, isso ainda não é clareza o bastante, então têm mais é de deixar o meu blog de lado.  Façam um bem a si mesmos e até a terceiros: há blogueiros implorando por leitores.  Não é o meu caso. Esta página exige mesmo algumas precondições para ser minimamente entendida. Uma delas é reconhecer que as palavras fazem sentido.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2011

às 8:01

O Piauí é aqui!

Um ator que iria apresentar uma peça no teatro da Assembléia do Piauí resolveu repetir piada atribuída a um comediante e afirmou em sua página no Facebook que, se o mundo tinha cu, então ficava em Teresina. Pegou mal. Ele retirou a mensagem, desculpou-se, até deu sumiço, parece, no seu perfil. Não adiantou! A corrente dos indignados e ofendidos cresceu, exigindo providências das “autoridades competentes”. Fábio Novo (PT), presidente da Assembléia do Piauí, com a concordância da Mesa Diretora, decidiu suspender a autorização para a apresentação do espetáculo. Muito bem, coroné!!!

Escrevi a respeito. Não endossaria o conteúdo da piada que ele fez se piada não fosse! A retaliação é absurda e ilegal. Escrevi a respeito aqui. Os botocudos, então, decidiram voltar-se contra mim, atribuindo-me, como é hábito das supostas vítimas triunfantes no papel de algozes, o que não disse. O próprio Fábio Novo resolveu tirar uma casquinha, publicando uma “carta aberta” a Reinaldo Azevedo… Santo Deus! Tenta seus 10 minutos de fama. Volto a ele daqui a pouco.

Escrevi o óbvio: as pessoas têm o direito de dizer o que bem entendem, e aqueles que não gostam do que é dito podem e devem se manifestar. Boa parte dos que resolveram entrar no blog para me atacar desferiu impropérios contra São Paulo e os paulistas, como se eu fosse representante de um estado! Vão se danar! Eu não represento ninguém e não reconheço a essa gente autoridade intelectual, moral ou política para falar em nome do Piauí. Até o tal Fábio Novo, que é deputado, representa não mais do que seus eleitores, embora tenha se comportado como o dono do teatro e da Constituição da República Federativa do Brasil, que assegura a liberdade de expressão nos Artigos 5º e 220º.

A nossa tolerância com a liberdade do outro é testada justamente quando este outro diz o que julgamos repulsivo ou inaceitável. Se ele não estiver fazendo a apologia do crime ou promovendo-o, ninguém tem o direito legal de molestá-lo. O rapaz não se referiu nem mesmo ao povo de Teresina, mas à cidade. E estava claro que fazia uma piada.

Se o tal ator cometeu um ato inaceitável ao chamar Teresina de “cu do mundo”, em que seriam diferentes dele os tontos que atacam São Paulo com o objetivo de me agredir? Respondo: ele fazia um gracejo, por mais infeliz que fosse; estes outros pretendem falar a sério, cavalgando seu ódio mesquinho, seu ressentimento pueril, seu orgulho mixuruca. Em suma: eles são de fato aquilo que dizem combater! Falem de São Paulo o que  bem entenderem! Eu não dou pelota! Já escrevi aqui e repito: se, a exemplo de Samuel Johnson, considero “o patriotismo o último refúgio dos canalhas”, acho o regionalismo o “último refúgio dos canalhas caipiras”. Nas conversas que tive com leitores Brasil afora, eles sabem disso, sempre fiz pouco caso desse sentimento de patota. A cidade, o estado ou o país onde se nasce são uma questão cartorial. Eu, por exemplo, nasci na Fazenda Santa Cândida. Sou de lá. É a minha pátria! O resto é injunção política que depende da vontade de estranhos.

Eu escrevo para pessoas alfabetizadas. Ao me referir ao Piauí, afirmei que sabia pouco  sobre o estado além dos dados do IBGE — e eles não são nada abonadores! Esses bobocas indignados que me escrevem, já que estão em busca de uma causa, deveriam é tentar melhorar aquela situação miserável. Do que tanto se orgulham? Fiz elogios a pessoas nascidas no Piauí. Lembrei que Mário Faustino, o mais elaborado poeta do século 20, é piauiense. É bem provável que os indignados não conheçam o que de melhor a terra que tanto amam produziu nas letras nacionais. Faustino não foi um gigante da literatura piauiense, mas da poesia brasileira em qualquer tempo. Em “Contra o Consenso”, meu primeiro livro, dedico um longo texto à sua obra. ATENÇÃO, PIAUIENSES INQUIETOS: APRENDAM COMIGO O QUE O PIAUÍ CONSEGUIU FAZER DE VERDADEIRAMENTE GRANDE! Cliquem  aqui. Se vivo fosse, cosmopolita como era, imagino o que não diria dessa bobajada! O Piauí não precisa me dar um título de cidadão honorário por isso…

Fábio Novo
O deputado Fábio Novo (PT), o censor, presidente da Assembléia, resolveu me dirigir uma carta aberta. Leiam os dois primeiros parágrafos:
Lamento que como jornalista, eu também me formei na área, aprendi que um fato deve ser apurado ouvindo as partes envolvidas. Você não me ouviu no episódio Marauê e portanto, deixou de ser jornalista para tomar partido de um fato que ouviu dizer por terceiros. Assim feriu de morte o principio da informação com imparcialidade;
Taxar de censura, ato administrativo da Assembleia Legislativa do Piauí, que retirou de pauta a apresentação do espetáculo, é uma afirmação injusta pelo não conhecimento dos fatos e das leis. Senão vejamos:”

Jornalista? É! Ele quer me ensinar os segredos da profissão. Que bom que decidiu ser político, carreira em que se pode ir muito longe com uma alfabetização rudimentar. Se algumas regras elementares da gramática fossem pessoas, Novo seria um homicida em massa. A cereja de seu bolo retórico está em “taxar de censura…” Eu não “taxei” nada! No máximo, poderia ter “tachado”, com “ch”, apontado uma “tacha”, um “defeito”, uma “desonra”. “Taxa”, meu senhor, é aquela coisa que se paga no guichê. O mundo é diverso! O Piauí já produziu Mário Faustino e Novo! Se a língua portuguesa fosse um corpo, a de Faustino seria o cérebro. Já a de Novo…

Quantidade espantosa de bobagens
O pensamento politicamente correto e o ressentimento querem esmagar a liberdade de expressão no Brasil. Em sua carta, o deputado Fábio Novo tenta explicar por que ele e seus pares suspenderam o espetáculo. Quando leio seus pobres argumentos e penso na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, eu me dou conta da nossa miséria intelectual. Leiam:
“Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the Government for a redress of grievances.”

Atenção! Não se trata de uma simples garantia da liberdade de religião, da liberdade de expressão e de imprensa, do direito do povo de se reunir e de encaminhar petições ao governo para reparar injustiças. É MAIS DO QUE ISSO: O CONGRESSO ESTÁ IMPEDIDO DE VOTAR LEIS QUE LIMITEM ESSES DIREITOS, ENTENDERAM? De tal sorte eles são considerados inegociáveis, que não se admitem leis restritivas de nenhuma natureza.

Por aqui??? Pobres de nós! Qualquer deputadozinho acha que, “em nome do povo”, pode suspender um espetáculo. E ainda diz estar agindo em defesa da cidadania e contra o preconceito!

Vocês entendem por que o governo federal mete a mão grande na Vale, uma empresa privada, e diz quem pode e quem não pode dirigi-la, sem que isso provoque um escândalo? No Brasil, os direitos individuais são considerados filhos bastardos do Estado, que tudo pode. Eu escrevi um artigo contestando a suspensão da peça, não contra o direito de protesto daqueles que se sentiram ofendidos. Afirmei que a gritaria era coisa de “caipiras ressentidos”, não que os piauienses  fossem caipiras ressentidos. Mas e daí? Eles lêem o que querem e buscam justificativas inexistentes para linchar os críticos. A levar a sério os protestos, devo considerar que não há melhor lugar no mundo para se viver do que o Piauí, que só perde para Alagoas em analfabetismo, que está em 18º lugar no ranking da mortalidade infantil, em 24º no da expectativa de vida e em 27º — o último — no PIB per capita.

Criticar o Piauí não é só um direito, não! Também é uma obrigação! Pode-se lastimar a qualidade da crítica. Mas a Constituição proíbe que se tente proibi-la! E eu não vejo uma boa razão para que a Constituição não valha também no Piauí.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2011

às 7:51

A Batalha do Jenipapo

Segue em vermelho o restante da carta do deputado Fábio Novo (ver post acima),  presidente da Assembléia Legislativa do Piauí. Respondo em azul.

1) Na manhã de ontem, o setor de comunicação da Assembleia recebeu quase 2 mil e-mails, além de 478 telefonemas. Muitas pessoas foram pessoalmente a Assembleia Legislativa do Piauí, solicitar o cancelamento do espetáculo, devido a repercussão negativa da frase proferida pelo ator. Isto sem falar na ampla repercussão na imprensa local e pelas redes sociais;
E daí? Nada disso me impressiona ou autoriza um ato discricionário. O fascismo era popular. Os linchamentos costumam ser expressões de grupos indignados. Nem o povo tem o direito de rasgar a Constituição!

2) O art. 3º da Constituição do Estado do Piauí reza que a Assembleia Legislativa é a guardiã da Carta maior do Estado e que é prerrogativa do Legislativo zelar pelo seu cumprimento. O inciso III do artigo 3º estabelece como objetivo fundamental do Estado “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” e por ser papel da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí zelar pelo respeito e cumprimento da sua Constituição;
Falar mal de Teresina, ainda que tivesse sido a expressão séria de um pensamento, o que é mentira, não fere o Artigo 3º da Constituição do Piauí. Ademais, quem outorgou ao senhor prerrogativas de juiz? A expressão de um pensamento é coisa muito diferente da promoção de preconceito.

3) O Regimento Interno da Assembleia Legislativa estabelece como papel da sua Mesa Diretora guarda e a administração do patrimônio físico daquela Casa Legislativa, estando, portanto, o seu Cineteatro enquadrado dentre este patrimônio. Não seria pedagógico, portanto, que as instalações de um prédio pertencente ao patrimônio da Assembleia legislativa do Estado do Piauí, pudesse ser utilizado por alguém que acabara de fazer, publicamente, na rede mundial de computadores, apologia ao preconceito e discriminação ao Estado do Piauí e ao povo de Teresina.
Apologia do preconceito uma ova! Qualquer brasileiro tem o direito de achar Teresina, São Paulo ou a Capela Sistina o “cu do mundo”. “Não seria pedagógico”? No Piauí, só se admite a liberdade de expressão se ela for “pedagógica”? E quem tem o monopólio desse juízo?

4) Não cabe falar em censura neste caso, pois a Casa do Povo, sensível às inúmeras manifestações da população, atendeu aos apelos do povo do Piauí. Censurar significa o exame prévio ou posterior de uma peça teatral. Isto nunca ocorreu no Cine Teatro da ALEPI. Em nenhum momento, se discutiu o conteúdo do espetáculo, tanto é que ele estava pautado.
Pois é! E você acha que, por isso, é menos grave? É pior, então, do que na ditadura! Nem ela ousou proibir um espetáculo em razão da opinião que um ator ou autor tivessem fora do espetáculo!

5) O ato administrativo da Assembleia do Piauí foi sereno, responsável e pautado na legislação vigente. Com os ânimos acirrados no Estado, e sob forte pressão da população, pensando na integridade física dos próprios atores e ainda na preservação do patrimônio público o razoável seria o cancelamento da pauta. E assim o fizemos, por decisão não do deputado Fábio Novo, mas por unanimidade dos membros da Mesa Diretora do Poder Legislativo.
Quando você decidir estudar um pouco, Novo, verá que alguns inquisidores ficavam rezando pela alma da vítima que tinham condenado à fogueira para que ela se livrasse do… fogo do inferno. Louvo o seu cuidado e o de seus pares. No máximo, vocês deveriam ter pedido proteção policial especial se havia risco de tumulto.

6) Ao pedir desculpas ao povo do Piauí, Marauê complicou ainda mais sua situação, pois declarou que a frase usada seria “uma expressão cultural do Piauí.” Se não bastasse, justificou sua tonteria desferindo outro preconceito e discriminação, agora contra o povo de Campinas(SP), ao dizer que “quem bebe da água de Campinas se torna homossexual masculino ou feminino.”
Ele que se dane com suas tolices. Está pagando um preço alto por elas.

7) Em nenhum momento proibimos a apresentação do ator em outro local. A produção poderia ter encaminhado nesse sentido. É bom ressaltar que contratos publicitários agendados com várias empresas que pretendiam usar a imagem dos atores foram cancelados, devido à repercussão negativa da frase infeliz. Enfim não havia mais clima para a apresentação do espetáculo no Estado, tanto é que os mesmos, deixaram o Piauí nesta madrugada.
Novo diz que não proibiram a peça em outros locais como se alguém, no Piauí ou no Brasil, tivesse autoridade para fazê-lo. Pede que reconheçamos a sua generosidade ao não fazer o que a lei proíbe que ele faça!

8 ) Por fim, não somos “caipiras ressentidos”, mas sim piauienses com muito orgulho de ter como característica a boa hospitalidade. Caetano Veloso já cantou isso. Também somos firmes quando a ocasião exige, foi assim em 1823 quando em Campo Maior os piauienses foram os únicos brasileiros que derramaram sangue em favor da consolidação da independência do Brasil, através da Batalha do Jenipapo, ao expulsar as forças do comandante Fidié, que insistia em não reconhecer a independência das terras de Vera Cruz
Um abraço!
Fábio Novo, ator, jornalista e atualmente no exercício do mandato de Deputado Estadual
Eu não exalto a hospitalidade dos paulistas porque conheço os hospitaleiros e os hostis. Folgo em saber que, no Piauí, a “boa (sic) hospitalidade” chega a 100%. Eu sempre fui grato à Batalha do Jenipapo, quando o Piauí salvou o Brasil.

Às vezes, chego a sentir saudade do tempo em que as esquerdas, em nome do humanismo (era tudo cascata, eu sei),  diziam-se internacionalistas. Não faz muito, antes de o PT chegar ao poder no Piauí, eram elas a denunciar as mazelas econômicas e sociais do estado. Agora, tentam calar os críticos em nome da história!

Por Reinaldo Azevedo

01/06/2009

às 6:12

Tragédia do Piauí: governador culpa, acreditem!, o aquecimento global…

No Estadão:

Cinco dias após o rompimento da barragem que matou oito pessoas em Cocal, no norte do Piauí, o governador Wellington Dias (PT) chegou à cidade. Acompanhado de deputados, senadores e da diretora da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), Lucile de Souza Moura, Dias afirmou que “o aquecimento global e as mudanças climáticas” são os responsáveis pelo desastre. “Não pode ser normal chover 149 milímetros em algumas horas quando a média anual nessa região é de 700 milímetros”, disse.

Dias refuta a omissão das autoridades estaduais. Para ele, a orientação para que a população ribeirinha retornasse para suas casas antes do rompimento de Algodões 1 não foi um equívoco. “Se tivesse hoje as mesmas informações que tinha há duas semanas, faria novamente”, afirmou.

No sábado, o engenheiro responsável pelas obras, Luiz Hernani Carvalho, divulgou uma nota em que nega qualquer responsabilidade ou participação na decisão do governo de recomendar a volta das famílias.Dias evitou comentar o caso e classificou a nota como uma posição pessoal do engenheiro.

Segundo a diretora da Emgerpi, o caso foi uma fatalidade que não poderia ser prevista. Lucile afirmou que as fortes chuvas que atingiram o Ceará e a falta de um “plano macrohidrológico” foram os problemas principais. A culpa, diz, deve ser compartilhada com o Ceará, pois a abertura das comportas de barragens no Estado vizinho piorou a situação. “Uma coisa é certa: a barragem recebeu o dobro da capacidade de água”, disse.

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Por Reinaldo Azevedo

 

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