Blogs e Colunistas

Paraguai

22/04/2013

às 3:01

Cartes, do Partido Colorado, vence a eleição do Paraguai

Na VEJA.com:
O candidato à presidência do Paraguai, o colorado Horacio Cartes, foi declarado o vencedor das eleições deste domingo. De acordo com o presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Alberto Ramírez Zambonini, o empresário obteve 45,91% dos votos válidos – o que é suficiente para garantir a volta da Associação Nacional Republicana (ANR) ao poder.

Em seu discurso de reconhecimento da vitória, no centro de Assunção, Cartes renovou sua promessa de campanha de dar um novo rumo ao país. “Na campanha eleitoral, falávamos que, ouvindo as pessoas, queríamos dar um novo rumo ao Paraguai. Quero reafirmar o compromisso assumido e ratificar agora ao Partido Colorado, e a todos os outros partidos, que venceu o Paraguai. Meu compromisso é com todos os paraguaios da república”, disse. O candidato prometeu trabalhar para todos os cidadãos, principalmente para os mais necessitados, idosos, jovens e mulheres. “Sinto que posso trabalhar para os mais de 6 milhões de paraguaios do meu país.”

No começo da noite, o candidato governista, Efraín Alegre, reconheceu sua derrota nas eleições. “Procuramos obter a vitória, mas não foi possível. O povo paraguaio se pronunciou, e nós respeitamos. A cidadania resolveu através de sua participação, de sua decisão, de forma transparente, em um processo que consideramos adequado. Um processo que garante o resultado”, declarou.

 Nas filas para votar, o otimismo dos colorados era visível desde cedo. “Este será um dia histórico. O Partido Colorado retornará, e será por muitos anos. Em 2018, voltaremos a vencer”, previa o economista Miguel Pereira no centro de Assunção. A transferência de poder está prevista para 15 de agosto. Além do presidente, os paraguaios elegeram hoje o vice, bem como 45 senadores e 80 deputados, para um período de cinco anos. “Entregarei o poder a qualquer um que vencer estas eleições, para reinstitucionalizar a república deste país”, disse o atual presidente Federico Franco.

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2012

às 6:45

Dilma é protagonista do episódio mais vergonhoso da política externa brasileira em quase 10 anos de governo petista: incitamento a um golpe militar! Ou: Venezuela de Chávez no Mercosul traz o narcotráfico para o bloco

Eládio Aponte: era juiz da Corte de Jutiça da Venezuela e confessa: protegia o narcotráfico a mando de Chávez e de militares venezuelanos

Eládio Aponte era presidente do Tribunal Superior de Justiça da Venezuela e confessa: protegia o narcotráfico a mando de Chávez e de militares venezuelanos

Na política externa, Dilma Rousseff chegou a emitir alguns sinais benignos na relação com o Irã. Chegou-se a imaginar que o país pudesse ter se reconciliado com a racionalidade e com os fundamentos universais da democracia. Que nada! Oito anos do megalonaniquismo de Celso Amorim no Itamaraty não levaram o país a um papel tão vergonhoso quanto o desempenhado na crise paraguaia.

Sim, senhores! Dona Dilma Rousseff, aquela que deu posse à Comissão da Verdade, aquela que não perde a chance de exaltar seus “camaradas” de luta — todos eles, como ela própria, empenhados então em instalar no Brasil uma ditadura comunista, aquela que tentou punir militares da reserva porque expressaram um descontentamento (e o fizeram dentro da lei), esta mesma Dilma Rousseff pôs as suas digitais no que foi nada mais, nada menos do que o incitamento a um golpe militar no Paraguai. A safra de esquerdistas latino-americanos no poder não descarta, então, apelar às forças uniformizadas, não é? Desde que os tanques estejam a favor da “boa causa”: a deles!

As revelações feitas agora pela cúpula do governo uruguaio não deixam a menor dúvida: Dilma não foi apenas uma das articuladoras da suspensão do Paraguai do Mercosul. Ela também foi a principal artífice do golpe — este na esfera diplomática — que aprovou o ingresso da Venezuela no grupo. A presidente brasileira atuou para acolher um governo que, dias antes, havia se reunido com a cúpula militar paraguaia para incitar uma quartelada.

Se os generais do Paraguai tivessem feito o que lhes recomendou Chávez, a Constituição do país teria sido rasgada. Fernando Lugo teria sido mantido no poder pelos tanques, e a nossa presidenta certamente estaria chamando a solução, agora, de “democrática”. VEJA Online havia revelado em primeira mão a tentativa de quartelada chavista. Os filmes que vieram a público não deixam a menor dúvida.

O Apedeuta e seu Megalonanico tentaram desestabilizar Honduras também. Naquele caso, no entanto, tentou-se criar um levante popular em favor de Manuel Zelaya. Ocorre que o povo hondurenho não queria o malucão de volta, como o paraguaio não quer o retorno do bispo “pegador”. Desta feita, a coisa chega a ser mais asquerosa porque se tentou uma solução que já foi, digamos assim, um clássico na América Latina: a quartelada!

Narcotráfico
A cúpula do governo de Hugo Chávez está infiltrada pelo narcotráfico, e muitos de seus generais são parceiros da Farc. Não se esqueçam de que armamento pesado das forças venezuelanas já foram encontrados com os narcoguerrilheiros. No dia 5 de maio, José Casado informava no Globo:

Desde a última quarta-feira, o nome do venezuelano Eladio Ramón Aponte Aponte reluz na lista “vermelha” da Interpol, a pedido do governo de seu país.
(…)
A vida de Aponte, de 63 anos, mudou seis semanas atrás. Era um homem da lei. Virou foragido da Justiça. Era um dos pilares do governo Hugo Chávez. Tornou-se o “inimigo número um” caçado pelos chavistas. Era presidente do Tribunal Superior de Justiça – a Suprema Corte venezuelana. Agora é um delator da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos.

Ele confessou cumplicidade com uma rede sul-americana de narcotráfico. E admitiu ter manipulado processos judiciais para favorecer traficantes cujos negócios — contou — eram partilhados com alguns dos mais graduados funcionários civis e militares do governo Chávez.

Citou especificamente: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesús Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.

O juiz Aponte Aponte conheceu a desgraça em março, quando seu nome foi descoberto na folha de pagamentos de um narcotraficante civil, Walid Makled. Convocado para uma audiência na Assembleia Nacional, desconfiou. Na tarde de 2 de abril, ajeitou papéis em uma caixa, deixou o tribunal e entrou em um táxi. Rodou 500 quilômetros até um aeroporto do interior, alugou um avião e aterrissou na Costa Rica. Ali, pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes.

Três semanas atrás, o juiz-delator reapareceu em uma entrevista ao canal Soi TV, da Costa Rica, contando em detalhes como é feita a manipulação de processos judiciais para livrar da prisão traficantes vinculados a personalidades do governo.

Deu como exemplo um caso no qual está envolvido um ex-adido militar venezuelano no Brasil, o tenente-coronel Pedro José Maggino Belicchi. Segundo o juiz-delator, Maggino Belicchi integra a rede militar que há anos utiliza quartéis da IVª Divisão Blindada do Exército da Venezuela como bases logísticas para transporte de pasta-base e de cocaína exportadas por facções da Farc, a narcoguerrilha colombiana. O tenente-coronel foi preso em flagrante no dia 16 de novembro de 2005, com outros militares, transportando 2,2 toneladas de cocaína em um caminhão do Exército (placa EJ-746).

Na presidência da Suprema Corte, Aponte Aponte diz ter recebido e atendido aos apelos da Presidência da República, do Ministério da Defesa e do organismo venezuelano de repressão a drogas para liberar Magino Belicchi e os demais militares envolvidos. Faz parte da rotina judicial venezuelana, ele contou na entrevista à televisão da Costa Rica.

O general Henry de Jesus Rangel Silva, citado pelo juiz-delator, comandou a Quarta Divisão Blindada, uma das unidades mais importantes do Exército venezuelano. Desde 2008, ele figura na lista oficial de narcotraficantes vinculados às Farc colombianas e cujos bens e contas bancárias estão interditados pelo governo dos Estados Unidos. Em janeiro, o presidente Hugo Chávez decidiu condecorá-lo em público e promovê-lo ao cargo de ministro da Defesa. “Rangel Silva é atacado”, justificou Chávez em discurso.
(…)

Encerro
É essa gente que Dilma Rousseff e Cristina Kirchner estão levando para o Mercosul.

Por Reinaldo Azevedo

29/06/2012

às 21:17

EXCLUSIVO NA VEJA ONLINE — CHÁVEZ TENTOU PROMOVER UM GOLPE MILITAR NO PARAGUAI. DADOS OS EVENTOS DE HOJE, CONTOU COM O APOIO DE DILMA! É O FIM DA PICADA!!!

Atenção! Ao suspender o Paraguai do Mercosul e promover o ingresso da Venezuela, os presidentes José Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina) estão endossando o estímulo a um golpe militar promovido por um país estrangeiro. Como? É isto mesmo: a repórter Carolina Freitas, da VEJA Online, informa que Nicolas Maduro, diplomata venezuelano, se reuniu secretamente com a cúpula militar paraguaia, incitando-a a não aceitar a eventual deposição de Fernando Lugo pelo Congresso. Como esta se deu segundo o que prevê a Constituição, Chávez estava tentando armar um golpe militar no Paraguai. Eis aí: estamos sob a égide do imperialismo bolivariano!

Leiam a reportagem:

A ministra da Defesa do Paraguai, María Liz García, confirmou em entrevista à imprensa de seu país um rumor que vinha tomando corpo nos últimos dias em Assunção: o diplomata venezuelano Nícolas Maduro reuniu-se com a cúpula das Forças Armadas paraguaias no mesmo dia em que o Congresso votava o impeachment de Fernando Lugo. O chanceler tinha um pedido para fazer aos comandantes: que os militares reagissem caso Lugo fosse de fato deposto.

As tentativas de intervenção dos presidentes de países vizinhos vêm causando indignação — embora os discursos se mantenham diplomáticos — entre as autoridades paraguaias desde que Federico Franco assumiu o poder na semana passada.  A ousadia dos encrenqueiros latino-americanos, no entanto, chegou a seu ápice nesta sexta-feira, quando veio à tona uma tentativa de golpe militar no Paraguai comandada por ninguém menos que o chanceler da Venezuela – país de Hugo Chávez.

O principal alvo de críticas entre os paraguaios vinha sendo Christina Kirchner por sua atitude de rejeição radical ao novo governo. Até a confirmação da ação do chanceler venezuelano junto ao Exército paraguaio, o imperialista bolivariano Hugo Chávez não se encontrava no centro das preocupações das autoridades paraguaias, que punham suas declarações igualmente inflamadas na conta de sua notória fanfarronice.

A frase de um influente empresário paraguaio durante encontro com o chanceler do Paraguai, José Félix Estigarribia, na quinta-feira resume o sentimento vigente até ontem: “Andam por aí falando da nossa democracia quando têm sua própria democracia cheia de problemas.” As declarações da ministra da Defesa exacerbam esse quadro.

Alto comando — O pedido do chanceler foi feito durante uma reunião na tarde da quinta-feira da semana passada, mesmo dia em que o Congresso aprovou o impeachment de Lugo. De acordo com o jornal Última Hora, o embaixador do Equador, Julio Prado, e Miguel Rojas, secretário privado de Lugo, participaram do encontro, no Palácio de López, sede do governo do Paraguai.

O encontro foi convocado pelo chefe do gabinete militar da Presidência, Ángel Vallovera. María Liz assegurou que o conteúdo da conversa não chegou aos quartéis. Em entrevista a uma rádio local, a ministra informou que os comandantes das Forças Militares se negaram a cumprir o pedido do chanceler da Venezuela . “Não houve qualquer tipo de sublevação. Asseguro que os chefes militares decidiram respeitar a Constituição”, afirmou María Liz.

O presidente do Paraguai, Federico Franco, rechaçou a atitude da Venezuela, a que classificou como uma “intromissão clara nos assuntos internos” do país. “Vamos tomar medidas institucionais.” Franco afirmou que agirá de forma enérgica contra os militares que tentarem agir contra a lei. “Vamos terminar com a manipulação política das Forças Armadas”, afirmou o presidente. “Somos um país livre.”

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2012

às 17:23

Tríplice Aliança dá golpe no democrático Paraguai, suspende país do Mercosul e prepara o ingresso no Mercosul da ditadura venezuelana

Assim como os generais ditadores da América do Sul se uniam antes para a mútua colaboração — e uma das vítimas era a democracia —, a atual safra de governantes de esquerda do subcontinente também atua em conluio. E a democracia continua a ser a principal vítima. Nesta quinta, os chanceleres do Brasil, Argentina e Uruguai se reuniram e decidiram suspender o Paraguai do Mercosul. A punição vale até a posse de um novo governo, depois das eleições de abril. Agora o escracho: o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, que ainda não pertence ao bloco, participou do encontro.

O evento é cheio de simbolismos. Cento e quarenta e dois anos depois da Guerra do Paraguai, que arrasou o país e responde, sim, em parte ao menos, pelos desastres que se sucederam no país, a mesma Tríplice Aliança se forma para punir o país — sem que, atenção, haja qualquer motivo justificável, nem mesmo verossímil, para isso. Trata-se unicamente de uma questão ideológica. “Esta é uma forma de combater os ‘neogolpes’ que os setores conservadores querem aplicar nos governos da região”, afirmou ao Estadão um diplomata da Argentina, do governo de Cristina Kirchner, que está tentando esfacelar a democracia em seu país. Ou por outra: a questão é ideológica.

A presença da Venezuela no encontro é um escândalo moral e diplomático que faz sentido. O país é candidato a ingressar no Mercosul. Segundo as regras do bloco, a entrada de um novo membro tem de ser aprovada pelo Parlamento dos respectivos países. O Senado paraguaio, até agora, recusa o pleito venezuelano. A Tríplice Aliança quer aproveitar a suspensão do Paraguai para consumar a integração da ditadura chavista.

Parece piada, mas é assim mesmo: Brasil, Argentina e Uruguai suspendem o Paraguai, onde estão em vigência todas as liberdades democráticas, para tentar abrigar a chavismo, que censura a imprensa, espanca, prende e exila opositores e aterroriza o país com uma milícia armada

Acho que vocês se lembram — escrevi isso desde o primeiro dia: a safra de esquerdistas da América do Sul, ora mais populistas, ora menos, não está nem aí para o povo paraguaio. Tenta é tornar irrelevantes os mecanismos de vigilância e controle de que dispõem as democracias para conter os celerados.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2012

às 7:02

Golpe no Mercosul — Dilma e Cristina articulam punição à democracia paraguaia e benefício à ditadura venezuelana

Por Tânia Monteiro e Ariel Palacios, no Estadão:

Brasil, Argentina e Uruguai articulavam ontem, no primeiro dia de reunião técnica do Mercosul em Mendoza, a punição do quarto membro-fundador do bloco do Cone Sul, o Paraguai, e uma oportuna manobra para incluir a Venezuela como sócia plena do organismo. A punição aos paraguaios – último entrave para o ingresso de Caracas no Mercosul – deriva do processo de impeachment que destituiu, na semana passada, o então presidente Fernando Lugo.

Amanhã, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a argentina, Cristina Kirchner, e o uruguaio, José Mujica, tendem a decidir num café da manhã no Hotel Intercontinental de Mendoza o futuro do Paraguai – que está suspenso das reuniões do bloco desde o fim de semana – no Mercosul. Na avaliação dos três países, a destituição de Lugo e a posse de seu vice, Federico Franco, não deu ao primeiro tempo suficiente para que se defendesse de várias acusações, incluindo a de “má gestão”.

Sem o obstáculo de Assunção, cujo Senado era o único que vinha obstruindo a entrada da Venezuela no Mercosul – solicitada por Hugo Chávez em 2004 -, Caracas deve ganhar sinal verde para o ingresso.

“A Venezuela poderia entrar como membro pleno. É uma possibilidade. As normas são meio ambíguas. Tudo depende da interpretação jurídica. Mas isso tudo será definido na reunião trilateral”, explicou uma fonte diplomática ao Estado. Segundo vários diplomatas, quando a suspensão do Paraguai for levantada, após a eleição prevista para abril de 2013, a entrada da Venezuela será um fato consumado.

A Argentina é o país que mais defende que o bloco tome esta atitude agora. Nas conversas preliminares, o entendimento é que este “é o momento mais apropriado” para se tomar tal decisão. A medida criaria um constrangimento político ao Paraguai, já que o Congresso paraguaio é contrário à entrada da Venezuela no bloco.

Em contrapartida, Dilma, Cristina e Mujica, indicaram ao Estado fontes dos países envolvidos, devem aplicar “punições brandas” ao Paraguai. A carta de fundação do Mercosul prevê sanções a países-membros que rompam a ordem democrática. Assunção se defende afirmando que o rito do processo de impeachment – que no caso de Lugo não passou de 30 horas – é definido, segundo a Constituição, pelo Senado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2012

às 5:47

Olhem aí: O Itamaraty é tão incompetente que eu e Elio Gaspari concordamos sobre o Paraguai… E uma breve memória sobre o contragolpe que livrou Honduras da ditadura bolivariana

Pois é… O Itamaraty é tão ruim, e a política externa brasileira, tão primitiva, que isso faz com que eu e Elio Gaspari possamos concordar às vezes. Nesta quarta, na Folha, ele escreve uma ótima coluna sobre o assunto — com argumentos que considero sensatos, expostos neste blog desde que teve início a crise. Continua errado sobre Honduras. Leiam a coluna. Volto depois.

A leviana diplomacia do espetáculo

POUCAS VEZES a diplomacia brasileira meteu-se numa estudantada semelhante à truculenta intervenção nos assuntos internos do Paraguai. O presidente Fernando Lugo foi impedido por 39 votos a 4, num ato soberano do Senado.

Nenhum soldado foi à rua, nenhuma linha de noticiário foi censurada, o ex-bispo promíscuo aceitou o resultado, continua vivendo na sua casa de Assunção e foi substituído pelo vice-presidente, seu companheiro de chapa.

Nada a ver com o golpe hondurenho de 2009, durante o qual o presidente Zelaya foi embarcado para o exílio no meio da noite.

Quando começou a crise que levou ao impedimento de Lugo, a diplomacia de eventos da doutora Dilma estava ocupada com a cenografia da Rio+20.

Pode-se supor que a embaixada brasileira em Assunção houvesse alertado Brasília para a gravidade da crise, mas foi a inquietação da presidente argentina Cristina Kirchner que mobilizou o Brasil.

A doutora achou conveniente mobilizar os chanceleres da Unasul, uma entidade ectoplásmica, filha da fantasia do multilateralismo que encanta o chanceler Antonio Patriota.

As relações do Brasil com o Paraguai não podem ser regidas por critérios multilaterais. Foi no mano a mano que o presidente Fernando Henrique Cardoso impediu um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996. Fez isso sem espetacularização da crise. A decisão de excluir o Paraguai da reunião do Mercosul é prepotente e inútil. Quando se vê que o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, cortou o fornecimento de petróleo ao Paraguai e que a Argentina foi além nas suas sanções, percebe-se quem está a reboque de quem. Multilateralismo no qual cada um faz o que quer é novidade. Existe uma coisa chamada Mercosul, banem o Paraguai, mas querem incluir nele a Venezuela, que não está na região e muito menos é exemplo de democracia.

Baniu-se o Paraguai porque Lugo foi submetido a um rito sumário. O impedimento seguiu o rito constitucional. Ao novo governo paraguaio não foi dada nem sequer a palavra na reunião que decidiu o banimento.

Lugo aceitou a decisão do Congresso e agora diz que liderará uma oposição baseada na mobilização dos movimentos sociais. Direito dele, mas, se o Brasil se associa a esse tipo de política, transforma suas relações diplomáticas numa espécie de Cúpula dos Povos. Vai todo mundo para o aterro do Flamengo, organiza-se um grande evento, não dá em nada, mas reconheça-se que se fez um bonito espetáculo.

O multilateralismo da diplomacia da doutora Dilma é uma perigosa parolagem. Quando ela se aborreceu, com razão, porque um burocrata da Organização dos Estados Americanos condenou as obras da hidrelétrica de Belo Monte, simplesmente retirou do foro o embaixador brasileiro. A OEA é uma irrelevância, mas para quem gosta de multilateralismo, merece respeito.

A diplomacia brasileira teve um ataque de nervos na bacia do Prata. O multilateralismo que instrui a estudantada em defesa de Lugo é típico de uma política externa biruta. O chanceler Antonio Patriota poderia ter se reunido com o então vice-presidente paraguaio Federico Franco 20 vezes, mas, se a Argentina queria tomar medidas mais duras, ele não deveria ter ido para uma reunião conjunta, arriscando-se ao papel de adorno.

Voltei
Como a divergência é o sal da vida, lembro que o caso de Honduras é, sim, ligeiramente diferente, MAS CONTRA MANUEL ZELAYA. Naquele país, o chapeludo já tinha dado início ao golpe. E foi afastado do poder por um contragolpe.

Zelaya havia decidido fazer um referendo — que tinha o objetivo de criar condições para instituir a reeleição no país — que a Justiça, o Ministério Público e o Congresso haviam declarado ilegal. Como o Poder Judiciário não liberou pessoal para a consulta, ELE DETERMINOU QUE O EXÉRCITO O FIZESSE.

Ou seja, Gaspari: foi Zelaya quem mandou botar na rua a soldadesca contra decisão expressa da Justiça. O nome disso é… GOLPE! Isso tudo é apenas fato. Pode-se constatar numa rápida pesquisa. Apontei todas essas questões à época.

Também Honduras tem a sua Constituição. Por lá, um presidente tramar a própria reeleição é motivo de destituição automática. Quando Zelaya deu uma ordem aos militares que contrariava a Justiça, eles decidiram prendê-lo. Aí há uma parte nebulosa na história.

Conversando com um militar brasileiro que serviu em Honduras e conhece os militares do país, a história é um tantinho diferente da oficial. Zelaya foi preso e seria entregue à Justiça. Foi ele que pediu para deixar o país — e o governo interino consentiu, no que fez muito mal. O maluco decidiu viajar de pijama, o que surpreendeu os militares. Era parte de sua patuscada. Se bem se lembram, o ex-presidente hondurenho é aquele senhor que cobriu as janelas da embaixada brasileira com papel-alumínio para evitar, assegurou, que raios misteriosos, disparados por uma conspiração judaica, interferissem em suas ondas cerebrais.

É com esse tipo de celerado, e até pior (Ahmadinejad, por exemplo), que Celso Amorim se metia. E com gente desse calibre que o Itamaraty continua a se meter.

Ok. Gaspari não vai assumir que errou em relação a Honduras. Não tem importância. É um avanço que esteja certo em relação ao Paraguai.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 22:31

A “Tríplice Aliança reforçada” — Brasil integra esforços que buscam dar um golpe na soberania paraguaia. É inaceitável!

No post anterior, há um relato sobre a reunião da OEA que discutiu a crise no Paraguai. A proposta de que a entidade esperasse o resultado da reunião da Unasul para, então, se posicionar é ridícula. Desde quando existe uma relação de subordinação ou algo parecido entre um grupo e outro? Na Unasul, coalhada de bolivarianos e delirantes, os paraguaios não têm a menor chance. Ali, quem dá as cartas — realmente “marcadas”, como afirmou o embaixador Hugo Saguier (post anterior) — são democratas como Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Kirchner… Tenham paciência!

Saguier falou de uma “Tríplice Aliança”, desta vez reforçada, referindo-se aos três países que atuaram juntos na Guerra do Paraguai: Brasil, Uruguai e Argentina. O conflito praticamente destruiu o Paraguai, que lutou sozinho. Há certo exagero retórico de Saguier? Há, sim! Mas é compreensível.

A soberania paraguaia está sendo agredida de maneira escancarada e miserável. Se a Constituição do país tivesse sido violada e se o novo governo estivesse sendo imposto à população debaixo de porrete, vá lá. Mas, evidentemente, não é o que aconteceu. A solução é legal e legítima. O argumento de que não houve o “devido processo legal” é, perdoem-me as opiniões contrárias, cretina.

O que significa “devido processo legal”? É aquele que está adequado à legalidade que existe. A do Paraguai é aquela. O Brasil não gosta? Pode até tentar convencer o Congresso paraguaio a adotar a nossa Constituição, por exemplo, mas não tem o direito de impô-la a ninguém. O Planalto, por acaso, decidiu questionar os marcos legais do Irã ou da Venezuela? Ora, como não lembrar do inefável Luiz Inácio Lula da Silva a comparar os protestos contra as fraudes nas eleições iranianas à torcida de um time derrotado num jogo de futebol??? Naquele caso, o próprio Conselho da Revolução Islâmica, formado pelos aiatolás, admitia a existência de fraudes. Lula e o governo brasileiro não! Justificativa oficial: o Brasil não se mete em assuntos internos de outros países.

Mas pretende ter esse grau de ingerência no caso do Paraguai? A Constituição e a legislação paraguaias — segundo as quais o próprio Fernando Lugo foi eleito — também o depuseram e determinaram seu sucessor. E cabe aos paraguaios mudá-las se e quando acharem que não servem. Uma coisa é a mobilização de países em defesa dos direitos humanos ou no combate a golpes, o que não está caracterizado no Paraguai. Outra, distinta, é a tentativa de impor  sua vontade na base da intimidação. Isso, sim, constitui uma tentativa de golpear a soberania de um país.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 21:28

Sessão da OEA vira troca de farpas entre Paraguai e Mercosul

Por Flávia Barbosa, no Globo Online. Comento no próximo post.
A parte final da sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) virou uma troca de farpas entre o Paraguai e os demais sócios do Mercosul. Em sua intervenção final na fase de exposição, o embaixador paraguaio Hugo Saguier, atacou a proposta do Brasil e do Uruguai de que a instituição esperasse o encontro da Unasul, na próxima sexta-feira, para se posicionar sobre a situação do país. Saguier disse que o encontro Sul-americano será de cartas marcadas, com a expulsão do Paraguai, mas que o país não dá direito aos sócios de interferirem em seus assuntos internos, tampouco de “humilhar a nação paraguaia”.

“Esta é a OEA, e a OEA não está subordinada ao Mercosul e à Unasul. Posso garantir que, se houvesse um plebiscito hoje, 90% da população paraguaia votariam pela saída do bloco (Mercosul). O que vocês (Brasil, Argentina e Uruguai) querem é fazer uma operação conjunta para expulsar o Paraguai de todos os organismos internacionais. Podem ir adiante, se querem fazer uma Tríplice Aliança reforçada, estamos preparados. O Paraguai não é um país de se deixar curvar à imposição de forças externas”, disse Saguier.

O embaixador reclamou que os sócios do Mercosul deixaram parte da delegação do Paraguai chegar a Mendoza, na Argentina, para os preparativos da cúpula de chefes de Estado, para negar-lhes credenciamento: “Por que não os informaram antes? Para humilhá-los (integrantes da comitiva paraguaia)? Não aceitamos intervenção. Entendemos que haja preocupação, mas isso não dá direito a ninguém de humilhar a nação paraguaia”.

O ministro Breno Dias da Costa, representante brasileiro na sessão da OEA, reagiu dizendo que lamentava o pronunciamento do paraguaio e que o Brasil não considera intervenção o cumprimento de compromissos firmados no âmbito do Mercosul e da Unasual: “Lembrar da Tríplice Aliança e coisas afins me parecem desnecessárias e gratuitas (…) Lembramos ao embaixador que o novo governo do Paraguai não foi reconhecido por nenhum pais da OEA. O Paraguai está aqui hoje como reflexo do respeito e da generosidade de todos os países desta organização.”

Mais cedo, o ministro Breno Dias da Costa afirmou em sua exposição aos demais países membros que houve ruptura do processo democrático no impeachment do ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, na ultima sexta-feira. Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina foram além e se referiram ao impeachment como golpe de Estado e os três primeiros acompanharam a proposta da Nicarágua de que a OEA não reconheça o governo de Federico Franco e suspenda a participação do pais na organização. O representante argentino disse que o caso deve ser discutido por instâncias superiores e propôs a convocação de uma assembleia extraordinária de chanceleres da OEA. O Uruguai acompanhou o Brasil, que aconselhou os membros a aguardarem a reunião dos chefes de Estado do Mercosul e da União dos Países Sul-americanos (Unasul), na próxima sexta, antes de decidirem qual ação a OEA adotará.

Em sua segunda entrevista coletiva à imprensa internacional em dois dias de governo, o presidente do Paraguai, o presidente Federico Franco foi indagado sobre a possibilidade de o Paraguai ser suspenso do bloco comercial da região. Franco disse que sua preocupação neste momento é com os problemas internos. “Se eu disser que a prioridade é a comunidade internacional, estaria mentindo. Quero arrumar a casa e transmitir daqui tranquilidade e mostrar à comunidade internacional que este é um governo democrático”, disse Franco.

Apesar das declarações, um possível isolamento político foi rejeitado pelo embaixador Hugo Saguier, representante do Paraguai no organismo. Em recado ao Mercosul e à Unasul, o embaixador lembrou que o Paraguai é signatário de tratados internacionais que enfatizam a democracia e cumpriu todas as clausulas dos mesmos, tendo respeitado os processos políticos em todos os demais países. Por isso, disse, o Paraguai “espera das contrapartes o mesmo entendimento”.

Durante a reunião da OEA, Saguier fez uma extensa descrição do processo de impeachment, começando com a comoção causada pela morte de 17 pessoas em confronto agrário poucos dias antes da votação no Congresso. Saguier justificou o que chamou de “prazos peremptórios” para julgamento como forma de restabelecer o mais rapidamente a normalidade diante da grave situação social e política no pais. “O Paraguai não condicionou sua participação em organismos regionais a posições ideológicas. Porque (a participação) não é patrimônio de nenhum partido político, é patrimônio do povo paraguaio”, afirmou Saguier.

E, em defesa do processo, lembrou que Lugo rejeitou ofertas de outros países para que cláusulas da Carta Democrática interamericana fossem acionadas antes da votação do impeachment e aceitou a decisão do Congresso. “O (novo) governo foi estabelecido no âmbito do Direito Constitucional e sob compromisso de honrar todos os tratados internacionais. A ordem está preservada, há liberdade de protesto, não há censura. Exortamos os países irmãos a terem o respeito sublime à autodeterminação e se abstenham da intervenção, direta e indireta”, afirmou o embaixador.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 20:39

Brasiguaios dão apoio a novo presidente, obtêm garantias de que seus direitos serão respeitados e decidem vir ao Brasil para pedir que Dilma apoie Federico Franco

Como sabemos à farta, os chamados “brasiguaios”, produtores rurais brasileiros que prosperaram no Paraguai e que exercem importante papel na economia local, estavam e estão entre os alvos principais dos ditos sem-terra. Propriedades já foram invadidas e depredadas. Alguns tiveram de deixar seis sítios e fazendas, tangidos pela violência. O governo de Fernando Lugo assistia a tudo de modo impassível. Por isso os agricultores brasileiros apoiam o novo governo. Eles se reuniram com o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, que lhes assegurou que seus direitos serão respeitados.

Leiam texto da Agência Brasil.
*
Agricultores e empresários de origem brasileira se reuniram hoje (26) com o presidente paraguaio, Federico Franco, para mostrar apoio ao novo governo e pedir a criação de políticas que promovam a paz no campo. Franco prometeu aos brasiguaios trabalhar para cumprir esses pedidos, segundo informou o representante da Coordenadoria Agrícola do Paraguai, Aurio Frigueto.

Os brasiguaios, como são chamados os brasileiros que vivem no Paraguai, também encaminharam documento à presidenta Dilma Rousseff pedindo para reconhecer o novo governo paraguaio. Esses brasileiros relatam que sofreram perseguição nos últimos anos e ficaram impedidos de trabalhar, vivendo ameaçados por carperos (sem-terra paraguaios).

De acordo com informação de Frigueto, os agricultores disseram que uma comissão de brasiguaios viaja hoje ao Brasil para se reunir com parlamentares brasileiros para pedir que o governo brasileiro reconheça o governo de Franco.

O coordenador disse ainda que os países da região não devem se intrometer em questões internas do Paraguai e que o governo de Franco é legal e legítimo.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 17:55

O WikiLeaks, o Paraguai e a boçalidade conspiratória estimulada por um delinquente chamado Julian Assange, o homem que quer curtir a liberdade imprensa do… Equador!!!

Julian Assange, que é um delinquente, não poderia fazer outra coisa que não incentivar a cultura da delinquência, inclusive a intelectual. Já escrevi o que penso sobre os métodos do WikiLeaks, que seriam condenáveis ainda que fosse verdade o que o site diz de si mesmo: publica tudo o que sabe. Mas isso é falso como o amor de Assange pela verdade. Além de dar curso a informações colhidas de forma criminosa, existe uma seleção do que “interessa” e do que não interessa divulgar. Não por acaso, quem costuma se dar mal nas mãos de Assange e seus esbirros são as democracias. Hoje ele está refugiado na embaixada do Equador em Londres. Como se sabe, Rafael Correa é um notório apreciador da imprensa livre, não é mesmo? A independência em seu governo costuma ser recompensada com prisão, multa e exílio… Adiante.

Não são apenas os métodos criminosos que Assange estimula ou de que é beneficiário que me incomodam, não! Também a mentalidade que ele estimula, especialmente em jovens jornalistas, é uma das coisas mais perniciosas da imprensa moderna. A apuração rigorosa dos fatos, o pensamento, a análise, a reflexão, tudo isso é substituído por teorias conspiratórias as mais tresloucadas e exóticas. É a morte da inteligência!

Não só isso: também o pensamento lógico vai para o brejo. Porque um “Fato B” se deu depois de um “Fato A”, então B passa a ser, necessariamente, consequência de A. Trata-se de um erro lógico de que já tratei aqui algumas vezes, que tem uma expressão latina que o define: “Post hoc, ergo propter hoc“: ou “Depois disso, logo, por causa disso”. O latinório se deve ao fato de que essa era uma das falácias (pesquise sobre o termo quando houver tempo) estudadas pela escolástica (idem).

A caricatura, já brinquei aqui, de tal raciocínio é esta: o dia amanhece sempre depois que o galo canta. Há correlação entre esses dois eventos? É evidente. Os galos cantam ali pelo fim da madrugada (alguns tontos, geralmente os mais roucos, começam um pouco antes, como sabe quem é do mato, como eu), e isso quer dizer que não demora para o dia nascer. Mas não há, por óbvio, relação de causa e efeito entre os fatos. Se matarmos todos os galos do mundo (como já ambicionei…), o dia continuará a nascer mesmo sem o canto anunciador. Menino meio insone de sítio, míope, lutando com a luz da lamparina para entender as letrinhas impressas, os galos “tecendo a manhã” (a imagem é de João Cabral de Melo Neto) me punham irritado porque lembravam a chegada do dia e seus ofícios, tirando-me do alheamento. A queima do combustível deixava na pele do rosto uma oleosidade escura, de cheiro meio inebriante. Talvez colaborasse para o entorpecimento da razão a que se chama sono, sei lá. Foi tudo embora, consumiu-se como o querosene.

Mas volto a Assange, WikiLeaks e as tolices conspiratórias.

A imprensa de vários países, a nossa também, traz hoje a informação de que telegramas vazados pelo site dão conta de que os EUA trabalhavam com a hipótese de um “golpe” contra Fernando Lugo desde 2009. Mensagens enviadas pela embaixada americana em Assunção ao Departamento de Estado alertam que os adversários de Fernando Lugo, ATENÇÃO PARA ISTO!!!, só contavam com um “erro” dele para tentar depô-lo. É mesmo, é? Assim, como veio o impeachment, então tudo se encaixa na cabeça dos cretinos ou dos inocentes: se o impeachment chegou depois daqueles telegramas, então eles eram o anúncio e a evidência de uma tramoia.

Vamos ver. Que houvesse no Paraguai forças políticas interessadas na queda de Lugo, disso estou certo como dois e dois são quatro. Aliás, leitor amigo, se você ocupa um cargo de prestígio na sua empresa ou se, empresário, é líder no seu setor ou conseguiu um contrato apreciável, fique certo: há gente de olho no seu cargo ou concorrente tentando tomar o seu lugar. Sabem como é o ser humano, né? Ainda bem! Ou a vida seria um imenso cartório sem segredos. Haver quem estivesse interessado na queda de “Follando Lugo” (como muitos paraguaios chamam o bispo pegador; não traduzo porque é de baixo calão…) não implica que essa queda tenha sido tramada, compreendem? Como consta lá dos telegramas, seus adversários apostam que um “erro” poderia derrubá-lo. É o que os adversários costumam fazer.

E “Follando Lugo” não cometeu um, mas uma penca deles. O confronto entre supostos sem-terra que aderiram a táticas terroristas e policiais foi manifestação concreta do erro principal: manter relações especiais com um bando de lunáticos que, sob o pretexto de exigir e praticar justiça social com as próprias mãos, transformou o setor rural paraguaio num campo de guerra — e os brasileiros, diga-se, estão entre as vítimas principais.

“Ah, o general Lino Oviedo queria o impeachment…” É? Foi o general que matou seis policiais desarmados que cumpriam uma ordem da Justiça de reintegração de posse? Foi o general a manter relações especiais com um grupo de celerados, que jamais distinguiu propriedade regular e produtiva de terras griladas, mantendo, mesmo assim, interlocução privilegiada no governo? Foi o general que passou a mensagem de que um título de propriedade rural no Paraguai passou a valer menos do que uma bala? “Ah, mas eu li que a concentração de terras no país é terrível!” E daí? Vai se resolver com política ou com pistolagem?

A esta altura, deve haver mensagens de diplomatas americanos e europeus, enviadas a seus países de origem, dando conta de que Cristina Kirchner, a “Loca de Buenos Aires”, está num processo de contínuo desgaste, adotando medidas que deixam, no limite, sem saída a economia argentina e que isso pode levar o país, cedo ou tarde, para uma convulsão social. Um dos papéis da diplomacia é este mesmo: desenhar cenários possíveis — aliás, no Paraguai, tudo indica, os americanos estavam mais bem informados do que os brasileiros, que foram pegos com as calças na mão…  Muito bem! Se e quando “La Loca” vier a enfrentar uma crise séria (e isso vai acontecer), as eventuais mensagens poderão ser evocadas como prenúncio ou evidência de uma tramoia?

O que o “WikiLeakismo” faz de mais perverso à inteligência e ao jornalismo é transformar uma mera correlação em causa e conferir ao óbvio ares de conspiração. Afirmar que um grupo tentará se aproveitar dos erros do adversário, como se houvesse nisso algo de especioso, é uma boçalidade. É o que se faz até em jogo de botão.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 6:57

Para Raúl Castro, Dilma deu uma montanha de dólares; para o novo presidente do Paraguai, ela não quer nem dar a mão. Qual a diferença entre eles? Aqui vão duas: um é assassino e ditador; o outro é democrata e não matou ninguém!

Alguns bananas dizem que escrevo com raiva. Eu não! Escrevo com amor! Amor aos fatos! O contraste acima é forte? Não me pergunto isso. Pergunto-me se é verdadeiro.  Se acharem, coloquem o texto na rede para o debate. Então vamos aos fatos.

A revolta paraguaia não aconteceu! Os governos sul-americanos, o Brasil inclusive, esperavam muitos milhares nas ruas para que pudessem declarar, então, a ilegitimidade do governo de Federico Franco, mesmo, ponderariam, que ele fosse, como é, legal. Sem o povo na praça, nem mesmo se pode dar o golpe (este, sim, golpe!!!) da ilegitimidade. Ou por outra: a Constituição diz que o governo é legal; o Congresso diz que o governo é legal; as cortes superiores Eleitoral e de Justiça dizem que o governo é legal. E a população, ela própria, assim o considera na prática. Logo, em nome de quem falam os governos sul-americanos quando reafirmam a ilegitimidade do processo?

Em seu próprio nome! Buscam imunizar-se do alcance da lei e se colocar acima do Parlamento e da Justiça.  Que o governo brasileiro esteja nessa, eis um sinal da miséria da nossa diplomacia. Ontem, quem veio a público se pronunciar, como se lhe coubesse, foi Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Afirmou que o Brasil não tomará nenhuma decisão isolada e que está em contato com outros países. Em suma e por incrível que possa parecer, o país que deveria exercer a liderança no subcontinente está sendo conduzido em vez de conduzir.

E conduzido por quem? Pela diplomacia… argentina! É isto o que a política de Celso Amorim — que sobrevive na gestão de Antônio Patriota — conseguiu: tornar o Brasil ora caudatário dos humores de Hugo Chávez, o Bandoleiro de Caracas (como se deu no caso de Honduras), ora dos humores de Cristina Kirchner, a Doida de Buenos Aires, como agora. Convenham: que a crise tenha explodido aqui do lado sem que Itamaraty tivesse se dado conta previamente —, alertando, como deveria ter feito, a presidente Dilma Rousseff —, isso, por si, já é um escândalo.

O Brasil não só faz fronteira com o Paraguai como divide com aquele país a hidrelétrica de Itaipu, que responde por 20% da energia consumida por aqui. Mais: há uma vasta comunidade de brasileiros que lá trabalha, produz e prospera, especialmente no setor agropecuário. No governo de Fernando Lugo, estavam submetidos a uma perseguição implacável, sob o silêncio cúmplice do Planalto. Atenção! Esses brasileiros estavam ameaçados de perder tudo o que construíram ao longo de muitos anos — às vezes, de décadas.

Pragmatismo?
O mais espantoso é que, quando criticado em razão das bobagens que protagoniza na política externa, o governo petista costuma pôr na mesa a carta do pragmatismo. Fez isso ao longo da gestão de Lula. Quando muitos censuravam a intimidade com o Irã, lá vinha a ladainha: o Brasil não queria satanizar ninguém e estaria interessado nos negócios. O mesmo se argumenta quando o assunto é Venezuela. No fim de janeiro, Dilma visitou Cuba. Dez dias antes de sua chegada, o dissidente Wilmar Villar Mendoza havia morrido na cadeia em razão de uma greve de fome. Evento idêntico acontecera em 2010, por ocasião da visita do Apedeuta à ilha: naquele caso, a vítima era Orlando Zapata. Lula, vocês se lembram, comparou presos de consciência cubanos a delinquentes comuns do Brasil. Dilma não chegou a tanto, mas deu declaração igualmente infeliz.

Indagada sobre a questão dos direitos humanos, respondeu que o Brasil não estava na posição de quem podia jogar pedra nos outros nessa matéria. Huuummm…  Agora entendi: quando Dilma visita uma tirania, em que os partidos políticos, exceto o comunista, estão proscritos, com os adversários do regime em cana, ela evita “jogar pedras” porque não quer dar lições. Quando se trata de lidar com uma democracia, que cumpre os rigores da Constituição, então ela joga logo um caminhão de pedras. Ao Paraguai, a suspensão do Mercosul; a Cuba, ela levou uma linha especial de crédito de US$ 523 milhões, elevando o financiamento brasileiro à ilha para US$ 1,37 bilhão.

A Dilma que deu posse à Comissão da Verdade no Brasil trata tiranos com montanhas de dólares e governos democráticos a tapas e pontapés. ISSO NÃO É DIPLOMACIA DO PRAGMATISMO PORCARIA NENHUMA! ISSO É DIPLOMACIA DA IDEOLOGIA! Repete, nesse particular, o pior do governo Lula, que tratava o então governo de Álvaro Uribe, da Colômbia, aos trancos e barrancos — Marco Aurélio Garcia chegou a declarar que o então presidente colombiano estava isolado no continente — e o facinoroso Hugo Chávez como grande democrata. Não custa lembrar que, na gestão do Babalorixá de Banânia, as Farc foram mais aduladas do que o governo constitucional de Uribe.

Dados os interesses que o Brasil tem no Paraguai, o seu papel seria liderar a temperança e impor limites aos dos destrambelhados, a começar de Cristina Kirchner. Mas renuncia ao papel que lhe cabe, abre mão de ser protagonista e se coloca como mero caudatário da retórica inflamada do governo argentino. Ora… Cristina, Chávez, Rafael Correa e Evo Morales enfrentam, em seus próprios países, embates institucionais. Todos eles, uns mais outros menos, avançaram contra prerrogativas democráticas e transgrediram a legalidade. Se não foram punidos ainda, é porque a situação política não permite. Cedo ou tarde, a menos que seus respectivos países se transformem em ditaduras sanguinolentas e sob o seu comando, terão de responder por seus crimes e por violações à Constituição e a direitos fundamentais de seus povos. Isso pode acontecer com eles dentro ou fora do poder, a depender da deterioração da situação política. Morales já enfrentou o levante de uma parte do país.

Assustam-se com o destino de Lugo — aliás, destino suave por enquanto; por tudo o que se sabe da ação dos sem-terra, que eram sua base de apoio, tem de ser processado criminalmente — porque sabem que eles próprios, que vivem ultrapassando o limite do institucionalmente aceitável, correm riscos. Essa gente quer continuar a golpear a democracia e o estado de direito sem enfrentar qualquer reação. Ou chamam de “golpistas” as forças da legalidade.

Até onde se sabe, Federico Franco, do Paraguai, tem as mãos limpas de sangue, presidente Dilma! Não se pode dizer o mesmo de muitos aos quais Vossa Excelência já deu as mãos.

Texto originalmente publicado às 4h16
Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 6:14

Como? Jornalista propõe que Brasil “vigie” dinheiro sujo em campanha eleitoral paraguaia. Já sei! Vamos mandar pra lá Delúbio, Marcos Valério, Cavendish e José Dirceu!!!

Clóvis Rossi, na Folha, é um dos que insistem em chamar de “golpe” a deposição constitucional e legal de Fernando Lugo. O curioso é que o próprio ex-presidente não emprega essa palavra. Seu advogado no Senado chamou de “legítimo” o governo de Federico Franco. Rossi se sai com uma teoria conspiratória em texto na Folha de hoje e fala sobre as más credenciais de um possível candidato do Partido Colorado à Presidência, Horacio Cartes, que pode ser ligado ao narcotráfico etc. e tal. Bem, vejam lá. O que me deixou aqui embasbacado foi outra coisa. Li três vezes para saber se estava, sei lá, deixando de entender alguma ironia, sentido figurado ou algo assim. Mas não. Leiam o que ele escreve numa indagação direta e numa recomendação ao governo brasileiro. Volto depois:

“(…) vale, para o Paraguai, a ideia de que é absolutamente intocável a soberania de todo e qualquer país, conceito aplicado, por exemplo, às ditaduras da Síria e da Líbia?
Ou seria no mínimo prudente vigiar a campanha eleitoral para evitar que métodos e dinheiros pouco limpos levem ao poder uma figura sob suspeita em um vizinho e sócio?”

Voltei
Bem, em matéria eleitoral, acho eu, e nas questões políticas internas, que não agridam direitos humanos, acho que vale a soberania, não é? Ou perdi alguma coisa? Aliás, a soberania vale em qualquer caso. As pressões, guerras à parte, são diplomáticas.

Quanto à outra questão, o que dizer? Rossi acaba de transformar o Paraguai num quintal do Brasil. Ao nosso país caberia, segundo o jornalista, “vigiar a campanha eleitoral” e “evitar” dinheiro sujo na campanha!!!

Uau!!! Know-how pra isso não falta ao Brasil — quero dizer: não lhe falta expertise para usar dinheiro sujo em campanha, certo? Já para punir larápios… O PT, por exemplo, soube direirinho como depositar numa conta em Miami o pagamento de Duda Mendonça e como movimentar mais de R$ 50 milhões no mensalão. A Delta poderia dar um curso de pós-graduação aos paraguaios sobre uso de dinheiro sujo em campanha eleitoral, aquela coisa que Delúbio Soares já chamou de “recursos não contabilizados”…

Rossi só pode estar brincando. Ele chame a saída constitucional do Paraguai de “golpe” o quanto quiser. Teria de provar que golpes estão previstos em constituições democráticas. Mas isso é com ele. Adira à tese conspiratória que achar mais adequada. Há nisso um pouco de tudo: ideologia, gosto, valores pessoais etc.

Afirmar que o Brasil tem poderes para “vigiar” um vizinho e “impedir” isso e aquilo e que tem expertise para impedir dinheiro sujo em campanha, aí, bem,  aí Rossi está sendo involuntariamente engraçado. Quem vamos exportar para o Paraguai? Que tal a trinca Delúbio Soares, Marcos Valério e Fernando Cavendish? Dá para mandar um supervisor junto: José Dirceu! O que lhes parece?

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 5:32

Um editorial sensato da Folha nesta terça: “Paraguai soberano”

A Corte Suprema de Justiça do Paraguai recusou ontem a alegação do ex-presidente Fernando Lugo de que foi inconstitucional o fulminante processo de impeachment pelo qual o Congresso o depôs, entre quinta e sexta-feira passada.

Com a decisão, caem por terra as pretensões de invalidar a posse do vice Federico Franco como sucessor constitucional. Também ontem a Justiça Eleitoral do país vizinho refutou a possibilidade de antecipar as eleições presidenciais, previstas para abril de 2013.

Não resta dúvida de que o impedimento de Lugo se deu sob evidente cerceamento do direito de defesa, cujo exercício ficou confinado a apenas duas horas de argumentação perante os parlamentares. Infelizmente, porém, a Constituição paraguaia não disciplina esse importante aspecto.

Exige apenas que o processo seja aprovado por dois terços da Câmara e que o afastamento ocorra se assim decidirem dois terços do Senado -limites amplamente superados nas votações que consumaram o impeachment.

Como motivo, basta a alegação genérica de “mau desempenho de suas funções”.

Eleito numa plataforma esquerdizante, o ex-bispo católico Fernando Lugo conduzia um governo populista e errático, prejudicado pela conduta pessoal do mandatário, compelido a reconhecer filhos em escandalosos processos de paternidade.

Mas o motivo principal da derrocada foram os efeitos desastrosos da crise econômica no Paraguai, cujo produto nacional deverá encolher 1,5% neste ano. A popularidade presidencial se desfez depressa, tornando possível a formação da esmagadora maioria congressual que o afastou do cargo.

Por afinidade ideológica -maior no caso da Argentina, menor no de Brasil e Uruguai-, os demais governos do Mercosul decidiram suspender a presença do vizinho na reunião do organismo, que deve culminar na sexta-feira próxima, quando examinarão possíveis sanções contra o novo governo em Assunção.

Esse comportamento é injustificável. As cláusulas democráticas previstas pelo Mercosul e pela Organização dos Estados Americanos (OEA) aplicam-se a flagrantes violações da ordem constitucional. Ainda que o impedimento de Lugo seja criticável, as instituições paraguaias têm funcionado de acordo com as leis daquele país.

Com um triste histórico de ingerência na política interna do Paraguai, país que mantém laços de dependência econômica em relação ao Brasil, o melhor que o Itamaraty tem a fazer é calar-se e respeitar a soberania do vizinho.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 21:06

Lula chama queda de Lugo de golpe; Dilma ouve Amorim e Marco Aurélio Garcia… Toc, toc, pé de pato, mangalô, “treiz veiz”

Mas era fatal! Quem veio a público para chamar o impedimento de Fernando Lugo de “golpe”? Sim, ele mesmo, Luiz Inácio Lula da Silva, o amigo de Mahmoud Ahmadinejad e de Hugo Chávez. Lula é aquele senhor que já afirmou que, na Venezuela, “há democracia até demais!”.

Dilma, ficamos sabendo hoje, reuniu-se com ministros e assessores para discutir a questão paraguaia. Participaram do encontro Celso Amorim, da Defesa, que estrelou a patuscada brasileira na crise de Honduras, e Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais. É o pensador que, em entrevista histórica ao jornal Le Figaro, afirmou que o Brasil era “neutro” sobre o caráter terrorista das Farc.

Com esses interlocutores, qual é a chance de Dilma fazer a coisa certa?

Como diz o povo, “toc, toc, pé de pato, mangalô, treiz veiz…”

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 20:08

Jornal “ABC Color” dá destaque à análise deste blog

 

blog-em-jornal-paraguaio

O jornal ABC Color, do Paraguai, que faz uma cobertura isenta sobre a crise política do país, dá destaque a este blog em sua edição eletrônica, num texto que trata da opinião de analistas internacionais. O blog aparece na homepage do jornal.

Atenção, colegas, do ABC Color! Há o risco de a seção de comentários do jornal ser invadida por aquilo que nós, aqui no Brasil, chamamos “petralhas”. Os petralhas são militantes identificados com o oficialismo no Brasil, pagos para molestar outros leitores nas seções de comentários. Os “petralhas” são, no terreno da opinião, o que o “EPP” é no Paraguai no terreno da política…

Não fiquem impressionados! Entre outras coisas, os “petralhas” não reconhecem a soberania dos países e acham que as esquerdas têm de impor a sua vontade no continente.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 16:15

O governo do Paraguai, sim, não teve direito de defesa até agora! Ou: Safra de governos de esquerda quer acabar com a soberania dos países

Até agora, o único realmente sem direito à defesa é o governo do Paraguai. Fernando Lugo pôde ao menos expor suas razões, por duas horas, no processo do Senado. Seus defensores tiveram a chance de tentar evitar a aceitação da denúncia na Câmara — é que não havia sobrado praticamente ninguém para fazê-lo…

Mas e o novo governo do Paraguai? Não foi nem sequer ouvido pelos países do Mercosul e já foi punido. E há outra diferença importante: a destituição de Lugo foi absolutamente legal; a suspensão do Paraguai do Mercosul é arbitrária. O conteúdo do Protocolo de Ushuaia, no qual ela se baseia, não autoriza a medida. Não houve, afinal de contas, rompimento da ordem democrática. O novo governo assumiu seguindo os passos da Constituição e foi declarado legal pela Justiça. Se o rito foi ou não sumário, esse é um assunto que diz respeito aos paraguaios. Os demais países não têm de se meter. No post anterior, publico a íntegra de uma declaração formal de repúdio do novo governo à decisão tomada pelo Mercosul. Está correta da primeira à última linha.

Além da ingerência indevida num assunto interno, resta claro que os países do Mercosul estão tentando quebrar a espinha do Poderes Legislativo e Judiciário do Paraguai. Pior de tudo: como já escrevi aqui, os governantes do subcontinente agem mais pensando em si mesmos — “para desestimular ações parecidas na região” — do que na população do Paraguai.

A safra de governos de esquerda da América do Sul pretende também, tudo indica, violar a soberania dos países.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 15:43

Comunicado do governo Paraguaio repudia decisão do Mercosul e reafirma legalidade

O novo governo do Paraguai tornou pública uma nota de repúdio à decisão dos demais países do Mercosul de impedir a participação do país na reunião do Mercosul, que acontece em Mendoza, na Argentina. As reuniões preparatórias para o encontro já estão em curso e se estendem até o dia 29.

O texto lembra que as decisões tomadas no Paraguai seguem as leis do país, que o novo governo não foi nem sequer ouvido e que Federico Franco foi igualmente eleito pelo povo. Leiam texto.

“Asunción, 24 de Junio de 2012)

En referencia a la Declaración difundida en la fecha por el Ministerio de Relaciones Exteriores de la República Argentina, por la que se anuncia la decisión de “suspender al Paraguay, de forma inmediata y por este acto, del derecho a participar en la XLIII Reunión del Consejo del Mercado Común y Cumbre de Presidentes del MERCOSUR, así como de las reuniones preparatorias, que tendrán lugar en la ciudad de Mendoza, entre el 25 y 29 de junio de 2012″, el Ministerio de Relaciones Exteriores de la República del Paraguay cumple en manifestar:

1. Su rechazo a esa decisión, adoptada obviando los procedimientos regulares y sin que se haya dado oportunidad alguna al Estado afectado para pronunciarse sobre el particular, tal como lo determina expresamente el artículo 4 del Protocolo de Ushuaia sobre Compromiso Democrático en el Mercosur suscrito el 24 de julio de 1998.

2. Que la Declaración, curiosamente, adolece del mismo defecto que se atribuye al proceso interno paraguayo que le dio origen, y que se califica impropiamente como de ruptura del orden democrático, “por no haberse respetado el debido proceso”.

3. Sin embargo, puede señalarse que en el juicio político entablado en el seno del Congreso Nacional al entonces Presidente Fernando Lugo, de conformidad con las disposiciones constitucionales aplicables, se otorgó a éste la oportunidad de ejercer su defensa, como en efecto lo hizo. En cuanto al principio del debido proceso, por cuya supuesta inobservancia se considera que pudo haber una ruptura del orden democrático en el Paraguay, cabe aclarar que en el caso en cuestión el procedimiento se ajustó estrictamente a lo dispuesto en el artículo 225 de la Constitución Nacional de la República del Paraguay, garantizándose por consiguiente el debido proceso.

4. En cambio, la Declaración difundida por la Cancillería argentina no fue adoptada conforme a los procedimientos que se observan en el Mercosur, está suscrita por Estados Asociados que no ratificaron dicho Protocolo y, lo que es más grave, fue resuelta sin escuchar previamente al Gobierno de la República del Paraguay, violando de tal manera el debido proceso.

5. La Declaración de referencia demuestra que no resulta posible negar la constitucionalidad del juicio político, ni la abrumadora mayoría con que se tomó la decisión de condenar al ex Presidente Lugo, ni que el propio afectado se sometió al juicio político y acató públicamente la resolución adoptada.

6. La Declaración del Mercosur en nada contribuye a la paz y la tranquilidad pública del Paraguay, ni a la integración regional, y se extralimita al descalificar decisiones adoptadas, en uso de sus legítimas atribuciones, por el Poder Legislativo paraguayo, tan electo por el pueblo como el ex Presidente Fernando Lugo y el Presidente Federico Franco”.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 15:34

Dilma, na prática, lidera esforços em favor da convulsão social na Paraguai. E por que ela não acontece?

A presidente Dilma Rousseff lidera, a palavra é essa, os esforços para levar a convulsão social ao Paraguai, que, felizmente, não está em curso porque a grande e estonteante popularidade de Fernando Lugo é uma fantasia. O ex-bispo “pegador” e ex-presidente formou agora um governo paralelo, sob os auspícios de Dilma e dos candidatos a ditadores da América do Sul que estão com ela nessa patuscada: Rafael Correa, Evo Molares e Cristina Kirchner. Hugo Chávez já é ditador.

A Suprema Corte de Justiça do país rejeitou um recurso de Lugo contra a decisão do Senado, e o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral reconheceu Federico Franco o presidente legítimo do país.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 5:55

Candidatos a ditadores da América do Sul querem imunidade. Ou: A suspensão do Paraguai do Mercosul – Uma história em que os bandidos são mocinhos, e os mocinhos, bandidos

Os países que integram o Mercosul e a Unasul anunciaram ontem a suspensão do Paraguai dos dois organismos — até, ao menos, a realização de eleições, previstas para abril. O Brasil lidera a pressão. Trata-se de um despropósito e de uma ingerência indevida na situação interna do país. Embora o Brasil não seja o mais estridente em condenar o que está estupidamente sendo chamado de “golpe”, é, na prática, quem lidera a pressão. Nos bastidores, ninguém conta com a volta de Fernando Lugo. O objetivo, dizem, é “desencorajar ações do gênero” no continente. E aí está o problema. Afinal, desencorajar o quê?

Se é assim, então estamos falando de um grupo de dirigentes que, para proteger as respectivas cabeças, não se importam em criar dificuldades adicionais para 6 milhões de paraguaios. Uma coisa é condenar golpes de estado; outra, distinta, é chamar de “golpe” uma solução prevista na Constituição e endossada pelo Judiciário.

Por que falo em “proteger as respectivas cabeças”? Estamos diante de uma questão de fundamento. Uma das tarefas de um presidente da República é defender a Constituição do seu país. As constituições são diferentes, mas esse julgamento é universal. Assim, supremos mandatários, a menos que sejam ditadores, não são intocáveis. Podem ser destituídos de seus cargos — coisa que já se viu, diga-se, no Paraguai e no Brasil. Os textos constitucionais costumam estabelecer as circunstâncias em que isso é possível. No Paraguai, tudo se deu dentro da lei.

Tanto isso é verdade que o próprio Lugo admitiu que a saída estava prevista em lei. Sua reação foi quase abúlica. Até cheguei a pensar que, intimamente, torcia para que isso acontecesse. Restaria, assim, o mito de que tentou fazer algo de grande em seu país, mas foi impedido pelos reacionários de sempre. Ontem, eu o vi na TV tentando falar grosso, de modo muito pouco convincente. Presidentes sul-americanos — Dilma inclusive — estão incitando-o a reagir. NOS BASTIDORES DO PLANALTO E DO ITARAMARATY, SAIBAM, HOUVE CERTA DECEPÇÃO POR NÃO HAVER POVO NA RUA COM A FACA NOS DENTES.

É claro que gente como Rafael Correa, Cristina Kirchner, Evo Morales e, obviamente, Hugo Chávez não gosta de ver um presidente destituído por “mau desempenho de suas funções”, sendo entendida essa acusação, basicamente, como colaboração ativa com os ditos “sem-terra”, que passaram a praticar toda sorte de violências no Paraguai, inclusive e muito especialmente contra produtores rurais brasileiros radicados naquele país. Ora, então não são estes mesmos dirigentes notórios transgressores da lei? Ouvir esses quatro destruidores de instituições falar em nome da democracia é de dar engulho moral.

Não pensem que o Brasil é inocente nessa história, não! Sejamos rigorosos com o nosso próprio quintal. Um país em que o dinheiro público — do governo federal, de governos estaduais, prefeituras e de estatais — financia abertamente o subjornalismo de aluguel, que existe com o único propósito de fazer política partidária, padece, quando menos, de um mal-estar democrático. Esse mesmo Brasil assistiu a reiteradas tentativas de censurar a imprensa — malsucedidas, é verdade, mas existiram — durante o governo Lula. Dilma, reconheça-se, não avançou nesse projeto, mas manteve intocada a máquina de difamação da oposição e de instituições. E tudo, reitero!, com DINHEIRO PÚBLICO. Quais outras democracias do mundo conviveriam com coisas assim? Deixem-me ver: a venezuelana, a equatoriana, a argentina, a boliviana…

Em suma, o alinhamento a que assistimos contra o novo governo do Paraguai é constituído de tiranetes de meia-tigela, que não têm o menor compromisso com a democracia e com as instituições. Que seja o Brasil a liderar essa súcia, só temos a lamentar. Ao condenar o novo governo do Paraguai e ao tentar isolá-lo, esses dirigentes sul-americanos estão é tentando garantir a própria impunidade.

Os tolos
Ao defender na sua coluna de ontem na Folha — escrevi a respeito — os mensaleiros, o jornalista Janio de Freitas não poderia ter sido mais preciso, a despeito das próprias intenções. Chamou de “político” um processo que é criminal e afirmou que o verdadeiro confronto no STF se dará entre “forças reformistas” (os réus), que teriam cometido “erros”, e os “conservadores”. Janio está querendo dizer que, se os mensaleiros forem condenados, será uma derrota dos “progressistas”, uma derrota do bem!!!

Eis o debate subjacente a essa patacoada em defesa de Lugo: ele é, afinal de contas, um “reformista”, um homem de esquerda. Lendo a coluna de Janio sobre os mensaleiros, ficamos com a impressão de que os verdadeiros bandidos são aqueles que os acusam. Vendo a reação dos governos sul-americanos à crise paraguaia, somos levados a constatar que os verdadeiros culpados pelo massacre havido no país são os… adversários do ex-presidente.

Alguns tolos caem nessa conversa, que é só ideologia rombuda. A verdade insofismável é que esses governantes chegam ao poder segundo as regras da democracia e, uma vez entronizados, decidem solapá-la, cada um à sua maneira. Dilma e os aloprados do subcontinente estão dizendo que pouco importa o que faça um “progressista”: tem de ser tolerado.

Não deixa de ser engraçado e um tanto patético ver Lugo posando de grande líder da resistência, papel que alguns presidentes sul-americanos querem lhe impor à força. Não leva jeito pra coisa. De todo modo, anunciou que vai para a reunião dos presidentes do Mercosul em Mendoza, na Argentina — para a qual Federico Franco, novo presidente, não foi convidado. Nem poderia. Oficialmente, o país está suspenso. E o que Lugo vai fazer lá? Trata-se de uma agressão ostensiva à soberania do Paraguai.

Eu também acho que estamos diante de um confronto entre os que aceitam os valores da democracia e os que os repudiam. Ocorre que, nesse caso, os bandidos são os mocinhos, e os que se apresentam como mocinhos são os bandidos.

Texto publicado originalmente às 3h28
Por Reinaldo Azevedo

25/06/2012

às 5:51

Não deixem de ver este vídeo da TV paraguaia! Ele expõe de modo inequívoco a violência dos ditos sem-terra, a incompetência de Lugo e suas mentiras. Assista aí, Dilma, e pare de fazer bobagem!

Caras e caros,

Abaixo, publico um vídeo do programa paraguaio “AAM (Algo Anda Mal)”, transmitido pela Teledifusora Paraguaya, Canal 13. Tem 28 minutos, mas não é preciso ver tudo, não. Até porque alguns trechos são falados em guarani. Não sei como anda a fluência de vocês nessa língua… Mas há momentos de uma estupefaciente eloquência. O filme, vocês verão, tem um nítido sotaque de esquerda. Mesmo assim, ele deixa claro, de maneira escandalosa, o que era o governo Lugo. Acho que seria conveniente ler primeiro o texto que se segue ao filme, em que explico e comento as circunstâncias. Facilita o entendimento. Mas vocês podem escolher, também, fazer o contrário.

O texto
Os primeiros três minutos expõem as circunstâncias da tragédia, inclusive o momento em que os policiais, na sexta-feira, dia 15, são recebidos a bala pelos sem-terra sem que tivessem dado um único tiro. Estavam lá para executar uma ordem judicial de reintegração de posse. A terra, oficialmente, pertence ao milionário e político Blas Riquelme, mas essa posse é contestada. Ouve-se o primeiro tiro aos 2min25s. A chuva de balas se estende até os 3 minutos. Seis policiais foram assassinados. Na reação das forças de segurança, morreram 11 invasores.

Muito bem. Lugo, informa o repórter, anunciou ao país e ao mundo que a área tinha sido tomada pelas forças de segurança e que o governo se mobilizara para prender os responsáveis pela tragédia. Será?

No sábado, a equipe do “AAM” chegou ao local do conflito. LUGO HAVIA MENTIDO DE MODO MISERÁVEL AOS PARAGUAIOS. Não havia polícia nenhuma no terreno! Não havia soldados do Exército. Um único carro estava na área. A população, por sua conta, acompanhada pela TV, decidiu entrar no terreno onde se dera a matança.

Ora, àquela altura, a área já deveria ter sido rigorosamente isolada pelas forças de segurança para permitir o trabalho da perícia… Mas quê!!! À medida que repórter e moradores avançam, vão aparecendo rastros de sangue, até que se deparam com dois corpos. A cena do crime, é visível, foi escandalosamente mexida. No local em que estão os cadáveres, não há sangue, num sinal evidente de que ali não morreram. Seus corpos foram provavelmente arrastados. Podem ter sido mortos pela polícia; podem ter sido mortos pelas próprias lideranças do movimento, que assumiu características claramente terroristas no Paraguai. Uma coisa é certa: ao demorar quase 24 horas para ocupar o local, o governo deu tempo para que os assassinos dos policiais fugissem. Num momento grotesco, políticos locais aparecem para tirar uma cascuinha do episódio e fazer discurso ao lado dos corpos.

Este era Fernando Lugo. Enquanto isso, os meios de comunicação anunciavam ao país que a região estava ocupada pelo governo e que todas as providências estavam sendo tomadas. Não, senhores! O impedimento político é pouco para Fernando Lugo! O Paraguai precisa responsabilizá-lo criminalmente pela tragédia. Eis o grande líder que está a arrancar lágrimas de comoção dos governantes sul-americanos (é compreensível) e de alguns bobalhões na imprensa brasileira, esta boa gente “progressista” que só se comove com cadáveres quando os governos são “de direita”. Se forem de esquerda, os presuntos, afinal, são parte da luta, não é mesmo? Convenham: se a “libertação” da China custou 70 milhões de mortos, por que a do Paraguai não pode custar uns 16 cadáveres de vez em quando, não é?

Mesmo num vídeo com sotaque claramente à esquerda, dá para constatar a picaretagem do governo Lugo. Não! Ele não agiu para prender os responsáveis pelos crimes, que são seus aliados políticos. Ele atuou para que escapassem. Na hipótese benevolente, é “mau desempenho de sua função”, o que rende impedimento. Na hipótese severa, é crime mesmo! Deveria render cadeia!

Texto publicado originalmente às 4h58
Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados