Blogs e Colunistas

Odair Cunha

28/11/2012

às 14:15

CPI do Cachoeira – Falcões do PT são derrotados, e, isolado, relator é obrigado e retirar do texto perseguição à imprensa e ao procurador-geral

Tai Nalon, na VEJA.com:
Após ser coagido por falcões petistas a incluir no relatório da CPI do Cachoeira ataques ao Ministério Público e à imprensa, o deputado Odair Cunha apresentou o documento nesta quarta-feira – e optou por tirar do texto os trechos em que recomendava o indiciamento de cinco jornalistas e pedia ao Conselho Nacional do MP uma investigação sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Cunha foi, portanto, na contramão das ordens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do PT, Rui Falcão. O relatório original, que servia apenas ao revanchismo de Lula, foi duramente criticado por parlamentares. E dificilmente seria aprovado em plenário.

A decisão de Cunha foi acatada pela bancada do PT na comissão minutos antes da reunião da CPI. Marcada originalmente para as 10h15 desta quarta, a sessão começou com mais de 45 minutos de atraso, após reunião entre parlamentares e o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da comissão. Cunha modificou seu relatório apenas nos pontos que tratam de Gurgel e dos jornalistas, trechos que classificou como “elementos não essenciais” no documento. “Quem discordar do meu relatório, retirada essas duas partes, terá de votar contra ele inteiro”, disse.

A intransigência do relator provocou protestos entre os parlamentares. “O relator está invocando para si mesmo a condição de ditador?”, questionou o deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), em momento tenso da sessão. Também, sem efeito. Os parlamentares terão agora cinco dias para propor mudanças ao texto. Todas as propostas passarão pelo crivo do relator. Em sessão que já dura cerca de 90 minutos, Cunha lê um resumo do relatório preliminar, de mais de 5.000 páginas. A reunião chegou a ser interrompida por 15 minutos, para a distribuição do sumário lido em plenário a todos os deputados.

Nova versão
Pela nova versão do texto, agora são 29 os pedidos de indiciamento e 12 os responsabilizados pela CPI. Entre eles, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que, segundo o texto, deve ser responsabilizado pelo Ministério Público Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos crimes de formação de quadrilha, advocacia administrativa, tráfico de influência, formação de quadrilha e falso testemunho. As suspeitas contra o governador ainda incluem a prática de sonegação fiscal, de caixa dois de campanha e de improbidade administrativa.

Também consta o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Desdobramentos das atividades criminosas da Delta, segundo Cunha, devem ser investigados por autoridades policiais, pelo Ministério Público e pela Receita Federal. O ex-senador Demóstenes Torres, a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu compõem também o núcleo central do esquema, segundo o relator.

Justificativas oficiais
A justificativa oficial para a inserção do nome de Gurgel no texto é que o procurador não deu continuidade às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. A oposição, entretanto, imputa à bancada do PT a tentativa de usar o relatório como instrumento de vingança política, devido à atuação do procurador durante o
 julgamento do mensalão.

Atingir a credibilidade da imprensa livre pelo papel que teve na revelação do escândalo do mensalão foi o motivo da tentativa de indiciamento de jornalistas pela CPI – entre eles o do diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior. Nota de esclarecimento de VEJA, publicada na última quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob pressão da ala radical do PT, suprimiu provas de que os contatos entre Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter em busca de informações.

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2012

às 6:51

Odair Cunha, o estafeta da turma da vendeta, está isolado; só petistas aceitam aprovar suas insanidades

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), está de parabéns! Raramente se viu tamanho isolamento de alguém na sua função. Exceção feita aos petistas, ninguém aceita aprovar o seu relatório insano. Entre servir ao país e se comportar como mero estafeta dos petistas que querem vingança, fez a escolha errada — ou “certa”, quando se é do partido…

Nunca se viu nada assim. O pedido de indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA, por exemplo, foi decidido pelo comando do PT — por gente que nem mesmo participou da comissão. Júnior não foi nem investigado nem ouvido. O partido também exigiu que Roberto Gurgel fosse incluindo no relatório. Nos bastidores, Cunha admite que se comporta mesmo como pau-mandado. É um escracho e um acinte.

Leiam o que informa Chico Gois, no Globo:

A CPI do Cachoeira corre o risco de chegar ao fim sem ter um relatório aprovado. Integrantes da comissão, de todos os partidos, demonstram, em público e nos bastidores, que se sentem incomodados com o texto final preparado pelo relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG). Alguns argumentam que não concordam com o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da “Veja”, nem com investigação sobre atos do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Outros, sem alarde, discordam do indiciamento de Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta, embora, publicamente, digam o contrário. Líderes do PMDB diziam que o partido votará contra o relatório.

Nesta quinta-feira, Odair Cunha — que acrescentou os pontos polêmicos em seu parecer após sofrer pressão da cúpula do PT — percebeu que uma maioria se formava na CPI contra seu texto. Por isso, pediu o adiamento da leitura para a próxima quarta-feira. Disse que desejava dialogar com seus colegas para que o relatório reflita o pensamento da maioria da comissão. Mas observou: “Tenho limites no diálogo”.

Disse que está disposto a retirar nomes ou incluir outros, sem citar nomes. A decisão do adiamento da leitura do relatório final surpreendeu os parlamentares. Ao chegar à CPI, Odair Cunha disse que leria o documento. Depois, ausentou-se por cerca de 20 minutos e, na volta, anunciou sua intenção.

“Estamos trabalhando para derrotar o parecer do relator. Este relatório não dá para salvar”, disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) já adiantou que votará contra o parecer de Odair Cunha: “Devíamos aprofundar as investigações, a quebra de sigilos. É um relatório insano”.

Na avaliação de alguns parlamentares, mesmo que Odair Cunha retire as menções ao jornalista e ao procurador-geral, haverá dificuldades para votar o parecer. Um deputado, que não quis se identificar, disse que alguns de seus colegas viram no indiciamento de Policarpo e no pedido de investigação contra Gurgel a desculpa para votar contra o relatório, embora o que desejam impedir é o indiciamento de Cavendish.

Os parlamentares que conversaram com o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), foram orientados a não apoiar o relatório. A alegação é que o partido foi surpreendido pelo teor do texto e não foi consultado sobre o indiciamento do ex-dono da Delta. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) discordou do adiamento: “A investigação foi pessoal, direcionada e restrita. Só foram poupados os aliados, e atacados com veemência aqueles que a sanha persecutória do ex-presidente Lula determinou. Vamos adiar por quê? Não tem segurança para lê-lo?”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2012

às 6:43

Relatório de petista demonstra a vocação do PT para o estado policial. Ou: Relator de CPI se torna, à sua maneira, um mensaleiro

Há quem não tenha se dado conta da gravidade dos atos praticados pelo deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira. Seu relatório tem mais importância do que parece. Ele revela a vocação do PT para construir, se não for devidamente enfrentado, um estado policial no país. Não estou exagerando, não! Ao contrário! Estou dando à coisa o nome que ela tem. Se as palavras, os conceitos e a instituições fazem sentido, então é isto mesmo: os petistas, se julgarem necessário, transformam instâncias do estado em instrumento de perseguição dos adversários.

Não é de hoje que os petistas desmoralizaram as CPIs. A dos Correios — ou do Mensalão — já exibia figuras grotescas, que lá estavam para sabotar as investigações, não para apurar o eventual cometimento de crimes contra a ordem do estado. Quem não se lembra da voz maviosa e bela da agora ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) tentando impedir, a todo custo, que se chegasse à verdade dos fatos? Coube a dois parlamentares da base governista — o senador e presidente daquela comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), e o deputado e relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR) — zelar pela dignidade possível da comissão. Se, por causa das chicanas, não avançaram tanto quanto deveriam, fizeram, é fato, um trabalho digno.

Desde o início, como é sabido, a CPI do Cachoeira prometia se transformar em mero palco de vingança. Como esquecer aquele vídeo em que Rui Falcão, presidente do PT, afirmava: “As bancadas do PT na Câmara e no Senado defendem uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”.

A fala, em si, era uma sandice. Afinal, qual era a relação entre Cachoeira e o escândalo do mensalão? Nenhuma! Mas Falcão estava lá a anunciar que a comissão seria usada para um ajuste de contas. No radar do partido, políticos da oposição, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel; ao menos um ministro do Supremo — Gilmar Mendes — e, evidentemente, a imprensa independente.

A CPI já começou torta, convenham! No mundo inteiro, comissões parlamentares de inquérito são instrumentos da minoria para enfrentar eventuais desmandos perpetrados pela maioria. A razão para que seja assim é óbvia: quem está no comando do estado dispõe dos instrumentos para conduzir investigações policiais, aplicar punições administrativas, exonerar malfeitores… A oposição é que tem pouca coisa. Diante de uma eventual irregularidade impune, apela, então, ao Poder Legislativo para que a investigue. Atenção, meus caros! Uma CPI proposta pela minoria, se instalada, costuma ser instrumento de aperfeiçoamento da democracia. E assim é porque a minoria não tem como esmagar a maioria. Quando, no entanto, se dá o contrário, aí a gente começa a sentir o fedor dos fascistoides. E é precisamente esse o caso.

Cunha pede, por exemplo, o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, da VEJA (leia nota da revista) e de outros. Polícia Federal e Ministério Público investigaram as lambanças de Cachoeira. Nem um órgão nem outro falaram em indiciamento de Policarpo porque, como deixa claro o conjunto dos fatos, nada havia de irregular na relação do jornalista com uma de suas fontes. Na raiz desse pedido — e o relatório de Cunha nem procura esconder — está o rancor contra aquilo que os petistas e os blogs e sites sujos chamam “a mídia”.

Os próprios parlamentares da base do governo — os não petistas — deram sinais claros de descontentamento com o texto, e Odair Cunha já admite revê-lo: “É uma tentativa de constrangimento de quem faz jornalismo investigativo. Tem caráter de vingança. A fiscalização do desempenho das autoridades é feita por diversas entidades públicas, mas é a imprensa que tem feito denúncias. Este relatório não tem como ser consertado”, afirmou, por exemplo, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Que coisa! A direção do PT emitiu há dias uma longa nota atacando o STF e a condenação dos mensaleiros. Todos os réus tiveram amplo direito de defesa. Para os petistas, mesmo assim, assistimos à ação de um tribunal discricionário. Cunha não apresenta em seu relatório um único fato, um indício miserável que seja, que deponha contra o jornalista da VEJA. E não apresentou porque não há. Mesmo assim, o relator propõe o seu indiciamento. E aproveita a oportunidade para dar algumas aulas sobre o que considera bom jornalismo: parece ser aquele em que os petistas sempre se dão bem…

Cunha adota prática mensaleira
Cunha, à sua maneira, tornou-se também um “mensaleiro”. Explico-me. Os quadrilheiros — como restou fartamente demonstrado pela CPI dos Correios, pelo Ministério Público e pelo STF — assaltaram os cofres públicos em benefício de um projeto de poder. O relator da CPI resolveu assaltar a institucionalidade em proveito desse mesmo projeto
.

Odair Cunha, quem diria?, já fez história. E que história!

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2012

às 6:41

A nota de VEJA. Ou: Por que o relator da CPI omite depoimentos de policiais e procuradores que atestam a lisura da conduta de jornalista da revista?

A direção da VEJA emitiu uma nota de esclarecimento sobre a espantosa decisão do relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), que pediu o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, diretor da Sucursal de Brasília e um dos redatores-chefes da revista. Entre outros aspectos, a nota lembra que Cunha omitiu de seu relatório os depoimentos de delegados da Polícia Federal e de procuradores da República — que efetivamente investigaram o caso — atestando que a atuação de Policarpo nunca ultrapassou a fronteira da relação normal entre jornalista e fonte. Leiam a íntegra.

Nota de esclarecimento da revista VEJA

Ao pedir o indiciamento do jornalista de VEJA Policarpo Júnior, o relator Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, não conseguiu esconder sua submissão às pressões da ala radical de seu partido que, desde a concepção da CPI, objetivava atingir a credibilidade da imprensa livre por seus profissionais terem tido um papel crucial na revelação do escândalo do “Mensalão” –  o maior e mais ousado arranjo de corrupção da história oficial brasileira. 

Com a punição exemplar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos réus petistas integrantes do esquema do Mensalão, sobrou a seus sequazes instrumentalizar o relator da CPI e usá-lo para tentar desqualificar o exemplar e meritório trabalho jornalístico de Policarpo Júnior, diretor da sucursal de Brasília e um dos redatores-chefes da revista VEJA, profissional dono de uma história invejável de serviços prestados aos brasileiros.

Em seu afã de servir de instrumento de revanche contra o jornalista que mais destacadamente ajudou a desnudar os crimes dos petistas no Mensalão, o relator recorreu a expedientes condenáveis. O mais grave deles foi suprimir do relatório a mais límpida evidência da conduta absolutamente correta do jornalista de VEJA. Odair Cunha desprezou o exaustivo trabalho dos integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal encarregados das investigações e das escutas legais feitas no contexto das operações em que o jornalista de VEJA é citado.

O relatório de Odair Cunha omitiu os depoimentos à CPI dos delegados da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues e Raul de Souza e dos procuradores da República Daniel Rezende e Léa Batista Salgado, encarregados das investigações. Todos eles, sem exceção, foram enfáticos em descrever as conversas do jornalista de VEJA com Carlos Cachoeira como relação entre repórter e fonte.

Ouvido pela comissão no dia 8 de maio, o delegado federal Raul Souza afirmou: “Não há indícios de que o relacionamento tenha ultrapassado a relação entre jornalista e fonte”. Integrantes da CPI perguntaram repetidamente e sem rodeios ao delegado Mella Rodrigues se Policarpo Júnior praticou ou participou de algum crime. A resposta do policial foi sempre a mesma: “Não”. Os procuradores também reafirmaram que, nas investigações, ficou evidente que os contatos entre o jornalista e o contraventor nunca ultrapassaram “os limites do trabalho de um repórter em busca de informações”. As razões pelas quais Odair Cunha suprimiu essa prova irrefutável de inocência de seu relatório ainda precisam ser devidamente esclarecidas.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2012

às 18:29

Petista relator da CPI renuncia a seu papel e atua como juiz de condenação de Perillo antes mesmo de apresentar relatório; já deputado tucano elogia ex-assessor de petista

O relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), está perdendo toda e qualquer noção de limites. Nesta quinta, voltou a se comportar como juiz do governador de Goiás, Marconi Perillo. Leiam o que segue. Volto em seguida:

Da Reuters. Volto em seguida:
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse nesta quinta-feira que o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), “tem que agir como relator isento, não pode ser cabo de chicote de ninguém”. Em resposta, Cunha afirmou que não se intimidaria com a declaração e continuará investigando as relações de Perillo com Carlos Cachoeira. A declaração de Perillo em resposta à afirmação feita nesta semana por Cunha de que o governador tucano teria mentido em seu depoimento na CPI, quando contou o episódio sobre a venda de um imóvel em Goiânia. “Está evidente que a história foi montada. A história da casa é para esconder a relação do governador com o senhor Carlos Cachoeira”, disse Cunha na última terça-feira. Perillo afirmou nesta quinta-feira que já comparecer à CPI, onde passou 9 horas respondendo a todas as perguntas e se declarou tranquilo.

“Fiz um negócio particular, vendi uma casa minha, de forma lícita, recebi e coloquei no Imposto de Renda”, disse o governador a jornalistas, após participar de cerimônia de lançamento de estudos para um futuro trem ligando Brasília, Anápolis (GO) e Goiânia. Nesta quinta, ao ser questionado sobre as declarações de Perillo, Cunha retrucou: “Infelizmente, a organização criminosa está no governo de Goiás.”

O relator disse ainda que espera que o governador colabore com a investigação. “Que as pessoas que estão submetidas às ordens dele ou que serviram seu governo venham aqui e colaborem com a investigação”, disse a jornalistas.
(…)

Voltei
Já comentei esse assunto e vou fazê-lo de novo! A um membro da CPI, especialmente quando relator, não cabe fazer esse tipo de consideração. Sabem por quê? Porque ele terá a relatoria para escrever o que bem entender, com base naquilo que for apurado pela comissão.

O deputado Odair Cunha não está se dando conta do seu papel institucional, que está sendo degradado pelo mero jogo partidário. Se vira um padrão, doravante, CPIs serão pelotões de fuzilamento promovidos pela maioria contra a minoria. Hoje o PT está no comando, mas sabem como é, o poder não é eterno como os diamantes.

Atenção! Ainda que ele estivesse certo no mérito — vamos ver —, não é assim que se faz, e todo mundo sabe disso.

“Oposição endoidou”
Se o PT atua na CPI como ordem unida, com a oposição, a coisa é diferente. Reproduzo uma nota de Gabriel Castro, na VEJA Online. Reflitam.

Partiu de um tucano o mais enfático elogio a Cláudio Monteiro, ex-assessor do governador petista Agnelo Queiroz, na CPI do Cachoeira. O deputado Cláudio Sampaio (PSDB-SP) — o mesmo que no dia anterior bateu boca na comissão durante o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, delator do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) — surpreendentemente destoou dos colegas de partido e nem mesmo quis fazer perguntas a Monteiro. Fez apenas elogios à honestidade do depoente. “Hoje eu diria que vossa senhoria sai daqui com a cabeça erguida”, disse. “A postura de vossa senhoria é a que se espera de alguém que tem caráter”.

O diagnóstico definitivo veio do deputado Sílvio Costa (PTB-PE), em conversa com o senador Alvaro Dias (PSDB-PR): “A oposição endoidou”, resumiu. “Tem que levar para o analista”.

Encerro
A diferença de comportamento entre Cunha e Sampaio pode explicar muita coisa. Talvez explique, antes de mais nada, por que o PT está no poder, e o PSDB, na oposição.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2012

às 19:13

Relator da CPI do Cachoeira volta a meter os pés pelas mãos e a fazer política partidária em vez de se comportar com a isenção que lhe é exigida

O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira, até que tinha começado bem. Embora petista, parecia ter compromisso com a prudência e com procedimentos que honravam a institucionalidade, não o mera arranca-rabo político. Mas foi cedendo, pouco a pouco, à pressão do seu partido, a ponto de ter protagonizado um momento ridículo no dia do depoimento de Marconi Perillo (PSDB). Depois de ter inquirido o governador de Goiás, deixou a mesa por alguns instantes. Ao voltar, trouxe na algibeira a sugestão de que ele pusesse à disposição seu sigilo bancário e tal… Na altercação com representantes da oposição, mandou ver: “O governador está aqui como investigado”. Não! Estava lá como testemunha, teve de se corrigir, constrangido. Tinha levado nos bastidores um pito do PT, acusado de falta de dureza. Leiam agora o que informam Laryssa Borges e Gabriel Castro na VEJA Online. Vamos ver se vocês percebem algo de estranho. Volto em seguida.
*
Interceptações telefônicas da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, apontam que o contraventor Carlinhos Cachoeira era o real comprador da casa do governador Marconi Perillo (PSDB) em Goiânia. O teor dos grampos, já em poder da CPI, mostra que no dia 5 de maio de 2011, a então amante de Cachoeira, Andressa Mendonça, conversa com o bicheiro sobre a mansão. Nas interceptações, Cachoeira diz que precisará rasgar o contrato de compra do imóvel para apagar rastros de que ele é o verdadeiro proprietário da residência. Em entrevista ao site de VEJA na semana passada, Andressa negou relações de Cachoeira com o governador.

“Não quero meu nome não por causa dos depósitos que foram feitos, entendeu? Eu tinha botado o meu nome”, disse Cachoeira a Andressa. Em seguida, o contraventor explica: “[Preciso] passar o contrato que eu tenho para rasgar urgentemente, o contrato que eu tinha no meu nome”.

Na conversa, o empresário de jogos aponta um suposto laranja, identificado como Deca nas ligações, para apagar os vestígios de que ele seria o dono da casa. A Polícia Federal diz que Deca é André Teixeira Jorge, ex-funcionário da construtora Delta em Goiás e também ex-funcionário da empresa farmacêutica Vitapan, de propriedade de Cachoeira. Entre 2002 e 2006, informam documentos em poder da CPI, Deca fez 95 saques das contas da Vitapan.

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), está convencido de que Perillo mentiu ao tentar explicar a venda da casa. “O que fica evidente é que quem contratou o arquiteto foi o senhor Carlos Cachoeira, para fazer uma decoração vultuosa que custou mais de 500 000 reais. Quem contratou o arquiteto foi Carlos Cachoeira, para decorar a casa que lhe pertencia, que ele havia comprado do governador Marconi Perillo. Está evidente foi montada uma história da casa para negar a relação do governador com o senhor Carlos Cachoeira”, afirmou.

As incongruências sobre a venda da casa de Marconi Perillo têm sido repetidas por pessoas ligadas ao bicheiro. Em depoimento à CPI, no dia 24 de maio, o ex-vereador tucano Wladimir Garcez disse que em junho de 2011 pediu a mansão emprestada a Walter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão, empresário para quem o governador diz ter vendido o imóvel. “Emprestou essa casa e a Andressa foi ficando nessa casa”, disse Garcez na época. A versão, no entanto, contrasta com a conversa de Cachoeira e Andressa revelada nos grampos. Também o próprio Walter Paulo só teria comprado a casa um mês depois da versão do ex-vereador.

Diante das versões sobre a venda do imóvel, o relator da CPI suspeita que o empresário Walter Paulo, atual dono do imóvel, pode ter sido enganado: “A investigação está levando a crer que Walter Paulo comprou a casa de Carlos Cachoeira enganado pela organização. Fica claro que eles combinam de convencer Walter Paulo de que ele estava comprando diretamente do Marconi Perillo”, afirma o petista. O relator diz que, se o empresário mentiu, foi em relação ao preço do imóvel: “Paulo diz ter pago 1,4 milhão, mas as interceptações mostram que o imóvel teria sido negociado por 2 milhões”.

Odair diz que não necessariamente Perillo será novamente chamado a falar na CPI: “Nós vamos agora continuar buscando meios de provas para desmontar a história montada pelo governador Marconi Perillo”, diz o petista.

Voltei
Epa! Assim não!

Que fique claro de modo inequívoco: não estou aqui declarando a inocência de Perillo, não! Eu também acho que a venda dessa sua casa está mais cheia de voltas do que bolo de rolo. Mas vamos devagar aí! Há uma questão objetiva: ainda que Cachoeira fosse mesmo o comprador oculto da casa de Perillo, isso não significa, necessariamente, que o governador soubesse. “Ah, Reinaldo, não tente me enganar…”

Não tento, não! Escrevo para leitores que jamais se deixam enganar! Se querem saber, acho que, sendo verdade que Cachoeira era a mão que balançava o berço, seria muito difícil Perillo ignorá-lo num círculo tão restrito de pessoas. Mas cabe à CPI, ao senhor relator em especial, demonstrar isso, em vez de “chutar” isso.

O que é inaceitável — E É INACEITÁVEL PORQUE AGRIDE A NEUTRALIDADE DA INVESTIGAÇÃO E ATROPELA A INSTITUCIONALIDADE — é o relator afirmar que uma testemunha “mentiu”, antecipando conclusões e se comportando como juiz. Cunha não tem autoridade para tanto, não! Ao fazê-lo, tenta condicionar o comportamento dos demais membros da comissão. Pergunta-se: se essa é sua convicção já firmada, que importância tem o desenrolar da apuração? No seu tribunal pessoal, a sentença já está dada.

Não é assim que as coisas funcionam na democracia, não! Nós, as pessoas comuns, sem a autoridade conferida a um relator de CPI, podemos dizer isso e aquilo sobre o processo, os testemunhos, os relatos, as inquirições… Ele não pode.

2014
O que se comenta é que Cunha está de olho na sucessão ao governo de Minas em 2014. O PT pode fazê-lo candidato, já que seria uma cara nova, a surgir como tertius na briga eterna entre os grupos de Fernando Pimentel e Patrus Ananias. Decisões dessa natureza não são tomadas pelo PT de Minas, mas pela direção nacional do partido. Uma coisa é certa: Cunha foi convidado a ser mais incisivo, a ser mais, como direi?, “petista” no dia a dia. E ele está sendo. Ser “mais petista” quase sempre quer dizer atropelar o bom senso.

Se eu tivesse certeza de que Perillo não sabia da atuação de Cachoeira na compra da casa, eu escreveria isso aqui, ainda que o mundo desabasse sobre a minha cabeça — escrevi contra a pesquisa com células-tronco embrionárias, coisa bem mais polêmica, já que alguns querem que a salvação da humanidade está em jogo… Endossar, portanto, a versão de Perillo, se estivesse convencido dela, seria uma dificuldade muito menor. E também não dou bola para o latido dos ladrões da reputação alheia. Só não escrevo porque não estou.

Mas esse sou eu. Não sou relator da CPI. Cunha é. Afirmar, como fez, que Perillo mentiu, antecipando relatório e juízo, o que não lhe cabe, corresponde a perder autoridade para continuar na função. Até porque parece que esse mesmo relator se mostrou bastante satisfeito com o depoimento de seu correligionário, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Convenham: Perillo pode se atrapalhar para explicar como, e a quem, vendeu a sua casa. Agnelo não conseguiu explicar até agora como comprou a sua — justamente de um empresário que tinha negócios com a Anvisa, que ele dirigia.

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2012

às 16:19

Odair Cunha, relator, ausenta-se da Mesa, toma bronca do PT e volta para mostrar as garras e tentar tumultuar a CPI

Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI, deixou a mesa por algum tempo. Levou uma carraspana de petistas dos bastidores por sua postura supostamente cordata com o governador Marconi Perillo. Como escrevi nesta manhã, a ala heavy metal do PT, comandada por Lula e José Dirceu, quer a cabeça de Perillo para exibi-la na campanha eleitoral e para fazer frente ao noticiário do mensalão.

Muito bem, ao reassumir seu lugar na mesa, Cunha se atrapalhou todo no papel de falcão — ou de “Falcão”. Meteu os pés pelas mãos, defendeu a quebra de todos os sigilos do governador e, quase aos berros, afirmou que Perillo estava ali como “investigado”. Não estava! A questão não é política; é jurídica também: o governador de Goiás falava à comissão como testemunha.

Os oposicionistas, obviamente, levantaram-se da cadeira também aos berros, com o dedo em riste, para acusar a parcialidade do relator e seu papel como procurador dos interesses do petismo. O senador Vital do Rego, presidente da comissão, teve de restabelecer os fatos.

Por Reinaldo Azevedo

25/05/2012

às 3:45

PT e PMDB fazem pressão, e relator revê quebra de sigilo da Delta nacional

No Estadão:
Em sessão tumultuada, em que dois dos três depoentes optaram por ficar calados e em alguns momentos beirou a baixaria, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), deu sinais ontem de que desistiu de defender a imediata quebra de sigilo da Delta Construções em nível nacional.

 Acordo entre PT, PMDB e PSDB adiou para próxima terça-feira, dia 29, a votação de requerimentos com a abertura das contas da Delta e a convocação de três governadores supostamente envolvidos com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Cunha está sendo pressionado por PMDB e PT para poupar a empreiteira nas investigações e evitar a aprovação de requerimento a favor do fim do sigilo. Para voltar atrás, o relator argumentou que a Operação Saint-Michel, cujas apurações deverão chegar nos próximos dias à CPI, já abriu as contas da Delta nacional.

A Saint-Michel foi deflagrada pelo Ministério Público do DF, como continuidade da Operação Monte Carlo. “A Saint-Michel já fez a quebra de sigilo. Quero ver o que existe nessa operação”, disse Odair. “O papel da Delta deve ser investigado, mas com método e análise para fazer a quebra de sigilo.” Ele disse que analisará os autos da operação até terça-feira, dia da sessão administrativa da CPI. Só então decidirá se pedirá a quebra do sigilo.

Acordo entre lideranças do PT, PMDB e PSDB evitou a votação ontem de requerimento com a quebra de sigilo da Delta e de convocação de três governadores: o tucano Marconi Perillo, de Goiás; o petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, e do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral.

A estratégia dos governistas é tentar aprovar na terça apenas a convocação de Perillo. Requerimento de autoria do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), apoiado pela maioria da CPI, pede preferência para a votação da convocação de Perillo. Os aliados, sobretudo petistas, alegam que as provas de envolvimento de Perillo com Cachoeira são incontestáveis, daí a urgência para convocar o tucano. Agnelo e Cabral também são alvo de pedidos de convocação, mas estão sendo blindados porque a maioria da comissão é de partidos aliados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/05/2012

às 7:01

“CPI não vai blindar ninguém. Não há tema proibido”

Por Eugênia Lopes, no Estadão:
Relator da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) só terá acesso aos documentos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, a partir de segunda-feira. Daí a demora na convocação de autoridades supostamente envolvidas com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Mas o petista garante que a CPI não vai blindar ninguém.

O sr. é favorável à convocação dos governadores Marconi Perillo (GO), Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (RJ)?
Não há nenhuma preocupação em convocá-los ou não. Nós vamos tomar a decisão com base nas informações que nós tivermos dos inquéritos da Polícia Federal. Não vou fazer juízo sobre os governadores a partir de matérias jornalísticas. Quero deixar uma coisa clara: não há blindagem a ninguém. Não há tema proibido na CPMI. Nós vamos investigar a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira e quem se relacionou com ela. Todos os tentáculos dessa organização devem ser por nós investigados.

Por que o sr. não convocou o dono da Delta, Fernando Cavendish, nessa primeira fase da CPI?
Coloquei na primeira leva de convocados gente da Delta. A partir deste depoimento, das quebras de sigilo e da leitura dos inquéritos da Polícia Federal, ele e outros poderão ser convocados.

Mesmo depois de o procurador-geral, Roberto Gurgel, ter levantado a suspeita de que Cachoeira seria sócio oculto de Cavendish?
Na hora em que o procurador-geral da República nos encaminhar os documentos que motivaram a denúncia dele e eu tiver acesso aos documentos, eu farei juízo de valor. Estamos aguardando esse documento chegar à CPI.

O sr. pretende requisitar os documentos e relatórios de outras CPIs, como a dos Bingos?
As outras CPIs já cumpriram o seu papel.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2012

às 14:59

Odair Cunha será o relator da CPI do Cachoeira

Gabriel Castro e Luciana Marques, na VEJA Online:
O PT indicou o deputado Odair Cunha (MG) para ser o relator da CPI do Cachoeira na Câmara. Paulo Teixeira (SP) e Cândido Vaccarezza (SP) serão os outros titulares da legenda na Comissão Parlamentar de Inquérito. A decisão foi tomada em uma reunião da bancada, nesta segunda-feira. O partido, dono da maior bancada na Câmara, tem direito à escolha do relator graças ao critério da proporcionalidade.

Aos 35 anos, Odair Cunha está no terceiro mandato. Entre Vaccarezza, tido como mais moderado, e Teixeira, mais agressivo, a escolha de Cunha significa um meio-termo. Ele também é considerado um parlamentar ligado à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; a escolha é um sinal de que o Planalto pretende influir na condução da CPI.

“Odair é um parlamentar que, apesar de jovem está no terceiro mandato. Então a relatoria está em boas mãos”, disse nesta segunda-feira o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O parlamentar mineiro terá a missão de guiar o trabalho da CPI e apresentar, no fim, um relatório que apontará os crimes cometidos por agentes públicos ligados à quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Os deputados Doutor Rosinha (PR), Luiz Sérgio (RJ) e Sibá Machado (AC) devem ser os suplentes petistas na CPI. Com a indicação do PT na Câmara, faltam poucos nomes para que a lista de integrantes da comissão esteja completa. O prazo para as indicações se encerra na noite desta terça-feira. O PMDB escolheu o senador Vital do Rêgo para presidir a CPI.

Câmara:

PT – titulares: Odair Cunha (MG), Paulo Teixeira (SP) e Cândido Vaccarezza. Suplentes: Doutor Rosinha (PR), Luiz Sérgio (RJ) e Sibá Machado (AC)
PMDB – titulares: Luiz Pitiman (DF) e Íris de Araújo (GO). Faltam dois suplentes.
PSDB – titulares: Carlos Sampaio (SP) e Fernando Francischini (PR). Suplentes: Domingos Sávio (MG) e Rogério Marinho (RN)
DEM – titular: Onyx Lorenzoni (RS). Suplente: Mendonça Prado (SE)
PSB – titular: Paulo Foleto (ES). Suplente: Glauber Braga (RJ)
PTB – titular: Sílvio Costa (PE). Suplente: Arnaldo Faria de Sá (SP) 
PR – titular Maurício Quintela Lessa (AL). Suplente: Ronaldo Fonseca (DF)
PDT – titular: Miro Teixeira (RJ). Suplente: Vieira da Cunha (RS)
PSC – titular: Filipe Pereira (RJ). Suplente: Hugo Leal (RJ)
PPS – titular: Rubens Bueno (PR)
PV – suplente:Sarney Filho (MA)

Senado:

PSDB – titular: Alvaro Dias (PR). Suplentes: Cássio Cunha Lima (PB) e Aloysio Nunes Ferreira (SP)
PMDB – titulares: Vital do Rêgo Filho (PB), Romero Jucá (RR), Jarbas Vasconcelos (PE)*. Falta um suplente.
DEM – titular: Jayme Campos (MT)
PTB – titular: Fernando Collor (AL)
PDT – titular: Pedro Taques (MT). Suplente: Acir Gurgacz (RO)
PP – titular: Ciro Nogueira (PI)
PR – suplente: Vicentinho Alves (TO)
PSOL – suplente: Randolfe Rodrigues (AP)**

* Vaga cedida pelo PSDB
** Vaga cedida pelo DEM

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados