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Obama

25/08/2011

às 17:32

Questões de princípio. E a torcida fácil e óbvia dos tolos

Fui professor. Tenho paciência infinita com quem quer aprender. Fui e sou aluno. Tenho uma disposição insaciável para saber mais. Mas não tenho tempo para a burrice arrogante, que substitui os fatos pelos votos de bons princípios. Não é preciso ser muito esperto para ser contra as ditaduras. Mas já é preciso ter alguma inteligência e ter lido alguns livros para combatê-las sem ferir os princípios em nome dos quais elas estão sendo combatidas. É questão de método e de rigor intelectual.

Não venham alguns cretinos tentar me dar aula sobre as ditaduras árabes. É fácil fazer discurso contra Muammar Kadahafi, Bashar Al Assad ou Hosni Mubarak quando estão sendo combatidos por seus adversários internos. Quero ver é coragem para, por exemplo, contestar o vitimismo palestino que explode bombas em Israel e justifica seu gesto como expressão da revolta do oprimido. Que todos sejam favoráveis ao bem, ao belo e ao justo, convenham, não há grande novidade nisso. É possível que Gengis Khan não dissesse algo muito diferente sobre si mesmo. Hitler e Stálin não tinham outra coisa em mente que não uma humanidade ajustada, não é mesmo? Todos são favoráveis às boas intenções… Alguns matam milhões por isso!!!

Quando boa parte dos coleguinhas babava a sua satisfação com o Megalonanico do Itamaraty, eu estava na contramão. Não comecei a criticar as maluquices da política externa brasileira em 2009, mas em 2003, quando Celso Amorim, numa votação de jornalistas, foi considerado o melhor ministro, ao lado de Antonio Palocci… Aquele antiamericanismo chulé parecia, assim, uma coisa tão altiva, tão à altura das expectativas redentoras dos bobalhões!

A queda de Hosni Mubarak no Egito é, em si, uma boa notícia? Em si, é. Quando Hitler desmantelou a SA, do tarado Ernst Röhm, aquela era, em si, uma boa notícia. Não estou fazendo paralelo nenhum entre os dois eventos. Estou apenas destacando que, em história, “boas notícias” não existem em si; é preciso ver o que anunciam e prenunciam e analisar as circunstâncias em que se dão. Que Mubarak tenha caído, aplausos! Que terroristas palestinos passem pelo Sinai para ir praticar atentados em Israel, bem, eis um péssimo sinal. O mundo não é plano!

Bashar Al Assad é um carniceiro desprezível? É, sim! Também no caso sírio se revelam as desditas da política externa brasileira? Sim! Era perfeitamente possível fazer o discurso regulamentar, segundo o qual os sérios devem resolver seus próprios problemas, sem precisar ir lá bater papo com o sanguinário, como fez o Itamaraty. Mas eu quero saber, sim — é o dever de todo bípede que não tem o corpo coberto de pêlo ou penas — quem é que está mobilizado para depô-lo. Acreditam os idealistas que a democracia é uma idéia que está no éter e que toma corpo com o Facebook e o Twitter? Adiante! Não é a minha crença.

Sim, a queda de Kadafi é, em si, uma boa notícia, mas a participação da Jihad Islâmica — comprovada! — no movimento que o derrubou é uma péssima notícia. A queda de Kadafi é, em si, uma boa notícia? Sim, mas o prêmio por sua cabeça, instituído por um governo que ainda nem se consolidou, é uma péssima notícia. Trata-se do prenúncio de um método. Se é democracia o que se quer por lá, o tirano tem de ser entregue ao Tribunal Penal Internacional. Eu não lido com a morte, mas com a vida. Questão de princípio — e, se quiserem, de fé também. Não tenho vergonha da minha fé. Eu me orgulho dela.

Otan, ONU, Obama e outros
É puro obscurantismo das supostas luzes ignorar que Barack Obama, David Cameron e a Otan jogaram no lixo a resolução da ONU, mesmo aquela, redigida numa linguagem  cheia de intenções subterrâneas, o que, em si, já é uma lástima. Nenhum deles tinha mandato para entrar na guerra civil e atuar em favor de um dos lados do conflito. E eles o fizeram. Nenhum deles tinha mandato para fornecer armas aos rebeldes. E eles forneceram. Nenhum deles tinha mandato para tentar matar Kadafi. E eles tentaram. Eu estou com pena daquele vagabundo? Não! Eu estou com pena das instituições! O tirano apanhava aqui quando se abraçava a Lula, sob o silêncio cúmplice de alguns entusiastas de agora da “democracia na Líbia”.

Eu quero que gente como Kadafi vá para o diabo que a carregue porque quero um mundo organizado segundo regras, não segundo o triunfo da vontade de quem pode mais — numa vila ou no Planeta. Não reconheço aos senhores Barack Obama ou David Cameron o direito de violar uma resolução da ONU porque o objetivo da ação da Líbia era combater um notório violador de qualquer princípio civilizado. Ou não era isso? Este escriba reconhecer ou não o direito da dupla é irrelevante na ordem das coisas, sei bem. Não se trata de uma decisão com desdobramento prático. É só uma questão de princípio.

E também deploro a má consciência desses iluministas de meia-tigela. Quando Bush invadiu o Iraque, teve início uma grita que não cessou até hoje. Atribuem-se as atuais dificuldades dos EUA ainda àquela guerra, o que é, para dizer pouco, uma afirmação estúpida. “Bush invadiu o Iraque ao arrepio da ONU”. A ONU não tinha votado resolução nenhuma — e, ao menos, o “odiado” presidente não pode ser acusado de ter violado um mandato conferido pela organização. Obama violou. O republicano foi à guerra com autorização do Congresso; Obama se dispensou de pedi-la.

Alguém duvida que um republicano qualquer, se estivesse no lugar de Obama, estaria apanhando como um cão sarnento? E que se note: do jornalismo, nem cobrei a crítica a Obama ou a especulação sobre os riscos de os EUA entrarem numa guerra civil ao lado da Jihad Islâmica. Cobrei apenas a informação, para o arbítrio dos leitores, de que a Otan, sob o patrocínio de Obama e Cameron, DESRESPEITOU A RESOLUÇÃO DA ONU.

Isso é tão certo quanto dois e dois são quatro. E nem por isso Kadafi deixa de ser um tirano asqueroso, que merece terminar seus dias na cadeia. Eu acho que o fim do ditador pode conviver com a verdade.

PS - Uns bobocas estão dizendo que a minha opinião se parece com a de Chávez. É coisa de gente estúpida, que ignora o que pensa o bandoleiro e o que penso. Mas atenção! Ainda que houvesse uma coincidência nesse particular (não há), eu não mudaria de opinião por isso. Chávez não está entre as minhas referências. Eu jamais levo em consideração o que ele pensa ou deixa de pensar. Quem primeiro avalia a opção de seus inimigos ou adversários para depois fazer a sua escolha se torna refém daqueles a quem repudia. Eu faço este blog porque sou livre e porque tenho leitores igualmente livres. E até envio um último recado: recomendo aos que  têm a ambição de me combater que parem com a tolice de sempre tentar dizer o contrário do que digo. Libertem-se de mim! Passem a ter vida própria.

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2011

às 14:37

Mas que diabo há com os jornalistas, que se mostram incapazes de dizer a verdade sobre a Líbia?

Qual é o nosso problema — dos jornalistas — aqui e Ocidente afora? Por que não dar às coisas o nome que elas têm? Quem não está contente com a queda de Muammar Kadafi? Tipos como Hugo Chávez, Raúl Castro e, suponho, pela proximidade exibida em tempos recentes, Luiz Inácio Apedeuta da Silva, Marco Aurélio Garcia e o megalonanico Celso Amorim. O trio brasileiro chamou de “independência” da política externa a cumplicidade com ditadores. E continua a fazer o mesmo em relação à Síria de Bashar Al Assad. Não se esqueçam de que petistas assinaram uma espécie de termo de cooperação com o partido Baath, de Assad. Que cooperação? Sei lá eu. Perguntem àqueles patriotas.

Pois bem. Uma coisa é recusar a proximidade com esses canalhas e votar contra eles na ONU — o que o Brasil não fez; muito pelo contrário. Outra, diferente, é deixar de reconhecer a penca de ilegalidades cometidas pelos governos Obama e Cameron — e depois pela Otan, sob inspiração de ambos — para depor Kadafi. Deixar de apontá-la é um desserviço à verdade, à inteligência e à maioridade do leitor. Fica parecendo que este é incapaz de fazer um julgamento isento e equilibrado. Também é covardia intelectual, um dos piores defeitos que pode atingir um jornalista.

A resolução do ONU (íntegra aqui), arranjada pelos EUA, é, de fato muito interessante. Cobra um cessar-fogo de Kadafi, mas não diz nada sobre os “rebeldes”. Estes, por acaso, nunca ameaçaram civis?  Foi redigida numa linguagem rebarbativa o bastante para permitir quase qualquer coisa. Afinal, está lá, todos os esforços serão feitos para proteger a população. “Todos?” Quais? A Otan operou em parceria com os ditos rebeldes. Bombardeios aéreos antecediam os avanços por terra. Mais: sabe-se agora que a organização entregou armas aos rebelados. Não tinha autorização para fazer nem uma coisa nem outra. Quando a casa de Kadafi foi atacada, na suposição de que era um alvo militar, o objetivo era assassiná-lo, o que também não está na resolução.

O fato de Kadafi ser um vagabundo desprezível não nos deve impedir de ver os fatos e de reconhecer que se está promovendo o baguncismo na ONU. E seu grande promotor, no momento, chama-se Barack Obama — sem querer deixar chocado o Arnaldo Jabor, claro! —, que, de resto, empreendeu uma guerra contra o então governo reconhecido da Líbia sem autorização do Congresso. George W. Bush, a besta de plantão dos politicamente corretos, não teria chegado tão longe.

E este é o outro elemento de fundo a ser considerado nessa história toda: tirem Obama do comando de uma guerra — que será usada na eleição do ano que vem — e coloquem lá um republicano qualquer, e a grita estaria organizada em escala mundial: “Unilateralista! Autoritário! Imperialista!”. Como é Obama, então não se protesta. O princípio é o seguinte: certas ações são aceitáveis ou inaceitáveis a depender de quem as pratique; alguns teriam licença para violar resoluções da ONU; outros não!

Não, senhores! A minha opinião não é a mesma dos celerados que têm tomado contra do Itamaraty nos últimos anos. Eu não acho que, em nome da autodeterminação dos povos, deve-se permitir que facínoras tiranizem o povo, sem qualquer protesto ou reação. O que acho é que uma resolução das Nações Unidas tem de ser cumprida pelas potências. Afinal, Kadafi está indo para a lata de lixo porque incapaz de viver num mundo civilizado.

Não reconhecer as óbvias violações cometidas por EUA, Grã-Bretanha e Otan é fazer pouco da inteligência alheia. E para encerrar por enquanto: da forma como as coisas se deram, esses entes se tornam responsáveis pelo futuro governo da Líbia. Não se poderá dizer desta feita: “Agora os nativos decidem seu próprio destino!” Uma ova! Quem entra em um dos lados de uma guerra civil e decide o vitorioso da batalha está se tornando co-responsável pelo governo.

Os EUA estão agora no governo da Líbia. Vamos ver o que vão fazer por lá.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2011

às 5:45

Obama pede pela 1ª vez saída de Assad

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Cinco meses após o início da repressão do regime de Damasco a manifestantes da oposição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Bashar Assad que deixe o poder na Síria. França, Alemanha e Grã-Bretanha também publicaram um comunicado conjunto pedindo a saída do presidente sírio.

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navy Pillay, recomendou ontem pessoalmente ao Conselho de Segurança que o organismo peça ao Tribunal Penal Internacional que investigue Assad e outras autoridades sírias por crimes contra a humanidade. O CS também debateu o relatório sobre a Síria em reunião ontem em Nova York (mais informações na pág. 16)

“Seus apelos por uma reforma e diálogo não chegaram a lugar nenhum. Ao mesmo tempo, ele (Assad) continuou prendendo, torturando e matando o seu povo. Para o bem do povo sírio, chegou o momento de Assad afastar-se”, disse Obama ao exigir, pela primeiro vez, que o líder do regime em Damasco deixe o poder.

Além da declaração, Obama assinou uma ordem executiva “congelando todos os bens do governo sírio sob jurisdição americana e proibiu cidadãos americanos de realizar transações com o governo sírio ou de investir naquele país”, disse a secretária de Estado, Hillary Clinton. Segundo ela, “essas ações atingem o coração do regime ao banir também a importação de petróleo e seus derivados da Síria”.

Os americanos, que há anos impõem uma série de outras sanções unilaterais à Síria, possuem pouco peso na economia síria e tentam convencer seus aliados europeus a suspender a compra de petróleo desse país árabe.

Os principais países europeus coordenaram com os EUA o pedido para a saída do líder sírio. “Acreditamos que Assad, ao apelar para uma força militar brutal contra o seu povo e por ser o responsável pela situação, perdeu legitimidade e não pode mais reivindicar a liderança do país. Diante da completa rejeição do regime pelo povo sírio, pedimos a ele (Assad) que se afaste atendendo aos melhores interesses da Síria”, disseram em um comunicado os líderes de Grã-Bretanha, França e Alemanha. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/08/2011

às 22:20

Obama, o boquirroto

E o Obama, hein? Os EUA no buraco, e o presidente se comporta como candidato e decide sair em caravana. Até aí, dirá alguém, é do jogo. Mas  foi além. Segundo ele, “não há nada de errado com os EUA; o problema são os políticos”. O discurso, na sua literalidade, é fascistóide. Na circunstância, é só uma irresponsabilidade. Segundo a Gallup, sua popularidade atingiu o ponto mais baixo desde que é presidente: ele é aprovado por apenas 39% dos americanos.

Voltarei ao tema mais tarde.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2011

às 5:49

Obama propõe corte de impostos e pacote de obras contra crise

Por Luciana Coelho, na Folha:
O presidente Barack Obama escolheu uma fábrica em Michigan para fazer seu discurso mais assertivo desde que a crise econômica nos EUA se agravou, prometendo medidas semanais para criar empregos e “pôr dinheiro nos bolsos dos americanos”. O rompante de populismo -ele se distanciou da “política de Washington” e apelou para o patriotismo- vem no momento em que os mercados pedem ação para evitar outra recessão e as expectativas da população em relação ao futuro da economia dos EUA despencam. Ontem, Obama disse que proporá a extensão de cortes do Imposto de Renda na fonte para a classe média, que expiram neste ano, e de benefícios para desempregados -economistas temem que o fim dos estímulos federais piore o quadro econômico.

O democrata também exortou o eleitorado a pressionar o Congresso para aprovar acordos de livre-comércio que estimulem a exportação e propôs um programa de construção de estradas.  Pesquisa do “New York Times” mostra que o desemprego, em 9,1%, é a prioridade para 70% da população. A mudança de tom e a tentativa de elevar o moral da plateia ficaram claras na visita a uma fábrica de baterias. “Não existe país que não queira trocar de lugar conosco”, disse. “Não há nada errado com nosso país. Mas há com nossa política.”

FRUSTRADO
O presidente voltou a culpar a oposição pelo fracasso em fechar um pacote fiscal eficaz para conter a dívida pública e, em um aceno à ala à esquerda, enfatizou que essa falha suga recursos e margem política para medidas de estímulo ao crescimento. Obama, que perde popularidade, tem sido bombardeado pela oposição e pela base progressista por sua lentidão em agir e inépcia em se comunicar com a população. O discurso de ontem, porém, fez lembrar o político em campanha em 2008 e dois de seus antecessores democratas muito mais hábeis em se equilibrar entre o público e as contas, Bill Clinton e Franklin D. Roosevelt. “[A crise da dívida] não ocorreu porque não podemos pagar as contas, mas porque Washington é incapaz de resolver problemas.” E subiu a voz: “Por isso as pessoas estão frustradas. Por isso eu estou frustrado”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2011

às 5:47

Obama sai de férias em meio a crise e atrai críticas

Por Luciana Coelho, na Folha:
Diante do que ameaça se transformar em um segundo mergulho dos EUA na recessão, dificuldades com o Congresso, insatisfação popular e críticas da direita e da esquerda pela falta de presença de espírito para lidar com os problemas, Barack Obama decidiu tirar férias. O anúncio engrossou o coro de críticas na mídia ontem contra a falta de presença de espírito do presidente. Na véspera, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, confirmara que Obama planeja passar uma semana em Martha’s Vineyard, um balneário de luxo em Massachusetts, no fim de agosto.  “Não acho que o público vá se ressentir de o presidente querer passar um tempo com a família”, disse Carney, ressalvando que ele continuará trabalhando.A popularidade de Obama atingiu o pico de baixa neste mês, 40% pelo Gallup.

A oposição usa a crise para propagar a ideia de que falta pulso ao presidente, mas essa imagem tem sido evocada com mais frequência por correligionários e comentaristas progressistas. “A incapacidade dele de pegar em um microfone e espontaneamente dirimir os medos dos americanos é esquisita”, escreveu Maureen Dowd, do “New York Times”.  No fim de semana passado, após os EUA terem sua nota rebaixada pela primeira vez por uma agência de avaliação de risco e perderem 30 soldados em um ataque no Afeganistão, Obama passou o fim de semana em retiro. Antes de ir à praia, o presidente fará uma turnê pelo Meio-Oeste do país, duramente afetado pela crise.

Por Reinaldo Azevedo

02/08/2011

às 17:26

O que disse um extremista de direita dos EUA em 2006. Vocês têm de ler!

Em 2006, o governo do republicano George W. Bush também precisava aumentar o limite do envididamento. Como os democratas nos ensinaram de modo dramático neste 2011, ou aumentava, ou sobreviria o caos. E ninguém pode ser tão irresponsável a ponto de dizer “não”, certo? Leiam, no entanto, o que disse um senador extremista naquele ano, num discurso do dia 20 de março.

“O fato de estarmos aqui hoje para aumentar o limite da dívida da América é um sinal de falha da liderança. É um sinal de que o governo dos EUA não pode pagar suas próprias contas. É um sinal de que agora dependem da ajuda financeira de países estrangeiros para financiar a política fiscal irresponsável do nosso governo. Aumentar o limite de endividamento da América nos enfraquece nacional e internacionalmente. Liderança significa dizer ‘the buck stops here‘. Em vez disso, Washington está transferindo para as costas de nossos filhos e netos as responsabilidades das más escolhas de agora. A América tem um problema com a dívida e uma liderança fraca. A América merece mais.”

“The buck stops here” é uma derivação, de sentido oposto, da expressão “to pass the buck”, que é transferir responsabilidades. Harry Truman tinha sobre a sua mesa uma plaquinha com aquela inscrição. Significa algo assim: “É aqui que se decide”. Ou: “Daqui não passa”. Ou: “Cabe a mim decidir”. Ou: “Não há desculpa para não agir”. Ou: “Não sou o Guido Mantega”.

O trecho do discurso está reproduzido no site da National Review. Muito bem! O senador em questão não se importava em, vamos dizer assim, criar certas turbulências no presente, desde que fosse para preservar o futuro dos “filhos e netos” da América. E fazia esta coisa hedionda que a gente notou, desta feita, nos republicanos (que gente horrível!!!), que é usar o endividamento para acusar a “falha da liderança”.

Quem era o gajo? Barack Obama, senador democrata por Illinois! Dois anos depois, ele se elegeu presidente dos EUA. Melhor que tenha sido voto vencido em 2006, né? Ele poderia, agora, ter feito ao menos uma espécie de “mea culpa”…

Lula uma vez se ofereceu para dar algumas instruções ao Apedeuta harvardiano deles. Queria ensinar ao outro a “Teoria da Bravata”. É bem verdade que Obama tem pouco a aprender nessa área, certo?

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2011

às 5:59

Obama anuncia acordo bipartidário que impede o calote

Huuummm… Parece que não será desta vez que o mundo vai acabar. Obama anunciou no fim da noite de ontem um acordo entre os Democratas e os Republicanos para elevar o teto da dívida. Melhor assim, né? Já havia “progressistas” pedindo algo assim como um golpe de estado ou, sei lá, que o Partido Republicano fosse declarado ilegal. Com o acordo, quem sabe recobrem a boa-fé democrática…Leiam o que informa Luciana Coelho, na Folha.

Na antevéspera do prazo fatal para evitar um calote, o presidente Barack Obama anunciou ontem um acordo bipartidário para enxugar US$ 1 trilhão do Orçamento dos EUA nos próximos dez anos e elevar o teto do endividamento público do país. O pacote, que precisa ser votado até amanhã pelo Congresso, fica aquém de expectativas iniciais de redução de US$ 3 trihões -valor que ainda poderá ser atingido numa segunda fase de cortes. Mas põe fim a quase um mês de impasse que enervou população e mercados. “Ainda faltam votos importantes, mas os líderes republicano e democrata, na Câmara e no Senado, chegaram a um acordo para evitar um calote”, anunciou Obama às 20h40 de domingo (21h40 em Brasília).

O presidente deu poucos detalhes do pacote e não dirimiu diversas dúvidas. Ele garantiu a elevação do teto da dívida, hoje em US$ 14,3 tri, sem dizer em quanto. Em versões anteriores do plano, esse aumento era de US$ 2,4 trilhões, mais que o PIB do Brasil, o que asseguraria autorização para o governo tomar dinheiro emprestado até o final de 2012. Obama também anunciou a criação de uma comissão bipartidária que vai propor novos cortes de gastos até novembro. Nessa etapa futura, afirmou o presidente, “todas as alternativas estarão na mesa” -inclusive a reforma de programas sociais do governo, como exige a oposição, e o fim dos cortes de impostos para as classes mais altas iniciados por George W. Bush, como insiste Obama.

“Com esse acordo, chegaremos ao menor nível de gastos domésticos desde a Presidência de [Dwight] Eisenhower [1953-61]“, afirmou. O presidente admitiu que não era o acordo ideal. “Tomamos cuidado para que os cortes não sejam abruptos, para não afetar a recuperação econômica.” Parecendo cansado, Obama agradeceu aos líderes dos partidos e ao eleitorado, que respondeu durante a semana a seu chamado para pressionar o Congresso. “Foram a voz, os e-mails, os tuítes de vocês que permitiram isso.” Legisladores de ambos os lados ainda trabalham em detalhes do novo pacote, e não estava claro quais os programas serão afetados.

Uma preocupação dos republicanos é limitar os cortes na Defesa. O Pentágono consome US$ 1 em cada US$ 5 gastos pelo país, e responde por mais de 40% dos gastos militares mundiais. Amanhã, expira a autoridade do governo dos EUA para tomar empréstimos, e o Tesouro advertira que não teria caixa para pagar todas as suas contas no mês se o Congresso não votasse a ampliação do teto da dívida. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

30/07/2011

às 6:25

Obama é um fiasco e está preparado para presidir o Findomundistão!

Há coisas que têm tudo para dar errado e que, vejam vocês, dão! É o caso de Barack Obama nos EUA. O que sempre pensei a respeito deste senhor está nos arquivos. Sempre vi nele o traço inconfundível de um populista do Terceiro Mundo. É claro que isso nada tem a ver com a sua cor ou origem, mas com os seus métodos. Achava detestável sua mania de se referir a “Washington” como o lugar da picaretagem, como se ele não fosse, afinal, alguém de… Washington! No Brasil, Lula atacava — e ataca ainda — as “elites”.

Ambos têm histórias, origens e formações muito distintas. Mas algo os reúne de maneira inegável: não estão nem aí para as instituições; acreditam que uma de suas tarefas é atropelá-las. E as atropelam. Obama, só para citar um caso, foi à guerra contra a Líbia sem pedir autorização para o Congresso e, na prática, jogou no lixo os termos da resolução da ONU que autorizava a ação naquele país. Sim, ele acha que pode.

Nego-me a discutir a questão estúpida sobre se a crise é ou não herança do governo Bush. Deixo isso para o Arnaldo Jabor. Essa é outra marca da mentalidade tacanha terceiro-mundista. Quem se apresenta como candidato e se dispõe a ganhar uma eleição está afirmando que sabe como resolver o impasse — se há um. Se o governo Bush tivesse sido um espetáculo, Obama não teria sido eleito. É simples assim. E ele se tornou presidente justamente porque o outro se deu mal. O que lhe garantiu a ascensão não pode ser fonte permanente de desculpa para o seu insucesso. É uma questão óbvia, de lógica elementar.

Os republicanos não fizeram sozinhos a crise sobre o limite do endividamento. Aliás, Obama passou dois anos com maioria nas duas Casas. Foram os seus apoiadores que ajudaram a extrapolar o limite de gastos. E, numa democracia, ele tem de negociar com o Congresso — quem lhe tirou a maioria na Câmara foi o eleitorado, não uma conspiração. Não gostam do Tea Party, é? Troquem o eleitorado americano, então!!! Ou ele é legítimo quando elege Obama, mas ilegítimo quando dá mandatos à direita republicana? Tenham a santa paciência!

Obama transformou os EUA no Findomundistão, um paiseco ridículo, em que o presidente da República se comporta como um propagandista vulgar. Em meio a uma das maiores crises da história recente dos EUA, sabem o que fez o homem ontem? Um tuitaço, jogando a população contra o Congresso. Ou melhor: tentando incitar as massas contra os republicanos. Leiam este trecho de reportagem da Folha:
Ontem, o twitter @BarackObama, mantido pela campanha de 2012, passou a tarde listando contatos de republicanos que os eleitores deveriam pressionar a ceder.
A primeira mensagem foi enviada pelo próprio presidente, que assina como “BO”: “A hora de pôr o partido em primeiro plano acabou.
Se você quer ver um acordo (#compromise) bipartidário, diga ao Congresso. Ligue. Mande e-mail. Tuíte”.

Você entenderam direito: o endereço criado para a campanha presidencial do ano que vem foi usado para insuflar os americanos contra os republicanos. Isso tudo porque, afinal, o presidente quer se apresentar como um magistrado!!! Num de seus milionésimos pronunciamentos na TV, referindo-se ao plano dos republicanos, aprovado na Câmara e depois rejeitado no Senado, afirmou: “Esse plano nos forçará a reviver essa crise em poucos meses, mantendo nossa economia cativa da politicagem de Washington outra vez”. O homem que usa o seu Twitter de candidato para pressionar em favor de uma questão que interessa ao presidente ataca a “politicagem” de Washington… Ele, afinal de contas, faz o quê?

A verdade insofismável é que Obama é ruim de doer; trata-se de uma dos mais vistosos fiascos da história política dos EUA. Ontem, irritados com a pressão, nada menos de 37 mil seguidores do presidente no Twitter resolveram desertar. Perceberam que estavam sendo vítimas de uma espécie de assédio — e que Obama, afinal, está molestando as instituições do país. Não por acaso, hoje seu governo é aprovado apenas por 40% dos americanos.

O homem pode até vir a ser reeleito — como mais um sintoma da crise, diga-se. Os republicanos, por enquanto, parecem não ter uma alternativa sólida. Um presidente dos EUA, diante de um caso dessa gravidade, senta para negociar com o Congresso em vez de sacar do bolso o BlackBerry… Foi eleito para governar o país mais importante do mundo e se comporta como um tuitero do Findomundistão… É patético! E ridículo! É perigoso!

Um colunista da Folha Online, mandaram-me o link, comparou a situação dos EUA à estabilidade brasileira e concluiu que o que falta ao presidente americano, acreditem ou não, é um PMDB! Essa sabedoria convencional, que vê no partido um, digamos assim, monumento à fisiologia e ao troca-troca, é só uma visão reacionária de mundo. O PMDB seria, segundo entendi, o grande fator de estabilidade do Brasil. O PR também, claro…

É, vai ver é isto mesmo: a política americana anda muito ideologizada, né, gente? Faltam alguns larápios para fazer a moderação, cobrando o devido pedágio…

O mundo é bárbaro.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2011

às 19:47

Câmara dos EUA aprova novo plano republicano para evitar calote

Do G1. Comento no próximo post.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (29), por 218 votos a favor e 210 contra, o projeto do lider republicano John Boehner para reduzir o déficit orçamentário do país e elevar o limite de endividamento do governo federal, a poucos dias da data final estipulada pelo Departamento do Tesouro norte-americano para que esse assunto estivesse resolvido.

Os republicanos planejavam levar o plano ao plenário na quinta-feira, mas a votação foi adiada porque se temia que não haveria votos suficientes para aprovar as medidas. Um primeiro plano republicano para reduzir o déficit havia sido aprovado na Câmara no início da semana, mas foi rejeitado no Senado, de maioria democrata, onde não chegou nem a ir a votação.

A nova versão do projeto de Boehner, feita para atrair votos conservadores e votada nesta sexta, condiciona uma futura elevação do teto da dívida à aprovação de emenda constitucional determinando que o governo federal equilibre seu orçamento antes de um novo aumento no teto da dívida, atualmente em US$ 14,29 trilhões - valor máximo estabelecido por lei.

Mais cedo nesta sexta, o presidente Barack Obama disse que qualquer solução para o impasse precisa ser conseguida pelos dois partidos.

Corrida contra o tempo
O governo dos Estados Unidos está correndo contra o tempo para não colocar em risco sua credibilidade de bom pagador. Se até o dia 2 de agosto o Congresso não ampliar o limite de dívida pública permitido ao governo, os EUA podem ficar sem dinheiro para pagar suas dívidas: ou seja, há risco de calote - que seria o primeiro da história americana.

A elevação do teto da dívida permitiria ao país pegar novos empréstimos e cumprir com pagamentos obrigatórios.

O projeto votado nesta sexta eleva o limite da dívida em US$ 900 bilhões, o que seria suficiente para que o governo dos EUA continuasse a funcionar até fevereiro ou março de 2012, e reduziria o déficit do governo em US$ 917 bilhões ao longo de dez anos. Ele também estabelece um comitê de legisladores que estudaria o Orçamento federal em busca de pelo menos US$ 1,8 trilhão adicional em redução do déficit.

Após a aprovação na Câmara, onde os republicanos têm maioria, o projeto será encaminhado ao Senado, dominado pelo Partido Democrata, do presidente Barack Obama. O projeto não deve passar no Senado, onde o líder da maioria, senador Harry Reid (democrata/Nevada), já apresentou seu próprio projeto de elevação do limite da dívida. Os democratas, que controlam o Senado, querem um plano de longo prazo, que eleve o teto da dívida em US$ 2,5 trilhões e corte US$ 2,2 bilhões de gastos.

Por Reinaldo Azevedo

29/07/2011

às 5:31

EUA - Republicanos tentam votar hoje uma proposta contra default

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O Congresso dos Estados Unidos mostrava-se ontem dividido e incapaz de aprovar um plano de consenso para aumentar o teto da dívida pública, hoje de US$ 14,3 trilhões, e evitar a suspensão dos pagamentos federais. O prazo para que os parlamentares cheguem a um acordo expira na próxima terça-feira.

Desafiado pela ala da direita radical do Partido Republicano e sem os 218 votos necessários, o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, suspendeu a apresentação de sua proposta ao plenário no fim da tarde. Até o fechamento desta edição, a votação não havia começado.

O nervosismo era visível em cada trincheira. Ao longo do dia, frases típicas de filmes de cowboy, comparações a criaturas literárias, ameaças de Papai Noel magro neste ano e até coalizão no baixo clero emergiram do Parlamento dos EUA e da Casa Branca. Mas nem mesmo um acordo entre os republicanos da Câmara se mostrou factível. Boehner precisava de apenas dois votos para a aprovação de sua proposta quando decidiu suspender a votação. Os dois votos republicanos não sairiam facilmente.

Mesmo aprovado, o projeto estava ameaçado de morte rápida, ao ser remetido ao Senado. “Assim que a Câmara completar sua votação nesta noite (ontem), o Senado vai se mover para matar essa proposta. Ela será derrotada”, declarou o senador Harry Reid, líder da maioria democrata e autor de uma proposta alternativa com bênção da Casa Branca. “Nenhum democrata votará por um “band-aid” de curto prazo, que deixaria nossa economia em risco e colocaria a nação de novo nessa indefensável situação.”

Reid referia-se ao aumento de apenas US$ 1 trilhão no teto da dívida, previsto no projeto de Boehner. O valor daria apenas para o governo aguentar até o fim deste ano, quando teria de voltar a negociar com o Congresso.

Na proposta de Reid, guardada para orientar prováveis negociações neste fim de semana, esse aumento seria de US$ 2,4 trilhões e daria tranquilidade para o presidente dos EUA, Barack Obama, atravessar 2012, ano de sua campanha para a reeleição.

Pressão. Durante todo o dia, a direita radical republicana, conhecida por Tea Party, pressionou Boehner a aumentar o valor do corte de gastos públicos - de US$ 850 bilhões, em sua proposta. Ele ofereceu US$ 900 bilhões e recebeu o apoio declarado de apenas 12 novos deputados republicanos, todos do baixo clero.

Trapalhadas complicaram o debate entre os republicanos. O senador John McCain, candidato à presidência em 2008, atacou o Tea Party por resistir a apoiar a proposta do presidente da Câmara. Valendo-se de crítica do Wall Street Journal à ingenuidade desses ultraconservadores, McCain os chamou de “hobbits”, as criaturas fantasiosas do escritor J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis.

“Prefiro ser um hobbit do que um troll”, reagiu o enfurecido deputado Rand Paul, do Tea Party, em alusão também a outros personagens de Tolkien. “Acho que os hobbits são heróis. Ele enfrentaram grandes obstáculos.”

Enquanto esperava pela batalha no Congresso, Barack Obama manteve-se recluso e silencioso. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, reiterou que a data-limite para a elevação do teto da dívida não será adiada. Sem indicar flexibilidade do governo, deixou claro que um compromisso razoável deverá incluir cortes de gastos e aumento de impostos, para os próximos dez anos, e uma elevação generosa do teto da dívida, para impedir nova ameaça de suspensão de pagamentos no fim deste ano. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2011

às 19:46

Os EUA e o default - Votação de plano republicano para aumento de teto da dívida é suspenso

No Estadão Online, com informações da  Dow Jones:
Os líderes democratas da Câmara dos Representantes dos EUA disseram aos congressistas do partido que a votação sobre o plano republicano para reduzir o déficit orçamentário e aumentar o teto da dívida do governo federal foi adiada. Um representante do Partido Republicano confirmou a informação, acrescentando que a votação acontecerá hoje, porém mais tarde do que o horário inicialmente previsto.

Originalmente, a votação da Câmara deveria ocorrer por volta das 19h (de Brasília) e, caso projeto fosse aprovado, seguiria para o Senado. Segundo o líder do Senado, Harry Reid, os senadores devem agir imediatamente para bloquear a lei. “Assim que a Câmara concluir a votação, o Senado irá organizar-se para apreciar a proposta e a mesma será bloqueada esta noite”, disse ele em nota.

Os democratas do Senado precisam de uma maioria de 51 votos para bloquear a lei. Todos os 51 senadores democratas e dois independentes já disseram não darão apoio à medida. “Nenhum democrata irá votar a favor desse curativo de curto prazo, que colocará nossa economia em risco e a nação em uma situação indefensável em poucos meses”, disse Reid.

O plano republicano prevê dois aumentos no teto da dívida norte-americana. O primeiro, de US$ 900 bilhões, ocorreria imediatamente após a aprovação do projeto e teria como contrapartida a adoção de medidas para reduzir o rombo nas contas do governo em US$ 917 bilhões ao longo da próxima década. O segundo aumento seria de até US$ 1,6 trilhão e ocorreria em 2012, mas somente se os congressistas concordassem em cortar os gastos federais em mais US$ 1,8 trilhão.

O presidente dos EUA, Barack Obama, quer que o Congresso eleve o limite de endividamento apenas uma vez, de forma que não haja necessidade de debater esse assunto novamente ao longo de 2012, ano de eleições no país.

O deputado republicano John Boehner, que preside a Câmara dos Representantes, está tentando obter um número de votos suficiente para aprovar o projeto. A maioria dos deputados é republicana, mas alguns discordam do plano. Os democratas, que são minoria na Câmara, devem votar em bloco contra o projeto de lei.

“Nós absolutamente precisamos evitar a crise iminente que poderia forçar o governo dos EUA a um default e colocar nossa economia numa espiral de queda”, disse o presidente do Comitê de Regulações da Câmara, o republicano David Dreier, no início do debate. “Não podemos e não faremos isso de forma a criar uma crise ainda maior no futuro.”

Já o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, disse que “os republicanos não podem aprovar o curativo de curto prazo na Câmara hoje” e afirmou que a ala mais conservadora do Partido Republicano está “mantendo a economia como refém”.

O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnel, respondeu às críticas de Reid, dizendo ser “inconcebível que eles efetivamente bloqueiem o único projeto de lei que pode passar pela Câmara e evitar um default no momento”.

Votos
O número de votos que o líder da Câmara dos Representantes dos EUA, John Boehner, precisa para aprovar seu plano para a dívida norte-americana caiu em um voto para 216 votos, em consequência da ausência de dois legisladores democratas.

Maurice Hinchey, democrata de Nova York, recupera-se de uma cirurgia e a democrata do Arizona, Gabrielle Giffords, também recupera-se de um acidente ocorrido em janeiro.

Em consequência da ausência dos dois, do corpo legislativo de 435 pessoas, e das duas cadeiras vagas, Boehner necessita agora de 216, ao invés de 217, votos para ver seu projeto de lei aprovado.

A ausência desses dois votos torna um pouco mais fácil aos republicanos conseguir apoio necessário para uma votação que se espera termine com um placar bastante apertado.

“Teatro político”
Nesta quinta-feira, 28, a Casa Branca disse considerar o plano para a dívida e o déficit dos EUA apresentado pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, um teatro político que não tem chance de ser aprovado pelo Senado. “Não há dúvidas de que esse projeto é um ato político”, disse Jay Carney, secretário de imprensa da Casa Branca.

Segundo Carney, o plano “não irá a lugar algum no Senado dos EUA”. “Por isso precisamos começar a fazer coisas que realmente podemos aprovar nas duas Casas e transformar em lei”, acrescentou. A Câmara deverá votar hoje o plano de Boehner, que prevê um corte no déficit e uma elevação no teto da dívida por cerca de seis meses.

O plano revisado do republicano prevê a redução dos déficits dos EUA em US$ 917 bilhões nos próximos 10 anos, segundo um novo cálculo Escritório de Orçamento do Congresso (COB, na sigla em inglês). Com isso, os cortes previstos nos déficits são maiores do que o proposto aumento de US$ 900 bilhões no teto da dívida. Um cálculo inicial do CBO feito anteontem havia estimado uma redução de US$ 850 bilhões nos déficits e forçou os republicanos a revisar o plano.

A Casa Branca e os democratas são contrários ao plano porque temem que um aumento no limite de endividamento por seis meses possa injetar mais incertezas durante um dos momentos mais importantes economicamente para o país - o Natal.

Se o plano de Boehner for aprovado pela Câmara hoje, o líder da maioria no Senado, Harry Reid, vai colocá-lo para votação pelos senadores, que provavelmente o rejeitarão. Em uma carta enviada a Boehner ontem à noite, todos os 51 senadores democratas e os dois senadores independentes disseram que vão se opor ao plano republicano.

Por Reinaldo Azevedo

27/07/2011

às 18:19

O default americano, o Santo Obama e o ódio à democracia

Critiquei ontem e hoje um editorial do New York Times que chegou perto de pedir a extinção do Partido Republicano porque, ora vejam!, no braço-de-ferro com Barack Obama para aumentar o teto do endividamento, o partido teria perdido de vista o “interesse público”. É mesmo é? Muito simplesmente, a avaliação traz embutida a idéia de que o governo — e o presidente em particular — defende o dito-cujo sem qualquer outro viés. Tenham paciência!
Em tempo - Alguns tolos resolveram ironizar: “O Reinaldo agora começou  a discordar até do New York Times”. Por que esse “até”? Usem “até” quando for para falar do Altíssimo ou, vá lá, do papa: “O Reinaldo agora discorda do papa, até de Deus…”  Nesse caso, sim, o advérbio é aceitável. Eu não sabia que o NYT era uma categoria de pensamento acima da contestação…

Os autoritários no geral gostam da idéia de um Comitê de Salvação Pública ou algo do gênero — como não me deixa mentir a Revolução Francesa. Sei lá se a economia americana caminha ou não para o default. Impressionante e estupidamente mentirosa é a consideração de que isso só vai acontecer, como sugere o NYT, se os republicanos quiserem. O jornal, pelo visto, não conta com  a possibilidade de que Obama tenha de ceder. Perguntinha básica: por que não? Por acaso, os republicanos que o pressionam ocupam ilegalmente as posições que ocupam no establishment?

“Ah, a direita (sempre ela!) quer manietar o presidente!” Ou ainda: “Essa turma do Tea Party é irresponsável!” Digamos que seja tudo verdade. Mas me digam aqui: se Obama fosse, sei lá, 10% do que imaginavam que fosse, a situação teria chegado a tal ponto? Estamos em julho. Em março, a questão do endividamento já estava colocada, e o presidente sabia que teria de enfrentar uma parada difícil no Congresso. Mesmo assim, fez o quê? Precipitou-se e deflagrou a campanha pela reeleição em… 2012, com 20 meses de antecedência. E a imprensa democrata vem agora acusar os republicanos de se perderem num confronto meramente político, de natureza eleitoral?

Vênia máxima, um presidente da República, num regime democrático, não pode ir à televisão para pedir à população que pressione o Congresso a fazer o que ele quer — como se não houvesse alternativa. Ao fazê-lo, expôs-se ao contra-ataque: o republicano John Boehner, presidente da Câmara, fez o mesmo. Quem está certo? Ninguém!

Mas eu não vou ficar naquele empate que é o refúgio dos covardes intelectuais, no famoso “nem-nem”. O líder do país é Barack Obama. A tal “radicalização” a que muitos se referem não foi construída só pelos republicanos, como se fizessem política sozinhos. Trata-se de uma parceria entre os litigantes.

Também nesse caso, a tendência a esconjurar “a direita” revela, no fundo, ódio à democracia e o desejo de eliminar o adversário em vez de vencê-lo.

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

às 4:35

Obama faz novo apelo, mas oposição diz que não dará “cheque em branco”

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ontem um apelo em rede nacional de TV para que haja um comprometimento de republicanos e democratas com um acordo para elevar o teto da dívida pública do país, hoje em US$ 14,3 trilhões. O risco real de suspensão de pagamentos a partir de 3 de agosto levou Obama a alertar a nação sobre o “perigoso jogo” dos republicanos e a convocar os americanos a pressionar o Congresso por uma solução equilibrada, para não serem vítimas de uma “guerra política”.

“Se seguirmos pelo caminho do não acordo, nossa crescente dívida pode custar postos de trabalho e causar sérios danos à economia”, disse o presidente. Segundo ele, “embora o povo americano tenha votado num governo dividido, não votou num governo que não funciona”.

Momentos após o discurso de Obama, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que os Estados Unidos não podem suspender os pagamentos, mas não se pode dar um “cheque em branco” ao governo. Ele advertiu que o povo americano não aceitará um aumento da dívida sem cortes significativos nos gastos e uma reforma.

A apenas oito dias do prazo final para a elevação do teto da dívida pública americana, a divergência maior entre o Senado de maioria democrata e a Câmara dos Deputados de maioria republicana já não está em questões sensíveis ao eleitorado dos dois partidos, mas no ambiente para as eleições presidenciais de 2012. Republicanos querem expor a Casa Branca a um novo risco de suspensão de pagamentos no início da campanha de reeleição de Obama. Os democratas querem se livrar dessa ameaça. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2011

às 18:00

O companheiro Obama negocia até com cabeça de bacalhau

O Brasil anda tão, digamos assim, “interessante” — à sua maneira — que tem restado pouco tempo para cuidar de alguns assuntos que estão além da nossa fronteira. Faz tempo que não trato do Apedeuta Ilustrado “deles”, o companheiro Barack Obama. Vamos lá.

O efeito Osama Bin Laden passou depressa, e o presidente dos EUA se vê às voltas com as dificuldades da economia. Como sempre, teme-se que seja ela a determinar o resultado das próximas eleições. A disputa já começou, precocemente deflagrada pelo próprio Obama, que tentou surfar no cadáver do outro. Surfou, sim, mas resta evidente que a “conquista” tem fôlego eleitoral mais curto do que se imaginava. Bom de marketing, o rapaz resolveu anunciar ao mundo uma outra novidade.

Na fantasia obâmica, teria surgido no Afeganistão um certo “Taliban moderado”, que vem a ser, assim, como a cabeça do bacalhau, um enterro de anão, um discurso modesto do Lula, uma fala inteligente da Ideli Salvatti ou um lance objetivo do Robinho…

Assim, o companheiro decidiu encetar negociações com essa “banda do bem” do Taliban, entenderam?, e encomendar um plano de retirada de soldados do Afeganistão. Ele acha que já há maturidade para isso. O establishment militar reagiu: “Ok, quer que tire, a gente tira, mas é um risco e tanto!”

Ora, o que militares entendem de guerra,  sobretudo a eleitoral?… Obama precisa apresentar algum progresso. A volta de milhares de soldados reforçaria a imagem daquele que põe fim a conflitos… Pois é! Obama é mesmo uma equação interessante. Quer desacelerar uma guerra para a qual está autorizado pelo Congresso e manter uma outra, a da Líbia, na qual se meteu sem pedir autorização ao Parlamento, conforme exige a lei.

Vamos ver que rumo tomará a campanha eleitoral. Os republicanos não têm sido particularmente inteligentes no que respeita à política externa americana. Muitos deles pedem, por exemplo, ainda mais dureza na Líbia, quando a lógica elementar recomendaria que, levando-se em conta a segurança dos EUA, se pensasse a situação do Oriente Médio pré-Obama e pós-Obama. Evidentemente, as coisas pioraram. O governo dos EUA foi atropelado pelos acontecimentos.

A decisão de retirar soldados do Afeganistão e de negociar com as cabeças de bacalhau tem nome: desespero eleitoral. Obama precisa exibir algum trunfo. Osama Bin Laden, sozinho, não garantirá uma reeleição — e a economia, como se vê, insiste em não exibir o resultado esperado.

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2011

às 5:31

Plano de Obama para Afeganistão desagrada a generais e congressistas

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Menos de um dia depois de anunciar a retirada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, foi atacado ontem por congressistas de seu partido e da oposição e sofreu uma crítica de seu principal assessor militar. O almirante Mike Mullen, comandante das forças conjuntas dos EUA, disse que e a decisão foi “mais agressiva” do que o esperado e deve “impor mais riscos” às forças no Afeganistão.

Em depoimento no Congresso, Mullen indicou que os EUA estão apenas na “metade” dessa guerra e não estavam preparados para receber tal ordem. “Nenhum comandante quer sacrificar o poder de fogo no meio da guerra e nenhuma decisão que demande tal sacrifício é tomada sem risco”, afirmou o almirante à Comissão de Serviços Militares da Câmara. “Mais forças por mais tempo, sem dúvidas, é o caminho mais seguro. Mas não é necessariamente o melhor caminho. Somente o presidente, no final das contas, pode determinar o nível aceitável de risco que devemos assumir. Eu acredito que ele fez isso”, completou.

Embora Mullen tenha enfatizado o seu apoio à decisão de Obama, suas ponderações indicam a resistência dos comandantes militares à retirada dos 33 mil soldados até setembro de 2012. Além de Mullen, o comandante das forças americanas no Afeganistão, general David Petraeus, foi contra a adoção dessa fórmula durante os debates de Obama com sua equipe de Segurança Nacional. Petraeus deverá assumir em setembro o posto de diretor da Agência Central de Inteligência (CIA). Até lá, deverá se valer de seus contatos políticos para tornar a decisão presidencial mais flexível.

Segundo Mullen, a retirada “mais agressiva” trará como benefício uma pressão maior sobre o governo afegão para conduzir os esforços de combate ao Taleban e para reduzir sua dependência dos EUA. Entre os 33 mil soldados americanos a deixarem o Afeganistão até setembro de 2012, 23 mil deverão ser removidos apenas na etapa final. Para o almirante, esse fato permitirá aos EUA e demais países da coalizão ter tempo para avaliar o progresso das forças de segurança afegãs e de seu governo. Os ganhos obtidos até o momento, destacou, “não são irreversíveis”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/06/2011

às 6:41

Obama apressa saída do Afeganistão

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a retirada de 10 mil soldados americanos do Afeganistão até o final do ano e de mais 23 mil até setembro de 2012. O novo plano é mais ambicioso do que o esperado, especialmente para comandantes militares e facções conservadoras dos dois partidos americanos, e manteve a retirada total dos soldados em 2014.

O contingente que deve deixar o país até o fim do ano é equivalente ao enviado por ordem de Obama, em dezembro de 2009, para reforçar o combate ao Taleban e a seus aliados da Al-Qaeda. A retirada de 33 mil soldados significa a permanência de cerca de 70 mil militares americanos no Afeganistão na campanha de reeleição de Obama, entre setembro e novembro de 2012.

“Estamos anunciando essa retirada em uma posição de força”, afirmou Obama, para logo em seguida enfatizar os ganhos obtidos no combate à Al-Qaeda. “Não tentaremos fazer do Afeganistão um lugar perfeito.” Os soldados deverão retornar para as suas bases de origem nos EUA e na Europa, em um claro sinal de que permanecerão mobilizados para rápido deslocamento. Os números foram antecipados ontem pela Casa Branca antes do pronunciamento de Obama.

A decisão de retirar 30 mil soldados até 2012 está em linha com a maior ênfase em operações como à que matou Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda. A nova aposta está sustentada no sucesso dos ataques de aviões não tripulados e de operações contra líderes da Al-Qaeda. Apenas 10 dos 30 identificados no final do ano passado estão vivos. Obama manteve três reuniões com sua equipe de Segurança Nacional nesta semana até decidir-se sobre a fórmula de retirada. Sua escolha favoreceu a posição do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, defensor de um menor engajamento do país no Afeganistão. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

22/06/2011

às 6:01

Obama anuncia hoje plano de retirada gradual de soldados do Afeganistão

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O presidente dos EUA, Barack Obama, deve anunciar na noite de hoje o início da retirada de soldados americanos do Afeganistão. O contingente limitado, estimado entre 3 mil a 5 mil militares, equivale a até 5% do total das tropas dos EUA no front. Outro lote, de até 5 mil soldados, sairão até o fim do ano e pelo menos outros 2o mil serão retirados em 2012, ano em que tentará a reeleição.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, evitou antecipar oficialmente os números que serão anunciados às 20 horas de hoje (21 horas, horário de Brasília). No pronunciamento desta noite, Obama tentará explicar mais uma vez as prioridades dos EUA no Afeganistão: destruir o Taleban e a Al-Qaeda e estabilizar e reconstruir o país. “O presidente tornará isso claro”, disse Carney.

Entre os militares cujo fim da missão deve ser marcado para julho, estarão incluídos soldados que não chegaram a desembarcar no Afeganistão e estão mobilizados em bases nos EUA, segundo o jornal Washington Post. De acordo com The New York Times, no entanto, ainda há várias opções na mesa de como montar a estratégia de retirada, cuja meta é reduzir para 70 mil o número de militares ao fim de 2012.

O tenente-general Douglas Lute, principal consultor militar de Obama, diz o jornal, defende a retirada de um total de 15 mil soldados até o final deste ano e de outros 15 mil no fim de 2012. Já o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, advoga a retirada de um total de 30 mil entre julho deste ano e julho de 2012.

O secretário de Defesa, Robert Gates, tentou ontem reverter a frustração que poderia ser causada por um corte imediato mais conservador. Para o chefe do Pentágono, a fadiga do Congresso e do povo americano com a guerra do Afeganistão estará refletida no plano a ser anunciado por Obama.

O Pentágono teme perder os avanços obtidos no terreno com o aumento de tropas no país proposto por Obama há um ano e meio. Também teria pesado na decisão a dificuldade do programa para atrair militantes do Taleban a deixar as armas. Apenas 1.700 dos 40 mil taleban aceitaram o acordo até agora. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2011

às 6:15

Obama vê risco de nova crise financeira

Por Alvaro Fagundes, na Folha:
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que, se o Congresso não chegar a acordo para elevar o teto da dívida americana, a economia global corre o risco de uma nova crise financeira. “A confiança total e o crédito dos EUA são a base não só do nosso modo de vida, mas do sistema financeiro global”, disse, cobrando acordo dos republicanos. Alerta semelhante foi feito pelo presidente do banco central dos EUA (Fed), Ben Bernanke. Segundo ele, uma suspensão, mesmo que de curto prazo no pagamento da dívida americana, pode causar “sérios distúrbios nos mercados financeiros”. Para Bernanke, um calote pode ainda reduzir a nota da dívida americana (concedida pelas agências de avaliação de risco), gerar dúvidas sobre a solvência dos EUA e criar danos para o papel do dólar e dos títulos do Tesouro nos mercados globais.

Os títulos do governo americano são considerados os mais seguros do mundo e referência para o mercado. A preocupação de Obama e de Bernanke é com o fato de que o Congresso ainda não fechou acordo para elevar o limite da dívida americana. O teto, de US$ 14,3 trilhões, foi atingido no mês passado, mas o Tesouro vem tomando medidas emergenciais para estender o prazo até 2 de agosto, sem ter que recorrer à venda de títulos para manter as contas em dia. Por trás do impasse, está a disputa política entre democratas e republicanos, acentuada ainda mais à medida que se aproxima a eleição presidencial de 2012. Os republicanos, que têm maioria na Câmara dos Representantes (deputados), não aceitam elevar o teto da dívida sem que o governo se comprometa a cortar gastos, o que pode significar mexer nos programas sociais.

OPOSIÇÃO
A redução dos gastos do governo é uma das principais plataformas da oposição e foi considerada vital para seu sucesso na eleição para o Congresso no ano passado. Desde ontem, as lideranças dos dois partidos estão reunidas em um grupo liderado pelo vice-presidente Joe Biden para tentar chegar a um acordo sobre as áreas do Orçamento que podem sofrer alterações, como subsídios agrícolas. A dívida dos EUA cresce desde que o país entrou em recessão, no fim de 2007.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2011

às 6:01

Economia anula efeito Osama para Obama

Por Andrea Murta, na Folha:
A situação precária da economia e o desemprego em 9,1% já varreram a alta de popularidade conseguida pelo presidente Barack Obama após a morte do terrorista Osama bin Laden, de acordo com pesquisa “Washington Post”/ABC divulgada ontem. No levantamento, só 47% dos americanos aprovam a performance de Obama na Casa Branca hoje, contra 56% que diziam o mesmo logo após a morte do líder da Al Qaeda, em 1º de maio. São os mesmos 47% que o aprovavam em abril, indicando que o estímulo fornecido pelo anúncio sobre Bin Laden foi mesmo um ponto fora da curva. Obama tem agora 49% de desaprovação geral -53% para eleitores independentes, que serão cruciais na eleição presidencial de 2012. Ao mesmo tempo, 59% dos entrevistados desaprovam as ações de Obama na economia (49% destes desaprovam fortemente). A visão negativa da situação da economia em geral é comum a 90% dos ouvidos. “A pesquisa retrata um sentimento pessimista espalhado pelo país enquanto alta da gasolina, queda do valor de imóveis e um cenário decepcionante no desemprego trazem preocupações novas sobre o ritmo da recuperação”, afirma o “‘Post”.

AMEAÇA REPUBLICANA
Em meio aos problemas, Barack Obama apareceu em empate técnico na mesma pesquisa com o republicano Mitt Romney em um possível cenário para a eleição do ano que vem. O presidente alcançou 46% e o potencial rival, 49% entre eleitores registrados. Entre o público em geral, cada um tem 47%. A pesquisa tem margem de erro de 3,5 pontos para mais ou para menos. À época da morte de Bin Laden em uma operação especial das forças americanas no Paquistão, discutia-se o quanto isso facilitaria a reeleição. Essa sugestão começa a se desvanecer conforme a prioridade pública volta a ser a economia, tema principal da campanha de Romney. “Democratas quase certamente tentarão trazer a morte de Bin Laden de volta [na campanha em 2012]“, disse à Folha Sean Trende, analista político do site Real Clear Politics. “O perigo é que não querem parecer estar politizando o que é visto como uma vitória dos EUA, não só do presidente.” Ele vê com cautela também o empate com Romney a esta altura. “A pesquisa mostra que Obama está fraco e tem problemas que precisa resolver, [mas] não diz muito sobre 2012″, avaliou. Obama falou sobre a situação da economia ontem.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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