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Ministério da Saúde

13/06/2014

às 3:49

Na Saúde, o PT não tem remédio

Noticiei aqui no blog, no dia 4 de junho, que o governo brasileiro quer forçar a indústria farmacêutica brasileira a produzir remédios em… Cuba — e, de lá, exportar para a América Latina e Caribe, inclusive o Brasil. É o PAC da Dilma: o Plano de Ajuda a Cuba! Se a coisa prosperar, ela passará a exportar empregos e divisas… É o fim da picada!

Muito bem! Em artigo publicado na Folha de hoje, o ex-governador e ex-ministro da Saúde José Serra afirma que o governo do PT está tentando dar um outro golpe nos genéricos. Leiam trecho:

(…)
Mais ainda, recentemente houve uma tentativa de ataque final aos genéricos. Para compreendê-la é preciso saber que há três tipos de medicamentos no Brasil: o produto de referência (por exemplo, Nexium) e seu clone, o genérico (esomeprazol…). E existe também o “similar”, que tem nome-fantasia –por exemplo, Doril, que mistura aspirina com cafeína– e não tem equivalência com os produtos de marca. Os similares são objeto de promoções de venda, incluindo as amostras grátis para médicos. Pois bem: a ideia petista foi obrigar os similares a fazerem os testes de equivalência, mas mantendo seu nome-fantasia.

Esse modelo, que seria inédito no mundo, acabaria destroçando os genéricos, dadas as diferentes condições de concorrência e a confusão na cabeça dos consumidores. Na embalagem, os similares equivalentes teriam um carimbo: “EQ”, criado pelo PT, para disputar com o “G” dos genéricos e embelezar as campanhas eleitorais do João Santana.

Alguém duvida que uma das tarefas difíceis, mas prioritárias do próximo presidente, havendo a alternância de poder, será desfazer os nós das agências reguladoras, hoje capturadas e pervertidas pelo método petista de governar?

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2014

às 5:55

Conversa de Vargas com Youssef sugere um Padilha no comando. O ex-ministro, claro!, nega

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de SP: gravação sugere que ele estava no controle

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de SP: gravação sugere que ele estava no controle

Pô, vou mudar de profissão, hehe, e comprar uma bola de cristal. Os porcos vão dizer que é tudo coisa da “imprensa golpista”… Na noite desta quarta, publiquei um post em que se lia o seguinte:

Padilha no blog

Pois é…

Vieram a público gravações feitas pela Polícia Federal que evidenciam que Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, indicou um diretor do laboratório-fachada Labogen, que pertence ao doleiro Alberto Youssef. Trata-se de Marcus Cezar Ferreira da Silva, que já foi, ora vejam!, assessor parlamentar de um fundo de pensão controlado pelo PT e executivo da pasta então comandada por Padilha. O mais curioso é que o deputado petista André Vargas (PR), aquele, é quem anuncia ao doleiro o futuro diretor, deixando claro tratar-se de uma indicação do então ministro. Vocês entenderam direito: aquele que, em tese, seria o futuro patrão de Cezar Ferreira da Silva, Youssef, nem conhecia aquele que seria seu funcionário. Tratava-se de uma escolha pessoal de Padilha. Eu estou enganado ou quem decide, no fim das contas, é o chefe, seja lá do que for?

Vamos nos lembrar. O Labogen, que nunca havia produzido um comprimido, tinha conseguido fechar um contrato com o Ministério da Saúde no valor de R$ 31 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra, remédio também indicado para combater a pressão alta pulmonar. Havia entendimentos para a produção de outras substâncias que chegavam a R$ 150 milhões. Tão logo Youssef foi preso e o caso veio à luz, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão do contrato e uma sindicância. Padilha, até havia pouco, se comportava como se não tivesse nada com isso. A interlocutores, Vargas já tinha dado a entender que sabia de fatos que poderiam comprometer o agora pré-candidato petista.

Também o deputado petista Cândido Vaccarezza se enrola um pouco mais. A troca de mensagens deixa claro que recebeu em sua casa, para uma reunião, o doleiro Youssef, Vargas e Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro de Collor e sócio oculto do Labogen. Por quê? Ele diz ser apenas amizade. A coisa vai mais longe e evidencia que Vargas também abriu para o doleiro as portas do Fundo de Pensão da Caixa Econômica Federal. Em nota, como era de esperar, Padilha negou que tenha feito a indicação de Cezar Ferreira da Silva, que já foi executivo da área de eventos do Ministério da Saúde.

Dizer o quê? O mundo petista é uma espécie de realidade paralela, em que as coincidências acontecem com uma frequência, também ela, escandalosa. Se bem se lembram, as primeiras conversas que vieram a público entre Vargas e Youssef diziam respeito justamente ao agendamento de uma reunião com um executivo da pasta para que o Labogen obtivesse o sinal verde do órgão federal para a produção de remédio.

Ninguém nunca acreditou que o Ministério da Saúde fosse, assim, a casa da mãe joana, com a qual uma biboca qualquer faz contrato. A conversa de Vargas com Youssef faz supor que, de fato, não é assim. Convenham: o papo sugere que o então ministro estava no controle.

Texto publicado às 21h49 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 22:19

O dia em que Padilha nomeou o homem indicado para a direção do laboratório de doleiro

Abaixo, o fac-símile do Diário Oficial que traz a nomeação de Marcus Cezar Ferreira de Moura para o cargo de Coordenador da Promoção de Eventos, função diretamente ligada à assessoria pessoal do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Mais tarde, segundo disse o deputado André Vargas (PT-PR) ao doleiro Alberto Youssef, Padilha o indicou para dirigir o laboratório-fachada do doleiro.

Nomeação Marcus Cezar Ferreira de Moura

 

 

Por Reinaldo Azevedo

11/04/2014

às 20:34

Resposta à lógica torta de Padilha: a PF só está ocupada com tantos ladrões porque há ladrões demais no poder, certo? Ou: Vá para os fatos, Padilha!

O ex-ministro Alexandre Padilha (Saúde) tem aquele ar meio coxinha — é uma das razões que fizeram com que Lula o escolhesse candidato ao governo de São Paulo: ele parece um tiozão bacana… —, mas pode fazer um discurso bastante virulento. E torto. E em desacordo com a verdade.

Nesta sexta, ele esteve em Araçatuba, parte da tal “Caravana Horizonte Paulista”, um esforço do PT para torná-lo conhecido no Estado. Lula, o autor de mais este poste, estava lá. Indagado se o caso André Vargas-Labogen pode prejudicar a sua candidatura, Padilha respondeu, informa a Folha, que nunca houve um contrato com a empresa de fachada, que a PF diz pertencer ao doleiro Alberto Youssef. Afirmou: “O Ministério da Saúde recebeu uma proposta em dezembro do ano passado, do laboratório da Marinha brasileira, de parceria com outras empresas privadas para produzir medicamento para o Ministério da Saúde. Da entrega dessa proposta até ter um contrato com o ministério, vários passos seriam tomados”.

Ah, bom! A resposta coincide, em linhas gerais, com a nota emitida pela EMS, a gigante do setor farmacêutico, quando indaguei o que fazia em associação com um troço chamado Labogen. Ao menos coincide com a parte compreensível da nota. Daqui a pouco, os personagens dessa história vão negar que, um dia, algo parecido com Labogen tenha passado por suas vidas.

O fato: o tal laboratório da Marinha, a Labogen e a EMS se associaram para fornecer citrato de sildenafila para o Ministério da Saúde. Valor da operação: R$ 31 milhões. A coisa estava em curso. Tanto é assim que o ministério anunciou a sua suspensão. Ou se suspende por lá o que não existe? A parceria foi firmada pelo Ministério, sob a gestão de Padilha, ignorando uma portaria da própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que, no dia 23 de agosto, indeferiu o pedido da Lobogen para atuar como fabricante de medicamentos.

Mais: a agência aplicou várias multas à Labogen, que não puderam nem ser entregues porque o endereço oficialmente fornecido não, como direi?, coincidia com a empresa. A última foi aplicada no dia 5 de dezembro de 2013. Mesmo assim, seis dias depois, no dia 11, a pasta de Padilha anunciou a parceria. Instaurou-se uma sindicância no Ministério para apurar a questão. Ora, se não existe nada, apurar o quê, candidato Padilha?

Já em plena campanha eleitoral, o petista afirmou ainda o seguinte: “A diferença entre o PT e o PSDB é que o governo do PT apura. Quem começou essa apuração [Lava Jato] foi a Polícia Federal, diferentemente do governo estadual [do PSDB, em São Paulo]. Quem começou a apuração do escândalo do metrô, por exemplo, foram autoridades internacionais e a PF”.

Huuummm…

Então vamos ver. Eu achava que a Polícia Federal não fosse do PT, mas do Brasil. Assim, investigações conduzidas por esse órgão, sempre acreditei, são independentes, não? Logo, o que a PF apura é o que a PF apura e pronto!, não o que o PT autoriza que se apure. Ou não é assim? E pouco importa o partido.

Há uma outra diferença importante entre o PT e o PSDB — que, diferentemente do que dizem os idiotas, não me representa porque sou conservador, e os tucanos não são. Eu, ao menos, nunca vi tucano passando a mão na cabeça de larápio ou tentando nos explicar que os ladrões atuam para o nosso bem. Certamente há safados também no PSDB, como há no PT e no PMDB, mas, diga-se em nome dos fatos, ninguém chama tucano ladrão de “herói do povo brasileiro” nem  transforma ladroagem, seja em nome pessoal ou do partido, em ato de resistência.

Finalmente, há outra observação a fazer: há muito tempo os petistas vêm com essa cascata de que a explosão de casos de corrupção no Brasil se deve ao fato de que, agora, o PT investiga… É uma lógica torta, como a cabeça deles: quer dizer que, se chegarmos a um caso de corrupção por dia, será sinal de que estamos no caminho certo?

A PF só está ocupada com tantos ladrões porque há muitos ladrões no poder, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2014

às 21:21

E a gigante EMS, hein? Vai continuar muda? Queria com a Labogen do doleiro exatamente o quê? Ou: Um clássico que vem lá dos tempos de PC Farias!

EMS

A EMS, a gigante do setor farmacêutico, deve estar comemorando o nosso, dos jornalistas, temperamento colaborativo, não é mesmo? Eu estou enganado ou o laboratório-lavanderia Labogen havia celebrado um acordo com a empresa para o fornecimento de remédios ao Ministério da Saúde?

Quem, de fato, iria fornecer o citrato de sildenafila, o genérico do Viagra, para o ministério? Que eu saiba, seria a EMS. Por que um laboratório com um faturamento anual de R$ 5,3 bilhões precisa de uma cabeça de porco com folha de pagamentos de R$ 28 mil — isso na hipótese de que tenha existência real?

Se eu, Reinaldo, propuser um negocinho à EMS, mesmo sem ser do ramo — e, definitivamente, em matéria de remédios, sou apenas consumidor, não obsessivo, mas contumaz ao menos —, o laboratório topa? É estranho o silêncio da empresa até agora, não é mesmo?

Mas chegou a hora de falar. O que a EMS queria com a Labogen? Estava interessada na expertise do laboratório de Youssef? Quem fez o contato? Quais foram os intermediários na conversa?

A única coisa boa de envelhecer é ter memória, né? Eu me lembro ainda que, quando as tripas do governo Collor vieram à luz, apareceram notas fiscais de alguns gigantes do capitalismo brasileiro para empresas de PC Farias, o caixa do presidente deposto, notadamente a Tratoral. Ora, que tipo de serviço a dita-cuja oferecia? Nenhum! Era só uma forma legal de pagar propina por benefícios extralegais. Algumas notórias reputações foram flagradas na operação. Nessas horas, vem a cascata de sempre: “Se a gente não cede, acaba sendo prejudicado”. Ora, ponham a boca no trombone em vez de se deixar chantagear por pilantras.

A associação de empresas legais com empresas de fachada é um clássico de malandragem política. Que a Labogen não seja séria, disso a gente já sabe. Agora resta que a séria EMS se explique. Alguém forçou o acordo? Antes de celebrar uma parceria ou uma sociedade, esta gigante do setor farmacêutico ao menos se ocupa de colher informações cadastrais das empresas com as quais faz negócio? Qual era a experiência da Labogen na fabricação de remédios? Já tinha produzido antes o quê?

Deixo aqui as minhas perguntas à EMS. Se a empresa quiser responder, publico com muito gosto.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2014

às 20:23

Labogen, o preferido da dupla Vargas-doleiro, já tinha sido multado pela Saúde, mas Padilha assinou convênio mesmo assim

Lauro Jardim informa no Radar que a Anvisa, órgão do Ministério da Saúde, aplicou duas multas ao laboratório-lavanderia de Alberto Youssef, o tal Labogen. Mas não conseguiu aplicar a punição porque não encontrou a empresa no local informado à Receita. Nem poderia, não é mesmo?

A Labogen é aquele suposto “laboratório” em nome do qual o ainda deputado André Vargas (PT-PR) fez lobby e que conseguiu, por incrível que pareça, assinar um contrato com o Ministério da Saúde no valor R$ 31 milhões — o protocolo apontava para um acordo mais amplo: de R$ 150 milhões.

Pois é… O contrato foi assinado por Alexandre Padilha, então ministro da Saúde e reconhecido cabo eleitoral de Vargas no Paraná, como se vê abaixo (já publiquei este vídeo — de interesse jornalístico, certo, senhores do YouTube?).

Cabe, então, a questão óbvia: o tal Lobogen não tinha exatamente uma boa reputação no ministério, certo? Ainda que não fosse matéria de conversa cotidiana, suponho que a pasta, antes de celebrar convênios ou encomendas de serviços ou produtos, verifique a idoneidade da empresa. Não é possível que não a submeta ao menos a seus arquivos. Ou qualquer vagabundo que dê pinta por lá e se ofereça para fornecer isso e aquilo tem seu pleito atendido?

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 18:51

Juiz manda caso André Vargas, o cadáver adiado, para o STF. Para o bem do Brasil, o ainda deputado vai mal

Para o bem do Brasil, o deputado petista André Vargas (PR), vice-presidente da Câmara e do Congresso, vai mal. A esta altura, é difícil acreditar que consiga manter o mandato. Hoje, ele humilha o Parlamento brasileiro. Não vai demorar muito, e Vargas passará a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há escapatória, a menos que ele renuncie. Como é deputado, tem direito a foro especial por prerrogativa de função Por isso o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, enviou ao STF a investigação. Explicou assim: “Revendo os autos, constato que, entre os diversos fatos investigados, foram colhidos, em verdadeiro encontro fortuito de provas, elementos probatórios que apontam para relação entre Alberto Youssef e André Vargas, deputado federal”.

E põe relação nisso! Reportagem publicada pela VEJA neste fim de semana é devastadora para o deputado. Ao se referir a um lobby que Vargas havia feito em seu favor no Ministério da Saúde, o doleiro diz ao petista: “Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!”. Youssef estava falando de uma parceria do laboratório Labogen — uma empresa de fachada que, segundo a PF, serve para lavar dinheiro — com a gigante EMS. Todo o negócio poderia chegar a R$ 150 milhões. Já havia um contrato assinado de R$ 31 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o remédio que é o princípio ativo do Viagra, mas que serve também para tratar de hipertensão pulmonar. NOTA: Alexandre Padilha, então ministro da Saúde e futuro candidato do PT ao governo de São Paulo, assinou o contrato. Alguém aí acredita que ninguém se lembrou de ver a ficha cadastral da Lobogen? Ora… Quer dizer que o Ministério da Saúde não tem estrutura para não ser vítima de picaretas? 

Numa outra conversa, o doleiro diz ao deputado: “Estou no limite. Preciso captar”. Ao que responde Vargas: “Vou atuar”. Como sabem, a parceria rendeu tanto que Youssef fretou um jatinho para o deputado e a sua família viajarem em férias para a Paraíba. Valor do mimo: R$ 100 mil.

A intimidade era tal que Vargas manda mensagens a Youssef por celular cobrando o pagamento a pessoas ligadas ao esquema. Numa delas, eles tem o seguinte diálogo:
VARGAS – [Você] sabe por que não pagam o Milton?
YOUSSEF – Calma! Vai ser pago. Falei pra você que iria cuidar disso.
VARGAS – [Há] Consultores que trabalham com ele há meses e não receberam.
YOUSSEF – Deixa, que vão receber.

Não dá mais! A Polícia Federal está convicta de que Vargas e Youssef atuam em sociedade. Pior: emissários do deputado fizeram chegar ao doleiro, que está preso, que a crise pode arrastar gente graúda. O que se quer dizer com isso? Vai saber!

O petista resolveu tirar uma licença de 60 dias para cuidar de assuntos privados. Huuummm… Ué! Não era isso o que ele fazia como um dos braços de Youssef? Mas manteve (vejam post na home) o cargo de vice-presidente da Câmara e do Congresso, o que é um acinte, é um deboche. Mesmo com o afastamento, três partidos de oposição — PSDB, DEM e PPS – ingressaram nesta segunda-feira com uma representação contra ele no Conselho de Ética. O PSOL, por sua vez, pediu à Mesa Diretora que a Corregedoria da Casa apure o caso.

Politicamente, André Vargas já está morto. Agora, é só um cadáver adiado que deve assustar muita gente, que aposta no seu silêncio. O que todos temem é um certo Leonardo Meirelles, que figurava como sócio da Lobogen e decidiu colaborar com a Polícia Federal.

Por Reinaldo Azevedo

05/04/2014

às 6:50

NA VEJA DESTA SEMANA – Tchau, ex-deputado André Vargas! Vai renunciar agora ou aguarda a cassação do mandato?

Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma

Em seu blog, André Vargas exibe suas amizades influentes; acima, em companhia de Dilma

Como lembra a “Carta ao Leitor” da edição de VEJA desta semana, costuma haver uma relação diretamente proporcional entre o ódio à liberdade de imprensa e o apreço pela lambança. Ou por outra: os que têm muito a esconder costumam ser os mais entusiasmados com a censura. E não seria diferente com o deputado André Vargas (PT-PR), ex-secretário nacional de Comunicação do PT, entusiasta do “controle social da mídia” (que é a expressão a que recorrem vigaristas para designar a censura), membro da tropa de choque que saiu em defesa dos mensaleiros e, por um bom tempo, chefe político da rede do subjornalismo delinquente que chama a si mesma, num rasgo de sinceridade, de “blogs sujos”. Pois é… O meteórico André Vargas meteu os pés pelos pés e foi flagrado pela Polícia Federal prestando serviços àquele que pode ser chamado, sem favor, de seu sócio: o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato. O plano era encher o bolso de dinheiro, fazer a “independência financeira” às custas dos cofres públicos. Reportagem na edição de VEJA desta semana põe um ponto final na questão e, tudo indica, na meteórica carreira de Vargas. Parece que a questão agora é saber se ele renuncia já ou espera a cassação do mandato. Como se sabe, não existe mais voto secreto para proteger gente da sua estirpe.

Amigão de Youssef e “homem muito influente no PT”, Vargas era, nas hostes do governismo, como posso adequar o adjetivo à sua prática?, um fuçador de oportunidades de negócio para o doleiro, que sabia ser grato. Como informou a Folha, alugou um jatinho para levar o deputado e a família em viagem de férias à Paraíba. Custo do mimo: R$ 100 mil. O deputado folgazão definiu o agrado como “coisa de irmão”. Nem diga!

“Empresário” de múltiplos talentos, Youssef é dono de uma “empresa” de nome imponente: “Labogen Química Fina e Biotecnologia”. É um troço que existe no papel, não na vida real. Nem mesmo chega a ter planta industrial. Seu feito mais notável, até agora, segundo a Polícia Federal, é ter enviado para o exterior, de forma irregular, US$ 37 milhões.

Muito bem! Vargas, o parceirão de Yousseff, detectou no Ministério da Saúde, então sob o comando de Alexandre Padilha — agora candidato ao governo de São Paulo pelo PT —, a chance de um contrato milionário para fornecimento de remédio, coisa, assim, de R$ 150 milhões. Mas como é que a Labogen, uma biboca com capital social de R$ 28 mil e folha de pagamentos de R$ 30 mil, poderia se candidatar a tamanha grandeza? É para isso que servem os amigos. É nesse ponto que entrou André Vargas — leiam a reportagem da revista.

A síntese é a seguinte: a Labogen, mera empresa de fachada, conseguiu se associar à EMS, uma gigante na produção de genéricos, o que lhe conferiria um ar de seriedade, e pronto! Tudo resolvido. O diálogo captado pela Polícia Federal entre Vargas e Youssef não deixa a menor dúvida. O deputado petista relata a Youssef sua conversa com Pedro Argese, da Labogen e ouve um prognóstico do interlocutor:
VARGAS – Estamos mais fortes agora. Vi documento com o Pedro. Ele estava no voo de volta de Brasília. Ele estava com o documento da parceria com a EMS.
YOUSSEF – Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!

É claro!

Eis aí. Esse é o doleiro “irmão”, cujas atividades ilícitas Vargas dizia desconhecer. Da parceria estimada em R$ 150 milhões, uma já estava em curso, de R$ 31 milhões — suspensa pelo Ministério da Saúde quando o escândalo veio à tona: a de fornecimento de citrato de sildenafila, a substância ativa do Viagra, que é o remédio oficialmente empregado pelo sistema público de saúde para o tratamento de uma doença grave: a hipertensão pulmonar. Esse contrato contou com a ajuda do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Calos Augusto Gadhelha — a quem Vargas se refere, carinhosamente, num telefonema, como “Gadha”. Padilha, pessoalmente, assinou o contrato.

Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!

Relatório da PF fala do parceiro de Youssef que atuava no Ministério da Saúde. Depois ficou claro: era Vargas!

Leiam a reportagem. A coisa vai longe. Youssef está preso, como sabem. O deputado está tentando se virar. Já mandou um emissário ao doleiro afirmando que, se ele, Vargas, cair, gente mais graúda vai junto, “gente de cima”. Huuummm… Quem estaria acima de Vargas nessa operação? Eis uma boa questão. E por que Youssef deveria temer essa “gente de cima”? Temer o quê?

Vargas não é o único interlocutor de Youssef no PT. Há outros, como o deputado Vicente Cândido (SP). Vocês já o conhecem. É aquele senhor que ofereceu “honorários para um conselheiro da Anatel livrar a Oi de uma multa bilionária. Disse, então, que falava em nome de Lula. Tudo gente fina.

Segunda-feira é bom dia para André Vargas pegar o boné e ir pra casa, refletir sobre os males da liberdade de imprensa. Afinal, até onde se sabe, ele já tem garantida a “independência financeira”. Leiam a reportagem na edição impressa na revista.

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2014

às 23:49

Lembram-se daquele imbróglio do Ministério da Saúde com a substância ativa do Viagra? Pneumologista escreve para o blog e diz que o caso é bem mais sério. Vejam por quê

Recebo do médico Luciano Grohs, leitor deste blog, o que muito me honra, um e-mail com uma informação relevantíssima. Publiquei aqui uma reportagem da VEJA desta semana informando uma possível maracutaia num convênio firmado pelo Ministério da Saúde, na gestão de Alexandre Padilha, para a compra de uma substância chamada “citrato de sildenafila” — princípio ativo do Viagra. O governo fez o convênio de R$ 150 milhões com uma empresa chamada Labogen Química Fina e Biotecnologia. Segundo a Polícia Federal, a empresa não existe e é só um dos braços de um esquema de lavagem de dinheiro. A Labogen encomendaria o remédio a um outro laboratório por 40% do preço (R$ 60 milhões). E os outros R$ 90 milhões? Uma boa questão, não é mesmo? Para ler o post, clique aqui.

Pois é! Grohs, que é especialista em pneumologia, coordenador do Centro de Referência em Hipertensão Pulmonar do Hospital Pompeia e ex-conselheiro do CRM do Rio Grande do Sul, mostra que a questão é ainda mais séria. Reproduzo seu e-mail em azul.

Reinaldo,

A questão do citrato de sildenafila é um pouco mais séria do que o descrito em teu texto. Além de tratar a disfunção erétil, o sildenafil é usado para tratar uma doença grave: a hipertensão arterial pulmonar.

Esta doença acomete cerca de 20 pessoas por cem mil habitantes. Sem tratamento, a expectativa de vida e de 2,8 anos, e os tratamentos são efetivos e de alto custo. São usadas três categorias de remédios, uma delas é o sildenafil e semelhantes, isolados ou em associação. O sildenafil não é o remédio mais estudado nem o mais utilizado no mundo. Alguns estados, São Paulo, por exemplo, têm protocolos estaduais de tratamento. São medicações de alto custo.

Ha mais de dez anos, espera-se por um protocolo nacional, que dê acesso à medicação aos pacientes com essa doença. Foi publicado pelo Ministério da Saúde em janeiro um protocolo que forca o uso de Sildenafil.

Assim, antes do que foi mostrado, foi imposto aos pacientes com uma doença grave o remédio que fez parte da negociata. A situação não é de confusão com um remédio para impotência, mas de uma terapia valiosa para uma doença grave, forçando os que o prescrevem a seguir um protocolo tecnicamente questionável.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2014

às 18:44

NA VEJA DESTA SEMANA – Padilha, a pílula azul e um contrato investigado pela Polícia Federal

pílula azul

É… Guardem este nome: Labogen Química Fina e Biotecnologia. Segundo a Polícia Federal, trata-se de um dos braços do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, o mesmo que levou à prisão o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que colaborou com o rolo da refinaria de Pasadena.

Pois bem: essa tal Labogen assinou com o Ministério da Saúde um contrato de R$ 150 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra. A PF descobriu que essa “empresa” não tem planta industrial e que o remédio seria fabricado por outro laboratório, ao qual a Lobogen repassaria 40% do contrato. Ou por outra: segundo a Polícia, a turma pagaria R$ 60 milhões pelo remédio e embolsaria nada menos de R$ 90 milhões. Uma  beleza!

“Eles” estão começando a perder qualquer modéstia, né? Os escândalos subiram de patamar. Já começam na casa dos R$ 100 milhões. Leiam reportagem publicada na VEJA desta semana.
*
Pré-candidato petista ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha é citado nominalmente no inquérito da Polícia Federal que investiga a rede de lavagem de dinheiro comandada pelo doleiro Alberto Youssef. Em um dos relatórios da Operação Lava-Jato, há ainda uma foto de Padilha ao lado de um homem que os investigadores apontam como laranja de Alberto Youssef, no ato de assinatura de um contrato que levou a investigação para dentro do Ministério da Saúde.

A imagem foi interceptada pelos agentes na caixa de e-mails de um dos investigados. O contrato foi assinado por Padilha com a Labogen Química Fina e Biotecnologia, uma empresa que, segundo a Polícia Federal, é tudo menos um laboratório farmacêutico, e ainda assim foi contemplada com uma parceria em que planejava receber 150 milhões de reais em vendas de remédios para o ministério. Um grande — e suspeitíssimo — negócio.

Pelo modelo de contratação adotado, o Ministério da Saúde escolhe empresas privadas dispostas a fazer parceria com laboratórios públicos para a produção de remédios. A Labogen, com sede em São Paulo, foi uma das escolhidas no ano passado para fornecer citrato de sildenafila, medicamento com o mesmo princípio ativo do famoso comprimido azul para disfunção erétil. O ministério informou que as empresas interessadas em firmar parcerias passam por um rigoroso processo de seleção e análise de capacidade técnica que envolve vários órgãos públicos. No papel, segundo o ministério, a situação da Labogen estava o.k.

No mundo real, a polícia concluiu que a Labogen não tem uma planta industrial e passa longe de ser uma companhia de porte, compatível com os valores milionários a ser recebidos do governo. Documentos juntados no inquérito mostram que, na verdade, os remédios seriam fabricados por um outro laboratório, de Goiás, ao qual a Labogen repassaria 40% do valor do contrato. Sem produzir um único comprimido, a empresa do doleiro pretendia faturar 90 milhões de reais. Os sócios da Labogen figuram como titulares de remessas milionárias para contas no exterior, operações que os investigadores dizem ser simuladas. A empresa tinha planos de ampliar a lista de remédios a ser fornecidos ao governo. Diz a PF: “Pode-se estar diante, portanto, de mais uma ferramenta para sangria dos cofres públicos”.

Por Reinaldo Azevedo

10/03/2014

às 6:45

Ministro da Saúde é um homem tão apaixonado que leva a mulher para o serviço. Ou: Se não é Chioro, brasileiro usa a camisinha como bexiga…

Arthur Chioro distribui kit com camisinha no bloco Sargento Pimenta, no Rio... Se não é ele...

Arthur Chioro distribui kit com camisinha no bloco Sargento Pimenta, no Rio… Se não é ele…

Arthur Chioro, ministro da Saúde, é um homem apaixonado. Nunca se viu nada igual na Esplanada dos Ministérios! O ministro da Saúde gosta tanto da mulher, mas tanto, que decidiu levá-la para o trabalho num avião da FAB. Uma cena verdadeiramente comovente. Roseli Régis dos Reis, esse é o nome dela, diga-se, era também sua sócia numa empresa de consultoria na área de Saúde, de que era ele o chefe até ser nomeado para o ministério. Aí transferiu suas cotas para o nome dela. Nota: enquanto era secretário da Saúde de São Bernardo, o homem exerceu a dupla militância sem problemas.

Mas falemos um pouco de sua paixão. Durante o Carnaval, o ministro decidiu sair de Brasília, num jato da FAB, e fazer escalas em São Paulo, Salvador, Recife e Rio. Oficialmente, ele estava num trabalho de promoção do uso da camisinha. Entendi. Se não é o ministro, é capaz de a brasileirada usar a camisinha como se fosse balão de festa de aniversário — aquilo que em São Paulo a gente chama de “bexiga”. Ainda bem que existem petistas para dizer o que a gente deve fazer com uma camisinha! Parece piada!

Vejam esta moça: não teve aula com Chioro e faz mal uso da camisinha...

Vejam esta moça: não teve aula com Chioro e faz mau uso da camisinha…

O ministro não teve dúvida. Levou a própria mulher nos quatro dias de trabalho. Vejam bem! Chioro poderia ter ido promover o uso de preservativos, deixem-me ver, em Pirambeira do Mato Dentro, Despenhadeiro das Almas e Matagal do Vale da Noca. Mas ele, que não e bobo nem nada, resolveu ser professor de camisinha em São Paulo, Recife, Salvador e, claro!, o Rio. Como? Vocês nunca ouviram falar dos municípios que citei? Nem eu! Ocorre que, em algum lugar do Brasil, deve haver gente que precise das aulas do ministro. Nas três maiores capitais do Brasil, mais Recife, é que não.

Além de homem apaixonado, ele também não quer cair em tentação. Sabem como é o Carnaval… Indagado sobre a presença da mulher, respondeu: “Fiz uma maratona de quatro dias a serviço do ministério em prol da prevenção da Aids, percorrendo os quatro maiores Carnavais do país. Fiz questão de ter minha esposa ao meu lado para evitar qualquer situação de exposição indevida”. Entendi. O marido leva a guarda-costas do lar para evitar o assédio. Que homem prudente!

Como ninguém é de ferro (petista muito menos!), na Bahia, ele esteve no camarote de Gilberto Gil e do governador Jaques Wagner, que é do PT. No Rio, desfilou num bloco. Os três partidos de oposição — PSDB, DEM e PPS — decidiram entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República para que se apurem as circunstâncias do uso do jato da FAB.

Imaginem se a moda pega: cada ministro pede um jato para ver se as ações de sua pasta estão sendo devidamente cumpridas: o do Trabalho junta a família para verificar se há trabalho infantil nas escolas de samba; a das Mulheres, se não há mercantilização do sexo; o do Desenvolvimento Agrário, para dar amparo a algumas invasões, a da Igualdade Racial, para apurar se não há racismo… A desculpa de Chioro vale uma nota de R$ 3.

Chioro já estreou mal. No dia 3 de fevereiro escrevi aqui um  post sobre seu lamentável discurso de posse, cheio de chicana eleitoral e provocação barata. Dilma nem sabia quem era ele. Só é ministro porque Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e um dos braços de Lula, assim o desejou. De resto, é um adversário feroz de uma dos aspectos do programa federal de combate ao crack, que usa o trabalho das comunidades terapêuticas. Vale dizer: Dilma escolheu para o ministério alguém contrário a um programa de… Dilma. O resultado será programa nenhum! Se bem que… Quase sempre petista sem trabalhar rende o dobro.

Texto publicado originalmente às 3h46
Por Reinaldo Azevedo

04/02/2014

às 3:35

Recorde – Gastos de publicidade do Ministério da Saúde chegaram a R$ 232 milhões em 2013

Por Johanna Nublat e Gustavo Patu, na Folha:
Antes de deixar o Ministério da Saúde para concorrer pelo PT ao governo paulista nas próximas eleições, Alexandre Padilha promoveu a maior alta dos gastos com publicidade da pasta desde o início do governo petista. As despesas alcançaram no ano passado R$ 232 milhões, com um crescimento de 19,7% acima da inflação sobre os desembolsos de 2012 — que já haviam crescido 18,6% sobre 2011. O ritmo de expansão desse biênio não tem paralelo em uma década, como mostram os dados do próprio ministério. O último registro de uma taxa de aumento expressivo aconteceu no ano eleitoral de 2006, quando os montantes envolvidos eram bem menores que os atuais.

Tecnicamente, quase todos os gastos com publicidade da Saúde são classificados como de utilidade pública. Entre os exemplos tradicionais estão as campanhas de vacinação contra a paralisia infantil e as de prevenção de doenças como a Aids e a dengue. No entanto, essa classificação de despesa também abriga a promoção de programas que estão entre as vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff e de Padilha, como o Saúde Não Tem Preço e o Mais Médicos. O primeiro, lançado no início do governo Dilma, instituiu a distribuição gratuita, nas farmácias, de medicamentos contra diabetes e hipertensão e, a partir de 2012, contra a asma. O segundo, o Mais Médicos, foi lançado em 2013 após batalha pública contra as entidades médicas nacionais, contrárias ao programa. O governo já contabiliza 9.549 profissionais selecionados pelo Mais Médicos — sendo que 77,5% deles são médicos cubanos.

Uma citação aos dois programas foi inserida no pronunciamento que Padilha fez na TV semana passada sobre a vacina contra o HPV, o que gerou críticas da oposição. O Mais Médicos liderou as verbas publicitárias de 2013, com R$ 36,9 milhões, seguido pela prevenção da dengue, que mereceu R$ 33,2 milhões. O Saúde Não Tem Preço recebeu R$ 13,9 milhões. Em nota enviada à Folha, a Saúde afirmou que a expansão dessas despesas está ligada à ampliação dos serviços públicos prestados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2014

às 22:49

Começou – No último dia de Padilha e na posse de novo titular da Saúde, campanha eleitoral indecorosa

O ano promete. Alexandre Padilha despediu-se do Ministério da Saúde nesta segunda. Assumiu a pasta Arthur Chioro. Tanto o ministro que saiu como o que entrou mergulharam de cabeça no discurso eleitoreiro. Obviamente, numa República, tanto a postura de quem entra como a de quem sai são inaceitáveis.

Segundo informa reportagem da Folha, Padilha referiu-se ao programa “Mais Médicos” afirmando que São Paulo e Minas, ambos governados pelo PSDB, foram os que mais solicitaram profissionais. É uma provocação rasteira: São Paulo tem quase 42 milhões de habitantes; em segundo lugar, vem Minas, com quase 21 milhões. É evidente que a demanda de estados mais populosos tende a ser maior. Estranho seria se o maior número de solicitações tivesse partido de Roraima.

Mas Padilha estava disposto a ser notícia com provocações baratas. Foi adiante, referindo-se a São Paulo: “Um dos seus líderes, por exemplo, deu uma demonstração absoluta de falta de sensibilidade com o sofrimento humano, ao afirmar que não faltavam médicos no Brasil e no seu Estado. Talvez, por não enxergar os que mais precisam no Estado mais rico da nossa federação (…) Só quem tem acesso a médico num estalar de dedos pode ser contra levar mais médicos para a população que mais precisa”. Essa conversa de “estado mais rico” é um raciocínio, com todo respeito, cretino.  A renda per capita do Distrito Federal, que Padilha conhece bem, é maior do que a de São Paulo. E não é pouca coisa, não: 60,6% maior. Ele diria que o atendimento no DF é exemplar — lembrando sempre que, por ali, o governo federal é o principal responsável pelo atendimento à saúde? Mas se pode fazer ainda uma outra conta: PIB per capita. De novo, o DF está na frente, com larga vantagem: US$ 63.020 contra US$ 32.449.  Ou por outra: o PIB per capita do Distrito Federal é 94,8% maior do que o paulista.

De quem Padilha está a falar? Quem disse, com esse sentido, que não faltam médicos no Brasil ou em São Paulo? Que líder era contrário ao “Mais Médicos”? O que pessoas sensatas apontaram — e a crítica continua procedente — é que o programa não atende às reais necessidades de saúde dos mais pobres e que os médicos no Brasil estavam e estão mal distribuídos. Sim, vou lembrar de novo: em 11 anos de gestão petista, houve uma queda de 15% no número de leitos hospitalares por mil habitantes. Entre 2005 e 2012, desapareceram 41 mil leitos do SUS.

O sempre aparentemente cordato Padilha assume o discurso sanguinolento do petismo em períodos eleitorais. Leiam trecho de reportagem da Folha (em vermelho):
Em dois momentos, o petista criticou a política nacional dos anos 90: ao contrapor recente investimento federal no Instituto Butantan (SP) a sucateamentos e privatizações “que vimos ocorrer nos anos 90″; e ao destacar investimentos federais na produção nacional de medicamentos e produtos para a saúde, em contraposição a “legados malditos, fruto da ausência de uma política industrial nos anos 90″.

É impressionante! O programa de genéricos e de investimentos da produção nacional de remédios é herança dos governos… tucanos. Na gestão petista, ao contrário do que vai acima, houve, isto sim, um sucateamento da saúde, que o governo tenta minimizar distribuindo cubanos para apalpar ventres Brasil afora.

Se Padilha estava disposto à chicana partidária, o petista radical Arthur Chioro, seu sucessor, não se mostrou menos disposto à guerrilha eleitoral. Enquanto discursava, ouviu-se um forte barulho do lado de fora do ministério. E ele emendou: “Calma, Padilha, não é a artilharia pesada contra você ainda. Vai demorar algumas horas até você chegar a São Paulo e começar a recebê-las”.

Obviamente, o que menos interessava ali era o trabalho do Ministério da Saúde. Ele já estava falando sobre a disputa eleitoral. O ministro empossado afirmou que Dilma lhe encomendou um novo modelo de atendimento hospitalar… É. Vamos ver. Vai ser alguma mágica parecida com o “Mais Médicos”?

Construir obras com saliva, como se sabe, é bastante fácil. E mais fácil ainda é desqualificar o trabalho alheio.

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2014

às 18:02

A ONG é o de menos; grave é o que Padilha fez nesta quarta

Alexandre Padilha, ainda ministro da Saúde, anunciou que o Ministério vai romper o contrato com a ONG de que seu pai é dirigente — ver posts anteriores. Certo! É uma decisão de candidato. É sinal, então, de que ele também acha que não pega bem. Ao fazê-lo, tenta demonstrar que é um homem sensível às críticas, que não se fecha em sua própria bolha… Era tão evidente que o convênio daria bochicho que dá para desconfiar de que foi firmado só para ser rompido. Mas talvez não seja nada disso. Os políticos brasileiros estão tão acostumados a usar o público como se fosse privado que já fazem as coisas assim, distraidamente. Querem saber? Não acho isso tão importante.

Não conheço a tal ONG, mas dou de barato que cumpre o que promete. De resto, nem é tanto dinheiro assim. A questão é mais, digamos, de princípios. Grave mesmo, insisto, foi o que o Padilha fez nesta quarta-feira. O seu pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, anunciando uma campanha de vacinação que começa em… março é um acinte. Tratou-se de campanha eleitoral descarada. Até porque, como se viu, ele não se limitou ao objeto do suposto anúncio. Tratou de outros programas da sua pasta, na linha “nunca antes na história deste país”.

Esse negócio da ONG é café pequeno.

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2014

às 17:51

Padilha diz que cancelará convênio com ONG do pai

Na VEJA.com. Volto no próximo post.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira que cancelará o convênio da pasta com a ONG Koinonia-Presença Ecumênica e Serviço, da qual seu pai, Anivaldo Padilha, é sócio e fundador. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo. Candidato do PT ao governo paulista, Padilha entregará o cargo na próxima segunda-feira. ”Para poupar a instituição de qualquer exploração política, eu tomei a decisão hoje de solicitar ao jurídico do ministério a tomar todas as medidas legais possíveis para cancelar esse convênio”, afirmou Padilha. O acordo foi assinado com a ONG no dia 28 de dezembro de 2013 para prestar serviços de “promoção e prevenção de vigilância à saúde”. O convênio, firmado no valor de 199.800 reais, prevê instruir jovens a como evitar e tratar doenças sexualmente transmissíveis, como a aids.

O ministro disse que não há irregularidades no contrato firmado com a ONG e que não repassou nenhuma verba para a entidade. “É uma ONG criada há vinte anos por fundadores como Betinho, Rubem Alves, meu pai, dentre os associados fundadores. Ela passou por todo o procedimento legal, foi edital público, teve propostas da Koinonia que foram aceitas tecnicamente, outras não”, afirmou. Padilha disse que seu pai não recebe salário da ONG desde 2009 e que a entidade já havia firmado convênios com o ministério no passado – governo Fernando Henrique Cardoso.

“Eu sei que, por eu estar saindo do Ministério da Saúde, eu vou entrar numa missão de… Cada ato vai querer ter exploração política”, afirmou. Nesta quinta-feira, a oposição informou que pedirá à Comissão de Ética Pública da Presidência apuração se houve irregularidade no contrato firmado com a entidade.

Por Reinaldo Azevedo

 

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