Blogs e Colunistas

Marina Silva

13/06/2011

às 6:47

O PM, o Partido da Marina, busca uma barriga de aluguel; a alternativa é criar um novo partido

O Estadão Online trouxe na noite deste domingo — e, acredito, a versão impressa deve publicá-la nesta segunda — reportagem de Fernando Gallo segundo a qual Marina Silva e o grupo de “marineiros” (não escrevo essa palavra sem certo constrangimento… alheio) já estão praticamente fora do Partido Verde. A razão é simples: o PV insiste em não ser o PM, o Partido da Marina. Onde já se viu? Vamos devagar aí… Existe a democracia ocidental, e existe a “democracia da floresta”. Essa vertente nativa troca um Clístenes e um Péricles pela sabedoria natural do espírito da mata, que, pelo visto, é aristocrática — com direitos ancestrais herdados — e ditatorial, como costuma ser a ordem da… natureza! Nesse arranjo, partido em que Marina esteja tem de ser comandado por… Marina, ora essa!

A ex-senadora e os “marineiros” não decidiram ser parte do PV; o PV é que deveria ser uma fração do marinismo. Informa a reportagem do Estadão:
“O grupo retarda o anúncio porque estuda os próximos passos a dar. No momento, a tendência mais provável é a criação de um novo partido, mas outras hipóteses são consideradas. Isso porque não há tempo hábil para fundar uma nova sigla a tempo de participar das eleições municipais de 2012 - a lei exige filiação mínima de um ano aos futuros candidatos. Outro problema seria a falta de bons palanques nos Estados para Marina em 2014, problema já sentido dentro do PV, na eleição de 2010. Por outro lado, a migração para outra legenda é improvável, uma vez que o grupo teme que situação análoga à guerra hoje deflagrada no PV possa se repetir. Ainda assim, assessores de Marina fizeram circular no mês passado rumores de que a ex-senadora teria se aproximado do PPS.”

Deixariam também o PV Fábio Feldmann, candidato ao governo de São Paulo em 2010; o empresário Guilherme Leal, candidato a vice na chapa de Marina, e João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do ministério do Meio Ambiente.

Segundo entendi, há uma candidatura à Presidência da República em busca de um partido. É… Faz sentido. Marina já está em campanha eleitoral faz tempo. Começou ainda no segundo turno das eleições do ano passado. No momento, seu cavalo de batalha é o Código Florestal. Marina quer porque quer dar uma rasteira na produção agropecuária brasileira — e conta, como contou no ano passado — com o apoio entusiasmado de setores importantes da imprensa, que não cansam de divulgar números errados sobre os hectares produtivos existentes no Brasil.

Marina, vá lá, exibe seu lado admirável. Poucas pessoas têm um abordagem tão autoritária do processo político e despertam, ao mesmo tempo, tanta simpatia. Não deixa de ser um talento…

Por Reinaldo Azevedo

25/05/2011

às 5:57

Ô Dona Marina, gente também é bicho!

Não, queridos! A racionalidade ainda não venceu. Apenas ganhou uma partida ontem com a aprovação da proposta de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e da emenda do PMDB, que, se mantida, impedirá que um burocrata de Brasília decida o que se pode e o que não se pode plantar na beira de um arroio no interior do Rio Grande do Sul. A batalha será duríssima no Senado. O colégio é muito menor, o quer facilita a pressão do governo e a patrulha das ONGs e dos setores “verdopatas” da imprensa. Vocês sabem o que é um verdopata, não preciso explicar.

Ontem, no Twitter e mesmo em comentários enviados a este blog, alguns diziam: “Gostaria de ver a cara de Marina agora”. Não será de felicidade porque, convenhamos, nunca é. Ela sempre tem aquele ar grave, de quem já viajou no tempo, viu o apocalipse e veio nos contar como é que é — a menos, evidentemente, que a gente se comporte direito e tome as devidas precauções contra as suas antevisões escatológicas. No íntimo, independentemente do resultado, a política Marina tem razões para estar feliz. Já está em campanha para 2014. Com mídia gratuita.

Nunca ninguém perdeu um centavo prevendo o apocalipse. Sempre há tolos que acreditam e que até pagam por isso. A diferença entre Marina e Harold Camping, o pastor que previu o fim do mundo para 1994 e, depois, para o sábado passado, é que ele é tolo o bastante para botar uma data na sua loucura. As escatologias “verdopatas” são bacanas porque prometem que a Terra fatalmente entrará em colapso daqui a 300 anos… Bem, só me resta dizer: “Duvido! Quando chegar a hora, vamos ver quem estava certo…”

Todas as teorias sobre o fim dos tempos falharam — inclusive a dos malucos do aquecimento global. Mas eles insistem em vender as suas escatologias porque o “verdismo” e o “fim-do-mundismo” é a religião dos agnósticos politicamente corretos. Marina e os verdes satanizaram o texto de Aldo Rebelo o quanto puderam e mobilizaram uma horda de ignorantes que nem se deram ao trabalho de ler a proposta.

As mentiras foram se multiplicando. Tão logo uma era desmoralizada, lá vinha outra. Afirmou-se, por exemplo, o que foi impiedosa e cuidadosamente desmontado neste blog, que a aprovação do código predisporia o país a tragédias como a de Petrópolis porque incentivaria a ocupação de áreas de risco nas cidades. O texto nunca tratou, e não trata, da ocupação do solo urbano.

Afirmou-se, e se mantém a falácia, que é a proposta de Aldo a anistiar os desmatadores autuados antes de julho de 2008, quando, na verdade, a suspensão da multa — não a anistia — está em vigência hoje, em razão de um decreto de Lula e Carlos Minc; para tanto, impõem-se certas exigências ao produtor rural; o relator apenas incorporou a seu texto o que já existe. Ignora-se que o novo códifo, agora sim, cria as condições para o desmatamento ilegal zero — desde que o governo tenha condições de vigiar e punir. Mas isso nada tem a ver com o texto em si. Esse governo não consegue vigiar fronteiras, por exemplo.

A mais nova e estúpida mentira atribuiu ao novo texto — e Marina foi a maior propagandista da falácia — o suposto e a ser comprovado desmatamento recorde do Mato Grosso; ele teria acontecido na expectativa da “anistia” (que não existe). Mas como? A suspensão das multas vale de julho de 2008 para trás. Por que o governo federal não descobre os desmatadores, se desmatamento houve, e os processa? Não! Prefere o caminho do proselitismo.

O texto de Aldo Rebelo, se aprovado como está no Senado, permitirá que este país siga como aquele que mantém, no mundo, o maior percentual de florestas naturais preservadas. Podemos fazê-lo sem que, para isso, seja necessário diminuir a área plantada, como querem os “verdopatas”. Também vai proteger da sanha dos misantropos milhões de pequenos proprietários, que, por força da legislação, tiveram lavouras centenárias postas na ilegalidade.

Oxalá o Brasil tenha condições de manter, sim, os 60% de floresta nativas que cobrem o seu território e 70% dos biomas preservados. Em 30% dos território, o país realiza o prodígio de ter a agricultura e a pecuária mais competitivas do mundo, as cidades e as obras todas de infra-estrutura.

Estamos fazendo a nossa parte. Agora o Greenpeace e a WWF devem levar esta mesma luta aguerrida à Alemanha, à França, à Inglaterra, aos EUA e à China para que esses países recuperem 60% de sua cobertura vegetal original. 60% é muito? Que tal 30%? Essa gente é ridícula! Mas não é ridícula sozinha. Conta com os “descolados” nativos que colhem arroz no Carrefour, feijão no Wal-Mart e carne no Pão de Açúcar…

Para encerrar: “Ô Dona Marina, seja bondosa! Gente também é bicho!”

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2011

às 20:54

Festival de Besteiras que Assola o País

Como quem fala das profundezas de uma verdade ancestral, vejo a ex-ministra Marina Silva no Jornal Nacional a dizer:

“O pretexto de que, para a agricultura crescer, é preciso destruir a floresta é muito ruim”.

Pretexto? Que pretexto? É por isso que digo que a turma da clorofila pode ser mais doida que a turma do cânhamo. Ninguém usa isso como pretexto, não, ué. Quem acusa a agricultura de avançar no sacrossanto espaço da floresta é Marina; quem quer destruir plantações que estão à beira de riachos há décadas é Marina!

Aí vejo o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), a dizer que não adianta nada o Congresso aprovar uma proposta com a qual Dilma Rousseff não concorde porque ela pode vetar, e nada acontece.

É raro, difícil, sei disto, mas Vaccarezza deveria se lembrar de que existe a possibilidade de derrubada do veto presidencial.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2011

às 15:21

Uns deliram com cânhamo; outros, com clorofila. Ou: Mais uma vez, Marina lidera caravana contra o Congresso

A Marcha dos Maconheiros não foi a única manifestação verde neste fim de semana em São Paulo. Ontem, no Ibirapuera, Marina Silva liderou um ato contra o novo Código Florestal, que teria reunido 1.500 pessoas. O parque, nos fins de semana, reúne muito mais gente do que isso. Assim é bico ter público. Quero ver os verdes juntarem esse tanto em Parelheiros… Manifestação de ecologista ainda não descobriu o pobre, que costuma ser reacionário e produtivista, hehe.

Mas vá lá. O evento juntou outros políticos, como os deputados federais Ricardo Tripoli (PSDB), Paulo Teixeira (PT) e Ivan Valente (PSOL). O superconservacionista MST, que nunca desmata  nada, estava lá. Também presentes as ONGs nacionalistas Greenpeace e WWF…

Dando curso a duas das maiores mentiras políticas dos últimos tempos, Marina atribuiu o desmatamento no Mato Grosso à expectativa de aprovação do Código — é falso porque a anistia que ele contempla se refere a autuações anteriores a julho de 2008, e o desmatamento denunciado (ainda não-verificado, é bom informar) é de 2011… Insistiu ainda que políticos estariam dispostos a pegar leve com Antonio Palocci desde que se aprove o texto de Aldo Rebelo. É mentira porque o Congresso quer votar  o novo código há mais de um mês. É que a Santa da Floresta conjura os Espíritos da Clorofila para impedi-lo. Marina anunciou um abaixo-assinado que será entregue a Dilma com a assinatura de ex-ministros do Meio Ambiente, contrários ao novo texto. A presidente os recebe hoje.

À sua maneira, os verdes do cânhamo e da clorofila detestam a Constituição. Uns querem licença especial para desrespeitar a lei; outros acham que o Congresso não é política e moralmente competente para votar o código. É a terceira vez que Marina apela ao tapetão do Executivo contra o Parlamento.

Por Reinaldo Azevedo

21/05/2011

às 6:17

Marina inventa teoria conspiratória para tentar impedir aprovação do Código Florestal

Marina Silva, a Santa do Pau Oco da Floresta, demonstra que, definitivamente, não tem grande apreço pelos fatos, pela verdade. Segundo disse esta gigante da bondade à revista Época, o governo fez um acordo para votar o Código Florestal só para tentar livrar a cara de Antônio Palocci.  Como uma coisa se relaciona com a outra? Ela não diz. Nem poderia. É puro delírio!

A ligeireza com que esta senhora saca contra a honra alheia — só para fazer o bem, é claro! — é impressionante. Na entrevista, diz que Aldo Rebelo só acusou o seu marido de envolvimento com tráfico de madeira para constrangê-la. E emendou: “Quiseram fazer comigo o que estão tentando fazer com o ministro Palocci.” E o que seria?

Leiam trecho da resposta:
“Estão querendo usar o ministro Palocci. Nada justifica querer pressionar o governo usando esse artifício. Estranhamente, esse assunto entrou na pauta e, em seguida, foi feito um acordo para votar o Código com a garantia da liberação vergonhosa de atividades econômicas dentro da floresta.”

Vai ver as denúncias que pesam contra o ministro fazem parte de uma grande conspiração dos ruralistas. Tenha paciência! A esmagadora maioria do Congresso já queria votar o Código na semana passada e foi atropelada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ocorre que Marina não se conforma em ser minoria e em perder uma votação. Afinal, ela é a fonte de todo bem da Terra, a porta-voz da Mãe Natureza!

Ela não se conforma é com a democracia.

Duas vezes a vestal foi ao Palácio do Planalto e conseguiu, numa conversa com Palocci, adiar a votação. Já deixou claro que não considera o Congresso o fórum adequado para debater o Código. Para Marina, o verdadeiro Parlamento a definir o novo código são as ONGs internacionais que a paparicam.

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2011

às 15:55

A imprensa faz de conta que Aldo Rebelo não disse o que disse

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) afirmou ontem com todas as letras na Câmara: “Quem fraudou contrabando de madeira foi o marido de Marina Silva!”. Referia-se a Fábio Vaz de Lima. Num post desta madrugada, recuperei as circunstâncias que, tudo indica, acabaram resultando na acusação. Como Aldo é um político da base do governo, foi acionado, à época, para impedir que o dito-cujo fosse convidado a prestar esclarecimentos a uma comissão da Câmara. Atuou, sugeriu, também a pedido de Marina.

Não sei se o que noto até agora vai se confirmar, mas o fato é que a maioria da imprensa registrou a fala de Aldo como se ele tivesse dito: “Hoje [ontem] é quarta-feira”. Nem mesmo houve interesse em contar o básico: afinal de contas, Aldo falava sobre o quê?

Qualquer outra pessoa da República — até Lula!!! —  que fosse alvo de acusação parecida , naquelas circunstâncias, mereceria imediatamente o que se chama “uma memória do caso”, aquela que fiz na madrugada. Como o assunto diz respeito a Marina Silva, então há uma primeira zona de interdição, que parece ser de natureza religiosa.

Primeiro é preciso atravessar o campo de força da santidade, que afasta naturalmente especulações, para, se vencida essa fase, tentar saber do que se está falando. Fica parecendo que a ex-senadora não pertence a nenhum grupo que disputa o poder. Mais do que isso: fica parecendo que ela não pertence a nenhum grupo que já exerce o poder. No Acre, ela caminha para 16 anos de governo, fiquem sabendo. Lá, a sua turma dá as cartas. Marina perdeu feio a eleição presidencial no seu estado, mas não foi por falta de apoio dos Irmãos Viana.

A imprensa hoje nem mesmo destacou que o petista Sibá Machado (PT-AC) saiu ontem em defesa da Santa do Pau Oco da Floresta. Por virtude ou por vício? Decida o leitor! Quando o marido de Marina foi acusado de irregularidade, era, para todos os efeitos, “assessor” de Sibá. Ocorre que Sibá era nada menos que o suplente de Marina e só estava no Senado porque ela ocupava o Ministério do Meio Ambiente.

Na hipótese mais benigna, há de se supor que, moralista como é, certo?, Marina jamais contrataria o marido para o seu próprio gabinete se estivesse no Senado, contentando-se com um único salário do poder público. Como se tornou ministra, então seu suplente fez por ela o que ela própria não faria por prurido moral. Assim, temos que, por muito moralista, em vez de receber um só salário, a família marineira passou a receber dois.

Mas Marina está acima dessas vulgaridades. Como repetia um deputado do PV na noite de ontem na Câmara, onde já viu falar essas coisas? Não fosse Aldo um “traidor”, como acusou o carbonário preservacionista (!?) Alfredo Sirkis, ninguém jamais tocaria no assunto. Marina segue com o monopólio da metralhadora verbal virtuosa. Pode destroçar a reputação de quem quiser, como fez ontem via Twitter com a de Aldo, mas ninguém pode reagir aos ataques benignos desta telúrica entidade.

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2011

às 15:05

Agronegócio - Essa gente que Marina, o Greenpeace e a WWF odeiam salva o Brasil do desastre. Aos números!

Não contem para Marina Silva!
Mas o agronegócio brasileiro salva a balança comercial, as reservas e, literal e metaforicamente, a lavoura. Não fosse ele, estaríamos de pires na mão. E, em muitos aspectos, era ele o réu naquela vergonhosa sessão de ontem na Câmara. Leiam o que vai abaixo. Volto depois.

Exportações do agronegócio atingem US$ 7,9 bilhões em abril

Por Ana Carolina Oliveira, na Folha Online:
As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 7,9 bilhões em abril. Isso representa um incremento 24,4% em comparação ao mesmo mês de 2010, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério de Agricultura. No acumulado do ano, a balança comercial do agronegócio brasileiro registrou US$ 81,3 bilhões, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Por conta desse desempenho, o superavit comercial também subiu e alcançou os US$ 66,6 bilhões.

O principal responsável pelo resultado foi o complexo soja (grão, farelo e óleo), que apresentou um crescimento de 35,7% e totalizou US$ 3 bilhões (38,4% do total exportado em produtos do agronegócio no mês de abril de 2011). A quantidade exportada de grão e farelo aumentou 3,6% e 11,6%, respectivamente, assim como os preços dos produtos subiram 29,9% e 37,8%. Apenas o óleo teve redução no volume exportado (37,3%), mas o aumento de 51,8% no preço mais que compensou esta queda.

A segunda mercadoria mais importante em valor exportado no mês foi a carne, responsável por um aumento na receita de 19,2%, o que representa US$ 1,3 bilhão em abril de 2011 (em 2010, o montante registrado no mês foi de US$ 1,1 bilhão). A terceira posição ficou com o complexo sucroalcooleiro (etanol e açúcar), com 10,6% do valor total exportado em produtos do agronegócio. De US$ 677 milhões em abril de 2010, o valor passou para US$ 839 milhões em abril deste ano, indicando um crescimento de 23,9%.

Os preços do açúcar e do álcool aumentaram 28,9% e 37,7% no período, respectivamente. Apesar disso, ambos sofreram queda na quantidade exportada –as vendas de açúcar caíram 3,9% e as do álcool encolheram 7,6%. O valor das exportações de açúcar totalizou US$ 811 milhões (aumento de 23,8%) e o álcool, US$ 28 milhões (incremento de 27,3%). Esses três setores –complexo soja, carnes e complexo sucroalcooleiro– concentraram US$ 5,1 bilhões, o equivalente a 65,7% do valor total exportado de produtos do agronegócio em abril de 2011. Em abril do ano passado, a produção desses setores somados respondera por 63,4% do total exportado.

Voltei
Conforme escrevi ontem, as questões que dizem respeito às grandes propriedades e à produção agropecuária voltada para a produção em escala, que exporta e põe comida barata na mesa do brasileiro, estão resolvidas. Elas não emperram a aprovação do novo Código Florestal. Não que Santa Marina e seus “ecólatras” não tenham tentando fulminar também o agronegócio. As ONGs que fazem a sua fama têm interesses globais que não estão comprometidos com a produção nacional. É uma questão de fato.

A luta dos bravos “defensores da natureza” ontem era CONTRA os agricultores pobres. As Milícias do Bem se organizaram para cassar do produtor rural áreas destinadas à agricultura há mais de cem anos. E acenam com o fim do mundo, como se o Brasil não fosse o país com a maior área de florestas preservada do planeta. Como fica feio admitir que estão massacrando pobres, então surgem as acusações: “Isso tudo é coisa do agronegócio”.

E o “agronegócio” se transforma no grande vilão. Quando o deputado Alfredo Sirkis  (PV-RJ) chamou ontem Aldo Rebelo de “canalha” e “traidor” (uma vez carbonário…), estava, pela via da desqualificação, associando o deputado aos “terríveis” ruralistas. E quem são os ruralistas? Essa gente que produz os números que se vêem acima; essa gente que salva o Brasil do desastre; essa gente que responde pela estabilidade da economia; essa gente que Marina Silva, a WWF e o Greenpeace odeiam.

Não só eles. O ódio também está nos jornais, espalha-se pela grande imprensa. Ontem, ouvindo um tantinho de rádio no carro (Dona Reinalda insiste em coisa séria enquanto dirige…), o locutor, uma notória besta ao quadrado, lamentava o que seria o desastre da natureza se o novo Código Florestal fosse aprovado. Deixava subentendido que era o agronegócio o culpado pela suposta tragédia que adviria com o novo texto. Nos grandes portais, com raras exceções, vilão era Aldo, não Cândido Vaccarezza, que humilhou a Câmara.

A síntese é a seguinte: o setor que literalmente salva a lavoura da economia brasileira é obrigado a se defender como se estivesse num tribunal, acusado por vagabundos que devem seus respectivos empregos à estabilidade que aquela gente malvada sustenta. Cospem na comida que comem. Estão de tal sorte ocupados em salvar o mundo ideal que se esquecem do mundo real. E só para encerrar: o texto de Aldo traz regras para preservar a natureza, não para devastá-la, conforme faz crer a maior máquina de mentiras que já tomou conta do debate público no Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2011

às 6:51

A mão rápida de Marina no Twitter e o contra-ataque de Aldo

Havia uma figura de negro ontem na Câmara, ar severo, pés no chão, cabeça nas estrelas, coração na mata, o espírito nas esferas celestiais. Era Marina Silva, a verde, vestindo preto para expressar seu luto pela eventual aprovação no novo Código Florestal. A vestal já tinha marchado duas vezes sobre Brasília, indo de seu templo, onde guarda o fogo sagrado, até o templo do poder, o Palácio do Planalto, pedir que não se votasse o texto. Nada de debater na planície. Nada de tentar negociar no Congresso — ela até já havia desdenhado um tantinho do Parlamento. Quem decide, ela deixou claro, é o governo. É a democracia que teremos se esta senhora um dia chegar lá.

Muito bem! Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara — aquele que quer criar um código verde, sim, mas para as cooperativas de maconheiros — , discursou e afirmou que Aldo Rebelo (PC do B) havia mudado o texto acordado com o governo e com as oposições. Teixeira não é mentiroso, a gente sabe, mas aquilo que ele dizia era uma mentira.

Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, e Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, haviam acompanhando pessoalmente a feitura do texto. O busílis era outro. Usando um direito constitucional que tem, os partidos de oposição fariam um destaque para tentar tirar do governo o direito de legislar sobre culturas agrícolas por decreto (ver texto acima).

Foi o bastante para que a santa do pau oco da floresta mandasse brasa no Twitter: “Estou no plenário da Câmara. Aldo Rebelo apresentou um novo texto, com novas pegadinhas, minutos antes da votação. Como pode ser votado?!” Marina é assim: a Aiatolá da Natureza decreta a fatwa contra a reputação de quem bem entende, e danem-se os fatos. Não tinha havido alteração nenhuma texto — tanto que ele estava devidamente assinado por Teixeira. Aldo se zangou e mandou ver: “Quem fraudou contrabando de madeira foi o marido de Marina Silva!”. Segundo Aldo, quando líder do governo na Câmara, foi procurado por Marina para convencer outros deputados a não convocar o marido, Fábio Vaz de Lima, a prestar esclarecimentos no Congresso sobre a denúncia de crime ambiental.

O plenário explodiu em aplausos. Os verdes ensandeceram. O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) tratou o relator aos berros: “Canalha! Traidor!”. Um outro, não sei quem, queria que Aldo, imaginem vocês, pedisse desculpas a Marina, como se uma divindade tivesse sido desrespeitada. Não custa lembrar: no debate eleitoral do ano passado, Marina afirmou que a violência estava fora do controle em São Paulo… Quem vai contestar a entidade, não é mesmo?

Mogno
Ainda em 2004, o Ibama, subordinado a Marina, fez uma doação de 6 mil toras de mogno apreendidas para a ONG Fase (Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional). A Fase era uma das entidades que integrava o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), de que Fábio, o maridão, era dirigente. Houve denúncias de que a política de doação do Ibama seria uma forma de esquentar madeira ilegal extraída da Amazônia. O próprio TCU condenou a doação, dizendo que ela foi promovida sem observar os princípios da isonomia, impessoalidade e publicidade. “Ao menos nos elementos trazidos aos autos, não ficaram claros os motivos que levaram à escolha da Fase como donatária”, disse o relator do processo, ministro Humberto Souto ao Jornal do Brasil.

Ibama
Aldo deu uma mãozinha ao marido de Marina, que eu saiba, como ministro da Coordenação Política, em 2004. Funcionários do Ibama denunciaram uma falcatrua no órgão, e um requerimento do então deputado tucano Luiz Calos Hauly (PR) pediu a realização de uma audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Eram convidados a falar o então presidente do Ibama, Marcus Luiz Barroso Barros; o ex-diretor de Gestão estratégica, Leonardo Tinoco, Fábio Vaz e o chefe do Centro Nacional de Populações Tradicionais (CNPT) do órgão, Atanagildo de Deus Matos.

Segundo a denúncia, o Programa de Desenvolvimento Comunitário das Reservas Extrativistas, financiado pelo BNDES, teria sido superfaturado. Leonardo Tinoco e dois outros servidores teriam sido demitidos porque discordaram dos valores do projeto elaborado pelo Conselho Nacional de Seringueiros. O tal Atanagildo, que já respondia a inquérito administrativo, acusado de desvio de R$ 1,5 milhão em um programa ambiental financiado pelo Banco Mundial, teria feito a tabela de preços para o programa das reservas extrativistas.

Muito bem! E o marido com isso? Ele seria o verdadeiro autor do projeto. À época, estava lotado no gabinete do então senador Sibá Machado (PT-AC). Sibá, suplente de Marina, só estava no Senado porque ela era ministra. Não lhes parece, então, muito natural que o marido da titular fosse assessor do suplente? Sibá, hoje em dia, é deputado federal e saiu ontem em defesa do marido de Marina. Foi mais longe: pediu, sabe-se lá com que autoridade, que a fala de Aldo fosse retirada dos anais da Câmara.

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2011

às 1:00

Fraudador é o marido de Marina, dispara Aldo Rebelo, depois de acusado no Twitter pela ex-senadora

O deputado Aldo Rebelo é do PC do B. Eu não passei a gostar do PC do B porque concordo com a sua proposta de um novo Código Florestal. É bem possível que a gente não concorde em mais assunto nenhum, não sei. Pertence à base do governo e já foi ministro de Estado. Amigos meus já trabalharam com ele, gente que respeito. Equivocado ou não ideologicamente, sempre me asseveraram que se trata de um homem íntegra, que atua com extrema correção. Na presidência da Câmara, é fato, não se viu um só ato atabalhoado ou espetaculoso. Gente séria se ofende quando atacada de modo covarde.

E Marina Silva atacou Aldo com covardia. Presente à Câmara, a ex-senadora decidiu acusar o deputado, via Twitter, de ter fraudado o texto que estava para ser votado. Aí é fácil. Ele cai na boca do sapo sem poder se defender.

Mas Aldo ficou sabendo e não teve dúvida: depois de humilhar Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara (direi como em outro texto), mencionou a acusação de Marina e, de modo inequívoco, disparou: quem fraudou exportação de madeira foi o marido de Marina Silva. Ele se referia ao Fábio Vaz de Lima. Depois conto detalhes dessa história. Aldo disse mais: como ministro da Coordenação Política do governo, atuou para  que o outro não tivesse de depor na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.

Os deputados explodiram numa salva de palmas.

Os deputados verdes reagiram como se a encarnação do próprio Deus estivesse sendo atacada. Ainda voltarei ao tema. A regra tem de ser a seguinte: Marina diz o que bem entende, e as pessoas que ela agride não podem responder!

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2011

às 16:33

No fim das contas, Marina não reconhece autoridade do Congresso para decidir; as ONGs seriam o verdadeiro Parlamento brasileiro

A pressão de Marina Silva para que não se vote o novo Código Florestal parte de um pressuposto complicado: o de que o Parlamento não tem legitimidade para decidir a questão. Notem: se estivéssemos diante de um projeto de última hora, redigido no joelho pela maioria esmagadora de que o governo dispõe na Câmara e no Senado, elaborado para ser aprovado na base do rolo compressor, vá lá… Mas não é isso. Os temas já foram debatidos à exaustão. Participaram do debate quantos por ele se interessaram. As teses de alguns ongueiros foram vencidas, inclusive, pelo caráter anti-social de muitas delas.

Diz o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que, apesar da declaração de Antonio Palocci (ver post abaixo), não há um orientação vinda do Palácio do Planalto para adiar a votação do Código, que pode ocorrer até amanhã. Melhor assim. Mas a afirmação não deixa de ter seu lado curioso para a democracia: se governo quer, vota-se; se não quer, adia-se. No Brasil se entende que Legislativo e Executivo só são Poderes harmônicos se o primeiro for subordinado do segundo.

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2011

às 16:11

Código Florestal: ONGs levam Marina, de liteira, ao Planalto, e Palocci, agora, quer adiar a votação

Marina Silva deu uma de vestal — daqui a pouco, não pisa mais a terra e será carregada numa liteira. Esta senhora, diga-se, vai se constituindo, com o beneplácito de boa parte da imprensa babona, numa figura notavelmente autoritária da política. Já chego lá. Vamos ao fato do dia. Faz tempo que um novo Código Florestal está em debate. A nossa Deusa da Floresta sempre se negou a confrontar suas idéias com as de seus oponentes — preferindo ameaçar a Terra e o país com o apocalipse. Conta, para isso, com o apoio de ONGs fartamente financiadas e de colunistas que não distinguem um pé de feijão de erva daninha. Caso se dissesse a alguns deles: “O povo pede alho”. A resposta seria uma só: “Ora, que coma bugalho”…

Certa de que a “mídia” amiga seria eficiente em matar o relatório de Aldo Rebelo (PC do B-SP) antes mesmo que ele viesse a público, Marina se limitou ao seu tradicional “quero não, posso não, os deuses da floresta não deixam, não”. Como o debate avançou, chegou a hora de apelar aos universitários. Aí a até então omissa SBPC resolveu fazer o seu relatório recheado de elogios à agricultura brasileira (que remédio?) e apocalipses para tentar adiar a votação do projeto por mais dois anos… A iniciativa também não vingou.

Como sabe ou pode saber o leitor, as vestais romanas, virgens sem mácula, eram encarregadas de manter aceso o fogo sagrado. Gozavam de grande prestígio. Os altos dignitários de Roma lhes confiavam segredos, e elas costumavam ser chamadas para dirimir conflitos e apaziguar dissensões. Excepcionalmente, podiam abandonar seu templo e desfilar pela cidade em sinal de protesto se considerassem que uma grave ameaça pesava sobre Roma.

Foi o que fez Marina hoje. As ONGs resolveram carregar a nossa vestal até o Palácio do Planalto, onde ela se encontrou com Antonio Palocci. Ela reivindica no tapetão o que não conseguiu no debate político: o adiamento da votação do relatório. Palocci, aquele bonachão todo-sorrisos, aderiu à causa de Marina com uma formulação um tanto estranha à democracia: disse que o governo está 100% em desacordo com o texto de Aldo. E se explicou: a concordância seria só de 95% — e, para ele, se não é tudo, então é nada.

Eu entendia, até então, que Parlamento existe, entre outras coisas, para isto: para dirimir os 5%, 10%, 15% ou 100% de desacordo. É uma concepção nossa de democracia essa esboçada por Palocci, o sorridente.  Votações, então, segundo essa concepção, são como as homologações do, por assim dizer, Parlamento chinês. Só se for com 100%…

Aldo debateu o seu texto país afora. Marina preferiu fazer a cabeça dos ditos “formadores de opinião”. A democracia brasileira tem uma instância chamada Congresso. Marina prefere os carregadores de liteira das ONGs, aqueles que a acompanharam à reunião com Palocci levando consigo uma espécie de mandato apátrida, ao Parlamento.

Um padrão
Marina, eu já escrevi umas 800 vezes, é a outra personagem inimputável da política brasileira. Só perde para Lula. São beneficiados pelo preconceito de origem às avessas. Como vieram “do povo”, não se questionam seus propósitos. Seriam depositários de uma espécie de verdade ancestral. Note-se, a título de ilustração, que, quando ela deixou o governo, falou-se de seu conflito com Dilma, não com Lula…

A ex-senadora tem um método: se ela perde o debate nas instâncias consagradas para decidir um embate, apela, então, à galera. Está fazendo isso no PV. Desembarcou no partido de mala e cuia, conhecendo as regras. Fez-se candidata deixando claro, sempre!, que era maior do que a legenda. No momento, está empenhada em depor a direção da legenda. Como foi derrotada nas instâncias internas — cujas regras ela prometeu acatar quando se filiou —, foi para o debate público, certa de que ela não precisa ter razão para conquistar adesões. Afinal, do outro lado, está um tal José Luiz Penna, cuja biografia, em face de Marina, se esmaga com facilidade.

Ninguém nem precisa saber o que Marina quer exatamente. Basta saber que ela quer uma “coisa”.

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2011

às 22:54

Vem aí, acreditem, “Marina, a Filha do Brasil”!!!

Putz! A vida de Marina também vai virar filme! Como indagaria Fernando Pessoa, onde é que há gente comum nesta terra? Leiam o que segue:

Na Folha Online:
A editora Mundo Cristão acaba fechar contrato com a Cineluz Produções, da cineasta Sandra Werneck, cedendo os direitos de filmagem do livro “Marina: A Vida por uma Causa”.

Ainda sem previsão para o início das gravações, a biografia conta a história da ex-candidata à Presidência da República desde a infância no seringal, onde cresceu dependente da plantação de borracha, à conversão evangélica.

Os problemas de saúde e o envenenamento por metais pesados –provavelmente causado pela superdosagem de remédios para o tratamento da leishmaniose– também são abordados.

Em formato de livro-reportagem, o exemplar — com prefácio do cineasta Fernando Meirelles — foi elaborado e escrito pela jornalista Marília de Camargo César.

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2011

às 7:35

Marina volta a criticar dirigentes do PV

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Em novo recado à direção do PV, a ex-presidenciável Marina Silva afirmou ontem que não teria se filiado ao partido sem a promessa de renovação em seu comando. Ela disse que recusaria o convite se os dirigentes verdes tivessem demonstrado a intenção de barrar mudanças na sigla, presidida por José Luiz Penna desde 1999. “Se alguém tivesse me dito, eu não teria entrado”, afirmou à Folha. “O que foi dito é que havia problemas, mas que estava em curso um processo de mudança.” Marina reclamou de “dirigentes que querem manter suas posições no partido” e, segundo ela, recusam-se a cumprir o compromisso de “modernizar” a legenda. Ela também rebateu críticas de aliados de Penna que, nos bastidores, a acusam de tentar derrubá-lo para assumir o controle da sigla.

“Só estou buscando ser coerente com as razões pelas quais eu me filiei”, disse a ex-senadora. “Não dá para continuar falando em nova forma de fazer política se acharmos que está bom assim.” Desde a semana passada, verdes próximos a Marina falam abertamente na hipótese de sair do PV e criar um novo partido para abrigá-la se Penna continuar no poder. Ela nega o plano em declarações públicas, mas fez uma ameaça velada anteontem, ao liderar ato pela “democratização” do PV em São Paulo. Diante de uma plateia de “marineiros”, a ex-presidenciável lembrou sua saída do Ministério do Meio Ambiente, em 2008, e a desfiliação do PT, no ano seguinte. “Quando achei que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o governo, pedi para sair. Quando senti que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o partido [PT], saí do partido.” Ontem, Marina voltou a negar a ideia de mudar de sigla. “Não estou cogitando essa história de sair do PV ou criar outro partido.”

ESTRATÉGIA
Depois de receber o apoio público de verdes históricos, como Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, a ex-senadora dedicou o dia de ontem a uma série de entrevistas aos principais veículos do país, marcadas por sua iniciativa. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2011

às 7:05

Rival de Marina no PV diz que continua no comando do partido

Por Bernanardo Mello Franco, na Folha:
Pressionado pelo grupo da ex-senadora Marina Silva, o presidente do PV, José Luiz Penna, afirmou ontem à Folha que não vai renunciar e que continuará no comando da sigla enquanto tiver maioria na Executiva Nacional. No cargo desde 1999, o deputado disse que a crise instalada pela rebelião dos “marineiros”, que ameaçam sair e fundar uma nova legenda, “não é nada demais”. “Estou tranquilo. Enquanto merecer a confiança da maioria do partido, vou continuar trabalhando”, disse.

Penna ironizou as críticas da ex-presidenciável, que tenta substituí-lo por um aliado para controlar a sigla. “Ser presidente de partido talvez só seja pior do que ser presidente da Funai. Ninguém pode querer um troço desse. É uma dureza.” Ele afirmou que a Executiva é “soberana” e não acreditar na saída de Marina. “A margem para entendimento é muito grande.” Penna se irritou ao comentar as críticas do presidente do diretório paulista do PV, Maurício Brusadin, que o acusa de tentar afastá-lo para atingir Marina. “É mentira. Não houve porra nenhuma. Isso é uma bobeira.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2011

às 18:16

Pode vir por aí o “PV do B” ou “Partido da Marina”

Pelo visto, pode surgir o PV do B a qualquer momento. Marina Silva divulgou um texto nesta quinta em que faz severas críticas ao presidente do partido, José Luiz Penna (SP), acusado de sufocar a democracia partidária e de prorrogar o próprio mandato. Naquele estilo característico, escreve:
“Se deixarmos de lado a renovação política dentro do partido, acabou-se a moral para falar de sonhos, de ética, de um mundo mais justo e responsável com o meio ambiente. Podemos até continuar falando, mas soará falso, como voz metálica de robô.”

O texto de Marina vale por um “ou eu ou ele”. A ex-senadora poderia deixar o partido, junto com o seu grupo, e fundar um novo partido de matriz… verde! Certamente a Natura a acompanharia.

Ok, ok, talvez seja tudo verdade, e o tal Penna não passe de um autoritário. Mas essa é só a questão episódica. O fato é que não se conhece conteúdo maior do que o continente: não dá, estoura, é lei da física.

O PV quase não existia — a rigor, quase não existe. Marina conseguiu seduzir 20 milhões de eleitores convictos de que entendiam o que ela dizia. Quantos votariam de novo nela? Vai depender da onda, dos ventos, dos terremotos, sei lá… O fato é que, ainda que conserve apenas um terço dos votos, isso já a faz maior do que o PV. Ela não deixou o PT para se integrar à nova legenda; ela fez o movimento para SER a nova legenda.

É até possível que o tal Penna dance nessa: ela é Marina; ele é quase ninguém. Se não for assim, vem por aí o Partido da Marina. O nome poderia ser esse mesmo. É disso que se trata. Hoje, ninguém apostaria o mindinho na certeza de que Dilma concorrerá à reeleição. Mas você pode apostar a mão, leitor: Marina é candidata à Presidência em 2014, 2018, 2022… Deixou de ser uma política; já é uma entidade.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

às 6:35

Marina cria grupo para “democratizar” PV, mas não descarta fundar nova sigla

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Dois dias após o prefeito Gilberto Kassab ter anunciado a criação de seu PSD, um expressivo grupo de parlamentares e líderes do PV, entre eles a ex-senadora Marina Silva, decidiu pôr na rua um movimento destinado a mobilizar as bases verdes para cobrar a democratização do partido. Eles querem a realização de uma convenção nacional, no prazo de seis meses, e a convocação de eleições diretas para a escolha de novos dirigentes. A médio prazo, se a ação não funcionar, não se descarta a hipótese de o movimento, denominado Transição Democrática, desaguar no surgimento de um novo partido.

O primeiro ato político do grupo está programado para amanhã. Líderes de diferentes regiões do País devem se reunir em São Paulo para o lançamento de um manifesto com as teses do movimento. Segundo um dos organizadores, o presidente do diretório paulista, Maurício Brusadin, ontem já estava confirmada a presença de sete deputados federais - o equivalente a metade da bancada verde.

Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial do ano passado com 19,6 milhões de votos, é aguardada na reunião, mas até ontem seus assessores diziam que ainda tinha com problemas de agenda. A ex-senadora terá um papel importante na segunda missão da Transição Democrática, que é a organização de debates políticos com militantes verdes e simpatizantes por todo o País. Os primeiros devem acontecer no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul.

Reviravolta. A meta do grupo é a renovação do partido. Quando Marina Silva desembarcou no PV, em 2010, ficou combinado que seriam realizadas no primeiro semestre deste ano a convenção nacional e a eleição do diretório nacional. Isso valeu até quinta-feira, quando a direção do partido se reuniu em sua sede, no Lago Sul, em Brasília.

Acatando proposição do deputado Zequinha Sarney (MA), a maioria dos participantes daquele encontro votou pelo adiamento da convenção até 2012. Graças a isso, o atual presidente, o também deputado José Luiz Penna (SP), ganhou mais um ano de mandato - o 13.º. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2011

às 21:11

Corra, Kassab, corra! Olhe a Marina Silva dando sopa aí!

Xiii… Tudo o mais constante, não há como Marina Silva permanecer no PV. Nesse caso, para onde iria? Imaginem se consegue casar o seu ideário com o PSD de Kassab. O discurso que o prefeito tem feito olha mais para a esquerda do que para a direita. Aí, sim, haveria uma chacoalhada e tanto no cenário eleitoral. O PSB, que já tem musculatura, também lhe abriria as portas. Ocorre que Marina é candidata à Presidência em 2014, e  Eduardo Campos é, ao menos, pré-candidato.  Leiam o que informa o Estadão Online.

Por Roldão Arruda, no Estadão Online:
Após meses de atrito, as relações entre a atual direção do PV e o grupo de Marina Silva caminham para o impasse. Já se fala na possibilidade de Marina deixar o partido. Sairia acompanhada por militantes históricos, como o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ) e o jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira (RJ).

O impasse foi explicitado na reunião da executiva nacional do partido, realizada ontem em Brasília. Ignorando os apelos do grupo de Marina e dos históricos para que se promovam eleições neste ano para a renovação dos quadros de direção, a executiva decidiu adiar para 2012 a convenção já programada para meados deste ano. Isso garante ao atual presidente, José Luiz Penna, que detém o controle quase absoluto da máquina partidária, a permanência no cargo por mais um ano. Será o 13.º à frente do PV.

“Tudo indica que estamos caminhando para uma presidência vitalícia, num partido que é parlamentarista”, desabafou ontem Sirkis. “É desalentador, porque 2012 é ano eleitoral e difícilmente a executiva convocará uma convenção.”

Sirkis disse que o grupo de Marina e os históricos ainda irão tentar mobilizar as bases do partido e os grupos que apoiaram a a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente. Sua intenção é pressionar a executiva para que a convenção se realize neste ano, como estava previsto desde que Marina se filiou ao PV, no ano passado. “Vamos convocar reuniões realizar seminários onde for possível”, afirmou o deputado. “Não está descartada a hipótese, porém, de Marina e os verdes históricos saírem para criar um novo partido.”

O deputado ficou surpreso com resultado da reunião. Ele acreditava que o partido iria aproveitar o resultado da campanha eleitoral de 2010, quando Marina obteve cerca de 20 milhões de votos e mobilizou setores expressivos do eleitorado mais jovem, para promover a renovação e o arejamento nos seus quadros.

A história tomou outro rumo quando o deputado Zequinha Sarney (MA) apresentou uma proposta para se prorrogar por mais um ano o mandato da atual diretoria, presidida por Penna. Submetida a votação, ela foi aprovado por 29 votos a 16.

Segundo comentário feito ontem por Sirkis em seu blog na internet, a decisão teria sido motivada por “acordos com as clientelas internas que dominam muitos Estados mantendo o partido na sua condição de vergonhosa estagnação, garantias de cargos e também o medo que existe em relação a qualquer mudança mais profunda no pequeno partido que somos”.

Sobre o estado de ânimo de Marina, comentou: “Marina ficou perplexa ainda que não propriamente surpresa. A animosidade da burocracia no partido contra ela era algo que ela vinha reparando há tempos e eu constantemente lhe garantindo que exagerava. Naquela hora percebi que não. Digamos que, na melhor das hipóteses,  criaram por ela uma relação amor-ódio. Amor pelo que de prestígio indireto pode lhes aportar. Ódio quando sua visão de transição democrática é vista como ameaça a seus poderzinhos…”

Por Reinaldo Azevedo

14/02/2011

às 6:37

Ruralistas deveriam era pedir reserva legal de 50% da propriedade; seria mais rentável…

E por falar em Código Florestal (ver post acima), neste domingo, em entrevista ao Estadão, a ex-senadora Marina Silva, este totem dos povos da floresta, atacou a proposta de Aldo Rebelo. Não disse por quê. Nem precisa.

Se o Código Florestal for aplicado, áreas que estão ocupadas pela agricultura há décadas terão de ser entregues ao “reflorestamento”. Vai diminuir a área plantada — e a produção, é claro, vai cair. Também pode acontecer uma coisa bem à brasileira: o código fica como está, e ninguém dá bola pra ele. Em vez de se institucionalizar o país, desinstitucionaliza-se…

Mas vamos lá, admitamos a possibilidade da diminuição da área plantada. Por que os terríveis “ruralistas” reclamariam? Aliás, se fossem realmente os cúpidos pintados pelos ecologismo do miolo mole, deveriam era pedir reserva florestal de 50% em São Paulo, no Paraná, em Goiás… Como existe lei de mercado, as conseqüências óbvias seriam estas:
- com menos comida, sobe o preço da… comida!!! A margem de lucro se manteria;
- a margem poderia até aumentar; dada certa escala, produzir menos pode até ser mais rentável: diminuem custos de mão-de-obra, insumos, investimento em maquinário e infra-estrutura etc;
- o preço da terra iria parar nos cornos da lua.

É bem verdade que poderia faltar comida para os pobres, mas aí a “agricultura familiar” dos Stediles da vida daria conta, não é mesmo? O chato é que seus abduzidos vivem com a cesta básica que o agronegócio produz… A alternativa seria se embrenhar no mato reflorestado e cantar mantras em homenagem à Mãe Natureza! Ou, então, em vez de soja, feijão, arroz e milho, a gente alimenta o povo com creme anti-rugas…

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2011

às 14:22

Uma coisa é preservar o minhocuçu; outra é “reminhocuçar” o mundo

Vocês perceberam que tenho dado grande destaque à questão do Código Florestal. Por quê? Porque os “preconceituosos do bem” resolveram pespegar no texto de Aldo Rebelo a pecha de “desmatador”, o que é mentira, sustentando que ele só interessa aos “abomináveis ruralistas”. Os “abomináveis ruralistas” formam aquela categoria que produz a comida mais barata do mundo, que o Pão de Açúcar e o Carrefour apenas revendem. Ela não nasce na gôndola.

Alguns “ecologicamente corretos” acreditam que basta combater o agronegócio e parar de usar saquinho plástico de supermercado, e tudo dará certo. Sei… Não se deve emporcalhar o mundo com saco plástico, claro, mas atenção!: substituí-lo por papel não chega a ser um bom negócio para a natureza. Produzir papel emite 70% mais poluentes do que produzir plástico e consome O DOBRO de energia. A propósito: se cada cliente de supermercado tiver de lavar a sua sacola de lona com água tratada quando chegar em casa, é bem provável que a chamada perspectiva verde vá para o… saco!

Mantenho o debate aqui, já disse, porque eu também quero ser uma pessoa do bem, como a Miriam Leitão e a reportagem da Folha, que descobriram que a proposta de Aldo predisporia o país a tragédias como as do Rio porque incentivaria ocupações urbanas irregulares. Como isso não está no texto, eu lhes tenho solicitado que provem o que disseram, o que, até agora, não fizeram. E NÃO VÃO FAZER PORQUE NÃO PODEM.

Parece que o objetivo era mesmo apenas pespegar a pecha e assustar os parlamentares: “Se alguém votar a favor da mudança, vai estar estimulando a tragédia”. Acho que já chegamos àquela fase em que muitos acreditam que é preciso mentir um pouquinho para salvar a humanidade.

Como vocês notam, não tenho preguiça: vou, escarafuncho os códigos, as leis, volto aqui, debato, demonstro, exemplifico. Os que acham que estou errado poderiam parar de ficar gritando “Fogo, fogo na floresta!”, como o Bambi, e demonstrar o que dizem. Ou, então, admitir que estavam errados e que seu único interesse no debate era mesmo “punir os ruralistas” (como eles chamam a categoria responsável pela estabilidade econômica brasileiras), obrigando-os a reduzir a área plantada para “refazer” floresta, o que seria, de fato, inédito no mundo — até parece que o Brasil já não é maior reserva florestal do planeta.

Os babaquinhas acham que estarão punindo o agronegócio. Não! Estarão punido os pobres. No dia em que a área plantada for menor e em que houver, por exemplo, menos alimento, o lucro pode ser mantido ajustando-se os preços, seus Manés! Aliás, o mundo enfrenta um novo ciclo, vamos ver a sua duração, de escassez de alimentos. Parece que viveremos por muito tempo com essa ameaça. Todos tentam plantar mais. No Brasil, Santa Marina Silva da Floresta e seus desinformados amestrados querem plantar menos. Metaforicamente falando, não lhe basta preservar os minhocuçus que existem. Ela e  os finaciadores de “um mundo melhor’ querem  “reminhocuçar” o mundo, compreendem? Quando lembram à ainda senadora que o resultado do “reflorestamento” poderia ser menos produção, ela então saca a Embrapa da algibeira, como se o órgão fizesse milagre em vez de ciência.

Volto ao ponto: A Folha, que fez até editorial a respeito, e a Miriam Leitão devem a seus leitores e ouvintes a prova do que disseram. Ou, então, têm de dizer: “A gente mentiu um pouquinho, mas foi para salvar vocês de si mesmos, como no Alcorão. Estamos numa jihad”. Aí, tudo bem — quer dizer, tudo mal.

Por Reinaldo Azevedo

17/11/2010

às 13:31

Maluquices a granel: Marina candidata à Prefeitura de São Paulo?

A busca de um lugar para fazer política está enlouquecendo muita gente. É próprio de um momento marcado pela hipertrofia de um partido — no caso, o PT. Há muitos “amigos” de Marina Silva, candidata derrotada do PV à Presidência, que defendem, acreditem!, que ela se candidate à Prefeitura de São Paulo em 2012. Qual é o sentido da proposta? Senadora por oito anos e ministra do Meio Ambiente por mais de cinco, Marina tinha “mídia” garantida. Ao se desligar do PT, continuou a ser notícia. Veio em seguida a candidatura pelo PV, e ela pôde mandar o seu recado. Teve 20 milhões de votos. Sem mandato e sem uma grande estrutura partidária, corre o risco de sumir. Como fazer para tentar manter cativa uma parte daquele eleitorado? Não dá para reaparecer como candidata em 2013.

Os defensores dessa possibilidade sabem da dificuldade de eleger Marina prefeita de São Paulo, mas avaliam que é uma maneira de ela “continuar da mídia”. Não seria disputando a Prefeitura de Rio Branco que ela o conseguiria — até porque está longe de ser a rainha da popularidade no Acre, como evidenciaram as eleições de 2010. Não acredito que a maluquice prospere. De saída, haveria algumas dificuldades. Ela teria, por exemplo, de mudar o domicílio eleitoral, como fez Ciro Gomes, com os resultados conhecidos. Todos saberiam, ademais, que não seria um pleito para valer: se vencesse, estaria apenas esquentando os motores para a disputa seguinte, a de 2014…

A tal hipertrofia do petismo asfixia o espaço do debate político, e se buscam, então, soluções artificiais que garantam a sobrevivência de políticos. Estou entre aqueles que acreditam que o eleitorado pode errar — com ironia, digo que ele “erra” sempre que não vota de acordo com o  meu desejo, é claro… Mas bobo não é. Uma mandracaria como essa daria muito na vista, e Marina poderia, isto sim, é se desmoralizar. Acho que buscará outra maneira de ser notícia. Não concordo com quase nada do que ela diz — a parte que consigo entender ao menos, ou a que faz sentido. Mas burra não é. Acho que a fofoca já é parte do esforço para mantê-la na “mídia”.

Por Reinaldo Azevedo

 

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