13/06/2011
às 6:47O PM, o Partido da Marina, busca uma barriga de aluguel; a alternativa é criar um novo partido
O Estadão Online trouxe na noite deste domingo — e, acredito, a versão impressa deve publicá-la nesta segunda — reportagem de Fernando Gallo segundo a qual Marina Silva e o grupo de “marineiros” (não escrevo essa palavra sem certo constrangimento… alheio) já estão praticamente fora do Partido Verde. A razão é simples: o PV insiste em não ser o PM, o Partido da Marina. Onde já se viu? Vamos devagar aí… Existe a democracia ocidental, e existe a “democracia da floresta”. Essa vertente nativa troca um Clístenes e um Péricles pela sabedoria natural do espírito da mata, que, pelo visto, é aristocrática — com direitos ancestrais herdados — e ditatorial, como costuma ser a ordem da… natureza! Nesse arranjo, partido em que Marina esteja tem de ser comandado por… Marina, ora essa!
A ex-senadora e os “marineiros” não decidiram ser parte do PV; o PV é que deveria ser uma fração do marinismo. Informa a reportagem do Estadão:
“O grupo retarda o anúncio porque estuda os próximos passos a dar. No momento, a tendência mais provável é a criação de um novo partido, mas outras hipóteses são consideradas. Isso porque não há tempo hábil para fundar uma nova sigla a tempo de participar das eleições municipais de 2012 - a lei exige filiação mínima de um ano aos futuros candidatos. Outro problema seria a falta de bons palanques nos Estados para Marina em 2014, problema já sentido dentro do PV, na eleição de 2010. Por outro lado, a migração para outra legenda é improvável, uma vez que o grupo teme que situação análoga à guerra hoje deflagrada no PV possa se repetir. Ainda assim, assessores de Marina fizeram circular no mês passado rumores de que a ex-senadora teria se aproximado do PPS.”
Deixariam também o PV Fábio Feldmann, candidato ao governo de São Paulo em 2010; o empresário Guilherme Leal, candidato a vice na chapa de Marina, e João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do ministério do Meio Ambiente.
Segundo entendi, há uma candidatura à Presidência da República em busca de um partido. É… Faz sentido. Marina já está em campanha eleitoral faz tempo. Começou ainda no segundo turno das eleições do ano passado. No momento, seu cavalo de batalha é o Código Florestal. Marina quer porque quer dar uma rasteira na produção agropecuária brasileira — e conta, como contou no ano passado — com o apoio entusiasmado de setores importantes da imprensa, que não cansam de divulgar números errados sobre os hectares produtivos existentes no Brasil.
Marina, vá lá, exibe seu lado admirável. Poucas pessoas têm um abordagem tão autoritária do processo político e despertam, ao mesmo tempo, tanta simpatia. Não deixa de ser um talento…
Tags: Marina Silva, PV


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