Blogs e Colunistas

Marina Silva

30/01/2012

às 6:41

Marina e a pulsação do planeta no Fórum social

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
A ex-presidenciável Marina Silva usou o Fórum Social em Porto Alegre para tentar romper o isolamento, se contrapor ao governo Dilma Rousseff e buscar apoio para uma nova candidatura ao Planalto em 2014. Em ritmo de campanha, participou de sete debates e divulgou seu movimento “Nova Política”, embrião do partido que, segundo aliados, pretende fundar para disputar a Presidência de novo. Nas falas, fez várias referências aos “quase 20 milhões de votos” que recebeu em 2010, pelo PV.

A ex-senadora admitiu, na sexta-feira, a intenção de concorrer em nome do lema da sustentabilidade. “Se para ele continuar sendo relevante for necessário sair em 2014, eu peço a Deus que me dê coragem para fazer de novo, porque não é fácil enfrentar uma batalha como essa”, afirmou. Ela pediu que os movimentos sociais pressionem Dilma a vetar as mudanças no Código Florestal e criticou o governo ao cobrar propostas para a Rio+20. “O Brasil precisa definir qual é a sua posição.” Sem partido e sem mandato, Marina teve ajuda do empresário Oded Grajew, um dos organizadores do fórum, que participou de ao menos três debates ao seu lado.

PULSAÇÃO DO PLANETA
Em meio a ambientalistas, hippies e outras tribos, a ex-senadora passou por momentos de constrangimento. Uma das palestras terminou com um pedido da mediadora para que a plateia fizesse silêncio e fechasse os olhos para sentir a “pulsação do planeta”. Marina manteve os olhos abertos. Em fevereiro, ela viajará pelo Nordeste para fundar novos núcleos de seu movimento com a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

às 22:32

Assim não, Marina! Cadê a honestidade intelectual? Ou: Há o que diz Marina, e há o que dizem os fatos!

Lembram-se quando Marina Silva e o Greenpeace afirmaram que o simples debate sobre o novo código florestal havia aumentado o ritmo do desmatamento? Eu negava, dizia que aquilo era absurdo, que qualquer ação ilegal posterior a julho de 2008 não contaria nem com a possibilidade da compensação ambiental: era multa e pronto. Mas não adiantava. A imprensa comprou a versão dela. Costuma ser assim: Marina fala, os jornalistas que cobrem a área vão atrás. Saíram quilômetros e quiloos de reportagens vocalizando aquela mentira. Só para dar alguns exemplos:

No Estadão, aqui;
Na Folha, aqui;
No Portal G1, aqui.

São só três exemplos entre centenas, talvez milhares de reportagens do gênero. As fontes eram sempre as mesmas: Marina e seus derivados — ou suas versões genéricas — e os patriotas do Greenpeace. No caso, patriotas holandeses, claro!

Se vocês clicarem aqui, lerão a própria Marina a sustentar a tese mentirosa. Ela até reuniu meia-dúzia de gatos pingados no Ibirapuera sustentando a tese.

Muito bem! Então ficamos assim: a expectativa de votação do novo código, diziam, estava aumentando o desmatamento. Não fazia sentido! Não era lógico! Mas e daí? Elas são pessoas boas, né? E eu sou uma pessoa má, que não gosta de mato. Ora…

Desmatamento caiu
Na segunda-feira, todos os veículos de comunicação do Brasil foram obrigados a noticiar um fato realmente interessante. O título de uma reportagem do Estadão Online foi o mais completo:
Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge menor taxa em 24 anos

- Então Marina estava errada, e eu, que não sou ecologista nem vivo disso, estava certo.
- Então o Greenpeace estava errado, e eu, que não sou ongueiro nem vivo disso, estava certo.
- Então os que acreditam em Marina estavam errados, e eu, que acredito nos fatos, estava certo.

No Estadão desta quinta, para escândalo da lógica e da memória, eis que surge Marina. Leiam:
“Ela [Marina] lembrou que os 11% de redução no desmatamento da Amazônia neste ano, comparado ao período anterior, foram obtidos com a atual legislação. ‘Com sua remoção, as coisas podem ficar bem diferentes’”.

É inacreditável!
- Marina afirmava que o desmatamento estava subindo; ele estava caindo;
- Marina afirmava que o debate no novo Código aumentava o desmatamento; ele diminuía;
- Marina afirmava que a expectativa do novo código, na vigência do anterior, acelerava o desmatamento; mas este estava em desaceleração.

Assim, por uma questão de lógica elementar, de honestidade intelectual — sim, Dona Marina, de honestidade intelectual — e de decoro, ela deveria ter vindo a público para dizer: “Eu estava enganada. Se é que o debate do novo código teve alguma influência nessa questão, ela foi favorável à preservação da floresta”.

Encerro
Eu sei. Alguns não gostam de mim, entre outros motivos, porque faço coisas como  esta aqui: confrontar as pessoas com aquilo que elas próprias disseram, pondo a memória dos fatos a serviço da verdade.

Por Reinaldo Azevedo

27/11/2011

às 7:55

Certo tipo de defesa da natureza é a expressão do fascismo pós-moderno. Ou: A gota d’água e o oceano da ignorância convicta

O que levou aqueles atores da TV Globo a estrelar aquele vídeo patético sobre Belo Monte, articulando bobagens constrangedoras e mentiras deslavadas, ancorados na mais escancarada desinformação? O que motivou outros tantos, às vezes os mesmos, a dizer sandices sobre o novo Código Florestal, passando um incrível atestado de ignorância no assunto sobre o qual pontificavam? A “natureza” virou a religião e a ideologia dos idiotas propositivos. É, finalmente, possível “participar”, ser “cidadão”, “pertencer a uma causa” sem que isso cobre disciplina, coerência, trabalho, método, estudo e mesmo comprometimento com as próprias palavras. Estamos diante de um influente “obscurantismo das luzes”. “Todo defensor da natureza é idiota, Reinaldo?” Ora…

É claro que o Brasil e o mundo precisam se preocupar com o meio ambiente e devem buscar formas de conciliar a preservação da natureza que pode ser preservada com as necessidades do desenvolvimento. Isso é matéria de bom senso. É simplesmente mentirosa a tese de que, no Brasil ou em qualquer outro país, as pessoas se dividam entre as preocupadas com a sustentabilidade e as despreocupadas — ou, mais precisamente, entre agentes da conservação e agentes da depredação. Os que fazem essa acusação, reparem, consideram-se do “lado do bem”, verdadeiros membros das seitas que reivindicam o monopólio da virtude. Mimetizam o comportamento dos convertidos a crenças fundamentalistas, que distinguem a humanidade entre os que tiveram acesso à verdade revelada e os que não tiveram.

Crenças religiosas que vivem a fase do proselitismo agressivo, em busca de fiéis, ou mesmo aquelas já tradicionais que disputam o poder secular para submetê-lo à autoridade divina, como os vários islamismos, costumam apontar no presente os sinais antecipatórios ou de uma Nova Aurora ou de um Novo Apocalipse — quando não, das duas coisas: acontecimentos apocalípticos seriam o preço que pagamos por nossa descrença, por nossa incúria, por nossa irresponsabilidade, por nossos malfeitos. Haverá, então, a depuração, e os justos herdarão a bonança. E esses justos são convocados então para a luta.

Nada disso é estranho, eu sei, ao cristianismo também. Ocorre que essa religião, notadamente nas suas duas principais expressões — o catolicismo e o protestantismo histórico —, sem abandonar alguns fundamentos da crença, como a Parúsia (a segunda vinda do Messias), estão presentes na vida das pessoas mais como um conjunto de valores morais e éticos do que propriamente como uma mística, daí a sua convivência pacífica com as democracias. O cristianismo se espalhou nas cidades greco-romanas, lá nas origens, porque se fez a religião da solidariedade. A sua vitória se deveu, em grande medida, à sua dimensão laicizante. Sigamos.

Tanto a religião como a política emprestam aos homens um sentido de pertencimento e impõem certa disciplina militante, que organiza a experiência e a vida prática. Nas sociedades democráticas, são domínios distintos, mas lidam com matéria semelhante: a crença. Ocorre que essa crença, nos dois casos, não pode ser vivida apenas na sua dimensão subjetiva, pessoal, idiossincrática. A fé e a política são essencialmente comunitárias, cobram a ação e estão sob o constante escrutínio dos outros. E isso, evidentemente, dá trabalho. Os novos “profetas” ou “apóstolos” da “Natureza” têm conseguido reunir muitos adeptos Brasil e mundo afora — especialmente em tempos de redes sociais na Internet, quando basta um clique para participar de uma “cerimônia” — porque foram bem-sucedidas, vejam que coisa!, em criar uma religião sem Deus, mas com a dimensão apocalíptica, e uma política sem “pólis”, em que o estado, mesmo e especialmente o democrático, é visto como o “outro” que conspira contra as verdades reveladas.

No dia 14 de novembro, Marina Silva, aquela que finge não ser política — ou que quer uma “nova política” — deu uma palestra no tal SWU, que deve ter produzido apenas o bom carbono, aquele das boas intenções. O Estadão registrou parte de sua intervenção. Assim (em vermelho):
Marina considera que o mundo vive uma de suas maiores crises, “uma crise civilizatória”, que se espraia pelas áreas social, ambiental, política, estética e até mesmo de valores. Para ela, o homem terá de integrar economia e ecologia em um mesma equação se quiser que o planeta tenha futuro. Citou Freud (”Não podemos abandonar o princípio da realidade em nome do princípio do prazer”) e Edgar Morin (”A intolerância é apenas um desvio”) para justificar uma tese que, revelou, elaborou ontem em um quarto de hotel.
“Eu pensei: ‘estamos vivendo um momento de democracia prospectiva’. Fui até a janela respirar e pensei: ‘Meu Deus! Eureca!’ Segundo ela, as diversas formas de participação social, das manifestações da Primavera Árabe aos atos dos estudantes na Espanha, demonstram que o antigo sistema político, que se manifestava primeiro nos partidos, nos sindicatos, nos Congressos, hoje está começando direto na participação popular.
Para Marina, “as bordas estão se movimentando para encapsular o centro”, um centro que está estagnado por ter se agarrado a um projeto de poder.

Ufa!

Está tudo ali. A religião de Marina, como se vê (e eu me refiro à “natureza”, não ao cristianismo, de que ela se diz adepta), nota os sinais da Nova Aurora. Ou nos penitenciamos e passamos a fazer a coisa certa, ou então sobrevém o Apocalipse. A “crise” é, como posso chamar?, totalizante: nenhum setor da experiência escapa. Um cristão, diante dessa percepção, encontra o caminho óbvio: a Palavra de Deus. Para Marina, até a resposta estética está na comunhão entre ecologia e natureza.

Nota-se, segundo o relato do Estadão, que ela claramente se atribui dons demiúrgicos, elaborando teorias na ponta do joelho e sentindo até certo frêmito místico diante da sua descoberta. Na sua estupenda confusão mental, que seus crentes julgam entender, faz uma citação absolutamente inepta de dois conceitos freudianos — tão inepta que, na prática, fosse o caso de metaforizar, a “natureza” é que seria íntima do princípio do prazer (ao menos na escatologia marinista), e o desenvolvimento é que nos convocaria para o princípio da realidade e para o mundo da necessidade.

Nota-se que ela se deixa sufocar pelos próprios delírios místicos. Pensou na expressão “democracia prospectiva”, seja lá que diabo isso signifique, e concluiu que há um mesmo movimento que une Egito, Espanha, Brasil… Seriam, diz, “as bordas encapsulando o centro”, que estaria agarrando “um projeto de poder”. Ocorre que é “centro”, que estaria sendo encapsulado, que abriga todos os mecanismos da representação democrática. Até parece parece que os financiadores de Marina — embora magrinha, não vive de vento, tampouco as suas causas — estão nas “bordas”, não, como de fato estão, no “centro”.

Mussolini disse coisas parecidas nos primeiros anos de sua pregação. Aquele outro, o do bigodinho, também! Essa é uma conversa, lamento dizer, que nasce daquela religiosidade sem Deus e daquela política sem pólis, mas que remete a todos os delírios fascistóides de uma sociedade sem mediação, que, sob o pretexto de se organizar para a democracia direta, consegue ser nada menos do que corporativista, autoritária, dominada por milícias — ainda que milícias do pensamento, que se querem do bem. Se Marina um dia se tornar presidente da República, vai governar com quê? Com os Sovietes Verdes? Com as Corporações da Clorofila?

Nada mais do que a crença ignorante
Marina fez dia desses um evento para debater a sua “nova polícia”. Não apareceu quase ninguém. Nem precisa. O que importa para ela é a “rede”; são aqueles bobalhões a negar a necessidade de usinas hidrelétricas no Brasil (”por que não eólica ou solar?”, indagava o rapaz, com aquele ar propositivo e bucéfalo de quem só quer ajudar a humanidade…), a afirmar que Belo Monte só alimenta o nosso egoísmo (a loura que quer carregar a bateria do iPhone)…

Marina perdeu o fôlego de excitação mística por muito pouco. Deveria, pra começo de conversa, ler Freud e parar de falar besteira. Também não custa fazer as devidas distinções entre o que se passa no Egito, em que se assiste ao mal-estar da ditadura, e o que se viu na Espanha, em que se assiste ao mal-estar da democracia. Pra ela, tanto faz. Esse discurso da simplificação mobiliza, sim, milhares de pessoas — ao menos na rede — que não estão dispostas a queimar a mufa para saber, afinal de contas, que diabo se passa no mundo.

Quando chamei atenção para o fato de que o alagamento de Belo Monte corresponde a 0,019% da parte brasileira da floresta amazônica e a 0,017% da floreta como um todo, alguns bobalhões resolveram se indignar: “Mas não é melhor que mesmo isso fique lá, preservado?” Claro! Talvez jamais devêssemos ter saído da caverna, não é? Talvez o erro ancestral tenha sido a interdição do incesto, para lembrar Freud… Talvez a civilização tenha sido um grande erro…

“Ah, está dizendo que desenvolvimento não é compatível com a natureza!!!” Não! Ao contrário: estou afirmando justamente a compatibilidade, ainda que seja preciso sacrificar alguns pedaços de pau em nome do princípio da realidade.

Quanto àqueles artistas, vão procurar um roteiro melhor. Ou, então, deixem de preguiça, desistam de influir no debate como celebridades e tentem se informar, como cidadãos da pólis, a respeito dos temas sobre os quais pontificam.

Por Reinaldo Azevedo

03/10/2011

às 20:27

EU GOSTO MESMO É DE ANDAR NA CONTRAMÃO! ALGUNS DOS QUE ME DETESTAM TÊM RAZÃO! Ou: Cuidado com o poder das vítimas de manual!

Aprendi que a gente não pode nem ter maus pensamentos — vendo a Shakira rebolar, por exemplo (*) — que o planeta aquece. É um bicho sensível. Quantas toneladas de carbono se produziram, Deus meu!, sustentando que o simples debate sobre o novo Código Florestal aumentou o desmatamento! Os ongueiros, que são os verdadeiros pauteiros da imprensa nessa área, deitaram e rolaram. Tentaram ligar até a tragédia de Petrópolis ao novo texto, como se Sérgio Cabral não tivesse vindo antes…

Pois é… Um dos estudantes da São Francisco que me esculhambaram, tentando defender o indefensável, afirmou que eu só saí em defesa do reitor da USP porque, segundo ele, era “a causa mais difícil”. Ele viu nisso um defeito. Em parte, dou razão a ele, e acho que essa é uma das minhas melhores qualidades. Quando noto que há aquela maioria, festiva ou furiosa, defendendo uma idéia, ligo o meu espírito de porco: “Será que é mesmo assim?” É um mecanismo de defesa. Eu tenho como um dado permanente e um elemento de advertência na minha abordagem do mundo o fato de que os vários fascismos, inclusive o nazismo, foram movimentos de maiorias. COMO SOU INTELECTUAL E VISCERALMENTE ANTIFASCISTA, basta eu notar aquela gentarada toda babando uma mesma verdade, e sinto a incontornável necessidade de desafinar o coro dos contentes — ou o coro dos descontentes.

Aquele rapaz que tentou me atacar, pois, está parcialmente correto. Eu tendo a enxergar um quê de covardia na entusiasmada defesa da “vontade da maioria”. Fazer o quê. “Ah, então quer dizer que, se a maioria é contra a violência, você é a favor?” Não seja ridículo, petralha! Há valores na sociedade que são consensuais, que não estão em debate — e, se querem saber, nem devem mesmo ser debatidos. Eu me nego, por exemplo, a discutir com alguém se a democracia é necessária ou negociável. Se o sujeito quer especular a respeito desse tema, já é um vagabundo desprezível. Eu me refiro, é claro, a embates em que a solução não é óbvia. Sigamos.

Tantas vezes acertei assim, não é?, sugerindo que se tomassem certos cuidados. Vocês se lembram de algumas “teses” difíceis abraçadas por este blog e de alguns questionamentos feitos contra o “clamor” público. O último evento notório foi a tal acusação de estupro contra Dominique Strauss-Kahn. Fui tão óbvio que pareci quase pornográfico: sexo oral forçado, e com, como direi?, conclusão num quarto de hotel, sem que o senhor de 60 estivesse com um revólver ou uma faca muito afiada a ameaçar a moça de 30? Bem, só poderia acreditar na patacoada quem não estava ligando o nome à coisa. Talvez o sexo oral seja menos freqüente do que imaginamos, sei lá… Mas volto ao ponto.

Quando Marina Silva, a Santa Imaculada da Floresta, afirmou que a expectativa do Novo Código Florestal aumentava o desmatamento — e um rebanho de jornalistas fiéis seguiu bovinamente a sua litania —, apontei a falta de lógica da afirmação. Era uma coisa estúpida. O texto não livrava a cara de desmatadores antigos e menos ainda de novos, que não teriam nem sequer a chance da compensação ambiental para reparar o malfeito. A acusação era uma estupidez militante. Ao seguir Marina, a imprensa MILITOU, não INFORMOU.

Eis aí. Houve queda no desmatamento da Amazônia — e não foi pequena, conforme post já publicado. No G1, informa-se: “A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta segunda-feira (3) que o debate sobre o Código Florestal no Senado não vai estimular o aumento do desmatamento como foi relatado por secretários estaduais de Meio Ambiente no início do ano, quando o projeto foi discutido e aprovado pela Câmara dos Deputados. A discussão dos deputados sobre o texto da lei que estipula regras para a preservação ambiental em propriedades rurais teria criado uma ‘expectativa de anistia’.”

Quando os secretários vieram com aquele bobagem, lembrei neste blog que a acusação era puro achismo; que eles não tinham dados em mãos que comprovassem a afirmação.

Sim, queridos! É claro que seria uma burrice pensar simplesmente: “Ah, se a maioria é contra, então sou a favor; se a favor, então sou contra” Não é isso! Reitero que há consensos necessários para que a sociedade opere com um mínimo de funcionalidade. Eu recomendo que se ligue o desconfiômetro quando há esses embates polêmicos, em que as “vítimas eleitas pelo pensamento politicamente correto” dizem as suas verdades e choram as suas lamúrias. geralmente tentando transformar em poesia seus atos autoritários e até violentos.

POUCAS COISAS EMBURRECEM TANTO O PENSAMENTO COMO O PODER DAS VÍTIMAS.

(*) Mensagem quase cifrada - Weimar, meu amigo lá da Bahia, ombudsman deste blog e conselheiro espiritual do Tio Rei, andou tomando uns cascudos em casa por causa da Shakira. Pois é… Weimar não é do tipo que sente “tesão” castigando adversários, como o professor Sérgio Salomão Shecaira, da Faculdade de Direito da USP. O Shecaira, suponho, continua sem Shakira…

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2011

às 23:45

Churchill, Thatcher, Kohl ou Reagan não tiveram filme em vida para relatar sua “modesta obra”. Já Lula e Marina Silva…

A imodéstia dos “heróis brasileiros” é realmente uma coisa espantosa. Imaginem: já existia cinema ao fim da Segunda Guerra, como vocês sabem. Não ocorreu a ninguém fazer um filme sobre a vida de Churchill, não com ele vivo ao menos. Helmut Kohl foi fundamental na reunificação alemã. Nada de filme. Margareth Thatcher tirou a Grã-Bretanha de uma estagnação que já estava se tornando histórica. Ninguém quis saber da trajetória daquela filha de operários. No cinema, Ronald Reagan, que mudou a economia dos EUA e do mundo e pôs fim, com Gorbachev, à Guerra Fria, não mereceu, nem da indústria hollywoodiana, uma biografia de exaltação. Contentou-se com os filmes B que protagonizou como ator.

Mas Lula, Ah, Lula… Ele não venceu uma guerra, não reunificou um país, não inaugurou uma nova era da economia nem pôs fim à Guerra Fria. Mas já ganhou um filme hagiográfico. Em vida! Naufragou.  Marina Silva ficou com inveja. Ela também terá o seu. Leiam o que informa a Folha Online (íntegra aqui). Volto depois.
*
Atriz de “Cordel Encantado” vai viver Marina Silva no cinema

A atriz Lucy Ramos, que interpretou a cozinheira Maria Cesária na novela “Cordel Encantado”, da TV Globo, foi escolhida para interpretar a ex-senadora Marina Silva (sem partido) no cinema. Dirigido pela cineasta Sandra Werneck, o filme será baseado no livro “Marina - A vida por uma causa”, de Marília de Camargo César. O filme contará a história da vida de Marina desde sua infância, nos seringais, passando por fatos marcantes da trajetória pessoal e política da ex-ministra do Meio Ambiente, que foi candidata à Presidência da República pelo PV no ano passado e conquistou quase 20 milhões de votos.
(…)
Voltei

O filme deve ser lançado em 2013, um ano antes da eleição presidencial, a que Marina deve concorrer por um partido qualquer — isso é irrelevante. Esse personalismo é feio só nos outros políticos. Em Marina, é poesia! No caso de Lula, vá lá, a obra, ainda que escandalosamente menor do que ele mesmo anuncia, precedeu o filme.

Marina consegue ser ainda mais arrogante. O filme virá antes da obra, se obra houver. E acreditem: a sua vida no cinema tende a fazer um pouco mais de sucesso do que a de Lula. A razão é simples: embora Marina seja, muito provavelmente, a personagem pública mais arrogante da política brasileira, ela sabe fingir modéstia, coisa que ele não consegue.

Texto publicado originalmente às 21h44 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

15/08/2011

às 14:43

“Enquanto Marina Silva se reunia com Clinton em hotel caro, eu descia o rio Purus, no Acre”

É, queridos, os dias não são nada simples. Abaixo, há uma notícia do jornal “Valor Econômico”. Leiam o que segue. Volto em seguida.

*
O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou nesta segunda-feira (15) as ONGs (organizações não governamentais) internacionais. O parlamentar acusou o Greenpeace de ser uma organização aventureira e arrogante. A ex-senadora Marina Silva (AC) também foi alvo de acusações do deputado, relator do projeto de reforma do Código Florestal.

“No alto de sua arrogância, eles [Greenpeace] quiseram intimidar publicamente o Congresso Nacional quando votamos o Código Florestal”, disse Aldo Rebelo em palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Sobre Marina, o deputado afirmou: “Enquanto Bill Clinton [ex-presidente dos Estados Unidos], o diretor do filme Avatar [James Cameron] e a dona Marina Silva se reuniam em hotéis caros, eu descia o Rio Purus (AC) para conversar com a população local”, afirmou.

O projeto de reforma do Código Florestal, cujo substitutivo foi aprovado na Câmara em maio, contou com o apoio de 410 deputados. Outros 63 foram contra. O texto aprovado prevê a anistia para desmatamentos ilegais feitos até julho de 2008 e permite o plantio em encostas e a criação de gado em topos de morro.

Além disso, permite a redução de 80% para 50% da área de Reserva Legal na Amazônia em casos de regularização. Na hipótese de ser aprovado dessa forma pelo Senado, o código representará uma elevação de vegetação nativa não protegida, apenas em Mato Grosso, de sete milhões para 11 milhões de hectares.

Comento
Pois é… Aldo Rebelo está certo, e ele é que é do PC do B. Já demonstrei aqui umas 300 vezes: é mentira! O código proposto por Aldo não “anistia” ninguém, ao contrário do que informa o texto do Valor. É um absurdo que essas porcarias continuem a ser escritas impunemente, como se verdades fossem. Os proprietários têm de aderir a um conjunto de medidas para que deixem de pagar a multa — ou ela será aplicada. Anistia, na prática, é aquela que está hoje em vigência.

Quanto à ocupação de encostas e topos de morros, o código não “permitirá” ocupação nenhuma; reconhece ocupações que já existem há décadas, algumas há uns dois séculos pelos menos. Essas mentiras, organizadas pelo onguismo com interesses muito bem-definidos, vão sendo repetidas por aí. Eu duvido que o redator tenha lido o código. Se leu, ou não entendeu ou decidiu agredir a verdade de modo militante e deliberado.

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2011

às 6:05

“Marina foi autoritária”, diz presidente do PV

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Com a saída da ex-senadora Marina Silva, o PV já começa a se articular para a eleição municipal de 2012. Em entrevista ao Estado, o presidente da legenda, deputado José Luiz Penna (SP), enfatizou ontem que vai reforçar a aliança política dos verdes com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - que deixou o DEM para montar um novo partido, o PSD. Conta com o apoio dele para lançar como candidato a prefeito da capital o atual secretário do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV-SP). No Rio, o candidato citado por ele é Fernando Gabeira.

No encontro, Penna mostrou-se aliviado com o fim da polêmica, que se prolongou durante quatro meses, com Marina e o grupo político que a acompanha: “Foi um período muito dolorido. Nós precisávamos de um desfecho. Não dá para querer transformar uma dificuldade interna numa agenda política para o País, como tentaram fazer. O que interessa são os postulados que estamos defendendo e que fazem com que a sociedade caminhe cada vez mais a nosso favor. A quantidade de pessoas que nos procura, com intenção de disputar eleições, é enorme”.

Sobre as críticas que vinha recebendo de Marina, de que o PV está engessado numa estrutura de comando verticalizada e autoritária e que é graças a isso que Penna se mantém no cargo de presidente há 12 anos, ele respondeu: “Não mando nem em minha casa. Sou apenas porta-voz do partido. Os conservadores têm dificuldades para nos codificar, devido à nossa experiência original de direção coletiva, horizontal. O grupo político de Marina não digeriu bem isso. Por mais que eu dissesse que precisava consultar o coletivo antes de tomar decisões, eles não levavam em consideração. Traziam propostas autoritárias de afastamento de pessoas que não iam bem. Ora, se uma pessoa segura o partido em determinada região do País há 20 anos, eu preciso sentar e dialogar com ele. Não dá para tratorar o PV”.

A Executiva nacional do partido deve se reunir logo após o recesso parlamentar, no início de agosto. Um dos principais assuntos da pauta, segundo Penna, deverá ser a relação com dissidentes que, embora endossem as ideias de Marina e participem do movimento que ela está criando, vão continuar filiados ao PV. O caso mais emblemático é o do deputado federal e fundador da legenda, Alfredo Sirkis (RJ), que se mantém na legenda para não correr o risco de perder o mandato.

“Essa questão é a nossa maior dificuldade no momento”, disse Penna. “Aceitar o proposta do Alfredo, de ficar no partido enquanto tiver mandato, porque não tem para onde ir, é aceitar o papel de barriga de aluguel. O Alfredo é um parceiro histórico, não é alguém de passagem pelo partido, mas devemos conversar. O PV não quer ser barriga de aluguel para ninguém.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

09/07/2011

às 6:45

Pegando no santo pé da santidade

Dizem que pego no pé de Marina Silva. É falso! Não é que não pudesse fazê-lo, mas é falso. Tenho outras prioridades. Confesso, os meus leitores sabem disto, ter um lado meio parnasiano, formalista mesmo. Não chego a dizer que a forma determina o conteúdo, mas nunca senti bom perfume em frasco ruim. Se alguém me diz,tentando parecer profundo, que “o frasco não faz o perfume”, o diabinho que habita em mim logo cutuca: “Mas por que fará o mais, o bom perfume, quem não sabe fazer o menos, o frasco?” Eu me deixo tentar pelo diabo da lógica. O bicho é feio, mas a palavra é linda, procurem. O “diabo” é aquilo que desune, que divide, que desafina o coro dos contentes. Nesse estrito sentido, Marina é pura, e eu sou diabólico. Ela fica juntando gente dos mais diferentes matizes, e eu fico desunindo…

A mulher saiu do PV e agora montou o que ela chama “movimento”, que, segundo diz, congrega pessoas dos mais diversos partidos. Marina ainda era uma socialista da floresta quando eu já era um pós-Milton Friedman. Eu descobri com ele, e com outros, faz tempo, que não existe almoço grátis — muito menos creme anti-rugas da Natura. Alguém sempre paga a conta. O jornalismo brasileiro não se ocupa de tentar descobrir quem paga as contas de Marina porque também resolveu ser militante e militonto. Eu escrevi acima, notem ali, “pós-Milton Friedman”. À sua maneira, mesmo sabendo que não existe almoço grátis, ele era um idealista. No modelo de Friedman, não cabe um BNDES financiando os “capitalistas”, os “liberais”. No Brasil, o liberalismo tem sala quase contígua à de Dilma Rousseff, como Jorge Gerdau Johannpeter. O mundo civilizado descobriu a sociedade que coíbe o estado; o Brasil descobriu o estado que coíbe a sociedade em nome do bem comum. Não é a minha praia. Eu sou um idealista exigente. Em matéria de metafísica, comigo, é Deus ou é nada. Se não é Deus, é humano. Se é humano, indago: quem paga a conta?

Marina concedeu uma entrevista ao Estadão. O jornalismo anda mais ou menos — na verdade, “mais” —  embasbacado com aquele ódio liofilizado à política, que ela oferece. Ah, meu Deus! Se as galinhas não me aborrecessem depois de um ou dois dias, eu iria criar galinhas! Não é preciso muitos livros, apenas os certos, para perceber que o discurso de Marina tem matriz e matiz fascistóides. Supõe que a verdade, nas ciências humanas e na política, tem um lugar, um ponto de chegada, uma síntese definitiva — que ela, evidentemente, encarnaria.

Não há um só repórter que tenha se interessado em saber: “Mas, afinal, o que esta senhora queria do PV?” Eu revelo: ela queria o comando do partido no Distrito Federal, por onde pretendia se lançar candidata ao senado em 2014 — ainda não era a Presidência. Era uma esforço para mudar o domicílio eleitoral porque o Acre não elege mais Marina Silva! Na disputa pela Presidência da República, ela ficou em terceiro lugar em seu estado natal. A eleição para o Senado também é majoritária, como a Presidência. O PT local (que é a turma de Marina no Acre) agoniza. O que parece ser uma causa transnacional é, na verdade, um problema paroquial, entenderam?  E o presidente do PV, o demonizado deputado federal José Luiz Penna (SP), não quis lhe entregar o partido no DF. O resto é história.

Eu fico verdadeiramente fascinado por esses processos porque posso entender, mas não endossar, as razões que levam as massas, em determinados momentos, a fazer certas tolices. Mas continua a desafiar a minha inteligência o que leva minorias informadas a aderir a certas idéias estúpidas, como é o marinismo. Notem bem: Marina tentou dar um golpe e assumir o comando do PV. Como ela não conseguiu, então declara uma espécie de falência não exatamente do partido, mas do sistema partidário como um todo. E lança o seu “movimento”. Em suma: se Marina não consegue ser a primeira numa vila, então quem está em crise é a República. É brincadeira!

Muito bem” Este “movimento”, COMO SABEM TODOS OS JORNALISTAS, EMBORA OMITAM ESTA INFORMAÇÃO DOS LEITORES, conta com assessoria de imprensa, assessoria de imagem, assessoria política, essas coisas. Afinal, quem os pauta? Embora Friedman tivesse um lado “sonhático”, fazia boas perguntas com seu lado pragmático: “QUEM PAGA O ALMOÇO?” Por outra: quem paga a conta do “Movimento Marina”? Não devem ser apenas os cremes anti-rugas da Natura.

Eu sou aborrecidamente lógico. E também tenho certas tentações. Se me proponho perguntar, fico louco para responder eu mesmo. NÃO DEVEM pagar a conta do “Movimento Marina” os setores manufatureiros da economia porque eles, no fim das costas, apresentam um passivo alto de carbono, entenderam? É uma gente horrorosa, que fica destruindo a natureza para dar uma vida melhor aos desdentados. Não que esses capitalistas pérfidos atuem com esse objetivo. Eles querem é lucro. Ocorre que, invariavelmente, sempre que um desses ogros obtém lucro, também geram empregos e acabam melhorando a vida dos pobres de um modo como um verde ou um socialista jamais conseguiriam. A turma da manufatura, que está suja na rodinha do carbono, não deve financiar o movimento de Marina Silva.

Seria o setor agroindustrial? Duvido! A agroindústria, as cidade e as obras de infra-estrutura ocupam apenas 27,5% do território nacional. Mesmo assim, Marina conseguiu demonizar o agronegócio e as hidrelétricas. Não devem ser os “capitalistas do campo” a sustentar o proselitismo na nossa Santa Verde. Certo! Descartando-se a manufatura e agroindústria, com seu pendor para destruir a natureza, quem sobra para financiar o tal movimento suprapartidário da Santa da Floresta? Qual setor da economia? Qual empresário?

Marina diz querer uma política diferente. Uma das pregações do nosso tempo é a tal “transparência”. Muito bem! Em nome dela, pergunto: quem paga as contas do tal movimento suprapartidário de Marina? Quem arca com o custo da campanha, digamos, pré-eleitoral? Almoço grátis, já sabemos, não existe. Quando menos, devemos a nosso anfitrião o decoro!

Não! Eu não dou, de hábito, a menor bola para as minorais fim-do-mundistas, vocês sabem disso. Mas Marina chama a minha atenção. Partidos políticos são obrigados a dizer quem os sustenta. Pergunto: quem paga a conta do “movimento Marina”, que se apresenta como ombudsman dos partidos? A pergunta não é nova, já tem mais de 400 anos e foi feita por Padre Vieira: “Quem remedeia os remédios?”

É nossa obrigação tentar saber.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 20:56

No Jornal Nacional, há menos de 2 anos. Ou: nem pragmático nem sonhático, mas autocrático

O Jornal Nacional noticiou a saída oficial de Marina Silva do PV. Não faz tempo, no dia 19 de agosto de 2009, o mesmo JN noticiava que Marina Silva estava deixando o PT e migrando para o PV. Há um ano e 11 meses… Vejam o vídeo.  Volto depois.

Acabei de ver a reportagem do JN. Ouvi Marina sugerir que sua saída do PV é um sintoma de algumas dificuldades do modelo político-partidário brasileiro etc e tal. Entendi. Quando os partidos não fazem o que Marina quer, ela cai fora e acusa uma crise do sistema. Para que fosse bom, ela teria de vencer todos os embates. É um jeito de ver o mundo: nem pragmático nem sonhático, mas autocrático.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 19:11

Marina Silva é a versão mais agreste de Gabriel Chalita. Ou: A perspectiva aterradora

Marina Silva é o Gabriel Chalita da floresta. Depois de ouvir um discurso seu, só uma reação reproduz com exatidão a experiência do ouvinte: “Não entendi nada, mas adorei”.

Hora de ser “sonhática” em vez de “pragmática”? Sei… Marina não resiste a uma análise sintática. Se vocês notarem, a sua fala é uma cascata de abstrações que não significa rigorosamente nada, mas sempre deixando entrever a suspeita de profundidade. Leiam isto:
“É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer que o propósito de levar adiante, por meio do PV, na forma em que foi estruturado, não foi possível. Vamos nos reencontrar com nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado.”

Chamo a atenção para uma coisinha que a gramática chama “Oração Subordinada Adjetiva Restritiva”. Querem ver?
“Mudar o que precisa ser mudado…”
Este “o” em destaque, embora muita gente não perceba, é um pronome indefinido, está no lugar de “aquilo”. Marina disse: “Mudar aquilo…” É um objeto direto. Mas qual aquilo? É preciso especificar, restringir, com uma Oração Subordinada Adjetiva Restritiva. Então ela deixa claro: “aquilo que precisa ser mudado“. Compreenderam? E o mesmo se faz para “preservar aquilo que precisa ser preservado“.

Mas qual o conteúdo do “aquilo” mutável e do “aquilo preservável“? Eu não sei. Só sei que, no Maranhão, por exemplo, muito concretamente, Marina preserva o que teria de ser mudado: é aliada de Zequinha Sarney! É o lado da família chegado ao “verde”. Fernando, o irmão que cuida dos negócios do clã, também é fã do verde, mas de outro.

Como vocês vêem, a análise sintática, se ensinada como deve, funciona como um excelente mata-burro ideológico. Ela não existe para que o estudante tenha a nomenclatura na ponta da língua. Antes de mais nada, é instrumento para se defender da picaretagem intelectual. Eu tenho um vício, confesso. As pessoas estão falando comigo, e, mentalmente, vou identificando: “objeto direto, complemento nominal, objeto indireto…” É o meu interlocutor complementar um verbo de sentido abstrato com objetos que remetem também a abstrações, e eu já o convido para uma conversa metafísica porque sempre é mais fácil a gente se entender sobre o nada…

Pragmática, não sonhática
É claro que essa conversa frouxa de Marina me irrita um tantinho. Mas menos do que o seu fundo falso. Marina é tão sonhática, mas tão sonhática (a palavra é horrorosa!), que já contratou uma empresa que faz assessoria de imprensa e de imagem para, pragmaticamente, cuidar de embalar o seu “sonho”. E eu não vejo nada de errado nisso, não, embora tenha certa curiosidade de saber quem paga a fatura — sim, eu sei que não falta dinheiro aos defensores da natureza, grana oriunda, claro!, dos créditos de carbono… Não há nada de errado, reitero, mas ela sempre passa a impressão de que artificiais são os outros; suas verdades brotariam da terra.

De agora em diante, lá vêm eventos nos parques, nas praças, na Internet… Haverá muitos “Tuitando com Marina” e “Facebookeando com Marina”…

PS - Dia desses acompanhei parte de uma conversa de quatro adolescentes, que haviam deixado momentaneamente de lado os seus respectivos smartphones Blackberry, por meio dos quais conversam em rede pelo BBM… Conquistas da floresta, vocês sabem.  Estavam indignados com… Belo Monte e com essa “mania” do Brasil de construir hidrelétricas e matar os bichinhos!!! Aprenderam com seus professores, a peso de ouro, que energia nuclear é um mal, que termelétrica é um mal, que hidrelétrica é um mal, que agronegócio é um mal… Entrei meio de lado na conversa, como quem não quer nada — sabem como adolescentes podem ser hostis com quem “pensa” que sabe mais… “Mas como vamos conseguir energia então?” E descobri, meus queridos, que, segundo os professores, “the answer is blowin’ in the wind”… “Ih, gente, mas energia eólica ainda não consegue suprir a nossa necessidade de energia elétrica; o custo seria gigantesco”. E um deles objetou: “Agora, por causa do dinheiro, vamos destruir a natureza?”

Mudei de meio ambiente, peguei um uisquinho, que o ministro Lewandowski considera símil à maconha, à cocaína e ao crack, e comentei com Dona Reinalda: “A perspectiva pessimista é o PT ficar muito tempo no poder; a perspectiva aterradora é sermos levados a sentir saudade dos petistas…”

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 18:07

E Marina continua se despedindo do PV porque é uma mulher sem ambições, uma “sonhática”…

Há coisas sobre as quais a gente é obrigado a falar, não tem jeito. Então tá bom. Leiam o que vai na Folha Online. Volto no próximo post:

Marina anuncia saída do PV e diz que é hora de ser ’sonhático’

A ex-presidenciável Marina Silva anunciou nesta quinta-feira, em ato público, sua saída do PV e afirmou que o momento não é de ser pragmático, mas sim “sonhático”. “É preciso reagir e chamar mais e mais pessoas para um grande debate nacional sobre o nosso futuro. É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer que o propósito de levar adiante por meio do PV, na forma em que foi estruturado, não foi possível. Vamos nos reencontrar com nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado.”

Ela negou ser uma saída pragmática, com olhos postos no calendário eleitoral. “O que está sendo feita é uma tentativa de botar remendo novo em roupa velha. Não tem nada de messianismo, é enxergar a realidade. Messianismo é negar a realidade e achar que ela vai se transformar com um passe de mágica. Ainda que o calendário seja importante, ele é parte de uma trajetória, é um ponto em uma reta. Não cabe orientar nossa ação de eleição em eleição. Ele é parte, não é o todo.”

“Nosso debate não pode ser 2014. Quando me perguntam: E aí 2014? Eu digo não sei, estou sendo sincera. Para mim a política é um processo vivo, nasce da relação entre os agentes políticos, não é fruto de engendramentos a priori, onde as pessoas ficam na cadeira cativa de candidatos, atitudes, tudo já direcionado para o próximo passo político. Também estou pensando qual é a melhor forma de contribuir para a construção do mundo que queremos.”

Marina também falou sobre sua eventual candidatura em 2014. “Vou dizer a priori que não sou? Se digo que não sei, não posso dizer que não sou. Mas digo com certeza que esse projeto de uma nova forma de fazer política esteja tão forte e poderoso que tenha um candidato à altura. Se for outro que não eu, e espero que não seja, pode contar com o meu voto. Agora é a hora de ir mais fundo, a hora da verdade para nós e para a sociedade.”

A ex-senadora destacou que os partidos continuam sendo importantes. “Sabemos de sua importância, de seu papel, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios. Devemos exigir que saiam de suas velhas práticas e acordem para o presente. Espero que esse movimento possa ajudar nessa transformação. Quando me perguntam o que vou fazer com os 20 milhões de votos, eu dizia que os votos não são meus. Não é uma herança, é um legado.”

Marina afirmou ainda que as políticas sociais e econômicas que estão dando certo “devem ser mantidas sem medo de dar crédito ao Fernando Henrique [Cardoso], Itamar [Franco], que já não está entre nós, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma”.

“A gente começa os processos com grandes ideais, o problema é que a gente põe o ideal na popa, como um efeito, um adorno. O ideal tem que estar na proa, a nos guiar. Não é um símbolo. Símbolo é coisa morta, usada por qualquer um de acordo com seus interesses. O ideal tem que estar dentro de nós, a nos mover.”

Gabeira
Durante o evento, o ex-deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) participou via Skype e afirmou que os partidos estão muito desgastados e cada vez mais distantes da população. Segundo ele, o movimento que surge hoje é importante porque representa uma resposta a um problema fundamental dos últimos anos.

“Como aproximar sociedade dos grandes temas, fazer com que exista a possibilidade de participação política de muitas pessoas que querem participar mas não encontram forma de fazê-lo de maneira ética.”

Para ele, é necessário, em certos momentos, atuar nas instituições, no Congresso, no Senado. “Vamos olhar partidos com as suas limitações ou tentar criar um novo? Essa é uma questão fundamental”, disse. “Foi fundamental para o PV que Marina fosse sua candidata. Ele estava em situação determinada e de repente se ligou a milhões de pessoas que de outra maneira não votariam nele.”

Gabeira, no entanto, negou que sua declaração no ato político signifique que ele tenha deixado o PV. “De jeito nenhum [saiu da legenda]. Eu apenas manifestei meu apoio ao movimento que a Marina está iniciando. Mesmo com a saída dela agora, acredito e trabalho para uma reconciliação dela com o partido no futuro”, disse à Folha por telefone.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2011

às 18:44

Marina Silva já compete com Pelé e Sílvio Caldas. Ou: O messianismo narcisista

A despedida de Marina Silva do PV ainda acabará sendo mais longa do que a de Pelé do futebol e a de Silvio Caldas da música. A diferença nada ligeira é que um era Pelé, e o outro, além de ser Caldas, chama-se Silvio Narciso… Não sei se entenderam o chiste…

Leio no Estadão o que segue. Volto depois:
Por Daiene Cardoso:
A ex-senadora Marina Silva anunciará oficialmente sua saída do PV na próxima quinta-feira, 7, em São Paulo. Os “marineiros” começaram a receber nesta segunda-feira, 4, os convites para o “Encontro por uma nova Política”, que deve reunir, além da ex-presidenciável, os empresários Guilherme Leal e Roberto Klabin, o ex-candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Young, o ex-candidato ao governo de São Paulo Fábio Feldmann, o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), o ex-candidato ao governo do Rio de Janeiro Fernando Gabeira, o ex-coordenador da campanha do PV à Presidência da República João Paulo Capobianco e o ex-presidente do diretório do PV paulista Maurício Brusadin. O anúncio estava previsto inicialmente para acontecer na última terça-feira, 28, mas Marina foi convencida a adiar seu pronunciamento para o retorno de sua viagem à Alemanha, onde participou do congresso do Partido Verde alemão. Para alguns interlocutores, a participação da ex-senadora num evento do PV internacional poderia fortalecê-la no Brasil e forçar um acordo com a ala do presidente do PV nacional, o deputado federal José Luiz Penna (SP). Nós últimos meses, o grupo de Marina vem travando uma guerra interna com os aliados de Penna pela democratização interna da sigla.

“Hoje temos o sentimento de que nós tentamos de tudo. Desejaríamos que o PV mudasse. Agora temos que respeitar os colegas que vão continuar lutando lá. Mas também há um sentimento de muito otimismo, tem muita gente nos procurando para participar deste debate”, contou Brusadin. Embora tenha saído das urnas com 20 milhões de votos e ajudado a eleger 14 deputados federais, poucos (entre eles Alfredo Sirkis) devem acompanhar Marina Silva. O motivo, de acordo com Brusadin, é o calendário eleitoral de 2012 e o fato de terem sido eleitos pelo PV em 2010 e não se sentirem seguros para deixar o partido. “É natural que eles tenham que ficar, nós não estamos dando uma alternativa para eles agora (nova legenda). É evidente que a grande maioria tinha de ficar. Agora eles precisam fazer um cálculo eleitoral olhando para o calendário”, justificou.

Eleições
Há dúvidas também se, mesmo apoiando o ato político de Marina, Fernando Gabeira vai anunciar sua saída do PV. Gabeira tem pretensões eleitorais para 2012, assim como Eduardo Jorge (secretário municipal do Verde em São Paulo), que é cogitado pelo PV para disputar a Prefeitura de São Paulo. Ambos precisam de uma legenda para disputar as eleições municipais. “O Eduardo (Jorge) tem o mesmo problema do (Fernando) Gabeira. É complexa a situação deles”, comentou Brusadin. “Mas os que vão ficar, ficarão de forma crítica”, ressaltou.

Comento
Fico muito impressionado com a inimputabilidade de Marina, especialmente na imprensa. Ainda bem que ela é tão narcisista, mas tão narcisista, que, diante de uma vontade não-satisfeita, cai fora. Fosse um temperamento mais tolerante, um dia o Brasil teria problemas… Marina está minando a reputação do PV, de forma sistemática, há uns três meses. O seu desligamento do partido, por exemplo, já dura um mês. Não basta sair: é preciso queimar e salgar o solo.

Se vocês pensarem um pouquinho, verão que foi isso o que ela fez com a reputação verde do petismo, até então o partido mais identificado com  a causa. Ela privatizou a questão; passou a ser a dona da agenda. E se transformou no aiatolá Khomeini do “verdismo”. Ou as coisas são como ela quer, bagre por bagre, batráquio por batráquio, ou nada feito! Ainda bem! O comportamento “egótico” (se me permitem…) de Marina livra-nos, como diria o poeta, de “diabólicos azares”. Esta senhora mobiliza fiéis, não aliados - e isso não é uma alusão velada à sua condição de evangélica; estou entre aqueles que consideram a sua religião a sua maior qualidade. Curiosamente, é o único aspecto que a imprensa, que é anticristã na média,  censura nela

Marina só pode ser a dona de um partido; qualquer outro que lhe desse abrigo sabe que ou se submete às suas vontades ou será depredado, com a simpatia explícita do jornalismo, que jamais se interessou em saber se as idéias de Marina são viáveis, O que importa é saber que são idéias de uma pessoa boa, que só quer o nosso bem.

O nome disso é messianismo. E se trata de um estranho messianismo porque vigora entre indivíduos que, em outros assuntos, são até bem-informados. Estava outro dia num grupo de pessoas com formação universitária, gente competente em sua área. Lá pelas tantas, o Código Florestal começou a ser debatido. É impressionante! Os presentes tinham a certeza de que as florestas do Brasil estão acabando (mais de 60% do nosso território é coberto por elas; 70% conservam o bioma original) e que a agropecuária e as cidades tomam a maior parte do Brasil - só ocupam 27,5% do território.

Lancei os dados certos na conversa. Olharam-me céticos. O mais convicto insistia que eu estava errado. Eu posso ser chato às vezes. Arranquei o iPhone do bolso e pedi que fizesse uma pesquisa na Internet. Ele não insistiu. Mas tenho a certeza de que nem se convenceu nem vai procurar se informar melhor.

Marina é a responsável pela popularização de mentiras grosseiras sobre o meio ambiente brasileiro. Seus fiéis saem hoje por aí demonizando as usinas nucleares, as hidrelétricas e as termelétricas. No lugar, com o ar mais parvo do mundo, falam sobre energia eólica, como se fosse coisa fácil, barata e viável economicamente. Logo vão pedir que os brasileiros acendam a luz soltando “pum”. A campanha para fazer xixi no chuveiro já é um sucesso! Algumas pessoas que preferem ser boas a ser justas, dizem: “Ah, mas, ao menos, ela ajudou a popularizar a causa verde”. Uma coisa é tornar popular a idéia de preservação da natureza, o que é, em si, coisa boa; outra, distinta, é demonizar o desenvolvimento, coisa que os marinistas dizem não fazer… enquanto fazem…

Definitivamente, não gosto de sua abordagem. Toda vez que a vejo, é como se liderasse uma espécie de séquito de pessoas anunciando, com ar grave, o fim do mundo, a menos que sigamos as palavras da profeta.

Por Reinaldo Azevedo

02/07/2011

às 7:05

Dos 15 parlamentares do PV, apenas um está disposto a seguir a ex-senadora Marina Silva

No Globo:
A ex-senadora Marina Silva deve contar com apoio mínimo da bancada do Partido Verde em sua decisão de deixar a legenda (…). Apenas um deputado federal, Alfredo Sirkis (RJ), anunciou até agora que irá acompanhar a ex-presidenciável. Sirkis vai se licenciar por tempo indeterminado do partido, mas não irá se desfiliar para não colocar em risco o seu mandato. O PV tem 14 deputados federais e um senador. Dos 15, portanto, só Sirkis declarou ao GLOBO que deve seguir Marina, mesmo que permaneça no partido, em protesto contra a falta de democracia interna. Dos outros 14, só dois não responderam à consulta - Roberto Santiago (SP) e Henrique Afonso (AC).

Além do deputado José Luiz Penna (SP), presidente do partido e razão da saída de Marina, oito parlamentares declararam que vão continuar na legenda mesmo com a saída da ex-senadora. O décimo, Guilherme Mussi (SP), já havia anunciado, antes de a crise verde se agravar, que mudará para o PSD, o novo partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2011

às 16:27

Marina: a autocrata do multinacionalismo

O Estadão informa hoje que o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), convidou Marina Silva, que já anunciou a sua saída do PV, a ingressar no partido. Ela, evidentemente, declinou do convite, sem deixar um fio de esperança. Raupp, numa evidência de que nada entende do “marinismo”, chegou a lhe oferecer a candidatura ao governo do Acre ou ao Senado em 2014. Nada! Ela pretende criar a sua própria sigla. O peemedebista teria se mostrado disposto até mesmo a correr o país em companhia da ex-senadora, pregando o “desmatamento zero”. Ela seria a “dona” do “PMDB verde”.

Raupp precisa estudar. No Acre, Marina jamais seria a candidata do PMDB contra o petista Tião Viana pela simples e boa razão de que, naquele estado, ela está no poder. Seus aliados pertencem ao governo; ela apoiou a candidatura do atual governador e certamente estará com ele na tentativa de se reeleger. O grupo ficará ao menos 16 anos no poder. Se obtiver outro mandato em 2014, serão 20.

Marina dificilmente seria uma peemedebista porque não faz sentido ingressar num partido maior do que ela — deixou o PT justamente porque, na legenda, era mais uma. E isso não combina com seu messianismo verde, que prega o governo dos “bons” e “ecologicamente corretos”, sob a liderança espiritual da Santa da Floresta. Raupp não entendeu ainda que Marina é multinacional, como a Amazônia. Ambas são patrimônio da humanidade ongueira.

Ela não quer ser presidente da República ancorada num partido porque isso implica certas obrigações — inclusive com a… democracia! Marina quer ser presidente dos modernos “movimentos sociais” verdes, organizados para fazer pressão, mas não, necessariamente, para governar o estado. Caso chegue lá, poderá se comportar, então, como uma autocrata — uma autocrata preocupada apenas com o bem da humanidade, é evidente. Como, aliás, sempre foram os autocratas. Ou algum deles chegou ao poder prometendo botar pra quebrar?

Raupp não entendeu que a conversa com Marina teria de ser em outros termos: “A senhora aceita que o PMDB entre no marinismo?”

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2011

às 6:25

Marina traça roteiro para deixar PV e vai buscar respaldo de verdes alemães

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Depois de três meses de queda de braço com a cúpula do PV, a ex-senadora Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial de 2010, deve anunciar na próxima semana sua saída do partido. Ela planeja reunir verdes e simpatizantes num movimento político baseado na internet antes de articular a criação de outra sigla para disputar o Planalto em 2014. A ideia é divulgar a decisão no dia 6, em ato público em São Paulo ou Brasília. Marina comunicou o roteiro anteontem à noite, em reunião com verdes no apartamento do ex-deputado Fernando Gabeira, no Rio. Ela viaja nesta quinta-feira para encontro do PV alemão, onde buscará respaldo internacional ao novo projeto.

Na volta, terá as últimas conversas com aliados até o ato, em formato de assembleia, onde os “marineiros” devem referendar sua decisão em votação simbólica. O script repete o segundo turno de 2010, quando ela se negou a apoiar Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) e promoveu uma plenária para dar caráter coletivo à sua opção pela neutralidade.
Marina disse a aliados que perdeu a esperança num recuo do presidente do PV, deputado José Luiz Penna (SP), com quem disputava desde março o comando do partido.

“Infelizmente, não houve qualquer indicação de que o PV aceitaria as condições mínimas para a nossa permanência”, afirmou o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ). “Marina representa um movimento maior que o PV ou qualquer sigla. Este movimento vai continuar”, disse Sérgio Xavier, ex-candidato ao governo de Pernambuco. Ao sair da reunião, a ex-senadora, que trocou o PT pelo PV em agosto de 2009, disse apenas que anunciará a decisão na próxima semana. Os “marineiros” concluíram que não teriam tempo hábil para registrar um partido a tempo de disputar as eleições municipais de 2012. Por isso devem organizar o movimento na internet antes de iniciar a coleta de assinaturas para fundar uma sigla. “É uma situação lamentável. No futuro, quem estudar este processo não conseguirá entender como chegamos a este ponto”, desabafa Xavier. O grupo ainda estuda como se blindar contra a possibilidade de o PV tentar reaver na Justiça os mandatos de dissidentes, como Sirkis. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2011

às 19:31

Marina no PPS? Muito improvável.

Ainda que estejamos vivendo os tempos em que o improvável acontece com freqüência impressionante — por exemplo, ministros do Supremo tomam decisões contra a letra explícita da própria Constituição ou do Código Penal —, é absolutamente improvável que Marina Silva e sua turma, os marineiros,- migrem para o PPS.

Marina é uma candidata em busca de um partido; se migrar, leva junto os “marineiros”, cuja crença é uma soma do que dizem ONGs sediadas alhures mais alguns postulados de sua guia — são um tanto imprecisos, mas fazem um sucesso danado. O PV amarga hoje a experiência de ter abrigado essa entidade. A turma chegou para fazer do partido um mero membro do marinismo, não de Marina um membro do partido. E, como se viu, esse coletivo prefere travar a batalha fora da legenda, na imprensa, não dentro. É a tal “sociedade” em ação… O PPS poderia passar, no máximo, por um inchaço, não por um crescimento. Já tem em sua história a experiência Ciro Gomes, que não foi bem-sucedida.

Também há outras divergências importantes, como a questão do Código Florestal. O PPS compõe com o PV um bloquinho na Câmara, que foi desfeito momentaneamente. Enquanto os verdes encaminharam contra o texto de Aldo Rebelo (PC do B), o PPS encaminhou a favor.

Para onde vai Marina? Sei lá eu. Qualquer dos pequenos partidos que a abrigue desaparece. Huuummm… O PT anda com certa crise de identidade. Um retorno da Impoluta da Floresta para as hostes companheiras não é improvável, acho eu. Não seria a candidata em 2014, mas ela é jovem.

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2011

às 14:45

Eles querem nos deixar com fome e no escuro

Minhocoçu: ele é a evidência do nosso humanismo; vale a forme e o escuro

Minhocuçu: ele é a evidência do nosso humanismo; vale a fome e o escuro

“Estepaiz”, como diria aquele, conseguiu o prodígio de construir em apenas 27,5% do território a sua, digamos, civilização. Nessa área estão concentradas a agricultura, a pecuária, as cidades e as obras de infra-estrutura. O resto é mato, que eu também quero preservar — ou vocês pensam que esse é o desejo apenas de Marina Silva, Alfredo Sirkis e dos patriotas do Greenpeace?

Reportagem de hoje do Estadão informa uma coisa curiosa. Releiam um trecho. Volto depois:
“A construção de mega hidrelétricas, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, elevará a potência instalada do Brasil, mas não vai alterar a capacidade de armazenamento de água no sistema. Para reduzir os impactos ambientais, as novas usinas estão sendo construídas a fio d’água, sem reservatórios. Na prática, isso significa ter um sistema mais vulnerável às condições climáticas e mais complexo do ponto de vista de operação.
É o que mostra o estudo Energia e Competitividade na Era do Baixo Carbono, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o trabalho, a capacidade do sistema hidrelétrico de estocar água no período úmido para suportar o período seco cairá dez pontos porcentuais até o fim da década, de 41% para 31%.
Segundo a CNI, no passado, os reservatórios conseguiam aguentar até dois anos com períodos secos mais severos. Hoje, esse tempo está na casa de um ano, e tende a piorar com as usinas em construção e o aumento do consumo interno. Até 2007, a relação entre o tamanho dos reservatórios e a potência das hidrelétricas era de 0,51 quilômetros quadrados (km²) por megawatt (MW). Nas novas usinas, esse número é de 0,06 km²/MW.”

Mesmo com 72,5% do território entregues a Curupira, a Anhangá e Cuca, não podemos mais fazer reservatórios para hidrelétricas para não prejudicar os bagres, os macacos-prego e os minhocuçus. E, como vocês sabem, os verdes querem destruir plantações e pastos para que o mato volte a crescer no local.

Eu adoro esses humanistas. Eles querem nos deixar com fome e no escuro.

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2011

às 6:35

Saída de Marina não afetará o PV, afirma dirigente da sigla

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Em meio a guerra entre Marina Silva e a direção nacional do PV, a secretária de Assuntos Jurídicos do partido, Vera Motta, afirmou ontem que a possível saída da ex-presidenciável não causará prejuízo aos verdes. Considerada o braço direito do presidente José Luiz Penna, a dirigente afirmou que ele não abrirá mão do cargo, que ocupa desde 1999, para ceder o controle da sigla ao grupo de Marina. “O PV não perderá nada. O partido é maior do que qualquer pessoa”, disse Motta, sobre a possível desfiliação da ex-senadora. “Cada um vai ficar com o seu legado: a Marina com o dela e o PV com o dele. Se a vontade dela for sair, ninguém vai contrariá-la.”

A secretária criticou Marina por usar seu desempenho da eleição presidencial como argumento para reivindicar mudanças na cúpula verde. Ela afirmou que o crescimento do partido no ano passado foi “artificial” e que os 19,6 milhões de votos não podem ser atribuídos apenas às qualidades da ex-candidata. “Se ela sair, o crescimento artificial vai desaparecer. Nosso crescimento real ainda está por vir”, desafiou. De acordo com a dirigente, Penna tem ampla maioria na Executiva e não renunciará ao cargo para atender ao “desejo” da ex-candidata. “Penna não é representante dele mesmo. Ele representa a maioria, e não é vontade da maioria tirá-lo”, disse. “Nós somos o grupo majoritário no partido. Isso não passará.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2011

às 20:03

Os jovens, certa graça e o método “marineiro”

Ai, ai… Tenho muitos leitores jovens. Alguns amigos dizem que escrevo textos sérios demais, longos demais, com referências demais — coisas que afastariam a juventude. Pois é: deu-se o contrário. Apostei na contramão e provei que algumas teorias sobre blogs e Internet estão erradas. Melhor pra mim! Seguirei fazendo meus textos longos… Aquele sobre as besteiras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte tem 20.846 toques!!! Huuummm… Seria impublicável em papel, que custa muito caro. A Internet também é a libertação do texto longo, hehe.

Mas acabei me desviando. Dizia que tenho muitos leitores jovens. Às vezes, queridos, é preciso ter quase 50 (estou com 49 até o dia 19 de agosto) para achar certa graça em algumas coisas. Por quê? Porque a vivência nos impede de cair na conversa. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco, na Folha. Volto em seguida:

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Aliado da ex-presidenciável Marina Silva, o dirigente do PV Maurício Brusadin acusou o presidente nacional do partido, José Luiz Penna, de sufocar a democracia no partido. “A direção do PV se encastelou: não se reforma e nem deixa se reformar”, afirmou, em carta obtida em primeira mão pela Folha. O texto será enviado na noite desta terça-feira a dirigentes e militantes do PV em todo o país. À tarde, a cúpula verde destituiu Brusadin da presidência do diretório verde em São Paulo. O ato agrava a crise entre Marina e Penna, que comanda a legenda desde 1999.

“O cancelamento de São Paulo aconteceu porque o Penna não quer democracia interna e não deseja construir um projeto autônomo para o partido. Tornamo-nos mais um partido como os outros, somos reféns do ‘peemedebismo’, uma espécie de federação de interesses, cujo desejo maior é entrar em qualquer governo, independente do conteúdo programático”, escreveu Brusadin. “A resposta dada àqueles que pedem por mais democracia, mais tolerância aos que pensam diferente, mais transparência, mais diálogo, mais generosidade foi a velha e tradicional ‘canetada do Penna’”, afirmou.

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O que tem certa graça nisso tudo? Notem que a “carta” do ex-dirigente do PV foi entregue à imprensa antes de ser enviada ao tal Penna. É o método dos “marineiros”: eles convocaram os jornalistas como força de apoio no seu esforço para “democratizar” o PV. Entenda-se por “democratização” do partido a transformação da legenda em mero abrigo das ambições de Marina Silva, que já é candidata à Presidência em 2014, pouco importa  a sigla em que esteja. Seria possível um retorno ao PT? Uma Marina vice de Dilma em 2014? Huuummm… Quem sabe, né?, com um “código” sob medida para os ongueiros… Nota: não vai aqui nenhuma crítica ao jornalista da Folha: se recebeu a carta, tem de publicar.

O que tem certa graça é justamente esse “método Marina”, a que ela já recorria quando ministra de estado, diga-se de passagem. A imprensa veicula as verdades eternas da líder sem mácula, e ela jamais precisa se explicar. Já disse bobagens de dimensões amazônicas sobre o texto de Aldo Rebelo para o novo Código Florestal. Nada lhe foi cobrado. Ninguém leui o troço mesmo. Confia-se na leitura que ela própria fez. A ex-senadora é um dos três políticos inimputáveis do país — os outros dois são Lula e Sérgio Cabral.

Eu realmente não sei se o tal Penna e sua turma se recusam a falar ou se nem mesmo são procurados. O que sei é que os “marineiros”, que governam a imprensa com notável desenvoltura, estão encontrando dificuldades para governar o PV — tudo em nome da democracia, e a democracia, como se sabe, é Marina. Se o tal Penna é seu adversário interno, então ele só pode estar errado.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2011

às 6:47

O PM, o Partido da Marina, busca uma barriga de aluguel; a alternativa é criar um novo partido

O Estadão Online trouxe na noite deste domingo — e, acredito, a versão impressa deve publicá-la nesta segunda — reportagem de Fernando Gallo segundo a qual Marina Silva e o grupo de “marineiros” (não escrevo essa palavra sem certo constrangimento… alheio) já estão praticamente fora do Partido Verde. A razão é simples: o PV insiste em não ser o PM, o Partido da Marina. Onde já se viu? Vamos devagar aí… Existe a democracia ocidental, e existe a “democracia da floresta”. Essa vertente nativa troca um Clístenes e um Péricles pela sabedoria natural do espírito da mata, que, pelo visto, é aristocrática — com direitos ancestrais herdados — e ditatorial, como costuma ser a ordem da… natureza! Nesse arranjo, partido em que Marina esteja tem de ser comandado por… Marina, ora essa!

A ex-senadora e os “marineiros” não decidiram ser parte do PV; o PV é que deveria ser uma fração do marinismo. Informa a reportagem do Estadão:
“O grupo retarda o anúncio porque estuda os próximos passos a dar. No momento, a tendência mais provável é a criação de um novo partido, mas outras hipóteses são consideradas. Isso porque não há tempo hábil para fundar uma nova sigla a tempo de participar das eleições municipais de 2012 - a lei exige filiação mínima de um ano aos futuros candidatos. Outro problema seria a falta de bons palanques nos Estados para Marina em 2014, problema já sentido dentro do PV, na eleição de 2010. Por outro lado, a migração para outra legenda é improvável, uma vez que o grupo teme que situação análoga à guerra hoje deflagrada no PV possa se repetir. Ainda assim, assessores de Marina fizeram circular no mês passado rumores de que a ex-senadora teria se aproximado do PPS.”

Deixariam também o PV Fábio Feldmann, candidato ao governo de São Paulo em 2010; o empresário Guilherme Leal, candidato a vice na chapa de Marina, e João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do ministério do Meio Ambiente.

Segundo entendi, há uma candidatura à Presidência da República em busca de um partido. É… Faz sentido. Marina já está em campanha eleitoral faz tempo. Começou ainda no segundo turno das eleições do ano passado. No momento, seu cavalo de batalha é o Código Florestal. Marina quer porque quer dar uma rasteira na produção agropecuária brasileira — e conta, como contou no ano passado — com o apoio entusiasmado de setores importantes da imprensa, que não cansam de divulgar números errados sobre os hectares produtivos existentes no Brasil.

Marina, vá lá, exibe seu lado admirável. Poucas pessoas têm um abordagem tão autoritária do processo político e despertam, ao mesmo tempo, tanta simpatia. Não deixa de ser um talento…

Por Reinaldo Azevedo

 

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