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Marina Silva

29/08/2014

às 16:13

A fala indecorosa do vice de Marina Silva

Já deu para perceber, parece, qual será o padrão ético da “nova política” caso Marina Silva se eleja presidente, com Beto Albuquerque como vice. Eis que o ainda deputado, um dos capas-pretas do PSB e homem que era muito próximo de Eduardo Campos, afirma, para espanto geral, que o avião-problema — aquele que voava no caixa dois e está enredado numa porção de crimes — não é problema do PSB.

Não? Então é problema de quem? Dos coitados que viram aquela estrovenga cair sobre suas propriedades? Do conjunto dos brasileiros, que pode ver chegar ao poder um partido incapaz de dizer a origem do avião que servia à sua campanha?

Disse ele: “Isso está bastante claro. A compra do avião não é um problema nosso. Devem-se buscar os proprietários, que têm nome, sobrenome e endereço. Os custos [do uso do avião] serão lançados na prestação de contas do Eduardo Campos”.

É uma fala indecorosa.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 14:39

Já começou a patrulha dos marineiros! Vão encher o saco do bagre do Jirau! “Beijinho no ombro”

Pronto! Já começou! Publiquei nesta manhã um post trazendo à luz um texto em que Fábio Vaz, marido de Marina Silva, investe de forma bucéfala contra São Paulo. Há ali uma soma de ignorância, ódio e preconceito. Ele defende de forma estúpida a inacreditável decisão do governador do Acre, Tião Viana, de quem é aliado (como Marina), que meteu centenas de haitianos em ônibus e os despachou para São Paulo, sem nem um aviso prévio. Vaz aproveita para acusar o Estado e os paulistas de espoliar o Brasil.

O texto circulou só na imprensa do Acre. Não o conhecia. Chegou às minhas mãos. Faço com ele o quê? Omito dos meus leitores só para não passar a impressão de que faço campanha contra Marina Silva? Uma ova! Não estou nem aí! Digam o que disserem, não dou a menor pelota! Falo e escrevo o que quero e o que penso: aqui, na Folha, na Jovem Pan, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. E, à diferença de alguns vagabundos que fingem fazer jornalismo, não preciso que estatais ou o governo federal financiem a minha opinião.

Se o PT, eventualmente, tem gostado das minhas opiniões sobre Marina, paciência! O partido não é meu juiz nem quando me reprova nem quando me aprova; nem quando pede a minha cabeça nem quando me considera útil. Também não estou na folha de pagamento dos anúncios decididos pela Secretaria de Comunicação da Presidência. Eu simplesmente não dou bola para o que os petistas pensam a meu respeito. Os únicos juízos que me importam são os da minha família, o dos meus amigos e o dos meus leitores e ouvintes. Importam, sim! Mas nem eles me fazem deixar de escrever ou de dizer o que penso.

Por que isso? O post sobre o marido da candidata do PSB e a coluna que escrevo hoje na Folha geraram uma corrente de reclamações e ofensas. Eu estaria “difamando” a Marina! Eu estaria fazendo “campanha” contra Marina. Eu estaria sendo “preconceituoso” com Marina!

Ora, vão se danar! Eu apenas estou tratando Marina Silva como aquilo que ela é: uma política. Uma política de cujas ideias, em larga medida, discordo. Só isso! Respeito a sua trajetória — e a de pessoas decentes que nasceram em berço de ouro —, mas não me ajoelho quando ela passa. Se ela diz besteira, como disse ontem, no evento do setor sucroenergético, aponto a besteira. É simples assim.

Não tenho interesse pessoal nenhum na vitória de Dilma, Marina ou Aécio. À diferença de muitos, nenhum deles paga as minhas contas. Há três candidatos e suas propostas. É evidente que considero que Aécio, nesse leque, é o melhor para o Brasil. Ninguém tem o direito de desconfiar disso. E notem que externo, ainda com mais clareza, uma posição no momento mais difícil de sua candidatura.

Vão patrulhar o bagre de Jirau e o sapo de Belo Monte! Não dou a mínima! Beijinho no ombro “pras invejosa”!

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2014

às 6:35

O ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo marido de Marina Silva, um de seus inspiradores políticos. Ou: Imaginem uma reforma tributária feita com este espírito…

Fábio Vaz e Marina Silva: não é só marido; é parceiro de militância política e inspirador

Fábio Vaz e Marina Silva: não é só marido; é parceiro de militância política e inspirador

Pois é… Eu já havia cobrado aqui a agora presidenciável Marina Silva por seu silêncio indecoroso diante da atitude absurda do governador do Acre, Tião Viana (PT) — seu aliado —, que despachou haitianos para São Paulo sem fazer nem mesmo um cadastro, sem saber onde eles seriam alojados, sem coordenar nenhuma ação com o governo paulista ou com a Prefeitura. Alguns leitores chegaram a dizer que eu estava exagerando… Estava, é? Então vamos ver.

Na entrevista concedida ao Jornal Nacional, Marina teve a cara de pau de dizer que só ficou em terceiro lugar no Acre na eleição de 2010 porque teve de enfrentar inclusive a máquina do governo do Estado em favor de Dilma. É mentira! Marina é governo no Acre desde 1999. Seus aliados estão no poder.

Quando fiz a cobrança à agora candidata do PSB à Presidência sobre o seu silêncio em relação aos haitianos, não conhecia ainda o artigo que reproduzirei abaixo. Foi publicado no jornal acreano “Página 20” no dia 26 de abril. Seu autor é ninguém menos do que Fábio Vaz, marido de Marina e então Secretário Adjunto de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens) do Acre. ATENÇÃO! ELE SÓ DEIXOU O CARGO NA SEMANA PASSADA, DEPOIS QUE SUA MULHER SE TORNOU A CANDIDATA OFICIAL DO PSB.

No texto, como vocês poderão ler (eu o publico com todos os erros do original, sem correção nenhuma), Fábio Vaz defende com unhas e dentes — e sem nenhum argumento — a ação indecorosa do governador Tião Viana e destila uma impressionante carga de ódio, preconceito e ignorância contra São Paulo e contra os paulistas.

Leiam o texto, especialmente os trechos em destaque. Volto em seguida.

*
Irresponsável quem, cara-pálida?

Na última semana, talvez desapercebido por muitos, assistimos a um exemplo de como é o nosso país no quesito solidariedade humana. Na sabedoria popular é comum a afirmação de se identificar nos mais pobres o sentimento de solidariedade para o próximo. Nos mais ricos encontra-se na maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante. Não sei se é assim tão dispare, mas que o comportamento e pronunciamento do Governo de São Paulo, especialmente a secretária de estado de Justiça Social, daquele estado contribuiu para reafirmar o pensamento popular.

O episódio em que a secretária de SP, na mídia nacional, chamou o Governo do Acre e a Sejudh daqui de “irresponsável”, por dar encaminhamento aos haitianos que entraram no Brasil pelo Acre, esse, sim, caracteriza-se uma enorme irresponsabilidade institucional e de desonestidade intelectual. Evidenciou para os mais atentos a visão desumana com os mais necessitados, beirando o preconceito, da gestora pública do estado de São Paulo.

A desonestidade se refere a ideia que a secretária tentou passar que o Acre estava encaminhando os imigrantes haitianos para São Paulo como fosse jogando um “problema” para frente de maneira desarticulada e inconsequente. A “desonesta” (intelectual) secretária de SP sabe que todos os haitianos estão sendo regularizados no Brasil por meio de expedição de visto provisório de caráter humanitário. Pois bem, isso significa que podem se dirigir para qualquer parte deste país livremente.

Sabemos todos, pelo menos nós do Acre, que o acolhimento que o Governo Estadual, Prefeitura e sociedade deram e ainda dão a esses imigrantes é digno de exemplo e louvor. Acredito que, se o Estado pudesse financeiramente, ainda seria melhor. Em matéria de solidariedade e demonstração de amor com o próximo, o acolhimento foi do tamanho da alma dos acreanos.

Vale lembrar que todas as ações do Acre sempre foram feitas com articulação com Ministério da Justiça e o das Relações Exteriores, com apoio do Ministério do trabalho, Saúde entre outros. Aqui vale uma ressalva: o apoio do Governo federal está aquém das suas possibilidades, penalizando o Estado por duas vezes. A primeira não tendo competência de controle sobre as fronteiras. Segundo deixando ao governo local os custos de um tratamento digno que passou ser a imagem do País.

Para quem acompanha a vida cotidiana, a história econômica e política do país com atenção vai identificar na posição da secretaria de SP apenas uma fagulha do que é a diferença econômica, política e social do Brasil. Ela espelha como é identificado os mais pobres e desfavorecidos na região mais rica do país.

Todos sabemos como são tratados pela elite de SP os nordestinos, bem vindos apenas para suprir o exército de força de trabalho para as diversas atividades econômicas como usinas de cana e construção civil. Conhecemos pelo noticiário como são tratados os irmãos imigrantes bolivianos em trabalhos análogo a escravidão de grandes marcas de confecções naquele estado. Não podemos esquecer ser uma das regiões com maior déficit habitacional e existência das maiores favelas e condições sub-humanas do país.

Deixemos de lado a violência de polícia, crime organizado que deixam um governo acuado por chefes em presídios. Ora quem morre são os mais pobres sempre. Solução para os ricos: condomínio, carros blindados, seguranças particulares.

Se analisarmos de maneira mais profunda como eles (SP aqui como os ricos) olham o resto do país e a nossa região, aqui é apenas espaço de consumo para seus produtos e fonte de recursos naturais para suas indústrias e serviços. Paramos para pensar quanto saiu ganhando SP com a isenção e impostos para a indústria automobilística e quanto nós perdemos? Ganharam vendendo mais carros, inclusive para nós. Perdemos, exportando nossas renda somada à redução de transferência constitucional (FPE e FPM) para o Estado e Municípios. Resultado final: eles ficaram mais ricos e nós, mais pobres. Alguns compraram mais carros, mas a maioria perdeu renda.

Onde se compra mais madeira ilegal fruto de desmatamento e outras ilegalidades. Não vou falar, pois acharão que estou com perseguição com SP (lembro: nasci lá). De onde vem o cartel para impedir que empreendimentos nas regiões mais pobres do país de consolidem como os nossos voltados para proteína animal como aves, ovos, suínos e peixes? Se o Acre não for competitivo, e ser justo com os nossos, eles nos engolem.

Falo tudo isso não contra os “paulistas”, como foram chamados os que vieram do Sul do país nos anos 70. Falo contra a mentalidade de uma falsa elite, pois se assim fossem lideravam vários aspectos da vida de um país ao invés de pensarem nos pobres como “problema” ou como “instrumento de acumular mais riqueza”. Nesse quesito, nossa “elite” local tem demonstrações dignas não só com os imigrantes haitianos, mas em outras oportunidades, como foi especialmente o caso do Acre Solidário nas catástrofes do Rio. A Secretária de SP, de maneira “articulada” ou “consequente”, ligou para seu correlato no estado do Acre e se colocou solidária?

Falo não esperando que a secretária de SP leia ou que a sua elite tome consciência de seu papel. Falo para nós acreanos nascidos ou que escolheram aqui para viver. Para nos indignarmos com o que foi dito por esta senhora. Que esta indignação reafirme nossos atos. Que nossos líderes políticos (com destaque o Governador), empresarias, religiosos, comunitários e funcionários envolvidos saibam que o que fizeram e ainda fazem está certo. Que temos orgulho de sermos solidários, humanos e sempre estender uma mão para o nosso próximo. Que o nosso caminho de desenvolvimento é difícil e tem muitos poderosos contra de maneira “invisível”. Que queremos um Acre sempre melhor, mas não copiando o que uns “ricos” tem de pior. Que o Acre seja sempre inclusivo, do ritmo da Amazônia e cheio de um povo rico de amor.
*
Fábio Vaz – Secretário Adjunto de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens)

Voltei
Em matéria de desonestidade intelectual, o sr. Fábio Vaz não deixa ninguém com inveja. Seu texto ataca a secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda, que, em nenhum momento, afirmou que os haitianos não poderiam vir para São Paulo. O que ela criticou foi a decisão do governo do Acre de meter os pobres coitados em ônibus para largá-los na capital, sem nenhuma articulação prévia com o governo do Estado ou com a Prefeitura, o que mereceu crítica até dos petistas que administram a capital. Mas isso é o de menos no seu artigo.

Prestem atenção aos trechos em destaque. Segundo Fábio Vaz:
– “Nos mais ricos encontra-se na maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante”. Isso só não vale, claro!, para os ricos que apoiam Marina Silva.

– Por ter nascido em São Paulo, Vaz acha que pode falar o que lhe dá na telha. Ocorre que ele é tão paulista como Ciro Gomes. Só nasceu no Estado. Sua carreira política foi feita no Acre.

– Segundo o marido de Marina, os paulistas maltratam nordestinos e só os querem para serviços subalternos. É o mesmo discurso de Lula. Ignora que este é o segundo estado com mais nordestinos do Brasil — só perde para a Bahia. Será que isso se deve à cultura dos maltratos?

– A má-fé deste senhor é de tal sorte que finge ignorar que os bolivianos que trabalham em condições inadequadas em São Paulo, no mais das vezes, têm sua mão de obra explorada por outros bolivianos. De resto, conter a imigração ilegal é um trabalho que cabe ao governo federal. Será que também essa culpa deve recair sobre os ombros dos paulistas?

– Segundo o marido de Marina, São Paulo, vejam vocês, é um Estado que explora… o Acre e as demais unidades da federação!!! Os paulistas, na sua fantasia, são os ricos espoliadores. Ele inventou o anti-imperialismo federativo! Imaginem uma reforma tributária — como Marina diz que pretende fazer — movida com esse espírito. Até a redução de impostos da indústria automobilística, uma escolha do governo federal para preservar empregos (inclusive os dos nordestinos), é vista por esse senhor como uma benesse aos ricos.

– São Paulo também seria o responsável pelo desmatamento da Amazônia e pelo atraso das outras regiões do país. Em seu delírio, há um cartel de paulistas para impedir o desenvolvimento das outras regiões do país. Lendo o seu texto, a gente conclui que o que atrapalha o Brasil é São Paulo!

– E há este trecho encantador: “Deixemos de lado a violência de polícia, crime organizado que deixam um governo acuado por chefes em presídios. Ora quem morre são os mais pobres sempre. Solução para os ricos: condomínio, carros blindados, seguranças particulares”. É asqueroso! Este senhor é governo no Acre há 16 anos. O Estado não chega a ter 800 mil habitantes, população correspondente à da soma do Grajaú com o Jardim Ângela, dois dos 96 distritos da capital paulista. Mesmo assim, depois de quatro mandatos petista-marinistas, o Acre tem mais do que o dobro de homicídios por 100 mil habitantes do que São Paulo. Refaço aqui um desafio que fiz em coluna publicada na Folha: em 16 anos, vamos ver em que Estado, relativamente, os indicadores sociais avançaram mais: se no Acre ou em São Paulo.

Encerro
Não adianta vir com conversa: “Ah, isso, quem pensa, é o marido de Marina, não Marina”. Papo furado! Ele sempre foi um de seus mentores políticos. Esse é o ambiente que ela respira.

Vejo Marina, depois da morte de Eduardo Campos, tentando se reinventar como defensora da disciplina fiscal e do tripé da estabilidade — votou contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal —, como amiga do agronegócio (“só do virtuoso”, claro!) e como admiradora do empreendedorismo paulista. Comigo, não cola! Se eu tivesse um banco, talvez bastasse a promessa de “independência do Banco Central”. Como não tenho, interessa-me a Marina inteira, em toda a sua dimensão.

O que vejo acima é uma peça de ódio a São Paulo e de defesa de um ato indecente do governo do Acre ao qual este senhor servia. E, agora, o silêncio de Marina sobre a “exportação” de haitianos está mais do que explicado.

Tivessem nascido bagres, teriam tido uma advogada entusiasmada.

Texto publicado originalmente às 4h18
Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 22:00

Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia

A história do jato Cessna que servia à campanha de Eduardo Campos e Marina Silva vai se tornando a soma e a síntese de tudo o que de ruim, viciado e vicioso pode produzir a velha política. Chega a ser uma piada meio macabra quando nos damos conta de que Marina, que sucede Campos na campanha, se diz a porta-voz da “nova política”, de que ele também seria expressão.

Nesta quinta, reportagem da Folha Online revela mais uma: a Bandeirantes Companhia de Pneus — que, segundo o PSB, era uma das donas do jatinho que teria sido cedido à campanha — gozava de incentivos fiscais do governo de Pernambuco para importar pneus para carros, caminhões e máquinas agrícolas. Tal incentivo, é verdade, teve início em governos anteriores, mas foi renovado por Campos.

A Bandeirantes pertence a Apolo Santana Vieira, apontado como um amigo do então governador. Apolo é réu numa ação penal, acusado de fraude em importações.

A nova informação acrescenta outra suspeita a uma penca de ilegalidades. O avião pertencia à empresa AF Andrade, que está em recuperação judicial. Esta diz ter vendido o aparelho para Apolo e para dois outros empresários de Pernambuco: João Lyra de Mello Filho e Eduardo Bezerra Leite. Extratos obtidos pelo Jornal Nacional evidenciam que a AF Andrade recebeu como pagamento parcial pelo jato diversos depósitos feitos por empresas fantasmas, que estão em nome de laranjas. Apolo, que não quis se manifestar sobre o caso, nega que tenha comprado o avião.

O PSB tenta fazer o jogo do diversionismo. Aponta como donos dos aviões pessoas que negam essa informação. Afirma que a prestação de contas seria feita no fim da campanha, mas silencia sobre a rede de empresas fantasmas e de laranjas envolvida no pagamento da aeronave. Marina prometia dar explicações no Jornal Nacional e, no máximo, conseguiu dizer que não sabia de nada — sem se esquecer, claro!, de pedir respeito à memória de Campos.

Há uma pergunta óbvia a ser feita, entre tantas: esse esquema criminoso que mantinha o avião no ar e que serviu ao então candidato do PSB à Presidência e à própria Marina só dizia respeito ao aparelho? Com que legitimidade ela fala em nome de uma “nova política”, contra os vícios da “velha”, sem admitir, de forma clara, que crimes, então, foram cometidos? Se eleita presidente, terá com os seus a leniência que tem demonstrado nesse caso? Também ela vai recorrer ao famoso “eu não sabia” quando algo de grave atingir eventuais auxiliares?

Na vida privada, nos limites da lei, cada um faça as escolhas que quiser. Indivíduos não estão obrigados a demonstrar coerência entre o que pregam e o que fazem. Com a pessoa pública, a história é bem outra: seguir estritamente o credo que abraça é uma imposição moral. Reitero: por muito menos, mandatos foram cassados. A Justiça Eleitoral, quando a questão chegar lá, e vai chegar, terá coragem de fazer valer a lei?

Vamos ser claros: esse avião já deixou de ser um problema só de política. Antes de tudo, é um caso de polícia que desmoraliza a política dos que se querem monopolistas da virtude.

 

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 19:55

A grande bobagem de Marina. Ou: Como fraudar a história e influenciar pessoas

Há certas coisas que são um tanto penosas porque nos obrigam a contar o óbvio como se fosse uma revelação. Nesta campanha eleitoral, não é apenas a lógica que está sendo aviltada. Também a história passa por um rebaixamento emburrecedor. Vamos ver. Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, participou da Fenasucro, a feira internacional de tecnologia sucroenergética, na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo. A candidata tenta se aproximar do agronegócio, setor que foi hostilizado por ela durante muitos anos. Nesta sexta, ela participará de um jantar na capital paulista com 40 empresários do ramo, a convite de Plínio Nastari, presidente da Datagro, uma consultoria de etanol e açúcar. Muito bem.

No seu discurso, Marina tentou responder a críticas mais ou menos veladas que tem recebido do tucano Aécio Neves e da petista Dilma Rousseff. Afirmou duas coisas estupefacientes:
“Muita gente, no Brasil, diz que não podemos ser governados por amadores do sonho. Ou apostam no sonho ou vamos continuar nas mãos dos profissionais, dos que fazem escolhas incorretas. A escolha tem de ser feita por essa gente que tem o sonho amador.”
E ainda:
“Tenho certeza de que é melhor conversar com FHC do que com ACM e de que é melhor conversar com Lula do que com Sarney”.

Então vamos lá. Nego-me a comentar essa bobajada de “amadores dos sonhos”. Não sei o que quer dizer. Quando Marina me apresentar tais quadros, então a gente conversa. O que me interessa é a fraude histórica. O que a candidata quer dizer quando pergunta se é melhor conversar com FHC ou com ACM? Vamos recuperar os fatos. O próprio FHC conversou com ACM para, por exemplo, aprovar o Plano Real. Sem o PFL, então o maior partido do Congresso, isso teria sido impossível. A quem o então presidente deveria ter apelado? Ao PT, que recorreu ao Supremo contra o Plano? Gente como a própria Marina, diga-se, lutou contra o Real, contra as privatizações, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A candidata indaga ainda: “Melhor dialogar com Sarney ou com Lula?”. Ora, cabe perguntar a esta senhora por que o próprio Lula sentiu a necessidade de conversar com Sarney. Sabe, de fato, o que isso quer dizer? Que Marina Silva está dizendo a seus interlocutores que é possível governar sem o Congresso. Ou que ela conseguirá a maioria necessária para aprovar algumas de suas propostas apenas na base da saliva. “Ah, então é o vale-tudo ou a ingovernabilidade?” Não! Mas tampouco se consegue governar o país convocando só os varões — e varoas — de Plutarco.

Algumas pessoas descumprem promessas depois de eleitas. Marina já as descumpre antes — se é que vai se eleger. É a nova política.

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 17:58

Marina se reúne com usineiros e fala a maior besteira de sua campanha até agora

Leiam o que informa Talita Fernandes. Comento daqui a pouco.
A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, respondeu às críticas dos seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nesta quarta-feira. O tucano havia dito que o país não pode ser governado por “amadores”, e a petista atacou a defesa que a ex-senadora faz de um “governo dos melhores”, sem partidarismos.

“Tem muita gente por aí dizendo que o Brasil não pode ser governado por amadores dos sonhos”, disse Marina, em referência a Aécio. Segundo a candidata do PSB, os brasileiros terão de escolher entre “apostar no sonho de que a gente possa ter um Estado eficiente que faça a sua gestão escolhendo os melhores e não aqueles que são indicados pelos interesses do partido desse ou daquele grupo” ou “continuar nas mãos dos profissionais das escolhas incorretas”. “Tenho certeza de que é melhor conversar com FHC do que com ACM e de que é melhor conversar com Lula do que com Sarney”, continuou. Em seguida, disparou contra a candidata do PT: “Se Dilma tivesse feito menos propaganda do governo Lula, setenta usinas não estariam fechadas e outras quarenta em processo de recuperação judicial. Governo não é para fazer propaganda, mas para assumir compromisso.”

A ex-senadora participa nesta quinta-feira da Fenasucro, feira internacional de tecnologia sucroenergética, na cidade de Sertãozinho, no interior de São Paulo. Para se livrar da pecha de que é inimiga do agronegócio, a ex-senadora dedica sua agenda a dois eventos com o setor: amanhã ela participa de um jantar em São Paulo com quarenta empresários do ramo a convite do presidente do Datagro (consultoria de etanol e açúcar), Plínio Nastari.

Durante sua fala, a ex-senadora aproveitou para criticar o abandono do setor sucroenergético pelo governo federal. Ela enfatizou a importância dos investimentos no etanol para que o país tenha uma matriz energética mais limpa e mencionou a destinação de 10% do PIB para a educação como uma das prioridades.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 16:08

Uma rede de empresas fantasmas e laranjas… Naquele avião, não estava o voo do novo

Se o Brasil fosse um ente, com um centro organizador do pensamento, seria o caso de lhe propor um desafio: escolher, afinal de contas, que democracia pretende ter — desde, é claro, que fizesse uma escolha prévia: decidir se pretende ou não continuar na trilha democrática.

Leio que Marina Silva deixou para revelar, na entrevista de hoje ao Jornal Nacional, a sua explicação para o grave imbróglio do avião sem dono que serviu à campanha do PSB. Ele não transportou apenas Eduardo Campos. A própria Marina foi sua usuária. O aparelho era apenas a parte voadora de uma estrutura de campanha que continua a servir a agora candidata titular.

Reportagem levada ao ar, nesta terça, pelo Jornal Nacional, evidencia a existência de um esquema obviamente criminoso envolvendo o avião. E não estamos falando apenas de crimes eleitorais. Também os há de outra ordem. Resta evidente que há uma rede de empresas fantasmas para disfarçar a origem do dinheiro — vindo de onde? Pessoas foram usadas como laranjas na operação, algumas delas, é bem possível, sem que nem mesmo soubessem.

Vamos repetir, no caso no avião, o mesmo paradigma empregado no caso do mensalão? Vamos considerar que aquela que acabou sendo a beneficiária principal de um esquema criminoso não tem de responder nem politicamente por ele? Não estou aqui a inferir que Marina soubesse, necessariamente, das tramoias e das lambanças. A questão principal, no que lhe diz respeito, é de natureza política, não penal.

No debate desta terça-feira, na Band, a candidata insistiu na tecla da “nova política”. Mais de uma vez, pregou a necessidade de o país se livrar do que considera “polarização” entre PT e PSDB, mesmo reconhecendo o que considera heranças positivas dos dois partidos. Deu a entender que, com ela, a coisa é diferente.

Vamos aguardar, então, as suas justificativas logo mais. Qualquer coisa que não seja a admissão de um crime eleitoral escancarado, óbvio, indisfarçável, será apenas expressão de uma farsa.

Ocorre que, numa sociedade democrática, existem leis, que devem ser cumpridas. Se crime houve — e houve —, Marina é também beneficiária de seus efeitos. A sua candidatura deriva daquela estrutura; aliás, ela só é candidata porque aquele avião se tornou uma espécie de protagonista de uma narrativa, não é mesmo?

Por muito menos, vereadores, prefeitos e deputados tiveram cassados seus mandatos. Não é verdade, então, que Eduardo Campos e Marina estivessem a tecer a rede de uma nova política. Ao contrário: nada mais velho do que tudo o que se sabe sobre o avião e sua, esta sim, rede de empresas fantasmas e laranjas.

Estou curioso para saber que resposta dará Marina 14 dias depois do acidente. Que os brasileiros ouçam a sua explicação. E que decidam se estamos, mesmo, diante do novo ou se, de novo, o velho lobo se finge de cordeiro.

Naquele avião, está claro, não estava o voo do novo.

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2014

às 15:36

Diogo Mainardi, Marina e eu

A Folha desta quarta traz um artigo do meu querido amigo Diogo Mainardi intitulado “Sou Marina (até a posse)”. Lê-se, por exemplo:
“(…)
O voto nulo é sempre o melhor –o menos vexaminoso, o menos degradante. Isso não quer dizer que não me interesse pelas eleições. Ao contrário: acompanho fanaticamente todas as campanhas e, no tempo ocioso, que corresponde a mais ou menos quatro quintos de meu dia, pondero sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto. Além de ponderar sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto, sou um especialista em torcer contra.

Torci contra Fernando Henrique Cardoso em 1998. Torci contra Lula em 2002. Torci contra Lula –e torci muito– em 2006. Torci contra Dilma em 2010. Agora estou torcendo novamente contra ela. Como se nota, além de ser um especialista em torcer contra, sou também um especialista em derrotas eleitorais. E quem se importa? Com tanto tempo ocioso, aprendi a esperar.

A candidatura de Marina Silva, para quem só sabe torcer contra, como eu, é muito animadora. Depois de 12 anos, há uma perspectiva real de derrotar o PT. E há uma perspectiva real de derrotar o PSDB, sem o qual o PT tende a desaparecer, pois perde seu adversário amestrado.
(…)”

Neste blog, escrevi um post com o seguinte título: “Por que jamais votaria em Marina Silva — nem que ela viesse a disputar o segundo turno com Dilma. Ou: Voo cego de um avião sem dono”. Escrevi:
“Não caio nessa [votar em Marina], sob pretexto nenhum — nem mesmo ‘para tirar o PT de lá’. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.”

É uma divergência? Claro que sim! É apenas uma delas! Temos, Diogo e eu, muitas outras. Felizmente! Aliás, temos, ele e eu, amigos; não pertencemos a quadrilhas ideológicas, eventualmente unidas pelo amor aos anúncios de estatais, como se tornou moda no governo petista. Aliás, Diogo também integra, a exemplo deste escriba, o grupo das “nove cabeças” que o sr. Alberto Cantalice, chefão do PT, gostaria de cortar.

Só escrevi aquele post anunciando que jamais votaria em Marina porque reconheço, é evidente, os motivos por que muita gente que respeito e admiro faria e fará o contrário.

Para encerrar: ontem, confesso, comecei a assistir ao debate movido por um espírito que me acompanha sempre. Eu me preparei para ser convencido do contrário. Assim que Marina decidiu reconhecer as contribuições do PSDB e do PT ao Brasil e pregou, em seguida, a necessidade de a gente se livrar do PSDB e do PT, conclui que ela não junta lé com lé, cré com cré. E não junta daquela sua maneira caudalosa, envolta naqueles panos, que insinuam uma alma sublime. Pra mim, não dá.

Quanto ao mais, imaginem se Diogo seria menos querido por causa de Marina Silva, PSB, eleições… O que lastimo, isto sim, repetindo Paulo Francis na orelha que fez para o livro de Mário Faustino, é o fato de a gente acabar se metendo nessas vulgaridades…

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 20:06

Ibope – Marina encosta em Dilma no 1º turno e venceria petista no 2º com boa margem. Ou: Programas do PSDB e do PT são inadequados à nova realidade

Pois é… Se o PSDB e o PT tinham expectativas negativas sobre a pesquisa Ibope, agora que se conhecem os números, diga-se o óbvio: se estiverem certos, superam qualquer pessimismo de tucanos e petistas. Se a eleição fosse hoje, Marina Silva (PSB), com 29%, está a apenas um ponto do empate técnico com a petista Dilma Rousseff (34%). O tucano Aécio Neves aparece com 19%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Em relação à pesquisa anterior do instituto, tanto Dilma como Aécio caíram quatro pontos. No levantamento do Ibope de 3 a 6 de agosto, Eduardo Campos aparecia com apenas 9%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014. Vejam o quadro publicado pelo Portal G1.

Ibope números

É evidente que a notícia é péssima para o tucano Aécio Neves. A 40 dias da eleição, uma diferença de 10 pontos para Marina Silva não é fácil de ser superada, especialmente porque é ela que surfa na onda da novidade. Dilma, que dava a reeleição como certa, seria derrotada por Marina no segundo turno por 45% a 36%. A diferença está fora da margem de erro. Vejam outro quadro do G1. Volto em seguida.

Ibope segundo turno

Como se pode perceber acima, a má notícia para Dilma não está apenas no percentual maior de Marina: a sua rejeição segue gigantesca. Hoje, nada menos de 36% dizem que não votariam nela de jeito nenhum. Afirmam o mesmo sobre Marina apenas 10%. Contra o tucano, a presidente alcançaria 41%; ele ficaria com 36%. Vejam que coisa: esse não é um mau resultado para Aécio, não. O problema do candidato do PSDB está mesmo no primeiro turno.

A pesquisa e as campanhas
Tanto o horário eleitoral de Aécio como o de Dilma que foram ao ar nesta terça estavam fora do tom, isto é, em dissintonia com a realidade. O programa do PSDB ainda investe na apresentação de Aécio, desconhecido de parcela significativa do eleitorado. O de Dilma exalta as conquistas do PT e, ora vejam, investe contra o PSDB, contra o governo FHC etc. Em suma, aquela cascata de sempre.

Aécio dispõe de pouco mais de quatro minutos e, com efeito, essa fase da campanha deveria estar dedicada a apresentá-lo aos eleitores de todo o Brasil. Ocorre que essa era a escolha adequada antes da morte de Campos. Com a entrada de Marina na disputa, a conversa precisa mudar.

Os petistas seguem reféns de uma tara: só sabem fazer campanha contra o PSDB. É Marina quem daria hoje uma surra em Dilma, não Aécio. Num padrão puramente racional, então, o PT deveria torcer para o tucano passar para o segundo turno. Mas não adianta: a petezada tem a sua natureza.

Aécio pode fazer de conta que Marina não existe. Dilma pode fazer de conta que Marina não existe. Ocorre que o eleitorado acha que existe. Se um quer ser presidente e se a outra quer continuar presidente, é preciso fazer muita gente mudar de ideia e mudar o rumo da prosa no horário eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:44

Nota do PSB é uma admissão oblíqua de crime eleitoral

O PSB prometeu explicar hoje o imbróglio do avião. Não explica nada e, na prática, admite caixa dois. Não é verdade que a prestação de contas só deveria ser feita ao fim da campanha. Leiam o primor:
*
O Partido Socialista Brasileiro esclarece:
 
A aeronave de prefixo PR-AFA, em cujo acidente faleceu seu presidente, Eduardo Henrique Aciolly Campos, nosso candidato à presidência da República, teve seu uso — de conhecimento público — autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira.
 
Nos termos facultados pela legislação eleitoral, e considerando o pressuposto óbvio de que seu uso teria continuidade até o final da campanha, pretendia-se proceder à contabilização ao término da campanha eleitoral, quando, conhecida a soma das horas voadas, seria emitido o recibo eleitoral, total e final.
 
A tragédia, com o falecimento, inclusive, de assessores, impôs conhecidas alterações tanto na direção partidária quanto na estrutura e comando da campanha, donde as dificuldades enfrentadas no levantamento de todas as informações que são devidas aos nossos militantes e à sociedade brasileira.
 
Brasília, 6 de agosto de 2014
 
Roberto Amaral, presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro
Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:30

PSDB, PSB, Marina, Aécio, FHC…

Em entrevista à Folha, na segunda, Eduardo Giannetti, um dos cardeais do marinismo, afirmou que, se eleita, Marina Silva gostaria de contar com o apoio dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Não tardou para que recebesse um aceno do tucano. Num seminário de que participou na própria segunda, FHC reagiu à fala de Giannetti com um sinal de assentimento, ainda que de forma oblíqua: afirmou que gostaria de contar com Marina num eventual governo Aécio.

Ora, se a gente for pôr o devido pingo no “i”, parece que o ex-presidente está, sim, a dizer que a parceria é possível, ainda que ele imagine outro cenário, com Aécio Neves liderando, então, essa nova composição.

Ocorre que as coisas não são exatamente como parecem, não é mesmo? Caso Marina Silva dispute um segundo turno com Dilma Rousseff, dá-se de barato que a esmagadora maioria do eleitorado de Aécio migraria para a candidata da Rede. Mas não se tem como plausível que os marineiros convictos votassem em Aécio no caso de ser ele a disputar a etapa final com a petista.

Não dá para esquecer o comportamento de Marina na eleição de 2010? Ela ficou em terceiro lugar, conseguindo mais de 20 milhões de votos. E, como se considera diferente dos demais políticos, manteve-se neutra: para ela, tanto fazia a vitória de Dilma ou de José Serra. Caso tivesse optado por um dos lados, isso não significa que seu eleitorado a tivesse seguido, mas seria um sinal de aposta na mudança de rumo. Mas ela não o fez.

Assim, vejam que curioso: Marina ascende no primeiro turno com o discurso “nem tucanos nem petistas”, mas conta mesmo é com os votos dos tucanos no segundo turno, certo?

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 16:16

Uma suave “TPP”: Tensão Pré-Pesquisa

Lembram-se daquele tempo em que os mercados reagiam mal à possibidade de mudança no cenário eleitoral? Há muito tempo já, temos o contrário: eles reagem bem é quando surge a perspectiva de uma troca de guarda no governo.

Nesta terça, o país poderia estar sofrendo os efeitos de um mal chamado “TPP”, a Tensão Pré-Pesquisa. Existem, sim, apreensão e expectativa, como sempre, mas os augúrios do mercado são otimistas porque se avalia que o cenário eleitoral será contrário a Dilma Rousseff.

A aposta é que Marina aparecerá no Ibope tecnicamente empatada com a presidente, talvez ligeiramente atrás nos números — estamos falando de um intervalo entre 28% e 32%. Diz-se que o tucano Aécio Neves pode se conservar no patamar dos 20%. Aumenta o otimismo de quem lida com expectativas o boato de que Marina aparecerá à frente de Dilma no segundo turno.

Esse governo conseguiu uma espécie de unanimidade contrária dos agentes econômicos.

Se, antes, a possibilidade de ascensão de Aécio é que trazia certa euforia, agora, todos já se animam com Marina mesmo, por mais que ela possa ser considerada ainda uma incógnita.

Isso é curioso: mercados são, por natureza, conservadores. Por mais que não gostem de determinadas regras, lidam com elas: repudiam é a imprevisibilidade. No governo Dilma, deu-se um curioso fenômeno, talvez único no mundo: o imprevisível estaria na preservação do governo, de tal sorte que os agentes econômicos preferem uma Marina ou um Aécio, ainda que não saibam exatamente o que eles pretendem fazer se eleitos, a uma Dilma que já conhecem.

Parece que uma tragédia pode, sim, até ajudar a eleger Marina. Mas, independentemente de qualquer coisa, tem-se a impressão de que o governo padece de fadiga de material.

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 15:55

Querem transferir a inimputabilidade de um Silva para… outra! Ou: A cara beata da mentira

Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, disse que o partido daria hoje uma explicação sobre o avião em que voavam, rotineiramente, Eduardo Campos e ela própria. Já está claro a esta altura: não haverá explicação nenhuma. Era caixa dois e pronto, já que os custos com a aeronave não aparecem na prestação de contas do partido ao Tribunal Superior Eleitoral. Eis aí a “nova política”. Marina, nesta segunda, já tinha dito palavras incompreensíveis a respeito. Ao anunciar que viria uma resposta nesta terça, afirmou:
“Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos, e, para termos a materialidade dos fatos, é preciso que haja tempo necessário para que essas explicações tenham as devidas bases legais”.

O que isso quer dizer? Nada! O PSB, então, está em busca de uma justificativa legal que consiste no seguinte: o CNPJ usado pelo comitê financeiro de Eduardo Campos era um — e a esse comitê vão tentar atribuir todas as irregularidades. Um novo foi criado para o comitê de Marina, e este, então, estaria limpo.

Caso prospere mesmo essa saída, a “nova política” de Marina já começa assentada numa fraude, que não é de tão fácil tradução para milhões de eleitores. Está tudo errado: parece que a inimputabilidade de que Lula gozou na política por muitos anos está mudando de Silva: de Luiz Inácio Lula da Silva para Marina Silva. Ou por outra: mudam-se os Silvas, mas não a impunidade.

O PSB agora vem com a cascata de que caberá ao comitê antigo explicar por que o avião voava no caixa dois. Conta de quem conhece a área (ver post anterior) calcula o custo mensal do avião Cessna PR-AFA em US$ 200 mil mensais — algo em torno de R$ 460 mil. De onde vinha esse dinheiro? Pois é…

As explicações que se ensaiam beiram o patético. Um dirigente do PSB disse ao jornal O Globo: “Um acordo de boca pode ter ocorrido, e isso é absolutamente aceito juridicamente. O contrato também poderia estar no avião. Onde você guarda os documentos do carro? Trabalho com a ideia de um contrato de comodato oneroso”. É estupefaciente! O partido diz que o avião foi uma doação de empresários… É mesmo? De quais empresários?

A legislação eleitoral exige que a toda doação corresponda a emissão de um recibo, seja o benefício em dinheiro ou estimável em dinheiro. Tais recibos devem ser emitidos no ato do recebimento da doação, o que pode ser feito diretamente no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do TSE.

Afirmar que Marina Silva não era beneficiária de um avião cujos donos se desconhecem e cujo financiamento se dava no caixa dois vai além do cinismo: é uma fraude também moral, uma mentira.

Então ficamos assim: Marina Silva ainda nem foi eleita e já tentam esconder óbvias ilegalidades — que se transferem, sim, para a sua candidatura — com sofismas, cinismo e suposto e tosco legalismo, com a história de que “o CNPJ é outro”. Fosse assim, um partido poderia cometer uma penca de crimes até se tornar viável. Depois, bastaria eliminar a primeira equipe e substituí-la pela segunda.

A “nova política” de Marina, a seguir esse roteiro, é só a cara beatífica da velha mentira.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 15:20

Quem conhece aviação faz as contas do custo do avião sem dono do PSB

Gonçalo Osório, leitor do blog, que conhece aviação, faz as contas do custo do avião sem dono do PSB. Leiam:

“Para sua informação: esse avião, quando voava para a área de São Paulo, ficava “hangarado” no Japi Aeronaves, no aeroporto de Jundiaí. O aluguel mensal de espaço para um avião desse porte, nesse aeroporto, é de cerca de 15 mil por mês, mas talvez só pagasse fração. Quando pousava em Congonhas e outros aeroportos maiores, como Pampulha, Brasília, Recife, Santos Dumont etc, esse avião era servido pela Líder, que presta serviços como coordenação de abastecimento, plano de voo, catering, reboque etc (conhecido pela sigla, em inglês, FBO: Forward Based Operator). O “atendimento” de aeronaves pequenas pela Líder custa, no mínimo, R$ 500 por vez. Para um jato executivo midsize, como o Excel, calcula-se o triplo pelo menos, dependendo do contrato com a Líder.

Os sites especializados americanos dão o custo/hora de um avião como aquele na base dos US$ 1.500 — o que é muito mais barato do que no Brasil, considerando-se ainda tripulação, hangaragem, seguro (que a Andrade pagou, mas só o obrigatório…) e o combustível, que, lá, é mais barato que aqui.

No Brasil, um avião como aquele que conduzia Eduardo Campos deve voar por uns US$ 3 mil a US$ 4 mil a hora, no mínimo. O normal é uma campanha voar umas 40 horas por mês (é bastante). Continha simples, por baixo: o custo desse avião é da ordem de US$ 120 mil por mês, mais a parcela do leasing, que era, se não me falha a memória (li em algum lugar), em torno dos US$ 70 mil mensais. Pode-se assumir uns US$ 200 mil dólares por mês de campanha. Resta a pergunta: com que caixa? O um ou o dois?”

Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 6:27

Marina tentou explicar a fábula do avião sem dono. Para não variar, deu mais uma de suas declarações incompreensíveis sobre o nada. Ou: Não entro na conversa de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isso é ruim até como exercício de guerra

Não me peçam para aderir a ondas de opinião com base no que pensam este ou aquele, especialmente gente que detesto ou execro. Imaginem se justamente pessoas que desprezo iriam determinar os rumos das minhas escolhas. Seria um contrassenso. Alguém me viu aqui a tratar delinquentes que saíam quebrando tudo por aí como aliados objetivos só porque a popularidade de Dilma caía? Quem passou a mão na cabeça deles foi Gilberto Carvalho, não eu. Dá-se o mesmo agora com a “onda Marina”, que pode, reconheço, virar tsunami e devastar nosso futuro: “Ah, entre a Dilma e a Marina, tudo contra o statu quo…”. Não é assim que eu penso. Não é assim que eu opero. O voto nulo, numa democracia, é um direito. Se necessário, eu o usarei.

Imbecis dizem por aí: “Claro! Reinaldo é simpático ao PSDB!”. Sou? Perguntem aos tucanos para ver se eles acham isso. Mas vamos ao que mais interessa: hoje é dia 26. Já se passaram 13 dias desde o acidente que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas. Até agora, o PSB não conseguiu dizer a quem pertencia o jatinho. Pior: tanto Marina Silva como Beto Albuquerque, candidato a vice, tiram ares de ofendidos e ainda tentam cutucar a Polícia Federal, cobrando dela um esclarecimento. Até parece que havia alguma conspiração possível, cuja investigação coubesse à PF. De resto, tivesse havido, a única beneficiária seria Marina, não é? Ou terei perdido alguma coisa? Adiante.

Nesta segunda, a candidata do PSB à Presidência falou a respeito. Foi a primeira vez que resolveu pedir para a procissão parar o andor para que ela se dirigisse aos fiéis. E se saiu com estas palavras, prestem bem atenção:
“Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos, e, para termos a materialidade dos fatos, é preciso que haja tempo necessário para que essas explicações tenham as devidas bases legais”.

Você não tem culpa nenhuma se não entendeu patavina. Eu também não entendi nada. Marina não entendeu nada. Beto Albuquerque não entendeu nada. Os demais leitores não entenderam nada. Os outros jornalistas não entenderam nada. E é fácil explicar por que é assim: Marina não falou para ser entendida. A isso se chama técnica do despiste. Ela já é dona, no mais das vezes, de uma retórica incompreensível porque faz questão de deixar claro que não habita este mundo em que mortais arrastam suas vidas terrenas. Ela desfila sua figura e seu olhar etéreos como quem se comunica com dimensões que nos escapam, daí falar uma língua que quase sempre sugere, mas nunca explica.

Desta feita, ela exagerou. Vamos quebrar em pedaços o que ela disse: “Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos”. Como? Que sejam dadas por quem? Eu não voei naquele avião. Você não voou naquele avião. Ela sim! Quem é o agente da passiva de sua sintaxe? Marina quer que as explicações sejam dadas por quem? Aí a candidata diz que é preciso tempo para que as “explicações tenham as devidas bases legais”. Como assim? Com um pouco de severidade, é possível inferir que está a nos dizer: “Olhem aqui: nós estamos tentando arrumar alguma desculpa legal para dar; quem sabe a gente consiga até amanhã”.

Dilma resolveu tirar uma casquinha na entrevista coletiva concedida nesta segunda quando indagada sobre o avião: “Eu não estou acompanhando isso, porque, você vai me desculpar, mas não é objeto do meu profundo interesse. Agora, acredito que nós, que somos candidatos, inexoravelmente temos de dar explicação de tudo. (…) Candidato a qualquer cargo eletivo, principalmente a presidente da República, está sujeito a ser perguntado sobre qualquer questão e deve responder, se puder, né?”.

Dilma sabe bem do que fala porque deixou e deixa de responder a muita coisa. Querem um exemplo: até agora, a pergunta que lhe dirigiu William Bonner no “Jornal Nacional” segue sem resposta. Ele quis saber se o PT não fez mal em tratar corruptos condenados como heróis do povo brasileiro. A candidata Dilma afirmou, então, que, como presidente, não se pronunciava sobre julgamento do Supremo. Ora: era uma questão dirigida à candidata, não à presidente, e dizia respeito ao PT, não ao Supremo. Como diria a petista, candidatos devem responder a qualquer questão — se puderem… Ela, por exemplo, não pôde.

Mas volto a Marina. Hoje, dia 26, 13 dias depois do acidente, vamos ver a desculpa que o PSB arrumou para a fábula do avião sem dono…

Encerro
Para encerrar: não me peçam para brincar daquela historinha de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo…”. Isso é ruim até como exercício de guerra, como não cansa de provar a realidade. De resto, em política, existem adversários, não inimigos a serem destruídos. Mais: não faço política — e, portanto, nessa área, nem adversários eu tenho. No máximo, há ideias e valores que não me servem. E é sobre eles que falo.

Marina não terá o meu voto enquanto falar uma língua que, segundo entendo, avilta a razão e enquanto defender propostas que violam os fundamentos da democracia representativa. E ponto.

Texto publicado originalmente às 4h33
Por Reinaldo Azevedo

26/08/2014

às 6:13

Nove pontos sobre aquele avião…

O PSB promete para hoje uma “explicação” para a história do avião que servia à campanha do partido, no qual Marina Silva também viajou muitas vezes. Vamos pôr um pouco de objetividade nessa história.

1: Marina fazia parte da chapa registrada no TSE: era vice de Eduardo Campos. A coligação tem, perante a Justiça Eleitoral, a mesma responsabilidade que teria um partido político — responsabilidade esta compartilhada pelos candidatos, Marina inclusive: como vice antes, como titular agora.

2: Há o dever legal de declarar todas as despesas realizadas. Como esquecer que o simples pagamento, não declarado, a gráficas que imprimiram santinhos resultou na perda de mandato  de pessoas eleitas e já diplomadas? O Ministério Público Eleitoral denuncia, o processo pode demorar, mas a punição vem. Estamos falando de migalhas diante dos gastos de um jatinho de última geração.

3: Avião sempre deixa rastro, a cada decolagem e pouso, como provou o famoso “Morcego Negro”, de PC Farias (quem ainda se lembra daqueles tempos ingênuos?). A aeronave é abastecida com emissão, suponho (ou não?) de notas fiscais. Nesse caso, saiu com CPF ou CNPJ de quem?

4: A cada pouso e decolagem, deve haver registro do tempo em que o avião devidamente identificado ficou em terra, da hora em que pousou e depois decolou. A aeronave tem prefixo, identificação, e tudo fica vinculado a essa identificação. O serviço costuma ser pago. Quem pagou, ou para quem foi faturado?

5: Quando a aeronave está em terra, para que seja liberada para voo, é preciso informar o destino à torre de comando do aeroporto e os nomes dos passageiros a bordo. A torre autoriza o plano de voo. Tudo fica registrado. De quantos voos participou Marina, por exemplo?

6: É obvio que, no caso desse avião e suas despesas (combustível, hangares, pilotos), há uma enorme confusão a ser acertada com a Justiça Eleitoral. E não vai ser fácil. Marina é responsável porque era da coligação e compunha a chapa registrada no TSE. Ela está aí e tem de explicar de forma convincente, o que, sinceramente, duvido que vá conseguir.

7: A atual chapa do PSB só existe porque substitui a primeira, devidamente registrada, da qual Marina fazia parte. E, reitere-se, ela foi usuária do avião.

8: Pertencesse o avião ao próprio Eduardo Campos, fosse alugado, fosse emprestado, tudo tem de ser informado à Justiça Eleitoral, apontando a origem dos recursos empregados. Talvez essa demora do PSB se deva à necessidade de construir uma história que, começando pelo fim, tem de inventar um começo. Acreditem: sempre sobrará uma lacuna.

9: Marina, que se comporta às vezes como a corregedora-geral do mundo, tem o dever legal e moral de dar explicações. Vai que seja eleita e tenha depois o seu mandato cassado por crime eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 16:15

Marina: muito avião para pouco sentido

A campanha de Marina Silva à Presidência começa a assumir uma dimensão um tanto perigosa. Ela se desenvolve em zonas de sombra, em que nada é muito claro, em que nada pode ser visto à luz do sol. Dos aviões que serviram ao PSB ao conteúdo do programa, tudo é ambíguo, incerto, sujeito a remendos. Será esse o melhor conteúdo para a chamada nova política? Basta que dois cardeais do marinismo façam acenos aos chamados “mercados” para que tudo fique no lugar?

Acho que não.

Mais um avião estranho surgiu na campanha do PSB. A Polícia Federal já investiga se o jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando Eduardo Campos e mais seis pessoas, pertencia à Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. Agora, há outro jatinho suspeito: um Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana, na Bahia. Este sim está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco. O dono da empresa é Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee.

Apolo Vieira é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de R$ 100 milhões de reais aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, recorre em segunda instância. A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e funciona em um galpão de médio porte.

E o que diz Marina Silva a respeito? Nada! Até agora, o PSB não conseguiu encontrar uma explicação para o primeiro jatinho. Também nada disse a respeito do segundo. Parece evidente que estamos diante de um caso escancarado de doação irregular de recursos para campanha — o chamado caixa dois, que pode resultar em cassação de candidatura e de mandato, a depender da fase em que se conclua o processo.

Não é só isso que Marina tem de explicar. Documento da Rede, que é seu real partido, defende o Decreto 8.243, aquele dos conselhos populares, e vai mais longe e prega o “controle social” da atividade política e defende que se criem “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”. Na aparência, parece bacaninha; na essência, pode não se distinguir de uma prática fascistoide.

Neste domingo, Marina negou a tentação totalitária e coisa e tal. O fato é que tudo, reitero, se desenvolve em zonas de sombra. Se não sabemos quem pagava os jatinhos do PSB, tampouco sabemos o real pensamento de Marina. Infelizmente, a imprensa brasileira, com raras exceções, tem usado para ela um critério bem mais manso e relaxado do que o empregado com os outros candidatos.

Uma eleição não pode ser determinada por um voo cego. É preciso que tudo seja debatido às claras.

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 14:19

Marina ensaia recuo e diz que seu programa vai valorizar as instituições

No Estadão. Comento no próximo este post e o anterior:
Dividindo o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos com o tucano Aécio Neves e com chances reais de chegar ao segundo turno da corrida presidencial, a candidata do PSB ao Planalto, Marina Silva, afirmou neste domingo, em São Paulo, que o seu programa de governo, a ser lançado na sexta-feira, pretende “valorizar as instituições”.

“O nosso documento fala em aprofundar a democracia. Aprofundar a democracia significa a valorização das instituições e que essas instituições e as representações políticas possam estar ligadas à sociedade brasileira”, disse a ex-ministra do Meio Ambiente, que, durante duas horas, fez campanha no Centro de Tradições Nordestinas.

A declaração foi uma reação à reportagem publicada ontem pelo Estado que revelou o conteúdo do programa em discussão da campanha. O texto preliminar da candidatura do PSB fala na criação de mecanismos para ampliar o “controle social” da atividade política. Diz que é necessário criar “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”.

Conselhos
O texto defende a Política Nacional de Participação Social, instituída por decreto pela presidente Dilma Rousseff. O decreto orienta órgãos do governo federal a criar conselhos com participação da sociedade civil e movimentos sociais a fim de acompanhar a criação e execução de políticas públicas. A medida sofreu resistência no Congresso. Os críticos veem na iniciativa uma maneira de “aparelhar o Estado” e tirar prerrogativas de fiscalização dos parlamentares.

Marina, quando era vice de Eduardo Campos, morto no dia 13 em um acidente aéreo, chegou a defender publicamente o decreto de Dilma. Neste domingo, evitou dizer se a defesa do decreto será de fato colocada no papel. “O documento a que tiveram acesso não é o documento que eu e o Eduardo revisamos. Então, não posso falar de coisas que não são do documento oficial da campanha”, afirmou a candidata do PSB.

Já o líder do PSB na Câmara dos Deputados e candidato a vice, Beto Albuquerque, foi mais explícito e sugeriu uma alteração de posicionamento entre a Marina candidata a vice e à Presidência. “A proposta de Dilma é diferente. Eu sou deputado e você não pode me dizer que vai ter controle social sem me dizer quem vai controlar o eleito, isso é muito perigoso.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 14:04

Campos usou outro jatinho de empresário investigado

Na VEJA.com. Comento daqui a pouco:
Uma das empresas investigadas na compra do jato Cessna Citation 560 XLS, que caiu matando o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, e outras seis pessoas, a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. tem em seu nome outra aeronave que, em maio, foi usada pelo ex-governador de Pernambuco durante visita de pré-campanha na Bahia. Trata-se do Learjet 45, prefixo PP-ASV, que Campos usou no dia 20 de maio, em visita a Feira de Santana. Em fotografia tirada pela imprensa durante sua chegada é possível ver a aeronave. De acordo com a resolução 23.406, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a aeronave que caiu no último dia 13 não poderia ser utilizada na campanha por estar em nome da AF Andrade, de usineiros de Ribeirão Preto (SP). A legislação só permitiria que o jato fosse usado na campanha como doação se a AF Andrade atuasse no ramo de táxis aéreos. Além de Eduardo Campos, Marina também utilizou o avião em atividades de campanha.

Mais modesto que o Citation 560 XLS, o avião biorreator usado pelo candidato naquele dia está registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome da Bandeirantes, que tem sede em Pernambuco, e pertence a Apolo Santa Vieira. Pelo registro na Anac, o Learjet 45 foi financiado pela Bandeirantes. Como foi comprado por leasing, enquanto a empresa não terminar de pagá-lo, pertence ao Bank of Utah Trustee.

Apolo Santa Vieira é um dos três empresários pernambucanos investigados pela Polícia Federal como supostos laranjas na negociação de arrendamento do Citation, que caiu em Santos (SP). A aeronave está em nome da AF Andrade, que está em recuperação judicial. Em maio, o empresário pernambucano João Carlos Lyra de Melo Filho assinou compromisso de compra da aeronave e indicou as empresas Bandeirantes e BR Par para assumir dívidas junto à Cesnna.

Agentes da PF, com auxílio da Receita Federal, tentam identificar de onde veio o dinheiro para a Bandeirantes Pneus, uma importadora e recuperadora de pneus, comprar o Learjet e o Citation. Por meio de nota, a empresa informou que tentou assumir o leasing do Citation (que vale 8,5 milhões de dólares), mas que a compra não se efetivou. A AF Andrade informou que já havia recebido parte das parcelas. No sábado, o candidato a vice de Marina, deputado Beto Albuquerque, tergiversou ao tratar do assunto: “Nós queremos saber, e ainda não foi explicado: como esse avião caiu e matou o nosso líder. Como caiu? Por que caiu? Queremos Justiça nesse caso. Sobre as circunstâncias de titularidade, de quem comprou e quem vendeu, isso não um problema nosso e não é era um problema do Eduardo. É um problema dos proprietários da aeronave. Sobre a relação do avião que nós usávamos, a direção partidária está apurando todas as informações para prestar os esclarecimentos necessários”, disse.

Apolo Viera é réu em um processo por sonegação fiscal na importação de pneus, via porto de Suape (PE), que gerou um prejuízo de 100 milhões de reais aos cofres públicos. Sua antiga empresa, a Alpha Pneus, e outras, recorrem em segunda instância. A Bandeirantes foi criada em 2004, em Jaboatão dos Guararapes (PE) e funciona em um galpão de médio porte. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo localizou uma movimentação de importação financiada registrada pelo Banco Central, em dezembro de 2010, de 1,4 milhão de dólares, via banco Ilhas Cayman e Banco Safra.

Por Reinaldo Azevedo

25/08/2014

às 6:31

Por que jamais votaria em Marina Silva — nem que ela viesse a disputar o segundo turno com Dilma. Ou: Voo cego de um avião sem dono

Jamais votaria em Marina Silva. Já expus aqui alguns dos meus motivos. E também na minha coluna de sexta na Folha. Vou avançar. Desde que me ocupo da política, como jornalista, meu esforço é para tirá-la do terreno da mitologia e trazê-la para o da razão — inclusive o da razão prática. “Poderia votar em Dilma contra Marina, Reinaldo?” Também é impossível. Os petistas me incluíram numa lista negra de jornalistas. Eles querem a minha cabeça e, se pudessem, pediriam a meus patrões que me botassem na rua. Desconfio até que já tenham pedido — não sei. Mas não levaram. Não sou suicida. Não me ofereço àqueles que se pretendem meus feitores. Mas, reitero, nem tudo o que não é PT me serve — e Marina não me serve. Mais: acho que alguns de seus ditos “conselheiros” estão perdendo o juízo e querendo se comportar como os Catões da República. Já chego lá.

Os cardeais da papisa
Marina Silva não é candidata a presidente da República, mas a papisa de uma seita herética — e suas heresias são praticadas contra a democracia representativa. Ela não concede entrevistas. Seus cardeais falam por ela. À Folha, quem garantiu a independência do Banco Central foi Maria Alice Setubal. Já expliquei e insisto: se o sócio de um grande banco viesse a fazer tal promessa como porta-voz do tucano Aécio Neves ou da petista Dilma Rousseff, nós, da imprensa, não perdoaríamos o deslize. Como se trata de Marina, parece evidência de sabedoria. Tenham paciência! Banqueiros não podem fazer política? Podem e devem. Mas convém não misturar carne com leite nessas coisas. E ponto.

Na Folha desta segunda, mais um cardeal do “marinismo”, Eduardo Giannetti, fala em nome de Marina. Também ele acena para os mercados com a independência do Banco Central, mas o centro de sua entrevista é outro: quer a conciliação política “dos bons”, entendem? Marina, diz ele, pretende governar com o apoio de Lula e de FHC. Ninguém lhe perguntou — e não sei se vão perguntar — por que não se fez antes se é tão fácil. A rigor, em todos os conflitos do mundo, dos mais amenos aos mais sangrentos, sempre se poderia fazer esta indagação: “Por que não, então, juntar os opostos, juntar os litigantes?”.

Giannetti teve uma ideia que poderia, enfim, ter evitado todas as guerras, até a de Troia, como num poema de Mário Faustino: “Estava lá Aquiles, que abraçava/ Enfim Heitor, secreto personagem/ Do sonho que na tenda o torturava”. No seu mundo, como no do poema, Saul não briga com Davi, os seteiros não matam Sebastião, e o “Deus crucificado” beija uma segunda vez o enforcado (Judas). Pode ser literatura. Pode ser religião. Uma coisa é certa: política não é.

Há mais: Giannetti resolveu, em sua entrevista, todas as dificuldades e só ficou com as facilidades. Imaginar que PT e PSDB possam estar juntos num governo implica ignorar, logo de cara, o fato de que esses partidos têm vocações e fundamentos que são inconciliáveis. Se o ideário, hoje, dos tucanos é um tanto nebuloso aqui e ali — especialmente na área de valores —, os do PT são muito claros. Ora, ora, ora… Então Marina Silva, a Puríssima, não aceita nem mesmo subir no palanque com Geraldo Alckmin ou com Beto Richa — acordos feitos por Eduardo Campos —, mas aquele que se candidata a ser seu orientador intelectual (já que diz não querer cargo caso ela se eleja) sonha com um governo que possa unir… Aquiles e Heitor. Giannetti é uma pessoa lida, que tem experiência com as palavras. Uma tolice dita por ele parece de qualidade superior à dita por um petista tosco qualquer. Mas é apenas isto: uma tolice dita com charme.

O PMDB
E o homem vai adiante. O sonho de Giannetti — que não me parece muito distante, mutatis mutandis, de todos aqueles que sonharam com um Rei Filósofo, com um Déspota Filósofo… — é juntar os bons de um lado para isolar os maus de outro. Ele pega carona na fácil demonização do PMDB. Dá a entender que essa é a força que tem de ficar do outro lado da trincheira. Marina, então, seria eleita pelo PSB, com o apoio de FHC e Lula e outras almas superiores do Congresso, uma conspiração dos éticos se formaria e pronto! Tudo estaria resolvido. Tão fácil que a gente lamenta que tantos estúpidos não tenham pensado nisso antes, né?

É mesmo? Será que o PMDB, ao longo da história, tem sido só um problema? Então vamos ver. Marina Silva apoia o Decreto 8.243, aquele que nem é exatamente de Dilma, mas de Gilberto Carvalho. No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares. Marina não vê mal nenhum nisso porque, afinal, já deixou claro, não dá bola para partidos ou para instâncias formais de representação. O PMDB pode não ser exatamente um convento de freiras dos pés descalços, mas lembro que o partido, em seu congresso, apoiou uma das mais claras e fortes resoluções contra qualquer forma de censura à imprensa. Sugerir que o PMDB atrapalha a democracia ou a torna ingovernável é mais do que um erro; é uma mentira.

O avião
Hoje é dia 25 de agosto. Eduardo Campos morreu no dia 13. Até agora, ninguém sabe a quem pertence o avião. Marina, que voou muitas vezes naquele jatinho e que herda, pois, os instrumentos aos quais recorreu o PSB para fazer campanha, se nega a falar do assunto, como se ele não lhe dissesse respeito. Diz, sim!

Quem se pronunciou foi Beto Albuquerque, candidato a vice. Curiosamente, cobra explicações da Polícia Federal. Como? Aquele que era um dos homens mais próximos do presidenciável morto está exigindo respostas em vez de dá-las? O PSB, vejam vocês, inventou o avião sem dono.

Marina, a mais ética entre os éticos, não aceita doação, no caixa um — o oficial e registrado — de empresas disso e daquilo, mas faz ares de santa da floresta quando se questiona a quem pertencia um jatinho que custava alguns milhões. É essa a “nova política” de que tanto se fala? Vamos ver o que vem por aí: candidaturas e mandatos já foram cassados por muito menos. Que se apure tudo, mas há um cheiro fortíssimo de caixa dois na campanha, não é mesmo?

Messianismo
Marina carrega nas tintas de uma espécie de messianismo pós-moderno, assim, meio holístico-maluco-beleza. A VEJA desta semana a traz na capa. A reportagem, qualquer um pode constatar, não lhe é nada hostil. A figura desenhada nas páginas chega a ser simpática. Um trecho, no entanto, chamou especialmente a minha atenção.

No dia 18, 30 membros da Rede se reuniram em São Paulo para discutir a morte de Campos. Debate político? Claro que não! Isso é coisa superada. Era um papo de outra natureza. Depois de cada um dizer o que sentia, eles se dividiram em trios para escrever palavras para confortar… Marina!!! É, gente… Na Rede — que Giannetti quer ver no governo com o apoio de Lula e FHC —, não existem vitoriosos e derrotados quando se debate uma ideia. Há um troço chamado “consenso progressivo”. A exemplo do Cassino do Chacrinha, a reunião “só acaba quando termina” — e todos ganham. Em maio, para definir os dois porta-vozes da Rede, eles ficaram reunidos por 18 horas. Tinha de ser um homem e uma mulher para contemplar as diferenças de gênero… Tenham paciência!

Conheço gente que já frequentou esse círculo de iniciados. A coisa parece ser mesmo do balacobaco. Marina é o Pablo Capilé da floresta, e sua Rede lembra, em muitos aspectos, o tal grupo Fora do Eixo. As pessoas lhe dedicam um silêncio reverente e estão certas de que ela mantém mesmo certa comunicação com entes que não estão exatamente entre nós.

Estou fora
Não caio nessa, sob pretexto nenhum — nem mesmo “para tirar o PT de lá”. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.

De resto, vou insistir numa questão: Marina Silva é governo no Acre há 16 anos. Seu marido deixou um cargo no secretariado de Tião Viana na semana passada. Mas a sua turma está lá, aboletada na gestão petista. Digam-me cá: quando Viana, seu aliado, começou a despachar haitianos para São Paulo, de uma maneira indigna, escandalosa, Marina disse exatamente o quê, além de nada? Qualquer bagre teria merecido dela mais atenção! Pareceu-me uma reação muito pouco caridosa a sua.

E não tenho como esquecer o fato de que, há menos de dois anos, Marina estava lutando por um Código Florestal que iria reduzir a área plantada no país. Como alternativa para seu desatino, ela tirava das dobras de seus numerosos xales certo “ganho de produtividade” que compensaria a perda. Propunha isso, com o desassombro e a retórica caudalosa de sempre, como se o Brasil não tivesse hoje uma agricultura e uma pecuária entre as mais produtivas do mundo. Do mesmo modo, incentivou a crítica verdolengo-obscurantista a Belo Monte, num país que enfrenta escassez de energia.

Marina Silva? Não! Muito obrigado! Não quero! “Ah, mas ela pode ser eleita e fazer um grande governo…” É, tudo pode acontecer. Não tenho bola de cristal. Quando voto, levo em conta o passado dos candidatos, suas utopias, suas prefigurações, sua visão de mundo, o apreço que têm pela democracia, a factibilidade de suas propostas.

Se eu tivesse alguma dúvida — já não tinha —, ela teria se dissipado com a entrevista concedida por Giannetti nesta segunda: Marina quer governar com o apoio de FHC e Lula… Então tá! É até possível que os dois, por elegância ou sei lá o quê, venham a dizer que, se isso acontecer, tudo bem. Ocorre que o Brasil não é um país comandado por aqueles líderes de clãs do Afeganistão. O Brasil sofreu um bocado para ter uma democracia gerida por partidos e por instituições. Ainda não chegou a hora de sermos um Brasilstão, governado por uma santa rodeada de conselheiros de fino trato. Isso nada tem a ver com democracia. Isso é só mais um delírio de intelectuais, ainda e sempre os mais suscetíveis às tentações autoritárias.

Os idiotas que acham que sou antipetista a ponto de votar até num sapo se o PT estiver do outro lado nunca entenderam direito o que penso. Em dilemas que são de natureza moral, não havendo o ótimo, a obrigação é escolher o caminho menos danoso. Na democracia, felizmente, temos a possibilidade de recusar o ruim e o pior.

De todo modo, espero que a onda passe e que o destino do país não seja definido pelo cadáver de alguém que não havia se explicado o suficiente em vida. É isso.

#prontofalei

Texto publicado originalmente às 4h30
Por Reinaldo Azevedo
 

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