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Marina Silva

16/09/2014

às 4:22

Grupo de Marina critica regime de partilha do pré-sal. E faz muito bem! Escolha atenta contra a Petrobras e o interesse nacional

Agora ou depois — no caso de disputar o segundo turno —, Marina Silva tem de sair da sinuca pilantra em que a meteu o PT. A marquetagem da candidata petista Dilma Rousseff inventou a falácia segundo a qual, se eleita, Marina pretende pôr fim à exploração do petróleo do pré-sal, como se isso fosse possível. Atentem: não se trata de questão de opinião ou gosto. Ainda que, sei lá, por qualquer razão metafísica, a peessebista quisesse deixar o óleo nas profundezas, não teria como. De todo modo, é preciso, sim, que Marina vá a público para explicar a barbeiragem cometida pelo PT na área.

Nesta segunda, Walter Feldman, um dos coordenadores políticos da campanha da candidata do PSB, esteve com empresários do setor, em São Paulo, e criticou o modelo de partilha adotado pelo PT em 2010. Regime de partilha? Vamos lembrar.

A Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, pôs fim — e com acerto! — ao monopólio que a Petrobras detinha, até então, sobre a exploração de petróleo. Empresas estrangeiras adquiriam o direito de disputar, em leilões públicos, a concessão para a exploração de reservas no país. E foi com esse regime, de concessão, que o país avançou bastante na área, até chegar ao pré-sal, cujas pesquisas precedem o governo Lula, é evidente. O estado é remunerado de diversas formas: bônus de assinatura (o valor pago pelas empresas que disputam o leilão), royalties e a chamada “participação especial”. Pesquisem a respeito: basicamente, é um imposto, que pode ser altíssimo, a depender da produtividade de cada poço.

Quando Lula anunciou, em abril de 2006, que o Brasil havia atingido a autossuficiência de petróleo — isto é, quando disse que o país já produzia tudo aquilo que consumia —, estava apenas contando uma mentira. Para vocês terem uma ideia, o déficit da conta-petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. De qualquer modo, o avanço conseguido, que lhe permitiu criar aquela farsa, era uma conquista do regime de concessão, que era eficiente.

Para o pré-sal, os petistas decidiram adotar o regime de partilha. Em que consiste? A União, em princípio, é dona de tudo o que se extrai e compensa o custo de exploração das empresas em barris de petróleo. Isso se chama “custo em óleo”. Um poço, no entanto, tem de dar lucro, e a empresa recebe, também em petróleo, uma parte desse lucro: é o que se chama óleo excedente. Qual é o melhor para o país? Até aqui, ambos podem ser equivalentes. É falaciosa a afirmação dos petistas de que só o regime de partilha permite o controle do óleo extraído.

O problema é que os petistas, na lei aprovada em 2010, impuseram a Petrobras como sócia de toda a exploração do pré-sal. A empresa é obrigada a ter 30% de cada área, o que lhe impõe um esforço de investimento absurdo, especialmente quando a empresa está descapitalizada em razão da sucessão de malfeitos que se dá por lá e de uma política econômica caduca. Critiquei duramente esse modelo num post de 1º de setembro de 2009 e não mudei de ideia. Se a turma de Marina diz que ele está errado, tendo a concordar.

Não pensem que essa imposição é positiva para a Petrobras. Ao contrário: quando essa porcaria foi aprovada, as ações da empresa despencaram. Aliás, isso fez parte do pacote de decisões desastradas do petismo “no que se refere” (como diria Dilma) à empresa.

É evidente que um eventual governo Marina vai continuar a explorar o petróleo do pré-sal. Mas é preciso, sim, debater as escolhas estúpidas feitas pelo PT, deixando claro que elas, sim, atentam contra o interesse nacional.

Por Reinaldo Azevedo

15/09/2014

às 6:05

Dilma pede licença para matar. Ou: Petista promete mais quatro anos iguais aos últimos quatro se reeleita! Ou: Destruir para conquistar; conquistar para destruir

A presidente-candidata Dilma Rousseff não quer saber de “coitadinhos” disputando a Presidência da República. Deixou isso muito claro numa entrevista coletiva concedida ontem, no Palácio da Alvorada, enquanto mordomos invisíveis, pagos por nós, administravam-lhe a casa. A rigor, vamos ser claros, a presidente nunca acreditou nem em “coitados” nem na inocência. Ou não teria pertencido a três organizações terroristas que mataram… inocentes! A propósito, antes que chiem os idiotas: isso que escrevo é
a: ( ) verdade;
b: ( ) mentira.

Quem decidir marcar a alternativa “b” já pode se despedir do texto porque não é só um desinformado; é também um idiota — e não há razão para perder o seu tempo com este blog. Para registro: ela cerrou fileiras com o Polop, Colina e VAR-Palmares. Sigamos.

Na quinta-feira passada, informou a Folha, ao se referir aos ataques que vem recebendo do PT, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, chorou. Os petistas não abrem mão de desconstruir a imagem da ex-senadora e de triturar a adversária, mas temem que ela se transforme numa vítima e acabe granjeando simpatias. Na entrevista deste domingo, Dilma tratou, ainda que de modo oblíquo, tanto da campanha negativa que o PT vem promovendo contra a peessebista como das lágrimas da adversária. Afirmou:

“A vida como presidente da República é aguentar crítica sistematicamente e aguentar pressão. Duas coisas que acontecem com quem é presidente da República: pressão e crítica. Quem levar para campo pessoal não vai ser uma boa presidente porque não segura uma crítica. Tem de segurar a crítica, sim. O twitter é o de menos. O problema são pressões de outra envergadura que aparecem e que, se você não tem coluna vertebral, você não segura. Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho porque, se se sente coitadinho, não pode chegar lá”.

Entenderam? Dilma está dizendo que a brutalidade é mesmo da natureza do jogo, avaliação que, em larga medida, remete a personagem de agora àquela militante do passado, quando grupos terroristas se organizaram contra a ditadura militar. Ou por outra: não havia, de fato, “coitadinhos” naquele embate. Eu sempre soube disso — e já o afirmava mesmo quando na esquerda. É por isso que a indústria de reparações — exceção feita aos casos em que pessoas já rendidas foram torturadas ou mortas pelo Estado — é uma vigarice intelectual, política e moral.

Dilma, obviamente, sabe que o PT faz campanha suja ao associar a independência do Banco Central à falta de comida na mesa dos brasileiros. Dilma sabe que se trata de uma mentira escandalosa a afirmação de que o programa de Marina tiraria R$ 1,3 trilhão da educação. Em primeiro lugar, porque não se pode tirar o que não existe; em segundo, porque Marina, se eleita, não conseguiria pôr fim à exploração do pré-sal ainda que quisesse.

E que se note: a presidente-candidata, que não apresentou ainda um programa final, deixou claro que considera desnecessário fazê-lo e, a levar a sério o que disse, aguardem mais quatro anos do mesmo caso ela vença a disputa. Leiam o que disse:

“O meu programa tem quatro anos que está nas ruas. Mais do que nas ruas, está sendo feito. Hoje estou aqui prestando contas de uma parte do meu programa. Eu não preciso dizer que vou fazer o Ciência sem Fronteiras 2.0, a segunda versão. Eu não preciso assumir a promessa, porque fiz o primeiro. A mim tem todo um vasto território para me criticar. Tudo o que eu fiz no governo está aí para ser criticado todo o santo dia, como, aliás, é. Todas as minhas propostas estão muito claras e muito manifestas”.

A presidente, sem dúvida, pôs os pingos nos is. Se ela ganhar mais quatro anos, teremos um futuro governo igualzinho a esse que aí está. Afinal, segundo diz, o seu programa já está nas ruas, já está sendo feito. O recado parece claro: nada vai mudar.

Dilma voltou a falar sobre a independência do Banco Central, fazendo a distinção entre “autonomia” — que haveria hoje (na verdade, não há) e “independência”, conforme defende Marina. Segundo a petista, a proposta de Marina criaria um Poder acima dos demais.

Vamos lá: discordar sobre a natureza do Banco Central é, de fato, próprio da política. E seria muito bom que o país fizesse um debate maduro a respeito. Mas, obviamente, não é isso o que faz o PT. Ao contrário: o partido aposta no terror e no obscurantismo. Pretende mobilizar o voto do medo e da ignorância. Quanto ao pré-sal, destaque-se igualmente: seria positivo se candidatos à Presidência levassem adiante um confronto de ideias sobre matrizes energéticas. Mas quê… De novo, os petistas investem apenas no benefício que lhes pode render a ignorância.

Dilma segue sendo, essencialmente, a mesma, agora numa nova moldura: “o mundo não é para coitados, não é para os fracos”. E, para demonstrar força, se preciso, servem a mentira e o terror. Hoje como antes. O PT também segue sendo o mesmo: quando estava na oposição, transformava o governo de turno na sede de todos os males e de todos os equívocos. No poder há 12 anos, agora o mal verdadeiro está com a oposição. Seu lema poderia ser “Destruir para conquistar; conquistar para destruir”.

Dilma pede licença para matar. Nem que seja uma reputação.

Texto publicado originalmente às 2h45
Por Reinaldo Azevedo

13/09/2014

às 8:18

A SORDIDEZ DA CAMPANHA PETISTA E UM EXEMPLO DA “MÍDIA” CONTROLADA PELOS COMPANHEIROS

A VEJA desta semana traz uma reportagem com o elenco das formidáveis mentiras e difamações que o PT está levando ao horário eleitoral gratuito. Abaixo, reproduzo a “Carta ao Leitor”, que traz uma reflexão adicional importantíssima. Dados os 11 minutos e 24 segundos que o partido tem à sua disposição, a gente entende como seria a “mídia socialmente controlada”… pelos companheiros.

Leiam!

 carta ao leitor imagem

Carta ao leitor - texto

Por Reinaldo Azevedo

13/09/2014

às 7:50

O dia em que Marina chorou. Ou: Indústria de mentiras do PT pode fazer de Marina uma poderosa vítima; o tiro ainda sairá pela culatra

Marina Silva chorou. É o que informa reportagem de Marina Dias, da Folha. Está inconformada com os ataques que estão sendo feitos pelo PT e, em particular, por Lula. Numa conversa com a repórter, no banco de trás do carro que a transportava para um hotel no Rio, na noite de quinta, afirmou emocionada: “Eu não posso controlar o que Lula pode fazer contra mim, mas posso controlar que não quero fazer nada contra ele. Quero fazer coisas em favor do que lá atrás aprendi, inclusive com ele, que a gente não deveria se render à mentira, ao preconceito, e que a esperança iria vencer o medo. Continuo acreditando nessas mesmas coisas”.

Pois é… Marina está experimentando o que é virar alvo de difamação de uma máquina que ela própria ajudou a construir e à qual serviu durante tanto tempo, inclusive como ministra. Não custa lembrar que os petistas não mudaram os seus métodos. Seguem sendo os mesmos. Eles só se tornaram mais virulentos porque são, agora, muito mais poderosos.

Marina tem motivos para reclamar. Se, como sabem, tenho enormes reservas à forma como conduz a sua postulação, é evidente que está sendo vítima de uma campanha de impressionante sordidez. Afirmar, como faz o PT, que a independência do Banco Central iria arrancar comida da mesa do brasileiro é coisa de vigaristas. Sustentar que Marina, se eleita, vai paralisar a exploração do pré-sal — como se isso dependesse só da vontade presidencial — e tirar R$ 1,3 trilhão da educação é uma formidável mentira.

Fazer o quê? Os companheiros nunca tiveram limites e sempre se comportaram, já afirmei isto aqui muitas vezes, como uma máquina de sujar e de lavar reputações. Podem lavar a biografia do pior salafrário se este virar seu aliado — e isso já aconteceu. E podem manchar a história de uma pessoa honrada se considerarem que virou uma inimiga.

Marina recorre ao passado: “Sofri muito com as mentiras que o Collor dizia naquela época contra o Lula. O povo falava: ‘Se o Lula ganhar, vai pegar minhas galinhas e repartir’. Se o Lula ganhar, vai trazer os sem-teto para morar em um dos dois quartos da minha casa’. Aquilo me dava um sofrimento tão profundo, e a gente fazia de tudo para explicar que não era assim. Me vejo fazendo a mesma coisa agora”.

Pois é… Hoje, Lula é o Collor da vez, e aquele Collor de antes é agora um aliado deste Lula. Assim caminham as coisas.

Não sei, não… Acho que o PT pode estar exagerando na dose. A pauleira é de tal sorte que Marina já está no ponto para se transformar numa poderosa vítima. Até porque os companheiros decidiram deixar de lado razões plausíveis para combatê-la e resolveram investir, de fato, na indústria da mentira, do preconceito e do medo.

O tiro pode sair pela culatra.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2014

às 15:58

PT agora diz que vai processar Marina. É piada de partido autoritário!

É o fim da picada! O PT decidiu partir com uma violência contra Marina Silva que, em certa medida, jamais empregou nem contra adversários tucanos em disputas presidenciais: Serra, Alckmin e Aécio. O partido diz que vai apresentar ao Ministério Público Eleitoral uma representação criminal, acusando Marina, candidata do PSB à Presidência, de “difamação”. Por quê? Porque, em sabatina no Globo, Marina afirmou que o partido colocou por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras. Ela se referia, claro, a Paulo Roberto Costa.

Pois é… Difamação? Que Costa tenha assaltado os cofres da Petrobras, eis uma afirmação que é matéria de fato, não de opinião. Ele mesmo confessa num processo que envolve delação premiada — e o prêmio só virá se apresentar evidências do que diz.

É impressionante que o partido que acusa a adversária de tentar roubar a comida do prato dos brasileiros e de ameaçar tirar da educação R$ 1,3 trilhão — mentiras assombrosas — queira um processo contra essa mesma adversária porque afirmou que o partido pôs um assaltante numa diretoria da Petrobras.

Quem nomeou Paulo Roberto? A direção da empresa, controlada pelo PT. No cargo, ele fez o quê? Assaltou os cofres da Petrobras.

O PT sabe que esse tipo de coisa não dá em nada, mas está fazendo firula para ganhar o noticiário. Tudo compatível com um partido que cria lista negra de jornalistas, que pede a cabeça de funcionários de bancos, que tenta censurar textos de consultoria e que moveu uma ação de queixa-crime contra um economista porque não gosta de sua opinião.

O mundo ideal do petismo é uma ditadura onde não há contestação.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2014

às 5:51

PT não fala mais em privatização da Petrobras porque privatizada ela já está: pelo PT, PMDB e PP. A mentira da hora diz respeito ao pré-sal

Em 2002, 2006 e 2010, o PT inventou que os tucanos haviam querido — e quereriam ainda — privatizar a Petrobras. Alguma evidência, algum documento, alguma fala oficial de governo, alguma proposta que apontasse para isso? Nada! Nem um miserável papel. A maior evidência de que dispunham era um estudo encomendado para mudar o nome da empresa para Petrobrax. Uma burrice? Sem dúvida! Privatização? É piada! Tratava-se apenas de uma mentira de cunho terrorista — já que o partido sabia que a população brasileira, na sua maioria, infelizmente, se oporia à ideia. Este nosso povo bom prefere uma estatal lotada de larápios, roubando dinheiro para si e para seus respectivos partidos, a uma empresa privada que funcione bem, sem assaltar o nosso bolso. O gosto de um povo costuma ser o seu destino.

Lembro, só para ilustrar, que, às vésperas do segundo turno da eleição de 2010, José Sérgio Gabrielli — um dos principais responsáveis pela compra desastrada da refinaria de Pasadena —, então presidente da estatal, concedeu uma entrevista à Folha em que afirmou que o governo FHC havia tomado medidas em favor da privatização. Não apresentou uma só evidência, é claro!, porque se tratava apenas de uma mentira. Privatizada, como vimos, de fato, a Petrobras já está, o que não é segredo para ninguém. As evidências que vêm à luz a cada dia ilustram o descalabro.

Pois bem! Neste 2014, falar que estão querendo privatizar a Petrobras não chega a ser uma coisa exatamente popular. A empresa está mais nas páginas de polícia do que nas de economia, não é mesmo? Privatizada, ela já está. Como vimos, boa parte de sua operação pertence a companheiros do PT, do PMDB e do PP. Uma gangue agia dentro da empresa, em conexão com outra que, segundo Paulo Roberto Costa, atuava do lado de fora. Fica difícil convocar a população para a guerra santa em defesa de um nome que, infelizmente, acabou tão manchado.

Como é que o PT vai fazer, então? O partido não sabe fazer campanha eleitoral sem transformar seus adversários em satãs. Os petistas não conseguem entender o jogo político senão pela eliminação do outro. Não lhes basta simplesmente vencê-lo. Sem encontrar, antes como agora, verdades fortes o bastante em favor de si mesmos, então recorrem a mentiras contra seus oponentes.

Assim é com essa história absurda de que, se eleita, Marina vai tirar R$ 1,3 trilhão — sim, os desmandos da turma já atingiram a casa dos bilhões, e as mentiras, dos trilhões — da educação em razão da não exploração do pré-sal. Esse é o terrorismo da vez. Moralistas como são, advertidos até internamente de que isso é forçar a barra, os chefões não se intimidaram. Como Dilma deu uma pequena reagida, e Marina, uma esmorecida, chegaram à conclusão de que esse é mesmo um bom caminho. Se eles não podem vencer com a verdade, indagam sem hesitação: “Por que não a mentira?”.

Nesta quinta, em entrevista à Rede TV, Dilma culpou Marina, quando ministra do Meio Ambiente, pela demora nas licenças ambientais para obras de infraestrutura. É mesmo? Eu posso criticar algumas questões que a então ministra levantou ao longo do tempo sobre esta ou aquela obras, Dilma não! Ora, se ela criava dificuldades tecnicamente injustificadas e artificiais, por que não foi posta, então, fora do governo? Por que não se fez, então, o devido debate público? É que Lula gostava — e precisava — da “simbologia Marina”.

No horário eleitoral gratuito, o PT demoniza empresários e banqueiros, apresentados como um bando de salafrários que se regozijam quando supostos inimigos do povo — sim, Marina é o alvo principal — aparecem combinando tramoias. É grotesco que, nestes dias, quando conhecemos a casa de horrores em que se transformou a Petrobras, o PT venha a público para atacar o setor privado.

Encerro com um dado: até há cinco dias, Dilma, a que aparece como a adversária de empresários cúpidos, havia arrecadado mais do que o dobro da soma de Aécio e Marina: R$ 123,3 milhões entre julho e agosto, contra R$ 42,3 milhões do tucano e R$ 19,5 milhões de Marina.

Essa é a cara deles. Essa é a moralidade deles.

Texto publicado originalmente às 4h25
Por Reinaldo Azevedo

11/09/2014

às 21:44

Marina, Dilma e Aécio: crítica não é terrorismo; terrorismo não é crítica. Ou: “Esse cara sou eu”

Vamos botar um pouco de ordem no debate, né? Afirmar que Marina Silva, se eleita, vai cortar R$ 1,3 trilhão da educação, como faz o PT, é terrorismo vigarista. Qual é a lógica? “Ah, é que ela não vai explorar o pré-sal, e aí vai faltar o dinheiro que iria para a área.” É um discurso pilantra. Mais ainda: tentar associá-la ao fundamentalismo cristão, como fazem as milícias do sindicalismo gay petista, é, igualmente, má-fé. Mas alto lá!

Lembrar que dois presidentes se elegeram acima de partidos e conduziram o país à crise é só apreço pela história. “Ah, mas Marina é diferente de Collor e Jânio.” Eu sei, e estes, por sua vez, eram diferentes entre si. Em sentido mais geral, os homens são apenas iguais a si mesmos — e, ainda assim, tomados num corte sincrônico, não é? Diacronicamente falando, podem variar bastante. Vamos parar de “mi-mi-mi”! Marina tem de explicar suas contradições, a exemplo de qualquer outro.

Nesta quinta, Marina recorreu ao Twitter (ver post) para afirmar que Aécio faz uma desconstrução de sua figura pública que em nada fica a dever ao PT. Lamento! Mas é falso. Também no Twitter, o candidato do PSDB à Presidência lembrou que ele está a fazer crítica política. E se desafia aqui qualquer marinista convicto ou marineiro tático ou estratégico a apontar onde está a baixaria.

Olhem: considerando o que afirmou o neomarinista Walter Feldman nesta terça-feira em conversa com lojistas (ele previu o fim do PSDB se Marina vencer) e o que afirmara Beto Albuquerque numa reunião promovida por um banco na segunda (especulou que o baixo clero seria atraído pela peessebista em caso de vitória), até que a reação de seus adversários, nesse particular, foi modesta. Então um grupo político sustenta que vai fazer as reformas política, eleitoral, tributária, fiscal e administrativa apostando na dissolução de partidos? Tenham paciência!

Quem me conhece sabe que sempre estou ou de um lado ou de outro do muro; em cima, nunca! Desta feita, talvez eu tenha descoberto meu lado quântico, né? Torço pela derrota de Dilma por tudo o que essa gente representa de incompetência, de truculência e de falsificação da história, mas o que sei me impede de torcer pela vitória de Marina. A menos que ela conserte esse discurso que considero meio aloprado. Não posso fingir o que nem penso nem sinto. Se não for para ser absolutamente honesto com os leitores, pra que fazer este blog?

Nesta quinta, na entrevista que concedeu ao Globo, Marina afirmou: “O que ameaça o pré-sal é o que está sendo feito com a Petrobras. [...] Como as pessoas vão confiar em um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da empresa?”. É duro? É duro! Mas o ataque faz todo o sentido. E, com efeito, à diferença do terrorismo petista, sua afirmação está baseada em fatos.

Dilma decidiu responder: “Eu considero que a candidata Marina tem de parar de usar suas conveniências pessoais para fazer declaração. Ela ficou 27 anos no PT. Todos os seus mandatos, ela obteve graças ao Partido dos Trabalhadores. Dos 12 anos aos quais ela se refere, em oito ela esteve no governo ou na bancada no Senado Federal. Não é possível que as pessoas têm (sic) posições que não honrem sua trajetória política e se escondem (sic) atrás de falas que não medem o sentido dos seus próprios atos durante a vida”.

Parte da resposta faz sentido e é questão pública e inquestionável. De fato, em SETE (não oito) desses 12 anos, Marina foi beneficiária do condomínio de poder liderado pelo PT. E Dilma não comete maldade nenhuma ao lembrar disso. Mas se comporta como uma autêntica “companheira” quando, em seguida, sugere que, em razão da condição partidária, mesmo que pregressa, Marina deveria se calar sobre a lambança. Criticar a roubalheira da Petrobras, presidente, não é mudar de lado, mas assumir o lado certo do debate. O outro, afinal, é o dos ladrões.

“E você, Reinaldo? Qual é o seu papel?” Como jornalista, é analisar o processo político com as paixões intelectuais que tenho — e eu as tenho. Mas sem paixões partidárias. Segundo o meu ponto de vista, ainda espero razões para votar em Marina. Só o fato de ela não ser do PT não me basta.

“Esse cara sou eu”, como disse aquele.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2014

às 17:57

Aécio se distingue do vale-tudo petista contra Marina. E o diálogo no Twitter

O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, procurou se distinguir, nesta quinta, dos ataques que o PT promove à candidatura de Marina Silva, do PSB. Segundo o tucano, ele faz a crítica política a Marina, coisa distinta do que promove o PT, que avança no terreno pessoal e apela ao discurso terrorista. “Acho absolutamente inaceitável o tipo de acusação que ela [Marina] recebe hoje da presidente Dilma. Não entro nesse campo. Entro no campo político. Não entro no vale tudo para ganhar a eleição.”

Os perfis de Marina e Aécio no Twitter trocaram mensagens ao longo do dia — ou farpas, ainda que bastante civilizadas quando se tem em mente o jogo rasteiro a que se dedica o PT. No perfil da candidata do PSB, lê-se: “O Aécio agora está fazendo o mesmo trabalho de desconstrução que o PT faz sobre mim. Com os mesmos argumentos usados contra Lula”.

A página de Aécio respondeu: “Marina, na verdade, estou fazendo o debate político, fundamental para a democracia. Não desconstruindo a sua imagem”. Leia outros.

tuítes reinaldo

Retomo
Aécio faz bem ao se distinguir do terrorismo petista, e Marina faz mal ao reclamar do tucano. Ela que aponte, então, qual acusação do presidenciável do PSDB resvalou no campo pessoal. Lembrar a sua trajetória e eventuais incoerências é uma obrigação. Ainda voltarei ao assunto.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2014

às 17:39

TERRORISMO – PT, agora, diz que Marina vai tirar R$ 1,3 trilhão da educação

Na VEJA.com:
A artilharia de campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva, postulante do PSB ao Planalto, segue pesada: depois de veicular peça eleitoral em que afirma que a proposta de autonomia do Banco Central coloca nas mãos de banqueiros decisões do povo brasileiro, o PT agora diz que, se eleita, a adversária vai tirar 1,3 trilhão de reais da educação. O site da petista publicou nesta quinta-feira um vídeo de trinta segundos em que afirma que as propostas de Marina representam a “extinção do pré-sal”. No auge dos ataques à adversária, Dilma oscilou positivamente um ponto em pesquisa Datafolha, enquanto Marina perdeu um – o que faz o PT decidir por seguir com a pancadaria. A nova peça eleitoral petista explora o posicionamento da adversária sobre a exploração do pré-sal – item que recebeu apenas leve menção no programa de governo do PSB – e insinua que os investimentos em saúde e educação com dinheiro das reservas estariam ameaçados.

Com iluminação difusa e trilha sonora soturna, o locutor questiona: “Marina tem dito que, se eleita, vai reduzir a prioridade do pré-sal. Parece algo distante da vida da gente, né? Parece, mas não é”. Nas imagens, um grupo de homens simula uma reunião de negócios e manipula torres de exploração de petróleo. Na sequência, a peça mostra uma mulher ensinando crianças. À medida que o locutor narra o que alega ser propostas de Marina, os conteúdos dos livros desaparecem e crianças ficam cabisbaixas. No vídeo, o locutor diz que, ao reduzir a prioridade do pré-sal, a educação e a saúde poderiam perder 1,3 trilhão de reais e “milhões de empregos estariam ameaçados em todo o país”. “É isso que você quer para o futuro do Brasil?”, questiona o narrador.

Marina afirmou na quarta-feira que os sucessivos ataques que os petistas vêm fazendo contra sua campanha são mentiras e que iria acionar os advogados do PSB para entrar com uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2014

às 16:02

Marina: “PT colocou diretor para assaltar cofres da Petrobras”

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Alvo principal dos ataques da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT), a presidenciável do PSB, Marina Silva, deu sequência nesta quinta-feira ao fogo cruzado com a rival. Em referência ao megaescândalo de corrupção na Petrobras – detalhado à Polícia Federal por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal -, afirmou: “Os partidos perderam o vínculo com a sociedade. Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por doze anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras. É isso que estão reivindicando? Que eu faça do mesmo jeito? Espero que pessoas virtuosas possam renovar seus partidos para que voltem a se interessar pelo que de fato são as demandas das pessoas. Hoje criamos uma anomalia no Brasil que é a classe politica”. Marina participou nesta quinta de sabatina promovida pelo jornal O Globo. A declaração se deu quando ela foi questionada sobre como governar com as “melhores pessoas”, sem negociar com partidos.

A presidenciável afirmou que os ataques petistas e as insinuações de que pretende desacelerar os investimentos na exploração de petróleo da camada de pré-sal, um tema caro ao Estado do Rio de Janeiro, são uma “cortina de fumaça” para encobrir a revelação dos desmandos na Petrobras. “Vamos explorar recursos do pré-sal e utilizar o dinheiro para investir de fato em saúde e educação. É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é exatamente o que está sendo feito com a Petrobras. Existe uma cortina de fumaça lançada para desviar o debate. O Brasil tem de entender que a exploração de riquezas naturais é uma safra que só dá uma vez e que precisa ser bem utilizada e não drenada pela corrupção, como a gente vê dentro da Petrobras”, afirmou.

Marina voltou a se dizer vítima de boatos espalhados pelo PT e PSDB. “É um batalhão de Golias contra David, em artilharia pesada de dois partidos que se uniram temporariamente para fazer artilharia pesada. Cada um espalhando boatos”, afirmou.

A presidenciável respondeu genericamente a diversas perguntas, especialmente ao questionamento sobre a verdadeira história da contratação e propriedade da aeronave que caiu no mês passado, matando o então cabeça de chapa Eduardo Campos. A Polícia Federal investiga possível crime eleitoral no uso do jato e apura quem era o verdadeiro dono da aeronave. Há suspeitas de que a aquisição tenha sido feita por intermédio de laranjas. “Não temos como esclarecer o que é responsabilidade dos empresários. Eduardo buscou o serviço, fez pagamento na forma legal e as investigações estão sendo feitas”, afirmou.

Ela também defendeu Campos contra a acusação, feita pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, de que ele estaria envolvido no balcão de negócios instalado na Petrobras. “Doa a quem doer. Nós queremos a verdade, porque a simples citação não é suficiente. Vi Eduardo ligando para o secretário do seu partido, pedindo para senadores assinarem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Sou testemunha disso. Ele queria CPI (para investigar a Petrobras)”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

10/09/2014

às 4:54

EXCLUSIVO – O que os vocalizadores de Marina — que hostilizou os bancos na terça — disseram ao Bank of America na segunda. Ou: Um certo “Comitê de Busca dos Homens de Bem”

Ai, ai… Vamos lá, seguindo sempre a máxima de Voltaire, segundo a qual o segredo de aborrecer é dizer tudo. Nesta segunda, as candidatas Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, do PSB, passaram o dia tentando saber quem gostava menos de banqueiros e de bancos. Era o confronto de dois discursos do fingimento.

O PT, a partir de 2003, viveu uma verdadeira lua de mel com o setor — interrompida pelo atual governo — não por ideologia, mas por incompetência mesmo. Dilma, é evidente, não tem moral para chamar Marina de “candidata dos bancos”, moral que também falta a Marina para acusar Dilma de beneficiária da “bolsa banqueiro”.

A petista mandou seu recado aos companheiros do mercado financeiro anunciando a demissão de Guido Mantega caso seja reeleita — de fato, demitido ele já está agora. E Marina, mais do que recado, mandou foi uma equipe de emissários para “explicar” seu programa de governo a mais de 500 clientes do Bank of America Merrill Lynch (BofA). O encontro ocorreu anteontem, dia 8, num hotel de São Paulo.

Esperem! Usei a palavra “emissários”? Em “marinês”, não é assim que se fala: eles são “vocalizadores”. Foram falar aos “sagazes brichotes”, como os chamaria o poeta Gregório de Matos no século 17, os seguintes “vocalizadores”: Walter Feldman, João Paulo Capobianco; André Lara Resende; Maurício Rands; Beto Albuquerque e Basileo Margarido.

Este blog teve acesso a uma síntese do que se disse lá. Trata-se, sem dúvida, de um troço bem “sonhático”, o neologismo com que Marina pretende conciliar sonho e pragmatismo. Alguém quis saber sobre o compromisso anunciado pela candidata com inflação e juros baixos. Coube a Lara Resende responder. Inflação, disse, é um sintoma. E começará a ser atacada pela parte fiscal para forçar a queda dos juros. Tá. E os preços administrados represados? Ele respondeu que é um absurdo o estímulo aos combustíveis fósseis. Os que o ouviram saíram de lá com a impressão de que ele defende um tarifaço de cara para retomar a credibilidade…

Os “vocalizadores” de Marina também acham que o câmbio está valorizado de maneira artificial, e se supõe, então, que a turma pretenda trabalhar com um dólar mais fraco e um real mais forte. Não se sabe se o mesmo discurso seria empregado com empresários do setor produtivo ligados à exportação, por exemplo. Este tenderia a ficar assustado.

Os “sonháticos” acreditam que a reforma política é a “mãe” de todas as reformas, mas pretendem começar com a tributária, que simplifique a área, o que seria feito aos poucos, de forma fatiada. Eles também declararam a sua adesão incondicional ao tripé macroeconômico: metas fiscais, de inflação e câmbio flutuante.

No primeiro ano, eles dizem, a meta de inflação poderia ser um pouco maior do que os 4,5%, mas sempre declinante. O empresariado seria ainda convocado para uma espécie de mutirão da infraestrutura, e a categoria deixaria de ser “tratada como bandida”. Falou-se até em rever a postura “perversa e autoritária” da Receita Federal. Ah, sim: como eles gostam duma reunião, seria criado um “Conselho de Responsabilidade Fiscal”, com vários setores da sociedade.

E na política?

Bem, nessa área o bicho pega, e a coisa vai ficando nebulosa, mas todos já estavam encantados com as promessas na área econômica. O negócio é o seguinte: os “sonháticos” acreditam que a vitória de Marina vai acarretar uma profunda reestruturação partidária no país. Não! Ela não estaria preocupada nem com o PSB nem com a Rede. Apelaria, para usar uma expressão lá empregada, a um “banco de reservas” do PT, do PSDB e de outros partidos. Querem fazer uma reforma política com unificação das eleições, mandatos de cinco anos e fim da reeleição para cargos executivos.

Comitê de Busca dos Homens de Bem
Afinal, eles asseguram, na “nova política”, as ferramentas são as mesmas, mas o jeito é outro. Os “vocalizadores” indagaram por que não poderiam escolher os quadros pelo currículo, em vez de falar com o Sarney. Para isso, pretendem criar um tal “Comitê de Busca dos Homens de Bem”, expressão que foi empregada pela própria Marina na sua visita a Minas, nesta segunda. Isso seria sair da “democracia 1.0 para a democracia 2.0”.

A turma quer fazer as reformas política, tributária, fiscal, da Previdência e do Estado. Mas com que Congresso? Feldman assegurou que diversos parlamentares já procuram os “marineiros” em nome dessa relação programática e que será criada uma frente suprapartidária. Talvez não se dando conta exatamente do que falava, Beto Albuquerque, o candidato a vice, lembrou que o “baixo clero” sempre se aproxima de quem vence… Nem diga!

No mais, darão, sim, importância ao pré-sal; saberão compatibilizar ambientalismo com agronegócio; pretendem fixar metas para cada área; querem um estado como protagonista da saúde, educação e segurança — para o resto, contam com a iniciativa privada —; educação pública em tempo integral e melhoria do SUS, com correção das ineficiências. Nesse paraíso, só ficam faltando, como se vê, a cobra e a maçã. Ou será que não?

Todos saíram de lá muito impressionados e achando que Marina, se eleita, será “pró-business”. Houve quem afirmasse que a conversa lembra, assim, uma “Terceira Via” à moda Tony Blair: amigo dos mercados, mas com um sotaque social.

É… Em 1997, Blair pôs fim a 18 anos de governo conservador na Grã-Bretanha. Em 1995, na liderança do Partido Trabalhista, ele fez mudar o conteúdo da famosa Cláusula IV, que havia sido redigida em 1917, ano da Revolução Russa, e que compunha o programa do partido desde 1918. Se vocês clicarem aqui, terão acesso às duas versões. A original afirmava que os operários só seriam donos de seu trabalho e dele poderiam usufruir plenamente com o fim da propriedade privada. Isso acabou.

Ou por outra: Blair mudou o programa do partido, fortaleceu-o, disputou eleições e venceu. Do outro lado, estavam os conservadores não menos fortes e organizados. O plano de Marina, como a gente vê, também expressa uma conversão aos valores de mercado — e isso é bom! —, mas os seus “vocalizadores” dizem que ela vai governar com os bons, apelando a um Comitê de Busca dos Homens de Bem e apostando numa profunda reorganização partidária. Pretende, assim, fazer aquela penca de reformas.

Eu, que sou apenas um ucraniano preocupado, pergunto: alguém já combinou com os russos?

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 22:40

Dilma, Marina, a “guerra dos banqueiros” e a vergonha alheia. Ou: Cinismo e conversa mole

Escrevi um post nesta tarde em que afirmei que o Brasil estava entre larápios e fantasmas. Não preciso, por óbvio, declinar os nomes dos primeiros. Os demais estão a toda hora na propaganda eleitoral do PT e no discurso do governo. Quando os petistas apostavam que Dilma iria disputar o segundo turno com Aécio Neves, espalhavam a mentira estúpida de que, se eleito, o tucano iria cortar benefícios sociais. Como Aécio ataca, e com correção, o Estado perdulário, ineficiente, gastador e corrupto, os companheiros transformavam essa crítica num sinônimo de “medidas amargas” contra os pobres. Era só um fantasma. Nunca existiram nem a promessa nem a intenção.

Segundo a fotografia do momento das pesquisas, Dilma disputaria o segundo turno com Marina Silva. Não faltam a cada uma das adversárias motivos para apontar falhas nas promessas da outra. Há motivos às pencas. Mais uma vez, no entanto, a petezada escolhe o discurso das sombras, do medo, do terror. Se eleita, espalham, a peessebista não dará atenção ao pré-sal. O sindicalismo gay foi mobilizado para sair por aí a gritar impropérios contra a candidata do PSB, acusada de homofóbica e fundamentalista. Fantasmas, fantasmas, fantasmas! Sempre os fantasmas.

Nesta terça, as candidatas que lideram as pesquisas, segundo os institutos, se engalfinharam em acusações obscurantistas, falsas e cínicas. No horário eleitoral, o PT fez de Marina mero títere dos bancos. Enquanto o locutor dizia que a peessebista pretende dar autonomia ao Banco Central, a comida ia sumindo do prato dos brasileiros, tadinhos!, que faziam, então, uma expressão triste. Segundo o locutor, a autonomia significaria “entregar aos banqueiros um grande poder de decisão sobre a sua vida, a sua família, os juros que você paga, seu emprego e até seu salário”.

É claro que é um discurso vigarista, mentiroso. Marina rebateu a baixaria à altura e apelou a uma linguagem que nada deve ao PSTU e ao PSOL. Acusou o PT de ter criado a “bolsa banqueiro” por intermédio do pagamento de juros. Referindo-se a Dilma, mandou brasa: “Ela disse que iria baixar os juros, e nunca os banqueiros ganharam tanto. Agora, eles, que fizeram a bolsa empresário, a bolsa banqueiro, a bolsa juros altos, estão querendo nos acusar de forma injusta em seus programas eleitorais”.

Dilma voltou à carga para deixar o debate ainda mais burro: “O Banco Central, como qualquer outra instituição, não é eleito por tecnocratas nem por banqueiros. Sua diretoria é indicada por quem tem voto direto. O Congresso chama o Banco Central e manda prestar contas. Eu não digo isso porque sonhei com isso, mas porque está escrito no programa de autonomia do Banco Central, e todo mundo sabe o que é autonomia do Banco Central. Então, não adianta falar que eu fiz bolsa banqueiro. Eu não tenho banqueiro me apoiando”.

Qual das duas está certa nesse bate-boca? Sempre relevando que os bancos tiveram, sim, um excelente desempenho nos governos petistas, a resposta é esta: ninguém! Trata-se de um discurso para enganar trouxas. Os petistas sabem que, na maior parte do tempo, fizeram um governo afinado com, digamos, a metafísica do setor financeiro. E nem os estou criticando por isso. Foi quando Dilma resolveu que marcharia na contramão do óbvio que a coisa desandou. Marina Silva, por outro lado, sabe que esse papo de “bolsa banqueiro” é mera conversa mole.

As duas candidatas poderiam, então, dar um exemplo, não é mesmo? Rejeitem a contribuição do setor financeiro na campanha eleitoral, ora essa! É o cúmulo do cinismo transformar banqueiro no novo fantasma da eleição para, depois, usar à socapa o seu rico dinheirinho. O nome disso é vigarice política. E uma informação que não pode faltar: até meados do ano passado, os banqueiros faziam rezas e romarias para que fosse Lula o candidato do PT ao governo. Sabem que o companheiro sempre foi “de confiança”. 

Para arrematar, informa a Folha: “A campanha à reeleição de Dilma Rousseff recebeu R$ 9,5 milhões em doações de bancos e empresas ligadas a eles, até o final de agosto, de acordo com a segunda declaração parcial apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O valor representa 7,7% de tudo o que foi captado (R$ 123,6 milhões). Sexto maior banco do país em ativos, o BTG Pactual doou R$ 3,25 milhões. Duas empresas do grupo doaram mais R$ 3,25 milhões. Dos R$ 22,2 milhões declarados pela campanha de Marina Silva (PSB) até agora, R$ 4,5 milhões (20,3%) foram doados por bancos e financeiras. A maior parcela veio do Itaú Unibanco: R$ 2 milhões, em 5 de agosto”.

 

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 21:33

Segundo Ibope, situação de Dilma melhora bastante no Rio

O Ibope divulga nesta quarta-feira os dados da pesquisa sobre a eleição presidencial. Nesta terça, o instituto tornou públicos os números de São Paulo e Rio. Se traduzirem o que se passa no resto do país, é provável que a petista Dilma Rousseff tenha aumentado a sua vantagem no primeiro turno sobre Marina Silva, do PSB — a menos que tenha havido um movimento inverso em outros estados. Só para lembrar: há uma semana, segundo o Ibope, a petista tinha 37% dos votos, contra 33% da peessebista. Vejam, no entanto, o que aconteceu com o eleitorado nesses dois Estados em poucos dias, segundo o Ibope (gráficos publicados pelo G1):

Ibope 09 de setembro

Como se pode ver, em sete dias, Dilma oscilou dois pontos para cima em São Paulo: tinha 23% e agora está com 25%. Marina oscilou um para baixo, passando de 39% para 38%. A diferença é grande, mas, estando certa a pesquisa, tendente a diminuir. No Rio, teria havido uma movimentação importante: a peessebista teria caído de 38% para 34%, e a petista, subido cinco pontos: de 32% para 37% — uma mudança de 9 pontos.

São Paulo, com 31.998.432 eleitores, segundo dados do TSE, tem o maior eleitorado no país. O Rio vem em terceiro lugar, com 12.141.145, sendo ultrapassado por Minas, que fica em segundo, com 15.248.681. Em quarto lugar, está a Bahia, com 10.185.417, seguida por Rio Grande do Sul, com 8.392.033.

A menos que Marina ou Aécio — com trajetória descendente nesses dois estados, diz o Ibope — tenham recuperado votos nos demais, retirando-os de Dilma, a petista deve ampliar a liderança que mantinha sobre Marina no primeiro turno na pesquisa anterior: 4 pontos (34% a 37%). E pode haver, portanto, reflexo no segundo turno. A peessebista vencia a petista por sete pontos de vantagem: 46% a 39%.

A pesquisa Ibope diz ter feito seu levantamento entre sexta-feira da semana passada e esta terça. O megaescândalo da Petrobras ainda estava sendo quebrado em miúdos. Esta semana será decisiva para avaliar se ele terá ou não algum impacto eleitoral. Nesse levantamento, ele ainda não pode ser levado em consideração.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 15:30

Marina muda o tom e agora diz que não haveria delação premiada sem fundamento

Como todos sabemos, a revista VEJA desta semana traz parte do que Paulo Roberto Costa confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público sobre a quadrilha que operava na Petrobras. Ele já gravou 42 horas de depoimento. Nesta segunda, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mudou um pouco o tom de sua fala. Ela estava sendo bastante rebarbativa a respeito do assunto, até porque um dos acusados é justamente Eduardo Campos, antigo cabeça de chapa do PSB, morto num acidente aéreo no dia 13 de agosto.

Durante visita a uma creche, em São Paulo, afirmou Marina, segundo informa a Folha: “Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras é o atual governo, que, conivente, deixou que todo esse desmando acontecesse em uma das empresas mais importantes do país”. Marina, no entanto, aliviou um pouco a barra para a presidente Dilma Rousseff: “A presidente [Dilma] tem responsabilidades políticas. Eu não seria leviana em dizer que ela tem responsabilidade direta pessoalmente”.

Marina, que vinha afirmando que, por enquanto, só havia “ilações”, mudou o tom e afirmou sobre as denúncias: “É uma delação premiada. Com certeza o Ministério Público não iria premiar aquilo que não tenha base de realidade”.

Só para lembrar: segundo Paulo Roberto Costa, a lista dos que teriam recebido propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB).

O engenheiro acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 5:24

Petrolão – PT e PSB fazem uma discreta parceria para desqualificar denúncia

A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.

Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.

A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva neste domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.

Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.

É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…”. Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.

O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos à Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comandado pela atual presidente da República.”

Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

08/09/2014

às 1:15

PSB tenta descolar Marina de citação de Eduardo Campos em depoimento sobre corrupção

Por Mariana Zylberkan, na VEJA.com:
Deflagrado o escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, o PSB tem adotado a tática de descolar a candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva, e, consequentemente, sua campanha meteórica, das acusações de que Eduardo Campos estaria envolvido no esquema. Conforme revelado por reportagem de VEJA, o nome do ex-governador de Pernambuco, cabeça de chapa do partido na corrida presidencial até sua morte repentina no último dia 13, foi citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal, em depoimento integrante do acordo de delação premiada. O ex-diretor apontou uma série de políticos da base aliada do governo que receberia propina originária da estatal.

É o candidato a vice, Beto Albuquerque, quem tem rebatido as acusações. Marina passou para ele a palavra quando perguntada sobre a possibilidade de o episódio interferir em sua campanha, durante coletiva de imprensa realizada neste domingo no comitê do PSB em São Paulo. “Eu e Eduardo tivemos atitudes partidárias tomadas antes de ele morrer, então eu me sinto legitimado politicamente a correr atrás dessa verdade”, disse Albuquerque, após revelar que o partido já pediu acesso ao processo, mantido em sigilo.

Ele deu a entender também que a delação tem motivações eleitoreiras. “Esse rapaz que está preso e fez a delação premiada, premeditada ou encomendada havia convidado o Eduardo para ser sua testemunha de defesa, então tudo nos parece muito estranho.”

Marina, por sua vez, tem citado bastante a Petrobras em seus discursos, mas sempre para se defender das acusações de que ela é contra o pré-sal, segundo a campanha de Dilma Rousseff (PT). “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, a apadrinhamento e a corrupção”, disse Marina no trecho do discurso comemorativo da Independência do Brasil redigido pelo partido e lido por ela na coletiva de imprensa.

Em relação à citação de Campos no depoimento de Costa, Marina citou o trecho da Bíblia “conheça a verdade e ela o libertará”. “A verdade jamais atrapalhará a campanha de quem está imbuído de debater o Brasil, de melhorar o funcionamento de nossas instituições”, disse a candidata, que completou: “de ter uma Petrobras que tem em sua direção quadros técnicos e não pessoas como as que temos hoje que estão inviabilizando uma empresa respeitada dentro e fora do país”. Ainda sobre o pré-sal, Marina fez questão de reafirmar que, se eleita, irá garantir a exploração do recurso e reverter os royalties em recursos para viabilizar projetos nas áreas de educação e saúde.

Neste domingo, a candidata foi ao Parque da Independência, em São Paulo, para um “passeio” com o objetivo, segundo ela, de se aproximar da população. A imprensa e a militância ficaram de fora. A candidata do PSB também rebateu as críticas do ex-presidente Lula, que teria sugerido que ela não leu o próprio programa de governo. “Eu até esperava um pouco mais de criatividade do presidente Lula ao debate político. Ele está recorrendo a um acervo de desqualificações e preconceitos que antes eram feitos contra ele.”

Por Reinaldo Azevedo

06/09/2014

às 16:59

O QUE ELES DIZEM SOBRE O PETROLÃO 1 – Marina: citação do nome de Campos seria só “ilação”…

Na VEJA.com:
Em campanha em Brumado, cidade baiana a 555 quilômetros ao sul de Salvador, Marina Silva classificou de “ilação” a citação ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em 13 de agosto, no depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, que aceitou negociar os termos de um acordo de delação premiada com a Justiça.

Segundo Marina, “o fato de haver um investimento da Petrobras em Pernambuco não dá o direito, a quem quer que seja, de colocar Campos na lista dos que cometeram irregularidades” na estatal. “Todo o Brasil aguarda as investigações dos desmandos da Petrobras, que estão ameaçando o futuro da empresa e do pré-sal”, disse Marina. Para ela, o governo deve explicar a má governança na Petrobras, “levando a empresa que foi sempre exitosa e respeitada dentro e fora do Brasil a quase uma total falência.”

Marina ainda ironizou os recentes ataques de Dilma Rousseff (PT), presidente da República e candidata à reeleição, que critica a suposta falta de prioridade que Marina dá à exploração de petróleo. “Quem está ameaçando o pré-sal não somos nós. Vamos manter a exploração no pré-sal e usar os recursos para a saúde e educação. Quem ameaça o pré-sal é a corrupção que está assolando a Petrobras.”

O candidato a vice-presidência na chapa de Marina, Beto Albuquerque, também defendeu Campos das acusações. “Repudio as ilações e a vilania que estão tentando fazer contra Eduardo Campos depois que ele morreu. Quando ele estava vivo, não tinham coragem de enfrentá-lo. Agora, começam a levantar acusações, como se ele pudesse se defender.”

Por meio de comunicado, a assessoria do PSB afirmou que não se manifestará sobre a menção a Campos no depoimento do ex-diretor da Petrobras. Dentro do partido, a avaliação é a de que Paulo Roberto Costa não apresentou provas concretas contra o ex-governador de Pernambuco. “Apenas jogaram no ar o nome de uma pessoa que já morreu, é um absurdo”, comentou um auxiliar.

Até o momento, Costa afirmou que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da Petrobras. Entre os nomes elencados por Costa estão os ex-governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Campos, de Pernambuco, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 21:14

Marina diz que é ‘tarde demais’ para mudar equipe econômica

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, respondeu à sinalização feita pela presidente Dilma Rousseff, de que faria mudanças em sua equipe econômica caso seja reeleita, dizendo que é “tarde demais”. “Hoje a presidente Dilma sinaliza que ela vai mudar sua equipe econômica, mas talvez seja tarde o que ela está fazendo. A sociedade brasileira é que vai mudá-la e. A equipe econômica será outra: uma equipe econômica que tem compromisso com a meta de inflação, que tem compromisso com os juros baixos, recuperação da credibilidade para que haja investimento e nosso país volte a crescer”, disse. O discurso da presidente foi visto como uma indicação clara da substituição do titular do Ministério da Fazenda, posto ocupado há mais de oito anos por Guido Mantega.

Durante agenda de campanha em Guarulhos, Marina concentrou sua fala nas respostas às críticas feitas por seus adversários e pediu que a população a ajude a fazer uma campanha limpa. “Nós estamos sofrendo ataques de nossos adversários de forma injusta, nós vamos responder sempre com a verdade, apresentando o nosso programa e as nossas propostas e contando com a mobilização da sociedade brasileira”, disse.

Nos últimos dias, PT e PSDB subiram o tom contra Marina, apontando plágio no programa de governo da candidata. O adversário tucano, Aécio Neves, disse que Marina copiou trechos inteiros do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na quinta-feira, o site Muda Mais, da campanha de Dilma, compara parágrafos do texto com um artigo publicado na edição de número 89 da revista da USP de autoria do físico Luiz Davidovich, mostrando que os textos são praticamente idênticos.

A candidata respondeu também aos ataques que vem sendo alvo em relação ao pré-sal. O PT tem usado trechos do programa de governo para dizer que Marina deixaria a exploração de lado para defender energia de fontes renováveis. Além disso, nos bastidores, a campanha da petista deve organizar uma caminhada para exaltar o pré-sal no Rio de Janeiro, um dos principais Estados produtores. “Uma série de mentiras estão sendo lançadas no Rio de Janeiro. Nosso compromisso com a exploração do pré-sal é sem prejuízo dos Estados produtores em relação aos royalties. É de que a exploração do petróleo possa beneficiar a educação brasileira. Os 10% (do PIB destinados à educação) que serão destinados virão da exploração do petróleo e nós queremos que esses recursos possam ser utilizados para fazer a escola de tempo integral”, respondeu.

Comitê voluntário
Marina participou nesta sexta-feira da inauguração de um comitê voluntário, agora rebatizado de Casa de Beto e Marina, em Guarulhos, na Grande São Paulo. As casas são uma reedição dos comitês lançados em 2010, quando Marina disputou o Palácio do Planalto pelo Partido Verde (PV).

Após o constrangimento que a equipe da campanha passou no fim de julho, quando um voluntário disse que esperava receber “unzinho” para sediar o comitê, desta vez, a voluntária apressou-se em dizer que a iniciativa foi dela.”Estou fazendo isso pelos meus filhos”, disse a cabeleireira Cleide Alves da Silva, de 34 anos. A cabeleireira divide a casa com o marido os filhos Otávio, de 13 anos, e Leandro, de 7 anos, portador de Síndrome de Down. Cleide disse ter votado em Dilma em 2010, mas disse que a decisão de votar em Marina vem desde quando Eduardo Campos era o candidato. Como justificativa para deixar de votar no PT, a cabeleireira disse estar “cansada da mesmice”. “Admiro Marina como mulher e como pessoal. Ela realmente é diferente, é uma pessoa muito humilde, que veio de baixo”, disse.

Cleide e seu marido, Rogério, vivem em um sobrado no bairro Jardim São Manuel, na periferia de Guarulhos. Após a morte de Eduardo Campos, as casas foram rebatizadas de “Casa de Beto e Marina”. De acordo com Pedro Ivo, coordenador de mobilização da campanha, o nome do vice – Beto Albuquerque – foi colocado antes do de Marina para ficar mais “sonoro”. Em frente à casa, uma série de vizinhos receberam Marina com gritos, aplausos e pedidos de fotos e de autógrafos.

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 16:23

As inconsistências de Marina têm de ser apontadas, e sou o primeiro a fazê-lo. Mas não vou dar as mãos a vigaristas e pilantras

Apareceram evidências de que o programa de governo de Marina Silva faz uma espécie de colagem de discursos da própria candidata, de alguns trabalhos acadêmicos e, como se viu, até de um decreto de FHC. Para quem se orgulha de uma tal “rede” de colaboradores, que seria formada por especialistas e pessoas particularmente dedicadas a causas de interesse coletivo, não deixa de ser um vexame e de denotar certo improviso. Mais: o programa, na área do agronegócio, acena com a revisão de índices de produtividade para efeitos de liberação de terras para a reforma agrária, o que levaria o setor mais eficiente da economia brasileira ao colapso — além de elevar, se aplicada a proposta, a tensão do campo a níveis inéditos. Eu mesmo já apontei que o tal Eixo Um do programa do PSB apela a formas de democracia direta que poderiam degenerar em autoritarismo ou bagunça.

É absolutamente legítimo debater tudo isso. Cabe, sim, ao PT, ao PSDB e a outros chamar a atenção para o que está malparado no programa do PSB, especialmente porque, é evidente, Marina pode ser a presidente da República. Segundo as pesquisas, se a eleição ocorresse amanhã, a eleita seria ela. Assim, nada mais urgente e relevante do que abordar esses temas.

Mas vamos com cuidado aí. Leio que a Federação Única dos Petroleiros, ligada à CUT, vai organizar um ato em defesa do pré-sal. É mesmo? Ele está sendo ameaçado por quem? Conversa mole! Trata-se apenas de um braço do PT, que se alimenta do imposto sindical, a atuar contra a candidatura de Marina, que a petista Dilma Rousseff acusa de não dar o devido valor à área de petróleo. “Não podemos fazer como a Marina, que desdenha essa riqueza”, diz José Maria Rangel, dirigente da entidade.

É uma confissão de politicagem. Por que a FUP não se manifestou e não se manifesta sobre os reiterados escândalos na Petrobras? Cadê a FUP para protestar contra a desastrada compra da refinaria de Pasadena? Cadê a FUP para mobilizar seus filiados contra a queda de 50% do valor de mercado da estatal?

Os bate-paus do petismo que estão no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal também se juntam ao PT para acusar Marina de propor o enfraquecimento dos bancos públicos, com o objetivo de privatizá-los depois. É pistolagem política. É mentira. Não há nada disso no programa de Marina. No passado, foram acusados da mesma coisa os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. Se Aécio estivesse em segundo lugar nas pesquisas, o alvo seria ele.

Ora vejam… Os supostamente independentes João Pedro Stedile, chefão do MST, e Guilherme Boulos, proprietário do MTST — dois promotores contumazes de invasões de propriedades públicas e privadas —, também vieram a público para atacar Marina e defender o seu partido de coração e, quem sabe?, de carteirinha: o PT. Os dois querem a continuidade do atual governo porque sabem que podem impor as suas vontades, promover ilegalidades e sair impunes — contando com as prebendas que seus respectivos movimentos recebem do poder público.

O debate político é uma obrigação e uma necessidade. A ação contra Marina do corporativismo dos sindicalistas de estatais e dos esquerdistas chapas-brancas não passa de pistolagem política. No momento, seu alvo é Marina. Seria qualquer outro que disputasse a eleição com um petista. Essa gente toda, de algum modo, está mamando nas tetas do dinheiro público e tem medo de perder privilégios.

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 6:23

PT parte para a guerra total contra Marina e agora quer investir contra a sua reputação pessoal

O PT resolveu partir para a guerra total contra Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República. Se alguém imaginava que ela pudesse ser poupada em razão de seu passado e de seus vínculos históricos com o partido, é porque não conhece a legenda, que costumo definir como uma máquina de lavar reputações duvidosas ou de sujar trajetórias ilibadas. Tudo depende de quem será o beneficiário ou a vítima. É um ex-inimigo que decidiu se ajoelhar aos pés de Lula? Pronto! Vira santo! Tomem o caso de José Sarney. É um ex-amigo que decidiu ficar com a coluna ereta diante do poderoso chefão? Pronto! Vira bandido. É assim que eles são. Dia desses, quase ao mesmo tempo, Dilma Rousseff elogiou Jader Barbalho e atacou FHC. Entenderam?

Pois é. Ao PT não basta apenas discordar das teses de Marina, tentar demonstrar que ela não tem experiência, que suas propostas podem fazer mal ao Brasil. Tudo isso é do jogo político. E não é o caso de a candidata do PSB ter queixo de vidro. Está na arena. Não custa lembrar que Marina também é muito eficiente para criar pechas e tachas contra adversários. Se o petismo é o petismo, no entanto, é preciso desmoralizar o oponente também no campo moral. O mais espantoso é que essa estratégia é confessada por um dos assessores de Dilma (leia post anterior), sem constrangimento, sem receios.

Eu mesmo já perguntei do que vivia Marina Silva. Agora sei que há as palestras. A explicação do PSB parece razoável (ver post). Dividindo-se o valor líquido pelo número de meses, a conta não deve ser muito diferente da que foi apresentada: algo em torno de R$ 25 mil por mês. Que mal há que seja de palestras? Nenhum? Aliás, Luiz Inácio Lula da Silva, com amplo acesso ao governo federal, ganhou o que recebeu Marina por não mais do que três ou quatro eventos. E ele também não gosta de revelar suas fontes pagadoras.

É evidente que, em parte, Marina é refém do seu próprio discurso. O grau de transparência que ela diz advogar — tão severa com os outros — requer um pouco mais de prudência com as coisas que lhe dizem respeito. Ora, o avião de Eduardo Campos segue aí, sem explicação. A candidata também cometeu um erro político quando, dado o lugar que pretende ocupar no mercado das ideias, se negou a revelar quem a contratou. Expunha-se, assim, à especulação.

E, como não observar?, chega a ser uma piada patética que o PT esteja a pedir investigação sobre rendimentos alheios, levantando a hipótese de que possa se tratar de caixa dois, não é mesmo?

Há, reitero, muitos aspectos na candidatura de Marina não são do meu agrado. E eu os exponho com clareza. Mas não é bonito assistir a esse espetáculo de moer biografias a que o petismo se dedica com tanto afinco. Não contem com a minha condescendência nesse tipo de pulhice, ainda que Marina não esteja entre as minhas heroínas. Todos já assistimos a esse filme. O país paga o preço de essa estratégia ter sido bem-sucedida no passado.

Texto publicado originalmente às 22h42 desta quinta

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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