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Marina Silva

14/04/2014

às 22:45

Marina como vice: um pouco de FHC, um pouco de Lula, críticas a Dilma e um tanto de apóstolo Paulo, mas numa versão meio pagã…

O PSB lançou, nesta segunda-feira, a pré-candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, à Presidência da República. Marina Silva, a chefe da Rede, um partido ainda com existência informal, anunciou o que já se dava como certo, embora a trajetória até a decisão tenha sido um tanto acidentada: vai mesmo ser vice na chapa. Acidentada por quê? A estreia da ex-senadora no PSB forçou Campos a romper alianças ou relativizá-las em estados em que conversas já estavam em andamento. Marina empresta ainda à candidatura do ex-governador uma inflexão, em alguns temas, mais à esquerda do que talvez fosse prudente.

Até agora, Marina não transferiu seus votos para Campos. Os dois formalizaram a sua aliança em outubro do ano passado, mês em que o político do PSB apareceu com 15% das intenções de voto no Datafolha. Caiu para 11% em novembro, passou para 12% em fevereiro e marcou 14% no começo deste mês. Quando Marina surge como o nome do PSB, obtém marcas substancialmente maiores nos mesmos períodos: 29%, 26%, 23% e 27%. Note-se que o último levantamento do Datafolha foi feito logo depois do horário político eleitoral do PSB e quando as inserções curtas do partido estavam no ar: Marina se mexeu, passado de 23% para 27%, mas Campos ficou praticamente No mesmo lugar, variando de 11% para 12%.

O grosso do eleitorado que simpatiza com Marina não está migrando automaticamente para Campos — não ainda ao menos. Será que essa transferência ainda vai acontecer? Vamos ver. O discurso da líder da Rede, como sempre, se deixou marcar por um certo messianismo, mas que cai bem em plateias laicas. Referindo-se ao dia em que o TSE indeferiu o pedido de registro de seu partido, afirmou: “Saí daquele tribunal, era a fraqueza em pessoa, mas eu me lembrei daquela frase, quando sou fraco é que sou forte”. Ela se referia ao versículo 10 do Capítulo 12 da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios.

E seguiu adiante, numa interpretação muito pessoal da carta de São Paulo. Disse Marina: “Porque a gente é forte quando tem a capacidade de se juntar com outras pessoas, porque o ser humano é incompleto, é faltoso, depende da completude do outro, e, naquele momento, o outro disponível para esse projeto era o PSB, na figura de Eduardo Campos”. Pois é… Quem conhece o texto sabe que São Paulo se referia a Jesus Cristo para fortalecer os fracos, não a um homem com poderes, como direi?, terrenos. Se bem que, bem lido o que disse Marina, ela própria é que se oferece como portadora da mensagem messiânica, de que Campos seria apenas um instrumento. Uau! Se ela não fosse de uma denominação evangélica, ainda reivindicaria a santidade em vida. Espero que Campos cresça e contribua para impedir a eleição de Dilma. Mas deixo claro: não suporto esse discurso de Marina.

Campos, por sua vez, insistiu na leitura de que Dilma jogou fora a boa herança que recebeu de Lula: “O Brasil perdeu o rumo estratégico. Dizia que ia para um lado e ia para o outro. Foi perdendo seus fundamentos macroeconômicos, na inclusão social. E a gente viu que esse processo nos conduziu ao cabo de três anos a um diagnóstico que é voz corrente: o Brasil parou, o povo perdeu a fé. E nós não podemos deixar o povo brasileiro desanimar da nossa luta”. Vale dizer: confronto com Lula, nem pensar.

O economista Eduardo Giannetti, de clara inflexão liberal, hoje ligado à Rede, deu aquele que pode ser o tom da campanha publicitária do PSB ao afirmar: “O Brasil está cansado da polarização PT versus PSDB. Eles já deram o que tinham de dar. O Brasil não quer mais do mesmo, quer diferente. Nós somos os portadores dessa esperança nessa eleição. O governo Dilma frustrou avanços construídos a duras penas no governo FH e no primeiro do presidente Lula. É um governo repleto de paradoxos”.

E assim se lançou a pré-candidatura de Eduardo Campos: com um pouco de Lula, com um pouco de FHC, com o governo Dilma até anteontem, contra o governo Dilma agora, tudo isso temperado por uma leitura, como direi?, meio pagã da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios. Mas, claro, “sem contradições”!!!

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2014

às 23:01

Eduardo Campos-Marina na TV: uma boa pegada para um estranho discurso

Foi ao ar na noite desta quinta o horário político do PSB. Do ponto de vista técnico, impecável. Foi inteiramente dedicado a um suposto diálogo — tratou-se de uma montagem — entre Eduardo Campos, que vai disputar a Presidência da República, e Marina Silva, a líder da Rede, provável vice na chapa. Procurou-se simular um olho no olho entre os dois e de cada um deles com o telespectador. O filme foi rodado em película, em preto e branco, como a dizer que ali não havia pirotecnia nem truque.

Ambos evocaram as respectivas histórias para se dizer “filhos da esperança” e “companheiros de luta e de paz”, deixando claro, de saída, com quem queriam falar. Nas palavras do ainda governador de Pernambuco: “um povo alegre, mestiço, misturado, guerreiro”. Campos incorporou, vamos dizer assim, a mística lulista.

O governo Dilma apanhou bastante, mas Lula foi preservado. Lá estava a Petrobras: o pré-candidato observou que a empresa perdeu metade de seu valor de mercado e viu sua dívida ser multiplicada por quatro. Afirmou que a economia vinha melhorando desde o governo Itamar e reconheceu o legado de FHC, com as grandes conquistas do governo Lula. Até que… Bem, até que Dilma veio estragar tudo. E aí a presidente virou alvo.

O peessebista falou de uma nova política, sem salvadores da pátria e donos da verdade. Referindo-se a Dilma como “ela”, foi duro: “Ela teve a oportunidade de receber o legado e poderia ter feito o que se comprometeu a fazer”. Acusou-a, em seguida, de “desmanchar o que havia sido feito”. Na conclusão, numa clara alusão à Copa do Mundo, convidou os brasileiros a “entrar em campo e fazer o Brasil campeão”.

Campos era o mais incisivo, o mais focado na disputa terrena propriamente. Marina, conforme o esperado, emprestava à cena um certo apelo etéreo, com coisas quase do outro mundo. De saída, afirmou que seu grande sonho, ora vejam, é uma “agenda estratégica, que possa ser implementada independentemente de partidos e de quem esteja no governo”. É claro que isso não existe e, em certa medida, representaria a morte da política. Ocorre que Marina sempre fala bem com os setores da sociedade que repudiam a… política!

Não faltaram também espertezas certamente definidas por pesquisas de opinião: lá estava a chefe da Rede a defender a sustentabilidade, como sempre, mas deixando claro que é possível desenvolver a agricultura sem agredir “as nossas florestas”, definidas como “a galinha dos ovos de ouro”.

Parece que o candidato do PSB escolheu uma estratégia: colocar-se como o verdadeiro herdeiro das conquistas do lulismo; aquele capaz de fazer o Brasil avançar. Dilma, na sua construção, jogou fora uma herança bendita. Os dados não corroboram essa leitura, mas se está diante de uma construção para a disputa eleitoral.

Funciona? Ela me parece dotada de uma fragilidade essencial: basta que Lula venha a público para dizer, afinal, quem é a sua continuadora. Como já escrevi aqui, se o discurso de Campos for extremamente eficiente e se Dilma se inviabilizasse como candidata, haveria o risco da volta de Lula como candidato do PT. E contra este, o que Campos teria a dizer? A julgar pelo discurso desta quinta, nada”

Tudo somado e subtraído, no entanto, foi um programa eficiente, que certamente atraiu a atenção de muita gente.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2014

às 20:20

Marina consegue impedir aliança de PSB com PSDB em São Paulo, mas não emplaca o seu candidato

O PSB decidiu mesmo ter candidato próprio ao governo de São Paulo, como queria Marina Silva, a líder da Rede, que usa o PSB, por enquanto, como barriga de aluguel. Segundo a ex-senadora, essa candidatura atende à necessidade de acenar para os leitores com o “novo” — e, em São Paulo, o novo seria se distanciar tanto do PSDB como do PT. Entendo. O curioso é que, no Acre, Marina se contenta com o velho mesmo. Ela vai apoiar a reeleição do petista Tião Viana. O grupo, do qual ela faz parte, entrou em 16º ano de poder no Estado — e é grande a chance de ficar por pelo menos 20.

Marina impôs uma parte do que queria, mas não a outra. Seu candidato em São Paulo era o ex-tucano Walter Feldman, mas não deu. O nome será decidido pelo PSB local. O mais provável é que seja o deputado Márcio França, que preside o partido no Estado e já foi secretário do governo Alckmin. Ele era uma dos pré-candidatos a vice na chapa do atual governador, não fosse Marina bater o pé. PSB e Rede também têm divergências em outros palanques. A tendência é que cada grupo fique livre para apoiar quem quiser onde não houver acordo.

Para o PSDB, não é exatamente uma boa notícia porque diminui o tempo no horário eleitoral gratuito. Mas também não chega a ser má. É pouco provável que França chegue ao segundo turno. Caso Alckmin passe para a etapa seguinte, a chance de contar com o apoio do PSB é grande. Um nome identificado com Marina seria certamente hostil à atual gestão em São Paulo. Se o candidato vier do, digamos “PSB peessebista”, não.

Por Reinaldo Azevedo

31/01/2014

às 18:01

No Acre, Marina prefere a velha política mesmo e vai de PT. Não me digam!

Que pitoresco!

O PSB anda meio irritado com Marina Silva, a chefa da Rede. No Acre, ela não abre mão do apoio à reeleição de Tião Viana, do PT, fiel escudeiro, junto com o irmão, Jorge, de Dilma Rousseff. Ora, ora, ora… Não me digam! Marina é poder no estado. Há 15 anos, a sua turma está aboletada no poder. E, segundo as primeiras pesquisas, a grei ficará ao menos 20 anos. Se alguém quer saber como seria o Brasil de Marina, basta ver como é o Acre dos Vianas.

No seu próprio estado, então, Marina não se importa se Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência, ficar sem palanque — ainda que, claro!, ela própria possa ir lá fazer uma campanha ou outra.

O Acre não tem, assim, tantos eleitores, é verdade. Mas convenham: se há um simbolismo importante nessa luta da Rede em favor da identidade, que seja no estado natal da Todo-Poderosa do partido, né? Nem que fosse para fingir. Passadas as eleições, os marineiros se agarrariam de novo a seus cargos.

Se bem que não sei se seria muito prudente. Em 2010, santo de casa não fez milagre do Acre. O tucano José Serra venceu a eleição no estado, com 52,13% dos votos; em segundo lugar, ficou Dilma, com 23,92%. Marina obteve apenas a terceira colocação: 23,45%.

Marina é a favor da “nova política”, mas demonstra que essa férrea convicção para na porteira do Acre. Ali, ela prefere o velho mesmo.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 4:42

Marina quer agora implodir a aliança PSDB-PSB em MG. Quem está surpreso?

Pois é… Marina Silva tem a sua natureza. Ela e seu grupo se comportam, dentro do PSB, da mesma maneira como se comportavam quando a então petista deixou seu partido e migrou para o PV: como os donos da bola. A turma da líder da Rede, informa Ranier Bragon na Folha, quer agora acabar com a aliança entre o PSB, de Eduardo Campos, e o PSDB de Minas, do presidenciável Aécio Neves. Os “marineiros” defendem candidatura própria no estado.

Então vamos ver: Marina já conseguiu desfazer a aliança do PSB com os tucanos em São Paulo. Há ainda quem ache que pode ser recomposta, mas a possibilidade é remota. E se esforça para inviabilizar a aliança do partido com o PSDB de Minas. É o seu preço para ser vice na chapa do peessebista Eduardo Campos.

Acontece que o PSB está no governo mineiro; pertence à base de apoio — e esse era o caso de São Paulo até anteontem. Mas Marina não quer nem saber. Num manifesto, o partido escreveu: “A Rede vem afirmar a necessidade de romper a hegemonia do PSDB em Minas Gerais” para “renovar a prática política no Estado, desgastada com o rodízio de velhos grupos no poder”.

O chefão da Rede no Estado é Cassio Martinho, porta-voz nacional do partido em formação, junto com a própria Marina. Logo, essa pressão tem inequivocamente as suas digitais.

Vejam que coisa curiosa: até agora, Marina Silva funcionou como massa negativa para Eduardo Campos. Do ponto de vista das alianças, o resultado da soma dos dois é inferior ao que ele tinha sozinho. Ela está inviabilizando alianças que já existiam. É a adição que subtrai.

Bem, o que começou torto parece que torto continuará. Um dos primeiros aliados que Campos havia conquistado fora de Pernambuco era o deputado Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás, que tenta viabilizar sua candidatura ao governo. Logo no primeiro dia, Marina o desqualificou de maneira infundada e grosseira. Campos silenciou, e o acordo se desfez.

Se o acordo, para ele, até agora, tem se mostrado irrelevante, com ela, aconteceu justamente o contrário. Sem o seu partido, correria o risco de ficar um tempo no limbo, o que nunca é bom em política. A sua entrada, ainda que temporária, no PSB lhe deu força para articulações nacionais. Vamos ver o que sobrará do PSB depois desse trabalho explícito de parasitismo da Rede.

Para encerrar: Campos tem um único aliado nacional até agora: o pequeno PPS. Marina está se esforçando brutalmente para implodir alianças regionais. Até parece que ela age de modo deliberado para inviabilizar a candidatura do governador de Pernambuco, hipótese em que seria ela própria a candidata do PSB à Presidência.

Por Reinaldo Azevedo

15/01/2014

às 14:31

Jeito Marina de fazer política pode tirar de Campos o seu ÚNICO aliado até agora…

O PPS é um pequeno partido, mas tem peso moral na política brasileira. Para Eduardo Campos, governador de Pernambuco e provável candidato do PSB à Presidência, tem especial valor porque, até agora, é o único aliado conquistado. Hoje ao menos, fica difícil enxergar algum outro.

Pois bem, o jeito Marina Silva de fazer política pode levar Campos a perder esse aliado único. A seção paulista do PPS, que foi decisiva para que o partido escolhesse Campos — parte considerável defendia o apoio ao tucano Aécio Neves —, quer rever a decisão caso o PSB resolva mesmo romper a aliança com os tucanos em São Paulo, conforme exige a chefe da Rede.  Um líder que não consegue um único aliado, parece-me, define o alcance da própria candidatura.

Engraçada essa Marina Silva. No seu Acre natal, ela não vê necessidade nenhuma de construir uma alternativa. Há 15 anos está aboletada no poder no Estado, junto com os irmãos Viana. Por lá, ela está com o PT e fim de papo. Considerando o seu peso nacional e internacional — na imprensa ao menos —, deveria botar pra quebrar e mostrar como é essa tal “nova política”.

No Acre,  ela se contenta com a velha mesmo. E, reitero, não é assim tão popular. Na eleição presidencial de 2010, Serra conquistou 52,13% dos votos no Estado; em segundo lugar, Dilma ficou com 23,92%; em terceiro, Marina obteve apenas 23,45%.

Não sei, não… É justo ter a impressão de que a ex-senadora prefere um Campos realmente isolado. Quem sabe ele desista. Isso talvez explique a relutância da Rede em declará-la, desde já, candidata a vice na chapa.

Por Reinaldo Azevedo

14/01/2014

às 19:43

PT está rindo, e não é à toa, com a atuação de Marina Silva, hoje sua aliada objetiva. Ou: Cavalgando pterodáctilos, como em Avatar

Quem está rindo, e não à-toa, com o veto, caso se consume mesmo, de Marina Silva à aliança do PSB com o PSDB em São Paulo é o PT. É o chamado riso com causa.

A decisão é boa para todos os adversários dos tucanos no Estado, a começar do petista Alexandre Padilha. Mas também estão contentes o peemedebista Paulo Skaf, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, e Gilberto Kassab, do PSD, que vai mesmo se candidatar.

Qualquer dos três que esteja no segundo turno — a história autoriza a apostar que, muito provavelmente, será Padilha — contará com o apoio dos outros dois. A prioridade do petismo, neste ano, é tirar o governo de São Paulo das mãos do PSDB.

O PT está contente também por outro motivo. Ainda que a eventual candidatura de Marina a vice na chapa de Eduardo Campos leve votos para a legenda, é evidente que o melhor para ele seria um palanque forte em São Paulo, o que não terá, qualquer que seja o candidato que o apoie no estado — um nome do próprio PSB ou da Rede.

AVATAR

Se Campos desistir mesmo da aliança com os tucanos no Estado — consta que a decisão já teria sido tomada —, parece-me que a reputação do governador sai um tantinho arranhada. Acordos que já estavam num estágio bastante avançado vão sendo rompidos por exigência de Marina. Isso vai criando a imagem de um político inconfiável.

Feita a apuração, o pleito da Rede para se tornar partido volta a ser analisado pelo TSE. Deve acontecer ali pelo começo de 2015. Aí Marina seguirá a sua saga, que tem um objetivo principal, único na verdade: eleger-se presidente da República. Vamos ver em que condições ficará o PSB depois disso.

Tudo somado e subtraído, a entrada da Rede no PSB, pelo tempo que durar, fez um bem imenso a… Marina Silva. E só a ela! Depois de sua chegada, Campos conseguiu o apoio apenas do PPS — e, ainda assim, não é unânime. Nem poderia ser diferente. Ela rejeitaria a aliança com qualquer outro partido — sabem como é… Falta às demais legendas a “pureza” que ela jura ter. Se um dia se eleger presidente da República, talvez governe com o apoio dos seres elementais, né?, como aquela esquisita que cavalga bichos parecidos com pterodáctilos, no filme Avatar

Ah, sim: a ordem no petismo é parar de bater em Marina. Avalia-se que isso só serve para fortalecê-la. Faz sentido. De resto, uma aliada informal como essa não se acha a toda hora…

Por Reinaldo Azevedo

13/01/2014

às 15:58

Marina e Campos: ela é comensal, mutualista ou parasita? Ou: Como a chefona da Rede aposta, desde já, na derrota do “aliado”

Vejo com simpatia, por definição, candidaturas de oposição a Dilma Rousseff, o que não chega a ser surpresa para o meu leitor, certo? Isso não quer dizer que eu ignore que pode, sim, haver coisa pior do que o petismo. Marina Silva como titular de uma candidatura, por exemplo, no meu “piorômetro”, obtém mais pontos do que Dilma — e já escrevi isso aqui. Não surpreendo ninguém também nesse caso. Estou entre aqueles que consideram que, boa parte das vezes, o que ela fala não faz sentido; mas é justamente quando faz que ela salta para a primeira posição do “piorômetro”. De todo modo, por enquanto ao menos, que se saiba, o candidato do PSB será Eduardo Campos, hoje governador de Pernambuco.

Pois bem.

Nesta segunda, Campos admitiu que há divergências entre o PSB e a Rede — partido que, por enquanto, usa os peessebistas como barriga de aluguel —, mas que elas serão resolvidas e coisa e tal e que aqueles que apostarem na divergência entre ambos vão perder. Segundo diz, em mais de 20 estados, há convergência. Então tá.

Um dos palcos da discórdia é São Paulo. O PSB local quer se aliar ao governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB. Marina não quer saber e insiste na candidatura própria. Embora os dois grupos tenham decidido que, onde não houver consenso, cada um segue o seu caminho, parece que, nas terras paulistas, não pode ser assim. E olhem que é grande a chance de o PSB ter o candidato a vice na chapa de Alckmin caso haja acordo.

Campos afirmou ainda o seguinte: “Se você for fazer um quadro comparativo dos problemas que tem na aliança governista em cada Estado, enche uns dez cadernos de jornal e umas 50 telas. Nós temos muito menos problemas e temos, sobretudo, a disposição de resolvê-los”.

Pois é, governador… Eis um fato que só ajuda a distorcer a verdade caso se vá fazer uma comparação a sério. Por quê? Quantos aliados tem Dilma Rousseff? Todos! Quantos aliados tem o PSB? Um! Que a aliança governista enfrente dificuldades em razão de suas coligações-ônibus nos estados é até compreensível. Ocorre que o seu partido, até agora, tem o apoio apenas do PPS. A Rede, como se sabe, ainda não existe formalmente.

É claro que Marina Silva agrega, entre perdas e ganhos, um saldo positivo de votos a Campos caso se candidate a vice, por exemplo. Mas não deixa de ser impressionante o seu esforço para, na prática, impedir que seu aliado tenha um palanque forte no estado com o maior número de eleitores do país.

A resistência da chefona da Rede à aliança com o PSDB atende aos interesses do PSB e de Campos ou aos de seu partido e dela própria? Ao tentar, de todas as formas, impedir essa aliança, Marina está tacitamente admitindo que o governador de Pernambuco já é um derrotado, que suas chances eleitorais são muito pequenas e que é preciso, desde já, pensar no cenário pós-2014.

O governador de Pernambuco diz ainda: “Há um desejo de que essas coisas [aliança com Marina] não deem certo. Tem muita gente que deseja muita coisa e não consegue. Não vão conseguir essa, por exemplo”. Tem lá a sua graça no jogo político e coisa e tal, mas a fala, lamento observar, não faz sentido. Digamos que o PT queira, sim, que a aliança se inviabilize. Ora, querer coisas é do jogo político. Torcer contra os adversários também. Mas de uma coisa não se pode acuar o PT: de estar criando dificuldades para Campos em São Paulo. Quem está empenhada, de forma pertinaz, nesse propósito é… Marina Silva.

Não há nenhuma razão objetiva para ela recusar a aliança em São Paulo a não ser, reitero, o esforço para fortalecer o seu próprio partido e a certeza antecipada da derrota do seu aliado — o que, convenham, é o fim da picada a esta altura do jogo. Sob qualquer critério que se queira, a gestão paulista é, por exemplo, bem mais “verde”, bem mais “ecológica”, do que a do Acre, onde Marina é governo há 15 anos, aliada aos petistas. Não é muito popular por lá. Na eleição de 2010, ficou em terceiro lugar em seu próprio estado, atrás de Serra (em primeiro) e Dilma.

Quem poderia estar agastado com a eventual composição do PSB com o PSDB em São Paulo é o senador Aécio Neves (PSDB), que veria o palanque governista no estado dividido entre a sua candidatura e a de Campos. Esse, sim, poderia ser um arranjo difícil, e, no entanto, ele se viabilizou.

Não adianta Campos tentar dourar a pílula. Quem está criando constrangimentos importantes para o PSB em São Paulo não são os petistas, mas a própria Marina Silva, que tem, como qualquer hospedeiro — refiro-me à biologia —, as suas próprias prioridades. A questão é saber se Marina usará o PSB como comensal, mutualista ou parasita.

Impedir a aliança do PSB com o PSDB em São Paulo caracteriza escancarado parasitismo.

Por Reinaldo Azevedo

19/12/2013

às 5:07

Eduardo Campos, que deu uma de joaninha, está conhecendo o lado vespa de Marina Silva. Ou: Rede atua firmemente para deixar Campos sem palanque nos estados

A vespa se aproxima da joaninha e injeta um ovo seu abdômen, uma coisa, assim, "Alien", entendem? Aí...

A vespa se aproxima da joaninha e injeta um ovo no seu abdômen, uma coisa, assim, “Alien”, entendem? Aí…

Desde que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), selou uma aliança com Marina Silva, ele não ganhou um miserável ponto percentual nas pesquisas de intenção de voto — pode até ser que isso aconteça caso venha a disputar tendo-a como vice, não sei. O fato é que, nos levantamentos até agora feitos, não se notou nada de novo.

Marina, sim, já saiu ganhando. Como teve negado o registro para a Rede, tenderia a sumir do noticiário, que vai, como se sabe, convergir para a questão eleitoral. Filiada formalmente ao PSB, ela continua a ser personagem do noticiário. Quando aparece como o nome dos socialistas, fica em segundo lugar. A Folha desta quinta informa que a Rede agora quer afastar o PSB da aliança com o PT e com o PSDB nos estados, lançando candidaturas próprias.

Campos e os socialistas começam a provar o lado vespa de Marina Silva. Ainda que, em público, ambos troquem juras de companheirismo eterno, a verdade insofismável é que Marina e sua turma veem o PSB como mero hospedeiro de seu projeto político. A Rede — ou o marinismo — é como aquela  vespa que usa outros isentos para depositar o seu ovo. A futura larva vai, então, se alimentar de um organismo ainda vivo. Quando o bicho finalmente nasce, quem o hospedou morre. A simpática joaninha, tadinha, é das vítimas. Há um tipo de vespa que gosta é dela.

Isso quase aconteceu com o PV. Marina tentou tomá-lo de assalto. Não conseguiu e acabou caindo fora, não sem antes demonizar na imprensa e nas redes sociais a sigla que a recebeu. Ora, ora, ora… Em São Paulo, por exemplo, a Rede faz de tudo para impedir que o PSB feche uma aliança com o PSDB de Geraldo Alckmin, hoje o favorito nas pesquisas de intenção de voto. Há uma possibilidade razoável de que o partido de Campos tenha o lugar de vice na chapa. Ademais, se candidato, o agora governador de Pernambuco teria um palanque sólido em São Paulo.

... aí um dia a larva sai lá de dentro... A joaninha vira um zumbi e carrega aquele troço, até que ele sai voando. A joaninha morre

… aí, um dia, a larva sai do abdômen da coitadinha. A joaninha vira um zumbi e carrega aquele troço, até que  a vespa saia voando. A joaninha morre

Mas quê… Marina não quer saber disso, não. Ela acha que a aliança prejudica a mensagem da tal “nova política”. Mas esperem! Essa “nova política” é palavra de ordem de quem? Do PSB? Não! Essa é mais uma daquelas abstrações de apelo metafísico de Marina Silva. Isso interessa à sua turma, não à de Campos.

De resto, o neto de Miguel Arraes não é exatamente um “novo”, e parte da sua força deriva, sim, do fato de ser um dissidente do governismo. Trata-se de uma dissidência, à diferença da de Marina, que não se deu por razões propriamente ideológicas. Campos tem despertado o interesse em certas áreas do empresariado, por exemplo, porque faz um discurso mais pragmático do que Dilma.

A Rede, em suma, que usa o PSB para se organizar, está atuando firmemente para deixar Campos sem palanque nos estados, o que, obviamente, concorre para inviabilizar a sua candidatura. Quem sabe, assim, a candidata seja… Marina Silva, né?

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2013

às 20:50

Lula é uma verdadeira máquina de pôr algumas verdades a serviço da mentira

Ninguém distorce a história com a determinação e, em certa medida, até mesmo a competência (para mister tão deletério) como Lula. Já em plena campanha eleitoral, ele resolveu atacar Marina Silva. Leio na Folha :

“A Marina precisa só compreender o seguinte: ela entrou no governo junto comigo em 2003 e ela sabe que o Brasil tem hoje mais estabilidade em todos os níveis que a gente tinha quando entramos. Herdamos do FHC um país muito inseguro, não tinha nenhuma estabilidade, não tínhamos dinheiro sequer para pagar suas exportações (…) Tínhamos [US$] 37 bilhões de reservas, dos quais 20 bilhões era do FMI [Fundo Monetário Internacional], e hoje a gente tem [US$] 376 bilhões de reservas, mais [US$] 14 bilhões emprestados ao FMI. Tínhamos uma inflação de 12% quando cheguei e tem uma inflação hoje de 5,8%. Então, eu penso que Marina precisa não aceitar com facilidade algumas lições que estão lhe dando. Ela precisa acompanhar com mais gente o que era o Brasil antes de a gente chegar”.

Não fui checar, leitores, os números. Em se tratando de Lula, isso sempre é prudente. Mas digamos que seja tudo como ele diz. Vocês sabem que tenho apontado aqui as inconsistências da líder da Rede, o discurso que considero meio frouxo etc. Ocorre que a afirmação que Lula está a combater não está relacionada às minudências ou grandezas dos números. Marina relevou o papel de FHC na grande estabilização da economia, aquela que decorreu do Plano Real, contra o qual Lula e seus aliados (à época, Marina também) lutaram bravamente.

É espantoso que este senhor, no 11º ano do governo petista, com boa chance de a legenda ficar ao menos 16 anos no poder, ainda se dedique a distorcer o que já é história vivida e fato comprovado.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2013

às 6:27

Campos e Marina: a novidade da dupla, por enquanto, tem conteúdo apenas retórico, mas nem a retórica propriamente é nova

Eduardo Campos e Marina Silva promoveram ontem um encontro entre lideranças de seus respectivos partidos, o PSB e a Rede. Escrevi nesta segunda um post sobre um dos enigmas da bondade de ambos. A dupla se diz favorável ao agronegócio sustentável. Claro! Como todo mundo. A questão é saber, por exemplo, o que fariam, se a aliança chegasse ao poder, com o Código Florestal. Marina insistiria na sua versão? Haveria uma grande diminuição da área plantada? O que se daria aos pobres em vez de grãos? Luz? E à balança comercial? Neologismos abstratos? Não foi a única inconsistência do dia. Leiam estes trechos de reportagem do Estado Online. Volto em seguida.
*
Crítico do sistema de coalizão do governo federal, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), saiu em defesa da composição de seu governo durante o primeiro encontro entre filiados a seu partido e integrantes da Rede Sustentabilidade em São Paulo, na tarde desta segunda-feira, 28. “Nós não podemos achar que uma pessoa, por ter filiação partidária, não pode ocupar uma função pública. Aí é outro tipo de preconceito”, disse Campos, ao ser indagado sobre a participação de 14 partidos na sua base em Pernambuco e participação do PSB no governo federal do PT.

“Nós não podemos pensar que só por ter uma filiação partidária ela pode participar, mas também não podemos vetar o exercício democrático de uma pessoa que tem filiação partidária, de poder contribuir com uma gestão”, completou.

Campos lembrou que disputou o governo com Sergio Xavier, que defendia a candidatura de Marina em 2010 e que, depois das eleições, o convidou para ser secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco. “Se eu não tivesse um governo que tivesse mudado as práticas políticas, que não tivesse inovado na vida do cidadão pernambucano, eu não teria 83% dos votos numa terra com tradição democrática”, afirmou.
(…)
A ex-senadora Marina Silva também saiu em defesa de Campos. Disse que se Campos fizesse um governo fisiológico, não seria tão bem aprovado pela população. “Quando falo que vamos fazer aliança programática, não significa governar sozinha. Nenhum partido tem condições de governar sozinho e nem é democrático”, argumentou Marina.

Segundo ela, a posição que critica é de quando partidos fazem alianças “fora de um programa” comum. “Não significa governar sozinha, mas não poderá ser apenas distribuição do cargo pelo cargo”, disse Marina, que completou: “Se ganharmos queremos governar com os melhores do PT, os melhores do PMDB, os melhores do PSDB, porque essas pessoas existem em todos os partidos”.
(…)

Voltei
Deixem-me ver se entendi direito. Quando um governo tem, então, 83% de aprovação, isso é indício de que ele não recorre à fisiologia? Ora, ora… Teria sido esse o caso de Lula? Quer dizer que não houve fisiologia em nenhum dos dois mandatos — no primeiro, deu-se até o maior esquema criminoso da história da República. O petista encerrou o mandato com alta popularidade e se reelegeu. Em que Dilma é diferente do seu antecessor?

Dados os termos do debate, a resposta, então, é uma só: teria a presidente passado a fazer um governo fisiológico só porque sua popularidade despencou? A fisiologia ou não se mede, agora, por esse critério? E a fala de Marina? Lula concluiu o segundo mandato com uma popularidade acima de 80%. Seria esse um sinal de que ele mudou a prática política?

A dupla insiste, no entanto, que, com eles no poder, tudo seria diferente. Vejam a fala da líder da Rede. Diz que não quer governar sozinha; tem de ser apoio programático. Certo! Mas os outros aderem ao programa dela, ou era adere ao programa dos outros? Ah, entendi… Nem uma coisa nem outra. E como se faria? Ela explica: governaria com os melhores do PT, os melhores do PSDB, os melhores do PMDB. Graaande ideia! E por que eles adeririam ao governo? Em nome do quê? Ingressassem como indivíduos, não estariam levando o apoio de seus respectivos partidos; para que os partidos integrassem a base, concessões teriam de ser feitas.

“Ah, mas não será na base da fisiologia…” Sei. Eu não tenho, como vocês sabem, uma impressão muito boa sobre o PT, né? Há até quem diga que eu rosno e lato quando se trata de petismo (ainda não disseram que tenho pulgas, hehe…). Mas nem este rottweiler é tão mau que imagine que Dilma, podendo contar com o apoio programático, apela à fisiologia só porque é uma malvadona ou porque não prepara os próprios aspargos…

Eu juro que estou doido para a dupla Campos-Marina apresentar, de fato, uma novidade. Vejam bem: eu não acho que eles estão obrigados a dar à luz algo absolutamente original, como nunca antes na história destepaiz… Mas precisam parar de tratar a matéria corriqueira da política, à qual eles também se entregam,  como se fosse a pedra filosofal.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2013

às 20:03

Eduardo Campos tem de ser mais preciso; eu já sabia que ele só quer o nosso bem…

Marina Silva, líder da Rede, e Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, promoveram nesta segunda um encontro das duas legendas em São Paulo. É prudente. Nas pesquisas de intenção de voto, ela ocupa o segundo lugar e pode vir a disputar o segundo turno com a presidente Dilma, do PT, caso seja o nome escolhido pelos pessebistas.

O primeiro curto-circuito gerado pela união dos dois partidos com vistas a 2014 se deu dois dias depois do anúncio. Marina atacou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), até então um aliado de Campos em seu estado, acusando-o de “inimigo do trabalhador rural”. Não há contra Caiado uma só acusação de desrespeito à legislação trabalhista vigente no Brasil. Ele integra o que a imprensa chama “bancada ruralista” — afinada com os tais “interesses do agronegócio”. Ocorre que é preciso ver em que medida esses ditos “interesses” não são também os do Brasil. Caiado, obviamente, rompeu com uma eventual candidatura Campos — uma vez que o governador não se mobilizou em seu apoio — e recebeu a solidariedade de líderes do setor agropecuário.

No encontro desta segunda, Campos se referiu ao assunto, informa Paulo Gama na Folha:
“Não temos nenhum preconceito com os que vivem e produzem no campo, pelo contrário, vemos a necessidade dessa aproximação com o que defendemos porque há uma expectativa enorme com o Brasil no mundo afora (…). O agronegócio é responsável por 25% do PIB, 25% do emprego. Nós queremos fazer isso com sustentabilidade, porque o mundo não quer comprar nada de quem não respeite os valores que ele está em busca”.

Vamos ver
Alguns dos desatinos do Brasil decorrem do fato de os políticos saírem por aí, a dizer coisas ao léu, sem se comprometer com o seu conteúdo. De fato, o agronegócio responde por praticamente 25% do PIB, mas emprega, segundo sei, mais do que um quarto da mão de obra ativa do país. Chega perto de um terço. O setor, assim, é ainda mais importante para a economia do que diz o governador. Marina Silva pensa algumas coisas a respeito. Há pensamentos que temos que apenas contam a história do futuro. Há outros que podem ter consequências práticas, que podem ter efeitos concretos, que podem mudar a realidade no curto prazo.

O país passou por isso. Pegue-se o caso do Código Florestal. O texto que Marina defendia — e ela sabe que isto é verdade — implicaria a redução substancial da área plantada no país, o que conduziria a uma queda inevitável da produção — ao menos por um bom tempo.

Confrontada com essa evidência, a agora pré-candidata do PSB à Presidência tinha uma resposta na ponta da língua: caso se recuperem as terras degradadas, poder-se-ia compensar a diminuição da área plantada. Era uma resposta mágica. Quem conhece a área sabe que uma coisa não compensaria a outra. Marina imitava esses que se opõem ao uso de animais em pesquisas científicas, alegando haver métodos alternativos, embora a realidade evidencie que não. Ou por outra: fazem uma defesa que provocaria um grande estrago na, vamos dizer, ordem racional das coisas e apontam uma solução que só existe na imaginação.

De resto, Marina jamais considerou que toda a agropecuária brasileira — que movimenta o agronegócio, que é uma cadeia muito ampla na economia — ocupa menos de 28% do território nacional. Tento de novo: um quarto do PIB e um terço da mão de obra exigem o dobro das terras que hoje são destinadas às reservas indígenas.

Volto a Campos
Muito bem! Não basta a Eduardo Campos, postulante que é à Presidência, dizer-se a favor do “agronegócio sustentável”. Até porque é preciso perguntar quem é que defende o contrário. Isso quer dizer exatamente o quê? Voltemos ao Código Florestal: o seu compromisso com Marina implica, caso vitorioso, um esforço para rever o texto aprovado, aproximando-o do que pretende a líder da Rede? Ou, embora ele reconheça que ela tem o direito de defender o que bem entende, ele se alinha com a proposta aprovada?

É claro que isso é importante. Todos sabem que boa parte da imprensa comprou a causa ambientalista “by Marina”. O que ela diz nessa área assume o valor de uma Suma Teológica. Os ditos “ruralistas” enfrentaram um grande desgaste para defender o texto; o então deputado Aldo Rebelo (PCdoB), hoje ministro dos Esportes, foi demonizado: de comuno-nacionalista antediluviano a “vendido para o agronegócio”, foi chamado de tudo. O próprio governo Dilma enfrentou críticas ao resistir às maluquices — sim, acho maluquice — de Marina.

Não basta vir com essa conversa recheada de obviedades. Todos nós somos a favor do bem, do belo e do justo. Quem não é? É preciso que as convicções sejam submetidas a testes de realidade.

Deixo aqui duas perguntas a Eduardo Campos. Se a sua assessoria quiser responder, publico a resposta:
1) Defende o Código Florestal aprovado ou defende o texto que contava com o apoio de Marina Silva?
2) No caso de uma terceira opinião, o que precisa mudar?

Que Campos e Marina só queiram o nosso bem, disso não duvido. Também é o que dizem os demais pré-candidatos, não?, a exemplo da própria Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

24/10/2013

às 6:28

Marina Silva, uma asceta entre ambiciosos, só quer um mundo melhor…

Ah, não, né? Aí já é um pouco demais! Marina Silva, da Rede, ora no PSB, pré-candidata à Presidência, concedeu uma entrevista à CBN de Maringá nesta quarta, informa a Folha. E aí se saiu com esta maravilha:

“Não tenho como objetivo de vida ser a presidente da República. Tenho como objetivo de vida lutar para o Brasil ser melhor, para o mundo ser melhor; se, para isso, for necessário ser presidente da República, tenho toda a disposição, como tive em 2010”.

Entendi.

Talvez os outros tenham ambições desmedidas, motivações menores… Dilma Rousseff, Aécio Neves, José Serra e, quem sabe?, até Eduardo Campos sonham com a Presidência, quem sabe?, por falta de altruísmo. Marina só pensa num Brasil melhor e num mundo melhor.

A frase, aliás, é uma delícia. Porque isso nos faz supor que, houvesse um governo mundial, ela certamente se candidataria ao cargo. Mas não pensem que seria, como ela diz, por “ambição” ou “objetivo de vida”…

Ora, ora… Vocês sabem o que eu penso do PT e da maioria dos petistas, não? Mesmo o pior deles, escolham aí, deve trazer em si uma vontade transformadora. Pode ser ruim, equivocada, dolosa. Mas anseio sempre há. O pior larápio pode ser também um idealista.

O que me incomoda em Marina é esse, com a máxima vênia, falso ascetismo. Então se fez senadora, ministra, candidata à Presidência, dona (cabe o nome) de um partido e é pré-candidata, em segundo lugar nas pesquisas, só porque pensa em nos salvar? A tudo isso a conduziu a falta de ambição???

Esse negócio de só querer um mundo melhor é coisa que político não deveria falar. Seria possível dizer o contrário?

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2013

às 19:27

“Ih, olhem os blogueiros da VEJA.com brigando… “

Não tentem alguns encontrar chifre em cabeça de cavalo. Só li agora os posts de Ricardo Setti (16h17) e Augusto Nunes (18h20) sobre a não transmissão, pela TV Brasil, da entrevista de Marina Silva ao programa “Roda Viva”. Escrevi a respeito às 17h43. Fisicamente, poderia ter lido o primeiro, não o segundo. Ainda não desenvolvi a habilidade de adivinhar o que outros vão escrever, embora, às vezes, seja facílimo — não nos casos de Setti e Augusto, sempre surpreendentes. Mas o fato é que só tomei conhecimento de ambos há dois ou três minutos, já por intermédio da pena de alguns futriqueiros.

Vamos lá. Os meus colegas de trabalho sabem que não sou do tipo que manda recados oblíquos ou age à socapa. Quando tenho algo a dizer, digo. Se algo me desagrada, idem. Quando gosto, digo “gosto”. Quando não, “não”. De resto, quem disse que pertencemos a uma seita?

Augusto sugere em seu texto que a explicação dada pela TV Brasil não convence e pergunta, sobre a alegação oficial: “Alguém acredita nisso?”. Bem, eu já escrevi a respeito e disse que acredito — refiro-me a essa explicação apenas. E expus os motivos. Como a não transmissão na segunda, qualquer que seja o motivo, amplia a repercussão da transmissão nesta terça — e como avalio que a turma da TV Brasil é capaz de concluir isso sozinha —, não vejo razão para a tramoia.

“Põe a mão no fogo, Reinaldo?” Só pela minha santa mãezinha — e, ainda assim, não em todas as situações. Às vezes, ela conspira com as minhas filhas contra mim, já que é mais, digamos, “liberal” do que eu. Os avós sempre são. Não vejo a hora de chegar a minha vez. Volto ao ponto.

Nelson Breve, que manda por lá, não deve supor que a audiência da TV Brasil seja inexpressiva a ponto de ninguém ficar sabendo de uma tramoia dessa natureza. Por inexpressiva, evitar a transmissão para quê? Para que Marina pudesse posar de heroína? Eu adoraria que os petistas cometessem, com frequência, erros dessa natureza. Mas, infelizmente, eu os considero um pouco mais hábeis do que isso.

“Rá, rá!!! Então você discorda de Setti e Augusto, né?” Sim, discordo. E daí? Se e quando a gente decidir montar uma seita qualquer, em que todos sejam obrigados a pensar a mesma coisa, eu aviso. Mas já vou deixando claro: só abandono o catolicismo se for para ser o papa da nova religião. Como acho que os outros dois não concordariam, a nova religião já começaria pelo cisma… Não creio que pudesse dar certo. 

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2013

às 17:43

TV Brasil só exibe nesta terça entrevista de Marina; não é conspiração

Caros,

há explicações nas quais acredito, mesmo quando vindas de áreas do governo. Até porque, como se verá, se houve alguma tentativa de feitiçaria, ficará mais cara a emenda do que o soneto. Eu atribuo ao petismo muitos defeitos, menos o da burrice. Nenhuma força política exerce o terceiro mandato presidencial, com boas chances de obter o quarto, porque é estúpida. Isso não quer dizer que eu os aprove, como é sabido.

A que me refiro? A TV Brasil deixou de transmitir, nesta segunda, a entrevista de Marina Silva ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Houve, segundo informação oficial, um “problema técnico, de polarização de sinal”, causada “por falha humana”. Diante das queixas de telespectadores, apareceu um aviso na tela informando que o programa iria ao ar hoje, às 22h, “na íntegra”.

Se houve alguma forma de sabotagem, há de se especular, então, digo com ironia, se o sabotador não é um “marineiro”, né? É evidente que o episódio contribui para despertar mais interesse pela entrevista, até porque resta no ar a hipótese conspiratória. “Ah, eles quiseram primeiro saber o que Marina disse…” Ora, ainda que quisessem, não tinham como impedir a transmissão mais tarde.

Mais: a TV Brasil tem pouquíssimos telespectadores, como é sabido. O prejuízo de uma eventual censura informal seria imensamente maior do que a transmissão. Já há Internet hoje em dia. E, convenham, onde a rede mundial de computadores não chega, o discurso de Marina, com as suas “transversalidades”, igualmente não prospera.

O que me incomoda nessa história é outra coisa. A TV Brasil custa muito caro. Tudo somado, deve raspar aí em R$ 1 bilhão por ano. Segundo a explicação oficial, um funcionário — UM!!! — não conseguiu sincronizar o sinal e foi preciso esperar o auxílio de um outro, mais experiente. Quando se resolveu o problema, a entrevista já havia começado.

Dizer o quê? Ainda bem que a TV Brasil não é um avião, né? Imaginem um piloto tendo de esperar 15 minutos por um auxílio…

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2013

às 22:21

Campos se esquiva de apoiar as críticas que Marina fez à politica econômica do governo Dilma

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Um dia depois de a ex-senadora Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff trocarem farpas sobre a política econômica petista, o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB-PE), evitou endossar a opinião da nova companheira de partido. Ao ser questionado se concorda com as críticas feitas por Marina à deterioração do “tripé econômico” (superávit fiscal, meta de inflação e câmbio flexível), Campos disse apenas que “tem acompanhado” as falas da ex-senadora. “Mais do que levantado críticas, têm sido apontados caminhos”, esquivou-se. “É esse o debate que nós queremos fazer. Um debate em que se reconhece o que houve de bom, de mudança positiva na vida do brasileiro nos últimos anos. Mas a gente também reconhece a necessidade de aprofundar o debate e levar o país à retomada do crescimento.”

O governador falou à imprensa após participar, nesta terça-feira, da abertura da 30ª Conferência Mundial de Parques Científicos e Tecnológicos e do 23º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, que acontecem no Recife.

Na segunda-feira, Marina Silva esteve na capital pernambucana, onde fez críticas ao governo federal dizendo que a marca política de Dilma é a do “retrocesso” e que a política econômica vem sendo negligenciada, o que poderia colocar em risco as conquistas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de uma palestra realizada na Universidade de Pernambuco (UPE), Marina jantou com Campos na casa do governador em sua primeira viagem ao Recife depois de ter anunciado sua filiação ao PSB.

Dilma respondeu às críticas de Marina no mesmo dia, em entrevista a rádios mineiras. Na ocasião, a presidente disse que seus adversários deveriam estudar para estarem mais preparados. As críticas da petista também foram levadas ao governador pernambucano, que mais uma vez se manteve reservado em seus comentários: “Eu acho que estudar é sempre bom. Eu procuro sempre estudar, seja com a academia, com os livros ou com o povo”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2013

às 17:29

Dilma trata Marina como a real liderança de oposição. É uma estratégia

A ver, mas parece que o Palácio do Planalto decidiu que é mesmo Marina Silva o seu — ou a sua — oponente qualificado. Nesta terça, na Bahia, ainda que sem citar a neopessebista, a presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista coletiva:
“Jamais foi abandonado o tripé macroeconômico no governo. Inflação sob controle, contas públicas absolutamente sob controle, inclusive com queda na participação do PIB [Produto Interno Bruto] dos principais itens do orçamento público federal, a saber: Previdência, pessoal e pagamento dos juros (…) Quando que o Brasil teve entre 376 [bilhões] e 378 bilhões de dólares de reserva? Por isso, queridos, nunca foi abandonado”.

Marina acusou o governo de ter deixado de lado o tal tripé, caracterizado pelo controle da inflação, ajuste fiscal e câmbio flutuante. A pré-candidata do PSB concentra suas críticas na atual mandatária, preservando os dois presidentes anteriores: o tucano FHC e o petista Lula. A estratégia consiste em tratar Dilma como aquela que põe em risco conquistas essenciais dos governos anteriores.

Parece que há uma espécie de divisão de tarefas entre Lula e Dilma. O alvo do ex-presidente, como sempre, é a oposição, em especial os tucanos. Ele chegou a compará-los, o que é uma bobagem clamorosa, aos republicanos, que se negam a aprovar a elevação do teto do endividamento se Obama não fizer concessões no programa de saúde. Segundo disse, isso corresponde ao fim da CPMF no Brasil. Quando se é Lula, os fatos não têm a menor importância.

Dilma pode se concentrar em Marina Silva, fazendo dela a opositora qualificada, ignorando, por enquanto ao menos, Eduardo Campos e Aécio Neves. Faz sentido? Faz, sim. A líder da Rede, ora no PSB, pretende transitar numa zona cinzenta que, como ela mesma diz, não é sem situação nem oposição, mas “posição”. Para a estratégia do governismo, o que interessa é a polarização. Na hora da propaganda eleitoral, os petistas dirão aos eleitores que se trata de uma escolha: ou a continuidade dos programas sociais ou a sua extinção. A polarização é falsa, mas torna mais fácil a campanha.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2013

às 5:45

A última de Dilma Bolada… E o deserto de ideias

Decidi manter este texto no alto da página

Dilma Bolada, o alter ego descolado de Dilma Rousseff, parece que continua no comando. No Rio Grande do Sul, ela concluiu que, atrás de uma criança, há sempre um cachorro. O que pretendeu dizer com aquilo permanece um mistério, e duvido que vá ter tradução algum dia. Nesta segunda, ela esteve em Itajubá, em Minas, estado de origem de Aécio Neves, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência. E voltou a refletir em voz alta — e, tudo indica, sem o planejamento do marketing. Afirmou o seguinte, segundo transcreve o Estadão Online:
“Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente. Eu sou presidente e não fico tratando… Para mim não é problema a eleição agora (…). Acredito que, para as pessoas que querem concorrer ao cargo, elas têm de se preparar, estudar muito, ver quais são os problemas do Brasil. Eu passo o dia inteiro fazendo o quê? Governando.”

Ai, ai…

A revelação certamente mais surpreendente, se a gente se atém apenas ao sentido das palavras, é mesmo esta: “Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente”. Em si, trata-se de uma tolice. Mas é preciso ir um pouquinho além. O que vai nessa tautologia ultrapassa o limite da bobagem e expõe uma cultura política autoritária.

Há nisso um eco inequívoco de Lula. Desde que ele chegou ao poder, em 2003, trata a Presidência da República com uma espécie de recompensa natural, à qual o PT teria direito por ser… o PT! Sendo ele quem é no partido, mais de uma vez, tratou o cargo como se fosse mesmo matéria de justiça histórica — como se o Brasil lhe devesse essa recompensa. Lula já fez isso no passado: “Olhem, o Serra está querendo o que nos pertence… Olhe, o Alckmin está querendo o que nos pertence…”. Nesta segunda, foi a vez de Dilma.

O que ela pretende caracterizar com essa fala é que todas as críticas de que possa ser alvo derivam do fato de que “há gente querendo o meu [dela] lugar”. Ora, numa democracia, é assim mesmo que funciona: as oposições se organizam para tentar conquistar o poder, que está com os adversários. Com essa fala aparentemente besta, mas metódica, o que se pretende é demonizar os críticos, que seriam, então, meros oportunistas, tentando tomar o que a ela pertence por direito.

Há também a evidente desqualificação dos adversários, que não teriam estudado o Brasil o bastante e estariam, depreende-se, despreparados para governar. Aécio Neves reagiu com uma nota: “A presidente Dilma é sempre muito bem vinda a Minas, como é natural da hospitalidade mineira, mesmo não tendo, mais uma vez, trazido respostas para importantes demandas do nosso Estado que estão sob responsabilidade do governo federal. (…) Se não tivesse se afastado por tantos anos de Minas, a presidente, e não a candidata, talvez estivesse apresentando respostas a essas demandas”. Marina Silva ironizou: “Acho que ela dá um conselho muito bom porque aprender é sempre uma coisa muito boa. Difícil são aqueles que acham que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar”.

Pois é… Uma resposta tem um desnecessário sotaque regional — e a disputa, não custa lembrar, é nacional. Marina também não é o melhor exemplo, e deu mostras disso de sábado retrasado para cá, de pessoa disposta a aprender. Dilma, por seu turno, está em franca campanha eleitoral faz tempo — como evidencia de modo escancarado o programa “Mais Médicos”… A sucessão já está aí, florescendo num impressionante deserto de ideias.

 Texto publicado originalmente às 21h24 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2013

às 4:22

Marina se transformou na estrela da aliança; turma de Campos tentar esfriar ânimo dos “marineiros”

(leia primeiro o post anterior)
Marina Silva e Eduardo Campos fizeram uma aliança, como se sabe. E, à diferença do que se noticiou inicialmente, não está definido que será ele o candidato à Presidência. Se ela continuar com o dobro das intenções de voto, permanecendo em segundo lugar na disputa, será a candidata do PSB. Digamos que, por qualquer razão, a candidatura de Dilma Rousseff se esfarele ou que, no curso dos meses, simulações de segundo turno indiquem uma vitória de Marina. Não tenham dúvida: o candidato do PT será Lula, que, como ele mesmo disse, “está no jogo”. E, nesse caso, Campos está definitivamente fora da disputa. Assim, a possibilidade de Marina ser o nome do PSB em 2014 era um dado da equação desde o acordo. Só que há um porém: o combinado é que seria ele, não ela, a grande estrela da aliança. E isso não está acontecendo.

Marina, como de hábito, vai com muita sede ao pote. Sei que não parece, mas vai. Tem ainda o dom de atrair os holofotes. É evidente que Campos ficou a reboque. Chegou-se a saudar, por alguns instantes, a sua habilidade e coisa e tal, mas passou logo. Só se fala em Marina. Já no segundo dia, ela mandou pelos ares um aliado do governador em Goiás, o deputado Ronaldo Caiado (DEM). Há três dias, Walter Feldman, neomarineiro, demonstrava inconformismo com o fato de o PSB, em São Paulo, pretender se alinhar com Geraldo Alckmin — a legenda pertence à base de apoio ao governador.

Os marineiros, em suma, começaram a hostilizar os aliados de Campos.

Na entrevista (post anterior) concedida a Laryssa Borges, da VEJA.com, o ex-ministro Fernando Bezerra, que vai coordenar o programa de governo do PSB, tenta pôr as coisas no eixo, reiterando que o candidato do partido é, sim, Campos. Também garante que Marina não tem poder para vetar alianças. A entrevista se faz necessária em razão do estresse dessa primeira semana. Marina ser vista também como candidata incomoda Campos e aliados muito menos do que a sem-cerimônia com que ela e seus partidários começaram a entrar na economia interna do partido.

Isso não é novo. Marina fez o mesmo no PV. Passada a eleição, decidiu simplesmente apear toda a antiga direção da legenda em nome da “renovação” — e contou com o apoio entusiasmado de setores da imprensa. Daqui a pouco, ela e os seus migram para a “Rede”. Se Campos e os pessebistas não tomarem cuidado, restarão com um partido desconjuntado.

Os dois vão ter de voltar à prancheta para resgatar os termos iniciais da aliança: a) qualquer um pode ser o titular da chapa; b) tudo será feito para tornar viável o nome dele; c) ele, Campos, tem a condução do processo.

Depois, é só combinar com os russos.

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2013

às 3:47

Marina não poderá vetar alianças, diz coordenador do programa de Campos

Por Laryssa Borges. Comento no próximo post.
Ex-ministro da Integração Nacional do governo Dilma Rousseff, Fernando Bezerra Coelho, do PSB, será responsável por dar início ao programa de governo de Eduardo Campos, pré-candidato ao Palácio do Planalto. Entre suas tarefas está tentar conciliar os interesses desenvolvimentistas do governador pernambucano e o viés ambientalista de Marina Silva. Em entrevista ao site de VEJA, ele afirma que já trabalha para minimizar os desgastes na formação de palanques para Campos e avisa: Marina não poderá vetar nenhuma aliança.

É possível conciliar as ideias de Campos com as ideias ambientalistas de Marina?
Claro que dá para unificar as duas visões de mundo. Eduardo traz duas ideias-forças. Uma é a proposta de colocar o desenvolvimento brasileiro em um outro patamar. Outra ideia é o conceito da eficiência da gestão pública, da racionalidade, da meritocracia, da transparência. No caso de Marina, as duas ideias-forças dela são o conceito da sustentabilidade, que é uma coisa muito cara à sociedade brasileira e a ideia de ensejar uma nova participação das pessoas na vida pública, com novos meios de participação popular e diminuição da importância dos partidos políticos.

Campos vinha construindo alianças mesmo com quem não têm afinidade direta com o que pensa Marina. É possível desprezar algum tipo de aliança?
Claro que não dá para desprezar. Quanto mais alianças, melhor. Mas essas duas ideias-forças de Marina e Eduardo vão ser traduzidas nesse acordo programático. Elas não são conflitantes. Nem as ideias nem as alianças. Marina inaugura um novo momento e cria quase a figura de um consórcio partidário. Sem perder a integridade dela, ela vai entrar dentro dessa proposta a ser construída agora entre o PSB e a Rede. O que está se privilegiando é o acordo programático, a proposta. Isso independe dos palanques, porque se tivermos bandeiras bem definidas, bem colocadas, poderemos mobilizar a sociedade por cima dos partidos, dos palanques e das estruturas político-partidárias tradicionais.

As alianças serão amplas?
Até junho de 2014, nas convenções partidárias, se esse acordo programático for mobilizador, como esperamos que seja, é evidente que os partidos políticos que estão estruturados tendem a se aproximar. A partir daí, discutimos onde vai ser possível formar aliança, porque todos precisam de alianças partidárias para viabilizar tempo de televisão e candidaturas proporcionais. Agora existe uma inversão: em vez de estarmos correndo atrás de palanques e de candidaturas, estamos priorizando a elaboração de um acordo programático com bandeiras e ideias que poderão sensibilizar vastos segmentos da sociedade e, por consequência, poderão aproximar os partidos.

Como fazer essa aliança programática procurando partidos das mais diversas ideologias?
Primeiramente temos de definir em torno do que estamos unidos. Isso é a prioridade tanto do PSB quanto da Rede até dezembro. A partir de janeiro, vamos ver a repercussão de nossas ideias e aí vão se intensificar as movimentações. Vão ter reações a favor e contra, e isso é natural. A proposta a ser apresentada poderá aproximar ou afastar determinadas posições políticas. Definidas claramente as ideias [do programa de governo], uns vão se aproximar e outros vão se afastar. Quem quiser apoiar claro que vai poder apoiar, desde que com compromisso.

A Marina terá poder de veto nas alianças?
Não. A Marina está entrando no PSB trazendo uma série de contribuições. Pegue o Paulo Bornhausen, por exemplo, que é originário mais da direita e que apoia a candidatura de Eduardo Campos. Os que quiserem aderir à candidatura de Eduardo Campos vão ter de aderir ao programa e às ideias. E nossa questão não é em relação ao passado. Queremos tratar de construir o futuro. Queremos olhar o Brasil para frente, e não para trás.

Como o PSB vê a Marina, que pode ser vice na chapa, sendo mais forte e tendo maior preferência do eleitorado?
Isso está sendo administrado com muita tranquilidade no partido. A candidatura de Eduardo Campos é uma decisão já tomada. Não há problema de a pessoa no banco de reservas ser forte. A Marina, ao tomar decisão de vir para o PSB, veio porque disse que queria apoiar a candidatura de Eduardo Campos.

É possível que Marina transfira para Campos os 20 milhões de votos que teve nas eleições de 2010?
Nada é automático na vida. Tudo tem que ser conquistado e trabalhado. Nada é aritmético. Agora estamos vivendo o momento mais rico dessa pré-campanha com a decisão dela vir para o PSB. Precisamos saber se essa decisão vai ter desdobramentos do ponto de vista eleitoral. Acreditamos que terá se traduzirmos bem esse acordo programático e essas ideias-forças que animam tanto o PSB quanto a Rede.

Pelo fato de serem ex-ministros do governo Lula, fica mais fácil para Campos e Marina apontarem os erros da gestão petista?
Eles avalizam para um grande segmento do eleitorado brasileiro que é preciso ir além. É daqui para melhor. É preciso levar adiante todas as conquistas sociais para que elas não se percam.

Marina disse que Campos estava no “mesmo balaio” que Aécio Neves e que a presidente Dilma. As críticas e ataques ficaram no passado?
Depois que o Brizola chamou o Lula de sapo barbudo e engoliu o sapo tudo tem como ser administrado. Não existe nenhum tipo de manifestação que não possa ser minimizada ou compreendida agora nesse novo contexto de respeito às pessoas. Não houve nenhuma agressão do ponto de vista pessoal.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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