Blogs e Colunistas

Marilena Chaui

24/06/2013

às 16:55

Tenho uma ideia! Marilena Chaui tem de discursar nas passeatas para conduzir o povo para o bom caminho

No dia 18 de maio, há pouco mais de um mês, Marilena Chaui compareceu ao lançamento de um livro puxando o saco de Lula, de autoria de Emir Sader, e falou ao público, no Centro Cultural São Paulo. Sentindo-se à vontade entre os seus, a mulher foi tomada de grande coragem e mandou ver: disse que odiava a classe média porque esta seria reacionária e fascista.

Tenho uma ideia: Dilma e o PT deveriam escalá-la para falar nas passeatas, né? Vamos relembrar o vídeo?

Isso dá uma ideia da arrogância a que chegou essa gente, da sua prepotência. Lembro de novo: esse fato aconteceu há pouco mais de um mês. Dona Chaui é paga com dinheiro público para pensar. Dona Chaui tem seus livros indicados pelo MEC, o que deve lhe render um bom dinheiro, porque é uma suposta pensadora. Dona Chaui achava, não faz tempo, que estava apta a decretar quem tem e quem não tem direito a uma existência política no Brasil.

Quando assisto a essa porcaria, sou quase tentado a sair por aí obstruindo ruas e estradas. Não vou porque não acho certo e porque, no fim das contas, acho que isso não acaba bem. Mas é evidente que o Brasil real dá um recado a esses prepotentes autoritários.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2013

às 18:09

Marina vira alvo do microfascismo gay, assim como adversários de Marina já foram alvos do microfascismo ambiental. Ou: Eles continuam partidários do “ódio que liberta”

Vivemos tempos sombrios, em que os chefes de supostas “causas humanistas” exigem que os participantes do debate público apresentem “provas negativas”. Assim, as pessoas são instadas a provar que NÃO SÃO ambientalmente incorretas, que NÃO SÃO racistas, que NÃO SÃO homofóbicas, que NÃO SÃO machistas, que NÃO SÃO contra os ciclistas… Em suma, torna-se necessário, antes de ser aceito no mundo dos vivos, provar o que não se é para que, então, se possa ser alguma coisa.

A ex-senadora Marina Silva sempre foi beneficiária dessa patrulha — no caso, ela carrega a bandeira ambiental. É, por exemplo, uma espécie de sacerdotisa da demonização do agronegócio no Brasil. Vá perguntar à líder da Rede da Sustentabilidade, partido que está em criação, o que pensa sobre os escandalosos desmandos da Funai no que diz respeito à demarcação de áreas indígenas, por exemplo. E, com absoluta certeza, sobrarão críticas aos proprietários rurais, ainda que a fundação tenha inventado a presença de “povos tradicionais” em 15 áreas do Paraná que nunca tinham visto um penacho de índio. Durante o debate sobre o novo Código Florestal, Marina foi a principal beneficiária política da ignorância específica da larga maioria. O relatório de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) nem sequer foi lido pela imprensa. Bastava Marina decretar a sua “fatwa” contra o texto, e quilômetros de reportagem ganhavam os sites, os jornais, as revistas — atribuindo à proposta, inclusive, o que ele não previa. Cansei de apontar isso aqui. No auge da mistificação, chegou-se a dizer que o novo código estimularia ocupações urbanas irregulares e que facilitaria a ocorrência de tragédias como a de Petrópolis.

Marina Silva passou incólume pela campanha eleitoral de 2010. Não se debateu a viabilidade de suas propostas. A rigor, ela não precisou apresentar um programa de governo nem se posicionar sobre temas como crescimento econômico, taxa de juros, privatizações, desindustrialização… Nada disso era necessário! Afinal, ela era uma pessoa boa, que defendia a natureza contra os dragões da maldade da agricultura e da pecuária. A agropecuária é aquela atividade econômica que impede o país de quebrar e que responde, por isso, pela solvência econômica dos setores mais simpáticos ao marinismo, como o financeiro. Parece que as pessoas que vivem de negociar dinheiro — é o que fazem os bancos — se convenceram dos seus supostos pecados. E resolveram, então, se ajoelhar no grão de milho do ambientalismo para se penitenciar.

Pois é… Ocorre que existe uma hierarquia nesses microfascismos que exigem a prova negativa para decretar a inocência dos debatedores. E, agora está demonstrado, a patrulha gay é mais influente na imprensa do que a patrulha ambiental. Em 2010, Marina já havia sido alvo da milícia ateia porque NÃO se posicionou a favor da descriminação do aborto. Para esse microfascismo, só religiosos são contrários à interrupção da gravidez, o que é falso. Ela defendeu que se fizesse um plebiscito… Foi detectada pelo radar da patrulha gay porque NÃO defendeu o casamento homossexual, embora não tenha se oposto a ele. Foram investidas leves. Não havia ainda o “Fator Feliciano”.

Pegaram pesado
Desta vez, pegaram pesado. Numa palestra em Recife, na terça-feira, Marina comentou o caso Feliciano. Não disse, destaque-se, coisa muito distinta do que escrevi aqui tantas vezes: ele não está preparado para o cargo, não tem especial vinculação com a causa dos direitos humanos, mas não se deve associar a sua opinião ao fato de ser evangélico. Segundo Marina, o que é exato, Feliciano mais “está sendo criticado por ser evangélico do que por suas posições políticas equivocadas”.

Notem que ela classifica de “equivocadas” as opiniões do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Mas não bastou, não! Imediatamente teve início uma campanha nas temidas redes sociais contra Marina. Sim, a ex-senadora está certa ao afirmar que suas palavras foram retiradas do contexto, ela acabou demonizada por aquilo que ela não disse. E ela, obviamente, não disse que o deputado estava sendo hostilizado só por ser evangélico.

Alguém poderia objetar: “Marina é a melhor prova de que Marina está errada; afinal, ela própria é evangélica, mas é muito bem-tratada na imprensa”. Sim, mas isso prova o contrário, ora essa! Como ignorar que certa má-consciência a vê como uma iluminada, APESAR de evangélica? De resto, ela tem uma causa considerada correta — o ambientalismo —, e isso corrigiria aquele “defeito”. Já o deputado Feliciano…

Marina teve de emitir nota, divulgar vídeos com trechos da entrevista, mobilizar assessores etc. Tudo mais ou menos em vão. Uma notícia publicada hoje no Estadão Onine dá conta do estágio a que chegou a patrulha. A reportagem informa sobre um show ocorrido nesta quinta-feira para colher assinaturas em favor da criação da Rede. Alguns artistas estavam lá e coisa e tal. Título do texto: “Em show de apoio à Rede, Marina evita falar de Feliciano”. Considerou-se, assim, que a principal notícia é aquilo que ELA NÃO FALOU.

NOTA À MARGEM – Segundo informa o texto, Marina declamou no evento o que foi chamado de “poesia”, para uma plateia de “artistas e intelectuais”. Mandou bala: “Que a música de vocês possa inundar os nossos litorais para que possamos pescar em águas profundas com a rede da sustentabilidade”. Barbaridade! Mesmo as metáforas quando em folia alegórica precisam ter uma base referencial para que façam algum sentido. O que será que quer dizer um “litoral inundado” (seja lá do que for) para que se possa “pescar em águas profundas” — e, ainda por cima, “com rede”? Não faço a menor ideia. Mas os presentes adoraram e, como sempre ocorre quando se trata de Marina, a significação é sempre inversamente proporcional ao sentido…

Volto ao ponto
Sim, ela foi e está sendo alvo de uma patrulha estúpida. Prova, assim, do próprio veneno. E não acho isso bom, não! Ao contrário até: acho péssimo. É sinal de que as patrulhas estão se exacerbando e já estão chegando àquela fase em que não poupam nem mais os seus próprios protegidos. Os movimentos autoritários sempre passam por fases de depuração, que é quando se tornam especialmente violentos — ainda que, no caso, seja uma violência de natureza política, ideológica e intelectual.

Caminhando para o encerrando
Sim, isso nos remete à senhora Marilena Chaui, a “professora de filosofia petista”, como a chamou Flávio Morgenstern, num excelente texto em que analisa a sua fala destrambelhada, no blog “Implicante”.

Como lembrou Flávio, um nazista não se importa em ser chamado de nazista; um homofóbico não vê mal nenhum em ser chamado de homofóbico; um madeireiro não se incomoda em ser visto como um desmatador. Essas pechas e tachas incomodam justamente aqueles que também repudiam essas práticas ou ideias. Então qual é a tática? Aprisionar o debate entre os que estão de um lado ou de outro: ou nos alinhamos com os donos das causas (por exemplo, a dos que dizem combater a “homofobia”) ou somos homofóbicos. Marina caiu na rede! Mas ela também aprisiona, não é? Afinal, ou defendemos o meio ambiente segundo os seu termos, ou estamos do lado dos madeireiros.

A imprensa brasileira há muito caiu nesse abismo intelectual e moral, com as exceções de praxe. Para que não pareça homofóbica, endossa mesmo as violências institucionais patrocinadas pelo sindicalismo gay, como as havidas na Comissão de Direitos Humanos. Para que não pareça contrária à justiça social, endossa os atos mais destrambelhados do MST… Escolham a causa. E esse procedimento tem uma derivação ainda mais perversa, que abordarei em outro texto.

Até o ano passado, a patrulha ambiental liderava as milícias microfascistas do pensamento. Agora, quem está na vanguarda são o sindicalismo gay e a militância antirreligiosa. Nada impede que, mais adiante, haja uma troca de posições. Esses grupos têm lá as suas diferenças, mas uma coisa os une: o ódio à liberdade em nome da justiça.

Cada um deles, a exemplo de Marilena Chaui, se quer a vanguarda do pensamento. Acreditam, assim, para ficar no vocabulário escolhido por aquela senhora, que seu “ódio” é libertador e que suas “abominações” constituem uma espécie de depuração ideológica da raça humana. Marilena e esses microgrupos são, em suma, fascistas disfarçados de amantes da humanidade.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2013

às 7:35

Ela nos odeia. Ela nos abomina. Ela quer o nosso fim! Ou: Por que Marilena não nos conta quanto ganha com os livros didáticos adotados pelo MEC?

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um cárater típico, seria tentado a tipificar uma patologia. Republico o vídeo. Volto em seguida.

Voltei
Trata-se de uma soma estupefaciente de bobagens — sim, há método em tudo isso — de que me ocupo daqui a pouco, embora Marilena não merecesse muito mais do que farei neste parágrafo e no próximo: pegá-la no pulo. Os livros didáticos e paradidáticos de filosofia desta senhora são comprados pelo MEC e distribuídos a alunos do Brasil inteiro. Quanto dinheiro isso rende à nossa socialista retórica, que só se tornou uma radical de verdade quando ser radical já não oferecia nenhum perigo? Marilena é professora da USP desde 1967. É só no começo dos anos 80, com o processo de abertura em curso — lembrem-se de que, em 1982, realizaram-se eleições diretas para governos de estado —, que se ouve falar da tal Chaui. E não! Ela não exercia ainda esse esquerdismo xucro, mixuruca, bronco. Seu negócio era falar de Merleau-Ponty, dos frankfurtianos, de Espinoza, confrontando a ortodoxia marxista… À medida que foi se embrenhando na luta partidária, tornou-se uma proselitista vulgar, “intelectual” demais para ser um quadro dirigente do partido, partidária demais para ser considerada uma intelectual — cuja tarefa principal, sim, senhores!, é pensar com liberdade.

Marilena poderia revelar à classe média que ela odeia quanto dinheiro ganhou com os seus livros didáticos e que nobre destino deu à grana. E acreditem: não é pouco. Autores que têm a ventura de ser incluídos na lista do MEC podem ficar ricos. Socialista que é, ortodoxa mesmo!, impiedosa com a “classe média”, não posso crer que ela tenha se conformado com os fundamentos reacionários do processo de herança, enriquecendo filhos e netos. O dinheiro amealhado deve ter sido doado a alguma entidade revolucionária, a algum sindicato, a alguma ONG que lute contra as desigualdades. Não posso crer que Marilena se conforme em transformar aquela bufunfa em consumo, viagens ou bens imóveis.

Pilantragem intelectual
Vamos ver. Foi o PT quem mais se beneficiou politicamente com a suposta existência da tal “nova classe média”, conceito que já ironizei aqui, mas por motivos diversos dos da destrambelhada que fala acima. A rigor, essa é uma criação da marquetagem partidária.

Inventou-se uma tal classe média que já corresponderia a 54% da população brasileira. E que classe é essa? Segundo a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), são as famílias com renda per capita, atenção!, entre R$ 300 e R$ 1.000. Um casal cujo marido ganhe o salário mínimo (R$ 678) — na hipótese de a mulher não ter emprego — já é “classe média” — no caso, baixa classe média (com renda entre R$ 300 e R$ 440). Se ela também trabalhar, recebendo igualmente o mínimo, aí os dois já saltarão, acreditem, para o que a SAE considera “alta classe média” (renda per capita entre R$ 640 e R$ 1.020). Contem-me aqui, leitores, como vive e onde mora quem tem uma renda per capita de R$ 640? O aluguel de um único cômodo na periferia mais precária não sai por menos de R$ 250… Assim como decretou que a maioria dos brasileiros está na classe média, o governo petista está prestes a decretar o fim da miséria — governo, insista-se, de que Marilena é mero esbirro.

Logo, à diferença do que sugere a sem-remédio que fala no vídeo, a “nova classe média” não é uma invenção da “direita”, dos “conservadores” e dos “reacionários”, que ela também odeia, mas do lulo-petismo, que ela tanto adora.

Confusão
Marilena faz uma confusão estúpida entre a separação das “classes” por renda e o conceito marxista de “classe”. A primeira é só uma divisão estabelecida segundo faixa de renda e padrão de consumo. Não é nem nunca foi uma abordagem política. Assim, a sua diatribe segundo a qual a “nova classe média” seria, na verdade, “classe trabalhadora” é manifestação da mais alvar burrice. Ora, um operário especializado que ganhe R$ 5 mil deve ser tão “trabalhador” quanto outro que receba o salário mínimo. Há, no que concerne a renda e consumo, diferenças importantes entre ambos, não?, embora Marilena certamente sonhasse em ver os dois irmanados no mesmo projeto socialista. E isso explica o seu “ódio” — que, no fundo, é ódio de sua própria falência como intelectual.

O ódio
A forma como Marilena se dirige à plateia reproduz, acreditem, o método que emprega em suas aulas. Sei porque já  vi. Ela busca, nas suas exposições, o momento da apoteose, do aplauso. Depois de ter feito uma salada entre “classe social”, segundo a visão marxista, e uma mera divisão segundo faixa de renda, ela mesma pergunta:
“E por que é que eu defendo esse ponto de vista?”

Hábil manipuladora de plateias, treinada nas salas de aula para fazer com que seus próprios preconceitos pareçam pensamentos e para confortar a ignorância daqueles que a ouvem embevecidos, ela ainda criou um certo suspense, descartando respostas que seriam óbvias:
“Não é só por razões teóricas e políticas.”

SUSPENSE!

Nesse momento, até o público presente, que estava lá para aplaudi-la, pouco importando a bobagem que dissesse, deve ter ficado à espera de um aporte teórico novo ou de uma chave que abrisse as portas da compreensão. Afinal, estavam diante de uma das mais incensadas professoras de filosofia do país, um verdadeiro mito da universidade nos tempos da barbárie intelectual petista. Se as restrições que fazia ali não estavam fundadas nem na teoria nem na política, o mais provável é que se estivesse prestes a ouvir uma revelação. E Marilena, ao menos para os padrões da academia, não decepcionou. Compareceu com uma categoria de pensamento nova.

“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Aplausos e risos
Sua teatralidade bucéfala lhe rendeu aplausos entusiasmados. Não há nada mais degradante do que levar uma plateia de idiotas a rir de si mesma na suposição de que idiotas são os outros. Afinal de contas, a oradora e aqueles que a aplaudiam são o quê? Pobres? Marxistas revolucionários? Ah, mas aí vem o truque principal dos vigaristas intelectuais que ouvem e da vigarista intelectual que fala.

É certo que operários não são. É certo que são da “classe média”, só que se distinguiriam daqueles a quem “abominam” porque supostamente dotados de uma consciência superior. O filho revolucionário do banqueiro, nessa perspectiva, não teria o menor pudor de chamar de “classe-média reacionário” o gerente do banco do pai — enquanto, como diria Fernando Pessoa, “mordomos invisíveis administram a casa”.

Marilena teme que um trabalhador de classe média perca o seu natural pendor revolucionário, como se o natural pendor revolucionário dos trabalhadores não fosse, no fim das contas, uma ilusão de intelectuais de… classe média! No fundo, Lula e Dilma, celebrados no livro que reuniu a turma, evidenciam a falência do pensamento da sedizente filósofa. O modelo petista está ancorado na expansão do consumo, e Marilena acha profundamente reacionário que alguém possa se interessar mais por uma geladeira nova do que por suas ideias abstratas de justiça. É que, quase sem exceção, os que fomentam ideias abstratas de justiça já têm geladeira nova.

Lula estava presente. Consta que riu, com a mão cobrindo o rosto. Teria dito depois que, agora que é de classe média, começam a falar mal da dita-cuja. As bobagens de Marilena Chaui não são irrelevantes. Servem para criar a mística de que o PT ainda é um partido de pendor revolucionário — ainda que a revolução possível. Besteira! O que ele é, sim, é um partido autoritário, que não é avesso, se as condições forem favoráveis, à violência institucional. Está em curso, por exemplo, a pregação em favor do controle da mídia e do controle do Judiciário. Marilena, com sua picaretagem teórica e intelectual, faz crer que esses são desígnios da progressista classe operária.

Achei que essa senhora, a quem voltarei mais tarde, já tinha chegado ao fundo do poço durante a campanha à Prefeitura, no ano passado. Ainda não! Ela demonstrou que seu abismo intelectual não tem fim. Eu não odeio Marilena. Chego a sentir pena. Deve ser muito triste chegar a essa idade carente desse tipo de aplauso. Em vez da serenidade madura que instrui, a irresponsabilidade primitiva que desinforma. Pena, sim! Menos de sua conta bancária.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2013

às 17:08

Marilena Chaui: um caso clínico, não de política

Caros,

Peço que vocês vejam este vídeo em que a petista Marilena Chaui tenta explicar por que não concorda com a expressão “nova classe média”, empregada, diga-se, tanto pela presidente Dilma no pronunciamento de 1º de Maio como no horário político do PT. São cenas fortes. Não as deixem ao alcance das crianças. O que vai abaixo, quero crer, ilustra mais um caso clínico do que político. Na madrugada, volto ao assunto. Marilena atinge o auge da estupidez a partir dos 3min30s.

Lula estava presente. Quando ela falou, ele cobriu, rindo, o rosto com as mãos. E depois há ainda quem queria censurar um vídeo do “Porta dos Fundos”… É evidente que nem Marilena deve ser censurada. Eu defendo liberdade para todos os humoristas. É claro que há uma ligeira diferença entre aquela turma e a sedizente filósofa. Eles se financiam no mercado. Ela é uma funcionária pública, paga com os recursos produzidos pela classe média que ela “odeia”.  Santo Deus! Eu era ainda um pós-imberbe de esquerda quando vi esta senhora, na Filosofia da USP, numa reunião de estudantes, desferir um palavrão cabeludo, bem cabeludo mesmo!, contra a Reitoria. Cochichei com um amigo: “O vocabulário dela é pior do que o nosso…”. Eu a considerei, então, destrambelhada e populista. Trinta e dois anos depois, vejo que estava certo. Mas volto a esta senhora na madrugada.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2013

às 7:06

MP de São Paulo recebe nesta segunda acusações que Marcos Valério faz a Lula. Ou: O dia em que Marilena Chaui comparou o Apedeuta a uma deusa grega

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminha nesta segunda à seção paulista do Ministério Público Federal as acusações que o empresário Marcos Valério, principal operador do mensalão, faz a Lula. Não é pouca coisa. Valério não só diz que o Apedeuta sabia de tudo e sempre esteve no controle do mensalão como sustenta que foi um dos seus beneficiários. O dinheiro para seu uso pessoal teria sido depositado na conta do faz-tudo Freud Godoy. Com efeito, a CPI dos Correios encontrou repasse da agência de Valério para  o carregador de malas.

Muito bem! O procurador que receber o papelório vai decidir se abre investigação ou se pede o arquivamento do caso. Os petistas tratam como um atentado à democracia a possibilidade de Lula vir a ser investigado e se tornar réu numa ação criminal.

Há nisso muito de politicagem vulgar, mas também há uma espécie de crença, em vários setores do PT, na infalibilidade de Lula, quem sabe na sua divindade. E ele não faz por menos, como é sabido: expõe-se à adoração. Tivesse atravessado o Mar Vermelho com Moisés, não duvidem: teria liderado a turba contestadora, impaciente com a demora do Patriarca, e seria o primeiro a propor um de ídolo de ouro: em vez do bezerro, ofereceria a si mesmo como modelo. Se não conseguisse destituir Deus, daria um jeito de, quando menos, tirar Moisés da história…

Não pensem que isso começou com o, como chamarei?, “petismo popular”. De jeito nenhum! O povo é muito menos mistificador do que aqueles que se dizem “intelectuais petistas”, essa contradição dada pelos termos. Contradição? Não pode haver petista culto? Claro que sim! Eu me refiro a “intelectuais” como pessoas comprometidas com a ciência e com o pensamento. Ou bem se busca servir à verdade ou bem se busca servir a um partido.

Muito bem! Em julho de 2003, Marilena Chaui — uma das inventoras da tese vigarista de que a denúncia do mensalão era uma tentativa de golpe — concedeu uma entrevista à revista Primeira Leitura, que eu dirigia. Conversou com o jornalista Fernando Eichenberg, em Paris. Ele lhe dirigiu, então a seguinte pergunta:

A sra. não acha que Lula despolitiza talvez em demasia sua própria trajetória, repisando o mito do homem milagreiro, do político milagreiro, do evento milagreiro, mais ou menos nos termos pela sra. apontados no livro “Brasil, Mito Fundador e Sociedade Autoritária”?

A resposta de Marilena, aquela que já afirmou que, quando Lula fala, o mundo se ilumina, foi fabulosa. Ela comparou seu líder à deusa grega Métis (vocês saberão detalhes). Vale a pena ler a íntegra da resposta. Volto depois.
*
Há no Lula um traço que é a marca ocidental do homem político. Há um trabalho feito nos anos 80, pelo Jean Pierre Vernant, sobre um aspecto da cultura grega clássica, segundo o qual os gregos consideravam a prática, contraposta à inteligência teórica. Essa inteligência prática ficava sob a proteção de uma deusa chamada Métis. As características da pessoa dotada de Métis, ou dessa inteligência prática, eram as seguintes: golpe de vista certeiro, ou seja, ela era capaz de, num único golpe de vista, perceber o todo; tinha o senso da oportunidade, ou o sentimento do kairós, do momento oportuno, em que momento intervir, em que a ação seria eficaz; tinha a capacidade de encontrar ou de criar um caminho onde não havia caminho: diante da aporia, do aporós, abre um caminho; e era dotada da capacidade da espreita, de saber observar de longe, de espreitar e de produzir uma estratégia para intervir.

Os gregos consideravam que havia alguns tipos sociais que eram dotados de Métis: os capitães de navio, os médicos, os caçadores e os estrategistas militares. Mas a figura que reunia todos os traços da Métis, que era a Métis praticamente encarnada, era o político. O homem político grego era dotado dessas características da Métis. Eu considero o Lula um animal político. Na medida em que ele é dotado dessas características que são constitutivas da figura ocidental do político, ele não pode despolitizar, mesmo que ele queira, porque o modo de ver o mundo é um modo político. É vê-lo como totalidade, como tempo aberto, como conjunto de dificuldades e de aporias, como aquilo que se tem de observar e sobre o que se tem de intervir.

Em relação ao discurso do Lula, alguns dizem que é um discurso populista. Ora, o líder populista é aquele que pertence ou à classe dominante ou ao setor aliado da classe dominante. E é aquele que se apresenta para o povo como o protetor, o guardião, como se esse povo fosse imaturo, vivesse na minoridade, incapaz de se conduzir a si mesmo. Isso é o populismo. Nenhuma dessas características se pode atribuir ao Lula. Ele não vem da classe dominante; ele não se dirige a um povo imaturo e incapaz de se dirigir; ele não se propõe a ensinar a esse povo esse bom caminho, porque, se ele tivesse de fazer isso, não teria sido eleito presidente, na medida em que ele é a expressão desse povo. Então, há uma impossibilidade lógica, para usar uma expressão do Paulo Arantes, de que ele seja um líder populista. É dito também que ele é um líder messiânico. O messianismo possui duas grandes características no Brasil. Primeiro, é milenarista, coisa ausente do discurso ou da ação do Lula. A segunda característica é a componente teológico-política, ou seja, de que o governante é um representante de Deus, que ele transcende a sociedade e a controla por mandato divino, o que Lula também não diz.

O fato de que, no discurso, Lula invoque Deus, é porque ele é um homem religioso. Nem é uma invocação ao reino de mil anos de felicidade, produzido pela ação justiceira dos santos, nem é ele representante de Deus na Terra. É má-fé dizer que ele é messiânico, sobretudo porque é chamado de messiânico por quem faz ciências sociais e que, portanto, sabe o que é o messianismo. O Lula tem uma estrutura discursiva que vi sendo empregada por ele desde 1978. É a maneira que tem de se exprimir. Sobretudo, quando se diz que ele improvisa, não lê, vai falando qualquer coisa. Uma vez, conversei com ele, e ele me disse que, para poder realmente se dirigir a um interlocutor, precisa perceber o que o está pensando, sentindo, precisa do olhar do interlocutor. A escrita rompe a relação. Isso é uma das coisas mais definidoras do discurso político, porque é aquele que se dirige diretamente ao outro; não é à toa que a política nasceu na assembleia democrática. O Lula fala a interlocutores determinados, estabelece o vínculo típico de quem fez aprendizado na assembleia, porque é assim que ela funciona. Isso é uma característica muito marcante dele.

Outra coisa é o fato de ele usar metáforas e provérbios. Qualquer um de nós que tenha nascido e vivido no interior do país sabe que o homem do interior, seja o sertanejo ou o caipira paulista, por exemplo, fala por provérbios. A minha bisavó, que era baiana, falava por provérbios e metáforas. O [Monteiro] Lobato, falando do caipira paulista, fala por provérbios. Peguem-se as grandes personagens do Guimarães Rosa, elas falam por sentenças, máximas e provérbios. Isso é constitutivo da cultura popular brasileira. Quando eu era ainda adolescente, li, em algum lugar, o [Jean-Paul] Sartre dizendo que sempre ficou muito impressionado com os provérbios e as máximas populares porque exprimem uma sabedoria pessimista sobre o ser humano. Não necessariamente, mas, de um modo geral, sim. Vou usar um provérbio. O provérbio “é confiar desconfiando”. Há uma maneira popular de se exprimir, universal, e é por provérbios e por máximas. Depois, essa é uma maneira pela qual a cultura popular no Brasil se exprime. Então, tem-se um nordestino, do interior do país, que é formado nessa cultura e exprime por meio dessa cultura. Portanto, dizer que é um discurso imbecilizante, paralisante, estúpido, ignorante, é repetir o preconceito, a exclusão e a divisão levada ao seu extremo. O que se exige dele é que se desfaça do direito de se exprimir a partir de onde se formou. Penso que, das críticas preconceituosas feitas ao Lula, essa tem sido para mim a mais chocante, porque ignora de onde ele veio. Como ele não produz uma frase em francês, um conceito em inglês ou boutade em alemão, diz-se que é um inculto que diz coisas imbecis, quando, na verdade, é uma maneira de organizar o mundo.

É interessantíssimo, porque Guimarães Rosa é valorizadíssimo por ter sabido operar com isso. Aquele mesmo que se desvanece diante do trabalho que Guimarães fez sobre esse modo de falar fica horrorizado quando encontra alguém que fala como o Riobaldo. Acho isso inacreditável. Uma pesquisadora portuguesa fez um estudo sobre as discriminações sociais no Brasil pelo uso dos provérbios, das sentenças e das máximas. Ela diz que a classe dominante se dá o direito de produzir máximas, mas não admite a produção nem de máximas nem de sentenças pelos dominados e repudia os provérbios. Quando se ouve intelectuais de esquerda a dizer isso, dói. Dói no estômago.

Voltei
Marilena, a douta professora de filosofia, como se vê, transforma, literalmente, Lula numa divindade, dotado de um saber natural, que ele extrai das pessoas. Não tendo como negar os aspectos obscurantistas da fala do seu líder, ela os atribui, então, ao “povo”. Tem-se, pois, como corolário, e isto está mais do que sugerido na resposta, que criticar Lula corresponde a rejeitar o próprio povo.

Escrevi, à época, um textinho na revista explicando quem era, afinal, a tal Métis. Reproduzo em azul:

Há algo de curioso, até engraçado, na associação que a professora Marilena Chaui faz entre a deusa Métis e Lula. Talvez seja preciso cavoucar um pouco os simbolismos. Métis é o nome grego de Prudência, a versão latina da deusa que foi a primeira mulher de Zeus (Júpiter). Foi ela quem deu uma poção a Cronos (Saturno), que o fez vomitar, junto com uma pedra, todos os filhos que houvera engolido. Zeus a seduziu. Ao saber que estava grávida e que estava destinada a ter um filho que seria rei dos deuses e dos homens, ele não teve dúvida: engoliu a mulher grávida. Passou mal, com uma terrível dor de cabeça. Pediu a Hefestos (Vulcano) que lhe abrisse o cérebro, e, de dentro, brotou Palas Atena (Minerva), deusa da sabedoria, da guerra, da ciência e das artes, que tomou assento no conselho dos deuses e passou a ser a principal conselheira do pai. O pássaro predileto de Palas Atena é a coruja. Assim como a inteligência ilumina os problemas, os olhos da ave atravessam a escuridão. Se Lula é mesmo Métis, tomara que se deixe “engolir”, no melhor sentido possível, pelas instituições e que seja a democracia o resultado dessa fusão. Por enquanto, o risco de que se torne mero petisco dos antigos vícios políticos parece grande. Por enquanto, como Cronos, Lula só engole os próprios filhos — no pior sentido possível.

Concluindo
Era julho de 2003. Lula estava no poder havia apenas sete meses, e a maquinaria ideológica que tentaria transformá-lo num ente acima da política e das paixões humanas já estava em curso — Primeira Leitura estava atenta a ela. Naquele primeiro ano de governo, o Apedeuta enfrentava mesmo era a oposição do petismo, e os principais esteios de Antonio Palocci no Congresso, acreditem!, eram o PSDB e o PFL… Não sem certa razão: os dois partidos resistiam ao PT mais rombudo, que queria fazer bobagem na economia. A oposição fazia bem em dar apoio ao que, afinal, era o mais racional em economia, mas já errava brutalmente ao não politizar as promessas que Lula, felizmente, ia quebrando.

Mas volto a Marilena e ao mito. Aquele que a petista vê como uma divindade está associado ao que há de pior na política brasileira e é, em último caso, o arquiteto da chegada de Renan Calheiros à Presidência do Senado. Vamos ver se o Ministério Público e a Justiça lhe devolvem a humanidade e o confrontam, finalmente, com parte de sua obra.

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2013

às 6:37

Caso de Polícia – A Petrobras, a compra escandalosa de uma refinaria e um prejuízo bilionário para a estatal: Ministério Público decidiu investigar a lambança

Vocês se lembram de um post publicado no dia 15 de dezembro intitulado “ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS – Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo? Mais ou menos? Ok. Recupero a história em 13 passos e avanço depois, porque já há novidades. Quem tem tudo na memória pode ir direito para o entretítulo “Voltei”.

1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.

2: ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 21,25 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1590% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.

3: Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.

4: A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…

5:… a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!

6: E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 42,5 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?

7: É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.

8: A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 820,5 milhões!!!

9: Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.

10: Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 820,5 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,180 bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.

11: Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.

12: Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.

13: Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.

Voltei
José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras e hoje ocupando uma secretaria no governo baiano, chegou a emitir uma nota dizendo que não havia nada de errado com a negociação, mas preferiu não explicar a mágica. Felizmente, o Ministério Público se interessou pelo assunto, segundo informa Danilo Fariello, no Globo. Leiam trechos. Encerro depois.

*
O Ministério Público Federal (MPF) deve abrir uma investigação criminal para apurar irregularidades no processo de aquisição, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, com base em indícios levantados por procuradores do MPF que atuam no Tribunal de Contas da União (TCU). Desde a compra da refinaria, a petrolífera investiu US$ 1,18 bilhão nesse negócio, apesar de ela não processar um só barril de petróleo brasileiro e de a estatal não conseguir obter um retorno significativo do investimento feito.

Em novembro, os procuradores solicitaram à Petrobras esclarecimentos sobre o processo de aquisição. Após um pedido da Petrobras de prorrogação de prazo para resposta, que foi aceito pelo órgão de controle, a estatal entregou cerca de 700 páginas com documentos, dos quais boa parte já foi analisada. Segundo uma fonte que teve acesso ao conteúdo entregue pela empresa ao TCU, durante o recesso de fim de ano, até agora não apareceram argumentos convincentes para justificar o investimento, tanto do ponto de vista financeiro quanto pelo aspecto estratégico.

“Há várias decisões questionáveis, que podem levar o MPF a abrir um procedimento para verificar se há ocorrência de crime. Pode até pedir auxílio à Polícia Federal, uma vez que havia uma pessoa ligada à Petrobras que fazia parte da empresa belga (Astra Oil, de quem a estatal brasileira foi sócia na refinaria)”, disse a fonte.
(…)

Encerro
Os números da operação são aqueles que vocês viram, nunca contestados pela Petrobras. Alguém tem alguma dúvida de que estamos diante de um óbvio caso de polícia?

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2012

às 6:47

VIGARICE INTELECTUAL, TEU NOME É MARILENA CHAUI! OU: FALOU A CARMINHA DO LIXÃO ÉTICO DO PETISMO!

Um amigo me envia um link de um texto publicado no dia 29 do mês passado num troço chamado “Rede Brasil Atual”, que pertence à CUT. O e-mail vinha com uma pequena introdução: “Leia o que disse Marilena Chaui; a mulher endoidou de vez”. Desconfio da sanidade intelectual desta senhora desde quando eu era de esquerda. Assim, não achei que ela pudesse me surpreender. Mas não é que me surpreendeu? Não existe limite para a sua decadência. Quando você imagina que ela não pode ir mais baixo, desafiadora, ela o contraria: “Posso, sim! Quer ver?”. E mergulha de cabeça no esgoto do pensamento, da história e da ética. Antes que entre no mérito, uma breve memória pessoal.

No comecinho dos 80, tentávamos uma greve de professores e estudantes na USP. Numa reunião conjunta de lideranças, dona Chaui — por quem muitos babavam embevecidos; eu e alguns amigos trotskistas a considerávamos mistificadora e populista — mostrava-se mais radical do que os próprios alunos. Num dado momento, indignada com o reitor, disparou um “Vá pra puta que o pariu”. Como não havia temperatura que justificasse aquela manifestação, as palavras como que se materializaram, desfilando naquela sala do Departamento de Filosofia em busca de um contexto. Eu mesmo fiquei encabulado. E não por causa do palavrão. Mesmo quando da canhota, tinha minhas ortodoxias. Achava que, se era para alguém ali se comportar como idiota, que fosse ao menos um de nós, os estudantes… Em matéria de estupidez, Marilena preenche todos os espaços. Havia outra coisa que me deixava um pouco com o pé atrás: sua biografia na esquerda era inexistente até o comecinho dos 80, como aluna e como professora. Quando veio a abertura política e quando já se podia mandar alguém à puta que o pariu, ela se transformou numa extremista. Entenderam? Fim da memória. Vamos ao fato.

No dia 28, Marilena participou de um debate no comitê de uma tal Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT — não se elegeu. O tema era este: “A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. Chaui, cujo salário é pago pelos paulistas há muitos anos para que ensine filosofia, afirmou, segundo a página da CUT, que “os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania”. Entendi. Se eles são tudo isso, entendo que deveriam ser proibidos de se candidatar, não é mesmo? Onde já se viu haver candidatos “prejudiciais à democracia”?

Escreve ainda a Rede Brasil Atual:
“Ela [Marilena] define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Adhemar de Barros e Jânio Quadros.”
Entendi. Mas e Paulo Maluf, de quem Russomanno era aliado antes de migrar para o PRB? O deputado do PP é hoje aliado do PT, como sabemos. Ela falou a respeito. Informa o site:
“Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do ‘grande administrador’, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). ‘Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.’”

Que coisa!
É um novo marco na decadência intelectual desta senhora: virou lavanderia da reputação de Paulo Maluf. Oito dias antes dessa declaração de Marilena, a juíza Liliane Keyko Hioki, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, atendendo a um pedido do Ministério Público, dera prazo até o fim deste mês para o “engenheiro” Maluf devolver aos cofres da Prefeitura de São Paulo R$ 21,350 milhões. A sentença é consequência de uma ação de improbidade administrativa provocada, à época, por denúncia de… petistas, liderados então por José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça. Hoje, são todos aliados de Maluf.

Tudo passou! Aquele era o Paulo Maluf inimigo. Como tal, o PT o acusava de ladrão, truculento, reacionário, direitista (eles acham essa palavra um xingamento), fascista etc. Agora o homem está com o PT e terá uma fatia da Prefeitura caso Haddad vença. Pronto! Desapareceu o Maluf inimigo da democracia e da moralidade. Agora, Marilena Chaui apertaria comovida a sua mão e indagaria: “Como vai, engenheiro, da tradição dos grandes administradores?”.

Vergonha?
Alguém poderia indagar: “Essa mulher não tem vergonha de falar essas coisas?”. Não! Esquerdistas da linhagem a que ela pertence não têm vergonha, só interesses. Se Maluf serve ao projeto de poder do partido, eles lavam a sua biografia e podem até canonizá-lo, a exemplo do que fizeram com José Sarney, transformado em herói e estadista por Lula. Marilena Chaui é a Carminha do lixão ético petista.

Não pensem que ela parou por aí, não! Esta senhora, como vocês sabem, é a verdadeira formuladora da tese de que o mensalão era uma tentativa de golpe contra o governo Lula. Em sua palestra, mandou ver, segundo o site que trouxe a notícia:
“De acordo com ela [Marilena], se a República é constituída de três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: ‘O fato de que o Poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem de erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República’”.

O “isso” a que ela se refere é o julgamento de petistas. Marilena acha que se trata de uma ameaça à República e propõe que alguém “erga a voz” contra o Judiciário. Não é do balacobaco? Julgar petistas segundo todos os rigores da Constituição e das leis é, para a notável professora, um “golpe”. Já erguer a voz contra o Poder Judiciário deve ser exercício democrático…

Faz sentido, não é? A mulher que demoniza Serra como uma ameaça à democracia e insere o “engenheiro” Paulo Maluf na linhagem dos grandes administradores tem mais é de classificar de democracia a tentativa de golpe petista e de golpe o exercício da democracia.

Nem eu, que via com desconfiança aquela senhora meio destemperada no comecinho dos 80, imaginei que ela fosse morrer abraçada a Paulo Maluf. Tudo devidamente sopesado, é um fim justo para ambos.

Texto publicado originalmente às 5h07
Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 4:54

Em oito dias, PT chama a PM duas vezes para resolver conflito em universidade federal. O que disse mesmo Fernando Haddad em novembro sobre a desocupação da reitoria da USP?

Outro dia, um desses delinquentes intelectuais disfarçados de pesquisadores tentou demonstrar que opções ideológicas têm uma base fisiológica. Se não me engano — e não vou parar para pesquisar —, o vagabundo é de uma universidade canadense. Segundo ele, os esquerdistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores. Huuummm… Vendo, nesta quinta, os petistas na CPI lutando bravamente contra a convocação de Fernando Cavendish, com o deputado Cândido Vaccarezza verdadeiramente inflamado, não duvidei: é mesmo uma questão de inteligência… A minha tese é outra e não se sustenta em nenhuma hipótese fisiológica.

Acho que se trata, em primeiro lugar, de uma questão moral, individual; em segundo, de uma questão ética, que diz respeito à nossa relação com os outros. Um esquerdista é, antes de tudo, uma relativista. Tudo o que serve a seus propósitos é naturalmente bom; tudo o que não serve, naturalmente mau. Ou por outra: é preciso uma boa dose de sem-vergonhice para ser esquerdista. Viram Marilena Chaui? Madame Mim, escrevi ontem a respeito,  voltou a dar vassouradas no “projeto neoliberal da USP” e não disse uma vírgula sobre as 55 universidades federais em greve. Falasse como militante do partido, vá lá… Mas não! Discursava na condição de professora, de alguém pago com o nosso dinheiro para pensar com independência. Mas vamos retomar a questão lá do título.

A reitoria da Unifesp, uma universidade federal, indicada pelo companheiro Fernando Haddad — este que tem soluções fáceis e erradas para todos os problemas difíceis de São Paulo —, recorreu à Justiça para retomar o prédio da administração do campus de Guarulhos, que havia sido tomado por alunos. Só para lembrar: a reitoria da USP foi invadida no ano passado por “revolucionários” de extrema esquerda que não querem a PM reprimindo o tráfico e o consumo de drogas no campus. A propósito: Marilena mentiu — sim, o verbo é esse — ao dizer que os policiais estão lá para espancar estudantes.

Já os alunos da Unifesp protestam porque o campus de Guarulhos está mais para um pardieiro do que para uma universidade. É apenas uma das unidades federais que não oferecem condições mínimas para uma vida acadêmica decente. Cursos estão funcionando em prédios improvisados — uma escola infantil…. Os sinais de deterioração e de decadência estão por todo canto. Ainda assim, deixo claro: sou contra invasões, intimidações etc. Há outras formas de protestar. Pois bem: como a Justiça determinou a reintegração de posse, a Polícia Militar teve de executar a ordem no dia 6 — e o fez junto com a Polícia Federal, aquela sob o comando do petista José Eduardo Cardozo. Tudo conforme manda a lei, a exemplo do que se viu na USP.

Os petistas saíram vociferando contra a o governo de São Paulo e contra a Polícia Militar quando houve a operação da USP. Fernando Haddad, o preclaro ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito, responsável pelas péssimas condições de muitas universidades federais, resolveu tirar uma casquinha com uma frase de efeito: “Não se pode tratar a cracolândia como se fosse a USP e a USP como se fosse a cracolândia”. A tirada é duplamente preconceituosa. Como ele acusava a suposta violência da ação da PM — mentira!!! —, estava dizendo, na prática, que atos violentos contra viciados da cracolândia são até aceitáveis, mas não contra viciados da USP.

Eu estou entre aqueles que consideram a brutalidade inaceitável em qualquer caso. E me incluo entre os que acham que o consumo e tráfico de drogas devem ser reprimidos num lugar e noutro — ou a USP, de fato, vira uma cracolândia! Não que ela não tenha bolsões de consumo de drogas ideológicas… Está cheio de gente viciada em petismo por ali, especialmente no corpo “indocente“… O PT, note-se, está para o marxismo mais ou menos como o crack está para cocaína: é uma droga mais barata, de consumo mais popular, destrói os neurônios com muito mais rapidez e é oferecida por traficantes pé de chinelo. Sigamos.

Ontem, estudantes voltaram a protestar na Unifesp. Instalações foram ocupadas de novo, áreas da instituição foram pichadas, e a administração acusa os estudantes de terem impedido o diretor de sair do prédio, o que eles negam. Adivinhem o que fez a direção… Ora, chamou a velha e boa PM de São Paulo de novo — aquela, sabem?, que os petistas classificam de “a polícia do Alckmin”; aquela que a Madame Mim da Filosofia tacha de “polícia do neoliberalismo”. E os policiais, obviamente, atenderam ao chamado porque é sua obrigação. Parece que chegou a haver um princípio de confronto. Uma aluna diz ter sido atingida por uma bala de borracha. A ver…

Pois é… Polícia boa é aquela que atua quando os petistas pedem e quando dela precisam. Chamem o ministro Gilberto Carvalho, aquele que, por ocasião do cumprimento da lei no Pinheirinho, saiu afirmando que o PT “tem outro jeito de resolver as coisas”. Qual jeito? Sabem a tal sensação da vergonha alheia, que a gente experimenta em lugar do outro? Pois é…

É isto: o comando petista de uma universidade federal pediu o socorro da PM duas vezes em nove dias. E a Madame Mim lá, em silêncio, cuidando de misturar em seu caldeirão os morcegos, as baratas e as teias de aranha das ideias mortas. E Haddad? O que tem a dizer a respeito?

bruxa-caldeirao

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2012

às 7:59

Promotores de SP escarnecem da população que lhes paga o salário. E Marilena Chaui, a pensadora dos mensaleiros, volta a dar rasantes com sua vassoura filosófica. Ou: Eles querem é que a Cracolância seja considerada uma USP e que a USP vire uma Cracolândia!

Já deveria ter escrito a respeito, mas, como sabem, a agenda anda um tanto carregada. Quatro promotores do Ministério Público de São Paulo, capitaneados por Maurício Ribeiro Lopes, promotor da Habitação, entraram com uma ação civil pública contra o governo do estado cobrando uma indenização de R$ 40 milhões por “danos morais coletivos”. E o que o governo fez de tão grave? A operação na Cracolândia! Segundo o inquérito conduzido por Lopes, ela foi desastrosa e não cumpriu seus objetivos. Os preclaros pedem ainda uma liminar que impeça a Polícia Militar de dispersar os usuários de droga da região.

Desde que a operação começou, e a Secretaria de Justiça tem esses dados documentados, houve a internação voluntária de 660 dependentes. Foram enviadas para abrigos 11 mil pessoas, 121 presos foragidos foram recapturados, e 462 traficantes foram presos. Mas Lopes e seus colegas não estão contentes, não. Acusam agressão aos direitos humanos e dizem que a operação não cumpriu seus objetivos: “Começou de modo desastrado pela sua desarticulação, desenvolveu-se de modo violento e, se chegou ao final, chegou com resultado desastroso”, define o valente.

Sabem o que é pior? Essa gente pretende falar em nome do povo. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha, 82% dos paulistanos apoiam a ação do governo e da prefeitura na cracolândia. Nem poderia ser diferente. Aquela era uma região da cidade que estava sitiada. O primeiro passo em casos assim é recuperar o território. Se estivesse no Rio, Lopes iria querer impedir a instalação das UPPs alegando que elas não conseguiram acabar com o tráfico. Eu sou crítico daquele programa, sim, mas por uma razão em particular: por não prender os traficantes.

É evidente que a operação na Cracolândia não fez com que viciados desaparecessem. Não existe com esse objetivo. Então vejamos: a internação compulsória é proibida por lei, e ninguém é preso por portar drogas apenas para consumo. Se a polícia estiver impedida de dispersar os consumidores, que tendem a tomar conta do espaço público e a criar um mundo particular, o resultado é um só: agressão aos direitos da população comum, que trabalha, que estuda, que trabalha e estuda, que gera, em suma, os impostos que pagam os salários de Lopes e de seus amigos.

Lembram-se dele?
Ah, Lopes é um velho conhecido de vocês. É aquele cinquentão que usa um brincão na orelha esquerda, talvez para ficar mais parecido com o filho… É claro que o que lhe dita o pensamento é o que tem entre as orelhas. E não é coisa boa. Fiz referência ao brinco, que lhe confere um ar, assim, de tiozão chacoalhando a pança em balada adolescente, porque me lembrei de São Paulo — no caso, o apóstolo que dá nome à cidade. “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” Lopes vive, certamente, a meninice da ideologia. Daria a outra orelha ao furo, estou certo, para invadir a reitoria da USP — já chego à Madame Mim da vassoura…

Mas é possível que vocês não tenham se lembrado do tiozão pelo brinco. Então eu lhes refresco a memória com outra ação detestável desse senhor. Em outubro do ano passado, a prefeitura decidiu transferir um albergue de uma área de Pinheiros (referência para quem não mora em Sampa: é um bairro de classe média, com alguns bolsões de pobreza) para outra mais residencial, na rua Cardeal Arcoverde. Um grupo de moradores resolveu se mobilizar contra a decisão e entregou ao Ministério Público Estadual um abaixo-assinado com 1,2 mil assinaturas. Mal sabiam que estavam caindo numa armadilha! Sabem o que fez Lopes? Não só indeferiu o pedido (até aí, tudo bem!) como associou os manifestantes a “higienistas do Terceiro Reich”. Foi explícito: “É de causar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade”. Suas palavras já eram absurdas e persecutórias o bastante. Mas ele não se deu por satisfeito: encaminhou o nome de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

É coisa de fascista! É coisa de comunista da antiga Alemanha Oriental! Um dos direitos fundamentais de qualquer cidadão num estado democrático é encaminhar petições ao estado. Ninguém pode ser molestado por uma autoridade ou punido por isso. Ocorre que o nosso promotor “da habitação” não está nem aí para quem paga impostos. Ele é um justiceiro social — e, como se vê, faz justiça à custa do homem comum. Ao molestar os moradores de Pinheiros, quer impedir o cidadão de ser cidadão; ao tentar impedir a ação na Cracolândia, quer impedir o governo de ser governo.

Agora ela…
Marilena Chaui voltou a dar rasantes na USP com sua vassoura filosófica. Não é estranho que ressurja no noticiário neste momento. Eu a chamo de “a pensadora dos mensaleiros” porque ela foi a autora original — sim, foi ela! — da mentira estúpida de que a denúncia do mensalão foi só uma tentativa de dar um golpe em Lula. Num ato em favor da criação de uma Comissão da Verdade na USP (só para a USP…), a Madame Mim da filosofia ligou o reitor João Grandino Rodas à ditadura, o que é uma tolice, atacou indiretamente o governo do estado — “há uma hegemonia no Estado de São Paulo de um pensamento privatista e neoliberal, a USP está sendo regida por esses princípios por este reitor” — e MENTIU: afirmou que a Reitoria pôs a polícia no campus “para espancar estudantes”. As autoridades tendem a ser frouxas com gente assim. Não deveriam. No lugar do governo e da PM, eu processaria essa senhora para que ela mostrasse onde estão os estudantes espancados. Como pode mentir de forma tão miserável quem está num ato em favor de uma “Comissão da Verdade”?

Exagero ao associá-la a uma bruxa? Não deixa de ser um elogio. Quem recorre a um engodo, a uma farsa — como a história do suposto “golpe” — para tentar livrar a cara de mensaleiros ou minimizar seus crimes merece é epíteto pior. Há muito tempo essa funcionária pública paga para pensar com independência não passa de mero esbirro de um partido político. Atenção! Há 55 universidades federais em greve, boa parte delas funcionando em condições precárias. Em muitas, faltam laboratórios. Em algumas, não há nem esgoto nem água encanada. Mas Madame Mim quer é acabar com o “projeto neoliberal” da USP!!! Os petistas não descansam enquanto não reduzirem São Paulo ao tamanho de sua utopia.

A polícia está na USP, com o apoio da esmagadora maioria dos estudantes, para protegê-los. Esta Górgona do esquerdismo chulé tripudia sobre o corpo do estudante de ciências atuariais Felipe Ramos de Paiva, morto em maio do ano passado no campus, durante um assalto. Felipe era um rapaz de família pobre, morador de Pirituba. Dona Chaui não deve saber onde fica porque o público para o qual prega socialismo se concentra no Alto de Pinheiros, nos Jardins, na Vila Nova Conceição e em Higienópolis. Há mais comunistas nestes metros quadrados entre os mais caros do mundo do que em Pequim ou em Havana.

Felipe tinha origem pobre, sim, mas já havia coseguido um excelente emprego, trabalhava numa empresa de gestão de fundo de investimentos e era considerado pelos colegas um workaholic — talvez um “neoliberal”, diria a Górgona. Felipe, em suma, jamais seria  um deles: afinal, o rapaz era um… TRABALHADOR! Por que a USP deveria dar bola a gente como ele? Tem é de mimar os maconheiros!

Eis aí: no mundo de Lopes, a Cracolândia vira uma academia. No mundo de Marilena, a USP vira uma Cracolândia.

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2011

às 6:57

Na antevéspera da eleição, presidente nacional do PT assina manifesto em favor da bagunça e da ditadura na USP! Maiorias silenciosas da universidade, vocês estão sendo usadas como massa de manobra da política mais vil! Ah, sim: morto assina! E a Marilena Quebra-Barraco também!

As esquerdas endoidaram de vez. E estão desesperadas. Perderam a eleição para o DCE na UnB. Perderam a eleição para o DCE da UFMG. Teriam sido fragorosamente derrotadas pela chapa “Reação” na USP não fosse o golpe que suspendeu as eleições. Pela primeira vez na história, o Diretório Central dos Estudantes da maior universidade do país, uma instituição pública, é comandado por uma espécie de “Junta Militar” formada por um conselho de Centros Acadêmicos. Dando um golpe dentro do golpe, os fascistóides excluíram o CA da FEA desse conselho. ESSA GENTE ODEIA A DEMOCRACIA. ESSA GENTE ODEIA A IDÉIA DE “UM ESTUDANTE, UM VOTO”. Muito bem! Escrevi aqui muitos posts afirmando que o PT acompanhava a folia da extrema esquerda a uma certa distância, mas sempre insuflando o movimento, especialmente nos fóruns de debates de professores e alunos. Agora o partido perdeu o constrangimento — não se pode, no caso, falar em vergonha porque não se perde o que não se tem — e passou a dar apoio efetivo à bagunça e aos extremistas. Ninguém menos do que o seu presidente nacional resolveu entrar na luta. Outras “estrelas” do partido resolveram dar as caras.

A “Irmandade Petista” é agora a mão que balança o berço. Afinal, estamos a menos de um ano de uma eleição, e a bagunça sempre interessa à “irmandade”, desde que prejudique o adversário. Como já afirmei aqui, os petistas preparavam a sua greve de alunos e professores para o ano que vem. Aposto o mindinho que a associação de docentes, a Adusp, que é comadanda pelos correlegionários de Delúbio Soares, vai tentar de novo aprovar a adesão à greve… que não existe!

Está circulando por aí uma estrovenga que se auto-intitula “Manifesto pela Democracia na USP”. Seus signatários se dizem “perseguidos pelo regime militar, parentes dos companheiros assassinados durante esses anos sombrios e defensores dos princípios por eles almejados”. Gostei, sobretudo, desta parte: “defensores dos princípios por eles almejados”. NÃO DEVERIA TER MORRIDO UMA SÓ PESSOA DEPOIS DE RENDIDA PELAS FORÇAS DO ESTADO, É EVIDENTE. Mas quais eram mesmo os “princípios almejados”, por exemplo, por VAR-Palmares, MR-8, PCdoB, VPR etc? Incluíam a democracia? Ora… Ah, sim: gente que escreve “princípios almejados” é analfabeta do estilo. Geralmente se almeja um objetivo orientado por um princípio.

Um monumento foi erguido na USP em homenagem às “vítimas” do regime militar. Não se teve até agora a idéia de fazer o mesmo com as vítimas das esquerdas… Mas vá lá… O tal manifesto anuncia:
“Não aceitamos receber essa homenagem de uma reitoria que reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP, reiterando dispositivos e práticas forjadas durante a ditadura militar, tais como perseguições políticas, intimidações pessoais e recurso ao aparato militar como mediador de conflitos sociais.”
Ulalá! O “reatualiza” reitera o analfabetismo. Bastaria, para expressar o que querem dizer, a palavra “atualiza”.

O texto segue adiante:
“Esse desprezo pela memória dos que sofreram por defender a democracia, dentro e fora da Universidade, se manifesta claramente na placa que inaugurava a construção de tal monumento. A expressão ‘Vítimas da Revolução de 1964′ contém duas graves deturpações: nomeia de ‘vitimas’ os que não recearam enfrentar a violência armada, e, mais problemático ainda, de ‘revolução de 1964′ o golpe militar ilegal e ilegítimo.”

Trata-se de uma soma formidável de imposturas, vamos lá, uma a uma:
- a palavra “revolução” já foi tirada da placa;
- os movimentos de esquerda não defendiam a democracia nem em tese;
- os que aderiram à luta armada queriam socialismo, não um regime democrático;
- eu também acho que o número de “vítimas” foi muito menor do que se alardeia; quem morreu dando tiro, por exemplo, pereceu abraçado à sua escolha: não é vítima; se era herói, o era de uma outra ditadura: a socialista;
- mas notem: se não há vítimas, como eles próprios dizem, por que o Brasil já torrou quase R$ 6 bilhões, em indenizações e pensões, a título de reparação?;
- quem decidiu que os tais signatários são os donos da história para aceitar ou recusar homenagens?;
- notem que o golpe militar de 64 é classificado por eles como “ilegal e ilegítimo”. Bastaria a palavra “ilegal”, claro!, não fosse a má intenção. As esquerdas estão dizendo que, para elas, existem “golpes” ilegais, porém “legítimos”: os desferidos por elas, a exemplo do que se viu no DCE da USP.

O “Manifesto pela Ditadura na USP entra no coro dos golpistas e “demanda o fim do convênio com a Polícia Militar, bem como o fim das perseguições políticas pela reitoria e pelo Governo de São Paulo a 98 estudantes e 5 dirigentes sindicais, através de processos administrativos e penais, e a imediata instauração de uma estatuinte livre, democrática e soberana, eleita e constituída exclusivamente para este fim.”

O texto continua a espancar a língua e a verdade. Não há um só perseguido político nessa história. Não é por acaso que uma das “estrelas” que o subscrevem é Emir Sader; já falo de outros. Gostei, sobretudo, da “estatuinte soberana”. Formidável! Isso quer dizer que os valentes pretendem que nem mesmo a Constituição deva alcançar a universidade comandada por eles. É… Faz sentido. A PM, por exemplo, só está no campus porque, afinal, existe estado de direito no Brasil. Eles são contra o estado de direito!

O tal manifesto divide os signatários em dois grupos: 1) o de “de familiares de mortos e desaparecidos, de ex-presos e perseguidos pela ditadura. Uspianos e não uspianos”; 2) e o de “professores da USP e de outras universidades brasileiras”. Notem até onde podem ir o sectarismo, a vigarice intelectual e o autoritarismo. A “estatuinte” que pedem tem de ser “soberana”, mas “familiares de presos políticos”, “ex-perseguidos”e “professores de outras universidades” têm o topete de falar em nome da USP.

No primeiro grupo, eu juro!, aparecem entre os signatários Luís Carlos Prestes. Florestan Fernandes e Bento Prado Jr., já mortos. Consta que as respectivas famílias assinaram “em memória”. Ah, bom! O direito de herança, agora, se estende aos abaixo-assinados. Chico de Oliveira, professor emérito da Universidade, está presente. É o “intelectual” mais importante do PSOL, o partido que comandou o golpe nas eleições do DCE. Como se nota, ele só é contra o golpismo alheio. Nesse primeiro lote, encontram-se ainda, além de Rui Falcão, presidente nacional do partido, os seguintes petistas: Adriano Diogo (deputado estadual), Carlos Neder (vereador) e Emir Sader, espancador da língua. A outra lista, a de professores de dentro e de fora da universidade, é encabeçada pela Tati Quebra-Barraco da FFLCH:  Marilena Chaui, aquela que escreveu um livro “inspirado” em outro, de Claude Lefort, esquecendo-se de mudar as palavras. Há outros notórios partidários do PT, como Fábio Konder Comparato, Maria Victória Benevides, Flavio Aguiar e Laurindo Lalo Leal Filho. Ah, claro, aquele do “No occupy a fazenda do papai” também se faz presente…

Eleição
Na antevéspera da eleição, os petistas decidiram investir na baderna na USP. Eles têm consciência, sim, de que as maiorias silenciosas da universidade são contra os golpistas aloprados. Ocorre que não estão minimamente preocupados com a universidade. Jogam outro jogo. Bastam 200 irresponsáveis para fazer baderna, atrair imprensa e passar a impressão de que a universidade vive um clima de convulsão, derivado da irresponsabilidade ou da incompetência do governo.

José Dirceu, referindo-se certa feita a seus adversários, afirmou que era preciso “bater neles nas ruas e nas urnas”. Seus capangas eleitorais levaram a mensagem a termo e atacaram o governador Mário Covas. Eu não sou Dirceu. Digo assim: é preciso bater neles nas urnas e nas urnas: nas da universidade, quando houver eleições, e nas de São Paulo.

Esse manifesto em favor da ditadura na USP marca oficialmente a entrada do PT na confusão. Uspianos, pais de uspianos e comunidade paulistana, a partir de agora, os petistas passaram a jogar com o futuro de milhares de estudantes com o objetivo único, como é próprio de sua história, de aumentar o seu poder.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2010

às 7:59

Não, não! Isso é coisa de petista, não da oposição

Há alguns vagabundos naqueles veículos já controlados pelo governo (ver acima) atribuindo à oposição a afirmação de que Dilma Rousseff ganhou nos grotões atrasados do país, e Serra, nos estados mais desenvolvidos. Não há uma só voz da oposição afirmando tal coisa. Os institutos de pesquisa é que cruzaram o eleitorado com beneficiários do Bolsa Família e chegaram à conclusão de que eles votaram maciçamente em Dilma. O maior número de atendidos pelo programa está no Nordeste, onde a petista obteve a sua vitória mais expressiva.

Nada disso! Quem resolveu fazer a clivagem “Brasil rico vota em Serra” e “Brasil pobre vota em Dilma” foi Marilena Chaui, como se vê abaixo. Eu até desmoralizei a besteira que ela disse, como se pode ler aqui. A tese é tão ruinzinha que só poderia ter saído da cabeça oca do Bozo da Filosofia. Assim, a tal clivagem não é coisa da oposição, não. É de petista mesmo!

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2010

às 6:59

O petismo, a brutalidade a “guerra de posição”

A medida que se aproxima o dia da eleição, com as pesquisas indicando a liderança da petista Dilma Rousseff, a retórica violenta do petismo cresce em vez de diminuir. Poderiam, por óbvio, estar exultantes com o que consideram a vitória iminente — e com uma boa vantagem, a estarem certos Datafolha e Ibope. Mas não! Em vez disso, tornam-se ainda mais virulentos. Se uma professora de filosofia da maior universidade do país fala o que falou Marilena Chaui — e, até agora, não percebi uma reação mais contundente de vigilantes colunistas —, imaginem o que não enviam para cá os petralhas que vigiam este blog.

Assim como o PT joga bruto e acusa a brutalidade do outro, deixam mensagens com o propósito único da ofensa, atribuindo-me, o que é fabuloso, o hábito de ofender. É falso! Não costumo agredir ninguém — nem mesmo a língua. Quando ocorre, algum leitor sempre adverte, então corrijo a minha falha. São assim mesmo: precisam que aqueles aos quais consideram inimigos sejam pessoas “más”, capazes das coisas mais sórdidas, cultoras dos valores mais baixos. Podem, então, ser malvados, mergulhar na sordidez e praticar baixezas sem que se sintam culpados.

Não é mais política. O inimigo é transformado em “coisa”, despido de sua humanidade, de sua identidade, de sua verdade, para se tornar uma abstração nefasta. Não querem combater o PSDB ou seu candidato, José Serra, porque considerem suas idéias ruins ou o tomem por incompetente. Não! Ele passa a ser considerado “o retrocesso”, como se sua eventual eleição representasse uma marcha involutiva, que afastaria os brasileiros e o país de um destino. Fora do terreno da política, aí vale rigorosamente tudo, muito especialmente a mentira.

Guerra de posição
Voltemos ao discurso de Marilena Chaui na USP. Ela não está votando, e nem pede que se vote, em propostas, programas , melhorias… Faz tempo que esta senhora acha isso uma bobagem. Seu propósito é outro. Ela tem uma idéia na cabeça: “Estamos votando no futuro deste país e para proposta socialista alcançar o Brasil, a América Latina e a Europa.” Dilma, para ela, como se nota, é uma ponte para esse futuro. Definitivamente, ela não quer esta sociedade, corrigidas as suas imperfeições. O seu reino é outro. De qual socialismo fala esta senhora?

A democracia
Idiota, definitivamente, ela não é. Sabe que uma economia socialista, do tipo planificada, como o mundo a conheceu, não haverá mais. Marilena, a exemplo deste escriba, acredita que a questão central é mesmo a democracia. Mas temos uma diferença fundamental: a dela, e isso está espalhado em vários de seus textos, supõe a superação do que se conhece convencionalmente por democracia — que é a representativa. A minha,  obviamente, é de outra natureza e supõe o aperfeiçoamento dos mecanismos de representação, o que,  para ela, conduz à manipulação e à alienação.

Marilena acredita na utilidade apenas instrumental do conceito “guerra de posição”, como o empregou o comunista italiano Antonio Gramsci. Movimentos sociais, Parlamento, Judiciário e Executivo surgem como trincheiras a serem ocupadas pelo partido, no interior das quais se estabelece a luta pela hegemonia. Cumpre lembrar que, na teoria, isso se faria até que, claro!, tal ocupação pudesse se tornar revolucionária, construindo o socialismo. Ora, o pluripartidarismo, por exemplo, é manifestação óbvia daquela sociedade que Marilena precisa vencer. Não é que ela se alinhe com a tese de que, por burguesa, a democracia deva ser deixada de lado. Ela pretende, na guerra de posição, ocupar os lugares desse modelo de governo para uma nova construção.

Se a democracia era instrumental para Gramsci — fornecia as trincheiras a serem ocupadas —, é Gramsci quem não deixa de ser instrumental para Marilena. Ela não abandonou algumas idéias, não. Teme que a “guerra de posição” acabe se transformando numa acomodação, gerenciada, digamos assim, pela social-democracia ou mesmo pelo liberalismo. Por isso mesmo, ela não abandonou aquela palavrinha que o PT ainda não disse nessa campanha — aliás, não fala a respeito desde 2002: “socialismo”. Dona Doida não acredita, e já deixou isso claro muitas vezes, que possa haver democracia de verdade no capitalismo. Por alguma razão, acha que Dilma pode aproximá-la mais de sua utopia.

Perigosa
É com esse tipo de mentalidade perigosa que se está lidando. Aqueles “intelectuais” que se reuniram na USP odeiam mesmo é a democracia. Não por acaso, todos ali têm, sim, críticas duras ao PT, que não lhes parece esquerdista o suficiente -bem, para alguns lá, Kim Jong-Il seria considerado um moleirão.

Vimos, estarrecidos, que Marilena lançou a tese da suposta conspiração de tucanos, que teria o objetivo de inculpar o PT por eventual baderna em sua manifestação, num movimento claro de satanização do outro. Não contente, um capa-preta do partido resolveu recorrer à polícia, registrando um Boletim de Ocorrência de “preservação de direitos”. Leitores me enviam links que deixam claro que a tese já circula há pelo menos uma semana no submundo dos blogs petistas.

A loucura metódica de Marilena — já que o pensamento que vai acima é uma escolha que tem história — chega a culpar os tucanos por males que ainda nem sofreram e a isentar petistas de malfeitos dos quais ainda não foram acusados. São as categorias absolutas: petistas são bons; tucanos são maus; tucanos são culpados mesmo quando inocentes; petistas são inocentes mesmo quando culpados; tucanos devem ser condenados por aquilo que os petistas acham que eles poderiam fazer; petistas devem ser absolvidos por aquilo que já fizeram.

Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2010

às 20:44

UM CASO DE FORMAÇÃO DE QUADRILHA (I)MORAL!!!

Marilena Chaui, petista freqüentemente confundida com professora de filosofia, afirmou ontem, num comício ilegal em defesa da candidata Dilma Rousseff, realizado dentro da USP, o que é proibido — e nem a autonomia universitária lhe dá licença para isso —, que os próprios tucanos promoveriam um tumulto na manifestação em favor da candidatura do tucano José Serra, que ocorrerá no dia 29, para culpar depois os petistas.

Já escrevi a respeito. É um escândalo que alguém na sua posição se preste a esse papel. Agora leiam o que informa o Estadão Online:
*
O Diretório do PT em São Paulo fez hoje, na Polícia Civil, boletim de ocorrência de preservação de direitos para tentar evitar que o partido seja responsabilizado por eventuais tumultos em atos de campanha do PSDB nesta semana, a última da campanha eleitoral para a Presidência da República.

Segundo o presidente do PT paulista, deputado estadual eleito Edinho Silva, a decisão foi tomada após militantes e a filósofa Marilena Chauí denunciarem, desde ontem, possíveis articulações para ligar a campanha de Dilma Rousseff (PT) a um tumulto nos últimos eventos de José Serra (PSDB). Um conflito, segundo essas supostas denúncias, ocorreria durante a caminhada prevista para sexta-feira, 29, em São Paulo.

“Nós recebemos denúncias de que iriam infiltrar falsos militantes petistas na caminhada de Serra na sexta-feira e a primeira coisa que fizemos foi registrar um boletim de ocorrência para denunciar e evitar que nenhum acontecimento seja utilizado na disputa eleitoral”, disse Edinho. Ainda segundo ele, uma caminhada com lideranças petistas de São Paulo, prevista para as 11 horas da próxima sexta-feira, nas ruas centrais da capital paulista, foi transferida para as 16 horas “para evitar qualquer tipo de problema”.

Edinho afirmou que toda a militância do PT foi orientada a evitar qualquer tipo de confronto e de provocação dos adversários. Para exemplificar o que classificou de “provocação”, o petista lembrou da carreata tucana que se encontrou com a do PT em Diadema no último sábado. “A carreata veio por cima da nossa atividade e os próprios militantes tiveram de fazer um cordão de isolamento para evitar o confronto”, afirmou.

Comento
É o mais escancarado jogo sujo! Marilena estava executando ontem apenas parte da operação. Esta “intelectual antimídia” sabia que lhe dariam trela, anunciando o complô. E Edinho Silva faz, então, a segunda parte, com esse ridículo BO de “preservação de direitos”.

Nunca se viu nada assim!

A única evidência que se tem da suposta conspiração é a palavra cheia de credibilidade da militante Marilena Chaui!!! A gente não pode confiar nem no que esta senhora fala sobre Spinoza (que ela chama Espinosa), já que ela é especialista em obrigar os filósofos a confessar o que ela quer que confessem. Imaginem Marilena fazendo jornalismo investigativo.

E cumpre notar: ao fazer tal pantomima, o PT sugere que a confusão de Campo Grande, no Rio, protagonizada inequivocamente por petistas, foi responsabilidade dos tucanos. Não aprecio essa gente, vocês sabem. Mas sinto vergonha por eles. Imagino Marilena Chaui, hoje, ao saber da decisão do seu partido. Deve ter experimentado aquela sensação de dever cumprido. É de abismar!

Então ficamos assim agora: se os tucanos forem vítimas de baderneiros, já sabemos duas coisas de antemão: as vítimas são as culpadas (como no caso da agressão a Serra) a menos que provem o contrário; os petistas são inocentes ainda que se prove o contrário.

O episódio, parece-me, serve de emblema do petismo, que se caracteriza por uma escandalosa inversão moral. As vítimas do partido são sempre culpadas. Culpadas de quê? De existir, ora essa!

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2010

às 7:07

NA USP, UMA NOITE PARA CELEBRAR O ÓDIO, O PRECONCEITO E A BOÇALIDADE

Marilena Chaui está inquieta!

A dita filósofa está mais assanhada do que lambari na sanga. Não fala mais com a “mídia”, mas seus “atos de protesto” só ganham visibilidade porque a “mídia” fala dela. Folha e Estadão trazem hoje notícia do ato que ela liderou ontem na USP em defesa da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Um ato chamado de “suprapartidário” (pare de rir, leitor, para continuar a ler o texto). Ela já havia feito o mesmo na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Tanto o primeiro como o segundo são ilegais e agridem a Lei Eleitoral. Esquerdista não dá bola para isso. Acredita que não se faz justiça sem afrontar a lei. É uma questão de ideologia, mas também de caráter.

Informa o Estadão:
“O (José) Serra trouxe pela porta da frente o Opus Dei e a TFP (Tradição Família e Propriedade), que foram os grandes feitores da ditadura – essa é um afronta à nossa memória”, disse Marilena. “Estamos votando no futuro deste país e para proposta socialista alcançar o Brasil, a América Latina e a Europa.”

Coitada! Não deve ter tomado o remédio! É tão verdadeira a informação sobre o Opus Dei e a TFP (que não têm absolutamente nada em comum e só podem ser equiparados pela ignorância oceânica do Bozo da Filosofia) quando é verdade que o Brasil caminha para um “futuro socialista”. E que, atenção!, vai contaminar até a Europa!!! Um futuro autoritário pode ser! Socialista já é coisa que beira a insanidade.

Atenção para o que vem agora. A palhaçada de Marilena apela aos tribunais:
Diante dos cerca de 2 mil estudantes ali reunidos, Marilena fez uma advertência: ela conclamou todos a usarem a internet, blogs e redes sociais para alertar para o plano dos tucanos de se disfarçarem de petistas e incitarem a violência em um comício de Serra, no dia 29. “Tucanos disfarçados com camisetas e bandeiras do PT vão se infiltrar em um comício do Serra para “tirar sangue” e “culpar o PT”, afirmou a filósofa, que se recusou a dar entrevista, dizendo que “não fala com a mídia”. “Eles querem reeditar o caso Abílio Diniz”, disse Marilena, referindo-se à tentativa de ligar ao PT o sequestro do empresário Abílio Diniz, às vésperas da eleição de 1989.

Nesse caso, Marilena partiu para a delinqüência política escancarada, sem limites. Ao fazer tais afirmações, esta senhora inocenta de saída eventuais provocadores, pouco importa quem sejam eles. Assim, ainda que alguns vagabundos decidam realmente optar pela agressão no dia 29, ela já tem identificados os culpados: são as vítimas.

Não é possível que esta senhora esteja em seu juízo normal! Outros professores participaram do ato, entre eles Vladimir Safatle, que escreve semanalmente na Folha sobre… eleições!!! Já sei: um ato “suprapartidário” abriga isentos, né?Afirmou o rapaz:
“Precisamos evitar o pior: um candidato que para conseguir chegar ao segundo turno fez uma aliança com a ala mais reacionária da Igreja, o agronegócio e a fina flor do pensamento conservador – ou seja, o que o Brasil tem de pior. Esta eleição demonstrou que há um eleitorado de direita forte e presente, nossa luta vai ser longa.”

Esse Safatle é conhecido deste blog. É aquele que identificou e isolou os “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”. Ele não estava falando de gases intestinais, o famoso “pum”; referia-se aos terroristas. Para esse valente, a nova institucionalidade tem de aprender a lidar com eles. Entendi: por isso está com Dilma… Também foi o propagador, devidamente contestado aqui, da mentira de que a Polícia Militar invadiu a USP com metralhadoras. Para Safatle, uma democracia verdadeira se dá sem eleitores de direita, entenderam?

Celso Bandeira de Mello, dito jurista, desceu a ladeira da indignidade:
“Dilma é uma mulher de valor, que, ao contrário daquele que prega a liberdade de expressão, não foi se refugiar no exterior, enfrentou aqui as durezas da tortura. Esta última semana é crucial. Temos visto as baixezas dessa campanha vil e indigna, sabemos que alguns veículos de comunicação, se é que merecem esse nome, vão rosnar e destilar ódio e acalentar a fabricação de mentiras contra a candidatura que representa o povo brasileiro.”
Bandeira de Mello atacou, assim, todos os brasileiros que tiveram de se exilar durante o regime militar. E depois afirma que os outros é que “rosnam”. Por que esse valente não diz qual foi a mentira publicada contra Dilma Rousseff?

Houve outros ataques rancorosos à imprensa — na verdade, à liberdade de imprensa. Esse é, na verdade, o projeto nº 1 do PT, que o partido já tenta emplacar nos estados. Segundo o Estadão, havia 2 mil estudantes por lá. A universidade tem de mais de 80 mil — logo, aplaudiram as manifestações escancaradas de ódio não mais do que 2,5% dos estudantes. E mesmo esse número precisa ser relativizado. Essas manifestações costumam atrair pessoas que não têm qualquer vínculo com a instituição. Já houve “assembléias” de grevistas engrossadas por militantes dos MST, dos sem-teto e dos sem-juízo de maneira geral.

Acho que o PSDB tem de chamar Chaui às falas. Ela tem de dar detalhes daquele plano mirabolantes. Afinal, não se trata de algo trivial, não é mesmo? Ou bem ela está denunciando um crime ou bem está cometendo um crime. Como ela é petista, eu tenho a minha hipótese.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2010

às 7:31

Uma esquerdista vive o auge do seu delírio imoralista. Ou: Marilena Chaui repete Goebbels 77 anos depois; ela só trocou de “judeus”

Abaixo, escrevo um post sobre as quase 100 mil assinaturas do Manifesto em Defesa da Democracia e lembro a manifestação ilegal havida na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em defesa da candidatura de Dilma Rousseff. Eu não havia visto ainda o vídeo em que Marilena Chaui põe toda a sua ignorância a serviço da causa. Uma ignorância que chega a ser quase comovente, embora essencialmente perigosa. Ela fala suas bobagens de modo muito convicto, escandindo as sílabas com especial ênfase, como se isso conferisse seriedade ao que diz. Ah, Marilena, Marilena…

Antes que eu publique o vídeo e comente, um pouco de memória pessoal. Ainda mocinho e ainda de esquerda, fui certa feita a uma plenária de professores e alunos da USP, começo dos 80, preparatória para uma greve, e esta senhora era a grande estrela do encontro, mesmerizando a atenção dos jovens estudantes. Num discurso, um tanto inflamada, Marilena deu lá a sua interpretação muito particular da resposta da reitoria a algumas reivindicações, e disparou: “Esse reitor que vá para a puta que o pariu!”

Uau! Talvez esperasse, sei lá, uma espécie de delírio febril na seqüência de seu desabafo desbocado, aplausos calorosos, quem sabe? Mas não! Fez-se um silêncio ensurdecedor na sala. O constrangimento não provinha da pudicícia dos moços, mas da falta de decoro da “mestra”. Um então amigo, ainda mais, digamos, “radical” do que eu mesmo à época (é figura da vida pública brasileira e continua radicalíssimo!!!), cutucou-me: “Essa mulher não é séria!”. Marilena é assim mesmo. Sempre fala o que lhe dá na telha. E sua convicção num discurso é sempre inversamente proporcional a seu conhecimento de causa.

Vejam este filme. Enquanto o vídeo em que Hélio Bicudo lê o Manifesto em Defesa da Democracia já foi acessado quase 210 mil vezes no YouTube, o de Dona Doida não foi visto nem por 3 mil pessoas. Eu ajudo os carentes de bilheteria, embora eu ache que Marilena precisa caprichar na marquiagem e não pode esquecer o nariz vermelho na próxima intervenção. O cabelo tá bom — emula com o do Bozo.

Viram? Então vamos lá. É impressionante! É possível a esquerdistas argumentar falando só a verdade? Estou convencido de que não. E é por isso, Olavo de Carvalho tem razão, que é inútil debater com eles. Vocês ouviram Marilena afirmar que Serra começou a campanha criticando os programas sociais e agora diz que vai dar continuidade a eles. É mentira! Nunca criticou! Nem na campanha nem antes. Não que não possam ser criticados ou não tenham aspectos criticáveis. Ocorre que ele não fez isso.

A tese do latifúndio
Na sua alastrante ignorância, Marilena diz que Serra ganhou nos estados do agronegócio, que, diz ela, no seu tempo, era chamado de “latifúndio”, todos com severos problemas ambientais. Uma besteira tripla. Em primeiro luar, acreditar no latifúndio como uma categoria econômica, política ou de economia política já é sinal de atraso mental. Em segundo lugar, mesmo aqueles que acreditam não tratam o “latifúndio” como sinônimo de agronegócio. A afirmação revela ignorância de Marilena até sobre as teses de esquerda. Em terceiro lugar, Serra ganhou em oito estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Roraima e Rondônia. Vamos ver.

Santa Catarina é o estado por excelência da pequena propriedade, até pelo tipo de colonização que ali se deu. Paraná e São Paulo já não têm mais fronteiras agrícolas — este último, no que concerne ao meio ambiente, tem as leis mais avançadas do país. Mais da metade de Roraima está nas mãos do governo federal ou dos índios. O Acre, que caminha para 16 anos de governo petista, e Rondônia não têm os problemas ditos do “latifúndio” — tanto é que a turma de João Pedro Stedile nem está por lá. O Mato Grosso do Sul simplesmente não tem estoque de terra para abrigar latifundiários por causa de sua geografia. No Mato Grosso, há sim, um conflito entre produtores rurais e ambientalistas  — mas a questão nada tem a ver com reforma agrária. De todo modo, ainda que ela falasse a verdade, qual é a suposição? Serão, então, tantos assim os latifundiários a ponto de dar a vitória a Serra? Mas essa categoria, por definição, não deveria ser minoritária? Pobre Marilena! Chegar aos 69 nessa penúria intelectual… Coisa melancólica!

Qual é o estado em que mais há conflitos de terra no país, em que mais se mata e mais se morre por causa da terra? O Pará, governado pela petista Ana Júlia Carepa — parece que o estado será libertado no dia 31 de dezembro… Quem ganhou no Pará? Dilma! Qual é o estado em que o MST é mais forte e, diga-se, mais violento? Pernambuco! Foi  onde Dilma deve a sua vitória mais expressiva. Terá finalmente desaparecido do Nordeste, onde a petista venceu, o que as esquerdas chamavam, de fato, latifúndio — e que nunca foi sinônimo de “agronegócio”? Marilena conta uma mentira a seu distinto público — que, eu sei, não estava ali nem para ouvir verdades nem para aplaudir a legalidade, já que a manifestação era ilegal.

Autoritária
Ma vamos lá. Digamos que esses estados fossem mesmo caracterizados pelo “latifúndio” ou estivessem nas mãos do agronegócio — São Paulo, Jesus Cristo!, é o estado mais industrializado do país!!! Marilena, como vemos, considera que isso é um defeito, que é algo a ser superado, certo? Para ela, uma reforma agrária tem de dar conta desse grave problema. Feito isso, depreende-se de seu “raciossímio” que a oposição, então, não ganharia eleição mais em lugar nenhum!

Entenderam? No dia em que o Brasil for como ela sonha, a democracia e a alternância de poder serão desnecessárias porque, então, o PT seria o governo natural do Brasil. Pensem bem: se a oposição só ganha onde há latifúndio, sem o latifúndio, não ganharia mais nada. Esse é o horizonte mental e moral de uma esquerdista como Marilena Chaui. Se o seu partido não vence a disputa, é porque a sociedade está doente.

Liberdade de expressão
Marilena foi a autora intelectual da tese do “golpe da mídia” durante o mensalão. É por isso que digo que ela é a “pensadora” que fundiu Spinoza (que ela chama “Espinosa”) com Delúbio Soares. Sua tese poderia se chamar “A Ética de Espinosa na Nervura do Real dos Recursos Não-Contabilizados”. Prestem atenção a esta fala da valente:
O que caracteriza a democracia e distingue a democracia de todos os outros regimes políticos são duas coisas: em primeiro lugar, a defesa da liberdade de pensamento e de expressão, isto é, a defesa do direito à opinião pública.”
Epa! Notem no vídeo que ela fala a palavra “pública” numa espécie de explosão. Uma ova! A liberdade de pensamento e expressão sempre será a liberdade do indivíduo, minha senhora, já que a vontade do público é vária e inconstante. Eis aí: esse é o Spinoza filtrado pelo marxismo bocó. O que é a “opinião pública” senão a multiplicidade de opiniões dos homens? Essas coisas, na boca de um esquerdista, nunca são inocentes. Por que eles se organizam em ONGs e observatórios disso e daquilo e querem criar conselhos para monitorar a “mídia!”? Porque se consideram mais do que a representação do público — o que já não são! Eles se consideram a sua encarnação. Uma banana para esses macacos autoritários! Voltemos à moça.

Ora, para isso, é preciso que você tenha acesso aos meios pelos quais você exprime essa opinião. Ora, quando esses meios são um monopólio, quem vem falar pra mim de democracia? É a ausência dela.
Cadê o monopólio? Onde está a lei que o determina? Fiquemos com a prata da casa primeiro. A VEJA não monopoliza as revistas, por exemplo. Ela só tem muito mais leitores dos que as concorrentes por uma decisão dos… leitores! A TV Globo tem mais telespectadores porque essa é uma decisão dos… telespectadores! Deram quase R$ 700 milhões por ano para Franklin Martins brincar de TV com Tereza Cruvinel. Conseguiram fazer algo com o humor e a picardia dele e o charme intelectual dela. Resultado: é o traço mais caro da TV mundial. Vamos seguir.

Porque, para que ela exista, sei que é preciso que, em igualdade de condições, duas ou três ou quatro opiniões pudessem se exprimir no mesmo tempo e no mesmo espaço. O que nós temos é o controle da opinião e a impossibilidade da contestação.
Besteira! Por que Marilena não faz essa proposta aos jornais da CUT, por exemplo? Ora vejam: os que lançaram o Manifesto em Defesa da Democracia, suprapartidário, numa puderam ocupar a cadeira em que esta senhora senta. Porque, em nome da liberdade de pensamento e de expressão, só se admitiu na Sala dos Estudantes, um prédio público, uma manifestação pró-Dilma. Na pluralidade “deles”, só o PT fala. Marilena está pouco se lixando para a diversidade de opiniões. Ela não gosta mesmo é de uma reportagens que evidenciem as falcatruas de seu partido. Acha que são sabotagem. Já as que atingem os adversários, e são muitas, são virtudes.

Então não venham me falar em democracia. Eu costumo dizer que a defesa da liberdade de pensamento e de expressão, que é aquilo pelo que o filósofo que (sic) eu trabalho desde a juventude,ele deu a vida – vocês sabem que ele foi banido da sinagoga, impedido pelo templo e pela Igreja, ele foi escorraçado como um subversivo perigoso para ordem, porque ele escreveu em defesa da liberdade de pensamento e de expressão, como característica da República e da democracia, Spinoza. Então a última coisa que passaria pela cabeça de alguém como seu seria a recusa da liberdade de pensamento e de expressão”.
Entenderam? Como Marilena estuda Spinoza desde a juventude e como ele deu a vida pela liberdade, então ninguém estaria habilitado a debater o assunto com ela. E pensar que esta senhora escreveu um livro chamado “Cultura e Democracia” — é verdade que ela copiou alguns trechos de Claude Lefort, seu amigo do peito — em que ela ataca justamente esse expediente que emprega: recorrer ao “discurso competente” para tentar silenciar os adversários. Vou confessar: eu li Marilena Chaui. E posso dizer: Marilena Chaui é uma fraude intelectual. Vocês não precisam acreditar em mim. O filme acima a expõe de modo completo no amor pela verdade e no rigor conceitual.

Para encerrar
Marilena começa a sua fala atacando as tais “três famílias” que dominariam a mídia. Quais seriam? Posso imaginar. Essas três, como se nota, conspirariam contra a “opinião pública”, impedindo o exercício do contraditório. Essa defesa prática da censura e essa truculência fingindo-se defesa da democracia não são novas. Alguém mais sinistramente capaz do que Marilena já fez isso antes.

Publiquei aqui no dia 20 de setembro o texto Somos os “judeus insolentes” do petismo. Ou: “Um dia a gente cala vocês!”. Traduzi, então, um discurso feito por Goebbels no dia 10 de fevereiro de 1933, 11 dias depois de Hitler ter sido nomeado chanceler da Alemanha. Marilena ataca as “três famílias”; Goebbels atacava os “judeus que mandavam na imprensa”. Marilena, como vimos, acredita que a vitória de Serra em oito estados é tisnada pelo “latifúndio” (!); Goebbels já enxerga a conspiração dos “vermelhos”. Marilena acha que as “três famílias” impedem o livre exercício da opinião; Goebbels acreditava que os judeus conspiravam contra o nacional-socialismo. Vocês já viram o discurso da companheira. Seguem alguns trechos da fala do “companheiro” (íntegra da tradução naquele link). O que vocês acham desse meu exercício de história comparada?

Companheiros,
Antes de o encontro começar, gostaria de chamar a atenção para alguns artigos da imprensa de Berlim que asseguram que eu não deveria merecer a atenção das rádios alemãs, uma vez que sou insignificante demais, pequeno demais e mentiroso demais para poder me dirigir ao mundo inteiro.

Nesta noite, vocês testemunharão um evento de massa como nunca aconteceu antes na história da Alemanha e, provavelmente, do mundo.
(…)
Quando a imprensa judaica reclama que o movimento Nacional Socialista tem a permissão de falar em todas as rádios alemãs por causa de seu chanceler, podemos responder que só estamos fazendo o que vocês sempre fizeram no passado. Há alguns anos, não falávamos da boca pra fora quando dizíamos que vocês, judeus, são nossos professores e que só queremos ser seus alunos e aprender com vocês. Além disso, é preciso esclarecer que aquilo que esses senhores conseguiram no terreno da política de propaganda durante os últimos 14 anos foi realmente uma porcaria. Apesar de eles controlarem os meios de comunicação, tudo o que conseguiram fazer foi encobrir os escândalos parlamentares, que eram inúteis para formar uma nova base política.
(…)
Se hoje a imprensa judaica acredita que pode fazer ameaças veladas contra o movimento Nacional-Socialista e acredita que pode burlar nossos meios de defesa, então, não deve continuar mentindo. Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas! E se outros jornais judeus acham que podem, agora, mudar para o nosso lado com as suas bandeiras, então só podemos dar uma resposta: “Por favor, não se dêem ao trabalho!”

Ademais, os nossos homens da SA e os companheiros de partido podem se acalmar: a hora do fim do terror vermelho chegará mais cedo do que pensamos. Quem pode negar que a imprensa bolchevique mente quando o [jornal] Die Rote Fahne, este exemplo da insolência judaica, se atreve a afirmar que o nosso camarada Maikowski e o policial Zauritz foram fuzilados por nossos próprios companheiros?

Esta insolência judaica tem mais passado do que terá futuro. Em pouco tempo, ensinaremos os senhores da Karl Liebnecht Haus [sede do Partido Comunista] o que é a morte, como nunca aprenderam antes. Eu só queria acertar as contas com os [nossos] inimigos na imprensa e com os partidos inimigos e dizer-lhes pessoalmente o que quero dizer em todas as rádios alemãs para milhões de pessoas.

Encerro
É isto: somos os “judeus insolentes” do petismo! E está na cara que eles querem nos pegar e acham que estamos com os dias contados.

Por Reinaldo Azevedo

09/10/2010

às 7:59

O funk-funk filosófico-liberticida de Marilena Chaui

Um ato de apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff ocorrido ontem na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, dá conta da democracia e da imprensa que os petistas querem para o Brasil.

Liderada pelos professores Marilena Chaui (filosofia) e Dalmo Dallari (direito), a manifestação foi escancaradamente ilegal. A Lei Eleitoral veda expressamente, sem qualquer ambigüidade, o uso de prédios públicos para fins eleitorais ou partidários. Então se recorre à trapaça: a chamada Sala dos Estudantes foi requisitada para a suposta “reunião de um grupo de estudo”. Não obstante, Chaui, Dallari e outros professores da faculdade se revezaram na defesa da candidatura Dilma, nos ataques ao tucano José Serra e, principalmente, à imprensa, aquela que Franklin Martins quer controlar. Que retrato melhor se pode obter do petismo senão uma manifestação ilegal de professores de direito numa faculdade de direito?

Marxilena Chaui, a Tati Quebra-Barraco do marxismo, da filosofia e da fusão do pensamento de Spinoza com o pragmatismo de Delúbio Soares, mandou ver no seu funk-funk filosófico-liberticida. Num país academicamente sério, esta senhora teria desaparecido junto com a desconstrução que José Guilherme Merquior fez do “seu” livro “Cultura e Democracia”, que ele demonstrou pertencer, em grande parte, a Claude Lefort. Mas ela seguiu impávida, escrevendo artigos semanais para os jornais,  em especial para a Folha, que abria e ainda abre espaço para esses “inteliquituais”.

Segundo um site da patota, “Marilena Chaui defendeu que lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, em uma espécie de boicote a pedidos de entrevista. ‘Para defender a liberdade de expressão, é preciso não falar com a mídia’, propõe Marilena Chaui. Ela acredita que a mídia dá espaço para figuras do partido e de movimentos sociais apenas para ‘parecer plural’, mas promovendo um ‘controle de opinião’ sobre o que é publicado.”

Não se animem, leitores! Isso não vai acontecer. Esquerdistas não podem ver um microfone ou um gravador. Falam pelos cotovelos. Um dos alvos do ataque da turma foi o suprapartidário Manifesto em Defesa da Democracia, com quase 80 mil assinaturas, lançado, diga-se, em frente à faculdade, não dentro dela — os petistas não permitiram! Na “democracia deles”, um ato suprapartidário não pode ter lugar dentro da faculdade; já uma patusca que faz a defesa oblíqua da censura e de uma candidata à Presidência pode!

Marilena foi além — porque ela sempre vai. Segundo disse, a eleição não pode se transformar num “plebiscito sobre o aborto”. Plebiscito? O tucano José Serra é contra a legalização. Então quem é a favor? Só pode ser a sua adversária, aliada de Marilena: Dilma Rousseff. Marxilena sempre é muito divertida.

No tal site de esquerda de onde extraio aquela magnífica fala de Marilena, escreve um sujeitinho: “Recentemente, Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, assumiu a posição para a imprensa como partido de oposição no país.” Ai, ai… “Assumiu a posição para a imprensa!!!” Eu não sei qual analfabetismo deles é mais saliente: o moral, o profissional ou o literal.

O autor alude a uma afirmação minha, feita durante debate no Clube Militar. Contestando, então, a bobagem de Lula segundo a qual a imprensa era um partido, ironizei — e minha fala está gravada: “Se bem que, em certo sentido, ele tem razão; a oposição no governo Lula foi tão mixuruca, que coube à imprensa a tarefa de defender os Artigos 5º e 220 da Constituição”. E afirmei que, dadas as muitas vezes em que o governo Lula os transgredia ou tentava transgredi-los, a defesa que a imprensa fazia da Constituição não deixava de ser uma espécie de oposição. Ou seja: eu estava contestando Lula, ironizando Lula e combatendo os arreganhos autoritários de Lula. Como é que um esquerdistazinho, um discípulo da professora do funk-funk liberticida registra isso? “Reinaldo Azevedo afirmou que a imprensa é um partido”. “Eles” querem mudar a imprensa para começar a trabalhar com o modelo de precisão que exibem em suas reportagens. A besta ao quadrado sabe muito bem o que foi que eu falei. Mas ele não tem compromisso com o fato, e sim com a sua “tarefa”.

À Folha, o professor de direito penal da USP Sérgio Salomão Shecaira afirmou que se tratou de um “ato pró-Dilma, não algo antiimprensa”. E emendou: “Atacamos bastante o PSDB, como resposta ao ‘Manifesto em Defesa da Democracia’, lido em frente à faculdade há algumas semanas”. Shecaira, como se nota, confessa a clara transgressão à Lei Eleitoral. Basta agora o PSDB acionar os meios legais competentes. A confissão está aí.

Já dei algumas chineladas lógicas nesse Shecaira — uma delas está aqui Este senhor é autor de uma tese estupenda. Em 2007, ele andou enroscando com a política de segurança de São Paulo. Afirmava esse Colosso de Rhodes da lógica que era um absurdo o estado ser aquele que mais prende bandidos se é um dos que têm os menores índices de homicídio do país. Ao doutor em direito penal, com currículo para 400 talheres, não ocorreu que onde ele via contradição havia relação de causa e efeito. Shecaira é daqueles que se negam a reconhecer que haver mais bandidos na cadeia implica menos bandidos matando na rua. Ele ainda tentou espernear afirmando que a redução dos homicídios em São Paulo se devia ao Estatuto do Desarmamento, à diminuição do desemprego etc. Só não explicou por que, então, efeito semelhante não se registrou em outros estados. No Nordeste, houve aumento do número de homicídios.

Assim são muitos dos nossos “acadêmicos”: com a ética de Marilena, o amor pelo estado de direito de Dalmo Dallari e a lógica cristalina de Shecaira. E todos lá, desrespeitando a lei e violando o estado de direito numa faculdade de direito  — em nome, claro, dos desígnios mais sublimes do povo, que eles conhecem, no máximo, de ouvir falar!

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 8:37

Marilena Chaui e Dalmo Dallari comandam ato ilegal na São Francisco

Há coisas sobre as quais sinto certa vergonha até de escrever, embora “eles” não tenham vergonha de fazer.

Marilena Chaui e Dalmo Dallari comandam hoje um “Ato por Dilma presidente” na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco – outros estarão presentes (já falo a respeito). É ilegal! O Artigo 73 da Lei 9504/97 (Lei Eleitoral) é claríssimo:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
I – ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

A “Sala dos Estudantes” se enquadra nessa categoria. A patuscada, se realizada no local, é escancaradamente ilegal. Quando é que o estado de direito começa a ir para o brejo? Quando professores de direito se juntam para, como é o caso, desrespeitar a lei. É um acinte! Uma vergonha! Antônio Magalhães Gomes Filho, diretor da faculdade, emitiu um comunicado lembrando que a direção não autorizou o uso da sala.

O mais surpreendente
No dia 22, Helio Bicudo e outros juristas lançaram o Manifesto em Defesa da Democracia, que já conta, diga-se, com mais de 78 mil assinaturas. Embora o fosse suprapartidário, os manifestantes não tiveram autorização para lançá-lo dentro da faculdade; tiveram de fazê-lo do lado de fora. Não puderam nem mesmo usar um microfone. Os presentes tiveram de repetir em coro os trechos lidos por Bicudo.

Lê-se no Manifesto em Defesa da Democracia:
“Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil,  inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político,
máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável  que militantes  partidários  tenham convertido  órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.”

Pois bem: Dalmo de Abreu Dallari, um dos que convocam a manifestação ilegal desta sexta, resolveu fazer um contramanifesto – para o qual, diga-se de passagem, ninguém deu bola. Entre os signatários estavam os professores Salomão Shecaira, Gilberto Bercovici, Alysson Mascaro e Alessandro Octaviani, os mesmos que, como informa o panfleto da convocação, endossam a ilegalidade de hoje.

E quem é a sacerdotisa de Baco a comandar a festa? Marilena Chaui, a especialista em ética, aquela que usa Spinoza para justificar Delúbio Soares, Erenice Guerra e os menudos da Casa Civil.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:37

Alô, Arruda! Peça ajuda a Marilena Chaui e a Wanderley Guilherme dos Santos

Alô, José Roberto Arruda e toda aquela gangue que aparece escondendo grana na meia, na cueca, na cintura, na bolsa… Peçam correndo a ajuda de Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos. Em 2005, eles criaram a tese de que denunciar o mensalão do PT era tentativa de golpe. Como são dois ditos intelectuais — ao menos muitos os acusam disso —, devem ter criado uma tese de alcance geral, né?, que não atenda apenas às necessidades dos petistas.

Corram! Peçam ajuda a Marilena. Sua vassoura teórica ajudou a varrer do cenário a sujeira do PT. Quem sabe ajude a varrer também a sujeira do Distrito Federal. Ou será que a pensadora universal, amante de Spinoza, só oferece os préstimos de seu pensamento à sua própria igreja?

Eu, claro, ficarei com nojo do que ela possa escrever — a favor ou contra Arruda. Como fiquei com nojo de tudo o que ela escreveu para defender o PT em 2005.

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2009

às 16:31

Imagens 2 – Candido é o aiatolá Khamenei da USP, e Chaui, seu Ahmadinejad

folha-antonio-candido

Na primeira página da Folha, temos também uma velharia: Antonio Candido. E não! O que afirmo nada tem a ver com a idade do professor: 90 anos — e nem os seus 90 anos lhe conferem licença especial para dizer bobagens. Até porque as suas beiram a infantilidade perto das tolices do centenário Niemeyer. Velhas, em ambos, são as idéias. Em companhia de Marilena Chaui, a filósofa que se especializou em Spinoza para terminar defendendo Delúbio Soares, Candido participou ontem de um “ato” na USP que reuniu 450 gatos pingados. É isto: de uma comunidade de mais de 100 mil pessoas entre alunos, estudantes e funcionários, 450 querem a universidade parada. Até aí, tudo bem. O problema é que eles tentam fazer com que os outros 99.500 parem na marra.

Escrevi aqui outro dia que Candido é bom para quem gosta. “Por quê? Você não gosta?”, indignou-se um. Depende. Ele faz uma boa sociologia da literatura brasileira, o que, entendo, é coisa diferente da crítica literária. Mas trato disso outra hora, em texto específico, se houver oportunidade. De todo modo, é, sim, um estudioso, um intelectual. E eis o problema: como costuma acontecer com as esquerdas, a autoridade intelectual conquistada numa área acaba servindo como uma espécie de álibi ou de justificativa moral para defender as teses mais absurdas. Candido, por exemplo, ainda está convicto de que a saída para o Brasil é o… “socialismo democrático”. Este oximoro tem um sinônimo: ditadura virtuosa. Existe? Não há Formação da Literatura Brasileira que justifique essa tolice.

Mas vá lá. Talvez seja tarde demais para mudar. O “socialismo democrático” não deixa de ser um lugar confortável. Quem se diz partidário dessa impossibilidade rejeita, claro!, a ditadura (ainda que não possa se espelhar em nenhuma experiência histórica) e anuncia ao mundo que é uma pessoa boa, a favor da igualdade. As pessoas, não importa a idade, têm direito a seus delírios,a suas utopias, à sua Terra do Nunca — especialmente alguém como Candido, que, a despeito dos 90 anos, se nega a amadurecer, daí a paixão por idéias velhas…   

O problema é quando uma autoridade como essa comparece a um ato promovido por militantes violentos, que, está posto, aceitam o seu “socialismo”, mas rejeitam a sua “democracia”, para protestar conta a PM no campus, como se, dadas a forma como ela chegou lá e sua atuação, não cumprisse o mais rigoroso ritual democrático.

Candido é o aiatolá Ali Khamenei do esquerdismo bocó que tenta assombrar a USP, e Marilena Chaui e seu Ahmadinejad. A professora lançou uma nova palavra de ordem: não se trata mais, disse ela, de propor eleições diretas para reitor — lembro que não existem eleições diretas nem para escolher o presidente da UNE, função que, está claro, não pede, assim, apuro intelectual —, mas de “pensar a maneira pela qual vamos desestruturar essa estrutura vertical e centralizada que a USP se tornou”. Reparem que não se fala em desestruturar nada nas universidades federais, controladas pelo “Partido”.

Assim, a partir da presença de Ali Khamenei e de Ahmadinejad no ato minoritário da USP, a pauta já está em seu terceiro estágio: no começo, pedia-se a readmissão de um funcionário legalmente demitido; em seguida, pediu-se a renúncia da reitora, legalmente instituída e a saída da PM do campus; agora, trata-se de “desestruturar” a universidade…

Os extremistas contam com o apoio de um ou outro jornalistas, o que lhes garante visibilidade “na mídia”, que é como eles chamam a imprensa, e agora de aiatolá Candido, chefe espiritual do Conselho da Revolução Petista (para assuntos universitários), e de Ahmadinejad. Isso dá sobrevida ao movimento. Agora prometem uma passeata na cidade — certamente farão um esforço danado para violar a Constituição e atrair a atenção da polícia. E, creio, a polícia tem de atuar se optarem pela violência.

Ah, sim: depois da aula de “socialismo democrático” de Candido e Chaui, os valentes saíram dali e tentaram parar o único restaurante que ainda funciona na USP: o da Faculdade de Química. Num gesto tipicamente socialista, mas nada democrático, expropriaram a comida e liberaram as catracas.

E isto: as utopias de Candido e Chaui servem hoje para a LER-QI invadir restaurante universitário. É o socialismo possível.

Gente ridícula!

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2009

às 6:01

VEJAM O QUE PENSAM E COMO AGEM OS “ESTUDANTES” DE ROSSI OU OS “GAROTOS” DE GASPARI

httpv://www.youtube.com/watch?v=RnljOrCf1b0

 

Vejam primeiro o filme acima. Depois voltem aqui. Quem fala ali é Claudionor Brandão, ex-funcionário da USP, mas ainda chefão do sindicato da universidade, e principal comandante daquela greve violenta e ridícula. Depois voltem ao texto.

*

Clóvis Rossi e Elio Gaspari podem se orgulhar. Aliados a Claudionor, que pode ser visto no filme dizendo qual é o real objetivo de sua luta (volto ao tema depois), estão conseguindo dar alguma sobrevida àquela estupidez em curso na universidade. Um diz ser do tempo em que estudante tinha sempre razão. O outro chama a tropa de choque que intimida estudantes, professores e funcionários de “garotos”. O trio que hoje segura a “greve” acaba de ganhar duas adesões de peso.

Amanhã, às 10h, no Anfiteatro da Geografia da USP — a FFLCH é sempre a vítima dessa gente —, haverá um ato, como “eles” dizem, de “Repúdio à Repressão na Universidade”. Bem, finalmente ela apareceu, né? A estrela da festa será Marilena Chaui, aquela que estudou a ética em Spinoza para poder defender a turma de Delúbio Soares, Zé Dirceu, Silvinho Land Rover e os cuequeiros. O outro “resistente” é Antonio Candido, o bisavô de toda essa impostura. Este é um que até é dono de uma obra respeitável (eu não gosto, mas há quem aprecie com sinceridade), mas que põe a sua reputação a serviço das piores causas, como se verá adiante.

Nada a estranhar. Com já lembrei aqui, a intelectualidade como apparatchik chegou ao estado da arte durante o stalinismo. No excelente livro Stálin, A Corte do Czar Vermelho, Simon Sebag Montefiore relata a intimidade, por exemplo, do escritor Máximo Gorki com a ditadura comunista. Ele chegou a visitar, acreditem!, um campo de prisioneiros. Stálin já tinha iniciado a coletivização forçada da agricultura, matando às pencas, e carregava no bolso a sua carteirinha ensebada com o registro das reservas de ouro da URSS e dos campos de concentração (!), e Gorki estava lhe lambendo as botas. Tinha talento, mas era um canalha moral. Isso acontece. Cultura, inteligência, ilustração ou reputação não mudam a essência de um mau-caráter. Idade também não.

Espero que os alunos da USP, os que querem estudar — a esmagadora maioria — resistam ao cerco dos “bolcheviques” — os de pança e os de butique.

Agora o vídeo
Viram?

Trata-se de um vídeo de 2007 com um flagrante de um “debate” havido no Sintusp, o sindicato de funcionários da USP, atualmente sob o controle da Liga Estratégica Revolucionária — uma dissidência à esquerda (se é que me entendem) do PSTU. Sim, eles acham que o PSTU é um partido muito moderado, que atrasa a revolução…

Claudionor, que fazia manutenção de aparelhos de ar-condicionado na USP, é, atualmente, um “marxista-revolucionário” e o principal líder da greve. Outro companheiro seu fala em seguida. São os “estudantes” de Rossi. São os “garotos” de Gaspari.

Moacyr Aizenstein, professor da USP “de origem judaica” (como ele se define), pede a palavra e protesta, em termos educados, contra a distribuição de um panfleto do Sintusp que pregava, singelamente, a destruição do estado de Israel. Segue-se, como de hábito, uma gritaria dos diabos, que caracteriza a democracia dessa gente quando contrariada. O professor é impedido de falar. Bem, senhores… Claudionor toma a palavra. Temos, então, acesso a seu pensamento segundo ele próprio. Vejam o que pensa o “garoto de Gaspari”, o  “estudante de Rossi”. Transcrevo a fala para que fique registrada. Vai que o filme saia do ar. Claudionor dá a sua aula (em vermelho). Faço pequenas intervenções em maiúsculas:

“Não se tratava de mera solidariedade ao povo palestino, de mera solidariedade ao povo libanês. Se tratava [ELE FALA SOBRE O PANFLETO QUE PREGA A DESTRUIÇÃO DE ISRAEL!!!] de solidariedade aos trabalhadores do mundo inteiro. Porque aquela luta que nós fazemos aqui cotidianamente [CLAUDIONOR ESTÁ REVELANDO QUAL É A SUA PAUTA REAL], a luta contra a Alca e seu significado, a luta contra o sucateamento do serviço público, corte de verba, destruição da educação, da previdência, retirada de direitos, imposta pelo FMI e pelo Banco Mundial, essa luta que nós fazemos aqui cotidianamente na forma de greves, de piquetes, de boletins e de panfletos, ou seja, em última instância [ATENÇÃO AGORA, LEITOR], é uma luta contra as determinações do império norte-americano; aquela luta está sendo travada, neste momento, de armas na mão no Oriente Médio [ENTENDEU? HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE A GREVE NA USP E A LUTA NO ORIENTE MÉDIO], no Líbano e na Palestina.
E nós não podemos deixar de ocupar a trincheira
[A TRINCHEIRA NA USP, CLARO, QUE NENHUM DESSES CORAJOSOS TERIA CORAGEM DE BOTAR O BARRIGÃO NO PALCO DA GUERRA]. A questão da destruição ou não do estado de Israel é que virou o centro da polêmica [OLHEM COMO ELE É SINGELO!!!]. Em primeira instância, é necessário ressaltar que [SEGURE O ESTÔMAGO, LEITOR], como marxistas revolucionários, nós defendemos a destruição de todos os estados [PAUSA] burgueses! De uma forma geral. E aqui dizer que o estado de Israel representa os interesses e as necessidades do povo judeu [VEJAM QUE CLAUDIONAR SABE QUEM REALMENTE DEFENDE O POVO JUDEU!!!] seria o mesmo que dizer que esse estado brasileiro representa os interesses e necessidades do povo brasileiro [GENIAL! O TÉCNICO DE AR-CONDICIONADO FOI SUBLIME NESSA...]. Representa nada! Representa os interesses e objetivos da burguesia brasileira. Assim como o estado de Israel representa os interesses objetivos da burguesia israelense [SIM, ELE DISSE ISSO!!!].
O Oriente Médio, ao contrário do que tenta nos fazer parecer, ao contrário do que tentam nos convencer o imperialismo norte-americano e o sionismo, não está dividido entre povos, judeus ou árabes, ou entre religiões distintas. Não é essa divisão que está colocada lá. Aquilo está dividido entre classes, certo? Está dividido entre burguesia e proletariado, está dividido entre burguesia subordinada ao imperialismo e burguesia que, por alguma razão local, resiste, em algum momento, à política do imperialismo. E daí a origem de todos os conflitos. Essa é a questão que tem de ser resgatada aqui. Porque, com certeza companheiros, não apenas enquanto houver o estado de Israel — enquanto houver o estado de Israel isso é mais grave —, mas, enquanto houver burguesia, enquanto houver capitalismo no Oriente Médio, não haverá paz entre os povos daquela região, como não tem havido paz entre povos de outras regiões do mundo.

Entendi. Esse pupilo de Gaspari e Rossi oferece aquela que é, certamente, a mais original e, bem…, revolucionária teoria sobre o conflito israelo-palestino. Claudionar é um mestre, um pensador. Começo a entender as ações do Sintusp. E não sejamos preconceituosos. Nesse particular, a diferença entre ele e Marilena Chaui é que ela não sabe consertar aparelho de ar-condicionado. Mas faltava o toque do sublime, que Claudionor não soube dar. Quem veio completar a sua obra foi um certo Marco Antonio, representante na USP da Liga Bolchevique Internacionalista (LBI):

“O que é que está em jogo no Oriente Médio? Está em jogo reformular, reenquadrar, os interesses do Pentágono e da Casablanca (sic)… da Casa Branca na região. Tá em jogo dominar as reservas de petróleo e de água. Tá em jogo aniquilar qualquer possibilidade de um governo burguês, de um governo burguês [AQUI ELE USA O DEDO EM RISTE COMO ÊNFASE, PARA DIZER QUE EUA E ISRAEL SÃO HOSTIS ATÉ A ESTADOS “BURGUESES”], como o governo do Irã ou o governo da Síria, dizerem um “aí” frente a Israel, frente ao sionismo, frente ao imperialismo. Essa é a questão fundamental. Nós, da LBI, nos colocamos do ponto de vista da defesa do marxismo, da revolução e do socialismo. Mas não vacilamos em nenhum momento em nos colocarmos ombro a ombro, lado a lado [ATENÇÃO, LEITOR!], pela vitória militar do Hezbollah, pela vitória militar do Hamas e das organizações de resistência. Por quê? Porque uma derrota do imperialismo, uma derrota sobre o sionismo, vai [SEGURE-SE NA CADEIRA] alavancar a luta do proletariado latino-americano, dos companheiros da Volks [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!], que estão sendo atacados agora; vai alavancar a luta contra a reforma trabalhista e sindical que Lula quer implementar em nosso país”.

Ele termina, e uma doida começa a gritar em sinal evidente de histeria:
“E viva o Hezbollah! E Viva o Hezbollah!”

Maluquice e irrelevância
Eu nunca tinha pensado em relacionar a “vitória do Hezbollah” à luta do proletariado latino-americano e aos “companheiros da Volks”.  O tal Marco Antonio abriu a minha mente… Isso é maluquice? Julguem vocês mesmos. Isso é irrelevante? Bem, essa gente é quem é. E o que faz neste blog? Pois é…

Foram adotados por parte do jornalismo e do colunismo como paladinos das liberdades públicas. É o setor da imprensa que gente um verdadeiro frenesi ao provar que “é independente de Serra”, nem que isso custe passar a mão da cabeça a Liga Estratégica Revolucionária e da Liga Bolchevique Internacionalista (uma dissidência à esquerda do PCO… Calculem: até o PCO lhes parece moderado…). Amanhã, receberão o apoio dos companheiros Chaui e Candido, com, suponho, a cobertura da imprensa.

Ah, sim: o ombudsman da Folha reclamou da abordagem do jornal, que ele achou excessivamente centrada na questão policial. Ele quer mais destaque à pauta dos reivindicantes. Parece acreditar que Claudionor Brandão tem uma contribuição a dar à melhoria da universidade. E Claudionor já disse qual é: “essa luta que nós fazemos aqui cotidianamente na forma de greves, de piquetes, de boletins e de panfletos, ou seja, em última instância, é uma luta contra as determinações do império norte-americano”.

Que coisa, né? Esses caras são rejeitados pela esmagadora maioria da comunidade uspiana. Será que Rossi, Gaspari, Chaui e Candido vêem neles algo, assim, de “estratégico”? Será que já podem se candidatar a membros honorários da LER-QI?

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados