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Maria Corina Machado

04/04/2014

às 4:10

“A Venezuela despertou”, diz deputada venezuelana em São Paulo

Por Diego Braga Norte, na VEJA.com:
Cassada sem ao menos ter tido o direito de se defender em plenário e por uma interpretação, no mínimo, enviesada da Constituição, a deputada opositora venezuelana María Corina Machado disse nesta quinta-feira, em São Paulo, que o processo revelou-se um tiro no pé para o governo de Nicolás Maduro. “Com a minha cassação, ele (Maduro) internacionalizou o nosso problema. Ganhei voz e uma janela de exposição no exterior”, disse.

Numa sala de um hotel em São Paulo, María Corina falou com a imprensa e depois foi recepcionada no lobby por dezenas de venezuelanos que moram na capital paulista, além de brasileiros que também estavam à sua espera. “No meu país, não me permitem entrar no Parlamento, mas, em Brasília, pude entrar e fui tratada como deputada. Mesmo sem poder entrar no Parlamento, sigo exercendo meu mandato. Eu sigo deputada dentro e fora do meu país”, afirmou a líder oposicionista.

Dois meses depois que os protestos ganharam força na Venezuela, María Corina crê que o saldo é positivo, apesar das mortes. “Todos pensavam que os venezuelanos estavam resignados, acomodados. Mostramos que somos um povo que não tolera abusos. A Venezuela despertou. Jovens e velhos, brancos e negros, pobres e ricos… é um movimento cívico”, afirmou. Na avaliação da deputada a insatisfação com a segurança – a Venezuela é um dos países com maior criminalidade no mundo – foi o dínamo que ativou todo o descontentamento da população. Depois que os jovens universitários passaram ir às ruas, outros setores da sociedade somaram-se às manifestações e a pauta de reivindicações aumentou: além da questão da segurança, os manifestantes protestam contra a inflação, o desabastecimento, e por maior liberdade de expressão e abertura política.

“Quando um povo é negado de seus direitos constitucionais, é direito do povo ir para rua. Com a fragilização da Justiça, da liberdade de expressão e do Legislativo, o governo nos deu duas opções: baixar a cabeça e nos resignar ou sair para as ruas para protestar”, disse a deputada, ressaltando que em nenhum momento os líderes estudantis e políticos opositores incentivaram ou aprovaram atos violentos.

Protestos
María Corina segue acreditando que o povo nas ruas vai conseguir uma maior distensão do governo e uma maior abertura política, mas não gostaria de ver seu país penalizado por sanções econômicas, como alguns congressistas dos Estados Unidos já propuseram. “Isso (as sanções) iria penalizar ainda mais nossa economia e nosso povo. A ajuda internacional tem de ser pela condenação e pela pressão para Maduro respeitar nossa Constituição”, disse. Enquanto o governo não dá sinais que vá ceder em sua escalada repressora, a deputada cobra dos países vizinhos e da Organização dos Estados Americanos (OEA) uma condenação enfática dos abusos contra dos direitos civis. “Os países da região e a OEA reagiram rapidamente durante as crises políticas de Honduras e do Paraguai, mas nada dizem da nossa que é muito mais violenta”, afirmou.

Para a parlamentar independente, a cassação unilateral e arbitrária só descortina ainda mais o caráter autoritário e repressor do governo comandado por Maduro. A Constituição venezuelana estabelece quatro mecanismos pelos quais um deputado pode ser cassado e resumidamente são eles: por morte, por renúncia por um referendo convocatório da Assembleia Nacional ou por uma sentença da Suprema Corte do país. Maria Corina não se encaixa em nenhuma dessas categorias.

Cassação
O chavista Diosdado Cabello, presidente da Assembleia, determinou que Maria Corina não é mais deputada e perdeu a imunidade parlamentar – o primeiro passo para uma eventual prisão, também arbitrária. Para justificar seu ato, Cabello afirmou que ela violou a Constituição ao tentar discursar sobre a repressão na Venezuela durante uma reunião da OEA, no dia 21 de março. O espaço para que ela se pronunciasse foi cedido pela delegação do Panamá, país com o qual Maduro rompeu relações.

Cabello anunciou que ao aceitar a cortesia do Panamá, Corina havia violado os artigos 191 e 197 da Constituição, que determinam que os deputados “não poderão aceitar ou exercer cargos públicos sem a perda de seu mandato, salvo em atividades docentes, acadêmicas, acidentais ou assistenciais”, e estão obrigados a cumprir sua tarefa com “dedicação exclusiva”. O presidente da Assembleia também citou o artigo 149 que estabelece que “os funcionários públicos não poderão aceitar cargos, honras ou recompensas de governos estrangeiros sem a autorização da Assembleia Nacional”.

María Corina não fez nada disso. Um país ceder temporariamente a cadeira a um representante de outro é prática conhecida na OEA, a própria Venezuela já fez isso em pelo menos duas oportunidades. María Corina revelou que, em uma conversa com o senador Eduardo Suplicy, nesta quarta, em Brasília, ele lhe contou que, pouco antes de encontrá-la, participou de um ato solene em homenagem aos parlamentares que foram cassados pouco após o golpe de 1964 – todos eles arbitrariamente e sem o direito de defesa. “É triste que, na Venezuela, 50 anos depois, estejam fazendo a mesma coisa”, disse Suplicy à deputada.

Desde 12 de fevereiro, a Venezuela tem protestos diários contra o governo. As manifestações deixaram 39 mortos e mais de 450 feridos. Os manifestantes protestam contra a inflação, o desabastecimento, a violência e por maior liberdade de expressão. Maduro considera que os protestos são uma tentativa de golpe de Estado orquestrado pela oposição em aliança com os Estados Unidos e a Colômbia.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2014

às 6:07

Corte chavista confirma cassação de deputada de oposição, que agora pode ser presa; Maria Corina visita o Brasil nesta quarta

A América Latina já foi um celeiro de ditaduras militares, incluindo o Brasil. Os golpes eram dados com tanques, como sabemos. Hoje em dia, as esquerdas recorrem a eleições e ao aparato legal para golpear a democracia. Comentei aqui há dias a decisão absurda de Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, de cassar, sem processo, direito de defesa ou votação na Casa, o mandato da deputada oposicionista Maria Corina Machado. Evocando três artigos da Constituição — o 149, o 191 e o 197 —, ele declarou que Maria Corina não era mais deputada. O Artigo 149 veta que funcionários públicos ou membros da Assembleia atuem a serviço a serviço de outro país sem prévia autorização de seus pares. Os outros dois proíbem deputados de exercer alguma outra função, com algumas exceções, como atividade acadêmica, por exemplo.

Aí cabe a pergunta: Maria Corina fez isso? É claro que não! Proibida de falar na OEA (Organização dos Estados Americanos) — e o Brasil, desgraçadamente, colaborou para isso —, a deputada venezuelana ocupou, por alguns minutos, a cadeira que cabe à representação do Panamá. Para quê? Para tratar dos assuntos desse país? É claro que não! Foi a forma que ela encontrou de denunciar os crimes cotidianamente cometidos por Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Desde 12 de fevereiro, 37 pessoas já morreram nos protestos. Há quase 200 presos, incluindo o líder oposicionista Leopoldo Lopez e dois prefeitos.

Pois bem! Ela recorreu ao Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela — o STF deles — contra a cassação. O TSJ está coalhado de bolivarianos. Adivinhem o resultado! A decisão de Cabello foi mantida. A Corte confirmou a decisão do líder chavista. Agora Maria Corina perdeu a imunidade parlamentar e, nas palavras do ministro do Interior da Venezuela, Miguel Rodríguez, já pode ser presa. A turma de Nicolás Maduro a acusa de ser uma das líderes de uma tentativa de golpe.

É uma vergonha! Maria Corina disse que deve visitar o Congresso Brasileiro nesta quarta. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), negocia uma audiência pública em que a deputada será ouvida. Vamos ficar atentos ao comportamento dos congressistas de esquerda. Vamos ver se também ela será alvo da estupidez e da ignorância que colheram, por exemplo, a cubana Yoani Sánchez quando em visita ao nosso país.

A Corte chavista confirma a cassação de Maria Corina no momento em que uma comissão da Unasul busca um suposto diálogo entre os oposicionistas e  Maduro. Ou por outra: o presidente negocia com seus adversários metendo-os na cadeia e lhes cassando os respectivos mandatos. E a Unasul finge que está mesmo em curso uma possibilidade de diálogo.

Já que ainda estamos no clima dos 50 anos do golpe no Brasil, cumpre lembrar a Operação Condor, que foi a troca de informações e a ajuda mútua havidas entre vários regimes ditatoriais da América do Sul. Pois bem! Hoje, está em curso uma “Operação Condor” de sinal trocado. Maduro só avança rumo à ditadura sem adjetivos porque tem o respaldo dos governos de esquerda da América do Sul, muito especialmente o Brasil.

Do ponto de vista ideológico, ele faz lá o que os nossos esquerdistas gostariam de fazer aqui. E por que não fazem? Porque ainda não dá. Se um dia for possível, não tenham dúvida, eles farão.

Por Reinaldo Azevedo

24/03/2014

às 19:37

Chavista da Assembleia Nacional anuncia cassação de mandato de deputada oposicionista e a ameaça com a cadeia. É a ditadura, apoiada por nossa política externa de chanchada

Com a ajuda ativa do Brasil, ou com seu silêncio, o governo ditatorial da Venezuela segue a sua sanha literalmente assassina contra a população e contra os oposicionistas. Desde o dia 12 de fevereiro, quando tiveram início os protestos de rua, já são 36 os mortos. Nesta segunda, Diosdado Cabello, o presidente da Assembleia Nacional, um chavista ainda mais truculento do que Nicolás Maduro, anunciou que a deputada Maria Corina Machado, a mais dura voz contra o regime ditatorial, perdeu o seu mandato e a imunidade parlamentar. Cheio de orgulho, ele anunciou: “Ela pode ser presa a qualquer momento, sem aviso prévio”. Pois é! Qualquer um pode.

Não houve processo de cassação nem votação da Assembleia. Cabello decidiu, de forma pilantra, evocar dois artigos da Constituição venezuelana para anunciar a destituição. Explico.

Na sexta-feira passada, estava prevista uma intervenção de Maria Corina na assembleia da OEA, a Organização dos Estados Americanos. Manobras dos representantes de governos de esquerda, incluindo o Brasil, conseguiram retirar o tema Venezuela da pauta. O embaixador interino do Brasil na organização, o senhor Breno Dias da Costa, chegou a dizer: “O objetivo dessa reunião não é transformar-se num circo para uma plateia externa”. Breno é a prova mais contundentes de que a política externa brasileira virou uma palhaçada, sem nenhuma ofensa aos palhaços, é claro. Até porque não tenho dúvida de que, se vivo fosse, Arrelia faria melhor papel da OEA do que Breno. Arrelia tinha a cara pintada, mas não tinha cara de pau.

Volto a Corina. Como ela foi proibida de falar, a representação do Panamá, então, lhe cedeu a cadeira para que ela denunciasse as múltiplas violações aos direitos individuais e às liberdades públicas em seu país.

Dois artigos da Constituição venezuelana, o 149 e o 191, proíbem que deputados exerçam alguma outra função em caráter permanente ou que aceitem honrarias de governos estrangeiros sem prévia autorização da Assembleia. Ora, Maria Corina não fez nada disso. Um país ceder temporariamente a cadeira a um representante de outro é prática conhecida na OEA. A própria Venezuela já fez isso duas vezes: em 1989, muito antes do chavismo, permitiu que um panamenho denunciasse os crimes da ditadura do coronel Manuel Noriega. Em 2009, já com Chávez no poder, cedeu seu assento para Patricia Rodas, ex-chanceler de Honduras e porta-voz do maluco Manuel Zelaya.

Na Venezuela, já estão na cadeia Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, e os prefeitos Daniel Ceballos, de San Cristóbal, e Enzo Scarano, de San Diego. Agora Nicolás Maduro avisa, por intermédio de Cabello,  que Maria Corina será a próxima. Pelo Twitter, ela escreveu: “Senhor Cabello: eu sou deputada da Assembleia Nacional enquanto o povo da Venezuela assim o quiser”. Ela está no Peru para participar de uma seminário da Fundación Libertad, comandada pelo Nobel de Literatura Vargas Llosa, dedicada à defesa das liberdades individuais, tudo aquilo que não há mais na Venezuela.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2014

às 15:31

Este vídeo explica por que a canalha bolivariana quer calar Maria Corina

No post anterior, falo do esforço da canalha bolivariana para calar a deputada Maria Corina Machado. É compreensível. No vídeo abaixo, vemos a deputada tomar a palavra na Assembleia Nacional e declinar, um a um, os nomes dos mortos pelo regime de Nicolás Maduro. Assistam. Volto em seguida.

Como viram, declina  os nomes, exibe as fotografias e acusa o governo de torturar os presos. E convida seus pares deputados a visitar com ela as prisões. O que fazem os fascistoides de Maduro? Começam a gritar para tentar abafar a sua voz.

Esse é o país em que Lula, então presidente, afirmou ver “democracia até demais”. Esse é o governo que, segundo Dilma, está fazendo esforços em favor da paz.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2014

às 14:31

Se a mulher não pensa como Dilma acha que deve pensar, ela não vê nada demais em que lhe chutem a cara, quebrem-lhe o nariz e lhe cassem o mandato. É tudo merecido!

Vejam esta foto.

 Maria Corina nariz quebrado

É do começo de maio do ano passado. Essa é a deputada oposicionista Maria Corina Machado. Parlamentares chavistas quebraram o nariz dela a chutes, enquanto estava caída, dentro da Assembleia Nacional. Já volto ao ponto. Antes, outras considerações.

Lembram-se daquela reunião de chanceleres da América do Sul, realizada no Chile, para discutir a crise da Venezuela? Deu em quê? Ela só volta a se reunir em abril. Enquanto isso, os mortos na Venezuela já chegam a 29, e o governo agora resolveu mobilizar seus cães de guarda na Assembleia para tentar suspender a imunidade da deputada Maria Corina, uma das mais duras críticas do chavismo e do presidente Nicolás Maduro.

Miguel Rodríguez, ministro do Interior, veio a público nesta terça para anunciar que um informante do governo, escalado para espionar os movimentos da oposição — ele o chamou de “A1” —, lhe contou que Leopoldo López, o líder oposicionista preso, e a deputada tramaram os atos de violência. Numa manobra evidente para dividir o movimento de oposição, Rodríguez procurou isentar de qualquer responsabilidade Henrique Capriles, outro conhecido rosto da oposição venezuelana.

Segundo o ministro, Capriles teria sido chamado pela dupla para conspirar — “para incendiar o país” —, mas teria se recusado. É um truque sujo, coisa de vigaristas. Todo mundo sabe que, de fato, o homem que concorreu à Presidência pela oposição não era inicialmente simpático às manifestações de rua e à pressão pela renúncia de Maduro, mas as divergências ficaram para trás.

Deputados chavistas passaram a acusar López e Corina de responsáveis por aquilo que chamam “assassinatos”. É de um cinismo espantoso mesmo para os padrões bolivarianos. As vítimas, na sua quase totalidade, foram alvejadas por motoqueiros armados, que são uma das divisões das milícias bolivarianas.

Agora à foto. O ódio a Maria Corina é antigo. No dia 30 de abril do ano passado, o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, decidiu cassar o direito de voz dos oposicionistas até que não reconhecessem Maduro como o presidente eleito — uma eleição escancaradamente fraudada. Não só isso: os parlamentares chavistas partiram para cima dos seus adversários, conforme se vê neste vídeo:

O resultado foi o que se vê na foto lá no alto. Caída no chão, Maria Corina recebeu cinco chutes, teve o nariz fraturado e precisou se submeter a uma cirurgia dois dias depois.

Virão outros mortos na Venezuela.  Maduro, em vez de negociar, radicaliza. Nesta quarta, o jornal El Nacional denunciou que o governo simplesmente não liberou a cota de papel a que a publicação tem direito, buscando impedi-lo de circular. Jornais de outras partes do mundo, inclusive do Brasil, se dispuseram a ajudar.

Segundo informa o site do El Nacional, a comissão de Direitos Humanos da União Interparlamentar, com sede em Genebra, decidiu visitar a Venezuela para apurar as ameaças feitas pelo governo e por milícias armadas contra os deputados oposicionistas Richard Mardo, Julio Borges, María Mercedes Aranguren, William Dávila e a própria Maria Corina.

A nossa soberana, não obstante, segue no apoio incondicional a Maduro, o assassino. Mesmo quando brutamontes chavistas chutam a cara de uma mulher, a mulher Dilma Rousseff se cala. Afinal, Maria Corina não é uma “companheira”. Nesse caso, é muito justo que apanhe, certo?

Por Reinaldo Azevedo

 

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