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Lula

16/04/2012

às 19:24

A MENTIRA CONTADA PELA FOTO DE LULA E SARNEY NO HOSPITAL. OU: A VERDADEIRA DOENÇA DO BRASIL É O DÉFICIT DE CULTURA DEMOCRÁTICA, NÃO O CÂNCER OU O CORAÇÃO ENTUPIDO

Essa gente brinca com a nossa generosidade, com o nosso bom senso, com a nossa temperança. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está internado no Hospital Sírio-Libanês, onde se submeteu a um cateterismo com implantação de um stent. O Sírio — como é conhecido — precisa tomar cuidado, aliás, para não se transformar numa espécie de Sanatório do Poder. Tenho cá as minhas dúvidas se esse contínuo processo de espetacularização da doença de figurões da República, de que o hospital serve de cenário, faz bem à saúde da instituição, com seus médicos estelares descendo ao térreo para receber autoridades, numa espécie de rendição do sacerdócio da ciência à mundanidade do mando. Nas coletivas em que se tratava do câncer de Lula, por exemplo, havia mais homens de branco para dar entrevistas do que repórteres para ouvir o que eventualmente tinham a dizer. Sei que o Sírio é um hospital sério e não estou pondo isso em dúvida. Mas não terá chegado a hora de pôr um freio no excesso de exposição? Uma questão a se pensar. Adiante.

O Apedeuta foi visitar Sarney no leito. E temos, que surpresa!, mais uma foto de Ricardo Stuckert, do Instituto Lula, com a composição, a luz e o enquadramento meticulosamente  estudados para remeter, reitero, àquelas imagens da Benetton, tornadas célebres pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani. Vejam. Volto em seguida.

benetton-lula-sarney

Voltei
Para que isso? O que se aproveita dessa imagem? Qual é a sua dimensão ou seu interesse público? O que se pretende senão construir a imagem da “humana fragilidade do poder”, apelando ao sentimentalismo? Nada poderia ser mais falso do que isso! Ao contrário: as duas figuras aparentemente frágeis são dois tubarões da política — e só por isso suas respectivas doenças passam por esse processo de espetacularização.

Para ter direito a um leito no Sírio Libanês e ao aporte midiático que o cerca é preciso ser alguém muito além da fragilidade que a foto sugere. Atenção! Não estou aqui barateando as tolices da luta de classes, não, ou sugerindo que ambos se tratem no SUS, que o Apedeuta já chegou a ver “perto da perfeição”. Meu ponto é outro. Estou é acusando uma operação que consiste em criar uma imagem que falsifica a verdade. Ali estão dois oligarcas — ou, se quiserem, duas versões do patrimonialismo brasileiro. Ambos representam esquemas de poder que põem a serviço de grupos o bem público, seja esse bem material ou institucional. Quanto as próprias leis são torcidas para atender a interesses ou quando se faz um esforço em favor de sua aplicação seletiva, é a República que está indo para o brejo.

Torço para que os indivíduos Lula e Sarney se recuperem. Poucas coisas são tão desprezíveis na minha ordem de valores quanto folgar com a doença alheia ou torcer para que um adversário, desafeto, rival — ou simplesmente alguém de quem não se gosta — seja tirado de circulação por algum impedimento trágico. É mostra de covardia moral e intelectual.

Eu quero mais é que esses dois se recuperem de suas respectivas doenças. Mas não abro  mão de denunciar a outra doença que uma imagem como a que vai acima revela: o nosso déficit de cultura democrática. Não é o Senado que passou por um cateterismo, mas o homem José Sarney. Como tal, o decoro recomenda o resguardo que a qualquer outro paciente é cabido e devido. Não é um ex-presidente da República e presidente de honra de um partido que se trata de câncer, mas o indivíduo Luiz Inácio da Silva. Notem que, nesse caso, omiti até a palavra “Lula”, um apelido incorporado a seu nome de batismo em razão da política. Também no seu caso, o decoro perdeu para a politização da doença.

Desagradável
Uma foto como essa requer a colaboração dos modelos. Estão a obedecer instruções precisas do fotografo. Depois de ajustados a cena, o enquadramento, a luz, o foco, o profissional do outro lado da câmera dá a ordem: “Ajam normalmente!” Ora, que normalidade pode haver numa situação assim?

Não descarto que exista afeto mútuo entre Lula e Sarney, a despeito de tudo o que o petista já disse sobre o peemedebista e sua família. É a amor fraterno que nasce do mutualismo político, não é? O Apedeuta submeteu a biografia de seu antigo desafeto à lavanderia de reputações do petismo, que tanto lava como suja biografias, a depender do interesse. E Sarney emprestou a Lula o domínio daquelas áreas do Congresso infensas a qualquer processo de modernização. Assim se juntaram dois atrasos: o contemporâneo e o arcaico.

De resto, questiono o gosto de uma imagem assim, que já vai virando um clichê da política brasileira, sempre pela lente de Ricardo Stuckert, sempre no Sírio-Libanês e sempre com o mesmo propósito. Todas as fotos são derivações de uma campanha da Benetton em que uma família chora a morte iminente de um paciente de Aids. Que importa se esse tipo de exploração busca ganhar dinheiro, votos ou simpatia popular? É indecorosa em qualquer caso. Vejam. Volto para arrematar.

Lula e Dilma visitam José Alencar: o câncer como política

Lula e Dilma visitam José Alencar: o câncer como política

Aí chegou a vez de Dilma e Mantega fazerem uma visita a Lula

Aí chegou a vez de Dilma e Mantega fazerem uma visita a Lula

A inspiração das fotos brasileiras é da campanha da Benetton, só que suavizada pelo nosso jeitinho...

A inspiração das fotos brasileiras é da campanha da Benetton, só que suavizada pelo nosso jeitinho...

Voltei
Ousado mesmo, então, seria algo como a montagem em que Barack Obama e Hugo Chávez aparecem trocando um beijo. Vejam.

benetton-obama-chavez

Mas falo de ousadia para valer, entendem? No dia em que Lula aparecer trocando uma bicoca com Sarney ou com outro oligarca qualquer, então aplaudirei, enfim, uma imagem que traduz a verdade do que vai pelo país.

Não publicarei comentários que façam qualquer alusão desairosa à saúde das personagens das fotos. Os petralhas costumam mandar as coisas mais escabrosas na esperança de que sejam publicadas para, então, boquejar: “Vejam o que ele deixou passar!”

Não! Nós, por aqui, torcemos pela saúde das pessoas e pela saúde das instituições.

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2012

às 18:49

Jason perdeu a “Sexta-Feira, 13” para King Jong-Lula

missa-lula

O Ministério da Cultura, comandado pela irmã do Chico Jabuti, vai financiar, vejam só, um museu da greve em São Bernardo, uma homenagem a Kim Jong-Lula. O culto à personalidade vai custar R$ 18 milhões aos cofres públicos — R$ 14,4 milhões dos quais saídos do Minc. Quem disse que esse não é um governo que se importa com a cultura? Como a gente sabe, o Instituto Lula teria imensa dificuldade para conseguir esse dinheiro, né?

Eis Kim Jong-Lula, o nosso estimado líder. Na Coreia do Norte, eventos maravilhosos estão associados a datas importantes para a família real comunista - os Kim. Temos aqui a nossa própria estirpe de fabulosos. Lula também está ligado ao maravilhoso e ao milagroso.

A bancada do PT na Assembleia Legislativa da Bahia encomendou para amanhã, uma “sexta-feira 13″, uma missa na Igreja do Bonfim, em Salvador, para orar pela saúde de Kim Jong-Lula.

A urucubaca associada à data não assusta os petistas, claro! Estão convictos de que Deus também vota no 13. Yulo Oiticica, líder do partido na Assembléia, é um dos organizadores do evento. Vocês sabem como é: Deus acredita em Lula.

Eis o Jason do estado democrático e de direito. O original não é mais o dono dessa data.

 

Jason está bravo. O PT roubou até a "sexta-feira, 13"...

Jason está bravo. O PT roubou até a "sexta-feira, 13"...

Errata
Sim, podem tirar o sarro. Sou um ignorante nessas coisas. Havia confundido Jason com Freddy Krueger. Tudo bem… É como confundir Rui Falcão com José Dirceu, eu sei. Mas é preciso dar nome certo às coisas e às pessoas, né?

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2012

às 5:39

Governo federal vai pagar museu para reunir a memória das greves comandadas por Kim Jung-Lula

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), vão anunciar amanhã o início da construção de um museu que lembrará as greves de metalúrgicos comandadas pelo ex-presidente Lula no ABC. As obras devem custar R$ 18 milhões aos cofres públicos, sendo R$ 14,4 milhões do governo federal e R$ 3,6 milhões do município. O valor inclui apenas as despesas com instalações físicas. O anúncio será feito um dia antes do primeiro ato público de Lula após o desaparecimento do câncer, a inauguração de um CEU em São Bernardo. Ele dividirá o palanque com Marinho, que tenta a reeleição, e Fernando Haddad, pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo.

O Museu do Trabalho e do Trabalhador será erguido num terreno de cerca de 10 mil m2 ao lado do Paço Municipal, um dos cenários das greves que antecederam a criação do partido. Entre as principais atrações está uma sala vai recriar, com recursos audiovisuais, o ambiente das reuniões históricas lideradas pelo petista nas décadas de 1970 e 1980. “Não é um museu do Lula, mas é evidente que ele terá uma presença muito forte. Queremos que o visitante se sinta como se estivesse dentro das assembleias de metalúrgicos”, diz o prefeito. O entorno do edifício terá um jardim com ferramentas das fábricas da época. “Incluindo um torno como o que o Lula usava quando perdeu o dedo”, anima-se Marinho.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

11/04/2012

às 6:15

Lula entra na articulação da CPI e deixa claro que o objetivo não é punir corruptos, mas pegar a oposição. É mais uma contribuição sua para a miséria institucional brasileira

Existem muitos bons motivos para se instalar uma CPMI do caso Cachoeira. Os dados que vazaram até agora sobre a investigação evidenciam que o bicheiro mantém uma rede de influência no Congresso, no governo federal e em governos estaduais. Até onde vai? Quem são seus operadores? Em quais negócios atua? Influenciou quais decisões do Congresso ou mesmo do Executivo?

Por tudo isso, a CPI é, em si, necessária. Mas qual CPI se vai fazer e com que propósito? A Folha desta quarta informa que a “ordem” para o PT aderir de vez à formação da comissão partiu de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora nomes de petistas apareçam no esquema do bicheiro — ontem à noite, caiu o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, do DF — e a construtora Delta seja íntima do PT, o chefão do partido quer vingança. Acha que é hora de ir à forra e, às vésperas do julgamento do mensalão e em ano eleitoral, pegar mais algum figurão de um partido de oposição.

Paulo Okamoto, dirigente do Instituto Lula, falou pelo chefe ontem, informa a Folha:
“A princípio, Lula é a favor de que haja CPI. O que ouvi ele dizer é que está com os poucos cabelos que tem em pé com tudo que há sobre o caso. Se for verdade o que a imprensa está dizendo, Marconi entregou o Estado para Cachoeira”.
Segundo os dados até agora disponíveis, não há por que desconfiar mais de Perillo do que de Agnelo. Que se apurem as responsabilidades de todos! Mas que é um despropósito Okamotto, atuando como porta-voz de um ex-presidente da Repúbica, referir-se desse modo a um governador de Estado — e de oposição —, ah, isso é. Especialmente quando não se tem ainda formalizada a acusação.  Imaginem se caberia a FHC comentar: “Os meus muitos cabelos estão em pé com o que ouço sobre o governo Agnelo…”

Como conheço a natureza desses patriotas petistas, escrevi ontem à tarde sobre a CPMI:
“Eis um sinal claro de que, caso se instale uma CPI, dada a folgadíssima maioria de que dispõe o governo, ela pode funcionar apenas como mais um instrumento do PT para massacrar a oposição. Já está mais do que evidente que os petistas decidiram se organizar para defender os seus próprios criminosos. (…)”

Sem trocadinho, “Bingo!” Eis Lula em ação! A oposição se prepare muito bem para o embate. Não estou sugerindo, inferindo ou insinuando nada, mas é bom lembrar que o advogado de Cachoeira é Márcio Thomaz Bastos, petista de quatro costados e íntimo de Lula, de quem é uma espécie de conselheiro. Quem cobra R$ 15 milhões por uma defesa é mais do que um advogado; é também um estrategista. Okamoto se refere a “tudo o que há sobre o caso”. Saberá Lula o que ainda não sabemos? Como?

É evidente que essa história não poderia ter vazado em momento mais apropriado para o PT e para os mensaleiros, mesmo havendo petistas no rolo. Caso se instale a CPI, o governismo terá uma folgada maioria na comissão. Se quiser, convoca para depor apenas figuras da oposição. Lula está certo de que essa maioria e a natural disposição dos petistas para dar guarida a seus criminosos vão proteger o partido e destroçar o que resta de oposição.

Mensalão
Denunciei aqui no dia 1º de abril (em homenagem aos vigaristas dos quais eu falava, viciados em mentira), a tentativa de usar o caso Cachoeira para livrar a cara dos mensaleiros. O texto está
aqui. Dito e feito! José Dirceu, essa alma cândida, e os outros 36 teriam sido apenas vítimas de uma grande tramoia, de que o agora cliente de Bastos seria parte.

Sim, a CPMI é uma necessidade. Mas os petistas já decidiram desmoralizá-la antes mesmo de sua instalação. Paulo Okamoto, falando em nome de Lula, deixa claro que o PT tentará usar a maioria governista na comissão para fazer guerra político-partidária.

Quem sabe um dia, mas não é fatal que aconteça, historiadores relatem a miséria institucional a que o lulo-petismo tentou conduzir o país. Devemos a essa gente a criação de uma categoria nova da vida pública: os corruptos do bem. Ou como explicar o que afirmou Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, sobre o filme em que o petista Rubens Otoni aparece acertando com Cachoeira o recebimento de R$ 200 mil “por fora”? Segundo o líder, “trata-se de filmes de 2004. Desde então, ele [Otoni|] vem sendo chantageado pelo Cachoeira. E aquilo é um caso de caixa 2, que já prescreveu”.

As afirmações de Tatto e de Okamoto indicam que a CPMI tem tudo para ser um tribunal de exceção governista, comandado pelo PT. A proposta não é punir e eliminar corruptos da vida pública, estejam onde estiverem, mas dar mais um passo para aniquilar a oposição.

A história e alguns exemplos da América Latina demonstram que um país sem oposição fica entregue… aos corruptos!

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2012

às 18:55

Lula e Falcão debatem eleições com ex-deputado, cassado por corrupção e acusado pela PGR de ser “chefe de quadrilha”. Como diria Ideli, faz sentido, “meu amor”!

O senador Demóstenes Torres (GO) já está fora do DEM e é grande a chance de que perca o mandato. Mesmo que não aconteça, é evidente que sua reputação desmoronou. Já escrevi algumas vezes o quanto isso é ruim para a oposição e também para o país. Os valores que ele encarnava e a parte visível de sua atuação eram impecáveis. Detestável é o que foi revelado pelos grampos da Polícia Federal. Grampos que — sempre é preciso dizer tudo — são empregados com diligência contra políticos da oposição, mas nunca do petismo. Nesse caso, mesmo quando flagrados carregando uma mala de dinheiro, como aconteceu com Hamilton Lacerda, o aloprado que era assessor de Aloizio Mercadante, nada acontece. O inquérito, se bem se lembram, não chegou a lugar nenhum. Mas vamos seguir.

Tenho apontado aqui a frenética movimentação das franjas daquele troço que pretende se confundir com jornalismo — os blogueiros financiados por administrações petistas (das três esferas) e pelas estatais — para tentar provar que o mensalão nunca existiu. Como a compras da consciência inclui a vergonha na cara, a tese do momento é a de que o mensalão, vejam só!, foi uma invenção de Carlinhos Cachoeira e até de Demóstenes!!! E como isso teria acontecido? Como uma coisa implicaria outra? Bem, para isso, a canalha ainda não tem uma explicação verossímil. Mas nem é necessário. Quem cai nessa conversa não precisa de evidências, só da crença. É como esses malucos que acreditam que ETs visitam a terra e implantam chips no cérebro dos terráqueos: a prova de que é verdade é a ausência de provas, entenderam? Sigamos.

Demóstenes está fora do DEM e, tudo indica, da política — por muito tempo, se não for para sempre. As pessoas que ele conquistou com o seu discurso e com a sua prática conhecida não aceitam o que ouviram; não sabem explicar aquilo; não admitem aquelas atitudes. Já aquelas que José Dirceu conquistou admiram no seu líder justamente seus métodos! Ele foi cassado pela Câmara, sim, num primeiro momento de indignação da sociedade, mas continuou no PT. Mesmo formalmente fora da direção, é um chefão do partido. Na semana passada, dividiu bobó de camarão e caipirinha (existe Engov para enjoos morais?) com “blogueiros progressistas”. Ontem, informa o Globo, o Zé manteve um encontro mais maiúsculo. Segue informação do Globo. Volto em seguida:

Lula discute eleições de SP com ex-ministro José Dirceu e Rui Falcão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta segunda-feira com o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu e com o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão. Discreto, o encontro ocorreu na sede do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, no início da tarde. Na pauta, os petistas discutiram o rumo das eleições municipais deste ano. Lula, que ainda faz tratamento de fonoterapia para melhorar a voz e a deglutição depois de um câncer na laringe, deve começar uma agenda de viagens por todo o país nas próximas semanas, depois de tirar alguns dias de férias com a família.
Apesar de não ter nenhum cargo na executiva petista desde que se envolveu no escândalo do mensalão, em 2005, Dirceu não deixou de ser um dos principais articuladores políticos do PT, tanto interna quanto externamente. O encontro com o ex-presidente reforça essa imagem, uma vez que Lula tem procurado os dirigentes petistas para se inteirar sobre o quadro eleitoral. Na semana passada, conversou por telefone com o presidente estadual da legenda, o deputado Edinho Silva, para conhecer a situação dos principais municípios paulistas.
Lula deverá agir para acertar as alianças nos principais municípios do país, mas deve também buscar a pacificação em cidades onde o PT está dividido, como em Recife e Belo Horizonte.

Voltei
Parabéns aos eleitores e ex-admiradores do senador Demóstenes Torres (GO), que não engolem as conversas que ele manteve com Carlinhos Cachoeira. Já os que debatem eleições com aquele que a Procuradoria Geral da Repúbica chama “chefe de quadrilha” se autodefinem, não é mesmo?

Uma coisa é certa: Demóstenes não terá uma rede de “blogueiros progressistas” para defendê-lo. Nem de “blogueiros reacionários”. Nem de “blogueiros”, como é mesmo?, “livres como um táxi”. Tampouco haverá estatais para pagar o salário de uma súcia encarregada de fazer a sua defesa. “Ah, então impunidade para todo mundo, Reinaldo?” Uma ova! Punição para todo mundo! Inaceitável é que o dinheiro público patrocine páginas que fazem a defesa aberta de alguém acusado pela PGR de ser “chefe de quadrilha”. Indefensável é que um ex-presidente da República se dê a tal desfrute.

Mas, como diria Ideli Salvatti (ver posts abaixo), faz sentido, “meu amor”!!!

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 17:46

Anúncio da “cura” do câncer de Lula e vídeo fazem parte da “Operação Salva Gugu-Haddad”

A volta de Lula estava prevista para meados de abril, ali caminhando para o fim. O anúncio do “desaparecimento” do tumor feito pelos médicos ou da “cura”, feito pelo próprio Apedeuta, faz parte de uma operação política de emergência, que batizo aqui de “Operação Salva Gugu-Haddad”. Os petistas avaliavam que sua candidatura estava se esfarelando.

O partido detectou em certas áreas uma espécie de movimento “Volta-Marta”. Ocorre que tal volta é considerada impossível porque seria contrariar a vontade do predestinado, admitindo que Kim Jong-Lula pode cometer erros. Impossível!  Para Gugu-Haddad, seria também uma humilhação. Pelos cantos, os petistas se dizem surpresos com a ruindade do “pré-candidato” escolhido pelo Estimado Líder. “O povo não entende o que ele fala”, resume um deles. “É muito lento”, avalia um outro.

Mas só a ruindade de Haddad não explica tudo. O clima de rebelião na base também conta. E São Paulo será sempre um bom lugar para dar o troco. Mais ainda: partidos que estão no arco de sustentação do governo federal também integram alianças no Estado e na capital. As seções paulista e paulistana dessas legendas não estão dispostas a abrir mão do certo pelo que consideram mais do que duvidoso.

E Haddad estava se mostrando um projeto impossível. Por enquanto, ele não tem nem eleitores nem aliados. Sua única garantia era Lula, temporariamente fora de combate. As articulações, conversas e promessa de aliança, não obstante, estão em curso. E era preciso tentar frear tudo isso, meter o pé do breque, dar um solavanco.

E foi o que se fez nesta quarta. O que poderia ter sido — E DEVERIA TER SIDO, SEGUNDO O DECORO DA MEDICINA E DA POLÍTICA — uma nota técnica virou numa grande operação política: a “Operação Salva Gugu-Haddad”, com o vídeo mais do que eloquente, em que Lula avisa: “Estou voltando”.

Se está, então que se congele tudo. Convém, é o recado implícito, não fechar alianças desde já, não apalavrar nada, não fazer compromissos. Quando Lula voltar é que o jogo vai começar para valer. Só Lula pode fazer o milagre, outro milagre, de tornar Fernando Haddad um candidato viável.

Não é só isso. A operação foi deflagrada um dia depois de vir a público a foto em que Lula aparece ao lado de Fernando Henrique. Nas alas mais heavy metal do PT, isso foi considerado um erro. O Lula como figura acima das divergências perde muito de seu poder de fogo. Ele tem de continuar a ser o líder do “nós” (eles) contra “eles” (nós). O jogo petista continua o de sempre: aniquilação do outro, e não convivência com a divergência, segundo as regras da democracia.

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 17:18

A verdadeira doença incurável de Lula

Se foi Deus, se foi Marisa Letícia ou se foram os médicos que “curaram” o câncer de Lula, como ele próprio disse, isso eu não sei. Não acho que a Divina Providência deva ser tratada assim, com essa ligeireza. Até porque o desaparecimento do tumor não significa cura — trata-se de uma informação objetivamente errada. E isso não é uma torcida, não!

Conheço bem a qualidade da alma dos que torcem em favor do tumor alheio. É o que os petralhas vivem fazendo comigo. Eles têm a alma asquerosa, eu não!

Torço pela cura! Sempre!

Mas há doenças que são incuráveis, para as quais não há remédio.

Repito Guilherme Macalossi, leitor deste blog, no Twitter:
“O uso político que Lula faz de seu câncer mostra que quimioterapia não cura cara de pau.”

Na mosca!

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 16:55

O vídeo gravado por Lula não deixa a menor dúvida: câncer virou política! Ou: “Força, presidente, que o senhor vai vencer!”

Lula gravou um vídeo sobre o que chama a sua “cura”. Agradece, nesta ordem, a Deus, a Maria Letícia e depois aos médicos. Anuncia a volta à militância política e expressa sua fé no Brasil. Num dado momento, afirma:
“Queria agradecer a solidariedade das lideranças políticas do Brasil inteiro, sobretudo da minha querida companheira Dilma Rousseff, presidente da República, que, com a sua experiência de ter vencido um câncer também, foi um alento a cada vez que conversava comigo e a cada vez que me dizia: ‘Força, presidente, que o senhor vai vencer‘”

E, claro!, houve o agradecimento ao povo brasileiro etc. e tal.

No encerramento, deixa claro que Deus foi especialmente generoso com ele. É possível que também o Altíssimo tenha lhe soprado aos ouvidos:
“Força, presidente, que o senhor vai vencer!”

Entre Deus e Lula, alguém duvida quem e “o” Senhor?

Segue o vídeo. Volto para encerrar.
 

 

 

Peço que vocês se contenham nos comentários. O fato de os petistas fazerem essa exploração baixa da doença de Lula não deve liberar ninguém para ir além do humanamente aceitável ou, que seja, do decoroso.

COMPORTAMENTO DE PETISTA NÃO É RÉGUA COM QUE SE DEVE MEDIR NOSSO PRÓPRIO COMPORTAMENTO.

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 16:10

Nunca antes da história destepaiz um tumor de Lula havia desaparecido!

O tumor de Lula sumiu!
O tumor de Lula sumiu!
O tumor de Lula sumiu!

Felizmente, sumiu! Que não volte mais! Que desapareça num ralo qualquer da biologia, tangido pela medicina, embora, é bem verdade, já se perceba aqui e ali a tentativa de anúncio de algo inédito, verdadeiramente maravilhoso.

Nunca antes na história destepaiz um câncer de Lula sumiu. É a primeira vez que um câncer de Lula desaparece!

Os leitores deste blog sabem — a despeito do que escrevam o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) e um bolsão particular da turma, os que servem à causa exclusiva de José Dirceu — que jamais permiti que se fizesse qualquer exploração da doença de Lula nesta página. AQUI NÃO ACEITO CÂNCER NEM COMO METÁFORA!

Desde o primeiro dia, anunciei — e o mesmo valeu para Dilma — que doença não é categoria política; não distingue ninguém nem para o bem nem para o mal.

Ocorre que o PT explorou, nos dois casos, de forma miserável, a doença. Transformou Dilma na supermulher que venceu o tumor para nos salvar. Está a caminho de fazer o mesmo com Lula. Como se a cura fosse uma questão de vontade, de escolha ou, ainda pior, de predestinação; como se o próprio Deus indicasse aqueles que têm o direito de sobreviver, de sorte que os que morrem ou são culpados pela própria morte ou não foram aquinhoados com o olhar divino. Às vezes, o que lhes falta é apenas o Sírio-Libanês…

Trata-se de uma abordagem muito mais perversa do que parece.

A forma espetaculosa, incontida, desmedida, propagandística, marqueteira, com que Lula atravessou os meses da doença, com sua fotógrafo documentando sua viagem ao inferno das maravilhas, expõe o dado mais primitivo da política brasileira, ainda refém de um sinhozinho. Escolham qualquer uma das modernas democracias do mundo — incluindo o Chile, aqui do lado —, e vocês constatarão que nada disso seria possível. Na atrasada Argentina contemporânea, aí já seria provável, sim! Cristina Kirchner, aliás, HAVIA DECIDIDO ter um câncer, mas desistiu. Parece que a tramoia política não deu certo. A Venezuela, como se nota, experimenta as consequências do câncer real de Chávez.

Essa espetacularização da doença é evidência de um grande, de um profundo, de um enorme atraso. As instituições brasileiras, no papel ao menos, são relativamente modernas (falta muita coisa, sim), mas a cultura política foi submetida a um formidável retrocesso pelo lulo-petismo. Vejam aí: da sucessão presidencial a uma eleição municipal, a política se queda refém de um… tumor!

Como? É isto mesmo. Sabem por que o PMDB andou e anda tão assanhado? Porque Lula não é mais a garantia! Seu câncer pode ter sumido, mas ele não é mais potencial candidato à sucessão de Dilma; ele não é mais “a” salvação caso tudo desande; ele não virá mais para “nos salvar” — ou melhor, para “salvá-los”. Assim, a bola está com a governanta, e o PMDB não aposta na sua destreza e busca fazer o próprio jogo. O mesmo, em certa medida, se aplica ao PSB de Eduardo Campos.  O tumor de Lula sumiu — tecnicamente, como sabem os médicos, não se pode dizer que esteja curado, a exemplo de Dilma, note-se —, mas a possibilidade de Lula voltar a se candidatar também sumiu. Daí essa bagunça, que se extremou com o período de resguardo do ex-presidente.

Ainda antes da eleição, antevejo uma exposição de fotografias de Ricardo Stuckert, documentando o milagre. Nunca antes da história destepaiz se tinha visto o calvário de exultação e de exaltação!

O tumor de Lula sumiu!
Eu realmente espero que não volte mais! É a única torcida humanamente decente.
Esse é o meu desejo também na certeza de que o processo político brasileiro precisa aprender a superar as diatribes de um Lula saudável — até porque consegue ser mais constrangedor diante das diatribes de um Lula doente.

O tumor de Lula sumiu!
Já era hora de a política deixar de ser refém de sua doença.
A questão é saber se começa a ser agora refém de sua “cura”.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2012

às 17:56

FHC visita Lula no hospital. E daí? Então vamos lá!

fhc-lula-hospital

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou no hospital o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme se vê na foto acima, de Ricardo Stuckert, do Instituto Lula. E daí?

A boa resposta deveria ser esta: “Daí nada!” Política não é inimizade pessoal, e FHC é uma pessoa civilizada. Eu prefiro ver um tucano visitando um paciente de câncer a ver um paciente de câncer tucano sendo espancado por petistas, como aconteceu com Mário Covas. Acho que os companheiros obedeciam a uma chamamento de José Dirceu, conforme se vê abaixo. Volto depois.

Voltei
Espantoso é o que se vê acima. A visita de FHC não deveria causar espécie a ninguém, não fosse o fato de que os petistas usam a doença de Lula para fazer política. Fernando Haddad, o candidato imposto por Lula na porrada ao PT, afirmou ontem, conforme se noticiou aqui, que haveria gente descontente com a recuperação do ex-presidente.

É o que se chama canalhice moral reflexa. Seria o fim de picada — e acho mesmo! — alguém dar graças ao céus pela doença de Lula porque isso o deixaria temporária ou permanentemente fora de combate. Mas o objetivo oposto também é canalhice moral porque tem a mesma raiz: considerar que a doença é uma janela de oportunidades para fazer política. E isso está acontecendo.

FHC comete um gesto civilizado ao fazer o que faz.

Mas, parafraseando aquele poema do Drummond, civilidade não há mais. É apenas uma foto na parede.

Uma foto de Ricardo Stuckert, é claro!

O resto é pauleira, dossiê, desqualificação do adversário, perseguição, enxovalho.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2012

às 21:39

Lula, o Marechal Tito de uma Iugoslávia chamada PT

Pode parecer normal, coisa do jogo político, mas, lamento, não é. Ao contrário: estamos diante da expressão de uma crise. Hoje foi a vez de Fernando Haddad visitar Lula e ter uma foto da dupla divulgada pelo Instituto Lula. Nem a rainha da Inglaterra — para usar a metonímia (viu, Pedrinho?) da realeza — tem sua vida tão documentada. A razão é simples. Não temos mais monarquias absolutistas no mundo, exceção feita à Arábia Saudita e a alguns paisecos que se tornaram folclóricos. Lula é o monarca absolutista com maior visibilidade no Ocidente.

Por enquanto, o ex-presidente não pode falar. Então ele envia recados por intermédio de suas visitas: Lula acha isso; Lula pensa aquilo; Lula quer aquele outro. Lula é, em suma, um elemento perversamente unificador da política. Escrevo “perversamente unificador” porque nada cresce à sua sombra, como se vê. Diga o que se quiser de Dilma — que é intolerante com a corrupção (pode ser), com o fisiologismo (pode ser), com os oportunistas (pode ser) —, só não se diga que ela é uma liderança política. Se vai ser ainda, veremos.

A verdade é que a crise que está aí instalada — e, convenham, sem um motivo muito claro; não para que seja tão crispada ao menos — é fruto de um notável autoritarismo de Lula e, como dito, de seu absolutismo. Dilma, a exemplo do próprio Haddad em escala municipal, é uma invenção sua. Dá pra discutir se o PT tinha ou não tinha outros nomes viáveis; dá pra debater se a escolha obedecia a uma equação ditada pelo marketing; dá para indagar se havia ou não gente mais competente no próprio PT… Uma coisa, no entanto, é absolutamente indiscutível: Lula tinha experiência política para governar (goste-se ou não de sua gestão). Dilma era uma aposta, na origem, de impressionante irresponsabilidade política.

Esclareço o que digo, já que, hoje em dia, o sentido das palavras parece viver uma certa falência. Não acho que Dilma esteja fazendo um governo temerário ou irresponsável, não! É medíocre, é fraco, não tem eixo nem rumo. Mas estamos muito longe do caos, é evidente. O que quero dizer com isso é que, dada a sua brutal inexperiência no jogo político e óbvia inabilidade, ela até que se sai bem. Ao contrário da fala do Gigante Adamastor (Os Lusíadas), com Dilma, o dano é menor do que o perigo — este era imenso; até que está saindo barato.

Como tudo está em transe na base governista e como a oposição vive seu momento silencioso (o DEM acuado pelas denúncias contra o senador Demóstenes Torres; o PSDB nacional, parece, pela falta do que dizer ), Lula, que ainda não pode falar em público, se torna a única voz ainda firme da política; aquele de quem se espera algum norte, alguma articulação mágica, alguma resposta.

Que coisa! Em meio a tanta barulheira, a política se tornou refém do silêncio de Lula. É um sinal de fraqueza da oposição, sim!, incapaz de articular uma reação mesmo a um governo descoordenado. Mas também é evidência de que o PT é, assim, uma espécie de Iugoslávia do Marechal Tito. A balcanização o espreita. É questão de tempo.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2012

às 6:31

Crise demonstra que Dilma ainda não existe. E, sem Lula, quem não existe é o PT

Alguém andou soprando maus conselhos aos ouvidos da presidente Dilma Rousseff: “Mande bala, Soberana; não dê bola pra esse pessoal do Congresso, não, um bando de fisiológicos! Todos curtidos na cultura do toma lá da cá, sem ideologia, sem valor, que jamais pensam no bem comum!”

E a Soberana esqueceu, então, as juras de amor que havia feito justamente a esses que passaram a ser demonizados por parte ao menos da turma que a cerca. Atenção, hein: não é que muitos ali não mereçam… Há gente que não vale mesmo um tostão furado! Mas foi a eles que Dilma apelou para vencer as eleições, não? Foi quando conquistou essa turma que o petismo, lá atrás, constituiu a maioria necessária para vencer a eleição. Ou alguém já esqueceu que parte do PMDB, em 2002, debandou da candidatura Serra, migrando pra Lula?

Se vocês procurarem, encontrarão um discurso em que o Apedeuta se jactava, justamente diante de peemedebistas, de ser muito diferente de FHC; com um petista no poder, sugeria, era pedir e levar! O lulo-petismo — e a eleição de Dilma fez parte desse pacote — alçou o modo peemedebista de fazer política à condição de coisa sublime. Lula era o arquiteto desse arranjo.

“Mas me diga, Reinaldo, Dilma faz mal em querer moralizar?” Vênia máxima, “moralizar exatamente o quê?” A presidente diga qual é o pleito ilegítimo da tal “base aliada”, que não fizesse parte do pacote, e eu, então, teria condições de responder. Por enquanto, o que se tem é certo conversê dos que advogam a existência de um “jeito Dilma de governar”, segundo o qual ela não condescenderia com práticas danosas para a República. Quais “práticas danosas”? Eu, até agora, não entendi, por exemplo, o sentido da ida de Marcelo Crivella (PRB) para o Ministério da Pesca, por exemplo. A ação faz parte do pacote moralizante da presidente ou foi só um ato de vontade? Até agora, o máximo que deu para saber é que ele pretende aprender a botar minhoca no anzol (uma metáfora, Pedrinho…).

Lula, com efeito, sabia fazer mais agrados à tal base aliada e coisa e tal, mas isso certamente tem menos peso do que o fato de que ele estava com o caixa mais gordo para gastar, o que é sempre uma farra, dada a forma como o estado brasileiro é loteado entre os partidos. Com a grana curta, a receita desandou. Mas não se deve menosprezar o fator “incompetência”, não. A forma como Dilma substituiu os líderes na Câmara e no Senado era evidência de que estava sob a influência de um mau conselho. Apontei isso aqui — apenas por amor à lógica. Se a base lhe tinha mandado um pequeno recado com a recusa de um nome para uma agência reguladora, cumpria ver até que ponto não tinha condições objetivas de dar um recado mais duro. E tinha.

Trapalhões
Que o governo reúna hoje um bom grupo de trapalhões, isso é inegável. O episódio da liberação da venda de bebida alcoólica nos estádios o prova mais do que qualquer outra coisa. Há tempos não se via algo semelhante. Mas nem mesmo aquela que parecia ser a solução — uma estupenda manifestação de covardia — bastou.

O governo anda um tanto descolado da realidade. Hoje, antes da derrota sofrida na Câmara, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e homem mais importante no PT depois de Lula, previa um dia tranquilo. Pois é…

Essa crise tem nomes: “Lula e Dilma”. Certa feita, em 2010, o então presidente da República afirmou que, pela primeira vez desde 1989, a urna não traria o seu nome entre os postulantes à Presidência da República — evidência de que o PT não se renovava, não é? E emendou que, onde se leria “Dilma”, dever-se-ia ler “Lula”. Ocorre que ela, como se vê, definitivamente, não é ele. A rigor, ela ainda não é nem mesmo “Dilma”, como personalidade política autônoma e capaz de liderar o processo político. Vai ser algum dia?

Torço para que o indivíduo Lula se recupere — há quem não acredite nisso, claro! Paciência! Quem me conhece sabe que falo a sério. Minha torcida tem um aspecto humano, nada instrumental. Os petistas, no entanto, sem prejuízo de eventualmente compartilharem desse sentimento altruísta, têm motivos pragmáticos, muito oportunistas, para ansiar pela volta do seu líder.

Sem Lula, o PT, definitivamente, não existe.

PS: Os fazedores de notícia do Planalto já espalham que novas pesquisas indicam que a popularidade de Dilma aumentou: estaria sendo vista como aquela que, depois de combater a corrupção, combate também a fisiologia. Já escrevi a respeito. Se os “dilmistas” acham que esse tipo de proselitismo é um bom caminho, dou a maior força, hehe. Noto, até em benefício da governanta, que Lula sempre usou a sua popularidade contra a oposição. Se alguém acha uma boa idéia usá-la contra os aliados, só me resta dizer: “Vá em frente, Soberana!”

Texto publicado originalmente às 22h07 desta terça, atualizado às 6h31 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

16/03/2012

às 17:13

Depois de Dilma dar “un coup de pied aux fesses” em Jucá e Vaccarezza, novo líder do governo no Senado corre para o colo de Lula!

Vejam esta imagem, de Ricardo Stuckert, do Instituto Lula.

eduardo-braga-e-lula

Lembro sempre que o câncer do ex-presidente já é o mais documentado da história da humanidade. Como a imagem é produzida por uma entidade política, estamos diante da enésima manifestação de politização do câncer. Adiante. Este que está aí grudado ao ex-presidente, com o rosto esticadíssimo e os cabelos mais negros do que os de Iracema, é Eduardo Braga (PMDB-AM), nomeado novo líder do governo no Senado.

Lula não pode ainda entrar pra valer no jogo político. Consta que estará liberado para uma “vida normal” em 30 dias. Então é o caso de ir explorando, enquanto isso, a estética “United Colors of Benetton”. O ex-presidente ainda não anda pra lá e pra cá, endeusando aliados e satanizando adversários, como gosta de fazer, mas já participa da costura política.

Assim como, em São Paulo, Lula deu “un coup de pied aux fesses” de Marta Suplicy e nomeou Fernando Haddad candidato, ele tenta dar outro pé no traseiro dos dirigentes municipais e estaduais do PSB, que decidiram apoiar a candidatura do tucano José Serra. O petista ligou para o presidente nacional da legenda, o governador Eduardo Campos, governador de Pernambuco, e sugeriu: “O Dudu, dá aí um coup de pied aux fesses da turma. Mas com boa tradução!”

Incrível! Braga nem foi ainda reconhecido como interlocutor habilitado do governo pela própria base aliada. Mas já está lá agarrado a Lula. Cadê aqueles “especialistas” que costumam dar plantão na editoria de Política do Estadão, em São Paulo, para afirmar que o PT precisa de “renovação”???

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 22:22

Sem Lula, tanto o governo como o PT vivem momento de desarticulação. Ou: Dilma toca mal o “feudalismo de coalizão”

O ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, homem de Lula no Planalto e figura mais influente no PT depois do ex-presidente, admitiu que o governo enfrenta dificuldades políticas. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto depois:

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu nesta quinta-feira que o Palácio do Planalto vive um “momento tenso” na relação com a base aliada. O governo sofreu sua primeira derrota no ano no Congresso Nacional, nesta quarta-feira, com a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo à direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por 36 votos contrários e 31 favoráveis. O movimento foi liderado pelo PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer - que, inclusive, foi chamado às pressas pela presidente para uma reunião emergencial no Planalto nesta quinta.

A articulação da base ocorreu mesmo depois de a presidente mandar liberar verbas na tentativa de agradar aliados insatisfeitos com o controle sobre gastos dos ministérios e com o aperto na liberação de emendas dos parlamentares. “As nossas relações com os partidos são duráveis, passam por momentos tensos, por momentos mais calmos”, disse Carvalho, após participar de seminário em Brasília. Questionado se esse era um dos momentos tensos, respondeu: “É um momento tenso, mas vamos dialogar, vamos conversar, vamos nos entender. Não é hora de nenhuma declaração precipitada, é hora de entender que a democracia implica em vitória, derrota e vamos avançando.”

Preocupação
Para o ministro, a relação do governo com os partidos da base aliada é “suficientemente madura” e “bem fundamentada” para a “gente não sair rasgando as roupas de preocupação”. “A gente vai com calma, conversar e recompor essa relação”, disse Carvalho.

Voltei
A rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, que foi articulada pelo PMDB, indica as dificuldades do governo Dilma — e do próprio PT — sem a gerência de Lula. O PMDB é o que é, e o PT sabia muito bem com quem estava se casando. Notem que o partido não viu nada de errado em aplicar uma derrota a Dilma quando o país, para todos os efeitos, estava sob o comando de Michel Temer. O vice-presidente da República, de uma maneira muito particular, não deixa de ser o único “oposicionista” que realmente preocupa o Planalto.

Mas por que a insatisfação? Reitero: o PMDB é o que é, mas até alguns petistas admitem que o estilo Dilma é mesmo exasperante. Lula lidava melhor com o “feudalismo de coalizão” que é a República brasileira, do que a sua sucessora. Em muitos aspectos, era mais parecido com FHC. Seus ministros tinham mais liberdade para agir. No limite, ele ajeitava tudo com uma piada, uma batatada qualquer, todos riam, e ficava por isso mesmo. Também operava com mais dinheiro no caixa.

Dilma, de fato, dizem seus apologistas em tom de elogio, quer saber de tudo. Só que tem dificuldade para decidir. O PMDB tem nas mãos ministérios fortes, mas não consegue aparecer, implementar programas que lhe permitam chegar adequadamente à clientela. Não raro, há um segundo escalão petista na pasta que trava tudo. Somam-se a isso dificuldades que o partido vem enfrentando para formar palanques municipais. O PT está disposto a tomar muitas cidades de seu “parceiro”.

Estivesse Lula na ativa, como antes, tudo seria resolvido no “governo paralelo”. Mas ele, efetivamente, não está em condições de atuar. Ainda que venha a ter alta nos próximos dias, não é e não será o mesmo. O governo se ressente disso. E, se querem saber, o partido também. A pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo enfrenta algumas dificuldades. O que deveria ser um pré-lançamento retumbante começa a se parecer com um balão murcho.

Vivem todos à espera da volta do “chefe”. É claro que ele vai voltar — com que ânimo, é o que se verá. Uma coisa é certa, sem Lula, o governo desfalece, e o PT começa a bater biela.

Novos líderes
Dia desses, alguns “inteliquituais independentes” que querem Haddad na Prefeitura apontavam a falta de renovação no PSDB… Pois é! Vejam o caso do PT. Já lideraram os tucanos, em vários momentos, Franco Montoro, Sérgio Motta, Mário Covas, FHC, Alckmin, Serra… No PT, há 32 anos, existe um único líder, uma única voz, um único senhor, uma única orientação, uma única cabeça, uma só vontade: LULA! Tem sido importante para garantir a unidade do partido, que lhe deu musculatura para ser o que é hoje. Mas já deu pra perceber o que acontece na sua ausência.

Eu diria que o PT precisa se renovar. Quer dizer, não precisa, não — se é que me entendem…

Sem Lula, o “feudalismo de coalizão” vira “baguncismo de colisão”.

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2012

às 6:25

Ex-presidente Lula é internado em SP com infecção pulmonar leve

Por Isadora Peron, no Estadão Online:
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi internado neste domingo, 3, no Hospital Sírio-Libanês com início de pneumonia. Lula deu entrada no hospital após ter febre baixa. O ex-presidente está sendo tratado com antibióticos administrados por via endovenosa. O infectologista David Uip fez questão de deixar claro aos jornalistas que não há nenhum processo infeccioso na região da laringe, onde foi diagnosticado um câncer em outubro de 2011. “Ele foi internado mais por precaução, por vir de um diagnóstico de tumor e por ter passado por quimioterapia e radioterapia”.

Segundo Uip, o ex-presidente não tem previsão de alta, mas não há motivos para maiores preocupações. “O que importa é que nos primeiros sinais de que algo não ia bem, Lula veio ao hospital, exames foram feitos e chegou-se a um diagnóstico inicial”, ressaltou. Os resultados desses exames devem ser divulgados nesta segunda-feira. No último dia 17, o ex-presidente encerrou o tratamento radioterápico contra o câncer. Lula chegou ao hospital acompanhado de sua mulher, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, no início da tarde. Ela deixou o Sírio-Libanês e retornou por volta das 18h com roupas do ex-presidente, com quem passaria a noite. Lula não recebeu nenhuma visita.

Desde o início de seu tratamento, o ex-presidente já emagreceu cerca de 12 quilos. Pelo fato de ter dificuldades para se alimentar, submete-se a uma dieta baseada em comidas pastosas. O ex-presidente deve permanecer internado no Hospital Sírio-Libanês pelos próximos dias, de acordo com boletim assinado pelos médicos Antonio Carlos Onofre de Lira, diretor técnico hospitalar, e Paulo Cesar Ayroza Galvão, diretor clínico. A equipe que assiste Lula desde o ano passado é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e David Uip.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/02/2012

às 22:03

O WikiLeaks, os franceses, a “aposentadoria” de Lula e o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista)

Já deveria ter comentado texto publicado na VEJA Online na segunda-feira sobre um dos vazamentos do WikiLeaks. Olhem aqui: eu não costumo mudar de opinião sobre isso ou aquilo a depender de quem esteja sendo prejudicado ou beneficiado. Não tenho simpatia pelo WikiLeaks, não! Já escrevi a respeito algumas vezes. Não aprovo os métodos a que o site e sua turma recorrem. Leiam ou releiam o que foi publicado na segunda. Volto em seguida.

WikiLeaks: compra de aviões seria ‘aposentadoria’ de Lula

Um dos milhões de e-mails divulgados nesta segunda-feira pelo site WikiLeaks da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor diz respeito à compra de equipamentos militares pelo Brasil durante o governo Lula. Um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um Stratfor chamado Marko Papic.

Um dos milhões de e-mails da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor que o site WikiLeaks começou a divulgar nesta segunda-feira diz respeito a negócios para a aquisição de equipamento militar pelo Brasil durante o governo Lula.

Em outubro de 2010, um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um consultor da Stratfor chamado Marko Papic. Embora afirme não ter provas, ele é devastador no seu parecer: “A compra de submarinos é tão sem sentido que só pode ter a ver com propina. Lula provavelmente está cuidando do seu plano de aposentadoria. E veja só: a compra acontece ‘curiosamente’ no fim de seu mandato. O mesmo vale para os jatos. Nosso Departamento do Tesouro é vingativo quando se depara com subornos. Não podemos fazer nenhum negócio real num lugar corrupto como o Brasil. Os franceses não têm esses problemas”.

O servidor americano finaliza: “Desculpe-me não ter mais informações no que diz respeito à estratégia brasileira. A nossa avaliação é de que isso é puramente suborno. A única diferença é que agora o Brasil tem dinheiro, muito dinheiro, e pode de fato adquirir os equipamentos. Quero dizer, seria mera coincidência eles comprarem tanto equipamento militar da França? Os franceses sabem como realizar subornos”.

Estratégia
Ambos os negócios representam a disposição do governo brasileiro de modernizar suas Forças Armadas. A decisão envolve diplomacia e questões de estratégia militar. Em dezembro de 2008, por exemplo, o Brasil e a França firmaram acordo para construção de quatro submarinos da classe Scorpène, uma base naval e um estaleiro dedicado à produção das embarcações. O tratado de 6,7 bilhões de reais também previa a transferência de tecnologia para a produção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear. Em julho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff participou da cerimônia em Itaguaí (RJ) que marcou o início da construção dos submarinos. O primeiro modelo deve ficar pronto em 2016 e ser entregue em 2017. Os demais serão disponibilizados entre intervalos de um ano e seis meses. O estaleiro e a base naval devem ser inaugurados em 2014 e o submarino nuclear, ficar pronto apenas em 2023.

O processo de aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira, avaliado entre 4 bilhões e 6,5 bilhões de dólares, ainda está aberto. O assunto voltou a ganhar fôlego em 2012 depois de anos de avanço lento e adiamentos. Na “batalha dos caças”, os fabricantes têm oferecido ao Palácio do Planalto diferentes combinações de preço e políticas de transferência de tecnologia. Há cerca de dois anos, a Saab, fabricante do Gripen, foi a companhia que obteve a melhor avaliação da Força Aérea Brasileira (FAB).

Só que a opinião do órgão não se mostrou determinante. A venda quase foi fechada em 2009 para a francesa Dassault, que produz o Rafale, porque o ex-presidente Lula vivia uma lua de mel diplomática com o presidente Nicolas Sarkozy. No final de 2010, depois da data em que ocorreu a troca de e-mails entre o consultor da Stratfor e um funcionário do governo americano, as conversas entre ambos azedaram - e os franceses foram parar no ‘fim da fila’.

A Boeing, que participa da licitação com seus F-18 Super Hornet, intensificou seu lobby desde então. Neste ano, outra reviravolta. Em 31 de janeiro, a notícia da negociação para venda de 126 Rafales à Índia, por 12 bilhões de dólares, desviou o foco novamente para Paris. Desde então, fontes do Palácio do Eliseu e do Planalto dão como certo o fechamento do negócio com os franceses. Depois de dezesseis anos de adiamento, a presidente Dilma Rousseff parece estar disposta a fechar o negócio neste primeiro semestre.

Vazamento
A mensagem faz parte de Os Arquivos de Inteligência Global, com mais de 5 milhões de e-mails da companhia Stratfor, no Texas, EUA, divulgados nesta segunda-feira pelo WikiLeaks. Os e-mails datam de julho de 2004 a dezembro de 2011. Entre os clientes da Stratfor estão o Departamento de Segurança Pública dos Estados Unidos, a Marinha americana e grandes empresas.

Voltei
É evidente que o que se tem é quase nada para dar curso à desconfiança de que Lula recebeu propina dos franceses, como afirma o tal funcionário. Por mais que as negociações com os franceses tenham trilhado caminhos um tanto heterodoxos — eu mesmo escrevi bastante a respeito —, é o suficiente para dar início à campanha “Lula recebeu bola dos franceses”? Acho que não.

Mas agora peço que vocês ponderem: imaginem o que o JEG — Jornalismo da Esgotosfera Governista — não estaria fazendo, E COM PATROCÍNIO DE ESTATAIS, se os alvos da desconfiança fossem FHC, Serra ou outro tucano qualquer… Ora, fariam o que se pode ver todos os dias em suas páginas — os que têm estômago para aquilo ou são tolos o bastante para acreditar em penas de aluguel.

Chamo atenção, insisto, para este aspecto do problema: quem patrocina a campanha que esses caras fazem contra lideranças da oposição, autoridades do Judiciário e jornalistas e veículos de comunicação independentes são as estatais. Usa-se descaradamente o Estado para financiar uma guerra suja de natureza política.

Eles, que gostam tanto do WikiLeaks, silenciaram desta vez. Não só eles, é bom destacar. A própria grande imprensa, que se registre, teria dado muito mais visibilidade à acusação se o alvo não fosse Lula.

Por Reinaldo Azevedo

22/02/2012

às 16:47

De volta ao Samba do Crioulo Doido. Ou: Urucubaca luliana mostra a Gaviões por que não se deve ser pombinha do PT

De volta! Fim do ziriguidum, mas ainda neste clima de carnavalização da política, de samba-do-crioulo-doido em que estão transformando — ou transfugando?, se me permitem o neologismo — a política brasileira. O único pecado abaixo do Equador é pertencer à oposição. Nesse ritmo, ainda acaba “proclamada a escravidão, lá iá lá iá lá ia”…

Viram o espetáculo deprimente na apuração do resultado do desfile das escolas em São Paulo? Os partidários da Império da Casa Verde e da Gaviões da Fiel eram os mais exaltados. E o pau quebrou, sendo necessária a intervenção dos Unidos da Lei e da Ordem, mas com a devida moderação, ou os petralhas acusam o governo de São Paulo de “militarizar o Carnaval”… Se as pessoas descontentes não puderem, vamos ser modernos, trollar o processo, onde está a democracia, não é mesmo? Precisamos dar vivas à intervenção direta, ao fim da fantasia, ao fogo na alegoria (isso é uma alegoria)! Chegando em casa, este novo ser político deve se armar com um micro, um celular, um iPad — qualquer um desses instrumentos criados pelo maldito capitalismo para oprimir os excluídos — e trollar também os sites, blogs e páginas pessoais de adversários reais ou supostos. Precisamos de um mundo sem mediação, de ação direta, sem oponentes, como queria Ernst Röhm, antes de ser contido por Hitler, o progressista, lá iá lá iá lá ia…

Vi fotos de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, e de Marisa Letícia — a Mulher do Homem num carro alegórico da Gaviões da Fiel. Mais alguns anos, e chegaremos, finalmente, ao século 19. A nova aristocracia manda a República às favas, lá iá lá iá lá ia. E se apodera das esferas pública, privada e estatal. Como naquela música do sambista Chico Jabuti, “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal…” A Gaviões e eu espero que o meu Corinthians um dia se liberte dos “grilhões que nos forjou o ardil astuto da perfídia” , movida pelo mau espírito da sujeição encomiástica, tentou rapinar o Carnaval de São Paulo em ano eleitoral, levando à avenida um samba-enredo ideológico: “Verás que um filho fiel não foge à luta - Lula, o retrato de uma nação”. Nono lugar antes de a bandidagem trollar a apuração. Os trouxas ainda não perceberam que nada viceja à sombra de Lula a não ser o partido; o resto murcha, decai e morre, lá iá lá iá lá ia.

Lula já privatizou o processo democrático brasileiro daí que seu instituto pretenda criar o “Memorial da Democracia”, em terreno que Gilberto Kassab, eleito com votos anti-Lula, pretende doar àquela entidade privada. Já no título da pantomima-enredo, privatizam-se, a um só tempo, um verso do Hino Nacional e a torcida do Corinthians. Os Acadêmicos do Nariz Marrom, que lotam nossas universidades, sempre de joelhos para o petismo, deveriam seguir os passos de seus colegas argentinos rendidos ao Casal Kirchner e iniciar um movimento de revisão da história, de extinção dela talvez. Declare-se 2003 o “Ano Um” do Brasil. Em tempo: as escolas de samba recebem grana do município: R$ 27 milhões só neste ano. Não sei que parcela coube à Gaviões. O fato é que, também nesse particular, há evidente uso de dinheiro público com propósito político-partidário.

“Ah, Lula já é um figura que pertence à história”. Uma ova! Assim seria se assim fosse. Ele não está em casa cuidando de suas memórias, mas na ativa, organizando os palanques do PT Brasil afora, muito especialmente o de São Paulo. Tanto é assim que foi ele a oficializar a aproximação de Kassab com o PT, iá lá iá lá ia… Não haver uma cláusula no regulamento da Liga das Escolas ou nos critérios de concessão de dinheiro público que impeça a exploração político-eleitoral do desfile corresponde a se expor à rapinagem. E assim foi. E, mais uma vez, a urucubaca luliana recaiu sobre aqueles que se colocaram de joelhos. Não chega a ser uma determinação da natureza, mas é uma constante sem exceção: é assim que se firma uma… urucubaca!

O filme “Lula, O Filho do Brasil”, por exemplo, foi um fiasco. Não obstante, acabou selecionado pelos puxa-sacos para concorrer a uma indicação ao Oscar. Ninguém deu bola. Quem quer que se aproxime para se contaminar com a “sorte” do “Homem” colhe os efeitos contrários. Vejam esta foto:

lula-mubarakO seca-pimenteira participava, na Itália, da Cúpula do G8, em julho de 2009. Ele e Hosni Mubarak, então presidente do Egito, eram convidados de honra. O Apedeuta, com o veneno tropical, charme e picardia que fizeram história, dá de presente ao ditador uma camiseta da Seleção Brasileira. Bem, vocês sabem o que aconteceu com os nossos Canarinhos e conhecem também o destino de Mubarak. Ah, sim: antes de embarcar para a África do Sul, a Seleção fez uma visitinha a Lula, no dia 20 de maio de 2010…

Há outra foto que entra para a história do pé-quente. É esta.

lula-corinthiansNo dia 1º de Maio de 2010, de passagem por São Paulo para fazer campanha ilegal em favor de Dilma Rousseff, Lula decidiu dar uma passadinha no Corinthians e empenhar seu apoio na disputa pela Libertadores. O Timão enfrentou o Flamengo logo depois e foi desclassificado. Confesso que, desta vez, até me vi tentado a advertir os companheiros da Gaviões — afinal, sou corintiano há mais tempo do que muitos ali: “Não caiam nessa tentação; vão afundar a escola”. Mas deixei que a sina se cumprisse. E não que eu seja bom só para prever o passado. Antes de a Seleção Brasileira visitar O Homem em palácio, fiz aqui a advertência, no dia 25 de maio de 2010. Inútil.

Em 2007, Bebeto de Freitas, presidente do Botafogo, presenteou Lula com uma camisa do clube. Assim.

lula-e-bebeto-de-freitasNa semifinal da Copa do Brasil, num Maracanã lotado, acabou desclassificado pelo Figueirense. “Foi roubo!”, gritará um torcedor. Pois é… Os deuses, quando provocados, deixam cegos os homens (e as mulheres)…

fluminense-lulaOs torcedores do Fluminense jamais vão se esquecer do apoio dado por Lula ao time em 2008, pouco antes da final da Libertadores, contra o modesto LDU do Equador. O tricolor bateu o adversário por 3 a 1 no tempo normal, empatou em zero a zero na prorrogação e naufragou nos pênaltis (3 a 1). Fiel à sua política externa terceiro-mundista, a urucubaca luliana deu ao Equador seu único título na Libertadores.

Essas são apenas algumas das circunstâncias em que Lula aparece trollando a sorte alheia. Há muitas outras lembradas em vários sites e blogs. Ninguém escapou: Guga, Diego Hypólito, até Lenny Kravitz… Que continuem a beijar a mão do Apedeuta. Será sempre bom para o PT — e péssimo para os que se dedicarem à sujeição voluntária. Vamos sair do misticismo para entrar na história.

As primeiras tentativas de assalto às urnas — porque não se trata de disputa dentro das regras do jogo — dos petistas em São Paulo deram com os burros n’água: reação à retomada da Cracolândia, mentira organizada sobre a desocupação da região conhecida como Pinheirinho, privatização político-partidária do Carnaval… Vamos que outras trollagens preparam os companheiros. A única coisa certa é que eles não vão se conformar. E não poderia deixar de fazer um lamento à margem: é lastimável ver o meu time entregue a esse tipo de exploração político-partidária. Espero que uma parte ao menos dos corintianos reaja a essa tentativa de manipulação da torcida.

Caminhando para o encerramento
Bem, caras e caros, estou de volta, com um pouco de samba no pé, como vêem.

A propósito, cumpre publicar, a título de ilustração, a divertida letra do “Samba do Crioulo Doido”, criação de Stanislaw Ponte Preta, heterônimo no jornalista Sérgio Porto, que ironizava, em 1968, a leitura livre que os carnavalescos faziam — e fazem — da história em seus enredos. A obra virou metáfora, símbolo da confusão e da falta de sentido:

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou

Convenham: é mais coerente do que a vida pública brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2012

às 15:46

Minha contribuição pessoal para o acervo do Memorial da Mentira, de Lula, que querem erguer num terreno público

- Dilma solicita a transferência da mulher do terrorista Olivério Medina para o Ministério da Pesca

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- E-mail de Olivério Medina, o terrorista, a chefão da narcoguerrilha tratando do emprego dado à sua mulher (acima), deixando claro que ambos estão sendo protegidos pelo governo brasileiro.

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- Imagem do Diário do Congresso em que Jaques Wagner apóia greve de PMs na Bahia e incentiva a indisciplina contra o governador do Estado.

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- Jaques Wagner, de própria voz, dá apoio à greve de PMs na Bahia


- CUT, braço sindical do PT, dá apoio à greve armada de setor da Polícia Civil de São Paulo em 2008

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- Ideli Salvatti estimulando a mobilização de policias militares em Santa Catarina em 2009. Tentava promover a bagunça na gestão do adversário. No ano seguinte, ela seria candidata ao governo do estado.

- Petistas da Apeoesp queimam livros em praça pública, já em ritmo de campanha eleitoral, em 2010. Dias depois, a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, recebeu como heroína a presidente do sindicato que promoveu ato típico do nazismo. Como disse o poeta alemão Heine, “em país em que se queimam livros se queimarão, um dia, pessoas”.

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- Marco Aurélio Garcia e um assessor reagem de modo civilizado e democrático ao saber que acidente com avião da TAM, que matou 199 pessoas, poderia estar com problema técnico. Vejam a sua reação de “alívio democrático” sobre quase 200 cadáveres: “Oba, a culpa não é nossa!”

- Marco Aurélio Garcia, ele de novo!, integra grupo criado por Chávez para “resgatar” reféns das Farc. Brasileiro participa de uma encenação montada pelo Beiçola de Caracas e pelos terroristas. Ninguém foi libertado, mas todos acusaram o governo colombiano de não querer negociar. Era tudo o que queria o terror.

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Ao longo dos dias, colaborarei com outras imagens para facilitar a vida da turma que vai cuidar do Museu da Mentira.

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2012

às 14:32

Ainda o “Memorial das Mentiras”, planejado com os bens alheios

No post anterior, listei algumas claras e óbvias agressões do PT ao regime democrático, o que desmoraliza a proposta de se DOAR UM TERRENO PÚBLICO para Lula fazer o seu “Memorial da Democracia”. Fique de olho nos vereadores. Se você não é petista, nas eleições deste ano, eis um bom critério para avaliar se o vereador que concorre à reeleição merece ou não o seu voto. Se ele concordar em entregar o que é seu ao PT — o nome disso é privatização do espaço público —, então não merece o seu voto.

Nesta madrugada, fiz 16 perguntas a Kassab, a Lula e a quantos sejam a favor desse absurdo. Mas é claro que posso acrescentar outras tantas.

17: Boxeadores cubanos - O Memorial da Democracia do Apedeuta, com terreno NOSSO, doado por Gilberto Kassab, trará a imagem dos boxeadores cubanos que fugiram da ditadura dos Irmãos Castro e foram indignamente devolvidos à ilha? Não custa lembrar: o avião que os reconduziu ao presídio, embora formalmente pertencente a uma empresa espanhola, tem registro na Venezuela e presta serviços a Hugo Chávez. Tratou-se de uma conspiração de ditaduras contra dois pobres-coitados.

18: A mulher do terrorista - Terá o Memorial da Democracia a coragem de exibir num quadro, logo à entrada, uma reprodução ampliada do ofício em que a então ministra Dilma Rousseff pede a transferência para Brasília da mulher do terrorista Olivério Medina?  A agora Soberana, então chefe da Casa Civil, a colocou no Ministério da Pesca.

19: O e-mail do terrorista - Ao lado do ofício, haverá a exposição do e-mail em que o terrorista Medina, de próprio punho, relata a um dos chefões da organização a ajuda do governo petista para protegê-lo e à sua mulher?

20: Estripulias de Lulinha - No Museu da Democracia, haverá o acordo que Fábio Luiz da Silva, o “Ronaldinho dos negócios” de Lula, celebrou com a então Telemar, que injetou R$ 10 mihões da Gamecorp? O ex-monitor de Jardim Zoológico, tornado empresário célebre, vai deixar registrado no memorial esse verdadeiro milagre da ascensão social e profissional?

21: Primeiro o negócio, depois a lei - Veremos no memorial aquele momento histórico, quando Lula, ao arrepio da Lei de Telecomunicações, põe o BNDES para financiar a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar, aquela da empresa de Lulinha…)? A lei foi mudada só depois de celebrado o acordo. O evento levou este blog a sintetizar assim a operação: “Nas democracias, fazem-se negócios de acordo com as leis; no petismo, fazem-se leis de acordo com os negócios.”

22: O terrorista é nosso - Trará o Memorial da Democracia, que terá a assinatura de Lula e de Kassab, a decisão do governo petista de manter no Brasil o assassino italiano Cesare Battisti ao arrepio do Tratado de Extradição, da decisão do STF e do Conselho Nacional de Refugiados? Veremos aquele momento lindo em que Tarso Genro trata a democracia italiana como se fosse uma ditadura, alegando que Battisti, o assassino, correria riscos na Itália? Sim, Tarso foi o mesmo que não pensou no risco que os boxeadores cubanos correriam em Cuba.

23: Amor pelas Farc - Veremos, afinal de contas, nesse memorial as simpatias reiteradas dos petistas pelos terroristas das Farc? Merecerá destaque a fala de Marco Aurélio Top Top Garcia, que, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, afirmou que o Brasil era “neutro” no debate sobre se as Farc eram ou não terroristas?

24: Farc e Venezuela - O Memorial da Democracia de Lula exporá os visitantes à nojeira dita por Celso Amorim quando armas do Exército venezuelano foram encontradas em poder dos terroristas das Farc, na Colômbia? Amorim, o megalonanico, afirmou que não havia provas de que fossem, de fato, venezuelanas. O próprio Chávez admitiu que eram, mas inventou a cascata de que tinham sido roubadas.

25: Democracia até demais - Merecerá o devido destaque no Memorial da Democracia a frase de Lula, tornada célebre, segundo a qual na Venezuela de Chávez “existe democracia até demais”?

26: Fogo em livros - O magnífico memorial lulista trará a bagunça promovida em São Paulo por sindicatos petistas, como a Apeoesp, que tentou liderar uma greve de professores anunciando, abertamente, que o objetivo era “quebrar a espinha” do então presidenciável tucano, José Serra? Seguindo o exemplo dos nazistas na Alemanha, os militantes queimaram livros em praça pública.

27: Greves nas polícias - Lula vai reunir em seu memorial o apoio que ele próprio deu às greves da PM na Bahia em 1991 e 2001, ao lado de companheiros como Jaques Wagner? O arquivo trará gravações e vídeos em que Wagner incentiva a bagunça na Bahia, e Ideli Salvatti, em Santa Catarina? O PT vai se orgulhar do apoio descarado que deu a um movimento de uma minoria na Polícia Civil de São Paulo, em 2008, que tentou fazer um protesto no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, de arma na mão? Um oficial da PM chegou a levar um tiro.

Não tenho a pretensão de esgotar a lista das vezes em que o PT meteu um pé no traseiro da democracia para consolidar o seu projeto de poder. Podemos passar dias fazendo o inventário das indignidades. É por isso que você tem de ficar de olho no vereador que é candidato à reeleição. Condescender com o presente que Kassab quer dar ao lulo-petismo é dizer “sim” às mistificações do PT. Se você for petista, aplauda; se não for, sinta-se roubado.

Por Reinaldo Azevedo

14/02/2012

às 22:07

A empulhação do “Memorial da Democracia” de Lula começa a ser debatida na Câmara, em São Paulo

Leiam o que informa Roney Domingos, no Portal G1. Na madrugada, volto ao tema:
O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, e o diretor da instituição Paulo Vannuchi estiveram nesta terça-feira (14) na Câmara Municipal de São Paulo para explicar aos líderes dos partidos o projeto de construção do Memorial da Democracia em uma área de 4,3 mil metros a ser cedida pela Prefeitura de São Paulo na Rua dos Protestantes, na Cracolândia, região central de São Paulo. A doação precisa da aprovação da maioria dos 55 vereadores.

No dia 1º de fevereiro, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) levou pessoalmente o projeto à Câmara Municipal de São Paulo. Okamoto disse que a construção do museu não empregará dinheiro público. “Vamos captar recursos privados para construir”, afirmou o dirigente. Ele afirmou que após a construção podem ser estabelecidos convênios com universidades e museus.

Ainda não há previsão de custo do projeto.  Os idealizadores pretendem lançar um concurso para selecionar propostas arquitetônicas. O museu deverá abrigar cerca de 14 contêineres de material de interesse histórico acumulado pelo então presidente Lula ao longo de oito anos de mandato (2003-2010), entre eles cerca de 250 cartas diárias, centenas de bíblias e até três tornos mecânicos que o ex-presidente recebeu de presente.

Vannuchi afirmou que o imóvel não será sede do Instituto Lula, mas de um museu interativo nos moldes do Museu do Futebol, aberto gratuitamente ao público e dedicado a resguardar a memória da luta no país pela democracia. O Instituto Lula, hoje com sede no Ipiranga, deverá se mudar para outro imóvel, ainda em estudo, mas não funcionará no mesmo endereço do Memorial da Democracia.

O pedido de cessão do terreno partiu do instituto. Lula teve uma reunião com Kassab dias antes de o projeto ser levado à Câmara Municipal. “Nós queríamos fazer o pedido em nome do Instituto Lula, e não do Instituto Cidadania. Então houve todo um trabalho de montar o instituto, registrar, depois entrar em contato com o prefeito e fazer o pedido oficial”, disse Okamoto.
(…)
O líder do PSDB na Câmara Municipal, Floriano Pesaro, questionou o projeto e disse que ele precisa ser melhor analisado. Ele disse que ficou surpreso quando viu o prefeito Kassab ir pessoalmente à Câmara entregar o texto aos vereadores.

“O momento político é inoportuno. Queremos discutir o mérito da cessão de um terreno público ao Instituto Lula. Outra preocupação é com relação ao valor e com relação às contrapartidas. Tenho de destacar a posição de meu partido. Há visões particulares sobre as quais divergimos em relação à democracia”, afirmou Pesaro. “Quero deixar claro que o PSDB tem receio da instrumentalização política e em relação ao interesse público”, afirmou Pesaro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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