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Luíza Erundina

20/06/2012

às 20:25

O erro de Erundina e um desafio aos leitores

A deputada Luiza Erundina (PSB), ex-candidata a vice-prefeita na chapa de Fernando Haddad (PT), voltou a criticar a aliança do partido com Paulo Maluf. Disse o seguinte. Transcrevo trecho de reportagem da VEJA Online. Volto em seguida com um desafio a vocês:

Erundina disse que Maluf quer usar a aliança para se “higienizar” do lado de forças políticas diversas à sua trajetória política. E que, politicamente, o deputado federal é um “desastre”. “Ele já estava morto e só faltava enterrar”, afirmou.

Voltei
Sabem um daqueles textões da madrugada? Então! Meu tema será esse. Vou explicar, recorrendo à história, por que Erundina está erradíssima. A coisa é bem pior do que parece. Enquanto isso, vocês podem e devem tentar descobrir onde está o erro fenomenal da deputada e que tem a ver com as três últimas décadas da política brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2012

às 7:40

Foto de Lula e Maluf provocou repulsa, afirma Erundina

Por Christiane Samarco, no Estadão:
A deputada Luiza Erundina (PSB) afirmou nessa terça-feira, 19, que a foto em que Lula e Fernando Haddad aparecem ao lado de Paulo Maluf nos jardins da casa do deputado do PP em São Paulo “provocou repulsa”. “Fui bombardeada nas redes sociais”, afirmou a deputada federal, ao comentar decisão de não aceitar mais ser vice do petista na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

A foto do ex-presidente Lula com o deputado Paulo Maluf nos jardins pesou na decisão?
A aliança com esse sistema político exaurido que está aí é norma mesmo quando não há identidade ideológica. Mas a foto provocou repulsa, uma reação em cadeia. Fui bombardeada nas redes sociais.

Lula agiu mal ao fazer o gesto de visitar o ex-prefeito Maluf em sua casa?
O gesto de Lula foi ruim. Nós que temos história de militância temos responsabilidade de qualificar o processo eleitoral, temos que ter um cuidado para não estragarmos a prática política.

O que a senhora quis sinalizar com a sua saída da chapa?
Engrandecer este homem no momento em que queremos passar a limpo o regime militar, o regime da ditadura, não dá, não dá. O Maluf atuou na ditadura e quando eu fui prefeita, 22 anos atrás, encontrei uma vala clandestina no cemitério de Perus, com 1049 corpos, sendo cinco corpos de desaparecidos políticos… Subir no palanque com ele, não vou.

Não dava para permanecer na chapa…
Não permanecer na chapa é não aceitar a lógica política do vale-tudo que predomina no país todo. Isso só se resolve com reforma política, mas política tem um simbolismo. Eu faço política com uma preocupação de ordem pedagógica. Tanto podemos educar como deseducar. Nós da geração que está passando não podemos aceitar práticas políticas condenáveis que afastem a juventude do processo político.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 20:59

Campos e Falcão evidenciam que esforço para manter Erundina era conversa mole, conforme se antecipou aqui

Pois é… Acreditem em mim. Quando afirmei que não queriam mais Luíza Erundina como vice e atuavam para que caísse fora, fui acusado de estar inventando coisas etc e tal. Então tá. Vamos ver o que disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB:

“Se [Erundina] permanecesse, seria uma crise todo dia. Ela seria sempre questionada sobre a presença de Maluf. Seria um ponto permanente de instabilidade em função de que ela não quer rever nada do que disse”.

Agora leiam o que diz Rui Falcão, presidente do PT:
“Na medida em que Fernando Haddad for ligado ao Lula e à presidente Dilma, ele vai crescer. A Erundina continua apoiando o Haddad, ela vai participar da campanha, só não mais como vice.”

É isso aí. Conforme que queria demonstrar.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 20:39

Erundina e Maluf juntos eram dois atrasos opostos e combinados. Ela saiu porque iria mesmo atrapalhar o “petista petistil”

Conforme este “blogueiro” reles e paranoico (hoje eu me acabo no Sonho de Valsa; não deixarei unzinho para o Mané de Stanford…) havia antecipado aqui, os petistas não fizeram muito esforço para ter Luíza Erundina de volta. A área, vamos dizer, “marquetológica” do PT chegou à conclusão de que ela seria um peso na campanha. Ou, nas considerações de um chefão do partido, eles já tem o nordestino que interessa — Lula — e não precisam de outra. Especialmente da deputada do PSB.

Vamos ver. Ela estreou na condição de vice afirmando que eleição é expressão da luta de classes, com ataques à “mídia conservadora” (e elogios à aloprada Cristina Kirchner) e reafirmando os valores da aurora socialista. Enquanto isso, os petistas costuravam o acordo com Paulo Maluf, que nunca deixou de ser quem é. Aliás, atenção! O PT também continua a ser o que sempre foi. A suposição de que aí está um puro que caiu é falsa como nota de R$ 3. O petismo ensaiou um movimento para Erundina ficar, mas era, antecipei aqui, puro jogo de cena.

Aquele notável apanhado de bobagens ditas por Erundina tinha mesmo potencial para criar dificuldades para a candidatura de Fernando Haddad. Eu até me vi tentado a fazer aqui uma piadinha, já que sempre digo tudo o que penso. Era mais ou menos esta: “Fica, Erundina! Não vai, não!” Eu antevia um bom futuro para São Paulo estes dois atrasos opostos e combinados: Erundina e Paulo Maluf. A derrota me parecia quase garantida…

Não estou dizendo que os dois se igualam em moralidade, não! De maneira nenhuma! Esse critério é, sem sombra de dúvida, importante. Aliás, deveria ser considerado pelo eleitor um quesito de exclusão, não é? Se o sujeito não presta, está fora. Mas não basta ser bem-intencionado e pessoalmente honesto para fazer um bom trabalho. A história está cheia de idiotas bem-intencionados, incapazes de roubar um alfinete, mas que fizeram bobagens. O socialismo de Erundina, lamento, é ideia do século retrasado. Os vícios de Maluf, bem, estes surgiram quase junto com o próprio Deus, não é?, só que pelo avesso…

O que estou querendo dizer, meus caros, é que Lula fez uma escolha — “entre Maluf e Erundina, fico com Maluf” —, e isso diz um tanto do seu caráter e do caráter do seu partido. Mas também estou querendo dizer que, tecnicamente, Erundina era uma figura difícil de encaixar na construção da candidatura de Fernando Haddad.

Para ter chances, o “petista petistil’ (tirei essa do fundo do baú) tem de se mostrar o candidato da inclusão, que transita acima das classes, que governa sem discriminar ninguém, simpático às demandas daquilo que os petistas chamam lá entre eles “classe média conservadora de São Paulo”. Erundina deixou claro que não se encaixaria nessa construção.

Ela foi indicada pelo PSB, e o PT atuou para tirá-la do jogo. Os salamaleques a Maluf fizeram parte de uma decisão estudada, tomada racionalmente. Ele, vocês verão, dará o seu minuto e meio ao partido e vai ficar meio na moita. Não esperem que saia dando entrevistas por aí. João Santana e Lula sentiram em Erundina a vontade de participar ativamente da campanha. E isso, definitivamente, não era bom… para eles!

Lamento, sim, a saída de Erundina, mas bem à minha maneira, como veem.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 18:24

Conforme antecipou VEJA Online, Luiza Erundina oficializa saída da chapa de Haddad

Na VEJA Online:
A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad. A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília. Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT. Erundina e Maluf são inimigos históricos. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França. “Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança”, afirmou o deputado.

Com a desistência de Erundina, o PSB não pretende indicar um substituto. Com isso, a vaga de vice na chapa de Haddad ficou vaga, o que aumenta as chances de o PCdoB entrar na aliança. Assim que soube que Erundina não abriria mão de seus princípios para fazer campanha ao lado de Maluf, Fernando Haddad ligou para os comunistas para avisar da mudança de cenário. O interlocutor escolhido foi o ex-ministro dos Esportes,  Orlando Silva. O PCdoB pretendia lançar candidatura própria, com o vereador Netinho de Paula, mas deve desistir para se aliar ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 13:01

“Quem precisa da nordestina Erundina? Já temos Lula”

Um dos capas-pretas do petismo não deu a mínima pra reação de Luíza Erundina ao acordo que o PT celebrou com Paulo Maluf. E o fez em termos não muito cordiais. Ele está entre os que torcem para que ela desista. Advertido de que isso poderia criar contratempos junto ao eleitorado nordestino da cidade, saiu-se com esta: “Quem precisa de Erundina? Já temos o maior de todos os nordestinos: Lula. Não precisa de mais”.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 17:36

“Não aceito aliança com Maluf”, afirma Erundina a VEJA

Por Thais Arbex, na VEJA Online. Comento no próximo post.
A deputada federal Luiza Erundina afirmou em entrevista exclusiva ao site de VEJA que vai rever a decisão de compor chapa com o petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Erundina se pronunciou poucas horas depois de o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) oficializar apoio à candidatura de Haddad. Na sexta-feira, o PSB anunciou Erundina como candidata a vice na chapa do PT e, na ocasião, a ex-prefeita já havia deixado clara sua indisposição com o possível apoio do PP.

“Se for por nomes, meu partido tem outros a indicar. Eu pessoalmente não vou aceitar. Vou rever minha posição”, afirmou. “Não preciso ser vice para fazer política.” Ex-prefeita de São Paulo, Erundina disse que a aliança com o seu adversário histórico foi feita “à sua revelia”. Ontem à noite, ela teve uma longa conversa com Haddad e segundo a deputada, o pré-candidato garantiu que aliança com o PP não estava fechada. “Ele praticamente desconversou”. Ela disse ter mostrado a Haddad sua preocupação com a coligação com Maluf.

A decisão de Erundina está diretamente ligada ao ingresso de Maluf na campanha petista. ”É demais para mim. É muito além do razoável”, disse. ”É constrangedor ver Lula e Haddad na casa de Maluf celebrando essa aliança.”   A deputada questiona se vale a pena se “aliar a forças nefastas da política brasileira” em troca de “um minuto a mais” no tempo de televisão. “No momento que instalamos a Comissão da Verdade para desvendar crimes das ditadura, o PT se alia a um dos tentáculos da ditatura militar.”

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2012

às 8:57

Haddad é o candidato mais velho à Prefeitura de SP. Slogan preconceituoso de petista esconde adesão a ideias autoritárias. Ou: Qual é a idade de Haddad, Erundina e Maluf juntos?

Fernando Haddad (PT) tem 49 anos. É o mais velho dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. A vice de sua chapa é Luiza Erundina (PSB), que tem 78. Se tivesse 28, seria tão velha quanto Haddad. Idade não é categoria de pensamento. O slogan do petista é “Um novo homem para um novo tempo”. É um lixo que remete ao preconceito mais rombudo — até Erundina concorda com isso; já chego lá. Luiz Inácio Lula da Silva e o PT usaram essa pegada marqueteira para encostar a senadora Marta Suplicy — que é mulher e, aos 67 anos (mesma idade de Lula e Dilma), não é “nova” — e para tentar criar uma pecha na candidatura do tucano José Serra, que tem 70. Não é a primeira vez que os petistas recorrem ao preconceito para tentar virar o jogo eleitoral. Em 2008, o marqueteiro João Santana, que vai cuidar da campanha de Haddad, perguntou no ar se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos. O “partido da inclusão”, se julgar necessário, pode recorrer aos preconceitos mais odientos para levar adiante a sua “mensagem de libertação e igualdade”…

Haddad é velhíssimo! A idade de um político é revelada por suas ideias. Aquelas que o orientam deixaram um rastro de tragédias. As de Erundina, embora com menos glacê teórico, não ficam atrás. São ambos procuradores declarados — no caso dele, com registro em livros de teorias que, aplicadas, levaram milhões de pessoas à morte. Entendo perfeitamente, e compartilho da repulsa, que fascistas sejam execrados como exemplo do que a humanidade produziu de pior no campo da ideologia. Incompreensível é que seu irmão siamês, o socialismo, tenha virado a expressão de um humanismo. A diferença entre matar milhões em nome do estado e milhões ao quadrado em nome do partido está apenas no número de mortos. Antes que prossiga com as ideias de Haddad, é claro que posso e devo falar um pouquinho da prática de Haddad.

O agora candidato à Prefeitura de São Paulo já tem, sim, uma obra no Ministério da Educação. As 55 universidades federais que estão em greve com manifestantes fichados na Polícia Federal falam como exemplo de sua eficiência. O pensador do socialismo (já chego lá), ao aderir à expansão populista das universidades federais, ignorou as exigências da qualidade. Em muitos campi, faltam luz, esgoto e água encanada. Sob o pretexto de pôr fim aos vestibulares, criou o maior vestibular da Terra: o Enem, desmoralizado por fraudes e incompetências várias. Sob a sua gestão, fez-se o desastrado kit gay para ser usado nas escolas do ensino fundamental e médio.

A patrulha politicamente correta e o sindicalismo gay distorcem estupidamente a realidade ao atribuir ao “preconceito” e ao “moralismo” a crítica ao material. Não! Aquilo, antes de mais nada, é ruim: substituiu-se a pedagogia pelo proselitismo, a educação pela militância, a ética pela patrulha. “Mas e o ProUni?” Um dia, quem sabe?, pesquisadores corajosos estudarão quanto o estado brasileiro repassou de dinheiro público para mantenedoras privadas fornecerem cursos ruins aos pobres. O milagre da multiplicação de universidades e de universitários do petismo é um tributo à demagogia e à baixa qualidade do ensino. Haddad e Lula criaram o Supletivo de Terceiro Grau. Em outros tempos, a UNE protestaria. Mas o PCdoB vendeu a entidade para o governo petista. Voltemos às ideias deste gigante, que pretende fazer de sua pretensa juventude a sua força.

Besteirol
Em 1992, o “intelectual” Fernando Haddad publicou um livro, que era sua dissertação de mestrado. O título é pomposo: “O Sistema Soviético — Relato de uma Polêmica”. Acho que é o besteirol mais pretensioso em que já pus os olhos. Haddad surpreendeu o mundo
se o mundo tivesse tomado conhecimento do que escreveu explicando que o regime soviético nunca foi socialista, não, senhores! Também não era, sustentou, como queriam muitos, uma forma de capitalismo de estado.

Demonstrando ser um marxista aplicado, disse tratar-se de um modelo de transição do “modo de produção asiático” um conceito de Marx para o capitalismo. Os marxistas sabem o tamanho da batatada e rolam de rir. Atenção! A bobagem de Haddad (na verdade, ele colou vergonhosamente, e as distorceu grotescamente, ideias de Wittfogel), no entanto, agasalha uma utopia. Para ele, a revolução de 17 não foi socialista, mas apenas anti-imperialista. Alguém pode perguntar: “E daí, Reinaldo?”. Daí, meus queridos, que este pensador, com aquele ar “coxinha” como se dizia no meu tempo de moleque , acredita que a) o socialismo ainda está por ser construído; b) a revolução verdadeiramente socialista ainda não aconteceu. Entenderam? Assim, se o socialismo que conhecemos não era bom, é porque aquilo não era o verdadeiro socialismo…

Mas o melhor, no que concerne às ideias do gigante, vem agora. Marx caracterizava o tal modo de produção asiático como aquele marcado pelo estado onipresente, autoritário, que impõe o trabalho compulsório etc. Se for para fazer metáfora, leitor, a gente poderia dizer que a China ainda hoje é expressão disso. A apreciação de Marx do tal modelo é obviamente crítica, negativa. Suas características então remanescentes seriam fatores de atraso, que marchavam na contramão do progresso da humanidade. NÃO PARA FERNANDO HADDAD!

Quem sabe arrependido da crítica que fizera ao modelo soviético em 1992, ele escreveu, 12 anos depois, em 2004, pouco antes de assumir o Ministério da Educação, outro livro: “Trabalho e Linguagem — Para a Renovação do Socialismo”. Aí, o sistema soviético, que ele havia, vá lá, criticado como expressão ainda do “modo de produção asiático” — e, pois, necessariamente um atraso (já que ele era um marxista, certo?) —, passou a ser visto com outros olhos. Mandou ver: “O sistema soviético nada tinha de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do império do capital”. Ora, se o “modo de produção asiático” só pode existir como tirania, entende-se, por desdobramento lógico, que a tirania é uma forma de resistência legítima e “absolutamente moderna” à “expansão do império do capital”. Certamente ainda não era o socialismo, como ele gostaria que fosse, mas bom mesmo assim. Os soviéticos não concordavam com ele.

Nesse mesmo livro, Haddad escreve o que pensa das teorias “burguesas” de democracia, o que nos faz crer que existam outras, que devem ser as “socialistas”. Leiam com atenção:
“As modernas teorias burguesas da democracia encaram-na como um método de seleção de líderes que manufaturam as vontades de uma massa apaixonada ou como um método de seleção de plataformas políticas por cidadãos racionais orientados pelo autointeresse. A manipulação e a persuasão, num e noutro caso, seriam possibilidades oriundas, respectivamente, ou da própria irracionalidade do eleitorado em seu conjunto, ou da falta de plena informação derivada dos altos custos a ela associados”.

O texto é meio atrapalhado. Se necessário, leiam outra vez. A democracia não tem salvação: ou está condenada pela irracionalidade das massas apaixonadas pelo “líder” ou pela “falta de plena informação” daqueles que se supõem orientados pela racionalidade. Num caso e noutro, o que se tem, é evidente, é uma ilusão. Assim, as teorias burguesas de democracia têm de ser, obviamente, superadas.

Ainda bem que tem Erundina…?
Aí o eleitor eventualmente assustado com as ideias de Haddad pode buscar um conforto: “Pô, ainda bem que tem a Erundina, né? Vai que ele ganhe…”. Pois é. A ex-prefeita fez um discurso no dia em que aceitou ser vice na chapa do PT. Defendeu a implementação da sociedade socialista, disse que os trabalhadores não têm de disputar um lugar só no Estado burguês, afirmou que eleição é mesmo luta de classes, pregou o controle dos meios de comunicação, atacou a imprensa e, para não deixar dúvidas sobre seu pensamento, elogiou Cristina Kirchner, que está partindo, diria Haddad, para o “modo de produção asiático”…

Não dá para saber quem é mais velho: Haddad ou sua vice — e, é evidente, não me refiro, à idade de cada um. Suas ideias é que são do fim do século retrasado!

Entrevistas
Folha e Estadão trazem entrevista de Erundina neste domingo. Na Folha, ela chama o slogan de Haddad de “ruim” porque “pode reforçar preconceitos”. E diz: “Em partidos como os nossos, temos que lutar para conquistar poder, mas temos que ter ação pedagógica”. Entendi. Aí o jornal pergunta: “A senhora se sentiria confortável participando de eventos ao lado de Maluf?”. E ela responde: “Não acredito que Paulo Maluf participará de eventos públicos comigo e com Haddad. Isso é contraproducente do ponto de vista eleitoral. Eu evitaria essa situação porque cria mal-estar na relação com o povo, que sabe quem é Maluf, que sabe quem é a direita nessa cidade, que continua no poder reproduzindo privilégios”.

Não é fabuloso? Apoio de Maluf, vá lá! Mas só se for escondido. Querem é o minuto e meio de TV do PP e pronto! Erundina, muito ética, está dizendo que topa governar com aquela que chama “direita nessa cidade”, mas só, como diria aquela música, “por debaixo dos panos”. Não parece ser íntima da lógica. Se Maluf é a “direita que continua no poder”, a ex-prefeita vai se unir a ele para tentar, suponho, manter… a direita no poder, certo? Ela quer ainda o PSB fora da Prefeitura e do governo de São Paulo. Esta senhora severa aceita dividir o governo com Maluf, mas não com Kassab e Geraldo Alckmin. O socialismo, no Brasil, é a distância mais aloprada entre dois pontos.

Erundina também diz que vai procurar Marta Suplicy — por enquanto, está fora da campanha. Indagada se ocuparia o lugar da outra, dá está resposta fabulosa: “Nada disso. Eu sou eu, Marta é Marta. Eu sou o povo, minha origem é nordestina, família pobre. Não sou de família tradicional, nem de sobrenome”. Entendi. Lula e o PT acham Marta velha, e Erundina acha que a agora senadora não é “o povo”. E Haddad? A candidata a vice ao menos o conhece? “Não. Ele esteve no governo, se não me engano da Marta. Mas não convivi muito. Acompanhei mais de perto no ministério. É um moço idealista, que tem potencial.” Certo!

Encerro
Se a dupla Haddad-Erundina vencer a disputa eleitoral na cidade de São Paulo, é certo que não conseguirão implantar o socialismo municipal. Mas me pergunto o que a soma de preconceitos e equívocos de ambos, eventualmente temperados pela contribuição de Maluf, pode produzir na cidade. Uma coisa dá pra saber: Haddad tentaria um modelo de democracia diferente desse que está aí, “muito burguês”, sabem? Sua vice já tem a receita: tem de ser na base da luta de classes.

Texto publicado originalmente às 7h53
Por Reinaldo Azevedo

16/06/2012

às 7:01

Vice de Haddad, Erundina diz que eleição é luta de classes, prega o socialismo, ataca a mídia e defende Cristina Kirchner (!), que tenta censurar a imprensa na Argentina

Por Bernardo Mello Franco e Diógenes Campanha, na Folha. Volto depois.
Ao ser anunciada candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), a deputada Luiza Erundina (PSB) comparou ontem a eleição de São Paulo à luta de classes e disse que defenderá os pobres no embate com José Serra (PSDB). A ex-prefeita também prometeu buscar o apoio da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que faltou a mais um ato da campanha petista. Em discurso de forte teor ideológico, Erundina prometeu retomar o projeto “democrático e popular” iniciado com sua eleição em 1988, quando ainda era do PT. “A sociedade de classes continua tão forte, conflitante, contraditória e antagônica como sempre esteve.”

Ela defendeu a implantação do modelo socialista no país, disse que a classe trabalhadora não deve disputar apenas “espaço de poder no Estado burguês” e afirmou que percorrerá “favelas e cortiços” para pedir votos. “É o socialismo que garante a realização plena do ser humano. É em nome dessa utopia que estamos aqui.”

A ex-prefeita também criticou os meios de comunicação brasileiros e elogiou o governo de Cristina Kirchner na Argentina — que, segundo ela, “avançou significativamente no enfrentamento aos poderosos da mídia”. Haddad, que discursou em seguida, exaltou a escolha da vice. “É um quadro que consegue perceber com muita nitidez as ameaças do obscurantismo que estão sempre espreitando esse país.”
(…)

Voltei
Tudo saindo como quer o PT, Erundina terá Paulo Maluf como companheiro na defesa do socialismo e nas perorações sobre a luta de classes.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2012

às 19:30

Erundina deve ser a vice de Haddad na disputa pela Prefeitura em SP

Por Fernando Gallo e Julia Duailibi, no Estadão Online:
O PSB ofereceu o nome da ex-prefeita e deputada Luiza Erundina como vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o Estado apurou, o PT acatou o nome da parlamentar para ingressar na campanha do ex-ministro da Educação e faz um esforço para fazer o anúncio na próxima sexta-feira.

Erundina já foi sondada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, há 13 dias e disse aceitar a missão, desde que houvesse consenso no PT e no PSB. Na expectativa de que ela aceite a indicação, o PT esperava uma conversa final dela com direção do PSB ainda hoje em Brasília. Antes de bater o martelo, o PSB corre para diminuir a resistência da ala paulista do partido à escolha. Isso porque Erundina não é ligada ao grupo do presidente estadual do PSB, Márcio França, que trabalhou por uma aliança com os tucanos.

Campos já havia colocado o nome da deputada nas primeiras conversas que manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a aliança em São Paulo em maço. Ele também sondou a parlamentar sobre a disposição de aceitar o convite durante encontro, no dia 1º de junho, em Recife, quando foi lançada a Comissão da Verdade em Pernambuco.

Na conversa, Erundina disse que só toparia se a indicação fosse por consenso. Ela também pediu sigilo sobre o assunto, pois temia que o nome dela sofresse desgaste, se a indicação vazasse para a imprensa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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