Blogs e Colunistas

José Sarney

21/06/2011

às 6:37

Sarney avalia que sigilo em obras da Copa não passa no Senado

Por Gabriela Guerreiro, na Folha:
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse ontem que a Casa deverá derrubar a decisão de tornar secretos os orçamentos estimados pelo governo para as obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. O sigilo foi aprovado pela Câmara na semana passada. Conforme a Folha revelou, foi incluído por uma manobra de última hora na medida provisória que altera a Lei das Licitações e flexibiliza os contratos de obras e serviços dos dois eventos esportivos. A mudança no texto tirou dos órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas, o direito de consultar os orçamentos estimados pelo governo antes da escolha das empresas responsáveis pela execução dos projetos.

Pela MP, as informações seriam repassadas em “caráter sigiloso” e “estritamente” a esses órgãos depois de conhecidos os lances das empresas que participarem de cada licitação, quando o governo achar conveniente. Sarney afirmou que é preciso assegurar a divulgação pública das planilhas e o total acesso às entidades de fiscalização. “Não sei por que foi incluído esse sigilo. Não vejo nenhuma diferença entre obras de Copa e outras obras públicas”, disse ele. Sarney disse que “devemos encontrar uma maneira” de restaurar o texto original, sem o parágrafo 3º do artigo 6º, que trata do sigilo.

ACERTOS
O governo diz que a revisão da Lei da Licitações pode acelerar a construção de estádios e outros projetos de infraestrutura, e alega que manter em segredo os orçamentos é um modo de coibir acertos entre empreiteiras antes das concorrências. Especialistas consideram a medida ilegal e acham que a mudança não ajuda a inibir as fraudes. Empresas que conseguissem acesso aos orçamentos sigilosos seriam favorecidas nas licitações. A declaração de Sarney recebeu apoio de partidos de oposição. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que a atitude do peemedebista é um “avanço”.

O tucano defende que o presidente da Casa devolva a medida provisória para o Executivo sem que o plenário analise o seu conteúdo. “Isso deveria vir como projeto de lei, com mais tempo para discussão”, disse Dias. A despeito da posição de Sarney, a orientação entre os governistas é a de aprovar o texto da Câmara. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2011

às 15:31

A mais recente bobagem de Sarney

Quando o outro diz uma boçalidade, a nossa crença na razão e na iluminação do espírito tende a nos levar a dizer: “Coitado do Sarney! Olhem como ele diz besteira!”. Ou ainda: “Coitado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte! Ele não tem em mãos nem mesmo uma versão decente de Os Lusíadas”. É essa nossa crença generosa que nos faz ter pena de algumas bestas morais. No fim das contas, cumpre dizer: “Coitados de nós!”

O presidente do Senado, o tal Sarney, agora saiu-se com outra pérola:
“Eu acho que nós não podemos fazer WikiLeaks da história do Brasil, da construção das nossas fronteiras. Quanto a documentos atuais, esses aí eu não tenho nenhuma restrição. Acho que devem ser abertos, publicados. Eu quero é melhorar o projeto, eu não quero que o projeto não exista.”

É uma bobagem daquelas rechonchudas. Eu não tenho a menor simpatia pelo WikiLeaks ou por Julian Assange, a celebridade. Uma coisa é liberar documentos que digam respeito à história do Brasil depois de um determinado período; outra é promover o roubo de documentos oficiais de questões que digam respeito à segurança de estado que ainda estão em curso. A associação é descabida.

Ele avançou:
“Se pegarmos todo o nosso acervo histórico do Itamaraty, da construção das fronteiras do Brasil e fomos divulgar neste momento, nós vamos abrir feridas com nossos vizinhos. Os nossos antepassados nos deixaram esse país com as fronteiras consolidadas. Por que vamos agora abrir para esses países?”

Sarney, pelo visto, está disposto a alimentar a fantasia de que o Brasil deu um cavalo à Bolívia em troca do Acre e de que é o responsável pelo fim da doce utopia do tirano Solano López, no Paraguai. Huuummm… Ainda que fosse, né? A generosidade do Brasil com os “hermanos” já compensou… Considerando a refinaria da Petrobras que Evo nos roubou, o financiamento do BNDES, a compra de boa parte da cocaína boliviana e os carros roubados, já teríamos liquidado a fatura com sobra; seria o caso de reivindicar mais um pedaço da Bolívia — não que eu queira, evidentemente.

Por Reinaldo Azevedo

31/05/2011

às 22:18

O Stálin do Maranhão desiste de recontar a história

Sei que vocês já leram e já sabem, mas fica aqui o registro.

Sarney manda incluir impeachment nos fatos históricos em painel do Senado

Por Rosa Costa, no Estadão Online:
Pressionado pela repercussão da decisão de omitir o impeachment do então presidente da República e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) dos fatos históricos protagonizados pelo Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), mandou refazer os painéis afixados no túnel do tempo. É assim chamado o local que liga o plenário a gabinetes de senadores, por onde passam mais de 5 mil pessoas nos dias de maior movimento no Senado.

Ficou acertado, por ordem de Sarney, que o impeachment, seus motivos e conseqüências passarão a constar de um novo painel, entre os 16 afixados no local. O Senado aprovou o impeachment de Collor no dia 29 de dezembro de 1992, por suspeita de corrupção no seu governo, minutos depois dele ter renunciado ao cargo. No blog do Senado, Sarney afirma que não é curador nem autor da exposição. “Mas, para evitar interpretações equivocadas, determinei ao setor competente da Casa que faça constar na referida exposição o impeachment do presidente Collor, uma vez que não temos nada a esconder nesta Casa”.

Na segunda-feira, 30, quando da reinauguração da decoração do túnel do tempo, Sarney justificou a omissão do impeachment dizendo que era um fato “que não devia ter ocorrido” e que “não se tratava de um fato marcante”. Ele foi convencido por assessores que não pode mudar a trajetória da história política brasileira. Continua visível nos painéis o interesse de seus realizadores em valorizar o presidente do Senado. Ali está a sua foto jurando a nova Constituição. Ele, o ex-senador Paulo Brossard e o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) são os únicos vivos cujas fotografias aparecem no local. Sarney é igualmente lembrado pela inclusão de proposta de sua iniciativa, a que garante atendimento gratuito aos aidéticos, entre os grandes feitos do Senado. Ficaram de fora a iniciativa do então senador Nelson Carneiro de instituir o divórcio no País e as CPIs importantes realizadas na Casa.

Em um dos painéis, há citações que conduz ao erro atribuir a extensão da licença maternidade para 180 dias como sendo obrigatória, e não apenas para funcionários do serviço público, dependendo de negociação na iniciativa privada. A proposta da Lei da Ficha Limpa é ainda atribuída como sendo originária da Casa, apesar de se tratar de uma proposta de iniciativa popular.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2011

às 18:11

Sarney, o Stálin do Maranhão, agora virou juiz da história. “Cadê a estaca?”, perguntaria Paulo Francis

O afastamento de Collor da Presidência da República, que resultou na sua renúncia, não faz mais parte da galeria de imagens do Senado, conforme vocês lêem no post anterior. O bigodudo José Sarney — Paulo Francis sempre perguntava quem enfiaria uma estaca metafórica no coração dele… — se iguala, assim, a outro bigodudo, Josef Stalin. O tirano do Maranhão só é menos sutil. O da Geórgia mandava retocar fotos, eliminando seus inimigos da história. O homem que inventou um estado — o Amapá — só para ser senador e poder se alimentar com a seiva da política já manda eliminar a foto inteira mesmo. É um troço espantoso!

Indagado a respeito da decisão, o que ele respondeu?
“Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido.”

Hein??? Fosse uma consideração a ser levada a sério, seria só uma visão estúpida de história. No mundo dos fatos, inexiste a categoria das coisas “que deveriam e que não deveriam ter acontecido”. Imaginem se os judeus fossem eliminar as marcas deixadas pelo nazismo porque aquilo, afinal, “não deveria ter acontecido”.  Ou se decidíssemos jogar fora os arquivos da ditadura porque “não deveria ter acontecido”, como um Rui Barbosa mandando queimar os documentos sobre a escravidão.  Esse critério pode ser ético, pode ser moral, pode ser religioso, pode ser até estético — por exemplo, “Marimbondos de Fogo” não deveria ter acontecido… —, mas isso não é história. O que aconteceu… “acontecido” está, se me permitem a licença.

Sarney, vejam só, tornou-se juiz da história. Não estivesse apenas prestando um favorzinho a seu aliado de agora, Collor — que se elegeu satanizando-o —, estaria dizendo uma grossa bobagem. O “Caçador de marajás”, de fato, não “deveria ter acontecido” no que concerne à moral e aos bons costumes, mas foi um fato. Como foi fato o notável movimento para derrubá-lo, quando as muitas lambanças vieram à luz.

A deposição do primeiro presidente eleito diretamente depois do ciclo militar à esteira da revelação de um impressionante esquema de corrupção — que seria mais tarde superado com folga pelo petismo (não por acaso, estão juntos hoje Lula, Collor e Sarney) — e a posse tranqüila do vice evidenciaram que o país estava, sim, maduro para o jogo democrático. Collor talvez não “devesse ter acontecido”, mas a sociedade cumpriu um dever ao exigir a sua queda. E aquelas páginas da história são bastante meritórias.

Sarney, reitero, está apenas prestando favores — por isso não se deve debater com ele a sério. Como questão geral, cumpre lembrar que, por exemplo, na cadeia de eventos, o Plano Real não deixa de ser uma conseqüência da queda de Collor. Foi ela que permitiu o acordo que levou os tucanos para a base do governo Itamar e FHC para o Ministério da Fazenda. E, bem, o resto também é… história.

Sarney é o mais caro e dileto amigo do PT. É seu grande aliado no Congresso. Todos sabem que o partido de Lula foi um dos protagonistas da deposição de Collor — embora, com efeito, aquele tenha sido um movimento popular. O partido não vai esboçar nem um muxoxo contra a medida stalinista de Sarney. Não vai porque aquele PT, mesmo viciado em muitas porcarias ideológicas, ainda não era este incapaz de explicar que uma de suas estrelas fique milionária da noite para o dia. Que o partido jogue no lixo parte de sua história — afinal, o mensalão também não aconteceu…

O PT e Sarney, no entanto, não têm o direito de eliminar parte da história do povo brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2011

às 17:31

Senado exclui afastamento de Collor da galeria de imagens da Casa

Por Márcio Falcão, na Folha Online. Volto no próximo post.
O Senado excluiu o processo de impeachment do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) da galeria de imagens da Casa, que conta a história da instituição desde o império até os dias atuais. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), minimizou o fato e disse que o impeachment “não é tão marcante” e “talvez fosse um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil”.

O espaço foi reinaugurado hoje e é chamado de “túnel do tempo”. A galeria fica entre o plenário e as alas dos gabinetes dos senadores. Em 2007, às vésperas da posse de Collor no Senado, a Casa já havia retirado as referências ao caso, mas depois recuou e devolveu as imagens. A galeria anterior trazia imagens de passeatas dos caras pintadas que lutaram pelo impeachment de Collor. O painel ainda dizia que, em dezembro de 1992, o Senado aprovou a perda do cargo de Collor e de seus direitos políticos.

O novo “túnel do tempo” foi elaborado pela Subsecretaria de Criação e Marketing. Nenhum servidor da secretaria ainda se manifestou sobre o caso. O painel que trata dos fatos de 1990 cita projetos aprovados pela Casa como o tratamento gratuito de HIV e o Estatuto das Micros e Pequenas Empresas.

Também não há referências a crises enfrentadas pelo Senado como a cassação do ex-senador Luiz Estevão, a renúncia do então presidente Jader Barbalho (PMDB-PA) para fugir do processo de cassação, além dos pedidos de cassação de Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL).

Questionado sobre a retirada do impeachment de Collor, Sarney disse que o episódio não deveria ter ocorrido. “Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido.”

Collor renunciou ao mandato de presidente em 1992 para não sofrer o impeachment.

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2011

às 21:41

Sarney vai devolver R$ 24 mil gastos em um jantar

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai devolver aos cofres públicos R$ 23,9 mil gastos em um jantar oferecido pelo peemedebista ao ministro César Asfor Rocha, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), no final de abril. O jantar para 60 pessoas, realizado na residência oficial do Senado, custou R$ 400 por convidado –com todas as despesas pagas com recursos do Legislativo.

O site Contas Abertas revelou que, para pagar o jantar, a Casa emitiu três notas fiscais em valores próximos a R$ 8.000 –uma para decoração, outra para o buffet e a terceira para o pagamento de bebidas. De acordo com a lei de licitações, o Senado poderia gastar até o limite de R$ 8 mil no jantar sem realizar licitação pública –por isso a Casa optou por separar as notas de empenho dos gastos.

Segundo a ONG Contas Abertas, as notas foram emitidas para três diferentes empresas, o que não caracterizaria o fracionamento das despesas. Duas empresas que forneceram os serviços, porém, estão localizadas no mesmo conjunto comercial em Brasília e têm número de telefone semelhante para contato com os clientes.

Em nota, a assessoria de imprensa do Senado afirmou que Sarney decidiu devolver os recursos depois de ter conhecimento do valor total do jantar. “A decisão já tinha sido tomada pelo presidente desde a semana passada quando soube dos valores cobrados, embora não exista nenhuma ilegalidade na contratação dos serviços”, diz a nota.

Cardápio
Segundo o Senado, o jantar reuniu senadores e “mais de 30 ministros” na residência oficial de Sarney, no dia 28 de abril. O presidente da Casa vai devolver o dinheiro por meio de guia de recolhimento da União. O cardápio oferecido aos convidados foi variado: desde queijo grana padano com mel e caviar, de entrada, até posta de bacalhau sobre ninho de legumes como prato principal. Também estão no cardápio divulgado pelo buffet bebidas alcoólicas, salgadinhos variados e sobremesas.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2011

às 14:11

Sarney diz que mídia enfraquece o poder dos partidos

Então… Vivendo e aprendendo. Como a gente vê, Sarney vai ficando mais velho e vai piorando. Como os vampiros. Leiam o que informa Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Comento no próximo post:

Em seminário do PMDB que discutiu nesta quinta-feira estratégias de comunicação política, o senador José Sarney (PMDB-AP) disse que a mídia enfraquece os poderes dos partidos políticos no Brasil. Segundo Sarney, os políticos precisam criar mecanismos para que não percam sua “legitimidade” diante da atuação da imprensa.

“O Congresso depois de um mês, dois, três, começa a ser contestado. Os deputados não sabem por que foram eleitos e o eleitor não sabe mais que elegeu o deputado. A partir daí, a mídia e seus instrumentos entram e dizem: não, nós passamos a representar o povo. Esse é o grande desafio do mundo atual, da classe política.”

Sarney disse que todos os políticos se queixam da imprensa, mas precisam fazer a “sua parte” ao defender que a liberdade de expressão sirva à democracia sem “desvirtuá-la”.

Apesar das críticas, Sarney disse ser contrário a instrumentos de controle da imprensa brasileira. “Até o tempo corrige os equívocos que a mídia corrige. Talvez eu tenha sido o presidente mais criticado da história do Brasil, mas nunca ninguém viu da minha parte nenhuma reação violenta contra isso.”

O peemedebista afirmou que a imprensa, as ONGs e a própria sociedade civil tiram “nacos” da atividade política –o que enfraquece os partidos e o Congresso. “Nós precisamos disputar esse espaço de saber quem representa a opinião pública”, afirmou.

O PMDB organizou seminário para discutir novas estratégias de mídia com a presença de marqueteiros americanos responsáveis pela campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. O vice-presidente Michel Temer disse que os peemedebistas precisam melhorar sua estratégia de comunicação para que a sociedade conheça as ações do partido.

“Quando você realiza as coisas e não consegue transmiti-la ao grande público, a imagem geral que se tem do partido muitas vezes é negativa. O que o partido faz não chega ao grande público”, afirmou.

Para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), os políticos precisam interagir com a sociedade para que sua representação não “caduque”. “O nosso problema é como o PMDB, o maior partido do Brasil, dialoga com a sociedade. Cada vez mais a sociedade demanda informações que a mídia tradicional não é capaz de atender.”

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2011

às 6:59

13 dos 15 membros do Conselho de Ética são da banda de Sarney

Por Rosa Costa, no Estadão:
O Conselho de Ética do Senado reiniciou ontem suas atividades sem dar sinal de que conseguirá recuperar a credibilidade. O colegiado estava desativado havia dois anos. Na nova composição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), tem o apoio de 13 dos 15 integrantes, além de ter assegurado o comando do órgão ao senador João Alberto (PMDB-MA), de sua confiança.

Na gestão anterior, o conselho arquivou todos as denúncias feitas contra Sarney, entre elas a responsabilidade pelos atos secretos e outros desmandos administrativos da Casa.

Iniciada com atraso de mais de uma hora, a sessão de instalação deixou claro que, na prática, pouco se deve esperar do conselho. O senador Mário Couto (PSDB-PA) chegou a fazer um discurso sobre a necessidade de o colegiado “começar com moral e terminar por moral”.

Como ninguém o aparteou, ele não conseguiu nem mesmo ouvir seus colegas sobre os motivos que os levariam a endossar a escolha de João Alberto para presidente e a do senador Jayme Campos (DEM-MT) como vice.

No cargo pela terceira vez, João Alberto afirmou que não mudará o procedimento de antes, ou seja, as denúncias poderão continuar a ser arquivadas. Ele atribui essa prática pessoal ao fato de não ser “açodado”.

“Nunca açodei os processos. Qualquer processo que chega ao Conselho de Ética a primeira coisa que faço é chamar o senador e dou conhecimento a ele, eu não açodo. Mantenho o equilíbrio na minha gestão como presidente do conselho”, disse. Ele comparou ainda a função à “difícil tarefa de cortar na própria carne nos momentos mais difíceis de julgar os colegas”.

Maioria. O senador teve o voto de 14 dos 15 senadores presentes. A votação foi secreta. Ele não quis se manifestar sobre a representação do Sindicato dos Jornalistas do DF contra o senador Roberto Requião (PMDB), que arrancou o gravador das mãos de um jornalista, alegando que não conhece a denúncia. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2011

às 6:15

Goodfellas

Em foto de Lula Marques (Folhapress), Sarney abraça Renan durante a sessão: "Eu sou você amanhã..."

Em foto de Lula Marques (Folhapress), Sarney abraça Renan durante sessão: "Eu sou você amanhã..."

No Senado de que José Sarney (PMDB-AP) é presidente, Roberto Requião (PMDB-PR) é “vítima de bullying”, e Renan Calheiros (PMDB-AL) se torna membro titular do Conselho de Ética. Faz sentido ou não faz? Renan já responde a cinco processos nesse mesmo órgão. Isso quer dizer que não lhe falta experiência. Ninguém como ele sabe lidar tão bem com a “ética” vigente por ali. O maranhense João Alberto (PMDB), da turma de Sarney, deve presidir o conselho. A narrativa continua de uma impressionante coerência. A vice-presidência vai ficar com outro grande patriota, também da banda de Sarney, Gim Argello (PTB-DF), investigado pelo STF. A folha corrida de outros titulares  é vistosa, como Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO), que  respondem a processos.

Renan Calheiros é aquele que pagava pensão à mãe de um filho seu com recursos doados por uma empreiteira. A conselho chegou a aprovar o pedido de cassação, mas foi rejeitado pelo plenário. O governo Lula atuou de maneira firme e decidida para salvar a sua cabeça. Depois, saiu em defesa de Sarney por acasião do escândalo dos atos secretos. A moralidade foi à breca, mas o Apedeuta cevou a fidelidade do núcleo duro do PMDB. Entre o Brasil e os interesses do seu partido, um petista jamais hesita, certo?

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2011

às 17:59

Comando Vermelho, ADA e PCC certamente concordam com Sarney. E até dão tiros para o alto!

Declaração de José Sarney pregando a proibição total da venda legal de armas deve ter sido muito comemorada pelos patriotas do Comando Vermelho, do ADA e do PCC. Eu não tenho dúvida de que eles concordam com o presidente do Senado, não é?

Marcola, Marcinho VP e Fernandinho Beira Mar  acham que, polícia à parte, arma deve ser monopólio de bandido. Onde já se viu alguém que não pretende matar nem assaltar ter um revólver? Isso é um absurdo, não é mesmo, coronel Sarney?

Marcola, que é, dos três, o candidato a intelectual, poderia argumentar:
“Vejam o caso do Maranhão, onde o número de homicídios por 100 mil habitantes cresceu 297% entre 1998 e 2008. Culpa de quem? Nossa é que não é! A responsabilidade é dos maranhenses de bem, que decidiram cumprir todos os trâmites para comprar uma arma. Vocês sabem como um revólver na mão de um maranhense pacífico, pagador de impostos e seguidor das leis pode fazer dele um facínora”.

Esse Marcola, realmente, propõe questões interessantes! Se não tomar cuidado, ainda o convidam para dar aula em alguma universidade pública sobre formas eficientes de resistir ao estado burguês!!!

Querem saber? Dá até um pouco de vergonha de escrever sobre as chamadas elites políticas brasileiras. É como se, de algum modo, nos contaminássemos com a estupidez.

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2011

às 17:43

Agora é Sarney a pregar a “proibição total da venda de armas”; Maranhão é o estado em que índice de homicídios mais cresceu. Seria por causa da “venda legal” de armas?

Não adianta! Eles não param!

Agora é José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, quem decidiu falar bobagem sobre a tragédia do Rio. Insiste em ligar o caso À VENDA LEGAL DE ARMAS! Está pedindo uma revisão do “Estatuto do Desarmamento”, com a proibição total da venda, “tolerância zero”, como ele disse.

É isto mesmo! O Brasil precisa de “tolerância zero” com quem não é bandido!  Leiam o que informa Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Volto para encerrar.

A Tragédia em escola no Rio Depois a tragédia em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, o senador José Sarney (PMDB-AP) defendeu nesta sexta-feira a revisão no estatuto do desarmamento. O presidente do Senado disse que o Congresso deve examinar a lei e defender a proibição da venda de armas no Brasil. Na opinião do senador, o país deve ter ‘tolerância zero’ em relação à venda de armas. “Cada vez mais, quando se permite que existam armas dentro da sociedade com absoluta liberdade, fatos dessa natureza são facilitados”, afirmou.

Sarney disse que ‘fanáticos e desequilibrados’ não vão desaparecer da sociedade com a proibição da venda de armas, mas pregou o endurecimento da legislação para minimizar os crimes praticados com armas de fogo.

“Nós temos a obrigação de tirar os instrumentos que eles [fanáticos] podem utilizar nessa circunstâncias. Acho que deveria ser um projeto de lei revogando a lei anterior e rediscutindo o assunto. A realidade hoje é inteiramente outra da que nós votamos a lei”, afirmou.
(…)

Voltei
Ninguém contou a Sarney que um fanático ou assassino meticuloso não precisa de revólver para matar? Ninguém contou a Sarney que os mais de 50 mil assassinatos por ano, no Brasil, estão ligados, em sua maioria, ao crime organizado? Ninguém contou a Sarney que o crescimento do número de assassinatos deriva, também, da incompetência dos governos de estado.

A propósito: segundo o último Mapa da Violência, com dados que vão de 1998 a 2008, (veja posts abaixo), adivinhem qual é o estado que lidera o CRESCIMENTO PERCENTUAL de homicídios: sim, é o Maranhão! Em dez anos, o número de mortos por 100 mil habitantes cresceu 297%.

Culpa de quem? Segundo Sarney, da VENDA LEGAL DE ARMAS! Eu estou certo que é da incompetência dos sucessivos governos do Maranhão!

É O FIM DA PICADA!

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

às 6:31

Livro de Sarney ”maquia” escândalos

Por Leandro Colon, no Estadão:
A biografia autorizada do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lançada ontem em Brasília, contém erros de informação e omite dados sobre a crise que atingiu a Casa e o próprio senador em 2009. Escrito pela jornalista Regina Echeverria, Sarney, a Biografia aborda o escândalo sob a ótica do parlamentar, que na obra se diz vítima de perseguição política.

O livro exalta a contratação da Fundação Getúlio Vargas, a pedido de Sarney, para fazer uma reforma administrativa no Senado. Mas deixa de informar o valor pago - R$ 500 mil em dois anos - e o fato de que a reforma não saiu do papel. Em outro trecho, a autora escreve que Sarney “determinou” a demissão de todos os 136 diretores da Casa, sem citar que elas não se efetivaram.

A biografia também menciona uma decisão do senador de anular todos os atos secretos, revelados pelo Estado em 10 de junho de 2009, sem citar que, logo depois, a diretoria-geral revalidou esses boletins, inclusive os que tratavam de apadrinhados de Sarney. Ainda sobre esse episódio, ao elencar os pedidos de processo contra o senador, a obra afirma que “o Conselho de Ética estava politizado e não era isento”. Quando comenta a censura imposta pela Justiça ao Estado, há 600 dias proibido de noticiar investigação da Polícia Federal sobre o empresário Fernando Sarney, a biografia diz que o senador nunca defendeu esse tipo de iniciativa. “José Sarney, que é contra a censura e nunca a exerceu em sua vida pública, credita a ação contra o jornal aos advogados do filho Fernando.”

No livro, Sarney acusa o ex-senador e hoje governador Tião Viana (PT-AC) de entregar ao Estado um dossiê com informações contra ele. Esse dossiê nunca foi entregue ao jornal. Nas reportagens sobre o período, o Estado também revelou, como desdobramento das investigações, que Viana usou dinheiro público para quitar uma conta de R$ 14 mil de telefone celular da Casa em poder de sua filha. As reportagens sobre Sarney e outros senadores foram feitas com base em documentos sigilosos e públicos obtidos por meio de investigações próprias dos repórteres.

O livro atribui à FGV a descoberta dos atos secretos e diz que a entidade fez um “levantamento preliminar” desses boletins. A fundação nunca teve acesso a esses documentos: a FGV soube que algumas medidas não eram divulgadas pela Casa, mas não a quantidade de atos nem do que eles tratavam. Na época, o Estado descobriu que os atos começaram a ser inseridos no sistema de publicação interna para que fossem legalizados secretamente. A reportagem soube da manobra, identificou mais de 300 atos no sistema e revelou, com exclusividade, o conteúdo deles.

Em 2010, a Justiça transformou servidores em réus num processo sobre os atos secretos - incluindo o ex-diretor Agaciel Maia, que foi ao lançamento da biografia. O livro não menciona esse fato e diz que o senador prometeu “punição severa” aos funcionários. Sarney aplicou uma suspensão a Agaciel, contrariando parecer da sindicância que recomendava demissão.

Fundação. Ao falar sobre a Fundação José Sarney, a obra não menciona auditoria da Controladoria-Geral da União que confirmou fraudes no patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás. A auditoria foi feita após o Estado revelar desvio de R$ 500 mil. A reportagem não é citada no livro, nem o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter aberto processo para investigar a fundação. Na biografia, a autora escreve que “Sarney enumerou e justificou cada uma das acusações de nepotismo”. O senador, no entanto, nunca explicou a exoneração de um neto via ato secreto para que não fosse descoberto seu emprego no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2011

às 23:00

Perfil de Sarney preparado pela Rádio Senado não era um obituário. Registrado.

Do Portal G1:
O Senado divulgou na noite desta segunda-feira (28) nota em que nega que a Rádio Senado tenha produzido um obituário do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O site do jornal “O Estado de S. Paulo” divulgou o áudio e informou que o material era um obituário previamente elaborado para a hipótese de morte de Sarney.

De acordo com a nota da Secretaria de Comunicação do Senado, “a preparação de biografias de autoridades é prática comum em todos os veículos de comunicação” e que “não é, portanto, um fato inusitado a existência de perfil biográfico da autoridade máxima da Casa, produzido pela emissora, cuja cópia do áudio chegou, de forma não autorizada, à redação do portal paulista”.

O texto diz ainda que “o referido áudio com passagens importantes da vida do senador José Sarney é parte de um projeto há muito tempo executado na emissora, que objetiva a elaboração dos perfis de personagens de destaque ao longo da história da Casa”. A assessoria de imprensa da SECS diz que é rotina preparar perfis e obituários de todos os senadores. Leia a íntegra.
*
“Em relação à matéria publicada hoje no site estadao.com.br envolvendo atividades profissionais da Rádio Senado, a Secretaria Especial de Comunicação Social (SECS) esclarece que a preparação de biografias de autoridades é prática comum em todos os veículos de comunicação. Não é, portanto, um fato inusitado a existência de perfil biográfico da autoridade máxima da Casa, produzido pela emissora, cuja cópia do áudio chegou, de forma não-autorizada, à redação do portal paulista.

A SECS informa, ainda, que o referido áudio com passagens importantes da vida do senador José Sarney é parte de um projeto há muito tempo executado na emissora, que objetiva a elaboração dos perfis de personagens de destaque ao longo da história da Casa.

Adicionalmente a esse levantamento dos vultos históricos, ressalte-se, ainda, que é costumeira também a elaboração de perfis dos senadores que chegam à Câmara Alta do Legislativo Federal a cada nova legislatura, e que são periodicamente atualizados.

Os perfis, utilizados na elaboração de matérias escritas e sonoras a todo momento, são necessários tendo em vista a demanda por informações rápidas por parte da sociedade e da mídia de modo geral.

A SECS lamenta que uma empresa de comunicação importante, longe de qualquer motivação jornalística mais séria, dê asas a uma imaginação fantasiosa, que em nada contribui para a informação e formação da opinião pública.

Brasília, 28 de fevereiro de 2011
Secretaria Especial de Comunicação Social”

Por Reinaldo Azevedo

25/02/2011

às 21:30

Sobre Tiririca, Collor e Sarney: os que não sabem e os que jamais se esquecerão

Há um certo clima de escândalo lógico no ar por Tiririca (PR-SP) fazer parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara. É… Trata-se de um escracho! Mas é maior do que ter o neolulista Fernando Collor (PTB-AL) na presidência da Comissão de Relações Exteriores do Senado e como membro emérito da Comissão de Reforma Política instituída por José Sarney, que, por sua vez, preside o Senado pela terceira vez?

Não estou sendo cínico, tampouco me conformando. Mas há o risco de Tiririca aprender alguma coisa… E os outros, que jamais esquecerão o que já sabem?

Por Reinaldo Azevedo

24/02/2011

às 15:35

E os governistas, quem diria?, criticam a oposição por recorrer ao STF

E o senador José Sarney (PMDB-AP) continua, eternidade afora, a barbarizar a verdade, com o auxílio de Romero Jucá (PMDB-RR), que, no pior cenário para o Brasil, Sarney será um dia.  Talvez nos poupe de sua literatura… Leiam o que informa a Folha Online. Volto no post seguinte.
*
Governistas criticaram nesta quinta-feira o recurso que a oposição prepara contra o projeto de lei aprovado pelo Congresso sobre o salário mínimo. PPS, PV, PSDB e DEM vão questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) a inconstitucionalidade do artigo que permite o reajuste do mínimo, por decreto presidencial, nos próximos quatro anos.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que o Poder Judiciário não pode ser usado como “terceira via” para solucionar problemas da competência do Legislativo. “As questões políticas devem ser resolvidas aqui dentro da Casa. Nós chamarmos o Supremo como uma terceira via é uma coisa que deforma o regime democrático. Os partidos existem por delegação do povo, são eles os instrumentos que a humanidade encontrou ao longo do tempo para exercer o processo democrático da democracia representativa”, afirmou.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), classificou a ação da oposição de “erro político” ao considerar que o decreto vai regulamentar a política de reajuste do mínimo até 2015, como presente no projeto. “O que estamos discutindo agora, é exatamente a política de mais cinco anos de reajuste de ganho real. Se a oposição questiona isso, na verdade está contra o ganho real do salário mínimo ao longo dos cinco anos.” Jucá disse que, mesmo com a polêmica, o Executivo não vai vetar o artigo. “O governo está tranquilo quanto à constitucionalidade, existem vários pareceres, a lei está definindo os valores do reajuste. Acho que a oposição está procurando chifre em cabeça de cavalo.”

ADIN
O artigo questionado pelos partidos de oposição na Adin (ação direta de inconstitucionalidade) diz que o decreto do Poder Executivo divulgará a cada ano os valores mensal, diário e horário do salário mínimo, correspondendo o valor diário a um trinta avos e o valor horário a um duzentos e vinte avos do valor mensal. De acordo com a oposição, seria inconstitucional o Congresso abrir mão da prerrogativa de aprovar o valor do mínimo, já que o artigo 7º da Constituição dispõe que o mínimo será fixado por lei.

“Não podemos permitir o achincalhe da instituição. Não nos resta outra alternativa a não ser ir ao STF. A maioria governista golpeou a instituição parlamentar”, disse o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR). O líder do DEM, senador José Agripino (RN), disse que o Congresso tem a “obrigação de lutar pelas suas prerrogativas” ao recorrer ao STF. “Se não o fizer, está se auto-anulando.”

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2011

às 23:29

Brasília é a Transilvânia, e o Senado é o castelo de Sarney

José Sarney é uma piada!

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) tinha direito a falar cinco minutos na condição de autor do destaque que suprimia o Artigo 3º do Projeto de Lei, aquele que solapa a Constituição. Pois bem… A Mesa do Senado costuma sempre dar um minutinho a mais, dois… Sarney, muito bonzinho, concedeu 12 minutos extras a Aécio: falou por 17.

Violou, assim, o Regimento. Por amor a Aécio? Não só…

Em seguida, num procedimento também anti-regimental, resolveu dar a palavra ao senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado. O Regimento não prevê a fala de alguém contrário ao destaque.

Confrontado com as regras, sabem o que respondeu Sarney? Como ele já havia desrespeitado mesmo o Regimento ao deixar Aécio falar 17 minutos, não via mal nenhum e considerava questão de justiça desrespeitá-lo de novo para Costa falar.

Sarney, este monumento moral, este Colosso de Rhodes da literatura, este pilar do pensamento lógico, acredita que dois erros fazem um acerto. Questionado pelo próprio Aécio, respondeu que havia sido generoso com o tucano e estava compensando o PT, o que levou o mineiro a dizer que melhor teria sido a interrupção de sua fala.

O mais espantoso, o mais escandaloso, o mais especioso, o mais espetacular nisso tudo é que essa lambança regimental se dava justamente no destaque que acusava a inconstitucionalidade do Artigo 3º da lei.

No dia em que os senadores abriram mão de uma prerrogativa que pertence ao Poder da República que eles integram, Sarney resolveu usar o regimento como bem quis, ora sendo indevidamente condescendentes com um senador da oposição, ora concedendo a um senador do governo uma prerrogativa inexistente. Costa acabou abrindo mão da palavra. Abria mão daquilo a que não tinha direito.

Paulo Francis perguntava: “Ninguém vai enfiar uma estaca no coração dele?”

Brasília é a Transilvânia, e o Senado é seu castelo.

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2011

às 23:15

Sarney, as chuteiras e a estaca

A funcionária que indagou quando Sarney penduraria as chuteiras foi afastada do Supremo. Huuummm…  Tudo bem: o endereço era o do tribunal, não o dela. Ok. Compreensível. Leiam  o que informa a Folha Online. Volto em seguida:

O STF (Supremo Tribunal Federal) mandou dispensar a funcionária terceirizada que questionou no Twitter quando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai pendurar as chuteiras. “Ouvi por aí: ‘agora que o Ronaldo se aposentou, quando será que o Sarney vai resolver pendurar as chuteiras?’”, dizia o tuite publicado na página oficial do Supremo. O texto foi apagado. Como ela não pode ser demitida, o Supremo pediu para que a empresa terceirizada a substitua.

Após o incidente, o presidente do STF, Cezar Peluso, telefonou para Sarney para desculpar-se. Na conversa, o senador pediu que o ministro não tomasse medida contra a funcionária. Uma nota oficial com pedido de desculpas também foi publicada na página do Supremo. “A Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal esclarece que, por ato impensado, sua página oficial no Twitter foi usada indevidamente por funcionária terceirizada, para tecer comentários impróprios a respeito de eminente autoridade, a qual o STF e a SCO pedem encarecidas desculpas.”

Já Sarney reagiu com bom humor. Em vídeo divulgado na página do Senado, ele afirma que ficou “feliz” ao ser comparado com alguém que leva o apelido de “fenômeno”. “Me comparar ao Ronaldo como um fenômeno também, eu fico muito feliz. E ao mesmo tempo eu quero agradecer a essa moça porque fez um julgamento muito bom ao meu respeito”, disse. Depois, em entrevista, o senador disse que não pretende “pendurar as chuteiras”.

“Quanto às chuteiras, as chuteiras do Ronaldo estão penduradas hoje no Brasil inteiro e no mundo inteiro em homenagem ao que ele representa.” Sarney afirmou que a internet é atualmente um território de “absoluta liberdade”, por isso o STF não deveria punir a funcionária. O peemedebista disse acreditar que ela tenha feito uma piada a respeito da sua idade (80 anos). “Ela estava falando da minha idade. Eu acho que não se deve querer limitar a idade do criador, né? Deixa ele fazer o que ele quer. Se ele quer dar mais vida para a gente, deixa ele fazer.”

Comento
Pois é… Como lembrei aqui outro dia, Paulo Francis recorria a outra metáfora: indagava quando enfiariam uma estaca no coração do Imperador do Maranhão e do Amapá. A funcionária, bem-humorada, lembrou de Ronaldinho. Francis, como é óbvio, pensava num vampiro.

Por Reinaldo Azevedo

04/02/2011

às 20:27

É tarde demais para Sarney ter uma boa idéia, mas ele teve uma boa idéia

Consta que o senador José Sarney (PMDB-AP) vai apresentar uma proposta mudando a data da posse do presidente da República do dia 1º para o dia 10 de janeiro; a dos governadores seria transferida para o dia 5. Por que não tudo no dia 10?

Vá lá… Ainda que seja assim, está bom demais! Sarney não tinha uma idéia tão boa desde que desistiu de escrever mais um romance (na hipótese de que tenha desistido, claro!).

Essa posse no dia 1º é uma tontice sob qualquer ponto de vista. E ainda estraga o réveillon de alguns jornalistas, que se vêem obrigados a deixar seus amigos na praia, a sofrer, enquanto se esbaldam em Brasília, cobrindo a entronização de Dona Dilma Primeira, debaixo de um aguaceiro dos diabos.  Uma excitação só!!!

Eu sei que é tarde demais para Sarney ter uma boa idéia, mas é uma boa idéia.

Por Reinaldo Azevedo

04/02/2011

às 14:15

Dilma terceiriza o setor elétrico à família Sarney

O Estadão de hoje traz um editorial crítico ao pronunciamento de Dilma Rousseff no Congresso. Que bom! Então não fui só eu a considerar aquilo uma “maçaroca”, com suas “prioridades centrais”, como disse a presidente. Quem sabe a imprensa, tomada genericamente, vá se recuperando aos poucos, não é?

A construção da figura de Dona Dilma Primeira, a Muda, está pautada pelo marketing, com já sabemos. Faz-se um esforço danado para dissociá-la de atos da administração, como se ela flutuasse no éter. Mas não flutua. Vejam só: se ela é íntima de uma área da administração, essa área é o setor elétrico, certo? Pois é… Nesse caso, não se pode dizer que ela é enganada por esse ou aquele. E, curiosamente, é a fatia do governo que a rainha praticamente terceirizou: entregou para a Família Sarney.

Edison Lobão, ministro das Minas e Energia; Flávio Decat, que vai presidir Furnas, e José Antônio Muniz Filho, que deve comandar a Eletronorte, são todos afiliados de Sarney.

A nota irônica é que a escolha de um homem de Sarney para Furnas veio como antídoto à influência do deputado Eduardo Cunha (PDMB-RJ) na estatal. Entenderam ou querem que eu repita? Considerando o PMDB no seu conjunto, Sarney vira uma referência ética!!!

Por Reinaldo Azevedo

01/02/2011

às 21:40

O Mubarak do Maranhão e do Amapá ainda tem mais quatro anos

Vejam vocês como são as coisas, né? Hosni Mubarak já anunciou a aposentadoria. Não vai mais concorrer às eleições. Sarney, que está há mais tempo no poder do que o ditador Egípcio, ainda tem mais quatro anos…

Mubarak estava preparando o filho Gamal para ser sucessor. Pode esquecer. Já era! Já o Mubarak do Maranhão e do Amapá deixará descendentes.

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados