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José Roberto Arruda

10/12/2009

às 5:39

ARRUDA SERÁ EXPULSO AMANHÃ. E A QUESTÃO DO VOTO SECRETO

Este escriba deu um furo na imprensa mundial, sustentando que a deposição de Manuel Zelaya, em Honduras, era constitucional. O que fiz? Li a Constituição de Honduras. Não custa ler os textos que embasam decisões, não é? Decidi ler agora os estatutos do DEM, que estão aqui. Vamos ver.

Não há a menor chance de o governador José Roberto Arruda permanecer no partido. Será expulso. Mas as coisas têm de ser feitas de modo a que a decisão não seja exposta a um contra-ataque judicial bem-sucedido. Arruda já reagiu preventivamente pedindo ao TSE uma liminar que suspenda a reunião do Diretório Nacional do partido amanhã. Duvido que o TSE se meta na rotina interna do partido. Pode até julgar a decisão do DEM depois de tomada; mas seria inaceitável impedi-lo de tomá-la. Adiante.

Onde está prevista a expulsão? No artigo 97, a saber:
Art. 97 - São as seguintes, as medidas disciplinares:
a) advertência;
b) suspensão das atividades partidárias por tempo determinado;
c) destituição de função em órgão partidário;
d) expulsão com cancelamento de filiação partidária
e) intervenção ou dissolução dos órgãos partidários.
§ 1º - Aplica-se a penalidade de destituição de função, conforme a gravidade da infração, a critério da maioria dos membros do órgão competente.
§ 2º - Ocorrerá a expulsão, com cancelamento de filiação, nos casos de extrema gravidade e de infidelidade partidária, apurado em processo regular no qual seja assegurado ao acusado ampla defesa.

Arruda se apegou a este parágrafo 2º para pedir a liminar, afirmando que não teve direito à “ampla defesa” e certamente se apegará a ele depois, ao recorrer da decisão, tanto na instância partidária, o que o estatuto lhe permite, como à Justiça. Adiante.

Aqui e ali se especulou que a votação secreta embute uma tentativa de salvar Arruda. Não! O voto secreto é estatutário — e não seguir o estatuto é que daria maiores chances de o governador apelar contra a decisão. Leiam o que dizem os parágrafos 1º e 2º do Artigo 48:
§ 1º - Nas reuniões de Diretório as deliberações poderão ser por voto secreto ou por aclamação, dependendo da natureza do assunto, a critério da Mesa Diretora dos trabalhos.

§ 2º - Em qualquer dos casos o voto poderá ser declarado ou aberto, pela livre manifestação espontânea do diretoriano, pelo prazo máximo de dois minutos.

Fazer a votação aberta daria a Arruda uma corda para tentar se salvar.  E se pensa  em dar outra finalidade à corda…  Assim, a votação tem de ser fechada ou, vejam lá, por ACLAMAÇÃO, o que, convenhamos, seria uma saída e tanto para o partido, uma forma clara, e unitária, de expor a sua indignação. De todo modo, mesmo com o voto secreto, quem quiser pode declarar o seu abertamente.

Arruda ficou plantando nesta quarta que tinha votos para se safar. É? Se tinha, recorreu preventivamente ao TSE por quê? O prazo de oito dias que lhe foi dado também foi estatutário. Mas ele já está fora.

Perdeu, Arruda!

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2009

às 5:27

FORA, ARRUDA! E O ÓBVIO

Quem ignora o óbvio está condenado a ser atropelado por ele.

O DEM evitou a expulsão imediata de José Roberto Arruda. Ainda que um prazo regulamentar devesse ter sido respeitado, a decisão política já poderia ter sido tomada. Conforme se anteviu aqui, como é mesmo?, o “hoje será sempre pior do que ontem e sempre melhor do que amanhã“. Mais ainda: o cadáver adiado procriou. O próprio partido ajudou a consolidar o apelido “mensalão do DEM”, embora não haja, até agora, sinais de que a direção nacional do partido tenha sido contaminada. “Ah, e por que o mensalão do PT era ‘DO PT’”? É preciso que eu lhes lembre que José Genoino, presidente nacional; Silvio Land Rover, secretário-geral, e José Dirceu, então chefe da Casa Civil, eram comandantes naquela nau enlouquecida?

O jornalismo político já tratava, antes, o DEM com impressionante má vontade. Seus representantes costumam ser chamados de “demos”, apelido criado pelos petistas — e usado por parte da imprensa com a desculpa de que é uma forma abreviada, resumida. É nada! A tentativa de “demonizar” a legenda é óbvia. Notem que, quando estourou o mensalão do PT, a reação de muitos “analistas” foi de estupefação - “COOOMOOO? NO PT? JUSTO NO PT???”. Agora, aqueles mesmos dizem: “É, era de se esperar; afinal, são os ‘demos’ de sempre, vindos lá da ditadura”. É? E os petistas? Vieram de onde? A síntese é a seguinte: a corrupção dos petistas era tida como fuga da norma; a dos democratas de Brasília, como regra.

E o nome disso é preconceito ideológico!

Ignorando tal realidade, os democratas decidiram adiar a decisão. A situação de Arruda só piorou. E a reputação do partido também. Se não expulsar Arruda, está liquidado. E espera-se que PSDB e PPS também façam a sua limpeza. Adiar a expulsão, conforme demonstrava o óbvio, só faria aumentar as suspeitas contra o partido, SEM, NO ENTANTO, BENEFICIAR ARRUDA MINIMAMENTE!

O CAMINHO DO DEM É UM SÓ: BOTAR ESTE SENHOR NA RUA. SE ELE TIVER AINDA ALGUM ESTRAGO PARA FAZER, QUE O FAÇA. A HORA DE PAGAR O PREÇO É AGORA. Tem de expulsar e evidenciar à opinião pública que petista é que gosta de agasalhar seus mensaleiros, premiando-os até com uma festa, como se fará para José Dirceu e José Genoino. Tem de expulsar para deixar claro que, se houver mensaleiro próximo à campanha eleitoral do ano que vem, eles estarão com Dilma.

O DEM não deveria permitir que fossem aqueles arruaceiros a gritar “Fora, Arruda!”. Deveria ser ele próprio a fazê-lo.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2009

às 5:23

A MORAL AMBÍGUA

Ah, esses moralistas da esquerda…

Eu juro! Já me chegaram centenas de comentários assim: “Aí, o que você tem agora a dizer sobre o mensalão do DEM, da direita? Você não dizia que era só coisa do PT?”

Bem, jamais disse que era “só coisa do PT”. O que eu disse é que só o PT tentou transformar o mensalão em categoria política — quem sabe, de pensamento.

Tenho a dizer sobre todos os mensalões — embora eles sejam distintos e igualmente criminosos — a mesma coisa: cana na tigrada!

Eu é que lhes pergunto, petralhas:
COMO É TER TÃO POUCA VERGONHA NA CARA, A PONTO DE CONDENAR O MENSALÃO DO DEM, MAS CHAMAR O MENSALÃO DO PT DE “GOLPE DE ESTADO DAS OPOSIÇÕES”?

Eu é que lhes pergunto, petralhas:
COMO É ESSE NEGÓCIO DE COBRAR A SAÍDA DE ARRUDA, O QUE ESTÁ CERTO, MAS FAZER FESTA PARA OS JOSÉS GENOINO E DIRCEU?

Arruda não é da minha turma! Que ele vá para o diabo! Por que vocês não dizem: “Dirceu e Genoino não são da minha turma; que eles vão para o diabo!”

Este blogueiro pode escrever isso sobre Arruda. E aqueles blogueiros tão destemidos, que vibram com o mensalão do Distrito Federal? Poderão dizer o mesmo sobre os seus chefes? Acho que não! Por lá, Dirceu e Genoino são “Suas Excelências”…

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2009

às 6:45

NA VEJA - Poder, dinheiro, corrupção e…

… O governador de Brasília estrela um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção já vistos na história. Sem nenhum pudor, políticos foram filmados recebendo dinheiro de propina em meias, cuecas, bolsas e até via Correios. Depois, ainda rezam, agradecendo a Deus a graça alcançada


Diego Escosteguy e Alexandre Oltramari

Celsio Junior/AE
DEPARTAMENTO DA PROPINA
José Roberto Arruda tinha um secretário encarregado exclusivamente de subornar aliados e achacar empresários
VEJA TAMBÉM
Vídeos: O escândalo de corrupção no governo do DF
Nesta edição: Poder, dinheiro, corrupção, e…
Nesta edição: …impunidade
Nesta edição: Contra a parede

No dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminha-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Ele aperta a mão de Durval e lhe dá um tapinha nas costas: “Meu presidente!”. Arruda acomoda-se gostosamente no sofá, dá um profundo suspiro e pede um chazinho à secretária. Tira do bolso um papelzinho e diz a Durval: “Queria ver quatro coisinhas com você. Só posso pedir para você porque é algo pessoal”. Arruda começa pela corrupção miúda, pedindo a Durval que consiga emprego para o filho dele numa das empresas que mantêm contratos com o governo. Depois abusa um pouquinho mais e recomenda que o delegado “ajude” a empresa de um amigo. Finalmente pergunta sobre o financiamento para a campanha. “Estou medroso com esse troço”, diz Arruda. Durval tenta tranquilizá-lo: “A gente só não pode internalizar o dinheiro”. Ato contínuo, Durval abre o armário, pega um pacote com 50 000 reais e o entrega a Arruda. “Ah, ótimo”, agradece o candidato. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país.

Talvez encantado com o espírito do Natal que se aproxima, Arruda veio a público na semana passada para dizer que, sim, ele recebeu o pacotão de dinheiro que aparece no vídeo - mas que, por nobreza de coração, usou os recursos na compra de panetones para os pobres que habitam a periferia de Brasília. Nem Papai Noel acreditou. A burlesca cena protagonizada por Arruda está num dos trinta vídeos entregues por Durval aos promotores do Ministério Público do Distrito Federal, aos quais VEJA teve acesso na íntegra (assista a uma seleção dos vídeos exclusivos). Ele também forneceu documentos e prestou um minucioso depoimento, expondo as vísceras do esquema de corrupção chefiado por Arruda e pelo empresário Paulo Octávio, vice-governador de Brasília. Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais - uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF. Ou seja, uma versão brasiliense e democrata do mensalão petista. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2009

às 17:12

LARANJAS PODRES

A melhor coisa que TODOS os partidos podem fazer — ao menos os que não estiverem, digamos, nacionalmente comprometidos com a lambança — é se desfazer de seus, digamos assim, “homens” no Distrito Federal.

É difícil saber hoje o que restará de vivo na política local — por enquanto, como se nota, os petistas assumem o papel dos bedéis. O PT tomando conta da moral e dos bons costumes? Valha-nos Deus!

Como costumo dizer sempre, é mesmo uma pena que não exista em Brasília um daqueles tablóides ingleses dedicados a escândalos, inclusive os sexuais, para contar os dados escabrosos que ainda não vieram à luz e que muitos, tolamente, ousariam chamar de “privados”.

Reitero: se, realmente, nada devem às respectivas seções locais, DEM, PSDB, PPS, PMDB e outros tantos deveriam, no mínimo, pôr seus representantes no DF sob quarentena. A imprensa brasileira é comportada demais para políticos comportados de menos.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2009

às 4:43

E lá vem Arruda com seus panetones…

Quando os deuses querem danar alguém, a primeira coisa que fazem é lhes tirar o juízo. Foi o que pensei ao ler o que informa Leandro Colon no Estadão de hoje: “Para sustentar a versão de que a quantia de R$ 50 mil recebida em 2006 era uma contribuição para a compra de panetones, o governador José Roberto Arruda (DEM) montou uma licitação na sexta-feira passada, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O governo do Distrito Federal vai comprar 120 mil panetones no próximo dia 10, segundo edital aberto naquele dia.” Leiam mais aqui. Dizer o quê? Arruda está naquela situação do sujeito que está com a corda no pescoço e começa a se mexer, cavando um buraco sob os pés… Pergunta: nesses três anos, ele guardou o dinheiro debaixo do colchão?

Convenham: há também um lado circense na atuação deste senhor.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:47

Rigor máximo

Quem sabe das coisas e fez um levantamento informal na corte assevera: o STJ está disposto a usar do que tem sido chamado de “rigor máximo” no caso José Roberto Arruda. Ainda que o DEM quisesse proteger o governador, o que não está disposto a fazer, a avaliação é que ele não tem como se proteger dos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:44

…E O MENSALEIRO PT PEDE O IMPEACHMENT DE ARRUDA, O MENSALEIRO

Já existem seis pedidos de impeachment contra José Roberto Arruda protocolados na Câmara do Distrito Federal. Entre eles, há um da CUT e outro do PT. Está certo! Têm de protocolar mesmo! Erraram aqueles que não protocolaram o pedido de impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. Aí o petralha tira as patinhas do chão e diz: “Também… Como teria coragem de fazê-lo se havia o mensalão de Minas?” Pois é… Como se nota, o PT, mesmo tendo criado o mensalão em escala federal, não se intimida em pedir o impeachment de quem promoveu o mensalão regional. Isso evidencia que, em política, não basta promover a bandalheira, é preciso também não ter qualquer senso de ridículo.

O episódio é didático. Alguns tontos acharam que Lula tinha dado a senha para o PT pegar leve com o governador do DEM. Essa ambigüidade sempre funcionou muito bem na máquina petista: mesmo quando Lula assopra, o PT morde.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:43

HOJE, EXPULSÃO POR UNANIMIDADE

Anotem aí: hoje, na cúpula do DEM, o voto em favor da expulsão de José Roberto Arruda contaria com a unanimidade. Algum fato novo poderia levar a alguma mudança de opinião? Impossível não é. Mas ninguém consegue imaginar o quê. A avaliação, correta, é a de que a situação só piora.

Não custa lembrar que o PT protegeu todos os seus mensaleiros. E reconduziu uma boa parte à direção do partido. O mais famoso deles, José Dirceu, é o principal homem da campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:37

Alô, Arruda! Peça ajuda a Marilena Chaui e a Wanderley Guilherme dos Santos

Alô, José Roberto Arruda e toda aquela gangue que aparece escondendo grana na meia, na cueca, na cintura, na bolsa… Peçam correndo a ajuda de Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos. Em 2005, eles criaram a tese de que denunciar o mensalão do PT era tentativa de golpe. Como são dois ditos intelectuais — ao menos muitos os acusam disso —, devem ter criado uma tese de alcance geral, né?, que não atenda apenas às necessidades dos petistas.

Corram! Peçam ajuda a Marilena. Sua vassoura teórica ajudou a varrer do cenário a sujeira do PT. Quem sabe ajude a varrer também a sujeira do Distrito Federal. Ou será que a pensadora universal, amante de Spinoza, só oferece os préstimos de seu pensamento à sua própria igreja?

Eu, claro, ficarei com nojo do que ela possa escrever — a favor ou contra Arruda. Como fiquei com nojo de tudo o que ela escreveu para defender o PT em 2005.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 18:24

ELES, QUE NUNCA PEDIRAM O IMPEACHMENT DE LULA, QUEREM O IMPEACHMENT DE ARRUDA

Um grupo de 150 representantes de “movimentos sociais”  — eu adoro essa expressão — promoveu um princípio de quebra-quebra e invadiu as dependências da Câmara do Distrito Federal. Exige a renúncia de José Roberto Arruda.

EU TAMBÉM EXIJO — só não saio invadindo prédios por aí porque preciso trabalhar para comprar o leite das crianças. MAS EU TAMBÉM EXIGIA RENÚNCIA DE LULA. Ou o seu impeachment, o que também me serve no caso Arruda.

Como se vê, a moral com que vejo um é a mesma com que vejo o outro.

A propósito: por que representantes de “movimentos sociais” nunca trabalham, hein? Do que vive essa gente? De luz? Ou será que se alimenta de uma forma de mensalão, que é o dinheiro que o governo tem repassado para ONGs e “movimentos sociais”?

Pergunto ainda: onde andava essa gente — esses movimentos — em 2005? Por que ninguém tentou invadir o Congresso para pedir o impeachment de Lula?

Dou a resposta naquele longo texto em que tratei da “nossa” moral e da “deles”.

O que esses valentes chamam agora de “crimes”  (e são mesmo!!!) já foi chamado por eles próprios de “luta política”.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2009

às 5:59

TEXTOS DE FORMAÇÃO: A NOSSA MORAL E A DELES

Embora tudo o que esteja em curso seja uma porcaria e indique um mosaico de misérias morais das mais diferentes origens, confesso que, intelectualmente, momentos assim são importantes porque nos permitem recuperar alguns princípios. Mal comecei e sei que vem um longo texto pela frente. Em “Máximas de Um País Mínimo“, há um Reinaldo Azevedo bastante concentrado, sintético.  Aqui, vocês sabem, não temo me estender o quanto for necessário. Pretendo que seja um daqueles artigos  que chamo “textos de formação”, que marcam posição — só não acrescento o adjetivo “doutrinária” porque meu partido tem um homem só. Mais de 11 mil toques. Vocês vão encarar?

A canalha não se conforma que eu defenda a expulsão de José Roberto Arruda do DEM e seu impeachment. Juízes de minhas vontades secretas, dizem os petralhas que o faço apenas para afetar uma independência que eu não tenho, o que, desde logo, revela um juízo da realidade típico desses asnos. Porque não sou de esquerda, como eles dizem ser, então estaria impedido de pedir a punição imediata de desmandos praticados por um não-esquerdista — já que não ouso considerar Arruda expressão da “direita”. Tomam-me segundo os critérios com que medem a si mesmos. Ou os petralhas não saíram em defesa de seus mensaleiros, acusando uma grande conspiração para depor o “presidente operário”?

Quem não se lembra de Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos, “intelectuais do PT” — o que é um oximoro clamoroso —, a acusar a tentativa de golpe de estado quando se propôs a investigação do mensalão petista. Em recente entrevista, Lula reforçou a tese do golpe, negou a existência do crime e ainda sugeriu que Marcos Valério foi plantado no PT pelo PSDB só para desestabilizar seu governo.

Entendo, pois, a reação da canalha que fica infeliz porque não me sinto minimamente compelido a defender Arruda: eles defendem os seus bandidos com desenvoltura ímpar e não compreendem que aqueles a quem consideram adversários não defendam os “deles”. Não conseguem enxergar a política senão segundo a ótica do crime. E acreditam que os supostos crimes dos oponentes justificam as suas próprias trapaças. SÃO UNS MONSTROS MORAIS. E NÃO É DE HOJE.

Muito pessoal
Cabe espaço para alguma confissão — já que estamos neste papo muito pessoal, mesmo envolvendo milhares de pessoas. Fui trotskista dos 14 aos 21 anos mais ou menos. Posso não me orgulhar, mas também não cabe ficar falando de arrependimentos. Havia as circunstâncias e as escolhas que fiz com o entendimento que tinha do mundo à época. Mas acho que bem cedo percebi o mau cheiro que exalava daquele pântano moral. Curiosamente, o livro que me tirou daquela bagaceira também ética foi escrito por um deles — ainda hoje considero o mais inteligente entre eles. Refiro-me a Moral e Revolução, escrito por Leon Trotski. Tinha lido o troço, pela primeira vez, ali pelos 16 anos e achei do balocobaco. Era tudo o que eu queria — enfim, um sujeito que pensava a moral segundo a sua dimensão prática. Na cegueira militante, pareceu-me tão óbvio que SÓ se pudesse pensar a questão da moral segundo a perspectiva aplicada, isto é, da moral revolucionária, que senti o conforto dos estúpidos. A meu favor e contra mim, eu só tinha a minha juventude.

Quando voltei àquele texto, já um tanto desiludido em razão de opções conjunturais do grupo ao qual eu era ligado, dei-me, então, conta do horror. Trotsky escrevera em 1936 — e vejam em que período! — um dos livros mais odiosos das esquerdas em qualquer tempo, verdadeiro libelo do amoralismo, e aquilo, embora ele próprio o negue no livro, não distinguia o trotskismo do stalinismo.

Mais do que isso: restava evidente que Stálin, o grande inimigo de Trotsky, operava com os mesmos critérios, com a diferença de que havia sido mais hábil na aplicação do amoralismo. EM SUMA, TROTSKY, PERSEGUIDO POR STÁLIN (ATÉ SER ASSASSINADO EM 1940), ERA UMA VÍTIMA PRÁTICA DE SUA PRÓPRIA TEORIA. E ambos haviam bebido na mesma fonte: Lênin — o pai primitivo de todos os amorais contemporâneos.

Aonde você quer chegar, Reinaldo?
Mas por que lembrar agora o texto Moral e Revolução? Por que esse tanto de memória pessoal? Porque foi no que pensei quando a onda dos canalhas veio bater na minha praia, inconformados que eu não fizesse com Arruda o que eles certamente fariam com qualquer um de seus bandidos e mensaleiros. A explicação é simples. NÃO SOU HERDEIRO INTELECTUAL DA MORAL REVOLUCIONÁRIA. POSSO ATÉ SER DE CERTA MORAL GUERREIRA, BRIGO MUITO. MAS JAMAIS TRAPACEIO OU ME ESFORÇO PARA ELIMINAR O OUTRO. DESDE QUE ELE JOGUE AS REGRAS DO JOGO DEMOCRÁTICO.

Não partilho da tese, e tenho ojeriza intelectual a quem se vê nesse papel, de que uma vanguarda se assenhora (a variante “assenhoreia” é muito feia…) da história e passa, então, a comandá-la em nome de qualquer uma dessas ilusões que se vendem por aí: bem comum, bem da humanidade, novo homem, nova civilização — antigamente, falava-se em “socialismo”, “sociedade sem classes” e afins. A PERSPECTIVA QUE COMBATO HOJE, SEM DÚVIDA, ESTÁ PLASMADA COM MAIS CLAREZA NO PETISMO. Não que o partido sonhe com um socialismo à moda daquele havido no século 20. É claro que não! São petistas, mas não são burros. Conservam da visão bolchevista a idéia do partido autoritário, centralizador, gestor do futuro. E trazem consigo aquela velha moral.

Eu não preciso defender Arruda porque, afinal, ele estaria mais próximo do meu campo ideológico. NOTEM BEM: ESTE É UM OLHAR DAS VELHAS ESQUERDAS - E DAS NOVAS TAMBÉM - DO PROCESSO POLÍTICO. Petista precisa defender José Dirceu, José Genoino, Lula… Eu não preciso defender, e não defendo, Arruda. Porque não criei uma moral para mim e para os meus e uma outra moral para eles e para os seus.

Quando Lula afirmou que, no Brasil, Cristo faria um acordo com Judas para governar, não estava apenas expressando uma estupidez religiosa — já que Judas não simboliza o “outro”, o “adversário”, mas a traição; ele estava também expressando a sua filiação a um pensamento político, malgrado sua ignorância exemplar, que tem história. Leiam um trecho que transcrevo de Moral e Revolução. Neste ponto, Trotsky está combatendo, calculem!, um grupo minoritário de esquerda que havia censurado o uso da mentira e da violência como armas políticas (segue em vermelho).

Mas a mentira e a violência por acaso não são coisas condenáveis “em si mesmas”? Por certo, como é condenável a sociedade dividida em classes que as engendra. A sociedade sem antagonismos sociais será, evidentemente, sem mentira e sem violência. Mas não é possível lançar uma ponte para ela senão com métodos violentos. A própria revolução é o produto da sociedade dividida em classes, da qual ela leva necessariamente a marca. Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.

Está claro, não? A síntese poderia ser esta: se as classes sociais existem, então tudo nos (aos socialistas) é permitido. Como se nota acima, qualquer brutalidade que os revolucionários viessem a cometer seria responsabilidade dos fatores antecedentes que levaram à revolução. Ora, não preciso conduzir nenhum de vocês pelo braço, como Virgílio fez com Dante nos círculos do inferno, para que se reconheça ali a moral dos petistas, que os levou a defender o mensalão e os mensaleiros. Eles tinham um objetivo, e o que fizeram de detestável para alcançá-lo deveria ser creditado na conta do inimigo. Num texto eivado de horrores, destaco mais um:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.
Tentando ser espertinho ao jogar com a máxima maquiavélica, Trotsky apenas lhe acrescenta mais horror. A pergunta desde logo óbvia é esta: e quem julga se os meios A ou B conduziram mesmo àquele fim edificante? Stálin não teve dúvida: “Deixem que eu julgo!” E mandou meter uma picareta na cabeça de Trotsky. ELE FOI ASSASSINADO PELA REVOLUCIONÁRIA MORAL BOLCHEVIQUE, NÃO PELA IDEALISTA  MORAL BURGUESA.

Mas, então, tudo é permitido àquele que se julga na vanguarda da história e do processo revolucionário? Deixemos que Trotsky responda:
Isto significa então que, para atingir este fim, tudo é permitido? - perguntará sarcasticamente o filisteu, demonstrando que não entendeu nada. É permitido, responderemos, tudo aquilo que leve realmente à libertação dos homens. Já que este fim não pode ser atingido senão por via revolucionária, a moral emancipadora do proletariado tem necessariamente um caráter revolucionário. Como aos dogmas da religião, esta moral se opõe a todos os fetiches do idealismo, gendarmes filosóficos da classe dominante. Ela deduz as normas de conduta das leis do desenvolvimento social, isto é, antes de tudo, da luta de classes, que é a lei das leis.

Está claro? Qualquer que seja o horror, alegue tratar-se de uma moral emancipadora, libertadora, de caráter revolucionário. E o próprio Trotsky pergunta, como se fosse dúvida de um moralista idiota qualquer: “São permitidos todos os meios? A mentira, a falsificação, a traição, o assassinato”. Responde:
São admissíveis e obrigatórios apenas os meios que aumentam a coesão do proletariado, inflamam sua consciência com um ódio inextinguível a  toda forma de opressão, ensinam-lhe a desprezar a moral oficial e seus arautos democráticos, dão-lhe plena consciência de sua missão histórica e aumentam sua coragem e sua abnegação. Donde se conclui, afinal, que nem todos os meios são válidos.

A conclusão do parágrafo é própria de um grande vigarista, uma vez que os únicos meios não-válidos seriam, então, os que não conduzissem ao fim pretendido. Mas a indagação sempre se refere, ora bolas, ao fim. Logo, para Trotsky — e para as esquerdas de modo geral —, TODOS OS MEIOS SÃO VÁLIDOS: a mentira, a falsificação, a traição, o assassinato…

Volto aos dias de hoje
Também eu, a exemplo de Trotsky, acredito que existam a moral “deles”, das esquerdas, e a “nossa”. Eles, porque se julgam líderes de um “projeto”, de um amanhã sorridente — ou que nome tenha assumido a vigarice revolucionária —, acreditam que todos os meios lhes são lícitos, permitidos, convenientes. Eu, pobrezinho, já tenho uma moral mais “burguesa”, sabem?, mais “idealista”, que advoga a universalidade de certos direitos e do bem de certos procedimentos. Não acho, por exemplo, que se deva condescender com a mentira, com a falsificação, com a traição, com o assassinato…

E nem com o mensalão. Com o de ninguém. Quando dona Marilena Chaui e sua vassoura teórica inventaram que denunciar o mensalão do PT era golpe, estava apenas recorrendo à moral torta de que nos fala Trotsky, aquela, segundo a qual, se o “objetivo é revolucionário” (e os petistas acreditam mesmo que estão fazendo revolução), então todos os procedimentos, todos os meios, são válidos porque se tornam também revolucionários, já que imantados por aqueles propósitos grandiosos, cheios de amanhãs sorridentes.

Eu, com a minha moral burguesa, acho que mensalão de Arruda é só um caso de polícia.

Em suma, o fato de aqueles petistas não terem vergonha na cara não me convida a perder a minha vergonha também. Que eles defendam seus criminosos! Não tenho criminosos a defender!

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 21:12

BARBOSA É O ROTEIRISTA, O DIRETOR E O ATOR. O JORNALISMO VIROU COADJUVANTE

O caso Arruda está naquela fase em que as diferenças não fazem diferença. A vandalização está  em curso e quase transforma em herói alguém que se mostra, ele também, um escroque óbvio: o tal Durval Barbosa.

Qual deve ser o destino de Arruda? Não preciso repetir. Já deixei claro em mais de uma dezena de posts. Não tenho uma moral para os petistas e outra para os não-petistas. Isso, diga-se, é coisa de… petistas! Eles têm uma para si mesmos e outra para os… outros. Na madrugada, escreverei a respeito com mais vagar. Quero voltar à vandalização.

Os vídeos de Durval Barbosa agora se transformaram em provas auto-evidentes, que dispensam qualquer explicação. Ora, ele estava filmando e sabia por quê. Logo, era o dono do texto também. Uma coisa é o vídeo em que o próprio Arruda discute distribuição de recursos: pode até não ser uma prova definitiva, mas o cheiro é péssimo. Outra coisa, muito diferente, são as fitas em que o próprio Durval incrimina o governador, o vice e todo o mundo. Ora, convenham: ele fala o que bem entender: É ROTEIRISTA, DIRETOR E ATOR DO FILME.

Há pouco, vi um filme no Jornal Nacional, apresentado pelo jornalista Vladimir Netto - gravação autorizada pela Justiça, mas posta na praça… Ok, a obrigação do jornalismo é divulgar. Quem tem zelar pelo sigilo são as autoridades. Adiante. Naquela reunião, Barbosa escreveu num papel como teria sido distribuída a propina: uma porcentagem para o governador, outra para o vice, outra para membros da base aliada…

Reitero: que aquela canalha toda se dane, mas vamos devagar! Já que Barbosa estava no controle, ele escrevia o que lhe desse na telha. E também falava o que lhe viesse à veneta. Estava ali para incriminar os outros e limpar a própria barra. Será que tudo o que ele diz e escreve vira prova?

Quem não pegou exatamente a natureza da coisa pode afirmar: “Pô, então não dá para o DEM expulsar o Arruda…” Errado! Há elementos para isso, sim. E, se o partido o fizesse, teria melhores condições de denunciar também o aspecto farsesco dessa coisa toda.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 20:45

Deputado rejeita ser relator do caso Arruda

O deputado José Carlos Machado (DEM-SE), indicado pela direção do DEM para ser o relator do processo disciplinar contra José Roberto Arruda, rejeitou a função: “Não tenho condições técnicas. É preciso ter profundos conhecimentos jurídicos, e eu sou de formação cartesiana, sou engenheiro”.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 20:11

DEM, PRECONCEITOS E PETISMO ENRUSTIDO

São asquerosas, para ser singelo, as ilações que fazem alguns colunistas, sugerindo que o DEM é realmente um partido cheio de problemas éticos porque, recuperando-se o DNA da legenda, chega-se ao regime militar. ISSO É COISA DE VIGARISTAS INTELECTUAIS, DE VAGABUNDOS MORAIS, DE DELINQÜENTES A SERVIÇO DO PETISMO. E por quê?

Caso Arruda guardasse qualquer relação com a origem da sigla, como querem alguns, eu ousaria dizer que, então, o mais provável é que a sem-vergonhice não tivesse acontecido. Todo mundo sabe que, no aspecto moral, a ditadura era um convento perto do que anda por aí. Os malefícios todos da ditadura política não encontravam igual correspondência no aspecto moral, assim como os benefícios políticos da democracia não tiveram sua correspondência em moralidade. COMO REGRA GERAL, O BRASIL AINDA NÃO CONSEGUIU CONCILIAR AS DUAS VIRTUDES: DEMOCRACIA COM VERGONHA NA CARA.

Perguntem a um desses analistas picaretas por que o PT criou o mensalão federal. Foi por causa de seus vínculos com a ditadura? Perguntem aos analistas picaretas por que o PT se meteu com o dossiê dos aloprados. Foi por causa de sua vinculação com a ditadura? Esta porcaria de tese não resiste a cinco minutos de análise.

ATÉ AGORA, JUSTIÇA SEJA FEITA, O DEM TEM BOTADO PRA FORA SEUS PICARETAS COM PRESTEZA EXEMPLAR. NÃO É ASSIM PORQUE EU QUERO. É ASSIM PORQUE ASSIM SÃO OS FATOS. Quem protege os seus são os petistas. Os mensaleiros estão de volta ao comando do partido. Só Delúbio Soares finge estar distante. E os mesmos que se apressam em analisar o DNA do DEM se abstêm de analisar o DNA do petismo.

Sejamos duros com Arruda. Poucos no jornalismo são tão severos quanto sou. Mas não dá para conviver com a vagabundice analítica.

E vou mais longe: ainda que venha a se mostrar procedente o boato de que dinheiro do Distrito Federal irrigou o DEM NACIONAL, ISSO NADA TEM A VER COM O PERFIL IDEOLÓGICO DO PARTIDO. O fato é que há muito santo do pau oco se aproveitando para verter sua enorme carga de preconceito e, claro!, de petismo antes enrustido, que pode ser mostrar explícito por algum tempo. Num post da madrugada, trato um pouco da “nossa” moral e da moral “deles”.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 19:45

DEM decide sorte de Arruda no partido em 10 dias; se nada mudar, a expulsão foi apenas adiada

A cúpula do DEM se reuniu, e a solução acabou sendo a intermediária: nem a expulsão sumária de José Roberto Arruda, como queriam os senadores José Agripino (RN) e Demóstenes Torres (GO), além do deputado Ronaldo Caiado (GO), nem os 16 dias possíveis num rito comum: oito para a apresentação da defesa e mais oito para a elaboração de um relatório. Arruda terá os seus oito dias, mas o relator do processo disciplinar, deputado José Carlos Machado, terá dois dias para apresentar seu parecer. No dia 10, a direção do partido volta a se encontrar.

Expulsa ou não expulsa? A prevalecer a disposição de hoje, Arruda já está fora do DEM e não poderá disputar a reeleição ao governo do Distrito Federal no ano que vem porque estará sem partido e não há tempo para se filiar a nenhum outro. Que fato novo poderia vir à luz nestes dias que mudasse tal disposição? Qualquer pessoa sensata só prevê ainda mais vídeos, o que continuará a minar, insisto, a reputação do partido. É louvável a disposição de atender ao chamado “direito de defesa”, como diria o presidente Lula. Mas é evidente que a questão, nesse caso, é menos jurídica do que política.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 16:58

QUE O DEM IGNORE O CAFUNÉ DE LULA E EXPULSE ARRUDA. JÁ!!! É O CAFUNÉ DA MORTE

Em Portugal, onde está para participar da Cúpula Ibero-Americana, Lula comentou o caso Arruda. O evento merece um tratado sobre o estágio em que se encontra a política brasileira:

LULA - Eu não estou acompanhando porque está na esfera da Polícia Federal. Se está na esfera da Polícia Federal, o presidente da República não dá palpite: espera a apuração para depois falar alguma coisa. Vamos aguardar.

VOZ DE UMA JORNALISTA - Mas as imagens falam por si.

LULA - Vamos aguardar. Imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração, todo um processo de investigação. Quanto tiver toda a apuração, toda a investigação terminada, a Polícia Federal vai ter de apresentar um resultado final, um processo, aí anuncia; aí você pode fazer juízo de valores. Mesmo assim, quem vai fazer juízo de valores final é a Justiça.

Comento
Quem falou? O presidente do DEM? Não! Serra ou Aécio, pré-candidatos do PSDB e que têm no DEM um potencial aliado? Não! Quem falou foi Lula. E, nesse caso, está demonstrada coerência: ele sempre passou a mão da cabeça dos larápios da base aliada. Magnânimo, passa também na de um representante da oposição. Haverá algum tonto no DEM que se sinta reconfortado? É possível que sim.

A cereja dessa história é a fala de uma jornalista, pouco importa quem seja. Ela repete, LITERALMENTE, o que Dilma Rousseff, candidata do PT, disse ontem: “As imagens falam por si”, o que Lula contesta. E sabe por que contesta? Afinal, para ele, nem as provas provadas da existência do mensalão falam por si.

Nota-se, assim, de imediato, que a fala de uma jornalista se mostra mais afinada com a linguagem de propaganda do PT do que a do próprio Lula, que prefere uma abordagem institucional. Quem se deixar trair pela aparência será necessariamente engolido.

Vocês sabem o que penso sobre Arruda e seus amigos. Não preciso afetar essa indiferença chique de Lula. Aquele bando que se dane. E, por isso mesmo, sinto-me livre para indagar com todas as letras: por que não se nota tanta eficiência da Polícia Federal em casos que envolvem o próprio governo? O mais escandaloso deles é o dos aloprados: houve flagrante, a grana estava lá, a tramóia estava toda desenhada. E o que aconteceu até agora? Nada! Qual foi a contribuição da PF na investigação do mensalão do PT? Polícia Federal que demonstra eficiência de um lado só do jogo política torna-se polícia política. Seu erro não está em cercar os bandidos de um lado; seu erro está em cercar APENAS os bandidos de um lado.

Deixe-se seduzir quem quiser, mais uma vez!, por essa magnanimidade de Lula. Não caio nessa. Diz a coisa certa para esconder a coisa errada. Até porque nada impede que, se necessário, declare o contrário. Afinal, nunca antes da história destepaiz alguém satanizou tanto os adversários sem lhes dar qualquer chance de defesa.

Que o DEM ignore Lula e expulse Arruda. O mais rápido possível. O cafuné de Lula é o cafuné da morte.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 6:17

FORA, ARRUDA! DO DEM E DO GOVERNO!

Quem se atreve a defender José Roberto Arruda (DEM), governador do Distrito Federal? A Executiva do DEM se reúne hoje de novo. É possível que adie a decisão por duas semanas, dando-lhe o chamado “direito de defesa”: em oito dias, ele apresenta suas explicações para o caso, e um relator do partido teria mais oito para se manifestar. Até lá, é o partido que continua sangrando. PORQUE OS DEMOCRATAS DEVEM TER CLARO QUE ARRUDA JÁ NÃO TEM MAIS SANGUE PARA PERDER. É um cadáver político. A PARTIR DE AGORA, O QUE ELE FAZ É SUGAR O SANGUE DO PRÓPRIO DEM. Estima-se que existam por aí mais uns 20 vídeos desta cornucópia de safadezas que é o tal Durval Barbosa. A coisa não vai parar, e o DEM sabe disso.

A “informação” ou “boato” que segue está em todo o meio político e pautou o jornalismo ontem: Arruda estaria agora chantageado o próprio partido, já que o seu “esquema” teria servido ao DEM nacional. Enquanto a sua expulsão for postergada — e caso não venha a se consumar —, a possibilidade é tomada como verdade. E, se for verdade, cedo ou tarde, o fato virá à luz. Que venha cedo. Se não for, cumpre cortar o mal pela raiz. No momento, o mal é Arruda. Enquanto estiver por aí, o cadáver, como já escrevi aqui, procria. É claro que há outros elementos escandalosos nessa história além do escândalo propriamente dito protagonizado por aquela gangue instalada no Distrito Federal. Falarei a respeito em outros posts. Eles pedem providências. Mas que fique claro: não há exploração política possível que negue o que todo mundo viu.

Sim, as fitas estão sendo vazadas obedecendo única e exclusivamente ao interesse dos vazadores — seja o próprio Durval, sejam “fontes” da Polícia Federal ou do Ministério Público. Eventos acontecidos neste governo e no anterior, de Joaquim Roriz, se misturam para dar a impressão de que “é tudo coisa do Arruda”. Ocorre que o que efetivamente é “coisa do Arruda” já é do balacobaco. Não há saída possível. OU O DEM EXPULSA ARRUDA OU ACABA EXPULSO PELO ELEITOR.

O governador, ademais, continua ruim pra chuchu para dar desculpas. O comunicado que leu ontem é patético. Lembrava o Arruda da violação do painel do Senado, negando de pés juntos o ocorrido. Se é com argumentos como estes que pretende convencer o DEM, então não quer convencer, mas ofender a inteligência alheia. Acompanhem em vermelho alguns trechos. Comento em azul;

Tendo em vista o que aconteceu nos últimos dias e depois de uma análise preliminar dos documentos disponíveis, julgo importante fazer algumas considerações. Primeiro: durante oito anos, o denunciante Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos, todos por atos praticados no governo anterior foi presidente da Codeplan. a empresa de informática do governo Roriz.
Arruda sabia que ele era réu em 32 processos e o fez secretário de Relações Institucionais por quê? Pelos belos serviços prestados até ali? Ou será que  precisava de alguém com o perfil de Durval?

Os recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral.

Noto que Arruda já se antecipa e fala em recursos recebidos ao longo de três anos. Haja ações sociais! A propósito: o que o grupo tem contra o uso de talão de cheque e conta em banco? Quantas toneladas de panetone Arruda comprou?

Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na equipe de informática. Não concordamos com a sua permanência no mesmo posto e o mantivemos no governo em outro setor, meramente burocrático, já que não havia naquela momento nenhuma condenação. Ainda havia problemas na empresa de informática.
Arruda dá a entender que Durval não era de confiança para o setor de informática… E era de confiança para quê?
(…)
Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada. A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos “defeitos”, ou “aquecimento” ou “resfriamento” do aparelho de gravação, tudo isso nos exatos termos que consta dos autos, podem ter truncado e comprometido o teor e o sentido da conversa. Inclusive com a “desconfiguração dos dados armazenados”.
Neste trecho, ele se refere a uma conversa que mantém com Durval sobre quanto dinheiro existe em caixa para distribuir entre secretários e representantes da base aliada. O trololó do aparelho que esquenta e esfria pode até fazer algum sentido num tribunal. Politicamente, torna tudo mais ridículo.

Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha realização de pesquisas, conversas de apoio político. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano. Quando a outras imagens ou informes inseridos no inquérito relativos a doações que ele teria feito a outros políticos, é preciso que haja análise cuidadosa para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades.
De fato, há muita coisa do tempo em que Durval era uns dos capas-pretas de Joaquim Roriz. Ocorre que foi mantido no governo e nele transitava com grande desenvoltura.
(…)
Com apoio da Controladoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo o que for necessário para as investigações do MPF e do STJ. Confiamos na Justiça e vamos continuar trabalhando no dia-a-dia do governo, agora livres dessa herança maldita do governo anterior.”
Arruda supõe, não sem razão, que o grupo de Joaquim Roriz, com quem ele acabou rompendo, maneja alguns peças importantes desse jogo. Bem, Durval era um dos homens de Roriz — e, como se vê, ajudou Arruda em suas “ações sociais” nos anos de 2004, 2005 e 2006…

Não há escapatória, senhores do DEM: hoje é pior do que ontem e melhor do que amanhã. Seja ou não verdadeira a história de que Arruda colaborou com dinheiro ilegal para ações do partido em outros estados, ele tem de sair. Nesse caso, o dano será certamente grande. Mas será devastador se ele ficar.

A única ação racional é expulsá-lo, independentemente do grau de contaminação. E que os democratas não façam a besteira de se espelhar no PT: “Ah, os petistas passaram por isso, estão todos lá, e nada aconteceu”. Ocorre que os democratas não têm um Lula para chamar de seu. Aquele inimputável pode tudo. Ele conta que, na cadeia, tentou “subjugar” o “menino do MEP”, seus parceiros morrem de rir com a piada, e parte da imprensa ainda se indigna: “Que absurdo publicar um negócio desses!”. Se ele pode até isso, pode tudo, pode qualquer coisa.

Ao DEM só é permitido o que está dentro da lei. Mas atenção! Isso é o certo, não aquilo! Ah, sim! No momento certo, eu também disse: “Fora, Lula!”

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 6:07

MENTIRAS ELEITORALMENTE INTERESSADAS

Ontem, um enxame vindo lá das trevas do subjornalismo mensaleiro da Internet tentou invadir o meu blog: “Ah, então José Roberto Arruda seria o candidato a vice do Serra, não é?” Não dei bola, claro, porque os que nunca viram mal no mensalão do PT — “tudo coisa da mídia golpista” — fingiam indignação com o mensalão do governo do Distrito Federal e tentavam fazer o seu trabalho: atacar Serra. Houve até um grupo que insinuou que talvez o governador de São Paulo estivesse por trás das denúncias para atingir Rodrigo Maia, presidente do DEM… Idiotas que se tornam replicadores de delinqüentes a soldo adoram teorias conspiratórias…

Eis que, na Folha de S. Paulo de hoje, é Janio de Freitas quem dá curso à fantasia de que Arruda estava mesmo cotado para vice na chapa tucana. E é dramático: “Um rombo na sucessão”. Não é que se trate de um delírio apenas. Trata-se de uma mentira desmentida pelos fatos. Arruda tinha a reeleição praticamente assegurada no Distrito Federal e não trocaria o certo pelo duvidoso.

Atenção! Não estou aqui recorrendo apenas à lógica para negar que ele pudesse ser vice. É que isso, efetivamente, não passa de uma… mentira! Acontece que há muita gente precisando cumprir tarefa: “Como é que nós vamos ligar esse negócio a Serra?” “Ah, escreve aí que Arruda seria o vice dele!”

É a campanha eleitoral em curso.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2009

às 6:05

BARBOSA AGORA METE TUCANO DO DF NO ROLO. POR ENQUANTO, SEM VÍDEO

Nunca antes na história destepaiz houve uma delação premiada que rendesse tantos benefícios como a de Durval Barbosa. E olhem que Tarso Genro, ministro da Justiça, nem gosta tanto da coisa, né? Para conceder o refúgio a Cesare Battisti, ele incluiu o expediente num rol de supostas medidas de exceção na Itália e sugeriu que não se deve acreditar em informações que nasçam desse procedimento. A menos que elas prejudiquem a oposição no Brasil, é óbvio.

Ao Ministério Público Federal - e a informação já vazou! -, Durval acusou o presidente do PSDB do Distrito Federal, Márcio Machado, de envolvimento com as falcatruas de caixa dois, informa reportagem da Folha desta terça: “Em depoimento ao Ministério Público do DF, em 16 de setembro, Barbosa disse que o presidente do PSDB-DF ia às vezes até a sua casa para tratar do dinheiro da propina. O ex-secretário mencionou aos promotores três pagamentos supostamente feitos pelo tucano: R$ 6 milhões para o deputado Benedito Domingos (PP); R$ 200 mil para Adalberto Monteiro, presidente local do PRP; e R$ 100 mil para Omar Nascimento, que comanda o diretório regional do PTC.”

Não existe nenhum vídeo incriminando Machado até agora, que nega a acusação.

Por Reinaldo Azevedo

 

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