Blogs e Colunistas

José Mujica

08/12/2014

às 6:20

Pronto! Mujica, o esquisitão, já abriga seis terroristas da Al Qaeda aqui do lado… Será que ele havia fumado um quando topou?

E meu pingo final vai para uma questão internacional, mas que está bem pertinho de nós. Seis prisioneiros da base americana de Guantánamo, em Cuba, foram transferidos já para o Uruguai, governado ainda pelo esquisitão José Mujica, o esquerdista que gosta de levar uma vida modesta e frugal, fazendo com que isso passe por uma categoria política nova ou por uma categoria moral. São quatro sírios, um tunisiano e um palestino. Atenção! Todos eles foram presos em 2002 no Iraque, acusados de pertencer à rede Al Qaeda.

No Uruguai, ficarão soltos, como refugiados políticos. Vocês podem imaginar a capacidade do aparelho estatal uruguaio para vigiar terroristas… É o fim de picada! Mas eles são terroristas, Reinaldo? Basta dizer que todos haviam saído de seus respectivos países para “combater” os americanos em solo iraquiano. Militantes pacifistas é que não são.

Mujica resolve um problema dos americanos, muito particularmente de Barack Obama, que prometeu, em duas campanhas, fechar a prisão de Guantánamo, mas sem dizer o que faria com os prisioneiros. Seus países não os querem de volta. Sem acusação formal, teriam de ser soltos se levados para solo americano.

Entre soltar terroristas em Nova York ou em Montevidéu, por que não na capital uruguaia? E quem faz o favorzinho é o esquerdista Mujica, o velhinho que decidiu estatizar a maconha no país. Será que ele havia fumado um baseado?

Atenção! Seis terroristas circularão livremente num país perigosamente próximo da Tríplice Fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, comprovadamente infiltrada pelo terror islâmico. O Brasil, suposto líder do subcontinente latino-americano, não foi sequer consultado. Ainda bem! Sempre haveria o risco de o governo do PT se oferecer para abrigar mais alguns terroristas, não é? Afinal, já fez isso antes. 

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2014

às 6:05

A Venezuela, Dilma, Mujica, o “Porco Fedorento” e um fundamento moral dos esquerdistas: pode matar pessoas nas ruas, desde que sejam as pessoas certas…

A artista gráfica venezuelana Calavera teve um ideia simples, objetiva, clara e eficiente: confeccionou cartazes que lembram o que diziam ontem alguns líderes latino-americanos e o que dizem hoje; o que chamavam, no passado, de “ditadura” e o que chamam, no presente, de democracia. Ainda que haja alguma imperfeição na análise (já explico por quê), as peças são poderosas. Expõem, de maneira desconcertante, a duplicidade moral das esquerdas. As estrelas dos cartazes são os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), José “Pepe” Mujica (Uruguai) e Cristina Kirchner (Argentina). Vejam as imagens. Volto em seguida.

Ditadura -democracia - Dilma

Ditadura - democracia - Pepe

Ditadura-Democracia Cristina

Dilma e Mujica são ex-presos políticos. Na sua biografia oficial, consta que combateram a ditadura militar de seus respectivos países. É o passado que aparece em preto e branco, na metade à esquerda da montagem. Vemos ali forças de segurança reprimindo manifestações de rua. O tempo passou, os dois abandonaram a luta armada e se tornaram presidentes da República por intermédio do voto direto. E, ora vejam, são apoiadores incondicionais de uma ditadura, não exatamente militar, mas militaresca.

Que se note: mesmo os regimes militasres mais discricionários da América Latina não contaram com milícias civis armadas em larga escala, como as que atuam hoje na Venezuela. Havia, sim, grupos paramilitares assassinos — e isso é lixo político e moral, como sabe qualquer pessoa razoável. Mas tinham um alcance menor do que o esquema montado pelo chavismo na Venezuela. Em 21 anos, a ditadura militar brasileira fez, em números superestimados, 424 vítimas — incluindo os guerrilheiros do Araguaia. Por razões comprovadamente políticas, são 293 as vítimas. Houve tortura, assassinatos, desaparecimentos. Não se trata de dizer se é muito ou pouco. É só absurdo! Quem, já rendido, morreu nas mãos do estado foi vítima de um crime. Mas sigamos. Em pouco mais de um mês — os protestos na Venezuela começaram no dia 4 de fevereiro —, o próprio governo admite que já morreram 28 pessoas.

Não me surpreende: a esquerda sempre soube ser mais letal. Ora, como ignorar que os grupelhos extremistas no Brasil, meia dúzia de gatos pingados, mataram pelo menos 120 pessoas — nessa lista, não estão mortos em combate, não! Essas 120 pereceram em ataques terroristas. E aqui lembro a única imperfeição da arte de Calavera, embora isso não diminua a pertinência do seu trabalho: os que hoje protestam na Venezuela estão, de fato, pedindo democracia. Não era o caso de Dilma. Não era o caso de Mujica. Eles eram terroristas e pretendiam implementar em seus respectivos países uma ditadura comunista.

Assim, a luta do povo venezuelano, hoje, é muito mais moral do que eram a de Dilma e a de Mujica. Eles queriam ditaduras com sinal trocado. A população da Venezuela quer um regime democrático. No passado, era possível repudiar a “luta” da dupla também por bons motivos, Tratava-se do confronto de forças opostas em si, mas combinadas na malignidade. No caso venezuelano, no entanto, não: opor-se às reivindicações da população corresponde a renegar o regime de liberdades públicas. Ou por outra: Dilma e Mujica continuam a se alinhar com a ditadura.

A VEJA desta semana traz uma excelente reportagem sobre a Venezuela. Um dos textos, sobre Che Guevara, o “Porco Fedorento”, vai ao ponto. Ilustra de modo inequívoco, a farsa moral esquerdista. Observem como a linha de, vá lá, raciocínio de Che é a que orienta hoje a escolha de Dilma, Mujica, Cristina e outros “líderes” latino-americanos. Reproduzo o texto, publico um vídeo e volto para encerrar.
*
Imagine qual seria a reação se, em 1974, o general presidente do Brasil Emílio Garrastazu Médici ocupasse a tribuna diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e afirmasse: “Temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida. Torturas, sim! Temos torturado: torturamos e vamos continuar torturando enquanto for necessário”.

Médici seria, justamente, execrado como um ditador. Em dezembro de 1964, porém, o argentino Ernesto Guevara, que, com o apelido de “Che”, ajudou Fidel Castro no triunfo do golpe comunista em Cuba, foi à ONU e confessou: “Nosotros tenemos que decir aquí lo que es una verdad conocida: fusilamientos, sí, hemos fusilado; fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario”.

Já se passavam seis anos da tomada do poder pelos comunistas em Cuba, e Guevara confessava que continuava em plena operação e sem data para arrefecer sua máquina de assassinatos políticos na prisão de La Cabaña. Seis anos de execuções sumárias de vítimas que chegavam ao paredão exauridas, pois delas se tirava até parte do sangue para transfusões.

Seis anos, e dissidentes continuavam a ser fuzilados. Guevara foi o único guerrilheiro a matar muito mais gente de mãos atadas e olhos vendados do que em combate — que, ao contrário da lenda, ele evitava ainda mais do que o banho. Qual foi a reação naquele instante em que permaneciam na audiência uma maioria de representantes de países “não-alinhados”, eufemismo para “pró-soviético”? Guevara foi aplaudido por 36 segundos.

No New York Times do dia seguinte, o redator, mesmerizado, fingiu que não ouviu a confissão de assassinato de Guevara, descrito como “versátil”, “economista autodidata” e “revolucionário completo”. A duplicidade ética não é uma exclusividade das esquerdas. Apenas elas são inexcedíveis nesse truque que, apesar de velho, ainda funciona. O ensurdecedor silêncio enquanto jovens mártires venezuelanos são torturados e mortos nas ruas é prova disso.

Para encerrar
Vejam esta foto.

Raúl Castro

Este que está pondo a venda nos olhos do rapaz que vai ser executado é Raúl Castro quando jovem. O tarado moral é hoje presidente de Cuba. Era um dos mais eloquentes na solenidade que marcava um ano da morte de Chávez, há alguns dias. Foi nesse evento que Nicolás Maduro convocou as milícias armadas a sair às ruas.

Com o apoio de Dilma.
Com o apoio de Mujica.
Com o apoio de Cristina, entre outros.

Não é que esses gênios morais sejam contra matar gente. Eles se opõem a que se matem apenas as pessoas erradas, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2013

às 5:15

Legalização da maconha no Uruguai é obra da Open Society, de George Soros. Não acredita? Então pesquise, ora!

José Mujica, presidente do Uruguai: ele não é a cara da modernidade?

José Mujica, presidente do Uruguai: ele não é a cara da modernidade?

O Senado do Uruguai aprovou proposta que já havia passado pela Câmara. Tornou-se o país mais liberal do mundo no que diz respeito à maconha. Nunca antes na história do mundo um governo havia decidido, literalmente, estatizar a droga. O projeto de legalização plena da maconha não é coisa dos uruguaios, mas da organização Open Society, criada pelo multibilionário George Soros. Todas as ONGs e entidades que financiam a campanha pela legalização das drogas no Uruguai, no Brasil e em vários países periféricos são financiadas por ela. Teoria conspiratória? Coisa de lunáticos — como era, em outra esfera, o Foro de São Paulo, por exemplo?

Tudo está ao alcance de alguns cliques. Entrem nas páginas dos lobbies em favor da descriminação ou da legalização de todas as drogas, vejam quem financia e persigam o dinheiro para ver aonde vai dar. Soros quer no mercado financeiro os bilhões de dólares que circulam no narcotráfico. E isso só é possível com a legalização plena de todas as drogas, não só da maconha. Esse é só o primeiro passo. Ele sabe que, nos EUA, essa proposta é impossível, apesar do avanço da campanha pró-maconha. Então tenta disseminá-la nos países pobres. O Uruguai, infelizmente, é o primeiro a cair.

A exemplo do que aconteceu em países com uma legislação muito liberal sobre drogas, vai crescer o consumo e aumentar o número de pessoas que experimentam a droga pela primeira vez, como ocorreu em Portugal, ao contrário do que se anuncia por aí.

A proposta é um absoluto despropósito. O que o governo do esquerdista José Mujica faz é estatizar a produção, a distribuição e a venda da droga. Se fosse coisa muito boa, duvido que o Uruguai seria o primeiro país a fazê-lo. O projeto aprovado é risível, é patético. Vai se criar um cadastro de usuários, e o estado venderá 40 gramas por mês a cada um. Distorção óbvia: não consumidores vão se alistar para obter a droga e repassar aos viciados; também os consumidores que não queimarem a sua cota de mato farão o mesmo. Nos dois casos, com ágio. Pronto! É o tráfico da maconha de volta.

Indivíduos e cooperativas poderão plantar a droga — até seis pés. Problema: há espécies que atingem no máximo 90 cm; outras podem chegar a cinco metros. Pergunta: será permitido ter seis pés de cinco metros, mas não 20 pés de 50 cm? Dirigir sob o efeito da droga é proibido. Ocorre que o consumo de maconha só é detectável com exame de sangue. E o resultado não sai na hora.

O mais impressionante é que Mujica, o presidente, admite que o país não está preparado para isso. 61% dos uruguaios já se disseram contrários à legalização. Estima-se que, no país, de 3,4 milhões e habitantes, menos de 4% sejam consumidores. É claro que, na trilha da legalização da maconha, virá a pressão para legalizar as demais drogas. A grande fonte de renda do narcotráfico é a cocaína.

A pressão por lei semelhante vai crescer no Brasil, podem escrever, que já vive o drama da legalização informal do crack. Não custa lembrar. O Uruguai é um pouco maior do que o Ceará e tem uma população um pouquinho maior do que a do Piauí. Faz fronteira só com Brasil e Argentina e tem apenas 660 km de costa marítima. Com o Brasilzão e seus 200 milhões de habitantes, a história é outra: temos 9.230 km de litoral e fazemos fronteira com nove países. Quatro deles são altos produtores de cocaína — Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia — e um de maconha: o Paraguai. Vocês logo começarão a ouvir que o Uruguai é um exemplo a ser seguido pelo Brasil. Seria um desastre!

Noto, adicionalmente, que essa não é uma decisão que diga respeito apenas ao Uruguai. O país está num continente; pertence ao um bloco econômico — o Mercosul. No mínimo, caberia ouvir os vizinhos. Sim, sim, a lei endurece a pena para o tráfico. Grande coisa! Existe tráfico até de tabaco, que é uma substância legal. É claro que as regiões fronteiriças — Argentina e Rio Grande do Sul — receberão um fluxo maior de traficantes. Trata-se apenas da velha e boa lei de mercado.

Mas José Mujica, com aquele seu ar de buldogue boa-praça, é tratado como um poeta. Então tá.

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2013

às 22:38

O mal-ajambrado José Mujica quer transformar o Uruguai no primeiro narcoestado oficial do mundo; maioria da população é contra

A banalidade num velho, disse o poeta Antero de Quental, é tão constrangedora quanto a gravidade numa criança. É o que me ocorre dizer quando penso na cara, nas roupas e, sobretudo, nas ideias mal ajambradas deste patético José Mujica (foto), presidente do Uruguai, que propôs — e conseguiu, já que dispõe de folgada maioria na Câmara — a aprovação de um projeto que vai muito além de legalizar a maconha: o texto estatiza a droga. Assim que for aprovado no Senado — também controlado pelos governistas —, o Uruguai será, atenção!, o primeiro país do mundo a transformar o estado no monopolista oficial de uma substância psicotrópica. Sim, sim, haverá lá um sistema para cadastrar os usuários, que terão direito a uma quantidade limitada da substância e coisa e tal. Pergunta óbvia: o que impedirá um não viciado (ou “não usuário”, na linguagem politicamente correta) de se cadastrar, receber a substância e vender a um outro que quer queimar muito mais mato do que a cota legalmente oferecida?

É um absoluto despropósito. Não, no entanto, se lermos boa parte do que publica a imprensa brasileira, majoritariamente favorável à descriminação das drogas. Um desses textos que provoca engulhos, tal a estupidez militante, afirmava o caráter “vanguardista” do país que já aprovou o casamento gay e descriminou o aborto e que, agora, quer legalizar — o certo, reitero, é “estatizar” — a maconha! Matar fetos e queimar mato, pelo visto, são elementos de um mesmo paradigma… Santo Deus!

Mujica, o mal-ajambrado do paletó às ideias, argumenta, a exemplo de todos aqueles favoráveis ao liberou-geral, que a medida contribuirá para diminuir o poder do narcotráfico. E as outras drogas? Ele pretende estatizar a cocaína e o crack também?

Ainda que a maioria dos parlamentares seja favorável à medida, a maioria dos uruguaios é contra. Pesquisas indicam que 63% se opõem à estatização da droga. Mujica já tem uma explicação: diz que isso se deve ao fato de haver muitos velhos no país, que não entenderiam a cabeça dos jovens…

Durante um bom tempo, leis bancárias muito particulares fizeram do Uruguai uma espécie de paraíso fiscal da América Latina. Muitos salafrários do continente enviavam para lá o dinheiro que roubavam em seus respectivos países. Agora, Mujica quer que o Uruguai se transforme, sob o pretexto de ter uma legislação moderna e avançada, no primeiro narcoestado oficializado.

Dada a resistência da população e com a popularidade em queda, o presidente fala agora em fazer um referendo. Segundo diz, a maioria dos uruguaios só se opõe à proposta porque não está bem informada a respeito.

Se tal lei for aprovada, imaginem o tipo de turista que o país passará a atrair… A consequência óbvia de uma lei assim será o aumento da demanda por outras drogas, o que fortalecerá o narcotráfico e o ciclo da violência — que está em alta no país, especialmente em Punta del Este, o paraíso turístico.

Que se note, para encerrar: o consumo da maconha já é amplamente tolerado no Uruguai — a exemplo, diga-se, do que ocorre no Brasil. É mentira que maconheiro vá para a cadeia lá ou aqui. A conversa sobre a descriminação (aqui) e sobre a estatização (lá) é só um passo a mais que a cultura da legalização plena das drogas pretende dar.

Aliás, esse é o mal disfarçado e óbvio intento dessa gente. Afinal, se o proclamado objetivo é pôr fim ao poder do narcotráfico, é evidente que isso só se realiza com a legalização de todas as drogas, não só da maconha.

Ainda não decidi o que é maior nessa gente: a má-fé ou a estupidez. Quanto a Mujica… Ele acha que a maioria dos uruguaios é contra porque haveria velhos demais no país. Este patético senhor está com 78 anos. No seu caso, como se vê, o mal não está em pensar como um velho, mas em pensar como um idiota.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2013

às 21:11

“Essa velha é pior que o vesgo”, diz Mujica sobre Cristina Kirchner e Néstor

Na VEJA.com:
O presidente do Uruguai, José Mujica, caiu nesta quinta-feira em uma armadilha que já pegou vários mandatários imprudentes. Sem perceber que seu microfone estava ligado, fez um comentário que ganhou repercussão contra a vontade do presidente. “Essa velha é pior que vesgo”, disse Mujica, em referência à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e a Néstor Kirchner, marido de Cristina, que morreu em 2010.

“Essa velha é pior que o vesgo … O vesgo era mais político, ela é teimosa”, disse Mujica, após fazer referências às difíceis relações de seu país com a Argentina. O áudio foi divulgado pela imprensa uruguaia pouco depois.

Segundo Mujica, o “Gatão Uruguaio”, ela é a velha…

... e ele era “o vesgo”

Ele conversava com o governador de um distrito uruguaio, depois de conceder uma entrevista coletiva. O assunto era a relação com os governos da Argentina e do Brasil. Mujica disse que para conseguir algo com o governo argentino, era preciso se inclinar um pouco para o Brasil.

Mais tarde, o presidente uruguaio tentou negar suas declarações. “Publicamente, nunca falei da Argentina”, disse. Segundo ele, a conversa era sobre o ex-presidente Lula e o Brasil. “Eu não vou dar bola nem atravessar o mundo esclarecendo nada. Inventem o que quiserem”, esbravejou.

Mujica não foi o primeiro presidente uruguaio a se colocar em uma situação incômoda com a Argetina. Em 2002, o ex-presidente Jorge Batlle também não percebeu que estava sendo gravado por uma câmera de televisão e disse que os argentinos eram “um bando de ladrões, do primeiro ao último”. Depois do incidente, Batlle viajou a Buenos Aires para pedir desculpas ao então presidente Eduardo Duhalde. “Por que fui pedir perdão? Eu não era um cidadão, era o presidente da República e os 3 milhões de uruguaios podiam sofrer muito por um erro meu”, explicou.

Ah, sim, quase me esqueço: esse é José Mujica.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2013

às 16:19

Ex-ditador, atual cadáver e futura múmia. Mas procria!

Vejam esta foto (AFP).

É a Frente Unida do Atraso. Ali se veem Cristina Kirchner, presidente da Argentina; José Mujica, presidente do Uruguai, e Evo Morales, o índio de araque, presidente da Bolívia, com uma jaqueta que traz a imagem de Che Guevara — aos 54 anos, com os cabelos mais negros do que as asas da graúna, nem a cor da cabeleira desse farsante é verdadeira. Indígena que usa Hené Maru! O menos dolosos no que concerne à democracia é o pançudo do meio, cuja iniciativa mais vistosa foi tentar estatizar a maconha… Coitada da América Latina! Alinham-se diante do corpo de Hugo Chávez, ex-ditador, atual cadáver e futura múmia, que procria. Na Venezuela, com o “comandante” vivo ou morto, uma ilegalidade vai gerando outra; uma violação à Constituição dá à luz a seguinte. O Tribunal Superior de Justiça, um dos cartórios do bolivarianismo — não existe Poder Judiciário independente no país —,  decidiu que Nicolás Maduro poderá se candidatar na próxima eleição.

É um esculacho. Maduro ficou no comando do país porque o tribunal entendeu que, sendo vice (ele não era!!!), substituía interinamente o presidente. Fraude: Chávez não chegou a tomar posse desse mandato. Se não tomou, como é que Maduro poderia ser vice? O tribunal fraudou a Constituição, inventando a tese da “continuidade administrativa”.

Muito bem! Só porque o tribunal entendeu que Maduro era o vice legal é que ele ficou no comando do país. Seguisse o que vai na Constituição, deveria ter assumido interinamente Deosdato Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Também é um bolivariano xexelento (de um hospício diferente), mas é a lei. E daí? Os togados do chavismo (Deus meu!) declararam: “Maduro é o vice”. É? Então vamos ver o que diz agora o Artigo 229 da Constituição, feita pelos próprios aloprados:
“No podrá ser elegido Presidente o Presidenta de la República quien esté en ejercicio del cargo de Vicepresidente Ejecutivo o Vicepresidenta Ejecutiva, Ministro o Ministra, Gobernador o Gobernadora y Alcalde o Alcaldesa, en el día de su postulación o en cualquier momento entre esta fecha y la de la elección.”

Eis aí. É evidente que Maduro não poderia ser candidato exercendo o cargo porque esse mesmo tribunal decidiu que ele era “vice-presidente executivo” — e só por isso assumiu o comando. O que fazer? Ora, mudar o nome da sua função. Ele passa a ser “vice-presidente interino”. Como não existe no Artigo 229 óbice a que um “vice-presidente interino” se candidate, então é isso o que ele é. Se houvesse, inventariam outra designação qualquer.

Para não passar o poder ao presidente da Assembleia, como determinada a Constituição, inventaram que Maduro era o vice; para que possa concorrer à Presidência, dizem agora que não é mais vice. Na Venezuela, a legalidade é aquilo que os bolivarianos dizem ser a legalidade. Não seguem nem mesmo as leis que eles próprios criam.  Vejam esta outra foto (Reuters). Volto em seguida.

 

As personagens principais são conhecidas, não é mesmo? Poderia ser só o ar compungido típico dos velórios. Existe, na nossa língua, a expressão “fazer cara de enterro”. Ocorre que vai nessa compunção algo mais do que a solidariedade humana com a dor alheia. Há ali o endosso a um regime que viola as regras mais elementares da convivência democrática. Não custa lembrar que Dilma Rousseff e Cristina Kirchner deram um verdadeiro golpe no Mercosul para abrigar a Venezuela ditatorial de Hugo Chávez e suspender os direitos do Paraguai, uma democracia.

O flagrante, no entanto, está a nos lembrar que “eles” passam, ainda que tentem se preservar como múmias.

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados