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José Carlos Dias

07/08/2012

às 19:34

Na metáfora de Dias, Roberto Gurgel vira o delegado Fleury da tortura psicológica. Não dá!

José Carlos Dias reservou o pior — alguns dirão que é o melhor — de sua fala para o fim da intervenção. Resolveu colocar a sua experiência de advogado que defendeu presos políticos a serviço de sua cliente, Kátia Rabello, essa grande “mulher mineira”, essa “moça com alma de artista”. E o que fez o doutor?

Lembrou ter sido advogado de um jovem economista, depois jornalista, que fora torturado no DOI-Codi, inclusive pelo delegado Fleury, e condenado pelo Superior Tribunal Militar a 30 anos de prisão. No STM, informou Dias, ele conseguiu reduzir a pena para 15 anos. Decidiu então recorrer ao Supremo. E ali conseguiu a absolvição.

Em seguida, afirmou que a situação hoje, claro!, é muito melhor. Mas não perdeu a chance: sua cliente estava sendo intimamente torturada. Advogado há 50 anos, disse confiar no tribunal e pediu a absolvição desta “moça que merece respeito”. Ou, então, disse Dias, “é melhor voltar para casa”.

Com o devido respeito a José Carlos Dias, acho sua retórica exagerada e até desrespeitosa. Se ele não desistiu de advogar nem numa ditadura, por que haveria de fazê-lo numa democracia?

A metáfora é dele, não minha. Se Kátia Rabello, na sua fala, corresponde àquele rapaz que fora torturado no DOI-Codi, então Roberto Gurgel, o procurador-geral, virou o delegado Fleury da hora. As palavras fazem sentido, doutor Dias! Se o senhor escolheu esse caminho, cabe-me repudiá-lo e classificá-lo de infeliz.

Foi mais um dia em que assistimos ao desfile dos mártires. Ontem, o advogado de Genoino evocou até o nazismo. Hoje, José Carlos Dias, querendo confundir a sua própria biografia com a da cliente, resolveu ressuscitar os porões do DOI-Codi.

Dias não deveria tratar assim a sua própria biografia, ainda que queira lustrar a de sua cliente. Afinal, doutor Dias, o mensalão — ou como queira o senhor chamar aquela lambança — foi exatamente uma agressão ao estado de direito.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2012

às 19:11

Dias assegura que empréstimo do Rural a agência de Valério realmente existiu; em todo caso, diz que sua cliente não tinha nada a ver com o assunto…

A defesa de José Carlos Dias era aguardada. É considerado uma das estrelas do julgamento, só menos reluzente do que Márcio Thomaz Bastos. Até agora, investe no mais do mesmo: faltam provas etc. e tal. Diz que o banco — na verdade, Kátia Rabello — não pode ser acusado de lavagem de dinheiro porque a origem do dinheiro na conta da SMP&B era legal, “especialmente Banco do Brasil”. Segundo Dias, o banco não tinha consciência de qualquer ilicitude.

Dias inova — considerando os que falaram até agora — ao se colocar pessoalmente no caso, dando mesmo um testemunho pessoal, embora ele mesmo tenha observado: “Não posso falar como testemunha…” Num dado momento, afirmou: “Acreditem em mim!”.

O empréstimo
José Carlos Dias usa um laudo do Instituto de Criminalística para assegurar que o empréstimo do Banco Rural à agência de Valério era legal, regular. Que se note: nunca ninguém questionou as formalidades legais do empréstimo. A questão é outra: essa formalidade servia justamente para ocultar a sua inexistência. Era um truque. Tanto é assim que, antes de o escândalo estourar, esse dinheiro nem era cobrado.

Mas José Carlos Dias é esperto. Embora assegure a existência do empréstimo, deixa claro que Kátia Rabello não tinha nada com isso. A operação foi feita pelo diretor José Augusto Dumont, que morreu num acidente em abril de 2004. Dias remete parte da sua argumentação a defesas que ainda serão feitas por outros colegas, que defendem outros diretores do Banco Rural. Um deles é justamente Márcio Thomaz Bastos, que tentou articular com ele hoje a suspensão do julgamento.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2012

às 18:36

José Carlos Dias: “Kátia Rabello é uma mineira séria!”

Ficamos sabendo que ela é filha de Sabino Rabello. Kátia Rabello, informa José Carlos Dias, é bailarina, não tinha vocação para banqueira, mas para artista. Vocacionada era sua irmã, Júnia, que morreu num acidente. Mesmo assim, assumiu a presidência do Conselho Executivo. Numa reforma administrativa, profissionalizou a direção do banco. Vamos ver onde isso vai dar. Dias diz que sua defesa é um desagravo moral. Afirma que vai provar que há provas abundantes de que ela é inocente. Kátia Rabello é acusada, entre outras coisas, de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O advogado sustenta que ela é uma “mineira séria”.

Por Reinaldo Azevedo

 

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