Blogs e Colunistas

Irã

15/10/2011

às 8:11

Relatório da ONU deve ampliar pressão sobre programa atômico iraniano

Por Jamil Chade, no Estadão:
A pressão internacional sobre o Irã deve aumentar significativamente nas próximas semanas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicará um novo relatório que, no mínimo, deve expressar - apresentando uma série de detalhes - sua “crescente preocupação” com a possível dimensão militar do programa nuclear iraniano, segundo diplomatas ouvidos pela agência de notícias Reuters.

Sem explicitar quais são suas fontes, o jornal francês Le Figaro antecipou ontem que a AIEA denunciará pela primeira vez o caráter militar do programa nuclear iraniano, indicando a construção de uma bomba. Fontes ligadas à AIEA, no entanto, expressaram ceticismo com a versão do jornal - uma vez que o documento ainda não está concluído.

Mesmo assim, a AIEA admitiu ao Estado que a pressão sobre Mahmoud Ahmadinejad depois do documento será ampliada “significativamente”. “Será um documento muito forte, com muitos detalhes”, admitiu uma fonte da AIEA. Para diplomatas europeus, o documento dará um sinal claro sobre as intenções de Ahmadinejad.

O Figaro chegou a indicar que a AIEA confirmará que o objetivo do programa é mesmo a construção de uma bomba e trará provas da preparação para essa fase do projeto. Na Europa, porém, diplomatas duvidam da capacidade política da agência de chegar a tais conclusões de forma tão aberta. A aposta é que detalhes do programa iraniano serão exibidos com alertas sobre o que eles podem significar. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2011

às 5:43

Obama diz ter provas que ligam Irã ao complô para matar diplomata saudita

No Estadao:
O presidente dos EUA, Barack Obama, falou pela primeira vez publicamente, nesta quinta-feira, 13, sobre o suposto plano terrorista elaborado pelo Irã para matar o embaixador da Arábia Saudita em Washington. De acordo com ele, o iraniano Manssor Arbabsiar, acusado de organizar o complô, tem ligações “indiscutíveis” com Teerã.

“Não teríamos apresentado o caso se não soubéssemos exatamente como provar as afirmações contidas na denúncia”, disse Obama durante visita à Casa Branca do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. “O mais importante é que o Irã responda à comunidade internacional por que alguém em seu governo está engajado nesse tipo de atividade.”

“O governo americano sabe que ele (Arbabsiar) tem relação direta com o Irã, que foi financiado e orientado por indivíduos no governo iraniano”, afirmou Obama. Segundo ele, seu governo está em contato com aliados para apresentar as provas do envolvimento de Teerã. Obama estaria em busca de apoio diplomático para novas sanções contra Teerã. Para ele, o caso faz parte do “padrão de comportamento perigoso e inconsequente” do governo iraniano.

Denúncia
Na terça-feira, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou o suposto envolvimento de dois cidadãos iranianos acusados de planejar o assassinato do embaixador da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir. A conspiração teria sido concebida, organizada e dirigida pelo Irã. Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes do cartel mexicano Los Zetas para matar o diplomata - a ideia era explodir o restaurante que o embaixador frequentava em Washington. Arbabsiar, no entanto, negociou o tempo todo, sem saber, com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.

Ele tentou desembarcar no México em um voo vindo de Frankfurt, no dia 29, mas sua entrada no país foi recusada. Arbabsiar foi colocado em um avião para Nova York, onde foi preso no mesmo dia. O outro iraniano acusado de participação na conspiração é Gholam Shakuri, que os americanos dizem ser membro da Brigada al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. Shakuri está foragido. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 4:09

Buenos Aires reforça segurança depois de rumor de atentado

Por Sylvia Colombo, na Folha:
A suposta tentativa do Irã de assassinar o embaixador saudita em Washington, denunciada anteontem pelos EUA, incluiria também outros ataques, entre eles às embaixadas da Arábia Saudita e de Israel em Buenos Aires. A informação, a princípio dada por funcionários do governo à cadeia norte-americana ABC, repercutiu fortemente na imprensa argentina durante todo o dia.
Segundo a France Presse, o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, ligou ontem para autoridades argentinas para passar detalhes sobre a operação e suas prováveis ramificações internacionais. A porta-voz Victoria Nuland confirmou o contato do subsecretário Burns com o governo argentino, mas não quis dar mais informações nem mencionou outros países supostamente envolvidos na trama iraniana.

O governo argentino não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição. A presidente do país, Cristina Kirchner, passou mal anteontem e está com sua agenda de campanha eleitoral suspensa, devido a um quadro de lipotimia (queda de pressão, com eventual perda de consciência). Já o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ofereceu ajuda à Casa Rosada e disse que os possíveis alvos na capital argentina já estão com monitoração reforçada. “Temos que continuar na luta contra o terrorismo”, disse, em entrevista a jornalistas. “Nós, argentinos, temos um grau de sensibilidade maior porque já sofremos dois atentados terroristas”, afirmou Macri, uma das principais vozes da oposição a Cristina -que tenta se reeleger e, segundo as pesquisas, deve obter novo mandato de quatro anos já no primeiro turno, em 23 de outubro. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 20:02

Em tempos da Internacional do Terror, Brasil continua sem lei que puna o terrorismo

Na Constituição, o terrorismo é crime imprescritível e inafiançável, mas deve ser punido na forma da lei. Ocorre que inexiste a tal lei, e o governo petista se nega a votá-la. A razão é simples: para que se possa punir uma ação terrorista, é preciso caracterizar o que é terrorismo - e isso, acreditem, alcançaria alguns ditos “movimentos sociais”, como o MST, por exemplo.

Assim, pessoas com notórias ligações com movimentos terroristas, como a Al Qaeda, por exemplo, já foram presas no Brasil e soltas em seguida porque não existe uma lei que possa puni-las.

Em abril deste ano, a VEJA publicou uma reportagem de 14 páginas, de autoria de Leonardo Coutinho, sobre a presença de células terroristas no Brasil. É claro que o Irã estava presente. Leiam um trecho:
(…)
Acusado de arquitetar atentados contra instituições judaicas que vitimaram 114 pessoas em Buenos Aires, nos anos de 1992 e 1994, o iraniano Mohsen Rabbani é procurado pela Interpol, mas entra e sai do Brasil com freqüência sem ser incomodado. Funcionário do governo iraniano, ele usa passaportes emitidos com nomes falsos para visitar um irmão que mora em Curitiba. A última vez que isso ocorreu foi em setembro do ano passado. Quando a Interpol alertou a Polícia Federal para sua presença no Brasil, ele já tinha fugido. Mas não são apenas os laços familiares que trazem esse terrorista ao país. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) descobriu que Rabbani já recrutou, pelo menos, duas dezenas de jovens do interior de São Paulo, Pernambuco e Paraná para cursos de “formação religiosa” em Teerã. “Sem que ninguém perceba, está surgindo uma geração de extremistas islâmicos no Brasil”, diz o procurador da República Alexandre Camanho de Assis, que coordena o Ministério Público em treze estados e no Distrito Federal.
(…)
Em 2009, o Jornal O Globo dava a seguinte notícia:
A Venezuela tornou-se uma base aliada do movimento xiita libanês Hezbollah, que pretende atacar países sul-americanos, inclusive o Brasil, publicou nesta quinta-feira o jornal israelense “Yedioth Ahronoth”, um dos principais periódicos do país. A publicação de Tel-Aviv, que cita uma fonte governamental do Estado israelense, afirma que, durante o governo do presidente Hugo Chávez, as relações com o grupo islâmico se estreitaram, de modo que existem até células do Hezbollah na Venezuela, pertencentes ao braço operativo da organização, usado para atentados no exterior e denominado “órgão de pesquisas especiais”. De acordo com o jornal, os serviços secretos israelenses acreditam que o movimento xiita esteja trabalhando para atacar alvos israelenses na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru.

Voltei
O Hezbollah é um satélite do Irã. Às vésperas de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, o Brasil segue sendo uma das poucas, se não for a única, democracias do mundo que se negam sistematicamente a votar uma lei contra o terrorismo. Logo, passa a ser um território propício à ação desses humanistas… O Irã (leia post abaixo), como se viu, espalha seus tentáculos mundo afora. No Brasil, como informou a reportagem de VEJA, a canalha não encontra nenhuma dificuldade.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 18:52

Um país governado por terroristas

O mundo reage com perplexidade - e quase silêncio - à informação de que as forças de segurança dos EUA desbarataram um plano do governo iraniano de assassinar o embaixador saudita em Washington, Abdel al-Jubeir. Havia ainda a intenção de explodir a representação diplomática de Israel nos EUA e na Argentina. Mansor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA. Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. E agora?

Pois é. Fontes da área de segurança dos EUA informam que há a suspeita de que o próprio Mahmoud Ahmadinejad, o tirano do “zóio junto“, não soubesse do plano. Já o aiatolá Khamenei, que controla a brigada de elite, estaria ciente de tudo e teria dado sinal verde para a operação. Aí as coisas assumem um contorno verdadeiramente dramático, perigoso.

Aqui e ali, alguns tratam com certa desconfiança a informação. Não entendo por quê. O Irã dos aiatolás se encarregou de eliminar, de maneira sistemática, seus dissidentes no exterior, violando, obviamente, as leis locais. Bem poucas pessoas escaparam. Os que sobraram vivem sob estrita proteção porque se dá como certo que os agentes da Guarda Revolucionária se espalham mundo afora para eliminar os “inimigos da revolução islâmica”. A única estranheza é que nunca tiveram como alvo um embaixador estrangeiro. E daí? Se o plano tivesse dado certo, dificilmente se chegaria à autoria. Sempre poderia restar a suspeita de que fosse coisa de alguma célula da Al Qaeda, que também tem o governo saudita como inimigo.

O Irã financia os terroristas do Hazbollah no Líbano, os do Hamas na Faixa de Gaza e o extremismo xiita no Iraque. Suas pegadas no atentado terrorista contra a Amia, entidade beneficente judaica instalada na Argentina, no dia 18 de julho de 1994, são claríssimas. A explosão matou 85 pessoas (boa parte crianças) e deixou 200 feridos. Um dos mentores do ataque é Ahmad Vahidi, que é, hoje, nada menos do que ministro da Defesa do governo Ahmadinejad. O que esperar dessa gente?

O governo do Irã, como sempre, reagiu com indignação e acusou um grande complô contra o país, liderado pelos EUA. Nada que não esteja no script. É o que esses valentes fazem sempre. Estamos falando de uma escória que toca um programa nuclear secreto, com a mais do que declarada intenção de destruir um outro país - no caso, Israel, que Ahmadinejad já prometeu “varrer do mapa”. As sanções em curso, como se vê, têm sido insuficientes para que freiem a loucura atômica, para que ponham um fim ao financiamento do terrorismo e para que recolham seus tentáculos homicidas mundo afora. Qual deve ser o próximo passo?

É com essa gente que o governo Lula e o Itamaraty de Celso Amorim quiseram celebrar uma aliança; foi o representante desse governo que o Apedeuta chamou de “querido amigo”. Como tratar o Irã? O que fazer com um país que a tanto se atreve? Notem: a situação dos EUA já é de tal sorte difícil hoje - com uma guerra ainda não concluída no Iraque, outra no Afeganistão e, por que não?, uma terceira na Líbia (para falar das questões externas…) - que uma deterioração das relações com o Irã, que já são péssimas, seria a última coisa desejada pela Casa Branca e por Obama em particular. Mas há o peso tenebroso dos fatos.

Qual é a pauta?
O episódio demonstra como é falsa a tese segundo a qual, resolvido o “problema palestino”, todas dificuldades se diluem no Oriente Médio. Bobagem! O confronto entre Irã e Arábia Saudita tem uma forte marca religiosa, é expressão da disputa pela liderança regional e tem caráter também geopolítico: os sauditas são os principais, e mais fiéis, aliados dos EUA no Oriente Médio. Para o Irã, os palestinos terem ou não um estado não faz grande diferença. O país continuará a ser governado por uma elite terrorista até que essa gente não seja corrida de lá a vara.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2011

às 5:33

EUA acusam iranianos de conspiração para assassinar embaixador saudita

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O governo americano anunciou ontem ter desbaratado um suposto complô de dois iranianos ligados ao governo de Teerã para assassinar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA. Manssor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe, sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.

O Irã negou envolvimento no caso, qualificando o anúncio de “ato fabricado de propaganda dos EUA”. Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. Ambos responderão por quatro acusações, incluindo conspiração para usar armas de destruição em massa - o assassinato do diplomata saudita seria feito com explosivos. Arbabsiar deveria ser levado ainda ontem a uma corte federal americana.

A revelação do suposto complô foi feita pelo secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e pelo diretor do FBI, Robert Mueller. O presidente Barack Obama sabia da operação - batizada de “Coalizão Vermelha” - desde junho, segundo a Casa Branca.

Os iranianos também planejariam atacar a Embaixada de Israel em Washington e teriam discutido a possibilidade de bombardear as missões de Riad e Tel-Aviv em Buenos Aires.

A polícia antinarcóticos dos EUA informou que a operação teve início em maio, quando Arbabsiar entrou em contato com um integrante do cartel mexicano Los Zetas na cidade de Corpus Christi, Estado do Texas, para contratar o serviço. Seu interlocutor, porém, era um policial infiltrado dos EUA. Por se tratar de uma investigação sobre um complô internacional, o caso foi parar no FBI.

Arbabsiar, que dizia ter um primo no alto escalão das Forças Armadas iranianas, encontrou-se duas vezes com o agente americano na cidade mexicana de Reynosa, na fronteira com o Texas. O policial disfarçado afirmou que o cartel cobraria US$ 1,5 milhão pelo assassinato. Arbabsiar efetuou dois depósitos de US$ 50 mil cada em uma conta de fachada da polícia.

O embaixador saudita nos EUA, Adel al-Jubeir (mais informações nesta página), seria morto em um restaurante não identificado de Washington, “também frequentado por políticos americanos”, segundo o Departamento de Justiça. A arma seria uma carga de explosivo C-4.

O agente teria ponderado com Arbabsiar sobre o alto risco de a explosão provocar a morte de outros civis. O iraniano teria respondido: “Eles querem o cara (o embaixador saudita) morto. Se uma centena for com ele, f… .”

Não está claro qual papel Shakuri, o integrante da Guarda Revolucionária, teria desempenhado no complô, mas ele é citado no processo como réu ao lado de Arbabsiar. O iraniano esteve em seu país em setembro, após fazer uma conexão em Frankfurt. Na visita, ainda segundo os EUA, ele teria acertado “detalhes finais” do plano de assassinato.

Em seguida, embarcou para o México, após escala nos EUA. Autoridades mexicanas proibiram sua entrada e o enviaram de volta a Nova York - onde foi preso ao desembarcar. Arbabsiar teria confessado sua participação no complô. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2011

às 4:55

Irã tem a mesma esperança da esquerda do miolo mole. A diferença é que os esquerdistas realmente acreditam no que dizem…

Da Agência Estado:
Um comandante militar iraniano disse neste domingo que os protestos que se espalharam a partir de Wall Street, em Nova York, para outras cidades do país são o começo da “primavera americana”, fazendo uma relação entre as manifestações aos levantes que derrubaram governos autocráticos no Oriente Médio.

O general Masoud Jazayeri, integrante da Guarda Revolucionária do Irã, disse que os protestos contra a ganância corporativa e a distância entre ricos e pobres são uma revolução e que vão derrubar o que ele chamou de sistema capitalista ocidental. O movimento Ocupa Wall Street teve início na cidade de Nova York no mês passado e está se espalhando por outras partes do país. O movimento realiza manifestações pacíficas contra o poder dos setores financeiro e político. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2011

às 21:01

Este homem foi condenado à morte no Irã por ser cristão. Ele pode se salvar: basta renunciar a Cristo

Pastor Yousef Nadarkhani, condenado à morte no Irã. Motivo: ele é cristão

Pastor Yousef Nadarkhani, condenado à morte no Irã. Motivo: ele é cristão

Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo — ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos — e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto — que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos — aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…

O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” — renunciou ao islamismo—, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes — a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.

Yousef Nadarkhani é um de milhares de perseguidos no país. Sete líderes da fé Baha’i tiveram recentemente sua pena de prisão aumentada para 20 anos. Não faz tempo, centenas de sufis foram açoitados em praça pública. Eles formam uma corrente mística do Islã rejeitada por quase todas as outras correntes — a sharia proíbe a sua manifestação em diversos países.

Há no Irã templos das antigas igrejas armênia e assíria, que vêm lá dos primórdios do cristianismo. Elas têm sido preservadas. Mas os evangélicos começaram a incomodar. Firouz Khandjani, porta-voz da Igreja Evangélica do Irã, teve de deixar o país. Está exilado na Turquia, mas afirmou à Fox News que está sendo ameaçado por agentes iranianos naquele país.

Por Reinaldo Azevedo

18/08/2011

às 6:47

O terror via satélite - Irã transmitirá em espanhol para toda a América Latina

Por Isabel Fleck, na Folha:
Um grupo de jornalistas iranianos e latinoamericanos corre contra o tempo em Teerã para colocar no ar, até o fim deste ano, o primeiro canal do Irã em espanhol, a HispanTV, que poderá ser assistido na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil. A intenção é trazer a visão do Irã para a região -em especial a América do Sul, onde o presidente Mahmoud Ahmadinejad já mantém uma relação próxima com os colegas venezuelano, Hugo Chávez, e boliviano, Evo Morales -mas não com os governos argentino e colombiano. A HispanTV, que será completamente financiada pelo governo iraniano, fará parte do grupo da PressTV, canal em inglês que tem cobertura em todos os continentes.
Será transmitida com a ajuda de dois satélites de livre recepção. Será preciso apenas uma antena parabólica e um decodificador para ter acesso ao conteúdo.

“Nosso sinal chegará a toda a América Latina e a Europa, e poderá ser captado também no Brasil”, disse o editor-geral do canal, o chileno Manuel Arismendi à Folha. A emissora em espanhol é o mais novo exemplo do esforço iraniano em tentar criar canais alternativos “fora das grandes corporações”. No Brasil, já é possível assistir à PressTV em inglês, e Teerã pretende montar um escritório da agência estatal Irna no país. Segundo a embaixada iraniana em Brasília, o projeto está sendo tocado, mas não há previsão de data para que a sucursal comece a operar. A sede da HispanTV será em Teerã, em um prédio que ainda está sendo finalizado ao lado da sede da PressTV. A emissora terá uma sucursal em Madri (Espanha) e pretende ainda abrir escritórios na América do Sul.

Arismendi diz que a equipe da HispanTV mantém “contato permanente” com a venezuelana Telesur, mas está “aberta a cooperar” com outras estações da região. Segundo a Folha apurou, uma possível parceria com a Telesur está sendo avaliada pelo canal venezuelano. A HispanTV promete uma “grade variada”, com talk shows e programas que vão debater filmes e livros iranianos e hispânicos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2011

às 5:35

Irã avança para se tornar maior força militar do Golfo

Por Adriana Carranca, no Estadão:
Com o fim da presença militar permanente dos Estados Unidos no Iraque, o Irã se tornará a maior força bélica no Golfo Pérsico. No ranking de 2011 do site Global Fire Power, de análises estatísticas militares, o Irã aparece como 12.ª potência militar do mundo, seguido da Arábia Saudita em 26.º lugar e do próprio Iraque, em 36.º. A comparação não inclui investimentos em programas nucleares, o que tornaria o Irã ainda mais forte.

Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Catar não aparecem entre as 50 nações com maior poderio militar. O ranking compara não apenas número de tropas, armas, tanques, navios e aviões militares, mas a capacidade de produção, ou seja, a indústria bélica de cada país.

Enquanto os EUA navegam pelas águas turbulentas da crise econômica interna, o regime iraniano tem expandido seus tentáculos para os países vizinhos na tentativa de redefinir a balança de poder na região. A queda de braço entre os dois países está sendo travada agora mesmo no Iraque.

De um lado, Washington tenta (sem sucesso, por enquanto) convencer Bagdá a permitir a permanência mínima de militares americanos em seu território. De outro, Teerã busca utilizar sua influência sobre a maioria xiita iraquiana para impedir que isso ocorra.

“O Irã fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que o território iraquiano não possa ser usado para atacá-lo”, disse ao Estado o analista iraniano Trita Parsi, diretor do Conselho Nacional Iraniano-Americano, que acompanha o embate entre os dois países. Ele cita como exemplo a ofensiva militar iraniana contra campos curdos, na semana passada.

Soldados da Guarda Revolucionária atravessaram a fronteira e tomaram o controle de três bases de milicianos dentro do Iraque. O Partido da Vida Livre do Curdistão, ramificação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado “terrorista” pelo Irã, confirmou a operação. O Irã também anunciou o envio de 5 mil homens para a fronteira.

Para a pesquisadora Reva Bahlla, da consultoria de risco político Stratford, não se trata apenas de defesa, mas uma demonstração de força do Irã.

Os aiatolás tentam convencer os vizinhos sunitas de que resistir a um papel mais importante do Irã na região pode ser um mau negócio, em um momento em que os EUA não parecem dispor de tempo ou recursos para intervir em seu socorro. “Uma ameaça militar dos países do Conselho de Cooperação do Golfo contra o Irã não seria realista sem a ajuda dos EUA”, acredita a pesquisadora.

Vácuo. O Irã apoia-se nisso para expandir sua influência regional. “Quando há um vácuo no poder - e haverá um quando os EUA deixarem o Iraque -, há disputa para preenchê-lo. O Irã tentará assumir esse papel, assim como Arábia Saudita e Turquia. Mas sobretudo o Irã, que tenta impedir qualquer tentativa futura dos EUA de isolar ou atacar seu território”, diz Parsi. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2011

às 5:33

Aiatolás miram Afeganistão e Egito

No Estadão:
O campus da Universidade Islâmica Khatam-al Nabyeen, em Cabul, reúne em 12 mil metros quadrados, além de salas de aulas, alojamento para estudantes e a maior mesquita de Cabul. O complexo de U$ 17 milhões financiado pelo Irã segue a linha xiita do Islã, embora mais de 90% dos afegãos sejam sunitas. É o mais visível projeto da crescente influência iraniana no Afeganistão.

O presidente afegão, Hamid Karzai, reuniu-se em junho com seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã para a primeira Conferência Internacional de Combate ao Terrorismo. “Potências ocidentais se autoproclamam líderes da luta contra o terror, mas, EUA e Grã-Bretanha e Israel são os que abrigam o terrorismo”, disse o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, no discurso de abertura, transmitido pela estatal Press TV.

Além da provocação, o evento foi uma clara tentativa de aproximação com países do Oriente Médio onde a influência iraniana é pequena, graças aos laços que mantêm com Washington e Londres. Como e até quando esses laços serão mantidos após a retirada das tropas do Afeganistão é incerto. Na expectativa de que haja rompimento, o Irã tenta marcar território.

Outro exemplo é o Egito, forte aliado americano no governo do ex-presidente Hosni Mubarak. Desde a primavera egípcia que derrubou Mubarak, em fevereiro, o regime iraniano corteja os militares no poder interinamente, na tentativa de preparar terreno para uma aproximação maior com o novo governo a ser decidido nos próximos meses.

Há no Egito forte apoio popular por um futuro governo mais independente dos EUA. A juventude revolucionária defende políticas a favor dos palestinos no lugar da cooperação com Israel em segurança - uma das primeiras medidas do governo de transição foi abrir a fronteira à Faixa de Gaza.

O Irã enxerga na possível mudança de perfil do regime egípcio uma oportunidade. Duas semanas após a queda de Mubarak, os aiatolás ensaiaram uma aproximação ao pedir que dois navios de guerra iranianos atravessassem o Canal de Suez, sob controle do Cairo e fechado ao Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. O pedido foi concedido. Um mês depois, o chanceler egípcio, Nabil Elaraby, prometeu reinventar a política externa e disse que “o Irã não é inimigo”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2011

às 16:39

O Brasil de braços dados com o Irã, e agora numa parceria efetiva. O que mudou?

Enquanto o mundo pressiona o Irã para que submeta seu programa nuclear à inspeção internacional, o que faz o Brasil? Investe numa estreita cooperação com o país, sob o pretexto de ajudar a implantar por lá um programa semelhante ao Bolsa Família. Leiam o que informa Jamil Chade, no Estadão. Volto em seguida.

O Brasil vai ajudar o Irã a implementar o Bolsa Família, programas equivalentes ao Brasil sem Miséria e programas de capacitação de trabalhadores. Em Genebra, os ministros dos dois países se reuniram, nesta terça-feira, 14, para acertar os detalhes da iniciativa, justamente em um momento em que o Irã começa a sentir o maior impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU.

Em Teerã, diplomatas confirmaram ao Estado que um dos temores do regime é de que crise social alimente ainda mais a tensão e pressione por uma queda do atual regime. Na Tunísia e Egito, governos que se mantinham no poder há décadas só foram derrubados quando a situação social de milhões de pessoas sem trabalho ficou insustentável. Os iranianos querem evitar a repetição desse cenário. Abdolreza Sheikholeslami, ministro do Trabalho do Irã, indicou que seu governo quer criar 2,3 milhões de postos de trabalho no País até 2012. Para isso, quer a ajuda dos programas sociais brasileiros e de treinamento.

Na terça-feira, 14, o governo brasileiro insistia que via com naturalidade a cooperação com Teerã. “Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã”, disse Carlos Lupi, ministro do Trabalho do Brasil, após a reunião de mais de uma hora com a delegação iraniana. Lupi evitou dar detalhes de como seria a adoção dos projetos. Mas indicou que o governo brasileiro ajudará o regime de Mahmoud Ahmadinejad a montar uma espécie de rede social. Lupi confirmou que o pedido veio de Teerã.

A diplomacia de Dilma Rousseff havia dado sinais de que adotaria uma nova postura em relação a ditaduras, como a do Irã. Na ONU, votou contra Teerã em relação aos direitos humanos e teceu críticas às violações de direitos humanos. Mas as ações do governo mostram que esse posicionamento não significa um rompimento com Teerã. Há uma semana, o Palácio do Planalto se recusou a receber a prêmio Nobel da Paz, a ativista iraniana Shirin Ebadi. Na terça-feira, fechou com Teerã o início dos trabalhos para exportar seus programas sociais ao país.

Diante de um bloqueio comercial e de uma economia cada vez mais fragilizada, o Irã soma hoje quase 15% de desemprego. Entre os jovens, a taxa de desemprego seria de quase 30%. Desde 2008, o Fundo Monetário Internacional vem alertando para uma ” fuga de cérebros ” do país. Parte seria por conta da repressão, mas parte também por conta da falta de postos de trabalho para aqueles que deixam as universidades. Segundo o FMI, cerca de 180 mil iranianos tem deixado o país a cada ano em busca de uma vida melhor no exterior. Lupi deixou a reunião com o iraniano com presentes: uma bolsa de estilo persa, pistaches e uma caixa com outro agrado de Teerã.

Voltei
Quando Dilma criticou os apedrejamentos do Irã alegando a sua condição de “mulher”, escrevi aqui um texto dizendo que sua censura era bem-vinda, mas que o motivo alegado era ruim. Não se tratava de questão pessoal ou de gênero. Muitos leitores, alguns deles fãs do blog, acharam que eu estava sendo muito severo e coisa e tal…

O fato é que eu não estava certo de que a política externa brasileira daria mesmo uma guinada. E, como se nota, não deu. Some-se essa parceria com o Irã à decisão do governo brasileiro de não receber a iraniana Shirin Ebadi, e temos, então, o quadro completo. A política externa brasileira, se quiserem saber, não mudou. Lá está o Brasil resistindo a uma censura à Síria.

Só estamos de ministro novo. Saiu Celso Amorim, um provocador, e temos agora Antonio Patriota, que se mostra apenas mais habilidoso em justificar o injustificável.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2011

às 5:41

Dilma não recebe iraniana Nobel da Paz, e esta se nega a falar com o Top Top Garcia. Decisão sábia!

Por Flávia Foreque, na Folha:
De passagem por Brasília, a ativista de direitos humanos iraniana e Nobel da Paz (2003) Shirin Ebadi, 63, recusou ser recebida ontem no Palácio do Planalto por Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais. Ebadi tentou, mas não conseguiu uma audiência pública com a presidente Dilma Rousseff, mas foi informada de que Garcia estaria disposto a encontrá-la. “Ela veio a Brasília para encontrar Dilma Rousseff e se sentiu muito mal com a recusa. Ela entendeu que a recusa foi [resultado de] uma pressão do governo iraniano”, disse Flavio Rassekh, coordenador da visita de Ebadi no Brasil. O Planalto alegou que não faz parte da agenda da presidente receber personalidades que não sejam chefes de Estado e de governo. Numa tentativa de dirimir o mal-estar provocado pelo episódio, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) enviou carta para Ebadi reforçando o apoio da presidente à causa dos direitos humanos.
“Aproveito para manifestar o perene compromisso do Estado brasileiro com a defesa e a proteção da vida humana e a contrariedade às penas de morte cruéis ou degradantes”, afirma trecho da carta.

O texto prossegue: “Nesta batalha por um mundo mais justo, sem sombra de dúvidas, a senhora, a presidenta Dilma Rousseff e o Estado brasileiro se encontram no mesmo lado, no lado dos direitos humanos”. Rosário disse ainda estar disposta a “regressar de pronto” para encontrar a ativista em Brasília-a ministra passou o dia no Pará, em compromissos sobre o tema da violência no campo. Em audiência no Congresso Nacional, Ebadi pediu o apoio do Brasil à causa dos direitos humanos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. “Nós vamos ter uma sessão da ONU em setembro, onde o assunto do Irã será discutido novamente. E eu quero de vocês, os bons representantes do povo do Brasil, e da respeitada presidente do país, que com seus votos mostrem o compromisso com os direitos humanos e fiquem ao lado do povo do Irã”, disse ela. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2011

às 6:09

Dilma não vai receber Nobel da Paz iraniana

Por Roberto Simon, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Principal voz da oposição a Teerã no exílio, Shirin será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

“Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, ela me receberá”, insistiu a iraniana em entrevista ao Estado (mais informações na pág. 15). O governo brasileiro, porém, acredita que receber a ativista enviaria “a mensagem errada”.

A decisão do Planalto vai na contramão da mudança na diplomacia para os direitos humanos que Dilma vinha conduzindo até agora. Antes de tomar posse, a presidente criticou publicamente a abstenção do Itamaraty em uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma chamou de “ato bárbaro” a lapidação, posição reiterada em entrevista ao jornal Washington Post.

Em março, Dilma rompeu com o padrão de voto do governo Lula nas Nações Unidas e apoiou a criação de um relator especial para o Irã - sob críticas do ex-chanceler Celso Amorim. Uma semana depois, Shirin foi convidada a um jantar na embaixada do Brasil em Genebra.

“Dilma recebeu a (cantora) Shakira, mas se recusa a se encontrar com uma mulher Nobel da Paz?”, questiona Flávio Rassekh, representante da advogada no Brasil. “Ainda não desistimos e vamos continuar tentando organizar esse encontro.”

Oficialmente, o Planalto justifica que, pelo protocolo, a presidente recebe apenas chefes de Estado e de governo. “Dependendo da agenda”, ministros de países estrangeiros e outras personalidades - como, por exemplo, os integrantes do U2 - conseguiram uma audiência com Dilma.

Nos bastidores, porém, o governo diz que receber Shirin seria colocar o Brasil dentro de uma “disputa interna delicada”. “Desde janeiro, já vieram ao Brasil tanto dissidentes quanto delegações oficiais do Irã. A presidente não recebeu nenhum deles”, afirma uma fonte do Planalto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2011

às 4:15

Justiça à moda iraniana - Homem que cegou mulher com ácido será punido com a perda da visão no sábado, também com ácido

No Globo Online:
Depois de alguns anos tentando uma “vingança legal” contra o homem que a cegou com ácido, Ameneh Bahrami teve o direito concedido pela Justiça do Irã de fazer o mesmo contra os olhos de seu agressor, Majid Movahedi, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”. Neste sábado, Movahedi será sedado no hospital judicial de Teerã enquanto Ameneh, enfim, promoverá a sua vingança.É a primeira vez que um preso será penalizado com cegueira proveniente de ácido no Irã, um país que está acostumado a sentenciar seus detentos a partir da interpretação literal da Sharia, a lei muçulmana.

A iraniana Ameneh, que pediu pelo direito de vingança no tribunal em 2008, teve o rosto desfigurado e ficou cega, em 2004, depois que Movahedi jogou um pote de ácido em sua face, enquanto ela voltava do trabalho para casa a pé. A atitude criminosa foi uma resposta à recusa de Ameneh em se casar com Movahedi. “Ele estava segurando um recipiente com um líquido vermelho. Olhou para dentro dos meus olhos por um segundo e jogou o ácido no meu rosto”, contou a vítima durante o julgamento.

De acordo, com a imprensa iraniana, o advogado de Bahrami, Ali Safari, elogiou a sentença, afirmando que “um método apropriado foi escolhido, portanto, o condenado será cego por algumas gotas de ácido, enquanto está inconsciente”. Em novembro de 2008, um tribunal criminal de Teerã permitiu uma retribuição depois que Movahedi confessou o crime e ordenou que a mulher pudesse cegá-lo com ácido. Ele também foi condenado a pagar uma indenização a sua vítima, mas a mulher iraniana negou o “dinheiro maldito”, em suas palavras.

Para as autoridades iranianas, a sentença pode ajudar a diminuir os ataques com acido no país. Mas ativistas de direitos humanos protestaram, afirmando que tal penalidade é desumana.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2011

às 6:43

Acordem, senhores congressistas, já que o governo não dá bola: terrorista alicia homens pobres do interior do Brasil para fazer “curso de religião” no Irã

iraniano-professor-de-brasileiros

Há duas semanas, em reportagem de capa, VEJA demonstrou que o terrorismo islâmico fincou raízes no Brasil. A coisa está mais avançada do que parece. Pior: o Brasil não tem uma lei que puna o terrorismo. E vocês verão, agora, uma das razões a indicar a sua urgência. Leiam trecho de reportagem de Rodrigo Rangel na VEJA:

*
O homem acima, de barba branca, coberto pela veste marrom e com a cabeça   envolta   num turbante, é o iraniano Mohsen Rabbani. Entre as dezessete pessoas que o cercam, há oito brasileiros [publico a foto com corte; há 11 pessoas  na imagem acima,  quatro brasileiros, marcados em vermelho]. Rabbani é considerado por essas pessoas um professor. A sala de aula fica em Qom, cidade do Irã que é sagrada para os muçulmanos xiitas. Convertidos ao islamismo, os jovens brasileiros viajaram com todas as despesas pagas com o objetivo oficial de aprofundar seus conhecimentos sobre a religião. O proselitismo e o arrebanhamento de adeptos são comuns a todas as crenças. Nesse caso, porém, existem distorções preocupantes. Rabbani não é um professor qualquer.

VEJA revelou há duas semanas que, além de ostentar a condição de um dos terroristas mais procurados do mundo, ele também é responsável pelo recrutamento de jovens brasileiros para cursos de “formação religiosa”. O que esse terrorista apontado como executor de um dos mais sangrentos atentados da história e responsável pela morte de mais de uma centena de pessoas pode estar ensinando aos brasileiros é, no momento, uma das principais preocupações das autoridades. As pistas descobertas até agora para desvendar esse mistério não são nada alentadoras.

O “professor” Rabbani é procurado por sua participação em atos de terrorismo desde 9 de novembro de 2006. Sua captura é considerada tão vital que a Interpol o incluiu na chamada “difusão vermelha”, a seleta lista dos homens mais procurados do mundo. A ordem internacional de prisão contra Rabbani foi expedida pela Justiça argentina. Ele é apontado como um dos mentores dos dois atentados contra alvos judeus em Buenos Aires, que mataram nada menos que 114 pessoas em 1992 e 1994. Rabbani era funcionário da Embaixada do Irã na capital argentina e teria atuado não só na elaboração como também na execução dos atos terroristas. Com status de diplomata, hoje ele é protegido do regime do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad - e o responsável pela arregimentação de seguidores em toda a América Latina, que se dá mediante promessa de influência religiosa e também de dinheiro. Chama atenção o esforço de Rabbani em amealhar seguidores em regiões pobres do Brasil sem nenhuma tradição ligada ao Islã.

“Rabbani representa um grave risco para a segurança, inclusive do Brasil. Na Argentina ele difundiu sua visão do Islã radical, extremista e violento, que resultou em dezenas de vítimas nos ataques terroristas em Buenos Aires. Agora, baseado no Irã, ele continua a desempenhar um papel significativo na propagação do extremismo na América Latina”, disse a VEJA o promotor Alberto Nisman, chefe da unidade especial do Ministério Público argentino encarregada de investigar os atentados.

O aliciamento de brasileiros para os cursos de Rabbani no exterior vem sendo acompanhado há quatro anos pela Polícia Federal e pela Abin, o serviço secreto do governo. É o próprio Rabbani, com a ajuda de pessoas de sua confiança, quem escolhe os que devem embarcar. De 2007 até hoje, três grupos de brasileiros já visitaram o Irã. Há razões de sobra para tamanha vigilância.

Voltei
Leiam a integra da reportagem na revista. Tudo isso acontece sob as barbas do governo brasileiro - e, convenham, na gestão Lula ao menos, com claro estímulo moral. As pessoas recrutadas moram em áreas pobres do Brasil. Em 2007, dos oito brasileiros que foram fazer o “curso”, quatro eram de Belo Jardim, cidade do agreste pernambucano, a 180 quilômetros de Recife.

Se o Brasil tivesse uma lei antiterror, seria mais fácil coibir esse tipo de recrutamento. Afinal, Rabbani é um meliante internacionalmente procurado. Sem a lei, o que temos são apenas brasileiros convertidos ao Islã que decidiram dar uma chegadinha ali no Irã para estudar. Naquele país, os rapazes foram levados para conhecer, por exemplo, os campos de treino que o Hezbollah - grupo terrorista financiado pelo Irã que domina parte do Líbano.

O Brasil vai realizar a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016. Os terroristas estão por aqui, aliciando brasileiros. Alô, Congresso! O que falta para que os senhores deputados e senadores acordem? Precisarão de um atentado terrorista em solo pátrio para que, então, tenham a decência de apresentar e aprovar uma lei de combate ao terror?

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2011

às 7:33

Irã diz que não permitirá inspeções da ONU aprovadas com apoio do Brasil

Por Jamil Chade, no Estadão:
O regime de Mahmoud Ahmadinejad anunciou ontem que não aceitará a entrada de um relator da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no Irã - aprovada na véspera numa votação que contou com o apoio brasileiro - e alegou que a medida é uma “campanha” dos EUA. A posição brasileira na votação do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas foi, por enquanto, a decisão de política externa do governo de Dilma Rousseff que mais marcou uma diferença em relação à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil chegou a pedir ao Irã, nos bastidores, que colaborasse com a ONU e aceitasse a visita do relator.

O Estado obteve informações confidenciais da ONU de que a escolha do relator deve ocorrer nas próximas semanas e a entidade escolherá entre a paquistanesa Asma Jahangir e o indiano Miloon Khotari - ambos destacados nomes na defesa dos direitos humanos no mundo. Mas, numa declaração feita em Teerã e divulgada em Genebra, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, acusou a iniciativa de ser “politicamente motivada” e ter como meta “distrair” a comunidade internacional em relação aos abusos cometidos pelos EUA.

Ao Estado, a diplomacia iraniana havia acusado o Brasil de ser um dos países que se “dobraram” aos interesses de Washington. Teerã chegou a insinuar que o Brasil estava adotando uma posição de “país pequeno”. “O objetivo dessa resolução é aumentar a pressão sobre o Irã e distrair a atenção dos abusos no Ocidente, especialmente nos EUA”, acusou o porta-voz.

O Irã alega que abusos cometidos pelas forças americanas no Iraque e no Afeganistão e a existência de um centro de detenção na Baía de Guantánamo seriam provas de que Washington não está na posição de criticar outros países sobre direitos humanos. “As políticas dos EUA, tanto em atitude como em palavras, sempre foram paradoxais e baseadas em duplos padrões, e a recente resolução exemplifica claramente esse comportamento”, afirmou. Mesmo sem poder entrar no Irã, o relator da ONU fará sua investigação, com base em informações de dissidentes, exilados, ONGs e parentes de vítimas. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2011

às 4:45

Irã reage às tropas sauditas no Bahrein

Na Folha:
Após três mortos e mais de 200 feridos nos confrontos no Bahrein, o Irã alertou a Arábia Saudita e os EUA para “perigosas consequências” na região e chamou de “inaceitável” a situação no país, ocupado por tropas sauditas. Ontem, o Bahrein decretou estado de exceção por três meses, limitando as liberdades civis em meio à repressão a protestos da maioria xiita contra a elite sunita. Inimigos históricos, a xiita República Islâmica do Irã e o sunita reino da Arábia Saudita representam potências antagônicas na região, de posse da 3ª e 1ª maiores reservas de petróleo do planeta, respectivamente. Ilhado por regimes sunitas, o Irã viu-se forçado a assumir o papel de potência xiita após a investida saudita como primeiro país da região a atuar como “policial regional” em meio à onda de manifestações.

Avançando na frente diplomática, Teerã convocou os embaixadores da Arábia Saudita e da Suíça (que representa os interesses dos EUA na República Islâmica) e culpou Washington pela violência no pequeno reinado do golfo Pérsico. “A preocupante e inesperada interferência de tropas estrangeiras em assuntos civis em diferentes países, incluindo o Bahrein (…), pode levar a região rumo a uma crise que seria seguida de consequências perigosas”, ameaçou o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi. O chefe da diplomacia do Irã telefonou ainda para seus colegas da Turquia e do Qatar, além do secretário-geral da Liga Árabe, criticando a presença de tropas sauditas no Bahrein. Salehi evitou comentar a possibilidade de o Irã enviar soldados à região. No Cairo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton pediu calma e contenção e disse ter telefonado ao chanceler saudita reiterando a necessidade de promover um diálogo no Bahrein, país que abriga a Quinta Frota dos Estados Unidos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

27/02/2011

às 5:45

Votação sobre Irã é 1º teste de Dilma na ONU

Por Jamil Chade, no Estadão:
A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza amanhã em Genebra sua sessão mais importante de direitos humanos no ano, com a situação na Líbia, Oriente Médio e Irã na mesa de discussão. A expectativa é ver como a diplomacia brasileira vai se posicionar e qual será a mensagem que Dilma Rousseff enviará à comunidade internacional.

O Brasil será representado pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, escalada para apresentar pela primeira vez no novo governo a visão do Palácio do Planalto na ONU. A ministra discursará no Segmento de Alto Nível do Conselho. O encontro com a cúpula da ONU terá a presença da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, da chefe da diplomacia da Europa, Catherine Ashton, e de ministros do Irã, Venezuela, China e Rússia.

Votação. O mais importante teste virá com a votação de um projeto sobre os direitos humanos no Irã. “Ainda que nos anos mais recentes o Brasil tenha apresentado justificativas de voto em que ressalta sua preocupação com situações específicas, isso não substitui um voto condenatório”, disse Iradj Roberto Eghrari, representante da Comunidade Bahá”í do Brasil. “Se Dilma de fato mudar o voto brasileiro, o País voltará à posição que defendia de 1996 a 1999, quando votava de maneira coerente com os valores e princípios da sociedade brasileira.”

Ao Estado, o embaixador da França na ONU, Jean Baptiste Mattei, afirmou que já vê mudança no comportamento do Brasil. “Parece que estão evoluindo”, disse, desculpando-se em seguida pelo uso da palavra. “Não quero dizer que não estavam evoluídos. Apenas que agora parece haver maior cooperação.” Um negociador britânico revelou a “satisfação” da Europa em ver o Brasil adotando posições mais próximas às democracias ocidentais. “Essa é uma grande notícia.”

“Estamos finalmente acordando”, ironizou Julie de Rivero, da Human Rights Watch. Peter Spindler, da Anistia Internacional, destacou a posição positiva do Brasil em se aliar ao grupo de democracias ocidentais e pedir uma reunião de emergência para lidar com a Líbia, na sexta-feira. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2011

às 19:24

A estúpida provocação promovida pela neoditadura militar egípcia

Nesta terça, dois navios de guerra do Irã passarão pelo Canal do Suez, no Egito, o que não acontecia desde 1979, rumo à Síria, onde participarão de exercícios… militares!!!

Veja o mapinha aí, leitor! O canal é essa passagem que separou a Península do Sinai do Egito. Para chegar às águas territoriais da Síria, que ainda não desistiu de destruir Israel, os navios do Irã, que também promete destruir Israel, terão de passar pela costa  do país ameaçado — ou quase: para todos os efeitos, serão águas internacionais.

egito-isarel-siriaIsrael considera a passagem aquilo que é: uma provocação. Síria e Irã financiam o Hamas e o Hezbollah. Um movimento terrorista usa a Faixa de Gaza como base para atacar Israel; o outro integra o governo do Líbano!

Irrelevante? Acho que não! Parece ser esse um péssimo sinal. Em tese ao menos, o governo do Egito continua a ser o mesmo, só que sem Hosni Mubarak. A autorização para que os navios iranianos atravessem o Suez significa um sinal para Israel, com quem o país mantém um acordo de paz: “Nada será com antes!”. E não será — como aqui já se disse muitas vezes.

Se navios iranianos não transitavam por ali desde 1979, quando houve a revolução islâmica, menos ainda deveriam fazê-lo agora, quando o Irã desafia o mundo com o seu programa nuclear e não nega — embora tenha parado de afirmá-lo — que pretende destruir Israel.

A própria imprensa israelense tem dito que o país precisa ficar atento ao novo status que começa a surgir na região. Qualquer que seja o desdobramento, para Israel, será pior, sem dúvida. Uma coisa é o aumento da tensão. Outra, diferente, é uma provocação. E olhem que ela é precoce. Insisto: o establishment egípcio ainda é o mesmo da era Mubarak. Imaginem quando mudar, e a Irmandade Muçulmana, que será um partido, estiver fazendo seu proselitismo livremente.

Ao permitir a passagem, a quem os militares do Egito estão acenando? Eu aposto que não é à paz e à civilização!

Arnaldo Jabor escreveu outro dia que a “tragédia” é preferível à falsa paz de agora. Pois é… Sábias palavras, não é mesmo? Por que não a tragédia?

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados