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imprensa

20/04/2012

às 6:55

DUAS DAS MENTIRAS ESTÚPIDAS COM AS QUAIS O JEG CAVALGA SEUS LEITORES

Circula pelo Jornalismo da Esgotosfera Governista (JEG) o conteúdo de um relatório da Polícia Federal — que integra o inquérito que está no STF que apura as relações entre o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira — apontando as supostas relações entre o bicheiro e jornalistas.

Muito bem! Há o que escreve a PF, já recheado de fantasias (explico daqui a pouco), e há o que escreve a esgotosfera. Lembram-se do chefe de quadrilha (segundo a PGR) José Dirceu se esgueirando num quarto de hotel, recebendo autoridades da República, como se comandasse um governo paralelo? Os inimigos da imprensa livre acusam a VEJA de ter invadido o hotel e instalado câmeras para espionar o petista. O engraçado é que o próprio relatório da PF informa que as imagens são do circuito interno do hotel e que foram utilizadas para “reforçar uma reportagem envolvendo o ministro”.

Aí a PF chuta: os vídeos “teriam” sido repassados pela turma do Cachoeira. Não saio por aí violando a Constituição e indagando o nome das fontes dos jornalistas. Negá-lo já seria conferir à PF um poder que a Constituição não lhe dá. A mentira que se segue ao chute é facilmente identificável e comprovável. A revista teria prometido publicar uma reportagem sobre bingos online… É mesmo, é? FATO: NUNCA HOUVE NEM PROMESSA NEM PUBLICAÇÃO DA DITA-CUJA. Mais curioso ainda: a própria PF afirma que inexiste áudio com essa “negociação”. Claro que inexiste!

No tal relatório, afirma-se que os dados iniciais das reportagens que VEJA publicou sobre a roubalheira no Ministério dos Transportes teriam sido passados por Cachoeira e sua turma porque tinham interesse em desestabilizar a pasta e blá-blá-blá. A apuração que resultou naquelas reportagens levou dois meses. Elas estão em arquivo. Muita gente foi ouvida. As fontes não serão reveladas porque se trata de uma garantia constitucional — que protege todos os jornalistas do país.

Pergunta: Dilma seria a pomba lesa da brincadeira? Teria sido enganada? Nada havia de errado, então, no Ministério dos Transportes e no Dnit, e todos aqueles patriotas teriam sido demitidos em razão de uma sórdida conspiração? Isso é de um ridículo sem par. Seis ministros foram demitidos sob suspeita de corrupção. Vai se fazer, agora, a apuração policial para saber as fontes de todas as reportagens que resultaram nas demissões? Será que Dilma não se ocupou nem mesmo em saber se eram consistentes os dados que foram levantados?

“Ah, mas quem passou a informação?”

Não estamos na Coréia do Norte, e Kim Jong-Lula ainda não deu um golpe de estado e mandou a democracia para a cucuia. Dirceu está bravo porque foi flagrado comandando o seu governo paralelo. Como deixa claro a própria polícia, a fita é do circuito interno do hotel. Como chegou às mãos da revista? Não sei! E, se soubesse, não contaria. As reportagens sobre o Ministério dos Transportes revelaram uma máquina criminosa e ineficiente incrustada na pasta. Se bem se lembram, uma delas trazia um esculacho que a própria presidente dera na equipe. Acho que Carlinhos Cachoeira não estava na reunião com Dilma, não é mesmo? Vão querer saber também qual foi a fonte de VEJA no Palácio do Planalto?

Isso tudo é esforço para intimidar e calar o jornalismo. Não vai dar certo.

Por Reinaldo Azevedo

20/04/2012

às 6:53

EXPERIMENTANDO O PRÓPRIO REMÉDIO: Jornalista diz que Daniel Dantas criou site para atacar adversários

Ao provar o seu próprio remédio, Leonardo Attuchi, que comanda o site “247″ (sim, vocês pediram que eu não desse publicidade ao dito-cujo, e sei que ele conta com isso…), insiste em citar o meu nome. Por que escrevo “provar seu próprio remédio”? Já explico. Antes, a referência que ele volta a fazer a mim ao cantar as glórias de sua própria página: “Aqui, todos podem se expressar livremente, seja nos artigos ou nos comentários. Aqui, também é possível concordar ou discordar, ao mesmo tempo, de nomes como Reinaldo Azevedo, Luís Nassif ou Paulo Henrique Amorim. Afinal, não temos rótulos, não temos preconceitos e não somos nem JEGs nem PIGs. Somos livres. É esse espírito libertário que tem atraído cada vez mais leitores.”

Huuummm…  Não sei o que quer dizer, além do problema de regência, “concordar ou discordar, ao mesmo tempo, de nomes como Reinaldo Azevedo, Luís Nassif…” Quem concorda com Reinaldo Azevedo e Luís Nassif ao mesmo tempo, suponho, não entendeu nem um nem outro. Deve ser só um doido. Adiante. Attuchi, que lotava a minha caixa de e-mail de elogios (e de referências desairosas a alguns desafetos tornados referências positivas), começou a me atacar quando se tornou parceiro de colunismo, em seu site, de patriotas como José Dirceu e Delúbio Soares. De fato, no meu blog, gente assim não entra nem disfarçada de cachorro. Attuchi diz que sua receita, com Delúbio e Dirceu, está dando certo. Parabéns!

Mino Pedrosa
Ele me cita no pé de um texto em que responde ao contra-ataque do jornalista Mino Pedrosa, a quem ele chamou de “assessor de Carlinhos Cachoeira”. O outro respondeu em seu
site num texto intitulado “A pena comprada de Leonardo Attuchi”. Leiam trechos. Volto em seguida:
*
No dia 7 de junho de 2011 o Superior Tribunal de Justiça decidiu anular toda a Operação Satiagraha, que resultou na condenação por corrupção da quadrilha do banqueiro Daniel Dantas, dono o grupo Opportunity, a 10 anos de prisão. O STJ concluiu que foi ilegal a participação de integrantes da Agência Nacional de Inteligência  - Abin, nas investigações.  Um alívio para Daniel Dantas e para o jornalista Leonardo Attuch.

Attuch, repórter da Revista Isto É Dinheiro, da Editora Três, foi flagrado trabalhando em benefício da quadrilha de Dantas e Naji Nahas que saqueava os cofres públicos. O “jornalista” usava a Revista para publicar matérias encomendadas pelo banqueiro, muitas delas redigidas por outras mãos e assumidas por Attuch. O “repórter” era pago pelo Caixa 2 comandado por Humberto Braz (…)

Leonardo Attuch foi flagrado na Operação Satiagraha como assessor de comunicação da organização criminosa. Certa vez, Carlos Rodemburg foi chamado na Editora Três, Revista Isto É Dinheiro, pelo presidente Domingos Alzugaray, para mostrar uma matéria feita por Leonardo Attuch denunciando o banqueiro Daniel Dantas usando o nome de laranjas no contrato do Opportunity com o Citybank. A matéria foi produzida a partir de um dossiê da Telecom Itália, que estava em litígio com a Brasil Telecom.

Attuch foi chamado pela direção da Editora Três para apresentar a matéria que tinha produzido. A matéria não foi veiculada. Mas Attuch se cacifou perante Daniel Dantas, tornando-se seu homem de confiança na Imprensa. A partir daí foram várias as matérias publicadas na Isto É Dinheiro, “confeccionadas” por Attuch. Daniel Dantas fez uma compra de R$ 15 milhões em livros da Editora Três. E Attuch ficava visivelmente satisfeito com os negócios entre a BR Telecom e a Editora Três.

Humberto Braz, “o mala”, era responsável mensalmente pela felicidade de Attuch. A imprensa , na época da Operação Sathiagaha, denunciou Attuch de receber propinas e presentes de Daniel Dantas, como por exemplo uma confortável casa no bairro classe A, de São Paulo, o Alphaville.

A quadrilha de Daniel Dantas até hoje sustenta o “jornalista”. Montaram um site www.brasil247.com, onde Attuch atua sem se identificar, a serviço não só da quadrilha de Dantas, como também cuidando dos interesses de empresários como José Batista Junior, da Friboi, que se filiou ao PSB em Goiás para disputar o governo com Marconi Perillo (PSDB), e empresas como a Odebrech, apadrinhada pelo deputado cassado e personagem central no Mensalão do PT José Dirceu e o Banco BVA.

O site de Attuch ataca os políticos de Goiás preparando o terreno para as eleições de 2014, quando o dono do Frigorífico Friboi sairá candidato ao Governo do Estado. Attuch também abocanha verba na Secretaria de Comunicação do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Parte desses contratos Attuch não pode receber pelo site, porque são propinas pagas através de Caixa 2.
(…)

Voltei
Pedrosa publica três áudios. Em dois, Attuchi conversa com Naji Nahas; no terceiro, empresta a sua solidariedade pessoal a especulador quando este é preso (
aqui). Attuchi nega tudo, acusa uma guerra de jornalistas (é mesmo, é?), diz que vai processar o outro e que Dantas não está por trás do seu site. Pois é…

Quando VEJA — e foi VEJA!!! — trouxe a primeira reportagem sobre as relações entre o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, no dia 4 de março, Attuchi houve por bem publicar uma montagem de fotos em que eu aparecia ao lado do senador, como se eu tivesse alguma relação com qualquer atividade de Demóstenes que não fossem os princípios corretos que ele defendia em plenário. Se não os praticava, problema dele, não meu!

Attuchi também sabe que fui, e sou ainda, um crítico severo dos desmandos da Operação Satiagraha e que não estou ligado a porcaria de grupo nenhum! Agora que Mino Pedrosa lhe administra o remédio que ele costuma administrar a terceiros, tira ares de ofendido, não é? A propósito: o “247″ é tão libertário a ponto de publicar artigos de Mino Pedrosa, ou a pluralidade só vai até Delúbio Soares e José Dirceu?

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:04

Grupo português ligado a José Dirceu, “chefe de quadrilha” (segundo a PGR), assume o controle de conteúdo e publicidade do Portal iG

Vamos lá. O grupo português OnGoing comprou parte do Portal iG, que é controlado pela Oi. Passam para os portugueses as áreas de conteúdo e publicidade. As de serviço digital e acesso à internet continuam com a empresa de telefonia. A Yahoo! e o Grupo RBS também haviam demonstrado interesse, mas perderam a parada para a OnGoing, que já estão no Brasil: é acionista minoritária (29,1%) da empresa Ejesa, que edita os jornais “Brasil Econômico”, “O Dia”, “Marca” e “Meia Hora”.

A acionista majoritária (70,1%) é a brasileira nata Maria Alexandra Vasconcellos. Ocorre que ela é casada com o português Nuno Vasconcellos, presidente do grupo OnGoing. A lei proíbe que veículos de comunicação sejam controlados por estrangeiros. A questão já chegou a ser discutida em uma comissão da Câmara dos Deputados, mas ficou por isso mesmo.

Algo mais deve ser dito a respeito da OnGoing. Trata-se de um grupo de comunicação que tem uma forte influência do chefe de quadrilha (segundo a Procuradoria Geral da República) e deputado cassado por corrupção José Dirceu (PT). Nos bastidores de Brasília, ele é tratado como sócio — e alguns chegam a dizer “dono” — do jornal “Brasil Econômico”, do qual é colunista. Todos negam.

Evanise Santos, namorada do “chefe de quadrilha” (segundo a PGR), é diretora de marketing do jornal e da própria Ejesa. Dirceu tem muitos interesses e vínculos em Portugal. Em setembro do ano passado, a revista portuguesa “Visão” publicou uma reportagem de 12 páginas sobre as ligações algo obscuras de Miguel Relvas, político do país, com empresários brasileiros. Um dos protagonistas do enredo é Dirceu. Reproduzo trechos (em azul):

Dirceu está inelegível até 2015 e é o principal visado no caso que começará a ser julgado este ano e conta 36 acusados [mensalão]. Prova de que ainda mexe - e muito -, Dirceu foi capa da revista VEJA esta semana. A revista chama-lhe “O Poderoso Chefão”, título brasileiro para a saga de “Dom Corleone, O Padrinho” e uma forma de ilustrar a sua teia de influências no governo e nas empresas. Dirceu, agora consultor de multinacionais, conhece bem Portugal. E Miguel Relvas. O ministro português recorda tê-lo conhecido “por intermédio de amigos comuns”, sem relações empresariais pelo meio. “Encontrei-o ocasionalmente”, diz.

A “Visão” lembra de uma viagem que Dirceu fez a Portugal em 2007, onde viveu dias de nababo. No aeroporto de Lisboa, um brasileiro o saudou: “Tem ladrão na fila”. Segue mais um trecho da reportagem.

À espera de Dirceu [em Portugal] estava João Serra, dono da construtora Abrantina e sócio do escritório de advogados Lima, Serra, Fernandes e Associados. Da sociedade fazem parte Fernando Fernandes, ex-administrador da SLN (BPN) e atual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), organização maçônica a que estará ligado Relvas. Outro sócio que acompanhou Dirceu na estada na capital portuguesa foi Antônio Lamego, ex-advogado de José Braga Gonçalves no caso Moderna. Segundo Dirceu, Lamego era amigo do general João de Matos, ex-chefe do Estado-Maior do Exército angolano. Na época, os três combinaram encontrar-se na Costa do Sauípe, no Brasil, para tratar de negócios.

Nesses dias lisboetas, Dirceu ficou hospedado no Pestana Palace. Andou de Jaguar preto, jantou no Vela Latina, bebeu Pera Manca e disse querer investir em Angola. “Meu interesse é infraestrutura: rodovias, telefones, telecomunicações.” O consultor do milionário mexicano Carlos Slim e do magnata russo Berezevosky, falou também da sua atividade: promover negócios de portugueses no Brasil e de brasileiros em Angola. No dia da partida de Lisboa, Dirceu adormeceu e teve de correr para o aeroporto: “Lamentava ter comido muito e bebido duas garrafas de vinho na noite anterior em companhia do deputado Miguel Relvas, seu amigo há décadas” (…).

No Brasil, apontam a Dirceu ligações à Ongoing. Um dos links é Evanise Santos, a namorada. Também referida no “mensalão”, é diretora de marketing do Brasil Econômico, jornal do grupo e da Ejesa, empresa da mulher do líder da Ongoing. Amiga da presidente Dilma, Evanise foi coordenadora de relações públicas no Palácio do Planalto no tempo de Lula. Dirceu escreve no jornal. A investida da Ongoing no Brasil foi atribuída às influências de Dirceu, mas o grupo desmente. Reinaldo Azevedo, da Veja, não cai. “No meio político, o ‘Brasil Econômico’ é chamado “aquele jornal do Dirceu”, escreveu.

O ex-ministro é visto como um símbolo do pior que o País tem. (…)”Nada mudou depois do mensalão. A promiscuidade do Governo com seus aliados persiste”, afirma Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado. Para Fernão Lara Mesquita, jornalista e atual administrador do jornal O Estado de S. Paulo, mistério é coisa que não existe: “Se viesse um dia a cair no Brasil, Sherlock Holmes ficaria desempregado. Não há nada para descobrir. É tudo ’sexo explícito’”, refere. Segundo ele, Dirceu “é o especialista nos trabalhos sujos. Tudo o que é realmente grande na roubalheira geral está a cargo dele”. Fernão Mesquita inclui na polêmica o caso Ongoing, grupo que considera o “cavalo de troia” da estratégia para o domínio multimédia no universo lusófono.

Num momento em que “o Brasil é o maior exemplo histórico de execução de um projeto de tomada de poder pelo controle dos meios de difusão da cultura ‘burguesa’”, a Ongoing “e os banqueiros por trás dela vieram a calhar”, aponta. A Ongoing, acionista da PT [Portugal Telecom], da Impresa e da Zon, é liderada, no Brasil, por Agostinho Branquinho, que não quis falar à VISÃO, invocando o seu “período de jejum” da política portuguesa. É amigo e companheiro de partido de Relvas.

O ministro tem em mãos a privatização da RTP e saberá do interesse da Cofina e da Ongoing no canal. No Brasil, o grupo viu arquivada uma queixa por alegada violação da lei relativamente às origens estrangeiras do seu capital. “A verdade prevalece, apesar das campanhas de alguma concorrência”, diz um porta-voz da empresa. Fernão Mesquita não ficou convencido. “Nunca superamos, vocês e nós, o sistema feudal. Seguimos vivendo sob um rei e seus barões. Não há poderes independentes.”

Por Reinaldo Azevedo

13/04/2012

às 5:51

Dirceu está hoje empenhado em contaminar, com a sua biografia pessoal, o governo Dilma, e Lula quer deixá-lo do tamanho do seu ódio. E uma exortação a Lewandowski

O lobo troca de pelo, mas não de vício. José Dirceu já mudou de cara, mas não de espírito. Quando na oposição, tentava inviabilizar governos eleitos democraticamente. Quando no governo, tentou — e tenta ainda — inviabilizar a democracia. Sob sua inspiração e com o apoio de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a Executiva Nacional do PT aprovou ontem um documento em que acusa a associação de setores da imprensa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e pede “marco regulatório” para a mídia — entenda-se: censura à imprensa.

Eles nunca desistiram desse propósito. A ameaça estava no Plano Nacional dos Direitos Humanos e jamais deixou de frequentar as ilusões dos petistas. Repudiada pela sociedade, a proposta é agora ressuscitada, com o apoio de Lula, o frenético trabalho daquele que o Procurador Geral da República chama “chefe de quadrilha” e a propaganda da rede na Internet financiada com dinheiro público. É a formação de quadrilha contra a liberdade de imprensa.

Podem espernear à vontade. Não deixaremos que cobrem propina por aquilo que a Constituição nos dá de graça: a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a liberdade de informação. De graça hoje! Mas essas conquistas custaram o esforço de gerações de brasileiros que lutaram pela democracia. Não é o caso de Dirceu! Não é o caso de alguns de seus companheiros. Sonhavam e sonham com a ditadura do partido único, com um país tutelado pelos companheiros, com um regime infenso aos controles que só a democracia proporciona, com uma Justiça independente e uma imprensa vigilante.

Pouco antes de deixar o poder, Lula anunciou que se dedicaria à tarefa de demonstrar que o mensalão tinha sido uma invenção da oposição para desestabilizar o seu governo — a velha tese do “golpe”, criada por intelectuais do PT, vigaristas em essência. Intelectual da academia que tem partido é como juiz de futebol que torce por um dos times em jogo; é um farsante. Adiante. Eis aí. O caso Cachoeira, tudo indica, estava sendo gestado de longa data — tanto é assim que o senador Demóstenes Torres vinha sendo monitorado havia muito tempo. Mas eis que surge um bom momento para detonar a crise.

Ocorre que ela pega em cheio algumas figuras graúdas do PT, como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz — já defendido por Dirceu do modo como Dirceu sabe defender as suas causas: com unhas e dentes. Tenho pra mim que, a esta altura, Lula está disposto, se preciso, a entregar Agnelo na bandeja se achar que pode ganhar a guerra da opinião pública e fazer com que se volte contra o que resta de oposição no país. É parte, em suma, do trabalho de construção do Partido Único. Se tiver que ceder um peão, para usar a linguagem do Apedeuta (e de Hitler… Que coincidência!), tudo bem!

Na guerra suja, vale tudo. Não é por acaso que um dos alvos seja a imprensa. Não chega nem sequer a ser original. Neste momento, estão empenhados nessa mesma luta os governos da Venezuela, do Equador, da Bolívia, da Argentina, da Nicarágua… Todos eles, com mais ou menos ênfase orbitando em torno dos mesmos valores, cuja síntese pode ser esta: em vez de uma sociedade que controle o estado, como é próprio das democracias, um estado que controle a sociedade, como é próprio das ditaduras.

Mas, afinal de contas, o que quer essa gente? É simples! Roubar dinheiro público sem ser incomodada por ninguém. E só me resta assegurar: continuarão a ser incomodados enquanto o Brasil for uma democracia!

Foi Roberto Jefferson, então uma das cabeças coroadas da base governista, quem denunciou o mensalão, em junho de 2005. A partir de algumas informações que ele forneceu em entrevista à Folha, a imprensa deu início a um trabalho de investigação, também empreendido pela ala honesta da CPI. O que se revelou foi a maior teia criminosa jamais montada no país para assaltar os cofres, mas também, atenção!, para fraudar os fundamentos do estado de direito. Nem o dinheiro que pagou o marqueteiro de Lula era limpo, é bom lembrar!

Esses patriotas não se conformam que suas tramoias para fabricar dossiês sejam denunciadas; que o bunker montado por Erenice Guerra na Casa Civil tenha sido violado; que as consultorias de Antonio Palocci tenham sido trazidas à luz; que a roubalheira no Ministério dos Transportes tenha sido evidenciada; que as lambanças no Ministério do Esporte tenham sido detalhadas; que a rataiada entocada no Ministério da Agricultura tenha sido encontrada; que os descalabros no Ministério do Trabalho tenham sido escancarados; que a governo paralelo do “chefe de quadrilha” que se esgueira em hotéis, numa espécie de exploração do lenocínio político, tenha sido desmascarado.

Imaginem quanto dinheiro público a imprensa ajudou a preservar da fúria desses rapaces rapazes… O jornalismo independente prejudica seus negócios, cria óbices a suas vigarices, obriga-os a ter cuidados redobrados, deixa-os tensos! É preciso pôr um freio na liberdade de imprensa para que os larápios possam, então, roubar sem freios.

O “paradoxo” da popularidade de Dilma
O PT, é bem verdade, na “hora h”, sempre se junta. É perda de tempo apostar num racha importante do partido enquanto Lula estiver dando as cartas. Mas isso não quer dizer que não exista guerra interna, de posições; isso não quer dizer que os vários grupos abrigados no partido não tenham suas dissensões e não lutem para garantir seu espaço na legenda — e isso significa poder; poder de fato mesmo: grana!

Dilma não governa o país no melhor momento do crescimento econômico. Não se pode dizer, como cochicham os próprios petistas, que seja um governo realizador. Não obstante, a popularidade da presidente está em alta — PARA DESESPERO, ATENTEM PARA ISTO!, DE SETORES DO PRÓPRIO PETISMO, ESPECIALMENTE AQUELES QUE SONHAVAM COM A VOLTA DE LULA. A que se deve? As dificuldades da economia ainda não chegaram na ponta, nos mais pobres, e a presidente soube construir a imagem de austera, de intolerante com a corrupção — que ela chamou de “malfeito”. Já escrevi isto aqui e repito: quem lhe deu essa agenda (afinal, que outra?) foi a grande imprensa, esta que Lula e Dirceu querem censurar.

Tivesse a presidente seguido o conselho do Apedeuta e de alguns setores do PT, teria agasalhado todos os corruptos, acolhido publicamente o “malfeito” (como Lula fazia…) e visto, creio, a sua popularidade em curva descendente. Uma clareza ao menos Dilma sempre teve: ela não é ele. O trabalho da imprensa livre, para melancolia moral (não a do bolso, claro!) do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), fez mais bem do que mal à presidente. Ainda que ela reclame, por dever de ofício, da expressão “faxina ética”, sabe que  funcionou como marketing positivo.

Não que fosse este o propósito — porque a imprensa livre não tem propósito nenhum no que concerne à conquista ou manutenção do poder —, mas o fato é que essa imprensa que o PT quer, mais uma vez, censurar ajudou a plasmar a imagem de Dilma Rousseff. Tanto é assim, podem fazer uma pesquisa nos arquivos, que os lulistas foram os primeiros a reclamar da tal “faxina”. Dava a entender, alegavam, que havia sujeira no governo Lula. É mesmo, é?

Seria o ódio do PT o ódio do governo?
O ódio que esses setores do petismo devotam o jornalismo — de que foram as principais fontes quando o partido estava na oposição —, intuo, não é compartilhado pelo governo. Pela simples e óbvia razão, falo com base na lógica elementar, de que não há motivos para isso. Ao contrário: Dilma pode ser politicamente inexperiente, mas não é burra. No geral, as medidas adotadas pelo governo têm encontrado uma recepção positiva na imprensa.

Dirceu e sua turma não se conformam com isso. O “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) luta bravamente para sujar, com a sua biografia pessoal, o governo Dilma. É ele quem está em guerra com a imprensa. Lula, por sua vez, aposta todas as fichas num trabalho de, se me permitem, “inocentação” em massa no STF porque entende que uma condenação será uma mácula em seu governo.

Só por isso assoberbou-se e atropelou as próprias lideranças do governo, num esforço frenético para ver instalada a “CPI do Cachoeira”, com a qual, está certo, vai aniquilar a oposição, manchar a reputação da imprensa e tornar verossímil a mentira de que o mensalão nunca passou de uma tramoia da oposição. Comissões de inquérito costumam parar o Congresso. A realidade política passa a girar em torno de suas descobertas, de depoimentos, dos documentos que sempre acabam vazando, das chantagens trocadas…

Num conto do vigário — até agora ao menos! — a imprensa não caiu, e só por isso Rui Gobbels Falcão resolveu dar o seu grito de guerra: o caso Cachoeira não é um problema só da oposição. Por enquanto, Demóstenes à parte, Agnelo é o homem público que passou o maior vexame: em menos de 24 horas teve de se desmentir. Anteontem, anunciou no Jornal Nacional que jamais estivera com Carlinhos Cachoeira. Ontem, mandou um estafeta dizer que não era bem assim: havia se encontrado uma vez, uma vezinha só! Novas gravações vindas a público trazem membros da gangue do bicheiro tratando abertamente de contribuições ilegais de campanha que teriam sido feitas pela construtora Delta para a campanha de Agnelo.

Dirceu com sua biografia e Lula com seu ódio tentam arrastar o governo Dilma para uma briga na lama. Atenção! Poucas pessoas perceberam que isso a que assistimos é, sim, expressão da luta do PT para a aniquilar as oposições, mas é também um guerra interna. Lula e Dirceu tentam amarrar o governo a suas respectivas agendas — o que é, evidentemente, ruim para ela e bom para eles.

Encerrando com Lewandowski
Acredito haver, sim, motivos suficientes para uma CPI. Só que ela tem a obrigação de apurar o tamanho da rede de influências de Cachoeira no Congresso, no governo federal e em governos estaduais. Dirceu e Lula têm outra intenção: querem um atestado de inocência para os mensaleiros. O que uma coisa tem a ver com outra? Nada!

Quem pode contribuir para diminuir o vale-tudo é o ministro Ricardo Lewandowski, o revisor do processo do mensalão. Ninguém hoje em dia vê motivos razoáveis para que ele não entregue o seu trabalho e permita, então, o início do julgamento. Se os juízes entenderem que o “formador de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu e a sua, bem…, quadrilha são inocentes, muito bem! Se avaliarem que são culpados, que cumpram a pena que for estabelecida.

O esforço de defesa de José Dirceu não pode parar o pais nem criar obstáculos à punição de outros larápios.

O PT quer o controle da mídia porque quer controlar a sociedade. Chegou a hora de pôr esses aloprados sob o controle da democracia e do estado de direito.

Como posso encerrar? Assim: NÃO PASSARÃO!!!

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2012

às 7:11

Aiatoelio Gaspari assina a ficha de filiação ao PT. Ou: Uma caricatura da história que faz inveja ao pior stalinismo

Aiatoelio Gaspari, o Ali Khamenei de alguns colunistas do jornalismo, escreveu aquele que deve ser o pior texto de sua carreira. E não que fosse tarefa fácil, dada a produção dos últimos anos. Obrigo-me a apontar isso aqui porque já escrevi sobre uma forma de patrulha ideológica que está em curso, que consiste em associar alguns valores em nome dos quais falava o senador Demóstenes Torres (GO) às suas peripécias com Carlinhos Cachoeira, como se houvesse entre uma coisa e outra uma relação de causa e efeito ou, ao menos uma linha de coerência. Seria, em suma, tudo “coisa da direita moralista”. A verdade está justamente no avesso, já demonstrei aqui. A carreira política de Demóstenes, pouco importa o que aconteça com o seu mandato, acabou. Seu eleitorado não o perdoa. Já os mensaleiros petistas, a exemplo do “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu, estão mais poderosos do que nunca. João Paulo Cunha (PT-SP) é, para escárnio da moral e do bom senso, nada menos que presidente do Conselho de Ética da Câmara. Dirceu, além de “consultor de empresas privadas”, está montando a equipe de campanha de Fernando Haddad. Aiatoelio deve achar normal, já que não escreve a respeito.

Quem conhece a história do jornalismo brasileiro sabe que Gaspari entende de “direita moralista”. É mais um que o regime democrático encontra hoje junto com a esquerda, como direi?, de exultação. Eu sempre me comovo muito com aqueles que se tornam esquerdistas quando pode. Como eu fui de esquerda quando não podia, não me obrigo a reverenciar esses corajosos. Acho que foi Ferreira Gullar que escreveu algo assim (a procurar os termos exatos): “Fui de esquerda quando dava cadeia; hoje, ser de esquerda dá emprego”.

Reproduzo, abaixo, em vermelho o texto de Aiatoelio publicado neste domingo e comento em azul. Ele imagina uma situação no futuro em que Demóstenes fosse presidente da República.

Setembro de 2015: eleito presidente da República, em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova York para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos da Bolívia, Equador e Venezuela, “controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba”. Antes de embarcar, Demóstenes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o tratado da hidrelétrica de Itaipu.
Vamos ver. Aiatoelio transforma numa caricatura as críticas sensatas e justas que qualquer amante da democracia faz aos governos da Bolívia, Equador e Venezuela. De fato, e isso não é conversa, inexiste, por exemplo, imprensa livre nesses três países. As forças políticas que estão no poder integram o Fórum de São Paulo — onde tinham assento, até outro dia, as Farc (oficialmente, e só oficialmente!, estão fora da organização). Para maiores informações, procurem os relatos da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) sobre a situação do jornalismo nos países citados — filiam-se à SIP, diga-se, os dois jornais que publicam a coluna de Gaspari: O Globo e a Folha. Quanto ao Paraguai, a caricatura de Gaspari é não só deformada (como todas), mas mentirosa também, invertendo os fatos. Foi o Paraguai que rasgou o tratado de Itaipu, como é público e notório.

O “direitista quando jovem” empresta seu pensamento à esquerda, agora que sua inteligência experimenta o climatério. Esse tipo de ironia grotesca, rombuda, ecoa algumas das piores práticas do stalinismo, que consistia justamente em transformar em caricatura as críticas que lhe eram feitas. Seu artigo ainda vai piorar muito. Acompanhem.

O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer “a faxina ética que o país precisa”.
Eu, por exemplo, nunca gostei da expressão “faxina ética”. Não porque não a considere necessária, mas porque a considero falsa. Escrevi aqui há dias que setores da imprensa estavam prestes a satanizar a própria ética. Eis aí.

Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
Trata-se de um ataque covarde, numa tentativa — mais uma! — de agredir a reputação de um ministro do Supremo que nem sempre atua segundo a vontade de Aiatoelio e seus novos amigos.

Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país.
É a única referência do texto que traz uma ironia pertinente.

Ele reestruturou o programa Bolsa Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios.
Não me consta que Demóstenes — ou “a direita” — tenha ameaçado o Bolsa Família alguma vez. De todo modo, associar a parceria de Demóstenes com Cachoeira a críticas ao Bolsa Família é vigarice intelectual. O que uma coisa tem a ver com a outra? Só é possível ser crítico desse programa sendo um falso moralista, um pilantra? Por quê?

Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos, e autorizando a internação compulsória de drogados.
Começo pela internação compulsória de drogados. Em alguns casos, daqueles que estão nas ruas, sem ter quem deles tome conta, tratados como lixo, ela é só matéria de bom senso. Aliás, é o que pensa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de quem Gaspari não fez caricatura.

Quanto à maioridade penal, o autor junta seu ódio a Demóstenes — muito anterior a qualquer informação sobre Carlinhos Cachoeira — à desinformação. Faz crer a seus leitores, com a sua fama de sabido e rigoroso, que só “direitistas tomados pelo falso moralismo” defendem a redução. Já tratei deste assunto aqui faz tempo. Então vamos ver.

Nas “ditaduras fascistas” na Nova Zelândia e Grã-Bretanha, a idade mínima é 10 anos — em Luxemburgo, inexiste idade mínima! Os bárbaros australianos e irlandeses fizeram por menos: 7. Já as ditaduras da Suécia, da Finlândia e da Noruega escolheram 15. Os regimes discricionários de pocilgas como Canadá, Espanha ou Holanda optaram por 12 — no Canadá, em casos excepcionais, pode descer a 10. A Alemanha e o Japão, notórios por submeter seus jovens a um regime de contínua violência e degradação, preferiram 14. Junto com o Brasil, 18 anos, estão Colômbia, Equador, Guiné e Venezuela, exemplos de bem-estar social todos eles, não é mesmo? Ah, sim: o paraíso cubano, que foi objeto da “caricatura a favor” de Aiatoelio, estabeleceu 16. O regime sandinista da Nicarágua, 13. Vai uma tabela para Gaspari guardar em arquivo e como incentivo à responsabilidade.
Sem idade mínima
- Luxemburgo
7 anos
- Austrália
- Irlanda
10 anos
- Nova Zelândia
- Grã-Bretanha
12 anos
- Canadá
- Espanha
- Israel
- Holanda
14 anos
- Alemanha
- Japão
15 anos
- Finlândia
- Suécia
- Dinamarca
16 anos
- Bélgica
- Chile
- Portugal

Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação.
Há livros didáticos, e não são poucos, que são mesmo vergonhosos, pautados pelo proselitismo mais descarado. Ao tratar da questão num texto em que aborda a moral como discurso da mentira, este senhor está endossado os crimes de lesa educação cometidos por uma canalha (e os bons autores não se sintam ofendidos) que, de resto, não precisa nem disputar mercado. Basta puxar o saco do petismo para estar com a vida ganha e ter sua obra “adotada” pelo MEC.

Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte.
Sabem que chegou a defender uma Assembleia Constituinte? Lula!!! Aiatoelio se calou.

A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.
ATENÇÃO AGORA! Bem, meus caros, como o Demóstenes da fábula gaspariana é o falso bem que é mal, o PT, como seu contraponto, é, então o bem ele mesmo! Se tudo o que Demóstenes faz deve ser lido pelo avesso, sendo o PT seu avesso, tudo o que os companheiros dizem é mesmo sensato. Ou seja: o colunista do Globo e da Folha está afirmando que os meios de comunicação estariam — porque, então, assim já seria hoje — alinhados com “a direita”. É… Gaspari escreve com uma mentalidade de Carta Capital, mas prefere ganhar salário de Globo e Folha… Os fiéis de Mino Carta têm de ter aula de esperteza com Gaspari…

Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua comitiva: “Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda”. À noite o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grande Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel. Chamou a atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da rua 46. Eles são chamados de “Clube do Nextel”.
Bem, nesse trecho, ele faz algumas ironias óbvias, que não mereceriam maiores considerações não fosse por um particular: a Delta é a maior tocadora de obras do governo federal. Seu proprietário, Fernando Cavendish, é amigo dos petistas — de um em particular: José Dirceu, que já prestou consultoria à empresa. Por coincidência, depois disso, a expansão do grupo é notável. Ainda voltarei a este tema. O Rio de Sérgio Cabral é um grande canteiro de obras da Delta, boa parte delas sem licitação.

Em 2012 a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como “Carlinhos Cachoeira”, marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes. O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo, cancelada em 2013.
Ora
, se Demóstenes é o falso moralista e se sua pregação deve ser vista sempre pelo avesso, Gaspari está sendo preventivo; está aplicando uma vacina contra as críticas às óbvias lambanças nas obras da Copa do Mundo. O que quer que se diga a respeito ecoa apenas coisa dessa direita moralista, entenderam? A Delta é a empresa que toca, por exemplo, a reforma do Aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Sem licitação! Surgir um “Bolagate” é uma questão de tempo, senhor Aiastoelio, não de conspiração da direita.

A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959 Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior. O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.
Não é verdade! Dois presidentes com essas características apontadas por Gaspari não evidenciam a existência de um “fenômeno comum”. Se bem notaram, Aiatoelio fez uma leitura irônica daquela que seria uma agenda “de direita”. Assim, qualquer um que ouse fazer propostas ou críticas fora da agenda da esquerda seria só um “falso moralista”, um “Janio”, um “Collor”, um “Demóstenes”.

Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da indústria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o Estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura. Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.
Abril de 2012: quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.
Essa crítica leve ao PT é só a homenagem que o vício presta à virtude, coisa muito comum em certo tipo de “jornalismo isento”. A agenda petista de Gaspari está no conjunto do texto. Quisesse mesmo ser duro com o partido — como é com seus adversários —, lembraria que os petistas jogaram no lixo a Lei de Licitações para tocar as obras da Copa. Quisesse mesmo ser duro com os companheiros, teria analisado o verdadeiro espetáculo de “privataria” que foi a privatização dos aeropostos — não há um só especialista que não anteveja problemas. Quisesse mesmo ser duro com os patriotas, já teria desconstruído o “modelo Dilma” de privatização de estradas — que ele elogiou com tanto entusiasmo e cujo fiasco jamais reconheceu. Pergunta: por que Gaspari não nomeou Agnelo Queiroz ministro da Licitação e da Concorrência?

Notem que, na sua fábula, só “ex-petistas” estariam junto com Demóstenes, que ele considera o mal. Os petistas puros, os petistas genuínos, os petistas dirceus, os petistas lulas, os petistas dilmas, ah, esses se encontrariam na oposição, denunciando a grande conspiração que uniria Demóstenes à mídia. Porque, está dado, petista mesmo, petista autêntico, não faz sacanagem, não faz lambança, nunca é falso moralista!

Esse texto de Elio Gaspari é sua ficha de filiação ao PT. Faz sentido. Na ditadura, ele era uma espécie de general sem uniforme. E como os admirava!!!

PS - Os liberais autênticos, os que se opõem ao lulo-petismo — e a qualquer outra vigarice  — e os que lastimam a política tomada por ladrões devem saber: estão com os bons valores! Por isso não perdoarão Demóstenes. O que ele fez não é, ao contrário do que sugere Gaspari, a parte secreta de uma agenda de que o “moralismo” seria apenas a parte visível. Já, insisto, os admiradores de Dirceu e os eleitores de todos os outros mensaleiros endossaram suas respectivas práticas.

O texto de Gaspari é uma dessas coisas que provocam vergonha alheia. Há, admito, pessoas que fazem coisa assim porque precisam. Não é o caso de Aiatoelio. Ele faz porque quer. Porque gosta.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 18:58

Uma lembrança de Ronaldinho Azeredo à revista “3,1415927-auí”: “És pó, e ao pó retornarás”. Ou: Da luta de classes à luta de espadas

Uma revista chamada “3,1415927-auí”, que pertence ao banqueiro John Sales (mas ele também compra), resolveu fazer uma graça “com um blogueiro” num texto sobre a agressão de que foram vítimas as pessoas que participavam de um debate no Clube Militar. Lê-se:
“Com um megafone na mão, o blogueiro Ronaldinho Azeredo tentava promover a paz, a compreensão e o amor solidário entre os homens de boa vontade (…)”

O blogueiro Ronaldinho Azeredo enviou para este blog o seguinte comentário:

Não é a primeira vez que sou objeto de graça nessa página. Fazer o quê? É da vida. O bom é que a gente pode responder quando dá vontade. Parece que a esquerda financeira, que vive do couro que arranca dos pobres por intermédio dos juros e do spread bancário mais altos do mundo, resolveu me tachar  de representante “da direita”. Huuummm… Esta é a verdadeira luta de classes do Brasil: a travada entre a esquerda financeira e a direita que trabalha.

John Sales, certa feita, resolveu adotar um herói nacional. Tratava-se do traficante Marcinho GG, bandido e supergato. O amor socrático não foi o bastante para fazer aquele bom (”ah, como era bom!”) selvagem mudar de vida. O rapaz acabou assassinado, deixando inconsoláveis várias viúvas de suas veias poéticas.

Terminava ali a mais ousada tentativa já havida no Brasil de substituir a luta de classes pela luta de espadas.

Como nota a “3,1415927-auí”, a comédia brasileira pode ser um insulto de muitas faces.

Lembrem-se do Gênesis, rapazes, aquele capítulo que começa com a serpente… “Porque és pó, e ao pó retornarás”.

Esse Azeredo tem cada uma…

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:33

Apenas um homem honrado e livre — entre Delúbio e Dirceu

Há tempos venho sendo atacado com incrível virulência por um rapaz chamado Leonardo Attuch, que se dizia um “fãzaço” meu até outro dia. Ele comanda um site chamado “247″, do qual, acreditem, não sou leitor. Fico sabendo das agressões porque leitores sempre enviam links ou trechos — alguns deles, acredito, vindos de lá. Não dava bola a suas estripulias circenses porque sabia que, entre outras coisas, ele esperava ansiosamente uma resposta minha para ganhar visibilidade. Num texto escrito anteontem, este notável estilista da língua, do decoro e do confronto superior de ideias me acusou de “não debater e argumentar”, mas de “latir e rosnar”. E publicou uma foto minha entre dois cachorros, demonstrando o que entende por “debate e argumento”. Até outro dia, ele me xingava com patrocínio da Caixa Econômica Federal — parece que o do Banco do Brasil não rolou… No momento, ele me xinga com o apoio do governo do Distrito Federal, daquele patriota do petismo chamado Agnelo Queiroz. Ontem, atendi à expectativa de Attuch e lhe dei uma resposta. Resisti à metáfora zoológica. O texto está aqui.

Publiquei cinco de uma longa lista de e-mails que este rapaz me enviou ao longo do tempo, até 2011. Era um grande admirador do “caro Reinaldo”, como ele me chamava. E demonstrava estar bastante preocupado com a perseguição à imprensa livre, com a “chavização” do Brasil, com a satanização do Judiciário empreendida pelos petistas etc. Até o dia em que passou a me atacar, assim, do nada! O que havia mudado? O governador do DF, diga-se, é uma das personagens da investigação da Operação Monte Carlo. Parece que ele não contou isso a seus leitores.

Attuch decidiu me ofender afirmando que lato e rosno. Eu apenas o relato chamando-o de companheiro de colunismo de José Dirceu! Ontem, no entanto, leitores me alertaram para outro colunista da página — eu, de fato, ignorava. Já falo a respeito. Attuch decidiu responder a meu texto. Sei que estou tornando sua página um pouco mais conhecida. Não me importo. Quem, desconhecendo-a, for visitá-la e se encantar com o que lá vai merece mesmo ler aquilo. Reproduzo a sua resposta em vermelho e comenta-a em azul. Ele não se anime muito porque tenho mais o que fazer.

*
Reinaldo Azevedo não é um homem livre. Num texto publicado nesta manhã, em que ataca a mim e ao 247, ele revela ser escravo de seus preconceitos. E o que aponta como principal virtude, a suposta “coerência”, é também seu principal defeito. No mundo maniqueísta de Reinaldo, petistas serão sempre “petralhas”. E tucanos ou demistas serão homens honrados até o dia em que se revela a desonra.
Leonardo não tem medo do ridículo. É seu traço mais corajoso. Como ele sabe, jamais havia citado a sua página aqui e não “decidi” atacar ninguém. Respondi, e de maneira muito educada, a uma agressão. Suponho que não será Attuch um bom professor de liberdade. Numa homenagem a Millôr Fernandes, afirmo que não receberei lições, nessa área, de quem se mostra “livre como um táxi”. Attuch mente sobre o significado da palavra “petralha” e mente sobre os meus textos, como sabem os leitores. Os arquivos estão aí. Defendi, por exemplo, que o PSDB punisse exemplarmente o senador Eduardo Azeredo (MG) por conta do que ficou conhecido como “mensalão de Minas”. Com José Roberto Arruda, expulso do DEM, não foi diferente. Attuch, o que me cobria de elogios até outro dia e se mostrava crítico feroz dos petistas, só consegue sustentar a sua tese negando a realidade. Quando à palavra “desonra”, já, já…

No 247, ao contrário, cultua-se a liberdade. E, se aqui escreve um José Dirceu, como ele condena, também há espaço para representantes de todos os campos políticos, como Arthur Virgílio, César Maia, Walter Feldman, Jarbas Vasconcelos e Gabriel Chalita, entre tantos outros, como também haveria para o próprio Demóstenes Torres, caso este quisesse se defender no nosso portal. Um espaço que, ao contrário do blog de Reinaldo, é democrático e plural.
Ele esqueceu de incluir outro escriba em seu site: Delúbio Soares. Isto mesmo: este grande pluralista tem, entre seus colunistas, dois nomes processados pelo STF: um é acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o “chefe da quadrilha” do mensalão. O outro era seu operador. De fato, sou escravo da minha coerência — e raramente um amigo me elogiou com tanta precisão. Attuch é funcionário de um estranho tipo de pluralidade, que acolhe tipos como essa dupla.  No meu blog, com efeito, não há espaço para eles. Para o meu gosto, mas isto é com a Justiça, estariam em outro lugar. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), por exemplo, um homem honrado, não deixa de ser a virtude servida de bandeja ao vício.

Em companhia de Dirceu e Delúbio, Attuch tem a coragem de acusar a “desonra” alheia.

Que haja leitores que caiam nessa conversa, eis a verdadeira diversidade do mundo. Por que o superpoderoso José Dirceu, que tem o seu site, feito por uma equipe contratada para esse fim (dinheiro não falta ao “consultor de empresa privada”), precisa do “247″, de Attuch? Já tem o seu próprio “288″… Transformá-lo em colunista, reitero, é um caso de “171″. Quanto a Delúbio… Uau! O grande feito jornalístico de Attuch foi descobrir que este senhor tinha algo a dizer. Na CPI do Mensalão, se bem se lembram, ele só tartamudeava… Mas eu entendo: Delúbio, como foi amplamente noticiado na imprensa nacional, compra até a indicação de paraninfo de formandos universitários. Eles o convidam para o discurso, e o mensaleiro paga o baile. Não estou metaforizando, não! É assim mesmo.  

Na sua crítica, Reinaldo resgata emails pessoais antigos que trocamos, como se isso fosse gerar algum desconforto e constrangimento. Ao contrário. Do nosso ponto de vista, é possível sim concordar com Reinaldo em alguns pontos, e discordar em outros. Assim como também é possível concordar e discordar, pontualmente, de Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e de qualquer cidadão. Enquanto alguns colunistas preferem atirar pedras uns aos outros, como se fizessem parte de duas torcidas organizadas - PIGs versus JEGs -, nós preferimos pensar por conta própria.
Não, senhor! Eram (e são) e-mails, tanto os que publiquei como os que não publiquei, que traduziam uma visão de mundo, uma leitura do processo político, uma abordagem do que está em curso. Antigos? Numa homenagem a Chico Anysio, observo que não são de 1927, do tempo de Pantaleão… 2009, 2010, 2011. Outro dia, Attuch!!! Sim, eu lhe enviei algumas poucas respostas, que também tenho guardadas. Se quiser, pode publicá-las. Leonardo provará ao menos uma coisa que disse a meu respeito, agora que decidiu não gostar mais de mim: sou escravo da minha coerência. E ele? Em 21 de dezembro de 2008, por exemplo, escreveu:

Caro Reinaldo,
Fique atento ao Roda Viva de amanhã. Seja você o ombudsman do programa.
Quanto ao editorial da Folha, foi bom, mas podia ser mais literal, dizendo na última linha quem comprou quem. Para a petralhada, meia palavra só não basta.
Sobre o áudio do grampo, é só colocar uma perguntinha aos blogueiros de aluguel: por que eles nunca pedem o áudio da reunião dos delegados com o Humberto Braz (que, aliás, jamais apareceu). Simplesmente porque ele evidenciaria uma armação (flagrante forjado onde se pede dinheiro e não se oferece).
No mais, feliz Natal e um próspero e combativo 2009.
abs
Leonardo

Não sei se era apenas para demonstrar, mais uma vez, apreço por mim, mas notem que ele incorporou a seu vocabulário a palavra “petralhada”… Agora ele acha isso muito feio… Sem essa! Não são e-mails que tratam de questões pessoais — que não me dou a esses desfrutes. Ninguém jamais recebeu ou receberá mensagens minhas tratando de questões existenciais. Nem faço nem ouço confidências com ou de amigos. Se querem falar comigo, os temas são aqueles que dizem respeito a questões públicas.

Não se iludam. A suposta coerência de Reinaldo nada tem ver com liberdade intelectual. É apenas a camisa-de-força de um jornalista que decidiu ter lado. E que no caso em que foi objeto de nossa crítica, o das relações perigosas entre Veja e Carlos Cachoeira, ainda não apresentou argumentos consistentes. Apenas rosnou.
Attuch como juiz de “liberdade intelectual” é uma piada! Alguém que encerra um artigo afirmando que o outro “não apresenta argumentos consistentes”, mas “rosna”, convenham, está se definindo. O caso a que ele alude — e no qual insiste, agora com seus novos amigos — é só uma pilantragem, já está demonstrado, para tentar livrar a cara da turma do mensalão.

Eu rosno? Ok, farei uma concessão ao estilo zoológico do ex-admirador do “caro Reinaldo”. Posso rosnar, sim, mas não fico de quatro para Delúbio Soares e José Dirceu. Eu jamais os convidaria para paraninfo e para pagar as minhas cervejas.

PS - Em tempo: a presidente Dilma Rousseff já demitiu seis ministros sob suspeita de corrupção. Attuch tem outros potenciais colunistas. Afinal, ele é um homem livre.

PS2 - Sim, leitor, agora chega, que tenho mais o que fazer. A menos, claro!, que considere necessário.

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2012

às 7:35

Um pouco de elegância a um ex-admirador, agora colega de José Dirceu, que me chama de cão!

Não ignoro os ataques de que se sou alvo na rede. Não raro, eles evidenciam a qualidade dos agressores. Há uma página chamada “247″, sobre a qual nunca falei aqui, que tem se esmerado na grosseria, na baixaria, na violência retórica. Tenta a todo custo me arrastar para um bate-boca na lama. Não vou, não! Na mais recente investida, publicam uma foto minha ao lado de dois cães, acusando-me, pasmem!, de ”não debater com ideias e argumentos”. Para demonstrar que por lá se faz o contrário, escrevem coisas como “rosna Reinaldo Azevedo” e “Reinaldo late mais alto”. E assim que se debate “com ideias e argumentos no 247″.

O comandante da página eletrônica é Leonardo Attuch. Enquanto esteve na IstoÉ e na IstoÉ/Dinheiro, esse rapaz sempre me tratou com extrema cordialidade. Tenho aqui vários e-mails seus elogiando o meu trabalho, endossando, inclusive, o conteúdo de colunas minhas.

Até outro dia, Attuch estava entre os “inimigos de Luis Nassif, outro fascinado por mim. Se vocês fizerem uma pesquisa, verão que Nassif acusava Attuch de estar entre os jornalistas comandados por Daniel Dantas, e este dizia que aquele fazia o jogo de Luiz Roberto Demarco, inimigo do banqueiro. E vai por aí.

Opto por não divulgar os e-mails em que Attuch se refere a seu ex-desafeto. Mas não vejo problema em tornar público este, por exemplo, de 8 de maio de 2009:
Caro Reinaldo,
Parabéns, novamente. Vamos tomar um café qualquer dia desses?
Estamos num estado pré-revolucionário.
Depois da desmoralização do Congresso e do ataque orquestrado ao STF, será a vez da imprensa.
É a preparação do terceiro mandato.
abs
Leonardo

O café jamais aconteceu.
O “novamente” indica a constância com que me elogiava.

No dia 28 de julho de 2009, ele escrevia:
Caro Reinaldo,
Li seu post sobre intimidação da mídia.
Você acha mesmo que o trabalho dos dois blogueiros passa pela Secom?
Eu achava que era só financiamento privado da canalhice, público não.
Se tiver alguma evidência na segunda direção, aí a coisa fica séria.
abs
Leonardo

No dia 23 de abril de 2009, Leonardo Attuch se mostrava preocupado com a “chavização” do Brasil:
Caro Reinaldo,
Anote aí, estamos já em estado pré-revolucionário.
Primeiro, Lula destruiu o PT (mensalão)
Depois, destrui o Congresso.
Agora, destrói o Judiciário – e que declaração malandra essa última de Buenos Aires.
A próxima instituição é a imprensa - dizem que já tem uma operação da PF preparada.
O cara é perigoso.
Ouvi isso de um petista do alto comissariado.
abs
Leonardo

No dia 18 de maio de 2010, ele voltava ao tema do estado policial, num e-mail enviado pelo celular:
Caro Reinaldo,
Receba minha solidariedade, a canalha nao vencerá, havia um Gilmar Mendes no caminho do Estado Policial.
Abs
Leonardo

Voltei
São e-mails seus, certo, Leonardo? E eu era o “caro Reinaldo”.

Falei pessoalmente com Attuch apenas duas vezes. Não tomei aquele café. Só amigos muito chegados me tiram de casa. Há muito pouca coisa aí fora que me interessa. A primeira foi na Folha. Eu era editor-adjunto de Política — naquela fase, estava na edição em razão de uma licença da editora —, e ele era candidato a repórter. Foi quando o conheci. Eu o entrevistei em companhia do então secretário de Redação do jornal, Marcelo Beraba. A conversa não prosperou.

Na segunda vez, eu já trabalhava na revista Primeira Leitura, que pertencia, então, a Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ele foi entrevistar o ex-ministro e passou na redação para me cumprimentar. Os outros contatos todos foram por e-mail ou telefone. E ele sabe que a iniciativa nunca foi minha. Sempre uma conversa amistosa, educada e tal. Até o dia…

Até o dia… em que um leitor me envia uma coluna de Attuch, já em seu site, em que eu era chamado, entre outras delicadezas, de “a doença do jornalismo brasileiro”… Assim, sem mais nem menos… Até o dia em que Attuch passou a citar Nassif como uma de suas referências — justamente o seu antigo desafeto, personagem de alguns e-mails do quais vou poupar a todos: vocês, Leonardo e Nassif.

Por que me atacava? Você me viram mudar de posição, lado ou opinião em mais de cinco anos de blog? Eu continuava o mesmo! O que teria acontecido com “Leonardo”? Não sei se é uma explicação, mas é um fato: Attuch tinha passado a ser parceiro de colunismo político de José Dirceu, um dos escribas de sua página, o 247. A página de Dirceu deveria se chamar, segundo a Procuradoria Geral da República, 288, que é o artigo do Código Penal que trata da “formação de quadrilha”. E José Dirceu vendido como analista isento é coisa de “171″.

Por que a fúria de Attuch com Demostenes? A companhia de alguém acusado de formação de quadrilha e cassado por corrupção lhe é cômoda?

O motivo mais recente
Quando vieram a público as ligações de Demóstenes com  Cachoeira — reveladas primeiro por VEJA, diga-se! —, Attuch publicou uma foto minha ao lado da do senador, sugerindo uma estreita ligação entre nós, o que é uma mentira estúpida — e ele sabe disso. Com Attuch, estive apenas duas vezes! Com Demóstenes, nenhuma! O rapaz que denunciava a “chavização” do Brasil passou a se referir a mim como o “blogueiro da direita”. Ontem, avaliando que estava sendo muito educado, resolveu recorrer aos verbos “rosnar” e “latir” e à foto dos cães. É o que ele chama debater com “idéias e argumentos”. Se resolvo superá-lo nas armas que escolheu, em que se transforma a minha página? É para onde tentam nos arrastar. Mas não vão!

Muito bem!

Até outro dia, o patrocinador do “247″ era a Caixa Econômica Federal. Agora, é o Governo do Distrito Federal, comandado pelo, como podemos chamar?, “polêmico” Agnelo Queiroz, do PT. Curiosamente ou nem tanto, parece que Attuch ainda não informou a seus leitores que o petista também é citado na Operação Monte Carlo, esta que pegou Demóstenes. Há gravações que evidenciam que a quadrilha nomeava pessoas no governo petista. De tal sorte o GDF preocupa o PT que há até uma espécie de intervenção branca em cargos-chave do governo.

Encerrando
Attuch mudou de ideia a meu respeito. É um direito que ele tem. Deve ter fortes motivos para fazê-lo. Não o chamarei “cão”. Não direi que ele “late”. Não direi que ele “rosna”.

Direi apenas que ele passou a ser colega de colunismo de José Dirceu.

Leonardo, o café que eu não tomei com você foi um dos melhores que recusei. Mesmo pra ser um polemista, rapaz, é preciso ter alguma elegância. E certo senso de decoro.

E, sim, Leonardo! Policarpo jamais será um… de vocês! Falou o “caro Reinaldo”.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2012

às 7:33

Cachoeira gravado pela PF: “O Policarpo nunca vai ser nosso! Ele é foda!” Na mosca!

O maior prazer do pervertido é assistir à queda de um puro. A frase — talvez literal; não vou parar para consultar agora — está no livro “Se o Grão Não Morre”, autobiografia do escritor francês André Gide. Naquele caso, aconteceu. Neste outro, de que trato, os pervertidos estão tentando se lambuzar na suposta queda alheia. Mas perderam o tempo e a viagem.

Há alguns dias, Policarpo Júnior, um dos redatores-chefes da VEJA e comandante da sucursal da revista em Brasília, vem sendo vítima de uma campanha asquerosa, movida por bandidos. Seus acusadores são notórios ladrões de dinheiro público, escroques envolvidos com o submundo da espionagem — eles, sim, flagrados em investigações da Polícia Federal —, notórios mamadores das tetas do oficialismo. Não têm biografia, mas folha corrida. Estão associados ao submundo do crime para tentar melar o processo do mensalão. Trabalham a serviço de um notório chefe de quadrilha. Essa escória, no entanto, poderia estar falando a verdade, claro… Mas não está! E são as próprias gravações feitas pela Polícia Federal a prová-lo.

Há dias a rede suja da Internet repete a mentira grotesca de que Policarpo teria sido “pego” pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O chefe da Sucursal da VEJA em Brasília falou, sim, com Cachoeira e seus “auxiliares” muitas vezes. Ele e quase todos os jornalistas investigativos de Brasília. Em todas elas, estava em busca de informações que resultaram em reportagens que, de fato, derrubaram muita gente. Ousaria dizer que muitos milhões, talvez bilhões, de dinheiro público deixaram de sumir pelo ralo da corrupção em razão do trabalho de Policarpo.

Já escrevi aqui e repito uma obviedade, que é do conhecimento de todo e qualquer jornalista investigativo: não é nos conventos e nos mosteiros que se colhem informações sobe o submundo da capital — e do país. Um jornalista investigativo é obrigado a transitar em áreas muito pouco salubres. MAS ATENÇÃO! O  HONESTO, A EXEMPLO DE POLICARPO, TRANSITA, COLHE A INFORMAÇÃO E NÃO SE SUJA. O desonesto se torna funcionário de banqueiro bandido,  do espião, do malfeitor. Nao resiste à tentação.

É claro que Policarpo foi fazendo alguns inimigos ao longo dos anos. Todos aqueles que perderam o emprego em razão de suas reportagens — sempre irrespondíveis — e todos aqueles que tiveram interesses contrariados gostariam de lhe arrancar o fígado. Há tempos ele está “jurado” por tipos que podem ser chamados, sem exagero, de representantes do crime organizado. A melhor defesa de Policarpo é a qualidade de seu trabalho. Todos vocês sabem que ele responde por mais da metade do que a imprensa acabou chamando “faxina de Dilma”. Prestou um serviço ao país e, de certo modo, até ao governo. Já escrevi aqui que o crescimento da popularidade da governanta não se deve à qualidade do seu governo, que considero medíocre, mas à demissão dos que foram pegos com a boca na botija. Pegos por Policarpo! Dilma não demitiu auxiliares, suponho, porque as falcatruas apontadas por VEJA eram falsas, certo?

A qualidade do trabalho de Policarpo (des)qualifica seus acusadores. Uma longa conversa de Cachoeira, no entanto, com um de seus auxiliares — o ex-agente da Abin Jairo Martins — é, como direi?, de uma eloquência que deixará os acusadores de Policarpo a roer os cotovelos do ressentimento, do ódio e da vigarice. Mas continuarão na sua sanha desmoralizada porque são pagos pra isso.  Reproduzo trechos. Volto em seguida:

Cachoeira - O Policarpo, você conhece muito bem ele. Ele não faz favor pra ninguém e muito menos pra você. Não se iluda, não (…) Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz (…) Ele não vai fazer nada procê.

Jairo - É, não, isso é verdade aí.

Cachoeira - Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho por Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz!? E tudo via Policarpo. Agora, não é bom você falar isso com o Policarpo, não, sabe? Você tem que afastar dele e a barriga dele doer, sabe? Tem que ter a troca, ô Jairo. Nunca cobramos a troca.

Jairo - Isso é verdade.

Cachoeira - E fala pra ele (…) eu ganho algum centavo seu, Policarpo? Não ganho (…) Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo! Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso…

Jairo - É, não tem não, não tem não. Ele não tem mesmo não. Ele é foda!

Voltei
Se tiverem paciência, ouçam a conversa inteira na VEJA Online. Cachoeira e Jairo estão reclamando de Policarpo porque lhe passaram informações para chegar a alguns ladrões de dinheiro público — alguém aí acha que foram os santos que derrubaram José Roberto Arruda? —, mas Policarpo não lhes deu nada em troca. Não os poupou nem mesmo do noticiário.

É isso aí! Policarpo jamais será “deles” ou “um deles”. Foi a sucursal de Brasília da VEJA que desbaratou o bunker formado em 2010 para produzir mais um falso dossiê contra José Serra, lembram-se? Era aquele grupo comandado por Luiz Lanzetta, que estava sob a chefia do agora ministro Fernando Pimentel (investigado pela Comissão de Ética, diga-se), aquele que fazia visitinhas a Zé Dirceu em quartos de hotel. Uma das pessoas que estavam trabalhando para o grupo era justamente Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, que pertence ao esquema de Cachoeira. Policarpo faz jornalismo, não negócio.

A Polícia Federal flagrou Policarpo, sim! Flagrou-o trabalhando honestamente! Os ladrões e os serviçais dos ladrões não se conformam que VEJA tenha colaborado de maneira decisiva para limpar uma parte ao menos da sujeira de Brasília. Falta certamente muita coisa. O país e o jornalismo podem contar com Policarpo. Continuará a submeter o mundo e o submundo da capital federal e do país a seu — e ao de sua equipe — severíssimo escrutínio. Buscará a informação onde ela estiver. E, assim, continuará a proteger os cofres públicos da ação de larápios.

E fará isso por uma razão simples: Policarpo nunca vai ser deles! Policarpo é foda!

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2012

às 18:05

Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) é mesmo um profissional! Ou: Desconstruindo a salsicha. Ou: Dirceu, Brad Pitt e eu

José Dirceu, o chefe de quadrilha (segundo a Procuradoria Geral da República), é mesmo um profissional. Na coluna de Mônica Bergamo, na Folha, leem-se estas três notas, digamos, espantosas. Volto depois.

NO PALCO DO MUNDO
O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) pode recorrer a organismos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), caso seja condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no caso do mensalão.

ENCONTROS
Ele falou sobre a possibilidade em mais de um encontro que tem tido com personalidades para conversar sobre o processo. Dois interlocutores recentes de Dirceu relataram a ideia à coluna, ressalvando que o petista sempre diz ter certeza de que será absolvido.

EU INSISTO
Dirceu nega com veemência. “Isso são advogados que propõem. Tenho convicção de que vou ser absolvido. Como vou falar uma coisa dessas?”, afirma. “Sempre falei que sou inocente e confio no Supremo. E agora vou recorrer a órgãos internacionais?” O ex-ministro diz ainda que gostaria que o caso fosse logo apreciado. “Nunca atrasei o processo, abri mão de testemunhas no exterior, não quero prescrição do caso. Insisto em ser julgado.

Entendendo…
Vamos entender como se fazem as salsichas, como não disse Birmarck.

Fica-se com a impressão de que algum amigo do Zé, gente fanática mesmo, “vazou” a intenção para a coluna. Notem que há quase um tom de zangada indignação quando ele é supostamente confrontado com o suposto vazamento. Não! De jeito nenhum! Ele nem pensa em recorrer à OEA porque está certo da absolvição!  E quer ser julgado logo! Ele deveria cobrar isso publicamente do companheiro Ricardo Lewandowski! Quem sabe…

O que interessa nas três notas é a informação: o Zé agora está plantando que, se for condenado, pretende ser, assim, um mártir latino-americano, entenderam?

Haver três notas para negar que Dirceu pretenda recorrer à OEA caso condenado corresponde, leitora amiga, leitor invejoso, a eu escrever três notas dizendo ser mentira a história de que as mulheres são mais loucas por mim do que por, sei lá, quem é o bonitão da hora?, Brad Pitt (ainda?)…. Ou eu escrever três notas negando que pretenda concorrer ao Nobel de Literatura.

Tenham paciência!

Sim, claro! A mulherada é louca por mim, mas nem tanto. A pressão em favor do Nobel é grande, mas tenho resistido.  Há momentos em que as pessoas perdem mesmo o senso do ridículo.

Por que Dirceu recorreria à OEA se condenado? Estaria sendo vítima de arbítrio? De um estado de exceção? De alguma ilegalidade? Há negativas que não precisam ser feitas sem que traia ou a loucura ou a pretensão de quem nega.

Por Reinaldo Azevedo

20/03/2012

às 17:53

MV Bill e a irmã, que se chama “Cristiane”: escrevo sobre a imprensa, não sobre encrenca doméstica

Ai, ai, vamos lá. Peço que vocês leiam com muita atenção o texto do Portal G1 e o que vou escrever em seguida. Vocês sabem… Certa canalha é doida para atribuir a desafetos o que eles não escreveram.

MV Bill presta depoimento à polícia após irmã acusá-lo de agressão

Do Portal G1:
Após as denúncias da irmã, o rapper MV Bill prestou depoimento à polícia na tarde desta terça-feira (20). O cantor foi ouvido pelo delegado da 32ª DP (Taquara), Antonio Nunes, que abriu um inquérito para investigar o caso. A irmã do rapper fez um registro de ocorrência por lesão corporal com violência doméstica. Segundo a polícia, a mulher alegou ter sido agredida a pauladas pelo músico, além de ser ameaçada, após uma discussão familiar.

Mais cedo, o cantor usou o twitter para se defender das acusações da irmã. Em resposta à deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), que lhe perguntara se estava tudo bem, ele tuitou: “td certo. meu papel n eh expor minha irma. ela teve uma crise, mas ja ta aqui comigo”, respondeu MV Bill na rede social, onde disse ainda que iria cuidar da irmã, assim como cuida dos filhos dela.

Apoio de fãs e amigos
O rapper ainda contou com o apoio de fãs e amigos nas redes sociais, como do seu parceiro de trabalho Celso Athayde. “gente, é preciso deixar claro que não tem ninguém fugido. O bill ta em casa, cuidando a família dele”, afirmou Athayde em seu perfil no twitter. Na tarde desta terça, pouco antes de prestar depoimento, o cantor ainda publicou no microblog que estava chegando à delegacia para dar sua versão da história. “Chegando na dp,por livre e espontânea vontade,pronto pros esclarecimentos”, afirmou na rede social.

Na segunda-feira (19), a irmã de MV Bill foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, também na Zona Oeste, e encaminhada para exame de corpo de delito.

Voltei
Não! Eu também não sei o que aconteceu e não vou prejulgar. Eu quero é chamar a atenção de vocês para outra coisa. Imaginem se uma figura pública identificada com causas ditas “conservadoras” ou “reacionárias” estivesse no lugar do rapper… As redes sociais e a própria imprensa estariam fazendo um Carnaval. Ok. Vamos recorrer ao exemplo mais estridente para as esquerdas. O que seria do deputado Jair Bolsonaro se envolvido num episódio assim? Estaria liquidado.

Tentei encontrar o nome da “irmã” de MV Bill na Folha, no Estadão e no G1. Impossível. Ela é apenas “a mulher”, “a irmã” — na abordagem mais crítica, é “a vítima”. Só o Globo parece ter conseguido apurar esta informação tão difícil: “Cristiane”. Vejam vocês mesmos: a abordagem é quase reverencial, à beira de um pedido de desculpas. Bill sugere que a irmã está com problemas psíquicos ou algo assim. Aceita-se. Nas redes sociais, como se informa, todos estão com ele.

Reitero: não o estou acusando de coisa nenhuma! Não conheço as circunstâncias do caso. Estou tratando é da forma como a imprensa, contaminada pelo politicamente correto, lida com o assunto. Como detesto ambiguidade, esclareço: quando me refiro ao “politicamente correto”, não estou fazendo referência ao fato de MV Bill ser negro. Poderia ser um “progressista” de qualquer cor. Se, amanhã, Chico Buarque aparecer tomando um pirulito de criança, é claro que a criança estará errada. Já se um não-progressista for flagrado, sei lá, perseguindo um bandido, trata-se de luta de classes…

Esse noticiário todo cheio de dedos envolvendo MV Bill é a evidência de que existe uma nova aristocracia no país: a dos “Cidadãos Preocupados com a Justiça Social”. Se a pessoa em questão tiver alcançado essa condição, pode tachar os desafetos de “negro de alma branca”, que isso não será racismo; pode tratar a mulher como um peso morto, que só inferniza a vida dos homens, que isso não será machismo, e pode, eventualmente, espancar a irmã, que isso não será violência. Falo em tese, reitero. Se Bill fez mesmo isso, não sei. Este texto é sobre jornalismo, não sobre espancamento.

Assim, peço que vocês evitem prejulgar Bill. Eu só estou demonstrando como se constroem certas notícias.

Reitero: o nome da “irmã”, da “vítima”, da “mulher” é Cristiane!

PS: Só para lembrar ainda uma vez o exemplo de Chico Buarque. Fui eu quem levantou a forma pouco ortodoxa e profissional com que lhe concediam Prêmios Jabutis em penca. Vocês se lembram do caso. Tanto as minhas restrições eram procedentes que as regras da premiação foram mudadas. Elas hoje são exatamente como eu defendia que fossem. Mas, ora vejam!, restei, em certos círculos, como o vilão da história, aquele que “ousou” apontar uma falha no homem sem mácula. Não dou a mínima. Como escreveu Camus, há 73 anos, em seu manifesto em favor de uma imprensa independente, pouco me importa se a história levará em conta ou não os esforços em favor da verdade. O importante, para mim, é saber que os esforços terão sido feitos.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2012

às 6:59

Apareceu o vídeo de quando Paulo Henrique Amorim, o ultrapetista, ultragovernista, ultraesquerdista e ultralulista ainda não tinha a alma… vermelha! Lula era o seu alvo!

Quem vê ou lê o hoje ultrapetista, ultragovernista, ultraesquerdista e ultralulista Paulo Henrique Amorim, cuja página na Internet recebe generoso patrocínio de estatais, não diria que, na campanha eleitoral de 1998, ele foi um implacável algoz de Luiz Inácio Lula da Silva. Amorim era o chefão do Jornal da Band e liderou uma verdadeira campanha contra o então candidato petista à Presidência, que disputava o cargo pela terceira vez.

Lula teve de recorrer à Justiça e ganhou direito de resposta (ver post abaixo deste). Já escrevi um texto a respeito e perguntei se algum leitor, por acaso, teria uma fita gravada daquela memorável jornada antipetista deste valente, que agora chama a imprensa de “golpista”, descobrindo que o PT é a salvação do Brasil e da civilização. E não é que um desses aficionados por jornalismo na televisão tinha tudo guardadinho?

Vejam uma das reportagens. Volto em seguida para alguns esclarecimentos.

Voltei
Como vocês viram, na reportagem acima, Paulo Henrique Amorim já informa que Lula ganhara na Justiça o direito de resposta. O vídeo é significativo porque o agora ultrapetista, ultragovernista, ultraesquerdista e ultralulista faz uma reconstituição de sua denúncia. O esforço da investigação de Amorim buscava demonstrar que o apartamento de cobertura em que morava Lula era fruto de uma maracutaia envolvendo Roberto Teixeira, seu compadre, e o dono da construtora que levantou o edifício, que teria obtido um benefício ilegal na Prefeitura de São Bernardo quando o petista Djalma Bom era o prefeito. Existe o vídeo em que este incansável perseguidor da verdade apresenta a reportagem específica, contra Teixeira. Vocês terão a chance de vê-lo também.

Os filmes demonstram que Amorim pode mudar de opinião sobre o objeto de seus afetos e ódios, mas não muda o estilo. Em 1998, Lula era um pato manco. FHC o venceu pela segunda vez no primeiro turno. O PT tinha feito a besteira de combater o Real — do qual Paulo Henrique Amorim era, obviamente, um grande admirador. Mas também é o caso de louvar a coerência do Colosso de Rhodes do jornalismo: ele nunca muda de lado! É sempre governista e não abre mão de ser implacável com quem está fora do poder.

Entendam melhor a denúncia que ele fazia contra o Roberto Teixeira. Retomo depois.

Retomando
Atenção! Não há um só — e a Internet está aí, aberta à pesquisa — desses governistas fanáticos que não tenha sido governista fanático em qualquer tempo. E isso inclui o passado mais remoto, o regime militar. Nesse particularíssimo sentido, são todos mais espertos do que este escriba. Como comecei cedo na militância política, fui crítico de todos os governos, de Geisel pra cá. No post abaixo, há um outro momento especialíssimo do jornalismo e da política.

Que fique a lição a alguns bobalhões que saem por aí reproduzindo denúncias de alguns, como direi?, “ícones” de certo jornalismo. Ontem, o alvo era Lula — um representante da oposição. Hoje, os alvos são outros… Também da oposição! E tudo feito sempre com a mesma convicção. Enviaram-me um post em que Paulo Henrique Amorim se jacta de ganhar muito dinheiro, acusando seus eventuais críticos de inveja ou algo assim. Também exibe sinais dessa riqueza, expondo seus hábitos caros e supostamente refinados.

Sei lá a quem está respondendo. Eu nunca vi nenhum de seus críticos acusando-o de ser mal remunerado ou pouco esperto. Burros são os que reproduzem de graça as acusações que ele faz.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2012

às 6:57

O confronto entre Lula e Paulo Henrique Amorim num direito de resposta. Ou: O choque de suas éticas formidáveis

No post acima, vocês viram duas das reportagens de 1998 do Jornal da Band, que estava sob o comando de Paulo Henrique Amorim. Pois bem. Lula obteve direito de resposta, que reproduzo abaixo. É um momento raro da história porque, como vocês verão, dois gigantes da ética se encontram — em lados opostos. Mas, de algum modo, ali já estava a semente que germinaria mais tarde e que levaria os Correios e a Caixa Econômica Federal a patrocinar o colosso do jornalismo. Toda a  imprensa chapa-branca — que, segundo Agamenon Mendes Pedreira, tem a alma marrom — conta hoje com o patrocínio de estatais.

O vídeo é um pouco longo: 9min40s. Mas vale cada segundo. Vejam. Volto depois.

A ética de Lula
Lula reclama, como viram, do que considera ataque injusto contra ele, construído com inverdades. E como faz isso? Pontuo alguns momentos.
1min - Notem que ele sugere saber alguma coisa sobre a vida pessoal de Fernando Henrique Cardoso, mas, generoso que é, decidiu não usar na campanha. Nota: se a denúncia de Paulo Henrique Amorim tivesse fundamento, não se tratava de problema pessoal coisa nenhuma!

2min29s - Lula saca o argumento que ficou internacionalmente conhecido por “Minha mãe nasceu analfabeta”. Usa, para não variar, a sua origem humildade como atestado prévio de honestidade. O que é, evidentemente, uma mistificação.

3min08s - Vejam ali o chefão do PT, o partido dos dossiês, a reclamar que os jornalistas não pensam na sua família, nos seus filhos, que vão à escola. Quando foi que os petistas levaram isso em consideração? Sempre moeram a reputação dos adversários sem piedade.

4min - Para se defender, Lula sai atacando o governo FHC e saca a denúncia estupidamente mentirosa sobre o Proer. O homem que reclamava das injustiças de que era vítima atacava o muito bem-sucedido programa de reestruturação de bancos, que preparou o país para enfrentar crises. Anos depois, na Presidência, dada o estouro da bolha nos EUA, o Apedeuta sugeriu a Obama que adotasse o… Proer!

4min30s - Ataca a imprensa, que acusa de privilegiar o candidato do governo. Expoente hoje do jornalismo chapa-branca e “de alma marrom”, segundo Agamenon, Paulo Henrique acusa a imprensa de privilegiar os candidatos da oposição…

5min25s - Lula anuncia que vai processar seus acusadores. Não sei no que deu o processo. Se descobrir, eu conto.

A ética de Paulo Henrique Amorim
Vocês sabem que Paulo Henrique Amorim resistiu a cumprir o acordo judicial em que se obrigava a publicar, sem comentários adicionais, uma retratação em que reconhecia a idoneidade do jornalista Heraldo Pereira. Muito bem! Vejam, a partir de 6min19s, o que o valente faz com o direito de resposta de Lula. Encerrado o pronunciamento do outro, sem nem um intervalo, ele reitera as denúncias e ainda acrescenta supostos elementos novos.

Vale dizer: ele decidiu cumprir, muito à sua maneira, a decisão judicial. É evidente que jornalistas e veículos não são obrigados a gostar do direito de resposta nem precisam se calar depois dele. Mas há um modo ético de conduzir a questão. E, evidentemente, não é esse.

Cumpre um esclarecimento: Paulo Henrique Amorim era fanaticamente antilulista, mas não trabalhava para o governo FHC. Certamente a Band, a exemplo de todas as emissoras, tinha anúncio de estatais, mas o Colosso de Rhodes não contava com patrocínio pessoal de empresas públicas. A prática, como se conhece hoje, é criação do lulo-petismo — foi uma das inovações do modelo petista de comunicação.

Lula pedia mais responsabilidade da imprensa. Hoje, com dinheiro público, seus áulicos fazem o que se vê.

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2012

às 7:15

New York Times publica anuncio anticatólico, mas se nega a publicar anúncio anti-islâmico

Na BBC, nós já vimos aqui, é permitido insultar cristãos e fazer pilhéria de Jesus Cristo, mas é proibido tornar pública qualquer referência crítica ao profeta Maomé. Chegou a vez de o New York Times evidenciar a sua dupla moral. O cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo — INCLUSIVE NOS PAÍSES CRISTÃOS, O QUE É ESPANTOSO! Qual é o ponto? No dia 9 de março, o New York Times publicou este anúncio, segundo informa a FoxNews.com.

anuncio-anticatolico1

Ele convida os católicos a abandonar a Igreja. Indaga por que enviam seus filhos para a doutrinação e classifica de equivocada a lealdade a uma fé marcada por “duas décadas de escândalos sexuais envolvendo padres, cumplicidade da Igreja, conluio e acobertamento, da base ao topo da hierarquia”.

Muito bem! Tudo em nome da liberdade de expressão e da liberdade religiosa, certo? Ocorre que a blogueira Pamela Geller, que comanda a página “Stop Islamization of America”, tentou pagar os mesmos US$ 39 mil dólares para publicar no mesmo New York Times um anúncio convidando os muçulmanos a abandonar a sua religião. E O NEW YOR TIMES SE NEGOU! Assim:

anuncio-anti-islam

Pamela afirma que seu anúncio era baseado naquele anticatólico. Dirigindo-se aos muçulmanos, indagava: “Por que pertencer a uma instituição que desumaniza mulheres e os não muçulmanos (…)? E convidava: “Junte-se àqueles que, como nós, colocam a humanidade acima dos ensinamentos vingativos, odiosos e violentos do profeta do Islã”.

Ao comentar a recusa, Pamela afirmou: “Isso mostra a hipocrisia do New York Times, a excelência do seu jornalismo e sua disposição de se ajoelhar diante da pregação islâmica”.

Eileen Murphy, porta-voz do New York Times, repete a resposta que teria sido enviada a Pamela quando houve a recusa: “Nós não nos negamos a publicar. Decidimos adiar a publicação em razão dos recentes acontecimentos no Afeganistão, como a queima do Corão e o assassinato de civis por um membro das Forças Armadas dos EUA. Acreditamos que a publicação desse anúncio agora poderia pôr em risco os soldados e civis dos EUA, e nós gostaríamos de evitar isso”.

Encerro
Huuummm… A resposta é a mesma dada por aquele rapaz da BBC. A síntese é a seguinte: “Como os cristãos não são violentos, então a gente pode insultá-los à vontade. Não mexemos com os muçulmanos porque, vejam bem!, eles podem reagir. E a nossa valentia não chega a tanto.” Em “Máximas de Um País Mínimo”, escrevi que pregar a morte de Deus no Ocidente é coisa de covardes; corajosos pregariam a morte de Alá em Teerã. Fase e frase superadas. Os covardes não têm coragem de criticar o Islã nem no Ocidente!

Noto que a resposta oficial do New York Times já é um mimo da autoflagelação. A queima dos livros do Corão, é evidente, foi acidental. Os EUA inteiros não podem ser culpados pelo gesto tresloucado de um soldado, que será punido — à diferença dos terroristas, que ficam sempre impunes. “Ah, mas eles entendem de outro modo!” Entendi… Se eles entendem de outro modo…

Esses valentes, pelo visto, querem convencer os cristãos de que a sua opção pela não-violência foi um erro. Agissem como os radicais muçulmanos, seriam preservados do achincalhe dos covardes. Que os cristãos sigam defendendo a paz e a superioridade moral do seu postulado.

Por Reinaldo Azevedo

14/03/2012

às 15:09

Já que a política não muda, que tal mudar a imprensa, hein? Tudo por um mundo “+ descente”

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em caráter terminativo, um projeto criado para constranger os veículos de comunicação: a proposta altera a tramitação dos pedidos de direito de resposta a órgãos de imprensa e atropela o trâmite natural dos processos. O projeto do senador Roberto Requião (PMDB-PR) estabelece que as pessoas que se sentirem prejudicadas por uma reportagem poderão procurar diretamente o veículo responsável pela matéria e exigir um espaço para apresentar sua versão dos fatos. Jornais, revistas, sites noticiosos, rádios e emissoras de televisão terão de publicar o direito de resposta até sete dias depois de comunicados da queixa. Caso contrário, a suposta vítima poderá acionar a Justiça. Os maiores beneficiários da proposta são justamente os políticos, alvo frequente de denúncias da imprensa fiscalizadora.

O trâmite judicial também será modificado pela nova lei. As ações do tipo transcorrerão em rito especial, o que significa uma celeridade muito maior na apreciação dos processos. Depois de ser acionado, o juiz responsável terá 24 horas para comunicar o órgão de imprensa. Por sua vez, o veículo deverá apresentar sua contestação em até três dias. Depois disso, se o magistrado optar pelo provimento do pedido, o direito de resposta deverá ser publicado em até dez dias. ”Não se trata de cercear o direito fundamentel à informação. Não se trata de censurar a imprensa, porque a imprensa deve ser livre”, disse o relator da proposta, Pedro Taques (PDT-MT). Não é bem assim. Ao criar prazo exíguos, a medida permite que os meios de comunicação sejam pressionados por enxurradas de ações judiciais de forma orquestrada. A depender da forma como a lei for aplicada, o excesso de direitos de resposta poderá atravancar o trabalho da imprensa, que tem entre suas atribuições inalienáveis o exercício da crítica e da denúncia.

E poderia ser pior: o relator amenizou trechos insólitos da proposta original de Roberto Requião. O peemedebista queria, por exemplo, que as emissoras de rádio fossem obrigadas a dar, além do tempo proporcional do direito de resposta, dez minutos adicionais para o pronunciamento da pessoa atingida pela reportagem. No caso das emissoras de TV, seriam três minutos extras. O senador, inimigo declarado dos meios de comunicação, também previa que os veículos de imprensa simplesmente não pudessem ter direito ao efeito suspensivo em eventuais decisões da Justiça sobre direito de resposta. Pedro Taques alterou o dispositivo: o efeito suspensivo poderá ser concedido, desde que por uma decisão colegiada de magistrados.

A proposta foi aprovada por unanimidade na comissão. Se nenhum senador recorrer, o texto seguirá para a Câmara sem necessidade de aprovação em plenário.

Histórico
O senador Roberto Requião tem um longo histórico de ataques a imprensa. Quando governador do Paraná, ele usava a TV pública para veicular ataques quase diários a veículos que apontavam os problemas de sua gestão. O uso indevido da emissora levantou questionamentos do Ministério Público Estadual. No ano passado, o peemedebista deu mostras daquilo que entende por liberdade de imprensa: simplesmente arrancou um gravador das mãos de um repórter da Rádio Bandeirantes. O motivo: o parlamentar se irritara com uma pergunta a respeito da confortável aposentadoria que recebe como ex-governador. O senador também ameaçou agredir o jornalista. E só devolveu o gravador - sem o áudio da entrevista - horas depois.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 15:38

O pacote da Caixa Econômica Federal para Paulo Henrique Amorim? R$ 832 mil

Leiam o que informa o jornalista Fábio Pannunzio no Blog do Pannunzio. Volto depois.

O lucro do governismo de PHA: R$ 832 mil só da CEF

O chefe da claque governista na internet, o blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, recebeu da Caixa Econômica Federal R$  833,28 mil reais em patrocínios para sua página eletrônica. O valor foi informado ao Blog do Pannunzio pela Assessoria de Imprensa da CEF e se refere a 20 meses de veiculação de banners em 2011 e 2012.

O valor mensal dos patrocínios arrecadados é equivalente ao que o Conversa Afiada recebeu dos Correios - R$ 40 mil mensais pela veiculação de uma campanha do Sedex entre outubro de 2011 e fevereiro deste ano. O contrato com os Correios foi suspenso, segundo a estatal em função do fim da campanha.

Outras empresas e autarquias também cedem patrocínio ao blog de Paulo Henrique Amorim. Consultado pelo Blog do Pannunzio, o Banco do Brasil prometeu, por intermédio de sua assessoria de imprensa, respoder ainda nesta segunda-feira o valor empenhado pela instituição na página eletrônica. Até o monento da publicação deste post, no entanto, anda não havia resposta.

Somente com os valores pagos pela CEF e Correios, seria possível ao governo retirar da miséria 8300 famílias, com o pagamento do benefício médio de R$ 115,00.

O editor do Conversa Afiada foi processado  várias vezes por injúria, inclusive racial. PHA foi condenado pela justiça paulista por ter chamado Paulo Preto de “Paulo Afro-Descendente”. Também foi obrigado a se retratar - obrigação ainda não integralmente cumprida -  diante do jornalista Heraldo Pereira, da Globo, e a pagar R$ 30 mil de indenização, dinheiro destinado pelo comentarista do Jornal da Globo para uma instituição de caridade, por ter utilizado a expressão “negro de alma branca” para tentar desqualificá-lo. Responde, ainda, a um processo criminal movido pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar e punir as mesmas injúrias.
(…)

Voltei
A CEF coloque a sua marca onde achar melhor, não é? Mas é um banco público. A direção da empresa lida com um dinheiro que não lhe pertence. No caso, essa verba financia:
- uma campanha feroz contra um ministro do Supremo, que tem seu nome adulterado com o ânimo claro da injúria e da difamação;
- uma campanha sistemática contra qualquer movimento de um representante da oposição;
- uma campanha sistemática contra alguns veículos de comunicação em benefício de outros;
- a qualificação de um dos mais capazes jornalistas brasileiros como “negro de alma branca”.

Por Reinaldo Azevedo

08/03/2012

às 6:45

Assistam a mais um vídeo que prova a coerência de Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim exerce uma profissão um pouco complicada para alguém com o seu, como a gente chama?, perfil! Hoje, ele é um grande parceiro de Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), aquele deputado-delegado que se elegeu com os votos do palhaço Tiririca e que está a salvo, por enquanto, do indiciamento da própria Polícia Federal por causa da imunidade parlamentar. Até agora não se viu palhaçada… de Tiririca! Muito bem! Hoje Paulo Henrique trata Protógenes como herói, grande homem, ínclito, honesto a mais não poder etc. Passaram a compartilhar amigos e inimigos. Ambos devem saber por quê. Mas foi sempre assim?

Sabem como é Amorim… Em 1998, ele moveu uma verdadeira campanha contra Lula, como vocês já viram aqui. Hoje é lulista roxo. Até outro dia, adivinhem quem era objeto de seus ataques ferozes… Sim, o herói, o ínclito, o fabuloso… Protógenes! Trata-se, para não variar em seu samba de uma nota só, de mais um ataque à Globo e coisa e tal. A obsessão de sempre! Notem que o delegado — agora magnífico, incorruptível! — é visto como um mero empregado da emissora. Assistam.. Volto em seguida.

Então… Vamos brincar com a lógica de Paulo Henrique Amorim. Se, quando tratava Protógenes como inimigo, aquele rapaz era capacho da Globo, como ele sugere, a gente deve concluir que o delegado-deputado mudou de emissora e agora pertence à Record? Como se nota, Protógenes já teve a sorte de ser atacado por Amorim. Hoje é fartamente elogiado. Os dois devem saber os motivos.

Por favor, nada de acusações! Digam só palavras de incentivo a esta bela amizade!

Por Reinaldo Azevedo

07/03/2012

às 17:27

Às vezes, eu acredito em Paulo Henrique Amorim, como nesse caso…

Vejam o filme abaixo. Fala por si mesmo. Volto em seguida.

Voltei
Só aceitarei comentários que concordem, em linguagem educada, com Paulo Henrique Amorim. Até ele pode estar certo de vez em quando.

Por Reinaldo Azevedo

06/03/2012

às 16:09

HISTÓRIA - UM VÍDEO: O direito de resposta que Lula ganhou contra Paulo Henrique Amorim, na Band, em 1998; 14 anos depois, sob o comando do PT, estatais patrocinam a página do gigante que não mudou de método nem de lado: continua a combater a oposição

Vocês precisam ver o vídeo abaixo. Por quê? Em 1998, Luiz Inácio Lula da Silva concorria à Presidência da República pela terceira vez — faria o mesmo mais duas vezes. Nota à margem: os “especialistas” Carlos Melo, Fernando Abrucio e Marco Aurélio Nogueira não pediam “renovação no PT”. Sigamos. Paulo Henrique Amorim era o chefão do “Jornal da Band”. Como sabe qualquer jornalista, ele combate a oposição desde o governo de João Figueiredo.

Muito bem! Em 1998, empreendeu uma verdadeira campanha para tentar provar que Luiz Inácio Lula da Silva havia cometido uma série de ilegalidades para comprar o apartamento de cobertura em que mora ainda hoje, em São Bernardo. Nada ficou provado.  Paulo Henrique usou contra Lula os mesmos métodos que emprega hoje contra políticos da oposição, especialmente José Serra. Atuava com o mesmo rigor jornalístico…

Lula ganhou um direito de resposta na Band. Estou tentando conseguir o filme — se alguém tiver, avise na área de comentários — com uma das “reportagens” de Amorim só para que vocês vejam o que pensava este coerente patriota sobre Lula há modestos 14 anos, quando o petista estava por baixo. Vejam o filme em que Lula se refere a suas reportagens. Jamais se esqueçam de quem está falando… Volto em seguida.

Voltei
Paulo Henrique Amorim é quem é. E Lula também! Notem que, ao se defender, não deixa de sugerir que lhe fofocaram algo sobre a vida privada de FHC.  A resposta a Paulo Henrique Amorim vem acompanhada de um ataque — para não variar — à imprensa como um todo. Num direito de resposta, aproveita para fazer mais uma crítica irresponsável ao Proer, um dos pilares da estabilidade que tanto bem faria a Lula cinco anos depois. Tanto é assim que, na quebradeira de 2008, ele próprio sugeriu aos EUA que adotassem o nosso… Proer!!!

Não, senhores! Paulo Henrique Amorim, do governo Figueiredo ao segundo governo FHC, nunca foi de esquerda. Ao contrário: o, vá lá, ícone do petismo — Lula — era um de seus alvos permanentes.  E ele o atacava com a mesma convicção e as mesmas armas com que ataca hoje oposicionistas e supostos “inimigos do regime”. O Apedeuta não o suporta até hoje, embora o PT trate muito bem este gigante do jornalismo brasileiro. O vídeo que vai acima vale como um documento de sua coerência.

Insisto: se alguém conseguir uma de suas reportagens de então, é só me enviar. Os leitores têm o direito de saber. Hoje, este patriota faz o seu trabalho com patrocínio estatal. Primeiro foram os Correios — R$ 40 mil por mês! Agora, é a Caixa Econômica Federal que financia a sua página, em que se constata uma implacável campanha contra a oposição e contra um ministro do Supremo. Também é lá que se sustenta que “negro de alma branca” não é uma expressão que ofende os negros. Terá sido por isso que um filme de CEF inventou um Machado de Assis branco?

Por Reinaldo Azevedo

29/02/2012

às 6:09

O racismo que dá lucro

Deixem que eu lhes diga uma coisa: não sou hiena, não ataco em bando. Eu não faço parte de grupo nenhum — de “progressistas”, “reacionários”, “centristas”, o que for… Sou católico, por exemplo. A esmagadora maioria me apóia na minha crítica severa, sem concessões, ao abortismo. Quando me digo, no entanto, favorável à união civil de homossexuais — o que não quer dizer que concorde com a absurda decisão do Supremo, tomada contra a letra da Constituição —, muitos lamentam e dizem que minhas convicções são fracas. Fazer o quê? Defendo até mesmo que pares homossexuais (e não “casais”, né?) adotem crianças, satisfeitas algumas condições (que considero também exigíveis dos héteros), mas acho a tal lei que pune a homofobia facistóide. O mundo não é plano. Eu escolho, em suma, um mundo de liberdades individuais sem violação da ordem legal e institucional — que tem, quando é o caso, de ser mudada.

Alguns cretinos do que passei a chamar JEG (vou mudar a definição: de agora em diante, “Jornalismo da Esgotosfera Governista”) acusam-me de integrar a tal imprensa golpista. Pois é… Se o JEG ataca sempre em bando, e ataca, não somos assim. Há gente demonizada pelos “jeguistas” que também me detesta — e a recíproca é verdadeira. Se existe um fato sobre os jornalistas que não estão submetidos ao tacão governista, o fato é este: CADA UM É LIVRE À SUA MANEIRA. Ou liberdade não há.

Se um dia resolver contar a minha vida sem importância, um fato merecerá destaque. Uma professora disse que eu levava jeito pra escrever quando, ainda menino, fiz uma redação contestando o slogan publicitário: “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada”. Argumentei que, se liberdade era aquilo, então liberdade não era. Afinal, as pessoas deveriam ser livres para não usar a calça. A mestra gostou. Huuummm… Comprei o meu primeiro jeans há uns quatro anos, já aos 46! Antes disso, só usava calça de alfaiataria, mesmo quando era pobre pra chuchu. Uma tia costurava. Tenho uma foto, num dia meio frio, posando (Emir Sader escreveria “pousando”) numas pedras no meio de um riacho, em Visconde de Mauá, no estado do Rio. Aquela maconheirada meio esculhambada à volta, e eu ali, de calça de tecido e… botina!!! Deixei de usar colarinho fechado, sempre sem gravata, mesmo em casa, não faz muito tempo. A gente tem de ser livre até pra ser ridículo se é essa a nossa vontade.  Avanço.

Tenho amigos com quem comungo, por exemplo, a visão sobre política interna; se o assunto é, no entanto, Oriente Médio, aí, sem trocadilho, a discordância pode ser explosiva. Com outros, o bicho pega quando o assunto é Obama. Com outros ainda, a coincidência é quase total, mas basta que se debata o tal “aquecimento global” — aquela religião estranha —, e a confusão se instaura. Há até aquele que beira os 100% de concordância… Ocorre que ele é bicicleteiro, e eu o acuso de achar que está ajudando a salvar o mundo com suas pedaladas. Na última altercação, afirmei que, “se selim fosse categoria de pensamento, ficaria na cabeça, não perto da bunda”. Era um chiste. Ele se zangou e está sem falar comigo há uns 15 dias (deixe disso, ô sensível!!!). Espero que esteja andando de bicicleta no Ibirapuera, não nas ruas. Zelo pela segurança dos meus amigos, hehe (lá vai ele ficar ainda mais bravo…).

O mundo não é plano. O mundo só é plano para mentalidades intelectualmente delinqüentes, que pretendem lucrar com teorias conspiratórias, oferecidas, muitas vezes, a poderosos que não tiveram tempo de elaborar uma leitura consistente do mundo. Assim, agarram-se a algumas facilidades e pagam por elas. Adiante.

Abaixo, reproduzo um trecho de um post publicado no Blog do Pannunzio, do jornalista Fábio Pannunzio. Não é meu amigo. Não o conheço. Jamais nos falamos. Já li coisas dele de que discordei radicalmente — e tenho a certeza absoluta de que a inversa é verdadeira. Ele não é o representante do “meu grupelho” atacando o representante do “grupelho adversário”. Reproduzo aqui parte do seu post porque as palavras me parecem sensatas. Quando gosto, digo “sim”; se não, então “não”. Ao texto, notavelmente bem-escrito, o que, hoje em dia, já é uma distinção.
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O racismo que dá lucro

Paulo Henrique Amorim, blogueiro autoproclamado progressista e apresentador da TV do bispo Edir Macedo,  teve lucro com suas injúrias racistas. No blog dele está estampada a manchete “Heraldo aumenta a audiência do CAf em 42%”. O blogueiro “progressista” se ufana de sua obra: “Tem publicidade melhor do que essa?”

Para o caso dele, não deve haver.

Se o que PHA queria era ficar estigmatizado como o último racista assumido da imprensa brasileira,  conseguiu. Se seu objetivo era a auto-desmoralização, ele conseguiu. Se o objetivo era sanar dúvidas sobre seu caráter, também conseguiu. E, no fim das contas, ainda saiu lucrando 42%.

Não foram poucas tentativas de produzir esse resultado. Ele já havia lançado mão do jargão racista quando chamou Paulo Preto de “Paulo Afro-Descendente”. Heraldo foi a segunda vítima do estratagema.

PHA já havia pedido perdão a Bóris Casoy numa situação humilhante - e, da mesma forma, zombou do acordo assinado às pressas para evitar uma condenação. O arauto da nova censura, chamada agora de Ley de Medios, desconhece o Código Civil e o Código Penal. E faz troça do que ele mesmo propôs e acordou em juízo.

Nos delírios veiculados em seu Der Angriff eletrônico, PHA não tem o menor constrangimento de inventar e repetir inverdades  escancaradas - com aquela em que afirmou que Heraldo havia dito que ele não é racista (se não leu, clique aqui e aumente o lucro do blogueiro). Na Ata de Sentença que encerrou esse capítulo do caso, é ele quem declara que foi “infeliz” ao usar a expressão negro de alma branca, e que não teve intenções racistas. O ofendido jamais declarou a ninguém que PHA não é racista. Até porque ele não pensa assim.

Se PHA é ou não racista  quem vai decidir é a Quinta Vara Criminal do DF. É onde tramita o processo crime aberto pelo Ministério Público para apurar e punir as mesmas ofensas. Condenado, Paulo Henrique, que se gaba de figurar como réu em mais 40 processos, pode pegar de dois a cinco anos de reclusão. Se vai ou não para a cadeia é outra história. Mas, nessas circunstâncias, perder a condição de réu primário seria desastroso para ele.

Enquanto contabiliza o lucro de seu retumbante sucesso de audiência na internet, PHA certamente não considera o passivo que só faz aumentar no capital volátil de sua desgastada reputação. Jornalistas, salvo algumas exceções indecentes, vivem do que apuram e publicam. Vivem, enfim, de sua capacidade de informar de maneira correta e honesta. Nesse caso, a deplorável atuação do blogueiro pôs a nu um profissional que, na ausência de fatos, inventa; na ausência de argumentos, injuria;  quando faltam palavras para injuriar, recorre ao jargão abjeto dos racistas. Para arrematar, ainda tem a coragem e a cara de pau de alardear que lucrou com o episódio. Faça-me o favor!
(…)

Texto publicado originalmente às 20h11 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

 

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