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Igreja Universal

06/02/2012

às 17:50

Cadê você, senador Crivella? Quero ouvi-lo!

O senador Marcelo Crivella (PRB) foi eleito pelo povo do Rio de Janeiro. É bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Pertence ao partido controlado por essa denominação. É sobrinho do chefão da Igreja, Edir Macedo, que também é dono de emissoras de televisão.

Três prédios caíram no centro do Rio, ceifando vidas. Segundo culto da Igreja de que Crivella é um medalhão, foi tudo obra do demônio por causa de fiéis que deixaram a Universal. Não entendi a lógica, confesso. Se a igreja de Macedo é de Deus, por que o capeta mataria aqueles que a abandonaram? Deveria estar feliz. O contrário é complicado; imaginem o rabudo ameaçando: “Se você sair da Igreja do Macedão, eu o mato”. Nesse caso, o chifrudo seria, então, um aliado do bispo. Estranha teologia. Mas volto.

A função de um senador é propor coisas que melhorem a vida do estado que representa — entenda-se: a vida de sua população. Quero saber o que o fiel Crivella sugere para o Rio: aumento da fiscalização sobre a intervenção nos prédios ou exorcismo para espantar os demônios?

Pode-se também votar uma lei proibindo os fiéis da Universal de deixar a igreja. Aí prédios não cairiam mais.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 15:23

Num culto da igreja de Macedo, ficamos sabendo que foi o demônio que derrubou os prédios do Rio só para se vingar de ex-fiéis… Com a palavra o senador Crivella, que é membro da igreja, sobrinho do dono da igreja, filiado ao partido da igreja

Os evangélicos sabem que este é um blog que preza os cristãos de todas as denominações. Não faz tempo, escrevi aqui alguns posts sobre a disposição do PT, anunciada pelo ministro Gilberto Carvalho, de disputar influência com os evangélicos, como se o partido fosse uma igreja…

Circula na Internet um vídeo que, a meu ver, NÃO REVELA A CONVICÇÃO DOS EVANGÉLICOS. Também não devemos confundir todos os fiéis da Igreja Universal do Reino do Deus com o que se verá. A esmagadora maioria dos crentes de todas as igrejas, inclusive aquela a que pertenço, a Católica, não pode responder pelo eventual oportunismo de seus dirigentes.

Num culto da Universal, um suposto demônio, com o estímulo e o beneplácito do pastor, diz que foi ele quem derrubou os prédios do Centro do Rio. E sabem por quê? Porque haveria lá um ex-obreiro e ex-pastor da Universal. Entende-se que, como desistiram da igreja, então receberam uma punição, que teria matado até quem nunca havia pertencido ao grupo.
Assistam. Volto em seguida.

 

Voltei
Vidas se perderam, como sabemos, naqueles desabamentos. Famílias estão marcadas para sempre. A Universal do Reino de Deus comanda a Rede Record e a Record News, empresas de comunicação que operam em estreitíssima ligação com o governo federal. Não conto aqui nenhuma novidade. A igreja também tem um partido, o PRB. No Rio, a sua principal expressão é o senador Marcelo Crivella. A legenda pertence à base do governo federal, do governo estadual e do governo municipal.

 

Ora, é forçoso que se pergunte ao senador Crivella: o senhor também acha que foi o demônio que derrubou os prédios do Rio porque dois fiéis de sua igreja teriam decidido deixar a igreja? Esse também é o pensamento do PRB e da TV Record? O nome disso é exploração vil da tragédia. Notem que o vídeo já está com legenda em espanhol. É uma peça de divulgação e proselitismo. Imaginem o escarcéu que se faria se tal barbaridade fosse pronunciada na Igreja Católica ou no culto de alguma outra denominação com menos poder de fogo na mídia.

A Universal, via TV Record, tem hoje pessoas que atuam na imprensa, sempre mobilizadas para “bater” nos inimigos do rei — ou dos reis… Não dou a mínima. Também é inútil tentar jogar os evangélicos contra mim porque eles sabem muito bem o que penso. Quem defende, por exemplo, o aborto não sou eu. Comigo, demônio não se cria…  Há uma outra penca de vídeos relacionados a este em que se garante que os que deixam a Universal acabam morrendo. Os fiéis de uma igreja, católica ou evangélica, não podem ser mantidos pelo medo e pelo terror.

 

Esse demônio é mesmo um canalha!
Esse demônio está mentindo!
Esse demônio merecia é cadeia!

Edir Macedo já apareceu na televisão defendendo o aborto em nome da Bíblia e com um chicote para expulsar o capeta do corpo de um gay. Agora, chegou a vez de ligar a tragédia dos prédios do Rio a problemas internos de sua igreja.

 

A população fluminense, especialmente a carioca, tem o direito e a obrigação de perguntar ao senador Crivella, sobrinho do dono da Universal e bispo da Igreja, se ele também está convicto disso.
Um das características de Macedo é sempre dar mais um passo depois de ter chegado ao limite do tolerável.

PS - Não publicarei comentários que ataquem os evangélicos e os fiéis das igrejas (inclusive da Universal). Este é um blog que respeita a liberdade religiosa e que repudia a exploração oportunista da tragédia e da ignorância.

Por Reinaldo Azevedo

20/01/2012

às 5:35

Ex-tesoureira da Universal nos EUA é condenada por fraudes

Na Folha:
Após se declarar culpada e fazer um acordo com a promotoria do Estado de Nova York, a ex-tesoureira da Igreja Universal do Reino de Deus Regina da Silva foi condenada por fraudes em empréstimos. Ela recebeu uma sentença de liberdade condicional de três anos. Com isso, a ex-tesoureira da igreja não irá para a prisão, mas terá que reportar todos os seus atos para a Justiça dos Estados Unidos -e, caso se envolva em atos ilícitos, deverá ser presa. A decisão permite à ex-tesoureira viajar ao Brasil, mas ela precisa informar a Justiça norte-americana.

A Promotoria informou que Regina da Silva, que antes se dizia inocente no caso, se declarou culpada em novembro do ano passado. Ela era acusada de fraudes e falsificações para obter 11 empréstimos hipotecários que somavam US$ 22 milhões (cerca de R$ 40 milhões), entre março de 2006 e outubro de 2008. Durante as audiências realizadas para debater o caso, o advogado da ex-tesoureira, Andrew Lankler, afirmou que sua cliente não se beneficiou com as fraudes. Disse ainda que o benefício foi recebido pela Universal, o que a instituição nega. Procurado ontem pela Folha, o advogado não concedeu entrevista.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2011

às 6:39

“Bispo” Macedo é investigado por lavagem de dinheiro nos EUA e na Venezuela — nesse caso, dinheiro seria do tráfico de drogas

Se Deus vai perdoar Edir Macedo, isso não se sabe. Quem somos nós para especular sobre o Juízo Divinal, não é mesmo? Mas que a lei dos homens começa a enroscar com o autoproclamado “bispo”, ah, isso começa. O Ministério Público Federal o acusa de “organizador de atividade criminosa” e de praticar evasão de divisas, lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O não-pagamento de R$ 10 milhões de aluguéis atrasados resultou na penhora da sede da TV Record no Rio. O repasse de dinheiro da Igreja Universal para a televisão é crescente — chegou a R$ 430 milhões em 2010 —, mas o Ibope empacou nos sete pontos na Grande São Paulo e dali não sai desde 2009. Mas não é só no Brasil que a barra está pesando para o bispo. Leia trecho de reportagem de Laura Diniz e Otávio Cabral na VEJA desta semana.

(…)
Na última década. Macedo expandiu seus empreendimentos para fora do Brasil, abrindo templos da Universal em 170 países e criando a Record Internacional. A expansão internacionalizou suas dificuldades com a lei. Como grande parte das doações passa pelos Estados Unidos, promotores americanos o investigam por lavagem de dinheiro. Até a Venezuela anda preocupada. Em pedido de cooperação enviado ao Brasil, promotores daquele país relatam que o bispo é alvo de uma investigação de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Os venezuelanos citam a acusação feita por um ex-pastor da Universal que viajou à Colômbia em 1989 para obter recursos com um traficante do Cartel de Cali. Voltou de jato fretado para o Brasil e a soma, segundo ele, foi usada para a compra da Record. Como o mesmo grupo de religiosos difundiu a Universal na Venezuela, as autoridades de lá temem que as igrejas estejam sendo usadas para lavar dinheiro.”Estamos na presença de uma organização criminosa internacional que também atua na Venezuela”, justificam os promotores, que pedem cópia de todas as investigações brasileiras relacionadas a Macedo.
(…)
Leiam íntegra da reportagem na edição impressa da revista.

Por Reinaldo Azevedo

12/09/2011

às 14:46

MPF denuncia Edir Macedo por evasão de divisas e formação de quadrilha

Denúncia atinge três outros dirigentes da seita dirigida pelo auto-intitulado “bispo”. Íntegra da reportagem aqui.

Por Solange Spigliatti, no Estadão Online:
O bispo Edir Macedo Bezerra, líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e outros três dirigentes da entidade foram denunciados nesta segunda-feira, 12, pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem dinheiro e evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a IURD. Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da IURD, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos por meio de uma casa de câmbio paulista, entre 1999 e 2005.

Os quatro também são acusados do crime de falsidade ideológica por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da IURD composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos, qual seja, a Iurd.

Os três dirigentes da igreja denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa.

Segundo a denúncia, do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis da IURD, por meio do “oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja”.

O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da IURD.

O Caso
O Ministério público investiga desde 2003 o envio para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões.

Na ocasião, revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2011

às 6:13

Universal injetou R$ 482 milhões na Record em 2010

Por Ricardo Feltrin, na Folha:

Levantamento feito a partir do cruzamento de dados do balanço anual da TV Record com informações do mercado publicitário apontam que a Igreja Universal injetou R$ 482 milhões na emissora no ano passado. No total, a emissora faturou R$ 1,9 bilhão. A igreja foi responsável por cerca de 25% da receita da TV. Esse dinheiro se refere à compra, por parte da Universal, de seis horas diárias da programação na Record. A Universal também compra duas horas por dia na TV Gazeta, em horário nobre. Na Gazeta, a estimativa é que isso custe, no máximo, R$ 2 milhões mensais. Procurada, a Record não quis se manifestar.Não há irregularidade na compra de horários de TVs por terceiros. Outras igrejas loteiam horários na RedeTV!, Gazeta e Band. A legislação prevê que somente 25% da programação pode ser dedicada à publicidade.

O balanço foi publicado no último dia 31 de maio no “Diário Oficial Empresarial”. Apesar do grande faturamento e das injeções de recursos, a emissora fechou o ano passado com prejuízo de R$ 1,7 milhão. O resultado se refere apenas às emissoras próprias da rede, e não inclui afiliadas. O levantamento foi feito a pedido da reportagem por três especialistas deste mercado. Eles não quiseram ser identificados, pois ainda atuam no ramo de publicidade na TV aberta. Primeiro, foram obtidos os gastos reais de agências de publicidade e anunciantes com a TV Record durante os 12 meses de 2010.  Os dados foram calculados já com o chamado “desconto” que as TVs costumam dar a seus anunciantes, e não pelo preço da tabela cheia. A seguir, foi feito o cruzamento desses dados com o balanço, já que ele não revela qual o real montante que a Universal paga à Record. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 7:21

Promotoria pode pedir quebra de sigilo da Igreja Universal

Por Frederico Vasconcelos, na Folha:
O Ministério Público de São Paulo poderá pedir aos EUA a quebra de sigilo bancário de membros da Igreja Universal do Reino de Deus. O ministro Ari Pargendler, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), reviu sua decisão anterior, que mantinha o impedimento determinado pelo presidente do Tribunal de Justiça de SP, Antonio Carlos Viana Santos.

O caso tem origem em inquérito civil instaurado pelo promotor Saad Mazloum, de São Paulo, para apurar suspeitas de irregularidades praticadas por membros da Iurd. Ele solicitara as informações bancárias com base no Tratado de Assistência Legal Mútua entre Brasil e EUA.

A igreja pediu a cassação dessa medida, sob o argumento de que a quebra de sigilo bancário depende de prévia autorização judicial. A juíza de direito Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi concedeu a ordem. O Ministério Público recorreu, pedindo a suspensão da sentença, o que foi indeferido pelo presidente do TJ-SP. Para ele, a documentação bancária obtida sem respeitar às formalidades da lei seria imprestável como prova.

Em agosto, Saad Mazloum afirmou à Folha que centenas de casos de lavagem de dinheiro poderiam ser anulados se prevalecesse o entendimento de que um promotor não pode fazer pedidos diretos aos Estados Unidos. Na decisão anterior, Pargendler afirmou que “a autoridade brasileira não pode obter, no exterior, pela via de colaboração jurídica internacional, o que lhe está vedado, no exercício da competência própria, no país”.

O procurador da República Vladimir Aras, avaliou, naquela ocasião, que se a decisão do tribunal paulista fosse mantida pelo STJ, significaria “ampliar a jurisdição do país para além das fronteiras internacionais”. Ao reconsiderar sua decisão, Pargendler ponderou que a cooperação internacional tem caráter de solicitação, não depende da legislação do Estado requerido.

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2010

às 6:09

Defensor de Macedo se zanga com crítica que fiz ao “bispo” da Dilma

Fiz aqui uma crítica àquele incrível pronunciamento de Edir Macedo — o chefão da Igreja Universal e principal líder religioso a apoiar Dilma Rousseff —, que gravou um vídeo em que faz a defesa do aborto. A fala é uma das coisas mais asquerosas que já ouvi (aqui para quem não conhece). Um defensor do bispo, Paulo H, resolveu me enquadrar. Segue o comentário:

“Olá, Reinaldo, como você se sente tomando o lugar de DEUS para julgar dessa forma Edir Macedo? Temos o direito de manifestar opiniões… Ah! você sabia? O unico que tem o direito de julgar é DEUS! Se não sabia, dá uma meditada então na Bíblia (Romanos 2 v1:16) Quem sabe o ESPÍRITO SANTO fala contigo! Pois você será julgado um “DIA”,meu caro…!

Reinaldo responde
Espero que sim! E a pombinha baterá as asas de alegria! Não terei justificado a morte de ninguém, especialmente dos inocentes e dos indefesos. Sou eu quem toma o lugar de Deus ou o seu bispo, que pretende decidir quem deve nascer ou morrer segundo critérios  econômicos? Sou eu quem julga Macedo, ou é ele quem julga e condena os fetos por crimes que poderiam cometer?

Pergunta o seu “bispo”:
“O que é melhor? Um aborto ou uma criança vivendo num lixão?”

O que você acha melhor, Paulo H?

Afirma o seu “bispo”:
“É preferível abortar do que ter a criança saudável, mas criando problemas para si, mendigando, comendo o pão que o diabo amassou e sendo nociva à sociedade”.

Como se nota, não estamos apenas diante da defesa do aborto, mas da aplicação preventiva da pena de morte. Quer saber, Paulo H?  A simples leitura dessas palavras provoca em mim desconforto moral. E as considero verdadeiras sementes do Mal!

Por Reinaldo Azevedo

27/08/2010

às 17:43

Para ler, ver e ouvir com um crucifixo da mão!

Demorei um pouco para voltar, né? Por bons motivos, creiam. Vamos lá.

Vocês sabem que os petistas, liderados pelo camarada Franklin Martins — aquele que ri quando aborda a execução de um inocente seqüestrado — querem acabar com o que chamam poder da imprensa tradicional. O PT gosta de poderes não-tradicionais, como o de Edir Macedo, por exemplo, o auto-intitulado “bispo” da igreja que ele próprio criou, a Universal do Reino de Deus. Macedo também é o dono da Rede Record, que o PT considera exemplo de bom jornalismo.

A frase é minha: “O PT é a Igreja Universal da política, e a Igreja Universal é o PT da religião”. Esses dois “entes” têm uma maneira muito parecida de conquistar os seus “fiéis”, além da identidade de pontos de vista. O que vocês verão abaixo é absolutamente chocante, mas poderia servir de norte moral para as “feministas” do PT, que defendem o aborto. Aliás, Dilma também defende. Deu entrevistas expressando o seu ponto de vista. Na campanha, está escondendo a sua posição. Vejam trecho de uma palestra de Macedo. É assustador. Se não quiserem ver tudo, transcrevo trechos de sua fala em vermelho e comento.

0s-3s - “Eu ADORO (sic) falar sobre aborto, planejamento familiar”
Bem, alguém que diz “adorar” falar sobre aborto se define, não? Mais: aborto não é considerado uma forma de planejamento familiar em nenhum lugar do mundo. Ao contrário: ele decorre justamente da falta de planejamento.

Macedo desenvolverá a tese, que certa vigarice economicista andou abraçando, segundo a qual a legalização do aborto eleva a qualidade de vida das sociedades, diminui a violência etc. Ainda que fosse verdade, é o caso de considerar que há um monte de idéias imorais que “funcionam”. Que tal eliminar, por exemplo, todos os portadores de uma doença infecto-contagiosa? Não duvidem de que o “problema” estará resolvido. Que tal suspender o tratamento de doenças crônicas de pessoas que já não são mais economicamente ativas? Vamos economizar bastante — e alguém ainda poderá dizer que investir nos jovens é muito mais “produtivo”. Esse raciocínio — de Macedo, de certos indecorosos que falam “enquanto economistas” e, no caso, dos abortistas de maneira geral — nada mais é do que a justificação do mal.  Na defesa de sua tese, afirma este homem de Deus entre 10s e 20s  que o aborto nos conduz a uma sociedade com
“(…) menos violência (!!!), menos morte (!!!), menos mortalidade infantil (!!!), menos doenças (!!!), menos, enfim, todo o mal (!!!) que nós temos visto em nossa sociedade”

Impecável! Se a gente mata os fetos, é certo que haverá menos mortalidade infantil, não é mesmo? Macedo defende o aborto porque ele quer “menos violência” — logo, aborto não é violência. Ele quer “menos morte” — logo, o aborto não é “morte”… Como aborto também não é vida, então ele não é nada! Para este pastor de almas, não deve haver diferença entre um feto e gases intestinais.

2min25 - Quando você casa, você tem um empreendimento. Quando você tem um filho, você entra em outro empreendimento (!)
Não faltará pensador vagabundo no Brasil que verá nessa fala de Macedo, que chama filho de “empreedimento”, ecos de Max Weber e do “espírito protestante e a ética do capitalismo”. Não! Isso não é Weber, não! Trata-se de algo bem mais antigo…

4min - Eu pergunto: “O que é melhor? Um aborto ou uma criança mendigando, vivendo num lixão?” O que é melhor? A Bíblia fala que é melhor a pessoa não ter nascido do que ter nascido e viver o inferno. Eu sou a favor do aborto, sim. E digo isso alto e bom som, com toda a fé do meu coração”. E não tenho medo nenhum de pecar. E, se estou pecando, eu comento este pecado consciente. Se, eu não acredito nisso. É uma questão de inteligência, nem de fé. Lá em Nova York, depois que foi promovida a lei sobre o aborto, a criminalidade diminuiu assustadoramente. Por quê? Porque deixou de nascer criança revoltada criminalidade diminuiu (…)

Vamos lá:
- Vamos à primeira indagação: qualquer ser humano decente tem apenas uma resposta: melhor é a vida! Como ela é remediável, será sempre superior às coisas sem remédio, como a morte — em especial a morte de quem não pode se defender. A defesa do aborto é um absurdo lógico, derivado de uma imoralidade essencial: só um vivo pode fazê-la, se que é me entendem.

- É mentira! A Bíblia não endossa o aborto coisa nenhuma. Macedo tem em mente este trecho:
“Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele”.
O “bispo” faz uma alusão estúpida, bucéfala, ignorante e rasteira ao Eclesiastes (6,3). É no que dá uma teologia mais jovem do que o uísque que eu bebo. Afirmar que há, no trecho, endosso ao aborto é pura delinqüência teológica e bíblica. O aborto é empregado apenas como um extremo da fealdade. Não há endosso. É o exato oposto,  Macedo!!!. Aprenda a ler, sujeito!!! Apela-se ao extremo, ao nefando, só para encarecer as dificulddes de uma vida sem Deus.

Essa história da queda do crime em Nova York por causa da legalização do aborto é uma das bobagens do livro “Freakonomics”, de Steven Levitt e Stephen J. Dubner. Já se provou que o erro da tese se sustenta também num erro de conta. Pesquisem a respeito. Boa parte das afirmações desses dois, diga-se, se sustenta numa falha lógica já apontada pelos escolásticos, cuja síntese é esta, em latim: “Post hoc, ergo propter hoc” - ou seja: “Depois disso; logo, por causa disso”. Como a queda na criminalidade se seguiu à legalização do aborto, então ela aconteceu POR CAUSA da legalização. A verdadeira revolução da política de segurança da cidade não deve ter tido nenhuma influência, não é mesmo? Ora, seria o caso de tentar explicar por que, por exemplo, imigrantes que chegam de países que vivem numa verdadeira anomia social se tornam respeitadores da lei em Nova York… Não deve ser por causa do aborto. Deve ser porque as leis funcionam.

Macedo, de todo modo, é mesmo um revolucionário da religião. Num livro aí que escreveu, chamou os antigos hebreus de “cristãos”. No dia 13 de outubro de 2007, ele concedeu uma entrevista à Folha. Leiam uma pergunta e uma resposta:

FOLHA - Alguns políticos então da base da Igreja Universal, como o bispo Rodrigues, foram atingidos em cheio pelos escândalos do primeiro mandato de Lula. A corrupção não é um pecado imperdoável?
MACEDO -
Jesus ensina que o único pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Para os demais, há perdão se houver arrependimento.

Entendi!

- O Deus de Macedo pode perdoar os culpados, mas não perdoa os fetos inocentes.
- O Deus de Macedo pode perdoar alguém que já pecou, mas é favorável à eliminação prévia de alguém que, segundo ele, corre o risco de pecar.
- Assim, para que possa continuar a perdoar os pecadores, o Deus de Macedo prega a eliminação dos puros.

Macedo  se tornou a grande referência dos petistas em duas  áreas: a verdadeira Lula News é a TV Record. A de Franklin dá traço; a de Macedo tem alguns telespectadores.  E ele é também um guia espiritual do partido, especialmente do seu “coletivo de mulheres”, ou algo assim, que se mobilizou há dias para defender, junto à candidatura Dilma, uma vez mais, a legalização do aborto. Legalização a que ela já se disse favorável.

Uma outra revolução já está sendo gestada, esta na cultura: Tiririca tem tudo para ser o norte estético do poder caso Dilma se eleja. Afinal, na arte da representação, ele é tão requintado quanto é Macedo nos mistérios da teologia.

Por Reinaldo Azevedo

24/08/2010

às 6:11

EUA investigam Universal por remessas de R$ 420 milhões

Por Mario Cesar Carvalho, na Folha:
A Igreja Universal do Reino de Deus é investigada nos EUA sob suspeita de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro e conspiração, similar ao que o Código Penal brasileiro chama de formação de quadrilha.

Dois doleiros brasileiros disseram a promotores americanos ter remetido ilegalmente o equivalente a R$ 420 milhões do Brasil para Nova York, no período entre 1995 e 2001. As remessas eram na razão de R$ 5 milhões por mês, segundo a dupla.

O depoimento dos doleiros foi feito no âmbito de um acordo de delação premiada em Nova York. É uma negociação na qual criminosos tentam reduzir suas penas oferecendo informações que podem ajudar a desvendar novos crimes.

Os investigadores americanos tentam descobrir o que a Universal teria feito com esses recursos nos EUA. A apuração é feita em caráter sigiloso e tem entre os seus alvos o bispo Edir Macedo e a tesoureira da igreja em Nova York, Regina da Silva.

Silva já foi indiciada pela Promotoria de Nova York noutra investigação sob acusação de ter praticado os crimes de apropriação indébita, falsificação de documentos, falso juramento e fraude.
Ela simulou ter feito assembleias em duas igrejas da Universal (Brooklyn e Queens) para levantar empréstimo de US$ 22 milhões.

DOLEIROS
A investigação americana sobre a igreja é um subproduto da maior operação já feita pela PF contra doleiros, realizada em 2004. Chamada de Farol da Colina (referência à empresa americana que abrigava a conta dos doleiros, a Beacon Hill), ela resultou na prisão de 62 doleiros.

Numa casa de câmbio em São Paulo, a Diskline, a PF achou um CD com arquivos de computador que fazia referência a uma suposta funcionária da Universal, batizada de “Ildinha/Fé”.

Ilda, segundo investigação do Ministério Público Federal, “era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline”.
A casa de câmbio Diskline era a fachada de dois dos maiores doleiros do país, segundo a PF: Marcelo Birmarcker e Cristina Marini Rodrigues. São eles que fizeram o acordo de delação em Nova York e contaram ter remetido perto de R$ 420 milhões para os EUA a mando da igreja.

Bimarcker e Marini Rodrigues operaram três contas no Merchants Bank de Nova York, nas quais teria passado dinheiro sem origem da Universal. Eram contas abertas em nome de empresas criadas em paraísos fiscais: a Milano Finance Inc., Pelican Holding Group e Florida Financial Group. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2010

às 6:37

EUA proíbem tesoureira da Igreja Universal de voltar ao Brasil

Regina da Silva é acusada de fraude em empréstimo de R$ 40 milhões em nome da organização chefiada pelo “bispo” Edir Macedo.

Por Cristina Fibe, na FOlha:
A tesoureira da Igreja Universal nos Estados Unidos Regina da Silva, 41, está proibida de voltar ao Brasil por tempo indeterminado. A próxima audiência do processo contra ela está marcada para o dia 15 de setembro -quando, no entanto, não deve ocorrer o julgamento final, ainda sem data.

Da Silva é acusada pela Promotoria de Justiça de Nova York de armar um esquema de fraudes e falsificações para a obtenção de empréstimos hipotecários no valor de US$ 22 milhões (pouco menos de R$ 40 milhões).

Na semana passada, ela foi levada de algemas a um tribunal de Nova York, onde ouviu as acusações e se declarou inocente. A tesoureira deixou a corte depois de pagar fiança de US$ 10 mil (R$ 17,5 mil) e ter o seu passaporte apreendido.

Procurado pela Folha, o advogado de defesa da brasileira, Andrew Lankler, se recusou a comentar o caso e afirmou que a tesoureira não daria entrevistas. Os promotores envolvidos na investigação também se negaram a falar, sob o argumento de que o processo ainda está em andamento.

Segundo comunicado divulgado na semana passada pela promotoria, Da Silva enganou o governo e o Signature Bank ao fraudar solicitações de 11 empréstimos feitos em nome da Igreja Universal.
Entre março de 2006 e outubro de 2008, de acordo com os promotores, a tesoureira declarou falsamente, em seis petições, ter feito reuniões em duas unidades da Universal de Nova York para que os fiéis aprovassem os empréstimos hipotecários.

Mas, diz a acusação, as reuniões nunca ocorreram. O destino do dinheiro ainda é alvo de investigação. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2010

às 6:45

EUA acusam tesoureira da Iurd de fraude

Promotoria de NY afirma que funcionária da Universal forjou informações para obter empréstimo de US$ 22 mi

Por Cristina Fibe, na Folha:
A Promotoria de Justiça de Nova York acusou a tesoureira da Igreja Universal do Reino de Deus nos EUA Regina da Silva de fraudes e falsificações para obter empréstimos hipotecários de mais de US$ 22 milhões (pouco menos de R$ 40 milhões). Silva, 41, levada algemada até o tribunal na última quinta-feira, declarou-se inocente. Seu advogado, Andrew Lankler, disse na audiência que ela cumpriu com a maior parte das exigências legais para assegurar as hipotecas. Lankler argumentou que Silva não foi a beneficiária das transações, mas sim a própria Universal, segundo relato do “New York Post”.

Para os promotores, ela enganou o governo e o Signature Bank ao fraudar solicitações de empréstimos em nome da igreja. A brasileira é acusada por quatro crimes -apropriação indébita, falsificação de documentos, declaração falsa e esquema fraudulento-, cujas penas variam entre 4 e 25 anos de prisão. “Fraude é sempre errada, mas é especialmente escandalosa quando os criminosos fazem uso de organizações religiosas, tribunais e agências estatais em seus esquemas”, afirmou o promotor de NY, Cyrus Vance
Para a acusação, a tesoureira declarou falsamente ter feito reuniões em duas unidades da Universal de NY para que os fiéis aprovassem os empréstimos.

Mas, diz a acusação, as reuniões nunca ocorreram, e as hipotecas das duas igrejas jamais foram aprovadas pelos interessados. A tesoureira conseguiu assim 11 empréstimos, no total de US$ 22,107 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2010

às 5:13

Doleiros dizem que Igreja Universal enviou R$ 400 milhões ao exterior

Bruno Tavares e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo

A Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.

Os doleiros resolveram colaborar depois que a Justiça americana decidiu investigar a atividade deles nos Estados Unidos com base no pedido de cooperação internacional feito em novembro de 2009 por autoridades brasileiras. Em Nova York, eles são investigados por suspeita de fraude e de desvio de recursos da igreja em território americano.

Seus depoimentos foram considerados excelente pelos investigadores. Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.

Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.

De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como “Universal Church”. Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

Os doleiros Cristina e Birmarcker estão na relação de investigados no Caso Banestado (inquérito federal sobre evasão de divisas). Em 2004, foram alvo da Operação Farol da Colina - maior ofensiva da história da Polícia Federal contra crimes financeiros no País. Cristina e Birmarcker foram presos na ação e hoje respondem a processo na 2.ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

No Brasil, Macedo e Alba estão entre os diretores do chamado Grupo Universal processados sob as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro obtido de fiéis por meio de estelionato. Alba representaria no País as empresas Investholding e Cableinvest, ambas sediadas em paraísos fiscais. A acusação sustenta que elas seriam usadas para a lavagem de dinheiro. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2010

às 6:07

APARECE ALGUÉM PARA DIVIDIR OS LOUROS COM LULA: É O ROMUALDO!!!

Às vezes, a gente comete alguns acertos definitivos. Um dos meus foi afirmar que o PT é a Igreja Universal da política e que a Universal é o PT da religião. Pois é. Vocês leram as reportagens sobre aqueles vídeos da Universal, certo? Num deles, um bispo ensinava como arrecada dinheiro em tempos de crise. No outro, falava sobre a necessidade de a sua igreja manter relações de vizinhança com a bandidagem - para ele, perigosa é a Polícia. Leiam agora trecho de outra reportagem de Rubens Valente, na Folha. Segundo o bispo, as recomendações que ele deu ajudaram o Brasil a enfrentar a crise sem muitas dificuldades. Pronto! Agora já são dois os milagreiros do Brasil: Lula e Romualdo Segue trecho:
*
O bispo Romualdo Panceiro, considerado o número dois da Igreja Universal, divulgou um vídeo na internet -postado anteontem no blog do líder Edir Macedo- para explicar orientações que deu, em 2008, aos principais líderes da igreja.

As videoconferências foram reveladas anteontem pela Folha. Romualdo ensina os pastores a arrecadar dízimos durante a crise financeira daquele ano e os orienta a procurar líderes e “bandidos” para propor um arranjo que evitasse assaltos aos carros que transportam dinheiro doado pelos fiéis.

No vídeo com sua explicação, Romualdo disse que uma campanha de fé da Igreja Universal ajudou o Brasil a passar menos dificuldades durante a crise econômica iniciada em 2008.

“A gente viu aí tantos países quebrando, não é verdade, com a crise, e graças a Deus a campanha de fé de Isaac, que nós fizemos, funcionou porque o Brasil não quebrou. Em toda parte do mundo, a gente vê o Brasil sendo elogiado, o espírito da crise foi amarrado. Você está vivendo uma crise, faz uma prova com Deus e sua vida nunca mais será a mesma.”

Isaac foi o personagem bíblico utilizado na pregação de Romualdo que foi gravada em 2008. Na ocasião, o bispo orientou os pastores a abrir três Bíblias e fazer um “desafio” aos fiéis para que depositassem dinheiro, como prova de fé.

No blog, o bispo afirmou que sua pregação era uma “campanha de fé, uma direção para as pessoas no momento de crise”.

Romualdo afirmou que, na videoconferência, ele apenas leu trechos da Bíblia que falam sobre o pagamento de dízimos -que ele chama de “ofertas”. Ao assim agir, sugeriu estar sendo “dirigido” por Deus. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2010

às 5:05

Em vídeo, Universal orienta a fazer acordo com “bandido”

Por Rubens Valente, na Folha:
A gravação de uma videoconferência realizada entre os principais líderes da Igreja Universal em novembro de 2008 indica que a direção da igreja orientou seus pastores em todo o Brasil a se aproximarem de “bandidos” e presos para evitar que a instituição seja vítima de assaltos. Os pastores deveriam procurar criminosos para explicar o trabalho social da igreja, o que resultaria num acordo tácito para proteção.

A reunião foi conduzida pelo bispo Romualdo Panceiro, apontado pelo bispo Edir Macedo como seu sucessor. Ele falou para pastores regionais de todos os Estados. O assunto do encontro -realizado sem a presença de fiéis- foi um assalto a mão armada ocorrido no bairro Cidade Ademar, divisa entre São Paulo e Diadema. Em 9 de novembro de 2008, 15 homens armados abordaram um carro da igreja e levaram R$ 52 mil, como registrado no 43º Distrito Policial -o caso continua sem solução.

A videoconferência ocorreu no dia seguinte ao assalto. Na gravação, o bispo Romualdo orienta os pastores a procurarem os líderes comunitários e “bandidos”. Ele diz que a ordem partiu “do bispo”, sem citar nomes -Romualdo é considerado o número dois da igreja. “E o bispo quer que isso seja feito em todo o Brasil. Como fizemos aqui. Mas não é só em uma comunidade, como foi o caso lá. Não é só para você fazer na comunidade da frente, fazer na comunidade de trás. “Pô, a minha região é o quê? É uma favela”. Então você tem que fazer em todas as favelas”, disse.

O bispo orientou os responsáveis por Cidade Ademar a buscar uma explicação para os autores do recente crime. Ele queria que o pastor da igreja no bairro fosse até os líderes criminosos, nos presídios, para cobrar reciprocidade.

“Você tem que ir lá na prisão próximo da… Tem prisão, lá? Tem penitenciária? [...] Você vai lá e começa a conversar: “Pô, a gente tá fazendo um trabalho tão bacana, com familiares de vocês”. Aí você fala legal: “Pô, levaram a igreja. Todo mundo armado. E deixaram o carro na favela… Alba”. Pode ser que não seja de lá. “Mas, poxa, como é que a gente vai continuar fazendo o trabalho na comunidade, distribuindo comida para a família de vocês? Pô, a gente é companheiro ou não é?” Fala assim: “A gente é companheiro ou não é?’”, orientou o bispo.

Em outro trecho, Romualdo diz acreditar que o assalto em Cidade Ademar foi obra de policiais. “Nosso problema não é bandido, o nosso problema é polícia”, afirma. Aqui

Para assistir aos vídeos, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/04/2010

às 4:15

Em vídeo, bispo da Universal ensina a arrecadar na crise

Por Rubens Valente, na Folha de S. Paulo:
Vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal mostra bispos da cúpula da entidade combinando a pregação para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008.

As gravações obtidas pela Folha, que oferecem rara visão sobre práticas da igreja, são de duas reuniões feitas por videoconferência entre líderes na sede, em São Paulo, e outros nos Estados. Foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Ele é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, que coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina.

Um dos vídeos começa com Romualdo tirando uma espada da cintura e colocando-a sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado.
Romualdo orienta que “semear” é dar dinheiro à igreja. Ele diz que a igreja deveria perguntar aos fiéis se eles “acreditam mais” na crise ou em Deus.

“Por isso que a gente tem que perguntar [ao fiel]: “Você crê mais na crise ou você crê em Deus? Porque se você crê na crise, então você vai guardar para ela, ela vai pegar o que você tem. Sem que você saiba, quando você acordar, já era. Mas se você crê em Deus, você vai pegar o que a crise pode pegar e você vai colocar onde? [...] Vai semear no altar!”, diz.

Romualdo indaga se Clodomir compreendeu: “É ou não é, Clodomir? Entendeu? [...] Não é legal isso?”. Clodomir concorda: “Arrebenta. Tá ligado”.

Em seguida, o bispo diz que a ideia deve ser disseminada entre os pregadores: “Quer dizer, mais semente você vai ter, e quanto mais você tem semente, mais você vai colher. Pô, é muito forte, não é? Então, a gente tem que virar o jogo. Passar esse espírito para os pastores agora, como eu já passei”.

Ele se dirige ao bispo Sidney Marques, de Belo Horizonte: “Vai arrebentar, é muito forte! Hein, ô, Sidney?” “É o melhor investimento. O melhor investimento é esse”, responde Sidney. “Momento propício para o uso da fé”, arremata Romualdo.

O bispo diz que “combinou” com os pastores regionais de abrir três Bíblias, durante a oração do domingo, para “desafiar” as pessoas a trazerem dinheiro. “Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro. No domingo [esfrega as mãos], falar assim: “Olha, pessoal, em nome de Jesus, você que vai agora semear em cima dessa palavra aqui, com [R$] 10 mil para cima, vem aqui na frente, coloca, muito bem. Com [R$] 1.000 para cima, vem aqui pra frente. Com [R$] 500 para cima, vem aqui na frente, com [R$] 100 para cima, com dez reais para cima, com uma moeda para cima, coloca aqui”. Porque aí a gente não está, como se diz, estipulando. Porque foi na hora da oferta, um desafio.”

Vídeo de outra reunião indica que membros da igreja procuraram se aproximar de criminosos para evitar assaltos a carros-fortes que transportam dinheiro doado por fiéis. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2009

às 4:43

EUA vão investigar integrantes da Igreja Universal

Do Jornal Nacional:
Os Estados Unidos decidiram abrir investigação criminal contra Edir Macedo e mais nove representantes da Igreja Universal do Reino de Deus. Eles são suspeitos de estelionato, de desvio de recursos e de lavagem de dinheiro em território americano.

A investigação vai ser comandada por promotores de Nova York, com quem autoridades brasileiras fecharam um acordo de cooperação para este caso específico. O acordo estabelece a quebra de sigilo de contas bancárias ligadas à igreja.

Os promotores americanos decidiram fazer essa investigação a pedido do Ministério Público de São Paulo, que denunciou à Justiça o fundador da Universal, Edir Macedo, e outros integrantes da igreja, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

As investigações em Nova York serão feitas pela promotoria criminal, que funciona em um prédio, em Manhattan. O chefe da Divisão de Combate a Fraudes e a Crimes Financeiros é o promotor de Justiça Adam Kaufmann. Ele colaborou outras vezes com autoridades brasileiras.

Foi o promotor Kaufmann quem pediu, e conseguiu, que a Justiça americana decretasse a prisão do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, por desvio de dinheiro público e lavagem. E foi por meio da equipe de Kaufmann que as contas do banqueiro Daniel Dantas acabaram sendo bloqueadas.

O promotor americano também já apurou crimes envolvendo igrejas, como contou em entrevista no mês passado, quando esteve no Brasil. “Há casos de igrejas que arrecadam doações de fiéis e depois usam esse dinheiro para financiar TVs, carros, um estilo de vida pessoal que nada tem a ver com a caridade. Esse é um tipo de fraude bem conhecida e bem documentada nos Estados Unidos”, diz ele.

No caso da Igreja Universal do Reino de Deus, os americanos vão se concentrar em Edir Macedo, o fundador, e nos outros nove réus que respondem a processo no Brasil por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Os promotores vão conferir ainda as contas bancárias de cinco empresas ligadas à Universal: duas estão registradas em um prédio em São Paulo. Outra é a Rede Record de Televisão, que tem escritório também em Nova York. E as outras duas são a Investholding e a Cableinvest, elas foram abertas em paraísos fiscais, mas movimentam dinheiro nos Estados Unidos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, elas fazem parte do esquema de desvio de doações da igreja.

A acusação sustenta que o dinheiro doado legalmente pelos fiéis da igreja é desviado para empresas brasileiras ligadas à Universal. Depois, é mandado para as contas da Investholding e da Cableinvest lá fora. Mais tarde, o dinheiro volta na forma de empréstimos para a compra de bens que nada têm a ver com a igreja e com obras sociais. De acordo com a promotoria, foi assim, escondendo a origem do dinheiro, que Edir Macedo comprou propriedades, inclusive empresas de comunicação. A conclusão é que o dinheiro da igreja serviu para enriquecimento pessoal.

O objetivo da quebra do sigilo de contas é saber exatamente de onde vêm e para onde vão os recursos que passam por bancos americanos, e juntar essas informações ao inquérito civil, ao procedimento investigatório e ao processo criminal em curso no Brasil.

A promotoria de Nova York também decidiu abrir investigação nos Estados Unidos contra Edir Macedo e outros representantes da Igreja Universal, por suspeita de estelionato, de desvio de dinheiro de entidade religiosa e de lavagem de dinheiro em território americano.

Logo no começo da apuração, 15 contas ligadas à igreja serão vasculhadas em Nova York, Miami e Jacksonville.

Na entrevista que concedeu há um mês, antes da decisão sobre essa investigação, o chefe dos promotores americanos disse que só aceita cooperar com outros países nos casos em que considera as provas consistentes. E completou: “Quando o dinheiro se move pelo mundo, há uma grande chance de que ele passe por Nova York. Os criminosos não respeitam fronteiras e buscam todos os meios para salvar o que mandaram para fora. Mas o dinheiro deixa pistas pelo caminho, e o fundamental é seguir esses rastros”.

O advogado Arthur Lavigne, que representa Edir Macedo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e a própria igreja disse que não tem conhecimento da cooperação entre autoridades brasileiras e americanas. Ele afirmou ainda que está tranquilo diante das investigações nos Estados Unidos.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2009

às 5:45

Igreja Universal fez remessa clandestina de dólares, diz relatório

Por Rubens Valente, na Folha:
O Ministério Público Federal tem em seu poder documentos que indicam o uso de uma casa de câmbio chamada Diskline para fazer remessas de pelo menos R$ 17,9 milhões, em valores atualizados, para uma conta bancária em Nova York cuja beneficiária era a Igreja Universal do Reino de Deus.
As remessas ocorreram, segundo as investigações, por meio de dólar-cabo, um sistema clandestino de transações internacionais que foge do controle do Banco Central. Por esse sistema, combatido pela Polícia Federal desde que foi descoberto, em meados dos anos 90, doleiros do país abastecem contas de brasileiros no exterior sem que o BC tenha conhecimento das operações.
É uma espécie de compensação paralela entre contas bancárias abertas no exterior em nome de empresas “offshore” sediadas em paraísos fiscais. O dinheiro é entregue pelo cliente ao doleiro, no Brasil, em espécie. Simultaneamente, o mesmo valor, excluída a “taxa de administração” cobrada pelo doleiro, é transferido de uma conta aberta fora do Brasil em nome de empresa de fachada controlada pelo doleiro. Operações desse tipo são consideradas, nos EUA, retransmissões ilegais de fundos.
Os documentos que revelam as operações foram produzidos pela Assessoria de Análise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, tendo como base os achados das ações da PF e da CPI do Banestado. Num disquete apreendido na sede da Diskline e periciado pela PF, foi achada uma tabela que descreve 24 remessas feitas entre agosto de 1995 e fevereiro de 1996 no total de R$ 7,5 milhões, ou R$ 17,9 milhões atualizados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).
O dinheiro era entregue por uma pessoa identificada pelo código “Ildinha/Fé” e tinha como destino final a conta nº 365.1.007852 do antigo Chase Manhattan Bank de Nova York (EUA), adquirido no ano 2000 pelo JP Morgan, dando origem ao JPMorgan Chase & Co.
“Conforme documentos constantes do CD-Rom, as operações envolvendo o nome de “Ildinha/Fé” são operações em que a diretora do Banco de Crédito Metropolitano e de empresas do grupo da Igreja Universal, sra. Alba Maria Silva da Costa, fazia com a mesa de operação da empresa Diskline de São Paulo, sendo o nome “Ildinha/Fé” uma referência à funcionária da igreja de nome Ilda, que, inicialmente, era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline”, apontou o relatório.
Alba Maria, referida no relatório, é uma das pessoas denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo, ao lado do líder da Iurd, Edir Macedo, por supostos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela foi executiva de empresas controladas pela igreja. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/10/2009

às 6:41

ONG ligada à Universal é alvo de ação da AGU

Por Elvira Lobato e Rubens Valente, na Folha:
A AGU (Advocacia-Geral da União) pediu à Justiça Federal de São Paulo o bloqueio dos bens da Sociedade Pestalozzi de São Paulo para garantir a devolução, ao Fundo Nacional de Saúde, de R$ 800 mil gastos na compra de ambulâncias por meio de licitações sob suspeita de fraude e de superfaturamento. O processo é um desdobramento da máfia dos sanguessugas, descoberta em 2006 pela Polícia Federal.
A Pestalozzi de SP, que presta atendimento a crianças e jovens com deficiência mental, é dirigida por integrantes da Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) e tem como parceira a Rede Record de Televisão.
A ação da AGU foi proposta em novembro de 2008. O juiz da 24ª Vara Cível Federal, Victorio Giuzio Neto, como prevê a lei, está notificando os responsáveis pela ONG, empresários e servidores da saúde a apresentarem suas defesas preliminares, para então decidir se acolhe ou não o pedido.
A AGU moveu a ação civil pública, por suposta improbidade administrativa, baseada em três auditorias da Controladoria-Geral da União e do Ministério da Saúde que apontaram irregularidades em três convênios destinados à compra de seis ambulâncias. Ao todo, a entidade recebeu R$ 960 mil de seis emendas parlamentares propostas entre 2002 e 2004 por ex-deputados federais integrantes da Universal.
Os advogados da União cobram a devolução do dinheiro de três emendas -uma, de R$ 300 mil, do ex-deputado Bispo Wanderval; outra de R$ 60 mil, da ex-deputada Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, líder da igreja; e a terceira, de R$ 120 mil, proposta pelo ex-deputado Marcos Abramo.
A Procuradoria da República de São Paulo investiga os outros três convênios: dois de R$ 60 mil de emendas do ex-deputado bispo João Batista Ramos da Silva, e outro de R$ 120 mil de emenda de Edna Macedo. A prestação de contas das emendas de Ramos da Silva foi rejeitada pelo Ministério da Saúde, que quer o dinheiro de volta.

Bispos no comando
Com mais de 50 anos de atividade, a filantrópica está sob o comando da Universal desde 1993. Todos os seus dirigentes são ligados à igreja -que, no entanto, negou, em e-mail enviado à Folha, qualquer ingerência sobre a ONG.
As acusações da AGU recaem sobre as gestões de Graciene Conceição Pereira, mulher do bispo Ademar Gonçalves, e de Marilene da Silva e Silva, mulher do bispo e ex-deputado Ramos da Silva -com quem a Polícia Federal apreendeu, em 2005, R$ 10,2 milhões atribuídos a dízimos de fiéis. Graciene presidiu a filantrópica de 2003 a 2005, e Marilene ocupou o cargo de 1995 a 2002.
Oficialmente, a Pestalozzi de São Paulo é uma instituição independente, mas os vínculos efetivos com a Universal são de tal ordem que as assembleias para eleição de diretoria e aprovação das contas acontecem em um prédio administrativo da igreja.
A atual presidente da entidade, Márcia Aparecida Rocha, é mulher do bispo José Rocha. Ela já prestou depoimento no inquérito do Ministério Público Federal. A primeira vice-presidente, Ana Cláudia Raposo, é casada com o presidente da TV Record, Alexandre Raposo. A primeira secretária, Rosana Gonçalves de Oliveira, é mulher do bispo Honorilton Gonçalves, vice-presidente da Rede Record, e braço direito de Edir Macedo. A tesoureira da Iurd, Denise Justo Dias, é também tesoureira da filantrópica.
No dia 8 de agosto deste ano, o Ministério Público do Estado de São Paulo abriu ação criminal contra Edir Macedo e outros nove integrantes da Igreja Universal sob a acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Dois dos réus daquele processo integram a atual administração da Pestalozzi de São Paulo: Alba Maria Alves da Costa, do conselho fiscal, e Maurício Albuquerque e Silva, do conselho consultivo.
Os ex-deputados da igreja já são réus em outras ações, na Justiça Federal de Mato Grosso, por suposto envolvimento com a máfia das sanguessugas. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2009

às 4:37

Polícia liga Universal a doleiros do Banestado

Por Rubens Valente, na Folha:
Uma empresa sediada nas Ilhas Cayman e ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, a Cableinvest, recebeu no exterior recursos de doleiros envolvidos no escândalo da Beacon Hill. Segundo a Polícia Federal, eles utilizaram um sistema clandestino de remessa de recursos (dólar-cabo) que foge ao controle do Banco Central.
A BHSC (Beacon Hill Service Corporation) encerrou suas atividades em 2003 por pressão do governo dos EUA, sob acusação de retransmissão ilegal de fundos superiores a US$ 3,2 bilhões. De acordo com a investigação americana, ao gerenciar contas abertas em nome de empresas offshore, a BHSC ocultava os donos do dinheiro e dava margem a sonegação fiscal e evasão de divisas.
Segundo registros da empresa, ao menos US$ 1,8 milhão saíram, entre 1997 e 1998, da conta “Titia” -gerida por doleiros brasileiros como uma subconta da BHSC no banco Chase Manhattan- para uma conta aberta em nome da Cableinvest Limited no Royal Bank of Scotland (Nova York).
Boa parte desses recursos voltou, dias depois, para o Brasil. A Cableinvest realizou empréstimos para a Unimetro Empreendimentos na forma de operações de câmbio para aumento de capital. O dinheiro que circulava por doleiros retornava, assim, com origem “limpa” para o Brasil.
A Cableinvest e a Unimetro são algumas das empresas apontadas pelo Ministério Público de São Paulo como peças da suposta engenharia pela qual a igreja “desvia recursos arrecadados junto aos fiéis”.
Segundo os promotores que protocolaram a denúncia, “para justificar a origem do dinheiro utilizado na compra de empresas de comunicação, os denunciados [da igreja] simulam empréstimos das empresas Investholding Limited e Cableinvest Limited”. A Cableinvest foi fundada por líderes da igreja, incluindo o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O senador se desligou da empresa em 1999, um ano após as transações terem sido detectadas. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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