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Honduras

11/12/2010

às 4:47

A outra mensagem da embaixada americana em Honduras que diz bem quem era Zelaya: bolivariano, maluco e mafioso! Chamem Celso Amorim!

Num dos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o embaixador americano em Honduras, Hugo Llorens, classifica de “golpe” a queda de Manuel Zelaya. Celso Amorim aproveitou para tirar uma casquinha - o Brasil é um país que fala grosso com Tegucigalpa!!! -, ironizando setores da imprensa (eu!) que negavam o golpe. E, de fato, não houve! Segundo o Megalonanico, Llorens deixava claro que o governo brasileiro se comportara bem na crise. Sei… Nota à margem: a mensagem do embaixador tem zero de novidade. A Casa Branca também chamou de golpista a deposição e pediu a reinstalação de Zelaya no poder. Não conseguiu e mudou de idéia.

Pois bem. Há outra mensagem da embaixada americana em Honduras, esta de 2008, também vazada pelo WikiLeaks. O antecessor de Llorens, Charles Ford, explica ao sucessor quem é Zelaya, que ainda estava no poder. Traduzo a reportagem do jornal espanhol El País, publicada nesta sexta. Vale a pena ler. Em nenhum momento a embaixada fala em depor o presidente, é claro. O diplomata trata, sim, das ligações de Zelaya com Chávez, mas sua preocupação central é outra: o vagabundo havia levado o crime organizado para dentro do governo.

Essa mensagem da embaixada americana, parece, Celso Amorim não vai comentar. Leiam o texto. Ford faz um relato fascinante. É pena não ter sido embaixador no Brasil. Eu adoraria ler a sua descrição do Babalorixá de Banânia.

*
Por Maite Rico

Caricatura de latifundiário. Adolescente rebelde. Errático em suas opiniões e comportamento. Desconfiado. Encantador nas conversas pessoais. Mas também sinistro. E corrupto. Um mês após deixar o cargo em Honduras, em abril de 2008, o embaixador dos EUA Charles Ford deixou por escrito suas impressões sobre o presidente Manuel Zelaya, que seria deposto e expulso do país em 28 de junho de 2009, episódio que virou de cabeça para baixo a política regional. Esse é o retrato severo e irônico que Ford faz de Zelaya para instruir seu sucessor no trato com a personagem, sugerindo que mantenha com ele uma conversação direta na “esperança de  de minimizar os danos à democracia e à economia hondurenhas”.

O relato, datado de 15 de maio de 2008, é classificado como secreto. Zelaya estava no poder havia dois anos e meio, eleito como representante do Partido Liberal. Até que se deu sua insólita reviravolta rumo a Hugo Chávez e ao eixo bolivariano, o que deixou intrigados seus correligionários e a comunidade internacional.

Ford é claro: “O objetivo principal de Zelaya é enriquecer a si mesmo e a família” e se exibir como um “mártir”, que “tenta fazer justiça social para os pobres”, mas é impedido por “poderosos interesses ocultos”.

O presidente evidencia características autoritárias. “Zelaya se dá bem com os militares e com a Igreja Católica, mas o incomoda a simples existência do Congresso, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal”, escreve Ford. Seus ataques à imprensa puseram em perigo vários jornalistas críticos de seu governo. Sua estratégia é ” a intimidação,  a perseguição”. O pior, porém, é que está “cada vez mais cercado por pessoas envolvidas com o crime organizado”.

Educado e charmoso
O embaixador demonstra ter conhecido bem Zelaya, que definiu como educado e encantador em seus freqüentes encontros, “disposto”, explica Ford, “a dizer o que ele supõe que eu queira ouvir num dado momento.” Seus argumentos, no entanto, mudam de um encontro para outro, seja para explicar suas relações com Hugo Chávez ou a nomeação do embaixador de Honduras na ONU. E isso confunde o embaixador dos EUA. “É como se ele não se lembrasse de nossa conversa de pouco antes”, escreve ele. “As opiniões de Zelaya mudam de um dia para outro, de uma hora para outra, dependendo de seu humor ou da pessoa com quem esteve por último”.

Exemplo de seu comportamento errático, diz Ford, é o seu relacionamento com os EUA. Apesar de sua retórica violenta, que o levou a qualificar a política de imigração norte-americana de “fascista”, mostrava-se disposto a se reunir com o presidente George W. Bush “a qualquer momento’. Zelaya, recorda o embaixador Ford, “não só permitiu a primeira visita de um navio de guerra dos EUA a Honduras em 22 anos, como fez um inflamado discurso no convés, exaltando as relações bilaterais.” Para, em seguida, expressar seu orgulho pelo papel desempenhado por Honduras “na captura e execução do intervencionista americano William Walker” (pirata e aventureiro do século 19, fuzilado em 1860).

Essa dicotomia deixa Ford perplexo: “Sempre desconfiado das intenções dos Estados Unidos, submeteu-se inexplicavelmente a um perfil psicológico em minha casa. Duas vezes”. A ambigüidade se reflete também em sua atuação no governo. Incentiva manifestações de rua contra políticas de seu próprio governo para resolver o conflito”. Isso serve “para ganhar aceitação popular”.

O crime organizado
“Mas há também o Zelaya sinistro, cercado por uns poucos conselheiros, ligados tanto à Venezuela e a Cuba como ao crime organizado “, afirma Ford. Isso o torna uma pessoa muito pouco confiável. “Sou incapaz de pôr Zelaya a par das ações dedicadas à segurança e à luta contra o narcotráfico por temer pôr em perigo a vida de funcionários americanos”.

O embaixador confirma, por outro lado, a imagem que Zelaya construiu de “filho de Orlancho” [sua terra natal], apegado à terra e a seu chapéu de cowboy. “Ao contrário da maioria dos presidentes hondurenhos, para Zelaya, uma viagem a uma grande cidade significa ir a Tegucigalpa, não a Miami ou a Nova Orleans.” “É um retorno a uma outra época na América Central, quase uma caricatura de caudilho, por seu estilo de liderança”. Fora de sua família, Zelaya não tem amigos porque maltrata as pessoas próximas. “Em um almoço, afirmou que não confiava em ninguém do seu governo”.

Ford se mostra pessimista com o futuro político de Honduras e as relações com os EUA. “Seu esforço para garantir imunidade a várias atividades do crime organizado perpetradas em sua administração o converterá numa ameaça ao estado de direito e à estabilidade institucional”. A recomendação que deixa o embaixador Ford é esta: “Você encontrará o espaço para trabalhar, mas devemos ser muito diretos com ele”. É preciso atraí-lo o máximo possível “para proteger nossos interesses vitais” e “minimizar os danos à democracia e à economia hondurenhas”.

Em junho de 2009, Zelaya foi deposto pelo Supremo Tribunal Federal, acusado de graves violações à Constituição - que pretendia reformar para se reeleger - e foi expulso de Tegucigalpa. A crise aberta pelo golpe terminou com as eleições presidenciais, que foram vencidas por Porfirio Lobo, do Partido Nacional, de oposição. Zelaya refugiou-se na República Dominicana e, na condição de ex-presidente, tem um assento no Parlamento Centro-Americano.

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2010

às 20:02

ABSURDO SEM FIM

(Leia primeiro o post abaixo)

Alguém está surpreso com o fato de Lula fazer pressão contra o governo de Honduras, tentando lhe impor uma agenda, como se aquele país não tivesse, além do Executivo, um Judiciário, um Congresso e um Ministério Público? Como aqui se disse tantas vezes, de todas as besteiras feitas pela diplomacia brasileira, Honduras foi a mais evidente, a que foi compreendida com maior clareza.

Lula, o grande amante da democracia, está esquentando os motores para se encontrar com Mahmoud Ahmadinejad — aquele, sim, um grande democrata, cuja eleição, como sabemos, esteve acima de qualquer suspeita. O grande amigo dos irmãos Castro, parceiro de Hugo Chávez e incentivador de Evo Morales não tem ainda certeza sobre a democracia em Honduras, que realizou eleições limpas e evitou, com a sua Constituição democraticamente votada e instituída, um golpe de estado bolivariano.

O presidente que se nega a reconhecer o governo de Honduras e que incita outros a fazerem o mesmo foi um dos grandes defensores do fim da resolução que impedia o retorno da tirania cubana à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Lula dá seqüência ao comportamento detestável de seu governo na crise hondurenha:
1 - negou-se a reconhecer que a deposição de Manuel Zelaya era constitucional;
2 - apoiou a iniciativa de Chávez, que invadiu o espaço aéreo hondurenho para tentar reinstalar Zelaya no poder na base do porrete;
3 - participou da conspirata que instalou Zelaya na embaixada brasileira, levando ao país o risco da guerra civil; só não aconteceu nada porque o chapeludo era odiado pela esmagadora maioria dos hondurenhos;
4: comandou a defesa de pesadas sanções àquele país miserável — no caso do Irã nuclear, diz aos quatro ventos que sanções só punem o povo;
5: negou-se a reconhecer o processo eleitoral;
6: nega-se a reconhecer o resultado das eleições.

Qual é a justificativa oficial? Não se pode, diz, endossar um governo que nasce de um golpe de estado. Todos sabemos que não houve golpe em Honduras. Mas digamos que tivesse havido: e endossar governos que nascem de golpes dados com o auxílio das urnas? Isso pode?

Além da questão propriamente ideológica, que hoje marca o Itamaraty, a perseguição ao governo hondurenho tem raízes na tola ambição do governo brasileiro de afrontar os Estados Unidos. A coisa é simples e tacanha assim: “Se Washington reconhece, então nós não reconhecemos”.

A eleição hondurenha não derramou uma gota de sangue e não custou uma vida. A do Irã mandou adversários de Ahmadinejad para a forca. O presidente do Irã merece o apreço de Lula; o de Honduras, ele trata como usurpador. Um governo nascido do voto é tratado como pária; a ditadura cubana, que se sustenta com a polícia política, é paparicada. É fato que ele atingiu o seu ápice quando comparou presos políticos a bandidos comuns. Mas a reiteração da estupidez não deixa de espantar.

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2010

às 19:33

LULA, ACREDITEM!, VAI PEDIR QUE GOVERNO DE HONDURAS CONTINUE NA GELADEIRA

Leiam este texto da agência de notícias Efe. Volto no post seguinte:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertará na cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul) a ser realizada nesta terça-feira, 4, em Buenos Aires, sobre o “perigo de precipitação indevida” na readmissão de Honduras à comunidade internacional, informaram nesta segunda fontes oficiais.

Lula “advertirá sobre o perigo de precipitação” sobre o reconhecimento do novo presidente hondurenho, Porfirio Lobo, pois “se poderia criar um precedente perigoso para eventuais e futuros regimes de exceção” na América Latina, disse em entrevista coletiva o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach.

Lobo, que assumiu o poder em janeiro, foi eleito presidente em eleições realizadas em novembro passado, após meses de crise política eclodida com a destituição em 28 de junho de 2009 do então presidente hondurenho Manuel Zelaya.

A preocupação do governo Lula é evitar que “se crie um precedente” de aceitação apressada de um governo originado por um “golpe de Estado”, disse Baumbach. Segundo ele, Lula deseja uma “verdadeira reconciliação nacional” em Honduras.

Na opinião do Brasil, “um passo importante seria o retorno (ao país) do ex-presidente Manuel Zelaya em perfeitas condições de segurança e com garantias de que seus direitos civis sejam respeitados”, apontou o porta-voz.

Baumbach assegurou também que, na cúpula da Unasul, Lula dará apoio à candidatura do ex-presidente argentino Néstor Kirchner para o cargo de secretário-geral do organismo.

Segundo ele, Lula está convencido de que neste momento estão “dadas as condições” para a escolha de um secretário-geral, o que deverá permitir avançar na “institucionalização” do organismo e dar um novo impulso à integração sul-americana.

Entre as prioridades da Unasul, que o secretário-geral deverá atender no imediato, Baumbach citou a consolidação do Conselho de Defesa Sul-Americano e do combate ao narcotráfico.

Lula chegará a Buenos Aires nesta segunda à noite. Na terça, o presidente seguirá o programa oficial da cúpula, e depois viajará para Montevidéu junto a seu colega uruguaio, José Mujica.

Os dois presidentes terão uma reunião de trabalho na capital uruguaia, onde discutirão diferentes assuntos bilaterais, como a possível participação de empresas brasileiras na construção de um porto de águas profundas no departamento uruguaio de Rocha (leste), sobre o Oceano Atlântico e na fronteira com o Brasil.

Lula voltará à Brasília na madrugada de quarta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2010

às 20:06

VIVA HONDURAS! O DIA EM QUE UM PEQUENO PAIS DERROTOU OS BANANAS

Ah, queridos, vamos nos divertir um pouco… mais? Então vamos. Leiam este despacho da agências de notícias Efe. Comento em seguida.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje querer retomar o “diálogo” com Honduras e defender a volta do país à OEA (Organização dos Estados Americanos). Ele pediu ainda que o presidente Porfírio “Pepe” Lobo, cuja eleição não foi reconhecida pelo Brasil, promova uma reconciliação nacional que inclua o retorno ao país de Manuel Zelaya, deposto em junho num golpe e exilado na República Dominicana, após meses de isolamento na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa.

Por meio do porta-voz Marcelo Baumbach, o presidente Lula disse estar “preocupado com o precedente aberto pela ruptura institucional [que representou o golpe que derrubou Zelaya em junho de 2009]“, mas “acha importante o retorno de Honduras à OEA” e a “retomada do diálogo” com o governo de Lobo.

Essa declaração é mais um indício de que o Brasil está disposto a rever a rígida postura que manteve com relação ao processo eleitoral que levou Lobo ao poder –e que foi realizada sob o regime interino instalado após a deposição de Zelaya. O hondurenho, que tomou posse em janeiro passado, ainda não foi reconhecido pelo governo Lula como presidente legítimo.

Essa nova posição coincide com a postura do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que defendeu o retorno de Honduras ao organismo, apesar da resistência de alguns países, como o próprio Brasil, que não reconhecem Lobo como governante.

Nesse sentido, o porta-voz de Lula insistiu em entrevista coletiva que o Brasil “não reconhece governos, mas Estados”, e lembrou que o Brasil “mantém uma embaixada” em Tegucigalpa, o que significa por si só algum grau de reconhecimento. “Seguimos com uma embaixada, mas o diálogo está interrompido”, e Lula “quer retomá-lo”, por considerar “importante e necessário no contexto da integração” da América Latina, disse Baumbach.

Segundo o porta-voz, Lula “não quer que perdure essa situação de ruptura do diálogo” e considera que a Cúpula do Grupo do Rio que será realizada na próxima semana no México pode ser uma “oportunidade” para afinar posições com os demais países latino-americanos. Esclareceu, no entanto, que Lula “não levará nenhuma proposta concreta”, mas “irá disposto a conversar com outros líderes latino-americanos”, porque acredita que desse encontro pode surgir “uma posição regional”.

Baumbach reiterou que, na opinião do Brasil, “devem ser tomadas algumas medidas internas, como a criação de uma Comissão da Verdade” e “o retorno de Manuel Zelaya ao país”, para que haja um “verdadeiro processo de reconciliação nacional” em Honduras. Ressaltou que os fatores não representam condições para retomar o diálogo com Honduras, mas ao menos um relaxamento da dura posição que o Brasil sustentou até agora.

Ontem (18), Lobo anunciou que retirará a denúncia da Carta Interamericana da OEA, assim como uma demanda apresentada contra o Brasil diante da Corte Internacional de Justiça de Haia. Uma e outra foram iniciativas do governo interino presidido por Roberto Micheletti e, no caso do Brasil, se referia à suposta violação de leis internacionais do governo Lula por acolher Zelaya na sede de sua embaixada em Honduras.

Baumbach admitiu hoje que o Brasil “foi lançado um pouco contra a sua vontade ao centro dessa crise”, quando Zelaya voltou em setembro de surpresa a Tegucigalpa após ter sido expulso do país pelos golpistas.

Zelaya chegou sem avisar à embaixada brasileira em 21 de setembro e permaneceu lá até 27 de janeiro deste ano, data em que Lobo assumiu a Presidência. Nesse mesmo dia, o ex-presidente saiu do país com destino à República Dominicana, cujo Governo o acolheu como “hóspede distinto”.

Comento
Posso optar só um pouquinho pela onomatopéia petralha? “Rá, rá, rá…KKKKKK, oinc, oinc, oinc…”

Eis a que nos conduziu a política externa de Celso Amorim, o Megalonanico, que, em companhia de Lula, agora joga o Brasil no colo do Irã… O Itamaraty, como diz um verso sublime de uma música hedionda de um certo estilo dito “sertanejo universitário”, “paga pau” para os estrategistas hondurenhos. A democracia de Honduras venceu; o  governo do Brasil perdeu. Roberto Micheletti deu um olé dos arrogantes do Bananão. A estréia de Lula como governante subimperialista foi um fiasco.

Mas vejam que Lula se atreve a sugerir uma Comissão da Verdade! É!? Por aqui, a dita-cuja só saiu do papel quando ficou claro que seria uma Comissão da Verdade de mentirinha. Lula teve de engolir o veto militar. E sabe disso muito bem. Veto justificado, diga-se: não porque militares devam se meter em política, mas porque Lula e os militares estão subordinados à lei. E a Lei da Anistia vale para todos e não contempla o revanchismo de caudatários e remanescentes do terrorismo.

Manuel Zelaya saiu de Honduras porque quis. Está anistiado. Saiu porque é um covarde e porque a esmagadora maioria dos hondurenhos o detesta. O governo interino de Micheletti tinha o apoio de mais de 70% da população. Com todo o mundo contra ele, Micheletti tinha um apoio parecido com o de Lula no Brasil — com todo o mundo a favor dele.

Não é verdade que o Brasil foi lançado sem querer na crise. A volta de Zelaya foi uma tramóia urdida pelos governos da Venezuela, do Brasil, de El Salvador e da Nicarágua. José Miguel Insulza, que agora defende a conciliação tentando se reeleger  secretário-geral da OEA, previu guerra civil — na verdade, ameaçou com ela e a estimulou. Um certo Ruy Casaes, representante do Brasil na OEA, disse e fez a mesma coisa. Provei aqui que este senhor nem sequer havia lido a Constituição de Honduras. Agora todos tentam uma saída honrosa.

Lula deixou claro no Estadão: “A Venezuela é uma democracia”. Fica um tanto difícil provar que Honduras é uma ditadura, não é mesmo?

Roberto Micheletti para secretário-geral da OEA!!!
Rá, rá, rá, KKKKKK, hehehehehe.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2010

às 6:09

LULA E CELSO AMORIM APOSTARAM CONTRA A DEMOCRACIA. E PERDERAM DE MODO MISERÁVEL! FELIZMENTE!

A posse de Porfirio Lobo Sosa, novo presidente de Honduras, encerra uma crise de sete meses, que teve início com a deposição CONSTITUCIONAL de Manuel Zelaya, no dia 28 de junho do ano passado. Permitam-me uma pontinha de orgulho. No dia em que o Congresso Internacional da Impostura decidiu chamar aquele ato de golpe, eu decidi ler a Constituição do país — sim, mesmo Honduras, tratada como uma espécie de quintal da “Nova Ordem de Esquerda” da América Latina, tinha uma Constituição democraticamente instituída. A despeito dos fatos e da clareza com que o texto indicava que Zelaya, ele sim, tentara o golpe, esta tal “nova ordem” seguiu o grito de guerra de Hugo Chávez: restituição de Zelaya já!

Hesitantes a princípio, severos em seguida, os EUA engrossaram o coro, congelando fundos de assistência e cancelando o visto de hondurenhos comprometidos com o “golpe”. Poucos países sofreram cerco semelhante. E atenção: nenhuma democracia passou por algo parecido. Porque, por incrível que pareça — e, hoje, vista a coisa a uma certa distância, o absurdo não faz senão crescer —, Honduras seguiu sendo uma democracia: o calendário eleitoral foi mantido, não se votou uma só lei de exceção, os Poderes Constituídos mantiveram a sua autonomia e as suas prerrogativas, não houve cassações, não se fizeram prisões políticas.

Não obstante, tentava-se classificar a deposição de Zelaya como um golpe “tipicamente latino-americano”, o que era uma piada, arte da mais pura pilantragem intelectual. Hugo Chávez decidiu patrocinar pessoalmente a volta do golpista deposto, invadindo o espaço aéreo hondurenho. Falhou. Com o auxílio de Brasil, Nicarágua e El Salvador, conseguiu finalmente instalar o bigodudo delinqüente na embaixada brasileira.

Na coleção de absurdos, o Brasil ganhou lugar de destaque. Lula e Celso Amorim, senhores, apostaram na guerra civil hondurenha! Passada a era da mistificação, isso restará indelével em suas respectivas. O Megalonanico hiperativo, em entrevista recente ao Estadão, teve a cara-de-pau de afirmar que a presença de Zelaya na representação brasileira impediu a explosão de violência. Mentira tosca! A esmagadora maioria dos hondurenhos não queria o candidato a ditador. A verdade, como sempre, está no avesso do que diz Amorim: o risco de violência surgiu com a presença Chapeludo maluco no país.

O tempo foi-se encarregando de revelar o que estava em curso. Parte da imprensa, daqui e do mundo, decidiu fazer o que nós, caros leitores, fizemos desde o primeiro dia: ler a Constituição de Honduras. Quando Daniel Ortega, outro apoiador de primeira hora de Zelaya, deu um golpe na Constituição da Nicarágua e fez a Corte Suprema declarar sem efeito parte do texto para, também ele, tentar se eternizar no poder, a ficha de Washington caiu. Os republicanos botaram o dedo na ferida: Obama e Hillary Clinton comportavam-se como caudatários do chavismo.

A posse de Porfírio Lobo, em eleições ainda não-reconhecidas pelo Brasil — os hondurenhos não estão nem aí para o que pensa Lula —, humilha a diplomacia brasileira e seus aloprados e também expõe o ridículo a que está submetida a OEA sob o comando de José Miguel Insulza, que previa — talvez torcesse por isso — um banho de sangue se Zelaya não fosse reconduzido ao poder.

O que se viu, na verdade, foi uma espécie de conspiração de idiotas e esquerdistas pilantras contra a democracia. Durante meses se repetiu o mantra de que não se pode depor um presidente eleito. Não? Se ele desrespeitar a Constituição, não é uma questão de poder, mas de dever. E cada país tem as suas regras para fazê-lo. No Brasil, é preciso um processo de impeachment. Em Honduras, a depender do crime, a deposição é automática, ouvidos, como foram, o Congresso e a Corte Suprema.

Sete meses depois de Hugo Chávez ter patrocinado a tentativa de golpe em Honduras — de pronto rechaçada pelo Congresso, pela Justiça, pelo Ministério Público, pelas Forças Armadas e pela maioria do povo —, quem já deu início à trilha que o levará à desgraça e à liberdade dos venezuelanos é Hugo Chávez. Seu governo está se esfarelando. Cada vez mais, ele depende do apoio dos militares para governar.  E isso, sim, remete ao pior passado da América Latina.

Neste blog, como sabem, escrevi muitas vezes: a derrota de Manuel Zelaya em Honduras é o começo do fim do chavismo. O país, com todas as dificuldades, segue, felizmente (e contra a vontade de Lula e de Amorim) na trilha da democracia. Chávez, o patrocinador de golpes, está cada vez mais perto de ser pendurado pelos pés em praça pública.

A democracia ainda assistirá a esta vitória. Anotem aí.

Para não perder a viagem
A vitória da democracia em Honduras também derrotou boa parte da imprensa brasileira. Uma derrota intelectual e profissional. Há honrosas exceções que não caíram no conto bolivariano — VEJA, felizmente, entre elas. Não se esperava dessa gente muita coisa: apenas a leitura da Constituição daquele país e o reconhecimento de que a Carta daqui não pode ser aplicada lá. Houve até uma tonta que achou um absurdo que não houvesse um processo de impeachment para depor Zelaya… Pois é, estivesse o impeachment previsto nas leis daquele país, talvez fosse mesmo…

O Itamaraty de Celso Amorim costuma usar os jornais brasileiros como passarela de seus delírios de onipotência. O Megalonanico chega ao requinte de ter uma colunista que funciona como sua porta-voz. Esta senhora teve a ousadia (!?)  de escrever, certa feita, que o Brasil havia combinado com a Casa Branca a visita de Ahmadinejad ao país. No dia seguinte, o mundo ficou sabendo que Obama enviara uma carta  às autoridades brasileiras esculhambando a… visita de Ahmadinejad!!!

A situação de certa imprensa é terminal. Ou muda ou morre.

Por Reinaldo Azevedo

27/01/2010

às 22:05

NOVO PRESIDENTE DE HONDURAS ASSUME. DEMOCRACIA DO PAÍS SAI FORTALECIDA. LULA E AMORIM PERDEM

Porfirio Lobo Sosa assumiu a presidência de Honduras. Estamos falando sobre um pequeno país centro-americano, mas, sem dúvida, de um grande evento. Escreverei mais longamente a respeito na madrugada. Sinto-me, se querem saber, pessoalmente recompensado — não, a melhor expressão é “intelectualmente recompensado”. A canalha mistificadora foi derrotada em Honduras, no Brasil e em boa parte do mundo.

Hoje, como notam, o principal patrocinador do golpe que Manuel Zelaya tentou desferir é quem está em palpos de aranha. Em sete meses, Hugo Chávez passou de “exportador da revolução bolivariana” à condição de alguém que vê seu próprio governo se desintegrar. Honduras, ao contrário, vê sua democracia fortalecida.

A posse de Porfirio representa uma derrota do governo Lula e de sua diplomacia aloprada. Abaixo, outro texto do El Heraldo.

*
“Son cuatro años. Ni un día más, ni un día menos”

Porfirio Lobo Sosa asumió hoy como el treintagésimo Presidente Constitucional de la historia de Honduras con la promesa de que no estará en el poder “ni un día más, ni un día menos”.

La banda presidencial le fue impuesta a Lobo Sosa por el presidente del Congreso Nacional, Juan Orlando Hernández, quien se encontraba en el coloso capitalino desde tempranas horas junto a los 128 diputados de ese poder del Estado.

El público que presenció su asunción en el estadio nacional Tiburcio Carías Andino aplaudió su discurso donde plasmó los 15 temas más relevantes de su gobierno, entre ellos el de la unidad nacional, para el período 2010-2014.

Pero no perdonó a quienes le dieron la espalda a Honduras en medio de la peor crisis política de la historia reciente.

Con abucheos, los asistentes al coloso deportivo reaccionaron cuando “Pepe” Lobo agradeció el interés de la Organización de Estados Americanos (OEA) a la tensión política del país. Y el rechazo no fue menos para el embajador de Estados Unidos Hugo Llorens, a quien “Pepe”mencionó por su papel para buscar una solución.

“Seguiremos adelante con el acuerdo San José-Tegucigalpa e instalaremos cuanto antes la Comisión de la Verdad”, prometió el mandatario durante su discurso.

Su primera gestión como Presidente Constitucional de Honduras fue la sanción del decreto del Plan de Nación, una de sus propuestas de campaña, y de la amnistía, aprobado anoche por el Congreso Nacional.

“Debido a la crisis política Honduras ha dejado de recibir más de 2 mil millones de dólares en ayuda exterior”, dijo el presidente electo.

“Recibimos el país en la más difícil situación económica”, reconoció ante los centenares de hondureños que llegaron al Tiburcio Carías Andiono.

“Combatiré la corrupción en todos los niveles, desde el puesto más sencillo hasta el más alto”, dijo el presidente. Esta promesa, que fue uno de sus lemas de campaña, arrancó aplausos entre los presentes.

Numerosas delegaciones nacionales e internacionales, a cuyos miembros se les brindaron los honores de ordenanzas de parte de las Fuerzas Armadas, asistieron a la asunción de “Pepe” Lobo.

El presidente entrante buscará la reconciliación nacional e internacional, tras los acontecimientos del 28 de junio.

Por Reinaldo Azevedo

12/01/2010

às 4:47

Mas o que acontece em Honduras? Nada.

Afinal, o que está acontecendo em Honduras? Nada! Acho que se trata apenas de mais uma evidência de que o país não é uma ditadura. Como se sabe, o Ministério Público acusou seis chefes militares de abuso de autoridade e expatriação ilegal quando retiraram Manuel Zelaya do país. Jorge Alberto Rivera, presidente da Corte Suprema, acolheu a acusação feita pelo Ministério Público.

Como aqui se disse, sei lá, umas 500 vezes, a deposição do chapeludo foi legal e constitucional. Mas foi retirado do país sem amparo legal. Embora, de verdade, os militares tenham atendido a um apelo do maluquete, a decisão foi um erro grosseiro, e os dois lados se fecham num pacto de silêncio útil: Zelaya não conta que pediu para sair porque pegaria mal para a sua biografia de “resistente”; e os militares não contam que concordaram porque seria assinar um atestado de estupidez.

De todo modo, o que, de fato, está em curso é outra coisa. Pepe Lobo, o presidente eleito, assume no dia próximo dia 27. E já anunciou que pretende se empenhar em favor de uma anistia “para os dois lados”: tanto para Zelaya, que cometeu uma penca de crimes, como para aqueles que o “retiraram” do país. É bom lembrar que Congresso, Ministério Público e Corte Suprema endossaram a deposição do Chapeludo e a consideraram constitucional.  Nesta terça, o Congresso começa a debater a anistia ampla, geral e irrestrita…

Assim, os petralhentos que estão me cobrando na linha “vamos ver o que você diz agora” deveriam ler o noticiário. A ação proposta contra os militares nada tem a ver com a deposição constitucional de Zelaya, mas com o que, de fato, houve de ilegal na ação — e sempre afirmei que retirá-lo do país, com ou sem o seu consentimento, foi uma tolice. Seria muito bom se os militares contassem o que de fato se deu, mesmo admitindo que foram feitos de bobos quando aceitaram levar Zelaya para a Costa Rica.

Os esquerdopatas podem voltar a ficar desanimados em relação a Honduras. A ação contra os militares proposta e aceita só reforça o atual status da política hondurenha. Aliás, o próprio Zelaya reconheceu isso. Afinal, o cara pode ser meio louco, mas não é inteiramente burro. Nesse caso, os burros ficaram no Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2009

às 21:29

AMORIM FAZ DUMPING DE PIADA

Publiquei hoje um texto de Agamenon Mendes Pedreira, aquele que provocou a ira da embaixada do Irã. O Irã é aquele país em que piada se conta a bala, como sabemos. Lula é um dos que riem a valer. Adiante. Agamenon sofre concorrência desleal:  de Celso Amorim. O Megalonanico faz dumping de piada. Premiou hoje o mundo com uma análise realmente única. Referindo-se a Honduras, afirmou:

“Deve ser uma frustração muito grande, acho eu, para os Estados Unidos, cuja diplomacia se envolveu até muito mais que a nossa. Essa frustração advém do fato de você ter sido excessivamente tolerante com um governo golpista”.

A que ele está se referindo? Vamos ver.

Manuel Zelaya, o Maluco de Tegucigalpa, queria deixar a embaixada para viajar ao México. Mas deixou claro, numa entrevista, que exigia sair de Honduras na qualidade, calculem, de presidente da República!!! O governo interino, obviamente, não aceitou. E a razão é simples: Zelaya não é mais presidente do país. Foi LEGALMENTE DESTITUÍDO, como sabem o Congresso, a Corte Suprema, o Ministério Público, as Forças Armadas e, acima de todos eles, o povo. Amorim acredita que o governo interino está sendo intransigente.

Zelaya, mentiroso compulsivo, diz que Micheletti exigiu sua renúncia. Que renúncia? Renúncia a quê? Exigiu, isto sim, que ele deixasse claro que estava pedindo asilo ao México, o que o Bigodudo não fez. Agora, o México diz que não pode mais, digamos, participar do processo.

Como Amorim é absolutamente imodesto em matéria de ridículo, continuou:
“É uma intransigência. Não é assim que se faz democracia e política, mas querer ensinar diplomacia e política a golpistas é muito difícil”. Como se nota, o governo Lula agora quer ser professor de democracia. E Amorim prosseguiu: “O próprio governo do México deve ter ficado surpreso. Um governo que não tem legitimidade age sempre de maneira ilegítima”.

Por que este gigante está tão nervoso? Porque sobrou com o mico na mão. Na embaixada, Zelaya falou à imprensa:
“Eu posso ficar aqui [na embaixada] por dez anos; aqui tenho o meu violão”.

Bem-feito para Amorim! Dedico a ele mais um dos adesivos que serão distribuídos no lançamento de Máximas de Um País Mínimo.

adesivo-2

Por Reinaldo Azevedo

10/12/2009

às 5:33

NEM ZELAYA SUPORTA MAIS ZELAYA!

Manuel Zelaya segue firme em sua pantomima.

Ontem, a imprensa hondurenha noticiou que ele está negociando com o governo de Roberto Micheletti um salvo-conduto para viajar ao México. No fim da noite, Carlos López Contreras, chanceler de Honduras, afirmou que a solicitação enviada por aquele país tinha algumas impropriedades e, por isso, não pôde ser atendida. Mas se dá como certa a sua saída da embaixada do Brasil.

Assim que soube que a notícia havia vazado, o Bigodudo Louco de Tegucigalpa concedeu uma entrevista indignado: “Não estou pedindo asilo a nenhum país do mundo. O que deixamos claro é que, no caso de uma eventual saída de Honduras, teria de ser na qualidade de presidente dos hondurenhos”.

Ô!!! Nem diga! Vigarista como é, quando você ler este post, talvez ele já tenha se pirulitado, dado no pé, corrido…

A comédia acabou. Ninguém mais dá bola pra ele. Restaram sozinhos Zelaya e Celso Amorim, o Megalonanico. Quem disse que a gente sempre perde, leitor? Em Honduras, nós ganhamos! “Mas vai perder no Brasil”, responde o petralha enfezado, sem tecla SAP.

“Passa! Já pra casinha!”

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2009

às 18:36

A HONDURAS, A HONRA! AO BRASIL, A VERGONHA!

É tal a avalanche de coisas, que ainda não comentei a decisão do Congresso de Honduras. Por 111 votos (!!!) a 14 (!!!), os parlamentares rejeitaram o retorno de Manuel Zelaya à Presidência do país. O fato torna ainda mais ridícula a “exigência” (???) do governo brasileiro de que o ex-presidente retorne ao cargo. E por quê?

Porque a votação segue rigorosamente os pressupostos do Acordo de San José-Tegucigalpa, firmado entre os representantes do governo interino e os de Zelaya. Basta ler o texto para constatar que, em nenhum momento, ele condicionava a realização das eleições — ou sua legitimidade — à reinstalação do ex-presidente no poder.

Inicialmente, diga-se, o grupo de Roberto Micheletti queria atribuir à Corte Suprema a decisão sobre a volta de Zelaya; foi o ex-mandatário que exigiu que a palavra final fosse do Congresso. E assim se deu, com o resultado conhecido. E agora?

Mais: a Corte Suprema reafirmou os crimes cometidos por Zelaya e  sustentou que a ordem de prisão contra ele continua ativa. O Ministério Público também declarou a ilegalidade do retorno. A população, tampouco, exige a volta do maluco — e basta olhar para o resultado das eleições para constatá-lo.

Fim de papo! Os golpistas perderam! A dita “exigência” brasileira é uma piada e uma exorbitância. Está amparada em que acordo, em que princípio, em que documento? O fato é que o Brasil restou com um golpista na mão — ou na embaixada.

O golpista perdeu!
O chavismo perdeu!
O governo brasileiro perdeu!

A democracia ganhou! Resta àqueles países que condicionaram o reconhecimento das eleições em Honduras ao cumprimento do acordo San José-Tegucigalpa que agora as reconheçam. Ele foi plenamente cumprido.

Os fatos, e só eles, provam que Honduras foi vítima de uma pressão — mundial! — inaceitável, descabida. O mundo, por um tempo, foi caudatário da gritaria chavista. Demorou, mas o governo americano acordou!

Que Honduras siga o seu caminho, dentro do regime democrático. E que o Brasil arque com mais esta vergonha!

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2009

às 15:51

E o granma.cu não gostou das eleições - a exemplo de certa imprensa no Brasil

Vejam o que informa a agência EFE. Comento em seguida:

A imprensa oficial cubana fez fortes críticas às eleições realizadas no domingo em Honduras, qualificando o processo de “farsa ilegítima”. “Recorde de abstencionismo e repressão brutal caracterizam a farsa eleitoral de Honduras”, disse o jornal “Granma”, porta-voz do governante Partido Comunista.

“Alto índice de abstenção, falta de legitimidade e transparência, e a brutal repressão do Exército e da Polícia contra a população caracterizaram a farsa eleitoral deste domingo convocada em Honduras pelo regime usurpador de Roberto Micheletti”, disse a publicação.

Já a “Trabalhadores”, da central sindical única da ilha, teve como destaque “Honduras: militarização e abstenção marcam pleito”. “Até agora só países como Estados Unidos, Colômbia, Panamá e Costa Rica expressaram de uma forma ou outra aceitar o resultado das eleições”.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, que participa da 19ª edição da Cúpula Ibero-Americana, na cidade portuguesa de Estoril, pediu um pronunciamento de rejeição às eleições em Honduras e alertou da ameaça da doutrina militar americana para a América Latina, informou a agência estatal “Prensa Latina”. EFE.

Comento
O Granma é aquele jornal que os cubanos usam como substituto do papel higiênico — artigo de luxo na ilha. O único lugar de Cuba em que a parte terminal do aparelho digestivo recebe um tratamento à altura do grau de desenvolvimento a que chegou a civilização humana é em Guantánamo, a parte da ilha em que os “moradores” conhecem seus direitos e deveres. E em que há comida farta também. Se vocês querem ler toda a mensagem, já sabem: o endereço eletrônico é
www.granma.cu.

Compreendo que Cuba critique supostos desmandos em eleições. Afinal, eles não sabem por lá o que isso significa porque baniram essa formalidade besta das democracias. Mas o espírito www.granma.cu está presente também na imprensa brasileira. Alguns dos nossos articulistas e editorialistas estão inconformados.  Vêem uma grande ameaça no horizonte. Entendo. A se darem as cosas como se deram em Honduras, o que será do chavismo, não é mesmo?

Encerro com uma frase da página 81 de “Máximas de Um País Mínimo”:

“Não se pode mais aceitar um golpe com tanques, como no passado. Não se pode aceitar um golpe com urnas, como no presente”.

Aí o petralha se assanha, fingindo-se de bípede: “Você está falando do golpe de ontem?” Não! Estou me referindo ao golpe tentado pelo ex-presidente — é o que ele é — Manuel Zelaya.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2009

às 6:09

BRINDEMOS HONDURAS, O PAÍS QUE VENCEU CHÁVEZ E TIPOS COMO AMORIM, GARCIA E INSULZA

honduras-pepe-loboCinco meses sob uma pressão que ouso dizer inédita em tempos modernos, e Honduras deu a volta por cima e realizou eleições limpas e transparentes, endossadas por centenas de observadores internacionais. A democracia vence no país, apesar do governo brasileiro — que hoje lidera, com mais estridência do que Hugo Chávez, os protestos delinqüentes contra a vontade inequívoca das urnas e das instituições. “Manuel Zelaya também foi eleito!”, grita o petralha, ousando tirar do chão os membros dianteiros. Mas tentou fraudar a Constituição, a exemplo do que fazem os bolivarianos e amigos. E foi posto pra fora. Honduras recusou o chavismo. Que as instituições fiquem atentas porque a canalha não vai sossegar.

Até quando escrevo este post, com mais de 60% dos votos apurados, Porfírio Lobo (foto) , do Partido Nacional, liderava com 55,9% dos votos; já é o virtual presidente eleito. As eleições transcorreram numa clima de calma. Em San Pedro Sula, cerca de mil zelaystas entraram em confronto com a polícia, o que não altera o clima geral da eleição. Para quem prometia guerra civil…

Sim, leitores, cinco meses durou uma farsa de dimensões verdadeiramente planetárias contra aquele pequeno país. Vocês conheceram cada passo dessa história, nos mais de 130 posts deste escriba a respeito. Nem as nações mais delinqüentes da Terra — cujos governos financiam o terrorismo, matam por empresa, esfolam os adversários, calam a Justiça, fecham o Congresso, ameaçam outros países — foram alvo da pressão que se abateu sobre Honduras. E tudo assentado numa mentira básica, essencial, escandalosa, que procurava negar que a deposição de Zelaya tivesse sido constitucional, legal, democrática. Já está provado hoje, evidenciado pela ONG Human Rights Foundation, que a Organização dos Estados Americanos, presidida por José Miguel Insulza, era uma espécie de co-patrocinadora do golpe que Zelaya pretendia dar no país.

Mas Honduras venceu, realizando eleições limpas e respeitando a Constituição, o exato oposto do que fazem vândalos da democracia como Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Honduras venceu e expôs de modo dramático, vexatório, escancarado, a ruindade da diplomacia brasileira e a vigarice de sua política externa. Nas várias declarações que deram a respeito, autoridades do Brasil trataram Honduras como um não-país, como um quintal de suas ambições ridiculamente subimperialistas. E agora o megalonanico Celso Amorim resta com um Manuel Zelaya na mão e palavras indecorosas voando por aí. Não custa lembrar que o tal Ruy Casaes, embaixador do Brasil no OEA, chamou o presidente legal de Honduras de “palhaço” — termo que, na diplomacia, não se dispensa nem a inimigos.

O emblema da bufonaria brasileira foi receber um bandido internacional como Ahmadinejad, que tem um ministro diretamente envolvido com um atentado terrorista ocorrido na vizinha Argentina, enquanto atacava a solução democrática encaminhada em Honduras. Isso diz muito dessa gente que está no poder e deixa claro com quem estamos lidando.

As Fadas Sininho de Lula, devidamente pautadas pelo jornalismo franklinstein, agora antevêem uma lenta mudança de posição do Brasil e são capazes de escrever que o Brasil perdeu, sim, mas teria sido uma perda que depõe a seu favor, que honra seu apego à democracia. Não é o caso mesmo de esperar pudor dessa gente — por que o teriam agora? Não! O governo brasileiro perdeu porque a democracia ganhou. O governo brasileiro perdeu porque se alinhou com um notório golpista, que agia contra a Constituição, e os democratas venceram. Não há matizes nem lado positivo na opção feita pelo Itamaraty. A escolha, como Ruy Casaes deixou claro numa entrevista, era mesmo de natureza ideológica.

Zelaya, segundo a imprensa hondurenha, pode pedir asilo na Nicarágua. Talvez se junte a outro golpista, o orelhudo Daniel Ortega, e tente, de lá, desestabilizar a democracia de Honduras. Chávez também não vai se conformar. E cumpre ficar atento ao comportamento do Brasil. Na surdina, como vimos, o país se meteu na conspirata que instalou o maluco Manuel Zelaya na embaixada. Não tenham qualquer receio de esperar o pior de Amorim e seus aloprados.

Por enquanto, façamos um brinde simbólico à democracia. Honduras venceu Hugo Chávez e a diplomacia megalonanica. E, por que não?, brindo também a saúde mental e moral deste blog — o inmcluo vocês, os leitores, nesta sanidade. Folgo em saber que jamais, mesmo quando tudo parecia perdido, abstivemo-nos de dizer a coisa certa.

Um brinde também a nós, bravos! Sozinhos, sim, por um longo tempo. Mas convenham, dada a realidade de então, quem precisava de companhia?

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2009

às 6:07

HONDURAS E A BARRIGA MORAL DE GRANDE PARTE DA IMPRENSA

Poderia me abster do comentário abaixo para que não me achem antipático, mas aí eu não seria eu. As editorias de Internacional da imprensa brasileira, com raras exceções, também saíram intelectualmente derrotadas com as eleições limpas em Honduras.

Demoraram um mês para fazer o que fizemos no primeiro dia: ler a Constituição democrática do país. Quando decidiram fazê-lo, consideraram que era tarde para mudar de idéia. Alguns mal conseguem disfarçar a contrariedade na TV ou em veículos impressos. Outros tentam magnificar protestos irrelevantes.

Sabem o que isso significa? Que, na média, o jornalismo brasileiro, mesmo assediado pelos autoritários locais — vem por aí a tal conferência fascistóide de comunicação —, ainda não aprendeu a ter a democracia como valor inegociável. Ainda lhe falta radares para dizer: “Assim não pode porque é contra a lei. E pronto!”

E, é óbvio, sempre houve os que estavam torcendo para o bandido.

Quando a imprensa comete um grande erro, diz-se que  deu uma “barriga”. A brasileira  (e boa parte do jornalismo ocidental) deu uma enorme BARRIGA MORAL E DEMOCRÁTCA e evidenciou que está despreparada para resistir ao assédio bolivariano às instituições.

Se não tomar cuidado, ainda acaba como despachante da Secretaria de Comunicação, que  já tem seus setoristas nas redações.

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2009

às 6:05

DIRETO DE TEGUCIGALPA: DEZ COISAS QUE SEI SOBRE A REALIDADE POLÍTICA DO PAÍS

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e um dos mais de 300 observadores estrangeiros que acompanharam a eleição em Honduras neste domingo - o único brasileiro. Abaixo, ele conta o que viu e ouviu em Honduras quando esteve lá em setembro e agora.
*
Estive em Honduras no fim de setembro chefiando uma missão parlamentar da Câmara dos Deputados. Naquela oportunidade, encontrei-me com toda a cúpula política do país - Corte Superior de Justiça, presidente, mesa diretora e líderes da Assembléia Nacional, Comissão Nacional de Direitos Humanos, presidente da República e presidente deposto, além de diplomatas, sociedade civil e jornalistas. Agora, estou de volta à capital hondurenha, Tegucigalpa, como observador internacional do processo eleitoral, o único do Brasil.

Acho que aprendi algo sobre o que se passou e se passa aqui e me chama atenção a repetição, como um mantra, de erros grosseiros, factuais ou de interpretação, sobre a crise  em que foi mergulhado esse país. Resolvi então selecionar os dez mais comuns e contestá-los no intuito de desfazer equívocos e informar corretamente.

01.  EM HONDURAS OCORREU UM GOLPE
Se, por um golpe, tomamos algo que se dá contra a Constituição de um país ou à margem dela, certamente não. A deposição do Presidente Zelaya  e a posse do presidente Roberto Micheletti se dão de acordo com a Carta hondurenha. Todas as instâncias legais foram observadas, e todas as instituições - Corte Suprema, Procuradoria Geral, Advocacia da União e Congresso - se manifestaram como manda o rito constitucional. E, em todas elas, o sr. Zelaya foi condenado jurídica e politicamente.

02.  MICHELETTI É UM PRESIDENTE DE FACTO E GOLPISTA
O Sr. Micheletti é o presidente constitucional de Honduras e não de fato ou interino. Ele chegou  à  Presidência por comando claro da Constituição, dado que era o sucessor legal e que o vice se afastara para concorrer às eleições. Ele deverá passar o cargo ao seu sucessor no prazo previsto,  27 de janeiro de 2010. Golpista nenhum torna-se presidente e deixa de sê-lo de acordo com o que manda a Constituição.

03.  O PRESIDENTE ZELAYA NÃO TEVE DIREITO DE DEFESA
Sigamos a cronologia dos fatos. Em fevereiro de 2009, o Sr. Zelaya torna pública a sua intenção de realizar um plebiscito, o que feria a letra da Constituição. Em abril, a  Fiscalia de la Republica (Procuradoria Geral) lhe manda uma primeira carta alertando-o para a flagrante inconstitucionalidade de tal ato. Zelaya desdenha. Ainda em abril, uma segunda carta pública lhe é enviada pela Fiscalia com o mesmo resultado, pois o presidente, também publicamente, reitera suas intenções. Então, a Fiscalia oficia, em maio, para que se pronuncie o Advogado Geral do Estado, e este o faz reforçando a tese da inconstitucionalidade. Nesse momento, a Fiscalia requer  à Justiça de primeira instância que instaure processo, do qual resulta a  condenação de Zelaya, que recorre ao Tribunal de Apelação, que igualmente o condena, com novo recurso à Corte Superior de Justiça - com o mesmo resultado dos anteriores. É então que, no dia 23 de março, o presidente Zelaya publica um decreto convocando uma Constituinte, o que colide frontalmente com um outro artigo da Carta.

Entra em cena o Congresso Nacional, que usando de suas prerrogativas, julga a conduta do presidente e, por 123 votos a 5, inclusa a maioria do seu partido, decide afastar o presidente Zelaya. Duplamente julgado e condenado, tendo tido amplo direito de defesa, ele é afastado, tem os seus direitos políticos cassados e sua prisão decretada pelo presidente da Corte Superior de Justiça no dia 28 de junho. Onde, portanto a ausência de contraditório e o amplo direito de defesa?

04.  ZELAYA É UM HOMEM DE ESQUERDA E POPULAR
Nada, na biografia e trajetória do presidente deposto, autoriza essa constatação. Filho de um rico fazendeiro (envolvido em uma chacina de camponeses), eleito pelo Partido Liberal, de direita, privatista e antiestatista, o Sr. Zelaya se elegeu com um programa pró-mercado e de reformas. No poder, cai nas graças de Hugo Chávez, ingressa na ALBA, a Alternativa Bolivariana Para as Américas , assumindo posturas e projetos populistas e assistencialistas. Por essa “conversão”(?!), torna-se um ídolo para uma certa esquerda de pouco tino e senso histórico.

05.  ZELAYA NÃO VOLTOU AO PODER POR CONTA DA DITADURA GOLPISTA
Nada mais falso. Em primeiro lugar, todas as instituições hondurenhas estão abertas e funcionando normalmente, o que, convenhamos, é esquisitíssimo em se tratando de um golpe de Estado. Em segundo, contando com o esmagador apoio de toda a comunidade internacional, da OEA  e a ONU, e se dizendo popular e com o apoio dos hondurenhos, por que “Mel” não retorna ao poder? Por dois motivos: a totalidade das instituições de Honduras está definitivamente contra ele, e a maioria do seu povo, também. Tivesse esse último a seu favor, manifestações de massa - inexistentes - e uma greve geral, mais o apoio externo, teriam derrubado o atual governo.
Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

30/11/2009

às 4:13

DE VOLTA A HONDURAS: DEZ COISAS QUE SEI SOBRE A REALIDADE POLÍTICA DO PAÍS

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e um dos mais de 300 observadores estrangeiros que acompanharam a eleição em Honduras neste domingo - o único brasileiro. Abaixo, ele conta o que viu e ouviu em Honduras quando esteve lá em setembro e agora.
*
Estive em Honduras no fim de setembro chefiando uma missão parlamentar da Câmara dos Deputados. Naquela oportunidade, encontrei-me com toda a cúpula política do país - Corte Superior de Justiça, presidente, mesa diretora e líderes da Assembléia Nacional, Comissão Nacional de Direitos Humanos, presidente da República e presidente deposto, além de diplomatas, sociedade civil e jornalistas. Agora, estou de volta à capital hondurenha, Tegucigalpa, como observador internacional do processo eleitoral, o único do Brasil.

Acho que aprendi algo sobre o que se passou e se passa aqui e me chama atenção a repetição, como um mantra, de erros grosseiros, factuais ou de interpretação, sobre a crise  em que foi mergulhado esse país. Resolvi então selecionar os dez mais comuns e contestá-los no intuito de desfazer equívocos e informar corretamente.

01.  EM HONDURAS OCORREU UM GOLPE
Se, por um golpe, tomamos algo que se dá contra a Constituição de um país ou à margem dela, certamente não. A deposição do Presidente Zelaya  e a posse do presidente Roberto Micheletti se dão de acordo com a Carta hondurenha. Todas as instâncias legais foram observadas, e todas as instituições - Corte Suprema, Procuradoria Geral, Advocacia da União e Congresso - se manifestaram como manda o rito constitucional. E, em todas elas, o sr. Zelaya foi condenado jurídica e politicamente.

02.  MICHELETTI É UM PRESIDENTE DE FACTO E GOLPISTA
O Sr. Micheletti é o presidente constitucional de Honduras e não de fato ou interino. Ele chegou  à  Presidência por comando claro da Constituição, dado que era o sucessor legal e que o vice se afastara para concorrer às eleições. Ele deverá passar o cargo ao seu sucessor no prazo previsto,  27 de janeiro de 2010. Golpista nenhum torna-se presidente e deixa de sê-lo de acordo com o que manda a Constituição.

03.  O PRESIDENTE ZELAYA NÃO TEVE DIREITO DE DEFESA
Sigamos a cronologia dos fatos. Em fevereiro de 2009, o Sr. Zelaya torna pública a sua intenção de realizar um plebiscito, o que feria a letra da Constituição. Em abril, a  Fiscalia de la Republica (Procuradoria Geral) lhe manda uma primeira carta alertando-o para a flagrante inconstitucionalidade de tal ato. Zelaya desdenha. Ainda em abril, uma segunda carta pública lhe é enviada pela Fiscalia com o mesmo resultado, pois o presidente, também publicamente, reitera suas intenções. Então, a Fiscalia oficia, em maio, para que se pronuncie o Advogado Geral do Estado, e este o faz reforçando a tese da inconstitucionalidade. Nesse momento, a Fiscalia requer  à Justiça de primeira instância que instaure processo, do qual resulta a  condenação de Zelaya, que recorre ao Tribunal de Apelação, que igualmente o condena, com novo recurso à Corte Superior de Justiça - com o mesmo resultado dos anteriores. É então que, no dia 23 de março, o presidente Zelaya publica um decreto convocando uma Constituinte, o que colide frontalmente com um outro artigo da Carta.

Entra em cena o Congresso Nacional, que usando de suas prerrogativas, julga a conduta do presidente e, por 123 votos a 5, inclusa a maioria do seu partido, decide afastar o presidente Zelaya. Duplamente julgado e condenado, tendo tido amplo direito de defesa, ele é afastado, tem os seus direitos políticos cassados e sua prisão decretada pelo presidente da Corte Superior de Justiça no dia 28 de junho. Onde, portanto a ausência de contraditório e o amplo direito de defesa?

04.  ZELAYA É UM HOMEM DE ESQUERDA E POPULAR
Nada, na biografia e trajetória do presidente deposto, autoriza essa constatação. Filho de um rico fazendeiro (envolvido em uma chacina de camponeses), eleito pelo Partido Liberal, de direita, privatista e antiestatista, o Sr. Zelaya se elegeu com um programa pró-mercado e de reformas. No poder, cai nas graças de Hugo Chávez, ingressa na ALBA, a Alternativa Bolivariana Para as Américas , assumindo posturas e projetos populistas e assistencialistas. Por essa “conversão”(?!), torna-se um ídolo para uma certa esquerda de pouco tino e senso histórico.

05.  ZELAYA NÃO VOLTOU AO PODER POR CONTA DA DITADURA GOLPISTA
Nada mais falso. Em primeiro lugar, todas as instituições hondurenhas estão abertas e funcionando normalmente, o que, convenhamos, é esquisitíssimo em se tratando de um golpe de Estado. Em segundo, contando com o esmagador apoio de toda a comunidade internacional, da OEA  e a ONU, e se dizendo popular e com o apoio dos hondurenhos, por que “Mel” não retorna ao poder? Por dois motivos: a totalidade das instituições de Honduras está definitivamente contra ele, e a maioria do seu povo, também. Tivesse esse último a seu favor, manifestações de massa - inexistentes - e uma greve geral, mais o apoio externo, teriam derrubado o atual governo.

06.  O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ ACEITO DEVIDO À DITADURA
As atuais eleições foram convocadas e datadas antes da atual crise. Todos os partidos puderam apresentar candidatos e debater seus programas nas praças, rádios e TVs. Os hondurenhos podem votar livremente, e o Tribunal Superior Eleitoral, órgão independente, supervisiona e fiscaliza o pleito.

Apenas 0.5% dos mais de 15 mil candidatos inscritos atenderam ao apelo do Sr. Zelaya para boicotarem as eleições, e o principal partido de esquerda, a UD, está na disputa, rachando e minguando a base de apoio do ex-presidente deposto. Se o povo hondurenho acorrer às urnas e se o pleito for limpo, segundo os mais de 300 observadores internacionais, as eleições e seu resultado serão legítimos.

07.  O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ RECONHECIDO NO EXTERIOR
Será por uns e por outros. Do lado do reconhecimento, estarão os EUA, Colômbia, Israel, Peru, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália até o momento. Contra, teremos o Brasil, a Argentina, Venezuela, Equador, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Suriname e, certamente, os demais países da comunidade européia. Porém, com o passar do tempo, caso as eleições sejam limpas,  o primeiro grupo irá paulatinamente crescer, e o segundo, minguar. Lembrando que aqui o voto não é obrigatório e a abstenção é costumeiramente altíssima, atingindo mais de 50%.

08.  O GOLPE EM HONDURAS AMEAÇA A DEMOCRACIA NA AMÉRICA DO SUL
Como espero haver demonstrado, não houve golpe em Honduras. Houve, sim, e isso não pode ser esquecido ou tolerado, uma abominável agressão ao Sr. Zelaya. Quando ele já não era mais presidente, foi retirado de sua casa de madrugada e enviado para fora do país. Os responsáveis por isso têm de ser exemplarmente punidos, na forma da lei, para que tal crime  jamais se repita, em Honduras ou qualquer lugar.

Agora, o que ameaça a cláusula democrática no subcontinente é o meio compromisso com a democracia. Se o Sr. Zelaya foi apeado do poder segundo as regras constitucionais do país, e  foi sucedido em linha com as mesmas regras pelo Sr. Micheletti, chamar a isso de golpe de Estado é atentar contra a democracia. E isso vale, em especial, para uma certa esquerda, para a qual, sendo o atual governo de direita, ele  é inaceitável, como se a esta não  fosse permitido chegar ao poder, no que incorre em duplo erro.

Em primeiro lugar, porque foi a Constituição, que colocou a “direita” na presidência. Em segundo, é o Sr. Manuel Zelaya o golpista de fato, ao atentar contra a Carta Constitucional e as instituições hondurenhas. Portanto, é ele quem ameaça a democracia na America do Sul, e não o contrário.

09.  LULA ERROU AO RECEBER ZELAYA NA EMBAIXADA BRASILEIRA
Não, ele agiu certo. É tradição humanitária do Brasil receber em nossas embaixadas quem nos procura em situação de risco.  O erro foi dar status de “abrigado” ao Sr. Zelaya quando o correto, jurídica e diplomaticamente, seria  lhe conceder asilo. Ao lhe dar abrigo e não asilo, o ex-presidente pôde legalmente usar a embaixada brasileira como palanque político, interferindo na política hondurenha, o que constitui gravíssimo erro e  desrespeito à soberania hondurenha.

Imaginem se, ao ser deposto, o presidente Collor se abrigasse numa embaixada de um país qualquer e de lá convocasse uma insurreição contra o governo de Itamar Franco. Como nos sentiríamos?

10.   A POSIÇÃO DO BRASIL FOI CORRETA DIANTE DA CRISE
Antes de mais nada, a América Central, e Honduras em particular, jamais foi importante ou área de influência do Brasil, donde resulta em erro o calibre e engajamento da resposta. Em duzentos anos de relações diplomáticas, um único presidente nosso esteve lá, Luis Inácio Lula da Silva.  Nossas relações comerciais são irrisórias, e a região tem com os EUA 70% da sua pauta comercial. Sendo que Honduras fecha as suas contas nacionais com remessas que lhe são enviadas dos Estados Unidos pelos que para lá imigraram.

Ao ver golpe aonde houve desrespeito aos direitos humanos e, em seguida, ao defender o retorno do Sr. Zelaya ao poder, erramos de novo. Por fim, ao dar a este a condição de abrigado e não de asilado, permitimos o uso da nossa embaixada como palanque. Com essa seqüencia de equívocos, perdemos a condição de mediadores, deixando de ser uma fonte de soluções para nos tornarmos parte do problema.

Caso as eleições de hoje sejam limpas e o Brasil teime em não reconhecê-las, erraremos de novo e em definitivo.
*
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Por Reinaldo Azevedo
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29/11/2009

às 23:15

Primeira parcial

Uma amostra de 24 mil votos apurados em Tegucigalpa tem o seguinte resultado: Pepe Lobo, do Partido Nacional: 60%; Elvin Santos, do Partido Liberal: 31%.

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2009

às 22:17

Honduras: terminou a eleição. Tudo em paz!

Terminou há pouco a eleição em Honduras. Falei de novo com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), único brasileiro entre os mais de 300 observadores estrangeiros no país. Não houve incidentes. O pleito se deu na mais absoluta paz. Jungmann conversou com outros observadores da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos. E todos concordam que as eleições se deram na mais absoluta normalidade. Daqui a pouco, começa a apuração. Marco Aurélio Top Top Garcia errou de novo! Ele previu severos incidentes. Até parecia torcida!!!

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2009

às 17:33

DIRETO DE TEGUCIGALPA: ATÉ AGORA, ELEIÇÕES LEGÍTIMAS E LIMPAS. CRESCE NÚMERO DE PAÍSES DISPOSTOS A RECONHECER O RESULTADO

Acabo de falar com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos mais de 300 observadores estrangeiros que estão em Tegucigalpa, em Honduras, acompanhando as eleições. Os hondurenhos votam três vezes: para eleger presidente e vice, deputados da Assembléia Nacional e alcaides — os prefeitos. Jungmann afirma que as eleições se dão num clima de absoluta tranqüilidade, sem os distúrbios previstos pela turma de Manuel Zelaya.

Pergunto ao deputado como está o comparecimento às urnas. Ele está em Tegucigalpa e diz que a afluência de eleitores é grande, mas é impossível saber de antemão. O voto em Honduras não é obrigatório, o que torna a abstenção historicamente alta. Manuel Zelaya, o golpista deposto, tenta pôr em dúvida a legitimidade do pleito afirmando que menos de 50% dos eleitores devem comparecer. Bobagem! Quando ele próprio foi eleito, apenas 45% dos hondurenhos aptos a votar o fizeram. Não será por aí que ele vai melar o resultado do jogo.

Jungmann conversou com os dois candidatos que polarizam a disputa: o favorito, Pepe Lobo, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal (PL). Os dois disseram que, proclamado o resultado, ligarão para Lula para tentar normalizar as relações com o Brasil. Jungmann também quis saber se procede o boato de que qualquer um deles está disposto a anistiar Manuel Zelaya se este não contestar o resultado. A resposta foi rigorosamente a mesma: “Este assunto será decidido pelo Congresso”.

Não se nota nenhum problema que macule a legitimidade das eleições? Jungmann responde: “Até agora, nada! Há os problemas comuns de boca de urna aqui e ali, tensão entre cabos eleitorais, nada que não aconteça no Brasil”. Alguma forma de intimidação contra eleitores e opositores? “Absolutamente não! Vamos ver o que dizem os observadores do interior, já que estou na Capital, mas não creio”.

A votação e a apuração em Honduras, como em boa parte do mundo, ainda são manuais. As seções eleitorais contam com fiscais dos vários partidos, e celulares com linhas fechadas e exclusivas foram distribuídos para chefes das seções, que devem passar o resultado das apurações locais para uma central. “Acredito que a tensão possa crescer se o resultado começar a se mostrar muito apertado, com pequena diferença; mas isso nada tem a ver com fraude. É coisa também normal em eleição”.

Em suma…
Honduras realiza eleições legítimas, dentro da lei, o que indica que as instituições fizeram a escolha pelo estado de direito. O isolamento do país começa a ser rompido: além de EUA, Colômbia e Peru, que já haviam anunciado a disposição de reconhecer o pleito,  dizem agora que farão o mesmo se as eleições forem limpas os seguintes países: Costa Rica, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália. E, nesse passo, esse grupo vai crescer.

Não custa lembrar de novo: mais uma derrota vexaminosa de Celso Amorim, o megalonanico, e seus filobolivarianos amestrados. Que Honduras siga firme no caminho democrático. Este pequeno e valente país derrotou o chavismo. Que a vigilância continue. A canalha não vai desistir.

PS - Ah, sim: os gênios do Itamaraty já estão buscando um modo de alegar algum fato novo para recuar. Afinal, no atual ritmo, daqui a pouco, o Brasil é que estará isolado. Ou melhor: em companhia da Vanezuela, da Bolívia e do Equador. Para quem pretende ser um dos líderes do planeta, companhias sem dúvida auspiciosas…

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2009

às 7:33

HONDURAS VOTA, E O PRINCIPAL DERROTADO É O BRASIL!

Honduras realiza suas eleições. Vitória da democracia, de sua constituição democrática e dos democratas que foram às ruas em Tegucigalpa. Vitória também de suas instituições, que sofreram um assédio inédito e souberam se manter. O Brasil é o principal derrotado.

EUA, Colômbia e Peru já disseram que vão reconhecer o governo que sair das urnas. O Brasil se juntou aos bolivarianos para exigir a volta de Manuel Zelaya e tentou caracterizar esses países como capachos da Casa Branca. Ocorre que o bastante respeitado Oscar Arias, presidente da mui neutra Costa Rica, já disse que as eleições devolvem o país à normalidade. Nem mais a estúpida clivagem ideológica serve a Celso Amorim.

Vamos ver como as coisas se dão neste domingo. Honduras deu um duro golpe no chavismo e expôs ao ridículo a diplomacia brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2009

às 5:29

VEJA 7 - Derrota da diplomacia petista

Ao insistir em restaurar Manuel Zelaya no poder, o governo brasileiro se torna adversário da saída mais democrática para a crise em Honduras: as urnas
Fotos Susan Walsh/AP e Fernando Souza/CPDOC JB/Folha Imagem
AI, QUE MEDO
Obama, o sereno, é atacado por Garcia, o sinistro: o verdadeiro motivo é a raiva
pelos planos fracassados de transformar Honduras em vitória ideológica

Alguma coisa certa Barack Obama fez. E não estamos falando do garbo exibido na primeira recepção de gala de seu governo, visto na foto ao lado. A prova do acerto está nos ataques virulentos que recebeu de Marco Aurélio Garcia, o assessor do presidente Lula para assuntos internacionais. Tudo o que Garcia fala é errado, na forma e no conteúdo, além de prejudicial aos interesses nacionais. O presidente dos Estados Unidos foi alvo do novo surto de megalonanismo por defender o reconhecimento das eleições em Honduras, neste domingo. Desde que Manuel Zelaya tentou emplacar a própria reeleição e foi punido pela Suprema Corte com a perda do cargo, além de expulso manu militari do país, ao qual retornou com a patola chavista, instalando-se de bigode e chapelão na embaixada brasileira, a diplomacia petista trabalha com o objetivo de restaurá-lo no poder a qualquer preço. A saída pela via eleitoral, com a escolha de um novo presidente, virou um anátema para Garcia e sua turma. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

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