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Guido Mantega

24/08/2012

às 20:30

Fazenda perdida: pasta não tem projeção para o PIB de 2012

Na VEJA Online, com Agência Estado:
Minutos depois de informar, por meio da 16ª edição do boletim ”Economia Brasileira em Perspectiva”, a redução da projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, o Ministério da Fazenda voltou atrás. Em e-mail enviado por sua assessoria de comunicação, a pasta afirmou que as informações da página 35 (referentes a investimentos e Produto Interno Bruto) ainda estão em revisão e que devem ser desconsideradas.

A Fazenda havia comunicado nesta tarde de sexta-feira que o PIB do país encerraria este ano com alta de apenas 3%, contra 4,5% da projeção anterior. Com o novo número, a projeção do ministério empatava com a da pasta do Planejamento, cuja expansão da atividade esperada é também de 3%, conforme o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do terceiro bimestre.

Após recuar e ser questionada pela reportagem se a projeção anterior (4,5%) ainda estava valendo, a assessoria da Fazenda reiterou a sinalização que já foi dada pelo governo federal, via Ministério do Planejamento, de que a economia não deve crescer mais de 4% neste ano. Afirmou ainda que o novo número do MF será comunicado em outro momento. Em resumo, a projeção anterior está em revisão e a estimativa atual não está fechada.

A previsão ‘errada’ do MF era mais otimista que a do Banco Central e do mercado. O BC trabalha com uma expansão de somente 2,5% neste ano – a autoridade monetária revisou seu número, anteriormente de 3,5%, no Relatório Trimestral de Inflação de junho. Dados do boletim Focus desta segunda-feira – levantamento realizado junto a consultorias, corretoras e bancos brasileiros – apontam que os economistas têm uma expectativa de PIB ainda pior, com alta de 1,75% no ano.

A Fazenda projetou ainda que o PIB de 2013 crescerá 5,5% – exatamente o porcentual que constava na edição anterior do boletim.

Inflação
O boletim revisou também a previsão de inflação medida pelo IPCA de 2012 para 4,7%, ante os 4,4% apontados anteriormente. O documento destaca, contudo, que as pressões sobre os preços têm se dissipado progressivamente, ainda que assuma que houve impacto da alta das commodities no exterior sobre os custos no país.

Desonerações tributárias
O documento destacou ainda que as desonerações tributárias neste ano até julho somaram 35,9 bilhões de reais. Desse total 10,9 bilhões de reais referiram-se a desonerações de investimentos. “Com o intuito de impulsionar a atividade econômica, o governo tem concedido benefícios fiscais para diversos setores, que totalizaram pelo menos 97,8 bilhões de reais entre 2007 e 2011″, informou o boletim. Nesse período, conforme o documento, 32% do total, ou cerca de 31 bilhões de reais, foram incentivos aos investimentos.

O documento apontou ainda que “a manutenção das baixas taxas de desemprego e o aumento do rendimento real das famílias permitem inferir que está em curso uma normalização nas captações e empréstimos”. A equipe econômica projeta que, no segundo semestre deste ano, o mercado de crédito será mais benigno e contribuirá para a aceleração da atividade econômica. O boletim informou que, em junho deste ano, o mercado de crédito no Brasil atingiu montante superior a 2,2 trilhões de reais, alcançando o equivalente a 50% do PIB.

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2012

às 20:04

Tirem Guido Mantega da Fazenda e coloquem no lugar uma cartomante; ela tem 50% de chance de acertar

E se Guido Mantega, ministro da Fazenda, fosse cartomante? Seus clientes estariam lascados! Mas, para sorte dos consulentes, ele é apenas ministro do Fazenda. Sendo assim, pode fazer previsões nas quais ninguém acredita, e tudo bem! Como não se leva a sério o que ele diz, então ninguém perde dinheiro, entenderam? Mas isso também me leva a crer que, caso tivéssemos uma cartomante no Ministério da Fazenda, a chance de acertar seria maior — de 50% ao menos. Por quê? Esperta, ciente de sua ignorância — coisa que um economista nunca é… —, ela se limitaria a prever se a economia em 2012 cresceria menos ou mais do que em 2011, sem pagar o mico de fazer previsões com a precisão de quem tem uma espingarda com a mira fora do lugar e o cano torto…

Há míseros quatro meses — e não no ano retrasado! —, o ministro previa um crescimento da economia para 2012 que poderia chegar a 4,5%. Transcrevo, em vermelho, trecho de um texto publicado numa página oficial, a “Brasil.gov”… É de 6 de março. Vejam que maravilha:

PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega

Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, ter sido menor do que o esperado pelo governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve o tom otimista e prevê, para 2012, um crescimento médio próximo a 4,5%.

“O importante é que começamos 2012 com a economia se aquecendo. Isso pode ser visto pelo desempenho de novembro e dezembro. Essa trajetória continuará no primeiro e no segundo semestre de 2012, e [o crescimento do PIB] será maior do que o do ano passado, atingindo o ápice no segundo semestre de 2012, quando a economia estará crescendo mais de 5%. A média deverá ficar entre 4% e 4,5%”, disse Mantega nesta terça-feira (6), durante coletiva de imprensa.
(…)

Leiam, agora, o que publica nesta sexta a VEJA Online. Volto em seguida:
O governo reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 de 4,5% para 3%, de acordo com informações do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério do Planejamento. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia revelado as novas estimativas do Planalto. Contudo, o número não havia sido oficializado em nenhum relatório até esta sexta-feira. O número, apesar de menor, continua otimista em relação a outras previsões de mercado. Segundo o Banco Central e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia brasileira não deve avançar mais de 2,5% este ano. Já o mercado financeiro aguarda expansão de apenas 1,9% no período. Em 2011, o PIB cresceu 2,7% – bem abaixo das expectativas do governo, sobretudo no primeiro semestre, que apontavam para alta de 5%.

O governo atribui o crescimento fraco à crise que persiste na Europa, nos Estados Unidos – e agora também resulta em desaceleração das economias emergentes, como a China. “No cenário internacional, as mais recentes decisões dos líderes europeus afastaram a possibilidade de uma crise bancária no curto prazo, mas a falta de crescimento e o encolhimento do comércio continuam a predominar nas economias avançadas”, informou o relatório.

A crise tem sido usada como justificativa pelo governo desde o segundo semestre de 2011 – período em que o crescimento começou a desacelerar. Em 2012, após inúmeras medidas de estímulo propostas pelo governo, a economia tampouco deslanchou. No primeiro trimestre do ano, houve expansão de apenas 0,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Indicadores
Os novos parâmetros presentes no relatório também consideram o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,7% neste ano, mesma projeção divulgada no relatório orçamentário de maio. A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2012 passou de 4,9% para 6,19%.

O governo trabalha com uma taxa Selic média de 8,86% ao ano, abaixo dos 9,86% ao ano utilizados na revisão anterior. O Orçamento também considera câmbio médio de 1,95 real no final de 2012, ante 1,76 real utilizados em maio. A projeção de crescimento da massa salarial nominal passou de 12,01% para 12,51%. A previsão para o preço médio do petróleo em 2012 subiu 2%, de 111,64 dólares para 113,87 dólares.

“A alteração dos parâmetros reflete a redução da projeção da taxa de crescimento real do PIB para 3,0%, da taxa de juros Selic e o aumento da Massa Salarial Nominal. Além disso, indica manutenção da projeção para o IPCA e depreciação cambial, que afeta as projeções para o IGP-DI e para o preço médio do petróleo”, diz o Ministério do Planejamento em nota.

Comento
Como se informa acima e vocês estão carecas de saber, Guido Mantega é o único a falar em 3%… Para o FMI, fica abaixo dos 2,5%; para boa parte dos operadores do mercado financeiro, abaixo de 2%. O cartomante amador já errou feio, não é? Acho que está errando de novo.

Reitero algo que já escrevi aqui. Não é papel de Mantega sair por aí baixando o astral da turma. Mas também não tem de atuar como animador de auditório. Um ministro não precisa fazer previsões pessimistas e certas, mas também deve evitar as otimistas e erradas. Num caso, passa por um realista desagradável; no outro, por um pândego bobalhão.

Essa história de que governos manejam, na verdade, expectativas é uma verdade relativa. Afinal, existe a realidade. Querem um exemplo? Boa parte da indústria está com os estoques abarrotados, sinal de que não se deve estimular a produção. Imagino Mantega a discursar no pátio da fábrica: “Vocês vão acreditar em mim ou nos seus estoques?”

Adivinhem qual seria a resposta.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2012

às 18:58

Do Paraguai ao pibinho, Dilma e seus maus conselheiros:

A presidente Dilma Rousseff, com alguma frequência, parece ser mais ponderada e, atenção para esta palavra, “pudorosa” do que seu antecessor. Pudor, no poder, é uma coisa importante. Mas não quer dizer que não tenha uma natureza política. E esta também se revela. No caso do Paraguai, mal instruída pelo Itamaraty e sofrendo, certamente, banzo de outros carnavais, tomou decisões estupidamente erradas, fazendo do Brasil mero caudatário da “diplomacia” de Cristina Kirchner. O Planalto trata o Paraguai como a 28ª unidade da federação, que tivesse decidido se rebelar. Além de sua natureza e de sua memória, Dilma também é assombrada por maus conselheiros — na política externa, ainda Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia; puro descalabro. E na economia?

Nesta quarta, Dilma lançou mais um pacote para tentar levantar o pibinho. O real já se desvalorizou, os juros caíram, houve certa elevação do crédito, o governo desonerou alguns setores da produção, mas o crescimento patina… O mentor da economia, por óbvio, é o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Reconhecendo algumas dificuldades, mas comemorado o que considera conquistas, afirmou: “Tudo isso significa que a crise internacional é conhecida pela população apenas por meio dos jornais e do noticiário. Na prática, a população não está se defrontando com ela”.

Quem falou? O economista ou o marqueteiro João Santana? Uma coisa é a crise ainda não estar sendo percebida por boa parte da população, o que é verdade; outra, distinta, é sustentar que ela só existe na tal “mídia”. Isso é coisa de mau conselheiro também.

É evidente que não cabe a Dilma ou a Mantega fazer declarações alarmistas. Mas não dá para aceitar cretinismos dessa natureza. Uma das características da crise mundial em curso, depois da grande explosão, é sua lenta e contínua espiral negativa — que chegou ao Brasil por vários caminhos: baixo crescimento dos EUA, barafunda na Europa, desaceleração da China… Parece que a capacidade de o mercado interno fazer frente às dificuldades se esgotou. Os brasileiros estão perigosamente endividados.

O debate sobre as responsabilidades corre o risco de ser interminável. Uma coisa é certa: quem dá a notícia não tem nada com isso. A imprensa brasileira, especialmente a área que cobre a economia, costuma é ser muito generosa com as versões oficiais. Atenção! Guido Mantega dizia, no começo do ano, que a economia cresceria 4,5% em 2012 – já que o Brasil, em razão da genialidade do governo, estaria imune à crise. Procurem no Google. Vocês vão achar: no dia 22 de maio — há míseros 35 dias — o ministro ainda anunciava 4%!!! E todo mundo lhe dava crédito.

Não, não! O jornalismo não tem, com a área econômica (e com os economistas de maneira geral, é bom deixar claro), metade do rigor que tem com os políticos. Costuma triunfar aquela máxima de que, em economia, realismo é igual a pessimismo, e cumpre à gente torcer para ver se as palavras se transformam em fatos.

Por Reinaldo Azevedo

22/05/2012

às 21:22

Mantega cria o “realismo fantástico” do câmbio

Por Carolina Freitas, na VEJA Oline:
Desde quando o dólar bateu na casa dos 2 reais, em 15 de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, só quer saber de comemorar o câmbio “conveniente”, nas palavras dele, para o Brasil. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça, ele retorceu dados e saiu-se com uma pérola do reducionismo: “Quando há uma valorização de 20% do dólar, significa que o Brasil está 20% mais competitivo”.   Em suma, na visão do ministro, basta uma mudança no câmbio para o país, como que por mágica, ter produtos melhores e mais baratos para brigar nos mercados internacionais.

Um real enfraquecido, de fato, tem o poder de estimular exportações e coibir importações, mas não transforma a capacidade produtiva, nem gera eficiência. Por outro lado, um câmbio apreciado apenas escancara o grau de competitividade de uma nação. Se ele é baixo, ficará ainda pior com uma moeda forte. Ao reiterar sua comemoração do dólar mais forte, Mantega apenas mostra sua disposição em não fazer nada para atacar as profundas deficiências que, essas sim, minam a competitividade do país.

Autoelogio
O ministro associou a valorização do dólar às medidas econômicas lançadas pelo governo nos últimos meses, como, por exemplo, a extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre os empréstimos externos para captações com vencimentos em três anos. Ainda que o mercado reconheça a influência dessas ações, a recente alta da divisa também responde à apreciação global da moeda americana e à especulação no mercado doméstico.

Na versão de Mantega, o dólar responde tão somente à atuação destemida do Planalto: “Muitos países, sobretudo a China, vinham manipulando seu câmbio havia mais de vinte anos. Como eles eram pobres, nós tolerávamos. Mas agora tivemos de reagir”, gabou-se.

Indústria
O ministro da Fazenda minimizou os impactos negativos da alta do dólar para alguns setores da indústria. “Todo remédio tem seu efeito colateral, mas não é por isso que você deixa de tomar o remédio”.

Mantega deu, por fim, sua visão particular sobre o processo de desindustrialização do Brasil, que, para ele, não existe. “Há um enfraquecimento da indústria no mundo; um processo natural de terceirizar atividades da indústria e fazer com que elas virem serviço.”

O movimento, de fato, existe no mercado internacional há muitos anos. Basta ver que os Estados Unidos e a Europa transferiram boa parte da capacidade de produção industrial ao Sudeste Asiático. Esse movimento, entretanto, não justifica por inteiro o atual quadro lamentável da indústria brasileira.

Existem fatores a penalizar o setor industrial que ele, há muitos anos, faz questão de ignorar. São deficiências que minam a competitividade da economia brasileira e que caberia ao governo atacar por meio de reformas, tais como a infraestrutura deficiente, baixa qualificação da mão de obra, uma carga tributária pesada, juros altos, entre outros fatores.

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2012

às 19:05

Dólar acima de R$ 2 e a fala boba de Guido Mantega

O dólar fechou acima de R$ 2, o que não acontecia desde o dia 8 de julho de 2009, valorização de 0,58% só nesta terça. Não há muito o que fazer. Nenhum país é uma ilha. Nem a Grécia nem o Brasil. Estranha foi a reação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar ontem o assunto. Fez digressões sobre como isso pode ser positivo para as exportações brasileiras e para a nossa indústria, que se torna mais competitiva e coisa e tal.

Bacana… Olhem aqui: embora a presidente Dilma tenha tentado dar umas lições a Angela Merkel dia desses, não há muito o que Mantega possa fazer, além de, não tendo o que dizer, ficar calado. Que o real supervalorizado (nem entro no mérito sobre os motivos) é ruim para a economia brasileira, isso é evidente. A questão é saber se a valorização do dólar é fruto de corcovos e solavancos da economia mundial em crise ou se decorre da ação do governo brasileiro para impedir a valorização excessiva do real.

Evidentemente, trata-se da primeira hipótese, não da segunda. Evidentemente, essa valorização é fruto da crise europeia, não da ação do governo brasileiro. Também evidentemente, isso concorre para desorganizar a nossa economia, não o contrário. Assim, Mantega poderia optar pelo silêncio em vez de dizer coisas que ele e todo o mercado sabem ser destituídas de sentido.

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2012

às 7:35

Mantega recorre ao STF e MP suspende investigação

Da Agência Estado:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reclamou para o Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu suspender uma investigação por suspeita de improbidade administrativa. Na tarde desta segunda, o Ministério Público Federal chegou a anunciar a abertura de uma investigação para apurar se Mantega foi omisso em relação a um suposto esquema de corrupção na Casa da Moeda. Em meio às suspeitas, o então presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, foi demitido em janeiro.

No entanto, no início da noite, a Procuradoria Geral da República divulgou uma nota informando que a pedido da Advocacia Geral da União (AGU) o ministro Luiz Fux, do STF, concedeu uma liminar determinando que a investigação fique a cargo do procurador-geral, Roberto Gurgel. Atos de improbidade administrativa são investigados em procedimentos civis. A legislação brasileira garante a autoridades como ministros de Estado o direito de investigação criminal perante o STF. No entanto, as matérias civis, como as investigações por improbidade administrativa, ficam normalmente a cargo da 1a. Instância.

O Supremo deverá analisar em breve pedidos para que o foro privilegiado previsto para os inquéritos e as ações criminais também seja estendido aos processos civis. Enquanto não for tomada a decisão, a situação de Mantega fica em suspenso, informou a Procuradoria. No último dia 16, Roberto Gurgel tinha seguido a orientação tradicional no Judiciário e no Ministério Público e encaminhado aos procuradores da República que atuam na 1a. Instância uma representação na qual senadores pediam uma investigação contra Mantega.

Por Reinaldo Azevedo

17/03/2012

às 4:53

MP decidirá se investiga Mantega por improbidade

Por Ricardo Brito, no Esdtadão Online:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou à Procuradoria da República no Distrito Federal um pedido feito por seis senadores para investigar se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cometeu improbidade administrativa por causa das suspeitas que levaram à demissão do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci. No dia 14 de fevereiro, seis senadores pediram a Gurgel que apurasse se Mantega teria sido omisso em manter Denucci no cargo, mesmo diante de denúncias de corrupção levantadas contra ele pela Receita e pela Polícia Federal.

O ex-presidente da Casa da Moeda foi demitido no final de janeiro no momento em que a Folha de S.Paulo preparava uma reportagem sobre ele. O jornal revelou depois que Denucci teria uma conta em offshore por meio da qual receberia propina. Mantega sempre disse que não sabia das suspeitas que pairavam sob seu ex-subordinado, sustentando que a sugestão do nome coube ao PTB em 2008. O partido nega tê-lo indicado.

Gurgel repassou a representação para a Justiça de primeira instância porque é o foro competente para julgar casos de improbidade supostamente cometidos por ministros de Estado. Segundo o procurador-geral, ele só tem competência para investigar Mantega criminalmente, o que não é o caso. Caberá a um procurador da República avaliar a representação. Entre os caminhos, ele poderá decidir se abre inquérito civil contra o ministro, move ação de improbidade (o que pode, em caso de condenação, suspender seus direitos políticos) ou arquivar o pedido.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/02/2012

às 5:35

Senadores pedem inquérito contra Mantega na PGR

Por Rosa Costa e Ricardo Britto, no Estadão:
Com o apoio de dois senadores da base aliada, a oposição encaminhou ontem ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação contra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por omissão diante de denúncias apuradas pela Receita e PF contra o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci.

A representação pede a instauração de inquérito civil público para cobrar responsabilidade de Mantega pela permanência de Denucci no cargo mesmo após alertado sobre a existência de indícios de corrupção contra ele. “O ministro manteve Denucci no comando da Casa da Moeda, com isso dando causa à continuidade dos atos lesivos ao interesse público”, sustentam os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Demóstenes Torres (DEM-GO), Randolph Rodrigues (PSOL-AP), mais Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT).

Eles alegam que Mantega “não foi imparcial nem leal à instituição à qual está vinculado, além de ter falhado com seu dever de ofício”. Afirmam, ainda, que “nem se cogita levantar a hipótese de que o ministro da Fazenda não sabia do esquema de corrupção na Casa da Moeda, visto que ele próprio admitiu ter sido alertado acerca da situação”. Os senadores pedem que Mantega seja punido com a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e ressarcimentos aos cofres públicos de eventuais danos causados por Denucci.

Blindagem. Ontem, o governo comandou o esvaziamento da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que votaria requerimento de convite ao ministro para prestar esclarecimentos. Depois de esperar mais de uma hora por quórum, o presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), encerrou os trabalhos, remarcando novo encontro para o dia 28, após o carnaval.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 23:07

Maia descarta convocar Mantega para falar de Casa da Moeda

Por Nathalia Passarinho, no Portal G1:
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, descartou nesta terça-feira (7) convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a prestar explicações no plenário da Casa sobre denúncias envolvendo a Casa da Moeda. O ex-presidente da estatal, Luiz Felipe Denucci, foi demitido no final de janeiro após denúncias de irregularidades, como recebimento de propina.

Nesta manhã, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) protocolou requerimento para que o ministro preste esclarecimentos no plenário. No entanto, para Marco Maia, o plenário da Câmara é lugar para discussão de “temas nacionais”. “O plenário é o espaço nobre para fazer grandes debates de grandes temas nacionais. A Casa da Moeda não é um grande tema. É um tema específico que deverá ser remetido às comissões para avaliação”, afirmou Maia.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que “não há motivo” para Mantega se explicar no Congresso. Mais cedo nesta terça, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a orientação à base do governo é evitar a aprovação de convite ou convocações ao ministro da Fazenda. O PSDB protocolou, na segunda-feira (6), requerimento de convite para que o ministro preste explicações na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 18:05

Empresário deve depor sobre transações de ex-chefe da Casa da Moeda

Por Maria Clara Cabral, José Erneto Credendio e Andreza Matais, na Folha Online:
José Martins, presidente da empresa responsável por fazer o relatório sobre as movimentações financeiras das “offshores” de Luiz Felipe Denucci, ex-presidente da Casa da Moeda, deve prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional.

O DEM prepara requerimento para convidar o empresário a detalhar na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara a movimentação bancária de Denucci. A reportagem apurou que Martins está disposto a comparecer. Ele afirmou à Folha que toda a movimentação da financeira está registrada em sua contabilidade.

A WIT, companhia de Martins especializada em transferência de dinheiro com sede em Londres, registrou em documento que movimentou para Denucci e familiares U$ 25 milhões nos últimos três anos, quando ele já estava no comando da Casa da Moeda. O dinheiro, segundo o relatório, teria como origem “comissões” pagas por empresas fornecedoras da estatal.

Denucci foi exonerado no último sábado após ter chegado à Fazenda informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso. “É fundamental convidar o José Martins para trazer esclarecimentos sobre todo esse processo”, afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

Partidos da oposição já avisaram que vão apresentar também requerimentos de convocação e de pedido de informação ao ministro Guido Mantega (Fazenda). Reportagem da Folha revela que a Casa Civil e o PTB avisaram Mantega em agosto passado de que Denucci havia aberto “offshores” em paraísos fiscais. Antes disso, em 2010, o ministro também foi avisado de outras irregularidades envolvimento Denucci, mas o manteve no cargo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/02/2012

às 6:29

Ação de Mantega na Casa da Moeda preocupa Planalto

Na Folha:
As recentes acusações na Casa da Moeda jogaram o ministro Guido Mantega (Fazenda) no centro de um escândalo político que preocupa o Palácio do Planalto. Uma ala do PMDB cobrou explicações sobre por que o ministro manteve Luiz Felipe Denucci na chefia da estatal após alertas sobre o envolvimento do servidor em suposto esquema de corrupção. É justamente isso o que perturba o Palácio do Planalto: setores do PMDB insatisfeitos com a perda de espaço prometem usar o episódio para dar o troco.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, revelou ontem que o partido só indicou Denucci para a Casa da Moeda atendendo a um pedido do ministro. “Mantega chamou Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara], e pediu um aval. Denucci não é do PTB, é do Mantega. Fizemos um favor ao Mantega e nos demos mal.”

Denucci tem a mesma versão. “Se o ministro Mantega pediu o aval do PTB para minha indicação, não é de minha alçada. Fui chamado por minha experiência com crise. Apoio partidário não tive.” As pessoas próximas ao ministro têm dito o contrário: que foram apresentadas a Denucci pelo líder do PTB. Sem uma manifestação oficial de Mantega desde sábado, quando Denucci foi demitido, a Fazenda soltou ontem uma nota para dizer que “o ministério decidiu instaurar comissão de sindicância investigativa para apurar as informações mencionadas”.

Denucci foi demitido às pressas por um funcionário do terceiro escalão após tomar conhecimento de que a Folha preparava reportagem sobre irregularidades na Casa da Moeda. Ele montou “offshores” em paraísos fiscais que teriam recebido U$ 25 milhões, segundo relatório de uma empresa especializada em transferências internacionais. O documento da WIT relata que os depósitos eram oriundos de comissões pagas por fornecedores da estatal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/09/2011

às 22:50

Protecionismo no setor automobilístico e o risco do jumento chifrudo

Imaginem um cruzamento ideal entre a vaca e o jumento: o híbrido seria exímio para puxar carroça e ainda daria litros de leite. Mas e se acontecesse o contrário: nem dar leite nem servir para a tração? Seria só um jumento com chifres!  É o que costuma acontecer quando uma economia aberta (ou quase) adota medidas para proteger um determinado setor, sob o pretexto de proteger empregos nacionais ou sei lá o quê.

O governo anunciou nesta quinta que vai elevar em 30 pontos percentuais o IPI de carros e caminhões que não cumprirem as novas exigências estabelecidas pelo governo: as montadoras vão ter de utilizar ao menos 65% de conteúdo nacional ou do Mercosul nos veículos, investir em pesquisa etc. — há 11 requisitos; para que não haja o aumento, será necessário cumprir pelo menos 6.

“É uma medida que garante a expansão dos investimentos no Brasil, o desenvolvimento tecnológico e a expansão da capacidade produtiva no Brasil”, afirmou Guido Mantega. É mesmo? Era o que se dizia no tempo de um clássico do protecionismo, que fez milionários e deixou o Brasil nas cavernas: a chamada Lei da Informática, de triste memória. Pode acontecer o contrário do que diz Mantega: novas empresas desistem de investir no Brasil; as que já estão aqui aproveitam para aumentar o preço e não se vêem obrigadas a concorrer; o lucro é garantido, e o brasileiro passa a pagar caro por carro meio vagabundo… É o jumento de chifres.

É evidente que o governo decidiu escolher mais um setor para “proteger”. Por que não os outros? A rotina para responder ao desequilíbrio macroeconômico será, então, essa, revestindo a concessão de privilégios de interesse estratégico? O presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotoras (Abeiva), José Luiz Gandini, fornece uma informação importante. Ele não tem motivos para gostar da medida, é evidente, mas dado é dado: em 2010, foram comercializados 120 mil carros estrangeiros num mercado de 2,5 milhões de automóveis — 4,8% do total apenas.

Mantega e o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) alegaram que isso vai proteger os empregos brasileiros etc e tal. É um argumento clássico do protecionismo, não é? O fato é que o que está exportando empregos é o câmbio. Mercadante, grandiloqüente como sempre, afirmou que quem quiser se aproveitar do mercado brasileiro vai ter de investir aqui: “Mesmo porque, lá fora, não tem muitas opções”.

Vamos ver. De imediato, uma coisa é certa: o consumidor vai pagar o pato. E também vai se dar mal aquele setor da economia que investiu no mercado de carros importados segundo as regras então vigentes. Se os empregos vão ser mesmo protegidos, o tempo dirá. Medidas semelhantes, em outros momentos, só geraram atrasos e alimentaram pançudos. Nem leite nem tração. Só jumento de chifres.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 19:58

O discurso sem lugar de Guido Mantega

Há discursos que não encontram o seu lugar, por mais que procurem. Leiam o que informa a France Presse. Volto em seguida:

Mantega critica EUA e acusa a China de manipular sua moeda

O ministro Guido Mantega (Fazenda) acusou nesta quinta-feira (7), em Paris, a China de manipular sua moeda e também criticou os Estados Unidos por adotarem políticas que provocam uma subvalorização do dólar.

“Obviamente, a China manipula sua moeda e seria melhor que a moeda oscilasse, inclusive na China”, afirmou o ministro à imprensa, antes de participar em um fórum na capital francesa. Mantega igualmente criticou a política monetária americana, ao considerar que o dólar está atualmente subvalorizado. Na terça-feira, o ministro afirmou em palestra para investidores em Londres que o Brasil pode tomar novas medidas para conter a valorização do real. “Medidas a gente não antecipa, a gente toma e depois comenta. Estamos de olho nesse problema [valorização do real].”

Mas o ministro afirmou que os próximos alvos podem ser os mercados futuros e de derivativos. Mantega disse que o problema é a desvalorização do dólar, causada pelas políticas monetárias dos EUA. Pare ele, é interesse dos EUA manter o dólar fraco para aumentar as exportações e, assim, ajudar na recuperação econômica do país. O ministro disse ainda que países desenvolvidos, como EUA e os da Europa principalmente, estão com políticas monetárias atípicas, porque precisam recuperar suas economias. Enquanto essas políticas persistirem, diz, haverá pressão sobre as moedas dos países que crescem mais, como o Brasil. Depois, em conversa com jornalistas, Mantega se negou a comentar que medidas podem ser tomadas.

Em resposta a reportagens e artigos publicados na “The Economist” e no “Financial Times”, que afirmaram que o Brasil está hiperaquecido e sob risco de uma bolha de crédito, o ministro disse que “a economia brasileira é quente, não superaquecida”. Disse também que não há nenhuma bolha, nem imobiliária, nem de crédito, e que os bancos do país estão sólidos.

Comento
Bem, vocês certamente hão de supor que a China adota uma política macroeconômica que considera adequada às suas necessidades e que os EUA fazem o mesmo, certo? A única coisa que conferiria uma pouca racionalidade ao choramingo de Guido seria esta constatação: “Pô, vocês parem com essas suas respectivas políticas que acabam sendo ruins para o Brasil.” Ao que poderiam responder chineses e americanos: “Pô, Guido, cuide aí do seu país que nós cuidaremos dos nossos”.

O busílis, no entanto, é outro. Ao longo de oito anos, o dólar teve um desvalorização de mais de 80%. Isso é ruim para o Brasil no longo prazo? É evidente que sim. Mas quem disse que Lula, o PT e Dilma — e, pois, Guido — não se aproveitaram disso e não criaram uma espécie de “modelo” com essa nova realidade?

O Brasil enfrenta pressão inflacionária mesmo com um dólar mais barato do que no auge da famosa sobrevalorização cambial do governo FHC. Até as pedras sabem que isso concorre para pressionar para baixo os preços. Assim, a supervalorização do real também é útil para o governo brasileiro, certo?, ainda que, num prazo mais longo, possa ser ruim para o Brasil.

Não é o unico caso em que o que é bom para o PT é ruim para o país.

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2011

às 5:31

Mantega, aquele que ainda não sabe o que é democracia

Já dei uma espinafrada em Guido Mantega por conta de uma bobagem que ele falou sobe a Vale. Leiam o editorial do Estadão a respeito.

*
Mantega e o direito de retaliar
O governo tem o direito de retaliar empresas privadas, quando não concorda com decisões de seus dirigentes, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele expôs sua convicção de forma inequívoca, ao falar no Senado sobre a mudança de comando na Vale, decidida formalmente no mês passado. O governo, disse o ministro, poderia ter retaliado a Vale, quando seu principal executivo, Roger Agnelli, se recusou a atender a pedidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não fez isso porque não quis, o que, segundo ele, mostra que não houve interferência do governo na substituição de Agnelli.

Mas a interferência foi evidente e ocorreu não só quando o presidente Lula pressionou a diretoria da Vale, mas também quando o ministro da Fazenda chamou o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, para discutir a sucessão de Agnelli. O banco integra o bloco de controle da Vale e a mudança na direção da empresa dependeria de sua concordância. Depois dos encontros do ministro com o banqueiro, uma fonte do Bradesco disse ter havido uma pressão massacrante. Essa informação foi divulgada na ocasião. A imprensa noticiou também a primeira reunião de Mantega com o banqueiro.

A indiscrição do ministro, segundo fonte do governo, desagradou à presidente Dilma Rousseff. Por que deveria desagradar, se aquele tipo de contato fosse absolutamente normal e não configurasse uma indisfarçável pressão política?

O ministro negou um fato evidente, ao desmentir a interferência na decisão sobre o afastamento de Agnelli. Mas foi absolutamente sincero ao expor sua opinião sobre os direitos do governo de interferir na gestão de uma empresa privada. Mantega recordou os motivos – bem conhecidos há muito tempo – da insatisfação de Lula em relação ao presidente da Vale. No pior momento da crise, no fim de 2008, a empresa anunciou a demissão de 1.200 funcionários – um número pequeno, seja em comparação com seu quadro de empregados, seja em confronto com as dispensas ocorridas em outras companhias, no Brasil e no exterior. O presidente Lula pressionou publicamente não só a diretoria da Vale, mas também a da Embraer, por causa dos cortes de pessoal na primeira fase da recessão. Não teve sucesso, mas tentou intervir e exorbitou de seu papel ao criticar executivos por tomarem uma decisão legal e perfeitamente normal naquela circunstância.

“Não vejo situação mais democrática do que essa”, disse Mantega, referindo-se à ação do presidente. É uma concepção muito particular de democracia, já que o presidente agiu de forma nitidamente autoritária, tentando interferir na direção de duas grandes empresas privadas. O ministro parece haver esquecido, além disso, as bem conhecidas tentativas de derrubar o presidente da Vale, também noticiadas prontamente pela imprensa.

O presidente Lula censurou a Vale também por exportar minério à China em vez de aço, um produto com maior valor agregado. Mas o investimento industrial necessário para isso estava fora dos planos imediatos da empresa. Também isso foi tratado como afronta. A Vale, segundo o ministro, deveria atender ao “interesse nacional”. Em outras palavras, o governo tentou, sim, interferir na orientação da empresa. Nem é preciso, aqui, sublinhar a espantosa ingenuidade econômica revelada pelo presidente da República e por seu ministro, ao cobrarem da Vale, no meio da crise internacional, um investimento num setor com grande capacidade ociosa.

O ministro Mantega talvez tenha sido mais transparente do que pretendia, ao mencionar a retaliação não executada pelo governo. Se o governo poderia ter retaliado, essa retaliação deveria corresponder a um direito – pelo menos na sua concepção. Essa ideia pode causar estranheza a quem não conheça a “ideologia petista”. Mas é perfeitamente compatível com os padrões seguidos pela administração petista. Afinal, a retaliação não é mais que a contrapartida – com sinal trocado – dos favores distribuídos por esse mesmo governo, por meio dos bancos federais, a empresas selecionadas segundo o arbítrio de quem maneja o dinheiro. Não é isso igualmente democrático, segundo o critério de Mantega?

Por Reinaldo Azevedo

03/05/2011

às 14:45

É só apertar um pouco, e eles deixam claro não saber o que é democracia

Se a coisa aperta, quando é o caso de realmente fazer um teste, muitos valentes brasileiros demonstram que ainda não entenderam o que é a democracia. Leiam o que vai abaixo:

Mantega diz que Agnelli ignorou reclamações do governo

Por Lorenna Rodrigues, na Folha Online:
Apesar de afirmar que não houve interferência política na troca de comando da Vale, o ministro Guido Mantega (Fazenda) admitiu que o governo estava descontente com a empresa e disse que o ex-presidente Roger Agnelli ignorou esse descontentamento. Agnelli foi substituído por Murilo Ferreira no início de abril.
Segundo Mantega, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou “democraticamente” da Vale por dois motivos: não cumprir os planos de investimentos para a área de siderurgia e demitir 1.200 funcionários durante a crise.
“Ele [Lula] demonstrou sua insatisfação e o senhor Roger Agnelli simplesmente ignorou e continuou fazendo o que achava necessário”, afirmou Mantega, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Segundo Mantega, o governo poderia ter retaliado a Vale, por meio do aumento de impostos, por exemplo, mas Lula apenas reclamou publicamente.
“Não vejo uma situação mais democrática do que essa”, completou.
O ministro criticou a demissão de funcionários da Vale durante a crise que, segundo ele, foi alardeada pela empresa à época. “A Vale, com todo esse lucro, demitiu 1.200 funcionários, fazendo barulho inclusive. Uma empresa onde a folha de pagamento representa nada”, completou.

Voltei
O sr. Agnelli administrava uma empresa privada, da qual o estado brasileiro é um acionista, só isso. Não tinha obrigação nenhuma de ceder à agenda política do governo Lula. Aliás, a notável saúde da Vale ao longo dos anos contribuiu enormemente para o caixa oficial, por meio da arrecadação de impostos.

Demissões? Sem crise nenhuma e sem alarde, o governo — sim, o governo — demitiu um número incerto de trabalhadores na usina de Jirau, entre 4 mil e 6 mil, sob o silêncio cúmplice dos pelegos das centrais sindicais, cujas festinhas são financiadas por estatais — e também por empresas privadas, é verdade.

O governo não só demitiu Agnelli como nomeou o novo presidente da empresa. Uma estatal sob a influência do PMDB, por exemplo, teria suscitado maiores cuidados. A justificativa de Mantega é tão clara quanto a sua receita para a economia…

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2011

às 20:45

Mantega pode não saber o que fazer, mas sabe a quem culpar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode não saber direito o que fazer com a economia, mas ele já encontrou a quem culpar. Leiam o que disse na reunião do Diretório Nacional do PT:

“Estarei sempre à disposição do partido para vir aqui dar esclarecimentos e explicar melhor o que estamos fazendo no governo para estarmos mais sintonizados. Para explicar a política econômica porque, às vezes, ela acaba sendo distorcida pela imprensa”.

Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2011

às 15:37

Dilma se previne do vírus da gripe, já do outro…

A presidente Dilma Rousseff tomou nesta segunda a vacina possível: aquela contra a gripe. Ainda não sabe como combater o vírus da inflação. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida.

Governo está no “combate acirrado” à inflação, afirma Dilma

Por Leonêncio Nossa, no Estadão Online:
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira, 25, que o governo está no “combate acirrado” à inflação. Em rápida entrevista após ser vacinada contra a gripe, e promover o início da campanha nacional da vacinação, no Palácio do Planalto, Dilma disse que o governo está atento.

“Nós temos muita preocupação com a inflação. Não haverá, em hipótese alguma desmobilização do governo diante da inflação”, disse. “Todas as nossas atenções estarão voltadas para o combate acirrado à inflação”, garantiu.

Nesta segunda-feira, 25, o mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2011, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC). De acordo com a pesquisa, a expectativa para a inflação oficial neste ano subiu de 6,29% para 6,34%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta de inflação, que é de 4,50%. A meta tem margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu elevar em 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic). A decisão não foi unânime. Cinco integrantes do comitê votaram por alta de 0,25 ponto porcentual, enquanto dois por elevação de 0,50 ponto porcentual.

Comento
Diga-se o que se disser da condução da economia — há quem queira que Guido Mantega está às voltas com a herança maldita da antiga direção do Banco Central —, o fato é Henrique Meirelles tinha uma dupla utilidade para o ministro da Fazenda: a) o mercado confiava que não haveria hesitação em enfiar a mão nos juros se a inflação recrudescesse; b) Mantega sempre poderia dizer que, afinal, ele não tinha poder de alterar a política monetária.

Aquele caminho de Meirelles até poderia não ser o melhor, mas era um caminho. E agora? Qual é a trilha? Ninguém sabe. Há a fala óbvia de Dilma: não pisca para a inflação. Muito bem! Considerando que seria impossível dizer o contrário, a fala é o que é: retórica sem substância.

Quanto a Mantega, vejam como são as coisas: Meirelles lhe era uma excelente desculpa. Agora, ele não tem mais nenhuma. Está sozinho no palco, sem antagonista. Manda no Banco Central. “Ah, mas se a antiga direção do BC tivesse baixado os juros para valer durante a crise, eles estariam agora em patamares mais baixos, o câmbio talvez fosse outro, e se teria mais margem de manobra…”

Calma aí! Aquela equação foi útil ao governo Lula, não? Inclusive eleitoralmente. E não consta que Mantega vislumbrasse dificuldades futuras ou tivesse reclamado. Meirelles, para o ministro da Fazenda, era menos do que um problema; era uma solução. Parece que ele anda sentindo falta de seu “neoliberal” de pouca estimação…

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2011

às 16:51

Guido em seu labirinto

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, até outro dia, era uma pilha de certezas. Sabia tudo. Ontem, falou que não pode usar uma bomba atômica para resolver a complicada equação do câmbio e dos juros. A propósito: se usasse, seria qual? E deixou claro seu dilema de maneira até um tanto cândida —- ou maneira mantega mesmo… “Pô, pessoal, se eu elevo muito o juro, entram mais dólares, o real se fortalece; se o dólar se valoriza um pouco, aí é a inflação que desanda. Parem de ficar me pedindo coisas difíceis!”

E, mais do que nunca, deixou claro que não sabe o que fazer. É ministro para as coisas fáceis.

Pois é… A economia mundial, até a chegada do PT ao poder, não tinha essa abundância de dólares, né? O software deixado pelos tucanos, como diz Luiz Carlos Mendonça de Barros, era para outra realidade. A situação que está aí teria de ser resolvida pelos petistas — e por Mantega, em particular — com a sua própria sabedoria.

Por enquanto, o que se conseguiu nestes três meses e meio foi acumular insucessos e  diminuir a credibilidade do Banco Central.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2011

às 18:42

Governo Dilma se divide sobre “o que não fazer” com o câmbio; o que fazer, até agora, ninguém sabe

A Folha de hoje informa, em reportagem de Valdo Cruz e Sheila D’Amorim, que Luciano Coutinho, presidente do BNDES  (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), desceu a língua na estratégia empregada pelo Ministério da Fazenda para lidar com a valorização do real. Tratava-se de uma reunião fechada com um grupo de empresários ligados à CNI (Confederação Nacional da Indústria). Coutinho sugeriu que o Ministério da Fazenda, cujo titular é Guido Mantega, precisa de um dólar fraco para conter a inflação — que já atingiu a banda superior da meta no acumulado de 12 meses. Ou por outra: com um dólar mais valorizado, a inflação dispararia. O real, hoje, está mais forte do que às vésperas da maxidesvalorização de 1999. Coutinho não economizou: “A indústria está sendo destruída”. Afirmou ainda que sua crítica é endossada por outros ministros, como Fernando Pimentel (Indústria e Comércio) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

Coutinho não nasceu ontem e tinha claro que as declarações sairiam da sala. O governo, como se nota, está dividido. Só que há uma particularidade: pelo visto, os grupos divergem mais sobre “o que não fazer” do que sobre “o que fazer”, já que parece que ninguém tem a menor idéia. Que Guido Mantega está perdidão, não resta muita dúvida. Por enquanto, ele decidiu aumentar o IOF para empréstimos contraídos no exterior — o que só foi bom para arrecadação — e para o crédito interno, o que, dizem especialistas, não chegará a fazer cócegas na contenção do consumo.

O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros tem uma boa imagem para a situação: os petistas sabiam usar o software herdado de FHC para uma situação da economia: de escassez de dólares. Só que o país — e o mundo emergente — vive uma outra realidade: a de abundância. E, para isso, os “petês” não conseguiram ainda encontrar uma resposta. Por enquanto, quanto mais Guido esperneia, mais se enrola na teia: o dólar não só não levanta como cai.

Se coisas como essa prosperam ou restam sem qualquer admoestação da chefia, começa a se espalhar a incerteza. Como diria Paulo, o da Bíblia, é preciso saber que diabo de instrumento toca o governo. No primeiro ano do primeiro mandato de Lula, as divergências internas também eram grandes, mas havia mais visibilidade. Palocci ganhou a parada e preferiu não mudar nada. Acertou. Hoje,  há muito menos certezas. Até o FMI fala em controle de capitais. Sendo assim, imaginem Guido: ele fala qualquer coisa.

Nessas horas, em países, assim, convencionais, vozes costumam vir da oposição; do debate, há a possibilidade de surgir alguma luz. Por aqui… No aguardado pronunciamento que fez no Senado, Aécio Neves (PSDB-MG), saudado pelo próprio governismo como o oposicionista ideal, preferiu deixar o câmbio de lado e falar sobre urgências como o Fundo de Participação dos Municípios…

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2011

às 22:58

A revolução econômica guido-manteguiana: quando chove, ele aumenta o IOF

Guido Mantega anunciou hoje uma nova medida para conter a inflação: aumento do IOF para empréstimos tomados por pessoas físicas de 1,5% para 3%. Quer conter o crédito para diminuir a demanda, o que ajudaria a derrubar a inflação, embora o governo considere que a inflação não é de demanda. Entenderam? Nem Guido Mantega. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida.

Para economistas, aumento do IOF não deve esfriar crédito

Na Folha Online:
O economista José Dutra Vieira Sobrinho, vice-presidente do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo), afirmou que o aumento do IOF para empréstimos tomados por pessoas físicas de 1,5% para 3% não deve ter impacto imediato na demanda por financiamentos.”Serão necessárias outras medidas. Parece que há um certo desespero. O governo anuncia uma medida após a outra”, afirmou Sobrinho. Como exemplo, ele diz que um financiamento de R$ 10 mil em 36 parcelas terá uma prestação aumentada de R$ 397,63 para R$ 402,92 ao mês. “Psicologicamente, isso pode ajudar a reprimir a demanda”, afirmou o economista.

O economista Carlos Eduardo Oliveira Junior, membro do Conselho Federal de Economia, também disse que não é possível estimar o impacto da medida neste momento. “No longo prazo, o governo talvez tenha que tomar uma medida um pouco maior.” Na noite de hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega elevou o imposto com o objetivo de conter a inflação. O novo IOF vale para todas as modalidades de crédito, incluindo o imobiliário e o rotativo do cartão de crédito. “Estamos moderando o aumento de crédito ao consumidor que, neste início de ano, está crescendo em torno de 20%. É uma velocidade um pouco elevada.”

Segundo o ministro, o governo quer “evitar um aumento exagerado da demanda de modo que isso venha a influenciar a inflação”. “O governo não vai permitir que a inflação fuja do controle”, afirmou. A medida foi anunciada no mesmo dia da divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do governo, que em marco teve uma variação de 0,79% em março. No acumulado de 12 meses, até março, o indicador acumula alta de 6,30%, a maior desde novembro de 2008 –quando esse dado chegara a 6,37%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Voltei
No mesmo dia em que anunciou que o IOF subiria 100% para essas operações, Mantega fez-nos saber que, para ele, a inflação de alimentos, por exemplo, se deve às chuvas. Assim, temos um caso fantástico na economia, que ainda vai desafiar os sábios do mundo inteiro: quando chove, Mantega aumenta o IOF, como naquela história da Teoria do Caos, né? A borboleta voa, e o mundo explode.

Ontem, ele estendeu a cobrança de IOF de 6% a empréstimos tomados no exterior com prazo de até dois anos — valia para os inferiores a um. Parece que há um padrão em suas ações: ELE MULTIPLICA POR DOIS O QUE NÃO DÁ RESULTADO PARA VER O QUE ACONTECE. Aí é para tentar frear a entrada de dólares e brecar a valorização do real. Tenta fazer isso porque, se elevar os juros — o que, isto sim, ajudaria a baixar a inflação —, aí há o risco de entrar ainda mais dólares, e o real se valoriza ainda mais.  Nesse caso, pareceu só uma birrinha: como o FMI, no mesmo documento em que piscou para o controle de capital, criticou o IOF no Brasil, então ele dobrou o prazo. Ousado!!! “Us gríngu num manda aqui...”

Chegou-se a falar numa grande mudança de rumo do Banco Central! Sem essa de elevar juros para baixar a inflação! Haveria agora outros instrumentos. Então tá. Vamos ver. O chato é que a inflação incomoda mesmo com o dólar depreciado. Um real mais fraco elevaria o risco de aumentar a… inflação!

Por enquanto, Mantega está apanhando da inflação e do câmbio. Não é que tudo isso fosse fatal porque forças ocultas conspirem contra o Brasil. Não!

O problema está no fato de Lula, em 2010, ter conspirado contra o caixa do governo e contra a prudência. Ajudou a eleger Dilma. Mas isso tinha um preço. Foramas as chamadas “Medidas Macro-Imprudenciais”!

Por Reinaldo Azevedo
 

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