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Greve na USP

15/06/2009

às 6:01

VEJAM O QUE PENSAM E COMO AGEM OS “ESTUDANTES” DE ROSSI OU OS “GAROTOS” DE GASPARI

 

Vejam primeiro o filme acima. Depois voltem aqui. Quem fala ali é Claudionor Brandão, ex-funcionário da USP, mas ainda chefão do sindicato da universidade, e principal comandante daquela greve violenta e ridícula. Depois voltem ao texto.

*

Clóvis Rossi e Elio Gaspari podem se orgulhar. Aliados a Claudionor, que pode ser visto no filme dizendo qual é o real objetivo de sua luta (volto ao tema depois), estão conseguindo dar alguma sobrevida àquela estupidez em curso na universidade. Um diz ser do tempo em que estudante tinha sempre razão. O outro chama a tropa de choque que intimida estudantes, professores e funcionários de “garotos”. O trio que hoje segura a “greve” acaba de ganhar duas adesões de peso.

Amanhã, às 10h, no Anfiteatro da Geografia da USP — a FFLCH é sempre a vítima dessa gente —, haverá um ato, como “eles” dizem, de “Repúdio à Repressão na Universidade”. Bem, finalmente ela apareceu, né? A estrela da festa será Marilena Chaui, aquela que estudou a ética em Spinoza para poder defender a turma de Delúbio Soares, Zé Dirceu, Silvinho Land Rover e os cuequeiros. O outro “resistente” é Antonio Candido, o bisavô de toda essa impostura. Este é um que até é dono de uma obra respeitável (eu não gosto, mas há quem aprecie com sinceridade), mas que põe a sua reputação a serviço das piores causas, como se verá adiante.

Nada a estranhar. Com já lembrei aqui, a intelectualidade como apparatchik chegou ao estado da arte durante o stalinismo. No excelente livro Stálin, A Corte do Czar Vermelho, Simon Sebag Montefiore relata a intimidade, por exemplo, do escritor Máximo Gorki com a ditadura comunista. Ele chegou a visitar, acreditem!, um campo de prisioneiros. Stálin já tinha iniciado a coletivização forçada da agricultura, matando às pencas, e carregava no bolso a sua carteirinha ensebada com o registro das reservas de ouro da URSS e dos campos de concentração (!), e Gorki estava lhe lambendo as botas. Tinha talento, mas era um canalha moral. Isso acontece. Cultura, inteligência, ilustração ou reputação não mudam a essência de um mau-caráter. Idade também não.

Espero que os alunos da USP, os que querem estudar — a esmagadora maioria — resistam ao cerco dos “bolcheviques” — os de pança e os de butique.

Agora o vídeo
Viram?

Trata-se de um vídeo de 2007 com um flagrante de um “debate” havido no Sintusp, o sindicato de funcionários da USP, atualmente sob o controle da Liga Estratégica Revolucionária — uma dissidência à esquerda (se é que me entendem) do PSTU. Sim, eles acham que o PSTU é um partido muito moderado, que atrasa a revolução…

Claudionor, que fazia manutenção de aparelhos de ar-condicionado na USP, é, atualmente, um “marxista-revolucionário” e o principal líder da greve. Outro companheiro seu fala em seguida. São os “estudantes” de Rossi. São os “garotos” de Gaspari.

Moacyr Aizenstein, professor da USP “de origem judaica” (como ele se define), pede a palavra e protesta, em termos educados, contra a distribuição de um panfleto do Sintusp que pregava, singelamente, a destruição do estado de Israel. Segue-se, como de hábito, uma gritaria dos diabos, que caracteriza a democracia dessa gente quando contrariada. O professor é impedido de falar. Bem, senhores… Claudionor toma a palavra. Temos, então, acesso a seu pensamento segundo ele próprio. Vejam o que pensa o “garoto de Gaspari”, o  “estudante de Rossi”. Transcrevo a fala para que fique registrada. Vai que o filme saia do ar. Claudionor dá a sua aula (em vermelho). Faço pequenas intervenções em maiúsculas:

“Não se tratava de mera solidariedade ao povo palestino, de mera solidariedade ao povo libanês. Se tratava [ELE FALA SOBRE O PANFLETO QUE PREGA A DESTRUIÇÃO DE ISRAEL!!!] de solidariedade aos trabalhadores do mundo inteiro. Porque aquela luta que nós fazemos aqui cotidianamente [CLAUDIONOR ESTÁ REVELANDO QUAL É A SUA PAUTA REAL], a luta contra a Alca e seu significado, a luta contra o sucateamento do serviço público, corte de verba, destruição da educação, da previdência, retirada de direitos, imposta pelo FMI e pelo Banco Mundial, essa luta que nós fazemos aqui cotidianamente na forma de greves, de piquetes, de boletins e de panfletos, ou seja, em última instância [ATENÇÃO AGORA, LEITOR], é uma luta contra as determinações do império norte-americano; aquela luta está sendo travada, neste momento, de armas na mão no Oriente Médio [ENTENDEU? HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE A GREVE NA USP E A LUTA NO ORIENTE MÉDIO], no Líbano e na Palestina.
E nós não podemos deixar de ocupar a trincheira
[A TRINCHEIRA NA USP, CLARO, QUE NENHUM DESSES CORAJOSOS TERIA CORAGEM DE BOTAR O BARRIGÃO NO PALCO DA GUERRA]. A questão da destruição ou não do estado de Israel é que virou o centro da polêmica [OLHEM COMO ELE É SINGELO!!!]. Em primeira instância, é necessário ressaltar que [SEGURE O ESTÔMAGO, LEITOR], como marxistas revolucionários, nós defendemos a destruição de todos os estados [PAUSA] burgueses! De uma forma geral. E aqui dizer que o estado de Israel representa os interesses e as necessidades do povo judeu [VEJAM QUE CLAUDIONAR SABE QUEM REALMENTE DEFENDE O POVO JUDEU!!!] seria o mesmo que dizer que esse estado brasileiro representa os interesses e necessidades do povo brasileiro [GENIAL! O TÉCNICO DE AR-CONDICIONADO FOI SUBLIME NESSA...]. Representa nada! Representa os interesses e objetivos da burguesia brasileira. Assim como o estado de Israel representa os interesses objetivos da burguesia israelense [SIM, ELE DISSE ISSO!!!].
O Oriente Médio, ao contrário do que tenta nos fazer parecer, ao contrário do que tentam nos convencer o imperialismo norte-americano e o sionismo, não está dividido entre povos, judeus ou árabes, ou entre religiões distintas. Não é essa divisão que está colocada lá. Aquilo está dividido entre classes, certo? Está dividido entre burguesia e proletariado, está dividido entre burguesia subordinada ao imperialismo e burguesia que, por alguma razão local, resiste, em algum momento, à política do imperialismo. E daí a origem de todos os conflitos. Essa é a questão que tem de ser resgatada aqui. Porque, com certeza companheiros, não apenas enquanto houver o estado de Israel — enquanto houver o estado de Israel isso é mais grave —, mas, enquanto houver burguesia, enquanto houver capitalismo no Oriente Médio, não haverá paz entre os povos daquela região, como não tem havido paz entre povos de outras regiões do mundo.

Entendi. Esse pupilo de Gaspari e Rossi oferece aquela que é, certamente, a mais original e, bem…, revolucionária teoria sobre o conflito israelo-palestino. Claudionar é um mestre, um pensador. Começo a entender as ações do Sintusp. E não sejamos preconceituosos. Nesse particular, a diferença entre ele e Marilena Chaui é que ela não sabe consertar aparelho de ar-condicionado. Mas faltava o toque do sublime, que Claudionor não soube dar. Quem veio completar a sua obra foi um certo Marco Antonio, representante na USP da Liga Bolchevique Internacionalista (LBI):

“O que é que está em jogo no Oriente Médio? Está em jogo reformular, reenquadrar, os interesses do Pentágono e da Casablanca (sic)… da Casa Branca na região. Tá em jogo dominar as reservas de petróleo e de água. Tá em jogo aniquilar qualquer possibilidade de um governo burguês, de um governo burguês [AQUI ELE USA O DEDO EM RISTE COMO ÊNFASE, PARA DIZER QUE EUA E ISRAEL SÃO HOSTIS ATÉ A ESTADOS “BURGUESES”], como o governo do Irã ou o governo da Síria, dizerem um “aí” frente a Israel, frente ao sionismo, frente ao imperialismo. Essa é a questão fundamental. Nós, da LBI, nos colocamos do ponto de vista da defesa do marxismo, da revolução e do socialismo. Mas não vacilamos em nenhum momento em nos colocarmos ombro a ombro, lado a lado [ATENÇÃO, LEITOR!], pela vitória militar do Hezbollah, pela vitória militar do Hamas e das organizações de resistência. Por quê? Porque uma derrota do imperialismo, uma derrota sobre o sionismo, vai [SEGURE-SE NA CADEIRA] alavancar a luta do proletariado latino-americano, dos companheiros da Volks [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!], que estão sendo atacados agora; vai alavancar a luta contra a reforma trabalhista e sindical que Lula quer implementar em nosso país”.

Ele termina, e uma doida começa a gritar em sinal evidente de histeria:
“E viva o Hezbollah! E Viva o Hezbollah!”

Maluquice e irrelevância
Eu nunca tinha pensado em relacionar a “vitória do Hezbollah” à luta do proletariado latino-americano e aos “companheiros da Volks”.  O tal Marco Antonio abriu a minha mente… Isso é maluquice? Julguem vocês mesmos. Isso é irrelevante? Bem, essa gente é quem é. E o que faz neste blog? Pois é…

Foram adotados por parte do jornalismo e do colunismo como paladinos das liberdades públicas. É o setor da imprensa que gente um verdadeiro frenesi ao provar que “é independente de Serra”, nem que isso custe passar a mão da cabeça a Liga Estratégica Revolucionária e da Liga Bolchevique Internacionalista (uma dissidência à esquerda do PCO… Calculem: até o PCO lhes parece moderado…). Amanhã, receberão o apoio dos companheiros Chaui e Candido, com, suponho, a cobertura da imprensa.

Ah, sim: o ombudsman da Folha reclamou da abordagem do jornal, que ele achou excessivamente centrada na questão policial. Ele quer mais destaque à pauta dos reivindicantes. Parece acreditar que Claudionor Brandão tem uma contribuição a dar à melhoria da universidade. E Claudionor já disse qual é: “essa luta que nós fazemos aqui cotidianamente na forma de greves, de piquetes, de boletins e de panfletos, ou seja, em última instância, é uma luta contra as determinações do império norte-americano”.

Que coisa, né? Esses caras são rejeitados pela esmagadora maioria da comunidade uspiana. Será que Rossi, Gaspari, Chaui e Candido vêem neles algo, assim, de “estratégico”? Será que já podem se candidatar a membros honorários da LER-QI?

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2009

às 5:59

Leitor manda uma questão a Rossi. E a coragem dos alunos da USP

Antes de ver o vídeo acima, leia o que segue:
*
Um leitor que estudou (ou ainda estuda) na Poli, a Faculdade de Engenheria da USP, envia um comentário muito pertinente. Trata-se de uma indagação retórica dirigida a Clovis Rossi, acompanhada de uma informação relevante. Ele deixa claro que estudantes da USP podem agir com grande coragem quando a causa é justa. E propõe a este gigante do colunismo um dilema ético. Volto em seguida.

Reinaldo,

o sr. Clovis afirma que é de um tempo em que, em qualquer confronto polícia x estudantes, os Dallaris do mundo estariam do lado dos estudantes e que estes deveriam ser solidários até mesmo com aqueles que praticam crimes em nome de uma “causa” (mesmo que essa seja “impossível”).

Pois bem, sr. Clovis. Onde estava o sr. no confronto Sintusp x estudantes ocorrido na escola Politécnica no segundo semestre de 2005? Não vi nenhuma manifestação sua sobre aquela manhã, quando o prof. Kovács foi quase agredido pelo [Claudionor] Brandão. Digo “quase”, pois os seus alunos saíram em defesa do professor e impediram o espancamento do mesmo.

Sabe por que, sr Clovis, os grevistas, ESSES MESMOS GREVISTAS QUE ESTÃO AÍ HOJE, queriam atacar o professor? Pelo simples fato do o mesmo ter pedido que os baderneiros ABAIXASSEM O SOM DO CAMINHÃO DA GREVE, POIS O BARULHO ESTAVA ATRAPALHANDO A SUA AULA.

Pois é, sr. Clovis! Agora eu pergunto: UMA TURMA DE ESTUDANTES DEFENDENDO A INTEGRIDADE FÍSICA DE UM PROFESSOR PREOCUPADO EM DAR AULA É UMA CAUSA IMPOSSÍVEL O SUFICIENTE PARA O SR.???

Não, sr. Rossi! O sr. já tem o seu lado bem definido. Hoje, o sr. está contra os 99,9% dos estudantes da USP, assim como estava contra os cerca de 20 alunos que foram cercados pela quadrilha do Brandão naquela manhã do segundo semestre de 2005.

Comento
Sempre que um jovem passa um sabão desse num homem maduro, Tio Rei vibra porque volta a ter esperanças. Grande comentário, leitor! Trata-se de uma boa questão, que ficará sem resposta. E ficará porque o colunista já disse que não entra no mérito dos argumentos. De todo modo, aquela turma da Poli está de parabéns. É a velha história: a omissão dos bons pode ser pior do que a ação dos canalhas.

O episódio a que o estudante se refere foi documentado no vídeo acima, que já foi divulgado aqui. O Brandão em Ação está a partir dos sete minutos e 22 segundos. Ah, sim. O leitor se refere ao professor Zsolt L. Kovács, PhD em engenharia eletrônica pelo MIT, reconhecido internacionalmente como uma autoridade na área de inteligência artificial. Não apanhou de Brandão, o “marxista revolucionário” especializado em consertar ar-condicionado, porque os alunos não deixaram.

É isso aí. No mundo dessa gente, um PhD do MIT tem menas autoridade do que um funcionário na manutenção. Mesmo estando na universidade. Eles acreditam que, assim, se exerce a tal igualdade.

Os alunos ainda conseguem manter o bom humor… Tadinhos! Pela primeira vez, eles confessam, estavam entendendo “Algelin”, a famigerada Álgebra Linear. A quem já assistiu ao filme, recomendo que o façam de novo. Quem o viu pela primeira vezs pôde constatar como agem os aliados de Marilena Chaui e Antonio Candido, esses dois luminares das trevas.

E a quem ainda não entendeu “Algelin”, um consolo: rapaziada, entender certos relevos da ética e da moral, para certas pessoas, é coisa bem mais difícil.

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2009

às 5:57

USP, polícia e demagogia

Fernando Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, não é o que se poderia dizer da “minha turma”. Ao contrário até: já andamos nos estranhando em textos. É possível que deteste ver seu artigo reproduzido aqui. Talvez seja alvo até da contraposição de alguns amigos. Paciência! Quando gosto, digo “gosto”. Quando não gosto, “não gosto”. E com o hábito — para alguns, mau hábito — de citar nomes. Sabem por que o faço? Nós, os jornalistas, não hesitamos em dar nome aos bois. Por que deveríamos ser exceção a uma regra que consideramos correta? Estamos no debate de idéias como quaisquer outros. Adiante.

Barros e Silva escreveu um bom texto sobre a USP. OK. Buscou uma autoridade intelectual e moral “progressista” para fazê-lo: o filósofo Adorno. Poderia ser o guarda da esquina, que está lá, como os da USP, para resguardar direitos. Mas tudo bem. A propósito: Caetano Veloso andou reclamando (acho que foi reclamação) de a imprensa paulista citar Adorno até em caderno de rock. Qual o problema? Não vejo mal em a imprensa apresentar Adorno para os simples. Caetano costuma fazer o inverso: apresenta “Um tapinha não dói” para os complexos… Entre as duas contaminações, prefiro a primeira.

Em tempo: os patrulheiros deixem Barros e Silva em paz. Não foi ele que elogiou meu texto. Eu é que estou elogiando o dele. Ele não tem culpa. E sugiro aos comentaristas que se atenham a este texto. Quando houver motivos para discordância, discordância então. Ao artigo.

“Não se deve caluniar abstratamente a polícia”. É conhecida a resposta do filósofo Theodor Adorno à reprovação que lhe fazia, dos EUA, Herbert Marcuse pelo fato de ter recorrido à força policial para barrar estudantes que tinham invadido o Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, no início de 1969. A polícia, escreve Adorno numa das célebres cartas ao amigo, “tratou os estudantes de maneira incomparavelmente mais tolerante do que estes a mim”.

A USP não é a Escola de Frankfurt, 2009 não é 1969 e Suely Vilela não é… bem, a reitora já disse ser adepta dos livros de autoajuda. Alguém dirá, além disso, que há razões nada abstratas para criticar a ação da polícia no campus, o despreparo para lidar com situações deste tipo entre elas.

Sim, ninguém pode de boa-fé desejar a universidade ocupada. Sim, a reitora é uma figura lamentável, e sua gestão, ruinosa. Mas quando os “progressistas” da USP vão ter coragem intelectual para criticar também o comportamento autoritário de uma minoria de funcionários grevistas que intimidam colegas e querem impor ao conjunto da universidade o que há de pior e mais privado no espírito corporativo?

Quando dirão que luta social e vandalização de patrimônio público não são nem devem ser sinônimos? Quando chamarão pelo nome o “fascismo de esquerda” de grupelhos pautados por estupidez teórica e desprezo sistemático pelos direitos dos outros?

Coube ao professor Dalmo Dallari, um veterano das causas democráticas, a intervenção mais lúcida, honesta e destemida a respeito do imbróglio uspiano. Em entrevista à Folha, na sexta, ele diz coisas como: a polícia que cumpre uma ordem judicial para proteger o bem público não é a polícia da ditadura; a pauta dos grevistas é desconexa e seus métodos são intoleráveis; a reitora é fraca, mas sua destituição agora desmoralizaria a instituição.

Eis, para os que não querem ficar presos a clichês mal digeridos da cultura meia-oito, um bom ponto de partida para o debate.

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2009

às 7:13

O TEMPO PASSOU NA JANELA, CAROLINA!

Muitos protestos, claro!, contra o texto em que contesto as  bobagens monumentais escritas por Clóvis Rossi. Pena que essa gente não consiga limpar os pés e a língua e tente se comportar aqui como se comporta na USP: emporcalhando tudo. A minha arma de dissuasão, nos limites de um blog, é bem mais poderosa do que aquelas empregadas pela PM, que é o povo de farda: a EXCLUSÃO. Se eles não conseguem ter um comportamento civilizado num ambiente público, terão de tê-lo num ambiente privado, que é esta página. Ou não entram. Há tanto pardieiro onde exercitar seus baixos instintos e resfolegar suas teses. Por que aqui? Adiante.

Não tenho como responder ao engrolado dessa gente porque se trata de um momento raro da nossa longa trajetória: o encontro de dois estágios distintos da espécie. Se o sujeito é incapaz de entender os direitos individuais como coisa inegociável, o que é que eu tenho a lhe dizer? Nada! Se ele realmente acredita que alguém pode chamar para si a prerrogativa de tolher o meu direito de ir e vir, segundo o que está expresso numa Constituição democrática, como devo convencê-lo? Bem, acho que ele tem de ser convencido por um cassetete. Ou, ao menos, contido por um.

Como não sou disso, a democracia que prezo tanto oferece uma resposta: também segundo a Constituição e as leis, põe farda em parte do povo e lhe concede o monopólio do uso da força. A civilização é assim, entendem? Assim a gente descobriu a vacina contra a varíola, o elevador e a interdição de soltar pum no elevador — que é a tecnologia associada à civilidade. Se aquele 0,5% da USP, sob o comando da  Liga Estratégica Revolucionária (LER-QI), quer impor seu raciossímio na base da porrada, então é preciso que experimente o cassetete democrático-civilizacional. Mais: chegou a hora de processar essa gente em razão de um penca de transgressões cometidas segundo os códigos da democracia: constrangimento ilegal, depredação de patrimônio público, agressão… Dá pra escolher.

Voltado
Mas volto ao texto e à tese de Clóvis Rossi e, agora, respondo a alguns que ensaiaram alguma ponderação: “Ah, mas você pegou pesado demais com o cara”. Não peguei, não! Peguei foi leve. Não é possível — quer dizer, “possível” é, tanto que ele escreveu e foi publicado; mas não parece aceitável — que o titular de uma coluna de um jornal de prestígio condene uma ação policial e a opinião de quem a defende afirmando que vai se abster de debater os argumentos contrários. Ora, quem declina do debate e, pois, ignora as ponderações do outro, opta, então, por qual coisa? Pelo preconceito. Que foi o que Rossi fez. Relembro um trecho:

“Não estou nem discutindo os argumentos que Dallari apresentou em sua entrevista de ontem à Folha. O fato é que sou de um tempo em que, em qualquer confronto polícia x estudantes, os Dallaris do mundo estariam do lado dos estudantes.”

Para Rossi, preconceito a favor é iluminação. Quer dizer que chegou ao ponto em que se abstém de pensar, senta no sofá, protege os protegidos de sempre e condena os suspeitos de sempre, como Louis, o policial corrupto de Casablanca? Quando o sujeito faz a prova da Fuvest, está, então, se candidatando não só ao curso gratuito, ao café da manhã, à refeição que custa, atenção!, R$ 1,90 (de excelente qualidade, com suco e sobremesa) e ao transporte interno gratuito, mas também à impunidade? Uma vez aprovado, a depender do grupo a que ele escolha pertencer, ou não é mais regido pela Constituição ou não é mais protegido por ela? E quem garante os direitos de quem quer estudar, de quem quer lecionar, de quem quer trabalhar?

Outra vaca sagrada do jornalismo. Elio Gaspari, dá sua contribuição ao equívoco evocando questões de anteontem. Escreve hoje em sua coluna no Globo e na Folha a seguinte notinha:

“O governador José Serra e seus sábios tucanos, bem como a reitora da USP, Suely Vilela, deveriam conversar com o professor Aloisio Teixeira, reitor da UFRJ. Ele recebeu uma universidade conflagrada, pacificou professores e estudantes e deixou a polícia de fora.
Serra e a doutora Suely fazem o caminho oposto. Militarizam a controvérsia e jogam os moderados no colo dos aparelhos.”
Pode ser que haja na USP garotos (e professores) convencidos de que a democracia representativa é uma “máscara para acobertar a submissão do Brasil ao imperialismo”. É besteira, mas é besteira velha, dita em 1963 pelo governador que acionou a PM, quando assumiu a presidência da UNE.”

Se, em 2009, Serra não repete a besteira dita em 1963, então é sinal de que Serra evoluiu. Se, em 2009, Gaspari cobra coerência com a bobagem dita em 1963, então é sinal de que Gaspari regrediu. Em 2007, a reitora na USP não chamou a Polícia. O movimento foi num crescendo de provocação e violência, arrastando-se com sua pauta eivada de cretinismos e mentiras grotescas. Procurem nos arquivos. Acusava-se a tibieza do governo. Agora, tudo seguiu o trâmite do estado democrático e de direito. Parece que certo jornalismo prova sua independência ora criticando, ora elogiando Lula. No caso de Serra, só se é independente quando se critica. O PT deve concordar com esse critério e considerá-lo, de fato, muito justo.

Observem que também Gaspari se abstém de comentar a pauta dos grevistas. “Garotos”? Que “garotos”? Aí já não se está mais no terreno da opinião apenas. O comandante da balbúrdia minoritária da USP chama-se Claudionor Brandão, que é quem é. Tentar simular um confronto entre “garotos” e “força militares” é trapacear com os fatos, largamente documentados. Ou um governo deve transigir com um grupo de fascistóides para que os “moderados” não se inflamem? Moderados, seu Gaspari, são os 79.500 estudantes que seguem estudando

É isso aí. A independência de certo jornalismo vale até mesmo uma aliança episódica, quem sabe estratégica (!?!?!?), com a Liga Estratégica Revolucionária…

Um fala com nostalgia de 1968, outro evoca 1963… Querem saber? Velho está certo jornalismo. Caducou de vez. Isso nada tem a ver com idade. Trata-se apenas de uma visão de mundo que tem um enorme passado e nenhum futuro. Dois medalhões da imprensa tornaram-se aliados objetivos de Claudionor Brandão e sua extensa ficha de serviços prestados à universidade e à civilização. E que se danem os fatos, ainda o primeiro compromisso de um jornalista.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2009

às 6:12

Clóvis Rossi se supera e consegue escrever seu pior texto! Até agora…

Clovis Rossi escreveu na Folha deste sábado o artigo que jamais imaginei ler. Nesse estrito sentido, não deixa de ser realmente surpreendente. Desta feita, reproduzo inteiro, o que não faço no clipping. Um vermelho e azul com ele.

Quando a polícia é compreendida

O que mais me impressiona nos episódios da USP não é tanto a ação policial, embora condenável.
“Condenável” por quê? Ele tem de dizer. A PM estava lá obedecendo a uma ordem judicial. Não deveria atuar? Os estudantes que cercaram e ameaçaram policiais não são “condenáveis”?

Não me impressiona pela quantidade de vezes que vi episódios semelhantes -e sofri na pele a violência, embora nada tivesse a ver com o peixe. Estava apenas cobrindo manifestações públicas, no Brasil, na Argentina, no Chile, em Seatle (EUA), na América Central etc.
Como se vê, a polícia é mesmo uma instituição internacional… Existe também na Suíça, na Suécia, na Noruega… Rossi deveria se perguntar por que a extrema esquerda não se mobiliza contra o programa de ensino à distância nas universidades federais.

O que me impressiona é o fato de que pessoas da melhor qualidade, como o professor Dalmo Dallari, aceitem o recurso à polícia para resolver uma pendência interna da universidade.
Acho que ele tentou escrever “pendenga”, já que “pendência” é outra coisa. Não é assunto interno, não. Quando um grupo organizado ameaça o direito de ir e vir e a integridade física de professores, funcionários e alunos, tem de se contido. E é um trabalho da polícia. Na universidade, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé.

Não estou nem discutindo os argumentos que Dallari apresentou em sua entrevista de ontem à Folha. O fato é que sou de um tempo em que, em qualquer confronto polícia x estudantes, os Dallaris do mundo estariam do lado dos estudantes.
Mais um que não quer “discutir os argumentos”… Como é que alguém pode se espantar com a opinião do outro sem “discutir os argumentos”? Nunca vi isso. Ou melhor: já vi. Mas as pessoas que raciocinam assim não costumam ter coluna em jornal. Quer dizer que os “Dallaris” da vida têm de estar sempre com os estudantes mesmo quando os estudantes estão errados? Mesmo quando estão depredando a universidade? A USP tem 80 mil alunos e quase 6 mil funcionários. Umas 500 pessoas, no máximo, impedem o funcionamento do restaurante, dos ônibus internos e as aulas na FFLCH (e não 2 mil…). E como ficam os outros 79.500 alunos? Devem ser privados dos seus direitos? “Estudante” é só quem faz barricada e impõe a sua vontade a quem não quer fazer greve? Publiquei aqui a carta de um grupo de alunos de alemão que foi vítima de uma ação verdadeiramente fascistóide.

Impressiona também o fato de alunos condenarem seus colegas e aceitarem a ação policial, como ficou claro em duas cartas publicadas, em dias sucessivos, no “Painel do Leitor”. Sou do tempo em que estudantes eram rebeldes, com ou sem causa, e portanto mereciam o apoio integral de seus colegas -ainda que cego, às vezes.
Rossi não está preparado, vejam vocês, para o fato de os estudantes também evoluírem e apoiarem o movimento quando acham justo. E não apoiarem quando acham injusto. É inacreditável que escreva um troço como esse. Como já deixei claro aqui, uma parte do jornalismo de São Paulo é que promove a “greve” na USP, em parceria com um grupelho trotskista chamado LER-QI (falei ontem a respeito). Um único militante de esquerda, ex-funcionário da USP, Claudionar Brandão, ligado à LER-QI, pauta esse setor da imprensa. Quem deve ser chamado a atuar na universidade quando os direitos constitucionais são desrespeitados? Rossi escreveu um texto de assembléia, de passeata. Com ele, demonizou os não-grevistas, tentando constrangê-los, sugerindo que são insensíveis ou traidores da causa. ESPERO QUE OS NÃO CAIAM NO TRUQUE SUJO E CONTINUEM FIÉIS À CONSTITUIÇÃO DEMOCRÁTICA. Que não permite aquele tipo de constrangimento.

Até entendo que a rebeldia de hoje se dê em torno de questões mais pobres (ou estou sendo apenas saudosista? O que a idade permite, mas o bom senso desaconselha).
É, Rossi, hora de ler Antero de Quental, bastante citado neste blog, mas nunca o suficiente:
“Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta de reflexão.”

O fato é que sempre me encantou um dos slogans-símbolo de 1968, aquele que dizia “seja razoável, peça o impossível”. Hoje, o impossível nem passa perto da pauta.
É falta de leitura. Recomendo as Memórias de Raymond Aron para saber o mal que 1968 fez à universidade francesa. Rossi era um dos colunistas que pegava no pé de FHC, mangando da sua “utopia do possível”. Para o crítico, o possível é coisa que qualquer um pode fazer. Fora de uma linguagem, digamos, poética, o que quer dizer “pedir” ou “prometer” o impossível? Se for um assunto privado, é coisa de idiotas. Se for um assunto público, é coisa de vigaristas.

O empobrecimento da agenda talvez explique a desunião no meio estudantil. Até acredito que “entre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos”, como escreveu ontem Vladimir Safatle, professor da filosofia.
Pois é… Acredita em gente errada. Até os números de Safatle eram falsos. Como é falso que a PM tenha entrado de metralhadora na USP. Como é falsa a disparidade salarial que ele alegou em seu artigo. Uma soma de imposturas, conforme demonstrei ontem aqui.

São poucos, não? E ainda resta saber onde estavam os outros melhores alunos.
Os REAIS MELHORES ALUNOS estavam estudando, Clóvis Rossi, em vez de se mobilizar para trazer de volta à USP um ex-funcionário cuja truculência é antológica, documentada. O problema, claro, é estar com a cabeça ainda em 1968 — seja na França, seja no Brasil. A universidade custa caro aos cofres públicos e deve produzir conhecimento.

Os petistas usarão os eventos da USP para atacar seus adversários tucanos, mas as críticas de Dallari indicam que o PT não reconhece futuro no movimento dos ultra-radicais. Gente como Rossi não se conforma com isso e está tentando ver se a coisa recrudesce. Só assim ele poderá dar algum lições a José Serra de como conduzir a questão. Provavelmente ministrará ao governador a receita que ministrava a FHC: “Ah, faça o impossível. O possível, até eu faço”.

À sua maneira, com efeito, ele escreveu o texto realmente impossível.

Eu disse: o principal jornal do país está sendo pautado pela Liga Estratégica Revolucionária — um grupelho trotskista que não deve encher um Fusca. Não, Clóvis Rossi, a crise não está na universidade nem é do estudantado. E você é a prova.

PS: A escória do subjornalismo na Internet — a ratazana, o anão… — vive acusando a Folha, injustificadamente, de “serrista”. Trata-se de uma tática para intimidar o jornal, empurrando-o para o ataque ao governador, o que provaria que eles estão errados. Fazem isso também com o Estadão. Infelizmente, alguns bocós caem no truque, provando, então, que são “independentes” de Serra, mas não “independentes” da escória, já que se deixam pautar por ela. E há quem faça o jogo por gosto mesmo. Num caso ou noutro, vale até se aliar à espantaosa “Liga Estratégica Revolucionária - Quarta Internacional”.

A universidade até que vai bem. E o jornalismo? Como vai?

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2009

às 6:11

Olhem quem é o herói de Rossi

Finalmente, a imprensa descobre que a LER-QI (!!!) é que comanda a bagunça da USP, conforme este blog informou (ver posts de ontem). Leiam texto de Talita Bedinelli, na Folha. Comento depois:

Na pauta de reivindicações de funcionários grevistas da USP, o primeiro item, escrito em negrito e letras maiúsculas sob o título “questões políticas”, é a “readmissão do diretor do sindicato Brandão”.
O Brandão em questão é o ex-servidor Claudionor Brandão, 52, um dos cabeças do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e da atual paralisação, que completa hoje 40 dias. Membro de um grupo denominado “Liga Estratégia Revolucionária”, uma dissidência do PSTU, ele acredita que só com a revolução seja possível alcançar o comunismo.
Revolução armada? “Você viu as bombas do coronel Longo? Acha que é possível derrotar aquilo só com palavras?”, diz, referindo-se ao confronto com a Polícia Militar na última terça na USP (saldo de dez feridos). O tenente-coronel Cláudio Longo dirigiu a operação.
No episódio, Brandão foi detido por desacato e resistência à prisão. Ele afirma que apenas tentou dialogar com o policial que prendia um colega. Foi solto no mesmo dia, após a realização de um “termo circunstanciado”. A ele juntam-se outros sete boletins de ocorrência (por ameaça, invasão, dano ao patrimônio e atentado violento ao pudor, entre outros), outro termo circunstanciado e três inquéritos policiais.
(…)
Filiado ao sindicato desde 1988, já foi três vezes da diretoria. Participou de 12 greves e diz que “o diálogo [com a reitoria] ficou cada vez mais difícil”. Um exemplo, diz, é a entrada da PM na USP. “É a prova da incapacidade da reitora Suely Vilela de resolver os problemas da universidade.” Segundo ele, se ela não ceder, a greve continuará.
Em 1998, foi candidato a deputado estadual pelo PSTU; teve 439 votos. Desde a demissão, vive com R$ 2.600, pagos pelo sindicato -mesmo valor que recebia como servidor da USP. Aqui

Comento
Claudionor, como esse blog informa desde 2007, é que é o verdadeiro chefe da “greve” da USP. É ele quem comanda o movimento que encheu Clóvis Rossi de nostalgia e o levou a sonhar com as barricadas do Maio de 1968 francês (ver post acima). Sete boletins de ocorrência! Um deles por atentado violento ao pudor. Esse é o herói de Clóvis Rossi.

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2009

às 19:15

Vejam o que descobri

Um leitor me manda a informação de que o site do grupo ultra-radical LER-QI (ver posts abaixo), que dá orientação ao sindicato de funcionários da USP, está registrado em nome de Diana Soubihe. Trata-se de uma informação pública. Interessante… Escarafunchei aqui e descobri algumas coisas bem interessantes. Uma mesma Diana Soubihe, com o mesmo número de documento, já disputou na USP os seguintes cargos:
- Auxiliar de Esporte do Centro de Práticas Esportivas da USP (confira lista aqui);
- Recepcionista (confira lista aqui);
- Auxiliar de cozinha (aqui).
Ela também tentou ser Auxiliar Administrativo II da Prefeitura de Santo André (aqui). Não sei onde foi que se encaixou. Mas louvo-lhe os múltiplicos talentos, né? Não sei onde acabou se encaixando. Parece que na USP mesmo. Não sei em que cargo.

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2009

às 18:21

Professor que deu alcance teórico ao terrorismo divulga duas mentiras sobre a USP

Dona Reinalda, que me empurrou para o bom conservadorismo — quando eu a conheci, há 25 anos, ainda tinha algumas tentações esquerdopatas, mas ela me curou — chamou a minha atenção para um artigo publicado hoje na Folha, de autoria de Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da USP. Título: “A universidade não é caso de polícia”. A minha orientadora ideológica jogou o jornal sobre a mesa e ordenou: “Diga a esse sujeito que universidade também não é caso de bandido”. Graaande Dona Reinalda! É ela mandar, e eu escrevo. Safatle é conhecido deste blog. Volto ao passado daqui a pouco. Quero agora me centrar no seu artigo.

A ação dos delinqüentes na USP é inaceitável. A Polícia está lá obedecendo a uma ordem judicial e, como resta evidente, é a agredida, não a agressora. Logo, este senhor não tem como defender a desordem. Assim, o que lhe resta? Recorrer à mentira. É chocante que um professor de filosofia de 38 anos tenha de mentir para defender o indefensável. Ele, é verdade, já fez coisa bem pior. Primeiro ao artigo:

MENTIRA UM
Leiam o que ele escreve:
“Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la?”

É mentira! A polícia não portava metralhadora coisa nenhuma. Em nenhum momento essa arma foi usada como instrumento de dissuasão ou contenção do tumulto. Bem, mas ele botou a mentira em letra impressa. Os sites e blogs da rede esquerdopata já o espalharam. A falsa metralhadora será incorporada à argumentação. Safatle se diz estudioso de Lacan. Deveria escrever um ensaio sobre o papel da mentira na “lacanagem”.

MENTIRA DOIS
Melhor seria começar explicando qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país, responsável por parte significativa da pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.

Às vezes, sim; às vezes, não. Seria preciso um levantamento minucioso. Quando se trata de professor-doutor titular ou professor-adjunto, com doutorado, ambos em regime de dedicação exclusiva, as federais levam alguma vantagem:
Titular:
Na USP – R$ 9.642,00
Nas federais – R$ 10.446,81
Adjunto
Na USP – R$ 6.707,00
Nas federais – R$ 6.722,85

Mas atenção. Fala-se aí de salários sem a incorporação de benefícios decorrentes do tempo de serviço. As estaduais de São Paulo pagam, por exemplo, um salário-base superior às federais. A depender do caso, entram penduricalhos que ora põem as federais em vantagem, ora as estaduais. Como digo lá, “às vezes, sim; às vezes, não”. Sustentar que a USP paga menos do que as federais é ater-se a uma realidade de planilha, que nada tem a ver com os fatos.

Mais adiante, escreve ele:
Por fim, contrariamente a certa ideia que um anti-intelectualismo militante gosta de veicular nestes momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente dedicados em seus cursos, participam sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam “papers” em congressos e podem ser constantemente encontrados em nossas bibliotecas.

Antiintelectualista é depredar a universidade. Vamos lá: apresentem-se, então, os líderes da baderna com sua dedicada ficha escolar. Quero ver. Dito assim, fica fácil. No artigo, Safatle recorre a um estratagema comum a alguns petralhas que pretendem ter seus comentários publicados aqui: “ó, não sou petralha, mas…” Diz ele que não faz parte do movimento sindical nem participa de assembléias. E daí? Isso não torna as suas mentiras mais legítimas do que a dos sindicalistas. Ademais, ser sindicalizado e participar de protestos não é crime nenhum. A questão é como fazê-lo.

Velho conhecido
Mas este é Vladimir Safatle. Já falei sobre ele aqui, talvez vocês se lembrem. Reproduzo abaixo o artigo. Para quem tentou dar alcance teórico ao terrorismo, como ele fez, recorrer a duas mentiras para justificar uma opinião é pinto. Segue um post meu de 13 de janeiro. Naquela vez, ele escreveu no Estadão. Agora, na Folha. Sei que o post fica longuíssimo, mas é importante.
*

CRUZANDO A LINHA: O “ESTADÃO” PUBLICA TEXTO QUE FAZ A DEFESA DO TERRORISMO COMO PRINCÍPIO POLÍTICO. NADA SERÁ COMO ANTES

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 | 15:45

Aconteceu no dia 11 de janeiro do Ano da Graça de 2009. O Estado de S. Paulo — jornal de tradição e glórias mil, cujo apreço pelas liberdades públicas custou a seus comandantes o exílio e a mais odienta perseguição política — publicou, enfim, um artigo que faz a defesa teórico-filosófica do terrorismo. É UM MARCO NA IMPRENSA BRASILEIRA. Assim, o editor do jornal-símbolo da luta contra AS DITADURAS que permitiu tal publicação cruzou a linha do que, até então, entendíamos eu e muitos outros, era impossível. ALGO SE QUEBROU PARA SEMPRE. Agora, é bem possível que, no Estadão, TUDO SEJA PERMITIDO. E, se é no Estadão, devemos temer que outros veículos sigam o seu mau exemplo. JÁ É PERMITIDO, NOS ESPAÇOS QUE AS ESQUERDAS DO COMPLEXO PUCUSP CHAMAM “IMPRENSA BURGUESA”, DEFENDER AS VIRTUDES DA VIOLÊNCIA E DA MORTE COMO EXERCÍCIO CRIATIVO.

Ah, mas do que estou falando, hein, leitor?

No domingo, no Caderno Dois do Estadão, Valdimir Safatle, professor de filosofia da USP, assina uma resenha de duas coletâneas de textos organizadas por Slavoj Zizek: um volume reúne textos do grande humanista Mao Tse-Tung, aquele que matou 70 milhões de pessoas enquanto no poder (Sobre a Prática e a Contradição). Outro traz textos de Robespierre (Virtude e Terror). Safatle não quis ficar atrás dos resenhados, seja o autor da coletânea, sejam os autores dos textos originais, e fez a sua própria apologia do terrorismo. Não é de hoje que ele tem uma particular (na USP, nem tanto) compreensão do terrorismo, como demonstrarei daqui a pouco. Para quem não conhece, Zizek é um sociólogo e filósofo esloveno, autor de vários livros traduzidos no Brasil, e uma das referências dos radicais de esquerda. Quer-se um renovador do pensamento marxista, operando no que seria a interface (argh!) entre o marxismo e psicanálise. Mas vamos à resenha de Safatle, que segue em vermelho, com comentários meus, em azul.

Invenção do terror que emancipa
Eis o título. Que já não esconde o que pretende. “Terror que emancipa” é, por si mesmo, uma formulação imoral.

Há algum tempo, vemos as livrarias serem palcos de um assalto conservador à cultura. Um desavisado poderia imaginar estar em plena época da Guerra Fria, haja vista a quantidade de livros de propaganda anticomunista, de revisionismo histórico e de divulgação de ideologia conservadora que assolam as prateleiras de filosofia e ciências humanas.
Ainda que houvesse essa grande produção conservadora — é uma mentira! —, reparem que ela seria um “assalto” a “assolar” as prateleiras. Os conservadores, nessa perspectiva, precisam, claro, ser contidos. São uns vândalos. A civilização está, como veremos, com os terroristas e seus defensores.

Estudos sobre o “sanguinário” Lenin convivem harmoniosamente com elogios ao grande passado imperial da nação brasileira, análises sobre a luta milenar entre os “terroristas” e os defensores da modernidade esclarecida e críticas conservadoras à solidão ontológica do homem contemporâneo com direito a citações de Ratzinger. O conjunto pode parecer heteróclito, mas, infelizmente, não é. Eles são peças de um jogo de xadrez cujo objetivo consiste em impor uma extensa agenda conservadora no campo da reflexão e tirar de cena discussões fundamentais para a crítica cultural e sociopolítica produzidas no calor das lutas e revoluções que fizeram a história do século 20.
Viram só? Safatle é do tipo que põe aspas nas palavras para que elas passem a significar o contrário do que significam ou para lhes denunciar a falsidade imanente. Assim, quando ele, ironicamente, se refere ao “sanguinário” Lênin, quer nos dizer que o facínora não era, então, sanguinário. Quando põe aspas em “terroristas”, está dizendo que terroristas não são. Risco mesmo ele vê nos pensadores que citam Ratzinger. Até aqui, vá lá, é a delinqüência intelectual de sempre das esquerdas. E NOTEM QUE ELE AINDA NÃO DISSE NADA DOS LIVROS QUE SE PROPÔS A RESENHAR. Que se danem os livros! Ele tem uma tese, e os volumes servem apenas de pretexto.

Nesse sentido, a tradução, pela Jorge Zahar, de duas coletâneas organizadas por Slavoj Zizek com textos de Mao Tsé-tung (Sobre a Prática e a Contradição) e de Robespierre (Virtude e Terror, tradução de José Maurício Gradel, 236 págs., R$ 39,90) é extremamente bem-vinda. Figura maior da renovação do pensamento de esquerda, com Alain Badiou, Giorgio Agamben, Ernesto Laclau e Judith Butler, Zizek conseguiu renovar as articulações entre psicanálise e marxismo através de recursos sistemáticos à Jacques Lacan e às figuras maiores do idealismo alemão (Hegel, Schelling, além de uma versão peculiar do sujeito transcendental kantiano). Esse projeto, traçado desde seu O Mais Sublime dos Histéricos: Hegel com Lacan (Zahar), publicado entre nós no início dos anos 90, foi sendo paulatinamente aprofundado até chegar à maturidade com seus dois livros principais: The Ticklish Subject e Visão em Paralaxe (Boitempo).
Nesse ponto, Safatle enche lingüiça (a minha, ainda com trema…), engrolando um fácil falar difícil, prática que se estende ao parágrafo seguinte, e omite um dado essencial: Zizek é um “filósofo” empenhado na reabilitação do comunismo — excluindo-se, claro, todos os seus defeitos…

Nesse trajeto, Zizek procurou tirar as consequências de seu projeto filosófico-psicanalítico no campo político. Operação feita por meio da reflexão sobre os problemas legados pela noção de “política revolucionária” em textos de Lenin, Trotsky, Lukács e, agora, Mao e Robespierre lidos à luz da noção de “ato analítico”, de Lacan. Assim, longe de ser uma simples retomada de tais textos e de conceitos como: crítica da democracia formal, ditadura do proletariado, luta de classes, antagonismo social, violência legítima, Zizek procura estabelecer uma articulação original entre política e teoria do sujeito.
A vigarice intelectual não tem limites. Recorre-se a categorias lacanianas, como ficará claro mais adiante, para se justificar a ação terrorista.

Podemos dizer isso porque se trata de interrogar o sentido da ação revolucionária no interior do projeto moderno de reconhecimento das exigências de uma subjetividade que não pode ser compreendida nos quadros normativos do humanismo.
Tirado o glacê da linguagem supostamente filosófica — é só texto ruim mesmo —, Safatle se prepara para elevar o terrorismo à categoria das ações respeitáveis. E quem o contestar estará, fatalmente, limitado pelo “quadros normativos do humanismo”. Assim, leitor amigo, ao pensar o 11 de Setembro (e já conto o que Safatle escreveu a respeito) ou as ações do Hamas, esqueça o velho humanismo, seja menos conservador. Pense grande!!!

Ou seja, Zizek quer mostrar como os fatos decisivos da história política mundial desde a Revolução Francesa foram animados pelo advento de uma noção de subjetividade que não podia mais ser definida através da substancialização de atributos do “humano” e cujos interesses não permitiam ser compreendidos através da lógica utilitarista da maximização do prazer e do afastamento do desprazer.
Ah, bom! Vamos parar com essa bobagem de “substancializar” o humano. Devemos é pensar no avanço moral da substancialização da Besta! E chega também dessa história da lógica utilitarista da “maximização do prazer”. Coisa mais ocidental e sem graça! Começo a entender agora a lógica interna do “martírio” dos atentados terroristas. Ali, sim, há pessoas que foram muito além da “substancialização do humano”, né?, apontado as virtudes libertadoras do sofrimento.

Ao contrário, a partir da Revolução Francesa, sobe à cena do político uma subjetividade “inumana” por recusar toda e qualquer figura normativa e pedagógica do homem, por recusar de maneira “terrorista” os hábitos e costumes, por não se reconhecer mais em natureza e em determinação substancial alguma.
Como vocês sabem, este escrevinhador já deixou cravado neste blog que a Revolução Francesa transformou a morte em teoria política e atribuiu virtudes filosóficas à eliminação do adversário. Jamais imaginei que leria na “imprensa burguesa” a apologia desse procedimento.

Assim, se Zizek pode olhar para Robespierre e dizer que “o passado terrorista deve ser aceito como nosso”,
O escambau! O passado terrorista de Robespierre é o passado do marxismo — porque lá está sua semente e de quantos defendam o terrorismo.

não se trata de fazer apologia voluntarista da violência política, mas de insistir que o verdadeiro problema político legado desde o advento da modernidade é: como construir estruturas institucionais universalizantes capazes de dar conta de exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa? Diga-se de passagem, um problema apontado de maneira clara pela primeira vez por Hegel já em suas leituras sobre (e a coincidência não é aqui casual) o terror jacobino.
O recurso a Hegel é vigarice intelectual. A única maneira de “construir estruturas institucionais universalizantes” (como Safatle consegue emprestar aparência de profundidade à defesa do terror, não!?) que abarquem o terrorismo é aceitá-lo como coisa legítima e, quem sabe?, exaltá-lo como prática criativa da política.

A sagacidade de Zizek, apoiando-se aqui em reflexões de Alain Badiou, consistiu em mostrar como essa experiência disruptiva inscrita na essência da conduta do sujeito foi o motor da nossa história recente.
Entenderam? O motor de nossa história recente foi o terrorismo.

História revolucionária na qual se imbricam violência, criação, destruição, procura e que, principalmente, não pode ser lida apenas como uma sequência de lutas pela redistribuição de riquezas e de generalização de direitos.
Vejam que haveria uma certa gratuidade quase poética no terrorismo. Ele nem mesmo quer redistribuir rendas ou direitos. Quer apenas se exercer.

Recalcar esta história, como se fosse questão de uma sucessão de catástrofes (o comunismo, o terror, as ilusões de ruptura do modernismo, etc.), como se o tempo devesse ser avaliado a partir da contagem de mortos ou, para falar com Habermas, como se este impulso não passasse de uma estetização da violência e do excesso com consequências políticas nefastas é, no fundo, dirá Zizek, maneira de entificar uma política limitada pelo respeito a princípios formais gerais que, simplesmente, não conseguem mais dar efetividade alguma ao que um dia esteve contido na ideia de democracia.
É o trecho que, uma vez compreendido, pede que tomemos Dramin. Mortos? Que importância tem isso? Ver apenas os efeitos negativos do terrorismo? Que visão mais limitada e estreita da realidade! Ora, não vamos “entificar” (suponho que a estrovenga signifique “transformar num ente”) essa bobagem de respeitar princípios formais gerais. Eles já não dão mais conta da realidade. Notem o truque: se a gente considerar que o terrorismo não cabe no que se entende por democracia, o caminho é, então, mudar o que se entende por democracia, preservando a prática terrorista. Nesse caso, a “idéia de democracia” só passará a ter virtudes se incorporar a prática terrorista.

Princípios que não têm força para impedir, por exemplo, processos como a generalização do estado de exceção como prática “normal” de governo. Maneira de, no limite, reduzir a política a uma “assustadora reunião de homens assustados” unidos não mais pela possibilidade de “reinventar a ordem da vida cotidiana”, mas apenas pelo medo. Medo em relação ao crime, ao terrorismo, aos imigrantes, ao Estado excessivo com seus impostos, às catástrofes ecológicas.
Notem que Safatle é um crítico do “estado de exceção” — realmente um horror, né? Ele viria do quê? Ora, do “medo”, inclusive medo do terror. Besteira! Não devemos temer os terroristas. Devemos chamá-los para “reinventar a ordem da vida cotidiana”.

É claro que há uma série de questões em aberto no interior do projeto de Zizek. Por exemplo, há momentos dos textos onde ocorre certa sobreposição problemática entre violência popular contra o Estado com seu aparato legal e violência estatal, mesmo que esse Estado seja fruto de processos revolucionários. No entanto, há articulações extremamente bem-sucedidas, como a crítica à peculiar ruptura permanente da Revolução Cultural de Mao por ela ter, no fundo, preparado o caminho para a transformação da China em plataforma principal do capitalismo contemporâneo, desterritorializado e autotransgressor. Nesses e em vários outros momentos, Zizek demonstra até onde vai sua capacidade de apreender a complexidade da aposta política na “reinvenção de um terror que emancipa”.
Nunca antes neste mundo alguém havia enxergado virtudes na revolução cultural chinesa. Parece que Zizek, para encanto de Safatle, conseguiu. E, oh surpresa!, ela teria aberto as portas para o capitalismo chinês! Haja vigarice dialética! Haja sem-vergonhice histórica.

Não é de hoje
Safatle e o terrorismo foram um binômio realmente explosivo no que concerne ao pensamento.

No dia 16 de setembro de 2001, ele publicou no Correio Braziliense um artigo sobre os atentados terroristas contra os Estados Unidos. Foi capaz de escrever coisas como:
“Verdade seja dita: a terça-feira negra mostrou como a ação política mais adequada para a nossa época é o terrorismo. Ele é o que resta quando reduzimos a dimensão do conflito social à lógica do espetáculo. Ele é a política reduzida ao formato de tela plana. A opinião pública norte-americana nunca tinha se dado conta da gravidade da situação no Oriente Médio até o momento no qual as imagens espetaculares da catástrofe começaram a chegar às suas casas. Neste sentido, o ataque teve eficiência absoluta. A pergunta que fica no ar é: se a opinião pública norte-americana não tinha consciência do problema geopolítico mais grave da atualidade, então em que mundo ela estava? Certamente, em um mundo só sensível ao império das imagens.”

Observem que, segundo seu raciocínio delinqüente, os atentados nascem da “situação do Oriente Médio” (provavelmente a existência de Israel…). Mais: segundo ele, os atos podem ter tido efeito didático para aqueles americanos alienados…
E quem eram os verdadeiros culpados pelos atentados terroristas? Safatle também não tinha a menor dúvida:
“Desde há muito vemos um esforço absurdo em despolitizar o conflito no Oriente Médio a fim de transformá-lo em uma luta religiosa que tem suas raízes na pedrada que David acertou na cabeça de Golias. Um conflito eminentemente político e historicamente determinado, resultante de um processo desastroso de descolonização que transformou o povo palestino em uma massa de refugiados, virou a luta da Civilização contra a barbárie fundamentalista. Durante décadas os EUA e a Europa fingiram ignorar a Lei internacional, promulgada pela ONU. Lei capaz de resolver politicamente o problema da constituição de um Estado palestino e dar assim o mínimo de estabilidade à região.”

Eis Safatle! Até então, eu imaginava que sua simpatia pela prática terrorista era específica e aplicada, ou seja: gostava do terrorismo islâmico. Não! A sua resenha prova que ele vê virtudes filosóficas no terrorismo
tout court.

Que se note: ninguém deu bola para seu texto. Posto na página eletrônica do jornal, ninguém se interessou em comentá-lo. Isso não quer dizer nada: cruzou-se a linha. Quem avaliou o que ele escreveu e considerou que aquilo ficava bem no Estadão estabeleceu um novo marco no jornal.

E não é assim mesmo que Safatle quer que o terrorismo seja visto? Fora dos limites formais do humanismo? Tudo indica que também o Estadão deva ignorar, doravante, limites formais. E a produção intelectual do terrorismo terá, finalmente, lugar num grande jornal brasileiro. Em nome da pluralidade, né?

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2009

às 17:29

A LER-QI manda na falsa greve da USP. E pauta a imprensa de SP. Mas que diabo é isso?

Leitor amigo,

Prepare-se para entrar no Parque dos Dinossauros. Você já ouviu falar de LER-QI? Não se trata de nenhuma doença, como o nome pode sugerir. Não é a famosa Lesão de Esforço Repetitivo, embora a coisa remeta, vamos dizer, a gente seqüelada — seqüela ideológica. A LER-QI é a poderosa (???) Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional. Para quem nunca foi do ramo: os partidos socialistas e comunistas formaram organizações mundiais (já que são “internacionalistas”): já houve três “Internacionais”. A terceira foi a Internacional Comunista, que ficou refém do ditador soviético Josef Stálin. Em 1938, Leon Trotsky, banido por Stálin da URSS, tentou criar a Quarta Internacional. Seu objetivo era combater tanto o capitalismo quanto o stalinismo, recuperando, dizia, as verdadeiras raízes do socialismo. Bem, a Quarta Internacional nunca chegou a existir. O socialismo acabou, e ainda há gente tentando criar a… Quarta Internacional!!! É mais ou menos como você criar um grupo, leitor, que defenda que é Sol que gira em torno da Terra. Identificam-se com a Quarta Internacional grupos trotskistas ultra-radicais, minoritários, que vivem às turras com outros esquerdistas. Mergulhar nas suas querelas corresponde a penetrar num universo paralelo de extremismo e irrelevância.

Por que isso? Porque, acreditem, o Sintusp, o sindicato dos funcionários da USP, é comandado pela… LER-QI. Na verdade, é a único braço da turma no Brasil. Sim, Claudionor Brandão — o tal funcionário demitido e que lidera as ações do grupelho que hoje assombra a universidade, infernizando a vida de alunos, professores e funcionários — é a estrela do grupo. A página dos valentes está na Internet, cantando, como não poderia deixar de ser, as glórias de… Brandão. Se quiser visitar, clique aqui. Se vocês tiverem alguma paciência, verão que eles se dizem presentes no Chile, Argentina, México, Venezuela, Costa Rica, Bolívia… Na Venezuela, colocam-se à esquerda do Beiçola de Caracas… No Brasil, um de seus adversários, calculem, é o PSOL… Sim, o PSOL é muito moderado pra eles.

Sabem o que isso significa? Que aqueles 300 baderneiros que comandam a bagunça na USP estão numa espécie de concorrência interna para saber quem é mais radical: a LER-QI disputa com o PSOL e com o PSTU o privilégio de comandar a loucura minoritária. Até o PT achou que era um pouco demais — ou de menos —, e resolveu ficar na moita. Dalmo de Abreu Dallari apoiando a intervenção da Polícia, na forma da lei, é sinal de que “O Partido” avalia que a coisa caminha para a loucura isolacionista.

Assim, continuam sob a influência da LER-QI os baderneiros, claro!, alguns professores do radicalismo-chique (ver próximo post) e a imprensa paulista. Isto mesmo: os cadernos de Cidades dos dois grandes jornais de São Paulo estão hoje sendo pautados pela LER-QI, o grupo de Brandão. A imprensa que eles chamam “burguesa” come hoje na mão da Liga Estratégica Revolucionária. No Brasil, eles devem ter, sei lá, meia-dúzia de adeptos. No jornalismo, um monte (embora os jornalistas possam não saber disso).

Laura Capriglione para musa da LER-QI!!!

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2009

às 6:47

USP - REPÓRTER DEIXA UM PETISTA À SUA DIREITA!!!

Vai alta a madrugada. Tive aqui um ataque de riso. Como costuma acontecer sempre que escreve, quem me diverte é Laura Capriglione, repórter da Folha. Ela foi entrevistar o advogado e professor emérito da USP Dalmo de Abreu Dallari sobre o que chama, erradamente, “greve da USP”. Dallari é uma espécie de “progressista de plantão”, crítico contumaz dos tucanos etc. Mas não é idiota. Reproduzo a entrevista em vermelho, comentando os trechos em azul.
*
Professor emérito da Faculdade de Direito da USP, Dalmo de Abreu Dallari, 77, é nome sempre associado às causas de esquerda na universidade. Em 1981, foi candidato a reitor em nome da Associação dos Docentes da USP, da Associação dos Servidores e do Diretório Central dos Estudantes. Ganhou no voto direto, perdeu quando a eleição passou pelas instâncias formais da universidade. Hoje, está divorciado das entidades que o apoiaram. Critica a “violência” dos protestos de agora, apóia a entrada da PM no campus e a reitora.
Sentiram o tom, não é? Dallari estaria “divorciado das entidades que o apoiaram”, como se estivesse praticando uma espécie de traição. A função de um professor, de um intelectual, não é mais pensar, mas ser fiel a causas… Laura parece ser. Naquele distante 1981 de que fala, ela pertencia, como eu até 1980, a um corrente trotskista de extrema esquerda que estava na direção do DCE. À entrevista:

FOLHA - O que deu errado na terça?
DALMO DALLARI - Há um conjunto de erros. Em primeiro lugar, a maneira como estão sendo postas as reivindicações. Há um excesso de temas -tem a reivindicação salarial, a questão do ensino a distância, a readmissão de um funcionário demitido. São coisas completamente diferentes e cuja decisão depende de órgãos diferentes.
É preciso reduzir essa pauta a um temário coerente. Além disso, não posso admitir a prática de violência física contra a universidade, um patrimônio público. Fiquei indignado quando vi as fotografias de funcionários e alunos arrebentando a universidade. Essas pessoas não gostam da USP.

FOLHA - Elas dizem que é a reitora que não gosta.
DALLARI - Essas pessoas têm um radicalismo fora de moda.
Querem impor a adesão ao movimento por intermédio dos piquetes. É natural que quem reivindica procure obter adesão. Mas isso deve ser feito pelo convencimento. E não cerceando os direitos dos professores, funcionários e alunos que querem atividades normais. Não posso reivindicar o meu direito agredindo o dos outros.
Epa! Até agora, não tinha visto a acusação de que a reitora não gosta da USP. A avaliação parece ser da repórter… Ademais, Dallari opõe fatos que indicam o desamor pela universidade: agressão ao patrimônio. Quais seriam os que evidenciam o desapreço da reitora? A entrevista começa a deixar a repórter nervosa. Vejam que coisa: Dallari é de esquerda; eu, dizem, sou de direita. A argumentação dele não é diferente do que vocês leram neste blog

FOLHA - É chamando a polícia que se resolve isso?
DALLARI - É claro que a presença da polícia no campus não é desejável. Mas isso é muito diferente da polícia que invadiu o campus na ditadura militar. A polícia naquela época impedia o exercício do direito de expressão, de reunião, de reivindicação. Era uma polícia arbitrária e violenta por natureza. Mas agora o que aconteceu é que a PM compareceu para fazer cumprir uma determinação judicial, visando à proteção do patrimônio público. E acho que a reitora agiu corretamente quando solicitou essa proteção.
Laura Capriglione deveria escrever um artigo dizendo quem deve ser chamado quando um grupo resolve desrespeitar, de modo organizado e violento, a Constituição. Quem deve ser chamado, minha senhora? Se Laura sai à rua e é permanentemente molestada por um bando de vândalos, o que ela deve fazer? Sentar para negociar? Acho que ela telefona para a polícia. Não! Eu tenho certeza de que ela faz isso. Alguém de esquerda disse, finalmente, a coisa certa sobre a presença da polícia no campus. Será que, a partir de agora, os repórteres que se tornaram porta-vozes de bandoleiros vão parar de afirmar cretinices? Ademais, a polícia não substitui a negociação, como Laura faz crer. Ninguém apela à PM em vez de conversar. A polícia está ali para coibir o vandalismo.

FOLHA - Mas a polícia acabou jogando bomba em estudante contra a greve. Está certo isso?
DALLARI - A história está cheia de exemplos em que a polícia acaba se excedendo. Mas houve situações de um grupo de manifestantes cercando a polícia. É fácil de imaginar o temor dos policiais de serem agredidos, humilhados. Isso acabou precipitando ações violentas da polícia, também condenáveis.
Quantas foram, de fato, num universo de 80 mil alunos, aqueles contrários à greve que sofreram por causa da ação policial? Laura toma a exceção — e os baderneiros já são uma exceção — como regra.

FOLHA - As entidades alegam que a reitora fugiu do diálogo…
DALLARI - Eu, se fosse reitor, também não compareceria a uma reunião com esse tipo de radicalismo, até com risco de agressões físicas.
Vocês notaram que, até agora, e não acontecerá até o fim da entrevista, ela não fez uma só pergunta reproduzindo o ponto de vista da reitora? Todas as suas questões reproduzem a opinião dos baderneiros. Ademais, a direção da USP já deixou claro em que circunstâncias conversa: que cesse a bagunça.

FOLHA - E agora, o que fazer?
DALLARI - É preciso definir uma pauta coerente de reivindicações. A reitora poderia designar uma comissão de membros do Conselho Universitário, com representantes de professores, estudantes e funcionários, que de maneira civilizada e coerente discutiria sem radicalismos.

FOLHA - E quanto à PM no campus?
DALLARI - Do jeito que as coisas estão, acho que pura e simplesmente retirar a polícia é temerário. É preciso manter a polícia e abrir a negociação.
Nada a opor à fala de Dallari. Corretíssima! Mesmo com a “PM no campus”, como quer Laura, estudantes, professores e funcionários que querem trabalhar são permanentemente molestados.

FOLHA - As três entidades exigem a demissão da reitora…
DALLARI - Isso é um absurdo. Seria desmoralizante para a própria USP. A reitora foi legalmente escolhida. Está no exercício das suas funções. Nunca foi alvo de acusações de corrupção. É preciso respeitá-la.
Chegamos ao ponto, senhores leitores, em que o jornalismo está sob a influência de um pensamento que consegue estar à esquerda das alas moderadas do PT. E são eles que estão vitaminando a desordem na Universidade de São Paulo, promovida por celerados.

Lembro que, quando houve a invasão da reitoria, em 2007, um grupo de estudantes e professores fez uma passeata no campus contra a ocupação. Laura os ridicularizou. Escrevi a respeito aqui. Fez o mesmo, em agosto daquele ano, com uma passeata contra o governo Lula (aqui). Acabará sendo eleita a tia postiça dos Remelentos e das Mafaldinhas da ultra-esquerda. A USP tem uma lendária “Tia da Greve”. Laura anda acaba tomando o lugar da mulher. 

Olgária
Aí alguém dirá: “Ah, ta de má vontade com ela. Ela fez uma entrevista de cada lado: um professor contra e outro a favor”. É verdade. A favor da greve e pedindo a saída da reitora está ninguém menos do que Olgária Matos, a terceira das Parcas das esquerdistas da USP. As outras duas são Marilena Chaui e Maria Victoria Ditabranda Benevides. Como Olgária é apresentada? Assim:
“A filósofa Olgária Matos é professora titular daquela que é considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003, mas acompanha atentamente a vida da instituição, na qual ingressou como estudante no ano anterior à promulgação do AI-5, em plena ditadura militar. Considera que “a reitora não tem mais condições políticas de se manter no cargo”, mas teme que, de novo, “se derrube o tirano sem tocar nas razões da tirania”. Abaixo, trechos da entrevista concedida ontem.”

Viram? Essa não traiu ninguém…

Olgária também diz o que deu errado na terça-feira. Segurem-se aí na cadeira:

“É inadmissível que uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários tenha de se enfrentar com a polícia dentro do campus universitário. Os manifestantes podiam até ter objetivos criticáveis -ou não-, mas, desde a Academia de Platão até as universidades modernas, esse recinto é o único preservado da violência policial porque é definido como o local que luta contra a violência, contra a barbárie. É o local em que se produz conhecimento, especulações, ciência. O local que faz parte do repertório da humanidade para se humanizar. Então não é o lugar que comporte a ocupação policial contra uma manifestação de estudantes desarmados.“

Entenderam? Esta senhora chama constrangimento ilegal, barricadas, ameaças físicas e quebra-quebra de “manifestação pacífica de estudantes e funcionários”. Digam-me: por acaso a polícia entrou na  USP para impedir “conhecimento, especulações e ciência”? Mais: estava lá por determinação da Justiça.

Infelizmente, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP é vítima permanente desse tipo de vigarice intelectual. Enquanto for refém dessa gente, continuará a ser o patinho feio da universidade. Tornou-se um madraçal da esquerda mais doidivanas. Até os petistas que têm algum juízo querem distância dos malucos. Alguém já ouviu falar sobre crise na Faculdade de Economia ou na Engenharia?

Referindo-me, certa feita, ao pensamento de Olgária, escrevi aqui: “Eu a considero uma espécie de vendedora de adornos e bugigangas falsificadas da Escola de Frankfurt, uma Rua 25 de Março do Pensamento.” Alguém reclamou: “Pô, pegou pesado, não exagera”. Pois é… Eis aí. Nunca será o suficiente.

De resto, observo: em greve, 0,7% da universidade. Trabalhando e estudando, 99,3%. Minoria tem todo o direito de existir como minoria. Mas não pode impor na marra a sua vontade à maioria.

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2009

às 20:19

QUEM É NAZISTA?

Abaixo, segue uma carta de alunos das letras que faziam uma prova de alemão. É estarrecedor! Foram chamados de “nazistas” pelos grevistas democratas. Isto mesmo: gente que age como tropa de assalto, que faz barricadas, que pretende impedir no braço a continuidade das aulas, classifica quem quer estudar e decide não aderir ao movimento de “nazistas”. O mais lamentável é que uma professora —  uma certa Adma Fadul Muhana, arroz de festa de tudo quanto é greve — andou dizendo a mesma coisa. Extraí a carta da página eletrônica de Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini. Leiam e avaliem onde é que estão os nazistas.

Manifesto dos alunos em repúdio ao incidente  envolvendo a turma do período noturno da disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I no dia 09.06.2009

 São Paulo, 11 de Junho de 2009.

Este último dia 09 foi um dia triste na história da Universidade de São Paulo. Presentes ou não, todos nós da comunidade USP vimos o poder da força tomando o lugar o poder das palavras: o diálogo foi negado a favor da violência.

O diálogo, entretanto, manteve-se presente na disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I durante todo o curso. A viabilidade para realização da prova no dia 09.06, marcada anteriormente ao estabelecimento da greve, e a própria disposição ou não dos alunos em a realizarem também estiveram inclusas em nossos diálogos por meio do fórum de discussões do sistema Moodle (http://moodle.stoa.usp.br). Várias possibilidades foram abordadas e a decisão final foi: quem quisesse ir fazer a prova, que fosse, e quem não quisesse ir ou tivesse o acesso impedido faria uma prova alternativavia Moodle em data ainda a ser definida. A escolha ficou a critério dos alunos, que de maneira alguma seriam prejudicados pelo não-comparecimento. Segundo consta no Júpiterweb há 24 estudantes matriculados nessa matéria no período noturno - 12 alunos compareceram para a prova.

Próximo ao término da prova, por volta das 20:44 horas, nós, estudantes, de dentro da sala, ouvimos alguém gritar “Hitler!” três vezes. Apesar de que pelo bom-senso ou conhecimento de mundo mínimo parecer desnecessário relatar tal atitude como ofensiva, parece-nos melhor esclarecer que a alusão a um dos maiores genocidas da história da humanidade para uma turma que por vontade própria está realizando uma prova é, para dizer pouco, repugnante. Mas, ainda, falar isso para uma turma de Alemão é de um generalismo absurdo, ignorante e inaceitável. Os estudantes de Letras poderiam lembrar-se (ou conhecer) as palavras do poeta judeu de língua alemã nascido em Czernowitz, que teve os pais mortos pelo regime nazista e foi submetido a trabalhos forçados no campo de concentração: “A língua permanece intacta, sim, apesar de tudo” (adaptação do original).

Pouco tempo após isso, diversos estudantes abriram a porta para “falar sobre o que havia ocorrido na universidade”. Não foi uma tentativa de dialogar ou argumentar sobre a legitimidade de nossa presença em sala: foi uma série de insultos, baderna e julgamentos de caráter. Os alunos da sala se manifestaram dizendo que estavam lá porque queriam e que aqueles que não estavam presentes, ao contrário do que se gritava (afirmando que estávamos lá “sob coerção de nota”), não sairiam no prejuízo. Cada umcomo indivíduo pensante, como adultos que somos, estávamos lá exercendo aquele  direito que a nossa sociedade ocidental tem como supremo: o direito de livre-arbítrio. Não seria esse o momento dos alunos que se dizem “a favor da democracia” respeitarem o direito de seus semelhantes? O fracasso do diálogo fez com que alguns alunos do Alemão tentassem fechar a porta: medida irrealizável e tomada à flor das emoções.

Por fim, o que puderam fazer doze alunos quando cerca de cem, mais ou menos, alunos histéricos (fazendo uso aqui da acepção proposta no Dicionário Houaiss “comportamento caracterizado por excessiva emotividade ou por um terror, pânico”) os obrigam, por meio de intimidação verbal e gritaria, a deixarem a sala de aula? - Sair.

Assim, saímos. Cinco alunos acompanharam a professora até a sala dela para discutir o que tinha acabado de acontecer e também porque temiam maiores retaliações direcionadas à professora. Ao perceberem isso, os estudantes chegaram a mais uma conclusão infundada: os alunos estariam indo para terminar a prova, “bando de puxa-sacos”. Eles vieram atrás desses alunos e da professora, que, temendo pela integridade física dos mesmos, trancou a porta de sua sala. Nisso, os estudantes começaram a bater com excessiva força na porta, como que tentando derrubá-la, e desligaram a luz do andar inteiro. Sentimento dos que estavam lá dentro? Perplexidade. Vinte ou trinta minutos depois os estudantes foram se dispersando e os vigilantes do prédio apareceram para ligar a luz e acompanhar os que estavam dentro da sala até a saída do prédio. Os alunos e a professora saíram, então, chocados, assustados, tristes.

Foi dada como justificativa da ação a alegação de uma suposta aluna do Alemão ter sido agredida (levado um tapa na cara) pela professora. Isso é uma mentira e uma calúnia. Quem era do Alemão, repetimos, estava lá porque queria: teve direito de escolha. O fato dos estudantes terem reagido sem o menor conhecimento de causa, sem tentar averiguar o ocorrido só mostra como uma inverdade é capaz de manipular muita gente.

O que fica dessa história toda? Repúdio. Repúdio pela ação autoritária, agressiva e ofensiva dos estudantes com a turma de FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I. Repúdio por no prédio de Letras da “maior universidade do Brasil” o diálogo não ter sido estabelecido, pelo valor da palavra como solucionadora de conflitos não ter sido aceito. E ainda: repúdio pela não-superação dos métodos autoritários e repressores por parte dos estudantes, que, alegando serem esses os métodos da PM, foram, neste caso, os próprios propagadores da irracionalidade e do desrespeito ao indivíduo. Tivesse vindo uma abordagem dessas de um grupo que se reconhece intransigente, seria outra coisa. Mas vindo de pessoas que dizem defender a democracia, o diálogo e, não obstante, os estudantes, é simplesmente inaceitável.

Os argumentos de que houve uma assembléia para votação da greve e que a maioria votou pelo “sim” não convencem. Assembléia em que algumas centenas de estudantes comparecem para um curso que tem mais de cinco mil estudantes não é representativa. Procuremos outros meios, usemos a tecnologia a nosso favor, há formas de incluir aqueles que não têm disponibilidade de estarem presentes em todas as assembléias. Mas não declarem o favoritismo a uma greve por contraste. E não nos obriguem a aceitar isso.

Nós sabemos que ao optar por fazer a prova estávamos, inevitavelmente, nos posicionando contra esta greve, mas não tínhamos sido avisados que a mobilização em favor de uma determinada ideologia é compulsória. Preferimos acreditar na autonomia da escolha do indivíduo. Nós lamentamos a truculência da polícia com os estudantes e nos posicionamos, também, contra isso. Porém, não admitimos que o nosso direito de escolha  seja desrespeitado. Quando se tira o direito de escolha de alguém, tira-se sua alma. E não aceitamos que ninguém, nem mesmo os estudantes da Universidade de São Paulo, faça isso conosco.

Este manifesto foi organizado e apoiado por parte dos alunos da disciplina em questão. Todos os alunos matriculados na matéria foram informados via e-mail sobre feitura do manifesto e receberam previamente uma cópia do mesmo. Nenhum aluno, até momento, se posicionou contrário à publicação desse texto.

Sem mais,
Alunos da disciplina Introdução à Tradução do Alemão

I        Letras - FFLCH/USP

(Reiteramos que nem todos os alunos matriculados na disciplina quiseram comentar o caso. Dessa forma, não podemos afirmar que todos os alunos estão de acordo com este manifesto. Aqueles que estão de acordo optaram pela anonímia por temerem maiores retaliações.)

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2009

às 18:39

USP — UMA HIPÓTESE ANTROPOLÓGICA: O PROBLEMA É A CONCENTRAÇÃO DE PROTEÍNA E DE RENDA

 

O vídeo abaixo, aliás, daria um formidável estudo antropológico. Reparem na altura dos valentões que marcham contra os policiais militares — nesse filme, quase a gente não vê os fardados, escondidos pelos grandalhões; no anterior, são mais visíveis. Sim, trata-se de uma luta não apenas de classes, mas também de proteínas, vitaminas e sais minerais. E essa desigualdade não é de agora, vem de longe, é já um atavismo, no mecanismo de reprodução das desigualdades que a universidade alimenta. Huuummm… Hoje Tio Rei decidiu demonstrar que os esquerdistas são os principais beneficiários do modelo que os esquerdistas denunciam, hehe…

Esses grandalhões batendo palminha, foquinhas amestradas do leninismo bocó da tira radical — que nem tem 50 anos a menos de idade e jamais terá 50 a mais de reflexão —, mal sabem quão reacionária é a sua “luta”, como ela é a cara da mais nojenta e asquerosa das desigualdades brasileiras. Nem se dão conta, agarrados a seus privilégios, que o “progressismo” petista resolveu o problema da desigualdade no Terceiro Grau financiando faculdade vagabunda para os pobres.

Os funcionários, que deram início à greve, querem a readmissão de um sindicalista demitido que fez da brutalidade uma linguagem política. Se você não sabe quem é ele como age, clique aqui. O sindicato dos professores reivindica aumento de salário. E os estudantes, pasmem!, são contra cursos à distância — um programa que tem a chancela do governo federal, já tocado em universidades federais. Sem que a extrema esquerda dê um pio. E a “luta” já começou com tentativa de invasão de reitoria e afins.

Eis aí a fatia mais cretina da elite brasileira: justamente esta que fica entregue à sanha da esquerdopatia militante, sem se dar conta dos privilégios de que usufrui. Ora, é evidente que os benefícios de que goza não devem impedir que reivindiquem uma universidade melhor etc e tal. Mas segundo qual método?

Não, não! Estes senhores, com uma altura média bem superior à do brasileiro comum, têm de saber que, na sociedade brasileira, eles são os predadores, não os, se me permitem o neologismo, “predados”. Eles são os cavalcantes, não os cavalgados. Quando fazem a sua “luta” em nome do povo, além de tudo, estão  usurpando um lugar que não lhes pertence.

Deveriam é estar estudando para ver como devolver à sociedade de desdentados o que os desdentados lhes dão: generosa fatia dos impostos para sustentar suas carreiras e seu futuro. Passada a fase da bagunça, liderada pelas tias encarquilhadas do leninismo — que se prepararão para pegar novas gerações de inocentes inúteis —, vão cuidar de suas carreiras e darão uma banana solene o tal povo.

Enquanto não houver um serviço civil obrigatório para quem cursar universidade pública ou às expensas do estado, teremos coisas como essa aí: concentração excessiva de vitamina e proteína, decorrente da concentração de renda, sem ter como exercitar a sua força a não ser marchar contra policiais trabalhadores, sob a liderança da tia de Lênin.

Essa gente é patética!

Denuncie esses sanguessugas, esses exploradores do povo!!!

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2009

às 18:08

OLHEM A TIA DE LÊNIN LIDERANDO A HOSTILIDADE AOS TRABALHADORES DE FARDA. OU: “ADERI À LUTA DE CLASSES”

Por falar em vídeo, vejam mais este. Observem que não há edição, nada. Os valentões — com todo o toddynho, sucrilho e iogurte que lhes foram garantidos pela luta de classes no Brasil e lhes permitiram estudar em escolas particulares para chegar à universidade pública, enquanto os pobres se ferram nas bibocas do ProUni de Apedeutakoba e Fernando Haddad (ufa!!!) — avançam contra OS TRABALHADORES DE UNIFORME, QUE SÃO OS POLICIAIS MILITARES.

Isto mesmo: a ala mais poderosa da luta de classes, com suas mochilas importadas, hostiliza a classe operária de uniforme. Os policiais lá, paradinhos, em paz, em calma, atacados pelos vândalos da Dona Zelite.

Mas prestem bastante atenção: reparem ali na Tia de Lênin liderando o ato hostil e também num outro sujeito, sei lá se estudante profissional, dado que já avançado em anos, quase candidato aos benefícios do Estatuto do Idoso. O que essa gente entende de democracia? O que sabe de liberdades públicas? O que pensa sobre o estado de direito?

A Tia de Lênin, com seu ar sóbrio, é das coisas mais deletérias da universidade brasileira. Porque essa gente pode exercitar o seu sectarismo sem qualquer conseqüência. Não, não me refiro a conseqüências legais, não. É que não há ninguém para confrontar a sua suposta “autoridade intelectual”.

O que vejo? Idiotas remelentos e mafaldinhas vítimas da crise de autoridade paterna sob a liderança do submarxismo que precisaria ter 50 anos a menos de idade ou 50 a mais de reflexão (para lembrar Antero de Quental…). A USP que trabalha e estuda, que estuda e trabalha, produz conhecimento de ponta, sim. Mas a minoria sectária é essa palhoça mental que se vê.

Ah, sim: a Tia de Lênin foi vista apenas 67 vezes. Merece mais!

Por Reinaldo Azevedo

11/06/2009

às 17:47

VÍDEO SOBRE OS FASCISTAS. E OS LEITORES

É… Quando publiquei aquele vídeo em que a extrema minoria de fascistas da USP cerca policiais indefesos, havia apenas 320 acessos. Publicado aqui, já são 7.694. Há uma ligeira diferença entre ter leitores e dizer que os tem. A diferença está nos… leitores, entendem?…

 

 

 

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2009

às 20:32

Fascistas, sim. E digo por quê!

O contador de acessos do vídeo  do YouTube em que fascistas acuam quatro policiais indefesos na USP não está funcionando. Sei lá por quê.

Ah, sim: “Por que você chama de fascistas os manifestantes (sic)?”, quer saber um indignado. Porque os policiais estão na USP obedecendo a uma ordem judicial. E não interferem em absolutamente nada, a menos que os direitos constitucionais dos indivíduos que lá estão sejam desrespeitados — como, por exemplo, o direito de ir e vir. Chamo de “fascista” a ação de um grupelho de pressão, que se comporta como tropa de assalto, para impedir o pleno exercício da Constituição democrática. A polícia está lá para fazer valer a Carta Magna do país. A ação desse grupo extremista, minoritário, quer impedir, na base da violência, o cumprimento das leis do país.

Numa democracia, no estrito limite das leis, a Polícia Militar é a democracia de farda. Fascistóides podem envergar, como se vê, trajes civis — alguns deles até simulam aquela vestimenta alternativa de butique. Querem socialismo, mas alguns jeans ali custam mais caro do que um salário mínimo. Vamos brincar de luta de classes, valentes? Terei enorme prazer em fazer esse debate. O último ditador do regime militar dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de povo. Do povo, esses novos ditadores não conhecem nem o perfume. Reforço: cadeia para os fascistas!!!

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2009

às 17:42

CADEIA PARA OS FASCISTAS DA USP!!!

Vejam este vídeo. Foi assim que começou a confusão de ontem na USP. Um bando de celerados cercou quatro policiais indefesos e partiu para cima. Reparem como a burguesada de extrema esquerda ainda faz questão de documentar o seu belo ato revolucionário.  Espalhem este vídeo. Demonstrem quem é essa gente. Ele foi acessado, até agora, apenas 320 vezes. Precisa se espalhar. É um documento que prova o país e a universidade que eles querem. Acreditem: há baderneiros aí no meio na pele de professores. O governo do estado deveria recorrer à rede de TV e pôr este vídeo no ar com a mensagem clara: serão reprimidos, não passarão.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 21:05

USP – Comunidade no Orkut prova que a Fefeléchi ainda respira

A FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, a famosa Fefeléchi, é vítima, claro, dessa gente que odeia a democracia. Trata-se de uma maioria de estudantes que querem estudar e de professores que querem ensinar submetidos à tirania de uma minoria extremista — comandada por PT, PSOL, PSTU e PCO — que impede as pessoas de levar adiante a sua vida, segundo as suas escolhas e segundo os propósitos a que se destinam a universidade, os estudantes e os professores. Não, não estou satanizando toda e qualquer manifestação, todo e qualquer protesto, toda e qualquer reivindicação. Isso é bobagem. Se há que se garantir às minorias o direito ao protesto e à reivindicação, por que não seriam, então, garantidos os direitos da maioria? Ninguém pode ser submetido a constrangimento senão àquele previsto em lei. E, onde a lei é aviltada por um bando, cumpre chamar a força que vai fazer valer a Constituição: a Polícia. Adiante.

Falava da FFLCH. O prédio que abriga as faculdades de história e geografia costuma ser usado como QG dos comuno-fascistóides, dos que não reconhecem o direito de ir e vir, dos que não aceitam que outros resistam, democraticamente, às suas vontades. Parece que isso pode mudar um dia.

Um estudante da Facudade de Geografia, que prefere ficar no anonimato, me recomendou que acessasse, no Orkut, uma comunidade chamada “Geografia USP” e lesse os comentários que lá estão. O endereço é este: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=170244

Há lá comentários que me encheram de esperança. Esperança de quê? De que compartilhemos a mesma ideologia? Bobagem. Eu sou conservador — “de direita”, eles dizem. Deve ser mais fácil encontrar um galeopiteco fazendo doutorado. Tenho a esperança de que a maioria silenciosa decida aderir, ao menos, às regras básicas do estado de direito. Entrei na página. Colhi lá os seguintes comentários sobre a barafunda em curso na universidade e no prédio da Geografia (e História) em particular:

No tópico “Depois da tropa de choque”
Rafael

Bah… deveria ter ido na faculdade só pra ver esses vagabundos levar borrachada… Mas será q agora eles supriram seu desejo reprimido de levar porrada da policia ou querem mais? Eu espero q eles queiram levar mais porrada, pq eu me divirto vendo os comentarios do Datena!  18:23 (2 horas atrás)

Eduardo
Que houve decisão consciente de confronto, isso é fato: os amigos do brandão foram pra cima, possivelmente imbuídos daquele espírito de 68 porque, afinal, confronto é tudo!  18:38 (1½ horas atrás)

Paulo
Eu ouvi alguns foguetes antes das bombas…deu a impressão de que o ataque começou por parte dos manifestantes. Não posso afirmar porque não estava lá essa hora. O Brandão foi preso. Acho que agora a pauta será “Pela Libertação do Brandão e pelo fim das cadeias!”  18:40 (1½ horas atrás)

Caique
Como eu disse em outro tópico aqui: eles desejavam o confronto, ficou claro na cara de alguns na reunião de ontem a noite.  18:48 (1½ horas atrás)

Eduardo
O reporter disse que os estudantes vão fazer uma assembléia - pra variar, no nosso departamento - para decidir o que vão fazer agora. Tenho dois prognósticos: ou vão decidir pelo confronto novamente, ou vão pro morrinho fumar maconha.

No tópico “Fim das barricadas”
Thiago
Venho aqui informar a todos que hoje em torno de 70 estudantes, integrantes da História, Geografia, Matemática, Medicina, Quimica, Engenharia, Ciencias Sociais, além de 22 estudantes do cursinho que realiza aulas no predio pela manhã decidiram por unanimidade remover as barricadas do predio da história e geografia em defesa do direito de ir e vir nos espaços públicos garantidos na constituição e em conformidade com a lei de greve que especifica claramente que é vetado quaisquer formas de intimidação ou restrição física a aqueles que não estão participando da greve.
E Claudionor Brandão: Você está demitido.
LEI DE GREVE
Abaixo link da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo que mostra a lei da greve:
http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/tralei7783.htm
Atentem para o artigo 6, e principalmente o parágrafo 3, que diz:
Artigo 6º - São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:
I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;
II - a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.
§ 1º - Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem.
§ 2º - É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.
§ 3º - As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.  8 jun (1 dia atrás) Castro
putz, que autoritários!  8 jun (1 dia atrás) André
É… força contra força…
Eu ia pelo caminho mais lento, mas se a justiça já adiantou as coisas, só me resta comemorar.  8 jun (1 dia atrás)

Malavolta
ÓTIMO!
só me envergonha o fato de estudantes de outras unidades terem que vir até a geo pra retirar as barricadas. não duvido que recoloquem, aliás…  8 jun (1 dia atrás).

Voltei
Eis aí. Já há grupos de estudantes dispostos a, pacificamente, desmontar as “barricadas” impostas pelos comuno-fascistas. Bem-vindos à democracia.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 19:56

Ainda a USP e uma sugestão ao SPTV

Até quando o jornalismo não-partidário — “não-partidário”, certo? — vai continuar a empregar a linguagem que interessa aos militantes da baderna? Do que estou falando?

Nos sites noticiosos e até no SPTV, fico sabendo que a Polícia “OCUPA” a USP. “Ocupa”? O que quer dizer “ocupação” da USP? Noto que se costuma usar a mesma palavra quando a polícia é chamada a intervir paras coibir badernas numa favela.

A USP ou a favela são agora territórios independentes? A Polícia, por acaso, é algum exército invasor para “ocupar” territórios de terceiros? “Ah, mas a PM não faz parte da comunidade uspiana”. É? Por acaso a autonomia universitária supõe que o estado de direito deixe de valer ali dentro? Por acaso a polícia interveio sem autorização judicial? Por acaso os policiais estão impedindo o funcionamento normal da universidade ou estão tolhendo direitos constitucionais?

Ao contrário: só agem para quando é preciso preservar esses direitos. Ao contrário: não agisse, direitos deixariam de ser exercidos. Então não há ocupação coisa nenhuma.

Sugestão
Está na hora de o SPTV ir lá na USP filmar a atuação dos tontons-maCUTs que intimidam professores e estudantes e fazem barricadas para impedir o funcionamento normal da universidade. Ou essa imagem não é do interesse da população de São Paulo e da comunidade uspiana?

Por que não sugiro isso a uma outra emissora aí, que passou a atuar como porta-voz do baderno-petismo? Porque acho inútil falar com porta-vozes do baderno-petismo.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 19:42

DEMOCRACIA DE FARDA CONTÉM COMUNO-FASCISTÓIDES DA USP

Aqueles três ou quatro Remelentos & Mafaldinhas que comandam a greve de meia-dúzia de Remelentos & Mafaldinhas na USP — incluindo alguns Remelentões & Malfadões que são do corpo docente — entraram em confronto com a Polícia Militar. A PM está no campus com ordem judicial, a pedido da Universidade. Isso quer dizer que a Polícia Militar, nesse caso, é a DEMOCRACIA DE FARDA. Está lá segundo as regras do estado de direito. Ou que algum vagabundo prove o contrário.

E quem transgride as leis e desrespeita a ordem democrática? Justamente aqueles que se dizem grevistas e que querem impedir o direito de ir e vir. Já dei uma olhada no noticiário online. São tratados como “manifestantes”. Sobre a polícia, diz-se que ela está “reprimindo” o movimento.

A POLÍCIA NÃO REPRIME O MOVIMENTO. SE REPRIMISSE, QUANDO ELES ESTÃO LÁ APENAS FAZENDO ASSEMBLÉIA OU BATENDO PAPO, SERIAM MOLESTADOS. É MENTIRA! A POLÍCIA SÓ ENTRA EM AÇÃO QUANDO ELES TENTAM IMPEDIR A LIVRE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS. E O FAZ COM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.

Saibam: esses democratas estão fazendo “barricadas” em prédios da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), a famosa Fefeléchi. É só ali que existe alguma greve. O resto da USP não dá bola para os baderneiros. É gente que trabalha e estuda, que estuda e trabalha. A pregação ultra-esquerdista só prospera um pouco — embora haja resistência, depois falo disso — ali nos arrabaldes das Letras, da História e da Geografia. E também um tanto na faculdade de Educação e na Eca.

O tal “movimento” teve início no começo de maio, liderado pelo Sintusp, o Sindicato dos Servidores da USP, que está sob o comando de um grupelho de extrema esquerda. Eles querem a readmissão de Claudionor Brandâo, que foi demitido da USP em razão dos métodos que emprega em sua “luta”. Se vocês querem saber quem é Claudionor e como ele age, é aquele senhor redondo, barrigudo, de camisa branca, que aparece dando sopapos em estudantes no vídeo acima (a partir de 7 minutos e 4 segundos). É um patriota como aquele que eles querem “lutando” pela universidade. Esse vídeo é de 2005 e foi feito por alunos da Politécnica. A Politécnica e a Economia são faculdades em que esse tipo de esquerdismo primitivo não penetra. Por isso eles são odiados pelos Remelentos & Mafaldinhas. A propósito: mesmo fora da USP, Cladionor foi preso hoje pela PM. Estava lá comandando a bagunça.

Estou vendo agora as imagens no SPTV. O protesto, pré-confronto com a polícia, reuniu umas 700 pessoas. Na hora do pega-pra-capar, havia bem menos gente.A USP conta com 80 mil estudantes, 5.500 professores e 15 mil funcionários. Acho que não preciso desenhar. Os baderneiros compõem a expressiva maioria de 0,7% da comunidade da USP. Se o protesto buscava representar as três universidades estaduais, estamos falando de 154 mil alunos… Essa gente é ridícula!

Comuno-fascistóides como esses têm mesmo de ser contidos pela DEMOCRACIA FARDADA. Falo mais no post seguinte.

PS: Ah, sim. Depois de vocês assistirem aos métodos democráticos de Claudionor Brandão, tomem um Engov e assistam aqui a um inflamado discurso em sua defesa feito pelo professor Francisco de Oliveira, o intelectual do PSOL.

Por Reinaldo Azevedo

 

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