Blogs e Colunistas

Gilberto Carvalho

05/05/2013

às 4:29

Oposição quer afastamento de Gilberto Carvalho por tentativa de blindagem a Rosemary

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Os partidos oposicionistas PSDB e Mobilização Democrática (MD) anunciaram neste sábado que vão exigir na próxima semana explicações formais do ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e da Casa Civil sobre a instauração de um processo paralelo para investigar a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, revelado por VEJA desta semana. O líder tucano na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (PSDB-SP), chegou a defender o afastamento do ministro após a tentativa de blindagem da ex-servidora.

Como mostrou a reportagem de VEJA, sob o pretexto de “acompanhar e orientar” as investigações sobre as traficâncias de Rosemary, Carvalho articulou para inviabilizar a apuração que estava sendo feita contra a ex-funcionária. Na verdade, a apuração paralela coordenada pela pasta de Carvalho serviria depois como munição para que a defesa de Rosemary Noronha questionasse a competência da Comissão de Sindicância da Casa Civil e tentasse anular no futuro os trabalhos do colegiado.

A partir de segunda-feira, PSDB e MD vão protocolar na Câmara dos Deputados requerimentos de convocação do ministro Gilberto Carvalho. Os oposicionistas pretendem também acionar o Ministério Público para que seja investigado se o ministro Gilberto Carvalho cometeu o crime de improbidade administrativa. “É inadmissível que a presidente Dilma mantenha em seu governo um ministro que atua para atrapalhar a apuração em favor de uma ex-servidora denunciada pela Polícia Federal por tráfico de influência”, afirmou o tucano Carlos Sampaio neste sábado.

Diante das novas revelações de VEJA, o líder da Mobilização Democrática na Câmara, deputado Rubens Bueno (MD-PR), se comprometeu a intensificar as articulações para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre as atividades criminosas de Rosemary e dos demais integrantes do governo pegos na operação Porto Seguro, da Polícia Federal. São necessárias 171 assinaturas para se criar o grupo de investigação.

“Para provar que não está protegendo uma indiciada pela operação Porto Seguro, Dilma precisa ordenar a seus aliados que assinem a CPI”, disse Bueno.

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2013

às 3:39

Gilberto Carvalho, aquele cuja fala inspira arruaceiros e trogloditas que querem bater em jornalistas, passa dos limites mais uma vez

Não foi só Rui Falcão que discursou na abertura de uma reunião da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura) — ver post a respeito. Gilberto Carvalho, o maior chefão do PT depois de Lula e ministro de Estado, também estava lá. É aquele que anunciou no ano passado: “O bicho vai pegar”. Muito bem!

Carvalho decidiu responder a uma crítica do senador Aécio Neves (MG), possível candidato do PSDB à Presidência em 2014, segundo quem o governo decidiu acabar com a miséria por decreto. Ok. Carvalho é secretário-geral da Presidência, e é razoável que responda à crítica. Mas num evento de caráter sindical, que deve, por princípio, ser independente de partido??? É espantosa a degradação dos valores republicanos sob o comando petista.

Mais: um ministro de estado está obrigado a certo decoro. Carvalho — o chefe daquele rapaz que participa de conspirações contra blogueiras cubanas — perdeu completamente a noção de limites e se expressou nestes termos, referindo-se a Aécio, segundo informa a Folha Online:
“Ao contrário do que disse um senador irresponsavelmente nos últimos dias, de que nós iremos extinguir a miséria por decreto, não é isso, não, seu senador. Nós não estamos extinguindo a miséria por decreto. O governo Dilma não abandonou seu povo e por isso a miséria está nos abandonando”. Foi adiante: para Carvalho, Aécio representa “governos neoliberais, que querem voltar a governar um dia o país”. E emendou: “Mas o povo não vai deixar porque o povo sabe quem está com ele, quem caminha com ele, quem não o abandona”.

Grosseria, mistificação e vulgaridade. Grosseria porque o “seu senador”, goste Carvalho ou não, foi eleito pelo povo e é tão legítimo quanto Dilma Rousseff. A rigor, quem não tem voto popular é Carvalho. Mais: foi eleito para fazer oposição — e, nas democracias, são as oposições que legitimam governos, uma vez que estes existem também nas ditaduras, como a cubana, por exemplo, para onde Carvalho mandou um assessor fazer treinamento de ciberguerrilha…

Mistificador, Carvalho usa um slogan publicitário como argumento. Como fica claro que já está fazendo campanha, incorre também numa incorreção ética ao subordinar ao partido aquilo que pertence ao governo. Mistificador também porque, com efeito, os petistas estabeleceram que não é miserável quem ganha pelo menos R$ 70. Ao conceder uma bolsa de R$ 70, eliminam uma “miséria” que o próprio partido inventou. Espero que a campanha eleitoral dos que pretendem desalojar o PT do poder exibam como e onde vive um “não-miserável” de R$ 70 e um suposto classe média de R$ 300.

A vulgaridade política fica por conta dessa obsessão asquerosa, que consistem em afirmar que os petistas têm o monopólio do amor pelo povo, como se as conquistas que antecederam a gestão petista não tivessem existido. É claro que os adversários do PT têm de cuidar disso. A questão é saber como fazê-lo.

O Brasil é, sim, dados todos os seus marcos legais e institucionais, uma democracia. Mas vive uma democracia degradada, que se rebaixa um pouco por dia. Nas ruas, os trogloditas já acham que podem linchar os que consideram adversários. Num evento sindical, que deveria ser apartidário, dirigente do PT e ministro de Estado comparecem para linchar moralmente a oposição.

É um esculacho!

Por Reinaldo Azevedo

22/02/2013

às 7:37

Gilberto Carvalho prometeu: “Em 2013, o bicho vai pegar!” Hoje, eles só nos xingam; Amanhã, começarão a nos espancar. E certo jornalismo dirá: “Normal! Lado e outro lado! O lado que bate e o lado que apanha. É a democracia!”

Está em curso uma evidente degradação da democracia brasileira — e, com ele, estão em pleno naufrágio setores importantes da imprensa. É espantosa a quantidade de barbaridades que se leem, veem e ouvem quando cotejadas com os fundamentos de uma sociedade democrática. Desde que me interesso por isso — comecei a ler jornais aos 14 anos —, não me lembro de nada parecido. Já vou tratar da questão de fundo. Vamos ao fato que me empurrou para ele. Ontem, no fim da tarde e começo da noite, a blogueira cubana Yoani Sánchez  deveria ter feito um bate-papo com blogueiros na Livraria Cultura da Paulista, em São Paulo, mediado pela jornalista Barbara Gancia, e depois autografar exemplares do livro “De Cuba, com carinho”. Mais uma vez, o evento se frustrou.

Lá estavam os militantes do PC do B, do PT e afins para impedi-la de falar. O evento teve de ser cancelado pela simples e óbvia razão de que os brucutus não a deixavam falar. Um dos idiotas que babavam levantou um cartaz: “Cuba, único país com vacina contra o câncer”. Deve ser aquela que foi ministrada a Hugo Chávez… É com esse tipo de imbecis que estamos lidando. A embaixada de Cuba em Brasília deve estar satisfeita. O funcionário de Gilberto Carvalho deve estar satisfeito. O próprio Gilberto Carvalho deve estar satisfeitíssimo. Desta vez, o PT não devolveu a Fidel Castro, como fez em 2007, dois dissidentes cubanos. Desta feita, uma crítica do regime cubano foi agredida aqui mesmo. É claro que as pessoas responsáveis pela passagem de Yoani pelo Brasil merecem o troféu “Incompetentes do Ano” — e talvez seja coisa ainda pior do que incompetência; já chego lá. Quero me ater agora à imprensa.

Ando com a impressão de que, com as exceções de sempre, desapareceu dos jornais, sites, revistas etc. a figura do editor. O que faz um editor — sem que isso deixe de ser, também, tarefa do repórter? Zela pela qualidade da informação, pelo rigor da apuração jornalística e, é evidente!, pela linha editorial do veículo no qual trabalha. “Que linha editorial é essa?” Cada um tem — e deve ter — a sua. No geral, os veículos da grande imprensa, incluindo as TVs, estão comprometidos, ao menos dos seus princípios declarados, com o regime democrático, a pluralidade, a economia de mercado, os direitos individuais, essas coisas. Mas podem ser, e são, infiltrados. Quantas vezes, na minha vida de editor, recusei reportagens que estavam nitidamente pautadas por lobbies ideológicos! Na maioria das vezes, não se tratava de má-fé do repórter. É que as esquerdas são muito hábeis em mobilizar jornalistas. Por quê? Porque sabem mexer com seu senso de “justiça social”. Cabia ao editor corrigir rumos. Hoje… Parece que vivemos o tempo do “escreveu, publicou”, pouco importa o quê. A principal degradação é de valores.

Voltemos a Yoani. Cansei de ver nas TVs e de ler em jornais e sites que as manifestações têm dois lados: os que são contra a blogueira e os que são a favor dela, mais ou menos como forças legítimas e iguais, porém de sinal trocado, que se expressam democraticamente. Alto lá! As coisas não são assim! Eis a degradação de valores. Eis a degradação da democracia. Apoiar alguém que tem o direito de falar e impedir o exercício desse direito não são posturas análogas  opostas.

Não é legítimo nem legal impedir que o outro fale. Ao contrário: trata-se de um constrangimento previsto no Código Penal e de uma afronta ao Artigo V da Constituição brasileira. Tolerar que arruaceiros, que baderneiros, que brucutus, que vigaristas impeçam o exercício de um direito é ser conivente com um crime. Uma coisa é eventualmente discordar de Yoani; outra, distinta, é impedi-la de falar. Eu os convido a ler com atenção algumas notícias. Eu os convido a ficar atentos a certas abordagens dos noticiários de TV.

Não estamos diante de uma partida de futebol, em que é legítimo que os dois lados disputem a bola. Mesmo assim, só existe jogo porque há regras — ou os contendores sairiam na porrada, não é? E há juiz para aplicá-las. E todos reconhecem a sua autoridade. Nesse caso, um dos lados não tem legitimidade nenhuma porque seu objetivo é impedir a partida.

Desordem
Quem quer que tenha cuidado da agenda de Yoani no Brasil — e espero que ela tenha mais sorte nos demais países; certamente terá — cometeu uma série de erros e mesmo de desatinos, especialmente depois que VEJA noticiou, já desde a manhã de sábado, que uma súcia, com apoio objetivo de um auxiliar de Gilberto Carvalho, estava organizando a baderna.


A blogueira cubana jamais deveria ter sido exposta à agressão desse bando. Os mecanismos que fazem do Brasil uma democracia de direito deveriam ter sido acionados para assegurar a ela o direito de falar. Afinal, era evidente que vagabundos que defendem corruptos, ladrões, peculatários e quadrilheiros se organizassem para constranger pessoas de bem. Em parte, isso se explica porque houve um esforço para despolitizar a figura da blogueira cubana, tentando fazer dela alguém também palatável às esquerdas — daí o fato de o senador Eduardo Suplicy aparecer como um cicerone. Acontece que os nossos “cubaneiros”, bucaneiros da ideologia, não têm certas sutilezas.  

A vacina contra o câncer — este realmente sem cura — da intolerância é a imposição da lei.

Como disse o professor Marco Antonio Villa num e-mail que me enviou, Gilberto Carvalho está cumprindo uma promessa. E o ministro prometeu: “Em 2013, o bicho vai pegar”.  Hoje, eles apenas nos xingam. Amanhã, começam a nos espancar. E é bem capaz de certo jornalismo noticiar tudo na base do “lado” e “outro lado”, o lado que bate e o lado que apanha… Tudo coisa da democracia…

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2013

às 19:32

Poppi, o homem do Carvalho na reunião para difamar Yoani, recebeu mais de R$ 5 mil do nosso dinheiro para ir a Cuba

Sabem o tal Ricardo Augusto Poppi Martins, o assessor de Gilberto Carvalho que participou da reunião orquestrada pela embaixada de Cuba para difamar Yoani Sánchez? Pois é… Em seguida, ele viajou para Cuba para participar de uma “seminário” sobre o uso da Internet em ações políticas. Notável! Um homem de Carvalho vai a uma ditadura debater como usar as redes sociais na política… É asqueroso!

O site Contas Abertas revela que o rapaz recebeu R$ 5 mil de ajuda de custo para a sua viagem. Ficou com nojo, leitor? É compreensível.

Por Gabriela Salcedo:
O servidor da Secretaria Geral da Presidência, Ricardo Augusto Poppi Martins, recebeu da União R$ 5.095,10 para se hospedar em Havana, capital de Cuba, sete dias após ter participado de reunião na embaixada cubana em Brasília, quando foi distribuído CD com conteúdo difamatório sobre a bloggueira Yoani Sánchez.

Martins trabalha na Secretaria desde maio de 2011 e ganha cerca de R$ 6,8 mil brutos mensalmente para exercer o cargo de Coordenador de Novas Mídias e outras Linguagens de Participação. Ele viajou a Cuba no dia 10/02 e reservou hospedagem em hotel por oito dias, recebendo para tal diárias de U$ 320. Na ordem bancária obtida Siafi (Sistema Integrado de Administraçao Financeira da Secretaria do Tesouro Nacional) não está descrita a natureza da viagem.

A Secretaria confirmou que o servidor participou, quatro dias antes de viajar, no dia 6 de fevereiro, de uma reunião na embaixada cubana, em Brasilia, quando o foi entregue um CD que continha informações sobre Yoani Sánchez. Entretanto, conforme reportagem do periódico O Globo (19/02/13), o órgão não informou o conteúdo do disco e apenas se limitou a dizer que Martins foi a Cuba participar de um seminário sobre redes sociais, sem relação com a reunião.

O Contas Abertas solicitou à Secretaria Geral da Presidência uma cópia do CD entregue ao servidor, porém, até o fechamento desta reportagem, o material não foi encaminhado.

Já a revista Veja, que teve acesso ao CD, afirma que o conteúdo é difamatório e que a reunião foi coordenada pelo embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodríguez e pelo conselheiro político da embaixada, Rafael Hidalgo, junto a alguns representantes de organizações políticas do PT, PCdoB e CUT. A reunião teria como objetivo disseminar fatos supostamente negativos relacionados à blogueira.

A reunião, segundo a revista semanal, incentivou os participantes a organizarem campanha difamatória sobre Yoani, apoiada principalmente por meio de mídias sociais. Para tanto, distribuiu a cada um dos presentes uma cópia do CD contendo dossiê de 235 páginas a respeito da blogueira, composto por fotos pessoais, montagens e, inclusive, acusações de “mercenária” e de fazer uso de sua luta para conquistar uma vida luxuosa. Por fim, ambos os periódicos citados denunciaram suposto plano do governo de Cuba, para vigiá-la durante sua visita ao Brasil.

O Contas Abertas entrou em contato com a Embaixada Cubana para esclarecer a natureza da reunião realizada no dia 6 e para conhecer o conteúdo do CD distribuído na ocasião. Entretanto, a Embaixada informou que tanto Rodríguez como Hidalgo não se encontravam e não havia ninguém que poderia falar por eles. Até o fechamento desta reportagem, a Embaixada não retornou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2013

às 6:33

As omissões da imprensa nos atos fascistoides contra Yoani, cujo planejamento contou com a presença de um assessor de Carvalho. Ou: Honre a faixa do peito, presidente, e chame a Polícia Federal! Ou ainda: Uma obrigação moral de deputados e senadores de oposição

Uma súcia de fascistoides recebeu a blogueira Yoani Sánchez com gritos, xingamentos e dólares nas mãos quando ela desembarcou, na madrugada de ontem, no aeroporto Guararapes, em Pernambuco. De lá, ela seguiu para Feira de Santana, na Bahia, onde assistiria à pré-estreia de um filme que trata justamente da agressão à liberdade de expressão. O evento, previsto para a noite de ontem, não aconteceu. Mais uma vez, uma tropa de choque formada por petistas e militantes do PC do B a hostilizou. Ela teve de se retirar para uma sala reservada para não ser agredida. Então ficamos assim: uma mulher que comete o crime de defender a liberdade de expressão numa ditadura é impedida de se pronunciar num país livre por gorilas do oficialismo, sob as ordens da embaixada de Cuba e com a conivência — o nome é esse mesmo! — do governo federal. Se Dilma Rousseff honra a faixa que enfeitou seu peito no dia da posse, dá um de seus supostamente famosos tapas da mesa, chama José Eduardo Cardozo, que é ministro da Justiça e não cavalo de parada para desfiles garbosos, e determina que a Polícia Federal faça a segurança da cubana e impeça a canalha fascista de rasgar a Constituição. Se assistir inerme a essa violência, Dilma estará dando razão prática àqueles que, no passado, também violaram a lei para constrangê-la. Aliás, presidente, Yoani vem de um governo em que se torturam e se matam pessoas na cadeia por crimes de opinião. É simples assim. Nos atos de selvageria, presidente, contra Yoani — que teve o cabelo puxado e o rosto tocado por notas de dólares —, há a marca vergonhosa e indelével do seu governo. Tudo é lastimável, inclusive o que vem agora: boa parte da grande imprensa brasileira se tornou moralmente corresponsável pelas violências de que Yoani foi e ainda pode ser alvo. Por quê?

VEJA chegou aos leitores na manhã do sábado. Nas primeiras horas do dia, este blog já publicava um post denunciando a reunião havida na embaixada de Cuba, em Brasília, sob o comando do embaixador Carlos Zamora Rodríguez. Vocês conhecem a história. Disquetes com um dossiê contra Yoani foram distribuídos, e se combinaram ali atos de protesto contra a presença da blogueira no Brasil. Yoani é acusada de coisas graves, como ser agente do imperialismo, estar sob a influência da CIA, tomar cerveja com amigos, ir à praia e comer bananas… Os totalitários, com o tempo, evoluem para o terreno demencial. Havia lá um funcionário graduado do governo Dilma. Trata-se do coordenador de Novas Mídias da Secretária-Geral da Presidência, Ricardo Augusto Poppi Martins, que viajou para Cuba em seguida. Voltou ontem. A pasta de Gilberto Carvalho emitiu uma nota espantosamente mentirosa sobre o caso, na qual havia uma única verdade: a confirmação de que o tal assessor participara mesmo da reunião. Rodríguez confessou uma outra ilegalidade: afirmou que agentes cubanos acompanham cada passo de Yoani no Brasil.

Reação pífia, mesquinha, indigna
A reação da chamada grande imprensa nestes três dias foi pífia, mesquinha, indigna. As TVs ignoraram o assunto até — se perdi alguma coisa antes, avisem-me — a reportagem levada ao ar pelo “Jornal da Globo” no começo da madrugada desta terça. Os grandes jornais dispensaram ao caso um tratamento frio, burocrático, ridículo. Nestes tempos de surrealismo noticioso, houve quem tivesse o capricho de dar como notícia a primeira nota da Secretaria-Geral da Presidência  (ela emitiu duas) sem ter informado antes o que trazia a reportagem de VEJA. Ou por outra: ganhou mais relevância o desmentido engrolado do governo do que os fatos gravíssimos que tinham acabado de vir à luz. E que se note: mesmo a reportagem do Jornal da Globo ignorou a questão dos agentes cubanos que estão no encalço da blogueira, o que é estupidamente ilegal. “Mas quem garante que está?” O embaixador cubano! É ele quem está confessando um crime contra as leis brasileiras e o direito internacional.

A verdade lastimável é esta: a grande imprensa brasileira está perdendo os parâmetros de como funciona, e deve funcionar, uma sociedade aberta e está se amesquinhando. Ontem, no Twitter, alguns tontinhos da profissão, supostamente alinhados com um jornalismo mais “moderno”, dispensavam ao caso um tratamento jocoso, irônico, como se, de fato, isso tudo não tivesse a menor importância. Toma-se o direito essencial do longo Artigo V da Constituição — uma cláusula pétrea — como matéria menor. Um jornalismo que avalia não ser preciso dar destaque à presença de um assessor ministerial numa reunião realizada numa embaixada de uma tirania com o objetivo de desqualificar uma militante dos direitos humanos; um jornalismo que avalia não ser preciso dar destaque à presença de agentes da polícia política de um país estrangeiro no encalço de alguém que entrou legalmente em nosso país, um jornalismo que comete essas omissões já está descolado de sua missão; já não merece mais esse nome;  já está perdido para a causa democrática. ESSE JORNALISMO NÃO PRECISA MAIS DO CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA, COMO QUEREM OS FASCISTAS, PORQUE, INFELIZMENTE, JÁ ESTÁ CONTROLADO!

O que se passa? O setor perdeu o brio? A vergonha? As referências? Vive também ele sob a patrulha de um partido e, no fundo, desconfia que Yoani não seja, assim, flor que se cheire? Olhem aqui: aqueles vagabundos que foram impedir a blogueira cubana de falar não têm tanta importância; noticiar a bagaunça que armaram também serve para promovê-los. Eles vão se sentir orgulhosos, como todo criminoso se gaba da própria obra. A notícia relevante, que rendeu uma alentada reportagem de VEJA, era justamente as patas no governo cubano nessa mobilização, a presença de um assessor de Carvalho na reunião e a atuação de agentes estrangeiros em nosso país, ao arrepio da lei. Essa era a notícia!!! Essas eram as coisas que tinham de ser cobradas de Gilberto Carvalho e do governo Dilma.

Quais critérios explicam a omissão? Se alguém tiver alguma justificativa razoável, juro que publico aqui com destaque. Por que tanto silêncio? Por que tanta covardia? Os líderes da bagunça armada em Feira de Santana dizem que vão continuar — ENTENDEU, PRESIDENTE DILMA? Eles confirmam que vão seguir as ordens recebidas do embaixador cubano, contra o que estabelece a Constituição brasileira.

Essa gritaria promovida contra Yoani revela, uma vez mais, a alma profunda dessa gente e diz, com clareza absoluta, quem são eles e quem foram no passado. Este é um país em que está em curso uma dita Comissão da Verdade, que procura avançar sempre um pouquinho mais na tentativa de rever, ao arrepio da Constituição, a Lei da Anistia. A comissão que está aí existe para tornar heróis os amigos e tornar bandidos os inimigos. Somos obrigados a ler, por exemplo, que os comunistas de então queriam democracia… Ninguém deveria ter sido torturado por isto, é evidente, mas democracia não queriam. Tanto assim era que não a querem até hoje. Por isso estão aí, impedindo Yoani de falar. E, dizem eles próprios, agem assim em “defesa da revolução socialista cubana”. Perfeito! Se os comunistas tornados heróis pela Comissão da Verdade tivessem vencido, teria vigido Brasil — e talvez estivesse ainda em vigência — um modelo como o… cubano! As esquerdas reivindicam o monopólio do direito de matar, o monopólio da censura, o monopólio da fala e, não poderia ser diferente, o monopólio da verdade.

Oposições
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) protocolou nesta segunda na Mesa Diretora do Senado requerimento para que os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Antonio Patriota (Relações Exteriores) prestem esclarecimentos aos parlamentares sobre a atuação do governo brasileiro no complô contra Yoani. Está certo. Mas os partidos de oposição precisam fazer mais. A partir desta terça, É UMA OBRIGAÇÃO MORAL HAVER REPRESENTANTES DO PSDB, DO PPS E DO DEM ACOMPANHANDO OS PASSOS DA BLOGUEIRA. É preciso que lhe emprestem apoio contra os gorilas nativos que a perseguem, contra os gorilas cubanos que a perseguem, contra o gorilismo oficial que a persegue.

Ontem, no Jornal da Globo, vi um senador Eduardo Suplicy (PT-SP) exaltado contra aqueles que hostilizavam Yoani. Aprecio o seu gesto. Mas não seria quem sou se tivesse a memória fraca. Em 2009, a blogueira foi convidada para o lançamento de um livro seu no Brasil, e o governo cubano não permitiu que deixasse a ilha. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou, então, uma moção de repúdio ao governo cubano. Só um senador votou contra: Inácio Arruda (PCdoB-CE). E um se absteve: Suplicy afirmou que apoiava o protesto, mas que preferia ouvir antes o embaixador de Cuba… A atitude de ontem serviu para minorar aquela decisão lamentável.

Volto à imprensa para encerrar
Algo está fora do lugar em muitas áreas da imprensa. Há dias, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Averláiz, participou de um ato CONTRA A JUSTIÇA BRASILEIRA E CONTRA AS OPOSIÇÕES. Sim, era esse o teor da patuscada armada por José Dirceu. A exemplo de seu colega cubano, Averláiz desrespeitava as leis brasileiras e rasgava as leis internacionais sobre a representação diplomática. Na imprensa brasileira, com as exceções de praxe, parecia que ele estava dizendo um “hoje é terça-feira”…

“Ah, que importância tem isso? Meia dúzia de dinossauros comunistas, o que inclui até um palhaço fantasiado de Che Guevara, fazendo um barulhinho…” Errado! Um funcionário do Palácio do Planalto, assessor graduado do secretário-geral da Presidência, participou de uma conspirata numa embaixada estrangeira e ouviu do seu titular que agentes estrangeiros perseguem uma pessoa que entrou legalmente em nosso país e que está protegida, enquanto aqui estiver, pelas leis brasileiras. Se isso não é notícia, o que é notícia?

Coragem, jornalismo!
Coragem, senadores e deputados de oposição!

Texto publicado originalmente às 3h26
Por Reinaldo Azevedo

18/02/2013

às 23:09

Conforme VEJA antecipou, complô contra Yoani, organizado com a presença de assessor de Gilberto Carvalho, impede evento com blogueira cubana. Mais tarde, direi por que amplos setores da imprensa estão sendo cúmplices de um ato fascistoide

Aconteceu tudo conforme o esperado e conforme VEJA, na prática, antecipou que iria acontecer. Os bate-paus do PC do B, da CUT e do PT, obedecendo às ordens transmitidas pela embaixada de Cuba, com a conivência da Secretaria-Geral da Presidência da República, impediram, nesta segunda, a realização de um evento de que ela participaria, em Feira de Santana, na Bahia. A secretaria, diga-se, emitiu uma nota a respeito que é um primor da picaretagem política. Os fascistas, fantasiados de esquerdistas (não há diferença essencial entre as duas coisas), xingaram a blogueira cubana e berraram à vontade. Abaixo, há trechos do relato de Flávia Marreiro na Folha Online. Mais tarde, voltarei a este tema e direi por que setores importantes do que já foi chamado “grande imprensa brasileira” (cada vez mais amesquinhada nas suas ambições democráticas), são cúmplices dessa selvageria e desse ato de censura. Leiam.

Grupos de manifestantes ligados a movimentos estudantis e sociais, ao PC do B e ao PT impediram nesta segunda-feira (18) a exibição de um filme em Feira de Santana, na Bahia, com a presença a blogueira cubana Yoani Sánchez. Aos gritos de “traidora”, “Cuba sim, ianques não”, os militantes tomaram o salão da Casa do Saber, um planetário cedido pela prefeitura para a exibição de “Conexão Cuba Honduras”, do cineasta baiano Dado Galvão, que tem como uma das protagonistas a ativista cubana, que chegou ontem ao Brasil.

Quando Sánchez chegou ao local, os ânimos se exaltaram e a blogueira chegou a ser recolhida na sala de diretoria, enquanto o senador Eduardo Suplicy (PT) tentava uma negociação com os manifestantes. Com chapéu com estrela do Che Guevara, o ex-vereador do PT Angel Almeida negociou a mudança do evento: de exibição de documentário a debate, com participação dos militantes.

Quase uma hora depois, a blogueira que pode sair de Cuba após 20 tentativas frustradas, finalmente começou a falar, de pé, por 15 minutos: “Vivo numa sociedade onde opinião é traição”, começou. As vaias tomaram mais uma vez o ambiente –o vereador paramentado de Che mais uma vez conteve os ânimos. E foi assim em vários momentos.

A exibição frustrada foi o auge de uma jornada já tumultuada por protestos, que começaram na primeira escala de Sánchez, em Recife –ela teve até o cabelo puxado–, e seguiram em seu desembarque em Salvador. “Protesto faz parte da democracia, agressividade não”, disse Dado Galvão. “É uma cidade pacata”, queixou-se. “É o que a ‘Veja’ disse que ia acontecer”.

“Acabou tensionando tudo”, admite Jader Dourado, do movimento de bairros de Feira de Santana e que foi candidato a vereador pelo PT na cidade.
(…)
“Todo mundo está se organizando em todo o território”, diz Dourado.

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2013

às 21:13

O homem de Carvalho na tramoia cubana contra Yoani – Nota da Secretaria-geral, cotejada com a lógica, é uma mentira escandalosa

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, decidiu agora escarnecer dos fatos.  Conforme revelou a revista VEJA nesta semana, a embaixada de Cuba em Brasília reuniu militantes de esquerda — do PT, da CUT e do PCdoB — para lhes fornecer um dossiê com acusações estúpidas contra a blogueira cubana Yoani Sánchez. Na ocasião, o embaixador de Cuba revelou que os passos de Yoani seriam vigiados por agentes cubanos. As duas ações — a reunião e a espionagem — são ilegais. As coisas poderiam ter parado por aí, mas tiveram gravidade muito maior.

Ricardo Augusto Poppi Martins, auxiliar de Carvalho, participou de todo o encontro, ficou até o fim e levou uma cópia do dossiê. Em seguida, viajou para Cuba para participar de um seminário que trata justamente de… guerra na Internet.  Na pasta comandada pelo ministro, ele é o responsável por essa área. A secretaria-geral havia divulgado uma primeira nota afirmando que apuraria o caso. Nesta segunda, divulgou outra. Leiam. Volto em seguida.

A Secretaria-Geral da Presidência da República, tendo ouvido o servidor Ricardo Augusto Poppi Martins, esclarece:

O servidor esteve na embaixada de Cuba, em dia e horário definidos por aquele órgão, para obter seu visto de entrada no país, visando participar, em Havana, de um seminário sobre redes sociais.

Após a concessão do visto, o servidor foi convidado por um funcionário da embaixada a participar de reunião na qual foi abordada a política migratória de Cuba e a vinda da blogueira Yoani Sánches ao Brasil.

Na reunião, em que não permaneceu até o final, o servidor recebeu um CD com informações sobre Yoani Sánches, do qual não fez qualquer uso.

O seminário em Havana não teve relação com os temas tratados na reunião.

Assessoria de Comunicação
Secretaria-Geral da Presidência da República

Voltei
É um acinte! Com que então o tal rapaz vai à embaixada cubana para obter um visto, e eis que chega um funcionário e convida: “Estamos fazendo aqui uma reunião sobre a política migratória e de cuba e a vinda da Yoani, você não quer participar?” Como Poppi estava mesmo desocupado — embora estivesse em horário de expediente —, aceitou o convite. Fica parecendo, leitor, que, fosse você a estar lá, seria alvo de abordagem idêntica.

É evidente que estamos diante de uma desculpa ridícula, esfarrapada. Com que então um dos coordenadores da secretaria-geral da Presidência acha normal que se faça um “seminário”, com esquerdistas brasileiros, sobre a vinda de uma cubana ao Brasil? Carvalho escarnece dos fatos, da verdade, da lógica.

Mas digamos que fosse verdade. A primeira reação do ministro foi a de quem não sabia de nada. Sei… Então o tal Poppi vai a um encontro como aquele, assiste à combinação de uma tramoia, ouve a informação de que agentes cubanos atuam livre e ilegalmente no Brasil e não passa a informação a seu chefe???

Carvalho acha que somos todos idiotas? Acha!

O ministro certamente não é um mentiroso. Mas a versão divulgava pela secretaria-geral da Presidência, quando cotejada com a lógica dos fatos, é uma mentira escandalosa.As oposições que não corram o risco de deixar barato esse troço. Por que um governo que condescende com a espionagem ilegal promovida por um “país amigo” não pode, ele mesmo, espionar? Aliás, tenho umas perguntinhas a fazer a algumas entidades da sociedade civil. No próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

16/02/2013

às 17:40

Oposição quer que ministros expliquem dossiê contra Yoani

Por Laryssa Borges e Marcela Mattos, na VEJA.com:
Partidos de oposição no Congresso Nacional informaram neste sábado que vão apresentar na próxima semana requerimentos de convocação dos ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para que os dois expliquem a participação do corpo diplomático, de dirigentes partidários e de funcionários do governo na distribuição de um dossiê contra a blogueira cubana Yoani Sánchez. Os oposicionistas também vão protocolar um pedido de informações para que o embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, esclareça a perseguição que emissários do governo de Raúl Castro pretendem fazer à ativista. Yoani Sánchez desembarca em território brasileiro na próxima semana para divulgar o livro De Cuba, com Carinho.

Reportagem de VEJA desta semana mostra as articulações da Embaixada de Cuba no Brasil para monitorar a passagem de Yoani Sánchez pelo país. A proposta de desqualificação da cubana inclui a distribuição de um dossiê com informações distorcidas sobre o que seria uma vida de luxo dela. Em meio a montagens com fotos da ativista estão insinuações de que ela teria se rendido ao dinheiro porque bebe cerveja, come banana e vai à praia.

O pedido para a distribuição do dossiê e a estratégia de desqualificação de Yoani foram orquestradas no dia 6 de fevereiro em uma reunião organizada pelo conselheiro político da embaixada de Cuba em Brasília, Rafael Hidalgo. Conforme revelou VEJA, um grupo de militantes de esquerda, incluindo filiados do PT e PCdoB e integrantes da CUT, se reuniu com o embaixador cubano Carlos Zamora Rodríguez para ouvir o projeto de desqualificação da blogueira. Entre os presentes no encontro estava Ricardo Poppi Martins, coordenador-geral de Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência e subordinado ao ministro Gilberto Carvalho.

“O uso de dossiês tem sido recorrente no governo do PT. Agora há uma conspiração cubana em território nacional com a participação de agentes públicos instalados no Palácio do Planalto”, disse o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR). “O governo federal tem que esclarecer sua participação em um monitoramento inadmissível como esse contra Yoani Sánchez”, completou o líder tucano na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Além dos pedidos de convocação dos ministros de Relações Exteriores e da Secretaria-geral, os partidos de oposição vão requisitar esclarecimentos por escrito de autoridades do governo. Na próxima terça-feira, o PSDB vai encaminhar um pedido de informações a Gilberto Carvalho. O Democratas deve fazer o mesmo também na próxima semana.

“É um assunto muito grave. É um ‘mal combinemos’ para evitar a liberdade de expressão e de manifestação da cubana. Fere totalmente o princípio da convivência democrática”, afirmou o presidente do Democratas, senador José Agripino (DEM-RN). Na avaliação do parlamentar, a participação de Poppi Martins na reunião “por si só já justifica um pedido de informações” ao ministro Gilberto Carvalho. “Se for o caso, eu mesmo vou levar ao plenário a discussão sobre um pedido de informações ao ministro”, informou o senador.

“O Gilberto Carvalho tem tantas explicações para dar, inclusive para a própria Justiça, que essa é só mais uma. Infelizmente, falta de compromisso democrático é proverbial nesse governo”, disse neste sábado o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2012

às 7:27

Dilma e Carvalho estão com inveja do baguncismo argentino. Ou: O PT deveria estar feliz, mas está com ódio. Por quê?

A presidente Dilma Rousseff, ainda não está claro se apenas porque pressionada pelo PT ou também por gosto, resolveu flertar com o baguncismo. E como faz isso? Permitindo que um ministro seu, Gilberto Carvalho — desde sempre os braços, os olhos, os ouvidos e a boca de Lula na atual gestão —, atue como se fosse mero militante partidário, convocando a militância petista a ir às ruas, depois das festas de fim de ano, em defesa de Lula e do PT. Segundo Carvalho, em 2013, “o bicho vai pegar”. Vai ver o ministro e sua chefe estão com inveja da Argentina… Para Carvalho, os “ataques sem limites” a Lula buscam destruir o governo e o partido: “Vamos nos preparar para, assim que passarem as Festas, a gente ir para as ruas”.

Quais ataques?

O colunismo chapa-branca na grande imprensa — e há um monte — e propagandistas financiados por estatais, disfarçados de jornalistas, acusam a existência de uma suposta conspiração contra Lula que teria como objetivo, na verdade, desestabilizar o governo Dilma para impedi-la de se reeleger em 2014. Trata-se de uma mentira estúpida sob qualquer ângulo que se queira ver a questão.

Rosegate
Cumpre indagar: quem conspira contra Lula? Seria a Polícia Federal? Sim, foi ela que deflagrou a Operação Porto Seguro. A raquítica oposição e a “mídia” (como eles chamam a imprensa) não têm nada com isso. A primeira cumpre até com discrição o seu papel, que consiste em, no mínimo, tentar ouvir no Congresso os acusados, o que a base governista não permite. Até aí, vá lá… Mas se trata de delinquência pura e simples aprovar um “convite” para ouvir FHC sobre a tal Lista de Furnas, um documento comprovadamente fraudulento, criado por… petistas. Usar a maioria para impedir depoimentos incômodos ao governo demonstra, sim, um Congresso que serve de capacho ao Executivo, mas ainda está no terreno do aceitável, dados os rebaixados padrões em que se faz política no país. Recorrer, no entanto, a essa maioria para tentar jogar no colo do adversário o que se sabe ser uma farsa já entra no terreno da política feita com dolo.

A imprensa, por sua vez, está sendo bastante discreta com Lula no que diz respeito ao “Rosegate”, considerando que sua “relação íntima” é coisa que diz respeito à sua vida privada. Assim seria se ele não a tivesse colocado no comando do escritório da Presidência em São Paulo e se ela não fosse figura frequente nas viagens do então presidente ao exterior — às vezes, era uma passageira, para todos os efeitos legais, clandestina porque não incluída oficialmente na comitiva. Isso, por si, já é um delito, como se sabe. Assim seria se ela não estivesse usando o cargo para intermediar negócios e não fosse considerada pela Polícia Federal o braço político da “quadrilha”.

O que o PT gostaria que a “mídia” fizesse? Que comportamento lhe seria adequado no Rosegate? Repetir as bobagens da rede lulo-petista financiada com dinheiro público? A propósito: sobre Rose em particular, essa gente não tem o que dizer. Limita-se a vociferar contra a imprensa, que noticia, diga-se, o que consegue apurar junto à Polícia Federal. A imprensa inglesa, americana ou italiana já teriam alargado esse viés mais picante do noticiário. Berlusconi fazia os seus “bugas-bugas” em propriedades privadas. O bufão ainda tentou argumentar que ninguém tinha de se meter nos seus assuntos pessoais. Acontece que ele era primeiro-ministro da Itália. Ocorre, e isto é relevante, que a imprensa brasileira não está nessa, não! Cobre apenas a dimensão pública do escândalo.

E noto: já aconteceu de escândalos inicialmente noticiados pela imprensa resultarem em investigações, demissões, crises políticas etc. É o caso da mãe de todos eles, o mensalão. É o caso do Collorgate — foi a entrevista de Pedro Collor à VEJA que detonou a crise. Naqueles tempos, noto, o PT achava o jornalismo necessário e progressista… Mudou de ideia a partir de 2003.

Marcos Valério
Cumpre indagar de novo: quem conspira contra Lula? Marcos Valério? Foi ele quem prestou um depoimento à Procuradoria-Geral da República, que vazou, sim, como vazaram antes os depoimentos de centenas de pessoas. Sempre que esse vazamento foi do interesse do PT, o partido não chiou. Os repórteres que cobrem política poderiam enumerar, aliás, quantos e quais foram os petistas que, ao longo da história, lhes passaram documentos e depoimentos sigilosos, dados de investigação que correm sob sigilo de Justiça e até informações sobre transações bancárias de seus desafetos. Não! Os jornalistas não farão isso porque vão preservar o sigilo da fonte — e a Constituição lhes faculta esse direito. Mas que se note: a Carta lhes faculta esse direito tanto quando a notícia é do interesse do PT como quando não é. No caso do depoimento de Valério, os petistas foram acometidos de um furioso surto de legalismo.

Valério, o que estava até anteontem trabalhando com o PT; Valério, o que tinha como interlocutor Paulo Okamotto (o petista confirma); Valério, o destacado para fazer grandes negócios em benefício da legenda; Valério, o mago do sistema de compra de consciências… Seria ele o conspirador? Ora…

Não há uma só pessoa na imprensa — também essa é uma acusação falsa — que tome o que diz o ex-operador do mensalão como sinônimo de verdade. Mas é um absurdo supor que o jornalismo deveria ignorar o que diz sendo ele quem é, tendo operado como operou, tendo exercido o papel que exerceu. Evoco de novo a Itália: alguém imagina os promotores ou os jornalistas daquele país a desprezar o eventual testemunho de mafiosos: “Ah, não, esse está metido com o crime”?

Um jornalismo que simplesmente ignorasse as acusações de Valério, exaltando, em seguida, os feitos do ex-presidente, estaria apenas a repetir José Sarney: “Ninguém tem autoridade moral para atacar Lula”. Não por acaso, isso é que fazem os petistas, o colunismo chapa-branca e o subjornalismo financiado por estatais. A grande imprensa ainda não chegou a esse estado miserável.

Pesquisas
A estar certo o levantamento feito pelo Datafolha, o Rosegate e as acusações de Valério não mexeram com a avaliação que boa parte dos brasileiros faz do governo Dilma e do próprio Lula. Ambos, segundo pesquisa divulgada neste domingo, se candidatos à Presidência, se elegeriam no primeiro turno. Nos votos espontâneos, ela aparece bem à frente do antecessor (isso deve ter deixado um monte de petistas fulo da vida…). Há três dias, a pesquisa CNI-Ibope apurou que o governo Dilma é considerado ótimo ou bom por 62% dos brasileiros, o que é, se verdadeira, uma excelente marca.

Logo, pergunta-se: que diabo de “campanha para destruir Lula, Dilma e o PT” é essa? Petralhas enviaram para cá centenas de comentários, com aquela delicadeza habitual, cacarejando e zurrando vitória: “Está vendo? Não adianta nada! Não adianta nada!”. ORA, ENTÃO POR QUE TANTA HISTERIA? POR QUE CARVALHO QUER BOTAR O “POVO” NA RUA? Não há, pois, razão para isso, certo? Que linchamento é esse que denuncia o PT sem linchadores?

Eis um ponto interessante. Essas boas almas totalitárias não aceitam a crítica, a divergência e, como se vê, nem mesmo a lei. Se o Supremo não decide conforme a sua vontade, eles saem demonizando o tribunal e os ministros. O PT não se dá por satisfeito em ter uma oposição pequena, que pouco pode. O objetivo é e sempre foi não ter oposição nenhuma. Mas não só isso: tem na imprensa — majoritariamente simpática ao partido, como todos sabem — a principal inimiga porque reconhecem nesse setor áreas ainda insubordinadas.

Convenham: os petistas têm tudo para a linguagem do amor e da fraternidade, não? A popularidade de Dilma é grande; ela própria e Lula venceriam a disputa eleitoral no primeiro turno (sei que a eleição está longe…); a oposição ainda não tem um candidato viável… Então por que tanto ódio, tanta baixaria, tanta violência retórica?

Porque o partido não admite a existência de uma oposição legal e legítima que possa confrontá-lo. Porque o partido não admite a existência de uma imprensa livre, que possa, quando achar necessário, criticá-lo. Porque o partido não aceita a existência de uma Justiça independente que possa declarar o triunfo das leis democráticas sobre as vontades. Porque o partido aceita a democracia apenas até o Capítulo 12… 

Texto publicado originalmente às 4h45
Por Reinaldo Azevedo

12/12/2012

às 16:28

Desconstruindo, calma e didaticamente, com a lógica e os fatos, a fala de Gilberto Carvalho

Os petistas são mestres em muita coisa – e, como é sabido, de “burros” eu nunca os chamei. Se burrice tem havido de 2005 a esta data, ela não se dá exatamente no arraial dos companheiros. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), principal homem de Lula no governo Dilma, recebeu o sinal verde da chefe de turno para defender o chefe de sempre. Carvalho, um ex-seminarista, afável com os jornalistas, prefere, de hábito, plantar a dúvida na cabeça do interlocutor a ser incisivo.  Nesta quarta, ele mudou um pouco tom, mas sem abandonar jamais aquela sua, digamos, “vocação pastoral”.

Veio a público para dizer que Lula está “indignado”. Certo! Indignado. Lula fala sobre tanta coisa, convenham, que poderia ele mesmo expressar a sua indignação. Quando se trata de fazer proselitismo eleitoral, por exemplo, ele não manda recado. Silenciou quando o caso Rosemary Noronha caiu no seu colo.

Que fique claro de novo: a imprensa brasileira não o censurou por causa de sua “relação íntima” com aquela senhora – o padrão firmado por aqui é o de que ninguém tem de se meter na vida privada de um homem público. Ocorre que Rosemary usava seu cargo no escritório da Presidência, onde Lula a instalou, para fazer negócios, e isso muda o rumo da prosa. Sigamos.

Carvalho, no seu estilo “semeador de dúvidas”, afirmou o seguinte sobre a dupla Marcos Valério-Lula:
“Ele [Lula] está sem nenhum medo, apenas profundamente indignado com a atitude desse senhor e impressionado com a credibilidade que, de repente, esse, que era uma espécie de fábrica de males, passa a ter, [visto] agora como legítimo e digno acusador. Nós sabemos que não é, infelizmente não é”.

Errado, ministro!
Carvalho recorreu ainda, já falo daqui a pouco, a um termo haurido da biologia para tratar do assunto. Vamos adiante. O que está errado na fala deste semeador de dúvidas? Marcos Valério só passou a ser essa figura desprezível aos olhos do petismo quando decidiu falar. Antes, tinha tal credibilidade que foi escalado para gerenciar o sistema de distribuição de recursos do que se chamou “mensalão”. Se era o único a fazê-lo, não sei. Mas é inequívoco que se tornou uma figura graúda no esquema.

Valério tinha tal desenvoltura no poder, e isso está evidenciado nos autos do processo do mensalão, que participou de reuniões na Casa Civil entre José Dirceu e a banqueira Kátia Rabello. Em depoimento em juízo, ela deixou claro que a presença do publicitário era bem-vinda em razão do trânsito que ele tinha no governo. Também foi escalado para fazer a negociação com a Portugal Telecom. Ainda que os petistas estivessem falando a verdade quando afirmam que nada de errado houve nessa relação, tratava-se de uma “missão”, não é?

Mesmo acusado, denunciado, tornado réu e condenado, Valério continuou a ser preservado pelos petistas. O partido nega que esteja pagando a conta de seu advogado – o advogado, curiosamente, não nega nada. Huuummm… Mas Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, um dos braços operativos do chefe, admite que foi a pessoa escalada para estabelecer uma interlocução com Valério. Interlocução com um desclassificado?

Se Valério é essa coisa desprezível aos olhos de Carvalho, por que ele não cola nos petistas que com ele negociaram a mesma pecha? Ou Valério era bom demais para atuar nas sombras e se tornou essa figura deletéria quando decidiu falar o que sabe?

Contaminação
Carvalho recorreu ao universo virótico ou bacteriano para se referir às relações dos petistas com Valério: “Nós não estamos preocupados porque o presidente Lula não tem nenhuma participação e sequer conhecimento da maioria desses fatos que são agora arrolados. Quem os praticou, quem tem algum tipo de relação com o senhor Marcos Valério, e se contaminou e teve problema por isso, já foi devidamente julgado no processo que está se encerrando lá no Supremo”.

Epa! Quer dizer que o petismo era um corpo saudável, de uma comovedora pureza, mas, num determinado momento, deu a mão para a Valério ou, sei lá, foi vítima de um espirro dado pelo publicitário e contraiu a “mensalite”? Ora, ministro… Ele só foi apresentado à cúpula do PT porque a cúpula do PT precisava de um Valério para chamar de seu. O nome do operador poderia ser, como no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond, J. Pinto Fernandes. Não faria a menor diferença.

Não foi Valério, publicitário que é, a convencer o PT a adquirir uma mercadoria: o esquema do mensalão. Não! O partido buscava alguém que pudesse atuar nas sombras. E apareceu Marcos Valério: havia uma espécie de licitação informal no baixo mundo da política. Ele certamente pareceu ao partido o mais hábil.

Foi Valério quem contaminou o PT? É uma afirmação contrária aos fatos. José Dirceu é que foi considerado o chefe da quadrilha pela Procuradoria-Geral da República, acusação aceita por oito de dez ministros do Supremo, com base no autos, que o condenaram.

Carvalho, finalmente, falta com a verdade quando diz que “Lula é o político brasileiro que mais teve a vida invadida, examinada e atacada”. Teria de provar. Isso é simplesmente falso. Políticos de oposição, sim, tiveram vidas devassadas e sigilos quebrados ao arrepio da Justiça pela companheirada. Como não havia o que denunciar, então partiram para a invenção.

À diferença do que diz Carvalho, Lula nunca teve a vida investigada. Vejam o caso da Gamecorp, de Lulinha. Quando se descobriu que uma operadora de telefonia, a então Telemar, havia injetado R$ 5 milhões na empresa do filho do então presidente, houve um óbvio estranhamento. Tratava-se de uma concessionária de serviço público, de que o BNDES era (e é) sócio. Se o primeiro-filho tivesse se dedicado a qualquer outro ramo que não passasse, então, pela arbitragem do país, ninguém teria dito ou escrito uma vírgula. Todo mundo sabe que Lula alterou a lei das teles só para permitir que a Oi (ex-Telemar) comprasse a Brasil Telecom.

Encerro
Não há complô nenhum contra Lula. Ninguém está a dar excessiva credibilidade a Marcos Valério. Ao contrário até: o noticiário é bastante claro ao informar que ele pode estar querendo integrar um programa de proteção a testemunhas para ter a sua situação aliviada.

Dá-se a seu depoimento o espaço que seria devido em qualquer democracia. Ou agia de modo diferente a imprensa italiana durante a chamada “Operação Mãos Limpas”? Os mafiosos arrependidos – não é exatamente o caso de Valério – mobilizavam o jornalismo. Não porque fossem professores de Educação Moral e Cívica, não porque fossem homens decentes, não porque se pensasse em chamá-los para jantar, mas porque tinham o que dizer sobre as entranhas do poder, a política e os políticos.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 17:03

Gilberto Carvalho tem razão: corrupção agora não está debaixo do tapete; é exibida com orgulho na sala de visitas!

Há, é evidente, uma outra leitura para a fala de Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Segundo ele, a corrupção, agora, “não está mais debaixo do tapete”.

No que concerne ao petismo, ao menos, ele não deixa de ter razão. As pessoas varrem pra debaixo do tapete o que sabem que não deveria estar na sala de visitas, aos olhos de toda gente, não é isso?

Quem esconde a sujeira conserva, ao menos, certo senso herdado de vergonha, ainda que não consiga viver segundo os valores que sabe serem os corretos.  Um governo que, numa atitude detestável, tente esconder a corrupção não é tão detestável a ponto de tentar naturalizá-la.

No petismo, como a gente nota, as coisas são diferentes. Muitos já nem se ocupam mais de esconder as ilegalidades. Os petistas querem transformar a corrupção num modo de fazer as coisas. Por isso já nem mais s envergonha.

Querem ver?

Lula foi convidado a falar sobre os folguedos de sua amante (não sei se ainda é) no escritório da Presidência em São Paulo. Respondeu o quê? Que não se pronuncia sobre assuntos particulares. É um escracho! “Assuntos particulares”? Ninguém queria ouvi-lo sobre sucessos de alcova, que tudo tem limite nessa vida (menos o Lula, claro…)

Voltemo-nos uma vez mais para esta foto, publicada a edição de VEJA desta semana.

Rosemary, a “madame” de Lula, decorou o escritório da Presidência em São Paulo com um painel de seu benfeitor e estampou sua imagem nas almofadas. Nós estamos falando de uma sala que é extensão da Presidência, órgão executivo de um Poder da República, que tem de ser, por lei, impessoal porque de todos.

A corrupção não é só a do dinheiro público.
A corrupção não é só a de costumes.
Há também a corrupção do caráter.

Gilberto Carvalho tem razão. Não se varre mais a corrupção pra debaixo do tapete. Agora ela é exibida como conquista e troféu na sala de visitas. Eles, de fato, se orgulham dela.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2012

às 16:38

As bobagens autoritárias de Gilberto Carvalho e a resposta de FHC: quase chega ao ponto!

Leiam esta declaração:
“Tenho 81 anos, mas tenho memória. Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas. Estou cansado de ouvir leviandades de quem está no governo. Aproveita posição do governo para jogar pedra no passado. Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

É uma reação, quase inteiramente correta, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a uma porção de bobagens ditas pelo espião de Lula no governo federal, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e segundo homem mais poderoso no partido, depois do próprio Barbalorixá. Os dois estavam em seminários. FHC fez essa declaração no início de um seminário que o PSDB promove em Brasília sobre as eleições municipais.

Por que a fala de FHC é QUASE inteiramente correta? Já chego lá. Vamos ao que afirmou Carvalho, segundo a Folha, para ter provocado uma reação mais dura do ex-presidente – alguns tons acima da entrevista ruim que concedeu à Folha.

Disse o chefão petista:
“Os órgãos todos de vigilância, fiscalização, estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisto: não é uma autonomia que nasceu do nada, porque, antes, não havia essa autonomia. Nos governos Fernando Henrique, não havia autonomia; agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne (…)”Antes havia engavetador geral da República. Com o presidente Lula nós começamos a ter um procurador com toda liberdade”.

Estupidez
Carvalho confunde a República com uma monarquia absolutista. Não é o “governo que garante” a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público, mas a lei. O secretário-geral da Presidência pretende transformar numa generosidade do lulo-petismo aquilo que a Constituição nos assegura. É uma piada! Quanto ao passado, notem que ele se refere especificamente ao governo FHC. Certamente nas gestões dos agora aliados Collor e Sarney, a República andava nos eixos, certo?

É impressionante que um ministro de estado, que exerce um dos cargos mais importantes da República, se dê a tal desfrute, especialmente quando se descobre um cancro corruptor no coração do governo. Tanto mais constrangedor quando o caso envolve alcovistas, alcoviteiros, alcovitagem, alcovetas, alcovetos… O PT tanto respeitou a autonomia do procurador-geral da República que tentou destruir a sua reputação com uma CPI, que é um instrumento de Estado, já que se trata trata de prerrogativa de um Poder: o Legislativo.

A reação de FHC
A reação do ex-presidente foi mais contundente do que a sua entrevista meio boba à Folha (ver post a respeito), mas ainda está eivada de senões e considerandos, que se combinam com a dificuldade que tem o PSDB de fazer oposição. Voltemos a dois trechos de sua resposta:
“(…) Este senhor precisa pelo menos respeitar o passado, até o dele, para não continuar dizendo coisas levianas (…). Herança maldita está ai, recebida pela presidente Dilma”.

Duas coisas
Que “passado” respeitável tem Gilberto Carvalho, que o próprio petista deveria ter honrado agora? Ter sido braço-direito de Celso Daniel? Que herança Dilma terá recebido que não tenha ajudado a construir, de sorte que o governo que tem também é fruto do governo ao qual serviu como “gerenta”?

O PSDB precisa começar por redescobrir o vocabulário da oposição. Se vai ganhar eleição, eu não sei. Mas ao menos se diz a coisa certa. É melhor do que perder dizendo a coisa errada.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2012

às 6:27

E lá vem um petista com a proposta de assaltar de novo o bolso dos brasileiros…

O PT emite mais um sinal de que vai tentar levar adiante a proposta de instituir no país o financiamento público de campanhas eleitorais. Se acontecer, é mais um assalto ao erário —e, pois, ao bolso do contribuinte. Leiam o que informa o Estadão. Volto depois.

Lei eleitoral é a mãe da corrupção, diz ministro

Por Vera Rosa:
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, chamou ontem o financiamento privado de campanha de “maldito” e disse que a lei eleitoral é a “mãe da corrupção”. Ao participar de um seminário para movimentos sociais, no Palácio do Planalto, Carvalho pregou a reforma política e afirmou que o governo enfrenta contradições internas em relação à necessidade de democratização do Estado.

“Não há outra saída se nós, de fato, não pensarmos numa profunda reforma do Estado e numa reforma política, que ataque e enfrente as questões táticas e estratégicas. Tática é esse maldito financiamento privado de campanha, essa legislação eleitoral que é, a meu juízo, a mãe da corrupção. É onde tudo começa”, disse o ministro.

Sem citar o termo mensalão, Carvalho não escondeu a mágoa com a condenação de antigos companheiros pelo Supremo Tribunal Federal, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. “Nós, que estamos sofrendo esse processo que se passa no Judiciário, sabemos a dor de tudo isso”, argumentou.

Questionado depois pelo Estado sobre o fato de ter se referido à atual lei como “mãe da corrupção”, Carvalho voltou a defender mudanças. “O sistema eleitoral, do jeito que está estruturado, estabelece a dependência dos candidatos com o poder econômico”, afirmou. No seminário intitulado “Participação Social e Democratização do Estado: o papel político dos movimentos sociais”, o ministro elogiou a Lei da Ficha Limpa e destacou que o financiamento público de campanha e o voto em lista são “essenciais” para a prática da política decente.
(…)

Voltei
Por uma questão de lógica elementar, no dia em que a doação de recursos privados for proibida, a única consequência será o aumento do… caixa dois! Os petistas estão querendo enfiar uma vez mais a mão no bolso do contribuinte. A doação de recursos públicos a partidos teria de ser feita segundo um critério. Provavelmente, recorrer-se-ia ao tamanho da bancada dos partidos na Câmara — o que, é evidente, seria bom para o PT.

Finalmente, há a sugestão de que o mensalão só existiu porque há o financiamento privado. Não há nexo ou relação de causa e efeito entre uma coisa e outra. Os parlamentares e partidos, como é sabido, foram comprados com dinheiro sujo — público e estatal (vide a dinheirama do Banco do Brasil).

Por que o mensalão não poderia ter existido, com todas as suas características, ainda que houvesse financiamento público? A fala de Carvalho é só mais um desses golpes na lógica e na política a que o PT se dedica com afinco.

Por Reinaldo Azevedo

24/10/2012

às 7:17

PT cumpre ameaça feita por Gilberto Carvalho e começa a disputar espaço com evangélicos. Ou: O partido quer ter a sua própria versão dos evangelhos, a sua própria imprensa, a sua própria OAB, a sua própria ciência, a sua própria democracia…

Não! Este texto não é sobre religião e política. Este é um texto que repudia os que pretendem fazer da política uma religião.

O comando de campanha de Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, convocou alguns pastores evangélicos — de pouca expressão, é verdade — para uma reunião no diretório municipal do partido. Ali se redigiu uma espécie de manifesto daqueles poucos líderes em favor do petista. Não se toca no nome do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, que expressou seu apoio ao tucano José Serra. Quem se encarregou de criticar Malafaia foi o próprio Haddad: “Na verdade, houve uma reação aos modos e aos termos que o pastor [Malafaia] utilizou para se referir à minha pessoa. Inclusive uma pessoa que nem é de São Paulo”. Haddad acha que religião tem de ter base territorial, entende? Haddad acha que o divino tem de respeitar fronteiras territoriais. Adiante! O líder religioso da Assembleia de Deus emitiu uma nota (ver post abaixo) apontando o que considera “as mentiras” do petista. Não! À diferença do que podem pensar alguns, não farei um texto sobre religião. Tratarei de algo até mais amplo. A ameaça feita em janeiro por Gilberto Carvalho começa a se cumprir. O PT já começou a sua mobilização para disputar influência com os evangélicos. Para tanto, decidiu provocar um confronto entre os religiosos. Por quê?

Porque o PT quer ter a sua própria “igreja”. Também quer a sua própria imprensa. A sua própria OAB. O seu próprio STF. A sua própria SBPC. A sua própria universidade. Com sua vocação totalizante e totalitária, o partido quer submeter todas as instâncias da sociedade a seus ditames. Por isso, atribui a um manifesto de meia dúzia de evangélicos o que nem mesmo está lá. O texto não ataca Malafaia, mas Haddad o vende como uma reação ao líder religioso que não o apoia.

PT começa a cumprir ameaça contra evangélicos
O PT começa a cumprir uma ameaça. No Fórum Social de Porto Alegre, no fim de janeiro, o ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência), homem mais importante no PT depois de Lula e seu provável futuro presidente, deu uma palestra. Na plateia, estava ninguém menos do que assassino e terrorista Cesare Basttisti, que ficou no Brasil por vontade Lula e Tarso Genro. Tudo em casa!

Carvalho estava muito à vontade. Confessou lá que o governo tem a intenção de criar uma mídia estatal para a classe C. Entenderam? A imprensa que está aí não serve. O estado precisaria financiar outra, mais adequada às necessidades do partido. Carvalho foi além: anunciou a disposição do PT de fazer “uma disputa ideológica coma as lideranças evangélicas para conquistas a classe C”. À época, escrevi um post sobre essa palestra e produzi uma série de textos a respeito.

Estava claro ali: o objetivo era mesmo confrontar os evangélicos. A fala deu um barulho danado, especialmente depois que demonstrei aqui o seu alcance e gravidade. Dilma teve de sair em socorro do ministro. Disseram que não era bem aquilo, que ele havia se expressado mal. Na esteira do mal-estar, Dilma deu o Ministério da Pesca para Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal, que representa fatia relativamente pequena dos evangélicos. Os petistas, como deixa claro o mensalão, estão acostumados a comprar apoios — seja com dinheiro de propina, seja com ministérios…

Muito bem! Não se esqueçam de uma coisa: o PT jamais desiste de uma ideia, ainda que diga o contrário. E não desistiu, estejam certos, de disputar a influência com os evangélicos, como se fosse também uma igreja… Ocorre que a existência de correntes cristãs que têm a fidelidade de seus fiéis soa uma traição ao partido que quer ser impor como imperativo categórico. É ele, partido, que tem de estar em todos os lugares. Por isso, agora, essa cruzada contra a Malafaia e contra os pastores que não estão com Haddad. E como é que os petistas contam levar a cizânia ao seio evangélico? Ora, usando alguns… evangélicos, que aceitam se comportar como inocentes úteis em troca de algumas promessas. Isso reforça a tese do PT de que tudo tem um preço, de que tudo pode ser reduzido a dinheiro — às vezes, dinheiro vivo, como se viu no mensalão.

Substituir a sociedade
Não! O partido não pode aceitar que haja um líder religioso ou que haja correntes religiosas que se oponham à sua orientação. Sendo assim, então, ele decide criar a sua própria igreja, seduzindo alguns evangélicos com migalhas. É o mesmo partido que não aceita o STF — que representaria, segundo Rui Falcão, a elite “suja e reacionária”. Ora, José Genoino está por aí a dizer que não se sente um condenado, como se isso fosse matéria subjetiva. Quem sabe a cadeia o faça mudar de ideia… Jorge Viana, senador pelo PT do Acre, já disse achar inadmissível que o governo nomeie ministros que depois condenem membros do partido. O PT quer, em suma, ter O SEU STF, ASSIM COMO QUER TER A SUA IGREJA.

Também rejeita uma disputa franca e aberta pelo comando da OAB, por exemplo. Está metido na disputa pelo comando da Ordem dos Advogados do Brasil porque não aceita, como é o certo, uma OAB que vigie o poder. Ao contrário: o PT quer um poder que vigie a OAB.

O partido vive às turras com o jornalismo independente porque, confessou Carvalho,  quer ter a sua própria imprensa, que se ocupe não de noticiar o que é do interesse do conjunto da população, mas o que é útil a seu próprio fortalecimento. O diabo é que quer fazer isso com dinheiro público! Existir um jornalismo que se oriente segundo critérios que não são os da legenda ofende esses patriotas — assim como os ofende haver igrejas ou entidades de classe e categoria que não estejam a serviço de seus anseios.

O petismo também quer a sua própria universidade, de que é expressão gente como Marilena Chaui (ver post na home), esta detestável senhora capaz de torcer miseravelmente os fatos em favor da sua ideologia, sem qualquer compromisso com a verdade. Há anos o partido transformou a academia num mero quintal de seu projeto de poder.

Nada, assim, pode escapar a seu controle e a sua visão torta de mundo. A guerra que decidiu promover contra Malafaia expressa a pior e a mais típica natureza do petismo. Repete o que o partido vem fazendo em outros setores da sociedade de maneira contumaz e organizada. No que diz respeito à imprensa, por exemplo, ninguém ignora o desavergonhado financiamento ao subjornalismo, mobilizado para atacar autoridades do Judiciário, líderes da oposição e a imprensa independente.

Esses são os petralhas. E o país que eles imaginam se parece, deixem-me ver, com a Venezuela, com Cuba, com o Equador ou com a Argentina de Cristina Kirchner. Neste blog não passam. Como tenho afirmado nos lançamentos do meu livro mais recente, eles não se cansam de dizer mentiras sobre si mesmos, e eu não me canso de dizer a verdade sobre quem são.

Texto publicado originalmente às 5h43
Por Reinaldo Azevedo

05/10/2012

às 20:17

Gilberto Carvalho canta: “Desta vez, doeu demais”

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, participou da inauguração da exposição de Caravaggio, em Brasília, e foi convidado a comentar a situação de José Dirceu no STF. Deve ter sido a primeira vez na história da humanidade que as respectivas categorias a que pertencem Dirceu e o Caravaggio se combinaram num mesmo texto… É bem verdade que o pintor, gênio absoluto, era pé-na-jaca e tinha um lado bagaceira. Dirceu nunca foi um gênio.

Bem, Carvalho quase cantarola aquela versão medonha que fizeram para “Lately”, do grande Steve Wonder, celebrizada na voz de Gal Costa. Respondeu: “A dor me impede de falar, neste momento, desta questão”.

Carvalho, sempre muito sabido, podia mandar ver:
“Vão dizer que são tolices.
que podemos ser felizes,
Mas, tudo o que eu sei, não dá pra disfarçar:
Desta vez, doeu demais”.

A versão no Brasil tinha uma conclusão: “Amanhã será jamais”.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2012

às 6:22

Eis o homem de Gilberto Carvalho, a sua “pérola”. Se ele ganhar, diz o ministro, Dilma manda dinheiro; se perder, a presidente vai punir o povo!

Gilberto Carvalho (à dir.) e Kiko, a sua “pérola”: ministro faz chantagem eleitoral usando o nome da presidente. Se continua no cargo…

A presidente Dilma Rousseff tem investido na imagem da governante sóbria, que gosta de se portar como magistrada — aliás, é esse o seu papel institucional, como chefe de um Poder — e não se mete em rinhas eleitorais. Atuou para que o PT tivesse um candidato próprio à Prefeitura em Belo Horizonte e fez movimentos para garantir sustentação a Fernando Haddad em São Paulo. Até aí, vá lá. Entendi que são ações que se encaixam no perfil de quem é, também, filiada a um partido político. O que não pode é imitar seu antecessor nos defeitos e mobilizar o estado a serviço de interesses partidários. Por essa razão, deveria chamar o senhor Gilberto Carvalho, o braço operativo de Luiz Inácio Lula da Silva em seu governo, e lhe entregar a carta de demissão. Não o fará, sei disso. E, ao não fazê-lo, falseia a imagem que tenta plasmar de governante equidistante das disputas eleitorais.

Reportagem publicada ontem pela Folha demonstra por que o Brasil ainda está longe de ser uma república corriqueiramente democrática, dessas em que os cidadãos e, sobretudo, os homens públicos defendem e cumprem as leis. No último dia 19, informa o jornal, Carvalho participou do comício do candidato do PT à Prefeitura de Franco da Rocha, o Kiko.

O ministro parece ter por Kiko uma admiração irrestrita.
O ministro parece ter por Kiko um entusiasmo grande mesmo!
O ministro parece ter por Kiko frêmitos de devoção.
Se Kiko ganhar, Gilberto Carvalho promete fazer como o imperador Adriano (o romano, não o da Vila Cruzeiro…) e lhe erguer uma cidade! Quem sabe imite aquele governante e até lhe dedique alguns versos…

Mas o que disse Carvalho? Informa a Folha:
“Se hoje o investimento que a cidade consegue fazer é de R$ 5 milhões ao ano [R$ 20 milhões em quatro anos], eu quero garantir que, com Kiko prefeito, com a nossa parceria, faremos nestes quatro anos um investimento de pelo menos R$ 100 milhões”.
E aí Carvalho ameaçou os eleitores da cidade:
“Se Kiko for eleito prefeito de Franco da Rocha, a presidenta Dilma terá confiança de enviar para cá todos os recursos que nós precisamos para transformar efetivamente esta cidade”.

Entenderam? Se o Kiko não for eleito, deve-se entender que Dilma vai deixar a população chupando o dedo. Quem estava a dizer essa enormidade? Ora, aquele que é nada menos do que secretário-geral da Presidência da República e um dos dois homens verdadeiramente fortes no PT — vocês sabem quem é o outro. NA HIERARQUIA INFORMAL DO PARTIDO, CARVALHO É QUE É CHEFE DE DILMA, NÃO O CONTRÁRIO.

O ministro citou a presidente três vezes no discurso: “Não adianta a gente ter uma presidenta tão forte, tão eficiente como a Dilma [Rousseff], e ter gestores fracos, corrompidos”. E PENSAR QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FAZ O MAIOR JULGAMENTO DA SUA HISTÓRIA E TEM COMO RÉUS JUSTAMENTE A CÚPULA DO PETISMO! Abordo em outro post (sobre o Distrito Federal) a competência do PT para governar e os efeitos da parceria com o governo federal…

A fala de Carvalho é indecorosa. Se age desse modo para eleger o prefeito de Franco da Rocha, a gente pode imaginar do que não é capaz essa turma para fazer valer a sua vontade. A propósito: ninguém precisa imaginar nada! Sabemos, sim, até onde pode chegar, como provam os escândalos do mensalão, dos aloprados e da violação de sigilo e feitura de dossiês.

Nunca soube se comportar
Gilberto Carvalho nunca soube se comportar. Boa parte dos jornalistas o trata com lhaneza porque ele é mestre em produzir embargos e fofocas auriculares. Gosta de bater papinhos informais com colunistas, quando se comporta como eficaz hortelão. Invariavelmente, e todos sabem disso, é para atingir governos e figuras da oposição. Lembro que foi este senhor que tentou armar, lá de Brasília, a “resistência” à desocupação da área conhecida como Pinheirinho, em São Paulo. Um assessor seu chegou a se dizer atingido por uma bala de borracha, mas se negou a fazer exame de corpo de delito. Ações de policiais militares em estados governados por PT e aliados cegaram três pessoas naquele mesmo período. Carvalho não disse um “a”. Não é um homem de estado. É um petista aparelhando o estado a serviço de seu partido — e de sua corrente dentro desse partido.

Em Franco da Rocha, como resta claro, falou em nome de Dilma Rousseff. Para defender a sua “pérola”, não hesitou em exercitar claramente a linguagem da chantagem. Imaginem se um enviado do governador Geraldo Alckmin repetisse discurso parecido em alguma cidade do interior de São Paulo: “Se Fulano ganhar, o governador manda mais dinheiro pra cá; se não ganhar…”. O mundo viria abaixo.

Sim, senhores! A tarefa do Supremo Tribunal Federal é mesmo gigantesca. “O que tem uma coisa a ver com outra, Reinaldo?” Ou os ministros que têm vergonha na cara, e espero que seja a expressiva maioria, dizem que essa gente não pode fazer o que lhe dá na telha, ao arrepio da lei, ou o país vai mesmo à breca porque entenderá que a sujeira passa a ser admitida como parte do jogo. Se assim é lá em cima, por que não poderia ser cá embaixo?

Se Dilma não desmentir Gilberto Carvalho, então se deve entender que ele falou mesmo em nome dela. Então se deve entender que ela regulará os investimentos federais nas cidades a depender de quem seja o prefeito. Dada essa perspectiva, só petistas deveriam ser eleitos para o bem dos munícipes país afora. O mensalão demonstra o tamanho da competência e da honorabilidade dessa gente. E também prova a sua dedicação à causa do povo.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 22:07

Gilberto Carvalho confirma que Maluf ganhou secretaria para apoiar Haddad e diz que acordo “não é nenhuma catástrofe”

Gilberto Carvalho é secretário-geral da Presidência da República. No governo, deveria cuidar dos assuntos do… governo, ainda que isso pareça, assim, excesso de ortodoxia deste “blogueiro”. Leiam o que informa Nathalia Passarinho, no Portal G1. Mais tarde, voltarei a esse assunto. Ah, sim: ele confessa que Paulo Maluf ganhou de presente uma secretaria no Ministério das Cidades para apoiar Fernando Haddad. Prestem atenção ao uso que ele faz da palavra “hegemonia”. Aí está o segredo.
*
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro, que a aliança do PT com o PP na disputa pela Prefeitura de São Paulo “não é uma catástrofe”. Por causa do acordo com o PP, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) decidiu que não será mais candidata a vice na chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad.

“Nós aceitamos o apoio do PP no governo federal. Então, é natural que haja uma aproximação com o PP paulista. Eu não vejo sinceramente que essa aproximação do Paulo Maluf, pelo que ele significou em termos de oposição à gente, seja uma catástrofe ou um problema para nós. O que importa agora é o programa que estamos fazendo e a proposta que temos para governar São Paulo”, disse Carvalho, após participar de uma entrevista coletiva sobre a conferência Rio+20, sobre desenvolvimento sustentável.

O acordo para selar a aliança entre PT e PP ocorreu em um encontro na casa do deputado Paulo Maluf (PT-SP), com a presença de Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Gilberto Carvalho admitiu que a indicação recente de um aliado de Maluf para um cargo de chefia no Ministério das Cidades fez parte das negociações pelo apoio do PP. “Houve uma troca no Ministério das Cidades, como tem havido em qualquer negociação. Faz parte das negociações”, disse.

Na semana passada, o engenheiro Osvaldo Garcia, ligado a Maluf, foi nomeado para a Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, que é comandada por Aguinaldo Ribeiro, filiado ao PP. Gilberto Carvalho afirmou que o programa de governo do PT para a Prefeitura de SP não sofrerá qualquer alteração após a aliança com o PP.

“O importante é quem está na hegemonia do processo. Nós não estamos abrindo mão da hegemonia do processo. Não estamos abrindo mão de uma vírgula do nosso programa de governo. Não houve nenhuma imposição por parte do PP para vir nos apoiar. Se houvesse alguma coisa programática, aí sim seria uma incoerência”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2012

às 23:18

Papéis vergonhosos: Gilberto Carvalho, ministro de estado, age como porta-voz de Lula, e Marco Maia, presidente da Câmara, como um juiz debochado

A presidente Dilma Rousseff mandou o governo ficar fora das maluquices de Lula, mas Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência e uma espécie de espião do ApeDELTA no Palácio, não se contém. Comportando-se como porta-voz do ex-presidente, afirmou que este não vai mais se pronunciar sobre o confronto com Gilmar Mendes.

“Não vai mais”??? Que se saiba, até agora, ele não disse nada. A nota divulgada ontem, erroneamente atribuída pela imprensa ao ApeDELTA, foi emitida pela Instituo Lula. Um ministro de Estado atuar como porta-voz de um militante do PT — e o Babalorixá de Banânia, hoje, é só isso — é um completo despropósito.

Não é o único a protagonizar um vexame. Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, está disposto a cobrir a vergonha de ontem com a de hoje e a de hoje com a de amanhã. Este senhor até parecia destinado a se dar conta de seu papel institucional. Mas não tem jeito. A natureza do escorpião é o que é.

Ontem, fez um ataque absolutamente inaceitável ao ministro Gilmar Mendes. Hoje, o que parecia um recuo revelou-se cinismo, beirando o deboche: “Eu acho que nós temos agora é que dar um chá de camomila para todos os envolvidos, para que se volte à normalidade e à calma que é necessária neste momento e principalmente quando se aproxima o julgamento do mensalão no STF”.

Segundo ainda o Portal G1, “Maia definiu a reação de Mendes como ‘quase incompreensível’, ‘agressiva’, ‘raivosa’ e ‘desproporcional’, mas se focou em pedir que o assunto seja encerrado. ‘O importante é que se passe uma borracha sobre este episódio. Temos de trabalhar no sentido de botar panos quentes, distribuir um bom chá a cada um aí, no sentido de acalmar os ânimos, porque o que nos interessa é que o trabalho do Judiciário seja feito com a maior transparência possível’, afirmou.”

Voltei
Passar uma borracha uma ova! O que aconteceu não pode ser jamais esquecido. Quem está falando acima ainda é o militante petista, não o presidente da Câmara. Com que então um ministro do Supremo vira alvo de uma central de boatarias, especulações e desqualificações e deveria permanecer calado? Por quê?

Maia é presidente da Câmara. É vergonhoso que decida se comportar como juiz de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2012

às 16:31

Fala o promotor do caso Celso Daniel: “Quem levava o dinheiro da quadrilha para o partido era o Gilberto Carvalho”

Por Guilherme Balza, no UOL:
O júri de cinco acusados pela morte de Celso Daniel, um dos crimes mais misteriosos da história recente do país, será realizado nesta quinta-feira (10), no Fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo). Até agora, o único condenado pela morte do ex-prefeito de Santo André  foi Marcos Bispo dos Santos, que pegou 18 anos de prisão após condenação do júri em novembro de 2010.

Agora, serão julgados Elcyd Oliveira Brito, Itamar Messias da Silva Santos, Ivan Rodrigues da Silva, José Edison da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira. Todos faziam parte de uma quadrilha da favela Pantanal, na divisa da capital com Diadema. Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado e podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.

O inquérito policial que levou os acusados ao banco dos réus concluiu que a morte do ex-prefeito de Santo André (SP), em 18 de janeiro de 2002, no município de Juquitiba (também na Grande SP) foi um crime comum, resultado de um sequestro mal executado pela quadrilha.

O promotor de Justiça Roberto Wider Filho, que investigou a morte de Daniel, contesta a versão da polícia e afirma que o assassinato do ex-prefeito foi encomendado por uma quadrilha responsável por um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André, cujo objetivo era levantar recursos para financiar campanhas eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores). Para ele, a investigação policial foi “incompleta” e deixou de apurar as “verdadeiras razões da morte”.

O Gaeco (Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do ABC sustenta que um dos mandantes do crime é o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, amigo de Celso Daniel e uma das figuras mais importantes dentro da quadrilha de Santo André -ele deverá ir a júri popular ainda neste ano em um processo diferente, já que responderá por homicídio triplamente qualificado.

Segundo o MP, o grupo arrecadava dinheiro por meio da extorsão de empresas de transporte, coleta de lixo e obras públicas, que eram coagidas a pagar uma “caixinha” todo mês. Só com as empresas de ônibus a quadrilha estaria levantando R$ 100 mil por mês. Mas, a galinha dos ovos de ouro do esquema, diz Wider Filho, eram as empresas que operavam radares de trânsito, com as quais os corruptores arrecadavam até R$ 50 milhões por mês.

Para o Gaeco, a morte do ex-prefeito foi resultado de um “desarranjo” no interior da quadrilha: a tese da promotoria é que Daniel sabia e participava do esquema de corrupção em Santo André, mas decidiu impor limites ao perceber que os desvios tinham também como finalidade engordar as contas pessoais, e não só as do partido.

Por participação no esquema, o MP moveu uma ação civil pública contra Sombra, o então secretário de Serviços Municipais Klinger Luiz de Oliveira, os empresários Ronan Maria Pinto, Luiz Marcondes Júnior e Humberto Tarcísio de Castro. Até hoje eles não foram julgados pelas denúncias.

José Dirceu, na época presidente do PT, e Gilberto Carvalho, então secretário de governo em Santo André e braço direito de Celso Daniel, hoje secretário-geral da Presidência da República, não foram investigados pelo MP por força de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2004, na qual o ex-ministro Nelson Jobim considerou que a promotoria não pode realizar investigações criminais.

Em entrevista ao UOL, Wider Filho falou sobre as investigações da morte de Celso Daniel e conta como funcionava o suposto esquema de corrupção em Santo André.

UOL – Qual a tese do Ministério Público para a morte de Celso Daniel?
Roberto Wider Filho –
O que nós apuramos foi a participação do Sérgio Gomes da Silva [o Sombra, amigo de Celso Daniel], que já era apontado em Santo André como o encarregado por um esquema de corrupção e concussão na prefeitura. Identificamos um elo entre esse esquema e a morte do Celso Daniel. O Sérgio foi um dos mandantes da morte em decorrência de um desarranjo no esquema de corrupção. A morte do ex-prefeito foi a mando, não foi um homicídio aleatório, como diz a Polícia Civil. Para a polícia, o sequestro foi aleatório: escolheram qualquer um na rua e por azar pegaram o prefeito. Isso ficou completamente descaracterizado na investigação e na Ação Penal que se seguiu. Verificamos que o Sérgio participou e que o crime foi premeditado.

UOL – Por que, então, a investigação policial concluiu que ocorreu crime comum?
Wider Filho -
A apuração policial foi muito útil porque identificou a quadrilha responsável pela morte, que é a da favela Pantanal [na divisa entre São Paulo e Diadema] –são os que vão ser julgados agora. Mas a investigação se encerrou prematuramente. Eles não avançaram na investigação até para verificar se a versão dos integrantes da quadrilha era correta –e não era. Os integrantes da quadrilha disseram que perseguiram o empresário desde o Ceagesp [zona oeste de São Paulo]. Quebramos o sigilo telefônico da quadrilha e verificamos que não houve essa perseguição, que os integrantes ficaram o tempo todo na avenida Dr. Ricardo Jafet [zona sul]. A Polícia Civil sequer analisou o exame necroscópico do prefeito. Um adolescente admitiu ter sido o executor da morte, e foi feita até reconstituição, mas sem que houvesse o exame de corpo de delito. Pedimos o exame do cadáver do prefeito, para confirmar se a versão do adolescente batia com as agressões no corpo do prefeito, e o laudo de exame necroscópico. Havia incoerências grandes. Ouvimos esse adolescente várias vezes, e, no final, ele admitiu que não foi o executor. A polícia aceitou passivamente a confissão dos integrantes da quadrilha. Não se aprofundou nos verdadeiros motivos e razões da morte.

UOL – Como foram as tentativas de reabertura das investigações policiais?
Wider Filho –
Nós tentamos contar com o apoio da polícia durante todo o tempo. Fizemos uma investigação preliminar e, logo que essa investigação apontou novos elementos, fomos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Foi instaurado um inquérito complementar e nomeado um novo delegado, o Luiz Fernando. Começamos a fazer diligências em conjunto, mas o DHPP sempre mostrou uma resistência muito grande. Chegou ao ponto de testemunhas levadas pelo MP serem intimidadas no DHPP. Parece-me que a Polícia Civil insiste na tese de crime comum por uma questão de honra, para provar que a tese deles estava certa. Em nenhum momento dissemos que a investigação estava errada, mas ela foi interrompida antes da obtenção dos resultados mais importantes.

UOL – A investigação do MP detectou o envolvimento de pessoas ligadas ao PT no planejamento da morte de Celso Daniel?
Wider Filho –
Identificamos o Sérgio [Sombra] como sendo um dos mandantes. Embora existam indícios da participação de outras pessoas na quadrilha de Santo André, não conseguimos aprofundar as provas e não tivemos elementos para oferecer denúncia contra elas. Se não consegui prova suficiente para oferecer denúncia, não posso imputar nada contra essas pessoas. Seria uma irresponsabilidade minha.

UOL – O senhor acha que essa investigação precisa ser retomada pela polícia?
Wider Filho –
Existem algumas questões que podem ser investigadas. Depois da conclusão do inquérito complementar, fizemos outro pedido, tempos depois, para a retomada do caso. Foi indicada a delegada Elisabete Sato, na época do 78º DP (Jardins). Pedimos que fossem feitas nove diligências. Também a doutora Sato, prematuramente, relatou o inquérito –com uma posição surpreendente, cometendo vários erros no relatório, um trabalho que não é do histórico dela– reafirmando a tese do DHPP. Nós acreditamos que houve uma pressão do DHPP para que ela fizesse isso, porque a investigação dela caminhava num rumo bom. Entre outros elementos na investigação dela, colheu-se provas de que dinheiro de corrupção foi encontrado dentro do apartamento do Celso Daniel. Isso era uma prova relevante que demonstrava esse desarranjo no interior da quadrilha.

UOL – Como funcionava o esquema de corrupção em Santo André? Qual a ligação da quadrilha com a morte do ex-prefeito?
Wider Filho –
Existia uma quadrilha que fazia arrecadação destinada a financiamento de campanhas eleitorais do PT. Em um determinado momento, Celso Daniel descobre que boa parte desses recursos eram desviados para o enriquecimento pessoal dos integrantes dessa quadrilha. Com isso, ele não concordava. Havia secretários do PT, filiados ao partido, que eram integrantes da quadrilha, mas a investigação para outros integrantes do partido foi cerceada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que impediu que a gente investigasse o José Dirceu, o Gilberto Carvalho e a destinação final desses recursos. Nós não podemos investigar, nem a Polícia Federal, que era a instância competente. Depois eu tentei retomar essa investigação e o ministro Eros Grau, também atendendo a uma reclamação do José Dirceu, impediu. Então a gente nunca conseguiu fazer essa investigação. Portanto, não posso falar nada sobre o que eu não investiguei. Mas existe uma reclamação nossa no STF para investigarmos o José Dirceu que ainda não foi julgada.

UOL – O que foi esse “desarranjo na quadrilha” que o senhor menciona?
Wider Filho –
Quem levava o dinheiro da quadrilha para o partido era o Gilberto Carvalho. Quem arrecadava era o Ronan Maria Pinto [empresário do ramo de transportes e das comunicações] e o Sérgio [Sombra]. De repente, o dinheiro foi parar no próprio apartamento do Celso Daniel, o que demonstra como ele tinha desconfiança do funcionamento daquela quadrilha. Para ele, o dinheiro deveria ter como destinação exclusiva o financiamento de campanha eleitoral. Ele continuou arrecadando, mas o dinheiro não circulava como anteriormente. Essa investigação foi realizada pela Elisabete Sato, e, infelizmente, não teve prosseguimento. Existem outros elementos a serem investigados e aprofundados, inclusive com relação a outros mandantes, mas, fora o cerceamento que houve no Supremo, nós também tivemos problemas com a polícia.

(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2012

às 7:55

Gilberto Carvalho quer CPI sendo usada para cuidar dos… mensaleiros!

capa-cpi-do-cachoeira

Gilberto Carvalho, vocês sabem, guarda os arcanos petistas. É o homem mais importante do partido depois de Lula. Era o braço direito do prefeito Celso Daniel quando foi assassinado. Um dos irmãos do prefeito o acusa de ter confessado que levava mala de dinheiro da Prefeitura para José Dirceu. Os dois negam. É uma espécie de olheiro de Lula no governo Dilma — para que nada fuja do controle “do chefe”. E está mobilizado, também, para que a CPI do Cachoeira atenda a um propósito político-partidário — na verdade, para atender a uma banda do partido —, não para que puna os corruptos. Leiam trecho da reportagem de Daniel Pereira, Otávio Cabral e Rodrigo Rangel:

(…)
O senador José Sarney já recomendou ao PT que “controle os radicais”, argumentando que ninguém tem a ganhar se essa CPI começar a sair do controle”. O recado tem endereço certo: a turma que vê na CPI uma chance única de desmoralizar o julgamento do mensalão. A primeira ofensiva desse grupo foi dada na sessão da semana passada, com a tentativa de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI. Sob o argumento de que ele deve explicar por que retardou a abertura de uma investigação contra Demóstenes Torres, os petistas querem colocá-lo no banco dos réus da CPI para tentar des- moralizá-lo. A imprensa é outro alvo que, na estratégia dos radicais, precisa sair chamuscada da CPI. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, reuniu, na quinta-feira passada, em seu gabinete no Palácio do Planalto deputados e senadores petistas para lembrá-los de que “o alvo da CPI é o mensalão”. Carvalho, só para lembrar, foi chefe de gabinete de Lula nos oito anos em que ele ficou na Presidência. Conhece de perto, portanto, as entranhas do esquema de compra de apoio no Congresso, parte substancial do escândalo do mensalão.

O cenário inicial da CPI do Cachoeira é muito semelhante ao da CPI dos Correios, instalada em 2005 a partir da gravação na qual Maurício Marinho, diretor da estatal, cobrava 3 000 reais de propina, o que deu origem à descoberta de novos fatos envolvendo dinheiro público e compra de apoios pelo governo. Aquela CPI nasceu com o intuito de blindar os aliados do governo e era controlada por parlamentares fieis ao Palácio do Planalto. Exatamente como agora. Também tinha o mesmo prazo de atuação: 180 dias.

Mas, logo no início dos trabalhos, depoimentos bombásticos, como o do deputado Roberto Jefferson e do marqueteiro Duda Mendonça, incendiaram a comissão e provocaram uma indignação popular que impediu qualquer tipo de acordo. A atual comissão também tem fios desencapados e personagens que podem contar muita coisa. Cachoeira e Cavendish, por exemplo. Com uma matéria-prima mais modesta do que a produzida pelas operações da PF, a CPI dos Correios produziu a denúncia do mensalão, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a renúncia de meia dúzia de políticos, além de tisnar a imagem imaculada de virgem ética do PT. A CPI do Cachoeira, com seu farto material, tem potencial ainda maior. Basta que não se torne refém de arranjos políticos

Leia a íntegra na edição impressa

Por Reinaldo Azevedo
 

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