Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

07/01/2014

às 14:59

O PT, a produção de automóveis e Haddad, o “faixista”

A produção de veículos bateu seu recorde em 2013, informa reportagem publicada na VEJA.com. Que bom! Isso certamente colaborou, dada a extensa cadeia produtiva do setor, incluindo os serviços, para manter baixo o desemprego, um dos pilares em que se sustenta o governo e um de seus orgulhos. É bem verdade que, em dezembro do ano passado, houve queda de 18,6% sobre novembro e de 12,1% sobre dezembro de 2012. Acendeu a luz amarela, e o governo fará alguma coisa, mais do que tem feito, para retomar os antigos níveis de produção.

O recorde de 2013 e os sucessivos anos de bom desempenho se fazem à custa de incentivos. O governo federal estimula, e não o estou censurando por isso, a produção e a venda de automóveis. Como é óbvio, a maioria dos carros destinados ao mercado interno vai para o estado de São Paulo — mais especificamente, para a capital, hoje sob os cuidados do alcaide Fernando Haddad, do PT.

Cidadãos não podem ser tratados como ratinhos de cientista amador, que vai testando suas ideias ao sabor do puro empirismo. O partido que, na esfera federal, toma as medidas objetivas para manter aquecido o setor de produção e venda de automóveis — porque parte de sua reputação deriva dos empregos gerados — não pode,  na administração da maior cidade do país, transformar a vida dos donos de automóveis num inferno pior do que já era antes. Sim: refiro-me ao aloprado “faixismo dos ônibus”.

Faixas exclusivas, como se sabe, foram criadas onde eram e onde não eram necessárias. Pior: isso se fez acompanhado de um discurso vigarista que pretende opor pobres a ricos — como se, de resto, boa parte dos carros vendidos não estivesse nas mãos da população remediada, já quase nas vizinhanças da pobreza.

Mais: o arranca-rabo de classes é pilantragem retórica também porque a indústria automobilística e sua cadeia mantêm o emprego de boa parte dos que andam de ônibus. Não! Não estou aqui a pôr cada um no seu lugar. Estou apenas destacando que a sociedade é um organismo vivo, com interdependências.

Daqui a pouco encerram-se as férias escolares, e a cidade de São Paulo volta a seu ritmo normal. O PT precisa definir se quer vender mais carros — e eles fatalmente irão parar em maior número na capital paulista — ou punir os motoristas.

Isso não quer dizer que a gestão petista não possa e não deva investir no transporte público. Mas isso pode ser feito sem demonizar os donos de automóveis. Haddad, o faixista, deveria tentar convencer a presidente Dilma a tomar medidas para diminuir a produção e a venda de automóveis, não é mesmo? Ela lhe daria um justificado pé no traseiro, mas, ao menos, ele seria um “faixista” intelectualmente coerente…

Por Reinaldo Azevedo

21/12/2013

às 4:51

Barbosa não cai nos dois truques de Haddad. E uma sugestão para o prefeito não maltratar doentes e criancinhas

Pois é… O ministro Joaquim Barbosa não caiu no truque do prefeito Fernando Haddad e manteve a liminar do Tribunal de Justiça, que suspendeu o reajuste do IPTU. Truque? Talvez a palavra deva ser empregada no plural. Há pelo menos dois: na forma e no mérito. Comecemos pela forma. Os “especialistas em comunicação” de Haddad — acho que é o caso de botar todo mundo na rua, Supercoxinha! — acharam que uma boa ideia de condicionar a decisão do ministro era submetê-lo ao descrédito prévio. Anunciaram para a plateia que a Prefeitura só havia inicialmente recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque o alcaide não confiava em Barbosa e achava que ele pudesse decidir contra a derrubada da liminar. A estratégia, tosca, era a seguinte: “Quando a gente anunciar que considera o ministro suspeito, ele vai se intimidar e, para mostrar que é isento, vai derrubar a liminar”. Não deu certo!

Uma nota: o PT vive fazendo isso com a imprensa. Querem saber? Quase sempre funciona! Eles acusam os veículos de comunicação de serem tucanos, conservadores, de direita, antipetistas (escolham aí…). Para demonstrar que eles estão errados, esses veículos acabam adernando o noticiário de dois modos: a) com matérias simpáticas ao PT; b) com reportagens que, muitas vezes, exageram os problemas dos adversários do petismo.

Trata-se de tolice e perda de tempo. Sabem por quê? Os tribunais petistas que julgam jornalistas e veículos jamais estão contentes. Pedem sempre mais. Ainda que o noticiário lhes seja positivo, dirão sempre o contrário. Felizmente, Barbosa não caiu na conversa. Creio que os petistas já o demonizaram o bastante por causa do processo do mensalão. Segundo um deputado negro do PT, Joaquim Barbosa deve ter cassada até a negritude. Para o valente, um negro que condena mensaleiros estaria atuando contra a cor de sua pele. Os petistas já chegaram longe demais com Barbosa, certo? Não seria um truquezinho simplista como o de Haddad a surtir efeito.

O segundo truque
Agora vamos ao mérito. A Prefeitura pede a suspensão da liminar alegando que a cidade corre riscos imediatos, que áreas essenciais serão prejudicadas. Sustenta que mais de R$ 800 milhões serão cortados do social. Como, nessa perspectiva, a Prefeitura não teria recursos para fazer a contrapartida de projetos federais, isso poderia significar uma perda para a área social de R$ 4,5 bilhões. No país da contabilidade criativa de Guido Mantega, temos a matemática criativa de Haddad.

Obviamente se trata de um exagero. Em sua página na Internet, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) exibe alguns números muito significativos. Sim, ele é da oposição e votou contra o reajuste do IPTU. Todo mundo sabe. Mas pergunto: isso muda os números?

Haddad anunciou que, sem o IPTU, fará o seguintes cortes na área social:
Educação - R$ 249,86 milhões
Saúde - R$ 146,128 milhões
Limpeza pública - R$ 40 milhões
SUBTOTAL - R$ 435,988 milhões
Cortes em outras áreas (Secretarias de Governo, de Infraestrutura, dívida etc.) - R$ 369,686 milhões
TOTAL - R$ 805,624 milhões

Será mesmo necessário passar esse facão na área social? O governo de um partido que se diz socialista, diante da primeira dificuldade, avança justo em educação, saúde e limpeza pública? Matarazzo faz a seguinte sugestão ao prefeito, com base no orçamento aprovado.
- Publicações de interesse do município - R$ 34,758 milhões
(de um total de R$ 90 milhões previstos para 2014)

- Construção, aquisição e reformas de sedes administrativas – R$ 30 milhões
(de um total de R$ 30 milhões previstos para 2014)

- Promoção de campanhas e eventos de interesse do município - R$ 116,23 milhões
(de um total de R$ 116,23 milhões previstos para 2014)

- Desenvolvimento de sistemas de informação e comunicação - R$ 20 milhões
(de um total de R$ 40 milhões previstos para 2014)

Manutenção de sistemas de informação e comunicação - R$ 55 milhões
(de um total de R$ 69,4 milhões previstos para 2014)

Aumento de capital da SP-Securitização - R$ 150 milhões
(de um total de R$ 150 milhões previstos para 2014)

Modernização e manut. Central de atendimento telefônico -156 – R$ 30 milhões
(de um total de R$ 60 milhões previstos para 2014)
SUBTOTAL - R$ 435,988 milhões

Cortes em outras áreas (Secretarias de Governo, de Infraestrutura, dívida etc.) - R$ 369,686 milhões
TOTAL - R$ 805,624 milhões

E pronto! Deu para chegar aos mesmos R$ 805,624 milhões. E sem abandonar os doentes e as criancinhas, não é? É bem verdade que os socialistas, historicamente, nunca deram muita atenção nem para uns nem para outros. Essa história de que as esquerdas prezam o social é uma das mais espetaculares falácias influentes. Notem os leitores: Matarazzo faz sugestões de cortes que me parecem razoáveis. Vá lá… Que não sejam essas, mas outras. Uma coisa é certa: dá para tirar a gordura de outras áreas da administração sem precisar punir os mais fracos. E a Justiça sabe disso.

De resto, nota o vereador: “É relevante ressaltar a fraca execução orçamentária dos primeiros onze meses da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). Por exemplo, apenas 31% dos recursos destinados a investimentos na cidade foram utilizados. De R$ 6,2 bilhões que havia para investir, somente R$ 1,9 bilhão foi executado até novembro de 2013. Essa baixa execução, aliada à boa arrecadação durante o ano, com as receitas correntes, estão provocando acúmulo de dinheiro em caixa. O município começou o ano com caixa de aproximadamente R$ 5,5 bilhões. Este montante, em novembro, girava em torno de R$ 9 bilhões.”

Eis aí! Os números acima evidenciam que a dita urgência e risco de prejuízo social caso a liminar não fosse cassada não passavam de conversa mole, de terrorismo “midiático” (como “eles” gostam de dizer). E olhem que, na lista acima, não está a verba de propaganda propriamente. Vou ver quanto é. Um prefeito que realmente fosse amante do povo, seria capaz de zerar o dinheiro da publicidade, mas jamais puniria criancinhas, não é mesmo?

Haddad só está tentando requentar o discurso surrado de Lula, segundo quem o caos na saúde se deve ao fim da CPMF. Ele ficou cinco anos com o dinheiro do imposto. E fabricou o… caos! Essa história não cola mais, prefeito. Lula já a explorou até o osso.

Texto publicado originalmente às 20h28 desta sexta, dia 20/12/2003
Por Reinaldo Azevedo

19/12/2013

às 20:34

Haddad vai a Barbosa e volta à suposta guerra de ricos contra pobres. Ou: O imposto que tributava cinco PIBs. Ou: Prefeito mete de novo os pés pelos pés

Fernando Haddad esteve com o ministro Joaquim Barbosa (ver post anterior) para tratar da questão do IPTU. O encontro acontece depois de os estafetas do marketing do prefeito terem anunciado que ele preferiu recorrer ao STJ para tentar derrubar a liminar contra o aumento do IPTU porque não confiava no presidente do Supremo. Vale dizer: Haddad, formado em direito, sabia que as chances de o STJ derrubar a liminar eram nulas, uma vez concedida com base em duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade. Como o tribunal constitucional do país é o STF, este deveria ter sido, desde o início, o tribunal acionado. O prefeito, em suma, sabia que a questão acabaria no colo de Barbosa. Recorrer ao STJ foi só uma manobra diversionista para desacreditar o ministro, forçando-o, então, a tomar uma decisão favorável ao reajuste. Mas voltemos. Haddad esteve nesta quinta em Brasília e voltou a meter os pés pelos pés.

Defendeu o aumento do imposto — até aí, tudo bem. Exagerou nos possíveis efeitos de uma negativa — até aí, tudo bem também. Coisa do jogo. Mas, como ele é ele, aproveitou para demonizar a oposição, demonizar a Fiesp, demonizar o contraditório. Arrancou lá do fundo do baú uma tese falsa como nota de R$ 3. Ou como nota de R$ 60 bilhões. Disse:
“Penso que, em grande medida, os problemas que a saúde pública está enfrentando no Brasil de hoje é por culpa da Fiesp, que lutou contra a CPMF. A Fiesp lutou contra a CPMF, e isso tirou 60 bilhões de reais da saúde. Fez bem para a saúde? Acho que não. Nós economizamos muito pouco individualmente e prejudicamos muito a saúde pública em função do fim do CPMF. A Fiesp está tentando fazer a mesma coisa com a cidade de São Paulo”.

Retomo
Aí, não! Aí é mentira mesmo, né? Em primeiro lugar, a Fiesp não vota no Congresso. A entidade não decidiu se a CPMF ia ou ficava. Quem bateu o martelo foram os parlamentares. Em segundo lugar, Lula tinha uma base de apoio no Congresso como nunca antes (até então; a de Dilma até aumentou) na história deste país. Logo, o imposto só caiu porque a base governista assim decidiu.

Haddad se esquece de que Lula governou cinco — de 2003 a 2007 — dos oito anos com a CPMF, contra a qual o PT havia lutado quando oposição, é bom que fique claro. Quando o imposto acabou — usado, em boa parte, para o caixa —, a Saúde não sentiu nada porque já se encontrava em petição de miséria.

O prefeito insiste em lulices. Ignora o efeito cascata de impostos.  Vamos ver. Em 2007, quando a CPMF acabou, o governo arrecadou algo em torno de R$ 40 bilhões (não R$ 60 bilhões, como disse Haddad). A alíquota era de 0,38%. Será que só o ricos pagavam? Vamos ver.

Se R$ 40 bilhões correspondiam a 0,38% de uma grandeza, que grandeza era essa em trilhões? Ah, a professorinha ensinou regra de três, certo?

R$ 40 bilhões…….. 0,38%
x……………….………..100%

Multiplica-se em cruz:
0,38x = R$ 4o bilhões vezes 100

Logo,
X = 4.000.000.000.000
                       0,38

x = R$ 10.526.315.789.473,68

E você chegará à conclusão, leitor amigo, de que os R$ 40 bilhões correspondiam à aplicação da alíquota de 0,38% sobre, atenção!, R$ 10.526.315.789.473,68. Se você tiver dificuldade de ler, eu ajudo: dez trilhões, quinhentos e vinte e seis bilhões, trezentos e quinze milhões, setecentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e setenta e três reais e sessenta e oito centavos.

É isso aí! A CPMF incidiu, em 2007, sobre um valor correspondente A QUASE CINCO PIBs em um único ano. Eis aí! Trata-se da prova material, escancarada, evidente, de que o imposto tributava muitas vezes um mesmo dinheiro e de que TODOS PAGAVAM, senhor Fernando Haddad. Os pobres também. E muitas vezes. E a saúde continuou um lixo.

Esse negócio de que o estado tributador — eventualmente com sanha confiscatória — é o umbral da salvação dos pobrezinhos é conversa mole — especialmente no Brasil. Para encerrar, lembro que Haddad poderia ter dito durante a campanha: “Olhem aqui, eu vou precisar de muito mais dinheiro do que há hoje e pretendo reajustar o IPTU em até 20% para as residências e em até 35% para as empresas. Como vocês estão vendo, estou prometendo mundos e fundos. Vou precisar da grana”.

O que não dá é para candidato continuar a prometer milagres que, depois, só poderão ser mal e porcamente realizados com uma derrama fiscal. De qualquer modo, a liminar do Tribunal de Justiça não foi concedida ancorada nesses argumentos. O que contou foi o desrespeito ao rito de votação da Câmara e a agressão ao princípio da razoabilidade.

Por Reinaldo Azevedo

19/12/2013

às 19:33

Haddad recorre ao STF por aumento do IPTU e ataca Fiesp

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), recorreu nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que impediu a administração municipal de reajustar o imposto predial e territorial urbano (IPTU) em 2014. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, informou que decidirá até o Natal se mantém ou não o reajuste congelado.

Pelo texto aprovado pela Câmara Municipal paulistana, o aumento do tributo para o próximo ano será limitado a 20% para imóveis residenciais e 35% para imóveis comerciais. O aumento ocorreu a partir da revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), base do IPTU, foi sancionado pelo prefeito, mas vetado pelo TJ-SP.

Em seus argumentos enviados à Corte, a prefeitura repetiu parte das alegações apresentadas em instâncias inferiores, como no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e afirmou haver “graves lesões à economia e ordem públicas”. “Cumpri meu dever de garantir mais recursos para saúde e a educação, que levam 50% do IPTU da cidade. Saúde e educação estão precisando de recursos. Procuramos demonstrar para o presidente do STF o impacto que teria nas áreas mais sensíveis da cidade: transporte público, saúde, educação e moradia”, disse o prefeito, ao deixar audiência com Barbosa.

Confrontado com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que também se reuniu com o ministro para discutir o impasse sobre o reajuste do IPTU, Haddad adotou tom eleitoral para colocar em dúvida as intenções da entidade em questionar o aumento do tributo. Skaf é pré-candidato do PMDB ao governo do Estado.

“Penso que, em grande medida, os problemas que a saúde pública está enfrentando no Brasil de hoje é por culpa da Fiesp, que lutou contra a CPMF. A Fiesp lutou contra a CPMF e isso tirou 60 bilhões de reais da saúde. Fez bem para a saúde? Acho que não. Nós economizamos muito pouco individualmente e prejudicamos muito a saúde pública em função do fim do CPMF. A Fiesp está tentando fazer a mesma coisa com a cidade de São Paulo”, criticou.

Skaf afirmou que os argumentos da prefeitura de São Paulo são falaciosos. “O que realmente estou torcendo para não acontecer é que (…) essa liminar permita à prefeitura dar uma facada em todos os moradores de São Paulo, em todos os paulistanos, porque ninguém escapa: 90% dos que recolhem o imposto vão ter esse aumento abusivo, numa média de 88%”.

Por Reinaldo Azevedo

19/12/2013

às 6:50

Truque mixuruca – Como o Supercoxinha tenta criar uma sombra de suspeição sobre Barbosa para obrigá-lo a tomar uma decisão favorável ao aumento do IPTU

Supercoxinha - Sérgio C

Apelidei aqui, logo nos primeiros dias, o prefeito Fernando Haddad de “Supercoxinha”. Ironizava o seu jeitinho empertigado, com cara de bom genro — mas ideias muito perigosas na cabeça —, sempre pronto a apresentar respostas simples e erradas para problemas difíceis. A imprensa paulistana fez dele o seu “enfant gaté”. O petismo, escancarado ou encoberto, de boa parte das redações tinha o seu super-herói. São Paulo entraria numa nova era, com o tal “Arco do Futuro” e outras monumentalidades retóricas. Menos de um ano depois, a cidade flerta com a desordem.

As faixas de ônibus, na forma como a Prefeitura as concebeu, transformaram a vida de milhões de paulistanos num inferno; a cracolândia aspira à condição de uma nova civilização, e o IPTU se transformou numa espécie de “derrama”. Haddad acha pouco. Embora a Prefeitura queira jogar a culpa nas costas do Ministério Público, a ideia da hora é proibir a circulação de táxis também nos corredores, o que certamente jogaria mais carros nas ruas. Quando se investiga o “conceito” que pauta as decisões do prefeito, encontra-se invariavelmente o confronto tosco entre ricos e pobres, entre elite e povo.

Lula sempre fez esse discurso mixuruca. Mas, se prestarmos bem atenção, nunca o pôs em prática. Ao contrário: quando a coisa aperta, ele opta pela conciliação. Com o Supercoxinha, é diferente. Ele é imprudente o bastante para se levar a sério. O resultado é o que se vê.

A Prefeitura recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar derrubar decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia concedido liminar contra o reajuste do IPTU. Ora, PSDB e Fiesp haviam recorrido a Ações Diretas de Inconstitucionalidade para suspender o aumento. Qual é o tribunal constitucional do pais? É o STF.

Até as pedras sabem disso. E a área jurídica da Prefeitura também. Advertiu o prefeito de que as chances de sucesso no STJ eram ínfimas. Mas ele insistiu. Por quê? Por causa de uma suposta desconfiança em Joaquim Barbosa. É o presidente do tribunal que vai analisar o pedido da Prefeitura, que alega que a suspensão do reajuste resulta numa grave ameaça à ordem social.

Trata-se de um truque, de uma patranha. Haddad é formado em direito pela USP. Conhece as leis. Sabia que a coisa acabaria no colo de Barbosa, já que o STJ alegaria o óbvio: não é um tribuna constitucional. Então por que essa firula? Porque queria criar justamente a suspeição que agora está em curso. Ao lançar a suspeita de que Barbosa não é isento, o prefeito pretende que o ministro se sinta constrangido a provar que é, cassando, então, a liminar.

Suspeito que o presidente do STF seja experiente o bastante para não cair em truque tão mixuruca. Ah, sim: a Prefeitura alega que, sem o reajuste do IPTU, terá de fazer um corte de R$ 800 milhões no Orçamento, o que a impedirá de arcar com contrapartidas em projetos com financiamento federal, o que resultaria, no fim das contas, numa perda de R$ 4,5 bilhões. Haddad não veio  para revolucionar só a política. Ele muda até a matemática!

Por Reinaldo Azevedo

18/12/2013

às 15:44

Agora só resta a Haddad apelar à bancada do PT no STF

Agora só resta ao prefeito Fernando Haddad apelar à bancada petista do STF!!! “Isso existe, Reinaldo?” Ô se existe! É o bolivarianismo à moda PT. Adiante! O Superior Tribunal de Justiça (STJ) disse “não” ao recurso da Prefeitura de São Paulo e manteve a liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo que suspendeu o reajuste do IPTU na capital. O TJ acatou o pedido de liminar em duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade, movidas, respectivamente, pelo PSDB e pela Fiesp.

O partido e a federação alegaram que o reajuste aprovado pela Câmara dos Vereadores — de até 20% para imóveis residenciais e 35% para imóveis comerciais — fere o princípio da “razoabilidade”; no caso, vai além da capacidade contributiva dos pagadores do imposto. Também foi acatado o argumento de que a aprovação desrespeitou o rito da Câmara, o que é verdade.

A saída, então, é a Prefeitura recorrer ao STF. Se perder também nessa instância — e a votação só deve acontecer no ano que vem —, não restará outra saída que não votar um novo projeto na Câmara dos Vereadores — nesse caso, terá de respeitar o trâmite normal da Casa, e, obviamente, o índice de reajuste do imposto terá de ser menor.

Essa história do IPTU na cidade é uma impressionante comédia de erros. Em primeiro lugar, é preciso que fique claro que a Câmara é, sim, livre para decidir a forma como encaminha as votações. Uma vez decidida, é obrigada a seguir os procedimentos que ela própria escolheu. Ou a Justiça será fatalmente acionada. Em segundo lugar, um governante não é livre para aumentar um imposto ou taxa segundo o que lhe dá na telha. É preciso ter um critério que seja reconhecido como razoável e justo.

Vamos ver o que dirá o STF. Esse é o tipo de batalha, para lembrar aqueles trocadilhos marinescos, em que “se perde ganhando e se ganha perdendo”. Vale dizer: se o Supremo derrubar a liminar, e Haddad puder aplicar o reajuste, pior pra ele.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2013

às 16:31

Promotor quer taxistas fora dos corredores e ameaça processá-los. Ou: Eis o homem que propõe negociação com quem usa coquetéis molotov e ameaça com cadeia os pacíficos

Promotor Ribeiro Lopes

Maurício Ribeiro Lopes!

Esse é o nome dele. É promotor. Do Ministério Público de São Paulo. Ele gosta de polêmicas. Ele procura a notícia. Ele é conhecido no meio jurídico — não por bons motivos. Lembro tudo daqui a pouco. Eu sei reconhecer um homem moderno quando vejo um que não se orienta por critérios muito convencionais. 

Lopes se reuniu nesta terça com o secretário de Transportes da capital, Jilmar Tatto. O promotor decidiu dividir com Fernando Haddad a responsabilidade de administrar a cidade. Deu um prazo de 45 dias para a Prefeitura proibir a circulação de táxis nos corredores. Ou proíbe ou ele promete entrar com uma ação pública contra o município para ver se consegue impor a proibição. Calma! Ele ainda não acabou.

A coisa é mais complexa do que parece. Trata-se de uma ação coordenada entre setores do MP Paulista e os xiitas de Fernando Haddad, que querem impor, na marra, o que chamam a “coletivização” do transporte público. Como costuma acontecer no socialismo, a ideia não é fazer com que todos vivam bem — ainda não nos libertamos do reino da necessidade, como poderia dizer o velho Marx, aquele que elaborou uma teoria sobre as sociedades sentado sobre furúnculos. Imaginem a dor. Quem consegue ser feliz e pensar felicidades sentindo o tempo inteiro dor no traseiro? A analgesia ainda era pouco desenvolvida. Doía e pronto. Como costuma acontecer no socialismo, a ideia é fazer com que todos vivam igualmente mal. Para um socialista, a solução de um problema costuma sair da sua generalização. Mas volto ao ponto.

A culpa principal é da Prefeitura. Foi ela quem encomendou um estudo picareta demonstrando que a retirada dos táxis dos corredores aumentaria a velocidade dos ônibus. Agora o tal Lopes exige a retirada em nome do povo, dos pobres, dos coletivos, entendem? A exemplo de toda solução proposta pelas esquerdas, o resultado será pior para todos, incluindo os pobres, já que os passageiros de táxis não verão um bom motivo para deixar seu próprio carro em casa.

Processar quem protesta
Nesta segunda, os motoristas de táxi promoveram um protesto na cidade. Lopes foi indagado sobre a possível — e justa — reação dos motoristas. Sabem o que ele responde? Disse que pretende processar o sindicato. O doutor Lopes acha que determinados grupos sociais não têm o direito de se manifestar.

Ele é useiro e vezeiro nessa prática. Lopes é aquele rapaz que, ao receber uma petição de um grupo de moradores de Pinheiros que não queria um albergue na sua rua resolveu processar… os moradores! Sim, ele os acusou de racismo; ele os comparou a nazistas. Escrevi, então, a respeito. O texto está aqui.

Associações de sem-teto põem fogo em áreas da cidade dia sim, dia também. São Paulo virou um pátio dos milagres, com movimentos de caráter ideológico a estimular ocupações irregulares. Há líderes de invasores com casa própria, carro etc. Maurício Ribeiro Lopes nunca quis saber se sua prática é justa ou não, é legal ou não. Os taxistas, no entanto, segundo ele, devem ser proibidos de se manifestar. Quando Lopes concorda com a reivindicação, ele não indaga se a lei está sendo respeitada ou não. Quando ele discorda da reivindicação, aí ele quer criminalizar quem se manifesta.

Homem exótico
Este Lopes é mesmo um homem que cultiva valores, vamos dizer, exóticos. Tem opinião sobre tudo. Já se posicionou contra o projeto Nova Luz (extinto por Haddad), opôs-se à construção de um túnel, afirmou que a internação compulsória de moradores de rua viciados em crack é só mais um “higienismo social” e vai por aí. E já foi protagonista de um caso de plágio escandaloso: nada menos de 38 páginas de sua tese de livre-docência da Faculdade de Direito da USP foram copiadas do trabalho de um colega (leia mais a respeito). A livre-docência foi cassada pela instituição.

Ele parece, definitivamente, se orientar por critérios muito particulares que sejam moralidade, legalidade e decência.

Quando o movimento Passe Livre promoveu as três primeiras manifestações contra o reajuste de ônibus em São Paulo — nos dias 6, 7 e 11 de junho —, Ribeiro Lopes afirmou que era preciso negociar com os valentes. Atenção! A turma já havia recorrido ao quebra-quebra, a coquetéis molotov e ao espancamento de policiais. Mas o promotor queria “negociação”. Os taxistas não quebraram nada. Lopes quer colocá-los na cadeia.

 

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2013

às 21:55

Sem reajuste de IPTU, Haddad deve congelar verba de educação

Por Giba Bergamin Jr. na Folha:
Relatório aprovado na tarde desta segunda-feira, na Comissão de Finanças da Câmara de São Paulo, mostra que cerca de R$ 800 milhões do Orçamento de 2014 da cidade serão congelados caso o prefeito Fernando Haddad (PT) não consiga reverter a decisão judicial que barra o reajuste do IPTU no ano que vem. O maior congelamento de verba ocorrerá na Secretaria de Educação, que terá retidos cerca de R$ 249 milhões do orçamento previsto –a despesa estimada pela pasta é de R$ 9,07 bilhões. A prefeitura tentará, até a próxima quarta-feira, reverter a decisão do Tribunal de Justiça que impede o aumento do imposto em até 20% para imóveis residenciais e 35% para os demais no ano que vem. Os advogados da administração devem recorrer no STF (Supremo Tribunal Federal) até quarta-feira.

 O relator do Orçamento na Casa, Paulo Fiorilo (PT), pretende colocar o Orçamento para votação nessa mesma data, mas ainda depende do resultado na Justiça. A gestão Haddad havia anunciado na semana passada que, sem o reajuste, haveria cortes de investimentos em áreas áreas sociais. Também sofrerão cortes as pastas de Transportes (R$ 131 milhões), Saúde (146,1 milhões), Subprefeituras (R$ 10 milhões), Governo (R$ 40 milhões), Obras (R$ 50 milhões) e Trabalho (R$ 1 milhão).

Após críticas da oposição no Legislativo, a base aliada de Haddad também decidiu aumentar a verba para a Secretaria de Assistência Social em R$ 89 milhões. O texto aprovado em primeira votação na semana passada previa para a pasta R$ 967,4 milhões contra R$ 1,1 bilhão previstos para 2013. Agora, a previsão de despesas para o ano que vem será de R$ 1,05 bilhão. Segundo Fiorilo, o valor é maior do que o total efetivamente gasto neste ano.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2013

às 15:56

Em 36 dias, Haddad não consegue mandar arrumar a grade de um viaduto, pondo em risco a vida dos paulistanos. É um dos “postes” de Lula!

No dia 10 de novembro — há 36 dias!!! — o motorista de uma Mini Cooper perdeu o controle do veículo e despencou do Viaduto Okuhara Koei, caindo na Avenida Rebouças. Felizmente, nada de pior aconteceu com o casal que estava no carro. Já a cidade, coitada! Vejam a foto (J. Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo). Volto em seguida.

 carro despenca

Não sei se o conserto foi feito nesta manhã. Até ontem, dia 15 de dezembro, a proteção do viaduto estava assim, como vocês veem, com cavaletes e fitas. Atenção! Esse viaduto tem uma calçada larga, com passagem intensa de pedestres. Está a algumas dezenas de metros apenas da Avenida Paulista, área de constantes protestos. Há escolas, bares e lanchonetes no entorno, o que sempre atrai muitos adolescentes — nem sempre os mais, como direi?, prudentes.  O viaduto é passagem para os hospitais de Clínicas e Emílio Ribas, além de ficar coado a  uma estação de metrô, Uma criança que se desgarre da mãe pode sofrer um acidente fatal.

Trinta e seis dias, e a gestão de Fernando Haddad não conseguiu fazer o conserto. Ainda que se alegue que toda a grade, que está velha, precisa ser trocada, não se pode deixar de fazer o menos, quando serviço de emergência, porque é preciso fazer o mais.

Com um ano de gestão, nota-se uma degradação impressionante da zeladoria da cidade. As avenidas 23 de Maio e Ruben Berta, por exemplo, estão um lixo, como pichações de cabo a rabo. Os “especialistas” de Haddad devem achar que isso é expressão da criatividade…

Lula nos deu um poste: Dilma. É meia-bomba, mas vá lá.
Lula nos deu outro poste: Haddad. A cidade vive um apagão de competência.
Lula agora quer dar aos paulistas outro poste: Alexandre Padilha.

Assim como o ex-presidente diz que Haddad foi o “melhor ministro da Educação deste país”, sustenta que Padilha já é “o melhor ministro da Saúde deste país”. Faça o seguinte, eleitor paulista: antes de votar, verifique como andam os hospitais públicos. E veja como está a cidade de São Paulo. Aí você decide o que fazer com o novo poste de Lula.

Explicação para quem não conhece São Paulo: escrevo sobre uma área nobre da cidade, contígua a um de seus mais famosos cartões-postais. O bobinho logo pensa: “Ah, por isso a reclamação! Fosse na periferia…”. O raciocínio esperto e civilizado é outro: quando uma gestão deixa de lado até as regiões nobres é porque as pobres já foram abandonadas há mais tempo.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2013

às 15:30

Haddad: a pior ideologia ainda é a incompetência — misturada à arrogância. Ou: Os motoristas que escolham a esquerda!

Escrevi nesta manhã um post sobre a gestão desastrada do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT. Seus “especialistas” querem agora proibir a circulação de táxis nos corredores de ônibus, o que levará a ainda mais carros na rua, como pode deduzir qualquer ser lógico. Vejam esta foto, de autoria de Marco Ambrosio (Frame/Folhapress), publicada pela Folha Online.

Taxistas - Marco Ambrosio Frame-Folhapress

Os taxistas realizaram um protesto no começo desta tarde em frente à Prefeitura. Dizer o quê? Um mau prefeito torna pior a vida na cidade, que já não é lá essas coisas. Proibir os táxis de circular nos corredores fará, evidentemente, com que caia a demanda por esse serviço, os taxistas ficarão presos nas vias estranguladas por corredores e faixas, o usuário desaparecerá, e a tendência é que acabe usando o próprio carro, piorando ainda mais o trânsito.

O prefeito e seus xiitas dizem que isso significa apostar no transporte público. Pois é. De todas as ideologias, a pior ainda é a incompetência. Quando misturada à arrogância, o resultado é explosivo.  No Ministério da Educação, o seu jeito de ser não era percebido porque gente como ele pode se esconder na burocracia. Na Prefeitura, as coisas são diferentes. O rei sempre fica nu.

Haddad, que é considerado muito sabido, não ouve ninguém. Fiquei sabendo há pouco que os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego advertiram o prefeito que corredor ou faixa exclusiva em vias com muita conversão à direita mais criam problemas do que soluções. Mas ele ignorou tudo e mandou bala. Vai ver é opção ideológica, né? O motorista que escolha à esquerda. Há “faixas” de ônibus em que há mais pontilhados do que linhas contínuas, obrigando os motoristas de carro a um entra e sai da faixa que logo vai se transformar numa indústria de multas.

Falei a respeito na Jovem Pan, num dos comentários desta manhã. Para ouvi-lo, clique aqui.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2013

às 2:59

Haddad, o “Louco” do Tarô, acha que os pobres não têm mesmo condições de compreendê-lo. Pois é…

Louco - Tarô

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, concedeu duas longas entrevistas, uma a Cristiane Agostine, publicada no “Valor”, na quinta, e outra a Elvis Pereira e Ivan Finotti, da Folha, neste domingo. Os repórteres foram generosos com o prefeito, poupando-o de lhes contar — e ouvi-lo sobre o assunto — o que os próprios petistas dizem a seu respeito nos bastidores, especialmente os vereadores e alguns secretários. O adjetivo mais repetido é “incompetente”. A avaliação mais corriqueira é que “não é do ramo”. É incomum, eu sei, mas é assim: os seus correligionários estão mais irritados com ele do que os adversários.

Alguém poderia dizer: “Em se tratando de petismo, pode ser bom sinal: talvez, então, ele esteja fazendo coisas boas”. Não é o caso. Ocorre que a impopularidade do prefeito — só 18% de “ótimo” e “bom” e 39% de “ruim” e “péssimo”, segundo o Datafolha — tem impacto também no partido, especialmente no trabalho dos vereadores, que não são recebidos pelo prefeito, junto às suas bases. Haddad, vocês sabem, se considera um pensador, um homem de grandes voos teóricos (ao menos ele tem essa impressão sobre si mesmo), e odeia o que considera as miudezas do dia a dia. Também não foi indagado sobre seu fabuloso projeto — de fato, uma fábula! — apelidado de “Arco do Futuro”, do qual nunca mais ninguém ouviu falar. Ele, no entanto, parece convicto de que está no rumo certo. Lembra “O Louco” do Tarô, que segue feliz para o abismo. Há uma leitura virtuosa da carta… Quem sabe, né? Se depender dos paulistanos, no entanto…

São Paulo já estava intransitável. Haddad resolveu transformar a vida dos paulistanos num verdadeiro inferno, com as suas faixas exclusivas de ônibus. Inicialmente, a ideia parecia boa — afinal, se os usuários chegarão com mais rapidez a seu destino, por que não? Ocorre que a medida conseguiu desagradar a gregos e troianos e ainda atingir outros “povos” que não estavam na contenda. E o prefeito promete aumentar a dose do remédio para ver se minimiza os efeitos colaterais. Ninguém discute com o Louco. Vejam a carta. O cãozinho bem que tenta adverti-lo… Ele, no entanto, segue em frente.

Faixas da discórdia
Com as faixas, os ônibus ficaram mais rápidos, claro!, e as empresas aproveitaram para diminuir o número de veículos — logo, eles estão, agora, lotados a qualquer hora do dia. Como se tornou virtualmente impossível mexer nessa equação por falta de recursos, não há o que possa ser feito. Os usuários, que poderiam ser os maiores beneficiários da medida, estão furiosos.

As faixas estrangularam o espaço dos carros, provocando a paralisia de determinados pontos da cidade que tinham, até outro dia, um trânsito fluente. Em algumas avenidas — cito o caso da Sumaré, na Zona Oeste, onde circulam poucos ônibus — as faixas ficam desertas, sem ver um único coletivo por muitos minutos, enquanto os motoristas de carros amargam congestionamentos imensos. Estão descontentes os usuários de transporte coletivo e também os donos de automóveis.

Os comerciantes das avenidas que ganharam a faixa viram minguar o seu faturamento porque, evidentemente, não vendem só a pedestres. Fernando Haddad conseguiu o milagre de desagradar a todos ao mesmo tempo. Nas entrevistas, no entanto, o Louco parece ver aí uma espécie de medida do seu sucesso. Indagado a respeito, disse à Folha:
“Se fosse fácil [implementar as faixas], teriam feito antes. É que não é fácil você tomar uma medida como essa e privilegiar o transporte coletivo numa cidade caótica do ponto de vista da mobilidade. É uma decisão difícil. Agora, está correta? Na minha opinião, está. É a tendência mundial. São Paulo é criticada por ter demorado tanto tempo para tomar essa decisão. Agora, a resistência vai se organizando. As pessoas vão começar a contestar, é natural. Mas duvido que perca a aprovação da maioria.”

Os xiitas de Haddad e os táxis
E o mais comovente é que o prefeito pensa em radicalizar a experiência, tornando a vida dos paulistanos ainda mais difícil. A que me refiro? Os “especialistas” do prefeito querem proibir os táxis de usar os corredores, o que hoje é permitido se estiverem com passageiros. Essa exigência, note-se, é um erro — e este não motorista dirá em breve por quê. Nas faixas exclusivas, os taxistas já não podem transitar. Muito bem! Basta circular pela cidade para perceber que os táxis não atrapalham os coletivos. Até porque, nos corredores de alta demanda — avenidas Rebouças e Santo Amaro, por exemplo —, com alguma frequência, melhor é fugir deles para não pegar uma fila interminável de ônibus.

Acontece que os esquerdinhas do miolo mole que ficam soprando ao ouvido do prefeito soluções fáceis e erradas para problemas difíceis são chegaditos  a um arranca-rabo de classes. Nas entrevistas que concedem, demonizam o transporte individual e tratam os motoristas de carros particulares como se fossem criminosos e sabotadores da cidade. Eis que, de súbito, o usuário de táxi entrou na dança. Afinal, também essa modalidade seria nada menos do que “transporte individual”. É? PERGUNTA RÁPIDA: AS CICLOVIAS, POR ACASO, PRIVILEGIAM O TRANSPORTE COLETIVO, SENHOR FERNANDO HADDAD?

Há uma questão de lógica elementar que precisa ser levada em conta: a esmagadora maioria dos usuários de ônibus não tem carro. Assim, tornar mais rápidos os coletivos não tira necessariamente automóveis da rua. Não ainda. Para que isso venha a ocorrer em volume significativo, o serviço tem de melhorar brutalmente. Com o táxi, é diferente. SE PUDEREM TRANSITAR NOS CORREDORES E NAS FAIXAS, muita gente deixará seu carro em casa. Pode até gastar um pouco mais, mas vai escolher perder menos tempo. O carro particular costuma, de fato, carregar apenas uma pessoa; um táxi transporta por dia mais de 30 passageiros.

Assim, em vez de proibir os táxis de circular nos corredores, o correto seria permitir que circulassem também nas faixas — COM OU SEM PASSAGEIROS! Por quê? Para que cheguem mais depressa a seu destino e atendam com mais rapidez o cliente. Se o objetivo é tirar carros de circulação, quanto mais houver estacionados em suas respectivas garagens, melhor!  Ora, por que o dono de um automóvel escolheria enfrentar o congestionamento num táxi a fazê-lo em seu próprio veículo, ouvindo a música ou a estação de rádio de que gosta?

O sabichão e o povo desprezível
Mas quê… Haddad não está nem aí. Ele é sabido demais. E deixa claro que o problema é o “conservadorismo”… O prefeito confunde a sua incompetência com progressismo. E parece desconfiar bastante da sabedoria do povo… Ao “Valor”, afirmou: “Não digo que São Paulo é conservadora, mas atuam na cidade forças muito conservadoras, um poder econômico muito conservador.” Huuummm. Digam-me em que os “conservadores” andam a prejudicar o seu trabalho.

Numa fala um tanto oblíqua, sugere que a avaliação negativa que dele têm os paulistanos é coisa de gente ignorante, entenderam? Especialmente os pobres. Leiam o que ele disse ao “Valor”:
“Estamos fazendo um Plano Diretor depois de 11 anos, que é revolucionário. Repactuando a dívida com a União. Mas isso tudo como é que a população do Itaim Paulista vai compreender? Não vai. Não existe possibilidade de conseguir explicar reformas estruturais para uma pessoa que passava até outro dia quatro, cinco horas dentro de um ônibus. A pessoa não tem essa possibilidade de se informar.”

Entendi. Os pobres não têm competência intelectual para compreender o prefeito… O mais impressionante é que o prefeito venceu a eleição justamente em razão da maioria que obteve nessas áreas pobres. Assim, parece que ele só é prefeito por obra da desinformação. Querem saber? Isso faz sentido!

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2013

às 6:11

Supercoxinha consegue surpreender mesmo os mais otimistas e rivaliza com a impopularidade de Celso Pitta e Kassab no 1º ano de gestão

Haddad - avaliação

Que coisa, não? Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, o “homem novo” que Lula inventou, aquele do “Arco do Futuro”, surpreende mesmo os mais otimistas — se é que me entendem — e consegue rivalizar em impopularidade com Celso Pitta, o prefeito que Maluf inventou e que, ao fim do primeiro ano, já tinha dito a que tinha vindo. Vejam o quadro acima. Segundo pesquisa Datafolha, publicada nesta segunda pela Folha só 18% consideram a gestão do petista ótima ou boa — ao fim do primeiro ano, Pitta e Gilberto Kassab cravam 15%. Nada menos de 39% avaliam que a gestão de Haddad é ruim ou péssima. Para 40%, é regular.

Como se pode ver no gráfico publicado pela Folha, de março para o começo de junho, a reprovação da gestão Haddad já tinha dado um salto de 7 pontos, atingindo o pico no fim daquele mês. Cinco meses depois, segue estacionada, com uma variação de apenas 1 ponto percentual, dentro da margem de erro. A aprovação despencou da primeira para a última semana de junho e, cinco meses depois, segue no mesmo lugar. Para registro: Haddad disputou o segundo turno com José Serra. Ao fim do primeiro ano, em 2005, 41% consideravam a gestão tucano boa ou ótima. Só que, em 2012, o petista venceu. Eis aí.

Desastre
Haddad tem se revelado um desastre político. Durante a campanha eleitoral, acenou para a cidade com tantos amanhãs gloriosos que, tudo indica, não conseguirá corresponder às expectativas que gerou. Pior do que isso: para vencer a disputa em São Paulo, os petistas mobilizaram os tais movimentos sociais chegados, como direi?, a uma ação direta, sabem como é?

Um dos parceiros dos petistas, é bom que a gente lembre, foi justamente o Movimento Passe Livre. Outro foi o ajuntamento de vários movimentos de sem-teto, que hoje ocupam áreas públicas destinadas a moradias, têm a ambição de determinar quem deve e quem não deve obter as casas e espalham barracas onde lhes der na telha — no vão do Masp, na Praça da Sé e nos baixos de viadutos — e fim de papo! Os petistas não têm resposta para a caixa de Pandora que eles mesmos abriram. Volta e meia, os aliados de Haddad metem fogo aqui e aqui, param avenidas, tornam a vida da cidade pior do que já é.

Apesar das faixas exclusivas de ônibus, a população reclama do serviço — os ônibus andam com mais velocidade nesses lugares, sim, mas demoram mais para chegar, dizem os usuários, e estão ainda mais cheios. Algumas pessoas podem estar economizando um pouco de tempo, mas o aperto é maior. Já os motoristas de carro reclamam do estreitamento das pistas, os comerciantes reclamam da queda de faturamento, e os taxistas reclamam que não conseguem pegar passageiros, já que as faixas lhes são vetadas. A cidade é uma reclamação só. Os 18% de ótimo e bom devem ser atribuídos, creio, aos petistas fanáticos.

O advogado e sociólogo Fernando Haddad é aquele tipo que gosta de fazer reengenharia social, compreendem? No papel, suas ideias são um espetáculo. Na vida real, ele consegue desagradar a todos ao mesmo tempo. E é também um homem ousado, como a gente sabe.

Para cobrir o buraco do não reajuste das tarifas de ônibus, movimento deflagrado por aliados seus, teve uma iluminação: enfiar a faca no IPTU. Argumentou, o que, em parte, procede, que só uma parcela da cidade pagaria mais — só que é MUITO MAIS. O reajuste foi parar na Justiça. Nesse caso, ganhar a batalha judicial corresponde a perder a batalha política. E ele ganhou uma e perdeu outra. E olhem que a facada do imposto só vai chegar mesmo é no ano que vem.

Supercoxinha - Boopo

Aí Haddad teve outra iluminação: não se contentou em desbaratar uma quadrilha de fiscais que estava incrustada na Prefeitura — o que é, em si, positivo. Resolveu posar de xerife, apontando o dedo contra gestões passadas, atingindo o dilmista roxo Gilberto Kassab, que reagiu e chamou seu primeiro ano de gestão de “descalabro”. Haddad teve de engolir. Para arremate dos males, o escândalo dos larápios acabou caindo no colo do homem forte de sua gestão: Antonio Donato.

O comando do PT tenta intervir na Prefeitura, mas não encontra a forma. Secretários seus com trânsito na cúpula nacional do PT reportam ao comando da sigla que ele é um caso perdido. Não existe milagre. O prefeito de São Paulo é aquele rapaz que, quando ministro da Educação, jamais conseguiu realizar um exame do Enem sem que a prova virasse caso de polícia; que permitiu a confecção de um absurdo kit gay para ser distribuído nas escolas que teve de ser vetado por Dilma (ele alegou, depois, que não sabia…) e em cuja gestão se deu uma das mais longas greves de professores das universidades federais. Com um bom marketing, um ministro incapaz até pode passar por competente. Na Prefeitura, as coisas se complicam um pouco.

Estou entre aqueles que consideram o cargo de prefeito o mais cruel de todos. Boa parte das coisas que infernizam de verdade a nossa vida, se vocês notarem, pertence à esfera municipal. Afinal, a gente não mora nem num estado nem num país. A gente mora é numa cidade. Um presidente medíocre pode até passar por gênio da raça. Eu diria até que há o risco de um bom prefeito ser incompreendido, mas o contrário é muito difícil: é improvável, na cidade, que um embusteiro consiga fingir a competência que não tem. Para encerrar: Haddad gosta de brincar de arranca-rabo de classes, de dividir a cidade entre os ricos e os pobres, para os quais ele governaria. Pois é… A presidente Dilma, com efeito, é aprovada pela maioria dos que ganham até dois mínimos. Vejam, no entanto, o que se passa com o prefeito.

Haddad - renda

Concluo
Vai ver São Paulo precisa mudar de pobres, né?

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2013

às 6:41

Polícia abre investigações paralelas e diz que prefeitura omite dados

Por Rogério Pagnan, na Folha:
A Polícia Civil acusa a Prefeitura de São Paulo de omitir informações solicitadas há seis meses sobre servidores envolvidos na máfia do ISS. Agora, ameaça ir à Justiça para ter acesso a dados e abastecer investigações próprias. A gestão Fernando Haddad (PT) afirma que atua em colaboração com os órgãos policiais da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e que os pedidos feitos foram genéricos, e não de casos específicos. Após a operação do último dia 30, que levou à prisão quatro fiscais suspeitos de receberem propina de construtoras para a redução do imposto, a polícia decidiu abrir 12 novos inquéritos paralelos. Cada um deles tem como alvo uma das empresas ou políticos citados em reportagens sobre as investigações da Controladoria-Geral do Município e da Promotoria.

Entre eles, Antonio Donato (PT), ex-secretário de Governo de Haddad acusado de receber mesada de R$ 20 mil de um fiscal, e Mauro Ricardo, ex-secretário de Finanças das gestões Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), que deu parecer para arquivar apuração sobre servidores suspeitos do esquema. A polícia diz que pede informações à prefeitura há seis meses, quando abriu um inquérito a partir de declarações do controlador do município, Mário Spinelli, à revista “Veja” dizendo que havia servidores sob suspeita de enriquecimento ilícito.

O delegado José Eduardo Jorge, titular da 2ª Delegacia de Crimes contra a Administração, afirma que, desde então, a polícia fez ao menos três solicitações à prefeitura sobre os servidores para investigá-los por enriquecimento ilícito ou improbidade. A prefeitura afirmou em duas respostas que se tratava de uma apuração embrionária. No dia 25 de setembro, por exemplo, respondeu “que os trabalhos [...] continuam em fase preliminar”. Um mês depois, houve a ação com a prisão de quatro auditores.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2013

às 5:47

Assessor investigado fez doação de R$ 140 mil a secretário de Haddad

Por José Ernesto Credendio, Mario Cesar Carvalho e Rogério Pagnan, na Folha:
A Controladoria Geral do Município investiga um assessor especial da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo da gestão Fernando Haddad (PT) por suspeita de enriquecimento ilícito e de manter relações com a máfia do ISS (Imposto Sobre Serviços). O titular da secretaria é Eliseu Gabriel, vereador licenciado pelo PSB. O assessor especial, Tony Nagy, doou R$ 140 mil para a campanha a vereador de Gabriel no ano passado, quando era assistente parlamentar dele na Câmara. Desse montante, R$ 110 mil foram doados em dinheiro.

Gabriel diz não saber quanto ele ganhava no ano passado. Mas cargo similar ao que ele ocupava recebia cerca de R$ 2.000 líquidos por mês –ou seja, seria preciso cinco anos e oito meses sem gastar um centavo para fazer uma doação de R$ 140 mil. Só para se ter uma ideia do porte da doação de Nagy, o Itaú-Unibanco, o segundo maior banco do país, contribuiu com R$ 30 mil na campanha de Gabriel, que consumiu um total de R$ 1 milhão.

A lei prevê que uma pessoa física pode doar no máximo 10% dos seus rendimentos brutos no ano anterior à eleição. Por essa regra, Nagy teria de ter ganhos brutos de R$ 1,4 milhão em 2011. Atualmente, Nagy recebe um salário bruto de R$ 4.852, mora numa cobertura avaliada em R$ 1,5 milhão na Vila Romana (zona oeste) e, eventualmente vai trabalhar com um carro novo da BMW, segundo funcionários da secretaria ouvidos pela Folha. Ele foi procurado desde anteontem pela reportagem, mas não foi localizado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2013

às 23:23

Haddad é vaiado durante discurso em evento no Centro de SP; manifestantes jogam latinhas de cerveja contra o prefeito

Por Giba Bergamin, na Folha Online. Na madrugada, volto ao assunto.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi vaiado durante pronunciamento no evento oficial em comemoração ao Dia da Consciência Negra na tarde desta quarta-feira (15). Latinhas de cerveja foram jogadas contra o petista enquanto ele discursava no Vale do Anhangabaú, na região central da cidade. O prefeito, porém, não silenciou diante das hostilidades e continuou seu pronunciamento. “Não deixo de falar quando a população está vaiando, porque se você deixar de falar quando vaiam, você vai ficar envaidecido quando te aplaudem”, disse.

 Antes dele, o secretário da Igualdade Racial, Netinho de Paula (PCdoB), também foi vaiado. Enquanto o prefeito discursava, Netinho pedia para que os manifestantes parassem de vaiar Haddad.  Após o pronunciamento, Haddad associou as vaias à desinformação criada por conta do reajuste do IPTU. Ele disse que “a reação é natural porque este é o ano dos protestos.” O prefeito disse que as pessoas que o hostilizaram estão mal informadas. “Estão achando que o IPTU na periferia vai subir, mas como a população está muito desinformada, na hora que chegar o carnê, tudo muda”, disse.

 

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2013

às 5:35

Promotoria abre investigação contra ex-secretário de Haddad

Por Rogério Pagnan, José Erenesto Credendio e Mario Cesar, na Folha:
O Ministério Público de São Paulo abriu ontem uma investigação para apurar suposto enriquecimento ilícito do ex-secretário de Governo Antonio Donato, que era braço direito do prefeito Fernando Haddad (PT).  A decisão de abrir um novo inquérito, paralelo à apuração de um esquema de fraude no ISS, foi tomada a partir do depoimento do auditor Eduardo Barcellos. Ele disse à Promotoria na semana passada ter dado mesada de R$ 20 mil ao então vereador petista de dezembro de 2011 a setembro de 2012. Barcellos afirmou ainda que pode comprovar, com base em extratos telefônicos, que sempre telefonava a Donato antes de ir pessoalmente à Câmara entregar a verba. O vereador, que está licenciado do cargo, nega ter recebido dinheiro do grupo.

 A investigação será conduzida por Marcelo Milani, da Promotoria do Patrimônio Público, em um procedimento exclusivo, independente do esquema do ISS –no qual fiscais são suspeitos de cobrar propina para a redução do imposto de construtoras. O ex-secretário também poderá ser investigado na área eleitoral, já que há suspeita, a partir de depoimentos e gravações, de que ele tenha recebido dinheiro para sua campanha à Câmara. Em casos semelhantes, a Promotoria procura fazer uma varredura na vida do investigado, com pedido de informação ao Coaf (setor de inteligência da Fazenda) e levantamento de bens –para comparar com a renda. Cabe ao investigado provar a origem de seu patrimônio. Donato saiu da gestão Haddad no último dia 12, no mesmo dia em que a Folha revelou que ele requisitou Barcellos para trabalhar em sua equipe no começo do ano. Barcellos permaneceu na Secretaria de Governo entre janeiro e abril de 2013.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

15/11/2013

às 16:59

Ministério Público investiga empresa de mulher de secretário de Haddad

Na VEJA.com:
A Promotoria de Patrimônio Público de São Paulo investiga suspeitas de que a empresa Samepark Estacionamento, da mulher do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, foi usada para lavar dinheiro obtido com o pagamento de propina. A empresa é uma sociedade de Adli Tatto com o auditor fiscal Moacir Fernando Reis, investigado no esquema de fraudes no recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS), conforme revelou o site de VEJA.

“A empresa está sob investigação”, disse o promotor José Carlos Blat, que integra a força-tarefa do Ministério Público Estadual para levantar dados de enriquecimento ilícito de mais de quarenta fiscais na esfera civil. “Para nós, [para começar a investigar] não há necessidade de demonstrar atos de corrupção, basta a desproporcionalidade entre o salário e o patrimônio.” De acordo com Blat, usar estacionamentos para lavar dinheiro “é um método jurássico”. Torna-se difícil comprovar se a movimentação de carros registrada em notas fiscais foi a que realmente ocorreu. Tatto afirma que a empresa não movimentou dinheiro e faliu.

“A iniciativa do Ministério Público é importante para dirimir as dúvidas que possam existir. A empresa existe, mas nem sequer chegou a iniciar sua atividade. Conheço Moacir Reis exclusivamente pelo fato de ser namorado de minha cunhada. Fora isto, não tenho nenhuma relação com ele”, afirmou Tatto, em nota. Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, o estacionamento declarou sede na casa de Tatto, um apartamento no bairro da Vila Mariana, na Zona Sul da capital paulista. O Samepark tem capital social de 20 000 reais.

Reis é servidor de carreira e continua ativo na prefeitura com salário bruto de 19 607,61 reais. Ele é investigado no mesmo procedimento administrativo interno da prefeitura que apurou indícios de enriquecimento ilícito dos quatro auditores que foram presos: Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre de Magalhães.

Reis também possui mais duas empresas registradas em seu nome. Ele é sócio da Florbela Decorações Conveniência, um comércio em Embu das Artes (SP), e da MFPR Administração de Bens, aberta em 2010, com capital social de 541 000 reais, com atividade declarada de compra, venda e aluguel de imóveis próprios. A sede declarada é o apartamento de Reis, também na Vila Mariana.

“Com o salário que eles têm, possuem empresas de administração de bens próprios, o que é um absurdo”, disse Blat. “Isso é uma coisa primária. Nunca imaginei que em pleno século XXI fosse ver essas técnicas arcaicas de lavagem de capitais.” Blat afirma que o uso de empresas para negociar compra e venda de imóveis com dinheiro de corrupção era usado pela primeira máfia dos fiscais, desbaratada em 1999, na gestão do ex-prefeito Celso Pitta, morto dez anos depois.

“Eles não têm qualquer tipo de cuidado. Isso demonstra que foram imprudentes e que tinham um respaldo forte dentro da prefeitura e da Câmara Municipal. Era escancarado”, disse Blat. “Não consigo conceber que quatro ou dez fiscais possam deter um poder político tão grande e movimentar tantos milhões de reais sem serem incomodados, supervisionados por alguém do sistema político. É inconcebível.”

Controladoria
Reis já havia sido intimado a depor na Controladoria-Geral do Município, no dia 24 de outubro, mas só foi exonerado do cargo de confiança pelo prefeito Fernando Haddad (PT) após a publicação da reportagem do site de VEJA. O fiscal se apresentou ao Ministério Público na última segunda-feira, mas “não esclareceu fatos e disse ter sido surpreendido com a publicação da reportagem”, segundo o promotor Roberto Bodini.

Questionado sobre sua relação com o servidor, Tatto disse que desconhecia a investigação sobre Reis. O secretário também afirmou que “não se lembrava” do estacionamento de sua mulher com o auditor, porque “a empresa nunca movimentou dinheiro”. Apesar disso, o Samepark continua aberto na Junta Comercial.

Por Reinaldo Azevedo

14/11/2013

às 0:05

Justiça derruba liminar e mantém aumento do IPTU

Como vocês devem se lembrar, afirmei aqui que a Prefeitura deveria ser bem-sucedida no pedido para cassar a liminar que suspendia o reajuste do IPTU. Leiam o que VEJA.com:
*
O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, derrubou nesta quarta-feira a liminar que impedia o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na capital paulista. Com isso, o aumento do imposto volta a valer para a cobrança do próximo ano: 20% para imóveis residenciais e até 35% para comerciais. A liminar havia sido concedida na semana passada pelo juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual, que contestava a sessão da Câmara Municipal que aprovou o reajuste.

Os promotores argumentaram que os vereadores desrespeitaram o Regimento Interno da Casa ao antecipar a votação em um dia e não realizar audiência pública antes de aprovar a matéria. Na ocasião, a base do prefeito Fernando Haddad (PT) manobrou para acelerar a votação temendo enfrentar protestos e para evitar a deserção de vereadores que estavam sob pressão do eleitorado.

No despacho, o presidente do TJ justificou sua decisão afirmando que a anulação do reajuste acarretaria prejuízo aos cofres da cidade. “A suspensão dos efeitos da revisão da Planta Genérica de Valores interditará aumento na arrecadação do município na ordem de 800 milhões de reais, com inegável prejuízo às diretrizes orçamentárias que se ocupam de áreas sensíveis da administração, como saúde e educação, tudo a justificar a concessão da suspensão ora rogada”, disse Sartori.

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2013

às 6:15

Outro fiscal faz acordo de delação premiada e confessa que pagava R$ 20 mil por mês ao petista Donato, homem forte de Haddad até esta terça

Reportagem de César Tralli, que acaba de ir ao ar no Jornal Nacional, informa que mais um fiscal, Eduardo Barcellos, fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Barcellos confessou ao promotor Roberto Bodini que recebia dinheiro vivo de empreiteiras para liberar o “habite-se” e que dividia os recursos com os demais fiscais da quadrilha dentro da Prefeitura. Mas não só isso: um dos beneficiários do esquema, segundo ele, era justamente o agora só vereador Antonio Donato (PT), que coordenou a campanha eleitoral de Fernando Haddad à Prefeitura e se tornou seu secretário de governo.

Segundo Barcellos, entre dezembro de 2011 e setembro do ano passado, ele pagou R$ 20 mil mensais a Donato, que receberia o dinheiro em seu gabinete, na Câmara dos Vereadores. Ele afirmou ao promotor que Ronilson Rodrigues, apontado como o chefe da quadrilha, também repassava dinheiro para Donato.

Na confissão, devidamente assinada, ele afirmou que os fiscais se aproximaram do vereador em 2011 porque pretendiam manter o esquema caso o PT vencesse as eleições. Pois é… Feito secretário de governo, Donato nomeou Ronilson para a diretoria financeira da SPTrans e chamou Barcellos para trabalhar em seu gabinete. Ao Jornal Nacional, o petista afirmou que os fiscais se aproximaram da campanha de Haddad para oferecer estudos sobre o ISS e o IPVA. Ah, bom! De ISS, não tenhamos dúvida, eles entendiam, não é mesmo?

Rui Falcão e o próprio Fernando Haddad saíram em defesa de Donato e de sua reputação ilibada. Pois é… Imaginem quanta informação não concentra um “coordenador de campanha”… Donato não leva jeito de que tem vocação para Delúbio Soares, aquele que aceita ser o bode expiatório em nome dos sagrados propósitos do partido… Mesmo quando se é petista, sobram franjas de constrangimento. E os dois pareciam bem constrangidos.

Donato ainda insiste que se está tentando transferir para essa gestão a responsabilidade de um esquema que seria da gestão anterior… Parece que ele ainda não percebeu que o PT não quer briga com Gilberto Kassab. Se Donato quiser a proteção dos companheiros, vai ter de usar como ativo tudo o que sabe. Fora da secretaria, volta para a Câmara. Parece que a cassação do mandato o espreita, quando menos. Barcellos forneceu ao promotor os números de telefone que usava para falar com Donato.

Texto publicado originalmente às 21h30 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

12/11/2013

às 18:00

Escândalo em SP: Poste municipal inventado por Lula ilumina ainda menos do que o poste federal. Vai que é sua, Haddad!

Antônio Donato, o homem forte da gestão Haddad, está oficialmente fora da Prefeitura. É preciso ver se os petistas estão apenas desligando um fio que pode gerar um curto-circuito ou se veem ainda mais desastres pela frente. O clima, também entre os companheiros, é o pior possível.  Mais o tempo passa, mais o escândalo se aproxima da atual gestão. O caso de Donato é eloquente:
1: foi ele quem indicou Ronilson Rodrigues, considerado chefe do esquema, para a diretoria da SPTrans;
2: quando Ronilson soube que estava sendo investigado, procurou a ajuda de Donato;
3: em depoimento ao Ministério Público, auditora diz ter ouvido de membros da máfia que Donato recebera doação eleitoral da turma;
4: ex-mulher de um dos membros da máfia diz em telefonema ameaçador que Donato recebeu R$ 200 mil do grupo;
5: nesta terça, a Folha revelou que Eduardo Horle Barcellos, suspeito de operar para o esquema, trabalhou três meses com Donato, a pedido do secretário;
6: em outra gravação, revelada nesta sexta pelo Estadão, Ronilson fala aos comparsas que vai marcar uma conversa com Donato. Mas não só com ele…

Tudo pode se complicar
As coisas podem se complicar ainda mais. Reportagem do Estadão traz o conteúdo de uma conversa gravada pelo auditor fiscal Luis Alexandre Magalhães, que fez um acordo de delação premiada. Ele é o mais aflito e o mais nervoso da turma. Transcrevo trecho da reportagem (em vermelho):

Magalhães diz que foi alertado por Leonardo Leal Dias da Silva. Ex-diretor de Arrecadação e Cobrança da gestão Haddad, sobre a investigação. Ele afirma para Rodrigues: “O Leo falou pra mim, é o corregedor vai botar pra f….. Precisa de um bode expiatório”. Silva sabia da investigação porque respondeu a requerimentos do MPE feitos neste ano. Ao Estado, por e-mail, ele afirmou que não tinha informação sobre o esquema. Rodrigues confirma que fala diariamente com o atual subsecretário da Receita, Douglas Amato. “Vamos trazer o Leo e o Douglas aqui. E nós vamos para o (Antonio) Donato também”, afirma Rodrigues.

Retomo
Como se vê, os hierarcas da gestão Haddad são tratados com intimidade. Sobre quais temas o tal Magalhães conversa “diariamente” com Douglas Amato, ninguém menos do que subsecretário da Receita Municipal? Futebol?

A operação deflagrada por Haddad para tentar minimizar o mal-estar gerado pelo reajuste escorchante do IPTU é uma das mais desastradas da história do PT. ATENÇÃO! DESMANTELAR A QUADRILHA ERA UMA OBRIGAÇÃO LEGAL E MORAL, AINDA QUE FOSSE PARA ESPIRRAR EM ALGUNS HOMENS DA PRÓPRIA GESTÃO. Mas há modos e modos. Haddad preferiu sair por aí batendo no próprio peito, como um moralista empedernido, apontando o dedo acusador para terceiros — muito especialmente para a gestão que o antecedeu. E quem era o titular da outra? O agora aliado — do Planalto ao menos — Gilberto Kassab.

Kassab, como num jogo de truco, “chamou seis”, e Haddad teve de recuar. O PT a tanto o forçou porque quer o apoio de Kassab na disputa presidencial e conta com ele para dividir o eleitorado antipetista em São Paulo. Ele pode ser um fato decisivo para empurrar a disputa para um segundo turno. Assim, no que concerne à questão política, a operação foi desastrada.

Mas também está saindo tudo pelo avesso no que diz respeito à opinião pública. Os petistas tentaram inicialmente mirar em Mauro Ricardo, ex-secretário de Finanças. Até agora, não há evidência contra ele. Quem acabou caindo foi Donato, este sim, tudo indica, muito próximo da turma. E outros já começam a entrar na mira. De quebra, descobriu-se que um dos envolvidos na lambança é sócio da mulher de Jilmar Tatto, secretário dos Transportes, que, por sua vez, não anda se entendendo com Donato.

IPTU
E o IPTU mesmo? Haddad arca com o desgaste do reajuste aprovado, embora, para todos os efeitos, hoje, ele não tenha validade porque obstada pela Justiça. Descobriu-se que os fiscais podem ter fraudado também a arrecadação desse imposto. Se confirmada a suspeita, tanto pior para a cidade. O prefeito não esperou. Saiu proclamando por aí que o imposto ao qual ele quer aplicar um reajuste brutal era alvo da rapinagem da gangue. Ocorre que parte do escândalo já caiu sobre o colo da sua gestão. Ora, por que alguém vai se conformar com o assalto a seu bolso sabendo que, segundo o próprio prefeito, parte desse dinheiro vai parar na mão de ladrões.

Concluo
Haddad se lançou nessa para criar a versão municipal da “Dilma faxineira”. Fosse mais hábil, dado o tamanho da roubalheira, a coisa poderia ter dado certo. Ocorre que o poste municipal inventado por Lula ilumina muito menos do que o poste federal. E olhem que a luz que vem do Planalto  já é fraquinha, bruxuleante até…

Ai, ai… No domingo, em entrevista à Folha, Fernando Haddad dizia ter encontrado a Prefeitura numa situação de descalabro. Na segunda, no próprio jornal, Kassab tasca o descalabro na testa do próprio prefeito. Na terça, cai o homem forte da gestão. Quando eu apelidei o petista de “Supercoxinha”, com aquela sua mania “deixa comigo”,  houve quem achasse uma indelicadeza. Não! Era só uma síntese. Era uma análise política quase poética: um mínimo de palavras para um máximo de significação.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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