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Fernando Haddad

23/05/2014

às 4:40

Deputado petista não explica o que fazia em reunião a que estavam presentes membros do PCC; Jilmar Tatto desconversa

Jilmar Tatto, o secretário petista que é aliado do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Jilmar Tatto, o secretário petista que é aliado do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Contei ontem aqui a encantadora história do deputado estadual do PT Luiz Moura. É aquele senhor que estava presente a uma reunião estourada pela polícia de pessoas que planejavam ataques a ônibus. Havia na turma nada menos de 13 membros do PCC. Entre eles, estava um dos homens que participaram do assalto ao Banco Central no Ceará, em 2005, de onde foram levados R$ 164,8 milhões.

A operação aconteceu em março, no auge dos ataques criminosos aos ônibus. A reunião ocorreu na sede de uma tal Transcooper, uma dita “cooperativa”, que tem autorização da Prefeitura para operar algumas linhas na cidade. A propósito: os ônibus que eram e são incendiados pertencem sempre às empresas tradicionais, nunca a essas “cooperativas”.

Muito bem! O deputado não quer saber de dar explicações. Disse que estava no local para tratar de assuntos dos cooperados e que não fala mais do assunto. Ocorre que 11 dos 13 membros do PCC não tinham ligação nenhuma com o empreendimento.

Já contei aqui que o deputado estadual petista Luiz Moura é um ex-presidiário. Foi preso por assaltos a mão armada e condenado a 12 anos. Acabou fugindo da cadeia. No tempo em que ficou foragido, este grande empreendedor construiu um patrimônio, acreditem, de R$ 5 milhões, com participação em uma empresa de ônibus e em postos de gasolina.

Seu poder no, digamos, transporte alternativo e no PT cresceu muito na gestão da petista Marta Suplicy, quando ajudou a organizar o serviço de vans. Seu irmão, Senival Moura, vereador do PT, criou um sindicato de perueiros. A dupla é aliada política de ninguém menos do que Jilmar Tatto, atual secretário de Transportes da cidade. Tatto é aquele senhor que chegou a acusar a PM de fazer corpo mole durante a greve violenta de parte dos motoristas e cobradores da capital.

Essas informações talvez ajudem a explicar algumas coisas. O próprio Tatto, e isto é público, fez do chamado “transporte alternativo” — perueiros e cooperativas de ônibus — uma espécie de curral eleitoral. A polícia investiga faz tempo a infiltração do PCC no setor. O dinheiro para a aquisição de veículos de algumas cooperativas teria origem na organização criminosa.

Tatto diz que as suas relações com seu notório aliado são apenas institucionais. A propósito: o secretário já forneceu à Polícia a lista das empresas e cooperativas que prestam serviços à Prefeitura? É com essa gente que Fernando Haddad, “o homem novo”, administra a cidade de São Paulo. Isso ajuda a explicar muita coisa.

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2014

às 22:23

Jilmar Tatto, secretário de Haddad, resolve jogar o caos da cidade nas costas da PM. Secretaria de Segurança responde. Então vamos lembrar quem é que tem, digamos, laços antigos com o setor de transportes

Jilmar Tatto, o secretário de Transportes da cidade de São Paulo, é um homem historicamente ligado ao setor. Ligado até demais. E já circularam informações de que essa ligação pode não ser exatamente virtuosa. Já chego lá. Nesta terça, diante do caos promovido por motoristas e cobradores em greve, que fecharam 15 terminais na cidade, levando a mobilidade ao colapso, ele resolveu achar um culpado. Sabem quem? A PM!!! Numa de suas declarações infelizes, acusou “passividade” da corporação. O que será que Tatto queria? Que os policiais militares assumissem pessoalmente a condução dos ônibus?

Afirmou o secretário:
“Acionamos a Polícia Militar para que ela cumpra uma decisão judicial de que, todas as vezes que tiver obstrução do ônibus, por se tratar de um serviço essencial, que ela possa agir. O que não pode é um serviço essencial ser paralisado sem avisar o usuário. De manhã, todos foram trabalhar usando o transporte público, e o usuário da cidade de São Paulo é muito dependente do transporte sobre pneus, e, durante o dia, foram surpreendidos sem ônibus para voltar para casa.”

A secretaria de Segurança Pública emitiu uma nota oficial em que responde com a devida dureza às críticas de Tatto. Leiam a íntegra. Volto em seguida.

A liminar a que se refere o secretário de Transportes do Município de São Paulo Jilmar Tatto foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, na última sexta-feira (16/05). Ainda que não tivesse sido, o secretário deveria saber que não interessa à opinião pública jogar sobre os cidadãos ou sobre outras esferas de governo uma responsabilidade que lhe é exclusiva. Suas declarações sobre a ação da polícia estadual em uma greve municipal são um escárnio. Não existe autoridade com maior proximidade com a complexa interação entre os transportes coletivos convencional e alternativo do que o Sr. Secretário Jilmar Tatto. Basta ao secretário, considerando sua experiência no assunto, fazer o seu trabalho, que é o de negociar. A Polícia Militar de São Paulo trabalha em conjunto com o prefeito Fernando Haddad, com quem tem uma excelente relação, sempre que acionada e dentro de suas atribuições.

Se ainda valesse, a liminar mencionada pelo secretário Jilmar Tatto não tinha como objeto obrigar policiais, que nem habilitação compatível para dirigir ônibus possuem, a conduzir os coletivos para desobstruir as vias. Na ocasião, a liminar foi concedida para que as manifestações de rua não obstruíssem a circulação dos ônibus. A solução legal, óbvia e legítima tem que vir da autoridade de trânsito — do qual o secretário Jilmar Tatto é chefe —, por meio de guinchos e motoristas ou servidores que possam remover os ônibus. A Polícia Militar reforçou o policiamento nos terminais e locais de grande concentração de pessoas, inclusive para garantir o trabalho de remoção.

Secretaria da Segurança Pública

Retomo
Resposta muito bem dada, não é? Afinal, terei eu de lembrar que Jilmar Tatto tem dois aliados importantes que são, digamos assim, ligados à área de transporte? Um é o deputado estadual Luiz Moura, um ex-presidiário que não cumpriu os 12 anos a que estava condenado porque se tornou um fugitivo. Hoje, é deputado petista. Outro é Senival Moura, vereador, também do partido, irmão de Luiz.

O agora deputado estadual se fez líder dos perueiros, uma área que a família Tatto conhece muito bem. Sempre me lembro de uma reportagem publicada pela VEJA em junho de 2006. Segue em azul. E paro por aqui. Por enquanto. Suspeito, no entanto, que esse assunto ainda vai render.
*
Sempre se soube que uma das principais fontes de renda do PCC, organização criminosa formada por presos e ex-presos das cadeias paulistas, era o mercado de lotações – ou de peruas, como são genericamente chamados os microônibus e as vans que circulam por São Paulo como uma alternativa ao transporte público coletivo. O PCC não só domina parte das linhas do sistema como também extorque cooperativas que, sem ligação com ele, operam no setor. Há três semanas, a polícia prendeu Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam, uma das principais cooperativas de perueiros da capital paulista, suspeita de ligação com a organização criminosa. Conhecido como “Pandora”, o perueiro é acusado de ter financiado, com dinheiro de lotações, uma tentativa frustrada de resgate de preso de uma cadeia de Santo André (região do ABC paulista), em março passado. Detido, ele negou pertencer ao crime organizado, mas admitiu a infiltração do PCC no setor perueiro e disse que foi por ordem de Jilmar Tatto, ex-secretário de Transportes da prefeita Marta Suplicy, que sua cooperativa incorporou integrantes da organização criminosa. As duas afirmações, graves, constam do depoimento que Pandora deu formalmente à polícia. Uma terceira informação, porém, ainda mais grave, ficou de fora do inquérito. Ela foi dada por Pandora ao delegado Marcelo Fortunato, que o prendeu. Segundo disse o presidente da Cooper Pam, o ex-secretário de Marta recebeu 500.000 reais para favorecer um grupo de perueiros ligados ao PCC no processo de licitação para a exploração da região sul da capital. Tatto, candidato a deputado federal pelo PT, teve a prisão preventiva pedida pelo delegado, mas a Justiça ainda não apreciou o pedido. Pandora foi solto na quinta-feira (15), depois de passar dez dias preso.

Ele e Jilmar Tatto são velhos amigos – conhecem-se desde a infância. O perueiro, que nasceu em uma favela do bairro de Capela do Socorro (região sul da capital), costumava jogar bola com Tatto e seus irmãos, que moravam no mesmo bairro. Adultos, os dois mantiveram a amizade. A nomeação de Tatto como secretário de Transportes da gestão Marta coincidiu com a ascensão de Pandora no mercado perueiro. Ele, que começou trabalhando como motorista em Guarulhos, tornou-se uma liderança no setor. O padrão de vida que ostenta hoje faz supor que ser presidente de cooperativa de perueiros é um negocião. Pandora dirige um Golf blindado, anda acompanhado por cinco seguranças e mora em um condomínio de luxo à beira da Represa de Guarapiranga, equipado com um intricado sistema de segurança, dois campos de futebol, três quadras poliesportivas e lagos para pesca e prática de esportes náuticos. Era lá que, antes de ser preso, ele e Tatto jogavam peladas e faziam churrascos nos fins de semana.

Até a gestão de Celso Pitta, os perueiros rodavam clandestinamente em São Paulo. Foram legalizados na administração de Marta Suplicy. Na ocasião, os motoristas interessados em trabalhar de forma oficial foram orientados a se organizar em consórcios. A prefeitura dividiu a cidade em oito regiões e coube a Tatto, então secretário de Transportes, coordenar o processo de licitação que distribuiu os lotes. Foi pouco antes disso que o PCC se infiltrou no setor. Presos recém-saídos da cadeia viram no mercado de lotações uma alternativa de trabalho promissora. A notícia de que surgia, nas periferias da cidade, um comércio com alto giro de dinheiro vivo logo chegou aos presídios. De lá, integrantes do PCC passaram a associar-se a líderes das cooperativas. Hoje, a organização criminosa está presente em linhas que cobrem, principalmente, as regiões sul e leste da capital.

Na semana passada, por meio de nota distribuída à imprensa, Jilmar Tatto negou que tenha envolvimento com o PCC ou com cooperativas ligadas ao crime organizado. Para ele, seu pedido de prisão tem “cunho político”. Homem de confiança de Marta Suplicy, Tatto foi também secretário de Abastecimento, de Implementação de Subprefeituras e de Governo da ex-prefeita. Seria o seu coordenador de campanha caso Marta tivesse obtido o apoio do partido para disputar o governo de São Paulo. Jilmar Tatto é o penúltimo filho de uma família de dez irmãos – cinco dos quais têm ou tiveram cargos importantes no PT. Arselino Tatto, um dos mais velhos, também foi peça-chave para a administração de Marta em São Paulo. Ele presidiu a Câmara dos Vereadores em 2003 e 2004 e foi, juntamente com Jilmar, responsável pelos acordos feitos com vereadores para a votação de projetos prioritários para a gestão da petista (aquela que, suspeita o Ministério Público, inaugurou a moda do mensalão – distribuição de propina em troca de apoio político). Juntos, Arselino e Jilmar Tatto também respondem por quinze acusações de fraudes e irregularidades administrativas, todas igualmente sob investigação no Ministério Público.

Ao ser solto, no último dia 15, Pandora, cabisbaixo, disse aos policiais ter certeza de que será morto pelo PCC. Seria queima de arquivo. Ele é peça fundamental na investigação que se inicia agora e que representa o primeiro passo para abrir a milionária caixa-preta que é o mercado de lotações de São Paulo, cujo faturamento anual chega a 900 milhões de reais. Saber até que ponto ele já se tornou uma espécie de braço legal do PCC – e, sobretudo, quais são as forças que acobertam essa ligação – será o principal desafio da polícia.

Encerro
Se Tatto perdeu o contato com a área de transportes, talvez possa pedir ajuda aos irmãos Moura. Quem sabe eles conheçam uma turma de bambas que possa contribuir para pôr fim à crise. 

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2014

às 19:22

Haddad agora vai demitir viciado em crack que não trabalhar. É mesmo, é? Não me digam!!!

Cercadinhos de Haddad: estruturas já foram retiradas da Cracolândia pelos próprios viciados

Cercadinhos de Haddad: estruturas já foram retiradas da Cracolândia pelos próprios viciados

E não é que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, decidiu que os viciados em crack contratados pela Prefeitura que não comparecerem ao trabalho serão desligados do programa “Braços Abertos”!? Se bem se lembram, trata-se daquela literalmente estupefaciente iniciativa que garante a um grupo de viciados emprego, salário, casa e comida. E sem exigir deles nada em troca! Não são obrigados a se submeter a tratamento. E, creiam, não se cobrava nem mesmo a frequência ao trabalho. Como a remuneração é feita por dia — R$ 15 por quatro horas —, pagam-se as jornadas “trabalhadas” e fim de papo.

Ora, aconteceu o óbvio: boa parte dos beneficiários não dá as caras e só se aproveita de uma parte do programa: a que garante casa e comida. A renda que conseguem, para financiar o vício, deriva de alguns bicos que fazem e de pequenos delitos. Trabalhar pra quê?

Leitores, prestem atenção: governantes existem não apenas para corrigir problemas, mas também e sobretudo para se antecipar a eles. Ou por que precisaríamos manter a pesada máquina estatal? E eis, então, que se revela um dos principais defeitos da gestão de Haddad: ele está sempre atrasado em relação ao óbvio. Ou por outra: o óbvio chega antes, e ele vem depois.

Quando o petista lançou o tal “Braços Abertos”, escrevi aqui aqui um longo texto apontando suas sete grandes imposturas:
1: O programa de emprego para viciados atingia quase 400 viciados, e se estima em 2 mil o número de frequentadores da Cracolândia;
2: o programa “Braços Abertos” atendia (?) apenas os viciados que resolveram criar uma favela no meio da rua;
3: decidiu-se premiar com trabalho, salário, casa e comida quem ocupou o espaço público na marra para manter o seu vício; os benefícios são superiores aos pagos pelo Bolsa Família;
4: os viciados receberiam benefícios, mas não seriam obrigados a se tratar nem a trabalhar;
5: os viciados têm renda, oriunda ou do trabalho informal ou de práticas criminosas; o dinheiro da Prefeitura seria um suplemento que estimularia o consumo de drogas;
6: se a Prefeitura fornece casa e comida a drogados que criam favelas no passeio público, por que não fazer o mesmo com quem não é viciado?;
7: o Prefeito escolheu o caminho mais fácil e mais barato: financiar o vício em vez de combatê-lo.

Digam-me: era ou não evidente que a iniciativa daria com os burros n’água? Como é que um programa que remunera viciados, sem exigir deles nada em troca, que os sitia numa área em que a polícia não entra, garantindo-lhes casa e comida, pode ambicionar ser de “combate ao crack”? Ao contrário: trata-se de um programa que estimula o consumo.

A última trapalhada do Prefeito na região se deu com as tais grades. A Prefeitura decidiu instalá-las para tentar delimitar o espaço ocupado pelos viciados e pelos traficantes, abrindo caminho, tanto quanto possível, para o cidadão comum poder transitar por lá, já que existem moradores naquela área da região central. Não adiantou! Os ongueiros viciados em viciados protestaram; os líderes — Santo Deus! — dos frequentadores da Cracolândia não gostaram, e as tais grades foram retiradas pelos próprios consumidores de crack, que se transformaram no verdadeiro poder público por ali.

Na campanha eleitoral, Haddad prometeu que daria à Cracolândia uma resposta inovadora. Não se pode acusá-lo de ter traído esse propósito, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2014

às 18:07

Escolas de SP acabam com “O Dia das Mães” e instituem o “Dia dos Cuidadores”. Viva o fim da família, prefeito Fernando Haddad!

Pois é, pois é… Recebi na Jovem Pan a informação de um pai indignado, morador de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Na semana passada, as instituições públicas de ensino em que seus filhos estudam deixaram de comemorar o tradicional “Dia das Mães” para celebrar o inovador “Dia de quem cuida mim”.

O jovem pai, de 27 anos, tem dois filhos matriculados na rede municipal de ensino. O mais velho, de 5 anos, é aluno da EMEI Cecília Meireles, e o mais novo, de 3 anos, do CEI Monteiro Lobato, de administração indireta.

Ele afirma que conversou com a coordenadora pedagógica da EMEI e sugeriu que fossem mantidas as datas do “Dia dos Pais” e do “Dia das Mães”, além de incorporar ao calendário esse tal “Dia de quem cuida de mim”. Ele acha que essa, sim, seria uma medida inclusiva e não preconceituosa. A resposta que recebeu dessa coordenadora pedagógica foi a seguinte: “A família tradicional não existe mais”.

Isso quer dizer que, segundo a moça, família com pai, mãe e filhos acabou. É coisa do passado.

O produtor Bob Furya foi apurar. Tudo confirmado. A assistente de direção da Escola Municipal de Ensino Infantil Cecília Meireles afirmou que a iniciativa de criar “o dia de quem cuida de mim” partiu de reuniões do Conselho Escolar, do qual participam pais e professores e de reuniões pedagógicas entre os docentes.

O pai garante que não participou de consulta nenhuma. Ele assegura, ainda, ser um pai presente. E parece ser mesmo verdade. Para a escola, o fato de se criar “o dia de quem cuida de mim” permite a crianças órfãs, criadas por parentes ou por casais homossexuais que não se sintam excluídas em datas como o “Dia das Mães” ou o “Dia dos Pais”. Para esse pai, no entanto, trata-se do desrespeito à “instituição da família”.

Em nota, afirma a Secretaria de Educação: “Hoje em dia, a família é composta por diferentes núcleos de convívio e, por isso, algumas escolas da Rede Municipal de Ensino decidiram transformar o tradicional Dia dos Pais e das Mães no Dia de quem cuida de mim.”

Não dá! Você que me lê. Pegue o registro de nascimento do seu filho. Ele tem pai? Ele tem mãe? Ou ele tem, agora, cuidadores?

Qual é a função da escola? É aproximar os pais, não afastá-los. O que é? A escola pública vai agora decretar a extinção do pai? A extinção da mãe? A democracia prevê o respeito às minorias. Querem integrar os pais homossexuais? Muito bem! Os avôs? Muito bem! Extinguir, no entanto, a figura do pai e da mãe, transformando-os em cuidadores é uma ideia moralmente criminosa.

Nessas horas, sei bem o que dizem: “Ah, lá estão os conservadores…”. Não se trata de conservadorismo ou de progressismo. Todo mundo sabe que boa parte das tragédias sociais e individuais tem origem em famílias desestruturadas.

Uma pergunta: declarar o fim da família tradicional é o novo objetivo da gestão de Fernando Haddad?

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2014

às 16:55

Haddad e o cercadinho: o bom gerente de um dos círculos do inferno

A situação diz respeito a São Paulo, mas o tema é de interesse de todo o Brasil, para que não se repitam os mesmos erros. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, resolveu implementar um programa absurdo de suposto combate ao crack. Eu sempre considerei, diga-se, que se trata de um conjunto de ações que, a despeito de suas intenções, incentiva o consumo da droga.

O prefeito decidiu contratar viciados para o trabalho de zeladoria na região da chamada Cracolândia. Eles recebem, semanalmente, R$ 15 por dia trabalhado. Não são obrigados a se submeter a tratamento nenhum e ainda têm direito a moradia em hotéis da região, administrados por uma ONG. O nome do programa é Braços Abertos. Só se for braços abertos para as drogas.

Aconteceu o óbvio: com mais dinheiro circulando, o preço da droga subiu e, acreditem, a qualidade média caiu, já que os que têm menos recursos ficam com o produto mais barato, com ainda mais impurezas, o que acarreta efeitos ainda mais nefastos para a saúde.

Haddad, com o apoio de setores da imprensa, transformou a Cracolândia numa área onde a polícia não entra. Virou território livre da droga. Resultado: muitas outras centenas de viciados migraram para lá e passaram a ocupar, definitivamente, o passeio público. Não há mais como transitar por ali sem ser um deles. Os moradores dessa parte da região central estão ilhados e viram evaporar o seu patrimônio.

Agora os iluminados do prefeito tiveram uma outra ideia: instalar cercadinhos onde os traficantes e usuários possam ficar, abrindo, ao menos, a possibilidade de pessoas comuns transitarem por ali. O prefeito explica: “Nós organizamos o território para que não haja obstrução. As pessoas têm o direito de transitar. Às vezes quando você toma uma medida causa uma reação até as pessoas compreenderem. Quando verificarem que é para melhor [a medida], vão acolher a sugestão. Agora, se houver uma outra proposta estaremos abertos. Tudo ali está sendo pactuado”.

Entenderam? A grade significa mais um passo rumo à oficialização da Cracolândia como o território livre da droga. Dentro dele, tudo é permitido, menos a dignidade. “Organizar território”, assim, na expressão do prefeito, significa entregá-lo aos traficantes e consumidores de drogas. E o estupefaciente, leitores, é que há ongueiros reclamando de discriminação, entenderam? Eles querem aquela região definitivamente privatizada pelo narcotráfico.

Parabéns, Haddad! O senhor se tornou um gerente muito dedicado de um dos círculos do inferno. São Paulo continua, agora, à espera de um prefeito.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 19:38

Na Haddadolândia, traficante de crack tem crachá e uniforme da Prefeitura e usa os hotéis pagos com dinheiro público para fornecer pedras aos viciados. Parabéns, Supercoxinha!

A Cracolândia, ou Haddadolância — como passei a chamar o território livre para o tráfico e o consumo de drogas em São Paulo, criado e agora financiado pela gestão de Fernando Haddad —, é um crime moral (e desconfio que em sentido estrito também) cometido a muitas mãos. E boa parte da imprensa as tem sujas também, é bom deixar claro, porque defende um programa delinquente. Peço que vocês assistam a este vídeo veiculado pelo “SBT Brasil”, apresentado por Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade. Volto em seguida.

Então vamos lá:
1: traficante usa crachá da Prefeitura e se finge de consumidor;
2: o acesso aos hotéis em que moram os viciados é livre;
3: o preço da pedra sobe às sextas, quando a Prefeitura faz o pagamento aos viciados contratados, que não são obrigados a se tratar;
4: o tráfico é feito à luz do dia; não teme nada nem ninguém.

Nota-se o esforço da reportagem e dos próprios âncoras para, digamos assim, compreender a natureza do programa da Prefeitura. Mas será que ele tem salvação? É evidente que não!

Desde que o programa “Braços Abertos” foi criado, alertei aqui — e outros também o fizeram — que só mentalidades perturbadas tomariam as seguintes providências:
a: criariam hotéis exclusivos para viciados;
b: aumentariam a quantidade de dinheiro circulante entre eles;
c: ofereceriam benefícios sem exigir nada em troca;
d: tornariam o tratamento volitivo.

O resultado seria um só: a região, que já estava mergulhada no inferno, viraria um paraíso para os traficantes de drogas. E foi o que aconteceu. Eles circulam livremente pelas ruas e pelos hotéis, agora em absoluta segurança. Atenção! Eu já acho a chamada “política de redução de danos” um escandaloso equívoco técnico. Mas isso que faz a Prefeitura petista é outra coisa: trata-se de incentivo a uma atividade criminosa. Nem o “socialista” Haddad consegue extinguir as leis do mercado.

Quando o Denarc resolveu prender um traficante na Cracolândia, vocês se lembram a gritaria da Prefeitura, especialmente de Haddad e de seu, digamos assim, secretário da Segurança Urbana, Roberto Porto, um rapaz que tem amigos poderosos na imprensa, mas que não consegue disfarçar nem assim sua escandalosa incompetência. Faz a linha “coxinha voluntarioso”, a exemplo de seu chefe.

A Haddadolândia, aliás, é um bom exemplo de área em que a droga é legalizada. Se vocês querem saber como fica a coisa, passem por lá. Ali é a terra sonhada por alguns idiotas fantasiados de libertários: já não há pecado nem perdão.

A verdade insofismável é que a Prefeitura de São Paulo passou a ser a financiadora indireta do tráfico de crack em São Paulo. Não só isso: ao transformar aquela área numa zona livre para a venda e o consumo de drogas, passou a fornecer também a segurança com a qual os traficantes sempre sonharam para exercer a sua atividade.

O conjunto da obra é de uma arreganhada imoralidade. Vamos ver quantas gerações serão necessárias para que São Paulo se livre de um desastre chamado Fernando Haddad, a mais perversa das criaturas inventadas por Lula.

E ele já tem outra na manga do colete: Alexandre Padilha — aquele cujo ministério assina convênio com laboratório de fachada, especializado em lavar dinheiro.

Não votei em Haddad, é óbvio. Mesmo assim, fico um tanto envergonhado. Afinal, ele é prefeito da cidade em que moro. Sempre que me lembro disso, é como se eu não tivesse me esforçado o bastante para que não acontecesse.

Sei de onde vem esse sentimento… Até algumas pessoas que votaram nele achavam que seria um mau prefeito. Mas nem os adversários mais convictos imaginaram que pudesse ser tão ruim.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2014

às 6:25

Haddad joga movimento de autointitulados sem-teto contra os vereadores. A ruindade deste senhor ainda vai virar tese universitária!

O prefeito Fernando Haddad não se emenda. Não tem jeito. Ele parece desconhecer o bê-á-bá da civilidade, que se pauta pelo respeito às leis, pela independência entre os Poderes, pela observância das normas democraticamente pactuadas.

Ontem, mais uma vez, movimentos de sem-teto infernizaram a vida da cidade de São Paulo. Na liderança, o tal MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Se trabalham, parece que resolveram faltar.

O que fez Haddad? Poderia, por exemplo, ter recebido uma comissão para negociar. Mas ele estava a fim, como diz a meninada, de “causar”. Desceu de seu gabinete e decidiu subir no caminhão de som dos autointitulados sem-teto. E sabem o que ele fez? Disse que atenderia à reivindicação que eles faziam se a Câmara dos Vereadores aprovar o Plano Diretor. Ou por outra: o prefeito usou o MTST para chantagear e pressionar os vereadores.

E qual era a reivindicação da turma? Que uma área invadida, de preservação ambiental, chamada Nova Palestina, seja destinada oficialmente a moradias. Há um decreto do ex-prefeito Gilberto Kassab que transforma o imenso terreno num parque. Haddad disse que revogaria o texto se os vereadores aprovassem o Plano Diretor. Ora, o que fizeram os sem-teto? Aplaudiram o valente e se dirigiram imediatamente para a Câmara dos Vereadores.

O próprio Haddad entendia que a área, vizinha à represa Guarapiranga e ainda coberta por um trecho de mata atlântica nativa, deveria ser destinada à preservação ambiental. Mas sabem como é… A popularidade do homem está em baixa. Em algum lugar, ele tem de se encostar. E a ordem do PT é se reaproximar o máximo possível dos ditos movimentos sociais.

Assim, vejam que fabuloso: nesta quarta-feira, o senhor Fernando Haddad disse ao MTST que causar severos transtornos na cidade por nove horas vale a pena e merece compensação; estimulou que novas áreas de preservação ambiental sejam invadidas e ainda jogou os manifestantes contra os vereadores.

A ruindade deste senhor à frente da Prefeitura de São Paulo, estou certo, ainda será matéria de curiosidade científica; ainda será estudada nas universidades; ainda renderá teses de doutorado.

Já escrevi aqui mais de uma vez que eventuais confrontos dos movimentos de sem-teto com Haddad são meramente episódicos. Eles são aliados. Ter a PT à frente do Poder Executivo, em qualquer esfera, municipal, estadual ou federal, significa ter o Poder Público refém dos movimentos dos sem-alguma coisa: sem-teto, sem-terra, sem-isso, sem-aquilo. A reivindicação é legítima. Paralisar a cidade para impor uma pauta de reivindicações, não. Mas Haddad, como se vê, estimula a bagunça.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2014

às 4:04

Depois de cortar lápis, caneta e caderno dos paulistanos pobres, Supercoxinha difama uma parte da população da cidade, que seria “pobre de espírito”

Supercoxinha - João Carlos

Agora entendi por que a cidade de São Paulo está assim. Agora entendi por que Fernando Haddad é, provavelmente, o prefeito mais impopular da história com 14 meses de poder. Ele não gosta dos paulistanos. Intimamente, deve estar arrependido da escolha que fez. Estava feliz lá no Ministério da Educação, a maior fábrica de factoides do governo petista. Aí Lula inventou que ele era um bom produto eleitoral. O paulistano bem que resistiu o quanto pôde, mas acabou caindo na conversa. E aí está o homem.

Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito de São Paulo deixou claro que considera a elite da cidade mal educada — e, segundo entendi, ele se dispõe a educá-la. Para Haddad, os paulistanos da elite são “pobres de espírito”. Disse ainda que é uma gente “míope” e que faz carga no Congresso contra a renegociação da dívida.

Santo Deus! Quem decidiu que não levaria adiante o projeto para renegociar a dívida dos estados e municípios foi a presidente Dilma Rousseff, que é do mesmo partido de Haddad. Ela tem a maior base congressual da história. Se não tocou o projeto adiante, é porque não quer ou não acha bom. O que a tal elite paulistana tem com isso?

Haddad deveria dizer a quem se refere, dar os nomes, não é mesmo? O prefeito de São Paulo tentou aplicar um reajuste escorchante do IPTU. Deu com os burros n’água. Duas ações na Justiça acabaram prosperando, e o aumento foi suspenso. Uma é do PSDB; a outra foi movida pela Fiesp, presidida por Paulo Skaf, que é do PMDB, o principal partido de apoio à presidente Dilma. Por que, então, este corajoso Haddad não tromba com Skaf? Porque é politicamente covarde. Eis a resposta.

A verdade é que Haddad já está com o saco cheio de São Paulo. Saibam: um bom prefeito pode até passar por incompetente se tiver contra ele um partido como o PT e a imprensa. Acontece. Mas o contrário é muito difícil: é pouco provável que um incompetente passe por bom prefeito. E Haddad é de uma incompetência assombrosa.

Há dias, este gênio da política e do marketing houve por bem diminuir de 41 para 22 os itens do material escolar que a Prefeitura distribui a seus alunos. Cortou dos pobres caneta, lápis e caderno. Seu secretário de Educação tentou explicar: as donas de casa estariam fazendo lista de supermercado com os cadernos. Entendi. Pobre não sabe usar adequadamente essas coisas.

No Ministério da Educação, era fácil mover os tanques e fingir que alguma coisa estava acontecendo. Em 2012, como fruto da gestão Haddad, o analfabetismo voltou a crescer na comparação com o ano anterior. Foi a primeira vez que isso se deu em 15 anos. Analfabetos são as pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. A taxa era de 8,6% em 2011 e passou para 8,7% em 2012. Parece pouco? Isso significa 300 mil analfabetos a mais. No exame do Pisa, o Brasil obteve o 58º  lugar numa lista de 65 países. Mas é possível que até ele acreditasse na cascata de Lula de que era o “melhor ministro da educação que este país já teve”.

Na Prefeitura, o estoque de truques é muito menor. Saliva não tapa buraco de rua. Saliva não aumenta o número de ônibus nos corredores. Saliva não desobstrui o tráfego. Saliva não faz uniforme chegar no prazo. Saliva não melhora o atendimento à saúde. Saliva não constrói creche.

Com o saco cheio de ser prefeito, Haddad decidiu agora atacar os paulistanos.

Ah, sim: ele disse, no entanto, que a capital paulista tem potencial para ser uma Xangai, numa referência à megacidade chinesa. Essa é, aliás, a nova metáfora predileta dos petistas. Alexandre Padilha, que será candidato do PT ao governo, já se saiu com essa, referindo-se ao estado. Aliás, estae é a outra grande ideia do Apedeuta, agora oferecida aos paulistas. A exemplo de Haddad, Padilha também se candidata prometendo mundos sem fundos. Brasil e mundo afora, prefeitos defendem a população das respectivas cidades que administram porque estão sempre pleiteando benefícios para elas seja de outras esferas de governo, seja de instituições multilaterais de crédito. Haddad, o “homem novo”, age de modo diferente. Ele difama uma parcela dos paulistanos.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 19:03

Supercoxinha cria o Dicionário de Paulistanês com o verbete “coxinha”. E o meu?

Supercoxinha - Bernardino

Leio na Folha que a Prefeitura de São Paulo decidiu lançar um “dicionário” de “paulistanês” para turista. Tem lá a sua graça e coisa e tal, mas, obviamente, é uma bobagem. Alguém já teve notícia de viajante que teve dificuldade de se orientar na cidade porque não entendeu esta ou aquela palavra faladas só por aqui? Se houvesse itinerário dos ônibus nos pontos já seria um ganho e tanto.

Descubro que está lá a definição de “coxinha”, a saber: “pessoa almofadinha, mauricinha, engomada ou apelido de policiais”. Sinceramente, nunca ouvi ninguém nesta cidade chamar policial de “coxinha”, mas pode ser… São tantas cidades na cidade, né?

Como vocês sabem, o termo “petralha”, uma criação deste escriba, já entrou para o Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, né? Vejam.

Petralha Dicionário

Ainda não vi o do “paulistanês”, mas sei que não vão incluir “Supercoxinha”, que é como chamo o prefeito Fernando Haddad. Ele odeia o apelido. Numa entrevista, quase babou de ódio quando a jornalista tocou no nome deste humilde escriba (ler aqui). Criei a palavra em homenagem à incrível puxação de saco promovida por setores da imprensa nos primeiros meses de mandato do “homem novo”. Qualquer que fosse o problema, de enchente (no tempo em que chovia…) a espinhela caída, passando por unha encravada e questões transcendentais sobre o futuro, ele tinha uma resposta, ele tinha a solução. Tudo na ponta da língua e resolvido com saliva. Chegou-se até a anunciar a chegada da Nova Aurora quando se atravessasse o umbral do Arco do Futuro… 

Hoje, ele persegue canetas, lápis e cadernos dos pobres. Novo Homem.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 17:56

O gabinete do Doutor Callegari, sob ordens de Haddad, descobriu que pobre faz mau uso das canetas, dos lápis e dos cadernos e decidiu cortá-los! É o socialismo do “Homem Novo”

Haddad na posse: com a caneta que ele está tirando do bolso, assinou a ordem para cortar canetas dos pobres. Afinal, é um instrumento que tem de estar disponível para os que sabem usá-lo com correção

Haddad na posse: com a caneta que ele está tirando do bolso, assinou a ordem para cortar canetas dos pobres. Afinal, é um instrumento que tem de estar disponível para os que sabem usá-lo com correção

Como são pitorescos os petistas!

O prefeito Fernando Haddad, o “Homem Novo”, cortou canetas, lápis e cadernos do material escolar distribuído aos estudantes da rede municipal — material que ainda não começou a chegar, é bom que fique claro, a exemplo dos uniformes, também atrasados. Havia 41 itens no kit, agora reduzidos a 22. Bem, imaginem se a decisão tivesse sido tomada por um tucano. A rede petralha na Internet já estaria acusando a Prefeitura de detestar os pobres, de discriminar os humildes e, claro!, de ser também racista, já que alguém daria um jeito de demonstrar que a maioria dos beneficiários é composta de negros e mestiços. Vocês sabem como funciona a máquina de difamação dessa gente.

Pois bem. Setores da imprensa têm alguns, como posso chamar?, “queridinhos” na gestão Haddad. Roberto Porto, secretário de Segurança, é um deles. Outro é o da Educação, Cesar Callegari — que afirmou à Folha que a Prefeitura pode repor material escolar caso o novo kit se mostre insuficiente. Certo. Ao jornal, deu ainda uma declaração, como chamarei?, estonteante. Leiam.

 Callegari - declaração

Entendi. A pobrada estava deitando e rolando com o farto material que lhe fornecia a Prefeitura. Depois de uma pesquisa profunda, detalhada, meticulosa, os petistas concluíram que as donas de casa estavam usando folhas de caderno para fazer lista de supermercado. Lista de supermercado???

Em que mundo vive o doutor? Ninguém mais faz isso hoje em dia. Os hipermercados estão em baixa — as grandes redes aderiram ao modelo dos mercadinhos — porque não existe mais essa história de lista. As donas de casa vão comprando as coisas aos poucos, ao longo do mês. Mas, para sabê-lo, é preciso conhecer pobres de verdade, não aqueles que aparecem nos manuais petistas.

E parece que noto também uma certa tentação anticonsumista na medida de Callegari. Ao escrever, nesta manhã, sobre as baixarias da petezada contra a médica cubana, afirmei que o PT se mostra homofóbico, falso-moralista, misógino e racista se julgar que isso é episodicamente bom para o partido.

E, como a gente nota, sempre por bons e nobres motivos, pode ser também antipobre. O doutor Callegari acha que, se der menos cadernos, canetas e lápis para o povo, estará contribuindo para a sua educação. Caneta não é pra qualquer um; só para quem sabe usá-la.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 4:27

HOMEM NOVO – Haddad reduz kit entregue a estudantes e corta caneta, lápis e caderno; itens caíram de 41 para 22

Por Fábio Takahgashi, na Folha:
A administração Fernando Haddad (PT) decidiu reduzir a quantidade de material escolar entregue uma vez por ano aos cerca de um milhão de alunos da rede municipal paulistana –dos ensinos infantil e fundamental. Na primeira etapa do fundamental (1ª a 6ª séries), por exemplo, as crianças recebiam 41 itens. Agora, são 22.

Foram retirados materiais como as oito canetas esferográficas e os três cadernos universitários (com espiral). A quantidade de lápis foi reduzida de seis para quatro. O kit do aluno foi criado na gestão Marta Suplicy (PT, de 2001-2004). A lista de materiais para 2014 é a primeira desenvolvida pela gestão Haddad, ex-ministro da Educação. A do ano letivo passado havia sido feita pelo governo Gilberto Kassab (PSD). A atual Secretaria de Educação disse que havia desperdício de materiais na relação de compras anterior.

A pasta citou como exemplo as canetas esferográficas para alunos da 1ª à 3ª séries. Nesta etapa, disse, a prioridade é o lápis. Estudantes da 4ª à 6ª séries, porém, também não levarão caneta para casa. A prefeitura disse ainda que parte dos itens cortada do kit dos alunos será enviada no material a ser utilizado coletivamente nos colégios. Ainda no caso das canetas, serão mandadas 300 para cada escola de ensino fundamental (cem de cada cor). Quase metade dos colégios municipais possui de 800 a 1.500 estudantes.

“Não vejo nenhum projeto pedagógico consistente que justifique esse corte de itens”, afirmou a pesquisadora Angela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp.

“Você pode até entender que criança pequena não use caneta. Mas diminuíram os lápis. A criança no fim do ano escreverá com o dedo? E é importante ela ter material para trabalhar em casa.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 16:56

Credo! Haddad acabou com a minha vontade de sambar! Ou: Lênin com samba, suor e cerveja

Supercoxinha em companha de Marta Suplicy no Carnaval de 2012: samba no pé, Lênin na cabeça

Supercoxinha em companhia de Marta Suplicy no Carnaval de 2012: samba no pé, Lênin na cabeça

Como sabem os leitores, no Carnaval, eu dou uma sumida, né? Fico, assim, numa estreita faixa de terra quase firme, entre o mar e a montanha. Até apareço aqui de vez em quando para publicar fragmentos do meu samba-enredo amoroso, mas com menos disciplina do que habitualmente. Neste ano, no entanto, sei lá, eu estava sentindo coisas esquisitas, certa compulsão para sambar… Era me distrair um pouco, e já começava a tamborilar… Nas madrugadas, ao abandonar a cadeira e ir até a cozinha tomar um suco (artificial, claro!, porque é mais fácil…), me pegava sambando, no percurso entre o escritório e a geladeira, com a destreza que vocês imaginam. Então pensei: “É atavismo! Não tem jeito! Eu sou do samba! Sou brasileiro…”.

E já tomava providências para participar do Carnaval de rua de São Paulo. Era assim até havia pouco. Acabei de ler uma notícia na Folha Online que me tirou, mais uma vez, da minha natureza original, carnavalesca e solar. Fernando Haddad, o novo homem, realmente preocupado com questões essenciais à cidade, que dizem respeito a seu futuro, resolveu intervir no Carnaval. Os blocos não poderão ter cordas que os separem do grande público ou abadás — as camisetas que os identificam, que costumam ser vendidas e são uma fonte de receita para a turma que “tiiira o pé do chãããooo…huuuhuuuu”.

O prefeito assinou um decreto em que o Carnaval é descrito como “um conjunto de manifestações voluntárias, não hierarquizadas, de cunho festivo e sem caráter competitivo”. Deus me livre! Se o Carnaval virou esse burocratês esquerdopata, não vou mais. Prefiro frequentar a escolinha dominical do PSOL ou do PCO, hehe.

Bem, como os abadás são fonte de renda para os blocos, daqui a pouco será preciso instituir o Bolsa Carnaval, certo? Faz sentido. Se a cidade estatiza o consumo e o tráfico de drogas — é o efeito prático do tal programa “Braços Abertos” —, por que não estatizar o ziriguidum, o balacobaco e o telecoteco?

Ai, ai… Lá vou eu de novo me esconder entre o mar e a montanha…Eu já estava na fase Massinha II do meu curso de “bumbum, baticumbum, progurundum” quando veio a público esse decreto que acrescenta um pouco de Lênin ao samba, suor e cerveja.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2014

às 1:27

Prefeitura agora nega que rolezinhos vão ser feitos nos estacionamentos dos shoppings. Ah, bom! Haddad decide ainda estatizar os manos e as minas

Não fosse Fernando Haddad ter decidido estatizar os rolezinhos — o PT não suporta a ideia de que as pessoas, na sociedade, possam fazer as coisas por sua própria conta —, essa história já teria acabado. Mas não! Os petistas resolveram meter o bedelho, transformar o assunto num “case” sociológico. Para tanto, colaboraram alguns subintelectuais ainda atordoados pelo mito da luta de classes. E a coisa está aí, durando…

A tese mais original que está em curso, diga-se, assegura que os jovens da periferia expressam o seu protesto por meio da adesão à sociedade de consumo. Entendi. A derrota final da sociedade capitalista, então, se dá por meio da adesão dos pobres ao capitalismo. Uau! Muito interessante mesmo! Então tá bom! Mais original do que isso só mesmo aquele comando revolucionário suicida do filme “A Vida de Brian”, de Monty Python — do tempo em que não se compravam nem se vendiam humoristas… Sigamos com a piada.

Haddad pôs o pagoadeiro Netinho de Paula, seu secretário para a Igualdade Racial, para “negociar” com os rolezeiros e com os representantes de shopping. Negociar exatamente o quê e com quem? Existirá, por acaso, representação formal dos rolezeiros? Não que se saiba. Tudo bem! O PT inventa. Chegou-se a anunciar que os eventos seriam realizados nos… estacionamentos dos shoppings.

Escrevi a respeito. Estranhei a solução. Quem é que teria coragem de deixar o seu carro num estacionamento que vai receber rolezinhos? E os estabelecimentos com garagens subterrâneas? E muitos outros com garagens elevadas, com um parapeito, muitas vezes, não superior à cintura? E as condições de evasão de um local fechado, o que requer aprovação prévia do Corpo de Bombeiros?

A ideia é de uma supina estupidez. Nesta terça, a Prefeitura veio a público para dizer, então, que não é bem assim; que não há nenhuma decisão tomada a respeito. Na verdade, nesta quarta, haverá uma outra reunião com os rolezeiros. Na linguagem do “enrolation”, a secretaria de Netinho afirmou que “a intenção é potencializar a capacidade de mobilização destes jovens para promover ações e campanhas que alcancem positivamente esta parcela da sociedade”. Heeeinnn? Imaginem se algum mano e alguma mina vão a uma estrovenga como essa.

Estuda-se a possibilidade de o rolezinho ser comunicado com antecedência e estar sujeito à concordância das partes, sabem cumé? A Prefeitura quer, atenção, ser a “responsável cultural”, informa a Folha Online, pelos rolezinhos. O que é um “responsável cultural”? Não tenho a menor ideia.

Fico cá a imaginar a necessidade de se criar a “Subsecretaria para Assuntos de Rolezinhos”. Haveria uma agenda. Bom saber, né? Assim, no dia, os consumidores procuram um shopping em que não sejam importunados.

Gilberto Cavalho diria que eu me incomodo como “negros e morenos”. Errado! Os “negros e morenos” dos shoppings da periferia já deixaram claro, revelou o Datafolha, que eles não querem rolezinhos…

Haddad acha que governar é ceder sempre aos grupos de pressão e à gritaria das minorias e que as maiorias são autoritárias pela própria natureza. Até agora, é a figura mais patética que já sentou naquela cadeira. Foi eleito pela maioria dos que votaram.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2014

às 6:53

Fernando Haddad e a “evolução da espécie”

E o prefeito Fernando Haddad segue firme na sua determinação de transformar a Haddadolândia numa zona livre para o tráfico e o consumo de drogas. Indagado se acredita em alguma nova ação policial na área, afirmou:
“Eu sempre acredito na evolução da espécie. O ser humano comete erros, mas novos, não os antigos”.

Está se referindo, claro!, aos policiais. E de uma maneira bem pouco respeitosa, o que também não é novidade. Ele acredita na “evolução da espécie”? Pois é… 

Haddad segue sendo o arrogante e pretensioso de sempre. Esse que aí está é o mesmo que via virtudes no socialismo soviético, que criou os kits gays e que afirmou que Stálin era superior a Hitler porque lia os livros antes de mandar matar os autores.

Eu não acredito é na evolução de Fernando Haddad.

 

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 22:21

Promotor abre inquérito para apurar ação na cracolândia. Ou: Elaine Biasoli — Há quem prefira um homem suave a uma mulher firme

Milhares de moradores e de frequentadores da região central de São Paulo — onde ficava a cracolândia e hoje fica a Haddadolândia — estão tendo aviltados o seu direito de ir e vir; estão vendo seu patrimônio ser fumado nos cachimbos de crack; estão tendo seus filhos e familiares expostos a riscos que não são pequenos. E o Ministério Público fez o quê? Como se sabe, nada. Agora leiam o que informa a Folha. Volto em seguida.
*
O Ministério Público abriu um inquérito nesta sexta-feira para investigar a operação do Denarc (Departamento de Narcóticos) que terminou em confronto, ontem (23), na região da cracolândia, no centro de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a ação ocorreu para a prisão de um traficante. Usuários de droga teriam então jogado pedras e pedaços de pau contra os policiais, que retornaram em cerca de dez carros e jogaram bombas de efeito moral contra as pessoas que estavam no local. “Foi uma ação muito diferente de tudo que já vi do Denarc, fechando ruas e atirando bombas. As operações [do departamento] geralmente são feitas com muita discrição. Agora queremos saber qual a razão. Foi uma ação muito nebulosa, esquisita, estranha”, afirmou o promotor Arthur Pinto Filho.

O promotor afirmou que já pediu as imagens das câmeras da prefeitura na região e os documentos da ação, e marcou oitivas com a delegada Elaine Maria Biasoli, diretora do Denarc, com o delegado Osvaldo Naoki Miyazaki, da Corregedoria, e com o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto. O promotor afirmou que após a apuração deve entrar com “uma ação para que a Polícia Civil fique impedida de praticar ações bárbaras”.

“O que ocorreu com a PM, agora ocorreu com a Polícia Civil”, comparou o promotor se referindo a uma ações da PM, feita em 2012, que gerou uma liminar da Justiça impedindo “ações que ensejem situação vexatória, degradante ou desrespeitosa” aos usuários de drogas.

Confrontos
O governo paulista disse hoje que as operações policiais na cracolândia não devem parar, mas ressaltou que não haverá mais confrontos. “As ações de inteligência continuam. Mas reforçamos, depois de ontem, que se houver a possibilidade de um confronto a operação não deve ser feita”, disse Edson Ortega, assessor do Estado que atua na cracolândia. Ortega visitou a cracolândia no começo da tarde de hoje. Ele estava acompanhado do chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido, e do 1º Tenente Willian Thomaz, responsável pela região da Nova Luz. Segundo Aparecido, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu que ele comandasse mais de perto todas as ações do governo no local.

“Há um cuidado em mostrar que existe sim um empenho por parte do governo na parceria com a prefeitura”, disse. Segundo ele, o governador pretende fazer do confronto de ontem apenas um episódio isolado. “Queremos deixar explícito que vamos reforçar a parceria com a prefeitura”.

Comento
Não gosto do tom do governo de São Paulo — ainda que possa apontar os motivos para ser assim. Como a imprensa é majoritariamente favorável ao programa aloprado de Haddad e comprou a versão vigarista de que o erro, nesta quinta, foi da polícia, busca-se evitar qualquer coisa que lembre confronto, hipótese em que o estado poderia aparecer como o mauzinho, e a Prefeitura, como a boazinha.

Entendo, mas mesmo as escolhas políticas precisam ser feitas com um pouco mais de habilidade. O tom do governo do estado — pelo menos o que vai acima — é defensivo, tímido, timorato, acuado, como se fosse o governador Alckmin a dar dinheiro para viciados em droga. Que eu saiba, ele está oferecendo tratamento, não é isso? “Ah, mas a imprensa não reconhece…” Eu sei. Mesmo assim, é preciso cuidado com as palavras.

“As ações de inteligência continuam. Mas reforçamos, depois de ontem, que se houver a possibilidade de um confronto, a operação não deve ser feita.” A fala é de Edson Ortega, assessor do governo do Estado para a Cracolândia. Então tá! Basta que os traficantes se organizem, então, para o confronto, e a polícia ficará de mãos atadas, certo, Ortega? A partir de hoje, fica definido que a polícia só será dura com bandidos pacíficos. Faz sentido.

Aí diz o promotor: “Foi uma ação muito diferente de tudo que já vi do Denarc, fechando ruas e atirando bombas. As operações [do departamento] geralmente são feitas com muita discrição. Agora queremos saber qual a razão. Foi uma ação muito nebulosa, esquisita, estranha”. Tá. Quantas vezes os agentes do Denarc foram antes cercados com paus e pedras e tratados na porrada?

Abaixo, publico um texto sobre a fala de uma representante da PM no Rio, que explicou por que assaltantes do Centro não estavam sendo reprimidos: segundo ela, não é problema de segurança, mas social e de saúde. O promotor diz ainda que pretende agir para impedir a Polícia Civil de praticar “ações bárbaras”. O que houve de “bárbaro” ontem na operação do Denarc? Cadê as evidências? O Brasil caminha para ter uma polícia que, sob o pretexto de deixar de ser violenta — e não pode ser mesmo, a menos que seja necessário —, terá de garantir a proteção dos criminosos.

Nesse imbróglio todo, até agora, só uma pessoa não tremeu o lábio nem demonstrou a consistência de uma gelatina: a chefe do Denarc, Elaine Biasoli. Temo que ainda acabem considerando que um homem mais suave ficaria melhor no seu cargo…

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 18:55

Os uniformizados do crack da Haddadolândia. Ou: A Dancinha da “Pedra”

A máquina publicitária da Prefeitura agora divulga imagens dos uniformizados do crack da Haddadolândia. Beneficiários do programa Braços Abertos — a Bolsa Crack — aparecerão fazendo dancinhas, felizes da vida; será mostrado o interior, sempre asseadíssimo, claro!, dos hotéis onde estão hospedados. Finalmente, alguém — Fernando Haddad — encontrou a solução que o mundo buscava para resolver o problema das drogas: salário e casa e comida de graça!

Kim Jong-un, o anão tarado que governa a Coreia do Norte, não cuidaria melhor da propaganda — com a diferença de que, lá, a TV é estatal. Huuummm… Em certa medida, aqui também! A outra diferença é que, naquela tirania, as pessoas aparecem chorando, e, em São Paulo, elas aparecerão sambando. É a  Dancinha da “Pedra”.

“Não vai parar com esse assunto, não, Reinaldo?”

Não vou.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 16:25

Haddadolândia: Prefeito de SP diz que seguirá com seu programa aloprado nem que seja “na marra”. Faz sentido! Na essência, ele é ilegal

Bacana o estilo “faço e aconteço” do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Boa parte da população da cidade já percebeu qual é a dele. A avaliação de sua gestão é um bom espelho do seu desempenho até aqui. E olhem que conta com um apoio na imprensa como raramente vi. O programa do governo do estado que trata dependentes químicos é tratado a tapas e pontapés. O de Haddad, que dá dinheiro, moradia e comida para viciados, é considerado uma flor do humanismo. Boa parte dos jornalistas acha que as drogas têm de ser descriminadas porque seria uma questão “de direitos individuais”. Quando o sujeito se estrepa, esses mesmos consideram que o problema é do estado. Sendo do estado, vão mais longe: o dependente se submete a tratamento se quiser. Se não quiser, o Poder Público tem de financiar o seu vício e lhe oferecer condições de uma vida digna. No Brasil, ter tuberculose, uma doença da pobreza, é que é uma merda. Ninguém dá bola para um tuberculoso dos cafundós do Judas. Nem um cubano tem o que fazer com ele porque não é uma doença que se resolve, como disse Dilma, num rasgo poético, com “apalpadas”.

Nesta sexta, Haddad diz que o seu programa seguirá nem que seja “na marra”. Não sei por que tanta testosterona verbal. Quem está impedindo o alcaide de seguir com seu programa aloprado? Outro em seu lugar já estaria enfrentando o Ministério Público, que o chamaria às falas por ter decidido entregar um pedaço da cidade para uma comunidade com, digamos, hábitos muito particulares. É evidente que isso agride os direitos das pessoas que moram e trabalham na região e estão sitiadas. É evidente, é uma questão de funcionamento da economia, que, ao se perenizar na área um público com hábitos tão particulares, virá junto uma cadeia de “serviços” para atender às suas demandas. O resultado é degradação. Os pagadores de IPTU da região estarão dando uma parte dos seus rendimentos para financiar a degradação do seu patrimônio. Chego a ficar constrangido só de escrever a respeito. Nenhum dos bananas que apoiam esse programa gostaria de estar na pele dos moradores do Centro. É uma canalhice moral defender um troço como esse dando um “graças a Deus” por não estar lá.

Mas Haddad diz que vai nem que “seja na marra”. É mesmo? Entendi.
Os viciados terão de aceitar um salário nem que seja na marra.
Os viciados terão de morar de graça nem que seja na marra.
Os viciados terão comida de graça nem que seja na marra.
Os viciados não estão obrigado a contrapartidas nem que seja na marra.

Impedir o trabalho da polícia
A ousadia do prefeito e seus amigos chegou a tal ponto que eles querem agora impedir o trabalho da polícia. É muito impressionante que a imprensa não submeta a fala de Roberto Porto — secretário de Segurança da cidade e homem bom de embargos auriculares com alguns de seus amigos jornalistas — à lógica elementar.

Leio na Folha a seguinte declaração sua: “A prisão de traficantes, ninguém pode ser contra e isso vem sendo feito. Nós temos em média três prisões por dia de traficantes no local, sem qualquer problema”. É mesmo? Ele repete, então, o que disse nesta quinta a chefe do Denarc, Elaine Biasoli. Também a Polícia Civil faz prisões por ali. O que aconteceu de diferente ontem? Simples: os frequentadores da Cracolândia cercaram os policiais, agrediram-nos e depredaram viaturas. Porto queria o quê? A POLÍCIA FOI ATACADA, NÃO ATACOU.

E isso aconteceu no dia em que capas-pretas do petismo passaram por lá: Alexandre Padilha, ainda ministro da Doença e futuro candidato ao governo de São Paulo; José de Fillipi Jr., secretário da Doença da cidade e autor intelectual do “Bolsa Crack”, além do próprio Porto, presente quando o confronto aconteceu. Estou sugerindo que os petistas insuflaram as agressões contra a polícia? Eu nunca sugiro nada. Ou digo ou não digo. E eu estou dizendo que os políticos, ao fazer proselitismo na Haddadolândia, reforçam a percepção dos frequentadores de que aquela é, de fato, uma área em que vale tudo — não submetida, portanto, às leis que vigoram no resto da cidade e do país.

E a coisa vai piorar depois do escarcéu feito ontem. Os próprios policiais, civis e militares, tenderão a se perguntar: “Por que vou me meter nessa roubada? Para que a imprensa caia de pau? Para que a Corregedoria caia de pau? Para apanhar das autoridades da Prefeitura? Para ser visto como espancador de pobre?”. E se tem, então, a espiral de irresponsabilidades. É claro que a perspectiva será de crescimento da Cracolândia, que acabará atraindo viciados de outras cidades e de outros estados.

Alckmin
O governador Geraldo Alckmin também falou sobre o episódio. Afirmou que é preciso parar com picuinhas políticas e que o Denarc estava lá para prender traficantes. Como os policiais foram agredidos, houve reação. E foi o que aconteceu. Nada além disso.

O problema é enfrentar a máquina de produzir factoides. À Folha, Porto, o dos embargos auriculares, afirmou: “Nós tivemos pessoas atendidas no ‘Braços Abertos’ relatando que foram atingidas por balas de borracha. Eu pude presenciar, na ocasião, policiais civis com a arma disparadora da bala de borracha. Agora se era para somente intimidar ou não eu não posso dizer”. Este senhor é o secretário de Segurança do município. Ainda que os relatos tenham acontecido e ainda que ele tenha visto a tal arma, é visível que ele não a viu sendo disparada. Sem ter em mãos as evidências inquestionáveis, a única postura responsável, para alguém que ocupa o seu cargo, seria se calar a respeito até que surgisse a prova.

A Polícia Civil pode, sim, usar balas de borracha. Mas, segundo o Denarc, não foram empregadas nesta quinta. Ainda que tivessem ou tenham sido, se há uma turba que parte pra cima de policiais para impedi-los de fazer o seu trabalho, é preciso reagir — se for o caso, com balas de borracha. É, diga-se, o que fazem as polícias em estados governados pelo PT. E aí a Al Qaeda eletrônica se cala. Coragem, Haddad! Siga com o seu programa “na marra”, já que, segundo qualquer critério que se queira, ele está mesmo fora da lei.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 18:28

Fernando Haddad vira líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Ai, ai… A pesquisa Datafolha já revelou o que os paulistanos pensam dos rolezinhos, e os mais críticos são justamente os mais pobres. Nem a hipótese do racismo, na qual o PT investiu, se confirmou. Assim como essa coisa toda começou, iria esmorecer.

Mas aí apareceu o prefeito Fernando Haddad no meio do caminho. Escolheu o pagodeiro Netinho de Paula, seu secretário da Igualdade Racial, para negociar com “rolezeiros”, como se fosse possível estabelecer uma representação formal em casos assim.

Depois de uma reunião com a molecada e com representantes de shoppings, ficou acordado que os rolezinhos poderão ser feitos nos… estacionamentos. É mesmo, é? Em quais? Haverá carros no local? Os rolezeiros se espalharão entre os automóveis? Mais: isso vale também para as garagens subterrâneas, sem janelas nem outra área de escape para as ruas?

Assim, a Prefeitura de São Paulo decidiu dar sobrevida a uma prática que estava em declínio e que conta com a antipatia da esmagadora maioria dos paulistanos. Tudo porque o prefeito Haddad não resistiu à tentação de se comportar como um populista vulgar. Aliás, mais de uma vez eu já apontei as características que fazem dele um Jânio Quadros de esquerda. E, como de costume, Haddad tenta ser popular enfurecendo o povo. Um gênio!

Quanto tempo vai durar essa solução que não resolve nada? Se o estacionamento de um determinado shopping passar a ser palco de rolezinhos permanentes, das duas uma: ou se impede a entrada dos carros — e, pois, se espantam clientes — ou se expõem os donos dos automóveis ao risco do prejuízo. E eles desaparecerão do mesmo jeito. Em qualquer dos casos, lojistas e consumidores estarão sendo punidos.

É nisso que dá emprestar uma visão política, ideológica, ao que não passava de uma manifestação mais ou menos irresponsável de quem só queria se divertir, optando por uma prática obviamente incompatível com o lugar escolhido.

O prefeito Fernando Haddad está fazendo um esforço danado para que os rolezinhos sejam mais uma das heranças malditas que ele pretende deixar em São Paulo. O pagodeiro Netinho já conversou com supostos líderes de rolezeiros da Zona Norte. Nesta sexta, é o dia dos da Zona Sul.

Depois virão os da Zona Leste, que concentra as regiões mais pobres da cidade. É lá que os rolezinhos têm o menor apoio da população: apenas 8% segundo o Datafolha.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2014

às 16:11

Haddad, o Jânio Quadros com Marx de quinta e Foucault de primeira na cabeça, faz “visita-surpresa” à Cracolândia

Haddad, o prefeito com coisas estranhas na cabeça, e seu líder espiritual

Haddad, o prefeito com coisas estranhas na cabeça, e seu líder espiritual

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o Jânio Quadros com Marx na cabeça (para gáudio do Complexo Pucusp e de setores da imprensa), resolveu fazer uma visita surpresa à Cracolândia nesta sexta-feira. Atenção! Visita-surpresa acompanhada por jornalistas, entenderam? Pergunta: quando um evento público não surpreende repórteres, surpreende a quem? É preciso cuidado para distinguir jornalismo de propaganda oficial.

Ele foi lá ver o seu belo trabalho. A favela criada no meio da rua durante a sua gestão foi desmontada. Até agora, o grande feito de Haddad na Cracolândia é ter revertido o absurdo adicional gerado por sua própria administração. Mas ele se aplaude e é aplaudido. E como o petista pôs fim à favelinha erguida no meio da rua? Ofereceu salário e comida e moradia gratuitas àqueles que decidiram, digamos, impor a sua vontade, privatizando o espaço público.

Em troca dos benefícios, quatro horas de trabalho por dia mais duas de aulas de reciclagem profissional, mas estas não são obrigatórias. Os poetas das drogas são contrários a que se imponha qualquer procedimento aos dependentes. Quem circulou por lá já viu que os atendidos pelo programa — 80 começaram a trabalhar até agora; 300, dos estimados dois mil frequentadores, serão contemplados — alternam a varrição de rua com o consumo da pedra.

Então é isto: o Jânio Quadros com Foucault na cabeça — para gáudio da nova geração de pensadores boêmios da Augusta — decidiu acabar com a Cracolândia institucionalizando a Cracolândia e, na prática, legalizando o consumo e o tráfico da droga, como querem os bacanas, mas com um suplemento de “progressismo”: a porcaria, por via indireta, é financiada pela própria Prefeitura.

Não existem regras para descredenciar o beneficiário. Ele precisa se tratar? Não. Ele precisa comparecer ao trabalho? Não. Em tese, ao menos, se não for, deixa de receber R$ 15 — o pagamento é semanal. Ele está proibido de consumir crack com uniforme da Prefeitura? Não. O seu trabalho passa por alguma avaliação de qualidade? É claro que não! A pergunta é absurda. Há um prazo para deixar o programa? Evidentemente, a resposta também é não.

Mas Haddad estava lá, firme, prometendo ampliar o programa e cadastrar novos hotéis. A Cracolândia, enfim, na prática, foi expropriada pelo poder público e entregue aos consumidores de crack — e, obviamente, à demanda costuma corresponder a oferta nas melhores e nas piores atividades humanas. Quem tende a lucrar com essa organização é o tráfico.

Programas dessa natureza, uma vez criados, jamais terão fim. Nunca mais haverá a revitalização do Centro da cidade. A região está condenada para sempre a ser abrigo de consumidores de crack — e outras drogas. O que tanto alegra aquela turma com Marx de quinta categoria na cabeça (e Foucault de primeira…) é o fato de o programa referendar, no terreno dos valores, a descriminação das drogas.

E, como se sabe, essa é uma tese considerada, em si, progressista. Mas isso não basta. É preciso também que o conjunto da sociedade financie o vício do dependente. O álcool é uma droga legal e também destrói vidas, famílias, reputações. Por que não um “Bolsa Pinga”? Porque os pinguços pobres não costumam se impor pela força e privatizar áreas da cidade. De resto, a cachaça já foi incorporada pela ordem capitalista, né? O viciado na “marvada” é visto como uma vítima do capital; já o consumidor das drogas ilícitas, para esses “progressistas”, é vítima de sua sede por liberdade… Os caretas pagam a conta.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 17:16

A declaração absurda de Haddad sobre a Cracolândia

O Centro de São Paulo, agora, tem donos oficiais

O Centro de São Paulo, agora, tem donos oficiais

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), é uma piada. Leio na Folha a declaração que ele deu sobre a Cracolândia: “Conseguimos mudar a cara da região em apenas dois dias”.

Santo Deus!

Ele se refere ao desmonte de uma favela que havia sido criada praticamente no meio da rua. Criada, atenção!, na sua gestão, sob os seus olhos, sob os cuidados de seu governo inerme.

Moravam lá cerca de 300 pessoas. Haddad resolveu lhes pagar R$ 450 por mês, com casa e comida de graça. Elas, claro!, acharam um bom negócio. Nem mesmo precisam parar de consumir a droga ou fazer tratamento. Nada disso! O prefeito lhes dará a grana para comprar as pedras — claro, eventualmente, elas podem comprar iogurte.

O resto da Cracolândia segue sendo a miséria de sempre. Mas, para o prefeito, a cara da região já mudou. Faça o seguinte, paulistano: tente transitar ali pela praça Sagrado Coração de Jesus para ver como estão as coisas… Eu estou brincando. Não vá!

A região reúne um público de dois mil dependentes, mais ou menos. Os hotéis de Haddad oferecem abrigo para 300. Atenção! Eles vão dormir lá. Durante o dia, estão circulando pela praça.

E por que o mistificador é tratado por setores da imprensa como um gênio? Em primeiro lugar, afinidades ideológicas. Em segundo, porque a causa de fundo que os une é a descriminação das drogas. Na prática, o prefeito declarou o Centro da cidade uma área livre para o consumo, com patrocínio público.

Parte do jornalismo acha que isso é progressista.

Por Reinaldo Azevedo
 

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