Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

16/05/2013

às 5:03

Virada Cultural – Supercoxinha revoluciona a economia e a administração e mostra que o bom gestor é aquele que gasta mais para fazer menos

Ih, lá vou eu provocar a ira do Supercoxinha, que fica bravo quando falam meu nome. Fazer o quê? Fernando Haddad, prefeito de São Paulo (PT), quem diria? (eu digo!), exibe seu lado demofóbico logo na primeira “Virada Cultural” de sua gestão. E o mais espantoso: Juca Ferreira, o secretário da Cultura da cidade, decide dar aula sobre um evento que já está na sua nona edição. Qual é o busílis?

Leiam trecho de reportagem de Lucas Nobile, Matheus Agenda e Silas Martí, na Folha. Volto em seguida.
*
No ano em que chega à sua nona edição, a festa mais popular de São Paulo abandonou a periferia e se concentrou na região central. A primeira Virada Cultural da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), marcada para este fim de semana, também vai ser menor do que a do ano passado, mesmo tendo o maior orçamento de toda a sua história, R$ 10 milhões. Foram cortados da festa todos os Centros Educacionais Unificados, os CEUs, que no ano passado reuniram 162 apresentações.

No total, 4 milhões de pessoas foram a 790 eventos no centro e 414 em áreas periféricas em 2012. Agora, serão 784 atrações centrais e 226 em pontos distantes. Com um orçamento 33% maior neste ano — foi de R$ 7,5 milhões para R$ 10 milhões —, a Virada diminuiu os eventos em cerca de 16%.

“Tudo que levava à dispersão, a gente reduziu”, diz Juca Ferreira, secretário municipal da Cultura, à Folha. “A Virada não diminuiu. Houve um reordenamento e fortalecimento de certos processos e redução de outros. O conceito da Virada é permitir uma convivência inaudita na cidade, por isso ela não pode se dispersar.”
(…)

Voltei
Esse Fernando Haddad é danado mesmo! No mundo inteiro, governos tentam fazer mais com menos dinheiro. Revolucionário, o Supercoxinha ensina que o certo é fazer menos com mais dinheiro. Seu amor ao povo é, mais uma vez, demonstrado. Na semana passada, decreto do prefeito reorganizou a licitação dos ônibus na cidade. Haddad aumentou a lotação prevista nos veículos. O homem, como sabem, é socialista. Gosta de ver a massa unida, colada mesmo!

Volto à festa do próximo fim de semana. Uma das razões de ser da Virada Cultural é justamente acabar com a ideia de que há lugares privilegiados para a manifestação artística. Não para os reacionários do PT! Como tinha de dizer alguma coisa, nem que fosse uma estupidez, Juca Ferreira mandou brasa: “O que nós não queremos é que a periferia tenha de ficar na periferia. Queremos que as pessoas que moram lá venham até a Virada”.

Trata-se de um conceito velho, ultrapassado, bolorento mesmo, de cidade. Ora, boa parte da periferia vai para as regiões centrais todos os dias porque nelas se concentram os empregos, por exemplo. Uma das coisas positivas da Virada, criada pelo ex-prefeito José Serra (PSDB), é justamente não tratar a periferia como um lugar de onde se deva fugir.

A Virada, agora, é comandada por aquela gente do “Existe amor em SP”, os petistas disfarçados de isentos que seduziram a imprensa paulistana durante a campanha eleitoral. 

O vereador Andrea Matarazzo (PSDB) criticou a mudança: “Acho isso um erro. Eu teria feito como sempre fizeram, para não sobrecarregar o centro”. Matarazzo apresentou um projeto de lei para assegurar a realização da Virada. É bom mesmo. Nesse ritmo, no ano que vem, Haddad gasta o dobro e produz a metade, até extinguir o evento. Sabem como é… A maior festa da cidade não é, afinal de contas, uma criação do PT…

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2013

às 6:31

Sim, existe amor em SP. Mas também existem os picaretas, os embusteiros, os… petralhas!

Este post começa com a reprodução de um verbete de dicionário.

Pois é, leitores… Quando surgiu na capital paulista, no ano passado, o tal movimento “Existe Amor em SP”, tirei um sarrinho aqui. Era gato escondido com o rabo de fora. Estava na cara, ou no rabo, que era que gato. Tratava-se apenas de mais um “movimento popular”, ou “organização espontânea”, ligada ao PT. Informação para o leitor que não é na cidade: o tal grupo se dizia “apartidário” e interessado apenas em impedir a eventual eleição de Celso Russomanno (PRB). Estranhei e ironizei porque não nasci ontem. Esse negócio de “movimento apartidário” contra um candidato em particular era coisa por demais suspeita, especialmente quando o dito-cujo, como era o caso, havia conquistado fatias do eleitorado tradicionalmente petistas. Assim, era evidente que atacá-lo beneficiava o nome petista na disputa, Fernando Haddad.

Criar grupos “apartidários” para intervir no debate público é uma prática que remete aos primeiros dias do partido. Conheço isso como a palma da mão. A rigor, a prática não difere muito da relação que a legenda mantém com os sindicatos que estão sob a sua orientação. Os sindicalistas, nesse caso, não estão principalmente dedicados à defesa da categoria que representam. Ao contrário: podem até lutar contra os interesses objetivos do grupo se, num dado momento, os interesses do partido o exigirem. O PT não está sozinho nessa prática. A UNE, por exemplo, desde a sua refundação, é um feudo do PCdoB. Os sucessivos comandos da entidade estão se lixando para os interesses dos estudantes. O PSOL, bastante presente nas universidades públicas, age do mesmo modo com os centros acadêmicos ou diretórios centrais que conquistam.

Com o advento das redes sociais, emprestar caráter “popular” àquilo que é partidária e ideologicamente orientado se tornou ainda mais fácil. Por quê? Porque a antiga militância, e sei bem do que falo, exigia tempo, dedicação, aplicação à causa. As reuniões só podiam ser feitas com a presença física dos mobilizados. Hoje em dia, não! Basta estar conectado à rede. Dez ou 15 profissionais do partido, pagos pra isso, conseguem criar o movimento de opinião na Internet e marcar uma concentração em algum ponto da cidade a que podem comparecer centenas e até alguns poucos milhares de pessoas. Ou por outra: era mais difícil arregimentar idiotas úteis no passado. Hoje em dia, é moleza.

Pois bem… O tal movimento “Existe Amor em SP” foi tratado pela imprensa paulistana — onde tinha muitos amigos e porta-vozes informais — como uma espécie de “nova voz da cidade”, como uma expressão genuína das ruas. É mesmo? No dia 6 de maio, o blog Política Paulistana, comandado pelo jornalista Diego Zanchetta, do Estadão, dava a seguinte notícia (em vermelho). Volto em seguida:

“O prefeito Fernando Haddad (PT) levou para seu governo alguns dos jovens que organizaram no ano passado o Festival Existe Amor em SP, evento que levou cerca de 10 mil pessoas para a Praça Roosevelt, no centro paulistano. Na época, os integrantes da festa tinham como um dos bordões “Fora Russomano”, então segundo colocado nas pesquisas na disputa das eleições municipais, à frente de Haddad.
Para ser chefe de gabinete de Juca Ferreira, secretário municipal de Cultura, Haddad chamou Rodrigo Savazoni, um dos criadores da Casa de Cultura Digital e um dos principais organizadores do Existe Amor em SP. O prefeito também chamou integrantes de coletivos dedicados à cultura alternativa, como Matilha Cultural, Fora do Eixo e Voodoohop, para ter assentos no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e para conselhos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos.
Pedro Alexandre Sanches, um dos agitadores do evento na Praça Roosevelt em 2012, hoje faz o blog oficial da Virada Cultural. Integrantes dos coletivos de cultura alternativa também vão participar das discussões sobre o novo Plano Diretor, que o governo petista deve encaminhar à Câmara Municipal até o final do ano. Alê Yousseuf, também agitador do Existe Amor em SP, é o curador da virada.”
(…)

Voltei
Há uma correção objetiva a fazer. À época, Russomanno estava em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, e o tucano José Serra estava em segundo. Haddad aparecia em terceiro. Eis aí. O post publicado no blog dá a entender que todo mundo foi cooptado. Neste sábado, Álvaro Pereira Júnior, colunista da Ilustrada, escreveu um artigo a respeito, ironizado essa cooptação. Reproduzo trecho. Comento depois.

Antigamente era o poder que cooptava os jovens, mas neste caso acho que aconteceu o contrário.
Falo da ocupação em massa de cargos na área cultural da Prefeitura de São Paulo por militantes do “Existe Amor em SP”.
Esse movimento, alegadamente apartidário, surgiu na época das eleições municipais. Em tese, apenas combatia a candidatura de Celso Russomanno, sem apoiar ninguém. Em outubro passado, juntou 10 mil pessoas na praça Roosevelt, “para defender a cultura”.
A notícia da adesão foi dada pelo blog “Política Paulistana”, assinado por Diego Zanchetta no portal do “Estadão”. O contra-ataque à nota, como sempre acontece nessa turma superconectada e com bastante tempo livre, foi imediato e em bloco.
Vários dos nomes citados –e outros que trafegam na mesma órbita, que se pode chamar de “indie estatal”– escreveram longuíssimos textos na internet atacando furiosamente a reportagem. Fazem parte desse grupo militantes “full time”, jornalistas, empresários, agitadores culturais etc. Detalhe curioso: nenhuma informação foi desmentida.
A bronca toda é porque eles simplesmente acham muito bossa nova, muito natural, que os participantes de um movimento “apartidário” sejam, poucos meses depois, chamados a trabalhar e/ou colaborar na administração petista.
Que um repórter se atreva a divulgar o fato é, para eles, mais um ataque traiçoeiro, mais uma manipulação da “imprensa golpista”.Percorri o “Política Paulistana”. Pode ser ingenuidade minha, mas não enxerguei nenhum viés antipetista. É um blog sobre administração municipal, com algumas notas favoráveis e outras desfavoráveis à prefeitura. Nada fora do normal.
Entro em terreno perigoso. Se disser que, lendo o “Política Paulistana”, conheci boas iniciativas do prefeito Fernando Haddad, corro o risco de ser chamado de “vendido”, “petralha”. Se eu lembrar que a “Virada Cultural” (evento em que esse pessoal recém-admitido mergulhou e do qual já parece dono) foi criado pelo ex-prefeito José Serra, vou ser carimbado como “direitista”, “reaça”.
Tentando sair desse debate maniqueísta, queria chamar a atenção para outros pontos.
A entrada do pessoal do “Existe Amor em SP” para a administração Haddad vai muito além de arrumar uma boquinha no serviço público. Até porque vários cargos são de participação voluntária e não remunerados. Trazem mais influência que retorno financeiro.
O que ela sinaliza, a meu ver, é a cristalização, também em São Paulo, da ideologia digital-popular das administrações de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério da Cultura. Na fachada, um discurso prafrentex: software livre, videogame também é cultura, Creative Commons e sua visão libertária de direitos autorais. Mas, no alicerce, impera a tese de que não existe vida cultural fora do guarda-chuva estatal ou paraestatal.
(…)

Comento
Tanto Zanchetta como Pereira Júnior cometem um equívoco essencial, embora trabalhem com as informações corretas. Não houve “cooptação” de nenhuma natureza porque nunca existiu, nesse caso, movimento espontâneo. Desde o início, tratava-se de uma atuação de caráter partidário, que assume agora o tom oficial. Os que estão indo para o governo e aparelhos estatais e paraestatais eram os criadores reais de um movimento virtual. Aqueles supostos 10 mil que compareceram à praça eram só a massa de manobra. Essa gente é rodapé da história desde quando era estimulada a enfrentar a polícia do czar, entenderam?

O PT não está se apropriando, sei lá como dizer, do frescor da juventude ou tentando aprisionar nos escaninhos da burocracia a cultura viva da cidade… Besteira! Está apenas pagando o que deve àqueles que estavam, desde sempre, a seu serviço. O movimento “Existe Amor em SP” nasceu tão independente quanto a ONG Rede Nossa São Paulo, comandada pelo lulo-petista Oded Grajew. Apenas se manifestava de outro modo.

Notem que transcrevi com destaque parte do texto de Pereira Júnior. Ele não quer ser maniqueísta e parece considerar que as palavras “vendido” e “petralha” são empregadas por aqueles que compõem um dos extremos do debate. No outro, estariam os que acusam a existência de “direitistas” e “reaças”. Epa! Mais respeito com um vocábulo que já foi parar em dicionário (Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa – Editora Nova Geração). Ele tem sentido, como se vê lá no alto, bastante definido.

Não basta ser simpatizante do PT ou mesmo defender ações de administrações ligadas ao partido para ser um petralha. É preciso também ser um defensor de métodos desonestos. Enganar pessoas de boa-fé, dizendo-se apartidário e interessado apenas no bem da cidade, quando se está fazendo política em benefício de um partido, é, sem dúvida, coisa típica de petralhas.

Noto — uma informação que acrescento à sabedoria política de Pereira Júnior — que os que tacham seus adversários de “direitistas” não são opostos simétricos dos que acusam a existência dos “petralhas”. A razão é simples: aqueles primeiros costumam estar aboletados na máquina estatal, mamando nas tetas do governo. Estes outros não! São pessoas livres, que recusam a trapaça política. Não raro, quem acusa um opositor de “direitista” está apenas tentando ganhar um debate na base do berro e do preconceito. Já os que se opõem aos “petralhas” se opõem, reitero, à mentira, à roubalheira e à corrupção tomadas como método de resistência política. De resto, Álvaro, os que se opõem aos “petralhas” o fazem debaixo de seu risco; os que andam por aí a combater “direitistas” contam com farto financiamento oficial.

Saber que os petralhas existem como força organizada nos protege de determinados equívocos, como ver, por exemplo, cooptação onde há, isto sim, expressão de um método, que não é novo, de captura do estado.

Sem dúvida, existe amor em São Paulo. E não há dúvida de que existem picaretas em São Paulo — petralhas legítimos!

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2013

às 17:51

Supercoxinha tenta agora me comover com ônibus ainda mais lotados. Deve ser para o bem do povo!

O Supercoxinha sempre tentando me comover. Depois que fiquei sabendo que ele baba de ódio quando falam meu nome, eu passei a salivar — que “babar” é coisa de quem está com raiva, né? — de satisfação, hehe. O Estadão Online publica uma reportagem realmente encantadora. Leiam. Volto em seguida.

*
O prefeito Fernando Haddad (PT) publicou no Diário Oficial da Cidade desta quinta-feira, 9, um decreto que reorganiza a licitação dos serviços de ônibus na cidade de São Paulo. A medida já era aguardada, pois os contratos com os atuais operadores dos coletivos na capital vencem em julho, após uma década de vigência. Entre outras disposições, o texto estabelece as diretrizes técnicas que os veículos devem passar a obedecer, como a capacidade de lotação. Todos os tipos de ônibus (existem seis: mini, midi, básico, padron, articulado e biarticulado), com exceção dos mini, terão que poder transportar até seis passageiros em pé por metro quadrado, o limite aceitável segundo a legislação brasileira. Nos miniônibus, menores e mais compactos, a taxa é de até quatro pessoas por metro quadrado.

Chama a atenção, no entanto, o fato de a Prefeitura ter elevado o número absoluto total de passageiros que cada coletivo pode transportar. Em alguns casos, isso aconteceu sem que as dimensões dos veículos tenham sido ampliadas. Antes, de acordo com manuais técnicos da própria São Paulo Transporte (SPTrans), que gerencia o serviço de ônibus na cidade, os ônibus da categoria básico podiam levar até 65 passageiros, entre os sentados, os de pé e os cadeirantes. Agora, a quantidade sobe para 75. Porém, o comprimento do ônibus continua basicamente o mesmo, de cerca de 12 metros.

Já os ônibus articulados, que antes tinham que de dispor de “capacidade mínima de 100 passageiros”, agora poderão transportar, no máximo, de 111 a 171 pessoas, dependendo de seu tamanho, que pode variar 18,6 metros a 23 metros. Os biarticulados, por sua vez, subiram de uma capacidade mínima de 160 passageiros para capacidade total média de 198 pessoas. O comprimento, porém, continua seguindo os velhos parâmetros: de até 27 metros.

Isso revela que, na prática, a lotação por metro quadrado nos horários de pico pode ser maior do que a estipulada pela Prefeitura.
(…)

Voltei
Traduzindo: o Supercoxinha quer ônibus ainda mais cheios. Desconfio que é para o bem do povo. Só pode ser. Até pensei em “afifar” e, pragmaticamente, tentar melhorar o nosso super-herói do Complexo Pucusp. Mas não consigo. Afif acha que só o consenso salva. Eu acho que a democracia se prova é com dissenso.

Baba, baby, baba!

 

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2013

às 17:31

Supercoxinha avisa: “Reinaldo Azevedo não me representa”

Sérgio C., artista dos bons e leitor deste blog, mandou esta charge. Aí se vê o prefeito Fernando Haddad, aquele que baba de ódio quando alguém pronuncia as palavras “Reinaldo Azevedo”. Sérgio C. aproveita essa onda estúpida do “não me representa” — como se a democracia fosse propriedade privada de meia-dúzia de barulhentos — e desenha o Supercoxinha, com cara de mau, a proclamar: “Reinaldo Azevedo não me representa”.

Não mesmo, né? Nem represento nem sou porta-voz, como virou moda na imprensa paulistana quando a notícia se refere a Gugu-Haddad.

PS: Alô, Júlio. O seu desenho está protegido por senha. Não tenho como vê-lo.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2013

às 6:02

Haddad, caricatura de ministro, prefeito e intelectual, baba de ódio quando alguém fala o meu nome e diz que faço bem à esquerda. Então por que o Supercoxinha está bravo? Ou: Vá trabalhar! Agora!

O Supercoxinha como mero mamulengo, no desenho do leitor Boopo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o Supercoxinha, concedeu uma entrevista à revista “Poder”, comandada por Joyce Pascowitch. Falou lá as suas enormidades, como bem quis. Já andei comentando boa parte da paralogem haddadiana e seu fácil falar difícil. Aprendi, lendo a entrevista, que ele gosta muito de usar a palavra “clivagem”, e, segundo o testemunho em off de um assessor, ninguém entende o que quer dizer. Agora as coisas começam a fazer mais sentido para mim…

Haddad está mal acostumado. Há a subimprensa alugada por estatais que fala bem dele para cumprir tarefa — faz parte do contrato informal. Se não é assim, o capilé (capilezão!) para de pingar na conta. E há o que já chegou a ser chamado de “grande imprensa” paulistana que o adotou como uma espécie, assim, de norte espiritual. Vejo coisas inéditas na história do jornalismo destepaiz… Dia desses, o editorial de um jornalão dava conselhos ao prefeito, numa espécie de instrução didática “a um dos nossos (deles)”.

Muito bem! Lá pelas tantas, a entrevistadora resolveu fazer esta pergunta:
Notório por suas críticas ao PT, o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, tem chamado você de Supercoxinha, como um sujeito bom moço que quer ser super-herói. Que acha disso?
Ah, você não vai me perguntar dele, vai? [Irritado.] Não frequento o ambiente virtual dele. Ele é uma caricatura de jornalista, né? Mas acho que para a esquerda é funcional a existência dessa figura. Faz muito bem pro nosso projeto! As pessoas veem o quão patética é a alternativa nesse momento. É como o pastor Silas Malafaia. Os ataques dele à minha campanha foram tão ridículos que acabaram me ajudando.

Voltei
Xiii… Ele ficou irritado comigo, é? Como dizem os jovens, “tipo assim” babar mesmo, é??? Ui!!! De saída, achei engraçado esse negócio de “Reinaldo Azevedo, notório por suas críticas ao PT”… Quando FHC era presidente, também fiz críticas severas ao PSDB, como evidenciam os muitos exemplares da revista que eu dirigia, “Primeira Leitura”. Eu não era um “notório” porque os tucanos não tinham ânimo persecutório; tampouco, que se saiba, alimentavam com dinheiro público uma súcia de caluniadores para atacar o PT, que era oposição, a própria imprensa, que lhe era crítica, e os adversários políticos. Em regimes democráticos, jornalistas não costumam ser “notórios” por criticar o poder. Ao contrário: tornam-se notórios os que se apresentam para ser seus esbirros. No Brasil, como é evidente, há um óbvio processo de demonização da crítica até na imprensa. Nem acho que a entrevistadora fez por mal, não. Mas eu fui mais “notório” quando corrigi uma tradução errada do Vaticano de uma fala de Bento 16 do que por ser crítico da vulgaridade petista… Agora comento a resposta do Supercoxinha.

Ele não frequenta meu “ambiente virtual”, mas me acha uma “caricatura de jornalista”? Como sabe? Isso me remete a uma resposta fabulosa que ele deu quando tentou justificar a distribuição de um livro didático que fazia a apologia do erro — aquele do “nós pega os peixe”, lembram-se? Haddad afirmou, então, que estavam criticando o livro sem lê-lo. Para dar força à sua avaliação, ele resolveu ser didático e se saiu com essa pérola:
“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.

A ignorância militante e influente não se deu conta da enormidade que disse, mas este escriba não deixou barato, não é? Escrevi a respeito. Demonstrei que Haddad considerava, por óbvio, uma “evolução” matar as pessoas depois de ler o que elas escreveram, já que, segundo ele próprio, fuzilar sem ler era uma “involução”. Como bom esquerdista, ele consegue ser judicioso sobre a qualidade dos homicídios e reconhece a superioridade moral de alguns homicidas. Em qualquer país democrático do mundo, um raciocínio vagabundo como esse condenaria o autor à lata de lixo do pensamento. Por aqui, a muitos pareceu até razoável e sensato. Afinal, há quem realmente considere Stálin um sujeito dotado de virtudes — o próprio Haddad deixou entrever isso em livro. Já chego lá.

Noto, no entanto, que no caso em espécie ele decidiu abandonar a perspectiva stalinista e adotar a hitleriana: não me lê, não frequenta o “meu ambiente virtual” (é um estouvadinho, esse rapaz!), mas decidiu me fuzilar mesmo assim. Sou uma caricatura? Ainda volto à palavra. O que estranho é a irritação. Se sou isso, se sou essa coisa tão desprezível, se ele não me lê, então qual é a razão do ódio? Não o ofendo! Não o calunio! Não lhe atribuo nada que não tenha feito! Não o difamo! Não o injurio. Se ele quiser me processar, por exemplo, não encontrará o caminho. Não faço nada daquilo que seus bate-paus na rede fazem com seus adversários. Então qual é a treta? Por que o nervosismo? Volto já a esse ponto. Quero me ater ao bem que ele disse que faço à esquerda.

É curioso! Dia desses, um tucano disse a mesma coisa, sabiam? Como o bicudo não queria sair da sua zona de conforto; como se compraz em ficar puxando o saco de petistas; como gosta de ser considerado um “oposicionista de confiança”, então se saiu com esta: “Esse Reinaldo só ajuda a esquerda…”. Haddad afirma a mesma coisa.

Mais uma dúvida: sendo assim, está reclamando, então, do quê? Se eu faço bem à sua causa, deveria me chamar para tomar um café para a gente combinar os próximos passos da tomada do poder pelas esquerdas. Como? Eu evidenciaria “quão patéticas são as alternativas”? Desde quando eu disputo o poder, Zé Mané? Isso é só mais uma tentativa de me colocar como parte de projetos de poder, a exemplo daquela corriola que lhe puxa o saco na Internet, muito bem calçada com o dinheiro das estatais. A fala também revela uma concepção obviamente autoritária da política. Leiam esta pergunta e esta resposta:

Por falar em paradoxos, sua famosa foto com Lula e Maluf equivaleu a uma queda do muro de Berlim. Ainda faz sentido falar em esquerda e direita?
Nossa! Totalmente. Mas você tem que ver quem está apoiando quem pra entender o movimento que está sendo feito. Não abdiquei de princípios em nome do apoio de Maluf. Recebemos pouco investimento do PAC nesses anos, e muitas coisas dependem do ministério de Cidades, que é o do Maluf.

Ah, deixem-me ver se entendi. A direita que Haddad está ocupado em combater, então, é o Reinaldo Azevedo. Já o Maluf é parte do seu pragmatismo. Perfeitamente! Se o PT estiver no comando, todos os apoios são aceitáveis. Assim, os tucanos só são figuras malvadas porque não aceitam fazer parte da base petista. Se, amanhã, as oposições fossem extintas no país, e todos decidissem ser governo, o Mal estaria extinto. Releiam a sua resposta: ele trata o Ministério das Cidades como propriedade privada do PP de Maluf. Assim, para o bem de São Paulo, claro!, ele fez o acordo. E Maluf, como é de seu feitio, não pediu nada em troca. E sou eu a caricatura?

– Caricatura de político é um prefeito que faz 628 promessas na campanha eleitoral e depois elabora um plano de metas com apenas 100.

– Caricatura de político é um prefeito que, quando chove, fica escondido debaixo da cama para não ver seu nome associado a notícias negativas.

– Caricatura de político é um prefeito que promove uma limpeza urbana que antes tachava de “higienista”, tirando os pobres de circulação, a exemplo do que fez no bairro de Belém.

– Caricatura de político é um prefeito que quer pôr a Guarda Municipal para brincar de fazer ginástica com os endinheirados nos parques e reivindica que o governo do estado mobilize a Polícia Militar contra os pobres, como fez no Belém.

– Caricatura de político é um prefeito que, na prática, tornou irrelevante, para o meio ambiente, a inspeção veicular e que só vai cobrar dos pobres, que têm carro velho.

– Caricatura de político é um prefeito que apela à mendicância para supostamente equipar a CET.

- Caricatura de político é um prefeito que tem a cara-de-pau de anunciar na televisão a doação de dois terrenos para campi da Universidade Federal de São Paulo, como se os ditos-cujos pudessem funcionar amanhã.

– Caricatura de político é um prefeito que anuncia um “Arco do Futuro” feito num escritório privado de arquitetura. E mais caricatura será se tudo sair conforme o planejado, e se elegerem alguns felizardos para serem os beneficiários da especulação imobiliária.

– Caricatura de político é um prefeito que mobiliza seus secretários para desmoralizar a administração que o antecedeu, mas troca abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim com o antecessor porque, afinal, ele é um “aliado de Dilma”.

– Caricatura de político é um prefeito que leva um ex-presidente da República para dar “aula” a seu secretariado, mal escondendo a sua condição de boneco de mamulengo.

– Caricatura de político é um ministro de estado que anuncia que vai pôr fim aos vestibulares das universidades federais e cria o maior vestibular do planeta.

- Caricatura de político é um ministro de estado que permite que se criem os tais kits gays em que tudo está errado: a ética, a didática, a pedagogia, a moral e a matemática, torrando dinheiro público inutilmente.

– Caricatura de político é um ministro que comandou a maior transferência de recursos públicos de que se tem notícia na história para as mantenedoras privadas de faculdades e universidades. Se os bananas não têm coragem de fazer a crítica porque temem cair na boca de sapo do petismo, com medo do eleitorado, eu faço. Não sou candidato a zorra nenhuma, muito menos a ter a aprovação de políticos! Escrevo para os leitores.

– Caricatura de político é um ministro em cuja gestão os universitários não totalmente alfabetizados saltam de 24% para 38% do total.

– Caricatura de político é um ministro em cuja gestão os universitários analfabetos propriamente saltam de 2% para 4% do total.

– Caricatura de político é um ministro em cuja gestão exames públicos que deveriam primar pelo rigor técnico são escandalosamente fraudados.

– Caricatura de intelectual é um sujeito capaz de escrever, em 2004, a seguinte bobagem em livro: “O sistema soviético nada tinha de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do império do capital”. Foi uma pena a burocracia soviética não saber que havia aqui em Banânia um pensador dessa envergadura. Ou a história do socialismo teria sido outra. Dá para entender por que ele proclamava a superioridade de Stálin. Como se vê, o sistema em que, primeiro, liam-se os livros para depois fuzilar os inimigos nada tinha de reacionário. São palavras de Haddad.

– Caricatura de intelectual é um sujeito capaz de escrever este pastiche mequetrefe de um texto de Karl Marx, que só seduz os idiotas que não conhecem a fonte cuja água ele nem bebeu, mas roubou (sim, eu bebi mesmo, mas estava morna e vomitei):
“Sob o capital, os vermes do passado, por vezes prenhes de falsas promessas, e os germes de um futuro que não vinga concorrem para convalidar o presente, enredado numa eterna reprodução ampliada de si mesmo, e que, ao se tornar finalmente onipresente, pretende arrogantemente anular a própria história. Esse é o desafio que se põe aos socialistas. A tarefa, 150 anos atrás, parecia bem mais fácil”.

– Caricatura de intelectual é um sujeito formado em direito que se torna mestre em economia em 1990 com uma monografia cujo título é “O caráter socioeconômico do sistema soviético”. O sistema soviético, no caso, é aquele mesmo que ele considerava uma “alternativa” ao capitalismo ainda em 2004. Haddad estava convencendo seus mestres uspianos sobre o tal “caráter” do sistema soviético, mas o dito-cujo estava acabando. Em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renuncia, e a URSS chega ao fim. Mais um pouco, ele é colhido pelo evento no meio da monografia. A caricatura, no entanto, não gostou, não. Treze anos depois, lá estava ele proclamando a “modernidade” do modelo que antes lia para depois matar…

Concluindo
Haddad não gosta de mim e fica irritado quando alguém pronuncia o meu nome, embora, segundo ele, eu faça bem à esquerda, ainda que diga que não me lê? É só uma taticazinha mixuruca para mobilizar os cães de aluguel.

Este senhor deveria deixar a torre de marfim e andar um pouco mais pela cidade. Os sinais de abandono, especialmente na região central, são evidentes. No domingo, os baixos do viaduto que vão dar na Radial Leste pareciam um Vale dos Caídos, com os viciados tomando as calçadas e se espalhando nas pistas, pondo a própria vida e a de terceiros em risco. Como todo esquerdista caricato, Haddad é bom de papo e ruim de serviço. Como se tornou moda no petismo, ele não quer ser um bom governante; só quer vencer a guerra da mídia. Como todo sujeito de alma totalitária, o fato de a maioria da imprensa lhe puxar o saco não é suficiente. Ele quer a unanimidade.

Relendo música famosa de Chico Buarque, encerro: “Vá trabalhar…”. Dedique-se, Supercoxinha, a administrar a cidade, não a administrar a imprensa e a fazer fofoca de jornalista, como uma Dona Maroca!

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2013

às 19:15

A kryptonita do Supercoxinha

Supercoxinha, segundo o leitor Jeremias no Deserto

Não, meus caros, não esqueci, não! Vocês estão doidos para ver o herói do submarxismo tardio entrar em contato com a kryptonita dos fatos, né?

Vocês me conhecem: primeiro o dever, depois o lazer. Mas vem, claro! Ô se vem! Tenho de falar com algumas fontes daqui a pouco para tratar de temas relevantes. Pô, manter uma média diária de 150 mil visitas dá trabalho. Pensam que as pessoas só se ligam na minha boniteza?

Talvez fique para a noite.

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2013

às 14:48

Ai, que medinho! Supercoxinha não gosta de mim! Cento e cinquenta mil vezes por dia, leitores dizem que gostam! Que peninha!!!

Supercoxinha, o “socialista”, numa charge do leitor Renato

Uuuu… Que medinho! O Supercoxinha não gosta de mim e fica irritado quando pronunciam meu nome! Um leitor me envia o link de uma entrevista que ele concedeu. Tinha acabado de acordar, informa-se lá. Tomou remela por pensamento. Faz sentido para quem, normalmente, toma pensamento por remela.

Ele não gosta, mas diz que faço bem à esquerda. Nunca ambicionei tanto. Se é assim, melhor! Gosto de fazer o bem não importa a quem. Ele revela não frequentar esta página, mas não gosta do que escrevo.

Entendi.

Que bem que a leitura deste blog, no escondidinho, não deixa ninguém com a mão peluda.

Ainda voltarei ao homem que apontou as virtudes do socialismo soviético pouco antes do… fim da União Soviética!!! Um gênio! Um dos intelectuais de mão cheia do PT!

Anotem aí: Fernando Haddad não gosta de mim, mas, numa média de 150 mil vezes por dia, os leitores dizem que gostam. Os desenhistas do blog me mandem, por favor, um desenho do Supercoxinha enfezadinho…

Por Reinaldo Azevedo

11/04/2013

às 4:15

Supercoxinha – Prefeitura de SP, do “homem novo”, agora adere à mendicância companheira

Esta é de lascar! O petista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, prometeu métodos novos para gerir a cidade. Um deles veio à luz ontem: a mendicância. Leiam o que informa André Monteiro, na Folha. Volto em seguida.

Responsável pelo trânsito da maior cidade do país, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tem mesas e cadeiras em estado precário, computadores obsoletos e falta de TVs para uma de suas principais atividades: monitorar os congestionamentos nas vias de São Paulo. O diagnóstico é da Secretaria dos Transportes, que fez uma lista de 96 itens e quase 11 mil produtos para suprir as “necessidades de infraestrutura” de órgãos ligados à pasta e decidiu fazer um apelo por meio do “Diário Oficial”.

A pior situação, avalia a pasta, é da própria CET, que precisa, por exemplo, de 3.179 cadeiras e de 17 televisões, de 22 a 50 polegadas, “especialmente para os setores de monitoramento do trânsito”. “O grande número se justifica pela precariedade que se encontra o mobiliário”, justifica a secretaria. A situação ocorre em um momento de arrecadação recorde com as multas de trânsito na cidade de São Paulo. O crescimento da receita foi de 66% entre 2009 a 2012, atingindo R$ 819 milhões.

O Código de Trânsito Brasileiro diz que os recursos arrecadados com as multas não podem ser desviados para outras áreas, devendo ser aplicados em trânsito — sendo 5% para um fundo nacional. Além de doações para a CET, a secretaria pediu bens para a própria pasta e para a SPTrans (empresa responsável pelo transporte coletivo). Entre os pedidos para a companhia de trânsito também estão 756 computadores e 96 notebooks, para “modernização dos computadores que se encontram obsoletos”.
(…)

Voltei
Evidentemente, Haddad acabará recebendo esses mimos de empresas privadas, dispostas a “colaborar” com a Prefeitura. Trata-se de um troço vergonhoso! Como deixa claro a reportagem, não é que falte dinheiro à área — falta é decoro à Prefeitura. Imaginem se a moda pega…

Esse é o PT. Um dos pilares da proposta de reforma política do partido era (eles ainda voltarão à carga) o financiamento público de campanha. Na sua particularíssima moral, os petistas acham que doar dinheiro a uma candidatura (que pode ser derrotada) é indecente. Mas doar bens estimáveis em dinheiro a uma gestão já eleita é não só aceitável como traduz um modo moderno de governar.

Supercoxinha, no traço do leitor Pedro Ivo

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2013

às 5:00

O “promessicídio” de Haddad – Três meses depois de eleito, Supercoxinha joga no lixo 628 promessas de campanha. Tem tudo para ser o maior estelionato da história da democracia. Mas há “especialista” aplaudindo!

Supercoxinha, no traço do leitor Sérgio C

Que pitoresco!

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o Supercoxinha, é também superespertinho. Vamos ver. O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) acabou quebrando a cara: na campanha eleitoral de 2008, fez 196 promessas, mas, no plano entregue em 2009, incluiu 223 metas. E aí um braço do PT disfarçado de ONG pluralista chamado Nossa São Paulo caiu de porrete nele: “Não cumpriu! Não cumpriu!”. Ao fim da gestão, na contabilidade dos críticos da gestão, ele teria cumprido apenas 55% delas — 122. Considera-se “cumprido” o que está concluído. O ex-prefeito diz que, caso se leve em conta o andamento das demais, esse índice chegaria a 80%.

De tanto ver Kassab apanhar do seu PT, Haddad decidiu dar uma de joão-sem-braço. Na campanha eleitoral, apresentou estupendas 728 promessas — 532 a mais do que Kassab em 2008. Mas, no plano de metas, ele listou apenas… 100!!! Informa Evandro Spinelli na Folha de hoje (em vermelho):
Entre as promessas excluídas estão a reforma dos corredores de ônibus, a ampliação para toda a cidade do programa de proteção ao pedestre e o aumento dos radares para fiscalização do trânsito. Também ficaram fora a instalação de dois novos museus, a criação de um parque tecnológico na zona leste e uma série de obras viárias.

E então? Nunca vi um estelionato eleitoral dessa magnitude com menos de três meses de mandato!!! Ele já está avisando que não vai cumprir o que prometeu. A Folha ouviu “especialistas”. Alguma crítica ao prefeito por ter dado um truque dessa magnitude? Nada! Nenhumazinha! Ao contrário até: sua sagacidade está sendo elogiada. Um sujeito da tal ONG chega mesmo a defendê-lo. Nunca antes na história deste país se viu tamanho “promessicídio”.

Vejam, então, que fabuloso! Se, ao fim de 2016, Haddad tiver cumprido 80 das 100 metas, a ONG Nossa São Paulo, a imprensa amiga e os especialistas poderão anunciar: “Haddad cumpre 80% das metas; Kassab, só 55%”. Ocorre que o criticado Kassab, que realizou 123 obras segundo essa contabilidade, perderá para Haddad, que terá realizado 80. Aliás, se o petista cumprir as 100, esse número continuará inferior a 123.

“Ah, mas depende da obra, né, Reinaldo? Algumas são grandes, outras não são.” Claro que depende! Eu já escrevi isso aqui umas 500 vezes.

Truque número dois
O Plano de Metas do prefeito tem um outro truque fabuloso. Leiam mais um trecho da reportagem, agora sobre o alardeado Plano Viário Sul (em vermelho):
Agora, ele [Haddad] promete “projetar, licitar, licenciar e garantir fonte de financiamento” — mas não construir —  obras do Plano Viário Sul, que inclui, entre outros, o alargamento da estrada do M’Boi Mirim.

Entenderam? Se não conseguir a fonte de financiamento, uma parte ele faz: “projetar, licitar e licenciar”… Pô, já serão 75% do caminho andado da promessa não cumprida, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2013

às 7:15

Supercoxinha lança o PAP em SP: Programa de Aceleração das Promessas

Em quase metade dos parques da cidade de São Paulo, o frequentador tem de fazer xixi no mato porque os banheiros estão sem manutenção. Os homens de negro do prefeito Fernando Haddad (PT) se atrapalharam, e os contratos não foram renovados. Mas que fique clara uma coisa: não é por falta de promessas! A Folha de hoje traz um dado realmente espantoso: as promessas da gestão do Supercoxinha já somam R$ 13,9 bilhões em mero 77 dias. Leiam trecho. Volto em seguida.

Por Giba Bergamim Jr.
Desde que assumiu a prefeitura, há 77 dias, o prefeito Fernando Haddad (PT) e seus secretários anunciaram 13 medidas que custarão ao menos R$ 13,9 bilhões para ser colocadas em prática. As medidas anunciadas incluem promessas de campanha e novos projetos. As promessas englobam a construção de unidades hospitalares, incentivos financeiros a empresários que construírem creches, o Bilhete Único Mensal, entre outras. Por dia, são cerca de R$ 180 milhões em promessas desde 1º de janeiro. Para arcar com os custos, além do dinheiro do caixa do município, a prefeitura pretende recorrer a verba dos governos estadual, federal (em ao menos 5 iniciativas) e de empresas, por meio de parcerias público-privadas. Como comparação, os R$ 13,9 bilhões equivalem a um terço do orçamento da cidade. O valor total é três vezes e meia maior do que o gasto nas obras da 1º fase da linha 4-amarela do Metrô (R$ 3,8 bilhões). Os anúncios se dão num momento em que não há folga nas finanças paulistanas.

Em janeiro, para tentar equilibrar as contas, Haddad determinou o congelamento de R$ 5,2 bilhões do orçamento deste ano, ou 12% da receita prevista. Não foi suficiente: há três semanas, o prefeito determinou que seus secretários cortassem 20% de todas as despesas, revendo contratos. Boa parte das metas é difícil de ser cumprida num único mandato, dizem especialistas ouvidos pela Folha. (…) Nessa conta, devem-se incluir investimentos para a construção do espaço que pode abrigar a Expo 2020, em Pirituba. São cerca de R$ 4,5 bilhões para desapropriação do terreno e construção do centro de convenções. O governo federal já anunciou que dará R$ 680 milhões, e a construção também terá parceria com empresas.

Voltei
Já havia aqui chamado a atenção de vocês para esse aspecto. A cada problema da cidade, Haddad desaparece e manda um secretário seu anunciar uma grande obra, um grande projeto, alguma monumentalidade. E, como se pode deduzir do que vai acima, o homem é doido por fazer obras com o chapéu alheio. Chamem um secretário de Haddad, ele prometerá mundo e fundos, desde que o estado ou o governo federal deem a grana. Aí, convenham, é bolinho, né? Não que eu ache ser possível fazer obra sem dinheiro. Mas o que parece, e é mesmo!, absurdo é que se prometa isso ou aquilo na dependência de outro ente da federação liberar o dinheiro. E se a bufunfa não aparecer? Aí Haddad culpa os outros.

Esse é o melhor método de gestão do mundo. O prefeito entra com aquela cara de bebê chorão indignado, e os outros, com dinheiro. O Supercoxinha criou o PAP: Programa de Aceleração das Promessas.

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2013

às 4:19

A gestão do “novo homem” na cidade de SP: xixi no mato

Ai, ai… Não vejo a hora de vislumbrar o “Arco do Futuro” de Fernando Haddad. Por enquanto, o que se tem, no presente, é xixi no mato nos parques públicos de São Paulo. A gestão de Fernando Haddad, o Supercoxinha que resolve tudo com uma piscadinha, tenta, claro!, culpar Gilberto Kassab, seu aliado, seu amigão. Leiam trecho de reportagem de Eduardo Geraque e Evandro Spinelli, publicada na Folha.Volto depois.

Um usuário, por volta das 13h de ontem, começa a urinar na mata, ao lado do prédio histórico que abriga o único banheiro do Trianon. O sanitário está interditado desde o início do mês “por problemas operacionais”, informa a placa. O mesmo ocorre com o banheiro feminino.  Em menos de 15 minutos, dez pessoas tentaram, em vão, utilizar o banheiro.

Os problemas operacionais em questão atingem 48 parques e são decorrentes de uma falha de gestão. A prefeitura não renovou ou assinou novos contratos com empresas para manutenção, manejo de plantas e segurança. Em algumas dessas áreas, não há limpeza nem guardas. “Alguns problemas vêm desde agosto [ainda na gestão de Gilberto Kassab (PSD)], mas nós estamos há 70 dias no cargo e reconhecemos o problema”, disse Ricardo Teixeira, secretário do Verde e do Meio Ambiente do governo de Fernando Haddad (PT).

Por problemas burocráticos e de gestão, disse, contratos vencidos acabaram não sendo renovados. “Em até 90 dias, no máximo, tudo vai estar funcionando direitinho.”
(…)
Voltei
Então… Haddad, mesmo sendo o Supercoxinha, não consegue conter as águas quando os temporais levam a cidade ao colapso. Embora os petistas sempre tenham culpado seus adversários pelo aguaceiro, a gente sabe que não é bem assim. Já o emporcalhamento dos parques, ah, essa é obra, sim, da nova gestão. A água do céu não é culpa de Haddad; o xixi no mato é.

Supercoxinha, no traço do leitor Boopo

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2013

às 6:31

O tribunal totalitário do sindicalismo gay. Ou ainda: Daqui a pouco, os políticos terão de se ajoelhar diante de Pedro Abramovay, o juiz supremo de um tribunal de exceção

Não vou desistir, não! Os fascistas — vistam vermelho, preto ou rosa — fazem linchamentos morais do lado de lá, eu continuarei, do lado de cá, a lembrar como funciona uma sociedade democrática e de direito. Grupos de pressão agora deram pra fazer das ONGs e das redes sociais verdadeiros tribunais de exceção. As pessoas são julgadas e condenadas sem nem mesmo direito de defesa. E têm contado, sim, com o apoio de amplos setores da imprensa. Raramente tantos foram tão intolerantes em nome da tolerância. Ora, defender a liberdade de expressão daqueles que pensam como a gente é coisa fácil. Stálin, Hitler, Mao Tsé-tung ou Kim Jong-Il não fariam melhor. Quero ver é a defesa da dita-cuja para os que pensam de modo diferente.

Ontem, li nos sites dos grandes portais que o Grupo Gay da Bahia, chefiado por Luiz Mott, resolveu conferir o troféu, atenção para o nome!, “Pau de Sebo” para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para o ex-governador José Serra e para o ministro da Educação Aloizio Mercadante. Eles foram considerados “inimigos dos homossexuais” porque teriam se oposto ao chamado kit gay nas escolas. É uma vigarice intelectual, uma trapaça, uma safadeza — ou os gays estariam imunes a esses males? Nenhum dos três, é evidente, é “inimigo dos homossexuais”. Haddad e Mercadante podem ter muitos defeitos — este, que se saiba, não! Incluir Serra na lista, então, evidencia mais uma vez o rigor intelectual com que opera o tal Mott, professor de antropologia da Universidade Federal da Bahia. Em outras circunstâncias, ele já teve a chance de demonstrar que, como intelectual, é um excelente candidato a animador de auditório… É uma vergonha!

Haddad, longe de ser “inimigo dos homossexuais”, poder ser considerado até mais do que um “amigo”: é um verdadeiro “gayzista”. Foi na sua gestão que se criaram os famigerados kits gays para ser distribuídos nas escolas — a crianças do Ensino Fundamental também. Entre as pérolas que lá estavam, vocês devem se lembrar, havia um filminho que declarava a superioridade da bissexualidade sobre a heterossexualidade porque a pessoa aumentaria em 50% a chance de ter com quem sair no fim de semana. Ainda que se desconte o erro de matemática, sobra a estupidez moral e pedagógica. Seria oferecido a crianças um pega-palavras para identificar o nome da pessoa que está insatisfeita com a sua genitália. Um outro filme defendia que os travestis usassem o banheiro das meninas e que fossem chamados pelos professores por seu nome feminino.  E isso era apenas parte da estupidez. Na gestão Haddad, esse material foi preparado por ONGs e custou dinheiro. Ninguém sabe quanto ao certo. Só não chegou às escolas porque houve uma forte mobilização de parlamentares — especialmente, sim, da bancada evangélica. A própria presidente Dilma Rousseff ordenou que o material não fosse distribuído, o que lhe rendeu o troféu “Pau de Sebo” de 2012. O fato de o Grupo Gay da Bahia ser estúpido também com petistas não o faz menos… estúpido!

Militância cega
O troféu conferido a Serra evidencia a cegueira dessa militância. O ex-ministro da Saúde merecia ser considerado, isto sim, quase um herói — não exatamente da causa gay, mas, se me permitem, de uma causa humanista de especial interesse para os gays. Quando o mundo praticamente não olhava para o problema, ele foi à luta, enfrentou resistências internas, a indústria farmacêutica, uma série de preconceitos e quebrou a patente de remédios que compõem o chamado “coquetel anti-AIDS”. Estruturou aquele que foi considerado pela ONU o maior e mais eficaz programa de prevenção e combate à doença. Milhares de gays — e também de héteros e de hemofílicos — se salvaram em razão desse programa, que, de outro modo, não teria essa extensão. Quando governador de São Paulo, Serra criou o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, um grupo que tem particularidade e que requer tratamento específico.

Por que ele seria, então, “inimigo dos homossexuais”? Ah, porque ele se opôs ao kit gay!  Aí se evidencia a essência totalitária disso que chamo “sindicalismo gay”. Para que alguém, então, possa ser considerado um “amigo” da turma, é preciso que se lhe conceda também o direito EXCLUSIVO de educar as nossas crianças. Ou nada feito! Notem: a essa fatia do sindicalismo gay, o que um governante efetivamente faz em defesa de homossexuais não tem a menor importância. Eles exigem é a comunhão de valores. Dado o seu tamanho, a entidade que mais atende homossexuais pobres vítimas da AIDS é a… Igreja Católica! Mas isso, para essa turma, é também irrelevante. Se a Igreja não amparasse um só doente, mas fosse favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, então ela seria considerada uma entidade “amiga dos homossexuais”.

Essa gente está mais empenhada numa guerra de valores do que propriamente em ajudar os que sofrem. E não veem problema nenhum em sair por aí enlameando reputações. O GGB explica por que o troféu se chama “Pau de Sebo”: “Para mostrar o ridículo de ser inimigo dos LGBT: por mais que queiram espezinhar os gays e destruir o movimento de libertação homossexual, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da intolerância”. É evidente que essa é a versão, digamos, “de família”. Não é preciso ser muito sagaz para desconfiar que, para a plateia de Mott, a graça do “pau” e do “sebo” do título está na ambiguidade… Asqueroso!

Reitero: se Serra jamais tivesse movido uma palha em favor da quebra de patentes e da distribuição do coquetel; se jamais tivesse criado qualquer centro de referência de tratamento de homossexuais, se jamais tivesse salvado uma vida, mas se dissesse favorável ao kit, então ele ganharia um “Triângulo Rosa”, que é o troféu que o grupo confere aos “amigos dos gays”.

Mott, o irresponsável
A irresponsabilidade intelectual de Mott, um “professor” (Deus meu!), não é recente. Ele elaborou uma lista de supostos 100 gays VIPs do Brasil. Este senhor não precisa de fonte, de pesquisas, de nada. Basta-lhe a afirmação desairosa de alguém sobre um desafeto e pronto! Uma carta gentil a um amigo ou uma amiga é o suficiente para que decrete: “É gay”. Até as primeiras décadas do século 20, era comum, em Portugal e no Brasil, que amigos se despedissem em missivas com um “Do teu… Fulano de Tal”. Mott veria coisa ali…  É assim que os poetas Olavo Bilac e Álvares de Azevedo entraram na lista. Também Dom João VI e Dona Leopoldina. Ou Zumbi do Palmares. O raciocínio que ele faz para concluir pela homossexualidade de alguém é mais uma evidência de seu refinamento teórico. Ele acha que Cristo, por exemplo, muito provavelmente era gay. E explica assim: “Ele era delicado com as crianças, sensível aos lírios do campo e nunca se casou. Parece até que tinha um caso com João Evangelista”. 

Esse cara dá aula! É doutor em antropologia! Mesmo com essa ignorância, como direi?, alastrante! 

De novo, Abramovay
Como é que se salta de Mott a Pedro Abramovay, o chefão no Brasil do site de petições Avaaz? Eu explico. Esse petista, ex-secretário nacional de Justiça, é hoje o comandante de uma organização que promove linchamentos online de quem lhe der — e a seu grupo — na telha. Concedeu ontem uma entrevista ao Estadão. Uma entrevista dos tempos modernos: fala o que bem quer, mesmo os maiores absurdos, e não precisa se explicar. Como comandou a petição contra Renan Calheiros, então pode se fingir de promotor do bem público.

O Avaaz recebeu petições, por exemplo, contra os pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano, mas recusou as petições a favor de ambos. A organização tem bastante dinheiro — tanto que já encomenda pesquisa ao Ibope e conta com braços em Brasília. Ele não conta quanto isso custa. Diz não saber. Ele revelou como funciona a coisa. Leiam (em vermelho)

A Avaaz deleta alguns abaixo-assinados, como um proposto em defesa do pastor Silas Malafaia. Qual o critério para deletar ou bloquear algumas petições?
Abramovay - O critério mais utilizado, e foi o caso da petição do Malafaia, que se tornou um caso bastante conhecido, é quando alguém da comunidade reclama. Porque a gente vê a Avaaz como um movimento, não é uma rede social, não é um espaço neutro, ela é um movimento que tem princípios. Quando uma parte dessa comunidade diz que essa petição vai contra o princípios do movimento, a gente faz uma pesquisa entre os nossos membros, perguntando, para uma amostra aleatória e por critérios cientificos, se isso representa a vontade dos membros. A gente tem três milhões de membros no Brasil, e pergunta: Vocês acham que essa petição deve continuar ou deve ser retirada? No caso do Malafaia, 77% das pessoas disseram que ela deveria ser retirada, e foi por isso que ela foi retirada.

Mas se a maioria decidisse que a petição teria que ficar, ela ficaria?
Fica.

O Malafaia, assim como o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), atual presidente da Comissão de Direitos da Câmara, disseram que vão processar vocês por terem apagado a petição deles.
Isso mostra que de fato essas manifestações têm tido um efeito político grande, isso é positivo. Mas acho que qualquer tentativa de se reprimir, judicialmente ou não, movimentos políticos, acho que é muito complicado para a democracia. De qualquer maneira, a Avaaz está muito tranquila, existem regras claras na política da publicação e retirada de petições que estão no site. Do ponto de vista do risco jurídico, a gente não vê nenhum risco nessa forma de conduzir esse movimento (…).

Voltei
Mott é professor de antropologia, e Abramovay, de direito. Vejam que grande democrata é esse rapaz: a “maioria” que conta para saber se alguém será ou não demonizado sem chance de defesa é a maioria formada pela turma, entenderam? São os juízes. Juízes que, como ele revela, não são “neutros”.

Assim, Abramovay, que se quer a voz da sociedade — basta ler a entrevista para constatá-lo —, não quer saber, de fato, o que pensa a maioria, mas o que quer a maioria da minoria que ele representa. Com ela, ele mobiliza a imprensa (como se vê), o Congresso, as redes sociais… Quisesse mesmo ser um reflexo da sociedade, ele permitiria que as petições fluíssem sem censura. As pessoas fariam, então, suas escolhas livremente.

Não com ele! A “democracia” deles guarda incrível semelhança, embora sejam mais sofisticados, com a de Hugo Chávez: fazem o que quer a “maioria”, desde que estejam excluídos, em princípio, os adversários.

Ah, sim: vocês notaram que, até agora, não existem mobilizações contra a presença de João Paulo Cunha e José Genoino na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Juntos, eles  somam 17 anos de cadeia…

Ao comentar, peço-lhes, por favor, moderação, equilíbrio, bom senso, tudo o que esses fascistas não têm.

Texto originalmente publicado às 5h14
Por Reinaldo Azevedo

11/03/2013

às 6:39

Atenção, paulistanos! Se vocês querem ver a cara de Haddad, terão de esperar a seca. Ou: Chuva mata mais dois na cidade, mas prefeito nem sabe nem viu

Mais um Supercoxinha no desenho do leitor Sérgio C

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, o Supercoxinha, está achando chato administrar a cidade de São Paulo. Dá muito trabalho! Tanto é assim que, nas enchentes, ele não mostra a cara, não! Fica bem escondido. Mas gosta de conceder entrevistas no gabinete para fazer digressões sobre assuntos que não são de sua alçada. Na concedida ao Portal G1, disse estar preparando um “mapa da violência” da capital. É uma mistura de pretensão, arrogância e baixo proselitismo político. A Prefeitura não dispõe de instrumentos para tanto. De resto, se petista fosse bom em segurança pública, o Brasil não seria um dos países em que mais se matam no mundo, com destaque para os estados governados pelo partido de Haddad.

Nessa mesma entrevista ao G1, no fim do mês passado, exaltando a suposta eficiência da Prefeitura no trabalho de prevenção às enchentes, afirmou: “Em São Paulo nós tivemos transtornos com as chuvas mas nós não tivemos vítimas (…)Na Grande São Paulo, morreram 20 pessoas em função das chuvas. Na cidade de São Paulo, isso não aconteceu em função do trabalho da Defesa Civil. Como observou, no dia seguinte, o jornal Agora, já havia, então, um morto e dois desaparecidos. Reproduzo trecho:
“Um dos mortos pela chuva é o motoboy Edmilson Souza dos Santos, 35 anos. Durante um temporal no dia 1º de fevereiro, ele dirigia seu carro quando foi arrastado pela correnteza do córrego Zavuvus, em Cidade Ademar (zona sul). Seu corpo foi encontrado dois dias depois às margens do rio Pinheiros.”

Vamos botar a lógica para funcionar. Se, segundo Haddad, não havia mortos em razão da competência de sua gestão, constatada a existência de morte, então fica evidenciada a… incompetência.

Mais mortos
Bruna Santos, de 14 anos, foi arrastada anteontem à noite por uma enxurrada na rua Vergueiro. Ficou presa debaixo de um carro. Marcelo Furlan, de 36, ao ouvir seus gritos, tentou salvá-la. Os dois morreram. Haddad deveria vir a público, seguindo, reitero, a sua própria lógica, para declarar a incompetência da sua gestão, certo?

O Supercoxinha segue protegido por setores da imprensa paulistana que nunca deram trégua a prefeitos. Enquanto pessoas desaparecem nas enxurradas, Haddad se refugia no conforto do gabinete. Não se vê a cara dele. Está esperando o período da seca para aparecer. Seus secretários é que falam, geralmente para atribuir as dificuldades, é claro, à gestão passada.

Vi dia desses que Gilberto Kassab, seu antecessor e hoje seu aliado, pretende se candidatar ao governo de São Paulo. Deve ser para fazer bancada, puxar voto, essas coisas… Dada a demonização de sua gestão, que segue a todo vapor, as coisas vão se complicar para o ex-prefeito ainda mais. Se ele não sabe, informo. Basta um jornalista passar assoviando, e eis que surge alguém ligado à gestão Haddad para fornecer um “estudo” sobre o caos que teria sido herdado pelo PT… Será que isso também faz parte de alguma estratégia do próprio Kassab que a gente ainda não entendeu? Vai ver…

Bem, se os paulistanos querem ver a cara de Haddad, terão de esperar o período da seca. Até lá, ele ficará dando entrevistas no gabinete sobre assuntos que não são de sua alçada. Se há pessoas desaparecendo na enchente, ele não sabe nem viu.   

Por Reinaldo Azevedo

01/03/2013

às 19:24

Coisas de um novo tempo – Prefeitura de São Paulo cometeu homicídio culposo

Agora entendi. Há um “homem novo” na Prefeitura de São Paulo, que é Fernando Haddad. E há também um procedimento novo. Só que ele pode matar! A fachada de um imóvel em obras desabou na Avenida Liberdade, na noite desta quinta Matou uma pessoa que passava na calçada. Leio na Folha que a Prefeitura sabia do risco. Reproduzo um trecho do texto:

“Uma vistoria feita pela Subprefeitura da Sé no local há 10 dias mostrou que havia perigo de a fachada do imóvel cair sobre a calçada e a rua. A informação é da própria subprefeitura. De acordo com a gestão Fernando Haddad (PT), o responsável pela obra foi intimado a fazer a segurança imediata do local sob o risco de ter a obra embargada.”

Tá. Não sei se entendi direito, mas acho que sim. O Poder Público foi lá e constatou: “Ó, esse troço todo pode cair sobre a calçada. Dá um jeito aí, ou eu volto e embargo a obra”. E pronto! Os homens de Haddad se mandaram. A coisa poderia ter parado por aí. Mas houve sequência. A estrovenga veio abaixo e matou Marco Antônio dos Santos, de 50 anos. Ele não tinha nada a ver com a história. Foi apenas vítima da irresponsabilidade alheia — de quem tocava a reforma e do poder público.

Na TV, diga-se, ouvi a fala de um representante da subprefeitura. Afirmava, eloquente, que o prédio parecia uma casca de ovo, só com a estrutura aparente; lá dentro, disse, estava tudo oco. E estava mesmo. Só que a administração sabia.

Esse é o procedimento de um “homem novo” na Prefeitura. Então se sabia do risco de aquilo tudo vir abaixo — e isso significava que pessoas poderiam efetivamente morrer —, e o Poder Público não interditou o local? Lamento! Trata-se, quando menos, de um caso de homicídio culposo: a Prefeitura não foi negligente com o objetivo de matar, mas a sua negligência, é evidente, concorreu para a morte de Marco Antônio. Ao não impedir a circulação de pessoas pelo local, a administração decidiu correr o risco de matar. A família pode e deve pedir indenização ao poder público.

Para encerrar: a região em que se deu o desabamento é cercada de faculdades. Por ali transitam milhares de estudantes. A morte de um homem, em razão da negligência oficial, é um absurdo em si. Mas poderia ter havido uma tragédia.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2013

às 16:23

De novo, as águas não obedeceram aos desígnios dos comandados do Supercoxinha

Acima, o Supercoxinha do leitor “Jeremias no Deserto”

Pergunta aos chargistas: o Supercoxinha sabe nadar? Acho que não! Meia hora de chuva, e novo caos na cidade. Mas ele não fala sobre o assunto nem mostra a cara. Seus assessores preferem pautar a imprensa falando no ouvidinho. Chegou a hora de a minha Musa das Galochas investigar as bocas de lobo, num trabalho aplicado de jornalismo investigativo. É o que se fazia nas gestões, Kassab, Serra e até… Marta! Na era do Supercoxinha, as águas viraram pretexto para prosopopeias.

“Está culpando o Haddad pela enchente?” Não! Mas eu também não culpava os outros prefeitos, certo?  Estou perguntando por que a diferença de tratamento. Que há algo estranho, isso há. Nunca a cidade alagou com tanta rapidez. Não! Não se trata de nada místico, não! Deve ser boca de lobo entupida mesmo!

Coragem, minha Tétis!

Daqui a alguns minutos, o Supercoxinha arruma uma pendenga qualquer com o governo Geraldo Alckmin e ganha uma reportagem positiva do valente jornalismo paulistano, que, em matéria de Haddad, contesta a favor como ninguém! Ah, sim: “Ei, Jilmar Tatto, hora de fazer mais 387 promessas, até o ano de 2099″.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2013

às 6:21

No dia seguinte aos caos em SP, Supercoxinha aparece como superpoderoso, tentando ditar ordens ao governador e ameaçando donos de veículos de cidades vizinhas. Que medinho dele!

Supercoxinha, no traço do leitor Sérgio C.

Oba! O Supercoxinha, Fernando Haddad, ganhou manchete da Folha de S. Paulo na linha machão que dá murro na mesa. O rapaz que some a cada trovão aparece tonitruante na manchete da Folha, em duas linhas: “Haddad pressiona Alckmin a criar inspeção veicular em todo o estado”. É isso aí. O prefeito de uma cidade acha que pode impor uma solução ao governador do estado. Deve ser a força dos seus 1.776.317 votos (no primeiro turno) contra os 11.519.314 de Alckmin… Ah, tenham paciência! Leiam trechos da reportagem  de Evandro Spinelli. Volto em seguida.

*
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), cobrou ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que a inspeção veicular ambiental seja implantada em todo o Estado ou pelo menos na região metropolitana. Ontem, ao apresentar projeto que muda regras da inspeção, Haddad disse que, caso o Estado não implante a vistoria estadual, ele irá exigir que veículos licenciados em outras cidades e que circulem pelo menos 120 dias por ano na capital sejam obrigados a fazer a inspeção. O controle será feito, segundo Haddad, por meio dos radares que fiscalizam o cumprimento do rodízio, que têm sistema de leitura de placa.

Para o prefeito, o objetivo é “estancar a sangria” de recursos públicos. A Secretaria de Finanças tem estudo que aponta que a cidade pode perder R$ 1 bilhão em quatro anos por causa da inspeção. Veículos estariam sendo licenciados fora da cidade para fugir do teste -com isso, a cidade não recebe o IPVA. “Estamos criando um desequilíbrio na região metropolitana e sem ganhos ambientais. A cidade não pode ficar sem creche, corredor de ônibus, hospital, porque ficamos sozinhos na defesa do ambiente”, disse Haddad.
(…)

Comento
Haddad inventou um problema que não existia, encalacrou-se e agora tenta encontrar um ombro amigo — ou melhor, adversário — para dividir o problema.  Gostaria de ver expostas essas contas para saber se a cidade perde mesmo R$ 250 milhões por ano por causa da inspeção. Isso é chute de quem está a fim de criar um caso político. E dos mais grotescos! O sujeito vai ter a dor de cabeça de licenciar o carro em outro município por causa de uma taxa anual de R$ 44,74? Ora… Há casos de licenciamento em outra cidade? Ha, sim, mas deve ser por outros motivos. Motoristas que moram na divisa com São Caetano, São Bernardo, Guarulhos, Mauá ou Osasco —  E EU CITEI APENAS 5 DOS 21 MUNICÍPIOS QUE FAZEM FRONTEIRA COM SÃO PAULO — podem escolher essas cidades por comodidade.

O tom demagógico da fala de Haddad é inequívoco: “A cidade não pode ficar sem creche, corredor de ônibus, hospital, porque ficamos sozinhos na defesa do ambiente…”. Ulalá! Tudo isso com o suposto R$ 1 bilhão em um ano — e, ainda assim, se verdade fosse?

O projeto para a inspeção nas demais cidades está na Assembleia. O que ele quer? Que o governador mande cercar o Parlamento estadual? Ora…

Quem demonizou a inspeção, que era ambientalmente adequada, foi o PT, foi Haddad, foi a sua campanha. Nada poderia ser mais petista do que isto: o Supercoxinha foi à televisão, atacou a vistoria e prometeu que iria acabar com ela. Agora que armou a opinião pública contra um procedimento correto, quer que o governador Alckmin arque com o custo político de implementá-la em todo o Estado.

Parabenizo, de todo modo, o prefeito de São Paulo. No dia seguinte aos caos provocado pelas chuvas — mesmo com as águas já domadas pelo petismo e escoando com mais rapidez do que antes, segundo um secretário seu —, ele ganha uma manchete da Folha em  que posa de Supercoxinha, podendo ditar regras ao governador, opondo seu 1,7 milhão de votos aos 11,5 milhões do outro. É uma gente boa de marketing. “Quantidade de voto agora é mérito, Reinaldo?” Quando um prefeito tenta dar ordem ao governador, passa a ser, ué!

De resto, eu adoraria ver Haddad a impor taxas a moradores da região metropolitana do estado. Se o sujeito não pagar, ele faz o quê? Apreende o veículo? Manda prender? Fuzila? Proíbe a entrada na cidade?  

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2013

às 17:49

Vinte minutos de chuva, e o caos se instala em São Paulo. Mas fiquem tranquilos: na gestão do Supercoxinha mudo, tanto as águas como o jornalismo têm consciência social…

Bastaram vinte minutos, se tanto, de uma chuva forte — bem distante do dilúvio; já se viram coisas bem piores em duração e intensidade —, e o caos se instalou em São Paulo. Viram-se barcos circulando no Vale do Anhangabaú. A cidade colapsou. Não procurem Fernando Haddad. O Príncipe Mudo, por óbvio, não fala. Daqui a pouco, seus secretários saem por aí a afirmar que tomaram todas as providências, que “a cidade” se comportou bem, que a culpa é das administrações passadas — segurando a tentação de acusar diretamente Gilberto Kassab porque Dilma Rousseff não deixa e vai precisar do PSD…

Jilmar Tatto, o secretário de Transportes, vai fazer mais umas 35 promessas — e pelo menos uma duas renderão a matéria principal dos cadernos de “cidades” dos jornais paulistanos. Na sexta, viu-se desordem semelhante. Chico Macena, secretário de Coordenação de Subprefeituras, o mais, como direi?, divertido dos secretários do Príncipe Mudo, deu um declaração fabulosa à Folha: “Minha avaliação é que as águas escoaram mais rápido do que anteriormente, e a limpeza foi realizada. Nós limpamos 90 mil bocas de lobo desde que o prefeito anunciou um plano de prevenção das enchentes”.

Rende um tese de pós-doutorado sobre discurso político. Parece que as águas, sob a gestão petista, adquiriram uma inédita consciência social… E, como o prefeito mandou limpar os bueiros (fica a impressão de que isso nunca tinha sido feito…), então o caos transcorreu na mais absoluta normalidade.

É evidente que…
É evidente que não estou culpando os petistas pelas enchentes — eles é que têm o hábito de transformar tragédias, mesmo as naturais, em política. Estou é identificando um comportamento de marketing diante da chuva e informando — é informação mesmo! — que os setores antes tão vigilantes da imprensa paulistana agora deram para praticar indignação a favor, desenvolvendo um estilo muito peculiar, que eu classificaria de “oficialismo de contestação”.

Podem reparar: é raro o texto que trate dos problemas da cidade que não tenha, digamos, uma “pegada” de longo prazo, sobre a necessidade de reorientar o desenvolvimento, redescobrir a cidade, mudar o eixo sei lá do quê… Quando os não petistas estavam no poder, era pau puro. Agora, a enchente está sendo vista como parte de um processo, entendem?

Buzinaço (sei lá por quê, essa gente acha que buzina espanta as águas…), sirenes, gritaria… É a cidade “viva” — ou a “viva a cidade”, como vejo pichado por aí — se manifestando. Como na Teogonia de Hesíodo, antes da chegada do PT ao poder, reinava o Caos (o deus sem tempo, sem antes nem depois). Agora, a história começou!

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2013

às 4:10

Vistam o pé de pato e o escafandro! O Supercoxinha sumiu!

Tenho leitores no Brasil inteiro — e fora também —, e falar sobre a realidade paulistana pode parecer bairrista e coisa e tal. Os frequentadores deste blog sabem que o bairrismo mexe com os meus instintos mais primitivos. Já escrevi aqui que não sou nem brasileiro nem paulista. A rigor, não sou nem mesmo dois-correguense. Eu sou é da Fazenda Santa Cândida, onde nasci, no meio da estrada… Comento algumas coisas sobre a cidade de São Paulo porque, afinal, elas se passam bem aqui. Há mais: a capital paulista não está sendo governada exatamente por um político, mas por um projeto. Fernando Haddad é uma espécie de tese — primeiro, de Lula; depois, de amplos setores da imprensa paulistana, que o adotaram. Criei até um personagem para ele, o Supercoxinha. Ler os jornais paulistanos chega a ser engraçado. As promessas do prefeito — construir piscinões, enterrar fios, fazer corredores de ônibus — viram manchetes de página, ainda que ele não tenha prazo para cumpri-las. De toda sorte, o nome do prefeito sempre é evocado como aquele que resolve tudo. Cheguei a convidar os leitores para que fizessem desenhos e charges do Supercoxinha. Vejam, a propósito, o trabalho enviado por Boopo . Volto depois.

Voltei
Tem chovido muito na cidade de São Paulo, com os transtornos conhecidos. A imprensa sempre foi implacável com o prefeito de turno, pouco importando se ele estava no poder havia dois dias, dois meses ou dois anos… Quando menos, buscavam-se as evidências de que o trabalho de prevenção não havia sido bem feito, de que faltara eficiência nessa ou naquela área etc. Maluf, Pitta, Marta, Serra, Kassab… O rigor era, digamos assim, ecumênico. Até a chegada do Supercoxinha! A coisa mudou.

O PT, vamos convir, é bom de marketing — e tudo fica mais fácil quando se conta com a simpatia do jornalismo. A cidade ficou algumas vezes debaixo d’água, mas Fernando Haddad desapareceu. Segue, nesse particular, os passos da presidente Dilma Rousseff. O marqueteiro João Santana criou para ele a figura da Rainha Muda — é aquela que não fala porque austera demais, mas que distribui broncas, exige competência, dá murro na mesa se preciso. É uma construção de Santana, que também cuida da imagem de Haddad. O Supercoxinha, o Príncipe Mudo, zela por nós. Como não quer correr o risco de associar a sua imagem às enchentes, mobilizou seu secretariado para sair por aí distribuindo culpas.

Leiam trecho de uma reportagem publicada na Folha na sexta-feira. Retomo em seguida:
A gestão Fernando Haddad (PT) concluiu que a cidade teve um bom comportamento em relação ao temporal que alagou ruas anteontem. Segundo sua assessoria, o prefeito avaliou que a resposta da cidade foi “boa” e que ele não falaria sobre isso.

A chuva de cerca de 90 minutos deixou mais de 80 pontos de alagamento -metade intransitáveis-, ilhou pessoas em bairros da zona oeste e causou pane em semáforos. Mas, na visão da gestão Haddad, os problemas foram resolvidos rapidamente devido ao trabalho de prevenção.

“Minha avaliação é que as águas escoaram mais rápido do que anteriormente, e a limpeza foi realizada. Nós limpamos 90 mil bocas de lobo desde que o prefeito anunciou um plano de prevenção das enchentes”, disse o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena.
(…)

Retomando
Com a chegada de Haddad ao poder, surgiu uma personagem nova na política — e, acreditem, na imprensa: “A cidade”. Até 31 de janeiro, a capital paulista era fragmentada. A imprensa e as esquerdas peroravam sobre as desigualdades e as várias “São Paulos” dentro de São Paulo. Isso mudou. Agora, temos uma nova prosopopeia influente: “A cidade” — e bem-comportada!

Haddad, vê-se ali, não fala sobre o assunto. Chamem-no para a hora do aplauso. Problema é com os outros.

Mas nada é comparável a esta fala: “Minha avaliação é que as águas escoaram mais rápido do que anteriormente, e a limpeza foi realizada. Nós limpamos 90 mil bocas de lobo desde que o prefeito anunciou um plano de prevenção das enchentes”.

Todas as gestões anteriores limpavam bocas de lobo, é claro! Ocorre que, agora, com o PT no poder, “as águas escoaram mais rápido do que anteriormente”. Na cidade que “se comporta bem”, o aguaceiro da enchente também adquiriu uma nova moralidade.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2013

às 5:25

O secretário de Haddad que fala javanês. Ou: Divirtam-se com a história do repórter que tenta saber o que o entrevistado não sabe explicar: Ou: O Arco do Futuro terminou na calçada da padaria

O arquiteto Fernando de Mello Franco, secretário de Desenvolvimento Urbano da cidade de São Paulo, concede uma entrevista à Folha desta sexta. Há tempos, confesso, não me divertia tanto lendo jornal. Quando vi, reagi como o jacaré da piada que espera entrar na festa do céu e exclamei: “Obaaaa!!!”. Acho que, desta vez, eu entendo o que é o tal Arco do Futuro, o grande projeto com que Fernando Haddad seduziu a intelligentsia paulistana, em especial o jornalismo do eixo Alto de Pinheiros-Vila Madalena… Finalmente, Fernando Mello Franco iria explicar, pensei, alguma coisa, e eu poderia começar a formar uma opinião…

Mas quê… Mello Franco está querendo roubar no meu coração o lugar reservado a Marina Silva, que vence todos os concursos que faço para ver quem mais consegue falar sobre o nada com aparência de profundidade, despertando nos  interlocutores a suspeita de que, se não compreenderam, idiotas são eles. Não, não foi desta vez que eu entendi o que é o tal “Arco do Futuro”. O secretário também faz uma revelação realmente surpreendente: o tal Arco depende de grana do governo do Estado e do setor privado. A Prefeitura não tem. Seja lá o que for que Haddad tenha prometido, foi com o chapéu alheio.

Não deixem de ler na íntegra a entrevista feita por Mario Cesar Carvalho, que, na introdução, dá um bule de chá de presente a Mello Franco, afirmando que “O Arco é uma tentativa de reinventar São Paulo: visa levar empregos para a periferia e trazer moradores para o centro, entre outras metas.” Nada menos do que reinventar São Paulo. Isso certamente quer dizer — e não pode querer dizer outra coisa — que aquele troço que começou em 1554 não serve mais. Quatrocentos e cinquenta e nove anos depois, Haddad é o novo Padre Anchieta, e Mello Franco, o Manoel da Nóbrega. Quem cuida dos indiozinhos, tadinhos!, é o padre Júlio Lancelotti… Mas vamos lá. Estou ansioso para reproduzir as palavras do arquiteto, que é professor da USP.

O repórter também quer saber o que é o Arco. É natural! Até dá uma mãozinha para o professor e já embute parte da resposta na primeira pergunta. Não estava preparado, acho, para um embate de natureza, como direi?, ontológica. Leiam (perguntas sempre em vermelhito). Vou de azul.

Folha – O Arco do Futuro busca criar empregos na periferia e reocupar o centro. O que dá para fazer em quatro anos?
Fernando de Mello Franco -
O Arco está iniciado a partir do momento em que a gente o revela. O primeiro passo é toda a revisão da parte regulatória. Isso será feito no primeiro ano.

Se você, em algum momento, nestes 39 dias, sentiu algum arrepio a lhe percorrer a espinha, não tendo sido algo mais prazeroso, leitor, era o começo do Arco, que se manifestava como coisa em si. O que o arquiteto quis dizer é que definir o que é o Arco corresponde a diminuí-lo, entende? Preencher o Arco com conteúdo, com obras, com coisas, amesquinha a sua essência.

Nessas horas, o repórter fica aflito, qualquer um: “Caramba! Não tenho nem título nem lead por enquanto. Vou tentar de novo”. E Carvalho tenta. Vejam que divertido:
Que tipo de mudança?
A revisão do plano diretor, com novo zoneamento e código de obras. O Arco não é um conjunto de obras, é uma visão estratégica de como a gente pode usar o território. Ao identificar um território estratégico, o plano busca ver não como a gente transforma a cidade com viadutos e avenidas, mas como renovar as formas de uso desse espaço. Por isso o plano é tão abrangente. No entanto, ele será pontuado por projetos estratégicos que possam ser equacionados em uma gestão.

Não estava lá nem pretendo ser um narrador onisciente. Mas, cá na minha narrativa, brinco de captar o fluxo de consciência do repórter, que já vislumbra o desastre: “Isso não vai acabar bem. Vou escrever o quê? Já sei: ‘Secretário diz que Arco do Futuro é uma visão estratégica’. Não funciona! Que tal ‘Para secretário, Arco não são obras’? Mas então é o quê, pô?  E isto: ‘Secretário diz que Arco renova formas do uso de espaço’? Fica parecendo tese do Departamento de Geografia da USP.” Mesmo um repórter entusiasmado com o Arco (especialmente quando souber o que é) fica um tanto impaciente. Carvalho emitiu quatro sílabas:

Que projetos?
Há um programa de requalificação da área central que tem a habitação como uma perna estruturante. É um convênio entre a prefeitura e o governo do Estado e vai colocar de 12 mil a 28 mil unidades de habitação de interesse social na área central.

Ah, mas essa não é aquela proposta que já estava e está em curso, uma parceria iniciada pela gestão anterior com o governo do Estado? É, sim! O Arco do Futuro tem ao menos esta coisa positiva, concreta mesmo: um programa do… passado! Na entrevista, ele deixa claro que espera que o governo do estado dê a grana. A Prefeitura não tem. Haddad só promete a mágica. Depois será preciso usar a varinha de alguém. Carvalho, ainda sem título, ainda sem lead, ainda sem saber, como qualquer pessoa, que diabos vem a ser o tal Arco do Futuro, tem sede de detalhe. Tenta de novo:

Que tipo de intervenção urbana será feita na periferia?
Não é para colocar uma escola aqui, uma creche ali e um campo de futebol acolá. Queremos organizar os equipamentos existentes em redes e concentrá-los de forma que eles passem a ser elementos de estruturação dos bairros. Na nova versão que está sendo pensada dos CEUs [Centros Educacionais Unificados], ele surge da articulação das estruturas preexistentes. Estamos estudando 18 núcleos que partem de estruturas esportivas para serem transformados em CEUs.

Quando você pergunta a alguém o que pretende fazer, e ele começa a responder o que pretende não fazer, é batata: ele não sabe é o que fazer. Se as palavras têm sentido, ele está dizendo que não haverá obras novas e que as velhas vão passar por uma “releitura”. Parece que saímos da ontologia para o campo da semitótica. A coisa tá feia. “Cadê o título”, pergunta-se o repórter nesta minha narrativa. A gente vê que Carvalho tem certa ânsia não de monumentalidades, de projetos faraônicos… Certamente não! Mas alguma coisa relevante, qualquer uma… Como não rendeu nada até agora, vai para a micropolítica, a nanopolítica.

A prefeitura vai passar a cuidar das calçadas?
A gente tem de mudar o cotidiano mais banal das pessoas, fazer essa cidade ficar aprazível. Tem de requalificar as calçadas. O caminho até a padaria é fundamental. Há estudos, sim, sobre o enterramento da fiação. Isso é fundamental para se fazer uma arborização significativa, porque os fios impedem as árvores de crescer.

“O caminho até a padaria é fundamental.” Como disse o poeta, “Nunca me esquecerei desse acontecimento/ na vida de minhas retinas tão fatigadas”. No caminho da padaria tinha uma calçada. Tinha uma calçada no caminho da padaria… Atenção, leitor! Lá no começo, Mario Cesar Carvalho anunciou que o Arco do Futuro quer reinventar 459 anos da história. E eis que estão falando de enterrar fios e do caminho até a padaria…

Há outras perguntas que não reproduzi, vejam lá. Se entenderem o que é o tal Arco, vocês me contam — ou comecem a cobrar pela informação. Caminhando para o fim, Carvalho consegue, finalmente, o lead e o título, quase arrancados a fórceps:
Em frente ao seu escritório há uma pichação que diz: “O urbanista de São Paulo é o capital”. Dá para mudar isso?
O investimento da prefeitura é baixíssimo. É evidente que a gente vai depender de um pacto com as forças do capital. A questão é como operar projetos de investimento de forma que o poder público possa se apropriar de parte do ganho gerado.

Hein? Ganho gerado exatamente com quê? E, sim,  folgo em saber que, para tirar o plano do papel, seja ele qual for, é preciso contar com as “forças do capital”. A expressão parece indicar algo, assim, mais denso do que a inciativa privada. Bem, Carvalho conseguiu o título ao menos, e isso é o que importa: “Arco dependerá de parcerias, diz secretário”. A sede de dados do jornalista ainda não estava plenamente aplacada. Encerra com uma pergunta direta:
Dá para se ter uma ideia de quanto o Arco custará?
A questão não é de onde vem o investimento, mas como a gente captura o ganho gerado por ele. Em títulos negociados na Bolsa, as parcerias podem gerar mais de R$ 5 bilhões.

Como? A questão não é “de onde vem” um investimento que ainda não existe, cuja fonte é desconhecida porque as parcerias para o que quer que seja essa estrovenga nem existem? Encerro com um concurso, aberto a todos os leitores, inclusive aos petralhas, que podem acionar seus especialistas. Se alguém explicar o sentido desta frase — “Em títulos negociados na Bolsa, as parcerias podem gerar mais de R$ 5 bilhões” —, merecerá o pódio reservado aos gênios da raça.

Não! Mais um dia termina, e outro começa sem que a gente saiba o que é esse tal “Arco do Futuro”. Seja o que for, depende de dinheiro do governo do estado e das “forças do capital”. Embora eu não faça parte dessas forças, mas sendo um fanático da iniciativa privada, fico mais tranquilo em saber que “em títulos negociados na Bolsa, as parecerias podem gerar mais de R$ 5 bilhões”.

Não me lembro se Mello Franco estava naquela reunião que Lula fez com Haddad e com secretários para dar algumas ordens. Está na hora de o Apedeuta baixar na Prefeitura de novo. A primeira medida é proibir que os secretários do Supercoxinha falem javanês.

Por Reinaldo Azevedo

05/02/2013

às 20:18

E prossegue a saga do Supercoxinha. Agora ele ganha primeira página para o que promete entregar em… 2016

E prossegue a saga do Supercoxinha, que é o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad quando dotado dos superopoderes que passaram a lhe atribuir setores da imprensa paulistana. O homem é visto como um portento. Obras planejadas por outros e com financiamento já acertado são atribuídas à sua iniciativa. Promessas de que vai fazer isso e aquilo são tratadas como obras realizadas e ganham grande destaque.

O Estadão desta terça reserva a primeira página do seu caderno de Cidades à promessa de dois corredores de ônibus: na Avenida dos Bandeirantes e na 23 de Maio. O texto está aqui. Destaco alguns trechos da reportagem de Caio do Valle (em vermelho), com comentários em azul.

Importantes eixos de deslocamento do transporte individual na cidade de São Paulo, as Avenidas dos Bandeirantes e 23 de Maio devem ganhar nos próximos anos corredores de ônibus expressos (com espaço para ultrapassagens e maior distância entre paradas). A intenção da Prefeitura é facilitar a mobilidade entre as regiões da capital. Se o cronograma oficial for mantido, a licitação sairá ainda neste ano e as obras começarão em 2014.
Embora a luta de classes tenha morrido de inanição teórica, ela foi ressuscitada pela imprensa que cobre a área de transportes em São Paulo. Qualquer um que tenha passado pela 23 de Maio sabe que ali se encontra uma das maiores concentrações de ônibus de São Paulo — e, pois, a via não é apenas “um importante eixo de deslocamento do transporte individual”, como relata o texto, com esse estilo que funde a a burocracia técnica com o ímpeto militante. Aliás, se corredor foi viável ali, só o é porque é um importante eixo do transporte coletivo, pombas! Que vem a ser o exato contrário da Avenida dos Bandeirantes, onde essa modalidade de transporte é pequena. O que justifica o corredor numa via prova a desnecessidade do corredor na outra. Mas quem se importa? Sigamos.

Na sequência — o link vai acima para quem se interessar —, ficamos sabendo de todas as promessas e antevisões de Jilmar Tatto, secretário de Transportes, que demonstra como os corredores serão modernos, antenados com o que o há de melhor no mundo etc e tal. Mais um trecho.
(…)
São Paulo tem atualmente 130 km de corredores e 29 terminais. A meta da gestão Fernando Haddad (PT) é fazer 150 km de corredores de ônibus e 13 terminais até o fim de 2016. O corredor da 23 de Maio deve ser entregue em três anos.
Certo! Estamos em 2013, o projeto só fica pronto no fim do ano, e a obra, se feita, só será entregue no ano da eleição. É… O mundo muda! Às vezes, para melhor; às vezes, para pior. Não há uma regra nisso. Quando eu comecei na imprensa, uma promessa a se realizar num prazo de quase quatro anos mereceria uma nota de rodapé. Na Folha dos anos 90, por exemplo, seria uma pilulazinha em colunões laterais que a redação apelidou então de “Veadão” (pronunciava-se “viadão” em português castiço). Por que esse nome? Porque havia a exigência de que os tais colunões tivessem sempre uma frase, um número, uma estatística, uma fotinho emblemática (não lembro os quesitos todos). Aí alguém mandou ver: “Ah, tem de ter esse colunão com essas veadagens…” E virou “Viadão”. E se ouvia: “Quem faz ‘Viadão’ hoje?” Essa seria uma notinha típica daqueles colunões. Algo assim:

2016
é o ano em que Haddad promete entregar

o corredor da 23 de Maio

Como os tempos mudaram, para pior nesse caso, promessa vira a principal reportagem a depender de quem a anuncie. Se o político não é do tipo que goza de prestígio na redação, mesmo a obra realizada é noticiada já debaixo de porrete. O agora neogovernista Gilberto Kassab, quando prefeito, se fizesse chover maná, seria confrontado com as opiniões da ONG petista Nossa São Paulo. Como se trata do Supercoxinha e como ele, até agora, não fez nada, uma reportagem vale por um canto de glória.

Vejam o caso da internação involuntária ou compulsória dos drogados. Os nossos valentes militantes nas redações estão desesperados em busca de um “gancho negativo” para dar porrada no que é um programa em ação, não uma promessa, do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Dia desses li que uma família teve de esperar por cinco horas (!!!) até ser atendida. É que a equipe de atendimento, vejam que absurdo!, teve de sair à cata do dependente químico, que estava perdido na cidade… Até parecia ser culpa do Estado! Na Folha, Laura Capriglione noticiou: “Filha dopa pai (não confundir com “filha do papai”) para garantir internação compulsória em SP”. Entenderam a picardia irônica? Um programa contra a dependência estaria estimulando o doping com drogas legalizadas… A patrulha só parou de defender o suposto direito que as pessoas têm de se drogar e de privatizar o espaço público quando o médico Drauzio Varella deu uma esculhambada técnica nas burrices que estavam sendo ditas por aí.

Mas volto aos milagres do Supercoxinha. Numa outro texto, informa-se que a 23 de Maio também terá ciclovia — e se ouve, claro!, uma “cicloativista”, representante dessa nova categoria política, mental, moral, social e ética. Nunca antes na história destepaiz uma minoria foi tão paparicada — depois conto uma historinha encantadora do cicloativismo… A coisa agora é assim: quem anda de carro — e quem o compra, correspondendo ao estímulo do governo para manter os empregos — é só uma besta reacionária, preocupada com o “transporte individual”. Um “cicloativista” não! Um cicloativista é, antes de tudo, um visionário.

Outra nota para o colunão
150 km
é quanto Haddad diz que fará de

corredor de ônibus. Até 2016.

Uma nota no “Viadão”. Não mais do que isso!

Abaixo, mais um Supercoxinha, este do leitor Bernardino.

Por Reinaldo Azevedo
 

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