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Fernando Haddad

08/12/2014

às 6:21

A piada da gestão Haddad agora na educação. Ou: Há o que ele promete, e há o que ele faz!

A gestão do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), é uma piada. Tão sem graça como a propaganda oficial, que vi ontem à noite na TV, com um monte de atores andando de bicicleta nas ciclofaixas. Eis aí: as de verdade — essas que vemos nas ruas, com aquele vermelho-amarronzado já todo descascado, em meio à buraqueira — são desertos de bom senso que cortam a cidade, conduzindo ninguém do nada para lugar nenhum, enquanto motoristas são espremidos nas ruas, e proprietários veem desvalorizar seus imóveis. Só há um lugar em que ciclistas efetivamente usam a estrovenga inútil: na propaganda.

É isto! Existe um Fernando Haddad para consumo publicitário, que conta com a enorme boa vontade de amplos setores da imprensa, e existe a gestão de verdade. A distância é imensa. O mais recente estelionato político se dá na educação. Vamos ver.

Reportagem desta segunda, da Folha, informa que “os estudantes das escolas municipais de São Paulo serão aprovados de série mesmo que tenham nota vermelha em todos os bimestres”. A afirmação é do secretário de Educação, Cesar Callegari. Lembra ainda a reportagem: “Na prefeitura, uma das principais medidas adotadas por Fernando Haddad  na educação foi aumentar o total de séries em que o aluno pode ser retido. Até então, a reprovação poderia ser feita apenas em duas das nove séries, no sistema chamado de ciclos. Passou a ser em cinco séries, a partir deste ano letivo”.

Nem vou entrar agora no mérito da polêmica aprovação automática. Há argumentos razoáveis contra e a favor, e deixarei isso para outro post. O estelionato é que é inaceitável. Haddad foi eleito prometendo mais rigor no sistema de promoção dos alunos, fazendo da possibilidade maior de reprovação uma bandeira. Só para que o leitor tenha tudo muito claro: quem introduziu a chamada promoção automática no país foi a Prefeitura de São Paulo, na gestão da então petista Luíza Erundina, quando Paulo Freire era o secretário de Educação, cercado por aquela reverência burra que tão bem caracterizava a sua atuação. Dali saltou para o Estado e para quase todo o país.

Embora a “inovação” tenha as digitais do PT, Aloizio Mercadante fez do ataque à promoção continuada uma de suas bandeiras na disputa pelo governo de São Paulo, em 2010. Haddad recorreu ao mesmo expediente em 2012. E, como se vê, sua gestão aplica agora o contrário do que prometeu. Sabem por quê? Porque a reprovação de alunos custa mais caro, requer mais prédios, mais salas de aula, mais professores, trabalho de reforço etc. Haddad prometeu, também na educação, o que não podia entregar.

Informa a reportagem: “Uma professora que leciona na zona norte disse, sob condição de anonimato, que as reuniões no começo deste ano com os dirigentes indicavam que haveria liberdade para reprovar alunos. Agora, porém, a recomendação é que se reprove menos de 10% das classes, independentemente da situação dos estudantes”.

Será que eu quero reprovação em massa? Eu não! Só cobro do prefeito que tenha um mínimo de compromisso com a propaganda que fez. 

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2014

às 21:06

A São Paulo de Haddad sem retoques nem maquiagem ideológica

Vale a pena ler o artigo do vereador Andrea Matarazzo, publicado na Folha desta quinta. O retrato que faz da cidade de São Paulo, sob a gestão Fernando Haddad, surge sem retoques.
*
Fernando Haddad é um homem de sorte. Em sua primeira campanha, foi eleito prefeito da maior cidade do país prometendo muito, contando com a popularidade de seu padrinho político e com o desgaste de seu antecessor. No cargo, contou com a complacência dos que antes eram rigorosos fiscais. Com sua gestão ideológica, conseguiu o apoio de ONGs e grupos que atazanavam os mandatários anteriores.

Deu sorte mais uma vez ao governar em um período de seca histórica –a falta de chuvas encobriu sua inexperiência e o livrou do desgaste das enchentes. Quando parecia que as finanças estavam no fundo do poço, ganhou da União a aprovação da renegociação da dívida, que lhe dará fôlego para fazer obras que possam levantar sua popularidade.

Sorte do prefeito, azar dos munícipes. São Paulo nunca esteve tão abandonada. Trancado em seu gabinete, o prefeito não vê os problemas que se acumulam. Ruas esburacadas, mato crescendo, semáforos a piscar em amarelo a cada garoa, lixo acumulado. A cidade não tem zeladoria. Essa é a realidade que a pintura de faixas vermelhas no chão não consegue esconder.

A última surpresa com que os paulistanos foram brindados foi a volta da cracolândia. Por ingenuidade ou incompetência, o prefeito imaginou que dar hospedagem e subempregos aos dependentes químicos pudesse tirá-los do vício.

Impossível dar certo pretender que os dependentes vivam e trabalhem no ambiente do tráfico. Haddad restabeleceu a cracolândia de 2004, quando os hotéis eram utilizados pelo tráfico para hospedar usuários de drogas. Hoje é o poder público que o faz.

É uma ironia o prefeito reclamar em sua conta no Twitter da falta de policiamento quando a cada intervenção da Polícia Militar no local ele é o primeiro a vociferar contra o governo do Estado.

Haddad jogou por terra todos os avanços que os antecessores promoveram no centro. A região está abandonada. Marcos da cidade, como o Pateo do Collegio, a Catedral da Sé e a Sala São Paulo, são ilhas cercadas de sujeira de dia e, à noite, transformam-se em grandes dormitórios da população de rua, hoje abandonada pela prefeitura.

Refém dos movimentos sociais desde as manifestações de 2013, Haddad deixou alguns dos prédios mais simbólicos do centro se transformarem em ocupações irregulares. Agora ele irá destinar um quinto das unidades do Minha Casa, Minha Vida aos invasores do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto.

Não que eles não tenham direito à moradia. Mas ao privilegiar os militantes de um movimento protegido por seu governo, Haddad acaba com o critério da impessoalidade e incentiva as invasões.

Na periferia, a situação também é de descaso. Do R$ 1,3 bilhão previsto para o programa Mananciais, que visa urbanizar favelas nas regiões mais carentes, a prefeitura empenhou apenas 8,1%.

As subprefeituras foram sucateadas. O Orçamento foi reduzido em 8,3% e cada um dos 32 subprefeitos terá, em média, apenas R$ 35 milhões para investir em obras essenciais, como a limpeza de córregos e a pavimentação de ruas. Dos 79 projetos de combate às enchentes, apenas 27 foram levados adiante.

O paulistano fica entre a cruz e a caldeirinha: se não chover, ele tem um problema; se chover, a cidade será inundada. A gestão é tão deficiente que a crítica vem até de aliados, como a ex-prefeita que estuda trocar de partido para enfrentá-lo nas eleições de 2016.

O prefeito, a partir do próximo ano, terá uma folga no Orçamento. Isso graças ao abusivo aumento do IPTU que ele impôs a todos os paulistanos sem se preocupar com as consequências para o bolso do cidadão e a um projeto feito sob medida pela presidente da República para tentar recuperar sua popularidade na maior cidade do país, onde foi derrotada por Aécio Neves.

Esse projeto busca resolver um problema causado pelo próprio PT, já que o serviço da dívida só aumentou porque a ex-prefeita Marta Suplicy não cumpriu o contrato. Mais dinheiro, porém, ajudará um prefeito que não consegue tirar nenhum projeto do papel? Para azar de nós, paulistanos, a resposta é não. A cidade, com Haddad no comando, não tem como melhorar. É muita promessa e pouca ação.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 2:31

Haddad e os sem-teto: grupos petistas tomam o bem público, impõem a sua agenda na porrada e atropelam os direitos dos pobres que não se subordinam às suas ordens

Em sua coluna na Folha Online na semana passada, Guilherme Boulos, o coxinha extremista que comanda o MTST — Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto —, resolveu me atacar. Explicável. Sou dos poucos colunistas da grande imprensa que criticam as ilegalidades que ele e sua turma promovem e que denunciam a parceria criminosa do grupo com a Prefeitura de São Paulo.

Se vocês querem saber como funciona a máquina petista que cria, como posso chamar?, “vítimas privilegiadas” e que privatiza o bem público em benefício de um partido político, basta que se olhe para o que está em curso em São Paulo com os ditos movimentos de sem-teto. O negócio é vergonhoso. Na sexta-feira, o Ministério Público abriu um inquérito para investigar um troço gerenciado pela Prefeitura do petista Fernando Haddad chamado “Minha Casa Minha Vida Entidades”. Em que consiste?

Lá vai: o prefeito se comprometeu a entregar 11 mil unidades habitacionais construídas com recursos públicos para os ditos movimentos de sem-teto, que as redistribuirão entre os seus militantes. Pessoas que estão há anos na fila da moradia que esperem! As ditas “entidades” terão a preferência quando essas casas existirem.

E que “entidades” são essas? Na maioria das vezes, grupos ligados ao PT e que ajudaram a fazer a campanha de Haddad. Dito de outro modo: o prefeito paga a fatura com o dinheiro que é de todo mundo, atropelando, adicionalmente, direitos de gente que também não tem moradia.

Ao decidir apurar o privilégio, o promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos, da área de Habitação e Urbanismo, afirma que a proposta da gestão Haddad pode “ferir o princípio da isonomia ao dar tratamento diferenciado” aos sem-teto em detrimento das pessoas que esperam receber um financiamento por meio da fila de cadastrados na Prefeitura.

Nos dois anos de gestão petista, já demonstrou levantamento da Folha, as invasões de áreas públicas e privadas por ditos movimentos de sem-teto triplicaram: de 257 no biênio 2011-2012 para 681 em 2013-2014.

Uma pequena radiografia desses movimentos, feita por reportagem de VEJA.com, deixa claro do que se está falando. O mais midiático deles é o MTST, comandado por Boulos. Isso se deve, em boa parte, à personalidade egocêntrica de seu líder, um extremista oriundo de uma família rica, com formação universitária e candidato a pensador. As bobagens que diz têm certo sotaque acadêmico, e ele disfarça bem a própria ignorância com velhos chavões da esquerda. Não passa de um esbirro do PT, mas conta também com a simpatia de PSOL e PSTU. O MTST costuma promover a invasão de grandes terrenos. Haddad, que já discursou sobre um caminhão do movimento, regularizou invasões do grupo, como a Nova Palestina, na região de Guarapiranga — que é área de mananciais — e a Copa do Povo, perto do Itaquerão.

Mas o MTST está longe de ser o único grupo organizado. A FLM — Frente de Luta por Moradia — reúne nada menos de 10 movimentos e comanda a ocupação ilegal de 13 prédios. Foi essa FLM que promoveu quebra-quebra, pancadaria e incêndios e partiu pra porrada contra a Polícia Militar durante a reintegração de posse do Hotel Aquários, no dia 16 de setembro, transformando o Centro de São Paulo numa praça de guerra.

Entre as dez entidades filiadas à FLM, as de maior destaque são o Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) e a Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia (ULCM), que, já cadastrada no Ministério das Cidades, conseguiu dois convênios com o “Minha Casa Minha Vida Entidades”: o edifício Ipiranga e um prédio do antigo INSS.

De tal sorte se multiplicam as entidades de invasão que já há espaço para um grupo que se opõe à supremacia do PT na área: uma turma rompeu com a petista FLM e fundou o Movimento Sem Teto de São Paulo (MSTS), que não deve ser confundido com o MTST, do petista Boulos. O MSTS lidera sete invasões. Seus comandantes fizeram campanha para o PSDB em 2014 e reclamam dos privilégios concedidos por Haddad aos do seu partido. Referindo-se à truculência dos invasores petistas, afirma Wladimir Ribeiro Brito: “Os outros colocam fogo em ônibus, fazem tudo o que fazem e ganham os benefícios. Eles recebem a cereja do bolo e a gente só fica com a raspa do tacho. Tem que ser dividido igual”.

Irritado com o que considera diferença de tratamento, o MSTS invadiu o prédio do antigo INSS, que estava reservado para os chapas-brancas da Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia (ULCM), e o antigo cine Marrocos, que foi comprado pela Prefeitura para ser a sede da Secretaria de Educação. E agora a ironia: Haddad, que sobe no palanque armado por Boulos e legaliza as invasões promovidas pelo coxinha extremista, recorreu à Justiça para ter o cine Marrocos de volta. Com que autoridade moral? Será que o faz só porque o MSTS não é da sua turma?

Uma nota para encerrar: lembram-se daquele decreto da presidente Dilma, redigido por Gilberto Carvalho, que entrega nacos da administração federal aos ditos “movimentos sociais”? Eis aí: a expressão “movimentos sociais” significa, na prática, grupos organizados pelo PT, que tomam o bem público, impõem a sua agenda na base da porrada e atropelam os direitos dos pobres que não se subordinam às suas ordens.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2014

às 2:17

A indústria de invasões promovidas por ditos sem-teto, mas com-partido

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com. Ainda voltarei ao tema.
Nunca antes na história os movimentos sem-teto tiveram tanto protagonismo na cidade de São Paulo como nos dois primeiros anos de administração do prefeito Fernando Haddad. Pela primeira vez, os grupos de sem-teto participaram ativamente da elaboração do Plano Diretor Estratégico, que traça diretrizes para o crescimento urbano da capital paulista nos próximos dezesseis anos – cercaram inclusive a Câmara Municipal para pressionar vereadores. Também emplacaram um assessor na presidência da Companhia Metropolitana de Habilitação (Cohab). Os números são elucidativos: dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado apontam que as invasões a imóveis praticamente triplicaram nos últimos dois anos em relação aos dois anteriores – de janeiro de 2013 a novembro de 2014, foram registradas 681 invasões, ante 257 em 2011 e 2012, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo. 

O crescimento tem um preço: ao longo do ano, a maior metrópole do país passou a conviver com uma rotina de manifestações promovidas por sem-teto, algumas marcadas por atos de vandalismo e depredações, que provocam o caos no trânsito com o bloqueio de artérias centrais da cidade e prejudicam o comércio. Em 2014, o paulistano conheceu o poder de fogo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), liderado por Guilherme Boulos, que profissionalizou a baderna e montou uma indústria de invasões a terrenos. Em julho, Ministério Público Estadual acionou a Justiça contra os supostos privilégios concedidos pela gestão Fernando Haddad ao movimento de Boulos.

Apesar de ser hoje o mais barulhento dos movimentos, o MTST não é o único. A Frente de Luta por Moradia (FLM) congrega ao menos outros dez movimentos e ocupa treze prédios no Centro da capital. Recentemente, um grupo decidiu romper com a FLM e fundou o Movimento Sem Teto de São Paulo (MSTS), responsável por sete prédios invadidos na cidade. É do novo MSTS que partem as principais críticas à relação estabelecida entre a administração municipal e os grupos de sem-teto. 

Na última semana, o MSTS invadiu um edifício do antigo INSS, reformado com recursos da Caixa Econômica Federal, que seria entregue a famílias associadas à Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia (ULCM), um dos grupos que formam a FLM. A reforma do prédio havia sido viabilizada pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida Entidades, que repassa dinheiro a associações habilitadas no Ministério das Cidades para a construção de moradia popular — respeitando alguns critérios pré-estabelecidos, como o limite de renda, os grupos ganham o direito de indicar os beneficiários.

O líder do MSTS, Robinson Nascimento dos Santos, classificou a invasão como uma “forma de protestar e cobrar” da prefeitura o mesmo tratamento que os outros movimentos recebem. Segundo ele, há uma “perseguição política” por parte da gestão Haddad por ele ter se desfiliado do PT. “Nós queremos mostrar para o prefeito que também temos direito. A partir do momento que eu passei para o PSDB, ele não quer mais atender a gente”, afirmou Santos.

O secretário-geral do MSTS, Wladimir Ribeiro Brito, lembrou as ações violentas promovidas pela FLM durante a reintegração de posse do antigo Hotel Aquarius, no dia 16 de setembro, que transformou o Centro de São Paulo em um campo de batalha. “Os outros colocam fogo em ônibus, fazem tudo o que fazem e ganham os benefícios. Eles recebem a cereja do bolo e a gente só fica com a raspa do tacho. Tem que ser dividido igual. Se eles têm o direito a um real, nós também queremos um real, se eles têm direito a 1.000 reais, nós também queremos 1.000 reais”, disse Brito.

O líder da ULCM, Sidnei Pita, faz campanha para o PT em sua página no Facebook. Seu movimento tem uma associação cadastrada no Ministério das Cidades para receber projetos do Minha Casa, Minha Vida Entidades. Além do prédio do antigo INSS que foi tomado pelo MSTS, o movimento recebeu da Secretaria do Patrimônio da União o edifício Ipiranga, que também passa por uma reforma financiada pela Caixa. O imóvel foi cedido ao grupo em uma cerimônia que teve a participação do ex-presidente Lula, em 2009. Pita nega favorecimento: “A prefeitura não dá privilégio para ninguém. A questão é ser organizado”, disse.

A invasão ao imóvel do antigo INSS não é a maior preocupação de Haddad em relação ao MSTS. Desde novembro do ano passado, o grupo mantém uma das maiores invasões no Centro de São Paulo, a do antigo Cine Marrocos, que abriga mais de 700 famílias, segundo o movimento. A prefeitura havia comprado o imóvel com a intenção de transformá-lo na nova sede da Secretaria Municipal de Educação. A prefeitura já acionou a Justiça pela reintegração de posse, cuja data ainda não foi agendada.

Outra reclamação da liderança do MSTS é ter que se encontrar com um dos maiores líderes da FLM Osmar Silva Borges nas reuniões com o secretário municipal de Habitação, José Floriano Marques. Borges foi indicado a um cargo comissionado de assessor de superintendência na presidência da Companhia Metropolitana de Habilitação (Cohab).

Em nota enviada ao site de VEJA, a administração municipal afirmou que “não faz mediação” entre os movimentos e repudiou as invasões a imóveis públicos. “A prefeitura de São Paulo condena as invasões de prédios e terrenos públicos destinados a programas habitacionais. A administração mantém diálogo com entidades e movimentos e reafirma que não aceita pressões nem faz mediações entre grupos.” 

Plano Diretor
Na última semana, o prefeito Fernando Haddad alterou um decreto com respaldo no novo Plano Diretor para liberar a construção de mais de 3.000 moradias em uma área de manancial próxima à represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo. O terreno abriga uma das maiores invasões do MTST, chamada de Nova Palestina. Em outra lei, sancionada em agosto, o prefeito regularizou a moradia em uma invasão na Zona Leste, conhecida como Copa do Povo, também do MTST. A expectativa é que os dois conjuntos habitacionais sejam feitos em parceria com o movimento.

Com a proposta de construir 55.000 unidades habitacionais até o fim do mandato, Haddad conseguiu o apoio quase majoritário dos sem-teto durante a campanha eleitoral, em 2012. No final deste ano, em mais um aceno favorável aos grupos alinhados ao PT, ele prometeu entregar 20% dessas 55.000 casas (11.000) às associações ligadas aos sem-teto por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades. Mais uma vez o Ministério Público reagiu e instaurou na sexta-feira um inquérito para investigar o caso. Segundo a ação, a proposta da prefeitura “pode ferir o princípio de isonomia” novamente ao privilegiar os movimentos de sem-teto em detrimento das pessoas que estão na fila esperando por moradia.

Mais do que uma iniciativa positiva, a construção de moradias populares é dever de todo bom gestor público. E não causa surpresa que movimentos sociais tenham mais espaço e interlocução na atual administração municipal dada a histórica ligação deles com o Partido dos Trabalhadores. O problema é quando os interesses vão muito além de unidades habitacionais. São políticos

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2014

às 19:31

Justiça libera reajuste do IPTU em São Paulo

Na Veja.com:
O órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou nesta quarta-feira a aplicação da lei que reajusta o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em até 35% para estabelecimentos comerciais e em até 20% para residências na capital paulista. Por 17 votos a 6, o tribunal decidiu que a lei que determina o aumento do tributo fosse executada imediatamente – e com efeito retroativo. No entanto, é provável que isso ocorra somente em 2015, quando forem emitidos os boletos para pagamento do imposto. Cabe recurso.

Proposta pelo prefeito Fernando Haddad (PT), a lei foi aprovada pela Câmara Municipal em uma manobra feita pela base aliada em outubro do ano passado. Porém, o reajuste foi suspenso após a Justiça acolher, em caráter provisório, ações apresentadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo PSDB. O prefeito chegou até a recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal para derrubar a liminar, mas teve o pedido negado nas duas instâncias.

A suspensão da lei havia sido decretada com base no argumento de que a votação da proposta na Câmara ocorreu de forma irregular e sem publicidade, já que a sessão que aprovou o aumento foi iniciada com outra finalidade e terminou às 23h39. Tanto a Fiesp como o PSDB também alegavam que o reajuste era abusivo, ferindo a capacidade contributiva dos paulistanos.

De acordo com o índice de valorização, parte dos imóveis terá o valor do imposto reajustado pelos próximos quatro anos – neste caso, o teto será de 10% para residências e de 15% para comércio nos anos seguintes. O aumento do imposto atingirá cerca de 1,5 milhão de contribuintes.

Por Reinaldo Azevedo

25/11/2014

às 6:41

Invasões triplicam na gestão Haddad, e o prefeito — aliado objetivo dos militantes, que ajudaram a fazer a sua campanha — culpa o governo do Estado!

É impressionante. O número de invasões promovidas por movimentos de sem-teto quase triplicou nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Fernando Haddad, do PT, na capital de São Paulo, informa reportagem de Giba Bergamin Jr. na Folha desta terça. E sabem qual é a resposta do valente? Responsabilizar o governo de São Paulo. No começo, eu achava que Haddad não parecia ser uma pessoa muito séria. Agora eu tenho a certeza de que ele não é uma pessoa… séria!

Nos anos de 2011 e 2012, houve 247 invasões de propriedades públicas e privadas na capital, número já absurdo, que saltaram para 681 em 2013 e 2014, nos dois primeiros anos de gestão. Faz sentido? Ora, é claro que sim! A maioria dos ditos movimentos de sem-teto está sob o comando de militantes políticos ligados ao PT, como Guilherme Boulos, chefão do MTST e estafeta do partido. Não se esqueçam: o prefeito já subiu no caminhão do movimento para discursar.

Só isso? Não! Estimulou uma súcia disfarçada de gente sem moradia a cercar a Câmara dos Vereadores para que o Plano Diretor da cidade legitimasse a invasão chamada “Nova Palestina”, que fica em área de mananciais. Ocupá-la é cometer um crime contra o meio ambiente. E daí? Na prática, a Prefeitura incentiva a ação desses movimentos, que são aliados seus.

À Folha, o petista disfarçado de não petista Guilherme Boulos — aquele rapaz que costuma pôr seu furor militante até contra o Estado de Israel!!! —, deu a seguinte declaração para explicar a multiplicação de invasões: “Foi se tornando um barril de pólvora. A ocupação é por falta de escolha, causada pelo aumento desenfreado da especulação imobiliária”. Nota: não existe, no período, aumento nenhum da especulação imobiliária. A explicação é apenas mentirosa. O que cresceu, isto sim, foi a parceria entre a Prefeitura e os movimentos de invasão.

Segundo Haddad, vejam que mimo, cabe ao governo de São Paulo conter as invasões. Entenderam? Ele quer subir no caminhão do MTST e legitimar a ocupação de área de mananciais e, depois, quer que a polícia dê um jeito nos invasores.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado deu a resposta adequada ao prefeito: “Em vez de tentar transferir responsabilidades, o prefeito precisa dar explicações sobre sua política, que incentiva invasões ao premiar aqueles que as promovem, deixando à Polícia Militar o ônus de mediar os conflitos de interesses advindos das reintegrações de posse”.

A resposta é perfeita. O prefeito Fernando Haddad tem de ser mais responsável!

Texto publicado originalmente às 4h07
Por Reinaldo Azevedo

20/11/2014

às 3:54

Conforme o antevisto aqui, conforme o óbvio, conforme o fatal, conforme o evidente, programa de Fernando Haddad faz crescer a Cracolândia! Ação de prefeito na região é criminosa! Cadê o Ministério Público?

Vejam esta foto:

FOTO FLUXO CLEVELAND 20H 191114

Alguns bobos sugerem que sinto raiva do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Eu? Não! Sinto por ele e por suas ideias um profundo desprezo intelectual. Este senhor representa tudo aquilo que mais repudio em política: a transformação da miséria e da abjeção numa categoria de pensamento. Jamais houve um prefeito na cidade tão orientado a atender às demandas dos ricos e descolados como o fanático do ciclofaixismo. Os pobres que se danem. Por que isso?

Leio o seguinte em reportagem de Giba Bergamin Jr. e Apu Gomes, na Folha desta quinta:
“A multidão se amontoa em volta dos 48 barracos em busca das pedras de crack. É a feira de drogas que acontece 24 horas por dia na nova ‘favelinha’ da cracolândia, que cresce no centro paulistano. A aglomeração mostra que, quase na metade de seu mandato, a gestão Fernando Haddad (PT) não conseguiu reduzir o fluxo de dependentes químicos na região. Ao contrário. Deparou-se com o aumento da frequência de usuários e traficantes, mesmo após o lançamento de um programa que dá emprego e moradia a viciados, batizado de Braços Abertos.”

Ah, meus Deus do céu! O arquivo do meu blog está à disposição. Ora, então o prefeito decidiu criar um programa que garante salário e casa aos viciados, sem lhes impor a necessidade de tratamento, e deveríamos nos espantar que isso tenha levado ao aumento do consumo de drogas e de viciados? Ora, o que o sr. Haddad fez foi criar a zona livre para o consumo de droga.

Vejam a foto que abre este post. Ali vocês veem a rua Cleveland, na Cracolândia, na noite desta quarta. Aquele amontoado humano é formado por consumidores de crack. É a feira da droga em plena atividade. Em junho, o príncipe Harry, do Reino Unido, esteve em São Paulo. Haddad, com o ar deslumbrado dos plebeus mixurucas, o levou, cheio de orgulho, para conhecer a Cracolândia.

Sim, ele se orgulhava daquela coisa miserável. Roberto Porto, secretário de Segurança da cidade, um dos queridinhos de certa imprensa, resumiu assim o espírito da visita do príncipe àquele inferno: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele [o príncipe] gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Porto é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto diz que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.

Sou muito claro e direto: sinto nojo do que pensa essa gente. Isso nada mais é do que uma das formas da expressão da crueldade.

Sempre afirmei neste blog que o programa Braços Abertos era, na prática, uma ação coordenada de incentivo ao consumo de drogas. Talvez Harry tenha ficado mais espantado ainda ao saber que a Prefeitura garante o fluxo de dinheiro a uns 400 e poucos viciados, aos quais oferece moradia gratuita — em nome da dignidade, é claro!

Quando foi informado, se é que foi, de que os dependentes não precisam se submeter a nenhuma forma de tratamento, deve ter pensado: “Como são estranhos esses brasileiros! Na Inglaterra, nós recuamos até das liberalidades que haviam sido criadas para o consumo de maconha”. Ao olhar a paisagem que o cercava, deve ter dado graças aos céus pelo vigilante trabalho dos conservadores no Reino Unido.

A imprensa, com raras exceções, apoiou o programa porra-louca e cruel de Fernando Haddad, o Coxinha do Ciclofaixismo. Eis aí o resultado. O prefeito ousou desafiar as leis de mercado: resolveu criar, indiretamente, todas as precondições para aumentar a oferta de drogas na Cracolândia e inventou que a medida levaria a uma diminuição do consumo. Ocorreu o óbvio: o consumo, o tráfico e a miséria humana aumentaram.

Mantenho a opinião que sempre tive sobre o programa Braços Abertos, de Haddad: eu o considero criminoso. E me espanta muito que o Ministério Público, até agora, não tenha resolvido evocar as leis contra tamanha irresponsabilidade.

Querem saber como é um país em que todas as drogas são livres? Visitem a Cracolândia! É ali o reino da liberdade imaginada pelos irresponsáveis.

Por Reinaldo Azevedo

14/11/2014

às 6:15

O ciclofaixista de SP reza todo dia para… não chover!

A seca histórica que atinge São Paulo faz mal para todo mundo — ou para quase todo mundo. O único que, de algum modo, se beneficia é o prefeito Fernando Haddad (PT), o ciclofaixista. A Folha publica nesta sexta que o maníaco da bicicleta — ou “bike” em bicicletês — entregou menos da metade das obras contra enchentes que foram anunciadas como emergenciais. Segundo o jornal, das 79 do pacote, só 27 (34%) foram concluídas. Foram excluídas do pacote 14 delas por “inviabilidade técnica”. Esse gênio da administração pública primeiro promete e só verifica a viabilidade técnica depois.

É por isso que o seu “Arco do Futuro” — quem ainda se lembra da piada? — ficou no passado. Inviabilidade técnica! A maquete eletrônica era tão bonitinha, né?

Reproduzo trecho de reportagem:
“O programa foi anunciado em março de 2013. Na ocasião, menos de três meses após tomar posse, o prefeito disse que iria desengavetar 79 projetos que haviam sido abandonados por gestões passadas em regiões com cheias frequentes na cidade. Haddad disse à época que eram obras de prazo mais curto em comparação com outras de macrodrenagem –construção de piscinões e canalização de grandes córregos das zonas sul e oeste, por exemplo– e que poderiam ficar prontas em até um ano. Numa entrevista, no mesmo ano, Haddad disse que metade das obras poderia ser entregue até o final de 2013.”
(…)

Encerro
Vai ver não sobrou dinheiro. O prefeito gastou tudo pintando as ruas de vermelho com tinta ruim. O ciclofaixismo tem as suas prioridades, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2014

às 4:54

Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros

Um dos meus humoristas prediletos é Fernando Haddad. Ainda que ele me faça rir de escárnio e que não seja esse um sentimento tão nobre. Ele e a imprensa biciclopetista continuam a toda, confiantes nas pesquisas que indicam que 80% dos paulistanos apoiam o ciclofaixismo, ainda que sejam tão poucos os “ciclofascistas” da cidade… Aprovação, é? Ainda descobriremos que a margem de erro era de 80 pontos para mais ou para menos… Que bom! Assim não será preciso explicar o erro, né?, à diferença do que ocorre com as pesquisas eleitorais.

Será que eu sou contra faixas exclusivas para bicicletas? Eu não! Nem eu nem as pessoas que responderam aos pesquisadores. Eu sou contra é a forma como o ciclomaníaco faz as coisas. O que temos em São Paulo não é uma ciclovia, como todo mundo sabe; tampouco é uma ciclofaixa. O que o populismo de minoria do senhor prefeito faz é sair por aí a pintar de vermelho um pedaço de rua. Vejam estas fotos feitas por minha mulher, com um celular, na Alameda Barros, em Santa Cecília.

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Graças a Deus e ao bom senso, também ali as ciclofaixas estão desertas! Ou ofereceriam risco de vida. Eis aí um assunto que deveria interessar ao Ministério Público. Vejam as imagens: a tinta vermelha passa pelos buracos; há pelotas de cimento na pista, o meio-fio, que serve de referência, está todo danificado. Reitero: o prefeito não está nem aí. Nem mesmo se ocupou de criar faixas de bicicleta que fossem ao menos transitáveis. E ele não o fez por dois motivos:

a: porque não há bicicletas;
b: porque ele está interessado em mostrar serviço. Algum serviço, qualquer um…

Ao fim de dois anos de gestão, pensem bem: o que resta a saudar — e a saldar (com “ele” mesmo) — na sua gestão? Não será conhecido por seus avanços na educação, na saúde, na moradia, no planejamento urbano, nada… Por mais que conte com o apoio do jornalismo biciclopetista e com colunistas amestrados desta e de outras cidades, o povo insiste em divergir. “Ah, mas a aprovação dele está aumentando…” É mesmo?

Vejam o mapa da votação de Dilma Rousseff e Aécio Neves na cidade de São Paulo.

voto cidade de São Paulo

O azul tomou o Centro, o Centro expandido e avançou para as quatro zonas geográficas da cidade. O vermelho foi banido da Zona Norte e ainda resiste nos extremos das outras três regiões. Aécio venceu em 43 das 58 zonas eleitorais da cidade, e Alckmin bateu Padilha em 54 delas. O presidenciável tucano obteve 43,69% dos votos válidos; Dilma ficou com 26,08%, e Marina, com 23,94%. Eu não sei se os tucanos são gratos a Fernando Haddad por sua obra. Eu sou. Obrigado, prefeito! Ah, sim: nesses extremos em que o petismo resiste, não há ciclofaixas, embora haja bicicletas. Que prefeito curioso! É que a imprensa biclopetista não frequenta a periferia… Prefere falar em nome do povo e do novo, mas em Higienópolis, Moema, Alto de Pinheiros, Vila Nova Conceição…

Aliás, intuo que a ruindade de Haddad contaminou os municípios do entorno também, já que moradores de cidades vizinhas transitam pela capital. Vejam o desempenho de Dilma e Aécio na região.

Mapa votação grande são paulo

Mas o prefeito segue firme — tomara que não mude mesmo, se é que me entendem. E agora promete ciclofaixas em 12 pontes sobre o Rio Pinheiros. Segundo ele, só os “conservadores” reclamam. Eu não sabia que a última palavra em matéria de progressismo é fazer ciclofaixas para ciclistas que não existem. É isso aí, prefeito! Não dê bola para os conservadores. O senhor precisa mostrar serviço. Se só restou pintar um pedaço da rua de vermelho, fazer o quê? Tinta nela! E o povo que fale nas urnas.

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 16:39

Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!

Mandam-me aqui um texto publicado em um site conhecido como “171” — é claro que eu não tinha lido e não passei das primeiras linhas — me esculhambando por causa das ciclofaixas de Fernando Haddad, o maníaco.

É lindo ver o texto com o logotipo da Caixa Econômica Federal ao lado. A turma era patrocinada também pela Prefeitura de São Paulo até outro dia. Passada a eleição, o “patrocínio” volta.

Esse trabalho de jagunço nunca me intimidou nem me intimida, viu, prefeito? Jagunço, como vocês sabem, não tem querer. Cumpre a vontade de quem paga.

A turma do “171” é maníaca por mim. Já foi maníaca a favor. O Poderoso Chefão de lá vivia me cobrindo de elogios em e-mails pessoais e me convidando para um café. Eu os tenho aqui guardados. Era antipetista fanático, e o partido dizia que era capacho de Daniel Dantas. Nunca lhe dei o prazer nem de um aperto de mão porque nunca fui capacho de… Daniel Dantas. Entenderam? Agora estou na lista daqueles que ele é pago para odiar. Para elogiar, cobra mais caro.

Lixo.

Alguém dirá: “Ih, se a turma deles perder a eleição, esse tipo de subjornalismo fica na pior”. Entendam uma coisa: isso não é ideologia, é caixa. Se o eventual novo poder pagar, a turma continua governista. É a mais antiga profissão do mundo. Gente desse ramo recebe para fazer o cliente se sentir satisfeito.

A propósito: hoje, faltam 832 para os paulistanos se livrarem de Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 8:33

HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE

Vejam esta foto. Já explico.

foto (38)

Lá vou eu, mais uma vez, dedicar um pouco do meu tempo à gestão de Fernando Odorico Haddad Paraguaçu.

Escrevi ontem um post criticando a pretensão do prefeito Fernando Haddad (PT) de conceder desconto de IPTU para empresas que criarem bicicletários. Eu o publiquei, como se pode ver, às 6h01. Quando fui deitar, ainda não havia recebido a edição da VEJA. Acordo, tomo café, leio a revista e constato que há uma reportagem sobre as ciclofaixas. Segundo o texto, que reconhece algumas dificuldades no programa em curso na cidade de São Paulo, trata-se de uma tendência irreversível.

Abro a área de comentários do blog, e havia uma enxurrada de provocações — certamente, uma intervenção organizada — especulando sobre a diferença entre a minha opinião e a da VEJA. A “Al Qaeda eletrônica”, como defino a canalha, se dividia em três abordagens:

a: eu teria escrito um post para tentar desmoralizar a reportagem da revista, o que, obviamente, me faz candidato à guilhotina;
b: a VEJA é que teria produzido uma reportagem para desmoralizar o que penso a respeito, o que também me põe no caminho da lâmina no pescoço;
c: depois da reportagem, é claro que vou mudar de opinião porque, afinal, escrevo o que me mandam escrever.

Vamos ver.
a: ainda que eu quisesse, não teria como contestar uma reportagem cuja existência eu desconhecia;
b: a VEJA tem mais o que fazer do que contestar minhas opiniões;
c: se e quando a revista quiser cortar a minha cabeça, não será por causa das ciclofaixas. Temos diferenças de pensamento em assuntos muito mais relevantes.

Essa patrulha ainda é expressão da boçalidade da era petista. A boa notícia é que ela está em declínio, com ou sem a reeleição de Dilma. Estamos vivendo o fim de um ciclo: da economia, da política e até da estupidez — isso não quer dizer, claro!, que não possa vir à luz uma estupidez nova. OK… A alternância de poder, ainda que da burrice, já é um alento. Adiante.

Se a VEJA e eu pensássemos rigorosamente a mesma coisa, que sentido faria o site da revista hospedar o meu blog? Nem me dedico a um levantamento exaustivo. De imediato, lembro-me de que expressamos pontos de vista divergentes sobre aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias, ciclofaixas, manifestações de junho, aquecimento global etc. O site da revista não me contratou para escrever o que ela pensa. Fui contratado para escrever o que eu penso. Às vezes, há coincidência; às vezes, não.

Os idiotas que resolveram invadir a área de comentários com quatro patas — e não com duas rodas — são incapazes de compreender o espírito da imprensa livre e independente. Essa gente, que ou vende a sua opinião ou entrega a sua alma a um partido, imagina que todos agem do mesmo modo. Podem tirar o cavalo da chuva. Ainda não foi desta vez. VEJA e eu estamos mais juntos do que nunca no propósito de assegurar a liberdade de pensamento e de concordar em discordar. Escravos voluntários não se conformam que isso possa existir.

Pesquisas
Tanto a pesquisa encomendada pela ONG petista Rede Nossa São Paulo (esse “nossa” quer dizer “deles”) como a do Datafolha apontam que uma ampla maioria dos paulistanos é favorável às ciclofaixas. Que bom! Eu também sou! Como era — e continuo — favorável às faixas exclusivas de ônibus.

Com a devida vênia, há pesquisas que não precisam ser feitas. Indagar “Você é a favor ou contra a implantação de ciclovias em São Paulo?” já traz, em si, a resposta. É evidente que a esmagadora maioria das pessoas vai dizer que é favorável — 80%, segundo o Datafolha (70% no caso da faixa na Paulista).

Proponho outras questões cuja resposta já conheço:
1: você é a favor da igualdade ou contra?;
2: você é a favor da justiça ou contra?;
3: você é a favor do uso de imóveis hoje fechados para moradia ou contra?

Quase ninguém é contra o bem, o belo e o justo, não é mesmo? A questão é saber como eles serão alcançados. Ser favorável à igualdade, à justiça e à democratização da propriedade não faz dessa alma generosa um militante stalinista, por exemplo, ou um fã do Guilherme Boulos, o coxinha vermelho.

O meu ponto
É evidente que quase ninguém se opõe a que existam faixas exclusivas para bicicletas. Havendo espaço, por mim, que até os discos voadores tenham seus campos de pouso. A minha crítica se deve à forma como o prefeito implementa a proposta, na base da porrada, sem planejamento nenhum, na correria, para mostrar algum serviço, confinando os carros, demonizando os motoristas, tornando ainda mais caótico o trânsito da cidade.

Pior: as ciclofaixas se transformaram numa espécie de culto religioso dos “descolados” que circulam pelo centro expandido da cidade. É escandaloso que o programa comece justamente onde as bicicletas não estão — daí as pistas vazias, desertas — em vez de ser testado onde elas estão: na periferia.

Ocorre que a ideia fixa de Haddad nunca pretendeu criar uma alternativa de transporte. O propósito é outro: educar espíritos, compreendem? Ele está menos empenhado em melhorar as condições de mobilidade — elas pioraram — do que em converter as almas e inaugurar uma nova era. Ele não quer fazer da bicicleta um meio a mais de transporte: ele quer fazer uma “revolução” e produzir derrotados. Como tudo o mais, na sua gestão, dará errado — cadê o Arco do Futuro, prefeito, com aquela maravilhosa maquete? —, quer deixar as ciclofaixas como herança.

Odorico Paraguaçu
Haddad é o Odorico Paraguaçu da bicicleta. Muitos hão de se lembrar do prefeito de Sucupira, de “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Os mais jovens terão de fazer uma pesquisa. O grande projeto do homem era criar um cemitério na cidade. Criou. Só que não morria ninguém para que ele pudesse inaugurá-lo. Então ele resolve dar um jeito: contratar um jagunço para produzir um cadáver que justificasse a sua obra.

Assim faz Haddad. Ele criou as ciclofaixas, mas só 3% dos entrevistados pelo Datafolha admitem usá-las regularmente. Então ele quer dar um jeitinho: isenção de IPTU para empresas que criarem biciletários e reserva de espaço nos ônibus para as bicicletas. Mas onde colocá-las? Ora, no espaço destinado a idosos e deficientes.

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

A partir desta segunda, o prefeito estará ainda mais doidão. Segundo o Datafolha, em dois meses, caiu de 47% para 28% os que avaliam a gestão do prefeito como ruim ou péssima; os que a veem como regular subiram de 37% para 44%, e saltaram de 15% para 22% os que dizem ser ela boa ou ótima. Será tudo por causa da ciclofaixa? Pois é… O próprio prefeito não encontraria outra explicação, porque não teria como ver os próprios méritos na saúde, na educação, na zeladoria, no planejamento urbano…

Uma coisa é certa: o marketing de Haddad se tornou bem mais agressivo. Há até militantes disfarçados de jornalistas fazendo perguntas em entrevistas coletivas para satanizar os críticos de suas propostas (encerrarei este post com esse assunto).

Agora a foto
E aquela foto lá no alto? Tirei no começo desta madrugada. O buraco que vocês veem está na ciclofaixa que passa na Praça Vilaboim, em Higienópolis. O dito-cujo está lá há mais de ano. É enorme — comparem com o tamanho daqueles “tachões” que delimitam a pista exclusiva para bicicletas. Reparem no detalhe: os tarados da ideia fixa nem se ocuparam de tapar o rombo. Meteram a faixa amarela por cima — o que poria em risco até a segurança de ciclistas se eles existissem. Mais: a rua é relativamente íngreme. Para subi-la de bicicleta, é preciso ter certo condicionamento físico. “Ah, mas em Amsterdã…” Em Amsterdã e em várias outras cidades, as ciclovias são um suplemento, uma opção, uma oferta, uma generosidade. Não foram criadas hostilizando motoristas e piorando a mobilidade.

“Ah, mas 80% dos paulistanos são favoráveis…” Espero que cheguem a 100%. Ainda tenho a ambição de ser, em algum momento, aquele ser estatisticamente desprezível, que desaparece nos arredondamentos, mas que, ainda assim, fala o que pensa.

Segundo o prefeito Fernando Haddad, gente como eu quer evitar o futuro. Segundo gente como eu, o prefeito Fernando Haddad é só um Odorico Paraguaçu que está doido para inaugurar o seu cemitério. E nada é mais velho do que isso.

Para encerrar, duas observações
1: ainda voltarei à ONG Rede Nossa São Paulo. Sinto vergonha alheia quando penso nela. Direi por quê.

2: o prefeito e seus tentáculos se dispensem de tentar patrulhar a minha opinião onde quer que seja. Não dou a menor bola. Só me animo mais. É feio recorrer a falsos jornalistas em entrevistas coletivas. Os blogs sujos não bastam?

PS: Prefeito, tenha ao menos a decência de mandar varrer as ciclofaixas. Estão virando depósito de lixo. Com o apoio de 80%. Oitenta por cento que não recolhem a sujeira.

Ah, sim: eu também sou favorável às ciclofaixas, tá, pessoal? Eu me oponho é à picaretagem e ao cinismo que se veem naquela foto.

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 14:01

Hora de Haddad entrar de cabeça na campanha de Dilma. Será show!

Agora que sei que foi do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a ideia de demonizar o Itaú para atingir Marina Silva e que esse rasgo de genialidade decorreu de uma tarefa que lhe passou Dilma, espero o quê? Que o prefeito entre para valer na campanha da presidente. Noto a ausência do alcaide no horário eleitoral gratuito do PT.

Afinal, Dilma foi à TV emprestar seu apoio a ele em 2012. Chegou a hora da reciprocidade. Se a presidente achava que Haddad seria bom para nós, eu agora acho que ele é bom para ela…

Dilma pode aproveitar e anunciar a construção de uma ciclofaixa na BR-101, ligando o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

Não será usada por ninguém. Mas a ideia é essa. Apenas uma grande faixa vermelha preenchida pelo nada.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:31

Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad

Escrevi ontem aqui que a pancadaria promovida por supostos sem-teto numa reintegração de posse no Centro da cidade de São Paulo não passava de ação partidária. Uma franja ligada ao PT resolveu promover o quebra-quebra na esperança, sei lá, de criar um fato eleitoral. Essa gente ainda não se deu conta de que a baderna tira, não dá, votos. O confronto com a Polícia Militar foi promovido pela Frente de Luta por Moradia (FLM), um movimento ligado ao partido, que pertence a um “coletivo”, como eles dizem, intitulado “Central de Movimentos Populares” (CMP), que é também mero esbirro do petismo. Gosto de demonstrar o que afirmo.

Na reportagem do Jornal Nacional, por exemplo, eis que dou de cara com o senhor Raimundo Bonfim, apresentado como coordenador da CMP. 

Raimundo Bonfim - JN

Sim, eu me lembrava dele. Escrevi sobre este bravo no dia 14 de agosto de 2013. Ele pretendia liderar, então, um protesto contra o governo Geraldo Alckmin, que estava sendo convocado pela página do PT na Assembleia Legislativa. Só isso? Não!

Além de coordenador da tal central, o homem é advogado e, atenção!, funcionário da Liderança do PT na Assembleia, com salário, no ano passado, de R$ 11.380. É isso mesmo o que você entendeu, leitor amigo: é você quem paga a boa vida do sr. Bonfim para que ele ajude a promover o caos.

Na campanha eleitoral de 2012, ele fez caminhada ao lado do então candidato Fernando Haddad, conforme se pode ver abaixo, e posou para fotos com a bandeira do PT. Não é e nunca foi um sem-teto. Trata-se apenas de um militante profissional.

bonfim com haddad

Bonfim PT

Haddad é grato a toda essa gente, que detém cotas na distribuição de moradias populares na cidade. Um dos coordenadores da FLM, que promoveu a bagunça nesta terça, Osmar Silva Borges, ganhou cargo na Prefeitura: virou assessor da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), com salário mensal de R$ 5.538,55. Não foi o único. Também Vera Eunice, coordenadora da Associação dos Trabalhadores Sem-Teto da Zona Noroeste, recebeu uma boquinha na empresa, com salário de R$ 5.516,55. Ou por outra: o grupo que protagonizou as cenas lamentáveis de violência e vandalismo é poder na cidade administrada por Haddad.

Fiquei ainda bastante encantado ou ler e ouvir o depoimento de Juliana Avanci, advogada dos invasores. Contra todas as evidências, contra tudo o que mostravam as TVs, ao vivo; contra todos os fatos, ela afirmou que a Polícia é que deu início ao confronto. A doutora seria apenas membro de uma ONG, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos. Apresenta-se simplesmente como uma defensora da causa, sem vínculos com os companheiros.

Pois é… O nome dela está num manifesto de “juristas e advogados” em apoio, então, à candidatura de Haddad à Prefeitura. Ela certamente sabia que o petista, se eleito, faria uma gestão simpática à companheirada e à causa, não é mesmo? E que se note: no hotel invadido e depois desocupado, a polícia encontrou 12 coquetéis molotov.

O que me incomoda nessa gente toda é menos o conteúdo do pensamento, por mais que eu considere lamentável, do que a hipocrisia. Admitam, então, que se trata de uma ação de caráter partidário e que eles avaliam que o caos lhes interessa. Ontem, sustentei aqui que os baderneiros de São Paulo eram apenas os braços operacionais de uma forma de entender o poder, aquela mesma que Lula havia expressado no dia anterior naquela pantomima autoritária e ridícula em frente à sede da Petrobras.

As evidências estão aí.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:25

Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade

Quem disse que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, não serve pra nada, além de espalhar ciclovias cidade afora e transformar a vida dos paulistanos num inferno? Não! Ele pode ser muito útil! A repórter Natuza Neri informa na Folha de hoje que foi dele a ideia — “oh, que grande sacada!” — de colar o nome de Marina Silva, do PSB, ao Itaú.

A história é a seguinte. Dilma andava irritada com o prefeito — que não seguiu a sua orientação e insistiu em reajustar a tarifa de ônibus no ano passado; depois recuou —, e ele, chateado com ela, que não se esforçou para aprovar no Congresso leis que poderiam diminuir a dívida da capital paulista.

Mas os dois se encontraram para lavar uma roupinha suja. E Haddad saiu com a tarefa de ouvir grupos de eleitores, sem que estes soubessem que, do outro lado do espelho, estava o alcaide. E foi num desses encontros que alguém se declarou decepcionado com Marina porque esta “trabalharia para o Itaú”. Pronto! O prefeito achou a sacada do balacobaco, levou para João Santana, e o resto é história. Ah, sim: a presidente achou a ideia bacana e voltou às boas com o prefeito.

Nota: em 2012, Neca Setubal, que virou o alvo preferencial dos petistas, apoiou a candidatura de… Haddad!!! E os petistas não a chamavam, então, de “banqueira”.

O prefeito demonstra, assim, que sua competência só não é menor do que sua lealdade.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 16:07

Uma ciclofaixa de Haddad, o “faixista” da bicicleta

Thaís Vieira, ouvinte do programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan — todos os dias, entre 18h e 19h —, me envia a foto abaixo, feita com um celular.

 ciclofaixa

O que vocês veem ali é a ciclovia da avenida Vereador Abel Ferreira, perto do shopping Anália Franco, há muitos dias tomada pelo lixo. Pois é… Assim como a natureza, a sociedade também rejeita o vácuo, não é? Como não há bicicletas para corresponder aos delírios do prefeito, esses espaços vão sendo ocupados por coisas das mais diversas naturezas.

Haddad é mesmo um prefeito e tanto. Ele se faz presente confiscando um pedaço da cidade e entregando-o para ninguém. Mas não manda recolher o lixo.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 20:21

CADÊ O MINISTÉRIO PÚBLICO? Ou: As “crianças do crack” de Fernando Haddad, o lunático inexperiente e arrogante

Pois é… Mais cedo publiquei uma reportagem que está na VEJA.com, sobre crianças que convivem com seus pais, em condições degradantes, nos hotéis da chamada Cracolândia. Eu me sinto de algum modo envergonhado de a cidade em que moro ter como prefeito Fernando Haddad, do PT. É como se me coubesse fazer alguma coisa para conter um doido, um tirano, um autocrata. Tinha sentimento parecido quando adolescente, ali pelos 15 anos, quando achei que a mim também cabia a tarefa de derrubar a ditadura. As circunstâncias, hoje, é claro!, são outras. Hoje, a gente vive uma espécie de ditadura de opinião. A esmagadora maioria da imprensa é favorável à descriminação das drogas. Jornalistas, com raras exceções, consideram essa ideia “progressista”. E todas as teses que são ao menos parentes dela parecem boas.

O programa “Braços Abertos”, implementado pelo prefeito Fernando Haddad, é um escândalo moral em si, independentemente da opinião que se tenha sobre a descriminação ou legalização das drogas. Se o sujeito, a exemplo deste escriba, é contra e defende a aplicação da lei que está aí, constitui crime uma instância pública, ainda que de forma oblíqua, financiar o consumo e tolerar o tráfico, criando facilidades para que se crie uma “cidade do crack”. Se o indivíduo entende que consumir ou não é só uma questão individual, que a ninguém mais interessa, então que sentido faz o Estado atuar na reparação dos danos provocados pelo vício? Ou se vai partir do princípio amoral de que, na hora do prazer, cada um cuide de si, dividindo com terceiros apenas os prejuízos?

Em que país do mundo existe um programa de suposta “redução de danos” do consumo de drogas que financia moradia para viciados com dinheiro público, reunindo-os todos num único ambiente, protegidos de qualquer forma de censura ou de parâmetro sociais, entregues aos próprios delírios? Em que país do mundo o Estado garante o fluxo de dinheiro da atividade sob o pretexto de que está promovendo a integração dos viciados?

Ora, pais e mães que se tornam viciados migram para a Cracolândia com suas crianças; dependentes químicos se reproduzem. Aliás, a droga, qualquer pessoa que estuda o assunto sabe, elimina censuras, limites e interditos. Com frequência, mulheres se prostituem para conseguir a pedra, sem recorrer a nenhuma forma de proteção. Era só uma questão de tempo para que os hotéis de Haddad passassem a abrigar as crianças. Era fatal que acontecesse.

A cidade de São Paulo está servindo de balão de ensaio a um indivíduo lunático, inexperiente e arrogante. Basta ver a sua obsessão com as ciclovias. Quanto mais estúpida a sua escolha se mostra, mais ele insiste.

Os crimes que se cometem na Cracolândia pertencem à esfera das ações públicas incondicionadas. Cabe ao Ministério Público tomar as devidas providências para chamar as autoridades às suas responsabilidades. Eu absolutamente não me surpreendo que, hoje (leiam post), crianças convivam com viciados, sujeitas a todo tipo de violência, nos pardieiros financiados pelo ilustríssimo prefeito.

Eu sinto, já disse, uma enorme, uma profunda, uma devastadora vergonha. E faço o que me cabe fazer como jornalista: denuncio a impostura e a vigarice intelectual que está na raiz da tese que deu à luz o programa “Braços Abertos”.

Para arrematar, lembro que, não faz tempo, Haddad levou o príncipe Harry para conhecer a sua grande obra, as suas “crianças do crack”.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 15:10

Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Ou: Ainda faltam 851 dias para a gente se livrar dele!

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Ainda faltam 851 dias para São Paulo se libertar de Fernando Haddad. Poderiam ser apenas 850, mas 2016 é ano bissexto, e o alcaide nos deve mais esta: tomou um dia mais da nossa liberdade.  Haverá festa, estou certo. Uma alegria incontida há de tomar as ruas quando ele der as costas. Depois, começará o trabalho de reconstrução, ver o que sobrou da terra arrasada. Não será um trabalho fácil.

Na sexta, a rua Albuquerque Lins, caminho para a estação Marechal Deodoro, do metrô, estava congestionada, como sempre, inclusive com os carros comprados em razão da redução do IPI concedida pelos governos petistas de Lula e Dilma — uma medida correta, diga-se. Até governantes do PT podem acertar, como um relógio parado. Adiante.

Eis que, nesta segunda, a Albuquerque Lins amanheceu assim:

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Sim, o Selvagem da Bicicleta meteu uma ciclovia numa rua já famosa em Higienópolis e na Santa Cecília pelos engarrafamentos. Ela cruza a avenida Marechal Deodoro, que corre sob o Minhocão, com permissão para conversão à direita e à esquerda. Nos horários de pico, antes da faixa exclusiva para bicicleta, o quiproquó já era frequente. Impacientes, alguns motoristas forçam a tentativa de entrar na via principal, o trânsito colapsa, e tudo para. Com a ciclovia, será o inferno.

Fiz as duas fotos com celular por volta das 17h, antes de o pior acontecer. Vejam lá: não há bicicletas descendo, não há bicicletas subindo… O que se vê são os carros parados, em fila única.

A presidente Dilma me lê? Contaram-me que sim. Os magos do Palácio não conseguiram vetar a minha página. Eis aí, Soberana! A senhora não entende por que é tão alta a rejeição a seu nome em São Paulo, especialmente na capital? Lula não entende por que não consegue emplacar Alexandre Padilha?

Perguntem a Fernando Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Esse é apenas um dos malefícios de sua gestão na cidade. No dia em que este senhor deixar a Prefeitura, imaginem quanta área hoje inútil será liberada para o trânsito! Haja tinta preta para cobrir seus desmandos vermelhos!

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 15:51

Cidade de São Paulo: as veias abertas do petismo. Ou: As ideias fixas de Haddad que transformam a cidade num inferno

Vejam esta foto, que me foi enviada por um leitor. Já explico.

ciclovias

Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.” É Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Melhor um cisco no olho, um grânulo, um estrepe… Melhor um incômodo dessa ordem do que ser vítima de uma ideia fixa… É o que me ocorre quando penso nas ciclovias do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Que fique o alerta para os cidadãos do Brasil inteiro. Que fique o alerta para os prefeitos do Brasil inteiro. Não permitam que suas respectivas cidades caiam reféns de uma minoria organizada, que, como escreveu o próprio Machado, sempre hasteia sua bandeira particular à sombra da grande bandeira. No caso de São Paulo, a flâmula maior é a do petismo; as mesquinhas, de minorias radicalizadas, sob ela se abrigam e nos impõem a ditadura de seu gosto.

Haddad está determinado a criar 400 km de ciclovias na cidade até o fim de seu mandato, ao custo de R$ 80 milhões. Está há dois anos no poder. Boa parte dos paulistanos tem a sensação de que já são 200! As faixas vermelhas, a cor internacional desse tipo de pista, se espalham cidade afora, estrangulando o espaço dos carros, diminuindo a área de escape das motos — que hoje ajudam a movimentar a economia —, aumentando os congestionamentos, atrapalhando a vida de pedestres, criando severas perturbações no comércio. Há um clima de revolta em consideráveis setores da cidade. Não obstante, o prefeito, consta, aposta nas ciclovias para reverter a sua impopularidade. Fernando Haddad lembra o homem com a corda no pescoço que se mexe freneticamente para se livrar do incômodo. Quanto mais esperneia, mais terra lhe falta sob os pés, e mais a corda o constrange, até matá-lo. A diferença, nesse caso, é que uma cidade de milhões de pessoas padece com ele.

E por que ele age assim? Porque a grande bandeira de Haddad, o tal Arco do Futuro, ficou no passado. Nunca foi nada além de propaganda para caçar votos. Então sobraram as pequenas bandeiras, a das minorias aboletadas na Prefeitura. À Folha de S.Paulo, o prefeito afirmou: “É um programa de saúde, de esporte, de mobilidade, que dialoga com muitas demandas da sociedade”. É mesmo? Demanda de quem, santo Deus? Olhem, paulistanos, para as vastas solidões das ciclovias, que permanecem lá, vazias, com o seu vermelhão a cortar áreas da cidade, como veias abertas da estupidez e do autoritarismo. Não ocorre ao senhor prefeito que percorrer longos percursos de bicicleta requer, antes de tudo, certas condições físicas, o que restringe essa opção de transporte — se fosse realmente uma opção; não é — a uma faixa etária da população. A escolha é, antes de mais nada, autoritária, discriminatória. Uma coisa é a construção de ciclovias como um espaço suplementar para a circulação, a exemplo do que existe em algumas cidades do mundo. Outra, distinta, como se faz em São Paulo, é o estrangulamento da área de circulação da maioria em benefício de uma minoria.

O vermelho é a cor internacional das ciclovias. Mas é também a cor oficial do PT. Que cada morador de São Paulo jamais se esqueça, ao passar ao lado de uma delas, que o partido administrou a cidade e deixou uma herança.

A foto
Vejam a foto lá do alto. Haddad decidiu meter uma ciclovia na rua Boa Vista, na região central. Não circula nela uma viva alma sobre duas rodas. A área se tornou espaço para o estacionamento de carrinhos de catadores de lixo reciclável, os correspondentes contemporâneos do que Machado chamaria, a seu tempo, “almocreves”.

As ciclovias não são a única ideia fixa do prefeito. Ele tem outras: como fornecer recursos a viciados em crack para que alimentem o seu vício em… crack. É assim que traduzo o programa “Braços Abertos”. Está em curso a criação de uma nova área na cidade, no Parque D. Pedro II, em que se repetirão os erros cometidos na chamada Cracolândia.

Haddad, caros leitores, pagará o preço político por suas ideias fixas. O diabo é que a cidade pagará um preço ainda maior por suas obsessões.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2014

às 4:37

Haddad e Boulos se comportam como donos de SP; prefeito cede uma área da cidade para o MTST e manda às favas milhares que aguardam na fila à espera de casa. Não governa para os paulistanos, mas para os militantes do coxinha de esquerda e para os radicais-chiques da imprensa

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Se alguém tinha alguma dúvida de que Guilherme Boulos, o tal líder do MTST, é apenas um braço do petismo e opera em parceria com o prefeito da cidade, Fernando Haddad (PT), a dúvida agora desapareceu. O prefeito sancionou a lei que destina a área conhecida como “Copa do Povo” a moradias populares. Até aí, vá lá… Mas ele fez mais do que isso: ao vetar dois dispositivos da lei, entregou o terreno de 150 mil metros quadrados, de mão beijada, a Boulos e a seus comandados. Assim, as pessoas já cadastradas e que estão na fila à espera de moradia na cidade de São Paulo que se danem! Elas que fiquem mofando! A turma do Coxinha Radical tem a preferência.

Faz sentido. Boulos e Haddad, a rigor, são expressões aparentemente distintas, mas só aparentemente!,  da mesma pessoa. Eles são um tipo social. Ambos vêm da classe média alta, julgam-se intelectuais e se dizem socialistas. Um decidiu ser, digamos assim, mais institucional e vestir terninho; o outro parte para a ação direta e faz o estilo molambento-pensador. Em comum, parecem nutrir um profundo ódio pelas pessoas que decidem se comportar segundo as regras do regime democrático. Ambos dão sinais de que odeiam a cidade de São Paulo e os paulistanos.

O busílis é o seguinte. Havia sido aprovada uma lei pela Câmara, com o apoio da base aliada de Haddad, diga-se, que destinava, sim, a tal área, que fica a três quilômetros do Itaquerão, a moradias populares. Mas havia nela um dispositivo: as casas construídas estariam vinculadas à “demanda cadastrada” pela Secretaria de Habitação em bairros próximos. Vale dizer: teria a primazia quem se inscreveu primeiro. Mais: se recebesse edificações do “Minha Casa Minha Vida”, que é federal, ou do Casa Paulistana (que é estadual), o projeto tinha de passar pela aprovação do Conselho Municipal de Habitação. O prefeito vetou os dois dispositivos.

Haddad dá, assim, um golpe até nos vereadores de sua base que negociaram a proposta. Como é uma região industrial, só era possível construir no local uma vez a área do terreno. O prefeito liberou edifícios de até 28 metros, com construção equivalente a quatro vezes a área. Assim, poderão ser erguidas ali, em tese ao menos, as duas mil moradias reivindicadas pelo MTST.

A Prefeitura, cinicamente, nega que a fila esteja sendo furada porque, segundo diz, “não há brecha para isso”, já que os programas federal e estadual têm suas próprias regras. E daí? As casas do MTST vão ser construídas por quem? Ainda que se viabilize algum outro projeto, deixou-se de destinar um terreno àqueles dois programas; se acabar, como acredito que aconteça, sendo servido por um deles, é evidente que a fila foi, sim, furada.

Boulos, como é de seu estilo, deu de ombros. Não está nem aí. Ignorando os milhares de pessoas inscritas nos dois programas, diz que essa tal “fila é mistificada e usada politicamente pelos vereadores”. Como a gente sabe, o único com direito de fazer política é ele próprio, justamente o que não foi eleito por ninguém.

Alguém ainda quer saber por que Fernando Haddad é rejeitado por 47% dos paulistanos? Pois é… Este senhor não governa para os moradores da cidade. O que ele faz é atender à sua clientela de militantes dos ditos movimentos sociais e de radicais-chiques da imprensa. Haddad é o prefeito dos sem-teto — mas apenas dos sem-teto de Boulos — e dos sem-ciclovia, com suas magrelas descoladas e seus capacetes inteligentes e caros.

Haddad é, em suma, a soma da mistificação socialista com a metafísica do selim.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 17:56

Alô, Semanário de Xiririca da Serra! Haddad está concedendo entrevistas exclusivas!

O prefeito Fernando Haddad, pelo visto, também acha que tem muitas explicações a dar. Enquanto escrevo este post, lá está ele em mais uma entrevista na TV. Se o Semanário de Xiririca da Serra quiser, ele concede uma exclusiva. Nunca vi uma, como diz a turma que lida com a marquetologia, “operação de mídia” como essa.

No mais das vezes, tome bola levantada na rede para que ele demonstre como está mudando a cultura da cidade — ainda que as pessoas não tenham percebido. Os eleitores pensavam estar elegendo um prefeito, mas estavam ungindo um, como ele acha de si, “revolucionário”.

Haddad está convicto de que as pessoas querem uma “revolução”, mas sem mudar nada. Quem quer a “revolução” e qual o seu conteúdo, isso não está muito claro, não. Parece que, por enquanto, a mudança consiste em bagunçar o coreto de todo mundo. A felicidade vem depois. É uma espécie de máxima das esquerdas: a construção do novo homem e do futuro passa por algumas dificuldades objetivas, como sofrimento e mortes. Mas um dia vem a salvação.

Então tá. Aló, Semanário de Xiririca da Serra! Há prefeito querendo dar entrevista exclusiva. O PT precisa disso para tentar diminuir a rejeição de Haddad e, assim, ver se alavanca a candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. A ordem é de Lula.

Por Reinaldo Azevedo
 

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