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Fernando Haddad

01/09/2015

às 7:23

Haddad, acreditem, quer proibir o Pixuleko em SP. Chegou a hora de criar o “Mixureko”, o inflável em homenagem ao prefeito!

Pixuleko em protesto havido no domingo na Avenida Paulista. Haddad quer proibi-lo em nome dos petistas limpinhos... (Foto: Aruaye Schmidt)

Pixuleko em protesto havido no domingo na Avenida Paulista. Haddad quer proibi-lo em nome dos petistas limpinhos… (Foto: Aruay  Goldschmidt)

De tão autoritária, a ideia chega a ser ridícula. De tão ridícula, chega a ser cômica. Mas bufões com vocação de tiranos na Prefeitura de São Paulo não são nenhuma novidade. Acreditem: a administração petista está mesmo levando a sério a possibilidade de proibir a exibição do Pixuleko com base na Lei Cidade Limpa. A que estágio essa gente não pode se degradar, não é mesmo? O boneco, claro, “pegou”. A cada vez que é exibido, ele liga a obra a seu autor.

Então vamos ver. Nas manifestações do Movimento Passe Livre, que fez campanha para Fernando Haddad, não custa lembrar, uma grande catraca sempre serviu de símbolo. Depois de os bandidos mascarados incendiarem ônibus, atacarem estações de metrô e depredarem bancos, a tal catraca era queimada. E nunca ocorreu aos petistas que pudesse haver ilegalidade naquilo tudo.

Mais do que isso: Gilberto Carvalho, então secretário-geral da Presidência, recebeu os burguesotes enfezados do Passe Livre no Palácio do Planalto. Em setores da imprensa, eram tratados como heróis. Quebrar pode. Incendiar pode. Depredar pode. Bater em policial pode. Provocar a desordem na cidade pode. Mas exibir um boneco? Ah, isso fere a Lei Cidade Limpa.

Fernando Haddad, definitivamente, é um político patético.

A íntegra da Lei Municipal 14.223, conhecida como “Cidade Limpa” está aqui. Tentem achar ali um só dispositivo que impeça a exibição do Pixuleko. De resto, alguém precisa avisar o senhor prefeito que existe uma hierarquia que coroa a Constituição como a Lei Magna do país. Se existe algum dispositivo na legislação municipal que viole o fundamento da liberdade de expressão, garantido pelo Artigo 5º da Carta, então está automaticamente sem efeito.

O petismo, de fato, é a subversão da lógica, da moral, da ética e da verdade. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2.016/15 (íntegra aqui), que pune organizações terroristas. As esquerdas dizem que o texto, se aprovado, servirá para perseguir militantes políticos. É mentira. E sabem por que é? Porque o Parágrafo 3º do Artigo 1º exclui do crime de terrorismo “a conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais ou sindicais movidos por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender ou buscar direitos, garantias e liberdades constitucionais”.

Entenderam? Se extremistas como MTST, MST, Passe Livre e outros grupelhos de extrema esquerda meterem fogo em ônibus ou impedirem a circulação de trens e metrô, mediante coação de qualquer natureza, isso não será enquadrado como ação terrorista.

Certo! Este é o país em que se pode pôr em risco a vida de milhares de pessoas, mas não se pode exibir um boneco criticando Lula.

Chegou a hora de fazer o “Mixureko”, um boneco em homenagem a Fernando Haddad.

PS: Cadê os cartunistas para protestar contra a censura? Eles estão se dando conta de que a perseguição a um boneco pode ser o início da perseguição às charges? Será que terei de desenhar? Não me obrigue a isso, Laerte!

Texto publicado originalmente às 2h52
Por Reinaldo Azevedo

16/08/2015

às 22:02

Homem de Haddad diz que manifestantes são “crianças que perderam o pirulito”

Há pelo menos um homem forte, à sua maneira, na Prefeitura de São Paulo: Jilmar Tatto, secretário de Transportes. É ele o responsável por algumas das mais desastradas decisões na área.

Ele esteve no Instituto Lula, lá na patuscada armada pelo PT. Vamos ver o que ele acha de uma manifestação que tomou os quatro cantos do país:
“É um ato político-partidário de quem não aceitou a eleição. Criança que perdeu o pirulito e não se conforma. Medo do Lula voltar em 2018.”

Eis aí. Hoje, milhares vão às ruas, entre outros motivos, para combater arrogantes dessa espécie, que poderiam ao menos, vá lá, ser competentes.

Por Reinaldo Azevedo

14/08/2015

às 3:23

Haddad quer trocar nomes de logradouros que homenageiem personagens ligadas ao regime militar. É um farsante político!

O elevado Costa e Silva fere a sensibilidade democrática de Haddad...

O elevado Costa e Silva fere a sensibilidade democrática de Fernando Haddad…

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não passa de um demagogo barato — e exerce, ora vejam, o pior tipo de demagogia, que é aquela voltada para as minorias radicalizadas que o aplaudem, pouco importa a causa que abracem. Provoca em mim aquela estranha sensação da “vergonha alheia”. Sempre que o vejo, eu me penso em seu lugar, indagando-me: “Que diabos, afinal, eu estou fazendo aqui?”. Agora ele decidiu que a cidade precisa mudar o nome de logradouros públicos que homenageiem pessoas que colaboraram com o regime militar. Vou demonstrar por que não passa de um farsante político. Antes, algumas considerações.

Haddad é ruim pra fazer creches. Haddad é ruim pra fazer casas próprias. Haddad é ruim pra fazer corredores de ônibus. Haddad é ruim pra fazer ciclofaixas — sim, elas são verdadeiros atentados ao planejamento, ao urbanismo e à segurança de eventuais ciclistas e dos pedestres.

Haddad é um discurso em busca de eficiência.

Haddad é uma militância em busca de uma causa.

Haddad é um reformador em busca do desacerto do mundo.

Haddad é um político em busca de uma política.

Haddad é um desocupado em busca de uma ocupação.

Haddad é o petismo na sua fase de esclerose.

Haddad é a minoria chique cansada do que considera vulgaridade dos pobres.

Haddad é o Pestana municipal do conto “Um Homem Célebre”, de Machado de Assis. Ele gostaria de ser o criador de uma sinfonia administrativa, mas de seu cérebro travesso não saem senão polcas: ideias mixurucas e malsucedidas.

Haddad não é nem uma inteligência em busca de um caráter nem um caráter em busca de uma inteligência. Haddad não se mede por esses critérios; tampouco devemos forçar a sintaxe para pôr em relação transitiva esses dois substantivos.

Cheguemos ao ponto. Não podendo oferecer creches, casas ou corredores de ônibus, o prefeito resolveu mudar o nome de logradouros da cidade. Quer banir homenagens a pessoas que colaboraram com a ditadura. O objetivo parece nobre e certamente cairá no gosto das minorias radicalizadas que o aplaudem. Amplos setores da imprensa babarão de satisfação.

O projeto, como tudo de sua lavra, tem um nome pomposo para uma tese cretina: “Ruas da Memória”. A primeira proposta já foi encaminhada para a Câmara Municipal e quer trocar o nome do Viaduto 31 de Março por viaduto Therezinha Zerbini, uma das pessoas que lutaram pela anistia no país.

Notem! Todos os dias surgem uma ou mais destas coisas: ruas, praças, vias, canteiros, parques, jardins, escolas, postos de saúde… Escolham aí. Não me oponho a que Therezinha Zerbini e outros possam ser homenageados. Mudar, no entanto, o nome de um logradouro frauda a história em vez de resgatá-la. Ora, é preciso que se tenha claro — e isto também faz parte da nossa trajetória — que houve um tempo em que se batizou um viaduto homenageando a data de um golpe militar.

Eu gosto disso? Eu não! Mas, até aqui, Haddad só está sendo estúpido. Ainda não provei ser um farsante político nessa questão. Vou provar já, já. Falo ainda um tanto mais da estupidez. Embora não seja da alçada municipal, pergunto: devemos lastimar todas as vezes em que lemos o nome “Fundação Getulio Vargas”? Alguém nega que tenha sido um ditador? Alguém nega que o Estado Novo tenha matado e torturado mais do que a ditadura militar? Alguém nega o caráter obviamente autoritário do seu primeiro período à frente da Presidência?

O que Haddad quer? Seguir os passos de uma escola na Bahia, que mudou o seu nome de Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici para Colégio Estadual Carlos Marighella, de sorte que saiu o ditador para entrar, em seu lugar, um assassino?

Reitero: à luz da história, mesmo eventos dessa natureza história são. Não se pode reinventá-la, ainda que se possa reescrevê-la com vieses distintos.

O farsante
Mas esse é só terreno da estultice teórica do professor Haddad. Há a farsa política. Na lista dos logradouros cujo nome ele quer alterar está o Elevado Costa e Silva, conhecido país afora como “Minhocão”, um monumento ao horror arquitetônico erguido na cidade por Paulo Maluf e inaugurado no dia 25 de janeiro de 1971. O nome é uma homenagem ao general ditador que governou o Brasil entre 15 de março de 1967 e 31 de agosto de 1969. O homem que assinou o AI-5 ganhou o agrado, anunciado quando ainda estava vivo, porque foi quem indicou Maluf para a Prefeitura.

Haddad, este grande amante dos direitos humanos, ora vejam, não quer um elevado com o nome de Costa Silva, mas tem justamente em Paulo Maluf, um dos políticos que colaboraram mais ativamente com a ditadura, um de seus principais aliados na cidade. Haddad quer mudar o nome do elevado, mas entregou a Maluf as chaves da companhia municipal de habitação, a Cohab, com orçamento de mais de R$ 200 milhões e mais de 100 cargos de confiança, de livre nomeação.

A aliança política do bom garoto com Maluf, que deu nome ao elevado, é ética superior

A aliança do bom garoto com Maluf, que deu nome ao elevado, é ética superior

Ainda agora, Maluf está empenhado em impedir que o apresentador José Luís Datena se lance candidato a prefeito pelo PP porque quer manter os cargos na Prefeitura até a undécima hora. Acha que nem Datena nem Haddad vencerão, mas não quer largar o osso antes da hora.

O prefeito que trocou afagos com Maluf nos jardins da Babilônia da casa do velho matreiro, com a mediação de outro velho matreiro, Lula, sabe que as Mafaldinhas & Remelentos de esquerda se contentam com a troca do nome de um viaduto. Que importa que a área de habitação esteja entregue àquele que batizou o elevado com o nome do general? Haddad chuta os beneficiários mortos da ditadura militar e se ajoelha diante dos beneficiários vivos. Homem corajoso!

Haddad é a fraude política mais engomadinha que São Paulo já produziu. É mais uma das heranças malditas de Lula. Mas terá vida política curta. Por seus próprios méritos.

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2015

às 2:13

Tribunal de Contas da União aponta sobrepreço em licitação de Haddad

Por Daniela Lima, na Folha:
Auditores do TCU (Tribunal de Contas da União) apontaram uma série de indícios de irregularidades, inclusive sobrepreço de R$ 65,8 milhões, em licitação formulada pela Prefeitura de São Paulo para dois corredores de ônibus na capital. Os técnicos mencionam um aumento na estimativa de custos de R$ 29,6 milhões em trechos do projeto que liga o Itaim Paulista a São Mateus, e de R$ 36,2 milhões no corredor Radial Leste. As inconsistências identificadas na investigação levaram os auditores a pedir o cancelamento da licitação. O caso está nas mãos do ministro Bruno Dantas.

Essa é a segunda investigação desfavorável enfrentada pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) na licitação dos corredores. A mesma concorrência já havia sido barrada pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) e está suspensa desde o dia 18 de junho. A decisão do TCU adiciona, portanto, novo problema à prefeitura, que agora precisará se adequar às recomendações das duas cortes para poder liberar a obra.

A licitação paulistana só entrou no radar do TCU porque conta com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. Os auditores utilizaram as planilhas de custos e orçamentos para fazer a análise dos preços previstos na licitação e disseram ter encontrado indícios de que os valores previstos estavam inflacionados “frente ao [praticado no] mercado”. Com relação especificamente ao trecho 3 do corredor da Radial Leste, o TCU viu ainda “restrição da competitividade decorrente de critérios inadequados de habilitação e julgamento” para definir as empresas que seriam contratadas para a obra.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/07/2015

às 16:21

A bicicleta ultrapassa um carro na Marginal Pinheiros. Parabéns, Haddad!

Vejam o vídeo abaixo. É um emblema da era Haddad. Um motorista filma o momento em que seu carro, obrigado a trafegar a 50 km/h na pista local da Marginal Pinheiros, é ultrapassado por uma bicicleta!

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2015

às 3:36

O desastre Haddad, o marxista que levaria um pé nos fundilhos até do… próprio Marx!

Vejam alguns memes que circularam ontem na Internet.

Marginais 1

Marginais 2

Maerginais 3

Se havia alguma dúvida de que a maior cidade do país está entregue a um amador desastrado, ela se dissipou nesta terça. Em entrevista à rádio Estadão, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (SP), afirmou que pode recuar da decisão de reduzir a velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê. Segundo ele, trata-se de uma ação experimental. E a prefeitura ainda pode voltar atrás. Ah bom! Como se sabe, com a intenção declarada de reduzir o número de atropelamentos, o limite na pista expressa caiu de 90 km/h para 70 km/h, e na local, de 70 km/h para 50 hm/h.

Disse o prefeito: “Vamos divulgar os resultados (dos relatórios da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET). A sociedade vai acompanhar e depois vai poder ou consolidar esta política ou eventualmente rever, se for o caso”. Afirmou mais: “É bastante lógico pelo menos experimentar, verificar como, pela redução da velocidade máxima, se consegue uma velocidade média maior”.

Dita a coisa de outro modo: Haddad decidiu que a maior cidade do Brasil é um campo de testes de um amador arrogante, que vai fazendo o que lhe dá na telha e que alimenta um profundo desprezo pela inteligência alheia.

O paulistano vem aguentando muito desaforo da inexperiência prepotente de Haddad. Essa história das marginais foi a gota d’água. Os memes na Internet ironizando a sua decisão estúpida se multiplicaram ontem, a exemplo do que se vê lá no alto e abaixo.

Maginais 4

Marginais 5

Haddad está pouco se lixando se as suas propostas para a cidade são ou não eficientes. Ele está mais interessado em fazer triunfar as suas ideias. Nesse sentido, carrega o pior vício de certo idealismo autoritário que, ora vejam, era criticado até pelo próprio Marx, que podia ser maligno, mas não era burro.

No livro “A Ideologia Alemã”, ele explica por que a Alemanha acabou perdendo para a França a região da Alsácia-Lorena. Ele diz que os alemães, em vez de pilhar o estado francês, preferiam pilhar a filosofia francesa; em vez de germanizar as províncias dos inimigos com ações práticas, preferiam tentar germanizar a sua filosofia. Assim faz o subintelectual Fernando Haddad: em vez de ele demonstrar, então, a superioridade do seu entendimento da cidade, tornando melhor a vida das pessoas e mais eficiente a gestão, ele prefere colonizar mentes.

Haddd se ocupa menos de fazer a cidade funcionar do que de tentar demonstrar o acerto de suas teorias, amparado por uma minoria de radicais. Se colhe resultados contrários ao pretendido, ele, então, acusa o reacionarismo dos críticos. FHC, um intelectual de verdade, nunca disse “esqueçam o que eu escrevi”. Isso é mentira! Se tivesse dito, no entanto, não teria sido ruim para ninguém.

A democracia consiste na melhor saída técnica possível, endossada por uma maioria, em busca do consenso também possível. Só as mentalidades autoritárias, tendentes à tirania, imaginam que sua função, no comando do estado, seja permanentemente desafiar o senso comum com uma sabedoria supostamente superior. Haddad governa incitado por minorais organizadas que acreditam, também elas, que sua função é igualmente, colonizar mentalidades.

A gestão não é apenas desastrada. Ela se orienta ainda por critérios que parecem ser de inequívoca má-fé técnica.

Reportagem da Folha desta terça evidencia, por exemplo, que, “na versão da São Paulo oficial, a promessa petista de construir 150 km de corredores de ônibus até o fim do mandato, em 2016, aparece com 51,9% de avanço. Na versão real da cidade, no entanto, só foram entregues 2,3 km de corredores, o equivalente a 1,5% da meta”. Entenderam?

E como o prefeito consegue o milagre da multiplicação de obras? É que Haddad contabiliza como obra parcialmente realizada as etapas burocráticas para a sua futura eventual realização. Mais um exemplo? “O prefeito prometeu construir 55 mil unidades habitacionais. No site em que o cidadão pode acompanhar as metas, o avanço da promessa é de 45,2%. Mas a prefeitura só entregou 4.944 apartamentos (8,9% do total).” E como se faz isso? O jornal explica: “O segredo está no jeito como a meta é descrita no site: ‘obter terrenos, projetar, licitar, licenciar, garantir a fonte de financiamento e produzir 55 mil unidades’. A cada uma dessas etapas é atribuído um peso, possibilitando, por exemplo, que o desempenho chegue a 40% antes mesmo da criação de um canteiro de obras”.

Que coisa!

Se Haddad estabelecer amanhã que a cidade de São Paulo mandará uma nave tripulada à Lua, tão logo ele crie um grupo de trabalho para cuidar do assunto e para selecionar os astronautas, ele dirá que a cidade já cumpriu ao menos 10% da meta da… conquista da Lua.

Justiça, vá lá, se lhe faça: também os petistas se irritam com Haddad para valer e estão entre seus maiores críticos. Ele, de fato, é um homem que chega bem perto da unanimidade.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2015

às 16:04

Olá, paulistano! Como o Haddad pode te atrapalhar hoje?

Circula na Internet. Ainda volto a este senhor.

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Por Reinaldo Azevedo

08/07/2015

às 3:56

Como Haddad trata as ciclofaixas dos pobres e as ciclovias dos ricos. Ou: À moda Stálin

Ciclofaixa da rua Bento Guelf: a lama tomou a pista Fotos de Luiz Calos Murauskas/Folhapress)

Ciclofaixa da rua Bento Guelf: a lama tomou a pista –  Fotos de Luiz Calos Murauskas/Folhapress)

Uma reportagem da Folha desta quarta desmoraliza de vez o programa — se assim se pode chamar — de ciclovias da cidade de São Paulo, a única, como direi?, obra de vulto de Fernando Haddad. Não só isso: a reportagem evidencia também, ainda que sem querer, as consequências de uma política autoritária e elitista. Já chego lá. Antes, uma digressão importante.

Haddad está com rinite alérgica. Por isso, decidiu tirar uma licença, que terminaria na quinta. Mas aí vem o feriado de 9 de Julho, então ele resolveu fazer a revolução constitucionalista do seu próprio conforto. Só volta na segunda próxima. Para quem nunca havia exibido sinais dessa moléstia leve, parece que a dele foi brava. Tenho rinite há 45 anos e nunca perdi um dia de serviço por causa disso.

Mas não reclamo, não! Que o prefeito Haddad fique na casa dele ou sei lá onde. Ele está naquela categoria de homens que rendem o dobro quando trabalham a metade. Se ficam, então, sem fazer nada: melhor! Não perturbam a vida de quem é ocupado. Assim, digo eu, fique em casa, prefeito! Mas volto às ciclofaixas.

A Folha visitou algumas em vários pontos da periferia. Reproduzo: “as ciclovias estão tomadas por sujeira, buracos, enchente, falta de sinalização, iluminação e fiscalização”. As fotos revelam a nojeira. Mas não só. O jornal traz outro dado relevante. “Das 32 subprefeituras da capital, só 6 não ganharam ainda ciclovias sob a gestão Haddad, todas na periferia: Sapopemba, Itaim Paulista e Guaianases, na zona leste, M’Boi Mirim, Cidade Ademar e Parelheiros, na zona sul. Desses locais, Sapopemba, Itaim Paulista e Cidade Ademar têm mais de duas mil viagens de bicicleta por dia, segundo pesquisa do Metrô. Entre 96 distritos, eles fazem parte dos 20 com mais ciclistas.”

Avenida dos Estados: a esta "coisa", Haddad tem a coragem de chamar "ciclofaixa"... Pra pobre tá bom demais, né, gente?

Avenida dos Estados: a esta “coisa”, Haddad tem a coragem de chamar “ciclofaixa”… Pra pobre tá bom demais, né, gente?

Ao explicar o estado miserável das ciclofaixas na periferia, o diretor de planejamento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Tadeu Leite, afirma que as ciclovias chegam em alguns bairros periféricos antes de outras melhorias de infraestrutura. Pois é… Ocorre que aí não está a desculpa, mas a natureza do problema. Em vez de concorrer para melhorar, então, a infraestrutura das áreas mais pobres, Haddad opta por lhes dar de presente aquela faixa vermelho-amarronzada.

Tem explicação
Como se explica que haja mais ciclofaixas na região central e em áreas ricas, onde há menos bicicletas, do que nas áreas pobres e por que o estado de abandono das pistas na periferia? Para chegar à resposta, é preciso entrar um pouco na cabeça de um esquerdista como Haddad.

Um político como ele não está interessado na eficiência. Ao implementar aqueles desertos vermelhos, ele não está pensando na mobilidade — ou faria tudo com mais vagar, com mais cuidado, com mais perícia, com mais diálogo com os moradores. Esquerdistas não estão nem aí para a realidade. Eles pretendem é vender uma ideia e reeducar as pessoas a seu modo.

Os comunistas, por exemplo, nunca se importaram se suas escolhas iriam dar certo ou errado. Queriam era o triunfo de um valor. Durante a coletivização forçada da agricultura na extinta URSS, empreendida por Stálin, calcula-se que morreram 25 milhões de pessoas. É que o bigodudo assassino não estava coletivizando para matar a fome de ninguém. Ele o fazia porque queria pôr fim à propriedade privada no campo.

Haddad, um discípulo de Stálin e autor de um livro sobre a viabilidade do sistema soviético quando este já chegara ao fim, não implementa ciclovias para fazer o trânsito fluir melhor, para atender à demanda dos poucos que andam de bicicleta, para tornar melhor a vida na cidade. Ele as implanta porque é autor de uma tese. E quer impô-la onde há mais reação.

Assim, a área central e alguns bairros mais ricos, onde Haddad impôs as ciclofaixas, são para ele o que a Ucrânia foi para Stálin durante a coletivização forçada da agricultura. Se pudesse, o prefeito metia uma faixa nos quintais. Perto ele já está: em alguns lugares, elas foram desenhadas nas calçadas.

A natureza do ciclofaixismo de Haddad está exposta: ele quer comprar briga com aqueles que não votaram nem votarão nele e largou ao léu os que votaram. Afinal, ele é um homem de esquerda.

Vila Prudente: graças a Deus, não existem os ciclistas! Ou eles quebrariam a cabeça...

Vila Prudente: graças a Deus, não existem os ciclistas! Ou eles quebrariam a cabeça…

Por Reinaldo Azevedo

06/07/2015

às 16:43

Vamos lá, Haddad! Comemore a derrocada da indústria automobilística!!!

Alô, prefeito Fernando Haddad, apontado por alguns como o futuro do PT — eu também acho, só que é o futuro do pretérito, né? Seria, poderia, iria… Não será. Não poderá. Não irá. Mas volto: o prefeito Haddad tem de chamar seus milicianos de capacete e “collant” pra comemorar:  a produção de veículos teve o pior resultado para o primeiro semestre em nove anos. A fabricação de carros, caminhões e ônibus caiu 18,5% entre janeiro e junho deste ano. Que tal? Não consta que a queda tenha sido compensada pela alta da produção de bicicletas.

Aí o sujeito que se acha esperto, mas é mais lento do que supõe, afirma e indaga: “Esse Reinaldo gosta tanto de falar mal do prefeito que mistura alhos com bugalhos. O que uma coisa tem a ver com outra?”. Ah, respondo. As falas, as militâncias, a escolhas, as opções, tudo isso existe num dado tempo histórico e compõe o espírito de uma era.

A cidade de São Paulo é o principal mercado consumidor de automóveis, indústria cuja cadeia gera milhares de empregos. Ainda que seja desejável que a cidade encontre caminhos novos para a mobilidade, é evidente que o prefeito estimula, de forma irresponsável, a hostilidade aos motoristas. Haddad, conselheiro de Lula e uma das figuras principais do PT, partido do poder, trata os donos de automóveis como marginais.

E é por isso que, então, convoco o prefeito a aplaudir a derrocada da indústria automobilística, ora essa! Ou os bacanas que parecem querer banir os carros da cidade pensam nos efeitos de suas escolhas na vida dos pobres? Esses caras são de tal sorte arrogantes que decidem fechar até a Avenida Paulista num domingo, cassando ônibus de pobre, em nome de um futuro melhor. É gente que ama a natureza sem gente!

De resto, quem dera a queda na produção de veículos tivesse a ver com essa cultura da frescura do PT em decomposição. Mas a coisa é mais grave. Somente para a categoria de caminhões, a produção caiu 35,5% em junho sobre junho de 2014, acumulando no semestre tombo de 45,2%. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, destacou ainda que a fabricação de caminhões no mês só não foi menor que a de junho de 1999. “A confiança dos consumidores está bastante abalada”, disse Moan.

O nome disso, meus caros, é recessão.

Afinal, eles não são apenas deslumbrados. São também incompetentes.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2015

às 17:02

CICLOFAIXISMO DE HADDAD VIRA CICLOFASCISMO E EXPULSA DA VIA PÚBLICA QUEM NÃO REZA PELA CARTEIRINHA DO PT. OU: HADDAD É O PT NA SUA FASE ESCLERÓTICA

É claro que, em princípio, as ciclofaixas e as ciclovias não têm ideologia, certo? Ninguém é contra a coisa em si. O que se contesta na cidade de São Paulo é a maneira autoritária como o programa vem sendo implementado. Fernando Haddad não fala com ninguém. Parece que as pistas exclusivas para bicicletas são uma questão privada, que só dizem respeito ao prefeito e à turma que pedala.

Entendo: essa é a cara de Haddad e, em larga medida, do PT. O conjunto da população que se dane. Eles só dão bola para grupelhos organizados. Já escrevi isso aqui: para ser ouvido por essa gente, é preciso pertencer a algum “sindicato moral”: dos ciclistas, dos gays, dos negros, das mulheres etc. O cidadão comum, na era da balcanização das causas, é um pária. Seu dever é trabalhar, pagar impostos e ser xingado de “coxinha” pelo prefeito — ele próprio o, como batizei, “Supercoxinha”, só que da esquerda do Complexo PUCUSP.

A festa de inauguração da ciclovia da Paulista virou um ato político. Os eleitores de Haddad estavam lá. Todos eles — se é que me entendem. Um grupo de representantes do Movimento Brasil Livre, que também queria andar de bicicleta, resolveu pedalar, mas também protestar.

A turma teve de ser retirada da avenida — um espaço público — porque alguns ciclofascistas, disfarçados de ciclofaixistas, não aceitavam a diversidade na via pública. Ou melhor: eles aceitam a diversidade desde que dentro da unidade. Se o sujeito aparecer de escafandro, cavalgando um hipopótamo ou se acasalando com um rinoceronte, aí pode — desde que alinhado com as teses da esquerda chique — que, bem, logo terá de deixar de comer caviar, seguindo o mesmo princípio que baniu da cidade de São Paulo o “foie gras”.

A polícia teve de escoltar a retirada dos que protestavam contra o PT. Ali, para usar capacete e exibir a última moda dos apetrechos da pós-modernidade ciclística, é preciso ou ser um dinossauro de esquerda ou, quando menos, se calar.

Haddad é a expressão acabada do petismo na sua fase esclerótica. 

Por Reinaldo Azevedo

26/05/2015

às 4:56

Lula, como lobista de Haddad, pede que Dilma libere R$ 8 bilhões para prefeito; é o medo das urnas

Há dias circulou uma informação que deixou perplexas as pessoas que acompanham de perto a política. Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, o mais impopular desde Celso Pitta, obcecado pelo ciclofaixismo, mas não pelo infanto-crechismo, é um dos conselheiros de Luiz Inácio Lula da Silva. Sim, o Babalorixá de Banânia montou um grupo para pensar seu futuro político, e o homem que faz uma das gestões mais desastradas e ineficientes da história da capital paulista, segundo avaliação do próprio povo, é um dos pensadores da equipe. Expressei aqui a minha satisfação ao saber disso.

Agora circula a informação de que isso não é de graça, né? Segundo informam Natuza Nery e Marina Dias, na Folha, Lula está a pressionar Dilma para que ela libere R$ 8 bilhões do PAC para obras em São Paulo. O desespero, meus caros, é o eleitoral mesmo. A companheirada avalia que, sem essa dinheirama, as chances de o petista ser reeleito são muito pequenas. Eu diria que, com o dinheiro, também…

Na sexta, Lula se encontrou com Dilma na Granja do Torto. Os dois trataram do pacote fiscal e de eventuais concessões que o governo ainda poderia fazer ao petismo. Já comentei aqui. Enquanto Michel Temer, coordenador político do governo, tentava convencer senadores a votar as MPs como estão, Lula tentava mudar seu conteúdo em conversa ao pé do ouvido.

Agora, uma outra informação. Ele estava cuidando também do futuro do seu partido em São Paulo. O país à beira de uma boa bagunça, e o Apedeuta lá, fazendo um biscate como intermediário de verbas para um prefeito amigo, também seu conselheiro…

Lula quer mais: reivindicou ainda, informa a reportagem, que ministros paulistas deem plantão em São Paulo para colaborar com Haddad. Huuummm… Se não me engano, isso foi tentando na campanha eleitoral de Dilma e de Padilha. Parece que não funcionou, não é? Acho que as coisas na cidade não andam assim tão fáceis.

O chefão petista quer a dinheirama para criar uma “marca na periferia”. Afinal, né?, nas áreas pobres, não há nem ciclofaixismo nem infanto-crechismo. Espero que Lula não sugira, sei lá, a farta distribuição de miçangas… Estão, em suma, em busca de um discurso. Como é que, mais uma vez, os petistas vão brincar da luta de ricos contra pobres, agora que os pobres começam a descobrir que os governos, e não os ricos, costumam estar na raiz de sua pobreza?

Consta que Lula quer o dinheiro para a construção de 11 corredores de ônibus na periferia, obras contra enchentes e a construção de 55 mil moradias. Sei… Haddad passou dois anos e meio brincando de desfilar de shortinho e capacete em ciclofaixas para ninguém. No ano e pouco que falta até a eleição, quer ser o prefeito operoso. E isso num momento em que o governo precisa cortar gastos.

Eis a que foi reduzido Lula, que já foi chamado por aqui de “estadista”. Melhor teria sido ter cumprido a promessa e ficado na chácara cozinhando coelho.

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2015

às 5:02

Haddad e Chalita: a soma do esquerdista buliçoso com o conservador aborrecido resulta em milhares de crianças sem creche

Ai, ai, vamos lá. Fernando Haddad, apresentado à cidade de São Paulo como o “homem novo”, venceu a disputa eleitoral oferecendo aos deslumbrados uma maquete, inventada pelo marqueteiro João Santana, que atendia pelo nome de “Arco do Futuro”. Ninguém entendia que estrovenga era aquela, mas parecia moderno, e os jornalistas ditos progressistas das redações tinham verdadeiros frêmitos, quase gozosos. Nota: foi a segunda vez que uma maquete venceu a eleição; na primeira, Duda Mendonça inventou o Fura-Fila de Celso Pitta… Mas Haddad não ficou só nisso: também capturou muitos pobres prometendo zerar o déficit de vagas de creche na cidade. E dizia de boca cheia que o faria em parceria com a “presidenta Dilma Rousseff”.

Acabou! Já era! O Arco do Futuro ficou no passado. Ninguém nem mais se lembra daquela besteira. De concreto, o que se tem uma cidade rasgada por ciclofaixas da cor vermelho-deserto, uma invenção haddadiana, e só. Os deslumbrados ficaram sem seu arco, e os pobres sem as creches. Nesta terça, a Prefeitura anunciou que não vai, é claro, cumprir a promessa de construir 243 unidades até 2016. Era só para ganhar a eleição.

Por que não? Ora, a explicação cândida é uma só: falta de dinheiro. É? Mas de onde Haddad disse que tiraria os recursos, quando disputou a eleição em 2012? Ele não conhecia o orçamento da cidade? Que homem curioso! Na sua gestão, caiu drasticamente o número  de atendimentos do serviço municipal de Saúde. Explicação? Segundo a Prefeitura, faltam médicos. Mas espere: o secretário de Relações Governamentais da cidade de São Paulo é o médico petista Alexandre Padilha, que se orgulha de ser o criador do… Mais Médicos!

As creches devem se limitar, informa Gabriel Chalita, secretário de Educação, a 147 — 40% do anunciado inicialmente. Haddad, que prometia não deixar uma só criança sem atendimento, conta uma fila de 106 mil à espera de vagas. O mago que faria 243 estabelecimentos até o fim do mandato conta, até agora, com apenas 47 — e muitas delas ainda em fase de conclusão. ATENÇÃO! EM DOIS ANOS E MEIO, A PREFEITURA NÃO ENTREGOU NEM O PRIMEIRO LOTE DE 47 UNIDADES. VOCÊS ACHAM QUE CONSEGUIRÁ CONSTRUIR MAIS CEM NO ANO E MEIO QUE FALTA? DUVIDO!

E o déficit só não é maior porque a Prefeitura já recorreu a um truque sujo: resolveu fazer com que as crianças pulassem uma etapa. Assim, elas podem ser acomodadas em séries que permitem um maior número de alunos em sala. Haddad é um mágico. Aumentou em 10% o número de crianças atendidas, mas só em 6% o de vagas. O inconveniente é que os professores estão tendo de lidar com crianças com menos de dois anos na mesma sala em que há outras de três. Pais e mães sabem a diferença brutal que existe entre essas duas idades. Bebês com menos de dois anos ainda não tiraram a fralda, por exemplo. Deveriam estar acomodados em salas com, no máximo, 12 crianças. Estão sendo enviados para as que comportam 24. Eis o homem novo.

Chalita, como se estivesse construindo uma daquelas frases ruins de seus livros de autoajuda, filosofa: “Mais importante que construir, ainda que estejamos construindo muito, é não deixar crianças fora da escola”. Bem, em primeiro lugar, não estão construindo muito, mas pouco. Em segundo lugar, é evidente que ninguém pensa na construção pela construção. É mesmo para abrigar as crianças, ora! Segundo diz, tudo será resolvido com as creches conveniadas. É? Se é tão simples, por que já não se fez?

Quando assumiu a pasta em janeiro deste ano, Chalita tirou um coelho da cartola, como a facilidade com que tira frases do seu estoque de lugares-comuns. Disse que faria convênio com empresas privadas. Até agora, não aconteceu nada. Talvez uma rede de supermercados adote 20 unidades… É que Chalita prometeu sem atentar para o fato de que empresas que aceitam esse desafio têm de ter compensação em isenção fiscal. Mas esse modelo inexiste.

Haddad e Chalita, afinal, são apenas exotismos distintos que se combinam. É o esquerdismo com excesso de imaginação se juntando ao conservadorismo sem imaginação nenhuma. O resultado são milhares de crianças na fila de espera e ainda bebês amontados em salas inadequadas à sua idade.

Eis os homens novos!

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2015

às 7:51

Parem tudo! Haddad e Padilha ajudam a planejar o futuro de Lula! Agora, estou mais tranquilo!

Oh, não! Não pensem que Lula gasta todas as horas do seu dia apenas tentando sabotar o governo Dilma e inviabilizar o futuro do país. Ele também dedica algum tempo a seu próprio destino em 2018, o que não deixa de ser uma ameaça ao futuro… do país. Na Folha desta segunda, Catia Seabra e Gustavo Uribe informam que um time se reúne semanalmente no instituto que leva o nome do ex-presidente para prospectar o amanhã. O nome da turma? Não! Não é Armata Brancaleone, mas “Grupo do Futuro”.

Integram este Íbis da política, além dos conselheiros do instituto, os prefeitos de São Paulo, Fernando Haddad, e de São Bernardo, Luiz Marinho; os secretários municipais da capital Alexandre Padilha (Relações Governamentais) e Arthur Henrique (Trabalho); o ex-ministro Antonio Palocci; o presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, e Josué Gomes, presidente da Coteminas e filho de José Alencar, que foi vice de Lula.

Isso é grupo do futuro? Dou o maior apoio, né? Haddad amarga a mais baixa popularidade de um prefeito desde Celso Pitta. Alexandre Padilha não consegue nem almoçar num restaurante. Antonio Palocci é um dos investigados da Operação Lava Jato. Rafael Marques é um dos que estão na linha de frente do combate ao pacote fiscal; Luiz Marinho comandou em São Paulo a fragorosa derrota de Dilma, e Josué foi esmagado na disputa pelo Senado em Minas. Consta que, de vez em quando, o grupo é ampliado com Rui Falcão, presidente do PT, e Wagner de Freitas, presidente da CUT, mais dois notórios criadores de dificuldades para Dilma.

O elenco indica, como tenho insistido aqui e em toda parte, que Lula é hoje o mais notório zumbi da política. Está morto, mas ainda se mexe; já não está neste mundo, mas ainda assombra os vivos e lhes causa dificuldades. Segundo informa o jornal, um dos interlocutores do Babalorixá de Banânia diz que, pela primeira vez, ele está sem brilho no olhar.

Lá na Grécia antiga, o nome desse brilho era “entusiasmo”, que queria dizer estar com o brilho de um deus nos olhos, estar possuído por um bem divino, daí a excitação do entusiasmado, a alegria, a energia vital. Mas pensemos bem: por que Lula estaria com Deus nos olhos, não é? Quando muito, suas ações recentes, indicam antes a presença do espírito de porco.

Chega a ser escandaloso que, de modo tão desassombrado, ele mobilize parte do establishment petista para pensar no seu próprio futuro quando o governo que ele ajudou a eleger amarga um momento de extrema dificuldade. Que se note: a derrota recente do Planalto na votação do fator previdenciário é função direta do zumbi buliçoso, que dispensou o bom lugar que lhe reserva a história — injusto, a meu ver — para disputar uma vaga no reino dos mortos.

Mas não podemos reclamar, não é? Convenham: temos mais é de nos dar por satisfeitos por termos Lula aconselhando Haddad e Padilha, e Padilha e Haddad aconselhando Lula. Toda essa gente se merece.

Texto publicado originalmente às 7h04
Por Reinaldo Azevedo

11/05/2015

às 7:14

O DESMONTE DA CIDADE DE SP NA GESTÃO HADDAD – Consultas em unidades de saúde caíram 21% em 2014

Leiam o que informa Thais Bilenky, na Folha:
Saindo do centro de SP, fora do rush, um médico que trabalha na unidade de saúde Castro Alves, em Cidade Tiradentes, dirigirá mais de uma hora para atravessar a zona leste. Passará por favelas, ruas com esgoto a céu aberto e até um pasto com vacas. Ao chegar, não se sentirá seguro: queixas de assaltos ou agressões não são raras. O roteiro ajuda a explicar por que não havia pediatra nesse posto em 91% dos dias do ano passado. Mais do que isso, reflete parte do problema por trás da redução de atendimentos básicos de saúde na cidade no ano passado.

O número de consultas nas AMAs 12 horas (unidades que prestam assistência médica ambulatorial, casos menos complexos) caiu 21% em 2014, no segundo ano de mandato de Fernando Haddad (PT) –foram 5,8 milhões, ante 7,3 milhões no ano anterior. A principal explicação da prefeitura e de entidades é a falta de médicos, mas também há questionamentos sobre a redução de verbas.

Marca do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) na área da saúde, essas 98 AMAs funcionam das 7h às 19h, de segunda a sábado, e são administradas por convênios ou contratos da prefeitura com as chamadas organizações sociais de saúde (OSS).
(…)
Mesmo nas UBSs a situação não é animadora. A quantidade de consultas em 2014 se manteve praticamente estável — elas variaram de 7,98 milhões para 7,99 milhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2015

às 6:16

Para vereador petista, combater o tráfico é papel da polícia; o de Haddad é conversar com narcotraficantes. Impeachment já! Ou, então, que o petista entregue a gestão a Marcola, do PCC!

A destruição de uma cidade não é obra de um dia. É preciso que haja um esforço determinado, contumaz, dedicado, consciente, firme. É o que faz o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT. Não passa dia sem que este senhor tome uma decisão que contribui para levar o município para o buraco e para tornar mais difícil a vida dos paulistanos. A última notícia estarrecedora que veio a público dá conta de que o prefeito, por intermédio de seus agentes, negociou com traficantes o desmonte da tal “favelinha”, um conjunto de barracos que havia sido armado no meio da rua, na região conhecida como “cracolândia”.

Há muito, é verdade, a área se tornou um reduto de viciados em crack e de traficantes. Mas quem profissionalizou as relações por ali foi Fernando Haddad. Quem decidiu que aquela região deve ser, para sempre, uma espécie de Vale dos Caídos foi Fernando Haddad. Porque foi Fernando Haddad quem criou o programa “Braços Abertos”, que, entre outros mimos, aumenta de forma substancial o dinheiro que circula entre os viciados, o que alimenta ainda mais o tráfico.

Haddad tem de ser alvo de um processo de impeachment. Quem diz isso é o Inciso X do Artigo 4º do Decreto-Lei 201, que está em vigor. Escrevi ontem a respeito. Nesta sexta, vereadores da oposição e da situação comentaram o caso. “Se ele [o prefeito] sabe quem são os traficantes, precisa passar para a polícia. É uma postura esquisita negociar com o tráfico para fazer desocupação”, afirmou à Folha o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), segundo quem Haddad foi “irresponsável”, colocando toda a população em risco ao “dialogar com o submundo”.

Agora prestem atenção ao que pensa o vereador Paulo Fiorilo, do PT. Ele diz que cabe à polícia combater o tráfico: “Todo mundo nesta cidade, neste Estado, sabe como é que funciona o tráfico. Só o governo que parece que não consegue entender”. Ah, entendi. Para o petista, o trabalho da polícia é combater o narcotráfico, e o do prefeito é conversar com ele.

Ricardo Young, do PPS, também falou besteira, embora integre a bancada da oposição, formalmente ao menos: “Se você vai fazer uma ação num local como esse, evidentemente tem que conversar com todas as partes, não importa se é usuário, traficante, dono do hotel, guarda”. Ah, tá! O vereador prega que se negocie com bandido só nesses casos ou em outros também? A gestão petista, com o endosso de Young, tem lições a dar ao mundo: combater o roubo negociando com ladrões; o estupro, com estupradores; a pedofilia, com pedófilos. E vai por aí… Ora, vamos entregar a gestão de São Paulo ao PCC. Por que haver intermediários? Que saia Haddad e entre Marcola!

Outro gênio do pensamento, Eduardo Suplicy, secretário de Direitos Humanos, informa que a prefeitura conversou com todos que exercem liderança, mas nota que ele próprio não saberia distinguir entre usuário e traficante. E a diferença entre um traficante e uma tartaruga? Essa, Suplicy conhece?

O que se tem é um escândalo sem-par. O pior é que Haddad negociou a intervenção na Cracolândia diretamente com os traficantes sem informar à Secretaria de Segurança que faria a intervenção na região. Deu tudo errado. Quando os usuários reagiram, aí ele foi pedir socorro à polícia. A mesma polícia que, na prática, é agora atacada pelo vereador petista Paulo Fiorilo.

Impeachment já! Haddad não é um homem responsável o bastante para ser prefeito da maior cidade do país. Ou, então, que ele nomeie Marcola seu secretário de governo. Se é para conversar com bandidos, o negócio é apelar a profissionais.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2015

às 7:12

Fernando Haddad negocia com traficantes, e os vereadores estão moralmente obrigados a cassar o seu mandato. Ou se tornam cúmplices de um acordo com bandidos. Existe lei para impichar prefeitos

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, negociou com chefes do narcotráfico da Cracolândia, informa a Folha, a intervenção da Prefeitura na região, que acabou resultando, depois, em confronto entre viciados e forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana. Ou por outra: o prefeito Fernando Haddad escolheu bandidos como seus interlocutores. Ou por outra: o prefeito Fernando Haddad tem de ser política e criminalmente responsabilizado por dividir com traficantes os destinos da maior cidade do país. Ou por outra ainda: o prefeito Fernando Haddad não pode continuar à frente da capital do Estado.

Vamos à história. Agentes do prefeito negociaram, sob a sua orientação, a ação que seria empreendida pela Prefeitura para desmontar a tal “favelinha” na Cracolândia. Tudo foi meticulosamente combinado com marginais, que não eram, atenção!, usuários de drogas, mas traficantes. Na hora h, os interlocutores de Haddad deram no pé, sumiram, e os dependentes armaram a reação. Aí foi preciso chamar a Polícia Militar.

Haddad, claro!, não admite que o acordo se deu com traficantes. Assume um “compromisso” com dependentes, como se esses pobres desgraçados estivessem em condições de fazer e de cumprir alguma forma de acordo. Diz ele: “Alexandre [de Moraes, secretário estadual da Segurança Pública] foi avisado por mim da operação. Falei com ele que não precisaria de apoio da PM porque havia firmado compromisso. Quando o acordo foi rompido, liguei para ele e disse que poderia haver incidente”.

Eis aí uma clara confissão.

E que se note: ainda que a conversação tivesse ocorrido com viciados, já seria imprópria. Eles não podem ser considerados interlocutores da administração para temas que dizem respeito à cidade como um todo. De resto, não custa lembrar: o consumo de drogas ilícitas continua a ser crime. E uma Prefeitura não negocia com criminosos, pouca importa a sua periculosidade. Quando se trata de narcotraficantes, não mesmo!

Uma das pessoas envolvidas na operação revela à Folha que a conversa se deu foi com traficantes: “Não era como zumbis”. “Zumbi” é o termo habitualmente empregado para designar os viciados em crack. De tal sorte estão debilitados e sem condições de responder por si que são tidos como “mortos-vivos”.

Impeachment
O senhor Fernando Haddad tem de ser alvo de um processo de impeachment. E já. Aliás, se os petistas tiverem um mínimo de juízo, não moverão uma palha para salvar o mandato deste celerado. Se eu fosse do partido, aplaudiria o impedimento de um sujeito que, obviamente, depõe contra uma legenda cuja reputação já está no lixo. Ser tida como um covil de ladrões parece ser ruim o bastante, não é mesmo?

Existe lei para pôr Haddad na rua? É claro que sim! Trata-se do Decreto-Lei 201, de 1967, que foi recepcionado pela Constituição de 1988.

Vejam o que define o Inciso X do Artigo 4º da Lei:
Art. 4º São infrações político-administrativas dos Prefeitos Municipais sujeitas ao julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato:
X – Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Negociar com traficantes é incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

O Artigo 5º da mesma lei define a forma do processo, destacando que a denúncia pode ser feita por qualquer cidadão — e, claro!, por vereadores.

Fim de papo
Acabou! Acho que, desta feita, este senhor passou dos limites. Uma coisa é comportar-se como um ser idiossincrático, monomaníaco, autocentrado. Outra, muito distinta, é quebrar o decoro de forma determinada, clara, consciente, e transformar traficantes em interlocutores da administração.

A Prefeitura se torna, nesse caso, cúmplice de bandidos. Espero que a oposição ao prefeito na Câmara não esgote a sua ação na simples crítica em plenário aos desastres perpetrados por este senhor.

De resto, cumpre indagar o que fará o Ministério Público. Já temos a confissão do prefeito. Ele assume ter negociado com o que diz ser “dependentes” a intervenção da Prefeitura na Cracolândia. Ora, suponho que seus agentes tenham ao menos anotado os nomes dos interlocutores. Quem são?

Chega! Não dá mais! A cidade pode esperar as eleições para mandar para casa um autocrata dos pedais. Mas não pode esperar até 2016 para pôr na rua quem negocia os destinos de São Paulo com marginais.

Impeachment já!

PS: Os petistas chamariam também essa ação de golpe? Golpista das instituições não é quem negocia com traficantes?

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2015

às 22:14

A CIDADE DE HADDAD – OU: O TRIUNFO DA MORTE. OU AINDA: HADDAD, O BARQUEIRO DO INFERNO

Vejam este quadro, intitulado “O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569).

O Triunfo da Morte - Pietr Bruegel, o Velho

Agora observem três fotos da região da Cracolândia, em São Paulo, durante uma operação realizada pela Prefeitura para acabar com a chamada “favelinha” erguida por viciados. Elas são de autoria de Eduardo Anizelli, da Folhapress.

Cracolândia 1 - Eduardo Anizelli - Folhapress

Cracolândia 2 - Eduardo Anizelli - Folhapress

Cracolândia 3 - Eduardo Anizelli - Folhapress

É isto. No centro de São Paulo, na região conhecida como Cracolândia, quem dá as cartas é a morte. Eu poderia ainda apelar às ilustrações dos Círculos do Inferno, de Gustave Doré, quase tão conhecidas como a horripilante narrativa de Dante na “Divina Comédia”. Abaixo, vocês veem a ilustração X do Canto III, quando Caronte, o barqueiro do inferno, reúne os pecadores… É que falta a cor.

Caronte reúne os pecadores

Tudo, naquela área da maior cidade do país — e uma das maiores do mundo — remete à morte, à desolação, à tristeza, à ausência de saídas, à desgraça, à melancolia… Vamos primeiro ao fato e, depois, à sua gênese.

Centenas de viciados em crack armaram barracas no meio da rua, na região da Luz. O conjunto era conhecido como “favelinha”. É evidente que se trata de um absurdo, e a Prefeitura decidiu retirá-los de lá.. Só que o fez sem coordenar a ação com o governo do Estado, que, afinal, responde pelas Polícias Civil e Militar. O resultado foi o pior possível.

Houve confronto com as forças de segurança. Revoltados, os viciados partiram para cima de policiais e de pedestres com facas, pedaços de pau, pedras, o que houvesse. Motoristas foram roubados; barricadas de fogo foram erguidas. O comércio teve de fechar as portas.

Já em ano pré-eleitoral, Fernando Haddad enfrenta o desastre de sua, por assim dizer, “política” para as drogas. A “favelinha” é o retrato de um programa que não deu certo, que extremou os males que se propôs a resolver. E o prefeito decidiu, então, cadastrar os ditos usuários em programas da Prefeitura e retirá-los do local… Ocorre que…

Ocorre que foi a gestão Haddad que, na prática, transformou a região da Cracolândia numa área para o livre consumo de drogas. O que é o programa “Braços Abertos”? Em síntese, abriga o viciado num hotel, concede-lhe um emprego precário e uma renda, sem lhe impor nenhuma disciplina ou forma de tratamento. Ou por outra: o digníssimo prefeito, sob o pretexto de implementar uma política de redução de danos, criou a civilização do crack.

Ora, meus caros, o que vocês acham que acontece quando se reúnem todos os viciados numa única área, quando se relaxam as condições de segurança — é da natureza do programa — e quando se eleva o meio circulante, isto é, a grana? Cresce o tráfico, novos viciados vão chegando, e, como acontece em toda civilização, surge uma periferia, que é ainda mais desgraçada, que é ainda mais infeliz.

Não pensem que Haddad vai recuar! Isso nunca! Ele quer avançar. Quer agora multiplicar o número de hotéis cidade afora, avançando para os Campos Elísios, região quase contígua à Cracolândia. Assim como faz com as ciclofaixas para ninguém, se o deixarem solto, ele ainda meterá uma Cracolândia na porta de sua casa.

E, como é sabido, os celerados se orgulham da miséria que financiam, promovem e espalham. Em junho do ano passado, Haddad transformou a Cracolândia em ponto turístico para a gringolândia. Levou o príncipe Harry para conhecer de perto o inferno. Na foto abaixo, vocês veem o plebeu servil do Terceiro Mundo dando explicações à nobreza europeia…

Haddad- Harry

Roberto Porto, que era, então, secretário de Segurança Urbana e é um dos queridinhos de certa imprensa descolada, resumiu assim o espírito da visita de Harry ao centro da degradação humana: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele [o príncipe] gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Porto é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto disse que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.

Qual é a lógica? É a da degradação, da miséria e da morte. Essa é uma das heranças malditas de Fernando Haddad, o novo barqueiro do inferno.

“Deixai toda esperança, vós que entrais.”

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:33

Pobres invadem a aula de Haddad na USP e deixam o prefeito irritado! Que coisa feia! Ou: Eu posso censurar a invasão, o petista tem de aplaudi-la

O prefeito Fernando Haddad, como a gente sabe, é um homem a quem sobra tempo. A administração da cidade de São Paulo lhe dá uma folga. Não exige cem por cento de sua agenda. Ele deve achar moleza. Tanto é assim que conseguiu achar uma brecha para voltar a dar aula na pós-graduação de sociologia da USP. Pois é… O povo — aquele ente que o PT julgava ter privatizado — descobriu onde ele dá suas pedaladas teóricas e resolveu forçar um papinho. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

*
Um grupo de cerca de quarenta moradores de bairros do distrito de Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, interrompeu a aula do prefeito Fernando Haddad (PT) no prédio da pós-graduação de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) – no campus Butantã, na Zona Oeste –, por volta das 9 horas desta segunda-feira. Os moradores exigiam a criação urgente de linhas de ônibus em seus bairros, no extremo sul da cidade, e levaram um documento para que o prefeito assinasse se comprometendo a implantar cinco linhas.

Haddad chegou a se retirar da sala de aula por se sentir ofendido com a intervenção, de acordo com uma militante do movimento Luta do Transporte no Extremo Sul, Luíze Tavares. O prefeito disse que não assinaria documento algum e que não era para os moradores interromperem a aula. “Nós entramos, apresentamos o histórico dos bairros. A princípio, ele não queria que interrompêssemos a aula, pediu para procurarmos por ele no intervalo”, afirmou Luíze. “Houve alguns momentos de tensão porque ele achou que estava sendo ofendido. Mas ele não acha que ofender é a pessoa andar duas horas para um ponto de ônibus.”

Em seguida, Haddad se retirou da sala de aula e os moradores foram atrás dele. “Ele parou no corredor das Ciências Sociais e ali terminou a conversa. Lemos para ele o que queríamos que ele assinasse, ele concordou em partes, mas disse que não ia assinar de qualquer jeito”, declarou Luíze. Ainda de acordo com a manifestante, o prefeito garantiu que haverá uma reunião no dia 16 ou 23 de maio, que está prevista para ocorrer na subprefeitura de Parelheiros.

Em 2014, moradores da região chegaram a organizar uma van, chamada pelo grupo de “linha popular”, por um dia e se acorrentaram no saguão da Prefeitura como forma de protesto.

Voltei
Vocês me conhecem muito bem e sabem que não apoio esse tipo de manifestação, nem que seja contra petistas. Nem que seja contra Fernando Haddad, cuja gestão considero o mais perfeito casamento entre a incompetência e a arrogância. Mas dizer o quê?

Os petistas têm de ser mais tolerantes com os métodos que patrocinam, não é mesmo? A invasão de aulas na USP é um clássico consagrado pelas esquerdas e pelos grupelhos apoiados pelo PT dentro da universidade.

Como? O petista não conversa com quem interrompe aula? Curioso! Fernando Pimentel, governador de Minas, outro peixão do partido, condecorou João Pedro Stedile com a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril. Stedile não interrompe apenas uma aula, como é sabido. Seu seguidores cometem atos que, houvesse uma lei razoável no Brasil, poderiam ser considerados atentados terroristas.

O MTST pinta e borda, inclusive na cidade de São Paulo, e, no entanto, Guilherme Boulos é, na prática, uma gestor privilegiado de programas oficiais de moradia. Que história é essa? Haddad não conversa com quem interrompe sua aula na USP, mas conversa com quem invade propriedade, faz ameaças e põe fogo em pneus, impedindo o livre trânsito das pessoas?

Mas entendo… Haddad se considera um homem das ideias, um intelectual… Vai ver os moradores de Parelheiros interromperam o prefeito quando ele estava criando uma metáfora nova para justificar a sua incompetência arrogante.

Eu posso, sem abrir mão do que penso, censurar a interrupção da aula. Haddad, ao contrário, tem mais é de aplaudi-la, né? De resto, o prefeito foi cobrado num dia útil, em horário de expediente. Os que foram à sua procura pagam o seu salário para administrar a cidade, não para lustrar as suas injustificadas vaidades intelectuais.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 6:14

Haddad recorre à Justiça contra o governo Dilma. A boa notícia: é o PT se desmanchando

Pois é… Até petista já está tentando tirar uma casquinha da impopularidade da presidente Dilma Rousseff. É o caso, por exemplo, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Não que ele esteja, digamos, de bem com o povo, mas sabem como é… Brigar com a governanta, hoje em dia, pode render alguns pontinhos de admiração. Por que digo isso?

Haddad — petista como Dilma, prefeito da maior cidade do país e eleito com o apoio da presidente — decidiu recorrer à Justiça contra o governo federal para obrigá-lo a cumprir lei aprovada pelo Congresso no ano passado que renegocia — e reduz drasticamente — a dívida de Estados e municípios. A ação foi protocolada nesta quinta na Justiça Federal de Brasília.

Muito bem! O imbróglio é dos bons. O PLC (Projeto de Lei Complementar) 99/2013, que muda o indexador, é, originalmente, de inciativa do Executivo. O relator da proposta na Câmara foi o então líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), hoje presidente da Casa. Depois de sólido entendimento celebrado com o governo, ficou estabelecido que a indexação da dívida seria feita pelo IPCA ou pela taxa Selic (o que for menor) mais 4% ao ano, não pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mais juros de 6%, 7,5% ou 9% ao ano (a depender do caso), como se faz desde 1997, quando as dívidas foram renegociadas pelo governo federal. Dilma sancionou a lei em novembro do ano passado.

Sancionou, mas não pôs em prática. Há exatamente um mês, a Câmara aprovou um projeto que dava 30 dias para o governo regulamentar e executar a nova lei. O texto seguiu para o Senado. Joaquim Levy entrou na parada e convenceu boa parte dos senadores de que o prudente seria pôr em prática a lei só a partir de 2016. A matéria continua parada na Casa.

Muito bem! Haddad vai disputar a reeleição no ano que vem. Precisa de dinheiro. Já percebeu que as generosidades com que Dilma acenou para a cidade de São Paulo não se cumprirão. Então fez o quê? Seguiu os passos do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e também recorreu aos tribunais.

Se for bem-sucedido, o prefeito espera economizar R$ 1,3 bilhão neste ano. O estoque da dívida da cidade também seria drasticamente reduzido: de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões. A Prefeitura vinha negociando com Levy alguma forma de diminuir o impacto da dívida, mas as conversas não prosperaram.

É evidente que, em outros tempos, um petista que administra a maior cidade do país não recorreria à Justiça contra o governo federal, estando lá um “companheiro” — no caso, companheira. O petismo, no entanto, está se desconstituindo. Se, a exemplo do Rio, a cidade de São Paulo também for bem-sucedida, outros entes baterão às portas dos tribunais.

Haddad está pensando na disputa eleitoral do ano que vem. Sua popularidade não é muito melhor do que a de Dilma, e ele não tem tempo para pensar nela. Sabe, ademais, que os cofres do governo federal estão vazios. Decidiu apelar à Justiça em busca de dinheiro.

Isso que vocês estão vendo é o PT se desmanchando. Essa é a boa notícia.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2015

às 19:16

Justiça determina que Haddad suspenda obras de ciclovias

Na VEJA.com:
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira, em caráter liminar, que a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) interrompa as obras de ciclovias na capital paulista. O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital, acatou parcialmente ao  pedido do Ministério Público, que moveu na quarta-feira uma ação contra a prefeitura, alegando que as faixas exclusivas para bicicletas estavam sendo instaladas sem projeto técnico, audiências públicas suficientes e de maneira inadequada. Cabe recurso.

“Defiro tutela antecipada para o fim exclusivo de impor aos réus a paralisação de todas as implantações de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas de caráter permanente no Município de São Paulo, sem prévio estudo de impacto viário global e local”, escreveu o magistrado no despacho. Na ação, a promotora de Habitação e Urbanismo Camila Mansour Magalhães da Silveira afirma que solicitou “informações detalhadas” à prefeitura sobre os estudos de engenharia das ciclovias e só recebeu releases de imprensa. Ela também elencou uma série de irregularidades na construção das ciclovias, como a ocupação de calçadas, sarjetas e pontos de ônibus.

A Justiça estipulou multa diária de 10.000 reais em caso de descumprimento da decisão e definiu um prazo de sessenta dias para a prefeitura apresentar a sua defesa. “Sabendo-se que o interesse da Administração Municipal segue no desejo de implantar ao menos 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas nesse município, é de se entender como razoável a presença de prévio estudo de impacto viário global e local, de sorte a mitigar efeitos deletérios como o estrangulamento do tráfego de veículos em vias públicas”, afirmou o juiz no texto.

O magistrado, no entanto, indeferiu o pedido do MP de paralisar as obras na Avenida Paulista, sob o argumento de que os trabalhos no local estão em estágio avançado de execução e foram mais planejados. “Solução diversa merece a implantação da ciclovia da Avenida Paulista, já que se trata de trabalho que aparenta melhor estudo e planejamento. A paralisação dos trabalhos ou a recomposição ao estado anterior importará em maiores transtornos aos munícipes”, concluiu o juiz.

Resposta
Em nota, a prefeitura considerou a decisão do juiz como “sensata” por não ter entendido que “houve omissão ou violação do poder público na implantação do sistema cicloviário”, conforme dizia a ação proposta pelo MP. “A Procuradoria Geral do Município irá apresentar todos os dados e relatórios que se fazem necessários para esclarecer a questão. Com isso, a prefeitura espera em breve poder retomar as obras e ajustes viários para dar continuidade ao projeto cicloviário da cidade, um marco importante no desenvolvimento da mobilidade de São Paulo”, informou a nota.

Por Reinaldo Azevedo
 

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