Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

27/03/2014

às 6:25

Haddad joga movimento de autointitulados sem-teto contra os vereadores. A ruindade deste senhor ainda vai virar tese universitária!

O prefeito Fernando Haddad não se emenda. Não tem jeito. Ele parece desconhecer o bê-á-bá da civilidade, que se pauta pelo respeito às leis, pela independência entre os Poderes, pela observância das normas democraticamente pactuadas.

Ontem, mais uma vez, movimentos de sem-teto infernizaram a vida da cidade de São Paulo. Na liderança, o tal MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Se trabalham, parece que resolveram faltar.

O que fez Haddad? Poderia, por exemplo, ter recebido uma comissão para negociar. Mas ele estava a fim, como diz a meninada, de “causar”. Desceu de seu gabinete e decidiu subir no caminhão de som dos autointitulados sem-teto. E sabem o que ele fez? Disse que atenderia à reivindicação que eles faziam se a Câmara dos Vereadores aprovar o Plano Diretor. Ou por outra: o prefeito usou o MTST para chantagear e pressionar os vereadores.

E qual era a reivindicação da turma? Que uma área invadida, de preservação ambiental, chamada Nova Palestina, seja destinada oficialmente a moradias. Há um decreto do ex-prefeito Gilberto Kassab que transforma o imenso terreno num parque. Haddad disse que revogaria o texto se os vereadores aprovassem o Plano Diretor. Ora, o que fizeram os sem-teto? Aplaudiram o valente e se dirigiram imediatamente para a Câmara dos Vereadores.

O próprio Haddad entendia que a área, vizinha à represa Guarapiranga e ainda coberta por um trecho de mata atlântica nativa, deveria ser destinada à preservação ambiental. Mas sabem como é… A popularidade do homem está em baixa. Em algum lugar, ele tem de se encostar. E a ordem do PT é se reaproximar o máximo possível dos ditos movimentos sociais.

Assim, vejam que fabuloso: nesta quarta-feira, o senhor Fernando Haddad disse ao MTST que causar severos transtornos na cidade por nove horas vale a pena e merece compensação; estimulou que novas áreas de preservação ambiental sejam invadidas e ainda jogou os manifestantes contra os vereadores.

A ruindade deste senhor à frente da Prefeitura de São Paulo, estou certo, ainda será matéria de curiosidade científica; ainda será estudada nas universidades; ainda renderá teses de doutorado.

Já escrevi aqui mais de uma vez que eventuais confrontos dos movimentos de sem-teto com Haddad são meramente episódicos. Eles são aliados. Ter a PT à frente do Poder Executivo, em qualquer esfera, municipal, estadual ou federal, significa ter o Poder Público refém dos movimentos dos sem-alguma coisa: sem-teto, sem-terra, sem-isso, sem-aquilo. A reivindicação é legítima. Paralisar a cidade para impor uma pauta de reivindicações, não. Mas Haddad, como se vê, estimula a bagunça.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2014

às 4:04

Depois de cortar lápis, caneta e caderno dos paulistanos pobres, Supercoxinha difama uma parte da população da cidade, que seria “pobre de espírito”

Supercoxinha - João Carlos

Agora entendi por que a cidade de São Paulo está assim. Agora entendi por que Fernando Haddad é, provavelmente, o prefeito mais impopular da história com 14 meses de poder. Ele não gosta dos paulistanos. Intimamente, deve estar arrependido da escolha que fez. Estava feliz lá no Ministério da Educação, a maior fábrica de factoides do governo petista. Aí Lula inventou que ele era um bom produto eleitoral. O paulistano bem que resistiu o quanto pôde, mas acabou caindo na conversa. E aí está o homem.

Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito de São Paulo deixou claro que considera a elite da cidade mal educada — e, segundo entendi, ele se dispõe a educá-la. Para Haddad, os paulistanos da elite são “pobres de espírito”. Disse ainda que é uma gente “míope” e que faz carga no Congresso contra a renegociação da dívida.

Santo Deus! Quem decidiu que não levaria adiante o projeto para renegociar a dívida dos estados e municípios foi a presidente Dilma Rousseff, que é do mesmo partido de Haddad. Ela tem a maior base congressual da história. Se não tocou o projeto adiante, é porque não quer ou não acha bom. O que a tal elite paulistana tem com isso?

Haddad deveria dizer a quem se refere, dar os nomes, não é mesmo? O prefeito de São Paulo tentou aplicar um reajuste escorchante do IPTU. Deu com os burros n’água. Duas ações na Justiça acabaram prosperando, e o aumento foi suspenso. Uma é do PSDB; a outra foi movida pela Fiesp, presidida por Paulo Skaf, que é do PMDB, o principal partido de apoio à presidente Dilma. Por que, então, este corajoso Haddad não tromba com Skaf? Porque é politicamente covarde. Eis a resposta.

A verdade é que Haddad já está com o saco cheio de São Paulo. Saibam: um bom prefeito pode até passar por incompetente se tiver contra ele um partido como o PT e a imprensa. Acontece. Mas o contrário é muito difícil: é pouco provável que um incompetente passe por bom prefeito. E Haddad é de uma incompetência assombrosa.

Há dias, este gênio da política e do marketing houve por bem diminuir de 41 para 22 os itens do material escolar que a Prefeitura distribui a seus alunos. Cortou dos pobres caneta, lápis e caderno. Seu secretário de Educação tentou explicar: as donas de casa estariam fazendo lista de supermercado com os cadernos. Entendi. Pobre não sabe usar adequadamente essas coisas.

No Ministério da Educação, era fácil mover os tanques e fingir que alguma coisa estava acontecendo. Em 2012, como fruto da gestão Haddad, o analfabetismo voltou a crescer na comparação com o ano anterior. Foi a primeira vez que isso se deu em 15 anos. Analfabetos são as pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. A taxa era de 8,6% em 2011 e passou para 8,7% em 2012. Parece pouco? Isso significa 300 mil analfabetos a mais. No exame do Pisa, o Brasil obteve o 58º  lugar numa lista de 65 países. Mas é possível que até ele acreditasse na cascata de Lula de que era o “melhor ministro da educação que este país já teve”.

Na Prefeitura, o estoque de truques é muito menor. Saliva não tapa buraco de rua. Saliva não aumenta o número de ônibus nos corredores. Saliva não desobstrui o tráfego. Saliva não faz uniforme chegar no prazo. Saliva não melhora o atendimento à saúde. Saliva não constrói creche.

Com o saco cheio de ser prefeito, Haddad decidiu agora atacar os paulistanos.

Ah, sim: ele disse, no entanto, que a capital paulista tem potencial para ser uma Xangai, numa referência à megacidade chinesa. Essa é, aliás, a nova metáfora predileta dos petistas. Alexandre Padilha, que será candidato do PT ao governo, já se saiu com essa, referindo-se ao estado. Aliás, estae é a outra grande ideia do Apedeuta, agora oferecida aos paulistas. A exemplo de Haddad, Padilha também se candidata prometendo mundos sem fundos. Brasil e mundo afora, prefeitos defendem a população das respectivas cidades que administram porque estão sempre pleiteando benefícios para elas seja de outras esferas de governo, seja de instituições multilaterais de crédito. Haddad, o “homem novo”, age de modo diferente. Ele difama uma parcela dos paulistanos.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 19:03

Supercoxinha cria o Dicionário de Paulistanês com o verbete “coxinha”. E o meu?

Supercoxinha - Bernardino

Leio na Folha que a Prefeitura de São Paulo decidiu lançar um “dicionário” de “paulistanês” para turista. Tem lá a sua graça e coisa e tal, mas, obviamente, é uma bobagem. Alguém já teve notícia de viajante que teve dificuldade de se orientar na cidade porque não entendeu esta ou aquela palavra faladas só por aqui? Se houvesse itinerário dos ônibus nos pontos já seria um ganho e tanto.

Descubro que está lá a definição de “coxinha”, a saber: “pessoa almofadinha, mauricinha, engomada ou apelido de policiais”. Sinceramente, nunca ouvi ninguém nesta cidade chamar policial de “coxinha”, mas pode ser… São tantas cidades na cidade, né?

Como vocês sabem, o termo “petralha”, uma criação deste escriba, já entrou para o Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, né? Vejam.

Petralha Dicionário

Ainda não vi o do “paulistanês”, mas sei que não vão incluir “Supercoxinha”, que é como chamo o prefeito Fernando Haddad. Ele odeia o apelido. Numa entrevista, quase babou de ódio quando a jornalista tocou no nome deste humilde escriba (ler aqui). Criei a palavra em homenagem à incrível puxação de saco promovida por setores da imprensa nos primeiros meses de mandato do “homem novo”. Qualquer que fosse o problema, de enchente (no tempo em que chovia…) a espinhela caída, passando por unha encravada e questões transcendentais sobre o futuro, ele tinha uma resposta, ele tinha a solução. Tudo na ponta da língua e resolvido com saliva. Chegou-se até a anunciar a chegada da Nova Aurora quando se atravessasse o umbral do Arco do Futuro… 

Hoje, ele persegue canetas, lápis e cadernos dos pobres. Novo Homem.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 17:56

O gabinete do Doutor Callegari, sob ordens de Haddad, descobriu que pobre faz mau uso das canetas, dos lápis e dos cadernos e decidiu cortá-los! É o socialismo do “Homem Novo”

Haddad na posse: com a caneta que ele está tirando do bolso, assinou a ordem para cortar canetas dos pobres. Afinal, é um instrumento que tem de estar disponível para os que sabem usá-lo com correção

Haddad na posse: com a caneta que ele está tirando do bolso, assinou a ordem para cortar canetas dos pobres. Afinal, é um instrumento que tem de estar disponível para os que sabem usá-lo com correção

Como são pitorescos os petistas!

O prefeito Fernando Haddad, o “Homem Novo”, cortou canetas, lápis e cadernos do material escolar distribuído aos estudantes da rede municipal — material que ainda não começou a chegar, é bom que fique claro, a exemplo dos uniformes, também atrasados. Havia 41 itens no kit, agora reduzidos a 22. Bem, imaginem se a decisão tivesse sido tomada por um tucano. A rede petralha na Internet já estaria acusando a Prefeitura de detestar os pobres, de discriminar os humildes e, claro!, de ser também racista, já que alguém daria um jeito de demonstrar que a maioria dos beneficiários é composta de negros e mestiços. Vocês sabem como funciona a máquina de difamação dessa gente.

Pois bem. Setores da imprensa têm alguns, como posso chamar?, “queridinhos” na gestão Haddad. Roberto Porto, secretário de Segurança, é um deles. Outro é o da Educação, Cesar Callegari — que afirmou à Folha que a Prefeitura pode repor material escolar caso o novo kit se mostre insuficiente. Certo. Ao jornal, deu ainda uma declaração, como chamarei?, estonteante. Leiam.

 Callegari - declaração

Entendi. A pobrada estava deitando e rolando com o farto material que lhe fornecia a Prefeitura. Depois de uma pesquisa profunda, detalhada, meticulosa, os petistas concluíram que as donas de casa estavam usando folhas de caderno para fazer lista de supermercado. Lista de supermercado???

Em que mundo vive o doutor? Ninguém mais faz isso hoje em dia. Os hipermercados estão em baixa — as grandes redes aderiram ao modelo dos mercadinhos — porque não existe mais essa história de lista. As donas de casa vão comprando as coisas aos poucos, ao longo do mês. Mas, para sabê-lo, é preciso conhecer pobres de verdade, não aqueles que aparecem nos manuais petistas.

E parece que noto também uma certa tentação anticonsumista na medida de Callegari. Ao escrever, nesta manhã, sobre as baixarias da petezada contra a médica cubana, afirmei que o PT se mostra homofóbico, falso-moralista, misógino e racista se julgar que isso é episodicamente bom para o partido.

E, como a gente nota, sempre por bons e nobres motivos, pode ser também antipobre. O doutor Callegari acha que, se der menos cadernos, canetas e lápis para o povo, estará contribuindo para a sua educação. Caneta não é pra qualquer um; só para quem sabe usá-la.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2014

às 4:27

HOMEM NOVO – Haddad reduz kit entregue a estudantes e corta caneta, lápis e caderno; itens caíram de 41 para 22

Por Fábio Takahgashi, na Folha:
A administração Fernando Haddad (PT) decidiu reduzir a quantidade de material escolar entregue uma vez por ano aos cerca de um milhão de alunos da rede municipal paulistana –dos ensinos infantil e fundamental. Na primeira etapa do fundamental (1ª a 6ª séries), por exemplo, as crianças recebiam 41 itens. Agora, são 22.

Foram retirados materiais como as oito canetas esferográficas e os três cadernos universitários (com espiral). A quantidade de lápis foi reduzida de seis para quatro. O kit do aluno foi criado na gestão Marta Suplicy (PT, de 2001-2004). A lista de materiais para 2014 é a primeira desenvolvida pela gestão Haddad, ex-ministro da Educação. A do ano letivo passado havia sido feita pelo governo Gilberto Kassab (PSD). A atual Secretaria de Educação disse que havia desperdício de materiais na relação de compras anterior.

A pasta citou como exemplo as canetas esferográficas para alunos da 1ª à 3ª séries. Nesta etapa, disse, a prioridade é o lápis. Estudantes da 4ª à 6ª séries, porém, também não levarão caneta para casa. A prefeitura disse ainda que parte dos itens cortada do kit dos alunos será enviada no material a ser utilizado coletivamente nos colégios. Ainda no caso das canetas, serão mandadas 300 para cada escola de ensino fundamental (cem de cada cor). Quase metade dos colégios municipais possui de 800 a 1.500 estudantes.

“Não vejo nenhum projeto pedagógico consistente que justifique esse corte de itens”, afirmou a pesquisadora Angela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp.

“Você pode até entender que criança pequena não use caneta. Mas diminuíram os lápis. A criança no fim do ano escreverá com o dedo? E é importante ela ter material para trabalhar em casa.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2014

às 16:56

Credo! Haddad acabou com a minha vontade de sambar! Ou: Lênin com samba, suor e cerveja

Supercoxinha em companha de Marta Suplicy no Carnaval de 2012: samba no pé, Lênin na cabeça

Supercoxinha em companhia de Marta Suplicy no Carnaval de 2012: samba no pé, Lênin na cabeça

Como sabem os leitores, no Carnaval, eu dou uma sumida, né? Fico, assim, numa estreita faixa de terra quase firme, entre o mar e a montanha. Até apareço aqui de vez em quando para publicar fragmentos do meu samba-enredo amoroso, mas com menos disciplina do que habitualmente. Neste ano, no entanto, sei lá, eu estava sentindo coisas esquisitas, certa compulsão para sambar… Era me distrair um pouco, e já começava a tamborilar… Nas madrugadas, ao abandonar a cadeira e ir até a cozinha tomar um suco (artificial, claro!, porque é mais fácil…), me pegava sambando, no percurso entre o escritório e a geladeira, com a destreza que vocês imaginam. Então pensei: “É atavismo! Não tem jeito! Eu sou do samba! Sou brasileiro…”.

E já tomava providências para participar do Carnaval de rua de São Paulo. Era assim até havia pouco. Acabei de ler uma notícia na Folha Online que me tirou, mais uma vez, da minha natureza original, carnavalesca e solar. Fernando Haddad, o novo homem, realmente preocupado com questões essenciais à cidade, que dizem respeito a seu futuro, resolveu intervir no Carnaval. Os blocos não poderão ter cordas que os separem do grande público ou abadás — as camisetas que os identificam, que costumam ser vendidas e são uma fonte de receita para a turma que “tiiira o pé do chãããooo…huuuhuuuu”.

O prefeito assinou um decreto em que o Carnaval é descrito como “um conjunto de manifestações voluntárias, não hierarquizadas, de cunho festivo e sem caráter competitivo”. Deus me livre! Se o Carnaval virou esse burocratês esquerdopata, não vou mais. Prefiro frequentar a escolinha dominical do PSOL ou do PCO, hehe.

Bem, como os abadás são fonte de renda para os blocos, daqui a pouco será preciso instituir o Bolsa Carnaval, certo? Faz sentido. Se a cidade estatiza o consumo e o tráfico de drogas — é o efeito prático do tal programa “Braços Abertos” —, por que não estatizar o ziriguidum, o balacobaco e o telecoteco?

Ai, ai… Lá vou eu de novo me esconder entre o mar e a montanha…Eu já estava na fase Massinha II do meu curso de “bumbum, baticumbum, progurundum” quando veio a público esse decreto que acrescenta um pouco de Lênin ao samba, suor e cerveja.

 

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2014

às 1:27

Prefeitura agora nega que rolezinhos vão ser feitos nos estacionamentos dos shoppings. Ah, bom! Haddad decide ainda estatizar os manos e as minas

Não fosse Fernando Haddad ter decidido estatizar os rolezinhos — o PT não suporta a ideia de que as pessoas, na sociedade, possam fazer as coisas por sua própria conta —, essa história já teria acabado. Mas não! Os petistas resolveram meter o bedelho, transformar o assunto num “case” sociológico. Para tanto, colaboraram alguns subintelectuais ainda atordoados pelo mito da luta de classes. E a coisa está aí, durando…

A tese mais original que está em curso, diga-se, assegura que os jovens da periferia expressam o seu protesto por meio da adesão à sociedade de consumo. Entendi. A derrota final da sociedade capitalista, então, se dá por meio da adesão dos pobres ao capitalismo. Uau! Muito interessante mesmo! Então tá bom! Mais original do que isso só mesmo aquele comando revolucionário suicida do filme “A Vida de Brian”, de Monty Python — do tempo em que não se compravam nem se vendiam humoristas… Sigamos com a piada.

Haddad pôs o pagoadeiro Netinho de Paula, seu secretário para a Igualdade Racial, para “negociar” com os rolezeiros e com os representantes de shopping. Negociar exatamente o quê e com quem? Existirá, por acaso, representação formal dos rolezeiros? Não que se saiba. Tudo bem! O PT inventa. Chegou-se a anunciar que os eventos seriam realizados nos… estacionamentos dos shoppings.

Escrevi a respeito. Estranhei a solução. Quem é que teria coragem de deixar o seu carro num estacionamento que vai receber rolezinhos? E os estabelecimentos com garagens subterrâneas? E muitos outros com garagens elevadas, com um parapeito, muitas vezes, não superior à cintura? E as condições de evasão de um local fechado, o que requer aprovação prévia do Corpo de Bombeiros?

A ideia é de uma supina estupidez. Nesta terça, a Prefeitura veio a público para dizer, então, que não é bem assim; que não há nenhuma decisão tomada a respeito. Na verdade, nesta quarta, haverá uma outra reunião com os rolezeiros. Na linguagem do “enrolation”, a secretaria de Netinho afirmou que “a intenção é potencializar a capacidade de mobilização destes jovens para promover ações e campanhas que alcancem positivamente esta parcela da sociedade”. Heeeinnn? Imaginem se algum mano e alguma mina vão a uma estrovenga como essa.

Estuda-se a possibilidade de o rolezinho ser comunicado com antecedência e estar sujeito à concordância das partes, sabem cumé? A Prefeitura quer, atenção, ser a “responsável cultural”, informa a Folha Online, pelos rolezinhos. O que é um “responsável cultural”? Não tenho a menor ideia.

Fico cá a imaginar a necessidade de se criar a “Subsecretaria para Assuntos de Rolezinhos”. Haveria uma agenda. Bom saber, né? Assim, no dia, os consumidores procuram um shopping em que não sejam importunados.

Gilberto Cavalho diria que eu me incomodo como “negros e morenos”. Errado! Os “negros e morenos” dos shoppings da periferia já deixaram claro, revelou o Datafolha, que eles não querem rolezinhos…

Haddad acha que governar é ceder sempre aos grupos de pressão e à gritaria das minorias e que as maiorias são autoritárias pela própria natureza. Até agora, é a figura mais patética que já sentou naquela cadeira. Foi eleito pela maioria dos que votaram.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2014

às 6:53

Fernando Haddad e a “evolução da espécie”

E o prefeito Fernando Haddad segue firme na sua determinação de transformar a Haddadolândia numa zona livre para o tráfico e o consumo de drogas. Indagado se acredita em alguma nova ação policial na área, afirmou:
“Eu sempre acredito na evolução da espécie. O ser humano comete erros, mas novos, não os antigos”.

Está se referindo, claro!, aos policiais. E de uma maneira bem pouco respeitosa, o que também não é novidade. Ele acredita na “evolução da espécie”? Pois é… 

Haddad segue sendo o arrogante e pretensioso de sempre. Esse que aí está é o mesmo que via virtudes no socialismo soviético, que criou os kits gays e que afirmou que Stálin era superior a Hitler porque lia os livros antes de mandar matar os autores.

Eu não acredito é na evolução de Fernando Haddad.

 

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 22:21

Promotor abre inquérito para apurar ação na cracolândia. Ou: Elaine Biasoli — Há quem prefira um homem suave a uma mulher firme

Milhares de moradores e de frequentadores da região central de São Paulo — onde ficava a cracolândia e hoje fica a Haddadolândia — estão tendo aviltados o seu direito de ir e vir; estão vendo seu patrimônio ser fumado nos cachimbos de crack; estão tendo seus filhos e familiares expostos a riscos que não são pequenos. E o Ministério Público fez o quê? Como se sabe, nada. Agora leiam o que informa a Folha. Volto em seguida.
*
O Ministério Público abriu um inquérito nesta sexta-feira para investigar a operação do Denarc (Departamento de Narcóticos) que terminou em confronto, ontem (23), na região da cracolândia, no centro de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a ação ocorreu para a prisão de um traficante. Usuários de droga teriam então jogado pedras e pedaços de pau contra os policiais, que retornaram em cerca de dez carros e jogaram bombas de efeito moral contra as pessoas que estavam no local. “Foi uma ação muito diferente de tudo que já vi do Denarc, fechando ruas e atirando bombas. As operações [do departamento] geralmente são feitas com muita discrição. Agora queremos saber qual a razão. Foi uma ação muito nebulosa, esquisita, estranha”, afirmou o promotor Arthur Pinto Filho.

O promotor afirmou que já pediu as imagens das câmeras da prefeitura na região e os documentos da ação, e marcou oitivas com a delegada Elaine Maria Biasoli, diretora do Denarc, com o delegado Osvaldo Naoki Miyazaki, da Corregedoria, e com o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto. O promotor afirmou que após a apuração deve entrar com “uma ação para que a Polícia Civil fique impedida de praticar ações bárbaras”.

“O que ocorreu com a PM, agora ocorreu com a Polícia Civil”, comparou o promotor se referindo a uma ações da PM, feita em 2012, que gerou uma liminar da Justiça impedindo “ações que ensejem situação vexatória, degradante ou desrespeitosa” aos usuários de drogas.

Confrontos
O governo paulista disse hoje que as operações policiais na cracolândia não devem parar, mas ressaltou que não haverá mais confrontos. “As ações de inteligência continuam. Mas reforçamos, depois de ontem, que se houver a possibilidade de um confronto a operação não deve ser feita”, disse Edson Ortega, assessor do Estado que atua na cracolândia. Ortega visitou a cracolândia no começo da tarde de hoje. Ele estava acompanhado do chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido, e do 1º Tenente Willian Thomaz, responsável pela região da Nova Luz. Segundo Aparecido, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu que ele comandasse mais de perto todas as ações do governo no local.

“Há um cuidado em mostrar que existe sim um empenho por parte do governo na parceria com a prefeitura”, disse. Segundo ele, o governador pretende fazer do confronto de ontem apenas um episódio isolado. “Queremos deixar explícito que vamos reforçar a parceria com a prefeitura”.

Comento
Não gosto do tom do governo de São Paulo — ainda que possa apontar os motivos para ser assim. Como a imprensa é majoritariamente favorável ao programa aloprado de Haddad e comprou a versão vigarista de que o erro, nesta quinta, foi da polícia, busca-se evitar qualquer coisa que lembre confronto, hipótese em que o estado poderia aparecer como o mauzinho, e a Prefeitura, como a boazinha.

Entendo, mas mesmo as escolhas políticas precisam ser feitas com um pouco mais de habilidade. O tom do governo do estado — pelo menos o que vai acima — é defensivo, tímido, timorato, acuado, como se fosse o governador Alckmin a dar dinheiro para viciados em droga. Que eu saiba, ele está oferecendo tratamento, não é isso? “Ah, mas a imprensa não reconhece…” Eu sei. Mesmo assim, é preciso cuidado com as palavras.

“As ações de inteligência continuam. Mas reforçamos, depois de ontem, que se houver a possibilidade de um confronto, a operação não deve ser feita.” A fala é de Edson Ortega, assessor do governo do Estado para a Cracolândia. Então tá! Basta que os traficantes se organizem, então, para o confronto, e a polícia ficará de mãos atadas, certo, Ortega? A partir de hoje, fica definido que a polícia só será dura com bandidos pacíficos. Faz sentido.

Aí diz o promotor: “Foi uma ação muito diferente de tudo que já vi do Denarc, fechando ruas e atirando bombas. As operações [do departamento] geralmente são feitas com muita discrição. Agora queremos saber qual a razão. Foi uma ação muito nebulosa, esquisita, estranha”. Tá. Quantas vezes os agentes do Denarc foram antes cercados com paus e pedras e tratados na porrada?

Abaixo, publico um texto sobre a fala de uma representante da PM no Rio, que explicou por que assaltantes do Centro não estavam sendo reprimidos: segundo ela, não é problema de segurança, mas social e de saúde. O promotor diz ainda que pretende agir para impedir a Polícia Civil de praticar “ações bárbaras”. O que houve de “bárbaro” ontem na operação do Denarc? Cadê as evidências? O Brasil caminha para ter uma polícia que, sob o pretexto de deixar de ser violenta — e não pode ser mesmo, a menos que seja necessário —, terá de garantir a proteção dos criminosos.

Nesse imbróglio todo, até agora, só uma pessoa não tremeu o lábio nem demonstrou a consistência de uma gelatina: a chefe do Denarc, Elaine Biasoli. Temo que ainda acabem considerando que um homem mais suave ficaria melhor no seu cargo…

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 18:55

Os uniformizados do crack da Haddadolândia. Ou: A Dancinha da “Pedra”

A máquina publicitária da Prefeitura agora divulga imagens dos uniformizados do crack da Haddadolândia. Beneficiários do programa Braços Abertos — a Bolsa Crack — aparecerão fazendo dancinhas, felizes da vida; será mostrado o interior, sempre asseadíssimo, claro!, dos hotéis onde estão hospedados. Finalmente, alguém — Fernando Haddad — encontrou a solução que o mundo buscava para resolver o problema das drogas: salário e casa e comida de graça!

Kim Jong-un, o anão tarado que governa a Coreia do Norte, não cuidaria melhor da propaganda — com a diferença de que, lá, a TV é estatal. Huuummm… Em certa medida, aqui também! A outra diferença é que, naquela tirania, as pessoas aparecem chorando, e, em São Paulo, elas aparecerão sambando. É a  Dancinha da “Pedra”.

“Não vai parar com esse assunto, não, Reinaldo?”

Não vou.

Por Reinaldo Azevedo

24/01/2014

às 16:25

Haddadolândia: Prefeito de SP diz que seguirá com seu programa aloprado nem que seja “na marra”. Faz sentido! Na essência, ele é ilegal

Bacana o estilo “faço e aconteço” do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Boa parte da população da cidade já percebeu qual é a dele. A avaliação de sua gestão é um bom espelho do seu desempenho até aqui. E olhem que conta com um apoio na imprensa como raramente vi. O programa do governo do estado que trata dependentes químicos é tratado a tapas e pontapés. O de Haddad, que dá dinheiro, moradia e comida para viciados, é considerado uma flor do humanismo. Boa parte dos jornalistas acha que as drogas têm de ser descriminadas porque seria uma questão “de direitos individuais”. Quando o sujeito se estrepa, esses mesmos consideram que o problema é do estado. Sendo do estado, vão mais longe: o dependente se submete a tratamento se quiser. Se não quiser, o Poder Público tem de financiar o seu vício e lhe oferecer condições de uma vida digna. No Brasil, ter tuberculose, uma doença da pobreza, é que é uma merda. Ninguém dá bola para um tuberculoso dos cafundós do Judas. Nem um cubano tem o que fazer com ele porque não é uma doença que se resolve, como disse Dilma, num rasgo poético, com “apalpadas”.

Nesta sexta, Haddad diz que o seu programa seguirá nem que seja “na marra”. Não sei por que tanta testosterona verbal. Quem está impedindo o alcaide de seguir com seu programa aloprado? Outro em seu lugar já estaria enfrentando o Ministério Público, que o chamaria às falas por ter decidido entregar um pedaço da cidade para uma comunidade com, digamos, hábitos muito particulares. É evidente que isso agride os direitos das pessoas que moram e trabalham na região e estão sitiadas. É evidente, é uma questão de funcionamento da economia, que, ao se perenizar na área um público com hábitos tão particulares, virá junto uma cadeia de “serviços” para atender às suas demandas. O resultado é degradação. Os pagadores de IPTU da região estarão dando uma parte dos seus rendimentos para financiar a degradação do seu patrimônio. Chego a ficar constrangido só de escrever a respeito. Nenhum dos bananas que apoiam esse programa gostaria de estar na pele dos moradores do Centro. É uma canalhice moral defender um troço como esse dando um “graças a Deus” por não estar lá.

Mas Haddad diz que vai nem que “seja na marra”. É mesmo? Entendi.
Os viciados terão de aceitar um salário nem que seja na marra.
Os viciados terão de morar de graça nem que seja na marra.
Os viciados terão comida de graça nem que seja na marra.
Os viciados não estão obrigado a contrapartidas nem que seja na marra.

Impedir o trabalho da polícia
A ousadia do prefeito e seus amigos chegou a tal ponto que eles querem agora impedir o trabalho da polícia. É muito impressionante que a imprensa não submeta a fala de Roberto Porto — secretário de Segurança da cidade e homem bom de embargos auriculares com alguns de seus amigos jornalistas — à lógica elementar.

Leio na Folha a seguinte declaração sua: “A prisão de traficantes, ninguém pode ser contra e isso vem sendo feito. Nós temos em média três prisões por dia de traficantes no local, sem qualquer problema”. É mesmo? Ele repete, então, o que disse nesta quinta a chefe do Denarc, Elaine Biasoli. Também a Polícia Civil faz prisões por ali. O que aconteceu de diferente ontem? Simples: os frequentadores da Cracolândia cercaram os policiais, agrediram-nos e depredaram viaturas. Porto queria o quê? A POLÍCIA FOI ATACADA, NÃO ATACOU.

E isso aconteceu no dia em que capas-pretas do petismo passaram por lá: Alexandre Padilha, ainda ministro da Doença e futuro candidato ao governo de São Paulo; José de Fillipi Jr., secretário da Doença da cidade e autor intelectual do “Bolsa Crack”, além do próprio Porto, presente quando o confronto aconteceu. Estou sugerindo que os petistas insuflaram as agressões contra a polícia? Eu nunca sugiro nada. Ou digo ou não digo. E eu estou dizendo que os políticos, ao fazer proselitismo na Haddadolândia, reforçam a percepção dos frequentadores de que aquela é, de fato, uma área em que vale tudo — não submetida, portanto, às leis que vigoram no resto da cidade e do país.

E a coisa vai piorar depois do escarcéu feito ontem. Os próprios policiais, civis e militares, tenderão a se perguntar: “Por que vou me meter nessa roubada? Para que a imprensa caia de pau? Para que a Corregedoria caia de pau? Para apanhar das autoridades da Prefeitura? Para ser visto como espancador de pobre?”. E se tem, então, a espiral de irresponsabilidades. É claro que a perspectiva será de crescimento da Cracolândia, que acabará atraindo viciados de outras cidades e de outros estados.

Alckmin
O governador Geraldo Alckmin também falou sobre o episódio. Afirmou que é preciso parar com picuinhas políticas e que o Denarc estava lá para prender traficantes. Como os policiais foram agredidos, houve reação. E foi o que aconteceu. Nada além disso.

O problema é enfrentar a máquina de produzir factoides. À Folha, Porto, o dos embargos auriculares, afirmou: “Nós tivemos pessoas atendidas no ‘Braços Abertos’ relatando que foram atingidas por balas de borracha. Eu pude presenciar, na ocasião, policiais civis com a arma disparadora da bala de borracha. Agora se era para somente intimidar ou não eu não posso dizer”. Este senhor é o secretário de Segurança do município. Ainda que os relatos tenham acontecido e ainda que ele tenha visto a tal arma, é visível que ele não a viu sendo disparada. Sem ter em mãos as evidências inquestionáveis, a única postura responsável, para alguém que ocupa o seu cargo, seria se calar a respeito até que surgisse a prova.

A Polícia Civil pode, sim, usar balas de borracha. Mas, segundo o Denarc, não foram empregadas nesta quinta. Ainda que tivessem ou tenham sido, se há uma turba que parte pra cima de policiais para impedi-los de fazer o seu trabalho, é preciso reagir — se for o caso, com balas de borracha. É, diga-se, o que fazem as polícias em estados governados pelo PT. E aí a Al Qaeda eletrônica se cala. Coragem, Haddad! Siga com o seu programa “na marra”, já que, segundo qualquer critério que se queira, ele está mesmo fora da lei.

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2014

às 18:28

Fernando Haddad vira líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo

Ai, ai… A pesquisa Datafolha já revelou o que os paulistanos pensam dos rolezinhos, e os mais críticos são justamente os mais pobres. Nem a hipótese do racismo, na qual o PT investiu, se confirmou. Assim como essa coisa toda começou, iria esmorecer.

Mas aí apareceu o prefeito Fernando Haddad no meio do caminho. Escolheu o pagodeiro Netinho de Paula, seu secretário da Igualdade Racial, para negociar com “rolezeiros”, como se fosse possível estabelecer uma representação formal em casos assim.

Depois de uma reunião com a molecada e com representantes de shoppings, ficou acordado que os rolezinhos poderão ser feitos nos… estacionamentos. É mesmo, é? Em quais? Haverá carros no local? Os rolezeiros se espalharão entre os automóveis? Mais: isso vale também para as garagens subterrâneas, sem janelas nem outra área de escape para as ruas?

Assim, a Prefeitura de São Paulo decidiu dar sobrevida a uma prática que estava em declínio e que conta com a antipatia da esmagadora maioria dos paulistanos. Tudo porque o prefeito Haddad não resistiu à tentação de se comportar como um populista vulgar. Aliás, mais de uma vez eu já apontei as características que fazem dele um Jânio Quadros de esquerda. E, como de costume, Haddad tenta ser popular enfurecendo o povo. Um gênio!

Quanto tempo vai durar essa solução que não resolve nada? Se o estacionamento de um determinado shopping passar a ser palco de rolezinhos permanentes, das duas uma: ou se impede a entrada dos carros — e, pois, se espantam clientes — ou se expõem os donos dos automóveis ao risco do prejuízo. E eles desaparecerão do mesmo jeito. Em qualquer dos casos, lojistas e consumidores estarão sendo punidos.

É nisso que dá emprestar uma visão política, ideológica, ao que não passava de uma manifestação mais ou menos irresponsável de quem só queria se divertir, optando por uma prática obviamente incompatível com o lugar escolhido.

O prefeito Fernando Haddad está fazendo um esforço danado para que os rolezinhos sejam mais uma das heranças malditas que ele pretende deixar em São Paulo. O pagodeiro Netinho já conversou com supostos líderes de rolezeiros da Zona Norte. Nesta sexta, é o dia dos da Zona Sul.

Depois virão os da Zona Leste, que concentra as regiões mais pobres da cidade. É lá que os rolezinhos têm o menor apoio da população: apenas 8% segundo o Datafolha.

Por Reinaldo Azevedo

17/01/2014

às 16:11

Haddad, o Jânio Quadros com Marx de quinta e Foucault de primeira na cabeça, faz “visita-surpresa” à Cracolândia

Haddad, o prefeito com coisas estranhas na cabeça, e seu líder espiritual

Haddad, o prefeito com coisas estranhas na cabeça, e seu líder espiritual

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o Jânio Quadros com Marx na cabeça (para gáudio do Complexo Pucusp e de setores da imprensa), resolveu fazer uma visita surpresa à Cracolândia nesta sexta-feira. Atenção! Visita-surpresa acompanhada por jornalistas, entenderam? Pergunta: quando um evento público não surpreende repórteres, surpreende a quem? É preciso cuidado para distinguir jornalismo de propaganda oficial.

Ele foi lá ver o seu belo trabalho. A favela criada no meio da rua durante a sua gestão foi desmontada. Até agora, o grande feito de Haddad na Cracolândia é ter revertido o absurdo adicional gerado por sua própria administração. Mas ele se aplaude e é aplaudido. E como o petista pôs fim à favelinha erguida no meio da rua? Ofereceu salário e comida e moradia gratuitas àqueles que decidiram, digamos, impor a sua vontade, privatizando o espaço público.

Em troca dos benefícios, quatro horas de trabalho por dia mais duas de aulas de reciclagem profissional, mas estas não são obrigatórias. Os poetas das drogas são contrários a que se imponha qualquer procedimento aos dependentes. Quem circulou por lá já viu que os atendidos pelo programa — 80 começaram a trabalhar até agora; 300, dos estimados dois mil frequentadores, serão contemplados — alternam a varrição de rua com o consumo da pedra.

Então é isto: o Jânio Quadros com Foucault na cabeça — para gáudio da nova geração de pensadores boêmios da Augusta — decidiu acabar com a Cracolândia institucionalizando a Cracolândia e, na prática, legalizando o consumo e o tráfico da droga, como querem os bacanas, mas com um suplemento de “progressismo”: a porcaria, por via indireta, é financiada pela própria Prefeitura.

Não existem regras para descredenciar o beneficiário. Ele precisa se tratar? Não. Ele precisa comparecer ao trabalho? Não. Em tese, ao menos, se não for, deixa de receber R$ 15 — o pagamento é semanal. Ele está proibido de consumir crack com uniforme da Prefeitura? Não. O seu trabalho passa por alguma avaliação de qualidade? É claro que não! A pergunta é absurda. Há um prazo para deixar o programa? Evidentemente, a resposta também é não.

Mas Haddad estava lá, firme, prometendo ampliar o programa e cadastrar novos hotéis. A Cracolândia, enfim, na prática, foi expropriada pelo poder público e entregue aos consumidores de crack — e, obviamente, à demanda costuma corresponder a oferta nas melhores e nas piores atividades humanas. Quem tende a lucrar com essa organização é o tráfico.

Programas dessa natureza, uma vez criados, jamais terão fim. Nunca mais haverá a revitalização do Centro da cidade. A região está condenada para sempre a ser abrigo de consumidores de crack — e outras drogas. O que tanto alegra aquela turma com Marx de quinta categoria na cabeça (e Foucault de primeira…) é o fato de o programa referendar, no terreno dos valores, a descriminação das drogas.

E, como se sabe, essa é uma tese considerada, em si, progressista. Mas isso não basta. É preciso também que o conjunto da sociedade financie o vício do dependente. O álcool é uma droga legal e também destrói vidas, famílias, reputações. Por que não um “Bolsa Pinga”? Porque os pinguços pobres não costumam se impor pela força e privatizar áreas da cidade. De resto, a cachaça já foi incorporada pela ordem capitalista, né? O viciado na “marvada” é visto como uma vítima do capital; já o consumidor das drogas ilícitas, para esses “progressistas”, é vítima de sua sede por liberdade… Os caretas pagam a conta.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 17:16

A declaração absurda de Haddad sobre a Cracolândia

O Centro de São Paulo, agora, tem donos oficiais

O Centro de São Paulo, agora, tem donos oficiais

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), é uma piada. Leio na Folha a declaração que ele deu sobre a Cracolândia: “Conseguimos mudar a cara da região em apenas dois dias”.

Santo Deus!

Ele se refere ao desmonte de uma favela que havia sido criada praticamente no meio da rua. Criada, atenção!, na sua gestão, sob os seus olhos, sob os cuidados de seu governo inerme.

Moravam lá cerca de 300 pessoas. Haddad resolveu lhes pagar R$ 450 por mês, com casa e comida de graça. Elas, claro!, acharam um bom negócio. Nem mesmo precisam parar de consumir a droga ou fazer tratamento. Nada disso! O prefeito lhes dará a grana para comprar as pedras — claro, eventualmente, elas podem comprar iogurte.

O resto da Cracolândia segue sendo a miséria de sempre. Mas, para o prefeito, a cara da região já mudou. Faça o seguinte, paulistano: tente transitar ali pela praça Sagrado Coração de Jesus para ver como estão as coisas… Eu estou brincando. Não vá!

A região reúne um público de dois mil dependentes, mais ou menos. Os hotéis de Haddad oferecem abrigo para 300. Atenção! Eles vão dormir lá. Durante o dia, estão circulando pela praça.

E por que o mistificador é tratado por setores da imprensa como um gênio? Em primeiro lugar, afinidades ideológicas. Em segundo, porque a causa de fundo que os une é a descriminação das drogas. Na prática, o prefeito declarou o Centro da cidade uma área livre para o consumo, com patrocínio público.

Parte do jornalismo acha que isso é progressista.

Por Reinaldo Azevedo

16/01/2014

às 6:25

Haddad politiza os “rolezinhos”, empresta-lhes caráter racial, decide negociar com os organizadores e, para não variar, apaga incêndio com gasolina. Tomara que São Paulo sobreviva à sua passagem

Haddad. Pobre São Paulo! Este Jânio Quadros de esquerda teve mais uma ideia...

Haddad. Pobre São Paulo! Este Jânio Quadros da esquerda engomada teve mais uma ideia…

A impopularidade está levando o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a uma escalada de desatinos, ainda que conte com o apoio entusiasmado de setores importantes da imprensa. Na terça, veio à luz o programa “Bolsa Crack”. Nesta quinta, ficamos sabendo que este gigante decidiu negociar com… organizadores de rolezinhos! Assim, o que tinha tudo para ser uma onda, dessas que passam — até porque os amigos e familiares dos “rolezeiros” também frequentam shoppings —, ganha um ar de coisa politicamente grave, séria.

Parece que tentar conduzir Haddad à razão não é nem fácil nem difícil; é apenas inútil.

Vamos ver. O homem decidiu elevar o IPTU de São Paulo a alturas escorchantes e não quis negociar com ninguém. Nem com os vereadores de sua própria base. A coisa acabou na Justiça. Decidiu espalhar faixas de ônibus cidade afora, onde eram e onde não eram necessárias, e também achou que não tinha de conversar. Sua reputação, hoje, na cidade, não é das melhores.

Aí ele teve uma ideia luminosa: por que não conversar com os líderes dos rolezinhos? E o prefeito escalou, então, o secretário da Igualdade Racial, Netinho de Paula, para procurar os chamados “líderes” desses eventos. Um encontro deve acontecer na Prefeitura. O conjunto da obra é de uma impressionante irresponsabilidade. Ao escalar justamente o Secretário da Igualdade Racial, Haddad está a sugerir que a cor da pele é um componente importante da questão, o que é absolutamente falso. Essa já é uma perigosa politização do caso.

Netinho diz que o prefeito vai conversar também com os shoppings para que os jovens possam frequentá-los normalmente. Ora, boa parte desses estabelecimentos, não custa notar, fica em áreas periféricas da cidade. Não se tem notícia de que pessoas tenham sido impedidas de neles entrar em razão da cor da pele, da origem social, da orientação sexual ou de qualquer outra coisa. Netinho também teve a sua ideia luminosa. Afirmou que os rolezinhos poderiam acontecer nos estacionamentos… Imaginem vocês… Centenas ou milhares de pessoas promovendo seus eventos em meio a automóveis. Seria um bom caminho para espantar os consumidores.

Grupos de esquerda, movimentos sociais, autoridades e, infelizmente, jornalistas, como alertei aqui na segunda, contribuíram para emprestar um sotaque político ao que não passava de uma brincadeira meio irresponsável de adolescentes. Em junho, os “black blocs” foram tratados por alguns bocós como “excelências”. Agora, ora vejam!, Haddad transforma organizadores de rolezinhos em vozes autorizadas, com as quais se deve negociar. Um dos rapazes confessou o que queria: apenas beijar algumas meninas na boca.

O prefeito vai demonstrando, assim, que, em São Paulo, para ser ouvido ou ter uma reivindicação atendida, basta transgredir a lei ou se impor pela violência. Se quebrar e incendiar ônibus, o reajuste da passagem é suspenso. Se erguer uma favela no meio da rua, ganha casa, salário e comida. Se promover desordem num shopping, é chamado a negociar como se fosse uma autoridade.

Não será fácil, no futuro, administrar essa herança maldita do Jânio Quadros da esquerda engomada.

Por Reinaldo Azevedo

15/01/2014

às 19:12

“Stendhal” quer saber por que a imprensa é tão simpática à cultura das drogas

Ele era Jimi Hendrix por causa das drogas ou apesar delas?

Ele era Jimi Hendrix por causa das drogas ou apesar delas?

Um leitor que se identifica como Henri-Marie Beyle — é claro que ele está brincando, né?, porque esse era o nome verdadeiro do grande Stendhal! — envia uma pergunta: “Reinaldo, por que a imprensa brasileira é tão condescendente com programas que, em vez de combater a dependência química, a reforçam? De onde vem isso?”

Xiii, meu caro Stendhal!!! A resposta não é simples. Não se esgota em um post. Não se esgota em milhares.

Na base dessa convicção estúpida, está a maconha, que ganhou o estatuto, e não só no Brasil, de uma categoria de pensamento. A repressão ao consumo dessa droga é confundida com o cerceamento, acredite!, da liberdade de expressão. Por quê? Parcela considerável dos, vá lá, contestadores do establishment nos anos 1960 e 1970 — especialmente na Europa e nos EUA — consumiam maconha; a erva era tida como expressão de rebeldia, da luta “contra o sistema”. Diga-me, meu caro Stendhal: há coisa mais patética do que maconheiro velho posando de rebelde em pleno 2014? Contra quê? Contra quem?

Como já escrevi aqui há muito tempo, e Ferreira Gullar voltou a lembrar em artigo recente na Folha, a geração que tomava a maconha como símbolo da liberdade está no poder no Brasil e no mundo. Para muitos, reprimir o seu consumo parece corresponder à morte de um sonho. Não é o caso de Dilma, por exemplo. A droga que ela consumia era outra; suas alucinações eram de outra natureza, como sabemos bem. Ela não consumia mato seco, mas Carlos Lamarca; não pensava na sociedade sem estado, mas na ditadura comunista. De todo modo, pertence, a exemplo de FHC, àquela geração que queria mudar o mundo — no caso dos comunistas, para muito pior. Mas a versão que passou para a história foi outra. Não quero perder o fio. Retomo.

Os apologistas da maconha, ainda que por razões sentimentais, não têm como argumentar logicamente que essa droga deva ser descriminada ou legalizada sem que o mesmo aconteça com as demais. Até porque o principal argumento — de que a proibição só alimenta o poder do narcotráfico — só para de pé se todas as substâncias hoje consideradas ilegais forem liberadas. Todo mundo sabe que a maconha está longe de ser a principal fonte de renda dos carteis internacionais de droga. Ainda é a cocaína.

Assim, o primeiro pilar em que se sustenta a cultura da droga é a suposta defesa da liberdade individual.

Já escrevi aqui que acho esse discurso sedutor e que tenderia até a aderir a ele não fosse o fato de que as consequências do consumo da droga recaem sobre o conjunto da sociedade. Não por acaso, os mesmos que advogam a descriminação dessas substâncias não tardaram a aderir à “medicalização” do discurso, fazendo uma curiosa fusão de leituras do mundo que, em si, são contraditórias.

Se a droga deve ser vista como matéria de liberdade individual, de escolha, então a dependência — em qualquer grau — tem de ser encarada como consequência dessa opção, certo? Mas quê… A um só tempo, os partidários da descriminação gritam “liberdade para consumir!” e “tratamento público e gratuito para os dependentes”. A cidade de São Paulo, como se sabe, acaba de dar um passo rumo ao abismo: passou a financiar com dinheiro público o consumo de crack. Ainda que se tente dourar a “pedra”, a consequência é essa.

A cultura da droga tem, então, na ‘medicalização” do discurso o seu segundo pilar, que convive, num milagre da engenharia argumentativa, harmoniosamente com o outro, o da liberdade individual. Ora, ora, pressuposto do exercício da liberdade é que o indivíduo arque com as consequências de suas escolhas, certo? Não no caso das drogas.

E há um terceiro pilar, talvez o mais deletério deles porque não pode ser submetido a nenhuma forma de abordagem racional. Consolidou-se o mito estúpido, especialmente dos anos 1960 para cá — quando setores importantes da academia e da imprensa resolveram marginalizar a alta cultura em favor da rebeldia pop —, de que as drogas são uma espécie de portal para áreas mais profundas da consciência, de onde se poderiam extrair verdades, que de outro modo, não viriam à tona; onde aconteceriam, sei lá, sinapses que não se realizariam sem o concurso daquelas substâncias.

Combater, então, o consumo de drogas — ou tentar impedi-lo — seria como vetar o acesso a uma intimidade de verdades recônditas; seria como censurar o “eu profundo” que habitaria cada um de nós. Pior: no universo da cultura pop, a droga é considerada a causa da “genialidade” dos artistas. Ora, uma abordagem racional, objetiva, técnica indicaria, citarei alguns, que Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison ou Kurt Cobain “aconteceram” APESAR DAS DROGAS, JAMAIS POR CAUSA DELAS.

Não é esse, no entanto, o saber firmado inclusive em setores da imprensa que escrevem a respeito. Há uma deletéria e maléfica glorificação, ainda que sub-reptícia e um tanto oblíqua, do vício. A droga se torna, assim, uma espécie de valor simbólico, que seduz adolescentes e jovens, levando-os muitas vezes a crer — por mais que tentem sofisticar o discurso — que, se consumirem as mesmas porcarias que aqueles consumiam, conseguirão, senão a mesma projeção, ao menos a mesma, vá lá, “profundidade’. Ora, é evidente que as drogas não fizeram com que as pessoas acima citadas se tornassem o que se tornaram na cultura pop. As drogas as mataram — de vício ou bala.

E a imprensa? Seu papel é mesmo vigiar o poder, contestá-lo, apontar ineficiências e desmandos. Tomar, no entanto, a ilegalidade das drogas como expressão de uma vontade autoritária do “poder” é uma simplificação estúpida. Programas como o de Fernando Haddad — ainda que essencialmente irracionais e contraproducentes, porque resultará numa elevação do consumo de drogas — são bem-recebidos pelos jornalistas, independentemente de seus méritos, porque lhes parece que o estado teria, finalmente, decidido se reconciliar com a sociedade, numa abordagem supostamente “humana” da questão. Afinal, ele concilia o exercício do suposto “direito” de consumir (nota: não existe esse “direito”) com a devida assistência.

Mais: na prática, a Prefeitura descrimina o consumo das substâncias ilícitas e “abre os braços” para os dependentes, o que reforça aqueles três pilares sobre os quais se assenta a cultura da droga: a liberdade, a assistência e a nova sensibilidade.

Por Reinaldo Azevedo

15/01/2014

às 4:02

Os detalhes macabros da Bolsa Crack do PT. Ou: Em SP e no Brasil, ser viciado é moralmente superior a ser pobre. Ou: Haddad consolida parte de sua herança maldita: o Centro foi entregue para sempre a viciados e traficantes

Haddad: ele entregou para sempre o Centro de SP ao consumo e ao tráfico de drogas

Haddad: ele entregou para sempre o Centro de SP ao consumo e ao tráfico de drogas

As palavras são fortes, sim, mas, infelizmente, as coisas precisam ser classificadas segundo aquilo que são. A Prefeitura de São Paulo deu início a um programa que me parece moral, filosófica e tecnicamente criminoso de suposto combate ao crack. Por que “suposto”? De fato, a gestão do petista Fernando Haddad deu início, nesta terça, ao financiamento público do consumo de crack. Agora é para valer: está criada a “Bolsa Crack”. E, como sempre, os que trabalham, os que levam uma “vida careta”, passarão a financiar o consumo dos viciados, que não terão nem mesmo de se submeter a tratamento para receber salário, comida e moradia gratuitas. A cidade de São Paulo se torna, assim, o paraíso dos traficantes e continuará a ser o inferno dos dependentes — mas, agora, em fase de estatização. É isto: a sede estatizante do PT chegou ao crack. O presidente do Uruguai, José Mujica, é um doidivanas, mas é intelectualmente mais honesto.

A primeira grande impostura
Vamos ver o que a Prefeitura decidiu fazer e analisar as medidas no detalhe. O Jornal Nacional levou ao ar nesta terça uma reportagem bastante favorável ao programa da Prefeitura. Faz sentido. A emissora está ligada a grupos e entidades que defendem a descriminação das drogas e se opõem à internação de viciados. Já escrevi posts a respeito. Ok. As pessoas e as emissoras são livres pra ter as suas crenças.

Mas não estão livres dos fatos. O texto do Jornal Nacional começou assim:
“A cidade de São Paulo começou, nesta terça-feira (14), mais uma tentativa de combater o consumo de crack. Dependentes químicos vão ganhar hospedagem, alimentação e emprego.
Os barracos de madeira e lona na região da Cracolândia começaram a ser desmontados durante a tarde. Uma nova tentativa de acabar com a Cracolândia, que concentra dependentes de crack no centro da cidade. A partir de agora, 300 vão receber ajuda desse novo programa.”

Epa! Se o objetivo, como se anuncia acima, é “acabar com a Cracolândia”, então é preciso apontar a primeira impostura: o público volante da região é de… DUAS MIL PESSOAS, NÃO DE 300. Se o programa, então, pretende extinguir a Cracolândia oferecendo emprego, comida e moradia a 300 viciados, cumpre perguntar o que pretende fazer com os outros… 1.700! Uma coisa, pois, é a convicção, a escolha ideológica ou sei lá como chamar. E outra pode ser a verdade. Assim, a primeira grande mentira do programa está no seu alcance. Vai atingir apenas 15% dos frequentadores da área.

E que publico é esse?

A segunda grande impostura
Justamente aquele que passou a construir barracos em pleno logradouro público, no chamado quadrilátero da Luz, nas ruas Helvétia e Dino Bueno e Alameda Cleveland. O leitor de outras cidades e estados talvez não saiba. Com a chegada do PT ao poder na cidade e a determinação da Prefeitura de não mais “reprimir” o consumo de drogas, os viciados voltaram a ocupar hotéis caindo aos pedaços, casas abandonadas, praças e calçadas. E deram início à construção de uma “favela do crack” nas ruas, como se pode ver na foto abaixo.

favela da cracolândia

O programa que agora tem início, pois, busca atender apenas esses viciados. Assim, está para ser provada a tese do Jornal Nacional de que se trata de, como é mesmo?, “uma nova tentativa de acabar com a Cracolândia”. Não! A Prefeitura está tentando é acabar — e ela logo vai voltar, já digo por quê — com a favela do crack que surgiu logo nos primeiros meses da gestão Fernando Haddad.

Não há programa nenhum para as centenas de pessoas que se concentram na praça Sagrado Coração de Jesus. Aliás, até a Guarda Municipal saiu de lá. Agora, aquela praça é dos viciados e traficantes como o céu é do condor.

Ao Jornal Nacional, José de Filippi Junior, secretário municipal de Saúde, afirmou, num tom quase carnavalesco: “O tratamento é pra que essa pessoa reconstrua sua vida. Reconstrua a vida dela e possa ver que ela pode ser feliz. Que possa buscar no trabalho, no emprego, a reestruturação dos amigos, da família e a saúde. Acho que é um passo importante pra isso, buscar o seu bem-estar integral”. É preciso ter estômago forte. De que TRATAMENTO este senhor está falando? 

 A terceira grande impostura
E como é que se decidiu pôr fim à favela? Ora, premiando com emprego, salário, comida e moradia gratuitas aqueles que decidiram criá-la. Eles foram cadastrados e “convencidos” a deixar os seus barracos. Em troca, terão de trabalhar apenas quatro horas por dia na conservação de logradouros públicos, além de dedicar duas horas  a cursos de qualificação. Mas essa segunda parte não é obrigatória. Receberão, a cada dia, R$ 15 — ao fim do mês, note-se, o benefício será maior do que a maioria do que paga, per capita, o Bolsa Família: como sábados e domingos são remunerados, serão R$ 450 mensais. Ser viciado, em São Paulo e no Brasil, é moralmente superior a ser apenas pobre. Entenderam?

A coisa não para por aí. Os viciados do Bolsa Crack de Fernando Haddad terão vantagens que os beneficiários do Bolsa Família não têm: vão morar de graça em hotéis do Centro especialmente preparados para isso, e terão direito a três refeições por dia. A forma de pagamento é a “semanada”: a cada semana, o dinheiro será depositado numa conta, a ser movimentada com um cartão.

Ao todo, o beneficiário terá de dedicar apenas quatro horas do seu dia ao “programa” — que poderão ser seis caso faça o curso. Se começar, sei lá, às 9h, já estará livre às 15h. Pra quê? É uma boa pergunta. Ora, se os que decidiram criar a “favela do crack” receberam como recompensa emprego, salário, casa e comida, o que impede outros de recorrerem aos mesmos métodos para ter benefícios idênticos? Cada um deles custará R$ 1.086 à Prefeitura. O programa do governo do Estado paga, sim, para os que participam do programa Recomeço. Mas eles são obrigados a se tratar, e o pagamento é feito à comunidade terapêutica, não ao viciado.

A quarta grande impostura
O aspecto mais deletério — e eticamente asqueroso — do programa de Haddad é que os viciados não serão obrigados a se tratar. No Jornal Nacional, Luciana Temer, secretária de Assistência Social, dizia orgulhosa: “Foi absolutamente voluntário. Quem quer participar, quem não quer participar. É um grande desafio, mas é um caminho que estamos buscando”.

Isso tudo é música — macabra! — para os ouvidos do que chamo de “militantes da cultura da droga”. No Brasil e em várias partes do mundo, considera-se, no fim das contas, que consumir tais substâncias é uma questão de escolha e de direito individual. Posso até flertar com essa ideia; aceito discuti-la. O que me pergunto, então, é por que a sociedade tem de arcar com as consequências e com os custos quando, digamos, algo dá errado?

Se estamos tratando de uma escolha individual, que cada um faça a sua! Mas não pode morar no logradouro público. Não pode receber um salário por isso. Não pode comer de graça por isso. Não pode morar de graça por isso. Se, no entanto, o estado tiver de arcar com as consequências, então ele tem o direito de fazer exigências.

A quinta grande impostura
Pesquisem, conversem com especialistas. Crack não é maconha. Crack não é cocaína. Crack não é, se quiserem, cigarro, analgésico ou diazepínico, para citar drogas legais. A possibilidade de um viciado deixar a droga sem ajuda médica — e o concurso de alguns fármacos — é praticamente nula. Mais: não existe uma forma, digamos, minimamente digna de conviver com o consumo da pedra. Ela rouba a vontade, os valores, a ética, a moral, tudo.

Tenho lido bastante a respeito. Estudos empíricos, especialmente ligados à área da psicologia comportamental, indicam que a remuneração — em dinheiro mesmo — pode ter um papel importante no tratamento de um viciado. Mas atenção! Para que a tática funcione, são necessárias precondições que absolutamente não estão dadas no caso.

Terapeutas e psiquiatras têm obtido respostas positivas quando passam a remunerar viciados em troca da abstinência. Trabalha-se com a ideia da recompensa — a punição, no caso, é só a cessação do benefício. A cada vez que cumpre etapas de uma sequência de desafios — que incluirão, no seu devido tempo, a abstinência —, é remunerado por isso. Se falha, então não recebe. Mas atenção! Isso se faz em situações de absoluto controle. É preciso que o paciente seja rigorosamente acompanhado. Para começo de conversa, ele tem de estar ancorado numa estrutura familiar ou similar — uma comunidade terapêutica, por exemplo. Não pode respirar um ambiente em que a droga é dominante.

O programa de Haddad fornecerá a dependentes químicos que já romperam laços familiares e de amizade fora do mundo das drogas conforto, comida e dinheiro SEM EXIGIR DELES NADA EM TROCA. De resto, os consumidores da Cracolândia têm renda. Fazem bicos, trabalham como catadores, praticam pequenos furtos… Há pessoas que chegam a consumir mais de R$ 50 por dia em pedras. O dinheiro que Haddad vai lhes fornecer, assim, atuará como uma renda suplementar. Não há um só especialista em dependência química com um mínimo de seriedade que possa endossar isso.

A sexta grande impostura
Atentem agora para uma questão de lógica elementar. Se o programa não exige que o beneficiário faça tratamento contra dependência química, pouco importa, pois, para a Prefeitura se ele consome crack ou não, certo? Está, no fim das contas, ganhando salário, moradia e comida porque resolveu criar uma favela no logradouro público.

Estão dadas as condições para que os chamados movimentos de sem-teto comecem a reconstruir a favela dentro de alguns dias — sejam viciados ou não. Ora, se Haddad oferece benefícios sem nenhuma condicionalidade, por que não atender, então, eventuais pessoas que, não tendo teto, também não consumam drogas? O prefeito não seria perverso a ponto de exigir que as pessoas se tornem viciadas para poder receber o agrado, certo?

A sétima grande impostura
Na campanha eleitoral, o então candidato do PT prometeu um programa de fôlego contra o crack, em parceria com a presidente Dilma Rousseff. Agora vemos o que o homem tinha em mente. Não se enganem: essa história do tratamento volitivo, do “procura ajuda quem quer”, é, no fim das contas, economia de dinheiro. É EVIDENTE QUE É MUITO MAIS BARATO FINANCIAR O VÍCIO DO QUE FINANCIAR A CURA, COMO TENTA FAZER O GOVERNO DO ESTADO

Os vigaristas intelectuais no Brasil chamam a essa porcaria de “política de redução de danos”. Pesquisem. A redução de danos — embora eu não a aprove — é outra coisa. O programa da Prefeitura de São Paulo é só uma forma de financiar os viciados para poder desmontar uma favela que já havia se tornado símbolo da gestão Haddad. E que tende a voltar.

Concluindo
No projeto original, não sei se a medida será implementada, os dependentes também teriam direito a… andar de graça nos ônibus — não estou brincando. Vai ver é uma forma de tentar espalhar os viciados cidade afora, sei lá… Já houve quem sugerisse que eles tivessem prioridade em programas de moradia. A cultura de glorificação das drogas é capaz das piores bizarrices.

Não há prazo para os beneficiários deixarem os hotéis. Isso quer dizer o óbvio: não sairão nunca mais. Um tipo de programa como esse, uma vez criado, fica para sempre. E a demanda só irá aumentar. A tendência é que viciados de várias outras partes do estado e do Brasil procurem a cidade de São Paulo. A lógica é econômica. O Centro de São Paulo está para sempre condenado. Esqueçam qualquer processo de revitalização. Nunca mais acontecerá. O PT entregou, para sempre, uma área da cidade ao consumo e, por óbvio, ao tráfico de drogas.

Com um ano de gestão, Haddad já consolidou parte de sua herança maldita. Aguardem: ele ainda tem muitas outras ideias na cabeça.

Por Reinaldo Azevedo

14/01/2014

às 21:05

Agora é fato: Haddad criou o “Bolsa Crack” em São Paulo e decreta que o Centro não será revitalizado — não enquanto ele for prefeito ao menos…

Quando o governo de São Paulo criou o “Cartão Recomeço”, a rede petralha na Internet inventou a cascata de que se tratava do programa “Bolsa Crack”. Ignorava-se o fato óbvio de que o pagamento pelo tratamento é efetuado diretamente à comunidade terapêutica. O governo de São Paulo não dá dinheiro aos dependentes.

A Prefeitura de São Paulo, sob o comando do petista Fernando Haddad, lançou nesta terça um suposto programa de combate ao crack. Voltarei ao assunto mais tarde com mais vagar. A quantidade de despropósitos impressiona — além de um truque vulgar.

O principal absurdo: Haddad dará dinheiro e hospedagem a viciados — e não cobrará deles a adesão a um programa de tratamento. Se eles não quiserem, não se tratam. O programa vai atender apenas a um pequeno grupo de consumidores.

Na verdade, à diferença do que acaba de noticiar o Jornal Nacional, não se trata de um programa para tentar acabar com a cracolândia. Como vou demonstrar mais tarde, o que Haddad acaba de fazer é oficializar a região como área permanente do crack. Assim, esqueçam qualquer possibilidade de revitalização da região.

Volto ainda ao assunto, reitero. Mas noto que setores importantes da imprensa brasileira demonstram simpatia pelo despropósito porque o programa seria pautado pela tal “política de redução de danos”, um conceito porcamente aplicado no Brasil por aqueles que, de fato, defendem é a descriminação das drogas.

Mais tarde, outros aspectos deletérios de mais uma ideia estupefaciente de Fernando Haddad, que transforma o consumo de crack numa vantagem comparativa.

Por Reinaldo Azevedo

11/01/2014

às 6:10

São Paulo é agora refém dos sem-teto de Fernando Haddad. Ou: A capital paulista desce aos infernos

Cerca de 5 mil manifestantes, sob o comando do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), promoveram um protesto nesta sexta, em São Paulo, e chegaram a obstruir o trânsito na marginal Pinheiros, na ponte do Socorro e na estrada do M’Boi Mirim. Era um protesto contra uma declaração do prefeito Fernando Haddad, que defendeu que uma área invadida no Jardim Ângela, conhecida como Nova Palestina, seja transformada em parque. Eles exigem que a região seja destinada a moradias. Já volto ao ponto. Antes, algumas considerações importantes.

O dito MTST não é formado por pessoas sem teto, assim como o MST não é formado por pessoas sem terra. Os dois movimentos são, deixem-me ver como chamar, empresas de produzir ideologias, de produzir valores. Quando alguém ingressa num desses grupos que se dizem sem-teto, é obrigado a cumprir determinadas tarefas para ganhar pontos e ascender na hierarquia interna. Uma das tarefas, por exemplo, é promover paralisações cidade afora. Outra é invadir prédios públicos, moradias em construção e áreas destinadas à construção de casas populares.

Boa parte desses ditos sem-teto já tem um teto, obtido na marra. Essas invasões têm coordenadores, chefes, que formam o núcleo duro do movimento. Eles é que decidem quem pode e quem não pode permanecer nas áreas invadidas. E qual é o critério? MILITÂNCIA. Para que o sujeito possa ficar nas invasões ilegais, é obrigado a ajudar a promover… novas invasões ilegais. Entenderam?

É o modelo vigente no MST — que forneceu aos tais sem-teto a régua e compasso. O MST é, sim, mais sofisticado e infinitamente mais rico porque já estabeleceu os canais para receber dinheiro público, especialmente da agricultura familiar. Explico também. A massa de manobra do MST se divide em dois grupos: os acampados e os assentados. Os acampados podem estar às margens de rodovias ou em alguma área pública ou privada invadida. Em qualquer caso, o sujeito é obrigado a se submeter à rígida disciplina do MST, de caráter quase militar. Para ter o “direito” de ficar no local, tem de cumprir tarefas — uma delas é… invadir mais novas áreas.

E há os assentados. Não pensem que estes, de posse de sua terra, se livram do jugo de João Pedro Stedile. De jeito nenhum! A produção nos assentamentos é organizada e mediada por cooperativas. São elas que recebem o dinheiro da agricultura familiar, por exemplo. E quem controla essas cooperativas é justamente o MST. Mesmo com a sua terra assegurada, o assentado é obrigado a promover novas invasões. Ou cumpre as suas “obrigações” ou será um marginal na comunidade.

Assim, meus caros, movimentos de sem-teto e de sem-terra tendem a não ter fim, já que não basta dar — e a palavra é esta: DAR — a casa e a terra. Sem-teto e sem-terra viraram uma espécie de casta, de grupo social ao qual se pertence para sempre. Se o assentado morre, a “obrigação” é transferida para os filhos. Por que afirmo que se trata de máquina de produzir ideologias? Porque cada um desses movimentos tem a ambição de, a partir de sua causa, conduzir a revolução social no Brasil. Mais recentemente, assistimos à “versão coxinha” dessa concepção política, que é o Movimento Passe Livre, formado, em boa parte, de jovens da fina flor da elite brasileira. Alguns vão de motorista particular para a escola e, de lá, saem para depredar uns ônibus por aí… O MPL já disse que o socialismo começa… pela catraca. Mas volto ao MTST.

Aliados de Haddad
O MTST, assim como o MPL, ajudou a fazer a campanha de Fernando Haddad. Alguns dos líderes dos sem-teto são também militantes petistas. No fim das contas, é a base do PT que agora procura impedir, na prática, o prefeito de formular e executar uma política de moradia. Os chefões da causa — muitos deles moram em residências confortáveis, bem longe da confusão — exigem que o prefeito lhes entregue o controle do setor. Eles querem os recursos e os bens púbicos para distribuir entre seus militantes.

Informa a Folha: “A Nova Palestina é o maior acampamento de São Paulo hoje. Começou com 2.000 famílias em 29 de novembro e, um mês depois, já tinha 8.000. Há lista de espera para ter um barraco no local. A área invadida, de um milhão de metros quadrados, é particular e foi declarada de interesse social para preservação ambiental. Por lei, 10% dela podem ser destinados à habitação, mas os sem-teto querem aumentar esse percentual para 30%. Para isso, eles querem que a prefeitura apoie a mudança no zoneamento, que precisa passar pela Câmara.”

Viram só? Em pouco mais de um mês, uma invasão com 2 mil pessoas passou a reunir 8 mil. Por quê? O apressadinho de bom coração e cérebro distraído logo responde: “Porque o déficit habitacional na cidade é grande!”. Resposta errada! A expansão tão rápida se dá porque invadir passou a ser um bom negócio. O invasor poderia se cadastrar nos programas habitacionais, submeter-se a critérios objetivos, esperar a sua vez… Mas quê! A área é hoje refém dos grupos que integram o tal movimento, e engrossar as suas fileiras passou a ser um caminho mais curto para ganhar a casa. E os outros, os que já haviam se cadastrado, igualmente pobres? Ora, se quiserem, que passem a integrar também as fileiras do MTST. É, insisto, o modelo do MST transplantado para a cidade.

Assim, observem que a política pública deixa de ser voltada para os cidadãos e passa a ser propriedade privada dos que se proclamam os donos da causa. Como eles todos acham que estão promovendo a revolução social no Brasil, não veem mal nenhum em paralisar a cidade — ameaçam fazê-lo caso Haddad não ceda — e submeter o conjunto dos paulistanos a seus desígnios.

É evidente que isso se parece mais com uma milícia fascistoide do que com um movimento social. Esses truculentos, de resto, aproveitam-se do fato de contar com a simpatia da imprensa. Como já escrevi aqui tantas vezes, boa parte dos jornalistas costuma ser sensível ao que julga ser o cheiro do povo. Um autoproclamado sem-qualquer-coisa será sempre tratado como herói pelo jornalismo brasileiro. Consolidou-se no país a visão espantosa de que uma reivindicação nasce necessariamente de um direito e que sua consequência óbvia é a plena satisfação.

Haddad prometeu uma São Paulo como ninguém havia antes visto. Parece que vai mesmo cumprir a promessa, se é que me entendem…

Por Reinaldo Azevedo

07/01/2014

às 16:27

Alexandre Padilha e Fernando Haddad são a mesma pessoa

Padilha-Haddad (foto Moacyr Lopes Junior - Folhapress)

O ainda ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que já fez a sua mudança para São Paulo. É, não custa ter alguma intimidade com o Estado que ele pretende governar. Sim, é paulista e paulistano, mas sua carreira política se fez bem longe. Era filiado ao PT do… Pará. Lula o escalou para a tarefa, seguindo o figurino Fernando Haddad — antes dos sucessivos desastres do petista na gestão da maior cidade do país.

Os dois posaram (Emir Sader escreve “pousaram”) nesta segunda para fotos, como se vê na imagem acima (foto: Moacyr Lopes Júnior/Folhapress). Como produto político, eles são a mesma pessoa. Não! São a mesmíssima!

Os dois representam uma “novidade” no quadro da disputa eleitoral. Haddad, segundo Lula, foi “o melhor ministro da Educação da história destepaiz” — afirmação que escarnece do bom senso. E Padilha, claro!, “o melhor ministro da Saúde da história destepaiz”, afirmação que vai além do escárnio.

Ambos têm aquele jeito “coxinha” de ser, representando o que chamo de “petista que não suja o shortinho”, com cara de bons moços e de bons genros… Representariam, para ficar numa caracterização que não é minha, um “PT vegetariano”, em oposição aos radicais, ao “PT carnívoro”. Discordo dessa leitura, é claro. Eu a considero até meio herbívora.

Os desastres da gestão de Fernando Haddad em São Paulo derivam de sua incompetência como gestor, mas também de sua ideologia. Como esquecer que esse rapaz chamou, em livro, de “moderno” o sistema soviético? Padilha é o ministro que organizou, à socapa, a vinda dos escravos cubanos para o Brasil, fantasiados de médicos. “Ah, o programa é popular.” Eu não disse o contrário. O Fome Zero é um dos programas mais bem avaliados da gestão Lula sem nunca ter saído do papel. A popularidade de um programa não traduz a sua qualidade.

Ao contrário do que expressam na fachada, ambos representam um PT bem mais ideológico — nefastamente ideológico — do que as vertentes oriundas do sindicalismo, estas, sim, pragmáticas.

Haddad, com sua aparência limpinha, enganou boa parte da classe média. E tentou, depois, enfiar nas suas costas a faca do IPTU escorchante. Só foi contido pela Justiça. E segue punindo os “ricos” (vocês sabem, os ricos de Uno Mille…) com seu “faixismo”.

Agora chegou a vez de oferecer outro docinho aos “reacionários de São Paulo” (como quer Marilena Chaui…). Os dois aparecem ali na foto. Depois do municipal, Lula quer agora um Haddad estadual.

Por Reinaldo Azevedo
 

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