Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

20/05/2015

às 5:02

Haddad e Chalita: a soma do esquerdista buliçoso com o conservador aborrecido resulta em milhares de crianças sem creche

Ai, ai, vamos lá. Fernando Haddad, apresentado à cidade de São Paulo como o “homem novo”, venceu a disputa eleitoral oferecendo aos deslumbrados uma maquete, inventada pelo marqueteiro João Santana, que atendia pelo nome de “Arco do Futuro”. Ninguém entendia que estrovenga era aquela, mas parecia moderno, e os jornalistas ditos progressistas das redações tinham verdadeiros frêmitos, quase gozosos. Nota: foi a segunda vez que uma maquete venceu a eleição; na primeira, Duda Mendonça inventou o Fura-Fila de Celso Pitta… Mas Haddad não ficou só nisso: também capturou muitos pobres prometendo zerar o déficit de vagas de creche na cidade. E dizia de boca cheia que o faria em parceria com a “presidenta Dilma Rousseff”.

Acabou! Já era! O Arco do Futuro ficou no passado. Ninguém nem mais se lembra daquela besteira. De concreto, o que se tem uma cidade rasgada por ciclofaixas da cor vermelho-deserto, uma invenção haddadiana, e só. Os deslumbrados ficaram sem seu arco, e os pobres sem as creches. Nesta terça, a Prefeitura anunciou que não vai, é claro, cumprir a promessa de construir 243 unidades até 2016. Era só para ganhar a eleição.

Por que não? Ora, a explicação cândida é uma só: falta de dinheiro. É? Mas de onde Haddad disse que tiraria os recursos, quando disputou a eleição em 2012? Ele não conhecia o orçamento da cidade? Que homem curioso! Na sua gestão, caiu drasticamente o número  de atendimentos do serviço municipal de Saúde. Explicação? Segundo a Prefeitura, faltam médicos. Mas espere: o secretário de Relações Governamentais da cidade de São Paulo é o médico petista Alexandre Padilha, que se orgulha de ser o criador do… Mais Médicos!

As creches devem se limitar, informa Gabriel Chalita, secretário de Educação, a 147 — 40% do anunciado inicialmente. Haddad, que prometia não deixar uma só criança sem atendimento, conta uma fila de 106 mil à espera de vagas. O mago que faria 243 estabelecimentos até o fim do mandato conta, até agora, com apenas 47 — e muitas delas ainda em fase de conclusão. ATENÇÃO! EM DOIS ANOS E MEIO, A PREFEITURA NÃO ENTREGOU NEM O PRIMEIRO LOTE DE 47 UNIDADES. VOCÊS ACHAM QUE CONSEGUIRÁ CONSTRUIR MAIS CEM NO ANO E MEIO QUE FALTA? DUVIDO!

E o déficit só não é maior porque a Prefeitura já recorreu a um truque sujo: resolveu fazer com que as crianças pulassem uma etapa. Assim, elas podem ser acomodadas em séries que permitem um maior número de alunos em sala. Haddad é um mágico. Aumentou em 10% o número de crianças atendidas, mas só em 6% o de vagas. O inconveniente é que os professores estão tendo de lidar com crianças com menos de dois anos na mesma sala em que há outras de três. Pais e mães sabem a diferença brutal que existe entre essas duas idades. Bebês com menos de dois anos ainda não tiraram a fralda, por exemplo. Deveriam estar acomodados em salas com, no máximo, 12 crianças. Estão sendo enviados para as que comportam 24. Eis o homem novo.

Chalita, como se estivesse construindo uma daquelas frases ruins de seus livros de autoajuda, filosofa: “Mais importante que construir, ainda que estejamos construindo muito, é não deixar crianças fora da escola”. Bem, em primeiro lugar, não estão construindo muito, mas pouco. Em segundo lugar, é evidente que ninguém pensa na construção pela construção. É mesmo para abrigar as crianças, ora! Segundo diz, tudo será resolvido com as creches conveniadas. É? Se é tão simples, por que já não se fez?

Quando assumiu a pasta em janeiro deste ano, Chalita tirou um coelho da cartola, como a facilidade com que tira frases do seu estoque de lugares-comuns. Disse que faria convênio com empresas privadas. Até agora, não aconteceu nada. Talvez uma rede de supermercados adote 20 unidades… É que Chalita prometeu sem atentar para o fato de que empresas que aceitam esse desafio têm de ter compensação em isenção fiscal. Mas esse modelo inexiste.

Haddad e Chalita, afinal, são apenas exotismos distintos que se combinam. É o esquerdismo com excesso de imaginação se juntando ao conservadorismo sem imaginação nenhuma. O resultado são milhares de crianças na fila de espera e ainda bebês amontados em salas inadequadas à sua idade.

Eis os homens novos!

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2015

às 7:51

Parem tudo! Haddad e Padilha ajudam a planejar o futuro de Lula! Agora, estou mais tranquilo!

Oh, não! Não pensem que Lula gasta todas as horas do seu dia apenas tentando sabotar o governo Dilma e inviabilizar o futuro do país. Ele também dedica algum tempo a seu próprio destino em 2018, o que não deixa de ser uma ameaça ao futuro… do país. Na Folha desta segunda, Catia Seabra e Gustavo Uribe informam que um time se reúne semanalmente no instituto que leva o nome do ex-presidente para prospectar o amanhã. O nome da turma? Não! Não é Armata Brancaleone, mas “Grupo do Futuro”.

Integram este Íbis da política, além dos conselheiros do instituto, os prefeitos de São Paulo, Fernando Haddad, e de São Bernardo, Luiz Marinho; os secretários municipais da capital Alexandre Padilha (Relações Governamentais) e Arthur Henrique (Trabalho); o ex-ministro Antonio Palocci; o presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, e Josué Gomes, presidente da Coteminas e filho de José Alencar, que foi vice de Lula.

Isso é grupo do futuro? Dou o maior apoio, né? Haddad amarga a mais baixa popularidade de um prefeito desde Celso Pitta. Alexandre Padilha não consegue nem almoçar num restaurante. Antonio Palocci é um dos investigados da Operação Lava Jato. Rafael Marques é um dos que estão na linha de frente do combate ao pacote fiscal; Luiz Marinho comandou em São Paulo a fragorosa derrota de Dilma, e Josué foi esmagado na disputa pelo Senado em Minas. Consta que, de vez em quando, o grupo é ampliado com Rui Falcão, presidente do PT, e Wagner de Freitas, presidente da CUT, mais dois notórios criadores de dificuldades para Dilma.

O elenco indica, como tenho insistido aqui e em toda parte, que Lula é hoje o mais notório zumbi da política. Está morto, mas ainda se mexe; já não está neste mundo, mas ainda assombra os vivos e lhes causa dificuldades. Segundo informa o jornal, um dos interlocutores do Babalorixá de Banânia diz que, pela primeira vez, ele está sem brilho no olhar.

Lá na Grécia antiga, o nome desse brilho era “entusiasmo”, que queria dizer estar com o brilho de um deus nos olhos, estar possuído por um bem divino, daí a excitação do entusiasmado, a alegria, a energia vital. Mas pensemos bem: por que Lula estaria com Deus nos olhos, não é? Quando muito, suas ações recentes, indicam antes a presença do espírito de porco.

Chega a ser escandaloso que, de modo tão desassombrado, ele mobilize parte do establishment petista para pensar no seu próprio futuro quando o governo que ele ajudou a eleger amarga um momento de extrema dificuldade. Que se note: a derrota recente do Planalto na votação do fator previdenciário é função direta do zumbi buliçoso, que dispensou o bom lugar que lhe reserva a história — injusto, a meu ver — para disputar uma vaga no reino dos mortos.

Mas não podemos reclamar, não é? Convenham: temos mais é de nos dar por satisfeitos por termos Lula aconselhando Haddad e Padilha, e Padilha e Haddad aconselhando Lula. Toda essa gente se merece.

Texto publicado originalmente às 7h04
Por Reinaldo Azevedo

11/05/2015

às 7:14

O DESMONTE DA CIDADE DE SP NA GESTÃO HADDAD – Consultas em unidades de saúde caíram 21% em 2014

Leiam o que informa Thais Bilenky, na Folha:
Saindo do centro de SP, fora do rush, um médico que trabalha na unidade de saúde Castro Alves, em Cidade Tiradentes, dirigirá mais de uma hora para atravessar a zona leste. Passará por favelas, ruas com esgoto a céu aberto e até um pasto com vacas. Ao chegar, não se sentirá seguro: queixas de assaltos ou agressões não são raras. O roteiro ajuda a explicar por que não havia pediatra nesse posto em 91% dos dias do ano passado. Mais do que isso, reflete parte do problema por trás da redução de atendimentos básicos de saúde na cidade no ano passado.

O número de consultas nas AMAs 12 horas (unidades que prestam assistência médica ambulatorial, casos menos complexos) caiu 21% em 2014, no segundo ano de mandato de Fernando Haddad (PT) –foram 5,8 milhões, ante 7,3 milhões no ano anterior. A principal explicação da prefeitura e de entidades é a falta de médicos, mas também há questionamentos sobre a redução de verbas.

Marca do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) na área da saúde, essas 98 AMAs funcionam das 7h às 19h, de segunda a sábado, e são administradas por convênios ou contratos da prefeitura com as chamadas organizações sociais de saúde (OSS).
(…)
Mesmo nas UBSs a situação não é animadora. A quantidade de consultas em 2014 se manteve praticamente estável — elas variaram de 7,98 milhões para 7,99 milhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/05/2015

às 6:16

Para vereador petista, combater o tráfico é papel da polícia; o de Haddad é conversar com narcotraficantes. Impeachment já! Ou, então, que o petista entregue a gestão a Marcola, do PCC!

A destruição de uma cidade não é obra de um dia. É preciso que haja um esforço determinado, contumaz, dedicado, consciente, firme. É o que faz o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT. Não passa dia sem que este senhor tome uma decisão que contribui para levar o município para o buraco e para tornar mais difícil a vida dos paulistanos. A última notícia estarrecedora que veio a público dá conta de que o prefeito, por intermédio de seus agentes, negociou com traficantes o desmonte da tal “favelinha”, um conjunto de barracos que havia sido armado no meio da rua, na região conhecida como “cracolândia”.

Há muito, é verdade, a área se tornou um reduto de viciados em crack e de traficantes. Mas quem profissionalizou as relações por ali foi Fernando Haddad. Quem decidiu que aquela região deve ser, para sempre, uma espécie de Vale dos Caídos foi Fernando Haddad. Porque foi Fernando Haddad quem criou o programa “Braços Abertos”, que, entre outros mimos, aumenta de forma substancial o dinheiro que circula entre os viciados, o que alimenta ainda mais o tráfico.

Haddad tem de ser alvo de um processo de impeachment. Quem diz isso é o Inciso X do Artigo 4º do Decreto-Lei 201, que está em vigor. Escrevi ontem a respeito. Nesta sexta, vereadores da oposição e da situação comentaram o caso. “Se ele [o prefeito] sabe quem são os traficantes, precisa passar para a polícia. É uma postura esquisita negociar com o tráfico para fazer desocupação”, afirmou à Folha o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), segundo quem Haddad foi “irresponsável”, colocando toda a população em risco ao “dialogar com o submundo”.

Agora prestem atenção ao que pensa o vereador Paulo Fiorilo, do PT. Ele diz que cabe à polícia combater o tráfico: “Todo mundo nesta cidade, neste Estado, sabe como é que funciona o tráfico. Só o governo que parece que não consegue entender”. Ah, entendi. Para o petista, o trabalho da polícia é combater o narcotráfico, e o do prefeito é conversar com ele.

Ricardo Young, do PPS, também falou besteira, embora integre a bancada da oposição, formalmente ao menos: “Se você vai fazer uma ação num local como esse, evidentemente tem que conversar com todas as partes, não importa se é usuário, traficante, dono do hotel, guarda”. Ah, tá! O vereador prega que se negocie com bandido só nesses casos ou em outros também? A gestão petista, com o endosso de Young, tem lições a dar ao mundo: combater o roubo negociando com ladrões; o estupro, com estupradores; a pedofilia, com pedófilos. E vai por aí… Ora, vamos entregar a gestão de São Paulo ao PCC. Por que haver intermediários? Que saia Haddad e entre Marcola!

Outro gênio do pensamento, Eduardo Suplicy, secretário de Direitos Humanos, informa que a prefeitura conversou com todos que exercem liderança, mas nota que ele próprio não saberia distinguir entre usuário e traficante. E a diferença entre um traficante e uma tartaruga? Essa, Suplicy conhece?

O que se tem é um escândalo sem-par. O pior é que Haddad negociou a intervenção na Cracolândia diretamente com os traficantes sem informar à Secretaria de Segurança que faria a intervenção na região. Deu tudo errado. Quando os usuários reagiram, aí ele foi pedir socorro à polícia. A mesma polícia que, na prática, é agora atacada pelo vereador petista Paulo Fiorilo.

Impeachment já! Haddad não é um homem responsável o bastante para ser prefeito da maior cidade do país. Ou, então, que ele nomeie Marcola seu secretário de governo. Se é para conversar com bandidos, o negócio é apelar a profissionais.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2015

às 7:12

Fernando Haddad negocia com traficantes, e os vereadores estão moralmente obrigados a cassar o seu mandato. Ou se tornam cúmplices de um acordo com bandidos. Existe lei para impichar prefeitos

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, negociou com chefes do narcotráfico da Cracolândia, informa a Folha, a intervenção da Prefeitura na região, que acabou resultando, depois, em confronto entre viciados e forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana. Ou por outra: o prefeito Fernando Haddad escolheu bandidos como seus interlocutores. Ou por outra: o prefeito Fernando Haddad tem de ser política e criminalmente responsabilizado por dividir com traficantes os destinos da maior cidade do país. Ou por outra ainda: o prefeito Fernando Haddad não pode continuar à frente da capital do Estado.

Vamos à história. Agentes do prefeito negociaram, sob a sua orientação, a ação que seria empreendida pela Prefeitura para desmontar a tal “favelinha” na Cracolândia. Tudo foi meticulosamente combinado com marginais, que não eram, atenção!, usuários de drogas, mas traficantes. Na hora h, os interlocutores de Haddad deram no pé, sumiram, e os dependentes armaram a reação. Aí foi preciso chamar a Polícia Militar.

Haddad, claro!, não admite que o acordo se deu com traficantes. Assume um “compromisso” com dependentes, como se esses pobres desgraçados estivessem em condições de fazer e de cumprir alguma forma de acordo. Diz ele: “Alexandre [de Moraes, secretário estadual da Segurança Pública] foi avisado por mim da operação. Falei com ele que não precisaria de apoio da PM porque havia firmado compromisso. Quando o acordo foi rompido, liguei para ele e disse que poderia haver incidente”.

Eis aí uma clara confissão.

E que se note: ainda que a conversação tivesse ocorrido com viciados, já seria imprópria. Eles não podem ser considerados interlocutores da administração para temas que dizem respeito à cidade como um todo. De resto, não custa lembrar: o consumo de drogas ilícitas continua a ser crime. E uma Prefeitura não negocia com criminosos, pouca importa a sua periculosidade. Quando se trata de narcotraficantes, não mesmo!

Uma das pessoas envolvidas na operação revela à Folha que a conversa se deu foi com traficantes: “Não era como zumbis”. “Zumbi” é o termo habitualmente empregado para designar os viciados em crack. De tal sorte estão debilitados e sem condições de responder por si que são tidos como “mortos-vivos”.

Impeachment
O senhor Fernando Haddad tem de ser alvo de um processo de impeachment. E já. Aliás, se os petistas tiverem um mínimo de juízo, não moverão uma palha para salvar o mandato deste celerado. Se eu fosse do partido, aplaudiria o impedimento de um sujeito que, obviamente, depõe contra uma legenda cuja reputação já está no lixo. Ser tida como um covil de ladrões parece ser ruim o bastante, não é mesmo?

Existe lei para pôr Haddad na rua? É claro que sim! Trata-se do Decreto-Lei 201, de 1967, que foi recepcionado pela Constituição de 1988.

Vejam o que define o Inciso X do Artigo 4º da Lei:
Art. 4º São infrações político-administrativas dos Prefeitos Municipais sujeitas ao julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato:
X – Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Negociar com traficantes é incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

O Artigo 5º da mesma lei define a forma do processo, destacando que a denúncia pode ser feita por qualquer cidadão — e, claro!, por vereadores.

Fim de papo
Acabou! Acho que, desta feita, este senhor passou dos limites. Uma coisa é comportar-se como um ser idiossincrático, monomaníaco, autocentrado. Outra, muito distinta, é quebrar o decoro de forma determinada, clara, consciente, e transformar traficantes em interlocutores da administração.

A Prefeitura se torna, nesse caso, cúmplice de bandidos. Espero que a oposição ao prefeito na Câmara não esgote a sua ação na simples crítica em plenário aos desastres perpetrados por este senhor.

De resto, cumpre indagar o que fará o Ministério Público. Já temos a confissão do prefeito. Ele assume ter negociado com o que diz ser “dependentes” a intervenção da Prefeitura na Cracolândia. Ora, suponho que seus agentes tenham ao menos anotado os nomes dos interlocutores. Quem são?

Chega! Não dá mais! A cidade pode esperar as eleições para mandar para casa um autocrata dos pedais. Mas não pode esperar até 2016 para pôr na rua quem negocia os destinos de São Paulo com marginais.

Impeachment já!

PS: Os petistas chamariam também essa ação de golpe? Golpista das instituições não é quem negocia com traficantes?

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2015

às 22:14

A CIDADE DE HADDAD – OU: O TRIUNFO DA MORTE. OU AINDA: HADDAD, O BARQUEIRO DO INFERNO

Vejam este quadro, intitulado “O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569).

O Triunfo da Morte - Pietr Bruegel, o Velho

Agora observem três fotos da região da Cracolândia, em São Paulo, durante uma operação realizada pela Prefeitura para acabar com a chamada “favelinha” erguida por viciados. Elas são de autoria de Eduardo Anizelli, da Folhapress.

Cracolândia 1 - Eduardo Anizelli - Folhapress

Cracolândia 2 - Eduardo Anizelli - Folhapress

Cracolândia 3 - Eduardo Anizelli - Folhapress

É isto. No centro de São Paulo, na região conhecida como Cracolândia, quem dá as cartas é a morte. Eu poderia ainda apelar às ilustrações dos Círculos do Inferno, de Gustave Doré, quase tão conhecidas como a horripilante narrativa de Dante na “Divina Comédia”. Abaixo, vocês veem a ilustração X do Canto III, quando Caronte, o barqueiro do inferno, reúne os pecadores… É que falta a cor.

Caronte reúne os pecadores

Tudo, naquela área da maior cidade do país — e uma das maiores do mundo — remete à morte, à desolação, à tristeza, à ausência de saídas, à desgraça, à melancolia… Vamos primeiro ao fato e, depois, à sua gênese.

Centenas de viciados em crack armaram barracas no meio da rua, na região da Luz. O conjunto era conhecido como “favelinha”. É evidente que se trata de um absurdo, e a Prefeitura decidiu retirá-los de lá.. Só que o fez sem coordenar a ação com o governo do Estado, que, afinal, responde pelas Polícias Civil e Militar. O resultado foi o pior possível.

Houve confronto com as forças de segurança. Revoltados, os viciados partiram para cima de policiais e de pedestres com facas, pedaços de pau, pedras, o que houvesse. Motoristas foram roubados; barricadas de fogo foram erguidas. O comércio teve de fechar as portas.

Já em ano pré-eleitoral, Fernando Haddad enfrenta o desastre de sua, por assim dizer, “política” para as drogas. A “favelinha” é o retrato de um programa que não deu certo, que extremou os males que se propôs a resolver. E o prefeito decidiu, então, cadastrar os ditos usuários em programas da Prefeitura e retirá-los do local… Ocorre que…

Ocorre que foi a gestão Haddad que, na prática, transformou a região da Cracolândia numa área para o livre consumo de drogas. O que é o programa “Braços Abertos”? Em síntese, abriga o viciado num hotel, concede-lhe um emprego precário e uma renda, sem lhe impor nenhuma disciplina ou forma de tratamento. Ou por outra: o digníssimo prefeito, sob o pretexto de implementar uma política de redução de danos, criou a civilização do crack.

Ora, meus caros, o que vocês acham que acontece quando se reúnem todos os viciados numa única área, quando se relaxam as condições de segurança — é da natureza do programa — e quando se eleva o meio circulante, isto é, a grana? Cresce o tráfico, novos viciados vão chegando, e, como acontece em toda civilização, surge uma periferia, que é ainda mais desgraçada, que é ainda mais infeliz.

Não pensem que Haddad vai recuar! Isso nunca! Ele quer avançar. Quer agora multiplicar o número de hotéis cidade afora, avançando para os Campos Elísios, região quase contígua à Cracolândia. Assim como faz com as ciclofaixas para ninguém, se o deixarem solto, ele ainda meterá uma Cracolândia na porta de sua casa.

E, como é sabido, os celerados se orgulham da miséria que financiam, promovem e espalham. Em junho do ano passado, Haddad transformou a Cracolândia em ponto turístico para a gringolândia. Levou o príncipe Harry para conhecer de perto o inferno. Na foto abaixo, vocês veem o plebeu servil do Terceiro Mundo dando explicações à nobreza europeia…

Haddad- Harry

Roberto Porto, que era, então, secretário de Segurança Urbana e é um dos queridinhos de certa imprensa descolada, resumiu assim o espírito da visita de Harry ao centro da degradação humana: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele [o príncipe] gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Porto é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto disse que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.

Qual é a lógica? É a da degradação, da miséria e da morte. Essa é uma das heranças malditas de Fernando Haddad, o novo barqueiro do inferno.

“Deixai toda esperança, vós que entrais.”

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2015

às 15:33

Pobres invadem a aula de Haddad na USP e deixam o prefeito irritado! Que coisa feia! Ou: Eu posso censurar a invasão, o petista tem de aplaudi-la

O prefeito Fernando Haddad, como a gente sabe, é um homem a quem sobra tempo. A administração da cidade de São Paulo lhe dá uma folga. Não exige cem por cento de sua agenda. Ele deve achar moleza. Tanto é assim que conseguiu achar uma brecha para voltar a dar aula na pós-graduação de sociologia da USP. Pois é… O povo — aquele ente que o PT julgava ter privatizado — descobriu onde ele dá suas pedaladas teóricas e resolveu forçar um papinho. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

*
Um grupo de cerca de quarenta moradores de bairros do distrito de Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista, interrompeu a aula do prefeito Fernando Haddad (PT) no prédio da pós-graduação de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) – no campus Butantã, na Zona Oeste –, por volta das 9 horas desta segunda-feira. Os moradores exigiam a criação urgente de linhas de ônibus em seus bairros, no extremo sul da cidade, e levaram um documento para que o prefeito assinasse se comprometendo a implantar cinco linhas.

Haddad chegou a se retirar da sala de aula por se sentir ofendido com a intervenção, de acordo com uma militante do movimento Luta do Transporte no Extremo Sul, Luíze Tavares. O prefeito disse que não assinaria documento algum e que não era para os moradores interromperem a aula. “Nós entramos, apresentamos o histórico dos bairros. A princípio, ele não queria que interrompêssemos a aula, pediu para procurarmos por ele no intervalo”, afirmou Luíze. “Houve alguns momentos de tensão porque ele achou que estava sendo ofendido. Mas ele não acha que ofender é a pessoa andar duas horas para um ponto de ônibus.”

Em seguida, Haddad se retirou da sala de aula e os moradores foram atrás dele. “Ele parou no corredor das Ciências Sociais e ali terminou a conversa. Lemos para ele o que queríamos que ele assinasse, ele concordou em partes, mas disse que não ia assinar de qualquer jeito”, declarou Luíze. Ainda de acordo com a manifestante, o prefeito garantiu que haverá uma reunião no dia 16 ou 23 de maio, que está prevista para ocorrer na subprefeitura de Parelheiros.

Em 2014, moradores da região chegaram a organizar uma van, chamada pelo grupo de “linha popular”, por um dia e se acorrentaram no saguão da Prefeitura como forma de protesto.

Voltei
Vocês me conhecem muito bem e sabem que não apoio esse tipo de manifestação, nem que seja contra petistas. Nem que seja contra Fernando Haddad, cuja gestão considero o mais perfeito casamento entre a incompetência e a arrogância. Mas dizer o quê?

Os petistas têm de ser mais tolerantes com os métodos que patrocinam, não é mesmo? A invasão de aulas na USP é um clássico consagrado pelas esquerdas e pelos grupelhos apoiados pelo PT dentro da universidade.

Como? O petista não conversa com quem interrompe aula? Curioso! Fernando Pimentel, governador de Minas, outro peixão do partido, condecorou João Pedro Stedile com a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril. Stedile não interrompe apenas uma aula, como é sabido. Seu seguidores cometem atos que, houvesse uma lei razoável no Brasil, poderiam ser considerados atentados terroristas.

O MTST pinta e borda, inclusive na cidade de São Paulo, e, no entanto, Guilherme Boulos é, na prática, uma gestor privilegiado de programas oficiais de moradia. Que história é essa? Haddad não conversa com quem interrompe sua aula na USP, mas conversa com quem invade propriedade, faz ameaças e põe fogo em pneus, impedindo o livre trânsito das pessoas?

Mas entendo… Haddad se considera um homem das ideias, um intelectual… Vai ver os moradores de Parelheiros interromperam o prefeito quando ele estava criando uma metáfora nova para justificar a sua incompetência arrogante.

Eu posso, sem abrir mão do que penso, censurar a interrupção da aula. Haddad, ao contrário, tem mais é de aplaudi-la, né? De resto, o prefeito foi cobrado num dia útil, em horário de expediente. Os que foram à sua procura pagam o seu salário para administrar a cidade, não para lustrar as suas injustificadas vaidades intelectuais.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 6:14

Haddad recorre à Justiça contra o governo Dilma. A boa notícia: é o PT se desmanchando

Pois é… Até petista já está tentando tirar uma casquinha da impopularidade da presidente Dilma Rousseff. É o caso, por exemplo, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Não que ele esteja, digamos, de bem com o povo, mas sabem como é… Brigar com a governanta, hoje em dia, pode render alguns pontinhos de admiração. Por que digo isso?

Haddad — petista como Dilma, prefeito da maior cidade do país e eleito com o apoio da presidente — decidiu recorrer à Justiça contra o governo federal para obrigá-lo a cumprir lei aprovada pelo Congresso no ano passado que renegocia — e reduz drasticamente — a dívida de Estados e municípios. A ação foi protocolada nesta quinta na Justiça Federal de Brasília.

Muito bem! O imbróglio é dos bons. O PLC (Projeto de Lei Complementar) 99/2013, que muda o indexador, é, originalmente, de inciativa do Executivo. O relator da proposta na Câmara foi o então líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), hoje presidente da Casa. Depois de sólido entendimento celebrado com o governo, ficou estabelecido que a indexação da dívida seria feita pelo IPCA ou pela taxa Selic (o que for menor) mais 4% ao ano, não pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mais juros de 6%, 7,5% ou 9% ao ano (a depender do caso), como se faz desde 1997, quando as dívidas foram renegociadas pelo governo federal. Dilma sancionou a lei em novembro do ano passado.

Sancionou, mas não pôs em prática. Há exatamente um mês, a Câmara aprovou um projeto que dava 30 dias para o governo regulamentar e executar a nova lei. O texto seguiu para o Senado. Joaquim Levy entrou na parada e convenceu boa parte dos senadores de que o prudente seria pôr em prática a lei só a partir de 2016. A matéria continua parada na Casa.

Muito bem! Haddad vai disputar a reeleição no ano que vem. Precisa de dinheiro. Já percebeu que as generosidades com que Dilma acenou para a cidade de São Paulo não se cumprirão. Então fez o quê? Seguiu os passos do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e também recorreu aos tribunais.

Se for bem-sucedido, o prefeito espera economizar R$ 1,3 bilhão neste ano. O estoque da dívida da cidade também seria drasticamente reduzido: de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões. A Prefeitura vinha negociando com Levy alguma forma de diminuir o impacto da dívida, mas as conversas não prosperaram.

É evidente que, em outros tempos, um petista que administra a maior cidade do país não recorreria à Justiça contra o governo federal, estando lá um “companheiro” — no caso, companheira. O petismo, no entanto, está se desconstituindo. Se, a exemplo do Rio, a cidade de São Paulo também for bem-sucedida, outros entes baterão às portas dos tribunais.

Haddad está pensando na disputa eleitoral do ano que vem. Sua popularidade não é muito melhor do que a de Dilma, e ele não tem tempo para pensar nela. Sabe, ademais, que os cofres do governo federal estão vazios. Decidiu apelar à Justiça em busca de dinheiro.

Isso que vocês estão vendo é o PT se desmanchando. Essa é a boa notícia.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2015

às 19:16

Justiça determina que Haddad suspenda obras de ciclovias

Na VEJA.com:
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira, em caráter liminar, que a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) interrompa as obras de ciclovias na capital paulista. O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital, acatou parcialmente ao  pedido do Ministério Público, que moveu na quarta-feira uma ação contra a prefeitura, alegando que as faixas exclusivas para bicicletas estavam sendo instaladas sem projeto técnico, audiências públicas suficientes e de maneira inadequada. Cabe recurso.

“Defiro tutela antecipada para o fim exclusivo de impor aos réus a paralisação de todas as implantações de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas de caráter permanente no Município de São Paulo, sem prévio estudo de impacto viário global e local”, escreveu o magistrado no despacho. Na ação, a promotora de Habitação e Urbanismo Camila Mansour Magalhães da Silveira afirma que solicitou “informações detalhadas” à prefeitura sobre os estudos de engenharia das ciclovias e só recebeu releases de imprensa. Ela também elencou uma série de irregularidades na construção das ciclovias, como a ocupação de calçadas, sarjetas e pontos de ônibus.

A Justiça estipulou multa diária de 10.000 reais em caso de descumprimento da decisão e definiu um prazo de sessenta dias para a prefeitura apresentar a sua defesa. “Sabendo-se que o interesse da Administração Municipal segue no desejo de implantar ao menos 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas nesse município, é de se entender como razoável a presença de prévio estudo de impacto viário global e local, de sorte a mitigar efeitos deletérios como o estrangulamento do tráfego de veículos em vias públicas”, afirmou o juiz no texto.

O magistrado, no entanto, indeferiu o pedido do MP de paralisar as obras na Avenida Paulista, sob o argumento de que os trabalhos no local estão em estágio avançado de execução e foram mais planejados. “Solução diversa merece a implantação da ciclovia da Avenida Paulista, já que se trata de trabalho que aparenta melhor estudo e planejamento. A paralisação dos trabalhos ou a recomposição ao estado anterior importará em maiores transtornos aos munícipes”, concluiu o juiz.

Resposta
Em nota, a prefeitura considerou a decisão do juiz como “sensata” por não ter entendido que “houve omissão ou violação do poder público na implantação do sistema cicloviário”, conforme dizia a ação proposta pelo MP. “A Procuradoria Geral do Município irá apresentar todos os dados e relatórios que se fazem necessários para esclarecer a questão. Com isso, a prefeitura espera em breve poder retomar as obras e ajustes viários para dar continuidade ao projeto cicloviário da cidade, um marco importante no desenvolvimento da mobilidade de São Paulo”, informou a nota.

Por Reinaldo Azevedo

03/03/2015

às 16:04

Como? Haddad, na prática, estimula o tráfico e o consumo de crack — e quem provou isso é um auxiliar seu — e cobra providências da Polícia Militar? Ora, ela não pode prender o prefeito!

Vejam esta foto. Fernando Haddad explica, em junho do ano passado, ao príncipe Harry como funciona a Cracolândia. Já volto aqui.

Haddad, príncipe e crack

Ê, Haddad!!!

Como esse rapaz gosta de jogar a sua própria incompetência e os desastres protagonizados por sua gestão em costas alheias! Então vamos lá.

O programa Braços Abertos, que ele criou, fornece hotel gratuito para os viciados — já se transformaram em pardieiros.

O programa Braços Abertos, que ele criou, aumenta o dinheiro que circula entre os viciados.

O programa Braços Abertos, que ele criou, estabelece áreas “seguras” para o tráfico e o consumo de drogas.

O programa Braços Abertos, que ele criou, concede benefícios aos viciados sem, no entanto, lhes impor tratamento.

Logo, não é preciso ser um gênio da economia para adivinhar que, estimulando a demanda, haverá um aumento da oferta, não é?

Mas não é só: a “hotelização” da Cracolância, ainda que nas condições abjetas conhecidas, criou, vamos dizer, os “viciados de elite”. Há os ainda mais desgraçados, os ainda mais ferrados, os ainda mais deserdados. Estes se espalharam pela cidade, em minicracolândias.  Como o prefeito é do tipo que nem aprende nada nem esquece nada, ele promete criar mais seis núcleos do tal programa Braços Abertos. Vale dizer: Haddad quer oficializar mais seis cracolândias.

E como ele justifica a expansão da Cracolândia central e das cracolândias periféricas? Ora, resolveu jogar toda a culpa nas costas do governo do Estado. Segundo disse, cabe à polícia combater o tráfico. Entenderam? Haddad quer abraçar os viciados, lhes dar dinheiro, casa e comida, e espera que a polícia evite o desastre. Mas até esse discurso, se a memória não me falha, é falso.

Ataque à polícia
Em janeiro do ano passado, o Denarc realizou uma operação na Cracolândia para, atenção!!!, prender traficantes. Sabem o que fizeram o prefeito e seu então secretário de Segurança Municipal, Roberto Porto (hoje controlador-geral)? Concederam entrevistas coletivas com ataques à polícia e ao governo do Estado, o que mereceu uma resposta precisa da delegada Elaine Maria Biasoli (para saber mais, clique aqui).

De resto, se alguma dúvida houvesse sobre como a Prefeitura vê o crack, sugiro que se lembrem destas palavras de Porto quando o príncipe Harry esteve aqui, em junho do ano passado. Prefeito e secretário o levaram para a Cracolândia como se aquilo fosse um zoológico humano. Disse, então, Porto: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele [o príncipe] gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”.

Não há dúvida, não é mesmo? As cracolândias de Haddad foram pensadas prevendo a manutenção do tráfico. E o prefeito, com a maior cara de pau, vem cobrar providências da Polícia Militar?

Que providência? Ora, a PM não pode prender o prefeito!

Por Reinaldo Azevedo

26/02/2015

às 13:01

Haddad e o truque sujo com as criancinhas

O prefeito Fernando Haddad é mesmo um portento. Na campanha eleitoral, ele prometeu zerar a demanda por creche em São Paulo. No terceiro ano de sua gestão, a fila de espera nunca foi tão grande: 188 mil crianças. Ele tem uma desculpa: segundo diz, a fila aumenta porque ele está ampliando o serviço, entenderam? Assim, a gente deve concluir que, quanto mais eficiente ele for, mais a fila vai aumentar. Santo Deus!!! Mas calma que o melhor está por vir.

Como informa Fábio Takahashi, na Folha de hoje, o ciclofaixista deu um jeito para diminuir o déficit de vagas. Sabem como? Resolveu fazer com que as crianças pulassem uma etapa. Assim, elas podem ser acomodadas em séries que permitem um maior número de alunos em sala.

Haddad é um mágico. Aumentou em 10% o número de crianças atendidas, mas só em 6% o de vagas. O inconveniente é que os professores estão tendo de lidar com crianças com menos de dois anos na mesma sala em que há outras de três. Pais e mães sabem a diferença brutal que existe entre essas duas idades. Bebês com menos de dois anos ainda não tiraram a fralda, por exemplo. Deveriam estar acomodadas em salas com, no máximo, 12 crianças. Estão sendo enviadas para as que comportam 24.

É evidente que se trata de um truque sujo. Uma diretora de escola da Zona Sul reclama: “Elas [as crianças] deveriam ter sido desfraldadas. Agora, estão com crianças grandes, em salas sem fraldários”.

Eis aí do que é capaz este gênio da raça.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 15:31

Justiça manda Haddad tirar ciclofaixa de porta do colégio. Ou: Haddad é o “Estado Islâmico” das duas rodas

A loucura de Fernando Haddad (PT), o ciclofaixista que aterroriza São Paulo, não tem limites. Ele é a versão sobre duas rodas do Estado Islâmico. Quando a gente acha que já foi longe o bastante, dá mais um passo. Finalmente, a Justiça se lembra de que existe — e os paulistanos se lembram de que ela existe —, e alguém começa a pôr um pouco de limites no extremista.

Em decisão liminar, a juíza Simone Viegas de Moraes Leme mandou a Prefeitura retirar uma ciclovia que fica em frente ao colégio Madre Cabrini, na Vila Mariana, que dá nome à rua. É preciso ver a foto para crer no que fez ali a gestão Haddad.

A rua, como lembrou a magistrada, é curta — cerca de 700 metros — e estreita. Pois o ciclofaixista meteu a estrovenga lá — para ninguém circular, já que bicicletas não há!!! — e criou uma outra, azul, rente ao que restou de espaço para o tráfego de veículos, destinada ao embarque e desembarque das crianças. Como há um trânsito grande de vans, é evidente que diminuiu a segurança dos estudantes. Mais: houvesse bicicletas, aí, sim, o risco seria imenso. Vejam a foto.

A ciclofaixa em frente ao colégio Madre Cabrini: vejam do que é a capaz a obsessão irresponsável (Foto: Vinicius Pereira/Folhapress)

A ciclofaixa em frente ao colégio Madre Cabrini: vejam do que é a capaz a obsessão irresponsável (Foto: Vinicius Pereira/Folhapress)

ALIÁS, QUE ISTO FIQUE CLARO: SÓ NÃO TEMOS PEDESTRES EM PENCA ATINGIDOS POR CICLISTAS E CICLISTAS EM PENCA ATINGIDOS POR AUTOMÓVEIS PORQUE AS BICICLETAS NÃO EXISTEM. O PREFEITO SÓ PODE CONTINUAR COM A SUA OBSESSÃO PORQUE A CIDADE PARA A QUAL ELE GOVERNA NÃO EXISTE, E A QUE EXISTE FICA SEM GOVERNO.

Em sua liminar, a juíza afirma que faltou planejamento na implementação da faixa e acrescenta: “Diante de tal panorama, causa espécie a colocação de ciclofaixa no local, eis que patente o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação em relação a potencial situação de risco à criança e aos adolescentes que frequentam o Colégio Madre Cabrini”.

A Prefeitura diz que vai recorrer da decisão. Pelo visto, não abre mão de pôr as crianças em risco.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2015

às 6:03

Efeito Haddad: Moradores começam a deixar a Vila Madalena; preço de imóveis despenca; prefeito está destruindo o bairro

Eu sou como o Pequeno Príncipe, que nunca desistia de uma pergunta. E eu não desisto de uma ideia quando os fatos evidenciam  que tenho razão.

Reportagem do Estadão conta a história da família da neuropsicóloga Cristine Franco Alves, moradora da rua Fidalga, na Vila Madalena. Depois de 70 anos no local, os Alves estão deixando seu imóvel, expulsos pela irresponsabilidade do prefeito Fernando Haddad, do PT, que decidiu transformar o bairro num laboratório da sua inexperiência administrativa, ciceroneado por seus esquerdistas que pensam que a academia é botequim e que o botequim é a academia. A casa fica perto da rua Aspicuelta, no miolo da bagunça.

O patrimônio das pessoas está virando pó, mato, pedra. Está sendo cheirado, fumado, inalado. O preço dos imóveis despenca. Um leitor pede que não dê o nome por razões óbvias. Ele tinha praticamente fechado a venda de um apartamento de alto padrão. O e-mail que recebeu da imobiliária deveria servir de lápide para o velório político de Haddad. O comprador — um executivo, mulher e filha que se mudaram recentemente para São Paulo — não desistiu apenas do seu apartamento. Não quer é saber da Vila Madalena.

Os comerciantes reclamam por razões óbvias. Vendem menos, não mais. Se a Vila continuar nessa toada, a decadência é inexorável. A questão é, antes de mais nada, econômica.

Brinquei ontem na rádio Jovem Pan que aquele velho maconheiro, meio comunista, da Vila — o estereótipo do barrigudo progressista, quase careca, de rabinho de cavalo — está desolado. Era gostoso brincar de petismo, revolução de costumes e outras imprecisões teóricas quando isso parecia, assim, uma coisa de minorias supostamente inteligentes. Aí chegou Haddad, o administrador que eles imaginavam que realizaria suas utopias.

O resultado é este: onde quer que prospere o seu modelo de cidade, o que se tem é desordem, decadência e desolação.

Por Reinaldo Azevedo

17/02/2015

às 17:39

Os progressistas do xixi, do cocô, do vômito e das drogas adoram a cidade inventada por Fernando Haddad, este flagelo que se abateu sobre São Paulo. Em 2016, ele concorre à reeleição, tendo Chalita como vice. Quer dizer: pode piorar!

O prefeito Fernando Haddad concedeu na semana passada uma entrevista ao “Jornal da Manhã”, da Jovem Pan. Tomou uma surra de Marco Antonio Villa. Não conseguiu responder a uma só questão de modo objetivo. Jogava todos os embates para o terreno ideológico: ele seria o “progressista”, e Villa, o “reacionário”; ele seria “o bem”, e o interlocutor, “o mal”: uma trapaça tipicamente petista. Mas o prefeito dispõe de algo que falta a seu interlocutor: uma equipe de comunicação organizada para distorcer a verdade e puxa-sacos financiados, encarregados de repetir uma mentira para ver se ela passa por verdade. Espalharam a versão, falsa como a cidade que Haddad anuncia em seu discurso, de que o prefeito foi o grande vencedor de um confronto que não existiu. Como se sabe, o político é ele — logo, quer é a versão; ao outro, só interessavam os fatos, que o prefeito fez questão de ignorar. E é de fatos que trato aqui.

Na madrugada desta terça, a Polícia Militar teve de recorrer a bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar ditos foliões que se reuniam na Vila Madalena. Foi Haddad quem transformou o bairro num mijódromo a céu aberto, num vomitódromo a céu aberto, num cagódromo a céu aberto, num motel a céu aberto, numa área livre — mais uma! — para o consumo de todas as drogas ilícitas, vendidas abertamente e aos brados.

Os moradores do bairro que se danem. Os pagadores de IPTU que se danem. Os cidadãos que se danem. As maiorias que se danem. Afinal, como Haddad fez questão de deixar claro a Villa, ele é um homem “moderno”, e quem se importa com direitos individuais, com Constituição, com Código Penal, com o mínimo necessário de ordem para manter a civilidade é só um reacionário.

No dia 9, relatei no programa “Os Pingos nos Is” (link aqui), na Jovem Pan, o que eu havia constatado numa visita que fiz a amigos na Vila Madalena. Reproduzo um trecho da minha fala:
“Em frente à casa desse meu amigo, havia fezes, urina, vômito, tocos de cigarro de maconha, latinhas queimadas por uso de crack… Ninguém gosta daquela festa à porta da sua casa. E aí é que começa a civilização. Não existe civilização sem reconhecer a existência do outro. Se você não quer ninguém fazendo xixi na porta de sua casa, não faça xixi na porta da casa alheia. Se você não quer ninguém vomitando na porta de sua casa, não vomite na porta da casa alheia. Se o poder público promove uma coisa dessas, como o sr. Haddad está promovendo, para dar uma de moderninho, é preciso cobrar dele a responsabilidade. Aliás, as pessoas já estão cobrando: nota dele [no Datafolha]: 4,2%; rejeição: 44%. O problema é o cara abraçar uma pauta sem olhar a cidade real”.

Pois é…

No dia 2 de julho do ano passado, durante a Copa do Mundo, escrevi neste blog um post cujo título era este: “A Vila Madalena se transformou na Cracolândia dos descolados”.

Vila Madalena 1

Lia-se lá:
Na Cracolândia, não valem as leis do Código Penal. Na Vila Madalena, também não.
Na Cracolândia, não vale a Lei Antidrogas. Na Vila Madalena, também não.
Na Cracolândia, o Artigo 5º da Constituição, que assegura direitos fundamentais — entre eles, o de ir e vir — não tem vigência. Na Vila Madalena, também não.
Na Cracolândia, os moradores reais da região não têm como reivindicar seus direitos. Na Vila Madalena, também não.
Na Cracolândia, tudo é permitido, menos cumprir a lei. Na Vila Madalena, também.
Na Cracolândia, os proprietários viram o seu patrimônio virar pó; na Vila Madalena, também.
Na Cracolândia, a via pública serve de banheiro ou de motel. Na Vila Madalena, também.
Então qual é a diferença entre a Cracolândia e a Vila Madalena: o preço que se paga para frequentar uma e outra; o estrato social de seus frequentadores; os produtos que se vendem nas ruas.
(…)

No dia 10 de julho, voltei ao tema:

Vilma Madalena 2

Muito bem! Na madrugada desta terça, quando a brigada da limpeza chegava para maquiar o desastre — sim, maquiar, porque o grosso da sujeira fica lá; é impossível removê-la rapidamente —, foi recebida com hostilidade por vagabundos disfarçados de foliões. A Polícia Militar foi atacada com garrafas e teve de revidar. Pessoas se feriram, inclusive um policial.

A culpa é de Fernando Haddad, é claro! Angelo Filardo, subprefeito de Pinheiros, admitiu que a coisa saiu do controle — ah, não me digam! E afirma: “O bairro não comporta esse tamanho de evento. Precisamos, a médio prazo, desmontar essa bomba”. A médio prazo???

A imprensa é condescendente com a desordem. Na Folha, leio o seguinte título: “Popularização da Vila Madalena gera rixa entre moradores e antigos foliões”. Como??? Popularização? Quer dizer que “povo” é aquilo que faz xixi, vomita e caga na rua? “Povo” é aquilo que não respeita o pactuado? Que não segue as regras mínimas da civilização? Leio na reportagem: “Nesta segunda-feira (16), seis universitários saíram de São Bernardo do Campo, na Grande SP, levando um megacooler com 600 cervejas e uma caixa de som potente. (…) um casal que mora a uma quadra dali passa. O homem aponta para a caixa de som. ‘Você não mora aqui, mora?’, pergunta a um dos estudantes. ‘Pois é, tem gente que mora, e esse barulho incomoda. Vocês podiam ir para outro lugar.’”

E segue a reportagem:
“Os meninos abaixam o volume, e o casal vai embora. Minutos depois, o som volta a tocar no volume inicial.”

Como? “Meninos”??? Universitários saídos de São Bernardo com um megacooler com 600 cervejas??? Meninos??? Cá para mim, eu reservaria a palavra “meninos” para, sei lá, “Os Meninos Cantores de Viena”.

Na reportagem da Folha, aliás, um testemunho resume o tamanho do problema. Diz uma tal Bárbara que a turma vai pra lá porque é onde “tem mais muvuca, além de bastante polícia”Vale dizer: o poder público foi sequestrado e posto a serviço de quem transgride a lei. Se a Polícia Militar cumpre a sua função, aparece no noticiário como aquela que espanca os “Meninos Cantores de Viena”.

Por que o Ministério Público não fez nada até agora? Não sei! Falta de vergonha? Falta de espírito público? Falta de isenção? Sugiro aos moradores da Vila Madalena que consultem seus advogados e acionem a Prefeitura. O poder público não tem o direito de tirar o seu sossego, de cassar suas prerrogativas, de promover a depredação e a desvalorização do seu patrimônio, de incentivar o desrespeito ao Código Penal, de rasgar a Constituição.

Eis aí a cidade administrada pelo “moderno” Fernando Haddad. Segundo ele, quem não gosta de sua gestão são os reacionários. Os progressistas do xixi, do vômito, das fezes e das drogas adoram a sua obra.

Em 2016, Haddad concorre à reeleição — provavelmente com Gabriel Chalita como vice. Caso reeleito, em 2018, haverá folião fazendo cocô na sua sala, leitor. E você fará o quê? Sei lá… Pode abrir um dos livros de autoajuda de Chalita. Afinal, você tem o direito de fazer cocô na própria sala.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2015

às 4:35

Haddad, o ciclofaixista, não quer saber da dengue. Mosquito é coisa de pobre da periferia

Escrevi aqui que o prefeito Fernando Haddad, aquele que gasta R$ 655 mil por quilômetro de ciclofaixa para ninguém — e o cálculo da VEJA São Paulo está certo, à diferença do que afirma o prefeito —, ignora os problemas de São Paulo, sua gente real, suas deficiências reais, sua geografia real, suas ruas reais, suas carências reais, para se comportar como o prefeito de uma Nova York ideal, de uma Amsterdã ideal, de uma Berlim ideal.

Batata! Segundo reportagem publicada pela Folha nesta sexta, “faltam carros para levar agentes de controle do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, às casas da zona norte de São Paulo, a mais afetada pela doença este ano”. O jornal informa que “a região amarga a maior taxa de incidência do município. São 4,9 casos para cada 100 mil habitantes, seguidos pelas zonas oeste (2,2), sul (1,9) e leste (0,6)”.

Apesar dos números alarmantes, os carros para os agentes que combatem o mosquito não chegaram. Deveriam ter sido entregues 80 veículos em janeiro, mas isso não aconteceu.

Há alguns dias, a Prefeitura teve uma ideia luminosa para justificar o aumento dos casos de dengue: a população estaria estocando água em razão da crise hídrica. Como a dita-cuja não se limita a São Paulo, seria preciso explicar por que o crescimento não se dá na mesma escala em outros municípios.

Um agente de Pirituba diz à reportagem: “Na semana passada, mandaram dois carros. Somos 60 agentes”. Ah, sim: a dengue cresceu 171% em São Paulo em relação às quatro primeiras semanas de 2014. A prefeitura diz que novos veículos deverão chegar em 30 dias.

Mas eu confio em Haddad. Ele vai saber negociar com o mosquito. Até lá, ele terá pintado mais 8.737 quilômetros de faixas vermelhas nas ruas da cidade. Os R$ 655 mil por quilômetro de ciclofaixa dariam para comprar uns 20 veículos. Mas o ciclofaixismo não se importa com isso. Mosquito é coisa de pobre da periferia.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2015

às 19:42

O que diz Haddad e o que diz a realidade

Vejam esta foto.

Ciclofaixa Albuquerque

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, concedeu nesta quinta uma entrevista ao “Jornal da Manhã”, da Jovem Pan. Não participei porque é a hora em que durmo. Poucas pessoas alteram essa minha rotina, e o prefeito não está entre elas. Na verdade, político nenhum.

Falou sobre muita coisa, e a ciclofaixa foi um dos temas polêmicos. Seu custo médio, por quilômetro, é de R$ 655 mil, segundo levantamento feito pela VEJA São Paulo. O prefeito tentou negar. Afirmou que a revista computou o custo das intervenções urbanas feitas para abrigar a ciclofaixa. É mesmo? Se é assim, então ele tem de fazer licitação. E ele não faz porque considera que as ditas-cujas são meras readequações do espaço público. VEJA São Paulo não errou. O prefeito sim. Um erro deliberado.

Haddad insiste que a questão das ciclofaixas traduz uma disputa entre “progressistas” — ele próprio, claro! — e conservadores. Transforma um problema real numa questão conceitual para deitar falação gratuita.

Tirei aquela foto lá do alto nesta quinta, às 16h30, a caminho da Jovem Pan.

É da rua Albuquerque Lins. Àquelas manchas esburacadas, Haddad chama “ciclofaixa”. Como se vê, não há bicicletas — a essa hora ou a hora nenhuma. O trânsito, no entanto, é o que se vê. A Albuquerque cruza a Marechal Deodoro, acesso para o elevado Costa e Silva — o famoso Minhocão. Ali também o prefeito planeja a pista exclusiva para as bicicletas que não existem. O caos se instala.

No “Jornal da Manhã”, ele se orgulhou de ser esta uma questão mundial. Entendi. Haddad é um cara moderno. Disse até que foi convidado para um evento internacional de ciclistas — ou algo assim. Também não duvido. Como sei que ele poderia ser chamado para um Congresso Internacional de Travestis, que agora têm uma “bolsa” mensal em São Paulo.

O paulistano dá ao prefeito nota 4,2. Nada menos de 44% acham seu governo ruim ou péssimo. E apenas 20% o consideram “bom é ótimo”. E daí? Definitivamente, ele faz um governo para minorias.

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2015

às 4:09

As ciclofaixas de Haddad podem não ser apenas caso de política, mas também de polícia

Até ler reportagem de Aretha Yarak e Silas Colombo na VEJA São Paulo desta semana, eu achava que a obsessão ciclofaixista do prefeito Fernando Haddad, do PT, era só um caso de política. Agora, eu começo a mudar de ideia. Os números são impressionantes. Os indícios de ilegalidades são gritantes. As histórias mal contadas se amontoam. Comece a se escandalizar, leitor amigo. O preço médio por quilômetro das ciclofaixas do prefeito petista — que, no mais das vezes, não passam de um pedaço da rua pintado de vermelho — é de R$ 655 mil.

Sabem quanto custa a mesma extensão de uma ciclovia, não mera ciclofaixa, em Paris? R$ 129 mil. Um quinto. Sabem por quanto sai em São Francisco, nos EUA? R$ 157 mil. Em Copenhague, na Dinamarca? R$ 205 mil. Em Amsterdã, na Holanda? R$ 210 mil. Aqui pertinho, em Bogotá, na Colômbia? R$ 290 mil. Atenção! As ciclofaixas mixurucas de Haddad, com sua tinta desbotada, sua buraqueira, sua sinalização porca, são as mais caras do mundo. Por quê? Acho que há algumas pistas onde transitam coisas mais antigas do que bicicletas. Já chego lá.

Atenção, a reportagem foi a campo, leiam, e conversou com empresas e órgãos técnicos para saber quanto custa apenas pintar o chão de vermelho, como faz o prefeito na maioria das vezes. E eles deram a resposta: R$ 105 mil por quilômetro — menos de um sexto. Ah, sim: em Nova York, o trecho sai por R$ 140 mil. Aquelas coisas horrorosas que Haddad entrega custam R$ 510 mil a mais por quilômetro.

Quando anunciou a intenção de criar 400 km de ciclofaixas e ciclovias, Haddad estimou o custo das obras em R$ 80 milhões — média de R$ 200 mil por km. Parece que baixou, assim, um espírito Abreu e Lima na Prefeitura. O custo já estabelecido de 177 quilômetros (parte entregue e parte em construção) é de oficiais R$ 116 milhões: R$ 655.367,00 por trecho.

Vamos continuar nas contas? O prefeito anuncia a intenção de chegar ao fim do mandato com 444 km de pista exclusiva. Pelo preço médio até aqui, o mais alto do mundo, estamos falando em quase R$ 300 milhões — precisamente R$ 290.982.948,00.

Questão de polícia
Até aqui, poderia ser apenas caso de má gestão. Mas há um cheirinho de caso de polícia. O Tribunal de Contas do Município descobriu que a contratação das empresas para fazer as ciclofaixas é feita com base numa tal “ata de registro de preços”, não por licitação normal. Esse expediente serve apenas a compras rotineiras. Assim, fica impossível a um órgão de investigação saber como é gasta a dinheirama.

Agora vejam que curioso: a ciclofaixa da Paulista vai custar R$ 15 milhões. O responsável pela obra é um tal “Consórcio Semafórico Paulistano”, registrado na Junta Comercial só dia 19 de maio do ano passado. E já levou uma obra dessa importância. Gente de sorte! A reportagem da VEJA São Paulo foi até a rua Siqueira Bueno, 35, no Belenzinho, onde deveria estar o dito-cujo. Deu de cara com um edifício residencial. E, por lá, nunca ninguém ouviu falar do tal consórcio. Mas eu confio em Jilmar Tatto, secretário de Transportes. Ele jamais contrataria gente que não fosse da sua mais estrita confiança, não é mesmo?

Agora leiam isto: o traçado de ciclovias da Faria Lima tem 12 km. O custo de cada um é de escandalosos R$ 4,5 milhões — R$ 54 milhões ao todo. O trecho ora em construção, de 5,5 km, está orçado em R$ 15,7 milhões. Agora a nota de surrealismo: já existe uma ciclovia entre o Largo da Batata e a Praça Apecatu, que está em operação desde 2012. A dupla Haddad-Tatto planejou uma ciclovia sobre a outra.

Jilmar Tatto não quis falar com a reportagem da VEJA São Paulo. O prefeito também não. Sua assessoria afirmou que ele estava muito ocupado. Pensa que é fácil desfilar por aí de shortinho e capacete e ainda fazer ar de pensador pós-moderno?

Atenção! R$ 655 mil por quilômetro, insisto, é o que já está mais ou menos contratado para 177 km. Como a gente vê, a obra na Faria Lima vai custar quase seis vezes mais. O buraco pode não ter fundo. E isso tudo para quem? Por enquanto, e sabe-se lá por quanto tempo, para ninguém.

Até ler a reportagem da VEJA, podem procurar tudo o que eu escrevi e disse a respeito, eu achava que o ciclofaixismo era só um caso de política. Agora, começo a desconfiar de que seja também um caso de polícia.

Sinceramente, eu não tinha noção de que essa aparente obsessão pós-moderna de Haddad era tão cara e desafiava com tanta determinação procedimentos, digamos, mais ortodoxos de probidade e aritmética comparada.

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2015

às 2:26

Uma imagem gigante de Chávez é grafitada, com autorização de Haddad, em edificação tombada. Tem tudo a ver com o homem que já disse que matar alguém depois de ler um livro é moralmente superior a fazê-lo sem ler

A irresponsabilidade infantiloide, somada ao esquerdismo de butique, com que o prefeito Fernando Haddad, do PT, administra São Paulo terá, obviamente, consequências de longo prazo para a cidade. Um absurdo vai se sobrepondo a outro, numa escalada vertiginosa. Um leitor deste blog me manda esta foto.

CHÁVEZ NOS ARCOS

A construção que vocês veem  é conhecida como “Arcos do Jânio” porque, na década de 80, o então prefeito Jânio Quadros retirou as moradias irregulares que os encobriam. E veio à luz, então, a edificação de 1920, que foi tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal.

Pois bem: Haddad não quis nem saber. Na sua ânsia de parecer um prefeito moderno e antenado — a mesma inclinação que o leva a transformar a Vila Madalena num depósito de fezes, urina, vômito e drogas, com a sua micareta dos picaretas —, ele entregou a área aos grafiteiros. Agora já sabemos que a noção de patrimônio tombado já não existe mais. Tudo é possível.

O mais espantoso é que o Conpresp (conselho municipal de preservação) deu carta branca à intervenção. Os vermelhinhos que estão no tal conselho não devem achar que os arcos sejam arquitetonicamente importantes o bastante para ser preservados. Digamos que não sejam — e eu até tendo a achar que não mesmo. Mas isso não depende do arbítrio de cada um. Os valentes estão lá para cumprir a lei.

Agora voltem  à imagem. Sim,  o vagabundo, assassino e psicopata que se vê em tamanho gigante, pintado sobre um patrimônio tombado, é Hugo Chávez, ex-ditador da Venezuela, que conduzia um governo composto, entre outras delicadezas, de bandidos ligadas ao narcotráfico e de antissemitas enlouquecidos. É o criador do modelo que conduziu aquele país à falência. Lembrando: para conter a insatisfação dos venezuelanos, Nicolás Maduro, o sucessor de Chávez, fez aprovar uma lei segundo a qual é permitido atirar contra manifestantes com bala de verdade, para matar mesmo.

Assim, o patrimônio da cidade está sendo manchado com a imagem de um tirano, de um assassino, de um maluco. E tudo sob o patrocínio do prefeito Fernando Haddad, com a conivência dos irresponsáveis do conselho municipal de preservação.

Segundo o Datafolha, 44% dos paulistanos consideram a gestão Haddad “ruim ou péssima”; apenas 20% a avaliam como “boa ou ótima”. Pergunto: quais outras edificações tombadas ainda receberão as homenagens ideológicas dos amiguinhos do prefeito? Quais serão os outros homenageados? Fidel Castro e Raúl Castro, que mataram 100 mil? Pol Pot, que matou três milhões? Mao Tsé-tung, que matou 70 milhões?

Se bem que tudo faz um danado de um sentido, não é? Quando ministro da Educação, este incrível Haddad mandou distribuir nas escolas públicas aquele tal livro que endossava concordâncias como “nós pega os peixe”. Criticado, ele tentou se defender então, acusando as pessoas de atacar o tal livro sem ler. E disse a seguinte pérola, prestem atenção, no dia 31 de maio de 2011:
“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.

Entenderam? Para este gênio da raça, fuzilar alguém depois de ler um livro é moralmente superior a fuzilá-lo sem ler. Ou por outra: para Haddad, é bem melhor a gente ser morto por um assassino instruído.

Num país com uma imprensa um pouquinho melhor — mais lida, sim, mas não homicida —, sua carreira teria terminado ali. Mas ele seguiu adiante e segue sendo o queridinho dos vermelhinhos do jornalismo, que também devem achar que matar alguém depois de ler um livro é moralmente superior a fazê-lo sem ler.

Se a gente deixar, o PT ainda manda pintar a cara de Stálin, que matou 35 milhões, na estátua da Justiça, nos jardins do STF.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2015

às 2:39

A dupla incompetência de Haddad: nem zela nem planeja

Se os paulistanos querem morar num lugar bacana, devem escolher a São Paulo que existe no discurso do prefeito Fernando Haddad (PT), o Supercoxinha que segue sendo o preferido das redações. Basta que ele faça uma faixa em “x” no Centro para ser tratado como um Schopenhauer. Chega a ser patético. No domingo, aniversário da cidade, ele escreveu um artigo para a Folha. O homem do aposentado “Arco do Futuro” agora se dedica ao “Caminho para o futuro”. É preciso ler para crer. O que não é risível é francamente incompreensível.

O que quer dizer, por exemplo, este trecho: “Na educação, recuperamos a centralidade da escola com o fim da “aprovação automática” e com a instalação de universidades nos CEUs”? Resposta: nada! Há inverdades que insultam os fatos, como esta: “Mesmo com todo o esforço de outros governantes, recebi a administração municipal em 2013 com o prognóstico de quebra financeira, expansão caótica e obsolescência por falta de investimentos”. O prefeito fala de “um projeto habitacional que entregará 55 mil moradias até 2016, algo sem precedente na luta por moradia”. Sem dúvida! Estamos em 2014. Em dois anos, ele entregou apenas 2.700.

Bem, nesta terça, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) contestou na mesma Folha o seu artigo. Segue a íntegra do texto.

Crônica de uma cidade imaginária

Cada vez que leio uma entrevista ou um artigo do prefeito Fernando Haddad fico mais impressionado com seu desconhecimento da vida e dos problemas de São Paulo. No último domingo (25), nesta seção, Haddad escreveu um artigo sobre uma cidade que só ele conhece. Bem distante da São Paulo real, na qual os moradores são diariamente castigados pela incúria da administração.

Haddad afirma que é uma “falsa dialética contrapor a prefeitura-zeladora, que coleta impostos, tapa buracos e recolhe lixo, à prefeitura-planejadora, que inova e olha a cidade do futuro”. Não existe falsa dialética, mas uma dupla incompetência: a prefeitura não cumpre sua função de zelar nem de planejar o futuro.

Mesmo contando com a boa vontade dos críticos, é inegável que Haddad piorou a cidade. Ele a recebeu após as gestões José Serra (2004-06) e Gilberto Kassab (2006-12) com R$ 885 milhões de superávit, além de um amplo acervo de obras concluídas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. Até agora, Haddad nada de positivo criou.

O prefeito insiste em dizer que precisa disputar palmo a palmo a versão dos fatos, mas os fatos insistem em desmentir as versões. A prefeitura diz que mais de 80% dos dependentes que vivem na cracolândia foram recuperados. Porém, mais de mil pessoas vagam desassistidas como zumbis pela região.

Ele diz que a culpa pela queda recorde de árvores neste verão foi de um vendaval semelhante ao Katrina, mas se esquece de falar da total ausência de manutenção e de podas dos galhos em sua gestão.

O discurso dá menos trabalho do que a prática, mas os fatos são implacáveis. Ao ser empossado, Haddad se comprometeu com 123 metas. Dessas, apenas 16 foram cumpridas. A meta para os primeiros dois anos na saúde era construir 38 UBSs, mas fez apenas quatro.

Na habitação, a promessa era concluir 19 mil casas até a metade do mandato –foram entregues 2.700. Haddad havia prometido construir 243 creches. Contudo, apenas 26 foram concluídas.

O prefeito não “desliza investimentos”, ele os engaveta por inépcia ou por inviabilidade.

As finanças foram comprometidas. O superávit herdado já virou déficit. Nos últimos dois anos, Haddad gastou mais do que arrecadou. A tão celebrada renegociação da dívida com a União, que o prefeito pinta como mérito exclusivo dele, é um processo que vem desde a administração Kassab.

O prefeito, que não conhece São Paulo, insiste em compará-la a Nova York, o que demonstra desconhecimento de ambas. Ao citar Janette Sadik-Khan, ex-chefe do departamento de trânsito de Nova York, ele omitiu um fato essencial: ela apenas alcançou bons resultados na implantação de ciclovias depois de discutir com toda a sociedade.

Em entrevista a esta Folha, ela explicou que organizou 2.000 encontros por ano, durante seis anos, para definir rotas –enquanto por aqui tudo é feito no afogadilho.

O prefeito quer dar a impressão de “moderninho descolado” quando fala de grafites, wi-fi e micropraças, mas continua esquecendo o sofrimento dos que vivem na periferia, onde os programas de habitação, limpeza de córregos e do sistema de drenagem não saem do discurso.

No artigo de domingo, o prefeito já preparou a desculpa pela falta de resultados –os ” tempos sofridos”. Se quisesse ser mesmo solidário, deveria gastar a verba de publicidade da prefeitura em campanhas esclarecedoras de como poupar energia elétrica e água, em vez de mostrar uma cidade que não existe.

O verdadeiro furacão que passa por São Paulo é a atual gestão municipal, que está devastando a cidade, a despeito das palavras moderninhas de Haddad e de sua gestão “protossocialista” — como disse a secretária de Planejamento de Haddad, Leda Paulani, que, de cidade, só conhece a universitária.

Por Reinaldo Azevedo

22/01/2015

às 23:25

Governos de Dilma e Haddad disputam para ver qual o mais “inepto”, diz Serra

Por Daniela Lima, na Folha:
Em uma palestra a empresários nesta quinta-feira (22), o senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), ironizou a falta de capacidade do governo federal de alavancar investimentos e disse que a presidente Dilma Rousseff e o prefeito paulistano, Fernando Haddad, ambos do PT, competem pelo título de gestor mais “inepto”.

Para o tucano, o governo federal tem recurso “e não consegue gastar”. Ele disse que o mesmo acontece em São Paulo. “Veja a prefeitura. Estão preocupados com ciclovias, subsidiar o consumo do crack [numa referência ao programa Braços Abertos, que paga usuários que se disponham a trabalhar]… uma profunda inépcia”, afirmou.

“Aliás, é um concurso: quem é o mais inepto, a prefeitura ou o governo federal?”, disse Serra em seguida. “E veja que pelos últimos secretários apontados [pelo governo Haddad] não há o menor perigo de melhorar”, ironizou. Esta semana, Haddad convidou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), derrotado pelo tucano na última eleição, para a Secretaria de Direitos Humanos. Nesta quarta (21), o prefeito confirmou convite para o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha assumir sua articulação política. Padilha disputou o governo do Estado no ano passado e terminou em terceiro lugar.

O tucano afirmou ainda que a presidente não surpreendeu com as medidas impopulares que teve que adotar logo no início do mandato. “Todo mundo sabia que ela ia ter que fazer o que disse que não faria na campanha: consertar os erros do primeiro mandato.”

Por Reinaldo Azevedo
 

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