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Fernando Haddad

02/09/2014

às 15:10

Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Ou: Ainda faltam 851 dias para a gente se livrar dele!

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Ainda faltam 851 dias para São Paulo se libertar de Fernando Haddad. Poderiam ser apenas 850, mas 2016 é ano bissexto, e o alcaide nos deve mais esta: tomou um dia mais da nossa liberdade.  Haverá festa, estou certo. Uma alegria incontida há de tomar as ruas quando ele der as costas. Depois, começará o trabalho de reconstrução, ver o que sobrou da terra arrasada. Não será um trabalho fácil.

Na sexta, a rua Albuquerque Lins, caminho para a estação Marechal Deodoro, do metrô, estava congestionada, como sempre, inclusive com os carros comprados em razão da redução do IPI concedida pelos governos petistas de Lula e Dilma — uma medida correta, diga-se. Até governantes do PT podem acertar, como um relógio parado. Adiante.

Eis que, nesta segunda, a Albuquerque Lins amanheceu assim:

foto (33)

 

foto (32)

Sim, o Selvagem da Bicicleta meteu uma ciclovia numa rua já famosa em Higienópolis e na Santa Cecília pelos engarrafamentos. Ela cruza a avenida Marechal Deodoro, que corre sob o Minhocão, com permissão para conversão à direita e à esquerda. Nos horários de pico, antes da faixa exclusiva para bicicleta, o quiproquó já era frequente. Impacientes, alguns motoristas forçam a tentativa de entrar na via principal, o trânsito colapsa, e tudo para. Com a ciclovia, será o inferno.

Fiz as duas fotos com celular por volta das 17h, antes de o pior acontecer. Vejam lá: não há bicicletas descendo, não há bicicletas subindo… O que se vê são os carros parados, em fila única.

A presidente Dilma me lê? Contaram-me que sim. Os magos do Palácio não conseguiram vetar a minha página. Eis aí, Soberana! A senhora não entende por que é tão alta a rejeição a seu nome em São Paulo, especialmente na capital? Lula não entende por que não consegue emplacar Alexandre Padilha?

Perguntem a Fernando Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Esse é apenas um dos malefícios de sua gestão na cidade. No dia em que este senhor deixar a Prefeitura, imaginem quanta área hoje inútil será liberada para o trânsito! Haja tinta preta para cobrir seus desmandos vermelhos!

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 15:51

Cidade de São Paulo: as veias abertas do petismo. Ou: As ideias fixas de Haddad que transformam a cidade num inferno

Vejam esta foto, que me foi enviada por um leitor. Já explico.

ciclovias

Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.” É Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Melhor um cisco no olho, um grânulo, um estrepe… Melhor um incômodo dessa ordem do que ser vítima de uma ideia fixa… É o que me ocorre quando penso nas ciclovias do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Que fique o alerta para os cidadãos do Brasil inteiro. Que fique o alerta para os prefeitos do Brasil inteiro. Não permitam que suas respectivas cidades caiam reféns de uma minoria organizada, que, como escreveu o próprio Machado, sempre hasteia sua bandeira particular à sombra da grande bandeira. No caso de São Paulo, a flâmula maior é a do petismo; as mesquinhas, de minorias radicalizadas, sob ela se abrigam e nos impõem a ditadura de seu gosto.

Haddad está determinado a criar 400 km de ciclovias na cidade até o fim de seu mandato, ao custo de R$ 80 milhões. Está há dois anos no poder. Boa parte dos paulistanos tem a sensação de que já são 200! As faixas vermelhas, a cor internacional desse tipo de pista, se espalham cidade afora, estrangulando o espaço dos carros, diminuindo a área de escape das motos — que hoje ajudam a movimentar a economia —, aumentando os congestionamentos, atrapalhando a vida de pedestres, criando severas perturbações no comércio. Há um clima de revolta em consideráveis setores da cidade. Não obstante, o prefeito, consta, aposta nas ciclovias para reverter a sua impopularidade. Fernando Haddad lembra o homem com a corda no pescoço que se mexe freneticamente para se livrar do incômodo. Quanto mais esperneia, mais terra lhe falta sob os pés, e mais a corda o constrange, até matá-lo. A diferença, nesse caso, é que uma cidade de milhões de pessoas padece com ele.

E por que ele age assim? Porque a grande bandeira de Haddad, o tal Arco do Futuro, ficou no passado. Nunca foi nada além de propaganda para caçar votos. Então sobraram as pequenas bandeiras, a das minorias aboletadas na Prefeitura. À Folha de S.Paulo, o prefeito afirmou: “É um programa de saúde, de esporte, de mobilidade, que dialoga com muitas demandas da sociedade”. É mesmo? Demanda de quem, santo Deus? Olhem, paulistanos, para as vastas solidões das ciclovias, que permanecem lá, vazias, com o seu vermelhão a cortar áreas da cidade, como veias abertas da estupidez e do autoritarismo. Não ocorre ao senhor prefeito que percorrer longos percursos de bicicleta requer, antes de tudo, certas condições físicas, o que restringe essa opção de transporte — se fosse realmente uma opção; não é — a uma faixa etária da população. A escolha é, antes de mais nada, autoritária, discriminatória. Uma coisa é a construção de ciclovias como um espaço suplementar para a circulação, a exemplo do que existe em algumas cidades do mundo. Outra, distinta, como se faz em São Paulo, é o estrangulamento da área de circulação da maioria em benefício de uma minoria.

O vermelho é a cor internacional das ciclovias. Mas é também a cor oficial do PT. Que cada morador de São Paulo jamais se esqueça, ao passar ao lado de uma delas, que o partido administrou a cidade e deixou uma herança.

A foto
Vejam a foto lá do alto. Haddad decidiu meter uma ciclovia na rua Boa Vista, na região central. Não circula nela uma viva alma sobre duas rodas. A área se tornou espaço para o estacionamento de carrinhos de catadores de lixo reciclável, os correspondentes contemporâneos do que Machado chamaria, a seu tempo, “almocreves”.

As ciclovias não são a única ideia fixa do prefeito. Ele tem outras: como fornecer recursos a viciados em crack para que alimentem o seu vício em… crack. É assim que traduzo o programa “Braços Abertos”. Está em curso a criação de uma nova área na cidade, no Parque D. Pedro II, em que se repetirão os erros cometidos na chamada Cracolândia.

Haddad, caros leitores, pagará o preço político por suas ideias fixas. O diabo é que a cidade pagará um preço ainda maior por suas obsessões.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2014

às 4:37

Haddad e Boulos se comportam como donos de SP; prefeito cede uma área da cidade para o MTST e manda às favas milhares que aguardam na fila à espera de casa. Não governa para os paulistanos, mas para os militantes do coxinha de esquerda e para os radicais-chiques da imprensa

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Se alguém tinha alguma dúvida de que Guilherme Boulos, o tal líder do MTST, é apenas um braço do petismo e opera em parceria com o prefeito da cidade, Fernando Haddad (PT), a dúvida agora desapareceu. O prefeito sancionou a lei que destina a área conhecida como “Copa do Povo” a moradias populares. Até aí, vá lá… Mas ele fez mais do que isso: ao vetar dois dispositivos da lei, entregou o terreno de 150 mil metros quadrados, de mão beijada, a Boulos e a seus comandados. Assim, as pessoas já cadastradas e que estão na fila à espera de moradia na cidade de São Paulo que se danem! Elas que fiquem mofando! A turma do Coxinha Radical tem a preferência.

Faz sentido. Boulos e Haddad, a rigor, são expressões aparentemente distintas, mas só aparentemente!,  da mesma pessoa. Eles são um tipo social. Ambos vêm da classe média alta, julgam-se intelectuais e se dizem socialistas. Um decidiu ser, digamos assim, mais institucional e vestir terninho; o outro parte para a ação direta e faz o estilo molambento-pensador. Em comum, parecem nutrir um profundo ódio pelas pessoas que decidem se comportar segundo as regras do regime democrático. Ambos dão sinais de que odeiam a cidade de São Paulo e os paulistanos.

O busílis é o seguinte. Havia sido aprovada uma lei pela Câmara, com o apoio da base aliada de Haddad, diga-se, que destinava, sim, a tal área, que fica a três quilômetros do Itaquerão, a moradias populares. Mas havia nela um dispositivo: as casas construídas estariam vinculadas à “demanda cadastrada” pela Secretaria de Habitação em bairros próximos. Vale dizer: teria a primazia quem se inscreveu primeiro. Mais: se recebesse edificações do “Minha Casa Minha Vida”, que é federal, ou do Casa Paulistana (que é estadual), o projeto tinha de passar pela aprovação do Conselho Municipal de Habitação. O prefeito vetou os dois dispositivos.

Haddad dá, assim, um golpe até nos vereadores de sua base que negociaram a proposta. Como é uma região industrial, só era possível construir no local uma vez a área do terreno. O prefeito liberou edifícios de até 28 metros, com construção equivalente a quatro vezes a área. Assim, poderão ser erguidas ali, em tese ao menos, as duas mil moradias reivindicadas pelo MTST.

A Prefeitura, cinicamente, nega que a fila esteja sendo furada porque, segundo diz, “não há brecha para isso”, já que os programas federal e estadual têm suas próprias regras. E daí? As casas do MTST vão ser construídas por quem? Ainda que se viabilize algum outro projeto, deixou-se de destinar um terreno àqueles dois programas; se acabar, como acredito que aconteça, sendo servido por um deles, é evidente que a fila foi, sim, furada.

Boulos, como é de seu estilo, deu de ombros. Não está nem aí. Ignorando os milhares de pessoas inscritas nos dois programas, diz que essa tal “fila é mistificada e usada politicamente pelos vereadores”. Como a gente sabe, o único com direito de fazer política é ele próprio, justamente o que não foi eleito por ninguém.

Alguém ainda quer saber por que Fernando Haddad é rejeitado por 47% dos paulistanos? Pois é… Este senhor não governa para os moradores da cidade. O que ele faz é atender à sua clientela de militantes dos ditos movimentos sociais e de radicais-chiques da imprensa. Haddad é o prefeito dos sem-teto — mas apenas dos sem-teto de Boulos — e dos sem-ciclovia, com suas magrelas descoladas e seus capacetes inteligentes e caros.

Haddad é, em suma, a soma da mistificação socialista com a metafísica do selim.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 17:56

Alô, Semanário de Xiririca da Serra! Haddad está concedendo entrevistas exclusivas!

O prefeito Fernando Haddad, pelo visto, também acha que tem muitas explicações a dar. Enquanto escrevo este post, lá está ele em mais uma entrevista na TV. Se o Semanário de Xiririca da Serra quiser, ele concede uma exclusiva. Nunca vi uma, como diz a turma que lida com a marquetologia, “operação de mídia” como essa.

No mais das vezes, tome bola levantada na rede para que ele demonstre como está mudando a cultura da cidade — ainda que as pessoas não tenham percebido. Os eleitores pensavam estar elegendo um prefeito, mas estavam ungindo um, como ele acha de si, “revolucionário”.

Haddad está convicto de que as pessoas querem uma “revolução”, mas sem mudar nada. Quem quer a “revolução” e qual o seu conteúdo, isso não está muito claro, não. Parece que, por enquanto, a mudança consiste em bagunçar o coreto de todo mundo. A felicidade vem depois. É uma espécie de máxima das esquerdas: a construção do novo homem e do futuro passa por algumas dificuldades objetivas, como sofrimento e mortes. Mas um dia vem a salvação.

Então tá. Aló, Semanário de Xiririca da Serra! Há prefeito querendo dar entrevista exclusiva. O PT precisa disso para tentar diminuir a rejeição de Haddad e, assim, ver se alavanca a candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. A ordem é de Lula.

Por Reinaldo Azevedo

23/07/2014

às 2:42

Haddad privatizou o programa de moradia e o entregou aos movimentos de sem-teto: é uma variante de fascismo, não de democracia representativa

Já discordei de modo muito duro do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, do Ministério Público Estadual. Quem recorrer ao arquivo do meu blog vai constatar isso. Na verdade, eu nem concordo com indivíduos nem discordo deles. Debato as suas ideias. E pode acontecer, como se dá agora, de eu concordar com pessoas cujas escolhas já critiquei. A que me refiro? O promotor assina uma representação, anexada ao inquérito que investiga o financiamento habitacional na cidade de São Paulo, em que recomenda que os repasses para a capital paulista do programa federal “Minha Casa Minha Vida”, por ora, sejam suspensos. Por quê?

Ribeiro Lopes acusa, o que me parece mais do que evidente, a Prefeitura de privilegiar, na distribuição das casas, os tais movimentos de sem-teto, em especial o MTST, comandado pelo militante-celebridade Guilherme Boulos. Segundo a acusação, a Prefeitura mantém um cadastro secreto para poder privilegiar os grupos que promovem invasões.

O promotor está certíssimo! Vocês sabem que já apontei aqui o que chamei de privatização do espaço público e de programas sociais, que são custeados por todos os brasileiros. Com absoluta propriedade, o promotor afirma sobre o programa habitacional na cidade de São Paulo: “A finalidade é dar atendimento privilegiado. O sujeito que trabalha em dois empregos não tem tempo para ficar dormindo em ocupações oportunistas. Essa pessoa está alijada dos programas habitacionais e condenada a pagar aluguel para o resto da vida. Os beneficiários vão ser sempre os protegidos do movimento”. E vai além: “A Prefeitura está atuando não mais no varejo, mas no atacado. É evidente que há um reflexo político; negar essa influência é hipocrisia”.

Na mosca! Não só há um reflexo político como o privilégio garantido a esses grupos já é consequência de afinidades eletivas. Esses movimentos todos, sem exceção, participaram ativamente da campanha eleitoral de Haddad em 2012. Logo, o que a Prefeitura do PT está fazendo é usar o dinheiro público para beneficiar militantes afinados com o partido.

Nessa luta, só perdem os pacíficos, os que acatam as regras da democracia, os que não são vinculados a aparelho partidário nenhum e precisam ganhar a vida com o suor de seu rosto. O que se dá com o MTST, por exemplo, é uma vergonha sem precedentes. O movimento impõe no berro a sua vontade e atravessa, sem cerimônia, a fila dos que aguardam há anos por uma casa. Pior: a Câmara dos Vereadores, covardemente, decidiu legalizar uma invasão promovida pelo grupo. Logo, o movimento do sr. Boulos e congêneres se colocam como donos do poder público. Na invasão de um terreno do Morumbi, constatou a imprensa, nem mesmo havia famílias no local, só barracas. Dizer que Fernando Haddad é refém desses movimentos não chega a ser correto. Ele é, de fato, parceiro da turma.

O promotor comete algum exagero? Não! Apenas aplica a lei. Conforme lembra a reportagem de VEJA.com, a Portaria 595/2013 do Ministério das Cidades obriga que o cadastro de candidatos e beneficiados seja público, permanentemente atualizado. Sob pena de o benefício ser suspenso. E, se querem saber, esse é apenas um problema. Usar um bem público para beneficiar um ente privado ou um grupo incide na Lei de Improbidade Administrativa.

A prova da tese
Como vocês sabem, a presidente Dilma baixou o Decreto 8.243 — que, espero, seja derrubado pela Câmara — para regulamentar a participação dos ditos movimentos sociais na gestão federal. Eis aí… O MTST e seus pares são exemplos eloquentes de como a democracia direta, segundo essa perspectiva, corresponde ao esmagamento dos direitos do conjunto dos cidadãos em benefício da minoria organizada. Está mais para uma variante do fascismo do que para uma democracia participativa.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2014

às 14:30

Haddad bate recorde de impopularidade e… tira férias! Faz sentido!

Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

É… Consta que Lula anda dando umas esfregas em Fernando Haddad, o prefeito de São Paulo. Mas tem gente que é mesmo cabeça dura, né? Vejam que coisa! Na sexta, veio a público a pesquisa Datafolha indicando que ele é um dos três prefeitos mais rejeitados da história de São Paulo desde que existe a avaliação: 47% acham a sua gestão ruim ou péssima, e só 15% a aprovam. Com um ano e meio na administração, só o superaram no quesito negativo Jânio Quadros, com 66%, e Celso Pitta, com 54%. Vale dizer: ainda há espaço para Haddad crescer… para baixo! E ele se esforça para isso.

Eis que a gente fica sabendo que o prefeito tirou… férias! É a segunda vez em um ano e meio de gestão. Em outubro de 2013, com dez meses à frente da Prefeitura, resolveu ir comemorar na Itália os 25 anos de casamento. Entre a Toscana e a Cracolândia, Haddad preferiu a Toscana. Ele pode ser um péssimo prefeito, mas não é por falta de gosto.

Agora, está de férias outra vez. Na volta, promete entrar de cabeça na campanha eleitoral petista, coisa para a qual os adversários de seu partido estão torcendo fervorosamente. Ninguém sabe para onde ele foi, e a assessoria não informou. O Diário Oficial do Município nada informa a respeito. Nádia Campeão, a vice, está no comando da Prefeitura e não sabe até quando fica.

Haddad gosta de ficar longe dos problemas da cidade, o que eu, particularmente, até acho bom. Se ele estiver perto, parece-me mais perigoso. Há o risco de tudo piorar. Pois bem: no dia 25 de abril de 2013, por exemplo, ele estava na capital da Argentina para receber o título de Cidadão de Buenos Aires. Que bom! Naquele mesmo dia, o SPTV informava que São Paulo havia batido o recorde de casos de dengue.

Vamos deixar Haddad de férias. Se preciso, até o fim do mandato. Pensem bem: longe da Prefeitura, ele para de ter ideias. Há gente que rende o dobro quando trabalha a metade. No dia em que o prefeito realmente não fizer nada, pode até render o quádruplo…

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 22:32

Haddad, com 47% de reprovação, tornou-se uma caricatura de prefeito

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Pois é, pois é… Que coisa, hein, Fernando Haddad? O negócio tá feio. Vejam bem: há dois dias, Lula afirmou que ele deveria entrar de cabeça na campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Padilha já está com 4% dos votos… Atendendo sei lá a que chamado da (i)lógica, o partido teria decidido que a campanha na TV vai tentar recuperar a imagem do prefeito para, então, o prefeito alavancar o candidato. Então tá. Acho que não funciona, mas dou o maior apoio, se é que me entendem.

Está no ar, saibam os leitores que não são da capital paulista, uma campanha publicitária exaltando a suposta competência da Prefeitura na gestão da cidade durante a Copa. Sabem como é: todos eles tentaram pegar uma carona no evento. Leiam o noticiário sobre a Vila Madalena. Cada morador de São Paulo certamente temeu uma Sodoma e Gomorra na porta de sua casa… A propaganda pode muito, sim. Quando, no entanto, ela afronta a realidade de maneira tão cabal, aí pode ser contraproducente.

O Datafolha foi a campo para saber o que a população da cidade acha da administração Haddad. O resultado é devastador pra ele: a rejeição à sua administração subiu de 36% para 47% em três semanas. No mesmo período, o índice de ótimo e bom oscilou para baixo: de 17% para 15%. Caiu até os que consideram a sua gestão regular: de 44% para 37%. Vejam quadros publicados pela Folha Online.

Datafolha Haddad julhoDatafolha Haddad 2 julho

Só Jânio Quadros e Celso Pitta, com um ano e meio de gestão, tinham rejeição maior: 66% e 54%, respectivamente. O tucano José Serra, derrotado por Haddad, nesse mesmo período, tinha a reprovação mais baixa desde a gestão Jânio: só 8%. À diferença de Haddad, e como!, era aprovado por 56%.

É uma avaliação justa?
Justíssima! Haddad não governa a cidade para o conjunto da população. Sua administração é um mero balcão de demandas de supostos “movimentos sociais” e de grupos organizados que gritam mais — inclusive aquela “subintelectuália” de esquerda que o leva a adotar medidas destrambelhadas, que prejudicam a vida também dos mais pobres. Desde quando, no entanto, esses esquerdistas de universidade & boteco sabem o que quer o povo? Como diria Monteiro Lobato, da pobreza, não conhecem nem o trinco da porta.

Vamos lá. A Prefeitura de São Paulo tem hoje um troço chamado “Braços Abertos”, um programa que, sob o pretexto de reduzir os danos decorrentes do consumo de crack, na prática, o financia. Um secretário do prefeito admitiu que, na Cracolândia, a droga está legalizada. Vários países do mundo têm programas de assistência a dependentes. Só no Brasil existe algo como esse “Braços Abertos”, que financia o consumo. E tentem me provar que não é assim. É a realidade dos fatos. Diante das críticas, Haddad fez o quê? Está criando mais um núcleo na cidade para abrigar os drogados em hotéis. Vai dobrar a dose do remédio ruim.

O prefeito também decidiu espalhar faixas de ônibus, já escrevi aqui, onde elas são e onde não são necessárias. Sim, quando o ônibus transita com mais velocidade nesses lugares, o usuário aprova. Quando, no entanto, fica mais tempo à espera do ônibus — e fica! — reprova. Ao esmagar os carros particulares — em que pobres também circulam — e criar dificuldades homéricas em certas áreas da cidade, aumenta o caos urbano em vez de resolvê-lo. Basta analisar os dados sobre congestionamentos. Não estão contentes nem os usuários de ônibus nem os de carros particulares. A “má boa consciência”, no entanto, pode trair o administrador. As pessoas, em sua maioria, se dizem favoráveis às faixas com receio de serem acusadas de defensoras dos ricos…

Haddad passou a flertar abertamente com os movimentos do sem-isso e sem-aquilo, que ajudaram a elegê-lo, sim. Sobretudo, foram muito úteis na demonização de seus então adversários: Celso Russomanno e José Serra. O prefeito subiu no palanque do MTST, que hoje manda na distribuição de casas de São Paulo e para a cidade quando lhe dá na telha. Não adianta: isso vai parar na conta do prefeito. E com razão. Ou não foi a sua turma que, na prática, convidou Guilherme Boulos e seus sequazes a cercar a Câmara dos Vereadores. Os que já têm casa, na média, não devem gostar disso. Mas será que os que não têm gostam? Para quem governa Haddad? Para os “mobilizados”?

Ele se tornou uma agência de despachos de micromovimentos. Outra grande ideia será acabar com estacionamentos para aumentar as ciclovias. Por quê? Ora, porque algum subintelectual soprou aos ouvidos do companheiro que esse negócio de carro é um atraso, entendem? Assim, Dilma prorroga isenção de impostos para aumentar a venda de carros — comprados majoritariamente por São Paulo —, e Haddad transforma a vida dos motoristas num inferno.

Vamos mais longe. A Prefeitura, hoje, em vez de coibir os “batidões de periferia”, que destroem a tranquilidade de milhares de moradores pobres, decidiu regulamentá-los, porque, afinal, seus interlocutores são os promotores desses eventos, supostos representantes da “cultura da periferia” — coisa dos coxinhas vermelhos de classe média do complexo Pucusp.

Eis aí o homem que nos prometia o Arco do Futuro.

Supercoxinha
Nunca vi um prefeito eleito e em começo de mandato tão incensado pela imprensa paulistana como Haddad. De certo modo, ele era a cara e a expressão da esmagadora maioria dos jornalistas: esquerdista; oriundo da classe média alta; absolutamente ignorante sobre o que é a pobreza, vendo a periferia como um lugar de experimentações antropológicas. A gente lia as reportagens, e lá estava o homem prometendo que resolveria isso e aquilo…

Por isso eu o apelidei de “Supercoxinha”. Leitores chegaram a fazer charges, a meu convite, retratando a personagem. Numa entrevista concedida em abril do ano passado à jornalista Joyce Pascowitch, da revista “Poder”, ainda superpoderoso, travou-se o seguinte diálogo:

Joyce – Notório por suas críticas ao PT, o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, tem chamado você de Supercoxinha, como um sujeito bom moço que quer ser super-herói. Que acha disso?
Haddad - Ah, você não vai me perguntar dele, vai? [Irritado.] Não frequento o ambiente virtual dele. Ele é uma caricatura de jornalista, né? Mas acho que para a esquerda é funcional a existência dessa figura. Faz muito bem pro nosso projeto! As pessoas veem o quão patética é a alternativa nesse momento. É como o pastor Silas Malafaia. Os ataques dele à minha campanha foram tão ridículos que acabaram me ajudando.

Retomo
Em relação a mim, Haddad deveria ter feito como Santo Agostinho, preferindo a crítica que o corrige ao elogio que o corrompe (no sentido agostiniano, que não é corriqueiro na política). Mas ele fez o contrário.

Haddad, um ano e três meses depois dessa entrevista, é uma caricatura de prefeito.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 6:41

PT pretende reabilitar Haddad para ajudar Padilha. Então tá! Dou a maior força!

Então tá. Leio na Folha que o PT teve uma ideia para promover a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, que patina nos 3%: usar o tempo no horário eleitoral gratuito para tentar reabilitar a imagem do prefeito Fernando Haddad, hoje aprovado por apenas 17% dos paulistanos. Então tá bom! Vocês acham que me resta o quê? Dar o meu apoio integral, ora essa!

Então vamos ver.  Como está difícil emplacar o nome de Padilha, o partido decide se dedicar a uma tarefa dupla: tornar um conhecido e tirar o outro dos escombros. Avalia-se por lá que é o prefeito que impede o outro de decolar. Como cartões de visita da gestão Haddad, seriam oferecidos o programa “Braços Abertos” (o tal do Bolsa Crack); o bilhete único mensal, que, até agora, é um tiro n’água, e a Rede Hora Certa, no serviço de saúde, que funciona apenas em algumas unidades.

Dizer o quê? Parece que a candidatura vive o seu momento de desespero, não é? Considerando o que eu penso, os meus valores e as minhas expectativas, só posso torcer para que a figura de Padilha seja mesmo associada à de Fernando Haddad. Acho que o resultado dessa associação será positiva para o Estado, se é que vocês me entendem…

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2014

às 6:45

Só 17% aprovam a gestão de Haddad; é a voz da maioria dizendo o que pensa do prefeito que governa para uma minoria de militantes

AVALLIAÇÃO HADDAD

Na prancheta, Fernando Haddad, como prefeito de São Paulo, estava destinado a ser um dos grandes cabos eleitorais do candidato do PT ao governo do Estado — no caso, Alexandre Padilha, outro político de perfil igualmente coxinha, também inventado por Lula. Afinal, como confessou o ex-presidente, a sua intenção era iluminar este país com os postes que vai tirando da cachola. O tiro saiu pela culatra. Não convidem o eleitor e Haddad para um mesmo evento: o resultado é vaia na certa. Padilha já tentou grudar seu nome até ao de Paulo Maluf — que está, de mala e cuia, se mudando para a candidatura de Paulo Skaf, diga-se —, mas quer distância do prefeito de São Paulo, que hoje tira votos do PT. O Datafolha explica por quê.

Pesquisa realizada entre os dias 25 e 26 deste mês mostra que apenas 17% consideram a sua gestão ótima ou boa. Está no mesmo patamar de junho do ano passado (18%), mas um ponto abaixo, dentro da margem de erro. Os que consideram a gestão ruim ou péssima são 36% (40% há um ano). E os que a avaliam como regular são 44% (antes, 35%). Os que não sabem caíram de 13% para 3%. Os dados apontam que Haddad não se recuperou da derrocada iniciada com as manifestações de rua, há um ano. Seus números rivalizam com os piores momentos de Celso Pitta. A margem de erro desta pesquisa, que ouviu 1.101 pessoas, é de três pontos para mais ou para menos.

A pesquisa revela ao menos um dado curioso: aumentou de 74%, em setembro do ano passado, para 81% agora os que acham o trânsito na cidade ruim ou péssimo. Os que dizem que ele é ótimo ou bom caíram de 9% para 4%. Não obstante, 22% dizem que ele melhorou muito depois da introdução das faixas, e 42%, que melhorou um pouco. Convenham, esses números não são compatíveis entre si, mas são explicáveis: a faixa se tornou uma espécie de questão moral. As pessoas têm certo constrangimento de criticá-las e, quem sabe?, ser acusadas de inimigas dos pobres… Só 9% dizem que o trânsito piorou muito, e 6%, que piorou um pouco.

A péssima avaliação de Haddad é, antes de tudo, uma questão de justiça. Ele prometeu criar 150 km de corredores de ônibus. Até agora, nada. Os 36 km que estão em construção foram licitados na gestão Kassab. Anunciou a construção de 243 creches. Um ano e meio depois, entregou apenas 26, e há sete em obras. Vale dizer: já cumpriu 38% do mandato e entregou apenas 8,1% da promessa. Jurou de pés juntos que faria 20 CEUS — entregou só um, e há nove em andamento. Dez deles têm o terreno meramente escolhido. Na saúde, a coisa é mais dramática: ainda não se assentou um tijolo dos três hospitais anunciados. Das 43 UBSs, Haddad entregou só quatro, e há uma em obra. Fez-se também grande estardalhaço com a chamada “Rede Hora Certa” de atendimento; seriam 32 — há apenas seis unidades fixas e quatro móveis.

Haddad avançou nos projetos que não requerem recursos, como as faixas de ônibus — basta pintar a linha no chão e infernizar a vida dos motoristas: anunciou 150 km, e já há 337,3 km. Não por acaso, a população diz o óbvio: o trânsito piorou. O prefeito também foi célere no que não estava prometido: o programa “Braços Abertos”, por exemplo, aplicado na Cracolândia. Só que há um probleminha: na disputa eleitoral, ele anunciou uma ação de combate ao crack, e a Prefeitura fez justamente o contrário: entregou um pedaço do Centro da cidade a consumidores e traficantes e promoveu a legalização informal das drogas.

E olhem que, em razão da seca, Haddad não teve de enfrentar o principal demolidor de reputações de um prefeito em São Paulo: as enchentes. Acho, no entanto, que ele não terá mais essa moleza no futuro — não parece que voltaremos a ter tão cedo um ano como este no que diz respeito às chuvas.

Para encerrar, lembro que, dada a forma como Haddad conduz a Prefeitura, o que se vê é um prefeito refém dos sectários que não aceitam reajuste de ônibus, dos movimentos de supostos trabalhadores sem-teto e dos ongueiros que pretendem proclamar a República da Cracolândia. Essa gente ajudou a fazer a sua campanha e agora quer… governar! A esmagadora maioria dos paulistanos, que não se sente representada por esses extremistas, dá a sua opinião: Haddad é um dos piores prefeitos da história até aqui.

Texto publicado originalmente às 4h39
Por Reinaldo Azevedo

27/06/2014

às 6:25

O príncipe e o plebeu das ideias: Haddad transforma a degradação de São Paulo em ponto turístico. Ou – A confissão do secretário do prefeito: programa “Braços Abertos” ignora a lei e aceita a venda de crack. Pior: na prática, Prefeitura financia a operação

O príncipe e o servil plebeu das ideias; desnecessário explicar quem é quem

O príncipe e o servil plebeu das ideias; desnecessário explicar quem é quem

A nobreza europeia gosta de paisagens e países exóticos, uma herança, vá lá, cultural das duas grandes ondas colonialistas, a do século 16, que se fixou nas Américas e nas costas africanas, e a do século 19, que buscou o interior da África, com as potências fazendo a partilha formal das terras ignotas. O que está fora da Europa é o “outro”. Antes, imaginava-se que aqueles mundos estranhos pudessem ser civilizados; hoje em dia, com o triunfo do pensamento politicamente conveniente, que classificam, impropriamente, de “politicamente correto”, há um troço que eu chamaria de “tolerância antropológica”. Os europeus se divertem com os hábitos dos exóticos. Não pensem que isso é só virtude. O pai de Harry, por exemplo, o príncipe Charles, é um ecologista convicto. Está entre aqueles que acham que o nosso papel é conservar macacos e florestas, deixando a tecnologia para os europeus…

Mas não vou me perder no atalho. Não sou do tipo que se envergonha de ser brasileiro. Nem me orgulho. Indivíduos são indivíduos em qualquer parte. Há coisas no Brasil que adoro. Há outras que abomino. Mas também as haveria de um lado ou de outro se meu país fosse a Suécia. A cada vez, no entanto, que vejo autoridades brasileiras se orgulhando da nossa miséria, da nossa degradação, da nossa desgraça, sinto revirar o estômago de puro constrangimento. E foi precisamente essa a sensação que tive ao ler as várias reportagens sobre a visita de Harry à Cracolândia, em São Paulo, devidamente escoltado pelo prefeito Fernando Haddad, com seu ar de deslumbramento servil, depois de ter esperado pelo príncipe por longos 45 minutos.

O rapaz foi levado para conhecer o programa “Braços Abertos”. Ninguém poderia ter dado melhor definição do programa do que um de seus formuladores, o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto, um dos queridinhos de certa imprensa descolada. Ele resumiu assim o espírito da visita do príncipe à Cracolândia: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Ele é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto diz que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.

Sempre afirmei neste blog que o programa “Braços Abertos” era, na prática, uma ação coordenada de incentivo ao consumo de drogas. Talvez Harry tenha ficado mais espantado ainda ao saber que a Prefeitura garante o fluxo de dinheiro a uns 400 e poucos viciados, aos quais oferece moradia gratuita — em nome da dignidade, é claro! Quando foi informado, se é que foi, de que os dependentes não precisam se submeter a nenhuma forma de tratamento, deve ter pensado: “Como são estranhos esses brasileiros! Na Inglaterra, nós recuamos até das liberalidades que haviam sido criadas para o consumo de maconha”. Ao olhar a paisagem que o cercava, deve ter dado graças aos céus pelo vigilante trabalho dos conservadores de seu país.

Sim, senhores! Antes da visita do príncipe, a Cracolândia passou por uma rápida maquiagem, com lavagem das ruas, coleta de lixo, retirada do entulho que os zumbis vão largando por ali. Assim como deveríamos ter Copa o ano inteiro para que as autoridades fossem um tantinho menos incompetentes, a realeza europeia poderia nos visitar amiúde. As ruas seriam mais limpas, eu acho. Nem que fosse apenas para inglês ver.

O príncipe, o prefeito, seus auxiliares e os outros deslumbrados se foram — antes da hora prevista porque teve início um tumulto. Meia hora depois, os dependentes retornavam para o tal “fluxo”, aquele perambular contínuo marcado por consumo, tráfico, escambo, degradação pessoal, desordem pública… Um dos viciados sentenciou, informa o Estadão, pouco antes de ameaçar a reportagem com uma pedrada: “Venha quem vier, mas a Cracolândia sempre vai ser nossa”.

Eis o programa de combate ao crack que Haddad prometeu implementar na campanha eleitoral de 2012. Não sei quantos anos vai levar para a cidade se recuperar das consequências trágicas da gestão deste senhor. Para encerrar: em qualquer democracia do mundo, o Ministério Público — ou seu homólogo — levaria o prefeito Fernando Haddad e seu secretário de Segurança Urbana aos tribunais. Basta ler a Constituição. Basta ler o Código Penal. Basta ler a lei antidrogas. Quem responde por essa tragédia moral? Em primeiro lugar, os que a promovem. Em segundo lugar, os que, com o seu voto, puseram Haddad onde ele está.

Texto publicado originalmente às 2h52
Por Reinaldo Azevedo

19/06/2014

às 5:10

O feriado micado de Haddad: Há três anos cantei a bola. Leiam

Não é por nada, não, mas leiam trecho de um post que publiquei aqui no dia 20 de setembro de 2011, há quase três anos. Volto em seguida.

Miriam Belchior

Pois bem. Agora leiam trecho de reportagem da Folha. Volto em seguida:
Após sofrer derrota na Câmara que barrou o feriado na segunda-feira (23), o prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu que o rodízio de veículos nesse dia, para placas com finais 1 e 2, será das 7h às 20h. A lei que estabelece o rodízio na cidade não menciona horários. Porém, decreto de 1997 estipulou a restrição das 7h às 10h e das 17h às 20h de segunda a sexta-feira. A decisão é uma tentativa de evitar congestionamento como o da terça (17), quando a capital teve 302 km uma hora antes do jogo entre Brasil e México, em Fortaleza.

Na próxima segunda, além do jogo do Brasil contra Camarões, às 17h, em Brasília, haverá a volta do feriado e a partida entre Holanda e Chile no Itaquerão, às 13h. Além disso, às 15h, foi marcado um protesto na av. Paulista contra a tarifa de ônibus. O plano municipal inclui a ampliação do horário de funcionamento das faixas exclusivas de ônibus para todo o período diurno e para o início da noite, das 6h às 21h. “Todas as faixas ficam com uso restrito para ônibus e o rodízio também fica valendo para o dia todo”, afirmou o prefeito, segundo qual ainda será decretado na segunda ponto facultativo para todos os servidores municipais. A prefeitura fará também uma campanha nas rádios para estimular a população a dar carona, utilizar o transporte público e evitar deslocamentos sem necessidade.

O governo estadual também deve decretar ponto facultativo na segunda-feira, mas só no período da tarde. O metrô terá esquema especial de funcionamento, com o uso de mais trens. A base governista não conseguiu quórum para votar a lei que autorizava o prefeito a decretar feriados. Haddad chegou a convocar uma entrevista coletiva, confiante na vitória da proposta. O município havia entrado em contato com a liderança na Câmara e até com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), que sinalizou ser favorável ao feriado, apesar de os vereadores tucanos terem se posicionado contra. Com a manobra da oposição e a base aliada rachada, os petistas não conseguiram ter 28 vereadores para a votação em três sessões, mesmo com a presença de mais de 40 parlamentares. Entre as baixas na base, houve vereadores do PR, DEM, PTB, PMDB, PSD e PV, que normalmente votam com a bancada do prefeito.
(…)

Retomo
Haddad é mesmo um político encantador. Quando ele é contrariado, sai distribuindo punições. E tem especial predileção por prejudicar a vida dos motoristas. Por que os que tiveram, então, a má sorte de não circular na segunda vão ter o rodízio ampliado — de sorte que a lei deixará de ser isonômica? Ora, porque ele quer. É o jeito de manter esses motoristas em casa — não deixa de ser a sua versão do toque de recolher.

A única coisa que me consola é saber que, quanto mais Haddad é Haddad, mais os paulistanos sabem que o prefeito da cidade é… Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2014

às 19:39

Haddad tem uma diferença na comparação com “O Louco”, do Tarô: a imagem deste tem certo lirismo…

Sempre que penso no prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), eu me lembro desta carta do Tarô.

Louco

Não sou iniciado nesses arcanos. Sei lá se isso tem alguma leitura positiva. O fato é que ele vai, todo alegrinho, para o abismo. Só que há uma diferença fundamental. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, anunciou nesta quarta-feira o mais novo projeto de mobilidade urbana do prefeito Fernando Haddad (PT) para desafogar São Paulo: eliminar 40.000 vagas de estacionamento nas ruas para abrir faixas exclusivas para bicicletas em regiões de trânsito caótico no centro e em artérias da cidade – como a Avenida Paulista.

“Vamos tirar vagas dos carros para uma ocupação do espaço público pelas bicicletas. É uma mudança para valer na cidade. Se fosse fácil, já teriam feito”, afirmou Tatto, prevendo o óbvio: reclamações de motoristas e trânsito ainda pior na cidade. A medida custará 80 milhões de reais aos cofres públicos.

Em seu Plano de Metas, Haddad havia prometido abrir 400 quilômetros de vias “cicláveis” – ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas. Um projeto piloto está sendo implantado em um trecho de 1,6 quilômetro no centro de São Paulo.

Voltei
Sabem qual é a diferença essencial entre o “Louco” do Tarô e Haddad? Naquele, há um quê de lirismo. Em Haddad, não. O homem é viciado na arte de mandar, de reeducar na pancada, compreendem? A vida dos motoristas vai ficar ainda pior? O trânsito ficará ainda pior? Dane-se! Vá de bicicleta, ora!

Haddad tem a visão elitista da política própria dos intelectuais de esquerda — sim, ele é de esquerda, embora não seja um intelectual. Mas vive com a turma. Os socialistas do Alto de Pinheiros, os poetas do selim, vão achar a sua medida “o máximo”. Eles formam a vanguarda revolucionária do Supercoxinha.

O prefeito governa para as minorias, para os grupos de exceção. Por isso ele criou uma zona liberada para o consumo de drogas — isso não está na lei, mas é o efeito prático do tal programa “Braços Abertos”. Os “descoletes” acham que droga, como disse uma assessora da Prefeitura, é uma forma de sociabilidade, de lazer. E eles também são contra carros, o capitalismo, a sociedade industrial, essas coisas…

Haddad tem um compromisso com seus amiguinhos dessa vanguarda que não suja o shortinho.

E só para não deixar passar: Jilmar Tatto, secretário de Esportes, o amigão do tal deputado estadual Luiz Moura, acha que algo difícil de fazer é necessariamente bom. Segundo ele, se cortar 40 mil vagas de estacionamento fosse fácil, alguém já teria feito… Ah, bom! Isso é o que Stálin deve ter pensado quando decidiu esvaziar a Chechênia: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Ou quando decidiu expropriar toda a produção agrícola das repúblicas soviéticas, matando 30 milhões de fome: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Ou quando decidiu eliminar toda a elite revolucionária com os Processos de Moscou: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”.

No dia em que o prefeito houver por bem dependurar alguns motoristas pelo pescoço, em guindastes, em praça pública, à moda dos aiatolás iranianos, nós ouviremos um orgulhoso Tatto comentar: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Depois ele vai tomar um aperitivo com Luiz Moura.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2014

às 4:40

Deputado petista não explica o que fazia em reunião a que estavam presentes membros do PCC; Jilmar Tatto desconversa

Jilmar Tatto, o secretário petista que é aliado do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Jilmar Tatto, o secretário petista que é aliado do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Contei ontem aqui a encantadora história do deputado estadual do PT Luiz Moura. É aquele senhor que estava presente a uma reunião estourada pela polícia de pessoas que planejavam ataques a ônibus. Havia na turma nada menos de 13 membros do PCC. Entre eles, estava um dos homens que participaram do assalto ao Banco Central no Ceará, em 2005, de onde foram levados R$ 164,8 milhões.

A operação aconteceu em março, no auge dos ataques criminosos aos ônibus. A reunião ocorreu na sede de uma tal Transcooper, uma dita “cooperativa”, que tem autorização da Prefeitura para operar algumas linhas na cidade. A propósito: os ônibus que eram e são incendiados pertencem sempre às empresas tradicionais, nunca a essas “cooperativas”.

Muito bem! O deputado não quer saber de dar explicações. Disse que estava no local para tratar de assuntos dos cooperados e que não fala mais do assunto. Ocorre que 11 dos 13 membros do PCC não tinham ligação nenhuma com o empreendimento.

Já contei aqui que o deputado estadual petista Luiz Moura é um ex-presidiário. Foi preso por assaltos a mão armada e condenado a 12 anos. Acabou fugindo da cadeia. No tempo em que ficou foragido, este grande empreendedor construiu um patrimônio, acreditem, de R$ 5 milhões, com participação em uma empresa de ônibus e em postos de gasolina.

Seu poder no, digamos, transporte alternativo e no PT cresceu muito na gestão da petista Marta Suplicy, quando ajudou a organizar o serviço de vans. Seu irmão, Senival Moura, vereador do PT, criou um sindicato de perueiros. A dupla é aliada política de ninguém menos do que Jilmar Tatto, atual secretário de Transportes da cidade. Tatto é aquele senhor que chegou a acusar a PM de fazer corpo mole durante a greve violenta de parte dos motoristas e cobradores da capital.

Essas informações talvez ajudem a explicar algumas coisas. O próprio Tatto, e isto é público, fez do chamado “transporte alternativo” — perueiros e cooperativas de ônibus — uma espécie de curral eleitoral. A polícia investiga faz tempo a infiltração do PCC no setor. O dinheiro para a aquisição de veículos de algumas cooperativas teria origem na organização criminosa.

Tatto diz que as suas relações com seu notório aliado são apenas institucionais. A propósito: o secretário já forneceu à Polícia a lista das empresas e cooperativas que prestam serviços à Prefeitura? É com essa gente que Fernando Haddad, “o homem novo”, administra a cidade de São Paulo. Isso ajuda a explicar muita coisa.

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2014

às 22:23

Jilmar Tatto, secretário de Haddad, resolve jogar o caos da cidade nas costas da PM. Secretaria de Segurança responde. Então vamos lembrar quem é que tem, digamos, laços antigos com o setor de transportes

Jilmar Tatto, o secretário de Transportes da cidade de São Paulo, é um homem historicamente ligado ao setor. Ligado até demais. E já circularam informações de que essa ligação pode não ser exatamente virtuosa. Já chego lá. Nesta terça, diante do caos promovido por motoristas e cobradores em greve, que fecharam 15 terminais na cidade, levando a mobilidade ao colapso, ele resolveu achar um culpado. Sabem quem? A PM!!! Numa de suas declarações infelizes, acusou “passividade” da corporação. O que será que Tatto queria? Que os policiais militares assumissem pessoalmente a condução dos ônibus?

Afirmou o secretário:
“Acionamos a Polícia Militar para que ela cumpra uma decisão judicial de que, todas as vezes que tiver obstrução do ônibus, por se tratar de um serviço essencial, que ela possa agir. O que não pode é um serviço essencial ser paralisado sem avisar o usuário. De manhã, todos foram trabalhar usando o transporte público, e o usuário da cidade de São Paulo é muito dependente do transporte sobre pneus, e, durante o dia, foram surpreendidos sem ônibus para voltar para casa.”

A secretaria de Segurança Pública emitiu uma nota oficial em que responde com a devida dureza às críticas de Tatto. Leiam a íntegra. Volto em seguida.

A liminar a que se refere o secretário de Transportes do Município de São Paulo Jilmar Tatto foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, na última sexta-feira (16/05). Ainda que não tivesse sido, o secretário deveria saber que não interessa à opinião pública jogar sobre os cidadãos ou sobre outras esferas de governo uma responsabilidade que lhe é exclusiva. Suas declarações sobre a ação da polícia estadual em uma greve municipal são um escárnio. Não existe autoridade com maior proximidade com a complexa interação entre os transportes coletivos convencional e alternativo do que o Sr. Secretário Jilmar Tatto. Basta ao secretário, considerando sua experiência no assunto, fazer o seu trabalho, que é o de negociar. A Polícia Militar de São Paulo trabalha em conjunto com o prefeito Fernando Haddad, com quem tem uma excelente relação, sempre que acionada e dentro de suas atribuições.

Se ainda valesse, a liminar mencionada pelo secretário Jilmar Tatto não tinha como objeto obrigar policiais, que nem habilitação compatível para dirigir ônibus possuem, a conduzir os coletivos para desobstruir as vias. Na ocasião, a liminar foi concedida para que as manifestações de rua não obstruíssem a circulação dos ônibus. A solução legal, óbvia e legítima tem que vir da autoridade de trânsito — do qual o secretário Jilmar Tatto é chefe —, por meio de guinchos e motoristas ou servidores que possam remover os ônibus. A Polícia Militar reforçou o policiamento nos terminais e locais de grande concentração de pessoas, inclusive para garantir o trabalho de remoção.

Secretaria da Segurança Pública

Retomo
Resposta muito bem dada, não é? Afinal, terei eu de lembrar que Jilmar Tatto tem dois aliados importantes que são, digamos assim, ligados à área de transporte? Um é o deputado estadual Luiz Moura, um ex-presidiário que não cumpriu os 12 anos a que estava condenado porque se tornou um fugitivo. Hoje, é deputado petista. Outro é Senival Moura, vereador, também do partido, irmão de Luiz.

O agora deputado estadual se fez líder dos perueiros, uma área que a família Tatto conhece muito bem. Sempre me lembro de uma reportagem publicada pela VEJA em junho de 2006. Segue em azul. E paro por aqui. Por enquanto. Suspeito, no entanto, que esse assunto ainda vai render.
*
Sempre se soube que uma das principais fontes de renda do PCC, organização criminosa formada por presos e ex-presos das cadeias paulistas, era o mercado de lotações – ou de peruas, como são genericamente chamados os microônibus e as vans que circulam por São Paulo como uma alternativa ao transporte público coletivo. O PCC não só domina parte das linhas do sistema como também extorque cooperativas que, sem ligação com ele, operam no setor. Há três semanas, a polícia prendeu Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam, uma das principais cooperativas de perueiros da capital paulista, suspeita de ligação com a organização criminosa. Conhecido como “Pandora”, o perueiro é acusado de ter financiado, com dinheiro de lotações, uma tentativa frustrada de resgate de preso de uma cadeia de Santo André (região do ABC paulista), em março passado. Detido, ele negou pertencer ao crime organizado, mas admitiu a infiltração do PCC no setor perueiro e disse que foi por ordem de Jilmar Tatto, ex-secretário de Transportes da prefeita Marta Suplicy, que sua cooperativa incorporou integrantes da organização criminosa. As duas afirmações, graves, constam do depoimento que Pandora deu formalmente à polícia. Uma terceira informação, porém, ainda mais grave, ficou de fora do inquérito. Ela foi dada por Pandora ao delegado Marcelo Fortunato, que o prendeu. Segundo disse o presidente da Cooper Pam, o ex-secretário de Marta recebeu 500.000 reais para favorecer um grupo de perueiros ligados ao PCC no processo de licitação para a exploração da região sul da capital. Tatto, candidato a deputado federal pelo PT, teve a prisão preventiva pedida pelo delegado, mas a Justiça ainda não apreciou o pedido. Pandora foi solto na quinta-feira (15), depois de passar dez dias preso.

Ele e Jilmar Tatto são velhos amigos – conhecem-se desde a infância. O perueiro, que nasceu em uma favela do bairro de Capela do Socorro (região sul da capital), costumava jogar bola com Tatto e seus irmãos, que moravam no mesmo bairro. Adultos, os dois mantiveram a amizade. A nomeação de Tatto como secretário de Transportes da gestão Marta coincidiu com a ascensão de Pandora no mercado perueiro. Ele, que começou trabalhando como motorista em Guarulhos, tornou-se uma liderança no setor. O padrão de vida que ostenta hoje faz supor que ser presidente de cooperativa de perueiros é um negocião. Pandora dirige um Golf blindado, anda acompanhado por cinco seguranças e mora em um condomínio de luxo à beira da Represa de Guarapiranga, equipado com um intricado sistema de segurança, dois campos de futebol, três quadras poliesportivas e lagos para pesca e prática de esportes náuticos. Era lá que, antes de ser preso, ele e Tatto jogavam peladas e faziam churrascos nos fins de semana.

Até a gestão de Celso Pitta, os perueiros rodavam clandestinamente em São Paulo. Foram legalizados na administração de Marta Suplicy. Na ocasião, os motoristas interessados em trabalhar de forma oficial foram orientados a se organizar em consórcios. A prefeitura dividiu a cidade em oito regiões e coube a Tatto, então secretário de Transportes, coordenar o processo de licitação que distribuiu os lotes. Foi pouco antes disso que o PCC se infiltrou no setor. Presos recém-saídos da cadeia viram no mercado de lotações uma alternativa de trabalho promissora. A notícia de que surgia, nas periferias da cidade, um comércio com alto giro de dinheiro vivo logo chegou aos presídios. De lá, integrantes do PCC passaram a associar-se a líderes das cooperativas. Hoje, a organização criminosa está presente em linhas que cobrem, principalmente, as regiões sul e leste da capital.

Na semana passada, por meio de nota distribuída à imprensa, Jilmar Tatto negou que tenha envolvimento com o PCC ou com cooperativas ligadas ao crime organizado. Para ele, seu pedido de prisão tem “cunho político”. Homem de confiança de Marta Suplicy, Tatto foi também secretário de Abastecimento, de Implementação de Subprefeituras e de Governo da ex-prefeita. Seria o seu coordenador de campanha caso Marta tivesse obtido o apoio do partido para disputar o governo de São Paulo. Jilmar Tatto é o penúltimo filho de uma família de dez irmãos – cinco dos quais têm ou tiveram cargos importantes no PT. Arselino Tatto, um dos mais velhos, também foi peça-chave para a administração de Marta em São Paulo. Ele presidiu a Câmara dos Vereadores em 2003 e 2004 e foi, juntamente com Jilmar, responsável pelos acordos feitos com vereadores para a votação de projetos prioritários para a gestão da petista (aquela que, suspeita o Ministério Público, inaugurou a moda do mensalão – distribuição de propina em troca de apoio político). Juntos, Arselino e Jilmar Tatto também respondem por quinze acusações de fraudes e irregularidades administrativas, todas igualmente sob investigação no Ministério Público.

Ao ser solto, no último dia 15, Pandora, cabisbaixo, disse aos policiais ter certeza de que será morto pelo PCC. Seria queima de arquivo. Ele é peça fundamental na investigação que se inicia agora e que representa o primeiro passo para abrir a milionária caixa-preta que é o mercado de lotações de São Paulo, cujo faturamento anual chega a 900 milhões de reais. Saber até que ponto ele já se tornou uma espécie de braço legal do PCC – e, sobretudo, quais são as forças que acobertam essa ligação – será o principal desafio da polícia.

Encerro
Se Tatto perdeu o contato com a área de transportes, talvez possa pedir ajuda aos irmãos Moura. Quem sabe eles conheçam uma turma de bambas que possa contribuir para pôr fim à crise. 

Por Reinaldo Azevedo

18/05/2014

às 19:22

Haddad agora vai demitir viciado em crack que não trabalhar. É mesmo, é? Não me digam!!!

Cercadinhos de Haddad: estruturas já foram retiradas da Cracolândia pelos próprios viciados

Cercadinhos de Haddad: estruturas já foram retiradas da Cracolândia pelos próprios viciados

E não é que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, decidiu que os viciados em crack contratados pela Prefeitura que não comparecerem ao trabalho serão desligados do programa “Braços Abertos”!? Se bem se lembram, trata-se daquela literalmente estupefaciente iniciativa que garante a um grupo de viciados emprego, salário, casa e comida. E sem exigir deles nada em troca! Não são obrigados a se submeter a tratamento. E, creiam, não se cobrava nem mesmo a frequência ao trabalho. Como a remuneração é feita por dia — R$ 15 por quatro horas —, pagam-se as jornadas “trabalhadas” e fim de papo.

Ora, aconteceu o óbvio: boa parte dos beneficiários não dá as caras e só se aproveita de uma parte do programa: a que garante casa e comida. A renda que conseguem, para financiar o vício, deriva de alguns bicos que fazem e de pequenos delitos. Trabalhar pra quê?

Leitores, prestem atenção: governantes existem não apenas para corrigir problemas, mas também e sobretudo para se antecipar a eles. Ou por que precisaríamos manter a pesada máquina estatal? E eis, então, que se revela um dos principais defeitos da gestão de Haddad: ele está sempre atrasado em relação ao óbvio. Ou por outra: o óbvio chega antes, e ele vem depois.

Quando o petista lançou o tal “Braços Abertos”, escrevi aqui aqui um longo texto apontando suas sete grandes imposturas:
1: O programa de emprego para viciados atingia quase 400 viciados, e se estima em 2 mil o número de frequentadores da Cracolândia;
2: o programa “Braços Abertos” atendia (?) apenas os viciados que resolveram criar uma favela no meio da rua;
3: decidiu-se premiar com trabalho, salário, casa e comida quem ocupou o espaço público na marra para manter o seu vício; os benefícios são superiores aos pagos pelo Bolsa Família;
4: os viciados receberiam benefícios, mas não seriam obrigados a se tratar nem a trabalhar;
5: os viciados têm renda, oriunda ou do trabalho informal ou de práticas criminosas; o dinheiro da Prefeitura seria um suplemento que estimularia o consumo de drogas;
6: se a Prefeitura fornece casa e comida a drogados que criam favelas no passeio público, por que não fazer o mesmo com quem não é viciado?;
7: o Prefeito escolheu o caminho mais fácil e mais barato: financiar o vício em vez de combatê-lo.

Digam-me: era ou não evidente que a iniciativa daria com os burros n’água? Como é que um programa que remunera viciados, sem exigir deles nada em troca, que os sitia numa área em que a polícia não entra, garantindo-lhes casa e comida, pode ambicionar ser de “combate ao crack”? Ao contrário: trata-se de um programa que estimula o consumo.

A última trapalhada do Prefeito na região se deu com as tais grades. A Prefeitura decidiu instalá-las para tentar delimitar o espaço ocupado pelos viciados e pelos traficantes, abrindo caminho, tanto quanto possível, para o cidadão comum poder transitar por lá, já que existem moradores naquela área da região central. Não adiantou! Os ongueiros viciados em viciados protestaram; os líderes — Santo Deus! — dos frequentadores da Cracolândia não gostaram, e as tais grades foram retiradas pelos próprios consumidores de crack, que se transformaram no verdadeiro poder público por ali.

Na campanha eleitoral, Haddad prometeu que daria à Cracolândia uma resposta inovadora. Não se pode acusá-lo de ter traído esse propósito, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

16/05/2014

às 18:07

Escolas de SP acabam com “O Dia das Mães” e instituem o “Dia dos Cuidadores”. Viva o fim da família, prefeito Fernando Haddad!

Pois é, pois é… Recebi na Jovem Pan a informação de um pai indignado, morador de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Na semana passada, as instituições públicas de ensino em que seus filhos estudam deixaram de comemorar o tradicional “Dia das Mães” para celebrar o inovador “Dia de quem cuida mim”.

O jovem pai, de 27 anos, tem dois filhos matriculados na rede municipal de ensino. O mais velho, de 5 anos, é aluno da EMEI Cecília Meireles, e o mais novo, de 3 anos, do CEI Monteiro Lobato, de administração indireta.

Ele afirma que conversou com a coordenadora pedagógica da EMEI e sugeriu que fossem mantidas as datas do “Dia dos Pais” e do “Dia das Mães”, além de incorporar ao calendário esse tal “Dia de quem cuida de mim”. Ele acha que essa, sim, seria uma medida inclusiva e não preconceituosa. A resposta que recebeu dessa coordenadora pedagógica foi a seguinte: “A família tradicional não existe mais”.

Isso quer dizer que, segundo a moça, família com pai, mãe e filhos acabou. É coisa do passado.

O produtor Bob Furya foi apurar. Tudo confirmado. A assistente de direção da Escola Municipal de Ensino Infantil Cecília Meireles afirmou que a iniciativa de criar “o dia de quem cuida de mim” partiu de reuniões do Conselho Escolar, do qual participam pais e professores e de reuniões pedagógicas entre os docentes.

O pai garante que não participou de consulta nenhuma. Ele assegura, ainda, ser um pai presente. E parece ser mesmo verdade. Para a escola, o fato de se criar “o dia de quem cuida de mim” permite a crianças órfãs, criadas por parentes ou por casais homossexuais que não se sintam excluídas em datas como o “Dia das Mães” ou o “Dia dos Pais”. Para esse pai, no entanto, trata-se do desrespeito à “instituição da família”.

Em nota, afirma a Secretaria de Educação: “Hoje em dia, a família é composta por diferentes núcleos de convívio e, por isso, algumas escolas da Rede Municipal de Ensino decidiram transformar o tradicional Dia dos Pais e das Mães no Dia de quem cuida de mim.”

Não dá! Você que me lê. Pegue o registro de nascimento do seu filho. Ele tem pai? Ele tem mãe? Ou ele tem, agora, cuidadores?

Qual é a função da escola? É aproximar os pais, não afastá-los. O que é? A escola pública vai agora decretar a extinção do pai? A extinção da mãe? A democracia prevê o respeito às minorias. Querem integrar os pais homossexuais? Muito bem! Os avôs? Muito bem! Extinguir, no entanto, a figura do pai e da mãe, transformando-os em cuidadores é uma ideia moralmente criminosa.

Nessas horas, sei bem o que dizem: “Ah, lá estão os conservadores…”. Não se trata de conservadorismo ou de progressismo. Todo mundo sabe que boa parte das tragédias sociais e individuais tem origem em famílias desestruturadas.

Uma pergunta: declarar o fim da família tradicional é o novo objetivo da gestão de Fernando Haddad?

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2014

às 16:55

Haddad e o cercadinho: o bom gerente de um dos círculos do inferno

A situação diz respeito a São Paulo, mas o tema é de interesse de todo o Brasil, para que não se repitam os mesmos erros. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, resolveu implementar um programa absurdo de suposto combate ao crack. Eu sempre considerei, diga-se, que se trata de um conjunto de ações que, a despeito de suas intenções, incentiva o consumo da droga.

O prefeito decidiu contratar viciados para o trabalho de zeladoria na região da chamada Cracolândia. Eles recebem, semanalmente, R$ 15 por dia trabalhado. Não são obrigados a se submeter a tratamento nenhum e ainda têm direito a moradia em hotéis da região, administrados por uma ONG. O nome do programa é Braços Abertos. Só se for braços abertos para as drogas.

Aconteceu o óbvio: com mais dinheiro circulando, o preço da droga subiu e, acreditem, a qualidade média caiu, já que os que têm menos recursos ficam com o produto mais barato, com ainda mais impurezas, o que acarreta efeitos ainda mais nefastos para a saúde.

Haddad, com o apoio de setores da imprensa, transformou a Cracolândia numa área onde a polícia não entra. Virou território livre da droga. Resultado: muitas outras centenas de viciados migraram para lá e passaram a ocupar, definitivamente, o passeio público. Não há mais como transitar por ali sem ser um deles. Os moradores dessa parte da região central estão ilhados e viram evaporar o seu patrimônio.

Agora os iluminados do prefeito tiveram uma outra ideia: instalar cercadinhos onde os traficantes e usuários possam ficar, abrindo, ao menos, a possibilidade de pessoas comuns transitarem por ali. O prefeito explica: “Nós organizamos o território para que não haja obstrução. As pessoas têm o direito de transitar. Às vezes quando você toma uma medida causa uma reação até as pessoas compreenderem. Quando verificarem que é para melhor [a medida], vão acolher a sugestão. Agora, se houver uma outra proposta estaremos abertos. Tudo ali está sendo pactuado”.

Entenderam? A grade significa mais um passo rumo à oficialização da Cracolândia como o território livre da droga. Dentro dele, tudo é permitido, menos a dignidade. “Organizar território”, assim, na expressão do prefeito, significa entregá-lo aos traficantes e consumidores de drogas. E o estupefaciente, leitores, é que há ongueiros reclamando de discriminação, entenderam? Eles querem aquela região definitivamente privatizada pelo narcotráfico.

Parabéns, Haddad! O senhor se tornou um gerente muito dedicado de um dos círculos do inferno. São Paulo continua, agora, à espera de um prefeito.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2014

às 19:38

Na Haddadolândia, traficante de crack tem crachá e uniforme da Prefeitura e usa os hotéis pagos com dinheiro público para fornecer pedras aos viciados. Parabéns, Supercoxinha!

A Cracolândia, ou Haddadolância — como passei a chamar o território livre para o tráfico e o consumo de drogas em São Paulo, criado e agora financiado pela gestão de Fernando Haddad —, é um crime moral (e desconfio que em sentido estrito também) cometido a muitas mãos. E boa parte da imprensa as tem sujas também, é bom deixar claro, porque defende um programa delinquente. Peço que vocês assistam a este vídeo veiculado pelo “SBT Brasil”, apresentado por Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade. Volto em seguida.

Então vamos lá:
1: traficante usa crachá da Prefeitura e se finge de consumidor;
2: o acesso aos hotéis em que moram os viciados é livre;
3: o preço da pedra sobe às sextas, quando a Prefeitura faz o pagamento aos viciados contratados, que não são obrigados a se tratar;
4: o tráfico é feito à luz do dia; não teme nada nem ninguém.

Nota-se o esforço da reportagem e dos próprios âncoras para, digamos assim, compreender a natureza do programa da Prefeitura. Mas será que ele tem salvação? É evidente que não!

Desde que o programa “Braços Abertos” foi criado, alertei aqui — e outros também o fizeram — que só mentalidades perturbadas tomariam as seguintes providências:
a: criariam hotéis exclusivos para viciados;
b: aumentariam a quantidade de dinheiro circulante entre eles;
c: ofereceriam benefícios sem exigir nada em troca;
d: tornariam o tratamento volitivo.

O resultado seria um só: a região, que já estava mergulhada no inferno, viraria um paraíso para os traficantes de drogas. E foi o que aconteceu. Eles circulam livremente pelas ruas e pelos hotéis, agora em absoluta segurança. Atenção! Eu já acho a chamada “política de redução de danos” um escandaloso equívoco técnico. Mas isso que faz a Prefeitura petista é outra coisa: trata-se de incentivo a uma atividade criminosa. Nem o “socialista” Haddad consegue extinguir as leis do mercado.

Quando o Denarc resolveu prender um traficante na Cracolândia, vocês se lembram a gritaria da Prefeitura, especialmente de Haddad e de seu, digamos assim, secretário da Segurança Urbana, Roberto Porto, um rapaz que tem amigos poderosos na imprensa, mas que não consegue disfarçar nem assim sua escandalosa incompetência. Faz a linha “coxinha voluntarioso”, a exemplo de seu chefe.

A Haddadolândia, aliás, é um bom exemplo de área em que a droga é legalizada. Se vocês querem saber como fica a coisa, passem por lá. Ali é a terra sonhada por alguns idiotas fantasiados de libertários: já não há pecado nem perdão.

A verdade insofismável é que a Prefeitura de São Paulo passou a ser a financiadora indireta do tráfico de crack em São Paulo. Não só isso: ao transformar aquela área numa zona livre para a venda e o consumo de drogas, passou a fornecer também a segurança com a qual os traficantes sempre sonharam para exercer a sua atividade.

O conjunto da obra é de uma arreganhada imoralidade. Vamos ver quantas gerações serão necessárias para que São Paulo se livre de um desastre chamado Fernando Haddad, a mais perversa das criaturas inventadas por Lula.

E ele já tem outra na manga do colete: Alexandre Padilha — aquele cujo ministério assina convênio com laboratório de fachada, especializado em lavar dinheiro.

Não votei em Haddad, é óbvio. Mesmo assim, fico um tanto envergonhado. Afinal, ele é prefeito da cidade em que moro. Sempre que me lembro disso, é como se eu não tivesse me esforçado o bastante para que não acontecesse.

Sei de onde vem esse sentimento… Até algumas pessoas que votaram nele achavam que seria um mau prefeito. Mas nem os adversários mais convictos imaginaram que pudesse ser tão ruim.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2014

às 6:25

Haddad joga movimento de autointitulados sem-teto contra os vereadores. A ruindade deste senhor ainda vai virar tese universitária!

O prefeito Fernando Haddad não se emenda. Não tem jeito. Ele parece desconhecer o bê-á-bá da civilidade, que se pauta pelo respeito às leis, pela independência entre os Poderes, pela observância das normas democraticamente pactuadas.

Ontem, mais uma vez, movimentos de sem-teto infernizaram a vida da cidade de São Paulo. Na liderança, o tal MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Se trabalham, parece que resolveram faltar.

O que fez Haddad? Poderia, por exemplo, ter recebido uma comissão para negociar. Mas ele estava a fim, como diz a meninada, de “causar”. Desceu de seu gabinete e decidiu subir no caminhão de som dos autointitulados sem-teto. E sabem o que ele fez? Disse que atenderia à reivindicação que eles faziam se a Câmara dos Vereadores aprovar o Plano Diretor. Ou por outra: o prefeito usou o MTST para chantagear e pressionar os vereadores.

E qual era a reivindicação da turma? Que uma área invadida, de preservação ambiental, chamada Nova Palestina, seja destinada oficialmente a moradias. Há um decreto do ex-prefeito Gilberto Kassab que transforma o imenso terreno num parque. Haddad disse que revogaria o texto se os vereadores aprovassem o Plano Diretor. Ora, o que fizeram os sem-teto? Aplaudiram o valente e se dirigiram imediatamente para a Câmara dos Vereadores.

O próprio Haddad entendia que a área, vizinha à represa Guarapiranga e ainda coberta por um trecho de mata atlântica nativa, deveria ser destinada à preservação ambiental. Mas sabem como é… A popularidade do homem está em baixa. Em algum lugar, ele tem de se encostar. E a ordem do PT é se reaproximar o máximo possível dos ditos movimentos sociais.

Assim, vejam que fabuloso: nesta quarta-feira, o senhor Fernando Haddad disse ao MTST que causar severos transtornos na cidade por nove horas vale a pena e merece compensação; estimulou que novas áreas de preservação ambiental sejam invadidas e ainda jogou os manifestantes contra os vereadores.

A ruindade deste senhor à frente da Prefeitura de São Paulo, estou certo, ainda será matéria de curiosidade científica; ainda será estudada nas universidades; ainda renderá teses de doutorado.

Já escrevi aqui mais de uma vez que eventuais confrontos dos movimentos de sem-teto com Haddad são meramente episódicos. Eles são aliados. Ter a PT à frente do Poder Executivo, em qualquer esfera, municipal, estadual ou federal, significa ter o Poder Público refém dos movimentos dos sem-alguma coisa: sem-teto, sem-terra, sem-isso, sem-aquilo. A reivindicação é legítima. Paralisar a cidade para impor uma pauta de reivindicações, não. Mas Haddad, como se vê, estimula a bagunça.

Por Reinaldo Azevedo

12/02/2014

às 4:04

Depois de cortar lápis, caneta e caderno dos paulistanos pobres, Supercoxinha difama uma parte da população da cidade, que seria “pobre de espírito”

Supercoxinha - João Carlos

Agora entendi por que a cidade de São Paulo está assim. Agora entendi por que Fernando Haddad é, provavelmente, o prefeito mais impopular da história com 14 meses de poder. Ele não gosta dos paulistanos. Intimamente, deve estar arrependido da escolha que fez. Estava feliz lá no Ministério da Educação, a maior fábrica de factoides do governo petista. Aí Lula inventou que ele era um bom produto eleitoral. O paulistano bem que resistiu o quanto pôde, mas acabou caindo na conversa. E aí está o homem.

Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito de São Paulo deixou claro que considera a elite da cidade mal educada — e, segundo entendi, ele se dispõe a educá-la. Para Haddad, os paulistanos da elite são “pobres de espírito”. Disse ainda que é uma gente “míope” e que faz carga no Congresso contra a renegociação da dívida.

Santo Deus! Quem decidiu que não levaria adiante o projeto para renegociar a dívida dos estados e municípios foi a presidente Dilma Rousseff, que é do mesmo partido de Haddad. Ela tem a maior base congressual da história. Se não tocou o projeto adiante, é porque não quer ou não acha bom. O que a tal elite paulistana tem com isso?

Haddad deveria dizer a quem se refere, dar os nomes, não é mesmo? O prefeito de São Paulo tentou aplicar um reajuste escorchante do IPTU. Deu com os burros n’água. Duas ações na Justiça acabaram prosperando, e o aumento foi suspenso. Uma é do PSDB; a outra foi movida pela Fiesp, presidida por Paulo Skaf, que é do PMDB, o principal partido de apoio à presidente Dilma. Por que, então, este corajoso Haddad não tromba com Skaf? Porque é politicamente covarde. Eis a resposta.

A verdade é que Haddad já está com o saco cheio de São Paulo. Saibam: um bom prefeito pode até passar por incompetente se tiver contra ele um partido como o PT e a imprensa. Acontece. Mas o contrário é muito difícil: é pouco provável que um incompetente passe por bom prefeito. E Haddad é de uma incompetência assombrosa.

Há dias, este gênio da política e do marketing houve por bem diminuir de 41 para 22 os itens do material escolar que a Prefeitura distribui a seus alunos. Cortou dos pobres caneta, lápis e caderno. Seu secretário de Educação tentou explicar: as donas de casa estariam fazendo lista de supermercado com os cadernos. Entendi. Pobre não sabe usar adequadamente essas coisas.

No Ministério da Educação, era fácil mover os tanques e fingir que alguma coisa estava acontecendo. Em 2012, como fruto da gestão Haddad, o analfabetismo voltou a crescer na comparação com o ano anterior. Foi a primeira vez que isso se deu em 15 anos. Analfabetos são as pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. A taxa era de 8,6% em 2011 e passou para 8,7% em 2012. Parece pouco? Isso significa 300 mil analfabetos a mais. No exame do Pisa, o Brasil obteve o 58º  lugar numa lista de 65 países. Mas é possível que até ele acreditasse na cascata de Lula de que era o “melhor ministro da educação que este país já teve”.

Na Prefeitura, o estoque de truques é muito menor. Saliva não tapa buraco de rua. Saliva não aumenta o número de ônibus nos corredores. Saliva não desobstrui o tráfego. Saliva não faz uniforme chegar no prazo. Saliva não melhora o atendimento à saúde. Saliva não constrói creche.

Com o saco cheio de ser prefeito, Haddad decidiu agora atacar os paulistanos.

Ah, sim: ele disse, no entanto, que a capital paulista tem potencial para ser uma Xangai, numa referência à megacidade chinesa. Essa é, aliás, a nova metáfora predileta dos petistas. Alexandre Padilha, que será candidato do PT ao governo, já se saiu com essa, referindo-se ao estado. Aliás, estae é a outra grande ideia do Apedeuta, agora oferecida aos paulistas. A exemplo de Haddad, Padilha também se candidata prometendo mundos sem fundos. Brasil e mundo afora, prefeitos defendem a população das respectivas cidades que administram porque estão sempre pleiteando benefícios para elas seja de outras esferas de governo, seja de instituições multilaterais de crédito. Haddad, o “homem novo”, age de modo diferente. Ele difama uma parcela dos paulistanos.

Por Reinaldo Azevedo
 

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