Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

08/10/2014

às 4:54

Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros

Um dos meus humoristas prediletos é Fernando Haddad. Ainda que ele me faça rir de escárnio e que não seja esse um sentimento tão nobre. Ele e a imprensa biciclopetista continuam a toda, confiantes nas pesquisas que indicam que 80% dos paulistanos apoiam o ciclofaixismo, ainda que sejam tão poucos os “ciclofascistas” da cidade… Aprovação, é? Ainda descobriremos que a margem de erro era de 80 pontos para mais ou para menos… Que bom! Assim não será preciso explicar o erro, né?, à diferença do que ocorre com as pesquisas eleitorais.

Será que eu sou contra faixas exclusivas para bicicletas? Eu não! Nem eu nem as pessoas que responderam aos pesquisadores. Eu sou contra é a forma como o ciclomaníaco faz as coisas. O que temos em São Paulo não é uma ciclovia, como todo mundo sabe; tampouco é uma ciclofaixa. O que o populismo de minoria do senhor prefeito faz é sair por aí a pintar de vermelho um pedaço de rua. Vejam estas fotos feitas por minha mulher, com um celular, na Alameda Barros, em Santa Cecília.

foto 4

foto 3

foto 2 (1)

Graças a Deus e ao bom senso, também ali as ciclofaixas estão desertas! Ou ofereceriam risco de vida. Eis aí um assunto que deveria interessar ao Ministério Público. Vejam as imagens: a tinta vermelha passa pelos buracos; há pelotas de cimento na pista, o meio-fio, que serve de referência, está todo danificado. Reitero: o prefeito não está nem aí. Nem mesmo se ocupou de criar faixas de bicicleta que fossem ao menos transitáveis. E ele não o fez por dois motivos:

a: porque não há bicicletas;
b: porque ele está interessado em mostrar serviço. Algum serviço, qualquer um…

Ao fim de dois anos de gestão, pensem bem: o que resta a saudar — e a saldar (com “ele” mesmo) — na sua gestão? Não será conhecido por seus avanços na educação, na saúde, na moradia, no planejamento urbano, nada… Por mais que conte com o apoio do jornalismo biciclopetista e com colunistas amestrados desta e de outras cidades, o povo insiste em divergir. “Ah, mas a aprovação dele está aumentando…” É mesmo?

Vejam o mapa da votação de Dilma Rousseff e Aécio Neves na cidade de São Paulo.

voto cidade de São Paulo

O azul tomou o Centro, o Centro expandido e avançou para as quatro zonas geográficas da cidade. O vermelho foi banido da Zona Norte e ainda resiste nos extremos das outras três regiões. Aécio venceu em 43 das 58 zonas eleitorais da cidade, e Alckmin bateu Padilha em 54 delas. O presidenciável tucano obteve 43,69% dos votos válidos; Dilma ficou com 26,08%, e Marina, com 23,94%. Eu não sei se os tucanos são gratos a Fernando Haddad por sua obra. Eu sou. Obrigado, prefeito! Ah, sim: nesses extremos em que o petismo resiste, não há ciclofaixas, embora haja bicicletas. Que prefeito curioso! É que a imprensa biclopetista não frequenta a periferia… Prefere falar em nome do povo e do novo, mas em Higienópolis, Moema, Alto de Pinheiros, Vila Nova Conceição…

Aliás, intuo que a ruindade de Haddad contaminou os municípios do entorno também, já que moradores de cidades vizinhas transitam pela capital. Vejam o desempenho de Dilma e Aécio na região.

Mapa votação grande são paulo

Mas o prefeito segue firme — tomara que não mude mesmo, se é que me entendem. E agora promete ciclofaixas em 12 pontes sobre o Rio Pinheiros. Segundo ele, só os “conservadores” reclamam. Eu não sabia que a última palavra em matéria de progressismo é fazer ciclofaixas para ciclistas que não existem. É isso aí, prefeito! Não dê bola para os conservadores. O senhor precisa mostrar serviço. Se só restou pintar um pedaço da rua de vermelho, fazer o quê? Tinta nela! E o povo que fale nas urnas.

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 16:39

Não me digam que o “171” está falando mal de mim… Haddad, trabalho de jagunços não me intimida!

Mandam-me aqui um texto publicado em um site conhecido como “171” — é claro que eu não tinha lido e não passei das primeiras linhas — me esculhambando por causa das ciclofaixas de Fernando Haddad, o maníaco.

É lindo ver o texto com o logotipo da Caixa Econômica Federal ao lado. A turma era patrocinada também pela Prefeitura de São Paulo até outro dia. Passada a eleição, o “patrocínio” volta.

Esse trabalho de jagunço nunca me intimidou nem me intimida, viu, prefeito? Jagunço, como vocês sabem, não tem querer. Cumpre a vontade de quem paga.

A turma do “171” é maníaca por mim. Já foi maníaca a favor. O Poderoso Chefão de lá vivia me cobrindo de elogios em e-mails pessoais e me convidando para um café. Eu os tenho aqui guardados. Era antipetista fanático, e o partido dizia que era capacho de Daniel Dantas. Nunca lhe dei o prazer nem de um aperto de mão porque nunca fui capacho de… Daniel Dantas. Entenderam? Agora estou na lista daqueles que ele é pago para odiar. Para elogiar, cobra mais caro.

Lixo.

Alguém dirá: “Ih, se a turma deles perder a eleição, esse tipo de subjornalismo fica na pior”. Entendam uma coisa: isso não é ideologia, é caixa. Se o eventual novo poder pagar, a turma continua governista. É a mais antiga profissão do mundo. Gente desse ramo recebe para fazer o cliente se sentir satisfeito.

A propósito: hoje, faltam 832 para os paulistanos se livrarem de Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

21/09/2014

às 8:33

HADDAD E AS CICLOFAIXAS: A PARTIR DE HOJE, O PREFEITO FICARÁ AINDA MAIS DOIDO. OU: ODORICO PARAGUAÇU E A IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE

Vejam esta foto. Já explico.

foto (38)

Lá vou eu, mais uma vez, dedicar um pouco do meu tempo à gestão de Fernando Odorico Haddad Paraguaçu.

Escrevi ontem um post criticando a pretensão do prefeito Fernando Haddad (PT) de conceder desconto de IPTU para empresas que criarem bicicletários. Eu o publiquei, como se pode ver, às 6h01. Quando fui deitar, ainda não havia recebido a edição da VEJA. Acordo, tomo café, leio a revista e constato que há uma reportagem sobre as ciclofaixas. Segundo o texto, que reconhece algumas dificuldades no programa em curso na cidade de São Paulo, trata-se de uma tendência irreversível.

Abro a área de comentários do blog, e havia uma enxurrada de provocações — certamente, uma intervenção organizada — especulando sobre a diferença entre a minha opinião e a da VEJA. A “Al Qaeda eletrônica”, como defino a canalha, se dividia em três abordagens:

a: eu teria escrito um post para tentar desmoralizar a reportagem da revista, o que, obviamente, me faz candidato à guilhotina;
b: a VEJA é que teria produzido uma reportagem para desmoralizar o que penso a respeito, o que também me põe no caminho da lâmina no pescoço;
c: depois da reportagem, é claro que vou mudar de opinião porque, afinal, escrevo o que me mandam escrever.

Vamos ver.
a: ainda que eu quisesse, não teria como contestar uma reportagem cuja existência eu desconhecia;
b: a VEJA tem mais o que fazer do que contestar minhas opiniões;
c: se e quando a revista quiser cortar a minha cabeça, não será por causa das ciclofaixas. Temos diferenças de pensamento em assuntos muito mais relevantes.

Essa patrulha ainda é expressão da boçalidade da era petista. A boa notícia é que ela está em declínio, com ou sem a reeleição de Dilma. Estamos vivendo o fim de um ciclo: da economia, da política e até da estupidez — isso não quer dizer, claro!, que não possa vir à luz uma estupidez nova. OK… A alternância de poder, ainda que da burrice, já é um alento. Adiante.

Se a VEJA e eu pensássemos rigorosamente a mesma coisa, que sentido faria o site da revista hospedar o meu blog? Nem me dedico a um levantamento exaustivo. De imediato, lembro-me de que expressamos pontos de vista divergentes sobre aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias, ciclofaixas, manifestações de junho, aquecimento global etc. O site da revista não me contratou para escrever o que ela pensa. Fui contratado para escrever o que eu penso. Às vezes, há coincidência; às vezes, não.

Os idiotas que resolveram invadir a área de comentários com quatro patas — e não com duas rodas — são incapazes de compreender o espírito da imprensa livre e independente. Essa gente, que ou vende a sua opinião ou entrega a sua alma a um partido, imagina que todos agem do mesmo modo. Podem tirar o cavalo da chuva. Ainda não foi desta vez. VEJA e eu estamos mais juntos do que nunca no propósito de assegurar a liberdade de pensamento e de concordar em discordar. Escravos voluntários não se conformam que isso possa existir.

Pesquisas
Tanto a pesquisa encomendada pela ONG petista Rede Nossa São Paulo (esse “nossa” quer dizer “deles”) como a do Datafolha apontam que uma ampla maioria dos paulistanos é favorável às ciclofaixas. Que bom! Eu também sou! Como era — e continuo — favorável às faixas exclusivas de ônibus.

Com a devida vênia, há pesquisas que não precisam ser feitas. Indagar “Você é a favor ou contra a implantação de ciclovias em São Paulo?” já traz, em si, a resposta. É evidente que a esmagadora maioria das pessoas vai dizer que é favorável — 80%, segundo o Datafolha (70% no caso da faixa na Paulista).

Proponho outras questões cuja resposta já conheço:
1: você é a favor da igualdade ou contra?;
2: você é a favor da justiça ou contra?;
3: você é a favor do uso de imóveis hoje fechados para moradia ou contra?

Quase ninguém é contra o bem, o belo e o justo, não é mesmo? A questão é saber como eles serão alcançados. Ser favorável à igualdade, à justiça e à democratização da propriedade não faz dessa alma generosa um militante stalinista, por exemplo, ou um fã do Guilherme Boulos, o coxinha vermelho.

O meu ponto
É evidente que quase ninguém se opõe a que existam faixas exclusivas para bicicletas. Havendo espaço, por mim, que até os discos voadores tenham seus campos de pouso. A minha crítica se deve à forma como o prefeito implementa a proposta, na base da porrada, sem planejamento nenhum, na correria, para mostrar algum serviço, confinando os carros, demonizando os motoristas, tornando ainda mais caótico o trânsito da cidade.

Pior: as ciclofaixas se transformaram numa espécie de culto religioso dos “descolados” que circulam pelo centro expandido da cidade. É escandaloso que o programa comece justamente onde as bicicletas não estão — daí as pistas vazias, desertas — em vez de ser testado onde elas estão: na periferia.

Ocorre que a ideia fixa de Haddad nunca pretendeu criar uma alternativa de transporte. O propósito é outro: educar espíritos, compreendem? Ele está menos empenhado em melhorar as condições de mobilidade — elas pioraram — do que em converter as almas e inaugurar uma nova era. Ele não quer fazer da bicicleta um meio a mais de transporte: ele quer fazer uma “revolução” e produzir derrotados. Como tudo o mais, na sua gestão, dará errado — cadê o Arco do Futuro, prefeito, com aquela maravilhosa maquete? —, quer deixar as ciclofaixas como herança.

Odorico Paraguaçu
Haddad é o Odorico Paraguaçu da bicicleta. Muitos hão de se lembrar do prefeito de Sucupira, de “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Os mais jovens terão de fazer uma pesquisa. O grande projeto do homem era criar um cemitério na cidade. Criou. Só que não morria ninguém para que ele pudesse inaugurá-lo. Então ele resolve dar um jeito: contratar um jagunço para produzir um cadáver que justificasse a sua obra.

Assim faz Haddad. Ele criou as ciclofaixas, mas só 3% dos entrevistados pelo Datafolha admitem usá-las regularmente. Então ele quer dar um jeitinho: isenção de IPTU para empresas que criarem biciletários e reserva de espaço nos ônibus para as bicicletas. Mas onde colocá-las? Ora, no espaço destinado a idosos e deficientes.

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

Odorico (Paulo Gracindo) contratou Zeca Diabo (Lima Duarte) para produzir o cadáver que inauguraria o cemitério

A partir desta segunda, o prefeito estará ainda mais doidão. Segundo o Datafolha, em dois meses, caiu de 47% para 28% os que avaliam a gestão do prefeito como ruim ou péssima; os que a veem como regular subiram de 37% para 44%, e saltaram de 15% para 22% os que dizem ser ela boa ou ótima. Será tudo por causa da ciclofaixa? Pois é… O próprio prefeito não encontraria outra explicação, porque não teria como ver os próprios méritos na saúde, na educação, na zeladoria, no planejamento urbano…

Uma coisa é certa: o marketing de Haddad se tornou bem mais agressivo. Há até militantes disfarçados de jornalistas fazendo perguntas em entrevistas coletivas para satanizar os críticos de suas propostas (encerrarei este post com esse assunto).

Agora a foto
E aquela foto lá no alto? Tirei no começo desta madrugada. O buraco que vocês veem está na ciclofaixa que passa na Praça Vilaboim, em Higienópolis. O dito-cujo está lá há mais de ano. É enorme — comparem com o tamanho daqueles “tachões” que delimitam a pista exclusiva para bicicletas. Reparem no detalhe: os tarados da ideia fixa nem se ocuparam de tapar o rombo. Meteram a faixa amarela por cima — o que poria em risco até a segurança de ciclistas se eles existissem. Mais: a rua é relativamente íngreme. Para subi-la de bicicleta, é preciso ter certo condicionamento físico. “Ah, mas em Amsterdã…” Em Amsterdã e em várias outras cidades, as ciclovias são um suplemento, uma opção, uma oferta, uma generosidade. Não foram criadas hostilizando motoristas e piorando a mobilidade.

“Ah, mas 80% dos paulistanos são favoráveis…” Espero que cheguem a 100%. Ainda tenho a ambição de ser, em algum momento, aquele ser estatisticamente desprezível, que desaparece nos arredondamentos, mas que, ainda assim, fala o que pensa.

Segundo o prefeito Fernando Haddad, gente como eu quer evitar o futuro. Segundo gente como eu, o prefeito Fernando Haddad é só um Odorico Paraguaçu que está doido para inaugurar o seu cemitério. E nada é mais velho do que isso.

Para encerrar, duas observações
1: ainda voltarei à ONG Rede Nossa São Paulo. Sinto vergonha alheia quando penso nela. Direi por quê.

2: o prefeito e seus tentáculos se dispensem de tentar patrulhar a minha opinião onde quer que seja. Não dou a menor bola. Só me animo mais. É feio recorrer a falsos jornalistas em entrevistas coletivas. Os blogs sujos não bastam?

PS: Prefeito, tenha ao menos a decência de mandar varrer as ciclofaixas. Estão virando depósito de lixo. Com o apoio de 80%. Oitenta por cento que não recolhem a sujeira.

Ah, sim: eu também sou favorável às ciclofaixas, tá, pessoal? Eu me oponho é à picaretagem e ao cinismo que se veem naquela foto.

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Odorico Paraguaçu, disfarçado de Fernando Haddad, tendo ideias para inviabilizar SP

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2014

às 14:01

Hora de Haddad entrar de cabeça na campanha de Dilma. Será show!

Agora que sei que foi do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a ideia de demonizar o Itaú para atingir Marina Silva e que esse rasgo de genialidade decorreu de uma tarefa que lhe passou Dilma, espero o quê? Que o prefeito entre para valer na campanha da presidente. Noto a ausência do alcaide no horário eleitoral gratuito do PT.

Afinal, Dilma foi à TV emprestar seu apoio a ele em 2012. Chegou a hora da reciprocidade. Se a presidente achava que Haddad seria bom para nós, eu agora acho que ele é bom para ela…

Dilma pode aproveitar e anunciar a construção de uma ciclofaixa na BR-101, ligando o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

Não será usada por ninguém. Mas a ideia é essa. Apenas uma grande faixa vermelha preenchida pelo nada.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:31

Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad

Escrevi ontem aqui que a pancadaria promovida por supostos sem-teto numa reintegração de posse no Centro da cidade de São Paulo não passava de ação partidária. Uma franja ligada ao PT resolveu promover o quebra-quebra na esperança, sei lá, de criar um fato eleitoral. Essa gente ainda não se deu conta de que a baderna tira, não dá, votos. O confronto com a Polícia Militar foi promovido pela Frente de Luta por Moradia (FLM), um movimento ligado ao partido, que pertence a um “coletivo”, como eles dizem, intitulado “Central de Movimentos Populares” (CMP), que é também mero esbirro do petismo. Gosto de demonstrar o que afirmo.

Na reportagem do Jornal Nacional, por exemplo, eis que dou de cara com o senhor Raimundo Bonfim, apresentado como coordenador da CMP. 

Raimundo Bonfim - JN

Sim, eu me lembrava dele. Escrevi sobre este bravo no dia 14 de agosto de 2013. Ele pretendia liderar, então, um protesto contra o governo Geraldo Alckmin, que estava sendo convocado pela página do PT na Assembleia Legislativa. Só isso? Não!

Além de coordenador da tal central, o homem é advogado e, atenção!, funcionário da Liderança do PT na Assembleia, com salário, no ano passado, de R$ 11.380. É isso mesmo o que você entendeu, leitor amigo: é você quem paga a boa vida do sr. Bonfim para que ele ajude a promover o caos.

Na campanha eleitoral de 2012, ele fez caminhada ao lado do então candidato Fernando Haddad, conforme se pode ver abaixo, e posou para fotos com a bandeira do PT. Não é e nunca foi um sem-teto. Trata-se apenas de um militante profissional.

bonfim com haddad

Bonfim PT

Haddad é grato a toda essa gente, que detém cotas na distribuição de moradias populares na cidade. Um dos coordenadores da FLM, que promoveu a bagunça nesta terça, Osmar Silva Borges, ganhou cargo na Prefeitura: virou assessor da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), com salário mensal de R$ 5.538,55. Não foi o único. Também Vera Eunice, coordenadora da Associação dos Trabalhadores Sem-Teto da Zona Noroeste, recebeu uma boquinha na empresa, com salário de R$ 5.516,55. Ou por outra: o grupo que protagonizou as cenas lamentáveis de violência e vandalismo é poder na cidade administrada por Haddad.

Fiquei ainda bastante encantado ou ler e ouvir o depoimento de Juliana Avanci, advogada dos invasores. Contra todas as evidências, contra tudo o que mostravam as TVs, ao vivo; contra todos os fatos, ela afirmou que a Polícia é que deu início ao confronto. A doutora seria apenas membro de uma ONG, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos. Apresenta-se simplesmente como uma defensora da causa, sem vínculos com os companheiros.

Pois é… O nome dela está num manifesto de “juristas e advogados” em apoio, então, à candidatura de Haddad à Prefeitura. Ela certamente sabia que o petista, se eleito, faria uma gestão simpática à companheirada e à causa, não é mesmo? E que se note: no hotel invadido e depois desocupado, a polícia encontrou 12 coquetéis molotov.

O que me incomoda nessa gente toda é menos o conteúdo do pensamento, por mais que eu considere lamentável, do que a hipocrisia. Admitam, então, que se trata de uma ação de caráter partidário e que eles avaliam que o caos lhes interessa. Ontem, sustentei aqui que os baderneiros de São Paulo eram apenas os braços operacionais de uma forma de entender o poder, aquela mesma que Lula havia expressado no dia anterior naquela pantomima autoritária e ridícula em frente à sede da Petrobras.

As evidências estão aí.

Por Reinaldo Azevedo

17/09/2014

às 3:25

Quem disse que Haddad só presta para fazer ciclofaixas? Ele também é capaz de ter ideias sórdidas. Ou: Quando a competência só não é menor do que a lealdade

Quem disse que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, não serve pra nada, além de espalhar ciclovias cidade afora e transformar a vida dos paulistanos num inferno? Não! Ele pode ser muito útil! A repórter Natuza Neri informa na Folha de hoje que foi dele a ideia — “oh, que grande sacada!” — de colar o nome de Marina Silva, do PSB, ao Itaú.

A história é a seguinte. Dilma andava irritada com o prefeito — que não seguiu a sua orientação e insistiu em reajustar a tarifa de ônibus no ano passado; depois recuou —, e ele, chateado com ela, que não se esforçou para aprovar no Congresso leis que poderiam diminuir a dívida da capital paulista.

Mas os dois se encontraram para lavar uma roupinha suja. E Haddad saiu com a tarefa de ouvir grupos de eleitores, sem que estes soubessem que, do outro lado do espelho, estava o alcaide. E foi num desses encontros que alguém se declarou decepcionado com Marina porque esta “trabalharia para o Itaú”. Pronto! O prefeito achou a sacada do balacobaco, levou para João Santana, e o resto é história. Ah, sim: a presidente achou a ideia bacana e voltou às boas com o prefeito.

Nota: em 2012, Neca Setubal, que virou o alvo preferencial dos petistas, apoiou a candidatura de… Haddad!!! E os petistas não a chamavam, então, de “banqueira”.

O prefeito demonstra, assim, que sua competência só não é menor do que sua lealdade.

Por Reinaldo Azevedo

09/09/2014

às 16:07

Uma ciclofaixa de Haddad, o “faixista” da bicicleta

Thaís Vieira, ouvinte do programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan — todos os dias, entre 18h e 19h —, me envia a foto abaixo, feita com um celular.

 ciclofaixa

O que vocês veem ali é a ciclovia da avenida Vereador Abel Ferreira, perto do shopping Anália Franco, há muitos dias tomada pelo lixo. Pois é… Assim como a natureza, a sociedade também rejeita o vácuo, não é? Como não há bicicletas para corresponder aos delírios do prefeito, esses espaços vão sendo ocupados por coisas das mais diversas naturezas.

Haddad é mesmo um prefeito e tanto. Ele se faz presente confiscando um pedaço da cidade e entregando-o para ninguém. Mas não manda recolher o lixo.

 

 

Por Reinaldo Azevedo

05/09/2014

às 20:21

CADÊ O MINISTÉRIO PÚBLICO? Ou: As “crianças do crack” de Fernando Haddad, o lunático inexperiente e arrogante

Pois é… Mais cedo publiquei uma reportagem que está na VEJA.com, sobre crianças que convivem com seus pais, em condições degradantes, nos hotéis da chamada Cracolândia. Eu me sinto de algum modo envergonhado de a cidade em que moro ter como prefeito Fernando Haddad, do PT. É como se me coubesse fazer alguma coisa para conter um doido, um tirano, um autocrata. Tinha sentimento parecido quando adolescente, ali pelos 15 anos, quando achei que a mim também cabia a tarefa de derrubar a ditadura. As circunstâncias, hoje, é claro!, são outras. Hoje, a gente vive uma espécie de ditadura de opinião. A esmagadora maioria da imprensa é favorável à descriminação das drogas. Jornalistas, com raras exceções, consideram essa ideia “progressista”. E todas as teses que são ao menos parentes dela parecem boas.

O programa “Braços Abertos”, implementado pelo prefeito Fernando Haddad, é um escândalo moral em si, independentemente da opinião que se tenha sobre a descriminação ou legalização das drogas. Se o sujeito, a exemplo deste escriba, é contra e defende a aplicação da lei que está aí, constitui crime uma instância pública, ainda que de forma oblíqua, financiar o consumo e tolerar o tráfico, criando facilidades para que se crie uma “cidade do crack”. Se o indivíduo entende que consumir ou não é só uma questão individual, que a ninguém mais interessa, então que sentido faz o Estado atuar na reparação dos danos provocados pelo vício? Ou se vai partir do princípio amoral de que, na hora do prazer, cada um cuide de si, dividindo com terceiros apenas os prejuízos?

Em que país do mundo existe um programa de suposta “redução de danos” do consumo de drogas que financia moradia para viciados com dinheiro público, reunindo-os todos num único ambiente, protegidos de qualquer forma de censura ou de parâmetro sociais, entregues aos próprios delírios? Em que país do mundo o Estado garante o fluxo de dinheiro da atividade sob o pretexto de que está promovendo a integração dos viciados?

Ora, pais e mães que se tornam viciados migram para a Cracolândia com suas crianças; dependentes químicos se reproduzem. Aliás, a droga, qualquer pessoa que estuda o assunto sabe, elimina censuras, limites e interditos. Com frequência, mulheres se prostituem para conseguir a pedra, sem recorrer a nenhuma forma de proteção. Era só uma questão de tempo para que os hotéis de Haddad passassem a abrigar as crianças. Era fatal que acontecesse.

A cidade de São Paulo está servindo de balão de ensaio a um indivíduo lunático, inexperiente e arrogante. Basta ver a sua obsessão com as ciclovias. Quanto mais estúpida a sua escolha se mostra, mais ele insiste.

Os crimes que se cometem na Cracolândia pertencem à esfera das ações públicas incondicionadas. Cabe ao Ministério Público tomar as devidas providências para chamar as autoridades às suas responsabilidades. Eu absolutamente não me surpreendo que, hoje (leiam post), crianças convivam com viciados, sujeitas a todo tipo de violência, nos pardieiros financiados pelo ilustríssimo prefeito.

Eu sinto, já disse, uma enorme, uma profunda, uma devastadora vergonha. E faço o que me cabe fazer como jornalista: denuncio a impostura e a vigarice intelectual que está na raiz da tese que deu à luz o programa “Braços Abertos”.

Para arrematar, lembro que, não faz tempo, Haddad levou o príncipe Harry para conhecer a sua grande obra, as suas “crianças do crack”.

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2014

às 15:10

Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Ou: Ainda faltam 851 dias para a gente se livrar dele!

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Haddad num momento de euforia com a grande gestão que faz em SP

Ainda faltam 851 dias para São Paulo se libertar de Fernando Haddad. Poderiam ser apenas 850, mas 2016 é ano bissexto, e o alcaide nos deve mais esta: tomou um dia mais da nossa liberdade.  Haverá festa, estou certo. Uma alegria incontida há de tomar as ruas quando ele der as costas. Depois, começará o trabalho de reconstrução, ver o que sobrou da terra arrasada. Não será um trabalho fácil.

Na sexta, a rua Albuquerque Lins, caminho para a estação Marechal Deodoro, do metrô, estava congestionada, como sempre, inclusive com os carros comprados em razão da redução do IPI concedida pelos governos petistas de Lula e Dilma — uma medida correta, diga-se. Até governantes do PT podem acertar, como um relógio parado. Adiante.

Eis que, nesta segunda, a Albuquerque Lins amanheceu assim:

foto (33)

 

foto (32)

Sim, o Selvagem da Bicicleta meteu uma ciclovia numa rua já famosa em Higienópolis e na Santa Cecília pelos engarrafamentos. Ela cruza a avenida Marechal Deodoro, que corre sob o Minhocão, com permissão para conversão à direita e à esquerda. Nos horários de pico, antes da faixa exclusiva para bicicleta, o quiproquó já era frequente. Impacientes, alguns motoristas forçam a tentativa de entrar na via principal, o trânsito colapsa, e tudo para. Com a ciclovia, será o inferno.

Fiz as duas fotos com celular por volta das 17h, antes de o pior acontecer. Vejam lá: não há bicicletas descendo, não há bicicletas subindo… O que se vê são os carros parados, em fila única.

A presidente Dilma me lê? Contaram-me que sim. Os magos do Palácio não conseguiram vetar a minha página. Eis aí, Soberana! A senhora não entende por que é tão alta a rejeição a seu nome em São Paulo, especialmente na capital? Lula não entende por que não consegue emplacar Alexandre Padilha?

Perguntem a Fernando Haddad, o “Selvagem da Bicicleta”. Esse é apenas um dos malefícios de sua gestão na cidade. No dia em que este senhor deixar a Prefeitura, imaginem quanta área hoje inútil será liberada para o trânsito! Haja tinta preta para cobrir seus desmandos vermelhos!

Por Reinaldo Azevedo

28/08/2014

às 15:51

Cidade de São Paulo: as veias abertas do petismo. Ou: As ideias fixas de Haddad que transformam a cidade num inferno

Vejam esta foto, que me foi enviada por um leitor. Já explico.

ciclovias

Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.” É Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Melhor um cisco no olho, um grânulo, um estrepe… Melhor um incômodo dessa ordem do que ser vítima de uma ideia fixa… É o que me ocorre quando penso nas ciclovias do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Que fique o alerta para os cidadãos do Brasil inteiro. Que fique o alerta para os prefeitos do Brasil inteiro. Não permitam que suas respectivas cidades caiam reféns de uma minoria organizada, que, como escreveu o próprio Machado, sempre hasteia sua bandeira particular à sombra da grande bandeira. No caso de São Paulo, a flâmula maior é a do petismo; as mesquinhas, de minorias radicalizadas, sob ela se abrigam e nos impõem a ditadura de seu gosto.

Haddad está determinado a criar 400 km de ciclovias na cidade até o fim de seu mandato, ao custo de R$ 80 milhões. Está há dois anos no poder. Boa parte dos paulistanos tem a sensação de que já são 200! As faixas vermelhas, a cor internacional desse tipo de pista, se espalham cidade afora, estrangulando o espaço dos carros, diminuindo a área de escape das motos — que hoje ajudam a movimentar a economia —, aumentando os congestionamentos, atrapalhando a vida de pedestres, criando severas perturbações no comércio. Há um clima de revolta em consideráveis setores da cidade. Não obstante, o prefeito, consta, aposta nas ciclovias para reverter a sua impopularidade. Fernando Haddad lembra o homem com a corda no pescoço que se mexe freneticamente para se livrar do incômodo. Quanto mais esperneia, mais terra lhe falta sob os pés, e mais a corda o constrange, até matá-lo. A diferença, nesse caso, é que uma cidade de milhões de pessoas padece com ele.

E por que ele age assim? Porque a grande bandeira de Haddad, o tal Arco do Futuro, ficou no passado. Nunca foi nada além de propaganda para caçar votos. Então sobraram as pequenas bandeiras, a das minorias aboletadas na Prefeitura. À Folha de S.Paulo, o prefeito afirmou: “É um programa de saúde, de esporte, de mobilidade, que dialoga com muitas demandas da sociedade”. É mesmo? Demanda de quem, santo Deus? Olhem, paulistanos, para as vastas solidões das ciclovias, que permanecem lá, vazias, com o seu vermelhão a cortar áreas da cidade, como veias abertas da estupidez e do autoritarismo. Não ocorre ao senhor prefeito que percorrer longos percursos de bicicleta requer, antes de tudo, certas condições físicas, o que restringe essa opção de transporte — se fosse realmente uma opção; não é — a uma faixa etária da população. A escolha é, antes de mais nada, autoritária, discriminatória. Uma coisa é a construção de ciclovias como um espaço suplementar para a circulação, a exemplo do que existe em algumas cidades do mundo. Outra, distinta, como se faz em São Paulo, é o estrangulamento da área de circulação da maioria em benefício de uma minoria.

O vermelho é a cor internacional das ciclovias. Mas é também a cor oficial do PT. Que cada morador de São Paulo jamais se esqueça, ao passar ao lado de uma delas, que o partido administrou a cidade e deixou uma herança.

A foto
Vejam a foto lá do alto. Haddad decidiu meter uma ciclovia na rua Boa Vista, na região central. Não circula nela uma viva alma sobre duas rodas. A área se tornou espaço para o estacionamento de carrinhos de catadores de lixo reciclável, os correspondentes contemporâneos do que Machado chamaria, a seu tempo, “almocreves”.

As ciclovias não são a única ideia fixa do prefeito. Ele tem outras: como fornecer recursos a viciados em crack para que alimentem o seu vício em… crack. É assim que traduzo o programa “Braços Abertos”. Está em curso a criação de uma nova área na cidade, no Parque D. Pedro II, em que se repetirão os erros cometidos na chamada Cracolândia.

Haddad, caros leitores, pagará o preço político por suas ideias fixas. O diabo é que a cidade pagará um preço ainda maior por suas obsessões.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2014

às 4:37

Haddad e Boulos se comportam como donos de SP; prefeito cede uma área da cidade para o MTST e manda às favas milhares que aguardam na fila à espera de casa. Não governa para os paulistanos, mas para os militantes do coxinha de esquerda e para os radicais-chiques da imprensa

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Boulos (de camiseta vermelha) e Haddad (de paletó) em companhia de Dilma: a dupla de coxinhas de esquerda privatizou SP

Se alguém tinha alguma dúvida de que Guilherme Boulos, o tal líder do MTST, é apenas um braço do petismo e opera em parceria com o prefeito da cidade, Fernando Haddad (PT), a dúvida agora desapareceu. O prefeito sancionou a lei que destina a área conhecida como “Copa do Povo” a moradias populares. Até aí, vá lá… Mas ele fez mais do que isso: ao vetar dois dispositivos da lei, entregou o terreno de 150 mil metros quadrados, de mão beijada, a Boulos e a seus comandados. Assim, as pessoas já cadastradas e que estão na fila à espera de moradia na cidade de São Paulo que se danem! Elas que fiquem mofando! A turma do Coxinha Radical tem a preferência.

Faz sentido. Boulos e Haddad, a rigor, são expressões aparentemente distintas, mas só aparentemente!,  da mesma pessoa. Eles são um tipo social. Ambos vêm da classe média alta, julgam-se intelectuais e se dizem socialistas. Um decidiu ser, digamos assim, mais institucional e vestir terninho; o outro parte para a ação direta e faz o estilo molambento-pensador. Em comum, parecem nutrir um profundo ódio pelas pessoas que decidem se comportar segundo as regras do regime democrático. Ambos dão sinais de que odeiam a cidade de São Paulo e os paulistanos.

O busílis é o seguinte. Havia sido aprovada uma lei pela Câmara, com o apoio da base aliada de Haddad, diga-se, que destinava, sim, a tal área, que fica a três quilômetros do Itaquerão, a moradias populares. Mas havia nela um dispositivo: as casas construídas estariam vinculadas à “demanda cadastrada” pela Secretaria de Habitação em bairros próximos. Vale dizer: teria a primazia quem se inscreveu primeiro. Mais: se recebesse edificações do “Minha Casa Minha Vida”, que é federal, ou do Casa Paulistana (que é estadual), o projeto tinha de passar pela aprovação do Conselho Municipal de Habitação. O prefeito vetou os dois dispositivos.

Haddad dá, assim, um golpe até nos vereadores de sua base que negociaram a proposta. Como é uma região industrial, só era possível construir no local uma vez a área do terreno. O prefeito liberou edifícios de até 28 metros, com construção equivalente a quatro vezes a área. Assim, poderão ser erguidas ali, em tese ao menos, as duas mil moradias reivindicadas pelo MTST.

A Prefeitura, cinicamente, nega que a fila esteja sendo furada porque, segundo diz, “não há brecha para isso”, já que os programas federal e estadual têm suas próprias regras. E daí? As casas do MTST vão ser construídas por quem? Ainda que se viabilize algum outro projeto, deixou-se de destinar um terreno àqueles dois programas; se acabar, como acredito que aconteça, sendo servido por um deles, é evidente que a fila foi, sim, furada.

Boulos, como é de seu estilo, deu de ombros. Não está nem aí. Ignorando os milhares de pessoas inscritas nos dois programas, diz que essa tal “fila é mistificada e usada politicamente pelos vereadores”. Como a gente sabe, o único com direito de fazer política é ele próprio, justamente o que não foi eleito por ninguém.

Alguém ainda quer saber por que Fernando Haddad é rejeitado por 47% dos paulistanos? Pois é… Este senhor não governa para os moradores da cidade. O que ele faz é atender à sua clientela de militantes dos ditos movimentos sociais e de radicais-chiques da imprensa. Haddad é o prefeito dos sem-teto — mas apenas dos sem-teto de Boulos — e dos sem-ciclovia, com suas magrelas descoladas e seus capacetes inteligentes e caros.

Haddad é, em suma, a soma da mistificação socialista com a metafísica do selim.

Por Reinaldo Azevedo

01/08/2014

às 17:56

Alô, Semanário de Xiririca da Serra! Haddad está concedendo entrevistas exclusivas!

O prefeito Fernando Haddad, pelo visto, também acha que tem muitas explicações a dar. Enquanto escrevo este post, lá está ele em mais uma entrevista na TV. Se o Semanário de Xiririca da Serra quiser, ele concede uma exclusiva. Nunca vi uma, como diz a turma que lida com a marquetologia, “operação de mídia” como essa.

No mais das vezes, tome bola levantada na rede para que ele demonstre como está mudando a cultura da cidade — ainda que as pessoas não tenham percebido. Os eleitores pensavam estar elegendo um prefeito, mas estavam ungindo um, como ele acha de si, “revolucionário”.

Haddad está convicto de que as pessoas querem uma “revolução”, mas sem mudar nada. Quem quer a “revolução” e qual o seu conteúdo, isso não está muito claro, não. Parece que, por enquanto, a mudança consiste em bagunçar o coreto de todo mundo. A felicidade vem depois. É uma espécie de máxima das esquerdas: a construção do novo homem e do futuro passa por algumas dificuldades objetivas, como sofrimento e mortes. Mas um dia vem a salvação.

Então tá. Aló, Semanário de Xiririca da Serra! Há prefeito querendo dar entrevista exclusiva. O PT precisa disso para tentar diminuir a rejeição de Haddad e, assim, ver se alavanca a candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. A ordem é de Lula.

Por Reinaldo Azevedo

23/07/2014

às 2:42

Haddad privatizou o programa de moradia e o entregou aos movimentos de sem-teto: é uma variante de fascismo, não de democracia representativa

Já discordei de modo muito duro do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, do Ministério Público Estadual. Quem recorrer ao arquivo do meu blog vai constatar isso. Na verdade, eu nem concordo com indivíduos nem discordo deles. Debato as suas ideias. E pode acontecer, como se dá agora, de eu concordar com pessoas cujas escolhas já critiquei. A que me refiro? O promotor assina uma representação, anexada ao inquérito que investiga o financiamento habitacional na cidade de São Paulo, em que recomenda que os repasses para a capital paulista do programa federal “Minha Casa Minha Vida”, por ora, sejam suspensos. Por quê?

Ribeiro Lopes acusa, o que me parece mais do que evidente, a Prefeitura de privilegiar, na distribuição das casas, os tais movimentos de sem-teto, em especial o MTST, comandado pelo militante-celebridade Guilherme Boulos. Segundo a acusação, a Prefeitura mantém um cadastro secreto para poder privilegiar os grupos que promovem invasões.

O promotor está certíssimo! Vocês sabem que já apontei aqui o que chamei de privatização do espaço público e de programas sociais, que são custeados por todos os brasileiros. Com absoluta propriedade, o promotor afirma sobre o programa habitacional na cidade de São Paulo: “A finalidade é dar atendimento privilegiado. O sujeito que trabalha em dois empregos não tem tempo para ficar dormindo em ocupações oportunistas. Essa pessoa está alijada dos programas habitacionais e condenada a pagar aluguel para o resto da vida. Os beneficiários vão ser sempre os protegidos do movimento”. E vai além: “A Prefeitura está atuando não mais no varejo, mas no atacado. É evidente que há um reflexo político; negar essa influência é hipocrisia”.

Na mosca! Não só há um reflexo político como o privilégio garantido a esses grupos já é consequência de afinidades eletivas. Esses movimentos todos, sem exceção, participaram ativamente da campanha eleitoral de Haddad em 2012. Logo, o que a Prefeitura do PT está fazendo é usar o dinheiro público para beneficiar militantes afinados com o partido.

Nessa luta, só perdem os pacíficos, os que acatam as regras da democracia, os que não são vinculados a aparelho partidário nenhum e precisam ganhar a vida com o suor de seu rosto. O que se dá com o MTST, por exemplo, é uma vergonha sem precedentes. O movimento impõe no berro a sua vontade e atravessa, sem cerimônia, a fila dos que aguardam há anos por uma casa. Pior: a Câmara dos Vereadores, covardemente, decidiu legalizar uma invasão promovida pelo grupo. Logo, o movimento do sr. Boulos e congêneres se colocam como donos do poder público. Na invasão de um terreno do Morumbi, constatou a imprensa, nem mesmo havia famílias no local, só barracas. Dizer que Fernando Haddad é refém desses movimentos não chega a ser correto. Ele é, de fato, parceiro da turma.

O promotor comete algum exagero? Não! Apenas aplica a lei. Conforme lembra a reportagem de VEJA.com, a Portaria 595/2013 do Ministério das Cidades obriga que o cadastro de candidatos e beneficiados seja público, permanentemente atualizado. Sob pena de o benefício ser suspenso. E, se querem saber, esse é apenas um problema. Usar um bem público para beneficiar um ente privado ou um grupo incide na Lei de Improbidade Administrativa.

A prova da tese
Como vocês sabem, a presidente Dilma baixou o Decreto 8.243 — que, espero, seja derrubado pela Câmara — para regulamentar a participação dos ditos movimentos sociais na gestão federal. Eis aí… O MTST e seus pares são exemplos eloquentes de como a democracia direta, segundo essa perspectiva, corresponde ao esmagamento dos direitos do conjunto dos cidadãos em benefício da minoria organizada. Está mais para uma variante do fascismo do que para uma democracia participativa.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2014

às 14:30

Haddad bate recorde de impopularidade e… tira férias! Faz sentido!

Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

Uma das charges feitas por leitores sobre o Supercoxinha. Esta é de Renato Andrade

É… Consta que Lula anda dando umas esfregas em Fernando Haddad, o prefeito de São Paulo. Mas tem gente que é mesmo cabeça dura, né? Vejam que coisa! Na sexta, veio a público a pesquisa Datafolha indicando que ele é um dos três prefeitos mais rejeitados da história de São Paulo desde que existe a avaliação: 47% acham a sua gestão ruim ou péssima, e só 15% a aprovam. Com um ano e meio na administração, só o superaram no quesito negativo Jânio Quadros, com 66%, e Celso Pitta, com 54%. Vale dizer: ainda há espaço para Haddad crescer… para baixo! E ele se esforça para isso.

Eis que a gente fica sabendo que o prefeito tirou… férias! É a segunda vez em um ano e meio de gestão. Em outubro de 2013, com dez meses à frente da Prefeitura, resolveu ir comemorar na Itália os 25 anos de casamento. Entre a Toscana e a Cracolândia, Haddad preferiu a Toscana. Ele pode ser um péssimo prefeito, mas não é por falta de gosto.

Agora, está de férias outra vez. Na volta, promete entrar de cabeça na campanha eleitoral petista, coisa para a qual os adversários de seu partido estão torcendo fervorosamente. Ninguém sabe para onde ele foi, e a assessoria não informou. O Diário Oficial do Município nada informa a respeito. Nádia Campeão, a vice, está no comando da Prefeitura e não sabe até quando fica.

Haddad gosta de ficar longe dos problemas da cidade, o que eu, particularmente, até acho bom. Se ele estiver perto, parece-me mais perigoso. Há o risco de tudo piorar. Pois bem: no dia 25 de abril de 2013, por exemplo, ele estava na capital da Argentina para receber o título de Cidadão de Buenos Aires. Que bom! Naquele mesmo dia, o SPTV informava que São Paulo havia batido o recorde de casos de dengue.

Vamos deixar Haddad de férias. Se preciso, até o fim do mandato. Pensem bem: longe da Prefeitura, ele para de ter ideias. Há gente que rende o dobro quando trabalha a metade. No dia em que o prefeito realmente não fizer nada, pode até render o quádruplo…

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 22:32

Haddad, com 47% de reprovação, tornou-se uma caricatura de prefeito

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Pois é, pois é… Que coisa, hein, Fernando Haddad? O negócio tá feio. Vejam bem: há dois dias, Lula afirmou que ele deveria entrar de cabeça na campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Padilha já está com 4% dos votos… Atendendo sei lá a que chamado da (i)lógica, o partido teria decidido que a campanha na TV vai tentar recuperar a imagem do prefeito para, então, o prefeito alavancar o candidato. Então tá. Acho que não funciona, mas dou o maior apoio, se é que me entendem.

Está no ar, saibam os leitores que não são da capital paulista, uma campanha publicitária exaltando a suposta competência da Prefeitura na gestão da cidade durante a Copa. Sabem como é: todos eles tentaram pegar uma carona no evento. Leiam o noticiário sobre a Vila Madalena. Cada morador de São Paulo certamente temeu uma Sodoma e Gomorra na porta de sua casa… A propaganda pode muito, sim. Quando, no entanto, ela afronta a realidade de maneira tão cabal, aí pode ser contraproducente.

O Datafolha foi a campo para saber o que a população da cidade acha da administração Haddad. O resultado é devastador pra ele: a rejeição à sua administração subiu de 36% para 47% em três semanas. No mesmo período, o índice de ótimo e bom oscilou para baixo: de 17% para 15%. Caiu até os que consideram a sua gestão regular: de 44% para 37%. Vejam quadros publicados pela Folha Online.

Datafolha Haddad julhoDatafolha Haddad 2 julho

Só Jânio Quadros e Celso Pitta, com um ano e meio de gestão, tinham rejeição maior: 66% e 54%, respectivamente. O tucano José Serra, derrotado por Haddad, nesse mesmo período, tinha a reprovação mais baixa desde a gestão Jânio: só 8%. À diferença de Haddad, e como!, era aprovado por 56%.

É uma avaliação justa?
Justíssima! Haddad não governa a cidade para o conjunto da população. Sua administração é um mero balcão de demandas de supostos “movimentos sociais” e de grupos organizados que gritam mais — inclusive aquela “subintelectuália” de esquerda que o leva a adotar medidas destrambelhadas, que prejudicam a vida também dos mais pobres. Desde quando, no entanto, esses esquerdistas de universidade & boteco sabem o que quer o povo? Como diria Monteiro Lobato, da pobreza, não conhecem nem o trinco da porta.

Vamos lá. A Prefeitura de São Paulo tem hoje um troço chamado “Braços Abertos”, um programa que, sob o pretexto de reduzir os danos decorrentes do consumo de crack, na prática, o financia. Um secretário do prefeito admitiu que, na Cracolândia, a droga está legalizada. Vários países do mundo têm programas de assistência a dependentes. Só no Brasil existe algo como esse “Braços Abertos”, que financia o consumo. E tentem me provar que não é assim. É a realidade dos fatos. Diante das críticas, Haddad fez o quê? Está criando mais um núcleo na cidade para abrigar os drogados em hotéis. Vai dobrar a dose do remédio ruim.

O prefeito também decidiu espalhar faixas de ônibus, já escrevi aqui, onde elas são e onde não são necessárias. Sim, quando o ônibus transita com mais velocidade nesses lugares, o usuário aprova. Quando, no entanto, fica mais tempo à espera do ônibus — e fica! — reprova. Ao esmagar os carros particulares — em que pobres também circulam — e criar dificuldades homéricas em certas áreas da cidade, aumenta o caos urbano em vez de resolvê-lo. Basta analisar os dados sobre congestionamentos. Não estão contentes nem os usuários de ônibus nem os de carros particulares. A “má boa consciência”, no entanto, pode trair o administrador. As pessoas, em sua maioria, se dizem favoráveis às faixas com receio de serem acusadas de defensoras dos ricos…

Haddad passou a flertar abertamente com os movimentos do sem-isso e sem-aquilo, que ajudaram a elegê-lo, sim. Sobretudo, foram muito úteis na demonização de seus então adversários: Celso Russomanno e José Serra. O prefeito subiu no palanque do MTST, que hoje manda na distribuição de casas de São Paulo e para a cidade quando lhe dá na telha. Não adianta: isso vai parar na conta do prefeito. E com razão. Ou não foi a sua turma que, na prática, convidou Guilherme Boulos e seus sequazes a cercar a Câmara dos Vereadores. Os que já têm casa, na média, não devem gostar disso. Mas será que os que não têm gostam? Para quem governa Haddad? Para os “mobilizados”?

Ele se tornou uma agência de despachos de micromovimentos. Outra grande ideia será acabar com estacionamentos para aumentar as ciclovias. Por quê? Ora, porque algum subintelectual soprou aos ouvidos do companheiro que esse negócio de carro é um atraso, entendem? Assim, Dilma prorroga isenção de impostos para aumentar a venda de carros — comprados majoritariamente por São Paulo —, e Haddad transforma a vida dos motoristas num inferno.

Vamos mais longe. A Prefeitura, hoje, em vez de coibir os “batidões de periferia”, que destroem a tranquilidade de milhares de moradores pobres, decidiu regulamentá-los, porque, afinal, seus interlocutores são os promotores desses eventos, supostos representantes da “cultura da periferia” — coisa dos coxinhas vermelhos de classe média do complexo Pucusp.

Eis aí o homem que nos prometia o Arco do Futuro.

Supercoxinha
Nunca vi um prefeito eleito e em começo de mandato tão incensado pela imprensa paulistana como Haddad. De certo modo, ele era a cara e a expressão da esmagadora maioria dos jornalistas: esquerdista; oriundo da classe média alta; absolutamente ignorante sobre o que é a pobreza, vendo a periferia como um lugar de experimentações antropológicas. A gente lia as reportagens, e lá estava o homem prometendo que resolveria isso e aquilo…

Por isso eu o apelidei de “Supercoxinha”. Leitores chegaram a fazer charges, a meu convite, retratando a personagem. Numa entrevista concedida em abril do ano passado à jornalista Joyce Pascowitch, da revista “Poder”, ainda superpoderoso, travou-se o seguinte diálogo:

Joyce – Notório por suas críticas ao PT, o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, tem chamado você de Supercoxinha, como um sujeito bom moço que quer ser super-herói. Que acha disso?
Haddad - Ah, você não vai me perguntar dele, vai? [Irritado.] Não frequento o ambiente virtual dele. Ele é uma caricatura de jornalista, né? Mas acho que para a esquerda é funcional a existência dessa figura. Faz muito bem pro nosso projeto! As pessoas veem o quão patética é a alternativa nesse momento. É como o pastor Silas Malafaia. Os ataques dele à minha campanha foram tão ridículos que acabaram me ajudando.

Retomo
Em relação a mim, Haddad deveria ter feito como Santo Agostinho, preferindo a crítica que o corrige ao elogio que o corrompe (no sentido agostiniano, que não é corriqueiro na política). Mas ele fez o contrário.

Haddad, um ano e três meses depois dessa entrevista, é uma caricatura de prefeito.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 6:41

PT pretende reabilitar Haddad para ajudar Padilha. Então tá! Dou a maior força!

Então tá. Leio na Folha que o PT teve uma ideia para promover a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, que patina nos 3%: usar o tempo no horário eleitoral gratuito para tentar reabilitar a imagem do prefeito Fernando Haddad, hoje aprovado por apenas 17% dos paulistanos. Então tá bom! Vocês acham que me resta o quê? Dar o meu apoio integral, ora essa!

Então vamos ver.  Como está difícil emplacar o nome de Padilha, o partido decide se dedicar a uma tarefa dupla: tornar um conhecido e tirar o outro dos escombros. Avalia-se por lá que é o prefeito que impede o outro de decolar. Como cartões de visita da gestão Haddad, seriam oferecidos o programa “Braços Abertos” (o tal do Bolsa Crack); o bilhete único mensal, que, até agora, é um tiro n’água, e a Rede Hora Certa, no serviço de saúde, que funciona apenas em algumas unidades.

Dizer o quê? Parece que a candidatura vive o seu momento de desespero, não é? Considerando o que eu penso, os meus valores e as minhas expectativas, só posso torcer para que a figura de Padilha seja mesmo associada à de Fernando Haddad. Acho que o resultado dessa associação será positiva para o Estado, se é que vocês me entendem…

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2014

às 6:45

Só 17% aprovam a gestão de Haddad; é a voz da maioria dizendo o que pensa do prefeito que governa para uma minoria de militantes

AVALLIAÇÃO HADDAD

Na prancheta, Fernando Haddad, como prefeito de São Paulo, estava destinado a ser um dos grandes cabos eleitorais do candidato do PT ao governo do Estado — no caso, Alexandre Padilha, outro político de perfil igualmente coxinha, também inventado por Lula. Afinal, como confessou o ex-presidente, a sua intenção era iluminar este país com os postes que vai tirando da cachola. O tiro saiu pela culatra. Não convidem o eleitor e Haddad para um mesmo evento: o resultado é vaia na certa. Padilha já tentou grudar seu nome até ao de Paulo Maluf — que está, de mala e cuia, se mudando para a candidatura de Paulo Skaf, diga-se —, mas quer distância do prefeito de São Paulo, que hoje tira votos do PT. O Datafolha explica por quê.

Pesquisa realizada entre os dias 25 e 26 deste mês mostra que apenas 17% consideram a sua gestão ótima ou boa. Está no mesmo patamar de junho do ano passado (18%), mas um ponto abaixo, dentro da margem de erro. Os que consideram a gestão ruim ou péssima são 36% (40% há um ano). E os que a avaliam como regular são 44% (antes, 35%). Os que não sabem caíram de 13% para 3%. Os dados apontam que Haddad não se recuperou da derrocada iniciada com as manifestações de rua, há um ano. Seus números rivalizam com os piores momentos de Celso Pitta. A margem de erro desta pesquisa, que ouviu 1.101 pessoas, é de três pontos para mais ou para menos.

A pesquisa revela ao menos um dado curioso: aumentou de 74%, em setembro do ano passado, para 81% agora os que acham o trânsito na cidade ruim ou péssimo. Os que dizem que ele é ótimo ou bom caíram de 9% para 4%. Não obstante, 22% dizem que ele melhorou muito depois da introdução das faixas, e 42%, que melhorou um pouco. Convenham, esses números não são compatíveis entre si, mas são explicáveis: a faixa se tornou uma espécie de questão moral. As pessoas têm certo constrangimento de criticá-las e, quem sabe?, ser acusadas de inimigas dos pobres… Só 9% dizem que o trânsito piorou muito, e 6%, que piorou um pouco.

A péssima avaliação de Haddad é, antes de tudo, uma questão de justiça. Ele prometeu criar 150 km de corredores de ônibus. Até agora, nada. Os 36 km que estão em construção foram licitados na gestão Kassab. Anunciou a construção de 243 creches. Um ano e meio depois, entregou apenas 26, e há sete em obras. Vale dizer: já cumpriu 38% do mandato e entregou apenas 8,1% da promessa. Jurou de pés juntos que faria 20 CEUS — entregou só um, e há nove em andamento. Dez deles têm o terreno meramente escolhido. Na saúde, a coisa é mais dramática: ainda não se assentou um tijolo dos três hospitais anunciados. Das 43 UBSs, Haddad entregou só quatro, e há uma em obra. Fez-se também grande estardalhaço com a chamada “Rede Hora Certa” de atendimento; seriam 32 — há apenas seis unidades fixas e quatro móveis.

Haddad avançou nos projetos que não requerem recursos, como as faixas de ônibus — basta pintar a linha no chão e infernizar a vida dos motoristas: anunciou 150 km, e já há 337,3 km. Não por acaso, a população diz o óbvio: o trânsito piorou. O prefeito também foi célere no que não estava prometido: o programa “Braços Abertos”, por exemplo, aplicado na Cracolândia. Só que há um probleminha: na disputa eleitoral, ele anunciou uma ação de combate ao crack, e a Prefeitura fez justamente o contrário: entregou um pedaço do Centro da cidade a consumidores e traficantes e promoveu a legalização informal das drogas.

E olhem que, em razão da seca, Haddad não teve de enfrentar o principal demolidor de reputações de um prefeito em São Paulo: as enchentes. Acho, no entanto, que ele não terá mais essa moleza no futuro — não parece que voltaremos a ter tão cedo um ano como este no que diz respeito às chuvas.

Para encerrar, lembro que, dada a forma como Haddad conduz a Prefeitura, o que se vê é um prefeito refém dos sectários que não aceitam reajuste de ônibus, dos movimentos de supostos trabalhadores sem-teto e dos ongueiros que pretendem proclamar a República da Cracolândia. Essa gente ajudou a fazer a sua campanha e agora quer… governar! A esmagadora maioria dos paulistanos, que não se sente representada por esses extremistas, dá a sua opinião: Haddad é um dos piores prefeitos da história até aqui.

Texto publicado originalmente às 4h39
Por Reinaldo Azevedo

27/06/2014

às 6:25

O príncipe e o plebeu das ideias: Haddad transforma a degradação de São Paulo em ponto turístico. Ou – A confissão do secretário do prefeito: programa “Braços Abertos” ignora a lei e aceita a venda de crack. Pior: na prática, Prefeitura financia a operação

O príncipe e o servil plebeu das ideias; desnecessário explicar quem é quem

O príncipe e o servil plebeu das ideias; desnecessário explicar quem é quem

A nobreza europeia gosta de paisagens e países exóticos, uma herança, vá lá, cultural das duas grandes ondas colonialistas, a do século 16, que se fixou nas Américas e nas costas africanas, e a do século 19, que buscou o interior da África, com as potências fazendo a partilha formal das terras ignotas. O que está fora da Europa é o “outro”. Antes, imaginava-se que aqueles mundos estranhos pudessem ser civilizados; hoje em dia, com o triunfo do pensamento politicamente conveniente, que classificam, impropriamente, de “politicamente correto”, há um troço que eu chamaria de “tolerância antropológica”. Os europeus se divertem com os hábitos dos exóticos. Não pensem que isso é só virtude. O pai de Harry, por exemplo, o príncipe Charles, é um ecologista convicto. Está entre aqueles que acham que o nosso papel é conservar macacos e florestas, deixando a tecnologia para os europeus…

Mas não vou me perder no atalho. Não sou do tipo que se envergonha de ser brasileiro. Nem me orgulho. Indivíduos são indivíduos em qualquer parte. Há coisas no Brasil que adoro. Há outras que abomino. Mas também as haveria de um lado ou de outro se meu país fosse a Suécia. A cada vez, no entanto, que vejo autoridades brasileiras se orgulhando da nossa miséria, da nossa degradação, da nossa desgraça, sinto revirar o estômago de puro constrangimento. E foi precisamente essa a sensação que tive ao ler as várias reportagens sobre a visita de Harry à Cracolândia, em São Paulo, devidamente escoltado pelo prefeito Fernando Haddad, com seu ar de deslumbramento servil, depois de ter esperado pelo príncipe por longos 45 minutos.

O rapaz foi levado para conhecer o programa “Braços Abertos”. Ninguém poderia ter dado melhor definição do programa do que um de seus formuladores, o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto, um dos queridinhos de certa imprensa descolada. Ele resumiu assim o espírito da visita do príncipe à Cracolândia: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Ele é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto diz que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.

Sempre afirmei neste blog que o programa “Braços Abertos” era, na prática, uma ação coordenada de incentivo ao consumo de drogas. Talvez Harry tenha ficado mais espantado ainda ao saber que a Prefeitura garante o fluxo de dinheiro a uns 400 e poucos viciados, aos quais oferece moradia gratuita — em nome da dignidade, é claro! Quando foi informado, se é que foi, de que os dependentes não precisam se submeter a nenhuma forma de tratamento, deve ter pensado: “Como são estranhos esses brasileiros! Na Inglaterra, nós recuamos até das liberalidades que haviam sido criadas para o consumo de maconha”. Ao olhar a paisagem que o cercava, deve ter dado graças aos céus pelo vigilante trabalho dos conservadores de seu país.

Sim, senhores! Antes da visita do príncipe, a Cracolândia passou por uma rápida maquiagem, com lavagem das ruas, coleta de lixo, retirada do entulho que os zumbis vão largando por ali. Assim como deveríamos ter Copa o ano inteiro para que as autoridades fossem um tantinho menos incompetentes, a realeza europeia poderia nos visitar amiúde. As ruas seriam mais limpas, eu acho. Nem que fosse apenas para inglês ver.

O príncipe, o prefeito, seus auxiliares e os outros deslumbrados se foram — antes da hora prevista porque teve início um tumulto. Meia hora depois, os dependentes retornavam para o tal “fluxo”, aquele perambular contínuo marcado por consumo, tráfico, escambo, degradação pessoal, desordem pública… Um dos viciados sentenciou, informa o Estadão, pouco antes de ameaçar a reportagem com uma pedrada: “Venha quem vier, mas a Cracolândia sempre vai ser nossa”.

Eis o programa de combate ao crack que Haddad prometeu implementar na campanha eleitoral de 2012. Não sei quantos anos vai levar para a cidade se recuperar das consequências trágicas da gestão deste senhor. Para encerrar: em qualquer democracia do mundo, o Ministério Público — ou seu homólogo — levaria o prefeito Fernando Haddad e seu secretário de Segurança Urbana aos tribunais. Basta ler a Constituição. Basta ler o Código Penal. Basta ler a lei antidrogas. Quem responde por essa tragédia moral? Em primeiro lugar, os que a promovem. Em segundo lugar, os que, com o seu voto, puseram Haddad onde ele está.

Texto publicado originalmente às 2h52
Por Reinaldo Azevedo

19/06/2014

às 5:10

O feriado micado de Haddad: Há três anos cantei a bola. Leiam

Não é por nada, não, mas leiam trecho de um post que publiquei aqui no dia 20 de setembro de 2011, há quase três anos. Volto em seguida.

Miriam Belchior

Pois bem. Agora leiam trecho de reportagem da Folha. Volto em seguida:
Após sofrer derrota na Câmara que barrou o feriado na segunda-feira (23), o prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu que o rodízio de veículos nesse dia, para placas com finais 1 e 2, será das 7h às 20h. A lei que estabelece o rodízio na cidade não menciona horários. Porém, decreto de 1997 estipulou a restrição das 7h às 10h e das 17h às 20h de segunda a sexta-feira. A decisão é uma tentativa de evitar congestionamento como o da terça (17), quando a capital teve 302 km uma hora antes do jogo entre Brasil e México, em Fortaleza.

Na próxima segunda, além do jogo do Brasil contra Camarões, às 17h, em Brasília, haverá a volta do feriado e a partida entre Holanda e Chile no Itaquerão, às 13h. Além disso, às 15h, foi marcado um protesto na av. Paulista contra a tarifa de ônibus. O plano municipal inclui a ampliação do horário de funcionamento das faixas exclusivas de ônibus para todo o período diurno e para o início da noite, das 6h às 21h. “Todas as faixas ficam com uso restrito para ônibus e o rodízio também fica valendo para o dia todo”, afirmou o prefeito, segundo qual ainda será decretado na segunda ponto facultativo para todos os servidores municipais. A prefeitura fará também uma campanha nas rádios para estimular a população a dar carona, utilizar o transporte público e evitar deslocamentos sem necessidade.

O governo estadual também deve decretar ponto facultativo na segunda-feira, mas só no período da tarde. O metrô terá esquema especial de funcionamento, com o uso de mais trens. A base governista não conseguiu quórum para votar a lei que autorizava o prefeito a decretar feriados. Haddad chegou a convocar uma entrevista coletiva, confiante na vitória da proposta. O município havia entrado em contato com a liderança na Câmara e até com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), que sinalizou ser favorável ao feriado, apesar de os vereadores tucanos terem se posicionado contra. Com a manobra da oposição e a base aliada rachada, os petistas não conseguiram ter 28 vereadores para a votação em três sessões, mesmo com a presença de mais de 40 parlamentares. Entre as baixas na base, houve vereadores do PR, DEM, PTB, PMDB, PSD e PV, que normalmente votam com a bancada do prefeito.
(…)

Retomo
Haddad é mesmo um político encantador. Quando ele é contrariado, sai distribuindo punições. E tem especial predileção por prejudicar a vida dos motoristas. Por que os que tiveram, então, a má sorte de não circular na segunda vão ter o rodízio ampliado — de sorte que a lei deixará de ser isonômica? Ora, porque ele quer. É o jeito de manter esses motoristas em casa — não deixa de ser a sua versão do toque de recolher.

A única coisa que me consola é saber que, quanto mais Haddad é Haddad, mais os paulistanos sabem que o prefeito da cidade é… Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2014

às 19:39

Haddad tem uma diferença na comparação com “O Louco”, do Tarô: a imagem deste tem certo lirismo…

Sempre que penso no prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), eu me lembro desta carta do Tarô.

Louco

Não sou iniciado nesses arcanos. Sei lá se isso tem alguma leitura positiva. O fato é que ele vai, todo alegrinho, para o abismo. Só que há uma diferença fundamental. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, anunciou nesta quarta-feira o mais novo projeto de mobilidade urbana do prefeito Fernando Haddad (PT) para desafogar São Paulo: eliminar 40.000 vagas de estacionamento nas ruas para abrir faixas exclusivas para bicicletas em regiões de trânsito caótico no centro e em artérias da cidade – como a Avenida Paulista.

“Vamos tirar vagas dos carros para uma ocupação do espaço público pelas bicicletas. É uma mudança para valer na cidade. Se fosse fácil, já teriam feito”, afirmou Tatto, prevendo o óbvio: reclamações de motoristas e trânsito ainda pior na cidade. A medida custará 80 milhões de reais aos cofres públicos.

Em seu Plano de Metas, Haddad havia prometido abrir 400 quilômetros de vias “cicláveis” – ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas. Um projeto piloto está sendo implantado em um trecho de 1,6 quilômetro no centro de São Paulo.

Voltei
Sabem qual é a diferença essencial entre o “Louco” do Tarô e Haddad? Naquele, há um quê de lirismo. Em Haddad, não. O homem é viciado na arte de mandar, de reeducar na pancada, compreendem? A vida dos motoristas vai ficar ainda pior? O trânsito ficará ainda pior? Dane-se! Vá de bicicleta, ora!

Haddad tem a visão elitista da política própria dos intelectuais de esquerda — sim, ele é de esquerda, embora não seja um intelectual. Mas vive com a turma. Os socialistas do Alto de Pinheiros, os poetas do selim, vão achar a sua medida “o máximo”. Eles formam a vanguarda revolucionária do Supercoxinha.

O prefeito governa para as minorias, para os grupos de exceção. Por isso ele criou uma zona liberada para o consumo de drogas — isso não está na lei, mas é o efeito prático do tal programa “Braços Abertos”. Os “descoletes” acham que droga, como disse uma assessora da Prefeitura, é uma forma de sociabilidade, de lazer. E eles também são contra carros, o capitalismo, a sociedade industrial, essas coisas…

Haddad tem um compromisso com seus amiguinhos dessa vanguarda que não suja o shortinho.

E só para não deixar passar: Jilmar Tatto, secretário de Esportes, o amigão do tal deputado estadual Luiz Moura, acha que algo difícil de fazer é necessariamente bom. Segundo ele, se cortar 40 mil vagas de estacionamento fosse fácil, alguém já teria feito… Ah, bom! Isso é o que Stálin deve ter pensado quando decidiu esvaziar a Chechênia: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Ou quando decidiu expropriar toda a produção agrícola das repúblicas soviéticas, matando 30 milhões de fome: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Ou quando decidiu eliminar toda a elite revolucionária com os Processos de Moscou: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”.

No dia em que o prefeito houver por bem dependurar alguns motoristas pelo pescoço, em guindastes, em praça pública, à moda dos aiatolás iranianos, nós ouviremos um orgulhoso Tatto comentar: “Se fosse fácil, alguém já teria feito”. Depois ele vai tomar um aperitivo com Luiz Moura.

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados