Blogs e Colunistas

Erenice Guerra

31/10/2010

às 6:37

Três flagrantes do funcionamento da República dos Companheiros

A coluna Holofote, de Felipe Patury, na VEJA desta semana, traz três impressionantes flagrantes evidenciando como funciona a República dos Companheiros. Nos três casos, como vocês verão, o interesse público é apenas a alavanca ou o instrumento de ambições privadas. Esse é o modelo que, segundo as pesquisas, está recebendo hoje o endosso da maioria dos que decidiram votar. Leiam:

Alô, é do BNDES? Não, é da Oi
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, convidou poucos profissionais do setor privado para acompanhá-lo na carreira pública. O economista Rafael Oliva foi um deles. Braço direito de Coutinho na sua empresa de consultoria, a LCA, Oliva se tornou assessor da presidência do banco. No cargo, participou das maiores operações feitas pela instituição, entre elas o empréstimo de 4,4 bilhões de reais concedido à Oi. Oliva deixou o BNDES. Agora, é diretor de planejamento regulatório da Oi. Oi?

Um tempero pra lá de oleoso
Um dos pedidos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez à presidenciável petista Dilma Rousseff foi que mantivesse por um ou dois anos o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Lula acredita que, propagandeando o pré-sal, Gabrielli construirá sua candidatura à sucessão do governador baiano Jaques Wagner. Até 2012, Wagner convidaria Gabrielli para seu governo – e, então, o presidente da Petrobras começaria a tocar sua campanha ainda mais à vontade

As exigências de Erenice à Anatel
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg, recebeu em 5 de abril deste ano uma carta confidencial da então secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Em duas páginas, a futura ministra Erenice exigiu mudanças no projeto do Plano Nacional de Banda Larga, anunciado no mês seguinte. Anexado à carta, seguiu um texto de doze páginas com o que Erenice queria ver encampado pela Anatel. O documento era assinado por Artur Coimbra de Oliveira, assessor da Presidência, e Gabriel Laender, da Casa Civil. O texto sugeria duas medidas que beneficiariam a empresa Unicel: novas regras para as licitações de bandas largas em freqüências de 450-470 mega-hertz e facilidades para novas operadoras móveis com rede virtual. O marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos, trabalhou para a Unicel. O assessor Gabriel Laender também. Sardenberg fez as alterações cobradas por Erenice.
*
Leia a íntegra da coluna da revista impressa

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2010

às 7:15

A casa-da-mãe-Dilma: Relatório da PF aponta tentativa de lobby de petista na Casa Civil

Por Andreéa Michael e Andreza Matais, na Folha:
Relatório da Polícia Federal aponta tentativa de lobby na Casa Civil para favorecer agências franqueadas dos Correios. A então ministra Dilma Rousseff, hoje candidata do PT à Presidência, é citada no documento como alvo dos lobistas.
Segundo o relatório, Sancler Mello, candidato a deputado estadual pelo PT do Rio, relata a um lobista ter sido recebido por Dilma em julho de 2006 para discutir uma forma de evitar a realização de licitação para renovação da rede de franqueados da estatal -concorrência pública que, de fato, não foi aberta. A conversa foi gravada com autorização da Justiça Federal. Dilma e Sancler negam o encontro.

A Casa Civil está no centro do escândalo envolvendo Erenice Guerra, que sucedeu Dilma no cargo. Erenice deixou o governo após a descoberta de uma esquema de lobby dentro do órgão. Parte dos diálogos ocorreu em julho de 2006 e integram uma longa investigação sobre as agências terceirizadas dos Correios. O trabalho deu origem a outros inquéritos e operações, entre as quais as batizadas de Selo e Déjà-vu. Em abril daquele ano, dois meses antes das conversas gravadas, o TCU (Tribunal de Contas da União) havia dado prazo até o final de 2007 para que o governo fizesse a licitação para substituir as agências franqueadas.

A Abrapost, associação que representa 90% dos franqueados, tentava na Justiça impedir a redistribuição da rede de agências. Para isso, ingressou no STF (Supremo Tribunal Federal). Em março deste ano, a causa foi assumida pelo advogado Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão da ex-ministra Erenice. Nas escutas, Sancler conversa com Carlos Eduardo Fioravante da Costa, ex-diretor dos Correios e segundo suplente do senador Hélio Costa -na ocasião, ministro das Comunicações.

“AJUDA FINANCEIRA”
Segundo o relatório, Fioravante “promete ajuda financeira” de R$ 100 mil a Sancler para que ele tentasse convencer Dilma a cancelar uma medida provisória determinando uma nova licitação.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2010

às 7:29

Erenice usou carta a Dilma para pressionar Anatel a dar concessão

A VEJA havia noticiado em setembro que Erenice Guerra havia interferido na Anatel para facilitar um negócio para a empresa Unicel, de que seu marido era consultor. Leiam o que informam Elvira Lobato e Mario Cesar Carvalho, na Folha:

Erenice Guerra usou uma carta enviada à então titular da Casa Civil, Dilma Rousseff, para pressionar a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em 2007 em favor da Unicel Telecomunicações. O marido de Erenice, José Roberto Campos, era consultor da empresa. Em janeiro de 2007, o presidente da Unicel, José Roberto Melo e Silva -padrinho de casamento de Erenice e Campos- mandou uma carta para Dilma com graves acusações à Anatel.

Erenice, que era secretária-executiva da Casa Civil, mandou cópia da carta ao então presidente da Anatel, Plínio Aguiar Júnior, e cobrou explicação urgente. O empresário acusava a comissão de licitação e a procuradoria da Anatel de mentirem à Justiça Federal, de vazarem informações para empresas de fora da licitação e de coagirem o advogado da Unicel, Gabriel Laender -que depois foi nomeado assessor na Casa Civil.

A empresa tentava obter concessão para oferecer telefonia celular na Grande São Paulo, numa licitação iniciada pela Anatel, em 2005. Foi a única a apresentar proposta, mas depositou garantia aquém da exigida no edital -R$ 930 mil em vez dos R$ 9,3 milhões, graças a uma liminar obtida na Justiça. A pressão da Casa Civil na Anatel, agora comprovada por documentos obtidos pela Folha, foi relatada em setembro pela revista “Veja”.

Começou uma disputa judicial que levou a Anatel a cancelar a licitação. Quando a acusação do empresário chegou à Casa Civil, no dia 17 de janeiro de 2007, a licitação havia sido retomada. A empresa ganhara, em segunda instância, o direito de completar a garantia exigida. A carta foi escrita um dia depois de a comissão de licitação adiar a abertura da proposta de preço, para averiguar pontos da garantia oferecida pela Unicel. A Intec, empresa que estava fora da licitação, alegara que a garantia estava vencida. O presidente da Unicel diz desconfiar que a Anatel iria beneficiar outra empresa, caso a disputa fosse anulada.

Na carta a Dilma Rousseff, o presidente da Unicel diz que o Brasil estava “a ponto de perder US$ 1 bilhão em investimentos”, por culpa da Anatel, e que a agência tinha uma burocracia “capturada e descomprometida com os interesses do país”. O empresário acusou a Anatel de abuso de poder e de ter “propósitos escusos”. A carta deixa claro que ele discutiu a questão previamente com a assessoria da Casa Civil antes de enviar as denúncias à ex-ministra.

“REPULSA”
A ingerência da Casa Civil criou um clima de revolta na Anatel. “É com total repulsa que esta CEL [Comissão Especial de Licitação] analisa o texto narrado na correspondência da Unicel”, diz o relatório remetido à Casa Civil, também obtido pela Folha. A comissão de licitação era formada por três gerentes e um advogado da União. Ela alegou, em sua defesa, que a Lei Geral de Telecomunicações exige depósito de garantia de 10% nas licitações da Anatel, e que a Unicel teria mentido à Justiça ao dizer que a agência teria de cumprir a Lei das Licitações, que estabelece garantia de 1%.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2010

às 16:23

Reescrevendo o passado, apostando na impunidade

Leia primeiro o post abaixo

Veja bem, leitor desconfiado: a realidade é uma obra aberta, entende? Quando o escândalo veio a público, Erenice nunca havia se encontrado com o consultor Rubnei Quícoli. Aí as evidências foram aparecendo, o homem divulgou os e-mails e tal. Então sempre chega a hora em que é preciso consertar a história. Sim, agora ela teve um surto de memória. Encontrou-se, sim, mas tudo muito republicano.

Já lhes contei aqui que uso a entrevista de um petista para explicar para as minhas filhas quem é essa gente. Lembro-me de José Genoino, ainda presidente do PT, a negar no programa Roda Viva, em 2005, que houvesse qualquer coisa errada nas contas do partido. Ele era tão convincente que, ao misturar a história da legenda com a sua própria, chorou. Todos ficaram muito comovidos.

Aí os horrores começaram a vir a luz. E, aos poucos, ele foi admitindo os “negócios” com Marcos Valério. As lágrimas eram apenas o ponto alto de sua pantomima. Assim, nunca pergunte a petistas onde está a verdade. Ela costuma não estar em lugar nenhum. Eles vão adaptando as versões à necessidade da hora.

No caso do mensalão, o tempo foi passando, e o PT mudou de novo: da admissão da culpa voltou ao ponto inicial, negando o fato. Hoje em dia, Lula afirma que aquilo tudo não passou de uma grande conspiração das oposições.

Chega-se, assim, a um corolário: a chance de que se faça justiça — “chance”, não fatalidade — está na eventual derrota do PT. Se o partido vencer a eleição, os companheiros, mais uma vez, darão um jeito de se apresentar como vítimas das próprias falcatruas.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2010

às 16:05

Em depoimento, Erenice contraria versão da Casa Civil e admite encontro com consultor

Por Filipe Coutinho, na Folha Online:

A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra admitiu nesta segunda-feira à Polícia Federal que se encontrou com o consultor Rubnei Quícoli, que foi procurado pelo filho dela para viabilizar um empréstimo bilionário com o BNDES. O depoimento contraria a própria versão de Erenice quando era ministra da Casa Civil e que o governo sustenta até hoje. À época, ela informou à Folha, por meio da assessoria, que houve um encontro de Quícoli apenas com um assessor dela.

Para a PF, a ex-ministra admitiu que participou da reunião na Casa Civil –o que corrobora a versão de Rubnei Quícoli sobre o caso. “Houve um encontro oficial, marcado pela assessoria dela. Foi uma reunião de uma hora e quinze minutos, na qual ela participou por 30 minutos. Foi uma conversa rigorosamente técnica”, disse o advogado de Erenice, Mário de Oliveira Filho.

A defesa afirmou que, na reunião, Erenice deu “os encaminhamentos devidos” para a proposta de Quícoli. Segundo o consultor, depois do encontro com Erenice, a proposta da empresa EDRB foi encaminhada para a estatal responsável por energia solar no Nordeste.

Nesse mesmo período, Quícoli afirmou que a empresa do filho de Erenice, Israel, passou a cobrar para viabilizar o financiamento do BNDES. A defesa de Erenice não comentou sobre as conversas de consultores com pessoas ligadas a Israel Guerra. Diz apenas que não tinha o consentimento da ex-ministra.

“Ela nunca autorizou ninguém, nem filho, a falar em nome dela para gerenciar qualquer negócio”, afirmou o advogado. O depoimento durou cerca de quatro horas e Erenice respondeu a mais de cem perguntas. Segundo a defesa, ela respondeu a todos os questionamentos na condição de testemunha. Os advogados de Erenice afirmam ainda que a ex-ministra nunca atuou para beneficiar qualquer parente no governo.

De acordo com a defesa, os amigos de Israel Guerra que trabalhavam no governo foram contratados por questões técnicas. Ela foi intimada pela polícia para explicar a atuação do filho Israel como lobista dentro do governo e a suspeita de tráfico de influência. A seis dias da eleição, Erenice tentou duas vezes adiar o depoimento.

Braço direito da presidenciável petista Dilma Rousseff, Erenice era secretária-executiva da candidata quando recebeu no Planalto empresários que negociavam contrato com a empresa de lobby dos filhos dela e de assessores da Casa Civil. Após a Folha publicar a informação, ela pediu demissão.

O caso Erenice foi um dos motivos que levou a eleição para o segundo turno, segundo pesquisa Datafolha.

RECEITAGATE Envolvido em outro caso, o jornalista Amaury Ribeiro Jr, que encomendou informações fiscais sobre familiares e pessoas ligadas ao presidenciável José Serra (PSDB), presta depoimento hoje no mesmo local.Ribeiro Jr. admite ter pedido dados dessas pessoas, mas nega ter solicitado acesso a documentos sigilosos.

Todos os alvos do jornalista tiveram seus dados violados em duas agências da Receita Federal em São Paulo. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia declarou à polícia que o jornalista o contratou para obter informações fiscais sigilosas de familiares e aliados de Serra. Essas informações foram parar num dossiê que circulou na pré-campanha petista.

Garcia afirma ter recebido de Ribeiro Jr. R$ 12 mil em dinheiro em outubro de 2009. No mês passado, alega ter recebido mais R$ 5.000. No último depoimento que concedeu à PF, o jornalista não esclareceu se recebeu ou não orientação para investigar tucanos. Ele apenas afirmou que iniciou a apuração porque soube que uma equipe liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra o ex-governador Aécio Neves.

Nessa época, Aécio e Serra disputavam a indicação do partido para concorrer à Presidência da República. No último depoimento, Ribeiro Jr. atribuiu a uma ala do PT o vazamento do dados que coletou. Segundo ele, um setor do partido disputava o controle de contratos da área de comunicação.

O PT nega que a ordem para encomendar a quebra de sigilo tenha sido dada pela campanha, assim como refuta ter operado qualquer dossiê para atacar o adversário. Embora o jornalista tenha negado que trabalhou para a campanha petista, ele participou de ao menos uma reunião da “equipe de inteligência” em 20 de abril deste ano, num restaurante de Brasília.

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2010

às 6:47

Grupo de Erenice agia em outros 2 órgãos

Por Andreza Matais e Felipe Coutinho, na Folha:
O esquema de tráfico de influência comandado pelo filho da ex-ministra Erenice Guerra usava não apenas a estrutura da Casa Civil mas também a de pelo menos outros dois órgãos da Presidência da República: a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Computadores e funcionários dessas outras duas repartições foram utilizados pelo grupo de amigos de Israel Guerra, filho de Erenice que era peça central do contato de empresários com negócios do governo -cobrando uma “taxa de sucesso” pelo tráfico de influência.

Erenice deixou o governo em 16 de setembro depois de a Folha publicar que ela recebeu na Casa Civil um empresário levado pelos lobistas do esquema, que cobravam para viabilizar um empréstimo para um projeto de energia eólica no BNDES. Esses novos braços do tráfico de influência foram identificados pela sindicância interna do Planalto que investiga a participação de servidores no esquema de tráfico de influência no órgão e cuja investigação corre em sigilo.

A comissão pediu mais 30 dias para concluir os trabalhos que deveriam ter sido encerrados no domingo. Com isso, o resultado só será divulgado após a eleição.  A comissão descobriu que o computador que era utilizado por Gabriel Laender na SAE foi acessado várias vezes com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil e sócio de um filho de Erenice na Capital, empresa da família Guerra que intermediava negócios com o governo.

Castro pediu demissão depois que seu nome foi associado ao esquema de lobby.
Documento ao qual a Folha teve acesso mostra que o disco rígido desse computador, da marca Seagate, número de patrimônio 131.817, foi levado pela comissão de sindicância no dia 6 de outubro -logo após o primeiro turno das eleições. Antes de ir para o Planalto, Laender foi advogado da empresa de telefonia Unicel, na qual o marido de Erenice é consultor. A Folha revelou que essa empresa foi beneficiada pela Presidência da República em 2007, com Dilma e Erenice na Casa Civil.

Atualmente, Laender é um dos responsáveis pelo Plano Nacional de Banda Larga, menina dos olhos do governo, que visa universalizar o acesso à internet no país. O uso do computador de Laender com a senha de Vinícius Castro abre pelo menos duas possibilidades.

Ou o advogado usava a senha do colega para ter acesso ao sistema interno da Casa Civil e aos arquivos de Vinícius em rede, ou Vinícius saía do prédio da Casa Civil e, de dentro da SAE, em outro prédio da Esplanada, usava o computador de Laender para acessar seus arquivos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2010

às 6:45

Dilma assinou duas nomeações de novo investigado para postos no governo

Na Folha:
Suspeito de ter participado do lobby na Casa Civil, o assessor Gabriel Laender foi beneficiado diretamente pela então ministra Dilma Rousseff para conseguir um cargo dentro do governo. Laender é procurador no Espírito Santo e atuou como advogado da Unicel, empresa na qual o marido de Erenice Guerra era diretor.

Erenice, que era braço direito de Dilma e assumiu seu lugar, deixou o comando da Casa Civil após as acusações de lobby na pasta envolvendo a empresa de seus filhos. Gabriel Laender foi convidado para trabalhar no governo em 11 de fevereiro de 2009, em ofício assinado por Dilma. No pedido enviado à Procuradoria, a então ministra pede que “seja examinada a possibilidade de colocar Laender à disposição da Presidência da República”.
No ofício, informa-se que ele receberá comissão de R$ 6.843,76, uma das mais altas dentro da burocracia estatal, “sem prejuízo da remuneração e das vantagens” do cargo de procurador, cujo salário é de R$ 11.049.

Em 20 de março de 2009, Laender assumiu cargo na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), vinculada à Presidência. Foi do computador de Laender que partiram os acessos suspeitos com a senha de Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil que era sócio na empresa de lobby dos filhos de Erenice. A Folha apurou que depois dos acessos suspeitos, que aconteceram em outubro de 2009, Laender passou a trabalhar informalmente na Casa Civil. Continuava como servidor da SAE, mas dava expediente na Casa Civil.

Dilma, então, intercedeu mais uma vez. Conseguiu tirar Laender da SAE para levá-lo para a secretaria-executiva da Casa Civil, sob o comando direto de Erenice. Um cargo foi criado só para ele. Foi Dilma quem assinou decreto em 13 de janeiro de 2010 que fez uma triangulação dentro do governo: transferiu um cargo da SAE para o Ministério do Planejamento, e o ministério transferiu esse cargo para a Casa Civil.

Uma semana depois, Laender foi realocado da SAE para a Casa Civil, passando, então, a trabalhar lado a lado com Vinícius Castro. A Folha apurou que Erenice dizia com frequência que Laender era um “homem dela” no governo. A nomeação do procurador foi assinada por Erenice, então secretária-executiva da Casal Civil.

O procurador Gabriel Laender é o único nome ligado à família de Erenice que sobreviveu na Casa Civil após o escândalo. Atualmente, é um dos coordenadores do plano de banda larga. A Folha apurou que ele foi preservado porque só pesava contra ele o fato de ter advogado para o marido de Erenice.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2010

às 15:58

Alguém está surpreso? Casa Civil prorroga por 30 dias investigação sobre caso Erenice

No Estadão Online. Volto em seguida:
A Casa Civil da Presidência da República prorrogou por mais 30 dias os trabalhos da Comissão de Sindicância Investigativa que apura as denúncias de suposto esquema de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra-chefe da pasta Erenice Guerra, assessores e familiares. A portaria, assinada pelo ministro interino, Carlos Esteves Lima, foi publicada nesta segunda-feira, 18, no Diário Oficial da União.

No mês passado, reportagem da revista Veja revelou que Israel Guerra, filho de Erenice, faria parte de um esquema de tráfico de influência no governo em troca de pagamento de comissão. Ele teria operado, pelo menos, a concessão de um contrato de R$ 84 milhões para um empresário do setor aéreo com negócios com os Correios. Um servidor da Casa Civil que estaria envolvido, Vinícius Castro, foi demitido.

Com o passar dos dias, novas denúncias apontaram o suposto envolvimento de outros parentes de Erenice no esquema, inclusive Saulo Guerra, outro filho dela. No dia 16 de setembro, Erenice pediu demissão. O prazo original estipulado pela comissão para a conclusão do caso terminou neste domingo, 17. Com o novo cronograma, o resultado da apuração só será divulgado após o segundo turno da eleição.

Comento
O adiamento faz parte da mesma pantomima de que participa, infelizmente, a Polícia Federal. Tudo aguarda, na verdade, o resultado da eleição do dia 3. É a forma que tomou entre nós a apuração de crimes que dizem respeito ao uso do estado para interesses privados.

Caso Serra vença as eleições, será preciso conferir ao menos verossimilhança ao resultado das apurações. Caso a vitoriosa seja Dilma, as apurações não chegarão a lugar nenhum. No máximo, vai-se apontar uma conduta imprópria aqui e ali, mas não crime.

É o que os “inteliquituais” petistas e certas franjas da imprensa chamam de “nova era democrática”. Na “nova era demcrática” uma conduta criminosa é definida segundo quem está no poder. Lixo!

Por Reinaldo Azevedo

14/10/2010

às 6:13

Empresário diz à PF que se encontrou com Erenice

Por Andreza Matais, Rubens Valente e Fernanda Odilla, na Folha:
Mais um empresário confirmou encontro com a ex-ministra Erenice Guerra na Casa Civil, o que contradiz versão do governo e corrobora denúncia de que um esquema de lobby era operado dentro da pasta na época em que era comandada pela candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff. A Folha teve acesso aos 12 depoimentos prestados até agora no inquérito que investiga tráfico de influência na Casa Civil, tratado como sigiloso pela Polícia Federal.

Aldo Wagner, sócio da EDRB, disse à PF que Erenice participou da reunião em 10 de novembro, quando foi apresentado o projeto na área de energia solar da empresa. “Essa reunião durou cerca de 1h15, sendo que Erenice Guerra nela permaneceu por 45 minutos.” Segundo Wagner, depois dessa reunião a empresa de lobby do filho de Erenice apareceu para viabilizar o negócio com um empréstimo do BNDES mediante pagamento de “taxa de sucesso”.

A reunião confirmada agora por Wagner foi citada pelo consultor Rubnei Quícoli em entrevista à Folha em setembro, que resultou na saída da então ministra do cargo.
Na ocasião, a assessoria de imprensa da Casa Civil disse que Erenice não participou do encontro. A pasta reiterou ontem a mesma resposta: “A audiência foi pedida inicialmente com a secretária-executiva, mas, por incompatibilidade de agenda, foi conduzida pelo então assessor especial e atual chefe de gabinete da Casa Civil”, informou a assessoria à época.

Wagner disse que Vinícius Castro, então assessor da Casa Civil e parceiro do filho de Erenice na empresa de lobby, estava na reunião. A Casa Civil nega: “Ele nunca participou de nenhuma audiência”. Ontem a PF decidiu prorrogar a investigação. Ainda não está definido quando Erenice vai depor.

À PF o consultor Quícoli reafirmou a presença de Erenice na reunião. Disse ainda que o nome da então ministra Dilma era usado pelo esquema de lobby como garantia do negócio. Segundo ele, Dilma era chamada de “grande dama” por Marco Antonio Oliveira, diretor dos Correios até junho e tio de Vinícius.

Quícoli disse à PF que, para viabilizar o empréstimo, Oliveira lhe pediu R$ 5 milhões “para saldar débitos particulares de Erenice Guerra e de Dilma Russef [sic]“. A PF perguntou se Dilma e Erenice sabiam do esquema: “O depoente acredita que Erenice Guerra tinha conhecimento dos fatos. Que nada pode afirmar sobre eventual conhecimento ou participação de Dilma Russef [sic]“, disse.

Por Reinaldo Azevedo

10/10/2010

às 6:49

Nomeado de Erenice nos Correios fecha contrato superfaturado em R$ 2,8 milhões

Por Leandro Cólon e Karla Mendes, no Estadão:
O presidente dos Correios, David José de Matos, e a diretoria da estatal aprovaram um contrato superfaturado em R$ 2,8 milhões para favorecer uma empresa de carga aérea. Documentos obtidos pelo Estado mostram que a nova direção da estatal, nomeada pela então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, manobrou para ressuscitar, em agosto, uma licitação que havia sido cancelada três meses antes pelo comando demitido da estatal.

Os documentos da presidência dos Correios e os registros dos pregões revelam o esforço da nova diretoria, que assumiu no dia 2 de agosto, para, duas semanas depois da posse, entregar à Total Linhas Aéreas um contrato de R$ 44,3 milhões.

A licitação foi concluída em meio à crise que derrubou Erenice da Casa Civil. Coube ao presidente Davi de Matos e seus diretores aprovarem no dia 15 de setembro, um dia antes da demissão da ministra, a contratação da Total, como mostra a ata da 36.ª reunião interna do comando da estatal. O contrato foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno eleitoral. No período de um ano, a Total vai transportar cargas dos Correios no trecho Fortaleza-Salvador-São Paulo-Belo Horizonte.

Alerta. Tudo começou no dia 2 de junho, quando um pregão foi feito para o serviço pelo preço limite de R$ 41,5 milhões. A Total entrou sozinha no leilão e ofereceu R$ 47 milhões. A proposta foi recusada pelos Correios. “Solicito a redução do último valor proposto ao preço de referência, sob pena de ter sua proposta desclassificada do certame”, disse o pregoeiro, segundo registro eletrônico. A empresa não mudou o preço e a licitação foi anulada.

Para conseguir o contrato de R$ 44,3 milhões, na licitação de agosto – com posterior aprovação da manobra pela diretoria, em setembro -, a Total contou com o apoio de outro personagem central da crise dos Correios, o coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, então nomeado diretor de Operações.

Em agosto, o coronel foi procurado pelos donos da Total para tentar reverter juridicamente o pregão revogado em junho. A empresa MTA, que ganhara na Justiça uma licitação dos Correios, foi consultada sobre a possibilidade de orientar a Total a conseguir fechar esse contrato. O objetivo, naquele momento, era tentar transformar as duas empresas de carga aérea no embrião da unidade de logística que o governo pretende criar em 2011 – uma sociedade mista entre governo e empresas privadas avaliada em US$ 400 milhões.

A solução dada foi fazer uma nova licitação no dia 19 de agosto. Dessa vez, os Correios subiram de R$ 41,5 milhões para R$ 42 milhões o preço máximo para contratação. Mais uma vez, só a Total participou dos lances.

Chegou ao preço de R$ 44,3 milhões e avisou que não poderia mais reduzir o valor, apesar dos alertas do pregoeiro: “Solicitamos que a arrematante faça mais uma revisão em sua planilha de custos, reduzindo sua proposta para, pelo menos, o valor estimado da contratação.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/10/2010

às 18:28

Leitor tem cada uma!!!

Do Carlos, leitor deste blog:

“É verdade que Dilma é contra o aborto. Foi Erenice Guerra quem a convenceu: “Amiga, quanto mais filhos a gente tem, melhor!”

Faz sentido.

Por Reinaldo Azevedo

05/10/2010

às 18:23

Filhos de Erenice se calam em depoimento à PF em Brasília

Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida:
Os filhos da ex-ministra Erenice Guerra, Israel e Saulo, se recusaram nesta terça-feira a prestar depoimento no inquérito que investiga tráfico de influência na Casa Civil. Segundo o advogado Marcelo Leal, eles não responderam a nenhuma pergunta feita pela Polícia Federal. A defesa entende que “existe um forte componente político” nas denúncias que envolvem a ex-ministra e braço direito da presidenciável petista, Dilma Rousseff.
(…)
“Eles permaneceram em silêncio. Nós entendemos que os fatos ainda não estão devidamente delineados, mas meus clientes são absolutamente inocentes, tenho certeza que isso será provado ao final do processo”, disse Leal.

Segundo a defesa, os dois filhos de Erenice, embora não tenham colaborado, esperam que o caso seja apurado da melhor forma possível para que seja comprovada a inocência deles. A PF não informou se irá ouvir Erenice nem se indiciou algum dos envolvidos.

Comento
“Caraca! Que dinheiro é esse?”

Por Reinaldo Azevedo

05/10/2010

às 6:47

Ah, bom! Petistas atribuem queda em São Paulo ao caso Erenice

Por Malu Delgado, no Estadão:

Ainda tentando superar a ressaca provocada pela derrota eleitoral em São Paulo, dirigentes petistas que coordenaram as campanhas ao governo estadual e à Presidência discutiram ontem as razões que levaram a sigla a perder no Estado porcentual significativo de votos na reta final. O PT avalia que esse diagnóstico é fundamental para evitar a repetição de erros no segundo turno.

O candidato derrotado ao governo do Estado, Aloizio Mercadante, participou do encontro, no diretório estadual do PT. A avaliação preliminar de parte dos petistas é que os escândalos sobre tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, demoveram prováveis eleitores de votar no PT. Dirigentes do partido acreditam que o escândalo ressuscitou entre a classe média paulista mais conservadora (que é distinta da classe média do chamado pós-Lula) os fantasmas da crise petista de 2005 e 2006.

O PT já tinha pesquisas qualitativas, na reta final da campanha, que apontavam que a crise do mensalão era um fantasma que estava latente. As inserções do PSDB que vinculavam Dilma ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por exemplo, acenderam a luz vermelha na campanha petista. A associação entre Dirceu e Dilma, mostravam as pesquisas qualitativas, tiveram resultado negativo para o PT.

“Eles bateram onde sabiam que teriam uma resposta rápida”, afirmou o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva. Para ele, o caso Erenice “ressuscitou a crise de 2005 e 2006″. Em avaliação feita por parte do PT, o caso Erenice despertou a desconfiança de eleitores que estavam dispostos a dar uma segunda chance ao partido, mas ficaram desanimados ao ver petistas novamente mergulhados em escândalos, avaliam coordenadores das campanhas.

Segundo dirigentes da sigla, a retomada dessa desconfiança no partido pode explicar a migração em massa de votos desta classe média para Marina Silva (PV), além de ter ajudado o tucano José Serra a consolidar seu eleitorado. Esse movimento também teria retirado, segundo Edinho Silva, votos de Mercadante na disputa estadual. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2010

às 16:25

Lei do silêncio

Por Felipe Coutinho, na Folha Online:
A dois dias da eleição, o ex-assessor da Casa Civil Stevam Knezevic se recusou a prestar depoimento nesta sexta-feira à Polícia Federal sobre a suspeita de tráfico de influência envolvendo familiares da ex-ministra Erenice Guerra.

Stevam é servidor concursado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), onde conheceu o filho de Erenice, Israel. Segundo o consultor Rubinei Quícoli, da empresa EDRB, Stevam seria o responsável por viabilizar financiamentos no BNDES, mediante o pagamento de “taxa de sucesso” para a empresa de assessoria de Israel Guerra.

Segundo o advogado de Sevam, Emiliano Aguiar, a defesa preferiu exercer o direito de ficar em silêncio durante esta fase das investigações. “Nós vamos esperar as investigações avançarem para decidir se vamos apresentar a verdade dos fatos no inquérito ou apenas em juízo”, disse o advogado.

A estratégia de Sevam é orquestrada com outro ex-assessor da Casa Civil Vinícius de Castro, apontado como lobista dentro do governo federal. Também segue a mesma linha Sônia Castro, mãe de Vinícius e sócia do filho de Erenice na empresa de consultoria. Os dois são defendidos por Emiliano Aguiar e não prestaram informações à PF.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2010

às 14:54

Controladoria finaliza auditoria rapidinho, a tempo de Dilma usar resultado no debate da Globo. Já a Polícia Federal…

Querem ver como o governo vai administrando a lambança? Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida:

Por Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.

As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice.

Para a CGU, o episódio que culminou com a queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. O empresário Rubnei Quicoli acusa integrantes da Casa Civil de tentarem intermediar o pedido de financiamento – para um projeto de usina solar – feito pela empresa ERDB ao BNDES. A CGU não aborda isso e explica: “A CGU concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos pelos normativos internos daquela instituição financeira”.

Segundo a controladoria, não houve também qualquer irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado. De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A CGU também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.

A CGU investigou ainda a contratação – revelada pelo Estado – do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou, em agosto de 2009, a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho. A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro. Só que o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, informara por escrito ao Estado que o irmão de Erenice era sócio desde fevereiro do ano passado. Márcio Silva, aliás, é o advogado de campanha de Dilma.

A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário dessa banca. a auditoria admite falhas no processo de contratação sem licitação, mas minimiza o episódio, fazendo apenas recomendações. “A CGU está recomendando à EPE maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço”. Segundo a CGU, todos os relatórios serão enviados à Polícia Federal.

A auditoria da CGU aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília (FUB), que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões pelo pagamento de um produto que não atendeu à demanda do ministério. A CGU, porém, não diz que o irmão de Erenice seria o culpado direto por isso. Faz somente uma ressalva: “O que se tem até o momento é constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob) do Ministério das Cidades, e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos”, diz.

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2010

às 4:51

PF só ouvirá filhos de Erenice após eleição

Por Rosa Costa, no Estadão:
Só depois das eleições a Polícia Federal vai tomar o depoimento dos filhos da ex-ministra da Casa Civil da Presidência Erenice, Israel e Saulo Guerra, sobre as denúncias de tráfico de influência nos contratos de empresas com órgãos do governo federal.

Os dois estavam sendo procurados desde a semana passada, mas somente ontem, após a ameaça de serem conduzidos à força, com a autorização da Justiça, é que um advogado compareceu à PF para marcar os depoimentos. Israel e Saulo são acusados de intermediar negócios com empresas privadas mediante o pagamento da chamada “taxa de sucesso”, no valor de 6%, destinada, não se sabe se em parte ou totalmente, a saldar compromissos políticos, conforme revelou o empresário Fábio Baracat.

O Estado mostrou na edição de sábado documentos que estão em poder da Polícia Federal confirmando que os dois receberam R$ 120 mil seis dias depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conceder permissão de voo à Master Top Linhas Aéreas (MTA). Os papéis mostram que eles e seus sócios também tentaram cobrar propina de R$ 50 mil em negociação para que a Infraero reduzisse uma multa de R$ 723 mil que havia sido imposta à MTA.

Silêncio. Já o ex-assessor da Casa Civil Vinícius Castro e sua mãe, Sônia Castro, se recusaram ontem a prestar informações à PF sobre o esquema de cobrança de propina nos contratos do governo. O advogado Emiliano Aguiar sinalizou que, no decorrer do inquérito, Vinícius e Sônia podem revelar fatos ainda desconhecidos das transações relacionadas à Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Qualquer coisa que possa ser dita agora pode ser dita a qualquer momento”, afirmou Aguiar, antes de deixar a Superintendência da PF. “Eles estão exercendo o direito de, neste momento, não trazer os fatos de que têm conhecimento, porque entendemos que estrategicamente não é interessante”.

Outra opção apresentada pelo advogado é a de seus clientes só se manifestarem em juízo, no decorrer do processo. “Os fatos é que terão de ser avaliados, por enquanto o melhor é não falar”, acentuou.

Argumento. “Eles estão convictos de que não fizeram nada errado, mas acham que neste momento inicial não é possível prestar informações que poderiam ser distorcidas”, alegou. Sobre a possibilidade de os dois operarem mediante orientação de autoridades do governo, o advogado disse que, aí, caberia aos jornalistas avaliarem a situação.

“Eu não posso dizer sobre o imponderável, é vocês que têm de tirar as conclusões. Entendo que o exercício legítimo de permanecer em silêncio, não pode ter outra conotação além do exercício regular de um direito”, afirmou Aguiar. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2010

às 19:33

Consultor depõe na PF e confirma pedido de propina de ex-diretor dos Correios

Na Folha Online:
O consultor Rubnei Quícoli, que acusou a existência de esquema de lobby na Casa Civil, confirmou que Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, estava no escritório onde queria que o projeto de usina solar no Nordeste apresentado pela EDRB, empresa que representava, fosse aprovado e que, junto com outras pessoas, estava se propondo a liberá-lo.

Em depoimento que durou mais de seis horas prestado nesta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Quícoli afirmou que nunca disse que o dinheiro era para PT ou para a candidata Dilma Rousseff (PT) e negou que teve contato com Israel e Saulo, filhos da ex-ministra, antes de ir a Brasília.

“Eu não sabia nem quem era quem em Brasília. Eu só fui pra Brasília pra viabilizar esse projeto. A única coisa que eu coloquei foi que o Marco Antonio Oliveira [ex-diretor dos Correios] pediu esse dinheiro para favorecer a Dilma e a Erenice.” (…)

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2010

às 16:02

Advogado afirma que Vinicius Castro irá colaborar com investigações

Por Robson Bonin, no Portal G1:
Emiliano Aguiar, advogado do ex-assessor da Casa Civil Vinícius Castro, afirmou nesta segunda-feira (27) que seu cliente irá ajudar nas investigações a respeito do suposto esquema de tráfico de influência no governo federal. “A postura é sempre de colaborar. No momento oportuno eles vão prestar os esclarecimentos que forem necessários”, disse ele ao G1.

A Polícia Federal transferiu para quarta-feira (29) o depoimento de Vinícius Castro e da mãe dele, Sônia. Segundo Aguiar, o adiamento ocorreu porque ele havia pedido acesso aos depoimentos que já haviam sido colhidos pela PF na semana passada, mas até sexta-feira (24) isso não havia ocorrido. Ele pediu então que a data fosse remarcada para que houvesse tempo de estudar o que já foi levantado.

A mãe de Vinicius deveria depor às 9h30 desta segunda-feira (27). Ela foi à Superintendência da PF, mas não conversou com os jornalistas. Vinicius deveria depor por volta de 14h30 do mesmo dia.

Nesta terça-feira (28), os agentes da PF pretendem ouvir Marco Antonio de Oliveira, o tio de Vinicius, que também teria envolvimento em supostas ações de tráfico de influência no governo.

Marco Antonio é irmão de Sônia, uma das donas da Capital Consultoria e Assessoria, empresa que seria responsável por intermediar contratos de empresas privadas com órgãos do governo federal a partir da suposta influência da ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra.

Semana passada
O empresário Fábio Baracat, também suspeito de envolvimento no suposto esquema, depôs na última quinta-feira (23) por cerca de sete horas na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele deixou o local sem falar com a imprensa.

Segundo uma reportagem da revista “Veja”, o empresário Fábio Baracat, apontado como dono da Via Net, participou de reuniões com a ministra Erenice Guerra intermediadas pelo filho dela, Israel Guerra. A Capital Consultoria e Assessoria pertence a Saulo Guerra, outro filho de Erenice, além de Sônia (mãe de Vinícius Castro). A finalidade dos encontros, segundo a publicação, era fechar um contrato de prestação de serviços entre a empresa e os Correios no valor de R$ 84 milhões.

Erenice Guerra pediu demissão no dia 14 de setembro, depois que denúncias feitas pela revista “Veja” e pelo jornal “Folha de S.Paulo” apontaram supostos casos de tráfico de influência praticados por seu filho dentro da Casa Civil.

A ex-ministra anunciou que iria processar a revista em razão das reportagens vinculando o nome dela com irregularidades. A Comissão de Ética da Presidência da República abriu processo para investigar a conduta de Erenice no caso.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2010

às 6:59

Caso Dilma seja eleita, terá de lidar com a herança maldita de… Dilma!

marco-antonio-correios-e-mailQuem é este homem, e o que faz aí este pedaço de um e-mail? Você vai saber logo, leitor.

Será que a demissão de Erenice Guerra da Casa Civil pôs um ponto final no esquema de corrupção que se instalou no coração do governo? Quem acompanha casos assim sabe que, nessa área, não existe lugar para francos-atiradores e para, digamos assim, a livre iniciativa. Os protagonistas de escândalos costumam ser peças de uma engrenagem. Reportagem da VEJA desta semana intitulada “Os segredos do lobista”, de Diego Escosteguy e Rodrigo Rangel evidencia que o governo Lula — e um eventual governo Dilma — festeja seus feitos sobre um barril de pólvora. O estopim é o ressentimento daqueles que foram ficando pelo meio do caminho. Uma das histórias cabeludas dá conta de um pedido de R$ 5 milhões de propina para resolver pendências da campanha da petista à Presidência.

VEJA gravou duas conversas com Marco Antonio de Oliveira (foto), ex-diretor dos Correios. Ele é tio de Vinicius Castro, sócio de Israel Guerra (filho de Erenice). É aquele rapaz que, ao encontrar uma montanha de R$ 200 mil em sua gaveta, exclamou: “Caraca! Que dinheiro é esse?” É Marco Antonio quem assegura: “A Casa Civil virou uma roubalheira”. Só para não esquecer: ele está se referindo ao ministério de que a titular era Dilma — só depois Erenice assumiu o bastão. Íntimo do poder ele é. Foi diretor da Infraero no primeiro mandato de Lula e é chapa de Paulo Bernardo, ministro do Planejamento. Marco Antonio foi personagem ativa em todas as lambanças até agora conhecidas envolvendo o clã de Erenice. Como informa a reportagem, seu papel era fazer a “prospecção de clientes”. Ele diz que a roubalheira na Casa Civil destruiu a sua família e, como na música de Chico, “é um pote até aqui de mágoa”.

Muito bem. Agora é preciso ligar o segundo parágrafo ao primeiro. Lembram-se de Rubnei Quícoli, o empresário que denunciou que Israel e sua turma haviam pedido 5% de taxa de sucesso para intermediar um empréstimo do BNDES? Pois é. Segue trecho da reportagem de VEJA. Volto em seguida.

“Na semana passada, em entrevista à VEJA, Quícoli voltou a acusar Erenice, seu filho Israel e Marco Antonio de exigirem 5 milhões de reais para a campanha presidencial de Dilma Rousseff e de Hélio Costa, candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais. Na semana passa¬da, VEJA investigou as circunstâncias dessas tratativas – e descobriu que elas não se restringiram a um simples, isolado e despretensioso pedido de doação para campanha.

Em entrevistas gravadas com os principais personagens desse episódio, a reportagem confirmou que houve reuniões sigilosas entre as partes envolvidas, viagens internacionais para tratar dos acertos e até mesmo trocas de e-mails com detalhes financeiros da negociata. Ou seja: foram cumpridas todas as etapas comuns a esse tipo de negociata. O caso começou em outubro do ano passado, quando o lobista Rubnei Quícoli se aproximou da turma de Erenice Guerra, em busca do “apoio político” para assegurar a liberação de um empréstimo no BNDES. Marco Antônio confirmou a aproximação. Após as primeiras conversas, conta Quícoli, surgiu a fatura. As duas famílias exigiam o pagamento de 40000 mensais, uma taxa de sucesso e, de quebra, o tal bônus antecipado de 5 milhões de reais: “O Marco Antônio disse que tinha de entregar o dinheiro na mão da Erenice, pois ela precisava pagar umas contas da Dilma e também pretendia ajudar o Hélio Costa”. Quícoli afirma que Marco Antônio não especificou que tipo de “contas” Dilma precisaria quitar.”

Voltei
Leia a reportagem com os detalhes escabrosos da operação. O governo ataca a imprensa e tenta desqualificar a denúncia por causa da ficha criminal de Quícoli. Caberia perguntar — como já fez o próprio, diga-se — por que alguém com a sua ficha foi recebido com pompa na Casa Civil. Mas isso é o de menos. Ele incomoda porque, até agora, conseguiu apresentar evidências de todas as acusações que faz. Desta feita, ele exibe um e-mail  (aquele lá do alto) em que lhe foi passada uma conta no exterior, em Hong Kong, onde deveriam ser depositados os R$ 5 milhões. O titular dessa conta é Roberto Ribeiro, genro de Marco Antônio, que chegou a vir ao Brasil só para tratar do assunto. Leia os detalhes na revista.

Caso Dilma seja eleita, terá de lidar com uma herança maldita: a herança de Dilma!

Por Reinaldo Azevedo

25/09/2010

às 6:23

Depósito bancário comprova propina de R$ 120 mil para filho de Erenice

Por Leandro Colon, no Estadão:
Documentos bancários em poder da Polícia Federal, obtidos ontem pelo Estado, confirmam que o filho da ex-ministra Erenice Guerra recebeu propina de R$ 120 mil seis dias depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conceder permissão de voo à Master Top Linhas Aéreas (MTA).

Os papéis mostram ainda que Israel Guerra e seus sócios tentaram cobrar propina numa negociação para que a Infraero reduzisse, em fevereiro deste ano, uma multa de R$ 723 mil imposta à MTA por deixar um avião parado na pista por mais de 30 dias. O valor da propina, nesse caso, era de R$ 50 mil. A polícia recebeu a documentação quinta-feira das mãos do empresário Fábio Baracat, que representava a MTA em Brasília. Pela primeira vez, documentos bancários comprovam o pagamento do lobby feito na Casa Civil. O escândalo derrubou Erenice Guerra da chefia da pasta.

O Estado teve acesso à integra das 16 páginas do depoimento prestado por Baracat e aos documentos que ele entregou à PF. O empresário disse que, num encontro com Erenice, em março deste ano, ela não cobrou o pagamento dos serviços prestados pelo filho, mas deu um “conselho” aos “presentes”: “Erenice Guerra disse aos presentes que todos os compromissos assumidos, sejam políticos, pessoais ou profissionais, devem ser cumpridos”.

Véspera de Natal
Um comprovante bancário mostra que, às 9h17 de 24 de dezembro de 2009, Baracat fez uma transferência eletrônica de sua conta bancária, no valor de R$ 120 mil, para a conta da Capital Assessoria, empresa de Israel Guerra e de Vinicius Castro, então assessor da Casa Civil. O pagamento foi feito seis dias depois de a Anac revogar, numa decisão emergencial, a punição que proibia a MTA de operar por falta de documentos.

E-mails entregues à PF mostram que a MTA foi orientada pelos lobistas a procurar a direção da Anac, incluindo a sua presidente, Solange Vieira. Ela já negou qualquer irregularidade no episódio. Segundo a Anac, a MTA apresentou a documentação necessária para reverter a punição.

Segundo Baracat, dos R$ 120 mil depositados na véspera de Natal, R$ 100 mil foram pelo lobby na Anac. O restante era a mensalidade que pagava aos lobistas do Palácio do Planalto desde outubro. O empresário contou que, no total, foram pagos, entre outubro e março, R$ 220 mil para a Capital – R$ 100 mil referentes ao episódio da Anac e R$ 120 mil divididos em seis parcelas mensais para as consultorias.

Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo e entregues em hotéis, ou na conta corrente da empresa e de Vinicius Castro. Baracat entregou à PF, além dos comprovantes de transferência, os recibos emitidos em março em nome da Capital Assessoria, com valores correspondentes a possíveis pagamentos anteriores. O empresário anexou também procurações e e-mails internos confirmando que representava os interesses da MTA, desmentindo a versão da empresa de que ele não tinha ligações profissionais com ela.

Os documentos revelam que, em fevereiro, a Capital se ofereceu para ajudar a MTA a sanear multa imposta pela Infraero por deixar um avião na pista por mais de 30 dias. Segundo o empresário, no mesmo mês a empresa “fez um pedido de isenção e encaminhou para o depoente. Que, em decorrência do serviço prestado pela Capital Assessoria houve a redução de aproximadamente 30% da multa que seria cobrada pela Infraero e o parcelamento da mesma”. A multa de R$ 723 mil foi reduzida para R$ 121 mil.

Ele afirma que o filho de Erenice e seus sócios cobraram R$ 50 mil pelo serviço “extra”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados