Blogs e Colunistas

Eleições 2014

18/04/2014

às 5:15

O voto e a casa da mãe Dilmona

Leiam trechos da minha coluna na Folha desta sexta:

Vamos lá, leitor, exercitar um pouquinho de “pessimismo de combate”? É aquele que levou Carlos Drummond de Andrade a escrever que “lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã”. Na quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou relatório de Roberto Requião (PMDB-PR) proibindo a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. Segundo o senador, aceitá-la corresponderia a acatar a “legitimidade da influência do poder econômico no processo eleitoral e, por consequência, no resultado das eleições”. Com muito mais fru-fru, glacê e gongorismo igualitarista, é o que pensa o ministro Roberto Barroso, do STF.
(…)
A política brasileira, com frequência, é uma piada macabra com lances de chanchada. Não é surpreendente que um país com tantos recursos e com características demográficas e de formação social que constituiriam janelas de oportunidades ofereça a amplas maiorias uma vida tão ruim, tão insegura, tão sem perspectiva. A sociologia, da mais preconceituosa à mais ambiciosamente iluminista, pode ilustrar a melancolia e as “vastas solidões” (Joaquim Nabuco) em que transita o pensamento em Banânia, mas não as explica.
(…)
Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. E Requião, Barroso e outros sábios decidiram que a doação legal de campanha é que faz mal à democracia brasileira.
(…)
Leia a íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2014

às 1:55

A pesquisa Vox Populi, as datas e a volta das heterodoxias

Pois é. Nesta quarta, dia 16, a Carta Capital divulgou uma pesquisa eleitoral feita pelo Instituto Vox Populi com as intenções de voto para presidente. Dilma Rousseff, do PT, aparece com 40%; o tucano Aécio Neves vem em segundo, com 16%, e Eduardo Campos, do PSB, tem 8%. Não são números muito distintos dos do Datafolha, que vieram a público no dia 5, com levantamento realizado nos dias 2 e 3: a petista aparece com 38%; o tucano, com 16%, e o peessebista, com 9%.

“Pô, Reinaldo, mas já há muitos dias de diferença entre uma e outra…” Pois é. Nem tantos assim. Embora a pesquisa do Vox Populi tenha sido divulgada no dia, 16, o site da Carta Capital informa que o levantamento foi feito entre os dias 6 e 8. Onze dias separam a divulgação dos números, mas os respectivos campos estão bem próximos. É que o Vox Populi parece ser um pouco mais lento para processar os dados… Ou será que não?

Há uma coisa estranha aí. A pesquisa foi feita entre os dias 6 e 8, mas o registro no TSE, ora vejam, é de 11 de abril — três dias depois do encerramento do levantamento. Vejam.

Pesquisa Vox Populi aviso

Não estou entre aqueles que ficam pondo resultado de pesquisas em dúvida e coisa e tal — de resto, falta muito tempo até a eleição. Também não é ilegal pesquisar primeiro e registrar depois. Mas sempre sobra a dúvida, né? Será que, se o instituto tivesse colhido um resultado diferente do gosto de quem encomendou a pesquisa, os números teriam sido divulgados?

O Vox Populi ficou famoso em 2010. Três dias antes da disputa do primeiro turno das eleições presidenciais, cravou que Dilma venceria no primeiro turno com 12 pontos de vantagem sobre a soma dos votos dos adversários. Ela ficou com 46,91% — um errinho de mais de 15 pontos percentuais! Acontece… Parece que as heterodoxias estão de volta.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2014

às 22:45

Marina como vice: um pouco de FHC, um pouco de Lula, críticas a Dilma e um tanto de apóstolo Paulo, mas numa versão meio pagã…

O PSB lançou, nesta segunda-feira, a pré-candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, à Presidência da República. Marina Silva, a chefe da Rede, um partido ainda com existência informal, anunciou o que já se dava como certo, embora a trajetória até a decisão tenha sido um tanto acidentada: vai mesmo ser vice na chapa. Acidentada por quê? A estreia da ex-senadora no PSB forçou Campos a romper alianças ou relativizá-las em estados em que conversas já estavam em andamento. Marina empresta ainda à candidatura do ex-governador uma inflexão, em alguns temas, mais à esquerda do que talvez fosse prudente.

Até agora, Marina não transferiu seus votos para Campos. Os dois formalizaram a sua aliança em outubro do ano passado, mês em que o político do PSB apareceu com 15% das intenções de voto no Datafolha. Caiu para 11% em novembro, passou para 12% em fevereiro e marcou 14% no começo deste mês. Quando Marina surge como o nome do PSB, obtém marcas substancialmente maiores nos mesmos períodos: 29%, 26%, 23% e 27%. Note-se que o último levantamento do Datafolha foi feito logo depois do horário político eleitoral do PSB e quando as inserções curtas do partido estavam no ar: Marina se mexeu, passado de 23% para 27%, mas Campos ficou praticamente No mesmo lugar, variando de 11% para 12%.

O grosso do eleitorado que simpatiza com Marina não está migrando automaticamente para Campos — não ainda ao menos. Será que essa transferência ainda vai acontecer? Vamos ver. O discurso da líder da Rede, como sempre, se deixou marcar por um certo messianismo, mas que cai bem em plateias laicas. Referindo-se ao dia em que o TSE indeferiu o pedido de registro de seu partido, afirmou: “Saí daquele tribunal, era a fraqueza em pessoa, mas eu me lembrei daquela frase, quando sou fraco é que sou forte”. Ela se referia ao versículo 10 do Capítulo 12 da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios.

E seguiu adiante, numa interpretação muito pessoal da carta de São Paulo. Disse Marina: “Porque a gente é forte quando tem a capacidade de se juntar com outras pessoas, porque o ser humano é incompleto, é faltoso, depende da completude do outro, e, naquele momento, o outro disponível para esse projeto era o PSB, na figura de Eduardo Campos”. Pois é… Quem conhece o texto sabe que São Paulo se referia a Jesus Cristo para fortalecer os fracos, não a um homem com poderes, como direi?, terrenos. Se bem que, bem lido o que disse Marina, ela própria é que se oferece como portadora da mensagem messiânica, de que Campos seria apenas um instrumento. Uau! Se ela não fosse de uma denominação evangélica, ainda reivindicaria a santidade em vida. Espero que Campos cresça e contribua para impedir a eleição de Dilma. Mas deixo claro: não suporto esse discurso de Marina.

Campos, por sua vez, insistiu na leitura de que Dilma jogou fora a boa herança que recebeu de Lula: “O Brasil perdeu o rumo estratégico. Dizia que ia para um lado e ia para o outro. Foi perdendo seus fundamentos macroeconômicos, na inclusão social. E a gente viu que esse processo nos conduziu ao cabo de três anos a um diagnóstico que é voz corrente: o Brasil parou, o povo perdeu a fé. E nós não podemos deixar o povo brasileiro desanimar da nossa luta”. Vale dizer: confronto com Lula, nem pensar.

O economista Eduardo Giannetti, de clara inflexão liberal, hoje ligado à Rede, deu aquele que pode ser o tom da campanha publicitária do PSB ao afirmar: “O Brasil está cansado da polarização PT versus PSDB. Eles já deram o que tinham de dar. O Brasil não quer mais do mesmo, quer diferente. Nós somos os portadores dessa esperança nessa eleição. O governo Dilma frustrou avanços construídos a duras penas no governo FH e no primeiro do presidente Lula. É um governo repleto de paradoxos”.

E assim se lançou a pré-candidatura de Eduardo Campos: com um pouco de Lula, com um pouco de FHC, com o governo Dilma até anteontem, contra o governo Dilma agora, tudo isso temperado por uma leitura, como direi?, meio pagã da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios. Mas, claro, “sem contradições”!!!

Por Reinaldo Azevedo

10/04/2014

às 22:56

Indiciamento de Pimenta da Veiga tem cheiro de perseguição política, tem jeito de perseguição politica, tem cara de perseguição política e deve ser… perseguição política!

A Polícia Federal decidiu indiciar Pimenta da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo de Minas. Há algo de estranho nisso? Há, sim! E não é pouca coisa, não. Mas, antes que entre no mérito, permitam-me fazer uma observação. Depois do escândalo do mensalão do PT, é como se a inocência tivesse acabado no país. Há gente que pensa assim: “Se até os petistas eram culpados, vai ver os outros também são”. Trata-se de um raciocínio estranho, como se as pessoas desse partido fossem mais moralistas e decentes do que a de outros. E isso, definitivamente, não é verdade. Agora vamos ao caso de Pimenta de Veiga, que tem laivos de surrealismo, de absurdo.

Atenção! Em 2003 — há 11 anos, portanto — o tucano atuava apenas como advogado e recebeu, em quatro parcelas, R$ 300 mil das agências de Marcos Valério. O dinheiro foi depositado em sua conta e declarado em Imposto de Renda. Até aí, vá lá. Ocorre, meus caros, que o mal chamado mensalão mineiro — é mal chamado porque, nesse caso, sim, tratou-se de caixa dois de campanha — é de 1998, ano em que Eduardo Azeredo perdeu a reeleição. Em 2003, como resta comprovado, Marcos Valério já cuidava do esquema clandestino do PT. Não tinha mais nenhuma relação com os tucanos.

Então vamos ver: o chamado mensalão é de 1998; Pimenta recebeu honorários, como advogado, em 2003. O caso veio a público em 2005,  e ele é indiciado pela Polícia Federal 9 anos depois que a questão veio a público,  11 anos depois do recebimento e 16 anos depois do chamado “mensalão mineiro”? E tudo isso ocorre justamente no ano em que se torna pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, no ano em que o candidato à Presidência do partido será o senador Aécio Neves, de Minas?

A acusação, de resto, é risível: lavagem de dinheiro. Ora, para tanto, Pimenta teria de ter recorrido a subterfúgios para esconder recursos sabidamente ilegais, dando-lhes uma aparência de legalidade. Alguém faz isso declarando o ganho à Receita Federal? Aí o sujeito que gosta de confundir alhos com bugalhos chia: “Ah, quando é tucano, você não acredita?”. Não é isso, não! É que um advogado, desde que atue segundo as regras, não é obrigado a investigar a origem dos ganhos de quem paga seus honorários. Se fosse assim, bandidos teriam de apelar sempre a defensores públicos.

Venham cá: alguém investigou a origem dos honorários dos advogados de José Dirceu, de Delúbio Soares, de José Genoino, dos banqueiros do Rural? São todos grandes medalhões da advocacia brasileira. Não! Nem era o caso!

De fato, Pimenta já prestou esclarecimentos sobre esse dinheiro à CPI, à Polícia Federal e ao Ministério Público. Demorou 9 anos — NOVE ANOS!!! — para a PF concluir que havia algo de errado com o pagamento? Quer dizer que, em pleno 2003, no auge do funcionamento do mensalão petista, Marcos Valério estaria pagando supostas dívidas do chamado mensalão mineiro, ocorrido em 1998? Tenham paciência!

Não é demais lembrar: na Venezuela de Hugo Chávez, tão admirada pelos companheiros petistas, recorre-se a investigações de natureza criminal para perseguir adversários políticos.

Mais: em visita recente de Dilma a Minas, sabem quem preparou uma festança para ela? Walfrido dos Mares Guia (PTB), que era o caixa da campanha do PSDB em 1998 em Minas e um dos investigados no chamado mensalão mineiro. Como fez 70 anos, a Justiça decretou a extinção da punibilidade. Ora vejam: Lula fez dele ministro do Turismo em 2003 e depois das Relações Institucionais em 2007. Vai ver não acreditava na sua culpa, né?

Essa história de Pimenta da Veiga tem jeito de perseguição política, tem cheiro de perseguição política, tem lógica de perseguição política. E é bem possível que… seja perseguição política.

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2014

às 6:25

Dilma faz campanha eleitoral ilegal em MG para si e para outro petista. Ou: Mais uma vez, economia reage bem à queda de petista em pesquisa

Quando lembro que seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio — já se pronunciaram contra a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais e vejo o uso desavergonhado da máquina pública federal em favor de candidaturas do PT, mais evidente se torna a estupidez da decisão dos doutores. É impressionante. Na semana passada, a presidente Dilma participou da solenidade de entrega de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida”, em São José do Rio Preto, em São Paulo. Lá estava Alexandre Padilha, candidato ao governo do Estado. Nesta segunda, foi a Contagem, em Minas, para doar caçambas e máquinas de terraplenagem a prefeituras da região. E quem estava pendurado em seu braço? Fernando Pimentel, que vai disputar o Palácio da Liberdade. Trata-se do uso explícito, escancarado, sem rodeios, do dinheiro público em favor das candidaturas do partido. E o que o STF pode fazer a respeito disso? Nada! No máximo, as respectivas oposições podem apelar a Justiça Eleitoral — no fim das contas, para nada.

Em Contagem, Dilma decidiu dar uma de valente. Referindo-se à tempestade de lambanças da Petrobras, afirmou: “É muito usual nos períodos da pré-campanha a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governos. Nós temos experiência disso. Enfrentamos isso em 2006, com a reeleição do Lula, e 2010, na minha eleição. O meu governo continuará governando, mantendo o seu caráter republicano. Não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer”.

Pois é… A doutora se esquece de que é ela  a principal testemunha de irregularidades na Petrobras, não é mesmo? Ela confessou, de próprio punho, que, na condição de presidente do Conselho de Administração, foi enganada numa patranha bilionária. O que a Soberana não consegue explicar é a sua omissão posterior. Parece que o Planalto não está se dando conta de que, desta vez, a cascata de que tudo não passa de uma conspiração contra a Petrobras não está colando. Pesquisa Datafolha revela que 78% dos entrevistados acreditam haver, sim, corrupção na empresa. E por que não acreditariam? A cada dia, ficamos sabendo um pouquinho mais daquela casa de horrores.

Em seu pronunciamento em Contagem, ao lado do candidato do PT ao governo de Minas, Dilma, cinicamente, disse que a campanha só começa em junho. É mesmo? O orador dos prefeitos foi o prefeito da cidade de Joaíma, Donizete Lemos. Discursou: “Não tenham medo de apoiar a presidente Dilma. Não tenham medo de encarar a campanha. Vamos manter esse governo. Prefeito não tem que ter medo. A Dilma tem que continuar”. E os presentes entoaram “Olê, olê, olê, olá, Dil-má, Dil-má”. Por muito menos, a Justiça Eleitoral já cassou mandato de prefeito e governador. É evidente que isso caracteriza uso da máquina pública em favor de um partido e compra de voto. Aqueles gloriosos ministros do STF, no entanto, estão ocupados em proibir a doação legal de campanha. Há uma coisa positiva. Há sinais evidentes de que, a cada dia, mais gente vai demonstrando que já está com o saco cheio desse estilo. Nesta segunda, mais uma vez, os mercados viveram um dia de otimismo. Por quê? Comemoravam a queda de seis pontos de Dilma na pesquisa do Datafolha. Essa gente atrapalha hoje de tal sorte o país que a simples perspectiva de que possa ser, quem sabe, derrotada em outubro já enche os espíritos de um ânimo novo. 

 Texto publicado originalmente às 4h55
Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 6:27

E Rui Falcão, presidente do PT, volta a ameaçar Dilma

E o presidente do PT voltou a ameaçar a presidente Dilma Rousseff. Ele é insaciável. Cumpre lembrar que, na sexta-feira, ele já havia afirmado, quando indagado se o PT poderia substituir a presidente por Lula na chapa petista, que “irrevogável e irreversível” só mesmo a morte. Convenham: isso não é exatamente a fala de alguém que está animado com a candidatura.

Nesta segunda, a Folha traz uma entrevista com Falcão. Mais uma vez, ele não se fez de rogado e estabeleceu as condições para que ela continue candidata. Cito uma das suas falas: “Mas a candidata continua liderando, continua ganhando no primeiro turno, por que você vai mudar? Existe o coro do volta, Lula, as pessoas falam, o Lula é uma pessoa muito querida, mas a Dilma também é. Ambos são”.

Para quem sabe ler, não é preciso cortar o “t”. Falcão está sendo claro: se, em algum momento, a candidata deixar de liderar, ela cai fora. Ele foi ainda mais restritivo nas condições: “Se o Aécio e o Eduardo Campos estivessem grudando nela, tivessem crescido, e ela, caído, você poderia até achar que existe algum risco da volta de Lula. Mas isso não ocorreu”.

Mais uma vez, o presidente do PT está dizendo a Dilma que, irrevogável, só a morte, não a sua candidatura. Se surgir no horizonte a possibilidade de ela perder a reeleição, Falcão manda bala: sua posição não está garantida. Ele não parece muito seguro.

Falcão chega a ser engraçado. Refere-se a um tal “noticiário negativo” que se difundiu. Afirmou: “O rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil é uma notícia negativa. A divulgação das expectativas de inflação pelo boletim Focus e pelos analistas econômicos, de que a inflação pode crescer até setembro, para depois começar a declinar. Você pega os episódios da Petrobras, apesar de ser uma campanha contra a empresa. E, por último, essas denúncias, não comprovadas, envolvendo um deputado do PT [André Vargas] em particular. Houve um verdadeiro tsunami contra o governo”.

O presidente do PT fala como se fosse evidência de má vontade da imprensa. Não! A nota do Brasil foi rebaixada, a inflação mostra tendência de alta, as lambanças na Petrobras são impressionantes, e o deputado André Vargas mal está com nariz fora d’água. Essas coisas todas são apenas fatos!

Aliás, as evidências contra Vargas, colhidas pela Polícia Federal, à diferença do que afirma Falcão, são escandalosas. Depois de ele combinar com o doleiro Alberto Youssef o lobby no Ministério da Saúde, Youssef, que está preso, diz que o chefão petista fará sua “independência financeira”.

De resto, chamar os óbvios desmandos na Petrobras de “campanha contra a empresa” é mais uma tentativa canhestra do PT de varrer tudo para debaixo do tapete. Campanha contra a empresa fazem aqueles que a assaltam, senhor deputado.

 

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 6:25

AINDA O DATAFOLHA – Números de 2006 e 2010 ajudam a entender o medo nas hostes petistas e a urucubaca que Rui Falcão jogou em Dilma

Surge mais um pesquisa com números aparentemente bons para a presidente Dilma Rousseff, e o que se vê no petismo é nervosismo. Por quê? Porque eles não são tão bons como parecem. E eu vou lembrar aqui alguns dados de levantamentos anteriores para evidenciar a razão da tensão.  Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, e ela não é, no cenário mais provável, Dilma teria 38% das intenções de votos. Perdeu seis pontos em relação a fevereiro. O tucano Aécio Neves segue com 16%, mesmo índice da pesquisa anterior, e Eduardo Campos, do PSB oscilou de 9% para 10%. Se isso se repetisse em outubro, Dilma seria eleita no primeiro turno. Mas duvido que vá acontecer. Não acontecendo, o risco de derrota cresce bastante. Por quê?

Hoje, 36% acham o governo Dilma ótimo ou bom. O número caiu. Em fevereiro, eram 41%. Consideram-no regular 39% dos entrevistados, e os que o veem como péssimo subiram de 21% para 25%. Então vamos comparar. Essa avaliação da gestão Dilma é muito parecida com a do governo Lula em abril de 2006: 37% diziam que era ótimo ou bom; 38%, que era regular, e 23%, ruim ou péssimo. Também os índices eleitorais são semelhantes: em abril de 2006, Lula tinha 40% das intenções de voto; o tucano Geraldo Alckmin aparecia com 20%.

E Lula não conseguiu se reeleger no primeiro turno. Ficou com 48,61% dos votos. Os 20% de Alckmin se transformaram em 41,64% nas urnas, no dia 1º de outubro de 2006. A diferença, que, em abril, se mostravam gigantesca, foi de apenas 6,97 pontos percentuais.

A eleição de 2010 assusta os petistas um pouquinho mais, nem tanto pelo resultado final: no segundo turno, Dilma obteve 56,05% dos votos válidos, e o tucano José Serra, 43,95%. O susto está em outro lugar. Atenção! Em abril de 2010, Serra ainda estava na frente de Dilma no Datafolha: 38% a 28% para o tucano. A candidata desconhecida, o “poste de Lula”, como era chamada então, já tinha começado a sua ascensão. Chega a ser espantoso que tenha havido segundo turno em 2010. E, no entanto, houve. E por que digo que foi espantoso? Vamos à avaliação de governo: em abril de 2010, achavam-no ótimo ou bom 73% dois entrevistados. É mais do que o dobro do que se tem hoje: 36%. Consideravam-no só regular 22%, 17 pontos percentuais a menos do que agora: 39%. Viam-no como ruim ou péssimo apenas 5% dos entrevistados: um quinto apenas do que se tem na gestão Dilma: 25%. Com uma avaliação como aquela, era praticamente impossível o governo não vencer a eleição — e venceu, como se sabe. Mas não no primeiro turno.

Notem: em 2010, a maioria deixava claro que não queria mudar quase nada no país. Mesmo assim, Serra chegou ao segundo turno. Em 2014, já registrou o Ibope, 64% dizem esperar um governo completamente diferente; 63% desses 64% — ou 40,32% — querem mudar de rumo e de presidente. No Datafolha, são 72% os que querem mudança, um número muito superior à soma dos votos de Aécio e Campos: 26%. É que muita gente, 39%, ainda aposta que Lula poderia corrigir os rumos do país — mas ele não será candidato — ou que a própria Dilma poderia operá-la: 16%.

Assim, noto que, com o governo do PT muito mais bem avaliado do que hoje — mais do que o dobro de aprovação —, houve segundo turno em 2010. Por que não haveria agora? Mais: há quatro anos, a esmagadora maioria queria conservar a administração; hoje, quer mudá-la. Falta agora que Aécio Neves e Eduardo Campos se identifiquem com a transformação. Eles têm a seu favor o fato de que 57% dizem conhecer Dilma muito bem — apenas 17% afirmam o mesmo de Aécio e 8% de Campos. Nunca ouviram falar de Dilma apenas 1% dos entrevistados; número que chega a 25% com Aécio e 42% com Campos. Mesmo assim, a rejeição aos três é a mesma: 33% no Datafolha. Conclusão: muita gente rejeita Dilma porque a conhece, e muitos rejeitam Aécio e Campos porque não os conhecem.

Os número autorizam a dizer que haverá, sim, segundo turno, que a disputa não será fácil para a presidente e que o risco de derrota do petismo é o maior de 2002 para cá. Isso tudo ajuda a entender a urucubaca de Rui Falcão sobre Dilma. No fim da semana passada, com a elegância costumeira, indagado se a candidatura dela era irreversível, mandou ver: “Irreversível, só a morte!”. Vá se benzer, presidente! 

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 6:23

Era uma creche muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada! E fica na Rua dos Bobos, nº Zero

realizações de Dilma

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Uma das propostas mais marcantes de Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2010 foi a de construir 6.000 creches pelo Brasil até o fim do seu mandato, em 2014. Mas o compromisso, reforçado após a vitória nas urnas, dificilmente será cumprido. Quando iniciou seu quarto ano de mandato, em janeiro, Dilma havia inaugurado apenas 223 creches – 3,7% do total prometido. O total de obras listadas, mesmo as que ainda não saíram do papel, também estava abaixo do previsto: 5.257.

Os dados integram o amplo levatamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas nos balanços oficiais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 disponibilizados pelo governo federal. Levando em conta o prazo de conclusão das obras (pelo menos um ano a partir do início da licitação), é certo que a construção das 6.000 creches serão mais uma meta não cumprida pela presidente. A construção das unidades é feita em parceria com as prefeituras: o governo federal repassa os recursos mas é o gestor municipal quem fica responsável por escolher o local da obra e realizar o empreendimento. A demanda por creches é real no país. Mas, por causa da burocracia ou por falta de interesse, os prefeitos parecem não ter ficado impressionados com o plano de Dilma.

Em 2013, já ciente de que a procura era menor do que a prevista, o governo flexibilizou as regras para a adesão ao programa e passou a oferecer um projeto-padrão de engenharia, para agilizar os trabalhos. Na ocasião, Dilma fingiu que os trabalhos estavam prosseguindo no ritmo ideal: “O nosso compromisso era 6.000, mas é muito possível que seja um número maior que nós vamos entregar de creches”, disse ela.

O Ministério da Educação afirma que parte dos atrasos se devem às prefeituras, e diz que o governo trabalha para contratar 6.000 obras de creches até o fim do ano. Aquelas que não estiverem prontas estarão em fase avançada de construção. Mesmo sendo verdadeiras a alegações, a justificativa não é suficiente para eximir o governo de cumprir a promessa feita na campanha. Em 2010, Dilma não se preocupou em explicar ao eleitor que, na verdade, os prazos não dependiam apenas da União.

Quadras
Na campanha e 2010, Dilma também havia prometido construir ou reformar 10.000 quadras esportivas de escolas públicas. Em maio de 2011, a presidente foi além: “Nós vamos construir dentro do PAC 2 em torno de 12 mil quadras cobertas”, disse ela, em um discurso no Palácio do Planalto. Mais uma vez, o resultado foi decepcionante: 481 obras concluídas, de um total de 9.158 contratadas, segundo os dados do próprio governo.

Situação ainda pior é a do Centro de Artes e Esportes Unificados: a lista do governo tem 357 empreendimentos, mas apenas 22 estavam prontos quando foi feito o último balanço. Se mantivesse o ritmo de inauguração de obras, nem a reeleição não seria suficiente para Dilma cumprir as promessas que fez para os seus quatro anos de governo.

Por Reinaldo Azevedo

07/04/2014

às 6:21

Era uma estrada muito engraçada, não tinha asfalto, não tinha nada… E fica na Rua dos Bobos, nº Zero

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Uma das cenas mais repetidas pela presidente Dilma Rousseff nos últimos três anos é o anúncio de duplicação de rodovias pelo país. Nem sempre as promessas se concretizam – em alguns casos, o tempo passou e ela acabou lançando a mesma obra mais de uma vez. Levantamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas mostra que o governo federal concluiu menos de 30% das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 até agora.

Dados do próprio governo apontam que foram 421 empreendimentos prometidos e 126 entregues. Maior ainda é o número de obras que ainda estão em “ação preparatória” ou em fase de licitação: 133, o equivalente a 31,6% do total, continuam apenas no papel. A conclusão contraria o que diz o próprio governo, que normalmente enfatiza os dados financeiros para apresentar um balanço positivo do Programa de Aceleração do Crescimento. Ao todo, apenas 12% das quase 50.000 obras do PAC foram entregues.

Em um país onde cerca de 60% das cargas são transportadas em caminhões, grande parte das regiões produtoras sofrem com a precariedade das estradas. Muitos trechos, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, simplesmente não possuem asfalto. Assim como em outras áreas, a lentidão e a má qualidade do serviço são os maiores adversários da eficiência. O resultado prático da lentidão nas obras é fácil de se medir. E, por vezes, a conclusão das obras não significa o fim dos problemas. O senador Sérgio Petecão (PSD-AC), vice-presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, cita um exemplo que conheceu de perto: o da BR-364, em seu Estado.

O trecho entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco foi reinaugurado no ano passado. Mas não durou muito até que as chuvas transformassem vários pontos da rodovia em um atoleiro. Enquanto novos trechos eram construídos, partes recém-inauguradas de asfalto começavam a se desintegrar. “Lá aconteceram as duas coisas: má execução de obra e má qualidade do material. Quando termina um trecho, outro já está intrafegável”, diz o senador.

O cenário econômico incerto, o risco de descontrole nas contas públicas e a legislação eleitoral não devem permitir ao governo multiplicar os gastos com as obras do PAC em 2014, para corrigir a defasagem dos primeiros três anos de governo. De acordo com dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em janeiro e fevereiro o governo não aplicou um real sequer do valor previsto para o transporte rodoviário no Orçamento da União. O 1,5 bilhão de reais que saiu dos cofres públicos sob esta rubrica foi integralmente fruto dos chamados restos a pagar – débitos assumidos em anos anteriores.  A má gestão e a falta de controle sobre as obras não são os únicos problemas: especialmente na construção de rodovias, a corrupção é uma praga contra a qual o governo não parece ter as armas necessárias.

Logo no primeiro ano do governo Dilma, VEJA revelou como o Ministério dos Transportes – em especial o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – havia se transformado em uma máquina de fazer dinheiro para o caixa do PR, partido que comandava a pasta graças ao loteamento político promovido por Dilma. A revelação das irregularidades, que envolviam superfaturamento de obras e fraudes em licitações, forçou o governo a promover um expurgo que, como efeito colateral, paralisou temporariamente obras em todo o país. Nem mesmo a “faxina” durou muito: dois anos depois, Dilma devolveu o comando do ministério ao PR e escolheu César Borges para comandar a pasta.

Resposta
De acordo com o Ministério dos Transportes, há muitos trechos de rodovias que já estão liberados para o tráfego mas não aparecem como “concluídos” na lista do governo porque restam “pequenos subtrechos” em obras. O PAC 2, diz a assessoria de imprensa, entregou 3.080 quilômetros de rodovias até agora. A pasta reconhece que, devido ao “porte, extensão e complexidade” das obras, pode haver alterações nos cronogramas.

Por Reinaldo Azevedo

05/04/2014

às 20:11

Datafolha: Caem expectativa de voto em Dilma e avaliação positiva do governo; população quer mudanças, mas ainda não as identificou com as oposições

Datafolha cenário 1

A Folha Online traz os dados da mais recente pesquisa Datafolha. Se a eleição fosse hoje — ainda bem que não é! —, no cenário mais provável, a presidente Dilma seria reeleita no primeiro turno, com 38% dos votos, contra 16% do tucano Aécio Neves e 10% de Eduardo Campos, do PSB, ex-governador de Pernambuco. Poderia ser um resultado desastroso, já digo por quê. Antes, vamos a alguns outros números (todas as ilustrações e gráficos foram feitos pela Editoria de Arte da Folhapress)..

avaliação do governo Dilma

O levantamento foi realizado nos dias 2 e 3. Há pouco mais de dois meses, Aécio tinha os mesmos 16%, e Campos, 9%. Logo, os dois estão onde estavam. Dilma, no entanto, caiu 6 pontos percentuais. Na pesquisa dos dias 19 e 20 de fevereiro, ela aparecia com 44%. Em relação ao levantamento anterior:
1 – houve um aumento de 4 pontos nos que acham o governo “ruim ou péssimo” (de 21% para 25%);
2 – caíram de 41% para 36% os que pensam que ele é ótimo bom, e variaram de 37% para 39% os que o consideram regular;
3-  a maior insatisfação está no Sudeste, onde o “ruim/péssimo” (31%) vence o “ótimo/bom” (28%); 40% acham apenas regular;
4 – a região mais satisfeita é o Nordeste: 51% de “ótimo/bom”, contra 12% de ruim/péssimo — para 36%, é regular;
5 – no Norte/Centro-Oeste, a avaliação positiva ainda supera a negativa: 32% a 25% (com 32% de regular);
6 –  no Sul, os índices tendem a se igualar, mas ainda são favoráveis à presidente: 33% a 29%, com 37% de regular.
7 - 
Atenção! Nada menos de 72% dizem esperar que o próximo governo aja de maneira diferente desse que está aí;
8 –  torcem pela mesma coisa apenas 24%.

Dito isso, voltemos ao fim do primeiro parágrafo.

Imaginem quão ruim seria eleger mais do mesmo quando, convenham, poucos estão realmente satisfeitos com o governo. Seria garantir a continuidade do que não está bom. Esses não são os únicos indicadores de insatisfação e de preocupação, não. Há outros:
9 –  65% acham que a inflação vai aumentar;
10 – 45% acreditam que haverá aumento do desemprego (só 20% pensam o contrário);
11 –  28% pensam que haverá aumento do poder de compra dos salários, mas 35% pensam o contrário.
1 2 – 9% avaliam que a economia vai piorar, contra 27% que preveem o contrário; 39% acham que ficam tudo na mesma;
13 – 63% dizem que Dilma fez menos do que esperavam.

É claro que esses não são números confortáveis para Dilma. E não há razão para supor que vá haver uma mudança substancial na economia — ao contrário até: alguns índices caminham na contramão dos que mantêm expectativas positivas. Mas…

As oposições
Mas os dois nomes da oposição ainda não empolgaram — ao menos segundo os dados da pesquisa. Se 72% querem um governo que atue de modo muito diferente desse, a soma dos pontos dos dois candidatos que se opõem a Dilma é de apenas 26%. Indagados sobre quem poderia fazer as mudanças esperadas, vejam como se distribuíram os que responderam a pesquisa:
Lula: 32%
Marina: 17%
Dilma: 16%
Aécio: 13%
Campos: 7%

Vale dizer: parte considerável daqueles 72% que esperam um governo diferente ainda aposta que a mudança possa ser conduzida pelos próprios petistas. Eis aí uma evidência de que os candidatos do PSDB e do PSB precisam assumir com mais clareza o discurso mudancista. Até porque, num eventual segundo turno, se a eleição fosse hoje, Dilma venceria Aécio por 51% a 31%, e Campos, por 51% a 27%.

Ruim para Campos
Avalio que o resultado é particularmente ruim para Campos — e talvez os números lhe sirvam de alerta para mudar o rumo de seu estranho discurso. O horário político gratuito do PSB foi ao ar dia 27. Estava bem produzido, foi feito com competência, era coisa de profissionais. Ainda estão no ar as minipropagandas do partido. Mesmo com essa exposição massiva e com a queda de Dilma, ele não se mexeu: continuou nos 10 pontos percentuais.

Será que não há aí um indicador de que esse seu esforço para preservar Lula e o petismo — centrando seus ataques só em Dilma — acaba sendo ineficaz? Tendo a achar que sim. Tenho pra mim já há algum tempo que o ex-governador de Pernambuco ambiciona um lugar no discurso político que é difícil, quase impossível: o de continuador de Lula, mas sem pertencer ao PT. Notem: a maioria concorda, sim, com a pregação de Campos. Nada menos de 72% também acham que o governo precisa mudar. Mas 48% ainda escolhem petistas para fazer isso: 32% acham que Lula é que tem de operar essa transformação, e 16%, a própria Dilma. Só 7% acham que Campos é o homem certo para a missão.

Datafolha mudanças abril-2004

Aécio
O tucano Aécio Neves tem ocupado ativamente o espaço que cabe a um líder oposicionista, especialmente nestes dias de escândalos em série da Petrobras. Os índices ainda não se mexeram, mas é visível que existe potencial para isso. É claro que a exposição dos candidatos de oposição no noticiário ainda é muito menor do que a da já candidata à reeleição Dilma Rousseff.

Não parece plausível que Dilma vença a disputa no primeiro turno. Com índices muito melhores em 2006 e em 2010 em todas as áreas, o governismo não logrou tal intento. De resto, a eleição ainda não está entre as principais preocupações dos brasileiros. Se todos os partidos hoje na base governista se mantiverem unidos, Dilma terá um latifúndio na TV e do rádio: dos 25 minutos diários, terá nada menos de 15min25s — 62%. Aécio ficaria com 4 minutos: 16%, e Campos, com apenas 1min23s: 6%. Trata-se de uma diferença gigantesca. Mesmo assim, a oposição estará mais presente na TV e no rádio do que hoje. Na hipótese de um eventual segundo turno, essa diferença desaparece.

Há outra questão fundamental: 52% dizem conhecer Dilma muito bem, mas apenas 17% dizem o mesmo sobre Aécio, e 7%, sobre Campos. Só 12% nunca ouviram falar da petista, índice que chega a 33% quando é citado o nome do ex-governador de Pernambuco e a 35% quando se trata do senador mineiro. Quando se cruzam esses dados com a rejeição — os três estão com 33% —, chega-se a uma evidência: boa parte dos que rejeitam Dilma a conhecem de fato; no caso de Aécio e Campos, boa parte da rejeição pode se confundir com desconhecimento, o que também pode explicar a adesão ainda baixa às duas candidaturas.

Datafolha grau de conhecimento  abril

A população quer mudanças, mas ainda não encontrou o caminho. Cabe aos que se opõem ao governo esse trabalho de convencimento.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2014

às 5:11

Com uma única fala, presidente do PT ameaça Dilma e tenta ameaçar a oposição. Os petistas que se entendam, ora!

Dilma precisa se benzer. Eu, no lugar dela, faria até uma novena. Neste quinta-feira, Rui Falcão, presidente do partido, resolveu mandar dois recados, tudo embalado numa espécie de ameaça — além de dizer uma porção de barbaridades. Vamos lá.

De saída, Falcão fez de conta que o eleitor não existe e que eleições são desnecessárias. Segundo disse, Luiz Inácio Lula da Silva, “se quiser”, pode voltar “com tranquilidade” em 2018. Fosse um democrata convicto, Falcão diria “voltar a ser candidato”. Mas não! Ele se refere à Presidência mesmo, sem escalas. Até parece que Lula tem mandato vitalício. Ainda que as pesquisas, hoje, possam indicar eventual vitória no primeiro turno se candidato fosse, quem disse que seria assim em 2018?

Mas esse não foi o centro da sua fala, não. Indagado se a candidatura da presidente Dilma é irreversível, com aquele ar peculiarmente sinistro, afirmou: “Irrevogável, irreversível, só a morte, mas não há nenhuma razão para supor que ela não será nossa candidata”. Ou, dito de outro modo, o PT trabalha, sim, com a possibilidade de que Dilma possa não se candidatar. Acrescente-se, de resto, o mau gosto de uma fala como essa referindo-se a alguém que se tratou de um câncer bastante grave não faz muito tempo. Poderiam dizer: “Ah, mas o Lula também!”. É verdade! Só que a presidente, no momento, é ela, não ele. Mais um pouco, e Falcão lamenta o bom estado de saúde da presidente.

Curiosamente, no mesmo dia em que ficou jogando urucubaca na presidente, Falcão se referiu ao caso Petrobras, depois de uma reunião com jovens, alguns deles envolvidos com os protestos de junho. Chamou de “impatriótica” o que considerou uma “campanha contra a Petrobras”. Vale dizer: o presidente do PT parece achar que a apuração de lambanças é falta de… patriotismo. Cumpre lembrar que a Polícia Federal, não a oposição, abriu três inquéritos para apurar operações suspeitas na estatal.

Falcão afirmou ainda: “É um ataque à Petrobras. São os mesmos que colocaram um ‘x’ na Petrobras para torná-la palatável ao mercado; que foram contra o regime de partilha”.

Vamos esclarecer. No governo FHC, fez-se um estudo para que a Petrobras passasse a se chamar “Petrobrax”. Considerava-se, não entro no mérito, que isso reforçaria o seu caráter de empresa de alcance global. O PT inventou a mentira deslavada de que isso era parte de uma operação para privatizá-la. Nunca aconteceu. Tanto é assim que a estatal criou, em 1976, a linha de produtos “Lubrax”, não “Lubras”. Esse, definitivamente, não é o “x” da questão. Quanto ao regime de partilha, a oposição é e tem de ser crítica mesmo! Está se revelando ruinoso para a estatal brasileira.

O “x” mesmo da questão é outro. Ao ligar os dois temas — a não irreversibilidade da candidatura de Dilma e a investigação das lambanças na Petrobras —, Falcão manda um recado tanto a Dilma como às oposições. Está dizendo a ela: “Não pense que nós a manteremos candidata caso seja grande o risco de derrota”. Aos adversários: “Não insistam no assunto Petrobras, ou a gente chama o Lula de volta”.

Bem, dizer o quê? Quem será o candidato do PT, convenham, é problema do PT. Lula e Dilma que se entendam. Que existe muito lulista vibrando com o calor que Dilma está passando com a Petrobras, ah, isso existe. O lulismo finge ignorar que a empresa se transformou na casa de horrores justamente no governo… Lula.

Texto originalmente publicado às 22h40 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

31/03/2014

às 23:03

Kassab lança a sua pré-candidatura ao governo de SP. É pra valer?

O ex-prefeito Gilberto Kassab lançou sua pré-candidatura ao governo de São Paulo durante um evento do partido na capital. Lançou, mas com prudência. Diz um velho ditado que, “em tempo de muda, jacu não pia”. Ou por outra: quando o cenário está meio incerto, melhor é esperar. Ou ainda: o negócio é cruzar para o outro lado, mas não incendiar os navios — vai que seja preciso voltar. A candidatura é irreversível? Mais ou menos. Ou nas suas palavras, segundo informa a Folha: “A legislação eleitoral não nos permite fazer nenhuma referência à candidatura. É evidente que uma pré-candidatura é um indicativo forte da vontade do partido, uma tendência praticamente irreversível”.

Poderia ser mais incisivo, mas o cenário nacional se tornou também muito instável. O PSD é um partido da base do governo, mas, em São Paulo, tem um eleitorado nada identificado com o partido — aliás, Fernando Haddad é um bom cabo eleitoral do ex-prefeito, não é mesmo?, com a sua espetacular ruindade.

De todo modo, o que faz sentido na forma como Kassab se movimenta é, sim, candidatar-se. Não gosto, e já escrevi aqui diversas vezes, desse jeito excessivamente pragmático de Kassab fazer política, mas ele é, inegavelmente, um dos operadores mais astutos que estão por aí — e nem empresto à palavra um sentido pejorativo. Ele sabe, no plano mais geral, que há sinais de decadência do petismo e aposta, também, no que considera fadiga de material dos tucanos em São Paulo. Busca se apresentar como alternativa a essa polarização — mesmo terreno em que transita Paulo Skaf (PMDB).

É difícil que consiga chegar a um segundo turno. A menos que o cenário nacional mude radicalmente, a tendência é que apoie o adversário de Geraldo Alckmin na segunda etapa — ciente, no entanto, de que seu eleitorado pode (e é o provável) não seguir a sua orientação.

O outro destaque do encontro foi Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central, o goiano com domicílio eleitoral em São Paulo. Kassab o quer candidato ao Senado, num esforço, é evidente, de atrair o eleitorado mais conservador — um tipo de conservadorismo, no entanto, que conta com a simpatia do mais importante de todos os petistas: Lula, a cujo governo Meirelles serviu como presidente do Banco Central.

Desde 1998, os tucanos têm aos menos um candidato, digamos assim, jogando no campo à sua direita: Francisco Rossi (1994), Paulo Maluf (1998 e 2002) e Celso Russomano (2010). Em 2006, o principal adversário não-esquerdista de Serra foi Orestes Quércia, que era um clássico do PMDB. Desta feita, Alckmin terá, como sempre, o PT à sua esquerda, mas vai encarar dois que mobilizam votos à sua direita: Kassab e Skaf. O que esse eleitorado fará num eventual segundo turno pode decidir a eleição.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2014

às 19:17

Aécio fala a coisa certa: tanto faz se o candidato do PT será Dilma ou Lula

Já que estamos em tempos de recuperar os idos da ditadura militar, vou lembrar aqui de uma frase do general João Baptista Figueiredo, o último presidente daquele ciclo, inaugurado em 1964: “Olhem que eu chamo o Pires”. O “Pires” era uma referência a Walter Pires, ministro do Exército. Mostrou-se um soldado disciplinado, ali nos estertores da ditadura, mas era de pouca prosa. Até surgiu na época uma safra de generais que gostavam de sorrir, de fazer acenos aos críticos e tal. Não era o caso do enigmático “Pires”. E quando é que Figueiredo fazia aquilo? Sempre que julgava que a oposição ou o Congresso exageravam e tentavam ir além do que ele considerava seguro no tal processo de “abertura”. “Chamar o Pires”, ainda que dito num tom de pilhéria agressiva, significava o óbvio: dar um novo golpe e acabar com a brincadeira. E por que não chamou? Acho que é porque percebeu que não era mais possível. Adiante.

Mutatis mutandis, Lula é o “Pires” do PT. Nos bastidores, lideranças do partido vivem ameaçando, a cada vez que se evidenciam sinais de fragilidade da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição: “Olhem que nós chamamos o Lula”. É o sonho dourado de um monte de petista e, se querem saber, de muitos empresários também. Ninguém é tão dócil com alguns tubarões da economia como Lula. Ele tem um lado, assim, melancia às avessas: vermelho por fora e verdinho por dentro. Ou, se quiserem uma metáfora mais tátil, ele se parece bastante com jaca: por fora, tem uma casca áspera, hostil, mas, por dentro, é bastante mole e melequento, gelatinoso mesmo.

O “vamos chamar o Lula” voltou a ser repetido com muita frequência nos bastidores do partido na semana passada, quando veio a público a pesquisa Ibope indicando uma queda importante na popularidade de Dilma. A questão existe não é de hoje. Não custa lembrar que, ainda em 2011, no primeiro ano do governo Dilma, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e espião do Apedeuta no Palácio, falou em Lua como “o nosso Pelé”, sugerindo que o PT tem no banco o melhor jogador. Ou por outra: se Dilma for um risco, chame-se o Pelé barbudo.

Nesta segunda, o tucano Aécio Neves referiu-se a possibilidade da volta de Lula à disputa em palestra concedida a empresários ligados ao LIDE, grupo que reúne empreendedores de São Paulo. Afirmou: “Ouço sempre que pode haver mudança da candidatura do governo. Para mim, não importa se será Lula ou Dilma. O que eu quero é derrotar o modelo que aí está”.

O pré-candidato tucano faz muito bem em tocar no assunto, pondo às claras essa história de que Lula chega e toma a Presidência como e quando quiser. Se acontecer, terá de ser com o voto do eleitorado. Ele disputar ou não é um problema dos petistas e de Dilma, não das oposições. Esse negócio do “olhem que nós chamamos o Lula” é só mais uma tentativa de intimidar a oposição.

 

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2014

às 21:05

Ibope mostra Dilma “derretendo”, diz Serra

Na Folha:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) afirmou nesta sexta-feira (28) que a queda da aprovação da presidente Dilma Rousseff mostra que a petista “está derretendo”. “A avaliação de governo tem um papel determinante na eleição”, completou Serra. De acordo com uma pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira (27), o índice de pessoas que consideram a gestão federal boa ou ótima caiu de 43% para 36% desde novembro.

No mesmo instante em que o ex-governador fazia essas afirmações para um grupo de repórteres, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também falava com jornalistas em outra roda (…): “O cenário eleitoral não está posto. A população não está pensando em eleição agora [...] Quando saí do governo para ser candidato à Presidência, em maio [de 1994], pensei até em desistir por causa das pesquisas. Em julho, eu estava começando a melhorar. E depois ganhei em primeiro turno”, explicou FHC.
(…)
Serra e Fernando Henrique participaram do seminário “O golpe de 1964: o passado e o presente 50 anos depois”, evento organizado pelo instituto FHC.

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2014

às 19:08

Perspectiva de Dilma ser derrotada anima mercados; CPI da Petrobras faz disparar ações da empresa. E dois textos premonitórios

Já não há menor dúvida: hoje, temos um governo que atrapalha o país. Bastou o Ibope demonstrar a queda de popularidade do governo Dilma, o que obviamente acena com a possibilidade de ela ser derrotada nas eleições de outubro, e os indicadores econômicos melhoraram substancialmente.

O Ibovespa, que já havia aberto a sessão em alta, se animou muito ao descobrir que tanto a popularidade de Dilma como a aprovação a seu governo haviam… caído. O pregão fechou aos 49.646 pontos, com alta de 3,5% e um volume negociado de R$ 10,3 bilhões. A média diária tem sido de R$ 6 bilhões. As ações da Petrobras também subiram mais de 8%. Vejam que coisa: a possibilidade de a presidente deixar o poder anima o país. Nota à margem: a instabilidade na Petrobras e a bagunça lá reinante colaboram com a especulação das ações da empresa. Adiante.

Na semana passada, as ações das estatais já haviam se valorizado porque circulou forte o boato de que a pesquisa Ibope mostraria uma queda nas intenções de voto em Dilma. Essa queda não se verificou. A pesquisa desta quinta, que é só de avaliação do governo e do desempenho pessoal da presidente, trouxe essa perspectiva.

As ações sem direito a voto da Eletrobras tiveram valorização de 9,84%, a R$ 6,36, a maior alta do Ibovespa. As preferenciais subiram 3,51%, a R$ 10,68. As ações ordinárias do Banco do Brasil tiveram ganho de 6,63%, a R$ 22,52. As preferenciais da Petrobras subiram 8,13%, a R$ 15,57, a terceira maior alta do pregão; as ordinárias avançaram 7,55% a R$ 14,83.

A conclusão é inescapável: hoje, uma das coisas que fazem mal ao país é a possibilidade de Dilma vencer a disputa presidencial. Não custa lembrar que, num encontro com empresários há alguns dias, Lula tentou fazer terrorismo eleitoral, afirmando que a vitória da oposição traria instabilidade ao país. É justamente o contrário: o nome da instabilidade, hoje, é Dilma Rousseff, do PT.

Também o dólar recuou e fechou a R$ 2,266, a menor cotação desde o dia 4 de novembro do ano passado, quando encerrou a R$ 2,245. “A interpretação por parte do mercado é de que um governo de oposição gerenciaria melhor as contas públicas brasileiras e a sua economia”, resume Jefferson Luiz Rugik, operador de câmbio da corretora Correparti, ao jornal O Globo.

Atenção, leitores! Em outros tempos, o anúncio de que se conseguiram as assinaturas para uma CPI da Petrobras faria com que as ações da empresa caíssem. De tal sorte a credibilidade da maior estatal brasileira foi arranhada pela gestão desastrosa do PT que, desta vez, ocorreu o contrário. Um dos argumentos do governo para tentar impedir a instalação da comissão eram os eventuais prejuízos que poderiam advir. Como se nota, a CPI, hoje, faz bem à Petrobras.

Em sua coluna no Estadão de hoje, o tucano José Serra escreveu, antes da divulgação da pesquisa Ibope: ”A reeleição da atual presidente também reproduziria a baixa qualidade da gestão governamental, consequência do despreparo da equipe, uma das piores de todos os tempos. (…). De fato, o foco principal da crise brasileira hoje em dia está no governo. O pesadelo dos agentes econômicos não reside tanto nos indicadores ruins sobre a economia, mas na possibilidade de o governo Dilma se prolongar por mais quatro anos.” No dia 13, em outro texto intitulado “Quando um governo atrapalha o país”, registrou: “a possibilidade de alternância de governo poderá ao menos impedir que as expectativas se deteriorem. O Brasil precisa tanto de oposição que a simples possibilidade de que ela venha a fortalecer-se já melhora o ânimo dos agentes econômicos”.

Premonitório!

Por Reinaldo Azevedo

27/03/2014

às 15:37

Pesquisa CNI-Ibope: Popularidade e aprovação de Dilma despencam; chance de alternância de poder não é pequena; veja por quê

A companheirada deve estar chateada. A pesquisa CNI/Ibope que veio a público não é nada boa para a presidente Dilma Rousseff. Outro levantamento do Ibope, divulgado no dia 21, já tinha dado o sinal de alerta, embora muita gente tenha feito questão de ignorar os dados. Vamos ver.

Segundo os números divulgados nesta quinta, a avaliação positiva da presidente Dilma caiu de 43% em dezembro para 36% agora. Em três meses, é uma mudança considerável. Os que consideram sua gestão ruim ou péssima subiram de 20% para 27%. O levantamento foi realizado entre os dias 14 e 17, quando o caso Petrobras ainda não havia, como direi?, “pegado’. Agora pegou.

Os que aprovam o modo Dilma de governar caíram de 56% para 51%; os que o reprovam subiram de 36% para 43%. Tão importante como os números é o fato de que Dilma não sustentou a recuperação de popularidade depois dos protestos de junho, quando sua aprovação despencou para 31% — dali saltou para 37% (em dezembro) e, depois, para 43%. Agora, volta a cair — e sem protesto.

Os dados de agora corroboram uma realidade que estava embutida na pesquisa da semana passada. Nada menos de 40,32% dos pesquisados deixaram claro que gostariam que o próximo governo mudasse de rumo e de presidente. Por quê?

Naquele levantamento, como destaquei aqui, 64% afirmaram esperar que o próximo governo mude tudo ou muita coisa em relação ao que aí está. Entre esses, nada menos de 63% expressam o desejo de mudar também o presidente — ou seja, 40,32% do total, número bem próximo dos 43% que hoje reprovam o governo Dilma. Considerando os que desejam que tudo fique como está e os que aceitam alterações, mas com a presidente no comando, chegava-se a 49,2%, número também compatível com os 51% que ainda aprovam o governo.

Na pesquisa Ibope de há uma semana, Dilma ainda vencia a eleição no primeiro turno, um número, observei então, enganoso. Até porque nem Lula nem ela própria, em circunstancias muito melhores, lograram tal feito em 2002, 2006 e 2010. O número verdadeiramente importante daquela pesquisa estava um tanto escondido: os 40,32% que não querem que ela continue.

Outra evidência importante daquele levantamento: juntos, o tucano Aécio Neves, com 15% das intenções de voto, e o pessebista Eduardo Campos, com 7%, somavam apenas 22%. Enormes 18 pontos percentuais separavam a insatisfação ativa com Dilma dos votos que eles teriam hoje, num sinal evidente de que o eleitor ainda não os identificou com a mudança. Ocorre que também ficava claro que expressivos 28% não conheciam Aécio, índice que chega a 35% com Campos. Como é sabido e evidente, Dilma dá plantão todo dia na TV, e a máquina oficial é poderosíssima.

A síntese é a seguinte: 1) a eventual reeleição de Dilma será tudo, menos tranquila; 2) a chance de o PT ser apeado do poder não é pequena.

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2014

às 3:15

Ibope: Dilma venceria no 1º turno se eleição fosse hoje. Só que não é! Ou: Sinal amarelo para a petista!

O Ibope divulgou uma nova pesquisa eleitoral nesta quinta-feira. A presidente Dilma Rousseff, do PT, pode comemorar? Até pode. Mas com muita cautela. Se a eleição fosse hoje, ela ainda venceria no primeiro turno. Por que, então, há motivos para preocupação?

Bem, em primeiro lugar, porque a eleição não é hoje; em segundo lugar, só que mais importante, porque a pesquisa captou uma enorme insatisfação do eleitorado com o governo. Vamos ver. No cenário mais provável da disputa, Dilma aparece com 43% dos votos, contra apenas 15% de Aécio Neves, do PSDB, e 7% de Eduardo Campos, do PSB. Se Marina Silva fosse a candidata em lugar de Campos, a petista venceria no primeiro turno do mesmo jeito: ficaria com 41%; o tucano teria 14%, e Marina, que já chegou a marcar 21%, aparece agora com apenas 12%. Num eventual segundo turno, Dilma venceria Aécio por 47% a 20%; Marina, por 45% a 21% e Campos por 47% a 16% (veja quadro publicado pelo Estadão Online).

Pesquisa Estadão Online

Até aqui, como percebem os leitores, tudo parece um mar de rosas para Dilma Rousseff. Ocorre que a presidente tem dois complicadores bastante sérios pela frente, que podem encher de esperança os corações oposicionistas. Prestem muita atenção ao primeiro.

Nada menos de 64% dos que responderam à pesquisa dizem que o próximo presidente tem de “mudar totalmente” ou “mudar muita coisa” na gestão. E agora o fator que deve deixar Dilma assustada: entre esses que querem mudanças, só 27% esperam que elas aconteçam com a própria Dilma. Nada menos de 63% querem mudar tanto o governo como a governante.

Então vamos fazer uma continha: de cada 100 pessoas, 64 querem mudar tudo ou muita coisa. Dessas 64, uma expressiva maioria de 63% — ou seja, 40,32% do total — querem mudar também de presidente. Repararam, ouvintes? A soma dos votos de Aécio e Campos, por enquanto, é de apenas 22 pontos percentuais. Mas nada menos de 40,32% dos que responderam à pesquisa revelaram que preferem Dilma fora da Presidência.

O que isso significa? Nem Aécio nem Campos encarnaram ainda o necessário espírito mudancista. E agora chego ao segundo fator que tira o sono de Dilma. O Ibope listou os  candidatos e quis saber, sobre cada um, se os eleitores votariam naquela pessoa com certeza, se poderiam fazê-lo, se não fariam isso de jeito nenhum ou se nem o conhecem. Os números são muito interessantes. A rejeição é praticamente a mesma para os três: 38% se recusam a votar em Dilma; 39%, em Campos, e 41% em Aécio.

Votam em Dilma com certeza 36% — um índice sem dúvida muito bom —; em Aécio, 11%, e em Campos, 5%. Até poderiam votar na petista 19%; em Aécio, 22%, e em Campos, 21%. Onde é que o bicho pega para Dilma? Só 7% não a conhecem ou não sabem quem é ela. Esse número chega a 27% com Aécio e a 35% com Campos.

Há um terceiro fator a ser considerado, que nada tem a ver com a pesquisa, mas com as circunstâncias. Dilma está todo dia na televisão; a oposição mal aparece. Quando começa a campanha, ainda que a petista vá ter um latifúndio no horário eleitoral, as condições da disputa ficam um pouco mais equilibradas.

Quando se considera que 40,32% das pessoas que responderam à pesquisa gostariam que Dilma deixasse a Presidência para que se pudesse ter um governo totalmente ou muito diferente desse e quando se verifica que mais ou menos um terço do eleitorado desconhece os candidatos da oposição, é evidente que se deve supor que muito dificilmente a presidente vencerá a disputa no primeiro turno.

Notem: 32% dizem querer um governo igual ou quase igual ao que aí está. Entre os 64% que querem mudanças, 27% — ou 17,28% do total — acham que elas poderiam ser feitas pela própria Dilma. Somando-se os dois grupos, chega-se a 49,28% — até superior ao desempenho de Dilma no segundo turno porque se deve supor que há pessoas que querem a continuidade, mas prefeririam outro petista — Lula, por exemplo.

No fim das contas, estes são os números que contam: os 40,32% que querem mudar tudo, inclusive Dilma, contra os 49,2% que ou não querem mudar nada ou aceitam mudanças, mas com a presidente. A diferença, como se vê, é muito menor do que se verifica na pesquisa de intenção de votos. Quando se constata que quase todo mudo conhece Dilma e que muita gente ainda desconhece seus opositores, o que parecia um cenário tranquilo para a petista esconde, na verdade, riscos nada desprezíveis.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2014

às 3:18

Lula associa Campos a Collor, o que é um despropósito! Isso evidencia que o PT está com medo e investe no discurso terrorista

A qualidade da metáfora também reflete o grau de preocupação de quem a emprega, não é? E Lula certamente anda muito preocupado com a sua criatura, Dilma Rousseff. Ao falar a empresários na semana passada, no Paraná, o ex-presidente procurou associar a imagem de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à Presidência, à de Fernando Collor, segundo informa reportagem publicada na Folha nesta quarta. É claro que é uma besteira. É claro que é uma bobagem. E evidencia o nervosismo dos petistas.

Campos era um dos diletos aliados de Lula. Até agora, os dois evitaram se estranhar. Nem o ex-presidente se refere ao governador nem este dirige críticas ao antecessor de Dilma, de quem foi ministro, não custa lembrar. Ao contrário até: o peesssebista tem procurado poupar o governo ao qual serviu. Quando critica a presidente, ele a acusa, na prática, de ter piorado a gestão e de não ter sabido aproveitar a boa fortuna que herdou de Lula. É claro que é um discurso de alcance bastante limitado. Sempre há a chance de acontecer o que aconteceu: Lula vir a público para desqualificá-lo.

O problema é a natureza da crítica, que é obviamente, estúpida. Segundo a Folha, Lula afirmou o seguinte: “A minha grande preocupação é repetir o que aconteceu em 1989: que venha um desconhecido, que se apresente muito bem, jovem, e nós vimos o que deu”.

A alusão a Campos parece mesmo explícita. Não estaria se referindo a Aécio Neves, pré-candidato do PSDB, porque o senador mineiro é bem mais conhecido. Mas é um despropósito mesmo assim. O pré-candidato do PSB já foi secretário de estado, deputado federal, ministro e governador por dois mandatos. Se não é muito conhecido, é certo que não se trata de um aventureiro. Lidera um partido político de tamanho médio, com 23 deputados, quatro senadores, cinco governos de Estado (Amapá, Espírito santo, Paraíba, Pernambuco e Piauí), cinco administrações de capitais (Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, Recife e Porto Velho) e 442 prefeituras.

Posso não gostar muito do discurso de Campos — e confesso que não gosto —, mas a comparação é cretina e revela que, em busca do quarto mandato, Lula faz agora o discurso terrorista que o PT dizia que faziam contra o partido até a disputa de 2002.

O que foi, em suma, que Lula disse no tal encontro com empresários no Paraná? Que a mudança trará incertezas para o Brasil e que não convém arriscar — como se, santo Deus!, Dilma tivesse mais experiência administrativa do que seus dois futuros adversários: Aécio e Campos. Obviamente, não é verdade.

A Petrobras, quebrada, diz que não tem — e, no governo Lula, quando a empresa começou a ir para o vinagre, estava sob a sua custódia. A bagunça que a excelência fez no setor elétrico evidencia, de forma acachapante e inquestionável, que Dilma sempre foi muito competente em criar a fama de competente. Está demonstrado que sempre foi mais enfezada do que capaz. Produziu o que se vê aí.

Lula investe no discurso terrorista para tentar alavancar, uma vez mais, a sua criatura.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2014

às 21:36

FHC como vice de Aécio? Não! Esta tem de ser uma disputa sobre o futuro, não sobre o passado

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse o óbvio nesta terça-feira: seria uma honra ter o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como vice em sua chapa, “mas isso não se cogita, pelo menos por enquanto”. E cabe a pergunta: por que se cogitaria?

A imagem de FHC, nem é preciso ter pesquisa para constatá-lo, está em franca recuperação — e, estou certo, quanto mais passar o tempo, maior se tornará, até que chegue ao tamanho que realmente tem. A máquina de destruir reputações do PT está perdendo eficiência, mas ainda é muito forte.

Ocorre que a “mudança” — por enquanto, ainda intransitiva e sem um objeto muito definido — será um dos valores dessa eleição. Uma insatisfação ainda difusa, mas muito presente, é o que hoje mais incomoda a presidente Dilma Rousseff e o petismo.

Se o PSDB fizer de FHC vice na chapa de Aécio, estará eliminando esse fator de indeterminação do presente, mais perigoso para quem já está no poder, e caindo na armadilha petista: uma disputa sobre o passado, mais uma vez, pela quarta vez!

Ora, dada a ruindade do governo Dilma e considerando-se as muitas insatisfações acumuladas, tudo o que o PT mais quer é uma disputa não entre Dilma e Aécio — sim, considere-se também o fator Eduardo Campos —, mas uma disputa entre Lula e FHC. E o ex-presidente petista, no caso, nem precisaria figurar como vice.

Nada disso! A disputa deste 2014 tem de ser sobre o futuro — aquele mesmo que foi ignorado pelo PT em 2010, o que tornou o Brasil que aí está bem mais frágil do que estava então.

 

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2014

às 16:26

PT já prepara seu retiro espiritual para treinar as milícias que vão patrulhar a Internet. E o rapaz do “Dilma Bolada”

Entre os dias 18 e 20 de abril, informa a Folha, o PT vai fazer o seu próprio “campus party”. Vai reunir a sua turma numa espécie de retiro espiritual, em São José dos Campos, para treinar a tigrada para a campanha eleitoral na Internet. Uma das estrelas do evento é, adivinhem quem…, Franklin Martins! Imaginem se vai sair coisa boa de lá. Franklin é o grande organizador da rede de blogs e sites financiados por dinheiro público — aqueles que chamam a si mesmos, cheios de razão e orgulho, de “blogs sujos”.

O vice-presidente do PT nacional, Alberto Cantalice, expõe a boa intenção: “Queremos combater as mentiras”. Que se entenda: para o petismo, mentiras são as notícias de que eles não gostam e as opiniões das quais discordam. Na ponta oposta, as notícias de que eles gostam e as opiniões com as quais concordam compõem, obviamente, a verdade.

Hoje, com a rede suja, a militância a soldo e os inocentes úteis, já é muito difícil participar de algum debate na rede sem que apareça “um deles” para torrar a sua paciência. Imaginem quando eles estiverem atuando como grupo organizado, com pelo menos três pessoas, obedecendo a um comando. Isso, pra mim, lembra o Artigo 288 do Código Penal, entendem?

Ah, sim: o PT convidou aquele rapaz que criou o perfil “Dilma Bolada” no Twitter. Ele topa participar, mas cobra R$ 20 mil: “Eu é que não foi sair da minha casa, viajar e falar para centenas de pessoas de graça”. É isso aí, Jefferson! Essas coisas de marquetagem rendem fortunas. Chegou a hora de colher os louros. Você também tem o direito de compensar o ridículo com uma mudança objetiva na qualidade de vida.

 

Por Reinaldo Azevedo
 

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