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Eleições 2014

24/10/2014

às 6:19

A CAPA DE VEJA – Ou: Se Dilma for reeleita, o presidente do Brasil acabará sendo Michel Temer. Ou: Além de dizer que a governanta sabia da roubalheira na Petrobras, doleiro diz que pode ajudar polícia a identificar contas secretas do PT no exterior. Parece que a casa caiu!

PÁGINA DUPLA VEA

O governo segurou dados negativos sobre o Ideb, a miséria e a arrecadação, entre outros, porque teme que eles possam prejudicar a votação da candidata do PT à reeleição. Já é um escândalo porque o Estado brasileiro não pertence ao partido. Ao jornalismo não cabe nem retardar nem apressar a publicação de uma reportagem em razão do calendário eleitoral. A boa imprensa se interessa por fatos e disputa, quando muito, leitores, ouvintes, internautas, telespectadores. Na terça-feira passada — há três dias, portanto —, o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, deu um depoimento estarrecedor à Polícia Federal e ao Ministério Público. A revista VEJA sabe o que ele disse e cumpre a sua missão: dividir a informação com os leitores. Se, em razão disso, pessoas mudarão de voto ou se tornarão ainda mais convictas do que antes de sua opção, eis uma questão que não diz respeito à revista — afinal, ela não disputa o poder. E o que disse Youssef, como revela VEJA, numa reportagem de oito páginas? Que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff sabiam da roubalheira que havia na Petrobras.

Mais: Youssef se prontificou a ajudar a Polícia a chegar a contas secretas do PT no exterior. Segundo as pesquisas, Dilma poderá ser reeleita presidente no domingo. Se isso acontecer e se Youssef fornecer elementos que provem que a presidente tinha conhecimento das falcatruas, é certo como a luz do dia que ela será deposta por um processo de impeachment. Não é assim porque eu quero. É o que estabelece a Lei 1.079, com base na qual a Câmara acatou o processo de impeachment contra Collor e que acabou resultando na sua renúncia. O petrolão já é o maior escândalo da história brasileira e supera o mensalão.

O diálogo que expõe a bomba capaz de mandar boa parte do petismo pelos ares é este:

— O Planalto sabia de tudo!

— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.

— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.

Youssef diz ter elementos para provar o que diz — e, em seu próprio benefício, é bom que tenha, ou não contará com as vantagens da delação premiada e ainda poderá ter a sua pena agravada. A sua lista de políticos implicados no esquema já saltou, atenção, de 30 para 50. Agora, aparece de forma clara, explícita, em seu depoimento, a atuação de José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras durante o califado de Lula e em parte do governo Dilma. Entre outros mimos, ele revela que Gabrielli o chamou para pagar um cala-boca de R$ 1 milhão a uma agência de publicidade que participava do pagamento ilegal a políticos. Nota: Youssef já contou à PF que pagava pensão mensal a membros da base aliada, a pedido do PT, que variavam de R$ 100 mil a R$ 150 mil.

Pessoas que conhecem as denúncias de Youssef asseguram que João Vaccari Neto — conselheiro de Itaipu, tesoureiro do PT e um dos coordenadores da campanha de Dilma — será fulminado pelas denúncias. O doleiro afirma dispor de provas das transações com Vaccari. Elas compõem o seu formidável arquivo de mais de 10 mil notas fiscais, que servem para rastrear as transações criminosas.

Contas no exterior

É nesse arquivo de Youssef que se encontram, segundo ele, os elementos para que a Polícia Federal possa localizar contas secretas do PT em bancos estrangeiros, que o partido sempre negou ter, é claro. Até porque é proibido. A propósito: o papel de um doleiro é justamente fazer chegar, em dólar, ao exterior os recursos roubados, no Brasil, repatriando-os depois quando necessário.

Por que VEJA não revelou isso antes? Porque Youssef só depôs na terça-feira. A revista antecipou a edição só para criar um fato eleitoral? É uma acusação feita por pistoleiros: VEJA publicou uma edição na sexta-feira anterior ao primeiro turno e já tinha planejada e anunciada uma edição na sexta-feira anterior ao segundo turno. Mas que se note: ainda que o tivesse feito, a decisão seria justificada. Ou existe alguém com disposição para defender a tese de que vota melhor quem vota no escuro?

Quanto ao risco de impeachment caso Dilma seja reeleita, vamos ser claros: trata-se apenas da legislação vigente no Brasil desde 10 de abril de 1950, que é a data da Lei 1.079, que define os crimes de responsabilidade e estabelece a forma do processo. Valia para Collor. Vale para Dilma. Se Youssef estiver falando a verdade — num processo de delação premiada — e se Dilma for reeleita, ela será deposta. Se a denúncia alcançar também seu vice, Michel Temer, realizam-se novas eleições diretas 90 dias depois do último impedimento se não tiver transcorrido ainda metade do mandato. Se os impedimentos ocorrerem nos dois anos finais, aí o Congresso tem 90 dias para eleger o titular do Executivo que concluirá o período.

Informado, o eleitor certamente decide melhor. A VEJA já está nas bancas.

Texto publicado originalmente às 4h25
Por Reinaldo Azevedo

24/10/2014

às 5:53

Minha coluna na Folha: “No domingo, diga ‘sim’ e ‘não’”

De todas as análises erradas que se podem fazer sobre a eleição deste domingo, a mais errada é a que sustenta que estaremos diante de um plebiscito: vencerá o “sim” ou o “não” ao governo. É um erro de forma, de substância e de história.

Fosse um plebiscito, e se Dilma vencer (reparem na combinação dos tempos subjuntivos), então a presidente poderia continuar a “presidenta do subdesenvolvimentismo”, categoria inventada por Lula e que, nas suas mãos, chegou ao colapso. Fosse um plebiscito, e se Aécio vencer, então o tucano poderia ignorar os laços com o Estado de uma vasta clientela, que fizeram do assistencialismo a forma possível de cidadania. Ela teria de ser estúpida o bastante para não mudar nada, e ele, para mudar tudo. Ela teria de ser idiota o bastante para achar que Aécio está errado em tudo, ele, para achar que Dilma não está certa em nada.

A assertiva de um plebiscito embute a perigosa suposição de que, se o tucano vencer, poderá, então, desacelerar os programas sociais –já que estariam sendo repudiados pela maioria. Suposição ainda mais perigosa é a de que a eventual vitória de Dilma significará a aprovação dos métodos de gestão revelados no mandato da governanta, muito especialmente os adotados na Petrobras. Nota à margem: se a candidata já admitiu o malfeito, a presidente, no entanto, mantém João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, como conselheiro de Itaipu e como um dos chefões de sua campanha.

O regime democrático repudia que processos eleitorais regulares, devidamente previstos no calendário, realizados segundo leis previamente definidas, em mecanismos legítimos de consulta à população, sejam considerados plebiscitários. A menos que a força vitoriosa esteja com más intenções.
(…)

PS Esta coluna faz um ano hoje. Sou grato aos que amam e aos que odeiam, com uma quedinha particular, confesso, pelos odiadores profissionais. Afinal, o amor, às vezes, se descuida, mas o ódio não. O ódio nunca trai! No mês que vem, novidades a respeito.

Íntegra da coluna aqui

Por Reinaldo Azevedo

24/10/2014

às 2:06

Neymar apoia Aécio. Sem falsificação!

Sites da campanha da petista Dilma Rousseff tentaram falsificar o apoio do craque Neymar. Uma foto do jogador chegou a ser adulterada. O vídeo que segue abaixo é para valer, com um texto impecável. Neymar apoia Aécio Neves. Sem falsificação.

 

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 21:53

UMA INDÚSTRIA CRIMINOSA CONTRA AÉCIO – Beneficiária do Bolsa Família recebe mensagem com ameaça velada de que Aécio acabará com programa

MENSAGEM CRIMINOSA

Por Maria Lima, no Globo:
A empregada doméstica M.L.S recebeu na noite de quarta-feira uma mensagem sugerindo que, se eleito, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, pode acabar com o programa Bolsa Família. Mãe de três filhos pré-adolescentes, ela recebe cerca de R$ 500 e foi sorteada, em agosto último, para receber uma casa do programa Minha Casa Minha Vida. A secretaria de Habitação do governo do Distrito Federal despachou 50 mil cartas a inscritos no programa dizendo que teriam sido sorteados. M.L.S foi uma delas e aguarda ser chamada para receber o imóvel. E está assustada com a possibilidade de perder tudo. “ Minha vizinha também recebeu essa mensagem ontem à noite. E ela me disse que lá em Minas Gerais, onde o Aécio foi governador, estão dizendo que ele não é boa pessoa não’, contou M.L.S.”

O PSDB já entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que se investigue denúncias do uso do cadaStro único do Bolsa família em mensagens sugerindo que Aécio acabaria com o Bolsa Família. As mensagens estariam sendo veiculadas aos bolsistas, majoritariamente mulheres, onde Aécio vem perdendo terreno. “Estamos pedindo que se investigue se a campanha da presidente Dilma Rousseff ou seus apoiadores estão usando o cadastro único dos programas sociais para sugerir que Aécio acabaria com o Bolsa Família, se eleito, com o uso de robôs e empresas de telemarketing “, explicou Antônio Marra, do escritório de José Eduardo Alckmin, contratado pelo PSDB.

O número que aparece na tela como tendo enviado a mensagem, tem prefixo de Minas Gerais (31) 83435079 – mas trata-se de um robô de uma central, como se fosse de telemarketing. O texto reproduz a propaganda da candidata Dilma Rousseff na TV e diz: “O PSDB sempre chamou o Bolsa Família de Bolsa Esmola. Agora Aécio diz que não é contra. Não dá para confiar nele”. A campanha petista estaria usando um serviço de telemarketing oferecido a empresas para enviar grandes quantidades de mensagens de WhatsApp e torpedos. Há denúncias de que centrais montadas em comitês petistas estariam fazendo ligações com ameaças aos beneficiários dos programas sociais. “É mais uma prova do abuso do poder econômico da campanha petista, e do desprezo pelas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral , que proíbe o uso de telemarketing”, diz o advogado Antônio Cesar Marra, da equipe jurídica da campanha de Aécio Neves.

Estão sendo enviadas mensagens de WhatsApp e também repetindo os ataques que Dilma vem fazendo contra Aécio na TV. “A receita de Aécio e Armínio é arrocho, recessão e desemprego. Eles são contra os brasileiros melhorarem de vida. Vote Dilma13″. Neste caso, a campanha viola diretamente o contrato de usuário, que expressamente proíbe o uso de aplicativo para envio massificado de mensagens, o que descumpre o termo de serviço, a que todos os usuários devem se submeter.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 21:35

PT tenta fazer um ato em defesa de Dilma em SP e só reúne 300

É… Nem parece, não em São Paulo ao menos, que os institutos de pesquisa apontam Dilma em primeiro lugar na disputa. A petezada tentou fazer um evento em apoio à petista no Largo da Batata, onde os tucanos reuniram ontem 10 mil pessoas. Sabem quantos apareceram? 300! Um micaço.

Havia uma figura de peso lá: Alexandre Padilha…

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 21:10

DILMA E LULA SABIAM DA ROUBALHEIRA NA PETROBRAS, DIZ YOUSSEF. SE FOR VERDADE, É MATÉRIA DE IMPEACHMENT SE ELA FOR REELEITA. JÁ SERIA AGORA, MAS NÃO HÁ TEMPO

Aquilo que os petistas tanto temiam desde o começo aconteceu: a operação Lava Jato bateu em Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, e em Dilma Roussef, Eles sabiam da roubalheira vigente na Petrobras. É o que o doleiro Alberto Youssef assegurou à Polícia Federal e ao Ministério Público no curso do processo de delação premiada. Está na capa da VEJA, que começa a circular daqui a pouco. Eis a imagem. Volto em seguida.

CAPA VEJA SABIA DE TUDO

Eu poderia engatar aqui aquela máxima de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas, só para excitar a imaginação de Lula, trocando a personagem. Ficaria assim: “A Sra. Dilma Rousseff não deve ser eleita. Eleita não deve tomar posse. Empossada, devemos recorrer à revolução para impedi-la de governar.”

Mas aqueles eram tempos em que as pessoas prezavam muito pouco as instituições, a exemplo de certos partidos que estão por aí. Eu não! Eu prezo a lei e a ordem. Eu prezo a Constituição do meu país. Eu prezo os Poderes constituídos.

Se as acusações de Youssef se confirmarem, é claro que Dilma Rousseff tem de ser impedida de governar caso venha a ser reeleita, mas em razão de um processo de impeachment, regulado pela Lei 1.079, que estabelece:

Art. 2º Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente tentados, são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta pelo Senado Federal nos processos contra o Presidente da República ou Ministros de Estado, contra os Ministros do Supremo Tribunal Federal ou contra o Procurador Geral da República.

E o texto legal estabelece os crimes que resultam em perda de mandato. Entre eles, estão:
- atuar contra a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
- não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição;
- proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo;

Se é como diz Youssef — e lembro que ele está sob delação premiada; logo, se mentir, pode se complicar muito — , pode-se afirmar, de saída, que Dilma cometeu, quando menos, essas três infrações, sem prejuízo de outras.

Trecho do diálogo de Youssef com o  delegado:
— O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.
— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.

Se Dilma for reeleita e se for verdade o que diz o doleiro, DEVEMOS RECORRER ÀS LEIS DA DEMOCRACIA — não a revoluções e a golpes — para impedir que governe. Afinal, nós estamos em 2014, não em 1954.

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 16:15

PT canta vitória antecipada e celebra a eficiência do jogo sujo

Os petistas estão numa euforia espantosa. Nesta quinta-feira, cantam a vitória, dão o resultado das urnas como líquido e certo, já contam, como se diz em Dois Córregos, a minha terra, com o ovo na barriga da galinha — ou na entranha da serpente. Nas redes sociais, as agressões atingem altitudes inéditas. A violência retórica toma o lugar do pensamento; a desqualificação do outro vira o principal argumento.

Numa disputa tão acirrada, a despeito do que digam os institutos de pesquisa, é cedo para comemorar. O primeiro turno nos ensinou, já lembrei aqui, que uma eleição só acaba quando termina, com diria Chacrinha.

O que eu lamento — e isto nada tem a ver com as minhas escolhas pessoais — é que há, sim, uma grande chance de essa eleição ser decidida pelo discurso terrorista, pelo medo, pela mentira, pela maledicência, pela má-fé.

Todos os votos são legítimos. Não existe uma consciência ideal que faça escolhas ideais. Mas é preciso repudiar a mentira, venha de onde vier; repudiar a desinformação, pouco importa a sua origem.

O Bolsa Família vai continuar; não depende da vontade do futuro presidente da República. A política de valorização do salário mínimo será mantida, não importa o nome do mandatário nos próximos quatro anos. É mentira que o governo de São Paulo tenha omitido informações sobre a crise hídrica ou que mantenha um racionamento informal.

Pior: busca-se decidir uma eleição desqualificando pessoalmente um adversário. Ignora-se de modo deliberado o que pensa para dar relevo à fofoca, à baixaria, às acusações mais sórdidas.

Governar, acreditem, pode ser mais difícil do que vencer a eleição. Qualquer que seja o presidente da República, começará o mandato em 1º de janeiro sabendo que praticamente a metade dos que compareceram às urnas escolheu outro nome. Mais: dadas as abstenções, brancos e nulos, o próximo titular da Presidência lá terá chegado com o voto da minoria, não da maioria. Assumirá legitimamente o posto, mas isso não muda o fato de que a maioria fez escolhas diversas.

A violência retórica que tomou conta da campanha, com sua indústria de mentiras, desqualificações e difamações, tornará muito difícil o trabalho do mandatário. Infelizmente, há forças políticas no Brasil — e é claro que me refiro especialmente ao PT — que ainda não aprenderam que é a existência de uma oposição ativa que justifica e legitima um governo.

Não tem jeito: os petistas acreditam que só um resultado é legítimo nas urnas: o que lhes dá a vitória. Os companheiros aceitam o pressuposto democrático, desde que vençam. Essa concepção de política já chegou ao colapso. Caso se sagre vitoriosa ainda desta vez, será por muito pouco. E será em razão do terror. Caso o PT realmente vença, terá quatro anos turbulentos pela frente. Se é que vai conseguir, nessa hipótese, chegar ao fim do mandato.

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 14:48

Comunidade judaica brasileira repudia declaração de Lula

Leiam comunicado emitido pela Conib, a Confederação Israelita do Brasil, que representa os judeus em nosso pais.
*
A Confederação Israelita do Brasil, representante da comunidade judaica brasileira e entidade apartidária, vem a público repudiar as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparando ações do candidato presidencial Aécio Neves e seu partido, o PSDB, a “agressões nazistas”.

A Conib, com trajetória de inquebrantável compromisso com a democracia e o debate intenso de ideias, rejeita a banalização de um episódio trágico para a Humanidade, como o nazismo, responsável pelo Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, e o assassinato de dezenas de milhões de outros inocentes, como ciganos, negros, homossexuais, comunistas, entre outros.

Entendemos o calor da campanha eleitoral e a intensidade da disputa, mas conclamamos à manutenção de padrões que sirvam à causa da democracia, e não ao aprofundamento de divisões em nossa sociedade. Defendemos enfaticamente o direito à crítica, inata ao processo democrático, mas temos a convicção de que comparar adversários de um embate eminentemente político e ideológico a nazistas distorce a História e corrói nossa democracia.

Desejamos ainda reiterar que não nos manifestamos em nome desta ou daquela candidatura ou partido político. A Conib é apartidária porque representa a comunidade judaica brasileira, onde há militantes e simpatizantes das mais diversas correntes políticas. Manifestamo-nos, sim, em respeito à memória das vítimas do nazismo.

Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 6:19

Fascistoides à solta 1 – Lula compara 2014 a 1954, ano da morte de Getúlio. É… Em comum, há o mar de lama

Lula não perdeu o juízo, é claro, porque ele tem é método. Louco não é. O que lhe tem faltado é senso de ridículo e compromisso com a verdade. Segundo ele,  o clima de “histeria” que toma conta da disputa se assemelha ao ano de 1954, quando Getúlio Vargas se matou. Aproveitou para dizer que os eleitores de Marina Silva têm a obrigação de votar em Dilma. Que grande petulância a desse senhor! Nem Marina se atreveu a dizer em quem seu eleitorado tem a obrigação de votar pela simples e óbvia razão de que ela não é dona de suas respectivas vontades. Ocorre que Lula está convicto de que é dono do Brasil.

Este senhor já comparou a oposição a nazistas e a Herodes. É claro que parte do que diz deriva de sua alastrante ignorância, compatível com seu ânimo para ofender pessoas. Num comício em Porto Alegre, afirmou nesta quarta: “A mesma histeria que a direita tinha contra Getúlio, nos anos 50, eu vejo estampada no discurso dos nossos adversários”. Ele ainda ironizou o papel da imprensa, dizendo que a mídia claramente “não tem partido nem candidato” — tentando sugerir o contrário. Ora, basta ler certo noticiário e acompanhar algumas emissoras de TV para constatar que certa mídia tem, de fato, é CANDIDATA.

Direita, Lula? Onde está a direita? Vamos ver os partidos que compõem a coligação “Com a Força do Povo”, de Dilma: PT, PMDB, PSD, PP, PR , PROS, PDT, PCdoB e PRB. Como? Então o PSD, o PP, o PROS e o PRB, de Edir Macedo, se tornaram agora notórios esquerdistas? Sem contar que o PMDB junta uma boa fatia dos conservadores brasileiros. A acusação é de um ridículo ímpar.

A propósito: a ser como quer Lula, estão faltando dois cadáveres na história e um ferido. Quem se candidata no PT a repetir o gesto de Getúlio? Quem será o major Rubem Vaz, assassinado pelos capangas do então presidente, que tentavam matar Carlos Lacerda? Quem vai levar um tiro no pé, a exemplo do então líder da oposição? Que bate-pau do governo de turno se candidata ao papel de Gregório Fortunato, o homem que tramou o atentado contra o principal adversário de Getúlio? A tese é de uma ignorância soberba, embora isso lhe tenha sido soprado aos ouvidos pelos intelectuais de quinta categoria do petismo.

É bem verdade que, de certo modo, Lula tem razão: uma coisa há em comum com 1954: o mar de lama. Existia há 60 anos; existe hoje — com a diferença de que aqueles eram tempos da bandidagem quase romântica. A de agora se profissionalizou.

Texto publicado às 20h20 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 6:17

Fascistoides à solta 2 – Recado a Vicentinho: água não lava truculência, ignorância e má-fé

Em matéria de baixaria, eles não têm nem nunca tiveram limites. Vicentinho, deputado petista, que já foi considerado um “moderado” por alguns, afirmou sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Ele foi aprender em Paris a viver sem banho por conta do problema de abastecimento que atinge os paulistas”. A piada teve origem num comentário feito nas redes sociais por uma pena de aluguel do petismo, segundo quem teria faltado água em Higienópolis, o bairro em que mora o ex-presidente. Nota: não faltou água em Higienópolis. Aliás, inexiste racionamento de água na cidade. Então tudo está normal? Não!

Vicentinho deu essa resposta ao ser questionado sobre uma afirmação de Lula, segundo quem os tucanos “são nazistas”. Ora vejam… Assim anda o jornalismo: o mandachuva petista acusa o PSDB de ser nazista, e a imprensa vai perguntar o que seu subordinado acha disso. É o que se chama, no jargão jornalístico, “repercutir”, num uso detestável e errado da palavra. Pois é. Então, agora, ficamos assim: quando um chefão do PT acusar algum adversário de alguma coisa, deve-se “repercutir” a acusação com o chefete… Talvez não seja o fim dos tempos, mas pode ser o fim do jornalismo.

A afirmação de Vicentinho é de uma grosseria estupefaciente. Ele não disputa eleição. Nem FHC. O ex-presidente tem uma enorme folha de serviços prestados ao país. O menor deles foi ter impedido o PT de vencer a disputa duas vezes, quando o próprio Lula já admitiu que não estava preparado para governar o país. O maior, todo mundo sabe, é o Plano Real, que conseguiu nos dar um futuro. E esse bem maior se realizou contra a vontade do PT.

Vicentinho está se confundindo. Sabem onde falta água? Em Guarulhos, por exemplo, cidade que tem seu próprio sistema de abastecimento e que é administrada pelo PT desde 2001.

De novo: existem dificuldades de abastecimento na cidade de São Paulo em razão da falta de chuva? Sim. E todo mundo já sabia disso no primeiro turno da eleição. A situação, neste momento, não é nem pior nem melhor do que era. É estupidamente mentiroso o boato que circula de que a Sabesp passou a fornecer menos água depois da reeleição consagradora de Alckmin.

O PT tem todo o direito de tentar ganhar a eleição. Opor-se ao adversário é o sal da democracia — ou se tem uma ditadura. Mentir de forma tão descarada — com o auxílio, infelizmente, de parte da imprensa — não é parte do jogo. Quanto a Vicentinho, dizer o quê? Água não lava truculência, ignorância e má-fé.

Texto publicado às 22h06 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

23/10/2014

às 5:25

Governo adia a divulgação de números negativos sobre a gestão Dilma com receio das urnas

Na semana passada, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão subordinado à SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) decidiu adiar para depois do segundo turno a sua avaliação dos microdados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013. A justificativa é que a publicação feriria a Lei Eleitoral. Talvez seja a maior mentira jamais contada por ali. Para que serve essa avaliação? Para demonstrar se o número de pobres e miseráveis caiu, cresceu ou ficou na mesma. Pesquisadores independentes que trabalharam com os dados do IBGE constataram que a miséria parou de cair no país em 2013 e até aumentou um pouco. O governo Dilma, então, decidiu esconder os números.

Reportagem da Folha desta quinta mostra que o governo federal decidiu omitir dos brasileiros também as informações sobre o desempenho dos alunos em português e matemática e sobre a arrecadação de tributos. Os números das duas áreas foram considerados negativos para a campanha da candidata Dilma Rousseff à reeleição. É espantoso! Políticas públicas, de estado, como a gente vê, estão subordinadas ao calendário eleitoral. Dados sobre o crescimento do desmatamento também foram amoitados.

Como informa o jornal, “no caso da educação, tradicionalmente até agosto, são apresentados os resultados de um exame nacional aplicado, a cada dois anos, a mais de 7 milhões de alunos. Em setembro, o Ministério da Educação divulgou indicador que usa como base a prova de 2013 e a taxa de aprovação dos alunos — o Ideb —, sem mostrar qual foi o resultado em cada âmbito. Assim, não é possível saber como está o nível atual dos estudantes brasileiros em português e matemática.”

O país chegará às eleições do dia 26 de outubro sem conhecer os dados da arrecadação de setembro, que deve ter caído em razão do fraco desempenho da economia.

As pessoas prestam, assim, tanta atenção a esses números? Normalmente, não. Ocorre que a eleição está, quando menos, empatada contra Dilma — digo que é “contra” porque é ela que tem a máquina na mão. Qualquer notícia considerada negativa pode pesar nesse equilíbrio delicado.

Em democracias mais respeitosas e respeitadas, a divulgação de números que expressam a eficiência ou ineficiência de políticas públicas não ficaria sujeita à vontade do governante de turno. Assim são eles até que assim formos nós, se é que me entendem.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 23:29

Aécio leva Marina e viúva de Campos à TV contra pancadaria do PT

Na VEJA.com:
Bombardeado desde o último final de semana por ataques pessoais feitos pelo PT, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fez um longo depoimento em seu programa eleitoral na TV apontando “a onda de calúnias” propaladas contra ele na reta final da eleição. O tucano exibiu mensagens de apoio da ex-senadora Marina Silva (PSB), derrotada no primeiro turno, e de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, morto numa tragédia aérea em agosto.

Marina afirmou que foi vítima na primeira etapa da eleição dos ataques feitos pela campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff que agora se repetem contra o tucano. “Eduardo Campos e eu fomos vítimas da mesma estratégia destrutiva que agora é usada contra Aécio”, disse. “Não se deixem intimidar pela campanha que a candidata Dilma está fazendo”, completou. Na sequência, Renata Campos também deixou mensagem afirmando que Aécio “não representa um partido, mas um conjunto de forças que se juntaram no segundo turno”.

Aécio lembrou a artilharia desferida pelo PT a Eduardo Campos e afirmou que “as mesmas pessoas que chamaram Eduardo Campos de playboy agora dizem o mesmo sobre ele”. Foi um recado direto ao ex-presidente Lula, que tem capitaneado a onda de baixarias em comícios pelo país – algo lamentável para um ex-presidente da República. Além de chamar o tucano de “playboy”, Lula tem dito que o tucano é violento com mulheres: “Fui acusado de comportamento criminoso, de ser desrespeitoso com as mulheres, uma ofensa à minha esposa e à minha filha”.

O tucano ainda citou o terrorismo eleitoral feito pelo PT, que desde o início da campanha espalha o discurso do medo, segundo o qual programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida serão encerrados se o PT deixar o poder e bancos públicos serão privatizados. “Não podemos ter medo do PT. Eu não tenho medo do PT”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 23:18

Ato pró-Aécio reúne 10 mil em SP; repulsa à roubalheira mobiliza manifestantes

Um ato em favor da candidatura de Aécio Neves, em São Paulo, reuniu 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. A concentração foi marcada para o Largo da Batata, na Zona Oeste — local que ficou famoso por ser ponto de encontro dos manifestantes de junho de 2013 —, e seguiu pela Avenida Faria Lima. Políticos e artistas se juntaram. Discursaram em favor da mudança Miguel Reale, José Serra, FHC, Eduardo Jorge, Gilberto Natalini, Paulinho da Força, Walter Feldman, a cantora Wanessa Camargo, que cantou o Hino Nacional, e Ronaldo, o Fenômeno. O clima era de euforia. Manifestações foram marcadas em ao menos 15 cidades para esta quarta, por intermédio das redes sociais.

“O Brasil não aguenta mais inflação com corrupção e incompetência, afirmou FHC, que acrescentou: “Nós temos a obrigação de levar Aécio Neves à Presidência da República para que ele realmente reponha o Brasil no caminho correto, no caminho do crescimento econômico com distribuição de renda, com manutenção das políticas sociais, que nós implantamos. No caminho da manutenção do aumento do salário mínimo, que, no meu tempo, foi o dobro do tempo da Dilma Rousseff”.

Os gritos de guerra insistiam na repulsa ao roubo do dinheiro público: “Dilma, vai embora, o Brasil não quer você, aproveita e leva o Lula e os vagabundos do PT”; “O PT roubou” e “Fora PT”. Ah, sim: numa campanha em que a própria presidente da República resolveu fazer digressões sobre o bafômetro, não parece exatamente um exagero quando manifestantes gritaram: “Lula, cachaceiro, roubou o meu dinheiro”.

Petistas, claro!, chamarão a manifestação de, como é mesmo?, “política do ódio”. Amor é aquilo que a gente vê nos palanques dos petistas, quando comparam seus adversários a nazistas, por exemplo.

Em vários sites de grandes veículos de comunicação, a gente nota que jornalistas se divertem ao registrar a voz dos manifestantes. Quanto mais agressiva e historicamente errada e imprecisa for a fala, melhor. Não julgo intenções, mas fatos: ao se escolherem as declarações mais agressivas e menos esclarecidas, é claro que se tenta caracterizar o eleitorado tucano como ignorante e truculento. Exemplo de fineza e sofisticação, como a gente sabe, são os que defendem a candidatura Dilma — uma gente conhecida, antes de mais nada, pela tolerância, não é mesmo?

Quando menos, o jogo segue empatado, e o PT sabe disso. Isso está deixando os companheiros ensandecidos. A “luta” se dá em todas as frentes.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 22:30

Meu Deus! Estou chocado! Então os tucanos são antipetistas?

Leio na Folha Onbline o seguinte título:
“Em ato de apoio a Aécio com FHC e Ronaldo, predomina clima antipetista”

Ufa! Que bom! Então ainda estamos numa democracia! Se, num comício de tucanos, predominasse um clima petista, aí é muito provável que a nossa democracia fosse parecida, assim, com a da Coreia do Norte, onde se é obrigado a adorar o “Estimado Líder” da hora.

Digam-me: a alguém ocorreria dar o seguinte título: “Em ato de Dilma com Fulano e Beltrano, predomina clima antitucano”?

A resposta é “não”, e acho que alguém logo atentaria para o absurdo da coisa. É que ser antitucano parece normal, uma imposição da natureza. Já ser um antipetista pode ser facilmente confundido com crime e preconceito, certo?

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 20:16

Aécio: Lula “apequena sua biografia” ao promover baixaria

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou nesta quarta-feira o papel desempenhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final das eleições deste ano. Desde o último final de semana, Lula tornou-se protagonista da baixaria promovida contra o PSDB.  “O Lula não está disputando a eleição, eu o ignoro. Mas lamento apenas que um ex-presidente da República se permita cumprir um papel tão inexpressivo como o que ele vem cumprindo no final dessa campanha eleitoral”, disse Aécio, numa rara menção ao petista. “É triste para sua própria biografia. Só quem perde com isso é ele, que apequena sua biografia com ataques torpes e absurdos”, completou. Embora não seja candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano, Lula tem feito ataques pessoais a Aécio, a quem chamou de “filhinho de papai” e insinuou que agride mulheres. “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula em Belo Horizonte no último sábado. O ex-presidente também comparou o tucano a Fernando Collor de Melo, candidato que em 1989 que protagonizou baixarias contra o próprio petista e, ironicamente, hoje é seu aliado. Nesta terça, o petista chegou ao ponto de comparar tucanos a nazistas.
 
Para minimizar o terrorismo eleitoral disseminado pelo PT, Aécio Neves reiterou nesta quarta o compromisso de manter programas sociais, como o Bolsa Família, fortalecer o papel dos bancos públicos, acabar com o aparelhamento da máquina estatal e discutir um mecanismo para acabar com o fator previdenciário. “Nessa reta finalíssima da campanha é hora de reiterarmos alguns compromissos: o primeiro deles é o compromisso de garantir a continuidade dos programas sociais em andamento, em especial do Bolsa Família. O segundo, o compromisso com o fortalecimento dos bancos públicos, com a sua profissionalização e com a valorização dos servidores de carreira. Falo isso, em especial, aos servidores da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do BNDES e de empresas públicas, como os Correios, a Petrobras e a Eletrobras”, disse. “Quero reiterar meu compromisso com os aposentados brasileiros. Vamos rever o fator previdenciário e encontrar uma forma de não impactar e punir os aposentados brasileiros.”
 
Mais uma vez, Aécio Neves disse ser o “candidato de amplo sentimento de mudança” e afirmou que, diante de todos os ataques, “deixa que as pessoas respondam nas urnas todas essas infâmias”. “A verdade vai vencer a mentira e as propostas vão vencer os ataques. Tenho certeza que o Brasil novo, renovado nos seus valores e nas suas práticas vai vencer o Brasil velho e antigo que é representado hoje por este governo”, declarou. “Essa campanha vai ficar marcada na história do Brasil como a campanha da infâmia por parte dos nossos adversários.”
Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 5:50

Nada mudou — no Datafolha ao menos: 52% a 48% para Dilma. E o papo da agressividade. Ou: Os brasileiros, os números e a realidade

O Datafolha voltou a fazer uma pesquisa eleitoral nesta terça-feira. Tudo segue como na segunda: segundo o instituto, a petista Dilma Rousseff mantém 52% dos votos válidos, e o tucano Aécio Neves, 48%. Nos votos totais, ele aparece com o mesmo número do dia anterior: 43%, e ela teria oscilado um para cima: 47%. É rigorosamente igual a nada. A margem de erro, segundo o Datafolha, e de dois pontos para mais ou para menos, Foram ouvidas 4.355 pessoas em 256 municípios.

A pesquisa traz alguns dados curiosos. Segundo se apurou, 71% dos entrevistados rejeitam a agressividade na campanha, e 27% consideram que ela faz parte do jogo. Disseram não saber 2%. Contra todas as evidências — e, certamente, os números —, 36% dizem que o mais agressivo é o tucano; 24%, que é a petista. Ora, basta ver o horário eleitoral e a quantidade de ataques desferidos pela propaganda do PT para constatar que essa percepção está obviamente errada.

O curioso é que, segundo se sabe, o PT promete continuar a desferir porradas a três por quatro e atribui a esse comportamento virulento o fato de Dilma ter passado numericamente à frente de Aécio — embora os dois, reitere-se, entejam empatados. A campanha tucana, é visível, resolveu investir mais nas propostas. Se os números do Datafolha fazem sentido, as peças publicitárias de Dilma têm de ser mais rejeitadas do que as de Aécio. Nunca nos esqueçamos de que foi o petismo que introduziu no debate o viés do ataque pessoal. Contra Dilma, até agora, Aécio nada lançou, a não ser a informação de que seu irmão era funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte quando o prefeito era o petista Fernando Pimentel. E, ainda assim, respondia com a mesma moeda a um ataque feito a um familiar seu.

Essa conversa cria um ruído danado, não é? Afinal, entra na cota da agressividade demonstrar, por exemplo, que a Petrobras foi tomada por uma quadrilha de assaltantes e que, durante os governos petistas, a empresa serviu a interesses partidários? Entra na cota da agressividade evidenciar os desastres da dupla Dilma-Mantega na economia?

Ah, sim: a pesquisa Datafolha informa também que os brasileiros estão mais otimistas com a economia. Em menos de um mês, cresceram de 12% para 21% os que dizem que a inflação vai cair, e diminuíram de 50% para 31% os que afirmam que ela vai crescer. Nota: no período, ela aumentou. Subiram de 32% para 44% os que acham que a situação econômica vai melhorar, e foram de 25% para 15% os que avaliam que vai piorar. No período, todos os indicadores econômicos pioraram. Por que é assim? Por que o Datafolha colheu esses números? Sei lá. Perguntem aos brasileiros que responderam a pesquisa.

Por Reinaldo Azevedo

22/10/2014

às 3:11

O GOLPE DA ÁGUA – Nada mudou no abastecimento de água de SP; o que aumentou foi a vigarice política. Ou: Eleitor da cidade de SP daria hoje a Alckmin os mesmos votos que deu no dia 5. Isso frustrou muita gente

Quero voltar à guerra político-eleitoral da água, deflagrada pelo PT, pelos setores da imprensa alinhados com o petismo, pela campanha eleitoral de Dilma Rousseff e por Vicente Andreu, que é petista, presidente da Agência Nacional de Águas, oriundo da CUT e que, hoje em dia, está fazendo campanha eleitoral. Vamos lá. A primeira questão relevante é a seguinte: o fornecimento de água, hoje, em São Paulo, não é nem maior nem menor do que durante a eleição. No fim de semana retrasado, muita gente ficou sem água ao mesmo tempo porque houve problemas técnicos graves na adutora Americanópolis e em Osasco. De resto, tudo continua como estava, como diria Dilma Rousseff, “no que se refere” ao abastecimento. O que se tem, aí sim, é campanha eleitoreira descarada. Um dado da pesquisa Datafolha publicada na segunda-feira, pela Folha, não mereceu, parece, o devido destaque. Depois de todo o terrorismo feito com a questão da água, o instituto quis saber em quem votariam os eleitores paulistanos se a disputa para o governo do Estado fosse agora.

Os de má-fé e os ignorantes saíram botando terror por aí porque números publicados com destaque pelo Datafolha mostravam que o tucano teria 33% de votos na cidade, contra 19% de Paulo Skaf, do PMDB, e 12% de Alexandre Padilha, do PT. Disseram que votariam em branco, nulo ou em ninguém 25%, 9% afirmaram não saber, e 3% citaram outros nomes.

Pois bem: Alckmin obteve, na cidade de São Paulo, nas urnas, 51,94% dos votos válidos. Segundo os números do Datafolha, ele tria hoje 50%; Skaf teria 28% (contra 21,4% nas urnas), e o petista Alexandre Padilha teria caído de 22,21% para 17,9%. Ou por outra: a variação de Alckmin, na capital, está dentro da margem de erro. À diferença do que pretendiam os petistas, o prestígio do governador segue inabalado. Embora haja um enorme esforço para jogar a responsabilidade pela falta de chuva nas costas do tucano, o efeito eleitoral esperado por muitos — e pelo qual muitos torciam — não aconteceu.

Há problemas de abastecimento em São Paulo? Há. Existe racionamento ou falta generalizada de água? Não! O que mudou foi a determinação do PT, da Agência Nacional de Águas — manipulada pelo partido — e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff de tentar explorar o assunto politicamente. Se os petistas acham que Alckmin é o culpado porque não chove, talvez seja o caso de indagar a culpa de Dilma pela seca na cabeceira do Rio São Francisco.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 21:56

PT perde para PSDB posto de partido com maior votação na legenda para Câmara

Por Beatriz Bulla e Ricardo Brito, no Estadão:
O PT perdeu nas eleições deste ano o posto de partido com maior voto na legenda para a Câmara dos Deputados. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde a eleição de 1990, a sigla concentrava o maior número de eleitores que preferem depositar o voto no partido e não em um candidato específico. Mas o quadro mudou em 2014. Da legislatura passada para a atual, a queda do total de votos dados ao partido chegou a quase 25%. Não bastasse, é a primeira vez na história recente que o partido ficou atrás do PSDB no total de votos em legenda recebidos.

Pela legislação, os eleitores que votam na legenda para cargos de deputados federal, estadual (ou distrital) e ainda vereador declaram uma espécie de “voto sem cabeça”. Esse tipo de voto tem o mesmo peso para o chamado quociente eleitoral daqueles que são dados pelos eleitores aos candidatos. O quociente eleitoral, por sua vez, é o número mínimo de votos que cada partido ou coligação partidária precisa ter para eleger um representante no Legislativo. Ou seja: quanto maior os votos nos candidatos e os votos na legenda, maiores as chances de eleição.

Na eleição deste ano, os petistas receberam 1,75 milhão de votos de legenda para a Câmara dos Deputados (o que representa 21,6% do total de votos válidos). Foram ultrapassados pelos tucanos, que amealharam 1,92 milhão de votos por esse formato (23,8%). A título de comparação, em 1990, o PT conquistou 1,790 milhão de votos (24,1%) e o PSDB apenas 340 mil votos (4,6%). Nesse período, os votos válidos para deputados federais pularam de 40,5 milhões para 96,8 milhões de eleitores, um aumento de 139%.

Em termos absolutos, o partido alcançou o recorde de votações na legenda para deputado federal na primeira eleição de Lula, em 2002. Naquela ocasião, o PT conquistou 2,35 milhões de votos nessa modalidade (27,13% dos votos válidos), o que fez o partido eleger 91 deputados, conquistar a maior bancada da Câmara e, de quebra, eleger o presidente da Casa. Em termos proporcionais, o maior desempenho do partido foi em 1994, quando ficou com 50,63% dos votos válidos (2.007.076 votos na legenda).

Contudo, os votos nos partidos políticos para a Câmara tiveram uma diminuição de 914 mil entre a eleição passada e a atual, de 9 milhões para 8,1 milhões no período. PSDB e PMDB também reduziram esse tipo de votação de 2010 a 2014, mas somente o PT foi responsável por uma queda de 60% dos “votos sem cabeça” em todo o País.

Histórico
Historicamente, o PT sempre defendeu o fortalecimento do partido com a votação dos eleitores na legenda. Na atual eleição, por exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal líder político do partido, gravou vídeo conclamando o eleitor a votar “13″ no pleito deste ano. O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, credita a perda de apoio de simpatizantes do partido à “campanha de ódio contra o PT” feita neste ano. “Enfrentamos uma campanha que foi das mais difíceis de nossa história”, disse Souza. “É uma disputa permanente. Tem momentos em que se sofre algum revés”, admitiu o secretário.

(…)

Comento
Campanha do ódio? Voltarei ao assunto mais tarde.

 

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 19:30

Aécio sobre pesquisas: “O Brasil saberá responder nas urnas”

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, visita nesta terça-feira a cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Com o cenário bastante acirrado no Estado, o tucano busca garantir ao PSDB nova vitória em um colégio eleitoral com 1,8 milhão de eleitores – no primeiro turno, Aécio obteve 41,32% dos votos em MS, à frente de Dilma Rousseff (PT). Sobre a pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda-feira, em que Dilma aparece numericamente à frente, o tucano não demonstrou preocupação: “Pelo que nós vimos no primeiro turno, essa pesquisa do Datafolha já está me dando como eleito. Sou o próximo presidente da República se a diferença for essa. Todas as nossas pesquisas apontam uma margem enorme, muito maior do que essa, sobre a candidata”.

Para reforçar seu argumento, Aécio lembrou sua virada no primeiro turno. “Se eu me abalasse com pesquisas, certamente não teria tido o resultado que tive. Com o resultado que tive no primeiro turno, os institutos de pesquisas estão devendo aos brasileiros explicações, porque os erros foram grosseiros”. Sobre o aumento em seu índice de rejeição, afirmou: “O Brasil vai saber responder nas urnas”.

Aécio falou na chegada ao aeroporto ao lado do candidato tucano ao governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB). Seguiu para encontro com lideranças políticas locais na Associação Nipo-brasileira. De lá, viaja para evento de campanha em Goiânia.

Acerca dos depoimentos de envolvidos no esquema desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal que envolvem tucanos, o presidenciável disse que o partido vai “investigar doa a quem doer e punir quem quer que seja”. Afirmou ainda que, ao contrário do que faz o PT, não pretende “homenagear” os investigados caso se comprove a ligação deles com o esquema.

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2014

às 15:56

Mercados despencam na esteira das bobagens de Dilma. Ou: Lula tem razão! A culpa é mesmo das elites!

Os políticos não temem a irracionalidade, a conversa mole, a estupidez… Os mercados, sim. Por isso, mais uma vez, conforme o esperado, eles desabaram nesta terça-feira, e o dólar disparou. Depois de cair 4,38% no começo da manhã, o Ibovespa recuava 2,92% às 14h10, cotado em 52.743 pontos. As ações do “kit eleições” lideravam as baixas do índice: Banco do Brasil ON perdia 6,57%; Eletrobras ON, 5,91%; Eletrobras PN, 6,5%; Petrobras PN, 5,13%; Petrobras ON, 4,21%. Só especulação? Infelizmente, não!

Em dois debates consecutivos, em menos de uma semana, Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, falou com todas as letras que, no Brasil, uma inflação de 3% só seria possível com desemprego de 15% e choque de juros — como se, hoje, eles já não fossem os maiores do mundo. Ela não estabeleceu um período para essa relação. Para Dilma, enfim, estaríamos proibidos de conciliar inflação, juros e emprego em níveis civilizados. É o fim da picada.

O IPCA-15 de outubro foi de 0,48%. O indicador, que é uma prévia da inflação oficial do país, fechou o acumulado em 12 meses em 6,62%, superando o teto da meta de inflação, que é de 6,5%. Ah, mas devemos comemorar! Afinal, o mercado era ainda mais pessimista: esperava uma IPCA-15 de 0,52% para o mês e de 6,66% em 12 meses. Estamos fritos! Já chegamos àquela fase de aplaudir a notícia negativa porque, afinal, sempre poderia ser pior.

Os mercados não são nem bons nem maus. Não são nem a bruxa má da Gata Borralheira nem a fadinha. Eles apenas põem preço nas coisas, e ainda não se inventou mecanismo melhor para gerar e distribuir riquezas. As alternativas são Nicolás Maduro, Raúl Castro e Cristina Kirchner, os amigos do PT. Ao afirmar aquela batatada no debate, Dilma — que já é presidente — emite um claro sinal: o de que continuará na sua toada. Não por acaso, as empresas estatais lideram a queda do Ibovespa.

É isso aí. Não estou entre aqueles que dão a disputa do próximo domingo como liquidada — o primeiro turno nos ensinou que essa não é uma boa prática —, mas cumpre notar, ao fim deste texto, que os países, representados por seu povo, fazem escolhas. Podem errar e podem acertar. Eu nunca especulo sobre o grau de consciência de quem vota, se seu voto é ou não informado. Na democracia, isso é descabido. Até porque, pouco importa se Aécio ou Dilma terá a titularidade do próximo mandato, o fato é que a pessoa em questão só terá chegado lá com o voto dos que tinham condições de fazer uma escolha informada.

A propósito: nas redes sociais, a gente nota, as pessoas mais agressivas, as que dizem os maiores absurdos, as mais estúpidas, são justamente aquelas com formação escolar, que se deixaram contaminar pela ideologia. Não se enganem: sempre que países fizeram escolhas desastradas e desastrosas e entraram em declínio, isso não aconteceu por culpa do povo, mas de uma parcela considerável da elite.

Por Reinaldo Azevedo
 

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