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Eleições 2014

23/07/2014

às 15:29

Desenha-se uma campanha contra o povo

Peço aos leitores que prestem atenção à forma como vai se desenhando a campanha eleitoral. Entendo que há mostras de que ela se dá contra os interesses do conjunto dos eleitores. Por que afirmo isso? Não vou aqui fazer juízo de valor, mas apenas lidar com os fatos.

O PT resolveu apelar ao Ministério Público Eleitoral, que acatou a reclamação, contra um link que está na página oficial do senador Aloysio Nunes Ferreira, candidato a vice-presidente na chapa do PSDB. Segundo os petistas, esse link caracteriza uso da máquina pública em favor de uma candidatura. O vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, concordou com o reclamante e pede multa para o senador.

Muito bem! Na sabatina de que participou, promovida pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT, o presidenciável tucano Aécio Neves afirmou que pretende promover mudanças no programa “Mais Médicos”. Basicamente, se eleito, ele quer que os médicos cubanos recebam integralmente os vencimentos a que têm direito — os R$ 10 mil — e que lhes seja facultado fazer o exame “Revalida”, o que lhes permitira o exercício pleno da medicina no país. Hoje, os cubanos são médicos pela metade porque só podem atuar no âmbito do programa. Como é sabido, os doutores oriundos da ilha ficam com algo em torno de R$ 3 mil do salário apenas. O restante vai para os cofres da ditadura cubana. Em um ano, isso soma quase R$ 1 bilhão.

Muito bem! Um candidato de oposição tem mais do que o direito de propor mudanças. Ele tem o dever. A sociedade é que vai dizer, por meio do voto, se concorda ou não com ele. Atenção! Arthur Chioro, ministro da Saúde — e ele é ministro tanto de eleitores da situação como de oposição —, veio a público não para contestar as críticas de Aécio, não para dizer que discorda por esse ou por aquele motivo, não para tentar provar que o governo está certo. Nada disso! Ele veio a público para acusar o candidato de oposição de querer “acabar com o programa”. O mesmo fez o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, que nem é da área.

Ora, quando os dois ministros falam, eles o fazem pelo governo; eles o fazem no comando das máquinas de suas respectivas pastas, financiadas pelo estado brasileiro. Se um mero link numa página oficial do Senado — que quase ninguém visita — caracteriza uso indevido de dinheiro público, o que fazem os dois ministros é, então, o quê?

É preciso que se estabeleça a devida distinção, acho eu, entre contestar uma crítica — e isso é absolutamente legítimo — e praticar terrorismo eleitoral. Acusar um candidato de querer extinguir um programa quando, na verdade, faz propostas para corrigi-lo, parece-me caracterizar óbvio exercício de má-fé. Fosse assim, não haveria oposição nas democracias. Afinal, o contraditório seria sempre considerado sabotagem. E, pois, por uma questão lógica, tal regime uma democracia não seria, mas tirania.

O eleitor brasileiro tem direito a um pouco mais do que isso. Tem direito a debater saídas para o país. Hoje, infelizmente, e não entro no mérito das responsabilidades, o Brasil consegue conjugar os piores indicadores econômicos da América Latina: baixo crescimento, inflação alta e juros escandalosos. Os que se dispõem a governar o país — Dilma, Aécio ou Campos, entre outros — têm de oferecer, antes de mais nada, respostas para sair dessa encalacrada. Em vez disso, vemos a disputa tomar outro rumo, a quilômetros de distância dos interesses do povo brasileiro.

Se a coisa continuar assim, este será um país só com passado — e um passado não muito bom. E sem futuro.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 20:58

Aécio: “A campanha começou como nossos adversários gostam: com mentiras e ataques à honra”. Ou: MP já tinha investigado aeroporto e arquivado a questão

No Globo Online:
Em um pronunciamento breve em sua chegada ao comitê de campanha em São Paulo nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que escolheu, quando governador de Minas Gerais, uma área que pertencia a um tio-avô dele para a construção de um aeroporto no município de Cláudio porque era a opção “mais barata”. Aécio entregou à imprensa no início desta noite dois pareceres que ele solicitou a ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso. Os ex-ministros Ayres Britto e Carlos Velloso atestam, no documento, a legalidade do processo realizado pelo tucano quando governador.

“Era o (terreno) mais barato. Já tinha uma pista de terra nele. Seria sim um ato contra o erário se eu fizesse uma obra muito mais cara numa área onde a topografia não justificasse”, justificou Aécio.

“A campanha começou e como nossos adversários gostam, com mentiras e ataques à honra. Essa é uma praxe dos nossos adversários do PT. Portanto, quero dizer duas coisas. O que circulou na imprensa é que teria havido a construção de um aeroporto por parte do governo de Minas numa área de um tio-avô meu em Cláudio. Essa informação é mentirosa. Não existiu nenhuma construção em nenhuma área privada. A área foi desapropriada em benefício do estado como atestam todos os documentos que vocês vão receber hoje. A desapropriação foi feita pelo estado em R$ 1 milhão. O proprietário, na época, apresentou proposta de R$ 9 milhões, mas ela foi desapropriada com o valor depositado de R$ 1 milhão. Se houve alguém favorecido nisso foi o estado e não o meu parente.”

Pouco antes, o coordenador-geral da campanha, Agripino Maia, também sugeriu uma ação eleitoral por parte dos adversários. “A denúncia foi feita, claro, que por vazamento de algum órgão de governo que tem a informação, que é quem controla o funcionamento de aeroporto, quatro anos depois, no início da campanha eleitoral”, disse.

A campanha do tucano entregou à imprensa também uma cópia das justificativas do Ministério Público de Minas Gerais para o arquivamento de uma investigação sobre a obra do aeroporto em fevereiro deste ano.

“A investigação é muito bem-vinda, mas quero dizer que, assim como aconteceu em inúmeras obras em Minas, nossos adversários sempre de forma anônima, na maioria das vezes, buscava que o MP fizesse investigação. Eu soube ontem que o MP investigou essa obra neste ano e arquivou esse processo porque não encontrou nenhuma ilegalidade.”

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 20:46

Desapropriação não depende de concordância de antigo proprietário para se efetivar. Ou: Quem é o homem da área jurídica da campanha de Dilma

Cada um diga o que quiser, e isso vale também para mim, onde quer que eu escreva ou fale. O aeroporto de Cláudio (MG) não foi construído em terreno privado, mas público, porque a área já tinha sido desapropriada. O fato de o proprietário anterior — e, se é o “anterior”, quer dizer que não é o atual — contestar na Justiça o valor da desapropriação não anula o ato oficial, que é definitivo. Não fosse assim, não haveria obras públicas no Brasil.

Imaginem se a construção de estradas, avenidas e hospitais só tivesse início depois de zerado o passivo das contestações. Com a devida vênia, não existe esse limbo jurídico. Uma vez desapropriado, e o Estado pode fazê-lo porque a lei lhe garante, o terreno é público. E ponto. É uma garantia constitucional, diga-se (Inciso XXIV do Artigo 5º). Sim, é preciso haver a prévia e justa indenização. Se o desapropriado não concorda, pode recorrer do valor, mas isso não anula o ato.

O PT, como está em todos os sites noticiosos, decidiu tirar uma casquinha. Resolveu entrar nesta terça na Procuradoria-Geral da República com um pedido de instauração de inquérito. O partido sustenta que houve a utilização de recursos públicos em favor de interesses privados. Para que assim fosse, seria necessário que o terreno continuasse privado e que seus, então, proprietários fossem beneficiários únicos do aeroporto. Nem uma coisa nem outra são verdadeiras. A própria reportagem da Folha informa que a utilização da área é gratuita. Bem, que se investigue.

O esforço do petismo para transformar o episódio num caso gravíssimo é evidente. Flávio Caetano, o coordenador jurídico da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, saiu por aí dando declarações pelos cotovelos. Pois é… Flávio Caetano, Flávio Caetano… Lembrei! Este rapaz, até outro dia, era nada menos do que Secretário da Reforma do Judiciário, um cargo diretamente ligado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de quem foi chefe de gabinete. Lá naquele mundo, eles são assim mesmo: transitam do governo para o estado, do estado para o partido, sem a menor cerimônia.

É uma estratégia?
A reação do petismo é uma estratégia? Claro! Parcelas consideráveis do partido avaliam que Dilma não tem como recuperar parte importante do seu prestígio por sua própria conta. A palavra de ordem é desgastar Aécio Neves o máximo possível. Convenham: a candidatura do PT recorrer à PGR nesse caso do aeroporto de Cláudio caracteriza um partido que está sendo acuado pela realidade das ruas.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 16:05

Lula está fazendo campanha para a eleição de… 2010!!!

Luiz Inácio Lula da Silva é um cidadão conhecido. Afinal, ele é o ex-presidente Lula. Está fazendo o contrário do que prometeu. Não só passou quatro anos assombrando o governo Dilma, com suas declarações, como manteve uma buliçosa equipe de braços operativos no governo, que fizeram, muitas vezes, não a política da presidente, mas a política de… Lula. O caso mais notório e notável é Gilberto Carvalho. Pouco antes de encerrar seu mandato, em 2010, o então chefe do Executivo concedeu uma entrevista em que afirmou que iria se retirar para sua chácara, em Ribeirão Pires, e cozinhar coelho. Mas, como se vê, ele gosta é mesmo é de cozinhar o galo.

Nesta segunda, falou a trabalhadores do setor químico na Praia Grande, cidade da Baixada Santista. Está com um diagnóstico estranho. Ele atribui o baixo crescimento brasileiro, que não deve chegar, neste ano, a 1%, às dificuldades externas. Afirmou: “Temos uma crise mundial que fez o comércio do mundo diminuir e temos o problema de investimento interno, que já foram anunciadas obras; já tem bilhões de reais colocados e que essas obras estão sendo preparadas, canteiros estão sendo preparados. A Petrobras está pegando no breu para atingir 4 milhões por dia, estou muito tranquilo com o crescimento do Brasil”.

A fala é um tanto confusa na sintaxe e nas ideias, como costuma acontecer, mas dá para deduzir o que ele quer dizer. Dificuldades da economia mundial? Praticamente todos os países com alguma relevância na América Latina vão crescer mais do que o Brasil. E com inflação menor e juros menores. O nosso país é o que soma os piores indicadores entre os chamados Brics, com quem acaba de criar um banco.

Lula estava fazendo campanha eleitoral. Eu não faço. Trato dos fatos. Desafio aqui o “companheiro” a dizer onde estão os bilhões de investimentos. Qual é a origem? Quem está investindo? Onde está esse dinheiro? É evidente que se trata, com todo o respeito, de conversa mole.

Há um dado evidente na fala de Lula: ele perdeu o pé da realidade. Afirmou, por exemplo, ter sido achincalhado quando propôs fortalecer o mercado interno. Bem, ele não foi achincalhado por ninguém. O que se apontava, então, e os críticos estavam certos, é que um modelo ancorado apenas no consumo, com baixo investimento e elevação crescente do custeio da máquina pública, acabaria conjugando, no médio prazo, baixo crescimento, inflação alta e juros elevados. E nós temos, ora vejam, baixo crescimento, inflação alta e juros elevados.

Lula, em suma, está bravo porque seus críticos estavam certos. Lula está fazendo campanha para a eleição de 2010.

Por Reinaldo Azevedo

22/07/2014

às 5:44

Entendi: o primeiro mandato de Dilma foi só a fase “Escolinha do Professor Raimundo”! Ela promete corrigir os erros se for reeleita!

Chico Anysio na pele do professor Raimundo: Dilma chegou ao Palácio sem saber...

Chico Anysio na pele do professor Raimundo: Dilma chegou ao Palácio sem passar pela Escolinha…

Leio uma reportagem muito impressionante na Folha, de autoria de Valdo Cruz. Ela informa que “Dilma promete a aliados que corrigirá erros se for reeleita”. Ah, bom! Entendi! Então o país deveria franquear um segundo mandato a Dilma para lhe dar a chance de consertar as besteiras feitas no primeiro por… Dilma! É um modo de ver as coisas.

O texto informa ainda que os assessores listam aqui e ali os, digamos, errinhos que foram cometidos. Um deles, coisa pouca, é o do setor elétrico, com a redução das tarifas — e suponho que entre no rol de bobagens a antecipação das concessões. Não é nada, não é nada, a nossa governanta praticamente quebrou um setor. E teve de injetar alguns bilhões de recursos públicos para tentar minimizar o estrago. Mas ora vejam: ela parecia tão segura, não é mesmo? Procurem neste blog os posts que trazem a expressão populismo elétrico. E eu, obviamente, não sou da área! Nove entre dez especialistas alertavam para a bobagem. Mas sabem como é… A ignorância é sempre mais convicta do que a sabedoria porque não tem medo de errar. E Dilma já demonstrou que não tem nenhum.

Ah, claro! O PT agora diz que foi, sim, um erro represar as tarifas. Se Dilma for reeleita, não acontece mais. Ok. Não estivessem, no entanto, represadas, e tudo o mais constante, em que patamar estaria a inflação? Afinal, o governo não avançou contra o caixa da Petrobras, por exemplo, porque repudie aumentos de combustíveis, mas porque estava dando um jeito de conter o índice inflacionário.

E a coisa vai por aí. Há também quem reclame das desonerações, que teriam agredido a saúde fiscal do governo, sem que os incentivos tenham resultado em crescimento da economia. Em suma, Dilma promete não repetir mais as barbeiragens que fizeram o Brasil conjugar uma inflação que flerta com os 7%, um crescimento abaixo de 1% e juros nos cornos da Lua: 11%.

Acho que estou começando a entender. A Presidência da República, para Dilma, nos primeiros quatro anos, foi uma espécie de “Escolinha do Professor Raimundo”. Ela estava lá para aprender a governar. Um errinho bilionário aqui, outro ali… Mas, doravante, ela jura fazer tudo certo. Sempre há o risco de que alguém acredite nisso, não é mesmo?

Os petistas e a própria presidente já deixaram claro que têm também outra agenda caso conquistem mais quatro anos: a reforma política, que o partido quer que seja feita por meio de uma Constituinte exclusiva, combinada com decisões plebiscitárias. Uma das teses mais caras ao partido é o financiamento público de campanha — o que está para ser concedido, na prática, pelo Supremo, por via cartorial.

Se e quando isso acontecer, grandes partidos, como o PT, terão a grana de que precisam para se financiar fornecida pelo próprio Estado. A legenda nem mesmo precisará fazer suas juras de amor à economia de mercado para conseguir alguns milhõezinhos para a campanha eleitoral. Estará mais livre. E, nesse caso, negociar o quê, com quem e pra quê? O financiamento público permitirá aos partidos atuar como instâncias autocráticas.

Um dos setores que estão na mira da presidente e dos petistas é o empresariado. Ela pretende reconquistá-lo. Bem, quem quiser que caia na conversa, não é mesmo? Estou enganado ou a ação estrepitosa mais recente da nossa soberana foi enviar um decreto que entrega parte da administração pública federal a “conselhos populares”?

Sim, sim… Alguns dirão que o que vai a seguir é um reducionismo, mas tomem como medida as ações dos movimentos de sem-teto ou de sem-terra, por exemplo. Ou bem se governa com a lei, ou bem se governa com os tais “movimentos sociais”. Avaliem vocês com que lado está a chance de um futuro virtuoso para o Brasil, muito especialmente para os pobres. Num caso, tem-se uma sociedade paralisada por minorias radicalizadas e corporações de ofício; do outro, a previsibilidade das regras, democraticamente pactuadas.

Atenção! As disposições subjetivas de Dilma, à boca da urna, não têm a menor importância. A questão é o que ela representa e o que quer o seu partido.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2014

às 7:31

Dilma também sofre uma goleada de 7 a 1: 7% de inflação X 1% de crescimento!

Ainda repercute nas redes sociais aquela frase realmente oportuna da presidente Dilma Rousseff, segundo quem o seu “governo era padrão Felipão”, lembram-se? Ela pode não ser muito boa nessa coisa de governo — a cada dia, vamos ser sinceros, ela se revela pior. Mas não podemos lhe negar os dons premonitórios. Dilma também vai encerrar o mandato com o seu 7 a 1: 7% de inflação contra 1% de crescimento! “Ah, você arredondou para cima: a inflação; talvez fique um pouquinho menor!”. Pois é. Muito provavelmente, eu arredondei pra cima também o crescimento…

É claro que não sou besta de tomar o que se diz aqui e ali hoje como antecipação das urnas. Mas não é possível que eu esteja vivendo numa bolha. Hoje em dia, ando bastante por aí, falo com muita gente, ouço o que se diz na rua… Há uma óbvia, quase palpável, sensação de saco cheio no ar. Se essa tendência muda ou não com a campanha eleitoral, aí, meus caros, não posso prever. Que o encanto se quebrou, disso não se duvide!

Sob pressão, o PT tem cometido mais erros táticos — e até estratégicos — do que o habitual. Até agora, fico cá a me perguntar que espírito asnal soprou aos ouvidos dos petistas que deveriam atribuir à “elite branca paulista” o descontentamento com a presidente Dilma. Se, até outro dia, essa criminalização dos adversários — e da “classe média”, que Marilena Chaui odeia — parecia funcionar, convenham, hoje, ela roda no vazio. E chega a soar ridícula.

Não sei se os “companheiros” ainda vão se encontrar. Hoje, é fato, eles estão bastante perdidos e se dividem sobre as escolhas. Há quem queira, como Franklin Martins, fiel a uma tradição, a guerra sangrenta, o confronto, a luta feroz entre “Nós” (eles) e “Eles” (nós). Há quem já tenha percebido que essa é uma gesta que ficou no passado. Até o furor fascistoide precisa acenar com alguns amanhãs sorridentes, por mais fantasiosos que sejam. Quais são os do PT? Lula acha que vai, por exemplo, produzir algum efeito eleitoral significativo em São Paulo desferindo grosserias, como fez, contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB)? A economia da resposta, diga-se, só tornou o ataque ainda mais grotesco.

Sim, os petistas, Lula, Dilma e a turma toda contavam com um título da Copa para aniquilar os adversários, varrê-los do mapa eleitoral, quem sabe… Convenham: essa gente nunca fez profissão de fé na capacidade de discernimento da população; sempre a considerou moldável, manipulável, bronca… A vitória não veio. Mas tenho pra mim que, ainda que tivesse vindo, o efeito eleitoral seria desprezível, marginal.

Afinal, a rejeição crescente a Dilma nada tem a ver com os 7 a 1 contra a Alemanha. Tem a ver com os 7% a 1% contra o nosso futuro.

Por Reinaldo Azevedo

21/07/2014

às 2:55

Área em que se construiu aeroporto já tinha sido desapropriada

Foi construído em 2010 um pequeno aeroporto em Cláudio, em Minas, aproveitando uma antiga pista de pouso que havia no local. Das duas informações, só uma pode ser verdadeira: ou a obra foi feita num terreno particular ou num terreno público. Muito bem: o terreno em que fica o aeroporto foi desapropriado em 2008, como se constata por este documento:

Desapropriação

Logo, a área em que fica o aeroporto já não pertencia mais a um tio-avô do presidenciável Aécio Neves, como se pretende. Alguém pode até contestar se a obra ali era ou não necessária, mas o fato é que a área já era pública. Não parece, de resto, que os antigos proprietários tenham gostado tanto assim da obra, tanto é que contestam na Justiça o ato do governo do Estado.

Por lei, todos os aeroportos do país pertencem à União, que pode conceder a exploração a terceiros. No dia 23 de abril de 2008, o Diário Oficial da União publicou a concessão que a União fez ao governo do Estado, como se vê abaixo.

DO 23 de abril 2014

E por que a chave está com os antigos donos da área? Muito provavelmente porque a questão ainda está sub judice. Os proprietários recorreram contra a decisão do Estado.

A reportagem sobre a construção foi publicada pela Folha neste domingo. Numa “Nota de Esclarecimento”, afirma a coligação “Muda Brasil”:
“É também lamentável que a reportagem não tenha registrado que aeroportos locais (que não possuem voos comerciais) ou pistas de pouso fechadas são prática comum em aeroportos públicos, no interior do país, como forma de evitar invasões e danos na pista que possam oferecer riscos à segurança dos usuários. Ao ignorar esse fato, a reportagem deu a entender que o acesso à pista, feito de forma controlada no município de Cláudio, constitui algum tipo de exceção.”

A nota informa ainda que “a documentação para homologação do aeroporto foi enviada à Anac em 22 de julho de 2011 (ver documento abaixo)” e que, “assim como vários outros aeroportos no Estado, aguarda a conclusão do processo.”

homologação

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2014

às 6:54

O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! Fala, Marilena Chaui!!!

Ai, ai… Vocês se lembram deste vídeo, não é mesmo?

Então… A petista com fama de filósofa protagonizou esse espetáculo grotesco no dia 14 de maio do ano passado. Em menos de um mês, teriam início as tais jornadas de junho. Em março, o Datafolha havia publicado uma pesquisa segundo a qual 65% achavam o governo ótimo ou bom. Para 27%, era regular. E apenas 7% o consideravam ruim ou péssimo. O petismo vivia, então, o auge do delírio de poder. E já fazia planos para, como dizer?, eliminar de vez a oposição no país. Nas redes sociais, a patrulha fascistoide assumia violência retórica inédita.

Deu-se, então, esse evento no Centro Cultural São Paulo. O que se comemorava lá? Relembro trecho de um texto que publiquei no dia 17 de maio de 2013 (em azul). Volto em seguida:

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um caráter típico, seria tentado a tipificar uma patologia.

Retomo
O ex-presidente Lula, como vocês viram, aplaudiu. Este fim de semana trouxe uma série de pesquisas devastadoras para o PT. O governo é considerado ruim ou péssimo por 29% dos brasileiros, tecnicamente empatados com os apenas 32% que o veem como ótimo ou bom. Para 38%, é apenas regular. No segundo turno, Dilma já está em empate técnico com o tucano Aécio Neves. É também a candidata mais rejeitada: 35%.  A gestão de Fernando Haddad é reprovada por 47% dos paulistanos, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aparece com 4% dos votos. O tucano Geraldo Alckmin se reelegeria com 54% dos votos, e sua gestão é vista como ótima ou boa por 46% dos paulistas — só 14% a reprovam. Para a vaga no Senado, José Serra está na liderança.

Em desespero, Lula distribui broncas.

É isso aí. Que fique, mais uma vez, o registro da fala daquela senhora, aplaudida pelo chefão petista:
“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Parece ser crescente o número de pessoas que rejeitam o ódio como exercício da política e a política como exercício do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

19/07/2014

às 5:59

Rejeição a Dilma em São Paulo é de 47%; no Estado, Aécio a vence no 2º turno por 50% a 31%; PT decide se colar a movimentos sociais para tentar reverter desvantagem. Grande ideia! Vá fundo!

Ainda voltarei ao tema — e vai me tomar um tempinho —, mas o fato é que foi em São Paulo que tudo começou. Foi neste Estado, especialmente na capital, que alguns aprendizes de feiticeiro do Planalto — entre eles, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho — resolveram brincar de insuflar a desordem. A ideia era botar Geraldo Alckmin na frigideira. Deram-se mal. Muito mal. Mas este post vai cuidar de outro assunto. São Paulo decidiu ver quem sobe e desce a rampa. E boa parte do eleitorado não quer saber de Dilma Rousseff, o que está deixando os petistas em pânico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Estado não votariam nela de jeito nenhum — a sua taxa de rejeição no país é de 35%, a mais alta entre os presidenciáveis. O busílis é que São Paulo, sozinho, concentra 22,4% do eleitorado. A exemplo de Lênin, os petistas estão tentando descobrir o que fazer. E andam tendo ideias esquisitas. Mas não serei eu a tentar convencê-los do contrário.

A situação para a presidente no Estado é dramática. No primeiro turno, ela e Aécio têm, cada um, 25% dos votos — na capital, ele lidera: 28% a 23%. O dramático está no segundo turno. O tucano vence a petista por 50% a 31%. Mesmo Eduardo Campos (PSB) a bateria por 48% a 32%. É evidente que aquela rejeição monstruosa se transforma em votos para seus opositores. E olhem que, como vocês sabem, não há espaço nas televisões para oposicionistas, não é? Já a presidente Dilma aparece dia sim, dia também, mas “como presidente”. É uma piada, mas é assim.

Tudo contra
É tudo contra Dilma, não apenas a ruindade do seu governo. A cidade de São Paulo tem hoje uma das gestões mais caóticas de sua história, com Fernando Haddad. Ele já se tornou uma caricatura. Malhá-lo é o passatempo predileto de milhões de paulistanos. Segundo o Datafolha, sua gestão é hoje aprovada por apenas 15% e reprovada por 47%. Já escrevi a respeito. É uma avaliação justíssima. Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo do Estado, amarga modestos 4%.

Pois bem. Segundo informa a Folha, os petistas decidiram injetar mais dinheiro na campanha de Padilha — taí uma coisa que não lhes falta, não é? — e se aproximar mais de alguns setores considerados “cativos” do PT: os movimentos sociais e um grupo de empresários. Por que um grupo de empresários apoia o partido? Não sei. Seria por lucro? Eles que o digam.

Movimentos sociais, é? Eis uma coisa que certamente desperta, a cada dia, mais a paixão dos paulistas, muito especialmente dos paulistanos, não é mesmo? Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair de casa sem saber a que hora chegará ao trabalho porque os comandados do sr. Guilherme Boulos, por exemplo, estão obstruindo alguma artéria da cidade. Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair do trabalho sem saber a que hora chegará em casa porque alguns sindicalistas decidiram que é hora de parar os ônibus, os trens, o metrô…

Os esquerdistas não se dão conta de que existe uma óbvia fadiga. Vai ver é por isso que Gilberto Carvalho tanto quer entregar o governo aos tais movimentos sociais. Ele não quer mais saber de eleitores decidindo o futuro do país…

Contra as pretensões petistas, há ainda o governador Geraldo Alckmin, com 54% das intenções de voto — avançou sete pontos em 15 dias, com rejeição de apenas 19%. Na baderna promovida pelo sindicato dos metroviários, ele preferiu, por exemplo, ficar ao lado do usuário. O PT, na prática, emitiu nota em favor dos grevistas. Uma questão de escolha.

A eleição ainda está longe, o horário eleitoral gratuito vem aí — e Dilma tem um latifúndio. Vamos ver. Algumas fórmulas às quais o petismo sempre apelou já não estão dando mais resultado. Até anteontem, parecia que bastava Lula mandar, e o eleitorado obedecida. De certo modo, aconteceu isso com Dilma e Fernando Haddad. Com os resultados conhecidos. Parece que as pessoas que trabalham e estudam e as que estudam e trabalham estão com o saco cheio.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 16:23

Mercado reage bem à possibilidade de derrota de Dilma; é parte da reação da sociedade a um governo caduco

Vou aqui fazer algumas considerações que, creiam, nada têm de campanha eleitoral ou de expressão de afinidades eletivas, embora eu, como toda gente, faça as minhas opções. Na democracia, desde que os candidatos transitem no escopo democrático e se coloquem na defesa dos valores que essa democracia pode abraçar, todas as escolhas são igualmente legítimas, como legítimas são as divergências ideológicas. Em ciências humanas, e a economia também é uma ciência humana, quase nunca se tem uma resposta única para um problema. Mas é certo que essa resposta tenderá a ser ineficaz ou mesmo contraproducente se contrariar a matemática, a lógica, a história e, eventualmente, a experiência.

Já há algum tempo estamos diante de um dado eloquente. Aquilo a que chamamos “mercado” tem reagido muito bem à queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais e à possibilidade de a oposição vencer a disputa em 2014. Às vezes, para rimar os números com a esperança de mudança, nem se precisa do fato; basta o boato. E não foi diferente nesta sexta. Como a pesquisa Datafolha apontou um empate técnico no segundo turno entre o tucano Aécio Neves e a presidente — 40% a 44% para ela —  e uma diferença de apenas sete pontos entre a petista e Eduardo Campos — 38% a 45% —, o Ibovespa passou a operar em alta. Às 15h1o, estava aos 57.175 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a 3,31%. Os destaques, vejam vocês, ficaram com as estatais: a Petrobras, por exemplo, exibia ganhos de 5,56% nas ações ON (as ordinárias nominativas), aquelas que dão direito a voto, e 5,6% na PN, a preferencial nominativa, a que não dá e é a mais negociada por investidores não profissionais.

Por que é assim? Ninguém precisa ser deste ou daquele partido para saber que, infelizmente, hoje e há muito tempo já, o governo usa as estatais brasileiras não apenas para fazer política de desenvolvimento, não apenas para cuidar do interesse nacional. Ele as utiliza também para cuidar de interesses bem mais mesquinhos, partidários, e como elemento de ajuste — precário e temporário — dos desacertos da política econômica. É sabido, por exemplo, que as tarifas estão represadas para evitar uma elevação da inflação, que já ultrapassa o teto da meta. Como malefício adicional, seguem intocados os fatores que causam a elevação do índice inflacionário.

É claro que isso tem um preço. Até agora, a presidente Dilma e o PT não deram sinais de que vão mudar essa política caduca caso obtenham mais quatro anos de mandato. Ao contrário até: aqui e ali, lideranças do partido, como o próprio Lula, têm preferido atacar o tal “mercado”, como se ele fizesse um mal ao Brasil. Ao contrário. Felizmente temos um mercado relativamente forte no país, que serve de radar e de advertência. A cada bobagem ou medida atabalhoada que o governo toma na economia, ele reage. Mais importante: reage também a expectativas, a partir de alguns indícios. Isso serve de freio à tendência autocrática dos governos. Sabem quem não tem mercado? Cuba! Sabem quem praticamente não tem mercado? A Venezuela! Já a tirania chinesa tem um, sim, e é gigantesco! A existência de um mercado, em suma, não garante a democracia. Mas só existe democracia onde ele atua e serve de instrumento de leitura da realidade.

Quando os investidores reagem bem à perspectiva de alternância de poder, é preciso que o governo ponha a mão na consciência. Em vez de sair por aí demonizando os agentes econômicos e mesmo seus adversários, talvez fosse o caso de tomar medidas efetivas para mudar de rumo. O que vemos, no entanto, infelizmente, são escolhas que caminham no sentido contrário. Além de tentar atrelar a administração pública federal e seus entes a conselhos formados por militantes políticos, o governo já pensa abertamente em estatizá-los, subordinando ainda mais o interesse público às militâncias organizadas.

A reação do mercado é, na verdade, a reação de uma fatia considerável e legítima da sociedade, que contribui de modo efetivo para gerar as riquezas com as quais se administra a máquina pública e que, inclusive, geram os bens necessários para as políticas de compensação e de distribuição de renda. Atacar os seus fundamentos também corresponde a atuar contra os interesses dos mais pobres.

A reação dos mercados é parte importante da reação de uma sociedade que quer mudar porque sente que, hoje, o estado e o governo viraram seu adversário.

Por Reinaldo Azevedo

18/07/2014

às 7:03

São Paulo já dá uma surra eleitoral em Dilma — com Aécio ou com Campos

A seção Painel, da Folha de S. Paulo, traz outros dados da pesquisa Datafolha que devem estar deixando petistas com as barbas arrepiadas.

Um deles: Aécio Neves (PSDB) cresce em São Paulo. No mês passado, apenas 24% dos eleitores de Geraldo Alckmin escolhiam o presidenciável tucano; agora, são 33% — e, não custa lembrar, o atual governador aparece com 54% das intenções de voto. No primeiro turno, Aécio foi o único nome que cresceu no Estado fora da margem de erro: de 20% para 25%. Dilma oscilou de 23% para 25%, e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 8%.

O busílis, no entanto, está no segundo turno: a petista perde para o tucano por 50% a 31%; Campos a venceria por 48% a 32%.

Informa ainda o Painel:
Alerta vermelho - A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada – Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir “carga negativa” ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2014

às 21:14

Ô, Rio! Tão perto do Cristo Redentor, mas tão longe de Deus!

Pois é…  O Datafolha realizou também pesquisa no Rio. Se a eleição fosse hoje, Anthony Garotinho, do PR, disputaria o segundo turno com Marcelo Crivella (PRB). Ambos aparecem com 24% das intenções de voto. Em terceiro lugar, está o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, com 14%. O petista Lindbergh Farias, uma das grandes apostas do PT neste 2014, marcou 12%, tecnicamente empatado com o peemedebista.

A força de Garotinho está no interior do Estado, onde alcança 31%, contra 16% de Crivella, e nas cidades com até 200 mil habitantes: 32%. O senador está na frente na Capital: 26% contra 16% do ex-governador.

O cenário é bastante incerto. A avaliação do governo de Pezão está longe de ser uma maravilha, mas também não é uma catástrofe: ela é considerada ótima ou boa por apenas 19%, um número muito próximo dos 21% que a avaliam como ruim ou péssima — o que também não é um índice expressivo. Grande mesmo é a parcela dos que dizem que a administração é regular: 40%.

É um dado que parece relevante: o PMDB comanda uma máquina poderosa no Rio, tanto na capital como no interior. Como a avaliação do governo está no meio do caminho, a depender da propaganda, pode migrar para um lado ou para outro. Vamos ver o que acontece depois do início do horário eleitoral.

Informa a Folha:
“Quanto à religião, tanto Garotinho quanto Crivella obtêm índices acima da média entre os evangélicos pentecostais (30% e 35%, respectivamente). Entre os evangélicos não pentecostais, Crivella tem 10 pontos percentuais de vantagem sobre Garotinho (33% contra 23%). Quando questionados sobre em qual candidato não votariam de jeito nenhum, Garotinho lidera, com rejeição declarada por 39% dos entrevistados. Pezão, Lindberg e Crivella vêm em segundo, tecnicamente empatados, com 19%, 17% e 16%, respectivamente.”

Caso Garotinho passe para o segundo turno, a rejeição pode decidir o resultado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 16 de julho, com 1.317 eleitores de 31 cidades do Rio, e encomendada ao Datafolha pela Folha em parceria com a TV Globo. Foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número RJ-00009/2014. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. 

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2014

às 20:33

Alckmin seria reeleito no primeiro turno com 54%; Padilha, do PT, tem 4%. Tucano é o menos rejeitado; petista é o mais

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem motivos para comemorar os números da pesquisa Datafolha, encomendada pela Folha e pela rede Globo. Se a eleição fosse hoje, ele seria reeleito no primeiro turno com 54% dos votos. Em segundo lugar, está Paulo Skaf, do PMDB, com 16%. Alexandre Padilha, do PT, marca 4%. O instituto também quis saber também em quem os paulistas não votariam de jeito nenhum. Padilha, o menos votado, dispara na rejeição: 26%, seguido por Skaf, com 20%. Alckmin aparece com 19%.

Na reportagem que levou ontem ao ar, a Globo não apresentou dados comparativos porque a pesquisa Datafolha anterior foi feita apenas para a Folha. Mas o pesquisador é o mesmo, e, obviamente, o cotejo pode ser feito. No levantamento divulgado no dia 9 do mês passado, o tucano aparecia com 47% dos votos no cenário sem Gilberto Kassab; agora, com 54%: em pouco mais de um mês, avançou sete pontos.  O peemedebista, com 16%, caiu bem além da margem de erro: há pouco mais de um mês, tinha 21%. Constante só Padilha: tem os mesmos 4%.

O Datafolha investigou ainda as intenções de voto para senador em São Paulo. O ex-governador José Serra (PSDB) lidera com 34%. Logo atrás vem Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição, com 29%. O ex-prefeito da capital Gilberto Kassab (PSD) tem 7. A Folha ouviu 1.978 entrevistados em 55 municípios, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número SP 0001.

Voltemos à disputa pelos Bandeirantes. Os adversários de Alckmin devem estar preocupados. Tanto Skaf como Padilha resolveram transformar a crise hídrica num problema político, responsabilizando diretamente o governador. Não parece ser essa a avaliação da população. As pessoas sabem que não está chovendo. Há, sim, faltas esporádicas de água em alguns bairros, mas os dois candidatos que se opõem a Alckmin tratam da questão como se as torneiras de São Paulo estivessem secas. E não estão. Ou, então, tentam criminalizar o uso do tal “volume morto”, como se recorrer a ele fosse um crime ou como se a água que chega à população fosse inferior. A estratégia não está dando certo.

Entre um levantamento e outro, há também a greve dos metroviários. De tal sorte foi abusiva e acintosa, que, tenho certeza, o pulso firme do governador — que demitiu alguns grevistas que partiram para sabotagem e não cedeu à chantagem — acabou colaborando para essa ascensão. O resultado é particularmente expressivo porque há ainda a Copa do Mundo, e a máquina federal tentou colar nos partidos de oposição a pecha de adversários da realização do torneio no Brasil.

Melhorou também a avaliação do governo. A gestão Alckmin era considerada ótima ou boa em junho por 41% dos entrevistados; agora, 46% dizem o mesmo. Consideravam-na regular 39% dos entrevistados; agora, 37%. Caiu também o número dos que avaliam o governo como ruim ou péssimo: de 18% para 14%.

 Esta, definitivamente, não foi uma boa jornada para o PT.

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2014

às 13:01

Dilma quer desvincular de sua campanha site comandado por Franklin Martins

Por Andréia Sadi e Valdo Cruz, na Folha. Ainda voltarei ao assunto:
Irritada com a publicação do post que atacava a CBF após a vexatória eliminação do Brasil na Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff pediu que o site Muda Mais fosse “desvinculado” como um dos sites do comitê de sua campanha à reeleição. A determinação que atinge o site, comandado pelo ex-ministro de Lula Franklin Martins, foi transmitida semana passada a coordenadores da campanha. A informação foi confirmada por seis pessoas diretamente ligadas ao comitê e ao Planalto.

Segundo a Folha apurou, o Planalto quer evitar que o “tom de enfrentamento” do Muda Mais, uma das marcas do site, possa gerar ações na Justiça Eleitoral contra sua candidatura. Inicialmente, a equipe de Dilma registrou dois sites para a campanha de reeleição. O dilma.com.br, sob responsabilidade do marqueteiro João Santana, classificado como site da candidata. E o dilmamudamais.com.br, listado no pedido de registro ao TSE como ”um dos sítios a ser utilizado durante o período da campanha eleitoral” da presidente petista.

O Muda Mais publicou semana passada um texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol no país e criticava duramente o presidente da confederação, José Maria Marin.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2014

às 19:37

De novo a candidatura de Arruda no DF, o Estado de Direito e os juízos de exceção

Ai, ai, ai… Lá vamos nós de novo, seguindo nos passos de Voltaire, segundo quem “o segredo de aborrecer é dizer tudo”. Quem aí se habilita a defender José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal? Eu não! O fato é que, qualquer que seja a punição a lhe ser aplicada, isso tem de ser feito segundo a lei. Qual é o busílis? A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal resolveu questionar na Justiça a candidatura de Arruda. Por quê? Segundo a lei, ele é agora um “ficha suja”. Foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa.

Acontece que a jurisprudência da Justiça Eleitoral considera que existe um marco temporal para a tal “ficha suja” inviabilizar uma candidatura: a data do registro. E a condenação de Arruda é posterior a esse registro. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral tomar a decisão. Se for contrária a Arruda, ele poderá recorrer ao TSE.

No pedido de impugnação, argumenta a Procuradoria: “A inelegibilidade decorrente de condenação por ato de improbidade administrativa pode ser arguida na fase de registro, mesmo que a decisão seja publicada depois da data-limite para o requerimento, como é o caso em exame”.

Mas esperem: não é a publicação que é posterior ao registro; é a condenação. Aí as coisas se complicam. A Procuradoria argumenta ainda: “Não é demais acrescentar que, no caso em exame, se o impugnado vier a ser eleito, sem reversão da atual decisão acerca da improbidade ou suspensão de seus efeitos, não poderá ser diplomado no cargo de governador, o que levará à anulação dos votos concedidos à chapa e à consequente anulação da eleição”.

Releiam o que vai acima. O raciocínio feito pela Procuradoria é o seguinte: como é grande a chance de que ele venha a ser punido depois, então vamos aplicar a punição já para evitar contratempos.

Máxima vênia, não é assim que se constrói o estado de direito. Se esse entendimento da lei prospera, as punições começarão a ser aplicadas antes dos julgamentos. Já escrevi aqui que a Papuda pode até ser um bom lugar para  Arruda, mas segundo a lei, não contra ela.

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2014

às 15:41

“Não vamos aceitar imposições de Cuba”, diz Aécio sobre o Mais Médicos

Por Bruna Fasano e Andressa Lelli, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou que o governo brasileiro não pode se submeter às imposições da ditadura cubana e que as regras do programa Mais Médicos precisam ser revistas. “O governo brasileiro financia o governo cubano com parte da remuneração dos médicos”, afirmou durante sabatina realizada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, SBT, Rádio Jovem Pan e UOL. “Não vamos aceitar as regras que foram impostas por Cuba.”

O valor pago pelo governo brasileiro atualmente aos médicos estrangeiros é de 10.000 reais, mas, ao contrário dos profissionais de outras nacionalidades, que recebem individualmente, o dinheiro é repassado ao governo cubano, que acaba entregando apenas 3.000 reais aos seus bolsistas. Do total de médicos que integram o programa, 80% são procedentes da ilha dos irmãos Castro.

O tucano afirmou considerar o programa importante, mas disse que o país “não pode cometer o equívoco de circunscrever a saúde pública ao Mais Médicos”. “Não tem por que não reconhecer. Mas tratá-lo como solução para os problemas de saúde no Brasil não é justo para com os brasileiros.”

Passe livre
Questionado se sua proposta de governo incluiria o transporte gratuito para estudantes, Aécio disse que essa é uma questão de responsabilidade dos municípios. “É uma responsabilidade municipal. Se o governo federal quiser subsidiar, tem de mostrar de forma muito clara de onde vai tirar esse recurso. Eu não acho justo, não acho que seja uma prioridade brasileira, dar passe livre para estudante de uma escola privada que paga 3.000 reais de mensalidade.”

Inflação
Aécio defendeu medidas para fortalecer a economia e criticou a gestão da presidente e adversária nas eleições Dilma Rousseff no combate à inflação. “Vamos tomar as medidas necessárias para recolocar o Brasil no rumo do crescimento sustentável, com controle da inflação e com a ampliação e melhoria dos nossos indicadores sociais”, disse. “Cresceremos menos que todos os nossos vizinhos da região. Já ultrapassamos o teto da meta [da inflação] sem que o governo acene de forma absolutamente clara com as medidas que tomaria no futuro para reverter esse quadro perverso.”

Copa do Mundo
O tucano voltou a criticar a presidente-candidata por usar politicamente o mundial de futebol no país – e depois se esconder com o fiasco da seleção brasileira. “Se tivesse ganhado, mesmo que fosse o terceiro lugar na Copa, ela seria a primeira a cumprimentar a seleção. É mais uma demonstração da tentativa de utilização política da Copa”, afirmou.

 

Por Reinaldo Azevedo

16/07/2014

às 4:55

A difícil equação de Eduardo Campos. Ou: Existe um lulismo não petista?

EDUARDO CAMPOS

Eduardo Campos (PSB) — foto — participou da sabatina promovida nesta terça pela Jovem Pan, Folha de S.Paulo e SBT. Hoje, é a vez do tucano Aécio Neves. Às vezes, acho que não deixa de ser uma sorte o presidenciável do PSB ter tão pouco tempo na TV. Terá menos trabalho para achar o que dizer. Até agora, não entendi qual é a tese de Campos nem o que ele pretende. A primeira dificuldade, ficou muito claro, é ele se desvincular de Lula. O candidato do PSB insiste numa equação que me parece quase impossível, cuja síntese poderia ser esta: o lulismo era bom; aí veio a presidente Dilma e estragou tudo.

Mas é mesmo assim? Digam-me cá uma coisa: que política está em curso hoje em dia que não tenha sido iniciada, muito especialmente, no segundo mandato de Lula? Se, antes, foi bem-sucedida e agora dá com os burros n’água, isso decorre do fato de o mundo ter mudado — e mudou contra os interesses do Brasil. Pergunto ao governador: ele gostou das reformas feitas pelo governo Lula? De quais? Ele gostou das privatizações promovidas pelo governo Lula? De quais? Ele gostou das ações do governo Lula para preservar empregos na indústria? De quais? Tudo é o mesmo, incluindo o ministro da Fazenda. Para que Lula fosse uma maravilha, e Dilma, seu avesso, Campos teria de demonstrar que Guido Mantega, agora, atua contra suas próprias convicções por pressão da presidente. E isso não é verdade.

Querem um caso rumoroso? Os descalabros em curso na Petrobras, por exemplo, são uma das heranças malditas do lulismo. Nesse particular, convenham, até que Dilma está procurando, por intermédio de Graça Foster fazer o que pode. Na sabatina, Campos saiu-se com uma conversa estranha, segundo a qual ele não vai confrontar Lula porque isso só ajudaria Aécio… Ok. Mas confrontar só Dilma, vamos ser claros, não está ajudando muito nem ao próprio Campos.

Depois que Marina Silva migrou, temporariamente, para o PSB, veio então a história da “nova política”, que ele encarnaria, em companhia da líder da Rede. E, como exemplo da velha, citou o PMDB, que teria o controle de fatias do governo Dilma, mas mantém um pé, diz ele, na canoa de Aécio Neves. Não sei se lhe foi perguntado, mas pergunto: caso vença, dispensa o apoio do partido? Se o tiver, não será apenas por seus olhos. Mesmo aqui a equação se complica: Campos apoiou o petismo por dez anos. Teve cargos no governo Dilma por mais de dois anos. A que exatamente ele se opõe? Certo: o país está encalacrado com crescimento ridículo — na casa de 1% —, tem juros estratosféricos e inflação alta. Hoje, exibe alguns dos piores indicadores da América Latina. Mas isso se deve a escolhas de Dilma? Parece-me o desdobramento de escolhas que foram feitas no governo Lula. Acontece que a farra acabou.

E encerro com uma questão que parece besta, mas que dá conta de certo estado de coisas. Campos defendeu o “passe livre” para estudantes. É tentação demagógica. O que haveria de “social” nisso? Conceder gratuidade a uma categoria, independentemente de suas condições de renda, é uma forma de fazer justiça? Quem paga a conta? Se dá para fazer no Brasil inteiro, por que não se fez em Pernambuco? O ex-governador também se saiu mal quando tentou explicar — e não explicou — a frenética campanha que fez para que sua mãe, Ana Arraes, integrasse o TCU. E ele estava no comando de um governo de Pernambuco. Isso não tem nada de novo. É, na verdade, uma prática muito velha.

Por Reinaldo Azevedo

15/07/2014

às 14:29

Campos: “Dilma será a primeira presidente a entregar país pior do que recebeu”

Por Felipe Frazão e Andressa Lelli, na VEJA.com:
O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, reforçou as críticas à presidente Dilma Rousseff, sua adversária na corrida pelo Planalto. Campos afirmou que a petista será “a primeira presidente do ciclo democrático a deixar o país pior do que recebeu”. Sobre sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele esclareceu que seu embate é contra Dilma. “Dizer que o governo Lula não foi muito melhor que esse governo Dilma é negar a realidade.”

“Itamar entregou melhor do que Sarney, Fernando Henrique entregou melhor do que Itamar e Lula entregou melhor do que Fernando Henrique. A Dilma vai entregar pior”, afirmou, poupando de críticas os governos anteriores. Campos se comprometeu também a não disputar um segundo mandato caso eleito.

Alianças partidárias
O ex-governador de Pernambuco ainda criticou a relação do governo com os partidos aliados – e afirmou que a presidente trocou ministérios por tempo de TV na propaganda eleitoral. “A velha política no Brasil é o PMDB dominante, que está no governo da Dilma, mas mantém um pé em cada canoa. Está com um pé no PT e tem uma sublegenda na candidatura do Aécio”, disse, referindo-se ao movimento Aezão, no Rio de Janeiro. No Estado, o partido de Campos está coligado com o PT de Dilma. Segundo Campos, o poder central em Brasília “alimenta as raposas da política atrasada em Alagoas, no Maranhão e no Rio de Janeiro, onde a política tem ligação com crime organizado e com o jogo”. Ele citou nominalmente apenas o senador José Sarney (PMDB) como símbolo desta relação.

Nordeste
Campos afirmou que acredita que seus índices de intenção de voto devem crescer no Nordeste. E que a região tem um sentimento de “frustração” em relação ao governo Dilma. “Creio que vou ganhar as eleições no Nordeste”, disse. Também culpou a presidente pelo atraso de obras importantes na região, onde acusou o PT de fazer terrorismo na campanha: “Há uma campanha terrorista sendo feita sistematicamente dizendo que eu ou Aécio vamos acabar com o Bolsa Família”.

Economia
O presidenciável do PSB também falou sobre a situação econômica no país. Disse que é preciso estabelecer um modo responsável de governar, cumprindo a meta de inflação. “Precisamos tirar o Brasil desse atoleiro, pois com Dilma temos o menor crescimento econômico desde Deodoro da Fonseca”, afirmou. Campos disse ainda que a presidente deixará como legado “um tempo de famílias mais endividadas” e a “Petrobras metida em toda a sorte de confusão”.

Passe livre
Em sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, SBT e Jovem Pan, Campos incluiu em seu discurso de campanha a defesa do passe livre para estudantes – uma das principais demandas dos protestos que agitaram o país há pouco mais de um ano. Afirmou que pretende colocar o tema entre suas propostas para Educação, como forma de permitir que alunos da rede pública possam estudar em tempo integral. Só não esclareceu de que maneira o assunto será tratado, nem como pretende financiar a proposta. “Essa é uma questão das prefeituras e dos Estados, mas o governo federal, sob a nossa liderança, terá solidariedade com as prefeituras e governos estaduais para implantação do passe livre”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 19:20

Cesar Maia tem candidatura ao Senado impugnada no Rio

Na VEJA.com:
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro impugnou nesta segunda-feira o registro da candidatura do ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, ao Senado. O caso será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em até 45 dias. Foram impugnados 35 registros de candidatos, de um total de 2.852 pedidos analisados.

O Ministério Público argumentou que Maia se enquadra na Lei da Ficha Limpa, que proíbe políticos condenados por colegiados e em mais de uma instância de disputarem cargos eletivos. O ex-prefeito foi condenado em maio passado, em segunda instância, pela 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, por improbidade administrativa, por ter usado recursos públicos para a construção da igreja de São Jorge, em Santa Cruz (Zona Oeste), quando governava a cidade, em 2005. Maia teve os direitos políticos suspensos por cinco anos.

“Em sua análise, a PRE/RJ avaliou condições de inelegibilidade como a condenação criminal por órgão colegiado – os chamados ‘fichas sujas’ e suspensão de direitos políticos em condenação por improbidade administrativa”, diz nota da procuradoria. O Ministério Público informou ainda que o candidato que tiver o registro indeferido pode recorrer da decisão e, enquanto aguarda o julgamento do recurso, está autorizado a continuar a campanha e seu nome será mantido na urna eletrônica.

Maia afirmou que apresentará ao Tribunal Regional Eleitoral as explicações sobre o processo em que foi condenado em segunda instância, no Tribunal de Justiça do Rio, por improbidade administrativa. Além de prestar esclarecimentos à justiça eleitoral, Maia disse que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a condenação da Justiça do Rio. O ex-prefeito diz que a Justiça entendeu que ele feriu o caráter laico do Estado ao construir a igreja de São Jorge, em Santa Cruz (Zona Oeste), mas que não houve condenação pelo uso de recursos públicos. “Trata-se de uma ação relativa à construção de uma capela de São Jorge que foi questionada em função do caráter laico do Estado. Portanto nada tem a ver com ficha limpa. A arguição do Ministério Público é natural para conhecer a natureza (da condenação)”, afirmou o prefeito por meio da assessoria de imprensa.

Cesar Maia é candidato a senador na chapa do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A aliança, firmada no fim do mês passado, foi classificada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), aliado da presidente Dilma Rousseff, de “bacanal eleitoral”. A presença de Maia na chapa reforçou o movimento “Aezão”, formado por dissidentes do PMDB-RJ que pregam o voto em Pezão e no candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 16:19

Entrevista de Dilma à Al Jazeera pode indicar um princípio de rompimento da presidente com a realidade. Preocupante!

O povo brasileiro ainda nem se refez do maior vexame em cem anos do futebol brasileiro, e eis que ressurge Dilma Rousseff, no noticiário, a dar uma opinião: segundo ela mesma, o povo brasileiro deveria lhe dar um segundo mandato. A afirmação foi feita em entrevista à TV Al Jazeera, do Catar, aquela emissora que pertence a um tirano influente e que costuma sair por aí insuflando revoltas árabes — menos no Catar, é claro, que, de resto, financia extremistas mundo afora. Mas sigamos.

Disse a governanta: “Eu acredito que o povo brasileiro deve me dar oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil”. E prosseguiu: “O Brasil tinha 54% de sua população entre pobres e miseráveis em 2002. Hoje, todos aqueles que vivem na classe C para cima representam 75%, três em cada quatro brasileiros. Nós transformamos a vida dessas pessoas. O Brasil mudou de perfil e foi feito isso com a democracia vigente”.

Por esse especioso raciocínio de Dilma, o Plano Real, por exemplo, que pôs fim à hiperinflação não mudou o Brasil — o mesmo Plano Real contra o qual o PT lutou bravamente. Mais do que isso: recorreu ao Supremo contra ele e também contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Quanto a essa tal classe C, já passou da hora de desmistificar essa falácia.

O oficialismo inventou a tal nova classe média. Segundo a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), são as famílias com renda per capita, atenção!, entre R$ 300 e R$ 1.000. Um casal cujo marido ganhe o salário mínimo (R$ 724) — na hipótese de a mulher não ter emprego — já é “classe média” — no caso, baixa classe média (com renda entre R$ 300 e R$ 440). Se ela também trabalhar, recebendo igualmente o mínimo, aí os dois já saltarão, acreditem, para o que a SAE considera “alta classe média” (renda per capita entre R$ 640 e R$ 1.020). Contem-me aqui, leitores, como vive e onde mora que tem renda per capita de R$ 640! O aluguel de um único cômodo na periferia mais precária não sai por menos de R$ 250… Segundo a SAE, renda per capita acima de R$ 1.020 já define classe alta. Na minha casa, somos da classe alta os que aqui moramos e a nossa empregada, além de todos os porteiros do prédio.

Desde que chegou ao poder, o PT vem se dedicando, já escrevi aqui, com a preciosa colaboração teórica dos chamados “economistas da pobreza”, a criar a classe média por decreto e a erradicar a miséria por decreto. Dilma está a um passo de declarar o Brasil um país “sem miseráveis”. Está por um triz. E como isso foi feito? Inventou-se a existência de milhões de pessoas que estariam na “pobreza extrema”, as famílias com renda per capita de até R$ 70 mensais — R$ 2,33 por dia. Caso se faça um levantamento a sério, vai-se constatar que essas pessoas até podem existir no campo (e olhem lá!) — na cidade, não! Na zona rural, acabam sobrevivendo porque, ainda que precariamente, produzem parte do que comem. Nas cidades, fazendo bico aqui e ali, a renda é maior do que isso. Muito maior! Mesmo a daqueles oficialmente listados entre os extremamente miseráveis. Os pobres desgraçados do crack, que já estão sem casa, sem calçado, quase sem roupa, têm renda superior a R$ 2,33 por dia. Sabem por quê? Cada pedra custa de R$ 5 a R$ 10! O que estou dizendo é que existe uma economia informal que eleva essa renda. A propósito: se formos considerar o número de pedras consumidas nas cracolândias da vida e o que isso significa em termos de renda, vamos concluir que aquela gente que vaga como zumbi pelas ruas compõe a classe média alta, segundo o oficialismo. É uma piada!

Maluquice
A presidente entrou numa espécie de surto megalômano. Ela reconhece as dificuldades econômicas do país e afirma: “Temos tomado todas as medidas para entrar em um novo ciclo. Temos que melhorar a produtividade da economia brasileira. Nós estamos numa fase de baixa de ciclo econômico, mas sabemos que vamos entrar em outra fase do ciclo. Estamos nos preparando para melhorar a competitividade do país, aumentar as condições pelas quais nós vamos poder enfrentar essa nova etapa. Se não entrar para o resto do mundo [fase econômica], eu lhe asseguro que entra para o Brasil”.

Heeeinnn?

A presidente inventou o Brasil como uma ilha. Há uma boa possibilidade de o país crescer menos de 1% neste 2014, e a nossa soberana, ora vejam, diz que, se o resto do mundo não seguir o nosso país, iremos sozinhos. É patético!

Como se fosse uma candidata da oposição, afirma: “O Brasil é um país que tem demorado muito para modernizar seu Estado. Nós precisamos de um pais sem burocracia, de um Estado mais amigável tanto para os cidadãos quanto para os empresários, empreendedores e trabalhadores”.

É mesmo? O PT está no poder há 12 anos. A última iniciativa da soberana para modernizar o estado foi fazer um decreto que entrega a gestão da coisa pública a conselhos populares. Tenham paciência!

Por Reinaldo Azevedo
 

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