Blogs e Colunistas

Eleições 2014

29/10/2014

às 16:39

Separatismo é conversa de cretinos — não importa se vermelhos ou azuis

Essa conversa sobre separatismo no Brasil é asquerosa, é revoltante. Foi inventada por Lula, e, claro!, os porta-vozes do PT na imprensa logo aderiram à tese, atribuindo a adversários do PT o rancor separatista.

Ainda voltarei ao assunto, sim. Não! Não foram Norte e Nordeste que deram a vitória a Dilma porque há lá, se me desculpam a tautologia, muitos nortistas e nordestinos. A questão é de outra natureza: está relacionada à pobreza, que se concentra, como se sabe, no Norte e Nordeste do país — onde, de fato, está o maior número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A questão é bem mais séria. Um programa social, que tem apenas o condão de tirar as pessoas da miséria e da indigência social e econômica, transformou-se numa máquina de produzir votos — e isso, sim, é imoral.

A população pobre, além de vítima das circunstâncias, não pode agora ser responsabilizada por um resultado eleitoral que eu também acho ruim para o Brasil. Vou escrever sobre tudo isso com mais vagar. De imediato, acho que é hora de a gente rechaçar essas teses de Nordeste contra Sudeste, não importa quem as advogue, sejam os petistas, obedecendo à orientação de Lula, sejam os seus adversários.

Aliás, Lula, ele mesmo, deveria ter vergonha de investir nessa história: afinal, é um nordestino que se tornou a maior liderança nacional no Sudeste. Durante um bom tempo, diga-se, ele despertava temores extremos justamente na população do… Nordeste!

Rebatam essa besteira. Esse negócio de falar em separatismo é um atentado à inteligência, ao bom senso e até à decência. Voltarei a esse assunto neste blog e falarei a respeito na minha coluna de amanhã, na Folha.

Quem fala em separar o Sudeste e o Sul do resto do Brasil, lamento!, não entendeu nada. Ao contrário: precisamos é somar esforços com os pobres do Brasil, do Nordeste ou não, para que eles se libertem da caridade que hoje os escraviza e os torna alvos fáceis do terrorismo de um partido político.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2014

às 6:37

Aloysio, vice de Aécio, recusa “diálogo” com Dilma, no que faz muito bem. Até porque, em entrevistas, represidenta ataca governo tucano de SP, enquanto Lula já se lança para 2018. Tenham paciência!

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice na chapa de Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu a eleição por menos de 4 pontos percentuais, fez nesta terça um duro discurso no Senado, no mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao SBT, afirmou, como se noticia aqui e ali, que “aceita” dialogar com Aécio e Marina Silva. Aliás, só falou porque indagada a respeito — uma questão, convenham, extemporânea e não sei se surgida no curso da conversa ou combinada na coxia. Dialogar sobre o quê? É a não notícia. Que resposta ela daria? Que não aceita? Que não quer papo? Isso não tem a menor importância. Num outro canto, nos corredores do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o maior coronel do Brasil, já anunciava a sua intenção de disputar a eleição presidencial em 2018. Então vamos pôr os pingos nos is.

Em primeiro lugar, setores da imprensa se corrijam. Quem pode ou não aceitar o diálogo são Aécio e Marina, não Dilma. Como ela é a presidente da República, o máximo que pode fazer é convidar para uma conversa. Mas, antes, é preciso ter um assunto. Aloysio disse que não aceita. Espero que não mesmo. Nem ele nem os outros oposicionistas. É o que eu faria no lugar dele e deles. O senador evocou a sujeira da campanha e afirmou: “Eu fui pessoalmente agredido por canalhas escondidos nas redes sociais a serviço do PT, de uma candidatura. Não faço acordo. Não quero ser sócio de um governo falido nem cúmplice de um governo corrupto”. Perfeito! Disse mais: “Eles transformaram as redes sociais em um esgoto fedorento para destruir adversários. Foi isso que fizeram. Não diga a candidata Dilma que não sabia o que estava acontecendo. Todo mundo percebia as insinuações que fazia nos debates”. Fato.

Mais: o senador poderia ter citado ainda os blogs, sites, revistas e afins que são alugados para atacar a imprensa independente, jornalistas considerados incômodos — cujas cabeças eles pedem com a desenvoltura do Estado Islâmico — e os setores do Judiciário que não se subordinam a seus interesses. Dialogar como?

Nas entrevistas concedidas ao Jornal da Record, na segunda, e, ontem, ao Jornal da Band e ao Jornal do SBT, já demonstrei aqui, Dilma voltou a atacar o governo de São Paulo, falando barbaridades sobre a crise hídrica no Estado. Dilma está interessada em disputar o quarto turno em São Paulo. Abusa da sua condição de presidente para conceder entrevistas sem ser contraditada e falar o que lhe dá na telha.

A presidente diz querer dialogar, mas comparece ao debate com uma conversa marota sobre reforma política, que seria conduzida por meio de plebiscito, o que só beneficiaria o seu partido, o PT. Prega a distensão com uma das mãos, agride o principal governo de oposição do país com a outra, enquanto o Babalorixá de Banânia, Lula, já se apresenta para a disputa em 2018.

Dialogar sobre o quê e pra quê? O senador Aloysio está certo. Estamos falando com um governo que não respeita, como resta comprovado, nem mesmo a liberdade de imprensa. Os brucutus que foram atacar a revista VEJA, numa agressão explícita à Constituição e ao Código Penal, obedeciam, também eles, a um comando informal — ainda que não explícito. Foi a cúpula do PT, Dilma inclusive, que excitou a fúria da canalha.

Dilma não quer dialogar coisa nenhuma! Ela e seu partido pretendem, como sempre, aniquilar a oposição e as vozes discordantes. Se, no meio do caminho, conseguir enterrar qualquer investigação, a exemplo do que o PT faz no Congresso, tanto melhor. A propósito: ela já é presidente da República. Se pretende, mesmo, acabar com a corrupção, como diz em entrevistas, comece por demitir desde já os diretores da estatal indicados por partidos políticos.

Isso tudo é firula. Aliás, os respectivos conteúdos das entrevistas concedidas à Globo, à Band e ao SBT são praticamente os mesmos. Pouco variaram perguntas e respostas. É um tanto vexaminoso para todos. A exceção virtuosa foi Adriana Araújo, do Jornal da Record. Não por acaso, foi a única jornalista que teve direito ao mau humor presidencial. Dilma repetiu até as mesmas palavras, treinadas com João Santana, como o famoso clichê “Não vai sobrar pedra sobre pedra, doa a quem doer” (ao se referir à corrupção na Petrobras). Ah, sim: ao SBT, ela afirmou que topa a reforma por referendo mesmo. Que remédio? Por plebiscito, já estava claro que o PMDB e a maioria dos partidos não aceitariam. Ainda bem.

Se Dilma gosta de clichês, lá vai um: na conversa entre a corda e o pescoço, só a primeira tem a ganhar.

Texto publicado originalmente às 4h29
Por Reinaldo Azevedo

28/10/2014

às 6:55

Dilma acha que a sua vitória se deve à sabedoria dos que votaram nela e que o triunfo de Alckmin, Aécio e Serra em São Paulo se deve à ignorância do povo paulista

O governo está em plena, como dizer?, “ofensiva de mídia”. Nesta segunda, a “represidenta” concedeu duas entrevistas: uma ao “Jornal da Record”, da TV Record, e a outra, quase em seguida, ao “Jornal Nacional”, da TV Globo. De substancial — ou quase isso — disse a mesma coisa em ambos, repetindo não apenas fragmentos de raciocínio, mas também expressões: “o recado das eleições é a mudança”; vai investigar a Petrobras “doa a quem doer”, vai fazer um governo inclusivo, com especial atenção “às mulheres, aos negros, aos jovens”; será a presidente de todos os brasileiros… E vai por aí.

No JN, ela se mostrou calma e pacífica, mas se irritou, foi visível, com a repórter Adriana Araújo, da Record, que conduziu a entrevista com extrema competência e correção. Não tem jeito: a represidenta gosta é que lhe abram o microfone para falar. Qualquer tentativa de diálogo verdadeiro, ainda que absolutamente pacífico, é logo rechaçada ou com grosserias intimidadoras ou com raciocínios tortos. Todos sabem que age desse modo com subordinados — os tais dos seus “homens meigos”. A entrevista com Adriana, muito mais reveladora, teve o condão de deixar claro, por culpa exclusiva de Dilma, que a disposição para o diálogo da governanta é conversa para boi dormir. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Os mercados derreteram ontem, e o dólar subiu às alturas. Não foi surpresa para ninguém. Ou foi: se isso acontecia com o boato de que Dilma poderia ganhar a eleição, veio o fato. É possível que, em movimentos de curto prazo, haja uma subida ou outra? É. Mas o que importa é a trajetória, que é descendente. Guido Mantega, o único ministro demitido no cargo de que se tem notícia, disse não ver nada demais e afirmou que as Bolsas caíram no mundo inteiro, bobagem que Dilma repetiu na entrevista da Record. Falso, é claro! Houve quedas mínimas mundo afora, nada comparável à despencada havida no Brasil. Criativo na análise, não apenas na contabilidade, Mantega afirmou que a reeleição de Dilma significa aprovação da política econômica do governo. Fazer o quê? O país não está nessa pindaíba por acaso. Foi preciso, ao longo dos anos, uma incompetência verdadeiramente metódica, determinada, convicta.

Como os mercados derretem, então é preciso falar. Mas falar o quê? Dilma, claro, não adiantou que medidas pretende tomar na área econômica. Até porque, gente, quando ela tiver alguma ideia, talvez revele. De resto, nesse caso, “o que fazer” está intimamente atrelado a “quem vai fazer”. E já está claro que não será Guido Mantega, aquele que afirmou que a política econômica foi aprovada nas urnas.

Adriana cumpriu a sua obrigação e perguntou qual será o perfil do próximo ministro da Fazenda, citando, por exemplo, Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, lembrado frequentemente como um possível nome. Dilma ficou irritada e tentou ridicularizar a repórter: “Você está lançando um nome, Adriana?”. Falando certamente com os, como direi?, serviçais que estavam fora da câmera, ironizou: “Ela está lançando nome…”. Ouve-se um pequeno alarido de solidariedade com a chefia, como a dizer: “Oh, que absurdo!”. Sabem como é aquela truculência burocrática da servidão… A repórter reagiu muito bem e deixou claro que seu papel era perguntar. Perfeito.

Mas furiosa mesmo Dilma ficou quando Adriana tocou nos quase oito milhões de votos a mais que Aécio Neves teve em São Paulo. Por que teria acontecido no estado com a maior economia do país, com a maior população?… Dilma disse, então, coisas realmente estupefacientes. Indagou por que a repórter não lhe perguntava sobre os 11 milhões de votos a mais que teve no Nordeste, ao que respondeu a jornalista: “Eu lhe pergunto então…”.

A Dilma que até ali vinha falando em diálogo, em inclusão, em superar as diferenças, descambou para o eleitoralismo mais tosco e afirmou que não podia compreender que São Paulo vivesse a maior crise de água do Brasil e ninguém tocasse no assunto, sugerindo, o que é uma mentira descarada, que a imprensa estaria a proteger o governo do Estado. E emendou para espanto dos fatos e da língua portuguesa: “Fosse com qualquer governo da situação, nós seríamos criticados diuturna e noturnamente”. Sugiro a vocês que façam uma pesquisa nos arquivos na imprensa paulista sobre o assunto. A insistência beirou o terrorismo.

A represidenta que diz querer a união, que afirma ser preciso superar as divergências do período eleitoral, que anuncia ser a palavra “diálogo” a mais importante do seu segundo mandato, decidiu pautar a imprensa contra um governo de oposição, atribuindo a sua derrota no Estado, vejam vocês!, às deficiências do jornalismo — esse mesmo, diga-se, que a protege das barbeiragens cometidas, aí sim, no setor elétrico.

Vale dizer: Dilma acha que fez tudo certo; que os que não votaram nela só estavam mal informados e que o papel da boa imprensa é atacar seus adversários. Mais: para a represidenta, ela venceu no Nordeste em razão dos méritos do seu governo, e a oposição deu uma lavada em São Paulo em razão dos deméritos do que os petistas chamam “mídia”. Ou por outra: a sua reeleição é prova de sabedoria da população; já as vitórias estrondosas de  Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves em São Paulo provam a ignorância do povo paulista.

Digamos, o que é escandalosamente falso, que a imprensa realmente tivesse omitido informações sobre a crise hídrica. Será que os paulistas não teriam percebido ao abrir a torneira? O PT perdeu, em São Paulo, três turnos da eleição insistindo nessa tecla: o primeiro e único para o governo do Estado e os dois outros para a Presidência. Dilma está querendo disputar o quarto turno.

Eis a presidente que afirma querer o diálogo. Fica evidente: a exemplo de seu partido, ela também não esquece nada nem aprende nada.

Texto publicado originalmente às 5h26
Por Reinaldo Azevedo

28/10/2014

às 6:51

Quero ser governado pela “Vovó Dilma”. Ou: “Não pega porque é do povo brasileiro!”

Bronca da vovó: "Não pega que é do povo brasileiro"

Bronca da vovó: “Não pega que é do povo brasileiro”

Eu sempre fico muito encantado quando políticos decidem mostrar, assim, o seu “lado humano”, especialmente depois de falar com, como direi?, especialistas em imagem. Vi com atraso, mas vi, o perfil de Dilma Rousseff no Fantástico. O vídeo está aqui. A partir dos 9min, vejam lá, a “represidenta” acabou fazendo humor involuntário. Ao comentar a sua doçura de avó, ela contou como é rigorosa em separar o público do privado; ela deixou claro como não mistura as coisas; evidenciou, com terna gravidade, que, com ela, as duas esferas não se confundem. Afinal, isto é uma República! E como ela deixou isso claro? Com a fábula contada sobre o netinho, Gabriel, de 4 anos.

Disse a presidente que, no andar térreo do Palácio do Alvorada, só há coisas públicas, inclusive uma bola de cristal — que certamente não anda a mostrar o futuro… — na qual o garoto gosta de mexer. Mas a avó não deixa, não! De jeito nenhum! E ela reproduz, então, a conversa que tem com o infante:

“Não pega que é do povo brasileiro. Ele tem medo do povo brasileiro atualmente. Acha o povo brasileiro perigosíssimo (…) Ele adora pegar a bola de cristal, mas o povo brasileiro não deixa”.

Huuummm…

Já sei! Vamos criar, então, a “Lei Gabriel” do governo Dilma, não é? Quero ser governado, entre 2015 e 2018, pela Vovó Dilma. Em que consiste? A “nona” vai demitir todos os apaniguados das estatais. Os cargos de direção só serão exercidos por técnicos de carreira, independentemente de suas vinculações partidárias. Imaginem se a doce senhora decidisse que as estatais só seriam governadas segundo o lema da avó: “Diretor, não pega que é do povo brasileiro”.

E se a presidente Dilma, em vez de ter nomeado Nestor Cerveró diretor financeiro da BR Distribuidora, tivesse dito à turma da Petrobras: “Não pega porque é do povo brasileiro”? Imaginem se aquela multidão que exerce cargos de confiança nas estatais, nas autarquias, na administração direta e indireta… Imaginem se essa gente toda tivesse do “povo brasileiro” o medo que, segundo Dilma, tem Gabriel. Seria muito bom que esses valentes também considerassem “perigosíssimo” esse “ente” chamado… “povo brasileiro”.

Ocorre que assim seria se assim fosse. Dilma só passou a admitir que algo de errado havia acontecido na Petrobras quando o seu marqueteiro lhe apresentou números evidenciando que o escândalo na Petrobras poderia lhe tirar a reeleição; quando estava claro, por A mais B que, a coisa, como se diz, “havia pegado”; quando se tornou evidente que o tal “povo brasileiro” — que não é dono só daquela bolota de cristal do palácio, mas também da Petrobras — estava mesmo indignado.

Antes disso, Dilma preferiu adotar o discurso fácil e mentiroso de que criticavam os desmandos na estatal só os que queriam privatizá-la. Pessoalmente, eu não veria nada demais que a vovó Dilma fosse um pouco mais relaxada com a criança. Aos quatro anos, Gabriel não ameaça o povo brasileiro, por quem, acho, tem de ser estimulado a sentir amor, não medo. Já a administração pública, ah, esta sim…

A presidente poderia, por exemplo, não ter usado o Bolsa Família para ganhar votos e, pior de tudo, tomar votos. Seu lema, em relação a uma política de Estado, poderia ser este: “Não pega porque é do povo brasileiro”. Dilma me obriga a encerrar assim: ela pode ser mais presidente, isto é, mais permissiva, com o seu netinho. E que seja mais vovó com a coisa pública: “Não pega porque é do povo brasileiro”.

Texto originalmente enviado às 3h39
Por Reinaldo Azevedo

28/10/2014

às 0:38

Neste vídeo, nomeio o futuro ministro da Fazenda e demito Gilberto Carvalho, o inimigo da liberdade de imprensa

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2014

às 6:39

Quanto vale uma Dilma de branco, no discurso da vitória, ao lado de Ciro Nogueira, citado no escândalo do petrolão? Ou: De terno branco, com alma vermelha. Ou: Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel

Dilma no discurso da vitória: terninho branco, alma rubra

Dilma Rousseff no discurso da vitória: terninho branco, alma rubra

A presidente reeleita, Dilma Rousseff, resolveu tirar o terninho vermelho de campanha e de debates. Em seu lugar, vestiu o branco. Há a hora do Falcão e a hora da pomba. No discurso da vitória, falou em nome da paz. Cumprimentou todos os parceiros de jornada, com salamaleques especiais a Lula — nem poderia ser diferente. Entre os presentes, Ciro Nogueira, o presidente do PP, citado no escândalo do petrolão. No discurso, aquela que, segundo Alberto Youssef, sabia das vigarices na Petrobras, prometeu combater a corrupção. Ciro Nogueira aplaudiu com entusiasmo.

Dilma negou que o país esteja dividido, rachado ao meio — embora ela saiba que está, mas esse é tema para outro comentário, que ainda farei aqui. Venceu a eleição com pouco mais da metade dos votos válidos, numa disputa em que 27,44% dos eleitores se negaram a sufragar um nome: 1,71% dos votantes decidiram pelo branco; 4,63%, pelos nulos, e 21,1% se ausentaram. De fato, ela é presidente por vontade de 38% dos eleitores aptos a participar do pleito. É bem menos do que a metade. É a reeleita legítima, mas isso não muda os números.

Assim, cumpre que Dilma busque ganhar a confiança não apenas dos 51.041.155 que votaram em Aécio, mas também dos 32.277.085 que não quiseram votar em ninguém. Juntos, eles são 83.100.453, bem mais do que os 54.501.118 que a escolheram. Neste blog, eu adverti várias vezes para esse fato, não é mesmo? Critiquei severamente a campanha suja movida pelo PT porque ela acabaria deixando um rastro de ressentimentos, de rancor.

No discurso da vitória, leiam a íntegra abaixo, Dilma afirma, por exemplo:
“Toda eleição tem que ser vista como forma pacífica e segura. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós que vivemos em uma das maiores democracias do mundo.”

Pois é. Posso concordar em parte ao menos, embora, de fato, nas democracias, eleições signifiquem, antes de mais nada, conservação de um método: recorre-se às urnas para decidir quem governará o país. Mas sigamos. Quando o PT e Dilma transformaram os adversários em verdadeiros satãs, que fariam o país recuar nas conquistas sociais; quando os acusaram de representantes de “fantasmas do passado” — sim, essa expressão foi empregada; quando lhes atribuíram um passado que não tiveram e intenção que não teriam, será que a presidente e seu partido expressavam, de fato, fé na democracia?

Quando a chefe da nação, ainda que nas vestes da candidata, investe contra um veículo de comunicação que apenas cumpriu o seu dever, estimulando milicianos a atacar uma empresa jornalística, onde estava essa Dilma que agora veste o branco? Quando Lula comparou os opositores do PT a nazistas, acusando-os de golpistas, onde estava o PT da paz e do entendimento? “Ah, mas Aécio Neves não criticou Dilma?” É certo que sim! Mas nunca deixou de reconhecer avanços nas gestões petistas. Uma coisa é criticar a condução de políticas; outra, distinta, é acusar o adversário de articular, de forma deliberada, o mal do país.

A fala pacificadora de Dilma não me convence — até porque Gilberto Carvalho, seu secretário-geral da Presidência, quase ao mesmo tempo, falava uma linguagem de guerra. Tratarei dele em outra oportunidade. E não me convence por quê? Porque Dilma afirmou que a principal e mais urgente tarefa de seu governo é a reforma política. Ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Mas a tese é falaciosa. Diz a presidente reeleita que pretende conduzir o debate por meio de plebiscito — para que e com que pergunta? Em debates na TV, expressou o entendimento absurdo de que o mal essencial do nosso sistema está no financiamento de campanhas por empresas. Errado! O mal essencial no que diz respeito ao Estado está no aparelhamento do bem público em favor de partidos e camarilhas. Ou não vimos um agente do petismo, disfarçado de presidente da Agência Nacional de Águas, a fazer proselitismo eleitoral em São Paulo de maneira descarada?

Ignorar a crise de fundamentos — para ser genérico — que hoje assola a economia brasileira e que deixa o país sem perspectiva de futuro para brincar de plebiscito, constituinte exclusiva, como ela já defendeu, e reforma política corresponde a apagar incêndio com gasolina. Dilma não tenha a ilusão de que gozará de um período de lua de mel. Com ou sem razão, espero que sem (e também sobre isso falarei em outra ocasião), naquelas partes do Brasil em que pouco se olha quem sobe ou desce a rampa, desconfia-se até da inviolabilidade das urnas eleitorais.

Se a dita reforma política vai ser o seu “chamamento à união”, então, posso afirmar, com pouca chance de errar, que ela está é querendo provocar ainda mais conflitos. Não adianta vestir um terninho branco quando a alma segue vermelha, governanta.

Em seu discurso, Dilma insiste que o Brasil votou para mudar — é, talvez para que o governo mude os métodos. No que concerne às instituições, o voto crescente é para “conservar” — no caso, conservar instituições. Espero que também as oposições se deem conta disso e não tergiversem, como já fizeram no passado, na defesa dos fundamentos da democracia representativa.

No que me diz respeito, é preciso bem mais do que um terninho branco para me comover. Ademais, sigo a máxima de que um indivíduo se dá a conhecer muito mais por seus atos do que por suas palavras.

As palavras recentes da presidente-candidata estimularam uma milícia de vagabundos a atacar uma empresa de comunicação. Por enquanto, não tem a minha simpatia nem meu voto pessoal de confiança — sei que é irrelevante para ela, mas é meu, e dele, cuido eu. E também não consigo imaginar que alguém que proponha constituinte exclusiva para fazer reforma política esteja com boa intenção. Bondade assim, já vi antes na Venezuela, no Equador e na Bolívia.

Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2014

às 6:35

Minas falta ao encontro marcado e dá ao PT a quarta vitória consecutiva no país

Minas não compareceu ao encontro marcado. A Minas que muitos imaginavam existir — e que só estaria à espera de um filho da terra para ungi-lo à Presidência da República, quem diria?, era São Paulo. Nas terras paulistas, sim, a vitória do PSDB foi acachapante: 64,31% contra 35,69%, com uma diferença de 6.807.906 votos. Nunca antes na história de São Paulo, nem mesmo quando os candidatos que enfrentavam o PT eram paulistas, algo semelhante se viu. Por que é assim? Ainda voltarei a este assunto, mas adianto: nem tanto é por Dilma, é pelo PT. O que cresce na capital paulista e no Estado é o repúdio ao partido e a seus métodos.

Faço um breve comentário a respeito e retomo o fio: os petistas voltaram a explorar a crise hídrica no Estado, buscando jogar a reponsabilidade nas costas dos tucanos. Deu errado de novo. Mas voltemos a Minas.

Vejam que coisa: no Brasil, a petista obteve 51,64% dos votos válidos — em Minas, 52,41%; no país, Aécio ficou com 48,36%; no seu Estado, com 47,59%. Vale dizer: ela ficou acima de sua média, e ele abaixo. A diferença entre os dois, ali, foi de 550 mil votos; no Brasil como um todo, de 3.459.963. Se a diferença mineira de lado, ainda assim, ele perderia. Ocorre que a conta a se fazer é outra.

Em Minas, os votos válidos foram de quase 11,5 milhões. Se o Estado tivesse dado a Aécio a proporção que lhe deu São Paulo, a fatura estaria liquidada. É claro que, matematicamente, não faz sentido atribuir a derrota a um único estado. Ocorre que estamos diante de uma questão política. A expectativa era que Minas votasse esmagadoramente com Aécio.

É inescapável concluir que erros vários foram cometidos pelo PSDB no Estado — e a escolha do candidato do partido ao governo, Pimenta da Veiga, não foi o menor deles. Estava afastado havia tempos da linha de frente da política. Do outro lado, havia o petista Fernando Pimentel, uma brasa encoberta, político que pode ser notavelmente agressivo nos métodos.

A campanha petista de desconstrução da imagem de Aécio parece que acabou tendo mais eficácia em sua terra natal, coisa com qual, convenham, ninguém contava. E esse pode ter sido o grande acerto estratégico do PT. Se a gente observar no detalhe, por mais que os petistas tenham tentando fazer barulho em São Paulo, o objetivo, por aqui, era não sofrer uma derrota humilhante — mesmo assim, humilhante ela foi.

Os “companheiros” perceberam a tempo que a fronteira da vitória ou da derrota seria mesmo Minas. Não se trata, obviamente, de ficar caçando responsáveis. O fato é que, se o PSDB quiser se estruturar para as batalhas vindouras, parece que algo há de se fazer por ali. O Estado votou majoritariamente com o PT em 2002, 2006, 2010 e 2014. E contará agora com um governador do PT.

São Paulo foi o Estado que, individualmente, deu mais votos a Aécio e, percentualmente, ficou em segundo lugar, com 64,3%. Só perdeu para Santa Catarina, com 64,59%. Com seus magros 47,59%, Minas faltou ao encontro marcado e deu ao PT a quarta vitória consecutiva não apenas no Estado, mas também no país.

Texto publicado originalmente às 4h5806
Por Reinaldo Azevedo

27/10/2014

às 6:33

PSDB governará quase 45% do PIB; em segundo lugar, vem o PMDB, com 22,4%

Abaixo, fiz um levantamento da distribuição dos Estados segundo os partidos, mas usando, para hierarquizar o poder das respectivas legendas, o PIB que elas governarão, segundo os números de 2011, do IBGE. O PSDB continuará a governar quase 45% do Produto Interno Bruto: dos atuais 43,8%, passará para 44,4%. É claro que São Paulo faz toda a diferença: sozinho, representa 32,6% do Produto Interno Bruto brasileiro. O que falta para chegar a 44,4% vem de Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. O partido governava cinco Estados e com cinco ficará.

Em segundo lugar no PIB vem o PMDB, com 22,4%, quase a metade do que terão os tucanos. O partido ficou com o maior número de unidades da Federação: ao todo, serão sete, o mesmo de agora: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Dos 22,4%, o Rio responde por 11,2%, e o Rio Grande do Sul, por 6,4%.

O partido que governará o terceiro maior PIB na soma dos Estados é o PT, com 16,1% — hoje em dia, 14,6%. É quase um terço do que terão os tucanos. Perdeu 6,4% do Rio Grande do Sul, mas ganhou os 9,3% de Minas e conseguiu manter os 3,9% da Bahia. Governava quatro Estados e vai governar cinco: além de Minas e Bahia, também Acre, Piauí e Ceará.

O PSB governava quatro unidades da Federação e terá apenas três: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco, mas o seu PIB passou de 6% para 7,4%. Desse total, 4% pertencem ao Distrito Federal. Com Santa Catariana e Rio Grande do Norte, o PSD governará 5% do PIB — 4,1% são dos catarinenses. PDT e PCdoB não governavam estado nenhum. O primeiro conquistou o Mato Grosso e o Amapá (juntos, 1,9%), e o segundo, o Maranhão: 1,3%. O PROS tinha apenas o Amazonas, com 1,6%, e, a partir de 2015, terá também o Ceará, somando 3,7%.

O PP passou a governar Minas — 9,3% do PIB — com a renúncia do tucano Antonio Anastasia, que resolveu disputar o Senado. A partir do ano que vem, o Partido Progressista terá apenas 0,2% do PIB nacional, que corresponde a Roraima, único estado em que venceu. DEM e Solidariedade não governarão Estado nenhum. O primeiro ficará sem os dois que tem hoje — Rio Grande do Norte e Roraima —, e o outro, sem Tocantins.

O PT obteve nas urnas o quarto mandato consecutivo para a Presidência, mas não conseguiu, como deseja, quebrar a espinha tucana. Na verdade, o PSDB, por muito pouco, não lhe tira também a Presidência da República.

Vejam a lista:
PSDB – Governa hoje cinco estados e continuará com cinco.
A partir de 2015 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. 44,4% do PIB.
Em 2014 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Alagoas e Pará. 43,8% do PIB

PMDB – Governa hoje sete estados e com sete continuará.
A partir de 2015 – 7: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. – 22,4 do PIB
Em 2014 – 7: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Sergipe. – 17,3% do PIB

PT – Governa hoje quatro Estados e ficará com cinco.
A partir de 2015 – 5: Acre, Piauí, Ceará, Bahia e Minas. 16,1% do PIB
m 2014 – 4: Acre, Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. 14,6 do PIB

PSB – Governa hoje quatro estados e terá três.
A partir de 2015 – 3: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco. 7,4% do PIB
Em 2014 – 4: Amapá, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco. 6% do PIB

PSD – Governa um estado e passará a ter dois
A partir de 2015 – 2: Santa Catarina e Rio Grande do Norte. 5% do PIB
Em 2014 – 1: Santa Catarina. 4,1% do PIB

PDT – Não governa nenhum estado e passará a ter dois.
A partir de 2015 – 2: Mato Grosso e Amapá. 1,9% do PIB
Em 2014 – Nenhum – 0% do PIB

PROS – Governa hoje dois Estados e ficará com um.
A partir de 2015 – 1: Amazonas. 1,6% do PIB
Em 2014 – 2: Amazonas e Ceará. 3,7% do PIB

PCdoB – Não governa nenhum e terá um.
A partir de 2015 – 1: Maranhão. 1,3% do PIB
Em 2014 – Nenhum.0% do PIB

PP – Governa um estado e terá um.
Em 2014 – 1: Minas Gerais. 9,3% do PIB
A partir de 2015 – 1: Roraima – 0,2% do PIB

Democratas – Governa hoje dois estados e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum – 0% do PIB
Em 2014 – 2: Rio Grande do Norte e Roraima. 1,1% do PIB

Solidariedade – Governa 1 estado e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum. – 0% do PIB
Em 2014 – Tocantins – 0,4% do PIB

Post publicado originalmente às 2h33 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

27/10/2014

às 5:24

Leia a íntegra do discurso de Dilma Rousseff. Comentarei em outro post.

Boa noite. Eu queria cumprimentar a todos aqui, agradecer a cada um de vocês e a cada uma de vocês. Começo saudado o presidente Lula. Dirijo meu agradecimento, a minha saudação ao vice-presidente Michel Temer. Queria cumprimentar também a vice-primeira dama, a nossa querida Marcela, cumprimentar os presidentes dos partidos da minha coligação, Rui Falcão, presidente do PT; Carlos Lupi, presidente do PDT; José Renato Rabelo, presidente do PCdoB; Ciro Nogueira, presidente do PP; Vitor Paulo, presidente, aliás, do PRB; Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR; Gilberto Kassab, presidente do PSD; Eurípedes Jr, presidente do PROS; cumprimento aqui os ministros de estado, governadores, deputados, senadores, deputados que me honram com sua presença.

Senhoras e senhores, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas. Senhoras e senhores, meus amigos e minhas amigas. Chegamos, chegamos, um pouquinho de silêncio, porque minha voz se foi. Então, estou aqui usando um restinho de voz, peço que vocês me deem uma força pra vocês. Meus queridos, minhas amigas e meus amigos. Meus amigos e minhas amigas.

Chegamos ao final de uma disputa eleitoral que mobilizou intensamente todas as forças do nosso país, da Nação. Como vencedora dessas eleições históricas tenho simultaneamente palavras de agradecimento e de conclamação Agradeço ao meu companheiro de chapa, ao meu parceiro de todas as horas, meu vice Michel Temer. Agradeço aos partidos políticos e sua militância que sustentaram a nossa aliança e foram decisivos para nossa vitória.

Agradeço a cada um e a cada uma dos integrantes dessa militância combativa, que foi a alma, a que foi a força dessa vitória e agradeço sem exceção a todos os brasileiros e brasileiras. Eu faço um agradecimento do fundo do meu coração a um militante, ao militante número um das causas do povo e do Brasil, o presidente Lula.

Conclamo, sem exceção, a todas as brasileiras e todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro da nossa pátria, do nosso país e de nosso povo.

Não acredito, sinceramente, que essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo, sim, que elas mobilizaram ideias e emoções às vezes contraditórias, mas unidas por sentimentos comuns: a busca por um futuro melhor para o país.

Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção e pontes. O calor liberar no fragor da disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil

Com a força desse sentimento mobilizador, é possível encontrar pontos em comum e construir com eles uma primeira base de entendimento para fazermos o país avançar. Algumas vezes na história, os resultados apertados produziram mudanças mais fortes e rápidas do que as vitórias amplas. É essa a minha esperança. Ou melhor, a minha certeza do que vai ocorrer a partir de agora no Brasil.

Minhas primeiras palavras são de chamamento da base e da união. Nas democracias maduras, união não significa ação monolítica. Pressupõe abertura e disposição para o diálogo.

Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.

Toda eleição tem que ser vista como forma pacífica e segura. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós que vivemos em uma das maiores democracias do mundo.

Quando uma reeleição se consuma, ela tem que ser entendida como um voto de esperança dada pelo povo na melhoria do governo.

Voto de esperança é o que é uma reeleição. Muito especialmente na melhoria dos atos do que até então vinham governando. Sei que é isso o que o povo diz quando reelege um governante. Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora.

Quero ser uma pessoa muito melhor. Esse sentimento de superação não deve apenas impulsionar o governo e a minha pessoa, mas toda a nação.

Algumas palavras e temas dominaram essa campanha. A palavra mais repetida, mais dita, mais falada, mais dominante foi mudança. O tema mais amplamente evocado foi reforma.

Sei que estou sendo reconduzida à Presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade exige.

Aquilo que meu esforço e meu papel alcança pode ter certeza que estou pronta a responder essa convocação. Direi sim a esse sentimento que vem do mais profundo da alma brasileira. Sei das forças e das limitações que tem qualquer presidente. Sei também do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares, e eu o farei.

A minha disposição mais profunda é liderar da forma mais pacífica e democrática este momento transformador. Estou disposta a abrir grande espaço de diálogo com todos os setores da sociedade para encontrar as soluções mais rápidas para os nossos problemas.

Meus amigos e minhas amigas, entre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política.

Meu compromisso, como ficou claro durante toda a campanha, é deflagrar essa reforma. Que deve ser realizada por meio de uma consulta popular. Como instrumento dessa consulta, o plebiscito, nós vamos encontrar a força e a legitimidade exigida neste momento de transformação para levarmos à frente a reforma política.

Quero discutir profundamente esse tema com todo o Congresso e toda a sociedade brasileira. Tenho a convicção de que haverá interesses dos setores do Congresso, da sociedade para abrir uma discussão e encaminhar medidas concretas. Quero discutir com todos os movimentos sociais e da sociedade civil.

Conduzir a reforma política não significa que eu não saiba da importância das demais reformas, que também temos a obrigação de promover.

Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção e com a proposição de mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade, que é protetora da corrupção. Ao longo da campanha, anunciei medidas que serão importantes para a sociedade e para o país enfrentarem a corrupção e acabar com a impunidade.

Promoverei ações locais, em especial na economia, para retomar o nosso ritmo de crescimento e para continuar com a garantia de níveis altos de emprego e assegurar os salários. Vamos dar mais impulsos à atividade econômica, em especial o setor industrial.

Quero a parceria de todos os segmentos, os setores, as áreas produtivos e financeiros nessa tarefa, que é responsabilidade de cada um de nós. Seguirei combatendo com rigor a inflação e avançando no terreno da responsabilidade fiscal. Vou estimular o mais rápido possível o diálogo e a parceria com todas as forças produtivas do país. Antes mesmo do início do meu próximo governo, prosseguirei nessa tarefa.

É hora de cada um de nós acreditar no Brasil. Ampliar nosso sentimento de fé em quem nós temos o privilégio de fazer uma sociedade mais próspera e mais justa.

O Brasil, esse nosso querido país, saiu maior nesta disputa. Eu sei da responsabilidade que pesa sobre meus ombros. Vamos continuar a construir um país mais moderno, mais produtivo, um país da solidariedade e das oportunidades.

O Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. O Brasil que cuida das pessoas com olhar especial para as mulheres, os negros e os jovens.

O Brasil que cada vez é mais voltado para a educação, para a cultura, para a ciência e para a inovação. Vamos nos dar as mãos e avançar nesta caminhada que vai nos ajudar a construir o presente e o futuro.

O carinho, o afeto, o amor e o apoio que recebi nesta campanha me dão energia para seguir em frente com muito mais dedicação.

Hoje estou muito mais forte, mais serena e mais madura para a tarefa que vocês me delegaram.

Brasil, mais uma vez, esta filha tua não fugirá da luta. Viva o Brasil. Viva o povo brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

27/10/2014

às 5:21

Leia a íntegra do discurso de Aécio Neves

Minha primeira palavra é de profundo agradecimento a todos os brasileiros que participaram desta festa da democracia. Agradecimento especial aos mais de 50 milhões de brasileiros que apontaram o caminho da mudança. Serei eternamente grato a cada um de vocês que me permitiram voltar a sonhar e a acreditar na construção de um novo projeto. As cenas que vivi ao longo destes últimos meses jamais sairão da minha mente e do meu coração.

Cumprimentei agora há pouco, por telefone, a presidente reeleita. E desejei a ela sucesso na condução do seu próximo governo. E ressaltei: considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros.

Uma palavra de agradecimento especial a cada companheiro, representado por tantos que estão aqui, e faço na figura do senador Aloysio Nunes: bravo companheiro nesta jornada, com quem tive também o privilégio de compartilhar novas expectativas em relação ao Brasil.

Portanto, mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha, ao final, com sentimento de que cumprimos o nosso papel. E repito, para encerrar, mais uma vez, São Paulo, que é o que retrata para mim de forma mais clara o sentimento que tenho hoje na minha alma e no meu coração. Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé. Muito obrigado a todos os brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 23:28

No RS, Sartori dá uma surra eleitoral em Tarso Genro, que agora vai fazer o Pronatec

Tarso Genro levou uma surra e tanto no Rio Grande do Sul. José Sartori, do PMDB, elegeu-se governador com 61,29% dos votos válidos, contra 38,79% do atual governador, que é do PT. O Estado repete, assim, a tradição de não reeleger o titular do Executivo. Perguntam-me o que Tarso Genro vai fazer agora… Ah, dou a resposta que Dilma deu àquela indecisa do debate da Globo, que é economista e está desempregada porque tem 55 anos: que tal o Pronatec?

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 23:17

Recomeçando…

Passei parte do dia na VEJA.com, na TVeja. A noite será longa.

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 18:07

Rodrigo Rollemberg é o governador eleito do Distrito Federal

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) é o governador eleito do Distrito Federal. Com 97,92% dos votos apurados, ele obteve 55,73% dos votos contra 44,37% de Jofran Frejat, do PR. Quem sabe o DF, a partir de 2015, tenha um pouco de… moralidade. Na esteira da crise que tirou José Roberto Arruda do poder, elegeu-se, em 2010, Agnelo Queiroz (PT). E o caos se avizinhou. Arruda era de novo o favorito na disputa neste ano, mas sua candidatura foi cassada pelo TSE. Em seu lugar, entrou Jofran Frejat, que tomou o segundo lugar na disputa, deixando o petista, que tinha uma rejeição na casa dos 50%, fora do segundo turno. Melhor assim. Alguma esperança. Vamos ver.

 

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 15:30

A esquerda foi tão ética na campanha, né? Ou: Da ignorância ousada e sem modéstia

Um colunista da Folha, num raciocínio realmente muito singular e instruído, diz ver uma única vantagem na eventual eleição de Aécio. Ele teme que, caso vença Dilma, em quem ele declara voto, a “direita” (“direita”, gente, são as pessoas más, os lobos maus) vai ficar ainda pior, sabem? Será mais racista, mais homofóbica, mais demofóbica. Como vocês sabem, a esquerda (os Chapeuzinhos Vermelhos) não são nada disso. Ah, que talento perde a “Folhinha”…

É verdade. Como a gente viu, no desespero, a candidatura de Aécio chamou Dilma de bêbada, de cheiradora, de lésbica, de mulherenga. Como a gente viu, a campanha de Aécio espalhou propaganda apócrifa por aí depondo contra a sua moralidade pessoal. Como a gente viu, nos debates, em vez de debater números, propostas e saídas para a crise, Aécio preferiu pespegar pechas na adversária.

De fato, essa direita é mesmo o Lobo Mau. É capaz das piores baixarias. Já as esquerdas, não. Formam uma verdadeira academia de sábios, de mulheres e homens honrados, que jamais aderem a baixarias.

Os esquerdistas detêm o monopólio do combate à homofobia, ao racismo e à demofobia. Como a gente sabe, o pensamento liberal jamais teve qualquer compromisso com essas causas. Como a gente sabe, enquanto a União Soviética estimulava os “pogroms” — claro que aquilo não era racismo! —, a direita liberal perseguia judeus na Europa, certo? Foi ou não foi assim que a história se deu?

A droga que mais vicia é a ignorância ousada, que perdeu a modéstia.

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 15:08

SOBRE A MENTIRA. OU: UM “RACIOSSÍMIO”

Acabo de receber este texto-imagem. Fala por si. Passem adiante.

O poema da Mentira

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 14:54

Caminhão recolhe propaganda legal de Aécio e deixa apenas a de Dilma. Vejam que maravilha de gente!

Este vídeo circula por aí. Não dá para saber exatamente a cidade. Que está acontecendo, bem…, está acontecendo. Já advirto que há alguns palavrões no vídeo, motivados pela compreensível indignação de quem estava filmando. Os palavrões, no entanto, não são mais feios do que aquilo que se vê.

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2014

às 6:35

O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE – O BRASIL QUE PUNE QUEM PUBLICA A VERDADE E FORÇA, POR DECISÃO JUDICIAL, A PUBLICAÇÃO DE UMA MENTIRA PRECISA ACABAR!

Vejam estas duas fotos, que me foram enviadas por amigos.

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É mesmo do balacobaco! Admar Gonzaga, ministro do TSE, advogado da campanha de Dilma Rousseff em 2010, concedeu direito de resposta ao PT na VEJA.com. A revista emitiu, em área distinta, como pede a lei, uma nota a respeito da decisão. Sim, decisão judicial tem de ser cumprida. Mas só nas ditaduras ela não pode ser debatida. E é claro que vou debater. Até porque o texto enviado pelo PT a título de “direito de resposta” contém uma mentira flagrante. Então ficamos assim: uma revista é punida por publicar a verdade, a saber: Alberto Youssef afirmou em depoimento à PF que Dilma Rousseff e Lula sabiam das lambanças na Petrobras. É a verdade! O doleiro disse isso. Se a dupla sabia ou não, eis matéria que tem de ser investigada. O PT, no entanto, recorreu ao TSE para que a VEJA fosse impedida de fazer publicidade de sua capa — praxe em todas as edições — e para que publicasse o tal direito de resposta. 

O texto do PT diz repudiar setores que “tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.” Uma ova! Se Youssef está mentindo, ele arcará com as consequências. A revista só publicou a verdade: o que ele afirmou em seu depoimento. O texto do partido diz ainda que “o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato.” Mentira! VEJA o entrevistou. Ele apenas se negou a confirmar o conteúdo da delação de seu cliente porque a investigação está sob sigilo, conforme deixou claro em entrevista à VEJA.com.

A decisão de Admar Gonzaga é especialmente grave porque tomada um dia depois de vândalos disfarçados de militantes políticos terem promovido uma arruaça em frente à editora Abril, ameaçando invadi-la, ato que foi rechaçado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraj). Até quando escrevo, desconheço que sindicatos de jornalistas ou a Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas) tenham se manifestado. Em casos assim, quem cala consente — ou estimula.

Mas isso ainda não é o mais insólito. Vejam a manchete de ontem da Folha:

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 Também o Estadão trazia apuração reafirmando que o doleiro implicara Dilma e Lula no curso do processo de delação premiada.

Curiosamente, o PT não recorreu ao TSE contra a Folha e contra o Estadão, mas o fez contra a VEJA. Nada disso impressionou o ministro Admar Gonzaga, segundo quem, então, entende-se agora, um veículo de comunicação está livre para publicar o que apura desde que isso não fira a sensibilidade de um partido que disputa o poder. Trata-se de uma leitura realmente sui generis da Constituição, que era certamente compreensível naquele advogado que trabalhava para o PT, mas absurda, acho eu, num ministro de tribunal superior.

Em que as informações publicadas por VEJA diferem daquelas publicadas pela Folha e mesmo pelo Estadão — que evidencia um Lula participando de forma ainda mais ativa da tramoia? Lula, Dilma e o PT, que manifestaram a intenção de processar a VEJA, farão o mesmo com os outros veículos ou se trata mesmo de perseguição?

Em duas horas, Admar Gonzaga analisou o pedido da coligação que apoia Dilma para conceder o direito de resposta e deferiu o pedido, redigindo um despacho de impressionantes nove laudas — 13 minutos por página. Ele realmente é rapidinho.

Querem saber de uma coisa? Precisa chegar ao fim o Brasil que pune quem publica uma verdade e premia, por decisão judicial, quem conta uma mentira. Quem sabe seja hoje — antes que as cortes superiores brasileiras se transformem em tribunais de perfil bolivariano.

Quanto à decisão do ministro de proibir a VEJA de fazer publicidade de sua edição, respondo com as imagens que se veem lá no alto. Parece que Admar Gonzaga anda um tanto esquecido do que seja uma sociedade ainda livre e indignada. A censura teve um efeito contrário ao pretendido. Aí é que a capa ganhou as ruas, como um estandarte da educação cívica. Uma das fotos foi feita na Avenida Paulista. A outra retrata o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, tomado pela indignação, mas não só. Bem lá no alto, observem, brilha a capa de VEJA, como um “pendão da esperança”. A publicidade de maior peso de uma revista, senhor ministro, é a confiança que nela depositam os leitores e, nesse particular, os eleitores.

A censura saiu pela culatra.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2014

às 21:19

EX-ADVOGADO DA CAMPANHA DE DILMA, QUE ESTÁ NO TSE, CENSURA CAMPANHA PUBLICITÁRIA DA VEJA E CONCEDE DIREITO DE RESPOSTA AO PT. REVISTA RECORRE AO SUPREMO

Admar Gonzaga, esse de gravata vermelha, censurou a publicidade e concedeu direito de resposta

Admar Gonzaga, esse de gravata vermelha, censurou a publicidade e concedeu direito de resposta

O TSE decidiu censurar a publicidade habitual que a revista VEJA faz de suas edições, a exemplo de qualquer outro veículo de comunicação. Por quê? Porque traz a reportagem informando que, segundo Alberto Youssef, Dilma Rousseff e Lula sabiam da roubalheira na Petrobras. O texto também informa que o doleiro se dispôs a ajudar a polícia a localizar contas secretas do PT no exterior.

Segundo o ministro Admar Gonzaga, “ainda que a divulgação da VEJA apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência grave em detrimento de uma das candidaturas”.

Gonzaga foi advogado da campanha presidencial de Dilma em 2010. A justificativa é absurda: “em detrimento de uma das candidaturas” por quê? Quer dizer que, se houvesse um outro doleiro que disse algo parecido sobre o PSDB, aí tudo bem? Uma revista agora fica obrigada a fabricar escândalos “do outro lado” quando topa com o escândalo “de um dos lados”? O nome disso é censura.

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) classificou a decisão provisória do TSE de “inconstitucional”. Segundo a entidade, “a intervenção do TSE, além de extemporânea, fere a liberdade de imprensa, agride o Estado de Direito e conspurca os princípios que regem a atividade econômica em nosso país”.

Direito de resposta?
Admar Gonzaga está mesmo inquieto. Há pouco, concedeu à campanha de Dilma direito de resposta, determinando que o site da VEJA publique a contestação da reportagem. A revista recorreu ao Supremo contra as duas decisões.

Tenham a santa paciência. Parece que está caracterizado um ânimo de perseguição do PT contra a VEJA. Como o ministro Admar Gonzaga explica o fato de que, neste sábado, Folha e Estadão tenham publicado reportagens que endossam o que publicou VEJA, sem que os petistas tenham recorrido à Justiça?

A decisão do ex-advogado da campanha de Dilma embute um entendimento sobre o papel da imprensa: proteger candidatos de si mesmos, de suas respectivas trajetórias, de seus atos. O que ele queria? Que a revista tivesse escondido a informação?

Lembro aqui dois dispositivos constitucionais.

Inciso IX do Artigo 5º da Constituição:
“IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”

Artigo 220:
“A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

Ou Admar Gonzaga não leu esses dois trechos ou decidiu não concordar com eles.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2014

às 20:27

Ato em favor de Aécio junta 8 mil pessoas em SP; em favor de Dilma, 300. Veja imagens de dois Brasis: qual você quer?

Vejam esta imagem:

 veja no masp 2

Ela estava pendurada em frente ao Masp, na Paulista, área já tradicional de manifestações políticas. Sim, é uma reprodução da capa da mais recente edição da VEJA, que traz uma reportagem informando que o doleiro Alberto Youssef confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público que Dilma Rousseff e Lula sabiam da roubalheira na Petrobras. A PROPÓSITO: REPORTAGENS DA FOLHA E DO ESTADÃO APURARAM A MESMA COISA. PERGUNTO DE NOVO: LULA E DILMA VÂO PROCESSÁ-LOS TAMBÉM?

Agora vejam isto:

aprotesto abril

É o saldo do vandalismo de uma dezena de brucutus, que se reuniram ontem à noite em frente à editora Abril, estimulados pelo discurso de ódio da presidente Dilma Rousseff. Jogaram lixo na área externa do prédio, picharam placas, ameaçaram invadir.

Nunca é demais reiterar — e ainda voltarei ao tema: É UMA MENTIRA ESTÚPIDA A HISTÓRIA DE QUE A VEJA ANTECIPOU A EDIÇÃO. Basta ver o que aconteceu no primeiro turno e em eleições passadas. Mas que se note: ainda que tivesse antecipado, a gravidade da informação o justificaria. E mais pode ser dito: o governo federal e o PT não decidem quando uma revista pode ou não ser publicada e qual deve ser seu conteúdo.

A lógica da intimidação não é nova. Nunca funcionou. Nem vai funcionar, ganhe Dilma a eleição ou não.

As imagens acima revelam as ações de dois tipos de pessoas, de duas posturas, de duas moralidades. Com qual Brasil você prefere ficar?

Ah, sim: os petistas também marcaram um ato em favor da candidatura Dilma, com a presença do presidente do PT estadual, Emídio de Souza. Apareceram 300 pessoas. São Paulo sabe muito bem quem sobe e desce a rampa.

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2014

às 19:51

As pesquisas: Aécio está em ascensão. Ou: Melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente, com o tucano, do que para trás, com Dilma

Quem vai ganhar a eleição? Não sei. Espero que seja Aécio Neves, do PSDB. Certas ou erradas, as respectivas pesquisas dos dois institutos mais conhecidos, Ibope e Datafolha, captam o que parece inequívoco: o tucano está recuperando votos. Vários fatores podem ter contribuído para isso. Um deles, certamente, é o debate da TV Globo, com 30 pontos de audiência, coisa digna, assim, de um jogo entre Corinthians e Flamengo. O desempenho de Aécio, reconhecem os próprios petistas, foi arrasador; o de Dilma, constrangedor. Se havia gente em dúvida sobre quem parece mais competente para dirigir o país, não foi difícil tomar uma decisão.

Há, sim, o efeito da reportagem publicada por VEJA na sexta-feira. Segundo Alberto Youssef, Dilma e Lula sabiam das lambanças ocorridas na Petrobras. A propósito: agora não é mais só a VEJA. A Folha e o Estadão reafirmaram a apuração da revista, como se isso fosse necessário. Estamos lidando com fatos, não com o boatos, desde a primeira hora. Se alguém mentiu, não foi a imprensa.  O PT, Lula e Dilma vão processar também os dois jornais?

Dilma foi à TV, no horário eleitoral, demonizar a revista, estimulando uma verdadeira campanha do ódio contra a publicação. No dia seguinte, uns 10 ou 12 truculentos foram à porta da Editora Abril para protestar. Até aí, vá lá. Mas fizeram a seu modo: picharam a área externa do prédio, rasgaram exemplares da revista, pediram “controle social da mídia” — outro nome para a censura. Sim, eram eleitores de Dilma. Ela não mandou ninguém quebrar nada, é claro. À medida, no entanto, que uma presidente da República sataniza abertamente uma publicação que apenas cumpriu o seu dever,  é evidente que está emitindo um sinal.

Aliás, a presidente emite um péssimo sinal também para a hipótese de ter um segundo mandato. A exemplo do que já faz o seu partido, é possível que queira governar com a faca nos dentes, num ambiente em que terá metade do eleitorado na oposição, uns 20% que se abstiveram, quase 10% que não votaram em ninguém, uma economia com crescimento perto de zero, pressão inflacionária, baixos investimentos… Se ganhar, Dilma vai ter de arcar com as consequências de ter exercitado o discurso do ódio, do rancor e do confronto.

Esses fatores todos, tudo indica, estão pesando na reta final. Vamos ver. Em dois dias, a distância no Ibope e no Datafolha caiu dois pontos: é de seis a favor da petista no primeiro instituto (53% a 47%) e de quatro, na margem de erro, no segundo: 52% a 48%. No MDA, Aécio aparece numericamente à frente 50,3% a 49,7%.

Acho, sim, que a diferença tende a ser apertada e torço para que esteja em curso uma onda pró-Aécio — ou que a onda sempre tenha existido e jamais tenha sido percebida por alguns institutos. É o melhor para o Brasil. A vida do futuro governante não será fácil, qualquer que seja o eleito. Mas é melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente — com Aécio — do que para trás, com Dilma.

Por Reinaldo Azevedo
 

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