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Eleições 2012

13/12/2012

às 0:31

Justiça Eleitoral rejeita contas de Haddad por “irregularidades graves”; foram omitidos, entre outras coisas, gastos com empresa do Freud de Lula

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
A Justiça Eleitoral rejeitou as prestações de contas apresentadas pelo prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, e pelo diretório municipal do PT. Foram detectadas irregularidades em doações eleitorais e omissão na contratação de empresas, entre elas a Caso Sistemas de Segurança, ligada ao “faz-tudo” do PT Freud Godoy, cujo nome voltou ao noticiário nesta semana. Em depoimento ao Ministério Público, o operador do mensalão, Marcos Valério, apontou a empresa como destinatária de recursos do esquema criminoso.

Segundo o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 6º Vara Eleitoral, “as irregularidades são graves, impedindo a verificação da origem dos recursos arrecadados para quitação de todas as despesas assumidas pelo candidato”. A desaprovação das prestações de contas de Haddad e do diretório municipal, no entanto, não impede a diplomação do petista.

A Justiça Eleitoral afirma que o diretório municipal omitiu uma despesa de 30.600 reais com serviços prestados pela Caso Sistema de Segurança. Segundo a decisão, o diretório alegou que a despesa é um gasto rotineiro do partido, mas não apresentou documentos que provassem isso. 

Fundada em 2003, meses depois de Lula assumir a Presidência, a Caso Segurança, segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, está no nome da mulher de Freud, Simone Godoy. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o PT usa verba do fundo partidário para pagar “serviço de vigilância” para a empresa de Freud. O partido paga mensalmente, desde 2008, cerca de 26 000 reais à empresa.

Carros de som
No caso de Haddad, segundo a sentença, houve irregularidade na contratação de uma empresa que forneceu carros de som e material publicitário para a campanha, no valor de 4,6 milhões reais. Segundo o juiz, a empresa, chamada AJM de Azevedo Eletrônicos-EPP, não emitiu notas fiscais eletrônicas e também forneceu carros de som e material publicitário em volume e quantidades que superavam sua capacidade operacional. 

A AJM forneceu 3.000 cavaletes e 10.000 placas, mas, segundo o juiz Oliveira, está instalada em um imóvel de pequeno porte. Ainda de acordo com o juiz, a campanha de Haddad também alugou veículos de som com outra empresa pelo mesmíssimo valor de 580 000 reais. Essa coincidência, segundo o juiz, permite “a conclusão de que se trata da mesma despesa paga em duplicidade, já que, nos autos, não há menção a quais veículos dirigiu-se a contratação da outra empresa”.

O gasto do candidato com a empresa Polis Propaganda & Marketing, do publicitário petista João Santana, também foi citado pelo juiz. A empresa foi responsável por quase metade das despesas de Haddad, recebendo uma série de pagamentos que totalizaram 30 milhões de reais. O juiz Oliveira classificou o gasto como “extraordinário”. Segundo a decisão, a empresa do marqueteiro recebeu ao longo do período eleitoral 9 milhões de reais (30% do total), mas na véspera do segundo turno emitiu 21 notas fiscais no valor de 1 milhão de reais cada.  Segundo o juiz, tal “sistema compromete a verificação do serviço que efetivamente foi executado pela Polis, e, mais, de sua correspondência com os gastos apresentados”.

A análise da prestação de contas do diretório apontou ausência de declaração de 132 000 reais doados pela empresa Jofege Pavimentação e Construção Ltda. O diretório alegou que a doação havia sido feita ao diretório nacional do partido, mas os demonstrativos requisitados pela Justiça confirmaram que a receita havia sido omitida.

Por essas irregularidades, o juiz Oliveira determinou a suspensão do repasse de recursos do Fundo Partidário das direções nacional e regional ao diretório municipal do partido pelo período de quatro meses, o que pode trazer dificuldades para Haddad já que a dívida da sua campanha foi assumida pelo partido. Só a prestação de contas do comitê financeiro municipal do PT foi aprovada. Ao todo, a campanha de Haddad gastou 68 milhões de reais, enquanto a arrecadação alcançou apenas 42 milhões de reais. O rombo de 26 milhões de reais foi assumido pelo partido.
 
Campanha
Em nota, a coordenação da campanha de Haddad afirmou que vai apresentar recurso no prazo legal de três dias úteis, com documentação suplementar para comprovar a efetiva prestação dos serviços das empresas AJM de Azevedo Eletrônicos-EPP e da Polis Propaganda e Marketing Ltda. A nota não faz referência à empresa Caso Segurança, de Freud Godoy.
Por Reinaldo Azevedo

31/10/2012

às 7:15

Mais um desafio a Elio Gaspari. Ou: Em quem batem os corajosos e os covardes. Ou ainda: Quem é mesmo a elite reacionária?

Elio Gaspari não se cansa de transformar seus preconceitos em verdades universais? Também não me canso de apontar suas tolices e mistificações. Sim, ele escreve a favor do fluxo do poder, que parece dar como eterno. Escrevo no contrafluxo. Não ligo.  Não é de hoje. Não é a primeira vez que ele está com os que mandam, com ou sem farda. Não é a primeira que faço a crítica aos  poderosos, com ou sem farda. No meu caso, valeu também para o governo FHC, como sabe quem acompanhava a revista Primeira Leitura. Adiante.

Gaspari escreve hoje na Folha um daqueles artigos que podem entrar para a galeria das suas grandes tolices, para dizer pouco. O que tem me fascinado nesses tempos é que certos articulistas ou contam com o preconceito ou com a ignorância dos seus respectivos leitores. No artigo em questão, o objetivo do autor é demonstrar a relevância que teve no resultado das urnas  o Bilhete Único Mensal, proposto por Haddad — o prefeito eleito já inventou uma desculpa para empurrar a medida para 2014. Vale a pena ler o texto inteiro. Dou destaque a alguns trechos. Comento em seguida.
*
EM AGOSTO, quando o candidato Fernando Haddad prometeu a criação de um Bilhete Único Mensal, pelo qual o cidadão poderia comprar um passe livre para os ônibus municipais, a marquetagem tucana acusou-o de propor uma taxa, um “bilhete mensaleiro”.
Dividia-se o eleitorado em dois grupos. Um, que já foi a Londres, Nova York ou Paris e sabia que esse tipo de bilhete com desconto não é uma taxa, pois ninguém é obrigado a comprá-lo. Noutro grupo estava a população que usa os ônibus. Para ela, bastava fazer a conta: se o novo bilhete custar R$ 150 e o cidadão fizer duas viagens por dia, a tarifa de R$ 3 cai para R$ 2,50.
Com o início da propaganda eleitoral gratuita Haddad tinha 16% nas pesquisas, bem atrás dos 35% de Celso Russomanno, que sobrevivia ao raquitismo de seu tempo de exposição e de uma ofensiva de parte da hierarquia católica. Uma semana antes da eleição, o “fenômeno Russomanno” começou a evaporar. Na véspera, tinha 27% das preferências. Abertas as urnas, ficou com 22%, fora do segundo turno. O que houve? No final de setembro Russomanno prometera a cobrança de tarifas diferenciadas nas viagens de ônibus. Simples assim: quem anda muito pagaria mais, como quem viaja muito é o trabalhador, lá vinha tunga. Até hoje a explicação mais convincente para a implosão de Russomanno está na migração dos eleitores mais pobres. Perceberam o perigo e saltaram.
O tucanato, que condenara o Bilhete Único Mensal acordou e, no segundo turno, correu atrás, propondo a extensão da sua validade. Desde 2004, quando a prefeita Marta Suplicy foi a primeira a instituir essa modalidade de tarifa numa grande cidade brasileira, governantes e candidatos do PSDB olham para a iniciativa com cara feia. Primeiro porque criticavam-na nos seus aspectos técnicos. Depois, porque ela parecia coisa do adversário. Acordaram com oito anos de atraso.
É uma exagerada temeridade atribuir o resultado eleitoral de São Paulo ao item do Bilhete Único, mas certamente ele foi um dos ingredientes do naufrágio, pela percepção oferecida ao eleitorado. No primeiro turno uma parte dele saltou de Russomanno porque o doutor queria cobrar mais caro pelas tarifas de quem fica duas horas no ônibus para chegar ao trabalho. Não se deve esquecer que os transportecas da prefeitura defenderam a instituição do pedágio urbano para veículos sobre pneus numa cidade em que a municipalidade nada cobra pelos pousos de helicópteros. Com uma cabeça dessas, um candidato tucano poderá ganhar a eleição em Fort Worth, no Texas, pois lá está a fábrica das aeronaves Bell.
A renovação de que o PSDB precisa e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vocalizou é de nomes mas, sobretudo, de ideias. Não só de propostas novas, mas sobretudo de uma faxina nas velhas, demofóbicas. Os candidatos do PSDB deveriam ser obrigados a usar a rede de ônibus todos os dias, durante pelo menos uma semana. A experiência valeria mais que sete seminários com ex-ministros tucanos reapresentando ideias de um governo que acabou em 2002. Algo como barões do Império amaldiçoando a República em 1899, durante o governo Campos Salles.

Voltei
Gaspari apenas está aderindo a uma onda asquerosa de certo articulismo que pretende linchar a reputação do tucano José Serra, que ele tem hoje na conta de um desafeto, sabe-se lá por quê. No geral, aquele que é derrotado nas urnas desaparece por algum tempo do noticiário. Com Serra, dá-se o contrário. Parece haver certa disposição para esquartejar, salgar o corpo e distribuir pelas terras da Coroa. Raramente vi tamanho exercício de covardia. Quem está precisando de renovação, parece, é o colunismo impresso…

Que os petistas digam em campanha eleitoral — porque, a sério, nem eles são capazes de sustentar isso — que Serra seja demofóbico e só faça obras para ricos, eis algo detestável, sim, mero exercício de baixa política, mas compreensível no contexto, já que são quem são. Mas Gaspari??? Um jornalista? Marta instituiu o bilhete único, mas perdeu a eleição justamente para Serra, o que evidencia que os “pobres” têm algumas outras necessidades além de transporte. A gestão petista não conseguiu construir um único leito de hospital; fez os CEUs para a propaganda eleitoral, mas largou milhares de estudantes em escolas de lata — que acabaram na gestão Serra-Kassab.

Quando o tucano chegou à Prefeitura, havia 60 mil vagas em creches — e uma fila de credores. Haddad encontrará a Prefeitura com 210 mil e com dinheiro em caixa. A obra de Serra na Saúde — nas esferas federal, municipal e estadual — é reconhecida até por adversários. No debate da Globo, o próprio Haddad afirmou que daria continuidade ao programa Mãe Paulistana e Remédio em Casa, por exemplo. Fez-se em São Paulo, nos últimos oito anos, o maior programa de reurbanização de favelas da história. Isso não é conversa de marqueteiro.

Afirmar que o tucano — e é de Serra, sim, que ele está falando — é demofóbico porque tem crítica a uma determinada medida na área de transporte seria desonestidade intelectual num jornalista de 20 e poucos anos, formado já nas universidades petistas. Num de 68… Quando a Prefeitura de São Paulo investiu R$ 1 bilhão no metrô, era por demofobia que o fazia, senhor Gaspari? Quando os tucanos estenderam o bilhete único ao metrô, era por demofobia que o faziam, senhor Gaspari? A Rede Lucy Montoro de reabilitação serve só aos ricos, senhor Gaspari? E o Instituto do Câncer de São Paulo? E as AMAs e AMEs? Atendem aos milionários?

Que grande mal José Serra fez a essa gente toda? Qual é a folha de serviços prestados ao povo por Gaspari — mesmo sem mandato eletivo, cidadãos podem se dedicar a obras em benefício de terceiros, não? — que lhe confere autoridade moral para acusar Serra de demofobia? Desafio-o — ele nunca topa porque julga ter a superioridade que finge ter — a listar as obras “demofóbicas” do ex-governador e ex-prefeito. Eu me proponho a listar as obras “demofílicas”.

Não pode haver covardia maior do que esta:  Gaspari sabe que o objeto de seu ataque bucéfalo não tem, no momento, condições de se defender. Ao jornalista, não basta tentar provar que o outro não tem futuro político. É preciso aderir à torcida que zurra e tenta destruir também o seu passado, recorrendo a uma linguagem que consegue ser tão rasteira quanto a campanha de Fernando Haddad.

Por uma questão de caráter, desde que escrevo textos opinativos, analíticos, eu prefiro bater — quando discordo, é claro! Até faço elogios de vez em quando — em quem está no poder. Também por uma questão de caráter, há os que preferem chutar quem foi derrotado. Um caso requer um tanto de coragem e ousadia. O outro só pede uma dose adicional de covardia.

Fiz um desafio. Como Gaspari não vai aceitar, deveria usar a sua coluna na Folha e no Globo para listar as obras que Serra fez contra o povo. Seus leitores certamente gostariam de vê-lo provar uma tese. Os meus gostam quando provo as minhas.  Gaspari, como todo mundo, tem o direito de detestar quem quiser. Já a mentira é outro departamento. 

Finalmente
Associar o  nome de Serra a uma elite passadista, incapaz de entender a mudança, a exemplo do que faz no parágrafo final, é indigno. Alto lá! Serra tem biografia. Isso me obriga a lembrar que Gaspari, em 1970, na comemoração dos seis anos do regime militar de 64, escreveu a quatro mãos um texto que explicava por que o Ato Institucional nº 1, que cassava direitos políticos por dez anos, não tinha de ser enviado ao Congresso porcaria nenhuma! Afinal, na formulação de Francisco Campos, a que aderem os autores, era “a revolução que legitimava o Parlamento, e não o Parlamento, a revolução”. Gaspari chamava o golpe de “revolução” até se tornar historiador amador. Um pensamento lindamente totalitário! Enquanto ele escrevia aquilo, Serra estava exilado no Chile. Três anos depois, fugiria do Estádio Nacional por ocasião do outro golpe, o de Pinochet. De volta ao Brasil, não pediu indenização. Em matéria de convescote com a elite reacionária, Gaspari, definitivamente, não tem lições de moral a dar a Serra.

Taí. Gritei “truco!”.  Se Gaspari quiser chamar “seis!”, a gente pode ter um jogo bom. Mas ele vai correr de novo e me dar só um pontinho…

PS – É isso aí! Como sou bobo, defendo quem não tem poder. Os mais inteligentes do que eu preferem fazer o contrário. Nunca lhes faltou coragem para tanto!

Texto publicado originalmente às 5h51
Por Reinaldo Azevedo

31/10/2012

às 5:45

Paris continua uma festa – Kassab convida Haddad para viagem à Cidade-Luz. Com Dilma.

Por Evandro Spinelli, na Folha:
Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT) devem passar alguns dias juntos em Paris em novembro. Kassab convidou seu sucessor para, juntos, defenderem a candidatura de São Paulo à World Expo 2020, exposição mundial de projetos urbanos na sede do Bureau Internacional das Exposições (BIE), na capital francesa. A presidente Dilma Rousseff (PT) também deve participar do evento, marcado para 20 de novembro. Dilma e Kassab acertaram a participação da presidente em um encontro no Palácio do Planalto, em julho.

Haddad informou ontem que tem a intenção de viajar. Nos próximos dias, as equipes do atual e do futuro prefeito vão acertar os detalhes. Confirmando a presença de Dilma, crescem as chances de Haddad participar da viagem e da cerimônia. As despesas do prefeito eleito, inclusive, podem ser pagas pela prefeitura. Os detalhes serão definidos até a semana que vem pela Secretaria de Relações Internacionais do município.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2012

às 18:54

Pornografia política: Dilma estuda que ministério dar a Kassab, que o PT considerava até domingo um péssimo prefeito. Ou: O “novo” Haddad terá o apoio dos que governaram a cidade por quase 23 anos em 24!!!

No post anterior, desmonto uma tese — que só engana jornalistas, alguns ao menos — de um professor chamado Humberto Dantas. Ele torce os números para provar uma tese do PT. Nada além. Estudiosos da política deveriam é se dedicar a outro debate. Leiam este pequeno texto, publicado na VEJA.com, de Laryssa Borges:

“O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não aceita ser contemplado com o Ministério das Micro e Pequenas Empresas na reforma ministerial, a ser conduzida pela presidente Dilma Rousseff. O PSD já tem forte ascendência sobre o Sebrae. Interlocutores de Kassab chegam ao ponto de afirmar que, se a oferta for apenas a deste ministério, o prefeito prefere continuar na presidência da sigla a se mudar para Brasília.
Como dez em cada dez ministeriáveis, Kassab sonha com a pasta das Cidades, alvo eterno de cobiça pelo orçamento bilionário. Aceitaria também outro ministério de forte peso orçamentário, como o dos Transportes.”

Não faz 48 horas que a vitória do PT foi proclamada em São Paulo. Fernando Haddad venceu a disputa demonizando — e de maneira injusta, já disse várias vezes — a gestão Kassab.

Kassab teria sido tão ruim, mas tão ruim!, que Dilma quer lhe dar um ministério — a ele ou ao partido, tanto faz. Só há um certo desacordo sobre qual…

Isso deve parecer parte do jogo aos nossos “cientistas políticos”. Deve ser a forma que tomou na cabeça deles o “presidencialismo de coalizão”. Aquele que foi o político mais espancado do Brasil — ninguém apanhou tanto quanto Kassab país afora — é tratado, desligadas as urnas, como um dos grandes vitoriosos.

Que espetáculo!
Serra arcou com o ônus, é evidente, de ser também o candidato da suposta continuidade. Petistas, os tais “cientistas sociais” e jornalistas pretendem jogar apenas no seu colo a derrota em São Paulo. Kassab não tem mais nada com isso. Agora ele já é um político “do lado de lá”.

Dantas teria uma chance gigantesca de demonstrar como tanto PT como Kassab enganaram os eleitores, não é mesmo? O PT os enganou fingindo que o prefeito fez uma gestão desastrosa, que se negou a colaborar com o governo federal, que recusou as parcerias na área da educação, que anda acompanhado de maus elementos — o candidato a vice de Serra, Alexandre Schneider, do PSD, foi tratado como bandido na campanha eleitoral petista. Pois bem… Parece que Kassab é ruim demais para ser prefeito dos paulistanos, mas bom o bastante para ser ministro de todos os brasileiros. Se isso acontecer, não descarto que Schneider integre a sua equipe — o mesmo que aparecia, de forma dolosa, com foto de “procurado” nas inserções televisivas. Mas não tenho razão para me preocupar mais com sua reputação do que ele próprio, certo?

Kassab, por óbvio, também enganou aqueles que eventualmente acreditaram no seu empenho em impedir a vitória do petismo em São Paulo. Que tipo de gente, a não ser certo tipo de político, toma tanta porrada num dia para se deixar afagar no dia seguinte? Como os afagos são reais, parece que as porradas eram parte de uma operação combinada.

Mas Dantas, o “cientista social’, não quer saber disso, não! Ele está interessado na renovação! Haddad vai administrar a cidade com o apoio, deixe-me ver, de Erundina, Paulo Maluf, Marta Suplicy e Gilberto Kassab. Vale dizer: considerando 24 anos de gestão, ele não poderá afrontar os interesses daqueles que estiveram no poder durante 22 anos e nove meses… A exceção, então, será mesmo o pouco mais de um da gestão Serra — que, na formulação do tal intelectual, é o velho!

Que conta é essa, Reinaldo? Simples! Erundina ficou quatro anos no poder; Maluf, oito (considerando Celso Pitta); Marta, quatro, e Kassab, seis anos e nove meses. Quis o destino que a “renovação” juntasse toda essa gente!

É isso aí! A maioria vai para um lado? Eu vou para outro. A maioria saúda a novidade? Eu demonstro o que há de mais do mesmo em Fernando Haddad. Ou o valente terá o apoio de toda essa gente porque conseguiu convencer esses parceiros de jornada com sua dialética?

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2012

às 18:07

As falácias de um “cientista social” que prova que os tucanos perdem em São Paulo por… SETE A TRÊS. Ou: A ciência que vai contra os fatos é só ideologia vagabunda

Humberto Dantas é professor do Insper — Instituto de Ensino e Pesquisa. Parece haver dois lá: ele e Carlos Mello. São os que falam. Ambos são cientistas políticos. Certo! Cientistas políticos costumam pontificar na imprensa brasileira como autoridades, como deuses ex machina, com uma autoridade empírea. Nos bons tempos, quando um “cientista” falava com jornalista, a este cumpria dialogar — no sentido socrático mesmo, não é?, tentando encontrar contradições no pensamento do mestre. A se dar crédito a Platão, Sócrates ganhava todas. E, claro!, mesmo sem ser Sócrates, Dantas e Mello poderiam ganhar todas — mas caberia aos discípulos fazer indagações. Não! Hoje, na era do jornalismo “fulano disse que”, os Sócrates não têm chance de melhorar os próprios argumentos.

Leio na Agência Estado uma, por assim dizer, análise do professor Dantas sobre o processo eleitoral. Ele aderiu à tese, lançada pela área de marketing de uma empresa de ideologia chamada PT, segundo a qual o “PSDB precisa se renovar”. Se não me engano, o Insper é uma escola que tem um forte acento nos negócios, no “marquetingue”, em coisas assim. A metafísica influente, tudo indica, acaba pautando o pensamento. O pior é que há um monte de tucanos trouxas que caem na conversa.

Na sua análise, Dantas afirma que Serra recorreu a um “discurso odioso e antipetista que costuma afundar quando a fonte não é desejada”. Não sei que diabos quer dizer “quando a fonte não é desejada”… Sei que sua análise é tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3. Só engana jornalistas. Volto a este ponto mais adiante. Antes, vou desmoralizar tecnicamente a sua numerália, que ele pretende tratar como argumento irretorquível.

O professor destaca que o trio Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra disputou, desde 1988, quando se formou, 12 das 13 eleições havidas em São Paulo (considerando cidade e estado) — a exceção foi Fábio Feldman, que concorreu à Prefeitura em 1992. Venceu seis. Quase verdade! Nesse período, Eduardo Suplicy disputou duas eleições majoritárias; perdeu as duas (era a sua terceira…); Luiza Erundina disputou duas, perdeu uma. Marta disputou três; perdeu duas; Mercadante disputou duas — não conseguiu. Só aí já se contaram 9 das 13 eleições. De resto, como o critério de comparação é o PT, por honestidade metodológica, Dantas deveria ter analisado o índice de renovação do PT também desde a origem do partido. Cairia ainda mais.

É tão alto assim o índice de renovação petista? As únicas exceções no repeteco, de 1988 até 2012, foram Plínio de Arruda Sampaio (1990), José Dirceu (1994) e José Genoino (2002) na disputa pelo governo do Estado. Exceção feita a Genoino, os outros eram quase anticandidatos. Pura falta de opção. Emplacou agora Fernando Haddad. Esse debate é espantoso — e pobre do PSDB se o levar a sério!

Em sete eleições diretas para a Presidência (incluindo 2014), o PT terá tido dois candidatos: Lula (5 vezes) e Dilma (2). O índice de renovação, se é esse o critério, do PSDB é maior, não é? Mario Covas, Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e, provavelmente, Aécio Neves. Até agora, ninguém teve tanta chance de repetir o insucesso como Lula: perdeu uma eleição para o governo de São Paulo em 1982 e três para a Presidência. Não obstante, foi candidato pela quinta vez em 2002… E deu certo para eles.

Dantas esconde, na sua conta perturbada, algumas evidências escandalosas. Uma das duas vezes em que Mário Covas disputou o governo do estado era em processo de reeleição; em 2002, Alckmin, na prática, também disputou a reeleição (já que havia assumido o mandato em razão da morte do antecessor). Em quatro eleições ao menos, não cumpria falar em “renovação”. Não se estava, afinal de contas, renovando derrotados.

Vamos ver. Covas venceu duas vezes (governo de São Paulo); Alckmin, duas (governo), e Serra, duas (Prefeitura e governo). Poder-se-ia acrescentar aí a vitória de Gilberto Kassab em 2008 — não pertencia ao PSDB, mas, à época, estava no campo não petista. Quantas vitórias obteve o petismo com os seus mesmos ou com os seus novos? Incluindo Fernando Haddad, TRÊS! Menos da metade.

Eis aí, leitor! Em 13 eleições, o bloco liderado pelo PSDB venceu seis — a rigor, sete eleições! O bloco liderado pelo PT venceu três. Bastou, no entanto, Fernando Haddad conquistar a Prefeitura de São Paulo neste ano para o nosso acadêmico embarcar na “teoria da renovação”. Ora, considerando o resultado pregresso, o PSDB fez bem em não… renovar!, não é mesmo? Não é só isso, não! Levando-se em conta as sete vitórias do bloco tucano e as três do petismo, sobram três disputas. Foram vencidas por quem mesmo? Uma por Luiz Antônio Fleury, quando o PMDB tinha força em São Paulo, e duas pelo malufismo (o próprio Paulo Maluf e Celso Pitta). Maluf, aliás, está de volta ao poder, nos braços de Haddad.

Dantas ou qualquer outro têm o direito de pregar o que chamam “renovação”. Só não têm o direito de ir contra os fatos. A estratégia eleitoral do PSDB em São Paulo tem-se mostrado correta e, ora vejam!, vitoriosa.

Agora o ódio
Dantas afirmou que Serra fez uma “campanha odiosa e antipetista”. Que pecado! Começo pelo “antipetista”! É, de fato, é um absurdo! Como a gente sabe e vê, os petistas jamais praticam antitucanismo em sua propaganda. Aqueles comerciais que acusavam o PSDB de ter vendido estatais “a preço de banana” (isso numa campanha municipal) eram política maiúscula, superior. Aquelas inserções que acusavam Serra de ser “contra os pobres” era coisa da mais refinada economia política. Aquela propaganda que responsabilizava pessoalmente o tucano pela doença de um idoso era discurso do amor! De
 que “ódio” ele está falando? Por que não demonstra a sua tese? Por que não põe por escrito o que quer dizer, dando as devidas aspas do discurso de Serra que provam a sua afirmação? Dantas, sim, é um preconceituoso. Aliás, o antisserrismo do Insper, a julgar por essa “análise” e por outras feitas por Carlos Mello, parece beirar a patologia. Mello é abertamente simpático ao PT. Tem todo o direito. Só não pode chamar opinião e ideologia de ciência. Dantas, ainda não sei. Igualmente tem o direito de ser o que bem entende. Mas não pode torcer os números para provar uma tese que está contra a ordem dos fatos.

A ser como ele diz, a “renovação” é agora uma categoria de pensamento superior e deve se impor a despeito dos fatos. Em 1998, Covas tinha o direito a disputar a reeleição ao governo de São Paulo. Deveria ter desistido. Em 2002, Alckmin era favorito, deveria ter caído fora. Em 2004, Serra tinha grandes chances — e se elegeu. Mas fez mal em disputar. Em 2006, onde já se viu?, deveria ter entregado o governo de São Paulo a Marcadante…

Isso que Dantas faz não é ciência política. É só opinião contra os fatos — além, claro!, de estar ajustando a sua análise à metafísica influente, o que é detestável num “cientista”, mesmo que “cientista social”, uma expressão que sempre me provocou calafrios…

De resto, chama-se “novidade” à imposição de um candidato que só disputou a eleição por vontade de um coronel. A operação não deu errado por muito pouco. Considerando o conjunto do eleitorado, Haddad deve ser o prefeito eleito pela mais baixa percentagem de moradores de São Paulo aptos a votar. Não fosse a forte demonização de Celso Russomanno empreendida pelo petismo — que desconstruiu o outro em vez de construir o seu candidato —, a realidade seria outra.

Uma “ciência” que se erige dessa forma, com esse grau de urgência e na boca da urna, ciência não é. Acusar a campanha tucana de “antipetismo” (meu Deus, que absurdo!) e de veicular o ódio é só parte do processo de criminalização daqueles que se opõem ao PT. A fala de Dantas é igualzinha à de Rui Falcão.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2012

às 6:41

Os erros das pesquisas de intenção de voto, o número recorde dos que não votaram em ninguém e a arrogância

Houve uma abstenção inédita em São Paulo, como todo mundo sabe: 19,99% dos que podiam votar simplesmente não compareceram às urnas no segundo turno. Somados aos que votaram em branco (4,34%) e aos que anularam o seu voto (7,26%) — e hoje ninguém mais anula sem querer —, tem-se a soma fabulosa de 31,59%. De um eleitorado composto de 8.619.170, nada menos de 2.722.795 pessoas preferiram não votar em ninguém: ou não compareceram às urnas (a maioria), ou disseram que tanto fazia um como outro (a minoria do grupo) ou que nem um nem outro (o grupo intermediário). Muito bem. Dito isso, avancemos um pouco com outro dado.

Computadas as urnas, Serra obteve 44,43% dos votos válidos, contra 55,57% de Fernando Haddad, uma diferença de 11,14 pontos percentuais. No dia da eleição, o Estadão estampou a pesquisa Ibope, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos: o petista venceria o tucano por 59% a 41%. Sim, senhores! O Ibope errou. Errou mais feio do que parece. Segundo o instituto, o mínimo que o petista teria seria 56% — e ele teve 55,57%; o máximo que tucano teria seria 44% — e ele teve 44,43%.

Mas não é só: Serra, como sempre, ficou, de fato, acima da banda superior da margem de erro; o candidato do PT, como sói acontecer com um petista, ficou abaixo da banda inferior. Notem bem: uma diferença que, segundo o Ibope, seria de 18 pontos foi, na verdade, 11,14 — 38% menor!

Segundo o Datafolha divulgado no dia 28 , o resultado seria de 58% a 42% para o petista, com margem de erro de dois pontos para mais ou para a menos. Serra, também nesse caso, ficou acima da banda superior, e Haddad, abaixo da banda inferior.  Atenção! Quatro dias antes do pleito, no dia 24, o Datafolha havia apontado uma diferença de nada menos de 20 pontos nos votos válidos — quase o dobro daquela que se viu de fato.

Desmotivação e abstenção
Escrevi ontem que certa desordem partidária — ideológica e conceitual também — provocada pelo fator Kassab certamente responde por boa parte daquelas quase 32% que preferiram não escolher ninguém. Os motivos estão lá expostos. Não vou repisar argumentos. Mas é claro que não pesou só esse elemento.

Ora, quando jornais afirmam, a quatro dias da eleição, que há uma diferença de enormes 20 pontos entre os candidatos, tenho como certo que provocam também a deserção de muitos eleitores do candidato que será fatalmente derrotado. Muitos se perguntaram — e eu mesmo ouvi essa indagação retórica de quem preferiu usar o domingo para passear: “Votar pra quê? Já está decidido mesmo!”

Os institutos têm as tais margens de erro justamente para acomodar a possibilidade do… erro! Se as extrapolam, alguma explicação tem de ser dada. Mas não se viu uma só — nem no primeiro nem no segundo turnos. Mais: quando um candidato é beneficiado pela extrapolação do limite superior, e o outro, prejudicado pelo rompimento do limite inferior, outra explicação tem de ser dada. E só se ouviu mesmo o silêncio.

O erro de São Paulo não foi o único, mas pode ter sido o mais importante. Não é segredo pra ninguém que pesquisas ruins disparam uma espiral de eventos negativas: há desmobilização de militantes, fuga de apoiadores, bate-bocas internos, jogo de empurra para saber quem está errando mais etc.

Quero ver o resultado das urnas por seções eleitorais para saber onde a abstenção foi maior. De toda sorte, é claro que as pesquisas podem ter tido peso importante nesse resultado. Uma diferença de 11 pontos tem um determinado impacto. Ainda permite articular a resistência. Uma de 20 é francamente desmobilizadora. Além de, infiro, interferir na disposição de milhares de pessoas, pode fazer com que outras tantas escolham o barco vitorioso. Todos já cansamos de ouvir histórias de pessoas que confessam não gostar de “perder”…

Arrogância
Não estou dizendo, porque não acho isto, que os institutos decidiram a derrota de Serra. O fator decisivo foi a gestão Kassab — que já começou a ser reabraçada pelo petismo a partir desta segunda-feira; afinal, como afirmou Rui Falcão, o prefeito, agora, é um aliado…  Mas estou afirmando, sim, que erros dessa magnitude podem ter interferido no resultado de maneira importante.

Não obstante, notem que os institutos acham que não têm rigorosamente nada a dizer. Acham que não têm explicações a dar. Ser dono de um instituto de pesquisa, nessas condições, sem o compromisso do acerto, passa a ser um bom negócio. A minha sugestão para os que se aventurarem na área é regular seus números — mesmo sem ter entrevistado ninguém — pela margem de erro dos figurões do setor. Um diz que o sujeito terá 34 pontos, com margem de erro de dois para mais ou para menos? Chute 33 e estabeleça margem de erro de três… Tende a dar certo. Se o número do que serviu de referência estiver estupidamente errado, o neófito que deu o truque estará em boa companhia… Pesquisas são instrumentos de medição privados. Pesquisas eleitorais, no entanto, dizem respeito à coisa pública, ainda que feitas por particulares. Continuaremos a fingir que tudo se deu de acordo com os conformes?

Texto publicado originalmente às 4h23
Por Reinaldo Azevedo

30/10/2012

às 6:37

Reduto de Lula, Norte-Nordeste fortalece oposição

Por Maria Lima e Guilherme Voitch, no Globo:
O mito Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2006 foi reeleito com 60,8% dos votos de seus conterrâneos nordestinos, e em 2010 ajudou a presidente Dilma Rousseff a fazer 70,5% dos votos na região, nestas eleições não teve forças para impedir que o Nordeste se transformasse no novo bunker do bloco PSDB/DEM. Juntas, as duas legendas levaram sete das 15 maiores cidades da região. Entre elas quatro capitais: Salvador, Aracaju, Maceió e Teresina. O mesmo fenômeno se repetiu no Norte, onde Lula teve 65,5% dos votos em 2006, e Dilma obteve 57,4% em 2010. Nas eleições de domingo, a oposição passou a controlar três capitais, com a vitória do PSDB em Manaus e Belém, e do PSOL em Macapá.

Além disso, o PSB, que já fala em alianças com os tucanos, consolidou-se nas duas regiões, com vitórias sobre o PT em Fortaleza e Recife, e em Porto Velho.

“O declínio do prestígio de Lula no Nordeste nestas eleições é um fato novo, relevante, que deve ser analisado. Ele foi a Salvador duas vezes. Em Fortaleza, foi uma vez. Gravou para o candidato do PT em Recife e não conseguiu virar as situações negativas. O que parece é que as pessoas se cansaram dessa coisa de mito, de deus. É um exagero dizer que ele foi o grande derrotado, porque ganhou São Paulo. Mas há um declínio de Lula, quer ele queira, quer não”, avaliou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que apoiou a candidatura de Geraldo Júlio, do PSB de Eduardo Campos.

Bolsa Família deixa de ser recurso eleitoral
Fora São Paulo, Lula centrou fogo no Nordeste, em comícios, carreatas e gravações para seus candidatos. Para a oposição, as derrotas de Lula se devem ao fato de grande fatia do eleitorado, beneficiada pelo o Bolsa Família, considerar o benefício uma política pública consolidada: “Lula perdeu força nessa eleição porque se exauriu um pouco essa coisa da Bolsa Família como fidelização do eleitorado”, avalia o diretor da CEF Geddel Vieira Lima (PMDB), que apoiou ACM Neto, do DEM, em Salvador.

Em Salvador, Lula usou o discurso do Bolsa Família e chamou ACM Neto de mentiroso:
“É uma mentira sórdida dizer que o avô dele (Antônio Carlos Magalhães) criou o Bolsa Família”, disse Lula no palanque de Nélson Pelegrino. Animado com a conquista de Aracaju e Salvador, o presidente do Democratas, senador Agripino Maia (DEM-RN) afirma: “Lula era uma fortaleza inexpugnável em Pernambuco, sua terra natal, uma potência no Nordeste. O exemplo mais emblemático do fim desse mito é Salvador. Ele desembarcou lá com Dilma, era Bolsa Família de ponta a ponta. Tinham obrigação de eleger o candidato deles lá. O pobre do Bolsa Família aprendeu a votar e votou em quem quis. O messianismo de Lula morreu”, disse Agripino.

No PSDB, o senador Aécio Neves (MG) ressalta o fortalecimento da oposição no Norte e Nordeste, onde estava praticamente aniquilada. E minimiza a liderança da dupla Lula/Dilma. “Com exceção de São Paulo, onde estiveram no palanque de Haddad, com um discurso muito raivoso, Dilma e Lula perderam todas. Não tem mais esse negócio de Lula ser o dono da cocada preta não! Voltamos para o jogo com muita força no Norte e Nordeste”, disse Aécio Neves.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 18:34

Os puxa-sacos estão errados! Não foi a influência de Lula em SP que elegeu Haddad

Ontem, uma senhora de inteligência aparentemente avantajada cantava as glórias de Lula na televisão! Nunca antes na história destepaiz teria havido um vitorioso como ele! Ele seria o grande responsável pela eleição de Fernando Haddad em São Paulo; ele teria demonstrado a grandeza de sua influência em São Paulo, ele, ele, ele… O que posso dizer? Trata-se de uma opinião contra os fatos!

Sim, Lula tirou Fernando Haddad do bolso do colete, afastou Marta e o fez candidato. Como Haddad está eleito, a consequência vira a causa, e se pode apontar a genialidade de Lula. Vá lá… Mas terá mesmo o eleitorado paulistano votado no candidato petista porque o Apedeuta mandou? Vou fazer uma provocação: Lula foi derrotado (vou citar as cidades às quais ele especialmente se dedicou) em Manaus, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Campinas, Diadema, Porto Alegre, Taubaté e, se querem saber, também em São Paulo!

O tamanho da influência do ex-presidente na cidade está na votação que Haddad obteve no primeiro turno. Não foi a influência positiva de Lula que o elegeu; foi a influência negativa de Kassab que deixou de eleger Serra. Fosse Lula assim tão poderoso também na capital paulista, seu candidato teria disparado, COMO JURAVAM TODOS OS ANALISTAS ISENTOS, PARTIDÁRIOS DE HADDAD, logo no primeiro turno. Não fosse a forte campanha de desconstrução da imagem de Celso Russomanno e a mobilização da máquina federal — como nunca antes… —, o rapaz não teria passado nem para o segundo turno, como todo mundo sabe.

O tamanho da influência de Lula em São Paulo, se querem saber, é MENOR — vejam como sou herético — do que o tamanho da influência do próprio PT na cidade e no estado, onde costuma ter um terço dos votos. Haddad ficou com 28,98% dos votos válidos.

Esse negócio de que Lula faz e acontece já é parte de uma estratégia eleitoral que está em curso — da qual também falarei oportunamente (vejam quantas pautas!): a disputa pelo governo de São Paulo. É claro que, no atual arranjo, Alexandre Padilha, ministro da Saúde, sai com alguma vantagem na disputa interna petista. Seria, para usar a metáfora do apedeuta, o novo “poste” com que ele pretende “iluminar o país”. O ministro, anotem aí, já é o pré-candidato predileto dos mesmos setores da imprensa que aderiram à candidatura Haddad.

Ocorre que Alckmin tem um governo aprovado pela maioria. A rejeição a seu nome é bem menos do que o eleitorado que tradicionalmente vota no PT. Por isso é preciso começar a demonizá-lo desde já. E a área escolhida é a segurança pública (também escreverei sobre isso; não vai faltar assunto, e não lhes vão faltar textos, hehe).

A tarefa número um da imprensa “pogreçista” agora é elevar a rejeição ao governador, tentando destruir a sua gestão, como destruída foi a de Kassab. Uma diferença positiva, no entanto, é que, até onde se sabe, Alckmin não está empenhado em ser base de apoio do PT…

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 17:55

Genealogia de uma derrota e desrespeito à inteligência

É claro que o tucano José Serra sofreu uma derrota importante na disputa pela Prefeitura de São Paulo. E ela precisa ser pensada.

Desde o começo
Sempre achei — e há textos a respeito — a sua candidatura uma operação de altíssimo risco. Como a memória, até agora, graças a Deus, nunca me falhou, sei bem o que escrevi no dia 19 de janeiro deste ano. Leiam (em azul):

Na verdade, nunca achei que [Serra]  cometeria a sandice de sê-lo [candidato à Prefeitura]. É evidente que [Serra] dispõe de todos os predicados para o cargo e fez uma excelente gestão quando prefeito – tanto é assim que se elegeu, pela primeira vez na história, governador no primeiro turno, em 2006. “Sandice” por quê? Porque seus adversários passariam a campanha cantando o samba de uma nota só: “Se for prefeito, vai renunciar para se candidatar à Presidência…” Ocupar-se-iam menos em dizer por que eles próprios deveriam estar na Prefeitura do que em dizer por que o outro não deveria. E estariam, ainda que com más intenções, vocalizando o sentimento de boa parte dos paulistanos, que acham que seu lugar é a Presidência. Uma pesquisa bem-feita e honesta revelaria esse dado, estou certo.”

Eis aí o que eu pensava e, obviamente, penso ainda. No mesmo texto, eu notava duas outras coisas:
1 – O jeito Kassab de negociar:
Negociando com os tucanos de um modo muito peculiar, o prefeito se encontrou com Lula e propôs uma aliança: indicaria o candidato a vice na chapa de Fernando Haddad. E ainda teria anunciado que levaria consigo uma penca de vereadores. Uma guinada e tanto na carreira do prefeito, não é?, que se elegeu com os votos dos não-petistas em São Paulo. Uma parte do PT reagiu mal, mas Lula mandou estudar a proposta, e o comando do Diretório Estadual diz que é preciso ver a possibilidade sem preconceitos. Imaginem só: Haddad candidato com o apoio de Kassab, restar-lhe-ia fazer oposição aos, bem…, aos tucanos do governo do Estado, suponho.”

2 – O risco PT
O cenário confuso de agora sugere, para muita gente, uma chance real de o PT vencer a eleição na cidade, o que não seria bom para ninguém – inclusive para o futuro presidenciável do PSDB, seja ele Serra, Aécio ou J. Pinto Fernandes…

De volta a outubro de 2012
Eu tenho compromisso com o que escrevo, ora! Posso ser surpreendido por decisões erradas ou insensatas deste ou daquele, mas o que interessa, para os leitores, é a natureza do jogo — e é isso que eles vêm buscar aqui. Por isso, passaremos dos 4 milhões de visitas neste mês. Adiante.

A decisão de Serra de se candidatar, dado o alinhamento, então, dos astros políticos, era arriscada e, em si, errada. Como se nota, não estou dizendo isso agora, não é? Não faço análise de ocasião. Mas Gilberto Kassab não lhe deixou outra saída. Emparedou-o com a decisão de apoiar Fernando Haddad à Prefeitura — a menos que o candidato fosse… o próprio Serra em razão da lealdade pessoal e coisa e tal… Para não ver fraturado o bloco que vinha governando a cidade o estado, lá foi o tucano para a operação arriscada, que chamei de “sandice” no dia 19 de janeiro. A questão é saber se havia alternativa. Não havia. O prefeito não aceitava nenhum outro nome do PSDB.

Então vejam que fantástico acontecimento se deu: os petistas, com o auxílio da imprensa amiga, ressuscitaram aquela cretina questão da renúncia (que só fazia sentido porque dela, supostamente, teria originado o poder de Kassab, o que é falso) e a juntaram com a rejeição ao prefeito. E passaram a atribuir a Serra um papel impossível: ele seria a um só tempo “guru” do prefeito — jornalistas usaram a palavra como informação referencial, como se fosse um dado da natureza — e continuador do pupilo; criador e criatura ao mesmo tempo… Lula impôs Fernando Haddad na base do dedaço, e esses mesmos iluministas saudaram: “Viva a novidade!”.

A armadilha
Muito bem! A decisão de Kassab de apoiar o PT a menos que Serra fosse o candidato empurrou o tucano para a disputa, que foi perdida justamente por causa do… fator Kassab! Aquele que levou Serra a se candidatar está na raiz de sua derrota. Tudo consumado, no dia, seguinte, já está negociando com…, Fernando Haddad, o vitorioso. Kassab encontrou um lugar na política que é o do “ganha ou ganha”.

Agora o futuro
Ontem, li e ouvi muitas manifestações as mais desrespeitosas sobre o futuro de Serra. Desrespeito menos à pessoa do político do que à inteligência de leitores e telespectadores. Muitos decidiram lhe dedicar um réquiem, como dedicaram a Arthur Virgílio há dois anos, quando foi derrotado na disputa por uma vaga ao Senado. Acaba de se eleger prefeito de Manaus com uma votação consagradora.

Não sei qual será o futuro político de Serra. Sei que ele continua a ser uma das cabeças mais lúcidas do país — afirmei isso no debate na VEJA.com e reitero agora — e que a propalada “renovação da política”, que teria sido revelada agora pelas urnas, é uma dessas soberbas tolices que só interessam às raposas que não renovam nada. Ainda escreverei a respeito.

O PSDB levará em conta o quadro que tem ou cairá na cascata da “renovação”? Considerando o histórico, a resposta pode não ser a mais lúcida. Ontem, não faltaram manifestações estúpidas. Há quem esteja vendo com bons olhos, sinal de enraizamento nacional do partido, a vitória em Manaus, Teresina, Maceió e Belém… Duas capitais na Região Norte, duas na Nordeste e nenhuma na Sudeste… Então tá!

Confrontando, como sói acontecer, o consenso, vejo menos renovação do que reiteração de certos arcaísmos no resultado das urnas. Terei a chance de expor os meus motivos. Afinal, se é para ler o que todo mundo anda dizendo por aí — o jornalismo brasileiro inventou o pool noticioso e o pool de opinião!!! —, por que entrar aqui, não é? Se todos têm a dizer a mesma coisa, por que haver tantos?

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 17:17

Cumprindo a longa pauta

Eu não me esqueci, não, caras e caros, da longa pauta que eu mesmo me impus. Eu a cumprirei toda e mais um pouco. Além de disciplinado, sou obsessivo. Quase tanto, ou tanto, quanto “eles” são. Mais mentem, mais açulam o meu anseio pela verdade. Vamos lá, dando sequência.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 16:19

Conforme afirmei no debate de ontem (ver vídeo abaixo), presidente do PT já anuncia aliança duradoura com… Kassab!!!

Então, leitor…

Entre abstenções (19,99%), brancos (4,34%) e nulos (7,26%), quase 32% (31,59%) dos eleitores paulistanos deixaram de votar num candidato à Prefeitura de São Paulo. Nunca se viu algo assim na cidade. Faz sentido? Ô, se faz!

Eu lhe forneço um primeiro elemento para entender o que NÃO É um fenômeno no sentido que essa palavra pode assumir: o do evento surpreendente.

Rui Falcão, presidente do PT, já veio a público hoje. Com aquele seu modo de ser — ninguém é tão friamente indecoroso como ele —, anunciou que o PT pretende fortalecer a aliança com o PSD de… Gilberto Kassab!

Sim, a gestão Kassab foi o grande espantalho no programa eleitoral do PT. Ao prefeito se atribuiu até ter-se recusado a fazer parcerias com o governo federal, que teria oferecido recursos para projetos na cidade, supostamente recusados. Tudo isso é falso. Tudo isso é mentiroso. Essas coisas não aconteceram.

Não obstante, Falcão já está anunciando a parceria porque o PSD certamente fará parte da base de apoio de Haddad na cidade. Também estará na base no governo federal e, provavelmente, vai levar um ministério. É isto mesmo: tanto o petismo como o próprio prefeito estão a anunciar que quem perdeu ontem em São Paulo foi Serra; Kassab ganhou!!!

Falcão usa como exemplo o caso de Ribeirão Preto. Nessa cidade, Dárcy Vera, do PSD, disputou o segundo turno com Duarte Nogueira, do PSDB. Ela ganhou com margem apertada: 51,97% a 48,03%. Pois bem!

Dárcy teve o apoio do PT e, conta-nos Falcão, o que é verdade, isso se deu em troca da garantia de que ela estará no palanque de Dilma em 2014. Então vejam que coisa fabulosa: enquanto Kassab era o alvo fixo aqui em São Paulo, fazia acordo para apoiar Dilma em 2014 em Ribeirão — e, a rigor, em qualquer lugar.

De volta à abstenção
Por que tantos deixaram de votar? Em muitos casos, descrença da política, saco cheio mesmo! Vou tentar saber as zonas eleitorais de São Paulo em que a abstenção foi maior. É bem provável que seja nos bairros onde Serra e os tucanos costumam ter mais votos.

É indecoroso que Rui Falcão, o que batia, e Kassab, o que apanhava, apareçam no dia seguinte de mãos dadas, fazendo planos para o futuro, decidindo como eles continuarão no poder, a despeito do que diziam para os eleitores até o dia anterior. Fica parecendo que se tratava de uma combinação, em que um entrava com o soco, e o outro, com a cara. A recompensa viria depois.

Esse tipo de política, com essa desfaçatez e com essa falta de caráter partidário, não existe em lugar nenhum do mundo. Serra perdeu menos para Haddad do que para aqueles que deixaram de escolher um candidato em razão do tédio e da recusa de participar de um jogo que não reconheciam como válido.

Podem anotar aí: cessam as críticas de Fernando Haddad à gestão Kassab. A cada vez que anunciar um novo e miraculoso programa para a cidade, o “outro” que será permanentemente atacado será o PSDB, o governo estadual.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 15:32

Assista ao debate de ontem na VEJA.com – O balanço sobre o segundo turno

Tivemos ontem alguns problemas técnicos que impossibilitaram a transmissão ao vivo do debate sobre a eleição. A conversa que mantivemos — Augusto Nunes, Marco Antônio Villa e eu —  foi gravada e está no ar.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 7:19

Se urna em SP é tribunal, então mensaleiros foram condenados de novo por 60,7% do eleitorado; afinal, Haddad, o do teleprompter, foi eleito por apenas 39,3%

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), veio mesmo para inovar. Não fez o tradicional discurso da vitória. Ele o leu num teleprompter. Um político de qualquer outro partido que assim procedesse seria alvo de ironia da imprensa vigilante e isenta. Não com o petista. Considera-se um sinal de profissionalização da campanha — afinal, o que importa é conteúdo… O professor universitário, mestre em direito, doutor em filosofia, não pode correr o risco de falar cinco minutos por sua conta e risco. É prudente! Na última vez em que pensou de improviso, considerou que um facínora que mata depois de ler livros e moralmente superior ao que mata sem lê-los. Teremos, enfim, um pensador na Prefeitura de São Paulo.

Ontem, o PT se manifestou de várias maneiras. Houve o discurso supostamente inclusivo e “moderno” de Haddad (está na home; leiam ali); houve a fala da vendeta de Marta Suplicy, que resolveu, acreditem!, criminalizar o tucano José Serra. Ela o acusou de “traiçoeiro”. Entendo! Onde já se viu vencê-la nas urnas em 2004? Isso não se faz! E houve a tropa fascista de José Genoino (ver post a respeito), que foi devolvido pela condenação sofrida no Supremo à sua real natureza. Agora dá para entender que tipo de sociedade este herói tinha na cabeça quando aderiu à guerrilha do Araguaia.

Tudo isso é PT: aquele que faz discurso “thutchuca”, lido no teleprompter, e o que saúda a suposta destruição de um adversário, como fez Marta; o que diz que vai atuar para diminuir a desigualdade e o que joga no chão uma senhora de 82 anos em sua fúria fascistoide.

Vamos ver quantas horas vai demorar para o partido divulgar uma nota oficial em que proclamará, ainda que por vias tortas, a absolvição dos mensaleiros, que teria sido dada pelo resultado nas urnas em São Paulo. Trata-se, obviamente, de uma falácia. Dos números ao mérito. O petista obteve na cidade 3.387.720 votos no segundo turno, para um eleitorado de 8.619.170 pessoas. É o legítimo prefeito eleito de São Paulo, dentro das regras do jogo, mas foi votado por apenas 39,3% dos que têm direito de participar do pleito. Isso significa que 60,7% dos eleitores paulistanos não votaram no candidato petista.

Se o PT pretenda que urna é tribunal, então é o caso de a gente pedir vênia, antes de dar uma botinada no traseiro teórico dos vigaristas, e lembrar que, fosse assim, os mensaleiros teriam sido condenados por uma ampla maioria: 60,7% a 39,3%. Aplicada a proporção a um grupo de 11 (número de ministros do), tem-se uma nova condenação 7 a 4…

Além da cascata mensaleira, também assistiremos ao triunfalismo, como se o partido houvesse logrado, realmente, uma vitória acachapante. Isso é falso! O PT venceu em São Paulo, sim, nas condições acima especificadas; teve um crescimento no número de municípios que vai administrar — de 550 para 634 —, mas cresceu em cidades pequenas e murchou em cidades médias. Tanto é assim que esse aumento de Prefeituras se deu com uma expansão de apenas 4% dos votos no primeiro turno. Hoje, administra seis capitais; ficará com quatro: além de São Paulo (sim, a joia da Coroa), conquistou as prefeituras de Rio Branco, João Pessoa e Goiânia. É bom lembrar que tinha candidatos  cabeças de chapa em 17 capitais.

Quem acompanhou ontem o noticiário da TV e confiou em certos comentários ficou com a impressão de que o partido havia promovido uma verdadeira razia eleitoral Brasil afora, não deixando nem migalhas para os adversários ou aliados de ocasião. Isso é falso como nota de R$ 3.

Finalmente
Finalmente, não sei onde certo jornalismo andou estudando lógica. Talvez o professor seja o mesmo que deu aula de probabilidade para a turma que fez o kit gay de Haddad. Sustentar que o mensalão “não teve peso nenhum” na eleição é uma dessas bobagens que transformam o depois na causa do que veio antes.

Para saber se teve ou não, seria preciso realizar essa mesma eleição sem o tema “mensalão” em pauta. Quem pode assegurar que o resultado nas 13 capitais em que o PT não obteve êxito não seria outro? Quem pode assegurar que o partido não teria tido um desempenho melhor Brasil afora? O PT se organizou para fazer 800 prefeituras. Ficou bem abaixo disso.

De toda sorte, essa é e sempre foi uma pauta mais do PT do que da própria oposição. Foi o partido que se organizou para impedir que o julgamento se realizasse neste ano, justamente com medo das urnas, e que chegou a acusar uma tentativa de golpe…

Tirem a conquista da Prefeitura de São Paulo da conta para ver se a vitória é assim tão maiúscula. Os petistas sabem que podem enganar certo jornalismo, mas que não podem enganar a si mesmos. “Mas São Paulo está na conta, Reinaldo!” Eu sei! Basta, no entanto, atentar para as circunstâncias específicas, muito particulares, que deram a vitória ao partido na capital paulista para perceber que há menos aposta no PT do que expressão de certo desencanto.  Falaremos muito a respeito

A minha disposição de confrontar a metafísica influente e os juízos bucéfalos é imensa. Meu blog terá mais de 4 milhões de acessos neste mês também por isso. O coro dos contentes combina a música e o tom, e eu vou lá e desafino. Com muito gosto, com muito prazer!

Texto publicado originalmente às 4h41
Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 7:15

Ninguém deveria ter xingado Lewandowski de “bandido, corrupto, ladrão e traidor”. Mas nem isso torna certa a sua fala absurda

É curioso! Há um enorme esforço para demonstrar que a população não está nem aí para o julgamento do mensalão. E até se faz o elogio desse povo supostamente imune às estripulias dos mensaleiros: seria um comportamento maduro, sereno, comedido. Entendi. Ignorar os crimes cometidos por larápios e por assaltantes dos cofres púbicos é agora coisa maiúscula, própria da Idade da Razão. Que nojo, né?

Abaixo, há um relato de Lino Rodrigues, no Globo, dando conta de que o ministro Ricardo Lewandoweski, do STF, foi xingado de “bandido, corrupto, ladrão e traidor” na Escola Estadual Mário de Andrade, no bairro de Campo Belo, em São Paulo,  quando foi votar. Leiam o que segue. Volto em seguida.
*
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, foi vaiado e xingado de ‘bandido, corrupto, ladrão e traidor’ na saída da Escola Estadual Mario de Andrade, em Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, local onde vota. Pouco antes de ser reconhecido, ele disse que a reação popular em todo o país tem sido de cumprimentos e pedidos para tirar fotos.

“Votei normalmente. Entrei pela porta da frente e como qualquer cidadão entrei na fila. Tudo na maior tranquilidade. Isso é democracia, liberdade. As reações agora (os xingamentos) são normais. Estou aqui com vocês (jornalistas) e muito exposto”, disse, já nervoso com os gritos e sendo puxado pelos assessores.

O revisor do processo do mensalão afirmou que o julgamento não teve nenhuma influência nas eleições deste ano. Segundo ele, os eleitores brasileiros estão maduros e conscientes para fazer suas escolhas, sobretudo porque o país tem uma imprensa livre “que vem apresentando todos os ângulos das questões em debate no julgamento”. “ Uma coisa é o julgamento. Outra coisa são as eleições. O povo brasileiro está muito maduro para fazer suas escolhas”, disse o ministro.

Sobre o sua atuação no julgamento (…), justificou que esse é o papel do revisor, de trazer contrapontos e uma segunda opinião, outras perspectiva sobre os mesmos fatos. “O papel do revisor foi importante, apresentou contrapontos e muita gente foi absolvida. Creio que cumpri o meu papel e a Corte acatou em muitos aspectos a opinião do revisor”, disse, acrescentado que (…) acabou convencendo seus colegas. “Doze absolvições são pouco? Uma foi para primeira instância por erro processual; algumas dosimetrias foram refeitas em função papel do revisor. Creio que cumpri o meu papel.”
(…)
O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, considerou uma “conduta de vândalos, com conotação fascista” a manifestação contra o ministro. “Em julgamento de processos, não há juízes heróis nem juízes vilões. Cada um julga de acordo com a prova dos autos e com as suas convicções”, afirmou o presidente da OAB-RJ, em nota divulgada na tarde deste domingo. Damous ainda afirmou que está em curso na sociedade brasileira uma pretensão de coagir o Poder Judiciário, a partir de “clamores condenatórios e prejulgamentos”. Ele disse que espera que Ayres Britto, presidente do STF manifeste repúdio contra esse tipo de manifestação, de caráter “intolerante e fascista, que nada têm a ver com a democracia”.

Voltei
Comecemos pelo óbvio: é evidente que não endosso e que ninguém pode endossar manifestações agressivas contra ministros do Supremo, acompanhadas de xingamentos. Não é correto, não é civilizado, não é útil. Não gosto quando fazem isso com  pessoas que admiro e também reprovo quando o fazem com pessoas por quem não tenho a menor admiração, como é caso do ministro. Atitudes assim só servem para criar falsas vítimas e para passar a impressão, errada, de que é o tal do clamor público que move o STF. E, obviamente, não é.

Antes que comente a fala de Lewandowski, noto que, mais uma vez, o presidente da OAB Rio, Wadih Damous, vai além das suas sandálias, para citar o pintor Apeles, e não o escultor Fídias — não é, ministro? Até hoje aguardo o seu “errei”…

Sr. Damous, uma coisa é censurar a agressividade, e isso é uma obviedade necessária. Outra é apontar os tais “clamores condenatórios” e “prejulgamentos”. Em que caso houve isso? Por que o senhor não aponta? Ou bem o senhor se comporta como presidente da OAB-RJ ou bem se manifesta como advogado de condenados pelo mensalão. O senhor é o que se chama um “operador do direito”. Ou bem evidencia o que diz ou bem se cala. Para a pura chicana, já existem os próprios mensaleiros e seus aliados.

Agora Lewandowski
Sempre destacando que o ministro não deveria ter sido alvo de agressões verbais — a protestos, qualquer homem que exerce cargo público está sujeito —, noto que sua fala sobre a suposta maturidade dos que não teriam levado em conta o mensalão ao votar é estúpida. Ele parece estar feliz com essa suposta irrelevância do escândalo, que não está provada de modo nenhum. Se irrelevante tivesse sido, por que isso seria bom? Então o eleitor, ao sufragar nomes das urnas, não deve considerar o passado do partido a que eles pertencem? Então seria saudável que os brasileiros não estivessem nem aí para a corrupção — alguns corruptos condenados pelo próprio Lewandowski?

Que diabo de juízo é esse, senhor ministro?

Quando à questão do julgamento em si, noto que o caso que foi parar na primeira instância por falha processual se deveu à ação de um defensor público. O revisor não teve nada com isso. Mais: Lewandowski insiste que o papel da revisão é apresentar um juízo alternativo. Ele até pode fazê-lo, mas sua principal atribuição não é essa, não! Sua principal atribuição é justamente averiguar se existem falhas no processo — o que, pelo visto, ele não fez.

Encerro voltando a Damous: espero que ele proteste também contra os “fascistas de José Genoino”. Ou “fascista”,agora, são apenas aqueles que discordam de nós, doutor?

Texto publicado originalmente às 5h45
Por Reinaldo Azevedo

29/10/2012

às 6:45

Ao lado de 7 ministros, Maluf cantava: “Olê, olê, olê, olá, Lu-la; Lu-la…” Afinal, eram 47 anos de renovação!

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, ao ler no teleprompter o seu discurso, estava cercado de sete ministros de Estado, além de Gabriel Chalita e Paulo Maluf: José Eduardo Cardozo (Justiça); Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Alexandre Padilha (Saúde), Marta Suplicy (Cultura), Aloizio Mercadante (Saúde) e Eleonora Menicucci (Mulheres). Uau!

Na celebração do apedeutismo de terceiro grau, a plateia cantou o famoso “Olê, olê, Olá, Lu-la, Lu-la”.

E sabem quem era um dos cantores mais entusiasmados? Paulo Maluf! Não foi citado no discurso da vitória, mas sabe que terá o seu quinhão.

O renovador Haddad manda de volta para a Prefeitura o grupo do homem que, entre idas e vindas, está metido na administração municipal desde quando foi prefeito indireto pela primeira vez, entre 1969 e 1971. Não se pode desprezar uma renovação que completará 47 anos em 2016 e alguns milhões de problemas — ou de solução, para ele ao menos — nas Ilhas Jersey.

Ah, sim: Maluf estava junto com Marta, que o chamou de “pessoa nefasta” em 2000. Agora ele é um homem bom, um “grande administrador, um engenheiro”, segundo Marilena Chaui.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2012

às 21:35

A disputa em 11 municípios no Estado de São Paulo

PSDB
- Franca – eleito Alexandre Ferreira, com 57,98%
- Sorocaba – eleito Antônio Carlos Pannunzio, com 51,04%
- Taubaté – eleito Ortiz Júnior, com 62,92%

PT
- Guarulhos – eleito Sebastião Almeida, com 60,58%
- Mauá – eleito Donisete Braga, com 57,14%
- Santo André – eleito Carlos Grana, com 53,92%

PSB
- Campinas – eleito Jonas Donisete, com 57,69%

PMDB
- Guarujá – eleita Maria Antonieta, com 64,25%

PCdoB
- Jundiaí – eleito Pedro Bigardi, com 65,57%

PSD
- Ribeirão Preto – eleita Dárcy Veras, com 51,97%

PV
- Diadema – eleito Lauro Michels, com 60,44%

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2012

às 21:16

Os prefeitos das capitais eleitos neste domingo

Acabou a apuração nas 17 capitais que tiveram hoje o segundo turno. O resultado final é este:

PSDB
– Manaus – eleito Arthur Virgílio. com 65,95%

– Belém – eleito Zenaldo Coutinho, com 56,61%
– Teresina – eleito Firmino Filho, com 51,54%

PSB
–Fortaleza – eleito Roberto Cláudio, com 53,02%

– Cuiabá – eleito Mauro Mendes, com 54,65%
– Porto Velho – eleito Mauro Nazif, com 63,03%

PT
– São Paulo – eleito Fernando Haddad, com 55,59%

– João Pessoa, eleito Luciano Cartaxo, 68,13%
– Rio Branco, eleito Marcos Alexandre, com 50,77%

PDT
– Curitiba – eleito Gustavo Fruet, com 60,65%

– Natal – eleito Carlos Eduardo, com 58,31%

DEM
– Salvador – eleito ACM Neto, com 53,64%

PSOL
– Macapá – eleito Clécio Luís, com 50,59%

PPS
– Vitória – eleito Luciano Rezende, com 50,59%

PTC
– São Luís – eleito Holanda Júnior, com 56,06%

PP
– Campo Grande – com Alcides Bernal, com 62,55%

PSD
– Florianópolis – eleito Cesar Souza Júnior, com 52,64%

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2012

às 19:27

PT vence em Santo André

O PT se recuperou em Santo André e elegeu Carlos Grana prefeito. Com a apuração totalizada, ele ficou com 53,92% dos votos, contra 46,08% do atual prefeito,  Aidan Ravin.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2012

às 19:14

Lula será derrotado em Fortaleza

Que coisa!

Em Fortaleza, as pesquisas apontavam empate entre o petista Elmano de Freitas e o pessebista Roberto Cláudio. O resultado, no entanto, é bem outro. Com 52% dos votos apurados, o candidato do PSB tem 53,97% dos votos, contra 46,03% do petista.

Mais uma derrota pessoal de Lula.

Por Reinaldo Azevedo

28/10/2012

às 19:05

Confirmado: depois de 30 anos, PT perde Diadema com mais de 20 pontos de diferença. Derrota de Lula

Agora é pra valer. Com pouco mais de 93% dos votos, o PT sofreu uma derrota vexaminosa: em Diadema Lauro Michels, do PV, está com 60,16% dos votos, contra 39,85% do petista Mario Reali.

Lula tinha mandado o eleitorado fazer o conrário…

Por Reinaldo Azevedo
 

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