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Eike Batista

11/11/2013

às 18:12

Mais um “X” de Eike Batista entra com pedido de recuperação judicial

Na VEJA.com:
A OSX, empresa de construção naval de Eike Batista, protocolou nesta segunda-feira um pedido de recuperação judicial, que já havia sido aprovado pelo Conselho de Administração da empresa em caráter de urgência, segundo fato relevante divulgado na sexta-feira. Ao efetuar o pedido, a OSX se torna a segunda empresa do grupo EBX, de Eike, a ingressar com esse tipo de processo na Justiça. O pedido foi enviado à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e será avaliado pelo juiz Gilberto Clóvis Farias Matos.

A empresa tem endividamento de cerca de 5 bilhões de reais e sua principal cliente é a petroleira OGX, que entrou com pedido de recuperação no último dia 30. A OSX pediu que o processo fosse distribuído por dependência na documentação de recuperação judicial da OGX — o que significa que ambos os pedidos estarão vinculados. O endividamento da companhia de óleo e gás chega a 11,2 bilhões de reais e seu pedido de recuperação ficou marcado como o maior já feito por uma empresa latino-americana.

Mudanças
Fato relevante divulgado pela OSX na sexta-feira informava que o pedido, que inclui a holding e as controladas OSX Construção Naval S.A. e OSX Serviços Operacionais Ltda, ainda seria ratificado em assembleia de acionistas a ser realizada no dia 28 deste mês. O texto informava que o Conselho decidiu também destituir o presidente da empresa, Marcelo Gomes, da consultoria Alvarez Marsal, que vinha conduzindo o processo de reestruturação. Ivo Dworschak Filho foi nomeado o novo presidente, acumulando também a função de diretor de Construção Naval da companhia. A consultoria Alvarez Marsal deixou de prestar serviços para a OSX e foi substituída pela Angra Partners, que conduzia a reestruturação da OGX.

A empresa afirmou que mudará de nome e de endereço, sem informar as novas coordenadas. “As deliberações adotadas têm por objetivo fortalecer a Companhia no processo de readequação de sua estrutura de capital, reestruturação e reposicionamento estratégico, em benefício de seus acionistas, colaboradores e credores, cumprindo com a sua função social. Serão divulgados, na forma da lei, quaisquer fatos relevantes com respeito ao pedido de recuperação judicial”, informou a nota.

Pedido esperado
O pedido de recuperação era aguardado desde que a petroleira OGX tomou o mesmo caminho. Como a OGX é a principal cliente da OSX, a derrocada da segunda era apenas questão de tempo. Segundo reportagem do jornal O Globo, a OSX vinha adiando a data para dar início ao processo porque ainda aguardava o fim das negociações com credores internacionais. A ideia da empresa, de acordo com o texto, era saldar as dívidas com investidores externos antes, o que facilitaria a aceitação do pedido de recuperação judicial pela Justiça.

Por Reinaldo Azevedo

08/11/2013

às 21:31

O fim do místico “X” – OGX, de Eike, propõe mudança de nome para Óleo e Gás Brasil S.A

Falei nesta sexta, num dos posts abaixo, sobre os seres elementais que sempre transitaram ali pela mística Eike Batista. Pois é… Leiam o que segue.

Na VEJA.com:
A endividada petroleira OGX pretende mudar o nome para Óleo e Gás Brasil S.A., tirando a letra “X” de sua denominação – marca de todas as empresas listadas em bolsa do ex-bilionário Eike Batista para simbolizar a multiplicação de riqueza. A OGX, que era considerada o ativo mais precioso de Eike e, na semana passada, entrou com pedido de recuperação judicial com dívida de 11,2 bilhões de reais, convocou acionistas para assembleia geral extraordinária em 26 de novembro para deliberar sobre a mudança do nome da companhia. Inicialmente, o encontro estava previsto para o dia 19.

A assembleia também votará sobre o grupamento de ações da OGX. Segundo edital de convocação divulgado na noite de quinta-feira, o “grupamento visa minimizar os efeitos potenciais de pequenas oscilações no valor das ações em termos percentuais”. A empresa, porém, não deu mais detalhes sobre a proposta. A ação da petroleira, que já chegou a custar cerca de 23 reais, vale atualmente 0,15 real. Os acionistas deverão ratificar ainda o pedido de recuperação judicial feito à Justiça do Rio de Janeiro no fim de outubro, o maior da história por uma empresa da América Latina. Finalmente, será discutida e deliberada a venda do controle da OGX Maranhão, subsidiária da petroleira que tem campos de gás em blocos terrestres na Bacia do Parnaíba.

A OGX anunciou em 31 de outubro acordo para sair da OGX Maranhão, em uma operação que deve render cerca de 344 milhões de reais à empresa, recursos cruciais para que ganhe uma sobrevida e inicie produção de petróleo no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. A venda da OGX Maranhão ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além dos credores da petroleira.

A OGX protagonizou a maior campanha exploratória de petróleo por uma empresa privada no Brasil. Mas as ambiciosas estimativas de óleo recuperável nos seus campos não se confirmaram e a empresa se viu sem alternativa a não ser pedir recuperação judicial para tentar evitar uma falência. Se não conseguir recursos em breve, a empresa ficará sem caixa em algum momento de dezembro, de acordo com apresentação aos detentores de 3,6 bilhões de dólares em bônus da empresa no exterior. Eles rejeitaram uma proposta de reestruturação da dívida apresentada pela petroleira antes do pedido de recuperação judicial.
(Com Reuters)

 

Por Reinaldo Azevedo

05/11/2013

às 3:05

OGX, de Eike, previu 1,5 bilhão de barris para campo que nunca produziu

Por Raquel Landim e Renata Agotini, na Folha:
O campo de Vesúvio, o primeiro descoberto pela OGX, é um exemplo emblemático da diferença entre o que a petroleira de Eike Batista informava aos investidores e o que acontecia internamente. A empresa chegou a estimar que Vesúvio produziria até 1,5 bilhão de barris, mas nunca comercializou uma gota de petróleo de lá. Segundo ex-técnicos da OGX, o petróleo de Vesúvio se revelou muito pesado e inaproveitável já nos primeiros testes. “Só foi possível recuperar borra, tamanho o peso do óleo”, disse uma fonte que pediu anonimato.

A Folha revelou no domingo que a OGX já tinha estudos internos feitos a pedido da diretoria, em julho de 2012, indicando que suas reservas na bacia de Campos poderiam ser apenas 17,5% do que fora divulgado ao mercado. Em vez de pelo menos 1,8 bilhão de barris de petróleo previstos, só poderia tirar de forma economicamente viável 315 milhões de barris. Os estudos referem-se aos campos de Tubarão Azul, Tubarão Martelo, Tubarão Areia, Tubarão Tigre e Tubarão Gato. Vesúvio nem entrou na conta, porque já havia sido abandonado.

A OGX não quis se pronunciar especificamente sobre o campo de Vesúvio e manteve o posicionamento da semana passada. Segundo a companhia, “o mercado sempre foi mantido informado sobre os projetos de produção, evitando a divulgação de informações incompletas”. Conforme pesquisa feita nos fatos relevantes da companhia, a OGX estimou, em outubro de 2009, um volume de óleo recuperável (que pode ser extraído com lucro) entre 500 milhões e 1,5 bilhão de barris em Vesúvio.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2013

às 17:35

BOLSA EX-BILIONÁRIO – BNDES quer prorrogar (de novo) prazo para pagamento de empréstimo da OSX, de Eike

Na VEJA.com:
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sinalizou nesta quinta-feira a possibilidade de prorrogar novamente o prazo de vencimento de um empréstimo para a OSX. No último dia 15, a empresa de construção naval do grupo EBX fechou acordo para prorrogar por um mês o prazo de pagamento de um empréstimo de 518 milhões de reais. Agora, a intenção do banco é prorrogar por mais tempo. “A OSX é uma empresa que tem muitos ativos valiosos”, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na manhã desta quinta-feira, ao deixar uma reunião da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no Rio. “É uma empresa que pode ser solucionada e dar tempo para que se tenham as soluções é uma estratégia sensata”, afirmou.

O receio dos investidores com a saúde financeira das companhias do grupo EBX disparou recentemente, em meio à derrocada da petroleira OGX, uma das principais clientes da OSX e que pediu recuperação judicial na quarta-feira. Há rumores de que o mesmo caminho esteja sendo desenhado para a empresa de construção naval. Mas os executivos negaram a concordata, em nota enviada à Reuters.

BNDES
Segundo Coutinho, não há “exposição de crédito não garantido do banco” às empresas do Grupo EBX. Todos os empréstimos, como o empréstimo-ponte do estaleiro OSX e o financiamento às obras de revitalização do Hotel Glória, um dos mais tradicionais do Rio, têm garantia bancária.

No caso das obras do hotel, que pertence à REX, empresa de empreendimentos imobiliários de Eike (de capital fechado), a exposição é inferior a 50 milhões de reais. O empréstimo total contratado é de 190 milhões de reais. “Foi desembolsada uma fração muito pequena (para o hotel) e tem fiança bancária. Esperamos equacionar isso. Também não representa risco de perda para o banco”, afirmou Coutinho, ao deixar reunião com empresários do setor têxtil, no Rio.

O BNDES tem empréstimos bilionários contratados junto às empresas do Grupo EBX, mas, à medida que cada companhia foi tendo o controle passado para outros grupos (caso da elétrica MPX, da mineradora MMX e da LLX, responsável pelo projeto do Superporto do Açu), os novos donos assumem o risco do financiamento.

Capitalização
Segundo Coutinho, o BNDES está negociando com o Tesouro Nacional para obter uma nova capitalização e uma solução será dada “em breve”. Neste ano, o Tesouro já capitalizou o banco com 17 bilhões de reais. Segundo Coutinho, em setembro o banco manteve o patamar mensal de empréstimos de 15 bilhões de reais.
(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2013

às 2:05

Tudo grande – Empresa do ex-homem mais rico do Brasil faz o maior pedido de recuperação judicial da história da América Latina: R$ 11,2 bilhões

Na VEJA.com:
A endividada petroleira OGX, do empresário Eike Batista, entrou nesta quarta-feira com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, num passo que já era esperado para tentar evitar a falência. O pedido de recuperação – feito na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – tornou-se a única alternativa para a companhia depois que fracassaram as negociações com detentores de 3,6 bilhões de dólares em bônus no exterior para uma reestruturação da dívida. A companhia declarou dívida consolidada de 11,2 bilhões de reais no pedido de recuperação judicial e disse que não tem qualquer endividamento bancário nem créditos com garantias reais, segundo documento obtido pela agência Reuters.

Se o tribunal de falências aprovar o pedido, a OGX terá 60 dias para apresentar um plano de reestruturação da companhia. “Acreditamos que (o pedido) seja deferido pelo juiz e que seja proveitoso para credores, acionistas e para o país. A OGX possui ativos para viabilizar sua recuperação”, afirmou o advogado Marcio Costa, do escritório de advocacia Sergio Bermudes, que participa do processo.

Para os advogados da empresa, a recuperação judicial evita um “cenário indesejável de falência”, que implicaria em caducidade de concessões de exploração de áreas de petróleo e perda integral de valores investidos, segundo a petição na Justiça. Os credores da OGX – que incluem a Pacific Investment Management Co (Pimco), que administra o maior fundo de títulos do mundo, com sede na Califórnia, e o fundo de investimento norte-americano BlackRock Inc, entre outros – terão então 30 dias para aprovar ou rejeitar o plano.

O pedido de recuperação da OGX marca mais um capítulo no desmantelamento do que já foi um império industrial, com ativos de energia, mineração e infraestrutura, entre outros, do grupo “X”. O fracasso da campanha exploratória da OGX, antes considerada o ativo mais precioso do Grupo EBX, contaminou as outras empresas de Eike.

Quase no vermelho
A OGX estima precisar de 250 milhões de dólares no curto prazo e ficará sem recursos na última semana de dezembro se não conseguir levantar dinheiro novo, conforme informações do plano de reestruturação aos detentores de bônus que fracassou. A empresa tinha 82 milhões de dólares no fim de setembro e seus assessores financeiros na negociação com os credores externos – Blackstone e Lazard – estimam desembolsos de 89 milhões de dólares até o fim do ano apenas para fornecedores, considerando somente pagamentos críticos a prestadores de serviço no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos.

Em Tubarão Martelo, a petroleira quer começar a produzir em meados de novembro, a fim de gerar receita para atenuar sua situação. O valor atribuído à toda OGX, de acordo com o plano apresentado aos credores dias atrás, é de 2,7 bilhões de dólares – composto principalmente pelos campos de Tubarão Martelo (1,4 bilhão de dólares) e Atlanta (1,1 bilhão de dólares), este último situado no BS-4.

No pedido de recuperação judicial, os advogados da OGX apontam para uma receita potencial de 17,2 bilhões de dólares com as explorações dos campos de Tubarão Martelo e BS-4 durante a vida útil das áreas e com base nas reservas prováveis de óleo. A OGX estima ter perdido 3,6 bilhões de reais com o fracasso na exploração das áreas de Tubarão Azul, Tubarão Areia, Tubarão Tigre e Tubarão Gato, de acordo com a petição.

O pedido de recuperação judicial da OGX pode ter implicações sobre o destino da empresa-irmã, a construtora naval OSX, que foi criada para fornecer plataformas de exploração à petroleira. A recuperação envolve quatro sociedades: OGX Petróleo e Gás Participações (listada na Bovespa), OGX Petróleo e Gás S.A., OGX International e OGX Austria GMBH.

Por Reinaldo Azevedo

30/10/2013

às 4:27

Antevendo falência, minoritários desistem de processar OGX

Por Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
No processo de mais de 200 páginas que o grupo de acionistas minoritários da OGX está finalizando para enviar à Justiça, a petroleira de Eike Batista não figura mais na posição de acusada. O motivo, porém, não é sua inocência nas perdas milionárias que os investidores acumularam desde a derrocada de suas ações na Bolsa de Valores, mas sim a descrença de que ela consiga se recuperar e arcar com qualquer passivo jurídico. Desde agosto deste ano, um grupo de investidores vem acusando a empresa de emitir fatos relevantes e comunicados “enganosos”, que levaram acionistas ao erro desde 2008.

A desistência, segundo Aurélio Valporto, um dos líderes do grupo de minoritários, ocorre porque a petroleira de Eike Batista não dispõe de ativos capazes de ressarcir o grupo. “A OGX vendeu seu único ativo que teria algum valor em caso em falência, a OGX Maranhão. Ela praticamente está se preparando para falir e nós, investidores, não receberemos nada”, diz Valporto, que é economista e contratou o advogado carioca Jorge Lobo para tentar reaver na Justiça parte das perdas com o papel da petroleira.

O mercado aguarda um pedido de recuperação judicial da OGX nesta quarta-feira. Caso não seja aprovado pelos credores, o próximo passo pode ser a falência. Em fato relevante divulgado na segunda-feira, a OGX relatou um acordo firmado com seus bancos credores e a empresa Eneva, a antiga MPX que agora é controlada pela alemã E.ON. O documento prevê que, em caso de falência, os bancos credores que ficarem com as ações da OGX Maranhão deverão vender 66,7% de sua participação para a Eneva a partir de fevereiro do ano que vem.

A petroleira de Eike está diante de prazos apertados. Deverá ter seu pedido de recuperação judicial aprovado até quinta-feira, no máximo, ou terá de dar o calote na sexta-feira, quando vence o prazo de pagamento dos 45 milhões de reais de juros vencidos sobre títulos emitidos no mercado externo. Se o pedido for aprovado, os investidores que detêm os títulos entrarão na lista de credores a serem ressarcidos caso a empresa consiga se reerguer. O pedido de recuperação é acatado quando a Justiça percebe que a companhia tem condições de continuar operando para saldar suas dívidas no longo prazo.

Para Aurélio Valporto, do grupo de minoritários, a situação em que se encontra a OGX tem como grande culpado o empresário Eike Batista. Ele ainda afirma, em processo, que toda a questão envolvendo a OGX configura uma grande “fraude”. Em sua opinião, os investidores estão encurralados. Se não houver um acordo para tentar salvar a empresa, as duas alternativas restantes (recuperação judicial e falência) não são animadoras para os minoritários. “Se pedirem falência, o ativo se evapora. Não haverá quase nada na massa falida além da participação na OGX Maranhão”, afirma.

Informações erradas
Os investimentos em ações são operações arriscadas, já que a empresa que recebe os aportes não tem qualquer obrigação de dar retorno aos seus acionistas. Assim, perdas no mercado acionário costumam ser corriqueiras e não resultam em processos contra empresas. Contudo, Valporto alega que a OGX divulgou informações erradas sobre suas descobertas com o intuito de atrair acionistas, passando uma imagem mais branda sobre os riscos embutidos no investimento — esta é uma das principais razões do processo.

Além do próprio Eike, o grupo de minoritários também acusa a BM&FBovespa e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de serem coniventes com as informações supostamente erradas divulgadas pela OGX. Os acionistas trabalham desde meados de agosto para engordar o processo antes de enviá-lo à Justiça. A previsão é que a ação seja protocolada em novembro.

Por Reinaldo Azevedo

29/10/2013

às 19:15

OGX pede recuperação judicial na quarta-feira

Por Malu Gaspar, na VEJA.com:
A OGX deve apresentar à Justiça o pedido de recuperação judicial na quarta-feira. A decisão ocorre um mês após a companhia anunciar que não pagaria uma parcela de 45 milhões de dólares aos detentores de títulos vendidos no mercado internacional. Só a esses credores, a OGX deve 3,6 bilhões de dólares. O total de dívidas da petroleira é estimado em 4 bilhões de dólares. Pelas regras do contrato com os credores, a companhia tinha prazo até 3 de novembro para negociar uma saída. Sem acordo, o caminho seria a recuperação judicial ou, num extremo, a falência. Segunda-feira, a OGX anunciou ao mercado o fracasso das negociações. A principal proposta aos credores previa que eles injetassem mais capital em troca de participação na empresa. Inicialmente, pediram-se 500 milhões de dólares. Depois, o valor baixou para 250 milhões, mas nenhum credor quis correr o risco de perder ainda mais dinheiro. Segundo cálculos internos da OGX, seu principal ativo, o campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, ainda exigirá investimentos de 2 bilhões de dólares até começar a dar lucro.

Ontem, enquanto seus advogados delineavam a estratégia para a recuperação judicial na OGX, Eike Batista demonstrava perplexidade com o fracasso das negociações. “Ele ainda não entendeu por que não deu certo. Até agora ainda acredita que a companhia tem solução”, diz um amigo. Mas, segundo interlocutores dos credores, nas últimas semanas, apesar das longas reuniões no Rio de Janeiro e em Nova York, ficou claro que o clima dentro da própria OGX era tão confuso que ficou difícil saber em quem confiar. Os três consultores contratados para trabalhar na reestruturação – Angra Partners, Lazard e Blackstone – não se entendiam e parte deles entrou em atrito com os principais executivos da petrolífera, que acabaram sendo demitidos. O primeiro a sair foi o diretor financeiro e de relações com investidores, Roberto Monteiro, e, mais recentemente, o próprio CEO, Luiz Guimarães Carneiro. O comportamento de Eike também não ajudou. Ao perceber que a saída de Monteiro havia irritado os credores, Eike mandou readmiti-lo, o que deixou uma impressão ainda pior.

A menos que uma solução realmente milagrosa surja de hoje para amanhã, qualquer saída para a OGX passará pela recuperação judicial. A partir do momento em que o juiz aprovar a medida, a empresa tem 60 dias para apresentar um plano. Em seguida, haverá uma assembleia de credores para a aprovação desse plano. Começará então uma nova fase para a empresa, igualmente difícil e, ao que tudo indica, bastante longa.

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2013

às 21:24

Depois de calote, OGX pode pedir falência, diz Bloomberg

Na VEJA.com:
A OGX, empresa de exploração de petróleo do ex-bilionário Eike Batista, cogita deixar de lado a alternativa de pedir recuperação judicial (a antiga concordata) e optar pela falência. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a empresa estuda a possibilidade de fazer o pedido dentro de um mês. A reportagem apurou que o pedido pode ser feito no Rio de Janeiro, onde a empresa está sediada.

A alternativa que vinha sendo considerada pelo mercado até o momento era a de recuperação judicial, que ocorre quando uma empresa busca proteção judiciária para reestruturar sua dívida com credores e continuar operando. Já no caso de falência, todos os ativos da empresa são liquidados.

Caso o pedido se confirme, a OGX dará o calote em 3,6 bilhões de dólares em títulos emitidos com vencimento para 2018 e 2022, configurando-se como o maior default de dívida de uma empresa da América Latina. Na semana passada, a empresa deveria pagar 45 milhões de dólares em juros aos detentores dos títulos mas não honrou o compromisso.

Os campos de exploração da OGX se mostraram sobreavaliados. Primeiro, Tubarão Azul, que era o principal deles, deixará de produzir em 2014 e será devolvido ao estado, devido à sua baixa capacidade de exploração. Na semana passada, o campo de Tubarão Martelo também desapontou: sua capacidade, atualmente, é de um terço da estimativa inicial.

Mais devoluções – Na tarde desta segunda-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) rejeitou pedido da empresa para que mantenha outros três campos de petróleo onde investimentos foram suspensos. A OGX solicitou à agência reguladora a suspensão das atividades nos campos Tubarão Tigre, Tubarão Areia e Tubarão Gato, alegando falta de tecnologia existente. Contudo, a ANP negou e exigiu a apresentação de planos de desenvolvimento para os campos, afirmou o diretor da reguladora, Florival Carvalho.

Se a OGX não apresentar à ANP planos de desenvolvimento para as áreas, poderá ter o contrato de concessão extinto e os campos, originários do bloco BM-C-41, devolvidos à reguladora, explicou. A petroleira ainda pode recorrer da decisão da agência, acrescentou Carvalho. Procurada, a OGX não comentou imediatamente o assunto e se vai apresentar um recurso à ANP.

Por Reinaldo Azevedo

03/10/2013

às 22:00

Fortuna de Eike encolhe para US$ 70 milhões, mas pode zerar, diz Bloomberg

Na VEJA.com:
A revista norte-americana Bloomberg Businessweek estampou o empresário Eike Batista na capa da edição que chegou às bancas nesta quinta-feira. Em reportagem especial, a publicação conta a ‘incrível’ história de ascensão e queda do ex-bilionário que chegou a ser o oitavo homem mais rico do mundo em 2012, com uma fortuna avaliada em mais de 34 bilhões de dólares. Contudo, segundo a publicação, o patrimônio do empresário não só derreteu, como também pode estar negativo — ou seja, ele pode estar enfrentando uma situação em que suas dívidas superam a fortuna que restou.

Um vídeo que acompanha a reportagem afirma ainda que, apesar de a Bloomberg contabilizar a riqueza de Eike no patamar de 70 milhões de dólares, o editor Matthew Miller, responsável pelo ranking de bilionários criado pela rede americana, afirma que o patrimônio do empresário pode ter evaporado completamente. Segundo Miller, a dinâmica de vender ativos em uma empresa para saldar dívidas de outra, expediente usado por Eike nos últimos meses, pode ter minado todos os seus recursos, ainda que não haja comprovação disso até o momento. Com uma fortuna de cerca de 70 milhões de dólares, o empresário não conseguirá fazer um aporte de 1 bilhão de dólares na OGX nos próximos meses, conforme a empresa exige valendo-se dos termos do acordo de acionistas. “Há grande chances de ele já estar com o patrimônio negativo”, diz Miller.

De acordo com a reportagem, sinais de que as coisas não iam bem poderiam ter sido notados desde 2010, quando o empresário começou a vender fatias de suas empresas a investidores estrangeiros, como a Mubadala, empresa de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi. ABusinessweek ainda afirma que investidores tiraram lições valiosas do colapso das empresas de Eike. Uma delas é a de nunca mais investir em empresas de petróleo que ainda não estão produzindo nada.

“Batista vendeu seus aviões e seu helicóptero, e credores estão brigando pelo que restou de suas empresas. Ele não está mais no ranking de bilionários e se tornou alvo de piadas no Brasil. Uma dela sugere que o papa Francisco planeja retornar ao país logo e visitará os pobres, incluindo Batista”, diz o texto. O empresário protagonizou na terça-feira um calote de cerca de 45 milhões de dólares em juros que deveriam ser pagos a investidores sobre títulos da OGX. Eike tem até o final do mês para pagar os juros antes de ser considerado, oficialmente, caloteiro.

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2013

às 15:22

OGX, de Eike Batista, anuncia calote de juros de dívida

Na VEJA.com:
A petroleira OGX, do empresário Eike Batista, confirmou o que o mercado e seus próprios credores já esperavam: optou pelo não pagamento de 45 milhões de dólares de juros referentes a títulos de dívida emitidos no exterior que venceriam nesta terça-feira. Este é o primeiro passo do que pode vir a ser o maior calote da história por uma empresa latino-americana. A empresa também está mais próxima de um pedido de recuperação judicial, conforme noticiou a coluna Radar, de Lauro Jardim.

Os juros se referem a uma dívida de 1,1 bilhão de dólares em bônus com vencimento em 2022, emitidos pela OGX Áustria, controlada da OGX. Seu não pagamento já era amplamente esperado, diante da crítica situação de caixa da petroleira. A ideia da petroleira é ganhar tempo para finalizar seu plano de reestruturação de dívida, uma vez que, de acordo com o contrato, tem até 30 dias para sanar o problema antes que seja penalizada.

A derrocada da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, aumentou após sucessivas frustrações com o nível de produção da petroleira no ano passado. No início de julho, a companhia decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos, antes consideradas promissoras, o que jogou ainda mais desconfiança em cima das promessas de Eike.

Com pouco dinheiro disponível e com o fracasso em sua campanha exploratória até o momento, em agosto a OGX desistiu de adquirir nove dos treze blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, economizando o pagamento de 280 milhões de reais ao governo por direitos exploratórios.

A OGX espera completar a venda de uma fatia em blocos de petróleo que possui para a malaia Petronas, para conseguir um alívio no caixa. A Petronas, porém, aguarda a conclusão da reestruturação da dívida da OGX para dar prosseguimento ao negócio de 850 milhões de dólares com a petroleira brasileira.

Ao todo, a petroleira deve cerca de 3,6 bilhões de dólares em bônus de dívida emitidos no exterior, sendo 1,06 bilhão de dólares que vencem em 2022 e outros 2,6 bilhões com vencimento em 2018. Os bônus para 2018 têm juros vencendo em dezembro. As consultorias Lazard e Blackstone Group foram contratadas para ajudar a OGX a resolver seu problema de dívida.

Recuperação judicial
Uma vez que a empresa declare recuperação judicial, ela deve criar um cronograma para saldar as dívidas e continuar funcionando, evitando, assim, a falência. A recuperação judicial equivale à antiga “concordata”. Esse processo garante proteção da empresa contra ações judiciais de credores. Em geral, os funcionários são os primeiros a serem ressarcidos.

Por Reinaldo Azevedo

16/09/2013

às 18:25

Eike e o mapa astral. Ou: Faltou este homem na OGX. Ou: E o mapa astral do BNDES, como vai?

Herculano Quintanilha: ele poderia ter resolvido tudo para Eike Batista

O The Wall Street Journal traz uma entrevista de Eike Batista na edição desta segunda. Ele culpa os executivos da área de petróleo que ele próprio contratou por sua derrocada, que tem na OGX o seu epicentro. Certo. Também diz que lhe faltou sorte. Pois é…

Por fragmentos de conversa aqui e acolá e dado o estilo de vida que fazia questão de propagandear, eu sempre me perguntei se não tinha ido longe demais. Uma frase na entrevista ao Journal responde, acho, ao enigma. “Se você olhar para o meu mapa astral, esse período não foi favorável para mim”.

Entendi. E os respectivos mapas astrais daqueles que perderam muito dinheiro investindo em suas empresas? Pelo visto, não contavam nada… Segundo ele diz ao jornal, esse inferno, determinado pelo alinhamento dos astros, já passou. E já teve início a reversão do seu destino.

Eike contratou um time de bambas da Petrobras para cuidar de sua empresa de petróleo. Agora diz ter sido enganado. Convém, doravante, chamar Herculano Quintanilha.

Eu, hein… O sujeito está precisando contar com a boa vontade dos credores e atrair investidores e sai com uma dessas? Pergunta que não quer calar: estima-se em torno de R$ 5 bilhões os papagaios do BNDES com o império que se desmancha de Eike. No caso do banco oficial, é preciso consultar o mapa astral de quem? De Lula? De Dilma? De Luciano Coutinho? Do PT?

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2013

às 22:41

Eike e o dinheiro público – Senador tucano envia requerimento a Mantega, Pimentel e Alves cobrando informações

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) cumpriu a sua obrigação de senador da República — e, nesse caso, pouco importa se da oposição ou da situação — e encaminhou a órgãos federais três requerimentos cobrando informações sobre as relações entre o estado brasileiro e as empresas de Eike Batista, que estão derretendo. Segundo o senador, “a sociedade não pode ficar sem conhecer as operações que foram feitos com os recursos do Tesouro Nacional, decorrentes da arrecadação de impostos”, que têm origem, lembra, “na brutal carga tributária”, que recai sobre todos. Abaixo, seguem as perguntas encaminhadas nos requerimentos a três ministros: Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), Guido Mantega (Fazenda) e Garibaldi Alves (Previdência). O parlamentar concentra suas questões em três instituições: BNDES, Banco do Brasil e fundos de pensão de estatais. Seguem as perguntas encaminhadas a cada um dos ministros.

Ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel:
1. Existem operações de crédito ou concessão de garantia entre o BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?
2. Qual o valor total dessas operações?
3. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
4. Quais foram as garantias recebidas?
5. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor dos empréstimos, por instituição?
6.Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
7. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio do BNDES na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
8. Existe algum outro tipo de risco para o BNDES na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
9.Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta do BNDES nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

Ao ministro da Fazenda, Guido Mantega:
1 Existem operações de crédito ou concessão de garantia entre o Banco do Brasil S/A, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste do Brasil e o Banco da Amazônia em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?
2. Qual o valor total dessas operações, discriminadas por instituição referida no item 1?
3. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
4. Quais foram as garantias recebidas?
5. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor dos empréstimos, por instituição?
6. Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
7. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio das instituições federais de crédito na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
8. Existe algum outro tipo de risco para as instituições federais de crédito na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
9. Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta das instituições federais de crédito nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

Ao ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves:
1. Existem operações no âmbito do controle exercido pela Secretaria de Previdência Complementar, nos fundos de pensão, em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?

2 Que fundos de pensão realizaram operações com as empresas referidas no item 1?
3. Qual o valor total dessas operações, discriminadas por instituição referida no item 1?
4. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
5. Quais foram as garantias recebidas?
6. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor das aplicações, por instituição?
7. Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
8. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio dos fundos de pensão na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
9. Existe algum outro tipo de risco para os fundos de pensão na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
10. Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta dos fundos de pensão, nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2013

às 5:09

Herança maldita da era petista – Aplicação em grupo de Eike traz perda a fundo de pensão dos Correios; estatal arcará com parte do rombo

Por Raquel Landim, na Folha:
A derrocada das empresas de Eike Batista é um dos motivos que colaboraram para um deficit milionário do fundo de pensão dos funcionários dos Correios. Nos últimos dois anos, o fundo Postalis teve deficit de R$ 985 milhões. O rombo será dividido entre os Correios e os participantes do fundo. Desde abril, estão sendo descontados dos salários dos funcionários dos Correios o equivalente a 3,94% do valor do benefício que terão direito quando se aposentarem. O Postalis é o 14º maior fundo de pensão do Brasil, com patrimônio de R$ 7,68 bilhões, e é o terceiro em número de participantes, com 130 mil pessoas. Do deficit total, R$ 287 milhões são de origem técnica, como o aumento na expectativa de vida das pessoas, que passam a receber benefícios por mais tempo. O restante é financeiro.

Em gravação obtida pela Folha, Wanderley José de Freitas, presidente da Globalprev (consultoria contratada pelo Postalis), diz a um grupo de funcionários que o deficit “decorre da significativa redução dos juros e da diversificação que ocorreu na Bolsa, concentrada especialmente em ações das empresas de Eike Batista”.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2013

às 5:05

OGX já sabia de inviabilidade de campos há seis meses

Por Renata Agostini, na Folha:
Executivos da petroleira OGX, de Eike Batista, tinham fortes indícios havia ao menos seis meses de que teriam que desistir da exploração de quatro campos de petróleo da empresa, apurou a Folha no alto escalão do grupo X. Aplicação em grupo de Eike traz perda a fundo de pensão dos Correios. A decisão foi anunciada na última segunda-feira e fez as ações da empresa desabarem.

Dados apurados pelo corpo técnico da petroleira indicavam à diretoria já no início do ano que o custo de extração de petróleo nos campos Tubarão Tigre, Tubarão Gato, Tubarão Areia e Tubarão Azul, na bacia de Campos (RJ), seriam maiores do que o esperado, tornando assim desvantajoso desenvolvê-los. O comunicado oficial ao mercado, no entanto, foi sucessivamente adiado enquanto os executivos tentavam outras soluções para engordar o portfólio da companhia e dirimir os prejuízos do anúncio aos investidores.
(…)
Apesar dos indícios de que não faria novos investimentos nos campos, a OGX levou em março à ANP a Declaração de Comercialidade dos campos Tigre, Gato e Areia. Sem o documento, a agência poderia pedir a devolução das áreas, conquistadas pela petroleira em leilão. A manobra não é ilegal, já que os executivos argumentam que finalizavam estudos sobre a exploração, e expediente similar já foi usado pela Petrobras no passado. Procurados, BTG, OGX e Petrobras não quiseram comentar as informações.

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2013

às 15:33

O “X” do problema: Eike renuncia à presidência do conselho da MPX, e ações da empresa de energia sobem

Na VEJA.com:
As ações da MPX, empresa de energia do grupo EBX, de Eike Batista, sobem 11% nesta quinta-feira na BM&F Bovespa, cotadas a 7,16 reais. O movimento se dá após Eike Batista renunciar ao cargo de presidente e membro do Conselho de Administração da empresa, conforme fato relevante divulgado nesta manhã.

A empresa também anunciou que será convocada uma assembleia geral para debater as resoluções sobre a renúncia de Eike, a alteração da denominação social da MPX Energia, mudanças no estatuto social da companhia e outras adaptações à imagem da marca. A estratégia de Eike é desvincular seu nome da imagem da empresa, valorizar suas ações e vender a MPX.

Além disso, a MPX também anunciou sua desistência de fazer nova oferta de ações. Ela será substituída por uma capitalização interna para aumentar o capital social ao preço de 6,45 reais por ação. A E.ON, sócia da EBX e detentora de 36% de participação na MPX, investirá até 366 milhões de reais. O BTG Pactual comprometeu-se a aportar o montante restante não subscrito pelos acionistas minoritários da companhia, que terão direito de preferência para participar da operação de aumento de capital.

Outro destaque do dia são as ações da OGX, empresa de petróleo do grupo EBX. Enquanto o mercado especula uma possível reestruturação da dívida da empresa depois de ela ter anunciado que pode interromper a produção em seus poços mais rentáveis, as ações sobem mais de 20% (12h20) nesta quinta-feira, cotada a 0,47 real e liderando as altas da bolsa brasileira. A empresa têm puxado, nos últimos pregões, as perdas do Ibovespa.

Uma boa notícia é que a OGX anunciou nesta quinta-feira aumento de sua produção de óleo em junho para 23,0 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) em média. O resultado ficou 26,4% acima da média de 18,2 mil boepd registrados pela empresa em maio.

Do total de junho, 9,7 mil boepd correspondem à produção média offshore no Campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, e 13,3 mil boepd (2,1 milhões m3 por dia), à parcela da OGX na produção média terrestre de gás natural no Campo de Gavião Real, na Bacia do Parnaíba. A produção total offshore foi de 290.499 barris de óleo equivalente e a produção total terrestre foi de 135,8 milhões m3 de gás natural, informa a companhia.

Por Reinaldo Azevedo

03/07/2013

às 19:55

O Eike pirotécnico é coisa de revista de celebridades. Não me interessa! Quero saber quanto dinheiro oficial o lulo-petismo pôs nos seus negócios. E uma pergunta de Diogo Mainardi em março de 2011

O governo agora diz, segundo informa a VEJA.com, que não vai mais injetar dinheiro nos negócios de Eike Batista. Entendo. Tenho algumas considerações a fazer.

Aqui e ali noto certo risinho de satisfação com a derrocada do empresário. Não é o meu caso. Quando cai um grande, sempre acho que a grandeza é que pode estar ameaçada e que o mundo pode vir a ser governado apenas por minoridades organizadas em bandos. Seria o fascismo. É um raciocínio, quem sabe?, um pouco apocalíptico, mas o fato é que acho o ressentimento o pior de todos os sentimentos. Ele é mesquinho sempre e não se conforma com o fato de que outros não sejam. Assim, há um mau jeito de olhar a queda do mitológico — em boa parte, “automitologia” — Eike Batista. E há o modo realista.

Eu, cá comigo, nunca vibrei com a figura e sempre achei, com base apenas na lógica, que havia nesse pastel mais vento do que carne, mais promessas do que azeitonas. Ficava muito impressionado com as formidáveis apostas que faziam nas suas, digamos, projeções. Embora sempre tenha tomado cuidado para não deixar a minha falta de Ferrari contaminar meu juízo, aquele negócio de carrão de bilionário exposto na sala de estar, as pirotecnias exibicionistas… Mas querem saber? Nada disso me diz respeito. Se “usmercadozzzzz” gostam, para mim, tudo bem. Não tenho grana pra me meter nessas coisas. O meu ponto é outro.

O que interessa hoje ao Brasil é outra coisa. E acho que as oposições deveriam se ocupar do assunto, se é que se sentem à vontade para tanto; se é que também não estão presas, vamos dizer, por laços sentimentais com Eike Batista. O que interessa é isto: QUANTO DINHEIRO, ATÉ AGORA, O ESTADO BRASILEIRO METEU NOS NEGÓCIOS DO EMPRESÁRIO? De quanto foi a ajuda?

Que ele seja um elemento, como se diz hoje em dia nas reportagens de cultura, icônico da era lulo-petista, não tenho a menor dúvida. De certa maneira, ele é uma metáfora — ou uma metonímia — desse tempo. Ou também o castelo lulo-petista não está a mostrar os seus pés de barro? Ou também na política a propaganda não está se chocando com a realidade? Não me divirto, reitero, com o fato de o império de Eike Batista estar derretendo. Por mim, o Brasil teria uns 50 Eikes, mas os de verdade!!! Eles constituem a força da economia americana, por exemplo. Mas, lá nos EUA, dispensam a ajuda do estado e não se confundem com o próprio governo.

Diogo Mainardi
O Brasil precisa saber quanto o governo investiu nas empresas de Eike Batista e quais são as chances de retorno. Abaixo, segue um vídeo com parte da entrevista que Eike concedeu ao programa Manhattan Connection. Diogo Mainardi lhe dirige, então, uma pergunta. À época, alguns bananas demonizaram Diogo por sua suposta agressividade, porque não entenderia nada do mundo dos negócios etc. Vale a pena rever. Volto depois.

Encerro
A entrevista é de março de 2011. A canalha petralha caiu de porrete em Diogo. Não suportava o fato de que estivesse fazendo, afinal de contas, jornalismo. Há pelo menos 11 anos o puxa-saquismo e a sabujice viraram uma forma superior de pensamento.

Por Reinaldo Azevedo

26/06/2013

às 23:42

Um ícone da era lulo-petista – Grupo de Eike Batista será dividido para facilitar vendas e parcerias

Por Irany Tereza e Mônica Carelli, no Estadão.
Com a reestruturação que está em curso no grupo controlado por Eike Batista, a EBX deve deixar de ser a holding que reúne e administra as empresas ‘X’. Segundo uma fonte ligada ao grupo, ouvida pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a EBX se tornará a gestora dos ativos que permanecerem com o empresário depois do processo de venda parcial ou integral que envolverá todas as ramificações do grupo.

As companhias de capital aberto, listadas na bolsa, e que hoje estão abrigadas sob o mesmo guarda-chuva da EBX (que, por sua vez, é de capital fechado) deixarão de ser tão interligadas. A separação tem o objetivo de facilitar operações de venda – parcial ou integral. As sinergias que puderem ser mantidas serão analisadas caso a caso.

De acordo com a fonte, este era um processo que aconteceria mesmo sem a crise, mas com um prazo maior. A previsão era de que em 2016, quando as empresas já estivessem em fase operacional plena, a EBX virasse um veículo para administrar os ativos de Eike e deixasse de ser uma holding.

A crise de credibilidade que derrubou todas as empresas do grupo X, além de acelerar o processo, mudou bastante a reestruturação, já que o empresário será obrigado a vender ativos e abrir mão do controle de empresas. Antes, a ideia passava também pela venda de participação, mas com Eike no controle.

Nesta quarta-feira, na expectativa do grupo encontrar um parceiro estratégico com fôlego financeiro para tocar os projetos em desenvolvimento pela LLX, as ações da empresa de logística de Eike subiram 25% no pregão da BM&FBovespa. Mesmo com a disparada, a cotação não superou R$ 1,25.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2013

às 16:19

Um ícone da era dos “milagres” lulo-petistas – Eike Batista pode perder controle do grupo EBX, diz NYT

Na VEJA.com:
Uma reportagem do The New York Times sobre a ascensão e a queda de Eike Batista alerta para a 
possibilidade de o bilionário acabar perdendo o controle do seu “decrescente império” e destaca que seus credores estão cada vez mais aflitos. Segundo a publicação, com a queda no mercado de ações do Brasil e no valor do real em meio aos protestos que tomaram conta do país, os bilhões de Eike estão “evaporando”.

O NYT lembra que, em 2010, ano em que a economia brasileira cresceu 7,5%, o empresário disse ao jornalista norte-americano Charlie Rose que sua fortuna chegaria a 100 bilhões de dólares, o que o tornaria o homem mais rico do mundo. No entanto, após atingir o pico de 34,5 bilhões de dólares em março de 2012, a fortuna de Eike agora é avaliada em 4,8 bilhões de dólares.

Se as empresas de Eike Batista continuarem perdendo valor, analistas dizem que seus credores, que incluem alguns dos maiores bancos do Brasil, poderão forçar o empresário a fazer uma reestruturação, o que pode resultar na perda do controle das empresas.

A reportagem liga a queda de Eike à “reversão da sorte” do Brasil. “Após anos de expansão econômica, a nação sul-americana começou a engasgar. A inflação se tornou uma grande preocupação. O índice do mercado de ações recuou cerca de 23% este ano, mais do que em qualquer outro grande país”, diz o texto, lembrando ainda que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou recentemente sua perspectiva para o rating do país para negativa, citando fraco crescimento e o enfraquecimento das finanças.

O jornal destaca ainda que nenhuma das seis companhias de capital aberto do Grupo EBX é lucrativa e que os investidores vêm vendendo suas ações, decepcionados com as projeções ruins, o descumprimento de metas e o alto nível de dívida das empresas.

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2013

às 22:50

Eike cá, Eike lá…Sol girando pra cá, Sol girando pra lá…

Duas notícias sobre Eike Batista, ambas na Folha (aqui e aqui). Leiam. Volto depois.

Prejuízo da OGX, de Eike, mais que quintuplica no 1º trimestre
Por Mariana Sallowicz:
Em meio a uma crise de confiança dos investidores com o grupo EBX, do empresário Eike Batista, a petroleira OGX anunciou na noite desta quinta-feira (9) que o prejuízo da companhia mais que quintuplicou no primeiro trimestre de 2013 na comparação com o mesmo período do ano passado, de R$ 145 milhões para R$ 805 milhões.
Segundo a OGX, o resultado decorre principalmente de despesas de R$ 1,19 bilhão referentes a poços secos e áreas subcomerciais devolvidas à ANP (Agência Nacional de Petróleo) após a conclusão do período exploratório, em março de 2013.
(…)

Odebrecht, AEG e Eike vencem licitação e vão administrar Maracanã por 35 anos
Por Sérgio Rangel:
O consórcio formado pela Odebrecht, a IMX, de Eike Batista, e a AEG foi habilitado nesta quinta-feira pelo governo do Rio para administrar o Maracanã nos próximos 35 anos.
Caso o resultado da licitação não seja contestado na Justiça nos próximos cinco dias, o governo do Rio oficializará a cessão do estádio para o grupo na próxima semana. A Odebrecht tem 90% do negócio. As outras duas empresas possuem 5% cada.
(…)

Comento
A logomarca do grupo de Eike trazia ou traz, sei  lá, um Sol que girava ao contrário. Uma especialista em coisas do outro mundo descobriu que isso não é bom. A metáfora, relativamente fácil de entender, parece ser esta: se gira no sentido anti-horário em vez de no sentido horário, o que deveria dar certo dá errado. E por que dava certo antes? Gente, a lógica dos outros planos pertence aos outros planos. Gente que não é evoluída não entende. Ah, tá. Aí ela decidiu que é preciso mudar o desenho e pôr a coisa para girar do lado certo…

Parece que já começa a dar resultado. Tá duro de aparecer petróleo, mas apareceu o Maracanã…

Por Reinaldo Azevedo

29/04/2013

às 21:12

Quando o segundo Sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas…

Li uma nota no Radar, de Lauro Jardim, que me deixou preocupado. Com o meu bolso. Reproduzo o que escreveu Lauro. Volto em seguida.
*
Eike Batista contratou uma “consultora esotérica” para tentar espantar o péssimo momento do grupo EBX.

O diagnóstico até agora é complexo: o sol, símbolo do grupo, estaria “girando para o lado errado”, ou seja, para o lado esquerdo. Assim, a comunicação visual da holding será trocada.

A moça, chamada no grupo de “consultora filosófica e psicológica”, andou pelo edifício-sede na segunda-feira passada para “carregar de energias positivas” os projetos do grupo. Na quarta-feira, chegou a viajar até o Porto do Açu, no helicóptero de Eike.

Para alguns diretores, a ação da “consultora” foi explicada como sendo um “diagnóstico cultural” do grupo – seja lá o que isso signifique.

Voltei
Eu só não entendi por que, com o sol girando ao contrário, Eike chegou a figurar entre os 10 (é isso?) bilionários mais bilionários do mundo mundial: coisa de US$ 30 bilhões. Aí, por alguma razão vinda lá das esferas celestes — parece que esse mundo das energias cósmicas pode ser bem temperamental —, tudo começou a dar tudo errado… Eu estava achando que era porque o vento que ele vendeu não chegou. Mas vejo que não.

O problema é que o BNDES meteu um dinheirão nos negócios de Eike. Se o chavismo tem os seus “boliburgueses”, os que enriqueceram no período, o petismo tem os “lulobilionários” — que vêm a ser os bilionários que se encantaram com a forma como o lulo-petismo enxerga a economia de mercado. E eles ficaram mais bilionários ainda. Lula distribuiu, ao longo do tempo, sempre a depender do período, Bolsa-Selic, Bolsa-BNDES, Bolsa-Desoneração Fiscal Focalizada, Bolsa-Índice de Nacionalização da Indústria, Bolsa-Porque-É-Meu-Amigo-E-Quem-Manda-Aqui-Sou-Eu…

Os liberais não tocam no assunto porque boa parte deles foi também cooptada. Os que se dizem de esquerda, obviamente, acham que, finalmente, Lula botou o capital sob o cabresto do estado… E assim seguimos.

Eu espero que o Sol, agora girando do lado certo, faça surgir, por exemplo, petróleo onde Eike disse que havia petróleo. E na quantidade estimada, à época, pelos investidores. Acho que isso acabará sendo bom para o BNDES…

Ou, então, vou começar a cantarolar uma música que ficava muito bem na voz de Cássia Eller. Nunca entendi direito o que quer dizer, que sou meio xucro pra essas coisas das esferas celestes, mas gostava de ouvir no carro:

Quando o segundo sol chegar/
Para realinhar as órbitas dos planetas/
Derrubando com assombro exemplar/
O que os astrônomos diriam/
Se tratar de um outro cometa.

Como não dirijo e sou sempre passageiro, o fato de não entender lhufas não atrapalhava a minha concentração. Podia seguir cantarolando sem pensar em nada… Agora estragou. Se topar com a música, vou pensar no BNDES!

Por Reinaldo Azevedo
 

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