Blogs e Colunistas

Diogo Mainardi

11/12/2012

às 15:28

Podcast do Diogo: O número da conta é 97257313

Além da coluna (ver post abaixo), Diogo Mainardi contou num podcast o que sabia. No dia 24 de março de 2004, um cheque de R$ 150 mil foi depositado na conta da empresa Acaso Sistemas de Segurança, que pertence ao faz-tudo de Lula. Pretexto: serviços prestados.

O número da conta: 97257313
Banco – Caixa Econômica Federal de São Bernardo

Clique aqui para ouvir o podcast.

Por Reinaldo Azevedo

11/12/2012

às 15:06

Lula é o PT. Uma coluna de Diogo Mainardi de outubro de 2006

Quem acompanhou as colunas de Diogo Mainardi na VEJA não se surpreende. Leiam o texto publicado no dia 25 de outubro de 2006.
*
O procurador-geral da República denunciou quarenta mensaleiros. O mais perto que ele chegou de Lula foi o 4º andar do Palácio do Planalto, ocupado por José Dirceu e seu bando. Agora ele terá de descer um lance de escadas e entrar diretamente no gabinete presidencial. Acompanhe-me, por favor. Cuidado com o degrau. Esta é a sala que pertencia a Freud Godoy, gorila particular de Lula. E aquela é a porta do escritório do presidente. Cerca de dez passos. Toc-toc-toc. Tem alguém aí? Lula saiu? A gente volta mais tarde.

Na última terça-feira, Garganta Profunda me passou os dados de um documento bancário de Freud Godoy, encaminhado pelo Coaf à Polícia Federal. Em 24 de março de 2004, ele depositou 150 000 reais na conta da empresa de sua mulher, Caso Sistemas de Segurança. Importante: 150 000 reais em moeda sonante. No documento bancário, Freud Godoy declarou que o dinheiro era fruto de “serviços prestados a clientes”. Isso contradiz tudo o que ele alegou até agora. Num primeiro momento, disse que sacou os 150 000 reais para comprar equipamentos. Depois, informou que pediu um empréstimo a um amigo. Mentira. Não foi saque nem empréstimo: foi um depósito. O fato é que ninguém sabe de onde saiu tanto dinheiro e por que foi parar na conta do gorila particular de Lula.

Como Robert Redford em Todos os Homens do Presidente, arregacei as mangas da camisa e fui procurar respostas na capital federal. Pedi à CPI dos Correios para fazer o cruzamento dos dados do valerioduto com o depósito de Freud Godoy. Encontrei uma espantosa coincidência. Em 23 de março de 2004, um dia antes de Freud Godoy depositar 150 000 reais na conta de sua mulher, foram sacados 150 000 reais da conta da SMPB, de Marcos Valério, no Banco Rural. Tudo em moeda sonante. Tudo de origem desconhecida. O saque no Banco Rural foi feito pelo policial aposentado Áureo Marcato. Que voltou ao banco dois dias depois e sacou mais 150 000 reais. Onde foram parar?

Na época do depósito, Freud Godoy era assessor direto de Lula. Mas fazia um bico para o PT, montando o esquema de segurança de Delúbio Soares, que transportava malas de dinheiro sujo de um lado para o outro. Freud Godoy alugou para ele um carro blindado, comprou duas motocicletas para seus batedores e contratou uma escolta de seis policiais militares. Os 150.000 reais depositados na conta de sua mulher podem ter sido o pagamento pelo serviço. Os policiais contratados para escoltar o tesoureiro do PT contaram a VEJA que Freud Godoy, entre outras coisas, era encarregado de organizar os encontros secretos entre Lula e Delúbio Soares. Pode-se imaginar o que eles discutiam.

Lula está praticamente reeleito. Os brasileiros o perdoaram. Mas a bandidagem da qual ele se cercou continuará a rondá-lo para sempre. É assim que será recordado. Por mais que tente se esconder, Lula é o PT. Lula é Delúbio Soares. Lula é Marcos Valério. Lula é o golpismo do mensalão e do dossiê Vedoin. Abra a porta, Lula. Toc-toc-toc.

Por Reinaldo Azevedo

18/09/2012

às 16:29

“A Queda”, de Diogo: 100 mil exemplares no Brasil e versão italiana em curso

Reproduzo nota da página “Radar”, de Lauro Jardim. Volto em seguida.

Menos de um mês depois de ter sido lançado no Brasil, A Queda, de Diogo Mainardi, começa a fazer carreira internacional. Mainardi vendeu ontem os direitos de sua publicação para a Itália, para a editora Giulio Einaudi. Lá, A Queda sai em 2013. Aqui, já vendeu 100 000 exemplares.

 

Tito com Diogo: a grande obra da vida vivida

Voltei
O Brasil ainda respira. O livro é das melhores coisas publicadas no país em muitos anos. Da vida vivida, Diogo fez uma obra-prima. Ainda devo a vocês um texto mais alentado e cuidadoso sobre “A Queda”.

Poderia ser só a história de uma superação, e o livro já estaria eticamente justificado. Mas é provável que Diogo não o tivesse escrito porque ele é pudoroso demais para se apresentar como um bom exemplo. “A Queda” trata do amor incondicional que humaniza a razão e da razão que instrui o afeto.

Por Reinaldo Azevedo

20/08/2012

às 6:27

“O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo” já está chegando

Começa a chegar às livrarias no dia 28 de setembro “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo” (Editora Record), quarto livro deste escriba. Os outros são “Contra o Consenso”, “O País dos Petralhas” e “Máximas de Um País Mínimo”.

Trata-se, como já disse tantas vezes, de um livro escrito em coautoria com os leitores do blog. Afinal, nessa profissão, a gente escreve mesmo é para ser lido. É evidente que os temas vão surgindo no diálogo diário que mantenho com vocês. Neste fim de ano e início do próximo, faremos lançamentos em algumas cidades Brasil afora, mais uma oportunidade de manter contato com os leitores, o que é sempre muito agradável.

Para mim, é sempre um momento muito especial. Quando lancei este blog, no dia 24 de junho de 2006, os petralhas vieram pra cima: “Não vai durar dois meses! Quem está interessado em ler o que você escreve?”. Pois é… “O País dos Petralhas II” é o terceiro livro publicado sob os auspícios desta página. Ah, sim: milhares de pessoas renovam seu interesse pelo blog todos os dias!

Mais livros
Já publiquei um post a respeito no sábado e volto a recomendar: leiam “A Queda – As Memórias de Um Pai em 424 Passos”, de Diogo Mainardi. É um livro estupendo! Ainda falarei mais a respeito. Há muito tempo uma obra não me mobilizava tanto. Diogo, aliás, é o entrevistado de hoje no programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2012

às 5:53

Uma queda para o alto – Um livro para comprar hoje, agora!

Diogo Mainardi está no Brasil. Participamos, diga-se, de um evento no Clube Hebraica, em São Paulo, neste domingo (veja post a respeito). Acaba de chegar às livrarias A Queda – Memórias de Um Pai em 424 Passos, publicado pela Editora Record. É o melhor livro de Diogo, um grande, um estupendo escritor! É o melhor porque é obra vivida? Sim, a gente poderia sustentar isso. E também é o melhor porque é invenção rigorosa — mas aí há um porém que põe esse livro num grupo muito restrito: sem o que Diogo viveu e vive, esse texto jamais teria sido escrito. Ainda voltarei a ele.

Reproduzo abaixo trechos da resenha escrita por Mario Sabino na VEJA desta semana. Acreditem: há muitos anos não se publica no país um livro com tal força, com tal qualidade, com tal… dureza! Volto para encerrar.

*
Um dos desenhos mais célebres do mundo faz pane do acervo da Accademia de Veneza. Trata-se do Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, em que a única figura humana é retratada em duas posições, como se houvesse fotogramas sobrepostos — dentro de um círculo (com os braços esticados à altura da cabeça e as pernas afastadas) e dentro de um quadrado (com os braços abertos na altura dos ombros e as pernas juntas), círculo e quadrado porque tidos como as formas geométricas perfeitas. O “Homem Vitruviano” parece fazer um polichinelo, aquele exercício físico banido da ginástica escolar depois de arrebentar os joelhos das gerações com mais de 40 anos. Da Vinci concebeu o desenho em tomo de 1490, a partir das considerações do arquiteto romano Vitrúvio. Um milênio e meio antes, em seu tratado De Architectura, Vitrúvio estabelecera quais seriam as proporções exatas do corpo humano, por meio de uma série de correspondências matemáticas entre as suas diversas partes.

O desenho de Da Vinci é acompanhado, na parte superior e inferior, de explicações sobre tais correspondências, a demonstrar com mais ênfase a intenção do artista de apresentar o modelo de harmonia que deveria servir de base a pintores, escultores e arquitetos. O Homem Vitruviano é raramente exposto. A última vez foi em 2009. Já sua antítese está em exposição permanente pelas vias e pontes de Veneza: Tito Mainardi, hoje com quase 12 anos, primogênito de Diogo Mainardi. Portador de paralisia cerebral, é como uma espécie de “Menino Antivitruviano” que ele protagoniza A Queda — As Memórias de um Pai em 424 Passos (Record: 152 páginas; 29,90 reais), de autoria do ex-colunista de VEJA. O livro, que chega às livrarias com uma tiragem inicial de 20.000 exemplares, é comovente pelo tema, extraordinário na forma e esplêndido como reflexão sobre a arrogância humana.

Tito é personagem conhecido dos leitores que acompanhavam semanalmente a coluna de Diogo, a mais lida da revista de 1999 a 2010, quando o escritor e jornalista resolveu encerrar espontaneamente a sua colaboração. Ele começou a pensar em escrever o livro sobre a paralisia cerebral de seu primogênito em 2008, ainda no Rio de Janeiro, para onde se mudara quatro anos antes, a conselho de médicos americanos. O veneziano Tito deveria viver num ambiente quente, onde pudesse exercitar mais as pernas. As areias de Ipanema foram seu primeiro — e ideal para quedas — campo de provas, complementadas pelas garagens térreas dos prédios da orla, nas quais o menino se esbaldava com seu andador, observado do carrinho por Nico, seu irmão carioca, hoje com 7 anos. Depois que Tito, em férias na cidade natal, alcançou 359 passos sozinho, Diogo decidiu concretizar seu projeto. Diz ele: “Só consegui, contudo, dedicar-me seriamente ao livro a partir de setembro de 2010, na volta definitiva a Veneza. Tive de renunciar à coluna em VEJA, por causa da minha cabeça limitada: sou incapaz de pensar num José Dirceu e, ao mesmo tempo, num Tintoretto. O José Dirceu emporcalha o Tintoretto”. Uma das glórias de Veneza, o pintor é um dos artistas abordados por Diogo em A Queda.

A paralisia cerebral de Tito foi causada por uma obstetra que apressou o parto de maneira desastrada. O dia em que ele veio à luz — 30 de setembro de 2000 — caiu num sábado, e a médica encarregada do procedimento queria terminar seu turno de trabalho mais rápido. Para tanto, decidiu estourar a bolsa com líquido amniótico que protege o bebê. Só que, ao fazê-lo, contrariando todos os manuais de obstetrícia, Tito teve o cordão umbilical esmagado e ficou sem oxigênio. A saída, nesse caso, era realizar uma cesárea de urgência. A obstetra outra vez errou ao demorar demais para abrir o ventre de Anna, mulher de Diogo, e Tito permaneceu asfixiado por 45 minutos. O resultado foi uma lesão no cérebro que o impede de falar, andar e pegar objetos com as mãos como se faz normalmente. A lesão é tão pequena que é invisível aos exames de imagem mais modernos. Assim, não comprometeu a capacidade intelectual de Tito (…)

Em torno da paralisia cerebral de seu filho, orbitam duas narrativas que se imbricam uma na outra: a do drama familiar e a da história das ideias e de seu corolário, a arte que se quer ex­pressão da Verdade — com “v” maiús­culo —, seja filosófica, religiosa ou ideológica.
(…)
Diogo só poderia escrever esse livro em Veneza, ainda que José Dirceu não emporcalhasse Tintoretto. Foi nessa cidade sem paralelo, que coroa a vaidade do pensamento e da arte, que Diogo se refugiou para escrever seus quatro romances. Foi nessa cidade diferente de todas as outras que ele conheceu a sua queda particular — e, nela, reconheceu as nossas aspirações evanescentes que insistem em sobreviver em quaisquer latitudes. No livro, Veneza continua a ser extraordinária, como na época de Goldoni, mas não como um tributo ao engenho humano, e sim à sua prepotência, da qual Diogo se despiu existencialmente. Diz ele a VEJA: “O nascimento de Tito me fez deixar os romances de lado porque mudou o narrador. Em meus romances, eu era o narrador onisciente, que comandava o destino de um bando de personagens idiotas. Depois de Tito, eu me tornei o personagem idiota, e meu destino passou a ser narrado por um menininho de pernas tortas que nem sabia falar. Morreu a minha soberba autoral e, sem ela, era impensável continuar a escrever romances. Dito de outra maneira: eu sempre imaginei que saberia manter um razoável controle sobre os fatos de minha vida. Tito me mostrou, porém, que eu nunca controlei porcaria nenhuma, e que a única possibilidade de livre-arbítrio ao meu alcance estava na leitura dos fatos, e não nos fatos em si”.
(…)

Voltei
Caros, encerro por aqui a transcrição de trechos da resenha de Sabino. Leiam a íntegra na revista. Transcrevo o passo 82 e assim encerro este post.

Passei o dia na UTI.

Acariciei o rosto de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei o peito de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei a perna de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei as costas de Tito. No momento em que acariciei suas costas, deu-se o inesperado. Subitamente, ele contorceu o corpo e arqueou a coluna.

Tito ressuscitou. 

Chorei por meia hora. Depois de ter chorado por meia hora, chorei por uma hora. Depois de ter chorado por uma hora, chorei por duas horas.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2012

às 5:51

Caio Blinder, Diogo Mainardi e eu, hoje, na Hebraica, com transmissão pela Internet

A convite da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e de A Hebraica, Caio Blinder, Diogo Mainardi e eu participamos neste domingo, às 18h, de uma evento chamado “Papo de Redação”. O encontro se dará no Teatro Arthur Rubinstein, do clube A Hebraica, com mediação do jornalista Ricardo Berkiensztat, vice-presidente da Fisesp. Na pauta, temas como Primavera Árabe, Israel, eleições nos EUA e antissemitismo.

O evento terá transmissão ao vivo pelos sites www.fisesp.org.br e www.hebraica.org.br. A Hebraica fica na rua Hungria, 1000. Os ingressos têm ser retirados no local. Sugiro que os interessados tentem telefonar antes para saber se ainda não se esgotaram (3818-8800).

Para mim, é bom demais da conta! O que pode haver de melhor do que passar o dia do aniversário ao lado da família e dos amigos?

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 22:20

Diogo Mainardi e os crucifixos: “Em Deus, eu não acredito, não! Mas na Igreja, sim!”

A questão dos crucifixos foi parar no Manhattan Connection, comandado por Lucas Mendes. Ele faz uma pequena provocação a Diogo Mainardi, que dá, para não variar, uma resposta excelente. Vejam o vídeo. É curtinho. Volto em seguida.

Voltei
Não que o caro Lucas Mendes, a quem admiro, me ofenda falando que estou numa cruzada contra “a Justiça brasileira e a OAB”. Mas não estou.
1) não se trata de uma cruzada, apenas de uma opinião que considero fundamentada em argumentos não religiosos. Não quero impor a minha religião a terceiros; quero que se preserve um patrimônio humanista;
2) não estou combatendo a “justiça brasileira”; critiquei uma decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul;
3) não critiquei a OAB — não que não pudesse fazê-lo; critiquei o presidente da OAB do Rio, Wadih Damus, que defendeu que duas obras de arte, goste-se ou não delas, presentes no STF sejam adulteradas em nome do laicismo.

Dado o contexto, vamos à resposta do querido Diogo. Inteligente e divertido como sempre, vai ao ponto. Ele é ateu, eu não sou; ele defende a convivência com a herança cultural do cristianismo, eu também. Em último caso, ambos falamos —  todas as pessoas razoáveis tratam é disso — sobre tolerância.

A síntese magistral de Diogo diz muito mais do que parece: “Em Deus eu não acredito, não, mas na Igreja, sim”. Não acreditar em Deus é uma questão pessoal, de fé, que não está sujeita a qualquer forma de convencimento. As pessoas crêem, deixam de crer ou passam a crer por motivos que são insondáveis. Quando Diogo afirma que “acredita na Igreja”, está lembrando um conjunto de valores culturais, éticos e morais que definiram o mundo ocidental.

Por não crer em Deus, a posição dele é mais ou menos legítima do que a minha? Nem mais nem menos. A herança cultural da Igreja e do cristianismo não é matéria de reflexão exclusiva de cristãos, ateus ou crentes de outra religião. É um patrimônio da humanidade.

Um abraço fraterno a Lucas, Caio Blinder e, muito especialmente, ao meu querido amigo Diogo Mainardi!

Por Reinaldo Azevedo

31/01/2011

às 4:15

Diogo Mainardi: “Macacos, sexo e Michelangelo”

Gorila e Juízo final - Jared Diamond vislumbra o apocalipse ecológico e nuclear. Isso também está no Velho Testamento, ilustrado na Capela Sistina, no Juízo Final. Sim: em 40 000 anos, nós, chimpanzés superdotados, conseguimos fazer a Capela Sistina. Mas chegará o dia em que voltaremos a comer larvas de cupim

Gorila e Juízo final - Jared Diamond vislumbra o apocalipse ecológico e nuclear. Isso também está no Velho Testamento, ilustrado na Capela Sistina, no Juízo Final. Sim: em 40 000 anos, nós, chimpanzés superdotados, conseguimos fazer a Capela Sistina. Mas chegará o dia em que voltaremos a comer larvas de cupim

Para quem andava com saudade das colunas de Digo Mainardi, e somos uma multidão, ele volta na edição desta semana de VEJA com as duas páginas de “Macacos, sexo e Michelangelo”. Inteligência, humor e a língua na sua melhor expressão. Segue um trecho. Leia a íntegra aqui).

*
O pênis ereto de um gorila mede 4 centímetros. Foi por isso que nós fizemos a Capela Sistina, enquanto os gorilas só aprenderam a comer larvas de cupim.

A teoria é do americano Jared Diamond, autor de O Terceiro Chimpanzé, que chegará no próximo dia 18 às livrarias brasileiras, publicado pela Editora Record. Jared Diamond é um misto de Charles Darwin com Carrie Bradshaw, a protagonista de Sex and the City. Se Carrie Bradshaw fosse uma gorila, ela poderia anotar em seu computador, como anotou Jared Diamond:

— Por que os humanos copulam privadamente, se todos os outros animais sociais copulam em público?

Segundo Jared Diamond, a espécie humana evoluiu a partir de seu comportamento sexual. Mais importante do que o tamanho de nosso cérebro — que é 10% menor do que o do homem de Neandertal — é o tamanho de nosso apetite e, principalmente, de nosso aparato sexual. De fato, se Carrie Bradshaw fosse uma gorila, ela jamais encontraria um Mr. Big.

Em O Terceiro Chimpanzé, Jared Diamond trata de outros temas, além da Teoria do Tamanho do Pênis. Ele trata também da Teoria do Tamanho dos Testículos, da Teoria do Tamanho dos Mamilos e, por fim, da Teoria da Ruiva Peituda.

Nas últimas décadas, a biologia se transformou numa Galápagos intelectual, em que darwinistas das mais variadas espécies competem entre si, apresentando teorias extravagantes para se adaptar ao ambiente editorial e televisivo.

(…)
Nosso DNA é 98,8% igual ao de um chimpanzé. Geneticamente, um chimpanzé é mais próximo de um homem do que de um gorila. Há o chimpanzé comum. Há o chimpanzé pigmeu. Para Jared Diamond, o homem é uma terceira espécie de chimpanzé. Somos ligados como Tarzan e Chita. Como foi que Chita conseguiu fazer a Capela Sistina? Qual foi o elemento que, em apenas 40.000 anos, possibilitou que a humanidade abandonasse as cavernas e desse seu “Grande Salto para a Frente”?

A resposta, segundo Jared Diamond, é a linguagem falada. O aparelho vocal humano, em algum momento de nosso caminho evolutivo, transformou-se, diferenciando-se do de outros primatas e permitindo que nossos antepassados pronunciassem e articulassem uma série de novos sons. Esses novos sons deram origem a uma língua comum, extremamente rudimentar, cuja raiz sobrevive até hoje, em particular na fala de Dilma Rousseff. Através dessa língua comum, passamos a transmitir uns aos outros conhecimentos que possibilitaram o desenvolvimento da agricultura, do pastoreio, da roda e do adestramento de cavalos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

19/09/2010

às 7:39

“Eu digo que o problema do Brasil é o excesso de liberdade de José Dirceu”

Até que Diogo Mainardi não termine seu livro, a gente vai se contentando com uma coluna a cada 15 dias. A desta semana traz uma dasquelas sínteses de que só ele é capaz.
*
O problema do Brasil é o excesso de liberdade da imprensa. Quem disse isso, em outras palavras, durante um encontro com sindicalistas baianos, foi José Dirceu. Eu digo o contrário. Eu digo que o problema do Brasil é o excesso de liberdade de José Dirceu.

Duas semanas atrás, em sua página no Twitter, Indio da Costa publicou uma fotografia que resume perfeitamente o excesso de liberdade de José Dirceu. Ele está no Rio de Janeiro, na pista do Aeroporto Santos Dumont, embarcando num jato particular, um Citation 10 com o prefixo PT-XIB. O excesso de liberdade da imprensa permite indagar quem sustenta o excesso de liberdade de José Dirceu.

O plano de José Dirceu para eliminar o problema do excesso de liberdade da imprensa tem duas partes. A primeira parte é a montagem de um sistema estatal que controle a atividade das empresas jornalísticas e que puna qualquer tentativa de fazer aquilo que ele chamou de “abuso do poder de informar”. Isso mesmo: Conselho Federal de Jornalismo. Isso mesmo: Ancinav. Isso mesmo: Confecom.

A segunda parte do plano de José Dirceu é aliar-se a empresários do setor da imprensa exatamente como o PT se aliou a José Sarney e a Renan Calheiros no Congresso Nacional. “O momento histórico que estamos vivendo”, segundo José Dirceu, é ruim para o “movimento socialista internacional”. Por isso, em vez de tentar fazer seu próprio jornal, o PT deve continuar negociando com alguns grandes grupos. Na prática, isso significa garantir o excesso de liberdade do bispo Edir Macedo e da Rede Record.

No mesmo encontro em que apresentou seu plano para eliminar o excesso de liberdade da imprensa, José Dirceu apresentou também seu plano para a reforma política. De acordo com ele, é necessário duplicar ou triplicar imediatamente a quantidade de dinheiro público destinada aos partidos. Ele advertiu que, sem esse dinheiro, o PT prosseguirá com suas práticas de “caixa dois, corrupção, nomeação dirigida, licitação dirigida, emenda dirigida, superfaturamento e tráfico de influência”.

José Dirceu disse que, no poder, o PT valorizou o servidor público. Claro que é verdade: o filho de Erenice Guerra valorizou-se, o outro filho de Erenice Guerra valorizou-se, o irmão de Erenice Guerra valorizou-se, a irmã de Erenice Guerra valorizou-se. José Dirceu falou até sobre a saúde de Dilma Rousseff, desmentindo o que ela própria diz sobre o assunto: “Ela passou por um câncer. E sente muito isso ainda”.

No fim de seu encontro com os sindicalistas baianos, José Dirceu voltou a tratar da imprensa. Ele antecipou que pretende dizer o seguinte, quando Dilma Rousseff estiver eleita: “Ó, não adiantou nada. Estamos aqui mais quatro anos”.

José Dirceu está certo. Ó, não adiantou nada.

Por Reinaldo Azevedo

19/08/2010

às 17:39

Resolveram meter um triângulo roxo em Diogo Mainardi

Sempre imaginei que chagaríamos a este ponto. E chegamos. Ou melhor: chegaram! E podem ir ainda mais longe — porque os caminhos da vigarice e da impostura não têm limites. Como é que os canalhas aprimoram a sua arte? Dedicando-se a praticar mais canalhices. Quando é que essa gente diz para si mesma: “Não, isso eu não posso fazer”? Nunca! Porque é próprio de sua índole fazer qualquer coisa. Pelo dobro do preço, então, podem fazer o triplo.

Vocês se lembram daquele blogueiro pançudo — os pançudos que servem de escribas dos donos do poder — que conclamou a “catchiguria” a procurar onde estavam os 3% que consideravam o governo Lula “ruim/péssimo”? Seu raciossímio era o seguinte: são tão poucos, que é possível identificá-los. De lá para cá, parece que a coisa ficou ainda mais fácil. Agora, esse grupo soma apenas 1% segundo os institutos de pesquisa.

O Pançudo deve estar radiante! Já dá para cuidar de todos numa única fornada democrática! As cinzas ajudariam a fertilizar a terra onde surgiria o Primeiro Reich Petralha — para durar, no mínimo, mil anos!!! Nome do filme: “De Volta ao Planeta dos Macacos”.

Apontei o aspecto obviamente fascistóide daquela formulação, como se haver pessoas que rejeitem o governo — e governos — fosse uma excentricidade digna de nota. Numa democracia, elas são o sal da terra. É a existência da divergência que testa o modelo, já que qualquer pessoa é livre para concordar com o governo também nas ditaduras. Mas o que digo eu? Quem disse que eles querem democracia? Eles querem é regime de maioria, que é outra coisa — os fascismos todos, incluindo o nazismo, foram regimes de maioria. É o que querem. É do que gostam. Quando escrevi a respeito, afirmei que se estava plasmando uma cultura no país que sataniza a “turma do contra”. Como disse aquela reitora da Uni-Rio, ser do contra, tudo bem “desde que não atrapalhe”.  Ah, bom! Agora ao ponto do dia.

Estupefato
Confesso que não leio a Ilustrada, da Folha. Limito-me ao primeiro caderno por dever de ofício. Um leitor me chamou atenção para um troço, e era mesmo verdade. Está lá no caderno acusado de Cultura: “Desafetos acusam Mainardi de escapar de processos no Brasil”. É o título. Na linha fina, o subtítulo, como se estivesse na defensiva, fala Diogo: “Colunista diz que decidiu ir morar na Itália por questão familiar”.

Chegamos ao fundo do poço. Dois blogueiros notórios pelo tipo de trabalho que fazem falam na reportagem. Como o título deixa claro, são “desafetos”. Trata-se de uma bobagem fabulosa! Diogo enfrentou, sim, muitos processos, com duas condenações, nenhuma em caráter definitivo — é provável que em pior situação estejam os que o acusam. Mas vá lá.

O que me pergunto é outra coisa: “QUE DIABO DE IMPORTÂNCIA TEM ISSO?” Diogo é um dos colunistas mais lidos do país; seus romances foram saudados por críticos respeitáveis — quase nenhum do jornalismo porque duvido que tenham entendido direito o que ele escreveu, mas isso é outro papo. Está na TV. É uma pessoa conhecida etc. Se a imprensa quer saber por que ele decidiu voltar para Veneza, onde morou durante 14 anos — desde que voltou ao Brasil, seu apartamento ficou lá, à sua espera —, que procure saber, claro, mas não segundo a fofoca estúpida de seus “desafetos”.

Como informa, aliás, o próprio texto, “o ex-ministro Luiz Gushiken, o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, estão entre os que processaram Mainardi no passado e nunca conseguiram nada.” É isso! Houve um tempo, no Brasil, em que fazer crítica política era parte do jogo democrático.

E, lamento, não me venham com a história de que o texto está “equilibrado”, com Diogo tendo a chance de se defender. Mas se defender de quê? Um escritor e jornalista não pode decidir morar em outro país, sabe-se lá por quanto tempo — isso é da conta de quem? — sem que se dê voz a seus “desafetos”? A Folha tem muitos jornalistas que respondem ou responderam a processos. Há condenados entre eles. Devemos convocar seus “desafetos” para que emitam uma opinião a respeito do que fazem ou deixam de fazer? Qual é a pauta?

Lamento: a reportagem, por mais “equilibrada” que pretenda ser  (apesar do título dado aos “desafetos”), é fruto do clima persecutório que está começando a contaminar tudo. Pior: já começa a ser considerado uma coisa normal, como afirmar que hoje é quinta-feira. “Ah, você viu? Diogo mudou de país para fugir dos processos, dizem seus desafetos”.

Não vou eu avançar além do que o próprio Diogo deve ter dito à reportagem. Os motivos que o trouxeram ao Brasil depois de tantos anos e que o fizeram voltar a Veneza estarão explicitados num livro que está escrevendo, ao qual tem dedicado boa parte de seu tempo, obsessivo que é com a precisão das palavras. E nem remotamente estão ligados a essa conversa de processos ou sei lá o quê. A história de que poderia ser preso é mais uma dessas mentiras que alimentam o delírio de vigaristas. Ele não! Mas é bem possível que um outro “desafeto” seu ainda acabe atrás das grades por crime inafiançável e imprescritível. A decisão, no entanto, cabe à Justiça —  e não tomarei o seu lugar, como “eles” fazem.

Triângulo roxo
O Pançudo deve estar feliz. Em breve, os que alegarem objeções de consciência para declarar a sua fé no Pai do Brasil — e na sua Mãe — terão de usar um triângulo roxo no uniforme, a exemplo do que acontecia com os que ousavam, no nazismo, proclamar a sua fé em Deus e não no “führer“. Se são tão “poucos”, pensaria o asqueroso, por que não? “Ao menos saberemos quem eles são”. Resolveram meter um triângulo roxo em Diogo Mainardi — embora Dilma faça questão de manter “Lula é Minha Anta” em sua estante de campanha para mostrar que é inteligente.

Por Reinaldo Azevedo

18/08/2010

às 5:51

“Lula é Minha Anta”, de Diogo, na estante de Dilma. Discriminação! E “O País dos Petralhas”???

Como grunhiriam os petralhas, “rá, rá, rá”, “huhuhu”, “quá, quá, quá”. O cenário em que Dilma Rousseff fala ao povo, que Lula quer lhe dar de presente, tem livros na estante, simulando a sua intimidade com eles. Pois bem… Denise Madueño, do Estadão, pescou uma coisa deliciosa: “Lula é Minha Anta”, de Diogo Mainardi, está lá. Eu sabia: cedo ou tarde, bateria a saudade no coração dessa mulher sensível. Veio cedo! Pô, Santana, fiquei com inveja do Diogo. E “O País dos Petralhas”?

*
Lula é minha Anta, o livro do crítico mais mordaz e ácido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e considerado inimigo número um dos petistas na imprensa, jornalista Diogo Mainardi, tem espaço garantido no cenário do programa de TV da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). Entre Mutações, o livro autobiográfico da atriz norueguesa Liv Ullmann, a preferida do diretor Ingmar Bergman, e um exemplar da Constituição brasileira, o livro de Mainardi está exposto em um dos móveis que compõem a sala de uma casa montada no estúdio de gravação do programa eleitoral da candidata petista.

O leitor que escolher o livro de Mainardi na “biblioteca” da sala de Dilma encontrará trechos críticos a Lula e ao governo que a petista pretende herdar. “O Brasil já era ruim antes de Lula. Com ele ficou ainda pior”, diz um dos textos do livro. O cenário de gravação do programa se parece com uma casa da “nova classe média”, na definição feita pela candidata em entrevista no estúdio no fim de semana.

Os livros estão dispostos com cuidadosa displicência em meio a objetos de decoração e porta-retratos. A literatura é variada. Dos Estados Unidos, com o escritor ganhador do Prêmio Nobel William Faulkner e do livro Armas, Germes e Aço, do vencedor do prêmio Pulitzer Jared Diamond, à Inglaterra de Shakespeare. A historiadora Juliet Barker está presente com o livro Agincourt, sobre a guerra travada entre dois exércitos desiguais em 1415, com vitória da Inglaterra.

Os temas vão de moda à economia, passando por livros didáticos de geografia, matemática, química, biologia e enciclopédias. Nas estantes da sala, há muitos livros sobre arte, um guia da Espanha, uma coleção de seis livros com contos de Machado de Assis, uma edição especial da obra infantil completa de Monteiro Lobato, poemas de Manuel Bandeira, o best seller O Símbolo Perdido, de Dan Brown, em meio a livro de informática para concurso público.

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2010

às 12:16

PODERIA SER PIOR? DIOGO DEMONSTRA QUE SIM!

Texto recuperado pelo leitor:

A coisa poderia ser pior? Ora! Claro que sim! O técnico brasileiro poderia ser Wanderley Luxemburgo, tratado por Lula na convenção do PT como um craque na escalação de um time. Segundo deu para entender, o “Modelo Luxemburgo” seria posto em prática num eventual governo Dilma. Diogo trata do assunto na rádio Jovem Pan.

Ouça aqui.

Por Reinaldo Azevedo

12/06/2010

às 5:57

Diogo Mainardi: A comédia da Copa

Susana Vieira e eu na Copa do Mundo. Susana Vieira comentará as partidas na TV. Eu comentarei as partidas no rádio. Por quê? Porque ninguém se interessou em me contratar para comentar a Divina Comédia, de Dante Alighieri. Susana Vieira é minha Beatriz na Cidade do Cabo e em Johannesburgo.

Eu sou um cronista como Nelson Rodrigues. Eu sou um reacionário como Nelson Rodrigues. Eu sou pago para fazer comentários sobre a Copa do Mundo como Nelson Rodrigues. Agora só tenho de me tornar um Nelson Rodrigues.

Eu fui da literatura para a imprensa, da imprensa para o rádio. É por isso que simpatizo com Robinho. Ele tem uma trajetória semelhante à minha: do Real Madrid para o Manchester City, do Manchester City para o Santos. Eu simpatizo também com Kaká. Melhor dizendo: eu o idolatro. Eu gostaria de ganhar um dos maiores salários de todos os tempos para permanecer sentado no banco de reservas, tirando a franja da testa. Eu sou bom em matéria de tirar a franja da testa. Mas o jogador do Brasil com o qual realmente me identifico é Felipe Melo. Sempre que, durante o programa de rádio, Wanderley Nogueira me passa a bola, eu me embanano todo e, como Felipe Melo, acabo recuando para o zagueiro. Na Copa do Mundo, minha torcida será inteirinha para ele. Ele me representa. Vai, Felipe Melo! Mostre ao mundo do que é capaz uma pessoa sem talento, sem juízo e sem discernimento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

29/05/2010

às 6:55

Corra, Diogo, corra!

Na VEJA, por Diogo Mainardi:

Caetano Veloso agora é colunista de O Globo. Desde sua estreia, num domingo, quatro semanas atrás, estou tentando arrumar outra maneira para me sustentar. Se até Caetano Veloso se tornou um colunista, tenho de mudar de trabalho urgentemente. Assim como os cachorros latem antes dos terremotos, eu interpreto os artigos de Caetano Veloso como sinais de alerta para um desastre iminente. Au! Au! O colunismo está ruindo. Au! Au! O colunismo está se esboroando. Au! Au! É melhor fugir para o meio da rua, antes que o teto desabe sobre mim. Corra, Diogo, corra! Imediatamente depois de Caetano Veloso estrear como colunista de O Globo, a Folha de

No momento, o jornal tem cento-e-vinte-e-oito colunistas. Esse foi o número anunciado por seus próprios editores: cento-e-vinte-e-oito. Nizan Guanaes é um dos novos contratados pela Folha de S.Paulo. No passado, o colunismo era um reduto dos mineiros. Agora ele é dominado pelos baianos. Na semana passada, Lula reclamou da “elite que escreve colunas neste país”, só porque alguns articulistas denunciaram o apoio que ele deu à bomba nuclear iraniana. Elite? Qual elite? No Brasil, qualquer um pode se tornar colunista. Temos mais colunistas do que metalúrgicos. Lula repudiou a mentalidade colonizada de nossos colunistas, mas o fato é que a mentalidade da maioria deles nunca saiu dos arredores do Pelourinho. Resultado: os cento-e-vinte-e-oito colunistas da Folha de S.Paulo ovacionaram Lula por seu apoio à bomba nuclear iraniana.

Se o Renascimento teve Ticiano, o nosso tempo tem os analistas técnicos das bolsas de valores. O que é que isso tem a ver com Caetano Veloso? Respondo imediatamente (…).
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2010

às 18:13

Diogo no Twitter

Diogo Mainardi escreve em seu twitter sobre eleições: “Estamos em campanha eleitoral. Custa caro transformar o Pitta de Lula no Mandela de Lula”

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2010

às 4:51

Diogo Mainardi – “O Chamberlain de Macaé”

Lula foi ao baile funk de Mahmoud Ahmadinejad assim como Vagner Love foi à Rocinha. Vagner Love confraternizou com os assassinos do Comando Vermelho? Lula está confraternizando com os assassinos da Guarda Revolucionária iraniana. Vagner Love faz trabalho humanitário no morro? Lula, segundo Dilma Rousseff, faz trabalho humanitário no Golfo Pérsico. Vagner Love foi festejar os dois gols que marcou contra o Macaé? Lula está festejando os dois gols que marcou contra o Brasil.

O Brasil é uma espécie de Macaé do mundo. Isso é uma sorte. Se o Brasil fosse a Inglaterra, Lula já estaria consagrado como o nosso Chamberlain. Sempre que alguém quer guerrear, surge algum pateta tentando ser intermediário da paz. Em 1938, o primeiro-ministro da Inglaterra, Chamberlain, viajou para a Alemanha para negociar olho no olho com Hitler. Depois de alguns encontros, eles assinaram um tratado de paz, pelo qual Hitler se comprometia a ocupar apenas uma parte do território da Checoslováquia. Chamberlain voltou à Inglaterra comemorando a paz. Seis meses mais tarde, Hitler atropelou Chamberlain e ocupou o resto da Checoslováquia. Em seguida, ocupou a Europa inteira.

Se Lula é o Chamberlain de Macaé, Mahmoud Ahmadinejad só pode ser o Hitler de Macaé. Como Hitler, ele mata seus opositores. Como Hitler, ele persegue as minorias. Como Hitler, ele tem um plano para eliminar todos os judeus. Só lhe falta o poder de fogo, porque um Macaé, felizmente, é sempre um Macaé. O papel de Lula é esse: dar-lhe algum tempo para que ele possa obter uma arma nuclear. Na semana passada, um articulista do Washington Post chamou Lula de “idiota útil” de Mahmoud Ahmadinejad. O articulista está certo. Mas há outros “idiotas úteis”, além de Lula. O G15, reunido neste domingo no baile funk iraniano, conta também com a Venezuela, de Hugo Chávez, com o Zimbábue, de Robert Mugabe, e com a Indonésia, de Susilo Bambang Yudhoyono, eleito pela Time, em 2009, uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Time é uma espécie de VEJA de Macaé. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2010

às 7:17

Diogo Mainardi – O bispo Lula e a polícia

O presidente Lula conduz o Itamaraty da mesma maneira que o bispo Romualdo conduz a Igreja Universal. Os dois recomendaram procurar os bandidos nas cadeias e negociar diretamente com eles, dizendo: “Pô, a gente está fazendo um trabalho tão bacana. Pô, todo mundo armado. Pô, a gente é companheiro ou não é?”.

O bispo Romualdo, de acordo com a Folha de S.Paulo, resumiu candidamente o espírito desse seu empenho diplomático bilateral: “Nosso problema não é o bandido, nosso problema é a polícia”. É o que Lula tem repetido insistentemente nos últimos anos, em todos os encontros internacionais. Ele recomenda procurar os bandidos em suas cadeias e negociar diretamente com eles. Porque o problema, segundo Lula, não é o bandido de Cuba, o bandido de Gaza, o bandido da Coreia do Norte, o bandido da Guiné Equatorial, o bandido da Venezuela – o problema é a polícia.

Em 16 de maio, o bispo Lula emulará o presidente Romualdo e dará o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele procurará Mahmoud Ahmadinejad em sua cadeia iraniana e negociará com ele “olho no olho”, prometendo ajudá-lo a escapar da polícia dos Estados Unidos e da Europa. Lula retribui assim a visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil, no fim do ano passado. Um de seus acompanhantes naquela visita foi Esmail Ghaani, que entrou anonimamente no país. Ele era comandante interino das Forças Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. A caminho do Brasil, Mahmoud Ahmadinejad e Esmail Ghaani fizeram uma escala no Senegal. O jornal Al Qanat, publicado no Líbano, em árabe, relatou que Esmail Ghaani usou sua passagem por Dacar para adquirir uma série de docas no porto local, em nome da companhia de fachada IRISL. Nessas docas, a Guarda Revolucionária iraniana pretende armazenar os produtos triangulados da América Latina, a fim de furar o bloqueio comercial imposto pela ONU.

O contrabando é apenas uma das bandidagens praticadas pelas Forças Quds. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos denunciou-as por treinar, financiar e armar terroristas. O chefe de Esmail Ghaani, Qassem Suleimani, foi punido pela ONU, que congelou seus bens. A Europa acusou a Guarda Revolucionária de comandar o programa nuclear iraniano e passou a perseguir seu conglomerado de empresas por “proliferação de armas de destruição em massa”.

O que Esmail Ghaani fez no Brasil? Com quem ele se encontrou? Empresas nacionais negociaram com as empresas de fachada das Forças Quds? Para Lula, nenhuma dessas perguntas importa. Afinal, a gente é companheiro ou não é? Olho no olho com Mahmoud Ahmadinejad, em maio, Lula poderá dizer mais uma vez: “Nosso problema não é o bandido, nosso problema é a polícia”. Pô.

Por Reinaldo Azevedo

20/02/2010

às 16:15

OS RADICAIS DÃO O TOM. E ARCA DO PT SEGUNDO DIOGO MAINARDI

Lula e Dilma, para todos os efeitos da publicidade ao menos, tinham conseguido dar uma amansada num documento que o PT pretende que sirva de guia para o programa de governo da presidenciável petista. No fim da tarde de ontem, os delegados reunidos no 4º Congresso do PT, que oficializa hoje a candidatura de Dilma, resolveram empurrar ainda mais para a esquerda o documento inicial. Leiam uma síntese publicada na Folha. Volto em seguida:

A primeira das emendas aprovadas foi a que substitui o texto que falava na construção de “consenso para lograr a jornada de trabalho de 40 horas” para outro que prega “compromisso” com as 40 horas (hoje a jornada é de 44 horas semanais), sem redução de salário.
Logo após, os delegados aprovaram a adoção pelo novo governo de medidas para “combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”.
Também foram incorporadas às diretrizes a tributação sobre grandes fortunas, o apoio incondicional ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos e a determinação de que as Forças Armadas devem respeitar a diversidade homoafetiva.
No campo agrário, os delegados petistas incluíram, em uma única emenda, diferentes pautas do campo não cumpridas após promessas do presidente Lula, entre as quais a atualização dos índices de produtividade, a ampliação do controle sobre a compra de terras por estrangeiros e a revogação de medida provisória editada no governo FHC que exclui da lista de assentados aqueles que participem de invasões de terra.

Comento
Os “espertos” e os “expertos” do PT, como o atual presidente, José Eduardo Dutra, tergiversava: “Vou falar pela milésima vez: essas são apenas diretrizes, que serão submetidas à candidata, à sociedade e aos partidos aliados”. Ricardo Berzoini, seu antecessor no cargo, matizava: “O programa de diretrizes é algo o mais genérico possível, ainda precisam ser ouvidos a candidata, os aliados e setores da sociedade, como sindicatos e empresários”.

Certo!

Num texto que escreverei de madrugada, demonstrarei que a aparente esquizofrenia entre as barbaridades que o PT põe no papel e as coisas que o partido efetivamente faz remete a um método, e seu horizonte nada tem a ver com democracia. Em sua coluna na VEJA, Diogo caracterizou muito bem o universo mental dessa gente. Leiam:

A grande arca da TV Brasil

Deus passa o dia inteiro com a TV ligada. Ele só assiste à TV Brasil. Ninguém assiste aos programas do canal, segundo os dados do Ibope. Somente Ele. Deus é o único espectador da TV Brasil. Como é que eu sei disso? Lula contou. Está lá, nas tábuas da lei do lulismo, o Dicionário Lula, de Ali Kamel: “Deus me deu o segundo mandato para fazer a TV pública brasileira”.

Lula, como Noé, respondendo ao chamado do Onipotente, fez o que lhe foi ordenado. Primeiro, ele construiu a grande arca da TV Brasil, revestindo-a de betume. Em seguida, embarcou nela um casal de cada espécie – um orangotango e uma orangotanga, um pato e uma pata, um Franklin Martins e uma Dilma Rousseff – e conduziu-os por quarenta dias e quarenta noites até os montes Ararat do éter, a fim de que eles se multiplicassem incestuosamente e povoassem a “TV pública brasileira” com seus descendentes.

Agora Deus tem outro plano. Ele decidiu destruir a TV a cabo. Ele disse a Marco Aurélio Garcia: “O fim de Law & Order é chegado perante mim”. Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma Rousseff, lhe obedeceu. Se Deus fizer com que Dilma Rousseff seja eleita, repetindo o que Ele já fez com Lula, “tudo o que há na TV a cabo expirará”. Marco Aurélio Garcia é autor de alguns dos maiores mitos apócrifos do lulismo. O último deles foi comparar American Idol à Quarta Frota dos Estados Unidos. Como sabemos que Deus elege o presidente do Brasil de olho na TV, escolhendo candidatos que lhe garantam programas como ABZ do Ziraldo, Dilma Rousseff já está eleita. O Brasil seria poupado de um monte de aborrecimentos se, para trocar de canal, Deus simplesmente usasse o controle remoto.

O mesmo Deus que elege o presidente do Brasil pode matar o presidente dos Estados Unidos. De uns tempos para cá, alguns pastores americanos passaram a imprecar para que Deus mate Barack Obama. Eles entoam o Salmo 109: “Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício”. Marco Aurélio Garcia entoa o Salmo 109 contra o doutor House e a Quarta Frota Naval dos Estados Unidos. A mandinga contra a “hegemonia cultural americana” pode parecer ridiculamente antediluviana, mas os orangotangos e os patos do petismo se sentem reconfortados por ela. Para Marco Aurélio Garcia e suas criaturas, reunidos no congresso do PT, o paraíso terrestre está localizado na central nuclear iraniana de Natanz. Lula quer viver 950 anos, como Noé. Por isso, em 16 de maio, ele visitará o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (Salmo 109 nele!) e obterá seu apoio para a candidatura de Dilma Rousseff. O apoio de Deus? Esse ele já tem.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2010

às 6:45

VEJA 8 – Diogo: A era do cacarejo

Rimbaud espancava Verlaine. Eu invejo Rimbaud. Eu gostaria de ter espancado Verlaine. Eu gostaria de ter espancado qualquer poeta simbolista. Verlaine vingou-se alguns anos mais tarde, num quarto de hotel, dando dois tiros em Rimbaud. Eu também invejo Verlaine. Ele tinha apenas má pontaria.

A editora Topbooks, depois de publicar os poemas de Rimbaud, agora publicou suas cartas, otimamente traduzidas e comentadas por Ivo Barroso. O primeiro lote de cartas mostra Rimbaud e Verlaine espancando um ao outro e atirando um no outro. Qual é o interesse disso? Para mim, nenhum. Eu poria os dois na cadeia. De fato, os dois foram parar na cadeia. O que realmente interessa é o segundo lote de cartas, escritas a partir de 1875, quando Rimbaud abandonou a poesia e passou a perambular de um lado para o outro. Num intervalo de apenas dezesseis anos – ele morreu em 1891 -, Rimbaud fez tudo o que uma pessoa dotada de um pingo de senso de dignidade quereria fazer: foi embora de Paris, que é uma cidade de maricotes; entranhou-se no deserto etíope, contraindo uma série de enfermidades; comercializou camelos e escravos; ganhou dinheiro e perdeu dinheiro; negociou armas dos mais variados calibres, permitindo o massacre de um monte de gente inocente; pegou um tumor no joelho e teve a perna amputada; morreu sozinho em Marselha, com muitas dores e pedindo ajuda a Deus, que caprichosamente se recusou a ajudá-lo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2010

às 5:03

VEJA 5 – Diogo: “Obama, Dilma e tia Clélia”

“Quando os Estados Unidos bandearam para a direita, nós também bandeamos. Melhor para nós. Até na América Latina a esquerda está encrencada”

Barack Obama só durou um ano. Ele ia mudar tudo. Qual foi o resultado? Os americanos endireitaram. O maior sinal disso ocorreu na semana passada, quando a candidata democrata em Massachusetts, um dos maiores currais eleitorais do partido, foi derrotada por um republicano. Ele tomou a cadeira no Senado que por mais de quarenta anos pertenceu a Ted Kennedy, prometendo opor-se à reforma do sistema de saúde proposta por Barack Obama. O sistema de saúde americano pode ser perdulário. Ele pode criar desigualdades. Mas é melhor do que morrer num corredor do SUS.

O regressismo terceiro-mundista, que no último ano acometeu os Estados Unidos, foi detido. Chega de rombo fiscal. Chega de estatizar companhias falidas. Chega de financiar montadoras de carros. Chega de pacotes para o setor público. Chega de aumentar os impostos das empresas poluidoras. Chega de multilateralismo. Depois da posse de Barack Obama, até Lula se sentiu legitimado a teorizar sobre o capitalismo americano. Ele mesmo: Lula. A surra que os republicanos deram nos democratas, em Massachusetts, poderá conter o bolor bananista. Chega de Lula teorizando sobre o capitalismo americano.

Quando os Estados Unidos bandearam para a direita, nós também bandeamos. Melhor para nós. O programa eleitoral de Barack Obama, comemorado em todos os cantos do planeta, já foi enterrado. O aquecimento global é tratado com chacota. A temperatura média nos Estados Unidos diminuiu na última década: o maior poluidor do mundo está esfriando. No Haiti, os americanos atropelaram a ONU e militarizaram as áreas arrasadas pelo terremoto, salvando centenas de milhares de pessoas. O corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos é mais útil do que qualquer ONG. Até na América Latina a esquerda está encrencada. Hugo Chávez deflagrou uma guerra contra o PlayStation. E Lula está sendo apagado da memória. A média de espectadores de Lula, o Filho do Brasil foi menor do que a dos jogos do Macaé. Dilma Rousseff, sua candidata presidencial, está destinada à derrota. Porque ela, como Lula, personifica o passado. De fato, ela se assemelha cada dia mais à minha tia Clélia:

Quanto tempo Dilma Rousseff ainda poderá durar? Menos de um ano. Menos do que Barack Obama.

tia-clelia

Por Reinaldo Azevedo
 

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