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Daniel Seidel

07/10/2010

às 6:17

Petista infiltrado em comissão da CNBB dá declaração a favor de Dilma e contra Serra como se falasse em nome de católicos

Vamos botar as coisas nos seus devidos lugares? Vamos!

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, órgão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), divulgou uma nota ontem à noite condenando o que chamou de “uso eleitoral da fé cristã”. Sei, sei… Transcrevo alguns trechos. Não percam o que vem depois:

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO
“A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília.
(…)
Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.
(…)
Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.
(…)
Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Voltei
Em primeiro lugar, a Justiça e Paz, como órgão da CNBB, fala, no máximo, em nome da CNBB, não de todos os cristãos. Mas, até aí, tudo bem. O que os blogs explícitos do PT e outros nem tão explícitos reproduziram não foi tanto o conteúdo da nota, mas este trecho de uma reportagem de João Domingos, da Agência Estado:
“Para o secretário-executivo da Comissão Justiça e Paz, Daniel Veitel, Dilma foi a única candidata que se declarou claramente a favor da vida. ‘O José Serra (presidenciável do PSDB) não tem uma posição clara’, criticou. Veitel lembrou que a CNBB não impôs veto a ninguém nas eleições. Afirmou ainda que alguns grupos continuam induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem nisso.”

Não existe nenhum “Veitel” na Comissão. O repórter errou o nome do secretário-exectuvo. Trata-se de Daniel Seidel — na verdade, Carlos Daniel Dell Santo Seidel. Taí! Eis um homem que sabe tudo sobre uso político da religião.

Daniel Seidel: contador, especialisa em psicodrama, petista, usa camisa amarela e gravata multicolorida

Daniel Seidel: contador, especialisa em psicodrama, e petista, ele usa camisa amarela com gravata multicolorida e coruscante

O bom de a gente ter um blog com milhares de leitores — os blogueiros de aluguel não sabem o que é isso — é que tem, também, milhares de repórteres. Igor Veltman me manda este link, do site Às Claras, que traz a prestação de contas de Seidel. Prestação de contas?

É! O valente foi candidato a deputado federal pelo Distrito Federal em 2002. Pelo PT, é claro! Por isso ele diz que Dilma é a “única candidata que se declarou claramente a favor da vida” e que “José Serra não tem posição clara”. Como bom petista, mas péssimo cristão, ele vê a verdade pelo avesso.

Pergunta Igor: “Que credibilidade tem um candidato, um político do PT, para dar declarações como essa, que circulam como se fossem a palavra da CNBB?” A resposta está na pergunta, meu caro! Nenhuma! A história é sempre a mesma. Estão em todos os lugares. São uma legião!

Em homenagem a Seidel, o vídeo em que Dilma “se declarou claramente a favor da vida”. Volto para encerrar.

Que coisa, hein!? Segunda desmascarada em sete horas! Primeiro foi a “mulher (!!!) da TFP” no encontro das oposições, como se isso existisse. Agora, o candidato frustrado do PT se fazendo de cristão indignado. Espero que a direção da CNBB puxe a orelha do rapaz e lhe aplique ao menos a penitência do silêncio obsequioso, depois do pedido de desculpas, é claro!

Por Reinaldo Azevedo

 

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