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Crise nos EUA

15/10/2013

às 22:28

Fitch afirma que pode cortar rating AAA dos EUA

Na VEJA.com:
A agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou o rating AAA dos Estados Unidos em revisão para possível rebaixamento. A perspectiva do rating já era negativa. A Fitch afirmou que espera definir a nota até, no máximo, o fim do primeiro trimestre de 2014. Contudo, frisou que essa decisão vai depender dos avanços de um acordo sobre o aumento do teto da dívida americana. Nesta terça-feira, as negociações foram paralisadas depois que um projeto elaborado pelos republicanos da Câmara dos Representantes foi vetado pela Casa Branca.

 ”Apesar de a Fitch continuar acreditando que o teto da dívida será elevado em breve, as disputas políticas e a flexibilidade financeira reduzida podem aumentar o risco de um default”, disse a agência, em relatório, afirmando que o Tesouro pode ser incapaz de fazer o pagamento do serviço da dívida do país aos seus credores, sobretudo a China.

 A agência destacou que as negociações prolongadas sobre o limite de endividamento do país colocam em risco a confiança no papel do dólar como moeda de reserva global, ao lançar dúvida sobre a estabilidade do crédito dos EUA. “Essa confiança é o principal motivo pelo qual o rating máximo dos EUA pode tolerar um nível de dívida pública substancialmente mais alto do que outros ratings triplo A”, explicou a Fitch. Segundo a agência, o rating AAA do país reflete a força da economia e os fundamentos do crédito americano. Porém, a revisão negativa mostra que os riscos podem prejudicar tais fundamentos e levar a um rebaixamento.

 A Fitch afirmou que o fracasso do governo em honrar juros e principal de pagamentos levaria a um rebaixamento dos EUA para default restrito (DR) até que a situação seja resolvida. “No caso de um acordo para elevar o teto da dívida e resolver a paralisação, o que a Fitch espera que ocorra, a revisão do rating levará em conta a forma e a duração do acordo e o risco de um episódio semelhante ocorrer no futuro”, afirmou a agência.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2012

às 6:45

Dilma não vê “luz no fim do túnel” da crise

Na Folha:
Diante de 23 governadores, a presidente Dilma Rousseff traçou um cenário preocupante para a crise internacional ao afirmar que ela tende a “se agravar” e que ainda não há luz no fim do túnel.”A luz no fim do túnel não está acesa. Isso tudo nós devemos à Zona do Euro e também à não recuperação dos Estados Unidos. É isso que leva o governo a aumentar as medidas para enfrentar a crise”, disse a presidente. Dilma chamou atenção para a eleição de amanhã na Grécia, que pode levar o país a deixar o euro.

“A crise é profunda e pode se aprofundar mais ainda com a eleição”, afirmou ela durante a reunião no Palácio do Planalto em que anunciou uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para investimentos nos Estados — mais uma medida para alavancar a economia brasileira. O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou, em tom de brincadeira e de alerta, que havia, sim, luz no fim do túnel, mas que poderia ser uma locomotiva vindo no sentido contrário devido à posição não cooperativa de bancos e países desenvolvidos.

Dilma afirmou ainda que o país não pode crescer “por soluços” e que está tomando medidas para garantir a retomada do crescimento, como a redução das taxas de juros. Ela aproveitou para citar frase do ex-ministro Delfim Netto para tentar mostrar que, apesar da crise, o Brasil está numa posição mais favorável. “Nós somos o último peru com farofa de Ação de Graças do mundo. Como ainda temos uma elevada taxa de juros, temos massa de manobra, que é a nossa ferramenta de enfrentamento dessa crise.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2011

às 6:21

Europa e EUA às portas da recessão

No Globo:
A recuperação econômica global está perdendo fôlego, deixando a zona do euro presa a uma leve recessão e os Estados Unidos com risco de seguir esse caminho, afirmou, nesta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) ao reduzir suas projeções para a economia global. O organismo prevê que esta cresça 3,8% este ano e 3,4% em 2012 — contra projeções anteriores de 4,2% e 4,6%, respectivamente. Ainda assim, as bolsas de valores fecharam em alta de até 5%, devido à expectativa de que os ministros de Finanças da zona do euro, que se reúnem hoje, cheguem a um acordo sobre a implementação do fundo de resgate do bloco.

Fazendo eco à OCDE, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que todos os ratings soberanos da zona do euro — e, possivelmente, os da União Europeia (UE) — estão em risco se não forem tomadas medidas de curto prazo para lidar com a crise da dívida. A Moody’s disse que essa análise deve ser completada no primeiro trimestre de 2012.

E, no início da noite desta segunda-feira, a Fitch informou ter revisado a perspectiva dos EUA de estável para negativa, o que implica um possível rebaixamento. A agência atribuiu sua decisão ao fracasso do Supercomitê em reduzir o déficit do país. Pela Fitch, a nota americana ainda é “AAA”.

A revisão da Fitch eleva a pressão sobre Barack Obama, que, nesta segunda, se reuniu com os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Obama teme o contágio da crise europeia. “Eu disse a eles que os Estados Unidos estão prontos para ajudá-los a resolver essa questão. Isso é de enorme importância para nossa economia”, disse Obama à imprensa, depois do encontro, na Casa Branca.

Ele não especificou que tipo de ajuda os EUA poderiam dar, já que o país enfrenta problemas com seu déficit orçamentário. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já tem recursos suficientes para ajudar a Europa, sugerindo que os EUA não entrariam com dinheiro.

Durão Barroso garantiu que a Europa está tomando medidas para resolver a crise. Mas ressaltou que as economias de EUA e União Europeia (UE) são interdependentes: “Enfrentamos o desafio comum de controlar o endividamento ao mesmo tempo em que retomamos o crescimento e criamos empregos. Não é uma tarefa fácil em qualquer lado do Atlântico”, afirmou.

Bolsas sobem 5,5% em Paris e 2% em SP
Segundo a OCDE, a zona do euro já entrou em recessão e praticamente não crescerá em 2012, tendo expansão de apenas 0,2%. Os EUA cresceriam 1,7% este ano e 2% em 2012. Já a expansão da Alemanha, a maior economia da Europa, despencaria de 3% para 0,6% no ano que vem.

O relatório da OCDE ressalta que haverá algum impulso graças aos emergentes, mas, mesmo assim, a queda no comércio global vai afetar a China. O crescimento da economia chinesa deve desacelerar de 9,3% este ano para 8,5% em 2012. As projeções para o Brasil são de expansão de 3,4% este ano e 3,2% em 2012, abaixo da economia global.

A OCDE advertiu que um “evento negativo” na zona do euro (como a desintegração da moeda única) poderá provocar uma contração global. O economista-chefe da organização, Pier Carlo Padoan, disse que o cenário pode melhorar “se forem tomadas medidas decisivas rapidamente”, como o aumento da capacidade do fundo de resgate da região e uma atuação maior do Banco Central Europeu (BCE).
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Por Reinaldo Azevedo

14/08/2011

às 6:05

“O governo brasileiro terá de se dobrar à realidade”

Por Leandro Modé, no Estadão:

O ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore mal conseguiu dormir nas noites que se seguiram ao rebaixamento da nota de crédito do governo dos EUA. A perda de sono resultou não apenas das preocupações com a piora do cenário global após a decisão da agência Standard & Poor”s, mas, principalmente, da dedicação para entender a complexa conjuntura global. Em momentos como o atual, consultores econômicos como ele são demandados como nunca pelos clientes.

Por mais complicada que seja a situação, eles precisam dar respostas que ajudarão bancos, empresas e até mesmo pessoas físicas a embasar decisões que movimentam cifras enormes. Ainda de olhos vermelhos, fruto das noites quase em claro, Pastore conversou com o Estado em seu escritório, na zona oeste de São Paulo, na tarde de quinta-feira. “Essa foi a primeira das últimas noites em que realmente dormi bem, de tão cansado que estava.” Para Pastore, o que ocorre hoje é parte da crise iniciada em 2008. E o cenário básico traçado por ele não é dos mais animadores, inclusive para o Brasil. “No quadro que vejo hoje da economia mundial, o Brasil vai crescer menos. E o governo vai ter de se dobrar à realidade. Não há o que fazer. Se tentar escapar disso, vai gerar desequilíbrios”, afirmou. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que significa a diminuição da nota dos EUA para a economia global?
O rebaixamento da nota dos EUA é um episódio menor. Se só ele tivesse ocorrido, o dólar teria se desvalorizado e teria havido uma subida da taxa de juros americana. Só que ocorreu o contrário. Ou seja, há algo mais. No caso, a Europa, cuja percepção de risco cresceu mais que a americana. Para ter um entendimento completo disso, é preciso olhar para duas crises paralelas. A dos EUA, que já vem de algum tempo, mostra que a capacidade de o país crescer é muito menor do que o mercado pensava.

Por quê?
A crise de 2008 – esta, aliás, é a continuidade daquela – produziu uma destruição de riqueza que nunca aconteceu. Quando a riqueza cresceu durante a bolha, as famílias se endividaram gastando renda futura. Em outras palavras, o grau da alavancagem atingiu níveis sem precedentes – 130% da renda disponível. O estouro da bolha e a crise de 2008 fizeram a riqueza das famílias voltar ao nível em que estava antes de a bolha se formar. Só que o grau de endividamento ficou muito mais alto. Significa que é preciso poupar para pagar as dívidas. É o chamado processo de desalavancagem. (Kenneth) Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, chamou a atenção para isso, ao falar em grande contração, e não grande recessão. O erro das pessoas foi achar que se tratava de uma recessão como as passadas.

E quando elas se deram conta de que não era?
Houve três episódios que fizeram essa percepção aumentar. O primeiro foi quando Obama teve de negociar o limite da dívida dos EUA. Ficou patente que ele perdeu o grau de liberdade na execução da política fiscal. O segundo ponto foi o fim do QE2 (quantitative easing, na sigla em inglês, que na prática significa injeção de dinheiro na economia por meio do banco central). Na sequência desses dois episódios, veio a revisão dos dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mostrou que a recuperação havia sido muito frágil. A rigor, o PIB dos EUA ainda não voltou ao nível pré-crise. Se não houvesse a questão da Europa, isso deveria ter produzido uma mudança nos preços das ações, que deveriam ter caído.

E a Europa?
A crise europeia é, ao mesmo tempo, uma crise de dívida soberana e um potencial de crise bancária. As duas coisas sempre vêm juntas, como mostra um livro de Rogoff e Carmen Reinhart (Oito Séculos de Delírio Financeiro: Desta Vez é Diferente). Há vários tipos de contágio envolvidos. Há países insolventes, como Grécia, Irlanda e talvez Portugal, e países com dívidas grandes, casos de Espanha e Itália, que começaram a receber contágio dos menores. Segundo Rogoff, esse tipo de crise se resolve de três formas: ou se faz uma reestruturação ordenada das dívidas, ou se tem inflação ou acaba em default (calote).
(…)
E o Brasil?
Deve olhar isso tudo com muita cautela. Pode acontecer no mundo uma coisa extrema. Se houver a solução crítica, desordenada, será reproduzido, em tese, o que houve na fase pós-quebra do Lehman Brothers. Cai comércio mundial, desabam preços das commodities, PIB do mundo e do Brasil caem. Nesse caso, o Brasil terá de reagir de forma semelhante a 2008. Semelhante, frise-se, não igual. Teremos de usar dinheiro das reservas para financiar exportações e comprar recebíveis, reduzir compulsórios se houver empoçamento de liquidez nos bancos. Podemos usar melhor o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para evitar prejuízos. Ainda assim haverá desaceleração mais forte. Em um caso desses, seria preciso baixar a taxa de juros. Mas não é preciso fazer isso no pressuposto de que pode acontecer. Tem de fazer se acontecer.

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E a China?
Não adianta dizer que a China vai salvar o mundo porque é um país que está neste globo, não em Marte ou em Vênus. Se EUA e Europa desaceleram, a China desacelera, por mais que a gente ache que a China é um fenômeno inexplicável. Em resumo, desacelera todo mundo e desacelera o Brasil. Com isso, há uma força desinflacionária aqui. Tudo o mais constante, a primeira providência será o Banco Central interromper a alta dos juros e ficar em compasso de espera. Se tiver de baixar, baixa. Independentemente da velocidade que baixe, quando o mercado perceber que entrou em um ciclo de queda, a curva de juros já inclina negativamente, de forma que o BC não pode e não deve ser precipitado nessa redução. Deve ir com cautela. Digo isso explicitamente para não dizerem que estou defendendo redução amanhã. Como, aliás, um bando de gente tem feito.

(…)
Como deve reagir o governo?
Nesse cenário, por que eu defendo que uma reação do governo se dê no campo monetário, e não no fiscal? Em primeiro lugar, porque o campo fiscal já está suficientemente desarrumado. E ficou provado no mundo que a tal reação keynesiana, que muitos economistas têm defendido também no Brasil, provocou tudo isso que estamos vendo nos EUA e na Europa. (John Maynard) Keynes (considerado o mais importante economista do século 20) nunca escreveu que essas políticas levariam ao aumento da dívida pública. Ele nunca prestou atenção a esse fato. O mundo provou depois que déficits aumentam a dívida.

Em se confirmando esse cenário, o Brasil vai crescer menos. Só que o governo brasileiro tem a meta de crescer 4,5% ao ano. Não dá para cumprir essa meta nos próximos anos?
Não vou dizer que vai ou não vai, porque lá pelas tantas a Europa pode resolver seu problema. Mas, no quadro que vejo hoje da economia mundial, o Brasil vai crescer menos. E o governo vai ter de se dobrar à realidade. Não há o que fazer. Se tentar escapar disso, vai gerar desequilíbrios. Ou na conta corrente ou na inflação ou no endividamento. De alguma forma, será algo que trará custos mais adiante.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2011

às 5:49

Obama propõe corte de impostos e pacote de obras contra crise

Por Luciana Coelho, na Folha:
O presidente Barack Obama escolheu uma fábrica em Michigan para fazer seu discurso mais assertivo desde que a crise econômica nos EUA se agravou, prometendo medidas semanais para criar empregos e “pôr dinheiro nos bolsos dos americanos”. O rompante de populismo -ele se distanciou da “política de Washington” e apelou para o patriotismo- vem no momento em que os mercados pedem ação para evitar outra recessão e as expectativas da população em relação ao futuro da economia dos EUA despencam. Ontem, Obama disse que proporá a extensão de cortes do Imposto de Renda na fonte para a classe média, que expiram neste ano, e de benefícios para desempregados -economistas temem que o fim dos estímulos federais piore o quadro econômico.

O democrata também exortou o eleitorado a pressionar o Congresso para aprovar acordos de livre-comércio que estimulem a exportação e propôs um programa de construção de estradas.  Pesquisa do “New York Times” mostra que o desemprego, em 9,1%, é a prioridade para 70% da população. A mudança de tom e a tentativa de elevar o moral da plateia ficaram claras na visita a uma fábrica de baterias. “Não existe país que não queira trocar de lugar conosco”, disse. “Não há nada errado com nosso país. Mas há com nossa política.”

FRUSTRADO
O presidente voltou a culpar a oposição pelo fracasso em fechar um pacote fiscal eficaz para conter a dívida pública e, em um aceno à ala à esquerda, enfatizou que essa falha suga recursos e margem política para medidas de estímulo ao crescimento. Obama, que perde popularidade, tem sido bombardeado pela oposição e pela base progressista por sua lentidão em agir e inépcia em se comunicar com a população. O discurso de ontem, porém, fez lembrar o político em campanha em 2008 e dois de seus antecessores democratas muito mais hábeis em se equilibrar entre o público e as contas, Bill Clinton e Franklin D. Roosevelt. “[A crise da dívida] não ocorreu porque não podemos pagar as contas, mas porque Washington é incapaz de resolver problemas.” E subiu a voz: “Por isso as pessoas estão frustradas. Por isso eu estou frustrado”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2011

às 5:47

Obama sai de férias em meio a crise e atrai críticas

Por Luciana Coelho, na Folha:
Diante do que ameaça se transformar em um segundo mergulho dos EUA na recessão, dificuldades com o Congresso, insatisfação popular e críticas da direita e da esquerda pela falta de presença de espírito para lidar com os problemas, Barack Obama decidiu tirar férias. O anúncio engrossou o coro de críticas na mídia ontem contra a falta de presença de espírito do presidente. Na véspera, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, confirmara que Obama planeja passar uma semana em Martha’s Vineyard, um balneário de luxo em Massachusetts, no fim de agosto.  “Não acho que o público vá se ressentir de o presidente querer passar um tempo com a família”, disse Carney, ressalvando que ele continuará trabalhando.A popularidade de Obama atingiu o pico de baixa neste mês, 40% pelo Gallup.

A oposição usa a crise para propagar a ideia de que falta pulso ao presidente, mas essa imagem tem sido evocada com mais frequência por correligionários e comentaristas progressistas. “A incapacidade dele de pegar em um microfone e espontaneamente dirimir os medos dos americanos é esquisita”, escreveu Maureen Dowd, do “New York Times”.  No fim de semana passado, após os EUA terem sua nota rebaixada pela primeira vez por uma agência de avaliação de risco e perderem 30 soldados em um ataque no Afeganistão, Obama passou o fim de semana em retiro. Antes de ir à praia, o presidente fará uma turnê pelo Meio-Oeste do país, duramente afetado pela crise.

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2011

às 13:58

Não haverá catástrofe nenhuma na economia brasileira

José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, publica um artigo no Estadão de hoje intitulado “O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe”. Ele faz uma análise dos efeitos da atual crise na Europa, nos EUA e no Brasil e afirma que o nosso país certamente sofrerá o impacto das dificuldades que enfrentam os países ricos, mas que não há nenhum desastre à vista. Segundo Serra, existem fragilidades na economia brasileira que já estavam dadas, e elas estão relacionadas a escolhas feitas aqui dentro. Seguem trechos.

*
Não é possível prever a extensão e a profundidade do mergulho das economias da Europa e dos EUA, mas se pode esperar, no mínimo, uma estressante instabilidade financeira, ao lado da inflexão para baixo no crescimento da economia mundial. No caso dos EUA, o impasse político sobre os limites do endividamento público ocorreu quando a economia apresentava sinais de fraqueza. A política monetária frouxa e a desvalorização do dólar nos últimos anos mostraram-se incapazes de reativar a demanda e o crescimento de maneira sustentada.

Paralelamente, o governo Obama não conseguiu promover uma expansão do gasto público que tivesse efeitos multiplicadores poderosos sobre os investimentos e o emprego, como num modelo keynesiano básico. O aumento do déficit e da dívida desde 2008 resultou em grande medida da absorção da dívida do setor privado. Agora, a simples perspectiva de cortes (suaves) naquele gasto piorou as expectativas em todo o mundo. Note-se que a guerra política no Congresso vai piorar até o fim do ano eleitoral de 2012.

Na Europa, a crise é pior do que nos EUA e é diretamente proporcional às vicissitudes causadas pela implantação da moeda comum. A política monetária tornou-se única, nas mãos do Banco Central Europeu (BCE). No entanto, a mobilidade de capital e trabalho na área é baixa, o que exigiria um grande orçamento (ou fundo de estabilidade) para amortecer os possíveis choques assimétricos nos países-membros. Mas a política fiscal (impostos, gastos e dívida pública) não foi unificada e continuou sendo um assunto de cada país.
(…)
E o Brasil? Sua economia, nos últimos anos, exibiu um crescimento dentro da média da América Latina, abaixo da Ásia e acima dos centros desenvolvidos. Isso foi conseguido devido à excepcional performance das exportações de matérias-primas e alimentos, na quantidade e, principalmente, nos preços. Nunca antes na história deste país os preços das exportações brasileiras cresceram tanto durante um período tão prolongado.

O estilo de desenvolvimento brasileiro tem combinado aspectos curiosos. O sistema financeiro privado é relativamente sólido. A taxa de juros é a mais alta do mundo, não obstante os riscos de crédito e câmbio terem declinado. A enorme diferença entre os juros domésticos e os internacionais apreciou a taxa de câmbio como em nenhum outro país, prejudicando as exportações de manufaturados e favorecendo suas importações. A carga tributária é a maior dos países emergentes, mas a poupança governamental é baixa. A taxa de investimentos é pequena em razão dessa reduzida poupança e da falta de oportunidades (rentáveis) de investimentos do setor privado, principalmente na indústria. O consumo se expandiu a um ritmo bem superior ao do PIB. Há uma marcha forçada de desindustrialização em razão do câmbio e da carga tributária. O saldo da balança comercial tem caído apesar do “boom” de preços, e o déficit em conta-corrente cresceu rapidamente, junto com o passivo externo do país. Devido aos juros muito altos e ao real supervalorizado, vão se multiplicando os subsídios fiscais ao setor privado, sem planejamento nem controle da eficácia. Em suma, trata-se de um “modelo” de crescimento que não é sustentável por muito tempo, embora, a curto prazo, exiba indicadores razoáveis de emprego, renda e consumo, além de bons negócios nas áreas financeira e de commodities.

Os atuais transtornos das economias no Norte vão estressar esse modelo, mas não necessariamente se afigurarão catastróficos para a economia brasileira. Tanto quanto é possível prever, pode haver retração, mas não colapso, numa variável-chave, que são os preços das commodities, indexados ao dólar. O compromisso do Federal Reserve de manter a taxa de juros no chão por mais dois anos manterá o dólar fraco. O imenso diferencial de juros continuará atraindo dólares e pressionando o valor do real para cima, talvez com mais força, em razão do encolhimento adicional de oportunidades nas economias centrais. A agressividade dos países exportadores de manufaturados deve tornar-se mais feroz ainda, competindo com as exportações brasileiras e assediando nosso mercado interno. Em suma, haverá a manutenção ou reforço de algumas das condições do estilo de desenvolvimento acima esboçado – para mim, frágil – num contexto de menor dinamismo do crescimento.
Para ler a íntegra, clique
aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2011

às 6:33

Mais uma vez, o fim do capitalismo está próximo!

Ah, a esperança das esquerdas é a última que morre — e, naturalmente, muita gente, muitos milhões, morre primeiro, é claro! Elas nunca mediram nem esforços nem vidas para fundar o “novo homem”. Desta vez,  o capitalismo estaria mesmo caminhando para seu epílogo. Se não isso, ao menos o sistema estaria frente a frente com a sua miséria moral.

Na Folha de hoje, por exemplo, embora não revele a origem, o colunista Ricardo Mello citou um trecho do “Programa de Transição”, do socialista russo Leon Trostky, publicado em 1938, para retratar o drama a que o mundo estaria assistindo. Calma, Ricardo! Menos! Ele achou que este trecho sintetiza bem a realidade que vivemos:
“As crises conjunturais, nas condições da crise social de todo o sistema capitalista, sobrecarregam as massas de privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e mina os sistemas monetários estremecidos. Os governos, tanto democráticos quanto fascistas, vão de uma bancarrota a outra.”

Não que eu não tenha certa nostalgia do tempo em que os jornalistas citavam Trotsky em vez de Luiz Inácio Apedeuta da Silva… Até tenho. Mas não cabe. Ainda que Trotsky realmente tivesse tido um delírio antecipatório, teria sido, assim, uma coincidência. Recomendo que Ricardo releia a Quarta Bucólica, do poeta latino Virgílio. Não foram poucos os que asseveraram, ao longo dos séculos, que Virgílio anteviu a vinda do Messias. Pois é. Em vez de poeta, seria um profeta! Virgílio morreu no ano 19… ANTES de Cristo. Ao ler um trecho do seu poema, tenho certeza de que Ricardo vai considerar que ele era um adivinho mais agudo do que Trotsky. Querem ver (na tradução de Pércles Eugênio da Silva Ramos)?

Também já volta a Virgem, volta o reino de Saturno;
uma nova progênie desce dos mais altos céus.
Casta Lucina, ampara, que já reina o teu Apoio,
o menino que está nascendo: a geração de ferro
com ele findará, ao mundo vindo a raça de ouro
.
Sendo tu cônsul surgirá a glória dessa idade,
Pólio; sob teu poder começarão os grandes meses.
Se o nosso crime deixou traços, nada valem eles,
que de um terror perpétuo livrar-se-ão todas as terras.

Terá a vida dos deuses o menino, que os verá
no meio dos heróis, e será visto em meio a eles,
regendo com as virtudes de seu pai um mundo em paz.
Sem trato algum, menino, a terra te oferecerá
como primícia as heras que se alastram, mais o bácar,
e as colocásias misturadas ao ridente acanto.
Por si, cheias de leite, as cabras voltarão ao aprisco,
e os rebanhos não mais terão pavor dos grandes leões.
Teu próprio leito cobrir-te-á de cariciosas flores;
morrerá a serpente, e a planta de falaz veneno
morrerá;
e aqui e ali há de crescer o amorno assírio.
Assim que as proezas dos heróis e os feitos de teu pai
puderes ler, e discernir o que a virtude seja,
o campo dourar-se-á, aos poucos, com a tenra espiga,
dos incultos silvados penderá, vermelha, a uva,
e os duros robles suarão um orvalhado mel.
Mas do delito antigo restarão poucos vestígios (…)

Se isso não era o anúncio da vinda do Messias,  o que poderia ser? E, no entanto, não era!!! O monumental poeta só estava puxando o saco de Marco Antônio e Otávio, os litigantes do Segundo Triunvirato. Otávio levou a melhor no fim da história.

Apesar de tanto sofrimento no mundo, que levou o colunista a associar o mundo de 2011 àquele de 1938, às vésperas da Segunda Guerra, é preciso dizer: os homens nunca viveram tanto e tão bem, e as conquistas tecnológicas jamais chegaram às massas com tanta rapidez. “Mas como pode haver ainda tanta iniqüidade?” Essa é a pergunta que nos fazemos desde que o mundo é mundo, e isso não quer dizer que tenhamos, como espécie, ficado na pura perplexidade. Ao contrário: a democracia (não o socialismo) e a luta por liberdade (não por igualdade) têm criado, a cada dia, um mundo… melhor! A liberdade induz o homem à justiça.

O “modelo” que aí está — que agora parece tão perverso — financiou um formidável avanço técnico; nunca se caminhou tanto em tão pouco tempo. Estamos, de fato, assistindo a uma revolução. Milhões de pessoas foram retiradas da miséria na Ásia, na América Latina e até na África. Nos países em que não se pôde avançar mais, o freio veio do déficit de liberdade, não da pouca vontade de implementar a “igualdade”. Quando, em nome desta, tolhe-se aquela, produzem-se ditadura e miséria.

A “crise” do sistema capitalista é só uma crise de liderança. Indivíduos fazem a diferença na história. A safra de líderes dos EUA e da Europa é a pior em muitas décadas. O capitalismo sobreviverá e continuará a tirar milhões da miséria. Precisamos é tomar cuidado com a democracia. Esta, sim, vive dias de crescente desprestígio.

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2011

às 17:02

BC americano prevê economia mais fraca e mantém juro baixo

Da Agência Estado:
O banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) manteve a taxa de juros do país inalterada – de zero a 0,25% ao ano – por pelo menos mais dois anos. Segundo comunicado divulgado ao final da reunião, a decisão não foi unânime – sete membros do comitê votaram a favor e três contra, o que causou espanto no mercado.

“Embora outros bancos centrais (como o da Inglaterra) costumem ter várias dissensões, três dissidentes no Fed é bastante raro”, diz Dan Greenhaus, da corretora BTIG. “Fiz apenas uma rápida revisão, portanto posso ter deixado passar algo, mas houve três dissidentes em outubro de 1992 e fevereiro de 1990. Mesmo que tenhamos perdido uma ou duas ocasiões, três dissidentes no Fed é algo bastante perto de um motim”, afirmou.  As bolsas oscilaram após a decisão, mas voltaram a subir.

O documento informa ainda que o Fed vê a economia ‘consideravelmente mais lenta do que o esperado’, com deterioração do mercado de trabalho. O Federal Reserve também alertou que o desemprego vai diminuir apenas gradualmente e os riscos de queda para a perspectiva econômica aumentaram. Leia aqui a íntegra da decisão do Federal Reserve.

Embora o Fed não tenha anunciado nenhum passo ousado para comprar mais bônus – esperado por alguns participantes do mercado – a decisão de manter o juro perto de zero pelo menos “até meados de 2013? deve ajudar a manter o custo dos empréstimos baixos nos EUA.

Bolsas oscilam
Do G1:
Depois de passar grande parte do dia operando com ganhos significativos, as bolsas de valores reagiram mal logo após o comunicado do Federal Reserve (Fed) divulgado nesta terça-feira (9), e perderam parte dos ganhos, com os indicadores dos EUA chegando a recuar mais de 1%. O pessimismo, no entanto, durou pouco. Por volta das 16h (horário de Brasília), as bolsas já se recuperavam.

O comunicado saiu às 15h15. Antes deste horário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a ter alta de mais de 4%, mas, às 15h48, a alta já havia caído para 0,72%, aos 49.018 pontos. Às 16h30, no entanto, o Ibovespa já subia 4,08%, para 50.654. O Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, subia 1,16%, enquanto o Nasdaq ganhava 2,12%, e o S&P 500,  1,81%.

Por Reinaldo Azevedo

09/08/2011

às 6:27

Bolsas asiáticas têm novo dia de perdas

No Estadão Online:
As bolsas asiáticas enfrentaram mais um dia de perdas nesta terça-feira, 9, após fortes quedas nos mercados europeus e em Wall Street na véspera. A alta de 6,5% do índice de preços ao consumidor da China em julho, acima do esperado pelos economistas, ajudou a acelerar as perdas dos índices na abertura. Ao longo do dia, porém, os mercados conseguiram se recuperar, o que não impediu que algumas bolsas da região encerrassem com baixas relevantes.

Os investidores seguem receosos de que uma nova desaceleração afete a economia dos Estados Unidos. Na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou os títulos de dívida de longo prazo norte-americanos. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 chegou a cair mais de 4% após a abertura, mas recuperou parte das partes e encerrou o pregão em baixa de 1,7%.

Em Seul, o pregão chegou a ser interrompido, quando a bolsa acumulava perdas próximas de 10%. O índice Kospi terminou o pregão com queda 3,6%, ainda assim o pior resultado desde setembro de 2010. A Bolsa da Sydney também oscilou fortemente, saindo de uma perda de cerca de 5% no início do pregão para um ganho de 1,2% no fechamento.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a segunda-feira em queda de 8,08%, mas chegou bem perto de ter os negócios interrompidos, o chamado circuit breaker. Isso aconteceria se o Ibovespa – índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa – batesse em uma perda de 10%. No pior momento do dia, a queda chegou a 9,73%.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 18:46

Após cair 9,7%, Bovespa fecha em queda de 8,08%, maior queda desde outubro de 2008

Na VEJA Oneline:
Em dia de grande tensão nas bolsas internacionais, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou o pregão com queda de 8,08%, para 48.668 pontos. Das 61 ações que compõem a carteira do Ibovespa, nenhuma encerrou os negócios desta terça-feira no terreno positivo. As ações ordinárias do frigorífico Marfrig recuaram 24,83%, cotadas a 9,02 reais, liderando as maiores baixas da bolsa. Na sequência, vieram os papéis da OGX Petróleo, do empresário Eike Batista, com declínio de 16,36%, a 9,20 reais. Em Nova York, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 recuaram 5,5%, 6,9% e 6,6%, respectivamente.

O principal indicador da bolsa brasileira reagiu negativamente ante o pânico instalado nos mercados internacionais com o anúncio do rebaixamento da nota da dívida soberana americana, na última sexta-feira, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Analistas ouvidos pelo site de VEJA apontaram que a notícia escancarou uma realidade que muitos preferiam ignorar: o de que a crise veio para ficar e que as maiores economias do planeta, às voltas com enormes dificuldades para administrar suas dívidas, crescerão pouco e por período prolongado.

Ações desabam – As operações no pregão estiveram perto de serem suspensas, pois, às 15:20, o Ibovespa chegou a atingir queda de 9,73%, a 47.793 pontos – a maior queda desde 22 de outubro de 2008. Caso o índice chegasse a -10%, as negociações teriam de ser paralisadas. É que um mecanismo de proteção chamado de circuit breaker estabelece a parada da bolsa por trinta minutos quando as perdas atingem esse patamar.

A Bovespa abriu o pregão desta quinta-feira já com acentuada retração de 4%. As perdas se avolumaram ao longo do dia, mas as quedas mais acentuadas se verificaram logo após o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em cadeia de televisão, quando reafirmou que a economia local é livre de risco, apesar do rebaixamento promovido pela S&P.

Risco menor
O vice-presidente do Itaú Unibanco, Marcos Lisboa, comentou nesta quinta-feira o pânico nos mercados. Na avaliação dele, não há risco de a turbulência “transbordar” para a economia real. “Já tivemos movimentos como esse em 2008. O Brasil está preparado”, afirmou em seminário sobre a nova classe média, em Brasília.

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu, também procurou tranqüilizar os investidores. “Estamos 200% atentos ao desenvolvimento (dos mercados). Estamos monitorando isso há algum tempo e o BC tem alertado sobre riscos da conjuntura internacional. O Brasil está mais preparado que em 2008″, declarou.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 16:32

Sarney aproveita a aula de Arnaldo Jabor sobre a crise americana e dá a moral da história

Quando um colunista da Folha Online chegou à conclusão de que o que faltou a Barack Obama foi um PMDB, Sarney esfregou as suas mãos antediluvianas e pensou: “Eu sabia! Um dia o meu trabalho em favor da estabilidade seria reconhecido…” E aí o homem pôs para funcionar aquela mente aguda, capaz de análises realmente surpreendentes, que nos conduz a paisagens ignotas do pensamento. Leiam o que informa Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Volto em seguida.

Sarney diz que negociações da dívida dos EUA foram “vergonhosas”
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), classificou nesta segunda-feira de “vergonhosas” as negociações nos Estados Unidos que resultaram na elevação do limite da dívida do governo americano. Sarney disse que o país deu um “péssimo exemplo” ao usar politicamente o episódio na disputa entre Democratas e Republicanos. “No momento de uma luta política visivelmente destinada já com olhos nas eleições do ano que vem, eles ofereceram ao mundo esse vergonhoso exemplo de que os partidos políticos sacrificam (…). Foi um exemplo nada construtivo e eles estão pagando caro por isso”, afirmou.

Segundo Sarney, a crise nos EUA é “artificial” e provocou consequências em todo o mundo. “A Europa está com problemas sérios. Em alguns países, há problemas de liquidez, como a Grécia, a Irlanda começa a ter esses problemas, Itália, a Espanha. Isso tudo os Estados Unidos tomando a decisão que tomaram tem repercussão na Europa.” O presidente do Senado disse que a disputa política em meio à crise ganhou força com o crescimento do Tea Party – a corrente mais conservadora do Partido Republicano – nos EUA.

O peemedebista disse não acreditar em impactos imediatos no Brasil nem no Congresso Nacional. “Em todos os momentos de dificuldades do país, temos encontrado um terreno comum no qual protegemos os interesses do país e abandonamos essa luta dilacerante de partidos. Assim foi na Independência, assim foi na República, assim foi em 1930 e assim foi em 1985.” Sarney disse que o Brasil está preparado para enfrentar a turbulência no mercado internacional. “Estamos absolutamente preparados. Isso não significa que não tenha conseqüência no Brasil qualquer grande crise mundial. Mas até o momento, essa crise ainda não está configurada”, afirmou.

Voltei
Sarney concorda com Arnaldo Jabor: “É tudo culpa do Tea Party”. O que faltou a Barack Obama? Ora, um Michel Temer, um Wagner Rossi, um Renan Calheiros, um Romero Jucá, essas expressões do “pensamento moderado” brasileiro, que tanto bem têm feito ao chamado “presidencialismo de coalizão”, com suas disposições para a negociação.

O presidente do Senado e do Congresso brasileiro nem mesmo sabe — talvez finja não saber; de fato, eu acredito na ignorância e no cinismo conjugados de Sarney — que a crise européia tem vida própria e não decorreu da americana, não. Os desacertos são coordenados, sim, mas o Tea party não tem nada a ver com a forma como a Grécia, a Espanha ou a Itália resolveram conduzir suas respectivas economias.

Quanto ao rebaixamento da nota dos EUA, decidida pela S&P, quem leu o relatório sabe que a agência — que também não é a voz de Deus, tanto que os títulos continuaram a ser negociados normalmente — considerou que o corte de gastos aprovado pelo Congresso, no acordo possível entre republicados e democratas, foi considerado pequeno, tímido, insuficiente. Ora, os democratas queriam cortar ainda menos… Ou por outra: se a turma de Obama tivesse vencido a parada e aprovado a sua proposta original, as razões para o rebaixamento seriam ainda mais evidentes. Ademais, na reta final, quem radicalizou o discurso e a posição foram os democratas.

Eu sei que Sarney parece desimportante. Sob muitos aspectos, é mesmo! Mas é o homem que preside o Congresso brasileiro. Ao investir nessa vigarice política e intelectual de acusar o confronto político dos EUA como o responsável pela crise mundial — e, nesse sentido, acaba endossando a análise de muitos bestalhões no Brasil —, investe, se querem saber, contra a VIRTUDE da política americana, não contra o DEFEITO.

De fato, tivesse Obama uns ministérios e umas estatais para distribuir; vigorasse nos EUA o “presidencialismo de coalizão” à moda brasileira, talvez não se chegasse àquela crise da dívida… A corrupção é que já teria levado a economia americana para o buraco. A propósito: foi o excesso de consenso na economia, que vem lá do governo Clinton e vigorou em boa parte do governo Bush, que levou os EUA à beira do precipício. Não fosse o Tea Party uma conseqüência da crise, eu diria que ele apareceu tarde demais. Faltou confronto. De certo modo, a esquerda republicana e a direita democrata, que  estão, na prática, no comando desde o governo Clinton, fizeram o papel de “PDMB”… Deu no que deu!

A fala de Sarney é menos inocente do que parece. Nosferatu está alertando para a importância de ser “prudente”, de se manter o ambiente da “negociação”, de evitar “radicalizações”… Os EUA estariam perdidos, mas o Brasil teria encontrado o caminho, sem “lutas dilacerantes”: na Independência, na República, em 1930… Foi assim que nos tornamos um país governado por uma casta de vampiros.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:19

Pérsio Arida: “Crise pode forçar queda nos juros”

Por David Friedlander, no Estadão:
Se a crise da dívida dos países ricos piorar e avançar para um movimento de aversão generalizada ao risco, o Brasil precisará baixar juros em vez de aumentar o gasto público. A opinião é do economista Persio Arida, sócio do Banco BTG Pactual, e ex-presidente do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Um dos economistas mais admirados do País, Arida diz que ainda é preciso avaliar melhor o cenário nebuloso em que se dá o repique da crise mundial, que envolve as dificuldades dos países europeus com suas dívidas e ganhou mais lenha na fogueira na sexta-feira, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor”s rebaixou a nota da dívida dos Estados Unidos.

Caso essa onda se transforme num movimento global de aversão ao risco, e as chances existem, a atividade econômica tenderá a diminuir no mundo, afetando o Brasil. “Se isso de fato acontecer, na minha opinião tem que contra-arrestar o efeito negativo diminuindo a taxa de juros e não aumentando o gasto público”, diz Arida. Em 2008, o país fez as duas coisas: baixou os juros e jogou um caminhão de dinheiro na economia.

Quais as consequências do rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos?
Primeiro há uma questão técnica sobre a nota, que é saber se houve um erro da Standard & Poor”s (S&P), como diz o governo americano, ou não. Do ponto de vista das expectativas dos mercados, a avaliação sobre esse possível erro faz uma grande diferença. Por outro lado, a longo prazo é de se esperar uma piora na qualidade da dívida soberana tanto dos Estados Unidos quanto dos países europeus. A consequência desse fenômeno deve se traduzir numa aversão generalizada ao risco, o que tende a implicar no desaquecimento da economia global.

Então, mesmo que o Brasil não esteja no centro da crise, ela deverá transbordar para cá...
Todo episódio de aversão ao risco afeta a propensão a investimento e, portanto, tem consequência de desaceleração. No Brasil, parte disso já está de alguma forma precificado no mercado futuro de juros. Mas, se de fato houver uma percepção de mercado muito negativa, é de imaginar que se passe a ter no Brasil um impacto negativo na atividade que poderia ser contra-arrestado ou por política fiscal ou por política monetária. O ideal para o País é que fosse contra-arrestado exclusivamente por política monetária.

O sr. está falando em baixar os juros?
Do nosso ponto de vista, o efeito da turbulência de curto prazo é sempre uma aversão generalizada ao risco e a atividade econômica tende a cair. Nesse sentido, entendo que a resposta ideal de política econômica é exclusivamente via política monetária e não via política fiscal, e muito menos de crédito. Tem que contra-arrestar o efeito negativo diminuindo a taxa de juros e não aumentando o gasto público.

É o oposto do que o governo vem fazendo…
O que estou dizendo é o seguinte: se de fato houver uma aversão generalizada ao risco, porque o que houve até agora foi queda de bolsa, muito forte, mas não necessariamente uma aversão generalizada ao risco, como é que o País deveria responder? Na minha opinião, via política monetária e não via política fiscal.

O sr. vê risco de rebaixamento de dívidas em cascata na Europa?
Ao longo do tempo é de se imaginar que toda dívida soberana desses países que resolveram o problema de excesso do endividamento privado transferindo parte da dívida para o setor público tenda a resultar em ratings (avaliações) piores. Portanto, não me surpreende como processo, como tendência de longo prazo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:15

G-7 promete liquidez para mercados

Por Jamil Chade e Andrei Netto, no Estadão:

Governos do G-7 e do G-20 (grupos dos países mais influentes do mundo) prometem uma queda de braço com os mercados diante de um verdadeiro dia de teste de estresse para a economia mundial. Após uma conferencia telefônica durante o fim de semana e conversas entre os principais líderes, o G-7 tentou dar sinais de que está pronto para agir. Prometeu liquidez aos mercados, coordenação em taxa de câmbio para não deixar o dólar desabar e indicou que não está disposto a ceder à especulação. Governos tentaram dar sinais de que continuam a apostar nos títulos da dívida dos Estados Unidos e que vão se armar para recuperar a estabilidade.

O G-7 também indicou que irá coordenar posições para evitar volatilidade nas moedas, em um sinal de que irá agir para manter o valor do dólar, como ocorreu nos últimos dias. Mas ontem mesmo, o dólar já perdia 1% em relação ao franco suíço e ao iene.

Temor
Os primeiros dados da economia asiática desta segunda-feira confirmaram os temores dos investidores de que um novo ciclo negativo aconteça a partir de hoje. Na semana passada, os mercados perderam em torno de US$ 2,5 trilhões. Para reverter o cenário, o G7 prometeu ontem adotar “todas as medidas necessárias para apoiar a estabilidade financeira e o crescimento”. “Estamos determinados a agir de forma coordenada cada vez que for necessário para garantir a liquidez e garantir o bom funcionamento dos mercados”, disse o bloco.

Em 2008, foi o congelamento de crédito dos bancos que acelerou a recessão depois da quebra do Lehman Brothers, que deu origem a crise global. Apesar das promessas, o grupo não indicou com clareza quais seriam essas medidas e apenas prometeu manter contato entre os ministros de Finanças “para garantir a liquidez e estabilidade dos mercados”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:13

Mercados enfrentam teste de estresse

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O rebaixamento das notas de risco dos Estados Unidos pela agência Standard & Poor”s, anunciado na sexta-feira, teve seu primeiro teste no mercado financeiro. A bolsa de Tóquio abriu em queda de cerca de 1%, atingindo o nível mais baixo desde 18 de março. As bolsas de Hong Kong, Xangai, Seul, Taiwan, Malásia e Cingapura também abriram em queda – depois de uma semana em que as bolsas do mundo inteiro viveram as piores turbulências desde o estouro da crise, em 2008.

Os contratos futuros de petróleo tiveram forte queda no começo dos negócios na Ásia, com investidores liquidando posições especulativas após a decisão da Standard & Poor”s. O rebaixamento evidenciou temores de que o consumo de petróleo nos EUA está diminuindo, ao mesmo tempo em que a China adota medidas de aperto monetário para desacelerar sua economia e controlar a inflação.

“Qualquer fato que traga a ideia de juros mais altos (nos EUA) tende a se traduzir em projeções de quedas ainda maiores na demanda por petróleo. Isso, por sua vez, leva a liquidações adicionais de posições compradas em petróleo”, disse Jim Ritterbusch, presidente da consultoria Ritterbusch & Associates. Ele acredita que os preços ficarão abaixo do nível de sexta-feira quando os mercados americanos abrirem hoje.

As bolsas de valores dos EUA devem dar vazão hoje ao trauma causado pelo rebaixamento da avaliação de risco do crédito americano de longo prazo. Ontem, autoridades da S&P defenderam a decisão, cuja credibilidade foi contestada pelo governo americano em função de um erro de cálculo de US$ 2 trilhões, em programas dominicais de televisão. Ao mesmo tempo, dois economistas consagrados apontaram o risco de uma nova recessão no país, empurrada pela redução da nota dos EUA e pela crise europeia.

Ao contrário dos dois domingos anteriores, quando o próprio presidente dos EUA, Barack Obama, fez pronunciamentos públicos para acalmar a abertura dos mercados acionários na Ásia, ontem a Casa Branca manteve-se calada. A única exceção foi a notícia de sua boa receptividade à decisão do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, de manter-se no cargo durante todo o período de campanha eleitoral de 2012. A iniciativa foi uma reação direta à oposição republicana, que exigira sua demissão depois da medida da S&P.

A permanência de Geithner deverá repercutir no movimento das bolsas de valores, assim como o próprio rebaixamento da nota dos EUA, já esperado pelos mercados em função das indicações anteriores da S&P. As bolsas devem oscilar também sob o peso das discussões dos ministros de Economia do G7, em uma conferência de emergência por telefone na noite de ontem, e de novas projeções para a atividade americana, depois do rebaixamento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2011

às 6:11

Crise internacional também é uma crise de liderança! O mundo derrete, e governantes estão… de férias!!!

Por Jamil Chade, no Estadão:

Os mercados desabam e Europa e Estados Unidos já temem uma nova recessão. Nos últimos dias, a crise obrigou chefes de governos e políticos a multiplicar ligações telefônicas, teleconferências e contatos para tentar coordenar uma posição comum. Mas o que chama a atenção de analistas, da imprensa europeia, de partidos de oposição e até do cidadão comum é que, ainda assim, os principais líderes optaram por não abandonar suas férias.

“Não há uma liderança. Não se sabe quem está no comando”, criticou o ex-presidente da Comissão Europeia Romano Prodi.

Agosto é o mês tradicional de férias na Europa. Parlamentos param e decisões são adiadas para setembro. Agora, descobriram que o mercado não entra de férias.

Mesmo com o pior resultado da bolsa de Paris em três anos e do risco país da França atingir recorde, o presidente Nicolas Sarkozy optou por continuar seu descanso no sul da França. Seu plano é ficar em um palacete da família de sua mulher na Riviera Francesa até o dia 24.

Outra que não retornou à capital foi a chanceler alemã, Angela Merkel. Para o principal partido de oposição – os sociais-democratas – a atitude de Merkel é “uma vergonha”. Em um comunicado, o partido pediu na sexta-feira que Merkel “cancele suas férias antes que os mercados a obriguem a fazer isso”. Quem também está gerando críticas por sua atitude é o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. Ele está na Toscana, enquanto seu secretário do Tesouro está na Califórnia.

Em um artigo publicado no Sunday Mirror, o líder da oposição, Ed Balls, acusou o governo de “complacência” por sua atitude de manter as férias. “Em outras épocas, o chanceler britânico estaria na ponta da mesa, coordenando uma resposta global.”

O ex-vice-primeiro-ministro, Lord Prescott, também criticou o comportamento do governo. “Isso é inacreditável”, disse. “Como é que o secretário do Tesouro, na Califórnia e com dez horas de diferença de horário, pode ter uma conferência telefônica com Londres sobre a crise?”

Coube a William Hague, secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, defender seu governo das críticas da oposição. “Estamos em permanente contato e todos estão trabalhando. Não estamos mais na Idade Média em que os líderes precisavam estar em suas capitais”, afirmou.

Imagem. Nem todos pensam assim. O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, já estava de férias e retornou para Madri diante da crise. Seu gabinete explicou que sua decisão tinha relação com sua percepção de que a imagem do líder deve ser a de que está no comando quando a crise é profunda.

Mas nem ele resistiu e, na sexta-feira, terminou uma reunião de emergência com seu gabinete oferecendo um jantar para comemorar o seu aniversário. Com bolo, velas e brinde. A Espanha é um dos países mais afetados pela crise, com 20% de desemprego.

O premier italiano, Silvio Berlusconi, também optou por não sair de férias. E tinha bons motivos para isso. O Banco Central Europeu indicou que apenas compraria os títulos de sua dívida se ele acelerasse em agosto a adoção de um novo pacote de austeridade.

Mas as maiores críticas têm sido direcionadas à Comissão Europeia. Seu presidente, o português José Manuel Barroso divulgou uma carta em que cobra os líderes da UE a adoção de um fundo de resgate, em uma atitude que demonstrou a dimensão da crise. Mesmo assim, Barroso preferiu não retornar para Bruxelas e manteve suas férias em Portugal. “O sr. Barroso está de férias como muita gente em toda a Europa”, disse Frederic Vincent, assessor de imprensa da UE e que está substituindo a porta-voz da UE, que também está de férias.

Quem foi obrigado a retornar para Bruxelas foi o comissário de Economia da UE, o finlandês Olli Rehn. Mas apenas por alguns dias. Segundo seu gabinete, a conexão de internet de Rehn, na Finlândia, é mais rápida que o de Bruxelas, na sede da UE.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2011

às 5:17

EUA tentam desacreditar S&P e buscam novo acordo político

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Com discrição, o governo de Barack Obama iniciou uma batalha nos bastidores com a Standard & Poor”s para fazê-la recuar de sua decisão de rebaixar a nota de risco de crédito de longo prazo dos EUA. O Departamento do Tesouro escuda-se no erro de US$ 2 trilhões nos cálculos dos gastos públicos feitos pela agência para colocar em xeque a credibilidade da decisão da S&P. Ontem, a agência de avaliação de risco mostrou-se inflexível.

A agência argumenta que o equívoco não é razão suficiente para alterar a nova nota dos EUA, AA+. “Um julgamento defeituoso, com um erro de US$ 2 trilhões, fala por si mesmo”, afirmou ontem um porta-voz do Tesouro, que preferiu não se identificar. “O foco primário continua no atual nível da dívida, a trajetória da dívida como uma parte da economia, e a aparente falta de disposição das autoridades eleitas em lidar com o panorama fiscal de médio prazo dos EUA”, afirmou a S&P, por meio de comunicado. “Nenhum desses fatores foram significativamente afetados pela suposta revisão do suposto crescimento dos gastos correntes e, portanto, não há impacto na decisão”, completou.

Nessa batalha, o governo preferiu emitir apenas uma declaração, na qual não mencionou diretamente a decisão da S&P. Por meio de comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou ter Obama insistido em um acordo fiscal mais amplo para a redução da dívida federal em longo prazo. O fato de o acordo sancionado na terça-feira ter envolvido um esforço fiscal de US$ 2,1 trilhão – não algo próximo a US$ 4 trilhões – pesou no rebaixamento da nota, segundo a S&P.

“Nas próximas semanas e meses, o presidente (Obama) vai encorajar fortemente o comitê fiscal bipartidário e os membros do Congresso a um compromisso comum para pôr a recuperação econômica mais forte e um melhor caminho de longo prazo na área fiscal acima das nossas diferenças políticas e ideológicas”, afirmou o comunicado.

Nem Obama, nem o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, fizeram declarações até o fechamento da edição. Colaboradores mais próximos municiaram a imprensa e os agentes de mercado com a reação oficial sobre a ausência de confiança e de credibilidade da avaliação da S&P. A única reação oficial partiu do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que culpou o partido democrata e a Casa Branca pelo rebaixamento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2011

às 5:15

China diz ter “todo o direito” de cobrar solução para dívida

Por Cláudia Trevisan, no Estadão:
Na condição de maior credor dos Estados Unidos, a China tem “todo o direito” de exigir que Washington enfrente os problemas estruturais de seu endividamento e garanta a segurança dos ativos em dólar controlados por Pequim, afirmou ontem editorial da agência oficial de notícias “Xinhua”, que também defendeu “supervisão internacional” sobre a emissão de dólares e a adoção de uma nova moeda global de reserva de valor.

O governo chinês usou palavras duras, dizendo que Washington precisa “curar seu vício em dívidas” e “viver com seus próprios meios”. O comentário foi uma resposta ao rebaixamento da nota de crédito norte-americana pela agência de classificação de risco Standard & Poor”s, anunciado sexta-feira.

A decisão e o prolongado impasse em torno do aumento do teto de endividamento dos EUA evidenciaram os riscos da política chinesa de acumulação de reservas internacionais, que atingiram em junho a estratosférica quantia de US$ 3,2 trilhões, dos quais 70% estão aplicados em ativos denominados em dólar.

As autoridades de Pequim temem a erosão do valor de sua poupança externa com uma eventual persistente depreciação da moeda norte-americana. O editorial de ontem refletiu a preocupação com a excessiva dependência do dólar e o papel dominante que ele desempenha no sistema financeiro global.

A adoção de uma “nova, estável e segura” moeda de reserva global “pode ser uma opção para evitar a catástrofe provocada por um único país”, sustentou o texto, que também criticou o impasse no Congresso em torno do teto de endividamento. “(Os EUA) deveriam abandonar as velhas práticas de permitir que a política doméstica eleitoral faça a economia global de refém e de contar com os bolsos dos principais países superavitários para sustentar seus déficits perenes”, afirma o editorial.

Falta de opção. A China lidera o ranking dos credores internacionais dos norte-americanos, com pelo menos US$ 1,16 trilhão em títulos emitidos por Washington. Apesar de toda a retórica de Pequim e da promessa de diversificação das reservas, é provável que o país continue a investir em bônus norte-americanos, por absoluta falta de opção.

A Europa também enfrenta problemas com seu nível de endividamento e o tamanho de seu mercado de títulos não é grande o suficiente para absorver a gigantesca demanda chinesa, que continuará em alta, a menos que haja uma transformação no modelo de crescimento do país.

Nos seis meses entre dezembro de 2010 e junho de 2011, as reservas internacionais controladas por Pequim saltaram de US$ 2,85 trilhões para US$ 3,2 trilhões – só o aumento de US$ 450 bilhões no período supera o total das reservas de US$ 336 bilhões detidas pelo Brasil. A previsão de analistas é que o valor chegue a pelo menos US$ 3,5 trilhões no fim do ano, o que significa que a China precisará encontrar onde investir US$ 300 bilhões, e há poucas opções além dos títulos do Tesouro dos EUA.

O grande desafio para Pequim é mudar a política que leva o país a acumular um volume de reservas que supera em muito o patamar considerado razoável para se proteger contra turbulências externas. O regime de câmbio semifixo é o principal fator que infla a montanha de recursos externos administrada pelo Banco do Povo da China. Para impedir a apreciação do yuan, a autoridade monetária compra os dólares que entram no país, emitindo em troca moeda nacional. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

05/08/2011

às 22:21

Standard & Poor’s rebaixa nota dos Estados Unidos

No Globo:
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou no noite nesta sexta-feira a nota de crédito dos Estados Unidos de “AAA” para “AA+”. Segundo fonte ouvida pela rede de televisão ABC, a razão da mudança é a confusão política que marcou o processo de elevação do teto da dívida americana e o temor de que os congressistas não sejam capazes de chegar a um acordo para uma redução mais ampla do déficit. Uma fonte disse à ABC que os republicanos se negam a aceitar qualquer tipo de aumento de impostos como parte de um segundo momento do acordo sobre a dívida e que isso seria uma dos motivos para o rebaixamento.

Um outra fonte disse, também à ABC, que a administração de Barack Obama está se preparando para a redução da nota de sua dívida, mas que “não está 100% certa de que isso vá acontecer”. Também não se sabe quando a S&P anunciaria sua decisão. Consultado pela “CNBC”, um porta-voz da S&P se negou a informar se havia previsão de anunciar o rebaixamento ou de fazer qualquer outra declaração ainda nesta sexta-feira.

A S&P colocou os EUA em perspectiva negativa em 18 de abril, quando informou que poderia rebaixar a nota do país. Em 14 de julho, a agência colocou os EUA em observação, o que significa que havia 50% de chance de que a classificação país fosse rebaixada num prazo de 90 dias. Na semana anterior ao acordo no Congresso, a S&P já indicara que qualquer corte inferior a US$ 4 trilhões, como foi o caso, colocaria em risco o “AAA” da dívida americana.

Rebaixamento previsível
O mercado já trabalhava com uma forte hipótese de rebaixamento. Na terça-feira, quando o Congresso americano finalmente deu o sinal verde para o aumento de até US$ 2,4 trilhões no teto do envidamento americano (que estava em US$ 14,3 trilhões), afastando o risco de moratória, houve um breve alívio. Mas o mercado logo começou a discutir não apenas a sustentabilidade do déficit fiscal dos EUA: também a marcha lenta da economia americana e a possibilidade de uma nova recessão.

Na própria terça-feira, comunicados divulgados por Fitch e Moody’s, outras agências de rating, deram o tom de incerteza. Ambas mantiveram a nota dos EUA, mas ressalvaram que o acordo aprovado aos 45 minutos do segundo tempo foi somente um primeiro passo na busca por um equilíbrio fiscal no longo prazo. Quarto maior detentor de títulos do Tesouro americano, o Brasil ligou o sinal de alerta. O resultado dos dias de incerteza se viu nos mercados financeiros. A semana terminou como a pior para Wall Street desde a crise de 2008.

A Fitch considerou que a elevação do teto da dívida significava um risco de moratória “extremamente baixo” e era uma medida digna de se manter a nota “AAA” por ora. Mas estimou que a dívida do país alcançará 100% do PIB em 2012 e que divulgaria uma nova avaliação no fim de agosto. A Moody’s reafirmou o grau “AAA”, mas também manteve a perspectiva negativa, afirmando que o rebaixamento ainda pode ocorrer se a disciplina fiscal fraquejar ou o crescimento econômico se deteriorar significativamente.

Na quarta-feira, até uma agência chinesa de classificação de risco, a Dagong Global, rebaixou a nota dos títulos da dívida dos EUA, de “A+” para “A”, dizendo que o acordo para elevar o teto de dívida do país não resolverá os problemas de dívida estruturais e nem melhorará a capacidade de pagamento no longo prazo.

Por Reinaldo Azevedo

03/08/2011

às 5:21

Um bom artigo de Elio Gaspari, de quem discordo quase sempre

À diferença do que dizem alguns bobocas, eu não leio “pessoas”, mas os seus textos; importa-me menos “quem” diz determinada coisa do que “o que” está sendo dito. Elio Gaspari, de quem discordo quase sempre, escreveu um bom texto hoje na Folha sobre os Estados Unidos. Talvez ele se pergunte onde foi que errou, hehe, já que gostei, mas o fato é que acertou quase tudo. Fez uma síntese um tanto apressada do combate dado por Bush ao terrorismo. A questão não era simples  — na verdade, tratava-se de um tipo de combate inédito. Até hoje, Obama não fechou Guantánamo, por exemplo. Mas é um elemento lateral no texto.

Dado o catastrofismo bocó que toma conta do noticiário mundo afora — no Brasil, não é diferente — e todas as tolices antidemocráticas que foram ditas sobre os republicanos e o Tea Party em particular, Gaspari acertou o tom, inclusive no que concerne à China.

Sou assim, como sabem os leitores habituais do blog: quando gosto, digo “sim”; quando não gosto, digo “não”. E pouco me importa quem diz o que gosto ou aquilo de que não gosto. Sou até tomado de uma discreta excitação intelectual quando concordo com alguém de quem esperava discordar. Leiam o artigo.

*
Os EUA iam acabar em 1861

Os Estados Unidos iam acabar. Não nesta semana, mas há exatos 150 anos, depois que as tropas do Sul venceram em Manassas a primeira grande batalha da Guerra Civil. Grandes políticos ingleses, bem como “The Economist” e “The Times” (pré-Murdoch), achavam que o presidente Lincoln forçara a mão com o Sul. Quatro anos e 620 mil mortos depois, a União foi preservada e acabou-se a escravidão.

Passou pouco mais de meio século e, de novo, os Estados Unidos iam acabar. A Depressão desempregou 25% de sua mão de obra e contraiu a produção do país em 47%. A crise transformou fascismo e nazismo em poderosas utopias reacionárias. De Henry Ford a Cole Porter, muita gente se encantou com o ditador italiano Benito Mussolini. Dezesseis anos depois, as tropas americanas entraram em Roma, Berlim e Tóquio.

Em 1961, quando os soviéticos mostraram Yuri Gagarin voando em órbita sobre a Terra, voltou-se a pensar que os Estados Unidos iam se acabar. Em 1989, acabou-se o comunismo.

A decadência americana foi decretada novamente em 1971, quando Richard Nixon desvalorizou o dólar, ou em 1975, quando suas tropas deixaram o Vietnã. O dólar continua sendo a moeda do mundo, inclusive para os vietnamitas.

A última agonia, provocada pela exigência constitucional da aprovação, pelo Congresso, do teto da dívida do país, foi uma crise séria, porém apenas uma crise parlamentar. Para o bem de todos e felicidade geral das nações, não só os Estados Unidos não se acabam, mas o que se acaba são os modelos que se opõem ao seu sistema de organização social e política.

No cenário de hoje, o ocaso americano coincidiria com a alvorada de progresso e eficácia da China. Lá, o teto da dívida jamais será um problema. Basta que o governo decida. Como lá quem decide é o governo, nos últimos cem anos o Império do Meio passou por dois períodos de fome que geraram episódios de antropofagia. Hoje a China não tem os problemas dos Estados Unidos, afinal, nem desastre de trem pode ser discutido pela população.

Guardadas as proporções, o sistema político brasileiro seria melhor que o americano, porque não haveria aqui a crise parlamentar provocada pelo teto da dívida. Se houvesse, o Brasil não teria quebrado nos anos 80 por ter tomado empréstimos dos banqueiros que ajudaram a criar a encrenca que hoje atormenta Washington.

Aquilo que parece uma crise da decadência é uma simples e saudável manifestação do regime democrático. Quando os negros americanos foram para as ruas, marchando em paz ou queimando quarteirões, também temeu-se pelo futuro do país. O que acabou foi a segregação racial.

Se hoje há uma crise nos Estados Unidos, ela não está nas bancadas republicanas ou mesmo na influência parlamentar do movimento Tea Party. Eles defendem o que julgam ser o melhor caminho para o país. A crise está em outro lugar, na negação, por um tipo de conservadorismo extremado, dos valores que fizeram da nação americana o que ela é. Quando o governo Bush sequestrou suspeitos pelo mundo afora, levando-os para centros de tortura, e viu-se obrigado a soltar alguns deles porque não eram o que se pensava, aí sim, os Estados Unidos estavam em perigo.

Por Reinaldo Azevedo
 

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