Blogs e Colunistas

CPI da Petrobras

16/06/2009

às 6:33

Oposição pode ir ao STF para instalar CPI da Petrobras

Por Andréia Sadi, no Estadão:
A oposição no Senado promete apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a instalação da CPI da Petrobrás, caso não haja acordo para o início dos trabalhos nesta semana, avisou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). A primeira opção será propor uma questão de ordem em plenário. Se não surtir efeito, o tucano pretende encaminhar um mandado de segurança ao STF, “pedindo a convocação da responsabilidade” do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e dos líderes.
A questão de ordem, explicou o parlamentar, terá base no artigo 85 do regimento interno, que dá ao presidente do Senado a prerrogativa de substituir membros da CPI que estejam cerceando o direito da minoria ao prejudicarem o quórum. “O presidente nomearia senadores do mesmo partido e, se eventualmente não houvesse interesse, poderia nomear de outros partidos”, explicou.
Caso Sarney não decida pela substituição dos faltosos, Dias recorrerá ao STF, mas não definiu prazo para isso. A tendência do Supremo, em decisões recentes, tem sido favorável ao direito das minorias. Em 25 de abril de 2007, determinou, por 11 votos a 0, que a Câmara instalasse a CPI do Apagão Aéreo - o requerimento tinha cumprido todos os trâmites, mas, após a sua apresentação, os governistas conseguiram derrubar o pedido no plenário. Em 22 de junho de 2005, a corte obrigou, por 9 votos a 1, que o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indicasse os membros que faltavam na CPI dos Bingos. O Supremo também derrubou impedimentos a CPIs na Assembleia paulista. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2009

às 7:11

E QUAL É A SEITA DO OMBUDSMAN? OU ELE É SÓ O JUIZ ISENTO?

O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins e Silva, resolveu comentar a reação de jornais e jornalistas ao blog criado pela Petrobras. E foi mal, muito mal. Respondeu ao que ninguém pôs em dúvida e deixou de tocar nos aspectos centrais do problema. Ele segue em vermelho. Eu em azul.

A Petrobras e qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem. Se ela deseja tornar públicas todas as perguntas de jornalistas que receber, também não há nada que a impeça nem legal nem eticamente (em especial se deixar claro a quem se dirigir a ela que vai fazer isso).
Ninguém questionou o direito de a Petrobras criar o veículo que bem entender. A afirmação vem responder a uma questão que não foi proposta. Também não se apontou nada de ilegal no procedimento. Mas ético não é — ou, então, o ombudsman deve revolucionar o mundo da ética com um tratado a respeito. A ética — nesse caso, profissional — é o padrão de relacionamento que se estabelece com “o outro”, em que entram muitas variáveis: desde o combinado entre as partes até as normais consagradas de uma determinada prática. As perguntas que um jornalista faz, enquanto a reportagem não é publicada, são parte inalienável e indisponível do seu trabalho. A fonte, seu Carlos Eduardo, tem outro direito, também intocável: não responder. Jogar na praça o trabalho de apuração de um repórter como norma de conduta é coisa de vigaristas.

Ademais, essa história de que o aviso de que a questão será vazada diminui a vigarice ética do vazamento é tolice das grossas. O fato de eu avisar que vou lhe dar uma cotovelada não torna a cotovelada boa, irrelevante ou “ética”.

Não faz sentido a Petrobras querer editar o conteúdo dos veículos de comunicação. Mas não há problema em ela tornar público material que seja cortado durante o processo de edição feito por esses veículos.
De novo, a resposta vem ao que não foi questionado. Publique a empresa o que quiser. Mas não antes das reportagens. Esta sempre foi a questão. Tanto é assim, que a própria empresa decidiu mudar o procedimento. Como se vê, na assessoria de imprensa da Petrobras, Carlos Eduardo Lins e Silva faria pior.

A reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem.
É mesmo? A reportagem que está hoje na Folha prova a tolice abissal dita por Carlos Eduardo. Leiam o texto em que Leonardo Souza e Hudson Corrêa mostram “duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do governador Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Geovane de Morais, demitido por justa causa por suspeitas de desvio de recursos nos contratos sob sua responsabilidade.” Muito bem, as questões estão no blog da empresa, com as respostas. Não tivesse a Petrobras mudado o procedimento, o que o ombudsman estaria recomendando? Que os dois repórteres deixassem de ouvir o “outro lado”? A fonte, nesse caso, é uma só: a empresa — que contratou uma assessoria de imprensa, embora tenha mais jornalistas do que a própria Folha. Bem, seguissem o que diz Carlos Eduardo, certamente seriam brindados com uma crítica de… Carlos Eduardo: “Cadê o outro lado?”

Do episódio, só há a lamentar que tenha sido mais lenha para atiçar a fogueira do conflito sectário que envenena o ambiente político nacional em prejuízo de todos.
Esse tese do ombudsman é antiga. Onde está o “conflito sectário” a que ele se refere? Por incrível que pareça, essa é a tese daquela gente esquisita que acusa a “grande mídia” de golpista. O ombudsman da Folha, querendo ou não — e eu o considero inteligente o bastante para fazer coisas que não queira —, dá asas a essa bobagem, ela, sim, golpista porque pretende fazer do jornalismo mera caixa de ressonância do governo federal: um golpe contra o jornalismo. Além de golpista, a soldo!

Quem acusa “conflito sectário” tem de dizer onde estão as seitas. Uma delas, então, talvez seja o Blog da Petrobras. Basta entrar na seção de comentários para mergulhar no mundo das teorias conspiratórias as mais exóticas e de ódio explícito à imprensa — que lá eles chamam de “mídia”.

Como é que o ombudsman, num caso como esse, puxa a orelha da imprensa e adula aquela página absurda, destinada, originalmente, a vazar as reportagens que estavam em curso e a conjurar os “patriotas” a satanizar a imprensa, vetando, inclusive, comentários críticos, como se o blog fosse página de uma empresa privada?

Conflito sectário? Qual é a seita do ombudsman? Ou ele se imagina “apenas” o juiz isento? Não sou repórter, como todo mundo sabe, e tenho respeito por quem é. Só investigo advérbios e textos que acusam os outros de sectários. A consideração do ombudsman é ofensiva com quem passa dias — às vezes, semanas — em busca da informação exclusiva. Ela ainda é uma das principais matérias-primas da imprensa.

Ouvi nesta semana uma expressão engaçada, que me contaram que é da novela Caminho das Índias: “Apagaram as lamparinas do cérebro do ombudsman”. No momento, nem a Petrobras concorda com ele. Tanto que mudou parte do procedimento. A satanização da imprensa “golpista” persiste. Também aqueles pterodáctilos acreditam que é preciso acabar com esse “conflito sectário”.

É verdade, gente! Vamos todos nos dar as mãos e lutar pelo bem do Brasil! O Ombudsman gosta de recomendar leituras. Um dos livros recomendados é “Blablablogue”. Está se deixando trair pelo título. Não é o que ele imagina. Mas me dá a chance de observar: há muito blablablá em blogs, claro. Mas também o há em letra impressa. O dos blogueiros, ao menos, não aquece o planeta, né?, como diriam os sectários cheios de blablablá do aquecimento global…

Por Reinaldo Azevedo

14/06/2009

às 7:07

Petrobras paga R$ 4 milhões a produtoras ligadas ao PT

Projetos sem licitação foram autorizados por funcionário demitido sob suspeita de desvio

Empresa está analisando contratos com produtoras que atuaram em campanhas de Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas petistas

Por Leonardo Souza e Hudson Corrêa, na Folha:
Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do governador Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Geovane de Morais, demitido por justa causa por suspeitas de desvio de recursos nos contratos sob sua responsabilidade.
Baiano de Paramirim, Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, assessor especial do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, também da Bahia.
Morais era o gerente de Comunicação da área de Abastecimento. Sob sua administração estava um orçamento no ano passado de R$ 31 milhões.
Sua demissão foi decidida em 3 de abril, após uma sindicância interna ter constatado uma série de irregularidades em sua gestão, incluindo “indícios de pagamentos sem a devida entrega de serviços contratados”. Ou seja, desvio de dinheiro.
Dada a gravidade do caso, a comunicação institucional da Petrobras está analisando todos os contratos autorizados por Morais, incluindo os repasses para as duas produtoras.
A Folha teve acesso a todos os contratos de 2008 da área comandada por Morais. Entre os valores recebidos pelas duas produtoras, está R$ 1,5 milhão para filmagem de festas de São João e Carnaval na Bahia. Aqui

Outro lado
A Petrobras informou que desde dezembro apura indícios de irregularidades nos contratos da gerência de Comunicação do Abastecimento e que decidiu, em abril passado, pela demissão por justa causa de Geovane de Morais.
“Foram encontrados indícios de pagamentos sem a devida entrega dos serviços contratados”, diz.
Questionada pela Folha se havia sinais de favorecimento ao PT nos contratos autorizados por Morais, a estatal disse que não identificou sinais, até o momento, de beneficiamento a nenhum partido. Aqui

Crescimento
O crescimento da Movimento Produções coincide com a ida de Geovane de Morais para a Petrobras e com a eleição de Jaques Wagner para o governo baiano.
Em 2003, Vagner Angelim e seu sócio José Carlos compraram a Movimento por R$ 1.000. Em 2004, Morais assumiu a gerência de comunicação de Abastecimento. Em julho de 2005, a produtora abriu filial no Rio, e o capital social foi para R$ 90 mil. Em 2007, após a eleição, registrou capital de R$ 500 mil.
Segundo a assessoria de Wagner, a Movimento não trabalha diretamente para o Estado, mas presta serviços para agências que têm contratos com o governo.

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2009

às 5:57

Petrobrás gastará R$ 540 mil com assessoria

Por Irany Tereza, no Estadão:
A Petrobrás pagará, pelo menos, R$ 540 mil pelo assessoramento de comunicação durante a CPI aberta no Senado para investigá-la. A estatal informou que o contrato com a Companhia de Notícias (CDN) para esse fim foi assinado apenas ontem, embora há cerca de duas semanas a empresa tenha confirmado o acerto. No dia, 5 o Estado encaminhou à Petrobrás uma série de perguntas sobre o contrato. As respostas vieram aos poucos e a conclusão, apenas ontem. “O contrato só foi assinado hoje. O valor mensal é de R$ 180 mil mensais para um período de três meses, renovável por mais três meses”, informou a assessoria da estatal, por e-mail, avisando que a informação seria postada no blog da companhia no mesmo dia da publicação pelo Estado.
(…)
Apesar de a criação do instrumento na internet ter coincidido com a contratação da consultoria de comunicação, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, garantiu, na semana passada, que o blog foi uma ideia interna da empresa. Ele justificou a contratação da CDN especificamente para o acompanhamento da CPI dizendo que nem todos os 1.150 profissionais de comunicação da estatal são jornalistas. Também argumentou que as demandas da imprensa no processo da CPI consumiriam uma jornada extra difícil de ser assumida pelo corpo de assessores diretos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2009

às 5:56

Ministério atrasa resposta a deputados sobre a Petrobras

Por Maria Clara Cabral, na Folha. Volto depois:
Neste ano, 16 requerimentos foram enviados ao Ministério de Minas e Energia pelos deputados pedindo informações sobre os mais variados assuntos envolvendo a Petrobras e apenas dois foram respondidos, ambos fora do prazo de 30 dias estipulado pela Constituição. Um foi respondido com mais de dois meses da solicitação e outro oito dias depois do prazo.
Um terceiro, enviado em conjunto para os Ministérios do Planejamento e de Minas e Energia, obteve, até agora, resposta apenas do primeiro órgão. Dos outros 13 requerimentos, 3 já estão fora do prazo de 30 dias, segundo informou a Secretaria Geral da Câmara.
O presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), autor de um dos requerimentos respondidos fora do prazo, reclama das demoras constantes e ameaça entrar com um pedido de ação por crime de responsabilidade contra o ministro Edison Lobão.
Maia critica a estatal e o ministério dizendo que a Petrobras é “rápida para colocar as respostas dos jornalistas em seu blog, mas nem tanto para responder os requerimentos”. “Um órgão que conta com mais de mil pessoas em sua estrutura de comunicação, que está tão preocupado com a imagem, não tem uma assessoria para nos responder. Eles têm pressa para se defender do que interessa e lentidão para omitir o que não interessa”, disse o deputado.
Nesta semana, a Petrobras decidiu recuar parcialmente da iniciativa de divulgar, em seu blog Fatos e Dados, as perguntas enviadas por jornalistas e as respectivas respostas, antes da publicação das reportagens pelos veículos de comunicação.
O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, que disse na segunda que a medida era um “avanço na transparência” e que tinha vindo “para ficar”, voltou atrás. A política agora é pôr respostas no ar no dia previsto para sair a reportagem. Aqui

Comento
Tenho uma idéia. Os parlamentares conversam com jornalistas e apresentam suas questões como indagações da imprensa. Aí sai tudo no blog da Petrobras… Gente truculenta e ridícula!

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2009

às 19:09

O “é” da coisa

Os governistas sabotaram de novo a instalação da CPI da Petrobras. Simplesmente não compareceram à sessão. Vocês se deram conta da quantidade de ações e estratagemas para impedir o funcionamento dessa comissão? E olhem que o placar a favor do governo é acachapante: 8 a 3. Enquanto isso, tome vigarice blogueira contra a imprensa, protesto de rua organizado por cuequeiros, discurso terrorista sobre prejuízos que a empresa sofreria… Tem-se a impressão de que a Petrobras se tornou, de fato, o “é” da coisa, a PDVSA do PT. Desvendar alguns dos seus segredos — que nada têm a ver com o sigilo de decisões empresariais — parece que corresponde a desvendar os segredos da República petista.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2009

às 5:55

Prefeituras do PT têm mais repasse da Petrobras

Por Ricardo Brandt, no Estadão:
As prefeituras controladas pelo PT e pelo PMDB são as que mais receberão verbas da Petrobras para programas e obras sociais nos últimos seis meses. Dos R$ 38,6 milhões reservados para as transferências, 67% beneficiarão cidades administradas pelas duas legendas, principais bases de sustentação política do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
São termos de repasse assinados entre dezembro, quando os atuais prefeitos já estavam eleitos, e maio por meio de convênios e contratos por dispensa ou inexigibilidade de licitação, conforme permite regulamentação própria da Petrobrás.
A maior parte do dinheiro está incluída no programa Fundo da Infância e Adolescência (FIA). Por meio desse programa, a estatal transfere a verba, via prefeitura, para o conselho municipal de infância e adolescência. O conselho, então, repassa os recursos para as entidades e faz a fiscalização de sua aplicação.
Levantamento feito Estado mostra que nos seis meses foram assinados 157 termos de repasse. O PMDB é o líder, com 38 transferências, e o PT o segundo, com 36.
Em valores repassados, as cidades com prefeitos dos dois partidos também são as mais atendidas. Os petistas ficaram com R$ 21 milhões, o equivalente a 54% do total. Os municípios nas mãos dos peemedebistas receberam R$ 4,8 milhões.
A Petrobras nega critérios políticos e informa que não participa da seleção dos projetos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2009

às 5:53

Sabotando a CPI

Na Folha:
Um impasse na CPI das Ongs vai atrasar, mais uma vez, o início da CPI da Petrobras. Governistas pretendem faltar na reunião da comissão prevista para hoje, o que deverá resultar no adiamento do encontro para a semana que vem.
Ontem, a base aliada ao governo esvaziou a CPI da Ongs quando o presidente da comissão, Heráclito Fortes (DEM-PI), decidiu manter o senador oposicionista Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, como novo relator das investigações.
PT e PMDB só aceitam instalar a CPI da Petrobras se DEM e PSDB devolverem a relatoria da CPI das ONGs para o senador governista Inácio Arruda (PC do B-CE). Ele perdeu o posto depois que foi nomeado, por algumas horas, integrante da CPI da Petrobras. Um senador não pode ser titular de duas CPIs ao mesmo tempo.
Heráclito aproveitou-se disso e indicou o líder do PSDB como relator. Ontem, enquanto o tucano apresentava seu plano de trabalho, os governistas deixaram o plenário da CPI. Virgílio terminou sua exposição com só um senador como ouvinte, Sérgio Guerra (PSDB-PE).
“Não querem apurar [irregularidades em ONGs] porque o mensalão vai ser fichinha”, disse Virgílio. Segundo Valdir Raupp (PMDB-RO), se não houver acordo, governistas não “marcarão presença nunca”.
O impasse na CPI da ONGs ajuda o governo a ganhar tempo para definir quem vai ocupar as vagas de presidente e relator na CPI da Petrobras. O objetivo é acabar com o veto do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), ao nome de Romero Jucá (PMDB-RR) para relator. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 16:03

MÉTODO APEDÊUTICO DE EXPLANAÇÃO DE UM CONCEITO

No último post da madrugada, acuso a sabotagem da Petrobras, mas digo que a publicação das questões não inviabiliza as reportagens. Aí alguns me indagam: “Bem, então qual é o problema?”. Pois é. A questão é bem digna dos nossos tempos, própria da moral petista. E só uma consideração: as pessoas podem aderir ao padrão moral do petismo mesmo sem ser do partido. À medida que certos hábitos e certas práticas vão se tornando influentes; à medida que vão se tornando corriqueiras, começam a contaminar tudo. Como diria Musil, é assim que vamos percebendo que uma nova era está nascendo: um suave, porém contínuo, declínio da qualidade em tudo o que conhecemos. Ih, mas já derivei. De volta.

Se não consegui ser conceitualmente claro — acho difícil porque nunca sou ambíguo nem abuso da vigarice “dialética”, mas é possível —, recorro ao “Método Apedêutico” de defesa de um ponto de vista. O “Método Apedêutico” é aquele que só se realiza por meio de comparações. E quanto mais bronco, mais esdrúxulo, mais estúpido e mais vulgar for o paralelismo, mais eficiente. Então vamos educar algumas mentalidades segundo o Método Lula de Reflexão.

A Petrobras vaza as questões dos jornalistas para tentar impedir as reportagens. Ao perderem o ineditismo, ao se tornarem questões públicas — respondidas com técnicas de despiste,o que é normal —, os jornais e revistas perderiam o interesse pela reportagem, que passaria a ter menos destaque. Sim, não funciona, mas continua a ser uma prática vigarista.

“Ainda não entendi por quê”. Não! Então vamos “lular”.

Se alguém mete a mão no seu bolso para lhe roubar a carteira, mas não encontra nada, porque você guardou a dita-cuja em outro lugar, o seu prejuízo é zero, o que não quer dizer que o punguista não seja um canalha.

Tá claro agora?

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 6:15

PETROBRAS, TEORIA CONSPIRATÓRIA E CASSANDRA

Há muito tempo, vocês sabem, aponto, de modo sistemático, a falta de apreço do PT pelo pluralismo, em especial pela liberdade de imprensa. No período, enfrentei toda sorte de crítica — desde aquela organizada pela ralé partidária que dá plantão na Internet à outra, aparentemente mais sofisticada, vinda das vozes dos oficialismo que estão na grande imprensa, como legítimos quintas-colunas. Estes pretendem emprestar certa sofisticação ao ataque, acusando o que seria uma “mentalidade conspiratória”. É uma tática de desqualificação, nada além disso. Falo mais a respeito na segunda metade do artigo.

Pois bem: noticiei ontem aqui que duas entidades que reúnem jornalistas, a ABI e a Fenaj, haviam se calado sobre o tal blog da Petrobras (ABI E FENAJ: CUIDADO PARA NÃO VOMITAR, LEITOR ). A primeira tem patrocínio da estatal. A outra promove um convênio de sindicatos com a Petros. Esses fatos falam pela moralidade dessa gente. Pois bem: no fim da noite, vi Maurício Azedo, presidente da ABI, no Jornal da Globo. Disse não ver nada demais em a Petrobras divulgar a pauta dos jornalistas que a procuram em busca de informações. Vocês conhecem muito bem aquele sentimento que consiste em sentir vergonha em lugar de outra pessoa, não? Senti a vergonha que Azedo não sentiu. Deve ser muito triste chegar à idade dele e ter de dar nó no verbo para justificar o injustificável.

A Fenaj é aquela entidade que se ofereceu para constituir a primeira diretoria do malfadado Conselho Federal de Jornalismo, lembram-se? Era aquele órgão que os valentes insistiam em criar e que se constituiria num verdadeiro departamento de censura. No limite, eles chamavam para si até mesmo o direito de cassar a licença profissional de um jornalista. Vocês podem adivinhar qual seria o critério para eleger o inimigo. Sim, essa gente odeia a liberdade. A imprensa brasileira está sob o cerco do MR-8 de Franklin Martins, agora com verba bilionária. Sempre desconfiei do fato de este senhor jamais ter feito um mea-culpa pelo seqüestro de que participou. Ao contrário: parecia se orgulhar dele em seu blog. Quem se orgulha de seqüestrar pessoas, pouco importa a causa, se define.

Ouvido pela Folha, Franklin disse que “os jornais não têm direito de pedir sigilo das perguntas” e que isso que faz a Petrobras “é uma tendência”. Este senhor está empenhado naquela que é sua obsessão desde que foi chutado da TV Globo: vingar-se da “imprensa burguesa” e tentar esvaziar a sua pauta. À sua maneira, está sendo bem-sucedido. Consta que, no grupo dos seqüestradores, ele era da linha-dura, que realmente se levava a sério e levava a sério as ameaças. Um homem obstinado, enfim.

Qual é a intenção? No limite, essa gente pretende ameaçar a imprensa com o seu fim, a sua obsolescência. Se as empresas e os governos decidirem que tudo o que lhes é perguntado vai para o ar, perguntam os tolos — e a corja que aplaude a iniciativa —, então pra que jornais, revistas e sites noticiosos? Trata-se, claro, de uma bobagem. Indagações de jornalistas são peças de um quebra-cabeças. Compõem apenas parte de uma apuração. É UMA ASNICE DIGNA DA ESTUPIDEZ QUE ESSA GENTE MOBILIZA IMAGINAR QUE, ASSIM PROCEDENDO, O JORNALISMO SE ESVAZIA. O fato de isso ser uma tolice não muda a intenção malévola da iniciativa, a sua estúpida falta de ética, o seu cretinismo autoritário.

Qual a pretensão? Eliminar a mediação. Qual mediação? Justamente aquela que cabe à imprensa, a saber: juntar peças do que parece desconexo no jogo político e entregar ao leitor uma inteireza. E é justamente disso que essa gente tem horror. Porque isso faz supor a existência de uma inteligência que está fora do guarda-chuva do governo e das várias formas de controle do estado. Furando a pauta dos jornalistas, a turma de Franklin Martins — cujo poder, não se esqueçam, se estende às estatais — e José Sérgio Gabrielli acredita que destrói também a apuração sobre eventuais irregularidades e impropriedades na Petrobras. Lula cuida pessoalmente da tentativa de sabotar a CPI. A dupla se encarrega de liquidar outra frente de problemas: a imprensa. E o partido, sindicatos e parlamentares petistas organizam as manifestações de rua.

Teorias conspiratórias e Cassandra
Aponto aqui, como disse, permanentemente, o viés autoritário do PT. Parte dos artigos está em livro — muito bem-sucedido, é bom que saibam. Daria para fazer mais uns dez — a propósito: trabalho em outro, diferente, logo vocês saberão. E uma das formas de me desqualificar é apontar a minha “mentalidade conspiratória”. Eis aí. Imaginem o que o colunismo de esquerda não estaria dizendo se FHC estivesse no governo. A propósito: ainda há quem só consiga criticar a Petrobras atacando primeiro o PSDB e o DEM… Lixo.

Mentalidade conspiratória? Pois é… Isso me remete aos clichês de filmes-catástrofe. Vocês sabem: o enredo é sempre o mesmo. Todo mundo vive feliz, e algumas coisas estranhas começam a acontecer. Há sempre uma personagem que funciona como um radar, que desconfia de tudo, que tenta alertar os inocentes. Ninguém lhe dá crédito, é claro. O mal pode variar: incêndio, capeta, formiga, piranha, tubarão, não importa. Quem percebe o problema sempre é malsucedido na catequese, não é? Até que a coisa fica feia.

Isso é muito antigo, gente! Antiqüíssimo! Ainda hoje, usa-se de modo errado, no Brasil, a expressão “Cassandra”. Quando se quer dizer que o sujeito vive antevendo desastres, diz-se em tom de desqualificação: “É uma Cassandra!”. A filha do troiano Príamo recebera de Apolo o dom da profecia. Prometeu ao deus, em troca, que se deitaria com ele, mas não cumpriu. Ele se vingou: manteve o seu dom, mas fez com que ninguém acreditasse nela. Quando os gregos largaram aquele cavalo às portas de Tróia, a belezoca implorou que não o levassem para dentro da cidade. Não foi ouvida. O resto vocês já sabem…

Alertar para o mal e enfrentar a incredulidade dos crédulos — atentem para a graça desse oximoro — é coisa inscrita em nossa cultura, em nossas raízes morais. A razão é simples: se realmente nos damos conta do perigo e do malefício, somos obrigados a agir. E, muitas vezes, as instituições preferem a acomodação, o que é sempre um encontro marcado com a morte.

A imprensa brasileira está sob ataque e sob um cerco que busca desmoralizá-la. O centro dessa ação não está na Petrobras, mas no Palácio do Planalto. A rataiada não se cansa de escrever pra cá: “E aí? E aí? O que você vai dizer agora.” Ora, direi que sempre estive certo sobre eles.  A minha antevisão, não havendo reação, é ainda mais pessimista do que isso. Nos filmes-catástrofes, acabam vencendo o mal porque, finalmente, os lesos se dão conta do que está em curso. No Brasil, por enquanto, os crédulos estão na fase da incredulidade: “Ah, não exagere! Isso é só teoria conspiratória”.

E levam o cavalo pra dentro. As redações estão cheias deles.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 6:09

O DIA EM QUE GENOINO CHOROU. OU “CREDO, PAI, QUE GENTE NOJENTA!”

O deputado José Genoino (PT-SP) é um dos organizadores do protesto que petistas e sindicalistas do partido pretendem organizar em São Paulo contra a CPI da Petrobras. Ontem, já houve um na Assembléia Legislativa. Mesmo com os tucanos dispostos a fazer uma emenda que ponha na Constituição a proibição de venda da estatal, eles querem, como é mesmo?, fazer uma manifestação contra os privatistas… Sim, é só política. Mas deveria haver um limite para a vigarice. Já passou da hora de a oposição começar a distribuir milhões de adesivos: “A PETROBRAS É NOSSA, NÃO DO PT”. Ou: SALVEM A PETROBRAS DA PRIVATIZAÇÃO DO PT”.  Se é guerra de valores o que querem, por que não? Mas vamos a Genoino.

Tenho aqui em casa, porque já o usei, inclusive, numa — como é mesmo que eles dizem? — “aula de cidadania” com as Reinaldinhas, o DVD com a entrevista de José Genoino ao programa Roda Viva, que foi ao ar em 4 de julho de 2005. Ali, o então presidente do PT jurava de pés juntos que nada havia de errado com as contas do partido. Nada! Ele não só negava o mensalão, como garantia — e, na TV Cultura ao menos, foi um guerrilheiro exemplar — que o PT nem mesmo havia feito caixa dois. Mais: ele, pessoalmente, ignorava qualquer irregularidade. Como se sabe, esse gigante moral foi avalista pessoal daqueles empréstimos de mentirinha que o Banco Rural fez ao partido. A grana saía das contas de Marcos Valério.

Genoino estava, no Roda Viva, demonstrando justamente a desnecessidade de uma CPI. Como agora.

Não contente, ao falar das injustiças de que estava sendo vítima, de como era mesmo um batalhador, aproveitou uma bola que foi levantada no programa e chorou ao lembrar de seu passado de lutas. Sim, Genoino negou o mensalão, negou o caixa dois, negou que soubesse de qualquer irregularidade, negou que houvesse motivos para uma CPI, exaltou a sua têmpera de bom guerrilheiro pregresso e… CHOROU! E fez cada uma daquelas coisas com igual verdade.

A minha aula há duas semanas foi assim. Pus o DVD no aparelho, fiquei com o controle remoto na mão e, a cada negativa, eu entregava às meninas páginas de um clipping que preparei. Genoino negava, e eu contrastava o que ele dizia com a verdade. E concluí: “Não pensem que política é isso. Isso é só o lixo da política”.

O encerramento foi a notícia do dia em que o assessor do irmão deste Rhodes da ética foi colhido com os dólares na cueca. Uma delas, não lembro qual, exclamou: “Credo, pai, que gente nojenta!”

Vocês sabem: educação é uma coisa muito séria para ficar só por conta da escola.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 6:07

A transparência nada transparente

Por Rubens Valente, na Folha:
Usado frequentemente pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, como resposta às críticas sobre falta de transparência nos gastos, o site da empresa na internet omite dados de contratos anteriores a junho de 2008, dedica apenas uma linha à descrição do objeto da contratação e deixa de informar a execução do contrato -quanto recebeu a empresa em certa data.
Se a prática for mantida pela empresa, em julho todos os dados de junho de 2008 desaparecerão das opções de pesquisa. E assim sucessivamente: de 12 meses para trás, os dados desaparecem.
Há uma brecha para recuperar as páginas que foram retiradas do ar entre agosto de 2007 e maio de 2008, mas isso não é explicitado no site. De agosto de 2007 para trás, não há forma de conferir os números no site.
A Folha teve que ir copiando e acumulando os números do período 2005-2007 para formar uma base de dados com 28 mil contratos referentes a quatro anos e meio.
Há falha grave na descrição do objeto do contrato. Tudo se resume a uma linha, e mesmo assim quase sempre incompleta, com palavras cortadas.
Um contrato de R$ 27 milhões com um escritório de advocacia, por exemplo, é assim descrito: “Serviços técnicos jurídicos para levantamento e recuperação”. Nomes de alguns fornecedores também aparecem cortados. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2009

às 6:00

Cai preço do diesel para consumidor

Por Simone Iglesias e Humberto Medina, na Folha:
Antes de uma reunião com o presidente Lula no começo da noite, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem redução nos preços dos combustíveis. A gasolina terá redução de 4,5% no preço, e o diesel, de 15%. Mas só parte da queda na refinaria será repassada ao consumidor, e somente no diesel, porque o governo também aumentou a tributação sobre esses derivados.
A expectativa da Fazenda é que o preço da gasolina não mude nos postos e ele embolse a diferença via tributação, como a Folha antecipou em 22 de abril. Para o diesel, mesmo com aumento da carga fiscal, o governo espera redução média de 9,6%. É a primeira redução de preços praticada pela estatal desde abril de 2003.
Os novos preços valem a partir de hoje, mas não necessariamente serão praticados pelos postos da forma esperada pelo governo. No Brasil, o mercado é livre. A Petrobras fixa o preço na refinaria, mas distribuidoras e revendedores (postos) determinam seus preços em função do mercado local. Cortes maiores devem acontecer onde há mais concorrência.
A última alteração feita pela Petrobras na gasolina e no diesel aconteceu em maio do ano passado. Na ocasião, a gasolina subiu 10%, e o diesel, 15%. Quando foram realizados os reajustes, o governo reduziu a Cide (tributo cobrado sobre o consumo de combustíveis) para evitar impacto nos preços.
Agora, com queda na arrecadação por causa da crise, voltou a aumentar as alíquotas. Com isso, espera arrecadação extra de R$ 1,7 bilhão neste ano. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2009

às 22:48

Delinqüência

Por Gustavo Uribe, no Estadão. Comento rapidamente:
SÃO PAULO - Lideranças do PT, do PCdoB e de movimentos sociais participaram hoje, na Assembleia Legislativa de São Paulo, de reunião para discutir ato em defesa da Petrobras e contra a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada no Senado para investigar irregularidades na estatal e na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na reunião, ficou acertada a realização de uma manifestação pública no dia 19 de junho na frente do prédio da estatal em São Paulo, na Avenida Paulista.
No encontro também foi debatida a coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular contra a abertura de licitações para a exploração das reservas da camada do pré-sal. “O projeto já conta com 300 mil assinaturas e defende que deve caber à União o papel de administrar as reservas”, explicou o deputado federal José Genoino (PT), presente na reunião de hoje. “É a defesa de que o petróleo é do povo brasileiro, e não do setor privado.”
O encontro de hoje na Assembleia Legislativa faz parte da discussão de uma série de manifestações programadas para junho por movimentos sociais como Central Única de Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e União Nacional dos Estudantes (UNE). Nomeada de “O Petróleo tem que ser nosso!”, a agenda de protestos tem o objetivo de pressionar o governo federal por mudanças em artigos da Lei do Petróleo. Os manifestantes defendem que a Petrobras volte ao controle total do Estado e a revogação de artigo da lei que marca o fim do monopólio estatal sobre a produção e refino do petróleo. “Em resumo, é um movimento para garantir a soberania do povo brasileiro sobre os nossos combustíveis”, sintetiza Antonio Carlos Spis, membro da executiva da CUT.
Privatização
Além disso, o movimento serve de resistência à CPI do Senado. “A CPI é privatista. Ela diminui a credibilidade da Petrobras e fortalece as empresas do setor privado”, acusa João Antônio Moraes, coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), braço da CUT no setor. “Os movimentos (sociais) pretendem fazer com que a comissão não prejudique a empresa.”
O líder do governo estadual na Assembleia Legislativa, deputado Samuel Moreira (PSDB), rebateu as acusações contra a CPI do Senado, que para ele só irá fortalecer a estatal - DEM e PSDB formam a minoria oposicionista entre os integrantes da comissão. “Dizer que a CPI é privatista é criação do PT. Ela é necessária para dar mais transparência à empresa e, como consequência, fortalecê-la”, defendeu o tucano.

Comento
Quem? José Genoino? É o irmão do chefe daquele da cueca?

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2009

às 21:38

O papo-furado de Gabrielli

Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:
Na Folha Online:

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, defendeu a criação do blog feito pela estatal para responder às matérias jornalísticas e negou que haja uma tentativa de intimidação da imprensa. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, disse que o blog “Fatos e Dados” busca dar transparência às informações, e que os jornalistas terão que se adaptar à divulgação dos pedidos relativos às pautas.
“Estamos apostando num instrumento possibilitado pela internet, criado num momento de intensa exposição sobre temas da Petrobras, com várias interpretações diferentes, com várias conotações distintas, matérias insinuadoras que precisam ser publicadas na íntegra”, afirmou.
Gabrielli minimizou queixas dos jornalistas de que a Petrobras estaria vazando informações, ao publicar os pedidos antes de as reportagem serem publicadas. Para o executivo, a Petrobras é a dona das informações, e tem o direito de definir suas divulgações.
Ele defendeu ainda que outras empresas passem a adotar procedimento semelhante. “Nós vamos revolucionar o jornalismo brasileiro”, disse.
Reportagem da Folha publicada no último sábado (6) informa que a Petrobras decidiu tornar públicos, no blog, os e-mails enviados por jornalistas que procuram a assessoria de comunicação da empresa, no Rio, para obter informações e esclarecimentos para reportagens que ainda estão em andamento.
A Petrobras explica que o objetivo “é tornar públicas as respostas enviadas pela companhia, de forma completa e sem edição dos dados, sobre todos os questionamentos feitos pela imprensa”.

Comento
Conversa mole! Então que este senhor suspenda toda a publicidade oficial da Petrobras. A empresa passa a se comunicar com o público por meio de seu blog. A rigor, nem mesmo a entrevista ao Roda Viva precisaria ter sido dada, não é? Que Gabrielli falasse na página oficial da empresa, ora essa…

Se a Petrobras pode dispensar o que considera “mediação” da imprensa, também pode deixar de lado a “mediação” da publicidade. E por que não deixa? Respondo: porque a Petrobras não suporta ser contraditada. Na propaganda, fala sozinha. No blog, também.

Ah, sim: dada a fala do presidente da Petrobras, não poderia haver no blog pergunta sem resposta. Não há?

Gabrielli quer revolucionar o jornalismo? Ao que se vê, trata-se de algo bem próximo da censura.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2009

às 6:48

Estes são leitores do Blog da Petrobras

Seleciono, abaixo, alguns comentários que chegam do mundo das sombras. Reparem no tipo de gente que o tal Blog da Petrobras está mobilizando. Publico-os, com todos os seus analfabetismos (cuidado com o estômago), e faço comentários.

Reinaldo Lopes
IP - 189.78.202.26
Enviado em 07/06/2009 às 8:07:30pm
Reinaldo, como você mesmo afirmou, a Petrobras não aje de forma decente. Vá à Presidencia da Abril e exija de seus diretores a interupção dos anúncios da Petrobras. Vá até eles e mostre que a Editora não pode compartilhar com empresas indecentes. A Petrobras não pode macular a decencia dos grandes meios de comunicação. Afinal, onde já se viu uma empresinha como essa ter a pretenção de publicar perguntas e respostas na íntegra sem permitir ao jornalista a oportunidade de editar a matéria? Se a moda pegar, onde irão parar as grandes empresas jornalísticas do Brasil? A opinião pública não pode, de jeito nenhum, ter acesso a verdade. Não é mesmo ?????

Pois é, Reinaldo Lopes… Nome não é destino. Certamente não foi na imprensa que você aprendeu a escrever “aje”, “Presidencia” “interupção”, “decencia” e “pretenção”. Deve ter sido no partido. Realmente, é hora de a grande imprensa acabar. O mundo ficará entregue a gente como você. Mais três gerações, já estaremos andando com o dorso dos membros anteriores no chão… Fui muito sutil? Seu IP deve ser denunciado não à polícia, mas à Secretaria Nacional dos Direitos do Idioma. 

O argumento da publicidade da Petrobras, o rapaz colou do presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli. Olhe, Reinaldo, eu não costumo me meter no departamento comercial das empresas em que trabalho. Aliás, me metia muito pouco até quando tinha a minha própria revista. Mas a sua provocação despertou uma curiosidade em mim. Fui contar quantas páginas de publicidade tem a VEJA desta semana, exercício que vocês podem fazer aí, leitores. Na minha conta, são 77 páginas inteiras. Considerando anúncios em frações, temos mais 3 e dois terços. Arredondo, então: 80 páginas de anúncio. E quantas são de estatais federais, estaduais ou municipais? Duas! Isto mesmo: duas.

Isso significa que a VEJA desta semana tem 2% de anúncios de estatais — justamente da Petrobras. Mas atenção: isso não quer dizer 2% da receita publicitária porque, se bem me lembro dos tempos em que era obrigado a me ater minimamente a isso, os anúncios na quarta capa e nas primeiras páginas são mais caros… Agora vá ver o peso do estatismo em algumas cartilhas que andam por aí. Bem, não preciso aqui lembrar um truísmo: quanto mais anunciantes tem um veículo e quanto menos depende de um ou dois, mais independente é. Bem, eu, se me ocupasse disso, rapaz; se fosse um parlamentar, iria querer saber onde anda tanta verba publicitária das estatais se os anúncios não aparecem na maior revista do país, terceira maior do mundo. Mas, como já disse, isso não é assunto meu. Só ponho esses números aqui porque é uma conta que qualquer um pode fazer em casa. Basta saber contar até 80…

Como você vê, se as estatais parassem de anunciar, seu apedeutinha, alguns veículos realmente fechariam, né? As cartilhas iriam para o vinagre. 

 Agora vejam este novo representante do estato-socialismo-companheiro. O cara se identifica como “Luiz”, embora seu e-mail traga o nome “Daniel):
IP - 10.100.13.2 - Enviado em 07/06/2009 às 6:41:20pm
Sr. Reinaldo: Você está na profissão errada: Você poderia ser um excelente servente de pedreiro ou um catador de lixo em qualquer capital.
E daí? Não teria mácula de ofício. Seria um bom servente e um bom pedreiro. Com um ano, seria chefe dos lixeiros ou mestre-de-obras. Poderia até ser torneiro-mecânico. E garanto que não perderia o dedinho por distração… Nem o juízo. Gosto quando vejo um esquerdista que combate assim os preconceitos da elite… É a cara da corja.

Este escolheu o apelido “Béria”, um dos maiores facínoras do stalinismo. Está certo.
IP - 189.58.78.87 Enviado em 07/06/2009 às 6:30:56pm
Pois é Reinaldão, finalmente o melhor governo da história está dando a resposta o qual esta imprensa merece. E, francamente, essa resposta na minha opinião ainda é fraca. Mas fique tranquilo, não será assim que o governo Lula/Dilma destruirá essa imprensa corrupta, será com jogadas muito mais sutis. Meu conselho: pare de perder tempo com besteiras e leia Antonio Gramsci. Se tiveres inteligência para entende-lo verás que a tomada gramscimniana da sociedade pelo PT somada à revolução da Internet liquidará a grande imprensa e sobrará uma quantidade incalculável de pequenos nichos de informação. Nichos esses incontroláveis pelo governo
Viram? Escreve ”Está dando uma resposta O QUAL…” e “GRAMSCIMNIANA”. Deve ser algo como empanturra-se de Gramsci e de grama — ou Granma (mas essa piada ele perdeu porque estava ruminando o mato…). ATENÇÃO: A MÉDIA DOS COMENTÁRIOS PUBICADOS NO BLOG DA PETROBRAS TEM ESSE PERFIL. A PALAVRA DE ORDEM É DESTRUIR A IMPRENSA ou lhe dar uma lição.

Aí vem o/a “Dódó” (com dois acentos mesmo):
IP 189.77.209.233 Enviado em 07/06/2009 às 8:28:41pm
Jogada de mestre da Petrobras, confessa Rey!! Foi uma jogada de mestre, digna de final de copa do mundo. A grande imprensa foi pega com as “calças” na mão, para usar um termo que combine com esse blog. Agora, podemos ver a noticia antes da noticia, você já parou para pensar? E o pior que para se defender a Petrobras pode usar argumentos tais como “liberdade de expressão”, liberdade de Impressa. Genial… Rey, pelo que você escreveu, realmente você ficou furioso, cara, na boa, calma, faça mais sexo, isto é se você ainda puder, a vida é curta. Um grande abraço. Ah..81 % de aprovação, é dificil ser oposição nesse país.
Huuummm… Fazer mais sexo sempre é um bom conselho. Mas não espere que eu acabe, por conta disso, vindo a me chamar “Dódó”. Observem que o analfabetismo é a regra. Trata-se de uma verdadeira marcha. Eu? Furioso? Pelo fato de essa gente, você inclusive, provar que sempre estive certo? Observem que ele mal disfarça a satisfação em constatar que o argumento da liberdade de expressão e de imprensa (não “impressa“) é mentiroso. E ele aplaude a mentira. Por que não?

Antes de chegar ao pré-sal, a Petrobras chegou à pré-história moral.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2009

às 6:47

Custo de obra de gasoduto da Petrobras cresce 84%

Por Elvira Lobato, na Folha:
Documento obtido pela Folha revela que o gasoduto Urucu-Manaus, da Petrobras, custará quase o dobro do que a estatal previa, ao iniciar a obra, em 2006. O orçamento saltou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,58 bilhões, em março deste ano. Uma diferença de 84%.
Mais um aditivo contratual, de R$ 200 milhões, segundo o documento, está sendo negociado entre a Petrobras e o consórcio Consag (das construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia), responsável pela construção do trecho do gasoduto entre Coari e Anamã, mas a estatal diz que “no momento” não há tal articulação.
Os aditivos nos contratos estão entre os objetos de investigação da CPI da Petrobras.
O gasoduto Urucu-Manaus está sendo construído para transportar o gás natural da região petrolífera de Urucu até Manaus. O objetivo é substituir o consumo de óleo diesel por gás natural nas termoelétricas que atendem a cidade e mais sete municípios.
Os dados sobre o preço do gasoduto constam de um relatório do comitê de representantes da Eletrobrás, Petrobras, Manaus Energia e Cigás ( Companhia de Gás do Amazonas), encarregado de avaliar o custo do transporte do gás natural.
Trata-se de um documento para uso interno das empresas, ao qual a reportagem teve acesso. O relatório faz um retrospecto dos contratos e dos aditivos autorizados até março.
Embora a Petrobras tenha autonomia para contratar grandes obras sem licitação pública, por força do decreto 2745/98, o Tribunal de Contas da União tem questionado os aditivos contratuais acima de 25%, limite permitido por lei.
Com o encarecimento do gasoduto, aumenta também a tarifa de venda do gás natural. Os contratos assinados, em 2006, pela Petrobras com a Cia Amazonas de Gás e Manaus Energia, para fornecimento do gás de Urucu, previam uma tarifa de transporte do gás de R$ 9,20 por MMBtu (ou R$ 0,343 por metro cúbico). Em dezembro de 2008, o cálculo estava em R$ 13,11 por MMBtu (R$ 0,489 por metro cúbico), alta de 42%.
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Por Reinaldo Azevedo

07/06/2009

às 7:23

Petrobras tem 650 advogados, mas gasta R$ 180 milhões com escritórios de advocacia

Por Rubens Valente e Ana Flor, na Folha:
Entre 1998 e 2009, a Petrobras assinou contratos de pelo menos R$ 180 milhões sem licitação com serviços externos de advocacia -apesar de ter um time de 650 advogados.
Os números foram fornecidos, a pedido da Folha, pela assessoria de comunicação da Petrobras. Segundo a empresa, os gastos vêm caindo desde 2008.
As contratações de advogados incluem a realização de pareceres por ex-ministros de cortes superiores, como Edson Vidigal, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que recebeu R$ 320 mil por dois pareceres, em 2007 e em 2008, sobre assuntos relacionados a servidores públicos.
“Muitas empresas, mesmo com setor jurídico próprio, em alguma situação específica, encomendam pareceres ou contratam escritórios. Meu escritório trabalha para outras empresas em São Paulo que têm departamento jurídico próprio. É normal, é legal, não é aético nem imoral”, disse Vidigal.

Magistrados
Na área de patrocínios, a empresa, que é alvo de CPI no Senado, injetou R$ 3,5 milhões em apoios a publicações e eventos para algumas das mais importantes entidades representativas de juízes, advogados e promotores de Justiça.
A maior parte dos recursos foi destinada a entidades relacionadas a juízes federais e trabalhistas, com R$ 2,13 milhões. Para entidades ligadas a promotores de Justiça, destinou R$ 830 mil.
Entre outros eventos, a Petrobras ajudou a financiar o 4º Encontro de Magistrados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em maio de 2006 num hotel da estância turística de Águas de São Pedro (SP), o 5º Congresso de Magistrados Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em abril num hotel de Campos do Jordão (SP), o 16º e o 17º congressos nacionais do Ministério Público (promotores estaduais) e o 8º encontro dos magistrados da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo).
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Por Reinaldo Azevedo

07/06/2009

às 7:21

CPI e pré-sal fazem da Petrobras pivô de lobbies no Congresso

Por Valdo Cruz e Andréa Michael, na Folha:
Antes mesmo de começar, a CPI da Petrobras já agita a comunidade de lobistas da capital. Entre eles, a avaliação é que a comissão, se de fato funcionar, pode se transformar na maior guerra de lobby vivida pelo governo Lula dentro do Congresso Nacional.
A atenção dos lobistas não estará focada só no Senado, onde a estatal estará sob investigação. Eles atuarão também na Câmara, na guerra pela definição de regras de exploração das reservas de petróleo do pré-sal.
Na semana passada, esse cenário começou a se desenhar. Enquanto governo e oposição disputavam o comando da CPI, a Comissão de Minas e Energia da Câmara reunia empresários e especialistas para debater o novo modelo do setor.
Um lobista definiu a situação da seguinte forma: no Senado, a ordem será proteger a Petrobras e seus fornecedores. Na Câmara, aprovar um texto que atenda ao interesse dos principais atores -Petrobras e petroleiras internacionais.
Enquanto a CPI pode começar a funcionar nos próximos dias, o novo marco regulatório do setor de petróleo deve ser encaminhado ao presidente Lula até o dia 15 de junho. Seu envio ao Congresso está previsto para o início de agosto.

Estratégia
A estatal está montando uma estratégia de defesa em Brasília. Para isso, busca um escritório de lobby para fazer o acompanhamento dos trabalhos da CPI. E já conta com uma empresa de comunicação, a CDN, para medir a temperatura das notícias em tempo real.
A ordem é se antecipar a futuras denúncias. Uma grande empresa lembra que a Petrobras, como não segue a Lei de Licitações, costuma fazer aditivos que fogem ao padrão definido pelo TCU (Tribunal de Contas da União), prato cheio para animar uma CPI.
O funcionamento da comissão e a fase final de definição das regras do pré-sal vão alterar também a agenda do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Ele já decidiu que passará a despachar de Brasília pelo menos dois dias por semana.
Gabrielli terá a ajuda direta de José Eduardo Dutra, presidente da BR Distribuidora e cotado para assumir a presidência do PT, e do chefe do escritório da estatal em Brasília, Carlos Eduardo Figueiredo, no contato com políticos da CPI.
Do lado das grandes empresas, tradicionais financiadoras de campanhas, seus lobistas já começaram a fazer contatos com senadores na busca da blindagem de seus patrões.
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Por Reinaldo Azevedo

07/06/2009

às 7:19

Escritórios dividem espaço com “milagreiros” terceirizados

Na Folha:
Personagens dos bastidores e dos grandes e pequenos negócios de Brasília, os lobistas integram uma comunidade formada por escritórios profissionais, diretores de grandes empresas, dirigentes de entidades e os chamados “milagreiros”.
Essa última categoria é aquela dos que prometem resolver qualquer negócio, trabalham como terceirizados e geralmente cobram taxa de sucesso, uma porcentagem sobre o valor obtido na transação.
Incomodados com a associação do termo lobby ao tráfico de influência e à corrupção, os lobistas profissionais não gostam de serem confundidos com os “milagreiros”. Estes são mais visados pela Polícia Federal e costumam assumir responsabilidades quando flagrados, isentando seus clientes.
As estruturas classificadas de profissionais e que admitem abertamente fazer lobby são os escritórios de assessoria e consultoria. Os mais conhecidos são a Patri e a Umbelino Lôbo. Os dois contam com equipes de consultores que circulam pelo Executivo, Congresso e Judiciário monitorando os trabalhos dos três Poderes.
A Patri tem cerca de 55 funcionários e a Umbelino Lôbo, 24. Trabalham para empresas e entidades por meio de contratos de prestação de serviços, fornecendo banco de dados e definindo estratégias de ação para atingir os objetivos desejados, o que inclui agendamento de reuniões com autoridades.
Enquanto a Patri e a Umbelino Lôbo admitem que fazem lobby, com a ressalva de que não trabalham com taxa de sucesso nem negociam diretamente em nome de seus clientes, a maior parte dos lobistas evita a classificação por considerá-la pejorativa.
As grandes empresas, por sinal, usam duas designações para identificar seus profissionais responsáveis pelos contatos e negociações com o poder público: os diretores de relações governamentais ou de relações institucionais.
Funcionários de tradicionais doadores de campanha, os lobistas ou diretores de relações governamentais de bancos e empreiteiras, por exemplo, reconhecem que têm mais facilidade no acesso a gabinetes do Executivo e são muito demandados por parlamentares. Afinal, muitos têm o poder de influenciar na lista de doação de suas empresas.
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Por Reinaldo Azevedo

 

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