Blogs e Colunistas

Copa do Mundo de 2014

16/04/2014

às 4:05

Protesto contra a Copa: violência e depredação

Bandeira do Brasil é queimada durante protesto contra a Copa (foto: Felipe Souza-Folhapress)

Bandeira do Brasil é queimada durante protesto contra a Copa (foto: Felipe Souza-Folhapress)

Nesta quarta, houve um novo protesto em São Paulo contra a Copa do Mundo. Mais um. Reuniu, segundo estima a Polícia Militar, umas 1.500 pessoas com o grito de guerra “Não vai ter Copa”. Desta vez, não dá nem para fingir que os policiais foram violentos. Limitaram-se a conter os manifestantes e a atender pessoas que, colhidas em meio ao tumulto, acabaram passando mal.

Já os ditos manifestantes, ah, estes xingavam os policiais, avançavam contra os seus escudos, enfiavam câmeras em seus rostos, sempre em busca daquela reação mais dura que depois faz a festa nas redes sociais. O momento mais tenso aconteceu na estação Butantã, do Metrô, que chegou a ser fechada por algum tempo.

Quando começava já a haver a dispersão, os black blocs deram, então, início a depredações. Três agências bancárias foram atacadas; duas bombas caseiras foram lançadas contra policiais. A PM deteve 54 pessoas. A esta altura, todos já estão na rua.

As leis são frouxas para coibir esse tipo de comportamento. A pouco mais de 50 dias do início da Copa, observem que o país continua sem uma legislação que possa punir com severidade quem põe em risco centenas — e até milhares — de pessoas. Todas as tentativas esbarraram na conversa mole de que se estaria tentando impedir o direito à livre manifestação. Ora, existe uma distância gigantesca entre liberdade de expressão, um direito fundamental, e licença para depredar, agredir, incendiar. Essas são ações criminosa, não “direitos”.

Mas não tem jeito! O governo federal não aprende. Na sexta-feira, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, encontrou-se com alguns jovens, supostos líderes de manifestações. Pediu a colaboração deles; reclamou que o governo é incompreendido; chegou mesmo a acusar uma espécie de ingratidão: “Vocês, jovens, também nos dão desespero pelas coisas que vocês fazem. A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês vêm e dão porrada. E dizem: é uma… merda”.

No protesto, bandeiras do Brasil foram queimadas. No Rio, também nesta quarta, black blocs resolveram se infiltrar numa manifestação de pessoas que foram retiradas do terreno da Oi. Dilma Rousseff está brincando com o perigo. O diabo é que este é um governo que não governa, então as decisões tardam, quando são tomadas…

Black blocs quebram portas de vidro de agências bancárias: protesto???

Black blocs quebram portas de vidro de agências bancárias: protesto?

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2014

às 4:15

FIFA tira do ar página com 10 dicas sobre os brasileiros. É pena! Até que eram boas. Ou: A volta do “relaxa e goza”

Fifa página

Leio na Folha que a Fifa decidiu tirar do ar uma página em que explica o Brasil para os turistas, para os “iniciantes”, dando algumas dicas aos estrangeiros que nos visitam. A entidade ficou com temor de que pudesse ofender a brasileirada. Já ouvi, de fato, aqui e ali alguns muxoxos de protesto. Não chego a ter simpatia pela Fifa, mas será que está muito errada? Traduzo as dicas. Comento em seguida.

1: Sim nem sempre significa “sim”
Os brasileiros são um povo receptivo e otimista, e eles nunca começam uma frase com “não”. Há vários sentidos para a palavra “sim”. De fato, para os brasileiros, “sim” pode significar “talvez”. Se alguém lhe disser “eu ligo de volta”, não espere que o telefone toque nos cinco minutos seguintes.

2: O tempo é flexível
A pontualidade não é exatamente uma ciência no Brasil. Quanto você combina de encontrar alguém, ninguém espera que você esteja no local na hora exata. Um atraso de 15 minutos é a norma. Se duas pessoas marcam um encontro às 12h30, elas vão se ver a partir das 12h45.

3: Contato físico
Homens e mulheres não estão acostumados com o modo europeu de manter uma distância educada entre si. Eles falam com as mãos e não hesitam em tocar a pessoa com a qual conversam. Nas casas noturnas, isso pode até resultar num beijo, mas não se deve levar a mal. Um beijo, no Brasil, é só uma forma descontraída de comunicação não verbal, não um convite para algo mais.

4: Filas
Esperar pacientemente na fila não está no DNA dos brasileiros. Quando eles vão subir numa escada rolante, por exemplo, não existe o costume britânico de se alinhar em um dos lados. Em vez disso, preferem o caos. Mas, de algum modo, conseguem chegar ao topo (frequentemente).

5: Contenção
Se você for a uma churrascaria que oferece tudo-o-que-há-para-comer e se quiser provar imediatamente toda a variedade de carnes, lembre-se de duas coisas: de não se alimentar nas 12 horas anteriores e de comer em pequenas porções, já que a melhor carne é geralmente servida por último.

6: Prevalência do mais forte
Nas ruas, os pedestres são claramente ignorados, e, mesmo nas faixas de segurança, dificilmente um motorista vai parar. O direito de ultrapassagem dos motoristas é simplesmente definido pelo veículo maior.

7: Experimente açaí
Os frutos da Amazônia podem realmente fazer maravilhas. São agentes emagrecedores naturais, previnem doenças e, dizem, são energéticos. Uma porção no intervalo da partida pode ajudar o jogador mais cansado a recuperar as suas forças.

8: Topless
Corpos descobertos e arte em corpo feminino são comuns no Carnaval, mas não é isso o que você vai ver todos os dias no Brasil. Ainda que os biquínis brasileiros tenham menos pano quando comparados aos europeus, eles são sempre usados. Tomar sol na praia sem biquíni é rigorosamente proibido e pode resultar em multa.

9: Não ao espanhol
Quem espera usar o espanhol para se comunicar com a população local vai manter uma conversa de surdos. O idioma nacional é o português brasileiro, uma variante do português. E, se você disser que a capital do Brasil é Buenos Aires, pode esperar a deportação.

10: Tenha paciência
No Brasil, tudo é feito no último minuto. Se há uma coisa de que os turistas devem se lembrar acima de todas as outras, é esta: não perca a paciência e controle os nervos. Tudo vai dar certo e ficar pronto a tempo. Isso vale até para o estádios. De fato, a atitude dos brasileiros diante da vida pode ser assim resumida: relaxa e goza.

Retomo
Exceção feita ao açaí, um das coisas mais detestáveis que já provei e que não é assim tão comum Brasil afora, o resto tem mesmo a ver com a gente, ora essa! E o texto até que é bem-humorado. Não vejo nada de errado. Alguns reclamaram da foto que o ilustra. Por quê? Convenham: a culpa não é deles, hehe.

Temos dificuldade de dizer “não”, chegamos atrasados aos encontros, adoramos um “beijinho” e, como diria Fernando Pessoa, “pegar no braço” dos outros, não sabemos usar escada rolante, o trânsito é uma zona, e tudo, até os estádios, são feitos na undécima hora.

A frase final foi inspirada, creio, na ministra da Cultura, Marta Suplicy, quando estava à frente do Ministério do Turismo. Perguntaram a ela que conselho daria aos turistas que temiam enfrentar o caos nos aeroportos brasileiros. Ela não teve dúvida, com o se vê abaixo:

A Fifa, desta vez, não tem culpa.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2014

às 2:28

Itaquerão será entregue inacabado à Fifa

Por Bernardo Itri, na Folha:
Palco da abertura da Copa, o Itaquerão será entregue no dia 15 de abril incompleto, sem atender a todas as exigências da Fifa para que o estádio sediasse o Mundial.A Folha apurou que a Fifa já foi avisada de que a cobertura do estádio não estará finalizada; camarotes e áreas comerciais não terão acabamento pronto; e os telões não estarão instalados –a empresa responsável por isso nem sequer foi contratada. O Corinthians, dono do estádio, admite que esses itens não vão ficar prontos a tempo (15 de abril), mas afirma que até a Copa (12 de junho) esses materiais serão adquiridos e incluídos na conta das estruturas temporárias. Ainda não está definido, porém, quem vai financiar essas obras de conclusão nem o prazo para essas contratações serem realizadas.

 Inacabado e a 86 dias para o início do torneio, o estádio é o que mais preocupa a Fifa, pois o primeiro jogo do Mundial receberá chefes de Estado de diversos países. Quatro itens da arena causam maior apreensão: as áreas VIPs, os espaços comerciais, a cobertura e os telões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

16/03/2014

às 5:55

O Mané Garrincha, de Brasília, estádio mais caro do país, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões

Por Felipe Coutinho, na Folha:
A reforma do estádio Mané Garrincha, a arena mais cara da Copa do Mundo, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões, segundo análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Segundo levantamento feito por técnicos do tribunal, o superfaturamento é resultado de uma série de irregularidades, como compra indevida de material, cálculo equivocado no custo de transporte, além de abono de multa pelo atraso na entrega da obra e atraso na solicitação de descontos na cobrança de impostos prevista em lei.

Os contratos analisados pela área técnica do tribunal dão pistas de como o custo do estádio dobrou desde o início da obra, passando de R$ 700 milhões, em 2010, para os atuais R$ 1,4 bilhão. Um dos exemplos para entender o gasto excessivo “sem mais esforços”, segundo os técnicos, é o cálculo de transporte de materiais pré-moldados no canteiro de obras. A fábrica dessas peças fica a 1,5 km do estádio, na capital federal, mas o custo de transporte foi calculado como se tivessem sido transportados de Goiânia a Brasília, uma distância de 240 km.

O custo de transporte cobrado do governo do DF foi de R$ 592 por metro cúbico desses materiais, quando para os auditores deveria ser de apenas R$ 3,70. Somente neste caso, o prejuízo estimado foi de R$ 879 mil. ”Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras. A utilização de custo de transporte Brasília-Goiânia’ é totalmente inadequada para o serviço, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método”, diz o relatório. O superfaturamento de R$ 431 milhões em discussão pelo tribunal é o somatório das irregularidades apuradas em cinco processos. Os valores apontados na auditoria ainda podem aumentar porque o cálculo foi feito com base em análise de julho de 2013.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

24/06/2013

às 16:11

Sob pressão, a Fifa se defende, e Aldo prefere criticar a imprensa, que também seria “financiada pelos governos”

Por Giancarlo Lepiani, na VEJA.com:
Colocados numa situação espinhosa por causa das críticas aos gastos com o Mundial de 2014 durante as manifestações que se espalham pelo país, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adotaram posturas distintas na hora de comentar o assunto, nesta segunda-feira, numa entrevista coletiva para avaliar a primeira semana da Copa das Confederações. Enquanto Valcke optou pela defesa, explicando como a Fifa reinveste o dinheiro obtido com o evento e assegurando que não existe hipótese de o Brasil deixar de ser o país-sede no ano que vem, Aldo partiu para o ataque – como já virou costume entre os subordinados da presidente Dilma Rousseff, culpando a imprensa pela contestação popular dos investimentos públicos no Mundial. O principal executivo do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade, também participou da entrevista e fez uma avaliação extremamente positiva do evento até agora – deixando de lado, aliás, a insatisfação manifestada por algumas seleções, principalmente em relação às dificuldades encontradas no Recife. “As equipes estão satisfeitas, correu tudo bem com hotéis e locais de treinamento”, insistiu o dirigente.

Logo no início da entrevista, o diretor de comunicações da Fifa, Walter De Gregorio, lamentou ter de tratar de um assunto que foge ao controle da entidade. “Se não falarmos nada sobre os protestos, vão dizer que a Fifa só se importa com futebol. Se falarmos demais, vão reclamar que estamos nos intrometendo em assuntos exclusivos dos brasileiros”, disse o porta-voz. “Nossa posição é e sempre será a de aceitar as regras democráticas e as manifestações, desde que não elas sejam violentas. Mas não nos compete comentar sobre o mérito delas”, completou ele, destacando que “pelo lado esportivo, o torneio foi fantástico até agora”. Valcke também comemorou os “números fantásticos” da Copa das Confederações, como a ótima média de gols (mesmo nas partidas que não contaram com a presença do frágil Taiti) e a audiência televisiva “espetacular” dos jogos. Mas sua maior preocupação era tentar dissipar a impressão de que a Fifa pode sair como vilã deste ensaio geral para 2014. “Muitos dizem que a gente vem para cá, tomamos proveito do país e vamos embora, sem pagar impostos nem deixar nada de bom, mas isso não é verdade”, afirmou ele.

“Não tenho vergonha”

O cartola francês citou os milhares de empregos criados pelo evento em setores como alimentação e hospitalidade, além dos 32 milhões de reais gastos pela Fifa em diárias nos hotéis brasileiros (no ano que vem, serão 448 milhões de reais em despesas no setor). “Trazemos muito dinheiro ao país que recebe a Copa do Mundo”, explicou. “Somos uma empresa, ganhamos dinheiro também, mas nosso objetivo não é o lucro, é a promoção do futebol pelo mundo, através de uma série de projetos e iniciativas. Estamos fazendo muitas coisas boas. Pode não ser o suficiente, mas não tenho vergonha do que estamos fazendo aqui. Não sei por que é tão difícil as pessoas entenderem como a Fifa trabalha.” O secretário-geral ainda minimizou a preocupação com a segurança dos envolvidos no evento – disse que o esquema, mesmo depois dos protestos, é “exatamente igual” ao que foi adotado na África do Sul – e que “nada vai colocar em risco a organização da Copa no Brasil”. “Não há plano B. Além disso, não recebi nenhuma oferta de nenhum outro país para receber o Mundial. O que aprendemos neste mês certamente servirá para 2014, inclusive em relação à segurança.”

Acompanhado de seu braço-direito no Ministério, o secretário-executivo Luís Fernandes, Aldo Rebelo fez uma longa apresentação das cifras investidas no país por causa da Copa, destacando principalmente gastos em infraestrutura. “É evidente que esses eventos não são disputados por tantos países por acaso”, afirmou, dizendo não ter dúvidas de que um impacto positivo será sentido na vida das pessoas – ainda que muitos dos projetos incluídos na Matriz de Responsabilidades de obras ligadas à Copa ainda não tenha saído do papel. Fernandes disse que a Copa é “uma oportunidade histórica para promover o desenvolvimento do país” e que os gastos ligados ao evento não significam que faltará dinheiro para a saúde e educação públicas. “É muito importante que a mídia nos ajude a transmitir essas informações”, pediu o secretário, aparentando insatisfação com as reportagens que questionam o acerto dos investimentos com estádios e outras ações para 2014. Aldo também reclamou da imprensa: “Os meios de comunicação tiveram uma inclinação pelo olhar crítico, não pelos benefícios da Copa”. Diante do questionamento de um jornalista sobre o financiamento federal para obras em estádios, o ministro, normalmente de fala macia e tranquila, chegou a elevar o tom e provocar: disse que a imprensa também é financiada pelos governos, já que empresas e bancos estatais anunciam nos meios de comunicação.

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2013

às 17:23

Protesto pacífico no DF é reprimido com bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha. Cadê José Eduardo Cardozo? Ou repressão promovida por petista é poesia de resistência?

Cavalos da PM do Distrito Federal fazem poesia com manifestantes no Distrito Federal. Cardozo vê aí a expressão da democracia? (Ueslei Marcelino/Reuters)

Um grupo de 500 pessoas decidiu organizar um protesto — ATENÇÃO, PACÍFICO!!! — em frente ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, que abriga o jogo de abertura da Copa das Confederações. A Polícia do Distrito Federal, governado pelo petista Agnelo Queiroz, desceu o sarrafo: cassetete, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, spray de pimenta e 25 pessoas presas. Regra de três simples: se 500 rendem 25 presos, quantos teriam sido se houvesse 5 mil, como em São Paulo? Resposta: 250! Ou por outra: a PM do Distrito Federal prendeu mais gente, proporcionalmente, do que a de São Paulo no protesto de quinta, quando 230 foram detidos. Diferença fundamental: o protesto de Brasília era realmente pacífico. Os manifestantes não portavam lança-chamas, paus, pedras, nada disso. Só palavra. Foram duramente reprimidos. Um dele foi atropelado por uma motocicleta da polícia e preso em seguida. José Eduardo Cardozo, cadê você?

Estão começando a pipocar país afora manifestações contra o uso de dinheiro público na Copa do Mundo. O mote é mais ou menos este: “Da Copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”. Essa relação não é assim tão direta, mas é um jeito de ver o mundo. Seria esse protesto uma variante de um mesmo e difuso mal-estar, que incluiria em seu repertório o protesto contra a elevação das tarifas de ônibus? Tenho dificuldades de lidar com esferas de sensações a conduzir a história. Parece-me que são protestos com origens distintas e, fica evidente, com formas igualmente distintas de expressão. A Avenida Paulista abrigou manifestação com conteúdo idêntico: pacífica e serena. Ninguém portava armas ou buscava confronto com a polícia.

Muito bem! Movimentos organizados, que usam com destreza as redes sociais, se encarregaram de transformar os episódios de São Paulo num caso de lesa democracia, como se não coubesse à polícia reprimir quem vai para as ruas para o tudo ou nada. A repercussão cresceu exponencialmente quando a militância petista entrou na parada, como se o protesto, originalmente, não tivesse como alvo, principalmente, a política de transportes do prefeito Fernando Haddad, que é do partido.

Os episódios do Distrito Federal — e também há pessoas feridas com balas de borracha —certamente terão repercussão bem menor. O petismo se encarregará de tentar abafá-los nas redes sociais, embora, reitero, as ações sejam incomparáveis. Até agora, os que protestam contra o uso de recursos públicos na Copa do Mundo não apelaram à linguagem da violência. E espero que não o façam.

PS – Vamos ver que tratamento as TVs darão à questão.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2013

às 21:15

Justiça do Rio suspende amistoso “Brasil x Inglaterra” no Maracanã. A causa: insegurança no estádio

Na VEJA.com. Voltarei a este assunto mais tarde, mais uma evidência do surrealismo nosso de cada dia.

Uma liminar suspendeu o amistoso que marcaria a reinauguração do Estádio do Maracanã. A juíza da 13ª Vara de Fazenda do Rio de Janeiro, Adriana Costa dos Santos, que responde pelo plantão judiciário, foi a responsável pela decisão, na tarde desta quinta-feira. A partida entre Brasil e Inglaterra, na tarde de domingo, seria o primeiro jogo do novo Maracanã com presença de público – no primeiro evento-teste, só os operários e suas famílias tiveram acesso ao estádio. O pedido para o cancelamento do jogo foi feito pelo Ministério Público. Na ação civil pública, o MP pede que o jogo seja suspenso para “garantir a segurança” até que sejam apresentados laudos técnicos que comprovem que o estádio está em condições de sediar jogos e eventos. O estádio, reformado por cerca de um bilhão de reais, ainda tem obras em seu entorno.

“Apesar das inúmeras solicitações feitas pelo Ministério Público, os laudos não foram entregues em sua totalidade, não havendo, até o momento, a comprovação de que o estádio apresenta os requisitos mínimos necessários para a realização de jogos ou eventos”, escreveu a juíza na decisão. Segundo ela, o único laudo apresentado pela Policia Militar, de 29 de maio de 2013, “demonstra que o estádio ainda está em fase de construção”. O relatório aponta para a existência de materiais perigosos, como pedras, pedaços de calçadas e restos de obras que podem ser utilizados em tumultos e confrontos de torcedores. Também foi constatado que há “pisos soltos, mal fixados” no local. De fato, fica evidente para qualquer pessoa que passe pelo entorno do estádio que ainda há muito trabalho a ser feito. De acordo com a juíza, as pendências deveriam ser sanadas até a véspera da partida, sábado.

“Ocorre que até o presente momento não se tem notícia de que as restrições foram sanadas ou ainda se teve acesso aos demais laudos, indispensáveis, para a verificação da viabilidade de inauguração com a segurança que se espera”, escreveu a juíza. “Sendo assim, diante da desídia dos responsáveis, no caso, os réus, não há como permitir que o estádio seja reinaugurado sem a comprovação de que está em condições satisfatórias de segurança e higiene.” A juíza ressalta também que, se for comprovada a garantia de segurança, “a liminar perderá sua fundamentação, podendo ser revogada, realizando-se, então, o evento como já noticiado na mídia”. A CBF se pronunciou dizendo que o Maracanã está, sim, pronto. O Comitê Organizador Local (COL) da Copa não comentou a decisão, dizendo não ter sido informado. O COL usaria o evento para testar o estádio antes do início da Copa das Confederações. Se o jogo for realizado sem a apresentação dos laudos, a CBF o COL e o presidente destas entidades, José Maria Marin, terão de pagar multa de 1 milhão de reais.

Falha
O governo do Rio de Janeiro acredita que conseguirá reverter a decisão da Justiça e derrubar a liminar. Em nota divulgada no fim da tarde desta quinta, o estado informa que já está recorrendo. “Todos os requisitos de segurança para o amistoso Brasil e Inglaterra foram cumpridos”, diz o texto. “Por uma falha burocrática, o laudo da PM que comprova o cumprimento das regras de segurança no Maracanã não havia sido entregue à Suderj.” No jogo festivo entre amigos de Ronaldo e amigos de Bebeto, no mês passado, o acesso dos convidados e jornalistas ficou restrito a apenas uma parte das cadeiras – do outro lado do estádio, as obras ainda não tinham sido concluídas. Do lado de fora a situação era ainda pior. Os arredores do Maracanã ainda são um grande canteiro de obras, com ruas e calçadas esburacadas. Há algumas semanas, um temporal abriu uma cratera bem em frente ao estádio.

Por Reinaldo Azevedo

29/05/2013

às 14:20

Empresa insiste em liberar a caxirola de Brown, o instrumento búlgaro de percussão

Na VEJA.com:
Desconfiado com a seleção e desanimado com os resultados recentes da equipe, o torcedor brasileiro enfim voltou a vibrar na segunda-feira, quando o chefe de segurança do Comitê Organizador Local (COL) do Mundial de 2013 anunciou que a caxirola estava banida da Copa das Confederações. A notícia movimentou as redes sociais: aliviados, os donos de ingressos para o evento comemoraram a exclusão do chocalho chato inventado por Carlinhos Brown dos estádios do torneio. A comemoração, porém, pode ter sido prematura. Brown e seus sócios – a multinacional que fabrica o produto e até a Globo Marcas, uma das empresas das Organizações Globo, que vai ganhar um porcentual das vendas – ainda não desistiram de conseguir liberar o uso do objeto nas partidas da competição. Nesta quarta-feira, a empresa que produz a caxirola, a americana The Marketing Store, deverá apresentar a representantes do governo federal e do COL uma nova versão do instrumento, mais leve e menos rígida – tudo para diminuir o risco de uma delas ser arremessada no gramado e atingir um jogador. Será uma espécie de caxirola “light”, uma tentativa final de Brown e sua turma para não deixar escapar um negócio potencialmente bilionário. Cada caxirola custa 29,90 reais. O objetivo inicial era produzir até 50 milhões de unidades.

A companhia que se aliou ao cantor para fabricar o instrumento propõe alterar o projeto de forma a reduzir os temores com a segurança dos atletas. De acordo com o portal UOL, a ideia dos fabricantes é reduzir o peso do instrumento de 90 gramas para cerca de 78 gramas, além de tornar os anéis laterais, que servem para o torcedor segurar o objeto, mais flexíveis. Conseguir lançar a “caxirola light” no campo ficaria um pouco mais difícil – e, ainda que ela atingisse o gramado, dificilmente seria capaz de ferir um jogador. Mesmo com essa alteração, é improvável que as preocupações com a segurança sejam dissipadas de vez. A empresa, por sinal, nem sequer admite a proibição, contrariando a posição apresentada pelo representante do COL – de acordo com sua assessoria de imprensa, o assunto ainda não está totalmente definido, e uma decisão final só será anunciada nesta quarta, depois de um encontro entre fabricantes, governo, COL e Fifa. Na terça-feira, no entanto, o próprio diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, confirmou, em entrevista coletiva sobre a distribuição dos ingressos do torneio, que o objeto não estava liberado para a Copa das Confederações. Pode pesar a favor de Brown e de uma possível reviravolta a empolgação da presidente Dilma Rousseff com o instrumento.

No mês passado, durante uma partida entre Bahia e Vitória, torcedores da equipe tricolor protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como “a revolta das caxirolas”. O chocalho de plástico foi vetado no clássico seguinte, depois de uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do COL, que já estudava banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco. Na segunda, o chefe de segurança do COL, Hilário Medeiros foi categórico ao comentar o assunto. “Não é permitida a entrada de torcedores com qualquer instrumento musical, e a caxirola entra neste quesito”, avisou Medeiros em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. “Estamos adotando isso já nos jogos-testes e, na Copa das Confederações, a regra também vai valer.” O governo federal, através do Ministério do Esporte, avisou que não tinha se pronunciado oficialmente a respeito do assunto. A pasta chancelou o projeto de Brown como uma das ações culturais oficiais do Mundial, abrindo a porta para que Brown iniciasse a captação de recursos para a empreitada.

Por Reinaldo Azevedo

05/04/2013

às 16:28

“O céu do meu Brasil tem mais estrelas, lará-lá-la; o sol do meu país, mais esplendor, lará-lá-la…”

O lulo-petismo, por intermédio agora da Comissão da Verdade, nomeada por Dilma, tenta caminhos para promover a revanche com o regime militar, quase 50 anos depois de instalado. Já escrevi e reitero: imaginem se, em 1995, em vez de cuidar do Plano Real, FHC tivesse se empenhado em se vingar de Getúlio Vargas…

Os petistas querem alimentar a revanche, mas é impressionante a forma como mimetizam a parte mais cafona do regime militar: a patacoada do Brasil Grande, do “ninguém segura este país”.

Em 1970, a dupla Dom e Ravel, cuja obra acabou adotada pela ditadura, compôs a música “Eu te amo, meu Brasil”. Era, na verdade, uma marcha militar. A gravação que fez mais sucesso foi a do grupo “Os Incríveis”, que acrescentaram um caco à letra: “Escola, marche!”. Segue um vídeo que está no Youtube. Volto depois.

Voltei

Muito bem! Dilma resolveu refletir sobre o Brasil grande nesta sexta. A música de Dom e Ravel é de 1970. O Brasil havia acabado de ganhar a Copa do Mundo, tornando o único tricampeão. Entre 1968 e 1973, a taxa média de crescimento do país ficou acima de 10%. No ano passado, crescemos abaixo de 1%, mas o que importa é a mística, né? Segundo Aloizio Mercadante, o PIB não tem muita importância… Segue texto publicado na VEJA.com. Volto para encerrar.

Brasil é “insuperável dentro e fora de campo”, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff se empolgou ao dar o pontapé inicial na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, nesta sexta-feira. Em tom ufanista, Dilma ignorou os atrasos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e disse que o Brasil está provando que tem não apenas o melhor futebol do mundo, mas também a melhor organização de grandes torneios. “Somos um país conhecido por ser insuperável no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo”, discursou. A inauguração da nova versão do mais tradicional estádio baiano é, para Dilma, sinal de que “estamos dando um passo importante para transformar a preparação da Copa do Mundo em um legado para o país”. Dilma fez uma rápida vistoria nas instalações antes da cerimônia de inauguração, que contou com a presença dos operários envolvidos na construção.

O estádio baiano deverá receber três jogos da Copa das Confederações, em junho deste ano, e outros seis na Copa do Mundo, em 2014. A presidente estava acompanhada do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do governador da Bahia, Jaques Wagner, além do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. O primeiro jogo da Arena Fonte Nova acontecerá no domingo e reunirá os dois principais times do estado: Bahia e Vitória. Salvador é a terceira cidade-sede a ter seu estádio inaugurado para a Copa das Confederações – as outras são Fortaleza (Castelão) e Belo Horizonte (Mineirão). As obras na capital baiana começaram em junho de 2010 e incluíram a demolição do antigo estádio, a construção de uma nova arena e a criação de um novo edifício garagem. A Arena Fonte Nova tem capacidade para 55.000 pessoas. O empreendimento foi realizado por meio de uma parceria público-privada entre o governo e uma concessionária formada pelas empresas Odebrecht e OAS.

Concluo
Os petistas ainda vão reeditar o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Atenção! A rede suja da Internet já faz isso. Todos os dias, chegam a este blog centenas de mensagens conclamando este jornalista a deixar o Brasil: “Já que você não gosta do nosso (?) país, por que não vai embora?”.

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2013

às 3:33

Para TCU, atraso da Anatel põe em risco transmissão da Copa

Por Júlia Boba e Dimmi Amora, na Folha:
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) enfrentará dificuldades para concluir projetos que visam garantir a segurança e o funcionamento do setor durante a Copa de 2014. A constatação é de um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) ao qual a Folha teve acesso. Segundo o documento, foram concluídas licitações referentes a apenas 11,6% dos R$ 45,7 milhões que a reguladora deveria ter comprometido em 2012 com projetos exigidos pelo Gcopa (Comitê Gestor da Copa 2014, grupo do Executivo que acompanha as ações de preparação para a Copa do Mundo de 2014). Trata-se de duas concorrências para a compra de equipamentos. Em apenas uma delas a compra foi efetivada. Em resposta ao TCU, a Anatel afirmou que 8 de 31 projetos estão fora do prazo.

Diante da situação, o tribunal concluiu que há risco de a agência não obedecer os prazos impostos para modernização de sua estrutura -o que pode gerar, por exemplo, problemas para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo pela TV. Parte dos projetos pendentes visa à criação de uma infraestrutura específica para controlar “usuários mal-intencionados ou desavisados que venham a utilizar dispositivos não compatíveis com padrões estabelecidos no Brasil”, uma das possíveis causas para que haja interferência nas transmissões. ”O risco de interferências pode gerar distúrbios que degradariam por completo a qualidade do sinal, impedindo a visualização de imagens e audição das transmissões”, destaca o relatório.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2012

às 17:42

Aeroportos para a Copa, “prioridades” do governo Dilma, têm só 36% dos gastos prometidos

Na VEJA.com:
A apenas seis meses de receber a Copa das Confederações de 2013 (e a um ano e meio de sediar a Copa do Mundo de 2014), o Brasil continua fazendo menos do que poderia para melhorar sua infraestrutura para os megaeventos esportivos dos próximos anos. Nos aeroportos, por exemplo, as promessas do governo seguem não se confirmando na prática. Apesar das repetidas garantias de que o país terá uma infraestrutura aeroportuária muito melhor para o Mundial, os gastos no setor ainda não deslancharam. Mesmo com grande urgência, até outubro de 2012 a Infraero investiu apenas 39,1% dos recursos previstos no orçamento deste ano, indica levantamento feito pela ONG Contas Abertas. Do total de 2 bilhões de reais autorizados, só 787,1 milhões foram de fato aplicados. Do total orçado para a Infraero, uma fatia de 60% é destinada aos aeroportos das cidades-sede da Copa, um montante de 1,2 bilhão de reais. Até outubro, no entanto, apenas 441 milhões foram aplicados (o equivalente a só 36,7% dos recursos prometidos). Os dados são do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Conforme a Infraero, a baixa execução se deve aos atrasos registrados nos primeiros meses do ano, em decorrência de fortes chuvas e de problemas nos processos de contratação. “Esses atrasos deverão ser compensados nos próximos meses”, explica nota do órgão – que ressalta que, historicamente, as obras da Infraero costumam apresentar maior índice de execução no segundo semestre do ano. “Em 2011, por exemplo, 70% dos investimentos realizados pela empresa foram executados no segundo semestre.” O órgão ainda trabalha com a possibilidade de executar integralmente o orçamento aprovado e revisado de 2012. A estatal ressaltou que a realização de investimentos no primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2012 foi superior ao realizado nos mesmos períodos de 2011. Em valores corrigidos, o montante investido até o quinto bimestre de 2012 representou um recorde para os últimos treze anos. Os valores investidos nos dez primeiros meses do ano têm aumentado em todos os exercícios desde 2008, já que a Infraero sabe que precisa trabalhar muito para que a capacidade do setor seja compatível com o aumento da demanda.

Apesar disso, a execução das obras ainda é considerada insuficiente. Para Adyr da Silva, especialista em aviação civil da Universidade de Brasília, a situação do sistema aeroportuário brasileira é uma tragédia. “Os aeroportos estão subcapacitados. Atualmente, temos condições de atender apenas 50% da demanda de 200 milhões de passageiros por ano. Se fizermos uma comparação, a curva de crescimento da demanda é muito maior do que a de crescimento da capacidade. E essa situação só tende a se agravar”, avisa ele. De acordo como ele, faltam gerenciamento e planejamento para projetos e execução de obras, o que implica diretamente nos resultados dos investimentos. “A capacidade de gastar da Infraero fica prejudicada.” Para Silva, o ponto crítico dos problemas do setor é a baixa capacitação. “Pessoas com nenhuma experiência estão ocupando cargos na Infraero.” Essa, segundo ele, deve ser a principal preocupação da estatal para conseguir executar os orçamentos e finalmente começar a corrigir a grande defasagem entre a demanda – já existente e que deve aumentar ainda mais – e a capacidade dos aeroportos.

“Problema angustiante”
O caso dos aeroportos das sedes da Copa é emblemático. Nas obras de construção da Torre de Controle no Aeroporto Internacional de Congonhas, de adequação do Aeroporto de Guarulhos e do Aeroporto Internacional de Viracopos, todas em São Paulo, foram aplicados apenas 50% dos 321 milhões de reais orçados para este ano. Em situação semelhante encontram-se as ações de adequação do Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerias, e do Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília. No Rio de Janeiro, na reforma e ampliação do Terminal de Passageiros e do Sistema de Pistas e Pátios do Aeroporto Santos Dumont e adequação do Aeroporto Internacional do Galeão foram investidos apenas 18,6% do orçamento para 2012. Para Adyr da Silva, a Copa de 2014 é uma situação limite para a qual, apesar de ter havido movimentação, o Brasil não está preparado. “Na África do Sul, em 2010, nos momentos de pico houve cerca de 580 aviões num mesmo dia em um aeroporto. Nenhum aeroporto brasileiro suportaria tal demanda atualmente. É um problema angustiante”, alerta.

Apesar disso, na visão da Infraero, a baixa execução das obras não significa que o país esteja enfrentando dificuldades nos investimentos no setor. A assessoria do órgão ressaltou que outras obras já estão acontecendo e “vão beneficiar passageiros e demais usuários do transporte aéreo”. Em fórum sobre a Copa promovido pela revista Exame, da Editora Abril, que também publica VEJA, na segunda-feira, em São Paulo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se disse satisfeito com o andamento dos trabalhos nessa área e mostrou confiança na capacidade brasileira de receber bem todos os visitantes que chegarão para o evento em 2014. “Não teremos nos aeroportos nenhum problema que inviabilize a Copa”, assegurou ele. Mesmo com as necessidades claras do país nessa área, a Infraero deve diminuir o valor dos investimentos no orçamento de 2013. Os gastos prometidos pela estatal deverão atingir a cifra de 1,5 bilhão de reais, meio bilhão a menos que o valor liberado para 2012. Para 2014 e 2015, no entanto, os valores devem voltar a crescer: a previsão é de que 3,5 bilhões de reais sejam investidos em cada ano.

Por Reinaldo Azevedo

09/11/2012

às 16:04

Copa, por enquanto, decepciona dentro e fora dos estádios

Há cinco anos, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, a notícia provocou mais preocupação do que orgulho, algo a se estranhar quando se trata de um país tão ligado ao futebol. Mas a desconfiança era inevitável: temia-se que as autoridades brasileiras cometessem os mesmos erros de sempre nos preparativos para o Mundial. Obras atrasadas – e, portanto, mais caras, já que acabam exigindo investimentos de última hora para cumprir os prazos – estavam no topo da lista de problemas previstos pela população. O gasto de um volume excessivo de dinheiro público (mesmo com as promessas de que todos os estádios seriam erguidos com investimento privado) também provocava arrepios no contribuinte. Por fim, a sensação de que pouco seria feito fora dos estádios fazia o brasileiro lamentar a perda de uma oportunidade de ouro para promover uma revolução na infraestrutura do país. A dois anos do início da Copa, essas preocupações vão se confirmando – pelo menos por enquanto, a chance de o país usar o evento para mostrar seu potencial parece, de fato, estar sendo desperdiçada. Para completar, a empreitada fica cada vez mais cara: de acordo com dados divulgados na quinta-feira, os gastos com estádios e outras obras já chegam a 27,3 bilhões, somando recursos públicos e privados, 3,5 bilhões a mais que o estimado anteriormente.

O Brasil encerra a semana com sinais preocupantes tanto dentro como fora dos estádios de 2014. Na manhã de quinta, a Fifa anunciou as seis cidades-sede da Copa das Confederações, em São Paulo. O país evitou o vexame de ter cidades cortadas do torneio por causa do atraso nas obras dos estádios - mas não conseguiu escapar de uma bronca da entidade que comanda o futebol internacional. Os dirigentes da Fifa não esconderam sua irritação por terem de aceitar a entrega das arenas fora do prazo prometido (seis meses de antecedência). Horas depois, um alerta sobre o que cerca os novos estádios. O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou um diagnóstico preocupante das obras da Copa e sugeriu ao governo que, diante da ineficiência na execução dos investimentos, retire empreendimentos da matriz de responsabilidades. É nesse documento que está o cálculo sobre o aumento de 3,5 bilhões de reais nos gastos com o evento. De acordo com uma auditoria do órgão, das 44 obras de mobilidade financiadas pela Caixa, por exemplo, 38 não tiveram nenhum desembolso por ora.

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Além disso, muitas dessas obras não tiveram os empréstimos sequer contratados. Parte tem sido tocada apenas com recursos de estados e municípios, correndo o risco de ficar pela metade, caso os trâmites dos financiamentos não se concretizem. Nada menos que 35% têm data de entrega prevista para maio ou junho de 2014, às vésperas do evento. Em seu voto, o relator dos processos de acompanhamento da Copa, ministro Valmir Campelo, sugere que o governo reestude e retire alguns investimentos da matriz de responsabilidades, tendo em vista a perspectiva de que não sejam inauguradas a tempo. “Que o Ministério do Esporte reveja e, se for o caso, assuma o ônus político”, afirmou. Segundo Campelo, o governo anunciou como preocupante a situação de apenas cinco obras. Porém, o Ministério das Cidades, responsável pelo acompanhamento dos projetos de mobilidade, tem falhado na fiscalização e no acompanhamento, fiando-se apenas em informações prestadas por estados e municípios, sem vistoriar os serviços in loco. Ainda assim, o governo segue divulgando vídeos mensais com o avanço das obras. Todos, é claro, tentam transmitir a impressão de que as obras transcorrem com notável velocidade.

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Campelo classificou de inquietante a situação dos aeroportos, principalmente em Viracopos e Guarulhos, ambos no estado de São Paulo, cujas principais obras têm previsão de entrega para 2014, às vésperas da Copa. Em Confins, a licitação para a reforma da pista fracassou. A situação não é diferente no caso dos portos. No Rio, principal porta de entrada de turistas do país, os píeres de atracação de navios de passageiros não ficarão prontos. Em Santos, as obras só vão ser entregues depois do evento. Há pouco mais de um mês, o governo federal confirmou o primeiro cancelamento de uma obra prometida para a Copa. Em 2010, quando definiu a Matriz de Responsabilidades do Mundial, o país listou todas as obras ligadas à realização do evento, tanto nos estádios como na infraestrutura. Até setembro, o governo vinha mantendo a promessa de entregar todos os projetos previstos no documento. A construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Brasília, porém, acabou sendo está cancelada e não sairá do papel. O trem ligaria o aeroporto da capital ao Terminal da Asa Sul. A obra, marcada por irregularidades, foi retirada da matriz a pedido do governo distrital.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2012

às 16:16

A dois anos da Copa, obras em aeroportos ainda não decolam; só 30% dos investimentos até agora

Ao defender a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o governo sempre argumenta que o evento oferece ao país a oportunidade de melhorar sua infraestrutura, em especial num dos pontos em que os investimentos são mais urgentes: o sistema aeroportuário. Até agora, porém, a prometida reformulação da área – considerada essencial para o crescimento sustentável da economia brasileira – pode ser classificada como um fiasco.

De acordo com um levantamento da ONG Contas Abertas, o ano de 2012, que seria decisivo para modernizar os aeroportos do país antes da Copa, foi de pouquíssimos avanços até agora. O estudo, divulgado nesta sexta-feira, mostra que a Infraero ainda não conseguiu acelerar os investimentos autorizados para 2012 – de um total de 2 bilhões de reais, apenas 591,5 milhões (ou 29,4% do total) foram aplicados nos oito primeiros meses do ano. Caso a execução dos investimentos fosse regular no decorrer de todo o ano, cerca de 1,3 bilhão de reais já deveria ter saído dos cofres da estatal, que promete acelerar as obras nos próximos meses.

Leia também:

- Governo anuncia primeiro cancelamento de obra prometida para 2014
- Fifa acha que a Copa finalmente entrou nos trilhos. Mas a que preço?
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A Infraero afirma que as condições climáticas atrapalharam as obras e dificuldades no processo de contratação atrasaram os trabalhos. “Em decorrência desses fatores, as obras da Infraero apresentam maior índice de execução no segundo semestre”, diz comunicado da estatal. “Em 2011, 70% dos investimentos realizados pela empresa foram executados nesse período. A expectativa da Infraero é executar entre 85% e 90% dos investimentos previstos para 2012.” Ainda que o ritmo das obras melhore, o gasto do governo no setor já terá perdido uma de suas metas: receber melhor os visitantes esperados para a Copa das Confederações, que acontece já no ano que vem. Do total de 1,2 bilhão de reais previsto pela Infraero para as obras de ampliação, reforma, adequação e construção de aeroportos nas cidades-sede da Copa de 2014, só 365,1 milhões – o correspondente a 30,3% do total -, foram aplicados entre janeiro e agosto de 2012. Em sete das quinze ações previstas para esses aeroportos, menos de 15% dos recursos previstos foram realmente investidos.

Entre as obras estão, por exemplo, a reforma e a ampliação do terminal de passageiros e do sistema de pistas e pátios do Aeroporto Santos Dumont e a adequação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A cidade será palco da decisão da Copa das Confederações, em 30 de junho de 2013. Estão incluídas ainda as obras de adequação dos aeroportos de Confins, Brasília, Cuiabá e Salvador. A obra que deve receber o maior montante de recursos é a de adequação do Aeroporto de Guarulhos: 270,5 milhões de reais, dos quais apenas 144,8 milhões foram aplicados. Outra ação, a de reforma e adequação do Terminal de Passageiros 1 do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, teve 63,5% dos 131,8 milhões de reais previstos para 2012 aplicados até agora. Os dados são do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Apesar do abismo entre investimentos prometidos e gastos de fato realizados, a Infraero assegura que os trabalhos tem sido executados de acordo com o planejado

“Pressão”
Na segunda-feira, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) fez um alerta ao Brasil ao comentar os preparativos para a Copa de 2014. De acordo com o órgão, em razão dos atrasos nas obras de aeroportos, a ampliação de terminais corre o risco de custar “horrivelmente caro” ao país. A afirmação foi feita pelo diretor executivo da Iata, Tony Tyler. Ele chamou a atenção para o fato de as reformas e ampliações em aeroportos serem “absolutamente necessárias” para que o Brasil possa receber torcedores e turistas durante o Mundial. Mas, faltando menos de dois anos para o evento, não é mais possível esconder a preocupação em relação às obras. “Ainda há tempo para realizar as ampliações necessárias. Isso é possível, como vimos na Índia, onde reformas desse porte foram feitas em 36 meses. Mas o problema é que podem custar horrivelmente caro”, disse Tyler. “Os aeroportos brasileiros estão sob enorme pressão”, avisou. O executivo ainda criticou o modelo de licitação lançado pelo governo para a concessão dos aeroportos. Para ele, os valores pagos na primeira rodada de vendas resultará em aumento de preços nas passagens e prejuízos ao consumidor.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2012

às 16:44

41% das obras da Copa de 2014 nem sequer saíram do papel

Por que estender para as obras da Copa o tal regime diferenciado, que dispensa licitações (trato do assunto posts abaixo)? Por causa da incompetência gerencial do governo. Entenderam o busílis? Como o govenro é incompetente, que se dane a moralidade. Leiam o que informa Laryssa Borges, na VEJA Online:
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A cerca de dois anos anos para o início da Copa do Mundo de 2014, 41% das obras previstas para o Mundial ainda não saíram do papel. É o que mostra balanço do governo federal divulgado nesta quarta-feira. Os dados foram atualizados até abril deste ano. Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo —
o mesmo que afirmou no mês passado que os atrasos eram apenas “impressão” —, dos 101 empreendimentos previstos, apenas 5% foram concluídos. Outros 32% estão em fase licitação ou em estágio mais incipiente, na fase de elaboração de projetos.

Nem os fatos ou a pressão da Fifa, porém, tiram o otimismo de Rebelo. O ministro afirmou que o baixo desembolso de recursos para as obras já iniciadas não indica que o governo tenha de falar em “milagre” para conseguir concluir os projetos a tempo. “Podemos dispensar os serviços dos santos para que eles possam socorrer causas mais necessitadas”, ironizou o ministro. De acordo com ele, dificuldades burocráticas consomem boa parte do tempo das obras.

Ao tentar justificar o ritmo lento das obras, Rebelo saiu-se com essa: “Não sei por que o preconceito com as obras no papel. Vamos tratar com mais generosidade com o que está no papel. Estar no papel não significa necessariamente atraso. Sabemos que no Brasil, pela complexidade de sua estrutura democrática e institucional, é preciso atender um grande número de requisitos e exigências legais, leis, portarias, decretos, instruções normativas”. O ministro ainda garantiu que o governo está bastante otimista com o quadro e confia na possibilidade de superar todos os desafios até a realização da Copa. “Não trabalhamos com o conceito e a ideia do atraso. Temos um olho no estágio atual das obras e outro olho na conclusão das obras. Acreditamos que as obras estarão prontas antes do prazo de entrega”, completou.

Apesar do alto porcentual de obras do Mundial não iniciadas, o governo projeta que 84% dos empreendimentos estarão concluídos até 2013, ano que o Brasil também sediará a Copa das Confederações. Pelas estimativas do governo, 69% das obras serão entregues apenas no próximo ano, quando o país abrigará o campeonato esportivo que antecede o Mundial.

O balanço do governo federal divulgado também registra que oito das 12 cidades-sede da Copa ainda não executaram nem sequer metade das obras previstas em seus estádios. A cidade de Recife, que deve concluir a Arena Pernambuco até a Copa das Confederações, só executou 33% das obras no estádio – três pontos porcentuais abaixo da projeção inicial. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda analisa se vai conceder financiamento – no valor total de 758 milhões de reais – aos estádios do Itaquerão, em São Paulo, Beira Rio, em Porto Alegre, e Arena da Baixada, em Curitiba.

Na avaliação do ministro Rebelo, a análise sobre o andamento das obras da Copa do Mundo de 2014 comporta diferentes interpretações. Segundo ele, a Fifa, que fez frequentes críticas à organização do Mundial, e o governo brasileiro avaliam de maneira diferente o grau de andamento dos projetos. “A Fifa dava um peso muito pequeno à demolição, terraplanagem, fundações, estaqueamento. Considero que a fase de planejamento, elaboração de projeto e realização de licitações são uma parte importante dentro do prazo da obra”, afirmou. Rebelo ainda minimizou a mais recente rodada de críticas do presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter. “Estamos abertos a recepcionar críticas dos nacionais e por que não dos estrangeiros? Não somos donos da verdade e nem temos pretensão da perfeição. O pessimismo e o otimismo são culturais e podem contaminar dirigentes estrangeiros, como o Joseph Blatter”, ironizou.

Quando analisadas as obras de mobilidade urbana nas cidades-sede, 45% delas também não saíram do papel. O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, explicou que os impasses nas obras têm as mais diferentes causas: problemas ambientais, atrasos em assentamentos e questionamentos do Ministério Público. “Temos gargalos diferentes e a ideia é que possamos avançar e ter em um período rápido esses problemas já superados”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

30/03/2012

às 15:17

Blatter volta a dar pito no Brasil e diz que Valcke, aquele do pé no traseiro, continua a representar a entidade e volta ao país em maio

Acreditem no Tio Rei!

Vocês se lembram de Jérôme Valcke, aquele que mandou o governo brasileiro dar um pontapé nas próprias nádegas — “un coup de pied aux fesses” (se virar, fazer alguma coisa, acordar pra realidade,  parar de pisar no saco…) — e tocar a Copa do Mundo? Então…

Vocês se lembram que, logo depois de vir ao Brasil e se encontrar com Dilma Rousseff — chegou com batedores e pose de chefe de estado e foi recebido por uma chefe de estado, de igual pra igual (!) —, ele concedeu uma entrevista afirmando que muitos citavam a Inglaterra como alternativa para a Copa do Mundo de 2014, mas que ele achava que o Brasil tinha plenas condições de realizar o evento? Então… Era, obviamente, uma ameaça.

Em Banânia, noticiou-se que o Brasil tinha falado grosso e vencido o embate. Não aqui! O post do dia 16 de março era este: “Blatter se encontra com Dilma e, em entrevista, deixa claro que entidade pode dar um pé no traseiro do Brasil e fazer a Copa na Inglaterra

Pois é… Leiam o que informa a VEJA Online:
Blatter: “Esperamos atos do Brasil e não apenas palavras”

Depois de dizer na quarta-feira, no início da uma reunião do Comitê Organizador do Mundial, em Zurique, na Suíça, que o Brasil fará “uma Copa excepcional”, Joseph Blatter mudou o tom e deixou de lado elogios e afagos. Nesta sexta, cobrou o governo brasileiro: “Esperamos atos e não apenas palavras.”

Para mostrar sua posição, Blatter disse ainda que a Copa é no Brasil, mas quem ainda representa a entidade é o secretário geral, Jérôme Valcke, que deve vir ao país em maio. “Ele é o responsável pela de Copa de 2014 e as seguintes.” Valcke foi o responsável pelo mal-estar criado depois de dizer que o país precisava de “um chute no traseiro” para acelerar as obras para o Mundial.

Blatter afirmou ainda que está otimista quanto à capacidade hoteleira do Brasil. “Ainda há alguns problemas, a situação não é perfeita. É como na África do Sul, em algumas cidades será preciso se deslocar de localidades próximas, mas isso não vai impedir que os torcedores viajem ao Brasil. São apenas alguns obstáculos logísticos.”

Mudança no comitê
Blatter confirmou também nesta sexta a decisão de mudar a maneira como a Fifa investiga casos de corrupção ao publicar em seu perfil no Twitter que o comitê executivo da entidade aprovou a divisão do seu comitê de ética em dois órgãos, um para investigar casos e outro para julgá-los.

A decisão acontece após o Comitê de Ética da Fifa não conseguir obter provas suficientes para abrir processos sobre supostos pagamentos de subornos durante a escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Dia histórico para o processo de reforma da Fifa”, escreveu Blatter sobre a proposta de mudança no comitê, que deve ser votado pelos 208 membros da entidade durante seu congresso, 25 de maio, em Budapeste, na Hungria.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 20:50

O porre da covardia governista – Câmara aprova Lei Geral da Copa, deixando para estados a liberação do álcool nos estádios

Por Gabriel Castro, na VEJA Online. Volto depois.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto do relator Vicente Cândido (PT-SP) para o projeto da Lei Geral da Copa, que cria normas para a realização do torneio mundial em 2014 e da Copa das Confederações do ano anterior. A votação se deu de forma simbólica. Restam agora, entretanto, os pontos mais controversos do texto, que serão analisados de forma separada.

A versão aprovada pelos deputados se omite em relação à venda de álcool durante o torneio esportivo, o que repassa a responsabilidade de negociar com a Fifa aos estados que hoje proíbem esse tipo de comércio. Esse ponto, entretanto, ainda pode ser alterado por emendas apresentadas ao texto. Outros trechos questionados dizem respeito aos critérios de concessão da meia-entrada.

A última mudança incluída no texto pelo relator foi a destinação de pelo menos 1% dos ingressos da Copa do Mundo para portadores de deficiência. Pela proposta aprovada, idosos – e apenas eles – terão direito a meia-entrada. Jovens e favorecidos por programas de transferência de renda serão beneficiados com uma cota limitada a 300.000 ingressos ao preço “popular” de 25 dólares, cerca de 45 reais.

Depois de aprovado pela Câmara o texto seguirá para o Senado Federal. A Lei Geral da Copa foi tema de uma negociação desgastante envolvendo a Fifa, o governo e partidos aliados no Congresso. Na semana passada, o governo tentou forçar a votação da proposta, mesmo sem acordo. Com a recusa de boa parte das legendas aliadas, a sessão acabou derrubada. Nesta quarta-feira, o líder do governo garantiu que o episódio não tem ligação com uma possível rebelião na base governista: “A tentativa teria sido bem sucedida. Não foi porque a questão do Código Florestal ainda contaminava as preocupações de uma maioria que se consolidou naquele momento”, afirmou.

Para que a Lei Geral da Copa fosse votada nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), concordou com a votação do Código Florestal já no mês de abril.

Voltei. Já disse o que penso a respeito. Está aqui. O título do artigo é longo, quase uma dissertação: “BEBIDA NOS ESTÁDIOS: A fala absurda do presidente da OAB-RJ. Ou: Senhores congressistas, escolham a vergonha menor e mudem de vez o Estatuto do Torcedor! A alternativa é virar lobista de cervejaria…”

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 5:33

Câmara fecha acordo e tenta votar Lei da Copa hoje

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira a Lei Geral da Copa. Presidente da Casa e comantante interino da Presidência da República, Marco Maia (PT-RS) coordendou um acordo envolvendo os líderes do PSDB e do DEM, que são contra trechos da proposta defendida pelo governo. Bruno Araújo (PSDB-PE) e ACM Neto (DEM-BA) almoçaram com Maia nesta terça. O acerto foi anunciado apenas à noite. Mais cedo, os líderes governistas davam como certo que a Lei da Copa só seria apreciada depois da Páscoa, daqui a duas semanas.

O acordo costurado por Marco Maia é pela colocação da proposta em pauta, mas não influi no mérito. A oposição, que questiona a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, apresentará um destaque para que este tema seja apreciado de forma separada. Como parte do acerto, o Código Florestal deve ser apreciado pela Câmara em abril. A votação da proposta era uma exigência da bancada ruralista, que ajudou a atrasar a votação da Lei Geral da Copa.o governo pagou para ver e impôs a votação da proposta que cria normas para a realização do torneio esportivo em 2014,apesar da falta de acordo entre os líderes aliados. Não funcionou: a maioria das legendas entrou em obstrução e derrubou a sessão.Partidos como PR, PMDB, PDT e PTB estavam insatisfeitos com a falta de diálogo do governo e a demissão de quadros do partido na Esplanada. A insatisfação somou votos à diminuta oposição e fez o governo recuar. Além da má-vontade dos aliados, o governo também encontrou resistência porque se recusou a marcar a data de votação do Código Florestal.

Resistência – Na semana passada,

Com o acordo anunciado nesta terça, a votação desta quarta se dará na ausência do presidente da Câmara, Marco Maia. Rose de Freitas (PMDB-ES), a primeira vice, comandará a sessão. Normalmente, a Casa não aprecia propostas importantes sob o comando de Rose. As ausências de Dilma Rousseff, que está na Índia, e de Michel Temer, na Coreia do Sul, também podem incentivar o sentimento de rebeldia: apesar do acordo entre os líderes, o grau de desobediência dos deputados não reduziu significativamente na última semana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 21:02

Base aliada se rebela, humilha Planalto e, sem consenso, votação da Lei Geral da Copa é adiada

Por Gabriel Castro e Luciana Marques, na VEJA Online. Volto depois:
Um erro de avaliação do Planalto, em plena rebelião da base aliada, inviabilizou a votação da Lei Geral da Copa nesta semana. Mesmo sem consenso entre os líderes partidários, o presidente da Casa, Marco Maia (PT RS), cedeu à pressão do governo e anunciou que o tema entraria em pauta nesta quarta. O problema é que parte dos deputados (especialmente a bancada ruralista) exige, em troca, que seja definida a data para votar o Código Florestal – mas o governo não quer se comprometer com a apreciação do projeto que trata do uso do solo do país. Isso, somado à insatisfação crescente na base aliada, gerou o resultado previsível para todos – só o governo não viu.

O imbróglio foi ignorado e Maia anunciou a votação: “A Lei Geral da Copa não tem nada a ver com o Código Florestal”, disse, pouco antes do início da sessão da sessão. O petista sabia, entretanto, o que estava por vir. Em sequência, partidos adotaram uma artimanha regimental e começaram a anunciar a obstrução dos trabalhos, impossibilitando a votação por falta de quórum. Foi o que fizeram PMDB, PSD, PR, DEM, PDT, PV, PSC, PMN e PSDB. A insatisfação dos deputados vai além da falta de acordo sobre o Código: os líderes de PR e PDT, por exemplo, declararam abertamente em plenário que protestavam contra a falta de traquejo do governo na relação com a Câmara.

Os deputados nem chegaram a analisar o mérito da Lei da Copa: a sessão se encerrou ainda durante a votação de um requerimento do PSDB, que pedia a retirada do assunto de pauta. Apesar do plenário repleto, boa parte dos deputados aderiu à obstrução e não marcou presença. O placar, inútil, ficou de 135 votos contra oito para manter a votação nesta quarta. Doze deputados se abstiveram. O número mais impressionante, porém, foi o de parlamentares em obstrução: 138. Foram eles que inviabilizaram a votação.

“Nós vamos agora dar um tempo ao governo. Digamos que nós entramos na prorrogação, vamos ver se não é necessário ir para os pênaltis”, disse um resignado Marco Maia à imprensa, ao fim da sessão. Do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), veio a avaliação mais lúcida: “Os líderes não estão segurando suas bancadas”. Ele afirmou que, se o texto da Lei da Copa fosse votado nesta quarta, como queria o governo, a chance de derrota seria altíssima. Pela ótica de Alves, os peemedebistas até ajudaram quando defenderam a obstrução: desta forma, mantêm o projeto em pauta e evitam que a Câmara rejeite o texto.

Pressão
 Os líderes aliados alegam que não são contra o projeto da Lei da Copa, mas, sim, contra o posicionamento do governo.  A postura do presidente da Câmara atende à pressão do Executivo, que quer ver a Lei da Copa aprovada rapidamente e, ao mesmo tempo, não pretende dar qualquer garantia sobre o Código Florestal. “Eu acho razoável por parte do governo que haja uma preocupação com a votação do Código Florestal. É importante dar um tempo para o governo, e eu quero dar mais uma semana para que o governo possa construir sua opinião sobre o mérito de forma consensuada”, justificou Marco Maia.

Boa parte da insatisfação dos aliados decorre, especialmente, da possibilidade de venda de bebidas alcólicas em estádios durante o torneio. Para contornar a resistência, o governo pediu que a liberação expressa desse comércio no projeto fosse suprimida. Agora, a proposta se omite sobre o tema e empurra a decisão para o colo dos governos estaduais que hoje proíbem a venda das bebidas alcoólicas. 

Os parlamentares contrários à medida – inclusive o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG) – comemoraram o adiamento da votação. Eles seguraram um cartaz com os dizeres: “Vamos dar um chute no traseiro do álcool nos estádios da Copa”. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), disse que a decisão sobre a liberação de bebidas alcóolicas nos estádios deve ser do Congresso Nacional, e não dos governos estaduais.
 
“Não abrimos mão das nossas prerrorativas de decidir sobre essa matéria”, disse Campos.  “O Brasil vai abrir exceção apenas para atender a interesses do mercado?”, questionou. Campos afirmou que os 76 parlamentares da bancada evangélica são contra a liberação das bebidas. 

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 5:59

BEBIDA NOS ESTÁDIOS: A fala absurda do presidente da OAB-RJ. Ou: Senhores congressistas, escolham a vergonha menor e mudem de vez o Estatuto do Torcedor! A alternativa é virar lobista de cervejaria…

Escrevi este texto na tarde de ontem. Dada a decisão ridícula e covarde de transferir o ônus para os estados, resolvi mantê-lo no alto por algum tempo.

Eu estou ficando a cada dia mais encantado com o rigor jurídico do pensamento do doutor Wadih Damous, presidente da OAB-RJ. Ele é tão favorável à retirada de crucifixos de tribunais, por exemplo, que defendeu que duas obras de arte assinadas, instaladas no STF, sejam adulteradas para que se retire de lá aquele símbolo do, como escrever?, “imperialismo cristão”. Eu o chamei, por isso, de taliban de gravata. Expliquei por quê.

Mas poderia haver um lado interessante em seu pensamento, ainda que eu discordasse do conteúdo: o amor a princípios. Aí estaria, enfim, uma homem que não transigiria nunca! Não se poderia, nesse caso, aplicar o mote “dura lex, sed lex” porque inexiste lei que expulse os crucifixos. Há o princípio da laicidade do estado e pronto — embora se ignore caso em que o crucifixo, num tribunal, tenha concorrido para a injustiça. De todo modo, doutor Damous seria de uma retidão que não se intimidaria nem diante de Moisés ou da Pietà, de Michelangelo! ”Arranca!”

Mas não é que me decepciono? O seu fundamentalismo, pelo visto, é ad hoc — vale para os crucifixos, mas se queda compassivo e compreensivo diante de uma latinha de cerveja, mais ou menos como os soldados de Luís Bonaparte, segundo Marx, não resistiam a champanhe e a salsichas com alho… Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida.
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O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, defendeu terça-feira (20) a liberação do consumo de bebida alcoólica nos estádios durante os jogos da Copa de 2014. Segundo Damous, o futebol é um entretenimento e assistir a uma partida dentro de um estádio bebendo cerveja não atenta contra qualquer regra de moralidade, até porque a cerveja tem um baixíssimo teor alcoólico. “Beber cerveja e assistir a um jogo de futebol não tem problema nenhum. Agora, beber e sair dirigindo ou praticar atos de violência não pode ocorrer de maneira alguma”, afirmou.

Na semana passada, depois de prometer a deputados que iria tirar da Lei Geral da Copa a liberação de bebida alcoólica, o governo recuou para atender a um compromisso firmado com a Fifa.  Em nota oficial publicada na quinta-feira (15), o Ministério do Esporte afirma que o acordo com a Fifa depende do projeto de lei levado ao plenário da Câmara, aprovado na comissão especial, e que traz a liberação da cerveja. “Na versão que está sendo analisada pela Câmara, a permissão de venda de bebidas está expressa nos artigos 28, 29 e 67. Portanto, o cumprimento integral das garantias firmadas pelo Brasil com a Fifa para sediar a Copa depende da aprovação do projeto de lei nos termos em que foi apresentado ao plenário esta semana”, diz o ministro Aldo Rebelo (Esporte), em nota.
(…)
Voltei
O que eu penso? Penso que as leis do país têm de ser seguidas. Em qualquer caso? Em qualquer caso! O Estatuto do Torcedor proíbe a venda de bebidas nos estádios? Então vale o que está lá. Não reconhecia autoridade a Lula — nem a reconheço a Dilma —  para celebrar acordos que se oponham ao status legal do país. Ou, então, que se mude o Estatuto do Torcedor de vez. Fazer uma alteração ad hoc, só para a Copa e porque a Fifa exige, é coisa de país bananeiro; é coisa de quem está dando o traseiro ao chute. ESSE DEBATE DEVERIA NOS ENVERGONHAR. Mas há quem chame isso de pragmatismo.

Aliás, nesse particular, o nacionalismo sempre acentuado do ministro Aldo Rebelo me decepciona. Ok. Aceitou ser ministro do Esporte. Defender o álcool nos estádios era parte do pacote. Ora, que peça então a mudança do Estatuto. Considerar que a permissão transitória e específica é uma vantagem depõe contra esse aspecto de seu discurso. E, obviamente, depõe contra os mais comezinhos fundamentos do ordenamento jurídico. E é por isso que doutor Damous me surpreende — ou não me surpreende.

Prestemos atenção à sua fala:
“Beber cerveja e assistir a um jogo de futebol não tem problema nenhum. Agora, beber e sair dirigindo ou praticar atos de violência não pode ocorrer de maneira alguma”,
Huuummm… Doutor Damous está dizendo que tudo fica bem quando vai bem. Ele defende a liberação da beberagem, mas sem que os consumidores pratiquem atos de violência ou direção irresponsável. Ah,bom! Agora sim! Dada a absoluta impossibilidade de se flertar com o contrário — imaginem o presidente da OAB a defender porrada e bêbados ao volante… —, a fala do presidente da OAB supera em vacuidade as batatadas do Conselheiro Acácio. Fosse nosso contemporâneo, Eça teria dado outro nome à sua personagem famosa.

Faltaria a Doutor Damous explicar por que ele acredita que uma lei não precisa ser seguida, mas as outras, sim! Sendo ele o presidente da OAB — uma entidade que goza, no país, do privilégio de dizer quem pode e quem não pode advogar, e o filtro é um exame que testa justamente o conhecimento em leis —, estamos diante de uma dessas contradições inelutáveis, que só podem mesmo prosperar por aqui.

Notem que o preclaro não evocou um só fundamento jurídico — pô, gente, não é porque ele é presidente da OAB-RJ que a tanto deva se obrigar, né? — para defender a sua tese, a não ser o famoso “que mal tem?”. Ora, opinião tão fundamentada pode ser dada pelo pipoqueiro. Se a gente ouve um advogado ou jurista para opinar sobre um determinado assunto e se ele renuncia à sua expertise para falar como homem comum, a sua expertise serve, então, para quê? Para conferir a dimensão de ciência ao que é uma opinião arbitrária, como qualquer outra.

Eu desafio — e que os advogados do Brasil e estudantes de direito a tanto fiquem atentos — o doutor Damous a dar fundamentação jurídica para a sua opinião; eu o desafio a expor os alicerces legais em que se assenta a sua opinião.

Encerro
A Fifa transfere a Copa para a Inglaterra, como ameaçou Joseph Blatter em visita ao Brasil (coisa que a imprensa brasileira preferiu ignorar) caso não se libere a bebida nos estádios? Duvido! Mas digamos que o risco exista…

BEM, ENTÃO O CONGRESSO BRASILEIRO DEVE ESCOLHER – É O QUE LHE RESTOU – A VERGONHA MENOR: MUDAR O ESTATUTO DO TORCEDOR! QUE SE LIBERE O ÁLCOOL NOS ESTÁDIOS E PRONTO! Do contrário, cada congressista que votar a favor da liberação específica estará se comportando apenas como lobista de cervejaria.

Alguém objetará: “Poxa, Reinaldo, mas o mal menor é liberar o álcool apenas no mês dos jogos, não é?” Não! Lamento! O mal maior é o país fazer pouco caso de suas leis e criar legislação ad hoc para atender aos interesses de entidades e lobbies privados.

PS – Eu entendi errado, ou Doutor Damous está a defender só a liberação da cerveja, porque tem baixo teor alcoólico, mas de outras bebidas? A sua fala é tão responsável, mas tão responsável, que os especialistas da área poderão lhe dizer: boa parte das pessoas surpreendidas embriagadas ao volante consumiu cerveja em excesso. É uma fala irredimível do ponto de vista ético, moral, jurídico e histórico. Parece que a coerência não é uma cruz que ele se mostre disposto a carregar.

PS2 – Por que Dilma não dá um soco na mesa e obriga um dos estafetas do petismo a apresentar uma lei mudando o Estatuto do Torcedor? Partido do governo existe para ficar com o bônus do poder, mas também com o ônus. A petezada, no entanto, quer largar a batata quente no colo dos governadores. Se alguma coisa ruim acontecer em razão do consumo do álcool, a responsabilidade será deles. Afinal, cabe às polícias militares garantir a segurança. O governo federal só entra com a cerveja.

Texto publicado originalmente às 16h32 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

20/03/2012

às 22:40

Prevalecem a covardia e a chantagem do Planalto e do PT, e caberá aos governos estaduais liberar ou não o álcool nos estádios; se disserem “não”, ficam sem a Copa

Bem, caras e caros, não tenho nada a acrescentar ao que já escrevi hoje sobre a questão da liberação do álcool nos estádios. Prevaleceu a lógica da covardia e da chantagem. O governo federal e o PT abrem mão de suas responsabilidades e jogam mesmo a responsabilidade no colo dos governadores. Eles que desrespeitem a lei.  Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA Online

Os líderes da base aliada na Câmara dizem ter chegado a um acordo para a votação da Lei Geral da Copa. O acerto foi feito nesta terça em uma reunião com a presença do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e passa pela supressão do artigo 29, que altera o Estatuto do Torcedor e libera expressamente a venda de bebidas alcoólicas durante o torneio esportivo. Como resultado, o texto simplesmente deixará o tema em aberto: os estados e municípios que possuem leis proibindo este tipo de comércio teriam que se adequar às normas da Fifa.

“O governo mantém a posição de manter as garantias firmadas com a Fifa”, disse o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, após o encontro com os parlamentares. Ele não explicou como a questão será resolvida nos estados onde há veto ao comércio de álcool nos estádios. De acordo com o ministro, tanto o texto original do governo, que não faz menção à bebida, quanto o do relator Vicente Cândido (PT-SP), que libera expressamente a venda de álcool nos estádios durante a Copa, mantêm o acordo do governo com a Fifa. A incerteza do governo sobre o tema tem gerado mal-entendidos nos últimos dias. Os líderes aliados chegaram a anunciar que modificariam o texto para proibir o comércio de bebidas durante a Copa.

Adiamento
“É um texto mais brando, e se o governo concorda que isso preserva o acordo com a Fifa, é o que vale”, opinou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), após o encontro. Com a supressão do artigo 29, o governo espera vencer a resistência de deputados contrários à venda de bebidas nos estádios. A questão desagrada especialmente a bancada evangélica. Para o Planalto, em meio a uma crise com a base aliada, quanto menos riscos, melhor. Depois do encontro com líderes aliados nesta terça, o ministro Aldo Rebelo segui para uma reunião com os parlamentares peemedebistas. O objetivo é evitar defecções na votação da Lei da Copa.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ao site de VEJA que a mudança deve facilitar a aprovação do texto na Casa. Ainda de acordo com ele, os governos estaduais estão cientes das regras para a realização da Copa porque assinaram um termo de responsabilidade. Nos locais onde a bebida é proibida em estádios, o petista afirma que será preciso fazer uma adequação: “Imagino que eles vão submeter esse tema às assembleias legislativas”, afirmou.

Apesar do acordo dos líderes aliados, o texto da Lei Geral da Copa não deve ser votado nesta terça-feira. E, para que a proposta seja apreciada ainda nesta semana, os líderes do governo e da oposição precisarão costurar um acordo. A bancada ruralista quer garantias de que o Código Florestal seja votado. E ela pode atrapalhar a votação da Lei da Copa se não obtiver o que pede.

Por Reinaldo Azevedo
 

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