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Copa do Mundo de 2014

05/04/2013

às 16:28

“O céu do meu Brasil tem mais estrelas, lará-lá-la; o sol do meu país, mais esplendor, lará-lá-la…”

O lulo-petismo, por intermédio agora da Comissão da Verdade, nomeada por Dilma, tenta caminhos para promover a revanche com o regime militar, quase 50 anos depois de instalado. Já escrevi e reitero: imaginem se, em 1995, em vez de cuidar do Plano Real, FHC tivesse se empenhado em se vingar de Getúlio Vargas…

Os petistas querem alimentar a revanche, mas é impressionante a forma como mimetizam a parte mais cafona do regime militar: a patacoada do Brasil Grande, do “ninguém segura este país”.

Em 1970, a dupla Dom e Ravel, cuja obra acabou adotada pela ditadura, compôs a música “Eu te amo, meu Brasil”. Era, na verdade, uma marcha militar. A gravação que fez mais sucesso foi a do grupo “Os Incríveis”, que acrescentaram um caco à letra: “Escola, marche!”. Segue um vídeo que está no Youtube. Volto depois.

Voltei

Muito bem! Dilma resolveu refletir sobre o Brasil grande nesta sexta. A música de Dom e Ravel é de 1970. O Brasil havia acabado de ganhar a Copa do Mundo, tornando o único tricampeão. Entre 1968 e 1973, a taxa média de crescimento do país ficou acima de 10%. No ano passado, crescemos abaixo de 1%, mas o que importa é a mística, né? Segundo Aloizio Mercadante, o PIB não tem muita importância… Segue texto publicado na VEJA.com. Volto para encerrar.

Brasil é “insuperável dentro e fora de campo”, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff se empolgou ao dar o pontapé inicial na inauguração da Arena Fonte Nova, em Salvador, nesta sexta-feira. Em tom ufanista, Dilma ignorou os atrasos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e disse que o Brasil está provando que tem não apenas o melhor futebol do mundo, mas também a melhor organização de grandes torneios. “Somos um país conhecido por ser insuperável no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis também fora de campo”, discursou. A inauguração da nova versão do mais tradicional estádio baiano é, para Dilma, sinal de que “estamos dando um passo importante para transformar a preparação da Copa do Mundo em um legado para o país”. Dilma fez uma rápida vistoria nas instalações antes da cerimônia de inauguração, que contou com a presença dos operários envolvidos na construção.

O estádio baiano deverá receber três jogos da Copa das Confederações, em junho deste ano, e outros seis na Copa do Mundo, em 2014. A presidente estava acompanhada do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do governador da Bahia, Jaques Wagner, além do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. O primeiro jogo da Arena Fonte Nova acontecerá no domingo e reunirá os dois principais times do estado: Bahia e Vitória. Salvador é a terceira cidade-sede a ter seu estádio inaugurado para a Copa das Confederações – as outras são Fortaleza (Castelão) e Belo Horizonte (Mineirão). As obras na capital baiana começaram em junho de 2010 e incluíram a demolição do antigo estádio, a construção de uma nova arena e a criação de um novo edifício garagem. A Arena Fonte Nova tem capacidade para 55.000 pessoas. O empreendimento foi realizado por meio de uma parceria público-privada entre o governo e uma concessionária formada pelas empresas Odebrecht e OAS.

Concluo
Os petistas ainda vão reeditar o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Atenção! A rede suja da Internet já faz isso. Todos os dias, chegam a este blog centenas de mensagens conclamando este jornalista a deixar o Brasil: “Já que você não gosta do nosso (?) país, por que não vai embora?”.

Por Reinaldo Azevedo

05/03/2013

às 3:33

Para TCU, atraso da Anatel põe em risco transmissão da Copa

Por Júlia Boba e Dimmi Amora, na Folha:
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) enfrentará dificuldades para concluir projetos que visam garantir a segurança e o funcionamento do setor durante a Copa de 2014. A constatação é de um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) ao qual a Folha teve acesso. Segundo o documento, foram concluídas licitações referentes a apenas 11,6% dos R$ 45,7 milhões que a reguladora deveria ter comprometido em 2012 com projetos exigidos pelo Gcopa (Comitê Gestor da Copa 2014, grupo do Executivo que acompanha as ações de preparação para a Copa do Mundo de 2014). Trata-se de duas concorrências para a compra de equipamentos. Em apenas uma delas a compra foi efetivada. Em resposta ao TCU, a Anatel afirmou que 8 de 31 projetos estão fora do prazo.

Diante da situação, o tribunal concluiu que há risco de a agência não obedecer os prazos impostos para modernização de sua estrutura -o que pode gerar, por exemplo, problemas para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo pela TV. Parte dos projetos pendentes visa à criação de uma infraestrutura específica para controlar “usuários mal-intencionados ou desavisados que venham a utilizar dispositivos não compatíveis com padrões estabelecidos no Brasil”, uma das possíveis causas para que haja interferência nas transmissões. ”O risco de interferências pode gerar distúrbios que degradariam por completo a qualidade do sinal, impedindo a visualização de imagens e audição das transmissões”, destaca o relatório.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2012

às 17:42

Aeroportos para a Copa, “prioridades” do governo Dilma, têm só 36% dos gastos prometidos

Na VEJA.com:
A apenas seis meses de receber a Copa das Confederações de 2013 (e a um ano e meio de sediar a Copa do Mundo de 2014), o Brasil continua fazendo menos do que poderia para melhorar sua infraestrutura para os megaeventos esportivos dos próximos anos. Nos aeroportos, por exemplo, as promessas do governo seguem não se confirmando na prática. Apesar das repetidas garantias de que o país terá uma infraestrutura aeroportuária muito melhor para o Mundial, os gastos no setor ainda não deslancharam. Mesmo com grande urgência, até outubro de 2012 a Infraero investiu apenas 39,1% dos recursos previstos no orçamento deste ano, indica levantamento feito pela ONG Contas Abertas. Do total de 2 bilhões de reais autorizados, só 787,1 milhões foram de fato aplicados. Do total orçado para a Infraero, uma fatia de 60% é destinada aos aeroportos das cidades-sede da Copa, um montante de 1,2 bilhão de reais. Até outubro, no entanto, apenas 441 milhões foram aplicados (o equivalente a só 36,7% dos recursos prometidos). Os dados são do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Conforme a Infraero, a baixa execução se deve aos atrasos registrados nos primeiros meses do ano, em decorrência de fortes chuvas e de problemas nos processos de contratação. “Esses atrasos deverão ser compensados nos próximos meses”, explica nota do órgão – que ressalta que, historicamente, as obras da Infraero costumam apresentar maior índice de execução no segundo semestre do ano. “Em 2011, por exemplo, 70% dos investimentos realizados pela empresa foram executados no segundo semestre.” O órgão ainda trabalha com a possibilidade de executar integralmente o orçamento aprovado e revisado de 2012. A estatal ressaltou que a realização de investimentos no primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2012 foi superior ao realizado nos mesmos períodos de 2011. Em valores corrigidos, o montante investido até o quinto bimestre de 2012 representou um recorde para os últimos treze anos. Os valores investidos nos dez primeiros meses do ano têm aumentado em todos os exercícios desde 2008, já que a Infraero sabe que precisa trabalhar muito para que a capacidade do setor seja compatível com o aumento da demanda.

Apesar disso, a execução das obras ainda é considerada insuficiente. Para Adyr da Silva, especialista em aviação civil da Universidade de Brasília, a situação do sistema aeroportuário brasileira é uma tragédia. “Os aeroportos estão subcapacitados. Atualmente, temos condições de atender apenas 50% da demanda de 200 milhões de passageiros por ano. Se fizermos uma comparação, a curva de crescimento da demanda é muito maior do que a de crescimento da capacidade. E essa situação só tende a se agravar”, avisa ele. De acordo como ele, faltam gerenciamento e planejamento para projetos e execução de obras, o que implica diretamente nos resultados dos investimentos. “A capacidade de gastar da Infraero fica prejudicada.” Para Silva, o ponto crítico dos problemas do setor é a baixa capacitação. “Pessoas com nenhuma experiência estão ocupando cargos na Infraero.” Essa, segundo ele, deve ser a principal preocupação da estatal para conseguir executar os orçamentos e finalmente começar a corrigir a grande defasagem entre a demanda – já existente e que deve aumentar ainda mais – e a capacidade dos aeroportos.

“Problema angustiante”
O caso dos aeroportos das sedes da Copa é emblemático. Nas obras de construção da Torre de Controle no Aeroporto Internacional de Congonhas, de adequação do Aeroporto de Guarulhos e do Aeroporto Internacional de Viracopos, todas em São Paulo, foram aplicados apenas 50% dos 321 milhões de reais orçados para este ano. Em situação semelhante encontram-se as ações de adequação do Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerias, e do Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília. No Rio de Janeiro, na reforma e ampliação do Terminal de Passageiros e do Sistema de Pistas e Pátios do Aeroporto Santos Dumont e adequação do Aeroporto Internacional do Galeão foram investidos apenas 18,6% do orçamento para 2012. Para Adyr da Silva, a Copa de 2014 é uma situação limite para a qual, apesar de ter havido movimentação, o Brasil não está preparado. “Na África do Sul, em 2010, nos momentos de pico houve cerca de 580 aviões num mesmo dia em um aeroporto. Nenhum aeroporto brasileiro suportaria tal demanda atualmente. É um problema angustiante”, alerta.

Apesar disso, na visão da Infraero, a baixa execução das obras não significa que o país esteja enfrentando dificuldades nos investimentos no setor. A assessoria do órgão ressaltou que outras obras já estão acontecendo e “vão beneficiar passageiros e demais usuários do transporte aéreo”. Em fórum sobre a Copa promovido pela revista Exame, da Editora Abril, que também publica VEJA, na segunda-feira, em São Paulo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se disse satisfeito com o andamento dos trabalhos nessa área e mostrou confiança na capacidade brasileira de receber bem todos os visitantes que chegarão para o evento em 2014. “Não teremos nos aeroportos nenhum problema que inviabilize a Copa”, assegurou ele. Mesmo com as necessidades claras do país nessa área, a Infraero deve diminuir o valor dos investimentos no orçamento de 2013. Os gastos prometidos pela estatal deverão atingir a cifra de 1,5 bilhão de reais, meio bilhão a menos que o valor liberado para 2012. Para 2014 e 2015, no entanto, os valores devem voltar a crescer: a previsão é de que 3,5 bilhões de reais sejam investidos em cada ano.

Por Reinaldo Azevedo

09/11/2012

às 16:04

Copa, por enquanto, decepciona dentro e fora dos estádios

Há cinco anos, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, a notícia provocou mais preocupação do que orgulho, algo a se estranhar quando se trata de um país tão ligado ao futebol. Mas a desconfiança era inevitável: temia-se que as autoridades brasileiras cometessem os mesmos erros de sempre nos preparativos para o Mundial. Obras atrasadas – e, portanto, mais caras, já que acabam exigindo investimentos de última hora para cumprir os prazos – estavam no topo da lista de problemas previstos pela população. O gasto de um volume excessivo de dinheiro público (mesmo com as promessas de que todos os estádios seriam erguidos com investimento privado) também provocava arrepios no contribuinte. Por fim, a sensação de que pouco seria feito fora dos estádios fazia o brasileiro lamentar a perda de uma oportunidade de ouro para promover uma revolução na infraestrutura do país. A dois anos do início da Copa, essas preocupações vão se confirmando – pelo menos por enquanto, a chance de o país usar o evento para mostrar seu potencial parece, de fato, estar sendo desperdiçada. Para completar, a empreitada fica cada vez mais cara: de acordo com dados divulgados na quinta-feira, os gastos com estádios e outras obras já chegam a 27,3 bilhões, somando recursos públicos e privados, 3,5 bilhões a mais que o estimado anteriormente.

O Brasil encerra a semana com sinais preocupantes tanto dentro como fora dos estádios de 2014. Na manhã de quinta, a Fifa anunciou as seis cidades-sede da Copa das Confederações, em São Paulo. O país evitou o vexame de ter cidades cortadas do torneio por causa do atraso nas obras dos estádios - mas não conseguiu escapar de uma bronca da entidade que comanda o futebol internacional. Os dirigentes da Fifa não esconderam sua irritação por terem de aceitar a entrega das arenas fora do prazo prometido (seis meses de antecedência). Horas depois, um alerta sobre o que cerca os novos estádios. O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou um diagnóstico preocupante das obras da Copa e sugeriu ao governo que, diante da ineficiência na execução dos investimentos, retire empreendimentos da matriz de responsabilidades. É nesse documento que está o cálculo sobre o aumento de 3,5 bilhões de reais nos gastos com o evento. De acordo com uma auditoria do órgão, das 44 obras de mobilidade financiadas pela Caixa, por exemplo, 38 não tiveram nenhum desembolso por ora.

 Leia também:
- Maracanã: a hora de decidir os próximos 35 anos do gigante do Rio;
- Em Mundial de Futsal, a Fifa mostra que não hesita em vetar arenas;
- Na semana passada, Valcke deu último alerta para as sedes de 2013

Além disso, muitas dessas obras não tiveram os empréstimos sequer contratados. Parte tem sido tocada apenas com recursos de estados e municípios, correndo o risco de ficar pela metade, caso os trâmites dos financiamentos não se concretizem. Nada menos que 35% têm data de entrega prevista para maio ou junho de 2014, às vésperas do evento. Em seu voto, o relator dos processos de acompanhamento da Copa, ministro Valmir Campelo, sugere que o governo reestude e retire alguns investimentos da matriz de responsabilidades, tendo em vista a perspectiva de que não sejam inauguradas a tempo. “Que o Ministério do Esporte reveja e, se for o caso, assuma o ônus político”, afirmou. Segundo Campelo, o governo anunciou como preocupante a situação de apenas cinco obras. Porém, o Ministério das Cidades, responsável pelo acompanhamento dos projetos de mobilidade, tem falhado na fiscalização e no acompanhamento, fiando-se apenas em informações prestadas por estados e municípios, sem vistoriar os serviços in loco. Ainda assim, o governo segue divulgando vídeos mensais com o avanço das obras. Todos, é claro, tentam transmitir a impressão de que as obras transcorrem com notável velocidade.

Leia também:
- Após cinco anos, Mundial de 2014 fica mais caro – e pesa no seu bolso;
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- Para o torcedor, Brasil-2014 deverá ser a “Copa do Mundo da corrupção”

Campelo classificou de inquietante a situação dos aeroportos, principalmente em Viracopos e Guarulhos, ambos no estado de São Paulo, cujas principais obras têm previsão de entrega para 2014, às vésperas da Copa. Em Confins, a licitação para a reforma da pista fracassou. A situação não é diferente no caso dos portos. No Rio, principal porta de entrada de turistas do país, os píeres de atracação de navios de passageiros não ficarão prontos. Em Santos, as obras só vão ser entregues depois do evento. Há pouco mais de um mês, o governo federal confirmou o primeiro cancelamento de uma obra prometida para a Copa. Em 2010, quando definiu a Matriz de Responsabilidades do Mundial, o país listou todas as obras ligadas à realização do evento, tanto nos estádios como na infraestrutura. Até setembro, o governo vinha mantendo a promessa de entregar todos os projetos previstos no documento. A construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Brasília, porém, acabou sendo está cancelada e não sairá do papel. O trem ligaria o aeroporto da capital ao Terminal da Asa Sul. A obra, marcada por irregularidades, foi retirada da matriz a pedido do governo distrital.

Por Reinaldo Azevedo

02/10/2012

às 16:16

A dois anos da Copa, obras em aeroportos ainda não decolam; só 30% dos investimentos até agora

Ao defender a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o governo sempre argumenta que o evento oferece ao país a oportunidade de melhorar sua infraestrutura, em especial num dos pontos em que os investimentos são mais urgentes: o sistema aeroportuário. Até agora, porém, a prometida reformulação da área – considerada essencial para o crescimento sustentável da economia brasileira – pode ser classificada como um fiasco.

De acordo com um levantamento da ONG Contas Abertas, o ano de 2012, que seria decisivo para modernizar os aeroportos do país antes da Copa, foi de pouquíssimos avanços até agora. O estudo, divulgado nesta sexta-feira, mostra que a Infraero ainda não conseguiu acelerar os investimentos autorizados para 2012 – de um total de 2 bilhões de reais, apenas 591,5 milhões (ou 29,4% do total) foram aplicados nos oito primeiros meses do ano. Caso a execução dos investimentos fosse regular no decorrer de todo o ano, cerca de 1,3 bilhão de reais já deveria ter saído dos cofres da estatal, que promete acelerar as obras nos próximos meses.

Leia também:

- Governo anuncia primeiro cancelamento de obra prometida para 2014
- Fifa acha que a Copa finalmente entrou nos trilhos. Mas a que preço?
- Para o torcedor, Brasil-2014 deverá ser a ‘Copa do Mundo da corrupção’

A Infraero afirma que as condições climáticas atrapalharam as obras e dificuldades no processo de contratação atrasaram os trabalhos. “Em decorrência desses fatores, as obras da Infraero apresentam maior índice de execução no segundo semestre”, diz comunicado da estatal. “Em 2011, 70% dos investimentos realizados pela empresa foram executados nesse período. A expectativa da Infraero é executar entre 85% e 90% dos investimentos previstos para 2012.” Ainda que o ritmo das obras melhore, o gasto do governo no setor já terá perdido uma de suas metas: receber melhor os visitantes esperados para a Copa das Confederações, que acontece já no ano que vem. Do total de 1,2 bilhão de reais previsto pela Infraero para as obras de ampliação, reforma, adequação e construção de aeroportos nas cidades-sede da Copa de 2014, só 365,1 milhões – o correspondente a 30,3% do total -, foram aplicados entre janeiro e agosto de 2012. Em sete das quinze ações previstas para esses aeroportos, menos de 15% dos recursos previstos foram realmente investidos.

Entre as obras estão, por exemplo, a reforma e a ampliação do terminal de passageiros e do sistema de pistas e pátios do Aeroporto Santos Dumont e a adequação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A cidade será palco da decisão da Copa das Confederações, em 30 de junho de 2013. Estão incluídas ainda as obras de adequação dos aeroportos de Confins, Brasília, Cuiabá e Salvador. A obra que deve receber o maior montante de recursos é a de adequação do Aeroporto de Guarulhos: 270,5 milhões de reais, dos quais apenas 144,8 milhões foram aplicados. Outra ação, a de reforma e adequação do Terminal de Passageiros 1 do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, teve 63,5% dos 131,8 milhões de reais previstos para 2012 aplicados até agora. Os dados são do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Apesar do abismo entre investimentos prometidos e gastos de fato realizados, a Infraero assegura que os trabalhos tem sido executados de acordo com o planejado

“Pressão”
Na segunda-feira, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) fez um alerta ao Brasil ao comentar os preparativos para a Copa de 2014. De acordo com o órgão, em razão dos atrasos nas obras de aeroportos, a ampliação de terminais corre o risco de custar “horrivelmente caro” ao país. A afirmação foi feita pelo diretor executivo da Iata, Tony Tyler. Ele chamou a atenção para o fato de as reformas e ampliações em aeroportos serem “absolutamente necessárias” para que o Brasil possa receber torcedores e turistas durante o Mundial. Mas, faltando menos de dois anos para o evento, não é mais possível esconder a preocupação em relação às obras. “Ainda há tempo para realizar as ampliações necessárias. Isso é possível, como vimos na Índia, onde reformas desse porte foram feitas em 36 meses. Mas o problema é que podem custar horrivelmente caro”, disse Tyler. “Os aeroportos brasileiros estão sob enorme pressão”, avisou. O executivo ainda criticou o modelo de licitação lançado pelo governo para a concessão dos aeroportos. Para ele, os valores pagos na primeira rodada de vendas resultará em aumento de preços nas passagens e prejuízos ao consumidor.

Por Reinaldo Azevedo

23/05/2012

às 16:44

41% das obras da Copa de 2014 nem sequer saíram do papel

Por que estender para as obras da Copa o tal regime diferenciado, que dispensa licitações (trato do assunto posts abaixo)? Por causa da incompetência gerencial do governo. Entenderam o busílis? Como o govenro é incompetente, que se dane a moralidade. Leiam o que informa Laryssa Borges, na VEJA Online:
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A cerca de dois anos anos para o início da Copa do Mundo de 2014, 41% das obras previstas para o Mundial ainda não saíram do papel. É o que mostra balanço do governo federal divulgado nesta quarta-feira. Os dados foram atualizados até abril deste ano. Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo —
o mesmo que afirmou no mês passado que os atrasos eram apenas “impressão” —, dos 101 empreendimentos previstos, apenas 5% foram concluídos. Outros 32% estão em fase licitação ou em estágio mais incipiente, na fase de elaboração de projetos.

Nem os fatos ou a pressão da Fifa, porém, tiram o otimismo de Rebelo. O ministro afirmou que o baixo desembolso de recursos para as obras já iniciadas não indica que o governo tenha de falar em “milagre” para conseguir concluir os projetos a tempo. “Podemos dispensar os serviços dos santos para que eles possam socorrer causas mais necessitadas”, ironizou o ministro. De acordo com ele, dificuldades burocráticas consomem boa parte do tempo das obras.

Ao tentar justificar o ritmo lento das obras, Rebelo saiu-se com essa: “Não sei por que o preconceito com as obras no papel. Vamos tratar com mais generosidade com o que está no papel. Estar no papel não significa necessariamente atraso. Sabemos que no Brasil, pela complexidade de sua estrutura democrática e institucional, é preciso atender um grande número de requisitos e exigências legais, leis, portarias, decretos, instruções normativas”. O ministro ainda garantiu que o governo está bastante otimista com o quadro e confia na possibilidade de superar todos os desafios até a realização da Copa. “Não trabalhamos com o conceito e a ideia do atraso. Temos um olho no estágio atual das obras e outro olho na conclusão das obras. Acreditamos que as obras estarão prontas antes do prazo de entrega”, completou.

Apesar do alto porcentual de obras do Mundial não iniciadas, o governo projeta que 84% dos empreendimentos estarão concluídos até 2013, ano que o Brasil também sediará a Copa das Confederações. Pelas estimativas do governo, 69% das obras serão entregues apenas no próximo ano, quando o país abrigará o campeonato esportivo que antecede o Mundial.

O balanço do governo federal divulgado também registra que oito das 12 cidades-sede da Copa ainda não executaram nem sequer metade das obras previstas em seus estádios. A cidade de Recife, que deve concluir a Arena Pernambuco até a Copa das Confederações, só executou 33% das obras no estádio – três pontos porcentuais abaixo da projeção inicial. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda analisa se vai conceder financiamento – no valor total de 758 milhões de reais – aos estádios do Itaquerão, em São Paulo, Beira Rio, em Porto Alegre, e Arena da Baixada, em Curitiba.

Na avaliação do ministro Rebelo, a análise sobre o andamento das obras da Copa do Mundo de 2014 comporta diferentes interpretações. Segundo ele, a Fifa, que fez frequentes críticas à organização do Mundial, e o governo brasileiro avaliam de maneira diferente o grau de andamento dos projetos. “A Fifa dava um peso muito pequeno à demolição, terraplanagem, fundações, estaqueamento. Considero que a fase de planejamento, elaboração de projeto e realização de licitações são uma parte importante dentro do prazo da obra”, afirmou. Rebelo ainda minimizou a mais recente rodada de críticas do presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter. “Estamos abertos a recepcionar críticas dos nacionais e por que não dos estrangeiros? Não somos donos da verdade e nem temos pretensão da perfeição. O pessimismo e o otimismo são culturais e podem contaminar dirigentes estrangeiros, como o Joseph Blatter”, ironizou.

Quando analisadas as obras de mobilidade urbana nas cidades-sede, 45% delas também não saíram do papel. O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, explicou que os impasses nas obras têm as mais diferentes causas: problemas ambientais, atrasos em assentamentos e questionamentos do Ministério Público. “Temos gargalos diferentes e a ideia é que possamos avançar e ter em um período rápido esses problemas já superados”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

30/03/2012

às 15:17

Blatter volta a dar pito no Brasil e diz que Valcke, aquele do pé no traseiro, continua a representar a entidade e volta ao país em maio

Acreditem no Tio Rei!

Vocês se lembram de Jérôme Valcke, aquele que mandou o governo brasileiro dar um pontapé nas próprias nádegas — “un coup de pied aux fesses” (se virar, fazer alguma coisa, acordar pra realidade,  parar de pisar no saco…) — e tocar a Copa do Mundo? Então…

Vocês se lembram que, logo depois de vir ao Brasil e se encontrar com Dilma Rousseff — chegou com batedores e pose de chefe de estado e foi recebido por uma chefe de estado, de igual pra igual (!) —, ele concedeu uma entrevista afirmando que muitos citavam a Inglaterra como alternativa para a Copa do Mundo de 2014, mas que ele achava que o Brasil tinha plenas condições de realizar o evento? Então… Era, obviamente, uma ameaça.

Em Banânia, noticiou-se que o Brasil tinha falado grosso e vencido o embate. Não aqui! O post do dia 16 de março era este: “Blatter se encontra com Dilma e, em entrevista, deixa claro que entidade pode dar um pé no traseiro do Brasil e fazer a Copa na Inglaterra

Pois é… Leiam o que informa a VEJA Online:
Blatter: “Esperamos atos do Brasil e não apenas palavras”

Depois de dizer na quarta-feira, no início da uma reunião do Comitê Organizador do Mundial, em Zurique, na Suíça, que o Brasil fará “uma Copa excepcional”, Joseph Blatter mudou o tom e deixou de lado elogios e afagos. Nesta sexta, cobrou o governo brasileiro: “Esperamos atos e não apenas palavras.”

Para mostrar sua posição, Blatter disse ainda que a Copa é no Brasil, mas quem ainda representa a entidade é o secretário geral, Jérôme Valcke, que deve vir ao país em maio. “Ele é o responsável pela de Copa de 2014 e as seguintes.” Valcke foi o responsável pelo mal-estar criado depois de dizer que o país precisava de “um chute no traseiro” para acelerar as obras para o Mundial.

Blatter afirmou ainda que está otimista quanto à capacidade hoteleira do Brasil. “Ainda há alguns problemas, a situação não é perfeita. É como na África do Sul, em algumas cidades será preciso se deslocar de localidades próximas, mas isso não vai impedir que os torcedores viajem ao Brasil. São apenas alguns obstáculos logísticos.”

Mudança no comitê
Blatter confirmou também nesta sexta a decisão de mudar a maneira como a Fifa investiga casos de corrupção ao publicar em seu perfil no Twitter que o comitê executivo da entidade aprovou a divisão do seu comitê de ética em dois órgãos, um para investigar casos e outro para julgá-los.

A decisão acontece após o Comitê de Ética da Fifa não conseguir obter provas suficientes para abrir processos sobre supostos pagamentos de subornos durante a escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Dia histórico para o processo de reforma da Fifa”, escreveu Blatter sobre a proposta de mudança no comitê, que deve ser votado pelos 208 membros da entidade durante seu congresso, 25 de maio, em Budapeste, na Hungria.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 20:50

O porre da covardia governista – Câmara aprova Lei Geral da Copa, deixando para estados a liberação do álcool nos estádios

Por Gabriel Castro, na VEJA Online. Volto depois.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto do relator Vicente Cândido (PT-SP) para o projeto da Lei Geral da Copa, que cria normas para a realização do torneio mundial em 2014 e da Copa das Confederações do ano anterior. A votação se deu de forma simbólica. Restam agora, entretanto, os pontos mais controversos do texto, que serão analisados de forma separada.

A versão aprovada pelos deputados se omite em relação à venda de álcool durante o torneio esportivo, o que repassa a responsabilidade de negociar com a Fifa aos estados que hoje proíbem esse tipo de comércio. Esse ponto, entretanto, ainda pode ser alterado por emendas apresentadas ao texto. Outros trechos questionados dizem respeito aos critérios de concessão da meia-entrada.

A última mudança incluída no texto pelo relator foi a destinação de pelo menos 1% dos ingressos da Copa do Mundo para portadores de deficiência. Pela proposta aprovada, idosos – e apenas eles – terão direito a meia-entrada. Jovens e favorecidos por programas de transferência de renda serão beneficiados com uma cota limitada a 300.000 ingressos ao preço “popular” de 25 dólares, cerca de 45 reais.

Depois de aprovado pela Câmara o texto seguirá para o Senado Federal. A Lei Geral da Copa foi tema de uma negociação desgastante envolvendo a Fifa, o governo e partidos aliados no Congresso. Na semana passada, o governo tentou forçar a votação da proposta, mesmo sem acordo. Com a recusa de boa parte das legendas aliadas, a sessão acabou derrubada. Nesta quarta-feira, o líder do governo garantiu que o episódio não tem ligação com uma possível rebelião na base governista: “A tentativa teria sido bem sucedida. Não foi porque a questão do Código Florestal ainda contaminava as preocupações de uma maioria que se consolidou naquele momento”, afirmou.

Para que a Lei Geral da Copa fosse votada nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), concordou com a votação do Código Florestal já no mês de abril.

Voltei. Já disse o que penso a respeito. Está aqui. O título do artigo é longo, quase uma dissertação: “BEBIDA NOS ESTÁDIOS: A fala absurda do presidente da OAB-RJ. Ou: Senhores congressistas, escolham a vergonha menor e mudem de vez o Estatuto do Torcedor! A alternativa é virar lobista de cervejaria…”

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2012

às 5:33

Câmara fecha acordo e tenta votar Lei da Copa hoje

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira a Lei Geral da Copa. Presidente da Casa e comantante interino da Presidência da República, Marco Maia (PT-RS) coordendou um acordo envolvendo os líderes do PSDB e do DEM, que são contra trechos da proposta defendida pelo governo. Bruno Araújo (PSDB-PE) e ACM Neto (DEM-BA) almoçaram com Maia nesta terça. O acerto foi anunciado apenas à noite. Mais cedo, os líderes governistas davam como certo que a Lei da Copa só seria apreciada depois da Páscoa, daqui a duas semanas.

O acordo costurado por Marco Maia é pela colocação da proposta em pauta, mas não influi no mérito. A oposição, que questiona a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, apresentará um destaque para que este tema seja apreciado de forma separada. Como parte do acerto, o Código Florestal deve ser apreciado pela Câmara em abril. A votação da proposta era uma exigência da bancada ruralista, que ajudou a atrasar a votação da Lei Geral da Copa.o governo pagou para ver e impôs a votação da proposta que cria normas para a realização do torneio esportivo em 2014,apesar da falta de acordo entre os líderes aliados. Não funcionou: a maioria das legendas entrou em obstrução e derrubou a sessão.Partidos como PR, PMDB, PDT e PTB estavam insatisfeitos com a falta de diálogo do governo e a demissão de quadros do partido na Esplanada. A insatisfação somou votos à diminuta oposição e fez o governo recuar. Além da má-vontade dos aliados, o governo também encontrou resistência porque se recusou a marcar a data de votação do Código Florestal.

Resistência – Na semana passada,

Com o acordo anunciado nesta terça, a votação desta quarta se dará na ausência do presidente da Câmara, Marco Maia. Rose de Freitas (PMDB-ES), a primeira vice, comandará a sessão. Normalmente, a Casa não aprecia propostas importantes sob o comando de Rose. As ausências de Dilma Rousseff, que está na Índia, e de Michel Temer, na Coreia do Sul, também podem incentivar o sentimento de rebeldia: apesar do acordo entre os líderes, o grau de desobediência dos deputados não reduziu significativamente na última semana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 21:02

Base aliada se rebela, humilha Planalto e, sem consenso, votação da Lei Geral da Copa é adiada

Por Gabriel Castro e Luciana Marques, na VEJA Online. Volto depois:
Um erro de avaliação do Planalto, em plena rebelião da base aliada, inviabilizou a votação da Lei Geral da Copa nesta semana. Mesmo sem consenso entre os líderes partidários, o presidente da Casa, Marco Maia (PT RS), cedeu à pressão do governo e anunciou que o tema entraria em pauta nesta quarta. O problema é que parte dos deputados (especialmente a bancada ruralista) exige, em troca, que seja definida a data para votar o Código Florestal – mas o governo não quer se comprometer com a apreciação do projeto que trata do uso do solo do país. Isso, somado à insatisfação crescente na base aliada, gerou o resultado previsível para todos – só o governo não viu.

O imbróglio foi ignorado e Maia anunciou a votação: “A Lei Geral da Copa não tem nada a ver com o Código Florestal”, disse, pouco antes do início da sessão da sessão. O petista sabia, entretanto, o que estava por vir. Em sequência, partidos adotaram uma artimanha regimental e começaram a anunciar a obstrução dos trabalhos, impossibilitando a votação por falta de quórum. Foi o que fizeram PMDB, PSD, PR, DEM, PDT, PV, PSC, PMN e PSDB. A insatisfação dos deputados vai além da falta de acordo sobre o Código: os líderes de PR e PDT, por exemplo, declararam abertamente em plenário que protestavam contra a falta de traquejo do governo na relação com a Câmara.

Os deputados nem chegaram a analisar o mérito da Lei da Copa: a sessão se encerrou ainda durante a votação de um requerimento do PSDB, que pedia a retirada do assunto de pauta. Apesar do plenário repleto, boa parte dos deputados aderiu à obstrução e não marcou presença. O placar, inútil, ficou de 135 votos contra oito para manter a votação nesta quarta. Doze deputados se abstiveram. O número mais impressionante, porém, foi o de parlamentares em obstrução: 138. Foram eles que inviabilizaram a votação.

“Nós vamos agora dar um tempo ao governo. Digamos que nós entramos na prorrogação, vamos ver se não é necessário ir para os pênaltis”, disse um resignado Marco Maia à imprensa, ao fim da sessão. Do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), veio a avaliação mais lúcida: “Os líderes não estão segurando suas bancadas”. Ele afirmou que, se o texto da Lei da Copa fosse votado nesta quarta, como queria o governo, a chance de derrota seria altíssima. Pela ótica de Alves, os peemedebistas até ajudaram quando defenderam a obstrução: desta forma, mantêm o projeto em pauta e evitam que a Câmara rejeite o texto.

Pressão
 Os líderes aliados alegam que não são contra o projeto da Lei da Copa, mas, sim, contra o posicionamento do governo.  A postura do presidente da Câmara atende à pressão do Executivo, que quer ver a Lei da Copa aprovada rapidamente e, ao mesmo tempo, não pretende dar qualquer garantia sobre o Código Florestal. “Eu acho razoável por parte do governo que haja uma preocupação com a votação do Código Florestal. É importante dar um tempo para o governo, e eu quero dar mais uma semana para que o governo possa construir sua opinião sobre o mérito de forma consensuada”, justificou Marco Maia.

Boa parte da insatisfação dos aliados decorre, especialmente, da possibilidade de venda de bebidas alcólicas em estádios durante o torneio. Para contornar a resistência, o governo pediu que a liberação expressa desse comércio no projeto fosse suprimida. Agora, a proposta se omite sobre o tema e empurra a decisão para o colo dos governos estaduais que hoje proíbem a venda das bebidas alcoólicas. 

Os parlamentares contrários à medida – inclusive o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG) – comemoraram o adiamento da votação. Eles seguraram um cartaz com os dizeres: “Vamos dar um chute no traseiro do álcool nos estádios da Copa”. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), disse que a decisão sobre a liberação de bebidas alcóolicas nos estádios deve ser do Congresso Nacional, e não dos governos estaduais.
 
“Não abrimos mão das nossas prerrorativas de decidir sobre essa matéria”, disse Campos.  “O Brasil vai abrir exceção apenas para atender a interesses do mercado?”, questionou. Campos afirmou que os 76 parlamentares da bancada evangélica são contra a liberação das bebidas. 

Por Reinaldo Azevedo

21/03/2012

às 5:59

BEBIDA NOS ESTÁDIOS: A fala absurda do presidente da OAB-RJ. Ou: Senhores congressistas, escolham a vergonha menor e mudem de vez o Estatuto do Torcedor! A alternativa é virar lobista de cervejaria…

Escrevi este texto na tarde de ontem. Dada a decisão ridícula e covarde de transferir o ônus para os estados, resolvi mantê-lo no alto por algum tempo.

Eu estou ficando a cada dia mais encantado com o rigor jurídico do pensamento do doutor Wadih Damous, presidente da OAB-RJ. Ele é tão favorável à retirada de crucifixos de tribunais, por exemplo, que defendeu que duas obras de arte assinadas, instaladas no STF, sejam adulteradas para que se retire de lá aquele símbolo do, como escrever?, “imperialismo cristão”. Eu o chamei, por isso, de taliban de gravata. Expliquei por quê.

Mas poderia haver um lado interessante em seu pensamento, ainda que eu discordasse do conteúdo: o amor a princípios. Aí estaria, enfim, uma homem que não transigiria nunca! Não se poderia, nesse caso, aplicar o mote “dura lex, sed lex” porque inexiste lei que expulse os crucifixos. Há o princípio da laicidade do estado e pronto — embora se ignore caso em que o crucifixo, num tribunal, tenha concorrido para a injustiça. De todo modo, doutor Damous seria de uma retidão que não se intimidaria nem diante de Moisés ou da Pietà, de Michelangelo! ”Arranca!”

Mas não é que me decepciono? O seu fundamentalismo, pelo visto, é ad hoc — vale para os crucifixos, mas se queda compassivo e compreensivo diante de uma latinha de cerveja, mais ou menos como os soldados de Luís Bonaparte, segundo Marx, não resistiam a champanhe e a salsichas com alho… Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida.
*
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, defendeu terça-feira (20) a liberação do consumo de bebida alcoólica nos estádios durante os jogos da Copa de 2014. Segundo Damous, o futebol é um entretenimento e assistir a uma partida dentro de um estádio bebendo cerveja não atenta contra qualquer regra de moralidade, até porque a cerveja tem um baixíssimo teor alcoólico. “Beber cerveja e assistir a um jogo de futebol não tem problema nenhum. Agora, beber e sair dirigindo ou praticar atos de violência não pode ocorrer de maneira alguma”, afirmou.

Na semana passada, depois de prometer a deputados que iria tirar da Lei Geral da Copa a liberação de bebida alcoólica, o governo recuou para atender a um compromisso firmado com a Fifa.  Em nota oficial publicada na quinta-feira (15), o Ministério do Esporte afirma que o acordo com a Fifa depende do projeto de lei levado ao plenário da Câmara, aprovado na comissão especial, e que traz a liberação da cerveja. “Na versão que está sendo analisada pela Câmara, a permissão de venda de bebidas está expressa nos artigos 28, 29 e 67. Portanto, o cumprimento integral das garantias firmadas pelo Brasil com a Fifa para sediar a Copa depende da aprovação do projeto de lei nos termos em que foi apresentado ao plenário esta semana”, diz o ministro Aldo Rebelo (Esporte), em nota.
(…)
Voltei
O que eu penso? Penso que as leis do país têm de ser seguidas. Em qualquer caso? Em qualquer caso! O Estatuto do Torcedor proíbe a venda de bebidas nos estádios? Então vale o que está lá. Não reconhecia autoridade a Lula — nem a reconheço a Dilma —  para celebrar acordos que se oponham ao status legal do país. Ou, então, que se mude o Estatuto do Torcedor de vez. Fazer uma alteração ad hoc, só para a Copa e porque a Fifa exige, é coisa de país bananeiro; é coisa de quem está dando o traseiro ao chute. ESSE DEBATE DEVERIA NOS ENVERGONHAR. Mas há quem chame isso de pragmatismo.

Aliás, nesse particular, o nacionalismo sempre acentuado do ministro Aldo Rebelo me decepciona. Ok. Aceitou ser ministro do Esporte. Defender o álcool nos estádios era parte do pacote. Ora, que peça então a mudança do Estatuto. Considerar que a permissão transitória e específica é uma vantagem depõe contra esse aspecto de seu discurso. E, obviamente, depõe contra os mais comezinhos fundamentos do ordenamento jurídico. E é por isso que doutor Damous me surpreende — ou não me surpreende.

Prestemos atenção à sua fala:
“Beber cerveja e assistir a um jogo de futebol não tem problema nenhum. Agora, beber e sair dirigindo ou praticar atos de violência não pode ocorrer de maneira alguma”,
Huuummm… Doutor Damous está dizendo que tudo fica bem quando vai bem. Ele defende a liberação da beberagem, mas sem que os consumidores pratiquem atos de violência ou direção irresponsável. Ah,bom! Agora sim! Dada a absoluta impossibilidade de se flertar com o contrário — imaginem o presidente da OAB a defender porrada e bêbados ao volante… —, a fala do presidente da OAB supera em vacuidade as batatadas do Conselheiro Acácio. Fosse nosso contemporâneo, Eça teria dado outro nome à sua personagem famosa.

Faltaria a Doutor Damous explicar por que ele acredita que uma lei não precisa ser seguida, mas as outras, sim! Sendo ele o presidente da OAB — uma entidade que goza, no país, do privilégio de dizer quem pode e quem não pode advogar, e o filtro é um exame que testa justamente o conhecimento em leis —, estamos diante de uma dessas contradições inelutáveis, que só podem mesmo prosperar por aqui.

Notem que o preclaro não evocou um só fundamento jurídico — pô, gente, não é porque ele é presidente da OAB-RJ que a tanto deva se obrigar, né? — para defender a sua tese, a não ser o famoso “que mal tem?”. Ora, opinião tão fundamentada pode ser dada pelo pipoqueiro. Se a gente ouve um advogado ou jurista para opinar sobre um determinado assunto e se ele renuncia à sua expertise para falar como homem comum, a sua expertise serve, então, para quê? Para conferir a dimensão de ciência ao que é uma opinião arbitrária, como qualquer outra.

Eu desafio — e que os advogados do Brasil e estudantes de direito a tanto fiquem atentos — o doutor Damous a dar fundamentação jurídica para a sua opinião; eu o desafio a expor os alicerces legais em que se assenta a sua opinião.

Encerro
A Fifa transfere a Copa para a Inglaterra, como ameaçou Joseph Blatter em visita ao Brasil (coisa que a imprensa brasileira preferiu ignorar) caso não se libere a bebida nos estádios? Duvido! Mas digamos que o risco exista…

BEM, ENTÃO O CONGRESSO BRASILEIRO DEVE ESCOLHER – É O QUE LHE RESTOU – A VERGONHA MENOR: MUDAR O ESTATUTO DO TORCEDOR! QUE SE LIBERE O ÁLCOOL NOS ESTÁDIOS E PRONTO! Do contrário, cada congressista que votar a favor da liberação específica estará se comportando apenas como lobista de cervejaria.

Alguém objetará: “Poxa, Reinaldo, mas o mal menor é liberar o álcool apenas no mês dos jogos, não é?” Não! Lamento! O mal maior é o país fazer pouco caso de suas leis e criar legislação ad hoc para atender aos interesses de entidades e lobbies privados.

PS – Eu entendi errado, ou Doutor Damous está a defender só a liberação da cerveja, porque tem baixo teor alcoólico, mas de outras bebidas? A sua fala é tão responsável, mas tão responsável, que os especialistas da área poderão lhe dizer: boa parte das pessoas surpreendidas embriagadas ao volante consumiu cerveja em excesso. É uma fala irredimível do ponto de vista ético, moral, jurídico e histórico. Parece que a coerência não é uma cruz que ele se mostre disposto a carregar.

PS2 – Por que Dilma não dá um soco na mesa e obriga um dos estafetas do petismo a apresentar uma lei mudando o Estatuto do Torcedor? Partido do governo existe para ficar com o bônus do poder, mas também com o ônus. A petezada, no entanto, quer largar a batata quente no colo dos governadores. Se alguma coisa ruim acontecer em razão do consumo do álcool, a responsabilidade será deles. Afinal, cabe às polícias militares garantir a segurança. O governo federal só entra com a cerveja.

Texto publicado originalmente às 16h32 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

20/03/2012

às 22:40

Prevalecem a covardia e a chantagem do Planalto e do PT, e caberá aos governos estaduais liberar ou não o álcool nos estádios; se disserem “não”, ficam sem a Copa

Bem, caras e caros, não tenho nada a acrescentar ao que já escrevi hoje sobre a questão da liberação do álcool nos estádios. Prevaleceu a lógica da covardia e da chantagem. O governo federal e o PT abrem mão de suas responsabilidades e jogam mesmo a responsabilidade no colo dos governadores. Eles que desrespeitem a lei.  Leiam o que informa Gabriel Castro, na VEJA Online

Os líderes da base aliada na Câmara dizem ter chegado a um acordo para a votação da Lei Geral da Copa. O acerto foi feito nesta terça em uma reunião com a presença do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e passa pela supressão do artigo 29, que altera o Estatuto do Torcedor e libera expressamente a venda de bebidas alcoólicas durante o torneio esportivo. Como resultado, o texto simplesmente deixará o tema em aberto: os estados e municípios que possuem leis proibindo este tipo de comércio teriam que se adequar às normas da Fifa.

“O governo mantém a posição de manter as garantias firmadas com a Fifa”, disse o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, após o encontro com os parlamentares. Ele não explicou como a questão será resolvida nos estados onde há veto ao comércio de álcool nos estádios. De acordo com o ministro, tanto o texto original do governo, que não faz menção à bebida, quanto o do relator Vicente Cândido (PT-SP), que libera expressamente a venda de álcool nos estádios durante a Copa, mantêm o acordo do governo com a Fifa. A incerteza do governo sobre o tema tem gerado mal-entendidos nos últimos dias. Os líderes aliados chegaram a anunciar que modificariam o texto para proibir o comércio de bebidas durante a Copa.

Adiamento
“É um texto mais brando, e se o governo concorda que isso preserva o acordo com a Fifa, é o que vale”, opinou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), após o encontro. Com a supressão do artigo 29, o governo espera vencer a resistência de deputados contrários à venda de bebidas nos estádios. A questão desagrada especialmente a bancada evangélica. Para o Planalto, em meio a uma crise com a base aliada, quanto menos riscos, melhor. Depois do encontro com líderes aliados nesta terça, o ministro Aldo Rebelo segui para uma reunião com os parlamentares peemedebistas. O objetivo é evitar defecções na votação da Lei da Copa.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ao site de VEJA que a mudança deve facilitar a aprovação do texto na Casa. Ainda de acordo com ele, os governos estaduais estão cientes das regras para a realização da Copa porque assinaram um termo de responsabilidade. Nos locais onde a bebida é proibida em estádios, o petista afirma que será preciso fazer uma adequação: “Imagino que eles vão submeter esse tema às assembleias legislativas”, afirmou.

Apesar do acordo dos líderes aliados, o texto da Lei Geral da Copa não deve ser votado nesta terça-feira. E, para que a proposta seja apreciada ainda nesta semana, os líderes do governo e da oposição precisarão costurar um acordo. A bancada ruralista quer garantias de que o Código Florestal seja votado. E ela pode atrapalhar a votação da Lei da Copa se não obtiver o que pede.

Por Reinaldo Azevedo

19/03/2012

às 22:27

A coragem de porre: E o PT, ora vejam, não quer ser nem contra nem a favor a liberação do álcool nos estádios

O misto de covardia e esperteza malandra do PT atinge, de vez em quando, o estado da arte. O Apedeuta prometeu à Fifa que o país daria um jeito de mudar suas leis para fazer a Copa do Mundo. A da meia-entrada para estudantes (a que me oponho, diga-se), por exemplo, vai para o vinagre, ainda que pareça que não. Como a UNE é pelega e nada na bufunfa, não vai mover uma palha. O bicho está pegando é com a questão da venda de bebida alcoólica nos estádios, o que o Estatuto do Torcedor proíbe.

Os petistas estão dando um jeito de não ser nem contra nem a favor e jogar a batata quente no colo dos estados. Num país em que o alcoolismo é um problema sério — o tema quase rende a expulsão de um correspondente estrangeiro, né? —, um partido associado à beberagem não chega a ser exatamente uma conquista. O consumo de álcool é uma dessas práticas que encontram mais praticantes do que defensores. “Ah, isso, então, é hipocrisia”! Pode até ser. O fato inegável é que o álcool está na raiz de muitas manifestações de violência — individual e coletiva.

Leiam trecho da reportagem de Nathalia Passarinho, no Portal G1:
Após mais de três horas de reunião, a bancada do PT na Câmara decidiu nesta segunda-feira (19) apoiar uma versão do texto da Lei Geral da Copa que não contenha autorização expressa da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos jogos do Mundial de 2014. A previsão da presidência da Câmara é votar o texto em plenário nesta semana. O texto do relator da matéria, deputado Vicente Cândido (PT-SP), aprovado no mês passado na comissão especial da Lei da Copa, autoriza expressamente a venda de bebidas.

O texto original, enviado pelo Executivo ao Congresso, não libera nem proíbe a venda de álcool nos estádios. Apenas suprime a validade, durante o período da Copa do Mundo, do trecho do Estatuto do Torcedor que proíbe “portar” bebidas nos estádios. Na semana passada, o Ministério do Esporte divulgou nota dizendo que a venda de bebidas nos estádios é um compromisso do Brasil com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e que a autorização constaria do projeto a ser votado. De acordo com o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP), Cândido preferia manter seu relatório, mas, diante da posição da maioria, segundo relatou Tatto, afirmou que mudará o texto, se o regimento permitir.

“No mérito, ninguém é a favor da liberação de bebidas. Ninguém concorda. Vamos defender o texto original”, disse Tatto. O governo vai avaliar se é melhor o próprio relator suprimir o artigo que libera bebidas da versão aprovada na comissão especial ou se será apresentado destaque (proposta de alteração) à matéria no plenário. Vicente Cândido criticou a posição da bancada do PT, mas disse que acatará a decisão da maioria. Para o deputado, apenas com a liberação explícita em lei federal haveria o cumprimento do compromisso do Brasil com a Fifa, já que só assim os estados deixariam de ter autonomia para proibir a comercialização.

“Ficou decidido, contra a minha vontade, que o item das bebidas seria modificado, provavelmente através de emenda. Acho que essa solução não cumpre integralmente o acordo com a Fifa”, disse. O relatório de Cândido prevê que “a venda e o consumo de bebidas, em especial as alcoólicas, nos locais oficiais de competição, são admitidos desde que o produto esteja acondicionado em copos de plástico, vedado o uso de qualquer outro tipo de embalagem”.
(…)
Para Chinaglia, com o retorno ao texto original, os estados teriam autonomia para negociar a comercialização ou não de bebidas. “A bancada decide que prefere a redação original do governo. O relator é do governo, estava presente e ele admite. Mas nós vamos auferir com as outras bancadas. Se necessário, ele mesmo altera”, afirmou Chinaglia.

Voltei
Pois é… Caso prevaleça essa tese covarde, a pressão se desloca para os estados, e o governo federal e os petistas se livram de uma questão espinhosa. A Lei Geral da Copa, é bom notar, deveria ter sido a primeira coisa aprovada nesse processo. Mas foi ficando para o fim, como todo o resto.

“E você, Reinaldo, é contra ou é a favor?”

Também nesse caso, sou a favor do cumprimento da lei. “Ah, mas o Brasil prometeu…” Quem é o Brasil? Lula não tinha autorização para “prometer” que o Congresso mudaria a lei.

Sei que anda muito influente, até entre jornalistas, esse negócio de que o Executivo, desde que clarividente, deve decidir os caminhos do Legislativo. Não gosto da ideia. Nem para clarividentes nem para obtusos. Um Executivo que rouba prerrogativas do Legislativo será sempre obscurantista. Por princípio.

Por Reinaldo Azevedo

28/02/2012

às 22:25

Comissão Especial aprova Lei Geral da Copa. Abaixo a institucionalidade!

A Lei Geral da Copa do Mundo foi aprovada na comissão especial. Há alguns anos, o que vai lá provocaria a indignação de muita gente preocupada com a legalidade. Hoje não! Estamos nos acostumando à informalidade institucional. Voltarei ao assunto de madrugada. Leiam trechos do que informa Nathalia Passarinho, no Portal G1:

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (28) o texto-base da Lei Geral da Copa, que estabelece regras sobre a venda de ingressos, comercialização de bebidas e garantias aos patrocinadores do mundial. Os deputados ainda vão analisar os destaques (alterações), que serão votados em separado nesta quarta (29). O projeto ainda deverá passar por votação no plenário da Câmara, antes de ser apreciado pelo Senado. Só depois, vai à sanção presidencial. O texto do relator da matéria na comissão especial, deputado Vicente Cândido (PT-SP), estabelece a venda de meia-entrada apenas para idosos e 300 mil ingressos populares para estudantes e beneficiários de programas de transferência de renda. Pela proposta, pessoas com mais de 60 anos também estão incluídas entre os beneficiários da chamada “categoria 4″, de ingressos baratos (previstos para serem vendidos a este grupo por US$ 25, cerca de R$ 43, na cotação atual). A Copa do Mundo terá quatro categorias de ingressos, sendo que a “categoria 1″ será a mais cara.

De acordo com o deputado Vicente Cândido, a “categoria 4″ terá entradas a US$ 50, mas estudantes, idosos e beneficiários de programas de transferência de renda pagarão metade desse valor. Os ingressos da “categoria 3″, segundo o deputado, custarão cerca de US$ 100, a “categoria 2″ deverá ter entradas a US$ 450, e os ingressos da “categoria 1″ custarão em torno de US$ 900. O novo texto da Lei Geral da Copa estabelece que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) deverá sortear os ingressos populares “prioritariamente” entre estudantes, idosos e beneficiários de programas de transferência de renda que se candidatarem. O texto prevê a possibilidade de que mais ingressos, além dos 300 mil, sejam vendidos na “categoria 4″, para qualquer pessoa. Neste caso, porém, o valor subiria para US$ 50 (cerca de R$ 85).

A proposta afasta a incidência de outras leis federais ou estaduais que estabeleçam meia-entrada. Com isso, se for aprovado o Estatuto da Juventude, que prevê meia-entrada para estudantes de todo o país, a legislação não teria validade durante os jogos da Copa do Mundo. O estatuto foi aprovado neste mês na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa passar por três comissões antes de ser apreciado em plenário. “As disposições constantes de lei federal, estadual ou municipal referentes a descontos, gratuidades ou outras preferências aplicáveis aos ingressos ou outros tipos de entradas para atividades esportivas, artísticas ou culturais e de lazer não se aplicam aos eventos”, destaca o texto atual da Lei Geral da Copa.

Indígenas
O texto de Vicente Cândido diz ainda que os “ingressos para indígenas e proprietários de armas de fogo” que aderirem a campanhas de desarmamento serão “objeto de acordo” com a Fifa. Sindicalistas, liderados pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, defendem ingressos gratuitos para os trabalhadores que construíram os estádios da Copa. Apesar dessa previsão não constar no texto, Vicente Cândido disse que a Fifa se comprometeu a dar ingressos gratuitamente para essas categorias.

A proposta aprovada na comissão especial também diz que “os entes federados e a Fifa poderão celebrar acordos para viabilizar o acesso e a venda de ingressos para pessoas portadoras de deficiência, considerada a existência de instalações adequadas e específicas nos locais oficiais de competição.” O texto prevê ainda a exigência de venda de ingressos da “categoria 4″ na Copa das Confederações. “A Fifa colocará à disposição, para as partidas da Copa das Confederações de 2013, no decurso das diversas fases de venda, ao menos, 50 mil ingressos da categoria 4″, diz o texto.

Bebidas
A proposta aprovada pela comissão especial autoriza a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa do Mundo. O texto não estende a liberação para outros campeonatos. O Estatuto do Torcedor veta a presença nos estádios de “bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”. De acordo com o parecer de Cândido, a “venda e o consumo de bebidas, em especial as alcoólicas, nos locais de oficiais de competição, são admitidos desde que o produto esteja acondicionado em copos de plástico, vedado o uso de qualquer outro tipo de embalagem.” A liberação de álcool na Copa do Mundo é uma das exigências da Fifa, já que alguns patrocinadores do campeonato são empresas fabricantes de bebidas.
(…)

Férias escolares

O texto aprovado pela comissão especial altera ainda o período de férias escolares em 2014 para que não haja aulas durante a Copa do Mundo. “Em 2014, os Sistemas de Ensino deverão ajustar os calendários escolares de forma que as férias escolares decorrentes do encerramento das atividades letivas do primeiro semestre do ano, nos estabelecimentos de ensino das redes pública e privada, abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa do Mundo FIFA 2014 de Futebol”, diz a proposta.

Por Reinaldo Azevedo

20/12/2011

às 20:36

À Fifa, o PT entrega tudo, muito especialmente a honra!!! E aquele conversê todo de Dilma sobre ninguém mandar “ni nóis”? Manda e ainda tripudia!!! Ou: PT PRIVATIZA A SOBERANIA DO PAÍS!

Lembram daquele ar severo e durão de Dilma Rousseff, deixando claro que a Fifa não imporia as suas vontades ao Brasil nem se sobreporia à legislação brasileira? Pois é… Tudo papo furado! O projeto de Lei Geral da Copa, relatado pelo PT, é um manifesto à sujeição voluntária. Eu posso imaginar a gritaria dos petistas se o PSDB estivesse no poder, fazendo as concessões que o petismo está fazendo.  Pois é… O fato é que os petistas estão privatizando a soberania do Brasil. Leiam o que vai no Globo Online. Volto em seguida.

*
Parecer do deputado Vicente Cândido (PT-SP) sobre a Lei Geral da Copa prevê que o governo federal será obrigado a indenizar a Fifa por qualquer prejuízo que a entidade sofra durante os jogos do mundial, mesmo que não tenha qualquer responsabilidade sobre os danos. A proposta, incluída na quinta versão do texto original, provocou forte reação da oposição e forçou o adiamento da votação do projeto para o próximo ano. O texto seria votado nesta terça-feira pela Comissão Especial encarregada de analisar as regras gerais da Copa no país.

Pelo artigo 22, do relatório de Vicente Cândido, a “União responderá integralmente, independentemente de culpa, pelos danos ou pessoas, de qualquer natureza, inclusive de segurança, relacionados com as competições ou com os eventos, ainda que causados por quaisquer fatos da natureza, caso fortuito ou força maior”. O parecer foi distribuído aos deputados da comissão no final da manhã, horas antes do início da sessão de discussão e votação do relatório. Surpresos com as mudanças, deputados de oposição e até da base governista retiraram assinaturas de presença. Sem quórum, a reunião da comissão teve que ser adiada.

“Não pode ser assim. Estão estabelecendo responsabilidades para a União pagar por qualquer prejuízo da Fifa, independentemente de culpa. Este projeto não tem condições de ser votado agora”, disse o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).

Para a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) é inaceitável a ideia de transferir para os cofres públicos as despesas com eventuais danos que a Fifa pode sofrer durante dos jogos. Para o PPS, a alteração de Vicente Cândido fere a Constituição. A indenização só seria possível se a União tiver responsabilidade direta no prejuízo. “Do jeito que está no texto, se uma pessoa cair da arquibancada o prejuízo é nosso. Só o lucro vai para a Fifa”, disse Carmen.

O presidente Renan Filho (PMDB-AL) suspendeu a sessão antes mesmo do início dos debates. Segundo ele, a proposta de responsabilizar a União independentemente de culpa desagradou a oposição e também ao governo. O relator nem chegou a comparecer à reunião. Renan disse que o projeto deverá ser votado no início de 2012. Ele sustenta, no entanto, que o novo adiamento não atrasará os preparativos do país para a Copa.

O relatório também tem vários pontos obscuros sobre importantes propostas. O texto não deixa claro como será a troca de armas por ingressos. O texto não diz nem mesmo se a arma deverá estar em condições de uso no momento da entrega. “Uma AR 15 valerá o mesmo que um revólver ? Eu não sei. Não está dito nada sobre isso aqui”, questiona Otávio Leite.

Voltei
É claro que o Brasil tem leis cretinas. A da meia entrada para idosos (pessoas com mais de 60 anos) e a da meia entrada para estudantes são dois exemplos gritantes. O benefício só faria algum sentido, é evidente, para quem não tem condições de arcar com o valor total do ingresso — e deveria ser assim, entendo, para qualquer evento. Quando se premia uma “categoria”, a despeito das condições objetivas de cada indivíduo, ganha o corporativismo, e perde a Justiça.

As leis são ridículas, mas são as leis. Não será, ou não deveria ser, a Fifa a chegar aqui e dizer: “Isso não serve”. Alguém objetará: “Ah, não fosse a expectativa de mudança, a Fifa não faria a Copa no Brasil”. Não? Que governo e entidade vissem isso antes. Sim, eu sei, as concessões acabarão sendo feitas. E isso nos expõe duplamente ao ridículo: a) em primeiro lugar por causa da estupidez das leis em si; b) em segundo lugar, porque estaremos dispostos a abrir mão delas temporariamente. E quem o exige? Uma entidade privada! Isso nos coloca, na escala da honra, abaixo do cocô do cavalo do bandido.

Notem: na proposta do tal Cândido, os idosos e estudantes, com direito à meia entrada, terão de disputar os 300 mil ingressos a preços populares que serão postos à venda. Já demonstrei aqui como o mecanismo, além de jogar no lixo a legislação brasileira, ainda transfere ingressos de pobres para ricos.

Agora há essa história — e pouco me imposta se a Fifa faz isso em todos os países — de responsabilizar judicialmente a União por quaisquer contratempos que venham a acontecer, não importa a sua natureza. Isso é o que se costuma chamar de “cláusula leonina” num contrato. Vale dizer: na sociedade do contrato, há de valer o que está combinado, sem dúvida, mas esse combinado não pode contrariar a legislação.

Férias escolares
A Lei Geral da Copa expõe a desordem brasileira — ou do governo brasileiro. A antecipação do recesso escolar, digam o que quiserem, tem uma razão de ser: as cidades que sediarão a disputa não contarão com as chamadas obras de mobilidade urbana que foram anunciadas. E é preciso dar um jeito de tirar os nativos da rua para que os turistas possam se locomover.

Não estou tomado de nenhum sentimento nativista, não! Eu sou um legalista. Nas democracias, as leis ou são cumpridas ou são mudadas. Desrespeitá-las de maneira deliberada, sob o patrocínio do estado, é flerte com o baguncismo.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

às 21:57

Não parece, mas é um escândalo gigantesco. E de vários modos combinados

Ai, ai… A VEJA Online publica um texto cujo primeiro parágrafo é este (leiam com atenção). Volto em seguida:

“O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira, com ressalvas, os estudos que autorizam a publicação dos editais de leilão dos aeroportos. Após a análise do órgão, o relator, ministro Aroldo Cedraz, determinou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aumente os valores mínimos das outorgas dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos (em Campinas, no interior de São Paulo) e Brasília, que serão concedidos à iniciativa privada. Com a decisão, os lances mínimos serão majorados em até 914%.”

Voltei
Imagine, leitor amigo, uma concessão que estivesse sendo feita por um governo tucano à iniciativa privada e que o TCU decidisse majorar, num dos casos, em quase 1.000%. Os petistas e cutistas botariam a tropa na rua. A esta altura, já haveria uma penca de blogs e sites acusando os tucanos de vendilhões da pátria. Fizeram isso até quando não havia motivos, como se viu no caso da privatização da parte da Telebras que pertencia ao Estado.

Convenham: ou o TCU é maluco, ou é maluco quem estabeleceu os valores mínimos das outorgas. Uma diferença de 10%? Vá lá… De 20%? Huuummm… De quase 1.000? Aí já é um escárnio. Ou estávamos diante de uma das negociatas da década ou estamos diante de critérios aloprados do Anac ou do tribunal.

Assim caminham as obras da Copa do Mundo de 2014… Nesse ritmo, não sei não, as próximas gerações sentirão o peso de todo esse rigor técnico-moral.

Abaixo, o outro trecho do texto publicado na VEJA Online:

A mudança foi proposta porque o TCU avaliou que foram superestimados nos estudos básicos os valores dos investimentos que serão feitos nos três aeroportos nos próximos anos. Com uma necessidade de investimento menor, não haveria porque cobrar “barato” pelo direito de operar os aeroportos.

Novos valores
Para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o valor deve ser elevado em 65%, de 2,3 bilhões de reais para 3,8 bilhões de reais. Para o terminal de Brasília, o valor terá de ser aumentado em 914%, para 761 milhões de reais, ante os 75 milhões de reais sugeridos anteriormente. Já para o aeroporto de Viracopos, em Campinas, o TCU afirmou que o valor deve ser de 1,739 bilhão de reais, ante os 521 milhões de reais estimados anteriormente – um ajuste de 233%.

Próximos passos
Com a aprovação dos estudos, a Secretaria de Aviação Civil afirmou que os editais devem ser divulgados na próxima semana, já com os novos lances mínimos recomendados pelo Tribunal.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

às 0:56

Deputado apresenta a proposta da Lei Geral da Copa. É o samba-do-petismo-doido

O relator da Lei da Copa apresentou sua proposta. Olhem aqui: ainda que fosse uma bobagem proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios – não acho que seja! -, não cabe à Fifa mudar leis brasileiras. “Ah, se não fosse assim, a entidade não toparia fazer a Copa no Brasil…” Pois é.  Que isso ficasse claro desde o começo, não? Não estava.

O deputado Vicente Cândido (PT-SP) apresentou a sua proposta. Libera a venda de bebidas alcoólicas, contrariando a lei de vários estados. Também desrespeita a lei da meia entrada, que eu, pessoalmente, acho um absurdo. E daí que eu ache isso? É a lei! E eu sou legalista. No lugar, o petista propõe um mecanismo complicado que, já demonstrei aqui já demonstrei aqui, transfere ingressos reservados aos pobres para pessoas que poderiam pagar um preço mais alto.

A Lei Geral da Copa virou o samba-do-petismo-doido. Leiam o que informa a VEJA Online:

Por Gabriel Castro:
O relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), apresentou nesta terça-feira um relatório em que prevê a permissão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante o torneio esportivo. A medida atende a uma exigência da Federação Internacional de Futebol (Fifa), e vai de encontro a leis estaduais em grande parte do país. “Estará permitida a venda e o consumo de bebidas desde que isso seja feito exclusivamente nos bares, restaurantes e estabelecimentos similares em funcionamento nos recintos esportivos”, diz o substitutivo apresentado pelo relator.

Se for aprovado pela comissão, em votação prevista para a semana que vem, o relatório seguirá para votação em plenário e, depois, para o Senado Federal. O texto do petista também prevê que 300.000 ingressos serão comercializados pela metade do preço da categoria mais cara. O bilhete não deve ultrapassar os 50 reais. O desconto beneficiará idosos, estudantes, deficientes, indígenas e beneficiados pelo Bolsa Família.

Prêmio
A proposta ainda trata de um tema que não está ligado diretamente ao torneio de 2014: a concessão de um prêmio de 100.000 reais aos ex-atletas das Copas de 1958, 1962 e 1970. Aqueles que, entre esses campeões do mundo, estiverem em dificuldades financeiras terão ainda direito a um auxílio mensal de até 3.700 reais. A Lei Geral da Copa trata também de garantias comerciais à Fifa e aos patrocinadores do evento. E atribui à federação internacional a responsabilidade pelo credenciamento dos jornalistas que vão cobrir o torneio,  o que poderia evitar represálias por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a veículos críticos à gestão de Ricardo Teixeira.

Por Reinaldo Azevedo

01/12/2011

às 22:23

TCU diz que Copa pode legar herança indesejável

Por Marta Salomon, no Estadão Online:
Relatório de avaliação das obras da Copa do Mundo de 2014 aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) alerta para o risco de as obras da Copa se transformarem em “herança” indesejável. A pouco mais de dois anos e meio do início do torneio, apenas 8 dos 49 projetos de obras para transportar torcedores e turistas nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo tiveram contratos assinados e 24 nem sequer lançaram licitação.

A área de mobilidade urbana é a que mais preocupa no cardápio de obras financiadas com dinheiro público. É também a que exigirá a maior fatia de investimentos da União: R$ 7,9 bilhões só em financiamentos da Caixa Econômica Federal (CEF), segundo a matriz de responsabilidade, que estabelece o custo das obras e quem faz o quê.

“Temo que essas intervenções de mobilidade, a serem inevitavelmente realizadas às pressas, baseiem-se em projetos sem o devido amadurecimento quanto ao seu detalhamento técnico; e mesmo quanto à sua viabilidade. Preocupa-me o risco de conceber uma herança que não corresponda às reais necessidades da população ao término dos jogos”, diz o relator Valmir Campelo, responsável pelo acompanhamento das obras da Copa.

O relatório divulgado hoje (1) menciona entre as obras que nem começaram a sair do papel o polêmico veículo leve sobre trilhos (VLT) de Cuiabá, orçado em R$ 1,2 bilhão.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou na semana passada que a obra foi aprovada pelo Ministério das Cidades mediante um documento fraudado. O projeto original era o BRT, uma linha rápida de ônibus, que custava R$ 489 milhões.

Um acordo político do governo federal com o estadual alterou o projeto. Só que uma análise técnica feita pela pasta vetava a mudança imediata. Com o aval do ministro Mário Negromonte, a diretora de Mobilidade Urbana, Luiza Vianna, adulterou o parecer original, deixando a conclusão a favor do VLT.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/11/2011

às 20:05

Abaixo Reinaldo Azevedo! Viva a Copa do Mundo antipobre do PT!

Então…

Esse Reinaldo Azevedo é esquisito mesmo! Dizem os extremistas de esquerda, os petistas e os que se auto-intitulam “progressistas” e “modernos” que sou “reacionário”, “conservador”, que não gosto de povo. É… Como ficará claro abaixo, eles o adoram! Veneram mesmo!

Eu, como sou um homem mau, fico procurando chifre em cabeça de cavalo só pra falar mal dessa vanguarda iluminada que está no poder, não importa o assunto. Abaixo, vou tratar da Lei Geral da Copa. VOCÊS VERÃO COMO EU, O REACIONÁRIO, VOU DESTRINCHAR A PROPOSTA DE UM PROGRESSISTA, DO PT. Vocês me dirão depois quem é mais “antipovo”: eu ou eles. Vamos ver.

Leiam com atenção o que informa a Folha Online:
O relator do projeto da Lei Geral da Copa-2014, deputado Vicente Cândido (PT-SP), confirmou nesta terça-feira que definirá uma cota para os 300 mil ingressos populares para o evento. O Mundial deve ter aproximadamente 3 milhões de bilhetes à venda.
Pelos cálculos da Fifa, deverão ser reservados ingressos a US$ 25 (pouco menos de R$ 50) para brasileiros que queiram assistir aos jogos da primeira fase da Copa-2014. Segundo Vicente Cândido, 50% desses ingressos deverão ir para idosos e estudantes e o resto dividido entre pessoas de baixa renda – pelo critério do Bolsa Família – índios e deficientes.
“Essa é uma primeira proposição, temos que ver ainda o número de jogos para definir a distribuição e a demanda. Devemos colocar também ingressos para um convênio do governo brasileiro com a Fifa para o desarmamento”, disse.

Voltei
E então?
Como um “reacionário” deste porte analisa a proposta de um “progressista” à moda Cândido, um homem do povo?

Há aí um estupendo coquetel de ilegalidades, que termina, como não poderia deixar de ser, com o apelo à vigarice politicamente correta. De saída, note-se que a lei da meia entrada, válida para estudantes e idosos em razão de dois estatutos, está sendo claramente violada. O “ingresso popular” substituirá o conceito da “meia entrada”? Em caso afirmativo, que lei geral estabelece o princípio da cota de 10%? Nenhuma!

EU SOU A FAVOR DA MEIA ENTRADA??? NÃÃÃOOO!!!

Eu não sou! Considero-a o fim da picada! Mas há outras leis que também não aprovo. Nem por isso saio por aí desrespeitando-as. A questão óbvia é a seguinte: o benefício para um “estudante” atende a uma categoria, a uma corporação, não necessariamente a pessoas necessitadas. O mesmo vale para brasileiros com mais de 60 anos. Por que se parte do pressuposto de que não podem pagar o ingresso inteiro?

Daqui a cinco anos, o Eike Batista e o lixeiro que recolhe os dejetos de seu solar (se também estiver com 60) poderão ter direito ao benefício… Eike poderá até andar de graça em ônibus…

A lei não é boa? E daí? É a lei! Este “reacionário”, este “direitista” (como dizem os comuno-fascistas da USP), este “conservador” defende que as leis sejam cumpridas e acredita que a FIFA não tem poderes para mudar a legislação brasileira.

Como é que o deputado petista está propondo resolver o esbulho legal? A FIFA propõe, para os mais pobres,  10% de ingressos a preços populares. O tal Cândido pretende fazer de conta que não está violando as leis da meia entrada. De que modo? Reservando 50% dos ingressos mais baratos para estudantes e idosos, sejam pobres ou ricos.

Qualquer pessoa que tenha os dois pés no chão, mas não as duas mãos, entendeu o óbvio: parte dos ingressos dos pobres, que realmente não poderiam comprar os acessos mais caros,  vai parar nas mãos de estudantes e idosos em condições de arcar com o custo de sua diversão.

ESSE É O SOCIALISMO DO PT: TIRAR DOS POBRES PARA DAR PARA OS RICOS.

Eu sou contra essa prática. Mas, vocês sabem, sou apenas um “reacionário”, um “direitista”, um “conservador”.

E os outros 50%?
E os outros 50% dos ingressos? Ah, o “socialista” propõe o corte de renda, segundo os critérios do Bolsa Família, sem esquecer os deficientes e os índios… Talvez a notícia esteja incompleta e outras “minorias organizadas” também sejam contempladas. Critério do Bolsa Família, é? No site da Caixa Econômica Federal, explica-se quem tem direito ao benefício básico, ao variável e ao variável para jovem, a saber:
“O benefício básico é concedido às famílias em situação de extrema pobreza. O valor deste benefício é de R$ 70,00 mensais, independentemente da composição e do número de membros do grupo familiar. Já o variável é concedido no valor mínimo de R$ 32,00 e beneficia famílias pobres e extremamente pobres que tenham, sob sua responsabilidade, crianças e adolescentes na faixa de 0 a 15 anos, até o teto de 3 benefícios por família, ou seja, R$ 96,00. O benefício variável para jovem é concedido às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, que possuam, em sua composição familiar, adolescentes de 16 e 17 anos matriculados na escola. Cada benefício concedido tem o valor de R$ 38,00, podendo ser acumulados até dois benefícios por família, no total de R$ 76,00.”

Então acompanhem os caminhos por onde este “reacionário” desmonta a vigarice antipovo e antipobre desses progressistas. Vejam a que parcela do benefício corresponde um ingresso de R$ 50. Há mais de 11 milhões de famílias no programa. Sobraram 150 mil ingressos para os pobrezinhos (que terão de dividi-los com índios, deficientes, sei lá quem…).

No que concerne à Copa do Mundo, pois,  ser muuuito pobre pode ser um diferencial, um ativo, entendem? Há uma chance — remota, é verdade — de que o miserável do Bolsa Família consiga uma entrada, mas há…

Ferrado mesmo, coitado!, é aquele muito pobre, mas não miserável. Digamos que a família tenha uma renda per capita de R$ 200 por mês, R$ 300. Está fora do Bolsa Família. É estudante? Não é! É idoso? Não é! É deficiente? Não é! É índio? Não é! Pertence a alguma das “minorias” tornadas influentes na luta política? Não! Digamos que seja só, como costumo brincar (e lá vão os vagabundos não entender uma ironia, como de hábito), um “pobre, branco, heterossexual e sem-ONG”…

Ele que vá plantar batatas! O PT tem tempo para cuidar dos interesses dos muito ricos. E como cuida!!! O PT tem tempo para dar alguns benefícios aos miseráveis. O PT até tem algum tempo para se dedicar às “minorias” tornadas influentes. O PT só não tem tempo mesmo é de cuidar de pobre sem pedigree.

Como vocês sabem, eu escrevo isso porque sou um “reacionário”…

Progressista, no Brasil, é aplaudir o esbulho legal praticado por uma entidade internacional privada, com o auxílio dos nossos “socialistas”, que vão roubar os ingressos dos pobres para dar aos ricos!

Se o Ministério Público tiver vergonha na cara, esse troço não prospera!

Abaixo Reinaldo Azevedo!
Viva a Copa do Mundo antipobre do PT!

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2011

às 6:49

Poder público perde controle e obras da Copa já estão R$ 2 bilhões mais caras

Por Rafael Moraes Moura, no Estadão:
A fraude no Ministério das Cidades que abriu caminho para a aprovação do projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, R$ 700 milhões mais caro que o original, é apenas um dos exemplos de como o custo das obras da Copa do Mundo escapou do controle público. No que diz respeito à mobilidade urbana, os gastos totais aumentaram R$ 760 milhões, quando comparada a atual estimativa à previsão inicial de janeiro de 2010. O caso de Cuiabá foi revelado pelo Estado na última quinta-feira. Levando-se em conta a alteração orçamentária dos estádios, o aumento total das obras da Copa supera R$ 2 bilhões.

A mudança de planos em Cuiabá atendeu aos apelos do governador de Mato Grosso, Sinval Barbosa (PMDB). Além de Cuiabá, houve aumento de preço nas obras de mobilidade urbana em outras cinco cidades: Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.

Em Belo Horizonte, o BRT da avenida Cristiano Machado saltou de R$ 51,2 milhões para R$ 135,3 milhões, acréscimo de 164,3%. Em Manaus, o valor global das duas obras previstas – um monotrilho, já criticado pela Controladoria-Geral da União (CGU), e uma linha rápida de ônibus – aumentou 20%.

O prolongamento da Avenida Severo Dullius, em Porto Alegre, ficou 70% mais caro. Todas as cinco obras de mobilidade urbana programadas para Recife encareceram – entre elas, o BRT Leste/Oeste – Ramal Cidade da Copa, que aumentou de R$ 99 milhões para R$ 182,6 milhões (84,40% de diferença). O Corredor Caxangá (Leste/Oeste), por sua vez, agora custa R$ 133,6 milhões, ou 80,54% a mais.

Por Reinaldo Azevedo
 

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