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Copa do Mundo de 2014

15/07/2014

às 15:17

The Economist: Brasil precisa de nova gestão e de novas ideias dentro e fora do campo

A revista inglesa “The Economist” traz um texto intitulado “Lições de um Armagedom Futebolístico” em que afirma que a derrota de sete a um para a Alemanha evidencia que o Brasil precisa de novas ideias dentro e fora do campo.

O texto lembra a metáfora hiperbólica de Nelson Rodrigues quando a Seleção perdeu de 2 a 1 para o Uruguai em 1950, em pleno Maracanã: “Uma catástrofe nacional… Nossa Hiroshima”. Se é assim, diz a revista, então a tragédia do Mineirão foi o Armagedom, e não apenas por causa da dimensão da derrota de 7 a 1, mas também em razão da facilidade com que os rápidos e tecnicamente superiores alemães penetravam na zaga brasileira, como uma faca cortando tapioca, compara.

Com alguma ironia, a publicação diz que a humilhação deixou os brasileiros em estado de choque, muito especialmente porque o Brasil não tem Hiroshimas reais a lamentar. A reportagem observa que, além da breve participação brasileira na Segunda Guerra, entre 1944 e 1945, o conflito armado anterior em que se meteu data de 1860 — a Guerra do Paraguai. O país tem a sorte de não enfrentar ameaças de vizinhos, terrorismo, tensões étnicas ou religiosas.

Apelando ao antropólogo Roberto DaMatta, o texto lembra que o futebol deu ao brasileiro a confiança em si mesmo que nenhuma outra instituição proporcionou, inventando uma narrativa nacional e uma cola social, isso num país que jamais conseguiu fazer jus a seu potencial. Ganhou cinco Copas do Mundo, mas nenhum prêmio Nobel, contrasta.

A revista prossegue observando que, quando o Brasil obteve o direito de sediar a Copa do Mundo deste ano e os Jogos Olímpicos de 2016, o então presidente Lula pretendia demonstrar que o país tem outros motivos para se orgulhar. O mundo conheceria a sétima maior economia do planeta, uma democracia vibrante, com notável progresso social, que tem visto cair a pobreza e a desigualdade de renda.

Mas o torneio aconteceu justamente quando os brasileiros estão menos confiantes sobre o futuro. A economia vive um mau momento; a inflação está em 6,5%, apesar das sucessivas elevações da taxa de juros. Os R$ 11 bilhões de recursos públicos destinados ao financiamento de estádios desencadearam grandes protestos no ano passado contra a precariedade dos serviços públicos, a corrupção e as prioridades equivocadas dos políticos. A correria para concluir as obras e o trágico desabamento de um viaduto recém-construído em Belo Horizonte evidenciaram as dificuldades do país com projetos de infraestrutura.

Ao contrário de algumas previsões, destaca a Economist, o evento em si foi bem-sucedido, sem colapso nos transportes ou protestos significativos. Pesquisas começaram a demonstrar que os brasileiros estavam aquiescendo com o fato de o país sediar o torneio. Mesmo vaiada na cerimônia de abertura, Dilma Rousseff, sucessora e protegida de Lula, sentiu-se encorajada a anunciar que iria participar da final.

A derrota do Brasil para a Alemanha tirou de Dilma qualquer esperança que ela tenha alimentado de que a Copa do Mundo lhe daria um impulso para a eleição de outubro, quando ela vai buscar um segundo mandato. Mas, por si, essa derrota também não vai ajudar a oposição. As coisas não são assim tão simples. Os brasileiros terão outras coisas em mente quando votarem, daqui a três meses. A Economist lembra que FHC venceu a reeleição em 1998, quando o Brasil foi derrotado na Copa, e que não conseguiu fazer seu sucessor em 2002, ano em que a Seleção sagrou-se campeã.

Num nível mais profundo, diz a revista, a humilhação ocorrida no Mineirão tem potencial para reforçar o mau humor do país, o que é potencialmente perigoso para Dilma. Embora as pesquisas ainda a apontem como favorita, a campanha só começa para valer agora. Seu índice de aprovação é pouco superior a 40%, e as pesquisas têm demonstrado de forma consistente que entre 60% e 70% dos brasileiros querem mudança. O PT está há 12 anos no poder. Será que ela pode oferecer essa mudança?, indaga a revista. As principais conquistas do partido estão no passado, lembra a revista, como o aumento do emprego e do salário real — e ambas começam a se perder.

O desastre do Mineirão demonstra que o futebol brasileiro já não é mais uma fonte da confiança nacional. Ele também precisa de mudanças que vão muito além da construção de novos estádios. Seus principais agentes são corruptos, e sua estrutura doméstica é mal administrada. Quem vive das glórias do passado não tem futuro. Os brasileiros podem acabar chegando à conclusão de que precisam de uma nova gestão e de novas ideias dentro e fora do campo.

Por Reinaldo Azevedo

15/07/2014

às 7:25

Os despudorados: Dilma e 15 ministros convocam coletiva para demonizar a imprensa. E, para isso, usam a… imprensa! Ou: INCOMPETENTES, MAS MUITO ORGULHOSOS!

Leiam isto. Volto em seguida.

 Mercadante - desonestidade intelectual

Trata-se de trecho de uma reportagem da revista VEJA de maio de 2011 — há mais de três anos, portanto. Já volto ao ponto.

Não adianta! Eles não aprendem nada nem esquecem nada. Se faltava alguma evidência de que o Planalto havia montado um gigantesco esquema de marketing para tentar usar a Copa do Mundo para esmagar a oposição nas urnas — caso o Brasil vencesse a disputa, é claro! —, agora não há mais. Mesmo com a derrota humilhante, Dilma Rousseff passou o ridículo, nesta segunda, de convocar uma entrevista coletiva, acompanhada de 15 ministros, com um propósito: cantar as glórias do seu governo e demonizar a imprensa brasileira. Boa, claro!, é a Al Jazeera, a emissora do tirano do Catar. Afinal, para essa turma, a presidente diz o que bem entender. E ninguém contesta. Se bem que não foi muito contestada por aqui também, mesmo sem tiranos… Sigamos. O governo queria demonstrar que “o Brasil perdeu a taça, mas ganhou a Copa”, como resumiu Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil.

Afirmou a presidente: “Os vaticínios, os prognósticos que se faziam sobre a Copa eram dos mais terríveis possíveis. Começava com o ‘não vai ter Copa’ até ‘nós teremos a Copa do caos’. O estádio do Maracanã, que ontem foi palco de um evento belíssimo, ia ficar pronto só em 2038, ou 2024. Enfim, não ficaria pronto nunca”. Vamos ver.

Quem, com um mínimo de seriedade, afirmava o “Não vai ter Copa”? A imprensa? Não! A oposição? Não! Isso era coisa de grupelhos radicalizados de extrema esquerda com os quais, diga-se, Gilberto Carvalho estava negociando, conforme confessou em entrevista.

Mercadante resolveu fazer graça: “A revista de maior tiragem do Brasil fez uma manchete: ’2038: por critérios matemáticos, os estádios da Copa não ficarão prontos a tempo’. Tinha uma foto do Maracanã, que vocês viram na final da Copa, a beleza não só daquela arena, mas também de todas as outras arenas que foram apresentadas. O jornal de maior tiragem do país, no dia de abertura da Copa, tinha a seguinte manchete: ‘Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque.

É evidente que o ministro está se referindo à VEJA e à Folha, que apenas cumpriram a sua função. Mercadante cita uma reportagem de capa da revista de maio de 2011. Ora, as obras estavam atrasadas mesmo. Lá está escrito: “Por critérios matemáticos, as obras não ficarão prontas a tempo”. E mais: “No ritmo atual, o Maracanã seria reaberto com 24 anos de atraso”. E é mais do que legítimo — na verdade, é uma obrigação — fazer a advertência. Por que o ministro não bate boca também com a Fifa, que, mais de uma vez, demonstrou irritação com o ritmo das obras? Chamava-se a atenção do governo e dos brasileiros para um fato. Se a imprensa ajudou a corrigir o ritmo das obras, ótimo!

Voltem ao trecho da reportagem que vai lá no alto. A reportagem de VEJA não antevê — quem costuma fazer previsões e ter antevisões no Brasil são Guido Mantega e Dilma Rousseff… — que não haverá Copa: chama a atenção para o atraso. Os números, de resto, são da Controladoria-Geral da União.

Mercadante estudou economia, não é isso? Deve ter passado por rudimentos de matemática, ao menos. Considerando as obras de mobilidade que não foram e não serão feitas, o prazo para a realização das obras se multiplicou ao infinito, senhor ministro! Deu pra entender ou quer que eu desenhe?

A conversa mole do governo na coletiva engana os trouxas sem memória. A situação era de tal sorte calamitosa que, em agosto de 2011, três meses depois da reportagem de VEJA, o governo instituiu o chamado RDC — Regime Diferenciado de Contratações Públicas — que praticamente jogou no lixo a Lei de Licitações para poder acelerar as obras. Dilma escamoteia na entrevista, ademais, que as obras em oito aeroportos ainda não foram concluídas: São José dos Pinhais (que atende Curitiba), Confins (Minas), Cuiabá, Fortaleza, Viracopos (Campinas), Manaus, Porto Alegre e Salvador.

A desonestidade intelectual não para por aí. VEJA listou os cinco fatores de atraso, todos eles escandalosamente verdadeiros, a saber:
Mercadante - desonestidade intelectual 2mercadante - desonestidade intelectual 3

Clique nas imagens para ampliá-las e facilitar a leitura. A imprensa que chamou a atenção para os descalabros então em curso cumpriu a sua tarefa. Na verdade, colaborou para a realização do evento, isso sim.  Mas sabem como é… Essa gente gosta de áulicos e de puxa-sacos.
No dia 19 de maio de 2011, a Arena Amazônia estava assim: a imprensa deveria ter ficado calada?

No dia 19 de maio de 2011, a Arena Amazônia estava assim: a imprensa deveria ter ficado calada?

Eis aí a Arena Pernambuco no dia 17 de maio de 2011. O que lhes parecia?

Eis aí a Arena Pernambuco no dia 17 de maio de 2011. O que lhes parecia?

Talvez devêssemos ter nos animado com a Arena Pantanal, no dia 19 de maio de 2011...

Talvez devêssemos ter nos animado com a Arena Pantanal, no dia 19 de maio de 2011…

Felizmente, isto sim, o Brasil tem uma imprensa vigilante — parte dela ao menos —, que chamou a atenção para os desastres que estavam em curso. Não custa lembrar, ademais, que naquele mesmo 2011, cinco meses depois da reportagem de VEJA, Dilma demitiu Orlando Silva, ministro do Esporte, e nomeou em seu lugar Aldo Rebelo.

Cardozo
A mais indigna das falas na coletiva, e isso não me surpreende, ficou com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Referindo-se sabe-se lá a quais governadores, afirmou:“Há ainda hoje quem acredite que o governo federal deve passar recursos para os Estados fazerem a política da segurança pública”. Por que ele não diz quem pediu — e, pelo visto, não recebeu — recursos? Falo do que vi de perto: em São Paulo, enquanto a polícia se organizava para combater a baderna nas ruas, Gilberto Carvalho negociava, conforme confessou, com criminosos.

Eis aí. Provado está. Com a derrota acachapante, Dilma convoca uma entrevista coletiva com 15 ministros. Imaginem se o Brasil vence a Copa… A presidente tentaria mandar para o degredo os “inimigos da pátria”…

Post publicado originalmente às 19h55 desta segunda e atualizado às 7h25 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 19:24

Acusado de comandar venda ilegal de ingressos se entrega

Na VEJA.com:
Raymond Whelan, o CEO da empresa Match acusado de chefiar um esquema ilegal de venda de ingressos de partidas da Copa do Mundo, se entregou no início da tarde desta segunda-feira à Justiça do Rio de Janeiro. O inglês de 64 anos estava foragido desde a quinta-feira da semana passada, mas decidiu entrar em contato com a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, que na semana passada havia concedido o habeas corpus que o libertou depois de sua primeira prisão no Rio.

Segundo os policiais, a desembargadora entrou em contato com o delegado responsável pela operação Jules Rimet, Fábio Barucke, e solicitou que policiais fossem buscá-lo. Ele deve ser encaminhado à Cidade da Polícia, na zona norte do Rio, e depois ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

O escritório do advogado de Whelan, Fernando Fernandes, confirmou a informação. “O executivo Raymond Whelan está na carceragem do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele acabou de se apresentar à desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6ª Câmara Criminal, relatora do processo contra ele”, informou.

No último dia 7, a Polícia Civil do Rio prendeu Whelan no hotel Copacabana Palace. A investigação da operação Jules Rimet concluiu que Whelan tem ligação com o franco-argelino Lamine Fofana, um dos onze presos na semana passada. A Match tem direitos exclusivos para a venda de pacotes para o Mundial. Na suíte de Whelan foram apreendidos cerca de cem ingressos para a Copa do Mundo no Brasil. Um dia após sua prisão, Whelan obteve um habeas corpus e foi solto no 18º DP (São Cristóvão), na Zona Norte do Rio.

Na quinta-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva de Raymond Whelan, no entanto, a Polícia Civil do Rio foi até o Copacabana Palace, onde estava hospedada alta cúpula da Fifa, e descobriu que o inglês fugira 15 minutos antes da chegada dos agentes.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 15:36

O brado retumbante

O povo que pôs fim à ditadura, que depôs um presidente na lei e na ordem e que venceu a inflação, convivendo com duas moedas, merece uma Seleção melhor, um governo melhor, uma oposição melhor, uma classe política melhor e um futuro melhor.

Já chegou a hora de aposentar a tese de que “todo povo tem o governo que merece”. A população brasileira já passou, e passa ainda, poucas e boas. Ainda assim, acredita no futuro, recebe bem quem vem de fora, luta — a esmagadora maioria ao menos — para ganhar a vida honestamente. Merece ser governado por uma classe política mais decente.

Esse povo está cansado, sim, de empulhação, de roubalheira, de um estado que não funciona. Quando pede “escola e saúde padrão Fifa”, está despertando para o fato de que é um dos maiores pagadores de impostos diretos e indiretos do mundo, sem que o Poder Público lhe dê o devido retorno.

A resposta para isso, claro!, não é a tal democracia direta dos conselhos populares, como agora ameaçam os petistas. Essa democracia direta é justamente o contrário do que querem milhões de pessoas: o que se pede é uma República dos Iguais, não uma República dos Diferentes — porque ligados a um partido, a um sindicato ou pertencentes a uma classe.

O governo petista está batendo cabeça para tentar entender o que se passa e não consegue porque se apega à ortodoxia de esquerda, dos movimentos organizados, o que levou Gilberto Carvalho, por exemplo, a negociar com criminosos, já que confessou ter se encontrado várias vezes com black blocs.

Qualquer que seja o resultado nas urnas neste 2014, vença o governo de turno ou a oposição, é preciso que o estado se abra mais para ouvir a sociedade, não entregando a administração pública a minorias, a conselhos e a sovietes. Precisamos é de indivíduos mais livres para empreender, dentro das regras do jogo. Vença Dilma, Aécio ou Campos, quem não entender o “brado retumbante” corre o risco, numa situação econômica não muito favorável que vem pela frente, de ter sérios problemas com a governabilidade.

O brado retumbante pede governantes mais sérios. O brado retumbante quer um governo melhor, uma Seleção melhor, uma escola melhor, uma saúde melhor. A razão é simples: o povo paga caro por isso tudo. E não recebe a mercadoria. Está cansado de ser vítima de uma espécie de estelionato da cidadania.

Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 7:05

Copa joga por terra tara autoritária petista. Agora é preciso vencer os tarados do estatismo, que querem criar a “Futebras”. Ou: O SEGREDO ALEMÃO

Jogadores da Alemanha posam com a Taça da Copa do Mundo após vencerem a Argentina no Maracanã, no Rio (Ivan Pacheco/VEJA.com)

Jogadores da Alemanha posam com a Taça da Copa do Mundo depois de vencer a Argentina no Maracanã, no Rio (Ivan Pacheco/VEJA.com)

Já está mais do que evidente, a esta altura, que os petistas pretendiam transformar a Copa do Mundo numa espécie de máquina mortífera da política. Ânimos exaltados, nacionalismo à flor da pele, a Seleção Canarinho esmerilhando em campo e, ao fundo, aquela velha canção: “Duzentos milhões em ação/ Pra Frente Brasil/ Salve a Seleção…”. A síntese era uma só: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Depois que o PT incluiu, por exemplo, meu nome numa lista negra de nove jornalistas que estariam torcendo contra a Copa e seriam responsáveis pelas hostilidades a Dilma nos estádios, passei a receber insistentes convites: “Por que você não vai embora do Brasil? Por que você não muda para Miami?”. A pergunta me é feita, claro!, por pessoas que insistem em não morar em Cuba, na Coreia do Norte ou na Venezuela. Um recado: não mudo, não! Fico aqui mesmo e quero o Brasil de volta. Sigamos. A pantomima nacionalista-autoritária estava ensaiada, mas deu tudo errado! A Copa, organizada pela Fifa, deu certo. A infraestrutura básica funcionou. As obras de mobilidade não vieram. O país volta a ser nesta segunda o que quer que fosse antes do início do torneio.

Sem ter uma resposta eficiente a dar, na expectativa de uma nova e estrondosa vaia — que chegou neste domingo! —, o governo lançou, então, a operação “Caça-CBF”, com o auxílio do subjornalismo áulico e de certa crônica esportiva que ficaria melhor se fosse embalsamada e posta no museu, numa atividade com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da Petrobras. Descobriu-se que a confederação é a grande vilã e se falou abertamente na intervenção do estado no futebol — o mesmo estado que não conseguiu entregar as obras. Os mais afoitos tinham uma explicação simples e errada para o desastre: a corrupção na CBF, sua estrutura encarquilhada etc. Digamos que tudo isso seja verdade: que tal a gente devolver, então, os títulos de 1994, 2002 e da Copa das Confederações? Só a derrota é filha da corrupção? A vitória não?

É claro que eu acho que a CBF tem de mudar, mas vamos parar de conversa mole! Há, sim, na expressão feliz de Aécio Neves, gente tentando criar a Futebras, e eu insisto que é preciso é ter menos estado e mais mercado no futebol. Ao estado cabe, aí sim, cuidar de algumas leis estruturantes do futebol — já chego lá. Em maio de 2013, a revista alemã Der Spiegel publicou uma excelente reportagem (clique aqui para ler versão em inglês) sobre a revolução havida no futebol do país nos 12 anos recentes. O gancho era o fato inédito de dois times alemães disputarem a final da Liga dos Campeões: o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund. Como aquilo era possível? Vale a pena ler o texto

Uma lei obriga, por exemplo — e, neste ponto, sim, o estado pode entrar — os times da primeira e segunda divisões do país a manter o que eles chamam “academia” de jogadores. No Brasil, conhece-se a “escolinha”. Mas não se trata da coisa bisonha que funciona por aqui, não, de improviso. É preciso manter funcionando centros de treinamento especialmente voltados para essa atividade. Antes que técnicos de outros países começassem a visitar a Alemanha para descobrir os seus segredos, como acontece atualmente, a liga profissional do país mandou técnicos em peregrinação pelos grandes centros de futebol do mundo — como Espanha e Holanda — para saber como os outros trabalhavam.

O futebol alemão passou, revela a revista, por uma revolução tática. Os alemães chegaram à conclusão, também, de que seu jogo era duro demais. Era preciso mudar uma cultura. Um trecho da reportagem chama a atenção. Referindo-se a jogadores como Philipp Lahm (capitão da Seleção) e Bastian Schweinsteiger — que todos vimos sair quase destruído de campo, com o rosto ferido — diz a revista (traduzo):

“De fato, eles são algo feminis, retraídos, versáteis. No passado, os fãs do futebol estavam acostumados com os chamados machos Alfa, jogadores como Oliver Kahn e Stefan Effenberg, que venceram a Liga dos Campeões de 2001 com o Bayern de Munique. (…) Ou Lothar Matthäus, o líder do time que ganhou a Copa do Mundo de 1990. Eles chamavam a atenção por seu estilo de jogo duro e poderoso, por seu comportamento grosseiro e por seus casos rumorosos com mulheres. Em outras palavras: eram ‘homens de verdade’. Mas isso também os fazia tediosos. Lahm e Schweinsteiger, ao contrário, parecem eternos garotos. (…) E isso é uma coisa boa porque o jogo moderno depende de um grupo de jogadores capazes de fazer quase tudo. Todos eles são igualmente importantes, e ninguém precisa de um companheiro de equipe que determine tudo e domine o time. Eis por que foi correta a decisão do técnico da Seleção, Joachim Löw, que tirou da equipe Michael Ballack, o último dos machos Alfa (…) Ninguém mais precisa de homens oriundos de um modelo velho e selvagem. Dá-se o mesmo na sociedade. Nós entramos na era do trabalho de equipe.”

Retomo
Percebam que essa Seleção Alemã formada de caras que são “uns fofos”, para recorrer à expressão de uma das minhas filhas, é parte de um trabalho de educação e de uma tomada de decisão. A Seleção Alemã não começou a ganhar o campeonato quando decidiu criar seu próprio centro de treinamento nas terras quentes da Bahia — os brasileiros ficaram naquela soturna, nesse período ao menos, Granja Comary… Os homens do gelo prefeririam o calor tropical; os dos Trópicos, a neblina… O trabalho vem de longe. Não homenagearam os pataxós por acaso nem mandaram mensagens de agradecimento ao povo brasileiro só porque são bons moços, quase “feminis”, ou “eternos garotos”, como diz a Der Spiegel. Isso tudo é parte de uma estratégia.

Então, sim, está claro que a CBF tem de mudar, que o mundo avançou nessa área. Mas resta evidente que não será com intervenção estatal que se vai lograr esse feito. Quando muito, a legislação pode forçar os grandes clubes a investir efetivamente na formação de jogadores.

Fim da caipirice
E é preciso também romper o cerco da caipirice, que impede que tanto os grandes clubes como a Seleção contratem técnicos estrangeiros. Não só é preciso que eles venham como urge enviar jovens técnicos para conhecer o trabalho que se faz lá fora. Isso, sim, pode mudar o futebol brasileiro. E, claro!, é preciso tomar cuidado com as cabecinhas tacanhas. Aqui e ali, ouvi e li idiotas a exaltar a equipe costa-riquenha, que só teria jogado aquele bom futebol porque livre das garras do capitalismo e coisa e tal… Trata-se de uma bobagem monumental. Quem está levando a taça para casa é o milionário futebol alemão.

É evidente que é bom uma equipe contar com Cristiano Ronaldo, com Lionel Messi, com Neymar Jr. Quem não quer? Mas, só com eles, não se vence uma Copa do Mundo. Sem organização, disciplina e planejamento, o talento se dissipa e tudo termina no ralo. Com organização, disciplina e planejamento, consegue-se tudo: até talentos.

Quanto às taras estatistas do governo e de parte da crônica esportiva, dizer o quê? Fazem parte de um mundo velho e selvagem. Quem precisa deles?

Texto publicado originalmente às 5h07
Por Reinaldo Azevedo

14/07/2014

às 6:43

O humor de Dilma é mesmo algo muito singular…

anão Dunga

Leio na Folha o que segue, sobre uma conversa do ex-jogador Dunga com a presidente Dilma Rousseff no camarote VIP do Maracanã:

“Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar”, cochichou o ex-jogador no ouvido da presidente. Dilma riu até ir às lágrimas. “Essa foi boa!”, disse ela. “Eu também, Dunga. Mas não dá, um vai ter que vencer.”

Cheguei à conclusão de que eu jamais terei talento para fazer a presidente rir até as lágrimas. Há alguns minutos estou tentando achar a graça da coisa e não consigo. Que tal aquela piada do papagaio?

 

 

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2014

às 21:07

A cara de Dilma diz tudo, não é mesmo? Mais: faltou elegância!

DILMA CARA FEIA

Um close na cara de Dilma entregando a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm, diz tudo. E olhem que a foto não tem som, não é mesmo? Presidente se comportou mal também quando a Alemanha fez o gol. Angela Merkel, claro, levantou-se entusiasmada. E olhem que ela não é, assim, o retrato da animação tropical. Dilma permaneceu sentada, com os braços cruzados. Foi ridículo. Deveria ter se levantado imediatamente para aplaudir. Se, em algum momento, fez isso, não sei. Enquanto Merkel vibrava, a presidente brasileira ficou lá, com ar desenxabido.

Por Reinaldo Azevedo

13/07/2014

às 20:34

A Alemanha triunfa! O povo brasileiro triunfa! Presidente é vaiada cinco vezes e ouve o coro: “Ei, Dilma, vai tomate cru!”

Dilma entrega a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm (foto: Kamil Krzaczunski/EFE)

Dilma entrega a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm (foto: Kamil Krzaczunski/EFE)

Acabou! A melhor seleção da Copa ficou com o título, e essa é, sem dúvida, uma boa notícia para o futebol. A Alemanha mereceu! À diferença do que previram aquelas pessoas com quem Gilberto Carvalho andou dialogando à socapa, “teve Copa”, sim, e o evento, em si, foi um sucesso. A infraestrutura necessária funcionou. O que os brasileiros lucraram objtivamente com isso? Nada! E, pra começo de conversa, vamos parar com essa cascata de sair dizendo por aí que o povo surpreendeu ao receber bem os estrangeiros. Por quê? Quando foi que ele tratou mal os turistas? Tenham paciência! O vexame da equipe em campo só não foi maior do que o do governo petista, que tentou usar o torneio para se promover e para demonizar a oposição e os críticos do oficialismo. Deu-se mal! Dilma Rousseff teve de contar com a boa vontade da Fifa, que a manteve no ar o mínimo possível. Nas raras vezes em que a presidente apareceu no telão, o estádio explodiu numa vaia inequívoca. Cadê os bocas de bagre do puxa-saquismo oficial para acusar a “elite branca carioca”?

Dilma foi hostilizada cinco vezes, com mais intensidade quando entregou a taça para o capitão alemão, Philipp Lahm. Os apupos cederam, então, àquele xingamento que já se tornou um clássico: “Ei, Dilma, vai tomate cru” se fez ouvir com intensidade e clareza e rivalizou com a manifestação da abertura do torneio, no Itaquerão. O jornalismo a soldo, cuja pança é alimentada pelas estatais, inventou a tese de que tudo era coisa da “elite branca de São Paulo”. A quem culpar desta vez?

Nunca antes na história destepaiz um tiro saiu tão espetacularmente pela culatra. E não pensem que Dilma foi vaiada porque o Brasil levou aquele nabo de 7 a 1 da Alemanha. Ainda que Thiago Silva estivesse no lugar de Lahm, aposto que a reação do público teria sido a mesma. A população rejeitou a tentativa do Planalto de se apropriar do espetáculo. Quaisquer que tenham sido os sacrifícios para realizar o torneio no Brasil, eles foram feitos pelo povo brasileiro, não pelo oficialismo. Este, ao contrário, reitero, não cumpriu o que prometeu à população.

O Planalto tentou manipular o espetáculo de todas as maneiras. Se dependesse de Franklin Martins, até a derrota teria servido à exploração vigarista. O país ainda vivia seu luto futebolístico quando se plantou na imprensa a informação de que o governo queria intervir na CBF. O site “Muda Mais”, comandado por Franklin, lançou a tese de que a derrota deveria ser jogada nas costas da confederação – que certamente tem suas responsabilidades. Mas pergunto: devemos atribuir as vitórias de 1994, 2002 e a Copa das Confederações, em 2013, à corrupção da CBF? Ou será que ela só serve de argumento quando o time perde? Lugar de corrupto de qualquer área é a cadeia, claro!, mas vamos parar de conversa mole. Ainda voltarei a esse tema, usando a lógica como instrumento.

O PT sonhou usar a Copa do Mundo para esmagar seus adversários. O partido criou até uma lista negra de jornalistas, da qual, gloriosamente, faço parte. Tive a honra de ser o primeiro. Não obstante, quem não consegue sair às ruas é Dilma Rousseff. Quem não pode dar as caras no estádio é Dilma Rousseff. Quem consegue falar apenas a plateias rigidamente controladas pelo Planalto é Dilma Rousseff.

Para o futebol brasileiro, foi um fim melancólico. Para o petismo, foi um desfecho melancólico. Para os oportunistas, foi um epílogo melancólico. O povo brasileiro, ah, meus caros este é, sim, vitorioso. Resistiu à máquina bilionária de propaganda e mandou comer tomate cru os que tentaram sequestrar a sua vontade.  

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2014

às 20:53

Partida contra a Holanda revela que Felipão perdeu o controle da equipe; jogadores da reserva tomam o lugar do técnico e instruem companheiros. Vexame chega ao fim com a defesa mais vazada da história da Seleção; Felipão insiste em ficar!!!

Júlio César pula mas não defende o pênalti chutavo pelo holandês Van Persie, no Mané Garrincha em Brasília - Ivan Pacheco/VEJA.com

Júlio César pula, mas não defende o pênalti cobrado pelo holandês Van Persie, no Mané Garrincha, em Brasília (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Como resta claro, não foi o acaso que levou a Seleção Brasileira a perder para a Alemã por 7 a 1. Também não foi um apagão, como se tentou vender. Só pode apagar o que aceso está. E, de fato, nunca chegamos a ter uma equipe. O vexame teve continuidade hoje, na derrota para a Holanda por três a zero. Dez gols tomados em dois jogos! É a pior defesa das 20 jornadas de que o país participou.

Como se vê, até o sósia de Felipão, que trabalha no Zorra Total, estava certo, não é? Havia também um problema na… defesa! O conjunto da obra é patético. Num momento de paralisação do jogo para atendimento a um jogador da Holanda, todo o banco de reservas do Brasil se levantou para dar “instruções técnicas” a jogadores, inclusive Neymar, que assistia à partida. Felipão ficou sentado, apalermado, demonstrando que já não tinha, se é que chegou a ter, o comando da equipe.

No dia 23 de junho, depois da vitória contra Camarões, escrevi aqui:

Brasil conrra Camarões

Nesse texto, aliás, eu contestava a besteira que parte da crônica esportiva começou a dizer, repetindo Felipão, segundo a qual seria preferível o time brasileiro enfrentar a Holanda nas oitavas de final a enfrentar o Chile. O jogo deste sábado disse tudo.

Na primeira vez em que a Holanda conseguiu passar para o campo de ataque, com 1min30s, Thiago Silva fez falta e derrubou Robben. Foi fora da área, mas o juiz marcou o pênalti. Roubou para a Holanda? Bem, depende, né? O zagueiro brasileiro deveria ter sido expulso e não foi. Com menos de dois minutos decorridos, convenham: o primeiro gol holandês acabou sendo um preço barato. “Ah, no segundo gol, havia impedimento…” A ruindade do juiz não foi responsável pelo resultado melancólico. Aos 26 minutos do primeiro tempo, a equipe brasileira havia feito uma única finalização.

Os vexames foram se acumulando. Oscar levou um cartão amarelo por simular pênalti. E simulou mesmo! Enquanto os jogadores brasileiros insistirem nessa palhaçada — e isso também é resultado de um treinamento ruim —, não vamos muito longe. Insisto, ademais, num outro aspecto: o jogo da Seleção Brasileira, além de feio, não é dos mais leais. Não fiz a contabilidade, mas Fernandinho deve ser o jogador com mais faltas desse torneio. Mesmo Hernanes entrou pilhado. No primeiro lance de que participou, fez uma falta meio grotesca. No segundo, outra.

Nunca existiu um time. A contusão de Neymar revelou isso de forma cabal. Não acho que o Brasil tivesse ido adiante com ele em campo, mas o vexame talvez fosse menor porque levaria mais intranquilidade aos adversários, e sempre haveria a possibilidade de, num lance fortuito, fazer brilhar seu talento. Pode, no entanto, uma seleção depender de um único jogador?

A torcida resistiu o quanto pôde. Num dado momento, houve até uma disputa entre uma parcela que gritava “olé” quando a Holanda trocava passes, e outra que insistia em aplaudir a equipe. Ao fim, não teve jeito: o estádio, em uníssono, vaiou a Seleção.

Tchau, Felipão!
Felipão não se dá por vencido. Mesmo tendo demonstrado neste sábado que não tem controle da equipe — afinal, os jogadores da reserva é que davam instruções a quem estava em campo —, não pediu demissão. Limitou-se a “entregar o cargo” à direção da CBF para que ela tome a decisão. Ora, isso é o mesmo que nada. O cargo sempre pertenceu à confederação, não é? A CBF não precisa da autorização de Felipão para demiti-lo.

O que o treinador quer dizer com esse gesto? Que pretende continuar; que continua cheio de ideias. Quais? Ora, ninguém diverge muito, com uma ou outra exceção, sobre o time que deve ser escalado. É mais ou menos esse que está aí, não é? Eu gostaria de ver esse mesmo grupo treinado por Pep Gardiola ou por Mourinho. Mas não verei. Parece que vem Tite por aí, que me parecia o nome óbvio em 2012, quando a CBF decidiu escolher Felipão, o homem que havia sido demitido do Chelsea e havia ajudado a enterrar o Palmeiras… Que seja Tite, então! Ao menos há a possibilidade de a Seleção organizar a defesa… Pode não levar a Copa, mas também não leva uma surra.

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2014

às 5:54

Aécio crava na testa de Dilma a “Futebras”, e a soberana logo muda de assunto, tentando jogar a batata quente no colo de Aldo Rebelo. Ou: Crônica esportiva brasileira, com raras exceções, é tão velha, decadente e viciada como a CBF

foto (27)

O PT é realmente uma máquina de destroçar reputações — inclusive de seus aliados. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi quem menos sonhou, entre os governistas, com uma intervenção, digamos, “política” no futebol. No máximo, ele afirmou que o Estado deveria se interessar mais pela questão, sem especificar em que medida isso poderia acontecer. Não disse nada além de uma generalidade até cabível para a hora. Foram os petistas, estes sim, por intermédio de um site oficioso chamado “Muda Mais” — trata-se de uma franja do PT, empenhada na campanha de Dilma — que saíram por aí a demonizar a CBF, atacando lideranças que estariam há décadas a infelicitar o ludopédio e coisa e tal…

O movimento nem é novo. Quando José Maria Marin, com seu cabelo acaju, assumiu a CBF, logo foi “enquadrado” pela Comissão da Verdade, vocês devem se lembrar. Muitos chegaram a indagar se Dilma, uma ex-VAR-Palmares, aceitaria posar a seu lado numa solenidade. Como se posar ao lado de uma ex-VAR-Palmares fosse um valor meritório em si. Alguém acha que é? Apresente-se para o debate, por favor, com argumentos. Tentarei responder sem precisar apelar a cadáveres — só em último caso… Mas sigamos.

Não foi Aldo, não! Foi o PT que tentou criar um novo polo de debate, deslocando o foco para a CBF, depois de Dilma ter tentado pegar carona, de modo um tanto atrapalhado, na Copa do Mundo. A Soberana, ultimamente, anda a ouvir vozes estranhas, não é mesmo? Não faz tempo, ela comprou uma confusão danada, quando seus “especialistas” lhe sugeriram que procurasse tirar o corpo fora da compra da refinaria de Pasadena… Até então, o único que insistia nesse assunto na chamada grande imprensa — e isso está documentado — era eu. Quando a presidente teve a gloriosa ideia de dizer que fora enganada pela diretoria da Petrobras, o assunto pegou fogo. Coisa de gênio!!!

Mais uma vez, um de seus luminares deve ter tido uma ideia luminosa: “Presidente, livre-se daquela foto do ‘É TÓIS’ lançando a tese de que é preciso intervir na CBF”. O assunto prosperou. Intervir como? Em que medida? A resposta de Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, veio rápida e certeira, como deve ser. Sim, algo tem de ser feito para aumentar a responsabilidade de dirigentes esportivos, mas sem criar a “Futebras”. Até porque, e isto ainda não ganhou seu devido peso político, é preciso chamar o governo às suas reais responsabilidades: a Copa já acabou! Cadê as obras que tanto mudariam a vida do povo brasileiro? Pois é… Ou por outra: o governo que conseguiu afundar a Petrobras acha que pode fazer decolar a Futebras?

Comprando mais briga
Cronistas esportivos os mais variados resolveram entrar na onda petistófila. Como já escrevi, é muito fácil jogar caca na CBF. Ela fica bem no papel de Geni. Mas me digam: o que a eventual corrupção na confederação tem a ver com aquele resultado ridículo apresentado em campo? Nada! Até porque é possível ser corrupto e eficiente. É possível ser corrupto e ineficiente. É possível ser decente e ineficiente. É possível ser decente e eficiente — esta, sim, a combinação desejável. Ganhamos, por acaso, cinco Copas até aqui com uma equipe que misturava São Francisco de Assis com Schopenhauer? Ah, tenham a paciência!

Parte dessa crônica esportiva, doidinha para fazer parte de algum conselho estatal que supervisione a CBF, embarcou na mixuruquice intelectual da “Futebras” e saiu por aí a procurar bodes expiatórios. Não há nenhum! A CBF pode até ser um antro de bandidos, como querem alguns, mas qual é o peso real que isso tem na caipirice do nosso futebol? O jornalismo esportivo, com raras exceções, é o primeiro dos Jecas-Tatus  a rejeitar, por exemplo, a contratação de um técnico estrangeiro.

Volto ao Planalto
O governo mediu a repercussão de sua especulação intervencionista e percebeu que, mais uma vez, a coisa tinha dado errado. Na Folha de hoje, já se lê que “Dilma afasta hipótese de intervenção no futebol”, como se ela dispusesse de canais legais para intervir — e não dispõe —, jogando a batata quente no colo de Aldo Rebelo, coitado!, que acabou arcando com o peso da tentação intervencionista.

Lá ficou pelo meio do caminho mais uma trapalhada dos “especialistas” de Dilma em opinião pública. O mesmo cara que a aconselhou a tirar, um dia antes do desastre, aquela foto fazendo, com os bracinhos, o “T” do “É TÓIS” deve ter tido outra ideia genial: “Vamos, agora, propor a reforma da CBF”. Aécio veio e cravou na testa: “Futebras”. A soberana resolveu logo mudar de assunto.

Os únicos que se entusiasmaram foram mesmos aqueles, como direi?, cronistas esportivos que, há 35 anos  mais ou menos, têm uma pauta fixa: atacar a CBF. Não que ela não mereça ser atacada. Merece! Mas merece também ter críticos novos, e não os candidatos de sempre a burocratas da “Futebras”.

Atenção, veículos de comunicação! Renovem, pelo amor de Deus, a crônica esportiva!!! Com raras exceções, ela é mais velha, viciada e viciosa do que a própria CBF. Aliás, são dois atrasos que se estreitam, como diria o poeta, num abraço insano.

Ah, sim: caso alguém se sinta, como direi?, ultrajado por essas palavras, é só se apresentar para o debate. Passei a ter especial interesse em debater com ultrajados e ultrajantes, mas sempre ultrajando com rigor.

Por Reinaldo Azevedo

11/07/2014

às 20:22

Aécio diz que Brasil não precisa de “Futebras”. E não precisa mesmo!

Leiam o que informa Daniela Lima, na Folha Online:
Depois de a presidente Dilma Rousseff (PT) defender uma ” renovação do futebol brasileiro, e seu ministro do Esporte, Aldo Rebelo, sinalizar que o governo pretende criar projetos de lei que ampliem a participação do Estado na gerência do esporte, o senador Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto disse na tarde desta sexta-feira que o “país não precisa da criação de uma ‘futebras’” e afirmou que a petista age com “oportunismo” ao defender, agora, uma reformulação.

“O futebol brasileiro precisa, é claro, de uma profunda reformulação. Mas não é hora de oportunismo. Principalmente daqueles que estão no governo há 12 anos e nada fizeram para melhorá-lo”, disse Aécio em nota publicada em suas redes sociais.

Ele ainda aproveitou para, mais uma vez, pregar a marca de intervencionista em Dilma. “Nada pode ser pior do que a intervenção estatal. O país não precisa da criação de uma ‘futebras’. Precisa de profissionalismo, gestão, de uma Lei de Responsabilidade do Esporte. Com foco nos atletas, nos clubes e nos torcedores”, concluiu.

Apesar de defender uma separação entre os temas eleição e Copa, há dias o tucano vem usando a postura do governo diante do Mundial para fazer críticas à presidente. Ele declarou que Dilma tentou “usar politicamente” o evento e que iria se “frustrar” se acreditasse que os brasileiros misturariam eleições com futebol.
(…)

Voltei
Na mosca! Dilma tentou se aproveitar de modo miserável da Copa do Mundo. Esforçou-se para pegar carona até na contusão de Neymar. Deu tudo errado. Agora o governo resolveu inventar um bode expiatório fácil: a CBF. Afinal, quem se habilita a defender aquilo?

Ainda voltarei a este assunto. Mas se abriu o período para as teses mais exóticas. E a maior dela é a estatização do futebol. Tenham paciência!

Dilma poderia ter demonstrado a eficiência do governo entregando as obras de mobilidade, por exemplo. Sim, é muito fácil jogar pedras na CBF porque faz tempo que ela é uma boa candidata a Geni. Mas é claro que estamos diante de uma empulhação.

Por Reinaldo Azevedo

11/07/2014

às 15:08

Protestos marcados para final da Copa acendem alerta no Planalto

Na VEJA.com:
O Palácio do Planalto monitora, com auxílio da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), uma convocação que circula pela internet para um protesto contra a Copa do Mundo logo após a final entre Argentina e Alemanha, neste domingo, no Maracanã. A partida começa às 16 horas.

A PF identificou um vídeo em que há uma convocação para as 18 horas deste domingo em quatro cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Diante disso, a Abin está municiando os Centros de Coordenação de Defesa de Área criados para monitorar a segurança da Copa não só nessas quatro cidades, mas em todas as outras oito cidades-sede da Copa. Os serviços de inteligência das Forças Armadas e das Polícias dos Estados também estão alimentando o sistema. Outro protesto, batizado de “Não Vai Ter Final”, está agendado para as 13 horas na Praça Saens Peña, no Rio de Janeiro. O evento já tem 2.300 presenças confirmadas.

O governo quer que todas as forças convocadas para atuar na segurança durante a Copa se mantenham a postos mesmo depois do final do jogo em suas cidades. No Rio de Janeiro, a preocupação é ainda maior porque, além de ser o local da final da Copa, ali estarão pelo menos dez chefes de Estado, incluindo a presidente Dilma Rousseff, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler alemã Angela Merkel. Pelo menos 26.000 agentes estarão de prontidão para garantir a segurança da final da Copa. Desses, 10.000 serão policiais militares.

 Segundo a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, 10.000 PMs vão trabalhar na operação do jogo entre Alemanha e Argentina. Outros 4.984 estarão em serviço no sábado, véspera da partida. A segurança no interior do estádio será feita por cerca de 1.500 seguranças privados, os “stewards”. A origem dos demais agentes de segurança não foi detalhada.

Na terça-feira, após a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha, o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo já havia detectado um movimento de black blocs em várias cidades brasileiras, como Rio, São Paulo e Belo Horizonte, que queriam se aproveitar da decepção da população com o resultado, para retomar protestos violentos. Carvalho avisou que o governo estava “atento” e “monitorando” estas convocações e que ia continuar mapeando para evitar confusões e prejuízos em todo o País. Gilberto pediu ainda “bom senso” e “cabeça fria” aos manifestantes.

Por Reinaldo Azevedo

11/07/2014

às 5:19

Minha coluna na Folha de hoje: “Dilma simula pênalti: Schwalbe!”

Leiam trechos de minha coluna na Folha de hoje.

Aos 17 minutos do primeiro tempo, no desastre de terça-feira (8), a seleção brasileira já perdia para a alemã por um a zero quando Marcelo, atendendo a um chamado do atavismo macunaímico, caiu na área, simulando um pênalti. O zagueiro alemão Jérôme Boateng, cujo pai é ganês, se zangou. Deu-lhe uma bronca humilhante. Os alemães execram esse teatro ridículo e têm uma palavra para defini-lo –na verdade, uma metáfora: “Schwalbe”, que quer dizer “andorinha”. É um pássaro de asas curtas em relação ao corpo e que voa rente ao solo, lembrando o atleta que agita, desajeitado, os braços ao encenar uma falta que não existiu. Boateng chegou a imitar com as mãos o voo da “Schwalbe”. Naquele pênalti patético cavado por Fred contra a Croácia, a imprensa alemã o chamou de “Schwalbinho”, acrescentando à palavra o sufixo do diminutivo que costuma vir colado a nomes de alguns de nossos craquinhos.

Apesar da humilhação dos 7 a 1, nunca foi tão civilizado perder. Os alemães vieram dispostos a conquistar também o coração dos brasileiros. Jogaram um futebol bonito, honesto, respeitoso. Quando os canarinhos estavam sem ânimo até para imitar andorinhas, os adversários não começaram a dar toquinhos de lado, a fazer firulas ou gracejos destinados a humilhar quem já não tinha mais nada. Ao contrário: um deles aplaudiu o gol de honra de Oscarzinho.
(…)
A simulação da falta é um vício nacional. No futebol, na vida, na política. Acusar o adversário de uma transgressão que ele não cometeu é uma falha moral grave. Trata-se de reivindicar a licença para reagir àquilo que não aconteceu, tentando fazer com que o outro pague uma conta indevida. Um dia antes da partida fatídica, a presidente Dilma Rousseff, demonstrando que anda com pouco serviço –e só gente muito ocupada tem tempo de fazer direito o seu trabalho–, resolveu participar de um bate-papo numa rede social. Exaltou o heroísmo de Neymar, discorreu sobre a garra do povo brasileiro e, ora vejam!, censurou os “urubus do pessimismo”.
(…)
Ouça o que diz Boateng, presidente! Levante-se da área! Jogue limpo! É muito melhor vencer com honra. Ou honrar o vencedor.
*
Para ler a íntegra da coluna, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 20:24

Neymar defende Felipão e diz que vai torcer pela Argentina

Na VEJA.com. Comento no próximo post.
O atacante Neymar retornou à Granja Comary, em Teresópolis, nesta quinta-feira e falou publicamente pela primeira vez desde a goleada da Alemanha que eliminou a seleção brasileira da Copa do Mundo. O jogador lamentou o “apagão” no primeiro tempo, mas se disse orgulhoso de seus companheiros. “Seria uma injustiça a gente ficar marcado como o (goleiro) Barbosa em 1950.” Ele chegou a chorar ao relembrar a contusão que o tirou do Mundial e condenou a entrada do colombiano Zúñiga. “Se fosse dois centímetros para dentro, eu poderia estar na cadeira de rodas.”

Neymar revelou ter recebido um telefonema de Zúñiga logo após a contusão e afirmou não guardar mágoas do colombiano. O atacante do Barcelona ainda surpreendeu aos jornalistas ao dizer que torcerá pela Argentina na final contra a Alemanha, domingo, e ao condenar as palavras de seu empresário, que ofendeu o treinador Luiz Felipe Scolari nas redes sociais. “Existem duas pessoas que respondem pelo que eu falo: eu e meu pai. Mas o que sai da boca do Wagner é a opinião dele e ele tem que responder por seus atos. Não concordo com essa atitude, não aceito. Se eu vê-lo hoje, vou xingá-lo.”


Veja a seguir os principais trechos da entrevista desta quinta-feira:

1950 - “Não é por causa de uma derrota histórica que a gente tem que abaixar a cabeça. É doloroso, vai doer por muito tempo, mas dias melhores virão e a gente vai poder devolver alegria ao povo brasileiro. Hoje faço parte de uma seleção que vai ficar marcada por essa derrota. Acho até que seria uma injustiça a gente ficar marcado como o Barbosa em 1950. Mas não podemos ficar de cara feia, chorando, todos os dias. Já choramos o que tínhamos que chorar.”

Mudanças na seleção - “A gente aprende na derrota também. Não estou falando que não tem que mudar nada. Quando se perde, tem que se corrigir, treinar mais. Corrigindo, trabalhando, você vai evitar outros erros. E isso é mais importante do que mudar qualquer coisa.”

Apoio - ”É uma das piores semanas que eu tive na minha vida. Se eu fosse imaginar uma semana ruim, não conseguiria pensar em algo assim. Mas só não está sendo tão horrível pelas mensagens de incentivo que eu venho recebendo, o apoio de família, amigos e principalmente companheiros de seleção. Devo muito a essas pessoas que vêm me ajudando em momentos de luta.”

Pane contra a Alemanha - ”Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Foi um apagão difícil de reverter. É muito fácil falar depois que as coisas acontecem. Eu já passei por isso, eu sei como é difícil conviver com um apagão em campo, a gente não consegue acertar um passe simples. Não vim pra explicar o que aconteceu, porque não tem como explicar. A gente só tem que lamentar a derrota.”

Decepção - ”Tivemos a chance de ser campeões, de marcar nosso nome na história, mas falhamos. Deixamos a desejar, sabemos que não fizemos uma campanha boa, não mostramos futebol de seleção brasileira. Fomos regulares e por isso chegamos às semifinais, mas não mostramos um futebol superior.”

Fracasso - ”Fomos fracassados, sim, perdemos, mas perder e ganhar fazem parte do futebol. Pelo menos meus companheiros não pararam de correr, foram homens, por isso eu admiro cada um deles. Depois de uma derrota dessas, a gente se sente humilhado, envergonhado. Mas não tenho vergonha de ser brasileiro e não tenho vergonha nenhuma de ter feito parte desse grupo. Sinto muito orgulho de ter jogado com Thiago Silva, Júlio César, Fred. Os admiro não só pelo talento, mas como amigos e companheiros.”

Torcida pela Argentina- “Espero que vençam meus companheiros Messi e Mascherano. Acho que, para o futebol, pela história que o Messi tem, ele merece ser campeão. Estou torcendo por ele, porque é um amigo e lhe desejo muita sorte. Pode parecer estranho, mas não estou torcendo pela Argentina, estou torcendo por dois companheiros. Messi é um cara que eu tinha como espelho e, no Barcelona, passei a admirá-lo ainda mais. Minha torcida é sempre por ele, sou Messi Futebol Clube.”

Zúñiga - ”Foi um lance que eu não concordo, não aceito. Não vou dizer que foi desleal, que teve maldade, pois não estou na cabeça dele. Mas quem entende de futebol sabe que é uma entrada que não é normal. Quando você quer fazer uma falta para parar o jogo, você chuta o tornozelo, segura, empurra. Muitos de vocês (jornalistas) dizem que eu sou ‘cai-cai’, me põem esse rótulo e eu nem ligo pra isso, porque quando eu estou de frente, eu consigo me proteger. Mas, de costas, eu só posso ser protegido pela regra.”

Lesão mais grave –  ”Foi por muito pouco, Deus me abençoou naquele lance, se fosse dois centímetros para dentro, eu hoje poderia estar na cadeira de rodas em um momento tão importante da minha carreira.”

Perdão - “Desculparia o Zúñiga, sim, não tenho rancor dele, não sinto ódio, nada. Ele até me ligou no dia seguinte (ao jogo Brasil x Colômbia), pedindo desculpa, dizendo que não queria me machucar, disse um bocado de coisas legais. Espero que ele tenha sucesso na carreira dele.”

Possível participação na final - “Eu não teria chance de jogar a final, não tinha como, o médico da seleção (José Luiz Runco) já tinha dito isso. Por isso fui para casa no Guarujá ficar com minha família. Seria até pior ficar aqui na concentração, porque eu não teria força pra incentivá-los, nem para me incentivar.”

Wagner Ribeiro - “Existem duas pessoas que respondem pelo que eu falo: eu e meu pai. E tudo que a gente falar, a gente vai assumir e explicar. Mas o que sai da boca do Wagner é a opinião dele e ele tem que responder por seus atos. Não concordo com essa atitude, não aceito. Se eu o vir hoje, vou xingá-lo, porque eu não concordo e não aceito o que ele disse.”

Objetivos – “Meu sonho é voltar a jogar, voltar a dar alegria aos meu pais, aos meus companheiros, às crianças. Meu sonho não acabou, ele continua. Meu sonho era encantar a todos com meu futebol, por isso sempre treinei, joguei e vim para as coletivas sorrindo.”

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 17:04

Dilma agora quer estatizar o futebol! Sai pra lá!

Epa! Sinal vermelho no futebol. Mais propriamente, com uma estrela vermelha. Depois da derrota humilhante por 7 a 1 para a Alemanha, Dilma e o PT estão à caça de bodes expiatórios. A presidente tentou usar o torneio para faturar politicamente, como é sabido por todos. A simples menção de que havia um problema ou outro na Copa ou de que a nossa Seleção era, na verdade, medíocre, com um destaque positivo ou outro, a máquina de propaganda petista logo tachava o crítico de “pessimista”, de antipatriota. A verdade é que a propaganda tentou demonizar os que não aderiram ao patriotismo tosco.

Muito bem! A derrota acachapante está aí. Há o risco considerável de Dilma ter de entregar a taça a Lionel Messi, o capitão da Seleção Argentina. Ora, é claro que argentinos também podem vencer — até porque têm um time muito mais arrumado do que o nosso. Mas isso, para os brasileiros que gostam de futebol, têm um peso simbólico.

Como Dilma resolveu vestir chuteiras, embora os torcedores lhe tenham recomendado que ficasse longe da questão, receberá, sim, parte da carga negativa pela derrota. Muito bem! Um site ligado ao PT e à campanha (re)eleitoral da presidente, chamado “Muda Mais”, descobriu o verdadeiro culpado: a CBF. Escrevem lá: “A organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas. Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. É preciso mudar”.

Num outro front, o ministro Aldo Rebelo, dos Esportes, afirmou que o Estado tem de atuar mais na área. Aldo e o PT não pensam necessariamente a mesma coisa. E o ministro tem sido, até onde sei, uma pessoa correta. Mas vamos com calma com esse discurso! Se a CBF não é exatamente uma conspiração de anjos, não será atrelando a confederação ao Estado que vamos conseguir resolver os problemas. Nas grandes praças de futebol do mundo hoje — Espanha, Itália ou Alemanha —, o dinheiro estatal se mantém longe dos estádios.

Ao contrário: precisamos é limpar o futebol da influência política, isto sim. Quanto mais próximo da iniciativa privada estiver, melhor. A conversa mole do site petista lembra a pregação dos primeiros anos do PT, lá na década de 80, quando o partido prometia renovar a política. Deixem-me ver como se deu a renovação: hoje, os petistas estão aliados a Paulo Maluf, a José Sarney, a Jader Barbalho e a Fernando Collor, entre outros. Todos os vícios das velhas oligarquias foram preservados, aos quais se somaram os novos, da oligarquia sindical.

Em entrevista à rede de TV americana CNN, disse a presidente:
“O Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios. Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”.

É um raciocínio um tanto pedestre, e óbvio, para questão complexa. O que quer a nossa soberana? Estatizar os jogadores? Que a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comecem a comprar passes de jogadores?

Qualquer que seja a solução, ela passa longe da canga estatal. Até porque a Fifa entregou ao Estado brasileiro a realização da Copa do Mundo. O torneio está na fase final, e o evento é, em si, um sucesso. Mas tudo aquilo que o governo prometeu aos cidadãos não foi entregue. E isso é apenas um fato. Precisamos é de mais mercado e menos estado no futebol, isto sim.

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 6:44

Depois de tentar pegar carona na Seleção, Dilma busca se descolar do desastre dos 7 a 1

Na segunda, a presidente Dilma estava batendo papinho no Facebook — desocupação é a morada do capeta — para atacar os “urubus do pessimismo”, tentando pegar carona até na contusão de Neymar. Mandou um “É TOIS” e ainda posou fazendo um “T” com os braços, logo transformado por um gaiato nas redes sociais num “7”, referência ao número de gols da Alemanha (vejam post). Reportagem da Folha de hoje informa que a Soberana, que havia decidido faturar com a Copa, agora busca um modo de se descolar do evento — sempre elogiando, claro!, a garra dos brasileiros.

Nota à margem: a exemplo do que fez reportagem do Estadão, também a da Folha incorre num erro, a saber: “O fracasso aventado pela oposição na logística da Copa não aconteceu”. Pergunta: quando foi que “a oposição” aventou “o fracasso logístico” da Copa? Quem da oposição? Que político? Que partido? Que nome? Apontar problemas não é antever fracasso ou caos. Nesse particular, mais a imprensa tem do que se penitenciar do que a oposição, não é mesmo? Ou nem tem. Ao apontar problemas, que houve às pencas, o jornalismo cumpre a sua função. E a oposição também. Jogar nas costas dos adversários do PT a antevisão do insucesso da Copa é só endossar uma pauta petista, voluntária ou involuntariamente. Não haveria nada de errado nisso se fato fosse. Mas não é. A menos que surjam as evidências. Sigamos.

Dilma concedeu uma entrevista à rede norte-americana CNN e disse coisas como: “Sei que somos um país que tem uma característica bastante peculiar: nós crescemos na adversidade”. Isso é peculiar, é? EUA, Japão, Coreia do Sul e Alemanha, para citar alguns países, sucumbiram às suas respectivas adversidades? De resto, estamos de volta à cascata de sempre. NÃO ACONTECEU TRAGÉDIA NENHUMA COM O PAÍS. Aconteceu foi um vexame, um desastre, mas com a Seleção Brasileira, que não é o Brasil. Ela é, sim, uma das expressões da nacionalidade. E só! A esmagadora maioria de nós se sente representada por ela, MAS É UMA REPRESENTAÇÃO QUE SE DÁ APENAS NO CAMPO DE FUTEBOL.

Quem tenta transformar o esporte em manifestação política é gente como Dilma Rousseff e Lula. Vejam que curioso: o Brasil venceu uma Copa em 1994. O presidente era Itamar Franco. Quem ganhou a eleição, como é sabido, foi o Plano Real, representado por FHC. Pesquisei. Não há textos tratando do binômio Copa-eleição. A nossa Seleção voltou a vencer em 2002. O presidente era FHC. Quem venceu a disputa eleitoral pouco mais de três meses depois foi Lula. Pesquisei de novo. Ninguém relevante se ocupou de especular se o “penta” ajudava o governo ou a oposição.

E é fácil de saber o motivo. Itamar ficou longe da bola. FHC fez o mesmo. E olhem que este pode se dizer ainda hoje pé quente, não? Era o homem do Real em 1994 e o presidente em 2002. O PT estaria mais para seca-pimenteira se fosse o caso de ligar a política à pelota. Por que isso agora é um assunto? Também essa questão tem resposta fácil: porque o PT politizou o torneio desde que o Brasil foi declarado a sede do evento de 2014. As ruas, nunca a oposição, lançaram o “Não vai ter Copa” — movimentos, aliás, que eram interlocutores de Gilberto Carvalho.

Estava, sim, em curso uma onda “ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Essa gente não cria “black list” de jornalistas à toa. Isso não quer dizer que o povo cairia na conversa. Quer dizer apenas que a tentativa de manipulação estava em curso. Agora Dilma busca pular fora, sob o risco de entregar a taça a Lionel Messi, em pleno Maracanã.

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 2:15

Vila Madalena, a cracolândia dos descolados, evidencia como é um “país” em que a venda e o consumo de drogas são livres

Vejam este vídeo da TV Folha:


 

A imprensa brasileira, ressalvadas algumas exceções, não deixa de ser curiosa. É escancaradamente favorável à legalização ou à descriminação das drogas — são estatutos legais diferentes que dão na mesma coisa —, mas faz ares de escândalo quando constata que a Vila Madalena, bairro da Zona Oeste de São Paulo, se transformou numa área livre para o tráfico. Os bandidos oferecem aquilo que o consumidor desejar aos gritos, nas ruas.  A Secretaria de Segurança Pública resolveu aplicar a política da “Tolerância Cem”. Não quer comprar briga com a… imprensa! Acha preferível a notícia de que a polícia deixa de cumprir a sua função à acusação de que, sei lá, agiu de modo autoritário ao reprimir o tráfico e o consumo, ambas práticas ilegais. E que não se acuse a PM de negligência. Está cumprindo ordens. Ordens ruins, equivocadas.

No dia 2 de julho, publiquei aqui um texto que deixou muita gente revoltadinha, como se gente revoltadinha com o que escrevo me incomodasse. Afirmei que a Vila Madalena tinha se transformado na Cracolândia dos descolados. Repito o que escrevi e submeto aquele texto à realidade que agora está aos olhos de toda gente. Vamos a ele.

Na Cracolândia, não valem as leis do Código Penal. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, não vale a Lei Antidrogas. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, o Artigo 5º da Constituição, que assegura direitos fundamentais — entre eles, o de ir e vir — não tem vigência. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, os moradores reais da região não têm como reivindicar seus direitos. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, tudo é permitido, menos cumprir a lei. Na Vila Madalena, também.

Na Cracolândia, os proprietários viram o seu patrimônio virar pó; na Vila Madalena, também.

Na Cracolândia, a via pública serve de banheiro ou de motel. Na Vila Madalena, também.

Então qual é a diferença entre a Cracolândia e a Vila Madalena: o preço que se paga para frequentar uma e outra; o estrato social de seus frequentadores; os produtos que se vendem nas ruas.

Aos leitores que não moram em São Paulo, uma informação: a Vila Madalena é um bairro ainda majoritariamente residencial, com uma forte presença de bares, lojas que fazem a linha despojado-chique e ateliês de artistas. É, sem dúvida, uma das áreas boêmias mais conhecidas da cidade. E não se pode dizer que, por ali, o apreço pelas leis seja o hábito número um.

A Copa do Mundo, no entanto, transformou a região numa sucursal do inferno, ao menos para os milhares de moradores. Desde o dia do jogo inaugural da Copa, ficou evidente que o poder público havia perdido o controle sobre a região. E, daquela data até agora, tudo tem piorado. Nesta madrugada, a polícia teve de recorrer a bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar uma, como chamarei?, comemoração de argentinos, que recorreram, entre outras delicadezas, a uma espécie de guerra com fogos de artifício.

Não, os argentinos não são o problema. O problema está numa espécie de sestro muito nosso, segundo o qual a alegria e a comemoração são incompatíveis com os direitos assegurados pela Constituição e pelas leis.

O prefeito Fernando Haddad diz que algo precisa ser feito. É mesmo? À Folha de São Paulo, ele afirmou: “Eu estou pedindo ao secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, que está à frente desse processo, repactuar para que não haja novos incidentes. Nada grave aconteceu ontem, mas podíamos ter passado sem incidentes”.

Quem? Roberto Porto? O mesmo que responde pela, digamos, segurança justamente da… Cracolândia? Aquele mesmo que, na visita do príncipe Harry àquele outro pedaço do inferno, comentou: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Ou por outra: o secretário admitiu que o rapaz se interessara por uma experiência de descumprimento contumaz da lei pelo poder público.

Saibam: não há incompatibilidade nenhuma entre a alegria e o cumprimento das leis democraticamente pactuadas. Até porque, é o cumprimento das regras que assegura a liberdade. Admitir alguma contradição nessa relação seria o mesmo que aceitar que não se pode ser feliz e livre ao mesmo tempo.

Ocorre que, seja na Cracolândia, seja na Vila Madalena, a gestão do sr. Fernando Haddad entende que a liberdade e alegria são sinônimos de desordem, de anarquia, da completa ausência das leis.

O bom do regime democrático é saber que o mesmo povo que elege também deixa de eleger.

Retomo
Pois é… A realidade está aí.

Cadê toda aquela conversa mole sobre a legalização ou descriminação das drogas? Querem saber como será o país se isso acontecer um dia? Olhem para a Cracolândia. Querem saber como será o país se isso acontecer um dia? Olhem para a Vila Madalena. Depois, é só abismo a nos contemplar.

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 2:11

A FALA PREMONITÓRIA DE LULA EM 2007: “Vamos realizar uma copa do mundo pra argentino nenhum botar defeito”. Nem diga!

Ah, como fala este apedeuta seca-pimenteira! Vejam o que disse Lula em 2007 sobre a Copa do Mundo de 2014, naquele tom bravateiro de sempre.

Retomo
Nem diga! Até agora, os argentinos estão adorando. Já são os vice-campeões. E, não sei, não, é grande a chance de que a governanta entregue a taça para Lionel Messi. Isso, sim, seria um “Maracanazo”, né?

 

Por Reinaldo Azevedo

10/07/2014

às 2:09

O GESTO PREMONITÓRIO DE DILMA EM 2014: 7 a 1

Sei que vocês já viram porque circula nas redes sociais. Agora está aqui também. Eis o símbolo da urucubaca.

Dilma 7 a 1

 

Por Reinaldo Azevedo

09/07/2014

às 16:12

Copa do Mundo – Um ótimo editorial do Estadão e uma reportagem que repete uma mentira escandalosa do PT

O Estadão desta quarta publica um excelente editorial sobre a tentativa da presidente Dilma Rousseff de faturar com a realização da Copa do Mundo e até com a contusão de Neymar. Chama-se “Dilmar tropeça na bola”. Quem acompanha o que escrevo aqui sabe que não tenho como discordar do que vai lá. Reproduzo um trecho em azul: “Depois da partida de sexta-feira, em que o Brasil venceu a Colômbia e perdeu Neymar, a equipe da presidente Dilma Rousseff programou para daí a três dias um bate-papo entre ela e internautas sobre um único e óbvio assunto: a Copa. Tanto se tratava de uma jogada eleitoral que a primeira ideia foi usar a página que o PT administra na rede social em nome da candidata. Aí, abandonando-se ao cinismo, resolveram dar um tom “institucional” à marquetagem, transferindo a conversa para a página oficial da Presidência da República. (…)Esperta, Sua Excelência. Em dado momento do chat, para desdenhar das críticas, ela equiparou as previsões pessimistas em relação à Copa às que cercam, com mais razão ainda, o desempenho da economia este ano. A taxa do PIB em 12 meses mal supera 1%. Ninguém com a cabeça minimamente no lugar aposta numa metamorfose que redima os desastres da política econômica. Mas – e aí reside a esperteza dilmista – o resultado final do ano só será conhecido em começos de 2015. A essa altura, a presidente ou terá sido reeleita ou terá deixado o Planalto. Em qualquer hipótese, não haverá quem perca o seu tempo lhe cobrando o despropósito de agora.”

Admiravelmente bem escrito, como costumam ser os textos que se publicam na página 3 do jornal, ainda um reduto de cuidado com a Inculta & Bela.

Eis, no entanto, que, mais adiante, na página A6, topo com uma reportagem intitulada “Goleada em campo não vai influenciar eleição, diz Planalto”. Lá está Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, tentando pautar o debate e coisa e tal. Tratarei de sua tese — que poderia ser resumida assim: “o povo tem memória curta” — em outro post. Neste, quero chamar a atenção para um trecho (em vermelho) do texto, que vem com sete assinaturas:
“Embora o caos previsto pela oposição na organização da Copa não tenha ocorrido, o Planalto teme que o trauma da população com o fracasso do Brasil afete a autoestima dos brasileiros e provoque, sim, impacto eleitoral”.

Pois é…

O que vai acima em vermelho nunca aconteceu. A “oposição” — não sei quais são as pessoas designadas por essa palavra — jamais previu o insucesso da Copa do Brasil, muito menos “o caos”, que já é uma palavra carregada de carga política. Ou, então, os sete que assinam a reportagem, em companhia de quem a editou, exibam reportagens do próprio Estadão (só para começo de conversa) em que “a oposição” anuncie o… caos!

Isso é o que diz o PT sobre seus adversários. Fazer tal afirmação, como se dado da realidade fosse, assim como quem assegura que “hoje é quarta-feira”, corresponde a fazer campanha político-eleitoral. E NÃO ESTOU A DIZER QUE HAJA DOLO NISSO, NÃO! NÃO ESTOU A DIZER QUE OS JORNALISTAS FAZEM TAL AFIRMAÇÃO PORQUE ESTEJAM, DE MODO DELIBERADO, JOGANDO ÁGUA NO MOINHO DO PT. O EFEITO MAIS DELETÉRIO DA PATRULHA PETISTA É JUSTAMENTE ESTE: ESPALHAR A VERSÃO COMO SE FOSSE FATO, DE MODO QUE AQUELES QUE A REPETEM NEM SE DÃO CONTA DO QUE ESTÃO A FAZER.

A imprensa, sim; oposição, não!
Reportagens publicadas pela imprensa, estas sim, anteviram mais problemas do que de fato se estão verificando. E não havia dolo também nesse caso. Um de seus papéis é alertar para as dificuldades. É bem possível que muita coisa se tenha corrigido em razão de sua vigilância; é bem possível que muitos problemas tenham sido evitados em razão de suas advertências.

Quem é “a oposição”? Aécio? Serra? Alckmin? Aloysio? Campos? Marina? Preencham aí os nomes à vontade. Onde está a previsão de caos? Ora, ninguém é idiota a tal ponto. De resto, as críticas mais ácidas à realização da Copa do Mundo no Brasil surgiram de movimentos de rua, inicialmente em grupos de extrema esquerda, chegaram a ganhar o cidadão comum, que logo foi empurrado de volta para dentro de casa, constrangido por black blocs, com os quais Gilberto Carvalho dialoga. Ao governo federal, a violência dos mascarados sempre foi útil porque servia para espantar as pessoas de bem. Não estou afirmando, de forma oblíqua, que o Planalto esteja por trás dos black blocs. Estou afirmando de maneira clara, escancarada e inequívoca que o Planto dialogou com eles. E quem dialoga reconhece a legitimidade do outro. Fim de papo.

Mas já me desviei. Acho, como leitor apenas, inaceitável que a pauta de um partido — “a oposição previu o caos na Copa” — seja transmitida a leitores e internautas como se fosse informação séria, como se fosse fato. Não é.

O que oposicionistas fizeram, cumprindo a sua função, foi chamar a atenção dos brasileiros para as promessas que não foram cumpridas (obras de mobilidade), para as acusações de superfaturamento das obras, para o descumprimento de prazos — tudo, em suma, o que cabe, havendo motivos, a adversários do governo fazer numa democracia. Assim como a imprensa, também a oposição tem seu papel institucional.

Mas “caos” não! Reproduzir essa afirmação como se fosse informação corresponde a fazer campanha eleitoral petista. Se, antes, isso não era sabido, agora é.

PS — Ah, sim: quem escreve este texto é alguém que considera que a derrota do PT é fundamental para a sobrevivência da democracia no Brasil; que acha o governo incompetente; que sustenta que o PT é um partido autoritário; que nunca achou ou afirmou que a Copa seria um caos e que defende que lugar de black blocs é a cadeia, enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Quem passa a mão na cabeça deles é Gilberto Carvalho, não eu. Mesmo assim, fui parar na “black list” do PT. Já os black blocs foram convidados para um cafezinho…

Por Reinaldo Azevedo
 

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