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Ciro Gomes

26/04/2010

às 5:43

Ciro vira alvo de fogo amigo no PSB e pode perder seus cargos no governo

Por Eugênia Lopes, de Brasília - O Estado de S.Paulo:
A um dia de perder a legenda para disputar a Presidência da República, o deputado Ciro Gomes (CE) transformou-se em alvo de fogo amigo do próprio PSB. Em retaliação às críticas desferidas pelo deputado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PSB, integrantes da cúpula partidária defendem que Ciro perca os cargos que possui no governo.

 

Na mira dos dirigentes socialistas está a Secretaria de Portos, que tem status de ministério, sob o comando de Pedro Brito, homem de confiança de Ciro Gomes. A Secretaria de Portos comanda sete Companhias Docas pelo Brasil e foi criada pelo presidente Lula, em 2007, para atender à reivindicação do PSB de mais espaço no governo.

Secretário executivo de Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional, no primeiro mandato de Lula, Brito ganhou o cargo por indicação do deputado. Antes, ele ocupou por quase um ano a titularidade da pasta da Integração Nacional, com a saída de Ciro Gomes para disputar uma cadeira na Câmara, em 2006. O sucessor de Brito na Integração Nacional foi o peemedebista Geddel Vieira Lima, hoje candidato ao governo da Bahia.

O Orçamento de 2010 para a Secretaria de Portos é de R$ 1,5 bilhão. Desse total, R$ 300 milhões já foram empenhados, ou seja, podem ser usados, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). São 34 portos públicos marítimos sob a gestão da secretaria e sete Companhias Docas: do Pará, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo, responsável pelo Porto de Santos.

A Executiva Nacional do PSB se reúne amanhã para bater o martelo sobre a retirada da pré-candidatura de Ciro da corrida presidencial. A expectativa é que o partido apoie a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Em troca, o PT deverá permitir que partidos aliados se coliguem com o PSB em alguns Estados. Seria o caso de São Paulo, onde o pré-candidato do PSB ao governo, Paulo Skaf, quer atrair para sua chapa o PR e o PC do B.

As críticas feitas por Ciro a Lula e ao PSB irritaram integrantes da cúpula do partido, que, nos bastidores, passaram a defendem as retaliações.

O presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, não gostaram da reação de Ciro diante da iminência de ter a candidatura negada. O deputado os acusou de não estarem “no nível que a história impõem a eles”. Outro que ficou aborrecido foi Lula, que foi surpreendido com a comparação feita entre Dilma e o pré-candidato tucano, José Serra. Ciro disse que “Dilma é melhor do que Serra como pessoa, mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz”.

Polêmica. A ordem do Palácio do Planalto e do PSB é, no entanto, evitar responder às críticas e não polemizar com Ciro. Na avaliação dos socialistas, a candidatura dele perdeu densidade com a polarização da eleição presidencial entre Dilma e Serra.

Um dos sinais de que o próprio Ciro teria jogado a toalha em relação a sua entrada na disputa foi o fato de Pedro Brito não ter se desincompatibilizado, no início de abril, para disputar uma vaga na Câmara pelo Ceará.

Na reunião da Executiva do PSB, a direção apresentará levantamento que mostra a maioria dos diretórios hoje contra a candidatura Ciro.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2010

às 6:39

A NATUREZA DOS ALGOZES

Vasculhando o arquivo deste blog, vocês encontrarão, creio, umas duas dezenas de textos demonstrando que Ciro Gomes estava caindo numa roubada porque não entendia a natureza do PT. Num deles, cheguei mesmo a dizer que o partido, se tivesse de escolher, preferiria perder a eleição para Serra a ajudar a eleger Ciro. Seria por causa de afinidades ideológicas? Besteira! Isso, para o PT, hoje em dia, tem pouca relevância. A legenda não abre mão é do poder. E chefiar a oposição é um lugar mais importante do que ser uma força subordinada num governo. Analisem: o PSDB pode eleger o futuro presidente; o poderosíssimo PMDB, não.

Tivesse Ciro estudado teoria política com um pouco mais de cuidado, jamais teria feito as escolhas que fez, sonhando que poderia ser, em algum momento, a solução de continuidade do lulismo. Notem que o partido tentou até escolher o “seu” PMDB para vice na chapa de Dilma. Os petistas têm a pretensão de eleger até seus inimigos!!! Assim, é evidente, como tenho escrito há mais de um ano, que Ciro ajudou o PT a lhe colocar a corda no pescoço. Fez escolhas erradas decorrentes de uma incompreensão essencial do que é o PT.

O erro de Ciro, no entanto, não torna menos perversa a ação do PT e menos miserável a forma como esmagou um aliado que foi, convenhamos, bastante fiel. Exceção feita aos petistas, o deputado foi a voz mais relevante da política a sair em defesa do governo no episódio do mensalão. Embora tenha dito aqui e ali que as pessoas que erraram deveriam pagar etc — isso, convenham, até Lula dizia… —, o fato é que engrossou o coro vigarista que acusava “golpismo” e “tramóia da mídia”. Pode ter sido mais um cálculo errado? Pode! Talvez tenha pensado: “Meu apoio agora a um PT se arrastando pelas tabelas me torna uma espécie de condestável do governo…” Não sei. É só uma hipótese.

De todo modo, estarão sempre tentando o acordo entre a corda e o pescoço aqueles que resolverem fazer concessões aos petistas esperando alguma forma de reciprocidade. Isso jamais acontecerá. O PT não tem mais como ser socialista — isso é coisa de Kim Jong-Il  e dos irmãos homicidas de Cuba… —, mas seu DNA ainda é o da vigarice moral do bolchevismo: como se consideram os portadores do bem, da virtude e da verdade, jamais se vêem como devedores. Ao contrário: são os nossos credores eternos. Assim, Ciro nunca foi um “aliado”, mas apenas alguém que cumpria a sua função na “tarefa histórica”. Ciro não sabe, mas é ampla a literatura de esquerda que trata do papel desempenhado na “causa” por gente como ele: os “colaboradores do lado de lá” (segundo o ponto de vista esquerdopata, claro!), que são úteis por um tempo. Saiba, deputado, que, no fundo, eles têm mais desprezo por alguém como o senhor, que  vêem só como um bobalhão inocente, do que por alguém que consideram um real inimigo.

O único bem que Ciro pode fazer a si mesmo e ao país é expor a natureza dos seus algozes,  e la existe independentemente dos erros que ele próprio tenha cometido.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2010

às 6:37

PT QUER DESPACHAR CIRO PARA BEM LONGE

“Se ele ficar no país, vai cair atirando. Por isso, foi orientado a viajar e depois se dedicar à campanha de Cid Gomes à reeleição no Ceará”.

A frase é de um dirigente do PSB e foi publicada ontem no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. Foi passada ao jornal, informa a reportagem, antes ainda de Ciro conceder entrevista ao iG e ao SBT Brasil.

O método, de gosto soviético, certamente foi emprestado ao PSB pelos petistas. O PT não inviabilizou apenas a candidatura de Ciro, não. Inviabilizou até a sua desistência. Desde a redemocratização, não me lembro de procedimento tão desleal com um aliado.

Cuidado, hein, Ciro! É bom viajar mesmo. Vai que decidam fazê-lo viajar…

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2010

às 6:23

O golpe de graça do PSB

Leiam editorial do Estadão:

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) marcou para terça-feira as exéquias da candidatura Ciro Gomes ao Planalto. Se dependesse da cúpula da legenda, as pretensões presidenciais do deputado pelo Ceará deveriam se desmanchar “espontaneamente”, em fogo brando, como já sugerem as pesquisas. Mas depois que - em um artigo tipicamente agressivo - ele chamou os socialistas às falas para se decidirem de uma vez por todas, o comando da agremiação resolveu antecipar o desenlace, mediante um golpe de graça para salvar a face de Ciro.

Em seguida a uma consulta aos diretórios regionais da sigla, neste fim de semana, a executiva socialista de 18 membros resolverá na terça o que de há muito resolvido está: o partido não terá candidato próprio à sucessão do presidente Lula e se integrará à caravana dilmista. Numa de suas exortações para que o PSB fizesse o contrário, indo consigo à disputa, o duas vezes ex-presidenciável argumentou que, de outro modo, a sigla estaria fadada a imitar o PC do B em matéria de subserviência ao governo. É verdade, mas não toda a verdade.

De um lado, o cacife político da legenda era e é notoriamente insuficiente para contrariar a estratégia eleitoral lulista do “nós e eles”, firmada depois que se dissiparam as dúvidas sobre a saúde da então ministra Dilma Rousseff. A sorte de Ciro foi, como se diz, selada a partir do momento em que o presidente e o PT concluíram que a entrada em cena de um segundo nome governista, embora garantisse que a sucessão só se decidirá no segundo tempo, representaria um risco incalculável para as chances de Dilma.

Não seria o lulismo que se exporia à eventualidade de ver migrar para ele parcela decisiva do eleitorado, à medida que as limitações da candidata se revelassem insuperáveis. No limite, melhor perder com Dilma - hipótese que Lula trataria de tornar inconcebível - do que ganhar na segunda rodada com o instável e boquirroto aliado, que ainda ontem acusou Lula de “navegar na maionese” ao se achar o “Todo-Poderoso”. Ciro detesta o PT quase tanto quanto o PSDB a que já esteve filiado, considerando ambos faces da mesma suposta hegemonia política paulista.

Além disso, no que dependesse do PMDB, Ciro morreria na praia. Não foi ele quem classificou a aliança PT-PMDB — neste caso coberto de razão — como um “roçado de escândalos”? (O que levou Dilma a atribuir-lhe o pecado da soberba.) De outro lado, com 28 deputados, formando a oitava bancada das 20 da Câmara, e apenas 3 governadores, o PSB precisa compor-se com o PT para não definhar no plano regional. Os socialistas têm 11 candidatos a governador, mas só 3 deles apoiados pelos petistas. E, correndo por fora, a anunciada aspiração do partido de “duplicar a bancada” federal se tornaria ainda mais despropositada do que já parece.

O próprio Ciro não tem moral para se queixar do presidente ou de seus correligionários. Afinal, ele aceitou prestar-se à ostensiva jogada de Lula para tirá-lo do pleito nacional, concordando em transferir do Ceará para São Paulo, seu Estado natal, o seu título de eleitor. Com isso, Ciro apequenou a sua alardeada imagem de altivez e independência, mesmo sabendo serem praticamente desprezíveis as chances de o PT paulista fechar com a sua candidatura ao governo estadual. Numa versão caridosa, ele teria querido dar uma prova de lealdade a Lula, na expectativa de que, ao fim e ao cabo, o “Todo-Poderoso” o deixasse competir no páreo principal. Se assim entendesse, agiria como um néscio - o que ele não é.

O esperado fim da quimera de Ciro privará a campanha de uma presença desejável, como desejável é a da ex-ministra Marina Silva, para, entre outras coisas, ampliar o debate das questões nacionais.

Por deploráveis que sejam os seu rompantes temperamentais e os estereótipos nos quais se enreda com frequência, é inegável que ele demonstra ter luz própria quando fala sobre o País - mais do que a escolhida de Lula, que outra coisa não diz a não ser que o seu padrinho é o máximo. Também por isso, talvez, Ciro julga o tucano José Serra “mais preparado, mais legítimo, mais capaz” do que ela.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2010

às 6:21

Ciro frustra o Planalto e irrita Lula com elogio a tucano

Vera Rosa e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

De todas as estocadas do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), a que mais surpreendeu e irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o elogio feito pelo antigo aliado a José Serra, candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Furioso, Lula orientou Dilma Rousseff, concorrente do PT, a não entrar no bate-boca para não jogar mais combustível na crise.

Para Lula, o fato de Ciro ter dito que ele está “navegando na maionese” não passa de “bobagem”, mas a declaração referente a Serra - definido pelo deputado como “mais preparado, mais legítimo e mais capaz” do que Dilma - foi recebida como traição.Em público, Lula não comentou a entrevista de Ciro ao portal iG.

“Estou mudo”, disse ele, ao chegar ontem para a posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso. Longe dos holofotes, porém, não escondeu a contrariedade. No seu diagnóstico, Ciro quebrou o acordo de tudo fazer para ajudar Dilma.

O presidente qualificou a situação como “dolorosa”. A auxiliares, afirmou que não havia chamado Ciro para uma conversa a sós, até hoje, porque aguardava um sinal do PSB. Na prática, não sabia o que fazer. A certa altura, chegou mesmo a achar que ele aceitaria ser candidato ao governo de São Paulo, com o apoio do PT. Era o script combinado.

Depois, quando Ciro começou a bater cada vez mais duro, Lula recebeu da cúpula do PSB a garantia de que a desistência do cearense da disputa presidencial seria “administrada”. O ex-ministro, porém, fugiu do controle. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 20:30

NA TV, CIRO REPETE QUE SERRA É MAIS PREPARADO DO QUE DILMA PARA GOVERNAR O BRASIL E REITERA QUE PT PREPARA DOSSIÊ CONTRA O TUCANO

É… Ciro Gomes foi cem por cento Ciro Gomes na entrevista ao SBT Brasil.

Repetiu tudo o que está no texto assinado por Eduardo Oinegue, publicado no iG, mas negou que tenha concedido uma entrevista ao portal… Vai ver o jornalista desenvolveu o dom da adivinhação. Atacou, como de hábito, José Serra — que trataria, segundo ele, os adversários como inimigos —, mas repetiu que o tucano está mais preparado para governar o Brasil. Num particular, e bastante relevante, Ciro avançou um tanto mais. Já chego lá.

Ciro admitiu que Lula e o PT atuaram para desidratar sua candidatura e voltou a criticar José Dirceu, que teria ido à casa de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), para fazer ameaças: o PT retiraria o apoio a Cid caso Ciro fosse candidato. pelo PSB “Esse [José Dirceu], eu já mandei pastar”.

Dirceu ser um dos coordenadores da campanha de Dilma é, segundo Ciro, um dos erros cometidos pelo PT: “Um desacato ao Judiciário e à opinião pública”. Disse que os primeiros movimentos de Dilma o deixaram arrepiado: a visita ao túmulo de Tancredo e a ida ao Ceará, “sem nem um telefonema”. E emendou: “Não porque eu seja um coronel, mas porque eu sou candidato, caramba!”

Ciro não se disse ainda um não-candidato — já que seu partido toma a decisão oficial na terça-feira —, mas sabe que está fora do jogo. Foi ambíguo sobre o futuro: num dado momento, afirmou que obedecerá às diretrizes do partido; noutro, que vai cantar em outra freguesia, dando a entender que deixa o PSB.

Dossiê
Na “não-entrevista” (!!!) ao iG, Ciro afirmou que o PT recorreria de novo a coisas como o dossiê dos aloprados. Na entrevista ao SBT Brasil, ele se estendeu um pouco mais: deu a entender que o governo já mobilizou o Ministério da Justiça para tentar envolver o candidato do PSDB à Presidência com supostas irregularidades da Alstom.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 19:02

MUDO

Lula, que sempre tem tanto a dizer, de frieira ao uso pacífico da energia nuclear, reagiu assim quando indagado sobre as críticas de Ciro Gomes:

“Estou mudo!”

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:54

CIRO AO VIVO, DAQUI A POUCO. O QUE VIRÁ?

O deputado Ciro Gomes (PSB), que desistiu de disputar a Presidência da República depois de miseravelmente traído por Lula, pelo PT e pelo PSB, será o entrevistado do SBT Brasil, comandado por Carlos Nascimento, daqui a pouco, às 19h30. Vamos ver o que vem.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:48

“QUALQUER DESATENÇÃO, FAÇA NÃO!!!”

(ler primeiros os outros posts sobre Ciro Gomes)

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:28

‘JÁ LHE DEI MEU CORPO, MINHA ALEGRIA, JÁ ESTANQUEI MEU SANGUE, QUANDO FERVIA, OLHA A VOZ QUE ME RESTA…

Vejam este trechinho de um texto da Folha Online: “Questionado sobre as declarações do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, limitou-se a cantarolar a música “Gota d’Água”, de Chico Buarque…

Volto
Chico é um bobo político e um grande letrista (o que não quer dizer “grande poeta”, que poesia é outra coisa). “Gota d’Água” é uma das suas mais belas criações e dá voz ao amante que, embora fiel, é tratado com desprezo: cedeu ao outro seu corpo, sua alegria, até sua dignidade. No momento em que fala, está por um triz, pronto a explodir, a dar um desfecho “à festa”. Na peça homônima, de Chico e  Paulo Pontes (uma releitura de Medéia, de Eurípedes), a letra assume um significado um tanto distinto. Mas isso não cabe agora.

Ao ser irônico e grosseiro com Ciro Gomes, o presidente do PT não deixa de empregar uma referência pertinente. Metaforicamente, Ciro foi esse amante que entregou tudo ao PT. Até o seu domicílio eleitoral! Segue a letra.

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor,
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Pode ser a gota d’água
Pode ser a gota d’água

Encerro
O que resta a Ciro? A voz! Tomara que ele saiba empregá-la para o bem da democracia brasileira. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:37

LÍDER DE LULA NO SENADO DIZ QUE CIRO AGE COM “IMATURIDADE” E “NÃO ESTÁ AJUDANDO”!!!

Romero Jucá (RR), líder do governo no Senado e membro da bancada de Educação Moral e Cívica do PMDB, também reagiu às declarações de Ciro Gomes:

“Ele virou uma metralhadora giratória e atirou para todos os lados. Está agindo com imaturidade. Eu lamento as declarações dele, especialmente porque o deputado é uma pessoa que pode ajudar muito o País e não está contribuindo, não está ajudando”.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:29

“O tratamento que deram a Ciro não foi leal”

Na Folha Online:
Lideranças do PSDB endossaram nesta sexta-feira as palavras do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de que o tucano José Serra é “mais preparado” para assumir a Presidência da República do que a pré-candidata petista Dilma Rousseff. Além de comemorar as farpas de Ciro disparadas a Dilma, os tucanos também se mostraram surpresos com o fato de um aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticá-lo publicamente –já que Ciro disse que Lula “navega na maionese”.

Na opinião dos oposicionistas, Ciro reagiu depois de ser “escanteado” pelo presidente Lula, que optou por fazer de Dilma a sua candidata. “Ele foi cozinhado grosseiramente, depois percebeu que sequer seria candidato a governador de São Paulo. O tratamento que deram a ele não foi leal”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Para o líder tucano na Câmara, deputado João Almeida (BA), Ciro se “iludiu” com o presidente Lula quando acreditou que seria o candidato da base aliada ao Palácio do Planalto. “O Ciro não entendeu a personalidade do Lula. Achou que seria valorizado, mas o projeto do Lula é a Dilma”, afirmou.

Na opinião de Almeida, as recentes declarações de Lula mostram que o presidente está “cada vez mais distante da realidade”, por isso acha que Lula “viaja na maionese”.

Para Virgílio, as críticas de Ciro beneficiam diretamente a pré-candidatura de Serra ao governo federal. “Com o peso nacional do Ciro, é relevante reconhecer que o melhor para o Brasil é o Serra. Ele não é obrigado a gostar do Serra, mas é importante reconhecer que a eleição com ele seria muito mais interessante do que com a Dilma”, afirmou.

O tucano disse que Ciro errou ao transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, atendendo um pedido de Lula, para que disputasse o governo estadual. Como Ciro insistiu na sua candidatura ao Palácio do Planalto, o PT elevou o senador Aloizio Mercadante (SP) a pré-candidato do partido ao governo do Estado.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:17

COMEÇOU O TRABALHO PETISTA PARA FAZER DE CIRO A GENI

O PT já começou o trabalho de desmoralização do deputado Ciro Gomes (PSB), um precioso aliado até anteontem. Percebam a arrogância contida nestas palavras do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (SP):

“Nós garantimos a ele a possibilidade de sair para o governo de São Paulo, ele não topou. Nós não concordamos com a tese de sua candidatura para a Presidência. Ele que tem que arcar com a política dele; por isso, está sendo muito injusto com o PT e com o presidente”.

Notaram? Generosamente, “ofereceram” a Ciro a possibilidade de se candidatar ao governo de São Paulo!!! E não “concordaram” com a candidatura!!! Ciro e o PSB não foram livres, como se nota, nem para decidir isso.

Vaccarezza está dizendo o seguinte: “Como ele não concordou com a nossa decisão, então tivemos de atropelá-lo. Logo, a culpa é dele. Ele era livre para concordar”.

Eis o PT!

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:05

LULA, UM ESPECIALISTA EM ESMAGAR PESSOAS

Na entrevista (ler dois posts anteriores sobre o assunto), Ciro Gomes afirma que pode até se afastar da política. Pois é… Quando brigou com os tucanos de São Paulo, fizeram dele um gigante. Depois de se aliar aos petistas, pode até desistir da política. Ciro precisa repensar que estranha relação é essa em que os inimigos servem para torná-lo grande, e os amigos, para destruí-lo. Não seria o caso de um ajustamento de conduta, de modo que estas duas categorias — aliados e relevância política — possam andar juntas?

Não creio que desista. Mas, caso o faça, poderia se dedicar, quem sabe?, à vida acadêmica. Há um campo de estudo bastante interessante, que jamais será investigado pela “subintelectuália esquerdopata” das universidades: “O que aconteceu, nos últimos 30 anos, com qualquer um que tenha contestado Lula?”

Uma boa pesquisa requer frieza analítica. Mas a experiência pessoal pode ajudar. Dou algumas pistas:
- Lula destruiu todos os seus adversários no sindicalismo, estivessem eles à “esquerda” ou  à “direita”. Sobreviveu quem se dobrou ou se vendeu. Vejam o caso de Joaquinzão, o dito grande pelego do “sindicalismo reacionário”: morreu pobre e abandonado num asilo. Lula, o “progressista e socialista”, é quem é;

- Lula relegou a uma expressão não mais do que regional lideranças de esquerda ou “progressistas” egressas do pré-64, como Leonel Brizola e Miguel Arraes;

- Lula esmagou politicamente todos aqueles que tentaram, quando isso não lhe era pessoalmente conveniente, qualquer diálogo com outras forças políticas. Vejam o que aconteceu com os três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves (José Eudes, Beth Mendes e Airton Soares) com ou Luíza Erundina, que aceitou ser ministra de Itamar Franco;

- Lula desmoralizou, chegando ao poder, as alas à esquerda do partido. Posso até achar que ele fez muito bem, mas elas eram suas aliadas, não minhas, e faziam o discurso histórico do petismo;

- Lula sempre tratou a pontapés qualquer um que ousasse contestar a sua liderança no partido (ou em qualquer outro assunto), como sabe, por exemplo, o senador Cristovam Buarque (DF), hoje no PDT, demitido por telefone;

E Lula, finalmente, trata como inimiga a ser destruída a própria história do Brasil, ao tentar desconstruir a biografia de todos os governantes que o antecederam — em parte, contou com a colaboração de Ciro por um período ao menos.

Nada cresce à sombra de Lula, deputado Ciro Gomes, se não for com a plena concordância do… frondoso Lula! E o que lhe garantiu tal poder? É dono, sem dúvida, de uma notável inteligência política. Isso conta muito. Lidera um partido que se estrutura para substituir a sociedade, não para governá-la. E isso é fundamental. E, não menos importante, o PT tem uma presença maciça na imprensa. E isso não é de hoje. Querem um exemplo até banal? Quem primeiro chamou o Democratas de “demo” e seus membros de “demos” foi o PT. O termo é hoje empregado como linguagem referencial pelos jornalistas — já o vi em títulos na primeira página.

Qualquer político que ambicione ter existência própria, deputado Ciro Gomes, deve se preparar para enfrentar essa máquina em vez de se aliar a ela. O PT entende duas categorias: oposição, que ele tenta destruir por meios lícitos e ilícitos, e subordinação.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 15:43

DADO O MASSACRE DE QUE FOI VÍTIMA, REAÇÃO DE CIRO É SUAVE

(ler primeiro o post abaixo)
A posição de Ciro (ver abaixo), a ser mantida, é serena se comparada àquilo que Lula e o PT fizeram com ele. Jamais vi um aliado tão fiel ser tratado com tamanha descortesia. “Descortesia”? A palavra não cabe porque isso é ofensa de salão. O ex-governador do Ceará foi vítima é de brutalidade mesmo.

E é o que sempre acontece com qualquer um que tente ter uma relação minimamente altiva com o PT e, particularmente, com Lula. Já escrevi que Ciro nunca entendeu a natureza do partido e a raiz intelectual de sua formação, que não compreende um governo de coalizão coisa nenhuma!

Coalizão significa unir as principais forças políticas do país, concentrando-se no que se considera essencial. Os petistas só entendem a relação de subordinação, e aqueles que se juntam a seu “projeto” têm de ter a cara que tem o PMDB lulista, este liderado por gigantes morais como José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.

Ciro foi convidado a fazer parte desse festim e a ter um naco do poder, como um peemedebista qualquer, regalando-se com alguma divisão do governo, onde pode fazer seus pequenos grandes negócios. O deputado do PSB queria mais: queria ser protagonista na política. Não existe esse espaço no PT.

Lula foi esvaziando Ciro com a técnica e a paciência de um taxidermista. Tirou-lhe a vitalidade eleitoral e o encheu de palha, de modo que ele pudesse conservar, durante algum tempo ao menos, a aparência de figura relevante na sucessão. Até que chegou a hora do golpe: a visita de Dilma Rousseff ao Ceará, o que, vamos convir, foi de um desrespeito brutal.

Notem que narrativa interessante: o petista levou Ciro a transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e despachou Dilma para fazer embaixadinha no Ceará. Em suma: deu-lhe de presente o que ele jamais terá — São Paulo — e tentou lhe roubar o que ele tinha: o Ceará. O jornalismo amigo do PT tentou atribuir a visita de Dilma àquele estado a um erro da candidata ou da coordenação de campanha. Bobagem! Pode até ter sido um erro, mas cometido pela cúpula do partido. Nem isso cabe a Dilma decidir. Não custa lembrar que até para evocar palavras de otimismo, como fez no programa do tal Datena, ela recorre a Lula — ou, pior, à mãe de Lula.

A forma como o lulo-petismo trata um aliado dá conta do que esse gente gostaria de fazer com adversários. O escândalo dos aloprados, que Ciro relembra em sua entrevista,  dá uma pista.

O PT tem um norte moral: tudo o que não serve à hegemonia do partido deve ser destruído. E, bem…, no que diz respeito à relação Ciro Gomes-PT (consulte o arquivo do blog), não foi por falta de aviso.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 15:09

CIRO: “LULA VIAJA NA MAIONESE; SERRA É MAIS PREPARADO; DIREÇÃO DO PSB NÃO ESTÁ À ALTURA DO DESAFIO DA HISTÓRIA; PT VAI TENTAR OUTRO ESCÂNDALO DOS ALOPRADOS; NÃO ME PEÇAM PARA IR À TELEVISÃO”

Em entrevista a Eduardo Oinegue, do iG, o deputado Ciro Gomes (PSB) rasga o verbo e afirma que “Lula está navegando na maionese”; que o tucano José Serra “é mais preparado, mais legítimo e mais capaz ” de “enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos”; que  o presidente nacional do partido, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, “não estão no nível que a história impõe a eles” e antevê que o PT tentará, de novo, algo parecido com o escândalo dos aloprados. E avisa: “”Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou.”

Trechos da entrevista:
Lula:
“Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz ‘Presidente, tenha calma’. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz”.

Serra
“Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz inclusive de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos.”

PSB
[Eduardo Campos e Roberto Amaral, dirigentes do PSB] “não estão no nível que a História impõe a eles”.

Aloprados
“Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma merda”.

Crise futura
“Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita. Como o PT, apoiado pelo PMDB, vai conseguir enfrentar esta crise? Dilma não aguenta. Serra tem mais chances de conseguir”

Apoio a Dilma
“Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou. Sei lá. Vai ver viajo, vou virar intelectual. Vou fazer outra coisa”.

Por Reinaldo Azevedo

22/04/2010

às 18:01

CIRO: MAIS UMA VÍTIMA DO LULO-PETISMO. OU: A GRANDE LIÇÃO

A humilhação a que a o lulo-petismo, por intermédio do PSB, submete o deputado Ciro Gomes deve ser inédita entre aliados. Ciro recebe, assim, uma dura lição numa quadra da vida em que as pessoas costumam estar se preparando para ser mestres. Quando rompeu com o PSDB, exercitando aquele seu discurso sempre estrepitoso, cheio de palavras fortes que apelam à moral, à honra, à dignidade, conquistou grande espaço na imprensa. Eram tempos em que se opor a FHC costumava tornar as pessoas maiores do que de fato eram. Ainda recentemente, no período de indefinição da candidatura tucana, bastava a Ciro uma viagem a Minas ou uma declaração antevendo a desistência de Serra, e sua visibilidade estava garantida. Nos bastidores, ou nem tanto, costurou um acordo com Lula que previa um Plano B, concorrer ao governo de São Paulo, caso não conseguisse tornar viável o Plano A: disputar a Presidência da República. Como segurança, transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo.

Ciro gosta de se mostrar um senhor sabido, também um estudioso da política, daí que seu discurso seja salpicado de termos e expressões oriundos da ciência política. Mas demonstrou uma espantosa ingenuidade — além de ignorar, como já escrevi aqui muitas vezes, a natureza do PT. O que ele imaginou? Garantida a transferência de domicílio, acreditou que Lula realmente o deixaria livre para tentar arregimentar alguns partidos da base aliada para emplacar a sua candidatura? Apostou, em algum momento, que ele e Dilma concorreriam no livre mercado do governismo, e Lula acabaria indicando aquele que se mostrasse mais viável?

Sei lá que diabos se passou  pela sua cabeça. Um pouco de teoria política  — ou de prática, que ele tem!!! — adverte que não se dá àquele com quem se negocia a vantagem que Ciro deu a Lula: tornou viável o desejo do petista (fazê-lo candidato em São Paulo) e  o deixou solto pra capturar todos os partidos com os quais ele, Ciro, poderia potencialmente se aliar, de sorte que este não teria como defender a sua candidatura nem junto ao PSB, que nunca, de fato, a levou a sério.

Nesta fase de pré-disputa, Ciro viu seu patrimônio eleitoral reduzir-se de modo vexaminoso. Dos 22% que já chegou a ter das intenções de voto, caiu para algo aí entre 8% e 9%, desidratado que foi pelo próprio Lula. Na reunião de hoje com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também presidente do PSB, e com o vice-presidente, Roberto Amaral, foi obrigado a ouvir que a sua candidatura não emplacou, foi pro vinagre, está acabada. Por outra: Lula, o PT e o próprio PSB empurraram Ciro para a derrocada. E agora usam a sua situação ruim nas pesquisas para lhe impor a desistência.

Mas não só isso: o PSB instrumentalizou a sua eventual candidatura para arrancar vantagens do PT nos estados. Ciro foi usado como mercadoria mesmo; trocado por trinta dinheiros com uma desfaçatez como nunca vi. Tenho um aguçado senso de justiça. Mesmo Ciro sendo quem é, quase me solidarizo com ele. À sua maneira e do seu exclusivo ponto de vista, é mais uma vítima do lulo-petismo.

O que lhe resta? Sei lá eu! Fico a imaginá-lo, depois de uma conversa com Lula, o seu verdugo, a declarar apoio a Dilma Rousseff, o que significará, então, o endosso ao “roçado de escândalos”, segundo expressão sua, que une o PT ao PMDB… Seria uma boa forma de ele dilapidar os 8% que lhe restam de reconhecimento do eleitorado brasileiro…

Talvez, dado o andamento da coisa, acabasse lhe ficando bem a neutralidade, já que acredita que o desfecho eleitoral que aí está obedece a uma espécie de urdidura conspiratória. E qual lição pode ter aprendido? Esta:

“NEM SEMPRE O INIMIGO DO MEU INIMIGO É MEU AMIGO!” No caso, pode até ser meu pior inimigo. Romper com o PSDB fez Ciro parecer maior do que era. Aliar-se ao PT o tornou menor do que efetivamente era.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2010

às 7:49

CIRO EM SEU LABIRINTO

O deputado ex-cearense Ciro Gomes (PSB), agora com domicílio eleitoral em São Paulo, está magoado, sozinho e recluso, e quem faz a sua defesa púbica é a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que já foi Gomes um dia. É sua ex-mulher. Acho que isso é um emblema do que Cecília Meireles chamou num poema “meu (dele) patético momento”. Antevi em detalhes o mico que ele pagaria. O arquivo está aí. Tem razões para estar chateado.

Ciro foi sempre tão fiel! Em vários momentos, comportou-se como um jagunço de Lula. Endossou o coro dos que afirmavam que acusar a existência do mensalão era coisa de golpistas e chegou a classificar de invenção da “imprensa paulista” o dossiê da Casa Civil, então chefiada por Dilma, contra FHC e Ruth Cardoso. Ciro queria ser o escolhido, o ungido. Foi esmagado. Está, tudo indica, à espera de um agrado de Lula. Triste desfecho para quem esperava ser seu sucessor.

Não tenho nenhuma simpatia por ele, como se nota. Mas nem por isso deixo de reconhecer que Lula não lhe dispensa um tratamento à altura da sua fidelidade. Ocorre que Lula não é fiel a ninguém. Já deixou companheiros de sindicato e de partido na chuva quando se provaram incômodos. Por que seria fiel a Ciro? Dilma Rousseff, como sabemos, não é exatamente jeitosa nesse negócio de política, é verdade. Ocorre que a sua viagem ao Ceará, por exemplo, não foi decisão pessoal, mas partidária.

Com um pouco mais de experiência, ela teria dito “não” à sugestão. Mas é quem é. E lá foi ela num ato de humilhação extrema ao aliado de todas as horas.  O PT tripudiou de modo cruel sobre as pretensões de Ciro. Há coisa de dois anos, aparecia com cerca de 20% das intenções de voto. Ontem, o Datafolha lhe deu 9%.

Não tendo conseguido ser o candidato oficial — sua tola pretensão —, Ciro tentou provar a sua utilidade estratégica: entrar na disputa para “impedir a vitória da oposição”. Mas esse juízo se choca com a escolha tática de Lula: o plebiscito. Ficou sem lugar. E, se pensarmos um pouco nos motivos do presidente, não poderia ser diferente.

Se Lula cede a Ciro um pedaço da base para tornar viável a sua candidatura, haveria o risco de ele superar Dilma Rousseff no primeiro turno. Posso pensar o diabo a respeito do deputado do PSB, mas ele, como político, tem mais densidade do que ela. E partia de um patamar de votos muito superior. Fosse ele o “outro” candidato de Lula, estaria em segundo lugar. Neste ponto, o leitor pode perguntar: “Reinaldo, se é assim, então por que Lula não preferiu Ciro?”

Porque isso vai contra a natureza do PT. Há um bom tempo, ironizo aqui uma expressão de que Ciro vinha abusando: ele representaria uma “nova hegemonia política e intelectual” no país. Ele não deve saber o significado político da palavra “hegemonia”, que deve ter pescado num Gramsci mal lido. Ela não se estabelece por meio de homens, de indivíduos, de guerreiros, mas de um partido, de um ente que deve representar uma coletividade. Lula ser quem é, o demiurgo, não nos deve impedir de entender que ele representa um esquema gigantesco. Toda aquela bobajada autopromocional do presidente esconde uma máquina sindical e partidária infiltrada em todas as áreas do estado e da sociedade. “Hegemonia”, deputado Ciro Gomes, compreende uma guerra de valores,  não de personalidades.

Ora, Ciro jamais seria um deles sem ser efetivamente um deles. O PT, já escrevi aqui, só aceita subordinados. Não quer nem mesmo parceiros. O PMDB tem conseguido alguns vitórias no embate direto. Mas quem fala é a máquina.

Tenho relatado aqui a longa biografia de “nãos” do PT, que Aécio Neves lembrou no dia 10, em Brasília, no lançamento da pré-candidatura de José Serra. Aquele “não” a Tancredo, por exemplo, era apenas mais um de muitos “nãos” ditos antes a outras forças que se opuseram ao regime militar. O partido não aceitou, é bom lembrar, compor com Leonel Brizola e Miguel Arraes. Em 1989, Lula rejeitou o apoio de Ulysses Guimarães — o Ulysses das Diretas e da Constituinte — no segundo turno das eleições presidenciais. Seus puxa-sacos na imprensa dizem que fez, depois, um mea-culpa. E daí?

São tantas as culpas do PT que ele poderia passar a vida se desdizendo. O partido não aceita participar de processos dos quais ele não possa ser a força — atenção, Ciro! — hegemônica. E só por isso tinha se negado a participar do Colégio Eleitoral. Não queria “endossar” Tancredo. E, por isso, não homologou a Constituição nem aceitou participar do governo Itamar Franco, declarando-se “na oposição”. ORA, OPOSIÇÃO A QUÊ? Nem governo havia! Tratava-se começar do zero. Por que o PT faria de Ciro um continuador de sua obra? Vênia máxima, deputado, é preciso ser meio bobo para acreditar nisso!

Ciro deveria fazer um exame de consciência e um mea culpa e voltar ao PSDB, sabendo, claro, que ele não poderá exterminar a seção paulista do partido. E também não conseguirá varrer São Paulo do mapa. Durante um bom tempo, o lulo-petismo abrigou a sua retórica preconceituosa contra os inimigos comuns. Ele só não percebeu que não era o PT que estava lhe sendo útil; ele é que estava sendo útil ao PT. O partido, nesses anos, só se fortaleceu. E ele foi ficando menor. Até chegar a este ponto: solitário e em silêncio humilhante.

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2010

às 5:59

CIRO, OS PORTOS E AS BOCONAS E BOQUINHAS

Comentei ontem trechos do artigo do deputado Ciro Gomes (ex-cearense do PSB), aquele em que parece dar a entender ser impossível governar o Brasil com partidos como PMDB, PT, PSDB, DEM… Mais uns 500 toques, ele acabaria pedindo o fechamento do Congresso. Tudo para o nosso bem. Trata-se de um texto destrambelhado. E que não faz justiça ao desempenho de seu próprio partido em certas matérias. Vamos ver.

Lula decidiu criar em 2007 a tal Secretaria dos Portos, cujo titular tem status de ministro — um dos 8.377 ministérios deste governo. Entregou a pasta de porteira fechada para o… PSB!!! E seu titular, Pedro Brito do Nascimento, é uma indicação pessoal de Ciro. Nascimento já o havia sucedido no Ministério da Integração Nacional, que o agora presidenciável de si mesmo deixou para se candidatar a deputado federal.

A “bocona” da secretaria se espalha em outras e bocas e boquinhas nos portos Brasil afora. O setor, em suma, está com o PSB. Vá perguntar, leitor, ao deputado federal Márcio França , que preside o partido em São Paulo, se ele abre mão da, digamos assim, influência que tem no Porto de Santos. Não abre!

A dificuldade de o PSB montar uma chapa para concorrer com Dilma não está só nos interesses eleitorais na Paraíba, no Rio Grande do Norte, em Pernambuco e até no Ceará… Entendo que, concorrendo com um nome do governo, o PSB deveria desocupar os portos. Mas, nesse caso, onde atracar?

O PSB participa do condomínio como todos os outros partidos da base aliada.  É que Ciro integra a turma que acha que roçado de escândalos é só aquilo que os outros produzem. Sua carta está incompleta. Tem de conclamar: “Entreguemos todos os nossos cargos no governo federal e vamos à luta”. Aí, sim! Vamos ver com quantos ele pode contar.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2010

às 19:24

CIRO: NUNCA ANTES NESTEPAIZ UM POLÍTICO DEU TANTO TIRO NO PRÓPRIO PÉ

Tsc, tsc, tsc… Lá vai Ciro se enredando na teia na qual se encontra por escolha. Ok, vá lá: um tanto de ingenuidade o levou para essa situação difícil, e ninguém é ingênuo por vontade. Mas é preciso destacar também que Ciro é um cabeça-dura e parece não ter muita paciência para aprender com os erros próprios ou alheios. A aparentemente mais autocentrada figura jamais havida nestepaiz, Luiz Inácio Lula da Silva, é expressão também de um partido, de uma máquina, de uma inteligência, digamos, corporativa. No acerto e no erro, nunca foi um franco-atirador. O PT tem método — freqüentemente maligno, mas tem. Ciro plasmou para si a imagem de uma espécie de herói romântico. Abaixo, seguem trechos comentados de uma artigo que ele postsou em seu site hoje. Observem que aquele que se coloca como a  salvação ética do Brasil atira no PT, no PMDB, no PSDB e, obviamente, no DEM. E acaba acertando seu próprio partido, o PSB. Se formos pensar em lideranças, mirou em Lula, Dilma, Serra, FHC… Ciro, notem bem, convida o PSB à solidão entusiasmada. Vamos ver.

É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil, por um preço cada vez mais impagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no Brasil”.
Não adianta: ele odeia São Paulo. Em vez de se apresentar como um candidato de expressão nacional, ele se coloca como um nome contra um estado. Mesmo que tente se justificar dizendo que critica os políticos, não os paulistas, a política que há é, em boa medida, expressão das pessoas.
A expressão política de São Paulo é compatível com a do estado que tem 22% da população e 33% do PIB. Ou melhor: não é — a população paulista é, por exemplo, sub-representada no Congresso. Essa clivagem que Ciro cria é falsa. Como é falsa a suposição de que PSDB e PT são a expressão política do Estranho Casal, aquele filme em que Jack Lemmon e Walter Matthau amam se odiar mutuamente. Esse embate não é comédia. Ciro não entendeu ainda o que os petistas pretendem fazer com seus adversários: destruí-los. E, para tanto, se acharem necessário,não se intimidam nem em recorrer ao estado policial.
Essa avaliação de Ciro sobre São Paulo  é antiga . Não obstante, transferiu o seu domicílio eleitoral para o estado. Por quê?

Jamais imaginei, após trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
Não entendeu porque não quer. Na verdade, finge não entender. Seu partido quer integrar a frente que apóia a candidatura da petista Dilma Rousseff e é contra o lançamento da sua (de Ciro) candidatura.
Burro, ele não é. Se ninguém lhe diz isso, é só delicadeza. Estão cozinhando o galo, até quando — e já chegou o momento — não tenha mais com quem se juntar. E isso indica também que o tempo de Ciro no PSB já venceu. Está na hora de mudar. De novo!

Basta a ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia-dúzia de pessoas. Assim mesmo: sobre seis pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasília ou de São Paulo podem-se hoje definir as opções todas a serem “escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-se sobre isto é criminoso.
Bem, então isso é uma denúncia de todo o processo eleitoral, do qual ninguém escapa, não é mesmo? Ciro acaba de declarar a ilegitimidade das eleições. Aí fica difícil. Está incendiando os navios. Com quem ele espera contar nessa viagem? Por que o PSB, um partido bem-estruturado entre os de médio porte, entraria na sua aventura? Seu discurso ficou sem lugar. Só agora ele se deu conta dessa realidade? Perguntas óbvias:
1: se Lula o tivesse escolhido como candidato do governo à sua sucessão — pretensão tresloucada de Ciro —, então o processo seria mais legítimo?;
2: se Lula tivesse feito um loteamento da base aliada — uma parte para Dilma, outra para Ciro —, o processo eleitoral seria mais moral?;
3: Caso Ciro fosse hoje, como ele chegou a sonhar um dia, vice de um Aécio Neves como candidato do PMDB, por exemplo, a coerência política teria saído ganhando?
Sejamos claros, não? O único problema de Ciro é não estar no lugar de Dilma.

O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do país. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo turno.
Perfeitamente. Então…

A quem interessa tirar do povo as opções que, no passado recente, permitiram a um sindicalista chegar à Presidência? A história acabou? Não há mais o que criticar ou discutir? Oito de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria, como diz o Elio Gaspari? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?”
É, Ciro… Quando as premissas estão erradas, todo o resto dá errado. Vejam como o pensamento de Elio Gaspari, a despeito do que já disseram TCU e Justiça, chegou longe!!! E vejam como produz coisas virtuosas na política! Eis aí: Ciro acaba de dinamitar 80% do Coongresso Brasileiro. Talvez seja candidato a governar com os 20% restantes, integrados por freiras éticas.

Caso fosse eleito, governaria com quem? O PMDB seria, diante de Ciro, como um Romeu que atendesse ao pedido da Julieta de Sobral: “PMDB, por que és PMDB? Renega a história, despoja-te do nome; jura que é meu o teu amor…”? Ora, Ciro Gomes! Eu o tenho na conta de um homem inteligente. Logo, acho que ele supõe que os brasileiros são burros. Um Ciro tornaria o “PMDB” mais ético? A propósito: um Ciro, caso fosse aceito, mudaria a natureza do PT?

Se a união desses dois partidos é um “roçado de escândalos”, não dá para governar com eles — a menos que se deixem depurar pela ação de Ciro, né? E com o PSDB-DEM? Também não dá porque Gaspari lhe ensinou que são a turma da “privataria”.

Ciro talvez não perceba que está, na prática, reclamando do fato de que ninguém lhe dá a chance de ser um ditador virtuoso, aquele que viria para botar ordem na bagunça, o único dotado de sabedoria, ética, caráter e biografia ilibada para tanto. Depois ele chia quando dizem que é um Collor que decorou algumas falas do Mangabeira Unger — que já se mudou de mala e cuia para o… PMDB, aquele, o do roçado…

Ou Ciro desiste da política ou vai fazer uma espécie de terapia — clínica mesmo — de conteúdo bem específico: voltada para a política. Talvez aprendesse a parar de dar tiro no pé por conta desse estilo muito característico: o pensamento sempre está alguns minutos atrasado em relação à sua língua grande. É visível que ele fala primeiro e só pensa, quando pensa, depois.

Também poderia contratar um consultor de imagem. Não fosse o ódio que tem de São Paulo e dos políticos paulistas, estaria ainda no PSDB, de onde não deveria ter saído. Ocorre que, de súbito, o enfant terrible da Arena e, posteriormente, da social-democracia descobriu-se de esquerda!!! Sem nunca ter sido, é claro. E achou que iria se fazer nesse grupo sem entender nada de sua metafísica, de sua visão de mundo, de seus princípios — por mais perturbados que sejam.

Ciro, como notam, caminha para ficar sem lugar. Apoiar Dilma corresponde a apoiar o “roçado de escândalos”; apoiar Serra implicaria uma espécie de mea culpa que homens como ele dificilmente fazem: preferem acrescentar culpas novas às antigas. Como indivíduo, talvez possa apoiar Marina Silva, assumindo, agora, o seu lado verde, depois de ter sido tanta coisa.

Sinceramente, nunca vi tamanha vocação para dar tiro no pé. Mais uma vez, aquele que se colocava como o elemento apto a desestabilizar o jogo morre na praia. E há um só responsável por isso: Ciro Gomes!

Por Reinaldo Azevedo

 

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