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Ciro Gomes

27/04/2010

às 21:08

CIRO: “AO REI TUDO, MENOS A HONRA”

Leia nota emitida por Ciro Gomes. Volto no post seguinte com algumas considerações sobre o gênero epistolar.

*
Ao rei tudo, menos a honra!

A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o país.

Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!

Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.

Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.

É o que farei.

Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira.

Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.

Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 19:37

NOTA DO PSB REFORÇA, AINDA QUE TENTE DISFARÇAR, HUMILHAÇÃO IMPOSTA A CIRO

O PSB emitiu uma nota jogando o deputado Ciro Gomes para escanteio. Poderia ter-se contentado em informar que não haverá candidatura porque essa é a decisão da maioria e ponto! Mas não! Resolveu transformar o vexame pelo qual ele passa na expressão de uma “Teoria do Poder”. Vale a pena ler. Prestem especial atenção ao que está em negrito (ou “vermelhito”).

“Aos militantes socialistas, aos partidos fraternos e à sociedade brasileira,

A Comissão Executiva Nacional (CEN) do Partido Socialista Brasileiro (PSB) reuniu-se nesta data em sua sede, em Brasília (DF), para avaliar o quadro político-eleitoral do país e deliberar, depois de ouvidos os Diretórios Estaduais, sobre o papel a ser desempenhado pelo PSB na sucessão presidencial. Decidiu a CEN, por maioria de votos, não apresentar candidatura própria à Presidência da República.

A Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuir para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano, com maior repartição de renda e menor exclusão social.

As eleições de outubro não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado, e duplicar sua representação na Câmara dos Deputados, reafirmando-se como um partido capaz de liderar, ao lado de outros, o avanço das mudanças há tanto tempo exigido pelo povo brasileiro. Sob tal perspectiva, para o PSB a disputa das eleições de outubro, em todos os seus níveis, é um projeto estratégico, condicionado, obrigatoriamente, pelos balizamentos da conjuntura.

Ao patrocinar a pré-candidatura presidencial do deputado federal Ciro Gomes, enxergou o PSB, associadamente a esse projeto estratégico, a possibilidade de contribuir para o aprofundamento das mudanças iniciadas pelo governo do presidente Lula.

De nenhuma forma foram em vão os esforços do PSB e do deputado federal Ciro Gomes nestes movimentos iniciais da campanha presidencial. Administrador vitorioso em diversos níveis de governo, homem de ideias e de atos em favor do País, Ciro Gomes engrandeceu o debate republicano. Com ele, expusemos nossas propostas aos brasileiros, mobilizamos a nossa militância e abrimos novas e concretas vias de crescimento partidário. O PSB permanece firme e ativo no processo sucessório. Nele, queremos somar, unir e avançar, em favor da construção de uma Nação à altura das mais legítimas esperanças socialistas.

Brasília (DF), 27 de abril de 2010
Comissão Executiva Nacional (CEN)
Partido Socialista Brasileiro (PSB)”

Comento
Viram? Com “ele” — este “ele” é Ciro —, o partido diz ter aberto “novas e concretas vias de crescimento partidário”. Traduzindo em linguagem mais coloquial: “Usamos a candidatura de Ciro para arrancar do PT algumas concessões”. Ou ainda: “Nunca levamos Ciro a sério; sua candidatura só servia para a gente ameaçar um pouco o PT”. Ou em linguagem ainda mais sintética e de apelo zoológico: “Ciro foi nosso boi de piranha”.

O PSB agora quer que Ciro viaje logo e fique longe das entrevistas. Como diria Marco Aurélio Top Top Garcia, ele não pode “comprometer a sua trajetória”, certo?

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2010

às 5:57

UM PAPO UM TANTO ELEVADO SOBRE POLÍTICA NA HIPÓTESE, CLARO, DE QUE ELA O MEREÇA

O PSB encerra hoje a longa agonia do deputado Ciro Gomes (ex-cearense) e bate o martelo: “Não é candidato”. Os deuses olímpicos do petismo punem, assim, com severidade o “mortal” por sua “húbris”. Ciro agora diz que sua candidatura havia sido acertada numa reunião no ano passado, na qual houve até algumas lágrimas. Pois é… Em política, é bom desconfiar sempre do excesso de emoção. Enquanto uns choram, os outros fazem cálculos. É claro que Ciro foi enganado. Ou não estaria tão furioso. Judas traiu com um beijo; Lula, mais dramático, com lágrimas. Parafraseando Cecília Meireles, aquele traiu Jesus; Lula, um simples deputado.

Apelo a dramas humanos inscritos em nossa memória para evidenciar que não há nada de muito novo sob o sol no que diz respeito às fraquezas humanas. Tampouco há novidade na política. Lula não chega a ser, assim, um grande intelectual e é certo que não leu O Príncipe. Mas poderia escrever sem receio o seu “quomodo fides a principibus sit servanda“, nas pegadas de Maquiavel, explicando de que modo pode o príncipe manter a fé na palavra empenhada.

É preferível, dizia o autor no capítulo 18,  manter-se fiel ao que se disse, sem truques, mas, reconhecia ele, alguns príncipes realizaram “grandes coisas a despeito de terem tido em pouca conta a fé da palavra dada”, conseguindo mesmo “superar aqueles que se firmaram sobre a lealdade”.

É claro que Maquiavel, filtrado ou intuído por Lula, vira uma coisa, assim, mais simplezinha, né? Pode resultar, por exemplo, na “Teoria Geral da Bravata” — na oposição, defende-se uma coisa; no governo, o seu contrário… Ciro, com efeito, criou todas as circunstâncias para se traído ao, voluntariamente, sujeitar-se às vontades do presidente, mudando até seu domicílio eleitoral. Nenhum outro setor da vida está tão sujeito à volatilidade da palavra empenhada — e notem como isso é antigo — quanto a política.

Não há, pois, nada de essencialmente novo nessa lambança. Lula acalentou Ciro enquanto ele foi útil a seu projeto e decidiu rifá-lo quando ele passou a ser um aliado incômodo, que não aceita o papel que lhe foi reservado. Privilégio dos príncipes: cumprir ou não a palavra. Não é aí que está a particularidade desse caso — ou, por outra, a sua perversidade. Até porque Ciro é bem grandinho e sabe o que faz. Também é um político e já traiu antes. É um traço da profissão.

O que chama a atenção em particular nesse episódio é outra coisa. Marco Aurélio Garcia, aquele — o guardião do Tártaro, o Cérbero de Lula —, emitiu nesta segunda o seu pensamento sempre elegante sobre o episódio. Leiam:
“Estamos numa democracia. Cada um fala o que quiser. Eu tenho muito apreço pelo Ciro. Ele colaborou muito com o governo do presidente Lula. Eu não queria que este momento particular e declarações que ele esteja fazendo venham a comprometer a sua trajetória. A trajetória do Ciro é uma trajetória extremamente meritória, e eu fico com essa boa imagem dele”.

Observem que, nas reflexões do Marco Aurélio do PT, o caráter, vamos dizer, utilitário de Ciro fica explicitado sem qualquer fingimento — e saber fingir é parte das ações decorosas dos políticos. Os “sinceros” choram, se é que vocês me entendem… Para Marco Aurélio, a trajetória “extremamente meritória” de Ciro está em risco, e quem a ameaça, obviamente, é o próprio deputado, que não estaria sabendo se comportar adequadamente. Juiz do destino do outro, autor de seu drama político, o PT pretende também pautar a sua reação e definir o que é e o que não é aceitável no comportamento do traído.

Aí, sim: é contra esse complexo de Deus — ou de Zeus (para voltar ao primeiro parágrafo) — que eu permanentemente me insurjo. Se a política não é coisa de santos, e não é, também não pode ser obra de ogros, sejam eles petistas ou não. O PT só merece a minha especial atenção por conta de sua ação metódica.

Por Reinaldo Azevedo

26/04/2010

às 5:53

“ANALISTAS” POLÍTICOS BATEM EM CIRO GOMES EM LUGAR DO PT, QUE TERCEIRIZOU A TAREFA

Quando é que se está diante da evidência de que um partido detém a hegemonia do processo político, o que não precisa coincidir necessariamente com o exercício do poder? Quando seus valores e sua visão de mundo se tornam parte da atmosfera que se respira, sem que as pessoas, muitas vezes, se dêem conta de que estão verbalizando o que é um ponto de vista interessado, que nada tem de neutro. O caso mais evidente nestes dias é o do deputado ex-cearense Ciro Gomes (PSB). Como de hábito, não peço que vocês acreditem em mim, mas que recorram aos arquivos dos jornais na Internet.

Antes que prossiga, uma observação: continuo, como sempre fui, crítico das posturas de Ciro Gomes. Não passei a endossar seu modo de fazer política, sua ligeireza para disparar contra a reputação de adversários políticos, sua mania, como já defini certa feita, de falar primeiro e começar a pensar logo depois. No dia 15, fiz um vermelho-e-azul com um texto que ele publicou em sua página na Internet: CIRO: NUNCA ANTES NESTEPAIZ UM POLÍTICO DEU TANTO TIRO NO PRÓPRIO PÉ. Ele já atacava o PT ali. Eu não endosso todo e qualquer ataque ao partido, é evidente. Assim, digo com clareza: trato Ciro como sempre tratei.

Mas e alguns coleguinhas, hein?

Ciro cansou de conceder entrevistas prevendo, por exemplo, a desistência do tucano José Serra. Suas idas a Minas, investindo no suposto racha no PSDB, eram acompanhadas com muito interesse pela imprensa. E lá vinham os petardos contra os tucanos de São Paulo, sempre com impressionante agressividade. E ninguém o chamava de destrambelhado, doidivanas, maluco, ressentido, boquirroto etc. Curiosamente, ele passou a ser tudo isso quando, por um breve instante, voltou a sua artilharia contra Dilma Rousseff.

E então volto àquela questão dos valores. Nem foi preciso que os petistas batessem em Ciro Gomes. É como se o PT tivesse terceirizado a tarefa. Os “analistas” passaram a fazer isso em lugar do partido. Lembra o tempo em que diziam que ele não passava de um “Collor com um discurso mais arrumado”, pecha que sumiu dos textos nestes sete anos de fidelidade absoluta a Lula. O ex-governador do Ceará quase se torna, na imprensa petizada, uma figura respeitável… Quase! Sua revolta de agora dilapidou seu cacife “progressista”.

Isso é coisa bem mais séria do que parece, caros leitores! Tal prática confere ao PT um poder formidável, razão por que muitos políticos o temem e se tornam seus servos “quase” voluntários. Os petistas têm um enorme poder para dizer quem é e quem não é respeitável. Para recorrer a uma imagem que já empreguei aqui algumas vezes, é como se administrassem uma lavanderia para limpar reputações e uma máquina para sujá-las. E os grandes operadores de uma coisa e de outra são, sim, infelizmente, os jornalistas da chamada “grande imprensa”.

Quer dizer que os ataques todos que ele fazia a Serra eram legítimos, prática aceitável da política, mas os que faz a Dilma demonstram seu temperamento estouvado? Eu sei o que escrevi: sempre disse que ele estava sendo enganado, fazendo a aposta errada e ignorando a natureza do PT. Logo, é, em boa parte, responsável por tudo o que se deu. Mas isso não torna admirável o comportamento de Lula com um aliado. O que tenho lido sobre Ciro poderia ser resumido assim: “Quem mandou ser bobo? Lula está na dele!”

Rede petralha
Interessante também é analisar a reação da rede petralha. Até outro dia, Ciro era o seu queridinho, aquele que dizia todas as verdades, o destemido, quase um herói. Sonhavam com o deputado disparando impiedosamente contra Serra em São Paulo, fazendo o “serviço” em lugar do PT. Agora, ele não passa de um coronelzinho ordinário, um sem-noção, que rejeitou a generosa oferta que Lula lhe fez: disputar o governo de São Paulo.

Que os petralhas estejam nessa, é compreensível. Que o jornalismo aceite a condição de crítico terceirizado do PT, aí já é um pouco demais.

Por Reinaldo Azevedo

26/04/2010

às 5:43

Ciro vira alvo de fogo amigo no PSB e pode perder seus cargos no governo

Por Eugênia Lopes, de Brasília – O Estado de S.Paulo:
A um dia de perder a legenda para disputar a Presidência da República, o deputado Ciro Gomes (CE) transformou-se em alvo de fogo amigo do próprio PSB. Em retaliação às críticas desferidas pelo deputado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PSB, integrantes da cúpula partidária defendem que Ciro perca os cargos que possui no governo.

 

Na mira dos dirigentes socialistas está a Secretaria de Portos, que tem status de ministério, sob o comando de Pedro Brito, homem de confiança de Ciro Gomes. A Secretaria de Portos comanda sete Companhias Docas pelo Brasil e foi criada pelo presidente Lula, em 2007, para atender à reivindicação do PSB de mais espaço no governo.

Secretário executivo de Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional, no primeiro mandato de Lula, Brito ganhou o cargo por indicação do deputado. Antes, ele ocupou por quase um ano a titularidade da pasta da Integração Nacional, com a saída de Ciro Gomes para disputar uma cadeira na Câmara, em 2006. O sucessor de Brito na Integração Nacional foi o peemedebista Geddel Vieira Lima, hoje candidato ao governo da Bahia.

O Orçamento de 2010 para a Secretaria de Portos é de R$ 1,5 bilhão. Desse total, R$ 300 milhões já foram empenhados, ou seja, podem ser usados, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). São 34 portos públicos marítimos sob a gestão da secretaria e sete Companhias Docas: do Pará, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo, responsável pelo Porto de Santos.

A Executiva Nacional do PSB se reúne amanhã para bater o martelo sobre a retirada da pré-candidatura de Ciro da corrida presidencial. A expectativa é que o partido apoie a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Em troca, o PT deverá permitir que partidos aliados se coliguem com o PSB em alguns Estados. Seria o caso de São Paulo, onde o pré-candidato do PSB ao governo, Paulo Skaf, quer atrair para sua chapa o PR e o PC do B.

As críticas feitas por Ciro a Lula e ao PSB irritaram integrantes da cúpula do partido, que, nos bastidores, passaram a defendem as retaliações.

O presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, não gostaram da reação de Ciro diante da iminência de ter a candidatura negada. O deputado os acusou de não estarem “no nível que a história impõem a eles”. Outro que ficou aborrecido foi Lula, que foi surpreendido com a comparação feita entre Dilma e o pré-candidato tucano, José Serra. Ciro disse que “Dilma é melhor do que Serra como pessoa, mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz”.

Polêmica. A ordem do Palácio do Planalto e do PSB é, no entanto, evitar responder às críticas e não polemizar com Ciro. Na avaliação dos socialistas, a candidatura dele perdeu densidade com a polarização da eleição presidencial entre Dilma e Serra.

Um dos sinais de que o próprio Ciro teria jogado a toalha em relação a sua entrada na disputa foi o fato de Pedro Brito não ter se desincompatibilizado, no início de abril, para disputar uma vaga na Câmara pelo Ceará.

Na reunião da Executiva do PSB, a direção apresentará levantamento que mostra a maioria dos diretórios hoje contra a candidatura Ciro.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2010

às 6:39

A NATUREZA DOS ALGOZES

Vasculhando o arquivo deste blog, vocês encontrarão, creio, umas duas dezenas de textos demonstrando que Ciro Gomes estava caindo numa roubada porque não entendia a natureza do PT. Num deles, cheguei mesmo a dizer que o partido, se tivesse de escolher, preferiria perder a eleição para Serra a ajudar a eleger Ciro. Seria por causa de afinidades ideológicas? Besteira! Isso, para o PT, hoje em dia, tem pouca relevância. A legenda não abre mão é do poder. E chefiar a oposição é um lugar mais importante do que ser uma força subordinada num governo. Analisem: o PSDB pode eleger o futuro presidente; o poderosíssimo PMDB, não.

Tivesse Ciro estudado teoria política com um pouco mais de cuidado, jamais teria feito as escolhas que fez, sonhando que poderia ser, em algum momento, a solução de continuidade do lulismo. Notem que o partido tentou até escolher o “seu” PMDB para vice na chapa de Dilma. Os petistas têm a pretensão de eleger até seus inimigos!!! Assim, é evidente, como tenho escrito há mais de um ano, que Ciro ajudou o PT a lhe colocar a corda no pescoço. Fez escolhas erradas decorrentes de uma incompreensão essencial do que é o PT.

O erro de Ciro, no entanto, não torna menos perversa a ação do PT e menos miserável a forma como esmagou um aliado que foi, convenhamos, bastante fiel. Exceção feita aos petistas, o deputado foi a voz mais relevante da política a sair em defesa do governo no episódio do mensalão. Embora tenha dito aqui e ali que as pessoas que erraram deveriam pagar etc — isso, convenham, até Lula dizia… —, o fato é que engrossou o coro vigarista que acusava “golpismo” e “tramóia da mídia”. Pode ter sido mais um cálculo errado? Pode! Talvez tenha pensado: “Meu apoio agora a um PT se arrastando pelas tabelas me torna uma espécie de condestável do governo…” Não sei. É só uma hipótese.

De todo modo, estarão sempre tentando o acordo entre a corda e o pescoço aqueles que resolverem fazer concessões aos petistas esperando alguma forma de reciprocidade. Isso jamais acontecerá. O PT não tem mais como ser socialista — isso é coisa de Kim Jong-Il  e dos irmãos homicidas de Cuba… —, mas seu DNA ainda é o da vigarice moral do bolchevismo: como se consideram os portadores do bem, da virtude e da verdade, jamais se vêem como devedores. Ao contrário: são os nossos credores eternos. Assim, Ciro nunca foi um “aliado”, mas apenas alguém que cumpria a sua função na “tarefa histórica”. Ciro não sabe, mas é ampla a literatura de esquerda que trata do papel desempenhado na “causa” por gente como ele: os “colaboradores do lado de lá” (segundo o ponto de vista esquerdopata, claro!), que são úteis por um tempo. Saiba, deputado, que, no fundo, eles têm mais desprezo por alguém como o senhor, que  vêem só como um bobalhão inocente, do que por alguém que consideram um real inimigo.

O único bem que Ciro pode fazer a si mesmo e ao país é expor a natureza dos seus algozes,  e la existe independentemente dos erros que ele próprio tenha cometido.

Por Reinaldo Azevedo

25/04/2010

às 6:37

PT QUER DESPACHAR CIRO PARA BEM LONGE

“Se ele ficar no país, vai cair atirando. Por isso, foi orientado a viajar e depois se dedicar à campanha de Cid Gomes à reeleição no Ceará”.

A frase é de um dirigente do PSB e foi publicada ontem no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. Foi passada ao jornal, informa a reportagem, antes ainda de Ciro conceder entrevista ao iG e ao SBT Brasil.

O método, de gosto soviético, certamente foi emprestado ao PSB pelos petistas. O PT não inviabilizou apenas a candidatura de Ciro, não. Inviabilizou até a sua desistência. Desde a redemocratização, não me lembro de procedimento tão desleal com um aliado.

Cuidado, hein, Ciro! É bom viajar mesmo. Vai que decidam fazê-lo viajar…

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2010

às 6:23

O golpe de graça do PSB

Leiam editorial do Estadão:

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) marcou para terça-feira as exéquias da candidatura Ciro Gomes ao Planalto. Se dependesse da cúpula da legenda, as pretensões presidenciais do deputado pelo Ceará deveriam se desmanchar “espontaneamente”, em fogo brando, como já sugerem as pesquisas. Mas depois que – em um artigo tipicamente agressivo – ele chamou os socialistas às falas para se decidirem de uma vez por todas, o comando da agremiação resolveu antecipar o desenlace, mediante um golpe de graça para salvar a face de Ciro.

Em seguida a uma consulta aos diretórios regionais da sigla, neste fim de semana, a executiva socialista de 18 membros resolverá na terça o que de há muito resolvido está: o partido não terá candidato próprio à sucessão do presidente Lula e se integrará à caravana dilmista. Numa de suas exortações para que o PSB fizesse o contrário, indo consigo à disputa, o duas vezes ex-presidenciável argumentou que, de outro modo, a sigla estaria fadada a imitar o PC do B em matéria de subserviência ao governo. É verdade, mas não toda a verdade.

De um lado, o cacife político da legenda era e é notoriamente insuficiente para contrariar a estratégia eleitoral lulista do “nós e eles”, firmada depois que se dissiparam as dúvidas sobre a saúde da então ministra Dilma Rousseff. A sorte de Ciro foi, como se diz, selada a partir do momento em que o presidente e o PT concluíram que a entrada em cena de um segundo nome governista, embora garantisse que a sucessão só se decidirá no segundo tempo, representaria um risco incalculável para as chances de Dilma.

Não seria o lulismo que se exporia à eventualidade de ver migrar para ele parcela decisiva do eleitorado, à medida que as limitações da candidata se revelassem insuperáveis. No limite, melhor perder com Dilma – hipótese que Lula trataria de tornar inconcebível – do que ganhar na segunda rodada com o instável e boquirroto aliado, que ainda ontem acusou Lula de “navegar na maionese” ao se achar o “Todo-Poderoso”. Ciro detesta o PT quase tanto quanto o PSDB a que já esteve filiado, considerando ambos faces da mesma suposta hegemonia política paulista.

Além disso, no que dependesse do PMDB, Ciro morreria na praia. Não foi ele quem classificou a aliança PT-PMDB — neste caso coberto de razão — como um “roçado de escândalos”? (O que levou Dilma a atribuir-lhe o pecado da soberba.) De outro lado, com 28 deputados, formando a oitava bancada das 20 da Câmara, e apenas 3 governadores, o PSB precisa compor-se com o PT para não definhar no plano regional. Os socialistas têm 11 candidatos a governador, mas só 3 deles apoiados pelos petistas. E, correndo por fora, a anunciada aspiração do partido de “duplicar a bancada” federal se tornaria ainda mais despropositada do que já parece.

O próprio Ciro não tem moral para se queixar do presidente ou de seus correligionários. Afinal, ele aceitou prestar-se à ostensiva jogada de Lula para tirá-lo do pleito nacional, concordando em transferir do Ceará para São Paulo, seu Estado natal, o seu título de eleitor. Com isso, Ciro apequenou a sua alardeada imagem de altivez e independência, mesmo sabendo serem praticamente desprezíveis as chances de o PT paulista fechar com a sua candidatura ao governo estadual. Numa versão caridosa, ele teria querido dar uma prova de lealdade a Lula, na expectativa de que, ao fim e ao cabo, o “Todo-Poderoso” o deixasse competir no páreo principal. Se assim entendesse, agiria como um néscio – o que ele não é.

O esperado fim da quimera de Ciro privará a campanha de uma presença desejável, como desejável é a da ex-ministra Marina Silva, para, entre outras coisas, ampliar o debate das questões nacionais.

Por deploráveis que sejam os seu rompantes temperamentais e os estereótipos nos quais se enreda com frequência, é inegável que ele demonstra ter luz própria quando fala sobre o País – mais do que a escolhida de Lula, que outra coisa não diz a não ser que o seu padrinho é o máximo. Também por isso, talvez, Ciro julga o tucano José Serra “mais preparado, mais legítimo, mais capaz” do que ela.

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2010

às 6:21

Ciro frustra o Planalto e irrita Lula com elogio a tucano

Vera Rosa e Tânia Monteiro – O Estado de S.Paulo

De todas as estocadas do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), a que mais surpreendeu e irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o elogio feito pelo antigo aliado a José Serra, candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Furioso, Lula orientou Dilma Rousseff, concorrente do PT, a não entrar no bate-boca para não jogar mais combustível na crise.

Para Lula, o fato de Ciro ter dito que ele está “navegando na maionese” não passa de “bobagem”, mas a declaração referente a Serra – definido pelo deputado como “mais preparado, mais legítimo e mais capaz” do que Dilma – foi recebida como traição.Em público, Lula não comentou a entrevista de Ciro ao portal iG.

“Estou mudo”, disse ele, ao chegar ontem para a posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso. Longe dos holofotes, porém, não escondeu a contrariedade. No seu diagnóstico, Ciro quebrou o acordo de tudo fazer para ajudar Dilma.

O presidente qualificou a situação como “dolorosa”. A auxiliares, afirmou que não havia chamado Ciro para uma conversa a sós, até hoje, porque aguardava um sinal do PSB. Na prática, não sabia o que fazer. A certa altura, chegou mesmo a achar que ele aceitaria ser candidato ao governo de São Paulo, com o apoio do PT. Era o script combinado.

Depois, quando Ciro começou a bater cada vez mais duro, Lula recebeu da cúpula do PSB a garantia de que a desistência do cearense da disputa presidencial seria “administrada”. O ex-ministro, porém, fugiu do controle. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 20:30

NA TV, CIRO REPETE QUE SERRA É MAIS PREPARADO DO QUE DILMA PARA GOVERNAR O BRASIL E REITERA QUE PT PREPARA DOSSIÊ CONTRA O TUCANO

É… Ciro Gomes foi cem por cento Ciro Gomes na entrevista ao SBT Brasil.

Repetiu tudo o que está no texto assinado por Eduardo Oinegue, publicado no iG, mas negou que tenha concedido uma entrevista ao portal… Vai ver o jornalista desenvolveu o dom da adivinhação. Atacou, como de hábito, José Serra — que trataria, segundo ele, os adversários como inimigos —, mas repetiu que o tucano está mais preparado para governar o Brasil. Num particular, e bastante relevante, Ciro avançou um tanto mais. Já chego lá.

Ciro admitiu que Lula e o PT atuaram para desidratar sua candidatura e voltou a criticar José Dirceu, que teria ido à casa de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), para fazer ameaças: o PT retiraria o apoio a Cid caso Ciro fosse candidato. pelo PSB “Esse [José Dirceu], eu já mandei pastar”.

Dirceu ser um dos coordenadores da campanha de Dilma é, segundo Ciro, um dos erros cometidos pelo PT: “Um desacato ao Judiciário e à opinião pública”. Disse que os primeiros movimentos de Dilma o deixaram arrepiado: a visita ao túmulo de Tancredo e a ida ao Ceará, “sem nem um telefonema”. E emendou: “Não porque eu seja um coronel, mas porque eu sou candidato, caramba!”

Ciro não se disse ainda um não-candidato — já que seu partido toma a decisão oficial na terça-feira —, mas sabe que está fora do jogo. Foi ambíguo sobre o futuro: num dado momento, afirmou que obedecerá às diretrizes do partido; noutro, que vai cantar em outra freguesia, dando a entender que deixa o PSB.

Dossiê
Na “não-entrevista” (!!!) ao iG, Ciro afirmou que o PT recorreria de novo a coisas como o dossiê dos aloprados. Na entrevista ao SBT Brasil, ele se estendeu um pouco mais: deu a entender que o governo já mobilizou o Ministério da Justiça para tentar envolver o candidato do PSDB à Presidência com supostas irregularidades da Alstom.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 19:02

MUDO

Lula, que sempre tem tanto a dizer, de frieira ao uso pacífico da energia nuclear, reagiu assim quando indagado sobre as críticas de Ciro Gomes:

“Estou mudo!”

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:54

CIRO AO VIVO, DAQUI A POUCO. O QUE VIRÁ?

O deputado Ciro Gomes (PSB), que desistiu de disputar a Presidência da República depois de miseravelmente traído por Lula, pelo PT e pelo PSB, será o entrevistado do SBT Brasil, comandado por Carlos Nascimento, daqui a pouco, às 19h30. Vamos ver o que vem.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:48

“QUALQUER DESATENÇÃO, FAÇA NÃO!!!”

(ler primeiros os outros posts sobre Ciro Gomes)

httpv://www.youtube.com/watch?v=tVA8tcNp5eY

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 18:28

‘JÁ LHE DEI MEU CORPO, MINHA ALEGRIA, JÁ ESTANQUEI MEU SANGUE, QUANDO FERVIA, OLHA A VOZ QUE ME RESTA…

Vejam este trechinho de um texto da Folha Online: “Questionado sobre as declarações do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, limitou-se a cantarolar a música “Gota d’Água”, de Chico Buarque…

Volto
Chico é um bobo político e um grande letrista (o que não quer dizer “grande poeta”, que poesia é outra coisa). “Gota d’Água” é uma das suas mais belas criações e dá voz ao amante que, embora fiel, é tratado com desprezo: cedeu ao outro seu corpo, sua alegria, até sua dignidade. No momento em que fala, está por um triz, pronto a explodir, a dar um desfecho “à festa”. Na peça homônima, de Chico e  Paulo Pontes (uma releitura de Medéia, de Eurípedes), a letra assume um significado um tanto distinto. Mas isso não cabe agora.

Ao ser irônico e grosseiro com Ciro Gomes, o presidente do PT não deixa de empregar uma referência pertinente. Metaforicamente, Ciro foi esse amante que entregou tudo ao PT. Até o seu domicílio eleitoral! Segue a letra.

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor,
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Pode ser a gota d’água
Pode ser a gota d’água

Encerro
O que resta a Ciro? A voz! Tomara que ele saiba empregá-la para o bem da democracia brasileira. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:37

LÍDER DE LULA NO SENADO DIZ QUE CIRO AGE COM “IMATURIDADE” E “NÃO ESTÁ AJUDANDO”!!!

Romero Jucá (RR), líder do governo no Senado e membro da bancada de Educação Moral e Cívica do PMDB, também reagiu às declarações de Ciro Gomes:

“Ele virou uma metralhadora giratória e atirou para todos os lados. Está agindo com imaturidade. Eu lamento as declarações dele, especialmente porque o deputado é uma pessoa que pode ajudar muito o País e não está contribuindo, não está ajudando”.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:29

“O tratamento que deram a Ciro não foi leal”

Na Folha Online:
Lideranças do PSDB endossaram nesta sexta-feira as palavras do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de que o tucano José Serra é “mais preparado” para assumir a Presidência da República do que a pré-candidata petista Dilma Rousseff. Além de comemorar as farpas de Ciro disparadas a Dilma, os tucanos também se mostraram surpresos com o fato de um aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticá-lo publicamente –já que Ciro disse que Lula “navega na maionese”.

Na opinião dos oposicionistas, Ciro reagiu depois de ser “escanteado” pelo presidente Lula, que optou por fazer de Dilma a sua candidata. “Ele foi cozinhado grosseiramente, depois percebeu que sequer seria candidato a governador de São Paulo. O tratamento que deram a ele não foi leal”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Para o líder tucano na Câmara, deputado João Almeida (BA), Ciro se “iludiu” com o presidente Lula quando acreditou que seria o candidato da base aliada ao Palácio do Planalto. “O Ciro não entendeu a personalidade do Lula. Achou que seria valorizado, mas o projeto do Lula é a Dilma”, afirmou.

Na opinião de Almeida, as recentes declarações de Lula mostram que o presidente está “cada vez mais distante da realidade”, por isso acha que Lula “viaja na maionese”.

Para Virgílio, as críticas de Ciro beneficiam diretamente a pré-candidatura de Serra ao governo federal. “Com o peso nacional do Ciro, é relevante reconhecer que o melhor para o Brasil é o Serra. Ele não é obrigado a gostar do Serra, mas é importante reconhecer que a eleição com ele seria muito mais interessante do que com a Dilma”, afirmou.

O tucano disse que Ciro errou ao transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, atendendo um pedido de Lula, para que disputasse o governo estadual. Como Ciro insistiu na sua candidatura ao Palácio do Planalto, o PT elevou o senador Aloizio Mercadante (SP) a pré-candidato do partido ao governo do Estado.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:17

COMEÇOU O TRABALHO PETISTA PARA FAZER DE CIRO A GENI

O PT já começou o trabalho de desmoralização do deputado Ciro Gomes (PSB), um precioso aliado até anteontem. Percebam a arrogância contida nestas palavras do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (SP):

“Nós garantimos a ele a possibilidade de sair para o governo de São Paulo, ele não topou. Nós não concordamos com a tese de sua candidatura para a Presidência. Ele que tem que arcar com a política dele; por isso, está sendo muito injusto com o PT e com o presidente”.

Notaram? Generosamente, “ofereceram” a Ciro a possibilidade de se candidatar ao governo de São Paulo!!! E não “concordaram” com a candidatura!!! Ciro e o PSB não foram livres, como se nota, nem para decidir isso.

Vaccarezza está dizendo o seguinte: “Como ele não concordou com a nossa decisão, então tivemos de atropelá-lo. Logo, a culpa é dele. Ele era livre para concordar”.

Eis o PT!

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 17:05

LULA, UM ESPECIALISTA EM ESMAGAR PESSOAS

Na entrevista (ler dois posts anteriores sobre o assunto), Ciro Gomes afirma que pode até se afastar da política. Pois é… Quando brigou com os tucanos de São Paulo, fizeram dele um gigante. Depois de se aliar aos petistas, pode até desistir da política. Ciro precisa repensar que estranha relação é essa em que os inimigos servem para torná-lo grande, e os amigos, para destruí-lo. Não seria o caso de um ajustamento de conduta, de modo que estas duas categorias — aliados e relevância política — possam andar juntas?

Não creio que desista. Mas, caso o faça, poderia se dedicar, quem sabe?, à vida acadêmica. Há um campo de estudo bastante interessante, que jamais será investigado pela “subintelectuália esquerdopata” das universidades: “O que aconteceu, nos últimos 30 anos, com qualquer um que tenha contestado Lula?”

Uma boa pesquisa requer frieza analítica. Mas a experiência pessoal pode ajudar. Dou algumas pistas:
- Lula destruiu todos os seus adversários no sindicalismo, estivessem eles à “esquerda” ou  à “direita”. Sobreviveu quem se dobrou ou se vendeu. Vejam o caso de Joaquinzão, o dito grande pelego do “sindicalismo reacionário”: morreu pobre e abandonado num asilo. Lula, o “progressista e socialista”, é quem é;

- Lula relegou a uma expressão não mais do que regional lideranças de esquerda ou “progressistas” egressas do pré-64, como Leonel Brizola e Miguel Arraes;

- Lula esmagou politicamente todos aqueles que tentaram, quando isso não lhe era pessoalmente conveniente, qualquer diálogo com outras forças políticas. Vejam o que aconteceu com os três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves (José Eudes, Beth Mendes e Airton Soares) com ou Luíza Erundina, que aceitou ser ministra de Itamar Franco;

- Lula desmoralizou, chegando ao poder, as alas à esquerda do partido. Posso até achar que ele fez muito bem, mas elas eram suas aliadas, não minhas, e faziam o discurso histórico do petismo;

- Lula sempre tratou a pontapés qualquer um que ousasse contestar a sua liderança no partido (ou em qualquer outro assunto), como sabe, por exemplo, o senador Cristovam Buarque (DF), hoje no PDT, demitido por telefone;

E Lula, finalmente, trata como inimiga a ser destruída a própria história do Brasil, ao tentar desconstruir a biografia de todos os governantes que o antecederam — em parte, contou com a colaboração de Ciro por um período ao menos.

Nada cresce à sombra de Lula, deputado Ciro Gomes, se não for com a plena concordância do… frondoso Lula! E o que lhe garantiu tal poder? É dono, sem dúvida, de uma notável inteligência política. Isso conta muito. Lidera um partido que se estrutura para substituir a sociedade, não para governá-la. E isso é fundamental. E, não menos importante, o PT tem uma presença maciça na imprensa. E isso não é de hoje. Querem um exemplo até banal? Quem primeiro chamou o Democratas de “demo” e seus membros de “demos” foi o PT. O termo é hoje empregado como linguagem referencial pelos jornalistas — já o vi em títulos na primeira página.

Qualquer político que ambicione ter existência própria, deputado Ciro Gomes, deve se preparar para enfrentar essa máquina em vez de se aliar a ela. O PT entende duas categorias: oposição, que ele tenta destruir por meios lícitos e ilícitos, e subordinação.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 15:43

DADO O MASSACRE DE QUE FOI VÍTIMA, REAÇÃO DE CIRO É SUAVE

(ler primeiro o post abaixo)
A posição de Ciro (ver abaixo), a ser mantida, é serena se comparada àquilo que Lula e o PT fizeram com ele. Jamais vi um aliado tão fiel ser tratado com tamanha descortesia. “Descortesia”? A palavra não cabe porque isso é ofensa de salão. O ex-governador do Ceará foi vítima é de brutalidade mesmo.

E é o que sempre acontece com qualquer um que tente ter uma relação minimamente altiva com o PT e, particularmente, com Lula. Já escrevi que Ciro nunca entendeu a natureza do partido e a raiz intelectual de sua formação, que não compreende um governo de coalizão coisa nenhuma!

Coalizão significa unir as principais forças políticas do país, concentrando-se no que se considera essencial. Os petistas só entendem a relação de subordinação, e aqueles que se juntam a seu “projeto” têm de ter a cara que tem o PMDB lulista, este liderado por gigantes morais como José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.

Ciro foi convidado a fazer parte desse festim e a ter um naco do poder, como um peemedebista qualquer, regalando-se com alguma divisão do governo, onde pode fazer seus pequenos grandes negócios. O deputado do PSB queria mais: queria ser protagonista na política. Não existe esse espaço no PT.

Lula foi esvaziando Ciro com a técnica e a paciência de um taxidermista. Tirou-lhe a vitalidade eleitoral e o encheu de palha, de modo que ele pudesse conservar, durante algum tempo ao menos, a aparência de figura relevante na sucessão. Até que chegou a hora do golpe: a visita de Dilma Rousseff ao Ceará, o que, vamos convir, foi de um desrespeito brutal.

Notem que narrativa interessante: o petista levou Ciro a transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e despachou Dilma para fazer embaixadinha no Ceará. Em suma: deu-lhe de presente o que ele jamais terá — São Paulo — e tentou lhe roubar o que ele tinha: o Ceará. O jornalismo amigo do PT tentou atribuir a visita de Dilma àquele estado a um erro da candidata ou da coordenação de campanha. Bobagem! Pode até ter sido um erro, mas cometido pela cúpula do partido. Nem isso cabe a Dilma decidir. Não custa lembrar que até para evocar palavras de otimismo, como fez no programa do tal Datena, ela recorre a Lula — ou, pior, à mãe de Lula.

A forma como o lulo-petismo trata um aliado dá conta do que esse gente gostaria de fazer com adversários. O escândalo dos aloprados, que Ciro relembra em sua entrevista,  dá uma pista.

O PT tem um norte moral: tudo o que não serve à hegemonia do partido deve ser destruído. E, bem…, no que diz respeito à relação Ciro Gomes-PT (consulte o arquivo do blog), não foi por falta de aviso.

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2010

às 15:09

CIRO: “LULA VIAJA NA MAIONESE; SERRA É MAIS PREPARADO; DIREÇÃO DO PSB NÃO ESTÁ À ALTURA DO DESAFIO DA HISTÓRIA; PT VAI TENTAR OUTRO ESCÂNDALO DOS ALOPRADOS; NÃO ME PEÇAM PARA IR À TELEVISÃO”

Em entrevista a Eduardo Oinegue, do iG, o deputado Ciro Gomes (PSB) rasga o verbo e afirma que “Lula está navegando na maionese”; que o tucano José Serra “é mais preparado, mais legítimo e mais capaz ” de “enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos”; que  o presidente nacional do partido, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, “não estão no nível que a história impõe a eles” e antevê que o PT tentará, de novo, algo parecido com o escândalo dos aloprados. E avisa: “”Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou.”

Trechos da entrevista:
Lula:
“Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz ‘Presidente, tenha calma’. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz”.

Serra
“Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz inclusive de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos.”

PSB
[Eduardo Campos e Roberto Amaral, dirigentes do PSB] “não estão no nível que a História impõe a eles”.

Aloprados
“Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma merda”.

Crise futura
“Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita. Como o PT, apoiado pelo PMDB, vai conseguir enfrentar esta crise? Dilma não aguenta. Serra tem mais chances de conseguir”

Apoio a Dilma
“Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou. Sei lá. Vai ver viajo, vou virar intelectual. Vou fazer outra coisa”.

Por Reinaldo Azevedo
 

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