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Chávez

20/05/2011

às 5:15

Jornalista venezuelano que fazia oposição a Chávez é executado

No Estadão:
O jornalista e ativista político venezuelano Wilfred Iván Ojeda Peralta, de 56 anos, foi morto com dois tiros na cabeça. Segundo autoridades, seu corpo foi encontrado na cidade de La Victoria, na terça-feira. Colunista de um diário local e militante do partido Ação Democrática, de oposição ao presidente Hugo Chávez, ele estava amarrado, amordaçado e encapuzado. A polícia trabalha com a hipótese de execução motivada por vingança.

De acordo com o delegado Alvis Pinto, “as investigações estão bem adiantadas e contam com elementos suficientes para descartar (um eventual) roubo”. Em declarações ao jornal El Aragueño, ele explicou que vários objetos de valor, “como um relógio caro e um anel de ouro” foram encontrados com Ojeda e retificou a informação de que o jornalista teria levado apenas um tiro na cabeça.

O El Universal informou que a investigação do caso tenta descobrir quem seriam os inimigos de Ojeda, que assinava uma coluna de opinião no jornal El Clarín, de La Victoria, e havia desaparecido na segunda-feira. Segundo o diário onde o colunista trabalhava, o corpo apresentava sinais de tortura.

A polícia acredita que ele foi executado próximo do terreno baldio onde o corpo foi encontrado. Sua caminhonete havia sido abandonada. Uma filha de Ojeda contou que ele não aparentava “estar preocupado ou sob pressão” antes de desaparecer, segundo o jornal El Periodiquito. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/05/2011

às 6:41

Farc, Chávez e Correa juntos! Ou: Uma penca de brasileiros estava nos arquivos de narcoterrorista

O material divulgado pelo respeitadíssimo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), da Inglaterra, não deixa a menor dúvida: Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e Rafael Correa, presidente do Equador, mantiveram e mantêm relações umbilicais com os terroristas das Farc. Para os leitores deste blog, evidentemente, isso não é nenhuma novidade. O Beiçola de Caracas permitiu que os narcoterroristas operassem em território venezuelano e lhes prometeu US$ 300 milhões. Pediu ainda que os facínoras treinassem milícias paramilitares para defender o seu governo. Correa aceitou dinheiro dos bandoleiros para financiar a sua campanha presidencial, em 2006.

Isso tudo saiu depois de exaustivos estudos do material que estava nos laptops e nos disquetes de Raúl Reyes, o terrorista pançudo — lembram-se? — que havia montado uma base de operações no Equador, com o consentimento do “financiado” Correa. Ainda anteontem lembrei o caso: a Colômbia “invadiu” o território equatoriano, passou fogo nos facínoras e se apossou dos arquivos de Reyes. Submetido à perícia da Interpol, confirmou-se que eles não haviam sido manipulados.

Isso dá conta do pântano em que se meteu o governo Lula, que liderou na OEA os esforços para condenar a Colômbia. Marco Aurélio Top Top Garcia, o Rei do Tártaro, era o mais assanhado para punir o governo colombiano. Em  entrevista ao jornal francês Le Figaro, em março de 2008, disse que o governo brasileiro era neutro sobre o caráter terrorista das Farc e previu que a Colômbia ficaria isolada na América Latina. O Rei do Tártaro estava empenhado em punir as vítimas.

O Brasil aparece no relatório como um dos países que acabaram enredados nas tramóias entre as Farc e Hugo Chávez. Enredados? Não! O governo Lula e os petistas foram membros ativos da lambança. Como esquecer o inesquecível Garcia, com seu chapéu Panamá, no meio da mata, indo “resgatar” reféns em operações patrocinadas por Hugo Chávez? Vale dizer: o canalha sustentava a bandidagem para posar de libertador de suas vítimas, tendo os brasileiros como coadjuvantes. Quando armas do Exército venezuelano foram encontradas com os narcoterroritas, o que o próprio Chávez admitiu, o megalonanico Celso Amorim afirmou que não havia provas.

Fórum de São Paulo
Tudo muito explicável no fim das contas. Chávez e Raúl Reyes, segundo depoimento do próprio ditador da Venezuela, cujo filme já publiquei aqui, viram-se pela primeira vez no Fórum de São Paulo, de que Lula e Fidel Castro são fundadores. As Farc eram companheiras dos petistas na entidade — oficialmente, estão fora, coisa em que ninguém acredita. O secretário-geral do Fórum, hoje, é o petista Valter Pomar, membro do diretório nacional do PT e ex-secretário de Relações Internacionais do partido.

É o fórum que coordena a “esquerdização” da América Latina. Rafael Correa e Evo Morales foram eleitos com o apoio de Lula; o candidato do grupo no Peru, hoje, é Ollanta Humala. Seus “marqueteiros” são o próprio Pomar e, pasmem!, Luís Favre (ex-Marta Suplicy). A alternativa é Keiko Fujimori, e a melhor saída, o aeroporto… Essa gente é fiel. A posição inflexível do Brasil na defesa do golpista Manuel Zelaya, em Honduras, é parte de uma estratégia dos petistas para a América Latina. Há divergências com Chávez e coisa e tal? Muitas! No essencial, estão juntos.

De volta ao material
O material examinado pelo IISS é rico em referências também ao Brasil, não só à Venezuela e à Colômbia. No dia 31 de julho de 2008, a revista colombiana Cambio publicou uma reportagem em que afirmava que a presença das Farc no Brasil “chegou até as mais altas esferas” do governo brasileiro, ao PT, a líderes políticos e ao Poder Judiciário.

Nos e-mails de “Reyes” — cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia — são mencionados “cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior” brasileiros. Algumas mensagens foram escritas durante o processo de paz da Colômbia, entre 1998 e 2002, “e envolvem um prestigioso juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas brasileiras”. A mesma reportagem diz que “a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT”.

A “Cambio” cita o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu; o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral; a então deputada distrital Erika Kokay (PT); o chefe de Gabinete da Presidência da República na gestão Lula, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência; o então ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim; o Top Top Garcia;  o à época subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano; Paulo Vannuchi, então ministro dos Direitos Humanos e hoje organizador do Instituto Lula, além do assessor presidencial  do governo Lula, Selvino Heck.

A revista afirmou que teve acesso a 85 e-mails de “Reyes” entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008 enviados e respondidos pelo líder máximo das Farc, “Manuel Marulanda”, ou “Tirofijo”, cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín. Ainda segundo a “Cambio”, há mensagens de “Reyes” para o chefe militar das Farc, “Mono Jojoy” (cujo nome verdadeiro é Jorge Briceño), para Francisco Antonio Cadena Collazos (conhecido como padre Olivério Medina e também “Cura Camilo”), que atua como delegado das Farc no Brasil, e de todos eles para dois homens identificados como “Hermes” e “José Luis”.

“Cura Camilo”, preso em São Paulo em agosto de 2005, vivia no Brasil havia oito anos e foi beneficiado com uma proteção especial por ser casado com uma brasileira. Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) concedeu a “Cura Camilo” o status de refugiado, decisão que pesou bastante para o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de extradição para a Colômbia. “Cura Camilo” foi “chefe de imprensa” da guerrilha colombiana no início dos frustrados diálogos de paz em San Vicente del Caguán. O LEITOR DEVE SE LEMBRAR QUE A ENTÃO MINISTRA DILMA ROUSSEFF TRANFERIU A MULHER DO TERRORISTA PARA O MINISTÉRIO DA PESCA, EM BRASÍLIA.

O chamado “dossiê brasileiro” diz que estas mensagens “revelam a importância do Brasil na agenda externa das Farc (…) para dar suporte à estratégia continental da guerrilha”. As Farc, acrescenta a “Cambio”, aproveitaram a conjuntura criada pela chegada de Lula e do PT ao poder para alcançar “as mais altas esferas do governo”.

É isso aí, leitor! Ao longo dia, cumpre lembrar outras intimidades entre todos esses patriotas.

Por Reinaldo Azevedo

10/05/2011

às 5:37

Ausência que preenche um vazio - Em cima da hora,Chávez suspende viagem ao Brasil

Início do conteúdoPor Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, cancelou ontem a visita oficial que faria hoje ao Brasil. A informação foi repassada ao governo brasileiro pelo chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, que chegou na noite de ontem a Brasília. Chávez ficou em Caracas por recomendação médica, para tratar uma lesão no joelho, e poderá passar por uma cirurgia. Ainda não foi marcada uma nova data para a visita.

Seria a primeira reunião de trabalho entre o venezuelano e a presidente Dilma Rousseff desde a posse desta, em janeiro. Na vinda de Chávez ao Brasil, para sua posse, não chegou a haver nenhuma conversa de trabalho entre os dois. Se ocorresse hoje, no entanto, esse encontro deveria terminar com poucos resultados práticos.

Dois dos principais temas que seriam abordados pelos líderes não têm nenhuma solução à vista. Uma delas, a conclusão da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é assunto recorrente entre os dois governos.

Tudo indica, no entanto, que não terá sucesso a intenção venezuelana de obter um empréstimo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA) para que esta faça o investimento necessário na construção da refinaria. O fechamento desse empréstimo depende de um conjunto de garantias que os venezuelanos não conseguiram apresentar - e sem as quais não haverá liberação do dinheiro por parte do banco brasileiro.

No início deste mês, a Petrobrás, que seria sócia da PDVSA na construção, enviou carta à empresa venezuelana estabelecendo prazo até agosto para uma solução. Se até lá não houver acordo, a estatal brasileira deverá assumir sozinha a construção.

Só um terço. O negócio, acertado entre Chávez e o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, nunca foi adiante por falta de recursos da Venezuela. Como só a Petrobrás tocou sua parte, apenas 35% da estrutura da refinaria estão prontos.

Chávez ainda pretendia discutir em Brasília a retomada das negociações para a construção do gasoduto do sul, que iria da Venezuela à Argentina atravessando o Brasil. Caro, com alto impacto ambiental e desnecessário para o Brasil, o gasoduto está longe de entrar na pauta prioritária do País. A esperança do presidente venezuelano é resgatar a simpatia que Dilma Rousseff já teve pelo assunto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

às 6:47

A CONSPIRAÇÃO DOS SÁBIOS

Abaixo, o leitor entra em contato com que a América Latina tem produzido de melhor em matéria de pensamento. Dois líderes exercitam a sua vocação visionária, demonstrando que têm preocupações que vão muito além do nosso pobre planetinha.

Ontem, como já comentamos aqui, Hugo Chávez especulou que o capitalismo andou devastando Marte. Vejam:.

Antes dele, Lula, o nosso Apedeuta, havia exercitado a sua vocação reformista em escala literalmente global.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

às 21:07

Chávez quer dar aula de geografia no Brasil!

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deve estar se candidatando a professor de geografia de uma de nossas escolas. Em tempo: os bons geógrafos não protestem, sim? Eu os estou defendendo de alguns colegas que, em vez de ministrar a disciplina, entregam-se ao proselitismo mais rombudo e a escatologias vagabundas.

Num discurso em homenagem do Dia Mundial da Água, que se comemora hoje, o Beiçola de Caracas afirmou:
“Eu sempre digo, e ouço, que não seria estranho se tivesse existido uma civilização em Marte, mas talvez o capitalismo tenha chegado lá, o imperialismo chegou e acabou com o planeta”.
E avançou:
“Cuidado! Aqui no planeta Terra, onde centenas de anos atrás, ou menos, havia grandes florestas, agora há desertos. Onde havia rios, há desertos”.

O fim de boa parte dos tiranos é a loucura!

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2010

às 22:06

Parlamento concede plenos poderes a Chávez até vésperas de sua sucessão

No Estadão:
A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta sexta-feira, 17, em segundo turno a Lei Habilitante, que dá ao presidente Hugo Chávez o poder de governar por decreto até junho de 2012, cinco meses antes da eleição presidencial de dezembro, quando ele disputará a reeleição.  Durante a discussão no plenário, a presidente da Assembleia , Cilia Flores, propôs ampliar de 12 para 18 meses a duração da lei.

Chávez diz que precisa da Lei Habilitante, um dispositivo previsto na Constituição de 1999 e utilizado por ele em três ocasiões, para amenizar os efeitos das enchentes no país, que afetam 130 mil pessoas. Na quinta-feira, o presidente disse já ter quase prontas as 20 primeiras leis que promulgará assim que o Congresso aprovar o projeto.

De acordo com o projeto de lei, enviado pelo vice-presidente Elias Jaua, Chávez poderá legislar sobre os seguintes temas: atenção às necessidade vitais provocadas pela enchente, infraestrutura e serviços públicos, moradia e abastecimento, ordenação territorial, desenvolvimento e utilização de propriedades urbana e rural, sistema financeiro e tributário, segurança, defesa e  modelo socioeconômico do país.

A presidente da Assembleia defendeu a duração da lei. “A proposta nasceu da preocupação dos afetados. Temos assinaturas do povo apoiando a proposta”,  disse . O projeto deve ser promulgado ainda hoje por Chávez.

Para a oposição, a medida é um artifício do chavismo para driblar a perda da maioria qualificada no Congresso. Na nova legislatura que toma posse em 5 de janeiro, o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV)  terá 95 cadeiras, contra 65 da Mesa de Unidade Democrática (MUD).

A deputada oposicionista Pastora Medina criticou a ampliação. “Isso de precisar de um ano e meio para atender uma emergência mostra a ineficiência do governo”, disse. O atual Congresso tem ampla maioria chavista, devido ao boicote oposicionista às eleições parlamentares de 2005.

Por Reinaldo Azevedo

16/12/2010

às 6:07

Oposição a Chávez denuncia na OEA projetos que “golpeiam democracia”

Por Talita Eredia, no Estadão:
A oposição venezuelana denunciou ontem na Organização dos Estados Americanos (OEA), o pacote de projetos de lei enviado pelo presidente Hugo Chávez à Assembleia Nacional. Entre os projetos está o da Lei Habilitante, que dá a Chávez a prerrogativa de governar por decretos e é um “golpe contra a democracia”. Segundo os opositores, a lei tira o direito dos eleitores de serem representados pelos deputados opositores que foram eleitos em setembro e tomarão posse no dia 5. A Lei Habilitante, que passou na terça-feira pela primeira votação, deve ser aprovada definitivamente hoje.

Desde que perdeu a maioria de dois terços na Assembleia, Chávez iniciou uma corrida contra o tempo para aprovar seus projetos antes que os novos deputados assumam o cargo. Além da lei que amplia os poderes do Executivo, a Assembleia acelera os trabalhos para aprovar outras medidas polêmicas, como a que proíbe doações de estrangeiros diretas para Organizações Não-Governamentais e regulamenta a atuação delas, a lei das universidades e a de telecomunicações. “A Lei Habilitante é inconstitucional e usurpa funções da nova Assembleia”, afirmou ao Estado o cientista político Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela (UCV). “Para enfrentar os problemas provocados pelas chuvas (a justificativa de Chávez para recorrer ao instrumento legal), o governo não tem necessidade de legislar sobre o sistema socioeconômico”, afirma o especialista.

A votação atraiu milhares de estudantes que se reuniram diante do Congresso para protestar contra o projeto de lei que retira a autonomia das universidades públicas e privadas no país, redigido sem consultas à comunidade acadêmica. Partidários de Chávez entraram em confronto com os estudantes durante a manifestação. Os chavistas lançaram pedras e cadeiras contra os manifestantes. Cerca de 30 membros da Guarda Nacional tentaram conter a violência. Pelo menos um jovem ficou ferido no protesto.

Professores universitários apresentaram um projeto alternativo à Assembleia Nacional com 43 mil assinaturas. O documento reconhece a necessidade de modernizar a educação superior venezuelana - a legislação foi escrita na década de 1950 -, mas defende a autonomia acadêmica e administrativa das universidades.

Opacote de leis de Chávez abrange nove áreas em que ele poderá intervir sem mediação parlamentar. Além da ajuda aos desabrigados, o governo incluiu interferências no sistema de infraestrutura, transporte e serviços públicos, habitação, organização territorial, desenvolvimento e uso da terra urbana e rural, setor financeiro e tributário, cooperação internacional e sistema socioeconômico. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2010

às 6:49

Chávez e Evo enviariam urânio ao Irã

Por Andrei Netto, no Estadão:
O Departamento de Estado americano obteve informações em março de 2009 segundo as quais o Irã venderia armas à Venezuela, disfarçando os carregamentos em caixas de materiais eletrônicos. No sentido contrário, suspeitavam diplomatas americanos, Teerã buscaria na Venezuela e na Bolívia urânio para alimentar seu programa nuclear.

As suspeitas foram divulgadas ontem graças a mais revelações de telegramas diplomáticos secretos divulgados pelo site WikiLeaks.

As suspeitas começaram no início de 2006, quando Teerã aproximou-se dos governo do venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales. Desde então, acordos comerciais e a presença de técnicos iranianos em jazidas de minério nos dois países latino-americanos foram esquadrinhados por serviços diplomáticos e secretos dos EUA. Segundo os despachos, isso ocorreu em especial após 2009, quando o ministro de Indústrias venezuelano, Rodolfo Sanz, afirmou que as “proporções geológicas” de seu país indicam que a Venezuela pode “ter importantes reservas de urânio”.

Os telegramas das embaixadas dos EUA em Caracas e Bogotá, revelados pelo site, contêm testemunhos que confirmariam a presença de um total de 57 técnicos iranianos “que não respondem à administração venezuelana” e trabalhariam em órgãos de mineração e geologia.

Os americanos ponderaram ainda que a Venezuela “não tem cientistas qualificados para levar a cabo um programa nuclear”, o que reforçaria a suspeita de colaboração com o programa nuclear iraniano.

A mesma suspeita teria sido levantada por autoridades de Israel, que, em maio de 2009, advertiam os diplomatas americanos que Irã, Bolívia e Venezuela colaboravam entre si na questão nuclear.

Em outros despachos, de março de 2009, o Departamento de Estado americano é informado que o Irã estaria enviando carregamentos de armas e produtos químicos para a Venezuela, por meio da Turquia. “Autoridades venezuelanas esperavam receber um carregamento de veículos aéreos não tripulados (UAV) e de material relacionado do Irã, via Turquia, em maio de 2009. Funcionários venezuelanos acreditavam que o equipamento podia ser embalado novamente e rotulado como equipamento eletrônico, transportado por rodovias do Irã à Turquia. Uma vez na Turquia, seria carregado em um navio de transporte marítimo”, diz um dos documentos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

20/10/2010

às 6:49

Chávez diz por que está com Dilma

Assistam a este vídeo:

Vocês já sabem, claro, que o tiranete Hugo Chávez é admirador de “Dilma RoussOff”. Eu confesso que nunca o tinha visto exaltar o fato de ela ter feito parte do um “movimento que seqüestrou um embaixador ianque”. Huuummm… Uai, gente! Cada um admira certo tipo de virtude, né? É bem verdade que Dilma não estava naquela turma que seqüestrou Charles Elbrick. O bandoleiro está se referindo ao espírito da coisa.

Vejam que interessante. Uma pessoa ao menos entende o que ela fala: Chávez! Ficou impressionado com sua “clareza de conceitos e sua profundidade”. É que ele não sabe português…

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2010

às 15:33

Celso Amorim: como distorcer a realidade e influenciar (algumas, cada vez menos) pessoas…

Leiam o que vai na Folha Online. Volto em seguida:

Por Cristina Fibe:
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, no início da tarde desta segunda-feira que o resultado das eleições legislativas na Venezuela é “bom para a democracia na nossa região”. “Foi uma eleição democrática, livre, e o presidente Chávez, que aparentemente usa muito o Twitter, já disse que vai respeitar o resultado. Eu acho que isso é bom para a democracia na nossa região, é um avanço”, disse Amorim à imprensa em Nova York, onde participa da 65ª Assembléia Geral da ONU.

O chanceler disse ainda achar “muito bom que a oposição tenha decidido participar desta vez, porque isso leva a um diálogo. Quando houve essa atitude anterior, do boicote - é claro que não temos que dar palpite no que eles decidem -, mas não é positivo para a democracia”. Para o ministro, a América do Sul está “caminhando na direção certa. Os países todos têm presidentes eleitos e parlamentos funcionando”. De acordo com os últimos dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, os eleitores de Caracas deram mais votos às legendas da oposição, representadas pela coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD), do que aos partidários de Hugo Chávez.

Segundo o jornal ‘El Universal’ a diferença é apertada, com apenas 741 votos a mais para os opositores, mas, mesmo assim, envia um sinal a Hugo Chávez de que a ’solidez’ do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) já enfrenta mais obstáculos do que antes. O último balanço das urnas publicado pelo CNE dá 95 assentos ao PSUV, 61 aos opositores e 2 a outros partidos. Apesar de ter conquistado mais cadeiras no Parlamento do que a oposição, os chavistas perderam a maioria qualificada, o que deve dificultar a aprovação de leis e reformas propostas pela revolução bolivariana.

No Estado de Zulia, onde a oposição venceu 12 dos 15 assentos disponíveis, o governador Pablo Perez atribuiu a vitória à decisão da MUD de apresentar somente um candidato à cada uma das 165 vagas disputadas no Parlamento. ‘Nós mostramos à Venezuela que podemos vencer se estivermos unidos’, disse.
(…)

Comento
A eleição não foi nem “democrática” nem “livre”, uma vez que a oposição teve de enfrentar severas restrições impostas por Hugo Chávez, que detém hoje, na prática, o monopólio da televisão, onde fala imodestas quatro horas por dia. Quando Amorim afirma que Chávez “vai respeitar o resultado”, deixa claro que, se quisesse, poderia não respeitar. Esse gênio da raça deve acreditar que isso depõe a favor do espírito democrático do tiranete… TEnha paciência!

Amorim diz ainda que a América Latina está no caminho certo, uma vez que “os países todos têm presidentes eleitos e parlamentos funcionando”. Uma ova! Não são condições suficientes para atestar apreço pela democracia. A imprensa, por exemplo, enfrenta formas variadas de censura na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina e Nicarágua — para não falar, obviamente, da tirania Cubana, onde o presidente não é eleito por ninguém.

O resultado da eleição parlamentar na Venezuela é, sim, auspicioso. Representa um ganho importante para os democratas daquele país, opositores de Chávez e, dados os alinhamentos da América Latina, adversários de… Celso Amorim!

Por Reinaldo Azevedo

27/09/2010

às 6:35

Venezuela: oposição supera expectativa e elege um número de deputados que lhe permite frear Hugo Chávez

Os Venezuelanos foram às urnas ontem para eleger os 165 representantes da Assembléia Nacional. O país tem um regime unicameral. Segundo dados oficiais, votaram 66,5% dos 17,7 milhões de eleitores. Às 2h, o Conselho Nacional Eleitoral divulgou um balanço, com a apuração quase concluída: O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Hugo Chávez, elegeu 94 representantes; a Mesa da Unidade, frente oposicionista que reúne vários partidos, ficou com 60 cadeiras, e o Pátria Para Todos fez dois representantes. Três outras vagas são ocupadas por comunidades indígenas, que não são oficialmente ligadas a partidos. Seis cadeiras ainda aguardam definição nesta madrugada.

O objetivo dos oposicionistas, nesta eleição, era conseguir ao menos 54 representantes para tirar do tiranete os dois terços que lhe permitem aprovar o que lhe dá na telha.  Alcançaram com sobra. Faltando definir seis cadeiras, a Mesa da Unidade já ultrapassou a sua meta.

Os venezuelanos escolheram também os representantes para o Parlamento Latino-Americano. Nesse caso, houve um empate: tanto o partido de Chávez (46,62% dos votos) como a oposição (45,1%) fizeram cinco deputados.

O sistema de votação é eletrônico. Os resultados, no entanto, demoraram a ser divulgados, o que levou os oposicionistas a desconfiar de fraude. Representantes da Mesa afirmaram ontem estar seguros de que obtiveram pelo menos 52% dos votos em todo o país.

Seja como for, o resultado é formidável. Como lembra o Washington Post em editorial, apesar do domínio que Chávez tem dos meios de comunicação e do pesado uso da máquina nos distritos eleitorais, a oposição passa a ter força para pôr um freio em suas iniciativas mais radicais. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2010

às 6:51

A nova cena venezuelana

Leia Editorial do Estadão:
Uma combinação tóxica de retrocesso econômico, inflação acelerada e criminalidade incontida deverá subtrair do caudilho Hugo Chávez nas eleições legislativas de 26 de setembro próximo o controle absoluto que exerce desde 2005 sobre a Assembleia Nacional, o Parlamento venezuelano. Naquele ano, a oposição cometeu o erro monumental de boicotar a votação, para não conferir legitimidade à disputa nem ao colegiado que dela resultaria, com previsível maioria chavista.

Com isso, o autocrata pôde contar quantas vezes quis com o endosso parlamentar aos seus projetos de edificação do regime bolivariano sobre as ruínas do estado democrático, ou, como ele diria, o entulho das liberdades burguesas. Por exemplo, a Assembleia transformou em letra morta o resultado - adverso aos desejos de Chávez - do plebiscito de 2007 sobre a reforma constitucional que lhe daria a oportunidade de se tornar presidente vitalício, ao permitir que se recandidatasse indefinidas vezes.

Objetivamente, o lado bom disso - embora não para o aqui e agora dos venezuelanos - foi a comprovação de que, à vontade para mandar e desmandar, Chávez apenas conseguiu empilhar desastres nas mais diversas áreas de atuação do governo. De tal modo devastou as finanças públicas que foi obrigado até a cortar gastos com os programas sociais que seriam o porta-estandarte do seu pretenso socialismo do século 21.

A deterioração da economia e da infraestrutura venezuelanas, com a destruição da capacidade produtiva nacional, a falta de alimentos e o racionamento de energia - em um país que flutua sobre um mar de petróleo -, se exprime em números devastadores. As reservas internacionais venezuelanas, em queda acentuada, não passam hoje de US$ 13,1 bilhões. A Venezuela vive o segundo ano consecutivo de recessão, sem indícios de retomada à vista.

À queda de 3,28% do PIB em 2009 deverá se somar um novo naufrágio, estimado entre 3% e 6% negativos, na contramão da maioria das economias emergentes. O que aumenta na república chavista são a inflação e a violência. No ano passado, os preços subiram 25%. A previsão para 2010 é de 40%. A criminalidade - a maior preocupação dos venezuelanos - supera a de qualquer outro país da América do Sul. No decênio terminado em 2009, o número de assassínios por ano praticamente quintuplicou, chegando a 19 mil.

De janeiro a julho último, Caracas registrou a média de 140 homicídios por 100 mil habitantes. Em São Paulo, para se ter ideia, a proporção é da ordem de 11. Calcula-se que 1 em cada 5 policiais está mancomunado com o crime. Em meio a tantas desgraças, não admira que a lona do circo chavista esteja cedendo. A popularidade do caudilho caiu de 70% em 2008 para 36% essa semana. A sua aprovação é ainda majoritária apenas na classe E, no piso absoluto da pirâmide social. Quase 60% dos venezuelanos de todas as classes culpam Chávez pessoalmente por suas agruras.

Em tese, esse quadro deveria mudar acentuadamente a distribuição das 163 cadeiras da Assembleia Nacional. Nas pesquisas, entre os eleitores que já firmaram a sua intenção de voto nas eleições de 26 de setembro, a Unidade Democrática, uma coalizão de 16 partidos antichavistas, somada às legendas independentes, bate o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), do governo e seus aliados, por 14 pontos. Na realidade, essa vantagem pode não se traduzir na relação de forças das bancadas parlamentares.

Isso porque, além do sistema de voto distrital adotado no país, que tende a distorcer a relação entre sufrágios recebidos e cadeiras conquistadas, Chávez espertamente fez aprovar uma reforma eleitoral - na verdade, um casuísmo - que modificou a composição das circunscrições eleitorais e reduziu a representação parlamentar dos oito Estados mais populosos, governados pela oposição. Com isso, ainda que não recorra à fraude, o autocrata poderá ter no Congresso a maioria que lhe faltar nas urnas.

De todo modo, tudo indica que não reterá a maioria absoluta dos assentos com a qual tem podido aprovar as emendas constitucionais que dão um simulacro de legitimidade ao seu projeto totalitário. Um ano antes da próxima eleição presidencial, isso significa muito.

Por Reinaldo Azevedo

08/08/2010

às 6:17

Empresas brasileiras podem pagar caro por terem acreditado em Chávez e em… Lula!

Leia editorial do Estadão deste domingo:
Empresas brasileiras poderão pagar caro por haver acreditado no presidente Hugo Chávez e, mais que isso, por ter levado a sério o entusiasmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao companheiro bolivariano, grande arauto do socialismo do século 21. A Braskem já sabe onde se meteu e retirou 25 das 30 pessoas que mantinha na Venezuela para tocar dois projetos no valor de US$ 3,5 bilhões. O investimento seria realizado em associação com a estatal Pequiven, mas o governo venezuelano descumpriu sua parte, segundo uma fonte conhecedora do assunto, citada por nossa enviada a Caracas, Patricia Campos Mello. Companhias exportadoras descobriram bem mais cedo o risco enorme dos negócios com o mercado venezuelano. Já ocorreram muitos atrasos de pagamento e o perigo do calote é considerável, porque os importadores dependem de um sistema de câmbio sujeito a controle oficial e a decisões arbitrárias.

Empresas brasileiras ficariam livres do risco de estatização, segundo prometeu o presidente Hugo Chávez a seu amigo Lula. A promessa foi feita logo depois da desapropriação de uma indústria de capital argentino. E foi recebida sem sinal de indignação pela presidente Cristina Kirchner. Ela e seu marido também têm sido aliados muito próximos do chefão bolivariano. Mas parte do empresariado argentino teve uma reação à altura do ultraje e acusou seu governo de usar a parceria com Chávez para se vingar de desafetos. Agora é a vez de brasileiros perderem o sono por causa da ameaça de desapropriação.

Uma nova lei permitirá ao governo venezuelano confiscar equipamentos e apropriar-se de obras públicas paralisadas ou atrasadas. O projeto foi aprovado pela Assembleia Nacional em primeiro turno e deverá ser aprovado também no segundo, porque o Legislativo é controlado pelo governo.

“Se for aprovada, a lei poderá ser um enorme problema para empreiteiras brasileiras”, disse o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela, Fernando Portela. Empreiteiras brasileiras, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, estão envolvidas em grandes empreendimentos na Venezuela e sujeitas, portanto, às variações de humor de um chefão autoritário.

Mesmo agora, a única segurança dessas empresas é a proximidade entre os presidentes Chávez e Lula. Mas o mandachuva bolivariano poderá investir contra empresas brasileiras, a qualquer momento, quando julgar necessário para manter a ascendência sobre uma população cada vez mais sacrificada pela inflação, pela escassez de comida, pelos apagões e por uma prolongada crise econômica. Neste ano, só dois países da América Latina e do Caribe devem permanecer em recessão. Um deles é o Haiti, muito pobre e ainda sob os efeitos de um devastador terremoto. O outro é a Venezuela, nação rica em petróleo e com grande potencial de desenvolvimento, mas devastada por um governo irresponsável.

No ano passado o PIB venezuelano diminuiu 3,3% e a inflação ficou pouco acima de 25%. Os preços continuam subindo aceleradamente e a economia encolhe. O governo desviou os petrodólares ganhos em tempos de prosperidade para armar o país, transferir renda sem criar empregos produtivos e distribuir favores a aliados estrangeiros.

Nesse jogo, negligenciou a produção de petróleo e destruiu boa parte da economia. Foi preciso aumentar a importação de alimentos, mas nem o produto importado chega aos consumidores. Neste ano, milhares de toneladas de comida - algumas estimativas indicam 130 mil - apodreceram em contêineres.

Enquanto o país afunda, Chávez continua tentando criar inimigos externos. Ao mesmo tempo, recorre a truques macabros, como a exumação e a exibição dos ossos de Simón Bolívar, numa tentativa, talvez, de vincular sua morte - possivelmente por envenenamento - a uma conspiração da oligarquia colombiana do século 19.

Se o país de Chávez se tornar sócio pleno do Mercosul, como deseja o amigão Lula, o chefão bolivariano poderá ampliar o alcance de sua ação desagregadora. Mas alguns empresários brasileiros - poucos, é verdade - também apoiam essa insensatez. Talvez os novos desmandos cometidos na Venezuela possam mostrar-lhes o tamanho desse erro.

Por Reinaldo Azevedo

03/07/2010

às 7:23

Chávez ameaça apoderar-se de ações da última emissora crítica ao governo

No Estadão Online:
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou ontem “recuperar” as ações da Globovisión, canal de TV de oposição e um dos poucos que ainda criticam abertamente o governo. Acusados pela Justiça chavista, dois principais acionistas da emissora, Guillermo Zuloaga e Nelson Mezerhane, estão foragidos.

Mezerhane é dono do Banco Federal, que sofreu intervenção do governo em junho. Humberto Ortega Díaz, ministro para Bancos Públicos da Venezuela, alegou que a instituição tinha “problemas de liquidez”. Ontem, Chávez disse que o empresário fugiu do país com US$ 1,6 bilhão, dinheiro que pertenceria a 600 mil clientes de seu banco, incluindo o Estado venezuelano.

A procuradoria venezuelana solicitou na quinta-feira a prisão de Mezerhane por irregularidades financeiras. Quando foi anunciada a intervenção no Banco Federal, ele estava em Miami e disse que não voltaria à Venezuela. Autoridades já confiscaram um iate e duas lanchas do empresário e pediram à Interpol que ajude na busca.

Zuloaga, outro dono da Globovisión, desapareceu no mês passado após a emissão de um mandado de prisão contra ele e seu filho. Eles são acusados de guardar de maneira ilegal 24 automóveis importados para especulação. O empresário, que é dono de várias concessionárias de carros de luxo, nega a acusação e diz que ela tem motivação política.

“Esperarei um tempo para ver se os donos da Globovisión aparecem. Pensarei no que fazer com esse canal, porque os donos andam fugindo da Justiça”, afirmou Chávez. “Parece que o Estado terá de recuperar as ações do canal como compensação pelo dinheiro que seus donos levaram.”

Ameaças. Para o cientista político Alfredo Ramos Jimenez, do Centro de Investigações em Políticas Comparadas da Universidade dos Andes, as ações mostram a radicalização do governo Chávez. “O presidente está muito incomodado com as críticas que vem recebendo da imprensa por causa do escândalo dos alimentos”, disse Jimenez ao Estado.

Ele se refere à descoberta, em junho, de cerca de 100 mil toneladas de carne estragada dentro de contêineres que o governo venezuelano havia importado. A carga deveria ter sido vendida a baixo preço na Venezuela. Chávez ficou em uma situação constrangedora, já que culpava os especuladores pela falta de produtos nos supermercados do país.

Coma proximidade das eleições legislativas, marcadas para setembro, Chávez estaria tentando conter as críticas para obter maioria na Assembleia Nacional - hoje, em razão do boicote da oposição, em 2005, ele domina quase todo o Parlamento.

No entanto, segundo analistas, dificilmente ele conseguirá uma maioria qualificada de dois terços do Legislativo. “Isto deve diminuir bastante os poderes de Chávez nos próximos anos”, afirmou Jimenez, que não aposta em uma estatização da Globovisión. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2010

às 6:05

VENEZUELA: O LIMITE DO INTOLERÁVEL

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:

A repressão aos meios de comunicação na Venezuela tende a aumentar com a aproximação das eleições legislativas, marcadas para setembro. A advertência foi feita pela relatora especial sobre liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Catalina Botero, durante uma audiência ontem no Congresso americano. Para Catalina, a Venezuela está “correndo muito rápido em direção a um limite intolerável”.

“Eu espero que a repressão não cresça. Mas vejo o aumento das ameaças. As coisas tendem a ficar pior”, afirmou. “Mas ainda é possível parar esse processo”, disse Catalina, ao ser questionada por legisladores americanos.

A visão da CIDH sobre o tema foi reiterada pelo empresário Marcel Granier, presidente da RCTV, rede de televisão que perdeu o direito de transmissão, em 2006, por decisão do presidente Hugo Chávez. Granier disse que os sinais de uma repressão mais forte já estão sendo sentidos. Com exemplos, citou a condenação arbitrária do jornalista Francisco Pérez, que denunciou um esquema de nepotismo, e a ordem de prisão contra Guillermo Zuloaga, presidente do canal Globovisión.

“A situação vai piorar até as eleições”, afirmou. “Com a prisão de Pérez, o governo dá uma mensagem para que jornalistas não opinem. No caso de Zuloaga, a mensagem é para as empresas controlarem repórteres.”

Três horas antes do início da audiência no Congresso, o embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, Jorge Valero, já reagia e tentava desqualificar a sessão. “É um show político montado pelos setores mais reacionários dos EUA, em aliança com o golpismo da Venezuela.”

Por Reinaldo Azevedo

17/06/2010

às 6:03

Opositor vê plano do chavismo para inviabilizar eleição

Por Gabriela Moreira, no Estadão:
Um dos principais opositores ao governo de Hugo Chávez, o governador do Estado venezuelano de Carabobo, Henrique Fernando Salas Feo alerta para a possibilidade de as eleições legislativas de setembro não ocorrerem. Salas, presidente do Projeto Venezuela, partido de centro-direita, diz que medidas como a intervenção no Banco Federal fazem parte de uma estratégia de agravamento da situação econômica e social do país, para a formação de um cenário que inviabilize a realização das eleições.

“O governo nacional está tomando decisões que agravam a recessão e aumentam o caos social, como intervenções bancárias, a desvalorização cambial, perseguições políticas e expropriações de empresas privadas “, disse Salas Feo, ontem, em entrevista ao Estado, no Rio. O adiamento das eleições, afirma, seria uma estratégia para esvaziar a oposição, que, desde a votação de 2008, vem ganhando espaço no país. “Nós ganhamos em seis Estados (Carabobo, Zulia, Táchira, Miranda, Caracas e Nueva Esparta). Juntos, representamos 60% da população.

Com uma expectativa de inflação anual, segundo o governador, que deve ficar entre 35% e 40%, Salas afirma que o país enfrenta o “pior momento econômico e social”. “Este é o pior momento dos 12 anos de Chávez. Agora, a população vê que, por trás dos ideais, escondem-se interesses de enriquecimento pessoal.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/05/2010

às 21:07

CHÁVEZ LANÇA A TEORIA DA INVEJA DE QUEM NÃO TEM O BIG STICK

Já sabemos que Lula, como é mesmo?, é candidato a secretário-geral da ONU. Também estamos cientes de que um ministro de Lula emitiu uma opinião em off - um pequeno passo na delinqüência intelectual, mas um grande recuo para o jornalismo - segundo a qual foi FHC quem acabou impedindo Obama de visitar o Brasil, justamente porque é amigo de Bill Clinton, marido de Hillary.

Hugo Chávez, o aliado de sempre de Luiz Inácio Lula da Silva, iluminou um outro aspecto da questão. E falou em “on” mesmo; o coronel não tem dessas frescuras.  Para Chávez, estaríamos diante de uma espécie de “inveja do pênis ao contrário”.  Explico-me. Hillary estaria com inveja de Lula, ou seja, inveja de quem não tem o “big stick”…  Tem, isto sim, é uma “big tongue”… da mironga do kabuletê!!! Leiam o texto da Agência Brasil.
*
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na tarde de hoje (25) em Buenos Aires, que não é o Irã que precisa de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) devido ao seu programa nuclear e, sim, os Estados Unidos. “Eles [EUA] invadiram o Iraque e desrespeitaram muitas resoluções da ONU. Os Estados Unidos estão com ciúmes porque o Sul existe”, afirmou Chávez.

Chávez afirmou ainda que o acordo assinado pelo Irã, pelo Brasil e pela Turquia tem de ser comemorado. “A diplomacia é uma grande jornada da América Latina e da União das Nações Sul-Americanas [Unasul] e, sobretudo, do presidente Lula, que é um grande estadista e um líder mundial”.

Pelo acordo, o Irã concordou com a troca de 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5% por combustível nuclear enriquecido a 20% necessário a suas pesquisas médicas. O Irã também já enviou uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) contendo todos os detalhes do acordo assinado com o Brasil e a Turquia.

Na opinião do presidente venezuelano, as pressões dos Estados Unidos para que o Conselho de Segurança da ONU aprove novas sanções contra o Irã são consequências da “inveja que [a secretária de Estado] Hillary Clinton tem do Lula”.

Chávez está em Buenos Aires para participar, junto com outros presidentes, das cerimônias que marcam o Bicentenário da República da Argentina. Um jantar reunindo 200 convidados nacionais e internacionais está marcado para a noite de hoje, na Casa Rosada, sede do governo.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2010

às 16:58

CHÁVEZ E O TERRORISMO: OS PANOS QUENTES

Da Agência EFE. Comento em seguida:
O chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, afirmou nesta terça-feira, 2, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, demonstrou “vontade de cooperar” para esclarecer as acusações de que o governo de Caracas teria ajudado o grupo separatista ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a estabelecerem uma aliança.

Moratinos informou que manteve uma conversa telefônica com Chávez no final da noite da segunda-feira e que o líder venezuelano afirmou ter “rejeição” ao conteúdo das acusações, feitas por um juiz da Espanha, além de ter manifestado desejo de afastar “totalmente” as dúvidas sobre sua suposta cooperação com a ETA.

O ministro espanhol falou sobre o assunto em entrevista coletiva em Yerevan, capital da Armênia, país que visita na condição representante da União Europeia, que atualmente é presidida pela Espanha.

Segundo Moratinos, a Espanha reagirá assim que a Venezuela der as explicações que o chefe do Executivo, José Luis Rodríguez Zapatero, reivindicou após as acusações. O chefe da diplomacia espanhola também falou com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, que adotou postura semelhante à de Chávez.

Além de expressar sua rejeição às acusações e disposição a esclarecer o assunto, Maduro disse que acredita que o caso não vai afetar as boas relações entre os dois governos.

Na segunda-feira, Chávez negou o envolvimento da Venezuela sobre uma suposta cooperação com os movimentos armados da Espanha e da Colômbia. “Nós não apoiamos as Farc e a ETA, nem as guerrilhas e nem o terrorismo”, disse o venezuelano após se encontrar com o novo presidente do Uruguai, José Mujica.

Chávez ainda disse que sua relação é “com todos os governos do mundo”, inclusive o da Espanha, ao mesmo tempo que ironizou as denúncias que o vinculam com grupos armados internacionais. “Foi dito que há células do Hezbollah na Venezuela, quase que Osama Bin Laden chegou lá e ainda dizem que construímos uma bomba atômica com o Irã. Isso é para rir, e espero que as pessoas inteligentes desse mundo tratem essas informações como devem ser tratadas”, disse.

O auto do juiz Eloy Velasco assinala que há indícios de cooperação da Venezuela com uma suposta aliança estabelecida entre a ETA e as Farc, que tinham intenção de atentar, na Espanha, contra altos cargos da Colômbia, incluindo o presidente Álvaro Uribe. Velasco enviou a Moratinos um documento que foi repassado à Venezuela, requisitando formalmente as explicações das autoridades do país sobre a suposta colaboração.

Comento
Moratinos, lamento dizer, não é flor que se cheire — ou melhor: pertence à florada “progressista” dos Partido Socialista da Espanha e tem simpatia mais do que indiscreta por esses governos latino-americanos que resolveram reinventar a roda da democracia. A sua fala em relação a Chávez, como se nota, é bastante mansa. Típica de um ministro das Relações Exteriores?

Mais ou menos, né? Ele esteve entre aqueles que não tiveram nenhuma moderação quando se tratou de condenar Honduras por ter posto para correr o golpista chavista Manuel Zelaya. Não chegou a ser, assim, um Celso Amorim — porque o próprio Chávez quase se vê obrigado a recomendar calma ao nosso nanico radical —, mas não ficou muito longe.

Quanto à acusação em si, vamos botar as coisas em seu devido lugar. Há indícios de conluio entre os chavistas e o terroristas do ETA. No caso dos vínculos com as Farc, há mais do que isso: há provas. E que não surgiram na investigação feita por autoridades espanholas. Armas privativas do Exército da Venezuela foram apreendidas com os terroristas da Colômbia. Há correspondência entre os terroristas relatando a negociação com militares próximos a Chávez.

Quem dá suporte a uma grupo terrorista dá suporte ao terrorismo. Como diria Lula, nessas coisas, a gente tem de ser “muito simples”…

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2010

às 4:37

JUIZ ESPANHOL ACUSA CHÁVEZ DE CUMPLICIDADE COM TERRORISMO DAS FARC E DO ETA

Caros, vai o texto em espanhol, mas dá para entender perfeitamente bem:

Por Yoldi, no El País:
La Audiencia Nacional tiene indicios de que hubo una “cooperación gubernamental venezolana en la ilícita colaboración entre las FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) y ETA”, especialmente por medio del etarra Arturo Cubillas Fontán, responsable del colectivo de ETA en esa zona de América y que en 2005 fue nombrado director adscrito a la Oficina de Administración y Servicios del Ministerio de Agricultura y Tierras de Venezuela. Así consta en el auto del juez Eloy Velasco, que ha procesado por tenencia de explosivos, colaboración con banda terrorista y conspiración para cometer homicidios terroristas a seis presuntos miembros de ETA y siete de las FARC.

ETA se comprometió a localizar objetivos terroristas para las FARC en España

El magistrado ha remitido su resolución a los ministerios de Asuntos Exteriores y de Interior españoles para que realicen gestiones ante las autoridades cubanas y, especialmente, ante las venezolanas, para que éstas cooperen y procedan a la extradición de algunos de los procesados, en especial Cubillas, “pues obran diligencias en este procedimiento que ponen de manifiesto la cooperación gubernamental venezolana en la ilícita colaboración entre las FARC y ETA”.

Ayer mismo, el ministro Miguel Ángel Moratinos llamó a Chávez para pedir explicaciones sobre esta cuestión.

Cubillas, responsable del colectivo de ETA en Venezuela, participó de forma decisiva, según el auto, en la intensificación de contactos entre ETA y las FARC. Por un lado, varios miembros de ETA recibieron cursos de adiestramiento militar en campamentos de las FARC en la selva colombiana y, como contrapartida, ETA se comprometió a la localización en España de objetivos de acción terrorista por parte de los colombianos. Así, entre los citados objetivos figuraban el ex presidente colombiano Andrés Pastrana; la ex embajadora en España Noemí Sanín Posada; el ex candidato presidencial y dos veces alcalde de Bogotá Antanas Mockus; el vicepresidente Francisco Santos y otros cargos políticos y militares colombianos contra los que iban a atentar durante su estancia en España. Más adelante, a la lista añadieron el periodista y ex guerrillero del Ejército Popular de Liberación ya fallecido Bernardo Gutiérrez; el senador Carlos Ardile e incluso en la última etapa, al propio presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Entre marzo y septiembre de 2000, el miembro de las FARC Victor Ramón Vargas Salazar, Chato, siguiendo instrucciones del dirigente de la organización terrorista Edgar Gustavo Navarro Morales, El Mocho, viajó a España en dos ocasiones para realizar vigilancias de la Embajada colombiana en Madrid y para controlar los itinerarios de Pastrana.

El auto del juez Eloy Velasco destaca que dos etarras, Ignacio Domínguez Achalandabaso, Txomin, y otro apodado Martín Capa, impartieron un cursillo terrorista en la selva venezolana, en una finca cercana a Guadalito, en el Estado de Apure. Fueron unos 20 días en jornadas de dos horas a 13 miembros de las FARC y a otros siete del FLB, todo bajo la dirección del comandante Pizarro, sobre técnicas avanzadas de manejo del explosivo C4, un plástico de mayor capacidad destructiva que la dinamita, pero de menor volumen, de fácil adquisición en Venezuela. Domínguez se encargó del adiestramiento de la iniciación de los explosivos por medio de teléfonos móviles.

El curso fue repetido a miembros del denominado Bloque Caribe de las FARC y al mismo, según la resolución del juez Velasco, “acudieron viajando por tierra vía Maracaibo, con el conocimiento y la compañía de una persona que vestía chaleco con escudo de la DIM (Dirección de Inteligencia Militar, de Venezuela) y de un vehículo escolta con militares venezolanos”. El curso fue gestionado y organizado por Arturo Cubillas, por parte de ETA, y Remedios García Albert, La Médica, miembro de la comisión de las FARC que despachaba con el comandante Luciano Martín Arango, Iván Márquez, y Omar Arturo Zabala, Lucas Gualdrón.

Los etarras Carlos, identificado como José María Zaldúa Corta, Aitona, y otro apodado Schumacher, cuya identidad no ha sido establecida todavía, también impartieron cursos a miembros de las FARC sobre la aplicación de técnicas de guerrilla urbana, uso de explosivos y la confección de artefactos activados por movimiento o mediante móviles.

En 2003, los cursos fueron impartidos por guerrilleros de las FARC a cuatro integrantes de ETA sobre fabricación y utilización de morteros tipo JOTAKE.

Gran parte de la información se ha obtenido de los documentos intervenidos al jefe de las FARC Raúl Reyes, muerto en enfrentamiento con el ejército colombiano el 1 de marzo de 2008 en un campamento en la frontera con Ecuador.

Los procesados, para los que se ha ordenado la prisión y busca y captura internacional, son: Arturo Cubillas Fontán, José Ignacio Echarte Urbieta, José Ángel Urtiaga Martínez, José Miguel Arrugaeta San Emeterio, Ignacio Domínguez Achalandabaso y José María Zaldúa Corta, por parte de ETA; y Emiro del Carmen Ropero Suárez, Rodrigo Granda Escobar, Víctor Ramón Vargas Salazar, Edgar Gustavo Navarro Morales, Luciano Martín Arango y Omar Arturo Zabala Padilla, por parte de las FARC. Remedios García Albert, que reside en España, ha sido citada a declarar el próximo 24 de marzo.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2010

às 16:20

Jornalismo e penúria

Um amigo jornalista me disse dia desses que eu não deveria contestar abertamente outros jornalistas porque esse tipo de coisa só gera animosidade etc. e contribui para criar a meu respeito uma imagem de irascibilidade que não corresponderia à verdade e tal. Pois é. Como já disse, pouco me importa o que digam a meu respeito. Jornalistas, especialmente colunistas, tiram boa parte de suas virtudes da crítica ao comportamento alheio, especialmente de políticos. E, ora, ora, fazem parte do debate público também. Por que não podem ser contestados, ter o nomezinho ou nomezão devidamente citado? Aparecer aqui, diga-se, não deixa de ser uma deferência deste escriba.  Gente que sei escrever a soldo, bem, essa turma eu ignoro. Excluo até os comentários que a eles se referem. Adiante.

O camarada Emmanuel Goldstein, da Vanguarda Popular, ponta de lança da revolução proletária, acaba de ser superado no domingo por Eliane Cantanhêde, articulista da Folha. E, por isso, escrevo este texto em reconhecimento a seu (dela) trabalho. Por pouco, muito pouco, ela não rouba, no meu coração, o lugar que cabe à minha sereia -  aquela, metade deusa, metade galochas. E nesse caso? Por que não cito o nome? Porque eu e Petrarca temos direito a momentos de lirismo. Leiam este parágrafo extraído da sua coluna de domingo:
“Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul e planejou investimentos externos e a conversão dos fabulosos lucros do petróleo na transformação da sociedade e da quase inexistente planta industrial. O messianismo bobo, porém, afundou todos esses sonhos.

Cabe uma explicação. Cantanhêde era, assim, uma das nossas mais entusiasmadas propagandistas do bolivarianismo. Não! Não o fazia por dinheiro — saibam que há canalhas no subjornalismo e na academia que ficaram ricos defendendo Chávez. No seu caso, o alinhamento era mesmo, ou é, intelectual.  Fiquei comovido, quase fui às lágrimas, quando li que “Chávez fez uma faxina na Venezuela”. É verdade! Ele varreu do país o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público, a oposição, o direito de defesa, o habeas corpus e até o Executivo! Faxina completa!!! A Venezuela ficou limpa dessas sujeiras típicas da democracia. Mais: observem que a “faxina” aparece como uma ação encadeada com o fato de ter “virado as costas para os EUA”.

Agora entendo a sua simpatia pelo regime, cujo declínio ela lamenta: Cantanhêde sabe onde se encontra a “planta industrial” criada por Chávez. Está, presume-se, em local mais secreto do que as armas de destruição em massa de Saddam. Também a sociedade foi transformada. Antes, capitalistas asquerosos exploravam o pobre povo venezuelano. Chávez se organizou para fazer isso sozinho — ou em companhia de seus “boliburgueses”.

Qual é o defeito de Chávez? Ah, o “messianismo bobo”. Cantanhêde diz “messianismo bobo” como quem diz: “Hoje é domingo, pede cachimbo”. Fica parecendo, assim, uma coisinha besta. O “messianismo bobo” de Chávez está matando estudantes nas ruas, financia o terrorismo na Colômbia, faz acordo nuclear secreto com o Irã, compra armamentos da Rússia, liquidou com o que havia de indústria no país, destruiu a agricultura, esvaziou os supermercados, conduziu o país a uma crise —- calculem! — energética sem precedentes por conta da ineficiência estatal, deixa boa parte dos venezuelanos sem água…

Vejam que ela não escreve “messianismo bruto”, “messianismo louco”, “messianismo tosco”… Não! Ele só é “bobo”, sabem? Vejam: o texto de Cantanhêde, por exemplo, é  bobo. Sendo ele uma bobeira, o messianismo de Chávez certamente é outra coisa.

Eu sou obrigado a avançar um pouco no artigo:
Onze anos depois, a Venezuela convive com fuga de investidores, estatizações, fechamento de TVs e uma crise na economia que não fica só nos números, mas atinge a vida das pessoas: que tal racionamento de água e de energia? Os aliados de primeira hora pulam do barco.

Onze anos depois??? Uma ova!!! Essas políticas de Chávez estão em curso desde o primeiro ano de governo. As conseqüências mais nefastas chegaram agora.  Cantanhêde parece Saramago, que rompeu com Fidel quando este decidiu matar três pessoas sem julgamento. “Até aqui fui com Fidel, mas agora…” Bem,  àquela altura, o regime já era responsável por 100 mil mortes entre as execuções e pessoas que morreram afogadas tentando fugir daquele paraíso. NÃO ERA QUESTÃO DE ACHISMO ANTEVER O QUE VIRIA NA VENEZUELA. ERA UMA QUESTÃO DE CIÊNCIA POLÍTICA, OBRIGATÓRIA A UMA COLUNISTA.

Enquanto Eliane Catanhêde defendia Chávez, ele destruía as chances da democracia na Venezuela. Ela esperava resultado diferente?

Encerra seu texto assim:
“Chávez sonhava com o “socialismo do século 21″. Os venezuelanos acordam no “titanic do século 21″ e sem comandante alternativo.”

Nem vou investigar que diabos faz a metáfora daquele navio ali, contribuindo para afundar de vez o texto. Sei o que não vou fazer. Não vou escarafunchar os arquivos para lembrar as muitas vezes em que Cantanhêde defendeu o Beiçola de Caracas. Até fiquei tentado. Mas me bateu algo parecido com pudor.

PS: Por favor, comentem idéias, não pessoas.

Por Reinaldo Azevedo

 

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