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Carlos Minc

02/06/2009

às 16:43

A natureza da bobagem

(leia primeiro o post abaixo)

O ministro Carlos Minc, ou Minc Leão Dourado, como o chamo, em homenagem à sua rara exuberância, está fora de qualquer controle. De que controle? Dos ruralistas? Dos ambientalistas? Dos médicos especializados em comportamento? Não! Ele está fora do controle republicano. Desde, diga-se de passagem, que participou daquela tal Marcha da Maconha, onde desandou a dizer bobagens. E não parou mais. Afinal, precisamos de um ministro do Meio Ambiente que seja contra a queima de mato…

 

Durou pouco a construção da figura do ambientalista sensato, que parecia saber equilibrar as necessidades da preservação do meio ambiente com as exigências da economia. Minc está com saudade daquele sujeito que metia batata em escapamento de ônibus.

 

Seu ataque aos produtores rurais brasileiros — chamou-os de “vigaristas”, sem distinção, em praça pública — é motivo, sim, para a ação da senadora Katia Abreu (DEM-TO) — taí uma senadora de coragem. É uma irresponsabilidade tratar todo um setor da economia brasileira, que responde, em grande parte, pela estabilidade econômica experimentada pelo governo Lula, como um bando de desmatadores. Há, claro, a questão de fundo, que ainda será devidamente tratada neste blog, a saber: opor preservação a desenvolvimento da agroindústria é uma tolice. Mas também é preciso harmonizar as leis ambientais. Vive-se uma barafunda nessa área, que expõe o setor à sanha da militância.

 

Querem um exemplo? O Greenpeace — esse movimento notório por saber plantar notícias na imprensa e atacar quem planta comida — está hoje nos jornais acusando o próprio governo de incentivar desmatadores à medida que o BNDES financia frigoríficos. Qual é o ponto dos valentes? Parte da carne desses frigoríficos viriam de pastagens ilegais, em áreas de preservação. Até aí, o leitor poderia dizer: “É, Reinaldo, então faz sentido”. Querem ver? A ONG faz Uma lista das empresas que estariam comprometidas com o desmatamento. OK. Agora Leiam este trecho de reportagem do Estadão a respeito: “A ONG não diferenciou o corte permitido por lei (até 20% da propriedade na Amazônia) do ilegal. ‘Para nós, um desmatamento de mil hectares é um escândalo, seja ele legal ou ilegal’, diz Muggiati. Um hectare equivale a um campo de futebol, aproximadamente.’” Vale dizer: temos um movimento dito ambientalista que sataniza empresas com base em “leis” próprias.

 

Há um verdadeiro movimento organizado contra a agroindústria, como se, de um lado, estivessem os homens bons, que querem preservar as matas — sob os auspícios da entidade Marina Silva e seu xale protetor — e, de outro, os homens maus, que gostam mesmo é de destruir a natureza. Calma lá! É preciso distinguir  bandoleiros de produtores rurais. ONGs e Minc estão botando todos no mesmo saco de gatos pardos.

 

Ou se tem juízo nessa história ou se deixe a produção rural brasileira nas mãos diligentes de Cristiane Torloni e Victor Fasano, os ambientalistas tardios que não sabem, literalmente, a diferença entre o alho e o bugalho.

Por Reinaldo Azevedo

02/06/2009

às 16:02

Senadora denuncia Minc por crime de responsabilidade na Procuradoria Geral da República

Leia o que vai abaixo. Volto no post seguinte.

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) protocolou nesta terça-feira denúncia contra o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) por crime de responsabilidade na PGR (Procuradoria Geral da República). Presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a senadora afirma na denúncia que Minc ofendeu os agricultores ao participar do “Grito da Terra”, na semana passada.

Além da denúncia na PGR, Kátia Abreu encaminhou pedido de demissão do ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

“O ministro dirigiu-se ao carro de som, assumiu o microfone, passou a proferir ataques, insultos e impropérios direcionados aos produtores do setor rural”, disse a senadora.

Kátia Abreu classificou de “grave conduta” a postura de Minc durante o “Grito da Terra”. Na ocasião, o ministro chamou os agricultores de “vigaristas” ao afirmar que os ruralistas “fingem defender a agricultura familiar”.

Segundo Kátia Abreu, as declarações não são dignas de um ministro de Estado. “A situação é particularmente grave na medida em que o senhor Carlos Minc dirige e supervisiona órgãos e entidades da administração federal que fiscalizam produtores rurais quanto ao cumprimento da legislação ambiental”, diz a senadora na representação.

 

Insultos

As declarações de Minc irritaram integrantes da bancada ruralista da Câmara, que reagiram às críticas do ministro e defenderam que ele deixe o cargo.

“Como responder um desqualificado moral como esse? Esse homem não tem estatura, é um irresponsável por tratar um segmento, o setor produtivo rural com essas palavras. Ele deve tratar assim quem ele convive bem, que é com o narcotráfico dos morros do Rio de Janeiro”, disse o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

Caiado afirmou que o “palavreado” de Minc é “característico daquele usado nos morros da Rocinha” em conversas com traficantes de drogas. “Não venha trazer esse palavreado para cá. Nós deputados não aceitamos esse tipo de provocação de um ministro que não tem um mínimo de saber ao não assumir a liturgia do cargo.”

Depois da troca de insultos, Minc chegou a divulgar nota oficial para afirmar que não teve a intenção de insultar a bancada ruralista. “Não mencionei qualquer nome, não ofendi qualquer pessoa. Alertei sobre o risco de manipulação da agricultura familiar pelos grandes com o objetivo de usá-los como massa de manobra contra as proteções ambientais”, diz Minc na nota.

O ministro rebateu as críticas de Caiado ao afirmar que ficou “completamente estarrecido com a virulência e o baixo nível” das palavras usadas pelo líder democrata.

Por Reinaldo Azevedo

01/06/2009

às 6:09

Minc Leão Dourado: Câmara quer explicação para multa

 

Por Lisandra Paraguassu e Lígia Formenti, no Estadão:

A Comissão de Agricultura da Câmara quer convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre a demora de nove meses na cobrança de uma multa de R$ 3 milhões lavrada contra o Grupo Bertin, frigorífico que “salvou” a Operação Boi Pirata de um desfecho constrangedor. Em agosto de 2008, um mês depois de a multa ter sido aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o frigorífico arrematou em leilão 3.100 bois apreendidos na operação. Duas tentativas de venda já haviam sido feitas, mas tiveram de ser suspensas por falta de comprador.

Como mostrou o Estado ontem, a multa contra o frigorífico, um dos maiores do País, só saiu da gaveta em abril passado, quando a história começou a circular por gabinetes de Brasília. “Se o ministro sabia ou não, não importa. Se houve demora na cobrança dessa multa, a responsabilidade é dele e ele terá de responder por isso”, afirmou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), da comissão.

Ele vai aproveitar um requerimento de convocação do ministro feito semana passada para incluir o caso na pauta. O pedido original tinha como objetivo cobrar esclarecimentos sobre um pronunciamento em que Minc qualificava de vigaristas produtores rurais. “Agora, também vamos tratar da demora na cobrança da multa.”

Integrante da bancada ruralista, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), defende que, caso seja comprovado um eventual benefício ao frigorífico, Minc seja processado. “Essa demora na aplicação da multa é, no mínimo, muito suspeita.”

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Por Reinaldo Azevedo

31/05/2009

às 6:55

Minc Leão Dourado - Multa do Ibama fica nove meses na gaveta após infrator ajudar ministro

Por Rodrigo Rangel

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) segurou por quase nove meses a aplicação de uma multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A, uma das maiores redes de frigoríficos do País. Além da negligência administrativa, o engavetamento da multa, aplicada em 27 de julho do ano passado, ganha importância política porque o Grupo Bertin participou de uma operação ambiental de “sucesso” desencadeada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a quem o Ibama está subordinado.

 

Em agosto do ano passado, o Bertin arrematou em leilão os 3.100 “bois do Minc”, como ficou conhecido o gado criado em área desmatada irregularmente que o ministro, em uma operação midiática, apreendera no Pará em junho de 2008. A negociação da manada estava a ponto de “micar”, pela falta de frigoríficos interessados na compra. Naquele momento, os bois foram arrematados pelo Bertin, a empresa que tinha o auto de infração no valor de R$ 3 milhões literalmente estacionado em uma gaveta da gerência do Ibama em Marabá (PA).

 

Normalmente, os autos de infração não demoram a virar processos administrativos de cobrança nos sistemas eletrônicos do Ibama. Tão logo retornam das missões de campo, os fiscais entregam na base das operações seus blocos de multa e os autos lavrados passam a integrar o Sicafi, como é conhecido o Sistema de Cadastro, Arrecadação e Fiscalização do órgão. Quando muito, a inclusão das multas no sistema leva um mês.

 

É a combinação da marcha lenta do processo de cobrança com a prontidão do Bertin de salvar a Operação Boi Pirata que chama a atenção. A operação foi deflagrada, segundo o ministro, para “pôr fim à moleza” dos ruralistas e combater o desmatamento para fazer pasto e alimentar os “rebanhos piratas”. Já a multa à empresa foi aplicada durante fiscalização de rotina do Ibama. Os fiscais encontraram numa das unidades do frigorífico, em Santana do Araguaia (PA), um estoque equivalente a 10 mil metros cúbicos de lenha nativa. Segundo o auto de infração (nº 489.842), o Bertin não tinha documentos que pudessem certificar a origem da madeira.

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Por Reinaldo Azevedo

30/05/2009

às 5:27

Minc Leão Dourado diz estar com a alma lavada

 

Por Fábio Grellet, na Folha:

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem que, diante da reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às suas reclamações, durante reunião ocorrida anteontem, sente-se “de alma lavada” e certo de ter apoio de Lula para permanecer no cargo.

Minc declarou que, nos dois últimos meses, só havia recebido notícias ruins sobre meio ambiente. “É normal perder algumas e ganhar outras [disputas sobre exigências ambientais]. Mas, nos últimos dois meses, aquele meu bolero dois pra lá, dois pra cá estava desequilibrado: dois pra lá, dois mais pra lá ainda”, disse.

O ministro relatou a conversa que teve com Lula. “Falei: “Presidente Lula, como é que é possível garantir a sustentabilidade do país se o meio ambiente está perdendo a sustentabilidade política? Como é que eu vou segurar a sustentabilidade do país se o próprio ministério está sendo solapado?’”

Minc disse ter reclamado sobre seis temas e ter recebido a garantia de Lula de que suas exigências serão respeitadas. “Saio com uma visão de respaldo do presidente da República. Quem quiser brigar, vai discutir com o presidente. Ele me deu força e eu a exercerei.”

Dois dos temas tratados envolvem outros ministérios. Segundo Minc, alguns colegas de Esplanada incentivaram congressistas a votar contra regras ambientais defendidas pelo governo. Minc afirmou que Lula se comprometeu a advertir ministros que ajam assim.

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Por Reinaldo Azevedo

29/05/2009

às 6:05

CNA vai levar Minc Leão Dourado ao Conselho de Ética Pública

 

A senadora Katia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgou ontem uma nota (ver íntegra abaixo) de protesto contra as declarações destrambelhadas do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, segundo quem os produtores rurais brasileiros são “vigaristas”. Depois se desculpou e foi pedir aquele vasilhame branco, de alça, ao presidente da República, dizendo-se acuado por outros ministros. Carlos Minc Leão Dourado está, como se vê, fora do controle. E não só nos assuntos que concernem ao meio ambiente e à agricultura. Ele também gosta de participar de marchas da maconha. Não que isso faça dele, por si, um mau ministro disso ou daquilo. Mas, parece, revela certa confusão mental sobre o que é e o que não é apropriado a um ministro de estado. Participar da marcha do fumacê, na contramão da política, ao menos a oficial, do governo que ele representa é impróprio. Atacar os produtores rurais brasileiros, especialmente com uma linguagem destrambelhada, também é impróprio.

 

Minc está perdido e tem, parece, alguns problemas de, sei lá como chamar, identidade talvez. Ter substituído Marina Silva na pasta, aquela entidade da floresta especializada em preservar na gaveta projetos essenciais ao desenvolvimento do país, mexeu com o homem. Em sua defesa, tenta demonstrar que deu uma monte de licenças ambientais, como se isso lhe desse uma outra licença: a de dizer asneiras. Uma coisa é certa: um ministro de estado que chamasse o MST de vigarista estaria na rua. Faz sentido: afinal, o MST não produz comida, né? Só consome as cestas básicas da comida que os outros produzem…

 

Faz bem a CNA em levar este cidadão ao Conselho de Ética Pública. Não que possa dar em grande coisa. Mas é bom que a confederação lembre que as instituições existem. Um dia elas voltarão a ser úteis ao país. Vá, Minc, escolha um coletinho bem transado e anuncie o pedido de demissão.

 

Segue a nota da CNA:

 

Por cultivar a convivência respeitosa com os poderes da República, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem a público pedir a atenção da sociedade para os seguintes pontos:

 

1) rompendo os limites da civilidade, desrespeitando as regras elementares da convivência democrática e assumindo os riscos de responder por suas afirmações difamatórias, o ministro Carlos Minc tentou desqualificar os produtores rurais do Brasil;

 

2) em um momento de dificuldades econômicas como este, em que o País sabe que pode contar com os produtores rurais, é profundamente lamentável que um integrante do governo desrespeite gratuitamente quem produz e luta contra a crise que está corroendo o emprego e a vida das pessoas;

 

3) a construção de um Brasil ecologicamente responsável está sendo buscada pelo consenso. Ofensas e palavrões são intoleráveis. A sociedade brasileira não merece ser submetida a tais constrangimentos. O Presidente da República, que tem em sua história passagem marcante pelo sistema sindical, certamente saberá avaliar e tomar as medidas cabíveis para conservar o ambiente democrático e republicano;

 

4) a CNA levará à Comissão de Ética do governo federal denúncia pública contra Carlos Minc por considerar que seu ato é inaceitável. Um funcionário público, que usa o posto que lhe foi confiado pelo Presidente da República para desconstruir toda e qualquer ponte em direção ao diálogo com a classe produtiva, deve responder pelos seus atos em todas as instâncias;

 

5) a CNA e os produtores rurais do Brasil manifestam sua admiração, seu respeito e sua solidariedade aos parlamentares que representam a agropecuária no Congresso Nacional e que também foram agredidos publicamente;

 

6) os produtores rurais reafirmam ao País o compromisso com a preservação ambiental e com a manutenção da produção de alimentos. Lembram ainda que nas democracias, presidentes da República, ministros e demais autoridades, debatem e buscam o consenso sobre os assuntos de interesse da sociedade. O que não se admite, e não se pode admitir, é que o ministro do Meio Ambiente tente camuflar a solerte intenção de estabelecer o confronto no setor rural brasileiro, mostrando-se desqualificado para o cargo que ocupa.

 

Brasília, 28 de maio de 2009

Senadora Kátia Abreu

Presidente

Por Reinaldo Azevedo

28/05/2009

às 16:27

O desabafo do Minc Leão Dourado

O título, obviamente, é meu. O texto abaixo é de Leonêncio Nossa, da Agência Estado. Comento em seguida:
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fez um desabafo nesta quinta-feira, 28, ao deixar o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde despachou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que na conversa com o presidente criticou colegas de ministério, que segundo Minc, estariam com suas “machadinhas” esquartejando a área ambiental. Ele reclamou que combina uma coisa com os ministros e depois os colegas fazem negociações paralelas no Congresso. “Foi uma conversa a sós, tête-a-tête, olho no olho. E falei para o presidente que a área ambiental está sendo muito agredida no Parlamento e na sociedade.”

Minc afirmou que concedeu muitas licenças ambientais, citando as obras das hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, mas que não estaria havendo compensações e solidariedade para área ambiental. O ministro disse também que não concorda com a obra de restauração e asfaltamento da rodovia BR 319, na Amazônia. “Eu respondi para o presidente que estava eticamente e moralmente impedido de dar uma licença que não cumprisse rigorosamente aquelas condições emanadas por um grupo de trabalho”, afirmou. “A licença já é um desastre ambiental de grande proporções, e será maior se não forem respeitadas as condições.”

A rodovia é defendida pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que é senador licenciado pelo PR do Amazonas e potencial candidato ao governo do Estado. Mas segundo Minc, a BR 319 atravessa “o coração da Amazônia”, uma das áreas ainda intactas da floresta. “Eu disse (ao presidente) que não ia abrir mão disso.” Minc afirmou ainda que não vai aceitar propostas como do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de fazer compensações ambientais somente depois da conclusão das obras.

Questionado se poderá deixar o cargo, diante de tamanha insatisfação, Minc respondeu: “Eu não condicionei a permanência do governo”. “O que eu disse para o presidente é que completei um ano de governo, servi ao presidente, resolvi grande imbróglios e que grandes questões estavam tirando a sustentabilidade ambiental e do ministério”, afirmou. “Ele (presidente) concordou que isso não era correto, disse que estava contente com o meu trabalho e que não vai permitir que a área seja enfraquecida.”

Vestido com um colete de operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o ministro afirmou que estava pronto para uma guerra e que ia para uma operação, sem dizer onde.

 

Comento

Tio Rei tem de resolver um probleminha e vai se ausentar por algum tempo — há muitos comentários na fila, mas será preciso esperar um pouco. Na volta, espero que breve, tenho algumas coisas a dizer sobre este senhor, que ontem chamou de “vigaristas” os produtores rurais brasileiros. Minc é um outdoor de si mesmo, um porta-estandarte das próprias heterodoxias, um personagem de um enredo muito pessoal. Seu lugar é a ribalta, não o governo. É a passeata de rua, não a política de estado. É a propaganda, não a institucionalidade.

Por Reinaldo Azevedo

28/05/2009

às 5:27

Minc Leão Dourado volta a meter os pés pelos pés

Sabem Carlos Minc, aquele ministro do Meio Ambiente que participou da Marcha da Maconha? Então… Ontem, numa manifestação, chamou os produtores rurais — todos eles — de “vigaristas”. Depois dizem que exagero quando sugiro que ele troque aqueles coletes “supersinceros” por uma camisa-de-força. Levou um troco duro do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), como vocês verão abaixo.

 

Por João Domingos, no Estadão:

Os desentendimentos entre ruralistas e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, antes restritos às questões ambientais, descambaram ontem para agressões e ofensas entre as duas partes. Num ato de agricultores familiares em frente ao órgão que dirige, Minc defendeu tratamento diferenciado para eles no Código Florestal. E sugeriu que ficassem longe dos ruralistas, porque estes, segundo ele, não são confiáveis. Os ruralistas reagiram imediatamente.

Com um boné da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das entidades que organizaram o Grito da Terra e promoveram manifestações, em Brasília, Minc afirmou que a boa aliança é com o meio ambiente e não com os ruralistas. E atacou os representantes do agronegócio. “Os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora fingem defender a agricultura familiar. É conversa para boi dormir. Não se deixem enganar. São vigaristas. Não é a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) que fala em nome da agricultura familiar, é a Contag e outros movimentos sociais”, disse Minc.

Em seguida, o líder do DEM na Câmara e um dos defensores da bandeira dos ruralistas, Ronaldo Caiado (GO), foi à tribuna rebater Minc. “Esse ministro não tem moral para criticar os ruralistas. Ele tem ligação com o tráfico da Rocinha e do Morro do Borel, tanto para se manter financeiramente quanto para o consumo”, atacou Caiado. Minc não quis responder a Caiado.

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Por Reinaldo Azevedo

26/05/2009

às 16:55

AS ÚLTIMAS DO MINC LEÃO DOURADO

Leiam o que vai abaixo. Volto no post seguinte.

 

Já sugeri que tirem de Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, aqueles coletes “papai-agora-eu-sou-livre” e, em seu lugar, metam um camisa-de-força. A quantidade de asneiras que este senhor diz dentro e fora do âmbito de sua pasta é assustadora. A propósito: é mais um dos ministros herdados da VAR-Palmares. A VAR-Palmares era aquela entidade terrorista de que Dilma Rousseff também foi membro, onde, segundo a própria, cometeu apenas “crime de organização”. Mas o que é que a VAR-Palmares organizava? Chá das Cinco? O concurso “As Panteras do Leninismo”? Leitura da Bíblia? Ih, me desviei do foco. Essa gente mexe com os meus instintos mais refinados. Volto.

 

Minc foi convidado a prestar esclarecimentos à Comissão de Segurança Pública da Câmara sobre a sua participação na Marcha da Maconha. O deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) considera, com razão nesse caso, que ele fez a apologia da droga. Minc, então, tentou se defender com um discurso, vamos dizer, embotado no que concerne à razão:

 “As pessoas têm o direito de expressar a sua opinião. No caso de pessoas públicas, isso é mais que um direito, é um dever. Eu não estava pedindo para descumprir alguma lei, eu estava questionando a necessidade de modificar a lei. A atual política em relação a drogas é ineficaz, no mundo inteiro a política repressiva aumentou o poder de traficantes, aumentou o número de usuário e a capacidade de corrupção desses traficantes”.

Errado! Ministros de estado expressam, sobre questões de estado, a opinião do governo que representam. Ou bem a gestão Lula reprime o tráfico de drogas e desencoraja o consumo, ou bem age para descriminar (ou “descriminalizar”, como se diz por aí) as drogas. As coisas que Minc sente nas áreas mais recônditas de seu ser não interessam. Aliás, prefiro mesmo que ele nos poupe. De resto, a despeito da repressão aos latrocínios, eles existem em grande número. Vai ver isso decorre na criminalização do assassinato. Se a gente liberasse sob certas condições, não é?, talvez o mundo fosse menos violento…

 

Apologia, sim. O ministro marchou ao som de “Vou apertar, mas não vou acender agora”, que, além da defesa óbvia da bagana, ainda ensina como dar um truque na lei. E, até que a lei não seja mudada, um ministro de estado é seu procurador e representante. Se quer outro texto legal, que vá para o lugar certo para debater: o Congresso. Mas esse é Minc. Quando jovem, assaltava bancos para a VAR-Palmares. Depois de velho, já militante “verde”, chegou a enfiar algumas batatas em escapamentos de ônibus no Rio. Vai ver era contra viagens. De ônibus…


Eu sempre digo que certas coisas indispõem as pessoas para sempre com a lógica. Não tem jeito. É como se uma nuvem impedisse a vítima de entrar no território da razão. Leiam o que ele diz ainda:

“Enquanto o álcool e o cigarro, que fazem mal, e você encontra no mercado, a maconha também faz mal, talvez tanto quanto o álcool e o cigarro, mas você compra na mão do traficante. Não são os delegados que defendem a política de drogas. Alguns traficantes de maconha ficam contemplados com a atual política que dá a eles o monopólio da venda dessa droga.”

 

Viram? Ele foi tentar estabelecer um paralelismo para tentar evidenciar por que a maconha deve ser liberada e consegue, no máximo, no ordenamento lógico, evidenciar que álcool e cigarro também deveriam ser proibidos. Intelectualmente falando, é um coitado! Politicamente, integra a turma do perigo.

 

Já lhes disse qual é o ponto — e nem é de natureza moral ou comportamental. O Brasil não poderia descriminar sozinho a maconha. O resto do mundo não optará por isso. Imaginem o que isso viraria. Logo, marchas dessa natureza são apenas licenças que alguns setores reivindicam, no seu esforço por uma sociedade sem limites. Ademais, lembrar do álcool e do tabaco é, sim, útil: liberada a maconha, haveria, certamente, uma explosão de consumo, chegando ao nível dessas outras drogas. Seria uma questão dramática de saúde pública.

 

A propósito: liberada a maconha, o que se faria com a cocaína? Continuaria na mão do tráfico? A maconha, diga-se, não é a preocupação central dos governos que efetivamente combatem o tráfico. E também não é o que mais dá lucro ao traficante. Por que é o caso de tirar o colete do homem e pôr no lugar  a camisa-de-força? Porque, segundo o “raciossímio” de Minc, a melhor forma de acabar com o poder do crime é tornar legais os atos criminosos. Os traficantes virariam o metro moral do que o ordenamento legal deveria ou não fazer.

 

Coloquem um Mico Leão no Ministério do Meio Ambiente. Mas do tipo dourado. O colete de Minc tem de ter um substituto à altura.

Por Reinaldo Azevedo

 

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