BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade

Posts com a tag ‘Carlos Minc’

REPÓRTER DETIDO ILEGALMENTE PELO “IBAMA DO MINC” ENVIA UM COMENTÁRIO AO BLOG

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 | 20:36

Recebo a seguinte mensagem:

Azevedo,

É o Valteno de Oliveira, o repórter da Band que foi detido com a equipe em Novo Progresso, no Pará. Obrigado pelo apoio ao nosso trabalho e pela defesa da liberdade de imprensa. Acabei de dar uma entrevista para o comuniquese.com.br sobre o episódio. Em novembro do ano passado, também passei maus bocados no Sul do Pará. Estávamos registrando a violência nas invasões de terra quando integrantes dos Sem Terra atiraram no helicóptero em que estava nossa equipe. Felizmente, a distância era grande, e os tiros não nos atingiram. O vídeo com essa reportagem já tem quase 60 mil acessos no Youtube. Se quiser ver é só acessar violência no Pará. É o primeiro da lista.

 

Comento
Já publiquei aqui o vídeo a que Valteno se refere. Mas publico de novo.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

DONA MARIA PRIMEIRA DOS COLETES AGORA ACHA QUE PODE CENSURAR A IMPRENSA. OU: O MINCTUR DAS VACAS

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 | 6:15

Se vocês clicarem aqui, terão acesso a um vídeo que dá conta de como andam as coisas no Brasil. Se quiserem, leiam antes o texto que segue, comentem e depois vejam o filme. O evento se passa no Pará. O Pará é aquele estado que, na prática, por decisão da governadora Ana Júlia Carepa, do PT, aboliu a propriedade privada no campo. Dona Carepa conseguiu o milagre de igualar a posse legal de terra à ilegal. Por lá, mandados de reintegração de posse são frescuras de juiz; existem para ser desrespeitadas. O Pará, de certo modo, já realiza a utopia de Paulo Vannuchi e Dilma Rousseff, expressa naquela estrovenga apelidada de Programa Nacional de Direitos Humanhos. Dona Carepa é mesmo um portento. No estado governado por Dona Maria I (com todo respeito à monarca que ganhou e epíteto de “A Louca”), TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A AUSÊNCIA DE LEI.

E isso já seria o bastante para infelicitar aquele estado e juntar a violência à violência. Mas faltava a colaboração de Carlos Minc, a Dona Maria I dos coletes e do Meio Ambiente, aquele que sobe num palco para defender a legalização daquela coisa cujo nome ele não diz, mas cujo cheiro se sente de longe. POIS SAIBAM TODOS VOCÊS, NO PARÁ, O IBAMA DETÉM JORNALISTAS, AMEAÇA APAGAR A FITA DE GRAVAÇÃO DE REPORTAGENS E FAZ UM DIREITO CONSTITUCIONAL PARECER UMA CONCESSÃO GENEROSA DE UM FUNCIONÁRIO DO ÓRGÃO, QUE SE COMPORTA COMO ESBIRRO DE UMA DITADURA. Qual é o caso?

A Operação Boi Pirata — nome dado por Minc ao gado confiscado em áreas de preservação — apreendeu 600 cabeças na cidade de Novo Progresso, que fica a 1.600 km de Belém. Os gênios de Minc decidiram transportar os animais para a Bahia, passando POR Cuiabá, no Mato Grosso. Trata-se de um percurso de 3 mil quilômetros. Tudo dando certo, a viagem demora 10 dias. ATENÇÃO: O TRANSPORTE ESTÁ SENDO FEITO SEM PROVIDENCIAR ÁGUA E COMIDA AOS ANIMAIS. Os bezerros são levados em carretas diferentes das vacas. Impedidos de se alimentar, morrem. Outros tantos perecerão de sede no meio do caminho. Isso, por si, já da conta da estupidez.

A desculpa é que o gado será transportado para a Bahia para o “melhoramento genético” do gado das populações carentes (???). Imaginem se é preciso tirar gado do Pará para fazer melhoramento genético na Bahia… E isso também é estúpido. Mas faltam alguns requintes.

Uma equipe de reportagem da Band estava filmando o confisco do gado e foi, ATENÇÃO!!!, DETIDA POR FISCAIS DO IBAMA E POR HOMENS ARMADOS DA FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA. Descobrimos onde estão os homens da força subordinados a Tarso Genro. A DETENÇÃO É, OBVIAMENTE, ILEGAL; TRATA-SE DE UM CASO FLAGRANTE DE ABUSO DE AUTORIDADE. Jornalista e cinegrafista seguiram escoltados para a sede da operação, para falar com o chefão, o coordenador do Ibama.

Sem saber que a conversa estava sendo gravada, um soldado têm o seguinte diálogo com o jornalista:
— Com relação ao material, tem de deixar para o coordenador do Ibama liberar porque [vocês] fizeram imagens.
— Mas vocês queriam apagar o material.
— Sim, sim, a gente só pediu, mas vamos confirmar: não foi apagado nada.
Duas horas depois, o chefete local do Ibama — e peço que prestem atenção à cara dele — dá uma entrevista:
— Houve um desencontro porque eu não estava no local.

NOTEM BEM: a detenção dos jornalistas foi, obviamente, ilegal; a tentativa de censura, então, é nada menos do que inconstitucional — aliás, os tiranetes, muito requintados, queriam fazer censura prévia! Ao dar a entrevista, o chefinho explica: foi só desencontro porque “ele não estava no local”. Para o valente, a Constituição e as leis valem ou não valem a depender de sua presença. Ou seja: ele é a lei, ele é a Constituição.

Abuso de autoridade
Os relatos de abuso de poder são impressionantes, chocantes mesmo. Um outro fotógrafo, também detido ilegalmente, reclama de xingamentos. Se a imprensa, de câmera na mão, é tratada desse modo, imaginem o que essa gente não faz nos cafundós do silêncio. O dono do gado apreendido reclama que levaram também seus cavalos com os arreios. Outro diz que colonos estão tendo sacos de arroz queimados, o açúcar estocado jogado ao chão; até as panelas estão sendo furadas a tiros. Depois do modo como se comportaram com jornalistas, alguém duvida que isso tudo seja verdade?

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA,  foi entrevistada. Disse o óbvio: as 600 cabeças apreendidas, se vendidas no mercado local, renderiam uns R$ 300 mil. A operação organizada pela Dona Maria I dos Coletes não custa menos de R$ 2 milhões.

Minc também falou. Como sempre, não dá para entender quase nada do que ele diz. Num coletinho salmão DES-LUM-BRAN-TE sobre camisa da mesma cor, na sua habitual cafonice “TÃO SURTÃO” de tio esquisitão que rebola sobre o palco em show de reggae, engrolou:
“Se você contar o custo de fiscalizar, o custo da degradação, o custo de reflorestar, a operação, ambientalmente, é lucrativa”. Sobre o abuso de autoridade de seus esbirros, ele nada disse.

Dona Maria dos Coletes só não consegue explicar por que não se pode, se for o caso, confiscar os bois e reprimir a pastagem em área de preservação dando aos animais uma finalidade social no próprio Pará.  Ora, que fossem vendidos para fazendas legais e se aplicassem os recursos no reflorestamento. Ou então que virassem bife para os pobres do Pará. Porque fazer o MincTur das Vacas?

Não! Ninguém está defendendo que se criem bois onde é proibido criar bois. O QUE NÃO É ACEITÁVEL É REPRIMIR UMA ILEGALIDADE COM UMA PENCA DE ILEGALIDADES. Não cometam o erro de achar que isso é só uma ocorrência fortuita. Não é, não! Essa gente está sempre inteira em cada coisa. Vejam depois o filme. Prestem atenção ao funcionário do Ibama, o tal coordenador, o que se candidata a censor dos jornalistas. Observem a sua fala mansa, o seu olhar a misturar um tanto de inocência parva com o autoritarismo mais desabrido.

Esses caras não reprimem boi em área de preservação por amor à lei. Eles o fazem porque esse é um item de sua agenda. Respeitassem o estado de direito, não se comportariam como déspotas tão logo se lhes dê um pouco de poder. Esse rapaz lá do interior do Pará é só um dos últimos numa espécie de cadeia de comando. O verdadeiro tema transversal dessa turma é autoritarismo. Ele atravessa o partido de ponta a ponta: começa com Lula mandando o TCU às favas e termina com aquele rapaz que acredita poder apreender vaca e gente.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

A baixaria continua - Minc e Puccinelli poderiam ir ao encontro dos primos no Pantanal

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 | 6:17

Por Marta Salomon, na Folha:
Um dia após ter sofrido ataques pessoais e ser chamado de homossexual pelo governador de Mato Grosso do Sul, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) rebateu e insinuou o mesmo de André Puccinelli (PMDB).
“Muitas vezes, pessoas que não admitem seu homossexualismo tentam agredir os gays, algo que eles não aceitam dentro deles. Sou um defensor dos direitos dos homossexuais. O governador fique à vontade, ele pode sair do armário, pode ficar tranquilo”, disse Minc. Puccinelli não reagiu à provocação.
Em encontro com empresários do setor sucroalcooleiro anteontem, Puccinelli afirmou que o ministro do Meio Ambiente “é veado e fuma maconha” e que “ia correr atrás dele e estuprá-lo em praça pública” caso Minc fosse ao Estado.
Em reposta, Minc disse que o governador “se revelou um estuprador do Pantanal”.
Por mais de um ano, o governo debateu se a expansão do plantio da cana-de-açúcar deveria ser liberada na bacia do Alto Paraguai, região que envolve o Pantanal de Mato Grosso e onde já existem cinco usinas funcionando há décadas. Aqui

Comento
Já disse o que penso da fala do governador do MS. Mas sou capaz de apostar de Minc se acha muito melhor do que o outro. Ora, o que ele está fazendo? Usando a homossexualidade como pecha e xingamento, exatamente como fez aquele que o agrediu. Então ficou assim:
- Veado!
- Veado é você!

O que eu acho? Que os dois têm de ir pastar no Pantanal junto com os primos.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Governador de MS diz que estupraria Minc e o chama de maconheiro

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 4:31

Por Rodrigo Vargas, na Folha. Comento depois:
O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), desferiu ontem, durante um encontro com empresários do setor de cana, ataques pessoais ao ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).
Puccinelli, segundo o relato de participantes da reunião, disse que o ministro “é veado e fuma maconha” e que, se Minc fosse a Campo Grande, “ia correr atrás dele e estuprá-lo em praça pública”.
Mais tarde, já com a repercussão de suas declarações na imprensa local, Puccinelli publicou na página do governo na internet uma nota na qual diz ter feito apenas “referências, em tom de brincadeira, a outras críticas recebidas pelo ministro do Meio Ambiente”.
De acordo com a nota, as declarações de Puccinelli -não reproduzidas no texto- foram “entendidas pelos presentes no contexto de brincadeira, sem caráter de ofensa pessoal”.
À tarde, Puccinelli convocou a imprensa e leu outra nota. Nela, disse que lamentava a conotação de ofensa atribuída às suas declarações, “pois foram feitas em ambiente diverso”.
Na reunião em que fez as declarações, o governador se queixou da possibilidade de proibição a novas usinas de cana na bacia do Alto Paraguai, onde se forma o Pantanal.
Segundo a nota de Puccinelli, “as críticas restringem-se ao ambiente do debate técnico e político dos assuntos que dizem respeito aos interesses de Mato Grosso do Sul. Quaisquer outros desdobramentos devem ser entendidos como inapropriados e, na hipótese, de terem gerado ofensa ao ministro, o governador apresenta seu pedido de desculpas”.
No site do Ministério do Meio Ambiente, a assessoria de Minc publicou uma nota de duas linhas na qual Puccinelli é descrito como “um truculento ambiental que quer destruir o Pantanal com a plantação de cana-de-açúcar”. Segundo a nota, a declaração dada pelo governador “revela o seu caráter”. Aqui

Comento
Minha Nossa Senhora dos Aflitos!!!

O que dizer diante de tanta boçalidade? Trata-se de um monte de gente errada, dizendo e fazendo coisas erradas! Bobagens como a dita pelo governador acabam fortalecendo uma figura deletéria como Carlos Minc.

Quanto às ofensas… Depois daquela perfomance na Chapada dos Veadeiros, Minc não tem por que se ofender ao ser chamado de “maconheiro”. Se ele fuma maconha ou não, isso eu não sei nem me interessa. Importa saber que ele associa a droga, cujo nome não pronunciou no dia, a sentimentos e comportamentos, como posso escrever?, virtuosos. Assim, a única “truculência ambiental” em ser maconheiro estaria mesmo em queimar a plantinha, né? É isto: um maconheiro não preserva o mato; ele queima o mato…

Agora, correr atrás do “veado” para “estuprá-lo”? Que é isso? O governador tinha tomado aquele remédio de labirintite da Vanusa? Deixou-se levar pela emoção? Resolveu arrombar a porta do armário? Trata-se de um amontoado de grosserias abjetas.

Ademais, ainda que Minc fosse uma das personagens de José Mayer nas novelas do  excelente Manoel Carlos, suas teses sobre o meio ambiente e agricultura brasileira continuariam erradas. Nessa hipótese, o que diria Puccinelli? “Ah, isso é coisa daquele ministro pegador; tomara que ele venha ao Mato Grosso do Sul, corra atrás de mim e me estupre”…

É o fundo do poço!

Queridos, a chance de os comentários descambarem para terrenos inóspitos é gigantesca. Peço serenidade.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Carlos Minc confessa: “Nem careta nem a seco”. E aí, Ministério Público?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009 | 20:17

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) comentou a sua performance na Chapada dos Veadeiros, onde estava, naquele domingo, em companhia de um amigo:

“Imagina. Na Chapada, 2h30 da manhã, com dois mil jovens, fazer um discurso careta não dá. Não sei cantar, mas sei dançar”.

Caramba! Ele acha que sabe dançar! Ele poderia repetir a performance? “É irrepetível. Ficaria fora de contexto. Foi um discurso musical, tinha a música para entrar no ritmo, deixar o ritmo te tomar. Fora dali, seria uma caricatura pobre e completamente desfigurada.”

Mas e com contexto? Bem, aí ele acha que pode repetir, sim, mas tem de ser naquele clima, entende? E avisa: “Agora, a seco, eu sou um desastre ecológico”.

GLOSSÁRIO DA FALA DO MINISTRO
(Tudo o que vai abaixo é cola do Dicionário do Houaiss)
Careta
13 -   Uso: linguagem de drogados.
que ou aquele que não usa drogas

A seco
3 - sem ter ingerido bebida alcoólica

Voltei
Ah, entendi. Minc, confessadamente, não estava nem “careta” nem “a seco”. Eis o compromisso do governo Lula, em versão dançante, com o combate às drogas. Morrem, assassinadas, por ano, no Brasil, 50 mil pessoas, boa parte delas em razão do tráfico de drogas.

Se havia gente naquele show de que Minc participou, ele inclusive, que não estava “careta”, então é porque estava drogada. Se estava drogada, comprou a droga de alguém — ou, então, é um produtor, o que também é proibido. Isso significa, evidentemente, alimentar o narcotráfico e o crime.

“Ah, mas há quem seja favorável à legalização das drogas, é um direito ser favorável”. É, sim, Mas fazer a apologia das drogas, como naquele vídeo, é crime.

Juízes
Aqui, reparo o que acabou sendo uma injustiça com os juízes. Escrevi outro dia, “houvesse juízes em número e coragem suficiente para enquadras este senhor…”, ou algo assim. Só brincava, de modo que soou impróprio, com a famosa frase “Ainda há juízes em Berlim”. Não! Juízes não podem fazer nada sem que o Ministério Público se pronuncie antes. Mas o silêncio do MP, até agora, é sepulcral. É óbvio que Minc fez apologia das drogas naquele seu constrangedor rebolado.

O governo quer mudar a política de combate às drogas? Que tenha a coragem de fazer o debate com a sociedade. Submeter uma questão dessa seriedade à performance ridícula de um coroa disfarçado de adolescente é um vexame, uma crueldade irresponsável com os milhares de jovens que morrem todos os dias, vítima dos fornecedores de toda aquela “alegria”.

E só para deixar bem claro: não aceitaria jamais ficar no mesmo ambiente de Minc. Para mim, a diferença moral entre ele e alguém que lida profissionalmente com as drogas é só de coragem. Ambos são desprezíveis, mas o outro, ao menos, como diria Padre Vieira, “age debaixo de seu risco”; já Minc atua “sem temor nem perigo”.

E finalmente
Os petralhas parem de encher o meu saco com a tese de FHC, favorável à descriminação da maconha. Ele é? Eu não sou! Se era bom e fácil, por que ele não tentou algo no seu próprio governo? A questão das drogas não se tornou particularmente grave nos últimos oito anos.

A atuação pública de FHC, evidentemente, não se confunde com essa pantomima de Minc, mas nem por isso ela me parece virtuosa. Minhas contraposições a essa tese são conhecidas. Nem vou repetir aqui. Tenho uma enorme simpatia por FHC e acho que seus oitos anos de governo foram vitais para o Brasil. Isso não quer dizer que concorde com ele em tudo. Nessa questão, avalio que sua atuação turva o ambiente e expõe seu partido a um ataque eleitoral e eleitoreiro. Até porque ele é presidente de honra do PSDB; não é um simples militante. Se quer levar a coisa adiante, tem de abrir mão desse simbolismo.

De todo modo, ao cotejar a atuação de FHC com a de Minc, percebemos a diferença entre a defesa política da descriminação da maconha e a apologia das drogas. Num caso, temos a exposição de um ponto de vista; no outro, um crime.

Mais claro do que isso, só tirando um retrato!!!

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Minc: Um discurso chapado na Chapada dos Veadeiros

quinta-feira, 10 de setembro de 2009 | 15:37

Houvesse juízes no Brasil em número - e coragem - suficiente, o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, seria condenado à pena de um a três anos de cadeia. Se iria em cana ou não, bem, aí dependeria de um conjunto de fatores: eu seria tentado a trocar a punição por trabalho. Isto: Minc seria obrigado à maldição bíblica. Teria de ganhar o pão com o suor do próprio rosto. So pra saber como é.

Cana por quê? Ele tem de ser enquadrado no parágrafo 2º do artigo 33 da Lei 11.343, que trata do combate às drogas. No domingo, no show de um grupo de reggae chamado Tribo de Jah, na cidade de Alto Paraíso, perto da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, o valente subiu ao palco para pregar a descriminação da maconha. Pregou só a descriminação? Ora, vejam o vídeo vocês mesmos. Minc fazendo um discurso daquele na Chapada dos Veadeiros vale por uma celebração metalíngüística.

Algumas pessoas ficam com a voz embargada de emoção. Minc é do tipo que fica com a voz pastosa. Engrolando aquela língua estranha, que rompe com a lógica e vai juntando alhos com bugalhos, o ministro subiu ao palco e deu vivas a Bob Marley, a Chico Mendes, à Paz, à resistência e conclamou: “Não vamos deixar queimar a Amazônia”. Parecia discurso de gente chapada.

E isto, gente! Nada de queimar a Amazônia!

Minc não queima a Amazônia!

De jeito nenhum! A Amazônia, Minc não queima!

E também falou em defesa do cerrado, da caatinga, da Mata Atlântica, pediu que todos fechassem os olhos e abraçassem a amiga, o amigo, beijassem a namorada, o namorado… A droga, que mata milhares de pessoas por ano no Brasil — ou por causa do narcotráfico ou em decorrência dos malefícios advindos do consumo — era tratada ali como o elixir da paz. E os presentes gritavam “Maconha! Maconha!”.

Então o homem resolveu pensar! Transcrevo um trecho. Importante dizer que, enquanto falava, Minc dançava. Metido num daqueles coletinhos eloqüentes, movia o barrigão e o “traseiro gordo” (by Fucker & Sucker) de modo um tanto constrangedor. Peço que atentem para a lógica severa da fala:

Vamos acabar com a impunidade. Daí a importância da música, a consciência da rapaziada. Vamo defender o cerrado, a caatinga, a Amazônia, a Mata Atlântica e o o reggae, o reaggae é a liberdade.

Um maluco gritava:
- A Maconhaaaa!!! E o pré-sal!!! O pré-sal!!!
Voltemos com Minc.

Outro recado. Ontem, a gente meteu três a um na Argentina. Só que tem um outro placar que a gente ta perdendo da Argentina. Os juízes da Argentina descriminalizaram o usuário. O usuário não é criminoso. E esse jogo, a gente está perdendo aqui. Nós vamos virar esse jogo. Nós vamos acabar com a hipocrisia. Consciência! (…) Viva a Tribo de Jah! Viva a consciência ecológica! Viva a natureza! Viva a liberdade!

Espertinho, Minc não pronuncia a palavra “maconha”. Deixa pra galera!

Já expus em outras ocasiões as razões por que as drogas não devem ser descriminadas  — e é preciso falar de todas as drogas, não só da maconha, como se faz habitualmente, num truque vagabundo. A questão, aqui, é outra. No conjunto da obra, a atuação de Minc vai muito além da defesa da descriminação.

Atenção!
Há quem, parece, acredita que a maconha deva ser descriminada porque o dano da liberação seria inferior ao da repressão. Até onde entendo, é a posição de FHC, por exemplo. Está errado! Erradíssimo! Deveria parar de falar no assunto. Pensou mal a questão. Ademais, foi presidente da República por oito anos. Por que não tomou, então, as medidas conseqüentes? Porque um país não faz isso sozinho. Sua opinião está virando coisa de diletante. E vai acabar se misturando com irresponsáveis como Minc.

Este ministro, como nota, não está tratando da descriminação como um mal menor. Nada disso! Ele acredita nos valores positivos da maconha; ele acredita, como se nota, que ela abra os umbrais de uma nova consciência. Qualquer um sabe o que significa um “viva” a Jah e sua tribo!

FHC diga o que quiser, não é problema meu. Se sou de um partido da oposição digno deste nome — e desde que não defenda, claro, a liberação da maconha — pego este vídeo do Coroa do Rio e levo ao ar no horário eleitoral. Os brasileiros precisam saber o que pensa o ministro do Meio Ambiente. Enquanto mães arrastam a sua tragédia nas favelas do Brasil, enterrando seus filhos, perdendo-os para o narcotráfico, Minc brinca de fechar os olhos no placo e dar “vivas” à liberdade. A gente sabe bem o que isso significa.

Política de redução de danos, por mais idiota que seja, é bem-intencionada. A de Minc implicaria um aumento brutal dos danos. Entre outras razões, as pessoas podem passar a discursar como Minc…

Ademais, o Brasil não deve nada à Argentina nesse quesito. A mesma lei que pune a apologia das drogas — e Minc fez apologia — já protege o usuário. Basta ler o Artigo 28. Aliás, ele tem até direito à assistência gratuita do Estado — sim, é uma obrigação pública tratar do drogado. Enquanto ele está dando vivas às drogas, não podemos importuná-lo com questões ou leis porque seria autoritário, reacionário. Quando o filho da mãe está todo estropiado, aí merece a assistência social por conta de um mal que adquiriu por vontade, por escolha, por opção.

A tara de certos brasileiros pelo estado é tal, que a gente estatizou até os viciados.

Ah, só para lembrar. Minc é o ministro que chamou os produtores rurais de “vigaristas”. Honesto é Minc.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

MINC - UMA FAMÍLIA DEDICADA A SERVIR

quinta-feira, 23 de julho de 2009 | 22:57

Leiam o que vai abaixo. Volto sem seguida.
Por Alexandre Rodrigues, da Agência Estado
Além da mulher, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem um filho empregado como assessor parlamentar. O advogado José Luís Galamba Minc Baumfeld, de 27 anos, está lotado desde o início do ano no gabinete do vereador petista Adilson Pires na Câmara de Vereadores do Rio. O vereador, líder do governo do prefeito Eduardo Paes (PMDB) na Câmara, nega ter empregado o rapaz a pedido do ministro. Conhecido nos corredores da Câmara como Zezé, o filho de Minc foi nomeado para o cargo em comissão de Assistente 1, símbolo DAS-6, com salário bruto de R$ 4.587, aumentando a lista de parentes de políticos empregados nos gabinetes da Casa.
Em abril, a mulher de Minc, Maria Margarida Galamba de Oliveira, também ganhou um cargo de secretária parlamentar, mas em Brasília, onde o ministro carioca passa a maior parte da semana desde que se tornou ministro do Meio Ambiente. Conhecida como Guida, ela foi nomeada no gabinete da deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) na Câmara, ocupando a vaga de uma funcionária que foi empregada no Ministério do Meio Ambiente, numa espécie de nepotismo cruzado que o ministro negou. O salário dela é de cerca de R$ 4 mil. Cida e Pires integram a mesma corrente petista, a Mensagem ao Partido, liderada nacionalmente pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
Procurado na Câmara, José Luís não foi encontrado. Segundo Ribamar Pereira, chefe de gabinete de Pires, o rapaz participou da campanha do vereador, mas não foi contratado por motivos políticos. “Ele é um assessor técnico, está todos os dias no plenário e tem excelente desempenho”. Embora não saiba informar sobre a experiência profissional dele, Pereira disse que ele foi escolhido por seu “notório saber em direito constitucional”. Em nota, Pires reiterou que a contratação do rapaz, formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) com especialização em Direito Público, “se deu por critérios técnicos e de confiança política, não por indicação do pai”. O vereador destaca que o rapaz é filiado ao PT e mostrou bom desempenho como advogado de sua campanha em 2008.

Comento
É incrível como os filhos, mulheres, namorados, namoradas, agregados, amantes etc dos homens públicos brasileiros são competentes, não é mesmo? O que me causa espécie é que, sendo tão hábeis, em vez de procurar emprego na iniciativa privada, eles todas decidam ser “homens públicos” — em alguns casos, “mulheres públicas” também.

Sim, o leitor severo poderia dizer: “Pô, Reinaldo, porque o pai, a mãe, o marido ou mulher estão na política, um parente muito próximo não pode ter vocação para servir ao Estado? Ah, claro que pode. Então pergunto: por que essa gente nunca presta concurso? Por que o cargo é sempre arranjado? Por que a “vocação para servir” depende sempre de um pistolão, hein? Entenderam o ponto? O filho de Minc, a netaiada toda de Sarney (mais seus respectivos pares amorosos), a mulher de não sei quem… Toda essa gente quer servir? Excelente! Que faça a prova, não? Que concorra às vagas.

Carlos Heitor Cony, engrolando desculpas (ver posts abaixo) poderia dizer que isso, entre nós, é mesmo coisa muito antiga. É, sem dúvida. E, por isso mesmo, o pais é o que é. A sem-vergonhice se tornou uma tradição.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Minc e a vigarice

quarta-feira, 24 de junho de 2009 | 16:25

Leiam o que vai na Folha Online. Volto depois:
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) pediu desculpas nesta quarta-feira por ter chamado grandes produtores rurais de “vigaristas” durante manifestação da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), em Brasília. O ministro disse que usou expressões impróprias, que não representam o que ele pensa sobre a bancada ruralista.
O ministro, que participa de audiência na Comissão de Agricultura da Câmara, atribuiu ao calor do momento o modo como se referiu aos produtores. “Usei a expressão sim, mas usei a expressão não em relação a bancada agropecuária. Quero ir além do pedido de desculpas. Quero dizer que não penso aquilo e já demonstrei isso aqui [Câmara]. Usei expressões impróprias, exaltadas, típicas de quem está em carro de som. Esse não é meu pensamento”, afirmou.
Minc, no entanto, disse que não vai recuar das críticas feitas à postura de grandes produtores rurais que priorizam o lucro em detrimento do meio ambiente. “Tenho atração fatal por temas polêmicos, não é porque virei ministro que vou me acovardar, tenho minhas posições, acho que os grandes produtores desmatam muito mesmo, mas as expressões que usei não foram cabidas mesmo. Espero não ter que usá-las de novo”, disse.
O ministro aproveitou o debate na comissão para reclamar também da postura dos parlamentares ligados ao agronegócio. Minc questionou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), que o teria chamado de traficante. “Tem deputados que fizeram afirmações piores ao meu respeito, como o deputado Caiado, que me comparou a um traficante”, afirmou.

Comento
O problema, um deles, do ministro Calos Minc é justamente ter essa, como chamarei?, abordagem muito pessoal do que é ser ministro de estado. Parece que está sempre fazendo uma espécie de terapia coletiva. Deve achar que, assim, oxigena o poder, não é?

Eu não acho que o deputado Caiado fez bem em associar Minc àqueles rapazes que exercem o comércio de substâncias ilegais — que alguns, inclusive o ministro, querem legalizar. Censurei o parlamentar aqui, como sabem. Minc é tão traficante quando os ruralistas são vigaristas, não é mesmo? Embora, se é para falar tudo (e eu sempre falo), haja diferenças de verossimilhança nas duas falsidades. Quem se aproximou, por conta própria, fora do escopo de sua pasta, do tema “drogas” foi Minc. Ele se colocou mais próximo do tráfico, sem ser traficante, do que os produtores rurais brasileiros se aproximaram da vigarice.

Um ministro de estado não pode chamar o setor que responde por boa parte das reservas brasileiras — e da estabilidade econômica — de “vigaristas”. Também não pode transformar o pedido de desculpas numa espécie de licença para dizer sandices. A ser assim, o sujeito fala o que bem entende na certeza de que pode se desculpar depois.

Ademais, o ministro tem um jeito um pouco estranho de se desculpar, não é? Na prática, é mais ou menos assim: “Desculpo-me, mas mantenho tudo o que disse”. Já fiz aqui uma leitura de sua atuação e reitero: como ele é mais, como direi?, “facinho” do que Marina Silva para conceder licenças ambientais para obras de infra-estrutura — e por isso ela caiu, e ele subiu —, decidiu eleger o agronegócio como inimigo para fazer sua embaixadinha com as ONGs.

Ele deve mais do que desculpas. Na condição de governo, tem de se reunir com os produtores rurais brasileiros para adequar a legislação ambiental às necessidades do país, de sorte a parar com essa estupidez militante que pretende opor conservação à produção. É ministro do país, não porta-voz do guerreiro Greenpeace.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

MINC: A FALÊNCIA DA LÓGICA

terça-feira, 16 de junho de 2009 | 21:18

O texto abaixo, que segue em vermelho (por causa das bobagens ditas por Carlos Minc) é de Márcio Falcão, da Folha Online. Respondo em azul. Minc não inova nos argumentos. Eu tampouco. Mas assim é a vida. Vamos lá.

Minc diz que maconha deve ter o mesmo tratamento do álcool e do cigarro
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse hoje que defende a descriminalização da maconha assim como ocorreu com o cigarro e o álcool para evitar mais uma fonte de recursos para o tráfico de drogas. Minc participa de audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara para explicar sua participação na marcha da maconha, realizada no início de maio no Rio de Janeiro.
No Brasil, cigarro e álcool nunca foram proibidos. Não sei se falou assim mesmo ou se a interpretação saiu um tanto enviesada. Para o que importa, tanto faz. Culturas — ou subculturas — se criam em torno de determinadas substâncias. Beber cachaça, como vício ou hábito, ou fumar cigarros, idem, não são práticas associadas a, sei lá como dizer, uma percepção superior da realidade e acesso a umbrais que, de outra sorte, não se alcançariam. Além do bem-estar imediato — e deve haver algum, como toda droga —, a maconha traz junto esse apelo. Assim, o fator cultural pesa, sim, na proibição ou liberação de uma substância, embora não seja o mais importante.

Segundo o ministro, tratar o usuário de maconha como criminoso é um erro e sugeriu que os deputados analisem estudos médicos que comprovariam que o efeito dela é inferior ao do álcool no organismo humano.
Há aqui um erro de informação e um de análise. O usuário de maconha no Brasil, se não for surpreendido com uma quantidade que caracterize tráfico, já não é tratado como criminoso. Este senhor fala de uma legislação que não existe mais. Quanto a “estudos”, os há para todos os gostos. Há alguns bastante sólidos que indicam que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, mais pesadas. Raros seriam os maconheiros que se limitariam à erva.

“Se legalizasse a maconha, se fosse como álcool e cigarro, que fazem mal, a situação seria diferente. Se o cigarro fosse proibido, ao invés de ir ao armazém, você teria que subir o morro para comprar. Não quero dizer que minha tese é melhor ou pior do que a de ninguém, mas estamos em uma democracia”, afirmou.
Analisemos a fala na esfera do puro conceito e depois de sua aplicação. Se a maconha for tratada, então, como cigarro e álcool, Minc tem de admitir que, junto, virá uma explosão de consumo — já que a legalidade das duas outras substâncias facilita o acesso dos consumidores. É matéria de lógica elementar. Ele tentará contestá-la mais adiante, de modo desastrado. Reitero: Minc e os defensores da descriminação da maconha ignoram que o Brasil não poderia tomar essa decisão de modo isolado. E sabem que os demais países do continente e de boa parte do mundo não nos seguiriam. Vocês podem imaginar o que isso poderia representar. Quanto a dizer que não acha sua tese melhor etc, isso é besteira. Quando defendemos uma tese, quero crer, é porque a consideramos a melhor. Ou devemos fechar o bico.

Minc disse que dados do Ministério da Saúde apontam que o álcool vitimiza 25 vezes mais do que as drogas ilegais e que é importante alterar a legislação.
“Se o cigarro faz mal, proíbe-se o cigarro. Se o álcool faz mal, proíbe-se o álcool. Na marcha, não disse que a droga faz bem à saúde, não disse para as pessoas usarem, não disse para desobedecerem a lei. O que defendi foi a modificação da lei, que tem se mostrado ineficaz. Em nenhum momento, prego a desobediências às leis, não defendi o uso da droga. Defendi mudança na política”, disse.
Minc e lógica, está posto, não se entendem. O álcool só faz mais vítimas justamente porque é legal, não é?, o que faz com que o consumo seja alto. O nosso valente assegura que uma pessoa, sob o efeito da maconha, está, por exemplo, apta a dirigir? Não ter pronunciando palavras de incentivo ao consumo não quer dizer que, na prática, não estivesse incentivando. Lembro a música-tema da marcha — “Vou apertar, mas não vou acender agora”. De resto, como homem de estado, Minc tem fóruns adequados para defender a mudança das leis.

Na avaliação do ministro, a legalização da maconha não garante o aumento do consumo da droga. “O cigarro é uma droga legal que mata e seu consumo vem diminuindo por causa de uma propaganda intensa mostrando que pode causar câncer e que mata. A tese que quero defender é que não é a legalização ou a não que leva ao aumento ou diminuição do consumo. O consumo do cigarro tem diminuído, e o craque, que é uma droga letal, tem aumentado. O que diminui são campanhas massivas de esclarecimento e ligadas à saúde”, disse.
Argumento falacioso. É de escandalizar a sem-cerimônia com que este senhor frauda a lógica. Com efeito, há campanhas públicas sobre os malefícios do cigarro. Mas, sobretudo, há um cerco que cresce contra o vício: hoje, é proibido fumar na totalidade dos prédios públicos, em todos os meios públicos de transporte, em quase todos os restaurantes — em São Paulo, então, a ação púbica chega a agredir, entendo, direitos individuais: estabelecimentos não podem nem mesmo criar um ambiente para fumantes protegidos por um toldo. Não, senhor Minc: proibições, no que respeita às drogas e no que diz respeito a consumo, geram efeitos, do ponto de vista da saúde, positivos. A questão está em não fazer da saúde um canal para práticas autoritárias.

O cigarro é, pois, um exemplo que prova o contrário daquilo que Minc pretende provar. Ademais, deixe-me ver se entendi: legalizam-se as drogas e depois se iniciam campanhas massivas sustentando que elas fazem mal à saúde. O resultado final, está posto, será uma elevação brutal do número de consumidores. Como acontece com o álcool. Como acontece com o cigarro.

O ministro afirmou que é estudioso do tema. “Sou estudioso, legislador do assunto e um cidadão livre e tenho minha tese sobre o tem. Minha posição é essa: usuário não é criminoso e um problema de saúde pública, de prevenção”.
Não é autoridade sobre o assunto coisa nenhuma. O verde de que ele deveria ser especialista é outro. É cidadão livre, mas é ministro de estado. Tem de defender a política do governo que integra e representa.

Minc disse ainda que sua participação na marcha não era ilegal. “Essa manifestação foi autorizada pela Justiça. E, nesta manifestação, os manifestantes pediam que fosse legalizada a maconha. É uma tese discutível. Há médicos e juízes que defendem essa tese e outros que condenam. Mas a democracia permite que as pessoas possam manifestar o seu ponto de vista. Por isso, me senti à vontade, como cidadão livre, para participar da marcha”, disse.
Não vou entrar nesse mérito agora, embora considere — e também sou livre para considerar — que se fez a apologia da droga, sim, o que, se caracterizada, é crime.

Não há lógica no que Minc diz, como se vê. A única coisa que tem a seu favor é o, digamos assim, Zeitgeist, o espírito do tempo: afinal, ser favorável à descriminação das drogas é coisa de gente “progressista” e ser contra é coisa de gente “reacionária”.

E, leitor, se nada do que escrevi lhe serviria, assim, de argumento definitivo contra as bobagens ditas por Minc, façamos ao ministro a seguinte pergunta: se seus argumentos valem para a maconha, por que não valem também para a cocaína, a heroína e o crack? Ou ele pretende desarmar o crime organizado nos morros e na periferia das grande cidades apenas liberando essa sua versão edulcorada do fuminho?

Imaginem se Minc cuidar da sua pasta com o mesmo rigor intelectual e apreço à lógica com que fala sobre maconha. Ah, bem…, e ele cuida.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Desmatamento ideológico: Minc exclui Incra da lista

quarta-feira, 10 de junho de 2009 | 5:52

Por Humberto Medina, na Folha:
O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem nova lista de desmatadores. Dessa vez, no entanto, optou por não incluir o Incra, órgão responsável pelos assentamentos do programa de reforma agrária, que figurou como principal desmatador na lista tornada pública em setembro do ano passado.
O ministério explicou que só aparece na lista quem será acionado na Justiça pelo governo, o que não é o caso do Incra. “Muitos assentamentos desmatam muito. Eu sei que alguns jornalistas gostariam que o Incra estivesse sempre nas cabeças. Às vezes ele está na frente, às vezes está no meio, às vezes está atrás. É que nem o Vasco, às vezes está na primeira divisão, às vezes na segunda”, afirmou o ministro Carlos Minc.
Depois de o ministro falar, um técnico explicou que os desmatamentos em assentamentos estão sendo tratados em uma câmara de conciliação na Advocacia Geral da União.
Ontem, Minc divulgou uma lista de 75 pessoas ou empresas que desmataram irregularmente ou comercializaram madeira de forma ilegal no Estado de Mato Grosso. Todos serão processados pelo governo na Justiça. No total são 80.204 hectares (cada hectare corresponde a aproximadamente um campo de futebol) de floresta derrubada e 58.774 (cerca de 3.000 caminhões) de madeira comercializada ilegalmente.
Quem mais devastou a floresta, segundo o ministério, foi Rosane Sorge Xavier, responsável pela derrubada de 16.024 hectares. “Essa moça deve ser a rainha da motosserra”, disse Minc. Sorge Xavier não foi localizada pela reportagem. aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Ainda sem remédio

quinta-feira, 4 de junho de 2009 | 17:34

Tenho escrito esses dias sobre este impressionante Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente. Leiam o que informa a Folha Online. Comento depois:

 

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) admitiu nesta quinta-feira que foi “enquadrado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por criticar outros ministros. Minc disse que não vai deixar o governo, mas reconheceu que o presidente lhe pediu para “tomar mais cuidado” com os colegas de ministério.

“Ele [Lula] disse: ‘Minc, você briga, faz as pazes. Briga com o cara da soja, faz as pazes. Briga com o Maggi, faz. Eu prefiro assim. Eu sei o que vai, o que não vai, as coisas estão andando, o desmatamento está caindo. Só peço para você tomar mais cuidado na questão pública em relação aos outros ministros’”, afirmou ao relatar as palavras de Lula.

Minc disse que, como “ministro obediente” ao chefe, não vai fazer mais polêmicas públicas com os colegas. “Quanto aos princípios ideológicos, as minhas convicções, eu manterei e ficarei até o fim, desde que mantendo naturalmente os meus princípios, o que é muito mais importante do que ficar no governo”, disse.

O ministro vai se reunir nesta tarde com o presidente Lula, mas disse que o encontro não tem relação com a sua permanência no cargo. Amanhã, o ministro vai viajar ao lado do presidente para assinar a criação de áreas de conservação ambiental.

Na semana passada, Minc reclamou a Lula dos ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos). Além de fazer críticas aos colegas a Lula, Minc tratou publicamente da questão –o que irritou o presidente.

Minc chegou a afirmar que os ministros pegavam suas “machadinhas” para ir ao Congresso “esquartejar” a lei ambiental. Mas minimizou as críticas nesta quinta-feira ao afirmar que o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) consideram que o meio ambiente “deixou de ser problema” no governo.

 

Ruralistas

Além do impasse com os colegas de governo, Minc também discutiu publicamente com parlamentares que integram bancada ruralista, ligada aos agricultores. O ministro chamou os parlamentares de “vigaristas” de cima de um carro de som, ao participar de marcha ao lado de trabalhadores rurais.

A senadora Katia Abreu (DEM-TO) protocolou denúncia contra Minc na PGR (Procuradoria Geral da República) por crime de responsabilidade e pediu a demissão do ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Minc minimizou o impasse com os ruralistas. “Fiz acordos com a soja, do agronegócio, fiz acordos com a cana, fiz acordos com o governador [Blairo] Maggi [Mato Grosso]. Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador Maggi, por que eu não posso fazer com a senadora Kátia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada? É uma questão de tempo”, disse.

O ministro reconheceu que se “excedeu” ao participar da marcha, mas disse que os “excessos foram ainda maiores do outro lado” –em referência aos ruralistas. “É claro que no momento da briga, eu no carro da Contag me excedi. Aqui no Parlamento pediram meu pescoço, mas pelo que me consta ele ainda está no mesmo lugar e provavelmente vai ficar até o fim do governo Lula, então nós temos que nos entender. Queremos o bem do Brasil. Se entender não significa exceder.”

Minc disse que vai procurar a senadora na semana que vem para tentar “acertar os ponteiros” após a discussão pública.

 

Comento

A esta altura, sinto um pouco de pena. Só isso.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Minc Leão Dourado continua fora de controle

quinta-feira, 4 de junho de 2009 | 6:56

 

O título acima é o que retrata o que vai abaixo, publicado na Folha de hoje. Volto em seguida:

 

Reunido ontem com cerca de 50 funcionários de sua pasta, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) pediu fiscalizações menos rigorosas contra pequenos agricultores, que o apoiam em sua luta contra os ruralistas.

Após a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, pedir anteontem a demissão de Minc, ontem foi a vez de a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso exigir sua saída: “O sr. ministro, ao rotular os ruralistas de “vigaristas”, deu mais uma evidência de sua imaturidade e irresponsabilidade que o desqualificam para ocupar o elevado cargo de ministro”.

Criticado por empresários, Minc recebeu ontem cartas de apoio da Contag e da Fetrab, que representam os trabalhadores, e fez uma autocrítica: “Nós erramos. Muita gente nossa tratava a agricultura familiar de uma forma meio autoritária. Não cumpriu? Pau. Multa. A gente tem de tratar diferentemente a agricultura familiar”.

Para ele, não se trata de estimular a impunidade: “É tratar de uma forma amiga, companheira, dando educação ambiental”. Em 2008, os assentamentos do Incra, onde vivem pequenos produtores, contribuíram com 21% do desmate na Amazônia.

Minc atacou ruralistas que dizem que há “xiitas que não deixam ninguém fazer nada no Brasil”: “É coisa medieval, de troglodita. Coisa da Inquisição. Antes se queimavam bruxas. Agora querem queimar árvores e ecologistas”.

 

Comento

Bem, se for o caso, releiam. Mas acho que vocês entenderam direito, e não há a menor possibilidade de ser outra coisa. Minc está afirmando que os desmatadores que são adversários políticos são piores do que os desmatadores que são aliados.  A uns, ele promete camaradagem e educação ambiental; os outros, ele demoniza e chama de “vigaristas”.

 

Vejam lá o que diz aos aliados ideológicos: “Nós erramos. Muita gente nossa tratava a agricultura familiar de uma forma meio autoritária. Não cumpriu? Pau. Multa. A gente tem de tratar diferentemente a agricultura familiar. É tratar de uma forma amiga, companheira, dando educação ambiental”. Ah, bom! E para aqueles odiáveis “ruralistas”, aquela gente desprezível que planta comida? Bem, entendo que continua, então, a política do “pau e da multa”.

 

Não custa lembrar: a lista do Inpe com os 100 maiores desmatadores brasileiros é liderada pelo Incra. Mas agora Minc vai bater papinho com eles e, como se nota, vai relaxar. Como informa o jornal, quer “fiscalizações menos rigorosas”.

 

Este senhor só não é uma piada porque não tem graça nenhuma. Com Minc é assim: aos amigos, tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Kátia Abreu ganha, Minc perde, e Senado aprova regularização de terras

quinta-feira, 4 de junho de 2009 | 6:56

 

Leiam o que vai na Folha, por Marta Salomon. O título acima, como devem supor, é meu. Ah, sim: o Brasil também ganha.

Até o final do mês, o governo começará a cadastrar os atuais ocupantes de uma área de 67,4 milhões de hectares de terras públicas da União na Amazônia -equivalente aos territórios de Alemanha e Itália somados-, para doação ou venda sem licitação, até o limite de 1.500 hectares. As regras do processo acelerado de regularização fundiária foram aprovadas ontem pelo Senado e seguem para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto final recebe críticas de ambientalistas e ruralistas. A ex-ministra Marina Silva (PT-AC) condenou a transferência de um patrimônio público, cujo valor foi estimado em R$ 70 bilhões, para particulares, inclusive empresas, que poderão revender as terras três anos após a concessão dos títulos, no caso de imóveis médios e grandes. Os pequenos poderão ser vendidos após dez anos.

Já a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), relatora do projeto, defende a cobrança simbólica também para propriedades entre 4 módulos rurais (cerca de 400 hectares) e 1.500 hectares.

Ela chegou a sugerir preço entre R$ 3 e R$ 5 o hectare, como foi feito no Tocantins, mas recuou diante do risco de a medida provisória da regularização fundiária perder a eficácia nos próximos dias, caso a votação não fosse concluída. “Quando as pessoas foram para lá [Amazônia] ninguém queria aquilo nem de graça”, alegou.

A votação no Senado foi confusa. Por fim, foram derrubadas as propostas de Marina que impediam a venda dos terrenos no período de dez anos após a regularização, assim como a possibilidade de pessoas que não ocupam diretamente as terras serem beneficiadas.

Ela vai pedir ao presidente Lula o veto à parte do texto. A aprovação foi também uma derrota para o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), que está em atrito com os ruralistas.

Assinante lê mais aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Ministro recua em críticas a colegas e promete licenças…

quinta-feira, 4 de junho de 2009 | 6:41

Por João Domingos, Gerusa Marques, Leonencio Nossa e Renata Veríssimo, no Estadão:

Depois de criticar a “algazarra” na Esplanada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que estava, até ontem, em duas frentes de batalha: contra o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, por causa da pressão pelo licenciamento das obras da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho; e contra os ruralistas, aos quais se referiu como “vigaristas” na semana passada.

Em plena cerimônia de balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que possui várias obras criticadas por ambientalistas, Minc disse ontem que, embora seja contrário à concessão da licença para a rodovia, quem manda no governo não é ele, “é o presidente Lula, e o presidente quer a licença”. Mas Minc voltou a insistir que, para dar a licença, exige o cumprimento de uma lista de condições, como a construção de postos de vigilância e unidades de conservação.

Diante da posição do colega, o ministro Nascimento até marcou data para a licença: dia 15 deste mês. Minc disse que não se importa com datas, mas com as exigências ambientais, e que, se estas forem cumpridas, não tem nenhum problema em conceder a licença daqui a 11 dias.

Na semana passada, Minc queixou-se ao presidente Lula dos ministros Alfredo Nascimento, Reinhold Stephanes (Agricultura) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos). Disse que eles combinavam uma coisa no governo e depois pegavam a “machadinha” e iam ao Congresso atacar a legislação ambiental. Ao falar com o Estado, o ministro se referiu ao governo como “casa da mãe joana”, tantas as divergências.

Lula, na ocasião, disse a Minc que não se preocupasse, porque falaria com os outros para não sabotarem a legislação do meio ambiente. Mas, ao saber que Minc tinha falado para os jornalistas os nomes dos ministros, repreendeu-o e mandou que parasse de arrumar brigas.

Durante o balanço do PAC, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo espera que as exigências quanto ao cumprimento das questões ambientais sejam sanadas logo para que saia a licença para a BR-319. Lembrou que são três os trechos e que só um está sem licenciamento ambiental, enquanto os dois outros estão em obras. “Portanto não há motivos para maiores preocupações”, disse Dilma, que manteve o selo verde na estrada - sinal de que considera que as obras estão em dia.

Assinante lê mais aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

“Pai Lula” sai de casa, e a meninada faz algazarra

quarta-feira, 3 de junho de 2009 | 6:07

 Leiam isto. Volto depois. Na Folha:

O presidente Lula falou ontem em “problema de divergências” ao se referir aos recentes embates entre a área ambiental do governo e os ministros que defendem flexibilizações e ajustes na legislação para o avanço da agricultura e de estradas, por exemplo.

Lula disse que colocará um ponto final na algazarra quando retornar ao país, amanhã. “Você vai perceber que na sexta-feira já não teremos mais problema de divergências”, disse, durante visita à Guatemala.

Quando questionado sobre o tema, o presidente fez uma comparação com famílias com muitos filhos. “Toda a vez que o pai sai de casa, a meninada faz algazarra mais do que deveria.”

Sem citá-lo, Lula repreendeu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) que, após conversa com ele na semana passada, reclamou publicamente de alguns ministros e disse que os avanços de obras infraestrutura não ocorrem no mesmo ritmo da preservação ambiental.

“Às vezes você não pode externar a sua visão sem saber que repercussão ela pode ter no outro. E vale pra todo mundo. Imagina no campo de futebol, se os jogadores começam a se xingar alto pra torcida ouvir, pra imprensa descobrir, acaba o jogo”, disse.

 

Comento

Digam sinceramente: não dá nem mesmo pra se indignar, não é? Lula trata o Coroa Alegre de Colete como um inimputável. Como censurá-lo por isso? Mas dá para criticá-lo por ter nomeado o sujeito. É bem verdade que o presidente queria alguém que liberasse as tais licenças. E Minc Leão Dourado liberou tudo. Pronto! Já cumpriu a missão. Já pode cair fora. Afinal, é preciso cuidado nessa área ambiental. Nesse caso, onde há fumaça, há fogo, não é mesmo?

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

SEM DECORO E SEM LIMITES

terça-feira, 2 de junho de 2009 | 20:21

Por Lorenna Rodrigues, na Folha Online. Comento depois. O título acima é meu.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) reagiu hoje à denúncia feita contra ele pela senadora e presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), Kátia Abreu (DEM- TO). “O fato de os ruralistas estarem preocupados com a minha permanência do ministério me faz achar que estou no caminho certo”, completou Minc. “Podem me insultar e pedir minha cabeça que vou continuar governando, vou continuar coibindo os vossos crimes ambientais”.

A senadora protocolou denúncia na PGR (Procuradoria Geral da República) denúncia contra o ministro por crime de responsabilidade, após Minc chamar os agricultores de “vigaristas” e afirmar que os ruralistas “fingem defender a agricultura familiar”. Kátia Abreu encaminhou também pedido de demissão do ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência.

O ministro atribuiu a denúncia ao desespero dos ruralistas. “Essa tensão começou quando nós impedimos eles [os ruralistas] de esquartejar a legislação brasileira e conseguimos refazer o acordo histórico entre a agricultura familiar e os ambientalistas. A CNA perdeu uma margem que ela tinha de manobra, eles estão desesperados e querem me tirar do governo”, afirmou.

Minc disse que os ruralistas não mandam no país e por isso não determinam quem entra ou sai do governo. “Que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula, e não pelos ruralistas. Alias, se tivesse sendo comandado pelos ruralistas, não ia ter Bolsa Família, ia ter Bolsa Latifundiário”, rebateu Minc.

O ministro, porém, disse que vai procurar a CNA para tentar entrar em um acordo, mas ressaltou que a agricultura familiar terá maiores benefícios.

 

Comento

Acabou o remédio, Minc?

Não é possível que este senhor continue a tratar assim um setor inteiro da economia brasileira. Desesperado está Minc. Ele sabe que substituiu Marina Silva para ser um despachante de licenças ambientais. E cumpriu direitinho o seu papel. Se vocês observarem bem, este homem corajoso não comprou uma só briga com as empreiteiras que estavam à espera das ditas-cujas — algumas delas boas financiadoras de campanhas eleitorais — do PT também, é claro…

 

Com elas, era coletinho colorido pra cá, coletinho colorido prá lá… Minc decidiu mudar o modelito com os “ruralistas”. Aí botou uma faca chiquérrima na boca e partiu para a luta, sentindo na boca o gosto de sangue — quero dizer, de chá verde. Começo a dar crédito ao boato de que, quando militante da organização terrorista VAR-Palmares, ele era mesmo da viração. O terrorismo vocabular continua. E só para lembrar: o Brasil é comandado pelas leis.

 

Os “ruralistas”, que este irresponsável ataca, responderam, durante largo período, pelo superávit comercial do Brasil, um dos pilares da estabilidade.

 

Alguns trouxas supõem que censurei Minc por ter participado da Marcha da Maconha em razão de preconceito ou, sei lá, moralismo. Besteira! Já então, recuperem o teto, a minha questão era outra: esse sujeito não tem noção de decoro e de limites.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

A natureza da bobagem

terça-feira, 2 de junho de 2009 | 16:43

(leia primeiro o post abaixo)

O ministro Carlos Minc, ou Minc Leão Dourado, como o chamo, em homenagem à sua rara exuberância, está fora de qualquer controle. De que controle? Dos ruralistas? Dos ambientalistas? Dos médicos especializados em comportamento? Não! Ele está fora do controle republicano. Desde, diga-se de passagem, que participou daquela tal Marcha da Maconha, onde desandou a dizer bobagens. E não parou mais. Afinal, precisamos de um ministro do Meio Ambiente que seja contra a queima de mato…

 

Durou pouco a construção da figura do ambientalista sensato, que parecia saber equilibrar as necessidades da preservação do meio ambiente com as exigências da economia. Minc está com saudade daquele sujeito que metia batata em escapamento de ônibus.

 

Seu ataque aos produtores rurais brasileiros — chamou-os de “vigaristas”, sem distinção, em praça pública — é motivo, sim, para a ação da senadora Katia Abreu (DEM-TO) — taí uma senadora de coragem. É uma irresponsabilidade tratar todo um setor da economia brasileira, que responde, em grande parte, pela estabilidade econômica experimentada pelo governo Lula, como um bando de desmatadores. Há, claro, a questão de fundo, que ainda será devidamente tratada neste blog, a saber: opor preservação a desenvolvimento da agroindústria é uma tolice. Mas também é preciso harmonizar as leis ambientais. Vive-se uma barafunda nessa área, que expõe o setor à sanha da militância.

 

Querem um exemplo? O Greenpeace — esse movimento notório por saber plantar notícias na imprensa e atacar quem planta comida — está hoje nos jornais acusando o próprio governo de incentivar desmatadores à medida que o BNDES financia frigoríficos. Qual é o ponto dos valentes? Parte da carne desses frigoríficos viriam de pastagens ilegais, em áreas de preservação. Até aí, o leitor poderia dizer: “É, Reinaldo, então faz sentido”. Querem ver? A ONG faz Uma lista das empresas que estariam comprometidas com o desmatamento. OK. Agora Leiam este trecho de reportagem do Estadão a respeito: “A ONG não diferenciou o corte permitido por lei (até 20% da propriedade na Amazônia) do ilegal. ‘Para nós, um desmatamento de mil hectares é um escândalo, seja ele legal ou ilegal’, diz Muggiati. Um hectare equivale a um campo de futebol, aproximadamente.’” Vale dizer: temos um movimento dito ambientalista que sataniza empresas com base em “leis” próprias.

 

Há um verdadeiro movimento organizado contra a agroindústria, como se, de um lado, estivessem os homens bons, que querem preservar as matas — sob os auspícios da entidade Marina Silva e seu xale protetor — e, de outro, os homens maus, que gostam mesmo é de destruir a natureza. Calma lá! É preciso distinguir  bandoleiros de produtores rurais. ONGs e Minc estão botando todos no mesmo saco de gatos pardos.

 

Ou se tem juízo nessa história ou se deixe a produção rural brasileira nas mãos diligentes de Cristiane Torloni e Victor Fasano, os ambientalistas tardios que não sabem, literalmente, a diferença entre o alho e o bugalho.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Senadora denuncia Minc por crime de responsabilidade na Procuradoria Geral da República

terça-feira, 2 de junho de 2009 | 16:02

Leia o que vai abaixo. Volto no post seguinte.

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) protocolou nesta terça-feira denúncia contra o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) por crime de responsabilidade na PGR (Procuradoria Geral da República). Presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a senadora afirma na denúncia que Minc ofendeu os agricultores ao participar do “Grito da Terra”, na semana passada.

Além da denúncia na PGR, Kátia Abreu encaminhou pedido de demissão do ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

“O ministro dirigiu-se ao carro de som, assumiu o microfone, passou a proferir ataques, insultos e impropérios direcionados aos produtores do setor rural”, disse a senadora.

Kátia Abreu classificou de “grave conduta” a postura de Minc durante o “Grito da Terra”. Na ocasião, o ministro chamou os agricultores de “vigaristas” ao afirmar que os ruralistas “fingem defender a agricultura familiar”.

Segundo Kátia Abreu, as declarações não são dignas de um ministro de Estado. “A situação é particularmente grave na medida em que o senhor Carlos Minc dirige e supervisiona órgãos e entidades da administração federal que fiscalizam produtores rurais quanto ao cumprimento da legislação ambiental”, diz a senadora na representação.

 

Insultos

As declarações de Minc irritaram integrantes da bancada ruralista da Câmara, que reagiram às críticas do ministro e defenderam que ele deixe o cargo.

“Como responder um desqualificado moral como esse? Esse homem não tem estatura, é um irresponsável por tratar um segmento, o setor produtivo rural com essas palavras. Ele deve tratar assim quem ele convive bem, que é com o narcotráfico dos morros do Rio de Janeiro”, disse o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

Caiado afirmou que o “palavreado” de Minc é “característico daquele usado nos morros da Rocinha” em conversas com traficantes de drogas. “Não venha trazer esse palavreado para cá. Nós deputados não aceitamos esse tipo de provocação de um ministro que não tem um mínimo de saber ao não assumir a liturgia do cargo.”

Depois da troca de insultos, Minc chegou a divulgar nota oficial para afirmar que não teve a intenção de insultar a bancada ruralista. “Não mencionei qualquer nome, não ofendi qualquer pessoa. Alertei sobre o risco de manipulação da agricultura familiar pelos grandes com o objetivo de usá-los como massa de manobra contra as proteções ambientais”, diz Minc na nota.

O ministro rebateu as críticas de Caiado ao afirmar que ficou “completamente estarrecido com a virulência e o baixo nível” das palavras usadas pelo líder democrata.

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Minc Leão Dourado: Câmara quer explicação para multa

segunda-feira, 1 de junho de 2009 | 6:09

 

Por Lisandra Paraguassu e Lígia Formenti, no Estadão:

A Comissão de Agricultura da Câmara quer convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para prestar esclarecimentos sobre a demora de nove meses na cobrança de uma multa de R$ 3 milhões lavrada contra o Grupo Bertin, frigorífico que “salvou” a Operação Boi Pirata de um desfecho constrangedor. Em agosto de 2008, um mês depois de a multa ter sido aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o frigorífico arrematou em leilão 3.100 bois apreendidos na operação. Duas tentativas de venda já haviam sido feitas, mas tiveram de ser suspensas por falta de comprador.

Como mostrou o Estado ontem, a multa contra o frigorífico, um dos maiores do País, só saiu da gaveta em abril passado, quando a história começou a circular por gabinetes de Brasília. “Se o ministro sabia ou não, não importa. Se houve demora na cobrança dessa multa, a responsabilidade é dele e ele terá de responder por isso”, afirmou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), da comissão.

Ele vai aproveitar um requerimento de convocação do ministro feito semana passada para incluir o caso na pauta. O pedido original tinha como objetivo cobrar esclarecimentos sobre um pronunciamento em que Minc qualificava de vigaristas produtores rurais. “Agora, também vamos tratar da demora na cobrança da multa.”

Integrante da bancada ruralista, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), defende que, caso seja comprovado um eventual benefício ao frigorífico, Minc seja processado. “Essa demora na aplicação da multa é, no mínimo, muito suspeita.”

Assinante lê mais aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo

Minc Leão Dourado - Multa do Ibama fica nove meses na gaveta após infrator ajudar ministro

domingo, 31 de maio de 2009 | 6:55

Por Rodrigo Rangel

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) segurou por quase nove meses a aplicação de uma multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A, uma das maiores redes de frigoríficos do País. Além da negligência administrativa, o engavetamento da multa, aplicada em 27 de julho do ano passado, ganha importância política porque o Grupo Bertin participou de uma operação ambiental de “sucesso” desencadeada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a quem o Ibama está subordinado.

 

Em agosto do ano passado, o Bertin arrematou em leilão os 3.100 “bois do Minc”, como ficou conhecido o gado criado em área desmatada irregularmente que o ministro, em uma operação midiática, apreendera no Pará em junho de 2008. A negociação da manada estava a ponto de “micar”, pela falta de frigoríficos interessados na compra. Naquele momento, os bois foram arrematados pelo Bertin, a empresa que tinha o auto de infração no valor de R$ 3 milhões literalmente estacionado em uma gaveta da gerência do Ibama em Marabá (PA).

 

Normalmente, os autos de infração não demoram a virar processos administrativos de cobrança nos sistemas eletrônicos do Ibama. Tão logo retornam das missões de campo, os fiscais entregam na base das operações seus blocos de multa e os autos lavrados passam a integrar o Sicafi, como é conhecido o Sistema de Cadastro, Arrecadação e Fiscalização do órgão. Quando muito, a inclusão das multas no sistema leva um mês.

 

É a combinação da marcha lenta do processo de cobrança com a prontidão do Bertin de salvar a Operação Boi Pirata que chama a atenção. A operação foi deflagrada, segundo o ministro, para “pôr fim à moleza” dos ruralistas e combater o desmatamento para fazer pasto e alimentar os “rebanhos piratas”. Já a multa à empresa foi aplicada durante fiscalização de rotina do Ibama. Os fiscais encontraram numa das unidades do frigorífico, em Santana do Araguaia (PA), um estoque equivalente a 10 mil metros cúbicos de lenha nativa. Segundo o auto de infração (nº 489.842), o Bertin não tinha documentos que pudessem certificar a origem da madeira.

Assinante lê mais aqui

  • Share/Bookmark

Por Reinaldo Azevedo


 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |