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Bobagens de Lula

30/07/2011

às 6:23

A retórica asquerosa e fascistóide de um certo Luiz Inácio. Ou: Apedeuta confessa que, até 2002, sempre torceu para o Brasil se ferrar

Não adianta! Ele não tem cura. O Apedeuta não compreende a democracia. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Por Luciana Nunes Leal, do Estadão:
No segundo dia de compromissos no Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que pretenda disputar a Presidência da República em 2014 e disse que a presidente Dilma Rousseff só não tentará a reeleição se não quiser. Lula respondeu ao ex-governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, que disse acreditar em uma candidatura do ex-presidente em 2014.

“Só há uma hipótese de Dilma não ser candidata: ela não querer. O Serra está preocupado é com a candidatura dele próprio e não consegue nem resolver os problemas internos do PSDB”, disse Lula, em rápida entrevista, depois de participar de um seminário na Escola Superior de Guerra (ESG).

Lula estava acompanhado, entre outras autoridades, do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que, na semana passada, disse ter votado em Serra, de quem é amigo, e não em Dilma, na eleição de 2010. Lula defendeu Jobim. “Tem gente que não gosta de mim e votou em mim; tem gente que gosta de mim e não votou. Não se pode fazer política pensando nisso”, afirmou Lula.

Durante a palestra, Lula disse que a oposição torce contra o governo. “Quando você ouvir o cara de oposição falar ‘estou torcendo para dar certo’, não acredita, não. É o inverso. Eles estão torcendo para a inflação voltar, para o desemprego aumentar”, disse o ex-presidente à platéia formada por militares alunos da ESG.

Voltei
Ao se referir a seus oponentes, Lula parece Arnaldo Jabor a dizer “coisas inteligentes” sobre o Partido Republicano nos EUA. Não é que os adversários tenham um ponto de vista diferente: na verdade, seriam todos sabotadores.

Vejam ali: Lula está fazendo uma confissão. Enquanto permaneceu na oposição, torceu sistematicamente para o país dar errado. Afinal, segundo ele, é o que fazem sempre os oposicionistas. Toma-se como medida de todas as coisas. Lula diz a verdade sobre si mesmo, mas mente sobre os outros.

Diz a verdade sobre si mesmo e sobre seu partido porque:
- negaram-se a homologar a Constituição de 1988;
- negaram-se a apoiar o governo Itamar;
- tentaram derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal;
- tentaram impedir as privatizações;
- lutaram contra a abertura da economia ao capital estrangeiro;
- votaram, acreditem!, contra o Fundef, que destinava mais recursos para a educação;
- opuseram-se aos programas sociais, reunidos depois no Bolsa Família, porque diziam  tratar-se de esmola. Lula dizia que quem recebia bolsa não plantava macaxeira…
- tentaram derrubar o Proer, que saneou o sistema financeiro;
- bombardearam o programa de reestruturação dos bancos estaduais.

Não houve, em suma, uma única boa ação do governo FHC que Lula e seu partido não tenham tentado sabotar. Por quê? Porque, ele confessa agora, torcia para que tudo desse errado.

E ele mente sobre a oposição. Esta, ao contrário do que ele diz, foi cordata demais com ele. A única questão relevante para o governo a que se opôs firmemente foi a prorrogação da CPMF. Ainda assim, o imposto caiu com a colaboração de senadores da base governista.

Candidatura
Quando à Presidência, ao negar que é candidato, confirma a candidatura. Diz que Dilma só não será o nome do PT se não quiser. Ele, como se nota, está fazendo de tudo para que ela não queira ao  ocupar a ribalta, ao se apresentar como o único interlocutor aceitável do petismo. Falta uma indagação essencial aí: “Se ela não quiser, o candidato será quem?” A resposta está dada”.

A suposição de que adversários são sabotadores é típica de mentalidades fascistas. E Lula é o fascismo possível no Brasil.

PS - Esse lixo intelectual e moral foi dito na Escola Superior de Guerra, que já sonhou reunir o pensamento estratégico no Brasil.

Texto publicado originalmente às 19h32 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

28/07/2011

às 16:24

Lula tem uma concepção fascista de imprensa

O Apedeuta continua a praticar o seu esporte predileto, que é brutalizar a lógica, o bom senso e a verdade. E, como se nota, está mais assanhado que lambari na sanga. Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida:

Lula critica imprensa e defende gastos em publicidade
Por Italo Nogueira:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na manhã desta quinta-feira, o gasto em publicidade dos governos para divulgar melhorias no serviço público. Para ele, que visitou o hospital de traumatologia Dona Lindu, em Paraíba dos Sul (RJ), “o que é ruim tem preferência no noticiário”.

“Vocês têm a obrigação política com o povo do Rio e com quem não mora aqui de dizer o que estão fazendo aqui. Acho que isso é uma falta de opção nossa. Tem muita gente que fala: ‘Ah, você vai gastar dinheiro com publicidade?’ Enquanto você não gasta para fazer publicidade das coisas boas, gasta para fazer nota reexplicando aquilo que foi equivocadamente denunciado”, disse Lula, a uma pequena audiência no auditório do hospital.

Lula visitou a unidade, inaugurado em junho de 2010 que recebe o nome de sua mãe, Eurídice Ferreira de Mello, morta em 1980. De acordo com o governo do Estado, o hospital se tornou referencia em cirurgias ortopédicas em média e alta complexidade e é o que mais realiza cirurgias deste tipo na rede estadual. “Normalmente o que é ruim tem preferência no noticiário sobre o que é bom. Raramente você vê uma reportagem elogiando um hospital. O que é bom parte-se do pressuposto que é obrigação. Um hospital salvar vidas não é notícia, mas se morrer um é”, disse Lula. O ex-presidente disse que a publicidade institucional “não é dizer que está tudo pronto”.

“Sabemos que ainda tem fila. Mas, se o que melhorou, a gente não colocar para o povo saber, o povo vai ficar sabendo apenas aquilo que os outros querem que eles saibam. Tem muita coisa errada, mas [tem que] mostrar o que foi feito. Numa escada de 16 degraus, vocês chegaram a 8, 9. Tem que mostrar. A gente aprendeu com Chacrinha há muito tempo atrás: ‘Quem não se comunica, se trumbica’”.

Ao final da fala, Lula cobrou o secretário estadual Sérgio Côrtes  a inauguração da nova sede do Into (Instituto de Traumatologia), cuja obra está atrasada. “Desde o Humberto Costa (ex-ministro da Saúde) a gente está esperando”, queixou-se Lula. Côrtes disse que o ministro Alexandre Padilha está definindo a data com presidente Dilma. Durante a apresentação, Côrtes mostrou casos de pessoas amputadas que tiveram membros reimplantados no hospital. Uma das fotos mostrava uma pessoa sem dedo, situação semelhante à ocorrida com o ex-presidente quando metalúrgico. A imagem provocou frisson no auditório. Lula não se referiu ao episódio, mas disse que levaria um de seus filhos, de 40 anos, que sofre com próteses nos quadris.

Voltei
A primeira pergunta óbvia: o que este senhor fazia lá? É visível que Lula está ocupando o espaço político que caberia à presidente Dilma Rousseff. Leva cada vez mais a sério aquela sua frase, dita durante a campanha, segundo a qual quem escolhesse “Dilma” estaria votando em “Lula”.  Vamos ao mérito de sua consideração.

Lula tem uma visão da imprensa típica de regimes fascistas e comunistas. Sua tarefa, como se nota, seria fazer propaganda do regime. Como não dispõe do porrete para obrigá-la a tanto, então que os cofres públicos arquem com mais conseqüências.

Está explicitando um método. De propaganda em propaganda, construiu-se sua fortuna crítica, muito acima das suas realizações. Pior do que isso: conseguiu, com seu enorme talento para difamar, expropriar os adversários de seus méritos.

E não acusem Lula de defender a propaganda de obras que ainda nem foram concluídas porque ele não vê mal nenhum nisso; ao contrário: para ele, trata-se de um mérito.

Por Reinaldo Azevedo

05/07/2011

às 17:43

Lula: impostura até diante de um cadáver

Poderia deixar passar, mas não vou. Acusar as imposturas de Lula é uma questão civilizatória. A cada vez que ele brutaliza a verdade, é um dever moral acusar a mentira. Na Folha de hoje, o Babalorixá de Banânia afirma que foi preciso Itamar Franco morrer para que lhe reconhecessem o mérito do Plano Real. É uma forma indireta e vigarista de atacar FHC, como se este houvesse sequestrado a obra daquele. O tucano sempre reconheceu, e o fez ainda outra vez há dois dias, que Itamar era o presidente à época da decretação do Real. Mas também é fato notório que este não tinha a exata noção do problema.

Quem não reconhece as virtudes do real é Lula. Tanto é assim que seu partido votou contra a lei que o instituiu. Os petistas diziam que o plano seria um desastre para o Brasil. Quem satanizou Itamar foi Lula, especialmente durante a privatização da CSN. Quem hostilizou Itamar foi Lula, tanto é que o PT se negou a fazer parte da base de apoio ao governo e puniu Luiza Erundina, que aceitou ser Ministra da Administração. Vai ver Lula fala de si mesmo. Enquanto Itamar era Presidente da República, o PT, na oposição, fez o que sabe fazer: sabotar o governo.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2011

às 6:28

Lula e Dirceu se pintam para a guerra e resolvem ressuscitar um “grande inimigo”: a imprensa!

Dirceu e Lula participam de evento do PT em São Paulo, em foto de Marco Alves, de O Globo

Dirceu e Lula participam de evento do PT em São Paulo, em foto de Marco Alves, de O Globo

Um texto um pouco longo, caras e caros, mas acho que confere clareza ao jogo.

Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu resolveram pintar  todas as suas  caras para a guerra. Já estamos em ano pré-eleitoral, o PT bate cabeça, e companheiros são vítimas de fogo amigo. A oposição é pequena demais para criar constrangimentos ao governo, como se nota. As dificuldades todas do Planalto estão na própria base aliada, em especial no próprio PT, mas a Soberana não tem jogo de cintura para fazer política. Numa pequena entrevista em que comentava a Medida Provisória que torna secretos os gastos da Copa de 2014, voltou àquele velho estilo da bronca, com dedo em riste e cenho fechado. Então é hora de apelar ao comitê central. Lula e Dirceu reuniram a petistada com três propósitos:
a) apelar à unidade do partido contra os terríveis inimigos;
b) satanizar a oposição, que estaria, mais uma vez conspirando;
c) ressuscitar a guerra contra “a mídia”, tão bem-sucedida no passado.
Voltarei a este ponto. Mas precisamos passear antes por algumas paisagens vizinhas.

Adesismo inédito
O leitor sabe muito bem que nunca antes na história destepaiz houve uma imprensa — ou “mídia”, como chamam os petistas
tão adesista como a que temos. Há exceções? Há! E as exceções, ao se evidenciar, confirmam a regra. Chega a me espantar, por exemplo, o coro de reconhecimento dos últimos dias à grande, à monumental obra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Não é que ele não mereça. O que se tem ainda é muito pouco para retratar com justiça o que foi feito. Mas como deixar de constatar que algumas penas só se moveram depois que a presidente Dilma Rousseff enviou ao tucano uma mensagem em que afirmava seu grande feito para a história do Brasil?

Vivemos uma era em que a militância de alguns estimula a covardia de outros. Foi preciso que uma figura graduada do petismo desse uma espécie de “autorização” para que, então, alguns tantos de manifestassem. Caso a patrulha se assanhasse, bastaria dizer: “Até Dilma elogiou…” Isso evidencia um momento asqueroso de subordinação intelectual, moral e política a um ente de razão que vigia as consciências.

Eu sei o quanto apanhei nos últimos anos por ter reafirmado aqui, a cada dia, a herança bendita do ex-presidente. Não me atribuo, é evidente, nenhum heroísmo por isso. Escrevo as coisas nas quais acredito — e só as coisas nas quais acredito! Defender FHC está longe de ser a coisa mais difícil que faço. Muito mais trabalhoso tem sido, por exemplo, ter de lembrar ao Supremo que existe uma Constituição no país e que cabe, sim, a um tribunal constitucional tomar decisões que interpretem o espírito das leis, mas não lhe cabe, de modo nenhum, decidir contra a letra explícita da própria Carta ou dos códigos legais cuja caducidade ainda não foi declarada. Isso, sim, tem sido difícil. Apontar as óbvias conquistas de FHC é bico, ainda que, ao longo dos anos, tenha sido uma atividade quase solitária não nestes últimos dias, depois que a mensagem de Dilma foi tornada pública.

A farsa petista só se constituiu porque se permitiu que o partido e o governo Lula mentissem muito sobre si mesmos e, acima de tudo, sobre seus adversários. Há casos, em que setores da imprensa foram mais do que meros veiculadores da farsa; atuaram como partícipes. Na VEJA desta semana, uma reportagem (ver abaixo) revela, finalmente, os bastidores do dossiê dos aloprados e chega aos mandantes do crime e à origem do dinheiro. Uma entrevista dos empresários-bandidos fazia parte da conspiração.

Não-domesticados
Há, sim, os que se ocupam de fazer jornalismo e de lembrar os princípios de independência que devem orientar a imprensa. E, por isso mesmo, casos como a verdade sobre os aloprados ou o espantoso talento de Antonio Palocci para ficar rico vêm a público, para irritação dos companheiros. Isso não quer dizer que não se viva um momento de cooptação inédito em tempos democráticos. E, como veremos a seguir, para aqueles que realmente comandam o PT — e não é Dilma Rousseff —, isso ainda é muito pouco. Nada serve que não seja a unanimidade.

Fabricantes de provas
Luiz Inácio Apedeuta da Silva esteve ontem no Encontro das Macro Regiões Estaduais do PT, na cidade de Sumaré, em São Paulo. Estava acompanhado de José Dirceu, aquele que a Procuradoria Geral da República diz ser chefe de quadrilha, o subcomandante do mensalão. Ambos fizeram, vocês viram num post abaixo, a defesa da administração de Campinas, depois de cobrados em cena aberta por Dr. Hélio, o prefeito. Só lhe faltou dizer: “Eu me lembro de vocês; vocês se lembram de mim?”  Sim, eles se lembravam. E usaram o exemplo pessoal para provar como o mundo pode ser injusto, e os adversários, perversos.

Seguindo a linha de defesa do prefeito, atacaram o PSDB e politizaram a questão. Lula se disse de “saco cheio” de ver “companheiros acusados” sem provas etc e tal. Digamos que fosse verdade. A boca torta pelo uso do cachimbo desmoralizaria a sua crítica. De toda sorte, a verdade sobre o caso dos aloprados, por exemplo, revelada ontem por VEJA, demonstra que o PT é realmente singular: se não existem “provas” contra seus adversários, eles se encarregam fabricá-las. O método é tão disseminado que pode até vitimar um companheiro de partido, como aconteceu no Mato Grosso contra Serys Slhessarenko.

O caso de Campinas foi evocado para lembrar quão terríveis são as oposições, o que evidencia, então, a necessidade da união dos petistas, que têm de parar com aquela brigalhada. Lula sabe que foi o fogo amigo que colheu Antonio Palocci, por exemplo, mas não pode admiti-lo. Então recorre a um clássico: acusa o cordeiro que bebe água rio abaixo de turvar a água rio acima. O PT, partido que exerce a hegemonia inequívoca do processo político, estaria sendo impiedosamente perseguido!!!

De volta à mídia
A unidade contra o inimigo é o trivial ligeiro de qualquer batalha. É pouco. Então foi preciso investir numa velha fantasia, que andava ausente dos discursos nesses quase seis meses de governo Dilma: o ataque à imprensa. A qual imprensa? Àquela que é subordinada do petismo e que decidiu ressuscitar o clima Don & Ravel e fazer a versão “jornalística”, e infinitamente mais pobre, de “Porque me ufano do meu país”, levando Afonso Celso a se remexer na tumba? Não! Lula e Dirceu atacam a imprensa que cumpre o seu papel.

O Babalorixá voltou à ladainha de seus oito anos de mandato. Fosse pela imprensa, disse aos petistas em delírio, não teria deixado o governo com 87% de aprovação popular. Só se esqueceu de dizer que essas medições de popularidade e sua própria divulgação foram feitas pela… imprensa. O Apedeuta deu a receita, segundo relato de O Globo:

“O ex-presidente falou da estratégia de seu governo de privilegiar os pequenos veículos de comunicação do interior do país, as chamadas mídias regionais, para se comunicar com o eleitorado. ‘Consegui criar outra forma de conversar com as pessoas que não fosse através dos grandes meios de comunicação, passando a falar nas rádios e jornaizinhos locais. Essa gente (do interior) não lê os grandes jornais, o que vale é a imprensa local, a rádio local”, ensinou.
O petista lembrou que essa bem sucedida mudança na comunicação oficial envolveu também a redistribuição das verbas publicitárias do governo. Segundo Lula, essas verbas eram destinadas a cerca de 378 veículos no início de sua gestão. E, no ano passado, eram oito mil veículos (entre rádios, jornais, revistas e TVs) que repartiam essa verba.”

Em suma, ele deixou claro que usou dinheiro público para comprar apoio da “boa imprensa”.

Se isso lhe parece pouco, é porque José Dirceu ainda não havia se pronunciado. Ainda segundo o relato de O Globo:
“Falando aos militantes logo depois de Lula, que deixou o evento após discursar, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu disse que hoje a mídia ‘faz o papel da oposição’ no país, organizando a agenda e pautando as ações da oposição. ‘O partido precisa responder aos ataques que já está sofrendo e vai sofrer. Se tem problema de corrupção, que se investigue’, disse. Segundo Dirceu, o partido não deve permitir o ‘uso político’ dessas denúncias: ‘Se hoje temos o Ministério Público e a Polícia Federal investigando, isso foi por conta do nosso governo. Por isso, não vamos permitir que se faça uso político desse tipo de denúncia’.”

Santo Deus!

Zé Dirceu não resiste nem à lógica pedestre. Se fosse verdade que a imprensa faz o papel da oposição, então haveria de se admitir que a oposição não desempenha o seu papel, certo? Se ele está descontente com isso, estamos diante da prova de que ele não suporta… oposição! Bem, isso é verdade mesmo sendo falsa a premissa. Vejam que adorável: “Se tem problema de corrupção, que se investigue”, mas não, entenda-se, os petistas! Porque aí passa a ser “ataque”. Ele também não quer “uso político da denúncia”. Surgindo uma falcatrua no governo, as oposições devem ficar em silêncio… Quanto ao Ministério Público… Bem, Palocci caiu sem que a PF e a Procuradoria-Geral tivessem movido uma palha. Não foi a oposição que o derrubou, mas a sua dinheirama. E Dirceu não precisa enganar ninguém: ele não está infeliz com isso. Qualquer oposicionista, escolhido aleatoriamente, tinha com o ex-ministro uma relação mais harmoniosa do que seu rival de consultoria.

Lula está onde sempre esteve — inclusive nos oito anos de mandato: em cima do palanque. Dirceu é figura ativa no petismo, mas, com Palocci na articulação política, ele se resguardava mais, ficava na sombra, roendo um tanto os cotovelos. O outro tolhia muito dos seus movimentos. Não é mera coincidência que tenha voltado a atuar com tanta saliência — está sendo saudado até como amigo das artes!!! Vai acabar virando o Edemar Cid Ferreira da ideologia!!!

Vai dar resultado?
Consta que Dilma pediu que o PT, que vem lhe criando alguns problemas, tomasse um pito. Isso pode passar a impressão, errada, de que ela está no controle e de que ambos cumprem uma tarefa encomendada. Besteira! Os pronunciamentos de Lula e Dirceu correspondem a um esforço para encabrestar a mandatária e para lhe impor uma agenda, a que ela tem resistido: hostilizar a imprensa e anatematizá-la como “partido de oposição”.

Sabem o que é trágico? Isso já funcionou no passado — sim, sim, com exceção daqueles que não se deixam domesticar. Quando Lula começa com essa ladainha, tem início o esforço desesperado de muitos diretores de redação: “Precisamos de denúncias contra a oposição também”. A rede a soldo de blogueiros e chicaneiros começa a patrulhar os veículos — tentam fazer isso no meu blog; eu os chuto — e acabam emplacando as suas pautas; até porque a patrulha está presente de modo acachapante nas redações. Sim, pouco importa a camisa do malfeitor, notícia é notícia. Mas o PT não pode ser o tribunal a julgar a isenção do noticiário.

Eles estão de volta à sua natureza! Vem aí outra guerra contra a imprensa. Podem apostar.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2011

às 18:57

Dr. Hélio praticamente exigiu apoio de Lula. E recebeu.

No dia em que se revelam os detalhes da tramóia do Dossiê dos Aloprados, Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu saem em defesa de Dr. Hélio, prefeito de Campinas. Como se sabe, um amigo seu, de infância, que ele importou do Mato Grosso do Sul estimulado pela delação premiada, denunciou uma porção de supostas falcatruas na Prefeitura, que seriam comandadas pela primeira-dama. Muito bem! A delação premiada foi o instrumento usado pela Polícia Federal, do qual os petistas nunca reclamaram, para acabar com José Roberto Arruda no Distrito Federal. O poder, hoje, está com o PT.

Bem, nem vou entrar no mérito das denúncias porque o objeto deste post é outro. Dr. Hélio deu uma estranhíssima entrevista ao Estadão, acompanhado de seus advogados, em que praticamente cobrou o apoio de Lula e de José Dirceu — indiretamente, pediu o de Dilma também. Eu li a coisa mais ou menos assim: “Vocês sabem que vocês me devem essa; tratem de sair em minha defesa”. Até então, Lula e Dirceu estavam calados.

No dia seguinte, o “consultor de empresas privadas” já fazia uma candente defesa do prefeito de Campinas em seu blog e endossava a tese de que tudo era uma conspiração tucana. Hoje, foi a vez de Lula. Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida:
*
Lula defende Dr. Hélio e diz que oposição ‘achincalha’ PT

Por Marina Carneiro:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou plateia de petistas para sair em defesa do prefeito de Campinas, Doutor Hélio (PDT), durante evento em Sumaré (SP), na manhã deste sábado (18). A mulher do político, Rosely Nassim, e o vice-prefeito Demétrio Vilagra, que é do PT, são acusados pelo Ministério Público de Campinas de fraude e desvio de verbas da prefeitura. “Não vamos esquecer: em 1989, tentaram colocar uma camisa do PT num dos sequestradores do Abílio Diniz. Não vamos esquecer: o vice de Campinas estava de férias com a mulher quando estamparam cartazes de procurado no aeroporto”, afirmou Lula.

O ex-presidente sugere que as acusações são de interesse dos opositores do partido. “Os adversários não brincam em serviço. Toda vez que o PT se fortalece, eles saem achincalhando o partido”, disse Lula. Prosseguiu em tom de desabafo: “Estou de saco cheio de ver companheiros serem acusados, terem a família destruída, e depois não ter prova [contra eles]“.

Dirceu
O ex-ministro José Dirceu também citou o prefeito de Campinas em seu discurso, durante o encontro das macrorregiões do PT. Segundo ele, começou um movimento para “desestabilizar as nossas prefeituras”. O ex-ministro da Casa Civil afirmou que as investigações contra o vice e a mulher de Doutor Hélio estão sendo usadas politicamente. “Eu não deveria assumir esse papel, vocês sabem da minha condição”, disse, referindo-se ao afastamento do cargo de ministro da Casa Civil, em 2005, após o escândalo do mensalão. “Mas quando fizeram o que fizeram comigo, Doutor Hélio teve a coragem de me defender publicamente”, justificou Dirceu.

Voltei
No fim das contas, Lula e Dirceu acabam sempre voltando à tese de que o mensalão foi mera tramóia das oposições. O chato é que, agora, até um relatório da Polícia Federal assegura que a falcatrua existiu — e, o que é pior, envolvendo dinheiro público.

Vai funcionar como estratégia de defesa? Sei lá! Se Lula e Dirceu afirmam que Dr. Hélio — que nem é formalmente acusado — é tão inocente como eles são, o efeito pode ser contraproducente.

Por Reinaldo Azevedo

10/06/2011

às 19:41

Para Lula, América Latina vive momento “progressista”, e quem liderou a fila foi o bandoleiro Hugo Chávez…

Por Daiene Cardoso, no Estadão Online:

Em encontro com o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a eleição do esquerdista peruano e disse que, ao contrário da Europa, a América Latina passa por uma onda progressista, pela primeira vez em cinco séculos. “Enquanto no continente europeu há uma ”direitização” do processo político-eleitoral, onde os conservadores estão ocupando os espaços, na América Latina os setores progressistas estão ocupando os espaços”, disse o ex-presidente, ao considerar o êxito de Humala uma vitória de toda a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

“Há 10 anos era só Chávez, há 8 anos era Chávez e Lula, depois Chávez e Kirchner, depois Tabaré Vázquez, depois Evo Morales, depois Correa, Daniel Ortega, Mauricio Funes e, agora, o companheiro Ollanta”, listou, referindo-se aos presidentes eleitos, pela ordem, da Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador e Peru.

Com seu “fluente” portunhol, Lula participou de uma entrevista coletiva de 50 minutos ao lado do peruano, que ontem esteve com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Eles se reuniram num hotel dos Jardins, região nobre de São Paulo, numa sala onde foram colocadas uma bandeira do Peru e outra do Brasil. “Se o Ollanta chegar ao poder e for um fracasso, estamos derrotados”, avaliou o ex-presidente brasileiro.

Desde que saiu da presidência, Lula não havia concedido tantas declarações aos jornalistas. Mas, para o novo governo peruano, o encontro com Lula era fundamental para a imagem de Ollanta, já que o presidente eleito é visto com desconfiança por alguns setores de seu país por sua relação com o venezuelano Hugo Chávez. Questionado pelos jornalistas peruanos se Ollanta seria o Lula peruano, o brasileiro respondeu: “Ele será o Ollanta peruano.” Já o presidente eleito evitou admitir que Lula era sua inspiração política, e não Chávez. “Os governos têm seus caminhos próprios. O caminho é aprender e não copiar”, rebateu.

Lula não perdeu a oportunidade de alfinetar o governo norte-americano. Para o ex-presidente, os Estados Unidos ainda veem a América Latina como o parente pobre. “Os Estados Unidos não podem enxergar a América do Sul e a América Latina como o primo pobre, como problema. Nós somos a solução”, disse.

Embora assessores do PT tenham trabalhado diretamente na campanha de Ollanta, Lula disse que torceu de longe por Ollanta e que o único contato que teve com o peruano foi em fevereiro, quando conversaram sobre as campanhas presidenciais no Brasil e a experiência aprendida com as derrotas do petista. “Ele (Ollanta) foi mais rápido e mais competente que eu”, brincou Lula, referindo-se às suas derrotas antes da vitória em 2002.

Por Reinaldo Azevedo

09/06/2011

às 21:32

Depois de falar a catadoras de lixo, Lula defende Palocci, um catador do luxo

Luiz Inácio Apedeuta da Silva encontrou-se com 300 catadoras de lixo de Curitiba e fez um discurso emblemático. Na madrugada, disseco a retórica do Shrek da política, o ogro bonzinho. Ah, sim: depois de falar com as catadoras de lixo, ele defendeu Palocci, que se tornou um catador do luxo.

Por Evandro Fadel, no Estadão:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 9, em Curitiba, acreditar que a saída do ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Antonio Palocci, foi uma perda para o País. “Não é todo País que tem um quadro político da competência do Palocci”, afirmou em tumultuada entrevista na saída de um encontro com mulheres catadoras de lixo. Mas acentuou que a presidente Dilma Rousseff “tomou uma atitude no momento correto” ao chamar para o lugar a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT).

“Acho a Gleisi uma figura excepcional”, afirmou. “Eu conheço a Dilma e conheço a Gleisi e acho que elas vão fazer muita coisa nesse País.”

No encontro com cerca de 300 mulheres catadoras de lixo, o ex-presidente foi recebido com gritos de “Lula eu te amo” e fez referência à presidente Dilma por três vezes. Ele iniciou dizendo que se a presidente não tivesse compromisso ou se tivesse sido convidada com antecedência “com certeza” estaria ali. “Mas aqui também está ausente hoje uma das pessoas que mais insistiu para que eu viesse aqui, que era a nossa querida senadora, que hoje virou ministra, Gleisi Hoffmann”, lamentou.

Lula citou uma das principais reivindicações das catadoras, a proibição de incineração de material reciclável,e afirmou estar disposto a participar da “batalha”. “Eu estou mais disponível agora do que quando era presidente da República”, disse. Sob aplausos, o ex-presidente ressaltou ter voltado à sua “origem”. “Eu dizia para vocês que eu sei de onde eu vim e sei para onde vou, portanto a mesma mão que cumprimenta um rei ou uma rainha é a mesma mão que cumprimenta uma catadora de papel”, afirmou.

Ele reforçou ter deixado a Presidência da República, mas não seus compromissos. “Se antes vocês tinham um presidente da República, agora vocês têm um ex-presidente e uma presidenta com a mesma vontade, com a mesma disposição para fazer”, disse. “Podem contar comigo em qualquer circunstância que estarei junto com vocês.” E fez um apelo para que prefeitos e governadores privilegiem as cooperativas de catadores de papel. “Hoje posso falar coisas para prefeitos e governadores que não podia falar quando era presidente porque tinha que respeitar os entes federais”, afirmou. “Hoje sou um cidadão brasileiro livre.” Para encerrar utilizou as mesmas palavras dos discursos eleitorais: “Um abraço e até a vitória, se Deus quiser”.

Battisti. Questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à permanência do italiano Cesare Battisti no Brasil, o ex-presidente preferiu apenas comentar que se trata de “decisão da Suprema Corte”. O ex-ativisita teve a liberdade concedida por 6 votos a 3, em julgamento realizado nessa quarta-feira, 8. Com o resultado, a Corte manteve a decisão de Lula, quando ainda era presidente, de não extraditar Battisti.

Por Reinaldo Azevedo

27/05/2011

às 14:30

Apedeuta na área - A tolice autoritária do dia

É só Lula na área, mas poderia ser Hugo Chávez

O tirano da Venezuela copiou um dos lemas da campanha à reeleição de Lula — “Deixa o homem trabalhar”. No Brasil, o Apedeuta quer copiar Chávez para fazer a reforma política.

Em reunião fechada com sindicalistas, o presidente não-eleito defendeu que a reforma política seja feita por uma Constituinte caso o Congresso não a faça.

Como é que é?

É mais um a achar que, se o Parlamento não faz o que ele acha que tem de ser feito, que seja, então, atropelado. A fórmula exata para tanto ele não deu, uma vez que não se pode convocar uma Constituinte sem a anuência do Congresso que estaria sendo desmoralizado por ela. Qual o caminho?

Ele quer convocar os “movimentos sociais” para pressionar em favor da reforma. Os “movimentos sociais” são aquelas forças que, quando chamadas, fazem em nome do povo o que o povo não as elegeu para fazer. Eles podem, por exemplo, propor que seus pimpolhos de 11 anos sejam convidados a assistir a filmes de educação moral e Cívica como “Gaiola das Loucas” e “Brokeback Mountain”, essenciais à formação das crianças…

Sempre íntimo de um bom par de coisas que não prestam, Lula defendeu ainda o voto em lista fechada  e o financiamento público de campanha, que é aquele modelo em que eles enfiam a mão no bolso do povo para o povo eleger pessoas que não conhece.

Teria o Congresso a disposição de se suicidar para o PT cumprir a sua agenda? Acho que não, mesmo o governo tendo lá uma gigantesca maioria. O PMDB seria o primeiro a saber que uma Constituinte “ad hoc”, reunida para fazer a reforma e dissolvida em seguida, seria a Constituinte dos movimentos ditos sociais  — e, pois, dos petistas.

A conversa serve só para a gente perceber como a democracia continua a ser, para os petistas, não mais do que um instrumento tático. Se e quando der, será ditadura do partido.

Por Reinaldo Azevedo

17/05/2011

às 20:48

Lula: amanhã, palestra para bilionários; depois de amanhã, para golpistas de esquerda da América Latina

Isso e que é ecletismo. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

Lula faz palestra para bilionários e herdeiros em ilha na Bahia

Por Bernardo Mello Franco, na Folha Online:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará palestra nesta quarta-feira numa reunião de bilionários latinoamericanos e seus herdeiros na ilha de Comandatuba, na Bahia. Ele foi contratado para participar do 9º Encontro de Empresários da América Latina –Pais e Filhos. O valor do cachê não foi divulgado. Lula tem cobrado em torno de R$ 200 mil para fazer palestras para bancos e multinacionais no país. O evento desta quarta é promovido pelo mexicano Carlos Slim, o homem mais rico do mundo, com patrimônio estimado em US$ 74 bilhões pela revista “Forbes”.

O bilionário Eike Batista é esperado com seu filho Thor. Também estão na lista de convidados Abílio Diniz (Pão de Açúcar), Roberto Irineu Marinho (Organizações Globo) e Joseph Safra (Banco Safra), todos acompanhados dos filhos. Na quinta-feira, Lula viaja para a Nicarágua, onde participa da reunião anual do Foro de São Paulo, que reúne os maiores partidos de esquerda do continente.

Voltei
Fernando Barros e Silva, colunista da Folha, escreveu hoje sobre o apartamentão de Antônio Palocci. O primeiro parágrafo:
“O ministro Antonio Palocci comprou um apartamento de 502 m² nos Jardins. Estilo neoclássico. Tudo bem, gosto não se discute. Mas até nisso, no prazer de novo rico pela ostentação, o PT se confunde com a direita.”

Quando a direita faz alguma bobagem, Barros e Silva a critica. Quando ele aponta algum comportamento reprovável na esquerda — Palocci, para todos os efeitos, é capa-preta de um partido que se reafirmou “socialista” em seu último congresso —, a direita apanha de novo. Uma de suas características seria o “prazer de novo rico pela ostentação”.

A consideração permite muitas ilações e indagações. Uma delas é a de que o rico de raiz não é ostentador. Não fica claro se o dinheiro velho tende a ser mais progressista que o dinheiro novo ou se a riqueza antiga forma a direita enrustida. Em qualquer hipótese, a gente nota que o colunista acredita que os defeitos de Palocci são certamente aqueles que o aproximariam da direita. Nem quero indagar de onde procedem as virtudes… E uma notinha à margem: por uma questão de simples oposição — ou posição —   estrutural, é sempre o velho rico quem ataca o novo rico. Eu, por exemplo, que sou um velho pobre sem ser um novo rico, aplaudo essa gente esforçada, ainda que não adote o seu mesmo quadro na parede.

Engraçado, né? Somos todos favoráveis à mobilidade social, desde que pobre continue conformado com a pobreza.  Se ele ascende um pouco, é logo acusado de ser um analfabeto arquitetural. É uma concepção aristocrática de mundo. Se nasceu sem berço, não tem cura. O máximo aceitável para um pobre é se tornar um teórico da pobreza… Mas vamos ao ponto. Acabei tomando um desvio, ou nem tanto, porque algumas considerações de Barros e Silva sempre me inspiram.

Olhem lá: Eike Batista entre os bilionários… Tsc, tsc, tsc… Como exclamaria Narcisa Tamborideguy: “Eike loucura!” Eu acho seu dinheiro novo demais para estar entre os selecionados para ouvir os ensinamentos de um velho bolchevique como Luiz Inácio Lula da Silva, o homem que converteu a luta de classes numa grande janela de oportunidades para si mesmo e para seus companheiros. Ou por outra: Lula fez do confronto entre ricos e pobres um “asset”, como dizem os novos ricos do mercado. E quem valorizou enormemente o que ele tinha a vender foram justamente os teóricos do reacionarismo das elites. Como ele soube vender adequadamente o confronto, compareceu depois com a resposta para a conciliação.

Lula inventou um sistema no Brasil: a desigualdade distributivista. E todos estão muito felizes.

E esse Che Guevara de mercado não pára. Depois de falar aos bilionários, vai cuidar da “revolução” latino-americana no Fórum de São Paulo, que reúne algumas das grandes bestas do continente, algumas delas empenhadas na construção ou consolidação de regimes de força em seus respectivos países, a exemplo de Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Daniel Ortega. Em Comandatuba, dirá por que o PT foi a melhor coisa que poderia ter acontecido aos bilionários; no Fórum, por que é preciso encostar os bilionários na parede.

Talvez Barros e Silva considere que a vocação dinheirista de Lula é coisa de direita. Eu não tenho dúvida de que esse discurso com um caráter de dupla face é coisa de esquerda.

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2011

às 6:51

O animador de cervejaria resolve falar sobre Higienópolis…

Escrevi o texto sobre Higienópolis, acima, às 19h47.  Alguns reclamaram: “Não faz sentido falar do Lula nesse caso…” Pois é. Vão desculpar o Tio Reizinho, né?, mas meu faro não falha com esses caras. Eles recendem a demagogia e vigarice!  Adivinhem quem decidiu falar sobre o caso ontem? Bidu! Lula!

E em que termos? Assim:
“Não posso conceber que uma pessoa que estudou e tem posses seja tão preconceituosa e queira evitar que as pessoas mais humildes possam transitar no bairro”.

É bem verdade que foi indagado a respeito pelos jornalistas. Faz sentido. É o trabalho completo das várias faces do petismo. Notem que ele empregou praticamente as mesmas palavras usadas para atingir FHC, quando o texto do ex-presidente teve seu sentido miseravelmente distorcido por certo jornalismo.

Lá está o animador de cervejaria fazendo aquilo de que mais gosta: brincar de arranca-rabo de classes. Como não poderia deixar de ser, pega carona na mentira porque ela lhe fornece o instrumental necessário para fazer política. É assim há quase 40 anos.

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2011

às 6:47

Dilma e a pneumonia. Ou: “Lula, por que não te calas?”

Acho que é preciso dar nomes às coisas, não? No dia 1º, o hospital Sírio-Libanês divulgou que havia sido encontrado um foco de pneumonia na presidente Dilma Rousseff — uma forma leve da doença. Foram recomendados antibióticos, sinal de quadro bacteriano. Muito bem! Todos noticiaram o fato sem tocar na palavra-tabu: câncer. É claro que o temor subjacente era o de uma recidiva da doença que a acometeu. Assim, a pneumonia, dado o contexto, tranqüilizou o país.

Agora, 12 dias depois, anuncia-se que a presidente, por recomendação médica, cancelou a viagem que faria ao Paraguai no domingo. Procurem o protocolo. Recomenda-se, a depender do quadro, de uma a duas semanas de repouso ao doente e mais 15 dias de uma rotina não muito intensa. Uma presidente da República não sai dando piruetas por aí, certo?

Quem realmente entende o que escrevo sabe que só posso torcer pela recuperação da presidente e não estou fazendo especulação nenhuma sobre uma eventual volta do câncer. Se eu tivesse alguma informação diferente da versão oficial, eu a publicaria; como ela é presidente da República, isso seria do interesse público.

O que não ajuda nessa história toda? Num evento de que participou ontem, Luiz Inácio Apedeuta da Silva, o Lula, asseverou que a saúde da presidente está boa e que ela cancelou a viagem ao Paraguai por cansaço. Vale dizer: Lula meteu o nariz onde não é chamado, foi muito além das suas sandálias — como sempre (ele é médico?) — e ainda deu uma versão diferente da do Planalto, alimentando suspeitas.

Dilma tem porta-voz e secretaria de comunicação. Se Lula precisa vir a público para assegurar que a saúde da mandatária está bem, acaba sendo justo que as pessoas se perguntem: “Mas por que tem de ser ele a asseverar isso? E por que as versões não batem?”.

Lula, por que não te calas? Desencarna!

Por Reinaldo Azevedo

12/05/2011

às 14:36

Lula: R$ 200 mil para o bufão sério tomar a própria comédia pela história universal. Ou: Animador de cervejaria

Algumas coisas estão mais fora do lugar do que nunca no Brasil. Outras vão se encontrando com a sua real natureza. É o caso de Lula, que se concilia com a sua vocação. Leiam o que segue abaixo. Volto em seguida:

Por Bernardo Mello Franco, na Folha Online:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá palestra na manhã desta quinta-feira em evento fechado da cervejaria AmBev no resort Costa do Sauípe, no litoral da Bahia. A multinacional o contratou para animar uma reunião de executivos brasileiros e de outros países da América Latina. Segundo a assessoria do ex-presidente, a participação não foi divulgada a pedido da empresa, que desejaria “fazer uma surpresa” a seus convidados. O valor do cachê também não foi informado. No Brasil, estima-se que Lula tem cobrado cifras em torno de R$ 200 mil por cada palestra remunerada, com tempo médio de 40 minutos.

Em geral, ele alterna uma apresentação elogiosa do seu governo com piadas e referências à empresa que o convidou. À noite, Lula é esperado na festa de aniversário do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde iniciou a carreira política.

Voltei
A empresa não haveria de contratar Zeca Pagodinho, certo? Na arte em que o cantor é amador, Lula é um reconhecido profissional. Karl Marx, aquele, tinha uns pensamentos um tanto facinorosos, mas escrevia muito bem — isso é inegável, o que não servia para qualificá-lo moralmente, claro! — e era  inteligente (idem). Se um dia se interessarem pelo livro “O 18 Brumário de Luis Bonaparte”, encontrarão lá o retrato perfeito de Lula. As circunstâncias são outras e coisa e tal. Não estou fazendo “história comparada” — até porque isso não existe. Marx desenhou o caráter de Luís Napoleão (o sobrinho do Bonaparte original); eu tomo emprestado o desenho para revelar o caráter de Lula:

Em um momento em que a própria burguesia representava a mais completa comédia, mas com a maior seriedade do mundo, sem infringir qualquer das condições pedantes da etiqueta dramática francesa, e estava ela própria meio iludida e meio convencida da solenidade de sua própria maneira de governar, o aventureiro que considerava a comédia como simples comédia tinha forçosamente que vencer. Só depois de eliminar seu solene adversário, só quando ele próprio assume a sério o seu papel imperial, e sob a máscara napoleônica imagina ser o verdadeiro Napoleão, só aí ele se torna vítima de sua própria concepção do mundo, o bufão sério que não mais toma a história universal por uma comédia e sim a sua própria comédia pela história universal.”

Por Reinaldo Azevedo

05/05/2011

às 5:37

No governo do PT, até análise econômica é crime moral - Lula chama de “profetas do caos” os que prevêem inflação alta

Por Felipe Caruso, na Folha Online:
A uma plateia composta principalmente por economistas e agentes do mercado financeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou ontem de “profetas do caos” os que creem na alta da inflação. Lula discursou à noite para cerca de 800 pessoas em São Paulo, a convite do Bank of America Merril Lynch. O evento era uma comemoração pela autorização obtida do Banco Central para que o Merril Lynch atue como banco múltiplo no Brasil. Lula disse que a alta de preços ameaçou o país em 2002 e 2008, “mas foi superada com uma rigorosa política monetária e fiscal e investimentos no mercado interno”.
(…)
Pesquisa feita pelo BC justamente com agentes do mercado financeiro mostra que, há oito semanas seguidas, as projeções de inflação estão crescendo. A última apontou para 6,37% em 2011. A meta do governo é de 4,5%, com margem de até 6,5%. “A alta da inflação no país não tem causas estruturais. É um fenômeno passageiro, com causas externas e será revertido graças à ação decidida do governo e da sociedade”, disse Lula. Um dos pais do Plano Real, o economista Persio Arida deixou o evento no meio da palestra do petista. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

28/04/2011

às 7:19

Lula precisa de um antimicótico moral

Luiz Inácio Lula da Silva declarou que está com “coceira”, com aquela “comichão” para cair nos braços do povo… Na impossibilidade de tomar uma boa dose de simancol, deveria ingerir um antimicótico moral. Talvez lhe fizesse bem. Santo Deus! Esse sujeito não aprende nada nem esquece nada. Agora sabemos por que o silêncio de Dilma parece música aos nossos ouvidos. O Apedeuta participou ontem do 8º Congresso Nacional de Metalúrgicos da CUT, em Guarulhos (SP). Estava desesperado para ouvir de novo o som da própria voz. Falou por mais de uma hora.

Diagnostiquei o seu mal psíquico no fim do ano passado, quando ele afirmou que sentia certa inveja de Dilma Rousseff porque seria ele a passar o governo para ela: Síndrome da Inveja do Próprio Pênis. Lula se adora, mas não se basta. Ele se apaixonou pelo mito. Vive num permanente processo de adoração da personagem que inventou e a inveja. Ontem, lançou um novo bordão: “Nunca antes na história da humanidade” houve um governo como o seu. O “nunca antes na história destepaiz” era só a expressão de sua modéstia decorosa. Em meio a um pletora de bobagens, ditadas por sua megalomania, disse ao menos uma coisa bastante séria — que não é novidade para os leitores deste blog, em especial para aqueles que seguem as considerações deste escriba desde Primeira Leitura.

Discursando aos metalúrgicos, afirmou, referindo a si mesmo e a Dilma:
“Eu sei que, às vezes, vocês ficaram chateados, ficaram decepcionados, mas, neste momento, vocês têm de dizer: ‘Ele cometeu um erro, mas ele era nosso. Ela cometeu um erro, mas ela é nossa. Portanto, é nossa obrigação dar sustentação para ela [Dilma] para que tenhamos uma Copa do Mundo maravilhosa. Depois vamos fazer uma Olimpíada maravilha”.

É uma fala mais cheia de significados do que parece. Os trabalhadores não devem analisar os governos segundo seus acertos e seus erros. Isso os tornaria indivíduos com a faculdade de julgar. Nada disso! O que interessa é saber se o governante é ou não “um dos nossos” (deles). Se for, então é uma “obrigação” apoiá-lo. A exortação, obviamente, deve ser lida também em sentido inverso. Não sendo o governante “um dos nossos”, que importa que ele acerte? Nesse caso, a “obrigação” é desestabilizá-lo. Não foi o que fizeram o PT e Lula com todos os governos que o antecederam, estivessem eles certos ou errados? “O Plano Real é feito por um deles? Então somos contra! A Lei de Responsabilidade Fiscal é proposta por um deles? Então somos contra”. Há dias, petistas e sindicalistas endossaram milhares de demissões na usina de Jirau. Se quem demite é “um dos nossos”, então será por bons motivos. Ai se fosse “um deles”!

Isso, meus caros, não é democracia! A noção que Lula tem do poder guarda certa semelhança com uma guerra de gangues ou de bandos. Não por acaso, neste fim de semana, o PT recebe de braços abertos o disciplinadíssimo Delúbio Soares! Que companheiro! Que homem honrado! Que grandeza de espírito! Ficou calado! Aceitou, por um bom tempo, ser a Geni do Brasil, mas, agora será reabilitado. E volta ao partido com o patrocínio se Lula, segundo quem o mensalão nem mesmo existiu.

Mas a fala de Lula tem ao menos mais um significado. Notem o espírito de tutela em relação ao governo Dilma e a consideração, ainda que por vias oblíquas, de que ela está cometendo erros — que ele admite ter cometido também, claro, claro… Ocorre que, no momento, é ela quem governa.

O gerente está na área. Outro recado ainda foi mandado a Dilma:
“Estou com uma saudade, uma comichão, uma coceira esquisita, com vontade de fazer caravana, viajar pelos estados, fazer plenárias, visitar quilombos e indígenas. Eu estou com vontade de tudo, mas eu tenho de me controlar pois somente com autocontrole é que eu vou conseguir desencarnar e assumir o papel de ex-presidente de verdade”.
Pois é… Vai que ele não consiga, não é?, ou que ela “erre” demais…

O homem que está levando Delúbio Soares de volta ao partido agradeceu aos metalúrgicos o apoio recebido durante a crise do mensalão:
“No momento difícil, de uma crise delicada neste país, quem assumiu a defesa do governo não foi nenhum jornal, televisão ou empresário. Foi o movimento sindical e o movimento popular”.

Lula demonstra a sua gratidão àqueles que foram mais do que tolerantes com a corrupção: foram coniventes. Dado esse padrão imoral, é impressionante que seja a oposição a viver uma crise avassaladora. Lula até foi generoso, em sua boçalidade, ao compará-la a carrapicho. No momento, ela não incomoda ninguém, a não ser os próprios parceiros… Sem ter uma minoria organizada que consiga, ao menos, fazer a crítica dos desacertos na área econômica, ainda sobrou tempo ao Apedeuta para dizer que as dificuldades que estão aí, especialmente a inflação, são coisa produzidas pelos gringos…

Nunca antes na história da humanidade…

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2011

às 23:15

Basta Lula falar para a gente entender por que o silêncio de Dilma parece uma cantata de Bach

Ai, ai… Ele continua o mesmo. É compreensível que o silêncio de Dilma Rousseff soe aos nossos ouvidos como uma cantata de Bach. Leiam o que informa Iara Lemos, no G1. Na madrugada, comento.

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta quarta-feira (27), que não está sendo fácil esquecer as tarefas que desempenhava como presidente. Lula discursou por mais de uma hora durante a abertura do 8º Congresso Nacional de Metalúrgicos da CUT, em Guarulhos (SP). O ex-presidente foi aplaudido em pé pelos militantes, que cantaram em coro o nome de Lula no começo e no fim do discurso.

“Eu ainda não desencarnei totalmente do meu mandato de presidente. Não é uma tarefa fácil a desencarnação. É um processo difícil. E eu assumi um compromisso com a minha consciência e com a companheira Dilma de que era preciso um processo de desencarnação para que pudéssemos construir a cara e o jeito de governar da nossa presidente, sem a cara do ex-presidente. E, ao mesmo tempo, eu queria também ensinar a alguns ex-presidentes como é importante ser um ex-presidente sem dar palpites. Eu tenho falado mais do passado, e deixado o futuro para que a nossa presidente fale do futuro”, disse Lula. Presidente de honra do PT, Lula  admitiu diante dos metalúrgicos que está com saudades de percorrer o Brasil em caravanas, como fazia nos tempo de campanha política.

“Estou com uma saudade, uma comichão, uma coceira esquisita, com vontade de fazer caravana, viajar pelos estados, fazer plenárias, visitar quilombos e indígenas. Eu estou com vontade de tudo, mas eu tenho de me controlar pois somente com autocontrole é que eu vou conseguir desencarnar e assumir o papel de ex-presidente de verdade”, disse.

Durante o discurso, Lula relembrou alguns dos principais programas desenvolvidos pelo seu governo, como o Luz para Todos e o ProUni. Lula chegou a dizer que nenhum governo na “humanidade” praticou a democracia como o seu. “Eu duvido que na história da democracia praticada pela humanidade tenha havido um governo que tenha exercido a democracia na plenitude que nos exercitamos”. Sem citar nomes, o ex-presidente alfinetou  adversários políticos, dizendo que a frase que se tornou símbolo do seu governo foi criada para atacar os opositores.

“Não tenho nenhuma vergonha de dizer que  quando eu dizia ‘nunca antes na história deste país’ era para provocar os adversários. Eles nunca fizeram nada. Eu sei quantas vezes disseram que a Marisa não poderia ser primeira-dama porque ela não ia conseguir limpar os vidros do Palácio do Planalto. Quantas vezes disseram que eu não poderia fazer política externa porque eu não falava inglês nem francês. E eu provei que podia ser melhor que eles”, disse.

Lula lembrou que nem sempre a relação foi fácil entre governo e sindicatos, mas que “nunca perdeu” a noção de que lado ele estava. “Muitas vezes, os companheiros sindicalistas foram duros com o governo, e nós fomos duros com os companheiros. Mas nunca perdemos a visão de que lado nós estávamos, de que lado nós representávamos. No momento difícil foi o movimento popular que assumiu a defesa do governo”.

O ex-presidente ainda afirmou que não há nenhuma possibilidade de divergências entre ele e a presidente Dilma, e pediu que os sindicalistas apóiem o governo de Dilma. “Eu sei que, às vezes, vocês ficaram chateados, ficaram decepcionados, mas, neste momento, vocês têm de dizer: ‘Ele cometeu um erro, mas ele era nosso. Ela cometeu um erro, mas ela é nossa. Portanto, é nossa obrigação dar sustentação para ela [Dilma], para que tenhamos uma Copa do Mundo maravilhosa. Depois vamos fazer uma Olimpíada maravilha”, disse.

O ex-presidente terminou seu discurso falando sobre a crise econômica e disse que o governo vai cuidar da crise como “se cuida de um filho”.

“O problema da crise econômica não é nosso. Não é porque vocês ganharam aumento de salário, é por termos uma política relacionada a uma economia do dólar, que resolveu fazer um ajuste fiscal e afeta o resto. Nós temos consciência que vamos cuidar desta crise como se cuida de um filho. Nós não vamos permitir que a inflação volte. Nós, que somos trabalhadores, temos a obrigação que a inflação não volte neste país. Quem perde com a inflação não é a Dilma nem o Guido [Mantega, ministro da Fazenda]. É quem vive de salário. Temos de ser homens e mulheres guerreiros contra a inflação.”

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2011

às 22:55

Lula refuga e não aceita confronto com FHC. Que pena!

“Não vou responder. Ele, como eu, vamos disputar no além. Não temos mais idade para isso”.

A fala acima, numa língua muito característica, é de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, ex-presidente da República. Refere-se a Fernando Henrique Cardoso, que o desafiou para uma eventual terceira disputa entre ambos. Nas duas havidas, FHC ganhou no primeiro turno. Tirando casquinha de uma interpretação estúpida feita por alguns tontos de um artigo escrito por FHC, Lula afirmou: “Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão. O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros”.

Pois é… Lula saiu do governo com uma popularidade fantástica, não é? Se não topa uma nova disputa com FHC, deveria ao menos aceitar um debate. Poderia ser divertido e instrutivo. No governo, o petista usou a máquina para satanizar o antecessor, surrupiando-lhe, inclusive, conquistas e programas. Agora que nem um nem outro estão no Planalto, pode-se fazer um bom debate na planície.

Mas Lula não aceita. Só topa o confronto em desigualdade de condições; só aceita falar sozinho.

Por Reinaldo Azevedo

27/04/2011

às 21:16

Fala, Apedeuta: “Oposição é o bicho mais fácil de crescer. Oposição é que nem carrapicho”

Um dia, FHC afirmou que a oposição que o tachava de “neoliberal” tinha o hábito de vir com “nhenhenhém”. Já contei aqui, procurem em arquivo. De algum modo, participei da popularização dessa palavra. Nossa! Foi um deus-nos-acuda. O “sociólogo”, o “professor”, o “intelectual” foi tachado de “arrogante”. O que ele pensava? “Só porque deu aula na Sorbonne, acha que pode falar essas coisas? Tacharam-no de autoritário.

Leiam o que segue. Volto em seguida.
Por Bernardo Mello Franco, na Folha Online:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou nesta quarta-feira a oposição a “carrapichos”. Ele disse que, apesar da crise que a afeta DEM e PSDB, o governo não deve subestimar os adversários.

“Oposição é o bicho mais fácil de crescer. Oposição é que nem carrapicho. Eu fui oposição a vida inteira. A gente cresce sem ninguém precisar plantar”, disse Lula, ao chegar ao Congresso Nacional de Metalúrgicos da CUT, em Guarulhos.

Carrapicho é um tipo de planta comum no Brasil com espinhos e que gruda com facilidade na pele ou na roupa. O ex-presidente faz na noite de hoje palestra não remunerada a sindicalistas. A assessoria de Lula não confirmou se ele estará presente na reunião do Diretório Nacional do PT em Brasília, no fim de semana, que deverá reconduzir o ex-tesoureiro Delúbio Soares ao partido.

Voltei
Como Lula é, vá lá, “de esquerda” e não é um intelectual — só um apedeuta bem-sucedido —, ele pode dizer essas coisas. Qualquer democrata sabe que a oposição é tão legítima na democracia quanto o governo. Aliás, o que caracteriza a existência do regime democrático é a oposição. Ditaduras também têm governos, não é mesmo?

Pois é… Vai ver os adversários do PT realmente cochilaram. Deveriam ter jogado um herbicida no carrapicho. Mas deixaram que crescesse. Eis aí.

Há em tudo isso algo de curioso: Lula lembra que a oposição existe como realidade potencial ao menos. A oposição é que já não se lembra da própria existência. Ah, sim: segundo o Estadão Online, ao recorrer a tal imagem, Lula está “amenizando” a crise dos partidos de oposição. Entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2011

às 7:57

FHC: “Acho lamentável que um ex-presidente use essa pregação da ignorância, do não-estudo. É patético!”

No Globo:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu, nesta segunda-feira, no programa “Começando o Dia”, da Rádio Cultura, às críticas do seu sucessor na Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e lançou dois desafios: um debate entre ambos e uma nova disputa para o cargo de presidente. Lula havia criticado trecho do artigo do ex-presidente tucano, publicado na revista “Interesse Nacional” , em que sugere um reposicionamento da oposição, priorizando a nova classe C em detrimento do “povão” e dos “movimentos sociais”, já cooptados pelo PT. O petista disse na última quinta-feira , em Londres, que não sabia como “alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão. O povão é a razão de ser do Brasil”.

(…)

Durante a entrevista, de nove minutos, FH afirmou também que “por razões político-ideológicas” estão afirmando que o PSDB é da elite e o PT é do povo, e “isso não é verdade”.

“Quem começou todos esses programas sociais de bolsa foi meu governo. Então, isso é uma luta político-ideológica”, defendeu-se. O ex-presidente tucano ainda desafiou Lula para uma terceira disputa eleitoral, lembrando que já venceu duas:  ”O número de manifestações favoráveis que eu recebo ao que eu disse é imenso. O que sai no jornal é outra coisa, são interesses políticos. É o Lula, lá de Londres, refestelado na sua vocação nova, e ainda se dá ao direito de gozar, que eu estudei tanto para ficar contra o povo. Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo! Acho lamentável que um ex-presidente use essa pregação da ignorância, do não-estudo. É patético!”, afirmou FH.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2011

às 6:49

Uma história escabrosa envolvendo Lula, o Supremo Tribunal Federal e um magistrado

Os métodos da companheirada atingiram o Supremo Tribunal Federal, corte que, infelizmente, já não está imune a certos exotismos teóricos e filosóficos, em desserviço do direito e da Constituição. Nem poderia ser diferente quando sabemos que o tribunal estava exposto à ação de Luiz Inácio Lula da Silva, o Apedeuta diluidor de instituições. A VEJA desta semana traz uma história escabrosa, cabeluda mesmo, relatada por Policarpo Junior. E quem confirma que a sujeira existiu é a personagem central do  imbróglio: Cesar Asfor Rocha, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além de Lula, há outro protagonista na tramóia, figura soturna da República, que, volta e meia aparece, como “consultor” de grandes negócios.

Leiam os detalhes da reportagem na revista. Faço aqui uma síntese. Vejam o grau de delinqüência intelectual, moral e política a que ficou submetida nada menos do que a escolha de um dos 11 membros de nossa corte suprema.

Em fevereiro do ano passado, o então presidente Lula convidou Asfor Rocha, à época presidente do STJ, para uma audiência no Palácio do Planalto. Conversaram sobre isso e aquilo, e o Babalorixá de Banânia informou ao magistrado que o indicaria para a vaga no Supremo, que seria aberta com a aposentadoria do ministro Eros Grau, que faria 70 anos em agosto. Em novembro, numa reunião na casa de José Sarney (PMDB-AP), Asfor pediu que o senador enviasse uma mensagem a Lula: não aceitava mais a nomeação porque se sentia atingido em sua honra. Que diabo havia acontecido?

Policarpo joga luzes numa história escandalosa. Lula, o próprio, passou a alardear aos quatro ventos que Asfor havia pedido dinheiro para dar um voto numa causa, teria recebido a grana — R$ 500 mil —, mas não teria votado conforme o prometido. Contou a mesma história a um ministro, a um ex-ministro, a um governador e a um advogado muito influente de Brasília. Todos ficaram estarrecidos. Terá sido mesmo assim? E como o presidente teria sabido da história? Ela lhe fora relatada por Roberto Teixeira — sim, ele mesmo, o primeiro-compadre, que atuara no caso como “consultor da empresa”.

Prestem atenção! Teixeira — amigo de Lula, seu compadre e seu advogado — lhe teria relatado, então, que atuara para comprar o voto de um ministro do STJ. Pior: teria conseguido. Fosse verdade, o presidente da República estava conversando, então, com um corruptor ativo, que se declarava ali, na sua frente. Sua obrigação era chamar a Polícia. Ainda fazendo de conta que a história é verdadeira, o presidente houve por bem não nomear Asfor Rocha. O resto, então, ele teria considerado normal.

Inverossimilhanças e verdades
A história de que Asfor pediu propina ao primeiro-compadre, recebeu o dinheiro, mas não entregou o prometido é, para dizer o mínimo, inverossímil. Ainda que Asfor fosse um larápio, burro ele não é. Saberia que estava se fazendo refém de Teixeira e, obviamente, de Lula. Se algum juiz quiser se comportar como um safado, há personagens menos “perigosas” na República com que se envolver. Mas há alguma sombra de verdade na possível mentira? Há, sim. E é aí que as coisas pioram bastante.

Teixeira esteve, sim, com Asfor Rocha. O encontro aconteceu no dia 3 de agosto do ano passado. Apresentou-se como defensor da Fertilizantes Heringer S/A, embora não fosse o advogado legalmente constituído da empresa — segunda a direção da dita-cuja, ele era um “consultor”. De quê? Teixeira, diga-se, costuma aparecer nesse estranho papel. Nessa condição, a Ordem dos Advogados do Brasil não pode lhe censurar os métodos — se é que censuraria, né?. A OAB foi OAB um dia… Uma unidade da Heringer tinha sido impedida de funcionar porque jogava poluentes no meio ambiente. Teixeira informou ao ministro que havia entrado com um recurso no tribunal para suspender um julgamento contrário à empresa. Pois bem: um mês depois, relator do caso, Asfor negou o recurso, sendo seguido pelos outros dez da corte especial do STJ.

E pronto! Foi assim que se tornou um quase-ministro do STF. O magistrado confirma tudo. Disse que tomou conhecimento da acusação por intermédio de um colega da magistratura: “Ele me disse que soubera de amigos do Palácio do Planalto que o presidente estava falando coisas absurdas a meu respeito.”

Veja tentou ouvir Teixeira. Ele reagiu assim, por escrito:
“Nossa atuação como advogados está submetida exclusivamente à Ordem dos Advogados do Brasil, não cabendo à revista VEJA ou a qualquer outra entidade exercer o controle, avaliar ou censurar a nossa atuação profissional, inclusive através de perguntas tendenciosas, objetivando cizânia, e que, ademais, nenhuma conexão mantêm com o caso específico utilizado para a veiculação das mesmas.”

Certo! Como advogado, Teixeira é um portento; como crítico de jornalismo, um fiasco. Que vá tomar satisfação com o seu compadre. O leitor mais atento já notou que uma coisa é inquestionável, pouco importa qual seja a verdade: Asfor não votou como queria o amigo de Lula — que, segundo muita gente, é o próprio Lula em outro corpo. O resto é história. O ministro do STJ ficou fora do Supremo, e a vaga foi preenchida por Luiz Fux.

PS - Histórias como essa geram indignação, os leitores se exaltam e acabam pesando a mão. Façam comentários que eu possa publicar, sim?

Por Reinaldo Azevedo

06/04/2011

às 22:46

Cínico, realista ou engraçado? Julgamento do mensalão pode sair em 2050, diz Lula nos EUA

Não entendi se ele está tentando ser cínico, realista ou engraçado. Talvez as três coisas. Leiam o que informa Andrea Murta, na Folha. Volto em seguida:
O ex-presidente Lula disse hoje que o julgamento do mensalão pode ficar só para 2050 se o STF (Supremo Tribunal Federal) incorporar ao processo o novo relatório produzido pela Polícia Federal.

Questionado por jornalistas, Lula disse que que não “teve a chance de dar uma olhada” no relatório. Mas afirmou que se o relatório for anexado, “todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar”. “Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer”, disse o ex-presidente após dar uma palestra para a Microsoft em Washington EUA).

O relatório confirma em detalhes que existiu um esquema de desvio de dinheiro público para o PT e partidos aliados do governo no Congresso. O texto traz as conclusões de um inquérito aberto em março de 2007 para aprofundar as investigações sobre a origem do dinheiro do esquema e seus beneficiários.

Comento
O mensalão, como sabem, é aquela coisa que não existiu, mera tentativa de golpe de estado, segundo Lula, Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos. De fato, se tudo for juntado num bolo só,  esqueçam! Alguns crimes vão prescrever.

Lula é um profissional! Segundo o que se lê, mudou de atitude. O mensalão que não existia, dado o novo relatório da PF, passou a ser um problema dos outros. Nem parece que agora é a polícia a confirmar o que a imprensa já havia noticiado: até Freud Godoy, seu segurança pessoal, teve seus serviços pagos pelo esquema. E daí? Ele segue adiante. Está muito ocupado: falou à Microsoft e tem pela frente os banqueiros em Acapulco e os investidores em Londres. O último evento da viagem é  um papinho com Hobsbawm, o penúltimo marxista.

Por Reinaldo Azevedo

 

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