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Banco Panamericano

23/08/2012

às 17:42

MPF denuncia 17 por fraudes no Panamericano

Na VEJA.com:
O Ministério Público Federal protocolou na última quarta-feira, na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, denúncia contra 14 ex-diretores e três ex-funcionários do Banco Panamericano, por crimes contra o sistema financeiro nacional. A denúncia foi feita com base na lei 7.492/86, que trata dos crimes financeiros.

Além das provas apontadas no relatório da Polícia Federal, encerrado em fevereiro deste ano, o MPF identificou outras possíveis irregularidades na gestão do Panamericano, como o pagamento de propina a agentes públicos, pagamento de doações a partidos políticos com ocultação do real doador, pagamento a escritório de advocacia em valores aparentemente incompatíveis com os serviços prestados e fornecimento de informações falsas ao Banco Central.

Entre os denunciados estão o ex-presidente do Conselho de Administração do banco e do Grupo Silvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval e o ex-diretor superintendente, Rafael Palladino. Sandoval foi funcionário e ‘braço direito’ do apresentador por mais de 30 anos. 

A denúncia não engloba, contudo, a fraude na venda de participação do banco Panamericano para a Caixa. Mas, segundo o procurador da República Rodrigo Fraga Leandro de Figueiredo, autor da denúncia, “há indícios fortes no sentido de que os “vendedores” agiram com dolo, ocultando fraudulenta e conscientemente os problemas da instituição financeira durante a negociação da participação acionária”.

Segundo o procurador, não há dúvidas de que Sandoval e Palladino eram os mentores das fraudes, já que tinham conhecimento de que o resultado real do banco começou a se deteriorar a partir de 2007 e buscavam soluções “heterodoxas” para melhorar o resultado – ainda que de forma fraudulenta e artificial.

Segundo a denúncia, fraudes na contabilização das carteiras cedidas eram realizadas para cobrir “rombos” decorrentes de anteriores fraudes nas liquidações antecipadas e vice-versa. “As fraudes estavam interligadas e o conhecimento de uma implicava o de outra”, afirma Fraga.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2011

às 6:37

É grave! Muito grave! BC viu sinal de fraude, mas aprovou venda do Panamericano para a Caixa

Por David Friedlander, Fausto Macedo e Leandro Modé no Estadão:
O Banco Central (BC) já tinha indícios de irregularidades no Panamericano quando aprovou a venda de parte do banco para a Caixa Econômica Federal, em julho de 2010. Com a autorização, a Caixa pôde depositar a segunda e última parcela do pagamento do negócio, no valor de R$ 232 milhões, segundo depoimento do vice-presidente de Finanças do banco, Márcio Percival, à Polícia Federal.

O BC diz que a autorização final só foi dada em novembro daquele ano.  Documentos internos do BC anexados aos processos que apuram as fraudes de R$ 4,3 bilhões no então banco de Silvio Santos mostram que os técnicos da instituição começaram a desconfiar do Panamericano em maio. Em julho, os inspetores investigavam uma diferença de R$ 3,9 bilhões na contabilização de carteiras de crédito cedidas para outras instituições financeiras. Foi justamente nesse tipo de operação que se concentraram as fraudes que quebraram o banco.

Para aprofundar as investigações, ainda em julho, o BC enviou pedidos de informações para os nove bancos com os quais o Panamericano tinha mais operações de venda de carteiras de crédito. O objetivo era checar os números fornecidos pelo Panamericano. Mesmo assim, no dia 19 daquele mês, o BC aprovou, por ofício, a venda de 49% do capital social do banco para a Caixa. A publicação no Diário Oficial da União, no entanto, só veio em novembro.

Seis dias depois, em 26 de julho, a Caixa depositou o último pagamento pelo negócio, na conta da Silvio Santos Participações Ltda., no banco Bradesco. A operação, no valor total de R$ 739 milhões, tinha sido fechada em dezembro do ano anterior.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

às 6:15

Rombo no Panamericano foi uma surpresa, afirma Caixa

Por Fausto Macedo, no Estadão:
À imprensa, a Caixa Econômica Federal tem evitado comentários sobre a compra de metade do Panamericano 10 meses antes de o Banco Central (BC) descobrir um buraco de R$ 4,3 bilhões na instituição que pertencia a Silvio Santos. Mas, à Polícia Federal, a Caixa falou. O vice-presidente de Finanças do banco, Márcio Percival, disse à PF que o rombo foi uma “grande surpresa” e garantiu que não houve pressão política do governo federal para a compra do Panamericano. As informações estão em depoimento concedido pelo executivo na sede da PF em São Paulo no dia 16 de setembro. Em resposta a um pedido de entrevista da reportagem, a Caixa informou, por meio de uma nota, que “reitera sua convicção na capacidade de o Banco Panamericano obter retornos financeiros e competitivos por meio da geração de sinergia entre as duas instituições”.

Além de ocupar a vice-presidência de Finanças da Caixa, Percival é presidente da CaixaPar, braço do banco público que comandou o processo que resultou na compra de 49% do capital social do Panamericano por R$ 739,3 milhões.No depoimento aos policiais, Percival também negou ser amigo de Rafael Palladino, que dirigia o Panamericano antes de as fraudes serem descobertas pelo BC. No mercado financeiro, a impressão era diferente. Chamava a atenção de muitos especialistas a proximidade do relacionamento entre os dois.

Segundo Percival, a Caixa e as empresas contratadas para avaliar o Panamericano não detectaram que o banco tinha o rombo contábil superior a R$ 4 bilhões. O executivo disse ainda que a Caixa contratou o Banco Fator para fazer essa análise. Segundo Percival, o Fator recontratou outras duas empresas (não especificadas) para ajudar na tarefa. Percival afirmou aos policiais que a revelação das fraudes contábeis “foi uma grande surpresa, pois o banco tinha todos os balanços semestrais aprovados pelo Banco Central”. Ele disse também que a decisão de compra do Panamericano foi “estritamente empresarial, baseada em avaliação técnica e que deveria sustentar o crescimento da Caixa para os próximos anos”.

O executivo garantiu que não houve nenhuma pressão política do governo federal para a compra do Panamericano e disse desconhecer se algum agente público recebeu vantagem indevida para influir na decisão. ‘Não’ do Banco do Brasil. A aquisição da Caixa foi anunciada ao mercado no dia 1.º de dezembro de 2009. Pouco mais de um ano antes, o Panamericano teve a maioria de suas carteiras de crédito rechaçadas pelo Banco do Brasil, que também é controlado pelo governo federal.Na ocasião, o Panamericano sofria com os efeitos da crise internacional e tentava obter dinheiro no mercado por meio da venda dessas carteiras de empréstimos. O Estado apurou que executivos do BB consideraram sofrível a qualidade das carteiras oferecidas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/11/2011

às 7:23

PanAmericano disfarçou doações para Lula em 2006

Por Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Toni Sciarretta, na Folha:
O banco PanAmericano doou R$ 500 mil para a campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, e usou empresas de dirigentes da instituição financeira para disfarçar a origem das contribuições. As doações foram feitas em dezembro de 2006, quase um mês depois do encerramento da campanha. Lula já estava reeleito, mas o PT saíra da eleição com dívidas de quase R$ 10 milhões. As contribuições foram contabilizadas regularmente pelo partido, mas só quem conhecesse a identidade dos proprietários das empresas que fizeram essas doações teria condições de associá-las ao PanAmericano na época. Segundo um relatório feito por auditores que examinaram os livros do banco no início deste ano, sete empresas foram usadas para repassar recursos da administradora de cartões de crédito do PanAmericano para o PT.

As doações foram todas feitas no mesmo dia, com o depósito de quatro cheques de R$ 65 mil e três no valor de R$ 80 mil numa conta mantida pelo Diretório Nacional do partido no Banco do Brasil. A operação só foi descoberta em março deste ano, depois que o banco BTG Pactual assumiu o controle do PanAmericano e seus auditores começaram a analisar o que os antigos proprietários tinham feito na instituição. Braço financeiro do grupo Silvio Santos, o PanAmericano vivia uma situação confortável em 2006, e ninguém havia detectado ainda os problemas que mais tarde obrigaram Silvio a vender suas ações para o BTG Pactual. A Polícia Federal está investigando desde o começo do ano fraudes que teriam sido cometidas pelos antigos dirigentes do PanAmericano, que seriam responsáveis por um rombo de R$ 4,3 bilhões na contabilidade do banco. Em outubro, a PF abriu mais um inquérito para investigar suspeitas de ocorrência de crimes eleitorais.

Segundo os auditores do BTG Pactual, as doações feitas em 2006 foram acertadas em novembro, quando um assessor do tesoureiro da campanha de Lula, José de Filippi Júnior, escreveu para o diretor de tecnologia do PanAmericano, Roberto José Rigotto de Gouvêa, para dar o número da conta da campanha. O banco fez outras contribuições às claras em 2006, registrando em seu nome e no de outras empresas do grupo R$ 770 mil em doações para políticos de vários partidos. Além de Lula, o único petista que teve ajuda do PanAmericano foi Aloizio Mercadante, que disputou o governo de SP e recebeu R$ 100 mil diretamente do banco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

11/02/2011

às 7:01

BC forçou bancos a salvar PanAmericano

Por Mario Cesar Carvalho e Leonardo Souza, na Folha:
O PanAmericano só recebeu o socorro extra de R$ 1,3 bilhão depois que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, veio em viagem de emergência da Suíça para São Paulo e pediu aos principais banqueiros do país “uma solução de mercado” para o rombo. Os banqueiros, representados pelo Fundo Garantidor de Créditos, não queriam dar mais dinheiro a Silvio Santos porque sentiram-se enganados por ele -já haviam emprestado R$ 2,5 bilhões em novembro e receberam como garantia bens e empresas que não atingiam esse valor.

Uma das sugestões do fundo era que o PanAmericano fosse submetido a um regime de administração especial, pelo qual seria possível tomar algum patrimônio de Silvio e processá-lo pela quebra do banco. Sem esse tipo de intervenção, é remota a possibilidade de incluir o apresentador no processo porque ele não tem cargo no banco. A reunião de emergência na qual se selou o destino do PanAmericano aconteceu no último dia 30, um domingo, no prédio do Banco Central em São Paulo, na avenida Paulista. Lá estavam Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabuco (respectivamente, presidente do conselho e presidente do Bradesco), Fábio Barbosa (presidente do Santander), Gabriel Jorge Ferreira (presidente do fundo) e Antonio Carlos Bueno (diretor da entidade).

Na sexta-feira anterior, no dia 28, esse mesmo grupo -acrescido de Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, havia decidido que não daria um centavo a mais a Silvio. Ao saber dessa decisão na Suíça, o presidente do BC pediu um encontro com o fundo, criado pelos bancos para sanear instituições em risco financeiro.

INTERVENÇÃO
Tombini argumentou que a intervenção do BC poderia causar danos muito maiores ao sistema bancário do que o prejuízo de mais de R$ 3 bilhões que o fundo assumiria. Uma ação da autoridade monetária levantaria suspeitas sobre a saúde financeira de outros bancos, o que poderia gerar uma onda de saques. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2011

às 15:59

Silvio Santos, o “infalível”, paga a conta na forma de novela

Este post já tinha sido publicado hoje e sumiu. Ei-lo reescrito.

Sabem por que Silvio Santos não “fale”? Porque “falir” é verbo defectivo e não aceita essa conjugação. A pergunta tem de ser outra: “Por que Silvio Santos não entra em falência?” Porque, à sua maneira, ele é uma estrela desse, por assim dizer, “regime”…

Nunca antes da história destepaiz uma bolinha de papel custou tão caro, não é mesmo? R$ 3,35 bilhões agora, do “Fundo Garantidor”, mais os R$ 700 milhões que a CEF já havia torrado no Panamericano, mais a devolução das empresas — algo em torno de R$ 2,5 bilhões… Uma bolinha de papel de quase R$ 7 bilhões!

E Guido Mantega ainda se livrou um tantinho do ridículo — daquele ao menos, mas ele é do tipo insaciável — de ter comprado um banco podre.

Pois bem. Agora ficamos sabendo que o SBT vai fazer uma novela chamada “Amor e Revolução”. Só falta botar o “&” comercial para a cafonice ficar completa. A trama se passa durante a ditadura e conta a história de uma estudante de ciências sociais que vira guerrilheira.

Ah, bom!!!

Certamente será a heroína da trama. Há também os heróis da tramóia. O autor da novela é Tiago Santiago, que o SBT roubou da Record. E olhem que isso não é fácil. É autor daquela novela sobre mutantes, aquele de gente que virava monstro. Nesta outra, pelo visto, monstro vai virar gente.

É, faz sentido. Essa guerrilheira da ficção também poderia ser uma mutante. Que tal ela se transformar em presidente da República depois?

Tenho candidato para dirigir a trama — a da ficção ao menos: Arnaldo Jabor.

PS – O primeiro bobalhão que me disser que a grana do Fundo Garantidor — que permitiu a Silvio Santos quebrar um banco e sair bilionário da história — é privada é candidato a comprar um Carne do Baú e a participar do “Roletrando”…

Por Reinaldo Azevedo

09/02/2011

às 6:31

Ao menos isso… Receita deve cobrar R$ 1 bilhão de Silvio Santos

Por Leonardo Souza e Mario Cesar Carvalho, na Folha:
A venda do PanAmericano não deve sair de graça para Silvio Santos, como queria o apresentador. A operação de salvamento do banco vai gerar uma conta de cerca de R$ 1 bilhão em tributos federais para Silvio, segundo cálculos de técnicos escalados pelos maiores banqueiros do país para cuidar da venda. A área de fiscalização da Receita Federal tem o mesmo entendimento, segundo a Folha apurou.

A origem da obrigação fiscal está na diferença entre o valor injetado pelo Fundo Garantidor de Créditos no PanAmericano e o preço de venda do banco. O FGC emprestou R$ 3,8 bilhões à holding do Grupo Silvio Santos para cobrir o buraco da instituição financeira. Silvio, por sua vez, vendeu o controle do banco para o BTG Pactual por R$ 450 milhões. Na transação, ficou acertado que essa quantia vai para o FGC e que o apresentador fica livre integralmente da dívida com o fundo. Logo, ele quitou R$ 3,8 bilhões com R$ 450 milhões.

Quem arcou com a diferença de R$ 3,35 bilhões foi o fundo. A instituição foi criada em 1995 com recursos dos depositantes para cobrir rombos de instituições financeiras falidas e impedir estragos no sistema financeiro. Na concepção fiscal, o prejuízo do FGC pode ser entendido como um ganho do Grupo Silvio Santos. Assim, tem de ser tributado. De acordo com auditores ouvidos pela Folha, esse ganho seria enquadrado no artigo 392 do regulamento do IR sob a forma de subvenção. Nesse caso, seria computado como lucro operacional, sobre o qual são aplicados Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (9%). Isto é, 34% sobre R$ 3,35 bilhões, o que dá cerca de R$ 1,14 bilhão.

O tributarista Paulo de Barros Carvalho, o único professor emérito da USP e da PUC-SP ao mesmo tempo, disse que em tese a diferença entre o rombo (R$ 3,8 bilhões) e o valor pago pelo BTG Pactual (R$ 450 milhões) deveria ser tributado. Segundo esse raciocínio, os R$ 3,35 bilhões compunham uma dívida que foi perdoada pelo Fundo Garantidor de Créditos. “O não pagamento de uma dívida financeira é interpretado normalmente como lucro de capital”, afirma o professor. Barros de Carvalho argumenta, porém, que é “dificílimo” fazer uma análise de um caso complexo como esse sem conhecer detalhes.

Dois executivos que participaram da negociação de Silvio Santos com o FGC dizem, com um certo tom de deboche, que esperavam que o advogado do apresentador notasse a questão tributária embutida na proposta do fundo. Mas ele não percebeu, segundo eles. Silvio foi representado pelo advogado Moacir Zilbovicius, do escritório Mattos Filho. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 21:52

PPS pede convocação de Silvio Santos e presidenhte do BC para falar sobre Panamericano

No Uol:
O líder do PPS na Câmara dos Deputados, o deputado federal Rubens Bueno (PR), anunciou nesta quinta-feira (2) que irá pedir na próxima semana, em nome de seu partido, a convocação dos presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, do Banco BTG Pactual, André Esteves, e do empresário Silvio Santos para explicarem ao público e ao Congresso Nacional a ajuda da Caixa ao banco PanAmericano e a venda dele ao Pactual.

Bueno afirma que quer entender por que a Caixa investiu em um banco com problemas financeiros e questiona se há alguma relação entre a ajuda do banco ao PanAmericano (agora vendido ao Pactual) e o fato do Pactual ter doado R$ 2,15 milhões para as campanhas eleitorais do PT e da presidente Dilma Rousseff.

“Não estou dizendo que há irregularidades na doação, mas as coincidências se acumulam ao longo do tempo”, afirmou o deputado da oposição.

O Pactual anunciou a compra da totalidade das ações do Grupo Silvio Santos no PanAmericano por R$ 450 milhões no início desta semana. A venda da instituição financeira ocorreu poucos meses depois de ter sido identificada a fraude no banco que resultou em prejuízos de cerca de R$ 4 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 21:31

Ainda o Panamericano e outros riscos

Ainda sobre o Banco Panamericano, comenta aquele meu amigo economista — aquele que outro dia esfarelou o superávit primário de Guido Mantega aqui:

“Se o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) tem menos recursos, significa que há menos garantias para os depositantes. Caso haja uma quebra grande, eles terão uma garantia menor do que teriam se o fundo não tivesse levado um chapéu. Não é, portanto, um custo aparente. Além disso, se houver outro problema, duvido que o FGC vá desempenhar o mesmo papel que desempenhou nesta crise. O próximo banco a quebrar vai cair no colo do… Banco Central!”

Pois é…  Por que o Panamericano mereceu tal privilégio?

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 19:26

O Brasil de fato mudou; no governo FHC, banqueiro incompetente quebrava; no governo Lula, recebem socorro de banco oficial

Existe um escândalo de natureza pública, sim, na raiz do que se pretende apenas uma imoralidade entre privados, ainda muito mal explicada: a compra de parte das ações do Panamericano pela Caixa Econômica Federal. Faz pouco mais de um ano, a CEF pagou R$ 739,2 milhões por 49% do capital votante do banco e 20,7% das ações preferenciais. Ou seja: um banco público e seus especialistas torraram uma montanha de dinheiro para comprar um banco quebrado, podre.

Desde logo, estamos diante de uma evidência: se o Banco quebra, o fato arranharia a imagem da CEF, que, até agora, passa incólume por tudo isso, como se tivesse feito um negocião. Assim, a decisão do Fundo Garantidor de Crédito não privilegia apenas Silvio Santos, mas também livra a Caixa de um belo vexame.

O que me pergunto é se os generosos banqueiros brasileiros não estão recebendo pressão vinda de cima, com garantia de compensações, para fazer o que nunca se fez antes na história destepaiz.

O Brasil do lulo-petismo, de fato, é diferente. No tempo de FHC, banqueiros quebravam – inclusive o outro avô de seus netos e um ministro seu. No novo modelo, eles começam recebendo socorro de banco público e terminam livres, leves e soltos, com o bolso cheio de bufunfa, numa operação dita “privada” absolutamente inexplicável e inexplicada.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 18:57

Mas o que há de errado nesse imbróglio do Panamericano?

Mas o que há de errado nisso tudo? Vamos ver. Bancos podem ser privados, mas lidam com a fé pública e podem causar estragos aos países. Por isso são uma atividade bastante regulada, que o governo acompanha de perto. Um banqueiro, e Silvio era um — e pouco importa se ficava jogando aviãozinho de R$ 50 para suas colegas de trabalho enquanto seus executivos faziam lambança —, não pode sair por aí dando um pequeno truque de… R$ 4 bilhões. Qual é?

O sistema era tão frágil a ponto de a liquidação do Panamericano ser considerada preocupante? Ora, dizem que não. Se não era, por que o privilégio, ainda que concedido “de banqueiro para banqueiro”.

“O dinheiro do Fundo Garantidor de Crédito é privado, Reinaldo! Banqueiro dá para quem quiser”. É… Bem, eu estou entre aqueles que acreditam firmemente que o custo desse fundo é, de algum modo, repassado ao distinto público. O sistema bancário brasileiro não está entre aqueles que oferecem os serviços mais baratos a seus clientes, não é mesmo? E penso ainda em outra questão, que fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 18:39

Então o camelô deu um beiço de mais de R$ 3 bilhões nos espertos banqueiros brasileiros?

Muito bem. E onde foi parar o rombo do Panamericano? Segundo consta, no tal FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O pagamento do BTG a Silvio, que repassou os papéis ao Fundo, foi feito em títulos. Se forem honrados agora, a entidade dos banqueiros toma um espeto de R$ 3,35 bilhões. Mas o comprador tem até 2018 para fazê-lo, com juros de 13% ao ano. Se esperar até lá, recolherá ao FGC R$ 3,8 bilhões — o valor que foi emprestado, sim, mas só daqui a quase 20 anos.

Vocês me perdoem o espírito de desconfiança, mas a história é muito suspeita. E realmente não acho que nossos rigorosos banqueiros se deixariam tungar, assim, pelo camelô do crédito de risco. Aqui e ali se falou em “Proer privado”. Não é, não. O Proer liquidou os bancos podres, e seus controladores arcaram com o custo da liquidação. Perderam patrimônio. Agora, vejam que fabuloso!, uma entidade de banqueiros atuou como uma verdadeira Casa da Fraternidade. O que há de errado aí?

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 18:25

Milagre do capitalismo jabuticaba – Silvio acordou devendo R$ 4,bi e sem suas empresas; foi dormir sem dívida e com o patrimônio de volta

Num evento inédito na história do capitalismo, o home que está com um espeto de R$ 4 bilhões nas costas impõe a solução a seus credores. Surge um comprador para o Panamericano! Vai assumir tudo, inclusive o buraco? Nada disso!

- o Panamericano é vendido ao BTG Pactual pagou pelas ações do Panamercano R$ 450 milhões, recolhidos o tal FGC (Fundo Garantidor de Crédito);
- e o buraco de R$ 4 bilhões? Bem, Silvio Santos teria feito uma exigência: só faria o negócio se o R$ 450 milhões anulassem a sua dívida de R$ 4 bilhões. E os FGC devolveria as suas empresas dadas como garantia;
- e assim se fez,consta! Isto mesmo! Da noite para o dia, o camelô teria dado um truque no capitalismo brasileiro e em seus competentes banqueiros;
- acordou devendo R$ 4 bilhões e, na prática, sem empresa nenhuma;
- foi dormir e já não devia um tostão e tinha de volta suas empresas, ali avaliadas, então, em R$ 2,5 bilhões;
- nunca antes na história destepaiz se viu algo parecido. E certamente nunca se fez algo parecido – nem aqui nem no mundo. Volto no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 18:14

Panamericano: rumo à solução mágica

Àquela altura, o buraco do banco de Silvio Santos era de R$ 4 bilhões, e suas empresas estavam todas empenhadas ao tal fundo garantidor, certo? E era preciso vender o banco — ou liquidá-lo—-, fazendo com que seu controlador arcasse com os custos da operação. Mas eis que uma mágica se deu.

- Silvio Santos fazia jogo duro e ameaçava não vender o banco coisa nenhuma; o BC que o liquidasse;
- muito bem, segundo a versão passada à imprensa e docemente comprada pelos jornalista, se isso acontecesse, para o tal fundo, seria pior, pois:
a) arcaria com os R$ 2,5 bilhões da grana já posta lá;
b) teria de suportar mais 2,2 bilhões para cobrir depósitos de clientes, somando R$ 4,7 bilhões;
- Epa! Está faltando uma coisinha aí: e as empresas de Silvio Santos dadas como garantia? Desapareceram da equação por quê?
- Para evitar o que seria, então, o mal maior, o fundo decidiu fazer o empréstimo; nada de liquidação;
- falou-se até em certo risco de outras instituições financeiras do ramo, que poderiam ser afetadas, etc e tal.
E foi aí que aparece a solução mágica – ao menos para Silvio Santos, como veremos.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 18:03

As estranhezas da Operação Panamericano: o novo empréstimo

A imprensa especializada que está cobrindo a questão do Panamericano parece estar pautada por algum ente estranho à lógica e deixa de fazer, parece-me, algumas perguntas essências. Bem, o resumo é este:
- Descobriu-se um rombo de R$ 2,5 bilhões no banco;
- o Fundo Garantidor — sempre chamado de “privado”; já trato do assunto — cobriu o rombo conhecido com um empréstimo correspondente ao valor;
- em troca, Silvio Santos deu suas empresas como garantia;
- soube-se depois que o rombo, na verdade, era de quase R$ 4 bilhões;
- o mesmo fundo teve de fazer um novo “empréstimo”. Atenção: não se noticiou qual foi a garantia adicional dada por Silvio Santos;
- os banqueiros do fundo toparam dar o dinheiro, mas exigiram que Silvio vendesse o banco

Acompanharam até aqui? Pois bem. Já há um troço que não fecha aqui. Esse novo “empréstimo” de R$ 1,5 bilhão teve qual garantia? Sigo no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2011

às 17:51

O cheiro ruim que vem do Panamericano

Algo não fecha na chamada “Operação Panamericano”. Já com o que se sabe, o cheiro é péssimo e afronta o bom senso e a moralidade. E tenho para mim que não sabemos da missa a metade. Falo no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

31/01/2011

às 21:57

“Vendi o banco”, diz Silvio Santos sobre Panamericano

Do Portal G1:
O empresário Silvio Santos confirmou nesta segunda-feira (31) que fechou a venda do banco Panamericano ao BTG Pactual.

“Vendi o banco”, afirmou ele aos jornalistas. “Não ganhei nada, não perdi nada”, disse. O empresário afirmou ainda que não possui mais nenhuma dívida junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os detalhes da operação ainda não foram divulgados.

Em novembro, o Panamericano recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões, com recursos obtidos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tendo os bens do grupo Silvio Santos como garantia, depois que o BC identificou um rombo nas contas da instituição.

De acordo com a autoridade monetária, o Panamericano mantinha em seu balanço, como ativos, carteiras de crédito que já haviam sido vendidas a outros bancos. Também houve duplicação de registros de venda de carteiras. Com isso, o resultado do banco era inflado.

Em novembro, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) organizaram um plano que resultou na injeção, pelo FGC, de R$ 2,5 bilhões no Panamericano para reforçar o seu balanço e evitar uma corrida aos depósitos. O FGC emprestou o dinheiro a Silvio Santos, que deu como garantia as empresas do seu grupo, que incluem uma emissora de televisão e uma fabricante de cosméticos.

Especializado nos segmentos de leasing e financiamento de automóveis, o Panamericano teve 49% do capital votante e 35% do capital total vendido para o banco estatal Caixa Econômica Federal em dezembro de 2009, por R$ 739,2 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

14/11/2010

às 6:21

Cliente ganha R$ 120 milhões por ano em banco de Silvio Santos!

Por Leonardo Souza e Mario César Carvalho, na Folha:
O Banco Central encontrou o primeiro indício concreto de desvio de dinheiro no PanAmericano. Um único cliente pessoa física recebia mais de R$ 120 milhões de rendimento por ano numa aplicação na instituição, a taxas muito superiores às de mercado. Técnicos do BC suspeitam que os juros do investimento eram inflados artificialmente para camuflar a saída dos recursos. Não se sabe ainda se o cliente está envolvido no suposto esquema. O titular da aplicação é o empresário Adalberto Salgado, de Juiz de Fora (MG). Ele mantinha R$ 400 milhões num CDB (Certificado de Depósito Bancário) do PanAmericano, que o remunerava a mais de 30% ao ano. O BC já havia identificado problemas na contabilidade, mas não tinha indícios de desvio de dinheiro.

O CDB é um instrumento usado pelos bancos para captar recursos. O investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros baseados no CDI -taxa cobrada nas transações entre instituições financeiras. O CDI segue a taxa básica da economia (Selic), hoje em 10,75% ao ano. Em sua aplicação, o empresário obteve 20% ao ano de retorno mais o total do CDI -cerca de 30,75%. O prazo da aplicação é de cinco anos.

(…)
A descoberta de uma aplicação tão extravagante só após a intervenção é um indício de que a fiscalização do BC cometeu falhas graves no caso do PanAmericano. Segundo dois especialistas ouvidos pela Folha, sob a condição de que seus nomes não fossem citados, a fiscalização deveria ter notado o CDB, no mínimo, pelo risco que o pagamento de juros tão altos significaria ao banco. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

13/11/2010

às 7:35

Investigação indica desvio de dinheiro no Panamericano

Por David Friedlander e Leandro Modé, no Estadão:
A investigação do rombo no Panamericano aponta para o desvio de recursos por funcionários do banco. O foco está na área de cartões de crédito. Durante a investigação, diretores já demitidos admitiram que financiavam o saldo de devedores dos cartões em valores superiores à dívida real. Assim, o dinheiro que saía do caixa do banco era superior ao que os clientes financiavam. Do rombo total de R$ 2,5 bilhões do Panamericano, R$ 400 milhões tiveram origem nos cartões.

Se a suspeita for confirmada, como acreditam pessoas envolvidas na investigação, serão ao menos duas as causas do rombo: desvio, provavelmente para o bolso de funcionários, e maquiagem dos balanços para esconder os maus resultados do banco. Ao contrário do que ocorreu na venda de carteiras de crédito para outros bancos, nos cartões houve efetiva saída de dinheiro. “Os recursos saíram do banco. O trabalho agora é descobrir onde foram parar”, afirma uma fonte a par do assunto. “Ainda está tudo muito nebuloso.”

Para fazer financiamentos a mais, os executivos usavam as procurações que os clientes no Brasil concedem à administradora quando aderem ao cartão. Com elas, a administradora ia ao banco para contratar financiamento em nome do cliente quando este parcelava o saldo devedor. Sexta-feira, o Ministério Público Federal em São Paulo recebeu a notificação do Banco Central (BC) para investigar o caso. Também ontem, a Polícia Federal (PF) informou que abriu investigação.

Internamente, as irregularidades serão apuradas pela nova diretoria e pela PriceWaterhouseCoopers, auditoria indicada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que emprestou R$ 2,5 bilhões para Silvio Santos salvar o Panamericano. Um dos obstáculos que os investigadores vão encontrar é que o setor de cartões de crédito no Brasil vive uma espécie de ‘limbo jurídico’. Nenhum órgão de governo é responsável pela fiscalização da área. Além disso, a administradora de cartões do Panamericano não está subordinada ao banco.

A hipótese de que os antigos diretores forjaram os balanços para engordar os bônus perdeu força porque o Panamericano não tinha essa política de remuneração. Segundo um documento enviado pelo banco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os diretores ganhariam este ano R$ 4,542 milhões entre salários e benefícios diretos ou indiretos. Não havia previsão para remuneração variável. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/11/2010

às 19:19

MP e PF investigam se Panamericano cometeu crimes. E quem vai investigar se houve crime político?

Tanto o Ministério Público como a Polícia Federal decidiram investigar as lambanças no Banco Panamericano. O MP instaurou um inquérito criminal, que ficará sob a responsabilidade dos procuradores Rodrigo Fraga Leandro de Figueiredo e Anamara Osório Silva. Na PF, o inquérito será tocado pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, da Superintendência Regional de São Paulo, que vai apurar se houve  gestão fraudulenta, prestação falsa de informações aos órgãos competentes e inserção de elementos falsos em demonstrativos contábeis.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Tanto o MP como a PF investigam práticas relacionadas a crimes financeiros — o que, convenham, é bem provável que tenha ocorrido. Ou haja distração para provocar um rombo que comeu todo o patrimônio do banco! Trata-se de uma investigação necessária, e os responsáveis têm de ser exemplarmente punidos. Mas há um busílis aí.

E a investigação de eventual crime político? Este, só mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito poderia apurar. Mas esqueçam! Por muito tempo não se falará de CPI nestepaiz — a menos que seja contra algum membro da oposição. O que ninguém ligado à área entende até hoje é por que a Caixa Econômica Federal foi se meter num banco como o Panamericano, ainda que suas contas não estivessem maquiadas. Mais: evidenciada a lambança, o controlador do grupo Silvio Santos — o próprio — foi ter com o presidente da República.

O resto já é história.

Por Reinaldo Azevedo
 

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