Blogs e Colunistas

Apeoesp

04/06/2015

às 6:55

O pau comeu lá na casa de Bebel. Ou: Um sindicalismo de paus e pedras

E meu pingo final vai para a Apeoesp. O pau comeu lá na casa de Bebel.  A assembleia de grevistas, que deve ter reunido uns mil gatos-pingados — há 230 mil professores na ativa —, terminou em porrada, pancadaria mesmo. Um dos participantes saiu com o nariz sangrando.

Qual é o busílis? Sem saída, com a greve virtualmente extinta, Bebel Noronha, a presidente da Apeoesp, tentou pôr fim oficial ao movimento depois de 83 dias. Acontece que essa petista de quatro costados pode ser considerada, vamos dizer, a ala moderada do grevismo: à esquerda dela, estão coisas como PCO, PSTU, PSOL e congêneres. E essa gente toda tem como ocupação votar a favor de… greve.

Ou por outra: quanto mais minoritário se torna o movimento, mais radical, porque aí sobram apenas os militantes de grupelhos de extrema esquerda, que estão empenhados em fazer a revolução, não em melhorar as condições de uma categoria.

A greve começou no absurdo e seguiu no absurdo. Os professores tiveram o reajuste anterior em julho do ano passado. Mesmo assim, os militantes sindicais, Bebel à frente, decretaram uma greve em março, em meio a uma marcha das esquerdas contra a terceirização e em defesa do governo Dilma… Pedem a bagatela de 75,33% de reajuste, o que é uma piada.

O governo decidiu não pagar os dias parados, o que foi referendado pela Justiça. Vejam a que desastres conduz uma liderança irresponsável, acuada por outras ainda mais irresponsáveis.

Bebel admite que a paralisação hoje atinge menos de 30% da categoria. O governo diz que não passa de 4%. E está falando a verdade.

A greve liderada por Bebel morreu. No fim, sobrou apenas pancadaria. Os que tomaram porrada dizem que foram vítimas de seguranças a mando da Apeoesp. A presidente do sindicato afirma que eram todos professores: quem bateu e quem apanhou.

Já houve um tempo em que a arma de um professor era uma caneta, e seu exército, os livros. Hoje, as facções de extrema esquerda lutam entre si com paus e pedras.

Eu bem que avisei, né, Bebel?!

Por Reinaldo Azevedo

20/05/2015

às 20:55

O BOM SENSO – STJ autoriza corte de ponto de professores grevistas em SP

No Estadão:
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o governo Geraldo Alckmin (PSDB) a cortar o ponto dos professores da rede estadual de São Paulo que estão em greve. A decisão desta quarta-feira, 20, suspende liminar da Justiça de São Paulo que garantia o pagamento. O STJ atende a recurso do governo do Estado, que argumentou ser “impossível” a concessão do reajuste de 75,33% reivindicado pela categoria. Além disso, aponta que o pagamento a grevistas acarreta em impacto de R$ 23,7 milhões somente no mês de março.

Os professores, liderados pela Apeoesp, principal sindicato da categoria, iniciaram a greve no dia 16 de março. Até o final de abril, Alckmin negava em entrevistas que houvesse greve na rede. Já no recurso levado à Justiça, o governo indica que, além do gasto com o pagamento de professores parados, somam-se outros R$ 18,9 milhões pagos a professores contratados para substituição. 

O presidente do STJ, Francisco Falcão, atendeu ao argumento econômico do Estado. “Registro que tenho por configurada a grave lesão à ordem e à economia públicas sustentadas pelo Estado. É que me parecem bem demonstrados os danos aos cofres públicos decorrentes da necessária contratação de professores temporários em substituição aos servidores grevistas”, anotou o ministro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/05/2015

às 20:00

As hordas bárbaras de Bebel contra Goffredo da Silva Telles Jr. Ou: Sobre o fim das ditaduras

As hordas bárbaras de Bebel contra Goffredo da Silva Telles Jr. Ou: Sobre o fim das ditaduras A invasão dos bárbaros: o país já está com o saco cheio da ditadura dessa minoria A invasão dos bárbaros: o país já está com o saco cheio da ditadura dessa minoria

A invasão dos bárbaros: o país já está com o saco cheio da ditadura dessa minoria 

Brucutus liderados pela Apeoesp, o sindicado da rede oficial de ensino de São Paulo, invadiram há pouco a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, e interromperam um ato em homenagem ao centenário de nascimento do jurista Goffredo da Silva Telles. Sim. Bebel Noronha, a presidente da entidade, estva lá. Oh, não! Eles nada têm contra Goffredo. Na verdade, eles nem sabem quem é. Ocorre que circulou o boato de que o governador Geraldo Alckmin estaria na cerimônia. Então os patriotas foram lá, com a delicadeza habitual. Um dos convidados ainda tentou conter a invasão.

— Olhem, estamos fazendo uma homenagem a um homem que foi muito importante para a democracia.
— De qual democracia você está falando?
— Democracia não tem adjetivos, meu amigo!
— Não estou vendo nenhum negro lá dentro.

E invadiu a sala. Uma outra senhora gritava ter o direito de fazer aquilo porque se dizia “educadora”…

Não deixa de ser emblemático que os atuais funcionários (a)morais do petismo, disfarçados de sindicalistas, ponham fim a um ato que honra a memória do autor da “Carta aos Brasileiros”. Talvez eu entenda. Afinal, é naquele texto, de 1977, que desafiava a ditadura, que Goffredo escreveu: “Reconhecemos que o Chefe do Governo é o mais alto funcionário nos quadros administrativos da Nação. Mas negamos que ele seja o mais alto Poder de um País. Acima dele, reina o Poder de uma Ideia: reina o Poder das convicções que inspiram as linhas mestras da Política nacional. Reina o senso grave da Ordem, que se acha definido na Constituição.” Serve para Dilma Rousseff, não?, a amigona de Bebel.

À sua maneira, vivemos também hoje sob a égide de uma ditadura. E, do mesmo modo, é crescente o número de brasileiros que não se conforma. Bebel e seus bárbaros são agentes da tirania em curso: violenta, desrespeitosa, sem limites, sem escrúpulos, que não distingue nem acata competências.

A Apeoesp liderou nesta sexta uma passeata onde anunciou a presença de 40 mil pessoas. Se tanto, havia 2 mil. A concentração se deu no Centro da cidade, onde fica a faculdade.

Aquela país da carta de Goffredo não aguentava mais a ditadura militar. O país de hoje não aguenta mais a ditadura dos companheiros de Bebel, que interrompem uma homenagem a Goffredo. Tudo faz sentido. Assim como acabou aquela tirania, esta também vai acabar.

Leiam, abaixo, texto que escrevi para a VEJA em julho de 2009, por ocasião da morte de Goffredo, ocorrida no dia 27 de junho daquele ano.
*
Que Goffredo não descanse em paz

Os fatos não se dividem, observou o escritor francês Anatole France (1844- 1924), em históricos e não históricos. A seleção, dizia, cabe ao historiador. Na verdade, as aspirações de uma sociedade, os valores influentes num dado momento, as correntes de opinião que tornam hegemônico um ponto de vista, tudo isso concorre para determinar o que é ou não “histórico”. O passado é permanentemente reescrito e é tão ou mais incerto do que o futuro. Pensei coisas semelhantes ao ler as justas homenagens ao jurista Goffredo da Silva Telles Jr., que morreu, aos 94 anos, no último dia 27. Professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, pertencia à categoria dos “juristas”. Na imprensa, foi saudado por uma perífrase, por um feito que acabou se colando a seu nome e se tornando sinônimo: “O autor da Carta aos Brasileiros”.

No dia 8 de agosto de 1977, Goffredo leu um documento de 4.096 palavras que expressava um inequívoco repúdio à ditadura militar e pedia a volta da democracia. A data e o local estavam carregados de simbolismo: comemoravam-se, sob as arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, os 150 anos da fundação dos cursos jurídicos no Brasil. Quatro meses antes, o presidente Ernesto Geisel havia fechado o Congresso para impor uma reforma política que garantisse a sobrevivência do regime. Curiosamente, era o preço que a ditadura cobrava para dar continuidade à distensão, à abertura “lenta e gradual”, que iria extinguir o AI-5 no ano seguinte. A história nunca é linear.

E era o impressionante déficit democrático do Brasil que Goffredo denunciava de forma insofismável. Passados 32 anos, nota-se que nem todos os princípios virtuosos da Carta foram incorporados ao patrimônio ético e moral da política. Há dias, referindo-se à formidável rotina de desmandos no Senado, o presidente Lula preferiu apontar supostos exageros da imprensa e ponderou: “José Sarney não é um homem comum”. Falava do outro ou de si mesmo? Vamos ao Goffredo da Carta:

“Reconhecemos que o Chefe do Governo é o mais alto funcionário nos quadros administrativos da Nação. Mas negamos que ele seja o mais alto Poder de um País. Acima dele, reina o Poder de uma Ideia: reina o Poder das convicções que inspiram as linhas mestras da Política nacional. Reina o senso grave da Ordem, que se acha definido na Constituição”.

Em sete tópicos, o professor resume os fundamentos do regime democrático, dos quais o Brasil estava apartado. Na seção Documentos de meu blog veja.abril.com.br/blog/reinaldo, publico a íntegra do texto. Sobre a distinção entre “o legal e o legítimo”, ele escreve:

“Partimos de uma distinção necessária. Distinguimos entre o legal e o legítimo. (…) Das leis, a fonte legítima primária é a comunidade a que as leis dizem respeito; é o Povo (…). A fonte legítima secundária das leis é o próprio legislador (…). Mas o legislador e os órgãos legislativos somente são fontes legítimas das leis enquanto forem (…) vozes oficiais do Povo”.

A ditadura brasileira, à sua maneira, era de “direito”, sustentava-se na lei. Mas qual era a sua fonte originária? Não era “o povo”. Naquele momento, a denúncia da ilegitimidade do aparato legal era uma questão de resistência democrática. A exemplo de qualquer documento, a Carta está sujeita a releituras extemporâneas. Hoje em dia, há quem pretenda usá-la como justificativa para afrontar a Constituição, tratada como mero “papel”. Em 1977, acusar a ilegitimidade do legal correspondia a fazer história. Repetir a acusação em 2009 é só uma farsa. Acusar a ilegitimidade do legal em 1977 distinguia os democratas; em 2009, distingue demagogos subordinados à voz das ruas.

Em vez de pregar a transgressão das leis, Goffredo faz uma defesa apaixonada do estado de direito, fundado na legitimidade democrática. Escreve:
“Proclamamos que o Estado legítimo é o Estado de Direito, e que o Estado de Direito é o Estado Constitucional. O Estado de Direito é o Estado que se submete ao princípio de que Governos e governantes devem obediência à Constituição”.

Assim, leitor, numa democracia, não é a legitimidade que promove ou tolera o desrespeito ao estado de direito, e sim o flerte com “o arbítrio de vetustos e renitentes absolutismos”. A fonte legitimadora da lei é a população, mas a fonte legitimadora do direito é a Constituição. O direito deve ser achado na lei, não nas ruas. A tirania exercida em nome do povo não é menos detestável do que a exercida por medo do povo.

Goffredo fez-se, assim, referência no combate à ditadura. Nesse processo, foi apropriado, de modo consentido, pelas esquerdas, sempre ágeis em reler o passado, como se os fundamentos de sua Carta não fossem os de uma democracia liberal. Limaram-se os relevos supostamente incômodos de sua biografia para fazer dele um “socialista” – ele próprio passou a se considerar assim. Seu passado de militante da conservadora Ação Integralista Brasileira foi eliminado. Não bastava.

Apagou-se da história o livro A Democracia e o Brasil: uma Doutrina para a Revolução de Março, de 1965, em que ele apresenta as suas sugestões para uma Constituição, digamos, à altura do movimento militar de 1964. O próprio site de Goffredo (www.goffredotellesjr.adv.br) “conserta” o passado segundo as injunções do presente e apenas cita o título, mas eliminando o subtítulo. Amigos seus tentaram fazer da obra a contribuição do iluminismo às trevas. Tudo mistificação. Nem ele, nessa obra, é muito iluminado nem o regime era ainda tão escuro. A nota preliminar não poderia ser mais eloquente:

“Este livro foi escrito muito antes da Revolução de Março. A necessidade de recorrer às armas para salvar o Brasil constitui a clara demonstração de que é rigorosamente verdadeira a crítica feita nestas páginas. A Revolução Vitoriosa foi a sublevação do Brasil autêntico, em consonância com os mais profundos anseios da Nação. Agora, no Brasil Novo, o que cumpre é não retornar às obsoletas, enganosas e nefastas fórmulas constitucionais, que iam levando o nosso País à desgraça. (…) O Brasil estava sendo falsificado. Aliás, a deturpação da realidade constitucional de nossa terra vem sendo feita há muito tempo. Não podemos mais tolerar a desfiguração da Realidade Brasileira e a sufocação do Espírito Nacional. Queremos que o Brasil tenha a Constituição que seja espelho da Nação”.

Definitivamente, não se trata de um adversário do “golpe”. Que eu saiba, o livro nunca foi reeditado. E esse é um dos desserviços que os mistificadores prestam à história do pensamento. A obra não desonra a biografia de Goffredo. Ao contrário: torna-o demasiadamente humano e nos informa que a história é também a história que dela se conta. Tivessem os militares acatado as suas sugestões, teria sido a Constituição de Goffredo mais, vá lá, “democrática” do que a de 1967, aquela “da ditadura”? Leiam vocês mesmos:
“Art. 46. O Colégio Eleitoral da República tem duas funções: a de eleger os Senadores Nacionais e a de se manifestar, com um ‘sim’ ou um ‘não’, sobre a idoneidade e aptidão de cada candidato à Presidência da República. Compõe-se dos Professores Catedráticos efetivos de todas as Faculdades oficiais de ciências sociais existentes no País, dos Ministros do Supremo Tribunal e dos Desembargadores dos Tribunais de Justiça” (pág. 83).

Qual dos “Goffredos” nos interessa? Ainda que possamos fazer a escolha moral pelo da “Carta de 1977?, o da “Constituição de 1965? pode ser até mais relevante para a compreensão da realidade. Por quê? Aquele de 1977 é o da história hoje consagrada como vitoriosa; o de 1965 é o da história que restou derrotada. Entender os motivos dos derrotados pode ser mais instrutivo do que dividir os despojos da conquista com os vitoriosos. Ao menos para o pensador.

Que Goffredo não descanse em paz e que sua obra, a completa, continue a importunar os vivos.

Por Reinaldo Azevedo

08/05/2015

às 7:07

Decisão absurda! Juíza manda pagar salário a quem não trabalha!

Parece piada, mas é verdade! Vamos ver.

Em todo o mundo livre, a greve é uma decisão de uma categoria de trabalhadores, ou de parte dela, que decide arcar com o ônus da paralisação. Esse ônus — deixar de receber os dias trabalhados — é a cota de sacrifício para o bem vindouro. E se a greve for malsucedida? Bem, como em todo jogo, pode-se ganhar ou perder. Também o patrão tem a sua cota: a paralisação da produção. Sim, eu sei, no serviço público, o patrão é o povo, coitado!

Só no Brasil a greve vira uma questão cartorial. É estupefaciente!

A juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, proibiu, imaginem vocês, o Estado de cortar o ponto dos professores em greve. O argumento? Segundo ela, a “greve é um direito” e, até que não seja julgada a sua legalidade, os dias não podem ser descontados. Ou por outra: a juíza, com a sua decisão, iguala grevistas a não grevistas, quem trabalha a quem não trabalha.

Sim, a greve é um direito — sempre considerei um absurdo que também o seja para servidores, mas nem trato disso agora. Por isso mesmo, grevistas não podem ser punidos por uma greve considerada legal. Mas receber como se trabalhando estivessem?

Ora, meritíssima! Grevista que recebe salário não faz greve, mas cabula o emprego, não é mesmo? Bebel Noronha, a presidente do sindicato, não tem representatividade para emplacar uma greve para valer, e a Justiça, então, decide lhe dar uma mãozinha.

É o fim da picada! Grevistas, agora, têm o bônus do salário, o bônus de não trabalhar e, se a reivindicação for atendida, o bônus do novo benefício. Cadê o ônus? É a isso que se pode chamar “Justiça”, palavra que, na origem  remete a equilíbrio? Tenham a santa paciência!

Por Reinaldo Azevedo

24/04/2015

às 4:55

#PRONTOFALEI – Professores de selvageria

Por Reinaldo Azevedo

23/04/2015

às 20:55

VEJAM COMO AGEM OS MILITANTES A SERVIÇO DA APEOESP. É ESSA GENTE QUE ESTÁ EM SALA, EDUCANDO AS CRIANÇAS E OS JOVENS?





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Por Reinaldo Azevedo

23/04/2015

às 16:56

Os vândalos de Bebel, a “mulher 100 votos”, atacam a Secretaria de Educação

Vândalos disfarçados de professores tentaram invadir nesta quinta-feira a sede da Secretaria Estadual de Educação, em São Paulo. Mascarados, lançaram uma barra de ferro contra a porta do edifício. Os vidros foram quebrados. Os policiais tiveram de recorrer ao gás lacrimogêneo e ao gás pimenta para que os supostos docentes se lembrassem de que existem leis no país. A manifestação aconteceu depois de uma reunião infrutífera entre a direção da Apeoesp, o sindicato da rede oficial de ensino, e o secretário de Educação, Herman Woorvald.

Um grupo minoritário de professores está em greve há 39 dias, sob o comando da inefável Bebel Noronha, a petista que preside o sindicato. A turma reivindica, atenção!, nada menos de 75% de reajuste, de uma vez, numa única paulada. Pretexto: igualar os ganhos a outras carreiras de nível universitário.

Atenção! Como informa a Folha, de junho de 2012 a fevereiro deste ano, o salário médio dos professores das escolas estaduais subiu 28%. Nesse período, a inflação foi de 16%, segundo o indicador IPC-Fipe, em São Paulo, e de 19,5%, segundo o IPCA. Considerando o início do mandato anterior do tucano (2011) até fevereiro de 2015, o reajuste salarial foi de 45%, segundo dados tabulados pelo próprio governo, ante uma inflação de 25% (IPC). Logo no início do mandato anterior, Alckmin aprovou lei que estabeleceu política de aumentos até 2014.

Vamos lá, meus caros! Todos podemos achar, e certamente achamos, que os professores merecem ganhar mais. Mas há uma medida nas coisas. Imaginar que o Estado possa arcar com um reajuste de 75% a título de equiparação, partir para a greve e desta para atos violentos, eis um conjunto de práticas inaceitáveis.

Que exemplo dá a Apeoesp a seus alunos! Bem, dizer o quê? Essa mesma entidade, comandada pelos mesmos sectários, já queimou livros em praça pública em manifestações grevistas e para protestar contra a criação de um currículo unificado. Cabe a pergunta: que tipo de gente e de liderança comanda a queima de livros? O exemplo notório de que a humanidade tem lembrança são os nazistas, na Alemanha, não é isso? Vale, nesse caso, a máxima do poeta alemão Heine: “Onde se queimam livros ainda se queimarão pessoas”.

Depois do ataque à secretaria, 350 militantes da Apeoesp saíram em passeata. Para quê? Certamente não para ganhar o apoio da população, que é quem acaba, de várias maneiras, pagando o pato por sua irresponsabilidade.

Espero que o governo Alckmin realmente não negocie com a Apeoesp enquanto a greve não chegar ao fim. O estado democrático e de direito não pode condescender com esses métodos. E a maioria silenciosa dos professores, que não endossa a violência e a porra-louquice, tem de começar a mostrar a cara.

Olho aqui o currículo de Bebel, prestem atenção:
1991/1992 – Coordenadora da Subsede da APEOESP em Piracicaba
1993/96 – Secretária de Organização do Interior da APEOESP
1996/99 – Vice-Presidenta da APEOESP
1997/99 – Secretária Geral da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
1999/02 – Presidenta da APEOESP
2002 – Secretária de Finanças da APEOESP
2006-2009  Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE)
A partir de 2010 – Presidente da Apeoesp

Como se nota, ela é uma profissional da causa. Está longe da sala de aula há muito tempo. Perdeu contato com os alunos. Talvez por isso tenha patrocinado uma propaganda na TV pedindo que os pais não levassem seus filhos à escola.

Ah, sim: Bebel já teve a chance de se submeter ao escrutínio popular. Foi candidata a vereadora da cidade de Águas de São Pedro, o segundo menor município do país, com cerca de 3 mil habitantes. Obteve 100 votos.

Impedir as crianças de ter aula é mais fácil do que se eleger vereadora em Águas de São Pedro, né, Bebel?

Por Reinaldo Azevedo

06/04/2015

às 19:18

A coluna que deixou a petista Bebel irritada

Eu ainda falarei mais longamente sobre o ataque que Bebel me fez e vou demonstrar a esta senhora e a seus advogados quem ofendeu quem, antes que eles resolvam tomar o tempo da Justiça. Mas cumpre lembrar por que a mulher está tão brava comigo. O que a deixou furiosa foi a minha coluna na Folha de sexta. Eu a reproduzo na íntegra.

Lula está morto

A Apeoesp, o sindicato dos professores da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo, que tenta manter no muque uma greve à qual a categoria se nega a aderir, teve a coragem de patrocinar na TV uma campanha publicitária em que recomenda que os pais não levem seus filhos à escola. É indecente. É asqueroso.

Que tipo de gente faz isso? Isabel “Bebel” Noronha, “presidenta”, como ela gosta, da entidade, é aquela senhora que anunciou, em 2010, em outra greve malsucedida, que “quebraria a espinha” do então governador José Serra (PSDB). Na sequência, participou de um ato em apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT). A assembleia-fantasma da Apeoesp que aprovou a paralisação neste ano ocorreu no dia 13 de março, na rua, em meio aos “protestos a favor” do governo, sem que se pudesse saber quem era e quem não era professor.

No programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, recebi um telefonema indignado de dona Márcia Amaral. Tem seis filhos. É diarista. Estava inconformada com a propaganda de Bebel, a burguesona do trabalho alheio que pretende cassar dos pobres o direito à escola para que possa impor a sua agenda na marra. Na quarta, 30 grevistas invadiram a Diretoria Regional de Ensino da mesma São Bernardo de onde Márcia me ligou. Dois funcionários ficaram feridos.

É certo que os brasileiros estão descontentes com inflação de mais de 8%, juros de 12,75% ao ano, recessão em curso, estelionatos eleitorais em penca… Tudo isso se reflete na baixíssima popularidade da presidente e na voz nada surda das ruas que escancara o “Fora Dilma!”, como se ouvirá de novo no dia 12. Mas não são menos audíveis os gritos de “Fora PT”.

Há mais do que uma insatisfação com os insucessos da economia e com as promessas que não foram nem serão cumpridas. O desconforto é mais fundo do que a constatação do logro. Camadas crescentes de brasileiros, de todas as faixas de renda, não suportam mais os métodos do petismo, de seus satélites e de suas franjas, cometam eles crimes na Petrobras, no campo, nas cidades ou nos sindicatos.

O PT e Lula estão mortos. O primeiro morreu como ente de razão determinado a criar a hegemonia política; o segundo, como o demiurgo dotado de uma sabedoria superior que ou fazia o download do divino ou era, ele mesmo, a fonte primária da verdade.

Na terça passada, Lula participou de um ato “em defesa da Petrobras”, promovido por seu partido e entidades de esquerda. Resfolegante, vociferava ser ele o mais indignado dos brasileiros. Depois de o PT privatizar, a seu modo, a Petrobras e o Estado brasileiro, o homem quer tomar para si até a indignação popular. Um vídeo circula por aí com um trecho do seu discurso, que soou inverossímil até aos presentes. Na primeira fila, enquanto ele fala, uma “companheira” de alto coturno boceja e esfrega os olhos para espantar o sono. Ah, o tédio dos aristocratas!

A receita dos petistas e de Lula para Dilma, em quem vive descendo o sarrafo, para enfrentar o que chamam de “campanha do ódio” é se aproximar ainda mais daqueles atores que se fingem de povo e saem por aí carregando bandeira, o que corresponde a mandar às favas a maioria que não carrega, como a diarista Márcia Amaral.

É possível que esteja vindo à luz um país virtuoso, capaz de cuidar de si. Certo senhor ambicioso decretou: “Deus está morto”. Sejamos mais modestos: “Lula está morto”.

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2015

às 6:47

Essa Bebel não aprende nada, mesmo! Mais uma vez, sindicato que é mero esbirro do PT tenta punir os estudantes pobres

Ah, a Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo, está de volta. E, como sempre, fazendo o esforço máximo para, em decorrência da greve, prejudicar o maior número possível de alunos pobres. Há uma semana, a entidade decretou uma paralisação cobrando, imaginem vocês!, reajuste de 75%, o que é, obviamente, um delírio. A independência dessa turma se mede pela data em que decidiu realizar a sua assembleia: 13 de março! No mesmo local e hora em que o PT e a CUT — de que a Apeoesp serve de esbirro — organizavam uma manifestação de apoio a Dilma.

A Apeoesp fala em uma adesão de 60%, o que é, evidentemente, uma cascata.  O governo diz que o índice de falta dos professores tem sido de 2,5%, que é considerado, infelizmente, normal. Os membros da categoria estão entre os que mais faltam ao trabalho. Mas nem vou entrar nisso agora.

É evidente que aquele que entra numa negociação salarial cobrando 75% de reajuste está investindo na greve, não na negociação. À Folha, o secretário de Educação do Estado, Herman Voorwald, afirmou ter apresentado ao sindicato a intenção de, a partir do mês que vem, elaborar um plano de reajustes para os próximos quatro anos, com base no desempenho econômico e na arrecadação do Estado. ‘Todos tinham concordado. Fui surpreendido pela deflagração da greve.’ A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, nega.

Maria Isabel nega, é? Essa moça é complicada. Em março de 2010, já de olho na campanha presidencial, Bebel tentou deflagrar uma greve em São Paulo. Num dos discursos, afirmou: “Esse senhor [José Serra, então governador] não vai ser presidente do Brasil. Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”. Depois disso, foi se encontrar com a candidata Dilma. A greve de 2010 terminou com Bebel debaixo de uma chuva de ovos.

Os petistas — e Bebel é um deles — não entenderam mesmo nada! Ainda não se deram conta de que a população já está com o saco cheio de ser usada como massa de manobra da luta política e de um partido. É claro que me refiro ao PT, ao qual Bebel é filiada. Aliás, ela já teve a chance de se submeter ao escrutínio popular: obteve 100 votos como candidata a vereadora da cidade de Águas de São Pedro, o segundo menor município do país, com cerca de 3 mil habitantes. Vencer a eleição na Apeoesp, ancorada no PT, tem sido mais fácil.

Os professores, mais uma vez, estão dizendo “não” à manipulação política de um sindicato que é mera franja de um partido. E a população de São Paulo constata, de novo!, o mal que lhe faz uma legenda que não tem compromisso com a educação, embora a sua filiada mais famosa do momento queira liderar a “Pátria Educadora”.

Texto publicado originalmente às 6h04

 

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2014

às 6:19

UM VERMELHO-E-AZUL COM BEBEL, A PROFESSORA PETISTA QUE É CHEFONA DA APEOESP E ESPANCA A LÍNGUA PORTUGUESA, O BOM SENSO E A BOA EDUCAÇÃO! OU: ANALFABETISMO CRUZADO

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Na quinta-feira passada, escrevi aqui um post sobre uma manifestação promovida por Izabel Noronha, conhecida como “Bebel”, presidente da Apeoesp, o sindicato de professores da rede oficial de ensino de São Paulo. Por quê? O dissídio da categoria é em março. Bebel houve por bem convocar uma manifestação de docentes com seis meses de antecedência para, supostamente, tratar do reajuste. Conversa mole. Era apenas campanha eleitoral em favor do PT, como evidencia reportagem da Folha. Esta senhora e seu sindicato são conhecidos esbirros do partido.

O link do que escrevi está ali. Como vocês poderão constatar, não desferi uma única ofensa pessoal contra esta senhora. Fiz crítica política apenas. Ah, ela ficou muito zangada e resolveu responder — uma resposta, em tese, pessoal. Mas quê… Os impropérios de Bebel, procurei no Google, já se espalharam por todos os sites e blogs que trabalham para o PT — alguns por convicção, outros (a maioria!) por dinheiro.

Muito bem! Abaixo, em vermelho, segue o ataque que ela desferiu contra mim. Respondo, ponto a ponto, em azul. Vamos ao divertimento (eu adoro isso!!!).

*
Senhor Reinaldo Azevedo,
Vergonha deveria ter a imprensa brasileira por dar abrigo a um pseudo-jornalista como o senhor.
Não por isso, dona Bebel! Na condição de professora de português, envergonhe-se de sua gramática e de sua ortografia. Mas compreendo: a senhora está longe da sala de aula faz tempo, né? Há muito não sabe o que é acordar cedo para encarar os estudantes. Fez carreira como burocrata sindical e, estou certo, não pretende voltar à lida tão cedo. Em tempo: o certo é “pseudojornalista”. Ou “pseudoprofessora”.

Não me surpreende que a Revista Veja o mantenha como um de seus colunistas, porque o senhor e essa revista se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos.
Tenho três empregos, dona Bebel. Os três em empresas jornalísticas privadas. Não mamo nas tetas do dinheiro público. Sei que a senhora e seu partido adorariam decidir quais jornalistas poderiam e quais não poderiam trabalhar. Vocês lutam por isso. Por enquanto ao menos, a senhora vai ter de me engolir. Sobre o “vossos” do seu texto, leia no fim do post.

Sou líder, sim, reconhecida e reconduzida pelos professores e professoras à Presidência da minha entidade, o maior sindicato da América Latina, pela quarta vez.
Noto que ela sente orgulho daquilo de que deveria se envergonhar: presidente pela quarta vez do sindicato!!! Então esta é agora a sua profissão: presidente de sindicato! Professora de português provavelmente sofrível, esta senhora não deve ser melhor com a matemática. Vamos ver.

Sabem quantos professores votaram neste 2014 na eleição que decidiu a presidência da Apeoesp? Segundo o site do próprio sindicato, 67.810. Ocorre que havia, na rede, no ano passado, DUZENTOS E TRINTA E DOIS MIL. Assim, participaram do processo eletivo apenas 29,22% — 70,78% não quiseram nem saber.

Ainda segundo a Apeoesp, a petista Bebel obteve 53,06% do total dos votos — arredondando, isso dá 35.980. Ah, entendi: ela ocupará pela quarta vez a presidência da entidade, eleita com os votos de 15,5% da categoria — 84,5% não votaram nela!!! Isso é que legitimidade! É por isso que ela lidera greves sem adesões! E olhem que, acreditem, dos males possíveis, Bebel é o menor: as chapas que perderam, pela ordem, eram do PSTU, do PSOL e do PCO — os dois primeiros integram a atual diretoria. Entenderam? A Apeoesp deixou de ser uma entidade que representa os professores para ser um campo de guerra de partidos de esquerda. Agora Bebel julga que vai encaixar um golpe matador. Leiam.

Quanto ao senhor, é assalariado de uma empresa jornalística e sua função, que o senhor executa com muito gosto por ordem de seus patrões, é achincalhar pessoas.
O seu pensamento só não é pior do que a sua pontuação. Sugiro voltar aos livros de gramática, ‘fessora! Não sou “assalariado de uma empresa”, mas de três, que pensam coisas diferentes entre si. Escrevo e digo o que quero em cada uma delas. E a senhora? Quem é o seu patrão, dona Bebel? Respondo: é o PT! Só que quem paga o seu salário e financia o seu sindicato é o dinheiro público. Entendeu a nossa diferença, entre muitas?

Vamos lá: os 232 mil professores da rede estadual de educação são obrigados a pagar, por lei, o imposto sindical — desconta-se um dia do salário de cada profissional. Esse dinheiro enche as burras da Apeoesp, não é mesmo? Professores que votam no PSDB, no PMDB, no PT, no PCdoB, em outras legendas, em ninguém… Todos pagam! A senhora tem a obrigação moral de ser apartidária no seu trabalho! No entanto, na quinta-feira, mais uma vez, saiu à rua para defender a candidatura de Dilma Rousseff e dos petistas, a exemplo do que fez em 2010.

Eu trabalho 18 horas por dia e vivo com o fruto do meu esforço; é ele que financia as minhas convicções. Quem financia as suas? Como é que a senhora tem coragem de pegar o imposto sindical de um professor tucano, por exemplo, e ir para a praça fazer campanha eleitoral para o seu partido? Não se envergonha?
ANTES QUE CONTINUE, DUAS NOTAS:
1: considero o imposto sindical um dinheiro público porque o desconto é obrigatório, feito em folha de pagamento, em virtude de lei, e repassado pelo estado aos aparelhos sindicais. O trabalhador não tem o direito de não pagar. É uma obrigação legal.
2: os salários dos sindicalistas do serviço público continuam a ser pagos pelos entes estatais. Adiante com Bebel e suas malcriações.

O senhor é mal informado e mente. Luto por um plano de carreira justo para a minha categoria. Luto por salários dignos e não por bônus. Luto por formação continuada em serviço, no próprio local de trabalho, e me opus, sim, a um curso de formação que criava mais um obstáculo desnecessário para a aprovação dos professores em concurso. Graças à nossa luta, hoje o curso de formação está no local correto, dentro do período de estágio probatório.

Tanto tínhamos razão em nossa greve de 2010 que o Secretário Voorwald, tão logo tomou posse, retirou as restrições para que os professores pudessem assumir aulas, tornando a prova de seleção de professores temporários classificatória. Fez também outras modificações na rede, muitas delas negociadas, porque lutamos para isso. Hoje continuamos lutando por novos avanços. Mas o senhor não sabe disso porque nada entende de educação e não conhece nada da rede estadual de ensino.
Vou deixar a sua primeira frase deste bloco para o debate na Justiça, minha senhora, conforme a senhora anuncia que fará. Consulte antes os advogados para não gastar inutilmente o dinheiro da Apeoesp. Comecemos pelo óbvio: o fato de o secretário Herman Voorwald concordar com a senhora neste ou naquele aspectos não o torna certo, como sugere o seu texto. Aliás, não tenho a menor simpatia pelo trabalho dele — muito pelo contrário: torço para que Geraldo Alckmin o substitua no próximo mandato. Aliás, ele já foi desautorizado algumas vezes pelo governador — e por bons motivos.

Quem espanca a verdade é a senhora ao tentar negar que se mobilizou contra o melhor programa de qualificação de professores que houve em São Paulo e contra a promoção por méritos. O fato de a senhora ser uma burocrata do sindicalismo da área não quer dizer que entenda do assunto. Eu e todo mundo sabemos que só integra o Conselho Nacional de Educação em razão de suas vinculações políticas, não de seus méritos intelectuais. Convenha: a senhora é incapaz de tratar bem até a língua na qual, supostamente, é uma especialista. E talvez se esqueça de que, antes de ser jornalista, fui professor.

Não perderei mais meu tempo polemizando com uma pessoa como o senhor. O Poder Judiciário, ao qual recorro, tomará as providências cabíveis para recolocar as coisas em seu devido lugar.
Perfeito! Vamos a ele! Vamos ver, então, quem deixou de lado os argumentos e partiu para a agressão, dona Bebel. Vamos ver quem saiu espalhando pela Internet um texto que não rebate uma só das críticas objetivas, preferindo a pancadaria.

Se o senhor não sabe, recentemente venci disputa judicial contra seu grande amigo José Serra.
Não sei porque não é problema meu. Nem entro no mérito, porque não lhe diz respeito, se o futuro senador por São Paulo é ou não meu amigo. Uma coisa é certa: eu não uso dinheiro público ou dos trabalhadores para expressar minhas afinidades eletivas. E a senhora?

Desejo que o senhor permaneça em sua insignificância e eu me manterei na minha luta.
Maria Izabel Azevedo Noronha – Bebel
Presidenta da APEOESP
Pô, dona! Por insignificante, a senhora deveria, então, ter ignorado a minha crítica. Eu não a considero “insignificante”, e tal declaração, obviamente, nada tem a ver com seus dotes intelectuais. Só me ocupei da sua diatribe grosseira — e o farei quantas vezes considerar necessário — porque Bebel não é Bebel! Bebel é uma legião. Obviamente, a presidente da Apeoesp não é a única a liderar uma entidade de trabalhadores para submetê-la à ditadura de um partido.

A senhora sabe muito bem que não é uma sindicalista que se tornou petista. Ao contrário: é uma petista que se tornou sindicalista para submeter o aparelho que pertence a 232 mil professores aos interesses de um partido político.

A gente se encontra, então, na Justiça. Vamos lá para que o juizado decida, palavra a palavra, quem ofendeu quem. Mais: noto, dado o primeiro parágrafo do seu texto, que, por seu gosto, eu estaria sem emprego. Eu, mais generoso, penso o contrário a seu respeito: acho que deveria voltar a trabalhar.

Se bem que não… Lá no começo de seu texto ofensivo e malcriado, a senhora escreve: “o senhor e essa revista [VEJA] se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos (…)”. Pois é… “Senhor”, um pronome de tratamento, é terceira pessoa do singular; “essa revista” também é terceira pessoa do singular. Juntas, formam a terceira pessoal do plural, cujo pronome possessivo, no caso em questão, é “seus”, não “vossos”, que corresponde à segunda pessoa do plural.

De um outro, eu não cobraria esse ajustamento de conduta gramatical. Da senhora, uma professora de português, cobro, sim. E isso quer dizer que a senhora não é apenas uma analfabeta política. É também uma analfabeta na língua em que deveria ser uma especialista. Afinal, o povo de São Paulo paga o seu salário para ter a sua sabedoria, não a sua ignorância.

Texto publicado originalmente à 1h39
Por Reinaldo Azevedo

25/09/2014

às 15:58

Boulos e Bebel, esbirros do PT, buscam dar algum fôlego para Padilha tentando produzir a desordem. Vão afundá-lo ainda mais

Independentemente do resultado nas urnas no dia 26 de outubro, pouco importa quem vai se sagrar o vencedor na disputa presidencial, um modelo de fazer política está chegando ao fim. Mesmo que ele ganhe uma sobrevida de quatro anos, assistiremos a um período de esgotamento. A que me refiro? Duas ocorrências nesta quinta evidenciam a que ponto de cinismo pode chegar a turma que confunde partido e movimento social. E tudo, na verdade, porque se disputa mesmo é o poder.

O MTST, o movimento dos autointitulados trabalhadores sem-teto — curiosamente, a turma não trabalha — decidiu, ora vejam, promover um protesto em frente à Sabesp, em parceria com o movimento Periferia Ativa. Não se descartava nem mesmo a invasão da sede da empresa. Por quê? Para acusar um racionamento de água que não existe.

Todos sabem que o MTST é mero esbirro, mera escora, do PT — um esbirro do lado esquerdo, mas esbirro ainda assim. Guilherme Boulos, o chefão do grupo, é só uma das vozes do partido entre oschamados “movimentos sociais”. É o que se chama “um quadro”. Está sendo preparado e treinado para tarefas maiores. Boulos pretende ser, em suma, um Lula com curso universitário. Vamos ver quanto tempo vai demorar para que se candidate a um cargo público. É questão de tempo. Felizmente, São Paulo dá mostras de estar com o saco cheio de oportunismos dessa espécie.

Também nesta quinta, acreditem, um grupelho de 150 professores ligados à Apeoesp, o sindicato da rede estadual de ensino, decidiu fazer uma passeata e uma assembleia para, atenção!, discutir o aumento de salário do… ano que vem. Sabem quando é o dissídio da categoria? Em março! Faltam ainda cinco meses, quase meio ano. Ah, sim: eles  protestam também contra a crise hídrica e o desequilíbrio climático global — seja lá o que isso signifique. O ato, para não variar, começou na Avenida Paulista, e os gatos-pingados seguiram em passeata até a Assembleia Legislativa.

Em março de 2010, esse mesmo sindicato, liderado por uma petista conhecida por “Bebel” — tenham sempre cuidado com mulheres e homens maduros com apelido de criança —, resolveu promover uma greve de professores em São Paulo. Já estava claro que José Serra, então governador, seria o candidato do PSDB à Presidência, e que Dilma Rousseff disputaria pelo PT. Em cima de um caminhão de som, a tal Bebel prometeu: “Vamos quebrar a espinha de Serra”. Terminado o ato, ela seguiu para um encontro com Dilma.

Foi a primeira greve na história em que um sindicato pediu a extinção de benefícios. O governo Serra, então, havia instituído:
– plano de carreira — Bebel era contra;
– promoção salarial por mérito — Bebel era contra;
– bônus salarial — Bebel era contra;
– escola para formação de professores — Bebel era contra;
– material didático para a orientação das aulas — Bebel era contra.

A greve terminou no dia 8 de abril daquele 2010, um mês depois de começar. Nunca atingiu mais de 1% da categoria. O governo não cedeu a nenhuma das reivindicações boçais, e a tal Bebel teve de fugir dos ovos na assembleia que decidiu o fim da paralisação que não houve. Ah, sim: o TSE multou a Apeoesp por propaganda eleitoral indevida.

A mesma propaganda a que o grupelho se dedica agora, em parceria com o MTST. Isso tudo é desespero eleitoral. O candidato do sr. Boulos e da sra. Bebel tem, segundo o Ibope, apenas 8% das intenções de voto. Esses dois gênios da raça não se conformam que a população de São Paulo não concorde com eles. Para encerrar: em Guarulhos, senhor Boulos, há, de fato, racionamento de água. Lá, a Sabesp não opera. O sistema é monopólio da prefeitura — uma prefeitura que está com o PT há 14 anos. Boulos, no entanto, este gigante moral, não marca protesto nenhum na cidade administrada por seus companheiros.

Eu sinto vergonha até de escrever sobre essa gente. A vergonha que eles não sentem de ser o que são e de fazer o que fazem.

Por Reinaldo Azevedo

10/05/2013

às 16:49

Professores dizem que aluno drogado é o principal fator de violência nas escolas. Mandem o resultado para Dilma, FHC, Paulo Texeira e a Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia

A Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual de ensino, que tem um neurônio petista e o outro também, fez uma pesquisa sobre a violência nas escolas. Deve ser parte da sua campanha contra o governo do estado, o PSDB, o capitalismo, a privatização do ensino, a propriedade privada, sei lá eu… De todo modo, existe, é evidente, violência nas escolas país afora. E é coisa grave! O resultado, já falo a respeito, não é nada surpreendente.

Os dados deveriam ser enviados à presidente Dilma Rousseff, cujo governo patrocinou, na semana passada, um seminário em favor da descriminação de todas as drogas; deveriam ser enviados ao deputado Paulo Teixeira (SP), um dos capas-vermelhas do PT, que quer discriminação total das drogas e acha que quem for flagrado com uma quantidade suficiente para até DEZ DIAS de consumo não pode ser incomodado; deveriam ser enviados, claro!, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele é o principal responsável por ter conferido credibilidade aos liberacionistas: “Se até o FHC é a favor…”. Deveriam ser enviados à tal Comissão Brasileira Sobre Droga e Democracia, com seu incrível nefelibatismo… Aliás, a página dessa entidade na Internet limitava-se, até outro dia, a tratar a questão como matéria de política pública, ligada à segurança e à saúde. Na semana passada, havia lá o texto (sobre um ator) que fazia claramente a apologia da maconha.

Os dados deveriam ser enviados, enfim, a todos os “pensadores” que usam o discurso da medicalização do vício para liberar a droga e, assim, produzir ainda mais viciados… A sistema de saúde no Brasil passaria a girar em torno desse eixo. O que essa turma pretende, na prática, é tornar a droga disponível a cada esquina, a preços bem mais baratos, claro!, e jogar o ônus de sua escolha — CONTRA A VONTADE DO POVO — no sistema público de saúde.

Leiam trecho de reportagem da Folha . Volto depois.

A presença das drogas no ambiente escolar é o principal motivo apontado por professores da rede estadual de ensino de São Paulo para a criação de situações de violência dentro da escola. A constatação é de pesquisa divulgada ontem pela Apeoesp (sindicato estadual dos professores). Em 42% dos casos, os entrevistados disseram que o aluno sob efeito de drogas foi a razão que motivou a violência. Em seguida, com 29%, estão as ações do tráfico de drogas e alunos sob efeito de álcool como as motivadores.

O levantamento, realizado pelo instituto Datapopular, ouviu 1.400 professores, por telefone, em 167 cidades paulistas entre janeiro e março deste ano e tem margem de erro de 2,61%. A pesquisa indicou também que 84% dos entrevistados disseram ter tido conhecimento de algum caso de agressão dentro da escola onde trabalham, e 44% dos professores pesquisados afirmam ter sofrido algum tipo de agressão (física, verbal ou assédio) no ambiente escolar.
(…)

Voltei
Outro dia, um desses que andam com a cabeça nas nuvens, embora tenha se mostrado um empirista empedernido, mandou pra cá um comentário duro, exigindo que eu demonstrasse que a descriminação acarretaria uma elevação do consumo. Ele não quer que eu prove nada. Ele está mentindo — talvez até para si mesmo. Ele é da turma que pretende:
a: acabar com qualquer abordagem repressiva aos consumidores de drogas;
b: diminuir (e, no limite, acabar) com a interdição social que ainda resiste em relação a elas;
c: oferecer tratamento público e gratuito para os que eventualmente se tornaram “dependentes” e quiserem se livrar do vício;

Depois de tudo isso, ele quer que seja eu a provar que haverá elevação do consumo… Santo Deus! Essa gente acha que nas periferias — na pobreza, enfim —, puxa-se um fuminho com a mesma ligeireza, graça e manemolência com que se acende um baseado em Higienópolis, Vila Nova Conceição, Moema, Vila Madalena, Ipanema, Copacabana, Leblon ou Botafogo. O médico que foi detido com um floresta de maconha no apartamento, no Rio, foi tratado em certos veículos quase como um poeta. A cara da pobreza é diferente!

A estupidez militante
Aí a estupidez militante resolve pensar: “Tá vendo? Mesmo com as drogas proibidas, a gente tem esse resultado…”. Sim, é verdade! E aí, então, esses gênios resolvem criar condições para aumentar a circulação das ditas-cujas. A tese é a seguinte: se, com menos drogas circulando, temos isso, quem sabe com mais? É um modo de pensar.

Venham cá: por que se instituiu a tal Lei Seca para motoristas? Por que existe a restrição à venda de álcool para menores? Aqui perto da minha casa mesmo, numa dessas lojas de conveniência de postos de gasolina, já vi a lei sendo fraudada. Um rapaz maior de idade entrou, comprou meia dúzia de latinhas de cerveja e distribuiu depois para os amigos, provavelmente menores. Por que ninguém vem a público, nesses dois casos, para afirmar que as medidas repressivas são ineficazes?

Ineficazes para “resolver” o problema podem ser, mas não inúteis. Elas têm a eficácia possível. Uma coisa é certa: sem elas, a situação seria pior. A existência de uma lei não impede que um crime aconteça ou que um grupo de pessoas deixe de correr riscos e mesmo de pôr terceiros em risco. Mas certamente age como fator de inibição.

Os lobistas da liberação das drogas foram hábeis em inverter, vamos dizer assim, o ônus da prova. Eles é que teriam de provar que elevar a exposição da sociedade brasileira às drogas não acarretará um aumento do consumo; eles é que querem mudar a lei. Eles é que têm de apelar a alguma instância secreta do conhecimento para justificar que, quanto mais droga circulando (e mais barata), menor será o consumo.

A Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia conta com gente sem dúvida sábia em sua área de atuação. Estão lá, por exemplo, o brilhante economista Edmar Bacha e o banqueiro Pedro Moreira Salles. A comissão defende a descriminação, mas, que eu saiba, continua favorável à repressão ao tráfico. Eu continuo a aguardar um ensaio de Bacha e Salles demonstrando que o estímulo à demanda não provocará a) ou uma elevação da oferta b) ou a explosão da inflação no setor. Em qualquer caso, o traficante sairia ganhando. Se conseguir suprir a demanda, mantendo sua margem, vai expandir o negócio porque poderá reinvestir o lucro crescente na própria atividade. Se não conseguir, restará elevar os preços, mantendo fixos os custos. Nesse caso, ganhará ainda mais dinheiro vendendo o mesmo. Resta a alternativa improvável de que a lei da oferta e da procura não funcione para o mercado de drogas. Mas eu posso esperar por esse ensaio e a história do pensamento econômico também.

No momento, a Comissão deveria é dar uma resposta aos professores de São Paulo, tentando explicar que a descriminação das drogas minimizaria o problema da violência. Noto, para encerrar mesmo, que os professores apontaram como o maior problema o aluno sob efeito de drogas, não o aluno traficante!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:47

Sindicato petista dos professores já ameaça punir as crianças para tentar ajudar Haddad

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Pivô de embates com José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010, a Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual, embarcou na campanha de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo. A entidade abriu sua sede em Santana (zona norte) na quinta-feira para um ato do diretório petista, no qual o pré-candidato discursou. Dirigentes do sindicato tiveram uma reunião reservada com o petista, na qual prometeram ajudá-lo.

A Apeoesp marcou paralisação de toda a categoria para o próximo dia 20, data em que ameaça decretar greve em protesto contra o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2010, o sindicato iniciou uma greve em março, às vésperas de Serra deixar o governo do Estado para disputar a Presidência.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2010

às 19:20

Alckmin diz que PT tem “DNA da violência”. Na mosca!

Leiam  o que vai abaixo. O conjunto chega até a ser engraçado:

Por Tatiana Fávaro, no Estadão Online. Volto em seguida:
O candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse hoje em Várzea Paulista, no interior de São Paulo, que o PT tem o ”DNA da violência”. O tucano referiu-se a um grupo de professores que fazia uma manifestação durante sua passagem pela cidade. “Não são (pessoas) ligadas à educação, são ligadas ao PT”, disse. “Veja que quando o PT faz campanha nenhum de nós vai incomodar, porque nós não somos autoritários, não temos projeto para cercear imprensa”, acrescentou Alckmin.

Alckmin continuou dizendo: “Somos democratas, quando eles fazem campanha nós respeitamos, mas eles têm esse DNA da violência, de querer provocar”. A subsede da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Jundiaí divulgou nota oficial na qual disse que o grupo de educadores protestava em Várzea Paulista por mais qualidade na escola pública estadual. “Estávamos com faixas e a manifestação era pacífica, vieram afastar a gente e tentar tirar as faixas das nossas mãos”, disse a coordenadora local do sindicato, Leila Regina Casote.

“O candidato tenta vincular nossas manifestações a um cunho político-partidário, mas não é verdade”. “O que estamos fazendo é alertar a população, em especial aos pais e alunos, de que o candidato, quando era governador do Estado, nada fez de bom pela educação e agora tenta passar de bom moço”, acrescentou Leila.

Comento
É, vê-se que a manifestação não tinha nenhum caráter político-partidário, como diz a tal Leila. A notória Bebel, presidente da Apeoesp, é filiada ao PT. Um dia antes de o sindicato promover uma arruaça de rua em São Paulo, ela participou de um encontro da candidata Dilma Rousseff com sindicalistas. Mas atenção! Sem caráter político-partidário!!!

Alckmin tem razão: é DNA da violência mesmo! E vem de longe; se formos recuar na história, isso tem bem uns 200 anos…

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2010

às 18:44

BEBEL E APEOESP MULTADAS EM R$ 7 MIL

Lembram-se da Apeoesp, o sindicato de professores da rede oficial de ensino — aquele cujos membros queimam livros —  e de sua “presidenta”, a notória Bebel? Pois é… Eu bem que dizia: “Isso não é greve; é campanha eleitoral”. A Procuradoria Geral da República emitiu a mesma opinião.

Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral aplicou uma multa de R$ 7 mil ao sindicato e a Bebel por “propaganda eleitoral negativa” contra o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. A representação contra a entidade foi feita pelo PSDB e DEM. Em sua defesa, o sindicato disse que sua mobilização não tinha caráter eleitoral etc.

Não? Uma das palavras de ordem da questão trabalhista era: “Vamos quebrar a espinha dorsal deste governo”. Ou outra: “Serra não será eleito presidente da República”. É ou não é reivindicação trabalhista o que vai acima?”

Para reiterar: as ações de Bebel, filiada ao PT, foram empreendidas com o apoio da cúpula do partido. Um dia antes de ela organizar o “bota-fora de Serra” — a que, de todo modo, quase ninguém compareceu —, participou de outro ato ilegal, em companhia de Dilma, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Por Reinaldo Azevedo

22/04/2010

às 19:49

Eu bem que adverti, Bebel: greve de professores foi campanha anti-Serra, diz procurador-geral

Na Folha Online. Comento em seguida:
Parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral enviado hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) referenda as denúncias feitas por PSDB e DEM de que a greve organizada pelo sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, em março, teve caráter de “propaganda eleitoral antecipada negativa” contra o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

“Ao promoverem e financiarem as aludidas manifestações, realizaram uma organizada campanha eleitoral antecipada negativa contra o pré-candidato à Presidência”, diz o documento, que leva a assinatura do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O texto recomenda ao tribunal a aplicação de multa “no valor máximo” pela “gravidade da conduta” da Apeoesp e sua dirigente, Maria Izabel Azevedo Noronha.

O eixo do parecer é que os discursos e faixas utilizados no protesto não fizeram referência à gestão da administração estadual, e sim “à suposta inaptidão de Serra em ocupar o cargo de presidente”. Diz ainda que a categoria (professores) é “extremamente influente” aos eleitores.

A procuradoria também rebate a defesa do sindicato, segundo quem o tucano ainda não era oficialmente candidato à época das manifestações –a candidatura de Serra foi lançada no último dia 10. “Já era veiculado em toda a mídia nacional que José Serra era candidato à Presidência pelo PSDB.”

Comento
Pois é. Acusei o caráter eleitoreiro da greve da Apeoesp antes mesmo de ela ser decretada num texto publicado no dia 13 de fevereiro. Como diria Bebel, estava tudo “escrito nas estrelas” — ou na estrela: SERRA E OS FASCISTÓIDES. OU: É PRECISO CHAMAR AS COISAS PELOS DEVIDOS “PÊS” e “TÊS”!

Ela até prometeu me processar, o que, até onde sei, não fez até agora. Qual era a minha abordagem? Apontava o caráter político do seu movimento. Depois daquele dia, deixe-me lembrar algumas ações desta senhora:
- prometeu quebrar a espinha do governo tucano;
- esgoelou-se no caminhão afirmando que Serra não será eleito;
- foi a um ato de apoio a Dilma Rousseff, sendo chamada de “querida” em cena aberta, um dia antes de promover o “bota-fora” do governador;
- promoveu o “bota-fora” de Serra em meio a palavras de ordem contra a sua candidatura.

Acabou processada, como se vê. E contribuiu para desmoralizar o sindicato, que, embora pareça, não pertence a ela e a seu grupo, ainda que ela esteja encastelada lá há 15 anos, tempo em que não pisou numa sala de aula. Mas tem prestígio no partido. Seu dotes intelectuais lhe renderam um lugar no Conselho Nacional de Educação.

Ah, sim: alguns “professores” também queimaram livros em praça pública. Não é crime eleitoral. É só um crime contra a civilização!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2010

às 5:09

Apeoesp encerra greve que nunca existiu! E Bebel deixa assembléia debaixo de… ovos!!!

Por Luciana Alvarez e Marcela Spinosa, no Estadão. Comento em seguida:
Em uma assembleia esvaziada, marcada por tumulto e bate-bocas, professores da rede estadual de São Paulo decidiram ontem suspender a greve da categoria, iniciada no dia 8 de março. Os professores não tiveram nenhuma de suas reivindicações atendidas pelo governo. A paralisação termina uma semana depois de José Serra (PSDB) ter deixado o cargo de governador para concorrer à Presidência.

Segundo a Secretaria de Estado a Educação, a greve não chegou a afetar nem 1% da rede. Em nota divulgada, ontem, a pasta chamou o movimento de “tentativa de greve” e reafirmou que não aceita mudar programas criticados pelos sindicatos. Para o sindicato, mais de 60% da categoria chegou a aderir à paralisação, mas nesta semana começou a haver um “refluxo”, com docentes voltando às salas de aula.

O movimento foi acusado de ter sido organizado para interferir no âmbito eleitoral. Após a manifestação realizada próxima ao Palácio do Governo, o PSDB entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) e sua presidente, Maria Izabel Noronha. No documento, o partido alegou que o ato teve conotação eleitoral e que recursos sindicais podem ter sido usados para campanha antecipada.

Em nota, a Apeoesp diz que “a intolerância do governo em não negociar acabou desanimando a categoria”. Também foram citados motivos financeiros. “Os professores não conseguem ficar mais de um mês parados por questões financeiras”, afirmou Maria Izabel. Os docentes em greve tiveram o ponto cortado e não recebem pelos dias que não foram trabalhar.

Juntos, a Apeoesp, o Centro do Professorado Paulista (CPP) e o sindicato que reúne os diretores e coordenadores de escolas (Udemo) pediam reajuste salarial de 34%, o fim da prova de promoção por mérito e da prova para os professores temporários. Líderes das associações foram recebidos na quarta-feira pelo secretário da Educação, Paulo Renato de Souza, mas não houve nenhuma oferta por parte do governo.

Divisão. A assembleia de ontem reuniu na Avenida Paulista um número menor do que as anteriores. Segundo estimativa da Polícia Militar, mil pessoas participaram do ato, que bloqueou por duas horas o tráfego no sentido Consolação da avenida. Na passeata de três semanas atrás, a PM estimou que os manifestantes eram 12 mil. Então, os professores aprovaram por unanimidade a manutenção da paralisação.

Desta vez, os professores se mostraram divididos. Apesar de a maioria ter votado pela suspensão da greve, um grupo de dissidentes, apoiado por um carro de som improvisado, vaiou os dirigentes sindicais que defenderam a suspensão da greve.

Houve empurra-empurra e, ao fim da votação, foram jogados ovos contra a presidente da Apeoesp. Quando os dirigentes sindicais tentavam deixar o carro de som, um grupo de dissidentes cercou a saída e foram lançadas duas bombas caseiras de baixo impacto. Ninguém se feriu.

A presidente da Apeoesp foi vaiada em vários momentos, como quando afirmou que “a greve já é gloriosa”. Ela também disse que, apesar de não ter havido negociações, os professores “venceram politicamente”. Aqui

Comento
Pois é… Quando Bebel mobilizou seus tontons-maCUTs para perseguir o então governador José Serra em inaugurações, um deles jogou um ovo contra o veículo em que ia o tucano. Deu-se grande destaque na imprensa a este movimento cívico… Agora é Bebel quem tem de enfrentar não um ovo, mas uma chuva deles.

A greve, que nunca existiu, termina de forma melancólica. A categoria conta com 220 mil profissionais na ativa — havia no máximo mil pessoas na assembléia… Vai saber quantos eram professores de verdade… O impacto da paralisação foi mínimo. Até porque, todos os dias, 12 mil professores faltam ao trabalho — 5,5% do total. Isso porque uma das leis com as quais o sindicato queria acabar coíbe justamente o absenteísmo!

Bebel não levou nada, além do ridículo.
- o plano de carreira continua;
- a promoção salarial por mérito continua;
- o bônus continua;
- a escola para formação de professores continua;
- o material didático para a orientação das aulas continua.

Por incrível que pareça, eles queriam dar fim a tudo isso.

Os queimadores de livros perderam, e a educação de São Paulo ganhou. Suponho que Bebel se encantou com seu momento de fama e com o tratamento de celebridade que lhe dispensaram. Não percebeu que ela era a principal inimiga do movimento.

Prometeu quebrar a espinha do governo. Tentaram foi quebrar ovos no seu cocuruto. Acertadamente, o governo de São Paulo decidiu que não paga os dias parados. Quem quiser salário vai ter de repor as aulas que deixaram de ser dadas. Para os alunos, já é transtorno o suficiente.

Ontem, no encontro do PC do B, Dilma voltou a dar apoio ao movimento. Usando, assim, as metáforas ao governo lulista (e bebelista), a ideologia da perna peluda perdeu. Venceu a civilidade.

Os poucos professores que caíram na conversa tiveram uma lição de história: quando o sindicato cede às necessidades de um partido, quem perde é o trabalhador. É simples e elementar.

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2010

às 6:47

NÃO FALEI QUE DARIA TUDO ERRADO, BEBEL? CONFIE EM MIM!!!

Bebel, a presidente da Apeoesp — aquela, vocês sabem, que concedeu uma entrevista com a perna peluda (segundo seu próprio testemunho, e só por isso ficamos sabendo dessa particularidade) — admitiu ontem que a adesão à greve, que nunca existiu, caiu!!! E a que ela atribui a não-adesão? Àquilo que chamou “intolerância do governo”.

Não sei se entendi direito, mas parece que Bebel gostaria que o governo colaborasse com a greve… É impressionante que esta senhora esteja há tanto tempo no movimento sindical. Há 15 anos não sabe o que é pegar num giz. Duvido que ainda se lembre de uma Oração Subordinada Adverbial Consecutiva Reduzida de Infinitivo… Ontem ela se reuniu com o secretário Paulo Renato (Educação) e hoje comanda uma nova assembléia na Avenida Paulista. O que vão queimar desta vez? As vestes?

Parece que falhou o anunciado objetivo de “quebrar a espinha do governo tucano”. E não que tenha faltado apoio da imprensa a esta pensadora e revolucionária da educação. O que faltou mesmo foi professor na sua greve, assumidamente política.

A greve deu errado por uma razão simples: existe um plano de carreira em curso que está rendendo frutos. Os professores se negaram a participar da aventura de Bebel e dos queimadores de livro. Se ela tiver juízo, encerra oficialmente o movimento e  senta para negociar. Como devem fazer as pessoas civilizadas.

E seria civilizado também se desculpar com a população e, em especial, com as crianças pobres de São Paulo prejudicadas por seu movimento. Foram poucas,  é verdade, já que o movimento quase não existiu.

Ah, sim: agora, as reivindicações da Apeoesp se concentram em receber os dias parados. É mesmo? Espero que o governador Alberto Goldman lembre aos valentes uma coisa simples: salário recebe quem trabalha; não é maná; não é dádiva da natureza. Tão logo as aulas sejam repostas, pagamento; sem reposição, nem mesmo um tostão! É simples! Ou Bebel espera que a gente financie as suas aventuras?

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2010

às 20:43

NÃO, ELA NÃO QUER SER RECONHECIDA APENAS PELA BONITEZA. ELA TAMBÉM TEM O QUE DIZER

A imagem é forte, leitor! O conjunto impressiona. A foto abaixo foi publicada hoje na coluna de Mônica Bergamo, da Folha. A retratada gostou tanto, achou tudo tão bom, que reproduziu imagem e texto em seu blog. Eu também gostei tanto que faço o mesmo. Leiam até o fim. A foto é de Caio Guatelli. Em seguida, vem o texto da colunista da Folha. Comento ao fim de tudo.

Bebel posa (Emir Sader escreveria "pousa") para fotógrafo da Folha: luta política é assim...

Bebel posa (Emir Sader escreveria "pousa") para fotógrafo da Folha: luta política é assim...

Bebel bota pra quebrar

“Menina, errei no tempo, né? Tá frio, não tá?”, pergunta Maria Izabel Noronha, a célebre Bebel, a mulher que, na presidência da Apeoesp, lidera greve de professores, diz que vai “quebrar a espinha dorsal” de José Serra (PSDB-SP) e para a cidade com passeatas por aumento salarial.
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De vestido florido e sandália plataforma, ela entra em um bar na avenida Paulista meia hora antes da passeata de quarta-feira, para almoçar. “Fritas, não! Vou querer um contrafilé grelhado com salada e arroz. E um suco de mamão com água.” Bebel tira um saquinho de adoçante da bolsa. “Hoje, precisamos ter energia!”
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“Muito vaidosa”, Bebel diz que, por conta da greve, não está conseguindo se cuidar. “Estou irritada porque tô com a perna peluda, acredita?”, diz ela, mostrando as unhas, também por fazer.
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Já os cabelos estão em ordem, graças à escova que ela mesma fez antes de sair do apartamento em que fica quando está na cidade. “Acordo cedinho, seco o cabelo, me maquio.” E sobe nas plataformas -ela não vê problema em caminhar de salto alto na passeata, que naquele dia iria do Masp até a praça da República. Brincos dourados, colar de pérolas, três anéis na mão esquerda, pulseira e relógio, a professora usa sombra verde, lápis azul nos olhos e batom rosa-choque.
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“Precisa mesmo?”, responde ela quando a coluna pergunta a sua idade: 48 anos, revela, 24 deles como professora de Português e Literatura do ensino médio da rede pública estadual.
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Bebel nasceu em Piracicaba e, aos seis anos, se mudou para Águas de São Pedro, onde vive até hoje, na casa da mãe. Nunca se casou. “Meus namoros não deram certo.” Em breve, será mãe. Ela deu entrada em um processo de adoção de uma menina de três meses, a quem deu o nome de Maria Manoela em homenagem a seu pai, Manoel, morto no ano passado. “Ele era a paixão da minha vida.”
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Outra paixão, ou “uma opção de vida”, é o movimento sindical. Bebel está longe das salas de aula há 15 anos, desde 1995, quando se afastou para fazer uma dissertação de mestrado e depois assumiu o cargo de vice-presidente na Apeoesp. Recebe R$ 1.800 por mês, salário de professora, e “nada a mais por presidir a Apeoesp”.
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Depois do almoço, Bebel caminha até o Masp. Saca batom e espelho da bolsa e retoca a maquiagem. “Vai lá, Bebel! Força!”. Na mesma hora, no Palácio dos Bandeirantes, José Serra, que se despedia do governo de SP, se referia indiretamente ao movimento como “falanges do ódio”. Já Bebel dizia que o tucano é “igual ao Maluf”.
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“Comecei bem de baixinho mesmo”, diz ela ao relatar seus passos na carreira sindical. “Fui representante de escola, da região,secretária de organização do interior, vice e presidenta [da Apeoesp].”
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Já na política eleitoral, não fez tanto sucesso. Filiada ao PT em 1991, concorreu a vereadora em Águas de São Pedro um ano depois. Recebeu cem votos.

Comento
Viram como o meu título faz sentido, é absolutamente objetivo, não tem nada de irônico e preconceituoso? Por favor, sejam comedidos nos comentários. Ainda que vocês estejam mudos, dêem preferência aos dotes intelectuais de Bebel. Agora entendi por que ela já comparou a sua filiação ao PT à de Serra ao PSDB: ela já conseguiu 100 votos disputando uma vaga na Câmara de Águas de São Pedro…

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2010

às 6:01

A COXINHA ENVENENADA DE ZÉ DIRCEU E DOS 40 SINDICATOS FOI REJEITADA

Quem viu as imagens aéreas do protesto convocado por Zé Dirceu e os 40 sindicatos deu-se conta do naniquismo da “Marcha Sobre São Paulo”. Ninguém quis comer a coxinha daquele que o Ministério Público Federal diz ser “chefe da quadrilha do mensalão” e de Bebel, a sua aliada. Compareceram ao comício ilegal anti-Serra não mais do que 3 mil pessoas. Já juntei 600 num simples lançamento de livro…  Havia lá um espumantezinho… Não dei coxinha pra ninguém. Os cálculos da PM são feitos com base na área ocupada pelos manifestantes. Parte da imprensa acredita que isso também é questão de “lado” e “outro lado”: a PM diz 3 mil, a Apeoesp diz 40 mil, as duas informações são publicadas, e o leitor que decida em quem acreditar… Tudo vira guerra de versões. Em breve, certo jornalismo ainda vai ouvir as pessoas favoráveis, sei lá, à paralisia infantil, ao tétano e à gripe suína… Afinal, todo mundo tem o direito de dar a sua versão…

Os camisas-negras tentavam se espalhar, ocupando a maior área possível, e os claros iam se abrindo, evidenciado que os servidores públicos, especialmente os professores e as professoras, recusaram a coxinha de ilegalidades servida por Bebel; recusaram os seus acepipes eleitoreiros.

Em seu blog, de modo patético, ela fala em mais de 40 mil pessoas, o que é ridículo. Esta senhora não deve saber o que é isso. Quem, em São Paulo, já viu um Pacaembu lotado, com 30 mil pessoas? Para Bebel, a meia-dúzia de gatos pingados lotaria um Pacaembu, e ainda o correspondente a um terço do estádio ficaria de fora. É de morrer de rir! Os números que ela veicula são tão fiéis à realidade quanto aquela foto do seu blog… Ao vivo e em cores, a realidade, nos dois casos, é bem outra. Mas há quem goste de fantasias.

Mas que se note: nunca três mil pessoas renderam tantos títulos no jornalismo online, coisa que vocês puderam constatar. Era o que pretendia o movimento, que vem sendo paparicado há dias. E o maior dos paparicos é não publicar a pauta completa de reivindicações da Apeoesp. O reajuste de 34,3% é mera fachada. O sindicato quer o fim das leis que limitam as faltas, que garantem a promoção por mérito e que premiam com bônus os professores que cumprem metas. A folha de pagamentos da Secretaria de Educação cresceu, entre 2005 e 2009, de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões, ou 33%. O nome disso: salário. Não é assim porque eu quero. É assim porque está tudo devidamente registrado. O curioso é que também essa informação é oferecida aos leitores como o “outro lado”, o da Secretaria de Educação… Na versão de Bebel, não há reajuste de salários desde 2005. Vai ver os professores não aderem à greve porque sabem que houve.

A próxima assembléia está marcada para quinta-feira. Bebel vai insistir no “sucesso” do seu movimento. A tentativa do PT é decretar paralisações em outros setores do funcionalismo, de modo a atrapalhar a vida dos paulistanos, e jogar a responsabilidade nos ombros dos adversários do PT.

Isso está “colando”? Tenho a impressão de que não está. Tenho a impressão de que já se pode fazer neste estado o plebiscito entre queimadores de livros e produtores de livros; entre queimadores de livros e leitores de livros; entre queimadores de livros e amantes dos livros.

O “não” dos servidores e dos paulistas como um todo à arruaça promovida pelo petismo é um bom sinal. Parece marcar o repúdio a uma prática detestável das esquerdas, que é fazer a sociedade refém de seus desígnios e da sua militância. Em São Paulo, diga-se, esse tipo de pregação não tem frutificado. A maioria não vê com bons olhos a manipulação de causas que de fato existem — os professores precisam ganhar mais, e, por isso, existe um plano de carreira — em benefício de um partido.

Bebel está naquela de afirmar uma inexistente adesão maciça da categoria à greve na esperança de que a mentira frutifique e acabe se transformando numa verdade. Mas os professores, evidentemente, sabem a realidade de suas respectivas escolas. Nem eles nem os demais servidores parecem dispostos a seguir cegamente uma pauta que é de um partido político e nada tem a ver com a educação.

Desta vez a bruxa não conseguiu passar adiante a sua maçã envenenada.

Por Reinaldo Azevedo
 

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