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Apeoesp

29/09/2014

às 6:19

UM VERMELHO-E-AZUL COM BEBEL, A PROFESSORA PETISTA QUE É CHEFONA DA APEOESP E ESPANCA A LÍNGUA PORTUGUESA, O BOM SENSO E A BOA EDUCAÇÃO! OU: ANALFABETISMO CRUZADO

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Bebel, em 2010, posa para o fotógrafo Caio Guatelli (Folhapress)

Na quinta-feira passada, escrevi aqui um post sobre uma manifestação promovida por Izabel Noronha, conhecida como “Bebel”, presidente da Apeoesp, o sindicato de professores da rede oficial de ensino de São Paulo. Por quê? O dissídio da categoria é em março. Bebel houve por bem convocar uma manifestação de docentes com seis meses de antecedência para, supostamente, tratar do reajuste. Conversa mole. Era apenas campanha eleitoral em favor do PT, como evidencia reportagem da Folha. Esta senhora e seu sindicato são conhecidos esbirros do partido.

O link do que escrevi está ali. Como vocês poderão constatar, não desferi uma única ofensa pessoal contra esta senhora. Fiz crítica política apenas. Ah, ela ficou muito zangada e resolveu responder — uma resposta, em tese, pessoal. Mas quê… Os impropérios de Bebel, procurei no Google, já se espalharam por todos os sites e blogs que trabalham para o PT — alguns por convicção, outros (a maioria!) por dinheiro.

Muito bem! Abaixo, em vermelho, segue o ataque que ela desferiu contra mim. Respondo, ponto a ponto, em azul. Vamos ao divertimento (eu adoro isso!!!).

*
Senhor Reinaldo Azevedo,
Vergonha deveria ter a imprensa brasileira por dar abrigo a um pseudo-jornalista como o senhor.
Não por isso, dona Bebel! Na condição de professora de português, envergonhe-se de sua gramática e de sua ortografia. Mas compreendo: a senhora está longe da sala de aula faz tempo, né? Há muito não sabe o que é acordar cedo para encarar os estudantes. Fez carreira como burocrata sindical e, estou certo, não pretende voltar à lida tão cedo. Em tempo: o certo é “pseudojornalista”. Ou “pseudoprofessora”.

Não me surpreende que a Revista Veja o mantenha como um de seus colunistas, porque o senhor e essa revista se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos.
Tenho três empregos, dona Bebel. Os três em empresas jornalísticas privadas. Não mamo nas tetas do dinheiro público. Sei que a senhora e seu partido adorariam decidir quais jornalistas poderiam e quais não poderiam trabalhar. Vocês lutam por isso. Por enquanto ao menos, a senhora vai ter de me engolir. Sobre o “vossos” do seu texto, leia no fim do post.

Sou líder, sim, reconhecida e reconduzida pelos professores e professoras à Presidência da minha entidade, o maior sindicato da América Latina, pela quarta vez.
Noto que ela sente orgulho daquilo de que deveria se envergonhar: presidente pela quarta vez do sindicato!!! Então esta é agora a sua profissão: presidente de sindicato! Professora de português provavelmente sofrível, esta senhora não deve ser melhor com a matemática. Vamos ver.

Sabem quantos professores votaram neste 2014 na eleição que decidiu a presidência da Apeoesp? Segundo o site do próprio sindicato, 67.810. Ocorre que havia, na rede, no ano passado, DUZENTOS E TRINTA E DOIS MIL. Assim, participaram do processo eletivo apenas 29,22% — 70,78% não quiseram nem saber.

Ainda segundo a Apeoesp, a petista Bebel obteve 53,06% do total dos votos — arredondando, isso dá 35.980. Ah, entendi: ela ocupará pela quarta vez a presidência da entidade, eleita com os votos de 15,5% da categoria — 84,5% não votaram nela!!! Isso é que legitimidade! É por isso que ela lidera greves sem adesões! E olhem que, acreditem, dos males possíveis, Bebel é o menor: as chapas que perderam, pela ordem, eram do PSTU, do PSOL e do PCO — os dois primeiros integram a atual diretoria. Entenderam? A Apeoesp deixou de ser uma entidade que representa os professores para ser um campo de guerra de partidos de esquerda. Agora Bebel julga que vai encaixar um golpe matador. Leiam.

Quanto ao senhor, é assalariado de uma empresa jornalística e sua função, que o senhor executa com muito gosto por ordem de seus patrões, é achincalhar pessoas.
O seu pensamento só não é pior do que a sua pontuação. Sugiro voltar aos livros de gramática, ‘fessora! Não sou “assalariado de uma empresa”, mas de três, que pensam coisas diferentes entre si. Escrevo e digo o que quero em cada uma delas. E a senhora? Quem é o seu patrão, dona Bebel? Respondo: é o PT! Só que quem paga o seu salário e financia o seu sindicato é o dinheiro público. Entendeu a nossa diferença, entre muitas?

Vamos lá: os 232 mil professores da rede estadual de educação são obrigados a pagar, por lei, o imposto sindical — desconta-se um dia do salário de cada profissional. Esse dinheiro enche as burras da Apeoesp, não é mesmo? Professores que votam no PSDB, no PMDB, no PT, no PCdoB, em outras legendas, em ninguém… Todos pagam! A senhora tem a obrigação moral de ser apartidária no seu trabalho! No entanto, na quinta-feira, mais uma vez, saiu à rua para defender a candidatura de Dilma Rousseff e dos petistas, a exemplo do que fez em 2010.

Eu trabalho 18 horas por dia e vivo com o fruto do meu esforço; é ele que financia as minhas convicções. Quem financia as suas? Como é que a senhora tem coragem de pegar o imposto sindical de um professor tucano, por exemplo, e ir para a praça fazer campanha eleitoral para o seu partido? Não se envergonha?
ANTES QUE CONTINUE, DUAS NOTAS:
1: considero o imposto sindical um dinheiro público porque o desconto é obrigatório, feito em folha de pagamento, em virtude de lei, e repassado pelo estado aos aparelhos sindicais. O trabalhador não tem o direito de não pagar. É uma obrigação legal.
2: os salários dos sindicalistas do serviço público continuam a ser pagos pelos entes estatais. Adiante com Bebel e suas malcriações.

O senhor é mal informado e mente. Luto por um plano de carreira justo para a minha categoria. Luto por salários dignos e não por bônus. Luto por formação continuada em serviço, no próprio local de trabalho, e me opus, sim, a um curso de formação que criava mais um obstáculo desnecessário para a aprovação dos professores em concurso. Graças à nossa luta, hoje o curso de formação está no local correto, dentro do período de estágio probatório.

Tanto tínhamos razão em nossa greve de 2010 que o Secretário Voorwald, tão logo tomou posse, retirou as restrições para que os professores pudessem assumir aulas, tornando a prova de seleção de professores temporários classificatória. Fez também outras modificações na rede, muitas delas negociadas, porque lutamos para isso. Hoje continuamos lutando por novos avanços. Mas o senhor não sabe disso porque nada entende de educação e não conhece nada da rede estadual de ensino.
Vou deixar a sua primeira frase deste bloco para o debate na Justiça, minha senhora, conforme a senhora anuncia que fará. Consulte antes os advogados para não gastar inutilmente o dinheiro da Apeoesp. Comecemos pelo óbvio: o fato de o secretário Herman Voorwald concordar com a senhora neste ou naquele aspectos não o torna certo, como sugere o seu texto. Aliás, não tenho a menor simpatia pelo trabalho dele — muito pelo contrário: torço para que Geraldo Alckmin o substitua no próximo mandato. Aliás, ele já foi desautorizado algumas vezes pelo governador — e por bons motivos.

Quem espanca a verdade é a senhora ao tentar negar que se mobilizou contra o melhor programa de qualificação de professores que houve em São Paulo e contra a promoção por méritos. O fato de a senhora ser uma burocrata do sindicalismo da área não quer dizer que entenda do assunto. Eu e todo mundo sabemos que só integra o Conselho Nacional de Educação em razão de suas vinculações políticas, não de seus méritos intelectuais. Convenha: a senhora é incapaz de tratar bem até a língua na qual, supostamente, é uma especialista. E talvez se esqueça de que, antes de ser jornalista, fui professor.

Não perderei mais meu tempo polemizando com uma pessoa como o senhor. O Poder Judiciário, ao qual recorro, tomará as providências cabíveis para recolocar as coisas em seu devido lugar.
Perfeito! Vamos a ele! Vamos ver, então, quem deixou de lado os argumentos e partiu para a agressão, dona Bebel. Vamos ver quem saiu espalhando pela Internet um texto que não rebate uma só das críticas objetivas, preferindo a pancadaria.

Se o senhor não sabe, recentemente venci disputa judicial contra seu grande amigo José Serra.
Não sei porque não é problema meu. Nem entro no mérito, porque não lhe diz respeito, se o futuro senador por São Paulo é ou não meu amigo. Uma coisa é certa: eu não uso dinheiro público ou dos trabalhadores para expressar minhas afinidades eletivas. E a senhora?

Desejo que o senhor permaneça em sua insignificância e eu me manterei na minha luta.
Maria Izabel Azevedo Noronha – Bebel
Presidenta da APEOESP
Pô, dona! Por insignificante, a senhora deveria, então, ter ignorado a minha crítica. Eu não a considero “insignificante”, e tal declaração, obviamente, nada tem a ver com seus dotes intelectuais. Só me ocupei da sua diatribe grosseira — e o farei quantas vezes considerar necessário — porque Bebel não é Bebel! Bebel é uma legião. Obviamente, a presidente da Apeoesp não é a única a liderar uma entidade de trabalhadores para submetê-la à ditadura de um partido.

A senhora sabe muito bem que não é uma sindicalista que se tornou petista. Ao contrário: é uma petista que se tornou sindicalista para submeter o aparelho que pertence a 232 mil professores aos interesses de um partido político.

A gente se encontra, então, na Justiça. Vamos lá para que o juizado decida, palavra a palavra, quem ofendeu quem. Mais: noto, dado o primeiro parágrafo do seu texto, que, por seu gosto, eu estaria sem emprego. Eu, mais generoso, penso o contrário a seu respeito: acho que deveria voltar a trabalhar.

Se bem que não… Lá no começo de seu texto ofensivo e malcriado, a senhora escreve: “o senhor e essa revista [VEJA] se merecem, tal o baixíssimo nível de vossos textos (…)”. Pois é… “Senhor”, um pronome de tratamento, é terceira pessoa do singular; “essa revista” também é terceira pessoa do singular. Juntas, formam a terceira pessoal do plural, cujo pronome possessivo, no caso em questão, é “seus”, não “vossos”, que corresponde à segunda pessoa do plural.

De um outro, eu não cobraria esse ajustamento de conduta gramatical. Da senhora, uma professora de português, cobro, sim. E isso quer dizer que a senhora não é apenas uma analfabeta política. É também uma analfabeta na língua em que deveria ser uma especialista. Afinal, o povo de São Paulo paga o seu salário para ter a sua sabedoria, não a sua ignorância.

Texto publicado originalmente à 1h39
Por Reinaldo Azevedo

25/09/2014

às 15:58

Boulos e Bebel, esbirros do PT, buscam dar algum fôlego para Padilha tentando produzir a desordem. Vão afundá-lo ainda mais

Independentemente do resultado nas urnas no dia 26 de outubro, pouco importa quem vai se sagrar o vencedor na disputa presidencial, um modelo de fazer política está chegando ao fim. Mesmo que ele ganhe uma sobrevida de quatro anos, assistiremos a um período de esgotamento. A que me refiro? Duas ocorrências nesta quinta evidenciam a que ponto de cinismo pode chegar a turma que confunde partido e movimento social. E tudo, na verdade, porque se disputa mesmo é o poder.

O MTST, o movimento dos autointitulados trabalhadores sem-teto — curiosamente, a turma não trabalha — decidiu, ora vejam, promover um protesto em frente à Sabesp, em parceria com o movimento Periferia Ativa. Não se descartava nem mesmo a invasão da sede da empresa. Por quê? Para acusar um racionamento de água que não existe.

Todos sabem que o MTST é mero esbirro, mera escora, do PT — um esbirro do lado esquerdo, mas esbirro ainda assim. Guilherme Boulos, o chefão do grupo, é só uma das vozes do partido entre oschamados “movimentos sociais”. É o que se chama “um quadro”. Está sendo preparado e treinado para tarefas maiores. Boulos pretende ser, em suma, um Lula com curso universitário. Vamos ver quanto tempo vai demorar para que se candidate a um cargo público. É questão de tempo. Felizmente, São Paulo dá mostras de estar com o saco cheio de oportunismos dessa espécie.

Também nesta quinta, acreditem, um grupelho de 150 professores ligados à Apeoesp, o sindicato da rede estadual de ensino, decidiu fazer uma passeata e uma assembleia para, atenção!, discutir o aumento de salário do… ano que vem. Sabem quando é o dissídio da categoria? Em março! Faltam ainda cinco meses, quase meio ano. Ah, sim: eles  protestam também contra a crise hídrica e o desequilíbrio climático global — seja lá o que isso signifique. O ato, para não variar, começou na Avenida Paulista, e os gatos-pingados seguiram em passeata até a Assembleia Legislativa.

Em março de 2010, esse mesmo sindicato, liderado por uma petista conhecida por “Bebel” — tenham sempre cuidado com mulheres e homens maduros com apelido de criança —, resolveu promover uma greve de professores em São Paulo. Já estava claro que José Serra, então governador, seria o candidato do PSDB à Presidência, e que Dilma Rousseff disputaria pelo PT. Em cima de um caminhão de som, a tal Bebel prometeu: “Vamos quebrar a espinha de Serra”. Terminado o ato, ela seguiu para um encontro com Dilma.

Foi a primeira greve na história em que um sindicato pediu a extinção de benefícios. O governo Serra, então, havia instituído:
– plano de carreira — Bebel era contra;
– promoção salarial por mérito — Bebel era contra;
– bônus salarial — Bebel era contra;
– escola para formação de professores — Bebel era contra;
– material didático para a orientação das aulas — Bebel era contra.

A greve terminou no dia 8 de abril daquele 2010, um mês depois de começar. Nunca atingiu mais de 1% da categoria. O governo não cedeu a nenhuma das reivindicações boçais, e a tal Bebel teve de fugir dos ovos na assembleia que decidiu o fim da paralisação que não houve. Ah, sim: o TSE multou a Apeoesp por propaganda eleitoral indevida.

A mesma propaganda a que o grupelho se dedica agora, em parceria com o MTST. Isso tudo é desespero eleitoral. O candidato do sr. Boulos e da sra. Bebel tem, segundo o Ibope, apenas 8% das intenções de voto. Esses dois gênios da raça não se conformam que a população de São Paulo não concorde com eles. Para encerrar: em Guarulhos, senhor Boulos, há, de fato, racionamento de água. Lá, a Sabesp não opera. O sistema é monopólio da prefeitura — uma prefeitura que está com o PT há 14 anos. Boulos, no entanto, este gigante moral, não marca protesto nenhum na cidade administrada por seus companheiros.

Eu sinto vergonha até de escrever sobre essa gente. A vergonha que eles não sentem de ser o que são e de fazer o que fazem.

Por Reinaldo Azevedo

10/05/2013

às 16:49

Professores dizem que aluno drogado é o principal fator de violência nas escolas. Mandem o resultado para Dilma, FHC, Paulo Texeira e a Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia

A Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual de ensino, que tem um neurônio petista e o outro também, fez uma pesquisa sobre a violência nas escolas. Deve ser parte da sua campanha contra o governo do estado, o PSDB, o capitalismo, a privatização do ensino, a propriedade privada, sei lá eu… De todo modo, existe, é evidente, violência nas escolas país afora. E é coisa grave! O resultado, já falo a respeito, não é nada surpreendente.

Os dados deveriam ser enviados à presidente Dilma Rousseff, cujo governo patrocinou, na semana passada, um seminário em favor da descriminação de todas as drogas; deveriam ser enviados ao deputado Paulo Teixeira (SP), um dos capas-vermelhas do PT, que quer discriminação total das drogas e acha que quem for flagrado com uma quantidade suficiente para até DEZ DIAS de consumo não pode ser incomodado; deveriam ser enviados, claro!, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele é o principal responsável por ter conferido credibilidade aos liberacionistas: “Se até o FHC é a favor…”. Deveriam ser enviados à tal Comissão Brasileira Sobre Droga e Democracia, com seu incrível nefelibatismo… Aliás, a página dessa entidade na Internet limitava-se, até outro dia, a tratar a questão como matéria de política pública, ligada à segurança e à saúde. Na semana passada, havia lá o texto (sobre um ator) que fazia claramente a apologia da maconha.

Os dados deveriam ser enviados, enfim, a todos os “pensadores” que usam o discurso da medicalização do vício para liberar a droga e, assim, produzir ainda mais viciados… A sistema de saúde no Brasil passaria a girar em torno desse eixo. O que essa turma pretende, na prática, é tornar a droga disponível a cada esquina, a preços bem mais baratos, claro!, e jogar o ônus de sua escolha — CONTRA A VONTADE DO POVO — no sistema público de saúde.

Leiam trecho de reportagem da Folha . Volto depois.

A presença das drogas no ambiente escolar é o principal motivo apontado por professores da rede estadual de ensino de São Paulo para a criação de situações de violência dentro da escola. A constatação é de pesquisa divulgada ontem pela Apeoesp (sindicato estadual dos professores). Em 42% dos casos, os entrevistados disseram que o aluno sob efeito de drogas foi a razão que motivou a violência. Em seguida, com 29%, estão as ações do tráfico de drogas e alunos sob efeito de álcool como as motivadores.

O levantamento, realizado pelo instituto Datapopular, ouviu 1.400 professores, por telefone, em 167 cidades paulistas entre janeiro e março deste ano e tem margem de erro de 2,61%. A pesquisa indicou também que 84% dos entrevistados disseram ter tido conhecimento de algum caso de agressão dentro da escola onde trabalham, e 44% dos professores pesquisados afirmam ter sofrido algum tipo de agressão (física, verbal ou assédio) no ambiente escolar.
(…)

Voltei
Outro dia, um desses que andam com a cabeça nas nuvens, embora tenha se mostrado um empirista empedernido, mandou pra cá um comentário duro, exigindo que eu demonstrasse que a descriminação acarretaria uma elevação do consumo. Ele não quer que eu prove nada. Ele está mentindo — talvez até para si mesmo. Ele é da turma que pretende:
a: acabar com qualquer abordagem repressiva aos consumidores de drogas;
b: diminuir (e, no limite, acabar) com a interdição social que ainda resiste em relação a elas;
c: oferecer tratamento público e gratuito para os que eventualmente se tornaram “dependentes” e quiserem se livrar do vício;

Depois de tudo isso, ele quer que seja eu a provar que haverá elevação do consumo… Santo Deus! Essa gente acha que nas periferias — na pobreza, enfim —, puxa-se um fuminho com a mesma ligeireza, graça e manemolência com que se acende um baseado em Higienópolis, Vila Nova Conceição, Moema, Vila Madalena, Ipanema, Copacabana, Leblon ou Botafogo. O médico que foi detido com um floresta de maconha no apartamento, no Rio, foi tratado em certos veículos quase como um poeta. A cara da pobreza é diferente!

A estupidez militante
Aí a estupidez militante resolve pensar: “Tá vendo? Mesmo com as drogas proibidas, a gente tem esse resultado…”. Sim, é verdade! E aí, então, esses gênios resolvem criar condições para aumentar a circulação das ditas-cujas. A tese é a seguinte: se, com menos drogas circulando, temos isso, quem sabe com mais? É um modo de pensar.

Venham cá: por que se instituiu a tal Lei Seca para motoristas? Por que existe a restrição à venda de álcool para menores? Aqui perto da minha casa mesmo, numa dessas lojas de conveniência de postos de gasolina, já vi a lei sendo fraudada. Um rapaz maior de idade entrou, comprou meia dúzia de latinhas de cerveja e distribuiu depois para os amigos, provavelmente menores. Por que ninguém vem a público, nesses dois casos, para afirmar que as medidas repressivas são ineficazes?

Ineficazes para “resolver” o problema podem ser, mas não inúteis. Elas têm a eficácia possível. Uma coisa é certa: sem elas, a situação seria pior. A existência de uma lei não impede que um crime aconteça ou que um grupo de pessoas deixe de correr riscos e mesmo de pôr terceiros em risco. Mas certamente age como fator de inibição.

Os lobistas da liberação das drogas foram hábeis em inverter, vamos dizer assim, o ônus da prova. Eles é que teriam de provar que elevar a exposição da sociedade brasileira às drogas não acarretará um aumento do consumo; eles é que querem mudar a lei. Eles é que têm de apelar a alguma instância secreta do conhecimento para justificar que, quanto mais droga circulando (e mais barata), menor será o consumo.

A Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia conta com gente sem dúvida sábia em sua área de atuação. Estão lá, por exemplo, o brilhante economista Edmar Bacha e o banqueiro Pedro Moreira Salles. A comissão defende a descriminação, mas, que eu saiba, continua favorável à repressão ao tráfico. Eu continuo a aguardar um ensaio de Bacha e Salles demonstrando que o estímulo à demanda não provocará a) ou uma elevação da oferta b) ou a explosão da inflação no setor. Em qualquer caso, o traficante sairia ganhando. Se conseguir suprir a demanda, mantendo sua margem, vai expandir o negócio porque poderá reinvestir o lucro crescente na própria atividade. Se não conseguir, restará elevar os preços, mantendo fixos os custos. Nesse caso, ganhará ainda mais dinheiro vendendo o mesmo. Resta a alternativa improvável de que a lei da oferta e da procura não funcione para o mercado de drogas. Mas eu posso esperar por esse ensaio e a história do pensamento econômico também.

No momento, a Comissão deveria é dar uma resposta aos professores de São Paulo, tentando explicar que a descriminação das drogas minimizaria o problema da violência. Noto, para encerrar mesmo, que os professores apontaram como o maior problema o aluno sob efeito de drogas, não o aluno traficante!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:47

Sindicato petista dos professores já ameaça punir as crianças para tentar ajudar Haddad

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Pivô de embates com José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010, a Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual, embarcou na campanha de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo. A entidade abriu sua sede em Santana (zona norte) na quinta-feira para um ato do diretório petista, no qual o pré-candidato discursou. Dirigentes do sindicato tiveram uma reunião reservada com o petista, na qual prometeram ajudá-lo.

A Apeoesp marcou paralisação de toda a categoria para o próximo dia 20, data em que ameaça decretar greve em protesto contra o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2010, o sindicato iniciou uma greve em março, às vésperas de Serra deixar o governo do Estado para disputar a Presidência.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2010

às 19:20

Alckmin diz que PT tem “DNA da violência”. Na mosca!

Leiam  o que vai abaixo. O conjunto chega até a ser engraçado:

Por Tatiana Fávaro, no Estadão Online. Volto em seguida:
O candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse hoje em Várzea Paulista, no interior de São Paulo, que o PT tem o ”DNA da violência”. O tucano referiu-se a um grupo de professores que fazia uma manifestação durante sua passagem pela cidade. “Não são (pessoas) ligadas à educação, são ligadas ao PT”, disse. “Veja que quando o PT faz campanha nenhum de nós vai incomodar, porque nós não somos autoritários, não temos projeto para cercear imprensa”, acrescentou Alckmin.

Alckmin continuou dizendo: “Somos democratas, quando eles fazem campanha nós respeitamos, mas eles têm esse DNA da violência, de querer provocar”. A subsede da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Jundiaí divulgou nota oficial na qual disse que o grupo de educadores protestava em Várzea Paulista por mais qualidade na escola pública estadual. “Estávamos com faixas e a manifestação era pacífica, vieram afastar a gente e tentar tirar as faixas das nossas mãos”, disse a coordenadora local do sindicato, Leila Regina Casote.

“O candidato tenta vincular nossas manifestações a um cunho político-partidário, mas não é verdade”. “O que estamos fazendo é alertar a população, em especial aos pais e alunos, de que o candidato, quando era governador do Estado, nada fez de bom pela educação e agora tenta passar de bom moço”, acrescentou Leila.

Comento
É, vê-se que a manifestação não tinha nenhum caráter político-partidário, como diz a tal Leila. A notória Bebel, presidente da Apeoesp, é filiada ao PT. Um dia antes de o sindicato promover uma arruaça de rua em São Paulo, ela participou de um encontro da candidata Dilma Rousseff com sindicalistas. Mas atenção! Sem caráter político-partidário!!!

Alckmin tem razão: é DNA da violência mesmo! E vem de longe; se formos recuar na história, isso tem bem uns 200 anos…

Por Reinaldo Azevedo

14/05/2010

às 18:44

BEBEL E APEOESP MULTADAS EM R$ 7 MIL

Lembram-se da Apeoesp, o sindicato de professores da rede oficial de ensino — aquele cujos membros queimam livros —  e de sua “presidenta”, a notória Bebel? Pois é… Eu bem que dizia: “Isso não é greve; é campanha eleitoral”. A Procuradoria Geral da República emitiu a mesma opinião.

Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral aplicou uma multa de R$ 7 mil ao sindicato e a Bebel por “propaganda eleitoral negativa” contra o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. A representação contra a entidade foi feita pelo PSDB e DEM. Em sua defesa, o sindicato disse que sua mobilização não tinha caráter eleitoral etc.

Não? Uma das palavras de ordem da questão trabalhista era: “Vamos quebrar a espinha dorsal deste governo”. Ou outra: “Serra não será eleito presidente da República”. É ou não é reivindicação trabalhista o que vai acima?”

Para reiterar: as ações de Bebel, filiada ao PT, foram empreendidas com o apoio da cúpula do partido. Um dia antes de ela organizar o “bota-fora de Serra” — a que, de todo modo, quase ninguém compareceu —, participou de outro ato ilegal, em companhia de Dilma, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Por Reinaldo Azevedo

22/04/2010

às 19:49

Eu bem que adverti, Bebel: greve de professores foi campanha anti-Serra, diz procurador-geral

Na Folha Online. Comento em seguida:
Parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral enviado hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) referenda as denúncias feitas por PSDB e DEM de que a greve organizada pelo sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, em março, teve caráter de “propaganda eleitoral antecipada negativa” contra o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

“Ao promoverem e financiarem as aludidas manifestações, realizaram uma organizada campanha eleitoral antecipada negativa contra o pré-candidato à Presidência”, diz o documento, que leva a assinatura do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O texto recomenda ao tribunal a aplicação de multa “no valor máximo” pela “gravidade da conduta” da Apeoesp e sua dirigente, Maria Izabel Azevedo Noronha.

O eixo do parecer é que os discursos e faixas utilizados no protesto não fizeram referência à gestão da administração estadual, e sim “à suposta inaptidão de Serra em ocupar o cargo de presidente”. Diz ainda que a categoria (professores) é “extremamente influente” aos eleitores.

A procuradoria também rebate a defesa do sindicato, segundo quem o tucano ainda não era oficialmente candidato à época das manifestações –a candidatura de Serra foi lançada no último dia 10. “Já era veiculado em toda a mídia nacional que José Serra era candidato à Presidência pelo PSDB.”

Comento
Pois é. Acusei o caráter eleitoreiro da greve da Apeoesp antes mesmo de ela ser decretada num texto publicado no dia 13 de fevereiro. Como diria Bebel, estava tudo “escrito nas estrelas” — ou na estrela: SERRA E OS FASCISTÓIDES. OU: É PRECISO CHAMAR AS COISAS PELOS DEVIDOS “PÊS” e “TÊS”!

Ela até prometeu me processar, o que, até onde sei, não fez até agora. Qual era a minha abordagem? Apontava o caráter político do seu movimento. Depois daquele dia, deixe-me lembrar algumas ações desta senhora:
- prometeu quebrar a espinha do governo tucano;
- esgoelou-se no caminhão afirmando que Serra não será eleito;
- foi a um ato de apoio a Dilma Rousseff, sendo chamada de “querida” em cena aberta, um dia antes de promover o “bota-fora” do governador;
- promoveu o “bota-fora” de Serra em meio a palavras de ordem contra a sua candidatura.

Acabou processada, como se vê. E contribuiu para desmoralizar o sindicato, que, embora pareça, não pertence a ela e a seu grupo, ainda que ela esteja encastelada lá há 15 anos, tempo em que não pisou numa sala de aula. Mas tem prestígio no partido. Seu dotes intelectuais lhe renderam um lugar no Conselho Nacional de Educação.

Ah, sim: alguns “professores” também queimaram livros em praça pública. Não é crime eleitoral. É só um crime contra a civilização!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2010

às 5:09

Apeoesp encerra greve que nunca existiu! E Bebel deixa assembléia debaixo de… ovos!!!

Por Luciana Alvarez e Marcela Spinosa, no Estadão. Comento em seguida:
Em uma assembleia esvaziada, marcada por tumulto e bate-bocas, professores da rede estadual de São Paulo decidiram ontem suspender a greve da categoria, iniciada no dia 8 de março. Os professores não tiveram nenhuma de suas reivindicações atendidas pelo governo. A paralisação termina uma semana depois de José Serra (PSDB) ter deixado o cargo de governador para concorrer à Presidência.

Segundo a Secretaria de Estado a Educação, a greve não chegou a afetar nem 1% da rede. Em nota divulgada, ontem, a pasta chamou o movimento de “tentativa de greve” e reafirmou que não aceita mudar programas criticados pelos sindicatos. Para o sindicato, mais de 60% da categoria chegou a aderir à paralisação, mas nesta semana começou a haver um “refluxo”, com docentes voltando às salas de aula.

O movimento foi acusado de ter sido organizado para interferir no âmbito eleitoral. Após a manifestação realizada próxima ao Palácio do Governo, o PSDB entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) e sua presidente, Maria Izabel Noronha. No documento, o partido alegou que o ato teve conotação eleitoral e que recursos sindicais podem ter sido usados para campanha antecipada.

Em nota, a Apeoesp diz que “a intolerância do governo em não negociar acabou desanimando a categoria”. Também foram citados motivos financeiros. “Os professores não conseguem ficar mais de um mês parados por questões financeiras”, afirmou Maria Izabel. Os docentes em greve tiveram o ponto cortado e não recebem pelos dias que não foram trabalhar.

Juntos, a Apeoesp, o Centro do Professorado Paulista (CPP) e o sindicato que reúne os diretores e coordenadores de escolas (Udemo) pediam reajuste salarial de 34%, o fim da prova de promoção por mérito e da prova para os professores temporários. Líderes das associações foram recebidos na quarta-feira pelo secretário da Educação, Paulo Renato de Souza, mas não houve nenhuma oferta por parte do governo.

Divisão. A assembleia de ontem reuniu na Avenida Paulista um número menor do que as anteriores. Segundo estimativa da Polícia Militar, mil pessoas participaram do ato, que bloqueou por duas horas o tráfego no sentido Consolação da avenida. Na passeata de três semanas atrás, a PM estimou que os manifestantes eram 12 mil. Então, os professores aprovaram por unanimidade a manutenção da paralisação.

Desta vez, os professores se mostraram divididos. Apesar de a maioria ter votado pela suspensão da greve, um grupo de dissidentes, apoiado por um carro de som improvisado, vaiou os dirigentes sindicais que defenderam a suspensão da greve.

Houve empurra-empurra e, ao fim da votação, foram jogados ovos contra a presidente da Apeoesp. Quando os dirigentes sindicais tentavam deixar o carro de som, um grupo de dissidentes cercou a saída e foram lançadas duas bombas caseiras de baixo impacto. Ninguém se feriu.

A presidente da Apeoesp foi vaiada em vários momentos, como quando afirmou que “a greve já é gloriosa”. Ela também disse que, apesar de não ter havido negociações, os professores “venceram politicamente”. Aqui

Comento
Pois é… Quando Bebel mobilizou seus tontons-maCUTs para perseguir o então governador José Serra em inaugurações, um deles jogou um ovo contra o veículo em que ia o tucano. Deu-se grande destaque na imprensa a este movimento cívico… Agora é Bebel quem tem de enfrentar não um ovo, mas uma chuva deles.

A greve, que nunca existiu, termina de forma melancólica. A categoria conta com 220 mil profissionais na ativa — havia no máximo mil pessoas na assembléia… Vai saber quantos eram professores de verdade… O impacto da paralisação foi mínimo. Até porque, todos os dias, 12 mil professores faltam ao trabalho — 5,5% do total. Isso porque uma das leis com as quais o sindicato queria acabar coíbe justamente o absenteísmo!

Bebel não levou nada, além do ridículo.
- o plano de carreira continua;
- a promoção salarial por mérito continua;
- o bônus continua;
- a escola para formação de professores continua;
- o material didático para a orientação das aulas continua.

Por incrível que pareça, eles queriam dar fim a tudo isso.

Os queimadores de livros perderam, e a educação de São Paulo ganhou. Suponho que Bebel se encantou com seu momento de fama e com o tratamento de celebridade que lhe dispensaram. Não percebeu que ela era a principal inimiga do movimento.

Prometeu quebrar a espinha do governo. Tentaram foi quebrar ovos no seu cocuruto. Acertadamente, o governo de São Paulo decidiu que não paga os dias parados. Quem quiser salário vai ter de repor as aulas que deixaram de ser dadas. Para os alunos, já é transtorno o suficiente.

Ontem, no encontro do PC do B, Dilma voltou a dar apoio ao movimento. Usando, assim, as metáforas ao governo lulista (e bebelista), a ideologia da perna peluda perdeu. Venceu a civilidade.

Os poucos professores que caíram na conversa tiveram uma lição de história: quando o sindicato cede às necessidades de um partido, quem perde é o trabalhador. É simples e elementar.

Por Reinaldo Azevedo

08/04/2010

às 6:47

NÃO FALEI QUE DARIA TUDO ERRADO, BEBEL? CONFIE EM MIM!!!

Bebel, a presidente da Apeoesp — aquela, vocês sabem, que concedeu uma entrevista com a perna peluda (segundo seu próprio testemunho, e só por isso ficamos sabendo dessa particularidade) — admitiu ontem que a adesão à greve, que nunca existiu, caiu!!! E a que ela atribui a não-adesão? Àquilo que chamou “intolerância do governo”.

Não sei se entendi direito, mas parece que Bebel gostaria que o governo colaborasse com a greve… É impressionante que esta senhora esteja há tanto tempo no movimento sindical. Há 15 anos não sabe o que é pegar num giz. Duvido que ainda se lembre de uma Oração Subordinada Adverbial Consecutiva Reduzida de Infinitivo… Ontem ela se reuniu com o secretário Paulo Renato (Educação) e hoje comanda uma nova assembléia na Avenida Paulista. O que vão queimar desta vez? As vestes?

Parece que falhou o anunciado objetivo de “quebrar a espinha do governo tucano”. E não que tenha faltado apoio da imprensa a esta pensadora e revolucionária da educação. O que faltou mesmo foi professor na sua greve, assumidamente política.

A greve deu errado por uma razão simples: existe um plano de carreira em curso que está rendendo frutos. Os professores se negaram a participar da aventura de Bebel e dos queimadores de livro. Se ela tiver juízo, encerra oficialmente o movimento e  senta para negociar. Como devem fazer as pessoas civilizadas.

E seria civilizado também se desculpar com a população e, em especial, com as crianças pobres de São Paulo prejudicadas por seu movimento. Foram poucas,  é verdade, já que o movimento quase não existiu.

Ah, sim: agora, as reivindicações da Apeoesp se concentram em receber os dias parados. É mesmo? Espero que o governador Alberto Goldman lembre aos valentes uma coisa simples: salário recebe quem trabalha; não é maná; não é dádiva da natureza. Tão logo as aulas sejam repostas, pagamento; sem reposição, nem mesmo um tostão! É simples! Ou Bebel espera que a gente financie as suas aventuras?

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2010

às 20:43

NÃO, ELA NÃO QUER SER RECONHECIDA APENAS PELA BONITEZA. ELA TAMBÉM TEM O QUE DIZER

A imagem é forte, leitor! O conjunto impressiona. A foto abaixo foi publicada hoje na coluna de Mônica Bergamo, da Folha. A retratada gostou tanto, achou tudo tão bom, que reproduziu imagem e texto em seu blog. Eu também gostei tanto que faço o mesmo. Leiam até o fim. A foto é de Caio Guatelli. Em seguida, vem o texto da colunista da Folha. Comento ao fim de tudo.

Bebel posa (Emir Sader escreveria "pousa") para fotógrafo da Folha: luta política é assim...

Bebel posa (Emir Sader escreveria "pousa") para fotógrafo da Folha: luta política é assim...

Bebel bota pra quebrar

“Menina, errei no tempo, né? Tá frio, não tá?”, pergunta Maria Izabel Noronha, a célebre Bebel, a mulher que, na presidência da Apeoesp, lidera greve de professores, diz que vai “quebrar a espinha dorsal” de José Serra (PSDB-SP) e para a cidade com passeatas por aumento salarial.
*
De vestido florido e sandália plataforma, ela entra em um bar na avenida Paulista meia hora antes da passeata de quarta-feira, para almoçar. “Fritas, não! Vou querer um contrafilé grelhado com salada e arroz. E um suco de mamão com água.” Bebel tira um saquinho de adoçante da bolsa. “Hoje, precisamos ter energia!”
*
“Muito vaidosa”, Bebel diz que, por conta da greve, não está conseguindo se cuidar. “Estou irritada porque tô com a perna peluda, acredita?”, diz ela, mostrando as unhas, também por fazer.
*
Já os cabelos estão em ordem, graças à escova que ela mesma fez antes de sair do apartamento em que fica quando está na cidade. “Acordo cedinho, seco o cabelo, me maquio.” E sobe nas plataformas -ela não vê problema em caminhar de salto alto na passeata, que naquele dia iria do Masp até a praça da República. Brincos dourados, colar de pérolas, três anéis na mão esquerda, pulseira e relógio, a professora usa sombra verde, lápis azul nos olhos e batom rosa-choque.
*
“Precisa mesmo?”, responde ela quando a coluna pergunta a sua idade: 48 anos, revela, 24 deles como professora de Português e Literatura do ensino médio da rede pública estadual.
*
Bebel nasceu em Piracicaba e, aos seis anos, se mudou para Águas de São Pedro, onde vive até hoje, na casa da mãe. Nunca se casou. “Meus namoros não deram certo.” Em breve, será mãe. Ela deu entrada em um processo de adoção de uma menina de três meses, a quem deu o nome de Maria Manoela em homenagem a seu pai, Manoel, morto no ano passado. “Ele era a paixão da minha vida.”
*
Outra paixão, ou “uma opção de vida”, é o movimento sindical. Bebel está longe das salas de aula há 15 anos, desde 1995, quando se afastou para fazer uma dissertação de mestrado e depois assumiu o cargo de vice-presidente na Apeoesp. Recebe R$ 1.800 por mês, salário de professora, e “nada a mais por presidir a Apeoesp”.
*
Depois do almoço, Bebel caminha até o Masp. Saca batom e espelho da bolsa e retoca a maquiagem. “Vai lá, Bebel! Força!”. Na mesma hora, no Palácio dos Bandeirantes, José Serra, que se despedia do governo de SP, se referia indiretamente ao movimento como “falanges do ódio”. Já Bebel dizia que o tucano é “igual ao Maluf”.
*
“Comecei bem de baixinho mesmo”, diz ela ao relatar seus passos na carreira sindical. “Fui representante de escola, da região,secretária de organização do interior, vice e presidenta [da Apeoesp].”
*
Já na política eleitoral, não fez tanto sucesso. Filiada ao PT em 1991, concorreu a vereadora em Águas de São Pedro um ano depois. Recebeu cem votos.

Comento
Viram como o meu título faz sentido, é absolutamente objetivo, não tem nada de irônico e preconceituoso? Por favor, sejam comedidos nos comentários. Ainda que vocês estejam mudos, dêem preferência aos dotes intelectuais de Bebel. Agora entendi por que ela já comparou a sua filiação ao PT à de Serra ao PSDB: ela já conseguiu 100 votos disputando uma vaga na Câmara de Águas de São Pedro…

Por Reinaldo Azevedo

01/04/2010

às 6:01

A COXINHA ENVENENADA DE ZÉ DIRCEU E DOS 40 SINDICATOS FOI REJEITADA

Quem viu as imagens aéreas do protesto convocado por Zé Dirceu e os 40 sindicatos deu-se conta do naniquismo da “Marcha Sobre São Paulo”. Ninguém quis comer a coxinha daquele que o Ministério Público Federal diz ser “chefe da quadrilha do mensalão” e de Bebel, a sua aliada. Compareceram ao comício ilegal anti-Serra não mais do que 3 mil pessoas. Já juntei 600 num simples lançamento de livro…  Havia lá um espumantezinho… Não dei coxinha pra ninguém. Os cálculos da PM são feitos com base na área ocupada pelos manifestantes. Parte da imprensa acredita que isso também é questão de “lado” e “outro lado”: a PM diz 3 mil, a Apeoesp diz 40 mil, as duas informações são publicadas, e o leitor que decida em quem acreditar… Tudo vira guerra de versões. Em breve, certo jornalismo ainda vai ouvir as pessoas favoráveis, sei lá, à paralisia infantil, ao tétano e à gripe suína… Afinal, todo mundo tem o direito de dar a sua versão…

Os camisas-negras tentavam se espalhar, ocupando a maior área possível, e os claros iam se abrindo, evidenciado que os servidores públicos, especialmente os professores e as professoras, recusaram a coxinha de ilegalidades servida por Bebel; recusaram os seus acepipes eleitoreiros.

Em seu blog, de modo patético, ela fala em mais de 40 mil pessoas, o que é ridículo. Esta senhora não deve saber o que é isso. Quem, em São Paulo, já viu um Pacaembu lotado, com 30 mil pessoas? Para Bebel, a meia-dúzia de gatos pingados lotaria um Pacaembu, e ainda o correspondente a um terço do estádio ficaria de fora. É de morrer de rir! Os números que ela veicula são tão fiéis à realidade quanto aquela foto do seu blog… Ao vivo e em cores, a realidade, nos dois casos, é bem outra. Mas há quem goste de fantasias.

Mas que se note: nunca três mil pessoas renderam tantos títulos no jornalismo online, coisa que vocês puderam constatar. Era o que pretendia o movimento, que vem sendo paparicado há dias. E o maior dos paparicos é não publicar a pauta completa de reivindicações da Apeoesp. O reajuste de 34,3% é mera fachada. O sindicato quer o fim das leis que limitam as faltas, que garantem a promoção por mérito e que premiam com bônus os professores que cumprem metas. A folha de pagamentos da Secretaria de Educação cresceu, entre 2005 e 2009, de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões, ou 33%. O nome disso: salário. Não é assim porque eu quero. É assim porque está tudo devidamente registrado. O curioso é que também essa informação é oferecida aos leitores como o “outro lado”, o da Secretaria de Educação… Na versão de Bebel, não há reajuste de salários desde 2005. Vai ver os professores não aderem à greve porque sabem que houve.

A próxima assembléia está marcada para quinta-feira. Bebel vai insistir no “sucesso” do seu movimento. A tentativa do PT é decretar paralisações em outros setores do funcionalismo, de modo a atrapalhar a vida dos paulistanos, e jogar a responsabilidade nos ombros dos adversários do PT.

Isso está “colando”? Tenho a impressão de que não está. Tenho a impressão de que já se pode fazer neste estado o plebiscito entre queimadores de livros e produtores de livros; entre queimadores de livros e leitores de livros; entre queimadores de livros e amantes dos livros.

O “não” dos servidores e dos paulistas como um todo à arruaça promovida pelo petismo é um bom sinal. Parece marcar o repúdio a uma prática detestável das esquerdas, que é fazer a sociedade refém de seus desígnios e da sua militância. Em São Paulo, diga-se, esse tipo de pregação não tem frutificado. A maioria não vê com bons olhos a manipulação de causas que de fato existem — os professores precisam ganhar mais, e, por isso, existe um plano de carreira — em benefício de um partido.

Bebel está naquela de afirmar uma inexistente adesão maciça da categoria à greve na esperança de que a mentira frutifique e acabe se transformando numa verdade. Mas os professores, evidentemente, sabem a realidade de suas respectivas escolas. Nem eles nem os demais servidores parecem dispostos a seguir cegamente uma pauta que é de um partido político e nada tem a ver com a educação.

Desta vez a bruxa não conseguiu passar adiante a sua maçã envenenada.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2010

às 19:11

FIASCO: DIRCEU E BEBEL JUNTAM APENAS 3 MIL; EM 1922, MUSSOLINI REUNIU 26 MIL FASCISTAS

Os petistas que fizeram o comício anti-Serra — e fazer comícios nessa fase é proibido por lei — disseram ter reunido, acreditem!, 40 mil pessoas na manifestação. Número da PM: 3 mil. Nem é o caso de somar e dividir por dois para ficar no meio do caminho porque as fotos evidenciam a verdade. Mais: a polícia faz o cálculo com base em imagem feita de helicóptero, considerando a área ocupada pelos manifestantes. O número dos petistas é politicagem; o da PM segue critério científico.

Três mil? Manifestação de 40 sindicatos? Com o apoio do PT? Foi um fiasco! Ela só fez sucesso no jornalismo online, rendendo uma penca de títulos. A Apeoesp sozinha já reuniu mais do que isso. Estamos diante da evidência de que a greve do sindicato também não deu certo.

Essa gente vive hoje da radicalização do discurso, nada mais. Aparece no noticiário porque sabe xingar e ofender – além de tentar promover a desordem para colher frutos eleitorais.

José Dirceu e Bebel deram com os burros n’água. Perderam de Mussolini. Em 1922, na Marcha Sobre Roma, consta que ele conseguiu juntar 26 mil fascistas.

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2010

às 6:25

BEBEL: 50 ANOS, 13 ANOS, 5 ANOS…

Bebel, a presidente da Apeoesp, que comanda a greve político-partidária de uma pequena parcela dos professores, não declara a idade. Dada a trajetória, deve andar aí pelos 50. Professora de português embora, seu domínio da língua é bem mais jovem: uns 13… Já o seu conhecimento sobre o funcionamento da democracia não saiu do pré-primário. Na Folha de hoje, ela faz um questionamento realmente espantoso:

“O governador é filiado ao PSDB, assim como o seu secretário da Educação [Paulo Renato Souza]. Se ele pode ser do PSDB, por que eu não posso ser do PT?”.

Quem disse que não pode? Tanto pode que ela é filiada. O que não é permitido e fazer uma greve político-partidário-eleitoral, entendeu? O que não pode é pôr um sindicato a serviço de uma candidatura.

Ademais, não custa lembrar, a Bebel, do PT, quer extinguir o programa da Secretaria de Educação que prevê a promoção dos professores segundo o mérito; quer acabar o plano de carreira; quer acabar com a bonificação; quer acabar com os exames… Em suma, Bebel quer decidir qual é política da secretaria de educação em lugar do governador, que é, sim, do PSDB…

Mas há entre eles uma diferença nada ligeira: ele foi eleito por milhões de paulistanos para governar São Paulo; ela não foi. Se Bebel quer decidir a política de educação do estado, que se candidate a governadora e vença a eleição primeiro. Não será no berro.

Entendeu a diferença, Bebel?

Por Reinaldo Azevedo

31/03/2010

às 6:21

Mais um editorial do Estadão que sabe a diferença entre democracia e fascismo

Dois anos após o embate entre delegados e investigadores armados e a tropa de choque da Polícia Militar, durante a greve da Polícia Civil, as cercanias do Palácio dos Bandeirantes voltaram a ser palco de pancadaria, desta vez com os professores da rede pública estadual. Os líderes da categoria sabiam que a legislação veda manifestações no local e, mesmo assim, tentaram realizar um ato de protesto na sexta-feira, sabendo que a PM seria obrigada a reagir.

Como era inevitável, a provocação resultou em violência, deixando um saldo de 26 feridos. E, apesar de o professorado ter invocado reivindicações de natureza salarial para justificar uma passeata ilegal, o caráter político e eleiçoeiro da iniciativa foi explicitado pela presidente do sindicato dos docentes, Maria Isabel Noronha, que é filiada ao PT e que havia participado na noite anterior de evento político com a ministra Dilma Rousseff. “Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal do PSDB e desse governador”, disse ela do alto de um carro de som, incitando os manifestantes a romper o cordão de isolamento formado por cerca de cem PMs, nas cercanias da sede do governo.

O protesto, que resultou em fotos da pancadaria largamente exploradas por simpatizantes do PT para denunciar a “violência de Serra”, foi engrossado por estudantes e integrantes de outras categorias vinculadas à CUT, o braço sindical da agremiação. Essa manifestação faz parte de um plano de provocações e de invasões com o objetivo de obrigar as autoridades de segurança a reagir, o que comprometeria a imagem pública de Serra.

Basta ver que, dias antes ao incidente em frente ao Palácio dos Bandeirantes, um grupo integrado por estudantes e servidores da USP, com o apoio de agremiações de esquerda, como o PSTU, o PCO, PSOL e PT, invadiu as dependências da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas), na Cidade Universitária, sob a justificativa de reivindicar mais investimentos em moradia estudantil. A invasão, na realidade, é outra tentativa de criar um fato político com o indisfarçável objetivo de quebrar a “espinha dorsal” do reitor João Grandino Rodas, no cargo há dois meses, nomeado por Serra.

Na época em que dirigiu a Faculdade de Direito, Grandino chamou a PM para evitar a ocupação do prédio do Largo São Francisco durante a Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública e, desde então, tornou-se um dos principais alvos das críticas de facções discentes e docentes de esquerda. Em 2009, ele foi acusado de ter oferecido ao Palácio dos Bandeirantes os argumentos jurídicos que permitiram à PM executar a ação de reintegração de posse da reitoria, que foi ocupada por estudantes e servidores em maio e junho. Antes mesmo de sua posse, em janeiro, circulava informação de que entidades de estudantes e de servidores vinculadas a grupos de esquerda tentariam invadir uma unidade da USP para obrigá-lo a chamar a polícia. E, para tentar esvaziar a iniciativa, em fevereiro ele fez uma perigosa concessão a esse grupo, propondo ao Conselho Universitário a revogação do dispositivo legal que permitia a entrada da PM na Cidade Universitária, para evitar manifestações. Deixando a reitoria de dispor de instrumentos legais para restabelecer prontamente a ordem no campus, os baderneiros invadiram o Coseas e anunciam que a ocupação é por tempo indeterminado.

Vinculados à CUT, sindicatos de categorias do funcionalismo estadual convocaram nova manifestação de protesto para hoje, quando Serra deve renunciar ao governo estadual para se candidatar à Presidência da República. A ideia é promover mais uma passeata em ruas e avenidas de grande movimento, na capital. A estratégia acarreta congestionamentos gigantescos para a população paulistana, convertida em refém de interesses corporativos. É assim que os militantes da CUT, do PT e das microagremiações de esquerda tentam demonstrar uma força política que jamais conseguiram ter no processo eleitoral. São métodos que tornam iguais pela violência e pelo radicalismo os extremistas de esquerda e de direita.

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2010

às 20:13

A PERGUNTA E A RESPOSTA

(leia primeiro o post abaixo)
O PSDB decidiu recorrer à Justiça Eleitoral contra DIRETORES DA Apeoesp. Já não era sem tempo. Eu mesmo já havia dito que considerava cabível a iniciativa. E o partido assim agiu não porque eu sugeri, é óbvio, mas porque o uso do sindicato para fazer campanha é escancarado. Os vídeos que postei na madrugada de hoje falam por si mesmos. Ou como devem ser interpretadas estas falas de Bebel, a presidente da entidade?

“Nós estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador (….)

Não será, Serra! Você não será presidente da República. Isso está escrito nas estrelas

“Por isso, colegas e amigos, em outubro, nós temos um grande compromisso, dia 3 de outubro, dizer de uma vez por todas, varrer da face da terra de São Paulo o governador Serra e o partido que se chama PSDB”

Só ela? Não! Seus colegas de palanque também não economizam:
A greve vale a pena e é nossa única oportunidade de quebrar esse governo. Serra disse que vai declarar a sua candidatura nos próximos dias. Nós estaremos lá para dizer que ele não será presidente da República.

Daqui a pouco/ tem eleiçããão,/ lá no Planalto,/ ele não chega nããão/

O que vai acima é o que é, pouco importam ideologia, escolha ou gosto. Um sindicato de qualquer categoria que fizesse isso “do outro lado” — isto é, contra Dilma — já teria sido, a esta altura, acionado legalmente. O PSDB até demorou.

Estado de direito
Procurada pela reportagem, como se lê abaixo, Bebel indaga retoricamente se não existe estado de direito. Existe, claro! E é em nome dele que os diretores do sindicato têm de ser acionados. Talvez ela não ligue o nome à coisa, mas o “estado de direito” é aquele em que os indivíduos e entes públicos e privados se comportam de acordo com a lei.

Sindicato em campanha eleitoral, político-partidária, é ilegal. Como o estado de direito existe, a prática tem de ser coibida e punida.

E refaço a pergunta que já fiz: e o Ministério Público?

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2010

às 19:40

PSDB vai processar sindicato dos professores de SP por uso de estrutura sindical em campanha eleitoral

Por Catia Seabra, na Folha Online. Comento no post seguinte:

O PSDB vai entrar com uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a Apeoesp (sindicato dos professores de São Paulo) e sua presidente, Maria Izabel Noronha, por contrapropaganda eleitoral. O sindicato, que organiza uma paralisação no Estado, aproveita as manifestações da categoria para incitar palavras de ordem contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Na representação, o partido de Serra pede que a Apeoesp e sua dirigente sejam multados por uso eleitoral de palanques para coordenar a greve.

Para embasar o pedido de multa à entidade e sua dirigente, o PSDB anexou filmes que mostram Noronha perguntando para os professores se Serra será presidente. E, em coro, os manifestantes respondem que não. Em outro filmete, há uma música que diz: “Daqui a pouco tem eleição. No Planalto ele não chega não”.

O advogado do partido, Ricardo Penteado, diz que o caso é passível de multa sem prejuízo de uma investigação sobre os recursos sindicais repassados para a Apeoesp.

Para a presidente da Apeosp, a ação é uma tentativa de desqualificação da entidade. “Eles podem usar todos instrumentos jurídicos deles, que eu vou usar os meus para me defender”, disse Maria Izabel Noronha.

Ela afirmou que não é possível fazer reivindicações sindicais sem criticar o partido que está no governo. “Parece que estou vivendo em um sonho. Não estamos no estado democrático de direito.”

Manifestação
Na manifestação da semana passada, a sindicalista disse: “Esse senhor não vai ser presidente do Brasil”, afirmou ela. “Se for eleito vai acabar com imagem que Brasil conquistou lá fora.”

Ela também convocou os professores a “acabarem com o partido” de Serra: “Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, disse Bebel, como é conhecida.

Ela disse que a categoria deve aproveitar os últimos dias do governo Serra para protestar. Ele deixa o cargo na quarta-feira (31) para disputar a Presidência. “Vamos aproveitar enquanto o governador não sai.”

O próximo protesto da Apeoesp foi marcado justamente para a data de saída de Serra do governo. Deve ocorrer às 15h, na avenida Paulista, região central da cidade.

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2010

às 5:21

QUE A ELEIÇÃO SEJA PLEBISCITÁRIA: QUE OS BRASILEIROS SEJAM CHAMADOS A ESCOLHER ENTRE QUEM PRODUZ E DISTRIBUI LIVROS E QUEM QUEIMA LIVROS

No Brasil, mas muito especialmente em São Paulo, a eleição tem de seguir, sim, o padrão de um plebiscito. Que o eleitor seja chamado a escolher entre quem produz e distribui livros e quem queima livros; que o eleitor seja chamado a escolher entre quem planta comida e emprego no campo e quem semeia invasão, depredação e morte. É uma linguagem muito simples. É uma linguagem muito direta. Fosse o caso de conceituar as escolhas, poder-se ia indagar: “Democracia ou comuno-fascismo?” Mas isso nem é necessário. Dilma Rousseff dividiu a mesa com Bebel, a presidente da Apeoesp (abaixo, nós a vemos no melhor da sua forma) na quinta; na sexta, a sindicalista liderou a barbárie nas ruas de São Paulo. Um dia antes, em seu Twitter, Aloizio Mercadante, o ex-chefe do aloprado Hamilton Lacerda, havia dado seu apoio aos companheiros. Os candidatos petistas são, pois, co-responsáveis políticos pela fogueira. Ouçam como grita o silêncio de ambos diante do absurdo. O ex-governador Geraldo Alckmin já tem uma campanha pronta: “Livro ou fogueira de livros? Produção ou destruição?” Não há quem não consiga entender esses dois caminhos. Sigamos.

Até quando o Ministério Público vai assistir impassível aos descalabros da Apeoesp e à sua rotina de desmandos, violência e assumida politização da greve? Os dirigentes desse sindicato passaram de todos os limites. Não fosse o bastante a tal Bebel, presidente da entidade, dividir o palanque com Dilma num comício disfarçado de encontro sindical no ABC — mais uma ilegalidade, diga-se —, ela fala abertamente na questão eleitoral. O objetivo, confirma a própria sindicalista, é “quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador” e, “no dia 3 de outubro, varrer da face da terra de São Paulo o governador Serra e o partido que se chama PSDB”.

TUDO É TÃO CLARO, TUDO É TÃO SEM DISFARCE!

O Ministério Público não precisa ser provocado por ninguém para agir. Há uma legislação que rege os sindicatos, e ela proíbe esse tipo de manipulação político-partidária. Também os advogados dos partidos de oposição têm de entrar em ação e recorrer à Justiça Eleitoral — esta, sim, só age se acionada. Abaixo, há vídeos que PROVAM, sem margem para qualquer dúvida, o uso da máquina sindical para fins eleitorais e, obviamente, campanha antecipada.

O que demonstra que estamos assistindo a um método? Leiam esta fala:
“E nós vamos dar a eles esta reposta: mais e mais mobilização, mais e mais greve, mais e mais movimento de rua, e vamos derrotar eles nas urnas também porque eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas”.

A fala acima é de José Dirceu e foi pronunciada numa assembléia da Apeoesp em 2000, quando o sindicato também era presidido pela ínclita Bebel. Dias depois, a 1º de junho, seguindo as ordens do chefão, os trogloditas agrediram covardemente o governador Mário Covas — agressão física mesmo! Já bastante debilitado pelo câncer (morreu nove meses depois), ele chegou a ter um ponto de sangramento no lábio e na cabeça. O vídeo com a violência comandada por Bebel e seus sectários contra Covas está aqui.

Dez anos se passaram, o PT está no poder há quase oito (mas São Paulo vem dando provas reiteradas de que não quer saber deles), José Dirceu é processado no STF por chefiar a quadrilha do mensalão, e Bebel é de novo presidente do sindicato. Os métodos continuam os mesmos. Num vídeo abaixo, vocês podem ver e ouvir Dirceu em ação naquele dia. E também acompanharão trechos da baderna da Apeoesp de sexta-feira, que antecedeu o quebra-quebra promovido pelos queimadores de livros de Dilma, Bebel e Mercadante:

FALA BEBEL:
“Nós estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador (….)

OUTRO SINDICALISTA
“Acertamos a tática que mais acumula. Por isso, essa semana, para nós, é a semana decisiva; é a semana em que ele pede demissão da condição de governador para cuidar como (sic) candidato à Presidência e, por isso, nós precisamos de táticas.

SEGUNDO SINDICALISTA (canta musiquinha)
Daqui a pouco/ tem eleiçããão,/ lá no Planalto,/ ele não chega nããão/

TERCEIRO SINDICALISTA
“Nós vamos promover um grande bota-fora no dia 31”

QUARTO SINDICALISTA
“Zé Serra fora, fora, fora”

VOLTA BEBEL
Não será, Serra! Você não será presidente da República. Isso está escrito nas estrelas

O vídeo está aqui.

Ainda não é o suficiente para você, leitor? Então fique com mais um vídeo. Nem precisa vê-lo inteiro porque repete parte do anterior. Vá direito para 1min14s:

Deixo o registro escrito. FALA BEBEL
“Por isso, colegas e amigos, em outubro, nós temos um grande compromisso, dia 3 de outubro, dizer de uma vez por todas, varrer da face da terra de São Paulo o governador Serra e o partido que se chama PSDB”

OUTRO SINDICALISTA
A greve vale a pena e é nossa única oportunidade de quebrar esse governo. Serra disse que vai declarar a sua candidatura nos próximos dias. Nós estaremos lá para dizer que ele não será presidente da República.

VOLTA BEBEL
O que interessa é que o nosso movimento é político, sim!

Apeoesp do campo
Escrevi aqui, dia desses, que a Apeoesp é o MST das cidades, dada a semelhança de métodos e a opção preferencial pela violência. E, por óbvio, o MST é a Apeoesp do campo.

Na sexta, em Andradina, José Rainha Júnior, líder das invasões de terra no Pontal, afirmou que todos os acampamentos comandados por ele “serão comitês pró-Dilma Rousseff”. E anunciou.
“Já estamos em campanha, e vamos fazer um campo de batalha no campo pró-Dilma”.

Rainha promete uma tempestade de invasões no campo, o chamado “Abril Vermelho”. Talvez Dilma devesse comparecer a alguma invasão com aquela sua simpática bata que emula com as camisas do companheiro Hugo Chávez.

A questão que interessa é se vamos permitir que eles tutelem a democracia na base da arruaça, do quebra-quebra e da fogueira de livros. Vamos?

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2010

às 5:11

“ONDE SE QUEIMAM LIVROS AINDA SE QUEIMARÃO PESSOAS”

A frase do título é do Heine (1797-1856), poeta alemão de origem judaica. E teve um caráter, como se sabe, premonitório. Vejam este vídeo impressionante, enviado pelo leitor Márcio Leopoldo Maciel. Volto depois.

Como vocês viram, Márcio juntou as imagens dos nazistas queimando livros, num estado de verdadeira euforia, com a foto dos tontons-maCUTs de Bebel fazendo a mesma coisa. O que os distingue?

Alguns asquerosos ainda têm a coragem — e um leitor me disse que seu professor de filosofia disse o mesmo em classe — de afirmar que os comandados de Bebel não queimaram livros, mas apostilas; que aquilo seria “só o material didático” que o governo repassa aos professores. Como se isso fizesse alguma diferença. Talvez seja ainda pior: os fascitóides, além de queimar livros, estão reagindo também à correta decisão do governo de São Paulo de criar um currículo mínimo e orientado para as escolas de São Paulo, segundo aquelas que são as exigências — inclusive do governo federal — em provas oficiais.

Esse comportamento dos liderados de Bebel têm razão de ser. Segue, talvez, a trilha da mestra. Ela não é, assim, um portento de intimidade com os livros, isso fica evidente. Nem com a sala de aula. Vejam a carreira da moça, que é professora de língua portuguesa:
1991/1992 – Coordenadora da Subsede da APEOESP em Piracicaba
1993/96 – Secretária de Organização do Interior da APEOESP
1996/99 – Vice-Presidenta da APEOESP
1997/99 – Secretária Geral da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
1999/02 – Presidenta da APEOESP
2002 – Secretária de Finanças da APEOESP
2006-2009- Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE)
2010 – Presidente da Apeoesp

Bebel está quase há mais tempo longe de uma sala de aula do que Lula de um torno, né? A esta altura, ela é tão “professora” quanto ele é “torneiro”. Mas essa trajetória abriu-lhe as portas para uma vaga no Conselho Nacional de Educação — para o qual, evidencia seu currículo, não tem formação intelectual. Boletins do sindicato e seu próprio blog indicam uma relação, assim, um tanto hostil com a inculta & bela.

O que eu lhe recomendo — e a qualquer um da Apeoesp? Leia livros em vez de queimá-los.

Por Reinaldo Azevedo

29/03/2010

às 5:09

SOCIEDADE DAS IDÉIAS MORTAS

Muitos de vocês devem ter visto um filme demagógico a mais não poder de Peter Weir chamado Sociedade dos Poetas Mortos. Robin Williams, o pior e mais chato ator do Ocidente, é o professor “revolucionário” que chega a uma escola conservadora para ensinar a rapaziada “a pensar”. Professor que quer ensinar “a pensar” em vez de ensinar a sua disciplina merece chicote — é uma metáfora…  O tal considera o livro de literatura conservador, errado, sei lá o quê. E incita a garotada, um bando de adolescentes, a rasgar e jogar fora o que não prestaria.

Weir leva o telespectador a admirar essa atitude do professor, como se aquele realmente fosse um bom caminho. As platéias de “descolados” “a-ma-ram” aquela porcaria. Certa feita, num debate sobre educação, descasquei o filme e quase apanhei de alguns “educadores modernos”…

Acho que já falei mal do filme aqui, não pesquisei em arquivo. Em suma, não me dou bem com destruidores de livros, ainda que, como no filme de Weir, o propósito seja, digamos, debater a educação. Não é o caso da Apeoesp. Ali, o vandalismo tem um propósito porcamente político. Pior: não deixa de atender aos ditames da preguiça.

FAX
A Apeoesp edita um boletim chamado “Fax Urgente”. Tenho aqui comigo o de nº 36, emitido em 26 de março, dia do quebra-quebra. É um primor de empulhação. Mas faz, ao menos, o que a imprensa não tem feito: lista todas as reivindicações do sindicato, de que o absurdo reajuste de 34,3% é apenas um item. Ali fica claro que a Apeoesp quer acabar com a política educacional da promoção por mérito e com as medidas que disciplinam minimamente a atividade — inclusive a que procura coibir o excesso de faltas dos professores. Qualquer pai de uma criança em escola pública sabia que esse era um dos flagelos da educação. Aquela queima de livros é, no fundo, um protesto bucéfalo contra a disciplina e a competência.

Mas volto ao fax. Mente-se de maneira desavergonhada. No boletim,  os baderneiros “foram atacados” pela PM — quando se sabe que a polícia apenas reagiu, — e “vários professores ficaram feridos”. Das 20 pessoas feridas, 10 são policiais. Isso deixa claro quem tinha tropa de choque…

O texto convoca os professores para o “bota-fora” de Serra — um protesto no dia 31, quando o governado deixa o cargo —, sugerindo que as “alas” (sic) de professores se vistam com cores distintas, como num desfile de escola de samba. Numa carta endereçada aos pais, Bebel tenta provar que tudo aquilo é feito em benefício de “seus (deles) filhos e filhas”!!! Na última página, os professores são convocados a doar sangue (como Bebel é generosa!!!) com estas palavras: “Antes que Serra sugue o nosso sangue, vamos doá-lo a quem precisa”. Ao lado, há um desenho do governador caracterizado como um vampiro. Eis a Apeoesp.

Na carta aos pais, Bebel diz que o governo se nega a conversar. Ora, quem faz o que esta senhora vem fazendo em assembléias não tem compromisso com a verdade, não é? Na sexta, sua tropa de choque avançou contra a PM enquanto uma comissão da Apeoesp estava reunida com representantes do governo de São Paulo.

A Apeoesp representa a sociedade das idéias mortas!

Por Reinaldo Azevedo

28/03/2010

às 7:03

DILMA, MERCADANTE E BEBEL FAHRENHEIT

professores-queimam-livrosNão, queridos leitores! Eu não me conformo com a foto acima. Até porque a prática não é inédita. Não há civilização possível quando professores queimam livros — nem os ruins merecem ser queimados porque também são testemunhos de uma história. Queimar livros é coisa dos nazi-fascistas;  queimar livros é coisa dos comunistas chineses da Revolução Cultural; queimar livros é investimento na barbárie.

Um dia antes desse espetáculo, Bebel Fahrenheit estava reunida com Dilma Rousseff num comício ilegal promovido por sindicalistas do ABC. Era chamada de “querida” pela candidata. Dois dias antes, Aloizio Mercadante, o ex-chefe do mala-preta dos aloprados e virtual candidato do PT ao governo de São Paulo, dava todo o seu apoio à greve da Apeoesp — que “greve dos professores” não é.  Logo, Dilma e Mercadante são co-responsáveis pela queima dos livros.

É a primeira vez? Não é. Vejam esta imagem. É da queima de 2008. Quando Bebel vê um livro, deve pensar logo em fogueira.

livros-queimadosAluguem agora mesmo Fahrenheit 451, filme François Truffaut, e você entenderão por que apelidei a cabo eleitoral confessa de Dilma de “Bebel Fahrenheit”. O título do filme é uma referência ao ponto de combustão do papel. Na sociedade totalitária que a fita retrata, livros eram proibidos porque deixavam as pessoas infelizes. Quando descobertos, eram queimados pelos bombeiros —  sim, pelos bombeiros: os totalitários sempre invertem a lógica; sempre tentam fazer com que o mal se transforme num bem; para os totalitários, Bebel Fahrenheit defende a educação…

Esses livros que estão sendo incinerados são guias dos professores, parte da correta e saudável unificação dos currículos implementada pela Secretaria de Educação. Vagabundos comuno-fascistóides queimadores de livros acreditam que a existência do currículo e do material didático lhes retira a “liberdade”. Vemos muito bem o que entendem por liberdade!

Espalhem essas imagens Brasil e mundo afora. Todos devem saber o que um sindicato, um partido e dois candidatos consideram aceitável na educação.

Por Reinaldo Azevedo
 

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