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aloprados

09/04/2013

às 6:15

Mercadante, como sempre, vai além das suas sandálias

É claro que passará como coisa corriqueira o que corriqueiro não é. Nesta segunda, a Polícia Federal de Brasília recebeu o pedido para investigar Luiz Inácio Lula da Silva, acusado por Marcos Valério de ter negociado com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, um repasse de US$ 7 milhões ao PT.

Bem, bem, bem… Aloizio Mercadante, que é ministro da Educação, participou ontem de um evento com empresários. E decidiu falar sobre o caso, segundo informou a Folha Online:

“Lula já enfrentou todo tipo de adversidade na vida pública. Ele sabe que sempre foi assim com ele. Ele está preparado, e nós também. Ele vai superar mais essa tentativa, que não vai prosperar”.

Comento
Trata-se de uma fala despropositada do começo ao fim. Que “adversidade” Lula enfrentou na vida pública? O que quer dizer “nós também estamos preparados”? A quem se refere? Ao PT? Ou quem fala é o governo?

Mercadante tem de ser mais respeitoso com o Ministério Público Federal, a menos que o ministro da Educação o considere parte de um complô.

Não tem jeito… Eu vejo Mercadante e lembro que ele era o chefe de Hamilton Lacerda, o homem da mala preta no escândalo dos aloprados.

“Nós estamos preparados”… Entendi.

Por Reinaldo Azevedo

23/06/2012

às 18:43

NA VEJA DESTA SEMANA — Aloprados: A montanha que só pariu ratos

aloprados

Por Rodrigo Rangel e Otávio Cabral:
Na semana passada, a Justiça Federal abriu processo contra nove envolvidos no escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram presos em São Paulo, às vésperas das eleições de 2006, quando se preparavam para comprar um dossiê fajuto que serviria para enredar políticos do PSDB com a máfia que fraudava licitações no Ministério da Saúde. A decisão sugere que mais uma jogada rasteira de petistas interessados em se perpetuar no poder à base de práticas escusas — entre as quais o mensalão desponta como exemplo mais degradante — será, depois de seis anos, finalmente punida. Ledo engano. Os aloprados levados às barras dos tribunais são militantes de baixo escalão e meros tarefeiros a serviço de próceres do partido. Eles vão responder a um processo manco, que não esclarece duas das principais dúvidas relacionadas ao caso: quem encomendou a trapaça eleitoral e de onde saiu o dinheiro que financiaria a operação. Se essas questões não forem explicadas, restará a certeza de que compensa investir no vergonhoso vale-tudo que impera na política brasileira. Afinal, como castigo, só uma arraia-miúda do PT ficará pelo caminho.

Os aloprados — como foram batizados pelo ex-presidente Lula depois de descobertos pela Polícia Federal — agiram em setembro de 2006 numa tentativa de implicar o tucano José Serra, ex-ministro da Saúde e então candidato ao governo de São Paulo, com a quadrilha que desviava recursos públicos direcionados para a compra de ambulâncias. Os petistas portavam 1,7 milhão de reais para comprar papéis falsos destinados a macular a imagem do tucano. À frente da ação figuravam assessores próximos de Lula e do atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que à época disputavam, respectivamente, a reeleição presidencial e o governo paulista. Essa operação para atingir os adversários foi um dos muitos tiros no pé disparados pelo partido, talvez o mais exemplar deles. Em vez de ajudar o PT, o caso, ao ser revelado, contribuiu para que Lula fosse obrigado a disputar um segundo turno contra Geraldo Alckmin. Já Mercadante foi derrotado por Serra. As urnas foram as únicas penalidades impostas aos dois petistas. O caso, porém, é mais um a reforçar a suspeita de que órgãos de investigação têm sido usados com fins meramente políticos – principalmente para livrar cardeais do PT de embaraços com a Justiça.

Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os

Pressão — O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos (Tuca Vieira/ Folhapress; Dida Sampaio/ AE)

A PF concluiu o inquérito sobre o escândalo, ainda em 2006, com o indiciamento de sete pessoas. Não conseguiu apontar os mandantes do crime nem a origem do dinheiro que pagaria o dossiê fajuto. Apesar de sobrarem evidências sobre a participação de integrantes do comitê central de campanha de Lula, o personagem mais graúdo entre os indiciados foi Aloizio Mercadante. Os policiais concluíram que Mercadante seria o principal beneficiário do dossiê, que atingia seu rival direto na eleição de 2006. O indiciamento do petista foi derrubado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Restaram, então, só os militantes usados pelo partido para transportar a mala com notas de real e dólar e executar o plano. Os cérebros da empreitada ficaram de fora. No auge do episódio, a Polícia Federal foi acusada de montar uma operação limpeza para apagar os indícios que poderiam levar aos petistas graúdos. Coube a um dos delegados que participaram da investigação, Edmilson Bruno, denunciar a trama. Em depoimento ao Ministério Público, ele acusou alguns de seus principais superiores hierárquicos de ter feito pressão para impedir que o caso chegasse ao núcleo da campanha de Lula. Responsável pela apreensão do dinheiro num hotel vizinho ao Aeroporto de Congonhas, o delegado revelou que até o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, tinha se empenhado pessoalmente no caso, indagando se os presos haviam citado o nome do presidente Lula.

A investigação da Polícia Federal deixou mais lacunas que certezas. Seguir o caminho do dinheiro, procedimento básico em investigações desse tipo, foi uma das medidas deixadas de lado. Graças a informações enviadas pelo FBI, a polícia federal americana, os agentes brasileiros souberam que os dólares que faziam parte da dinheirama apreendida foram impressos em Miami, circularam pela Alemanha e foram parar numa casa de câmbio do Rio de Janeiro. Lá, foram comprados por pessoas humildes, os conhecidos laranjas. A investigação parou por aí. Não se conseguiu sequer descobrir a mando de quem estavam esses laranjas. Já a origem dos reais nunca deixou o terreno das hipóteses, embora existissem duas pistas consistentes dentro do próprio inquérito. A primeira é que uma parte do dinheiro foi sacada em três bancos de São Paulo, provavelmente pela mesma pessoa. Essa conclusão foi possível após os agentes perceberem nas planilhas da quebra de sigilo telefônico que um mesmo celular, em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, era usado para falar com vários envolvidos no escândalo. Ana Paula, na verdade, era Hamilton Lacerda, um dos aloprados petistas encarregados de executar a operação (o CPF da verdadeira Ana Paula foi usado pelo bando para habilitar o aparelho). No dia da prisão, Hamilton “Ana Paula” Lacerda teria passado por três bancos diferentes. “Tentamos várias formas de identificar a origem do dinheiro e não conseguimos”, justifica-se o delegado federal Diógenes Curado, responsável pela conclusão do inquérito.

A outra suspeita, de que parte do dinheiro tinha origem na Bancoop, cooperativa controlada por grão-petistas e usada em outros rolos financeiros do partido, também foi deixada de lado. Tão logo foi concluído pela PF, o inquérito seguiu para o Ministério Público Federal. Os procuradores poderiam ter solicitado diligências para sanar as deficiências da investigação original, mas os avanços foram pífios. A abertura de processo na semana passada sugere o pleno funcionamento das instituições e alimenta a esperança de punição aos culpados. Na prática, porém, fica a impressão de que, mais uma vez, tudo vai terminar na conta de um bando de inconsequentes — ou aloprados, como preferem alguns.
Colaborou Hugo Marques

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2012

às 21:03

Justiça abre processo contra os petistas “aloprados” de 2006

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público Federal em Mato Grosso contra nove dos envolvidos na elaboração do dossiê contra o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, em 2006. Os petistas Gedimar Pereira Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti e Osvaldo Bargas, protagonistas do chamado escândalo dos “aloprados”, responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e operação fraudulenta de câmbio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, eles  ”se associaram subjetiva e objetivamente, de forma estável e permanente, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, que tinha por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 do governo de estado de São Paulo”. Fernando Manoel Ribas Soares, Sirley da Silva Cahves e Levy Luiz da Silva Filho, outros envolvidos no caso, responderão por operação fraudulenta de câmbio.

Gedimar Passos, asessor da campanha de Lula, negociava a aquisição do dossiê com Valdebran Padilha, empresário filiado ao PT. A Polícia Federal prendeu a dupla em flagrante com 1,7 milhão de reais que seriam usados na compra do material forjado. A operação ocorreu em setembro de 2006.

Há um ano, Expedito Veloso revelou a VEJA que o atual ministro da Educação, Aloísio Mercadante, e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia foram os mandantes do crime. O epíteto “aloprados” é obra do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que tentou desvincular o episódio de sua campanha à reeleição.

Relembre a farsa dos aloprados na Rede de Escândalos

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2012

às 5:37

Vergonha na cara à moda petista – “Aloprado” de Mercadante volta à cena para disputar cargo de vereador

Por Sérgio Roxo, no Estadão:
Quase seis anos depois de se transformar num dos protagonistas do caso dos aloprados, o petista Hamilton Lacerda vai tentar retornar à carreira política interrompida por causa do escândalo, e será candidato a vereador nas eleições de outubro em São Caetano do Sul, na região do ABC paulista.

Em 2006, quando era coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, Lacerda foi filmado com uma mala em um hotel de São Paulo onde Gedimar Passos e Valdebran Padilha foram presos com R$ 1,7 milhão. O dinheiro seria usado para comprar um dossiê que vinculava o tucano José Serra, que também disputava a eleição estadual, à máfia das ambulâncias superfaturadas.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, foi Lacerda quem levou a quantia ao hotel. Na época, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputava a reeleição, classificou os petistas envolvidos no caso de “aloprados”. Gedimar Passos integrava a campanha presidencial do PT.

Depois que o escândalo veio à tona, Lacerda deixou o PT. A sua volta à legenda só foi aprovada em 2010. No período de afastamento, atuou como empresário e administrou uma fazenda de plantação de eucalipto no Sul da Bahia, além de dar aulas em faculdades.

Antes do escândalo, Lacerda era uma das principais lideranças do PT no município do ABC paulista. Havia sido vereador por três mandatos e também chegou a disputar a prefeitura de São Caetano do Sul em 2004, quando ficou em segundo lugar e somou 32,2% dos votos válidos.

PT aponta Lacerda como um forte candidato
Agora, é apontado pelo presidente do PT em São Caetano do Sul, Edgar Nóbrega, como um dos “candidatos de peso” a vereador para a eleição deste ano. Lacerda já está em ritmo de campanha e tem tido participação intensa nas atividades do partido, com visitas semanais aos bairros da cidade.

Na última segunda-feira, Lacerda esteve na homenagem que a Câmara Municipal de São Caetano do Sul fez ao prefeito da vizinha São Bernardo, o ex-ministro Luiz Marinho, um dos principais amigos de Lula. A mulher de Lacerda, Maria Izabel Fonseca, foi, até fevereiro deste ano, secretária-adjunta de Administração de São Bernardo.

O presidente do PT de São Caetano afirmou que a reintegração de Lacerda aos quadros do partido se deu pela direção anterior “na medida em que as investigações” por envolvimento no escândalo dos aloprados “não evoluíram”. Em seguida, segundo Nóbrega, ele reivindicou a candidatura a vereador e o “partido não tinha motivos a se opor”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/07/2011

às 6:33

Ninguém pede de volta dinheiro dos aloprados, que deverá ser doado

Por Anselmo Carvalho Pinto, no Globo:
Após quase cinco anos sem que ninguém reclamasse sua propriedade, a montanha de dinheiro apreendida com os “aloprados do PT” em setembro de 2006 deverá, enfim, ter uma destinação. O Ministério Público Federal encaminhou esta semana uma petição à Justiça Federal para definir o que fazer com o R$ 1,7 milhão, em valores da época, que seria usado para comprar um suposto dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB). O dinheiro foi apreendido pela PF em poder de Gedimar Passos e Valdebran Padilha.

Se a Justiça aceitar, as autoridades devem nomear uma entidade filantrópica a ser beneficiada – ainda não se sabe se em São Paulo, onde ocorreu a apreensão, ou em Cuiabá, onde o caso é investigado. Como o inquérito está em sigilo, procuradores e delegados envolvidos no caso não quiseram se pronunciar.

A apreensão aconteceu em 15 de setembro de 2006, em plena campanha eleitoral. Na manhã daquele dia, policiais federais entraram no hotel Íbis, em São Paulo, flagrando Valdebran e Gedimar com duas grandes malas carregadas de dinheiro.

No apartamento 479, onde estava Gedimar, os agentes encontraram US$ 139 mil e R$ 410 mil. No apartamento 475, eles surpreenderam Valdebran com US$ 109,8 mil e R$ 758 mil. Em depoimento, ambos disseram que estavam apenas “guardando” as malas para terceiros.

As investigações da PF descobriram que o dinheiro seria para pagar um dossiê com informações comprometedoras a respeito de aliados de Serra. O material havia sido produzido pelos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin, donos da empresa Planam, acusada de ser o centro de uma organização criminosa que vendia ambulâncias ao poder público a partir de emendas parlamentares e licitações fraudadas.

Nos primeiros dias, a direção da Polícia Federal não liberou imagens da montanha de dinheiro, mas, duas semanas depois, a fotografia das notas sobre uma mesa estava em toda a imprensa. Restavam apenas dois dias para o primeiro turno da eleição e o caso contribuiu para que a disputa entre Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) fosse decidida em uma segunda votação.

No dia 18 de setembro daquele ano, a PF depositou o montante em moeda nacional, totalizando R$ 1.168.000, em duas contas judiciais na Caixa Econômica Federal. Já os dólares foram acautelados no Departamento de Meio Circulante do Banco Central, no mesmo dia.

Por Reinaldo Azevedo

30/06/2011

às 5:57

Mercadante e a “missão heroica” dos aloprados

Leia editorial do Estadão:
O ministro petista da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, invocou matreiramente o passado para se defender das acusações do companheiro Expedito Veloso, publicadas pela revista Veja, que reabriram o escândalo dos aloprados – a sórdida tentativa de vincular o candidato tucano ao governo paulista em 2006, José Serra, a um negociante envolvido com a chamada máfia das ambulâncias. A ideia era divulgar um dossiê que comprovaria a suposta vinculação, para tentar impedir a vitória de Serra, que afinal se consumou, sobre o seu adversário do PT, o mesmo Mercadante.

Deu tudo errado, como se sabe – daí o termo pejorativo que o então presidente Lula utilizou para ridicularizar, sem porém condenar, os operadores da armação. Eles foram apanhados pela Polícia Federal com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo para comprar a documentação fajuta. Mercadante nega até hoje que soubesse da tramoia ou a tivesse autorizado – não obstante o seu condutor fosse ninguém menos do que o braço direito do petista na campanha, Hamilton Lacerda, de quem se livrou mais do que depressa. O caso parecia destinado ao abarrotado arquivo morto das baixezas políticas nacionais, quando, no fim da semana atrasada, vieram a público as afirmações incriminadoras sobre Mercadante.

Ex-diretor do Banco do Brasil, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do governo do Distrito Federal, Expedito Veloso, em conversas que não sabia estarem sendo gravadas e que considerou “um desabafo”, disse que o hoje ministro participou pessoalmente da decisão de comprar o material que poderia mudar o rumo da eleição estadual, pela desmoralização do favorito Serra. Ainda segundo Veloso, Mercadante até teria se incumbido de obter uma parte da dinheirama junto ao chefe peemedebista Orestes Quércia; em troca, ele ficaria com um naco de um eventual governo petista em São Paulo. O político peemedebista faleceu em dezembro último.

Escaldado pela sina do ministro Antonio Palocci, defenestrado do Planalto por ter tardado a explicar o seu súbito e fabuloso enriquecimento – e, quando o fez, não convenceu -, Mercadante tomou ele próprio a iniciativa de aproveitar uma exposição na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, anteontem, para contestar a versão de Veloso. Foi então que buscou arrimo no passado. De um lado, ao invocar o parecer da Procuradoria-Geral da República, segundo o qual não havia no inquérito dos aloprados “um único elemento” que o ligasse ao esquema, razão por que o Supremo Tribunal Federal mandou arquivar o caso.

De outro lado, para culpar a ditadura pela propensão dos companheiros, passadas duas décadas da redemocratização, a fazer literalmente qualquer negócio para vencer os embates políticos. “Naquele período” – e ele certamente se referia à luta armada contra a ditadura – teorizou o ministro, “quem estava dentro de uma organização (achava que) tinha direito de fazer o que tivesse de fazer” para cumprir o seu “papel histórico”. Assaltar bancos, assassinar adversários, assim como sequestrar embaixadores eram as “missões heroicas”. Já nos tempos do PT funcionando como oposição em pleno regime democrático, a “missão heroica” passou a ser as “caixinhas”, nos governos municipais conquistados pelo partido, para financiar a conquista legal do poder central.

Finalmente, conquistado o poder central, a mesma mentalidade leva os petistas a crer que têm “uma missão heroica para fazer”, em defesa do partido “criminalizado pela imprensa”. Essa – segundo Mercadante – teria sido a gênese do frustrado contra-ataque do dossiê antitucano.

Ou seja, ele recorre a decisões judiciais datadas para se inocentar e constrói uma teoria estapafúrdia para não parecer que está condenando a companheirada. Acredite quem quiser que, no lamaçal do dossiê, ele foi o único a se manter limpo, pela elementar razão de que ignorava o que se passava no centro de sua campanha. Se soubesse, vai sem dizer, enquadraria os heróis aloprados sem pestanejar. Por que então não processa logo o seu acusador, em lugar de remeter a decisão para quando “acabar de apurar tudo o que aconteceu”?

Por Reinaldo Azevedo

29/06/2011

às 21:45

Mercadante coordenou “aloprados”, diz Serra, e RDC é coisa de “república bananeira”

Por Robson Bonin, no Portal G1:

De passagem pelo Senado nesta quarta (29) o ex-governador de São Paulo José Serra acusou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, de ter “coordenado” os “aloprados” na suposta compra de um dossiê com informações falsas para prejudicá-lo nas eleições ao governo paulista em 2006. O G1 não conseguiu contato com o assessor do ministro, deixou recado na caixa postal do celular e aguarda resposta.

“Passaram cinco anos que R$ 1,7 milhão foi apreendido e até agora não se sabe a origem do dinheiro? Isso foi um processo coordenado pelo então candidato ao governo e senador Aloizio Mercadante. Isso todo mundo sabe, inclusive as paredes”, disse Serra.

Mercadante foi apontado por reportagem da revista “Veja” como “mentor” do dossiê dos “aloprados”. Nesta terça (28), o ministro participou de audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e negou envolvimento com o episódio, disse que as acusações eram “fantasiosas” e deixou o Senado afirmando que “quem não deve não teme”.

Serra ainda se referiu a Expedito Veloso ao afirmar que até um integrante do PT havia admitido o envolvimento de Mercadante no caso. Ex-diretor do Banco do Brasil, Veloso citou Mercadante em gravações obtidas pela revista. “Agora, o próprio integrante do PT falou desse envolvimento [de Mercadante]“, argumentou Serra.

‘RDC é coisa das antigas repúblicas bananeiras’
O ex-governador de São Paulo está em Brasília para participar de reuniões internas do conselho político do seu partido, o PSDB. Além de falar da polêmica envolvendo Mercadante, ele aproveitou a entrevista para criticar a aprovação do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), inserido no projeto de lei de conversão da medida provisória 527/11 que prevê a flexibilização da Lei das Licitações 8.666 para obras da Copa 2014 e da Olimpíada 2016.

“Se o projeto for aprovado como está vai provocar um grande estrago no Brasil, porque vai valer para tudo, estados, municípios, governo federal. E todo tipo de obra, porque elimina projeto básico, dificulta fiscalização, dificulta o controle de qualidade e transforma uma obra pública numa obra privada”, avaliou Serra.

Para Serra, o RDC é coisa de “das antigas repúblicas bananeiras”. “O governo passou um tempo fazendo publicidade com a Copa, não fez nada, e agora, na hora do atropelo, pode causar um estrago. Contratar obras dessa maneira [prevista no RDC] é coisa das antigas repúblicas bananeiras da América do Sul. É tratar bem público como se fosse patrimônio privado do governante”, criticou Serra.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2011

às 6:47

Mercadante convida criminosos para uma celebração com o governo. Digam sinceramente: alguém acha isso estranho ou inédito?

Aloizio Mercadante, aquele ministro da Ciência e Tecnologia que está enrolado até o último fio do bigode no caso dos aloprados segundo o petista Expedito Veloso, que participou da operação, fala hoje da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O cheiro que emana de lá antes mesmo da reunião não é bom. Percebo os oposicionistas pouco mobilizados ou ausentes, e os governistas fazendo sem-governices… Quem quiser ouvir trechos da gravação em que Veloso implica diretamente o agora ministro no crime, clique aqui. Aliás, a pauta da comissão ganhou um elemento novo depois de uma estupenda declaração de Mercadante nesta segunda. Ele convidou, oficialmente, os hackers para uma celebração com o governo. Mais do que isso: ele os chamou para trabalhar no governo. Vão dizer que não faz todo sentido…

A que me refiro? Comentando as invasões de que foram alvos alguns sites oficiais, Mercadante afirmou que os danos “foram pequenos”. E tentou demonstrar que ele é ministro “prafrentex”, que é “uma brasa, mora!”, que está tudo “chuchu beleza”. E fez uma distinção e o convite: “Existem dois tipos de operadores. Os hackers são os jovens talentosos e criativos que eu, inclusive, quero levar para o ministério. Quero convidá-los para um ‘hacker’s day’”. Estava mesmo inspirado: “Quero chamar os hackers para eles ajudarem a construir os indicadores e a forma de transparência. Quero fazer o Ministério da Ciência e Tecnologia uma referência no ponto de vista do acesso e da transparência de informações”. Naquele estilo velha calça azul e desbotada, continuou a mostrar a sua ousadia juvenil: “Eles são jovens talentosos que mudam a tecnologia o tempo inteiro e que nós temos que dialogar.”

Ah, agora entendi. Sabem por que morrem 50 mil pessoas assassinadas por ano no Brasil? Porque os órgãos se negam a pedir a colaboração do PCC, do ADA e do Comando Vermelho. É bem verdade que as UPPs tentam, assim, uma variante desse pacto, com a sua tática “Corra que a política vem aí”, mas ainda não chega a ser, assim, um “killer’s Day”. Mas está a caminho…

É claro que não estou comparando hackers e a assassinos. Cuido aqui do método. A Polícia Federal já pode parar de investigar. Mercadante resolveu o problema. Temos enfrentado também dificuldades para coibir o tráfico de drogas e de armas. Ora, é preciso chamar Fernandinho Beira-Mar, amigo das Farc, que já até foram companheiras do PT no Foro de São Paulo. No livro “Máximas de Um País Mínimo”, afirmo que a sabedoria convencional acredita que se diminui o número de crimes punindo os criminosos; no Brasil, inventou-se um outro modelo: descriminar o próprio crime.

Faz sentido levar hackers para o palácio. Afinal, convenham, este governo sustenta até os chamados “blogueiros progressistas”, não é mesmo? É o seu ideal de imprensa. Por isso Lula e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foram levar suas respectivas mensagens no encontro daqueles patriotas. Delúbio Soares estava presente em espírito.

Querem saber? Mercadante tem razão. Se, depois do que se sabe sobre o escândalo dos aloprados, ele e Ideli Salvatti são ministros de Estado, não vejo por que os hackers não possam estar no governo. Se o sujeito que redigiu a MP da Copa é José Guimarães (PT-CE), chefe daquele que tinha a cueca recheada de dólares, por que os talentosos rapazes, na visão de Mercadante, não podem atuar dentro do Palácio do Planalto se necessário? O máximo que pode acontecer é eles elevarem o padrão moral médio da casa.

Os hackers haviam convocado manifestações de rua. Que pena! Não vai dar tempo de entrar no “Profissão Repórter”, do Caco Barcelos, que vai cantar as glórias das “Marchas da Liberdade” hoje à noite; tudo indica que a Polícia de São Paulo é que vai aparecer como vilã… Mas volto: eles queriam protestar na rua, exaltando os seus valores. Sabem como é… Liberdade de expressão! Se fazer apologia de um crime pode, por que não de outro, não é mesmo? O Supremo garante!

As marchas dos hackers agora são desnecessárias. Eles já podem ocupar o Palácio do Planalto, liderados por Mercadante. O convênio com Marcola, Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar fica para a etapa seguinte da revolução.

Mercadante é assim: se alguém acha que já ouviu o pior que ele tem a dizer, então é porque ficou surdo.

Por Reinaldo Azevedo

28/06/2011

às 6:45

Mercadante diz que nota de Veloso nega acusação. Bem, não é verdade!

Aloizio Mercadante, um dos chefões dos aloprados, segundo o petista Expedito Veloso, afirmou ontem, ao falar com a imprensa, que Veloso emitiu uma nota negando tudo. Lamento! Não é verdade. O homem que atuou na “área de inteligência” dos aloprados mandou a tal nota para o meu blog, publicada na seção de comentários. Eu a tenho aqui. Além de ter confirmado em entrevista o conteúdo da gravação que VEJA pôs no ar, ele NÃO NEGA COISA NENHUMA em sua nota. Querem ler? Pois não:

Nota a Imprensa

Em relação à materia intitulada “A confissão do aloprado”, veiculada na revista Veja de 22 de junho, quero esclarecer que:
1. Nas investigações sobre o episódio de 2006 citado pela revista, fui totalmente inocentado, ficando claro que minha participação foi meramente técnica, de análise de documentos, com base em minha experiencia como bancário.
2. Como está registrado na matéria, nunca participei de qualquer questão que envolva dinheiro ou recursos de campanha, nem citei nomes, sendo de estrita responsabilidade do reporter as afirmações que constam da matéria.
3. Na conversa de poucos minutos que tive com o jornalista Hugo Marques, no dia 16.06.2011, deixei claro que não falaria mais sobre o assunto, visto que já foi exaustivamente investigado pela Policia Federal, pelo Ministério Público e por Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso Nacional.
4. Quanto a “Nota de Esclarecimento” da Ex-Senadora Serys Slhessarnko de 23.06.2011 confirmo nossa conversa e afirmo que o conteúdo refere-se ao que consta do meu depoimento na Policia Federal.
Expedito Veloso

Então vamos ver, número por número:
1 – Sim, a participação de Expedito foi “meramente técnica”. Em entrevista à VEJA, ele afirmou que cumpria uma tarefa política.
2 – Na entrevista à revista, ele não citou nomes. Citou na gravação que está no ar. E disse que confirmava o seu conteúdo.
3 – Sim, na entrevista, ele afirmou que não queria mais falar sobre o assunto. Mas não tem querer de Veloso. Quem agora quer é a lei. Quando se fez a investigação, não se tinha a confissão do companheiro.
4 – Ele confirma a conversa com a ex-senadora Serys Slhessarenko. Nesse particular, então, reafirma a participação do petista Carlos Abicalil — atualmente secretário de Educação Especial do MEC —, cotado para ser o segundo de Ideli Salvatti nas Relações Intitucionais. Ideli é aquela, apurou VEJA, que participou de reunião com os aloprados no gabinete de Mercadante e chegou a manipular os falsos documentos da farsa.

Como se vê, não é verdade que a nota de Veloso tenha negado tudo. Ela não negou nada.

Por Reinaldo Azevedo

27/06/2011

às 20:43

ATENÇÃO, SENADORES E LEITORES! OUÇAM A GRAVAÇÃO EM QUE ALOPRADO AFIRMA QUE MERCADANTE PARTICIPOU ATIVAMENTE DA TRAMÓIA DOS ALOPRADOS

Se você clicar aqui, poderá ouvir trechos da gravação em que Expedito Veloso deixa claro que o ministro Aloizio Mercadante foi um dos comandantes do crime.

Por Reinaldo Azevedo

25/06/2011

às 5:11

PSDB que ouvir Serys Slhessarenko sobre dossiês do PT

No Globo:
O líder do PSDB da Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), disse nesta sexta-feira que o partido quer convidar a ex- senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) para falar na Câmara sobre suas declarações à “Folha de S.Paulo” de que o petista e secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Expedito Veloso, admitiu que integrantes do partido compraram dossiês políticos em 2006. Serys disse que recebeu informações sobre a realização de dossiê tentando envolver seu nome no escândalo da máfia dos sanguessugas. Nesta sexta, ela disse que as informações eram especificamente sobre Mato Grosso e que não sabia nada sobre a “situação de São Paulo”.

Serys afirmou que Expedito Filho a procurou, dizendo que o dossiê envolvendo seu nome era uma “armação”. A denúncia dizia que o genro de Serys teria recebido recursos da máfia das ambulâncias. Havia informações do envolvimento do ex-deputado Carlos Abicalil (PT-MT), que negou as acusações.”O Expedito pediu para falar comigo e falou que aquilo era uma armação, que tinha gente do PT envolvida. Ele me falou da situação regional de Mato Grosso, não da situação de São Paulo”, disse Serys.

A estratégia do PSDB é de aumentar a pressão e de cobrar esclarecimentos sobre a participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, no caso do dossiê que seria usado contra José Serra na campanha presidencial de 2006, caso que ficou conhecido escândalo dos aloprados.

O tucano Duarte Nogueira também pretende fazer um adendo ao pedido apresentado à Procuradoria Geral da República, acrescentando o nome de Serys como testemunha das investigações sobre o “caso dos aloprados”. Diante de declarações de Expedito Veloso sobre a tentativa de compra de dossiê pelo PT, o PSDB está pedindo ao MInistério Público a reabertura do caso. “Vamos fazer um convite a ex-senadora Serys, para que ela possa confirmar as informações dadas à imprensa”, disse Duarte Nogueira. O convite será apresentado em diferentes comissões temáticas da Câmara. Além disso, o PSDB tem mais sete requerimentos pedindo convite de Mercadante e concovação de Expedito Veloso.

Para Duarte Nogueira, a ida de Mercadante na próxima terça-feira à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) não impede que a Câmara também queira ouvir seu depoimento. A estratégia do Palácio do Planalto é encerrar o caso com a ida do ministro ao Senado, sua antiga Casa como senador. Preocupada, a direção nacional do PT mandou Expedito se calar sobre a gravação na qual ele teria afirmado que Mercadante autorizou a confecção do dossiê contra Serra. A ordem partiu do presidente PT, Rui Falcão.

Por Reinaldo Azevedo

23/06/2011

às 6:55

“Aloprado” admitiu que PT montou dossiês em campanha, diz petista

Serys Slhessarenko, ex-senadora pelo PT do Mato Grosso, admite, agora em entrevista à Folha, o que havia informado à reportagem de VEJA: Expedito Veloso a advertira de que o petista Carlos Abicalil, hoje secretário de Educação Especial do MEC e cotado para ser o segundo de Ideli Salvatti, havia liderado uma armação contra ela. Serys também diz que Veloso admitiu que o PT recorreu à montagem de dossiês já na campanha de 2006.

Por Rubens Valente, na Folha:
A ex-senadora pelo PT-MT, Serys Slhessarenko, disse ontem que o petista Expedito Veloso, implicado no “escândalo dos aloprados” admitiu em conversas com ela que integrantes do partido haviam montado dossiês na campanha de 2006. Naquele ano também foram encontrados documentos reunidos pelo partido para tentar atingir a candidatura do tucano José Serra ao governo de São Paulo. Serys é a primeira petista a confirmar a montagem de dossiês na campanha. Ela contou que, há cerca de três anos, Veloso a procurou para dizer que setores do PT de Mato Grosso, liderados pelo ex-deputado federal Carlos Abicalil, hoje secretário no MEC (Ministério da Educação), promoveram uma “armação” contra a então senadora.

O objetivo, disse, era atrelar seu nome à chamada “máfia dos sanguessugas”, um esquema de fraudes na compra de ambulâncias. “Ele [Expedito] veio muito chateado com o que o PT regional tinha armado contra mim. Era mais indignação de uma pessoa muito partidária em ver o que pessoas do próprio partido fizeram com uma candidatura”, disse Serys à Folha. Em 2006, a senadora afrontou Abicalil ao insistir numa candidatura própria ao governo de Mato Grosso. O grupo do então deputado apoiava a reeleição de Blairo Maggi (então no PPS).

A denúncia que abalou a candidatura de Serys -ela acabou em terceiro lugar na disputa- dizia que a família Vedoin, pivô de desvio de verbas federais para a compra de ambulâncias, teria pago R$ 35 mil ao genro da então senadora. Serys, que nega conhecer Vedoin, não foi indiciada pela Polícia Federal nem denunciada pela Procuradoria da República e também foi absolvida no Conselho de Ética do Senado. A ex-senadora pediu a demissão de Abicalil, que é cotado para o segundo cargo mais importante na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. “As credenciais que ele apresenta não permitem que esteja no governo da presidente Dilma, governo que ele pode comprometer”, afirma.
A ex-senadora alega que não fez a denúncia antes porque não gravou as conversas com Veloso. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 18:04

Mercadante e os aloprados – Folha Online deve um “erramos” a seus leitores

Algum espírito mau anda orientando a Folha nessa história de Mercadante e os aloprados. Dos grandes veículos, o jornal é o único até agora a fazer de conta que a coisa não existe. Muito bem! Eis que leio agora o seguinte texto na Folha Online. Prestem bastante atenção:

Procuradoria pede que polícia investigue acusações contra Mercadante

Por Jean-Philip Struck:
O Ministério Público Federal em Mato Grosso pediu à Polícia Federal que investigue as declarações de Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, que supostamente afirmou que o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (PT), foi o mentor do escândalo conhecido como o “dossiê dos aloprados”.
As supostas declarações de Veloso, que atualmente é secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, foram publicadas pela revista “Veja” neste fim de semana.
Até o momento, Veloso não confirmou nem desmentiu o conteúdo da reportagem.
Segundo a revista, ele também disse que o ex-governador paulista Orestes Quércia, que morreu no ano passado, ajudou a arrecadar parte do R$ 1,7 milhão usado para comprar o dossiê, apreendido em 2006 pela PF.
As declarações, ainda de acordo com a revista, foram gravadas e ocorreram em uma conversa entre Veloso e um grupo de conhecidos, em local e data não revelados.
Mercadante chegou a ser indiciado pelo caso em 2006, porém, no ano seguinte, o STFmandou arquivar a ação com base num parecer do próprio Ministério Público Federal, que não viu indícios de participação dele no caso.
Agora, com o pedido da Procuradoria, um novo delegado deve ser indicado para cuidar do inquérito, que integra um processo que tramita atualmente na Justiça Federal.
A Procuradoria também afirma que o inquérito deve ser distribuído para um novo procurador. O órgão não revelou detalhes sobre os pedidos de diligência feitos à PF, que não soube informar quando as investigações serão retomadas. (Supremo Tribunal Federal)

Voltei
Vamos por partes: “suposta” é a participação de Nero no incêndio de Roma ou dos nazistas no do Reichstag — é muito possível que tenha acontecido, mas não há provas. As declarações de “Veloso” não são supostas; são reais. Existem.

Que papo é esse de Jean-Philip de que Veloso nem confirmou nem desmentiu o conteúdo da reportagem? O repórter leu a matéria a que alude para escrever seu texto? VEJA publicou uma entrevista com Veloso. Destaco um trecho:
VEJA – O senhor confirma tudo o que disse nas conversas gravadas?

Veloso –
Eu estava querendo mostrar às pessoas que eu não era um aloprado. Não me lembro dos detalhes, mas tudo o que você relata que ouviu eu realmente disse. Era um desabafo dirigido a colegas de partido.

O que vai acima é ou não “confirmar” a reportagem?

Finalmente, o STF anulou o indiciamento de Mercadante, em primeiro lugar, porque a PF não poderia tê-lo feito já que, senador que era, ele tinha direito a foro especial — o próprio Supremo. De fato, não se viram os indícios necessários para o indiciamento em foro adequado. Mais isso se deu antes da confissão de Expedito Veloso — que é real, viu, Jean-Philip. Você pode chamar de “supostos” até cabeça do bacalhau e enterro de anão: existem, claro, mas quem já viu? No caso da gravação com a confissão de Veloso, ela pode ser vista e até ouvida.

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 16:34

PSDB protocola requerimento para convocar Mercadante na Câmara

Da VEJA Online:
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) apresentou nesta terça-feira um requerimento de convocação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, para falar sobre o Dossiê dos Aloprados, desvendado por VEJA na edição desta semana. O pedido também solicita que Expedito Veloso, o petista que revelou o envolvimento de Mercadante no caso, compareça ao Congresso.

Vanderlei Macris diz que o ministro precisa esclarecer o episódio envolvendo a compra de um dossiê contra tucanos, em 2006. Reportagem de VEJA desta semana demonstra que Mercadante foi o mentor e principal beneficiário da farsa. “A situação exige que ele venha e dê as explicações necessárias. A população espera isso”, diz o parlamentar. Ele acredita que Mercadante, diferentemente do ex-ministro Antonio Palocci, não irá recorrer à blindagem da base aliada. “Eu espero que não haja isso, até porque ele mesmo se manifestou com vontade de explicar”, diz Macris.

Os tucanos devem apresentar outros requerimentos de convocação do ministro em duas comissões da Câmara: a de Segurança e a de Ciência e Tecnologia.

Mala
O caso veio à tona Em 2006. Às vésperas do primeiro turno das eleições, a PF prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos ligando o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde.

Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Procurado, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. “Era um desabafo dirigido a colegas do partido”, disse.

Não é a primeira vez que o nome do ministro surge na investigação. A PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema. Mas a acusação acabou anulada por falta de provas. “Agora surgem elementos mais do que concretos para esclarecer de uma vez  por todas a verdade sobre o caso”, diz a reportagem.

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 15:20

Parem as máquinas! Congelem a comunicação online! O PSDB está tentando desgastar o governo! É uma denúncia grave!

Há coisas realmente curiosas na imprensa. O Estadão publica hoje um editorial — um dos três — impecável sobre o caso “Mercadante e os aloprados”, demonstrando a óbvia necessidade de se reabrir o caso, uma vez que há um importante fato novo: um dos petistas que participaram da tramóia, Expedito Veloso, confessou que Aloizio Mercadante foi um dos comandantes da operação criminosa. Há uma gravação com a revelação dos bastidores da lambança. Ouvido pela VEJA, ele confirmou o conteúdo.

Muito bem! O mesmo Estadão do editorial impecável publica hoje uma reportagem sobre o caso, de Eduardo Bresciani. O texto está correto, sem dúvida. Demonstra governistas mobilizados para defender Mercadante, e oposicionistas, para levá-lo a se explicar na Câmara, o que certamente desgasta um tanto o governo — especialmente se o sujeito não tem muito como se explicar.

Que título A EDIÇÃO deu à reportagem de Bresciani? Este:
“PSDB tenta desgastar governo com ‘aloprados’”

Meu Deus! O que será de nós!? Onde já se viu uma oposição que tenta desgastar o governo? Desse jeito, a democracia ainda nos leva para o buraco. Como todos sabem, o papel das oposições é reforçar o governo, é solidificar suas posições, é garantir que tudo está de acordo com o script…

Notei a coisa na madrugada, mas deixei pra lá. Vejo agora no Estadão Online que acharam a formulação tão boa que ela foi parar na homepage. Sim, leitor, é verdade:. Eles também acham que a notícia está aqui: “Depois de Palocci, PSDB tenta desgastar governo com ‘aloprados’”.

As palavras fazem sentido. Não fosse a intenção da oposição de “desgastar” o governo, o problema não existiria. Ou seja: a edição compra a versão planaltina de que tudo não passa de uma ação artificial dos adversários, uma — como chama o PT, emprestando à expressão caráter negativo — “exploração política” do caso.

Pois é… Que tempos, não? Os editoriais de antigamente do Estadão recorreriam à Primeira Catilinária, de Cícero: “O tempora, o mores!”  (“Oh tempos, oh costumes”). Nos EUA, os republicanos usam o programa de saúde, a crise econômica, o déficit, a intervenção na Líbia, as negociações com o Taliban… Tudo para desgastar o governo! Republicanos são homens maus!!! Também tentam “desgastar” o governo as oposições do Chile, de Portugal, da Espanha, da França, da Itália, da Dinamarca, da Suécia… Até nos países árabes as oposições tentam hoje “desgastar” o governo! Convergem em Alá, mas divergem sobre o resto. Vocês sabem como oposições costumam ser impatrióticas. Mas se comportam com correção na Coréia do Norte e na China.

Oposição que tenta desgastar governo não é notícia, certo? É como o cachorro que mordeu o menino. Se, nessa relação, algo merecer o título, só acontecerá quando o menino morder o cachorro. Ou por outra: no dia em que se puder noticiar que “Oposição usa o ‘Caso X’ para fortalecer o governo”, então estaremos com uma manchete.

Há uma coisa inescapável e irrespondível: esse título do estadão serve para qualquer notícia sobre a oposição; é o que chamo “tíulo-gaveta”; guarda-se qualquer coisa nele:
“PSDB tenta desgastar governo com sigilo em gastos da Copa”:
“PSDB tenta desgastar governo com sigilo de documentos”;
“PSDB tenta desgastar governo com lentidão do Minha Casa, Minha Vida”…

Enfim, escolham aí alguma coisa em que a oposição não concorde com o governo, e se pode dizer que ela está numa tentativa de desgastá-lo… Vênia máxima, isso não é notícia, mas juízo de valor, opinião, e das mais problemáticas, porque sugere que há certa ilegitimidade na ação oposicionista.

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 6:45

Mercadante e os aloprados 1: irrevogavelmente irredimível!

O governo já armou uma operação na Câmara para tentar blindar o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), acusado por Expedito Veloso, um dos aloprados graduados naquela tramóia de 2006, de ser um dos mandantes da lambança. Mais do que isso: ele integraria o grupo encarregado de arrumar o dinheiro para pagar os bandidos encarregados de fazer o dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Quatro anos depois, como vimos, outros aloprados tentaram fazer outro dossiê contra o tucano. Petistas são viciados em ilegalidades; é o ar que respiram; é o que lhes confere identidade. Mas sempre o fazem em benefício do país, claro, claro…

A VEJA teve acesso a uma gravação em que Veloso conta tudo a seus colegas de partido, numa reunião “informal”. Em entrevista à revista, ele confirmou o conteúdo e disse que estava cumprindo uma “missão política”. A reportagem, de seis páginas, está na edição desta semana. Um dos comandantes de tão nobre missão — ATRIBUIR AO ADVERSÁRIO UM CRIME QUE ELE NÃO COMETEU PARA TENTAR VIRAR O RESULTADO DE UMA ELEIÇÃO —, diz Veloso, era… Mercadante!

O agora ministro já emitiu nota, já falou a respeito e usa em seu favor a anulação do seu indiciamento pelo Supremo Tribunal Federal. Curioso que sou, decidi ler o acórdão do Supremo que trata do caso. O indiciamento foi anulado por violação de prerrogativa de foro. Senador que era, só poderia ser processado pelo tribunal.

Embora a dinheirama da bandidagem tenha sido levada ao hotel Ibis por Hamilton Lacerda, seu braço-direito — e o bom senso desconfia de que Lacerda agisse ao arrepio de seu chefe, principal beneficiário da tramóia se ela tivesse dado certo —, a presunção de inocência exige que uma ação penal só tenha início diante de um elemento probatório ou de um indício muito evidente. E o inquérito da Polícia Federal não conseguiu apresentá-los.

Tudo isso aconteceu antes da confissão de Expedito Veloso. Não sei se outra teria sido a decisão dos ministros do Supremo se já contassem com a confissão de Veloso. O fato é que o tribunal NÃO INOCENTOU MERCADANTE COISA NENHUMA! Isso é uma distorção da verdade. Anulou o indiciamento feito pela PF — porque só o STF poderia fazê-lo — e decidiu ele próprio não indiciar porque não viu a apresentação de uma prova. Em suma: Mercadante não poderia ter sido inocentado porque, de fato, não foi investigado.

Em seu estilo habitualmente valentão, o ministro disse que irá à Câmara se for convocado. Os petistas, no entanto, já armaram o circo para derrubar todas as convocações e dizem que não vão permitir “a exploração política do caso”. Heeeiiinnn??? Uma verdadeira quadrilha se junta para incriminar um inocente e, assim, tentar vencer uma eleição que era dada por perdida, e os petistas dizem que não permitirão a “exploração política” do caso?

O destino da turma toda que participou da tramóia revela o grau de envolvimento do partido. Ninguém menos do que o então presidente do PT, Ricardo Berzoini, conhecia a operação. Todas as pessoas envolvidas continuam na legenda — inclusive Expedito Veloso, hoje subsecretário no governo petista do Distrito Federal. Lacerda, o assessor de Mercadante — aquele que teria atuado sem o conhecimento do chefe — está de volta à militância e já pensa em se candidatar.

O petismo desafia toda lógica convencional. Diante da evidência de que Expedito Veloso disse o que disse, confirmando o conteúdo da gravação em entrevista à VEJA, o comando do PT não se ocupou nem mesmo em negar a acusação. Simplesmente decretou o silêncio obsequioso. Veloso agora está proibido de falar.

É assim que Mercadante diz querer chegar à verdade. Nao tem jeito: é irrevogavelmente irredimível!

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 6:41

Mercadante e os aloprados 3 – Ministério Público retoma investigações sobre aloprados

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Procuradoria da República em Mato Grosso pediu que a Polícia Federal (PF) retome as investigações sobre o escândalo do Dossiês dos Aloprados. O procurador Douglas Santos Araújo fez o pedido nesta segunda-feira. O inquérito, que está em poder da Justiça Federal, deve ser devolvido ao Ministério Público. Como o antigo responsável pelo caso, Márcio Lúcio de Avelar, deixou o posto, um novo relator será sorteado.

A Procuradoria foi responsável por investigar o caso dos aloprados em 2006, mas as investigações pararam por falta de novos elementos. Com as revelações de VEJA, o caso foi retomado. Os procuradores não dão detalhes sobre o tipo de diligências solicitadas à Polícia Federal.

Mala
O caso veio à tona Em 2006. Às vésperas do primeiro turno das eleições, a PF prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos ligando o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde.

Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal.

VEJA demonstra que o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. “Era um desabafo dirigido a colegas do partido”, disse. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

21/06/2011

às 6:39

Mercadante e os aloprados 4 – Polícia Federal tem de reabrir inquérito

Leia Editorial do Estadão:

A Polícia Federal (PF) não pode se negar a reabrir o inquérito dos aloprados, agora que chegou à imprensa o desprevenido “desabafo” de um dos acusados de envolvimento com o escândalo. Segundo a revista Veja, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, sem saber que as suas palavras estavam sendo gravadas, disse a interlocutores petistas que o ex-senador e hoje ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não só teve conhecimento, como participou do esquema da compra de documentos destinados a compor um dossiê que incriminaria o tucano José Serra, seu adversário na disputa pelo governo paulista em 2006.

O escândalo dos aloprados tem esse nome porque foi assim que o então presidente Lula se referiu aos petistas presos em um hotel de São Paulo, às vésperas do primeiro turno das eleições, com R$ 1,75 milhão que serviria para pagar as supostas evidências das ligações de Serra com o negociante Luiz Antonio Vedoin, denunciado em outro escândalo que atingiu membros do Congresso Nacional, o da máfia das ambulâncias. Lula não condenou o jogo sujo dos companheiros. Apenas criticou a estupidez com que agiram. Mercadante, como se sabe, perdeu o pleito estadual já no primeiro turno. Por sua vez, não fossem as imagens da dinheirama na televisão, o presidente Lula teria se reelegido (contra Geraldo Alckmin) já na mesma rodada inicial.

O que mais viria a chamar a atenção na história foi a aparente incapacidade da Polícia Federal de esclarecer o caso, de forma a sustentar a abertura de um processo consistente contra os autores e mentores da torpeza. Como lembra a Veja, “a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou 5 prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum”. Mercadante foi indiciado, por ser objetivamente o beneficiário do esquema. Mas o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não encontrou indícios de participação do candidato no episódio. Ao fim e ao cabo, o Supremo Tribunal Federal mandou arquivar o inquérito.

Procurado pela revista, Veloso não a desmentiu. Apenas demonstrou surpresa por alguém ter gravado o que chamou de “desabafo dirigido a colegas do partido”. Os seus motivos, assim como as intenções de quem registrou e repassou o teor da conversa, são obscuros. De todo modo, as suas referências a Mercadante são inequívocas. A ideia da montagem de um dossiê anti-Serra, afirmou, contou com “o conhecimento e a autorização” do petista. Além disso, ele ficou “encarregado de arrecadar parte do dinheiro” para financiar a patifaria. Sempre segundo o inadvertido acusador, Mercadante recorreu ao caixa 2 da campanha – e, principalmente, ao então dirigente do PMDB paulista, Orestes Quércia, falecido no ano passado.

“Os dois fizeram essa parceria, inclusive financeira”, declarou Veloso. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.” O que mais seria preciso para desengavetar a apuração do escândalo? “As investigações sobre os aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas”, argumenta o líder da bancada tucana na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira. “Se havia falta de provas, agora não há mais.” Já no domingo, a oposição anunciou que ingressará com uma representação no Ministério Público Federal e oficiará à Polícia Federal. Pretende também que Mercadante seja convocado a depor numa das comissões da Câmara. Veloso, por seu turno, será convidado a falar.

Em nota, o ministro se disse vítima de “falsas insinuações”, ao ter o seu nome envolvido “em uma suposta trama que teria a ocorrido há 5 anos”. Não se trata de insinuações. Um petista como ele, exercendo uma função no governo do Distrito Federal, deu a companheiros uma versão do ocorrido que o incrimina diretamente. Ele pode ter dito a verdade ou mentido. Mas não renegou as palavras que se sentiu à vontade para pronunciar. De mais a mais, a aloprada tentativa do dossiê antitucano não foi uma suposição, mas um fato. O que tarda é a elucidação das responsabilidades do ministro na vexaminosa história.

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2011

às 18:31

As negativas de Mercadante e o fato novo

Por Lauriberto Braga, no Estadão Online. Volto em seguida:

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira, 20, em Fortaleza, que irá à Câmara dos Deputados caso seja convocado para prestar depoimento sobre a compra de dossiê contra o presidenciável José Serra (PSDB), em 2006. O ministro rebateu a denuncia do bancário Expedito Veloso, publicada na revista Veja desta semana, onde o petista acusa Mercadante de ter encomendado o dossiê.

“Nós tivemos há cinco anos atrás uma Comissão Parlamentar de Inquérito, onde todas as pessoas envolvidas foram ouvidas. Nós tivemos depois uma representação no Tribunal Superior Eleitoral. Eu nunca fui citado em nenhum desses dois momentos”, lembrou o ministro, destacando que “nós tivemos um parecer do procurador-geral da República, dizendo que eu não tinha qualquer indício de participação nesse episódio”.

O ministro lembrou ainda que “teve uma votação unânime no Supremo que me absolveu nesta mesma direção”. Mercadante afirmou que “se as pessoas quiserem voltar a investigar este assunto, eu estou totalmente de acordo”. Ele declarou estar “disposto a participar de qualquer foro, em qualquer momento, em qualquer lugar, para discutir isso ou qualquer tema da minha vida pública”.

Reportagem da revista Veja desta semana trouxe depoimento de Expedito Veloso acusando o ministro de estar por trás da compra de dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB). Mercadante, adversário do tucano, teria contado, segundo o depoimento, com a ajuda do ex-governador Orestes Quércia, que buscaria uma participação em um eventual governo petista.

O episódio ficou conhecido como Dossiê dos Aloprados. Segundo a reportagem, Veloso revelou ainda em seu depoimento que “a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha de Mercadante”.

Comento
É bom saber que o ministro Mercadante está disposto a prestar esclarecimentos. Então é o caso de avisar a base aliada no Congresso para que não impeça a sua convocação para prestar esclarecimentos. Todo mundo já conhecia esses atestados de inocência. Mas ninguém conhecia ainda a confissão do petista Expedito Veloso. É aí que está o busílis, companheiro!

Por Reinaldo Azevedo

20/06/2011

às 16:27

Segundo Lula, Mercadante é culpado. Acompanhem…

Que coisa, não? O ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, tenta fazer crer que não passa de tramóia da oposição ou de conspiradores a afirmação de que ele foi um dos comandantes da ação criminosa dos aloprados. Ora, quem o afirma é um petista bastante graduado: Expedito Veloso. Tão graduado que fazia parte do chamado “grupo de inteligência” da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Tão graduado que, mesmo tendo sido flagrado no imbróglio, foi mantido no Banco do Brasil e até chegou a ser promovido. Tão graduado que saiu de lá a pedido para trabalhar no governo petista do Distrito Federal.

No fim de semana, em encontro com petistas, Lula e José Dirceu voltaram à tecla de sempre: atacar as oposições e a imprensa etc e tal… Pois é! Se uma acusação da oposição se desqualifica por si mesma, uma outra, feita por petista, então é naturalmente qualificada. Se, segundo Lula, não se deve acreditar, por princípio, no que diz um oposicionista, então, igualmente, deve-se acreditar, sempre segundo o Apedeuta, por princípio no que diz um petista.

Logo, a lógica de Lula diz que o imbróglio nem requer mais investigação: Mercadante é culpado. E tem de ser, é evidente, demitido.

Por Reinaldo Azevedo
 

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