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Abílio Diniz

26/10/2010

às 18:37

Uma vigarice de dimensão verdadeiramente histórica! A farsa petista da camiseta dos seqüestradores de Abílio Diniz

Eu continuo um tanto inconformado com o discurso que Marilena Chaui fez ontem na USP. E também me escandalizo com o silêncio que se seguiu. Reproduzo, mais uma vez, trecho de reportagem do Estadão. Volto em seguida:

Diante dos cerca de 2 mil estudantes ali reunidos, Marilena fez uma advertência: ela conclamou todos a usarem a internet, blogs e redes sociais para alertar para o plano dos tucanos de se disfarçarem de petistas e incitarem a violência em um comício de Serra, no dia 29. “Tucanos disfarçados com camisetas e bandeiras do PT vão se infiltrar em um comício do Serra para “tirar sangue” e “culpar o PT”, afirmou a filósofa, que se recusou a dar entrevista, dizendo que “não fala com a mídia”. “Eles querem reeditar o caso Abílio Diniz”, disse Marilena, referindo-se à tentativa de ligar ao PT o sequestro do empresário Abílio Diniz, às vésperas da eleição de 1989.

Voltei
Antes que fale de novo sobre Dona Doida, uma correçãozinha — ou simples esforço de precisão — no texto de Patrícia Campos Mello, do Estadão. Não houve “tentativa” nenhuma de ligar o PT ao seqüestro do hoje lulista radical Abílio Diniz! Nada! Nenhuma! Zero! Essa é mais uma das mentiras influentes que o PT criou para se vitimizar e, assim, poder tiranizar os outros.

Marilena repetiu o que Marta Suplicy dissera no dia 18, referindo-se à agressão de que Serra foi vitima no Rio: “Quando houve o seqüestro do Abílio Diniz, puseram a camiseta do PT nos seqüestradores, e a eleição se perdeu ali”. Marta estava sugerindo, com a profundidade habitual, que, sendo falsa aquela acusação de 1989, atribuir aos petistas a agressão ao tucano seria também uma falsidade. Huuummm… Duas mentiras — e olhem que ela é íntima o bastante de Abílio Diniz, ou foi ao menos, para saber a verdade.

Mentira um – Alguns seqüestradores ligados a movimentos de esquerda na América Latina — inclusive o MIR chileno, que seqüestraria mais tarde Washington Olivetto — usavam mesmo camiseta do PT. Não quer dizer que fossem ligados ao partido. Um deles tinha uma agenda com telefones de petistas: Eduardo Suplicy e Eduardo Greenhalgh, por exemplo. Isso é fato. Não quer dizer, claro, que fossem ligados ao partido. O meu telefone é que eles não teriam, certo?

Mentira dois - a eleição não “se perdeu ali” coisa nenhuma! Já estava perdida. De todo modo, estão todos juntos agora: Lula, Abílio e Collor.

PT adota a bandidagem
O mais curioso nisso tudo, no entanto, é que o mesmo PT que diz ter sido prejudicado por aquele seqüestro se tornou o maior defensor dos seqüestradores. Não é impressionante?

Eduardo Suplicy iniciou uma verdadeira cruzada internacional pela libertação dos bandidos. Por quê? Ora, em seus respectivos depoimentos, eles diziam que o objetivo da ação era conseguir dinheiro para fundar um partido no Brasil. Suplicy queria porque queria que o gesto da canalha fosse reconhecido como “político”. Lula — aquele que supostamente teria perdido a eleição em razão do evento — foi pessoalmente pedir ao já então presidente Fernando Henrique Cardoso, alguns anos depois, que atuasse em favor da liberdade dos seqüestradores. Dizia tê-los perdoado!!! OLHEM QUE FABULOSO: O SEQÜESTRADO ERA DINIZ, AS LEIS VIOLADAS ERAM AS BRASILEIRAS, MAS QUEM ARROGAVA PARA SI O DIREITO DE PERDOAR ERA LULA! Este senhor nunca teve mesmo limites!

Assim, é uma vigarice histórica afirmar que a “ligação” entre o PT e os seqüestradores foi feita por adversários do partido. Não! Noticiaram-se os fatos. É claro que os seqüestradores afirmaram que a Polícia os obrigou a usar as camisetas, depois de tortura. É mesmo? Desculpem a minha ortodoxia: entre a palavra de pilantras que seqüestram outras e a de policiais, que negam o fato, eu fico com a dos policiais. E os petistas? Bem, estes escolheram, como se nota, a versão dos bandidos. Suplicy fez mais do que isso: adotou a causa da rapaziada, tentando tirá-los da cadeia. Vai ver se vingava, à sua maneira e por alguma razão, de Abílio Diniz… A história é sempre feita de motivações coletivas e pessoais.

Agora Dona Doida
Aqui e ali, colunistas isentos ou como um táxi ou como um manual ideológico falam, calculem, sobre a “ódio” que estaria sendo alimentado pela campanha das oposições. É mesmo, é? E o que afirmar sobre a fala de Marilena Chaui? Passado o tumulto eleitoral, seja qual for o resultado, o PSDB estará na obrigação moral de processá-la.  Ela tem de provar o que disse, de apresentar evidências, indícios aos menos. De fato, a liberdade de expressão não compreende a licença de caluniar terceiros sem conseqüências. Ela fale o que quiser, mas tem de arcar com os desdobramentos.

Vejam o tipo de gente que está infiltrada na academia brasileira. Há quanto tempo esta senhora deixou de pensar? Qual é seu entendimento do estado de direito? O que ela sabe sobre acusar sem provas?

Não! Marilena não está numa luta política. Ela, sim, participa de uma guerra santa. E mal esconde seu propósito: seu objetivo é eliminar o inimigo para chegar à vitória final — na cabeça dela, o socialismo, que estaria em construção no Brasil, na América Latina e prestes a contaminar a Europa — onde, diga-se, a esquerda têm sofrido sucessivos reveses. A isso estão expostos os jovens estudantes! Não se fala mais em socialismo nem em Pequim — eles zelam por lá, isto sim, é pela ditadura. Bem, no fim das contas, é que quer Marilena Chaui.

Por Reinaldo Azevedo

 

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