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Abílio Diniz

01/09/2015

às 4:25

Por que não adiantaria juntar FHC, Lula e Temer numa sala e trancar a porta. Ou: O erro do competente Abílio Diniz

Abílio Diniz é, sem dúvida, um empresário admirável e não se cansa de dar mostras disso. Antes que se espalhasse a versão de que perdeu o Pão de Açúcar, ele já presidia o conselho da BRF e era sócio do Carrefour. Tem o seu jeito de fazer as coisas, uma crença inabalável no país e parâmetros gerenciais de altíssima exigência. Mas governar um país, para o bem e para o mal, é diferente de administrar uma organização empresarial. E é claro que ele sabe disso. Se fosse fácil tornar o Brasil tão eficiente como as empresas que ficam sob seu comando, tudo estaria resolvido: bastaria chamar Diniz. Mas não basta.

Nesta segunda, o empresário foi um dos palestrantes do Fórum Exame 2015. Disparou uma frase que dá o que pensar. Afirmou: “Está na hora de os políticos se entenderem. Tem de jogar em uma sala todos os maiores políticos desse país, Lula, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso, trancá-la e não deixar que eles saiam de lá sem um acordo”.

Pois é… A questão é quem vai conseguir reuni-los nesta cela benigna. Infelizmente, as coisas não são bem assim. Noto, de saída, que Diniz — que sabe quem é quem na política — não incluiu Dilma no grupo. FHC estaria lá representando a oposição; Lula, o PT, e Temer, o PMDB. Ocorre que as faculdades e licenças da Presidência, neste momento, estão com Dilma Rousseff.

Os presentes o aplaudiram quando disse tal frase porque é evidente que a crise política a todos angustia. Mas sabem também que isso nem sempre é tão fácil até no mundo empresarial. Como se sabe, caso se prendessem Diniz e Jean-Charles Naouri, presidente do grupo Casino, numa sala, só abrindo quando chegassem a um acordo, não morreriam de fome porque a sede mata primeiro, não é? Também entre empreendedores, há divergências inconciliáveis. Por que seria diferente na política?

É bem verdade que, a exemplo do que aconteceu com o Pão de Açúcar, uma divergência comercial pode ser resolvida com a venda das ações, e cada um vai procurar o que o faz feliz, como fizeram Diniz e Naouri. Com os países, não é assim que se dão as coisas.

Chegou a hora de o empresariado brasileiro perceber que a crise de agora não vai se resolver com um pacto dos senhores da guerra. Não haverá consenso, e Diniz e os demais precisam saber disto, que possa unir FHC, Lula e Temer, que passe pela goela da sociedade.

A crise fiscal que o país vive é a crise de um modelo; é a crise de uma forma de entender o papel do estado; é a crise de uma escolha política que privilegiou os mecanismos de caçar votos e abandonou as exigências técnicas para que o sistema fosse sustentável.

Com todo o respeito que tenho ao empresário Abílio Diniz, muitas vezes bem- sucedido em sua notável trajetória, a sua sugestão é estranha à política e, se me permite, a um valor essencial: o mérito. Lula não merece figurar na plêiade de notáveis porque as dificuldades que estão aí dadas foram paridas em sua mente divinal — Dilma apenas extremou o que já era ruim e estava condenado ao insucesso.

Não só isso: Lula foi e é o líder inconteste de um partido político que erigiu um sistema de administração do estado que não é estranho ao roubo, ao achaque, à propina, à bandalheira, ao compadrio, aos acertos nada republicanos. Se a legenda não tivesse feito dessas práticas um método, teria se corrigido quando o escândalo do mensalão veio à tona.

Ora, não só não se corrigiu como sabemos que os esquemas coexistiram. Pior: há personagens que foram protagonistas das duas lambanças. Lula não tem lições a dar num grupo de notáveis. E a razão é simples: falta a essa reunião imaginada por Diniz uma personagem essencial, que inexiste nas empresas: o povo. Elas têm clientes, que são outra coisa. Estes podem mudar de marca, de supermercado, de serviço quando se desagradam. Mas um povo não pode — e a esmagadora maioria nem quereria — mudar de país.

A forma que a democracia inventou para que isso aconteça é a mudança de governo. Parte da crise que vivemos, Diniz, decorre do fato de que o PT se preparou, no poder, para impedir a alternância. Ainda hoje, quando Lula bravateia a sua volta, ele a anuncia como instrumento para impedir que a oposição vença a eleição. Ora, é claro que é normal um líder partidário querer ganhar uma disputa, torcendo para que seu adversário seja derrotado. O que não é normal é esse líder tratar a eventual vitória do oponente como um retrocesso da democracia.

A reunião imaginada por Diniz não vai acontecer. Antes que algo assim pudesse se dar, seria preciso que Dilma e Lula se reunissem e só abandonassem a sala quando chegassem a um consenso. Afinal, os primeiros sabotadores do ajuste fiscal e os que verdadeiramente pedem a cabeça de Joaquim Levy estão no PT e na CUT.

Tenho tratado amiúde desta questão e quero uma vez mais chamar atenção para ela: existem atores novos na parada. Existe uma nova consciência se formando. O PT passou 12 anos atendendo lobbies os mais diversos, desde que fossem dóceis aos interesses do partido, e instrumentalizando os movimentos sociais, que chamou de “povo”.

Agora, o povo de verdade acordou. Aquele que paga a conta. E esse povo quer o PT fora do poder. Para Lula, na hipótese mais benevolente, sugere a aposentadoria. Na menos, que fale o Pixuleko.

Por Reinaldo Azevedo

26/10/2010

às 18:37

Uma vigarice de dimensão verdadeiramente histórica! A farsa petista da camiseta dos seqüestradores de Abílio Diniz

Eu continuo um tanto inconformado com o discurso que Marilena Chaui fez ontem na USP. E também me escandalizo com o silêncio que se seguiu. Reproduzo, mais uma vez, trecho de reportagem do Estadão. Volto em seguida:

Diante dos cerca de 2 mil estudantes ali reunidos, Marilena fez uma advertência: ela conclamou todos a usarem a internet, blogs e redes sociais para alertar para o plano dos tucanos de se disfarçarem de petistas e incitarem a violência em um comício de Serra, no dia 29. “Tucanos disfarçados com camisetas e bandeiras do PT vão se infiltrar em um comício do Serra para “tirar sangue” e “culpar o PT”, afirmou a filósofa, que se recusou a dar entrevista, dizendo que “não fala com a mídia”. “Eles querem reeditar o caso Abílio Diniz”, disse Marilena, referindo-se à tentativa de ligar ao PT o sequestro do empresário Abílio Diniz, às vésperas da eleição de 1989.

Voltei
Antes que fale de novo sobre Dona Doida, uma correçãozinha — ou simples esforço de precisão — no texto de Patrícia Campos Mello, do Estadão. Não houve “tentativa” nenhuma de ligar o PT ao seqüestro do hoje lulista radical Abílio Diniz! Nada! Nenhuma! Zero! Essa é mais uma das mentiras influentes que o PT criou para se vitimizar e, assim, poder tiranizar os outros.

Marilena repetiu o que Marta Suplicy dissera no dia 18, referindo-se à agressão de que Serra foi vitima no Rio: “Quando houve o seqüestro do Abílio Diniz, puseram a camiseta do PT nos seqüestradores, e a eleição se perdeu ali”. Marta estava sugerindo, com a profundidade habitual, que, sendo falsa aquela acusação de 1989, atribuir aos petistas a agressão ao tucano seria também uma falsidade. Huuummm… Duas mentiras — e olhem que ela é íntima o bastante de Abílio Diniz, ou foi ao menos, para saber a verdade.

Mentira um – Alguns seqüestradores ligados a movimentos de esquerda na América Latina — inclusive o MIR chileno, que seqüestraria mais tarde Washington Olivetto — usavam mesmo camiseta do PT. Não quer dizer que fossem ligados ao partido. Um deles tinha uma agenda com telefones de petistas: Eduardo Suplicy e Eduardo Greenhalgh, por exemplo. Isso é fato. Não quer dizer, claro, que fossem ligados ao partido. O meu telefone é que eles não teriam, certo?

Mentira dois - a eleição não “se perdeu ali” coisa nenhuma! Já estava perdida. De todo modo, estão todos juntos agora: Lula, Abílio e Collor.

PT adota a bandidagem
O mais curioso nisso tudo, no entanto, é que o mesmo PT que diz ter sido prejudicado por aquele seqüestro se tornou o maior defensor dos seqüestradores. Não é impressionante?

Eduardo Suplicy iniciou uma verdadeira cruzada internacional pela libertação dos bandidos. Por quê? Ora, em seus respectivos depoimentos, eles diziam que o objetivo da ação era conseguir dinheiro para fundar um partido no Brasil. Suplicy queria porque queria que o gesto da canalha fosse reconhecido como “político”. Lula — aquele que supostamente teria perdido a eleição em razão do evento — foi pessoalmente pedir ao já então presidente Fernando Henrique Cardoso, alguns anos depois, que atuasse em favor da liberdade dos seqüestradores. Dizia tê-los perdoado!!! OLHEM QUE FABULOSO: O SEQÜESTRADO ERA DINIZ, AS LEIS VIOLADAS ERAM AS BRASILEIRAS, MAS QUEM ARROGAVA PARA SI O DIREITO DE PERDOAR ERA LULA! Este senhor nunca teve mesmo limites!

Assim, é uma vigarice histórica afirmar que a “ligação” entre o PT e os seqüestradores foi feita por adversários do partido. Não! Noticiaram-se os fatos. É claro que os seqüestradores afirmaram que a Polícia os obrigou a usar as camisetas, depois de tortura. É mesmo? Desculpem a minha ortodoxia: entre a palavra de pilantras que seqüestram outras e a de policiais, que negam o fato, eu fico com a dos policiais. E os petistas? Bem, estes escolheram, como se nota, a versão dos bandidos. Suplicy fez mais do que isso: adotou a causa da rapaziada, tentando tirá-los da cadeia. Vai ver se vingava, à sua maneira e por alguma razão, de Abílio Diniz… A história é sempre feita de motivações coletivas e pessoais.

Agora Dona Doida
Aqui e ali, colunistas isentos ou como um táxi ou como um manual ideológico falam, calculem, sobre a “ódio” que estaria sendo alimentado pela campanha das oposições. É mesmo, é? E o que afirmar sobre a fala de Marilena Chaui? Passado o tumulto eleitoral, seja qual for o resultado, o PSDB estará na obrigação moral de processá-la.  Ela tem de provar o que disse, de apresentar evidências, indícios aos menos. De fato, a liberdade de expressão não compreende a licença de caluniar terceiros sem conseqüências. Ela fale o que quiser, mas tem de arcar com os desdobramentos.

Vejam o tipo de gente que está infiltrada na academia brasileira. Há quanto tempo esta senhora deixou de pensar? Qual é seu entendimento do estado de direito? O que ela sabe sobre acusar sem provas?

Não! Marilena não está numa luta política. Ela, sim, participa de uma guerra santa. E mal esconde seu propósito: seu objetivo é eliminar o inimigo para chegar à vitória final — na cabeça dela, o socialismo, que estaria em construção no Brasil, na América Latina e prestes a contaminar a Europa — onde, diga-se, a esquerda têm sofrido sucessivos reveses. A isso estão expostos os jovens estudantes! Não se fala mais em socialismo nem em Pequim — eles zelam por lá, isto sim, é pela ditadura. Bem, no fim das contas, é que quer Marilena Chaui.

Por Reinaldo Azevedo

 

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