Sem Lula, tanto o governo como o PT vivem momento de desarticulação. Ou: Dilma toca mal o “feudalismo de coalizão”

O ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, homem de Lula no Planalto e figura mais influente no PT depois do ex-presidente, admitiu que o governo enfrenta dificuldades políticas. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto depois: Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto […]

O ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, homem de Lula no Planalto e figura mais influente no PT depois do ex-presidente, admitiu que o governo enfrenta dificuldades políticas. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto depois:

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu nesta quinta-feira que o Palácio do Planalto vive um “momento tenso” na relação com a base aliada. O governo sofreu sua primeira derrota no ano no Congresso Nacional, nesta quarta-feira, com a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo à direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por 36 votos contrários e 31 favoráveis. O movimento foi liderado pelo PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer – que, inclusive, foi chamado às pressas pela presidente para uma reunião emergencial no Planalto nesta quinta.

A articulação da base ocorreu mesmo depois de a presidente mandar liberar verbas na tentativa de agradar aliados insatisfeitos com o controle sobre gastos dos ministérios e com o aperto na liberação de emendas dos parlamentares. “As nossas relações com os partidos são duráveis, passam por momentos tensos, por momentos mais calmos”, disse Carvalho, após participar de seminário em Brasília. Questionado se esse era um dos momentos tensos, respondeu: “É um momento tenso, mas vamos dialogar, vamos conversar, vamos nos entender. Não é hora de nenhuma declaração precipitada, é hora de entender que a democracia implica em vitória, derrota e vamos avançando.”

Preocupação
Para o ministro, a relação do governo com os partidos da base aliada é “suficientemente madura” e “bem fundamentada” para a “gente não sair rasgando as roupas de preocupação”. “A gente vai com calma, conversar e recompor essa relação”, disse Carvalho.

Voltei
A rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, que foi articulada pelo PMDB, indica as dificuldades do governo Dilma — e do próprio PT — sem a gerência de Lula. O PMDB é o que é, e o PT sabia muito bem com quem estava se casando. Notem que o partido não viu nada de errado em aplicar uma derrota a Dilma quando o país, para todos os efeitos, estava sob o comando de Michel Temer. O vice-presidente da República, de uma maneira muito particular, não deixa de ser o único “oposicionista” que realmente preocupa o Planalto.

Mas por que a insatisfação? Reitero: o PMDB é o que é, mas até alguns petistas admitem que o estilo Dilma é mesmo exasperante. Lula lidava melhor com o “feudalismo de coalizão” que é a República brasileira, do que a sua sucessora. Em muitos aspectos, era mais parecido com FHC. Seus ministros tinham mais liberdade para agir. No limite, ele ajeitava tudo com uma piada, uma batatada qualquer, todos riam, e ficava por isso mesmo. Também operava com mais dinheiro no caixa.

Dilma, de fato, dizem seus apologistas em tom de elogio, quer saber de tudo. Só que tem dificuldade para decidir. O PMDB tem nas mãos ministérios fortes, mas não consegue aparecer, implementar programas que lhe permitam chegar adequadamente à clientela. Não raro, há um segundo escalão petista na pasta que trava tudo. Somam-se a isso dificuldades que o partido vem enfrentando para formar palanques municipais. O PT está disposto a tomar muitas cidades de seu “parceiro”.

Estivesse Lula na ativa, como antes, tudo seria resolvido no “governo paralelo”. Mas ele, efetivamente, não está em condições de atuar. Ainda que venha a ter alta nos próximos dias, não é e não será o mesmo. O governo se ressente disso. E, se querem saber, o partido também. A pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo enfrenta algumas dificuldades. O que deveria ser um pré-lançamento retumbante começa a se parecer com um balão murcho.

Vivem todos à espera da volta do “chefe”. É claro que ele vai voltar — com que ânimo, é o que se verá. Uma coisa é certa, sem Lula, o governo desfalece, e o PT começa a bater biela.

Novos líderes
Dia desses, alguns “inteliquituais independentes” que querem Haddad na Prefeitura apontavam a falta de renovação no PSDB… Pois é! Vejam o caso do PT. Já lideraram os tucanos, em vários momentos, Franco Montoro, Sérgio Motta, Mário Covas, FHC, Alckmin, Serra… No PT, há 32 anos, existe um único líder, uma única voz, um único senhor, uma única orientação, uma única cabeça, uma só vontade: LULA! Tem sido importante para garantir a unidade do partido, que lhe deu musculatura para ser o que é hoje. Mas já deu pra perceber o que acontece na sua ausência.

Eu diria que o PT precisa se renovar. Quer dizer, não precisa, não — se é que me entendem…

Sem Lula, o “feudalismo de coalizão” vira “baguncismo de colisão”.

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