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PF interceptou telefonemas de Gilmar Mendes e de Temer

Autorizações judiciais foram obtidas para grampear Rodrigo Loures e Aécio Neves, mas em diálogos as outras autoridades foram gravadas.

Na Folha:

Com ordens judiciais emitidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na Operação Patmos, a Polícia Federal interceptou pelo menos uma conversa telefônica entre o presidente Michel Temer e seu ex-assessor e homem de confiança, o atual deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR).

No diálogo, Temer conversa com Loures sobre de uma expectativa que o deputado federal tinha a respeito de novas regras para o setor de portos.

A conversa, ocorrida no último dia 4, foi transcrita pela Polícia Federal nos autos da Patmos. Loures consegue falar com Temer a partir de um telefone celular em poder de um assessor de Temer. Ele repassa o aparelho para o presidente da República.

Loures disse que pretendia “só fazer uma consulta”. Segundo o deputado, havia chegado a informação do senador Wellington Fagundes que “já teria sido assinado o decreto dos Portos, não sei se é verdade ou não”. O senador estava preocupado pois teria agendado uma reunião sobre o assunto com o ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Temer corrigiu: “Não foi não”. O presidente o orientou a falar com o Padilha e confidenciou: “Aquela coisa dos setenta anos lá para todo mundo parece que está acertando aquilo lá”.

Na semana da interceptação, o governo federal estudava conceder, por meio de um decreto, um prazo de 70 para empresas arrendatárias de áreas de portos.

GILMAR E AÉCIO

Outra ligação interceptada ocorreu entre o ministro do STF Gilmar Mendes e o senador Aécio Neves (PSDB).

Segundo o relatório policial sobre essa conversa, ocorrida no dia 26 de abril, Aécio “pediu ao ministro [Mendes] para que telefonasse para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-AM). Neste diálogo, o senador investigado [Aécio] pede que o magistrado converse com Flexa Ribeiro para que este siga a orientação de voto proposta por Aécio”. A referência é a votação do projeto que tratava de “abuso de autoridade” em discussão no Congresso Nacional.

Em resposta ao pedido de Aécio, o ministro do STF respondeu: “O Flexa, tá bom, eu falo com ele”. Aécio explica que Flexa “é o outro titular da comissão, somos três, sabe?”

Mendes confirma que falou sobre o assunto com outro senador, Anastasia (PSDB-MG). “Eu falei… eu falei com o Anastasia e falei com o Tasso. Tasso não é da comissão, mas o Anastasia…”

Aécio pede que o ministro do STF fale com Flexa sobre “a importância disso”. O senador mineiro disse que o ministro do STF deveria afirmar a Flexa para “acompanhar a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena”.

“Eu falo com ele… eu ligo pra ele… eu ligo para ele agora”, respondeu o ministro do STF.

Segundo a Polícia Federal, no mesmo dia da ligação telefônica o plenário do Senado aprovou o substitutivo do senador Roberto Requião (PMDB-PR) ao projeto que altera a definição dos crimes de abuso de autoridade.

A investigação também interceptou duas ligações telefônicas entre Aécio e o próprio diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Na primeira conversa, Aécio fala sobre o depoimento dele que estava marcado na Operação Lava Jato, e que depois seria adiado por decisão do ministro do STF Gilmar Mendes.

Numa segunda ligação, Aécio pede um espaço na agenda de Daiello para “falar sobre a previdência”, assunto em discussão no Congresso.

Os documentos revelam que os aparelhos telefônicos de Aécio e de Loures estavam sob interceptação judicial -ou seja, os grampos não ocorreram nos telefones de Gilmar Mendes e de Michel Temer. No juridiquês, são provas coletadas de “forma fortuita”.

O mesmo ocorreu no caso da ligação para Daiello.

Relatórios sobre essas ligações constam de documentos liberados por ordem do ministro do STF Edson Fachin nesta sexta-feira (19).

 

Comentários
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  1. Marcelo Rosa Melo

    E os pobres continuam mais pobres, com a perpetuação da crise política, alimentada pelo MPF e a PF, sob o comando PGR.

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  2. Jorge Ribeiro Ribeiro

    E dai? Me parece que não há nada relevante nessas conversas.

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  3. Paulo Corrêa de Araújo

    O que Temer tem que fazer agora, com o poder quer ainda ostenta, é mandar fazer análise de toda conversa telefônica que tenha havido em Brasilia nesses últimos anos, e aí haverá possibilidade de saber de muito papo criminoso entre muita gente graúda.

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  4. Ricardo Andreucci

    A justiça deve desmoralizar Janot e Fachin por considerar prova uma gravaçao ilegal, sem autorizaçao do STF e ainda por cima, totalmente editada. A conspiraçao é evidente. Os dois devem ser impichados, por fraude processual.

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  5. João Cavalcante

    Fica evidente agora o porque os Batista foram autorizados para deixar o país. Não deveriam estar presos como o Marcelo Odebrecht ? E agora parece que empresa nem pagou os R$ 11 bi do acordo. Podemos estar presenciando o fim da lava jato.

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  6. Eu sabia que era uma questão de tempo para que todos fossem tragados por essa avacalhação que é a administração pública brasileira. No Brasil não tem 1° mundo. No Brasil não tem excelência. Será que na Alemanha, por exemplo, se o PGR mandasse para o Supremo deles uma gravação adulterada ele permaneceria no cargo?

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  7. Fernando Pacífico Figueiredo

    Parabéns, caro Reinaldo, pela sua coerência! Da mesma forma como você andou defendendo o maior ladrão da República e sua corja, pelo que tem recebido pancada de todo lado, defende agora o governo, ou seja, defende a legalidade das ações e respeito à lei e à Constituição! O Brasil que presta está com você! Parabéns!

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  8. Roberto Machado de Assis

    Uma gigantesca conspiração começada na PR.

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