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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

MINISTRO DO TSE QUE REJEITOU AÇÃO DAS OPOSIÇÕES É CHAPA DE ERENICE GUERRA, O OUTRO BRAÇO ESQUERDO DE DILMA. UM VÍDEO ILUMINA A SUA DECISÃO

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 7:09

O Tribunal Superior Eleitoral recusou, como viram, a representação das oposições contra a candidata Dilma Rousseff e o presidente Lula por campanha eleitoral antecipada. Como vocês se lembram, no dia 21, escrevi aqui o texto TSE PODE MUITO CONTRA QUEM PODE POUCO; CONTINUARÁ A PODER POUCO CONTRA QUEM PODE MUITO? Pois é… E quem foi que deu o “arquive-se”? O ministro auxiliar do TSE Joelson Dias.

Joelson Dias tem um currículo para 800 talheres. A gente corre o risco de ficar mais inteligente só de ler. Vejam vocês mesmos. Volto em seguida:

Mestre em Direito pela Universidade Harvard. Sócio de Barbosa & Dias Advogados Associados. Ministra cursos de Direito Eleitoral promovidos pela Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil, Seções do Distrito Federal (OAB-DF) e Sergipe (OAB-SE), pelo Instituto dos Magistrados do Distrito Federal (IMAG-DF) e pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Ministrou a disciplina “Direitos das Minorias” em 1999 e revisão sobre “Direitos Humanos na América Latina”, em 2000, no Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos promovido pela Universidade de Brasília, Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e Universidade de Essex, Inglaterra; e a disciplina “Teoria Geral do Processo” durante o curso de treinamento dos integrantes do Poder Judiciário do Timor Leste, promovido pelo International Development Law Institute (IDLI) com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi Conselheiro Titular e representante do Conselho Federal da OAB no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - CONADE (2004-2008). É Secretário da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB. Participou da 7ª. Sessão do Comitê Especial da ONU que elaborou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006). Atuou no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (1997), na Missão Civil Internacional das Nações Unidas e Organização dos Estados Americanos no Haiti (1993-1994). Fluente em inglês, francês, espanhol e creole haitiano. Nível intermediário em italiano.

Ufa! Com tudo isso, ele certamente entende português e está apto a analisar o conteúdo das falas de Dilma e Lula que estão no vídeo abaixo - inclusive aquela na cidade de Jenipapo, que motivou a representação movida pelas oposições. Se Luila tivesse falado em creole, Joelson entenderia. Vejam o vídeo abaixo ou continuem a leitura e depois voltem a ele.

Voltei
Pois bem. Agora leiam uma nota publicada no dia 6 de abril do ano passado no blog do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Comento em seguida:

Erenice Guerra, o braço direito da ministra Dilma Rousseff na Casa Civil da presidência da República (envolvida na elaboração do dossiê anti-FHC), emplacou Joelson Dias, seu ex-sócio em um escritório de advocacia, como novo ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele tomará posse no próximo dia 16. O Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ter encaminhado para a escolha de Lula uma lista com os nomes dos advogados Admar Gonzaga, Alberto Pavi e de um terceiro. O de Gonzaga, que constara de listas anteriores, evaporou-se. Ele advogou várias vezes para o DEM. Pavi passou a encabeçar a lista. Que foi completada com Evandro Pertence, filho do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, e Joelson. Lula mandou às favas o costume que respeitou nos últimos seis anos de nomear o cabeça de lista.

Comento e encerro
Que Joelson tenha formação intelectual para ser ministro do TSE, bem, isso parece fora de dúvida, não é mesmo? Já a ligação com Erenice Guerra complica um pouco as coisas, uma vez que é patente que ela quase é aquilo que está no texto do senador. Eu digo “quase” porque não acho que ela seja “braço direito de Dilma”. Acho que ela é outro braço esquerdo. Isto: Dilma tem dois braços esquerdos. Quando faz omelete, então…

Não estou afirmando, claro, que essa ligação o impede de entender língua portuguesa, mesmo quando é a língua de Lula, mesmo quando é a língua de Dilma. Mas eis um caso em que o melhor teria sido declara-se impedido. Afinal, convenham: as pessoas acabam desconfiando de que falta isenção ao TSE, não é?, ainda que isso seja de uma injustiça danada.

E é evidente que sempre resta uma curiosidade: se o que vai naquele vídeo não é campanha eleitoral, o que será? Acho que estão se confirmando as piores expectativas sobre o TSE, verdugo de governadores e prefeitos. Mais do que isso: foi até eleitor único de mandatários, que assumiram governos sem terem sido eleitos para isso. Ayres Britto quase fez poesia a respeito dessa prática democrática que consiste em conceder mandato por decisões cartoriais.

A propósito: há poucos dias, Gilmar Mendes, presidente do STF, lembrou o rigor do TSE com prefeitos e governadores e expressou o desejo de ver triunfar os mesmos critérios em qualquer caso. Britto respondeu que o TSE era imune a pressões etc e tal. Achei que a fala tinha exalado um cheiro ruim.

Talvez o TSE devesse se deixar pressionar ao menos pelo decoro.

PS: Sejam espertos; não enviem comentários que vocês sabem que não serão publicados… Não preciso desenhar, não é, caras e caros?

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Por Reinaldo Azevedo

COMO STÁLIN, DILMA QUEBRA OS OVOS, MAS NÃO FAZ A OMELETE

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 7:07

Eu andei cuidando esses dois dias do futuro do nosso blog e acabei não comentando a Maravilhosa Cozinha de Dilma Rousseff, que foi ao programa Superpop, da Rede TV, comandado por Luciana Gimenez… Vi na Internet agora há pouco. É, essa profissão não é fácil às vezes. Ora fiquei entediado, ora gargalhei. Palmirinha é que deve ter ficado indignada. Ofélia, lá no céu, vai acabar mandando a Dilma um pito, por meio da caixa  de mensagens de Elio Gaspari.

Atribui-se a Stálin, que já foi ídolo da ministra Dilma (desconfio que  seja ainda), a frase “Não se faz omelete sem quebrar ovos”. Huuummm… Não foi o bigodudo homicida que disse isso, mas Nadejda Mándelstam, mulher do poeta Ossip Mándelstam. Ela empregou a metáfora para definir os métodos do tirano. Queria dizer com isso que, para ele, não havia limites quando se tratava de fazer o que queria. No contexto, referia-se à sem-cerimônia com que ele mandava matar — sempre “com a desculpa de que construíamos um notável mundo novo”. Coisa de comuna, vocês sabem. Ossip estava entre os 35 milhões (!!!) de mortos.

Pois é… Se Nadejda tivesse de definir Dilma, diria: “Essa daí quebra os ovos como Stálin, mas não consegue fazer a omelete”.  A coisa não deu certo. Virou ovo mexido, metáfora perfeita do discurso da petista. É claro que ela é uma candidata fortíssima porque, afinal, é a “criatura eleitoral” de Lula e porque nunca se usou a máquina de modo tão desavergonhado para fazer campanha. Só o ministro Joelson Dias não percebeu. E não que Dilma não fale uma língua parecida com creole, que ele domina bem…

A “criatura eleitoral” é forte, mas Dilma é fraca. Diante de uma pergunta dura, incisiva, daquelas que encaixam no fígado, como a que lhe fez Kennedy Alencar — “Na condição de brasileira e de pessoa que ocupa uma das funções mais importantes do governo (…), qual deve ser a principal tarefa do próximo presidente da República?” — ela… hesitou.

Eu fico chateado quando o jornalismo é assim tão duro, quase agressivo. É uma questão de tirar o fôlego, certo? E, por isso mesmo,  Dilma titubeou. O texto quase não sai. Entre anacolutos e sujeitos perseguindo verbos, às vezes sem sucesso, ela conseguiu dizer: “É a educação; é garantir que a nossa capacidade produtiva transforme… Crie produtos… Aplicação do nosso cérebro às coisas em geral (!?!?!?), vamos dizer assim, transformando isso em bens, exportando, produzindo para nós. Mas nos temos de apostar em nós mesmos, no povo desse país, que é a grande riqueza”.

Eu gostei especialmente da “aplicação do cérebro às coisas em geral”. Estourar bolhinhas de ar daquele plástico de embalagem, por exemplo, é uma “aplicação do cérebro às coisas em geral, vamos dizer assim”, certo? Eu, se começo a fazer aquilo, vou até a última bolha!!! Terminada a operação, recomeço para ver se sobrou alguma bolhinha petralha, que escapou do meu cerco…

Como diz o melhor jornalista da Rede TV, que é aquele senhorzinho simpático que aparece no Pânico, “Eu num intindi u qui ela falôoo”. É ruim demais! O problema de Dilma é que ela tenta adaptar o seu discurso, uma colcha de retalhos de clichês tecnocráticos, àquela fala simples e popular de Lula. E resulta naquele troço desengonçado, todo revirado e de forma irregular, como os seus ovos mexidos.

Enchente
E, claro, ela resolveu “surfar na desgraça dos paulistas” (ver posts sobre a edição desta semana de VEJA) e fazer exploração eleitoreira das chuvas em São Paulo. Afirmou que o governo federal repassou ao estado R$ 1,1 bilhão para obras contra enchentes e R$ 6 bilhões para o país. BEM, A INFORMAÇÃO É TÃO VERDADEIRA QUANTO O CURRÍCULO DE DILMA ROUSSEFF E SEUS TALENTOS CULINÁRIOS.

O deputado Mendes Thame divulgou uma nota desmoralizando a afirmação. POR QUE A NOTA DELE É VERDADEIRA, E A FALA DELA É FALSA? Porque as informações de Thame estão amparadas nos números do Siafi, e as de Dilma estão baseadas nos seus dotes de cozinheira de mistificações. Trecho da nota:

Para se ter uma idéia, o governo federal gastou, em 2009, apenas 21% da dotação orçamentária do Programa de Prevenção a Desastres: de uma dotação original de R$ 646,6 milhões, foram gastos só R$ 135 milhões em todo o Brasil. Em 2008, a execução havia sido ainda pior: 18% - de R$ 616,5 milhões, apenas R$ 112,6 milhões foram gastos naquele ano.
Dos recursos gastos pela União em 2009 na prevenção de enchentes, muito pouco teve como destino o estado de São Paulo: apenas R$ 4,9 milhões, ou menos de 4% do total. Em comparação, o Estado da Bahia recebeu R$ 65,3 milhões, e Mato Grosso, R$ 25,9 milhões.

O governo não contestou porque não tem como contestar.

Marmita
A pergunta de Kennedy Alencar foi um grande momento do programa, mas foi só o segundo melhor. Luciana Gimenez está no topo. Sugeriu a Dilma,  e esta tentou afetar entusiasmo com a idéia, que leve marmita para o trabalho com comidas saudáveis. E mandou ver: “Eu acho que o Lula também devia usar marmita”.

Cai o pano!

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 1 - CARTA AO LEITOR - O tempo e a política

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:59

Mario Angelo/AE
Bombeiros em ação em São Paulo: o castigo das águas foi o pior dos últimos 63 anos

Muitos historiadores sustentam que a Revolução Francesa de 1789, apesar de todas as iniquidades do regime monárquico, não teria eclodido sem a sequência cruel de invernos rigorosos e longos que arruinou as plantações de trigo, levando os pobres à inanição epidêmica. Também se atribui ao drástico desequilíbrio climático de meados dos anos 1840 a eclosão de uma onda de sangrentas insurreições populares que varreu quase todo o continente europeu. Chuvas e geadas inclementes intercaladas abriram caminho para a proliferação de uma praga que dizimou as plantações de batata, então a única fonte disponível de calorias em larga escala. Da penúria resultaram uma mortandade e um êxodo sem iguais na história da humanidade. Só na Irlanda, 2 milhões de habitantes - um em cada quatro - morreram ou emigraram.

Uma reportagem desta edição de VEJA investiga as causas meteorológicas do dilúvio que se abate sobre o Sul e o Sudeste brasileiros. Com especial ferocidade, as águas castigaram São Paulo, a maior cidade do Hemisfério Sul, motor econômico que produz 12% do PIB do Brasil. Desde 23 de dezembro passado choveu todos os dias em São Paulo. As nuvens derramaram sobre seus moradores uma quantidade de água que não se registrava havia 63 anos. A reportagem reflete sobre o inevitável custo político dos efeitos catastróficos trazidos pelo dilúvio. A exploração eleitoral das enchentes em São Paulo é desde já uma das estratégias declaradas pelos partidários da candidata governista em sua disputa com José Serra, governador de São Paulo. Não há dúvida de que hoje os governos são mais eficientes e democráticos e os eleitores mais atendidos e menos manipuláveis do que as legiões de miseráveis franceses de 1789 e dos carbonários pauperizados da Europa de 1840. Mas é a mesma a revolta das pessoas diante do sofrimento provocado pela devastação das águas.

O que fazer? Ao poder público resta atender com presteza cada uma das vítimas e cuidar para que elas tenham condições materiais e emocionais de retomar quanto antes sua vida produtiva. Cabe também fazer planos e obras para tentar garantir que na próxima estação das chuvas a única surpresa seja todos estarem preparados para evitar o pior.

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 2 - Dilúvio… 45ºdia

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:57

Por Okky de Souza:
Há um mês e meio, os 11 milhões de habitantes de São Paulo vivem um drama que parece não ter fim - nem solução. Diariamente, a cidade é castigada por temporais intensos, que duram em torno de duas horas e instauram o caos. A chuva causa congestionamentos monstruosos no trânsito, deixa bairros inteiros alagados e sem eletricidade, derruba casas e árvores e, até a sexta-feira passada, havia provocado a morte de 14 pessoas, carregadas pela enxurrada, vítimas de desabamentos ou queda de árvores. Em janeiro, o volume de água que se abateu sobre São Paulo foi de 480,5 milímetros. Isso representa o dobro da média histórica de janeiro e o maior volume registrado desde 1947 nesse mesmo mês. São Paulo é o epicentro das chuvas torrenciais que atingiram também outras áreas do Sul e do Sudeste do país. São Luiz do Paraitinga, cidade paulista no alto da Serra do Mar, foi devastada por uma enchente que destruiu dezenas de construções do século XVII tombadas pelo patrimônio histórico. Também no interior paulista, Campinas, Sorocaba, São José do Rio Preto e Atibaia sofreram com os temporais. Em Angra dos Reis, no estado do Rio, deslizamentos de terra causados pela chuva no Ano-Novo soterraram casas e mataram 53 pessoas. Deu-se o recorde de extensão de deslizamentos em encostas de mata preservada na história da cidade. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 3 - PT SURFA NA DESGRAÇA DOS PAULISTAS

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:55

Em meio ao caos provocado pelas chuvas, dirigentes do PT tentam converter a tragédia dos paulistas em trunfo eleitoral da ministra Dilma Rousseff


Vinícius Segalla

Carlo Wrede/Ag. O Dia/AE
Moderação
Lula isentou o governador José Serra de culpa pelas inundações. O PT fez o inverso

É inevitável que os políticos tentem tirar proveito eleitoral de catástrofes naturais - e é justamente isso que os petistas estão fazendo no caso das tempestades que castigam São Paulo. Há duas semanas, usam as enchentes que assolam a capital do estado para fustigar o prefeito democrata Gilberto Kassab e o governador do estado, José Serra, do PSDB, que deve disputar a Presidência da República contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Os petistas desferiram os primeiros ataques em 25 de janeiro, dia do aniversário da cidade de São Paulo. Ao receber uma comenda paulistana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou Gilberto Kassab e José Serra a se unirem ao governo federal em um programa para mitigar os efeitos das chuvas e evitar inundações. Lula eximiu os dois governantes oposicionistas de responsabilidade sobre os danos causados pelos temporais. “Não é culpa do prefeito, do governador ou do presidente individualmente”, reconheceu. Lula voltou ao assunto na última quarta-feira. Ao inaugurar um gasoduto da Petrobras no Rio de Janeiro, disse que é preciso investir para resolver os problemas decorrentes dos alagamentos. “Estamos fazendo um processo de reparação da irresponsabilidade daqueles que governaram vinte, trinta anos atrás. E não é partido de direita, não. São partidos de direita, de centro e de esquerda. Isso envolve todos os partidos”, afirmou o presidente.

Os dirigentes petistas interpretaram essas declarações ponderadas como uma permissão para surfar na desgraça dos paulistas. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 4 - POR QUE CHOVE TANTO

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:53

Clique na imagem para ampliar o quadro

por-que-chove-sem-parar

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 5 - O Itamaraty de joelhos para as ditaduras

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:51

A análise das notas oficiais do Itamaraty durante o governo Lula mostra subserviência aos interesses de Chávez e desrespeito a princípios universais


Diogo Schelp

Crédito
UM PESO, DUAS MEDIDAS
As notas do Itamaraty condenam a prisão da birmanesa Aung San Suu Kyi, mas ignoram a de Raúl Baduel (à dir. ). As posições brasileiras sobre questões regionais parecem emanar diretamente de Chávez (ao lado, entre Lula e Celso Amorim)

Na Venezuela, há quarenta cidadãos presos apenas por discordar de Hugo Chávez. Um deles é Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa, que rompeu com Chávez por se opor aos planos do tirano de se perpetuar no poder. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil nunca emitiu uma única nota de repúdio à prisão de Baduel. Desde que Lula assumiu a Presidência, há sete anos, o Itamaraty mantém silêncio a respeito das medidas autoritárias na Venezuela. Outros países recebem um tratamento diferente. A diplomacia brasileira, por exemplo, divulgou três notas criticando a repressão política em Mianmar, na Ásia, duas delas contra a prisão domiciliar da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. O que motivou a posição desigual nos casos de Baduel e da dissidente birmanesa e em outros temas externos? Se fosse para defender os interesses nacionais do Brasil, o correto seria manter-se fiel aos princípios que norteiam as relações exteriores desde a promulgação da Constituição de 1988 - entre os quais a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos. “Contudo, o que tem orientado a diplomacia brasileira nos últimos anos são as posições ideológicas do partido que está no poder”, diz Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington. “Com isso, o Itamaraty trocou uma política de estado por uma política partidária.” A primeira interessava ao Brasil. A segunda, ao PT. A primeira obedece a princípios. A segunda, a bandeiras partidárias. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 6 - Quebrando ovos no TSE

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:49

É o equivalente culinário de fazer campanha eleitoral sem parecer que está pedindo votos. Orientada pelo chef Lula, Dilma vai cozinhando o TSE e subindo nas pesquisas


Gustavo Ribeiro

A CAMPANHA NA TV
A ministra Dilma Rousseff tenta fazer uma omelete no programa de Luciana Gimenez

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula na sucessão presidencial, participou na semana passada do programa Superpop, da Rede TV!, apresentado pela magnética Luciana Gimenez. O ponto alto foi televisionado de uma cozinha improvisada nos bastidores, onde a ministra se propôs a fazer uma omelete. “Se não der certo, você ajeita”, disse a ministra. Não deu. Saiu um prato de ovos mexidos. Dilma colocou a culpa na panela. “Tem que ter Tefal”, disse ela, referindo-se ao revestimento antiaderente, marca registrada da empresa francesa SEB. A conversa continuou no palco, diante da audiência predominantemente feminina do programa. Daquele momento em diante, Dilma fez omeletes sem quebrar ovos, prato típico do político com cargo no Executivo e que não pode perder uma chance daquelas de fazer campanha fingindo não estar pedindo votos. Foi um show de culinária política. Jornalistas amestrados eram chamados no monitor com o objetivo de levantar a bola para a ministra cortar. Ela aproveitou todas as deixas. Saiu aplaudida e feliz de ter tido a oportunidade de se mostrar “gente como a gente”, nas próprias palavras dela.

Nos últimos meses, fazendo de conta que não é o que todo mundo sabe que ela é, Dilma trocou definitivamente os terninhos de ministra pelo figurino de candidata. Fora da cozinha, em eventos em que aparece sempre ao lado do presidente Lula, a ministra tem conseguido tocar sua campanha à Presidência da República sem o menor constrangimento legal e sem chamar a atenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os partidos de oposição vêm tentando, sem sucesso, configurar as aparições da candidata à sucessão de Lula como sendo campanha eleitoral antecipada. As reclamações ao TSE são feitas caso a caso. E, uma a uma, elas têm sido indeferidas. Na sexta-feira passada, o ministro auxiliar do TSE Joelson Dias julgou mais uma dessas queixas e decidiu a favor do governo. O magistrado entendeu que nos discursos de Lula, na presença de Dilma, durante as inaugurações da Barragem Setúbal, em Jenipapo, e do câmpus de Araçuaí, ambas em Minas Gerais, não houve “manifestações de apoio a nenhum eventual candidato, menção a candidaturas ou pedido de voto”. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 7 - Cem anos de adulação

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:47

Os bastidores da amizade entre Fidel Castro e Gabriel García Márquez ajudam a explicar de onde vem o fascínio de intelectuais pelo autoritarismo de esquerda


Diogo Schelp

Fotos Jose Gotia/AP e Bettmann/Corbis/Latinstock

QUEM COCHICHA O RABO ESPICHA
García Márquez e Fidel trocam confidências em Havana, em 2002. Em seu romance sobre Simón Bolívar (à dir.), o escritor homenageou o ditador cubano

A história da amizade entre o colombiano Gabriel García Márquez, de 82 anos, e o ditador cubano Fidel Castro, de 83, é uma fábula cujo fio condutor é o interesse mútuo, apesar de Castro dizer que o escritor é o seu melhor - e provavelmente único - companheiro do peito, e de García Márquez já ter afirmado que, se o barbudo morrer, não suportará visitar Cuba sem tê-lo por perto. Por trás das constantes trocas de mensagens afetuosas, Fidel aproveita-se do prestígio literário do colombiano para fazer propaganda do regime autoritário que personifica e tentar preservar sua imagem no exterior. García Márquez vale-se da intimidade com o ditador para exercer sua obsessão pelo poder e desfrutar vantagens materiais. Alguns aspectos dessa amizade são descritos na biografia Gabriel García Márquez - Uma Vida, do inglês Gerald Martin, que a Ediouro lança em março no Brasil. Como o próprio Martin é amigo do biografado e dele obteve a autorização para escrever o livro, não se poderia esperar mais do que uma narrativa acrítica e branda sobre o vínculo entre o escritor e o ditador. Uma versão mais honesta dessa relação é apresentada pelo espanhol Ángel Esteban e pela belga Stéphanie Panichelli no livro Gabriel García Márquez e Fidel Castro - Os Segredos de uma Amizade, recém-lançado nos Estados Unidos e publicado em Portugal pela editora Ambar. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 8 - Diogo: A era do cacarejo

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 6:45

Rimbaud espancava Verlaine. Eu invejo Rimbaud. Eu gostaria de ter espancado Verlaine. Eu gostaria de ter espancado qualquer poeta simbolista. Verlaine vingou-se alguns anos mais tarde, num quarto de hotel, dando dois tiros em Rimbaud. Eu também invejo Verlaine. Ele tinha apenas má pontaria.

A editora Topbooks, depois de publicar os poemas de Rimbaud, agora publicou suas cartas, otimamente traduzidas e comentadas por Ivo Barroso. O primeiro lote de cartas mostra Rimbaud e Verlaine espancando um ao outro e atirando um no outro. Qual é o interesse disso? Para mim, nenhum. Eu poria os dois na cadeia. De fato, os dois foram parar na cadeia. O que realmente interessa é o segundo lote de cartas, escritas a partir de 1875, quando Rimbaud abandonou a poesia e passou a perambular de um lado para o outro. Num intervalo de apenas dezesseis anos - ele morreu em 1891 -, Rimbaud fez tudo o que uma pessoa dotada de um pingo de senso de dignidade quereria fazer: foi embora de Paris, que é uma cidade de maricotes; entranhou-se no deserto etíope, contraindo uma série de enfermidades; comercializou camelos e escravos; ganhou dinheiro e perdeu dinheiro; negociou armas dos mais variados calibres, permitindo o massacre de um monte de gente inocente; pegou um tumor no joelho e teve a perna amputada; morreu sozinho em Marselha, com muitas dores e pedindo ajuda a Deus, que caprichosamente se recusou a ajudá-lo. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

Dilma derruba Luciana Gimenez

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 21:57

Da Folha Online:
A exibição dos dotes culinários da virtual candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no programa “Superpop”, ontem, fez o programa repetir a menor média de ibope registrada do ano.

A informação é da coluna Ooops! do UOL.

A atração terminou a noite em 5º lugar –atrás de Globo, Record, SBT e Band–, quase empatada com a TV Cultura. A média de ibope do programa de Luciana Gimenez foi 1,7 e o pico, 3,1 pontos.

O pior momento do programa ocorreu às 22h19, quando Gimenez se viu ultrapassada até pela minúscula e regional TV Gazeta, que marcava 2,1 pontos (”Caderno de Esportes”) contra apenas 0,6 ponto da Rede TV! –então em sexto e penúltimo lugar, quase empatada com TV Cultura

No horário geral do “Superpop”, a Globo marcava 28 pontos, a Record registrava 10; o SBT, 6, a Band 3 e a Gazeta, 1 ponto. Outros pré-candidatos à Presidência também participarão do quadro.
*
Agora volto para os comentários

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Por Reinaldo Azevedo

FALA DE AÉCIO FOI DISTORCIDA. É PRECISO CORRIGIR

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 21:27

Volto rapidamente e depois retomo os comentários. O Estadão Online tem de corrigir um título ABSOLUTAMENTE ERRADO de uma reportagem que está no ar. Leiam:

Por Eduardo kattah:
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), classificou hoje como “absurda” e “irresponsável” a hipótese de ele aceitar ser candidato a vice-presidente numa chapa puro-sangue encabeçada por José Serra se a candidatura do governador paulista estiver consolidada nas pesquisas de intenção de voto.
Aécio reafirmou que será candidato ao Senado e chamou de “ilação” a aposta de tucanos de que poderá mudar de opinião futuramente.
“É absurda e irresponsável essa ilação de que aguardo pesquisas. Serei candidato ao Senado por Minas porque, não sendo candidato à presidência, é esta a melhor forma de contribuir para que o PSDB seja vitorioso nessas eleições”, disse o governador, em declaração divulgada por sua assessoria.
“Ilações absurdas como essa servem apenas para apequenar um debate que é tão relevante para o País e, por isso mesmo, merece ser tratado com responsabilidade e seriedade”.

Comento
Qual foi o título dado pelo Estadão Online? Este: “Aécio chama de ‘absurda’ hipótese de ser vice de Serra”.

Não! Se é como está no texto, Aécio chamou de “absurda” a “ilação” de que ele vai decidir ser vice ou não a depender das pesquisas. Como observei aqui em outro post, não seria mesmo uma coisa decente.

E o próprio Aécio considera isso. A fala do governador foi, obviamente, distorcida. Ele não disse que é “absurda” a hipótese de ele ser vice.  Volto para os comentários.

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Por Reinaldo Azevedo

Já volto

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 21:16

Um tempo para mediar comentários.

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Por Reinaldo Azevedo

Ibovespa recua 1,83% hoje e perde 4,03% na semana

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 21:14

Para registro, no Estadão Online:
Depois do tombo de ontem, os investidores guardavam esperanças de que o dado do nível de emprego nos EUA (payroll) pudesse dar algum alento ou direção aos negócios. Os dados vieram mistos e, num primeiro momento, até garantiram alívio. A percepção de que os números dos Estados Unidos continuam divergentes e ainda não é possível dar indícios sobre uma trajetória firme de crescimento, juntamente com o cenário sombrio europeu, fizeram as Bolsas acelerarem em trajetória de queda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que se ressente da fuga de capital externo, voltou hoje aos 62 mil pontos e chegou a tombar 4% no pior momento da sessão.

O Ibovespa terminou a sexta-feira em baixa de 1,83%, aos 62.762,70 pontos, o menor nível desde os 62.643,23 pontos de 3 de novembro de 2009. Na semana e no mês, recuou 4,03%, enquanto, em 2010, as perdas atingem 8,49%. Na mínima do dia, registrou 61.341 pontos (-4,06%) e, na máxima, 64.001 (+0,1%). O giro financeiro totalizou R$ 8,816 bilhões. Os dados são preliminares.

O indicador mais esperado da sexta-feira - e da semana - era o relatório do mercado de trabalho norte-americano. E ele não serviu para dissipar o mau humor que paira nas mesas nos últimos dias. O documento trouxe dados mistos. Enquanto a taxa de desemprego recuou para 9,7% em janeiro, ante previsão de 10,1%, o número de vagas fechadas somou 20 mil, ante previsão de estabilidade. Além disso, o Departamento de Trabalho norte-americano revisou em baixa os dados de dezembro, para um corte de 150 mil postos, dos 85 mil informados antes.

A avaliação positiva sobre os negócios teve fôlego curto e foi substituída pelas preocupações com a dívida soberana de países como Grécia, Portugal e Espanha, puxando para baixo os ativos de maior risco. Na Europa, a bolsa de Paris despencou 3,40% (-4,70% na semana); em Londres, o FT-100 caiu 1,53% (-2,46% na semana); a Bolsa de Frankfurt fechou com o Dax em baixa de 1,79% (-3,11% na semana); em Portugal, o PSI-20, da bolsa de Lisboa, perdeu 1,36% (-7,39% na semana); e, em Madri, o Ibex-35 cedeu 1,35% (-7,71% na semana). Nos EUA, às 18h22, o Dow Jones recuava 0,24%, o S&P tinha baixa de 0,13%, mas o Nasdaq subia 0,46%.

As ações ON da Petrobras caíram 1,78% e as PN perderam 2,41%. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o petróleo terminou hoje em baixa de 2,67%, a US$ 71,19 o barril para março. Vale ON recuou 0,84% e PNA, 1,09%.

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Por Reinaldo Azevedo

TSE não surpreende ninguém, especialmente os petistas

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 21:10

Não me digam! O ministro auxiliar do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Joelson Dias recusou a representação feita pela oposição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por propaganda eleitoral antecipada. A lei eleitoral estabelece que a propaganda só é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição.

Estou tão surpreso. No último dia 21, escrevi um texto com este título: TSE PODE MUITO CONTRA QUEM PODE POUCO; CONTINUARÁ A PODER POUCO CONTRA QUEM PODE MUITO?

E se lia lá:
Vimos todos a severidade com que o tribunal tratou governadores de estado: mandatos foram cassados sem piedade. E até se optou por um exotismo em terras democráticas: deu-se posse ao segundo colocado, violentado a vontade expressa nas urnas. Afinal, uma coisa é cassar alguém porque cometeu uma irregularidade; outra é o tribunal eleger, por conta própria, a força política que foi derrotada nas urnas. Mas não quero me desviar do principal.

O evento em Jenipapo foi tão descaradamente eleitoreiro, que não deixo de ter certa curiosidade para saber a que argumento recorrerá o TSE para eventualmente recusar o pleito das oposições.
Já sabemos que o TSE pode muito contra quem pode pouco. A questão agora é saber se continuará a poder pouco contra quem pode muito.

Encerro
Basta mudar o ponto que encerra a segunda frase do período, que fica assim:
TSE PODE MUITO CONTRA QUEM PODE POUCO; CONTINUARÁ A PODER POUCO CONTRA QUEM PODE MUITO!!!

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Por Reinaldo Azevedo

A ANISTIA PARA COVAS E O PRINCÍPIO

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 20:48

Ai, ai, certas abordagens chegam a ser engraçadas. “Não vai falar dos R$ 100 mil que a viúva de Covas vai receber?” Vou, sim. Mas porque quero, não porque me cobram.

O fato: a Comissão de Anistia declarou Mário Covas anistiado político. O processo foi iniciado pela viúva, que vai receber R$ 100 mil. Ele teve os direitos políticos cassados pelo AI-5 em 1969, e a punição durou até a Lei da Anistia, em 1979. O que eu acho? O que acho em todos os outros casos semelhantes: um absurdo!

Quando Covas acabou trombando com o regime militar, não estava pensando, certamente, em receber depois alguns trocados. Quando vivo, ele teve a chance de recebê-los duas vezes:
- poderia ter aderido ao regime e, pois, se beneficiado de ser governista;
- instituída a lei das reparações, poderia ele mesmo ter pedido a indenização.

Mas não pediu, ora essa. Não me parece, como direi?, bacana que tenham feito isso por ele quando já não podia mais opinar, não é mesmo? E a sua opinião estava dada.

Agora vamos à questão que é de natureza política, que vale para Covas, para um monte de outros “anistiados” e até para alguns jornalistas folgazões. Com os direitos políticos recuperados, ele foi presidente do MDB, deputado federal, prefeito nomeado de São Paulo, candidato a presidente, governador de São Paulo duas vezes.

Dado o clima que se seguiu à abertura, não seria difícil provar que a carreira política de Covas acabou se beneficiando de sua luta contra a ditadura.  Acho que ele operou mais ou menos com esses critérios quando vivo, não? E, por isso, ele próprio não pediu a indenização.

Tinha simpatia por Covas. Fui seu eleitor. Acho que foi um político importante para a democratização do Brasil. Mas vale para ele o que vale para os outros. Como sempre.

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Por Reinaldo Azevedo

KÁTIA ABREU DESORIENTA OS MILITONTOS

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 20:06

(leia primeiro o post abaixo)
Aí grunhe o petralha: “Vai agora publicar o release da CNA?” Não vou! Já publiquei. Só que eu aviso que é release, né? Picaretagem é publicar “denúncia” forjada por petista como se fosse fruto do “jornalismo investigativo”… Quantos são os que publicam “releases” de “companheiros” sem avisar o leitor? Mas eu quero ir além do release, bem além.

A criação do observatório da insegurança jurídica no campo é mais um golaço da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) — para melancolia de seus adversários e, acreditem!, até de alguns aliados de partido. Ela tem um comportamento exemplar à frente da CNA. E não é menos eficiente como senadora. Contribui de modo decisivo para tirar a névoa de preconceito e estupidez que cobre a realidade do campo, uma tema que foi assaltado por bandoleiros e palpiteiros  que não saberiam distinguir um pé de alho de um pé de bugalho.

Kátia não pode ser acusada de “desmatadora” porque está, de fato, empenhada no “desmatamento zero”. E até Carlos Minc, quando não está olhando no espelho seus coletinhos des-lum-bran-tes, sabe disso. Não pode ser acusada de “agredir o meio ambiente” porque tem trazido esse debate literal e metaforicamente para a terra.

A CNA tem um estudo, conduzido por técnicos da Embrapa — não uma invencionice de ongueiro desocupado ou cuja militância “socialista” é financiada pela Fundação Ford (que piada!) —, demonstrando que, tornadas áreas de reserva ambiental e afins tudo o que pedem os “verdes” e os “vermelhos” (somadas às reservas indígenas), faltará Brasil para tanta área “conservada”. Aliás, já falta Brasil para tanto ongueiro, não é mesmo? Alguns cretinos devem imaginar que o arroz, o feijão, o milho, a soja e a carne nascem no Pão-de-Açúcar, no Carrefour e no Wal-Mart.

Os militontos acreditam que o arroz barato que alimenta os brasileiros, o feijão barato, a carne barata, a batata barata — sim, a comida no Brasil, felizmente, tem um preço escandalosamente baixo; basta comparar com o resto do mundo — é mais uma das obras de Lula. Não! ISSO É CONSEGUIDO APESAR DE LULA!!!

Come-se a preço baixo no Brasil porque temos uma agricultura e uma pecuária eficientes, que, no entanto, vivem assediadas pela bandidagem que se diz sem-terra e pelo ecologismo doidivanas. Caso se faça tudo o que pedem esses bocós, os primeiros a passar fome, por óbvio, serão os pobres que eles dizem defender. Não só isso: a balança do setor é superavitária sempre. Aliás, é agroindústria que dá ao país o superávit que tem.

No entanto, tem de conviver com bandidos financiados pelo poder público; tem de suportar a ação impune de terroristas e salteadores; tem de conviver com a desídia e a prevaricação de um governo que se nega a aplicar uma lei que coíbe a indústria de invasões. O grande trabalho de Kátia Abreu consiste em transformar a realidade em dados objetivos.

Isso atordoa até o militontos das redações, que tem um solo muito fértil para a plantação e produção de militontice.

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Por Reinaldo Azevedo

CNA CRIA OBSERVATÓRIO DA INSEGURANÇA JURÍDICA NO CAMPO

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 19:47

Faço questão de publicar na íntegra um release da Confederação Da Agricultura e Pecuária do Brasil. Vale a pena ser lido com atenção. Volto no post seguinte

*
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, lança na próxima terça-feira, 9 de fevereiro, o Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo. A iniciativa visa levantar dados sobre ações identificadas em todo o Brasil que representem, principalmente, ameaças ao Direito de Propriedade. O evento ocorre às 19h30 da próxima terça-feira, na sede da CNA, em Brasília, com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, que fará uma palestra sobre a Modernização do Poder Judiciário.

O Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo será um núcleo de pesquisas estratégicas responsável por sistematizar um mapeamento consolidado das invasões de propriedades rurais efetivas ou iminentes, entre outras análises. A iniciativa permitirá a formação de um banco de dados capaz de informar a sociedade e os órgãos de governo sobre situações que prejudiquem o setor agropecuário, principalmente nas áreas fundiária e ambiental.

Um núcleo de pesquisas estratégicas da CNA vai mapear os dados e mensurar os prejuízos causados pelo desrespeito à ordem jurídica no campo. Haverá, por exemplo, cálculos sobre quantos empregos são eliminados por conta das invasões de terras e o valor de produção perdido devido a esse tipo de dificuldade. A CNA divulgará os resultados consolidados no site do Canal do Produtor e também enviará relatórios aos órgãos do Poder Judiciário, denunciando situações que causem danos não apenas ao setor rural, mas a todo o País.

A CNA já concluiu um amplo mapeamento da situação jurídica no meio rural em quatro Estados - Bahia, Maranhão, Mato Grosso e Pará. A análise será ampliada gradativamente para todas 27 unidades da Federação. A CNA avalia que a maior parte dos problemas de insegurança jurídica no mundo rural envolve questões sobre o Direito de Propriedade e por isso as invasões de terras recebem forte atenção.

O Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo irá além da consolidação de dados sobre as invasões de propriedades rurais. Também haverá informações sobre a quantidade de pedidos de reintegração de posse e o tempo de tramitação desses pedidos. Será feito também um balanço sobre o índice de cumprimento das decisões judiciais que determinam a reintegração de posse pelos governos estaduais.

O lançamento do Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo ocorre na próxima terça-feira, 9 de fevereiro, na sede da CNA (SGAN Quadra 601 Bloco K - Edifício Antônio Ernesto de Salvo). Para participar do evento é preciso enviar e-mail para canaldoprodutor@cna.org.br com os dados pessoais.

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Por Reinaldo Azevedo

DR

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 19:30

Cá estou eu discutindo a relação. Estava cuidando de nós, da criação de um modelo que torne mais ágil a mediação dos comentários. Há pessoas, muitas de boa fé, que me recomendam que deixe a coisa rolar solta, sem crivo nenhum. Não vai acontecer, meus caros.

Mesmo com a seleção, passa muita coisa indesejável por conta do volume de comentários. Neste momento, há quase 700 na fila. E parte deles é pura expressão de tudo o que a democracia e o estado de direito repudiam. E esses são pilares deste blog.

Vivemos e viveremos alguns dias de atrapalhação porque reformas sempre criam algumas dificuldades temporárias. Mas vai melhorar, eu garanto. Assim, tenham um pouco de paciência. Será melhor para todos nós. Dona Reinalda acabou de chegar do trabalho e vai me ajudar. Entre um post e outro, também farei a mediação.

Como é mesmo aquela placa?
“Estamos em reforma. Desculpem-nos pelo transtorno”.

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Por Reinaldo Azevedo

AÉCIO E A CHAPA TUCANA

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 16:11


No Estadão de hoje, lê-se o seguinte:
“Cotado para ser vice na chapa do PSDB que disputará a Presidência, o governador mineiro, Aécio Neves, tomará uma decisão entre a abril e maio deste ano e, até essa data, pretende ponderar o desempenho de José Serra nas pesquisas de intenção de voto, dizem aliados. Se avaliar que o paulista sustenta a dianteira, é provável que abrace a causa. Do contrário, se dedicará à eleição em Minas.”

Comento
É uma boa notícia para os tucanos e até para a democracia que ele conte com a hipórtese de ser vice de Serra. O convite já foi feito e refeito. Mas, a ser verdade o que vai acima, e parece que é, há aí um problemina.

Uma candidatura à Presidência da República tem de ser construída, não é mesmo? Dou tanta importância a Aécio que avalio que a POSSIBILIDADE DE ELE SER VICE, e não A PROBABILIDADE DE NÃO SER, que é como as coisas estão hoje, certamente fortaleceria desde já a possível chapa tucana.

Se a coisa for mesmo como vai acima, fica um troço meio esquisito. Entendo que, se Serra estiver bem nas pesquisas, ele aceita o desafio; se não estiver, então ele recusa. Uma parceria, parece-me, é um pouco mais do que isso. O  que concluir do que vai acima? Que ele só aceita ser vice se Serra não precisar dele? E se precisar? Não?

O governador de Minas é tão importante, na minha opinião, que eu acho que o Brasil precisa dele. Sei que parece uma coisa, assim, muito retórica. Mas é nisso que acredito. Um bom grupo de leitores, meio irritados comigo, pergunta: “Por que Aécio tem de ir para o sacrifício?” Qual sacrifício? A política, a realidade brasileira, os números da pesquisa, tudo indica que não se trata de questões pessoais? Todos querem, sem ironia, o bem do Brasil, não é?


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Por Reinaldo Azevedo


 
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