O Tribunal Superior Eleitoral recusou, como viram, a representação das oposições contra a candidata Dilma Rousseff e o presidente Lula por campanha eleitoral antecipada. Como vocês se lembram, no dia 21, escrevi aqui o texto TSE PODE MUITO CONTRA QUEM PODE POUCO; CONTINUARÁ A PODER POUCO CONTRA QUEM PODE MUITO? Pois é… E quem foi que deu o “arquive-se”? O ministro auxiliar do TSE Joelson Dias.
Joelson Dias tem um currículo para 800 talheres. A gente corre o risco de ficar mais inteligente só de ler. Vejam vocês mesmos. Volto em seguida:
Mestre em Direito pela Universidade Harvard. Sócio de Barbosa & Dias Advogados Associados. Ministra cursos de Direito Eleitoral promovidos pela Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil, Seções do Distrito Federal (OAB-DF) e Sergipe (OAB-SE), pelo Instituto dos Magistrados do Distrito Federal (IMAG-DF) e pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Ministrou a disciplina “Direitos das Minorias” em 1999 e revisão sobre “Direitos Humanos na América Latina”, em 2000, no Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos promovido pela Universidade de Brasília, Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e Universidade de Essex, Inglaterra; e a disciplina “Teoria Geral do Processo” durante o curso de treinamento dos integrantes do Poder Judiciário do Timor Leste, promovido pelo International Development Law Institute (IDLI) com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi Conselheiro Titular e representante do Conselho Federal da OAB no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - CONADE (2004-2008). É Secretário da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB. Participou da 7ª. Sessão do Comitê Especial da ONU que elaborou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006). Atuou no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (1997), na Missão Civil Internacional das Nações Unidas e Organização dos Estados Americanos no Haiti (1993-1994). Fluente em inglês, francês, espanhol e creole haitiano. Nível intermediário em italiano.
Ufa! Com tudo isso, ele certamente entende português e está apto a analisar o conteúdo das falas de Dilma e Lula que estão no vídeo abaixo - inclusive aquela na cidade de Jenipapo, que motivou a representação movida pelas oposições. Se Luila tivesse falado em creole, Joelson entenderia. Vejam o vídeo abaixo ou continuem a leitura e depois voltem a ele.
Voltei
Pois bem. Agora leiam uma nota publicada no dia 6 de abril do ano passado no blog do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Comento em seguida:
Erenice Guerra, o braço direito da ministra Dilma Rousseff na Casa Civil da presidência da República (envolvida na elaboração do dossiê anti-FHC), emplacou Joelson Dias, seu ex-sócio em um escritório de advocacia, como novo ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele tomará posse no próximo dia 16. O Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ter encaminhado para a escolha de Lula uma lista com os nomes dos advogados Admar Gonzaga, Alberto Pavi e de um terceiro. O de Gonzaga, que constara de listas anteriores, evaporou-se. Ele advogou várias vezes para o DEM. Pavi passou a encabeçar a lista. Que foi completada com Evandro Pertence, filho do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, e Joelson. Lula mandou às favas o costume que respeitou nos últimos seis anos de nomear o cabeça de lista.
Comento e encerro
Que Joelson tenha formação intelectual para ser ministro do TSE, bem, isso parece fora de dúvida, não é mesmo? Já a ligação com Erenice Guerra complica um pouco as coisas, uma vez que é patente que ela quase é aquilo que está no texto do senador. Eu digo “quase” porque não acho que ela seja “braço direito de Dilma”. Acho que ela é outro braço esquerdo. Isto: Dilma tem dois braços esquerdos. Quando faz omelete, então…
Não estou afirmando, claro, que essa ligação o impede de entender língua portuguesa, mesmo quando é a língua de Lula, mesmo quando é a língua de Dilma. Mas eis um caso em que o melhor teria sido declara-se impedido. Afinal, convenham: as pessoas acabam desconfiando de que falta isenção ao TSE, não é?, ainda que isso seja de uma injustiça danada.
E é evidente que sempre resta uma curiosidade: se o que vai naquele vídeo não é campanha eleitoral, o que será? Acho que estão se confirmando as piores expectativas sobre o TSE, verdugo de governadores e prefeitos. Mais do que isso: foi até eleitor único de mandatários, que assumiram governos sem terem sido eleitos para isso. Ayres Britto quase fez poesia a respeito dessa prática democrática que consiste em conceder mandato por decisões cartoriais.
A propósito: há poucos dias, Gilmar Mendes, presidente do STF, lembrou o rigor do TSE com prefeitos e governadores e expressou o desejo de ver triunfar os mesmos critérios em qualquer caso. Britto respondeu que o TSE era imune a pressões etc e tal. Achei que a fala tinha exalado um cheiro ruim.
Talvez o TSE devesse se deixar pressionar ao menos pelo decoro.
PS: Sejam espertos; não enviem comentários que vocês sabem que não serão publicados… Não preciso desenhar, não é, caras e caros?















