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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

07/02/2012

às 22:39

DIAS IMORAIS - Sem acordo, com mais de 100 mortos, PMs grevistas cantam que “o carnaval acabou”; Jaques Wagner canta que não acabou

Mais tarde, escreverei a respeito. Vai aqui um pequeno flagrante da vida púbica brasileira. Fiquem agora com o que informa Tiago Décimo, no Estadão Online:

Após receberem a notícia de que haviam falhado as negociações para que a greve parcial da PM na Bahia fosse encerrada, os grevistas amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia e os que estão do lado de fora do prédio começaram a cantar que “o carnaval acabou”, numa alusão à manutenção da paralisação até a próxima semana.

A movimentação dos grevistas fez com que as tropas do Exército voltassem à formação do cordão de isolamento da Assembleia e que chegassem mais militares à área, mas não houve confronto.

De acordo com o comandante-geral da PM do Estado, coronel Alfredo Castro, não há possibilidade de a greve atrapalhar a festa popular, tida como a maior do mundo. “Teremos um carnaval tranquilo, como tem sido a festa nos últimos anos, com a Polícia Militar atuando nas ruas”, afirma. “Não há razão para acreditar em outra possibilidade.”

Segundo o governador Jaques Wagner, não houve nenhuma modificação no planejamento da festa. “Vamos iniciar o transporte dos policiais do interior para a capital, ação que dá início à Operação Carnaval, no dia 14″, afirma. “Entre logística e pagamento de adicionais pela atuação na festa, o Estado vai investir R$ 30 milhões.”

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 22:25

Fitch põe ratings de Triunfo e Invepar em observação negativa

Na VEJA Online:
A agência de classificação de risco Fitch colocou nesta terça-feira os ratings da Triunfo Participações e da Invepar, ambas integrantes de consórcios vencedores no leilão de aeroportos desta segunda-feira, em observação negativa. A decisão significa que as notas para o endividamento das companhias podem ser rebaixadas posteriormente pela empresa.

Triunfo
A nota nacional de longo prazo da Triunfo e de sua terceira emissão de debêntures (título de dívida privado), no valor de 180 milhões de reais, é “A+(bra)”. O consórcio no qual a Triunfo tem participação de 45% venceu a disputa pela concessão do aeroporto de Viracopos (SP) com oferta de 3,8 bilhões de reais, contra um valor mínimo definido pelo governo para outorga de 1,5 bilhão de reais.

Os investimentos previstos em Viracopos são de 8,7 bilhões de reais em 30 anos de concessão. Parte desse valor caberá à Triunfo, que viu suas ações sofrerem uma queda acentuada nos dois últimos pregões na Bovespa, diante do temor de investidores com o retorno a ser conseguido com o terminal.

“A Fitch solucionará a observação negativa (do rating da Triunfo) tão logo tenha acesso às estratégias e às condições de financiamento vinculadas a esta aquisição e obtenha mais informações sobre a geração de caixa operacional esperada e o fluxo de investimentos programados”, informou a agência de classificação em nota.

Invepar
A Invepar, por sua vez, integra, com 90% de participação, o consórcio vencedor do leilão pelo aeroporto de Guarulhos, com lance de 16,2 bilhões de reais - quase cinco vezes o piso pedido pelo governo. A Fitch também informou que espera por mais informações sobre as estratégias da companhia para o empreendimento. A nota da empresa em moeda local é “A(bra)”, ao passo que o rating em moeda estrangeira e local é “BB-”.

A agência disse considerar provável um aumento de capital da Invepar com injeção de recursos pelos acionistas - entre eles os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, além do Grupo OAS. “As demonstrações financeiras da Invepar já apresentam um volume elevado de endividamento, e as atuais medidas de crédito da companhia são modestas para o seu rating”, avaliou a Fitch.

Para a agência de risco, eventuais emissões de dívida em valores relevantes pela Invepar para suportar o direito de explorar Guarulhos “poderão gerar forte pressão sobre o rating, levando ao rebaixamento em diversos graus”.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 22:00

Vejam como Lula e Dilma estão na origem da radicalização dos movimentos das PMs Brasil afora. Não é uma opinião, é um fato. COM VÍDEO E TUDO

Vocês já ouviram falar da Proposta de Emenda Constitucional nº 300, a PEC 300? Ela iguala o salário das Polícias Militares de todos os Estados ao que se paga no Distrito Federal, que tem a PM mais bem-paga do país. É uma espécie de fomentadora continuada de revoltas das polícias Brasil afora. Como isso começou? Ora, com uma formidável parceria entre Luiz Inácio Lula Apedeuta da Silva e José Roberto Arruda, então governador do Distrito Federal, que já estava nas teias do petismo, bem perto de ser destruído. Não que não merecesse, como se sabe. A população do DF é que merecia saber quem era o petista Agnelo Queiroz… Mas esse é outro assunto. Vamos lá. Ah, sim: depois Dilma deu os braços ao desastre. Vamos ao que é história.

No dia 8 de maio de 2008, o Apedeuta assinou a Medida Provisória 426, que concedia reajuste de 14,2% aos 28 mil policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, extensivo aos que já estavam na reserva. O aumento era retroativo a fevereiro, e o atrasado, pago numa vez só. O piso dos coronéis da PM do DF passou para R$ 15.224, e o dos soldados, R$ 4.117. Hoje, deve ser maior. Pesquisem aí. Por que por MP? Porque os gastos com segurança, saúde e educação do Distrito Federal são bancados por um Fundo Constitucional. Vale dizer: saem dos cofres da União! Fez-se uma grande festa em Brasília. Adivinhem quem foi a estrela. Então é chegada a hora de ver o filme, com Lula no melhor da sua forma.

Na prática, como se nota, Lula é o pai da matéria. E vejam como ele gosta de fazer proselitismo em porta de quartel. Ele próprio previu, sindicalista que foi, o óbvio: a reivindicação se estenderia país afora.  Tudo no maior ufanismo.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) não teve dúvida: apresentou a PEC 300, nacionalizando, então, o piso. Voltem ali ao discurso de Lula. Em 2008, ele ainda não tinha tanta certeza de que Dilma seria eleita. Parecia ter certa desconfiança. E já se via, fora da Presidência, associado aos sindicatos, pressionando o governo federal a fazer o que ele próprio não teria conseguido. E, vocês viram, o Brasil nunca foi tão bom, tão bacana, tão justo, com tanta auto-estima…

Era evidente que os estados quebrariam caso os salários se igualassem. Faria de Sá deu um jeitinho e pôs no texto um penduricalho interessante: ficou estabelecido que a União arcaria com aquilo que os estados não puderem pagar. Mais precisamente: seria criado um fundo de compensação, e o governo federal repassaria aos estados o que excedesse o valor atualmente gasto com salários. O governo Dilma agora enrola os policiais. Foi sempre assim? Ah, não foi, não!

Dilma usou a PEC 300 contra Serra na campanha de 2010
Há um deputado estadual em São Paulo chamado Major Olimpio, do PDT. Ele chegou a ser cotado para vice de Aloizio Mercadante (PT) na disputa pelo governo de São Paulo em 2010. Foi um ativo colaborador da campanha da Dilma. Policiais do Brasil inteiro receberam correspondência afirmando que o tucano José Serra era contra a PEC 300 — logo, entendia-se que Dilma era favorável! Michel Temer (PMDB), hoje vice-presidente, comprometeu-se com os policiais. Nota: Serra nem havia tocado no assunto.

Agora o governo federal tenta se virar com o espeto. E quem arca com o custo político das mobilizações das Polícias Militares? Ora, os governos dos Estados, inclusive os da base aliada. Na prática, especialmente depois daquele discurso tão eloqüente, Lula é o pai da PEC 300, certo? Os policiais devem cobrar o apoio do companheiro, que ajudou a eleger a companheira. A proposta é pagar aos policiais do Brasil inteiro o que se paga no DF e mandar a conta para o governo  federal.  Lula avaliou que a 300, assim como a 51, também era uma boa idéia!

Encerro
Este texto, com alterações ditadas pela conjuntura, foi escrito aqui no dia
11 de novembro de 2010, como vocês poderão constatar se quiserem. Não preciso que as pessoas morram nas ruas como moscas para perceber o desenho de um desastre, meticulosamente planejado. Como o próprio Apedeuta deixa claro no vídeo, aquela solenidade poderia ter sido feita no gabinete. Mas ele preferiu as multidões, insuflando policiais do país inteiro.

Quem pode ser contra a que policiais ganhem salários maiores? Mas é preciso ver o que cabe no Orçamento dos Estados. Como não cabia, o deputado que fez a proposta decidiu mandar a conta para a União.

Vá lá, Dilma, pague tudo! Afinal, o  governo federal nem mesmo está obrigado a cumprir o rigor de uma Lei de Responsabilidade Fiscal. É claro que as contas públicas sofrerão um rombo. Conseqüência de uma lei perversa que os petistas costumam seguir à risca: a Lei da Irresponsabilidade Eleitoral!

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 21:06

Não tem jeito! Eles são incuráveis! Aqui, uma diferença moral importante entre um petista e um tucano

Vejam as conseqüências da greve dos policiais militares na Bahia. Mais de 100 mortos na grande Salvador desde o começo do movimento.

Pois bem! No Jornal Nacional, eis que vejo o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que faz oposição ao PT — justamente o partido do governador da Bahia, que sofre óbvio desgaste com a paralisação — a afirmar o óbvio: gente armada não pode fazer greve. Aliás, as Polícias Militares são, segundo a Constituição, grupamentos subsidiários das Forças Armadas. Nem aquelas nem estas podem parar.

O Jornal Nacional decidiu ouvir Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, terceiro homem da hierarquia da República. E ele não teve dúvida: defendeu o chamado direito de greve também para os PMs — fazendo a ressalva da garantia de serviços essenciais… Quais, valente? Caso se garantam, sei lá, 30% dos policiais nas ruas, o “essencial” estaria assegurado?

Eis aí. Nunes Ferreira poderia fazer como fazem os petistas quando se referem a problemas ocorridos em estados governados por adversários: atacar o Executivo. Não o fez. E está correto, até porque cuidava de uma outra questão. Mesmo opinando sobre 100 cadáveres, o petista Maia não quis nem saber. Defendeu um “direito” que cassa os direitos de milhões. Eis o PT!

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 20:38

Projeto “TAMAR” em vez do projeto “MATAR”

Do leitor Marc, sobre a ironia que fiz com a equiparação de fetos humanos a ovos de tartaruga:

“É o velho binômio: Projeto TAMAR vs Projeto MATAR”

Eu diria, meu caro Marc, que não é “versus”. Vamos pedir que o projeto “TAMAR” tome o lugar do projeto “MATAR” e proteja também os fetos humanos

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 19:51

Quem armou o gatilho das PMs em todo o Brasil?

Ainda vou explicar aqui: quem armou o gatilho das revoltas das PMs Brasil afora foi uma parceria entre José Roberto Arruda — sim, aquele governador defenestrado do Distrito Federal — e Luiz Inácio Lula da Silva. Sim, o Apedeuta. Àquela altura, já demonstrou reportagem da VEJA, os petistas já preparavam a destruição de Arruda, mas Lulinha o tratava com salamaleques. Daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 19:33

QUE FETOS HUMANOS SEJAM CONSIDERADOS OVOS DE TARTARUGA! QUE SEJAM PROTEGIDOS PELO IBAMA!

Tartarugas são animais protegidos, como sabemos. Eu aposto que há mais ONGs empenhadas em salvá-las do que entidades dedicadas ao combate ao aborto. Mas não são apenas as tartarugas nascidas que estão sob tutela. Não! Não só é proibido comer a carne do bicho como também é proibido se alimentar de seus ovos, hábitos de várias comunidades no Brasil que foram postos na ilegalidade.

Se alguém argumentar que um ovo de tartaruga ainda não é uma tartaruga, será tomado por idiota ou cínico. Porque é certo, salvo algum evento da natureza, que, lá vem um quase-poema concreto, no ovo está o novo que renova o velho.

Por alguma estranha razão que ainda não foi suficientemente explicada — e não há um só abortista que tenha conseguido fazê-lo — há quem considere que o “ovo” humano não contém o humano.

Dona Eleonora comparou um aborto a uma infecção, ao vírus da AIDS, ao crack. A imoralidade dessa gente me obriga a animalizar o humano para protegê-lo de certos humanos. Que o feto da nossa espécie ganhe o status de um ovo de tartaruga!

Que o Ibama cuide dos fetos do Homem, já que os humanistas de Dilma o consideram um vírus a ser combatido por políticas públicas!

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 19:07

Algumas questões essenciais sobre o aborto. Vamos fazer este debate

Não, não me intimidam, não! Debato a questão do aborto quantas vezes for necessário debater. Dona Eleonora, a nova ministra, defende a sua legalização? Que o faça! Não estou cobrando que ela seja censurada. Censura houve no Brasil contra os que se opõem à prática — censura aplaudida por amplos setores da imprensa. O que aponto no meu texto, nesse particular, é a trapaça do governo Dilma: elegeu-se com um discurso e nomeia uma ministra que defende o contrário do que foi prometido. É claro que as correntes favoráveis à legalização ganharão um impulso novo. No que concerne à política, Dilma e o PT mentiram para o eleitorado, especialmente para os evangélicos, que receberam uma “carta” da presidente.

Quanto à questão social relacionada ao aborto, já escrevi mais de uma vez as formidáveis mentiras que se contam sobre o número de procedimentos feitos no Brasil, legais ou clandestinos. Basta recorrer ao arquivo. Os militantes da causa, para variar, superestimam as ocorrências para tentar ter razão no berro.

Agora vamos o mérito. Há pessoas que são contrárias à legalização. Há. Sou uma delas e, nesse caso, ainda pertenço à maioria. E há as que são favoráveis. Por mais que eu ache a tese asquerosa, teria mais respeito por alguém que dissesse algo assim: “Sou a favor e pronto; sei que aquele negócio que está lá na barriga da mulher é vida — já que mineral não é. E é uma forma de vida humana, ou dela derivada ao menos, já que também não é um vegetal. Mesmo assim, acho que a mulher tem o direito de arrancar fora e pronto! E deveria poder fazê-lo a qualquer momento. Afinal, aprendi com alguns doutos debatedores que uma pessoa é uma pessoa só depois que sai do ventre”.

Acho isso um lixo moral? Sim! Acho que isso abre as portas do horror? Sim! Mas é, ao menos, uma opinião mais honesta do que outros que pensam rigorosamente isso, mas, covardes que são, escondem-se atrás do discurso supostamente humanista de “proteção à vida da mulher”; do discurso feminista (”a mulher tem direito a seu corpo”) e, agora, além do limite do asqueroso: sanitário. Repudio, sim, a tese em si, mas repudio também a covardia. Tenham a coragem de assumir com clareza uma posição.

Por isso, eu lhes proponho que leiam com atenção o que segue em azul. Volto depois para encerrar.
*
Não fosse a exposição da carnificina, também a retórica (o que procuro evitar), publicaria aqui todas as mensagens que chegam me esculhambando porque, como é público e notório, oponho-me ao aborto. Barack Obama, seguindo a cartilha majoritária do Partido Democrata, acaba de suspender as restrições de financiamento público a entidades que promovem tal prática. Antes dele, Bill Clinton (…) fez o mesmo. Os republicanos Ronald Reagan, Bush pai e Bush filho impuseram restrições. Vá lá… A questão, nos EUA, obedece à lógica pendular.
(…)
Acompanhem com atenção os que estão dispostos a algum diálogo - sim, porque há os que não estão, e, nesse caso, textos são inúteis. Compreendo algumas posições muito duras de quem se opõe ao aborto na certeza de que se pratica um assassinato. Afinal, diante da morte, qual é o relativismo possível? Mesmo assim, tenho coibido algumas manifestações cuja agressividade não ilumina - antes turva as convicções.

Mas, confesso, a defesa agressiva do aborto e a falta de disposição para o diálogo de seus partidários me são um tanto assustadores. Muito bem:
a) eles não consideram o feto ainda uma vida - em algum estado da natureza, aquela coisa deve estar (eles não querem saber qual);
b) acreditam que é uma questão que diz respeito ao direito das mulheres;
c) deploram as convicções religiosas de seus adversários etc.

Certo, certo. Tudo ainda muito compreensível. O que não entendo - e não entendo mesmo - é o núcleo moral desta a escolha, a saber: o que faz alguém se tornar militante pró-aborto? Qual é, vamos dizer, o seu TODO FILOSÓFICO de que tal defesa tão ativa É PARTE? Escandalizava-me, à época da questão Terri Schiavo (lembram-se?), que pessoas saíssem às ruas pedindo o desligamento dos aparelhos - embora os pais da moça se dispusessem a cuidar do seu “vegetal” (como ela era chamada). Mas a lei disse que eles não tinham direito a seu “pé de alface”, a seu “aspargo”, a “gerânio”…

Tenho, sim, abrigado a divergência no meu blog sobre essa e outras questões, nos limites, já disse, do que considero aceitável. Mas não é possível que os defensores tão entusiasmados do aborto não se lembrem ao menos de ser decorosos, reconhecendo que, em cada história que leva à interrupção da gravidez, há uma rotina de sofrimentos. Até onde o tratamento tão ligeiro dispensado ao feto não traduz também ligeireza no trato com os já nascidos?

E também me parece que chegou a hora de os defensores do aborto saírem daquele lugar confortável em que se colocaram, de onde, parece-se, com obtusidade moral e filosófica, sentenciam: “As restrições ao aborto são todas de natureza religiosa, e a sociedade é laica”. Acho que não, acho que não…

UM - O fato de que a maioria das denominações cristãs considere que a vida tem início na concepção não desobriga os não-religiosos de tentar responder quando começa a vida. E tal resposta se faz necessária para se saber quando se está ou não se está (do ponto de vista deles) lidando com a morte. Ou se vai chegar ao horror a que se chegou nos EUA? O agora presidente Obama, antes senador, votou a favor de verbas para grupos que promovem o chamado “aborto com nascimento parcial”, realizado no último trimestre de gravidez, às vezes aos oito meses. Façam uma pesquisa. Nem Cícero conseguiria usar a retórica para distinguir aquilo de homicídio, agravado pela torpeza e crueldade. Mesmo os defensores do aborto têm de dizer a partir de que momento ele não seria mais permitido. E, ao estabelecer tal tempo, dizer por que não. Ao definir o momento do “não”, será preciso especificar as razões por que antes se diz “sim”; será preciso definir por que os óbices de um aborto aos seis ou sete meses de gestação inexistem aos dois;

DOIS - É curioso que os defensores do aborto que atacam a perspectiva que seria puramente religiosa dos seus adversários acreditem que só mesmo a religião poderia se interessar em proteger o feto. Pergunto-me, um tanto espantado, se o humanismo laico não pode alcançar a concepção, protegendo-a. SERÁ QUE UM ATEU OU AGNÓSTICO ESTÁ IMPEDIDO DE SER CONTRÁRIO AO ABORTO PORQUE ISSO CORRESPONDERIA A SER CONTRÁRIO À RAZÃO? Ora, ora… Nós, os cristãos, somos um conforto para essa gente, não? “Ah, isso é coisa daqueles carolas, daqueles papa-hóstias, que querem impor o seu modelo e a sua visão de mundo para toda a sociedade, que é LAI-CA” (alguns fazem escansão de sílabas na esperança de que eu acabe concordando com eles…). Não! Com todo o respeito, deixem de preguiça moral e ética. Creio que o “amor pelo homem”, ainda que sem Deus, esteja obrigado a se pronunciar sobre a proteção à concepção.

TRÊS - Mesmo no caso do chamado aborto de anencéfalos, há uma questão de princípio que não pode ser mitigada. Os preguiçosos pensarão: “Huuummm… Vai morrer logo mesmo, não têm chance, então é melhor abortar”. Os mais cuidadosos hão de pensar:
“Isso nos coloca diante de algumas questões:
- quando uma vida é viável ou não?
- temos o direito de determinar a duração dessa viabilidade?
- estabeleceremos que só se fará a interrupção no caso de anencefaria?
- a medicina avança; e crianças com vida prevista de apenas um ano? Devem nascer ou não?;
- e fetos que, nascidos, sobreviverão, mas se tornarão crianças com terríveis deformidades, que implicarão sofrimento para os pais e até para si mesmas? Devemos poupar toda essa gente do sofrimento, fazendo o que o Deus deles não costuma fazer?”

SERÁ MESMO QUE OS CRISTÃOS SÃO ESSES SERES MOSTRUOSOS, QUE QUEREM IMPOR A FERRO E FOGO O SEU PONTO DE VISTA? SERÁ MESMO QUE OS DEFENSORES RADICAIS DO ABORTO ESTÃO FLERTANDO APENAS COM UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA, HUMANA, TOLERANTE E PLENA DE DIREITOS?

Encerro
Escrevi o texto que vai em azul no dia 26 de janeiro de 2009. E eu o assino de novo hoje. Proponham esses dilemas morais para os defensores da legalização. Se tiverem boas respostas, quem sabe a gente aprenda um pouco.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 17:08

Atenção, governo de SP! Os “companheiros” petistas têm de falar primeiro na Comissão do Senado! Questão de cronologia e gravidade! Eles é que têm de explicar três olhos furados!

Atenção, governo de São Paulo!

Cuidado com o que pode ser uma armadilha! Os petralhas querem convidar “todas as partes” envolvidas na desocupação do Pinheirinho para falar na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) fez a coisa certa e conseguiu convidar também protagonistas de eventos no Acre, no Piauí e na Bahia, que resultaram em três pessoas feridas gravemente — ficaram cegas de um olho em confronto com a PM — e fez aprovar ainda o convite para que se explique a reintegração de posse de uma área no Distrito Federal.

Ah, se sou eu…

Vamos ver. Eu duvido — e é a moral “deles” que me faz duvidar — que, caso ocorra a sessão sobre o Pinheirinho, as demais a ela se sigam. Trata-se apenas de um convite, de comparecimento não-obrigatório. Ora, o que recomenda o bom senso? Que se façam, então, os depoimentos ao menos da ordem em que se deram os fatos.

1 - Primeiro o Acre - Quem tem de falar primeiro são os representantes do governo do Acre. Têm de falar sobre a reintegração de posse de uma área na cidade de Brasiléia, ocorrida no dia 14 de julho de 2010. Dona Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos, tem de explicar por que a sua pasta, que era ocupada por um companheiro seu à época, nunca se interessou pelo assunto. Uma bala de borracha deixou um índio cego de um olho. Dias depois, um dos líderes da invasão, em protesto na Prefeitura, foi atingido por uma pistola elétrica no pescoço. Caiu desmaiado. Onde estão os moradores da área invadida? Já receberam casas populares? Têm direito ao aluguel social? A corregedoria da polícia apura os abusos? Fizeram-se os boletins de ocorrência?

2 - Depois é a vez do Piauí - Ouvidas todas as pessoas sobre os eventos no Acre, é preciso seguir a ordem cronológica e ouvir as envolvidas nos episódios que resultaram na agressão ao estudante Hudson Silva, que também ficou cego de um olho, em Teresina, no Piauí. Ele protestava contra a elevação do preço da passagem de ônibus. O Acre é governado pelo PT; o Piauí, pela parceria PSB-PT. Assim como as esquerdas não se interessaram por um caso, também não se interessaram por outro. A apuração do que se deu no estado no dia 18 de janeiro tem precedência sobre o Pinheirinho porque a) aconteceu antes; b) teve efeitos mais graves, claro!   

3 - Aí é preciso apurar o caso da Bahia - Ouvidos todos os lados ligados aos episódios do Acre e do Piauí, aí tem de ser a vez da Bahia — e isso não tem nada a ver com o terror ora vivido por lá. No dia 22 de janeiro, o mesmo da operação de reintegração de posse do Pinheirinho, em São Paulo, a PM da Bahia reprimiu um distúrbio acontecido durante num show do Olodum. A cozinheira Almerinda Santos das Neves também ficou cega de um olho. O padrão dos “companheiros” foi o mesmo. Nada de se interessar pelo seu caso. Até parece que, quando a polícia, sob a coordenação dos “progressistas”, fura o olho de alguém, o faz para promover, sei lá, justiça social…

4 - E que venha o Pinheirinho - E aí podem ser ouvidas, então, as pessoas envolvidas na desocupação de Pinheirinho, ocorrida no mesmo dia em que a baiana Almerinda perdia um olho. Por que, então, aquele caso vem primeiro? Ora, porque as conseqüências são mais graves.

5 - Finalmente, Distrito Federal - Ouvidas as personagens daqueles acontecimentos todos, chamem-se, então, representantes do governo distrital de Brasília, do governo federal e dos sem-teto para que falem sobre a desocupação da Fazenda Sálvia, no Distrito Federal, executada pelas polícias dos petistas Agnelo Queiroz e Dilma Rousseff. Autoridades do DF explicam, cheios de orgulho, a sua tática: combater a invasão tão logo ela ocorra, com a polícia, para que a Justiça não atrapalhe…

Encerro
Listo os eventos em ordem cronológica para expor, mais uma vez e sempre, a hipocrisia dessa gente. Preto, índio e pobre do Acre, do Piauí e da Bahia não são gente digna de nota, de afeto, de proteção, de solidariedade social??? Por que os petistas nunca se interessaram por eles e querem fazer de Pinheirinho o que não foi, a saber: UM MASSACRE?

Nada disso! Siga-se a ordem! Primeiro os sem-olho da repressão petista! E mesmo assim é preciso prudência: o governo tem maioria em todas essas comissões. Lamento! Ninguém quer apurar coisa nenhuma! E posso provar. Como?

O petista e negro Paulo Paim (PT-RS), autor do Estatuto da Igualdade Racial, é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Não se mexeu para apurar as circunstâncias em que um índio e dois negros, todos pobres, perderam um olho. Por que não? Teria sido essa a sua reação se tais eventos trágicos tivessem acontecido num governo do PSDB ou do DEM? Não só se apontaria a “violência contra os pobres” como se falaria, sem hesitação, em racismo.

Alguém duvida?

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 16:07

Nova ministra volta a defender legalização do aborto e compara a prática a “crack, drogas, dengue, HIV e doenças infecto-contagiosas”

Uma das características principais, se não for a principal, dos defensores da legalização do aborto é a DESUMANIZAÇÃO DO FETO, a transformação da VIDA que está no ventre da mulher em COISA, para que ele possa ser então, sugado, curetado. É um modo de pensamento que tem história.

Dilma Rousseff, antes de dar aquele truque nos eleitores e ter se tornado católica e contrária à legalização do aborto, era a favor. Deu inúmeras entrevistas. No dia 14 de maio de 2010, em Brasília (ah, a memória, esta minha amiga!!!), ao fim da chamada “Missa dos Excluídos”, que costuma juntar católicos de esquerda (!?), a então candidata do PT deu esta declaração maravilhosa sobre o aborto:
“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.

Entenderam? Embora, numa distração, Dilma considerasse que o feto é uma “vida dentro” da mulher, ela defendia o aborto. Ao procurar uma imagem para explicitar o seu pensamento, encontrou: “Ninguém quer arrancar um dente”! Assim, feto e dente se equivalem. As palavras fazem sentido.

Os cristãos, inicialmente os evangélicos e depois os católicos, não gostaram das opiniões da candidata. A questão pegou fogo na campanha eleitoral, e a petista virou, então, religiosa. Eleição ganha, Dilma pode retomar o velho projeto. Por isso nomeou para a Secretaria das Mulheres Eleonora Menicucci, ex-colega de armas — integrou o grupo terrorista POC (Partido Operário Comunista). Consta que Dilma não pegou no berro propriamente; Eleonora pegou.

Ontem, esta senhora já discorreu sobre o aborto. E voltou a fazê-lo nesta terça. Sua declaração é de embrulhar o estômago daqueles que não se deixam embrulhar pela trapaça intelectual. Leiam:
“O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

Como é que é? “Como sanitarista”, então, ela decreta que “não é uma questão ideológica”, mas “de saúde pública”? E sua autoridade para decretá-lo decorre do fato de ser “sanitarista”? Então se deve concluir que:
- o aborto é uma mera questão sanitária:
- todos os sanitaristas são necessariamente a favor do aborto como medida de pura higienização.

Os nazistas não afirmariam nada mais, como direi?, preciso a respeito. Se há alguma dúvida sobre o que ela pensa a respeito do feto, a dúvida se desfaz ao seguir os passos da chefe e tentar tornar mais claro o conceito. A outra comparou o “feto arrancado” ao “dente arrancado”. Dona Eleonora resolveu ficar na sua área e mandou brasa: o aborto não é uma questão ideológica, assim como não o são “o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o crack e as drogas.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o mosquito da dengue.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o vírus HIV.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como as doenças infecto-contagiosas.

No dia em que Dilma enganou os evangélicos
Em outubro de 2010, na reta da eleição, a então candidata Dilma Rousseff enviou uma Carta Aberta aos evangélicos.
Escrevi a respeito e comentei. No item 2, lia-se: “2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”. No item 3, estava escrito: “3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.”

Era só uma tática. Saibam que existe um projeto enviado ao Congresso pelo governo petista que descrimina, sim, o aborto. Agora é questão se “ganhar a sociedade” com o proselitismo. Dilma escolheu para a pasta uma militante da causa.

O silêncio dos bocós
Eleonora, já deu pra perceber, é chegada à mitologização da própria trajetória. Voltou a falar sobre o seu passado na luta armada, e isso costuma bastar para que os presentes façam um silêncio reverencial, ainda que ela compare um feto a um mosquito ou a uma infecção:
“Quem passou pelo que nós passamos na luta contra a ditadura cresce, amadurece, e não esquece nunca. São marcas que nos tornam mais fortes e mais sensíveis ao debate, sensíveis à espera, sem sentar-se numa cadeira e ficar esperando a banda passar. É espera com ação”, disse Menicucci.”

“Luta contra a ditadura” uma ova! Luta a favor de uma ditadura contra a outra ditadura! A diferença é que, se Eleonora e sua turma tivessem vencido, o terror teria durado muito mais tempo e matado uma quantidade de pessoas infinitamente maior, como provam todos os regimes comunistas. E Eleonora queria comunismo. Foi torturada? Lamento! Lamento, repudio e acho que os torturadores merecem a lata do lixo, assim como todos os assassinos comunistas.

Não dá! Esta senhora foi muito além do razoável. Andou revelando por aí, sem que lhe tenha sido perguntado, que tem uma filha lésbica, que ela própria se relacionou com homens e mulheres etc.  Parece padecer de egolatria; gosta de fazer praça de seu estilo de vida; acha que suas práticas pessoais compõem uma categoria de pensamento. É a Val Marchiori da esquerda. Está pronta para a capa de “Caras - Versão Vermelha”. Se eu fosse avançar na alegoria, teria de escrever que a banheira e a taça de champanhe de uma celebridade comunista estariam necessariamente cheias de sangue. “Ah, esse Reinaldo! Olhem que agressividade!” Sei. Suave é comparar o feto a uma infecção.

Eu estou pouco me lixando para a vida privada de Dona Eleonora e de sua família. Não tenho nada com isso. Eu não assisto ao ‘Mulheres Ricas” e também não me interesso por “Mulheres Loucas”. O que eu sei é o seguinte: é próprio das tiranias desumanizar o homem para que possam eliminá-lo em nome de uma causa. Assim procederam todos os fascismos, especialmente a sua versão nazista. Assim procedeu o comunismo. A diferença é que os fascistas costumam se esconder porque, intimamente, sabem-se partidários do horror, da truculência e da morte. Os comunistas recalcitrantes, ao contrário, sentem orgulho em revelar a sua condição. O fascista, um asqueroso, transforma a morte num instrumento de luta pelo poder; o comunista, outro asqueroso, transforma a morte num instrumento de progresso social.

Não, Dona Eleonora!
O feto não é um mosquito!
A vida é mais do que uma infecção!
Se e quando não for, então um partido vai definir quem é progressista o bastante para viver e quem não é colaborativo o bastante para morrer.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 14:42

Errei! Jaques Wagner não é conterrâneo do Weimar e da Cremilda!

Eita! Há um monte de baiano bravo comigo. É justo!

No post desta manhã sobre a coerência deste notável Jaques Wagner, afirmei que ele é conterrâneo de Gil e Caetano…

É não!!!

Wagner nasceu no Rio e se mudou para a Bahia em 1973, aos 22 anos. Prestes a completar 61 (16 de março), está em terras baianas faz tempo. Mas atenção!
- Não é conterrâneo de Gil e Caetano.
- Não é conterrâneo de Castro Alves.
- Não é conterrâneo de Gregório de Matos.
- Sobretudo, não é conterrâneo do Weimar e da Cremilda!

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 13:01

Comissão do Senado vai ouvir relatos de violações de direitos humanos em estados governados pelos “companheiros”

A Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pelo petista Paulo Paim (RS), estava pronta para realizar uma audiência pública para ouvir as partes envolvidas na desocupação do Pinheirinho. Vocês sabem: os petralhas não querem largar esse osso. Quanto mais fatos faltam para comprovar suas teses, mais eles se assanham.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) concordou, claro, mas, honrando seu mandato, conseguiu aprovar quatro outros requerimentos. Foi aprovado o convite para que a Maria do Rosário, secretária Nacional de Direitos Humanos, explique a expulsão das famílias que ocupavam a Fazenda Sálvia, no Distrito Federal. Escrevi a respeito:
Polícia do PT de Agnelo e Dilma expulsa 70 famílias de área da União, derruba 450 barracos dos miseráveis e prende 29 excluídos

Maria do Rosário também será convidada a falar sobre a violenta reintegração de posse de uma área em Brasiléia, no Acre, ocorrida no governo do “companheiro” Tião Viana. Um índio ficou cego de um olho, atingido por uma bala de borracha. Para ler mais, clique no título abaixo.
Aqui, eu lhes ofereço fatos, fotos e filme de uma reintegração de posse ocorrida no Acre, em julho, estado governado pelo PT. Este é o método do partido de Dilma e de Gilberto Carvalho

Finalmente, o Senado Federal se interessou pela história do estudante Hudson da Silva, que também perdeu em olho em confronto com a Polícia Militar do Piauí, numa manifestação contra a elevação da passagem de ônibus. Ele será convidado a falar à comissão. Seguem link  e foto de Hudson:
Aula prática de mau e de bom jornalismos - “PM do PSB e do PT deixa estudante negro do Piauí cego de um olho; Gilberto Carvalho e Maria do Rosário fingem que nada aconteceu”

estudante-cego1

A Comissão de Direitos Humanos vai ouvir ainda a cozinheira Almerinda Santos das Neves, da Bahia, que igualmente perdeu um olho num conflito com a Polícia Militar. O texto segue no link abaixo, com a foto.
Do capítulo “aulas de bom e de mau jornalismos” - Polícia Militar do PT deixa mais uma pessoa cega de um olho, agora uma cozinheira da Bahia

cozinheira-cega1

Felizmente, no Pinheirinho, não há cegos para contar história.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 7:11

LEIAM ABAIXO

Jaques Wagner em 1991-1992: “Solidarizo-me com os nossos conterrâneos da PM”. Jaques Wagner em fevereiro de 2012 - BALAS DE BORRACHA E CADEIA para os “conterrâneos da PM”. Ou: O Haiti é logo ali;
Dilma, a devota de “Nossa Senhora de Forma Geral”, escolhe uma notória defensora da legalização do aborto para a Secretaria das Mulheres; já fez dois, confessou, sem que ninguém a tanto a obrigasse;
O PT que privatiza - Partido chega aonde estavam os tucanos, mas 15 anos depois; Infraero como sócia de consórcios é só uma vela para o atraso;
Alckmin ataca “libertinagem” em aliança partidária e diz que ser oposição é tão patriótico quanto ser governo;
Sim, claro que vou falar sobre a privatização dos aeroportos;
JAQUES WAGNER CONTA O OPOSTO DA VERDADE A MILHÕES DE TELESPECTADORES DO JORNAL NACIONAL. VEJO-ME NA OBRIGAÇÃO DE CONFRONTÁ-LO COM OS FATOS;
No planeta Suplicy - Advogada de denunciantes de suposto estupro tem como clientes presos que Gaeco acusa de pertencer ao PCC;
Um poeminha para análise dos uspianos do PT, PSTU, PSOL, PCO…;
Agência Brasil reconhece erro em notícia sobre mortes no Pinheirinho; agora falta que portais privados de notícia façam o mesmo!;
VEJAM COMO UMA BALA DE BORRACHA DEMOCRÁTICA DO PT PRODUZ AQUELE VERMELHO VERDADEIRAMENTE REVOLUCIONÁRIO…;
PSDB quer que Mantega se explique no Senado;
Cadê você, senador Crivella? Quero ouvi-lo!;
Por que este silêncio do Carvalho?;
Ministério Público Estadual desmente ao menos uma das mentiras contadas pelo senador Eduardo Suplicy; agora falta desmoralizar as outras;
Aprenda o que é “operação de guerra”, Gilberto Carvalho; aprenda o que é barbárie, presidente Dilma!;
BA: grevistas entram em confronto com as tropas federais;
Num culto da igreja de Macedo, ficamos sabendo que foi o demônio que derrubou os prédios do Rio só para se vingar de ex-fiéis… Com a palavra o senador Crivella, que é membro da igreja, sobrinho do dono da igreja, filiado ao partido da igreja;
Cadê Gilberto Carvalho? “Operação de guerra” é o que se vê na Bahia, governada pelo PT. “Barbárie”, presidente Dilma, são 86 assassinatos em 6 dias só na Grande Salvador;
DEFENSORIA PÚBLICA DE SP VIROU BAGUNÇA POLÍTICO-PARTIDÁRIA - O defensor que fala como militante, diz inverdades jurídicas e parece odiar uma parcela da população de São José dos Campos;
Surge vivo mais um morto do Pinheirinho. Qual será a próxima invenção dos vigaristas?;
Se viciados em Shakespeare decidirem privatizar uma área da cidade na marra, teremos de chamar a polícia, ué!;
Extrema esquerda é boca de aluguel do petismo; com um sindicato aqui, outro acolá e a verba do fundo partidário, seus dirigentes vivem uma confortável vida burguesa

Por Reinaldo Azevedo
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07/02/2012

às 6:53

Jaques Wagner em 1991-1992: “Solidarizo-me com os nossos conterrâneos da PM”. Jaques Wagner em fevereiro de 2012 – BALAS DE BORRACHA E CADEIA para os “conterrâneos da PM”. Ou: O Haiti é logo ali

Este post, meus caros, tem de ser usado como instrumento de educação política da população. Se você ainda não é um abduzido; se ainda consegue resistir ao charme fatal dos petistas, use-o como evidência de um jeito de fazer política. E que jeito é este? Ele pode ser sintetizado assim: OS CRIMES QUE SERVEM AO PETISMO SÃO VIRTUDES; AS VIRTUDES QUE SERVEM A SEUS ADVERSÁRIOS SÃO CRIMES. Vamos ver?

Ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou que foi pego de surpresa pela greve da polícia. Bem, milhões de telespectadores ouviram uma mentira, comprovada pelos fatos. Publiquei aqui um post com a imagem do cartaz convocando a assembléia de policias para o dia 31 de janeiro. Ele circulava desde o dia 24. Wagner preferiu se mandar para Cuba em companhia de Dilma Rousseff, deixando o caos atrás de si. Enquanto sujava as suas mãos no sangue de 100 mil cubanos mortos pela tirania, os bandidos começavam a fazer jorrar o sangue dos baianos, já que boa parte dos policiais tinha saído das ruas. Dramatizo? Não! Cem assassinatos na Grande Salvador em miseráveis seis dias — o dobro de uma média já escandalosa! Vamos ver de novo o cartaz? Retomo depois.

bahia-assembleia-convocacao1

Retomando
Eu já apanhei muito por me posicionar contra greve de policiais.
Onde quer que tenha havido uma, escrevi: “Sou contra”.
Gente que usa armas para impor a sua vontade pratica terrorismo.
Mas Lula? Ah, Lula era a favor!
Jaques Wagner? Ah, Jaques Wagner era a favor. E não era pouco. Vejam esta outra imagem.

jaques-wagner-apoia-greve1

Trata-se de uma reprodução do Diário do Congresso Nacional de setembro de 1992. Ali vocês lêem o fragmento de um discurso do então deputado do PT Jaques Wagner. Atenção! Houve uma greve de PMs da Bahia no governo de ACM, em 1991, e outra no governo de Cesar Borges, em 2001. Quando ocorreu a primeira, eu era redator-chefe do Diário do Grande ABC. Critiquei duramente o movimento, com o meu mantra de sempre: “Gente armada não faz greve!”. Em 2001, era diretor de Redação do site e da revista Primeira Leitura. Escrevi vários artigos contra os métodos a que recorreram os grevistas. E continuo contra em 2012. Mas e Wagner? AH, ELE APOIOU A GREVE EM 1991 E EM 2001! Nesse segundo caso, afirma o ainda líder do movimento, os petistas chegaram a dar apoio material aos organizadores da paralisação.

Volto à imagem do Diário do Congresso. ACM não perdoou os que tentaram articular a greve. Decidiu puni-los, o que se estendeu até o ano seguinte, 1992. E Wagner fez, então, aquele magnífico pronunciamento, optando pelo proselitismo à beira do caos. Mais do que isso: o deputado sindicalista Wagner incentivava de forma aberta a indisciplina. Destaco alguns trechos:“Em primeiro lugar solidarizo-me com nossos conterrâneos da Polícia Militar do Estado da Bahia, que há aproximadamente dez dias vêm se movimentando juntamente com seus familiares, particularmente as esposas, numa justa reivindicação por melhorias salariais. Infelizmente, a impermeabilidade do Governador do Estado fez com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares.”
Como bom petista, apoiava tudo o que servisse para minar a credibilidade de um governo adversário.
(…)
“Acho um absurdo o atual vencimento dos agentes da Polícia Militar da Bahia, bem como o dos oficiais. Entendo que aqueles que têm por tarefa a manutenção da ordem pública precisam ter uma remuneração condizente com o risco de vida a que se expõem todos os dias.”
Notem o apelo sutil à indisciplina justamente dos oficiais. Mas o melhor vem agora.

“Por isso, registro minha solidariedade aos 110 oficiais e policiais militares já punidos e reitero veementemente meu apelo ao Comando da Polícia Militar para que, em vez de simplesmente seguir as ordens do Governador do Estado da Bahia, sempre impermeável às reivindicações do funcionalismo do nosso Estado, tente sensibilizar o Executivo do nosso Estado no sentido de que sejam atendidas as reivindicações das esposas dos militares que, na verdade, estão indo às ruas porque não têm como comprar alimentos para a família”.
Não lhes escapou, obviamente, que o companheiro Wagner estava convidando o comando da PM a se rebelar contra o governador.

O que dizer?
Está tudo aí! Felizmente, não há ninguém, hoje, na oposição tão irresponsável quanto eram Wagner e Lula. Mas também são poucos os responsáveis. Só o DEM se atreveu a fazer a coisa certa. O partido, obviamente, não endossa os métodos empregados pelos policiais em greve, mas chamou o governador às suas responsabilidades, o que os tucanos, por exemplo, até agora não fizeram. Diante de uma descalabro da magnitude que vemos, o partido está calado. Nem mesmo teve a ousadia mínima, não que eu tenha lido ao menos, de indagar por que o governador deixou o estado quando estava para ser decretada a greve — ERA CERTA COMO A LUZ DO DIA —, ausentando-se de suas responsabilidades e largando a Bahia à deriva.

São Paulo, 2008. Ou: Estes são eles!
Na greve de 2008, em São Paulo, CUT e Força Sindical se uniram no apoio a uma minoria de extremistas da Polícia Civil, que resolveram desafiar a lei e marchar, armados para, calculem!, o Palácio dos Bandeirantes! Chegaram a atirar contra homens da Polícia Militar, ferindo um oficial.

Será que a CUT rejeitou os métodos?
Será que a CUT pediu responsabilidade?
Não! O texto de solidariedade da central aos grevistas está
aqui. Afinal, estávamos num ano eleitoral, e se dava como certo que o então governador José Serra seria o candidato do PSDB à Presidência em 2010. ERA PRECISO PRODUZIR CADÁVERES EM SÃO PAULO. Não conseguiram. Abaixo, a imagem da página da CUT.

cut-apoia-greve-pc-de-sp

Não estou falando, não, de um PT longínquo, que ficou perdido lá atrás, num distante 1991 ou 1992, antes da conversão à realidade. Estou falando de um PT recente, de 2008, que ainda está aí, que ainda está aqui. Que mobiliza seus bate-paus nas universidades, nos sindicatos, nos movimentos sociais, na imprensa, em todo canto…

Estou falando do partido que deu apoio aos violentos da USP.
Estou falando do partido que atacou, em nota oficial, a correta ação da PM na cracolândia.
Estou falando do partido que demonizou a polícia e o governo do Estado na reintegração de posse do Pinheirinho.
Estou falando do partido que ainda mantém em sua página no Senado a acusação indecente, mentirosa, de estupro no Pinheirinho.
Estou falando do partido que usa até a marcha de meia-dúzia de maconheiros para satanizar a polícia.
Cabe-nos, sim, repudiar de modo veemente, sem qualquer flerte com a desordem, os métodos empregados pelos grevistas baianos. São inaceitáveis. Mas é também inaceitável que se desconsidere a atuação irresponsável do governador Jaques Wagner, que deixou a Bahia a arder e foi fazer turismo ideológico em Cuba, estendendo a viagem ao Haiti.

Ao Haiti?

Como diriam  Caetano Veloso e Gilberto Gil, que não são conterrâneos de Wagner, o Haiti é aqui. O Haiti é logo ali, na Bahia… de Wagner!

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 6:45

Dilma, a devota de “Nossa Senhora de Forma Geral”, escolhe uma notória defensora da legalização do aborto para a Secretaria das Mulheres; já fez dois, confessou, sem que ninguém a tanto a obrigasse

Eu gosto de sinceridade. Pago um preço alto por dizer o que penso, com sabem. A sinceridade na política é uma tolice? Pois é… Eu não sou político.  Leiam o que informa Bernardo Mello Franco, na Folha. Volto em seguida:
*
Amiga da presidente Dilma Rousseff desde a década de 1960 e sua colega de prisão na ditadura militar, a nova ministra Eleonora Menicucci, 67, promete defender a liberação do aborto à frente da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Socióloga, professora titular de Saúde Coletiva da Unifesp e filiada ao PT, ela assumirá o cargo na sexta-feira. Substituirá a também petista Iriny Lopes, que sai para disputar a Prefeitura de Vitória. Menicucci integra o Grupo de Estudos sobre o Aborto e já relatou ter se submetido à prática duas vezes. Ontem, afirmou à Folha que levará sua convicção e sua militância na causa para o governo. “Minha luta pelos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres e a minha luta para que nenhuma mulher neste país morra por morte materna só me fortalece”, disse.
Na campanha eleitoral de 2010, deu-se um evento fabuloso: Dilma Rousseff, então candidata do PT, notória defensora da “legalização” do aborto — ela empregava essa palavra —, mudou o discurso. Setores da imprensa armaram um escarcéu danado, acusando de “reacionários” todos aqueles que, ora vejam!, lembrassem as palavras da própria candidata.

A polêmica sobre o aborto marcou a corrida presidencial de 2010, quando José Serra (PSDB) usou o tema para atrair o voto religioso. Dilma, que já havia defendido a descriminalização da prática em duas entrevistas, disse ser “a favor da vida”, mas afirmou que não faria uma “guinada à direita” para se eleger. A nova ministra anunciou que fará uma gestão de continuidade. Citou como prioridades o combate à violência contra a mulher e à “feminilização da pobreza” e a preparação das feministas para a conferência Rio+20. Ela negou os rumores de extinção da secretaria, que circulavam desde o ano passado. “Digo isso como futura ministra. A secretaria continua com status de ministério e com muita força”, afirmou.
(…)
Voltei

Sim, meus caros! Material impresso por católicos conclamando os eleitores — católicos — a não votar em defensores do aborto foi apreendido. Pessoas foram presas por simplesmente portar um daqueles papéis. Era nada menos do que censura à liberdade de opinião. Os tais setores da imprensa aplaudiram o absurdo! Ninguém, no entanto, seria preso por imprimir um folheto que pedisse votos para defensores do aborto. Esse simples contraste dá conta da estupidez! E, no entanto, o aborto, ressalvadas os casos previstos em lei, é que é ilegal. Foi um momento de puro surrealismo político.

Pois bem! Dilma foi à Aparecida, escoltada por Gabriel Chalita, e passou a ser católica desde criancinha. Chegou até a declarar numa entrevista a Datena que era devota de Nossa Senhora. “De qual”, ele quis saber. Ela inventou uma santa nova: “Nossa Senhora de Forma Geral”… Mais: chamou a santa de a “nossa deusa”. Dilma inaugurava o paganismo católico.

Pois é… Agora a presidente escolhe para a Secretaria das Mulheres ninguém menos do que uma notória defensora do aborto, Eleonora Menicucci, que já confessou, sem que ninguém a tanto a obrigasse, ter se submetido à prática duas vezes. É claro que o cretinismo patrulheiro e fascistóide — os “fascistas do bem!” — já vão se arrepiar: “Vejam que absurdo escreve esse Reinaldo!” Absurdo por quê? Acho que Dilma estava enganando os eleitores, só isso. Ex-militante do grupo terrorista POC (Partido Operário Comunista), também Eleonora disse ter “muito orgulho e muita honra de ter sido presa política na luta contra a ditadura”.

Pois é… As palavras fazem sentido. Muitos se sentem honrados por ter lutado contra a ditadura. Eu mesmo lutei e acho isso honroso. Luto ainda contra outras formas de ditadura, como a de opinião. E continuo a achar honroso. Mas por que a prisão seria uma distinção honrosa? Fica parecendo que os que não foram presos são menos honrados. Não são, não! Até porque a democracia brasileira chegou pelas mãos dos que fizeram a luta pacífica contra o regime e queriam, de fato, democracia. Não era o caso nem de Dilma nem de Eleonora. Ou o Partido Operário Comunista assaltava bancos — ela mesma participou de ações assim — para instaurar no Brasil a democracia?

Podem urrar à vontade. Fato é fato. Lido com fatos.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 6:43

O PT que privatiza – Partido chega aonde estavam os tucanos, mas 15 anos depois; Infraero como sócia de consórcios é só uma vela para o atraso

Eu sou a favor de privatização até de escolinha de jardim da infância, desde que bem-feita. Dilma Rousseff não só é uma notória, como chamar?, retardadora de parcerias com a iniciativa privada como tem em sua carreira um estrondoso insucesso. O seu genial “modelo” de privatização de estradas federais, que levou Elio Gaspari a flertar com a poesia épica, deu com os burros nos buracos. Escrevi bastante a respeito já. Há muita coisa em arquivo. O resumo é este: antes, o usuário enfrentava buracos sem pagar pedágio; agora, enfrenta-os pagando. Bem baratinho!

O setor de aeroportos estava sob o controle de Dilma quando era chefe da Casa Civil. O caos se instalou, e nada de a privatização sair. Saiu. Mas de um jeito, de novo, meio esquisito. Vamos ver. Eu não sou especialista em privatizações, economista, financista ou o que seja. Sou apenas alguém que cuida de alguns aspectos lógicos dos processos. E costumo flagrar algumas incongruências, não devidamente respondidas pelos especialistas. Antes que entre no mérito, uma nota de ironia.

Que coisa, não? Uma das críticas que os petistas, especialmente a sua facção petralha, faziam às privatizações do governo FHC era o financiamento do BNDES. “Então o próprio estado brasileiro vai financiar o capital estrangeiro?”, indagavam, com aquela inteligência peculiar, esquecendo-se que um dos papéis de um banco de fomento é mesmo esse — desde que seja devidamente remunerado. Transformaram a participação do BNDES nas privatizações um crime, o que ajudou a compor a mitologia vigarista da dita “privataria”. Agora, vemos o organismo a financiar nada menos de 80% da operação. Ah, desta vez, estamos diante de uma autêntica obra-prima.

A Folha traz um pequeno e preciso texto na edição desta terça. Leiam. Volto em seguida.
*
Pesos-pesados da administração de aeroportos globais, como os de Cingapura, Frankfurt e Zurique, foram derrotados ontem no leilão dos aeroportos brasileiros de Cumbica, Viracopos e Brasília. Quem levou foram operadores da África e da América Latina, que não administram nenhum dos 30 maiores aeroportos do mundo. Os três grupos vencedores pagarão R$ 24,5 bilhões pela concessão, 347% mais que o lance mínimo. O BNDES financia 80% desse investimento. As concessões serão de 20 anos (Cumbica), 25 anos (Brasília) e 30 anos (Viracopos). A estatal Infraero manterá participação de 49%. Os consórcios são obrigados a manter um investimento mínimo (e mais concentrado) até a Copa-14. A Anac (Agência Nacional de Avião Civil) disse que controlará o reajuste das tarifas.

Os vencedores de Cumbica foram o consórcio formado por 90% da Invepar (sociedade entre a construtora OAS e fundos de pensão Previ, Funcef e Petros) e 10% da sul-africana Acsa. “O fato de ser um país emergente não diminui ninguém porque, senão, teríamos de ter o complexo de vira-lata eterno. Não temos vergonha de ser emergentes”, afirmou o ministro da Aviação Civil, Wagner Bittencourt. “São atores perfeitamente possíveis de ganhar e ganharam. Pena que os outros não tenham tido tanta ambição.” O maior aeroporto brasileiro, em Guarulhos, com 30 milhões de passageiros/ano, terá como operadora a Acsa, que trabalha, há quase dez anos, com nove unidades da África do Sul, entre elas a de Johannesburgo e a da Cidade do Cabo. Juntas, recebem 35 milhões de passageiros/ano.

Embora o aeroporto de Johannesburgo seja elogiado pela beleza, o país não primou pela excelência na Copa-10. Jatos executivos lotaram os pátios e voos comerciais tiveram de ser desviados. Houve caso de aviões vindos da Europa que tiveram de retornar em pleno voo. Viracopos, em Campinas, será operado pela Egis, consultoria francesa que administra 11 aeroportos na África (Argélia, Congo, Gabão) e na Polinésia, além do terceiro aeroporto de Paris, o Beauvais, a 55 km da capital francesa. Juntos, têm 13 milhões de passageiros ao ano (menos que Congonhas, que recebe 16,7 milhões). A Egis tem 10% do consórcio, em sociedade com a Triunfo (45%) e a UTC (45%).

Vencedores do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, o consórcio formado pela Infravix (construtora Engevix) e pelo operador aeroportuário argentino Corporación América, foi o mais agressivo no leilão, levando Brasília com 675% de ágio.  Com 40 aeroportos na América do Sul e na Armênia, dos quais 33 na Argentina, a empresa tem uma história conturbada em seu país. Venceu o leilão de privatização nos anos 90 pagando ágio elevadíssimo, mas não conseguiu honrar contratos. Com dívidas de US$ 600 milhões e atrasos no cronograma de investimentos, o grupo conseguiu, em 2007, renegociar o contrato, trocando a dívida por uma participação de 20% do Estado. Com a “reestatização”, deixou de pagar a outorga em troca de um porcentual das receitas para o governo.

Voltei
Como se vê, ninguém tem experiência compatível com o desafio. Vai dar certo? Tomara! Ou estamos lascados. Gigantes não costumam abrir mão de bons negócios, assim, por nada.  Essa conversa do ministro sobre “vira-lata” é só bobagem retórica para tentar transformar inexperiência num elemento de exultação.

O “modelo tucano”, como diriam os petistas, também contemplava a participação dos fundos de pensão (todos dominados pelo PT, note-se) e o financiamento do BNDES. Mas não tinha o governo como sócio — como terá o modelo Dilma, por intermédio da incompetente Infraero. A estatal publica em seu site um longo questionário com perguntas e respostas. Uma delas é esta:
Como fica a situação dos funcionários da Infraero que trabalham nos aeroportos concedidos, eles serão demitidos?
Não. Os empregados não serão demitidos. Aqueles que não quiserem trabalhar nas concessionárias, a seu critério, poderão continuar na Infraero. O governo e os sindicatos estão negociando uma ampla rede de benefícios e garantias aos trabalhadores da empresa de modo que o processo seja vantajoso para todos.

Huuummm… Se a nova administradora do aeroporto não quiser trabalhar com o funcionário “x”, ele fica na Infraero, certo? Mas fazendo exatamente o quê? Nesse caso, quem paga o seu salário? Não será certamente a nova empresa formada pelos investidores e pela estatal. Eu estou enganado, ou, no modelo de privatização do PT, a Infraero, na prática, ficou com todo o passivo trabalhista?

A manutenção de 49% das ações nas mãos da estatal é só o PT acendendo uma vela para o atraso, para marcar a diferença — para pior — na comparação com os tucanos. É claro que as empresas que venceram a disputa poderiam ter oferecido muito mais se soubessem que ficariam com 100% dos rendimentos — não apenas com 51%. De todo modo, notem que o “modelo tucano” não entrega a empresas privadas a administração de um patrimônio público, que é o que vai acontecer no “modelo petista”. Afinal, aqueles 49% que pertencem à Infraero estarão sob gestão privada. Eu dou graças aos céus por isso, confesso. Mas e as esquerdas sempre tão zelosas?

Fim de uma vigarice histórica
O PT venceu três eleições fazendo terrorismo com as privatizações. Em 2002, conseguiu convencer amplas camadas do eleitorado de que as formidavelmente bem-sucedidas privatizações da Telebras e da Vale eram um mal para o país. Em 2006 e 2010, acusou seus adversários de quererem privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Era só terrorismo eleitoral.

Agora, dado o desastre em que se encontra a infraestrutura aeroportuária brasileira, o partido não teve saída e resolveu fazer o óbvio, chegando aonde estavam os adversários que tanto demonizaram, só que com quase 15 anos de atraso. Não obstante, alguns franjas verdadeiramente criminosas do governismo ainda insistem em criar, ora vejam!, a “CPI da Privataria”… É patético!

A privatização dos aeroportos, que é bem-vinda, também é a evidência de uma fraude: a do discurso petista. Vamos torcer para que os aspectos deletérios da operação, como essa Infraero no meio da pista, não comprometam a sua eficiência. Porque seremos nós, como sempre, a pagar o pato.

Por Reinaldo Azevedo

07/02/2012

às 6:41

Alckmin ataca “libertinagem” em aliança partidária e diz que ser oposição é tão patriótico quanto ser governo

Por Daniela Lima, na Folha:
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) usou ontem palanque oferecido pelo DEM para fazer uma crítica velada ao prefeito Gilberto Kassab e seu partido, o PSD. O tucano foi convidado para evento no qual os democratas discutiram estratégias para as eleições municipais em São Paulo e em outros Estados e subiu à tribuna depois que diversos líderes do DEM atacaram o PSD de Kassab. Logo no início de sua fala, o governador enalteceu a aliança histórica entre tucanos e democratas e afirmou: “O meu partido, o PSDB, e o Democratas têm princípios e valores em comum.(…) Nós defendemos a democracia representativa, mas não a libertinagem partidária”.

Alckmin fez ainda um chamado ao papel da oposição. “É tão patriótico ser governo quanto ser oposição. A democracia precisa desse equilíbrio”, disse. As falas foram interpretadas como uma referência à sigla fundada por Kassab e ao jogo político que o prefeito está impondo na sucessão paulistana, onde fez acenos por uma aliança tanto ao PSDB quanto ao PT, principal adversário político dos tucanos na capital.

Aos tucanos, o prefeito ofertou uma coligação em torno de seu parceiro na fundação do PSD, o vice-governador Guilherme Afif Domingos. Sem uma resposta de Alckmin -o PSDB defende candidatura própria em São Paulo-, decidiu oferecer seu partido ao PT para ser vice na chapa encabeçada pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

A fala de Alckmin foi elaborada depois que o governador teve um encontro reservado com a Direção Nacional do DEM, no Palácio dos Bandeirantes, domingo à noite. Na ocasião, o tucano ouviu do presidente nacional da sigla, senador Agripino Maia (RN), garantias de suporte na eleição paulistana. No evento, Agripino fez questão de reiterar a garantia. Afirmou que Alckmin foi solidário ao DEM “nos momentos mais difíceis” e arrematou: “Se você não nos faltou, nós não lhe faltaremos”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 22:17

Sim, claro que vou falar sobre a privatização dos aeroportos

Pois é, queridos. Sou um só. Há quem ache muito. Há quem ache pouco. Não dá tempo de cuidar de tudo. Ainda vou escrever sobre o modo petista de privatizar… Na madrugada sai o texto. Elio Gaspari, o ombudsman de privatarias, certamente está escandalizado… Eu estou um pouquinho, mas deve ser por outros motivos.

Ah, sim: eu defendo a privatização até de Jardim da Infância. Mas fica para depois.

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 21:48

JAQUES WAGNER CONTA O OPOSTO DA VERDADE A MILHÕES DE TELESPECTADORES DO JORNAL NACIONAL. VEJO-ME NA OBRIGAÇÃO DE CONFRONTÁ-LO COM OS FATOS

Ai, ai, esse Jaques Wagner

Vi há pouco uma entrevista do governador da Bahia no Jornal Nacional. O petista afirmou, naquele tom baixo-profundo, que foi pego “de surpresa” pela ação dos policiais. Pois é… CONTOU O OPOSTO DA VERDADE A MILHÕES DE TELESPECTADORES. Qual é o meu papel? Confrontá-lo com os fatos.

De surpresa???

Não! De jeito nenhum!!!
Eu não apóio violência de policiais na Bahia.
Eu não apóio violência de meliantes na USP.
Eu não apóio violência do PSTU em São José dos Campos.

E também não apóio mentiras.

Vejam esta nota publicada num blog baiano no dia 28 de janeiro. Ali se informa que a PM poderia entrar em greve. A assembléia estava marcada para o dia 31 de janeiro, e o cartaz convocando o encontro circulava desde o dia 24. Mesmo assim,  Wagner tomou a iniciativa de acompanhar Dilma Rousseff a Cuba no dia 30. A última solenidade da presidente sustentando que nunca antes nestepaiz houve governo como o do PT aconteceu justamente na Bahia! Wagner foi abraçar os assassinos de Cuba, em companhia de Dilma, e o povo baiano ficou sujeito a seus potenciais assassinos.

Aqui está o cartaz. Infelizmente, governador, como se vê, o senhor contou o oposto da verdade a milhões de telespectadores do Jornal Nacional. EU NÃO ESTOU OPINANDO. EU ESTOU PROVANDO.

bahia-assembleia-convocacao

Por Reinaldo Azevedo

06/02/2012

às 20:53

No planeta Suplicy - Advogada de denunciantes de suposto estupro tem como clientes presos que Gaeco acusa de pertencer ao PCC

Então… Quanto mais eu pesquiso, mais o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), aquele, vai se mostrando uma pessoa séria, responsável, que só abre a boca para ser justo.

Já contei aqui as circunstâncias todas que desmoralizam a sua denúncia de que uma guarnição da Polícia Militar de São Paulo teria estuprado uma mulher no Pinheirinho. Pois bem… Resolvi aqui fazer as minhas pesquisas.

A Polícia Militar prendeu numa área vizinha ao Pinheirinho — não no Pinheirinho — três homens e um menor de 17 anos, acusados de tráfico de drogas e de portar uma espingarda calibre 12. Fez-se o BO. Os presos estavam acompanhados de sua advogada, Aparecida Maria Pereira. Ninguém relatou abuso sexual nenhum. Dez dias depois, eis que surge a “denúncia”, feita ao Ministério Público Estadual e ao notório Suplicy.

Aparecida Maria Pereira?

Pois é… Encontrei reportagens no jornal “O Vale” que mostram que ela é advogada de vários presos que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) acusa de pertencer ao PCC, especialmente Sérgio Augusto Fonseca, conhecido por “Quase Nada”, e Jorge Pereira dos Santos, o “Jorjão”, ligados ao tráfico de drogas em São José dos Campos. Além deles, sua lista de clientes inclui sete outros acusados.

Pois é… Mesmo assim, acreditem, a página do PT no Senado continua a divulgar as acusações e diz que os denunciantes são ex-moradores do Pinheirinho.

É a mentira como método!

Por Reinaldo Azevedo

 

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