Os protestos contra a corrupção e os políticos

Alguns parlamentares, gente boa, que respeito, entenderam que eu estava hostilizando a presença de políticos ou mesmo de partidos no movimento contra a corrupção. Eu não! Acho que até escrevi que eles certamente serão bem-vindos, desde que não se candidatem a “conduzir” os protestos. A minha crítica foi de outra natureza. Apontei a velharia, que […]

Alguns parlamentares, gente boa, que respeito, entenderam que eu estava hostilizando a presença de políticos ou mesmo de partidos no movimento contra a corrupção. Eu não! Acho que até escrevi que eles certamente serão bem-vindos, desde que não se candidatem a “conduzir” os protestos.

A minha crítica foi de outra natureza. Apontei a velharia, que nada tem a ver com idade, de certas lideranças da oposição que ainda acreditam que tudo se define no escurinho do cinema, nas reuniões fechadas, no toma-lá-dá-cá, no “voto hoje na sua mãe, e você me apóia no futuro”. Até a mãe entra no meio? Não dá!!! É esse tipo de comportamento que estou considerando em descompasso com o espírito daqueles que se dispõem a dizer um “Basta!” aos maus costumes dos políticos e da política.

É claro que movimentos em defesa da ética nas relações políticas podem e devem trabalhar em parceria com canais institucionais. Até porque é no Parlamento que as leis são votadas — quase sempre ao menos… Se queremos, por exemplo, o voto distrital no país, precisamos do apoio dos senhores parlamentares, dos políticos; precisamos convencê-los.

Mas é fato que certas alas da oposição estão em absoluto descompasso com esse sentimento de reparação da moralidade e, por que não?, da ordem na vida pública. Não se apresentam para o debate; fogem do confronto; evitam chamar as coisas pelo nome que elas têm. Por isso afirmei que os atos contra a corrupção foram promovidos pelo Movimento dos Sem-Político. E foram mesmo, ué. Eles podem participar? Não sou dono do boteco ou da bola, hehe… Na minha opinião, não só podem como devem.

Mas a população não entende essa história de abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim entre adversários. Civilidade política é uma coisa a ser aplaudida — e nem poderia ser diferente. Mas ela não pode ser confundida com falta de clareza. E não vale vir com essa cascata do “sou contra o governo, mas não contra o Brasil” e variantes. A favor do Brasil, é evidente, todo mundo é. Ou vocês imaginam um político indo à TV para dar uma “berlusconada”: “Só fiz isso porque odeio essa droga de país!”? Paulo Maluf, Fernando Collor, Delúbio Soares e José Dirceu amam o país, como vocês sabem.

A parcela do povo que está indo à rua cansou da velha ambigüidade.

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