Mentiras da propaganda política do PT

Rui Falcão, presidente do PT, não tem medo do cinismo. Deve estar treinando, aliás, para ser um profissional da área. Dia desses, anunciou que a presidente Dilma, depois de enquadrar os bancos, iria enquadrar… a imprensa!  Falcão avançou com paixão sanguinolenta contra o jornalismo independente quando se instalou a CPI do Cachoeira. Em vez de pregar […]

Rui Falcão, presidente do PT, não tem medo do cinismo. Deve estar treinando, aliás, para ser um profissional da área. Dia desses, anunciou que a presidente Dilma, depois de enquadrar os bancos, iria enquadrar… a imprensa!  Falcão avançou com paixão sanguinolenta contra o jornalismo independente quando se instalou a CPI do Cachoeira. Em vez de pregar a investigação das ações de bandidos, cismou que o alvo era a imprensa livre — justamente a que denuncia bandidos, como os mensaleiros, por exemplo. Leiam agora o que informa Daiene Carodoso, no Estadão Online. Volto depois.

O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, aparece em uma das inserções do partido no rádio e na TV defendendo a liberdade de expressão. “Somos totalmente abertos às novas ideias”, diz o petista, cercado de um grupo de jovens. Recentemente, Rui Falcão sugeriu que o governo Dilma Rousseff colocasse em discussão o polêmico tema do marco regulatório da comunicação.

A inserção faz parte da série de peças veiculadas nesta terça pelo partido após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberar um tempo da propaganda partidária na TV e no rádio que a sigla já havia dado como perdido. As outras peças são estreladas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua sucessora Dilma Rousseff e pelo pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, apresentado nas inserções como ex-ministro da Educação. “Inovamos na política, na economia e no social”, disse Falcão.

Renovação é o mote das inserções do PT. “O PT veio para mudar, inovar e renovar o Brasil”, afirmam Lula, Dilma e Haddad em outras duas inserções. O objetivo da propaganda é tornar o pré-candidato petista mais conhecido e atrelar sua figura a Lula e Dilma. O slogan da propaganda é “só se renova quem traz o novo”.

Na peça em que Dilma aparece, o marqueteiro João Santana optou por abordar os temas sociais. “Quando lançamos o Bolsa-Família, surpreendemos o mundo com algo novo”, afirmou Lula. “Lançar o Brasil sem miséria para acabar com a pobreza extrema no País, foi uma atitude nova”, emendou Dilma.
(…)
Voltei
Como é? “O Bolsa Família surpreendeu o mundo”? É mesmo? Então ficamos assim: pouco me importa se um, dois, 10,  10 mil ou 10 milhões se interessam pela verdade, eu escolho a verdade. No dia
26 de agosto de 2010, já desmoralizei esse suposto ineditismo. Não só com uma opinião, mas, como de hábito, com o texto da lei. Em vermelho, segue trecho da Medida Provisória que criou o “Bolsa Família”. Leiam:

 

(…) o programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Viram?
O Bolsa Família, como a MP deixa claro, era só a união de programas que já existiam. E que ganharam uma nova marca. Mas isso não é tudo, não! Lula, o próprio, era contra programas dessa natureza, achava que deixava o povo preguiçoso. Foi por isso que ele lançou o tal “Fome Zero” — este, sim, ele achava “revolucionário”. Deu com os burros n’água e teve de aderir ao programa do antecessor, que tanto demonizava.

No dia 9 de abril de 2003, ele fez um discurso na presença de Ciro Gomes. Ao atacar os programas que resultaram no Bolsa Família e defender o Fome Zero, que deu errado, afirmou (em vermelho):
Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag — Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

No dia 20 de outubro, Lula se rendeu, editou a MP, aderiu aos programas de FHC, mudou o nome deles e mandou ver: “Nunca antes na história destepaiz…”

A mentira está aí há oito anos, caminha para o nono e tende a durar mais tempo. Não importa quantos acreditem na verdade: um, dois, 10, 10 mil ou 10 milhões… Uma mentira seguirá sendo uma mentira, e uma verdade, uma verdade.

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